Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências
VIAGEM AO CENTRO DA TERRA: OS JOGOS EDUCATIVOS E A
ABORDAGEM DA SAÚDE AMBIENTAL NO ENSINO MÉDIO.
MARCOS ANTONIO DOS SANTOS
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Rio de Janeiro, como parte dos requisitos para obtenção
do título de Mestre em Ensino de Ciências.
Orientadora: Professora Doutora Giselle Rôças
NILÓPOLIS
2010
1
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências
VIAGEM AO CENTRO DA TERRA: OS JOGOS EDUCATIVOS E A
ABORDAGEM DA SAÚDE AMBIENTAL NO ENSINO MÉDIO.
MARCOS ANTONIO DOS SANTOS
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Rio de Janeiro como parte dos requisitos para obtenção
do título de Mestre em Ensino de Ciências.
Aprovada em ______ de dezembro de 2010.
Banca Examinadora
_______________________________________________
Profº. Drº. Alexandre Lopes de Oliveira – Presidente da Banca
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro
________________________________________________
Prof . Dr . Maylta Brandão dos Anjos – Membro Interno
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro
________________________________________________
Profº. Drº. Augusto César de Castro Barbosa – Membro Externo
Universidade Estadual do Rio de Janeiro
NILÓPOLIS
2010
2
DOS SANTOS, MARCOS ANTONIO
Viagem ao centro da Terra: os jogos educativos e a abordagem da saúde
ambiental no ensino médio. [Rio de Janeiro] 2010.
102 p. 29,7 cm (Mestrado Profissional em Ensino de Ciências/IFRJ, M.Sc.,
Ensino, 2010).
Dissertação – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de
Janeiro, PROPEC.
1. Jogos Educativos.
2. Saúde Ambiental.
3. Ensino de Ciências.
I. PROPEC/IFRJ. II. Título.
3
Em memória dos meus pais, Antônio e Maria, por me mostrarem o
valor de uma conquista, do conhecimento e do amor, sempre me
incentivando a crescer.
4
Agradecimentos
A Deus pela eterna presença em minha vida.
Ao amigo Mario, pelo apoio, atenção e carinho.
A minha querida irmã Adriana e aos meus queridos sobrinhos, Marcos e Célio, pelo apoio.
A minha orientadora Giselle Rôças, pela paciência, e incentivo na realização desta
dissertação.
Aos amigos e professores Jorge Pinto Rodrigues e Wallace Vallory.
As minhas amigas e aos meus amigos de jornada acadêmica e de vida, Carla, Elaine,
Monalise, Simone, Miriam, Cristiane, Sandra, Jacqueline, Henri, Jair, Leandro.
Aos membros da banca examinadora, pela paciência, disposição e contribuições.
As minhas amigas Patricia e Regina, por sempre confiarem em mim.
À Secretária da Divisão de Pós-graduação Danielle Freitas de Andrade, pelo carinho e pela
atenção dispensados.
Ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), em
especial ao ex-diretor Anderson, à diretora Sheila, ao chefe dos Recursos Humanos
Rogério e ao Professor Doutor Edmundo Vargas, pela atenção, pelo entendimento e apoio
dispensados a mim.
5
“Tenho em mim todos os sonhos do mundo”.
Fernando Pessoa
6
RESUMO
A presente investigação tem como foco o jogo educativo, mais especificamente a
construção de um jogo educativo voltado para o ensino de temas de saúde ambiental –
doenças de veiculação hídrica e doenças relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo)
– para ser utilizado no ensino médio. Deste modo, espera-se contribuir para que os alunos
sejam co-construtores de uma melhor qualidade de vida para si mesmos, para seus
familiares, para a sua comunidade, para o seu país e para o planeta Terra, de modo que se
faça promoção da saúde através da educação em saúde e da educação ambiental. Para a
realização desta investigação, foi feita revisão de literatura, e como resultado da mesma,
houve a construção de um jogo educativo e a elaboração de quatro artigos, sendo estes
sobre os aspectos teóricos do jogo educativo, sobre a promoção da saúde e sua conexão
com a educação ambiental, sobre a abordagem de saúde e ambiente utilizando jogos
educativos e a exemplificação sobre as relações entre educação ambiental, saúde e
ambiente como o artigo sobre o desmatamento da Amazônia e a ecoepidemiologia da
infecção por Trypanosoma cruzi. É importante que a educação ambiental seja crítica,
transformadora, e que considere o ambiente em sua totalidade, que aplique uma abordagem
interdisciplinar, que examine as questões ambientais do ponto de vista local, regional,
nacional e internacional, que se concentre nas situações ambientais atuais, que ajude a
descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais, que destaque a
complexidade dos problemas ambientais e que utilize diversos espaços pedagógicos e uma
ampla variedade de métodos para comunicar e adquirir conhecimentos no ambiente,
realçando as atividades práticas e as experiências individuais que resultem em
transformações nas esferas individuais e coletivas.
Palavras-chave: Jogo educativo; doença; promoção de saúde; educação ambiental.
7
ABSTRACT
This research focuses on the educational game, specifically the construction of an
educational game for teaching the topics of environmental health - water-borne diseases
and diseases related to accumulation of solid waste (garbage) - to be used in high
school. Thus, it is expected to help the students to be co-builders of a better quality of life
for themselves, for their families, for your community, your country and the planet Earth,
so it makes promotion health through health education and environmental education. In
carrying out this research, a review of literature, and as a result of that, the construction of
an educational game and the preparation of four articles, which are on the theoretical
aspects of the educational game on the promotion of health and its
connection environmental education on the approach to health and environment by using
educational games and examples on the relationship between environmental education,
health and environment as the article about the deforestation of the Amazon and
ecoepidemiologia of Trypanosoma cruzi. It is important that environmental education is
critical, transforming, and to consider the environment in its entirety, applying an
interdisciplinary approach to examine environmental issues from the standpoint of local,
regional, national and international level that focuses on current environmental
situations that helps them discover the symptoms and real causes of environmental
problems, emphasizing the complexity of environmental problems and to use various
pedagogical spaces and a wide variety of methods to communicate and acquire knowledge
on the environment, highlighting the practical activities and individual experiences
resulting in changes in individual and collective spheres.
Keywords: Educational game; disease; health promotion; environmental education.
8
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde
CDC – Centers for Disease Control and Prevention
COM-VIDA – Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida
FUNASA – Fundação Nacional de Saúde
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
OMS – Organização Mundial de Saúde
OPAS – Organização Panamericana de Saúde
PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais
PNEA – Política Nacional de Educação Ambiental
PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
SCIELO – Scientific Library Online
WHO – World Health Organization
9
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------- 11
2. QUESTÃO NORTEADORA ------------------------------------------------------------------ 14
3. HIPÓTESES ------------------------------------------------------------------------------------ 15
4. MÉTODOS -------------------------------------------------------------------------------------- 16
4.1. INVESTIGAÇÃO TEÓRICA --------------------------------------------------------------- 16
4.2. PRODUTO FINAL: Jogo educativo chamado Gaia ----------------------------------- 16
5. RESULTADOS -------------------------------------------------------------------------------- 17
5.1. ARTIGO 1: Promoção da Saúde e Educação Ambiental: conexões necessárias.---- 18
5.2. ARTIGO 2: Vida e Morte na Amazônia: o desmatamento e a ecoepidemiologia da
Infecção por Trypanosoma cruzi como temática para a educação ambiental na formação de
profissionais de saúde ----------------------------------------------------------------------------- 31
5.3. ARTIGO 3: Jogos Educativos: questões teóricas atuais. ----------------------------- 42
5.4. ARTIGO 4: Os caminhos de Gaia: a abordagem de saúde e ambiente utilizando jogos
educativos. ---------------------------------------------------------------------------------------- 53
6. DISCUSSÃO ----------------------------------------------------------------------------------- 65
7. CONCLUSÕES -------------------------------------------------------------------------------- 67
8. REFERÊNCIAS GERAIS--------------------------------------------------------------------- 68
9. ANEXOS ---------------------------------------------------------------------------------------- 75
9.1. Anexo 1: O tabuleiro do jogo educativo chamado Gaia ------------------------------ 75
9.2. Anexo 2: Cartas dos sinais de alerta ----------------------------------------------------- 76
9.3. Anexo 3: Cartas sobre doenças ----------------------------------------------------------- 80
9.4. Anexo 4: Peões do jogo -------------------------------------------------------------------- 96
9.5. Anexo 5: Anais do I ENEC ---------------------------------------------------------------- 97
9.6. Anexo 6: Congresso Mundial de Saúde Pública, Istambul/Turquia ---------------- 99
9.7. Anexo 7: Anais do II ENEC -------------------------------------------------------------- 100
10. A jornada acadêmica no mestrado ------------------------------------------------------- 102
10
1. INTRODUÇÃO
As relações entre saúde e meio ambiente são extremamente complexas, especialmente
neste alvorecer do século XXI. O desenvolvimento tecnológico cada vez mais acelerado
tem trazido alguns efeitos deletérios para a saúde do ser humano, não tem trazido
distribuição de seus benefícios, além de criar novos problemas – como os ambientais e os
de saúde -, tornando complexos os impactos deste desenvolvimento. No Brasil, um país
marcado pelas desigualdades sociais, há vários problemas de saúde pública, como os
decorrentes de depósitos de resíduos urbanos e/ou industriais, e aqueles decorrentes da
falta de saneamento básico.
“É preciso buscar horizontes de mudança – ou, como se diria atualmente,
novos modelos de desenvolvimento – que permitam superar a herança
predatória, em termos ambientais e sociais, originada nas raízes coloniais
e escravistas que marcaram profundamente a sociedade brasileira. A
construção desses novos modelos, por outro lado, enfim, deve estar
fundamentada no debate racional, na ousadia, progressista e no melhor
conhecimento científico e tecnológico. As lutas pela democracia e pelo
cuidado ambiental no Brasil devem fazer parte de um mesmo movimento
histórico transformador, voltado para o fortalecimento do sentido de
nação e cidadania e, através desse fortalecimento, pela defesa do espaço
coletivo, do bem público e da qualidade de vida” (PÁDUA, 2002, p. 35).
Ao se abordar a saúde ambiental, a interdisciplinaridade é essencial para que se
articulem, adequadamente, o cuidado ao meio ambiente e a atenção à saúde, nos seguintes
termos:
“pensar na complexidade das situações ambientais ou problemas de saúde
a elas relacionados significa pensar em elementos articulados entre si,
conformando situações sempre mutantes e que vão construindo, em um
processo dinâmico característico, a sua própria história. A compreensão
desse movimento e dessa história é que permite uma intervenção eficaz
em situações de risco” (PALACIOS et al., 2004, p. 106).
Neste âmbito ganha relevância o conceito de promoção de saúde o qual, no seu modelo
global, leva em consideração os determinantes biológicos, psicológicos e socioculturais
para que se alcance a saúde, como definida pela OMS, isto é, representando um bem-estar
físico, social e mental; também não se pode esquecer a educação, pois ela é uma
intervenção viável para que haja o desenvolvimento de um processo educativo sempre
ligado à prevenção objetivando a melhoria das condições de vida e de saúde das
populações.
A educação para a saúde deve ser realizada como um processo ativo, crítico e
transformador, no intuito de construir coletivamente o saber (Oliveira et al., 2007). Entre
as estratégias que podem ser utilizadas com este intuito está o jogo educativo, uma
importante ferramenta pedagógica, uma alternativa metodológica para auxiliar o estudante
11
a se apropriar dos conceitos de saúde ambiental, especificamente as doenças de veiculação
hídrica e aquelas relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo).
A Agenda 21 Brasileira destaca a necessidade da identificação de alguns problemas
ambientais que causam agravos à saúde, como águas dos rios e subterrâneas contaminadas
e que são utilizadas para consumo humano, drenagem inadequada das águas pluviais,
produzindo reservatórios que facilitam a reprodução de hospedeiros e vetores, resíduos
sólidos – lixo urbano e detritos industriais – que influenciam na emergência e ressurgência
de doenças infecciosas, assim como alteram o meio ambiente, favorecendo surtos
epidêmicos e sua contaminação por agentes químicos e biológicos. (BRASIL, MMA,
2009).
Segundo os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais, BRASIL, MEC, 1998), os jogos
educativos podem ser utilizados como estratégias didáticas, na medida em que o jogar
permite o contato com muitos objetivos essenciais para o desenvolvimento humano,
incluindo-se o desenvolvimento de habilidades físicas, afetivas, sociais e intelectuais e da
criatividade, além de permitir uma maior socialização (SOLER, 2008, p. 29). Além disso,
os jogos educativos podem ser considerados uma atividade lúdica, sendo esta uma
atividade ampla, relacionada à idéia de jogo, brincadeira e brinquedo. Para Koslosky (apud
Carneiro et al., 2000), os mecanismos e instrumentos associados a jogos são importantes e
eficientes em situações de ensino-aprendizagem, pois propiciam a construção do
conhecimento e possibilitam “o acesso da criança a vários tipos de conhecimentos e
habilidades” (Koslosky, 2000, p. 63, citado por Carneiro et al., 2000).
Finalizando, o jogo educativo é um recurso didático que serve como material de suporte
para a transmissão de uma mensagem, para comunicar idéias, representar hipóteses que
tendem a solucionar situações problemáticas, e principalmente para permitir conexões com
outras áreas do conhecimento, com os saberes dos alunos, sempre valorizando o repasse de
práticas ambientais sustentáveis para que a escola, o bairro e a vida sejam mais saudáveis
através de uma reflexão crítica, atuante, contínua e duradoura de modo que se construa
uma sociedade sustentável através da educação ambiental globalizadora e interdisciplinar.
“Educação Ambiental é uma proposta de filosofia de vida que resgata
valores éticos, estéticos, democráticos e humanistas. Seu objetivo é
assegurar a maneira de viver mais coerente com os ideais de uma
sociedade sustentável e democrática. Conduz a repensar velhas fórmulas
e a propor ações concretas para transformar a casa, a rua, o bairro, as
comunidades. Parte de um princípio de respeito à diversidade natural e
cultural, que inclui a especificidade de classe, de etnia e de gênero, a
educação deve ser o portal para o desenvolvimento sustentável e essa
sustentabilidade é o novo paradigma do desenvolvimento econômico e
social” (CAMARGO, 2002, p. 22, citado por MASCARENHAS, 2010).
Esta dissertação consta de quatro artigos intitulados: Promoção da Saúde e Educação
Ambiental: conexões necessárias; Vida e Morte na Amazônia: o desmatamento e a
ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi como temática para educação
12
ambiental na formação de profissionais de saúde; Jogos Educativos: questões teóricas
atuais; e Os caminhos de Gaia: a abordagem de saúde e ambiente utilizando jogos
educativos. Além disso, houve a construção de um jogo educativo, chamado Gaia, que
trata de temas de saúde ambiental, especificamente doenças de veiculação hídrica e
doenças relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo).
13
2. QUESTÃO NORTEADORA
Os jogos educativos podem ser métodos pedagógicos úteis para a abordagem de temas de
saúde ambiental no ensino médio?
14
3. HIPÓTESES
A. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC, 1998), os jogos educativos
podem ser utilizados como estratégias didáticas, especialmente no ensino de matemática e
biologia.
B. A Educação em Saúde é uma atividade-meio para que se alcance a Promoção da Saúde
(Melo, 2009).
C. A Educação Ambiental crítica permite pensar a educação indissociável do processo de
transformação social e de realização do sujeito em sociedade e no mundo, do cidadão
planetário (Loureiro, 2006, p. 112).
15
4. MÉTODOS
O presente estudo foi planejado e desenvolvido em dois momentos, – investigação
teórica e elaboração do produto final – apreciados a seguir:
4.1. Investigação teórica
Esta investigação constou dos seguintes passos:
(1) Execução de revisão da literatura sobre os conceitos abordados, visando um melhor
entendimento dos aspectos envolvidos na questão, assim como uma análise crítica destes
conceitos, expondo, brevemente, alguns dos seus problemas teóricos. Para a busca das
referências bibliográficas utilizou-se a Scientific Eletronic Library Online (SCIELO) –
descritores: (1) “Educação” + “Saúde” + “Educação ambiental” + “Promoção de Saúde”+
“Empoderamento”; (2) “Moléstia de Chagas” + “Trypanosoma cruzi” + “Amazônia” +
“Educação ambiental”; (3) “Educação” + “Teoria dos jogos” + “Jogo educativo”; (4)
“Doença” + “Educação” + “Jogo educativo” + “Meio ambiente” + “Saúde” + “Políticas” –
e livros-textos da área de Educação Ambiental, de Medicina Interna, de Jogos Educativos,
e documentos oficiais governamentais.
(2) A partir da leitura dos manuscritos, estabeleceu-se a relação entre o ambiente e saúde,
além das aplicações pedagógicas dos jogos educativos, estabelecendo assim a inter-relação
entre os problemas ambientais e os de saúde, e suas implicações na saúde humana assim
como o incentivo à promoção de saúde através da educação em saúde para que se tenha
uma melhor qualidade de vida.
4.2. O Produto Final
Elaborou-se como produto final um jogo educativo sobre temas de Saúde Ambiental,
enfatizando-se, especificamente, as doenças de veiculação hídrica e as enfermidades
relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo), dentre as quais se destacam: 1.
Amebíase; 2. Ascaridíase; 3. Cólera, 4. Criptosporidiose; 5. Dengue; 6. Febre Tifóide; 7.
Hepatite A; 8. Hepatite E; 9. Esquistossomose; 10. Leptospirose,;11. Giardíase; 12.
Shiguelose; 13. Peste; 14. Doenças diarréicas agudas; 15. Hantaviroses. Acerca destas
moléstias foram descritos os respectivos agentes etiológicos, os reservatórios, modos de
transmissão, quadro clínico e medidas de profilaxia e controle.
No início do jogo, foram enfatizados os sinais de alerta os quais seriam informações
sobre a situação de saneamento, fornecimento de água potável, produção de resíduos
sólidos e sua destinação no Brasil e no mundo para que os alunos e professores entendam a
gravidade e a importância da temática ambiental e o quão intimamente ela está ligada à
saúde do ser humano.
16
5. RESULTADOS
Os resultados da investigação teórica realizada foram organizados, para publicação e
apresentação da dissertação, em quatro artigos – além de um jogo educativo como produto
final – submetidos à seguinte ordenação:
(1) Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Promoção da Saúde e Educação
Ambiental: conexões necessárias.
(2) Gomes, A. P.; Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Vida e Morte na
Amazônia: o desmatamento e a ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi
como temática para a educação ambiental na formação de profissionais de saúde.
(Apresentado na Primeira Edição do Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde
do Ambiente como pôster, realizado no período de 15 a 17 de maio de 2008, no Campus
do Centro Universitário Plínio Leite, em Niterói/RJ).
(3) Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Gomes, A. P.; Siqueira-Batista, R. Jogos Educativos:
questões teóricas atuais. (Apresentado na Segunda Edição do Encontro Nacional de
Ensino de Ciências da Saúde do Ambiente como pôster, realizado no período de 12 a 15
de maio de 2010, no Campus do Centro Universitário Plínio Leite, em Niterói/RJ;
Apresentado 12º Congresso Mundial de Saúde Pública como pôster, realizado no período
de 27 de abril a 1 de maio de 2009 em Istambul, Turquia).
(4) Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Os caminhos de Gaia: a
abordagem de saúde e ambiente utilizando jogos educativos.
(5) Produto final: Jogo Educativo, chamado Gaia, que trata de temas de Saúde
Ambiental, especificamente doenças de veiculação hídrica e doenças relacionadas ao
acúmulo de resíduos sólidos (lixo).
A seguir apresenta-se a versão integral dos quatro artigos, mais as imagens do produto
final – o jogo educativo (Anexo 1).
17
ARTIGO 1
Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Promoção da Saúde e Educação
Ambiental: conexões necessárias.
18
PROMOÇÃO DA SAÚDE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONEXÕES
NECESSÁRIAS
Marcos Antonio dos Santos
Giselle Rôças
Rodrigo Siqueira-Batista
RESUMO
O presente artigo tem por objetivo discutir aspectos da relação entre educação e saúde no
domínio dos atuais debates sobre promoção da saúde. Para tal, foi realizada revisão
bibliográfica na base de dados Scientific Library Online (SCIELO), com a utilização dos
seguintes descritores: “saúde”, “educação”, “educação ambiental”, “promoção de saúde” e
“empoderamento”. Conforme os documentos das conferências internacionais de promoção
da saúde, este artigo reitera que se faz necessária uma abordagem socioambiental dos
determinantes da saúde de modo que as condições de vida para a saúde individual e
coletiva estejam no centro das atenções a fim de se alcançar justiça social, eqüidade,
educação, saneamento, paz, habitação e salários apropriados – todos determinantes para
um maior controle da saúde.
Palavras-chave: Saúde;
Empoderamento.
Educação;
Educação
ambiental;
Promoção
de
Saúde;
ABSTRACT
This article aims to discuss aspects of the relationship between education and health in the
field of current debates on health promotion. For this purpose, literature review was
performed on the database Scientific Library Online (SciELO), using the following
keywords: "health", "education", "health education", "health promotion" and
"empowerment." As the documents of international conferences on health promotion, this
article confirms that an approach is necessary for socio-environmental determinants of
health so that the living conditions for the individual and collective health are the focus of
attention in order to achieve social justice, equity, education, sanitation, peace, appropriate
housing and wages - all vital for a greater control of health.
Keywords: Health;
Empowerment.
Education;
Environmental
Education;
Health
Promotion;
19
INTRODUÇÃO
A I Conferência Mundial de Promoção da Saúde realizada em Ottawa, Canadá, em 1986
– a qual teve como resultado a publicação da Carta de Ottawa –, teve como principal
mérito a reiteração das condições e requisitos para a saúde, destacando-se a paz, a
educação, a moradia, a alimentação, a renda, a justiça social, a equidade e o ecossistema
estável (BRASIL, 2002).
Segundo a International Joint Comission of Great Lake (apud Minayo, 2002, p. 181), o
termo ecossistema é definido como “um conjunto de ar, água e solo e organismos vivos,
interagindo em determinado espaço”. Esta conceituação pode ser aplicada à saúde – ou
seja, abordagem ecossistêmica da saúde – reconhecendo-se a existência de uma interação
dinâmica entre os diversos determinantes do processo saúde-doença, visando à promoção
da saúde através de uma conscientização individual e coletiva.
Na discussão da abordagem ecossistêmica da saúde, doenças de veiculação hídrica,
doenças relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo) e moléstias transmitidas por
vetores – como a doença de Chagas – tornam-se importantes exemplos de agravos
relacionados a determinantes sociais, econômicos e ambientais da saúde, pois elas têm sido
relacionadas ao acesso desigual à água, à ausência de saneamento, à precariedade das
moradias, à destinação inadequada do lixo, ao aumento das fronteiras agrícolas, ao
desmatamento reduzindo áreas verdes e perdas dos habitats naturais, o que caracteriza uma
proposta não sustentável de desenvolvimento:
“O modelo atual de desenvolvimento do mundo não é sustentável, pois
perda da diversidade ecológica e cultural, pobreza e desigualdade social,
bem como as alterações climáticas tendem a aumentar a vulnerabilidade
da vida humana e dos ecossistemas do planeta” (RATTNER, 2009, p. 7).
Nestes termos, determinados grupos são submetidos ao risco e à vulnerabilidade
ambiental quando ocorrem ameaças à suas condições de vida ou trabalho, sendo que a
realização de ações sócio-educativas com a distribuição de materiais didáticos nas escolas,
instituições e comunidades promove e intensifica a política de educação ambiental em
todos os níveis de ensino e em todos os segmentos de forma universal e multidisciplinar.
Com efeito, faz-se necessária uma mudança no modelo de desenvolvimento econômico de
modo que haja promoção da saúde sempre se observando determinantes de saúde e do
meio ambiente, estimulando uma crescente conscientização da sociedade para que haja
padrões sustentáveis de produção e de urbanização.
O presente artigo apresenta alguns conceitos acerca da articulação entre saúde, educação
e ambiente no domínio dos atuais debates sobre promoção da saúde, assim como reitera
que a promoção de saúde não é de responsabilidade exclusiva do setor saúde, mas sim de
diversos setores do governo municipal, estadual e federal.
20
MÉTODOS
Trata-se de um artigo de revisão cuja construção se deu após levantamento bibliográfico
na base de dados Scientific Library Online (SCIELO), utilizando-se os seguintes
descritores “saúde” (health), “educação” (educação), “promoção de saúde” (health
promotion), “educação ambiental” (environmental education) e “empoderamento”
(empowerment). A segunda etapa referiu-se à leitura dos manuscritos e identificação das
idéias centrais dos mesmos – 50 artigos (sendo alguns selecionados), livros e documentos
oficiais; e por último, houve a construção de uma síntese reflexiva sobre o tema.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A promoção de saúde: marcos históricos e conceituais
A Carta de Ottawa (1986) define a promoção de saúde como “o processo de capacitação
da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma
maior participação no controle deste processo” (apud Buss, 2000, p. 167). E para que isto
ocorra, a OMS (1984) destaca que “o empoderamento e a participação social são
princípios-chave, sendo a efetiva e concreta participação social estabelecida como objetivo
essencial da promoção de saúde”.
Para Carvalho (2008), a Promoção à Saúde constitui, nos dias de hoje, um dos principais
modelos-conceituais que subsidiam políticas de saúde em todo o mundo. Documentos
publicados pela Organização Mundial de Saúde e em outros eventos internacionais
reforçam um abordagem socioambiental de modo que as condições de vida para a saúde
individual e coletiva estejam no centro das atenções para que se alcance a justiça social, a
eqüidade, a educação, o saneamento, a paz, a habitação e salários apropriados – todos
determinantes para um maior controle da saúde.
Segundo Buss (1999), a promoção da saúde é caracterizada pela constatação dos
determinantes gerais sobre as condições de saúde. Para ir além dos cuidados de saúde, fazse necessária a construção de políticas públicas saudáveis, a criação de ambientes
favoráveis, o reforço da ação comunitária, o desenvolvimento de habilidades pessoais e a
reorientação dos serviços de saúde sempre visando à construção de uma saúde baseada na
participação ativa, consciente e permanente da população.
Um componente básico na promoção de saúde é a educação para a saúde definida já em
1969 pela Organização Mundial da Saúde como
“uma ação exercida sobre os indivíduos no sentido de modificar os seus
comportamentos, a fim de adquirirem e conservarem hábitos saudáveis de
saúde, aprenderem a usar judiciosamente os serviços de saúde que têm à
sua disposição e estarem capacitados para tomar, individual ou
21
coletivamente, as decisões que implicam a melhoria do seu estado de
saúde e o saneamento do meio em que vivem” (DIAS et al., 2004).
Enfim, educação e saúde precisam ser entendidas como instâncias profundamente
articuladas à questão ambiental.
Segundo a Carta de Ottawa (1986), (1) defesa da causa, (2) capacitação e (3) mediação
são as três estratégias fundamentais para da promoção de saúde de modo que haja
construção de políticas públicas saudáveis, reforço da ação comunitária, desenvolvimento
de habilidades pessoais, reorientação dos serviços de saúde e criação de ambientes
favoráveis.
Algumas outras Conferências Internacionais foram realizadas no mundo, havendo a
produção de outros documentos importantes, como a Declaração de Alma-Ata, Declaração
de Adelaide, Declaração de Sundswall, Declaração de Santafé de Bogotá, Declaração de
Jacarta, Rede de Megapaíses. As tabelas 1 e 2 apresentam uma breve cronologia da
promoção de saúde no mundo e no Brasil:
Tabela 1: Promoção de Saúde: uma breve cronologia
1974 – Informe Lalonde: Uma Nova Perspectiva sobre a Saúde dos Canadenses/A New
Perspective on the Health Of Canadians
1976 – Prevenção e Saúde: Interesse para Todos, DHSS (Grã-Bretanha)
1977 – Saúde para Todos no Ano 2000 - 30ª Assembléia Mundial de Saúde
1978 – Conferência Internacional sobre Atenção Primária de Saúde – Declaração de
Alma-Ata
1979 – População Saudável/Healthy People: The Surgeon General’s Report on Health
Promotion and Disease Prevention, US-DHEW (EUA)
1980 – Relatório Black sobre as Desigualdades em Saúde/Black Report on Inequities in
Health, DHSS (Grã-Bretanha)
1984 – Toronto Saudável 2000 – Campanha lançada no Canadá
1985 – Escritório Europeu da Organização Mundial da Saúde: 38 Metas para a Saúde na
Região Européia
1986 – Alcançando Saúde para Todos: Um Marco de referência para a Promoção da
Saúde/Achieving Health for All: A Framework for Health Promotion – Informe do
Ministério da Saúde do Canadá, Min. Jack Epp
Carta de Ottawa sobre a Promoção da Saúde – I Conferência Internacional sobre
Promoção da Saúde (Canadá)
22
1987 – Lançamento pela OMS do Projeto Cidades saudáveis
1988 – Declaração de Adelaide sobre Políticas Públicas Saudáveis – II Conferência
Internacional sobre Promoção da Saúde (Austrália)
De Alma-Ata ao ano 200: Reflexões no Meio do Caminho – Reunião Internacional
promovida pela OMS em Riga (URSS)
1989 – Uma chamada para Ação/A Call for Action – Documento da OMS sobre promoção
da saúde em países em desenvolvimento
1990 – Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre a Criança (Nova York)
1991 – Declaração de Sundsvall sobre Ambientes Favoráveis à Saúde – III Conferência
Internacional sobre Promoção da Saúde (Suécia)
1992 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92)
Declaração de Santa Fé Bogotá – Conferência Internacional sobre Promoção da
Saúde na Região das Américas (Colômbia)
1993 – Carta do Caribe para a Promoção da Saúde – I Conferência de Promoção da Saúde
do Caribe (Trinidad e Tobago)
Conferência das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos (Viena)
1994 – Conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento (Cairo)
1995 – Conferência das Nações Unidas sobre a Mulher (Pequim)
Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Social (Copenhague)
1996 – Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Habitat II)
(Istambul)
Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre Alimentação (Roma)
1997 – Declaração de Jacarta sobre a Promoção da Saúde no Século XXI em diante – IV
Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Indonésia)
Fonte: citado por BUSS, P.M. Promoção da Saúde e Qualidade de Vida. Ciência &
Sáude Coletiva, jan-mar, ano 2000/vol 5, ABRASCO, Rio de Janeiro, Brasil, pp. 163-177.
23
Tabela 2: Promoção de Saúde no Brasil: uma breve cronologia
DÉCADA DE 70
• Críticas ao modelo assistencial vigente, centrado na assistência médico-hospitalar.
Medicina social. Ciências sociais em saúde. Tese O Dilema Preventivista, de Sérgio
Arouca
• Surgimento dos primeiros projetos de atenção primária / medicina comunitária
(Montes Claros/MG, Papucaia/RJ e Niterói/RJ)
• Surgimento do “movimento sanitário”
• Conferência internacional sobre Atenção Primária e Declaração Alma-Ata
DÉCADA DE 80
• Movimento de redemocratização do país
• Protagonismo político do “movimento sanitário”
• Preparação da VII Conferência Nacional de Saúde, com afirmação de princípios da
promoção da saúde (sem este rótulo): determinação social e intersetorialidade. No
Canadá, aparece a Carta de Ottawa (1986)
• Processo constituinte, com grande participação do “movimento sanitário” (19861988)
• Constituição Federal, com características de promoção da saúde (1988)
DÉCADA DE 90
• Lei Orgânica da Saúde, reafirmando os princípios promocionais da Constituição
(1990)
• Organização dos Conselhos de Saúde em todos os níveis: participação social,
composição paritária, representação intersetorial (1991)
• Rio 92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
(1992)
• Plano Nacional de Saúde e Ambiente: elaborado, não sai do papel (1995)
• (a partir de 1995) PACS e PSF; NOB 96 (Piso Assistencial Básico); Pesquisa
Nacional de Opinião sobre Saúde; Debates sobre Municípios Saudáveis
• Surgimento da revista Promoção da Saúde (Ministério da Saúde) e anúncio do I
24
Fórum Nacional sobre Promoção da Saúde (1999)
ANO 2000
• Em setembro de 2005, o Ministério da Saúde definiu a Agenda de
Compromisso pela Saúde que agrega três eixos o Pacto em Defesa do Sistema
Único de Saúde (SUS), o Pacto em Defesa da Vida e o Pacto de Gestão.
• Em dezembro de 2009: Primeira Conferência Nacional de Saúde Ambiental
cujo lema foi “Saúde e Ambiente: vamos cuidar da gente!”.
Fonte: citado por BUSS, P.M. Promoção da Saúde e Qualidade de Vida. Ciência &
Sáude Coletiva, jan-mar, ano 2000/vol 5, ABRASCO, Rio de Janeiro, Brasil, pp. 163-177
(modificada pelos autores).
É preciso reconhecer que nossas sociedades são complexas e que, na criação de ambientes
favoráveis, faz-se necessária uma visão mais abrangente sobre a questão da saúde,
agregando o meio ambiente o que constitui uma abordagem sócio-ecológica da saúde
(Brasil, 2002). Ao se valorizar o ambiente como fator determinante de agravos à saúde, a
sociedade pode de maneira reflexiva constatar a degradação permanente do meio ambiente
e do seu ecossistema, adotar um posicionamento crítico face à crise socioambiental e atuar
de modo transformador para que haja efetivamente promoção à saúde.
A questão ambiental e a promoção da saúde
Após a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em
Ottawa, em novembro de 1986 – na qual já se aborda, explicitamente, a questão ambiental
como partícipe do processo saúde-doença - foram realizadas outras conferências de caráter
internacional – Adelaide (1988), Sundsvall (1991), Jacarta (1997) e México (1999) –, e
outras duas de caráter sub-regional em Bogotá (1992) e Port of Spain (1993); todas
reiteraram o conceito moderno de promoção da saúde no qual constata-se o papel
protagonista dos determinantes gerais sobre as condições de saúde, incluindo aqui as
relações entre as coletividades e o ambiente, compreendido num sentido amplo, de
ambiente físico, social, político, econômico e cultural.
A Conferência de Adelaide, segunda conferência internacional sobre promoção da saúde,
ocorrida na Austrália em 1988, destacou o desenvolvimento de políticas públicas saudáveis
a fim de que fossem criados ambientes favoráveis para que a população tivesse acesso aos
meios imprescindíveis para uma vida saudável e satisfatória e que isto poderia ser
conseguido através da redução das disparidades sociais e de ações concretas nos níveis
nacional, regional e local de cada governo afim de que se conservassem os recursos
naturais, mediante estratégias de alcance global, regional e local; também reiterou que os
25
movimentos ecológicos deveriam juntar suas forças com a saúde pública para que
houvesse um desenvolvimento sustentável (WHO, 2010).
A Conferência de Sundsvall, terceira conferência internacional sobre promoção da saúde,
ocorrida na Suécia em 1991, reiterou que a criação de ambientes saudáveis era de suma
importância para a promoção da saúde e que ambientes e saúde eram indissociáveis.
Também afirmou que as iniciativas deveriam ser multisetoriais sempre visando à criação
de um ambiente mais favorável e fomentador da saúde. E para isto, sublinhou quatro
aspectos para um ambiente favorável e promotor da saúde: 1. a dimensão social no qual
deveriam ser levados em consideração as normas, costumes e processos sociais que
afetassem a saúde; 2. a dimensão política na qual os governos deveriam estar
comprometidos com a participação democrática nos processos de decisão e com os direitos
humanos; 3. a dimensão econômica na qual deveria haver o reescalonamento dos recursos
para a saúde e o desenvolvimento sustentável; 4. a necessidade de reconhecer e utilizar a
capacidade das mulheres em todos os setores. A Conferência de Sundsvall alertou a
comunidade internacional para o estabelecimento de novos mecanismos para a prestação
de contas dos setores saúde e ambiente, sendo a educação um elemento-chave para realizar
as mudanças políticas, econômicas e sociais necessárias para tornar a saúde possível para
todos, durante toda a vida (BRASIL, 2002).
A Conferência de Jacarta, quarta conferência internacional de promoção da saúde,
ocorrida na Indonésia em 1997, inovou ao incluir o setor privado no apoio à promoção da
saúde, além de ter dito que os fatores transnacionais representaram significativo impacto
para a saúde, incluindo-se aqui a degradação ambiental devida ao uso irresponsável dos
recursos (BRASIL, 2002).
A Declaração do México, quinta conferência internacional sobre a promoção da saúde,
ocorrida na Cidade do México em junho de 2000, constatou que houve uma melhoria
significativa da saúde e progresso na provisão de serviços de saúde em muitos países do
mundo e ao mesmo tempo constatou que muitos problemas de saúde persistiram e que
havia a necessidade urgente de abordar os determinantes sociais, econômicos e ambientais
da saúde a fim de se alcançar a eqüidade e uma melhor saúde para todos (BRASIL, 2002).
Em relação à Declaração de Santafé de Bogotá, ocorrida na Colômbia em novembro de
1992, houve uma ênfase na promoção da saúde na América Latina cujo desafio consistiu e
ainda consiste em transformar as relações de iniqüidade agravadas pelas crises econômicas
e pelos programas de políticas de ajuste macroeconômico. Enfatizou que o incentivo a
políticas públicas, que garantissem a eqüidade e favorecessem a criação de ambientes e
opções saudáveis, fosse indispensável para modificar fatores condicionantes, como os
ambientais, criar e manter ambientes físicos, naturais e outros que tivessem a intenção de
promover a vida, e não degradá-la (BRASIL, 2002).
É preciso lembrar que alguns problemas persistem e muitas vezes se acentuam, como o
crescimento da população, a degradação do meio ambiente, a urbanização crescente, as
desigualdades na distribuição de renda, o aumento progressivo da transferência do trabalho
26
de risco para países em desenvolvimento e todas estas mudanças possuem conseqüências
múltiplas, principalmente ambientais, sendo necessário o empoderamento e a participação
social considerados princípios-chave para que se alcance a promoção de saúde.
“É essencial o desenvolvimento do empoderamento da população para que
as pessoas, as organizações, as comunidades assumam o controle de seus
próprios assuntos, de sua própria vida e tomem consciência da sua
habilidade e competência para produzir, criar e gerir” (ROMANO et al.,
2002, p. 47).
A Política Nacional de Educação Ambiental, lei nº 9795, de 27 de abril de 1999, dispõe,
em seu primeiro artigo, a definição de Educação Ambiental como
“os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem
valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do
povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (PNEA,
1999).
Para o PNEA (1999), no seu capítulo I, capítulo da Educação Ambiental, seus princípios
são:
“(1) o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; (2) a
concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a
interdependência entre o meio natural, o sócio-econômico e o cultural,
sob o enfoque da sustentabilidade; (3) o pluralismo de idéias e
concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e
transdisciplinaridade; (4) a vinculação entre a ética, a educação, o
trabalho e as práticas sociais; (5) a permanente avaliação crítica do
processo educativo; (6) a abordagem articulada das questões ambientais
locais, regionais, nacionais e globais; (7) o reconhecimento e o respeito à
pluralidade e à diversidade individual e cultural”.
É preciso que a Educação Ambiental seja emancipatória e transformadora de modo que
haja uma consciência crítica permanente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em defesa de um maior controle social da saúde, há a necessidade de se formular políticas
públicas de saneamento básico, ambiental e educação ambiental comprometidas com a
eqüidade social e com a cidadania ambiental ativa, como reiterada pelas conferências
internacionais de promoção da saúde, para que haja estímulo e fortalecimento de uma
consciência crítica sobre a problemática ambiental e social.
Os defensores do empoderamento, ou seja, da necessidade de ampliação do poder para
outros grupos que façam parte do processo educativo, defendem que essa estratégia reduz
27
as desigualdades sociais educacionais, permitindo que os estudantes pobres tenham acesso
a uma educação de melhor qualidade (Castro, 2008), sendo imprescindível que haja o
fortalecimento da escola pública para que haja criação de uma cultura de participação para
todos os seus segmentos, e a melhoria das condições efetivas para que essa participação
possa se efetivar.
É preciso valorizar a “educação empoderadora” (Carvalho et al., 2008) para que o
professor (ou o profissional de saúde) e aluno (ou usuário dos serviços de saúde) se tornem
mais críticos afim de tornarem-se agentes transformadores – para melhor – do mundo em
que vivemos. E isto se torna evidente em Loureiro (2006, p. 94) para o qual
“a Educação Ambiental emancipatória e transformadora parte da
compreensão de que o quadro de crise em que vivemos não permite
soluções compatibilistas entre ambientalismo e capitalismo ou
alternativas moralistas que descolam o comportamental do históricocultural e do modo como a sociedade está estruturada. O cenário no qual
nos movemos, de coisificação de tudo e de todos, de banalização da vida,
de individualismo exacerbado e de dicotomização do humano como ser
descolado da natureza é, em tese, antagônico a projetos ambientalistas
que visam à justiça social, ao equilíbrio ecossistêmico e à
indissociabilidade entre humanidade-natureza” (LOUREIRO, 2006, p.
94).
O presente artigo teve como objetivo contribuir para a construção de uma visão
interdisciplinar entre educação, saúde e meio ambiente para que haja reflexões e
construção de uma consciência de que é preciso agir, de maneira rápida e consciente, nas
sociedades por diferentes meios e formas, local e globalmente para que tenhamos um
presente e um futuro melhor.
28
REFERÊNCIAS
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Diário Oficial, Atos do Poder Legislativo, Brasília, Distrito Federal.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretarias de Políticas Públicas. Projeto Promoção
da Saúde. As cartas da Promoção da saúde. Carta de Ottawa. Brasília, 56 p., 2002.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretarias de Políticas Públicas. Projeto Promoção
da Saúde. As cartas da Promoção da Saúde. Declaração de Sundsvall. Brasília, 56 p.,
2002.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretarias de Políticas Públicas. Projeto Promoção
da Saúde. As cartas da Promoção da Saúde. Declaração de Jakarta. Brasília, 56 p., 2002.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretarias de Políticas Públicas. Projeto Promoção
da Saúde. As cartas da Promoção da Saúde. Declaração do México. Brasília, 56 p., 2002.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretarias de Políticas Públicas. Projeto Promoção
da Saúde. As cartas da Promoção da Saúde. Declaração de Santafé de Bogotá. Brasília,
56 p., 2002.
BUSS, P. M. Promoção da Saúde e Qualidade de Vida. Ciência e Saúde Coletiva, janmar, ano 2000, vol. 5, nº 1. Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva,
Rio de Janeiro, pp. 163-177.
BUSS, P. M. Promoção e educação em saúde no âmbito da Escola de Governo em
Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro,
15(Sup. 2):177-185, 1999.
CARVALHO, S. R.; GASTALDO, D. Promoção à saúde e empoderamento: uma
reflexão a partir das perspectivas crítico-social pós-estruturalista. Ciência & Saúde
Coletiva, 13(Sup 2):2029-2040, 2008.
CASTRO, A. M. D. A. Accountability e empoderamento: estratégias gerenciais na
escola. Conferência Internacional: Educação, Globalização e Cidadania. Novas
perspectivas da Sociologia da Educação. João Pessoa (UFPB). 19 A 22 de fevereiro de
2008.
Disponível
em
www.jurandirsantos.com.br/.../accountability_uma_nova_estrategia_de_controle_da_gesta
o_escolar.pdf Acesso em 15 de maio de 2010.
DIAS, M. R.; DUQUE, A. F.; SILVA, M. G.; DURÁ, E. Promoção da saúde: O
renascimento de uma ideologia?. Análise Psicológica (2004), 3 (XXII): 463-473.
LOUREIRO, C. F. B. Trajetória e fundamentos da educação ambiental. 2
Paulo: Cortez, 2006.
edição. São
29
MINAYO, M. C. S. Saúde e ambiente sustentável: estreitando nós. Rio de Janeiro:
Editora FIOCRUZ, 2002, 344 p.
RATTNER, H. Meio ambiente, saúde e desenvolvimento sustentável. Ciência & Saúde
Coletiva, 14 (6):1965-1971, 2009.
ROMANO, J. O.; ANTUNES, M. Empoderamento e direitos no combate à pobreza.
Rio de Janeiro: ActionAid Brasil, 116p., 2002.
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moving towards a shared governance for health and well-being. WHO, Government of
South Australia, Adelaide 2010. Acesso em 15 de julho de 2010:
www.who.int/social_determinants/hiap_statement_who_sa_final.pdf
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Discussion document on the concept and
principles. In: Health promotion: concepts and principles, a selection of papers presented
at Working Group on Concepts and Principles. Copenhagen: Regional Office for Europe,
1984, p.20-3.
30
ARTIGO 2
Gomes, A. P.; Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Vida e Morte na
Amazônia: o desmatamento e a ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi
como temática para a educação ambiental na formação de profissionais de saúde.
(Apresentado na Primeira Edição do Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde
do Ambiente como pôster, realizado no período de 15 a 17 de maio de 2008, no Campus
do Centro Universitário Plínio Leite, em Niterói/RJ).
31
VIDA E MORTE NA AMAZÔNIA:
O desmatamento e a ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi como
temática para a educação ambiental na formação de profissionais de saúde
Andréia Patrícia GOMES1 – [email protected]
Marcos Antonio DOS SANTOS2 – [email protected]
Giselle RÔÇAS2 – [email protected]
Marcelo Luiz Carvalho GONÇALVES3 – [email protected]
Rodrigo SIQUEIRA-BATISTA1 – [email protected]
1 – Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO)/ Universidade Federal de Viçosa
(UFV).
2 – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Campus
Nilópolis.
3 – Universidade de Fortaleza (UNIFOR).
RESUMO
A moléstia de Chagas — antropozoonose causada pelo Trypanosoma cruzi (protozoário
pertencente à classe Mastigophora, ordem Kinetoplatida e família Trypanosomatidae), de
alta prevalência e de significativa morbidade na América Latina, sendo considerada uma
das doenças infecto-parasitárias de maior impacto final no continente — ainda representa
importante problema médico e social nos países afetados. Na América Latina, a
enfermidade humana afeta aproximadamente 16 milhões de indivíduos e está relacionada a
fatores ambientais e sociopolíticos (relações de produção, migrações, educação e ação
antrópica sobre a natureza). A transmissão vetorial — importante, ainda, em diferentes
regiões — depende, basicamente, da domiciliação do vetor originário de ecótopos
silvestres, introduzidos ou não na casa por ação humana, contexto agravado pelo
reconhecimento de que, historicamente, a doença afeta indivíduos e regiões pobres, carece
de ação do Estado que envolva educação, participação e políticas públicas de modo a
assegurar atenção médica e prevenção. No caso da Amazônia, a política ambiental é fator
crítico na prevenção da expansão da moléstia de Chagas humana para novas áreas de
colonização, podendo-se lançar mão da educação ambiental como importante estratégia
para se atuar no problema. Discutir tal abordagem é o escopo do presente trabalho.
Palavras-chave: Moléstia de Chagas; Trypanosoma cruzi; Amazônia; Educação
ambiental.
ABSTRACT
The Chagas disease - anthropozoonosis caused by Trypanosoma cruzi (protozoan
belonging to the class Mastigophora, order Kinetoplatida and family Trypanosomatidae),
high prevalence and significant morbidity in Latin America, considered one of the
infectious and parasitic diseases of major impact on the final continent - still represents an
important medical problem in affected countries. In Latin America, the human disease
affects approximately 16 million individuals and is related to environmental and
sociopolitical factors (relations of production, migration, education and human action on
32
nature). The transmission vector - importantly, in different regions - basically depends on
the clearance of the vector originating from wild ecotopes, included or not in the house by
human action, context, compounded by the recognition that, historically, the disease affects
people and poor regions, requires state action involving education, participation and public
policies to ensure medical care and prevention. In the Amazon case, environmental policy
is a critical factor in preventing the spread of Chagas disease to new areas of human
settlement, and we can make use of environmental education as an important strategy to
act on the problem. Discuss this approach is the scope of this work.
Keywords: Chagas disease; Trypanosoma cruzi; Amazon; Environmental education.
33
INTRODUÇÃO
A infecção humana na Amazônia foi documentada em 1969, por ocasião do relato
de quatro enfermos com moléstia de Chagas aguda (SHAW et al., 1969). Casos de
infecção assintomática, enfermidade aguda e cardiopatia chagásica crônica — inclusive
com evolução para o óbito — passaram a ser documentadas na Amazônia brasileira
(ALBAJAR, 2003; SIQUEIRA-BATISTA et al., 2007), o que tem motivado debates em
torno da situação epidemiológica, na medida em que a mesma tem sido considerada (1)
uma enzootia de animais silvestres com eventual infecção do Homo sapiens sapiens, (2)
uma antropozoonose emergente ou (3) uma doença endêmica da região (JUNQUEIRA et
al., 2005; VALENTE et al, 1999). Mais recentemente, a Organização Panamericana de
Saúde publicou documento trazendo os resultados da Segunda Reunião da Iniciativa
Intergovernamental de Vigilância e Prevenção da Doença de Chagas na Amazônia, no
qual se destaca os seguintes pontos:
1. A doença de Chagas na Amazônia constitui um problema de
saúde pública identificado, que está fundamentado na entidade e
quantidade, por pesquisas de diferentes instituições dos países
integrantes da Sub-região amazônica.
2. A doença de Chagas na Amazônia estima-se que é uma doença
endêmica que implica em ser abordada internacionalmente de
forma coordenada por uma Iniciativa Subregional (AMCHA).
3. Reconhecendo que a transmissão autóctone de Trypanosoma
cruzi aos humanos já existe na Sub-bregião amazônica e
reavaliando o objetivo central assumido pela Iniciativa Amazônica
(AMCHA) na anterior reunião (Manaus, 2004), propõe-se que o
objetivo das ações compartilhadas entre os países da Sub-região
seja controlar a transmissão autóctone e importada (OPAS, 2006).
O objetivo da presente comunicação inclui: (1) a apresentação dos principais
aspectos ecoepidemiológicos da infecção por T. cruzi na região amazônica — a qual inclui
diferentes países, tais como Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa,
Peru, Suriname e Venezuela (DIAS et al., 2002); e (2) enfocar o papel do desmatamento e
a necessidade de se adotar medidas para o gerenciamento das ações antrópicas nesta área,
34
contexto no qual os debates em torna da educação ambiental ganham significativa
relevância, mormente ao se reconhecer com toda sua complexidade e abrangência, âmbito
que só pode ser abordado, adequadamente, através de um conjunto de experiências e
saberes que uma educação ambiental crítica naturalmente possibilita (FIGUEIREDO,
2003).
MÉTODOS
Trata-se de uma pesquisa teórica apoiada na revisão da literatura. A primeira etapa
consistiu na busca de textos, utilizando-se para isto as seguintes fontes:
(1) BVS – Biblioteca Virtual em Saúde;
(2) PUBMED – U. S . National Library of Medicine;
(3) SCIELO – Scientific Eletronic Library Online; e
(4) Livros e nos capítulos de livro atinentes ao campo da ecologia e da saúde
pública.
A segunda etapa referiu-se à leitura dos manuscritos e identificação das idéias
centrais dos mesmos;
Na terceira e última etapa, foi possível construir-se uma síntese reflexiva sobre o
tema.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A transmissão da moléstia de Chagas na Amazônia apresenta particularidades em
relação às demais regiões (VALENTE et al. 1999), na medida em que não são descritos
vetores que colonizem o domicílio, cabendo a transmissão às vias oral e vetorial extradomiciliar ou domiciliar eventual (ou seja, sem domiciliação) (BRASIL, 2005). As taxas
de desmatamento no território brasileiro vêm aumentando desde a década de 70, tendo
alcançado em 2003 o índice de 648,5 x 103 km2 de área desmatada (FERNSIDE, 2005).
Embora, a política atual tenha estabelecido como uma de suas prioridades a redução dessas
taxas, as principais estratégias utilizadas pelo IBAMA — monitoramento e a repressão —
não tem surtido o efeito esperado, uma vez que as mesmas devem não somente ser
acompanhas de uma:
35
[...] fiscalização efetiva e a arrecadação de multas daqueles que não
possuem autorização do Ibama, contudo, devem ser acompanhadas pela
compreensão necessária dos aspectos sociais, econômicos e políticos para
se tratar o problema por meio de mudanças na política.
[FERNSIDE, 2005, p. 114]
Usualmente, aponta-se a perda de biodiversidade e os impactos climáticos como os
principais danos causados pelo desmatamento. Entretanto, essa é apenas uma versão
resumida e simplista dos fenômenos que efetivamente são acarretados a partir dessa ação
antrópica, podendo-se também citar a diminuição ou perda de produtividade do solo, as
mudanças no regime hidrológico da região e as emissões de gases que agravam o efeito
estufa em função das queimadas, entre outros. Particularmente, a redução das áreas verdes
gera também uma perda dos habitats naturais, processo que culmina na busca, por parte de
diferentes espécies animais, de novos ambientes para garantir a sua sobrevivência,
promovendo um aumento uma migração para novas áreas. Em alguns casos, observa-se
que algumas dessas espécies migram para os centros urbanos, em busca de abrigo e
alimentação. Pode-se observar, também, o aumento de determinadas populações em função
da redução ou extinção do seu predador. É importante ressaltar que tais desequilíbrios
ecológicos podem resultar no aumento da oportunidade de infecção por espécies
patogênicas ao homem.
Particularmente no caso da moléstia de Chagas, percebe-se que o desmatamento da
Floresta Amazônica está reduzindo habitats nos quais vivem os predadores naturais do
vetor, havendo assim uma ausência do predador e o conseqüente aumento da população de
triatomíneos. Ou ainda, há a possibilidade da geração de novos ambientes, nos quais o
inseto pode se tornar ecoepidemiologicamente mais eficiente. Nestes termos, Elisabeth de
Oliveira Santos, diretora do Instituto Evandro Chagas, relatou em entrevista a jornais locais
que:
[...] a presença do barbeiro nas cidades está diretamente ligada a uma
mudança de hábito do inseto, causada pelo aumento do desmatamento das
florestas. [...] Se o contágio foi através das picadas, é a aproximação do
barbeiro com as casas, que preocupa, já que ele vive mais nas matas.
[SANTOS, 2006]
Os impactos são evidentes: o inquérito nacional de 1980, enfocando infecção
36
humana, mostrou a prevalência global de 2,4% no Acre, 1,9% no Amazonas, 0,5% no
Pará, 0,4% em Rondônia, 0,3% em Roraima e 0,0% no Amapá (DIAS et al., 2002). Neste
âmbito, o ônus de dor e sofrimento em decorrência da infecção chagásica não pode ser
minimizado: ainda que seja descrita baixa morbi-mortalidade na Amazônia (JUNQUEIRA
et al., 2005), recentemente, vem sendo relatados casos graves de cardiopatia chagásica,
alguns dos quais com evolução fatal (ALBAJAR, 2003).
SIQUEIRA-BATISTA e colaboradores (2007) descrevem a teia ecoepidemiológica
da moléstia de Chagas, assumindo como pressuposto a necessidade de se compreender os
principais aspectos biológicos e ecológicos dos triatomíneos e dos reservatórios,
possibilitando a elaboração de hipóteses e soluções acerca da circulação e perpetuação do
Trypanosoma cruzi. Os principais elementos da teia são:
(1) Typanosoma cruzi. As principais fontes de isolados de T. cruzi na Amazônia
são os animais silvícolas, quer triatomíneos, quer mamíferos. De um modo geral, há
absoluto predomínio dos zimodemas 1 e 3, em oposição ao descrito nas áreas endêmicas
brasileiras, nas quais o zimodema 2 é o mais encontrado (MILES et al., 1981). Estas
diferenças permanecem como um desafio para a hipótese de que a moléstia de Chagas é
uma antropozoonose que evoluiu a partir de uma enzootia de animais selváticos (DIAS &
MACEDO, 2005).
(2) Triatomíneos. Diferentes espécies de triatomíneos já foram descritas na
Amazônia brasileira, das quais dez foram encontradas infectadas naturalmente por T. cruzi
(JUNQUEIRA et al, 2005): (1) Eratyrus mucronatus; (2) Panstrongylus geniculatus; (3)
Microtriatoma
trinidadensis;
(4)
Panstrongylus
lignarius;
(5)
Panstrongylus
rufotuberculatus; (6) Rhodnius brethesi; (7) Rhodnius neglectus; (8) Rhodnius paraensis;
(9) Rhodnius pictipes; e (10) Rhodnius robustus. Nenhuma das espécies descritas foi
encontrada domiciliada, ainda que incursões em vivendas humanas sejam descritas
(JUNQUEIRA et al., 2005).
(3) Mamíferos. À semelhança de outras regiões, inúmeras espécies de mamíferos
— incluído o homem — podem ser encontradas infectadas por T. cruzi. As principais
ordens identificadas são (1) Carnivora, (2) Chiroptera, (3) Edentata, (4) Marsupialia, (5)
Primates e (6) Rodentia (JUNQUEIRA et al., 2005).
Neste panorama, os aspectos ecoepidemiológicos da moléstia de Chagas devem ser
analisados, conjuntamente, com as questões envolvendo agricultura e a atividade
econômica, cabendo-se comentar a relevância de ações no âmbito da educação ambiental:
37
Uma abordagem que tem se mostrado eficiente é a da Educação
Ambiental. A metodologia da Educação Ambiental utiliza a “pesquisaação” bem como a da problematização [...] para identificar temas
importantes à comunidade, suas expectativas e motivações para aquisição
de novas práticas. Sem este conhecimento a respeito dos interesses e prédisposições positivas da comunidade, os programas de educação em
saúde podem não gerar os resultados esperados. Isto porque os hábitos
são reflexos da cultura local e, portanto, devem ser respeitados.
[Ramos Junior et al., 2007].
O modelo de desenvolvimento brasileiro fragiliza as parcelas mais pobres da
população ante situações de risco ambiental. Homens e mulheres adultos e crianças são
afetados em sua saúde no meio ambiente em que vivem ou trabalham.
Observamos o ressurgimento de doenças como malária, cólera, leptospirose,
dengue, doença de Chagas, etc., impactos ambientais das atividades agrárias extensivas e
intensivas, que envolvem desmatamento, perda da biodiversidade, contaminação
atmosférica em decorrência das queimadas, perda de fertilidade e compactação do solo,
erosão e contaminação das águas, solos, e população pelo uso intensivo de agrotóxicos.
De acordo com o Plano Nacional de Saúde e Ambiente no Desenvolvimento
Sustentável - Diretrizes Para Implementação, de 1995, algumas diretrizes e ações
integradas são necessárias, como o estímulo à participação social nos conselhos e órgãos
colegiados existentes por meio de entidades da sociedade, garantindo acesso ao
conhecimento e informação a respeito dos temas em discussão, com o objetivo de
implementar o controle social nas áreas de saúde, ambiente e desenvolvimento; apoio ao
desenvolvimento de novas tecnologias para avaliação de riscos ambientais e sanitários,
assim como o aperfeiçoamento das existentes, de modo a instrumentalizar as ações de
vigilância; aprimoramento dos indicadores ambientais e de saúde, tornando-os mais
adequados à identificação e avaliação dos impactos sobre a saúde resultantes da
deterioração ambiental, incluindo a do ambiente de trabalho; ampliação e reformulação dos
sistemas de notificação e informação em saúde e meio ambiente, capacitando-os melhor
para planejamento, gestão e avaliação e favorecendo sua integração, compatibilização
conceitual, espacial e metodológica, bem como a descentralização, etc.
É fundamental que haja uma conexão entre os conceitos de saúde, ambiente e
desenvolvimento para que se busquem políticas integradas e intersetoriais proporcionando
visão comum, ampla e crítica dos principais problemas de saúde e meio ambiente do país.
38
Com efeito, a situação amazônica dá oportunidade, através de uma política
ambiental, de uma ação antecipada e vigilante que previna a expansão da moléstia de
Chagas humana.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O real impacto da moléstia de Chagas na Amazônia ainda é desconhecido, devendo
merecer ampla investigação, tal como sugerido por diversos organismos internacionais
(OPAS, 2005; OPAS, 2006). A abordagem ecoepidemiológica da infecção por T. cruzi
como política ambiental é fator crítico na prevenção da expansão da moléstia de Chagas
humana para novas áreas de colonização, como a Amazônia. Este desafio depende de
macropolíticas que salvaguardam a justiça social (eqüidade, acesso e sustentabilidade das
ações em áreas mais pobres) e a preservação do meio ambiente, como pressupostos básicos
de saúde pública e à qualidade de vida no planeta (DIAS, 2001). Ao longo do texto foram
destacados pontos que reforçam a necessidade de se entender o problema não apenas com
o olhar da saúde pública — de cunho prevalentemente epidemiológico — mas, também, de
se aliar a essa discussão elementos oriundos de outras áreas do saber como a ecologia, a
atividade agrícola e, sobretudo, a educação ambiental — além de outras pensáveis, como,
p. ex., economia, política e geografia —, especialmente no que se refere às questões do
desmatamento e da atividade econômica.
Com base nestas considerações, discutir e propor políticas para o gerenciamento da
ocupação destas áreas pode se constituir, cada vez mais, em uma questão de vida e morte
para o homem amazônico.
39
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41
ARTIGO 3
Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Gomes, A. P.; Siqueira-Batista, R. Jogos Educativos:
questões teóricas atuais. (Apresentado na Segunda Edição do Encontro Nacional de
Ensino de Ciências da Saúde do Ambiente como pôster, realizado no período de 12 a 15
de maio de 2010, no Campus do Centro Universitário Plínio Leite, em Niterói/RJ;
Apresentado 12º Congresso Mundial de Saúde Pública como pôster, realizado no período
de 27 de abril a 1 de maio de 2009 em Istambul, Turquia).
42
JOGOS EDUCATIVOS: QUESTÕES TEÓRICAS ATUAIS
Marcos A. dos Santos1, Giselle Rôças2, Andréia P. Gomes3, Rodrigo SiqueiraBatista4
1
Médico e mestrando em Ensino de Ciências, Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), [email protected]
2
Professora Adjunta, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de
Janeiro (IFRJ), [email protected]
3
Professora Assistente do Departamento de Medicina e Enfermagem, Universidade
Federal de Viçosa (UFV), [email protected]
4
Professor Adjunto do Departamento de Medicina e Enfermagem, Universidade Federal
de Viçosa (UFV); Professor Titular do Curso de Graduação em Medicina, Centro
Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO), [email protected]
RESUMO
Este artigo tem como objetivo discutir os aspectos teóricos dos jogos educativos. Com
efeito, foi realizada revisão da literatura, utilizando-se a Scientific Electronic Library
Online (SCIELO) – descritores empregados: jogo (game) e educação (education) – e
livros textos que versam sobre o assunto. Com base nas referências obtidas pôde-se
concluir que o jogo é um importante meio para ensinar, ao permitir um desenvolvimento
integral e dinâmico nas áreas cognitiva, afetiva, lingüística, social, moral e motora do
educando, além de contribuir para a construção da sua autonomia, sua criticidade, sua
criatividade, sua responsabilidade e seu espírito de cooperação. O professor é importante
como sujeito que organiza a ação pedagógica, articulando os jogos, como ferramenta
estimuladora da construção do conhecimento.
Palavras-chave: Educação; Teoria dos jogos; Jogo educativo.
ABSTRACT
This article aims to discuss the theoretical aspects of educational games. Indeed, we
reviewed the literature, using the Scientific Electronic Library Online (SciELO) descriptors used: game and education - and textbooks that deal with the matter. Based on
references obtained it was concluded that the game is an important way to teach, to enable
a dynamic and comprehensive development in cognitive, affective, linguistic, social,
moral and motor educating, and contributing to the construction of its autonomy, their
criticality, creativity, responsibility and spirit of cooperation. The teacher is important as a
guy who organizes the pedagogical action, linking the games as a tool stimulating
knowledge construction.
Keywords: Education; Games´Theory; Educational game.
43
INTRODUÇÃO
“O jogo não consistia apenas em um exercício ou divertimento:
era a vivência consciente e concentrada de uma disciplina do
espírito.”
Hermann Hesse, O jogo das contas de vidro.
O ato de brincar é fundamental para o adequado desenvolvimento dos seres humanos,
estando presente nas diferentes etapas da vida, principalmente na infância. O brincar é
agradável e pressupõe disponibilidade, continuando com função semelhante para
adolescentes, adultos e idosos (MACEDO et al., 2005). O jogar é um dos sucedâneos
mais importantes do brincar, sendo ele considerado o brincar em um contexto de regras e
com um objetivo predefinido. Conforme Morin (2003), não só as crianças, como também
os adultos gostam de jogar.
Vygotsky (2003) considera que o tipo de jogo praticado pelo indivíduo depende da sua
idade e das habilidades que necessita construir em cada fase de seu desenvolvimento.
Assim, na infância, os jogos levam a criança a construir conhecimentos que lhe permitem
interagir com o meio e assimilar, pela imitação, papéis culturalmente estabelecidos. Uma
etapa posterior conduz a criança a jogos construtivos nos quais objetivos são
estabelecidos e ações exercitadas visando atingi-los. O terceiro e último tipo de jogo
descrito por Vygotsky envolve as atividades com regras.
O jogo pode ser visto a partir de três perspectivas: (1) como resultado de um sistema
lingüístico que funciona dentro de um contexto social (respeito ao uso cotidiano e social
da linguagem), (2) como um sistema de regras (estruturas seqüenciais de regras que
permitem diferenciar cada jogo) e (3) como um objeto (o jogo se materializa no tabuleiro
e nas peças). Estes três aspectos citados permitem uma primeira compreensão do jogo,
diferenciando significados atribuídos por culturas diferentes, pelas regras e objetos que o
caracterizam (GOMES & BORUCHOVITCH, 2005; KISHIMOTO, 2008).
Do ponto de vista pedagógico, através dos jogos, o estudante passa a ter um papel:
[...] totalmente ativo, pois além de construir o seu conhecimento e
buscar exercitar conceitos a partir de situações simuladas, ele deve
exercitar suas relações e interações sociais tanto com os colegas de seu
próprio grupo (essencialmente colaborativos) quanto no trabalho com
colegas de outros grupos (que pode ser competitivo ou colaborativo).
[Lopes e Wilhelm, 2006]
A utilização de jogos educativos tende a melhorar o processo ensino-aprendizagem e
proporcionar ao educando uma maneira lúdica de aprender (ANDRADE et al., 2008;
VOLPATO, 2002). Nestes termos:
[...] os jogos podem ser empregados em uma variedade de propósitos
dentro do contexto de aprendizado. Um dos usos básicos e muito
importante é a possibilidade de construir-se a autoconfiança. Outro é o
incremento da motivação. [...] um método eficaz que possibilita daquilo
que está sendo aprendido. Até mesmo o mais simplório dos jogos pode
ser empregado para proporcionar informações factuais e praticar
habilidades, conferindo destreza e competência.
44
[Silveira, 1998, p.2]
Com base nestas premissas, o presente artigo tem por objetivo discutir os aspectos
teóricos dos jogos educativos, dando ênfase às suas características, ao seu aspecto
cognitivo e ao seu papel na educação, enfatizando-se as vantagens e as desvantagens do
seu uso.
MÉTODOS
Trata-se de um estudo teórico, balizado em revisão de literatura, para a qual foi utilizada
a Scientific Electronic Library Online (SCIELO), além de livros textos. A revisão
abrangeu o período de 1980 a 2009, empregando-se, para a busca, os seguintes
descritores: jogo (game) e educação (game). Os artigos foram selecionados utilizando-se
como critérios a descrição sobre o papel pedagógico dos jogos, a definição de jogos
educativos e as discussões sobre suas vantagens e desvantagens.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram obtidos, após busca e seleção – utilizando os critérios apontados – um total de 60
artigos. Os livros empregados totalizaram 10, cujos títulos e ano de publicação estão
apresentados no Quadro 1.
Quadro 1. Livros textos consultados na investigação.
Autor(es)
Título do livro
Friedmann
Brincar: crescer e aprender: o resgate do jogo
infantil
Homo ludens: o jogo como elemento da cultura
Jogo, Brinquedo, Brincadeira e Educação
Jogos Infantis: o jogo, a criança e a educação
Jogando com a matemática de 5ª a 8ª série
Jogos na educação: criar, fazer e jogar
Os jogos e o lúdico na aprendizagem escolar
Os sete saberes necessários à educação do futuro
Psicologia e pedagogia
Brinquedoteca: a criança, o adulto e o lúdico
Psicologia Pedagógica – edição comentada
Huizinga
Kishimoto
Kishimoto
Lara
Lopes
Macedo
Morin
Piaget
Santos
Vygotsky
Ano
publicação
1996
de
2008
1996
2006
2004
2005
2005
2003
1969/70
2000
2003
O percurso teórico construído, após a leitura dos artigos e dos livros, estruturou-se em
torno de três grandes temas – (1) As características do jogo, (2) os jogos na educação e
(3) O ensino-aprendizagem pelos jogos: vantagens e desvantagens –, os quais serão
apresentados a seguir.
45
Características do jogo
As principais características identificadas como próprias dos jogos são variáveis na
dependência do autor que se dedica a apreciá-los. De fato, quando descreve o jogo como
elemento de cultura, Huizinga (2008) aponta os seguintes aspectos típicos: o prazer, o
caráter “não-sério”, a liberdade, a separação dos fenômenos do cotidiano, as regras, o
caráter fictício ou representativo e sua limitação no tempo e no espaço.
De outro modo, pode ser pontuado como caracteres significativos do jogo infantil, o
seguinte (KISHIMOTO, 1996): (1) A não-literalidade: as situações de brincadeira
caracterizam-se por um quadro no qual a realidade interna predomina sobre a externa; o
sentido habitual de brincar é substituído por um novo, ou seja, criam-se novos
significados para uma brincadeira específica; (2) Efeito positivo: o jogo infantil é
normalmente caracterizado pelos signos do prazer ou da alegria, entre os quais o sorriso;
isto traz inúmeros efeitos positivos às dimensões corporal, moral e social da criança; (3)
Flexibilidade: as crianças estão mais dispostas a ensaiar novas combinações de idéias e de
comportamentos em situações de brincadeira que em outras atividades não-recreativas;
(4) Prioridade do processo de brincar: ocorre no jogo infantil quando a prioridade da
criança é brincar e sua concentração está dirigida para a atividade em si e não para os seus
resultados ou seus efeitos; (5) Livre escolha: o jogo infantil só pode ser jogo quando
escolhido livre e espontaneamente pela criança; (6) Controle interno: os próprios
jogadores determinam o desenvolvimento dos acontecimentos.
Acerca das características dos jogos, Friedmann (1996) cita sete grandes correntes
teóricas sobre o jogo, as quais podem ser vistas no Quadro 2.
Entre os teóricos que se dedicaram ao estudo dos jogos destaca-se Jean Piaget (1970),
autor que pondera sobre a importância do jogo na escola, nas circunstâncias nas quais se
leve em consideração seu significado funcional. Com efeito, por meio de uma atividade
lúdica, a criança assimila ou interpreta a realidade, atribuindo, então, ao jogo um valor
educacional muito grande. Piaget dá ênfase ao papel ativo do sujeito e, de acordo com
cada tipo de estrutura mental, podem ser classificados em de exercício sensório-motor,
simbólicos e de regras. O jogo de exercício sensório-motor se inicia durante os primeiros
meses de existência, a criança repete movimentos por puro prazer, sem qualquer outra
finalidade. O jogo simbólico se inicia durante o segundo ano de vida, implica na
representação de um objeto, de um conflito, de um desejo que não foi realizado – é o jogo
de faz-de-conta. O jogo com regras se inicia dos quatro aos sete anos de idade e subsiste
na idade adulta e se desenvolve mesmo durante toda a vida (jogo social, esportes, jogos de
cartas, e outros) (PIAGET, 1969). De fato, “as regras indicam que as coisas não estão
prontas, acabadas, mas devem ser descobertas e os obstáculos vencidos, e isso estimula a
investigação, a análise e o estabelecimento de relações” (CARNEIRO, 1995, p. 59).
46
Quadro 2. Correntes teóricas sobre jogos.
PERÍODO
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
CORRENTE
TEÓRICA
Estudos
evolucionistas
e
desenvolvimentista
s
Final do século
XIX
Difusionismo
e
particularismo:
preservação
do
jogo
Final do século
XIX e princípio
do século XX
Análise do ponto
de vista cultural e
de personalidade: a
projeção do jogo
Décadas de 20 a
60
Análise funcional:
socialização
do
jogo
Década de 30 a
50
Análise
estruturalista
cognitivista
Começo
da
Década de 50
Estudos
Comunicação
e
de
Décadas de 50 a
70
O jogo infantil era interpretado
como
a
sobrevivência
das
atividades da sociedade adulta,
defendendo-se a idéia de que os
estágios
do
jogo
infantil
recapitulavam toda a história
biocultural do pensamento humano.
Principal representante: Stanley
Hall.
O jogo era considerado uma
característica universal de vários
povos, devido à difusão do
pensamento e conservadorismo das
crianças, o que se articula à
necessidade de preservação dos
“costumes”
infantis
e
de
conservação das práticas lúdicas.
Principais representantes: Newell,
Babcock, Dorsey, Culin, Gomme,
Roth, Howard Mills, Brewster,
Sutton-Smith, Opie e Abrahams.
O jogo infantil passa a ser analisado
em diversos contextos culturais;
estudos reconhecem que os jogos
são geradores e expressão da
personalidade e da cultura de um
povo.
Principais representantes: Robert e
Sutton-Smith, Melanie Klein, Anna
Freud
Neste período a ênfase foi dada ao
estudo dos jogos adultos como
mecanismo
socializador.
Negligenciou-se o jogo infantil.
Não há principais representantes.
O jogo é um fenômeno da mente,
sendo visto como uma atividade
que pode ser expressiva ou
geradora de habilidades cognitivas.
Principais
representantes:
Huizinga, Callois e Piaget.
Ressalta-se a importância da
comunicação no jogo. Principais
representantes: Garvey e Bernott.
47
Análise ecológica,
etológica
e
experimental:
definição do jogo
Década de 70 em
diante
Nesta teoria “foi dada ênfase ao uso
de critérios ambientais observáveis
e/ou
comportamentais”
(Schwartzman, 1978). Verificou-se,
também, a grande influência dos
fabricantes de brinquedos nas
brincadeiras e jogos.
Principais representantes: Pulaski,
Fein, Anderson, Mitchell, Corinne
Hut, Jerôme e Dorothy Singer.
Fonte: FRIEDMANN, A. Brincar: crescer e aprender: o resgate do jogo infantil. São
Paulo: Moderna, 1996.
Os jogos na educação
O jogo educativo pode ser considerado como uma importante ferramenta para ampliar a
ação pedagógica (REBELLO et al., 2001; TORRES, et al., 2003). Neste contexto, o
professor deve ser considerado elo importantíssimo para organizar a ação, na medida em
que “propõe estímulo ao interesse do aluno, desenvolve níveis diferentes de sua
experiência pessoal e social, ajuda-o a construir suas novas descobertas, desenvolve e
enriquece sua personalidade e simboliza um instrumento pedagógico” (ANTUNES, 2000,
p. 37). Ademais, ressalta-se que o jogo educativo serve para desenvolver habilidades
físicas, afetivas, sociais e intelectuais nas crianças e adolescentes.
Para ser útil no processo educacional, um jogo deve promover situações interessantes e
desafiadoras para a resolução de problemas, permitindo aos aprendizes uma autoavaliação quanto aos seus desempenhos, além de fazer com que todos os jogadores
participem ativamente de todas as etapas (MAGALHÃES, 2007). Com efeito, todo jogo
deve ser analisado pelo professor antes de ser aplicado com os alunos, podendo-se
comentar, em concordância com Antunes (2000), que existem quatro elementos que
justificam e, de uma certa forma, condicionam sua aplicação educativa: (1) capacidade de
se constituir em fator de auto-estima do aluno, ou seja, o jogo não deve ser extremamente
fácil ou cuja solução se coloque acima da capacidade de solução por parte do estudante,
de modo que cause seu desinteresse ou sua baixa estima, associada a uma sensação de
incapacidade ou fracasso; (2) condições psicológicas favoráveis, isto é, o jogo jamais
pode surgir como “trabalho” ou estar associado a alguma forma de sanção; (3) condições
ambientais, isto é, a conveniência do ambiente é fundamental para o sucesso no uso dos
jogos; (4) fundamentos técnicos, isto é, um jogo não deve ser interrompido e sempre
precisa ter começo, meio e fim.
O ensino-aprendizagem pelos jogos: vantagens e desvantagens
A inserção de jogos, segundo Grando (2001), no contexto dos processos ensinoaprendizagem implica em vantagens e desvantagens que devem ser refletidas e assumidas
pelos educadores, ao se planejar um trabalho pedagógico com os jogos. A principal
vantagem do jogo é conduzir à autonomia, pois, é possível, através dele, formar sujeitos
capazes de cooperar, de questionar e criticar. Sua principal desvantagem é o risco de uso
inadequado do jogo pelo professor.
Jogos educativos são divertidos e lúdicos, aspectos importantes para o seu uso
48
pedagógico, na medida em que auxiliam os processos de construção de conhecimento dos
educandos, possibilitando a interação entre os jogadores e trabalho em equipe.
Quadro 3. Vantagens e desvantagens dos jogos
Vantagens
Desvantagens
■ Fixação de conceitos já aprendidos de ■ Quando os jogos são mal utilizados,
uma forma motivadora para o aluno;
existe o perigo de dar ao jogo um
caráter puramente aleatório, tornando■ Introdução e desenvolvimento de se um “apêndice” em sala de aula. Os
conceitos de difícil compreensão;
alunos jogam e se sentem motivados
apenas pelo jogo, sem saber porque
■ Desenvolvimento de estratégias de jogam;
resolução de problemas (desafio dos
jogos);
■ O tempo gasto com as atividades de
jogo em sala de aula é maior e, se o
■ Aprender a tomar decisões e saber professor não estiver preparado, pode
avalia-las;
existir um sacrifício de outros conteúdos
pela falta de tempo;
■
Significação
para
conceitos
aparentemente incompreensíveis;
■ As falsas concepções de que devem
ensinar todos os conceitos através dos
■ Propicia o relacionamento de jogos. Então, as aulas, em geral,
diferentes
disciplinas transformam-se em verdadeiros cassinos,
(interdisciplinaridade);
também sem sentido algum par ao aluno;
■ Estimula a participação ativa do
aluno na construção do seu próprio
conhecimento;
■ A perda de “ludicidade” do jogo pela
interferência constante do professor,
destruindo a essência do jogo;
■ Favorecimento da socialização entre
alunos e a conscientização do trabalho
em equipe;
■ A coerção do professor, exigindo que
o aluno jogue, mesmo que ele não
queira, destruindo a voluntariedade
pertencente a natureza do jogo;
■ A utilização dos jogos é um fator de
motivação para os alunos;
■ Dentre outras coisas, o jogo favorece o
desenvolvimento da criatividade, de
senso crítico, da participação, da
competição “sadia”, da observação, das
várias formas de uso da linguagem e do
resgate do prazer em aprender;
■ A dificuldade de acesso e
disponibilidade de materiais e recursos
sobre o uso de jogos no ensino, que
possam vir a subsidiar o trabalho
docente.
■ As atividades com jogos podem ser
utilizadas para reforçar ou recuperar
habilidades de que os alunos necessitem.
Útil no trabalho com alunos de diferentes
níveis;
49
■ As atividades com jogos permitem ao
professor identificar, diagnosticar alguns
erros de aprendizagem, as atitudes e as
dificuldades dos alunos;
Fonte:
Acesso
em
www.cempem.fae.unicamp.br/lapemmec/cursos/el654/2001/jessica_e_paula/JOGO.doc
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo apresentou uma reflexão teórica sobre o uso de jogos na educação, suas
possibilidades como estratégias de ensino, onde podem ser utilizados com o objetivo de se
constituir num recurso pedagógico de reconhecido valor que pode facilitar o processo
ensino-aprendizagem e ainda ser prazeroso, interessante e desafiante. O jogo, deste modo,
representa um ótimo recurso didático – ou estratégia de ensino – para os educadores, além
de se constituir em um rico instrumento para a construção do conhecimento.
50
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52
ARTIGO 4
Dos Santos, M. A.; Rôças, G.; Siqueira-Batista, R. Os caminhos de Gaia: a abordagem
de saúde e ambiente utilizando jogos educativos.
53
OS CAMINHOS DE GAIA: A ABORDAGEM DE SAÚDE E AMBIENTE
UTILIZANDO JOGOS EDUCATIVOS
GAIA’S PATHWAYS: NA APPROACH BETWEEN HEALTH AND
ENVIRONMENT BY USING EDUCATIONAL GAMES
Marcos Antonio dos Santos
Giselle Rôças
Rodrigo Siqueira-Batista
Resumo
O objetivo do presente artigo é a apresentação de um jogo educativo dirigido à abordagem
de temas de Saúde Ambiental – especificamente as doenças de veiculação hídrica e aquelas
relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos (lixo) -, destacando a possibilidade do mesmo
se constituir em importante ferramenta pedagógica no âmbito da educação em saúde.
Ademais, apresenta elementos da inter-relação entre saúde e meio ambiente, utilizando-se
como referenciais teóricos a Agenda 21 Global e Brasileira.
Palavras-chave: Doença; Educação; Jogo educativo; Meio Ambiente; Saúde; Políticas.
Abstract
The aim of this paper is to present an educational game aimed at addressing issues of
environmental health - specifically waterborne diseases and those related to the
accumulation of solid waste (garbage) -, highlighting the possibility of the same be an
important educational tool in the context of health education. It also presents elements of
the interrelationship between health and environment, using as theoretical the Global
Agenda 21 and the Brazilian one.
Keywords: Disease; Education; Educational game; Environment; Health; Policies.
54
INTRODUÇÃO
As relações entre o ambiente e a saúde, ao se considerar uma dada população, definem
um campo de conhecimento referido como “Saúde Ambiental” ou “Saúde e Ambiente”
(TAMBELLINI, 1998). No Brasil, as principais questões de saúde ambiental incluem o
aumento da poluição atmosférica nas grandes cidades, o processo acelerado de penetração
e instalação das relações de produção capitalista modernizadoras na Amazônia - as quais
trouxeram mudanças bastante pronunciadas no ambiente característico da região de modo a
determinar agravamentos do quadro endêmico e epidêmico de determinadas morbidades -,
a utilização de substâncias químicas de elevada toxicidade como pesticidas na agricultura,
os depósitos de lixo urbano e resíduos perigosos que contaminam o solo. O problema da
água e dos resíduos sólidos tem particular relevância no espaço das grandes cidades, de
modo que se pode dizer que
“a urbanização desenfreada ultrapassou a capacidade financeira e
administrativa das cidades em prover infra-estrutura e serviços essenciais
como água, saneamento, coleta e destinação adequada de lixo, serviços de
saúde, além de empregos e moradia, e em assegurar segurança e controle
do meio ambiente para toda população” (GOUVEA, 1999, p. 5).
De fato, problemas graves e globais - como escassez de recursos naturais, saneamento e
acúmulo de resíduos sólidos - vêm produzindo diversas reações da sociedade organizadas e
dos governos para enfrentá-los.
“Os problemas de saúde devem ser compreendidos a partir de uma visão
global: desde as forças motrizes relacionadas ao modelo de
desenvolvimento econômico, social e tecnológico, passando pelas
pressões que tal desenvolvimento gera sobre o meio ambiente alterando o
estado de sua qualidade e gerando exposições ambientais que resultam
em efeitos diretos e indiretos sobre a saúde humana” (FREITAS et al.,
2006, p. 26-27).
De acordo com o PNUD 2006, em conjunto, a água imprópria para consumo e as más
condições de saneamento constituem a segunda maior causa de mortalidade infantil
mundial. Não ter acesso à água e ao saneamento significa que as pessoas recorrem a fossas,
rios e lagos, muitas vezes poluídos com excrementos humanos ou de animais o que
significa, muitas vezes, também não ter água suficiente para satisfazer as necessidades
humanas mais básicas. É importante afirmar que existe uma associação entre doenças
infecciosas e parasitárias e o manejo inadequado de resíduos sólidos, pois o lixo é um
ambiente favorável para o desenvolvimento de inúmeros microrganismos e de animais
veiculadores de doenças.
A questão do acesso à água potável e à coleta de lixo é, evidentemente, um direito que
demanda uma série de providências do poder público, entendido como estado protetor
(Pontes et al., 2004). Sem embargo, os membros da sociedade têm, igualmente, um papel
importante nesta esfera, na medida em que o uso racional de água – evitando-se o
55
desperdício – e o destino adequado do lixo dependem de atitudes individuais as quais, em
última análise, passam pela conscientização das pessoas, invariavelmente mediada pela
educação. Como exemplo, no nível da comunidade escolar, criou-se a Comissão de Meio
Ambiente e Qualidade de Vida (COM-VIDA), um espaço permanente e dinâmico onde se
constrói a Agenda 21 na Escola e que tem como objetivos: (1) participar da construção do
projeto político-pedagógico da escola e (2) desenvolver e acompanhar a Educação
Ambiental na escola de forma permanente.
Neste âmbito, inúmeras estratégicas pedagógicas podem ser utilizadas para o ensino de
educação ambiental, como folheto científico, álbum interativo, cartolina expositiva, ficha
de leitura, dramatização em sala de aula (role playing) e os jogos educacionais (Garcia,
2005).
O desenvolvimento de jogos educacionais envolve a escolha de um tema, público-alvo e
objetivos. Além disso, é preciso ter um esboço de como o material será organizado
(Tarouco et al., 2005). Lara (2004) afirma que os jogos vêm ganhando espaço dentro das
escolas, numa tentativa de trazer o lúdico para a sala de aula; também afirma que os jogos
bem elaborados e explorados podem ser vistos como uma estratégia de ensino, podendo
atingir diferentes objetivos que variam desde o simples treinamento, até a construção de
um determinado conhecimento.
Com o objetivo de possibilitar uma aprendizagem mais dinâmica e lúdica dos temas de
Saúde Ambiental, especificamente doenças de veiculação hídrica, como cólera e aquelas
relacionadas ao acúmulo de resíduos sólidos, houve a construção de um jogo educativo.
O JOGO
Componentes do jogo
O jogo é constituído de 01 (um) dado, 01 (um) tabuleiro (figuras 1 e 2 e anexo 1), 32
(trinta e dois) peões (figura 3 e anexo 4) – representando crianças, adultos e idosos de
ambos os sexos e por 46 cartas (figuras 4 e 5 e anexos 2 e 3) com notas explicativas, as
quais enfocam os seguintes temáticos: 1.doenças de veiculação hídrica; 2.sobre doenças
causadas pelo acúmulo de resíduos sólidos (lixo); 3.sobre situações críticas de saneamento
no mundo, chamadas de sinais de alerta (figura 5); há também 20 fotografias que
demonstram imagens da natureza como elemento motivador. O aporte teórico para a
construção do jogo foi obtido a partir de revisão da literatura - utilizando a Scientific
Electronic Library Online -, empregando-se como descritores “doença de veiculação
hídrica” e “doença relacionada ao acúmulo de lixo”. A revisão foi complementada por
informações contidas em livros-textos na área de Saúde, assim como as contidas em sítios
de órgãos governamentais nacionais e internacionais, como FUNASA (Fundação Nacional
de Saúde) e CDC (Centers for Disease Control and Prevention).
56
Regras do jogo
Em relação às regras do jogo, a escolha do estudante que inicia a partida é feita pelo
lançamento do dado, sendo o primeiro a sair o que tirar o maior número e assim
sucessivamente para todos os estudantes, observando-se que o critério de desempate será
sempre o maior número tirado ao se lançar novamente o dado.
Dois níveis são observáveis no jogo, sem graus de dificuldade, sendo que o acesso ao
segundo nível só pode ocorrer após uma volta completa de pelo menos um peão do seu
conjunto de quatro peões a partir do ponto de partida inicial do jogador. Este ponto inicial
é representado pelos continentes: África, América do Norte, América Central, América do
Sul, Ásia, Europa Ocidental, Europa Oriental e Oceania. O jogador pode escolher seu
ponto de partida e assim começar a andar com seus peões – um conjunto representado por
uma criança, um adolescente, um adulto e um idoso do sexo masculino ou feminino ou de
ambos os sexos – após sua vez no lançamento do dado.
Como se joga
O primeiro estudante a jogar inicia a partida ao lançar o dado cujo número mostrado
permite a saída de um peão, determinando o número de casas para andar, a sua localização
nesta jogada e a carta a ser retirada, o que ocorre seqüencialmente para todos os estudantes.
Ao caminhar pelas casas o estudante inicialmente se depara com os sinais de alerta, os
quais fornecem informações sobre as situações de saneamento no mundo; posteriormente,
ao entrar no primeiro nível, ele se depara com as doenças e com as fotos da natureza
através das cartas conforme a casa em que se caia, e assim sucessivamente, até se chegar
ao centro do jogo – o planeta Terra – com cada um dos seus quatro peões. As figuras
abaixo ilustram o jogo completo.
Figura 1. O tabuleiro.
57
Figura 2. O tabuleiro em detalhe.
Figura 3. Peões, representando crianças, adolescentes, adultos e idosos.
Figura 4. Cartas sobre doenças.
58
Figura 5. Cartas dos sinais de alerta.
Objetivo do jogo
O objetivo deste jogo é fazer com que um conjunto de quatro peões (criança, adolescente,
adulto e idoso do mesmo sexo ou de sexos diferentes) chegue à esfera central que
representa o planeta Terra, de modo que, ao jogar o dado, estas pessoas se deparem, uma a
uma, com os agravos à saúde – relacionados à água e ao lixo -, ao longo do caminho
percorrido até o ponto central.
No primeiro momento, ao jogar o dado, o estudante tem seis possibilidades; ao andar
pelas casas, ele se depara com seis sinais de alerta que são as casas iniciais que saem de
cada continente; posteriormente, ao chegar ao primeiro nível, ele se depara com as doenças
e importantes informações sobre elas, como agente etiológico e seu ciclo evolutivo, modo
de transmissão, prevenção, dentre outras.
Ao chegar ao centro do jogo, tornar-se-ão evidentes os conceitos de saúde e ambiente ao
estudante os quais poderão ser trabalhados pelo docente em prol da construção do
conhecimento pelo estudante; além disso, fazer com que o professor tenha a percepção que
as atividades lúdicas podem ser consideradas como uma estratégia que estimula o
raciocínio, levando o estudante a enfrentar situações conflitantes relacionadas com o seu
cotidiano.
DISCUSSÃO
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL,1998) propõem que as questões
ambientais sejam abordadas de modo articulado com outros saberes, permitindo aos
estudantes à reflexão sobre os problemas que afetam sua vida, sua comunidade, seu país e
seu planeta. Para que essas informações os sensibilizem e provoquem o início de um
processo de mudança de comportamento, é preciso que o aprendizado seja significativo e
para isto o jogo educativo pode ser um importante instrumento para que o estudante se
59
perceba integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus
elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do ambiente.
Alguns aspectos legais devem ser levados em consideração, como a Política Nacional de
Educação Ambiental, lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, para quem os objetivos
fundamentais da educação ambiental são:
I – o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente
em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos,
psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e
éticos; II – a garantia da democratização das informações ambientais; III
– o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a
problemática ambiental e social; IV – o incentivo à participação
individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do
equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade
ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania; V –
estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro
e macrorregionais, com vistas á construção de uma sociedade
ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade,
igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e
sustentabilidade; VI – o fomento e o fortalecimento da integração com a
ciência e a tecnologia; VII – o fortalecimento da cidadania,
autodeterminação dos povos e solidariedade como fundamentos para o
futuro da humanidade” (PNEA, 1999).
Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (2000), 20% da população brasileira
ainda não contam com serviços regulares de coleta, tendo os resíduos sólidos urbanos
coletados a seguinte destinação: 47% aterros sanitários, 23,3% aterros controlados, 30,5%
lixões, 0,4% compostagem, 0,1% triagem. Além disso, o abastecimento de água é um
problema sério para as populações e uma questão a ser resolvida pelos riscos que sua
ausência ou seu fornecimento inadequado podem causar à saúde pública.
Para Menezes (apud Godoi et al., 2007), atualmente temas ambientais ocupam grandes
espaços nas mídias e as infinitas discussões têm como objetivo principal diminuir impactos
negativos do ser humano sobre o mundo, através de mudanças de atitudes pessoais e
coletivas. A Declaração de Alma-Ata, Conferência Internacional sobre Cuidados Primários
de Saúde, de 6 a 12 de setembro de 1978, afirma, em seu texto, que a atenção primária de
saúde compreende a educação sobre os principais problemas de saúde e sobre os métodos
de prevenção e de luta correspondentes. O uso do jogo educativo é uma das atividades
educativas na qual ocorre apropriação de conhecimentos de forma direta e ativa, pois seu
ambiente lúdico é um ambiente privilegiado para a promoção da aprendizagem (Toscani et
al., 2007).
Melo (2009) considera a educação em saúde uma atividade-meio, pois ela se constitui
apenas uma parte das atividades técnicas voltadas para a saúde, organizando logicamente o
60
componente educativo de programas que se desenvolvem em quatro diferentes ambientes:
a escola, o local de trabalho, o ambiente clínico e comunidade.
Segundo o PCN – Saúde (1998), Educação para a Saúde é um fator de promoção e
proteção à saúde e estratégia para a conquista dos direitos de cidadania. Sua inclusão no
currículo responde a uma forte demanda social, num contexto em que a tradução da
proposta constitucional em prática requer o desenvolvimento da consciência sanitária da
população e dos governantes para que o direito à saúde seja encarado como prioridade.
Enfatiza que a escola, sozinha, não levará os alunos a adquirirem saúde, mas pode e deve,
entretanto, fornecer elementos que os capacitem para uma vida saudável.
Como contribuição para o ensino de educação ambiental, este jogo foi construído para ser
utilizado no ensino médio, em espaços formais e não-formais, respeitando-se a
interdisciplinaridade e a transversalidade propostas pelos Parâmetros Curriculares
Nacionais a fim de que se faça uma educação ambiental comprometida com uma leitura
crítica, transformadora e emancipatória da problemática ambiental e de saúde sempre
visando à promoção da saúde e a transformação estrutural da sociedade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O jogo educativo na sala de aula pode ser um rico recurso de aprendizagem, explorado de
maneiras diferenciadas de acordo com as situações e objetivos almejados, favorecendo os
processos de ensino-aprendizagem, devendo ser sempre analisado previamente pelo
professor. De acordo com Neto (1997, p.2), o jogo promove o desenvolvimento cognitivo
em muitos aspectos: descoberta, capacidade verbal, produção divergente, habilidades
manipulativas, resolução de problemas, processos mentais, capacidade de processar
informação, além de formar e desenvolver habilidades motoras através de situações
pedagógicas que o utilizam.
Para Loureiro (2009), é preciso assumir o compromisso por uma educação ambiental com
responsabilidade social, empenhada também na transformação social, na reestruturação da
compreensão de educação ambiental e na discussão da relação entre o ser humano e a
natureza inserida no contexto das relações sociais para que se estabeleça a justiça
ambiental.
“Educação ambiental é educação e, como tal, serve ou para manter ou
mudar a realidade, reproduzir ou transformar a sociedade. A educação
“ambiental” não só poderia como deveria ser praticada com compromisso
“social”, pois com ela é possível contribuir com a mudança do quadro das
desigualdades no País e no mundo” (LOUREIRO et al., 2009, p. 28-29).
Como utilização futura, este jogo será aplicado em turmas do ensino médio visando
avaliar a construção do aprendizado a partir das questões propostas por ele em relação ao
temas de Saúde Ambiental, especificamente doenças de veiculação hídrica e aquelas
61
relacionadas ao acúmulo de lixo; tornando-se isto mais importante ainda na população
exposta a condições ambientais vulneráveis.
“Os jogos educativos são uma área que pode tornar-se alvo de inúmeras
pesquisas. Se o ensino for lúdico e desafiador, a aprendizagem prolongase fora da sala de aula, fora da escola, pelo cotidiano, num crescimento
muito mais rico do que algumas informações que o aluno decora”
(NETO, 1996, p. 43).
62
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64
6. DISCUSSÃO
O primeiro artigo desta dissertação é intitulado “Promoção da Saúde e Educação
Ambiental: conexões necessárias” o qual trata da promoção da saúde, utilizando a
educação como instrumento à serviço da saúde. Neste artigo, inicialmente há a definição
de saúde pela Organização Mundial de Saúde para a qual saúde é “um estado completo de
bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doenças” (OMS, 1946),
sendo esta definição considerada ampla pois leva em consideração vários determinantes da
saúde, como a paz, a moradia, a alimentação, a renda, justiça social e a equidade, e um
ecossistema estável; depois fala-se em educação em saúde a qual pode ser considerada um
fator de promoção e proteção à saúde e estratégia para a conquista dos direitos de
cidadania; mais adiante, explicito a importância da promoção de saúde a qual “representa
uma estratégia para o enfrentamento dos múltiplos problemas de saúde que afetam as
populações humanas e seus entornos” (Buss, 2000). Este primeiro artigo também explicita
a questão ambiental como requisito fundamental no processo saúde-doença o que foi
reiterado por inúmeras conferências internacionais sobre promoção da saúde, reiterando a
educação para a saúde como um instrumento legítimo para reforçar mudanças efetivas de
estilos de vidas saudáveis afim de que haja promoção da saúde.
O segundo artigo, intitulado “VIDA E MORTE NA AMAZÔNIA: O desmatamento e
a ecoepidemiologia da infecção por Trypanosoma cruzi como temática para a educação
ambiental na formação de profissionais de saúde”, é uma exemplificação concreta da
interferência do homem sobre a natureza de forma deletéria, predatória, através da
expansão das fronteiras agrícolas, destruindo ecossistemas estáveis para obter lucro de
atividades comerciais agrícolas. O processo de globalização traz, com a expansão
capitalista no campo afim de manter altas taxas de lucros, novas relações econômicas,
financeiras e sociais, além de novas definições do espaço geográfico. E neste, no caso
específico da Amazônia, há, do ponto de vista ambiental, destruição do ecossistema
amazônico, através da abertura de rodovias, desmatamentos de áreas extensas para cultura
de grãos, principalmente soja e desgaste do solo, além da poluição dos mananciais pelos
insumos químicos. Para Milton Santos:
“Através da escolha das temáticas e da seriedade, da reflexão no trato
como os conceitos, como, no caso, o devido cuidado com o termo meio
ambiente, encontraremos talvez possibilidades de ação. Contextualizar a
crise ambiental fugindo de estudos tópicos e da sedução das campanhas
globais torna-se uma necessidade urgente se quisermos apreender e
propor soluções para o meio ambiente, que - como já dissemos e vale
insistir - nada mais é que o meio de vida do homem, constituído, na
sociedade contemporânea, como um meio técnico-científicoinformacional” (SANTOS, 2006, p. 11-12).
O terceiro artigo intitulado “Jogos Educativos: questões teóricas atuais” apresenta os
jogos educativos com suas características, vantagens e desvantagens e seu papel na
educação, sendo, de maneira lúdica, uma ferramenta pedagógica que pode melhorar o
65
processo ensino-aprendizagem, auxiliando na construção do conhecimento, e ainda ser
prazeroso, interessante e desafiante. De fato, o jogo é uma ferramenta pedagógica rica na
formação do ser humano, e para Friedmann (1996), o jogo aprimora algumas dimensões,
tais como o desenvolvimento da linguagem, pois o jogo é considerado o canal através do
qual os pensamentos e sentimentos são comunicados pela criança; desenvolvimento
cognitivo, no qual o jogo dá acesso a um maior número de informações; desenvolvimento
afetivo, sendo o jogo um momento oportuno para a criança expressar seus afetos e
emoções; desenvolvimento físico-motor ao permitir que a criança tenha, durante a
interação, ações motoras, visuais, táteis e auditivas sobre os objetos do seu meio;
desenvolvimento moral, pois permite criar uma relação de respeito com o adulto ou com
outras crianças. Finalizando, houve a construção do quarto artigo abaixo o qual procura
descrever o jogo educativo construído como resultado desta dissertação.
O quarto artigo cujo título é Os caminhos de Gaia: a abordagem de saúde e ambiente
utilizando jogos educativos descreve o jogo educativo construído ao longo do curso de
Mestrado Profissional em Ensino de Ciências, do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Rio de Janeiro/Campus Nilópolis, seu conteúdo e suas regras, além de
discutir a questão do acesso à água potável e à coleta de lixo, assim como reitera que o
jogo educativo respeita a interdisciplinaridade e a transversalidade para que haja uma
educação ambiental comprometida com uma leitura crítica, transformadora e
emancipatória da problemática ambiental e de saúde sempre visando à promoção da saúde
e a transformação estrutural da sociedade.
66
7. CONCLUSÕES
Esta dissertação teve por objetivo geral:
Contribuir para o conhecimento dos estudantes e dos profissionais da educação – bem
como de profissionais da área de saúde – sobre a correlação entre saúde e meio ambiente,
visando à melhoria da qualidade de vida e saúde.
Assim como objetivos específicos os quais foram:
Propiciar uma experiência interdisciplinar de educação em saúde e a educação
ambiental.
Preparar um jogo educativo com os temas de Saúde Ambiental, especificamente doenças
de veiculação hídrica e aquelas resultantes do acúmulo de resíduos sólidos (lixo), o qual
poderá ser utilizado para as aulas sobre as temáticas ambiental e da saúde em todo o país.
Instrumentalização dos professores para atuarem como facilitadores de ações
preventivas em saúde e ambiente com vistas a minimizar os impactos ambientais, os quais
podem causar agravos e danos à saúde da população.
Tornar os alunos multiplicadores dos conteúdos da saúde e do ambiente, permitindo que
o debate sobre os temas extrapolem os muros escolares, envolvendo assim demais atores
da comunidade, em busca de uma melhoria na qualidade de vida da mesma.
Reforçar o Núcleo de Pesquisa e Extensão em Divulgação e Ensino de Saúde e o
Laboratório de Práticas Pedagógicas do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em
Ensino de Ciências, estabelecido no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
do Rio de Janeiro (IFRJ), Campus Nilópolis, Rio de Janeiro.
67
8. REFERÊNCIAS GERAIS
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74
9. ANEXOS:
Anexo 1: O Tabuleiro do Jogo Educativo
75
Anexo 2: SINAIS DE ALERTA
1. 34,5 MILHÕES DE PESSOAS SEM ACESSO À COLETA DE ESGOTO NAS
ÁREAS URBANAS. IPEA-Pnad 2006
2. 7,3 MILHÕES DE MORADIA NÃO TÊM O SERVIÇO DE COLETA DE LIXO.
IPEA-Pnad 2006
3. EM 2030, CERCA DE 5 BILHÕES DE PESSOAS, 67% DA POPULAÇÃO
MUNDIAL, VÃO CONTINUAR SEM ESGOTAMENTO SANITÁRIO, SE O CENÁRIO
ATUAL FOR MANTIDO. 3º Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Mundial dos Recursos Hídricos - 5° Fórum Mundial da Água, em Istambul, na Turquia.
4. NA ÁFRICA SUB-SAARIANA, CERCA DE 340 MILHÕES DE PESSOAS AINDA
NÃO TÊM ACESSO AO RECURSO NATURAL. 3º Relatório das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Mundial dos Recursos Hídricos - 5° Fórum Mundial da Água, em
Istambul, na Turquia.
5. SOMENTE NA ÁFRICA, MEIO BILHÃO DE PESSOAS NÃO TÊM ACESSO A
ESGOTAMENTO SANITÁRIO. 3º Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Mundial dos Recursos Hídricos - 5° Fórum Mundial da Água, em Istambul, na Turquia.
6. SEGUNDO O 3º RELATÓRIO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE
DESENVOLVIMENTO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS, A LIGAÇÃO
ENTRE POBREZA E RECURSOS HÍDRICOS É ÓBVIA, POIS O NÚMERO DE
PESSOAS QUE VIVEM COM MENOS DE U$ 1,25 POR DIA COINCIDE, QUASE
QUE TOTALMENTE, COM O NÚMERO DAQUELES QUE VIVEM SEM ÁGUA
POTÁVEL.
7. QUASE 80% DAS DOENÇAS EM PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO ESTÃO
ASSOCIADAS A QUALIDADE DA ÁGUA E CAUSAM CERCA DE 3 MILHÕES DE
MORTES POR DIA. 3º Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Mundial
dos Recursos Hídricos - 5° Fórum Mundial da Água, em Istambul, na Turquia.
8. APESAR DE CONCENTRAR CERCA DE 12% DA ÁGUA DOCE DO MUNDO,
20% DA POPULAÇÃO MAIS POBRE DO BRASIL TEM O PIOR ACESSO À ÁGUA E
AO ESGOTO QUE OS HABITANTES DO VIETNÃ. Relatório do PNUD (Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento) de 2006.
9. DIARRÉIA É A CAUSA MAIS COMUM DE DOENÇA DURENTE UMA VIAGEM,
AFETANDO ATÉ 60% DOS VIAJANTES PARA DESTINOS DE ALTO-RISCO. A
MAIS FREQUENTE CAUSA DE DIARRÉIA DO VIAJANTE É A Escherichia coli
enterotoxigênica (6% a 70%). Fonte: Mandell, Bennett, & Dolin: Principles and Practice
of Infectious Diseases, 6th Ed., 2005.
10. A DENGUE É UM DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS DE SAÚDE PÚBLICA NO
MUNDO. A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS) ESTIMA QUE ENTRE
76
50 A 100 MILHÕES DE PESSOAS SE INFECTEM ANUALMENTE, EM MAIS DE 100
PAÍSES, DE TODOS OS CONTINENTES, EXCETO A EUROPA. CERCA DE 550 MIL
DOENTES NECESSITAM DE HOSPITALIZAÇÃO E 20 MIL MORREM EM
CONSEQÜÊNCIA
DA
DENGUE.
Fonte:
http://
portal.saude.gov.br/portal/saúde/área.cfm?id_area=920
11. EM RELAÇÃO À ALOCAÇÃO DE RECURSOS PARA A EDUCAÇÃO, BASE
PARA SE CONSEGUIR EFICAZ PREVENÇÃO PARA QUALQUER DOENÇA.
INFELIZMENTE, AS VERBAS ALOCADAS PARA A EDUCAÇÃO, PER CAPITA,
EM REGIÕES COM AS MAIORES INCIDÊNCIAS DE DIVERSAS DOENÇAS
INFECCIOSAS, FORAM EXTREMAMENTE BAIXAS, ESPECIALMENTE QUANDO
COMPARADAS, POR EXEMPLO, COM A AMÉRICA DO NORTE (U$$ 1.385) E
EUROPA OCIDENTAL (U$$ 813.14): ÁFRICA=U$$ 30,24; AMÉRICA CENTRAL:
U$$ 51,60 E AMÉRICA DO SUL=U$$ 92,46 (DADOS DE 1990). Fonte: Ética, Saúde e
Pobreza- As Doenças Emergentes no Século XXI. Dirce B. Greco.
12. ESTIMA-SE QUE 30% DOS DANOS À SAÚDE ESTÃO RELACIONADOS AOS
FATORES AMBIENTAIS DECORRENTES DE INADEQUAÇÃO DO SANEAMENTO
BÁSICO (ÁGUA, LIXO, ESGOTO), POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA, EXPOSIÇÃO A
SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS E FÍSICAS, DESASTRES NATURAIS, FATORES
BIOLÓGICOS (VETORES, HOSPEDEIROS E RESERVATÓRIOS), DENTRE
OUTROS. Fonte: Construindo a Política Nacional de Saúde Ambiental – PNSA.
13. COM 240 MIL CASOS REGISTRADOS EM 2008, O RIO DE JANEIRO LIDEROU
OS NÚMEROS DA DENGUE EM TODO O PAÍS. Fonte: Soc. Bras. de Infectologia
http://www.infectologia.org.br/default.asp?site_Acao=mostraPagina&paginaId=134
14. MAIS DE 90% DOS 300-500 MILHÕES DE CASOS ESTIMADOS DE MALÁRIA
QUE OCORREM NO MUNDO A CADA ANO SÃO AFRICANOS,
PRINCIPALEMENTE CRIANÇAS COM MENOS DE 5 ANOS DE IDADE. Fonte:
http://www.who.int/bulletin/africanhealth/en/index.html
15. EM RELAÇÃO À ÁSIA ORIENTAL, O ACESSO À ÁGUA LIMPA E A BOAS
CONDIÇÕES SANITÁRIAS SÃO LIMITADAS EM MUITAS ÁREAS RURAIS,
ESPECIALMENTE
NA
CHINA
E
NA
MONGÓLIA.
Fonte:
http://www.cdc.gov/travel/yellowbook/ch3/asia.aspx
16. SURTOS EPIDÊMICOS DE HEPATITE E TÊM OCORRIDO NA ÁSIA
ORIENTAL, DO SUL E CENTRAL, ÁFRICA OCIDENTAL E DO NORTE, E NO
MÉXICO, ESPECIALMENTE ONDE A CONTAMINAÇÃO FECAL DA ÁGUA
INGERIDA É COMUM. Fonte: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs280/en/
17. A PRODUÇÃO PER CAPITA DE LIXO NO BRASIL VARIA DE 0,3 A 1,1 QUILOS
POR DIA. QUANTO MAIOR O PODER AQUISITIVO DA POPULAÇÃO, MAIOR É A
QUANTIDADE DE LIXO PRODUZIDA.
77
NO BRASIL SÃO PRODUZIDOS DIARIAMENTE, SEGUNDO O MANUAL DE
GERENCIAMENTO INTEGRADO (IPT/CEMPRE, 1995), CERCA DE 241 MIL
TONELADAS DE LIXO, DOS QUAIS 90 MIL SÃO DE ORIGEM DOMICILIAR.
DESSA FORMA, A MÉDIA NACIONAL DE PRODUÇÃO DE RESÍDUOS POR
HABITANTE, ESTARIA EM TORNO DE 600 g/dia. UMA CIDADE COMO SÃO
PAULO, NO ENTANTO, PRODUZ EM MÉDIA 1 kg/dia DE LIXO POR HABITANTE.
Fonte: http://www.cdc.gov/travel/yellowbook/ch3/asia.aspx
18. QUANTO À COMPOSIÇÃO DO LIXO, VERIFICA-SE QUE OS PAÍSES DE
MAIOR RENDA PER CAPITA RESPONDEM POR ALTO PERCENTUAL D
RESÍDUOS INORGÂNICOS COMO VIDRO, PAPEL, PLÁSTICOS E METAL. AO
CONTRÁRIO, OS PAÍSES DE MENOR RENDA APRESENTAM RESÍDUOS COM
ALTO
CONTEÚDO
DE
ALIMENTOS.
Fonte:
http://www.cdc.gov/travel/yellowbook/ch3/asia.aspx
19. NO BRASIL, CERCA DE 49% DO LIXO COLETADO É DISPOSTO EM
VAZADOUROS, SEM QUALQUER TIPO DE TRATAMENTO. NAS REGIÕES N E
NE A PARCELA DO LIXO RECOLHIDO QUE É JOGADA EM VAZADOUROS É
BEM
MAIOR
–
EM
TORNO
DE
90%.
Fonte:
http://www.cdc.gov/travel/yellowbook/ch3/asia.aspx
20. O SUDÃO APRESENTA 35% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE
SANITÁRIA.
Fonte: http://www.who.int/entity/whosis/whostat/2008/en/index.html
World Health Statistics 2008, WHO.
21. NA NIGÉRIA, ÁFRICA, HÁ SOMENTE 47% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A
ÁGUA POTÁVEL E 30% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA
(2006). Fonte: WHO, 2008.
22. PAPUA NOVA GUINÉ POSSUI: 40% DE DOMICÍLIOS COM ACESSO A ÁGUA
POTÁVEL (2006) E 45% DE DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA
(2006). Fonte: WHO, 2008.
23. A ÍNDIA POSSUI 28% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA
(2006). Fonte: WHO, 2008.
24. O AFEGANISTÃO POSSUI 22% DOS DOMICÍLIOS COM ÁGUA POTÁVEL
(2006) E 30% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte:
WHO, 2008.
25. MADAGASCAR POSSUI 47% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A ÁGUA
POTÁVEL (2006) E 12% DOS DOMICÍLIOS COM ACESSO A REDE SANITÁRIA
(2006). Fonte: WHO, 2008.
26. NA FINLÂNDIA E NA SUÉCIA, 100% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A
ÁGUA POTÁVEL (2006) E A REDE SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008.
78
27. NA NICARÁGUA, 79% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A ÁGUA
POTÁVEL (2006) E 48% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A REDE
SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008.
28. EM HONDURAS, 66% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A REDE
SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008.
29. NO QUÊNIA, 57% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A ÁGUA POTÁVEL
(2006) E 42% DOS DOMICÍLIOS POSSUEM ACESSO A REDE SANITÁRIA (2006).
Fonte: WHO, 2008.
30. NA ETIÓPIA, SOMENTE 11% DOS DOMICÍLIOS TÊM ACESSO A REDE
SANITÁRIA (2006). Fonte: WHO, 2008.
Carta de sinais de alerta
79
Anexo 3: Cartas sobre doenças
------------------------------------------------------------------------------------------------------------AMEBÍASE
1. DESCRIÇÃO: Infecção causada por protozoário.
2. AGENTE ETIOLÓGICO: Entamoeba hystolitica
3. RESERVATÓRIO: O homem.
4. MODO DE TRANSMISSÃO: As principais fontes de infecção são a ingestão de
alimentos ou água contaminados por fezes contendo cistos amebianos maduros.
5. QUADRO CLÍNICO: Desconforto abdominal leve ou moderado, com sangue e/ou
muco nas dejeções; diarréia aguda e fulminante, de caráter sanguinolento ou mucóide,
acompanhada de febre e calafrios; em casos graves, abscesso no fígado.
6. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: Impedir a contaminação fecal da água e alimentos através de medidas de
saneamento, educação em saúde, destino adequado das fezes e controle dos indivíduos que
manipulam alimentos.
ESPECÍFICAS: Lavar as mãos, após o uso do sanitário e lavagem cuidadosa dos vegetais
com água potável. Realizar a fiscalização dos prestadores de serviços na área de alimentos,
atividade a cargo da vigilância sanitária.
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80
------------------------------------------------------------------------------------------------------------ASCARIDÍASE
1. DESCRIÇÃO – Doença parasitária do homem, causada por um helminto.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Ascaris lumbricóides
3. RESERVATÓRIO – O homem.
4. MODO DE TRANSMISSÃO – Ingestão dos ovos infectantes do parasita, procedentes
do solo, água ou alimentos contaminados com fezes humanas.
5. QUADRO CLÍNICO – Habitualmente, não causa sintomatologia, mas pode
manifestar-se por dor abdominal, diarréia, náuseas e anorexia. Quando há grande número
de parasitas, pode ocorrer quadro de obstrução intestinal.
6. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: Medidas de educação em saúde e de saneamento.
ESPECÍFICAS: Evitar as possíveis fontes de infecção, Impedir a contaminação fecal da
água e alimentos através de medidas de saneamento, educação em saúde, destino adequado
das fezes e controle dos indivíduos que manipulam alimentos.
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81
------------------------------------------------------------------------------------------------------------CÓLERA
1. DESCRIÇÃO – Doença diarréica aguda.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Vibrio cholerae.
3. RESERVATÓRIO – O principal é o homem.
4. MODO DE TRANSMISSÃO – Ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes
ou vômitos de doente ou portador.
5. PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE – Enquanto houve eliminação do Vibrio
cholerae nas fezes, que ocorre geralmente até poucos dias após a cura.
6. QUADRO CLÍNICO – Mais freqüentemente, a infecção é assintomática ou
oligossintomática, com diarréia leve. Na forma grave, há diarréia aquosa e profusa, com ou
sem vômitos, dor abdominal e cãibras, e quando não tratado prontamente, pode evoluir
para desidratação grave.
7. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: Oferta de água de boa qualidade e em quantidade suficiente; disponibilização de
hipoclorito de sódio à população sem acesso á água potável; destino adequado dos dejetos;
destino adequado do lixo; educação em saúde; controle de portos, aeroportos e rodoviárias;
higiene dos alimentos; disposição e manejo adequado dos cadáveres.
ESPECÍFICAS: Deve-se ter cuidado com os vômitos e fezes dos pacientes no domicílio.
Necessidade de lavagem rigorosa das mãos e procedimentos básicos de higiene.
Isolamento entérico nos casos hospitalizados, com desinfecção concorrente das fezes,
vômitos, vestuário e roupa de cama dos pacientes.
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82
------------------------------------------------------------------------------------------------------------CRIPTOSPORIDÍASE
1. DESCRIÇÃO – Infecção causada por protozoário.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Cryptosporidium parvum.
3. RESERVATÓRIO – O homem, o gado e animais domésticos.
4. MODO DE TRANSMISSÃO – Fecal-oral, de animais para pessoas o entre pessoas.
5. QUADRO CLÍNICO: Em indivíduos imunocompetentes, diarréia autolimitada. Em
imunodeprimidos, particularmente com infecção por HIV, ocasiona enterite grave,
caracterizada por diarréia aquosa.
6. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: Educação em saúde, saneamento, lavagem de mãos, após o manuseio de
bovinos com diarréia, filtração da água ou sua fervura durante dez minutos.
ESPECÍFICAS: Adoção de precauções do tipo entérico para pacientes internados.
Pessoas infectadas devem ser afastadas de atividades de manipulação de alimentos e
crianças atingidas não devem freqüentar creches. Desinfecção concorrente das fezes e de
material contaminado com as mesmas.
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83
------------------------------------------------------------------------------------------------------------DENGUE
1. DESCRIÇÃO – Doença infecciosa febril aguda.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – O vírus do dengue com quatro sorotipos conhecidos: 1, 2,
3 e 4.
3. RESERVATÓRIO – Os vetores hospedeiros são mosquitos do gênero Aedes. A fonte
da infecção e hospedeiro vertebrado é o homem.
4. MODO DE TRANSMISSÃO – A transmissão se faz pela picada da fêmea do mosquito
Aedes aegypti, no ciclo homem-Aedes aegypti-homem.
5. QUADRO CLÍNICO - A DC, em geral, se inicia abruptamente com febre alta (39° a
40°C), seguida de cefaléia, mialgia, prostração, artralgia, anorexia, astenia, dor
retroorbitária, náuseas, vômitos, exantema, prurido cutâneo, hepatomegalia, dor abdominal
generalizada (principalmente em crianças). Pequenas manifestações hemorrágicas. Dura
cerca de 5 a 7 dias,quando há regressão dos sinais e sintomas, podendo persistir a fadiga.
Na FHD e SCD, os sintomas iniciais são semelhantes aos da DC, mas no terceiro ou quarto
dia o quadro se agrava com dor abdominal, sinais de debilidade profunda, agitação ou
letargia, palidez de face, pulso rápido e débil, hipotensão, manifestações hemorrágicas
espontâneas, derrames cavitários, cianose e diminuição brusca da temperatura.
6. MEDIDAS DE CONTROLE - As medidas de controle se restringem ao vetor Aedes
aegypti. O combate ao vetor deve desenvolver ações continuadas de inspeções
domiciliares, eliminação e tratamento de criadouros, priorizando atividades de educação
em saúde e mobilização social.
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84
------------------------------------------------------------------------------------------------------------FEBRE TIFÓIDE
1. DESCRIÇÃO – Doença bacteriana aguda que está associada a baixos níveis
socioeconômicos, principalmente a precárias condições de saneamento.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Salmonella Typhi.
3. RESERVATÓRIO – O homem doente ou portador assintomático.
4. MODO DE TRANSMISSÃO - Doença de veiculação hídrica e alimentar, cuja
transmissão pode ocorrer pela forma direta, pelo contato com as mãos do doente ou
portador, ou forma indireta, guardando estreita relação com o consumo de água ou
alimentos contaminados com fezes ou urina do doente ou portador.
5. QUADRO CLÍNICO – Apresenta-se geralmente com febre alta, cefaléia, mal-estar
geral, anorexia, bradicardia relativa, esplenomegalia, manchas rosadas no tronco,
constipação intestinal ou diarréia e tosse seca.
6. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: Melhoria das condições de saneamento existentes e dos hábitos de higiene
individuais.
ESPECÍFICAS: Isolamento entérico, com desinfecção concorrente das fezes, urina e
objetos contaminados e limpeza terminal; busca ativa de casos na área; pesquisar
portadores através da coprocultura; afastar o paciente da manipulação de alimentos e
orientar sobre medidas de higiene, principalmente em relação à limpeza rigorosa das mãos.
Retirada da vesícula biliar nos pacientes portadores que apresentam litíase biliar ou
anomalias biliares e que não apresentam respostas ao tratamento com antimicrobianos.
Vacinação: em casos específicos.
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85
------------------------------------------------------------------------------------------------------------HEPATITE A
1. DESCRIÇÃO – Doença viral aguda com formas clínicas variadas.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Vírus da hepatite A (HAV).
3. RESERVATÓRIO – O homem, principalmente. Também primatas, como chimpanzés
e sagüis.
5. MODO DE TRANSMISSÃO – Fecal-oral, veiculação hídrica, pessoa a pessoa (contato
intrafamiliar e institucional), alimentos contaminados e objetos inanimados.
6. QUADRO CLÍNICO – Os sintomas se assemelham a uma síndrome gripal: mal-estar,
cefaléia, febre baixa, anorexia, astenia, fadiga intensa, artralgia, náuseas, vômitos,
desconforto abdominal,, aversão a alguns alimentos; a fase ictérica é precedida por dois a
três dias de colúria, podendo ocorrer hipocolia fecal, prurido, hepato e
hepatoesplenomegalia.
7. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: As medidas preventivas incluem: educação da população quanto às boas
práticas de higiene, com ênfase na lavagem das mãos após o uso do banheiro, quando da
preparação de alimentos e antes de se alimentar; disposição sanitária de fezes, etc.;
medidas de saneamento básico com água tratada e esgoto; orientação das creches, préescolas e instituições fechadas para a adoção de medidas rigorosas de higiene, além da
desinfecção de objetos, bancadas, chão, etc.; cozimento adequado para mariscos, frutos do
mar e desinfecção (uso de cloro) para alimentos crus.
ESPECÍFICAS: afastamento do paciente das atividades normais (se criança, isolamento e
afastamento da creche, pré-escola ou escola) durante as primeiras duas semanas da doença
e a máxima higiene com desinfecção de objetos, limpeza de bancadas, chão, etc, utilizando
cloro ou água sanitária. A vacinação contra hepatite A está indicada para pessoas
suscetíveis.
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86
------------------------------------------------------------------------------------------------------------HEPATITE E
1. DESCRIÇÃO – Doença viral aguda.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Vírus da hepatite E (HEV).
3. RESERVATÓRIO – O homem.
4. MODO DE TRANSMISSÃO - Fecal-oral, principalmente pela água e alimentos
contaminados por dejetos humanos e de animais.
5. QUADRO CLÍNICO – A fase pré-ictérica se caracteriza por mal-estar, cefaléia, febre
baixa, anorexia, astenia, fadiga intensa, artralgia, náusea, vômitos e desconforto
abdominal. Na fase ictérica, é comum a presença de queixas de colúria, prurido e hipocolia
fecal e hepatomegalia.
6. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: As medidas preventivas incluem: educação da população quanto às boas
práticas de higiene, com ênfase na lavagem das mãos após o uso do banheiro, quando da
preparação de alimentos e antes de se alimentar; disposição sanitária de fezes, etc; medidas
de saneamento básico com água tratada e esgoto; orientação das creches, pré-escolas e
instituições fechadas para a adoção de medidas rigorosas de higiene, tais como lavagem
das mãos ao efetuar trocas de fraldas, preparar dos alimentos e antes de comer, além da
desinfecção de objetos, bancadas, chão, etc.
ESPECÍFICAS: Os cuidados com o paciente incluem o afastamento do mesmo das
atividades normais (se criança, isolamento e afastamento da creche, pré-escola ou escola)
durante as primeiras duas semanas da doença e a máxima higiene com desinfecção de
objetos, limpeza de bancadas, chão, etc, utilizando cloro ou água sanitária.
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87
------------------------------------------------------------------------------------------------------------ESQUISTOSSOMOSE
1. DESCRIÇÃO – A esquistossomíase humana é causada por 5 espécies do trematódeo do
gênero Schistosoma.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Schistosoma mansoni (no Brasil).
3. RESERVATÓRIO – O homem é o principal reservatório.
4. HOSPEDEIRO INTERMEDIÁRIO – No Brasil, são caramujos.
5. MODO DE TRANSMISSÃO - Os ovos do S. mansoni são eliminados pelas fezes do
hospedeiro infectado (homem). Na água, eclodem, liberando uma larva ciliada denominada
miracídio, que infecta o caramujo. Após quatro a seis semanas, abandonam o caramujo, na
forma de cercária, ficando livres nas águas naturais. O contato humano com águas
infectadas pelas cercárias é a maneira pela qual o indivíduo adquire a esquistossomose.
6. QUADRO CLÍNICO - A fase aguda pode ser assintomática ou apresentar-se como
dermatite urticariforme. Com cerca de três a sete semanas de exposição, pode evoluir para
a forma de esquistossomose aguda ou febre de Katayama, caracterizado por febre,
anorexia, dor abdominal e cefaléia. Esses sintomas podem ser acompanhados de diarréia,
náuseas, vômitos ou tosse seca, ocorrendo hepatomegalia. Após seis meses de infecção, há
risco do quadro clínico evoluir para a fase crônica.
7. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: Educação em saúde, mobilização comunitária e saneamento domiciliar
ambiental nos focos de esquistossomose.
ESPECÍFICAS: Controle dos portadores através da identificação e tratamento dos
portadores de S. mansoni por meio de inquéritos coproscópicos. Controle dos hospedeiros
através de pesquisa de coleções hídricas, para determinação do seu potencial de
transmissão e tratamento de criadouros.
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88
------------------------------------------------------------------------------------------------------------LEPTOSPIROSE
1. DESCRIÇÃO – Doença infecciosa bacteriana febril de início agudo.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Leptospira interrogans é a espécie mais importante.
3. RESERVATÓRIO – Os animais, principalmente os roedores (ratos domésticos,
ratazana).
4. MODO DE TRANSMISSÃO - A infecção humana resulta da exposição à urina de
animais infectados, principalmente roedores, diluída em coleções hídricas ou águas e lama
de enchente.
5. QUADRO CLÍNICO – Quando leve, as manifestações clínicas são semelhantes a uma
síndrome gripal. Se o quadro for moderado ou grave, poderá evoluir de 2 formas:
septicêmica (febre, cefaléia, mialgias, anorexia, náusea, vômito, hepatomegalia, confusão,
delírio, alucinação e sinais de irritação meníngea) e imune (cefaléia intensa, sinais de
irritação meníngea, miocardite, hemorragia ocular, exantemas maculares, maculopapulares,
urticariformes ou petéquias). A forma ictérica evolui, além da icterícia, com insuficiência
renal, fenômenos hemorrágicos e alterações hemodinâmicas.
6. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: Controle de roedores (desratização) e melhoria das condições higiênicosanitárias da população: destino adequado do lixo; manutenção de terrenos baldios
murados e livres de mato e entulhos. Utilização de água potável, filtrada, fervida ou
clorada para consumo humano; Construção e manutenção das galerias de águas pluviais e
esgotos; desassoreamento, limpeza e canalização de córregos; emprego de técnicas de
drenagem de águas livres.
ESPECÍFICAS: Limpeza e desinfecção de áreas domiciliares potencialmente
contaminadas, com água sanitária. Medidas de proteção individual para trabalhadores ou
indivíduos expostos a risco: uso de equipamentos de proteção individual como luvas e
botas. Redução do risco de exposição de ferimentos às águas/lama de enchentes ou outra
situação de risco. Imunização de animais domésticos (cães, bovinos e suínos) com vacinas
de uso veterinário.
89
------------------------------------------------------------------------------------------------------------GIARDÍASE
1. DESCRIÇÃO – Doença protozoária.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Giardia lamblia.
3. RESERVATÓRIO – O homem e alguns animais domésticos ou selvagens, como cães,
gatos e castores.
4. MODO DE TRANSMISSÃO – Fecal-oral. Direto, pela contaminação das mãos; ou
indireta, através da ingestão de água ou alimento contaminado.
5. QUADRO CLÍNICO – Diarréia acompanhada de dor abdominal, anorexia, má
absorção, anemia, flatulência, distensão abdominal, perda de peso e anemia.
6. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: Filtração da água potável. Saneamento.
ESPECÍFICAS: Em creches ou orfanatos deverão ser construídas adequadas instalações
sanitárias e enfatizada a necessidade de medidas de higiene pessoal. Educação sanitária,
em particular o desenvolvimento de hábitos de higiene, como lavar as mãos após o uso do
banheiro.
Pessoas com giardíase devem ser afastadas do cuidado de crianças.
Com pacientes internados, devem ser adotadas precauções entéricas através de medidas de
desinfecção concorrente para fezes e material contaminado; e controle de cura, feito com o
exame parasitológico de fezes, negativo no 7º, 14º e 21º dias após o término do tratamento.
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90
------------------------------------------------------------------------------------------------------------SHIGUELOSE
1. DESCRIÇÃO – Doença bacteriana.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Bactérias do gênero Shigella.
3. RESERVATÓRIO – O homem. Água e alimentos contaminados.
4. MODO DE TRANSMISSÃO - Ingestão de água contaminada ou de alimentos
preparados com água contaminada e por contato pessoal.
5. QUADRO CLÍNICO – Caracteriza-se por febre, diarréia aquosa, e dor abdominal em
geral difusa e precedendo a diarréia; anorexia, náusea, vômito, cefaléia, calafrios.
6. MEDIDAS DE CONTROLE:
GERAIS: Melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de
vetores, higiene pessoal e alimentar. Educação em saúde, particularmente em áreas de
elevada incidência.
ESPECÍFICAS: Ocorrências em crianças de creches devem ser seguidas de isolamento
entérico, além de reforço nas orientações prestadas às manipuladoras de alimentos e às
mães.
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91
------------------------------------------------------------------------------------------------------------PESTE
1. DESCRIÇÃO: A peste se manifesta sob três formas clínicas principais: bubônica,
septicêmica e pneumônica.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Yersinia pestis.
3. RESERVATÓRIO – Roedores, coelhos e lebres.
4. VETORES – Pulgas infectadas.
5. MODO DE TRANSMISSÃO – Através da picada de pulgas infectadas. De pessoa a
pessoa através de gotículas transportadas pelo ar e os fômites dos pacientes.
6. QUADRO CLÍNICO: A forma bubônica : adenopatia com ou sem supuração, porém
sua forma grave se caracteriza por febre alta, calafrios, cefaléia intensa, dores
generalizadas, anorexia, náuseas, vômitos, confusão mental, congestão das conjuntivas,
pulso rápido e irregular, taquicardia, hipotensão arterial, prostração e mal-estar geral. A
forma septicêmica: febre elevada, hipotensão arterial, grande prostração, dispnéia, fácies
de estupor e hemorragias cutâneas. A forma pneumônica é a forma mais grave e mais
perigosa da doença, por seu quadro clínico e por sua alta contagiosidade.
7. MEDIDAS DE CONTROLE:
Acompanhar a situação da população de roedores e pulgas, no ambiente doméstico e
peridoméstico das habitações da área pestígena, através de capturas regulares. Evitar que
roedores tenham acesso aos alimentos e ao abrigo. Evitar picadas de pulgas em humanos.
O ambiente onde vivem os contatos deve ser desinfestado (despulizado) de pulgas através
do uso de inseticidas. Caso haja indicação de desratização ou anti-ratização, eliminar as
pulgas antes, para que as mesmas não invadam o ambiente doméstico.
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92
------------------------------------------------------------------------------------------------------------DOENÇAS DIARRÉICAS AGUDAS
1. DESCRIÇÃO – Síndrome causada por diversos agentes etiológicos (bactérias, vírus e
parasitas).
2. AGENTE ETIOLÓGICO - Bactérias - Staphyloccocus aureus, Campylobacter jejuni,
Escherichia coli enterotoxigênica, Escherichia coli enteropatogênica, Escherichia coli
enteroinvasiva, Escherichia coli enterohemorrágica, salmonelas, Shigella dysenteriae,
Yersinia enterocolítica, Vibrio cholerae e outras;
Vírus - Astrovírus, calicivírus, adenovírus entérico, norovírus, rotavírus
grupos A, B e C e outros;
Parasitas - Entamoeba histolytica, Cryptosporidium, Balatidium coli,
Giardia lamblia, Isospora belli e outras.
3. RESERVATÓRIO E MODO DE TRANSMISSÃO: específicos para cada agente
etiológico.
4. QUADRO CLÍNICO – Sua manifestação predominante é o aumento do número de
evacuações, com fezes aquosas e de pouca consistência, tendo muco e sangue às vezes.
Com freqüência, é acompanhada de febre, vômito e dor abdominal.
5. MEDIDAS DE CONTROLE:
Melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores,
higiene pessoal e alimentar.
Educação em saúde.
Incentivo ao aleitamento materno, uma prática que confere elevada proteção às crianças.
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93
------------------------------------------------------------------------------------------------------------HANTAVIROSES
1. DESCRIÇÃO – São antropozoonoses virais agudas cujas infecções em humanos podem
ser inaparentes ou graves.
2. AGENTE ETIOLÓGICO – Vírus do gênero Hantavirus.
3. RESERVATÓRIO – Roedores silvestres.
4. MODO DE TRANSMISSÃO - Inalação de aerossóis formados a partir de secreções e
excretas dos reservatórios (roedores). Outras formas mais raras de transmissão: ingestão de
água e alimentos contaminados; forma percutânea, através de escoriações cutâneas ou
mordeduras de roedores; contato do vírus com as mucosas, como a conjuntiva, ou boca ou
nariz, por meio de mãos contaminadas com excretas dos roedores, em indivíduos que
trabalham ou visitam laboratórios e biotérios contaminados.
5. MEDIDAS DE CONTROLE:
Redução de fontes de abrigo e de alimentação de roedores.
Controle de roedores.
Descontaminação de ambientes potencialmente contaminados.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
94
Exemplo de carta sobre doença, no caso Hepatite A.
Anexo 4: Peões, representando crianças, adolescentes, adultos e idosos.
95
96
Anexo 5: Anais do
97
98
Anexo 6: Congresso Mundial de Saúde Pública, Istambul, Turquia, 2009.
99
Anexo 7: Anais do II ENEC
100
101
10. A jornada acadêmica no Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e suas
dificuldades
Meu nome é Marcos Antonio dos Santos, possuo curso de graduação em Medicina no
qual os temas do campo educacional não nos são apresentados. Foi daí que começaram as
dificuldades de construir um jogo educativo (já que não há manuais), de se entrar numa
sala de aula, de interagir com os alunos de forma natural e eficaz e de se aprofundar nos
temas da Pedagogia.
Ao final de 2 anos e meio, o jogo foi construído após inúmeras leituras e idéias, houve o
teste do jogo – 10 testes – porém achei que o olhar médico foi predominante na minha
construção do jogo e que, ao mesmo tempo, tive dificuldade em ter a visão de um professor
ao lidar com os temas propostos por mim – doenças de veiculação hídrica e doenças
relacionadas ao acúmulo de lixo.
Finalmente, ficou a experiência como válida com a ajuda da minha orientadora, Giselle
Rôças, e dos meus amigos de mestrado, praticamente todos da área de educação. Desta
ajuda mútua, nasceu esta dissertação de mestrado - uma contribuição para o estudo, para a
construção e para o entendimento do papel pedagógico dos jogos educativos.
Obrigado a todos.
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Viagem ao centro da Terra: os jogos educativos e a