UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA E DE MATERIAIS RODRIGO VILLACA SANTOS DESENVOLVIMENTO DE UM MECANISMO PARA MEDIR O IMPACTO DA APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA NA MATURIDADE DO PROCESSO DE FABRICAÇÃO DISSERTAÇÃO CURITIBA 2011 RODRIGO VILLACA SANTOS DESENVOLVIMENTO DE UM MECANISMO PARA MEDIR O IMPACTO DA APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA NA MATURIDADE DO PROCESSO DE FABRICAÇÃO Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Engenharia Mecânica e de Materiais da Universidade Tecnológica Federal do Paraná como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Engenharia – Área de Concentração: Engenharia de Manufatura. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Carla C. A. Estorilio. CURITIBA 2011 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha família por todo o apoio e incentivo que me deram. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por me dar mais uma oportunidade em minha vida. Agradeço aos meus pais, Pedro Afonso dos Santos e Shenia Villaca dos Santos, pela existência e todo o apoio que proporcionaram em minha vida pessoal e profissional. Agradeço a minha irmã e seu marido, Patrícia Villaca Miranda e Jair Miranda Neto, por todo o apoio. Agradeço a minha orientadora, Prof.ª Dr.ª Carla C. A. Estorilio, grande exemplo, pelo suporte e orientação, essenciais para o desenvolvimento dessa obra. Agradeço aos meus colegas e professores da UTFPR com quem vivenciei esse período prazeroso. Agradeço aos meus amigos que me deram grande suporte. Agradeço a empresa que contribuiu para que esse trabalho fosse efetuado. A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original (Albert Einstein). RESUMO SANTOS, Rodrigo Villaca. Desenvolvimento de um Mecanismo para Medir o Impacto da Aplicação do Seis Sigma na Maturidade do Processo de Fabricação. 2011. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Programa de PósGraduação em Engenharia Mecânica e de Materiais, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba. As empresas estão buscando novas alternativas para melhorar seus produtos, processos e serviços. A razão desta busca é devido ao mercado estar cada vez mais competitivo e exigente. Assim, as empresas procuram melhorias para sobreviverem e gerarem lucros para seus negócios. Entre as metodologias utilizadas por elas está o Seis Sigma, que auxilia na melhoria contínua dos processos envolvidos na produção. Os impactos do Seis Sigma são conhecidos, porém, a maioria aborda apenas os que geram benefícios pontuais e diretos no setor produtivo, desconsiderando a possibilidade de repercussões mais amplas no Processo de Fabricação. A maturidade de um processo pode ser um dos aspectos afetados após a implantação do Seis Sigma, porém, pouco foi investigado sobre o tema. Por tais razões, o presente trabalho visa analisar a metodologia Seis Sigma e o seu impacto na maturidade de um Processo de Fabricação. Para isso, é apresentada uma revisão bibliográfica sobre conceitos relacionados ao Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP) e o Processo de Fabricação, dentre os modelos que medem o nível de maturidade, o Capability Maturity Model Integration (CMMI) e a metodologia Seis Sigma. Para viabilizar esta análise, primeiramente são analisados e identificados os itens do CMMI que poderiam ser alterados com a aplicação do Seis Sigma. Para tanto, é conduzida uma comparação entre esses itens e os impactos do Seis Sigma provenientes de casos previamente publicados. Posteriormente, uma empresa de médio porte é escolhida para fazer parte deste estudo, onde a maturidade do processo em estudo é medida antes e depois da aplicação do Seis Sigma, utilizando os itens do CMMI previamente delimitados. Entre os resultados, esse trabalho apresenta o nível de impacto da metodologia Seis Sigma na maturidade de um Processo de Fabricação, detalhando os setores e as atividades da empresa que sofrem tal impacto. Palavras-chave: Seis Sigma. Maturidade. Processo de Fabricação. CMMI. ABSTRACT SANTOS, Rodrigo Villaca. Development of a Mechanism to Measure the Impact on Manufacturing Process Maturity of the Application of Six Sigma. 2011. Dissertation (Masters in Engineering) – Graduate Program in Mechanical and Materials Engineering, Federal Technological University of Paraná, Curitiba. Companies are seeking new alternatives to improve their products, processes and services because the markets in which they operate are increasingly competitive and demanding. They therefore look for improvements to survive and to generate profits for their businesses. Among the methodologies they use is Six Sigma, which helps to continually improve the processes involved in production. While the impacts of Six Sigma are known, most of the literature on this subject only discusses the impacts that generate direct, isolated benefits in the production area and ignores the possibility of further-reaching consequences in the manufacturing process. The maturity of a process can be one of the aspects affected following the implementation of Six Sigma, however, there has been little research into this subject. This study therefore seeks to analyze the Six Sigma methodology and its impact on the maturity of a manufacturing process. To this end, we present a review of the literature on concepts related to the product development process (PDP), manufacturing process, as an example of models that measure the level of maturity, the Capability Maturity Model Integration (CMMI) and Six Sigma methodology. To facilitate the analysis, the CMMI process areas that could be affected following the application of Six Sigma are first analyzed and identified by comparing the objectives and practices of each process area with the impacts of Six Sigma reported in previously published cases. Then a medium-sized company is chosen and the maturity of the process being studied is measured before and after the application of Six Sigma using the previously identified items from the CMMI. The findings reported here include the extent of the impact of the Six Sigma methodology on the maturity of the manufacturing process and details of the company departments and activities that suffered this impact. Keywords: Six Sigma. Maturity. Manufacturing Process. CMMI. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 – VISÃO GERAL DO MODELO DE REFERÊNCIA......................... 22 FIGURA 2 – COMPONENTES DO MODELO CMMI......................................... 29 FIGURA 3 – NÍVEIS DE MATURIDADE (REPRESENTAÇÃO POR – ESTÁGIO) E NÍVEIS DE CAPACIDADE – (REPRESENTAÇÃO CONTÍNUA)................................................ 31 FIGURA 4 – REPRESENTAÇÃO DA “DISTRIBUIÇÃO NORMAL”................... 36 FIGURA 5 – REPRESENTAÇÃO DE UMA CURVA NORMAL.......................... 36 FIGURA 6 – REPRESENTAÇÃO DOS LIMITES DE ESPECIFICAÇÃO – E ÁREAS SOB A CURVA NORMAL A 1, 2 E 3 DESVIOS – PADRÕES A CONTAR DE CADA LADO DA MÉDIA................... 37 FIGURA 7 – PADRÃO SEIS SIGMA COM DESVIO DE ±1,5 O EM – RELAÇÃO À MÉDIA...................................................................... 39 FIGURA 8 – LINHA 01 (DIÂMETRO DE 83 MM), PEÇAS PRODUZIDAS E – REFUGOS NO ANO DE 2011....................................................... 68 FIGURA 9 – LINHA 02 (DIÂMETRO DE 99 MM), PEÇAS PRODUZIDAS E – REFUGOS NO ANO DE 2011....................................................... 68 FIGURA 10 – LINHA 03 (DIÂMETRO DE 155 MM), PEÇAS PRODUZIDAS E – REFUGOS NO ANO DE 2011....................................................... 69 FIGURA 11 – REFUGOS NAS MÁQUINAS E NOS SETORES NO – MÊS DE ABRIL DE 2011............................................................... 70 FIGURA 12 – REFUGOS NAS MÁQUINAS E NOS SETORES NO MÊS DE – MAIO DE 2011............................................................................... 70 FIGURA 13 – REFUGOS NAS MÁQUINAS E NOS SETORES NO MÊS DE – JUNHO DE 2011........................................................................... 71 FIGURA 14 – FLUXOGRAMA DA LINHA DE MONTAGEM 03 (DIÂMETRO – DE 155 MM)................................................................................... 72 FIGURA 15 – DIAGRAMA DE PARETO IDENTIFICANDO OS PRINCIPAIS – DEFEITOS PELA FREQUÊNCIA DE OCORRÊNCIA - LINHA – DE MONTAGEM 03 (DIÂMETRO DE 155 MM)............................ 76 FIGURA 16 – GRÁFICO DE CONTROLE REPRESENTANDO A – PROPORÇÃO DE TODOS OS DEFEITOS EM 28 AMOSTRAS – DA LINHA DE MONTAGEM 03 (155 MM)..................................... 77 FIGURA 17 – GRÁFICO DE CONTROLE REPRESENTANDO A – PROPORÇÃO DE DEFEITOS NA APLICAÇÃO DO VERNIZ – EM 28 AMOSTRAS DA LINHA DE MONTAGEM 03 (155 MM).... 77 FIGURA 18 – GRÁFICO DE CONTROLE REPRESENTANDO A – SOBREPOSIÇÃO DOS GRÁFICOS DE CONTROLE 07 E 08 – DA LINHA DE MONTAGEM 03 (155 MM)..................................... 78 FIGURA 19 – DIAGRAMA CAUSA E EFEITO PARA A APLICAÇÃO DO – VERNIZ.......................................................................................... 79 FIGURA 20 – PLANO DE AÇÃO......................................................................... 82 FIGURA 21 – GRÁFICO DE CONTROLE REPRESENTANDO A – PROPORÇÃO DE TODOS OS DEFEITOS EM 14 AMOSTRAS – DA LINHA DE MONTAGEM 03 (155 MM)..................................... 83 FIGURA 22 – RESULTADO DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO – (INICIAL E FINAL) NA ÁREA DE PROCESSO FOCO NO – PROCESSO ORGANIZACIONAL – OPF...................................... 86 FIGURA 23 – RESULTADO DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO – (INICIAL E FINAL) NA ÁREA DE PROCESSO DEFINIÇÃO DE – PROCESSO ORGANIZACIONAL – OPD..................................... 86 FIGURA 24 – RESULTADO DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO – (INICIAL E FINAL) NA ÁREA DE PROCESSO TREINAMENTO – ORGANIZACIONAL – OT.............................................................. 87 FIGURA 25 – RESULTADO DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO – (INICIAL E FINAL) NA ÁREA DE PROCESSO DESEMPENHO – DO PROCESSO ORGANIZACIONAL – OPP............................... 88 FIGURA 26 – RESULTADO DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO – (INICIAL E FINAL) NA ÁREA DE PROCESSO IMPLANTAÇÃO – DE INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL – OID.................................. 88 FIGURA 27 – NÍVEIS DE MATURIDADE (INICIAL E FINAL) DA EMPRESA X – PARA A CATEGORIA GESTÃO DE PROCESSO........................ 93 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 – COMPARAÇÃO DAS VANTAGENS ENTRE AS – REPRESENTAÇÕES CONTÍNUA E POR ESTÁGIOS............... 31 QUADRO 2 – OBJETIVO DE CADA PA E A SUA IDENTIFICAÇÃO NA – LITERATURA, PARA A CATEGORIA GESTÃO DE – PROCESSO................................................................................ 58 QUADRO 3 – OBJETIVO DE CADA PA E A SUA IDENTIFICAÇÃO NA – LITERATURA, PARA A CATEGORIA SUPORTE...................... 60 QUADRO 4 – PESSOA RESPONSÁVEL PARA RESPONDER OS – INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO............................................ 65 QUADRO 5 – NÍVEL DE MATURIDADE INNSTRUMENTO INICIAL OBTIDA DE PELO AVALIAÇÃO INICIAL........................................................................................... 66 QUADRO 6 – EQUIPE SEIS SIGMA................................................................. 66 QUADRO 7 – CARTA DE PROJETO................................................................ 72 QUADRO 8 – LISTA DE VERIFICAÇÃO........................................................... 75 QUADRO 9 – CAUSAS DOS PROBLEMAS, ATIVIDADES PROPOSTAS NO PLANO DE AÇÃO E SEUS OBJETIVOS................................................................................... 81 QUADRO 10 – DEFINIÇÕES DAS ÁREAS DE PROCESSO POR – CATEGORIA............................................................................... 102 QUADRO 11 – ESTRUTURA DO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO PELA REPRESENTAÇÃO – CONTÍNUA.................................................................................. 105 QUADRO 12 – INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO PELA REPRESENTAÇÃO – CONTÍNUA.................................................................................. 108 QUADRO 13 – INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO INICIAL................................. 113 QUADRO 14 – INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO FINAL.................................... 118 LISTA DE TABELAS TABELA 1 – CATEGORIAS, ÁREAS DE PROCESSO...................................... 28 TABELA 2 – COMPARAÇÃO ENTRE OS NÍVEIS DE CAPACIDADE E OS – NÍVEIS DE MATURIDADE............................................................ 32 TABELA 3 – NÚMERO DE SIGMAS, PORCENTAGEM COMPARADA AOS – DEFEITOS (PROCESSO IDEAL E REAL).................................... 38 TABELA 4 – NÚMERO DE SIGMAS COMPARADO AOS DEFEITOS – (PROCESSO IDEAL E REAL)....................................................... 39 TABELA 5 – CASOS DE GRANDE SUCESSO COM A IMPLANTAÇÃO DA – METODOLOGIA SEIS SIGMA...................................................... 47 TABELA 6 – CLASSIFICAÇÃO DE PORTE DE EMPRESA ADOTADA – PELO SEBRAE.............................................................................. 56 TABELA 7 – TABELA SIMPLIFICADA DE CONVERSÃO EM SIGMA.............. 80 TABELA 8 – NÍVEL SIGMA INICIAL PARA A LINHA DE MONTAGEM 03 (155 MM).......................................................................................... 80 TABELA 9 – NÍVEL SIGMA FINAL PARA A LINHA DE MONTAGEM 03 (155 MM).................................................................................................. 83 TABELA 10 – EXEMPLO PARA DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE – MATURIDADE............................................................................... 89 TABELA 11 – NÍVEL DE MATURIDADE – INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO – INICIAL.......................................................................................... 90 TABELA 12 – NÍVEL DE MATURIDADE – INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO – FINAL............................................................................................. 91 LISTA DE ACRÔNIMOS DIEESE Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos DMAIC Define, Measure, Analyze, Improve, Control (Definir, Medir, Analisar, Melhorar, Controlar) SEI Software Engineering Institute (Instituto de Engenharia de Software) SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas LISTA DE SIGLAS CMM Capability Maturity Model (Modelo de Maturidade e de Capacidade) CMMI Capability Maturity Model Integration (Modelo Integrado de Maturidade e de Capacidade) GG Global Goals (Metas Genéricas) GP Global Practices (Práticas Genéricas) IPPD Integrated Product and Process Development (Produto Integrado e Desenvolvimento de Processo) PA Área de Processo PDCA Plan, Do, Check, Act (Planejar, Fazer, Verificar, Agir) PDP Processo de Desenvolvimento de Produto PME Pequena e Média Empresa PPM Partes por Milhão SG Specific Goals (Metas Específicas) SP Specific Practices (Práticas Específicas) SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.................................................................................................. 16 1.1 OBJETIVOS................................................................................................... 18 1.1.1 Objetivo Geral............................................................................................. 18 1.1.2 Objetivos Específicos.................................................................................. 18 1.2 JUSTIFICATIVA............................................................................................. 19 1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO...................................................................... 19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................... 20 2.1 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO E PROCESSO DE FABBRICAÇÃO................................................................................................... 2.2 MATURIDADE DOS PROCESSOS E MODELOS 21 DE AVALIAÇÃO......................................................................................................... 25 2.2.1 Modelo CMMI.............................................................................................. 26 2.3 SEIS SIGMA.................................................................................................. 34 2.3.1 Distribuição Normal..................................................................................... 36 2.3.2 Métodos Utilizados para a Aplicação do Seis Sigma.................................. 40 2.3.2.1 O método DMAIC..................................................................................... 41 2.4 A EQUIPE SEIS SIGMA................................................................................ 44 2.5 CASOS DE IMPLANTAÇÃO E UTILIZAÇÃO DO SEIS SIGMA.................... 47 3 METODOLOGIA DA PESQUISA..................................................................... 52 3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA................................................................. 52 3.2 MÉTODO DA PESQUISA.............................................................................. 53 3.3 DELIMITAÇÃO DO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO DE MEDIÇÃO DA MATURIDADE................................................................................................... 57 4 IMPACTO DO SEIS SIGMA NA MATURIDADE DO PDP............................... 62 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA X.......................................................... 62 4.1.1 Processo Produtivo na Empresa X............................................................. 64 4.2 INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO INICIAL.................................................... 65 4.3 APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA...................................................................... 66 4.4 AVALIAÇÃO DA MATURIDADE APÓS O SEIS SIGMA................................................................................................................. 84 4.5 RESULTADOS............................................................................................... 84 4.5.1 Instrumentos de Avaliação (Inicial e Final)................................................. 85 4.5.2 Nível de Maturidade da Empresa X............................................................ 89 5 CONCLUSÕES................................................................................................. 94 REFERÊNCIAS................................................................................................... 96 APÊNDICE A – Definições das áreas de processo por categoria....................... 101 APÊNDICE B – Estrutura do instrumento de avaliação pela representação contínua.............................................................................................................. 104 APÊNDICE C – Instrumento de avaliação pela representação contínua.............................................................................................................. 107 APÊNDICE D – Instrumento de avaliação inicial................................................. 112 APÊNDICE E – Instrumento de avaliação final................................................... 117 16 1 INTRODUÇÃO Em decorrência da globalização, de um mercado cada vez mais competitivo e exigente e da diminuição das barreiras comerciais, as empresas buscam melhorias a fim de se tornarem mais eficientes em seus processos e serviços para que continuem ativas e sobrevivam nesse meio. Alternativas como a redução de custos, o aumento da produtividade e da qualidade de seus produtos e serviços, faz com que as organizações consigam melhorar e se diferenciarem das suas concorrentes. Entretanto, as organizações normalmente começam analisando a necessidade da melhoria de seus processos somente após a ocorrência de alguns fatores determinantes, tais como: falha de um produto depois de ter sido entregue ao cliente, necessidade de atingir metas ou de cumprir normas de qualidade (conformidades) para que sejam capazes de competir com o mercado externo, e quando perdem contratos ou novas oportunidades de mercado (SIVIY; PENN; HARPER, 2005). Existem diversos recursos que as organizações podem adotar para melhorar seus processos e serviços. Dentre eles, pode-se citar o Seis Sigma que é uma metodologia que tem por objetivo a excelência na competitividade através da melhoria contínua dos processos (ROTONDARO, 2002), visando fornecer produtos e serviços com qualidade e confiabilidade aos clientes. Com a utilização do Seis Sigma, as empresas podem obter variados benefícios, conforme relatados por Aboelmaged (2010), Kumar, Antony e Douglas (2009), Rodrigues (2006), Antony, Kumar e Madu (2005), Yang, El-Haik (2003), Rotondaro (2002), Werkema (2002) e Pande et al. (2001). Alguns exemplos desses benefícios são: a redução de custos, o aumento da qualidade de produtos e serviços, a redução de refugos e, por fim, a satisfação dos clientes. Autores como Braunscheidel et al. (2011), Azis e Osada (2010) e Trad (2006) relatam alguns dos impactos que as organizações podem perceber com a utilização do programa. Por exemplo: o modo de executar melhorias, o estabelecimento de uma cultura organizacional focada na análise estatística, o aperfeiçoamento dos treinamentos organizacionais e a melhoria da qualidade na comunicação das informações. 17 Apesar dos benefícios e impactos observados com a aplicação do Seis Sigma, poucos estudos analisam qual o impacto da utilização deste programa na maturidade dos processos nas organizações. O que se encontra são estudos como os de Lin, Li e Kiang (2009), que utilizam um sistema de desenvolvimento integrando o Capability Maturity Model Integration (CMMI) com o Seis Sigma, visando ajudar a organização na maturidade relacionada aos processos de desenvolvimento de produto e manufatura. Também, se encontram estudos como os de Braunscheidel et al. (2011), os quais analisam os impactos da aplicação do Seis Sigma em diferentes empresas utilizando alguns parâmetros de medição como o tempo de entrega do produto ou serviço, o giro do estoque, as peças livres de defeitos, a redução do tempo de set up, dentre outros. Porém, não foram encontrados estudos que avaliem especificamente o impacto do Seis Sigma no fator “maturidade de processo”. Existem diversos modelos que avaliam a maturidade dos processos nas organizações. Autores como Franzosi (2010), Morgano et. al. (2007), Quintela e Rocha (2007), Simões (2007), Rozenfeld et al. (2006) e Vasques (2006) destacam alguns desses modelos: Capability Maturity Model (CMM), Capability Maturity Model Integration (CMMI), Project Management Maturity Model (PMMM), Organizational Project Management Maturity Model (OPM3), Modelo Unificado para PDP, modelo simplificado do CMMI, modelo adaptado combinando o CMMI com outras ferramentas específicas, dentre outros. Franzosi (2010) analisou vários modelos para avaliação da maturidade dos processos e concluiu que o CMMI é um dos mais adequados por apresentar uma avaliação completa, contemplando várias áreas do processo, além de considerar a questão da integração do processo, item fundamental para o desempenho deste. O CMMI (Capability Maturity Model Integration) é um modelo de maturidade para melhoria de processos, destinado ao desenvolvimento de produtos e serviços, É composto pelas melhores práticas associadas às atividades de desenvolvimento e de manutenção que cobrem o ciclo de vida do produto, desde a sua concepção até a entrega e manutenção (SEI, 2006). Este modelo auxilia as organizações na seleção dos processos, determinando a maturidade atual e identificando as questões mais críticas para sua qualidade e melhoria (ATAÍDES, 2006). Infere-se que processos de desenvolvimento de produto mais maduros tenham mais chances de sucesso e retorno financeiro (QUINTELA e ROCHA, 2007). 18 1.1 OBJETIVOS 1.1.1 Objetivo Geral Esta pesquisa tem por objetivo propor um mecanismo para medir o impacto do Seis Sigma na maturidade de um processo de fabricação. 1.1.2 Objetivos Específicos A fim de cumprir o objetivo geral, os seguintes objetivos específicos são desenvolvidos: 1- Revisar os conceitos relacionados ao Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP) e ao Processo de Fabricação; 2- Analisar os conceitos necessários e as estratégias de aplicação da metodologia Seis Sigma em um Processo de Fabricação; 3- Identificar quais são os impactos da aplicação do Seis Sigma em um Processo de Fabricação industrial; 4- Delimitar uma estratégia apropriada para a sua aplicação; 5- Analisar o CMMI e sua estratégia de medição e avaliação; 6- Identificar os itens do CMMI que podem ter certa correlação com os benefícios e impactos observados com a implantação do Seis Sigma; 7- Identificar uma pequena ou média empresa do setor de manufatura e medir o nível de maturidade de um Processo de Fabricação, antes e depois da aplicação da metodologia Seis Sigma, considerando os itens do CMMI previamente delimitados; 8- Analisar os dados verificando qual o impacto da aplicação do Seis Sigma na maturidade de um Processo de Fabricação. 19 1.2 JUSTIFICATIVA Este trabalho contribui com aqueles que desejam melhorar o seu processo através da utilização do Seis Sigma porque, com a associação do método CMMIDEV versão 1.2 o empresário pode identificar os aspectos relacionados ao processo de fabricação que melhoraram em termos de qualidade, identificando, em paralelo, o impacto obtido em termos de maturidade, relevante para a competitividade empresarial. Através da identificação das variáveis que melhoram em termos de maturidade, com a aplicação do Seis Sigma, a empresa pode planejar que recursos adicionais utilizar, caso ela deseje obter uma melhoria mais abrangente em seu processo de desenvolvimento. Ou seja, torna-se mais claro a abrangência de melhoria da metodologia Seis Sigma no processo aplicado. 1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO As considerações a respeito desta pesquisa estão estruturadas em cinco capítulos. Neste primeiro, tem-se uma introdução ao assunto do trabalho, apresentando o contexto no qual está inserido, os objetivos a serem atingidos e a sua justificativa. No segundo capítulo é conduzida uma revisão bibliográfica sobre a conceituação do Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP) e do Processo de Fabricação, além da metodologia Seis Sigma e do modelo CMMI. No terceiro capítulo é descrita a classificação da pesquisa e a metodologia que se pretende utilizar para a realização desse trabalho. No quarto capítulo é apresentado o desenvolvimento da pesquisa, incluindo os resultados e discussões. No quinto capítulo são registradas as conclusões do trabalho e sugestões para a continuidade deste. 20 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo são apresentadas algumas definições, conceitos e informações sobre o Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP) e o Processo de Fabricação. Posteriormente, mostra uma revisão sobre o modelo CMMI para a avaliação da maturidade de um processo e, por fim, revisa a metodologia Seis Sigma e suas aplicações. 2.1 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO E PROCESSO DE FABRICAÇÃO De acordo com Rozenfeld et al. (2006), o desenvolvimento de produtos consiste em um conjunto de atividades por meio das quais busca-se chegar às especificações do projeto de um produto e do seu processo de produção, para que a manufatura seja capaz de produzi-lo. O Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP) também envolve as atividades de acompanhamento após seu lançamento. Esses mesmos autores relatam que o PDP é considerado um processo de negócio que influencia diretamente o aumento da competitividade das empresas, pois se situa na interface entre elas e o mercado, identificando as necessidades deste último e dos clientes, propondo soluções mais rápidas que seus concorrentes a um custo competitivo. Também, o lançamento eficaz de novos produtos e a melhoria da qualidade daqueles que já existem fazem parte do escopo do PDP. Segundo Clark e Fujimoto (1991), o desenvolvimento de produto é o processo pelo qual uma organização transforma dados sobre oportunidades de mercado e possibilidades técnicas em bens e informações para a fabricação de um produto comercial. Assim, o PDP posiciona-se dentro do ambiente da empresa e pode ser compreendido e visualizado por meio da consideração de todas as atividades internas à empresa e nas cadeias de suprimentos e de distribuição, envolvendo diversos profissionais das áreas de: Marketing, Pesquisa e Desenvolvimento, Engenharia, Suprimentos, Manufatura e Distribuição. Essas participam, de uma 21 forma integrada, da função de traduzir o conhecimento sobre as necessidades do mercado, as oportunidades tecnológicas e estratégicas da empresa em informações para a produção, distribuição, uso, manutenção e descarte do produto, considerando todo o ciclo de vida do produto. Assim, destacam-se dois aspectos relevantes para o PDP: o conceito de processo (fluxo de atividades) e o fluxo de informações (ROZENFELD et al., 2006). Um fator importante para o PDP, conforme citado, é a integração interfuncional dos profissionais envolvidos. Esse fator esta intimamente ligado ao sucesso da gestão do desenvolvimento de produtos a qual relaciona itens como o tempo e custo do desenvolvimento de produtos e, indiretamente, a qualidade do produto final (GOMES, 2001; MANO; TOLEDO, 2005). Clark e Fujimoto (1991) citam algumas particularidades críticas para que a integração se estabeleça nos processos de desenvolvimento de produtos: A organização: a composição de equipes menores tende a ser mais integradas se comparadas com as equipes maiores e com maiores níveis hierárquicos; O tamanho e a especialização dos times: um número menor de pessoas apresenta menos problemas, apesar do tamanho estar relacionado com o número de tarefas a ser executado; A sobreposição: homogeneização das habilidades, conceitos, linguagens, métodos, atitudes e outros. Visando contribuir com a integração, o desenvolvimento de produtos deve envolve tanto a gestão estratégica quanto a gestão operacional do processo de negócio. Ele deve abranger todo o planejamento e gerenciamento do portfólio de produtos e de projetos, garantindo a compatibilidade com as estratégias da empresa. Deve abranger a especificação de todos os recursos e procedimentos de manufatura (compra de máquinas, equipamentos, ferramentas e a construção de novas unidades de produção). Também, o desenvolvimento deve abranger todo o tipo de informação e serviços de uso e manutenção do produto (ROZENFELD et al., 2006). Segundo Toledo (2006), uma boa gestão do PDP é elemento fundamental para garantir que os resultados de desempenho (como custo, qualidade e tempo) possam ser alcançados e continuamente melhorados. Entretanto, o PDP tem forte 22 influência na qualidade do produto e no processo, e sua eficácia determina a competitividade da empresa. Para que os profissionais das empresas possam desenvolver produtos segundo um ponto de vista comum, surgem os modelos de referência, os quais são utilizados para se ter uma visão única de processo de desenvolvimento de produtos, nivelando os conhecimentos entre os profissionais que participam de um desenvolvimento específico. Rozenfeld et al. (2006) destacam um modelo voltado para empresas de manufatura e bens de consumo duráveis e de capital o qual é composto por macrofases que são divididas em fases, que, por sua vez, agrupam as atividades, as quais, em alguns casos, ainda são detalhadas em tarefas. O modelo pode ser compreendido conforme representado na figura 1. Figura 1: Visão geral do modelo de referência Fonte: Rozenfeld et al. (2006) Conforme a figura 1, o modelo é dividido em três macrofases: PréDesenvolvimento, Desenvolvimento e Pós-Desenvolvimento. A descrição de cada macrofase é a seguinte: Pré-Desenvolvimento: envolve a fase de planejamento do projeto e consiste em garantir que todo o direcionamento estratégico da empresa seja mapeado e transformado em um conjunto de projetos bem definidos. Ela envolve atividades de definição do projeto de desenvolvimento, delimitações das restrições de recursos e conhecimentos e informações sobre consumidores, e levantamento das tendências tecnológicas e mercadológicas. Os dois principais objetivos dessa macrofase são a 23 garantia da melhor decisão sobre o portfólio de produtos e projetos, e a definição clara sobre o objetivo final de cada projeto. Essa macrofase é crítica, pois mudanças ocorridas no início do projeto são menos custosas do que ao final de cada projeto; Desenvolvimento: envolvem as fases de projeto informacional, conceitual e detalhado, como também, a preparação para produção e a fabricação do produto. O desenvolvimento consiste em todo o detalhamento dos parâmetros do produto como as dimensões, as normas técnicas (para a qualidade e meio ambiente), os parceiros para o desenvolvimento e comercialização, a definição mais precisa sobre o mercado e vendas futuras (volume de vendas e preço), etc. Ao final, todas as informações técnicas detalhadas (de produção e comerciais), os protótipos já testados, os recursos para a produção, a comercialização e suporte devem estar definidos; Pós-Desenvolvimento: o acompanhamento sistemático e a documentação correspondente das melhorias de produto durante o seu ciclo de vida são atividades centrais dessa macrofase. Ela compreende, também, da retirada sistemática do produto do mercado e, ao final, uma avaliação de todo o ciclo de vida do produto para servir de referência a desenvolvimentos futuros. Conforme relatado o PDP envolve diversas atividades e áreas para o seu desenvolvimento, porém, esse trabalho terá como foco o processo de fabricação, inserido na macrofase desenvolvimento, o qual consiste em transformar as informações de projeto em um produto físico. Os processos de fabricação dependem de como os produtos são projetados, ou seja, dependem, principalmente, de sua forma (dimensões do produto) e do material específico a ser fabricado (por exemplo: cerâmica, compósito, polímero ou metal). Os processos de fabricação existentes, utilizados para dar forma às peças metálicas, tema desse trabalho, podem ser agrupados em cinco grandes grupos: conformação mecânica, fundição, soldagem, metalurgia do pó e usinagem (FILHO et al., 1991). Em específico para esse trabalho, os temas a serem estudados e analisados serão os processos de fabricação utilizando a conformação mecânica e a soldagem. A conformação mecânica é definida por Ferraresi (1970) como as operações que 24 visam conferir à peça a forma, dimensões ou acabamento específico, ou ainda qualquer combinação destes três itens através da deformação plástica do metal. A soldagem é definida por Wainer et al. (1992) como o processo de união entre duas partes metálicas, utilizando uma fonte de calor, com ou sem aplicação de pressão. Tanto para os processos de conformação, quanto para os processos de soldagem, existem muitas variáveis e características específicas para cada tipo de processo. Os principais tipos de processo de conformação são: laminação, trefilação, extrusão, forjamento, estampagem, dobramento, calandragem, corte, dentre outros (FILHO et al., 1991). Os principais tipos de processo de soldagem são: eletrodo revestido, arco submerso, resistência, Gás Inerte de Tungstênio - Tungsten Inert Gas (TIG), Gás Inerte de Metal - Metal Inert Gas (MIG), Gás Ativo de Metal Metal Active Gas (MAG), laser, dentre outros (WAINER et al, 1992). Conforme será melhor detalhado nos próximos capítulos, os principais processos utilizados neste trabalho são o processo de corte, calandragem e soldagem por resistência. O corte consiste na aplicação de forças de cisalhamento que irão romper o material para obtenção de produtos como chapas ou pequenos tipos de perfis. Este processo pode ser efetuado tanto a alta temperatura como a temperatura ambiente. A calandragem consiste na aplicação de forças de flexão que irão conformar o material para a obtenção de produtos como tubos, normalmente efetuado em temperatura ambiente (FILHO et al., 1991). Por fim, a solda por resistência consiste na junção de duas peças por resistência elétrica através da geração de calor, devido à passagem de corrente elétrica e da aplicação de pressão. As peças aquecem-se e ocorre a fusão localizada no ponto de contato na superfície de separação entre ambas (WAINER et al., 1992). Existem alguns recursos que visam melhorar o desempenho em termos de qualidade na fabricação, entre eles pode-se citar a metodologia Seis Sigma. Apesar dela ser utilizada de forma abrangente no processo, seu maior foco se encontra na etapa de fabricação, visando fornecer produtos com qualidade e confiabilidade através da aplicação da melhoria contínua nos processos envolvidos. No entanto, com a aplicação do Seis Sigma não se consegue ter o domínio sobre o impacto dele na maturidade do processo. Com isso, se torna útil a utilização de um método que avalie a maturidade. Entretanto, o método utilizado para este trabalho e que será abordado nos próximos itens o CMMI-DEV versão 1.2. 25 2.2 MATURIDADE DOS PROCESSOS E MODELOS DE AVALIAÇÃO Segundo Rozenfeld et al. (2006), o nível de maturidade dos processos de uma empresa representa o quanto das melhores práticas de desenvolvimento de produto ela aplica, o que resulta em um desempenho superior no processo. Uma prática aprimorada representa a forma mais eficaz de realizar determinada atividade que, comprovadamente em outras empresas, tem trazido os melhores resultados. Conforme o nível de maturidade, os processos podem ser classificados em imaturos e maduros (institucionalizados). Processos imaturos são improvisados, dependentes de pessoas, normalmente reativos e as responsabilidades não são claras. Todavia, processos maduros são definidos, documentados, nos quais as responsabilidades são claras e bem controladas. Definem-se os processos maduros como institucionalizados porque a própria cultura organizacional os conduz através de regras e conhecimento. SEI (2006) define a institucionalização como a forma tradicional de fazer negócios que uma organização segue rotineiramente como parte de sua cultura organizacional. O conceito de maturidade foi primeiramente proposto por Crosby (1979) no chamado “Aferidor de Maturidade da Gerência de Qualidade”. Depois, houve adaptações pela SEI (Software Engineering Institute), que criou o CMM (Capability Maturity Model) juntamente com o surgimento de outros modelos como, por exemplo, o OPM3 (Organizational Project Management Maturity Model), o PMMM (Project Management Maturity Model), o modelo unificado para PDP, o CMMI (Capability Maturity Model Integration), dentre outros (QUINTELA e ROCHA, 2007). Segundo SEI (2006), a maturidade organizacional é definida como o grau da implantação de processos documentados, gerenciados, medidos, controlados e melhorados continuamente, realizada por uma organização de forma consistente, podendo ser medida por meio de avaliações. Conforme já descrito no primeiro capítulo, existem diversos modelos que avaliam a maturidade dos processos nas organizações, como, por exemplo, o Capability Maturity Model Integration (CMMI), modelo utilizado neste estudo. Este foi considerado por Franzosi (2010) o modelo mais adequado para medir a maturidade de um processo, em função deste considerar, também, a sua integração. 26 Afinal, de acordo com Jugend (2010), a integração entre diferentes funções é essencial para que os processos tenham um bom desempenho. Ele define integração como o “trabalho colaborativo e interativo entre diferentes departamentos e/ou especialistas presentes em uma empresa que necessitam realizar trabalhos conjuntos com o propósito de atingir objetivos comuns” (JUGEND, 2010, p. 34). Considerando que o CMMI é um dos modelos que considera a integração na avaliação da maturidade e que, em função disso, foi o escolhido para ser utilizado nesta pesquisa, o próximo item apresenta uma revisão sobre o método. 2.2.1 Modelo CMMI O CMMI (Modelo Integrado de Maturidade e de Capacidade) é um modelo de maturidade para melhoria de processos destinado ao desenvolvimento de produtos e serviços. Ele é composto pelas melhores práticas associadas às atividades de desenvolvimento e de manutenção, cobrindo o ciclo de vida do produto desde a concepção até a entrega e manutenção (SEI, 2006). Ele foi desenvolvido pelo Software Engineering Institute (SEI) em conjunto com a Universidade Carnegie Mellon. Este modelo também pode ser considerado uma coleção de melhores práticas, estruturadas e organizadas em áreas de processo (PA’s), para alcançar um alto nível de maturidade e habilidade. O modelo CMMI descreve um caminho evolucionário que começa com processos imaturos (iniciais e constantemente reativos), seguindo até um mais maduro e disciplinado (otimizado e institucionalizados), onde é possível o controle do processo de produção por meio de métricas e modelos estatísticos (MORGANO, 2007). O CMMI guia as organizações na seleção dos processos que podem ser melhorados, determinando sua maturidade atual e identificando as questões mais críticas para a sua qualidade e melhoria (ATAÍDES, 2006). O modelo CMMI não menciona “como” melhorar a maturidade de um processo organizacional sistematicamente, mas orienta sobre “o que” fazer para aprimorar os processos de uma organização (LIN; LI; KIANG, 2009). 27 A diferenciação entre outros modelos e o CMMI é que a maioria das abordagens focaliza partes específicas do negócio, não sendo sistêmica em relação aos problemas enfrentados por grande parte das organizações. Disto, resultam barreiras e compartimentalizações nas organizações, limitando a habilidade e o sucesso delas ao implantar suas melhorias. A aplicação de modelos diferentes não integrados torna-se custosa em termos de treinamento, avaliações e atividades de melhoria. O CMMI oferece uma oportunidade de evitar ou eliminar essas barreiras e compartimentalizações por meio de modelos integrados que transcendem às disciplinas (ou áreas de conhecimento, como a Engenharia de Sistemas, a Engenharia de Software, a Aquisição de Software, a Gestão e o Desenvolvimento de Força de Trabalho, e o Desenvolvimento Integrado de Processo e Produto - IPPD) (ATAÍDES, 2006; SEI, 2006). Desde 1991 foram desenvolvidos CMM’s (Capability Maturity Model’s) para diversas disciplinas (áreas de conhecimento, como por exemplo, para a Engenharia de Sistemas). O CMMI foi construído para resolver o problema originado com o uso de múltiplos CMM’s. Assim, três modelos foram combinados para buscar a melhoria de processos dentro das corporações como um todo. Devido à sua popularidade e aceitação, o CMMI é resultado da evolução dos modelos Capability Maturity Model for Software (SW-CMM) v2.0 draft C, System Engineering Capability Model (SECM) e Integrated Product Development Capability Maturity Model (IPD-CMM) v0.98 (ATAÍDES, 2006; SEI, 2006). O modelo CMMI para Desenvolvimento consiste em: CMMI para Desenvolvimento sem IPPD e CMMI para Desenvolvimento + IPPD, que inclui práticas para auxiliar as organizações na colaboração das partes interessadas (stakeholders) durante o ciclo de vida do produto, satisfazendo as necessidades, expectativas e requisitos. O CMMI possibilita abordar melhoria e avaliação de processos utilizando duas representações diferentes: a contínua e a por estágios. Essas representações permitem que a organização utilize diferentes caminhos para a melhoria, de acordo com seu interesse. Para ambas as representações, existem 22 áreas de processo (PA’s), conforme a tabela 1, que contemplam o CMMI e essas áreas estão organizadas em quatro categorias: Gestão de Processo, Gestão de Projeto, Engenharia e Suporte. Essas categorias enfatizam como as áreas de processo existentes se relacionam entre si (SEI, 2006). 28 Tabela 1 – Categorias, Áreas de Processo Áreas de Processo (PA’s) Categorias Foco nos Processos da Organização Definição dos Processos da Organização + IPPD Gestão de Processo Treinamento da Organização Desempenho dos Processos da Organização Implantação de Inovação na Organização Planejamento de Projeto Monitoramento e Controle de Projeto Gestão de Projeto Gestão de Contrato com Fornecedores Gestão Integrada de Projeto + IPPD Gestão de Riscos Gestão Quantitativa de Projeto Gestão de Requisitos Desenvolvimento de Requisitos Solução Técnica Engenharia Integração de Produto Verificação Validação Gestão de Configuração Garantia da Qualidade de Processo e Produto Suporte Medição e Análise Análise e Tomada de Decisões Análise e Resolução de Causas Fonte: Adaptado de SEI (2006). Cada área de processo possui um objetivo específico a ser atingido e para isso, existem metas específicas (specific goals - SG) e práticas específicas (specific practices - SP), além de metas genéricas (global goals - GG) e práticas genéricas (global practices - GP) em cada área de processo. A figura 2 mostra a estrutura e os componentes do modelo CMMI. 29 Figura 2 – Componentes do Modelo CMMI Fonte: SEI (2006). Conforme a figura 2 existem os componentes requeridos (que são tanto as metas específicas quanto as genéricas), os quais devem ser cumpridos para se efetuar uma PA. Também existem as práticas específicas e as genéricas (chamadas de componentes esperados) que são as recomendações para que se atinja ou se cumpra as duas metas. Por fim, existem outros itens, como subpráticas, notas de metas, práticas e outros que auxiliam na implantação dos componentes requeridos e esperados. Para a SEI (2006), pode-se diferenciar as duas representações da seguinte forma: a) Representação Contínua Permite que as organizações melhorem os processos correspondentes a uma ou mais áreas de processo (PA’s) individualmente que foram selecionadas pela organização. Essa representação utiliza níveis de capacidade para caracterizar a melhoria. 30 A representação contínua é flexível quanto à escolha das áreas de processo a serem melhoradas. A organização pode focar as melhorias em pontos problemáticos dentro de um processo, ou pode voltar à atenção a várias áreas que estejam ligadas aos objetivos estratégicos da organização. Também permite melhorias com diferentes ênfases ao longo do tempo nos processos. Para essa representação o nível de capacidade são alcançados por meio da aplicação de práticas genéricas (contemplando as metas genéricas) associadas a cada PA específica. O nível de capacidade é definido como o alcance de um determinado patamar de melhoria caracterizado pela satisfação de um conjunto de práticas genéricas e específicas em uma determinada área de processo (SEI, 2006). Entende-se que o nível de capacidade determina a maturidade da área de processo em estudo e para a progressão desse nível a empresa necessita atender todas as práticas genéricas e específicas de uma PA para passar para o próximo nível, considerando 6 níveis. b) Representação por Estágios A representação por estágios oferece uma forma sistêmica e estruturada para abordar a melhoria de processo, baseada em um modelo que enfoca um estágio por vez. Cada estágio corresponde a um nível de maturidade e cada nível é estruturado por diferentes áreas de processos. Ao se efetuar um estágio, assegurase que foi estabelecida uma infraestrutura adequada de processos que servirá de base para o próximo estágio. Ou seja, é possível, através dessa medição, identificar qual é o nível de maturidade da empresa, considerando 5 níveis. Porém, para passar para o próximo nível, a empresa precisa atender na íntegra todas as PAs correspondentes ao nível anterior, as quais já são pré-determinadas pelo método CMMI. Um diagnóstico realizado dessa maneira permite que as organizações visualizem as PAs mais frágeis em seu processo, podendo melhorá-las, visando melhorar o seu nível de maturidade de forma mais direcionada. Portanto, o nível de maturidade é definido como o grau de melhoria de processo em um conjunto predefinido de áreas de processo nas quais todas as metas (específicas e genéricas) foram satisfeitas (SEI, 2006). Ou seja, os níveis de maturidade na medição por estágio caracterizam a melhoria da organização inteira, considerando um conjunto de áreas de processo (PA’s) pertencente a cada nível a ser medido. Quando se fala em níveis de 31 capacidade na medição contínua, significa a melhoria da organização em relação a uma área de processo (PA) individual ou a um conjunto de PA que represente uma determinada capacidade da empresa, como por exemplo, a gestão de projeto da empresa, a qual é avaliada através das seguintes PAs: planejamento de projeto; monitoramento e controle de projeto; gestão de contrato com fornecedores; gestão integrada de projeto; gestão de riscos; e gestão quantitativa de projeto. Independentemente da representação escolhida, o conceito de níveis é o mesmo. A figura 3 demonstra os níveis de capacidade em relação à representação contínua por área de processo da organização e os níveis de maturidade em relação à representação por estágio da organização. Nesse trabalho, apesar de ser utilizada a representação contínua, a nomenclatura utilizada para determinar a capacidade da PA será “nível de maturidade atingido pela PA”. Figura 3 – Níveis de Maturidade (representação por estágio) e Níveis de Capacidade (representação contínua) Fonte: Adaptado de Ataídes (2006). O quadro 1 estabelece uma comparação entre as vantagens da representação contínua e da representação por estágio. Representação Contínua Permite livre escolha da seqüência de melhorias, de forma a melhor satisfazer aos objetivos estratégicos e mitiga as áreas de risco da organização. Permite visibilidade crescente da capacidade alcançada em cada área de processo (PA). (continua) Representação por Estágios Permite que as organizações tenham um caminho de melhoria pré-definido e testado. Foca em um conjunto de processos que fornece à organização uma capacidade específica caracterizada por cada nível de maturidade. 32 Representação por Estágios Resume os resultados de melhoria de processo em uma forma simples: um único número que representa o nível de maturidade. Reflete uma abordagem mais recente que Baseia-se em uma história relativamente ainda não dispõe de dados para demonstrar longa de utilização, com estudos de casos e seu retorno do investimento. dados que demonstram o retorno do investimento. (conclusão) Quadro 1 – Comparação das Vantagens entre as Representações Contínua e por Estágios Fonte: SEI (2006). Representação Contínua Permite que melhorias em diferentes processos sejam realizadas em diferentes níveis. A tabela 2, compara as representações do CMMI contínuo, que contempla seis níveis de capacidade numerados de 0 a 5, e a representação do CMMI por estágio, que contempla cinco níveis de maturidade, numerados de 1 a 5. Tabela 2 – Comparação entre os Níveis de Capacidade e os Níveis de Maturidade Representação Contínua Representação por Estágios Níveis de Capacidade Níveis de Maturidade 0 Incompleto Não se aplica 1 Executado Inicial 2 Gerenciado Gerenciado 3 Definido Definido 4 Gerenciado Quantitativamente Gerenciado Quantitativamente 5 Em Otimização Em Otimização Nível Fonte: SEI (2006). As principais diferenças entre as duas representações, conforme mostra a tabela 2, são que a representação contínua tem seu ponto de partida no nível zero, chamado de “incompleto”, enquanto a representação por estágio não tem classificação para este nível. Além disso, na representação contínua, o nível 1 representa o nível de capacidade denominado “executado”, ao passo que na representação por estágio, o nível de maturidade é denominado “inicial” para o nível 1. Os demais níveis são interpretados de maneira similar. Para a representação por estágio, o cumprimento dos objetivos de cada nível resulta em um crescimento na maturidade ou melhoria do processo da organização. Assim, os níveis de maturidade são diferenciados em: 33 a) Nível 1 - Inicial: no qual os processos são considerados ad hoc (iniciais), caóticos, imprevistos, pobremente controlados e reativos. Não existe um ambiente estável, nem práticas de gestão bem estabelecidas; b) Nível 2 - Gerenciado: quando os projetos são monitorados, controlados e revisados, mas frequentemente reativos. Pessoas experientes fazem parte dos projetos e o status dos produtos e serviços está visível para a gerência em pontos definidos; c) Nível 3 - Definido: os processos são bem caracterizados e entendidos para a organização, e são descritos em padrões, procedimentos, ferramentas e métodos. Os processos têm objetivos claros, são descritos de forma mais rigorosa e gerenciados mais pró-ativamente. d) Nível 4 - Gerenciado Quantitativamente: a organização e os projetos estabelecem objetivos quantitativos para qualidade, produtividade e desempenho do processo, utilizando-se como critérios da gerência dos processos. Os processos são medidos e controlados. Busca-se a eliminação de causas especiais de variação de processo e a previsibilidade estatística dos resultados. e) Nível 5 - Em Otimização: o foco da organização é a melhoria contínua do desempenho dos processos com base no entendimento quantitativo das causas comuns de variação inerente aos processos. Buscam-se melhorias incrementais e inovadoras de processo e de tecnologia. Após a implantação do modelo CMMI, espera-se obter alguns benefícios, conforme o Software Engineering Institute (SEI, 2006) destaca: As atividades da organização estão explicitamente relacionadas com os objetivos dos negócios; A visibilidade com relação às atividades da organização é ampliada para ajudar a garantir que o produto ou serviço atendam as expectativas dos clientes; O aprendizado é utilizado nas novas áreas a partir das boas práticas (exemplo: medição e risco). Outros benefícios que também podem ser esperados são: O projeto e as pessoas têm a possibilidade de entregar o produto ou serviço desejado; 34 É possível gerenciar riscos e incidentes pró-ativamente, durante o ciclo de vida do produto antes que eles se tornem um problema; O ganho de experiência dentro da organização e entre as equipes se torna uma base para o conhecimento; Aumentar a previsibilidade do processo e seus parâmetros de sucesso; O monitoramento, o controle e os padrões ajudam a identificar o que é necessário para os projetos. Existem outros recursos que também têm o potencial de contribuir com a melhoria do desempenho dos processos das organizações industriais e que poderiam gerar algum impacto na maturidade dos processos. Dentre eles, há a metodologia Seis Sigma, a qual será detalhada a seguir. 2.3 SEIS SIGMA Segundo Rotondaro (2002), o Seis Sigma é uma filosofia na qual a compreensão dos requisitos ou necessidades do cliente, seja ele interno ou externo, são vistos como oportunidades de melhoria no local de trabalho. Ela é uma metodologia que utiliza a melhoria contínua dos processos envolvidos na produção de um bem ou serviço, tendo como objetivo a excelência na competitividade através da melhoria contínua dos processos. Seis Sigma também é definido como uma estratégia gerencial de mudanças, podendo ser aplicado para melhorar processos, produtos e serviços. Os diversos autores pesquisados classificam o Seis Sigma como uma filosofia, uma metodologia ou um programa. Para o presente estudo, foi escolhido o termo metodologia Seis Sigma. Esta metodologia é vista como uma orientação para as empresas ou indústrias desenvolverem, fabricarem e entregarem seus produtos e serviços em um determinado padrão pré-determinado, ou seja, fornecer produtos e serviços sem defeitos, erros ou falhas, garantindo confiabilidade e qualidade naquilo em que executam. A metodologia é aplicada com foco em duas abordagens: a estatística e a estratégica. A primeira é apoiada por uma série de ferramentas para a identificação, 35 a análise e a solução de problemas que são fundamentados pela coleta de dados, enquanto a segunda promove um alinhamento dos objetivos e metas estratégicas da qualidade, desdobrados em projetos prioritários, com foco em oportunidade de ganhos financeiros tangíveis (PINTO; CARVALHO; HO, 2006; SANTOS; MARTINS, 2008, 2010). Santos (2006) propõe uma definição para a metodologia Seis Sigma: Seis Sigma é uma abordagem que impulsiona a melhoria do desempenho do negócio e a valorização da satisfação dos clientes, por meio de um enfoque estratégico de gerenciamento; da aplicação do pensamento estatístico em todos os níveis de atividades; do uso de indicadores de desempenho; da utilização de uma metodologia sistematizada que integre técnicas variadas para se avaliar e otimizar processos; e da aprendizagem decorrente da capacitação e comprometimento das pessoas (SANTOS, 2006, p. 26). Por ser uma metodologia que possui abordagem quantitativa, o Seis Sigma é rico em indicadores de desempenho e pode ser usado para controlar a implantação da estratégia de negócio, direcionando projetos Seis Sigma (SANTOS; MARTINS, 2008). São muitas as vantagens quando se utiliza esta metodologia. Como relatado na literatura, a empresa poderá alcançar benefícios em seus negócios com: a redução de custos, o aumento significativo da qualidade e da produtividade em produtos e serviços, o crescimento da fatia de mercado, a retenção e a satisfação dos clientes, a redução do tempo de ciclo e dos defeitos, a benéfica mudança cultural promovida na organização, o desenvolvimento de produto e serviço, a eliminação das atividades que não agregam valor ao processo, dentre outros (PANDE et al. 2001; RODRIGUES, 2006; ROTONDARO 2002; YANG; EL-HAIK, 2003; WERKEMA, 2002). A métrica Seis Sigma (6σ) significa que a distância entre o valor médio das saídas do processo, o qual possui uma única média central, e cada um dos limites de especificação em torno dessa média tem o valor de seis desvios-padrão. Desvio padrão corresponde a variabilidade do processo que pode ser calculado matematicamente. Para uma grande quantidade de medidas desse processo em análise, a distribuição de freqüência delas, em um eixo de coordenadas xy, com sua média e desvios-padrão, forma uma distribuição normal, a qual será melhor detalhada a seguir. 36 2.3.1 Distribuição Normal Por meio de observações, cientistas registraram que mensurações repetidas de um mesmo evento tendiam a variar (como a massa de um objeto). Quando se coletava um grande número dessas mensurações, dispondo-as numa distribuição de frequência, elas se apresentavam repetidamente com uma forma análoga à da figura 4 que ficou conhecida como “distribuição normal” (RODRIGUES, 2006; STEVENSON, 2001). Uma distribuição normal é também referida como uma distribuição gaussiana, em razão da contribuição de Karl F. Gauss com sua teoria matemática (MONTGOMERY, 2004; STEVENSON, 2001). Figura 4 – Representação da “Distribuição Normal” Fonte: Stevenson (2001, p. 137). As curvas normais apresentam algumas características, como a forma que se assemelha muito a um sino por ser unimodal (apenas um pico), e ser simétrica em relação à sua média. Outras características podem ser evidenciadas, como a distribuição normal que se prolonga indefinidamente em qualquer das direções do eixo horizontal (-oo a +oo), mas nunca chega a tocá-lo, conforme representado pela figura 5, ficando completamente especificada por dois parâmetros: sua média e seu desvio padrão (STEVENSON, 2001). Figura 5 – Representação de uma Curva Normal Fonte: Stevenson (2001, p. 137). 37 A média (μ) da população do evento em estudo situa-se no centro da curva normal e a dispersão dos valores em torno da média central corresponde ao que é definido como “variabilidade”. Matematicamente, a variabilidade é medida através do desvio padrão, simbolicamente representado pela letra grega sigma (σ) (RODRIGUES, 2006). Conforme representado na figura 6, outras variáveis a serem incluídas na curva normal são: o Limite Superior de Especificação (LSE) e o Limite Inferior de Especificação (LIE), ambos exigidos pelo mercado, cliente ou órgão regulador e configuram os limites máximo (LSE) e mínimo (LIE) de aceitação de um bem ou serviço (RODRIGUES, 2006). Nota-se que na figura 6 os limites de especificações são representados por ±6σ (seis desvios padrões) em relação à média do evento (μ). Valores maiores que o LSE ou menores que o LIE são considerados como defeitos (falhas) ou perdas de um processo, por exemplo, pois estão fora da exigência pré-definida para tal estudo. Figura 6 – Representação dos Limites de Especificação e Áreas sob a Curva Normal a 1, 2 e 3 desvios padrões a contar de cada lado da média Fonte: Breyfogle III (2003, p. 14). Observa-se ainda na figura 6, que 68,3% dos valores populacionais do evento caem entre os limites definidos pela média, mais ou menos um desvio padrão (μ ± 1σ); 95,5% dos valores caem entre os limites definidos pela média, mais ou menos dois desvios padrões (μ ± 2σ); e 99,7% dos valores populacionais caem dentro dos limites definidos pela média, mais ou menos três desvios padrões (μ ± 3σ). Entretanto, nota-se que quanto mais desvios padrões o processo tiver em 38 relação à média, maior será a área abaixo da curva, e maior será a probabilidade de encontrar os valores desse processo em estudo dentro dos limites de especificação. A área total sob qualquer curva normal representa 100% da probabilidade associada à variável, ou seja, representa 100% da probabilidade de encontrar qualquer valor do evento em estudo. A tabela 3 mostra a relação que o número de sigma tem com a porcentagem de se encontrar determinado valor sob a área que o mesmo delimita e, também, a relação que tem com a quantidade de defeitos (falhas) ou perdas a cada milhão de bens ou serviços fornecidos. Assim, por exemplo, o número seis sigma significa que a probabilidade de encontrar determinado valor é de 99,999999997% e, a cada milhão de produtos produzidos, somente 0,002 estará com defeito. Tabela 3 – Número de sigmas, porcentagem comparada aos defeitos (processo ideal e real) Número de Porcentagem (área sob a Defeitos (falhas) ou perdas por milhão Sigma curva) (ppm) 1 68,3% 158655,3 2 95,5% 22750,1 3 99,7% 1350,0 4 99,9937% 31,7 5 99,999948% 0,3 6 99,999999997% 0,002 Fonte: Elaborado pelo autor. Em síntese, percebe-se que quanto mais estreita for à curva normal (grau de concentração dos dados em torno da média), ou quanto mais próximos da média os limites de especificação estiverem, melhor será o processo ou mais próximo da média da população estará o processo. Assim, para que isso ocorra, o valor do desvio padrão (σ) ou a variabilidade do processo deve ser menor, ou seja, quanto menor a variabilidade, melhor será o processo, produto ou serviço que está sendo executado. Toda explanação apresentada sobre a curva normal, não considerou nenhum efeito externo que pudesse variar ou mudar o valor da sua média. Porém, na prática, devido ao fato de todo processo apresentar uma variação natural, existe 39 diferença entre um processo centrado, considerado ideal, e um processo deslocado, considerado real. Para um processo padrão Seis Sigma, consideram-se os efeitos provenientes de variáveis e agentes externos que, às vezes, não podem ser mensurados ou muito menos fazem parte dele. Essas variáveis e agentes externos podem interferir nos resultados em análise. Assim, através de estudos efetuados por pesquisadores, utiliza-se na indústria um padrão de desvio dos processos de ±1,5σ em relação à média (RODRIGUES, 2006). A figura 7 mostra o padrão Seis Sigma real utilizado nas organizações, com ±1,5σ em relação à média. Figura 7 – Padrão Seis Sigma com desvio de ±1,5σ em relação à média Fonte: Reis (2003). Corroborando o assunto, a tabela 4 mostra a diferença entre o número de falhas por milhão de um processo ideal, e o número de falhas por milhão de um processo real (com um desvio de ±1,5σ em relação à média). Tabela 4 – Número de sigmas comparado aos defeitos (processo ideal e real) Número de Média Centralizada (ideal) Desvio de 1,5σ em relação à média Sigma Falhas por milhão (ppm) Falhas por milhão (ppm) 1 158655,3 691462,5 2 22750,1 308537,5 3 1350,0 66807,2 4 31,7 6209,7 5 0,3 232,7 6 0,002 3,4 Fonte: Elaborado pelo autor. 40 Conforme apresentado na tabela 4, o padrão Seis Sigma (±6σ), para um processo real com um desvio de ±1,5σ em relação à média, apresenta uma meta de qualidade de 99,99966%, ou seja, os valores aceitáveis de um evento estarão no intervalo de seis desvios padrões a contar de cada lado da média. Pode-se também analisar que existirão 3,4 defeitos a cada milhão de oportunidades, onde oportunidade de defeito representa a chance de existir um defeito por unidade de produto ou serviço fornecido (ROTONDARO, 2002). Para o presente estudo, será utilizado o processo real, considerando os agentes externos que podem influenciar nos resultados encontrados. Muitos são os métodos existentes a serem aplicados quando se requer alcançar a melhoria pela qualidade. Dentre esses métodos pode-se citar, por exemplo, o TQM (Total Quality Management) e o ciclo PDCA (Planejar, Executar, Verificar, Agir), que foi divulgado por W. Edwards Deming e atualmente é um dos métodos mais aplicados para a melhoria de processos (ROTONDARO, 2002). 2.3.2 Métodos Utilizados para a Aplicação do Seis Sigma Existem vários métodos para aplicar o Seis Sigma, entre eles pode-se citar: o DFSS (Design for Six Sigma), aplicado quando se requer inovação e otimização, consistindo em projetar ou re-projetar um produto ou serviço do começo ao fim; o DMADV (Definir, Medir, Analisar, Planejar, Verificar), aplicado quando se deseja planejar para o Seis Sigma; o DMADOV (Definir, Medir, Analisar, Planejar, Otimizar, Verificar); o DCCDI (Definir, Consumidor, Conceber, Planejar, Implementar) e o IDOV (Identificar, Planejar, Otimizar, Validar) (CABRERA JR., 2006). A empresa Motorola aplicou e desenvolveu o método MAIC (Medir, Analisar, Melhorar, Controlar) para o uso da metodologia Seis Sigma. O MAIC constituiu numa evolução do ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act) aplicado por Deming, aprimorado posteriormente pela General Electric (GE). Mais tarde, ficou conhecido como DMAIC (Definir, Medir, Analisar, Melhorar, Controlar) (PANDE et al., 2001; ROTONDARO, 2002). O método DMAIC é aplicado atualmente por empresas que buscam a melhoria de processos quando utilizam a metodologia Seis Sigma, que é a base 41 para a sua aplicação. Estudos comprovam que dentre os vários métodos que podem ser aplicados na implantação da metodologia Seis Sigma, o método DMAIC é o mais utilizado (ANTONY; KUMAR; MADU, 2005; PINTO; CARVALHO; HO, 2006; ANDRIETTA; MIGUEL, 2007). Ele consiste na definição dos problemas potenciais a serem melhorados, na coleta de dados para medir o desempenho atual do processo, na análise das eventuais causas e seus efeitos que são considerados problemas para o processo, na formulação de ações potenciais de melhoria do processo para as causas encontradas e, por fim, no controle e manutenção do processo que foi melhorado (ROTONDARO, 2002; SANTOS; MARTINS, 2008). Considerando que o método DMAIC é o mais difundido e utilizado, este será o método adotado nesta pesquisa e, portanto, será detalhado no próximo item. 2.3.2.1 O método DMAIC O DMAIC consiste na abreviação das fases do método que o compõem: Definir (Define), Medir (Measure), Analisar (Analyze), Melhorar (Improve) e Controlar (Control). A seguir, será apresentada cada fase desse método. a) Definir (Define – D) Esta fase consiste em definir claramente quais são os problemas encontrados em um processo e quais podem ser eliminados ou melhorados. Os principais passos para a definição da seleção dos projetos de melhoria, de acordo com Rotondaro (2002), são: 1. Definir quais são os requisitos do cliente (voz do cliente) e traduzir essas necessidades em Características Críticas Para a Qualidade (CPQ), verificando assim as oportunidades e exigências do negócio. Duas perguntas podem ajudar na definição do CPQ: “O que é crítico para o mercado?” e “Quais são os processos críticos?”; 2. Estruturar uma equipe preparada para aplicar as ferramentas Seis Sigma; 3. Desenhar os processos críticos para identificar os que têm relação com os CPQ’s do cliente e os que estão gerando resultados ruins, como reclamação de clientes, problemas funcionais, problemas trabalhistas, altos custos de 42 mão de obra, baixa qualidade de suprimentos, erros de forma, ajuste e funcionamento, dentre outros; 4. Realizar uma análise custo-benefício dos eventuais investimentos necessários para sanar os CPQ’s e o impacto econômico do projeto; 5. Apresentar uma proposta do projeto para a aprovação da gerência da empresa. Para isso, os principais itens utilizados nesta fase são (PANDE et al., 2001; ROTONDARO, 2002; RODRIGUES, 2006): Os dados internos da empresa, suas metas; As necessidades do negócio; A exigência e os requisitos do cliente – Voz do Cliente (VOC); A definição de indicadores para medir os resultados do projeto – lista de verificação; A priorização dos processos críticos do negócio – diagrama de Pareto; O fluxograma do processo; SIPOC (Supplier, Input, Process, Output, Customer) QFD (Quality Function Deployment); A preparação de um cronograma de trabalho com responsáveis e prazos. b) Medir (Measure – M) É nesta fase que o processo em estudo é desenhado e são medidas as suas principais variáveis. De acordo com Rotondaro (2002), os principais passos para executar a medição são: 1. Desenhar o processo e os subprocessos envolvidos com o projeto, definindo as entradas e saídas de processos-chave; 2. Analisar o sistema de medição de modo a ajustá-lo às necessidades do processo. Coletar dados do processo por meio de um sistema que produza amostras representativas e aleatórias. Os principais itens utilizados nesta segunda fase são (PANDE et al., 2001; ROTONDARO, 2002; RODRIGUES, 2006): A definição de defeitos, oportunidades, unidade e métricas; Execução de um plano de coleta de dados; A análise do sistema de medição – MSA; 43 O cálculo de capacidade do processo atual – Cp e Cpk; A utilização de ferramentas estatísticas básicas. c) Analisar (Analyze – A) Após a coleta dos dados é feita, nesta fase, a sua análise, utilizando-se ferramentas estatísticas e de qualidade. São efetuadas a determinação das causasraiz dos problemas e a identificação das variações específicas para melhoria. As causas que influem no resultado do processo devem ser determinadas. Os principais passos para a análise são (ROTONDARO, 2002): 1. Analisar os dados coletados utilizando ferramentas estatísticas, de modo a identificar as causas dos problemas; 2. Definir o nível Seis Sigma do processo atual e estabelecer os objetivos de melhoria do projeto. Os principais itens utilizados nesta terceira fase são (PANDE et al., 2001; ROTONDARO, 2002; RODRIGUES, 2006): FMEA – Análise do Modo e Efeito de Falha; Brainstorming; Teste de hipóteses; Análise de variância - ANOVA; Correlação e regressão simples; Testes não paramétricos; Teste qui-quadrado. d) Melhorar (Improve – I) Nesta fase, a equipe fará as melhorias necessárias para reparar as falhas que foram verificadas nas fases anteriores. As melhorias se materializam no processo, o que a torna uma fase crítica da metodologia (ROTONDARO, 2002). A equipe deve desenvolver uma solução de melhoria apropriada e avaliar se novas soluções são necessárias. Além disso, devem ainda desenvolver um treinamento para a aceitação das mudanças do processo em estudo. Os principais itens utilizados nesta quarta fase são (PANDE et al., 2001; ROTONDARO, 2002; RODRIGUES, 2006): A elaboração de um plano de ação; 44 O pensamento da manufatura enxuta; O cálculo da nova capacidade do processo – Cp e Cpk; DOE – Delineamento de Experimentos; Benchmarking; O teste de hipóteses. e) Controlar (Control – C) Nesta fase, deve ser estabelecido e validado um sistema de medição e controle para avaliar continuamente o processo, de modo a garantir que a sua capacidade seja mantida. O monitoramento das entradas críticas é fundamental, não só para manter a capacidade do processo estabelecida, mas também indicar oportunidades de melhorias futuras (ROTONDARO, 2002). A disseminação das lições aprendidas deve ser efetuada para os demais envolvidos, juntamente com o treinamento das pessoas frente às novas mudanças. Os principais itens utilizados nesta quinta fase são (PANDE et al., 2001; ROTONDARO, 2002; RODRIGUES, 2006): A elaboração dos novos procedimentos para o controle do processo; A elaboração de gráficos de controle por variáveis e atributos; CEP – Controle Estatístico do Processo; Poka-Yoke; A padronização dos procedimentos. A primeira fase do método DMAIC (definir) engloba também a definição de uma equipe para fazer parte dos projetos Seis Sigma. No próximo item, serão classificados os membros integrantes dessa equipe. 2.4 A EQUIPE SEIS SIGMA O trabalho em equipe em um projeto Seis Sigma é de fundamental importância para o sucesso dos resultados. Atuar em uma equipe bem estruturada, com um objetivo em comum e uma meta a ser atingida, faz com que os projetos Seis Sigma atinjam os resultados esperados. Assim, o treinamento dos colaboradores 45 que atuarão nos projetos é primordial para que a empresa consiga melhorar seus processos. Uma equipe é uma formação de pessoas voltadas para os mesmos objetivos, com papéis e funções bem definidos, possuindo um alto nível de colaboração entre todos que estão atuando nela. Uma equipe Seis Sigma atribui diferentes cargos e responsabilidades dentro dos projetos. De acordo com Pande et al. (2001), as equipes Seis Sigma são compostas por: Conselho de liderança: de modo geral é a mesma equipe da alta gerência da empresa e têm como atividades, tarefas de planejamento e de marketing, selecionar projetos e rever seus progressos, identificar pontos fortes e fracos dos esforços dos outros integrantes, etc. Patrocinador (Campeão): é um gerente que “supervisiona” um projeto de melhoria, determina e mantêm metas dos projetos, encontra recursos para projetos, ajuda a resolver questões que surgem entre a equipe, etc. Líder de implementação (Master Black Belt): apoia o grupo de liderança em suas atividades, seleciona integrantes para atividades específicas, prepara e executa planos de treinamentos, etc. Coach (Master Black Belt ou Black Belts): é um consultor que oferece conselhos e assistência especializados a equipe, em áreas que vão desde estatística até a gestão de mudança e estratégias de projeto de processos. Membro de Equipe (Green Belts): são integrantes que fornecem esforços para a medição, análise e melhoria de um processo. A capacitação da equipe Seis Sigma exige treinamentos longos e intensos para a formação de Green Belts (80 horas) e Black Belts (160 horas). Harry e Crawford (2004) propõem investimentos para as empresas em treinamentos em uma nova categoria de especialistas, chamada White Belts. Essa categoria necessita de menos tempo de treinamento (em torno de 40 horas) e oferece um retorno financeiro mais rápido para a organização do que a formação de especialistas mais graduados. Devido às dificuldades na contratação de profissionais especializados e de recursos financeiros, convênios com instituições de ensino e com universidades podem ajudar as PME’s (Pequenas e Médias Empresas) na implantação da metodologia. Essas instituições poderiam oferecer soluções para os problemas e 46 verificar as necessidades dos clientes, dentre outras ações a um baixo custo (ANTONY 2008a; PINHO, 2005; REIS, 2003). Existem fatores determinantes que requerem atenção da equipe. Sem eles, os projetos Seis Sigma podem vir a falhar ou não obter os resultados desejados. No Reino Unido, Antony e Banuelas (2002) fizeram uma pesquisa em grandes empresas de manufatura e prestadoras de serviço (que possuíam mais de 1.000 funcionários e alto rendimento) sobre os fatores-chave para uma efetiva implantação da metodologia Seis Sigma. A pesquisa demonstrou que dentre os fatores listados, os que tiveram maior importância foram: o envolvimento e comprometimento da alta direção, entendimento da metodologia Seis Sigma, alinhamento com a estratégia do negócio e foco no cliente. De acordo com a análise dos autores, esses fatores também são mencionados como importantes por outros pesquisadores renomados. Outros fatores analisados e tidos como importantes para a seleção dos projetos Seis Sigma são: o impacto no desempenho do negócio, o lucro, e a satisfação dos clientes. Por outro lado, fatores que obtiveram menor valor (peso) na pesquisa, mas não são menos importantes, foram o alinhamento da metodologia com fornecedores, treinamentos e envolvimento dos funcionários. Confirmando alguns requisitos já expostos, Pyzdek (2005) salienta que, para a implantação do Seis Sigma nas Pequenas e Médias Empresas (PME’s), a organização deve ter o suporte da alta direção na metodologia Seis Sigma, o centro de seu trabalho favorecendo essa metodologia e sua cultura deve estar disposta a mudanças. Adeyemi (2005) comprova em seu estudo que o suporte da gerência, a mudança cultural e os gastos com a implantação da metodologia são os grandes desafios do Seis Sigma. Além disso, o autor afirma que a metodologia promove além de ganhos financeiros, ganhos na satisfação dos trabalhadores e dos clientes. Como resultados do Seis Sigma, diversos autores enfatizam casos de sucesso em empresas que implantaram a metodologia. No próximo item, destacamse quais são os impactos e benefícios do Seis Sigma, tanto para as grandes empresas, como para as pequenas e médias empresas. Também, destacam-se algumas características específicas das pequenas e médias empresas com a implantação do Seis Sigma. 47 2.5 CASOS DE IMPLANTAÇÃO E UTILIZAÇÃO DO SEIS SIGMA Antes de tudo, vale citar algumas das grandes empresas que obtiveram sucesso devido à utilização da metodologia em questão. São elas: a Motorola (que foi a pioneira e fundadora na implantação do Seis Sigma), a General Electric (GE) (caso de grande sucesso e, provavelmente, a mais bem conhecida companhia que utiliza a metodologia), Honeywell (Allied Signal), Ford e Caterpillar. Elas obtiveram em média um rendimento anual, durante a utilização do Seis Sigma, de aproximadamente US$36 bilhões, o que comprova o grande sucesso e benefício oferecido pelo uso desta metodologia (ADEYEMI, 2005). Não somente o lucro é importante, mas também deve-se lembrar de que existem outros benefícios, como a satisfação dos clientes e a qualidade dos produtos e serviços, entre outros. A tabela 5 mostra as principais características e benefícios associados aos períodos de implantação da metodologia Seis Sigma nas empresas Motorola, GE, Honeywell (Allied Signal) e Grupo Brasmotor. Tabela 5 – Casos de Grande Sucesso com a Implantação da Metodologia Seis Sigma Empresa Período de Implantação Principais Características e Benefícios Motorola 1987 – 1994 General Electric 1995 – 1998 Honeywell / Allied Signal 1992 – 1996 Grupo Brasmotor A partir de 1997 Pioneira; Honrada com o Malcolm Baldrige National Quality Award; Crescimento de cinco vezes nas vendas, o que resultou em lucros de quase 20% ao ano; Economia acumulada com a implantação da metodologia de US$14 bilhões; Os preços das ações aumentaram para uma taxa anual de 21,3%. Retorno financeiro de US$750 milhões no final de 1998, US$1,5 bilhão previstos ao final de 1999 e expectativas de mais de bilhões para os anos seguintes; Posicionar uma firme e eficaz gerência foi o maior fator crítico para o sucesso. Economia de mais de US$600 milhões por ano; Redução do tempo de desenvolvimento de projetos, aumento da produtividade e aumento da margem de lucro. Pioneira brasileira; Obteve mais de 20 milhões de reais em retorno. Fonte: Adaptado de Pande et al. (2001) e Werkema (2002). 48 A metodologia Seis Sigma obteve sucesso não somente em grandes empresas, mas também nas PME’s. Entretanto, existem poucos estudos sobre os resultados e as aplicações desta metodologia nas PME’s. Júnior e Lima (2010) relatam a carência de dados referente à metodologia como uma estratégia competitiva nas PME’s. Os referidos autores comparam, na literatura que se propuseram a revisar, a aplicabilidade da metodologia nas PME’s e nas grandes empresas, explicitando os fatores de sucesso nas PME’s, os modelos de implantação dos programas e suas implicações, considerando as particularidades dessas organizações. Dentre os estudos efetuados, nota-se que existem diferenças entre as PME’s e as grandes empresas. Estas diferenças se referem à forma estrutural e hierárquica da organização, à sua gestão e visão estratégica do negócio, ao tempo de reação devido a uma variação do mercado externo, à forte influência do proprietário, entre outras. Antony, Kumar e Madu (2005) em seus estudos, diferenciaram os pontos fortes e fracos das PME’s. Dentre os pontos fortes, pode-se citar: São flexíveis e nelas podem ser feitas rápidas mudanças; Possuem poucos níveis de hierarquia; Possuem alta lealdade dos funcionários; Gerentes e funcionários estão mais envolvidos com os clientes; Rápidas execuções e implantações de decisões; O treinamento é mais focado nos objetivos; Desenvolvem melhorias rapidamente com rápido retorno de benefícios; Forte influência do proprietário, dentre outros. Com relação aos pontos fracos das PME’s, tem-se: Baixo nível de padronizações; Foco no “fazer” e não no “planejar”; Limitado investimento em tecnologia de informação; Falta de planejamento estratégico; Baixa qualificação dos funcionários, tempo e recursos para treinamentos; Incentivados pelo sentimento e não pelo conhecimento técnico; Treinamentos são limitados e informais, dentre outros. 49 Antony, Kumar e Madu (2005) e Antony (2008b) afirmam que as PME’s são mais ágeis, sendo mais fácil apresentarem o suporte e comprometimento da gerência, o que já nas grandes empresas é mais difícil. Contudo, a educação e o treinamento são mais difíceis de se realizar devido aos integrantes da equipe estarem comprometidos com seus trabalhos diários e não terem tempo disponível. Em relação ao porte da empresa, a metodologia Seis Sigma pode ser aplicada a qualquer organização, independente de seu tamanho ou do tipo de empresa (manufatura ou serviço), pois está relacionada aos objetivos críticos do negócio, com foco nos requisitos dos clientes e na alta lucratividade do negócio (ANTONY, 2008b; WESSEL; BURCHER, 2004). Antony, Kumar e Madu (2005) relatam, em seus estudos em PME’s do Reino Unido, que as medidas mais usadas para o Seis Sigma foram o número de reclamações e a porcentagem de refugos. Além disso, a metodologia DMAIC foi a mais representativa para melhorias contínuas. Entre os benefícios para os negócios destacam-se: a redução da variabilidade dos processos, o aumento dos lucros, a redução dos custos das operações, a redução do custo pela falta de qualidade, dentre outros. Com relação às ferramentas mais utilizadas, foram: histograma, diagrama causa e efeito, mapa do processo, gráfico de controle, FMEA, CEP e Poka-Yoke. Já os fatores críticos de sucesso foram: o envolvimento e a participação da gerência, a voz do cliente, a estratégia do negócio, a estrutura organizacional, a compreensão da metodologia, o treinamento e a priorização e a seleção dos projetos Seis Sigma. Na mesma linha da pesquisa de Antony, Kumar e Madu (2005), há outro estudo semelhante feito por Kumar, Antony e Douglas (2009) nas PME’s de manufatura no Reino Unido. Este estudo mostra que as razões para a não implantação do Seis Sigma são a falta de conhecimento da metodologia, a falta de disponibilidade de recursos, e que alguns gestores não sabem se ele é aplicável à empresa. Entre os fatores críticos de sucesso, pode-se citar o envolvimento e o comprometimento da gerência, a comunicação, a prática de fazer a ligação da qualidade com os funcionários, a mudança cultural, a educação e o treinamento, a voz do cliente, dentre outros. Em relação às melhorias resultantes, destacam-se a redução de refugo, a redução do tempo de ciclo, a redução no tempo de entrega, o aumento da produtividade e a redução de custos. Os autores afirmam que, caso o Seis Sigma fosse aplicado somente para resolver problemas complexos com as 50 ferramentas estatísticas e técnicas utilizadas pela metodologia, ele falharia devido à fraca conexão com os objetivos da estratégia do negócio. A implantação da metodologia Seis Sigma aplicada nas PME’s também deve garantir que os custos gastos com os projetos possam ser recuperados logo após sua finalização (THOMAS; BARTON, 2006). Uma importante etapa para isso é a divulgação dos resultados obtidos, a fim de que toda a organização tome conhecimento dos benefícios obtidos pelos projetos Seis Sigma, dando credibilidade ao uso da metodologia e aumentando o comprometimento das equipes com os resultados (PINHO, 2005). A metodologia Seis Sigma objetiva a excelência na competitividade através da melhoria contínua dos processos. Os autores destacam os benefícios e melhorias que a metodologia pode proporcionar se aplicada com eficiência (ABOELMAGED, 2010; KUMAR; ANTONY; DOUGLAS, 2009; RODRIGUES, 2006; ANTONY; KUMAR; MADU, 2005; PANDE et al., 2001; YANG; EL-HAIK, 2003; ROTONDARO, 2002; WERKEMA, 2002). Entre eles, estão à redução de custos, o aumento da qualidade de produtos e serviços, a redução de refugos, a satisfação dos clientes, entre outros. Enfim, esse capítulo apresentou uma breve revisão sobre algumas definições e conceitos do Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP) e do Processo de Fabricação, o modelo CMMI que mede o nível de maturidade de um processo e a metodologia Seis Sigma. Em síntese, os processos de fabricação que serão abordados são a conformação mecânica, utilizando o processo de corte e calandragem, e a soldagem, utilizando a solda por resistência. Para a avaliação da maturidade dos processos existem vários modelos disponíveis, porém, o modelo CMMI foi escolhido para esse trabalho por ser o que apresenta um nível de abrangência maior em seus detalhes e considera a avaliação do nível de integração no processo, fundamental para o desempenho do mesmo. Para melhorar o desempenho dos processos, constatou-se que existem vários recursos atualmente, porém, o Seis Sigma foi a metodologia escolhida nesse trabalho em função de ter estado em evidência nos últimos anos, prometendo ganhos de eficiência em várias etapas do processo. Apesar de estar sendo difundida e aplicada na indústria nos últimos anos, pouco domínio se tem sobre seus impactos na maturidade do processo, fator amplo e fundamental para a competitividade 51 empresarial. Sendo assim, esse trabalho apresenta no próximo capítulo a metodologia utilizada nesta pesquisa para concluir o objetivo geral, que é a identificação do impacto do Seis Sigma na maturidade de um processo de fabricação. 52 3 METODOLOGIA DA PESQUISA Este capítulo tem por objetivo descrever a classificação da pesquisa, bem como a metodologia utilizada para o desenvolvimento desse trabalho. 3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA Com base no objetivo desta pesquisa, ela se classifica como exploratória, pois envolve um levantamento bibliográfico (a partir de livros, teses, dissertações e artigos nacionais e internacionais de qualidade reconhecida). Gil (1999) descreve que um estudo exploratório tem por objetivo proporcionar uma visão geral, do tipo aproximativo, acerca de determinado fato, podendo também ser realizado quando o tema em estudo é pouco explorado, o que é uma realidade quando se trata de avaliar qual o impacto da aplicação do Seis Sigma sobre a maturidade de um processo de fabricação. Quanto ao método de abordagem, a pesquisa é considerada qualitativa, pois o estudo será determinado através da comparação direta dos resultados levantados através dos instrumentos de coleta de dados para avaliação, antes e após a aplicação da metodologia Seis Sigma, não utilizando, nessa etapa, instrumentos estatísticos para a conclusão do estudo. Segundo Neves (1996), a pesquisa qualitativa costuma ser direcionada, não busca enumerar ou medir eventos e, geralmente, não emprega instrumental estatístico para análise dos dados. Dela, faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador com a situação objeto em estudo. Nas pesquisas qualitativas, é frequente que o pesquisador procure entender os fenômenos segundo a perspectiva dos participantes da situação estudada e, a partir daí, situe sua interpretação dos fenômenos estudados. O procedimento técnico utilizado é classificado como um estudo de caso que, de acordo com Yin (2005), é utilizado para examinar os acontecimentos contemporâneos e se assemelha muito com as técnicas usadas nas pesquisas bibliográficas. As principais diferenciações entre essas duas pesquisas é que o 53 estudo de caso utiliza observação direta dos acontecimentos que estão sendo estudados, através de entrevistas com as pessoas envolvidas. Além disso, o estudo de caso lida com uma ampla variedade de evidências como documentos, artefatos, entrevistas e observações. Este tipo de procedimento pode ainda ser definido como uma investigação empírica interessada em um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto na vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos (YIN, 2005). Ventura (2007) afirma que o estudo de caso é uma modalidade de pesquisa entendida como uma metodologia ou como a escolha de um objeto de estudo definido pelo interesse em casos individuais. Visa à investigação de um caso específico, bem delimitado, contextualizado em tempo e lugar para que se possa realizar uma busca circunstanciada de informações. Os estudos de caso mais comuns são os que têm o foco em uma unidade, um indivíduo, ou múltiplo, nos quais vários estudos são conduzidos simultaneamente em vários indivíduos ou várias organizações (VENTURA, 2007). Esse trabalho tratase de um estudo de caso individual, com foco em uma unidade. Segundo Yin (2005), os passos metodológicos para desenvolver um estudo de caso são agrupados em três grupos: definição e planejamento; preparação, coleta e análise; e análise e conclusão. Os passos metodológicos serão descritos na sequência. 3.2 MÉTODO DA PESQUISA A pesquisa foi realizada inicialmente com uma revisão bibliográfica sobre algumas definições e conceitos do Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP) e do Processo de Fabricação, dentre os modelos que medem o nível de maturidade dos processos, o modelo CMMI e a metodologia Seis Sigma. Posteriormente, são delimitadas as variáveis do CMMI DEV 1.2, utilizadas para medir os impactos do Seis Sigma na maturidade do processo. Para isso, seguiu-se o seguinte procedimento. 54 O método CMMI abrange um amplo escopo, contemplando vários itens em cada uma das vinte e duas áreas de processo, como descritos na revisão da bibliografia. Para direcionar o estudo, visando verificar o impacto que o Seis Sigma tem na maturidade do processo, um instrumento de avaliação do método CMMI foi elaborado para avaliar a maturidade do processo. O instrumento utilizou-se da representação contínua, por ser a representação mais adequada devido à livre escolha das categorias e da sequência das PA’s para a avaliação do nível de maturidade. A não utilização da representação por estágios se justifica pelo fato de não se utilizar todas as PA’s de cada nível de maturidade no processo e não se ter como objetivo a medição geral da maturidade do processo de desenvolvimento de produto completo. Entende-se que para a representação contínua, usa-se o termo nível de capacidade, porém, para não haver má interpretação com o termo “capacidade do processo de fabricação” (referente à capacidade de produção, de desenvolvimento, de desempenho), será utilizado neste trabalho o mesmo termo adotado para a representação por estágio: “nível de maturidade” (CRUZ, 2005; ROTONDARO, 2002). Para a elaboração desse instrumento de avaliação, primeiramente foi verificada a correlação entre as variáveis do CMMI com aquelas impactadas na aplicação do Seis Sigma. Para isso, foram identificadas, entre as quatro categorias (Gestão de Processo, Gestão de Projeto, Engenharia e Suporte), quais seriam aplicadas para a avaliação da maturidade do processo. Nessa identificação, somente foram usadas as categorias que utilizassem todas as PA’s correspondentes à sua categoria para a avaliação, ou seja, se uma das PA’s de dada categoria não fosse representativa para a análise, não seria utilizada, e essa representatividade seria determinada pela própria definição de cada PA. Também, outro limitante neste estudo é que o instrumento foi aplicado na área de fabricação da empresa estudada, pois a metodologia Seis Sigma foi aplicada na melhoria de um processo de fabricação. Assim, os objetivos das PA’s escolhidas para a avaliação devem estar relacionados com essa área. O quadro 10 representado no apêndice A, elaborado a partir do livro da SEI (2006), mostra a definição de cada PA. As categorias identificadas e usadas nesse estudo foram baseadas nesse livro, utilizando a versão DEV 1.2 do CMMI, que considera o fator integração em um processo de desenvolvimento. 55 Assim, após a identificação das categorias, foi elaborado o quadro 11, conforme apresentado no apêndice B, para ser utilizado como instrumento de avaliação a fim de medir o nível de maturidade do processo, contemplando as categorias para análise e suas PA’s correspondentes. O quadro 11 (apêndice B) foi utilizado através da marcação dos valores 0, 3 ou 5 para cada item das práticas específicas e genéricas. O valor “0” corresponde ao não cumprimento das práticas específicas ou genéricas; o valor “3” corresponde ao cumprimento parcial das práticas específicas ou genéricas e o valor “5” corresponde ao cumprimento total das práticas específicas ou genéricas. A marcação do quadro 11 foi baseada na escala de Likert, a qual é largamente utilizada em pesquisas organizacionais para o preenchimento de questionários e, nessa escala, os entrevistados especificam seu nível de concordância com uma pergunta ou afirmação através dos valores pré-determinados no próprio questionário (ALEXANDRE et al., 2003). Com o instrumento de avaliação da maturidade definido, um estudo de caso foi aplicado em campo industrial, considerando uma empresa de médio porte. Para realizar o estudo de caso, o roteiro sugerido por Yin (2005) foi desenvolvido da seguinte maneira: 1) Definição e planejamento: o autor afirma que nesta primeira fase é efetuado o desenvolvimento da teoria, fazendo-se um referencial conceitualteórico para o trabalho, conforme descrito no capítulo 2. Após, efetua-se a seleção do caso em estudo, que conforme o trabalho será por meio da escolha de um processo ou um setor específico do processo de fabricação em uma empresa de médio porte. Por fim, faz-se o projeto do protocolo de coleta de dados, conforme será explicado na próxima fase do roteiro. Este trabalho focou nas empresas de pequeno e médio porte, devido à rápida aplicação e execução da metodologia Seis Sigma, se comparada às grandes empresas. Isso devido ao resultado de alguns fatores como a flexibilidade dessas empresas, as rápidas mudanças que podem ser feitas e aos poucos níveis hierárquicos que possuem, facilitando assim, o desenvolvimento da aplicação da metodologia, conforme afirmam os autores Antony, Kumar e Madu (2005). Para definir o porte da empresa, esse trabalho se baseou na classificação do SEBRAE, apesar de existirem vários conceitos de Micro, Pequenas e Médias empresas no Brasil e no mundo. Dentre eles, pode-se classificá-las de acordo com o 56 número de funcionários, patrimônio líquido, faturamento, dentre outros (OLIVEIRA, 2006). Em geral, a classificação das empresas leva em consideração critérios quantitativos, como o número de funcionários ou o faturamento anual bruto. Segundo o SEBRAE, a classificação das empresas é feita pelo conceito do número de funcionários, como representado na tabela 6. Tabela 6 – Classificação de Porte de Empresa Adotada pelo SEBRAE Número de funcionários Classificação Indústria e Construção Comércio e Serviço Microempresa Até 19 Até 9 Pequena empresa 20 a 99 10 a 49 Média empresa 100 a 499 50 a 99 Grande empresa 500 ou mais 100 ou mais Fonte: SEBRAE (2010). Portanto, para o presente trabalho, a empresa a ser estudada para a avaliação da pesquisa deve apresentar os seguintes pré-requisitos: Ser uma empresa de pequeno ou médio porte (possuir de 20 a 499 funcionários); Possuir processos de fabricação industrial. 2) Preparação, coleta e análise: a preparação envolve itens como habilidades do pesquisador, treinamento, preparação para o estudo de caso específico, desenvolvimento de um protocolo, triagem dos possíveis estudos de caso e condução de um estudo de caso piloto. A coleta das evidências para um estudo de caso pode vir de seis fontes distintas: documentos, registros em arquivos, entrevistas, observação direta, observação participante e artefatos físicos. No presente trabalho, após definida a unidade e explicado o objetivo da pesquisa aos envolvidos, a coleta de dados iniciou-se pela determinação da maturidade do processo, sendo desenvolvida em duas etapas: primeiramente, com a utilização do instrumento de avaliação, quadro 11 do apêndice B, foi determinada a maturidade do processo inicial por meio de entrevistas com gerentes, supervisores de produção e pessoas com 57 conhecimento do processo em estudo. Após, foi realizada a implantação do Seis Sigma, utilizando uma estratégia adequada para aplicação da metodologia nas pequenas e médias empresas referente ao método DMAIC, conforme apresentada na revisão da literatura, com algumas adaptações para adequação à realidade da empresa estudada. Por fim, foi determinada novamente a maturidade do processo, utilizando o mesmo instrumento de avaliação e procedimento. 3) Análise e conclusão: a análise de dados consiste em examinar, categorizar, classificar em tabelas, testar ou, do contrário, recombinar as evidências quantitativas e qualitativas para tratar as proposições iniciais de um estudo. Nesse caso, os dados coletados pelos dois instrumentos de avaliação foram comparados para verificar quais são as possíveis diferenças entre eles. Foi conduzida uma análise pontual para cada valor obtido, observando quais práticas específicas ou genéricas das PA’s correspondentes obtiveram ou não alterações. Por fim, definiu-se a maturidade inicial e final da empresa e o trabalho foi concluído através de um relatório descrevendo os dados coletados e esclarecendo e fundamentando à análise e a interpretação dos dados. 3.3 DELIMITAÇÃO DO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO DE MEDIÇÃO DA MATURIDADE Após a revisão bibliográfica sobre o Seis Sigma foram identificados os benefícios, melhorias e impactos que a metodologia pode exercer em uma organização. Através disso, o instrumento de avaliação foi estruturado, identificando quais das vinte e duas PA’s têm correlação com o Seis Sigma. Essa correlação foi identificada por meio da definição de cada PA, com base no livro da SEI (2006), conforme é explicado a seguir. O instrumento de avaliação foi estruturado pelas quatro categorias (Gestão de Processo, Gestão de Projeto, Engenharia e Suporte) utilizando a representação contínua. Assim, uma categoria somente é usada se todas as PA’s dessa categoria são utilizadas para determinar o impacto do Seis Sigma na maturidade do processo. 58 Outro fator determinante na identificação das PA’s para a elaboração do instrumento é que a aplicação dessa pesquisa se limitará a um processo ou um setor específico do processo de fabricação e não a outras áreas como, por exemplo, área de projetos, engenharia ou administrativa, conforme delimitado na metodologia. Ou seja, os objetivos das PA’s escolhidas para o estudo devem estar relacionados com a área de fabricação. Analisando, primeiramente, a categoria Gestão de Processo, suas cinco PA’s estão relacionadas com definições, planejamento, implantação, implementação, monitoramento, controle, avaliação, medição e melhoria de processo (SEI, 2006). O quadro 2 mostra, resumidamente, os objetivos de cada PA da categoria Gestão de Processo, conforme o livro da SEI (2006). A terceira coluna desse quadro apresenta trabalhos revisados da literatura sobre a metodologia Seis Sigma que reportam, com a sua aplicação, os mesmos objetivos das áreas de processo do CMMI, ou seja, mostra a relação que o Seis Sigma tem ou não com as PA’s do CMMI. (continua) CATEGORIA: GESTÃO DE PROCESSO Área de Processo (PA) Foco nos Processos da Organização (OPF) Definição dos Processos da Organização (OPD) OBJETIVOS DA APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA, IDENTIFICADOS NA LITERATURA, OS QUAIS TEM RELAÇÃO COM AS PA’s DO CMMI Objetivos Implantação de melhorias no processo. “(...) metodologia (...) que incrementa a qualidade por meio da melhoria contínua dos processos envolvidos na produção de um bem ou serviço (...)” (ROTONDARO, 2002, p.18). “(...) Seis Sigma visa reduzir a variabilidade e aumentar a capacidade dos processos. (...)” (SANTOS; MARTINS, 2008, p. 47). “(...) a eliminação das atividades que não agregam valor ao processo; e a benéfica mudança cultural promovida na organização. (...)” (PINTO; CARVALHO; HO, 2006, p. 193). “A conscientização das pessoas sobre metas de longo prazo, sobre como as ações individuais contribuem para a realização dos objetivos estratégicos, de haver uma direção comum (...)” (SANTOS; MARTINS, 2008, p. 47). “(...) o Seis Sigma é um programa que trouxe contribuição em vários aspectos (...) como: (...) sistematização metodológica para implementar projetos; (...) e gestão de projetos. (...)”(SANTOS; MARTINS, 2010, p. 42). Implantações de padrões no processo (definições do processo, tarefas e atividades). 59 CATEGORIA: GESTÃO DE PROCESSO Área de Processo (PA) Treinamento da Organização (OT) Desempenho dos Processos da Organização (OPP) Implantação de Inovação na Organização (OID) OBJETIVOS DA APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA, IDENTIFICADOS NA LITERATURA, OS QUAIS TEM RELAÇÃO COM AS PA’s DO CMMI Objetivos Fornecimento de treinamento (com registros e avaliações). Análise do desempenho quantitativo dos processos. Implantação de melhorias e gerenciamento quantitativo do processo. “(...) o Seis Sigma trouxe um novo cenário para os requisitos de habilitação dos profissionais que atuam mais diretamente com objetivos de melhoria da qualidade (...)” (SANTOS; MARTINS, 2008, p. 49). “Treinar os colaboradores na metodologia Seis Sigma é o caminho para uma companhia conseguir melhorar dramaticamente seus processos” (ROTONDARO, 2002, p.27). “(...) o Seis Sigma vem contribuindo para o aprimoramento da medição de desempenho, tornando-a um pré-requisito para a melhoria contínua dos processos e para a implementação da estratégia competitiva” (SANTOS; MARTINS, 2008, p. 47). “(...) ele ajuda a companhia a estabelecer uma cultura direcionada a dados para resolver com eficiência os problemas através de uma abordagem sistemática, científica e estatística” (AZIS; OSADA, 2010, p. 176). “(...) o Seis Sigma veio (...) impulsionando as ações estratégicas e gerenciais que: (...) incrementem a capacidade de inovação, mesmo diante da dificuldade de estabelecer vantagens competitivas (...)” (SANTOS; MARTINS, 2008, p. 43). “(...) o Seis Sigma (...) uma estratégia gerencial de mudanças, visando à melhoria de processos, produtos e serviços organizacionais (...)” (PINTO; CARVALHO; HO, 2006, p. 193). (conclusão) Quadro 2 – Objetivo de cada PA e a sua identificação, na literatura, com a aplicação do Seis Sigma, para a Categoria Gestão de Processo Fonte: Elaborado pelo autor. Assim, observa-se através do quadro 2, que os objetivos de todas as PA’s da categoria Gestão de Processo estão em consonância com os objetivos da aplicação da metodologia Seis Sigma, conforme identificados na literatura. Analisando a categoria Gestão de Projeto, suas seis PA’s estão relacionadas em tratar as atividades de gestão relacionadas ao planejamento, monitoramento e controle de projeto, como também, em tratar as áreas de gestão de contrato com fornecedores e gestão de riscos. Essa categoria não fará parte da análise deste estudo devido estar relacionada a atividades de projetos de produtos ou serviços, fator o qual foi delimitado na metodologia. 60 Da mesma forma, a categoria Engenharia, por tratar de atividades relacionadas com requisitos de produtos, validação e verificação de produto, também não fará parte da análise deste estudo. Por fim, analisando a categoria Suporte, suas PA’s estão relacionadas com itens como a garantia da qualidade de produtos e serviços; a coleta, o armazenamento, a análise e o relato dos dados; e a identificação e a solução das causas dos defeitos e dos problemas. Também, através do quadro 3, observa-se os objetivos de cada PA desta categoria e a terceira coluna do quadro apresenta os trabalhos revisados da literatura sobre a metodologia Seis Sigma que reportam, com a sua aplicação, os mesmos objetivos das áreas de processo do CMMI, ou seja, mostra a relação que o Seis Sigma tem ou não com as PA’s do CMMI. CATEGORIA: SUPORTE Área de Processo (PA) Gestão de Configuração (CM) Garantia da Qualidade de Processo e Produto (PPQA) Medição e Análise (MA) Objetivos (continua) OBJETIVOS DA APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA, IDENTIFICADOS NA LITERATURA, OS QUAIS TEM RELAÇÃO COM AS PA’s DO CMMI Identificação, controle, relatório de status e auditoria da configuração do ciclo de vida do produto (baselines). Garantia da qualidade de produtos e serviços. A coleta, o armazenamento, a análise e o relato dos dados. Não foram encontrados. “(...) o Seis Sigma ajuda uma empresa a não somente melhorar seu desempenho, mas também a aprimorar a melhoria” (PANDE et al., 2001, p. 13). “(...) Seis Sigma não é um simples esforço para aumentar a qualidade; é um processo para aperfeiçoar os processos empresariais” (ROTONDARO, 2002, p.19). “(...) o Seis Sigma (...) tem como objetivo aumentar drasticamente a lucratividade das empresas, por meio da melhoria de qualidade de produtos e processos (...)” (WERKEMA, 2002, p. 24). “(...) o Seis Sigma (...) uma estratégia gerencial de mudanças, visando à melhoria de processos, produtos e serviços organizacionais (...)” (PINTO; CARVALHO; HO, 2006, p. 193). “Seis Sigma é uma metodologia rigorosa que utiliza ferramentas e métodos estatísticos para definir (...), medir para obter a informação e os dados, analisar a informação coletada (...)” (ROTONDARO, 2002, p.18). 61 CATEGORIA: SUPORTE Área de Processo (PA) Objetivos OBJETIVOS DA APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA, IDENTIFICADOS NA LITERATURA, OS QUAIS TEM RELAÇÃO COM AS PA’s DO CMMI Análise e Tomada de Decisões (DAR) Análise e Resolução de Causas (CAR) Soluções alternativas para tratar de questões críticas. A identificação e a solução das causas dos defeitos e dos problemas. “(...) A preocupação contínua com a redução da variação, com a medição e com a coleta de dados são premissas indiscutíveis do Seis Sigma (...)” (SANTOS; MARTINS, 2010, p. 43) Não foram encontrados. “Os principais passos da primeira fase são: (...) 3. desenhar os processos críticos procurando identificar os que têm relação com os CPQs do cliente e os que estão gerando resultados ruins (...)” (ROTONDARO, 2002, p.25). “Um projeto Seis Sigma visa (...) ao uso de métodos estatísticos que buscam facilitar a interpretação de relações de causa e efeito que afetam diretamente processos críticos para o negócio” (SANTOS; MARTINS, 2008, p. 47). (conclusão) Quadro 3 – Objetivo de cada PA e a sua identificação, na literatura, com a aplicação do Seis Sigma, para a Categoria Suporte Fonte: Elaborado pelo autor. De igual forma, observa-se por meio do quadro 3, que alguns objetivos das PA’s da categoria Suporte estão em consonância com os objetivos da aplicação da metodologia Seis Sigma, porém, como a proposta na elaboração do instrumento de avaliação é analisar a evolução da maturidade de uma categoria com a aplicação do Seis Sigma, a categoria somente será analisada se todas as PA’s forem utilizadas, conforme delimitado na metodologia. Com isso, a categoria Suporte não fará parte da análise deste estudo devido, principalmente, pelo fato da PA Gestão de Configuração não fazer parte do escopo do Seis Sigma e estar voltada mais para aplicação em programas de softwares. Sendo assim, o instrumento de avaliação elaborado e estruturado para a medição do nível de maturidade envolveu apenas a Categoria Gestão de Processo com suas cinco PA’s, o qual pode ser verificado no apêndice C. 62 4 IMPACTO DO SEIS SIGMA NA MATURIDADE DO PROCESSO Esse capítulo apresenta a empresa a ser efetuado o estudo, a aplicação do CMMI em campo, antes e após o Seis Sigma, e a implantação do Seis Sigma. 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA X Por motivo de sigilo comercial, a empresa estudada será aqui denominada por Empresa X. Esta empresa está situada nas cidades de Ponta Grossa – Paraná, matriz onde foi aplicado esse estudo, e São José do Rio Preto – São Paulo. Ela atua na produção de embalagens metálicas para o acondicionamento de produtos alimentícios e o seu quadro funcional conta com aproximadamente 300 funcionários, conforme mostra o organograma 1, classificando-se, portanto, como uma empresa de médio porte, conforme classificação do SEBRAE (2010). A empresa conta com um moderno sistema de fabricação, utilizando tecnologia e técnicas eficazes para o controle de qualidade e rigorosos procedimentos visando à proteção da natureza. Possui certificações pelas normas ISO 9001 e ISO 14001, que atestam o padrão de excelência na qualidade de seus produtos, bem como sua responsabilidade ambiental. A sua produção atende ao mercado interno e externo. Entre os produtos que a empresa produz, destacam-se as latas de aço, que se diferenciam por suas alturas e diâmetros: diâmetro 73 mm (alturas: 80, 83, 92, 95, 110 e 136 mm), diâmetro 83 mm (altura: 189 mm), diâmetro 99 mm (alturas: 52 e 118 mm) e diâmetro 155 mm (alturas: 152, 178 e 226 mm). 63 Diretor Presidente Gerente Industrial Gerente Administrativo Estado: São Paulo Estado: Paraná Gerente de Produção Gerente de Manutenção Gerente de Controle de Qualidade Outras áreas Linhas de Corte Setor: elétrica Controle de Qualidade Controle de Processo Linhas de Montagem Setor: mecânica SGI – Sistema de Gestão Integrado Suprimentos Litografia (setor de tintas e fotolito) Almoxarifado Logística Prensas Lubrificação Segurança do Trabalho Serviços Gerais Área técnica desenho Transportes internos Vigilância Assistência técnica CTP Gerente de Filial Linhas de Montagem Organograma 1: Empresa X Fonte: Elaborado pelo autor. Conforme dados da empresa, o consumidor e a indústria obtém as seguintes vantagens utilizando as latas de aço: Consumidor: as latas, por serem protegidas contra a oxidação causadas pela luz, proporcionam uma vida de prateleira superior a dois anos, dispensando o uso de conservantes que pode influenciar na qualidade do produto. São feitas de material reciclável, colaborando com o equilíbrio ecológico de nosso planeta. Indústria: as latas de aço, além de serem 100% recicláveis, são totalmente biodegradáveis. A velocidade de envase das latas é até cinco vezes superior 64 à alcançada em embalagens multifoliadas ou flexíveis. Por fim, as latas proporcionam 100% de garantia de que os produtos não entrarão em contato com a luz ou ar externo. 4.1.1 Processo Produtivo na Empresa X Para a produção das latas de aço, a empresa conta com as seguintes etapas do processo produtivo: Recebimento da matéria-prima: todos os dias, em folhas ou bobinas de flandres, a matéria-prima chaga a fábrica e passa por um rigoroso controle de qualidade; Desbobinamento: o material é encaminhado para a linha de desbobinamento, passando por equipamentos de detecção de possíveis defeitos superficiais e seguindo para o corte de acordo com sua utilização; Litografia: as folhas seguem para a litografia onde modernas impressoras off set imprimem o rótulo de cada cliente. A parte interna da lata recebe verniz especial para alimentos e as folhas seguem para as estufas de secagem; Linha de montagem: nas linhas de montagem das latas de três peças (corpo, tampa e fundo), são utilizados eletrossoldadoras de última geração que asseguram latas perfeitas, produzidas a razão de mais de 500 unidades por minuto; Linha de montagem: na linha de duas peças (corpo estampado e tampa), a mais recente e inovadora da fábrica, a utilização final se destina exclusivamente a alimentos em conserva; Laboratório de Controle de Qualidade: além de procedimentos específicos em cada etapa, todo o processo de fabricação é rigorosamente monitorado pelo laboratório de Controle de Qualidade; Prensas: os equipamentos que transformam a matéria-prima em tampas e fundos são as prensas, que operam automaticamente – sendo diariamente inspecionadas; 65 Criação e Digitalização: antes de iniciar o processo de fabricação, a Empresa X disponibiliza seu departamento de criação, onde rótulos podem ser criados, desenvolvidos ou aprimorados digitalmente; Montagem dos pallets: a paletização automática é o final da linha de produção e inclui a colocação de proteção plástica ao redor do pallet, que vai para o estoque temporário antes de ser entregue ao cliente. Após o conhecimento do processo produtivo da Empresa X, iniciou-se a avaliação da maturidade inicial em relação a um processo escolhido, conforme o próximo item apresenta. 4.2 INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO INICIAL Conforme será mais bem detalhado, na fase “Definir” da metodologia Seis Sigma, aplicou-se o instrumento de avaliação inicial (apêndice D) no setor da linha de montagem das latas. Para o preenchimento do instrumento, foram entrevistadas as pessoas com maior conhecimento sobre cada área de processo, conforme o quadro 4. Área de Processo (PA) Pessoa entrevistada Foco nos Processos da Organização (OPF) Gerente de produção Definição dos Processos da Organização (OPD) Gerente de produção Treinamento da Organização (OT) Gerente qualidade Desempenho dos Processos da Organização (OPP) Gerente de produção Implantação de Inovação na Organização (OID) Gerente industrial Quadro 4 – Pessoa Responsável Para Responder os Instrumentos de Avaliação Fonte: Elaborado pelo autor. Analisando o instrumento de avaliação inicial (apêndice D), verifica-se que as áreas de processo Foco no Processo Organizacional (OPF), Definição de Processo Organizacional (OPD) e Desempenho do Processo Organizacional (OPP) estão com o nível de maturidade 1, e as áreas de processo Treinamento Organizacional (OT) e Implantação de Inovação Organizacional (OID) estão com o nível de maturidade 2 (ver síntese no quadro 5). 66 Categoria Gestão de Processo Nível de Maturidade Inicial Área de Processo (PA) Foco no Processo Organizacional (OPF) 1 Definição de Processo Organizacional (OPD) 1 Treinamento Organizacional (OT) 2 Desempenho do Processo Organizacional (OPP) 1 Implantação de Inovação Organizacional (OID) 2 Quadro 5 – Nível de Maturidade Inicial obtida pelo Instrumento de Avaliação Inicial Fonte: Elaborado pelo autor. A análise mais detalhada dos dados coletados será melhor explicada nos próximos itens. Após a aplicação do instrumento de avaliação inicial na Empresa X, iniciou-se a implantação do Seis Sigma. 4.3 APLICAÇÃO DO SEIS SIGMA A seguir, será mostrado o desenvolvimento de cada etapa da aplicação do método DMAIC a qual foi utilizada para aplicar o Seis Sigma na empresa estudada. a) DEFINIR A primeira etapa iniciou-se com a formação da equipe Seis Sigma que fez parte do projeto. Esta equipe foi composta por gerentes, técnicos, engenheiros, dentre outros cargos, formando uma equipe multidisciplinar de 11 integrantes, conforme representado no quadro 6. (continua) Papel Genérico Função Conselho de Liderança Gerente Industrial / Gerente de Produção Patrocinador Gerente Industrial Líder de Implementação Gerente de Produção Coach Consultor Externo Membro de Equipe Gerente de Manutenção Membro de Equipe Gerente de Qualidade Membro de Equipe Mecânico de Linha Membro de Equipe Assistente Técnico Membro de Equipe Encarregado da Mecânica 67 Papel Genérico Função Membro de Equipe Controlador de Processo Membro de Equipe Engenheiro Eletrônico (conclusão) Quadro 6 – Equipe Seis Sigma Fonte: Elaborado pelo autor. O trabalho iniciou-se analisando, conforme Rotondaro (2002), os requisitos do cliente e as características críticas para a qualidade (CPQ). As seguintes perguntas foram utilizadas: O que é crítico para o mercado? Quais são os processos críticos? Como resposta às perguntas e por meio do consenso de todos os envolvidos no trabalho, a metodologia Seis Sigma foi aplicada na Linha de Montagem das latas (linha de três peças: corpo, tampa e fundo), por ser um setor crítico de todo o processo. Essa criticidade refere-se ao fato desse setor possuir um alto índice de refugo e, também, por ser uns dos setores finais da empresa. A montagem é composta por três linhas que se diferenciam, principalmente, pelo diâmetro em que as latas são montadas: linha 01 (diâmetro de 83mm), linha 02 (diâmetro de 99mm) e linha 03 (diâmetro de 155mm). As linhas 01 e 03 são as que utilizam as mesmas máquinas de montagem de latas (mesma marca e modelo), já a linha 02 utiliza uma máquina de montagem de latas diferente (marca e modelo). Outra diferença, é que nas linhas 02 e 03 o processo envolve a aplicação de um verniz interno e externo nas latas e, após o processo de montagem, as latas são direcionadas a um forno para a etapa de cura do verniz. Conforme os dados internos da empresa, no ano de 2011 (meses de janeiro a junho), a relação entre a produção (quantidade de latas produzidas) e o refugo de cada linha de montagem, estão representados nas figuras 8, 9 e 10. 68 Figura 8 – Linha 01 (diâmetro de 83 mm), Peças Produzidas e Refugos no Ano de 2011 Fonte: Empresa pesquisada. Figura 9 – Linha 02 (diâmetro de 99 mm), Peças Produzidas e Refugos no Ano de 2011 Fonte: Empresa pesquisada. 69 Figura 10 – Linha 03 (diâmetro de 155 mm), Peças Produzidas e Refugos no Ano de 2011 Fonte: Empresa pesquisada. Conforme mostrado nas figuras, pode-se constatar que a relação das latas produzidas e refugos é maior na linha de montagem 03 (diâmetro de 155 mm), devido a linha ter uma produção mais baixa (menor número de latas produzidas por mês) e uma quantidade de refugo maior, se comparada com as demais linhas. Sendo assim, a 03 é considerada a mais crítica das linhas de montagem e foi a escolhida para a aplicação do Seis Sigma. Outra justificativa para essa escolha está no custo de produção das latas na linha de montagem 03, que por utilizar latas maiores, resulta em um maior consumo de material. As linhas de montagem são compostas pelas máquinas (ou processos): tesoura dupla, formadora, máquina polivalente e forno (somente linhas 02 e 03) e pelos setores que atuam ou fazem parte dessas linhas: litografia, testes, controle de qualidade e embalagem. Baseado no processo e máquinas descritas anteriormente, será identificado em qual máquina, processo ou setor a taxa de refugo é maior. Conforme os dados internos da empresa, no ano de 2011 (meses de abril a junho), têm-se a quantidade de refugos totais, por mês, nas máquinas (ou processos) e nos setores das linhas de montagem, conforme representados nas figuras 11, 12 e 13. 70 Figura 11 – Refugos nas Máquinas e nos Setores no Mês de Abril de 2011 Fonte: Empresa pesquisada. Figura 12 – Refugos nas Máquinas e nos Setores no Mês de Maio de 2011 Fonte: Empresa pesquisada. 71 Figura 13 – Refugos nas Máquinas e nos Setores no Mês de Junho de 2011 Fonte: Empresa pesquisada. Observa-se nas figuras 11, 12 e 13, que o maior índice de refugos é na máquina formadora, independentemente da linha de montagem. Então, a máquina a ser analisada para a aplicação do Seis Sigma será a formadora e, como está em conjunto com o forno que faz a cura do verniz, definiu-se a inclusão do mesmo para este estudo. Entretanto, o Seis Sigma será aplicado na linha de montagem 03 (diâmetro de 155 mm) por ser a linha que possui o maior índice de refugos. Para essa linha, a máquina para análise do estudo será a formadora em conjunto com o forno, por ser a etapa onde também possui o maior índice de refugos. Como resultado dessa primeira fase, Pande et al. (2001) indicam a utilização de uma Carta de Projeto Seis Sigma, podendo conter itens como: a declaração do problema, a declaração de objetivos, limitações e suposições, dados de oportunidade, membros da equipe, diretrizes e plano preliminar de projeto. O quadro 7 mostra a Carta de Projeto que foi implantada para o estudo, informando o problema e a meta em análise, a equipe e suas diretrizes, como também, datas para cada etapa da metodologia. Com relação à meta, definiu-se que o máximo de taxa de refugo permitido para a linha em estudo seria de 1% para todo o mês de produção. 72 CARTA DE PROJETO Declaração do Problema: Alta taxa de refugo na linha de montagem 03 (diâmetro de 155mm) em especial na máquina formadora em conjunto com o forno. Declaração da Meta: Manter a taxa de refugos sempre inferior a 1% para todo mês de produção. Diretrizes da Equipe: A equipe fará reuniões em datas pré-definidas para primeiramente definir qual é o problema encontrado, após, implantar ações a serem tomadas para mitigar os refugos na linha de montagem 03 e, por fim, controlar as ações implantadas. Membros da Equipe: Gerente Industrial, Gerente Produção, Gerente de Manutenção, Gerente de Qualidade, Mecânico de Linha, Assistente Técnico, Encarregado da Mecânica, Controlador de Processo, Engenheiro Eletrônico e Consultor Externo. Plano Preliminar do Projeto: datas de cada etapa do DMAIC: Apresentação da metodologia: 01/07/11, Definir: 04/07/11, Medir: 18/07/11, Analisar: 22/08/11, Melhorar: 26/09/11, Controlar: 31/10/11. Quadro 7 – Carta de Projeto Fonte: Elaborado pelo autor. a) Etapas da linha de montagem 03 (diâmetro de 155 mm) As etapas da linha de montagem 03 são representadas na figura 14: Figura 14 – Fluxograma da Linha de Montagem 03 (diâmetro de 155 mm) Fonte: Elaborado pelo autor. b) Etapas da Formadora e Forno (linha de montagem 03) 1) As pilhas de chapas cortadas (vindas da tesoura dupla), em seu tamanho correto, são colocadas na entrada da máquina formadora, conforme representada na fotografia 1. 73 Fotografia 1 – Máquina formadora Fonte: Elaborado pelo autor. 2) Cada chapa é conformada por calandras para formar um cilindro, chamado corpo da lata. 3) A chapa em forma de cilindro (corpo da lata) é soldada. 4) Após a solda, é aplicada uma camada de verniz (interno e externo) somente onde foi aplicado a solda, conforme apresentado na fotografia 2. Fotografia 2 – Máquina Formadora Fonte: Elaborado pelo autor. 74 5) Por fim, o corpo passa pelo forno para a cura do verniz conforme representado na fotografia 3. Fotografia 3 – Forno Fonte: Elaborado pelo autor. 6) Os corpos seguem o fluxo do processo para a máquina BNA. b) MEDIR Após definido o objeto do estudo (linha de montagem 03, máquina formadora em conjunto com o forno), foi determinada qual a principal forma de refugo na formadora e no forno, ou seja, será feito um levantamento de dados para se obter o principal ponto crítico dessas máquinas. Como forma de levantamento de dados, utilizou-se uma lista de verificação que, conforme Vieira (1999), representa uma planilha para o registro de dados onde se consegue tornar planejado esse levantamento ou coleta. Toda lista deve conter espaço para registrar o local e a data dos dados, além do nome do responsável pelo trabalho. A lista de verificação utilizada foi estruturada para identificar as principais formas de refugo na máquina formadora e no forno. A equipe identificou oito formas de refugos ocasionados pela formadora e duas formas de refugos ocasionados pelo forno. Esse levantamento foi efetuado no período de um mês de produção, conforme mostra o quadro 8. 75 LISTA DE VERIFICAÇÃO Levantamento de dados: 18/07/2011 até 19/08/2011 Responsável: Rótulo: Data: Início: Horas produzidas: Total produzido: Observação: Requisição: Turno: Término: Horas paradas: FORMADORA Corpos amassados: Solda fria: Latas amassadas: Riscos: Corpo aberto: Corpo dobrado: Verniz: Testes: FORNO HORIZONTAL Cura do verniz: Latas amassadas: Quadro 8 – Lista de Verificação Fonte: Elaborado pelo autor. No quadro 8, o colaborador responsável pela operação da máquina marca a quantidade de refugos ocorridos em cada item para cada turno de produção, ou seja, cada requisição executada. c) ANALISAR Por meio da lista de verificação, a qual resultou em 28 amostras (28 turnos de produção), obteve-se a quantidade total de latas produzidas e de refugos gerados, os quais foram computados em uma planilha. Em seguida, esses resultados foram classificados utilizando como ferramenta o Diagrama de Pareto. Rotondaro (2008) explica que o Diagrama de Pareto é uma descrição gráfica de dados que apresenta a informação de forma que se possam concentrar os esforços de melhoria nos pontos onde os ganhos podem ser obtidos. O diagrama representa um gráfico de barras apresentando em ordem de maior relevância, os pontos críticos do processo ou os itens que possuem maior índice de refugos conforme este estudo. Assim, o Diagrama de Pareto pode ser verificado conforme a figura 15. 76 Figura 15 – Diagrama de Pareto Identificando os Principais Defeitos Pela Frequência de Ocorrência - Linha de Montagem 03 (diâmetro de 155 mm) Fonte: Elaborado pelo autor. A figura mostra que os três principais defeitos em ordem de relevância são: a aplicação do verniz (com 60,2%), os testes (com 15,3%) e o corpo aberto (com 9,9%). Assim, como a aplicação de verniz é a principal causa de refugos na linha de montagem, definiu-se que as ações de melhoria para a linha seriam concentradas nessa causa. Como forma de representação gráfica, pode-se observar na figura 16 a proporção de todos os defeitos na linha 03 (155 mm) para as 28 amostras. Utilizouse uma linha de corte (linha de referência), ou seja, o máximo permitido para o processo que seria referente a uma taxa de defeito de 1%. Todos os pontos acima desta linha estariam excedendo o limite da proporção de defeitos. Nesse caso, foram constatados sete pontos excedendo esse limite. 77 Figura 16 – Gráfico de Controle Representando a Proporção de Todos os Defeitos em 28 Amostras da Linha de Montagem 03 (155 mm) Fonte: Elaborado pelo autor. De igual forma, a figura 17 mostra a proporção de defeitos somente analisando a aplicação do verniz na linha 03 (155 mm) para as 28 amostras. Observa-se que existem quatro pontos acima da linha de corte de 1%. Figura 17 – Gráfico de Controle Representando a Proporção de Defeitos na Aplicação do Verniz em 28 Amostras da Linha de Montagem 03 (155 mm) Fonte: Elaborado pelo autor. 78 Comparativamente, pode-se observar a sobreposição das figuras 16 e 17 representada na figura 18. Figura 18 – Gráfico de Controle Representando a Sobreposição dos Gráficos de Controle 07 e 08 da Linha de Montagem 03 (155 mm) Fonte: Elaborado pelo autor. Com relação à figura 18, conclui-se que o defeito ocasionado pela aplicação do verniz, com exceção da amostra número 17, está fortemente relacionado com os defeitos que sobrepõem esta linha de corte de 1%. Os seis primeiros pontos acima dessa linha correspondem aos defeitos ocasionados pela aplicação do verniz, representando 21% dos defeitos totais das 28 amostras. Após identificar que a aplicação do verniz é o principal defeito que gera a alta taxa de refugo na linha, há necessidade de levantar hipóteses para identificar as principais causas que possivelmente repercutem nesse defeito. Sendo assim, fez-se um brainstorm (“tempestade de ideias”) em conjunto com o diagrama de Ishikawa (Diagrama de causa e efeito). Rotondaro (2008) explica que o diagrama de causa e efeito (também conhecido como diagrama de espinha de peixe ou diagrama de Ishikawa) é uma ferramenta utilizada para apresentar a relação existente entre determinado resultado de um processo (que é um “efeito”) e os diversos fatores (causas) que podem influenciar nesse resultado. Por “resultado” entende-se “um problema” que se quer 79 eliminar e o diagrama faz um levantamento e uma apresentação visual de suas possíveis causas e de seu relacionamento com o problema. Para o presente trabalho, utilizou-se o diagrama causa e efeito conforme representado na figura 19, com seis ramos principais (ou grandes áreas): medição, meio ambiente, método, mão de obra, máquina e material. Através da técnica do brainstorm (“tempestade de ideias”) efetuado por toda equipe, gerou-se as causas (ramos menores) para cada ramo principal, podendo ser verificadas na figura 19. O brainstorm (“tempestade de ideias”) teve por objetivo gerar ideias e hipóteses para completar o diagrama de causa e efeito. Figura 19 – Diagrama Causa e Efeito Para a Aplicação do Verniz Fonte: Elaborado pelo autor. Por fim, efetuou-se o cálculo do nível sigma para essa linha. Pande et al. (2001) afirmam que com o número de defeitos, pode-se calcular o “rendimento” do processo (porcentagem de itens sem defeitos) e usar uma tabela prática determinando esse nível. Pode-se, também, obter esse mesmo resultado utilizando 80 os Defeitos por Milhão de Oportunidades ou DPMO, que indica quantos erros surgiriam se uma atividade fosse repetida um milhão de vezes. Esses dados podem ser vistos na tabela 7. Tabela 7 – Tabela Simplificada de Conversão em Sigma Se seu rendimento é... Seu DPMO é... Seu sigma é... 99,123% 8774,50 3,875 99,379% 6209,70 4 99,567% 4332,50 4,125 ... ... ... 100,000% 3,40 6 Fonte: Pande et al. (2001) Assim, através dos dados obtidos nas 28 amostras (quantidade total de latas produzidas e quantidade total de refugos gerados) e utilizando a tabela 7, obteve-se como resultado para a linha de montagem o seguinte valor do nível sigma. Tabela 8 – Nível Sigma Inicial para a Linha de Montagem 03 (155 mm) Total entrada Total saída Refugos Rendimento Sigma 371.766 latas 369.426 latas 2.340 latas 99,37 % 3,9 (aprox.) Fonte: Elaborado pelo autor. Nessa primeira etapa ou análise, conforme a tabela 8, foram produzidos 371,766 latas e gerados 2.340 refugos, resultando em um rendimento de 99,37%. Através da tabela 7, obteve-se um resultado aproximado do nível sigma de 3,9. d) MELHORAR Após efetuado o levantamento das principais hipóteses ou causas pelo diagrama de causa e efeito na etapa analisar, a equipe identificou ações a serem executadas, com seus respectivos objetivos, para a fase de melhoria conforme consta no quadro 9. 81 Causas dos problemas (Diagrama de causa e efeito) Ações a serem tomadas - Atividades Objetivo de cada ação 1 – Instalação de uma nova tubulação de inox (pistola/braço/guias) com isolamento térmico. Para mitigar o problema no aquecimento do verniz e na sua aplicação, será efetuada toda a troca do sistema. 2 – Melhorar a especificação na viscosidade verniz. Para sanar a causa, será trocado o verniz atual por outro o qual tenha uma menor variação de sua viscosidade com a variação da temperatura. Estudar leitura de pressão no side stripe. 3 – Instalar uma câmara checker ou estudar outra possibilidade. A aplicação de um sistema que consiga identificar a não aplicação do verniz diminuiria os refugos ocasionados pelo verniz. Deficiência no treinamento da mão-deobra. 4 – Efetuar treinamento da mãode-obra. O treinamento dos operadores no uso das máquinas e equipamentos (ajustes, manuseio) melhoraria seus conhecimentos técnicos. 5 – Efetuar um procedimento de limpeza periódica. A elaboração de um procedimento e treinamento para a limpeza periódica da tubulação faz com que os problemas com o verniz (sujeira, aquecimento e entupimento da tubulação) sejam mitigados. 6 – Efetuar treinamento pelos técnicos da empresa responsável pela máquina formadora (ajuste do equipamento). A possibilidade de efetuar um treinamento na empresa, por técnicos responsáveis pela máquina formadora (empresa especializada) melhoraria o conhecimento técnico dos operadores. A possibilidade de efetuar um treinamento na empresa, por técnicos responsáveis pelo equipamento do verniz (empresa especializada) melhoraria o conhecimento técnico dos operadores. Problema no aquecimento do verniz. Máquina Medição Medição Mão-deobra Mão-deobra Mão-deobra O braço, a guia, a tubulação e a pistola pode estar prejudicando a aplicação do verniz. As características do verniz como a viscosidade, os sólidos, etc. pode não ser eficiente para o processo. Não existe uma inspeção da aplicação do verniz. Deficiência no programa da manutenção preventiva do sistema. Não tem um procedimento de limpeza do sistema. Falta de conhecimento técnico no manuseio da máquina formadora. Deficiência do conhecimento para ajuste do equipamento. Mão-deobra Falta de treinamento na aplicação e operação do verniz. 7 – Efetuar treinamento pelos técnicos da empresa responsável pelo equipamento do verniz. Material Má aplicação do verniz líquido (alta taxa de refugo). 9 - Estudar a possibilidade de aplicar um verniz a pó. A substituição do verniz por um a pó poderia sanar os problemas encontrados com a aplicação do verniz líquido. Medição Não existe detecção na Tesoura Dupla que identifique um erro na aplicação do verniz na reserva das folhas. 10 – Instalar um sensor detector na Tesoura Dupla (sistema automático identificação da reserva do verniz). A instalação de um sensor, na máquina Tesoura Dupla, identificaria as folhas que estão com verniz aplicado fora da especificação. Quadro 9 – Causas dos Problemas, Atividades Propostas no Plano de Ação e Seus Objetivos Fonte: Elaborado pelo autor. 82 Como pode ser observado no quadro 9, foram identificadas pela equipe dez ações para serem executadas. Assim, conforme a figura 20 utilizou-se um plano de ação, com os devidos responsáveis e prazos, para conclusão de cada atividade. Junior (2009) afirma que um plano de ação pode ser entendido como um detalhamento dos objetivos da empresa, sendo um direcionador ou facilitador para quem gerencia as ações propostas. O autor relata que um plano de ação pode conter itens como: definição do problema, data de início da atividade, responsável pela ação, sistemática de acompanhamento das ações, dentre outros. O plano contém o planejamento de todas as ações necessárias para atingir um resultado desejado. Para este estudo, o planejamento das ações necessárias pode ser verificado na figura 20. Figura 20 – Plano de ação Fonte: Elaborado pelo autor. e) CONTROLAR Por fim, como forma de controle do processo, foi elaborada uma planilha interativa, alimentada diariamente, identificando todos os refugos e a quantidade produzida de toda a linha de montagem. Também, foi identificada a principal forma de refugo na máquina formadora, em conjunto com o forno, em todo mês de produção, e se o processo estava sobre controle. Dessa forma, foi verificado se a taxa de refugo na formadora e forno estava abaixo de 1% para todo mês de produção, conforme estipulado pela equipe no início deste trabalho. Esta planilha 83 não só foi aplicada para a linha de montagem 03 (diâmetro 155 mm) como para as outras linhas de montagem delimitadas para o estudo. Através dessa planilha interativa alcançou-se um novo acompanhamento do processo através de 14 amostras. Como resultado, conforme apresentado na figura 21, obteve-se um novo gráfico de controle, semelhante à figura 18. Figura 21 – Gráfico de Controle Representando a Proporção de Todos os Defeitos em 14 Amostras da Linha de Montagem 03 (155 mm) Fonte: Elaborado pelo autor. Como pode-se observar, os refugos ocasionados pela aplicação do verniz estão sob controle, ou seja, todos os pontos encontrados na figura 21 estão abaixo da linha de 1% de refugos, conforme definido na meta inicial deste estudo. Todas as amostras, com exceção de duas (amostra 9 e 10), obtiveram os índices de refugos ocasionados pela aplicação do verniz igual a zero. Através dos dados obtidos nas 14 amostras (quantidade total de latas produzidas e de defeitos gerados), efetuou-se a determinação do novo nível sigma (ver tabela 9). Tabela 9 – Nível Sigma Final para a Linha de Montagem 03 (155 mm) Total entrada Total saída Refugos Rendimento Sigma 448.776 latas 446.934 latas 1.842 latas 99,59% 4,1 (aprox.) Fonte: elaborado pelo autor 84 Nesta segunda etapa, conforme a tabela 9, foram produzidos 448.776 latas e gerados 1.842 refugos, resultando em um rendimento de 99,59%. Através da tabela 7 obteve-se um resultado aproximado do nível sigma de 4,1. Entretanto, com a aplicação do Seis Sigma houve uma melhoria no processo (linha de montagem 03 – diâmetro 155 mm) com um aumento do nível sigma de 3,9 para 4,1. Após a implantação do Seis Sigma, considerando que o objetivo era verificar se haveria ou não um aumento no nível de maturidade das PAs da categoria Gestão de Processo, o próximo item apresenta a avaliação final feita com o mesmo instrumento de medição utilizado no início do trabalho realizado na empresa, incluindo as mesmas pessoas entrevistadas. O instrumento de avaliação final pode ser verificado no apêndice E. 4.4 AVALIAÇÃO DA MATURIDADE APÓS O SEIS SIGMA Analisando o instrumento de avaliação final (apêndice E), verifica-se que as áreas de processo Foco no Processo Organizacional (OPF) e Definição de Processo Organizacional (OPD) permaneceram com o nível de maturidade 1 e as áreas de processo Treinamento Organizacional (OT) e Implantação de Inovação Organizacional (OID) permaneceram com o nível de maturidade 2. Apenas a área de processo Desempenho do Processo Organizacional (OPP) alterou o nível de maturidade 1 para o nível 2. A análise mais detalhada dos dados coletados será explicada nos próximos itens. 4.5 RESULTADOS A análise dos resultados foi efetuada em duas etapas. Primeiramente, será analisada a evolução ou não da maturidade da Empresa X, seguida da aplicação do Seis Sigma, comparando os instrumentos de avaliação (inicial e final). Por fim, será 85 determinada uma forma de quantificar o nível de maturidade da empresa pelos dados dos instrumentos de avaliação (inicial e final). 4.5.1 Instrumentos de Avaliação (Inicial e Final) Para melhor esclarecimento dos resultados encontrados nos instrumentos de avaliação (apêndices D e E), escolheu-se analisá-los em gráficos, com os dados iniciais e finais juntos, verificando a progressão ou não da maturidade após a aplicação da metodologia Seis Sigma nas cinco áreas de processo em estudo. Para a primeira área de processo, Foco no Processo Organizacional (OPF), conforme figura 22, observa-se a evolução da maturidade em duas práticas específicas, SP 1.1 (estabelecer a descrição das necessidades e dos objetivos de processo da organização) e SP 1.2 (avaliar os processos da organização periodicamente) do nível 1 de maturidade. Pande et al. (2001) afirmam que a metodologia Seis Sigma procura identificar quais os dados ou informações são realmente essenciais para a empresa, como também, define claramente as necessidades do cliente (interno ou externo). O autor registra que a metodologia cria uma infraestrutura de medição, ou seja, a empresa acompanha seus processos por meio de dados quantitativos verificando as mudanças de desempenho (boas ou ruins). Nessa esteira, verificou-se que com a aplicação do Seis Sigma, as necessidades para a implantação das melhorias tornaram-se mais claras e objetivas, e a equipe conseguiu identificar com transparência essas necessidades. Vale dizer que a metodologia fornece a prática de uma avaliação periódica do processo, para verificar se está sob controle. 86 Figura 22 – Resultado dos Instrumentos de Avaliação (inicial e final) na Área de Processo Foco no Processo Organizacional – OPF Fonte: Elaborado pelo autor. Para a segunda área em análise, Definição de Processo Organizacional (OPD), conforme a figura 23, não se observou nenhuma evolução da maturidade com a aplicação da metodologia Seis Sigma. Como o objetivo dessa área é a implantação de ativos (como exemplos: descrição de processo, tarefas e atividades) e a empresa X em estudo já possui alguns desses mecanismos, a metodologia pouco influenciou na maturidade dessa área. Figura 23 – Resultado dos Instrumentos de Avaliação (inicial e final) na Área de Processo Definição de Processo Organizacional – OPD Fonte: Elaborado pelo autor. 87 Na terceira área em análise, Treinamento Organizacional (OT), conforme figura 24, apesar da identificação de alguns treinamentos no “plano de ação” na fase “melhorar” da metodologia Seis Sigma, não houve nenhuma evolução da maturidade. Essa área pode ser considerada aquela na qual a Empresa X possui grande desenvolvimento e, consequentemente, a implantação da metodologia pouco influenciou. Figura 24 – Resultado dos Instrumentos de Avaliação (inicial e final) na Área de Processo Treinamento Organizacional – OT Fonte: Elaborado pelo autor. Para a quarta área, Desempenho do Processo Organizacional (OPP), conforme a figura 25, observa-se a evolução da maturidade na prática específica SP 1.2 (estabelecer medidas de desempenho do processo) do nível 1 de maturidade, que resultou na evolução da maturidade dessa área para o nível 2. Pande et al. (2001) afirmam que o Seis Sigma esclarece quais são as medidas “chaves” para avaliar o desempenho do negócio. Essa prática (SP 1.2) foi fortemente influenciada pela metodologia Seis Sigma, por determinar um levantamento de dados mais minucioso, ou seja, a metodologia indica quais são as reais medidas a serem determinadas para mensurar o desempenho do processo em análise. 88 Figura 25 – Resultado dos Instrumentos de Avaliação (inicial e final) na Área de Processo Desempenho do Processo Organizacional – OPP Fonte: Elaborado pelo autor. Por fim, para a última área em análise, Implantação de Inovação Organizacional (OID), conforme figura 26, não se observou nenhuma evolução da maturidade. O objetivo dessa área é a implantação de melhorias (como exemplos: novas abordagens e metodologias). Em função da Empresa X possuir maior desenvolvimento nessa área, a metodologia Seis Sigma pouco influenciou. Figura 26 – Resultado dos Instrumentos de Avaliação (inicial e final) na Área de Processo Implantação de Inovação Organizacional – OID Fonte: Elaborado pelo autor. 89 4.5.2 Nível de Maturidade da Empresa X Conforme apresentado pelo SEI (2006), a maturidade pela representação contínua se classifica em seis níveis (0= incompleto; 1= executado; 2= gerenciado; 3= definido; 4= gerenciado quantitativamente e 5= em otimização). Porém, por exemplo, é impossível saber se realmente um nível é 1 ou 2, quando a maioria das práticas específicas do nível 1 é contemplada pelo processo em estudo. Assim, determinou-se no presente trabalho, que os níveis de maturidade irão variar de 0 a 5, bem como, são utilizadas as casas decimais dos números, como por exemplo, um nível 2,1; 2,2; 2,3; até 2,9 de maturidade, antes de se obter nível 3,0. Para esse estudo foi empregada a porcentagem das práticas específicas ou genéricas que são contempladas em cada nível para determinar as casas decimais do nível de maturidade de cada PA conforme o exemplo apresentado na tabela 10. Tabela 10 – Exemplo Para Determinação do Nível de Maturidade Área de Processo Práticas Específicas / Práticas Genéricas Nível 1: Práticas Específicas / Práticas Genéricas Contempladas Porcentagem Nível Maturidade SP 1.1 SP 1.2 Foco no SP 1.3 Processo SP 2.1 Organizacional SP 2.2 (OPF) SP 3.1 7 1,8 SP 3.2 SP 3.3 SP 3.4 TOTAL 9 Práticas Específicas Fonte: Elaborado pelo autor. Para o exemplo da tabela 10, têm-se nove práticas específicas no nível 1 de maturidade da área de processo Foco no Processo Organizacional (OPF) e foram 90 contempladas apenas sete dessas práticas (entende-se que práticas contempladas se referem ao número 5 dos instrumentos de avaliação representados nos apêndices D e E) o que representa um valor de aproximadamente 80%. Como, neste exemplo, as práticas são referentes ao nível de maturidade 1, adiciona-se esse valor (0,8 ou 80%) ao mesmo nível e chega-se a um nível de 1,8 de maturidade. Seguindo o mesmo raciocínio do exemplo da tabela 10, têm-se os níveis de maturidade para os instrumentos de avaliação (inicial e final), representados nas tabelas 11 e 12. Tabela 11: Nível de Maturidade – Instrumento de Avaliação Inicial (continua) Área de Processo Foco no Processo Organizacional (OPF) Definição de Processo Organizacional (OPD) Treinamento Organizacional (OT) Práticas Específicas / Práticas Genéricas Nível 1: SP 1.1 SP 1.2 SP 1.3 SP 2.1 SP 2.2 SP 3.1 SP 3.2 SP 3.3 SP 3.4 Nível 1: SP 1.1 SP 1.2 SP 1.3 SP 1.4 SP 1.5 SP 1.6 Nível 2: GP 2.1 GP 2.2 GP 2.3 GP 2.4 GP 2.5 GP 2.6 GP 2.7 GP 2.8 GP 2.9 GP 2.10 Práticas Específicas / Práticas Genéricas Contempladas Porcentagem Nível Maturidade 6 1,7 5 1,8 8 2,8 91 (conclusão) Área de Processo Desempenho do Processo Organizacional (OPP) Implantação de Inovação Organizacional (OID) Práticas Específicas / Práticas Genéricas Nível 1: SP 1.1 SP 1.2 SP 1.3 SP 1.4 SP 1.5 Nível 2: GP 2.1 GP 2.2 GP 2.3 GP 2.4 GP 2.5 GP 2.6 GP 2.7 GP 2.8 GP 2.9 GP 2.10 Práticas Específicas / Práticas Genéricas Contempladas Porcentagem Nível Maturidade 4 1,8 8 2,8 Fonte: elaborado pelo autor Conforme a tabela 11 e pela porcentagem das práticas específicas ou genéricas contempladas, adicionadas aos seus respectivos níveis de maturidade, obteve-se os seguintes níveis de maturidade para cada área de processo: OPF nível 1,7; OPD nível 1,8; OT nível 2,8; OPP nível 1,8 e OID nível 2,8. Tabela 12: Nível de Maturidade – Instrumento de Avaliação Final (continua) Área de Processo Foco no Processo Organizacional (OPF) Práticas Específicas / Práticas Genéricas Nível 1: SP 1.1 SP 1.2 SP 1.3 SP 2.1 SP 2.2 SP 3.1 SP 3.2 SP 3.3 SP 3.4 Práticas Específicas / Práticas Genéricas Contempladas 8 Porcentagem Nível Maturidade 1,9 92 (conclusão) Área de Processo Definição de Processo Organizacional (OPD) Treinamento Organizacional (OT) Desempenho do Processo Organizacional (OPP) Implantação de Inovação Organizacional (OID) Práticas Específicas / Práticas Genéricas Nível 1: SP 1.1 SP 1.2 SP 1.3 SP 1.4 SP 1.5 SP 1.6 Nível 2: GP 2.1 GP 2.2 GP 2.3 GP 2.4 GP 2.5 GP 2.6 GP 2.7 GP 2.8 GP 2.9 GP 2.10 Nível 2: GP 2.1 GP 2.2 GP 2.3 GP 2.4 GP 2.5 GP 2.6 GP 2.7 GP 2.8 GP 2.9 GP 2.10 Nível 2: GP 2.1 GP 2.2 GP 2.3 GP 2.4 GP 2.5 GP 2.6 GP 2.7 GP 2.8 GP 2.9 GP 2.10 Fonte: elaborado pelo autor Práticas Específicas / Práticas Genéricas Contempladas Porcentagem Nível Maturidade 5 1,8 8 2,8 9 2,9 8 2,8 93 Conforme a tabela 12 e pela porcentagem das práticas específicas ou genéricas contempladas, adicionadas aos seus respectivos níveis de maturidade, obteve-se os seguintes níveis de maturidade para cada área de processo: OPF nível 1,9; OPD nível 1,8; OT nível 2,8; OPP nível 2,9 e OID nível 2,8. Entretanto, observa-se, conforme as tabelas 11 e 12, uma evolução na maturidade das áreas de processo Definição de Processo Organizacional (OPF) e Desempenho do Processo Organizacional (OPP) que também estão representadas na figura 27. Figura 27 – Níveis de Maturidade (inicial e final) da Empresa X Para a Categoria Gestão de Processo Fonte: Elaborado pelo autor. Enfim, como pôde ser visto, a empresa apresentou no início os seguintes níveis de maturidade: 1,7; 1,8; 2,8; 1,8 e 2,8 para as PA’s correspondentes Foco no Processo Organizacional (OPF), Definição de Processo Organizacional (OPD), Treinamento Organizacional (OT), Desempenho do Processo Organizacional (OPP) e Implantação de Inovação Organizacional (OID) e após a aplicação do Seis Sigma ela passou a apresentar os seguintes níveis de maturidade: 1,9; 1,8; 2,8; 2,9 e 2,8 para as mesmas PA’s correspondentes. 94 5 CONCLUSÕES O estudo dos processos em uma empresa é de fundamental importância, pois a sua eficiência influencia diretamente na qualidade dos produtos envolvidos. Ele está diretamente ligado ao crescimento e a competitividade das empresas. Assim, a busca por melhorias nos processos se faz necessária para as empresas que visam sobreviver ao mercado competitivo. Vale dizer que uma boa gestão dos processos é fundamental para garantir resultados de desempenho que possam ser alcançados e continuamente melhorados. A análise sistemática de problemas é um dos aspectos mais importantes para um programa de qualidade. Existem diversas ferramentas e metodologias disponibilizadas pela literatura para compreender os problemas que ocorrem em um processo e a encontrar soluções adequadas para manter uma boa eficiência. O presente trabalho foi desenvolvido no sentido de avaliar e analisar qualitativamente a aplicação da metodologia Seis Sigma em um processo de fabricação visando, não somente analisar os impactos pontuais que geram benefícios e melhorias e já são largamente divulgados na literatura, mas sim, os que podem gerar repercussões mais amplas nos processos, como a variação no nível de maturidade deste. Para a avaliação da maturidade do processo de fabricação com a aplicação do Seis Sigma, utilizou-se um modelo já explorado na literatura, ou seja, o CMMI DEV 1.2 (Capability Maturity Model Integration), que é um modelo de maturidade para melhoria de processo, o qual considera o fator integração do processo. Por meio do CMMI foi elaborado um instrumento de avaliação com base no livro da SEI (2006) e através dele foram efetuadas duas avaliações da maturidade do processo: uma antes e outra após a implantação do Seis Sigma no setor de manufatura de uma empresa de médio porte. A aplicação foi realizada na linha de montagem de latas em uma empresa que atua na produção de embalagens metálicas para o acondicionamento de produtos alimentícios. Os instrumentos de avaliação para a análise da maturidade foram limitados a categoria Gestão de Processo do CMMI, por ter todas as áreas de processo (PA’s) em consonância com os trabalhos levantados na literatura. Nesse caso, o Seis Sigma foi implantado com a aplicação do método DMAIC. 95 Como resultado dessa avaliação da maturidade, constatou-se que as áreas de processo (PA’s) da categoria Gestão de Processo que tiveram maior relevância foram: a Definição de Processo Organizacional (OPF) e a Desempenho do Processo Organizacional (OPP). Devido à aplicação do Seis Sigma na área de processo OPF, as práticas específicas SP 1.1 (“Estabelecer a descrição das necessidades e dos objetivos de processo da organização”) e SP 1.2 (“Avaliar os processos da organização periodicamente”) foram melhoradas, resultando em uma evolução da maturidade do nível 1,7 para o nível 1,9, considerando a classificação do CMMI para a maturidade de zero a cinco. Na área de processo Desempenho do Processo Organizacional (OPP), a prática específica SP 1.2 (“Estabelecer medidas de desempenho de processo”) foi melhorada, elevando o nível de maturidade de 1,8 para 2,9. Para essas PA’s, com a aplicação do Seis Sigma, a equipe conseguiu identificar com mais clareza as necessidades e objetivos para a implantação das melhorias. Constatou-se também, que houve a prática de uma avaliação periódica do processo em estudo para a sua verificação e controle. Ou seja, a metodologia Seis Sigma indica quais são as reais medidas a serem determinadas para mensurar o desempenho do processo em análise. Sendo assim, com o término deste trabalho, pode-se afirmar que o objetivo geral referente a “verificar o impacto da implantação do Seis Sigma na maturidade de um processo de desenvolvimento de produto” foi atingido. Para a continuidade deste trabalho, sugere-se que sejam avaliadas outras categorias do modelo CMMI como, por exemplo, a categoria Suporte, por possuir os objetivos de algumas áreas de processo em consonância com os resultados encontrados na aplicação do Seis Sigma. Sugere-se, também, realizar a mesma aplicação dessa pesquisa em empresas de setores industriais diferentes ou portes distintos do que foi aplicado neste trabalho. Acredita-se que o impacto constatado nessa pesquisa não seja geral para todas as empresas, podendo variar em função do ramo de atividade, setor ou porte empresarial. 96 REFERÊNCIAS ABOELMAGED, Mohamed G. Six Sigma quality: a structured review and implications for future research. International Journal of Quality and Reliability Management. v. 27, n. 3, p. 268-317, 2010. ADEYEMI, Yewande. An analysis of six sigma at small vs. large manufacturning companies. 2005. 79 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Industrial) - School of Engineering, University of Pittsburgh, Pittsburgh, 2005. ALEXANDRE, João W. C. et al. Análise do número de categorias da escala de Likert aplicada à gestão pela qualidade total através da teoria da resposta ao item. 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Estes itens incluem a descrição do processo, tarefas, atividades, descrição de modelos de ciclo de vida, guia de execução de processo, dados e documentação do processo. Esta área está relacionada com o desenvolvimento das habilidades e conhecimentos dos colaboradores para que eles possam desempenhar seu trabalho de forma efetiva e eficiente. O propósito desta área é estabelecer e manter um entendimento quantitativo da capacidade dos processos padrões em suportar objetivos de qualidade e de desempenho, visando colher os dados necessários ao gerenciamento quantitativo dos projetos da organização. O objetivo desta área é permitir a seleção e distribuição ordenada de melhorais (incrementais e inovadoras) que podem aumentar a habilidade da organização para alcançar os seus objetivos de qualidade e desempenho do processo. O objetivo desta área compreende o estabelecimento e manutenção de planos que definam as atividades do projeto. O propósito desta área é proporcionar um entendimento do processo utilizado em um projeto, de tal forma que ações corretivas apropriadas possam ser tomadas quando o desempenho do projeto desvia significativamente do plano estabelecido. Esta área gerencia a aquisição de produtos de fornecedores de forma que exista um contrato formal. Esta área estabelece e gerencia o projeto e o envolvimento dos stakeholders relevantes (indivíduos ou grupos envolvidos com o projeto, como fornecedores, clientes, usuários, e outros), de acordo com um processo definido e integrado baseado nos processos padrões da organização. O objetivo desta área é identificar potenciais problemas antes que eles ocorram, através do planejamento e execução de atividades específicas em situações de riscos, visando atenuar os impactos adversos que possam influenciar no alcance aos objetivos. O propósito desta área é gerenciar quantitativamente o processo definido para o projeto, visando atingir os objetivos de qualidade e de desempenho estabelecidos para o mesmo. 103 ENGENHARIA SUPORTE REQM Gerência de Requisitos RD Desenvolvimento de Requisitos TS Solução Técnica PI Integração de Produto (PI –Product Integration): VER Verificação VAL Validação CM Gerência da Configuração PPQA Garantia de Qualidade de Produto e Processo MA Medições e Análises DAR Resolução e Análise de Decisão CAR Resolução e Análise das Causas Esta área de processo tem o propósito de gerenciar os requisitos dos produtos do projeto e seus componentes, e identificar inconsistências entre estes requisitos e os estabelecidos no plano. O objetivo desta área de processo é produzir e analisar os requisitos do cliente, do produto e dos componentes do produto, de modo que supram as necessidades das pessoas envolvidas com o projeto. O propósito desta área é projetar, desenvolver e implementar soluções para os requisitos, abrangendo produtos, componentes de produtos e produtos do ciclo de vida do processo, cada um individualmente ou combinados. O objetivo desta área é reunir todos os componentes do produto, e assegura que o produto, quando integrado, funciona bem. O objetivo é garantir que os produtos de trabalho estão de acordo com os requisitos especificados. O objetivo é demonstrar que o produto ou seus componentes cumprem seu uso desejado quando mantido em ambiente específico. Tem como propósito estabelecer e manter a integridade dos produtos de trabalho usando identificação, controle, relatório de status e auditoria da configuração, durante todo ciclo de vida. O objetivo desta área é garantir a entrega de produtos e serviços de alta qualidade, através da avaliação da qualidade do processo de desenvolvimento. O objetivo desta área é desenvolver e sustentar uma capacidade de medição usada para suportar o gerenciamento das informações necessárias. O propósito desta área é analisar decisões usando um processo de avaliação formal que avalia as possíveis alternativas e estabelece critérios. O objetivo desta área é analisar as causas dos defeitos e de outros problemas e tomar atitudes para que eles não voltem a ocorrer no futuro. (conclusão) Quadro 10 – Definições das áreas de processo por categoria Fonte: Elaborado pelo autor 104 APÊNDICE B ESTRUTURA DO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO PELA REPRESENTAÇÃO CONTÍNUA 105 INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO PELA REPRESENTAÇÃO CONTÍNUA GG 1 Representação Contínua Categoria Áreas de Processo Sigla Definição GP 1.1 GG 2 GG 3 GG4 GG 5 GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 2.8 2.9 2.10 3.1 3.2 4.1 4.2 5.1 5.2 Metas Específicas / Práticas Específicas 0 3 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 5 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 0 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 3 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 5 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 0 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 3 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 5 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 0 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 3 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 5 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 0 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 Quadro 11 – Estrutura do instrumento de avaliação pela representação contínua Fonte: Elaborado pelo autor 106 Metas Genéricas: GG 1 Satisfazer Metas Específicas GG 2 Institucionalizar um Processo Gerenciado GG 3 Institucionalizar um Processo Definido GG 4 Institucionalizar um Processo Gerenciado Quantitativamente GG 5 Institucionalizar um Processo em Otimização Práticas Genéricas: GP 1.1 Executar Práticas Específicas GP 2.1 Estabelecer uma Política Organizacional GP 2.2 Planejar o Processo GP 2.3 Fornecer Recursos GP 2.4 Atribuir Responsabilidades GP 2.5 Treinar Pessoas GP 2.6 Gerenciar Configurações GP 2.7 Identificar e Envolver Stakeholders Relevantes GP 2.8 Monitorar e Controlar o Processo GP 2.9 Avaliar Objetivamente a Aderência GP 2.10 Revisar Status com a Gerência de Nível Superior GP 3.1 Estabelecer um Processo Definido GP 3.2 Coletar Informações para Melhoria GP 4.1 Estabelecer Objetivos Quantitativos para o Processo GP 4.2 Estabilizar o Desempenho de Subprocessos GP 5.1 Assegurar Melhoria Contínua de Processo GP 5.2 Corrigir as Causas-Raiz dos Problemas 107 APÊNDICE C INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO PELA REPRESENTAÇÃO CONTÍNUA 108 INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO PELA REPRESENTAÇÃO CONTÍNUA (continua) GG 1 Representação Contínua Gerenciamento de Processo Categoria Áreas de Processo Sigla OPF Definição O propósito é planejar e implementar melhorias no processo organizacional, através do entendimento dos pontos positivos e negativos dos processos da organização. GP 1.1 GG 2 GG 3 GG4 GG 5 GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 2.8 2.9 2.10 3.1 3.2 4.1 4.2 5.1 5.2 Metas Específicas / Práticas Específicas SG 1 – Determinar Oportunidades de Melhoria de Processo. SP 1.1 Estabelecer a descrição das Necessidades e dos objetivos de Processo da Organização. SP 1.2 Avaliar os Processos da Organização periodicamente. SP 1.3 Identificar Melhorias para os Processos da Organização. SG 2 – Planejar e Implantar Melhorias de Processo. SP 2.1 Estabelecer Planos de Ação de Processo. SP 2.2 Implementar Planos de Ação de Processo. SG 3 – Implantar os Ativos de Processo da Organização e Incorporar Lições Aprendidas. SP 3.1 Implantar Ativos de Processo da Organização. SP 3.2 Implantar Processos-padrão. SP 3.3 Monitorar Implementação. 0 3 5 0 3 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 109 SP 3.4 Incorporar Experiências Relacionadas ao Processo nos Ativos de 0 3 5 Processo da Organização. OPD OT O objetivo é estabelecer e manter um conjunto de itens de processo organizacional usável por toda organização. Estes itens incluem a descrição do processo, tarefas, atividades, descrição de modelos de ciclo de vida, guia de execução de processo, dados e documentação do processo. Esta área está relacionada com o desenvolviment o das habilidades e conhecimentos dos colaboradores para que eles possam SG 1 – Estabelecer Ativos de Processo da Organização. 0 3 5 SP 1.1 Estabelecer Processos-padrão. SP 1.2 Estabelecer Descrições Modelos de Ciclo de Vida. de 0 3 5 SP 1.3 Estabelecer Critérios e Diretrizes para Adaptação do conjunto de 0 3 5 processos-padrão. SP 1.4 Estabelecer o Repositório de 0 3 5 Medições da Organização. SP 1.5 Estabelecer a Biblioteca de 0 3 5 Ativos de Processo da Organização. 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 SP 1.6 Estabelecer Padrões de Ambiente 0 3 5 de Trabalho. SG 1 – Estabelecer uma Capacidade de Treinamento na Organização SP 1.1 Estabelecer Necessidades Estratégicas de Treinamento. SP 1.2 Identificar as Necessidades de Treinamento sob Responsabilidade da Organização. SP 1.3 Estabelecer um Plano Tático de Treinamento na Organização. SP 1.4 Estabelecer Capacidade de Treinamento. SG 2 – Proporcionar Treinamento Necessário 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 110 OPP OID desempenhar seu trabalho de forma efetiva e eficiente. SP 2.1 Fornecer Treinamentos. 0 3 5 SP 2.2 Estabelecer Registros de 0 3 5 Treinamento. SP 2.3 Avaliar a Eficácia dos 0 3 5 Treinamentos. O propósito desta área é estabelecer e manter um entendimento quantitativo da capacidade dos processos padrões em suportar objetivos de qualidade e de desempenho, visando colher os dados necessários ao gerenciamento quantitativo dos projetos da organização. SG 1 – Estabelecer Baselines e Modelos de Desempenho O objetivo desta área é permitir a seleção e distribuição ordenada de melhorais (incrementais e inovadoras) que podem aumentar a habilidade da organização SG 1 – Selecionar Melhorias 0 3 5 SP 1.1 Selecionar Processos. SP 1.2 Estabelecer Medidas Desempenho de Processo. de 0 3 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 SP 1.3 Estabelecer Objetivos para Qualidade e para Desempenho de 0 3 5 Processo. 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 SP 1.4 Estabelecer Baselines Desempenho de Processo. SP 1.5 Estabelecer Modelos Desempenho de Processo. de de 0 3 5 0 3 5 SP 1.1 Coletar e Analisar Propostas de 0 3 5 Melhoria. SP 1.2 Identificar e Analisar Inovações. 0 3 5 SP 1.3 Realizar Pilotos de Melhoria. 0 3 5 SP 1.4 Selecionar Implantação. Melhorias para 0 3 5 SG 2 – Implantar Melhorias SP 2.1 Implementar Propostas de Ação. 0 3 5 111 para alcançar os seus objetivos de qualidade e desempenho do processo. SP 2.2 Avaliar Efeitos de Mudanças. 0 3 5 SP 2.3 Registrar Dados. 0 3 5 (conclusão) Quadro 12 – Instrumento de avaliação pela representação contínua Fonte: Elaborado pelo autor Níveis de Maturidade para cada área de processo (PA): O nível de maturidade será explicado conforme o exemplo a seguir: Exemplo: analisando os níveis de maturidade para a área de processo Foco no Processo Organizacional (OPF): Nível 0: todas as SPs (SP 1.1 até SP 3.4) obtiveram o valor 0; Nível 1: as SPs (SP 1.1 até SP 3.4) obtiveram os valores 0, 3 ou 5, mas não somente o valor 0; Nível 2: todas os valores da SPs (SP 1.1 até SP 3.4) têm valor 5 e as GPs (GP 2.1 até GP 2.10) obtiveram os valores 0, 3 ou 5, mas não somente o valor 0; Nível 3: todas as SPs (SP 1.1 até SP 3.4) e todas as GPs (GP 2.1 até GP 2.10) têm valor 5, e as GPs (GP 3.1 e GP 3.2) obtiveram os valores 0, 3 ou 5, mas não somente o valor 0; Nível 4: todas as SPs (SP 1.1 até SP 3.4) e todas as GPs (GP 2.1 até GP 3.2) têm valor 5, e as GPs (GP 4.1 e GP 4.2) obtiveram os valores 0, 3 ou 5, mas não somente o valor 0; Nível 5: todas as SPs (SP 1.1 até SP 3.4) e todas as GPs (GP 2.1 até GP 4.2) têm valor 5, e as GPs (GP 5.1 e GP 5.2) obtiveram os valores 0, 3 ou 5, mas não somente o valor 0; *Observação: se todas as práticas genéricas (GP’s) obtiverem o valor 0 para um determinado nível de maturidade, a maturidade da PA em análise sempre será considerada a anterior (exemplo: GP 1.1 a GP 4.2 obtiveram o valor 5 do quadro 11 e as GP 5.1 e GP 5.2 obtiveram o valor 0, então o nível de maturidade será 4). 112 APÊNDICE D INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO INICIAL 113 INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO INICIAL (continua) GG 1 Representação Contínua Gerenciamento de Processo Categoria Áreas de Processo Sigla OPF Definição O propósito é planejar e implementar melhorias no processo organizacional, através do entendimento dos pontos positivos e negativos dos processos da organização. GP 1.1 GG 2 GG 3 GG4 GG 5 GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 2.8 2.9 2.10 3.1 3.2 4.1 4.2 5.1 5.2 Metas Específicas / Práticas Específicas SG 1 – Determinar Oportunidades de Melhoria de Processo. SP 1.1 Estabelecer a descrição das Necessidades e dos objetivos de Processo da Organização. SP 1.2 Avaliar os Processos da Organização periodicamente. SP 1.3 Identificar Melhorias para os Processos da Organização. SG 2 – Planejar e Implantar Melhorias de Processo. SP 2.1 Estabelecer Planos de Ação de Processo. SP 2.2 Implementar Planos de Ação de Processo. SG 3 – Implantar os Ativos de Processo da Organização e Incorporar Lições Aprendidas. SP 3.1 Implantar Ativos de Processo da Organização. SP 3.2 Implantar Processos-padrão. SP 3.3 Monitorar Implementação. 0 3 5 0 3 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 114 SP 3.4 Incorporar Experiências Relacionadas ao Processo nos Ativos de 0 3 5 Processo da Organização. OPD OT O objetivo é estabelecer e manter um conjunto de itens de processo organizacional usável por toda organização. Estes itens incluem a descrição do processo, tarefas, atividades, descrição de modelos de ciclo de vida, guia de execução de processo, dados e documentação do processo. Esta área está relacionada com o desenvolviment o das habilidades e conhecimentos dos colaboradores para que eles possam SG 1 – Estabelecer Ativos de Processo da Organização. 0 3 5 SP 1.1 Estabelecer Processos-padrão. SP 1.2 Estabelecer Descrições Modelos de Ciclo de Vida. de 0 3 5 SP 1.3 Estabelecer Critérios e Diretrizes para Adaptação do conjunto de 0 3 5 processos-padrão. SP 1.4 Estabelecer o Repositório de 0 3 5 Medições da Organização. SP 1.5 Estabelecer a Biblioteca de 0 3 5 Ativos de Processo da Organização. 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 SP 1.6 Estabelecer Padrões de Ambiente 0 3 5 de Trabalho. SG 1 – Estabelecer uma Capacidade de Treinamento na Organização SP 1.1 Estabelecer Necessidades Estratégicas de Treinamento. SP 1.2 Identificar as Necessidades de Treinamento sob Responsabilidade da Organização. SP 1.3 Estabelecer um Plano Tático de Treinamento na Organização. SP 1.4 Estabelecer Capacidade de Treinamento. SG 2 – Proporcionar Treinamento Necessário 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 115 OPP OID desempenhar seu trabalho de forma efetiva e eficiente. SP 2.1 Fornecer Treinamentos. 0 3 5 SP 2.2 Estabelecer Registros de 0 3 5 Treinamento. SP 2.3 Avaliar a Eficácia dos 0 3 5 Treinamentos. O propósito desta área é estabelecer e manter um entendimento quantitativo da capacidade dos processos padrões em suportar objetivos de qualidade e de desempenho, visando colher os dados necessários ao gerenciamento quantitativo dos projetos da organização. SG 1 – Estabelecer Baselines e Modelos de Desempenho O objetivo desta área é permitir a seleção e distribuição ordenada de melhorais (incrementais e inovadoras) que podem aumentar a habilidade da organização SG 1 – Selecionar Melhorias 0 3 5 SP 1.1 Selecionar Processos. SP 1.2 Estabelecer Medidas Desempenho de Processo. de 0 3 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 SP 1.3 Estabelecer Objetivos para Qualidade e para Desempenho de 0 3 5 Processo. 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 SP 1.4 Estabelecer Baselines Desempenho de Processo. SP 1.5 Estabelecer Modelos Desempenho de Processo. de de 0 3 5 0 3 5 SP 1.1 Coletar e Analisar Propostas de 0 3 5 Melhoria. SP 1.2 Identificar e Analisar Inovações. 0 3 5 SP 1.3 Realizar Pilotos de Melhoria. 0 3 5 SP 1.4 Selecionar Implantação. Melhorias para 0 3 5 SG 2 – Implantar Melhorias SP 2.1 Implementar Propostas de Ação. 0 3 5 116 para alcançar os seus objetivos de qualidade e desempenho do processo. SP 2.2 Avaliar Efeitos de Mudanças. 0 3 5 SP 2.3 Registrar Dados. 0 3 5 (conclusão) Quadro 13 – Instrumento de avaliação inicial Fonte: Elaborado pelo autor 117 APÊNDICE E INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO FINAL 118 INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO FINAL (continua) GG 1 Representação Contínua Gerenciamento de Processo Categoria Áreas de Processo Sigla OPF Definição O propósito é planejar e implementar melhorias no processo organizacional, através do entendimento dos pontos positivos e negativos dos processos da organização. GP 1.1 GG 2 GG 3 GG4 GG 5 GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP GP 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 2.8 2.9 2.10 3.1 3.2 4.1 4.2 5.1 5.2 Metas Específicas / Práticas Específicas SG 1 – Determinar Oportunidades de Melhoria de Processo. SP 1.1 Estabelecer a descrição das Necessidades e dos objetivos de Processo da Organização. SP 1.2 Avaliar os Processos da Organização periodicamente. SP 1.3 Identificar Melhorias para os Processos da Organização. SG 2 – Planejar e Implantar Melhorias de Processo. SP 2.1 Estabelecer Planos de Ação de Processo. SP 2.2 Implementar Planos de Ação de Processo. SG 3 – Implantar os Ativos de Processo da Organização e Incorporar Lições Aprendidas. SP 3.1 Implantar Ativos de Processo da Organização. SP 3.2 Implantar Processos-padrão. SP 3.3 Monitorar Implementação. 0 3 5 0 3 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 119 SP 3.4 Incorporar Experiências Relacionadas ao Processo nos Ativos de 0 3 5 Processo da Organização. OPD OT O objetivo é estabelecer e manter um conjunto de itens de processo organizacional usável por toda organização. Estes itens incluem a descrição do processo, tarefas, atividades, descrição de modelos de ciclo de vida, guia de execução de processo, dados e documentação do processo. Esta área está relacionada com o desenvolviment o das habilidades e conhecimentos dos colaboradores para que eles possam SG 1 – Estabelecer Ativos de Processo da Organização. 0 3 5 SP 1.1 Estabelecer Processos-padrão. SP 1.2 Estabelecer Descrições Modelos de Ciclo de Vida. de 0 3 5 SP 1.3 Estabelecer Critérios e Diretrizes para Adaptação do conjunto de 0 3 5 processos-padrão. SP 1.4 Estabelecer o Repositório de 0 3 5 Medições da Organização. SP 1.5 Estabelecer a Biblioteca de 0 3 5 Ativos de Processo da Organização. 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 SP 1.6 Estabelecer Padrões de Ambiente 0 3 5 de Trabalho. SG 1 – Estabelecer uma Capacidade de Treinamento na Organização SP 1.1 Estabelecer Necessidades Estratégicas de Treinamento. SP 1.2 Identificar as Necessidades de Treinamento sob Responsabilidade da Organização. SP 1.3 Estabelecer um Plano Tático de Treinamento na Organização. SP 1.4 Estabelecer Capacidade de Treinamento. SG 2 – Proporcionar Treinamento Necessário 0 3 5 0 3 5 0 3 5 0 3 5 120 OPP OID desempenhar seu trabalho de forma efetiva e eficiente. SP 2.1 Fornecer Treinamentos. 0 3 5 SP 2.2 Estabelecer Registros de 0 3 5 Treinamento. SP 2.3 Avaliar a Eficácia dos 0 3 5 Treinamentos. O propósito desta área é estabelecer e manter um entendimento quantitativo da capacidade dos processos padrões em suportar objetivos de qualidade e de desempenho, visando colher os dados necessários ao gerenciamento quantitativo dos projetos da organização. SG 1 – Estabelecer Baselines e Modelos de Desempenho O objetivo desta área é permitir a seleção e distribuição ordenada de melhorais (incrementais e inovadoras) que podem aumentar a habilidade da organização SG 1 – Selecionar Melhorias 0 3 5 SP 1.1 Selecionar Processos. SP 1.2 Estabelecer Medidas Desempenho de Processo. de 0 3 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 SP 1.3 Estabelecer Objetivos para Qualidade e para Desempenho de 0 3 5 Processo. 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 SP 1.4 Estabelecer Baselines Desempenho de Processo. SP 1.5 Estabelecer Modelos Desempenho de Processo. de de 0 3 5 0 3 5 SP 1.1 Coletar e Analisar Propostas de 0 3 5 Melhoria. SP 1.2 Identificar e Analisar Inovações. 0 3 5 SP 1.3 Realizar Pilotos de Melhoria. 0 3 5 SP 1.4 Selecionar Implantação. Melhorias para 0 3 5 SG 2 – Implantar Melhorias SP 2.1 Implementar Propostas de Ação. 0 3 5 121 para alcançar os seus objetivos de qualidade e desempenho do processo. SP 2.2 Avaliar Efeitos de Mudanças. 0 3 5 SP 2.3 Registrar Dados. 0 3 5 (conclusão) Quadro 14 – Instrumento de avaliação final Fonte: Elaborado pelo autor