Agricultura Familiar • Futebol em Gostoso • Pai da Noite • Bombaço • Poesia e Arte
Ponto de Cultura Tear - Tecendo Cultura, Cidadania e Direitos Humanos
Ano I - Número 2 - Setembro de 2010
Juventude,
organização social
e políticas públicas
Como vão
nossos meninos
e meninas?
E D I TO R I A L
Gostoso é
Foto: Alessandro Amaral
crescimento
coletivo
extraclasse. O desafio se tornava cada vez mais
interessante. As aulas de fotografia revelaram o
olhar apurado e naturalmente talentoso dessa
gente. Foram meses de teoria e prática, exercícios e análises.
O resultado desse nosso momento está estampado nas páginas seguintes. O esforço recompensado em um material realmente “Gostoso” de se ver, e ler. Todas as pautas e assuntos
dessa edição surgiram dos debates em sala de
aula.
Esperamos que goste da sua revista, ela foi
feita com carinho. Se quiser envie-nos suas opiniões, sugestões, idéias e comentários. O Tear,
assim como a Revista Guajiru, é feito por muitas
mãos, com trabalho coletivo e união de ideais.
Participe conosco, afinal, você também faz parte
da família Tear.
Namastê!
Alessandro Amaral
Editor
Revista Guajiru
Q
uando recebi o convite (ou a convocação)
para fazer parte da família Tear, não pensei
duas vezes e aceitei sem hesitar. Tinha noção que
diante de mim se apresentava um desafio. Seria
legal organizar meus conhecimentos e tentar
passá-los às pessoas com vontade de aprender.
Algumas coisas aumentavam minha responsabilidade, os quilômetros de ida e volta a São
Miguel, a boa base dada aos alunos pelos professores anteriores, o desejo deles de aprenderem
algo novo. No final, tudo isso virou um grande
estímulo para continuar.
A vontade e interesse desses jovens despertaram em mim um sentimento, até então desconhecido (ou adormecido), o senso de responsabilidade social. De que adianta guardar nossos
conhecimentos e aptidões apenas para nós? Por
que não ampliar as alternativas da população
oferecendo o que de mais valioso temos? Nosso
conhecimento e experiência.
Confesso que deu certo trabalho fazer alguns alunos produzirem. Tive que usar recursos
3
EXPEDIENTE
SUMÁRIO
5
Diretoria do CDHEC
Coordenador
Ariclenes França da Silva
6
Tesoureira
Anne-Dominique Losch Pastore
Secretário
Alessandro Magnus Xavier do Amaral
8
Conselho Fiscal
Titular
Osair Vasconcelos
Filippo Rodrigo Rabelo dos Santos
João Roberto Scomparim
9
Suplente
Carlos Antônio Peixoto
Claribel Scomparim
Patricia Caetano de Oliveira
Palavra do Leitor
Entrevista
Isabel Neri: “Meu sonho
é ver a casa paroquial
pronta!”
Perfil
Bombaço: “refazer a
vida é uma questão de
tempo”
Jornalismo
Aula, pizzas e cinema:
Estudantes visitam
jornal diário em Natal
11 Poesia e Arte
Revista Guajiru nº 2 – 2010
Publicação do Espaço Tear – São Miguel do Gostoso
Editor Geral
Alessandro Amaral
Gostoso respira e
transpira cultura popular
durante Escambo
28 Novidades
32 Esporte
O Futebol em São
Miguel do Gostoso
34 Lenda
O Pai da Noite
36 Dicas
37 Espaço Tear
Galeria de Fotos
19 Espaço Tear
38 Artigo
Diagramação
Alessandro Amaral, Ariclenes França da Silva, Ricardo
Silva, Heldene da Silva Santos
Redação
Alexsandro Barbosa Santos, Andreza Fernandes da
Silva, Andriele Torres da Silva, Ariclenes França da Silva,
Francimara Alves da Silva, Francisco dos Anjos Cardoso,
Heldene da Silva Santos, Janicleide Dones, Joelma de
Souza Silva, Luzia Ferreira de Oliveira, Maria Lucivânia
Menezes Silva, Mikarlla Cavalcante da Silva, Ricardo
André R. C. da Silva, Wellington França da Silva.
24 Cultura
Pingue-Pongue com
padre Fábio
Não somos PIPA...
nem seremos!
12 Espaço Tear
Que projeto é esse que
faz tanta diferença em
São Miguel?
Fotografia
Alessandro Amaral, Andreza Fernandes da Silva,
Ariclenes França da Silva, Francisco dos Anjos Cardoso,
Heldene Santos, Janicleide Dones, Maria Lucivânia
Menezes Silva, Wellington França da Silva
16 Memória
Comercial
Ariclenes França da Silva, Wellington França da Silva,
Francisco dos Anjos Cardoso
Caravana dos
Direitos Humanos e
Cidadania do RN
Revisão
Alessandro Amaral, Heldene da Silva Santos
Colaboração
Anne-Dominique Losch Pastore, Filippo Rodrigo
20 Matéria de Capa
Gráfica: Quatro Cores
Tiragem: 2.500 exemplares
http://tearcultura.blogspot.com
[email protected]
Dados bancários do projeto Tear
CDHEC
Banco do Brasil
Agência: 3525-4
C/C.: 27.021-0
Juventude,
organização social e
políticas públicas
IBAN :
001352540000270210
SWIFT: BRASBRRJSDR
30 Comunidade
Revista Guajiru
4
MINISTÉRIO DA CULTURA
Agricultura Familiar
Valoriza o trabalho
coletivo, o produto e a
comunidade
PA L AV R A D O L E I T O R
Envie sua opinião, crítica ou sugestão para [email protected]
A Revista Guajiru apresenta diversos aspectos de nossa
cultura. Mostra para todos o valor de um povo cheio de
saberes popular. Saberes estes que vem sendo repassado
de geração para geração através da oralidade e que agora
começa ser escrito. Hoje temos a oportunidade de registrar
esses conhecimentos. Isto é importante para nossa gente
que se sente valorizada, respeitada na sua diversidade social
e cultural e o que é mais gostoso é relembrar de nossa
cidadezinha tão cheia de graça, onde cresci com tanta
liberdade e pureza. Quando li a Revista Guajiru, lembrei
muito de como ela era e vendo hoje as transformações de
nossa cidade, de nossas praias, o meu coração se encheu de
alegria de lembrar o tempo em que nadava na lagoa, depois
corria para o mar, subia as dunas altas que tinham na beira
da lagoa e descia deslizando em um cavalete. O prazer de
vivenciar novamente estes momentos felizes de criança é
muito gostoso. Imagino quantas pessoas não sentiram a
mesma coisa! Daí a importância dessa revista que traz para
nós uma leitura de mundo de muito gosto e prazer.
Ana Célia Gomes Neri, professora
São Miguel do Gostoso
Ana Cecília Pontes,
socióloga
Portugal
Neilson Gomes da Silva,
universitário
São Miguel do Gostoso
Já ouvi muitas histórias de São Miguel do Gostoso, lendas, causos,
contos. Já vi muita arte e muitas vezes pensei como isso poderia
ser preservado. Uma resposta me veio quando li a Revista Guajiru.
Estavam lá lendas como a do Fogo do Batatão, informações sobre o
pastoril e o boi de rei, perfis de pessoas interessantes da comunidade
que a gente dificilmente pararia para prestar atenção. Pronto. As
coisas começavam a ser escritas e gravadas para todo povo. Muito
importante esse trabalho.
Fabiano Garcia, músico
São Miguel do Gostoso
Ai que coisa mais linda! Amei a primeira edição da Revista Guajiru.
Fiquei até com saudades de Gostoso. Parabéns a equipe da revista
pelo trabalho. Um projeto como este enriquece muito a cultura
local, tanto pela divulgação dessa cultura lá fora como também
por contribuir para que a própria população local perceba o valor
das coisas que tem, e que por estar tão perto, está sujeito a passar
despercebida. Parabéns! Lindo trabalho. Estou ansiosa pela próxima.
Eliene Rodrigues, universitária
Brusque – SC
Revista Guajiru
Ganhei a Revista Guajiru
de um amigo gostosense.
Fiquei feliz pelo
presente, é claro, mas
simplesmente guardei.
Uns três meses depois
a peguei por acaso e
comecei folhear e fui
achando interessante.
Adorei a revista. Que
tantas histórias bonitas,
de cultura bonita, de
gente bonita. Espero
que alguém lembre de
me presentear com a
próxima edição. Com
certeza estarei lendo
imediatamente. É uma
iniciativa linda esta. São
Miguel do Gostoso está
de parabéns.
Eu li e gostei muito da Revista
Guajiru. É um veículo importante
de preservação da cultura da
nossa cidade e assim tão bem
elaborada, gostosa de ler,
melhor ainda. É uma forma
bastante interessante, inclusive
de estar mostrando lá fora o que
é que Gostoso tem. De chamar
a atenção da população local
para os seus próprios valores,
e do Brasil que Gostoso tem
muito mais além de praias, que
por sinal são lindas mesmo,
e pousadas. Parabéns a toda
equipe pelo trabalho. Tenho
certeza que logo teremos a
próxima edição ainda melhor.
5
E N T R E V I S TA
Texto:
Alexsandro Barbosa
e Andreza Fernandes
Fotos:
Andreza Fernandes
Isabel Neri:
“Meu sonho
é ver a casa
paroquial
pronta!”
I
sabel Teixeira Neri, carinhosamente apelidada Dona Bebé,
até oito anos de idade viveu na fazenda chamada Limão,
em João Câmara. Com a triste perda de seu pai, Manoel
Teixeira da Silva, sua mãe, Olímpia Teixeira da Silva, não teve
escolha e decidiu morar novamente com seus pais. Passaram
então a viver em São Miguel de Touros. Pela carência do município, com quase nada de estudos, tornou-se a primeira professora pelo Estado.
A competência e capacidade de seu marido, Nilo Ribeiro
Neri – falecido há cinco anos – o fizeram tornar-se o primeiro
enfermeiro de São Miguel e comunidades vizinhas, gerando
de seus trabalhos a farmácia que está em atividade até os
dias atuais.
Revista Guajiru
Como foi sua infância?
Nasci em 1929 numa fazenda chamada
Limão, nos arredores de João Câmara.
Minha mãe, Olímpia Teixeira da Silva,
casou com meu pai, Manoel Teixeira da
Silva, sendo uma boa mãe para seus filhos. Porque quando ele casou já tinha
filhos com outra mulher. Eram eles:
Torquato, José e Elias. Quando eu tinha
oito anos de idade, meu pai faleceu.
Com a morte dele, decidimos morar
em São Miguel de Touros. Minha mãe
vendeu a fazenda para pagar as dívidas
que ele deixou.
6
Ao chegar a São Miguel de Touros
onde passaram a morar?
Nós chegamos em 1938 e passamos a
Isabel começou a dedicar-se a Igreja Católica desde a infância e ainda hoje reza o terço com suas amigas todas as
noites na Igreja de São Miguel Arcanjo. Foi fundadora do movimento Legião de Maria, do Apostolado do Sagrado Coração
de Jesus e foi catequista de jovens e crianças. Também esteve
responsável pela administração da Igreja durante longo período (hoje esta atividade é feita pelo sacerdote, pois a comunidade está prestes a tornar-se paróquia). Mantém um bazar
em benefício da casa paroquial e dedica-se integralmente a
Igreja. Diz ainda que seu sonho é ver a casa pronta. Isabel
participa assiduamente de movimentos e eventos religiosos
em São Miguel do Gostoso. Conversamos com Dona Bebé em
sua casa, confira agora um pouco desse bate-papo.
morar na casa dos meus avós maternos, Isabel e Bento Ambrosio Santana.
A família cresceu. Trabalhávamos todos
juntos na agricultura, acordando cedo,
indo a pé ao roçado, apanhando feijão
verde, seco, rapávamos mandioca, entre
outras coisas. Nos juntávamos todos na
sala para debulhar feijão e minha avó
contava muitas histórias de Troncoso.
Como foi sua formação escolar?
Eu aprendi a ler e escrever em casa,
com minha mãe. Ela resolveu não me
matricular na escola, pois não concordava com a doutrina muito permissiva
da professora local. Nem sequer tinha
renda suficiente para pagar uma escola
particular.
Como começou seu trabalho na comunidade de Gostoso?
Aos 12 anos, dei aulas particulares na
casa onde morava. Na época ganhava
muito pouco. Aos 15 anos passei a ensinar, sendo a primeira professora da
comunidade contratada pelo Estado.
Naquele tempo fui a Touros a cavalo
para ajeitar os papeis nos seis primeiro meses e não consegui receber meu
salário. Consegui ajuda de uma procuradora, mesmo assim perdi a remuneração desses meses de trabalho. A partir
daí passaram a me pagar corretamente.
Onde ensinava não era uma escola,
usávamos uma antiga casa, onde hoje
se encontra a pousada Mar de Estrelas.
Lá não tinha bancos, quadro nem giz.
Como conheceu seu esposo?
Miguel Ribeiro Neri, meu sogro, tinha
uma mercearia onde hoje é a papelaria
Santa Isabel, e resolveu ir morar em Touros. Escreveu para Nilo, seu filho, que
viesse tomar conta do estabelecimento. Ele era do exército, fazia curso para
sargento, era auxiliar de médico e dentista. Atendendo ao pedido do pai, deu
“baixa” e veio morar em São Miguel de
Touros. Ele simpatizou comigo e logo
passamos a namorar, poucos meses depois noivamos.
Nesse namoro, também não foi diferente. Viajei a Natal durante o período do carnaval. Ao voltar, ele confessou
ter uma namorada chamada Lurdinha.
De imediato devolvi os presentes e as
alianças. Em menos de um mês começou a se aproximar de mim novamente,
me pastorando ao sair do trabalho, da
Igreja. As pessoas diziam que eu cantava muito bem, que tinha uma bela voz.
Para me conquistar me oferecia coco
verde e eu os jogava fora. Mandava-me
cartas, eu as devolvia mesmo sem ler.
Nilo chegou a dizer “Isabel e muito orgulhosa”.
Procurou-me confessando está muito triste e arrependido. Tentou de varias
formas me fazer voltar pra ele. Confusa,
sem saber se perdoava ou se valeria a
pena, pedi a Deus e a Maria santíssima
que me desse um sinal. Na noite seguinte tive um sonho, aparentemente
bom, e interpretei que deveria aceitá-lo.
Conversamos e reatamos o noivado, de
imediato providenciaram tudo para o
casamento. Casei no dia 18 de março
de 1948 em João Câmara, na igreja e no
cartório.
Como surgiu a ideia da farmácia?
Nilo, por experiência de vender remédio
na mercearia, atendia todas as pessoas
que o procuravam. Atendia os arredores
de São Miguel do Gostoso. Muitas gestantes foram salvas por ele, daí se construiu a farmácia.
O que motiva essa dedicação integral
à igreja?
É uma missão. Aos oito anos já caminhava para a igreja, indo toda noite rezar na
capela de São Miguel Arcanjo, que foi
fundada por Miguel Félix Martins no dia
29 de setembro de 1899. Sendo muito
católico e devoto do arcanjo, fez uma
promessa e alcançou a graça. Então fez
o que havia prometido, construiu uma
capela em sua honra.
A missão religiosa começou com
Miguel, passou para José Italiano e sua
esposa. Com o passar dos anos, eles se
mudaram e Dona Sabina dos Santos Torres assumiu a responsabilidade. Em seguida minha mãe, passando então para
mim e hoje tendo como responsável,
Angelina Santana, secretaria paroquial.
Eu acolhia padres, freiras e bispos
em casa. Na época, o padre vinha a cavalo. Eu chegava a perder a missa indo
pedir auxílio para ele. Dedico-me até
hoje, investindo na pintura, algumas
reformas, não deixando morrer a festa
tradicional da igreja. Chegou também
aos cuidados de Isabel de Matos que
contribui até hoje na evangelização.
Você sente-se realizada?
Sim. Meu sonho também é ver a casa
paroquial pronta, antes de morrer. Escrever um livro contando toda historia
da minha vida. Tenho um bazar em benefício às obras da casa paroquial. Em
meu aniversário faço questão dos meus
presentes serem em dinheiro para doálos a construção. Sonho também em
construir uma creche.
Revista Guajiru
Conte-nos como foi seu primeiro namoro?
Pedro Gomes da Rocha, meu primo,
queria namorar comigo. Dizia ele que
eu tinha um bom procedimento, uma
boa conduta e seria uma ótima esposa.
Eu não queria muito esse namoro, mas
tanto minha mãe quanto a dele queriam. Por obediência, aceitei.
Ele trabalhava em um comércio em
Umburana – Macau. Devido a idade foi
servir ao exército em Natal e nas férias
vinha a São Miguel de Touros. Aos 15
anos noivamos. Minha mãe, com toda
simplicidade, preparou o enxoval. Ele já
tinha casa em Natal. Com poucos dias
para o casamento soube que arranjara
uma namorada, chamada Letícia. Imediatamente terminei o relacionamento,
devolvendo os presentes e as alianças.
Menos de 15 dias após termos terminado, casou-se com ela.
7
PERFIL
Bombaço: “refazer a
vida é uma questão de tempo”
Ex-empresário bem sucedido busca reconstruir
sua vida e ter novamente sua própria casa
Foto: Maria Lucivânia Silva
Foi menino de pé
no chão, conta
que calçou os
pés pela primeira
vez aos 13 anos,
usando um par
de sandálias
comprado com
dinheiro da venda
de peixes
Revista Guajiru
Nascido e criado em São Miguel do
8
por Heldene Santos
e Maria Lucivânia Silva
Gostoso, Bombaço, como é mais conhecido, é referência por sua figura e
sua história. Seu apelido teve origem
nos chutes fortes, “os bombaços”, que
quando garoto aplicava nos jogos de
futebol. José Ceará de Souza, 53 anos,
já foi um dos homens mais ricos da região, hoje, com muito esforço e ajuda
de outras pessoas está conseguindo
construir sua casa.
Bombaço foi menino de pé no chão,
conta que calçou os pés pela primeira
vez, aos 13 anos, usando um par de sandálias comprado com dinheiro da venda
de peixes. Do mesmo modo a roupa, segundo ele. “Naquele tempo não tinha
esse negócio de comprar roupa não”,
revela. “Era arranjado uns sacos de açúcar feito de pano e mandava fazer os
‘calção’ e camisa”.
Teve uma juventude movimentada,
participou de grupos de jovens, boi de
reis, e de muitas festas. Tinha, inclusive,
a fama de gostar de armar confusões,
mas conta que apenas reagia às coisas
que não gostava. Como exemplo, diz
que certa vez estava numa festa e viu
sua irmã ser insultada por um rapaz que
queria forçá-la a dançar. Chateado, bateu
no rapaz. Em seguida foi abordado pela
polícia, como não achava certo que deveria ser preso também “deu uns pau na
polícia”, confessa, e fugiu.
Começou trabalhar aos cinco anos
de idade com seu pai. Nunca estudou.
Conta que na sua época havia o ensino,
mas era através do rádio. “A pessoa dava
aula lá de Natal”, diz ele, “e assim eu
não gostava”. Com habilidades para a
agricultura, pescaria, carpintaria e muita
disposição para trabalhar, Bombaço tornou-se um grande empresário, proprietário de casas, comércios e embarcações.
Já chegou a ser dono de uma frota de
16 embarcações, parte delas construída
por ele mesmo. Até emprestava dinheiro para outros empresários da região, há
alguns desses que, segundo conta, nunca pagaram seus empréstimos.
Diante do empresário bem sucedido,
a sorte e a vaidade não foram favoráveis.
Em 1992, com uma inflação sempre em
alta e propostas ambiciosas dos bancos,
o empresário vendeu seus bens e aplicou quase todo o dinheiro no BANDERN
(Banco do Estado do Rio Grande do Norte) que logo em seguida foi fechado por
providências do Governo Federal, liderado
pelo então presidente da república, Fernando Collor de Melo. Bombaço, como
muitos que acreditaram nas propostas
do banco aplicando seu dinheiro, perdeu
tudo. Ou quase tudo. “Também gastei
uma ‘partezinha’ com bebedeiras... E com
mulheres”, diz ele.
Depois dessa maré, seu Bombaço,
volta para a agricultura, a pesca e a carpintaria. Ainda hoje ganha um dinheirinho construindo alguma embarcação
por encomenda e com a pescaria. Sorrindo, ele diz: “Caí uma vez e me levantei. Caí de novo e, novamente, vou me
levantar. Refazer a vida é uma questão
de tempo”.
Texto e fotos:
JORNALISMO
Alessandro Amaral
Aula, pizzas e cinema:
Estudantes
visitam jornal
diário em Natal
O
conhecimento teórico traz novas perspectivas à
vida profissional e acadêmica de cada estudante.
Mas como fazer para vivenciar esse conhecimento na
prática? Idéias surgem e planos são traçados com o objetivo de suprir essa necessidade. Nesse intuito, a turma
da Oficina de Jornalismo do Tear seguiu viagem até Natal, para conhecer a redação do jornal Tribuna do Norte,
no dia 15 de setembro. Uma aula diferente e um dia especial onde todos aprenderam e divertiram-se bastante.
Na sala de fotografia, a editora Ana Silva, contou histórias pitorescas e revelou
segredos do mundo da fotografia jornalística. O chefe do setor de diagramação,
Carlos Bezerra, apresentou a forma que o
jornal é formatado e como se dá a interação entre jornalistas, fotógrafos e diagramadores na composição das páginas.
Ao final todos ganharam exemplar
do livro comemorativo aos 60 anos do
jornal e puderam relaxar num dos maiores shopping centers da capital. Após a
maratona no jornal, a turma se emocionou ao assistir o filme Nosso Lar, baseado na obra de Chico Xavier, e degustou
pizzas ao termino da sessão. “Hoje foi
um dos melhores dias da minha vida”,
confessou Alexsandro Barbosa dos Santos, aluno do projeto.
Da redação à oficina de impressão,
passando pelos setores intermediários
na produção de um jornal até chegar às
Cibele apresentou as instalações do jornal
bancas de revistas, os alunos da oficina
de Jornalismo do Tear puderam acompanhar de perto o processo do fazer jornalístico. A visualização da teoria sendo
aplicada na prática é algo de grande importância no aprendizado de uma nova
profissão. O Tear agradece ao jornalista
Carlos Peixoto por proporcionar essa primeira oportunidade aos nossos alunos.
Yara esclareceu as dúvidas dos alunos
A editora do caderno Natal, Yara
Okubo, também esteve com os aprendizes e tirou todas as dúvidas relacionadas
à prática diária do jornalismo. Encantada
com a correria da redação, a turma bombardeou a jornalista com muitas perguntas, todas atenciosamente respondidas.
Cada setor despertou um interesse a
parte em cada participante, gerando um
clima de aprendizado e diversão.
Carlos conta como são
formatadas as páginas
diariamente
Ana revelou alguns segredos do fotojornalismo para a turma
Revista Guajiru
A idéia seria visitar a redação de um
grande jornal diário da capital e sabatinar profissionais do jornalismo em seu
lócus cotidiano. Através de contato prévio com Carlos Peixoto, diretor de redação da Tribuna do Norte, foi agendado
a visita técnica que teve início às 15h.
Recebidos por Cibele Ribeiro, do Departamento de Marketing, os alunos puderam conhecer um pouco da história do
veículo e suas instalações.
A turma da oficina de Jornalismo do Espaço Tear
reunida em frente ao prédio da Tribuna do Norte
9
Não é só o vento, sol, praias e
Foto: Alessandro Amaral
belas mulheres que caracterizam
a cidade de São Miguel do
Gostoso. Há também muita
responsabilidade socio-ambiental
em nossa comunidade. Esse trabalho é realizado
com muito amor e dedicação pelos agentes
sociais locais e incentivo importante de parceiros
engajados na promoção dos direitos humanos e
cidadania. Para manutenção e realização desse
projeto, contamos com sua participação. Venha
fazer parte da família Tear e ajude a incentivar o
desenvolvimento e a diversidade cultural do nosso
país. Seja bem-vindo!
Revista Guajiru
Andar com veículos na praia é um atentado às pessoas de
nossa comunidade e turistas, bem como um crime ambiental
10
Dados bancários CDHEC
Banco do Brasil: Agência 3525-4 - C/C. 27.021-0
IBAN: 001352540000270210
SWIFT: BRASBRRJSDR
P O E S I A E A RT E
FEITO JOIO E TRIGO
ARTESANATO LOCAL
Foto: Janicleide Dones
Paulina Martins da Silva
Idade: 72 anos
Profissão: Labirinteira
Reprodução
por Janicleide Dones
Mas que podre é o Mundo!
Pessoas interessantes, classes divididas,
Filé mignom, bife do oião.
Que se danem!
Ó Mundo ridículo.
Ridículo no sentido de ser ridículo;
Como a educação no Brasil;
Como as paredes magnéticas que criam nas
raças, etnias, classe social.
Ridículo como o verso que escrevo.
- Preciso ser ridículo para participar das coisas do Mundo?
...Mas as coisas do Mundo também são ridículas.
Janicleide Dones
Paulina Martins da Silva, mais conhecida como
“Dona Paulinha” mora em São Miguel do Gostoso
desde o ano em que nasceu. Atualmente com 72
anos, a artesã persiste em fazer seu trabalho –
labirinto (tipo de renda produzida com agulha, e tem
como característica o fio desfiado preliminamente).
Guajirú: Com que idade aprendeu a fazer
labirinto?
D. Paulinha: Aos oito anos de idade.
Guajiru: como e com quem aprendeu?
D.Paulinha: minha mãe fazia labirinto, eu sempre a
olhava e foi com ela que aprendi.
Guajirú: Por que quis aprender?
D. Paulinha: Na época não existia trabalho, o
que tínhamos era o roçado (sitio de plantações).
Trabalhávamos limpando mato e eu não queria,
então tive que aprender a fazer labirinto. Minha mãe
sempre me batia para eu poder aprender e ajudá-la.
Guajirú: Você considera seu trabalho valorizado?
D. Paulinha: Claro que sim. Mas só tem um defeito,
não da direito a aposentadoria. Sou aposentada
como marisqueira, por que aos 22 anos trabalhei
com caçoeira (tipo de rede de pesca), depois parei
e continuei com labirinto e só deixo depois que eu
morrer (risos).
Guajirú: Seu trabalho serve também como fonte
de renda?
D. Paulinha: Sim. Tem meses que vendo bem e
ajuda muito com as despesas de casa. Depende
muito da estação, se a cidade tem muitos turistas,
se as peças que faço os agradam, etc.
Guajirú: Qual a peça que é mais procurada?
D. Pailinha: Toalhinhas com o nome da cidade,
panos de prato, e as vezes roupas.
Guajirú: Para os visitantes que estão conhecendo
a cidade o que você diria á eles?
D. Paulinha: Que sejam bem-vindos, aproveitem
bastante e não deixe de conhecer meu trabalho. E
de comprar também (risos).
VIRGÍNIA
GOSTOSO ENCANTO
Desde muito pequena
A labuta a conheceu
E jamais a abandonou
Ela, desde cedo, responsável
Cuidou de casa, gado e roçado
Conta dos irmãos tomou
Trabalho?! Nunca rejeitou
Canto dos deuses, que Gostoso
Pedaço de um Brasil formoso
De belo ceu azul anil
Ô mulher de língua afiada!
Não agüenta nada calada
Também de nada tinha medo
Tem o mar um azul que nos
domina
Um por do sol que nos fascina
Mais um lual até o amanhecer
Montou em burro brabo,
Jumento desembestado
Pegava em cobra corá
Em brasa e o que aparecesse
Pra ela tudo era possível
E dizia: “Se o medo existe
eu não conheço.”
No seu tempo de menina
Até mulher muito nova
Transporte não existia
Ia a pé onde fosse
De Galinhos a Gostoso
Taipu a Baixa Verde
Touros ao Boqueirão
Fosse perto ou distante
Pra visitar seus parentes
Não tinha medo de chão
Mulher pequena e franzina
Aparentemente frágil
Mas frágil só na aparência
- Forte e determinada!
Em toda a sua vida
Só não atirou de espingarda
Porque a arma de fogo
Ela não apreciava
Firme como uma rocha
Com muita admiração
“Voinha”! Queria ser como ela
E ainda peço de Deus
Que lhe dê muita benção.
Sandra Cristina de Melo
(uma homenagem a Virgínia,
sua avó, 91 anos)
Que belas praias, que vontade
De ver da lua a claridade
Do sol a luz acontecer
Cheguemos a Praia do Marco
Buscando a historia, o passado
Pois o Brasil nasceu aqui
Praias da Xepa, do Cardeiro
do Santo Cristo, os coqueiros
os maceiós, os jangadeiros
Rico folclore o povo canta
Vem ver da fauna e a flora
a dança
A voz do vento ao coração
Felicidades ao relento
Podemos ver a todo momento
Terras férteis, plantações
Sol, dias quentes, noites frias
Vegetação rara, queria
Esse bom vento do litoral
Belo reduto, morros tanto
Amor bonito que exclamo:
- Gostoso paraíso feliz!
Então recito um belo canto
Da bela moça o encanto
De um pedaçinho do Brasil
Heldene da Silva Santos
Labirinto feito por D. Paulinha
E S PA Ç O T E A R
Revista Guajiru
Foto: Acervo TEAR
Que projeto é esse que faz ta
12
nta diferença em São Miguel?
por Francimara Alves,
Mikarlla Cavalcante
e Andriele Torres
Turma da oficina de
artesanato com materiais
recicláveis ministrada por
Cláudio e Arlanza (RJ),
oferecida pelo Tear
Revista Guajiru
O
CDHEC (Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia,
Cultura e Cidadania) foi fundado em 2003 por militantes de Direitos Humanos, jornalistas e agentes de cultura, com a finalidade de promover, proteger e
reparar os Direitos Humanos, Civis, Políticos, Sociais, Culturais e Ambientais. Com a transferência do CDHEC de Natal
para São Miguel do Gostoso no ano de 2007, o coordenador Fabio dos Santos, em parceria com a Igreja Católica e
colaboração de Gustavo Tittoto, que disponibilizou o local,
abriu para uso da comunidade o Espaço Tear.
O Tear é um projeto do CDHEC que tem por objetivo
a realização de atividades direcionadas ao público jovem
e infantil da comunidade. Difundir, valorizar e preservar
as expressões culturais e manifestações sociais, visando à
construção de novos valores de cooperação e solidariedade; transformar os jovens em grandes atores sociais para
promoção da dignidade humana e efetivação da cidadania;
são algumas metas do projeto.
A primeira atividade a ser implementada no espaço foi
a oficina de teatro popular de rua, ministrada pelos arteeducadores Filippo Rodrigo e Patrícia Caetano, integrantes
do Bando La Trupe e coordenadores do Escambo Popular
de Rua – movimento cultural que propaga tais manifestações por onde passa.
Logo em seguida surgiu o grupo infantil de Pastoril, uma
valiosa vertente da cultura popular, sob a responsabilidade
de Maria Teixeira e Maria do Carmo, experientes dançarinas
do grupo de Pastoril da Melhor Idade da comunidade.
Em 2008 veio a oficina de Jornalismo, que contou com a
participação de reconhecidos profissionais dos veículos de
comunicação de Natal. O resultado foi a publicação da revista Guajiru, que descreve a cultura local, turismo, esporte,
agricultura familiar e participação social na comunidade.
O Espaço Tear também disponibilizou à população de
São Miguel cursos profissionalizantes de eletricista, bombeiro hidráulico, pedreiro, informática, oficinas de reciclagem, palestras sobre ética, cidadania e meio ambiente.
O principal apoio para a realização dos cursos e oficinas no Espaço Tear chegou através de amigos, parceiros de
Fabio e Dominique Pastore, em Natal, no Rio de Janeiro,
Suíça, Alemanha e Itália. Esse apoio ainda é efetivo hoje.
Após se inscrever em edital do Ministério da Cultura,
o CDHEC passou a ser Ponto de Cultura, o que garantiu
recursos durante três anos para manter os projetos já realizados pelo Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura
e Cidadania no Espaço Tear. Conheça um pouco mais das
atividades do nosso ponto na página seguinte:
13
Foto: Ariclenes França
Pastoril
O pastoril é erguido com garra e disposição por duas
grandes mulheres, Dona Maria Teixeira e Maria Ducarmo, incentivadas por padre Fabio, que sempre
transmitiu determinação, vontade e muita cultura no
sangue. Do grupo pastoril participam 17 meninas que
ensaiam todos os sábados das 9h às 10h. Já são três
anos de música no “gogó” e ritmo no pé. As meninas
do pastoril deixam sempre bem claro o que querem
passar ao seu público. Usam sempre músicas religiosas, principalmente nas datas comemorativas, especialmente em homenagem a Jesus. “Tudo começou
com uma brincadeira de senhoras que gostavam de
relembrar sua adolescência. Hoje estou aqui dando
aula de Pastoril. É sempre importante ter Jesus no coração e alegria de viver”, disse Maria Teixeira.
Esse é o nome do grupo de teatro formado a partir das
oficinas oferecidas pelo Espaço Tear. A trupe possui
20 integrantes, que seguem as orientações da arteeducadora Patrícia Caetano de Oliveira. Com diversas
apresentações realizadas em pousadas, escolas e
eventos, o grupo se destaca pela maneira que passa o
conhecimento e informação através do entretenimento e humor do teatro de rua. Entre as peças encenadas
recentemente estão “Os sete constituintes”, “Vento do
Gostoso” e “Hoje meu boi não sai”. Para a integrante
Suanes da Silva Ricardo, 17 anos, o grupo é uma oportunidade de crescimento social e intelectual. “O teatro
me fez mudar, me tornar uma pessoa mais feliz. Gosto do que faço, pois tenho planos. Quem sabe um dia
serei atriz”, afirmou. Os ensaios acontecem sempre às
segundas-feiras, das 19h às 20h, gratuitamente.
Foto: Claudiana Menezes Xavier
Nos na Rua
Oficina de Jornalismo
Boi de Reis
Em atividade há apenas seis meses, a oficina de Boi
de Reis conta com 12 participantes e acontece todas
as quintas-feiras gratuitamente, a partir das 14h. O
grupo possui dois mestres, José Marciano Gomes e
Luiz Tenório, que transmitem a cultura popular a essa
turma formada por garotos de 5 a 10 anos. “Tenho prazer em fazer o que faço, porque gosto e acho bonito.
A minha intenção é passar o que sei às próximas gerações. Não tem quem não se encante com algo tão
colorido e divertido como é o Boi de Reis”, declarou
José Marciano.
A oficina de jornalismo forma novos escritores e repórteres amadores na comunidade. Em sala de aula
são vistas técnicas de jornalismo, como redação, entrevista, reportagem, apuração de fatos, fotografia,
projeto gráfico e editorial, diagramação e noções de
design. Os alunos se reúnem todo domingo, das 10h
às 12h, em aulas gratuitas no Espaço Tear.
Em torno de 17 jovens participam da oficina sob a
batuta do jornalista, diagramador e fotógrafo, Alessandro Amaral. O curso existe há aproximadamente dois
anos e teve como professores: Osair Vasconcelos, Carlos Peixoto e Yuri Borges. Os três mestres foram responsáveis pela primeira edição da revista Guajiru.
Revista Guajiru
AGRADECIMENTOS
14
As atividades do Tear só são possíveis graças ao incentivo
do Governo Federal e de doações voluntárias, que ajudam
a minimizar as despesas de manutenção do projeto. Entre
nossos grandes parceiros estão: Prefeitura de São Miguel
do Gostoso, Gustavo Tittoto, Wellington Mendes (MG.Net),
Elisabeth Marinho Dias, Dona Mergène Revel, Christiane Dovat, as paróquias de Montreux e Villeneuve (Suiça), paróquia
de Pestello Montevarchi (Itália), amigos da Europa e Brasil.
Restaurante
La Brisa
Comida com um gostinho nosso!
Tel: (84) 3263-4163 / 9105-4885
Rua dos Búzios, 175 - São Miguel do Gostoso - RN
Av. dos Arrecifes, 1120 – Centro – São Miguel do Gostoso - RN
Fone: (84) 3263-4168 / Fax: (84) 3263-4232
www.pousadamardeestrelas.com.br
[email protected]
Pousada Enseada do Gostoso
www.pousadaenseadadogostoso.com.br
RN 221 - Km 8 - Estrada do Gostoso/RN
Reservas: (84) 3693-2090 / 9112-9432
[email protected]
www.aquisefazgostoso.com
Fones: (84) 3263-4051 / 91955378
[email protected]
Av. Enseada das Baleias- Praia do Maceió
São Miguel do Gostoso - RN
Escola de Windsurf e Kite Surf
São Miguel do Gostoso
Rio Grande do Norte - Brasil
R. Ponta do Santo Cristo
Fone: (84) 9981-0583
www.drwind.com.br
www.misecretopousada.com
[email protected]
+55.84.91954758
Pousada Mi Secreto
Rua das Algas, 51
Sao Miguel do Gostoso
Rua das Ostras, 1335
São Miguel do Gostoso / RN
Fones: (84) 9198-5479 / 9156-3960
MEMÓRIA
Padre Fabio no
comando da caravana
Caravana dos Direitos Humanos e Cidadania do RN
São Miguel do Gostoso
Cidade Universal dos Direitos Humanos
Texto e fotos:
Alessandro Amaral
Foi um dia
inteiro de
atividades,
tudo para
celebrar e
promover
Revista Guajiru
os Direitos
16
Humanos
M
eu envolvimento com o pessoal que trabalha com Direitos Humanos já vem
de certo tempo. Lembro que 2008 foi um ano agitado devido ao aniversário
dos 60 anos da Declaração Universal da ONU – documento importante na garantia
desses direitos. Apesar do tempo, jamais havia participado de uma Caravana de
Direitos Humanos e o convite veio justamente em junho daquele ano. Dia 18, São
Miguel do Gostoso (RN) se transformou na Cidade Universal dos Direitos Humanos,
marcando o calendário nacional no incentivo a cidadania plena.
Após 100 km de rodovia vindo de Natal,
encontro um lugar aprazível, de brisa gostosa
e gente hospitaleira. Gostoso me surpreendeu
naquela ocasião, não por suas tradicionais belezas naturais, mas sim pelo envolvimento da
população na promoção dos direitos básicos
das pessoas. Foi um dia inteiro de atividades,
cortejos, apresentações teatrais, entregas de
kits, exposição, reuniões, debates, eventos
culturais, entre outros. Tudo para celebrar e
promover os Direitos Humanos.
A energia do povo contagia e dá forças
para seguir a maratona. Além das ativida-
des previstas na programação, teve muito
suor nos bastidores. Lembro de me dependurar nos caibros do Centro de Múltiplo Uso
amarrando banners, correr feito louco fotografando os detalhes da caravana, até subi
uma tremula escada com mais de 3 metros
para registrar o cortejo chegando ao Centro
de Multiplo Uso. Todo esforço em nome da
cidadania e garantia dos nossos direitos.
Depois de ouvir os anseios das pessoas,
discutir possíveis soluções, mostrar seus direitos, apresentar propostas e levar segurança para a população da cidade, a caravana se
encerrou com apresentações de cultura popular
e a esperança de que a semente plantada naquele dia germinasse bons frutos. De lá para
cá os projetos sociais se desenvolveram ainda
mais e as oportunidades foram ampliadas, assim
como a capacidade de dar suporte à população
local.
Esse evento aconteceu através do esforço
conjunto do Espaço Tear, CDHMP, Prefeitura Municipal, Câmara dos Vereadores, Fórum Popular
de Participação de Políticas Públicas, Sindicato
dos Trabalhadores Rurais, da Educação e da Pesca, Assembléia de Deus, Igreja Católica e pousadas locais.
As Caravanas de Direitos Humanos e Cidadania
do RN foram desenvolvidas pelo CDHMP (Centro
de Direitos Humanos e Memória Popular) e já
percorreram cidades como Macau, Caicó, Carnaubais, Ceará-Mirim, Mossoró, Pau dos Ferros e
São Miguel do Gostoso. A intenção é promover
e garantir os Direitos Humanos diante das violações, e assim consolidar o verdadeiro Estado Democrático de Direito. Ouvir solicitações, reclamações, denúncias por onde passa e encaminhá-las
para serem resolvidas, promover debates sociais
e ajudar a construir uma consciência cidadã também fazem parte dos objetivos das caravanas.
Uma vasta programação foi montada para
celebrar o aniversário da Declaração Universal
da ONU em São Miguel e isso começou cedo.
Logo pela manhã um cortejo percorreu as ruas
do município com faixas, cartazes, batuques e
palavras de ordem, promovendo intervenções
teatrais a cada parada. A caminhada terminou no
Centro de Múltiplo Uso, local onde se encontravam, entre o grande público, diversas lideranças
locais. Lá foram entregues kits-biblioteca contendo livros e CDs-Rom sobre Direitos Humanos às
entidades sociais. Uma exposição dos 30 artigos
da Declaração com belas imagens foi montada
no local.
Chegada do
cortejo ao
Centro de
Multiplo Uso
Revista Guajiru
Perseguir sonhos e construir redes
A cada
parada, um
artigo da
Declaração
era lido para
o público
17
Crianças, jovens e adultos participaram
efetivamente da caravana
Entrega dos kits-biblioteca às
entidades no Centro de Multiplo Uso
Revista Guajiru
A tarde houve reunião entre os membros da
caravana e líderes locais, representantes da sociedade civil organizada, órgãos públicos, igrejas e iniciativa privada, para discutir assuntos de
interesse coletivo. A noite começou com uma
caminhada com velas acesas pelas ruas da cidade. Chamado de “Via sacra luminosa”, o cortejo
parou em pontos estratégicos onde eram lidos
artigos da Declaração Universal. O encerramento se deu no Ginásio Esportivo da cidade com
18
discurso das autoridades e apresentações culturais do Boi de Reis e Pastoril.
As resoluções e propostas, surgidas dos debates com a população, foram encaminhadas para
serem discutidas e ampliar a Rede Estadual de Direitos Humanos. A aplicação do “Curso Agentes
da Cidadania” e a criação do Conselho Municipal
de Direitos Humanos também foram planejadas
na ocasião, entre outras idéias construtivas. Perseguindo sonhos e construindo redes, sempre!
Roberto Monte (CDHMP), Graça Lucas (Movimento
Negro) e Ana Amélia (Canal Futura)
Apresentação do Pastoril animou o
público que compareceu ao ginásio
A Via Sacra Luminosa trouxe bilho
às ruas de São Miguel do Gostoso
O público acompanhou atentamente cada
leitura de artigo da Declaração
E S PA Ç O T E A R
padre Fabio
O que é o CDHEC?
O Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania é uma
instituição nascida do sentimento de um grupo de jornalistas, advogados, médicos, educadores e profissionais liberais, que, já vivendo
esse compromisso, quis se engajar como um grupo em 2003 na cidade do Natal. Desde 2007, com a minha vinda, foi decidida em assembléia a transferência para Gostoso a fim de que, com o protagonismo
de uma comunidade atuante, a gente pudesse desenvolver melhor
nosso objetivo.
Qual a finalidade dessa instituição?
O CDHEC, como está em nosso Estatuto, tem por finalidade a: (I) Promoção da ética, da justiça, da paz, da cidadania e dos direitos humanos; (II) Promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio
histórico e artístico; (III) Promoção, defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do meio ambiente sustentável;
(IV) Promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente.
Acredito que nestes anos em São Miguel do Gostoso estamos num
processo cuidadoso, envolvente e participativo procurando cumprir
nossa missão institucional tentando, assim, uma coerência entre o
que se diz e o que se faz.
O que é o Tear e qual a sua relação com o CDHEC?
O CDHEC é a instituição. O Tear é o espaço onde são desenvolvidas
as atividades socioculturais. Hoje é um lugar não só da instituição,
mas de toda comunidade que também usa o Espaço Tear para outras
atividades que visam o bem-estar de Gostoso. Percebe-se muito bem
o sentimento de pertença e empoderamento das pessoas em relação
ao Tear. Ele não é de fulano ou beltrano. O Tear é nosso. O Tear é de
São Miguel do Gostoso. E isso não é por acaso.
Como nasceu o TEAR?
Este espaço nasce como resultado de um pequeno trabalho desenvolvido pelos grandes artistas de Teatro de Rua, o casal Filippo e Patrícia,
respeitados nacionalmente nesta área do teatro popular, que sob a
coordenação minha e de Dominique, começa com a galera a trabalhar a memória e a identidade de São Miguel de Gostoso. Por isso as
pessoas se identificam com o Tear.
Como surgiu a idéia do Ponto de Cultura?
Nós somos Ponto de Cultura, esse importante programa do Ministério
da Cultura, porque na verdade a gente já era um “Ponto de Cultura”.
Quando Gustavo Titotto cedeu o salão, Fátima Dantas durante três
meses recolheu dos comerciantes da cidade o pró-labore para pagar
por Heldene Santos
o Filippo e a Patrícia. A Prefeitura nesse tempo pagava as refeições
dos dois e sempre ajudou a gente nos translado para Natal e outras
cidades onde os grupos iam participar de fóruns e eventos culturais.
Depois, eu e Dominique, com os nossos familiares e amigos em Natal, no Rio de Janeiro e na Europa, conseguimos recursos substanciosos e pudemos dar um salto enorme com as oficinas.
Como foi a articulação com a comunidade para a criação do
projeto do Ponto de Cultura?
O Espaço Tear –CDHEC tem uma relação muito boa com o Poder Público Local e a chamada Sociedade Civil Organizada, como as ONG’s,
os sindicatos e fóruns, e as Igrejas da cidade. Prova disso foi a realização do evento “São Miguel do Gostoso, Cidade Universal dos Direitos
Humanos”, no ano de 2008 em alusão aos 60 anos da Declaração
da ONU. Todos, mas todos mesmo, estavam envolvidos. Igualmente,
quando por ocasião do Edital, conversamos com todos esses atores
sociais que referendaram o Projeto e enviaram cartas de recomendação. Já antes do Ponto de Cultura, todas essas instituições participavam e continuam a participar das oficinas e atividades atuais. Isso é
extremamente positivo.
Quem contribuiu para a aprovação do Ponto de Cultura?
O Ponto de Cultura é resultado de uma seleção no edital da Fundação
José Augusto (FJA) com recursos oriundos, dois terços do Ministério
da Cultura e um terço do Governo do Estado. Assim sendo, deste
ponto de vista, a aprovação do nosso Ponto é um mérito da equipe
do Espaço Tear-CDHEC, depois de criteriosamente analisado pela comissão da FJA.
Na sua opinião, o que significa o Ponto de Cultura para esta
comunidade?
Para mim, o maior significado é que neste Governo Federal, mais do
que nunca, o Artigo 215 da nossa Constituição (“O Estado garantirá
a todos o pleno exercício dos Direitos Culturais e acesso às fontes
da cultura nacional, apoiará e incentivará a valorização e a difusão
das manifestações culturais”), está cada vez mais saindo do papel e
tornando-se realidade. Imagina só! São Miguel do Gostoso é parte
viva do Programa Mais Cultura junto com outros dois mil municípios
brasileiros dos mais de 5.500 existentes no país.
Isso significa que somos uma cidade que valoriza, promove, protege, repara e difunde a nossa cultura. Isso significa que temos autoestima, memória e identidade. Seu Gostoso deve está dando boas
risadas e contando lá no céu o que está se passando aqui na terra
de São Miguel.
Revista Guajiru
com
Foto cedida
PingueP ngue
19
M AT É R I A D E C A PA
Juventude, organização social
e
políticas públicas
Como vão nossos meninos e meninas?
D
iante de tantas adversidades da vida moderna que ameaçam
nossas crianças e adolescentes, como a violência, as drogas,
as doenças sexualmente transmissíveis, o desemprego e a falta de
perspectivas, nós nos perguntamos: “o que fazer?” e infelizmente
muitas vezes dizemos que ninguém está fazendo nada para mudar
essa realidade.
por Heldene Santos
e Ricardo André Silva
Vamos dar uma volta na cidade de São Miguel do Gostoso/RN e ver que tem muita gente
de olho nesses problemas e botando a “mão na
massa” para mudar essa realidade. Através de
ações do Poder Público Municipal e da sociedade civil organizada, a comunidade se mobiliza
para enfrentar e buscar soluções para prevenirse desses problemas.
Jeitos diferentes de trabalhar, mas um
objetivo em comum
O grande
objetivo é
garantir que
cada criança
possa viver
sua infância
e cada jovem
possa viver sua
juventude com
paz, saude e
Revista Guajiru
dignidade
20
O grande objetivo é garantir que cada criança
possa viver sua infância e cada jovem possa viver
sua juventude com paz, saude e dignidade.
O poder público e as políticas públicas
para crianças e jovens
Para se falar hoje sobre políticas públicas para
a criança e o adolescente ou políticas públicas
para juventude, temos que observar três fatores:
Primeiramente, a nossa Constituição Federal prevê no seu art. 227, que: “É dever da
família, da sociedade e do Estado assegurar à
criança e ao adolescente, com ABSOLUTA PRIORIDADE, o direito à vida, à saude, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização,
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade
e à convivência familiar e comunitária, além de
colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade
e opressão.”
Segundo, cada vez mais a gestão pública
tem alicerçado suas ações estratégicas através
de uma metodologia organizacional baseada
em projetos e programas e, finalmente, é na
realidade do município que são executadas as
políticas públicas (educação, saúde, habitação,
segurança, etc).
As principais políticas públicas são hoje voltadas para assegurar os direitos da criança e do
adolescente, em especial à educação, saúde e
assistência social, além disso, existe a intervenção dos programas e projetos sociais, que visam
atender determinado público ou combater problemas específicos, como, por exemplo, o trabalho infantil ou a prostituição. Hoje, os principais
programas existentes no país são desenvolvidos
e subsidiados pelo Governo Federal e tem contrapartida e execução por parte dos municípios.
“Considerando as características de cada uma
dessas cidades, essa contrapartida pode superar
e muito o subsídio do Governo Federal”, revelou
Anna Karolynne, secretária de trabalho, habitação e assistência social do município.
No caso de São Miguel do Gostoso, aos
programas já existentes – PETI, ProJovem e
Bolsa Família – são atrelados projetos próprios
que visam dinamizar e garantir a participação
do público infanto-juvenil e oferecer o contraturno, ou seja, um período na escola e outro
na atividade sócioeducativa. Podemos destacar,
entre esses projetos, os Grupos de dança Elo
Contemporâneo e Ballet Corpus, o grupo musical Batuque do Gostoso, a Escola de Música/
Orquestra Filarmônica, a Escolinha de Futebol
do Parma, e as Aulas de Reforço, projeto da ASCDEG em parceria com a Prefeitura Municipal.
Além disso, as crianças e adolescentes envolvidas nesses projetos, bem como suas famílias,
são acompanhadas pelo Centro de Referência
em Assistência Social (CRAS) – Casa das Famílias, com atendimento especializado de pedagogos, psicólogo e assistente social.
Dois grandes problemas desafiam qualquer
gestão pública hoje: o primeiro é integrar os
Foto: Alessandro Amaral
A sociedade civil também participa da
construção da cidadania
É uma característica marcante da comunidade
de São Miguel do Gostoso a organização formal
da sociedade civil. Em 2008, segundo dados
do Conselho Municipal de Assistência Social, o
município contava com 64 associações instituídas e em funcionamento. Em pesquisa realizada pela AMJUS (Associação de Meio Ambiente,
Cultura e Justiça Social), constatou-se que, em
2009, havia organizado 26 grupos de jovens,
existentes em torno de atividades culturais, sociais, religiosas ou ambientais. Ainda, segundo
dados da AMJUS, no mesmo ano, existiam em
torno de 27 times de futebol, alguns destes
com atividades ainda associadas a outras áreas
além de esportiva como ações direcionadas às
questões ambientais.
Percebe-se, portanto, que há sempre uma
tendência da população a estar se organizando
de algum modo, seja com fins de entretenimento ou de ações sociais. Essa sociedade organizada tem como grande parcela de sustentação
as juventudes e adolescentes, principalmente
nas comunidades do campo. Segundo Neilson
Gomes, componente da equipe de pesquisa da
AMJUS, essa organização social tem como base
a atuação de jovens que pensam politicamente
e agem na perspectiva de mudanças.
Além da presença de ONGs com sede em
outras localidades que sempre se fazem presentes, destaca-se, com sede na cidade São Miguel
Arthur Pedro, 13 anos (Grupo de Teatro do Tear)
“É bom participar do teatro. A gente se diverte e
a gente aprende. É... e se
não deu para entrar num
outro canto... entrei aqui.
E estou participando, é bom e isso é que
importa”.
Flaviana Pereira, 15
anos, é beneficiária do
Programa Bolsa Família
Inscrita no ProJovem
Adolescente, porém,
não participa efetivamente do programa.
“Tem muitas atividades em Gostoso, mas
tem dia que eu não vou, eu só gosto de ir
quando a gente vai pro ginásio! Tem algumas coisas pra fazer no ProJovem, vídeo,
dinâmicas, palestras, só coisa pra criança,
prefiro ficar em casa... Agora quando eu sei
que vão discutir sobre sexualidade, drogas
e outros assuntos é que vai ser chato! É coisa que a gente já sabe, que fala direto na
escola, na igreja, na televisão. Eu acho que
pra melhorar deveriam perguntar do que a
gente gosta.”
Depoimentos
Marcos Aurélio,
15 anos, é beneficiário do Programa Bolsa Família
e participante do
ProJovem Adolescente.
“Tem muitos grupos (programas) em
Gostoso, dança, teatro, o batuque, o
PETI, o Projovem ... É bom participar
porque ajudam a gente a aprender,
e o teatro e a dança ajudam em
como perder a vergonha e dominar
o medo.”
Kelle Cristina Modesto dos Santos,
13 anos (Participante do EMA)
“Eu participei do
EMA e foi muito
bom. Se tivesse
mais eu participaria mais. Uma coisa
que eu achei muito interessante foi
porque no EMA as coisas eram discutidas com a gente que a gente nem
percebia. Assim, percebia, mas era
através do teatro, da dança... tinha
música. Bem legal”.
Revista Guajiru
diversos programas e projetos, tanto da sua estrutura quanto da sociedade civil; o segundo, é
inserir nessa estrutura de serviços e proteção social os jovens que mais precisam de integração
e cuidado. O primeiro é facilmente percebido
quando paramos para pensar em que programas e projetos são oferecidos, e nos deparamos
com o quanto não sabemos sobre o trabalho de
nossos colegas. Uma metodologia interessante
utilizada para superar esse problema é a adotada
pelo Selo Unicef, que unifica as ações voltadas
para a criança e o adolescente dentro da esfera
municipal através da presença de um articulador,
o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e
do Adolescente - CMDCA e uma comissão mista
de gestão e avaliação das atividades. O segundo
problema é enfrentado por todos aqueles que
trabalham com atividades sócio-educativas, que
é exatamente atingir o público-alvo, já que essa
clientela, segundo Viviane Araujo, Coordenadora do CRAS, rejeita a abordagem dos profissionais envolvidos e alguns projetos sofrem com a
evasão de seus participantes.
21
Encontro
Municipal de
Adolescentes
O EMA é um evento de mobilização
juvenil, promovido
pela AMJUS em parceria com algumas
instituições como
o TEAR e Prefeitura,
entre outras, que
reune jovens de todo município com o objetivo de promover o diálogo entre as juventudes, a participação na sociedade e a integração
dos grupos sociais da comunidade.
Foto: acervo AMJUS
Eventos acontecidos em São Miguel
Festival de Arte Popular de São Miguel do Gostoso
Foto cedida
O Festival de Arte Popular de São Miguel do Gostoso é um movimento que reune todos os grupos da cidade que atuam no setor
cultural. O evento tem em sua composição grande número de adolescentes e jovens. É uma iniciativa lançada em 2003 pelos artistas
populares do município,
e adotada pela gestão
pública municipal em
2005, agregando o evento as comemorações da
Festa de Emancipação
Política de São Miguel
do Gostoso, que ocorre
na segunda semana de
julho.
Auto de Natal em Gostoso
Revista Guajiru
Foto: Heldene Santos
O espetáculo que retrata o nascimento do Menino Jesus e conta
a história de Gostoso
e do seu povo, ocorre
na Praia da Xêpa na última semana do ano.
O Auto reúne crianças, adolescentes e
idosos envolvidos em
programas sociais governamentais e nãogovernamentais. Tem
produção executiva
da Secretaria de Turismo, Comunicação e
Meio Ambiente e direção da Secretaria de
Trabalho, Habitação e
Assistência Social.
22
do Gostoso, o Coletivo de Direitos Humanos,
Cultura, Ecologia e Cidadania – CDHEC, a Associação Sócio-Cultural e Desportiva Gostosense
– ASCDEG e a, já citada, Associação de Meio
Ambiente, Cultura e Justiça Social – AMJUS.
No município tornou-se conhecida uma
rede de trabalho sócioambiental e cultural que
sedimentou e ainda sedimenta as bases para
uma juventude consciente e cidadã. Em 2001,
foi fundada a Associação Sócio-Cultural e Deportiva Gostosense (ASCDEG), através da qual
foi dado início a todo um trabalho de implementação de projetos de limpeza urbana, alfabetização e incentivo de práticas esportivas (futebol e capoeira) para crianças e adolescentes
e de promoção da arte (música). Atualmente,
a ASCDEG também recebe apoio da Prefeitura,
dos governos do Estado e Federal e de alguns
empresários da cidade.
O Espaço TEAR, um projeto do CDHEC criado em 2007 por iniciativa do Padre Fabio dos
Santos, trouxe novo fôlego para a divulgação e
resgate da cultura popular em Gostoso. Segundo Anne-Dominique Losch Pastore, uma das
coordenadoras do programa, o projeto ajudou
na criação de um grupo de teatro popular e oferece outras oficinas culturais, como a oficina do
Boi de Reis, Pastoril, música, dança, produção
de textos jornalísticos, artesanatos etc., além de
alguns cursos profissionalizantes como de pedreiro, encanador e eletricista.
Para Ariclenes França da Silva, coordenador
do CDHEC, o trabalho das organizações se completam. Acrescenta que “a cultura e o esporte
são alternativas à droga e ao álcool para crianças e adolescentes. Ambos são importantes instrumentos para a promoção da cidadania, por
que além de educar, são atividades que interessam aos jovens”.
A AMJUS, fundada em janeiro de 2009,
como foi dito por Nanda em seu artigo “Plantar
a semente funciona: um exemplo de solidariedade em Gostoso” no site www.suficiente.org,
é a terceira geração de projetos nessa linhagem. A entidade promove pesquisas e a produção de material e publicações sobre educação e
cultura. Em outubro do mesmo ano coordenou
a realização do III Encontro Municipal de Adolescentes, evento realizado em parceria com o
TEAR, ASCDEG e Prefeitura Municipal, que reuniu mais de 130 adolescentes e tratou de temas
como saúde sexual e reprodutiva, drogas e drogadição, justiça socioambiental, entre outros.
Selo Unicef
O Selo UNICEF Município Aprovado é uma iniciativa que fortalece a caminhada do País
rumo aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM),
buscando garantir para cada
criança e cada adolescente o
direito de sobreviver e se desenvolver, aprender, protejer(se) do HIV/AIDS, crescer sem
violência e ser prioridade nas
Políticas Públicas. O UNICEF
certifica e reconhece os esforços de municípios que alcançam os
maiores avanços na melhoria de vida da infância e adolescência.
São Miguel do Gostoso foi um dos 40 municípios aprovados na
edição 2008, pelos resultados alcançados na melhoria da qualidade de vida de seus jovens. A vitória da última edição se deu grande
parte a uma nova postura organizacional dos programas e projetos
da sociedade civil e poder público, sob a orientação da articuladora do prêmio, Elba Alves Silva Teixeira, o Conselho Municipal dos
Direitos da Criança e do Adolescente e a Comissão Pró-Selo. Vale
lembrar que o município de São Miguel do Gostoso está entre as
165 cidades do RN que concorrem ao Selo UNICEF Edição 2009-2012.
Grupo de capoeira
e maculelê
• ProJovem Adolescente - Prefeitura de
São Miguel do Gostoso – SEMTHAS
• Escola de Música de Gostoso ASCDEG
• PETI – Programa de Erradicação do
Trabalho Infântil - Prefeitura de São
Miguel do Gostoso - SEMTHAS
• Escolinha de Futebol - ASCDEG e
Parma Futebol Clube
• ProJovem Campo - Governo Federal
e Prefeitura de Gostoso/SMEC
• Jovem Empreendedor – Governo do
RN e Prefeitura de São Miguel do
Gostoso - SMEC
• Batuque do Gostoso - Prefeitura de
São Miguel do Gostoso – SMEC e
SEMTHAS
• Grupo de Dança Elo Contemporâneo - Prefeitura de São Miguel do
Gostoso - SEMTHAS
• Grupo de Ballet Corpus - Prefeitura de
São Miguel do Gostoso - SEMTHAS
• Capoeira e Maculelê - ASCDEG
• Grupo de Teatro Nós na Rua CDHEC/Espaço Tear
Foto: Heldene Santos
Programas e projetos realizados em São Miguel do Gostoso
Quer saber mais?
• Pastoril Infantil - CDHEC/Espaço
Tear
• ASCDEG
• Boi de Reis Infantil - CDHEC/Espaço
Tear
• AMJUS
• Escotismo na Escola - Governo do
RN e Escoteiros do Brasil
• TEAR
• Pastoral da Criança - CNBB e Área
Pastoral de São Miguel Arcanjo.
• Ricardo André
• Projeto Ecoar Atitudes - partidipação social de adolescentes - AMJUS
• Praia do Gostoso
ascdeg.blosgspot.com
www.amjus.org.br
tearcultura.blogspot.com
avelm.blogspot.com
www.praiadogostoso.com
Revista Guajiru
Segundo Tiago Luciano, diretor da ONG, a instituição ainda desenvolve pesquisas com fins de
traçar o perfil dos adolescentes de Gostoso e
suas formas de organização, e trabalha com os
antigos moradores para resgatar e registrar outros aspectos da cultura popular do município
não trabalhados pelas outras organizações. Kelle Araujo, cordenadora de projetos da AMJUS,
diz que também é uma das preocupações da
entidade as metodologias de trabalho com adolescentes e jovens, e a elaboração de indicadores sociais para a realização de projetos direcionados a esse público no município.
As ações dessas organizações sociais somadas as iniciativas do poder público resultam em
um quadro bastante ampliado de espaços de direito. Um grande ponto positivo neste contexto
é o estabelecimento de uma boa relação entre
o poder público e a sociedade civil organizada,
de modo que suas ações são pensadas, planejadas, executadas e avaliadas em uma situação
de parceria e coletividade, garantindo que os
espaços de inclusão e participação da sociedade cresçam entre a juventude e o público carente dessa demanda no município de São Miguel
do Gostoso.
23
C U LT U R A
Gostoso respira e transpira
cultura popular durante Escambo
O cortejo percorreu
as ruas de São Miguel
e arrastou as pessoas
com sua alegria
Texto e fotos:
Alessandro Amaral
A cidade se
vestiu de arte
e o ar ficou
mais colorido.
O Escambo
Popular
Revista Guajiru
Livre de Rua
24
aportava em
São Miguel
S
ão Miguel do Gostoso (distante 100 km de Natal) foi tomado por artistas populares
durante o XXV Escambo Popular Livre de Rua, que aconteceu entre os dias 15 e 18
de janeiro deste ano. O encontro reuniu estudantes, professores, artistas, músicos,
aficionados pela arte e quem saiu ganhando foi a comunidade, que teve a oportunidade
de vivenciar quatro dias de pura cultura transitando pelas ruas do município.
A cidade se vestiu de arte e o ar ficou mais
colorido. A alegria se estampou no rosto do menino e as senhoras vieram para a calçada saber
que tanto barulho era aquele. O Escambo Popular Livre de Rua aportava em São Miguel trazendo consigo grupos de Teatro de Rua de todo Rio
Grande do Norte, além de “escambistas” (termo
criado pelo movimento para participantes do
evento) de boa parte do Nordeste. Ao todo, mais
de 200 artistas estiveram na cidade.
Algumas comunidades próximas foram visitadas por grupos que levaram bom humor ao cotidiano local. Na Escola Estadual Olímpia Teixeira, onde os participantes ficaram hospedados,
foram realizadas várias oficinas e apresentações
teatrais durante três dias, abertas ao público. As
atividades envolveram cortejos, intervenções
com grafite, teatro de rua, dança, teatro de bonecos, poesia, música e percussão, bem como
oficinas, rodas de conversação, exibições de vídeos, entre outras formas de conhecer e viver
em comunidade.
A troca de experiências e o contato com outros
artistas é um dos pontos básicos do evento. “Vim
para o Escambo pelo intercâmbio, pela vivência, porque prezo a educação libertadora. E mesmo percebendo que o encontro não fala sobre ela, ele aponta
para essa perspectiva, essa disposição de construir
uma intervenção, uma transformação conjunta, não
só aqui, mais no cotidiano. E ai está o grande diferencial do Escambo, o fazer conjunto”, declarou
André Luiz Gomes, 44 anos, do grupo Ciclo Vida.
Em apenas 30 dias os grupos de teatro Nós
Na Rua e o Bando La Trupe, com a parceria do
Ponto de Cultura Tear e sob a coordenação de
Filippo Rodrigo, organizaram o Escambo de São
Miguel. Entre os artistas que se apresentaram
estavam o Boi de Reis do Mestre Zé Marciano
e Luís Pequeno, e o Pastoril das mestras Maria
do Carmo e Maria. O movimento passou pela cidade e deixou um rastro de cultura viva, repleto
de migalhas artísticas que podem e devem ser
seguidas para o alcance de uma sociedade mais
justa e que sabe valorizar a arte popular.
Movimento Popular Escambo Livre de Rua
O Escambo Livre de Rua é um movimento popular de irradiação cultural que
reúne grupos de teatro de rua, dança,
capoeira, artistas plásticos e visuais,
poetas, músicos e artistas populares do
Brasil e Argentina com o intuito de socializar suas experiências artísticas, culturais, políticas e comunitárias. Segundo
Ray Lima, “uma experiência coletiva de
mobilização e organização social e de
atuação política em termos regional e
local. Um espaço livre de produção de
conhecimento e de inclusão social; de
inserção do cidadão comum”.
A palavra Escambo significa a troca
de um bem material ou serviço por outro, sem uso de dinheiro. Essa prática
era muito comum no Brasil colonial, no
início do século XVI, quando os portugueses davam bugigangas (apitos, espe-
lhos, chocalhos) para os indígenas em
troca de trabalho, onde deveriam cortar
as árvores de pau-brasil e carregar os
troncos até as caravelas portuguesas.
O Escambo Popular Livre de Rua,
como explica Aryclenes França, membro
do Tear, é um movimento realizado em
alguns Estados do Nordeste brasileiro
desde 1991, concretizado por vários grupos culturais de dança, capoeira, teatro,
música, entre outros. O movimento Escambo é uma ação multicultural com
grande alcance popular, seus espetáculos, exposições e espaços de vivência
são gratuitos e acontecem nos locais
públicos das cidades. Geralmente, o
evento ocupa praças, ruas, circos, igrejas, calçadões, e tantos outros lugares
de acesso livre disponíveis em cada lugar onde se realiza.
O Movimento Livre Escambo de Rua
aconteceu pela primeira vez em São
Miguel do Gostoso entre os dias 15 e
18 de janeiro de 2010 e, segundo Junio
Santos, um dos líderes do movimento,
“existe nele um grau e uma capacidade
de renovação incrível. Seja renovação
dos conhecimentos, seja na renovação
e aperfeiçoamento das práticas artísticas. A cada Escambo realizado, os artistas renovam suas linguagens, seus saberes e suas práticas. O fato de ser um
encontro de celebração e intercâmbio
intenso, os escambistas aprendem, se
deixam aprender e apreendem o outro,
levando para seus lugares de origem a
cachola repleta de saberes e práticas renovadas e enriquecidas. Esta riqueza de
aprendizagens em alta proporção, qualidade e velocidade faz da pedagogia do
escambo, um mundo de possibilidades,
um centro móvel e dinâmico de construção coletiva de saberes diversos e carregados de significados”.
Revista Guajiru
por Heldene Santos
25
Um Escambo Gostoso
“Vamos contar a nossa história
A nossa história vamos cantar
Eu conto uma, canto duas, conto três
E agora é sua vez da história vim contar.”
Revista Guajiru
Embalados pelas cantigas populares, os artistas do Movimento Popular
Escambo Livre de Rua desfilaram pela
cidade de São Miguel do Gostoso. Palhaços, acrobatas, poetas, músicos,
atores com seus apetrechos cênicos,
conduziam a comunidade para o espaço de apresentações, começaria ali pela
primeira vez na cidade o XXV Escambo
Popular Livre de Rua.
26
– Peraí! Começaria ali? Não! O Escambo de São Miguel já tinha começado um mês antes. Como? Então vamos
por partes. Vamos voltar a fita.
Em dezembro foi acordado que o
XXV Escambo seria em Gostoso. Tínhamos um prazo de quase 30 dias para
colocar tudo em ordem. A comissão
organizadora foi formada pelo Bando
La Trupe, que passou a residir na cidade durante o período de preparação do
evento, e o grupo local Nós Na Rua.
Todos os dias a equipe se reunia e se
articulava para sair às ruas conversando
com a população, visitando pousadas e
comércios. Produziram material gráfico
de divulgação e fichas de inscrições,
contataram os demais escambistas,
conseguiram local para hospedagem,
transportes para os artistas, passagens
aéreas, alimentação, carro de som. Ufa!
Uma correria, né?
Texto: Filippo Rodrigo
Fotos: Alessandro Amaral
Durante todo o Escambo, tivemos
vários momentos marcantes. A começar
pela recepção que tivemos da população
de Gostoso antes e durante o evento,
contribuindo, lotando as rodas de apresentações e participando de toda programação. Os Escambares (programação
noturna do encontro) também merecem
destaque. O primeiro foi no bar de Dedé
de Tico, grande parceiro do movimento.
Os seguintes, com a turma do espaço
Talismã, que juntos ajudaram a fazer um
Escambar gostoso, com muita poesia,
música, mostra de vídeos, danças e manifestações artísticas espontâneas.
Um fato que merece ressaltar é a
parceria firmada com diversas entidades
em prol do evento. O Ponto de Cultura
Tear e a ONG CDHEC, que são parceiros
do Grupo Nós Na Rua desde sua criação, e a Prefeitura de Gostoso, através
de Ricardo André (que já participara de
um Escambo e sabia da importância do
evento se fazer na sua cidade, indo, por
muitas vezes, de frente com quem não
creditava na realização do encontro),
deram uma grande força.
Por falar em não acreditar... “nem tudo é um mar de rosas”. Tivemos algumas dificuldades, principalmente com os
donos de algumas pousadas que nem nos atendiam direito
e alguns ainda debochavam dos meninos do Nós Na Rua,
dizendo que aquilo que eles falavam não iria acontecer.
Por outro lado, comerciantes nos paravam na rua querendo
contribuir com o Escambo e outras pousadas reconheciam
a importância do encontro para a cidade e se tornaram parceiros. Em especial a Pousada dos Ponteiros, que cedeu a
hospedagem para Amir Haddad.
O Escambo de Gostoso foi uma grande festa. Pudemos brincar com a cidade
durante os dias de encontro. Pudemos
trazer os escambistas para conhecerem
a casa do grupo Nós Na Rua, esse grupo
formado por meninos e meninas que
estão crescendo e se desenvolvendo
com arte, com essa arte livre no qual
nos tornamos mais sensíveis ao próximo e conscientes de que possamos mudar, senão o mundo, pelo menos nos
transformar.
por Francimara Alves,
NOVIDADES
Mikarlla Cavalcante
e Andriele Torres
Aluno nota 10
Os melhores alunos da rede pública de São Miguel do Gostoso receberam no dia 17 de abril o título de Aluno Nota 10,
oferecido pela Prefeitura Municipal em cerimônia no ginásio
poliesportivo da cidade. O evento tem a finalidade de incentivar os aprendizes a melhorarem seu desempenho escolar
através de uma competição saudável. Nesta primeira edição,
contou com a participação de cerca de 1.700 pessoas, entre
expectadores e estudantes. Os vencedores deste ano foram
Mateus do Santos da Silva (distrito de Novo Horizonte), que
ganhou uma casa; Dalila dos Santos da Silva (Novo Horizonte), um computador; e Brena Eduarda Barbosa de São Miguel
do Gostoso, uma bicicleta. Um quarto prêmio ainda foi sorteado entre 24 gostosenses alunos do IFRN e a vencedora
foi Francimara Alves da Silva, que ganhou um micro computador.
São Miguel do Gostoso está promovendo
inclusão digital através do Telecentro Comunitário. É um projeto do Governo Federal
em parceria com o município, que consiste
em espaço público provido de computadores conectados a internet banda larga.
Ali realizam-se atividades por meio das
TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação). O objetivo é promover o desenvolvimento e reduzir a exclusão digital. O
projeto iniciou dia 10 de maio de 2010 e
funciona das 8h às 22h. O acesso é livre
e gratuito. Saiba mais no www.mc.gov.br/
inclusao-digital-mc/telecentros/
Fotos: Francimara Alves
Foto: Ricardo André
O diretor José Jailton recebe das mãos do prefeito,
Miguel Teixeira, premiação do aluno de sua escola
Telecentro Comunitário
Evento de Turismo e Selo de Qualidade
Revista Guajiru
28
Reprodução
Estande do Rio Grande do Norte na Feira de Turismo
São Miguel do Gostoso participou de um dos mais importantes eventos do país, o 5º Salão de Turismo – Roteiros
do Brasil, realizado em São Paulo entre os dias 26 e 30
de maio. O objetivo principal do salão é apresentar ao
grande público e agências de turismo os melhores roteiros nacionais.
Esse ano São Miguel foi destaque com suas qualificações específicas e belezas naturais, como o selo Turismo
Melhor – Qualidade em Serviços Turísticos, concebido
pelo SEBRAE/RN às empresas da cidade. A delegação de
Gostoso contou com a participação de 11 pessoas, entre
elas empresários do ramo de hotelaria, secretários e prefeito da cidade. O evento foi realizado pelo Ministério do
Turismo.
Site de São Miguel do Gostoso
www.minhacomunidade.net
Aspectos Físicos, Geográficos, Históricos,
Sociais e Culturais
Idealizado por um grupo de jovens estudantes da
própria comunidade
Associação de Meio Ambiente,
Cultura e Justiça Social
CNPJ:11.111.001/0001-20
Nossa missão é contribuir com o desenvolvimento social e humano
de crianças, adolescentes e
jovens, utilizando estratégias de
educação, cultura e comunicação.
www.amjus.org.br
São Miguel do Gostoso/RN - Brasil
Revista Guajiru
Associação Sócio-cultural
Desportiva GostosenseASCDEG tem o objetivo
de incentivar e estimular
a participação dos Jovens
na vida comunitária,
através de atividades
sócio-culturais (música,
capoeira, escolinha
de futebol e aula de
alfabetização). Ações que
favorecem a auto-estima e
a inclusão social.
29
COMUNIDADE
Texto e fotos:
Ariclenes França da Silva e
Luzia Ferreira de Oliveira
Agricultura Familiar
Valoriza o trabalho coletivo, o produto e a comunidade
A
gricultura familiar é a forma pela qual um grupo de pessoas
tira seu sustento através da produção e comercialização de
um produto. Esse trabalho é feito com hortaliças, apicultura, artesanato, frutas, criação de aves, suínos e caprinos, beneficiamento
de castanhas, produção de bolos, salgados e doces, entre outros.
Valorizando assim tanto a produção de qualidade em conformidade com ambiente, quanto a venda pelos próprios produtores.
Para o fortalecimento desses
grupos formados por famílias das
comunidades e assentamentos de
São Miguel do Gostoso, com intuito
de melhorar, expandir e valorizar o
trabalho e o produto comercializado,
surgiu o núcleo da rede Xiquexique composta pelos grupos que
trabalham com agricultura familiar,
articulada por Maria Katiana Barbosa
da Silva de 23 anos. A rede é uma
forma de reunir as famílias e fazer
um trabalho de acompanhamento,
proporcionar capacitações e troca
de vivências entre elas através de
encontros e intercâmbios. O núcleo
se articula com outros espaços
de discussões como o Fórum de
Participação Popular nas Políticas
Publicas – FOPP, a Marcha Mundial
das Mulheres – MMM, Sindicato dos
Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais
– STTR, como instituições parceiras,
e a Associação de Apoio as Comunidades do Campo – AACC/RN.
Os grupos são formados na sua
maioria por mulheres que, conhecendo seus direitos, sentem-se livres
para o trabalho, como nos relata Dona
Maria do Socorro, 52 anos, da Agrovila
Paraíso, que com mais três mulheres
cultivam hortaliças, produz bolos e doces. “O nosso trabalho é importante
pela liberdade, foi aqui que conhecemos a liberdade de mulher.”
Os produtos são comercializados
pelos próprios produtores na comunidade e em cidades vizinhas. Algumas famílias participam do projeto
Compra Direta da EMATER - Instituto
de Assistência Técnica e Extensão
Rural/RN, onde todos os meses são
comprados uma quantia de produtos
alimentícios a essas famílias para
repassar as escolas de São Miguel
do Gostoso como merenda escolar.
No dia 28 de agosto de 2006,
surgiu a feira Agroecológica e de
Economia Solidária em São Miguel
do Gostoso com a proposta de ser
diferente da feira convencional, pois
tem por objetivo valorizar o trabalho
dos agricultores e agricultoras com
relação a venda de seus produtos,
garantindo um valor mais justo. As
famílias agrupam-se para produzir
e comercializar produtos agroecológicos, com o intuito de melhorar a
Revista Guajiru
Feira Agroecológica em
São Miguel do Gostoso
30
qualidade de vida para seus familiares como também para a sociedade
que consome. O lema é não usar
nenhum tipo de produto químico,
é tudo natural, isso é amplamente
discutido nas capacitações.
Pode-se constatar que nas comunidades de Tabua, Reduto, Canto da
Ilha, Arizona, Antônio Conselheiro,
Mundo Novo, Novo Horizonte e Paraíso, tem-se um trabalho riquíssimo
com produtos agroecológicos, valorizando o esforço coletivo, o produto,
a comunidade, sem prejudicar o
meio ambiente.
Tabua
Visitamos a comunidade de Tabua para
verificar quais trabalhos relacionados
à agricultura familiar são desenvolvidos. Chegando lá conhecemos Dona
Maria Ducarmo Silva de Araújo e Maria
Iracema Barbosa de Almeida, que há
oito anos trabalham com hortas orgânicas e Maria Anunciada Barbosa de
Araújo, que junto com seu esposo, faz
o mesmo trabalho na comunidade. Na
horta são cultivados diversas hortaliças como: alface, coentro, cebolinha,
rúcula, cenoura e pimentão.
Maria do Socorro e
Cleonice Gomes da Silva
As verduras são comercializadas
na própria comunidade e trazidas para
a feira agroecológica em São Miguel
do Gostoso, todas as segundas-feiras.
Todos eles são integrantes da rede
Xiquexique, participando ativamente
para adquirir conhecimento e aprimorar a produção.
Na comunidade podemos verificar
outro trabalho utilizando a fibra da Carnaúba feito por Ana Maria Barbosa da
Silva, na criação
de tapetes, bolsas e chapéus.
Os produtos são
comercializados
nas cidades de
São Miguel do
Gostoso, Touros,
Carnaubinha e
Parazinho.
Caminhando
um pouco mais
pela comunidaMaria Anunciada
de encontramos
Araújo, Tabua
Geane Cruz de
Souza Silva que usa a palha da Carnaúba na confecção de diversos modelos
de bolsas e porta-joias, entre outros
adereços, juntamente com mais cinco
jovens da comunidade. Esse trabalho é
feito em sua própria casa. Os produtos
são vendidos na feira em São Miguel
do Gostoso.
Arizona
No Arizona encontramos Maria Matias
de Souza, 47 anos, do grupo de Mu-
Novo Horizonte
O grupo de Apicultura Delícia das
Abelhas, do Novo Horizonte, existe há
cinco anos. Atualmente é composto
por seis pessoas, entre elas Maria das
Dores Cardoso de Melo, 33 anos, Joana Darc Menezes da Silva, 35, e Sônia
Maria Pereira Tenório, 39. A colheita
do mel é feita uma vez por mês, caso
o inverno seja bom. A produção é vendida para a pousada
Mar de Estrelas e na feira
agroecológica em São Miguel
do Gostoso.
mais de oito anos, e
participaram de diversas
reuniões, capacitações,
na qual os três primeiro
anos foram de muito
aprendizado, o restante
trabalho, produção
e comercialização.
Sonia Maria Tenôrio Gomes,
Atualmente cultivam
moradora da comunidade
hortaliças, criam porcos
Novo Horizonte
e galinhas, porém,
pretendem acrescentar o cultivo de
banana, mamão e maracujá.
Esse grupo foi o primeiro do Rio
Grande do Norte a ganhar o prêmio
“Valores do Brasil” do Banco do Brasil.
Prêmio esse de 50 mil reais, dividido
com AACC – Associação de Apoio as
Comunidades do Campo, a Instituição
que desenvolveu e acompanhou o
projeto, sendo 60% para as mulheres
e 40% para a instituição, destinados a
compra de materiais, infra-estrutura e
acompanhamento de outros trabalhos.
Joana Darc da Silva e Maria das
Dores Melo, Novo Horizonte
O grupo tem uma organização
peculiar e plausível. Para um melhor
desenvolvimento e rendimento do trabalho, elas organizaram uma caixinha
que no final de cada mês colocam
10% do valor arrecadado com as vendas, para as despesas, os outros 90% é
dividido entre elas.
Paraíso
O grupo Juntas Venceremos,
de Paraíso, é formado por
cinco mulheres. Existe há
Maria Matias de Souza,
da comunidade Arizona
Revista Guajiru
Maria Ducarmo Araújo e Maria Iracema
Almeida, da comunidade Tabua
lheres. Maria, conhecida por todos
como Dadá, um
grande exemplo
de persistência,
nos relatou que
o trabalho iniciou
com a participação de 12 mulheres cultivando
hortaliças, depois
Geane Cruz
houve a desistênSilva, Tabua
cia do grupo, permanecendo apenas ela. “O trabalho é
demorado e trabalhoso, mas tem que
se acreditar”, disse. Hoje o grupo do
Arizona conta com a participação de
três mulheres, que cultivam hortaliças
e criam galinhas. Dadá participa de
todas as reuniões e capacitações da
rede Xiquexique
em São Miguel
do Gostoso,
além de viagens
para eventos em
outros Estados
do Brasil, aprimorando seus
conhecimentos
no cultivo e
trabalho agroeAna Maria Barbosa
da Silva, Tabua
cológico.
31
Foto: Maria Lucivânia Menezes
E S P O RT E
Alunos e monitores
do Projeto Comercial
Esporte Clube
desenvolvido em São
Miguel do Gostoso
O Futebol em
São Miguel do
por Joelma de Souza
e Maria Lucivânia Menezes
Revista Guajiru
O
32
futebol é o esporte mais praticado
em São Miguel do Gostoso, inclusive
por homens, mulheres e crianças. É
praticado nos campos, na praia, no ginásio poliesportivo, na quadra de esportes, em diversos
locais desde que seja propício a essa atividade.
Antigamente o futebol era praticado no campo
de areia, de terça a sexta-feira e os jovens participavam com muita força de vontade, sendo sua
única atividade de lazer e integração. Esses jovens guerreiros participavam de vários campeonatos regionais, onde jogavam em diversos clubes locais, como: Parma, Grêmio, Força Jovem,
Internacional e SMEC, inclusive, esse último não
existe mais. Recentemente surgiram os clubes
Esporte e o São Miguel. Segundo o treinador Erimarcio e o veterano Laudelino, hoje em dia existe um campo de futebol estruturado, tendo em
vista que os campos do passado eram de areia
ou barro. Mesmo assim, os jovens atualmente
não participam com a mesma força de vontade
e intensidade dos seus pais, tios e avós.
Gostoso
Atualmente em São Miguel do Gostoso existe um projeto de incentivo ao esporte local,
principalmente ao futebol, com turmas infantojuvenil, sub-17 e sub-20, se expandindo para o
futebol veterano e o feminino. William Batista
de Souto é quem foi o responsável por trazer o
projeto Comercial Esporte Clube para o município, e junto a ONG ASCDEG, em parceria com a
Prefeitura Municipal de São Miguel do Gostoso,
realizam um trabalho de resgate do futebol local.
O projeto trabalha com crianças, jovens e
adultos, com o objetivo de tirá-los das ruas e
conseqüentemente das drogas, prostituição e
da marginalidade. Os professores foram capacitados na Federação Norte Rio-grandense de Futebol em Natal (RN), no curso de Capacitação de
Técnico de Futebol. São eles: Erimarcio Correia
Vieira, Raimundo Nonato Alves e William Batista de Souto, com o apoio do professor Renato
César, ex-atleta do Vasco da Gama (RJ), com
passagem pelo Flamengo (RJ), Ceará (CE), São
Paulo (SP), entre outros tantos clubes brasileiros
de futebol.
Para participarem do projeto, as crianças
e os jovens devem estar na escola, inclusive é
solicitada a participação na programação da ASCDEG, como em mutirões de limpeza das praias
locais e das ruas visando à preservação, e das
palestras educativas cujos temas falam de drogas, prostituição, meio ambiente e saúde. Um
incentivo a mais para se tornarem cidadãos de
bem no futuro. Através desse projeto, os times
de sub-17 e sub-20 participaram de campeonatos oficiais, bem como amistosos com o ABC e
o AMÉRICA de Natal. Nessas partidas houveram
a presença de olheiros, que intencionam encontrar bons jogadores para os grandes clubes
nacionais. Nisso já foram revelados vários jogadores do município, jovens que partiram para o
futebol paulista e mineiro.
O principal objetivo do projeto é dar oportunidade a todos que participam do esporte em
São Miguel do Gostoso, mas principalmente o
futebol, reavivando o time de veteranos e o futebol feminino. Em ano de copa do mundo, o
projeto vai receber um apoio de força, a participação do ex-jogador da seleção brasileira Mauro
Silva. Na cidade era realizado, todos os anos, o
campeonato municipal, onde todos os clubes
eram convidados a participarem, porém no ano
passado não aconteceu. Houve a realização do
campeonato Caju-Gostoso com duração de três
meses e recentemente realizou-se a Copa Serra do Mel, em homenagem a Senhora Andree
Anne Loïse Raboud, natural da Suíça, membro
da Fundação Serra do Mel e fundadora da ASCDEG.
Alguns desses jovens foram revelados no projeto e outros através de olheiros, que assistiram
jogos realizados nos campos da cidade, e que
ao observarem os talentos de jogadores de futebol, os escolheram para representarem alguns
clubes pelo país. Com isso surgiu em cada um
deles o sonho de se profissionalizar, almejando
um futuro promissor no futebol brasileiro.
Alguns exemplos de talentos revelados no
município podem ser citados, como: Adalberto
Soares dos Santos “Sequinho”, atleta que joga
no América de Natal; Ivanilson Fernandes da Silva “Uego”, que foi atleta do Alecrim e América,
do Araripina da Paraíba (PB), e atualmente joga
no Potiguar de Mossoró (RN); Edvan, que está
no Megacenter em São Paulo (SP); e o jovem
Manoel Araujo da Silva “Luilson”, residente no
distrito da Tabua, que está se preparando para
participar também do Megacenter (local onde
se preparam os atletas para os grandes clubes
paulistas de futebol). Com uma breve participação no futebol mineiro, os jovens Evandro da
Silva Menezes e Julio Cesar, também podem ser
citados como representantes da cidade.
Revista Guajiru
Foto cedida
Vanilson Fernandes da Silva
“Uego” jogando no Alecrim
Futebol Clube de Natal (à dir.)
33
LENDA
O Pai da
Noite
por Francisco dos Anjos
e Wellinton Silva
U
Revista Guajiru
m ser sinistro que se faz presente no imaginário de São Miguel do Gostoso, assim conta a estória. O Pai da Noite é um lendário personagem que, segundo os moradores,
vaga pelas madrugadas nas ruas e arredores da cidade. Quando aparece, tem a forma
de um animal pequeno e, enquanto persegue a pessoa, vai crescendo até virar um gigante
sem forma definida. Uns afirmam ser uma sombra branca no formato de um homem, outros
dizem ser escura com chapéu pontudo, mas no geral, sempre são formas estranhas.
Entre tantos causos narrados por populares de Gostoso, relatamos aqui o encontro de
Neném de Lala, como é mais conhecida, com o lendário Pai da Noite. Nascida e criada na
comunidade, filha de pescador, hoje com 54 anos, Francisca Gomes Pinheiro conta sobre um
dos momentos mais interessante da sua vida.
34
Por volta das onze horas da noite, Neném e
mais duas amigas, Maria e Verônica, saíram para
a praia do Maceió. Como era de costume, foram
à praia esperar seu pai que estava para chegar do
mar. As pessoas, como ainda hoje, tinham o hábito
de esperar na praia a chegada de peixe fresco. Era
uma espécie de diversão para os moradores. E lá
foram elas. Próximo a praia existiam muitas plantações de gameleiras, todos na vila comentavam
que ali era mal assombrado, diziam que coisas
estranhas aconteciam lá. Passaram pelas árvores e
continuaram a viagem. O vento soprava muito forte
aquela noite, o mar estava agitado, o barulho das
ondas contrastava com o vazio que estava na praia.
Mesmo acostumadas a passar por lá, morriam de
medo das histórias de assombração. Seguiram andando assim mesmo, apavoradas, pareciam sentir
que algo iria acontecer. Neném olhava de um lado
para o outro, envolvida pelo clima sinistro, quando
de repente virou-se para trás e teve aquela visão:
era uma sombra branca, que parecia com um homem, e vinha crescendo, crescendo, ficando tão
alto quanto um coqueiro. Ela estava em estado de
choque, não conseguia mover-se, apenas olhou
para as amigas e disse:
– Meninas, têm uma coisa estranha atrás de nós.
As garotas se viraram e olhando para trás deparam-se com o ser que vinha se aproximando. Ele
Foto: Alessandro Amaral
Na época os moradores disseram que foi o Pai
da Noite quem correu atrás delas e que por sorte
passaram por uma cerca de arames. Ao atravessar a cerca formaram uma cruz e o bicho sumiu
na noite. Diz a lenda que ao conjurar uma cruz
diante dele ou rezar o ofício de Nossa Senhora, o
Pai da Noite volta para a escuridão onde habita.
Ele é o senhor das noites e todo dia ao escurecer
ele espera por alguém para cobrir com seu corpo,
levando-o para as trevas.
Outro relato
A senhora Maria Teixeira de Souza, moradora de
São Miguel do Gostoso, 63 anos, afirma que seu
tio, Antonio Teixeira do Nascimento, presenciou
a aparição do “Pai da Noite” quando criança. Segundo Dona Maria, seu tio viajava tarde da noite,
vindo de praias vizinhas, quando olhou para frente e viu um vulto. Era uma sombra que crescia
cada vez mais. A escuridão ía caindo sobre ele
quando as palavras do Ofício de Nossa Senhora vieram em sua mente: Deus te salve relógio.
Foi essas palavras que fez a sombra diminuir e
desaparecer. Dona Maria Teixeira diz que o Pai
da Noite sumiu porque as palavras do Ofício de
Nossa Senhora têm muito poder.
Revista Guajiru
tomava formas estranhas, não se sabia mais se era
homem ou bicho. As três saíram correndo desesperadas sem saber para que lado irem.
Era aquele pega e não pega, pega e não pega,
quanto mais corriam, mais perto o bicho chegava.
Ele corria cada vez mais rápido tentando cair sobre elas com seu corpo, como se fosse abraçá-las.
Quando finalmente alcançaram o local onde costumavam esperar a chegada dos pescadores, olharam
para trás na esperança que ele tivesse sumido, mas
não, o bicho continuava as perseguindo. Depois de
muito tempo correndo sem direção certa, pensaram
em voltar para a vila. A procura de um esconderijo,
passaram por um lago conhecido como lagoa de Chico Néri. Sobre o lago existia uma cerca de arames
enorme. Sem pensar em se cortar, passaram pela
cerca as pressas. Ao chegar à vila, entraram por trás
da primeira casa que viram. Neném desmaiou em seguida. Os moradores da casa acordaram e foram até
a cozinha onde as três estavam. Por sorte a dona da
casa era comadre de Neném, então passaram a noite
ali mesmo, já que estavam muito assustadas com o
que acontecera. Pela manhã o pai de Neném havia
retornado do mar e as procurou por toda vila com
outros moradores. Depois de algumas horas procurando, encontraram-nas na casa da comadre Totó de
Manuel Guerra.
35
DICAS
Vale a pena conferir!
Peixe a Brasileira
Uma deliciosa Peixada ao molho de
coco, acompanhada de arroz, pirão
e ovos cozidos. Para almoço, jantar
e aquele momento especial com
amigos e família ouvindo uma música agradável num ambiente arejado e charmoso.
Restaurante Macambira
Endereço: Avenida dos Arrecifes,
s/n (esquina da Praia do Maceió)
Fones: (84) 3263-4004 / 9124-1005
Organização: Isaias
Maria Maré
Loja de artesanato muito charmosa.
Oferece bolsas, acessórios e moda
praia. Atendimento especial e ótimos preços.
Loja Maria Maré
Endereço: Avenida dos Arrecifes,
Nº 1924
Fone: (84) 9191-7626
Organização: Maria Almira
Texto e fotos:
Francisco dos Anjos
e Wellington Silva
Pizza com recheio duplo
Uma ótima dica do Mak Tub - Bar e
Pizzaria é a pizza com recheio duplo
de Portuguesa e Marguerita, com as
bordas recheadas com catupiry. Os
preços variam em torno de R$ 25,00.
Um ambiente bonito, boa música e
atendimento receptivo.
Mak Tub – Bar e Pizzaria
Endereço: Entrada Praia do Cardeiro,
Nº 970 (esq. com Av. dos Arrecifes)
Fones: (84) 3263-4374 / 9129-0187
Organização: Johnnes e Lucilene
Madame Chita
Cioba de frente para o mar
Revista Guajiru
Peixe frito inteiro acompanhado de
salada, farofa, macaxeira ou batata
frita em porções para duas pessoas,
com valor médio de R$ 30,00 a ser
apreciado num ambiente aconchegante, situado a beira-mar.
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Bar do Tico
Endereço: Rua Enseada das Baleias,
Nº 869, Praia do Cardeiro.
Fones: (84) 9120-8348 / 9165 / 4467
Organização: Dedé de Tico e Família
Excelente espaço com vista para o
mar. Deliciosos crepes, caipirinha,
caipifrutas, boa música, loja com
moda praia, acessórios e artesanatos. Uma ótima dica para qualquer
ocasião.
Loja Madame chita
Endereço: Rua Enseada das Baleias,
Nº 1947, Praia do Maceió
Telefone: (84) 3263-4235
E-mail: [email protected]
Site: vwww.praiadogostoso.com/
madamechita
Organização: Rosana e Eliana
Filet de Peixe
Gostoso é degustar um petisco de
filet de peixe grelhado acompanhado de salada e macaxeira frita, em
um espaço agradável, ouvindo uma
boa música e olhando a paisagem
do mar.
Sheik’s Bar e Restaurante
Endereço: Avenida Enseada das
baleias
Fones: (84) 9162-1105 / 3263-4153
E-mail: [email protected]
Organização: Jonathas e Mazé
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Revista Guajiru
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Após um dia inten
hora da diversão
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Não somos PIPA...
nem seremos!
S
esses investimentos interesseiros até a crise financeira de
e tem uma coisa que eu não suporto é quando dizem:
2009 que brecou o capital especulativo de outros países.
“Gostoso é a nova Pipa!”. Sacanagem! Quer dizer que
Que legal!
nós somos os próximos alvos de uma invasão alienígeO fato é que em um curto espaço de tempo as prona no melhor estilo Guerra dos Mundos? Os cidadãos de
priedades mais valorizadas do município passaram para
Gostoso ficarão assistindo seu paraíso ser transformado
a mão de estrangeiros. E não só o valor dos terrenos da
em uma terra árida e estranha? Ou simplesmente o capiorla marítima sofreu uma forte alta, mais também os das
talismo irá cumprir o seu papel de aniquilador de estruruas paralelas e áreas periféricas. Vale lembrar que muitas
turas sociais?
dessas operações ocorrem sem o pagamento de nenhum
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na seúnico centavo de impostos aos cofres públicos, e outros
gunda-feira, 07/06/2010, durante o lançamento do Plano
tantos imóveis nem escritura possuíam. Graças a essa feiAgrícola e Pecuário 2010/2011, que o Brasil deve começar
ra livre de imóveis superfaturados é possía discutir a regulamentação da venda de
vel encontrar hoje terrenos vendidos por
terras brasileiras a estrangeiros. “Essa é
fato é que
até R$ 410,00 o metro quadrado, e não
uma coisa que teremos que discutir para
é difícil encontrar na Av. dos Arrecifes as
saber como vamos fazer para não permiem um curto
placas de For Sale (Vende-se), indicando
tir que haja abuso da compra de terra por
espaço de tempo o tipo de comprador desejado.
estrangeiros”, disse o presidente. Talvez,
Outro fato é que estamos sobrevicomo sempre, estejamos um pouquinho
as
propriedades
vendo bem a “invasão”. O município se
atrasados, se observarmos casos como os
de Pipa ou outras localidades brasileiras
mais valorizadas beneficiou da presença de instituições
como IDEMA, UFRN, CNPq e Secretaria
rateadas entre grupos estrangeiros, sem
de Patrimônio da União (SPU), que junnenhum tipo de controle, nem mesmo
do município
tamente com a Prefeitura Municipal de
por parte de instâncias governamentais
passaram para
São Miguel do Gostoso e a comunidade,
poderosas como Patrimônio da União, Poelaboraram o Plano Diretor em dezemlícia Federal e Receita Federal, o que dea mão de
bro de 2008. No mesmo período, muitas
monstra o tamanho da nossa fragilidade
famílias se mudaram para Gostoso, busdiante da questão.
estrangeiros
cando um estilo de vida mais tranquilo,
Já que o presidente Lula abriu o debabem como os diversos pequenos comerciantes, propriete, estamos oficialmente autorizados a fazer os nossos
tários de pousadas e restaurantes, que se estabeleceram
comentários. Se observarmos a curta história de Gostoso,
de maneira séria no município e garantem, durante todo
vemos que, no período entre 2000 e 2008, os imóveis
o ano, um conjunto expressivo de serviços frequentados
situados, sobretudo, na Avenida dos Arrecifes e Enseada
não só pelos turistas, mas também
das Baleias sofreram uma supervalorização causada pelo
pelos nativos e pessoas da região do
robusto valor do Euro na época, atraindo compradores esMato Grande e região Metropolitana
trangeiros, principalmente os europeus. Essa supervaloride Natal.
zação se alastrou ao oeste, nos terrenos da orla marítima
Vale apena lembrar: Não somos
na comunidade de Reduto e a leste do centro da cidade
Pipa! Nem seremos!
nas comunidades vizinhas, de Monte Alegre e São José,
pertencentes ao município de Touros (RN). Os donos dessas propriedades logo aproveitaram a oportunidade promovida pela especulação imobiliária internacional para
Ricardo André R. C. da Silva é formado em
faturar. Rapidamente a configuração das propriedades
Matemática (UERN), e pós-graduando em
mudou e iniciou-se o troca-troca de proprietários, girando
Gestão Pública Municipal (UFRN)
Revista Guajiru
O
38
Foto: Alessandro Amaral
A RT I G O
Charme e bom
gosto a beira mar
w w w. e n s e a d a d o s a m o r e s . c o m . b r
Rua Principal, nº 7 – Praia de São José – Paraíso do Gostoso - Touros - RN
Tel.: (84) 3693-2027 / 3693-2070 – [email protected]
MINISTÉRIO DA CULTURA
Ponto de Cultura Tear
Tecendo Cultura, Cidadania e Direitos Humanos
http://tearcultura.blogspot.com
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