Agricultor
2000
JULHO DE 2014
A Evolução genética
da raça Holstein Frísia
na ilha de São Miguel
Páginas 8e9
DIRETOR:
Eng.º NUNO SOUSA
II SÉRIE
Nº 96
http://www.aasm-cua.com.pt
Direção da Associação
Agrícola de São Miguel
termina mandato já a pensar
nos próximos três anos
O novo parque de exposições vai ficar como uma obra emblemática deste mandato
da direção da Associação Agrícola de São Miguel que elege a fábrica de rações como uma
obra marcante para a melhoria do setor. O presidente da direção da Associação Agrícola
de São Miguel, Jorge Rita, faz um balanço positivo de mais um mandato mas garante
que ainda há muito a fazer. Com eleições a 25 de Julho e com mais um mandato
em perspetiva, Jorge Rita elege o novo Quadro Comunitário de Apoio e a abolição das
quotas leiteiras como as questões mais preocupantes Páginas 2a5
Jorge Rita convicto
que agricultura será grande
ajuda para sair da crise
Páginas 6e7
Evolução do melhoramento
bovino em São Miguel
Página 11
Editorial
Jorge Alberto
Serpa da Costa Rita
Eleições do dia
25 de julho devem
ser uma demonstração
da vitalidade da
Agricultura Micaelense
A
s eleições para os corpos sociais da Associação Agrícola de São Miguel e da Cooperativa União Agrícola, CRL, decorrem
no próximo dia 25 de Julho e serão muito importantes e fundamentais para a afirmação
destas Instituições na Agricultura de São Miguel
e dos Açores.
Estas Instituições têm sofrido nos últimos anos
transformações significativas, mas têm de ser sempre o reflexo das pretensões e das necessidades dos
seus associados, pelo que, é imprescindível a sua
participação nas atividades associativas desenvolvidas, nomeadamente, nos atos eleitorais que são
sempre a manifestação máxima da democracia.
A crise que vivemos tem sido transversal a todos os setores económicos, mas mesmo com as dificuldades existentes, o nosso setor tem sido capaz de olhar para o futuro com esperança e fé,
porque os agricultores têm sido capazes de investir, utilizando os meios que estão ao seu dispor,
mesmo num período muito desfavorável e pouco
propício ao risco.
A Agricultura continua e continuará a ser a principal atividade económica da região, porque a sua
contribuição para a economia regional é insubstituível e a recente alteração de denominação da Secretaria Regional de Recursos Naturais (designação
nunca aceite pela Associação Agrícola de São Miguel) para Agricultura e Ambiente, só vem reconhecer e realçar mais uma vez, a importância do nosso
setor no contexto regional.
A consolidação e sustentabilidade da Associação
Agrícola de São Miguel e da Cooperativa União
Agrícola, CRL, é da responsabilidade dos seus associados que devem envolver-se e preocupar-se com o
seu funcionamento, por isso, a participação nas
eleições, constituí uma demonstração de vontade e de empenho dos sócios.
Temos de acreditar no setor, mesmo, sabendo que
existirão sempre obstáculos pela frente que terão de
ser ultrapassados, e para isso, precisamos duma Associação Agrícola de São Miguel forte e capaz de reivindicar com firmeza e convicção em prole dos rendimentos dos agricultores e das suas famílias.
2 Agricultor 2000
JULHO DE 2014
Direção da Associação Agrícola
de São Miguel termina mandato
já a pensar nos próximos três anos
>> O novo parque de exposições vai ficar como uma obra emblemática deste mandato da direção
da Associação Agrícola de São Miguel que elege a fábrica de rações como uma obra marcante
para a melhoria do setor. O presidente da direção da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita,
faz um balanço positivo de mais um mandato mas garante que ainda há muito a fazer. Com eleições
a 25 de Julho e com mais um mandato em perspetiva, Jorge Rita elege o novo Quadro Comunitário
de Apoio e a abolição das quotas leiteiras como as questões mais preocupantes
“A reivindicação
tem de ser
persistente,
constante e
firme, e estes
anos foram difíceis
e exigentes em
que fomos
capazes de
demonstrar
a credibilidade
que a Associação
Agrícola de São
Miguel tem”
- Os últimos três anos de
mandato foram de crescimento e consolidação da Associação e da Cooperativa. Como
vê esta realidade?
Jorge Rita - Vejo com muito
agrado, porque resultou do querer e ambição destes órgãos sociais que sempre acreditaram
que era possível, com moderação
e ponderação, fazer com que estas Instituições fossem cada vez
mais sólidas e viáveis e assim, foram desenvolvidas um conjunto
de obras essenciais para o futuro
desta casa que é de todos os associados. Nós não prometemos
aquilo que não podemos fazer.
Prometemos a realização de uma
obra que é emblemática para o
setor que é a construção da fábrica de rações e que está no fim,
“Houve um
crescimento
substancial no
volume de vendas
e no aumento
de empregos que
num momento
difícil para
a Região e para
o País, é muito
importante”
além de termos aumentado a capacidade de armazenagem que é
bem visível na Canada da Meca, tal
como, a nova loja de produtos agrícolas, a secção dos pneus e fertilizantes, a bomba de gasóleo ou a
oficina.
Em termos de obras fica como
marca, obviamente, o novo parque
de exposições que é uma obra de
grande importância para a agricultura micaelense. Era uma pretensão nossa de há uns anos a esta
parte e está conseguida.
No armazém do Nordeste melhorámos as condições existentes
através de obras de remodelação
e distribuição, criamos uma secção
de pneus, o que levou ao aumento
do volume de vendas, proporcionando a contratação de mais dois
funcionários.
Queria também dizer que foram feitos dezenas de protocolos
com empresas com vantagens específicas para os associados e funcionários, além dos realizados com
a banca, que permitiu a muitas explorações, criar meios de financiamento que foram imprescindíveis.
Em tempo de crise e de dificuldade como o incêndio que tivemos na fábrica de rações, penso
que demos um impulso na Associação Agrícola de São Miguel
que é visível, ao mesmo tempo
que temos uma situação estável,
tal como as demonstrações de resultados o provam. Houve um
crescimento substancial no volume de vendas e no aumento de
empregos que num momento
difícil para a Região e para o País,
é muito importante.
- Além das obras, a Associação Agrícola de São Miguel
também tem conseguido reivindicar melhorias para os agricultores...
J. R. - Estas são obras que deixam a sua marca, mas o objetivo da
Associação Agrícola de São Miguel
e da Cooperativa União Agrícola
tem a ver principalmente com o
rendimento do agricultor, que assenta essencialmente naquilo que
são as reivindicações que temos na
área do leite, da carne, da diversificação agrícola ou das próprias
políticas comunitárias.
A reivindicação tem de ser persistente, constante e firme, e estes
anos foram difíceis e exigentes em
que fomos capazes de demonstrar
a credibilidade que a Associação
Agrícola de São Miguel tem. No
caso do leite, a sazonalidade que
era um problema devastador na
economia dos agricultores, acabou
e agora os mercados dos produtos
Agricultor 2000 3
JULHO DE 2014
Inauguração do Parque de Exposições de São Miguel
Parque de Exposições de São Miguel
Primeiro-ministro Pedro Passos Coelho comprimenta Jorge Rita na Feira Nacional de Agricultura em Santarém
Protocolo com a Caixa Económica da Misericordia de Angra do Heroísmo
Santd da Associação Agrícola de São Miguel na Feira Nacional de Agricultura em Santarém
Protocolo com a CCAM - Açores
“A liderança da Federação Agrícola
dos Açores é uma forma
de reconhecimento da dimensão
e da importância que as restantes
organizações de produtores
dos Açores têm da Associação
Agrícola de São Miguel”
lácteos é que ditam as alterações
do preço do leite, sendo esta uma
situação mais justa e que os lavradores poderão perceber melhor.
Felizmente que as instituições ligadas ao setor têm tido um comportamento melhor do que tiveram no passado e as indústrias
perceberam que a fileira do leite só
tem futuro se também mudassem
os seus pressupostos.
Hoje existe uma grande aproximação do preço do leite regional e a
nível nacional, não só pelas subidas
a nível regional mas muito também
pelas descidas a nível nacional.
Gostaria também de relembrar
a realização do resgate leiteiro em
2012 que foi devido à reivindicação da Associação Agrícola de
São Miguel e que a proporcionou a
saída digna do setor para 78 produtores.
- No leite ainda é preciso investir muito?
J. R. - Há muito investimento
Protocolo com o BES - Açores
para fazer ainda na área do leite.
Falo de forma transversal, não ao
nível das indústrias, que estão bem
apetrechadas e que devem continuar a criar produtos de valor
acrescentado que sejam uma mais
valia para a região, mas existe ainda muito investimento que ainda é
preciso fazer ao nível das infraestruturas agrícolas, caminhos,
abastecimento de água e luz às explorações, na contínua reestrutu-
ração do setor, na entrada de jovens agricultores que têm de ser
apoiados e acarinhados. Há todo
um trabalho que tem de ser feito e temos de aproveitar o próximo Quadro Comunitário de
Apoio para encurtar distâncias
em relações aos outros produtores nacionais e europeus.
- Em relação à carne
também muito foi feito...
J. R. - Na área da carne têmse dado passos muito importantes na exportação devido á
intervenção da Cooperativa
União Agrícola, CRL, que apostou na raça Aberdeen Angus, e
também devido ao escoamento que é feito de novilhos,
através das parcerias estabelecidas. A carne IGP também tem
crescido na Região. Também
existem novos operadores comerciais que entraram no circuito comercial e que têm feito
um bom trabalho.
Existe a necessidade de reformular e reestruturar os matadouros para que a exportação
da carne com qualidade aumente e seja cada vez mais, uma
mais-valia na Região. Temos
matadouros que já não estão a
trabalhar conforme as exigências dos mercados.
Está-se a inverter a situação do
setor, diminuindo a exportação
dos animais em vivo e aumentando o abate dos animais na região, mas para isso, temos de
melhorar as infraestruturas existentes, nomeadamente, as salas
de desmancha que têm aptidões
para exportação, e também, necessitamos de melhorar o local
onde se faz a receção dos animais
para abate e aumentar o número
de câmaras de frio.
>>
4 Agricultor 2000
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Jorge Rita reconduzido como Presidente da Federação Agrícola dos Açores
Contraste leiteiro e entrega de Certificados de Formação
>>
É fundamental que o Governo
Regional tenha a atenção que
para termos alguma capacidade
de exportação, tem de haver capacidade de concentração, para
homogeneização das carcaças e
para isso é preciso criar infraestruturas próprias para que os
privados e as cooperativas possam criar parques de acabamentos, para que a carne vá em conformidade com aquilo que são as
exigências do mercado atualmente. Vendemos aquilo que o
mercado quer absorver e não o
que queremos vender.
- O próximo Quadro Comunitário de Apoio vai valorizar a
exportação...
J. R. - Existem mais-valias
no próximo Quadro Comunitário de Apoio especialmente para a exportação ao nível do
Competir+, com apoios que são
interessantes e devem ser bem
aproveitados e que podem ajudar a resolver o problema dos
transportes entre e para fora
das ilhas, que tem sido sempre
uma reivindicação da Federação Agrícola dos Açores.
Por outro lado, ao nível do Posei irão haver alterações nas produções animais, nomeadamente no leite e na carne, que vêm ao
encontro das nossas pretensões,
permitindo uma melhor e maior
flexibilização e aplicação do Posei, e uma desburocratização
deste programa que era o que todos desejávamos. O Posei irá resultar numa concentração de
várias medidas e vários apoios
que são diretamente direcionados para as produções, que é o
que faz sentido. Porque valemos
por aquilo que exportamos e temos todo o interesse em ter cada
vez mais níveis de exportações e
apoios diretamente relacionados com isso.
Quanto ao Prorural+, aguardamos que algumas das nossas
preocupações sejam aprovadas
em Bruxelas e que seja também
um instrumento que privilegie
o aumento da capacidade de exportação da região, nomeadamente na criação de melhores
condições que sejam capazes de
ir de encontro às necessidades da
produção.
- Neste mandato houve outras situações marcantes...
J. R. - Foi um mandato em
que tivemos muitas dificuldades.
Não concordámos por exemplo
com muitas situações do Posei e
Secretário de Estado da Agricultura
Participação na Feira Agrícola Açores 2013 no Faial
Novas instalações da Cooperativa União Agrícola em Santana
Concurso Juvenil no novo Parque de Exposições
“Há muita necessidade de reformular
e reestruturar os matadouros
para que a exportação
da carne com qualidade seja
uma mais-valia na Região.
Temos matadouros que já não estão
a trabalhar conforme
são as exigências necessárias”
do Prorural, que têm-se alterado
de forma substancial e muitas delas vêm ao encontro das nossas
pretensões.
Temos também a questão da
abolição das quotas leiteiras, onde
ainda não estão salvaguardados
apoios discriminatórios para a Região Autónoma dos Açores, já que
as medidas englobadas no pacote
de leite criado pela União Euro-
peia, não são satisfatórios, por isso,
fomos várias vezes a Bruxelas em
defesa dos interesses dos Agricultores Açorianos, além da sensibilização permanente que é feita junto dos responsáveis do Governo da
República.
A expetativa é que todos nós
continuemos a trabalhar para que
em qualquer situação de alerta ou
de dificuldades no rendimento dos
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JULHO DE 2014
Agricultura Açoriana presente em Bruxelas
Federação Agrícola dos Açores reuniu com a ministra Assunção Cristas
Nova Fábrica de Rações Santana
Seminário sobre a reforma da PAC
“Acabou
a sazonalidade
que era um
problema
na economia dos
agricultores”
agricultores, por via de baixas do
preço do leite derivado aos mercados e aos excedentes de produções
que pode haver na Europa, seja logo assinalado no sentido de precavermos o futuro da região.
Também não gostaria de deixar
de referir o nosso empenho junto
do Governo Regional e da República para que exista uma solução
satisfatória nas contribuições para a segurança social dos jovens
agricultores e dos agricultores que
se instalaram após 2011, que é injusta e que pode ser um entrave ao
desenvolvimento do setor agrícola e estamos, esperançados, que
tal como aconteceu no regime de
bens em circulação e na baixa do
IVA na prestação de serviços na
agricultura, seja possível encontrar uma resolução para este grave problema.
- A Associação Agrícola de
São Miguel mantem a liderança
da Federação Agrícola dos Açores. É uma forma de reconhecer
o mérito desta direção?
J. R. - Sem dúvida, é uma forma de reconhecimento da dimensão e da importância que as
restantes organizações de produtores dos Açores têm da Associação Agrícola de São Miguel, e
sabem, que quando defendemos
os agricultores, independente-
Viagem da Direção da CAP a São Miguel
“Temos uma relação franca e aberta
com todos, quer com o Ministério da
Agricultura, quer com a Secretaria
Regional da Agricultura e Ambiente,
quer com os eurodeputados, quer com
grupos de pressão que temos ao nível
da Comunidade Europeia e a quem
estamos associados”
mente dos problemas particulares
de cada ilha, estamos a defender
os interesses de todos os agricultores dos Açores. Atualmente o setor, apesar das grandes dificuldades que tem, é o melhor setor de
atividade económica e social da
região e se há atividade na Região
que tem capacidade de crescer é a
agricultura, o que nem sempre é
valorizado.
- Tem sido uma luta constante
na defesa dos interesses dos
Agricultores Açorianos…
J. R. - É para isso que somos
eleitos e temos constantemente de
estar alerta face às situações que
vão ocorrendo, como por exemplo,
em relação à luta desnecessária
que houve em relação ao gasóleo
agrícola, que no fim veio resolver-se conforme tínhamos pretendido desde o início.
Tivemos também anos em
que as condições climatéricas
foram adversas para a agricultura, nomeadamente para a
produção de forragens, no entanto, conseguimos arranjar
apoios para a importação dos
alimentos e para a fibra. Numa
luta constante com o Governo
Regional também conseguimos
o Safiagri que foi uma boa ajuda para os agricultores em que
serão no final do processo, atribuídos apoios de 2,6 milhões de
euros.
Temos uma boa execução do
Quadro Comunitário de Apoio
e a expetativa é que o próximo
venha na mesma linha e estão
sempre em cima da mesa dossiers que precisam de acompanhamento e de proximidade com
os eurodeputados, quer com os
do passado, do presente, e os do
futuro, com o Governo Regional
e com o Governo Central. Felizmente temos uma relação franca
e aberta com todos, quer com o
Ministério da Agricultura, quer
com a Secretaria Regional da
Agricultura e Ambiente, quer
com os eurodeputados, quer
com grupos de pressão que temos ao nível da Comunidade
Europeia e a quem estamos associados.
Obviamente que é preciso
manter a reivindicação e oxalá
que seja criado um lobby em
Bruxelas porque grande parte
das verbas que chegam à Região
são de origem europeia.
6 Agricultor 2000
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Jorge Rita convicto
que agricultura será grande
ajuda para sair da crise
>> No seminário sobre “agricultura familiar versus agricultura sustentável” o presidente
da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita, defendeu que o peso que a agricultura tem na
Região, especialmente ao nível da empregabilidade, é uma mais-valia que pode ajudar em situação
de crise. Aquele que é o maior e melhor setor de atividade na região, sofreu uma grande
reestruturação através das reformas antecipadas e da entrada de jovens agricultores e que foram
fundamentais para a continuidade da agricultura familiar sustentada na Região. Sobre o novo
Quadro Comunitário de Apoio, Jorge Rita entende que os fundos europeus não devem
ser desperdiçados e que existem projetos de grande valor na Região
N
o atual contexto de
crise o setor agrícola
pode ser uma maisvalia e pode ajudar a
região e o país a inverter a situação menos positiva. Esta é a
convicção do presidente da Associação Agrícola de São Miguel, da
Federação Agrícola dos Açores e
representante da Confederação
dos Agricultores de Portugal
(CAP), Jorge Rita, que destaca
que o setor "tem dado uma grande alavancagem, não só em termos económicos mas também no
aumento da empregabilidade".
Jorge Rita, que falava no seminário "agricultura familiar
versus agricultura sustentável",
organizado pela Secretaria Re-
gional da Agricultura e Ambiente
no âmbito do Ano Internacional
da Agricultura Familiar, salientou
que só o setor agrícola "ajudará de
certeza a que a crise seja ultrapassada o mais rapidamente possível,
pois produzimos bens essenciais
para a alimentação da população.
As pessoas podem dispensar outros bens, mas a alimentação ninguém dispensa".
A propósito do seminário, o
presidente da Associação Agrícola
de São Miguel afirmou que a agricultura na Europa assenta sempre
em bases familiares e que nos Açores essa situação é ainda mais
notória já que a tradição da agricultura se faz através da transmissão de geração em geração.
Além disso, "ser agricultor normalmente depende sempre muito de toda a família, envolvida direta ou indiretamente na exploração. A nossa agricultura assenta
tradicionalmente na transmissão
de pais para filhos", embora distinguindo que a agricultura familiar não é uma agricultura de subsistência como já aconteceu no
passado. A agricultura na região
carateriza-se por uma agricultura
familiar que em todas as ilhas se
torna vital não apenas para a economia mas também para a coesão
social já que "uma agricultura familiar em todas as ilhas faz e fará
sempre com que a fixação das pessoas aos meios rurais seja um
princípio básico e essencial para o
“A nível nacional
e regional, um
setor que tem
dado uma grande
alavancagem,
não só em termos
económicos
mas também de
aumento de
empregabilidade
tem sido o setor
agrícola”
desenvolvimento harmónico e
sustentado da Região Autónoma
dos Açores".
Neste sentido, Jorge Rita referiu que a agricultura na Região representa mais de 45% da economia, mais de 12% da população
ativa trabalha diretamente na
agricultura, mais de 50% da população trabalha direta e indiretamente no setor. Além disso, diretamente a agricultura tem um peso de 9% no PIB, mas se juntarmos
o que se transforma e exporta no
setor pode representar 12% e se a
isso adicionarmos o peso da banca
e dos seguros, "representa certamente 20% ou até mais".
Jorge Rita salientou por isso
que o setor agrícola "é o maior e
melhor setor de atividade na Região, é aquele que dá garante de
sustentabilidade económica, é
aquele que dá garante de emprego
e com maior possibilidade de crescimento em termos de emprego.
Nomeadamente ao nível de exportações em que a Região é exportadora exclusivamente do setor
primário, nomeadamente, leite e
seus derivados, da carne, mas
também de outras produções tradicionais na área da diversificação
agrícola, algumas que têm capacidade de exportação para nichos
de mercado de excelência", disse.
O presidente da Associação
Agrícola de São Miguel destacou
por isso que a balança comercial
na Região "não é muito mais deficitária" porque tem um setor vital
para a economia que tem dado "indicações de crescimento em todas
as vertentes".
Perante a plateia, Jorge Rita
lembrou que o número de produtores na Região tem vindo a diminuir substancialmente, situação
que ficou a dever-se à "necessidade
de dimensão de algumas explorações" e também à questão das
quotas que "foi um estrangulamento às produções e fez com que
houvesse necessidade na Região de
Agricultor 2000 7
JULHO DE 2014
“A balança comercial
não é muito mais
deficitária
na região porque
o setor agrícola
tem dado
indicações de
crescimento em
todas as vertentes”
“Os agricultores
para além de
terem um trabalho
árduo, têm de ter
a consciência que
fazem um trabalho
excecional para
a Região que é
manter a paisagem
e produzir
bens essenciais”
se reestruturar o setor com resgates leiteiros que foram muitos importantes". Jorge Rita entende que
a saída de muitos agricultores ficou
a dever-se a "dificuldades, à falta de
dimensão ou por questões de saúde mas que saíram com a dignidade que foi justa". Além disso essa
quota foi depois redistribuída perante todos os agricultores jovens e
séniores "que tiveram possibilidade de crescer as suas explorações e
redimensioná-las para poderem
ser mais eficientes e competitivas".
Jorge Rita não tem dúvidas que
"um dos melhores instrumentos
que tivemos foi a reestruturação do
setor, associado a outro que foi importantíssimo na economia familiar das empresas agrícolas de cariz
familiar, e que teve a ver com as reformas antecipadas".
Reformas antecipadas acompanhadas por projetos de primeira instalação e entrada de jovens
agricultores no setor que foram
"fundamentais para a continuidade da agricultura familiar de forma gradual e sustentada", afirmou Jorge Rita mas que não terão
seguimento no âmbito do novo
Quadro Comunitário de Apoio
para o período 2014-2020, demonstrando alguma "preocupação" no sentido que as reformas
antecipadas "não terão seguimento" no próximo Quadro Comunitário de Apoio.
Também ao nível da entrada de
jovens agricultores no setor a situação é preocupante já que apesar "do grande entusiasmo e do incremento que houve em chamar os
jovens para o setor, há entraves
económicos" que vão condicionar
a entrada de novos agricultores.
Por exemplo, as comparticipações
à segurança social que aumentaram bastante para os agricultores
coletados desde 2011 "o que pode
estrangular muitos dos jovens
agricultores e o seguimento de
uma agricultura familiar que queremos na Região".
Reconhecendo que se trata de
uma legislação nacional, Jorge Rita elogiou o trabalho do Ministério
da Agricultura que "tem demonstrado grande disponibilidade para
ajudar a resolver os problemas dos
agricultores nos Açores" e que "foi
o melhor que tivemos até hoje",
mostrando-se expetante que "continue a dar continuidade à resolução dos nossos problemas mais
prementes e que dependem do
Ministério da Agricultura, da Região e do nosso empenho, dedicação e habilidade", disse.
Falando sobre o anterior Quadro Comunitário de Apoio, Jorge
Rita salientou a boa execução do
mesmo ao nível dos Açores, ficando a dever-se a três vertentes:
"apetência, vontade e investimento dos agricultores, a disponibilização de meios por parte do Governo Regional e as verbas vindas
de Bruxelas". No entanto, ressalvou que grande parte das medidas
de Bruxelas "terminaram com
muita antecedência e temos a expetativa que os projetos saiam o
mais rapidamente possível" no
novo Quadro Comunitário de
Apoio que apesar de ter "uma deficiência que são as reformas antecipadas, vai ao encontro do que
queríamos. Temos de limar arestas, mas temos um programa do
Posei mais bem estruturado, temos um bom documento que foi
trabalhado por todas as associações de produtores", lembrou.
O presidente da Associação
Agrícola de São Miguel apelou a
que se aproveite ao máximo os
fundos comunitários disponíveis
pois existem na Região projetos
interessantes, não só na área do
leite, mas também na carne e na
diversificação agrícola, "projetos
com futuro que são essenciais para atenuar a importação de muitos
produtos". Mas reconheceu que o
novo Quadro Comunitário de
Apoio "não é perfeito" e, devido às
condições climatéricas adversas
que por vezes se fazem sentir na região, Jorge Rita destacou a necessidade de haver seguros para a
produção pois "se não houver seguros para as produções regionais
ao ar livre e em estufas, o crescimento dessas produções pode estar limitado no tempo".
Por fim Jorge Rita destacou o
"excelente trabalho dos agricultores e suas famílias na Região"
que além de terem um "trabalho
árduo, têm de ter consciência que
fazem um trabalho excecional para a Região que é manter a paisagem e produzir bens essenciais",
concluiu. Para o presidente da
Associação Agrícola de São Miguel os agricultores dos Açores
salvaguardam as questões ambientais, trabalham de forma persistente com o grande objetivo da
qualidade que, no fundo, acaba
por dar reconhecimento aos produtos da Região.
Visita às instalações AASM, do Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, no âmbito da visita aos Açores
para o colóquio sobre a Agricultura Familiar
“A agricultura assenta sempre numa raiz familiar porque
ser agricultor normalmente depende sempre muito
de toda a família envolvida direta ou indiretamente”
8 Agricultor 2000
JULHO DE 2014
A Evolução
genética
da raça Holstein
Frísia na ilha
de São Miguel
A
primeira referência em
território nacional a vacas pretas e brancas
provenientes do norte
da Europa, mais propriamente da
foz do Reno, surgiu no Ribatejo
em meados do século XVIII. No
entanto fruto de uma melhor climatização, acabou por ser na foz
do rio Vouga que os animais da
raça Frísia melhor se adaptaram,
sendo o Baixo Vouga considerado
o solar da raça Frísia portuguesa.
Nos Açores embora se reporte apenas aos finais do século
XIX a existência de animais desta raça, a forma surpreendente
com que se adaptaram à região,
leva que tenhamos de considerar também os Açores como parte do solar desta raça impar para
a produção de leite.
Foi a partir do fim dos anos noventa do século passado que se
iniciou o registo de animais açorianos no Livro Genealógico português da raça, primeiro na ilha
de S. Miguel, fruto do protocolo
estabelecido entre a APCRF e a
Associação Agrícola de S. Miguel,
tendo mais tarde estendido o registo aos animais das ilhas Terceira, Pico e ao Faial.
Nessa altura, quando os classificadores do Livro Genealógico
começaram a classificar os animais de São Miguel era ainda
possível diferenciar em algumas
explorações, animais pertencentes ao tronco Frísio, o chamado
Holando Micaelense de animais
totalmente Holsteinizados. A
existência de animais já marcadamente Holstein devia-se não apenas ao facto dos Açores terem sido a primeira região do país a usar
sémen proveniente da América
do Norte, mas também à aplicação na década de noventa de
embriões originários do Canadá.
Nos últimos quinze anos assistimos a um esforço enorme em
prole do melhoramento da raça
por parte dos criadores micaelen-
Caracter Leiteiro
ses. É certo que a este incremento
não é alheio a grande importância
que o setor tem para a região, bem
como a relação de proximidade
existente entre os criadores e as
suas estruturas associativas.
No caso particular de São Miguel, deve-se destacar a Asso-
Pernas & Pés
ciação Agrícola de São Miguel, e o
esforço notório efetuado por ela na
formação dos criadores e jovens
criadores, organizando cursos técnicos ligados à raça, bem como colocando à disposição dos criadores
associados serviços ligados ao melhoramento, como o emparelha-
mento corretivo ou o acesso facilitado à tecnologia de transplantes
de embriões.
Uma observação atenta dos gráficos com as médias por grande região das classificações morfológicas
realizadas nos últimos quinze anos
em S. Miguel, permite concluir que
Capacidade
embora se tenha observado um ligeiro recuo nos dois primeiros
anos, a partir daí assistiu-se a um
crescimento constante do valor fenotípico dos animais, que se traduziu também no melhoramento
genético do efetivo, no que respeita ao Tipo. Uma nota interessante
Agricultor 2000 9
JULHO DE 2014
a ressalvar, é que embora a Região Autónoma dos Açores represente cerca de 16,7% das classificações morfológicas realizadas anualmente para o Livro
Genealógico, a percentagem de
vacas da região com a classificação Excelente (EX) no todo nacional é de 70%.
Úbere
“No caso particular
de São Miguel,
deve-se destacar
a Associação
Agrícola de São
Miguel, e o esforço
notório efetuado
por ela na formação
dos criadores
e jovens criadores,
organizando cursos
técnicos ligados
à raça (...)”
Estatura
apresentado nos melhores concursos europeus.
Nos tempos difíceis que se
aproximam para o setor leiteiro
nacional, com a liberalização da
produção no espaço comunitário,
possuir animais mais funcionais
será seguramente uma mais valia.
Espero que para os Açores em geral e para a ilha de S. Miguel em
particular, o esforço efetuado nos
últimos vinte anos em prole do
melhoramento da raça Holstein
Frísia frutifique, tornando mais
competitiva a produção de leite,
naquela que é seguramente uma
das regiões com maior aptidão
em toda a Europa.
Para melhor compreender a evolução que o efetivo Holstein Frísio
teve nesta ilha ao longo da última
década, basta observar os excelentes exemplares presentes no concurso que anualmente se realiza
nesta ilha. As campeãs bem como
os animais melhores classificados
em pista, estão ao nível do que é
ENG.º SAMUEL PINTO
SECRETÁRIO TÉCNICO DA APCRF
Alerta
Fotossensibilidade ou Doença de Pelar
De forma recorrente, todos os anos no período compreendido entre Julho e Setembro, são criadas condições climatéricas (temperatura e humidade elevadas) para o desenvolvimento de um fungo (Pithomyces chartarum) na erva das
nossas pastagens. Este fungo produz uma potente toxina
(Esporodesmina) que quando ingerida, exerce uma importante ação tóxica sobre o fígado provocando-lhe lesões que
o impedem de libertar os produtos tóxicos do organismo,
nomeadamente o pigmento existente na erva verde a
Filoeritrina. Se esta não é eliminada, mantêm-se na circulação sanguínea, atinge a pele, onde desencadeia reações
fotoquímicas que se manifestam sobre a forma de prurido
intenso, seguido de queimaduras mais ou menos intensas
nas zonas claras e glabras da pele.
Esta patologia, conhecida como fotossensibilidade ou
Doença de Pelar, tem sido responsável por avultadas perdas
económicas nas explorações devido a, quebras acentuadas
na produção de leite e carne, abortos, retenção placentária,
doenças metabólicas (nomeadamente cetoses), gastos com
veterinários e medicamentos, abate prematuro de animais
com elevado potencial genético e por fim mortes.
Alerta-se os produtores para protegerem os seus animais durante os períodos críticos, quer através da utilização de um maneio alimentar adequado, ou da administração de zinco.
O zinco pode ser administrado de três formas diferentes:
- Incorporado na agua da bebida, sobre a forma de
Sulfato de Zinco, modalidade que só deve ser utilizada
em animais que não estão a produzir leite, por este
transmitir um sabor desagradável, factor limitante á
sua natural ingestão, situação que não se pretende em
vacas em produção;
- Incorporado no concentrado, ou em Bolus (Cápsulas de
libertação lenta) sobre a forma de Óxido de Zinco.
Solicita-se aos agricultores que contactem o seu médico
veterinário assistente, de modo a informarem-se sobre
qual a forma mais eficaz de actuação.
DR. JOÃO VIDAL
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Evolução do melhoramento
bovino em São Miguel
D
esde sempre se verificou a preocupação
por parte de qualquer
criador, independentemente da espécie animal, em
selecionar os seus melhores
exemplares para serem utilizados
posteriormente como reprodutores. Este facto sustenta a regra
que só utilizando os melhores, se
obtêm melhores performances.
Logicamente na bovinicultura
acontece exactamente o mesmo.
Foi prática comum ao longo
dos tempos, os agricultores seleccionarem os vitelos filhos das
suas melhores vacas para serem
os futuros reprodutores, ou
então, recorrerem às explorações
consideradas de elite, para adquirirem futuros reprodutores
no sentido de uma aproximação
do ponto de vista genético.
Embora já fosse utilizada em
alguns países, nomeadamente
nos Estados Unidos da América,
só no final da década de sessenta, foi adotada nos Açores a técnica que veio revolucionar todo
o melhoramento genético a nível global, a Inseminação Artificial (IA). Inicialmente executada por técnicos dos serviços de
desenvolvimento agrário ( junta
pecuária de então), limitada
apenas a um número relativamente reduzido de animais e de
explorações.
Depois da fundação da AASM,
a partir de 1988 o serviço de IA
passou a ser executado por esta
organização. Os técnicos de
então (dos quais alguns ainda se
mantêm neste serviço), foram
distribuídos por diferentes pontos da ilha, criando zonas que
lhes ficavam adstritas. Para além
do trabalho de inseminação, estes exerceram um importantíssimo papel de divulgação, alertando para os benefícios que esta traria para as explorações e seus
proprietários.
De forma gradual foram aumentando o número de explorações que aderiram ao projecto,
até ser globalmente aceite que a
IA é de facto o caminho mais correcto e que menores custos e riscos comporta.
A prevalência de algumas doenças infecciosas (nomeadamente a Brucelose), foi motivo
para chamadas de atenção por
parte dos técnicos, no sentido de
alertar os agricultores para o risco que comportava a utilização
dos reprodutores masculinos na
perpetuação destas, contribuindo positivamente para a implementação da IA.
Com o aparecimento posterior de nova tecnologia na área
da reprodução nomeadamente a
transferência de embriões (TE),
bem como a sexagem do sémen,
“Ao longo de todos
estes anos,
foi preocupação
constante por
parte da
Associação
Agrícola
de São Miguel
disponibilizar sempre
os melhores e mais
adequados reprodutores, de acordo
com as nossas
necessidades”
o melhoramento tornou-se muito
mais rápido devido a um considerável encurtamento entre gerações. Efectivamente com a TE,
pode ser aproveitado o elevado potencial genético de uma vaca, para
obter um número considerável de
embriões, que depois serão implantados em outras vacas de menor potencial, conseguindo-se assim um elevado número de filhas
em apenas um ano, bem como um
enorme contributo no património
genético da comunidade bovina.
Durante muitos anos os emparelhamentos foram feitos de forma
empírica, assentes na experiencia
e perícia conjunta dos agricultores
e técnicos da IA, de forma a beneficiar das características positivas
de cada reprodutor, bem como corrigir os defeitos existentes. Nesta
altura quando a qualidade genética das manadas ainda não era tão
evidente, optou-se por selecionar
sémen proveniente de reprodutores muito equilibrados, tanto do
ponto vista morfológico como produtivo, com o propósito de se obter
uma rápida homogeneidade dos
efectivos.
De forma voluntária, a escolha
recaiu em reprodutores que apresentavam boas características especialmente para úberes e patas,
por se verificar défice a este nível
nos animais de então. Em poucos
anos assistiu-se a uma revolução
na qualidade genética das nossas
manadas. Na comparação que era
feita entre as manadas que aderiram à IA e, as que não aderiram,
nomeadamente na componente
produtiva e morfológica, a diferença era tal, que levou ao aumento do número de adesões a tal ponto, que mais de 85% das nossas vacas passaram a beneficiar desta
técnica.
Alguns reprodutores, considerados hoje lendas da indústria da
IA exerceram um impacto tremendo no melhoramento das nossas manadas. Podiam-se citar
muitos nomes, mas seria injusto
não realçar touros como o Blackstar, Chief Mark e Starbuck, quer
através dos seus contributos directos, quer através dos seus inúmeros descendentes que entraram
como reprodutores de top no circuito da IA.
Ao longo de todos estes anos, foi
preocupação constante por parte
da AASM disponibilizar sempre os
melhores e mais adequados reprodutores, de acordo com as nossas
necessidades, independentemente da nacionalidade ou proveniência, estando sempre na qualidade
o motivo da escolha. Independentemente de poderem ter sido cometidos eventuais erros, o certo é
que se conseguiu uma melhoria
genética impressionante, capaz de
orgulhar todos os agentes envolvidos neste projecto.
Mais recentemente, utilizando
todos os recursos informáticos disponíveis, optou-se por trabalhar de
uma forma mais orientada ou mais
cientifica se quisermos, no sentido
de escolher o emparelhamento
mais adequado para cada animal.
Com a criação do serviço de emparelhamento, conseguimos escolher
o melhor sémen disponível, para
manter ou melhorar os caracteres
desejáveis que o animal já possui
bem como corrigir os eventuais defeitos, excluindo sempre aqueles
cruzamentos que iriam aumentar
a consanguinidade.
É do conhecimento geral que a
consanguinidade representa um
enorme problema para qualquer
comunidade, sendo particularmente evidente nas vacas Holstein, fruto de um melhoramento
muito intenso e rápido. Quando
elevada, os animais podem apresentar menor resistência a um
sem número de doenças, bem como uma acentuada redução da
fertilidade, daí a importância de
um bom programa de emparelhamento que elimine esta possibilidade, contribuindo simultaneamente para a obtenção de vacas
mais resistentes, mais férteis, com
maior durabilidade e melhor uniformidade.
O melhoramento animal é um
processo activo e dinâmico, que
se adapta ao longo do tempo às
necessidades dos produtores. É
fundamental que os produtores
continuem a insistir nele, porque
como já foi largamente demonstrado só assim se conseguem obter animais de excelência, factos
facilmente comprováveis quer
através da observação directa das
nossas explorações, nos concursos realizados ano após ano, bem
como nos volumes e qualidade de
leite produzido.
Como nota final e título informativo, os gastos com o melhoramento genético numa exploração
bovina leiteira representam uma
percentagem muita baixa dos custos totais, devendo ser interpretados como investimento no futuro e
não somente como um custo.
DR. JOÃO VIDAL
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JULHO DE 2014
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Direção da Associação Agrícola de São Miguel termina mandato já