RELAÇÕES DE “PODER E SABER” NO CURRÍCULO: ENQUANTO FORMAÇÃO, CONTROLE E DISCIPLINA DO CORPO NA ESCOLA. Paula Barreto Doria Amado. autor* Dinamara Garcia Feldens. coautora* Augusto Felizola Garcez. coautor* Departamento de Educação da Universidade Tiradentes/SE GT8 Espaços Educativos, Currículo e Formação Docente (Saberes e Práticas) RESUMO O presente texto tem por objetivo discutir questões relacionadas ao Currículo Escolar, e seus dispositivos, “poder-saber”. E no que se diz respeito ao controle, repetição e disciplina, quanto à formação do corpo/sujeito na escola. Sendo assim, busca-se compreender os métodos de operacionalização do currículo, suas práticas e sua utilização enquanto instrumento de manipulação e uniformização do conhecimento que determina também a um tipo de configuração corpo/sujeito na sociedade. Compreendemos então, o currículo enquanto construção social, e, analisando neste sentido, percebemos que ele vem adquirindo mais características mecanicistas, reducionistas e pragmáticas. Os fundamentos teóricos desta pesquisa se baseiam em filósofos como Gilles Deleuze (1925-1995), Michel Foucault (1926-1984) Veiga-Neto (2004). Teóricos brasileiros que, vem corroborar no estudo da temática, como Tomaz Tadeu da Silva e Sandra Corazza, refletindo sobre o currículo em seus escritos atuais. Palavras Chaves: Educação; Currículo; Poder-Saber; Corpo. RESUMO El presente texto tiene como objetivo discutir questiones relacionadas al Currículo Escolar, y sus dispositivos “poder-saber”, concepto tratado por el autor M. Foucault. Como también refletir sobre los aspectos relacionados al control, repeticíon y disciplina que están vinculados directamente a la formacíon deste cuerpo/sujeto en la escuela. Busca-se entonces, compreender los métodos de operacionalizacíon del currículum, sus práticas y su utilizacíon como medio de manipulacíon y uniformizacíon del conocimiento, que de cierto modo determina también a um tipo de configuracíon deste cuerpo/sujeto, en la sociedad. Compreendemos entonces, que el currículum escolar es un instrumento de construcíon social, y que desde esta perspectiva percibimos que el mismo, viene adquiriendo mas características mecanicistas, reducionistas y pragmáticas. Los fundamentos teóricos deste trabajo se sostienen en los siguientes autores: Gilles Deleuze (1925-1995), Michel Foucault (1926-1984) Veiga-Neto (2004). Y otros teóricos brasileños que, vienen tratando la temática abordada, como Tomaz Tadeu da Silva y Sandra Corazza, refletiendo sobre el currículo em sus producciones actuales. Palavras Llave: Educação, Currículum; Poder-Saber; Corpo. “Educar significa introducir a cunha da diferença em um mundo que sem ela se limitaria reproduzir o igual e o idêntico, um mundo parado, um mundo morto.” (Tomaz Tadeu) Nesta reflexão acima, o autor indaga sobre a ideia indireta de controle e falsa aprendizagem, onde, de acordo com sua visão, nada ocorre sem o envolvimento da própria transformação ou experiência do ser, sendo isto, um passo único e necessário na construção do conhecimento. Ao contrário disso, métodos padronizados de educação e de reprodução do conhecimento, como por exemplo, as pedagogias tecnicistas e tradicionalistas ainda atualmente, contribuem a multiplicar um modelo mecanicista-reducionista de relação com o processo de ensino-aprendizagem (ao modo de transmissão in-put out-put) condicionando também a visão e relação de o corpo = sujeito = aluno (corpo padronizado). A escola, desde este ponto de vista, é uma espécie modeladora do comportamento humano, criando em sua intenção uma configuração de sujeitos não diferenciados. Estes, pensados para reproduzir e obedecer sem questionar o sistema e o Estado, seja em aspectos cívicos, religiosos, morais, políticos, sociais e outros estamentos que o compõe. Os métodos pedagógicos citados acima fazem parte de uma antiga e institucionalizada corrente de pensamento, desenvolvidas no sec. XVI, pelo Filósofo e Metafísico Renê Descartes, assim chamado de pensamento cartesiano. O autor desenvolveu toda uma série de teorias sobre o cunho da razão, como base de controle sobre os impulsos do corpo, este que foi posicionado em um espaço de invisibilidade frente às aspirações do pensamento e da razão. A partir deste momento, ocorre uma importante cisão histórica que marcará as bases do pensamento ocidental e científico apoiada na percepção dualista corpo X mente. Tais teorias foram desenvolvidas para um mundo que já não está em vigência, porém seu pensamento criou raízes tão profundas no fazer do mundo ocidental, que assim se perpetuam. À propósito desta perpetuação de padrões de reprodução mecânica de uma prática cultural, Dawkins (1976) analisa o fenômeno como “memes”1, categoria de análise que ele 1 Richard Dawkins, em 1976 seu livro O gene egoísta, desenvolve a teoria do “meme”, Dawkins observou que as culturas podem evoluir de modo muito similar ao das populações de um organismo. Entre as gerações podem usa para explicar que qualquer conceito e padrões de pensamentos, sendo analogamente com a biologia do “genes” vão se replicando sobre as estruturas do tempo, da cultura, das gerações, por uma espécie de inercia resistente. E para quebranta-la é preciso configurar outras ordens, ou melhor, outros padrões-conceitos que se fortaleçam e se multipliquem em lugar dos anteriores, sendo outrora novamente multiplicados. Esta noção de meme, como padrão que se repete que nos vem a posicionar de um modo ainda mais crítico e político, sobre certas escolhas dentro do sistema, atendendo esta ordem de repetição sem reflexão e consciência, ação que atende a inercia de replica. Que esta inserida também em nossas praticas educacionais e pedagógicas. Estes valores cartesianos impregnados em nossa cultura também foram totalmente absorvidos em nossa educação, na escola, no corpo e nas relações de “poder-saber”. Durante séculos foram fundamentados dentro desta perspectiva de pensamento mecanicista e reducionista, chegando a comparar o corpo com o funcionamento de uma máquina. Definindo através de Foucault o conceito de “poder-saber” Veiga-Neto traduz que: Toda esta herança de relações de corpo/mente transita diretamente com as relações de poder-saber e com a educação-formação. Viemos sendo formados por uma herança de perspectivas que, de algum modo, vem sendo substancialmente acatada durante séculos, sem maiores reflexões, por vários extratos da nossa sociedade. Retomando esta relação histórica com o poder, corpo e a educação, Foucault (1979), reflete que: ”O poder, longe de impedir o saber, o produz. Se foi possível constituir um saber sobre o corpo, foi através de um conjunto de disciplinas militares e escolares. É a partir de um poder sobre o corpo que foi possível um saber filosófico, orgânico.” Assim, ele contribui para ser passadas ideias que podem aumentar ou diminuir a sobrevivência dos indivíduos que as obtêm e usam. A esse processo vem associado um mecanismo de seleção das ideias que continuarão a ser passadas às gerações futuras. Por exemplo, cada cultura pode possuir métodos e designs únicos para a construção de determinadas ferramentas, mas a que possua métodos mais eficazes - assumindo que todas as outras variáveis se conservam inalteradas - irá provavelmente prosperar sobre as outras culturas. Isso leva a que prospere a adoção desses métodos, que serão usados por uma fração maior da população com o passar do tempo. Cada design de ferramenta funciona então da mesma forma que um gene biológico (que pode existir em algumas populações mas não em outras): a presença desse mesmo design nas gerações futuras é diretamente afetada pela sua eficácia enquanto meme, afastando-o do propósito original de Dawkins, que procurava definir os memes como replicadores de comportamentos. O conjunto de todos os memes possui as características próprias de qualquer processo evolutivo: fecundidade (algumas ideias são especialmente efetivas), longevidade (persistem durante muito tempo) e fidelidade na reprodução (conservadorismo tradicional, especialmente no ensino, como parte da educação infantil). a percepção “que nada é mais corpóreo que o exercício do poder, da disciplina, da educação, das instituições, das influencias midiáticas, tudo inflige e afeta na constituição deste corpo/sujeito. Para Foucault o individuo é uma produção do poder e do saber.” Se Foucault aproxima saber de poder, numa quase fusão, é claro que para ele não são a mesma coisa: “poder e saber são dois lados de um mesmo processo”. As relações de força constitui o poder, ao passo que as relações de forma constituem o saber, mas aquele tem o primado sobre este. O poder se dá numa relação flutuante, isso é, não se ancora em uma instituição, não se apoia em nada fora de si mesmo, a não ser no próprio diagrama estabelecida pela relação diferencial de forças; por isso, o poder é fugaz, evanescente, singular, pontual. O saber, bem ao contrário se estabelece e se sustenta nas matérias/conteúdos e em elementos formais que lhe são exteriores: Luz e linguagem, olhar e fala. É bem por isso que o saber é apreensível, ensinável, domesticável, volumoso. E poder e saber se entrecruzam no sujeito, seu produto concreto. (VEIGA-NETO, 2004:157) E o poder tem como alvo o corpo humano, para aprimorá-lo, adestra-lo. Para este artigo, importa questionar: a) que corpo é este que queremos constituir dentro desta ordem de educação? b) que questões sobre poder, disciplina, e modelização possui o currículo? c) Que parcela ou medida tem a educação na formação deste corpo/sujeito para a nossa sociedade? E enfim, d) Como podemos liberar, na práxis, os conteúdos curriculares na escola de sua herança cartesiana, mecanicista e reguladora? Estas reflexões nos levaram a fazer escolhas teóricas, para refletir possibilidades de outras construções possíveis no processo ensino-aprendizagem no espaço da escola integrando o maior nível de consciência em suas ações pedagógicas. “A ideia de curriculum corporifica uma organização particular do conhecimento pela qual os indivíduos devem regular e disciplinar a si próprios como membros da comunidade/sociedade” (Silva, 1994). A ação sobre o corpo, o adestramento do gesto, a regulação do comportamento, a normalização do prazer, a interpretação dos discurso, com objetivo de separar, comparar, distribuir, avaliar, hierarquizar, tudo isso faz com que apareça pela primeira vez na história esta figura singular, individualizada - o homem – como produção do poder. Mas também o mesmo tempo como objeto de saber. (FOUCAULT, 1979:20) Para Deleuze, o saber não é inato, não se trata de cognição ou recognição, e sim de criação. Não importa o que o conhecimento é, mas sim o que a partir dele, pode-se produzir. Estes saberes são experimentações do mundo, são movimentos e fluxos que transbordam do aprendizado cotidiano, mistos de vivência e cultura. A educação tem como principal atividade transcender o mundo imagético e de enunciações, para ter criação de novos conceitos, aonde o sujeito expõe seu estilo e estética, sua visão de mundo. A partir desta lente deste modo de fazer do corpo, percebemos e construímos nossas relações com a vida, com o sujeito, com o trabalho, com a política e outras instancias, por assim dizer, o por vir da nossa sociedade. Do ponto de vista do currículo como espaço de luta cultural por construção de significados, precisamos interrogar sempre, de que modo, nesse conjunto articulado de saberes, são produzidas as representações e significados da experiência da diferença. Isso pode ser examinado nos rituais cotidianos; em gestos e expressões; na organização do tempo; na moldagem dos corpos; no desenvolvimento de habilidades compatíveis com as referências socialmente admitidas sobre etnia, raça, gênero, classe, nos ocultamentos, nas falas, nas diferentes instâncias de produção discursiva onde a linguagem institui e demarca lugares, como as reuniões, as teorias, os livros texto e os diferentes materiais curriculares. (CORAZZA, 2006:13) Portanto, é necessário configurar um novo modelo social de educação, como já apontado pelos autores CORAZZA (2008), TADEU (1999), enfatizando e evidenciando a natureza processual do individuo e do conhecimento. No século XXI, houve o surgimento dos chamados filósofos pós-modernos, com um novo fluxo de pensamento, que influenciou a análise e os argumentos relacionados à discussão educacional e curricular. Estes filósofos compreendem que nos tempos atuais, o currículo deve buscar entendimentos e práticas em pequenos marcadores sociais, suas chamadas minorias, diferenças, que abrem a agenda educacional para questões de gênero, escolhas sexuais, multiculturalismo, religiosidade, força da mídia e dos artefatos culturais, políticas de identidade, racismo, etnocentrismo e etc. Questionam-se principalmente sobre as verdades naturalizadas e dão ênfase ao processo pelo qual algo é considerado verdadeiro. Questionam também a formação do sujeito unitário, racional, autônomo, centrado na base do empreendimento pedagógico ou curricular denunciando-os como construção histórica particular, além da centralização das estruturas, da sistemática, da pretensão científica e da metafísica. A reflexão da filosofia da diferença no campo curricular esboça uma das conexões com várias outras questões que a pesquisa se propõe estudar, como as concepções de linguagem, verdade, assim como a análise das diferentes condições históricas e políticas para certas abordagens curriculares, seus discursos e relações de autoridade e poder, seu lugar na experiência e no desejo. Deslocando as questões da diferença do campo moral, que diz respeito ao certo ou errado, para o campo da ética, que diz respeito à reflexão sobre o modo de existência e o que isso implica, podemos compreender o currículo com mais eficiência. O currículo da diferença não pode conter corpos de conhecimento imutáveis, estereotipados, de hierarquias e verdades. “Faz-se evidente, portanto, a necessidade de constituição de articulações teóricas e metodológicas que possibilitem vislumbrar outras formas de tratamento educacional e curricular do conjunto das diferenciações que tonalizam as vidas dos sujeitos envolvidos nas práticas de escolarização ou em outras ambiências sociais onde a identidade e a diferença são, também, produzidas.” (CORAZZA, 2006:10 ) Para a filosofia da diferença, os processos de significação são contínuos e transitórios adquirindo forma de fluxos, mudança, inconstância. O sujeito, para Deleuze, não passa de uma construção social e histórica, assim como as concepções de consciência e significado. O significado não é pré-existente e sim produzido, sendo de grande importância as relações de poder na sua produção. Mas para que serve um currículo? Para além de agrupar e organizar o conhecimento, o currículo torna possível o encadeamento do saber. A partir do currículo pode-se estabelecer critérios de progressão, de avanços e retrocessos, pensar as questões burocráticas inerentes ao ensino, e elencar as normas e valores que serão norteadores da vivência escolar. Entretanto, a previsibilidade do currículo por vezes é usurpada. Dentro da linha dura* do planejamento, intensidades vibram latentes. Mesmo com a disciplina e a ordenação, as infinitas virtualidades emergem, e o inesperado surge no horizonte. Um currículo abriga saberes ocultos, e ciências incertas, e mesmo na rigidez, um afeto pode emergir e criar outra forma de relação com o saber. Sendo assim, mesmo existindo como lugar da ordem, um currículo pode ser também o instrumento para rompimento da ordem, de desarranjamento. Faz-se evidente, portanto, a necessidade de constituição de articulações teóricas e metodológicas que possibilitem vislumbrar outras formas de tratamento educacional e curricular do conjunto das diferenciações que tonalizam as vidas dos sujeitos envolvidos nas práticas de escolarização ou em outras ambiências sociais onde a identidade e a diferença são, também, produzidas. (CORAZZA, 2008: 54) Desafiar o currículo em sua prática, questionando seus limites, é se antepor a um lugar de autogerenciamento e de autonomia como docente. O que Corazza atuar de encontro ao que Foucault nomeia de facilitação de um “corpo disciplinado” ou de “corpos dóceis”, que anulam suas potências como participes do processo de conhecer. Retomando a ideia de fluxo e de vontade pela qual o autor se inclina. O autor, portanto, propõe ver mais além das limitações do currículo e das possibilidades deste, isto que é um ato politico/emancipatório (corpo-político), desvestindo-se de um simples modelo operacional de repetição e de “transmissão” do conhecimento, na direção contrária de sentir- se processo do saber. “Assim, para Foucault, o sujeito moderno não está na origem dos saberes; ele não é o produtor de saberes mas, ao contrário, ele é um produto dos saberes. Ou, talvez melhor, o sujeito não é um produtor, mas é produzido no interior de saberes.”(VEIGA-NETO, 2004). Para Foucault a instituição escolar foi direcionando-se historicamente a um espaço disciplinarizador do corpo, na formação de sujeitos capacitados para cumprir com as expectativas funcionais da maquinaria do estado. De modo que aplicar conteúdos competentes ao currículo e adquirir os resultados satisfatórios dos alunos, foi se tornando simplesmente uma habilidade digna dos docentes, a fim de cumprir seus objetivos referentes ao conteúdo curricular, que em muitas de suas praticas pedagógicas in-visibilizam a um fator importante a ser considerado, o corpo e como este se esta constituindo através de suas praticas. Na forma em que o mesmo se constrói e se dignifica se configurar a depender se suas relações com outros e com o conhecimento, e o modo como que este é chegado até ele. E para que isso seja possível, o saber entra como elemento condutor do poder, como correia transmissora e neutralizadora do poder, de modo que haja consentimento de todos aqueles que são malhas do poder. No interior das relações de poder, todos participam, todos são ativos. Assim, essa produção de corpos vai além de uma dimensão psicológica ou simplesmente atitudinal, para dar origem a corpos que necessariamente têm de participar e que, por isso, são corpos políticos. (VEIGA-NETO, 2004:143) No que se diz, que a todo ato que fazemos, dirigimos ou recebemos ação é desde ou para o corpo, seja no aprender, no disciplinar, retribuir, refletir, brincar, no construir, discordar, etc. Em toda ação o envolvemos por completo. Autores como Foucault explica e destaca este poder-saber que é exercido a partir do controle do corpo, como de fato é tudo que podemos possuir. Nos propomos a levantar questões como: Que corpo estou disciplinando? Que corpo estamos construindo? Que aspectos e que praticas reverberam e modificam o mesmo? Que poder exerce o currículo na formação e padronização destes corpos? Que de alguma forma, e com seus métodos pedagógicos a escola, contribuiu com a ideia de multiplicar e dividir sujeitos, desconsiderando sua noção de individualidade, enfraquecendo seu poder de autonomia e de coparticipação na produção do conhecimento e na constituição de uma sociedade. “O currículo assim é também entendido como uma linguagem, como uma prática social, discursiva e não-discursiva, que se corporifica em instituições, saberes, normas, prescrições morais, regulamentos, programas, relações, valores, modos de ser sujeito; “é um dispositivo saber-poderverdade de linguagem.” (CORAZZA,2001:10) As práticas em educação não são realidades em si mesmas, universais ou absolutas e é por isso que os questionamentos são importantes e necessários. Só assim podem-se combater as cristalizações, as hierarquizações naturalizadas e a dureza e inflexibilidade que se instalou no ensino, e como consequência no currículo. Esta herança educacional antes no texto tratada, não implica necessariamente em aprisionamento, muito pelo contrário, justamente porque a herdamos é que devemos permanentemente repensá-la em nossa realidade. Conclusão O ponto de partida histórico do pensamento cartesiano, constituiu durante séculos um modelo de relação social, político, científico e educacional que impulsionou certos modos e padrões de funcionamento ainda vigentes, embasados em um acentuado pragmatismo e racionalismo que influenciaram nossa educação. É latente a busca pela produção de entendimentos acerca do currículo escolar na contemporaneidade, pois fomenta interesses nas experiências e acontecimentos que compõe a educação, na perspectiva do contato com outros “olhares”. A filosofia da diferença, dentro de seus processos de significação contínuo e transitórios em sua concepção de educação como forma de fluxos, mudança, inconstância e seu processo. Desde esta perspectiva teórica o currículo se torna uma, plataforma, uma ferramenta de encadeamento do saber. Onde o corpo passa a ter identidade, constrói-se através de suas experiências, sua corporeidade, rompendo com a tradição cartesiana de homogeneidade. Em meio às articulações do currículo praticadas nas escolas, desde a perspectiva estudada através de Foucault, e autores afins, esta forças chamadas por ele podersaber, agem através do currículo, criando, construindo, modificando, e afetando ao corpo/sujeito, como corpo político que é em sociedade. Assim, essa produção de corpos vai além de uma dimensão psicológica ou simplesmente atitudinal, para dar origem a corpos que necessariamente têm de participar no seu processo de conhecimento que, por isso, são e atuam desde sempre como corpos políticos em relação com o poder e o conhecer. Nota- Informação sobre os autores: *Paula Barreto Doria Amado. Especialista em Dança PPGD/UFBA. Graduanda em Historia Universidade Tiradentes/SE. Bolsista PROBIC/UNIT, pelo grupo GEPCS. email: [email protected] *Dinamara Garcia Feldens. ³Doutora em Educação pela Unisinos (RS). Professora titular do PPGE em Educação da Universidade Tiradentes (SE). Coordenadora do grupo de pesquisa GPECS “INSTITUIÇÃO ESCOLAR, PODER E CONTEMPORANEIDADE: LINHAS E TRAJETÓRIAS DA ESCOLA DESFALECIDA”. email: [email protected] *Augusto Felizola Garcez. Graduando em Psicologia na Universidade Tiradentes (SE). email: [email protected] Referencias CORAZZA, Sandra M. Currículo na Contemporaneidade. Formação Continuada: Blumenau, 2008. DELEUZE, G. Conversações. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992. DELEUZE, Gilles & PARNET, Claire. Diálogos. Lisboa: Ed. Relógio d’água, 2004. FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. São Paulo. Ed. Graal, 2008. NIETZSCHE, Friedrich. Além do bem e do mal. São Paulo. Ed. Companhia das Letras, 2005. SILVA, Tomaz T. Documentos de Identidade: Uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte. Ed. Autêntica, 1999. VEIGA-NETO, Alfredo. 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