LEITURA NA UNIVERSIDADE: DO PAPEL IMPRESSO AO VIRTUAL Sandra Aparecida Pires Franco Universidade Estadual Londrina [email protected] Lucinea Aparecida de Rezende Universidade Estadual Londrina [email protected] Rovilson José da Silva Universidade Estadual Londrina [email protected] RESUMO Este texto foi elaborado a partir de pesquisa bibliográfica e de reflexões acerca da leitura e suas configurações no âmbito universitário. Nele, os pesquisadores, que em conjunto investigam a leitura e a formação de leitores, buscam compreender e discutir os novos sentidos que a leitura tem adquirido com a inclusão, cada vez maior, de aparatos eletrônicos e, principalmente, com o texto na tela, o texto digital. Além disso, qual a influência que isso causa na ambiência da leitura, no uso da biblioteca, da internet na nova relação com o conhecimento, com a maneira de ler. Neste sentido, pondera-se acerca da mediação que deve ser feita à leitura, quer seja no ambiente web, quer seja na biblioteca tradicional, de modo que o aluno universitário a utilize da melhor maneira possível, para sua formação, tanto a informação no papel quanto aquela que se apresenta de modo digital. Palavras-chave: universidade. leitura, formação de leitores, texto eletrônico, biblioteca, Introdução Em cada época da civilização, a relação do ser humano com o saber adquire dimensões diferentes, pois é influenciada pelo contexto histórico, social e tecnológico. Nesse sentido, pensar o saber remete diretamente à leitura e, consequentemente, ao ambiente escolar, uma vez que a escola tornou-se uma das principais instituições na organização do conhecimento, e para isso, ela utiliza a leitura como veículo para disseminar a informação, o conhecimento. Independente do grau da escolaridade a que podemos nos referir, fundamental ou universitário, haverá sempre ─ ou deveria haver ─ uma biblioteca fazendo parte do processo de mediação do conhecimento, de disseminação da informação. Quando nos referimos ao ensino universitário, impossível concebê-lo sem essa instituição em seu âmago. As bibliotecas medeiam o contato do aluno 787 universitário com o conhecimento de sua área, já produzido ou em construção, portanto, elas tornam-se indispensáveis nesse processo. Ao longo dos tempos, o modo de ler vem sofrendo alterações. Da leitura da tábua de argila à leitura na tela dos tablets, muitas foram as mudanças, entretanto, o homem sempre vai se readequando ao meio, aos novos aparatos que auxiliam na leitura e que, na maioria da vezes, influencia a relação do leitor com a leitura. No ambiente universitário, assim como na sociedade, as relações entre leitor e leitura vêm sofrendo mudanças e, assim, influenciam a relação do graduando com o saber. Nesse contexto, há outro aspecto que é fulcral: o aluno nem sempre tem chegado leitor na universidade e, portanto, o que se deve ser feito para levá-lo à leitura, quer seja pelo texto impresso ou virtual, ou ambos? Essas e outras questões permearão nossas discussões nesse texto. Leitores universitários Leitura é para ser vivida. Assim como não se ensina a nadar simplesmente com o uso de manual, ir aos textos é necessário quando se trata de ensinar e aprender a ler. Mais ainda: aprender a ler é tarefa para a vida toda, visto que nos deparamos continuamente com diferentes tipos1e gêneros textuais2. Estudiosos da leitura têm apontado para a importância da família na formação do leitor. A escola tem papel preponderante nessa trajetória. A propósito, disse Ziraldo: “ler é mais importante que estudar” (2011; 2003). No entanto, por vezes e não raramente, estudantes chegam à Universidade e ainda não são leitores, daqueles que leem como quem respira, quem alimenta o corpo, ou seja, leem o mínimo necessário exigido nos cursos que frequentaram/frequentam. Frente a essa realidade, há que se desencadearem ações que contribuam para a formação do leitor também na Universidade. Pensando desta maneira, foi desenvolvido na Universidade Estadual de Londrina ─ UEL, a partir do ano 2003, com desdobramentos que chegam a 2012, o 1 O modo de se estabelecer a interação do texto com o leitor é o que vai determinar o tipo de texto que se elabora. Podemos dizer, então, que tipo textual é a forma como um texto se apresenta: Narração, Descrição, Dissertação, Exposição, Informação, Injunção (este último aponta para como realizar uma ação). 2 Gênero textual se caracteriza pelo estilo do texto, pela sua função sociocomunicativa. Ex. email, bilhete, bula de remédio, romance, resenha, artigo de opinião, relatório, lista telefônica, etc. 788 projeto “Leitura Paixão”. Ao propormos esse Projeto, pautamos-nos na ideia de ambiência de leitura, que cabe à criança em meio à família dela. No entanto, consideramos que o/a jovem que chega à Universidade pode não ter recebido o estímulo suficiente para tornar-se leitor em meio à família. Esse estímulo também pode ter sido insuficiente na escola básica e no ensino médio, caso elas tenham pautado, predominamente, o fazer pedagógico em tarefas pontuais de leitura, sem o incentivo suficiente, que poderia propiciar a formação do leitor. Dessa forma, há que se propor ações que visem à formação de leitores na Universidade. O que os estudantes [...] vivenciam, via de regra, na trajetória acadêmica, é, no máximo, a submissão às leituras solicitadas no curso (nem tudo que é solicitado pelos professores é lido). Neste quadro, acreditamos que se os alunos não vivenciaram o contato com textos múltiplos e leitores assíduos anteriormente, quer seja na família, quer seja nos níveis anteriores de ensino, há que se viver isso em algum tempo (REZENDE, 2007, p. 34). Se o aluno não se tornou o leitor que deveria ser ao chegar à universidade, então podemos nos indagar se é possível formá-lo leitor na graduação? Provavelmente, será mais difícil, mas não devemos esquecer o compromisso da escola, em qualquer nível da escolaridade, com a formação contínua do leitor. Os objetos para a leitura têm, constantemente, se modificado. Vivemos um momento onde se procurar compreender, ponderar sobre as novas posturas em relação ao ato de ler que vai: desde o estudante em meio a livros, a textos diversos, quanto à leitura na tela dos tablets, dos computadores, enfim, ao chamado cibertexto; até a influência que os aparatos tecnológicos e o texto virtual têm gerado na formação de novos leitores. A geração que se apresenta à universidade tem convivido, lido em veículos diferentes, tais como o computador, tablets, telefones etc. Assim, a leitura do texto virtual, por meio da internet, talvez seja um dos principais veículos de leitura daquele que ingressa na universidade atualmente. Além disso, ainda não se tem ao certo a dimensão disso na relação com a formação de leitor, com a produção de conhecimento. Apresenta-se como desafio ao futuro da leitura na universidade, compreender como a relação com a leitura tem se processado e o impacto disso na formação dos universitários, tanto no sentido estrito, ou seja, diretamente ao curso que se estuda, bem como na formação genérica como leitor. 789 O texto eletrônico presente no espaço universitário A internet é um meio de comunicação que se expandiu pelo mundo todo. As tecnologias de informação e comunicação na internet disponibilizam o acervo de bibliotecas digitais e virtuais, expandido os limites do ensino e da pesquisa. A internet é uma ferramenta que abre caminhos entre o que acontece na escola e o mundo, inovando formas de contato. Mas essas possibilidades de comunicação só acontecem se as pessoas estiverem atentas para se aprofundarem nas suas pesquisas e compreenderem o mundo. A humanidade nunca teve tanta quantidade de informação e conhecimento. Os autores mencionam que há abundância de informação, mas é preciso selecionar os conteúdos. Afirmam também que a relação tempo-leitura está se tornando inviável e na mesma velocidade com que as informações transitam na internet. Sabe-se, no entanto, que o computador é um recurso utilizado pelo aluno para o processo de aprendizagem, valorizando o seu autoprocesso de aprendizagem. A internet é uma fonte informacional que serve ao adolescente como ferramenta de trabalho. Observa-se que a internet já faz parte do cotidiano do estudante e do graduando. Quanto à frequência de uso da Internet, para Rezende (2010), na leitura internética existe a dinamicidade, as inter-relações imprimindo algo novo ao ato de ler. Quem faz uso contínuo do computador e da internet, por certo já experimentou a sensação nova e provocante de que o tempo e o espaço, nessa dimensão do conhecer, permitem novas compreensões. O estar distante e o estar perto já não podem ser entendidos como operam, simplesmente. A maneira de se relacionar em rede permite aproximações múltiplas e variadas e nem por isso, necessariamente, menos profundas (REZENDE, 2010). Ressalta-se que Chartier (2002) menciona que a entrada na era do texto e do mundo digitais impõe as relações que mantemos com a escrita. O autor discute as práticas de leitura, as novas modalidades de publicação, a redefinição da identidade e da propriedade das obras ou o imperialismo linguístico estabelecidos sobre a comunicação eletrônica. Chartier (2002) afirma que a era do texto eletrônico não supera a invenção de Gutemberg. Para o autor, o manuscrito e o impresso andarão com o eletrônico por muito tempo. Comenta, também, que houve desde Condorcet (uma necessidade de 790 uma língua universal), só que Condorcet pensava nessa língua relacionada à invenção e à difusão da imprensa. Cabe, ainda, apresentar a pergunta feita por Chartier (2002, p.21): “Como pensar a leitura diante de uma oferta textual que a técnica eletrônica multiplica mais ainda do que a invenção da imprensa?” A primeira ruptura é quanto à ordem do discurso. Na cultura impressa, a ordem se estabelece a partir da relação entre tipos de objetos, categorias de textos e formas de leitura. Essa ordem dos discursos é que se transforma com a textualidade eletrônica, pois neste momento é um único computador em que aparece frente ao leitor uma diversidade de textos. Todos os textos são lidos no mesmo suporte, ou seja, a tela do computador. Agora não existe mais a materialidade dos textos. Para Chartier (2002, p.23) “Surge disso uma primeira inquietação ou confusão dos leitores, que devem enfrentar o desaparecimento dos critérios imediatos, visíveis, materiais, que lhes permitiam distinguir, classificar e hierarquizar os discursos.” Não há mais a percepção da obra como obra. A leitura na tela é descontínua e geralmente busca-se o fragmento textual do qual quer se apoderar, sem que seja vista a totalidade textual do texto. Verificamos que “quanto à ordem dos discursos, o mundo eletrônico provoca uma tríplice ruptura: propõe uma nova técnica de difusão da escrita, incita uma nova relação com os textos, impõe-lhes uma nova forma de inscrição” (CHARTIER, 2002, p.23-24). Verificamos que a revolução digital obrigou o leitor a abandonar as heranças, já que o mundo eletrônico está presente. Trata-se de uma revolução de percepção das entidades textuais e uma revolução das estruturas e formas da cultura escrita. Por outro lado, a textualidade eletrônica permite desenvolver argumentações que não é mais linear nem dedutiva. Trata-se de uma obra aberta, em que o leitor pode comprovar qualquer demonstração consultando pessoalmente os textos se estiverem digitalizados. Não há mais aquela confiança do leitor no autor, trata-se então de uma mudança também epistemológica. Percebemos também que o texto eletrônico é um texto maleável, móvel. “O leitor pode intervir em seu próprio conteúdo e não somente nos espaços deixados em branco pela composição tipográfica. Pode deslocar, recortar, estender, recompor as unidades textuais das quais se apodera” (CHARTIER, 2002, p.25). Chartier analisa que essa prática mencionada retira a estabilidade, a singularidade, a originalidade dos textos. Nesse sentido, Chartier (2002) percebe 791 que haverá dois tipos de textos: o que vai continuar sendo maleável, aberto, gratuitos e o que resultará de um trabalho editorial que fixará os textos publicados para o mercado. O computador tradicional para o primeiro caso e o e-book que não permite a modificação dos textos. O livro digital seria então o oposto à comunicação eletrônica livre e espontânea que autoriza qualquer pessoa a pôr em circulação na rede as suas ideias. Interessante ressaltar que essa diferença está presente em nossa Universidade, mas isso não significa relegar o produzido. Para tanto, Chartier (2002, p.28) acrescenta: “Num momento em que se discute a possibilidade ou a necessidade de as bibliotecas digitalizarem suas coleções (particularmente os jornais e revistas) tal observação lembra que, por mais fundamental que seja esse projeto de digitalização, ele nunca deve conduzir à relegação ou à destruição dos objetos do passado.” Para a leitura de textos no computador, segundo Antonio Rodriguez de las Heras (1991), é imprescindível observar que o suporte é sempre o mesmo, que a leitura é segmentada, fragmentada. É preciso lembrar que as formas, a audição e o visual de um texto participam profundamente da construção de seus significados. “O mesmo texto, fixado em letras, não é o mesmo, caso mudem os dispositivos de sua escrita e de sua comunicação.” Nesse sentido, sobressai-se a necessidade de uma disciplina que tenha por finalidade a descrição rigorosa dos objetos escritos e impressos que carregam os textos. Quanto à biblioteca de amanhã, pensá-la como totalmente exposta no mundo eletrônico seria uma perda de identidade. Para Chartier (2002, p.119-120): O sonho é sedutor. Mas não deve nos desencaminhar. Em primeiro lugar, é preciso lembrar com insistência que a conversão eletrônica de todos os textos, cuja existência não começa com a informática, não deve absolutamente significar a relegação, o esquecimento ou, o que é pior, a destruição dos manuscritos ou dos impressos que antes lhes haviam servido de suporte. Mais do que nunca, talvez, uma das tarefas essenciais das bibliotecas é coletar, proteger, recensear e tornar acessíveis os objetos escritos do passado. Se as obras que eles transmitiram não fossem mais comunicadas, se fossem até mesmo conservadas apenas em forma eletrônica, haveria grande risco de ver perdida a inteligibilidade de uma cultura textual identificada aos objetos que a transmitiram. A biblioteca do futuro deve, portanto, ser esse espaço em que serão mantidos o conhecimento e a convivência da cultura escrita nas formas que foram e são ainda majoritariamente as suas. 792 Percebemos, em nosso dia-a-dia, que a biblioteca pode possibilitar ao leitor o contato com os diferentes suportes e ainda com o mundo eletrônico que estamos vivenciando. Ela pode ser um espaço que contribua para a leitura, possibilitando a formação de novos leitores. A biblioteca: espaço virtual e não virtual Ao longo da história da humanidade, o ser humano busca ampliar/aperfeiçoar seu conhecimento e em cada época histórica, de acordo com seu desenvolvimento tecnológico, insere as novas tecnologias no processo de disseminação do conhecimento e nesse contexto são as bibliotecas uma das principais instituições a promover isso, por meio da leitura. Desde a Biblioteca de Alexandria, há milhares de anos, cujos livros eram armazenados em rolos até os dias atuais com o crescimento do ambiente virtual, houve o aperfeiçoamento dos aparatos tecnológicos usados nesse espaço, bem como a relação com o saber foi se modificando. A partir do século XX houve um dilúvio informacional (LÉVY, 2008) que desafia a todos a conviver e aprender a navegar nessa nova rede de conhecimento que se apresenta. Impossível ignorar que se vive num ambiente cuja leitura tem sido, cada vez mais, mediada pelo mecanismo virtual, conforme Lévy (2008, 17): O ciberespaço (que também chamarei de “rede”) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como, os seres humanos que navegam e alimentam seu universo. Nessa complexa teia, a relação com o saber tem sido modificada, bem como os aparatos tecnológicos que são utilizados para chegar ao conhecimento, para disseminá-lo, compartilhá-lo. Assim, a leitura no âmbito escolar, que seja ela em qual nível de ensino for, altera-se, é um movimento que muitas vezes vem de fora para dentro, ou seja, do uso social para a escola, que representa, nesse caso, o saber acadêmico organizado. A leitura, em nossa sociedade, tornou-se condição para compartilhar conhecimento, para aprender, mas os ler hoje está multifacetado, pois há leitura no papel, modo tradicional dos últimos dois séculos, entretanto, com o desenvolvimento 793 tecnológico, a leitura está num processo migratório para outras bases que não as impressas. Com isso, cada vez mais a leitura é feita na tela de computadores, smart fones, e-livros, tablets, celular e tanto outros aparatos que não param de chegar ao convívio social. Nesse âmbito, há o encontro de gerações que manuseiam e daquelas que não manuseiam tantas novidades. Ora as barreiras são econômicas, nem sempre as pessoas têm acesso imediato ao aparato; ora devido dificuldade para manuseá-lo, utilizá-lo, em geral, o que acontece com os mais velhos, pois estão mais acostumados ao modelo tradicional de leitura, ao livro ou no máximo, um computador simples. O conflito tecnológico entre as gerações acontece, não é diferente nas salas das universidades, pois com a informação mais acessível, tem sido mudada, e nem sempre nos damos conta disso, a relação com a pesquisa, com o conhecimento. Nesse universo, existem algumas questões que têm surgido e obrigam aos professores a repensar as formas de trabalhos de pesquisa a serem solicitados aos seus alunos, principalmente a qual veículo recorrer. É preciso ponderar ainda que, embora o texto na rede esteja disponível o tempo todo, caberá à universidade o papel de mediadora dessa relação para seleção do que pode ser adequado ou não para ser utilizado de modo científico, pois os textos da web também têm característica babélica de poder tudo de toda a forma, o que nem sempre é adequado para a formação científica, para os estudos. Quando tratamos da organização do conhecimento, cientificamente construído, é necessário pensar na biblioteca da universidade, tanto a tradicional com livros, periódicos impressos, quanto naquela mista com livros e aparatos tecnológicos e redes virtuais. As bibliotecas universitárias ainda não acompanham aos lançamentos tecnológicos, o máximo que encontramos são computadores com acesso a internet e aos bancos de dados da própria biblioteca. Quando os aparatos não estão obsoletos. Em geral seus espaços carecem de equipamentos de última geração e junto a isso, toda uma conjuntura físico-espacial em relação à iluminação, à refrigeração e ao pessoal treinado para isso. Assim, urge que a biblioteca universitária esteja estruturada para acompanhar as mudanças relativas ao uso cada vez maior de componentes tecnológicos em seu 794 espaço, de modo que o leitor possa interagir com as diversas possibilidades de usar o texto, tanto de forma impressa quanto de forma digital, de modo que o leitor tenha sempre sua curiosidade mitigada e,ao mesmo tempo, instigada para a leitura. Considerações Finais Ler está intimamente ligado ao movimento social, à medida que a sociedade transforma sua maneira de se relacionar com a leitura, com o conhecimento, isso desencadeia uma sucessão de mudanças tanto na produção, na disseminação e, principalmente, na recepção do que é lido. Há mais acesso ao escrito, à leitura, entretanto, isso ainda não assegura que haja leitura, principalmente, no caso do estudante universitário, cujos meios tecnológicos estão cotidianamente presentes em quase a totalidade dos alunos. A leitura no âmbito universitário, indiscutivelmente, passa pelo texto eletrônico, pela internet, pois cada aluno que chega a cada ano, mais estará acostumado ao texto digital, entretanto, é preciso analisar a qual (is) texto (s) esse aluno está acostumado. Em geral, nem sempre são textos que exigem maior esforço do leitor para compreensão, estão sempre em nível da superficialidade, apenas do informativo, como é a linguagem jornalística dos sítios e dos blogs da internet. Assim, pensar a leitura e a contínua formação de leitores na escola deve conciliar a utilização cada vez mais ampla da biblioteca, tanto de seu acervo impresso quanto digital, virtual, pois a leitura passa hoje por esses dois veículos e não é possível ignorá-la. REFERÊNCIAS CHARTIER, Roger. Os desafios da escrita. São Paulo: Ed. UNESP, 2002. LAS HERAS, A. R. Navegar por La información. Madrid: Los Libros de Fundesco, 1991. LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2008. REZENDE, Lucinea Aparecida de. Leitura na graduação. Práxis educacional: Revista do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, v. 6, n.8, p.ini-final, jan/jun., 2010. 795 ______. Formação de leitores: um caminho possível. In: KARWOSKI, Acir, Mário; GAYDECZKA, Beatriz (Org.). Leitura: leitores e bibliotecas no interior do Brasil. União da Vitória: Kaygangue, 2007. p. 33-44. ZIRALDO. Ler é mais importante que estudar. Parte 2. Vídeo. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=rtxpxhrGZMI>. Acesso em: 11 out. 2011. ______. Ler é mais importante do que estudar. 2003. Disponível em: <http://www.ofaj.com.br/textos_conteudo.php?cod=21>. Acesso em: 25 jun. 2008. 796