23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental I-133 - COMPARAÇÃO ENTRE OS RESULTADOS DE COR APARENTE E TURBIDEZ OBTIDOS DE ENSAIOS DE BANCADA E DE ENSAIOS EM ESCALA PILOTO Eliane Prado Cunha Costa dos Santos(1) Engenheira Civil e Mestre em Engenharia Sanitária (UFMG) Ana Raquel Teixeira Engenheira Civil e Mestre em Engenharia Sanitária (UFMG) Cristina Poggliali Almeida Bióloga (Isabela Hendrix) Marcelo Libânio Engenheiro Civil e Mestre em Engenharia Sanitária (UFMG), Doutor em Hidráulica e Saneamento (USP) e Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Hidráulica e Recursos Hídricos da UFMG Valter Lúcio de Pádua Engenheiro Civil (UFMG), Mestre e Doutor em Hidráulica e Saneamento (USP) e Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG Endereço(1): Rua Dr. Juvenal dos Santos, 222/404 - Bairro Luxemburgo - Belo Horizonte - MG - CEP 30.380530 - Brasil - Tel: +55 (31) 3297-5406 - e-mail: [email protected] RESUMO No presente trabalho foram comparados os valores de cor aparente e de turbidez remanescentes obtidos de ensaios em escala de bancada com os valores obtidos de ensaios em escala piloto, utilizando sulfato de alumínio com dosagem de 8,0 mg/L (0,318 mg/L Al) e hidróxi-cloreto de alumínio (PACl 10,6% Al2O3) com dosagem de 5,0mg/L (0,281 mg/L Al) como coagulantes. Tanto para os ensaios em escala de bancada quanto para os ensaios em escala piloto utilizou-se a água bruta afluente a uma estação de tratamento de água que emprega a tecnologia de tratamento por filtração direta. Os resultados obtidos neste trabalho indicaram que tanto o sulfato de alumínio, quanto o PACl 10,6% Al2O3, forneceram resultados de redução de turbidez e cor aparente em conformidade com a Portaria nº 518/2004. Pôde-se observar que não houve diferença significativa entre os resultados de remoção de turbidez e de cor aparente entre os ensaios de bancada e em escala piloto para a água estudada. A qualidade da água, quando se utilizou o sulfato de alumínio, foi ligeiramente superior à de quando se utilizou o PACl 10,6% Al2O3. No entanto, a duração da carreira de filtração foi mais curta. PALAVRAS-CHAVE: Tratamento de Água, Ensaios de Bancada, Filtração Direta, Coagulação, Instalação Piloto. INTRODUÇÃO A caracterização da água por meio de parâmetros físicos, químicos e biológicos, a realização de ensaios em bancada para seleção das dosagens e dos tipos de coagulante mais adequados, estudos em instalação piloto para definição do tipo de tratamento e os parâmetros hidráulicos mais adequados, contribuem para obtenção de maior eficácia do tratamento, além de contribuir para a redução dos custos de implantação e de operação de uma ETA. O ideal é que estes estudos sejam preliminares à construção da ETA, mas também podem contribuir para corrigir eventuais problemas existentes em estações já construídas. Di Bernardo (Coord.) et al. (2003) relatam, por exemplo, que foi projetada uma ETA de ciclo completo para tratar 3.500 L/s e, após estudos, concluiu-se que o tratamento poderia ser efetuado por filtração direta descendente, o que resultou em uma economia mensal de R$ 100.000,00, pela redução do consumo de produtos químicos, além de viabilizar o aumento da vazão tratada para 5.000 L/s. Mencionam ainda que uma estação de tratamento por filtração direta ascendente foi construída, mas nem chegou a funcionar, em decorrência do fato de a água bruta ser incompatível para esse tipo de tecnologia de tratamento, além de a água produzida na ETA não ser suficiente sequer para a lavagem das unidades de filtração. No presente trabalho, fez-se um estudo visando comparar os resultados obtidos de redução de cor aparente e turbidez em escala de bancada e em escala piloto utilizando o sulfato de alumínio com dosagem de 8,0 mg/L (0,318 mg/L Al) e o hidróxi-cloreto de alumínio (PACl 10,6% Al2O3) com dosagem de 5,0 mg/L ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 1 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental (0,281 mg/L Al) com a água afluente a uma ETA que trata em média 1.000 L/s por meio da filtração direta descendente. MATERIAIS E MÉTODOS Os aparelhos utilizados para medição de pH, cor aparente e turbidez durante a realização dos ensaios foram: pH-metro marca Quimis; espectrofotômetro modelo DR/2000, marca HACH; turbidímetro modelo 2100N, marca HACH. Para a definição das dosagens e coagulantes que seriam utilizados para realização das comparações em escala de bancada e em escala piloto, fez-se um estudo de bancada preliminar, avaliando diversos coagulantes com diferentes dosagens, utilizando-se o equipamento de jar test (Figura 1), ao qual foram adaptados seis filtros em tubo de PVC contendo areia, para simular o tratamento por filtração direta. Adotaram-se, para mistura rápida, o gradiente de velocidade médio (Gmr) de 1.000 s-1 e o tempo de mistura rápida (Tmr) de 10 s. Após a mistura rápida, o gradiente de velocidade médio era reduzido para 90 s-1, para evitar a deposição de sólidos no fundo dos jarros. A água era então filtrada por 10 min. Coletavam-se em seguida as amostras para determinação dos valores de pH, cor aparente e turbidez remanescentes. Em função dos resultados de cor aparente e de turbidez remanescentes obtidos, definiu-se a dosagem de 8,0 mg/L (0,318 mg/L Al) de sulfato de alumínio, fazendo-se a correção de pH com ácido clorídrico a 0,1 M e a dosagem de 5,0 mg/L (0,281 mg/L Al) de PACl 10,6% Al2O3 sem se fazer a correção de pH para a realização das comparações do experimento. As características dos coagulantes selecionados para realização dos ensaios estão apresentadas na Tabela 1 e o número de ensaios executados na Tabela 2. Tabela 1: Característica dos coagulantes. Coagulante Teor de sólidos (%) Sulfato de alumínio líquido 50,0 PACl (10,6% Al2O3) 47,0 Tabela 2: Ensaios realizados Coagulante Sulfato de alumínio líquido PACl (10,6% Al2O3) * Quatro ensaios e quatro réplicas Al2O3 (%) 7,5 10,6 Bancada 3 8* Densidade (g/cm3) 1,32 1,29 a 25° C Instalação piloto 3 8* cubetas dosadoras equipamento de jar test filtros de bancada jarros de 2 L de água bruta suporte dos filtros de bancada recipiente para coleta de amostras Figura 1 – Equipamento de jar test com os filtros de bancada. Para realização dos ensaios de bancada com os dois coagulante selecionados adotaram-se as mesmas características dos ensaios preliminares. Para os ensaios em escala piloto construiu-se na ETA, uma instalação piloto, constituída do seguinte: bomba dosadora; recipiente para solução; malha difusora inserida perpendicularmente à tubulação para garantir a mistura rápida; caixa de distribuição de vazão; filtro em acrílico; quadro piezométrico; caixa d’água; tubulações; conexões e acessórios para o transporte da água ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 2 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental VAZÃO CONTROLADA POR ORIFÍCIO ENTRADA DE ÁGUA COAGULADA Ø1"(TÍPICO) Ø1" I I EXTRAVASOR ÁGUA COAGULADA coagulada, da água de lavagem e da água filtrada. Os diâmetros das tubulações estão indicados no esquema da instalação piloto (Figura 2). O filtro da instalação piloto era de escoamento descendente e seu meio filtrante de camada simples. Os materiais utilizados para a camada suporte e para o meio filtrante encontram-se nas Figuras 3 e 4. ÁGUA COAGULADA Ø1" I QUADRO PIEZÔMETRICO CAIXA D'ÁGUA ÁGUA FILTRADA Ø1/2" MANGUEIRA P/ PIEZÔMETRO (TÍPICA) ENTRADA DE ÁGUA BRUTA BOMBA Ø1"(TÍPICO) DOSADORA RECIPIENTE P/ SOLUÇÃO SAÍDA DA ÁGUA DE LAVAGEM ENTRADA DE ÁGUA P/ LAVAR O FILTRO Ø1/2" FILTRO (FLUXO DESCENDENTE) Figura 2 – Esquema da instalação piloto. Para a mistura rápida, adotou-se o gradiente de velocidade médio (Gmr) em torno de 1.000 s-1. A taxa de filtração adotada foi de 436 m3 · m-2 · d-1 e a carga hidráulica de retenção de impurezas de 15 cm para encerramento da carreira de filtração. As amostras eram coletadas após 30 min durante a realização dos ensaios em escala piloto ou no final da carreira de filtração, quando esta era superior a 30 min e então mediase a cor aparente, a turbidez e o pH das amostras. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 3 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 25,4 38,10 50,80 9,52 19,10 4,76 2,00 10 1,20 1 Diâmetro dos grãos (mm) 0,30 0,42 0,60 100% 0,15 0,075 Abertura da malha (mm) 90% % que passa da amostra total 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 0,1 100 Figura 3 – Curva granulométrica da areia utilizada no meio filtrante do filtro da instalação piloto. Ø25,4mm EAB & SL OBS. 500 120 80 80 60 60 20 100 100 200 200 SEIXOS (38 - 19)mm Ø25,4mm EAL 400 Ø12,7 SAT SEIXOS (19 -12.7)mm 200 100 200 11 FUROS Ø12,7 3700 300 Ø150 SEIXOS (4.8 -2.4)mm SEIXOS (12.7- 4.8)mm SEIXOS (63 - 38)mm R =1 0 12 CHAPA VER DET."A" AREIA (<0.50)mm (>2.38)mm Cd=(1.8-2.0)mm Tef.=(0.70-0.80)mm R= 50 50 50 50 50 50 COTAS EM MILÍMETROS (EXCETO ANOTADO). 50 DETAHE "A" TÍPICO 9 FUROS Ø TÍPICO LEGENDA SAT = SAÍDA ÁGUA TRATADA EAB = ENTRADA ÁGUA BRUTA SL = SAÍDA DE ÁGUA DE LAVAGEM EAL = ENTRADA DE ÁGUA P/ LAVAR FILTRO DESCENDENTE CAMADA SIMPLES Sem escala Figura 4 – Detalhe do filtro piloto. RESULTADOS E DISCUSSÃO A alcalinidade durante os ensaios variou de 49,0 a 53,0 mg/L de CaCO3. Os valores de pH obtidos durante os ensaios encontram-se na Tabela 3. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 4 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Tabela 3: Valores de pH obtidos durante os ensaios. Ensaios em bancada Água bruta Coagulante Sulfato de Alumínio Min. Méd. Máx. Min. Méd. Máx. 7,70 7,87 8,00 6,62 6,92 7,14 Água bruta Coagulante PACl 10,6% Al2O3 Min. Méd. Máx. Min. Méd. Máx. 7,40 7,85 8,25 7,48 7,87 8,16 Ensaios em instalação piloto Água bruta Coagulante Sulfato de Alumínio Min. Méd. Máx. Min. Méd. Máx. 7,52 7,58 7,59 6,99 7,07 7,08 Água bruta Coagulante PACl 10,6% Al2O3 Min. Méd. Máx. Min. Méd. Máx. 7,48 7,54 7,68 7,64 7,69 7,72 Observa-se na Figura 5 que todos os valores de turbidez remanescente, tanto dos ensaios de bancada quanto dos ensaios realizados na instalação piloto, quando se utilizou 8,0 mg/L de sulfato de alumínio como coagulante e ácido para fazer a correção do pH, foram inferiores a 0,50 uT, valores em conformidade com a Portaria nº 518/2004 do Ministério da Saúde, além de assegurarem maior eficiência de remoção de enterovírus, cistos de Giardia spp. e oocistos de Cryptosporidium sp., o que é recomendado pela mencionada Portaria. 3 2,5 2,2 2,5 96 3,5 94 3 92 2,5 90 2 88 1,5 86 1 0,5 0,36 0,3 0,12 0 T urbidez água bruta Ensaio 02 T urbidez remanescente 2,1 1 82 0 % Remoção 2,2 1,5 0,5 Ensaio 03 2,9 2 84 80 Ensaio 01 Turbidez (uT) Turbidez (uT) 3 % Remoção 3,5 Ensaios em escala piloto 0,3 Ensaio 01 t=30min. T urbidez água bruta 0,36 0,37 Ensaio 02 t=30min. Ensaio 03 t=30min. T urbidez remanescente 88 87 86 85 84 83 82 81 80 79 % Remoção Ensaios em bancada % Remoção Figura 5 – Turbidez e percentuais de remoção de turbidez para ensaios de bancada e na instalação piloto durante a carreira de filtração, utilizando sulfato de alumínio com dosagem de 8,0 mg/L e ácido. Quando foi utilizado PACl 10,6% Al2O3 com dosagem de 5,0 mg/L como coagulante (Figura 6), pôde-se observar que os resultados de turbidez remanescente obtidos dos ensaios em escala piloto foram melhores do que os valores obtidos dos ensaios de bancada. Enquanto para os ensaios de bancada obtiveram-se apenas três valores de turbidez remanescente menores que 0,50 uT, para os ensaios em escala piloto apenas um valor foi superior a 0,50 uT. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 5 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Ensaios na instalação piloto Ensaios em bancada 3,5 2,9 3 2,3 2,5 2,2 2,2 1,5 0,56 0,67 0,65 0,51 0,5 1,8 70 60 1,4 50 40 2 1 90 80 0,62 0,34 0,31 0,23 0 30 20 10 0 T urbidez remanescente 82 1,9 1,8 1,8 1,8 1,7 1,7 1,8 1,6 80 78 1,2 76 1 74 0,8 72 0,55 0,6 0,38 0,4 0,47 0,43 0,42 0,38 0,42 70 0,4 68 0,2 66 0 Ensaio Réplica Ensaio Réplica Ensaio Réplica Ensaio Réplica 01 Ensaio 02 Ensaio 03 Ensaio 04 Ensaio 01 02 03 04 T urbidez água bruta 1,9 % Remoção 3,8 3,8 Turbidez (uT) 3,9 % Remoção 3,9 4 Turbidez (uT) 2 100 4,5 Ens a io Ens a io Ens a io Ens a io Ens a io Ens a io Ens a io Ens a io 01 01 02 02 03 03 04 04 t=30m in. t=60m in. t=30m in. t=36m in. t=30m in. t=41m in. t=30m in. t=44m in. T urbidez água bruta % Remoção T urbidez remanescente % Remoção Figura 6 – Turbidez e percentuais de remoção de turbidez para ensaios de bancada e na instalação piloto durante a carreira de filtração, utilizando PACl 10,6% Al2O3 com dosagem de 5,0 mg/L. A evolução da perda de carga durante a realização dos ensaios em escala piloto foi mais rápida quando se utilizou o sulfato de alumínio como coagulante. Observa-se, na figura Figura 7, que todos os valores de cor aparente remanescente obtidos quando se utilizou o sulfato de alumínio como coagulante também satisfizeram a mencionada portaria. Ensaios em escala piloto 26 25 20 15 10 7 5 5 5 0 Ensaio 01 Ensaio 02 Ensaio 03 96 94 92 90 88 86 84 82 80 27 30 Cor aparente (uH) 28 27 % Remoção Cor aparente (uH) 30 25 80 21 75 20 20 70 15 10 5 7 7 65 60 5 % Remoção Ensaios em bancada 55 0 Ensaio 01 t=30min. Ensaio 02 t=30min. Ensaio 03 t=30min. Cor água bruta Cor aparente água bruta Cor aparente remanescente Cor aparente remanescente % Remoção % Remoção Figura 7 – Cor aparente e percentuais de remoção de cor aparente para ensaios de bancada e na instalação piloto durante a carreira de filtração, utilizando Sulfato de alumínio com dosagem de 8,0 mg/L. Observa-se, na Figura 8, que quando se utilizou o PACl 10,6% Al2O3 com dosagem de 5,0mg/L como coagulante que nem todos os valores de cor aparente remanescentes ficaram em conformidade com a portaria citada. Observa-se ainda que os valores de cor aparente remanescente obtidos na instalação piloto foram ligeiramente melhores do que os obtidos em escala de bancada. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 6 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Ensaios em bancada Ensaios na instalação piloto 49 44 44 40 30 25 20 16 26 26 25 18 10 9 10 11 5 5 80 24 24 25 70 20 20 20 18 20 18 20 60 50 15 40 10 10 10 7 7 8 30 8 6 20 5 04 5 10 En sa io 03 En sa io 02 En sa io En sa io 01 0 5 90 30 Cor aparente (uH) 49 50 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 % Remoção Cor aparente (uH) 60 0 0 Ens a io 01 Ens a io 01 Ens a io 02 Ens a io 02 Ens a io 03 Ens a io 03 Ens a io 04 Ens a io 04 t=30m in. t=60m in. t=30m in. t=36m in. t=30m in. t=41m in. t=30m in. t=44m in. Cor aparente água bruta Cor aparente remanescente % Remoção Cor aparente água bruta Cor aparente remanescente % Remoção Figura 8 – Cor aparente e percentuais de remoção de cor aparente para ensaios de bancada e na instalação piloto durante a carreira de filtração, utilizando PACl Al2O3 com dosagem de 5,0 mg/L. Para comparar os resultados de percentuais de redução de turbidez e de cor aparente entre os ensaios em escala de bancada e os ensaios em escala piloto, utilizou-se o teste de Mann-Whitney (Tabela 4). Cabe lembrar que a hipótese nula (H0) é de que não existe diferença entre as médias e que o nível de significância considerado foi de 5%, ou seja, se o valor da probabilidade calculada (p) for menor que 0,05 (p0) rejeita-se H0; caso contrário, aceita-se H0. Tabela 4: Resumo dos resultados do teste de Mann-Whitney para comparação entre os ensaios de bancada e os ensaios em escala piloto. Item analisado Probabilidade (p) encontrado p0 = 0,05 Hipótese H0 % de remoção de turbidez p = 0,663 p > p0 aceito H0 (sulfato de alumínio) % de remoção de turbidez p = 0,932 p > p0 aceito H0 ( PACl 10,6% Al2O3 ) % de remoção de cor aparente p = 0,662 p > p0 aceito H0 (sulfato de alumínio) % de remoção de cor aparente p = 0,350 p > p0 aceito H0 ( PACl 10,6% Al2O3 ) Os resultados obtidos mostraram que não existe diferença significativa no que se refere à remoção de cor aparente e de turbidez entre os ensaios de bancada e os ensaios em escala piloto, tanto para o PACl 10,6% Al2O3, quanto para o sulfato de alumínio. Contudo, os ensaios de bancada são essenciais para definir a dosagem e o tipo de coagulante a ser utilizado para o tratamento da água, enquanto os estudos em escala piloto contribuem para avaliar a duração da carreira de filtração e para escolha do meio filtrante. CONCLUSÕES Os resultados obtidos neste trabalho indicaram que tanto o sulfato de alumínio, quanto o PACl 10,6% Al2O3 forneceram resultados de redução de turbidez e de cor aparente em acordo com a Portaria nº 518/2004. Pôdese observar que não há diferença significativa entre os resultados de remoção de turbidez e de cor aparente entre os ensaios de bancada e em escala piloto para a água estuda. A qualidade da água, quando se utilizou o sulfato de alumínio, foi ligeiramente superior à de quando se utilizou o PACl 10,6% Al2O3. No entanto, a duração da carreira de filtração foi, nesse caso, mais curta. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. DI BERNARDO, L., DI BERNARDO, A., CENTURIONE FILHO, P. L. (2002). Ensaios de tratabilidade de água e dos resíduos gerados em estações de tratamento de água. São Paulo. RiMa Editora, pp. 85. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 7 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2. DI BERNARDO, L. (Coord.), NENDES, C. G. N., BRANDÃO, C. C. S., SENS, M. L., PÁDUA, V. L., Tratamento de Água para Abastecimento por Filtração Direta, 2003. Rio de Janeiro: ABES, RiMa, 2003. pp. 498. 3. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria no 518, de 25 de março de 2004. Diário Oficial da União, Brasília. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) pelo financiamento e concessão da bolsa de Iniciação Científica (Proc. TEC 116/2001) e ao CNPq pela concessão das bolsas de mestrado, Profix e Produtividade em Pesquisa. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 8