Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências VIAGEM AO CENTRO DA TERRA: OS JOGOS EDUCATIVOS E A ABORDAGEM DA SAÚDE AMBIENTAL NO ENSINO MÉDIO. MARCOS ANTONIO DOS SANTOS Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ensino de Ciências. Orientadora: Professora Doutora Giselle Rôças NILÓPOLIS 2010 1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências VIAGEM AO CENTRO DA TERRA: OS JOGOS EDUCATIVOS E A ABORDAGEM DA SAÚDE AMBIENTAL NO ENSINO MÉDIO. MARCOS ANTONIO DOS SANTOS Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ensino de Ciências. Aprovada em ______ de dezembro de 2010. Banca Examinadora _______________________________________________ Profº. Drº. Alexandre Lopes de Oliveira – Presidente da Banca Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro ________________________________________________ Prof . Dr . Maylta Brandão dos Anjos – Membro Interno Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro ________________________________________________ Profº. Drº. Augusto César de Castro Barbosa – Membro Externo Universidade Estadual do Rio de Janeiro NILÓPOLIS 2010 2 DOS SANTOS, MARCOS ANTONIO Viagem ao centro da Terra: os jogos educativos e a abordagem da saúde ambiental no ensino médio. [Rio de Janeiro] 2010. 102 p. 29,7 cm (Mestrado Profissional em Ensino de Ciências/IFRJ, M.Sc., Ensino, 2010). Dissertação – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, PROPEC. 1. Jogos Educativos. 2. Saúde Ambiental. 3. Ensino de Ciências. I. PROPEC/IFRJ. II. Título. 3 Em memória dos meus pais, Antônio e Maria, por me mostrarem o valor de uma conquista, do conhecimento e do amor, sempre me incentivando a crescer. 4 Agradecimentos A Deus pela eterna presença em minha vida. Ao amigo Mario, pelo apoio, atenção e carinho. A minha querida irmã Adriana e aos meus queridos sobrinhos, Marcos e Célio, pelo apoio. A minha orientadora Giselle Rôças, pela paciência, e incentivo na realização desta dissertação. Aos amigos e professores Jorge Pinto Rodrigues e Wallace Vallory. As minhas amigas e aos meus amigos de jornada acadêmica e de vida, Carla, Elaine, Monalise, Simone, Miriam, Cristiane, Sandra, Jacqueline, Henri, Jair, Leandro. Aos membros da banca examinadora, pela paciência, disposição e contribuições. As minhas amigas Patricia e Regina, por sempre confiarem em mim. À Secretária da Divisão de Pós-graduação Danielle Freitas de Andrade, pelo carinho e pela atenção dispensados. Ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), em especial ao ex-diretor Anderson, à diretora Sheila, ao chefe dos Recursos Humanos Rogério e ao Professor Doutor Edmundo Vargas, pela atenção, pelo entendimento e apoio dispensados a mim. 5 “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”. Fernando Pessoa 6 RESUMO A presente investigação tem como foco o jogo educativo, mais especificamente a construção de um jogo educativo voltado para o ensino de temas de saúde ambiental – doenças de veiculação hídrica e doenças relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo) – para ser utilizado no ensino médio. Deste modo, espera-se contribuir para que os alunos sejam co-construtores de uma melhor qualidade de vida para si mesmos, para seus familiares, para a sua comunidade, para o seu país e para o planeta Terra, de modo que se faça promoção da saúde através da educação em saúde e da educação ambiental. Para a realização desta investigação, foi feita revisão de literatura, e como resultado da mesma, houve a construção de um jogo educativo e a elaboração de quatro artigos, sendo estes sobre os aspectos teóricos do jogo educativo, sobre a promoção da saúde e sua conexão com a educação ambiental, sobre a abordagem de saúde e ambiente utilizando jogos educativos e a exemplificação sobre as relações entre educação ambiental, saúde e ambiente como o artigo sobre o desmatamento da Amazônia e a ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi. É importante que a educação ambiental seja crítica, transformadora, e que considere o ambiente em sua totalidade, que aplique uma abordagem interdisciplinar, que examine as questões ambientais do ponto de vista local, regional, nacional e internacional, que se concentre nas situações ambientais atuais, que ajude a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais, que destaque a complexidade dos problemas ambientais e que utilize diversos espaços pedagógicos e uma ampla variedade de métodos para comunicar e adquirir conhecimentos no ambiente, realçando as atividades práticas e as experiências individuais que resultem em transformações nas esferas individuais e coletivas. Palavras-chave: Jogo educativo; doença; promoção de saúde; educação ambiental. 7 ABSTRACT This research focuses on the educational game, specifically the construction of an educational game for teaching the topics of environmental health - water-borne diseases and diseases related to accumulation of solid waste (garbage) - to be used in high school. Thus, it is expected to help the students to be co-builders of a better quality of life for themselves, for their families, for your community, your country and the planet Earth, so it makes promotion health through health education and environmental education. In carrying out this research, a review of literature, and as a result of that, the construction of an educational game and the preparation of four articles, which are on the theoretical aspects of the educational game on the promotion of health and its connection environmental education on the approach to health and environment by using educational games and examples on the relationship between environmental education, health and environment as the article about the deforestation of the Amazon and ecoepidemiologia of Trypanosoma cruzi. It is important that environmental education is critical, transforming, and to consider the environment in its entirety, applying an interdisciplinary approach to examine environmental issues from the standpoint of local, regional, national and international level that focuses on current environmental situations that helps them discover the symptoms and real causes of environmental problems, emphasizing the complexity of environmental problems and to use various pedagogical spaces and a wide variety of methods to communicate and acquire knowledge on the environment, highlighting the practical activities and individual experiences resulting in changes in individual and collective spheres. Keywords: Educational game; disease; health promotion; environmental education. 8 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BVS – Biblioteca Virtual em Saúde CDC – Centers for Disease Control and Prevention COM-VIDA – Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida FUNASA – Fundação Nacional de Saúde IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente OMS – Organização Mundial de Saúde OPAS – Organização Panamericana de Saúde PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais PNEA – Política Nacional de Educação Ambiental PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento SCIELO – Scientific Library Online WHO – World Health Organization 9 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------- 11 2. QUESTÃO NORTEADORA ------------------------------------------------------------------ 14 3. HIPÓTESES ------------------------------------------------------------------------------------ 15 4. MÉTODOS -------------------------------------------------------------------------------------- 16 4.1. INVESTIGAÇÃO TEÓRICA --------------------------------------------------------------- 16 4.2. PRODUTO FINAL: Jogo educativo chamado Gaia ----------------------------------- 16 5. RESULTADOS -------------------------------------------------------------------------------- 17 5.1. ARTIGO 1: Promoção da Saúde e Educação Ambiental: conexões necessárias.---- 18 5.2. ARTIGO 2: Vida e Morte na Amazônia: o desmatamento e a ecoepidemiologia da Infecção por Trypanosoma cruzi como temática para a educação ambiental na formação de profissionais de saúde ----------------------------------------------------------------------------- 31 5.3. ARTIGO 3: Jogos Educativos: questões teóricas atuais. ----------------------------- 42 5.4. ARTIGO 4: Os caminhos de Gaia: a abordagem de saúde e ambiente utilizando jogos educativos. ---------------------------------------------------------------------------------------- 53 6. DISCUSSÃO ----------------------------------------------------------------------------------- 65 7. CONCLUSÕES -------------------------------------------------------------------------------- 67 8. REFERÊNCIAS GERAIS--------------------------------------------------------------------- 68 9. ANEXOS ---------------------------------------------------------------------------------------- 75 9.1. Anexo 1: O tabuleiro do jogo educativo chamado Gaia ------------------------------ 75 9.2. Anexo 2: Cartas dos sinais de alerta ----------------------------------------------------- 76 9.3. Anexo 3: Cartas sobre doenças ----------------------------------------------------------- 80 9.4. Anexo 4: Peões do jogo -------------------------------------------------------------------- 96 9.5. Anexo 5: Anais do I ENEC ---------------------------------------------------------------- 97 9.6. Anexo 6: Congresso Mundial de Saúde Pública, Istambul/Turquia ---------------- 99 9.7. Anexo 7: Anais do II ENEC -------------------------------------------------------------- 100 10. A jornada acadêmica no mestrado ------------------------------------------------------- 102 10 1. INTRODUÇÃO As relações entre saúde e meio ambiente são extremamente complexas, especialmente neste alvorecer do século XXI. O desenvolvimento tecnológico cada vez mais acelerado tem trazido alguns efeitos deletérios para a saúde do ser humano, não tem trazido distribuição de seus benefícios, além de criar novos problemas – como os ambientais e os de saúde -, tornando complexos os impactos deste desenvolvimento. No Brasil, um país marcado pelas desigualdades sociais, há vários problemas de saúde pública, como os decorrentes de depósitos de resíduos urbanos e/ou industriais, e aqueles decorrentes da falta de saneamento básico. “É preciso buscar horizontes de mudança – ou, como se diria atualmente, novos modelos de desenvolvimento – que permitam superar a herança predatória, em termos ambientais e sociais, originada nas raízes coloniais e escravistas que marcaram profundamente a sociedade brasileira. A construção desses novos modelos, por outro lado, enfim, deve estar fundamentada no debate racional, na ousadia, progressista e no melhor conhecimento científico e tecnológico. As lutas pela democracia e pelo cuidado ambiental no Brasil devem fazer parte de um mesmo movimento histórico transformador, voltado para o fortalecimento do sentido de nação e cidadania e, através desse fortalecimento, pela defesa do espaço coletivo, do bem público e da qualidade de vida” (PÁDUA, 2002, p. 35). Ao se abordar a saúde ambiental, a interdisciplinaridade é essencial para que se articulem, adequadamente, o cuidado ao meio ambiente e a atenção à saúde, nos seguintes termos: “pensar na complexidade das situações ambientais ou problemas de saúde a elas relacionados significa pensar em elementos articulados entre si, conformando situações sempre mutantes e que vão construindo, em um processo dinâmico característico, a sua própria história. A compreensão desse movimento e dessa história é que permite uma intervenção eficaz em situações de risco” (PALACIOS et al., 2004, p. 106). Neste âmbito ganha relevância o conceito de promoção de saúde o qual, no seu modelo global, leva em consideração os determinantes biológicos, psicológicos e socioculturais para que se alcance a saúde, como definida pela OMS, isto é, representando um bem-estar físico, social e mental; também não se pode esquecer a educação, pois ela é uma intervenção viável para que haja o desenvolvimento de um processo educativo sempre ligado à prevenção objetivando a melhoria das condições de vida e de saúde das populações. A educação para a saúde deve ser realizada como um processo ativo, crítico e transformador, no intuito de construir coletivamente o saber (Oliveira et al., 2007). Entre as estratégias que podem ser utilizadas com este intuito está o jogo educativo, uma importante ferramenta pedagógica, uma alternativa metodológica para auxiliar o estudante 11 a se apropriar dos conceitos de saúde ambiental, especificamente as doenças de veiculação hídrica e aquelas relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo). A Agenda 21 Brasileira destaca a necessidade da identificação de alguns problemas ambientais que causam agravos à saúde, como águas dos rios e subterrâneas contaminadas e que são utilizadas para consumo humano, drenagem inadequada das águas pluviais, produzindo reservatórios que facilitam a reprodução de hospedeiros e vetores, resíduos sólidos – lixo urbano e detritos industriais – que influenciam na emergência e ressurgência de doenças infecciosas, assim como alteram o meio ambiente, favorecendo surtos epidêmicos e sua contaminação por agentes químicos e biológicos. (BRASIL, MMA, 2009). Segundo os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais, BRASIL, MEC, 1998), os jogos educativos podem ser utilizados como estratégias didáticas, na medida em que o jogar permite o contato com muitos objetivos essenciais para o desenvolvimento humano, incluindo-se o desenvolvimento de habilidades físicas, afetivas, sociais e intelectuais e da criatividade, além de permitir uma maior socialização (SOLER, 2008, p. 29). Além disso, os jogos educativos podem ser considerados uma atividade lúdica, sendo esta uma atividade ampla, relacionada à idéia de jogo, brincadeira e brinquedo. Para Koslosky (apud Carneiro et al., 2000), os mecanismos e instrumentos associados a jogos são importantes e eficientes em situações de ensino-aprendizagem, pois propiciam a construção do conhecimento e possibilitam “o acesso da criança a vários tipos de conhecimentos e habilidades” (Koslosky, 2000, p. 63, citado por Carneiro et al., 2000). Finalizando, o jogo educativo é um recurso didático que serve como material de suporte para a transmissão de uma mensagem, para comunicar idéias, representar hipóteses que tendem a solucionar situações problemáticas, e principalmente para permitir conexões com outras áreas do conhecimento, com os saberes dos alunos, sempre valorizando o repasse de práticas ambientais sustentáveis para que a escola, o bairro e a vida sejam mais saudáveis através de uma reflexão crítica, atuante, contínua e duradoura de modo que se construa uma sociedade sustentável através da educação ambiental globalizadora e interdisciplinar. “Educação Ambiental é uma proposta de filosofia de vida que resgata valores éticos, estéticos, democráticos e humanistas. Seu objetivo é assegurar a maneira de viver mais coerente com os ideais de uma sociedade sustentável e democrática. Conduz a repensar velhas fórmulas e a propor ações concretas para transformar a casa, a rua, o bairro, as comunidades. Parte de um princípio de respeito à diversidade natural e cultural, que inclui a especificidade de classe, de etnia e de gênero, a educação deve ser o portal para o desenvolvimento sustentável e essa sustentabilidade é o novo paradigma do desenvolvimento econômico e social” (CAMARGO, 2002, p. 22, citado por MASCARENHAS, 2010). Esta dissertação consta de quatro artigos intitulados: Promoção da Saúde e Educação Ambiental: conexões necessárias; Vida e Morte na Amazônia: o desmatamento e a ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi como temática para educação 12 ambiental na formação de profissionais de saúde; Jogos Educativos: questões teóricas atuais; e Os caminhos de Gaia: a abordagem de saúde e ambiente utilizando jogos educativos. Além disso, houve a construção de um jogo educativo, chamado Gaia, que trata de temas de saúde ambiental, especificamente doenças de veiculação hídrica e doenças relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo). 13 2. QUESTÃO NORTEADORA Os jogos educativos podem ser métodos pedagógicos úteis para a abordagem de temas de saúde ambiental no ensino médio? 14 3. HIPÓTESES A. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC, 1998), os jogos educativos podem ser utilizados como estratégias didáticas, especialmente no ensino de matemática e biologia. B. A Educação em Saúde é uma atividade-meio para que se alcance a Promoção da Saúde (Melo, 2009). C. A Educação Ambiental crítica permite pensar a educação indissociável do processo de transformação social e de realização do sujeito em sociedade e no mundo, do cidadão planetário (Loureiro, 2006, p. 112). 15 4. MÉTODOS O presente estudo foi planejado e desenvolvido em dois momentos, – investigação teórica e elaboração do produto final – apreciados a seguir: 4.1. Investigação teórica Esta investigação constou dos seguintes passos: (1) Execução de revisão da literatura sobre os conceitos abordados, visando um melhor entendimento dos aspectos envolvidos na questão, assim como uma análise crítica destes conceitos, expondo, brevemente, alguns dos seus problemas teóricos. Para a busca das referências bibliográficas utilizou-se a Scientific Eletronic Library Online (SCIELO) – descritores: (1) “Educação” + “Saúde” + “Educação ambiental” + “Promoção de Saúde”+ “Empoderamento”; (2) “Moléstia de Chagas” + “Trypanosoma cruzi” + “Amazônia” + “Educação ambiental”; (3) “Educação” + “Teoria dos jogos” + “Jogo educativo”; (4) “Doença” + “Educação” + “Jogo educativo” + “Meio ambiente” + “Saúde” + “Políticas” – e livros-textos da área de Educação Ambiental, de Medicina Interna, de Jogos Educativos, e documentos oficiais governamentais. (2) A partir da leitura dos manuscritos, estabeleceu-se a relação entre o ambiente e saúde, além das aplicações pedagógicas dos jogos educativos, estabelecendo assim a inter-relação entre os problemas ambientais e os de saúde, e suas implicações na saúde humana assim como o incentivo à promoção de saúde através da educação em saúde para que se tenha uma melhor qualidade de vida. 4.2. O Produto Final Elaborou-se como produto final um jogo educativo sobre temas de Saúde Ambiental, enfatizando-se, especificamente, as doenças de veiculação hídrica e as enfermidades relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo), dentre as quais se destacam: 1. Amebíase; 2. Ascaridíase; 3. Cólera, 4. Criptosporidiose; 5. Dengue; 6. Febre Tifóide; 7. Hepatite A; 8. Hepatite E; 9. Esquistossomose; 10. Leptospirose,;11. Giardíase; 12. Shiguelose; 13. Peste; 14. Doenças diarréicas agudas; 15. Hantaviroses. Acerca destas moléstias foram descritos os respectivos agentes etiológicos, os reservatórios, modos de transmissão, quadro clínico e medidas de profilaxia e controle. No início do jogo, foram enfatizados os sinais de alerta os quais seriam informações sobre a situação de saneamento, fornecimento de água potável, produção de resíduos sólidos e sua destinação no Brasil e no mundo para que os alunos e professores entendam a gravidade e a importância da temática ambiental e o quão intimamente ela está ligada à saúde do ser humano. 16 5. RESULTADOS Os resultados da investigação teórica realizada foram organizados, para publicação e apresentação da dissertação, em quatro artigos – além de um jogo educativo como produto final – submetidos à seguinte ordenação: (1) Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Promoção da Saúde e Educação Ambiental: conexões necessárias. (2) Gomes, A. P.; Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Vida e Morte na Amazônia: o desmatamento e a ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi como temática para a educação ambiental na formação de profissionais de saúde. (Apresentado na Primeira Edição do Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde do Ambiente como pôster, realizado no período de 15 a 17 de maio de 2008, no Campus do Centro Universitário Plínio Leite, em Niterói/RJ). (3) Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Gomes, A. P.; Siqueira-Batista, R. Jogos Educativos: questões teóricas atuais. (Apresentado na Segunda Edição do Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde do Ambiente como pôster, realizado no período de 12 a 15 de maio de 2010, no Campus do Centro Universitário Plínio Leite, em Niterói/RJ; Apresentado 12º Congresso Mundial de Saúde Pública como pôster, realizado no período de 27 de abril a 1 de maio de 2009 em Istambul, Turquia). (4) Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Os caminhos de Gaia: a abordagem de saúde e ambiente utilizando jogos educativos. (5) Produto final: Jogo Educativo, chamado Gaia, que trata de temas de Saúde Ambiental, especificamente doenças de veiculação hídrica e doenças relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo). A seguir apresenta-se a versão integral dos quatro artigos, mais as imagens do produto final – o jogo educativo (Anexo 1). 17 ARTIGO 1 Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Promoção da Saúde e Educação Ambiental: conexões necessárias. 18 PROMOÇÃO DA SAÚDE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONEXÕES NECESSÁRIAS Marcos Antonio dos Santos Giselle Rôças Rodrigo Siqueira-Batista RESUMO O presente artigo tem por objetivo discutir aspectos da relação entre educação e saúde no domínio dos atuais debates sobre promoção da saúde. Para tal, foi realizada revisão bibliográfica na base de dados Scientific Library Online (SCIELO), com a utilização dos seguintes descritores: “saúde”, “educação”, “educação ambiental”, “promoção de saúde” e “empoderamento”. Conforme os documentos das conferências internacionais de promoção da saúde, este artigo reitera que se faz necessária uma abordagem socioambiental dos determinantes da saúde de modo que as condições de vida para a saúde individual e coletiva estejam no centro das atenções a fim de se alcançar justiça social, eqüidade, educação, saneamento, paz, habitação e salários apropriados – todos determinantes para um maior controle da saúde. Palavras-chave: Saúde; Empoderamento. Educação; Educação ambiental; Promoção de Saúde; ABSTRACT This article aims to discuss aspects of the relationship between education and health in the field of current debates on health promotion. For this purpose, literature review was performed on the database Scientific Library Online (SciELO), using the following keywords: "health", "education", "health education", "health promotion" and "empowerment." As the documents of international conferences on health promotion, this article confirms that an approach is necessary for socio-environmental determinants of health so that the living conditions for the individual and collective health are the focus of attention in order to achieve social justice, equity, education, sanitation, peace, appropriate housing and wages - all vital for a greater control of health. Keywords: Health; Empowerment. Education; Environmental Education; Health Promotion; 19 INTRODUÇÃO A I Conferência Mundial de Promoção da Saúde realizada em Ottawa, Canadá, em 1986 – a qual teve como resultado a publicação da Carta de Ottawa –, teve como principal mérito a reiteração das condições e requisitos para a saúde, destacando-se a paz, a educação, a moradia, a alimentação, a renda, a justiça social, a equidade e o ecossistema estável (BRASIL, 2002). Segundo a International Joint Comission of Great Lake (apud Minayo, 2002, p. 181), o termo ecossistema é definido como “um conjunto de ar, água e solo e organismos vivos, interagindo em determinado espaço”. Esta conceituação pode ser aplicada à saúde – ou seja, abordagem ecossistêmica da saúde – reconhecendo-se a existência de uma interação dinâmica entre os diversos determinantes do processo saúde-doença, visando à promoção da saúde através de uma conscientização individual e coletiva. Na discussão da abordagem ecossistêmica da saúde, doenças de veiculação hídrica, doenças relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo) e moléstias transmitidas por vetores – como a doença de Chagas – tornam-se importantes exemplos de agravos relacionados a determinantes sociais, econômicos e ambientais da saúde, pois elas têm sido relacionadas ao acesso desigual à água, à ausência de saneamento, à precariedade das moradias, à destinação inadequada do lixo, ao aumento das fronteiras agrícolas, ao desmatamento reduzindo áreas verdes e perdas dos habitats naturais, o que caracteriza uma proposta não sustentável de desenvolvimento: “O modelo atual de desenvolvimento do mundo não é sustentável, pois perda da diversidade ecológica e cultural, pobreza e desigualdade social, bem como as alterações climáticas tendem a aumentar a vulnerabilidade da vida humana e dos ecossistemas do planeta” (RATTNER, 2009, p. 7). Nestes termos, determinados grupos são submetidos ao risco e à vulnerabilidade ambiental quando ocorrem ameaças à suas condições de vida ou trabalho, sendo que a realização de ações sócio-educativas com a distribuição de materiais didáticos nas escolas, instituições e comunidades promove e intensifica a política de educação ambiental em todos os níveis de ensino e em todos os segmentos de forma universal e multidisciplinar. Com efeito, faz-se necessária uma mudança no modelo de desenvolvimento econômico de modo que haja promoção da saúde sempre se observando determinantes de saúde e do meio ambiente, estimulando uma crescente conscientização da sociedade para que haja padrões sustentáveis de produção e de urbanização. O presente artigo apresenta alguns conceitos acerca da articulação entre saúde, educação e ambiente no domínio dos atuais debates sobre promoção da saúde, assim como reitera que a promoção de saúde não é de responsabilidade exclusiva do setor saúde, mas sim de diversos setores do governo municipal, estadual e federal. 20 MÉTODOS Trata-se de um artigo de revisão cuja construção se deu após levantamento bibliográfico na base de dados Scientific Library Online (SCIELO), utilizando-se os seguintes descritores “saúde” (health), “educação” (educação), “promoção de saúde” (health promotion), “educação ambiental” (environmental education) e “empoderamento” (empowerment). A segunda etapa referiu-se à leitura dos manuscritos e identificação das idéias centrais dos mesmos – 50 artigos (sendo alguns selecionados), livros e documentos oficiais; e por último, houve a construção de uma síntese reflexiva sobre o tema. RESULTADOS E DISCUSSÃO A promoção de saúde: marcos históricos e conceituais A Carta de Ottawa (1986) define a promoção de saúde como “o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo” (apud Buss, 2000, p. 167). E para que isto ocorra, a OMS (1984) destaca que “o empoderamento e a participação social são princípios-chave, sendo a efetiva e concreta participação social estabelecida como objetivo essencial da promoção de saúde”. Para Carvalho (2008), a Promoção à Saúde constitui, nos dias de hoje, um dos principais modelos-conceituais que subsidiam políticas de saúde em todo o mundo. Documentos publicados pela Organização Mundial de Saúde e em outros eventos internacionais reforçam um abordagem socioambiental de modo que as condições de vida para a saúde individual e coletiva estejam no centro das atenções para que se alcance a justiça social, a eqüidade, a educação, o saneamento, a paz, a habitação e salários apropriados – todos determinantes para um maior controle da saúde. Segundo Buss (1999), a promoção da saúde é caracterizada pela constatação dos determinantes gerais sobre as condições de saúde. Para ir além dos cuidados de saúde, fazse necessária a construção de políticas públicas saudáveis, a criação de ambientes favoráveis, o reforço da ação comunitária, o desenvolvimento de habilidades pessoais e a reorientação dos serviços de saúde sempre visando à construção de uma saúde baseada na participação ativa, consciente e permanente da população. Um componente básico na promoção de saúde é a educação para a saúde definida já em 1969 pela Organização Mundial da Saúde como “uma ação exercida sobre os indivíduos no sentido de modificar os seus comportamentos, a fim de adquirirem e conservarem hábitos saudáveis de saúde, aprenderem a usar judiciosamente os serviços de saúde que têm à sua disposição e estarem capacitados para tomar, individual ou 21 coletivamente, as decisões que implicam a melhoria do seu estado de saúde e o saneamento do meio em que vivem” (DIAS et al., 2004). Enfim, educação e saúde precisam ser entendidas como instâncias profundamente articuladas à questão ambiental. Segundo a Carta de Ottawa (1986), (1) defesa da causa, (2) capacitação e (3) mediação são as três estratégias fundamentais para da promoção de saúde de modo que haja construção de políticas públicas saudáveis, reforço da ação comunitária, desenvolvimento de habilidades pessoais, reorientação dos serviços de saúde e criação de ambientes favoráveis. Algumas outras Conferências Internacionais foram realizadas no mundo, havendo a produção de outros documentos importantes, como a Declaração de Alma-Ata, Declaração de Adelaide, Declaração de Sundswall, Declaração de Santafé de Bogotá, Declaração de Jacarta, Rede de Megapaíses. As tabelas 1 e 2 apresentam uma breve cronologia da promoção de saúde no mundo e no Brasil: Tabela 1: Promoção de Saúde: uma breve cronologia 1974 – Informe Lalonde: Uma Nova Perspectiva sobre a Saúde dos Canadenses/A New Perspective on the Health Of Canadians 1976 – Prevenção e Saúde: Interesse para Todos, DHSS (Grã-Bretanha) 1977 – Saúde para Todos no Ano 2000 - 30ª Assembléia Mundial de Saúde 1978 – Conferência Internacional sobre Atenção Primária de Saúde – Declaração de Alma-Ata 1979 – População Saudável/Healthy People: The Surgeon General’s Report on Health Promotion and Disease Prevention, US-DHEW (EUA) 1980 – Relatório Black sobre as Desigualdades em Saúde/Black Report on Inequities in Health, DHSS (Grã-Bretanha) 1984 – Toronto Saudável 2000 – Campanha lançada no Canadá 1985 – Escritório Europeu da Organização Mundial da Saúde: 38 Metas para a Saúde na Região Européia 1986 – Alcançando Saúde para Todos: Um Marco de referência para a Promoção da Saúde/Achieving Health for All: A Framework for Health Promotion – Informe do Ministério da Saúde do Canadá, Min. Jack Epp Carta de Ottawa sobre a Promoção da Saúde – I Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Canadá) 22 1987 – Lançamento pela OMS do Projeto Cidades saudáveis 1988 – Declaração de Adelaide sobre Políticas Públicas Saudáveis – II Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Austrália) De Alma-Ata ao ano 200: Reflexões no Meio do Caminho – Reunião Internacional promovida pela OMS em Riga (URSS) 1989 – Uma chamada para Ação/A Call for Action – Documento da OMS sobre promoção da saúde em países em desenvolvimento 1990 – Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre a Criança (Nova York) 1991 – Declaração de Sundsvall sobre Ambientes Favoráveis à Saúde – III Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Suécia) 1992 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92) Declaração de Santa Fé Bogotá – Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde na Região das Américas (Colômbia) 1993 – Carta do Caribe para a Promoção da Saúde – I Conferência de Promoção da Saúde do Caribe (Trinidad e Tobago) Conferência das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos (Viena) 1994 – Conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento (Cairo) 1995 – Conferência das Nações Unidas sobre a Mulher (Pequim) Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Social (Copenhague) 1996 – Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Habitat II) (Istambul) Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre Alimentação (Roma) 1997 – Declaração de Jacarta sobre a Promoção da Saúde no Século XXI em diante – IV Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Indonésia) Fonte: citado por BUSS, P.M. Promoção da Saúde e Qualidade de Vida. Ciência & Sáude Coletiva, jan-mar, ano 2000/vol 5, ABRASCO, Rio de Janeiro, Brasil, pp. 163-177. 23 Tabela 2: Promoção de Saúde no Brasil: uma breve cronologia DÉCADA DE 70 • Críticas ao modelo assistencial vigente, centrado na assistência médico-hospitalar. Medicina social. Ciências sociais em saúde. Tese O Dilema Preventivista, de Sérgio Arouca • Surgimento dos primeiros projetos de atenção primária / medicina comunitária (Montes Claros/MG, Papucaia/RJ e Niterói/RJ) • Surgimento do “movimento sanitário” • Conferência internacional sobre Atenção Primária e Declaração Alma-Ata DÉCADA DE 80 • Movimento de redemocratização do país • Protagonismo político do “movimento sanitário” • Preparação da VII Conferência Nacional de Saúde, com afirmação de princípios da promoção da saúde (sem este rótulo): determinação social e intersetorialidade. No Canadá, aparece a Carta de Ottawa (1986) • Processo constituinte, com grande participação do “movimento sanitário” (19861988) • Constituição Federal, com características de promoção da saúde (1988) DÉCADA DE 90 • Lei Orgânica da Saúde, reafirmando os princípios promocionais da Constituição (1990) • Organização dos Conselhos de Saúde em todos os níveis: participação social, composição paritária, representação intersetorial (1991) • Rio 92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992) • Plano Nacional de Saúde e Ambiente: elaborado, não sai do papel (1995) • (a partir de 1995) PACS e PSF; NOB 96 (Piso Assistencial Básico); Pesquisa Nacional de Opinião sobre Saúde; Debates sobre Municípios Saudáveis • Surgimento da revista Promoção da Saúde (Ministério da Saúde) e anúncio do I 24 Fórum Nacional sobre Promoção da Saúde (1999) ANO 2000 • Em setembro de 2005, o Ministério da Saúde definiu a Agenda de Compromisso pela Saúde que agrega três eixos o Pacto em Defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), o Pacto em Defesa da Vida e o Pacto de Gestão. • Em dezembro de 2009: Primeira Conferência Nacional de Saúde Ambiental cujo lema foi “Saúde e Ambiente: vamos cuidar da gente!”. Fonte: citado por BUSS, P.M. Promoção da Saúde e Qualidade de Vida. Ciência & Sáude Coletiva, jan-mar, ano 2000/vol 5, ABRASCO, Rio de Janeiro, Brasil, pp. 163-177 (modificada pelos autores). É preciso reconhecer que nossas sociedades são complexas e que, na criação de ambientes favoráveis, faz-se necessária uma visão mais abrangente sobre a questão da saúde, agregando o meio ambiente o que constitui uma abordagem sócio-ecológica da saúde (Brasil, 2002). Ao se valorizar o ambiente como fator determinante de agravos à saúde, a sociedade pode de maneira reflexiva constatar a degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, adotar um posicionamento crítico face à crise socioambiental e atuar de modo transformador para que haja efetivamente promoção à saúde. A questão ambiental e a promoção da saúde Após a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em Ottawa, em novembro de 1986 – na qual já se aborda, explicitamente, a questão ambiental como partícipe do processo saúde-doença - foram realizadas outras conferências de caráter internacional – Adelaide (1988), Sundsvall (1991), Jacarta (1997) e México (1999) –, e outras duas de caráter sub-regional em Bogotá (1992) e Port of Spain (1993); todas reiteraram o conceito moderno de promoção da saúde no qual constata-se o papel protagonista dos determinantes gerais sobre as condições de saúde, incluindo aqui as relações entre as coletividades e o ambiente, compreendido num sentido amplo, de ambiente físico, social, político, econômico e cultural. A Conferência de Adelaide, segunda conferência internacional sobre promoção da saúde, ocorrida na Austrália em 1988, destacou o desenvolvimento de políticas públicas saudáveis a fim de que fossem criados ambientes favoráveis para que a população tivesse acesso aos meios imprescindíveis para uma vida saudável e satisfatória e que isto poderia ser conseguido através da redução das disparidades sociais e de ações concretas nos níveis nacional, regional e local de cada governo afim de que se conservassem os recursos naturais, mediante estratégias de alcance global, regional e local; também reiterou que os 25 movimentos ecológicos deveriam juntar suas forças com a saúde pública para que houvesse um desenvolvimento sustentável (WHO, 2010). A Conferência de Sundsvall, terceira conferência internacional sobre promoção da saúde, ocorrida na Suécia em 1991, reiterou que a criação de ambientes saudáveis era de suma importância para a promoção da saúde e que ambientes e saúde eram indissociáveis. Também afirmou que as iniciativas deveriam ser multisetoriais sempre visando à criação de um ambiente mais favorável e fomentador da saúde. E para isto, sublinhou quatro aspectos para um ambiente favorável e promotor da saúde: 1. a dimensão social no qual deveriam ser levados em consideração as normas, costumes e processos sociais que afetassem a saúde; 2. a dimensão política na qual os governos deveriam estar comprometidos com a participação democrática nos processos de decisão e com os direitos humanos; 3. a dimensão econômica na qual deveria haver o reescalonamento dos recursos para a saúde e o desenvolvimento sustentável; 4. a necessidade de reconhecer e utilizar a capacidade das mulheres em todos os setores. A Conferência de Sundsvall alertou a comunidade internacional para o estabelecimento de novos mecanismos para a prestação de contas dos setores saúde e ambiente, sendo a educação um elemento-chave para realizar as mudanças políticas, econômicas e sociais necessárias para tornar a saúde possível para todos, durante toda a vida (BRASIL, 2002). A Conferência de Jacarta, quarta conferência internacional de promoção da saúde, ocorrida na Indonésia em 1997, inovou ao incluir o setor privado no apoio à promoção da saúde, além de ter dito que os fatores transnacionais representaram significativo impacto para a saúde, incluindo-se aqui a degradação ambiental devida ao uso irresponsável dos recursos (BRASIL, 2002). A Declaração do México, quinta conferência internacional sobre a promoção da saúde, ocorrida na Cidade do México em junho de 2000, constatou que houve uma melhoria significativa da saúde e progresso na provisão de serviços de saúde em muitos países do mundo e ao mesmo tempo constatou que muitos problemas de saúde persistiram e que havia a necessidade urgente de abordar os determinantes sociais, econômicos e ambientais da saúde a fim de se alcançar a eqüidade e uma melhor saúde para todos (BRASIL, 2002). Em relação à Declaração de Santafé de Bogotá, ocorrida na Colômbia em novembro de 1992, houve uma ênfase na promoção da saúde na América Latina cujo desafio consistiu e ainda consiste em transformar as relações de iniqüidade agravadas pelas crises econômicas e pelos programas de políticas de ajuste macroeconômico. Enfatizou que o incentivo a políticas públicas, que garantissem a eqüidade e favorecessem a criação de ambientes e opções saudáveis, fosse indispensável para modificar fatores condicionantes, como os ambientais, criar e manter ambientes físicos, naturais e outros que tivessem a intenção de promover a vida, e não degradá-la (BRASIL, 2002). É preciso lembrar que alguns problemas persistem e muitas vezes se acentuam, como o crescimento da população, a degradação do meio ambiente, a urbanização crescente, as desigualdades na distribuição de renda, o aumento progressivo da transferência do trabalho 26 de risco para países em desenvolvimento e todas estas mudanças possuem conseqüências múltiplas, principalmente ambientais, sendo necessário o empoderamento e a participação social considerados princípios-chave para que se alcance a promoção de saúde. “É essencial o desenvolvimento do empoderamento da população para que as pessoas, as organizações, as comunidades assumam o controle de seus próprios assuntos, de sua própria vida e tomem consciência da sua habilidade e competência para produzir, criar e gerir” (ROMANO et al., 2002, p. 47). A Política Nacional de Educação Ambiental, lei nº 9795, de 27 de abril de 1999, dispõe, em seu primeiro artigo, a definição de Educação Ambiental como “os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (PNEA, 1999). Para o PNEA (1999), no seu capítulo I, capítulo da Educação Ambiental, seus princípios são: “(1) o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; (2) a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o sócio-econômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; (3) o pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade; (4) a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; (5) a permanente avaliação crítica do processo educativo; (6) a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; (7) o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural”. É preciso que a Educação Ambiental seja emancipatória e transformadora de modo que haja uma consciência crítica permanente. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em defesa de um maior controle social da saúde, há a necessidade de se formular políticas públicas de saneamento básico, ambiental e educação ambiental comprometidas com a eqüidade social e com a cidadania ambiental ativa, como reiterada pelas conferências internacionais de promoção da saúde, para que haja estímulo e fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social. Os defensores do empoderamento, ou seja, da necessidade de ampliação do poder para outros grupos que façam parte do processo educativo, defendem que essa estratégia reduz 27 as desigualdades sociais educacionais, permitindo que os estudantes pobres tenham acesso a uma educação de melhor qualidade (Castro, 2008), sendo imprescindível que haja o fortalecimento da escola pública para que haja criação de uma cultura de participação para todos os seus segmentos, e a melhoria das condições efetivas para que essa participação possa se efetivar. É preciso valorizar a “educação empoderadora” (Carvalho et al., 2008) para que o professor (ou o profissional de saúde) e aluno (ou usuário dos serviços de saúde) se tornem mais críticos afim de tornarem-se agentes transformadores – para melhor – do mundo em que vivemos. E isto se torna evidente em Loureiro (2006, p. 94) para o qual “a Educação Ambiental emancipatória e transformadora parte da compreensão de que o quadro de crise em que vivemos não permite soluções compatibilistas entre ambientalismo e capitalismo ou alternativas moralistas que descolam o comportamental do históricocultural e do modo como a sociedade está estruturada. O cenário no qual nos movemos, de coisificação de tudo e de todos, de banalização da vida, de individualismo exacerbado e de dicotomização do humano como ser descolado da natureza é, em tese, antagônico a projetos ambientalistas que visam à justiça social, ao equilíbrio ecossistêmico e à indissociabilidade entre humanidade-natureza” (LOUREIRO, 2006, p. 94). O presente artigo teve como objetivo contribuir para a construção de uma visão interdisciplinar entre educação, saúde e meio ambiente para que haja reflexões e construção de uma consciência de que é preciso agir, de maneira rápida e consciente, nas sociedades por diferentes meios e formas, local e globalmente para que tenhamos um presente e um futuro melhor. 28 REFERÊNCIAS BRASIL. Política Nacional de Educação Ambiental. Lei nº 9795, de 27 de abril de 1999, Diário Oficial, Atos do Poder Legislativo, Brasília, Distrito Federal. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretarias de Políticas Públicas. Projeto Promoção da Saúde. As cartas da Promoção da saúde. Carta de Ottawa. Brasília, 56 p., 2002. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretarias de Políticas Públicas. Projeto Promoção da Saúde. As cartas da Promoção da Saúde. Declaração de Sundsvall. Brasília, 56 p., 2002. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretarias de Políticas Públicas. Projeto Promoção da Saúde. As cartas da Promoção da Saúde. Declaração de Jakarta. Brasília, 56 p., 2002. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretarias de Políticas Públicas. Projeto Promoção da Saúde. As cartas da Promoção da Saúde. Declaração do México. Brasília, 56 p., 2002. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretarias de Políticas Públicas. Projeto Promoção da Saúde. As cartas da Promoção da Saúde. Declaração de Santafé de Bogotá. Brasília, 56 p., 2002. BUSS, P. M. Promoção da Saúde e Qualidade de Vida. Ciência e Saúde Coletiva, janmar, ano 2000, vol. 5, nº 1. Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, pp. 163-177. BUSS, P. M. Promoção e educação em saúde no âmbito da Escola de Governo em Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 15(Sup. 2):177-185, 1999. CARVALHO, S. R.; GASTALDO, D. Promoção à saúde e empoderamento: uma reflexão a partir das perspectivas crítico-social pós-estruturalista. Ciência & Saúde Coletiva, 13(Sup 2):2029-2040, 2008. CASTRO, A. M. D. A. Accountability e empoderamento: estratégias gerenciais na escola. Conferência Internacional: Educação, Globalização e Cidadania. Novas perspectivas da Sociologia da Educação. João Pessoa (UFPB). 19 A 22 de fevereiro de 2008. Disponível em www.jurandirsantos.com.br/.../accountability_uma_nova_estrategia_de_controle_da_gesta o_escolar.pdf Acesso em 15 de maio de 2010. DIAS, M. R.; DUQUE, A. F.; SILVA, M. G.; DURÁ, E. Promoção da saúde: O renascimento de uma ideologia?. Análise Psicológica (2004), 3 (XXII): 463-473. LOUREIRO, C. F. B. Trajetória e fundamentos da educação ambiental. 2 Paulo: Cortez, 2006. edição. São 29 MINAYO, M. C. S. Saúde e ambiente sustentável: estreitando nós. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2002, 344 p. RATTNER, H. Meio ambiente, saúde e desenvolvimento sustentável. Ciência & Saúde Coletiva, 14 (6):1965-1971, 2009. ROMANO, J. O.; ANTUNES, M. Empoderamento e direitos no combate à pobreza. Rio de Janeiro: ActionAid Brasil, 116p., 2002. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Adelaide Statement on Health in All Policies: moving towards a shared governance for health and well-being. WHO, Government of South Australia, Adelaide 2010. Acesso em 15 de julho de 2010: www.who.int/social_determinants/hiap_statement_who_sa_final.pdf WORLD HEALTH ORGANIZATION. Discussion document on the concept and principles. In: Health promotion: concepts and principles, a selection of papers presented at Working Group on Concepts and Principles. Copenhagen: Regional Office for Europe, 1984, p.20-3. 30 ARTIGO 2 Gomes, A. P.; Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Vida e Morte na Amazônia: o desmatamento e a ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi como temática para a educação ambiental na formação de profissionais de saúde. (Apresentado na Primeira Edição do Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde do Ambiente como pôster, realizado no período de 15 a 17 de maio de 2008, no Campus do Centro Universitário Plínio Leite, em Niterói/RJ). 31 VIDA E MORTE NA AMAZÔNIA: O desmatamento e a ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi como temática para a educação ambiental na formação de profissionais de saúde Andréia Patrícia GOMES1 – [email protected] Marcos Antonio DOS SANTOS2 – [email protected] Giselle RÔÇAS2 – [email protected] Marcelo Luiz Carvalho GONÇALVES3 – [email protected] Rodrigo SIQUEIRA-BATISTA1 – [email protected] 1 – Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO)/ Universidade Federal de Viçosa (UFV). 2 – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Campus Nilópolis. 3 – Universidade de Fortaleza (UNIFOR). RESUMO A moléstia de Chagas — antropozoonose causada pelo Trypanosoma cruzi (protozoário pertencente à classe Mastigophora, ordem Kinetoplatida e família Trypanosomatidae), de alta prevalência e de significativa morbidade na América Latina, sendo considerada uma das doenças infecto-parasitárias de maior impacto final no continente — ainda representa importante problema médico e social nos países afetados. Na América Latina, a enfermidade humana afeta aproximadamente 16 milhões de indivíduos e está relacionada a fatores ambientais e sociopolíticos (relações de produção, migrações, educação e ação antrópica sobre a natureza). A transmissão vetorial — importante, ainda, em diferentes regiões — depende, basicamente, da domiciliação do vetor originário de ecótopos silvestres, introduzidos ou não na casa por ação humana, contexto agravado pelo reconhecimento de que, historicamente, a doença afeta indivíduos e regiões pobres, carece de ação do Estado que envolva educação, participação e políticas públicas de modo a assegurar atenção médica e prevenção. No caso da Amazônia, a política ambiental é fator crítico na prevenção da expansão da moléstia de Chagas humana para novas áreas de colonização, podendo-se lançar mão da educação ambiental como importante estratégia para se atuar no problema. Discutir tal abordagem é o escopo do presente trabalho. Palavras-chave: Moléstia de Chagas; Trypanosoma cruzi; Amazônia; Educação ambiental. ABSTRACT The Chagas disease - anthropozoonosis caused by Trypanosoma cruzi (protozoan belonging to the class Mastigophora, order Kinetoplatida and family Trypanosomatidae), high prevalence and significant morbidity in Latin America, considered one of the infectious and parasitic diseases of major impact on the final continent - still represents an important medical problem in affected countries. In Latin America, the human disease affects approximately 16 million individuals and is related to environmental and sociopolitical factors (relations of production, migration, education and human action on 32 nature). The transmission vector - importantly, in different regions - basically depends on the clearance of the vector originating from wild ecotopes, included or not in the house by human action, context, compounded by the recognition that, historically, the disease affects people and poor regions, requires state action involving education, participation and public policies to ensure medical care and prevention. In the Amazon case, environmental policy is a critical factor in preventing the spread of Chagas disease to new areas of human settlement, and we can make use of environmental education as an important strategy to act on the problem. Discuss this approach is the scope of this work. Keywords: Chagas disease; Trypanosoma cruzi; Amazon; Environmental education. 33 INTRODUÇÃO A infecção humana na Amazônia foi documentada em 1969, por ocasião do relato de quatro enfermos com moléstia de Chagas aguda (SHAW et al., 1969). Casos de infecção assintomática, enfermidade aguda e cardiopatia chagásica crônica — inclusive com evolução para o óbito — passaram a ser documentadas na Amazônia brasileira (ALBAJAR, 2003; SIQUEIRA-BATISTA et al., 2007), o que tem motivado debates em torno da situação epidemiológica, na medida em que a mesma tem sido considerada (1) uma enzootia de animais silvestres com eventual infecção do Homo sapiens sapiens, (2) uma antropozoonose emergente ou (3) uma doença endêmica da região (JUNQUEIRA et al., 2005; VALENTE et al, 1999). Mais recentemente, a Organização Panamericana de Saúde publicou documento trazendo os resultados da Segunda Reunião da Iniciativa Intergovernamental de Vigilância e Prevenção da Doença de Chagas na Amazônia, no qual se destaca os seguintes pontos: 1. A doença de Chagas na Amazônia constitui um problema de saúde pública identificado, que está fundamentado na entidade e quantidade, por pesquisas de diferentes instituições dos países integrantes da Sub-região amazônica. 2. A doença de Chagas na Amazônia estima-se que é uma doença endêmica que implica em ser abordada internacionalmente de forma coordenada por uma Iniciativa Subregional (AMCHA). 3. Reconhecendo que a transmissão autóctone de Trypanosoma cruzi aos humanos já existe na Sub-bregião amazônica e reavaliando o objetivo central assumido pela Iniciativa Amazônica (AMCHA) na anterior reunião (Manaus, 2004), propõe-se que o objetivo das ações compartilhadas entre os países da Sub-região seja controlar a transmissão autóctone e importada (OPAS, 2006). O objetivo da presente comunicação inclui: (1) a apresentação dos principais aspectos ecoepidemiológicos da infecção por T. cruzi na região amazônica — a qual inclui diferentes países, tais como Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela (DIAS et al., 2002); e (2) enfocar o papel do desmatamento e a necessidade de se adotar medidas para o gerenciamento das ações antrópicas nesta área, 34 contexto no qual os debates em torna da educação ambiental ganham significativa relevância, mormente ao se reconhecer com toda sua complexidade e abrangência, âmbito que só pode ser abordado, adequadamente, através de um conjunto de experiências e saberes que uma educação ambiental crítica naturalmente possibilita (FIGUEIREDO, 2003). MÉTODOS Trata-se de uma pesquisa teórica apoiada na revisão da literatura. A primeira etapa consistiu na busca de textos, utilizando-se para isto as seguintes fontes: (1) BVS – Biblioteca Virtual em Saúde; (2) PUBMED – U. S . National Library of Medicine; (3) SCIELO – Scientific Eletronic Library Online; e (4) Livros e nos capítulos de livro atinentes ao campo da ecologia e da saúde pública. A segunda etapa referiu-se à leitura dos manuscritos e identificação das idéias centrais dos mesmos; Na terceira e última etapa, foi possível construir-se uma síntese reflexiva sobre o tema. RESULTADOS E DISCUSSÃO A transmissão da moléstia de Chagas na Amazônia apresenta particularidades em relação às demais regiões (VALENTE et al. 1999), na medida em que não são descritos vetores que colonizem o domicílio, cabendo a transmissão às vias oral e vetorial extradomiciliar ou domiciliar eventual (ou seja, sem domiciliação) (BRASIL, 2005). As taxas de desmatamento no território brasileiro vêm aumentando desde a década de 70, tendo alcançado em 2003 o índice de 648,5 x 103 km2 de área desmatada (FERNSIDE, 2005). Embora, a política atual tenha estabelecido como uma de suas prioridades a redução dessas taxas, as principais estratégias utilizadas pelo IBAMA — monitoramento e a repressão — não tem surtido o efeito esperado, uma vez que as mesmas devem não somente ser acompanhas de uma: 35 [...] fiscalização efetiva e a arrecadação de multas daqueles que não possuem autorização do Ibama, contudo, devem ser acompanhadas pela compreensão necessária dos aspectos sociais, econômicos e políticos para se tratar o problema por meio de mudanças na política. [FERNSIDE, 2005, p. 114] Usualmente, aponta-se a perda de biodiversidade e os impactos climáticos como os principais danos causados pelo desmatamento. Entretanto, essa é apenas uma versão resumida e simplista dos fenômenos que efetivamente são acarretados a partir dessa ação antrópica, podendo-se também citar a diminuição ou perda de produtividade do solo, as mudanças no regime hidrológico da região e as emissões de gases que agravam o efeito estufa em função das queimadas, entre outros. Particularmente, a redução das áreas verdes gera também uma perda dos habitats naturais, processo que culmina na busca, por parte de diferentes espécies animais, de novos ambientes para garantir a sua sobrevivência, promovendo um aumento uma migração para novas áreas. Em alguns casos, observa-se que algumas dessas espécies migram para os centros urbanos, em busca de abrigo e alimentação. Pode-se observar, também, o aumento de determinadas populações em função da redução ou extinção do seu predador. É importante ressaltar que tais desequilíbrios ecológicos podem resultar no aumento da oportunidade de infecção por espécies patogênicas ao homem. Particularmente no caso da moléstia de Chagas, percebe-se que o desmatamento da Floresta Amazônica está reduzindo habitats nos quais vivem os predadores naturais do vetor, havendo assim uma ausência do predador e o conseqüente aumento da população de triatomíneos. Ou ainda, há a possibilidade da geração de novos ambientes, nos quais o inseto pode se tornar ecoepidemiologicamente mais eficiente. Nestes termos, Elisabeth de Oliveira Santos, diretora do Instituto Evandro Chagas, relatou em entrevista a jornais locais que: [...] a presença do barbeiro nas cidades está diretamente ligada a uma mudança de hábito do inseto, causada pelo aumento do desmatamento das florestas. [...] Se o contágio foi através das picadas, é a aproximação do barbeiro com as casas, que preocupa, já que ele vive mais nas matas. [SANTOS, 2006] Os impactos são evidentes: o inquérito nacional de 1980, enfocando infecção 36 humana, mostrou a prevalência global de 2,4% no Acre, 1,9% no Amazonas, 0,5% no Pará, 0,4% em Rondônia, 0,3% em Roraima e 0,0% no Amapá (DIAS et al., 2002). Neste âmbito, o ônus de dor e sofrimento em decorrência da infecção chagásica não pode ser minimizado: ainda que seja descrita baixa morbi-mortalidade na Amazônia (JUNQUEIRA et al., 2005), recentemente, vem sendo relatados casos graves de cardiopatia chagásica, alguns dos quais com evolução fatal (ALBAJAR, 2003). SIQUEIRA-BATISTA e colaboradores (2007) descrevem a teia ecoepidemiológica da moléstia de Chagas, assumindo como pressuposto a necessidade de se compreender os principais aspectos biológicos e ecológicos dos triatomíneos e dos reservatórios, possibilitando a elaboração de hipóteses e soluções acerca da circulação e perpetuação do Trypanosoma cruzi. Os principais elementos da teia são: (1) Typanosoma cruzi. As principais fontes de isolados de T. cruzi na Amazônia são os animais silvícolas, quer triatomíneos, quer mamíferos. De um modo geral, há absoluto predomínio dos zimodemas 1 e 3, em oposição ao descrito nas áreas endêmicas brasileiras, nas quais o zimodema 2 é o mais encontrado (MILES et al., 1981). Estas diferenças permanecem como um desafio para a hipótese de que a moléstia de Chagas é uma antropozoonose que evoluiu a partir de uma enzootia de animais selváticos (DIAS & MACEDO, 2005). (2) Triatomíneos. Diferentes espécies de triatomíneos já foram descritas na Amazônia brasileira, das quais dez foram encontradas infectadas naturalmente por T. cruzi (JUNQUEIRA et al, 2005): (1) Eratyrus mucronatus; (2) Panstrongylus geniculatus; (3) Microtriatoma trinidadensis; (4) Panstrongylus lignarius; (5) Panstrongylus rufotuberculatus; (6) Rhodnius brethesi; (7) Rhodnius neglectus; (8) Rhodnius paraensis; (9) Rhodnius pictipes; e (10) Rhodnius robustus. Nenhuma das espécies descritas foi encontrada domiciliada, ainda que incursões em vivendas humanas sejam descritas (JUNQUEIRA et al., 2005). (3) Mamíferos. À semelhança de outras regiões, inúmeras espécies de mamíferos — incluído o homem — podem ser encontradas infectadas por T. cruzi. As principais ordens identificadas são (1) Carnivora, (2) Chiroptera, (3) Edentata, (4) Marsupialia, (5) Primates e (6) Rodentia (JUNQUEIRA et al., 2005). Neste panorama, os aspectos ecoepidemiológicos da moléstia de Chagas devem ser analisados, conjuntamente, com as questões envolvendo agricultura e a atividade econômica, cabendo-se comentar a relevância de ações no âmbito da educação ambiental: 37 Uma abordagem que tem se mostrado eficiente é a da Educação Ambiental. A metodologia da Educação Ambiental utiliza a “pesquisaação” bem como a da problematização [...] para identificar temas importantes à comunidade, suas expectativas e motivações para aquisição de novas práticas. Sem este conhecimento a respeito dos interesses e prédisposições positivas da comunidade, os programas de educação em saúde podem não gerar os resultados esperados. Isto porque os hábitos são reflexos da cultura local e, portanto, devem ser respeitados. [Ramos Junior et al., 2007]. O modelo de desenvolvimento brasileiro fragiliza as parcelas mais pobres da população ante situações de risco ambiental. Homens e mulheres adultos e crianças são afetados em sua saúde no meio ambiente em que vivem ou trabalham. Observamos o ressurgimento de doenças como malária, cólera, leptospirose, dengue, doença de Chagas, etc., impactos ambientais das atividades agrárias extensivas e intensivas, que envolvem desmatamento, perda da biodiversidade, contaminação atmosférica em decorrência das queimadas, perda de fertilidade e compactação do solo, erosão e contaminação das águas, solos, e população pelo uso intensivo de agrotóxicos. De acordo com o Plano Nacional de Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Sustentável - Diretrizes Para Implementação, de 1995, algumas diretrizes e ações integradas são necessárias, como o estímulo à participação social nos conselhos e órgãos colegiados existentes por meio de entidades da sociedade, garantindo acesso ao conhecimento e informação a respeito dos temas em discussão, com o objetivo de implementar o controle social nas áreas de saúde, ambiente e desenvolvimento; apoio ao desenvolvimento de novas tecnologias para avaliação de riscos ambientais e sanitários, assim como o aperfeiçoamento das existentes, de modo a instrumentalizar as ações de vigilância; aprimoramento dos indicadores ambientais e de saúde, tornando-os mais adequados à identificação e avaliação dos impactos sobre a saúde resultantes da deterioração ambiental, incluindo a do ambiente de trabalho; ampliação e reformulação dos sistemas de notificação e informação em saúde e meio ambiente, capacitando-os melhor para planejamento, gestão e avaliação e favorecendo sua integração, compatibilização conceitual, espacial e metodológica, bem como a descentralização, etc. É fundamental que haja uma conexão entre os conceitos de saúde, ambiente e desenvolvimento para que se busquem políticas integradas e intersetoriais proporcionando visão comum, ampla e crítica dos principais problemas de saúde e meio ambiente do país. 38 Com efeito, a situação amazônica dá oportunidade, através de uma política ambiental, de uma ação antecipada e vigilante que previna a expansão da moléstia de Chagas humana. CONSIDERAÇÕES FINAIS O real impacto da moléstia de Chagas na Amazônia ainda é desconhecido, devendo merecer ampla investigação, tal como sugerido por diversos organismos internacionais (OPAS, 2005; OPAS, 2006). A abordagem ecoepidemiológica da infecção por T. cruzi como política ambiental é fator crítico na prevenção da expansão da moléstia de Chagas humana para novas áreas de colonização, como a Amazônia. Este desafio depende de macropolíticas que salvaguardam a justiça social (eqüidade, acesso e sustentabilidade das ações em áreas mais pobres) e a preservação do meio ambiente, como pressupostos básicos de saúde pública e à qualidade de vida no planeta (DIAS, 2001). Ao longo do texto foram destacados pontos que reforçam a necessidade de se entender o problema não apenas com o olhar da saúde pública — de cunho prevalentemente epidemiológico — mas, também, de se aliar a essa discussão elementos oriundos de outras áreas do saber como a ecologia, a atividade agrícola e, sobretudo, a educação ambiental — além de outras pensáveis, como, p. ex., economia, política e geografia —, especialmente no que se refere às questões do desmatamento e da atividade econômica. Com base nestas considerações, discutir e propor políticas para o gerenciamento da ocupação destas áreas pode se constituir, cada vez mais, em uma questão de vida e morte para o homem amazônico. 39 REFERÊNCIAS ALBAJAR, P. V. Emergência da infecção chagásica humana em áreas do Rio Negro, Estado do Amazonas. Tese [Doutorado]. Rio de Janeiro: Instituto Oswaldo Cruz, 2003. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. 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Gomes3, Rodrigo SiqueiraBatista4 1 Médico e mestrando em Ensino de Ciências, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), [email protected] 2 Professora Adjunta, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), [email protected] 3 Professora Assistente do Departamento de Medicina e Enfermagem, Universidade Federal de Viçosa (UFV), [email protected] 4 Professor Adjunto do Departamento de Medicina e Enfermagem, Universidade Federal de Viçosa (UFV); Professor Titular do Curso de Graduação em Medicina, Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO), [email protected] RESUMO Este artigo tem como objetivo discutir os aspectos teóricos dos jogos educativos. Com efeito, foi realizada revisão da literatura, utilizando-se a Scientific Electronic Library Online (SCIELO) – descritores empregados: jogo (game) e educação (education) – e livros textos que versam sobre o assunto. Com base nas referências obtidas pôde-se concluir que o jogo é um importante meio para ensinar, ao permitir um desenvolvimento integral e dinâmico nas áreas cognitiva, afetiva, lingüística, social, moral e motora do educando, além de contribuir para a construção da sua autonomia, sua criticidade, sua criatividade, sua responsabilidade e seu espírito de cooperação. O professor é importante como sujeito que organiza a ação pedagógica, articulando os jogos, como ferramenta estimuladora da construção do conhecimento. Palavras-chave: Educação; Teoria dos jogos; Jogo educativo. ABSTRACT This article aims to discuss the theoretical aspects of educational games. Indeed, we reviewed the literature, using the Scientific Electronic Library Online (SciELO) descriptors used: game and education - and textbooks that deal with the matter. Based on references obtained it was concluded that the game is an important way to teach, to enable a dynamic and comprehensive development in cognitive, affective, linguistic, social, moral and motor educating, and contributing to the construction of its autonomy, their criticality, creativity, responsibility and spirit of cooperation. The teacher is important as a guy who organizes the pedagogical action, linking the games as a tool stimulating knowledge construction. Keywords: Education; Games´Theory; Educational game. 43 INTRODUÇÃO “O jogo não consistia apenas em um exercício ou divertimento: era a vivência consciente e concentrada de uma disciplina do espírito.” Hermann Hesse, O jogo das contas de vidro. O ato de brincar é fundamental para o adequado desenvolvimento dos seres humanos, estando presente nas diferentes etapas da vida, principalmente na infância. O brincar é agradável e pressupõe disponibilidade, continuando com função semelhante para adolescentes, adultos e idosos (MACEDO et al., 2005). O jogar é um dos sucedâneos mais importantes do brincar, sendo ele considerado o brincar em um contexto de regras e com um objetivo predefinido. Conforme Morin (2003), não só as crianças, como também os adultos gostam de jogar. Vygotsky (2003) considera que o tipo de jogo praticado pelo indivíduo depende da sua idade e das habilidades que necessita construir em cada fase de seu desenvolvimento. Assim, na infância, os jogos levam a criança a construir conhecimentos que lhe permitem interagir com o meio e assimilar, pela imitação, papéis culturalmente estabelecidos. Uma etapa posterior conduz a criança a jogos construtivos nos quais objetivos são estabelecidos e ações exercitadas visando atingi-los. O terceiro e último tipo de jogo descrito por Vygotsky envolve as atividades com regras. O jogo pode ser visto a partir de três perspectivas: (1) como resultado de um sistema lingüístico que funciona dentro de um contexto social (respeito ao uso cotidiano e social da linguagem), (2) como um sistema de regras (estruturas seqüenciais de regras que permitem diferenciar cada jogo) e (3) como um objeto (o jogo se materializa no tabuleiro e nas peças). Estes três aspectos citados permitem uma primeira compreensão do jogo, diferenciando significados atribuídos por culturas diferentes, pelas regras e objetos que o caracterizam (GOMES & BORUCHOVITCH, 2005; KISHIMOTO, 2008). Do ponto de vista pedagógico, através dos jogos, o estudante passa a ter um papel: [...] totalmente ativo, pois além de construir o seu conhecimento e buscar exercitar conceitos a partir de situações simuladas, ele deve exercitar suas relações e interações sociais tanto com os colegas de seu próprio grupo (essencialmente colaborativos) quanto no trabalho com colegas de outros grupos (que pode ser competitivo ou colaborativo). [Lopes e Wilhelm, 2006] A utilização de jogos educativos tende a melhorar o processo ensino-aprendizagem e proporcionar ao educando uma maneira lúdica de aprender (ANDRADE et al., 2008; VOLPATO, 2002). Nestes termos: [...] os jogos podem ser empregados em uma variedade de propósitos dentro do contexto de aprendizado. Um dos usos básicos e muito importante é a possibilidade de construir-se a autoconfiança. Outro é o incremento da motivação. [...] um método eficaz que possibilita daquilo que está sendo aprendido. Até mesmo o mais simplório dos jogos pode ser empregado para proporcionar informações factuais e praticar habilidades, conferindo destreza e competência. 44 [Silveira, 1998, p.2] Com base nestas premissas, o presente artigo tem por objetivo discutir os aspectos teóricos dos jogos educativos, dando ênfase às suas características, ao seu aspecto cognitivo e ao seu papel na educação, enfatizando-se as vantagens e as desvantagens do seu uso. MÉTODOS Trata-se de um estudo teórico, balizado em revisão de literatura, para a qual foi utilizada a Scientific Electronic Library Online (SCIELO), além de livros textos. A revisão abrangeu o período de 1980 a 2009, empregando-se, para a busca, os seguintes descritores: jogo (game) e educação (game). Os artigos foram selecionados utilizando-se como critérios a descrição sobre o papel pedagógico dos jogos, a definição de jogos educativos e as discussões sobre suas vantagens e desvantagens. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram obtidos, após busca e seleção – utilizando os critérios apontados – um total de 60 artigos. Os livros empregados totalizaram 10, cujos títulos e ano de publicação estão apresentados no Quadro 1. Quadro 1. Livros textos consultados na investigação. Autor(es) Título do livro Friedmann Brincar: crescer e aprender: o resgate do jogo infantil Homo ludens: o jogo como elemento da cultura Jogo, Brinquedo, Brincadeira e Educação Jogos Infantis: o jogo, a criança e a educação Jogando com a matemática de 5ª a 8ª série Jogos na educação: criar, fazer e jogar Os jogos e o lúdico na aprendizagem escolar Os sete saberes necessários à educação do futuro Psicologia e pedagogia Brinquedoteca: a criança, o adulto e o lúdico Psicologia Pedagógica – edição comentada Huizinga Kishimoto Kishimoto Lara Lopes Macedo Morin Piaget Santos Vygotsky Ano publicação 1996 de 2008 1996 2006 2004 2005 2005 2003 1969/70 2000 2003 O percurso teórico construído, após a leitura dos artigos e dos livros, estruturou-se em torno de três grandes temas – (1) As características do jogo, (2) os jogos na educação e (3) O ensino-aprendizagem pelos jogos: vantagens e desvantagens –, os quais serão apresentados a seguir. 45 Características do jogo As principais características identificadas como próprias dos jogos são variáveis na dependência do autor que se dedica a apreciá-los. De fato, quando descreve o jogo como elemento de cultura, Huizinga (2008) aponta os seguintes aspectos típicos: o prazer, o caráter “não-sério”, a liberdade, a separação dos fenômenos do cotidiano, as regras, o caráter fictício ou representativo e sua limitação no tempo e no espaço. De outro modo, pode ser pontuado como caracteres significativos do jogo infantil, o seguinte (KISHIMOTO, 1996): (1) A não-literalidade: as situações de brincadeira caracterizam-se por um quadro no qual a realidade interna predomina sobre a externa; o sentido habitual de brincar é substituído por um novo, ou seja, criam-se novos significados para uma brincadeira específica; (2) Efeito positivo: o jogo infantil é normalmente caracterizado pelos signos do prazer ou da alegria, entre os quais o sorriso; isto traz inúmeros efeitos positivos às dimensões corporal, moral e social da criança; (3) Flexibilidade: as crianças estão mais dispostas a ensaiar novas combinações de idéias e de comportamentos em situações de brincadeira que em outras atividades não-recreativas; (4) Prioridade do processo de brincar: ocorre no jogo infantil quando a prioridade da criança é brincar e sua concentração está dirigida para a atividade em si e não para os seus resultados ou seus efeitos; (5) Livre escolha: o jogo infantil só pode ser jogo quando escolhido livre e espontaneamente pela criança; (6) Controle interno: os próprios jogadores determinam o desenvolvimento dos acontecimentos. Acerca das características dos jogos, Friedmann (1996) cita sete grandes correntes teóricas sobre o jogo, as quais podem ser vistas no Quadro 2. Entre os teóricos que se dedicaram ao estudo dos jogos destaca-se Jean Piaget (1970), autor que pondera sobre a importância do jogo na escola, nas circunstâncias nas quais se leve em consideração seu significado funcional. Com efeito, por meio de uma atividade lúdica, a criança assimila ou interpreta a realidade, atribuindo, então, ao jogo um valor educacional muito grande. Piaget dá ênfase ao papel ativo do sujeito e, de acordo com cada tipo de estrutura mental, podem ser classificados em de exercício sensório-motor, simbólicos e de regras. O jogo de exercício sensório-motor se inicia durante os primeiros meses de existência, a criança repete movimentos por puro prazer, sem qualquer outra finalidade. O jogo simbólico se inicia durante o segundo ano de vida, implica na representação de um objeto, de um conflito, de um desejo que não foi realizado – é o jogo de faz-de-conta. O jogo com regras se inicia dos quatro aos sete anos de idade e subsiste na idade adulta e se desenvolve mesmo durante toda a vida (jogo social, esportes, jogos de cartas, e outros) (PIAGET, 1969). De fato, “as regras indicam que as coisas não estão prontas, acabadas, mas devem ser descobertas e os obstáculos vencidos, e isso estimula a investigação, a análise e o estabelecimento de relações” (CARNEIRO, 1995, p. 59). 46 Quadro 2. Correntes teóricas sobre jogos. PERÍODO DESCRIÇÃO SUMÁRIA CORRENTE TEÓRICA Estudos evolucionistas e desenvolvimentista s Final do século XIX Difusionismo e particularismo: preservação do jogo Final do século XIX e princípio do século XX Análise do ponto de vista cultural e de personalidade: a projeção do jogo Décadas de 20 a 60 Análise funcional: socialização do jogo Década de 30 a 50 Análise estruturalista cognitivista Começo da Década de 50 Estudos Comunicação e de Décadas de 50 a 70 O jogo infantil era interpretado como a sobrevivência das atividades da sociedade adulta, defendendo-se a idéia de que os estágios do jogo infantil recapitulavam toda a história biocultural do pensamento humano. Principal representante: Stanley Hall. O jogo era considerado uma característica universal de vários povos, devido à difusão do pensamento e conservadorismo das crianças, o que se articula à necessidade de preservação dos “costumes” infantis e de conservação das práticas lúdicas. Principais representantes: Newell, Babcock, Dorsey, Culin, Gomme, Roth, Howard Mills, Brewster, Sutton-Smith, Opie e Abrahams. O jogo infantil passa a ser analisado em diversos contextos culturais; estudos reconhecem que os jogos são geradores e expressão da personalidade e da cultura de um povo. Principais representantes: Robert e Sutton-Smith, Melanie Klein, Anna Freud Neste período a ênfase foi dada ao estudo dos jogos adultos como mecanismo socializador. Negligenciou-se o jogo infantil. Não há principais representantes. O jogo é um fenômeno da mente, sendo visto como uma atividade que pode ser expressiva ou geradora de habilidades cognitivas. Principais representantes: Huizinga, Callois e Piaget. Ressalta-se a importância da comunicação no jogo. Principais representantes: Garvey e Bernott. 47 Análise ecológica, etológica e experimental: definição do jogo Década de 70 em diante Nesta teoria “foi dada ênfase ao uso de critérios ambientais observáveis e/ou comportamentais” (Schwartzman, 1978). Verificou-se, também, a grande influência dos fabricantes de brinquedos nas brincadeiras e jogos. Principais representantes: Pulaski, Fein, Anderson, Mitchell, Corinne Hut, Jerôme e Dorothy Singer. Fonte: FRIEDMANN, A. Brincar: crescer e aprender: o resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996. Os jogos na educação O jogo educativo pode ser considerado como uma importante ferramenta para ampliar a ação pedagógica (REBELLO et al., 2001; TORRES, et al., 2003). Neste contexto, o professor deve ser considerado elo importantíssimo para organizar a ação, na medida em que “propõe estímulo ao interesse do aluno, desenvolve níveis diferentes de sua experiência pessoal e social, ajuda-o a construir suas novas descobertas, desenvolve e enriquece sua personalidade e simboliza um instrumento pedagógico” (ANTUNES, 2000, p. 37). Ademais, ressalta-se que o jogo educativo serve para desenvolver habilidades físicas, afetivas, sociais e intelectuais nas crianças e adolescentes. Para ser útil no processo educacional, um jogo deve promover situações interessantes e desafiadoras para a resolução de problemas, permitindo aos aprendizes uma autoavaliação quanto aos seus desempenhos, além de fazer com que todos os jogadores participem ativamente de todas as etapas (MAGALHÃES, 2007). Com efeito, todo jogo deve ser analisado pelo professor antes de ser aplicado com os alunos, podendo-se comentar, em concordância com Antunes (2000), que existem quatro elementos que justificam e, de uma certa forma, condicionam sua aplicação educativa: (1) capacidade de se constituir em fator de auto-estima do aluno, ou seja, o jogo não deve ser extremamente fácil ou cuja solução se coloque acima da capacidade de solução por parte do estudante, de modo que cause seu desinteresse ou sua baixa estima, associada a uma sensação de incapacidade ou fracasso; (2) condições psicológicas favoráveis, isto é, o jogo jamais pode surgir como “trabalho” ou estar associado a alguma forma de sanção; (3) condições ambientais, isto é, a conveniência do ambiente é fundamental para o sucesso no uso dos jogos; (4) fundamentos técnicos, isto é, um jogo não deve ser interrompido e sempre precisa ter começo, meio e fim. O ensino-aprendizagem pelos jogos: vantagens e desvantagens A inserção de jogos, segundo Grando (2001), no contexto dos processos ensinoaprendizagem implica em vantagens e desvantagens que devem ser refletidas e assumidas pelos educadores, ao se planejar um trabalho pedagógico com os jogos. A principal vantagem do jogo é conduzir à autonomia, pois, é possível, através dele, formar sujeitos capazes de cooperar, de questionar e criticar. Sua principal desvantagem é o risco de uso inadequado do jogo pelo professor. Jogos educativos são divertidos e lúdicos, aspectos importantes para o seu uso 48 pedagógico, na medida em que auxiliam os processos de construção de conhecimento dos educandos, possibilitando a interação entre os jogadores e trabalho em equipe. Quadro 3. Vantagens e desvantagens dos jogos Vantagens Desvantagens ■ Fixação de conceitos já aprendidos de ■ Quando os jogos são mal utilizados, uma forma motivadora para o aluno; existe o perigo de dar ao jogo um caráter puramente aleatório, tornando■ Introdução e desenvolvimento de se um “apêndice” em sala de aula. Os conceitos de difícil compreensão; alunos jogam e se sentem motivados apenas pelo jogo, sem saber porque ■ Desenvolvimento de estratégias de jogam; resolução de problemas (desafio dos jogos); ■ O tempo gasto com as atividades de jogo em sala de aula é maior e, se o ■ Aprender a tomar decisões e saber professor não estiver preparado, pode avalia-las; existir um sacrifício de outros conteúdos pela falta de tempo; ■ Significação para conceitos aparentemente incompreensíveis; ■ As falsas concepções de que devem ensinar todos os conceitos através dos ■ Propicia o relacionamento de jogos. Então, as aulas, em geral, diferentes disciplinas transformam-se em verdadeiros cassinos, (interdisciplinaridade); também sem sentido algum par ao aluno; ■ Estimula a participação ativa do aluno na construção do seu próprio conhecimento; ■ A perda de “ludicidade” do jogo pela interferência constante do professor, destruindo a essência do jogo; ■ Favorecimento da socialização entre alunos e a conscientização do trabalho em equipe; ■ A coerção do professor, exigindo que o aluno jogue, mesmo que ele não queira, destruindo a voluntariedade pertencente a natureza do jogo; ■ A utilização dos jogos é um fator de motivação para os alunos; ■ Dentre outras coisas, o jogo favorece o desenvolvimento da criatividade, de senso crítico, da participação, da competição “sadia”, da observação, das várias formas de uso da linguagem e do resgate do prazer em aprender; ■ A dificuldade de acesso e disponibilidade de materiais e recursos sobre o uso de jogos no ensino, que possam vir a subsidiar o trabalho docente. ■ As atividades com jogos podem ser utilizadas para reforçar ou recuperar habilidades de que os alunos necessitem. Útil no trabalho com alunos de diferentes níveis; 49 ■ As atividades com jogos permitem ao professor identificar, diagnosticar alguns erros de aprendizagem, as atitudes e as dificuldades dos alunos; Fonte: Acesso em www.cempem.fae.unicamp.br/lapemmec/cursos/el654/2001/jessica_e_paula/JOGO.doc CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo apresentou uma reflexão teórica sobre o uso de jogos na educação, suas possibilidades como estratégias de ensino, onde podem ser utilizados com o objetivo de se constituir num recurso pedagógico de reconhecido valor que pode facilitar o processo ensino-aprendizagem e ainda ser prazeroso, interessante e desafiante. O jogo, deste modo, representa um ótimo recurso didático – ou estratégia de ensino – para os educadores, além de se constituir em um rico instrumento para a construção do conhecimento. 50 REFERÊNCIAS ANDRADE, R. D.; MELLO, D. F.; SCOCHI, C. G. S.; FONSECA, L. M. M. 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Ademais, apresenta elementos da inter-relação entre saúde e meio ambiente, utilizando-se como referenciais teóricos a Agenda 21 Global e Brasileira. Palavras-chave: Doença; Educação; Jogo educativo; Meio Ambiente; Saúde; Políticas. Abstract The aim of this paper is to present an educational game aimed at addressing issues of environmental health - specifically waterborne diseases and those related to the accumulation of solid waste (garbage) -, highlighting the possibility of the same be an important educational tool in the context of health education. It also presents elements of the interrelationship between health and environment, using as theoretical the Global Agenda 21 and the Brazilian one. Keywords: Disease; Education; Educational game; Environment; Health; Policies. 54 INTRODUÇÃO As relações entre o ambiente e a saúde, ao se considerar uma dada população, definem um campo de conhecimento referido como “Saúde Ambiental” ou “Saúde e Ambiente” (TAMBELLINI, 1998). No Brasil, as principais questões de saúde ambiental incluem o aumento da poluição atmosférica nas grandes cidades, o processo acelerado de penetração e instalação das relações de produção capitalista modernizadoras na Amazônia - as quais trouxeram mudanças bastante pronunciadas no ambiente característico da região de modo a determinar agravamentos do quadro endêmico e epidêmico de determinadas morbidades -, a utilização de substâncias químicas de elevada toxicidade como pesticidas na agricultura, os depósitos de lixo urbano e resíduos perigosos que contaminam o solo. O problema da água e dos resíduos sólidos tem particular relevância no espaço das grandes cidades, de modo que se pode dizer que “a urbanização desenfreada ultrapassou a capacidade financeira e administrativa das cidades em prover infra-estrutura e serviços essenciais como água, saneamento, coleta e destinação adequada de lixo, serviços de saúde, além de empregos e moradia, e em assegurar segurança e controle do meio ambiente para toda população” (GOUVEA, 1999, p. 5). De fato, problemas graves e globais - como escassez de recursos naturais, saneamento e acúmulo de resíduos sólidos - vêm produzindo diversas reações da sociedade organizadas e dos governos para enfrentá-los. “Os problemas de saúde devem ser compreendidos a partir de uma visão global: desde as forças motrizes relacionadas ao modelo de desenvolvimento econômico, social e tecnológico, passando pelas pressões que tal desenvolvimento gera sobre o meio ambiente alterando o estado de sua qualidade e gerando exposições ambientais que resultam em efeitos diretos e indiretos sobre a saúde humana” (FREITAS et al., 2006, p. 26-27). De acordo com o PNUD 2006, em conjunto, a água imprópria para consumo e as más condições de saneamento constituem a segunda maior causa de mortalidade infantil mundial. Não ter acesso à água e ao saneamento significa que as pessoas recorrem a fossas, rios e lagos, muitas vezes poluídos com excrementos humanos ou de animais o que significa, muitas vezes, também não ter água suficiente para satisfazer as necessidades humanas mais básicas. É importante afirmar que existe uma associação entre doenças infecciosas e parasitárias e o manejo inadequado de resíduos sólidos, pois o lixo é um ambiente favorável para o desenvolvimento de inúmeros microrganismos e de animais veiculadores de doenças. A questão do acesso à água potável e à coleta de lixo é, evidentemente, um direito que demanda uma série de providências do poder público, entendido como estado protetor (Pontes et al., 2004). Sem embargo, os membros da sociedade têm, igualmente, um papel importante nesta esfera, na medida em que o uso racional de água – evitando-se o 55 desperdício – e o destino adequado do lixo dependem de atitudes individuais as quais, em última análise, passam pela conscientização das pessoas, invariavelmente mediada pela educação. Como exemplo, no nível da comunidade escolar, criou-se a Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (COM-VIDA), um espaço permanente e dinâmico onde se constrói a Agenda 21 na Escola e que tem como objetivos: (1) participar da construção do projeto político-pedagógico da escola e (2) desenvolver e acompanhar a Educação Ambiental na escola de forma permanente. Neste âmbito, inúmeras estratégicas pedagógicas podem ser utilizadas para o ensino de educação ambiental, como folheto científico, álbum interativo, cartolina expositiva, ficha de leitura, dramatização em sala de aula (role playing) e os jogos educacionais (Garcia, 2005). O desenvolvimento de jogos educacionais envolve a escolha de um tema, público-alvo e objetivos. Além disso, é preciso ter um esboço de como o material será organizado (Tarouco et al., 2005). Lara (2004) afirma que os jogos vêm ganhando espaço dentro das escolas, numa tentativa de trazer o lúdico para a sala de aula; também afirma que os jogos bem elaborados e explorados podem ser vistos como uma estratégia de ensino, podendo atingir diferentes objetivos que variam desde o simples treinamento, até a construção de um determinado conhecimento. Com o objetivo de possibilitar uma aprendizagem mais dinâmica e lúdica dos temas de Saúde Ambiental, especificamente doenças de veiculação hídrica, como cólera e aquelas relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos, houve a construção de um jogo educativo. O JOGO Componentes do jogo O jogo é constituído de 01 (um) dado, 01 (um) tabuleiro (figuras 1 e 2 e anexo 1), 32 (trinta e dois) peões (figura 3 e anexo 4) – representando crianças, adultos e idosos de ambos os sexos e por 46 cartas (figuras 4 e 5 e anexos 2 e 3) com notas explicativas, as quais enfocam os seguintes temáticos: 1.doenças de veiculação hídrica; 2.sobre doenças causadas pelo acúmulo de resíduos sólidos (lixo); 3.sobre situações críticas de saneamento no mundo, chamadas de sinais de alerta (figura 5); há também 20 fotografias que demonstram imagens da natureza como elemento motivador. O aporte teórico para a construção do jogo foi obtido a partir de revisão da literatura - utilizando a Scientific Electronic Library Online -, empregando-se como descritores “doença de veiculação hídrica” e “doença relacionada ao acúmulo de lixo”. A revisão foi complementada por informações contidas em livros-textos na área de Saúde, assim como as contidas em sítios de órgãos governamentais nacionais e internacionais, como FUNASA (Fundação Nacional de Saúde) e CDC (Centers for Disease Control and Prevention). 56 Regras do jogo Em relação às regras do jogo, a escolha do estudante que inicia a partida é feita pelo lançamento do dado, sendo o primeiro a sair o que tirar o maior número e assim sucessivamente para todos os estudantes, observando-se que o critério de desempate será sempre o maior número tirado ao se lançar novamente o dado. Dois níveis são observáveis no jogo, sem graus de dificuldade, sendo que o acesso ao segundo nível só pode ocorrer após uma volta completa de pelo menos um peão do seu conjunto de quatro peões a partir do ponto de partida inicial do jogador. Este ponto inicial é representado pelos continentes: África, América do Norte, América Central, América do Sul, Ásia, Europa Ocidental, Europa Oriental e Oceania. O jogador pode escolher seu ponto de partida e assim começar a andar com seus peões – um conjunto representado por uma criança, um adolescente, um adulto e um idoso do sexo masculino ou feminino ou de ambos os sexos – após sua vez no lançamento do dado. Como se joga O primeiro estudante a jogar inicia a partida ao lançar o dado cujo número mostrado permite a saída de um peão, determinando o número de casas para andar, a sua localização nesta jogada e a carta a ser retirada, o que ocorre seqüencialmente para todos os estudantes. Ao caminhar pelas casas o estudante inicialmente se depara com os sinais de alerta, os quais fornecem informações sobre as situações de saneamento no mundo; posteriormente, ao entrar no primeiro nível, ele se depara com as doenças e com as fotos da natureza através das cartas conforme a casa em que se caia, e assim sucessivamente, até se chegar ao centro do jogo – o planeta Terra – com cada um dos seus quatro peões. As figuras abaixo ilustram o jogo completo. Figura 1. O tabuleiro. 57 Figura 2. O tabuleiro em detalhe. Figura 3. Peões, representando crianças, adolescentes, adultos e idosos. Figura 4. Cartas sobre doenças. 58 Figura 5. Cartas dos sinais de alerta. Objetivo do jogo O objetivo deste jogo é fazer com que um conjunto de quatro peões (criança, adolescente, adulto e idoso do mesmo sexo ou de sexos diferentes) chegue à esfera central que representa o planeta Terra, de modo que, ao jogar o dado, estas pessoas se deparem, uma a uma, com os agravos à saúde – relacionados à água e ao lixo -, ao longo do caminho percorrido até o ponto central. No primeiro momento, ao jogar o dado, o estudante tem seis possibilidades; ao andar pelas casas, ele se depara com seis sinais de alerta que são as casas iniciais que saem de cada continente; posteriormente, ao chegar ao primeiro nível, ele se depara com as doenças e importantes informações sobre elas, como agente etiológico e seu ciclo evolutivo, modo de transmissão, prevenção, dentre outras. Ao chegar ao centro do jogo, tornar-se-ão evidentes os conceitos de saúde e ambiente ao estudante os quais poderão ser trabalhados pelo docente em prol da construção do conhecimento pelo estudante; além disso, fazer com que o professor tenha a percepção que as atividades lúdicas podem ser consideradas como uma estratégia que estimula o raciocínio, levando o estudante a enfrentar situações conflitantes relacionadas com o seu cotidiano. DISCUSSÃO Os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL,1998) propõem que as questões ambientais sejam abordadas de modo articulado com outros saberes, permitindo aos estudantes à reflexão sobre os problemas que afetam sua vida, sua comunidade, seu país e seu planeta. Para que essas informações os sensibilizem e provoquem o início de um processo de mudança de comportamento, é preciso que o aprendizado seja significativo e para isto o jogo educativo pode ser um importante instrumento para que o estudante se 59 perceba integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do ambiente. Alguns aspectos legais devem ser levados em consideração, como a Política Nacional de Educação Ambiental, lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, para quem os objetivos fundamentais da educação ambiental são: I – o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos; II – a garantia da democratização das informações ambientais; III – o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social; IV – o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania; V – estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro e macrorregionais, com vistas á construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade; VI – o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia; VII – o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade” (PNEA, 1999). Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (2000), 20% da população brasileira ainda não contam com serviços regulares de coleta, tendo os resíduos sólidos urbanos coletados a seguinte destinação: 47% aterros sanitários, 23,3% aterros controlados, 30,5% lixões, 0,4% compostagem, 0,1% triagem. Além disso, o abastecimento de água é um problema sério para as populações e uma questão a ser resolvida pelos riscos que sua ausência ou seu fornecimento inadequado podem causar à saúde pública. Para Menezes (apud Godoi et al., 2007), atualmente temas ambientais ocupam grandes espaços nas mídias e as infinitas discussões têm como objetivo principal diminuir impactos negativos do ser humano sobre o mundo, através de mudanças de atitudes pessoais e coletivas. A Declaração de Alma-Ata, Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, de 6 a 12 de setembro de 1978, afirma, em seu texto, que a atenção primária de saúde compreende a educação sobre os principais problemas de saúde e sobre os métodos de prevenção e de luta correspondentes. O uso do jogo educativo é uma das atividades educativas na qual ocorre apropriação de conhecimentos de forma direta e ativa, pois seu ambiente lúdico é um ambiente privilegiado para a promoção da aprendizagem (Toscani et al., 2007). Melo (2009) considera a educação em saúde uma atividade-meio, pois ela se constitui apenas uma parte das atividades técnicas voltadas para a saúde, organizando logicamente o 60 componente educativo de programas que se desenvolvem em quatro diferentes ambientes: a escola, o local de trabalho, o ambiente clínico e comunidade. Segundo o PCN – Saúde (1998), Educação para a Saúde é um fator de promoção e proteção à saúde e estratégia para a conquista dos direitos de cidadania. Sua inclusão no currículo responde a uma forte demanda social, num contexto em que a tradução da proposta constitucional em prática requer o desenvolvimento da consciência sanitária da população e dos governantes para que o direito à saúde seja encarado como prioridade. Enfatiza que a escola, sozinha, não levará os alunos a adquirirem saúde, mas pode e deve, entretanto, fornecer elementos que os capacitem para uma vida saudável. Como contribuição para o ensino de educação ambiental, este jogo foi construído para ser utilizado no ensino médio, em espaços formais e não-formais, respeitando-se a interdisciplinaridade e a transversalidade propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais a fim de que se faça uma educação ambiental comprometida com uma leitura crítica, transformadora e emancipatória da problemática ambiental e de saúde sempre visando à promoção da saúde e a transformação estrutural da sociedade. CONSIDERAÇÕES FINAIS O jogo educativo na sala de aula pode ser um rico recurso de aprendizagem, explorado de maneiras diferenciadas de acordo com as situações e objetivos almejados, favorecendo os processos de ensino-aprendizagem, devendo ser sempre analisado previamente pelo professor. De acordo com Neto (1997, p.2), o jogo promove o desenvolvimento cognitivo em muitos aspectos: descoberta, capacidade verbal, produção divergente, habilidades manipulativas, resolução de problemas, processos mentais, capacidade de processar informação, além de formar e desenvolver habilidades motoras através de situações pedagógicas que o utilizam. Para Loureiro (2009), é preciso assumir o compromisso por uma educação ambiental com responsabilidade social, empenhada também na transformação social, na reestruturação da compreensão de educação ambiental e na discussão da relação entre o ser humano e a natureza inserida no contexto das relações sociais para que se estabeleça a justiça ambiental. “Educação ambiental é educação e, como tal, serve ou para manter ou mudar a realidade, reproduzir ou transformar a sociedade. A educação “ambiental” não só poderia como deveria ser praticada com compromisso “social”, pois com ela é possível contribuir com a mudança do quadro das desigualdades no País e no mundo” (LOUREIRO et al., 2009, p. 28-29). Como utilização futura, este jogo será aplicado em turmas do ensino médio visando avaliar a construção do aprendizado a partir das questões propostas por ele em relação ao temas de Saúde Ambiental, especificamente doenças de veiculação hídrica e aquelas 61 relacionadas ao acúmulo de lixo; tornando-se isto mais importante ainda na população exposta a condições ambientais vulneráveis. “Os jogos educativos são uma área que pode tornar-se alvo de inúmeras pesquisas. Se o ensino for lúdico e desafiador, a aprendizagem prolongase fora da sala de aula, fora da escola, pelo cotidiano, num crescimento muito mais rico do que algumas informações que o aluno decora” (NETO, 1996, p. 43). 62 REFERÊNCIAS BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Parâmetros Curriculares Nacionais. 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Neste artigo, inicialmente há a definição de saúde pela Organização Mundial de Saúde para a qual saúde é “um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doenças” (OMS, 1946), sendo esta definição considerada ampla pois leva em consideração vários determinantes da saúde, como a paz, a moradia, a alimentação, a renda, justiça social e a equidade, e um ecossistema estável; depois fala-se em educação em saúde a qual pode ser considerada um fator de promoção e proteção à saúde e estratégia para a conquista dos direitos de cidadania; mais adiante, explicito a importância da promoção de saúde a qual “representa uma estratégia para o enfrentamento dos múltiplos problemas de saúde que afetam as populações humanas e seus entornos” (Buss, 2000). Este primeiro artigo também explicita a questão ambiental como requisito fundamental no processo saúde-doença o que foi reiterado por inúmeras conferências internacionais sobre promoção da saúde, reiterando a educação para a saúde como um instrumento legítimo para reforçar mudanças efetivas de estilos de vidas saudáveis afim de que haja promoção da saúde. O segundo artigo, intitulado “VIDA E MORTE NA AMAZÔNIA: O desmatamento e a ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi como temática para a educação ambiental na formação de profissionais de saúde”, é uma exemplificação concreta da interferência do homem sobre a natureza de forma deletéria, predatória, através da expansão das fronteiras agrícolas, destruindo ecossistemas estáveis para obter lucro de atividades comerciais agrícolas. O processo de globalização traz, com a expansão capitalista no campo afim de manter altas taxas de lucros, novas relações econômicas, financeiras e sociais, além de novas definições do espaço geográfico. E neste, no caso específico da Amazônia, há, do ponto de vista ambiental, destruição do ecossistema amazônico, através da abertura de rodovias, desmatamentos de áreas extensas para cultura de grãos, principalmente soja e desgaste do solo, além da poluição dos mananciais pelos insumos químicos. Para Milton Santos: “Através da escolha das temáticas e da seriedade, da reflexão no trato como os conceitos, como, no caso, o devido cuidado com o termo meio ambiente, encontraremos talvez possibilidades de ação. Contextualizar a crise ambiental fugindo de estudos tópicos e da sedução das campanhas globais torna-se uma necessidade urgente se quisermos apreender e propor soluções para o meio ambiente, que - como já dissemos e vale insistir - nada mais é que o meio de vida do homem, constituído, na sociedade contemporânea, como um meio técnico-científicoinformacional” (SANTOS, 2006, p. 11-12). O terceiro artigo intitulado “Jogos Educativos: questões teóricas atuais” apresenta os jogos educativos com suas características, vantagens e desvantagens e seu papel na educação, sendo, de maneira lúdica, uma ferramenta pedagógica que pode melhorar o 65 processo ensino-aprendizagem, auxiliando na construção do conhecimento, e ainda ser prazeroso, interessante e desafiante. De fato, o jogo é uma ferramenta pedagógica rica na formação do ser humano, e para Friedmann (1996), o jogo aprimora algumas dimensões, tais como o desenvolvimento da linguagem, pois o jogo é considerado o canal através do qual os pensamentos e sentimentos são comunicados pela criança; desenvolvimento cognitivo, no qual o jogo dá acesso a um maior número de informações; desenvolvimento afetivo, sendo o jogo um momento oportuno para a criança expressar seus afetos e emoções; desenvolvimento físico-motor ao permitir que a criança tenha, durante a interação, ações motoras, visuais, táteis e auditivas sobre os objetos do seu meio; desenvolvimento moral, pois permite criar uma relação de respeito com o adulto ou com outras crianças. Finalizando, houve a construção do quarto artigo abaixo o qual procura descrever o jogo educativo construído como resultado desta dissertação. O quarto artigo cujo título é Os caminhos de Gaia: a abordagem de saúde e ambiente utilizando jogos educativos descreve o jogo educativo construído ao longo do curso de Mestrado Profissional em Ensino de Ciências, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro/Campus Nilópolis, seu conteúdo e suas regras, além de discutir a questão do acesso à água potável e à coleta de lixo, assim como reitera que o jogo educativo respeita a interdisciplinaridade e a transversalidade para que haja uma educação ambiental comprometida com uma leitura crítica, transformadora e emancipatória da problemática ambiental e de saúde sempre visando à promoção da saúde e a transformação estrutural da sociedade. 66 7. CONCLUSÕES Esta dissertação teve por objetivo geral: Contribuir para o conhecimento dos estudantes e dos profissionais da educação – bem como de profissionais da área de saúde – sobre a correlação entre saúde e meio ambiente, visando à melhoria da qualidade de vida e saúde. Assim como objetivos específicos os quais foram: Propiciar uma experiência interdisciplinar de educação em saúde e a educação ambiental. Preparar um jogo educativo com os temas de Saúde Ambiental, especificamente doenças de veiculação hídrica e aquelas resultantes do acúmulo de resíduos sólidos (lixo), o qual poderá ser utilizado para as aulas sobre as temáticas ambiental e da saúde em todo o país. Instrumentalização dos professores para atuarem como facilitadores de ações preventivas em saúde e ambiente com vistas a minimizar os impactos ambientais, os quais podem causar agravos e danos à saúde da população. Tornar os alunos multiplicadores dos conteúdos da saúde e do ambiente, permitindo que o debate sobre os temas extrapolem os muros escolares, envolvendo assim demais atores da comunidade, em busca de uma melhoria na qualidade de vida da mesma. Reforçar o Núcleo de Pesquisa e Extensão em Divulgação e Ensino de Saúde e o Laboratório de Práticas Pedagógicas do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências, estabelecido no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Campus Nilópolis, Rio de Janeiro. 67 8. REFERÊNCIAS GERAIS ALBAJAR, P.V. Emergência da infecção chagásica humana em áreas do Rio Negro, Estado do Amazonas. Tese [Doutorado]. Rio de Janeiro: Instituto Oswaldo Cruz, 2003. ANDRADE, R. D.; MELLO, D. F.; SCOCHI, C. G. S.; FONSECA, L. M. M. Educational games: training of community healthcare agents on children's respiratory diseases. Acta Paulista de Enfermagem, v. 21, n. 3, p. 444-448, 2008. ANTUNES, C. 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EM 2030, CERCA DE 5 BILHÕES DE PESSOAS, 67% DA POPULAÇÃO MUNDIAL, VÃO CONTINUAR SEM ESGOTAMENTO SANITÁRIO, SE O CENÁRIO ATUAL FOR MANTIDO. 3º Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Mundial dos Recursos Hídricos - 5° Fórum Mundial da Água, em Istambul, na Turquia. 4. NA ÁFRICA SUB-SAARIANA, CERCA DE 340 MILHÕES DE PESSOAS AINDA NÃO TÊM ACESSO AO RECURSO NATURAL. 3º Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Mundial dos Recursos Hídricos - 5° Fórum Mundial da Água, em Istambul, na Turquia. 5. SOMENTE NA ÁFRICA, MEIO BILHÃO DE PESSOAS NÃO TÊM ACESSO A ESGOTAMENTO SANITÁRIO. 3º Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Mundial dos Recursos Hídricos - 5° Fórum Mundial da Água, em Istambul, na Turquia. 6. SEGUNDO O 3º RELATÓRIO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS, A LIGAÇÃO ENTRE POBREZA E RECURSOS HÍDRICOS É ÓBVIA, POIS O NÚMERO DE PESSOAS QUE VIVEM COM MENOS DE U$ 1,25 POR DIA COINCIDE, QUASE QUE TOTALMENTE, COM O NÚMERO DAQUELES QUE VIVEM SEM ÁGUA POTÁVEL. 7. QUASE 80% DAS DOENÇAS EM PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO ESTÃO ASSOCIADAS A QUALIDADE DA ÁGUA E CAUSAM CERCA DE 3 MILHÕES DE MORTES POR DIA. 3º Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Mundial dos Recursos Hídricos - 5° Fórum Mundial da Água, em Istambul, na Turquia. 8. APESAR DE CONCENTRAR CERCA DE 12% DA ÁGUA DOCE DO MUNDO, 20% DA POPULAÇÃO MAIS POBRE DO BRASIL TEM O PIOR ACESSO À ÁGUA E AO ESGOTO QUE OS HABITANTES DO VIETNÃ. Relatório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) de 2006. 9. DIARRÉIA É A CAUSA MAIS COMUM DE DOENÇA DURENTE UMA VIAGEM, AFETANDO ATÉ 60% DOS VIAJANTES PARA DESTINOS DE ALTO-RISCO. A MAIS FREQUENTE CAUSA DE DIARRÉIA DO VIAJANTE É A Escherichia coli enterotoxigênica (6% a 70%). Fonte: Mandell, Bennett, & Dolin: Principles and Practice of Infectious Diseases, 6th Ed., 2005. 10. A DENGUE É UM DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS DE SAÚDE PÚBLICA NO MUNDO. A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS) ESTIMA QUE ENTRE 76 50 A 100 MILHÕES DE PESSOAS SE INFECTEM ANUALMENTE, EM MAIS DE 100 PAÍSES, DE TODOS OS CONTINENTES, EXCETO A EUROPA. CERCA DE 550 MIL DOENTES NECESSITAM DE HOSPITALIZAÇÃO E 20 MIL MORREM EM CONSEQÜÊNCIA DA DENGUE. Fonte: http:// portal.saude.gov.br/portal/saúde/área.cfm?id_area=920 11. EM RELAÇÃO À ALOCAÇÃO DE RECURSOS PARA A EDUCAÇÃO, BASE PARA SE CONSEGUIR EFICAZ PREVENÇÃO PARA QUALQUER DOENÇA. INFELIZMENTE, AS VERBAS ALOCADAS PARA A EDUCAÇÃO, PER CAPITA, EM REGIÕES COM AS MAIORES INCIDÊNCIAS DE DIVERSAS DOENÇAS INFECCIOSAS, FORAM EXTREMAMENTE BAIXAS, ESPECIALMENTE QUANDO COMPARADAS, POR EXEMPLO, COM A AMÉRICA DO NORTE (U$$ 1.385) E EUROPA OCIDENTAL (U$$ 813.14): ÁFRICA=U$$ 30,24; AMÉRICA CENTRAL: U$$ 51,60 E AMÉRICA DO SUL=U$$ 92,46 (DADOS DE 1990). Fonte: Ética, Saúde e Pobreza- As Doenças Emergentes no Século XXI. Dirce B. Greco. 12. ESTIMA-SE QUE 30% DOS DANOS À SAÚDE ESTÃO RELACIONADOS AOS FATORES AMBIENTAIS DECORRENTES DE INADEQUAÇÃO DO SANEAMENTO BÁSICO (ÁGUA, LIXO, ESGOTO), POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA, EXPOSIÇÃO A SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS E FÍSICAS, DESASTRES NATURAIS, FATORES BIOLÓGICOS (VETORES, HOSPEDEIROS E RESERVATÓRIOS), DENTRE OUTROS. Fonte: Construindo a Política Nacional de Saúde Ambiental – PNSA. 13. COM 240 MIL CASOS REGISTRADOS EM 2008, O RIO DE JANEIRO LIDEROU OS NÚMEROS DA DENGUE EM TODO O PAÍS. Fonte: Soc. Bras. de Infectologia http://www.infectologia.org.br/default.asp?site_Acao=mostraPagina&paginaId=134 14. MAIS DE 90% DOS 300-500 MILHÕES DE CASOS ESTIMADOS DE MALÁRIA QUE OCORREM NO MUNDO A CADA ANO SÃO AFRICANOS, PRINCIPALEMENTE CRIANÇAS COM MENOS DE 5 ANOS DE IDADE. Fonte: http://www.who.int/bulletin/africanhealth/en/index.html 15. EM RELAÇÃO À ÁSIA ORIENTAL, O ACESSO À ÁGUA LIMPA E A BOAS CONDIÇÕES SANITÁRIAS SÃO LIMITADAS EM MUITAS ÁREAS RURAIS, ESPECIALMENTE NA CHINA E NA MONGÓLIA. Fonte: http://www.cdc.gov/travel/yellowbook/ch3/asia.aspx 16. SURTOS EPIDÊMICOS DE HEPATITE E TÊM OCORRIDO NA ÁSIA ORIENTAL, DO SUL E CENTRAL, ÁFRICA OCIDENTAL E DO NORTE, E NO MÉXICO, ESPECIALMENTE ONDE A CONTAMINAÇÃO FECAL DA ÁGUA INGERIDA É COMUM. Fonte: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs280/en/ 17. A PRODUÇÃO PER CAPITA DE LIXO NO BRASIL VARIA DE 0,3 A 1,1 QUILOS POR DIA. QUANTO MAIOR O PODER AQUISITIVO DA POPULAÇÃO, MAIOR É A QUANTIDADE DE LIXO PRODUZIDA. 77 NO BRASIL SÃO PRODUZIDOS DIARIAMENTE, SEGUNDO O MANUAL DE GERENCIAMENTO INTEGRADO (IPT/CEMPRE, 1995), CERCA DE 241 MIL TONELADAS DE LIXO, DOS QUAIS 90 MIL SÃO DE ORIGEM DOMICILIAR. DESSA FORMA, A MÉDIA NACIONAL DE PRODUÇÃO DE RESÍDUOS POR HABITANTE, ESTARIA EM TORNO DE 600 g/dia. UMA CIDADE COMO SÃO PAULO, NO ENTANTO, PRODUZ EM MÉDIA 1 kg/dia DE LIXO POR HABITANTE. Fonte: http://www.cdc.gov/travel/yellowbook/ch3/asia.aspx 18. QUANTO À COMPOSIÇÃO DO LIXO, VERIFICA-SE QUE OS PAÍSES DE MAIOR RENDA PER CAPITA RESPONDEM POR ALTO PERCENTUAL D RESÍDUOS INORGÂNICOS COMO VIDRO, PAPEL, PLÁSTICOS E METAL. AO CONTRÁRIO, OS PAÍSES DE MENOR RENDA APRESENTAM RESÍDUOS COM ALTO CONTEÚDO DE ALIMENTOS. Fonte: http://www.cdc.gov/travel/yellowbook/ch3/asia.aspx 19. NO BRASIL, CERCA DE 49% DO LIXO COLETADO É DISPOSTO EM VAZADOUROS, SEM QUALQUER TIPO DE TRATAMENTO. NAS REGIÕES N E NE A PARCELA DO LIXO RECOLHIDO QUE É JOGADA EM VAZADOUROS É BEM MAIOR – EM TORNO DE 90%. Fonte: http://www.cdc.gov/travel/yellowbook/ch3/asia.aspx 20. O SUDÃO APRESENTA 35% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA. Fonte: http://www.who.int/entity/whosis/whostat/2008/en/index.html World Health Statistics 2008, WHO. 21. NA NIGÉRIA, ÁFRICA, HÁ SOMENTE 47% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A ÁGUA POTÁVEL E 30% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008. 22. PAPUA NOVA GUINÉ POSSUI: 40% DE DOMICÍLIOS COM ACESSO A ÁGUA POTÁVEL (2006) E 45% DE DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008. 23. A ÍNDIA POSSUI 28% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008. 24. O AFEGANISTÃO POSSUI 22% DOS DOMICÍLIOS COM ÁGUA POTÁVEL (2006) E 30% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008. 25. MADAGASCAR POSSUI 47% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A ÁGUA POTÁVEL (2006) E 12% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008. 26. NA FINLÂNDIA E NA SUÉCIA, 100% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A ÁGUA POTÁVEL (2006) E A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008. 78 27. NA NICARÁGUA, 79% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A ÁGUA POTÁVEL (2006) E 48% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008. 28. EM HONDURAS, 66% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008. 29. NO QUÊNIA, 57% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A ÁGUA POTÁVEL (2006) E 42% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008. 30. NA ETIÓPIA, SOMENTE 11% DOS DOMICÍLIOS TÊM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008. Carta de sinais de alerta 79 Anexo 3: Cartas sobre doenças ------------------------------------------------------------------------------------------------------------AMEBÍASE 1. DESCRIÇÃO: Infecção causada por protozoário. 2. AGENTE ETIOLÓGICO: Entamoeba hystolitica 3. RESERVATÓRIO: O homem. 4. MODO DE TRANSMISSÃO: As principais fontes de infecção são a ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes contendo cistos amebianos maduros. 5. QUADRO CLÍNICO: Desconforto abdominal leve ou moderado, com sangue e/ou muco nas dejeções; diarréia aguda e fulminante, de caráter sanguinolento ou mucóide, acompanhada de febre e calafrios; em casos graves, abscesso no fígado. 6. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: Impedir a contaminação fecal da água e alimentos através de medidas de saneamento, educação em saúde, destino adequado das fezes e controle dos indivíduos que manipulam alimentos. ESPECÍFICAS: Lavar as mãos, após o uso do sanitário e lavagem cuidadosa dos vegetais com água potável. Realizar a fiscalização dos prestadores de serviços na área de alimentos, atividade a cargo da vigilância sanitária. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 80 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ASCARIDÍASE 1. DESCRIÇÃO – Doença parasitária do homem, causada por um helminto. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Ascaris lumbricóides 3. RESERVATÓRIO – O homem. 4. MODO DE TRANSMISSÃO – Ingestão dos ovos infectantes do parasita, procedentes do solo, água ou alimentos contaminados com fezes humanas. 5. QUADRO CLÍNICO – Habitualmente, não causa sintomatologia, mas pode manifestar-se por dor abdominal, diarréia, náuseas e anorexia. Quando há grande número de parasitas, pode ocorrer quadro de obstrução intestinal. 6. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: Medidas de educação em saúde e de saneamento. ESPECÍFICAS: Evitar as possíveis fontes de infecção, Impedir a contaminação fecal da água e alimentos através de medidas de saneamento, educação em saúde, destino adequado das fezes e controle dos indivíduos que manipulam alimentos. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 81 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------CÓLERA 1. DESCRIÇÃO – Doença diarréica aguda. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Vibrio cholerae. 3. RESERVATÓRIO – O principal é o homem. 4. MODO DE TRANSMISSÃO – Ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes ou vômitos de doente ou portador. 5. PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE – Enquanto houve eliminação do Vibrio cholerae nas fezes, que ocorre geralmente até poucos dias após a cura. 6. QUADRO CLÍNICO – Mais freqüentemente, a infecção é assintomática ou oligossintomática, com diarréia leve. Na forma grave, há diarréia aquosa e profusa, com ou sem vômitos, dor abdominal e cãibras, e quando não tratado prontamente, pode evoluir para desidratação grave. 7. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: Oferta de água de boa qualidade e em quantidade suficiente; disponibilização de hipoclorito de sódio à população sem acesso á água potável; destino adequado dos dejetos; destino adequado do lixo; educação em saúde; controle de portos, aeroportos e rodoviárias; higiene dos alimentos; disposição e manejo adequado dos cadáveres. ESPECÍFICAS: Deve-se ter cuidado com os vômitos e fezes dos pacientes no domicílio. Necessidade de lavagem rigorosa das mãos e procedimentos básicos de higiene. Isolamento entérico nos casos hospitalizados, com desinfecção concorrente das fezes, vômitos, vestuário e roupa de cama dos pacientes. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 82 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------CRIPTOSPORIDÍASE 1. DESCRIÇÃO – Infecção causada por protozoário. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Cryptosporidium parvum. 3. RESERVATÓRIO – O homem, o gado e animais domésticos. 4. MODO DE TRANSMISSÃO – Fecal-oral, de animais para pessoas o entre pessoas. 5. QUADRO CLÍNICO: Em indivíduos imunocompetentes, diarréia autolimitada. Em imunodeprimidos, particularmente com infecção por HIV, ocasiona enterite grave, caracterizada por diarréia aquosa. 6. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: Educação em saúde, saneamento, lavagem de mãos, após o manuseio de bovinos com diarréia, filtração da água ou sua fervura durante dez minutos. ESPECÍFICAS: Adoção de precauções do tipo entérico para pacientes internados. Pessoas infectadas devem ser afastadas de atividades de manipulação de alimentos e crianças atingidas não devem freqüentar creches. Desinfecção concorrente das fezes e de material contaminado com as mesmas. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 83 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------DENGUE 1. DESCRIÇÃO – Doença infecciosa febril aguda. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – O vírus do dengue com quatro sorotipos conhecidos: 1, 2, 3 e 4. 3. RESERVATÓRIO – Os vetores hospedeiros são mosquitos do gênero Aedes. A fonte da infecção e hospedeiro vertebrado é o homem. 4. MODO DE TRANSMISSÃO – A transmissão se faz pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, no ciclo homem-Aedes aegypti-homem. 5. QUADRO CLÍNICO - A DC, em geral, se inicia abruptamente com febre alta (39° a 40°C), seguida de cefaléia, mialgia, prostração, artralgia, anorexia, astenia, dor retroorbitária, náuseas, vômitos, exantema, prurido cutâneo, hepatomegalia, dor abdominal generalizada (principalmente em crianças). Pequenas manifestações hemorrágicas. Dura cerca de 5 a 7 dias,quando há regressão dos sinais e sintomas, podendo persistir a fadiga. Na FHD e SCD, os sintomas iniciais são semelhantes aos da DC, mas no terceiro ou quarto dia o quadro se agrava com dor abdominal, sinais de debilidade profunda, agitação ou letargia, palidez de face, pulso rápido e débil, hipotensão, manifestações hemorrágicas espontâneas, derrames cavitários, cianose e diminuição brusca da temperatura. 6. MEDIDAS DE CONTROLE - As medidas de controle se restringem ao vetor Aedes aegypti. O combate ao vetor deve desenvolver ações continuadas de inspeções domiciliares, eliminação e tratamento de criadouros, priorizando atividades de educação em saúde e mobilização social. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 84 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------FEBRE TIFÓIDE 1. DESCRIÇÃO – Doença bacteriana aguda que está associada a baixos níveis socioeconômicos, principalmente a precárias condições de saneamento. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Salmonella Typhi. 3. RESERVATÓRIO – O homem doente ou portador assintomático. 4. MODO DE TRANSMISSÃO - Doença de veiculação hídrica e alimentar, cuja transmissão pode ocorrer pela forma direta, pelo contato com as mãos do doente ou portador, ou forma indireta, guardando estreita relação com o consumo de água ou alimentos contaminados com fezes ou urina do doente ou portador. 5. QUADRO CLÍNICO – Apresenta-se geralmente com febre alta, cefaléia, mal-estar geral, anorexia, bradicardia relativa, esplenomegalia, manchas rosadas no tronco, constipação intestinal ou diarréia e tosse seca. 6. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: Melhoria das condições de saneamento existentes e dos hábitos de higiene individuais. ESPECÍFICAS: Isolamento entérico, com desinfecção concorrente das fezes, urina e objetos contaminados e limpeza terminal; busca ativa de casos na área; pesquisar portadores através da coprocultura; afastar o paciente da manipulação de alimentos e orientar sobre medidas de higiene, principalmente em relação à limpeza rigorosa das mãos. Retirada da vesícula biliar nos pacientes portadores que apresentam litíase biliar ou anomalias biliares e que não apresentam respostas ao tratamento com antimicrobianos. Vacinação: em casos específicos. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 85 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------HEPATITE A 1. DESCRIÇÃO – Doença viral aguda com formas clínicas variadas. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Vírus da hepatite A (HAV). 3. RESERVATÓRIO – O homem, principalmente. Também primatas, como chimpanzés e sagüis. 5. MODO DE TRANSMISSÃO – Fecal-oral, veiculação hídrica, pessoa a pessoa (contato intrafamiliar e institucional), alimentos contaminados e objetos inanimados. 6. QUADRO CLÍNICO – Os sintomas se assemelham a uma síndrome gripal: mal-estar, cefaléia, febre baixa, anorexia, astenia, fadiga intensa, artralgia, náuseas, vômitos, desconforto abdominal,, aversão a alguns alimentos; a fase ictérica é precedida por dois a três dias de colúria, podendo ocorrer hipocolia fecal, prurido, hepato e hepatoesplenomegalia. 7. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: As medidas preventivas incluem: educação da população quanto às boas práticas de higiene, com ênfase na lavagem das mãos após o uso do banheiro, quando da preparação de alimentos e antes de se alimentar; disposição sanitária de fezes, etc.; medidas de saneamento básico com água tratada e esgoto; orientação das creches, préescolas e instituições fechadas para a adoção de medidas rigorosas de higiene, além da desinfecção de objetos, bancadas, chão, etc.; cozimento adequado para mariscos, frutos do mar e desinfecção (uso de cloro) para alimentos crus. ESPECÍFICAS: afastamento do paciente das atividades normais (se criança, isolamento e afastamento da creche, pré-escola ou escola) durante as primeiras duas semanas da doença e a máxima higiene com desinfecção de objetos, limpeza de bancadas, chão, etc, utilizando cloro ou água sanitária. A vacinação contra hepatite A está indicada para pessoas suscetíveis. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 86 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------HEPATITE E 1. DESCRIÇÃO – Doença viral aguda. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Vírus da hepatite E (HEV). 3. RESERVATÓRIO – O homem. 4. MODO DE TRANSMISSÃO - Fecal-oral, principalmente pela água e alimentos contaminados por dejetos humanos e de animais. 5. QUADRO CLÍNICO – A fase pré-ictérica se caracteriza por mal-estar, cefaléia, febre baixa, anorexia, astenia, fadiga intensa, artralgia, náusea, vômitos e desconforto abdominal. Na fase ictérica, é comum a presença de queixas de colúria, prurido e hipocolia fecal e hepatomegalia. 6. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: As medidas preventivas incluem: educação da população quanto às boas práticas de higiene, com ênfase na lavagem das mãos após o uso do banheiro, quando da preparação de alimentos e antes de se alimentar; disposição sanitária de fezes, etc; medidas de saneamento básico com água tratada e esgoto; orientação das creches, pré-escolas e instituições fechadas para a adoção de medidas rigorosas de higiene, tais como lavagem das mãos ao efetuar trocas de fraldas, preparar dos alimentos e antes de comer, além da desinfecção de objetos, bancadas, chão, etc. ESPECÍFICAS: Os cuidados com o paciente incluem o afastamento do mesmo das atividades normais (se criança, isolamento e afastamento da creche, pré-escola ou escola) durante as primeiras duas semanas da doença e a máxima higiene com desinfecção de objetos, limpeza de bancadas, chão, etc, utilizando cloro ou água sanitária. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 87 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ESQUISTOSSOMOSE 1. DESCRIÇÃO – A esquistossomíase humana é causada por 5 espécies do trematódeo do gênero Schistosoma. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Schistosoma mansoni (no Brasil). 3. RESERVATÓRIO – O homem é o principal reservatório. 4. HOSPEDEIRO INTERMEDIÁRIO – No Brasil, são caramujos. 5. MODO DE TRANSMISSÃO - Os ovos do S. mansoni são eliminados pelas fezes do hospedeiro infectado (homem). Na água, eclodem, liberando uma larva ciliada denominada miracídio, que infecta o caramujo. Após quatro a seis semanas, abandonam o caramujo, na forma de cercária, ficando livres nas águas naturais. O contato humano com águas infectadas pelas cercárias é a maneira pela qual o indivíduo adquire a esquistossomose. 6. QUADRO CLÍNICO - A fase aguda pode ser assintomática ou apresentar-se como dermatite urticariforme. Com cerca de três a sete semanas de exposição, pode evoluir para a forma de esquistossomose aguda ou febre de Katayama, caracterizado por febre, anorexia, dor abdominal e cefaléia. Esses sintomas podem ser acompanhados de diarréia, náuseas, vômitos ou tosse seca, ocorrendo hepatomegalia. Após seis meses de infecção, há risco do quadro clínico evoluir para a fase crônica. 7. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: Educação em saúde, mobilização comunitária e saneamento domiciliar ambiental nos focos de esquistossomose. ESPECÍFICAS: Controle dos portadores através da identificação e tratamento dos portadores de S. mansoni por meio de inquéritos coproscópicos. Controle dos hospedeiros através de pesquisa de coleções hídricas, para determinação do seu potencial de transmissão e tratamento de criadouros. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 88 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------LEPTOSPIROSE 1. DESCRIÇÃO – Doença infecciosa bacteriana febril de início agudo. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Leptospira interrogans é a espécie mais importante. 3. RESERVATÓRIO – Os animais, principalmente os roedores (ratos domésticos, ratazana). 4. MODO DE TRANSMISSÃO - A infecção humana resulta da exposição à urina de animais infectados, principalmente roedores, diluída em coleções hídricas ou águas e lama de enchente. 5. QUADRO CLÍNICO – Quando leve, as manifestações clínicas são semelhantes a uma síndrome gripal. Se o quadro for moderado ou grave, poderá evoluir de 2 formas: septicêmica (febre, cefaléia, mialgias, anorexia, náusea, vômito, hepatomegalia, confusão, delírio, alucinação e sinais de irritação meníngea) e imune (cefaléia intensa, sinais de irritação meníngea, miocardite, hemorragia ocular, exantemas maculares, maculopapulares, urticariformes ou petéquias). A forma ictérica evolui, além da icterícia, com insuficiência renal, fenômenos hemorrágicos e alterações hemodinâmicas. 6. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: Controle de roedores (desratização) e melhoria das condições higiênicosanitárias da população: destino adequado do lixo; manutenção de terrenos baldios murados e livres de mato e entulhos. Utilização de água potável, filtrada, fervida ou clorada para consumo humano; Construção e manutenção das galerias de águas pluviais e esgotos; desassoreamento, limpeza e canalização de córregos; emprego de técnicas de drenagem de águas livres. ESPECÍFICAS: Limpeza e desinfecção de áreas domiciliares potencialmente contaminadas, com água sanitária. Medidas de proteção individual para trabalhadores ou indivíduos expostos a risco: uso de equipamentos de proteção individual como luvas e botas. Redução do risco de exposição de ferimentos às águas/lama de enchentes ou outra situação de risco. Imunização de animais domésticos (cães, bovinos e suínos) com vacinas de uso veterinário. 89 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------GIARDÍASE 1. DESCRIÇÃO – Doença protozoária. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Giardia lamblia. 3. RESERVATÓRIO – O homem e alguns animais domésticos ou selvagens, como cães, gatos e castores. 4. MODO DE TRANSMISSÃO – Fecal-oral. Direto, pela contaminação das mãos; ou indireta, através da ingestão de água ou alimento contaminado. 5. QUADRO CLÍNICO – Diarréia acompanhada de dor abdominal, anorexia, má absorção, anemia, flatulência, distensão abdominal, perda de peso e anemia. 6. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: Filtração da água potável. Saneamento. ESPECÍFICAS: Em creches ou orfanatos deverão ser construídas adequadas instalações sanitárias e enfatizada a necessidade de medidas de higiene pessoal. Educação sanitária, em particular o desenvolvimento de hábitos de higiene, como lavar as mãos após o uso do banheiro. Pessoas com giardíase devem ser afastadas do cuidado de crianças. Com pacientes internados, devem ser adotadas precauções entéricas através de medidas de desinfecção concorrente para fezes e material contaminado; e controle de cura, feito com o exame parasitológico de fezes, negativo no 7º, 14º e 21º dias após o término do tratamento. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 90 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------SHIGUELOSE 1. DESCRIÇÃO – Doença bacteriana. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Bactérias do gênero Shigella. 3. RESERVATÓRIO – O homem. Água e alimentos contaminados. 4. MODO DE TRANSMISSÃO - Ingestão de água contaminada ou de alimentos preparados com água contaminada e por contato pessoal. 5. QUADRO CLÍNICO – Caracteriza-se por febre, diarréia aquosa, e dor abdominal em geral difusa e precedendo a diarréia; anorexia, náusea, vômito, cefaléia, calafrios. 6. MEDIDAS DE CONTROLE: GERAIS: Melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores, higiene pessoal e alimentar. Educação em saúde, particularmente em áreas de elevada incidência. ESPECÍFICAS: Ocorrências em crianças de creches devem ser seguidas de isolamento entérico, além de reforço nas orientações prestadas às manipuladoras de alimentos e às mães. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 91 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------PESTE 1. DESCRIÇÃO: A peste se manifesta sob três formas clínicas principais: bubônica, septicêmica e pneumônica. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Yersinia pestis. 3. RESERVATÓRIO – Roedores, coelhos e lebres. 4. VETORES – Pulgas infectadas. 5. MODO DE TRANSMISSÃO – Através da picada de pulgas infectadas. De pessoa a pessoa através de gotículas transportadas pelo ar e os fômites dos pacientes. 6. QUADRO CLÍNICO: A forma bubônica : adenopatia com ou sem supuração, porém sua forma grave se caracteriza por febre alta, calafrios, cefaléia intensa, dores generalizadas, anorexia, náuseas, vômitos, confusão mental, congestão das conjuntivas, pulso rápido e irregular, taquicardia, hipotensão arterial, prostração e mal-estar geral. A forma septicêmica: febre elevada, hipotensão arterial, grande prostração, dispnéia, fácies de estupor e hemorragias cutâneas. A forma pneumônica é a forma mais grave e mais perigosa da doença, por seu quadro clínico e por sua alta contagiosidade. 7. MEDIDAS DE CONTROLE: Acompanhar a situação da população de roedores e pulgas, no ambiente doméstico e peridoméstico das habitações da área pestígena, através de capturas regulares. Evitar que roedores tenham acesso aos alimentos e ao abrigo. Evitar picadas de pulgas em humanos. O ambiente onde vivem os contatos deve ser desinfestado (despulizado) de pulgas através do uso de inseticidas. Caso haja indicação de desratização ou anti-ratização, eliminar as pulgas antes, para que as mesmas não invadam o ambiente doméstico. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 92 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------DOENÇAS DIARRÉICAS AGUDAS 1. DESCRIÇÃO – Síndrome causada por diversos agentes etiológicos (bactérias, vírus e parasitas). 2. AGENTE ETIOLÓGICO - Bactérias - Staphyloccocus aureus, Campylobacter jejuni, Escherichia coli enterotoxigênica, Escherichia coli enteropatogênica, Escherichia coli enteroinvasiva, Escherichia coli enterohemorrágica, salmonelas, Shigella dysenteriae, Yersinia enterocolítica, Vibrio cholerae e outras; Vírus - Astrovírus, calicivírus, adenovírus entérico, norovírus, rotavírus grupos A, B e C e outros; Parasitas - Entamoeba histolytica, Cryptosporidium, Balatidium coli, Giardia lamblia, Isospora belli e outras. 3. RESERVATÓRIO E MODO DE TRANSMISSÃO: específicos para cada agente etiológico. 4. QUADRO CLÍNICO – Sua manifestação predominante é o aumento do número de evacuações, com fezes aquosas e de pouca consistência, tendo muco e sangue às vezes. Com freqüência, é acompanhada de febre, vômito e dor abdominal. 5. MEDIDAS DE CONTROLE: Melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores, higiene pessoal e alimentar. Educação em saúde. Incentivo ao aleitamento materno, uma prática que confere elevada proteção às crianças. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 93 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------HANTAVIROSES 1. DESCRIÇÃO – São antropozoonoses virais agudas cujas infecções em humanos podem ser inaparentes ou graves. 2. AGENTE ETIOLÓGICO – Vírus do gênero Hantavirus. 3. RESERVATÓRIO – Roedores silvestres. 4. MODO DE TRANSMISSÃO - Inalação de aerossóis formados a partir de secreções e excretas dos reservatórios (roedores). Outras formas mais raras de transmissão: ingestão de água e alimentos contaminados; forma percutânea, através de escoriações cutâneas ou mordeduras de roedores; contato do vírus com as mucosas, como a conjuntiva, ou boca ou nariz, por meio de mãos contaminadas com excretas dos roedores, em indivíduos que trabalham ou visitam laboratórios e biotérios contaminados. 5. MEDIDAS DE CONTROLE: Redução de fontes de abrigo e de alimentação de roedores. Controle de roedores. Descontaminação de ambientes potencialmente contaminados. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 94 Exemplo de carta sobre doença, no caso Hepatite A. Anexo 4: Peões, representando crianças, adolescentes, adultos e idosos. 95 96 Anexo 5: Anais do 97 98 Anexo 6: Congresso Mundial de Saúde Pública, Istambul, Turquia, 2009. 99 Anexo 7: Anais do II ENEC 100 101 10. A jornada acadêmica no Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e suas dificuldades Meu nome é Marcos Antonio dos Santos, possuo curso de graduação em Medicina no qual os temas do campo educacional não nos são apresentados. Foi daí que começaram as dificuldades de construir um jogo educativo (já que não há manuais), de se entrar numa sala de aula, de interagir com os alunos de forma natural e eficaz e de se aprofundar nos temas da Pedagogia. Ao final de 2 anos e meio, o jogo foi construído após inúmeras leituras e idéias, houve o teste do jogo – 10 testes – porém achei que o olhar médico foi predominante na minha construção do jogo e que, ao mesmo tempo, tive dificuldade em ter a visão de um professor ao lidar com os temas propostos por mim – doenças de veiculação hídrica e doenças relacionadas ao acúmulo de lixo. Finalmente, ficou a experiência como válida com a ajuda da minha orientadora, Giselle Rôças, e dos meus amigos de mestrado, praticamente todos da área de educação. Desta ajuda mútua, nasceu esta dissertação de mestrado - uma contribuição para o estudo, para a construção e para o entendimento do papel pedagógico dos jogos educativos. Obrigado a todos. 102