AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE SÃO BERNARDO AVEIRO Datas da visita: 3 a 5 de Dezembro de 2007 Relatório de Avaliação Externa I – Introdução A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação préescolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a auto-avaliação e para a avaliação externa. Por sua vez, o programa do XVII Governo Constitucional estabeleceu o lançamento de um “programa nacional de avaliação das escolas básicas e secundárias que considere as dimensões fundamentais do seu trabalho”. Após a realização de uma fase piloto, da responsabilidade de um Grupo de Trabalho (Despacho conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio), a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da Educação de acolher e dar continuidade ao processo de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no modelo construído e na experiência adquirida durante a fase piloto, a IGE está a desenvolver esta actividade, entretanto consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 81-B/2007, de 31 de Julho. O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do Agrupamento de Escolas de S. Bernardo realizada pela equipa de avaliação que visitou esta Unidade de Gestão nos dias 3, 4 e 5 de Dezembro de 2007. Os capítulos do relatório ― caracterização da unidade de gestão, conclusões da avaliação por domínio, avaliação por factor e considerações finais ― decorrem da análise dos documentos fundamentais da Unidade de Gestão, da sua apresentação e da realização de entrevistas em painel. Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a auto-avaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o Agrupamento, constituindo este relatório um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos, bem como oportunidades e constrangimentos, a avaliação externa oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere. A equipa de avaliação externa congratula-se com a atitude de colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação. O texto integral deste relatório, bem como o eventual contraditório apresentado pelo Agrupamento, será oportunamente disponibilizado no sítio internet da IGE (www.ige.min-edu.pt). Escala de avaliação utilizada N í v e i s d e c l a s s i f i c a ç ã o d o s c i n c o d o m í n i o s n a U n i d a d e d e G e st ã o Muito Bom ― Predominam os pontos fortes, evidenciando uma regulação sistemática, com base em procedimentos explícitos, generalizados e eficazes. Apesar de alguns aspectos menos conseguidos, a organização mobiliza-se para o aperfeiçoamento contínuo e a sua acção tem proporcionado um impacto muito forte na melhoria dos resultados dos alunos. Bom ― Revela bastantes pontos fortes decorrentes de uma acção intencional e frequente, com base em procedimentos explícitos e eficazes. As actuações positivas são a norma, mas decorrem muitas vezes do empenho e da iniciativa individuais. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto forte na melhoria dos resultados dos alunos. Suficiente ― Os pontos fortes e os pontos fracos equilibram-se, revelando uma acção com alguns aspectos positivos, mas pouco explícita e sistemática. As acções de aperfeiçoamento são pouco consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas da Unidade de Gestão. No entanto, essas acções têm um impacto positivo na melhoria dos resultados dos alunos. Insuficiente ― Os pontos fracos sobrepõem-se aos pontos fortes. Não demonstra uma prática coerente e não desenvolve suficientes acções positivas e coesas. A capacidade interna de melhoria é reduzida, podendo existir alguns aspectos positivos, mas pouco relevantes para o desempenho global. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto limitado na melhoria dos resultados dos alunos. Agrupamento de Escolas de São Bernardo – Aveiro 3 a 5 de Dezembro de 2007 2 Relatório de Avaliação Externa II – Caracterização da Unidade de Gestão O Agrupamento de Escolas de S. Bernardo foi constituído no ano lectivo 2003/04. Está situado no concelho de Aveiro, servindo três freguesias com características semi-urbanas: São Bernardo, Santa Joana e Glória. É composto por 4 jardins de infância (JI), com 5 grupos, por 6 escolas do 1.º ciclo (EB1), com 29 turmas e por 1 escola dos 2.º e 3.º ciclos (EB2,3), com 26 turmas: 10 do 2.º ciclo, 14 do 3.º ciclo e 2 Cursos de Educação e Formação (CEF) - tipo 2, Bar e Mesa e Electricidade. Na EB2,3 (escola sede, localizada em S. Bernardo) também funcionam Cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA). O edifício da escola sede é composto por um corpo principal de 2 pisos, um pavilhão gimno-desportivo e campos de jogos. O recinto escolar encontra-se todo vedado por gradeamento e a portaria está devidamente vigiada. Os espaços interiores e exteriores apresentam-se, de um modo geral, bem conservados e cuidados. Por sua vez, os jardins de infância e as escolas do 1.º ciclo apresentam instalações com diferentes níveis de qualidade e conservação. É nestes edifícios que se verifica uma maior deterioração das condições de habitabilidade (casas de banho pouco adequadas, infiltrações de água nas salas de aula, deficiente instalação eléctrica e recreios térreos). O Agrupamento é frequentado por cerca de 1350 discentes (102 crianças na educação pré-escolar; 599 alunos no 1.º ciclo; 580 alunos nos 2.º e 3.º ciclos, incluindo os dos CEF; 69 alunos dos cursos EFA). O pessoal docente é constituído por 117 professores (7 da educação pré-escolar, 39 do 1.º ciclo e 71 dos 2.º e 3.º ciclos). A maioria destes profissionais pertence ao quadro de escola (62,6%), sendo que 55,5% apresenta mais de dez anos de serviço. O Agrupamento dispõe também de uma Psicóloga, a tempo parcial, remunerada através do Programa de Desenvolvimento Educativo para Portugal (PRODEP). O corpo do pessoal não docente é composto por 41 elementos, dos quais 82,9% tem mais de 6 anos de serviço e 48,7% faz parte do quadro. Os alunos pertencem a famílias em que 56,6% dos pais possui, como habilitações literárias, o 1.º, 2.º ou 3.º ciclos, 14% o ensino secundário e 19,7% detém uma habilitação de nível superior, sendo que 0,6% não tem nenhuma qualificação académica. Quase metade da população discente (48,7%) possui computador e Internet em casa. É ainda de realçar que 14,5% dos alunos beneficia de auxílios económicos (com predominância do escalão A). III – Conclusões da avaliação por domínio 1. Resultados Bom O Agrupamento conhece os resultados escolares dos alunos, a partir dos dados disponibilizados pela “Secção de Avaliação” do Conselho Pedagógico. Relativamente à educação pré-escolar, só a partir de 2006/07 é que foi iniciada a exploração dos dados sobre o desenvolvimento das competências adquiridas pelas crianças em cada área de conteúdo. Neste nível de educação, e naquele ano, registou-se que a taxa de sucesso nos vários JI variou entre 61,5% e 100%, não se notando o desenvolvimento de uma estratégia consistente para a melhoria das aprendizagens das crianças que frequentam o jardim de infância onde o sucesso foi menor. No que concerne ao 1.º ciclo, as taxas de sucesso têm-se mantido constantes ao longo do triénio de 2004/05 a 2006/07 (94,5%, 94,3% e 94,4%), sendo de realçar que a taxa mais elevada de sucesso se encontra no 1.º ano de escolaridade (100%, 99,4% e 99,4%), enquanto que a menor taxa se situa no 2.º ano (87,6%, 86,1% e 90,4%). Relativamente ao 2.º ciclo, os dados apurados permitem também concluir da estabilidade do sucesso no último triénio (2004/05 a 2006/07), sendo, respectivamente, de 96%, 97,6% e 97,4%. Por sua vez, o 3.º ciclo regista uma tendência de melhoria do sucesso académico no mesmo triénio (92%, 92,4% e 95,2%). Neste ciclo de estudos o 7.º ano é o que apresenta melhores índices de progresso (86,8%, 92,5% e 98,3%). Pelo contrário, no 8º ano tem-se verificado uma diminuição do sucesso no triénio em análise (98,5%, 92,3% e 92,2%). No que respeita às provas externas (provas de aferição dos 4.º e 6.º anos e exames nacionais do 9.º ano), realizadas em 2006/07, verificou-se que os resultados obtidos pelo Agrupamento foram superiores à média nacional: 4.º ano - Língua Portuguesa (91,2%/90,6%) e Matemática (85,7%/83,1%); 6.º ano - Língua Portuguesa (92,6%/83,3%) e Matemática (67,9%/56,9%); 9.º ano – Língua Portuguesa (91,4%/88,0%) e Matemática (35%/29%). No entanto, regista-se, ao longo dos três ciclos de estudo, um decréscimo significativo no sucesso da disciplina de Matemática nessas provas externas (de 17,8% do 4.º para o 6.º ano e de 32,9% do 6.º para o 9.º ano). O abandono escolar, nos últimos três anos, não é expressivo, sendo que as situações identificadas ocorrem, essencialmente, ao nível dos alunos de etnia cigana. A valorização dos sucessos individuais e colectivos dos alunos não é um aspecto muito explorado pelo Agrupamento, verificando-se que há alunos que desconhecem os prémios atribuídos pela Autarquia local aos que apresentam melhores resultados. Agrupamento de Escolas de São Bernardo – Aveiro 3 a 5 de Dezembro de 2007 3 Relatório de Avaliação Externa As relações interpessoais entre os elementos da comunidade educativa, sustentadas em comportamentos de correcção e de respeito mútuo, são uma vertente importante da vida do Agrupamento, surgindo como um elemento facilitador das aprendizagens. 2. Prestação do serviço educativo Bom Existem acções para o desenvolvimento da articulação intra e interdepartamental, ao nível dos 2.º e 3.º ciclos, embora esta articulação ainda não se encontre consolidada. São efectuadas reuniões dos grupos disciplinares com vista à definição de critérios de avaliação e de instrumentos de avaliação diagnóstica, formativa e sumativa. Porém, a falta de visibilidade do planeamento conjunto, a partir das práticas de sala de aula, não permite aferir os efeitos dessa articulação sobre os resultados e a qualidade das aprendizagens. As dinâmicas de articulação estão mais fortalecidas no 1.º ciclo, sendo estabelecidas interacções com a educação pré-escolar e com o 2.º ciclo. Realça-se a realização de reuniões, ao nível das disciplinas de Língua Portuguesa e de Matemática, entre os professores do 4.º ano de escolaridade e os professores do 2.º ciclo, pese embora os resultados dessa articulação ainda não se encontrarem disseminados e apropriados por todos os docentes do 1.º ciclo. Os professores, nos departamentos curriculares ou nos conselhos de docentes, elaboram as planificações a longo e a médio prazo, sendo, posteriormente, integradas nos projectos curriculares de turma. É realizado, por estas estruturas e pelo Conselho Pedagógico, o acompanhamento do cumprimento dos programas ao longo do ano. Todavia, não existem evidências de que as situações de incumprimento dos programas tenham conduzido a reajustamentos das planificações e das práticas lectivas, por forma a que fique assegurada a leccionação de todos os conteúdos programáticos. No que diz respeito à aplicação dos critérios gerais de avaliação definidos pelo Conselho Pedagógico, em relação à transversalidade da Língua Portuguesa e às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), constata-se que os docentes revelam dificuldades em os integrar no processo ensino-aprendizagem e, consequentemente, na avaliação dos alunos. Pese embora a verificação de algum trabalho colaborativo ao nível da elaboração das planificações, da definição dos critérios de avaliação e da troca de experiências e materiais, não existem práticas instituídas de acompanhamento dos docentes em contexto de sala de aula. Acresce ainda que o Agrupamento não confere destaque à liderança das coordenações pedagógicas de grupo e de departamento no desenvolvimento do trabalho colaborativo entre os docentes. As necessidades de formação do pessoal docente são recolhidas e apresentadas ao Centro de Formação José Pereira Tavares. As acções oferecidas por este Centro estão focalizadas na utilização das TIC e nas áreas da Língua Portuguesa e da Matemática, não existindo um plano de formação interno do Agrupamento para suprir algumas das necessidades evidenciadas, como, por exemplo, ao nível do desempenho do cargo de director de turma. Existe uma integração efectiva dos alunos com necessidades educativas especiais, sendo-lhes facultado o apoio necessário. A equipa de educação especial tem procedimentos institucionalizados para a identificação, o tratamento e o encaminhamento destes alunos, sendo que a sua taxa de sucesso, no ano lectivo de 2006/07, foi de 96,6%. Apesar da existência de instalações e equipamentos laboratoriais e do desenvolvimento de actividades de carácter experimental, por parte de alguns docentes, os alunos não revelam vivências significativas no âmbito da sua realização. 3. Organização e gestão escolar Suficiente O Projecto Educativo identifica os problemas gerais com os quais o Agrupamento se defronta, estabelecendo metas e objectivos, muito embora não os quantifique. As actividades são planeadas para responder aos objectivos traçados e às estratégias definidas. Contudo, estes documentos não tiveram a participação dos encarregados de educação nem do pessoal não docente, ao nível da sua elaboração e avaliação. O Conselho Pedagógico define critérios gerais de avaliação e estabelece orientações para a atribuição das Áreas Curriculares Não Disciplinares, o exercício da auto e hetero-avaliação dos alunos e a distribuição do serviço docente, por forma a salvaguardar os princípios da equidade e justiça. Os alunos e os encarregados de educação conhecem os critérios de avaliação e as correspondentes ponderações. Importa destacar que a biblioteca da escola sede, apesar de integrar a Rede Nacional de Bibliotecas, não se assume como um pólo dinamizador de projectos e de iniciativas pedagógicas inovadoras, nomeadamente ao nível do 1.º ciclo. Agrupamento de Escolas de São Bernardo – Aveiro 3 a 5 de Dezembro de 2007 4 Relatório de Avaliação Externa O Órgão de Gestão gere, de forma adequada, os recursos humanos e materiais. Conhece as capacidades profissionais e pessoais e têm-nas em conta na distribuição dos recursos humanos pelas diversas tarefas. O pessoal não docente revela carências na sua formação nalgumas áreas de desempenho, sendo que as acções disponibilizadas pelo Centro de Formação não dão resposta às reais necessidades da organização. No entanto, o Agrupamento não possui um plano de formação interno que responda a essas necessidades, designadamente no âmbito do apoio ao funcionamento dos laboratórios e da biblioteca. A Assembleia do Agrupamento revela ser um órgão activo no exercício das suas competências, nomeadamente na área financeira, através da definição de prioridades de aplicação dos orçamentos e da apreciação sistemática do relatório de contas. A organização tem demonstrado capacidade de angariação de verbas, não só junto dos parceiros locais e nacionais, mas também através da candidatura a projectos financiados, que lhe tem permitido assegurar uma oferta educativa diversificada e a aquisição de recursos educativos, como sejam os quadros interactivos. É evidente a existência de uma política no sentido de atrair os encarregados de educação ao Agrupamento e de os co-responsabilizar pelo processo educativo dos seus educandos. Efectivamente, existem sinais de um maior envolvimento dos pais, sendo também visível que estes se mostram cada vez mais interessados em conhecer os resultados escolares dos alunos e em contribuir para a solução dos problemas mais persistentes. É de realçar a existência de cinco Associações de Pais, reunidas numa comissão heterogénea constituída pelos respectivos presidentes e por representantes da Assembleia do Agrupamento e do Conselho Pedagógico. Esta comissão tem um papel activo na vida escolar, nomeadamente através da concretização de planos anuais próprios e do financiamento de actividades. 4. Liderança Bom O Conselho Executivo exerce uma liderança que fomenta a articulação e a subsidiariedade entre os diversos órgãos e as várias unidades que constituem o Agrupamento, demonstrando conhecer as realidades de todos os estabelecimentos. A Assembleia do Agrupamento tem um papel activo na resolução de problemas relacionados com os espaços físicos de alguns jardins de infância e escolas do 1.º ciclo e na angariação de estágios, junto de empresas, para os alunos, bem como na captação de apoios para a concretização de algumas actividades. Todavia, as lideranças intermédias não se constituem como elementos determinantes para o desenvolvimento do trabalho colaborativo entre professores. É de realçar o bom clima relacional existente no Agrupamento, tendo sido criada uma bolsa de voluntariado de docentes aposentados do 1.º ciclo que apoia os alunos dentro e fora da sala de aula. É manifesta a abertura à inovação, através da concretização de projectos internos e externos, procurando oferecer aos alunos novos contextos de aprendizagem. São também estabelecidas várias parcerias com as entidades mais próximas, tendo em vista resolver ou minimizar alguns dos problemas da comunidade educativa. Porém, constatase que não existem actividades direccionadas especificamente para o desenvolvimento da partilha e da aplicação de conhecimentos centrados na sala de aula 5. Capacidade de auto-regulação e melhoria da Escola Suficiente No domínio da auto-regulação o Agrupamento tem acompanhado os resultados escolares, com base nos dados estatísticos sobre o desempenho dos alunos, por ano e disciplina, elaborados pela “Secção de Avaliação”, constituída no âmbito do Conselho Pedagógico. A informação recolhida é disponibilizada aos diversos órgãos com responsabilidades pedagógicas, a fim de ser sujeita a uma análise crítica e a serem definidas estratégias para a superação de dificuldades. São exemplos de estratégias, apresentadas pelo Conselho Pedagógico, a definição de planos para a recuperação dos alunos, a utilização do Estudo Acompanhado para o reforço das aprendizagens no domínio da Língua Portuguesa e da Matemática e o desenvolvimento dos projectos propostos pela Administração (Plano de Acção para a Matemática e Plano Nacional de Leitura). Contudo, apesar da existência de dados trabalhados relativos ao desempenho escolar dos alunos, não é evidente que a sua análise produza consequências sustentadas ao nível da sala de aula. Releve-se que o Agrupamento encetou, recentemente, um projecto de avaliação global, implicando uma equipa para o efeito. Porém, não se pode afirmar, com segurança, que a organização esteja em condições de garantir a sustentabilidade do seu progresso, uma vez que esse projecto se encontra numa fase inicial e ainda não foram produzidos elementos que permitam ter uma imagem abrangente e esclarecida dos sucessos e fracassos da acção educativa, bem como uma visão estratégica de futuro. Agrupamento de Escolas de São Bernardo – Aveiro 3 a 5 de Dezembro de 2007 5 Relatório de Avaliação Externa IV – Avaliação por factor 1. Resultados 1.1 Sucesso académico A “Secção de Avaliação” do Conselho Pedagógico faz a análise dos resultados académicos dos alunos, apoiando-se em diversos indicadores de sucesso. Relativamente aos resultados da educação pré-escolar, constata-se que, só no ano lectivo de 2006/07, foram trabalhados dados sobre as competências adquiridas pelas crianças em cada área de conteúdo. Verifica-se que no JI do Griné se registam as percentagens de sucesso mais baixas (61,5% na área da “Expressão e Comunicação – Linguagem Oral e Abordagem à Escrita”), enquanto que as percentagens mais elevadas se verificam no JI da Presa (100% na área da “Expressão e Comunicação – Motora, Dramática, Musical, Plástica e Matemática). Pese embora o tratamento desses dados avaliativos, não foi visível o desenvolvimento de uma estratégia consistente para colmatar as dificuldades das crianças do JI com índices de sucesso mais baixos. No que concerne ao 1.º ciclo, relativamente ao triénio de 2004/05 a 2006/07, conclui-se que o sucesso se tem mantido dentro dos mesmos valores (94,5%, 94,3% e 94,4%). Neste ciclo de estudos, constata-se que a maior taxa de sucesso se encontra no 1.º ano (100%, 99,4% e 99,4%) e no 3.º ano (97,5%, 97,7% e 96,7%). O 2.º ano de escolaridade é o que apresenta a taxa mais baixa de sucesso (87,6%, 86.1% e 90,4%). Quanto ao 2.º ciclo, observa-se também uma certa regularidade do sucesso dos alunos no triénio em análise (96%, 97,6% e 97,4%), registando-se, ainda, que o sucesso no 5.º ano evoluiu favoravelmente (95,2%, 100% e 100%), enquanto que no 6.º ano tem vindo a diminuir (96,4%, 95,1% e 94,4%). Por fim, no que respeita ao 3.º ciclo, os resultados, no triénio de 2004/05 a 2006/07, evidenciam uma melhoria do sucesso académico (92%, 92,4% e 95,2%). Numa análise, por ano de escolaridade, observa-se que a taxa de sucesso no 7.º ano apresenta uma linha consistente de evolução (86,8%, 92,5% e 98,3%), enquanto que no 8.º ano se verifica uma diminuição do sucesso (98,5%, 92,3% e 92,2%). Por sua vez, no 9.º ano regista-se um ligeiro aumento do sucesso (93,4%, 91,5% e 94,4%). Quanto às provas externas, nomeadamente as de aferição, constata-se que, no 4.º ano de escolaridade, no ano lectivo de 2006/07, a média atingida pelos alunos foi superior à média nacional em Língua Portuguesa (91.2%/ 90,6%) e em Matemática (85,7%/83,1%). Do mesmo modo, nas provas do 6.º ano, a média interna foi também superior à média nacional em Língua Portuguesa (92,6%/83,3%) e em Matemática (67,9%/56,9%). Também, os resultados obtidos nos exames nacionais de 9.º ano, no ano lectivo de 2006/07, foram superiores aos nacionais em Língua Portuguesa (91,4%/88,0%) e em Matemática (35%/29%). No entanto, regista-se nessas provas externas, ao longo dos três ciclos de estudo, um decréscimo expressivo do sucesso na disciplina de Matemática (de 17,8% do 4.º para o 6.º ano e de 32,9% do 6.º para o 9.º ano). O Agrupamento tem comparado os seus resultados com as médias nacionais e com o estabelecimento de educação e ensino mais próximo – Agrupamento de Escolas de Oliveirinha - , apesar deste ter características sociologicamente diferentes. No entanto, só com a constituição de uma equipa de auto-avaliação, no final do ano lectivo de 2006/07, é que se começaram a definir indicadores mais precisos para a realização de estudos comparativos. O Conselho Pedagógico definiu algumas medidas para a melhoria dos resultados, nomeadamente a obrigatoriedade dos docentes terem que justificar, nas reuniões de Conselho de Turma, os resultados negativos iguais ou superiores a 40% (no futuro será de 25%) e, consequentemente, terem que apresentar estratégias de recuperação para os alunos com maiores dificuldades de aprendizagem. Por outro lado, existem também algumas indicações para a construção de instrumentos de avaliação e a elaboração de critérios de correcção e de avaliação comuns, por disciplina e área disciplinar, apesar desta matéria ser pouco explorada. O abandono escolar, no último triénio, não é significativo e as situações identificadas estão focalizadas, essencilamente, nos alunos de etnia cigana. 1.2 Participação e desenvolvimento cívico Existe preocupação com o desenvolvimento cívico dos alunos e com a sua socialização e integração, visíveis em diversas acções: entrega a cada aluno e encarregado de educação de um documento com os seus direitos e deveres (matéria que é também abordada nas aulas de Formação Cívica); constituição das turmas (princípio da heterogeneidade); integração escolar dos alunos de etnia cigana e das crianças pertencentes ao Centro de Emergência Infantil de Aveiro. Agrupamento de Escolas de São Bernardo – Aveiro 3 a 5 de Dezembro de 2007 6 Relatório de Avaliação Externa O Agrupamento não tem uma política consistente de valorização do sucesso dos seus alunos. Apesar de serem atribuídos prémios pela Junta de Freguesia aos melhores alunos, muitos não conhecem a sua existência. As relações interpessoais entre os elementos da comunidade educativa sobressaem como um dos aspectos mais valorizados. Exemplo disso, é a estratégia implementada, pela disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, em que os alunos mais velhos “apadrinham” os mais novos, cabendo-lhes a tarefa de ajudar o outro, de o integrar na vida escolar e estar atento aos seus problemas. É também de realçar que, apesar de não existir uma associação de estudantes, os alunos são responsabilizados pela realização de algumas actividades, como sejam a “Mesa de Natal”, organizada por cada turma, e o jornal escolar. 1.3 Comportamento e disciplina De uma forma geral, os alunos apresentam um comportamento disciplinado, conhecendo as regras de conduta e de funcionamento do Agrupamento. A resolução dos conflitos pela via pedagógica, com intervenção do Conselho Executivo, do director de turma e dos pais/encarregados de educação, tem-se revelado eficaz na prevenção do fenómeno da indisciplina, comprovada pela escassez de processos disciplinares e de sanções graves aplicadas a alunos. De acordo com os dados disponíveis, ao longo do quadriénio de 2003/04 a 2006/07, o número de processos disciplinares instaurados foi reduzido (0,2%). Existe, por parte dos alunos, a aceitação pacífica da autoridade do Conselho Executivo, dos docentes e do pessoal não docente, traduzida em níveis elevados de pontualidade e assiduidade às diversas actividades educativas. Para este clima contribui igualmente o ambiente acolhedor, relacional e humanizado e a limpeza e o embelezamento dos espaços da escola sede. As atitudes e os valores dos alunos fazem parte das componentes da educação, integrando os critérios de avaliação definidos para a totalidade das disciplinas. 1.4 Valorização e impacto das aprendizagens Os alunos revelam grandes expectativas face ao seu percurso académico, perspectivando o prosseguimento de estudos e a conclusão de um curso superior. Os pais e encarregados de educação corroboram essas mesmas expectativas, comungando da importância das aprendizagens como garantia da qualidade de vida dos seus educandos. Algumas dificuldades neste campo estão focalizadas nos agregados familiares com uma estruturação menos consolidada, revelando a necessidade de apoio e de acompanhamento. A este nível, o Órgão de Gestão mostra-se interventivo, quer através do accionamento dos auxílios económicos necessários, quer do envolvimento de outros técnicos de educação, alguns pertencentes a instituições com as quais são estabelecidas parcerias (Câmara Municipal/Juntas de Freguesia, Patriarca da comunidade cigana e Associação de Solidariedade e Acção Social). Os docentes conhecem as expectativas dos alunos e dos pais e encaram-nas como um desafio à melhoria do serviço educativo. Todavia, o Agrupamento desconhece o percurso pós-escolar dos seus alunos, não existindo elementos trabalhados sobre esta matéria. 2. Prestação do serviço educativo 2.1 Articulação e sequencialidade Observam-se algumas acções para o desenvolvimento da articulação intra e interdepartamental ao nível dos 2.º e 3.º ciclos, promovidas, principalmente, pelos grupos disciplinares onde se procede à definição de critérios de avaliação e à elaboração de instrumentos de avaliação diagnóstica, formativa e sumativa. No entanto, é reduzido e inconsistente o planeamento conjunto, visando a actuação na sala de aula, não sendo possível obter informação sobre o seu impacto nos resultados e na qualidade das aprendizagens. Situação diferente verifica-se no 1.º ciclo, onde se promove a articulação com a educação pré-escolar e o 2.º ciclo. Os docentes do 1.º ciclo reúnem mensalmente com os educadores de infância, a fim de promoverem e concretizarem a troca de materiais e experiências pedagógicas. São igualmente realizadas reuniões no início do ano lectivo entre os docentes da educação pré-escolar e os do 1.º ano de escolaridade e entre os professores dos 4.º e 5.º anos, para a aferição de critérios de sequencialidade das aprendizagens. Refira-se, ainda, que os docentes do 4.º ano participam numa reunião dos grupos disciplinares de Língua Portuguesa e de Matemática, para planearem a articulação das competências a desenvolver e os conteúdos a leccionar aos alunos do 1.º ciclo. No entanto, os resultados desta articulação ainda não se encontram disseminados e apropriados por todos os Agrupamento de Escolas de São Bernardo – Aveiro 3 a 5 de Dezembro de 2007 7 Relatório de Avaliação Externa docentes do 1.º ciclo. Registe-se que esta acção, visando o trabalho cooperativo entre docentes, resulta mais da liderança do Órgão de Gestão do que das coordenações pedagógicas. 2.2 Acompanhamento da prática lectiva em sala de aula As estruturas educativas definem a gestão curricular dos programas, através da elaboração de planos a longo e a médio prazo, sendo integrados nos projectos curriculares de turma. O cumprimento dos programas é aferido pelos departamentos e grupos disciplinares e comunicado ao Conselho Pedagógico. Todavia, não é visível que as situações de incumprimento dos programas tenham levado ao reajustamento do planeamento e das práticas para assegurar a leccionação de todos os conteúdos programáticos. Os resultados da avaliação são analisados em departamento e em Conselho Pedagógico, de forma a garantir a coerência entre as práticas de ensino e de avaliação e a permitir a aferição de procedimentos. No entanto, constataram-se dificuldades por parte dos docentes em integrar, no processo de ensino-aprendizagem e, consequentemente, na avaliação dos alunos, os critérios de avaliação definidos pelo Conselho Pedagógico para a transversalidade da Língua Portuguesa e das TIC. Apesar de existir algum trabalho conjunto ao nível da elaboração das planificações, da definição dos critérios de avaliação e da troca de experiências e materiais, não estão estabelecidos mecanismos para o acompanhamento da prática lectiva em contexto de sala de aula. É efectuado o levantamento das necessidades de formação do pessoal docente que é apresentado ao Centro de Formação José Pereira Tavares. As acções disponibilizadas por este Centro estão direccionadas para as TIC e as áreas da Língua Portuguesa e da Matemática, não existindo um plano de formação interno do Agrupamento para fazer face a algumas das carências identificadas, como, por exemplo, ao nível do desempenho do cargo de director de turma. 2.3 Diferenciação e apoios É identificado e prestado apoio aos alunos com necessidades educativas especiais. Neste âmbito, estão identificados 75 alunos (6% do total da população escolar): 13 com currículo alternativo, 29 com currículo escolar próprio e 33 com outras medidas (educação pré-escolar - 1 criança; 1.º ciclo - 46 alunos; 2.º e 3.º ciclos – 28 alunos). A identificação desses alunos é feita pelos docentes através do preenchimento de uma ficha de sinalização que é remetida, para análise, ao Departamento da Educação Especial. Nos casos que suscitam dúvidas, é solicitada a intervenção da Psicóloga da Cooperativa para a Educação e Reabilitação dos Cidadãos Inadaptados de Aveiro (CERCIAV). Os docentes de Educação Especial elaboram os Planos Educativos Individuais e os Programas Educativos e realizam reuniões com os docentes titulares de turma, ou com o director de turma, para orientação do trabalho a realizar com os alunos. Nos 2.º e 3.º ciclos registam-se algumas deficiências na passagem de informação entre os directores de turma e os restantes professores, o que dificulta o desenvolvimento do trabalho a efectuar com esses alunos. No ano transacto (2006/07) verificou-se que, dos 90 alunos com necessidades educativas especiais, ficaram retidos 3 no 4.º ano de escolaridade (o que corresponde a 96,6% de sucesso). Quanto às dificuldades dos alunos não inseridos nas necessidades educativas especiais, o Agrupamento utiliza a Área de Estudo Acompanhado para reforçar as suas aprendizagens, nomeadamente no domínio da Língua Portuguesa e da Matemática. No entanto, não existem dados trabalhados, de forma sistemática e consistente, que permitam medir a eficácia dos apoios implementados. O Agrupamento recorre aos serviços de uma Psicóloga, contratada a tempo parcial (6 horas semanais) através de verbas do PRODEP. A Psicóloga exerce a sua actividade principalmente na orientação escolar e profissional dos alunos dos CEF e das turmas do 9.º ano, não abrangendo a totalidade da população discente. Os alunos que beneficiam de auxílios económicos têm merecido um acompanhamento adequado. 2.4 Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem Tem-se investido na diversificação curricular através da criação de cursos CEF (2006/07 - Operador de Computadores; Empregado de Mesa e Bar; 2007/08 - Electricista de Instalações – a iniciar em Janeiro). Estes cursos têm contribuído para recuperar alunos para o sistema educativo. Efectivamente, 53,8% dos discentes do curso de Operador de Computadores optou pelo prosseguimento de estudos. São promovidas também diversas iniciativas de reforço educativo e complemento curricular (Plano Nacional de Leitura; Plano de Acção para a Matemática – PAM; concursos; torneios desportivos; visitas de estudo; comemorações; clube de jornalismo; festa de final do ano). Os alunos aderem e mostram interesse pelo desenvolvimento destas actividades. Agrupamento de Escolas de São Bernardo – Aveiro 3 a 5 de Dezembro de 2007 8 Relatório de Avaliação Externa Pese embora a existência de instalações laboratoriais, inclusivamente numa escola do 1.º ciclo, e o desenvolvimento de actividades experimentais por parte de alguns docentes, não é monitorizada a sua execução, verificando-se que o número de experiências a realizar depende apenas da iniciativa de cada professor. É de evidenciar que os alunos não revelam vivências significativas no âmbito da prática destas actividades. 3. Organização e gestão escolar 3.1 Concepção, planeamento e desenvolvimento da actividade O Projecto Educativo foi construído para o triénio de 2004/05 a 2006/07 e contempla os objectivos e as metas a atingir, sem, no entanto, serem quantificados. Também identifica os problemas e as estratégias para a sua superação. Todos os documentos estruturantes da acção educativa (Projecto Educativo, Plano Anual de Actividades e Regulamento Interno) são divulgados através do sítio na Internet e disponibilizados em suporte de papel para consulta dos interessados. No início do ano, os pais recebem um documento donde constam, resumidamente, os direitos e deveres dos seus educandos, bem como os critérios gerais de avaliação e a sua ponderação. Os alunos demonstram conhecer, em pormenor, os critérios de avaliação específicos das disciplinas e das áreas curriculares não disciplinares. O Projecto Educativo e o Plano Anual de Actividades não foram elaborados e avaliados com a participação dos representantes encarregados de educação e do pessoal não docente. No entanto, existe um plano de actividades organizado pelas cinco Associações de Pais, que não se apresenta incluído no Plano de Actividades do Agrupamento. O Conselho Pedagógico definiu critérios para a atribuição do Estudo Acompanhado (um professor de Língua Portuguesa e outro de Matemática) e para a Área de Projecto (professores das Expressões). O estabelecimento destes critérios foi uma estratégia utilizada para a melhoria dos resultados escolares dos alunos, nomeadamente nas disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa. Esse órgão definiu, também, a obrigatoriedade da realização da auto-avaliação para todos os alunos (no final de cada período lectivo), mediante a utilização de fichas com uma matriz comum. A distribuição do serviço docente realizada pelo Órgão de Gestão, relativamente ao cargo do director de turma, assenta essencialmente na continuidade pedagógica. A biblioteca da escola sede, apesar de integrada na Rede Nacional de Bibliotecas, não é um polo dinamizador de projectos, nomeadamente ao nível do 1.º ciclo. 3.2 Gestão dos recursos humanos O Conselho Executivo promove uma gestão adequada dos recursos humanos, tendo em conta as competências pessoais e profissionais, nomeadamente ao nível da distribuição de serviço. Os docentes e não docentes conhecem as suas áreas de acção, respeitando as normas pré-definidas. O Agrupamento tem uma política consistente de integração dos novos professores e dos que desempenham pela primeira vez determinados cargos. O pessoal não docente tem as tarefas distribuídas com base no seu perfil, revelando bons níveis de desempenho e de participação nas funções que lhes estão cometidas. Estes elementos manifestam algumas carências de formação em determinadas áreas específicas, uma vez que algumas das acções frequentadas no Centro de Formação são repetitivas, não trazendo valor acrescentado ao seu trabalho. Todavia, o Agrupamento não dispõe de um plano de formação interno que satisfaça as reais necessidades deste pessoal, como, por exemplo, ao nível do apoio ao funcionamento dos laboratórios e da biblioteca. 3.3 Gestão dos recursos materiais e financeiros O Órgão de Gestão faz uma gestão adequada dos espaços e dos equipamentos. A Assembleia exerce as suas competências na área financeira, quer apreciando o relatório de contas apresentado pelo Conselho Executivo, quer definindo as linhas orientadoras do orçamento. Também conhece as verbas do Orçamento de Estado e as de Compensação e Receita. Existe uma política sustentada de captação de recursos financeiros próprios, através da candidatura a projectos financiados pelo PRODEP, ou por via das Associações de Pais e Encarregados de Educação, que permite assegurar a diversidade da oferta educativa e a aquisição de recursos (p. ex. quadros interactivos). Agrupamento de Escolas de São Bernardo – Aveiro 3 a 5 de Dezembro de 2007 9 Relatório de Avaliação Externa 3.4 Participação dos pais e outros elementos da comunidade educativa Os pais e encarregados de educação participam nas diversas estruturas do Agrupamento, havendo a preocupação de os integrar nos processos de ensino e aprendizagem dos seus educandos. Contudo, desconhecem os resultados globais obtidos pelos alunos nas provas de aferição e nos exames nacionais. Existem cinco Associações de Pais, reunidas numa comissão composta por nove elementos: cinco presidentes das Associações de Pais, três representantes da Assembleia do Agrupamento e o representante do Conselho Pedagógico. Esta comissão desempenha um papel activo na vida escolar, tendo concretizado um plano de actividades que integrou, no ano transacto, uma série de debates, nomeadamente sobre comunicação (directa, através de livros, meios de comunicação social e comunicação via Internet) e dependências (tabaco, drogas e álcool). Os directores de turma estão disponíveis para atenderem presencialmente os encarregados de educação, promovendo, ainda, a comunicação através da caderneta do aluno e do telemóvel. 3.5 Equidade e justiça Os responsáveis do Agrupamento e das suas diferentes estruturas regem-se por princípios de equidade e justiça. Existe uma política de integração dos alunos ao nível sócio-escolar, traduzida na constituição heterogénea das turmas do 2.º ciclo. Esta política tem possibilitado a formação mais equilibrada das turmas, quer ao nível das aprendizagens quer do comportamento. Refira-se ainda que tem sido proporcionada a integração dos alunos de etnia cigana e dos que são oriundos de diversos países da Europa, África, Ásia, América e Austrália. Também é de destacar que, no ano lectivo de 2006/07, funcionou uma turma de alfabetização destinada, em grande parte, a imigrantes cuja língua materna não é o Português. A distribuição do serviço docente e a elaboração dos horários obedecem a critérios pré-definidos. A relação com os pais e com a comunidade envolvente realiza-se de forma aberta, propiciando a participação dos vários parceiros, para o que contribui a atitude de disponibilidade manifestada pelo Órgão de Gestão. Os alunos são também chamados a participar no desenvolvimento dos princípios da equidade e justiça através do exercício da auto e hetero-avaliação em todas as disciplinas. 4. Liderança 4.1 Visão e estratégia Existe uma visão para o desenvolvimento da acção do Agrupamento, patente nos documentos estruturantes (Projecto Educativo, Plano Anual de Actividades, Regulamento Interno e Projecto Curricular de Agrupamento). Porém, é de realçar que o Plano Anual de Actividades para o ano de 2007/08, apesar de ser um documento vasto, não evidencia a existência de uma interdisciplinaridade consistente. Existe entre o Órgão de Gestão, a Assembleia do Agrupamento e algumas lideranças intermédias uma visão partilhada para a missão a desenvolver e a capacidade de mobilização dos agentes para a concretização das tarefas. No entanto, é de salientar que as liderança intermédias não se assumem como determinantes para o desenvolvimento do trabalho colaborativo entre os docentes. 4.2 Motivação e empenho O Conselho Executivo exerce liderança, promovendo a articulação entre os diferentes órgãos e apoiando-os nas suas funções, bem como está atento aos problemas, procurando resolver as dificuldades das várias unidades que constituem o Agrupamento. Do mesmo modo, incentiva o exercício das competências de cada órgão. A Assembeleia do Agrupamento dinamizou o processo de auto-avaliação e promoveu a resolução de problemas de infraestruturas de alguns JI e EB1, bem como angariou apoios para a concretização de algumas actividades. Os profissionais conhecem as suas áreas de acção e mostram-se empenhados e motivados na definição e na implementação de estratégias para a melhoria do serviço educativo. É patente a adequação de algumas actividades curriculares (oferta da escola) e de complemento curricular aos interesses dos alunos (clubes: CLIC - Conversa Livremente Comigo; Jornal do Agrupamento; de Saúde; Eco-arte; Desporto Escolar e Costura e Afins). Os docentes estão mobilizados para o trabalho que realizam e preocupam-se com os resultados escolares dos alunos. O pessoal não docente revela uma boa integração, é atencioso na relação com os restantes membros da comunidade educativa e zela pelo cumprimento das tarefas que lhe são dirigidas. Agrupamento de Escolas de São Bernardo – Aveiro 3 a 5 de Dezembro de 2007 10 Relatório de Avaliação Externa O Agrupamento criou uma bolsa de voluntariado de docentes do 1.º ciclo, na situação de aposentados, que apoia as actividades dos alunos dentro e fora da sala de aula. Entre outras acções, estes professores auxiliam no desenvolvimento das actividades lectivas, substituem alguns docentes nas suas ausências e acompanham os alunos em visitas de estudo e nos momentos das refeições. 4.3 Abertura à inovação O Agrupamento está aberto à inovação, patente na diversidade de actividades e de projectos que tem em funcionamento, dando acolhimento a projectos internos e externos (p. ex., o Agrupamento é sede do Centro de Formação de Professores e do Centro das Novas Oportunidades). Contudo, apesar de existir uma atitude próactiva na procura de novos caminhos e soluções, não há indícios de estratégias generalizadas de inovação centradas nas práticas lectivas em sala de aula. 4.4 Parcerias, protocolos e projectos São desenvolvidas parcerias com diversas entidades da comunidade envolvente, nomeadamente: Câmara Municipal de Aveiro e Juntas de Freguesia (cedência de transportes e de espaços para a realização de eventos culturais, desportivos e sociais, prémios escolares); Universidade de Aveiro (protocolos de estágios, apoio científico e actividades de formação); Centro Desportivo de S. Bernardo; CERCIAV (apoio a alunos com deficiências ou dificuldades sociais); Portugal Telecom - Inovação Aveiro Digital (estágios a alunos do CEF) e Patriarca da comunidade cigana. O Agrupamento participa em projectos nacionais e internacionais, designadamente: Plano Nacional da Matemática; Plano Nacional de Leitura; Programa Ciência Viva; Programa Nacional do Ensino do Português no 1.º ciclo; Rede de Bibliotecas; Eco-Escolas; Ria-Edu; Comenius e e-twinning1. 5. Capacidade de auto-regulação e melhoria da Escola 5.1 Auto-avaliação As actividades de avaliação têm estado focalizadas no acompanhamento trimestral dos resultados académicos dos alunos. No âmbito do Conselho Pedagógico, foi constituída uma “Secção de Avaliação”, responsável pela elaboração de documentos estatísticos relativos ao desempenho dos alunos por ano e disciplina e pela reflexão crítica dos resultados finais. A informação recolhida é facultada aos diversos órgãos e estruturas pedagógicas, com o objectivo de promover uma análise mais pormenorizada e criteriosa dos dados do sucesso/insucesso e a definição de estratégias para a superação dos casos problema. São apresentadas algumas estratégias como responsáveis pela melhoria de alguns resultados escolares, designadamente o reforço das aprendizagens dos alunos na Língua Portuguesa e na Matemática, por via da rentabilização da área do Estudo Acompanhado e/ou dos projectos de âmbito nacional (Plano de Acção para a Matemática e Plano Nacional de Leitura). Pese embora a existência de dados trabalhados sobre os resultados escolares, estes não se encontram devidamente explorados e divulgados, na medida em que a reflexão sobre os mesmos não é ainda sistemática e não produz consequências sustentadas ao nível das práticas lectivas. Em 2007, a partir da iniciativa da Assembleia, o Agrupamento deu os primeiros passos para realizar a avaliação interna, constituindo uma equipa diversificada para o efeito (professores, pessoal não docente e encarregados de educação). Porém, este processo ainda se encontra numa fase embrionária. 5.2 Sustentabilidade do progresso Verificam-se algumas dificuldades na conceptualização do modelo de avaliação interna, não conseguindo o Agrupamento identificar, objectivamente, os pontos fortes e fracos do seu desempenho e ter uma visão estratégica de futuro. Apesar de não se poder afirmar, com segurança, que estão reunidas as condições para garantir a sustentabilidade do progresso, a liderança do Conselho Executivo e os papéis activos da Assembleia do Agrupamento e das Associações de Pais são sinais positivos que podem ajudar ao desenvolvimento da acção educativa. 1 Parcerias entre escolas da Europa. Agrupamento de Escolas de São Bernardo – Aveiro 3 a 5 de Dezembro de 2007 11 Relatório de Avaliação Externa V – Considerações finais Apresenta-se agora uma síntese dos atributos da Unidade de Gestão (pontos fortes e pontos fracos) que poderá orientar a sua estratégia de melhoria. Neste âmbito, entende-se por ponto forte: atributo da organização que ajuda a alcançar os seus objectivos; ponto fraco: atributo da organização que prejudica o cumprimento dos seus objectivos. Todos os tópicos seguidamente identificados foram objecto de uma abordagem mais detalhada ao longo deste relatório. Pontos fortes Resultados obtidos pelos alunos na disciplina de Língua Portuguesa nas provas de aferição dos 4.º e 6.º anos e nos exames nacionais do 9.º ano, realizados em 2006/07, com taxas de sucesso superiores a 91%; Liderança do Conselho Executivo, que potencia a cooperação e a articulação entre os vários órgãos e os estabelecimentos de educação e ensino que constituem o Agrupamento; Papel activo da Assembleia e das cinco Associação de Pais na vida escolar, nomeadamente na promoção da auto-avaliação, na resolução de problemas relacionados com infraestruturas, na concretização de planos anuais e na captação de apoios para a execução de actividades. Pontos fracos Decréscimo, ao longo dos três ciclos de estudo, dos resultados obtidos pelos alunos nas provas de aferição e nos exames nacionais da disciplina de Matemática realizados em 2006/07 (decréscimo de 17,8% do 4.º para o 6.º ano e de 32,9% do 6.º para o 9.º ano); Falta de relevância das actividades experimentais nas vivências dos alunos, que não potencia uma atitude positiva face ao método científico; Inexistência de monitorização dos apoios ministrados aos alunos não inseridos nas necessidades educativas especiais, que não permite avaliar a sua eficácia, designadamente em relação aos alunos que revelam insucesso; Inexistência de actividades de acompanhamento dos docentes em contexto de sala de aula, não permitindo o conhecimento das práticas lectivas e do seu impacto nos resultados e na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem; Falta de acção das lideranças intermédias como elementos determinantes no desenvolvimento do trabalho colaborativo entre docentes, no âmbito das coordenações dos grupos disciplinares e dos departamentos curriculares; Inexistência de um plano de formação interno, que não permite suprir algumas das necessidades evidenciadas pelo Agrupamento ao nível do pessoal docente (direcção de turma) e do pessoal não docente (apoio ao funcionamento dos laboratórios e da biblioteca). 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