ESTUDO DO COMPORTAMENTO DE FILMES DE SNO2 EM TEMPERATURAS ATÉ 600°C Alaide P. Mammana, Admilson F. Botaro, Thebano E. A. Santos, Marcos H. M. O. Hamanaka, Simone C. Trippe e Lisandro P. Cardoso* Centro de Pesquisas Renato Archer Rodovia D. Pedro I, km 143,6 – 13082-120 Campinas, SP, Brasil *Instituto de Física Gleb Wattaghin/UNICAMP Cid. Universitária Zeferino Vaz - Campinas, SP, Brasil [email protected] SUMMARY Tin dioxide films were deposited by the chemical vapor decomposition, with tetrachloride tin and methyl alcohol as the precursors of the reaction and nitrogen as the carrier gas. The deposition was performed at 430°C on alumina and ceramic glass substrates, during 2, 4, 6, 9, 12, 16 and 30 min, and the thickness of the films was in the range of 160 to 2400 nm. The sheet resistance of the as-deposited films on alumina was measured showing a dependence with the inverse of the thickness. By heating the films up to 600 °, the sheet resistance showed a linear dependence with the temperature for all the studied thickness, being the coefficient 0,002Ω/°C. In the films on ceramic glass one could observe cracks created by the intrinsic stress, for very thin or very thick films. The cracks were responsible for an increase in the sheet resistance, comparing to the films on alumina. The resistance showed an anomalous behavior, falling down when the temperature surpassed 400 °C. No cracks were observed for thickness between 200 and 800 nm as well as the sheet resistance was linear and repetitive up to 500 °C indicating that both the intrinsic and the extrinsic stress were minimized. For both substrates the SnO2 films showed good adherence before and after the heating up to 600 °C. X rays difractograms showed that the films are polycrystalline with the tetragonal (rutila) structure, being the crystallite orientation dependent of the thickness of the films. RESUMO Filmes de dióxido de estanho foram depositados pela técnica de decomposição de vapores empregando-se como reagentes tetracloreto de estanho e álcool metílico e nitrogênio como portador. À temperatura de 430°C, filmes foram depositados sobre substratos de alumina e de vidro cerâmico durante 2, 4, 6, 9, 12, 16 e 30 min, obtendo-se espessuras entre 160 e 2400 nm. Estudado o comportamento de sua resistência pelicular, tanto no resfriamento da deposição como em posterior aquecimento até 600°C, determinando-se seu coeficiente de variação com a temperatura como sendo de 0,002Ω/°C, conforme determinado para os filmes sobre alumina. Em ambos os substrato mostraram-se fortemente aderidos antes e após os ensaios em temperatura alta. Difratogramas de raios X indicam que os filmes são policristalinos e que a orientação preferencial dos cristalitos varia com o tipo de substrato e com a espessura do filme. ESTUDO DO COMPORTAMENTO DE FILMES DE SNO2 EM TEMPERATURAS ATÉ 600°C Alaide P. Mammana, Admilson F. Botaro, Thebano E. A. Santos, Marcos H. M. O. Hamanaka, Simone C. Trippe e Lisandro P. Cardoso* Centro de Pesquisas Renato Archer Rodovia D. Pedro I, km 143,6 – 13082-120 Campinas, SP, Brasil *Instituto de Física Gleb Wattaghin/UNICAMP Cid. Universitária Zeferino Vaz - Campinas, SP, Brasil [email protected] RESUMO Filmes de dióxido de estanho foram depositados pela técnica de decomposição de vapores empregando-se como reagentes tetracloreto de estanho e álcool metílico e nitrogênio como portador. À temperatura de 430°C, filmes foram depositados sobre substratos de alumina e de vidro cerâmico durante 2, 4, 6, 9, 12, 16 e 30 min, obtendo-se espessuras entre 160 e 2400 nm. Estudado o comportamento de sua resistência pelicular, tanto no resfriamento da deposição como em posterior aquecimento até 600°C, determinando-se seu coeficiente de variação com a temperatura como sendo de 0,002Ω/°C, conforme determinado para os filmes sobre alumina. Em ambos os substrato mostraram-se fortemente aderidos antes e após os ensaios em temperatura alta. Difratogramas de raios X indicam que os filmes são policristalinos e que a orientação preferencial dos cristalitos varia com o tipo de substrato e com a espessura do filme. 1. INTRODUÇÃO Filmes de dióxido de estanho (SnO2) depositados pelo método de decomposição de vapores apresentam propriedades físicas, químicas e mecânicas que viabilizam diversas aplicações, a exemplo de eletrodos para mostradores de informação (LCDs, OLEDs etc), tabletes1,,2, telas de toque e janelas especiais. Destacam-se suas propriedades como: a alta transmitância no visível, a alta condutividade elétrica, a alta resistência química e a alta dureza[1] 3,4,5,6.. Em particular, o elevado ponto de fusão do SnO2 viabiliza também aplicações em temperaturas elevadas, razão porque investigamos as propriedades físicas e elétricas de seus filmes em temperaturas até 600°C. São apresentados neste trabalho os resultados do estudo do comportamento da resistência pelicular dos filmes depositados por decomposição de vapores, à temperatura 430 °C durante tempos entre 2 e 30 min, em vidro cerâmico e alumina, analisando-se efeitos de stress intrínseco e extrínseco tanto no resfriamento da deposição como no aquecimento até 600°C. São também apresentados resultados de difração de raios X e testes de aderência dos filmes aos substratos, antes e após os ensaios em temperatura alta. 2. TÉCNICAS EXPERIMENTAIS Filmes de dióxido de estanho foram depositados pela técnica de decomposição de vapores sobre substratos vidro cerâmico e alumina, com áreas até 15 cm x 15 cm. Foram utilizados tetracloreto de estanho e álcool metílico como precursores da reação e nitrogênio com fluxos de 750 sccm e 250 sccm para seu arraste (respectivamente álcool e tetracloreto)3,4,5. Os filmes foram depositados com tempos de 2, 4, 6, 9, 12, 16 e 30 min, na temperatura de 430°C. Sua resistência pelicular foi medida por quatro pontas durante o resfriamento da deposição e no aquecimento até 600 °C, monitorando-se a temperatura com termômetros de infravermelho Minolta Land. Os filmes foram caracterizados quanto a espessura, por perfilometria, topografia, por microscopia óptica, estrutura cristalina e orientação preferencial, por difração de raios X7 e aderência, através de testes com fita adesiva (tape test) e por riscagem (scratching) com ponta de safira de 30 um sob ação de uma massa de 25 mg. 3. RESULTADOS Os filmes depositados nas condições descritas acima apresentaram espessuras entre 160 e 2400 nm, para os tempos de deposição entre 2 e 30 min. A resistência de folha dos filmes foi acompanhada ao longo de 96 horas após deposição e mostrou o comportamento apresentado na Figura 1. Este comportamento indica que as trincas tinham um comportamento elástico dentro de certos limites até o aparecimento de trincas por stress por efeito do aquecimento (stress extrínseco), levando ao completo colapso dos filmes em regiões de super aquecimento. Resistência pelicular vs. Espessura 550 Rs (ohm/ ) 450 350 250 150 50 -50 0 0,3 0,6 0,9 1,2 1,5 1,8 2,1 2,4 Espessura (mícron) R/[] (alumina) R/[] (vidro) (t=0) R/[] (vidro) (t=24h) R/[] (vidro) (t=96h) Figura 2 – Micrografia do filme de SnO2 sobre vidro cerâmico, após aquecimento a 500 ºC, observando-se o aparecimento de trincas. Figura 1. Resistência pelicular de filmes depositados a 430 °C e tempos entre 2 e 30 min, sobre vidro cerâmico e alumina, ao longo de 96 horas após a deposição. A resistência pelicular dos filmes sobre alumina mostrouse linear com a temperatura, este comportamento sendo repetitivo ao longo de vários ciclos de aquecimento e resfriamento para temperatura entre ambiente e 600 °C. O coeficiente de variação é 0,002Ω/°C. (Figura 3). Por sua vez a resistência dos filmes sobre vidro cerâmico apresentava um comportamento não repetitivo, e com valores muito altos assim que os filmes eram resfriados e caindo abruptamente para temperaturas acima de 400 °C. Rs (ohm/ ) A resistência pelicular de filmes depositados sobre alumina varia inversamente com a espessura, conforme esperado. No entanto para os subtratos de vidro cerâmico este comportamento não se repetiu para as espessuras superiores a 800 nm, o aumento da resistência estando associado à presença de trincas surgidas durante o resfriamento, conforme observado em microscópio óptico (Figura 2). As trincas são atribuídas ao efeito de stress intrínseco gerado no resfriamento devido à diferença entre os coeficientes de dilatação do filme e do vidro cerâmico (αvidro = 0.0 ± 0.3 10-6 K-1 entre 20 e 700°C). Por sua vez, os filmes de SnO2 sobre alumina não apresentaram efeitos de stress, conforme se depreendeu do comportamento da resistência pelicular e da análise ao microscópio, o que indica que são próximos os coeficientes de dilatação do filme e da alumina (αalumina = 7 x 10-6 K-1 @ 30 ºC). Resistência pelicular vs. Temperatura do filme sobre alumina 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 0 100 200 300 400 500 600 700 T filme (ºC) Figura 3- Resistência de filme de SnO2 sobre alumina, em três ciclos de temperatura (1o.ciclo em preto, 2o.ciclo em vermelho, 3o.ciclo em azul). Em todos os casos pode-se observar excelente aderência dos filmes aos substratos conforme ensaios realizados com fita adesiva (tape test) e com ponta de safira de 30 um sob ação de uma massa de 25 mg (scratch test). A forma e a profundidade dos riscos produzidos indicaram que os filmes de SnO2 têm alta resistência mecânica, podendo ser utilizados como camada de proteção dos substratos. Experimentos de difração de raios X indicaram que os filmes têm a estrutura tetragonal (rutila) e são policristalinos com tamanhos de grão e orientação preferencial que variam com a as condições do processo de deposição, conforme mostrado nos diagramas da Figura 4. 1600 d = 2,4µm 800 (220) (200) (111) Intensidade (u.a) (110) 2400 (211) (101) Difratogramas de filmes de SnO2 sobre alumina d = 0,72µm d = 0,08µm Al2O3 0 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 2θ(Graus) (a) d = 1.28µm 5. REFERÊNCIAS (200) (101) (110) Intensidade (u.a) (211) Difratogramas de filmes de SnO2 sobre vidro cerâmico d = 0.48µm d = 0.04µm Vidro cerâmico 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 resfriamento entre 25 e 600ºC sua resistência pelicular, inicialmente alta, caia abruptamente quando a temperatura ultrapassava cerca de 400 °C, indicando que as trincas estavam se fechando por dilatação do material. Este comportamento elástico se repetia por vários ciclos, até o completo colapso dos filmes por efeito de aquecimento excessivo em regiões localizadas. Os efeitos de stress puderam ser minimizados para espessuras entre 200 e 800 nm, não tendo sido observadas trincas nem no resfriamento da deposição nem nos ciclos de aquecimento e resfriamento entre 25 e 600 °C. Em todos os casos os filmes de SnO2 apresentaram excelente aderência aos substratos e alta resistência mecânica antes e após os ensaios em temperatura alta. Com estrutura cristalina tetragonal (rutila), os filmes são policristalinos com tamanhos de grão e orientação preferencial que variam com a as condições do processo de deposição. 70 75 2θ(Graus) (b) Figura 4 – Difratogramas dos filmes obtidos sobre substratos de (a) alumina e (b) vidro cerâmico. 4. CONCLUSÕES O estudo realizado mostrou que os filmes de SnO2 depositados sobre subtratos de alumina não apresentaram efeitos de stress tanto no resfriamento da deposição (intrínseco) como no aquecimento (extrínseco) para todas as espessuras estudadas, uma vez que é linear e repetitiva a resistência pelicular ao longo de vários ciclos entre 25 e 600°C. O coeficiente de variação da resistência com a temperatura foi determinado como sendo 0,002Ω/°C. Este comportamento está de acordo com o que foi observado por microscopia, de que não são criadas trincas tanto no resfriamento como no aquecimento. Por sua vez, os filmes de SnO2 depositados sobre vidro cerâmico com espessuras superiores a 800 nm apresentaram trincas decorrentes de stress já no resfriamento da deposição, implicando num aumento da resistência pelicular, comparativamente a dos filmes sobre alumina. Quando submetidos a ciclos de aquecimento e [1] Ana Maria Pellegrini, Bruno Nascimento Alleoni, Alaide P. Mammana e Antonio C.C.Amaral, “Mesa digitalizadora ou tablete: Aplicações no estudo do comportamento motor”, Anais do VI Seminário Iberoamericano de Mostradores de Informação, Fortaleza, 29 de setembro a 3 de outubro de 2003, p. 30 (resumo). [2] A.P. Mammana, A. Moroni and Luis Teixeira, “ RitSens – Computer Aided System for Studying Rhythmic Abilities in Bimanual Coordination”, Conference Abstracts and Applications, SIGGRAPH, Los Angeles, US, 2001, p. 256. [3] A. F. Botaro, B. B. Li, J. G. Zhao e A. P. Mammana, “Filmes Finos de SnO2 por Decomposição de Vapores”, XXV Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, Poços de Caldas, MG, maio de 2002. [4] Alaide P.Mammana, Thebano E.A.Santos and Marcos H. M. O. Hamanaka, “Thermal behaviour of SnO2 thin films obtained by vapour decomposition”, submitted to 16th International Vacuum Congress (IVC-16), Venice, June 28th to July 2nd, 2004. [5] Admilson F. Botaro, Fátima C. Reis, Marcos A. Schreiner e Alaide P. Mammana, “Obtenção de SnO2 por decomposição de vapores: estudo da cinética da reação”, Anais do VI Seminário Iberoamericano de Mostradores de Informação, Fortaleza, 29 de setembro a 3 de outubro de 2003, pp. 28 (resumo). [6] Admilson F. Botaro, Antonio C.C.Amaral, Fátima C. Reis, Hichiro Yamaguchi, Marcos H.M.O.Hamanaka, Maria G. da Silva, Roosevelt Droppa Júnior, Thebano E.A.Santos e Alaide P. Mammana, “Comportamento térmico de filmes de SnO2 obtidos por decomposição de vapores”, Anais do VI Seminário Iberoamericano de Mostradores de Informação, Fortaleza, 29 de setembro a 3 de outubro de 2003, pp. 27-28 (resumo). [7] Vitor Baranauskas, Zhao Jingguo, Alaide P. Mammana, Thebano E. A. Santos, Marcos A. Schreiner and Carlos I. Z. Mammana, “Analysis of Nano-crystalline Coatings of Tin Oxides on Glass by Atomic Force Microscopy”, Sensors and Actuators B: Chemical, Vol. 85 (1-2) (2002) pp. 90-94 .