INSTITUTO DE CIÊNCIAS DE SAÚDE
FUNORTE/SOEBRAS
VIVIAN DOS SANTOS SOUZA
ANÁLISE DA PRECISÃO DOS MÉTODOS DE RECONSTRUÇÃO
FACIAL FORENSE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Manaus
2014
VIVIAN DOS SANTOS SOUZA
ANÁLISE DA PRECISÃO DOS MÉTODOS DE RECONSTRUÇÃO
FACIAL FORENSE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Monografia apresentada ao Programa de
Especialização em Odontologia Legal do
ICS-FUNORTE NÚCLEO MANAUS,
como parte dos requisitos para a
obtenção do título de Especialista.
Orientador: Professor Mestre Gilberto Paiva de Carvalho
Manaus
2014
Santos Souza, Vivian
Revisão Sistemática: uma análise da precisão dos métodos de
Reconstrução Facial Forense/ Vivian dos Santos Souza – Manaus:
FUNORTE/SOEBRAS, 2014.
47 f: il.
Orientador: Gilberto Paiva de Carvalho
Monografia (Especialização) – FUNORTE,
Odontologia Legal, 2014.
Especialização
em
1. Reconstrução Facial Forense. 2. Aproximação Facial Forense. 3.
Reconstituição Facial Forense. I. Paiva de Carvalho, Gilberto. II.
FUNORTE. Curso de Especialização em Odontologia Legal. III. Revisão
sistemática: uma análise da precisão dos métodos de Reconstrução Facial
Forense.
Ao meu mui amigo, grandioso e poderoso Deus, que me concedeu
forças e meios para que continuasse minha jornada de estudo que tanto
almejara.
À minha amada mãe, que com joelhos calejados, resultado de uma
longa vida de oração, intercedera por mim nos momentos em que todo
esforço e dedicação que dispensara pareciam improfícuos.
À minha tia Iza, que por vezes me acomodara em seu lar tão
aconchegante, cujo conforto parecia acalentar-me a alma, meu maior
exemplo de como obter sucesso utilizando a honestidade como degrau.
AGRADECIMENTOS
Registro meus agradecimentos àqueles que me ajudaram a concretizar mais um sonho:
ao Professor e Mestre Gilberto Paiva de Carvalho, que pela segunda vez tem sido meu
orientador, transmitindo-me todo o conhecimento necessário para a confecção deste estudo; às
grandes amigas Mariana Franco e Sara Cardoso pela colaboração tão carinhosa e
imprescindível; à minha irmã Hellen Souza pelo conhecimento e tempo a mim dispensados; e
ao meu Chefe Major Av. Rafael Bevilaqua Mendes pela oportunidade de galgar mais uma
trajetória de meus estudos.
“Há sempre num indivíduo, por mais
justo que ele seja, um lastro, mesmo
ínfimo, de criminalidade.”
Genival Veloso de França
RESUMO
A técnica de Reconstrução Facial Forense, mais apropriadamente denominada de
Aproximação Facial Forense, atualmente gera grande repercussão, haja vista a ampla
divulgação da técnica entre estudiosos da área e pessoas leigas em geral. Caracteriza-se pela
construção de uma face utilizando um crânio como guia, que a posteriori será divulgada pelos
meios de comunicação, na tentativa de um reconhecimento por familiares ou parentes, para
que, por conseguinte, uma identificação positiva seja realizada. Para avaliar o grau de
precisão das técnicas de Reconstrução Facial Forense este estudo foi realizado. Foram
compilados 16 artigos relacionados ao tema, os quais foram dispostos em tabelas e discutidos
de forma pormenorizada. A confiabilidade desta técnica depende, essencialmente, das
medidas de espessura do tecido mole facial, as quais são extraídas por métodos de
mensuração considerados subjetivos e imprecisos. Tais fatores, juntamente com a escassez de
estudos e pesquisas cientificamente testadas, relacionadas ao assunto, contribuem para a falta
de padronização e confiabilidade da técnica. A despeito do exposto acima, esta técnica
proporciona o reconhecimento nos casos em que nenhum dos métodos de identificação é
viável. Outrossim, um mínimo de semelhança da face reconstruída com a face original é
suficiente para se considerar a técnica um sucesso.
Palavras-chaves:
Reconstrução Facial Forense - Aproximação Facial Forense - Reconstituição Facial
Forense
ABSTRACT
The Forensic facial reconstruction technique, more appropriately called Forensic facial
Approximation, currently produce great repercussion, therefore the wide divulgation of the
tecnique among the researches and layman people in general. It is characterized by the face’s
constuction using a skull as a guide, that lately will be disclosed by the media, in an attempt to
a recognition by Family member or relatives, so, therefore, a positive identification be made.
To assess the degree of accuracy of Forensic Facial Reconstruction techniques this study was
conducted. We compiled 16 articles related to the topic, which were arranged in tables and
discussed in detail. The trustrly of the Forensic Facial Reconstruction technique depends
essencial on the thickness of facial soft tissue measurements, wich are extracted by methods
of measurements considered subjective and imprecise, impairing the reability of the
technique. Those factors, coupled with the scarcity of studies and researches scientifically
tested, related to the subject, contribute to the lack of standardization and reability of the
technique. Despite the foregoing, this technique provides recognition in cases where none of
the methods of identification is feasible. Also, a minimum of similarity of the face rebuilt
with the original face is sufficient to consider the technique a success.
keywords:
Forensic Facial Reconstruction - Forensic Facial Approximation - Forensic Facial
Reconstitution
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 10
2 REVISÃO DE LITERATURA.......................................................................................12
3 MATERIAIS E METÓDOS ............................................................................................ 14
4 RESULTADOS ................................................................................................................. 15
5 DISCUSSÃO ..................................................................................................................... 22
4.1 NOMENCLATURA ........................................................................................................ 22
4.2 TÉCNICAS DE RECONSTRUÇÃO FACIAL FORENSE ............................................ 23
4.3 MÉTODOS DE MENSURAÇÃO DA ESPESSURA DO TECIDO MOLE FACIAL .. 28
4.4 LIMITAÇÕES DA TÉCNICA DE RECONSTRUÇÃO FACIAL FORENSE E SUA
REPERCUSSÃO NA VALIDAÇÃO DOS MÉTODOS ENVOLVIDOS ........................... 34
4.4.1 Ancestralidade .............................................................................................................. 36
4.4.2 Estado Nutricional ........................................................................................................ 37
4.4.3 Sexo .............................................................................................................................. 38
4.4.4 Idade ............................................................................................................................. 39
4.4.5 Órgãos faciais ............................................................................................................... 40
4.5 A RECONSTRUÇÃO FACIAL FORENSE E A PUBLICIDADE................................43
6 CONCLUSÃO................................................................................................................... 45
REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 46
10
1 INTRODUÇÃO
O método de reconhecimento estigmatizado como Reconstrução Facial Forense,
surgiu em meados do século XIX, quando as primeiras reconstruções propriamente ditas,
foram realizadas. Faces reconstruídas que contribuíram para consolidar a técnica foram a do
filósofo Immanuel Kant (1883), do pintor italiano Rafael (1884), do poeta dramaturgo alemão
Schiller (1888) e a do compositor Johann Sebastian Bach, reconstruída pelo anatomista
alemão Wilhelm (1895), o qual a partir de sua reconstrução despertou-se um novo interesse
em recriar as semelhanças dos indivíduos para uma variedade de propósitos, incluindo
pesquisas arqueológicas, históricas, autenticações e, mais recentemente, a identificação de
indivíduos desconhecidos (PARKS; RICHARD; MONSON apud COUTO, 2011).
Por conseguinte, técnicas primitivas de reconstrução facial datam do período Neolítico
(9000 a.C 3000 a.C) como uma verdadeira mistura de ciência e arte. Em Jericó, no Vale do
Jordão, habitantes tentaram reconstruir faces aplicando argila nos crânios secos de seus
mortos, como uma forma simbólica de culto aos seus antepassados (PARKS; RICHARD;
MONSON, 2013).
Com o desenvolvimento das técnicas de reconstrução facial e das artes plásticas, as
reconstruções atravessaram o campo da arqueologia, na reconstrução de faces pré-históricas, e
caminharam avidamente em direção as ciências forenses, nas reconstruções de faces humanas,
cujo crânio servia como matriz. Sua aplicação em casos forenses surgiu esporadicamente na
década de 1940, sendo popularizada por Krogman, que apresentou minuciosamente seu
método para a reconstrução facial em 1946 (ISCAN apud COUTO, 2011).
A técnica de reconstrução facial pode ser definida como ciência e arte de reconstruir
faces a partir de um crânio, proporcionando uma aproximação da face reconstruída da face do
suposto indivíduo desaparecido, corroborando para o seu posterior reconhecimento por
familiares e amigos e, possivelmente, sua identificação positiva.
O objetivo precípuo da reconstrução facial forense é recriar, com base no crânio, a
face do cadáver no momento da sua morte, com semelhanças suficientes para contribuir para
o seu reconhecimento e posterior identificação. Convém evocar que a reconstrução facial não
corresponde a uma fotografia do indivíduo vivo, mas pode ser considerada bem sucedida se
for realista o suficiente para produzir uma boa resposta do público, que conduza ao
reconhecimento do indivíduo (SHORT et al., 2014). Outrossim, a representação exata da face
11
em vida está longe do alcance das técnicas forenses, as quais utiliza apenas elementos
encontrados no crânio (COUTO, 2011).
Por fim, a reconstrução facial forense, indubitavelmente, não é um método de
identificação, e sim uma ferramenta utilizada para o reconhecimento. Espera-se que o fato de
tornar público o rosto reconstruído estimule os membros da família ou amigos a reconhecer o
rosto, gerando uma lista de suspeitos, dos quais o indivíduo pode ser então identificado
através da análise de DNA, arcada dentária ou outros métodos de identificação (SHORT et al.,
2014).
O estudo em tela visa destrinchar os métodos de reconstrução facial forense, bem
como os métodos de mensuração do tecido mole facial, seus pontos positivos, pontos
negativos, suas viabilidades nas reais conjunturas do corrente século e, concomitantemente,
discutir o grau de confiabilidade destes métodos e sua contribuição para o reconhecimento por
familiares, através de análise, pormenorizada, da literatura científica correlacionada ao tema.
12
2 REVISÃO DE LITERATURA
A identificação de restos humanos ainda é um constante desafio para as ciências
forenses. As principais técnicas científicas usadas para a identificação legal são baseadas na
comparação ante mortem de registros médicos ou odontológicos com os post mortem. Não
obstante, usando esses registros anteriores nem sempre é possível realizar tal identificação.
Além disso, dados pormenorizados do post mortem são inúteis se a comparação não puder ser
realizada com os dados coletados ante mortem (KROGMAN apud COUTO, 2011). Destarte,
há a necessidade de se dispor das técnicas de reconstrução facial, mais utilmente aplicada nos
casos em que restos humanos não têm identidade atribuível, a qual permite recriar o rosto de
um indivíduo por meio da reconstrução dos contornos dos tecidos moles a partir do crânio.
(ALMEIDA et al., 2013). Esta técnica pode ser o último recurso utilizado numa investigação
forense, quando as técnicas de identificação, tais como análise de DNA, arcada dentária,
impressões digitais e comparação radiográfica não poderem ser usadas para identificar um
corpo ou restos de esqueletos (SHORT et al.; 2014; VANEZIS, 200; SNOW, 1970;
GERASIMOV, 1971; PRAG, 1997).
Uma vez diagnosticados o sexo, a idade e as características morfométricas que levam a
ancestralidade, procede-se a localizar a espessura do tecido mole nos diferentes pontos
cefalométricos (VANRELL, 2009). Em suma, a reconstrução é obtida pela mensuração do
tecido mole facial através desses pontos que somente são visíveis no crânio seco.
Pesquisadores ao longo dos últimos 130 anos têm utilizado uma variedade de
tecnologias de coleta de profundidade dos tecidos moles faciais (por exemplo, punção com
agulha, ressonância magnética, ultrassonografia e tomografia computadorizada), utilizando
uma ampla gama de tamanhos e condições da amostra (por exemplo, vivo, morto e indivíduos
embalsamados), variados e díspares locais de marcos faciais e avaliações da diversidade de
grupos de população (PARCKS; RICHARD; MONSON, 2014).
Quanto à validade da técnica, há controvérsias entre os autores e estudiosos da área,
alguns afirmam que os métodos de mensuração da espessura dos tecidos moles da face são
tendenciosos e escassos de padronização e que as diretrizes de previsão de tecidos moles
quase todas que têm sido empregadas e publicadas sem qualquer evidência empírica formal
das relações anatômicas (STEPHAN, et al., 2003). Outros, por sua vez, demonstram o sucesso
da técnica em seus estudos através de identificações bem sucedidas. Cabe ressaltar que a
despeito do sucesso obtido em alguns casos sobre o potencial dos métodos de reconstrução
13
facial, sempre houve relutância na validação desses métodos, devido, especialmente, ao
inadequado controle e padronização das medidas de espessura dos tecidos moles da face
(COUTO, 2011).
Convém salientar que é unanime a opinião dos pesquisadores de que a confiabilidade
desta técnica depende da avaliação dos valores médios de espessuras de tecidos moles
observados numa determinada população (ALMEIDA et al., 2013).
Embora existam muitos autores que recomendem o uso da reconstrução facial
(SNOW; PRAG; GERASIMOV apud SHORT et al., 2014) sua precisão é controversa, e tem
sido questionada por diversos autores (KROGMAN; HOUSTON apud SHORT et al., 2014).
Reconstruções faciais precisas são aquelas que proporcionam com facilidade o
reconhecimento do indivíduo alvo (a pessoa à qual pertence o crânio) (SHORT et al., 2014).
Apesar de não ser uma forma de identificação positiva, a aproximação facial é uma
avenida frequentemente utilizada quando os métodos mais tradicionais não conseguem
produzir resultados (PARCKS; RICHARD; MONSON, 2013).
Hodiernamente, algumas técnicas de reconstrução facial estão em evidência.
Basicamente, as técnicas de reconstrução facial podem ser bidimensionais, através de
desenhos sobre a imagem radiográfica, e o retrato falado, ainda utilizado; tridimensionais,
como as esculturas modeladas em material plástico ou argila e as reconstruções feitas por
programas de computador, um método em constante crescimento.
14
3 MATERIAIS E METÓDOS
Os trabalhos científicos utilizados no presente estudo, compilados através de pesquisa
de literatura eletrônica, foram retirados de duas Bases de Dados, 13 deles da Base de Dados
SCIENCE DIRECT e 03 da Base PUBMED, totalizando 16 artigos. A maioria dos estudos
utilizados foi publicada na revista Forensic Science International. Uma filtragem temporal foi
realizada e o interregno de tempo selecionado foi do ano de 2000 até o ano corrente.
Utilizou-se como descritores três vocábulos:
Forensic Facial Reconstruction,
Forensic Facial Approximation e Forensic Facial Reconstitution.
Como critério de inclusão foram selecionados artigos que discorressem sobre as
variadas e discrepantes técnicas de Reconstrução Facial Forense e Mensuração do Tecido
Mole Facial, bem como o grau de confiabilidade de tais técnicas. Artigos que tratavam apenas
de aspectos meramente quantitativos concernentes as medidas da espessura tecidual da face
de indivíduos não brasileiros ou ainda sobre a reconstituição de regiões isoladas da face, como
o ápice nasal, o posicionamento dos olhos, dentre outros, foram descartados devido ao prolixo
aprofundamento do tema, os quais, eventualmente, contribuiriam para a fuga do escopo
precípuo deste estudo.
Outrossim, como auxiliar da pesquisa eletrônica utilizou-se a literatura manual, isto é,
livros relacionados ao tema foram utilizados para consubstanciar este estudo.
Os artigos compilados foram traduzidos para o português e dispostos em duas tabelas,
classificados de acordo com o título, autor, ano de publicação, revista, data de busca,
objetivo(s), metodologia e conclusão do autor (es).
15
4 RESULTADOS
Na primeira pesquisa eletrônica realizada na Base de Dados da PUBMED, foram
encontrados 16 artigos relacionados ao tema, destes, apenas 3 foram selecionados, pois
atendiam ao critério de inclusão descrito no item Materiais e Métodos. Uma nova pesquisa foi
realizada, desta vez na Base de Dados SCIENCE DIRECT, onde 68 artigos foram
encontrados, dos quais 13 foram selecionados, que também respondiam aos critérios de
inclusão previstos no estudo. Nenhum dos artigos era de acesso livre aos pesquisadores.
A maioria dos artigos selecionados foi publicado no periódico americano Forensic
Science International, entre os anos de 2000 a 2014, o que revela a recenticidade dos artigos.
Apenas 3 artigos foram publicados em periódicos diversos, um dos artigos no Jornal of
Forensic Sciences, em 2014, o outro no Journal Advences in Signal Processing, em 2012 e
um no periódico Science & justice: journal of the Forensic Science Society, no ano de 2003.
Apenas 3 estudos dos artigos compilados foram realizados com a população brasileira,
sugerindo a escassez de estudos relacionados ao tema, com indivíduos brasileiros. Os estudos
foram realizados no Estado de São Paulo, Guarulhos, nos anos de 2009, 2012 e 2013;
Duas tabelas foram confeccionadas a fim demonstrar os aspectos relevantes
concernentes aos estudos compilados. Título, autor(res), periódico e ano de publicação, bem
como data de busca e local de realização da pesquisa, constam na tabela 1.
A tabela 2, por sua vez, mostra a distribuição dos artigos de acordo com informações
relacionadas ao objetivo(s), metodologia e conclusão dos autores.
16
Tabela 1: Classificação dos artigos quanto ao Título da Obra, Autor, Revista/Data de
Publicação e Base de Dados.
TÍTULO
1- Facial reconstruction using 3-D
computer graphics.
2- Craniofacial reconstruction using a
combined statistical model of face
shape and soft tissue depths:
methodology and validation.
3- Facial soft tissue thickness in the
Brazilian population: new reference
data and anatomical landmarks.
4- Who is this person? A comparison
study of current three-dimensional
facial approximation methods.
5- Tests of one Brazilian facial
reconstruction method using three soft
tissue depth sets and familiar assessors.
6Anthropological
Facial
Approximation in Three Dimensions
(AFA3D):
Computer-Assisted
Estimation of the Facial Morphology
Using Geometric Morphometrics.
7- Facial approximation of 'angel': case
specific methodological review.
8- Craniofacial reconstruction based on
a hierarchical dense deformable model
9- Preliminary assessment of facial soft
tissue thickness utilizing threedimensional computed tomography
models of living individuals.
10Preliminary
performance
assessment of computer automated
facial approximations using computed
tomography scans of living individuals.
11- Validation of a computer modelled
forensic facial reconstruction technique
using CT data from live subjects: a
pilot study.
12- The affect of tissue depth variation
on craniofacial reconstructions.
13Anthropological
facial
'reconstruction-recognizing
the
fallacies, 'unembracing' the errors, and
realizing method limits.
14- Recognition by forensic facial
approximation: case specific examples
and empirical tests.
15-Facial soft tissue thickness of
Brazilian adults.
16- A novel method of automated skull
registration
for
forensic
facial
approximation.
AUTOR
REVISTA/DATA
DE PUBLICAÇÃO
BASE DE
DADOS
Vanezi, P; et al.
Forensic Science
International/2000
Science Direct
Claes, Peter; et
al.
Forensic Science
International/2006
Science Direct
de Almeida,
Natalie Haddad;
et al.
Forensic Science
International/2013
Science Direct
Decker,
Summer; et al.
Forensic Science
International/2013
Science Direct
Fernandes,
Clemente Maia
S; et al.
Forensic Science
International/2012
Science Direct
Guyomarc'h,
Pierre; et al.
Jornal of Forensic
sciences/2014
PubMed
Hayes, Susan.
Forensic Science
International/2014
Science Direct
Hu, Yongli; et
al.
Journal Advences in
Signal Processing/2012
Science Direct
Forensic Science
International/2014
Science Direct
Forensic Science
International/2013
PubMed
Short, Laura J;
et al.
Forensic Science
International/2014
Science Direct
Starbuck, John
M; Ward,
Richard E.
Forensic Science
International/2007
Science Direct
Stephan, C N
Science & justice
journal of the Forensic
Science Society/2003
PubMed
Stephan, C N;
Hennerberg, M.
Forensic Science
International/2006
Science Direct
Forensic Science
International/2009
Science Direct
Forensic Science
International/2005
Science Direct
Parks, Connie
L; Richard,
Adam H;
Monson, Keith
L.
Parks, Connie
L; Richard,
Adam H;
Monson, Keith
L.
TedeschiOliveira, Sílvia
Virginia; et al.
Turner, W D;
Brown, R E B;
et al.
17
Tabela 2: Classificação dos artigos quanto ao Autor, Objetivo, Metodologia e Conclusão do
Autor (res).
AUTOR
1.
Vanezi, P; et
al.
2.
Claes, Peter;
et al.
3.
Almeida,
Natalie
Haddad; et
al.
4.
Decker,
Summer; et
al
5.
Fernandes,
Clemente
Maia S; et
al.
6.
Guyomarc'h,
Pierre; et al.
OBJETIVO
MATERIAIS E
MÉTODOS
CONCLUSÕES DO AUTOR (RES)
Reconstruir uma face a
partir
de
gráficos
tridimensionais
computadorizados.
Utilização de softwares
para a reconstrução de
uma face.
- O software desenvolvido no estudo permite a
reconstrução mais precisa de um modelo facial;
- Deve haver uma melhoria na confiabilidade da
técnica de reconstrução facial, através da
realização de mais estudos na área a fim de
ampliar o campo das reconstruções faciais
digitais.
Eliminar as deformações
no
modelo
facial
reconstruído através de um
modelo facial flexível, cuja
modelagem de variação
depende da população e da
forma da superfície da pele
e da profundidade do
tecido mole da face
calculado a partir de uma
base de dados faciais.
- Aquisição da superfície
da pele em 3D e da
profundidade do tecido
mole facial, utilizando
dados sobre a idade,
sexo, ancestralidade e
IMC.
- Montagem do modelo
estatístico
para
o
esqueleto craniofacial do
indivíduo utilizando a
CT.
- Com o método estatístico apresentado no estudo
houve uma melhoria em termos de aceitabilidade
da reconstrução facial forense; e
- Propõem como solução para a colocação precisa
dos marcos faciais, sua extração automática do
crânio.
49 Medições, através do
método de punção com
agulhas, da espessura do
tecido mole facial de 100
cadáveres.
- Não se observou nenhuma diferença entre os
sexos e a profundidade facial do tecido mole;
- A inclusão de referências anatômicas adicionais
tem o potencial para estabelecer parâmetros da
espessura facial mais precisos;
- Mais estudos são necessários a fim de identificar
os elementos adicionais que poderiam servir de
informação útil a fim de melhorar a qualidade
desses dados populacionais.
Testar marcos tradicionais
e inovadores da espessura
do tecido facial de
cadáveres
adultos
brasileiros.
Comparar os resultados de
diferentes
métodos
utilizados
com
um
indivíduo
conhecido
através de um estudo cego.
Modelagem de uma face
em argila e modelagem
de uma face virtual, e
posterior
comparação
entre os dois métodos.
Reconstruir três faces
diferentes, digitalmente, de
sujeitos
brasileiros
e
avaliar as reconstruções
faciais digitais forenses,
comparando-as com fotos
do indivíduo alvo e outros
nove indivíduos.
Reconstrução de 3 faces
em tecnologia 3 D,
utilizando
TC;
30
pessoas participaram do
processo
de
reconhecimento
das
faces
- Demonstrou-se a variabilidade de aproximação
facial mesmo quando é feita por profissionais
experientes e se usa tecnologia de ponta;
- Os resultados enfatizam a necessidade de mais
investigação científica sobre as relações básicas
entre a espessura do tecido mole facial e o crânio
de indivíduos vivos e sobre diretrizes que podem
ser implementadas pelos praticantes.
- Foi possível alcançar o reconhecimento das
reconstruções faciais forenses digitais de um
indivíduo brasileiro, utilizando os três bancos de
dados de espessura de tecido mole facial.
- Os reconhecimentos corretos do sujeito-alvo
indicam que a reconstrução facial forense digital
realizada com os parâmetros utilizados neste
estudo, pode ser uma ferramenta útil.
Apresentar os métodos que
levaram
ao
desenvolvimento
do
programa de computador
Antropológico
de
Aproximação Facial em
3D (AFA3D) e a precisão
das
aproximações
Foram obtidas TC de 500
indivíduos franceses de
ambos os sexos, após
utilizou-se o AFA3D,
tecnologia que realiza de
forma estatística uma
estimativa da morfologia
facial
usando
morfometria geométrica,
- O programa do AFA3D é promissor, mas
precisa ser validado com amostras independentes;
- O modelo pode ser melhorado para ser capaz de
promover uma forma facial mais precisa, embora
sua versão atual já seja útil para o
reconhecimento;
- A integração de outros grupos para a amostra de
referência, juntamente com novos estimadores do
modelo (além de pontos craniométricos, o sexo, a
18
produzidas.
7.
Hayes,
Susan.
8.
Hu, Yongli;
et al.
9.
Parks,
Connie L;
Richard,
Adam H;
Monson,
Keith L.
combinando a estimativa
da profundidade do
tecido mole facial para
produzir uma nuvem de
100 marcos cutâneos que
se transformam em um
rosto
através
da
deformação de um único
modelo genérico.
idade e a corpulência), tornam possível a
transformação deste programa numa poderosa
ferramenta para a identificação forense.
- Pesquisas futuras devem se concentrar na coleta
de informações sobre a morfologia facial baseada
na arquitetura do crânio e material genético para
propor aproximações faciais mais precisas e
específicas.
Reconstruir a face de uma
mulher (Angel) com idade
aproximada entre 15 a 25
anos, a partir de seus restos
esqueletizados.
Utilizou-se um gráfico de
computador, com base
em
imagens
2D
ortogonais do crânio com
a incorporação de uma
anatomia baseada na
profundidade de tecido
mole para a reconstrução
da face da jovem mulher.
Conclui-se que a reconstrução digital feita pelo
estudo:
 facilita a entrada da colaboração da
polícia, bem como especialistas
forenses;
 envolve um contato mínimo com os
restos, evitando assim danos em
potencial e um risco de contaminação;
 utiliza
tecnologias
prontamente
disponíveis que são ao mesmo tempo
acessíveis e de fácil transporte para o
trabalho in situ onde os restos são
encontrados; e
 é baseada em evidências.
Validar o método de
reconstrução craniofacial,
onde a face é utilizada
como
amostra
para
construir
um
modelo
hierárquico deformável.
Reconstrução
craniofacial, através da
implementação de um
experimento
de
reconstrução
craniofacial, em que cada
crânio foi usado como o
crânio teste para a
reconstrução,
e
os
crânios de descanso e
faces são utilizados como
amostras para construir
um modelo deformável
hierárquico.
Os experimentos realizados no estudo revelam
que a reconstrução craniofacial com o modelo
hierárquico tem melhores resultados que um
único modelo global.
A pesquisa utilizou uma
amostra de 388 crânios
adutos,
onde
foram
coletados TC de todos os
crânios, e após isso,
modelos 3 D foram
confeccionados
para
posterior
comparação
com outros grupos.
- Conclui-se que a profundidade de tecido da
amostra do FBI é significativamente e
consistentemente maior do que os publicados pelo
Stephan ;
- Os resultados deste estudo sugerem que a
população americana atual tem, em média, o
tecido mole craniofacial mais espesso quando
comparado
com
estudos
publicados
anteriormente, se considerados separadamente ou
reunidos num único conjunto de dados;
- A profundidade dos tecidos moles craniofaciais
desempenha um papel fundamental no
desenvolvimento de uma aproximação facial
eficaz;
- Pode ser vantajoso para os profissionais de
Aproximação Facial Forense considerar o peso
crescente da população atual;
- O conjunto de dados apresentados neste estudo é
representativo dos adultos americanos modernos e
é, portanto, apropriado para utilização na
construção
de
aproximações
faciais
contemporâneas para esta população.
- Avaliar as diferenças da
profundidade do tecido
mole das amostras do FBI
e os publicados por
Stephan;
- Avaliar as diferenças
entre as profundidades de
tecido mole de dois
subconjuntos
com
características
demográficas similares da
amostra FBI e os relatados
por Rhine e Moore para
indivíduos
do
sexo
masculino
europeu
e
americanos de IMC normal
e obeso; e
- Contribuir para a
literatura existente e para
os conjuntos de dados nos
Estados
Unidos
de
profundidade de tecido
mole facial, de análise de
19
10.
Parks,
Connie L;
Richard,
Adam H;
Monson,
Keith L.
11.
Short, Laura
J; et al.
variação de peso secular da
população
adulta
dos
Estados Unidos, e ainda
para a padronização de
protocolos de pesquisa em
profundidade dos tecidos
moles.
- Avaliar o reconhecimento
de aproximações refácio;
- A reconhecibilidade da
CT- derivação de réplicas
da superfície da pele dos
mesmos indivíduos cujos
crânios foram usados para
criar as aproximações
refácio; e
- A relação entre o
desempenho
do
reconhecimento
e
classificações
de
semelhança
dos
indivíduos-alvo.
- Avaliar técnicas de
reconstrução facial 3 D
computadorizada usando
duas amostras de face e
quantitativamente
comparar os tecidos moles
da face reconstruída com a
face do indivíduo real
usando os softwares
CAD/CAM.
Realização
de
reconstruções
faciais
utilizando 2 métodos, o
refácio,
desenvolvido
pelo FBI e as réplicas
derivadas pela TC.
Realizou-se
duas
reconstruções faciais 3 D
computadorizadas,
utilizando
softwares
específico.
12.
Starbuck,
John M;
Ward,
Richard E.
- Analisar a gama de faces
normais humanas e a suas
variações associadas com o
peso corporal e suas
implicações
no
reconhecimento facial.
Três
reconstruções
faciais de um mesmo
crânio foram criadas
utilizando-se a média de
profundidade para rostos
esquálidos, normais e
obesos.
13.
Stephan, C
N
Expor as falácias que
permeiam a técnica de
Reconstrução
Facial
Forense.
Compilação de literatura
científica relacionada à
técnica de reconstrução
facial forense.
- Nas aproximações refácio não foram
consistentemente reconhecidas acima taxas de
chance de níveis estatisticamente significativos;
- Indivíduos não-alvo são identificados
incorretamente em níveis estatisticamente
significantes tão frequentemente quanto os
indivíduos-alvo;
- Quando comparadas com as réplicas das CT da
superfície da pele, o formato das aproximações
refácio deve ser reconsiderada.
- O uso do Procusto com sobreposição destacou
problemas em potencial com relação a
profundidade dos tecidos moles e a posição dos
marcos anatômicos.
- É fato que as variações da face humana
dificultam a criação de uma reconstrução facial
tridimensional;
- Quanto mais reconstruções de uma mesma face
melhor será a probabilidade de reconhecimento;
- Várias reconstruções que refletem a amplitude
da variação humana associada à constituição e
peso, podem melhorar o reconhecimento e a
identificação em investigações forenses;
- A criação de várias reconstruções faciais por
programas de computador facilitará e melhorará
em velocidade, custo e precisão o processo de
reconstrução.
- A técnica de reconstrução é útil para a ciência
forense, entretanto muitas falácias ainda
permeiam o tema;
- Mesmo que o método não seja confiável,
deveria ser empregado no momento oportuno, na
tentativa de identificar os restos mortais, pois a
tarefa de identificação é importante para aliviar a
preocupação da família em luto, e para ajudar na
apreensão dos agressores.
- Uma vantagem significativa do método de
aproximação facial encontra-se na sua capacidade
de gerar um grande interesse do público;
- É necessário aumentar a precisão e a
confiabilidade do método através de testes
20
14.
Stephan, C
N;
Hennerberg,
M.
15.
TedeschiOliveira,
Sílvia
Virginia; et
al.
16.
- Fornecer aos leitores um
exemplo de caso de
aproximação facial que
não obteve sucesso;
- Avaliar especificamente
a precisão da aproximação
facial.
- Avaliação de três
métodos de aproximação
facial no conjunto de
matriz de faces usadas
para o teste.
Um rosto 3D foi
construído pelo primeiro
autor, utilizando argila,
posteriormente, quinze
avaliadores
adultos
julgaram a semelhança
da aproximação facial
para o indivíduo-alvo,
dando uma nota de 0 a
10, selecionando o rosto
com a maior semelhança
para
utilização
nos
estudos
de
reconhecimento.
- Avaliar as medidas de
espessura do tecido mole
que cobre os marcos
anatômicos da face de
brasileiros adultos;
- Foi realizado medições
da espessura do tecido
mole facial, com agulha
gengival fina, em 40
cadáveres
no
Departamento
de
Verificação Técnica de
Mortes, em Guarulhos,
São Paulo;
-
Utilizou-se
Aumentar
a
para
a
científicos;
- Métodos de previsão de tecidos moles
empregados não foram testados com acurácia;
- O público deve tomar cuidado com o marketing
e manobras políticas empreendidas dentro da área
de reconstrução facial forense.
- As aproximações faciais apresentadas não
obtiveram sucesso;
- Há muito mais casos de insucesso de
aproximações faciais que os relatados pela própria
literatura;
- Testes empíricos de aproximação facial
estudados aqui ilustram que:
 Elevada
semelhança
não
necessariamente
proporciona
o
reconhecimento;

Reconhecimentos
corretos
da
aproximação facial foram raras;
 Os métodos de avaliação da face de
ordem sequencial são melhores em 3
comparações que em outros métodos de
avaliação e deve ser usado para
determinar a aproximação facial mais
acurada no futuro;
 Para o caso apresentado, o anúncio da
aproximação facial construída pelo
primeiro autor, logo após a sua
construção, pode ter resultado num
reconhecimento de sucesso, mas
provavelmente como resultado do acaso.
- Homens tiveram uma maior espessura de tecido
mole facial em comparação com as mulheres na
amostra estudada;
- A idade não foi significativa;
- As variações relacionadas ao estado nutricional
são proporcionais ao aumento da gordura facial e
não representam um fator determinante para a
técnica de Reconstrução Facial;
- Na amostra estudada, não houve diferença
significativa entre grupos étnicos quando
classificados pela cor da pele, no entanto, quando
comparados com os resultados obtidos com outras
populações houve diferenças perceptíveis;
- Valores de espessura dos tecidos moles
encontrados para os americanos de reconstrução
facial em brasileiros não resultará em uma
representação exata do indivíduo quando vivo,
porque a população brasileira é muito
heterogênea;
- Os valores de referência para as tabelas de
espessura de tecido mole facial obtidos por outros
países possuem diferenças que devem ser
consideradas, se aplicada à reconstrução facial de
indivíduos brasileiros;
- O uso das medidas obtidas neste estudo para a
reconstrução facial em nossa população levará a
resultados mais precisos que irão melhorar as
chances de reconhecimento e identificação
cadavérica.
- Observou-se as seguintes imprecisões do
21
Turner, W
D; Brown, R
E B; et al.
confiabilidade da técnica
de aproximação facial
forense utilizando um
banco de dados de TC para
as
medições
de
profundidade do tecido
mole facial.
reconstrução facial um
banco de dados de TC,
onde valores médios da
profundidade de tecido
mole
facial
foram
extraídos.
método de reconstrução facial forense com argila:
 As medidas de profundidade do tecido
mole facial são escassas;
 A localização dos marcos é imprecisa;
 O ângulo de penetração nos tecidos
moles é subjetivo.
- Tais imprecisões forçam o artista forense a
interpretações subjetivas e variadas da face
questionada.
- A ferramenta de software RE/face, gera
automaticamente um conjunto denso de marcos
objetivos entre o crânio questionado e um
conjunto de pares de face/crânio conhecidos,
proporcionando maior precisão das mensurações
da profundidade de tecido mole facial.
22
5 DISCUSSÃO
5.1 NOMENCLATURA
Uma discussão de grande repercussão entre os estudiosos da Reconstrução Facial
Forense é a questão do próprio nome que lhe é dado. A melhor nomenclatura para essa técnica
tem sido por vezes discutida, e alguns autores não concordam com o termo “reconstrução”,
preferindo “aproximação” facial forense. Nos países latinos americanos como o Brasil, o
termo comumente utilizado ainda é reconstrução facial, porém, é sabido que somente se
obtém com esta técnica uma face aproximada do indivíduo, apesar disso o potencial da
técnica não foi reduzido (COUTO, 2011).
Há ainda, uma minoria de estudiosos que afirmam que o termo “reconstrução”
consiste numa falácia, e que este termo já é usado para descrever outros procedimentos, como
o processo de remontagem de fragmentos do crânio (RHINE apud STEPHAN et al., 2003) e
os métodos de cirurgia médica (CONVERSE apud STEPHAN et al., 2003). "Reconstrução"
implica em exatidão (GEORGE apud STEPHAN et al., 2003), algo que os métodos atuais de
construção de faces de crânios não podem reclamar (mesmo que todo o processo tenha sido
testado empiricamente). O uso de tal nome, também induz a sensação de que o método é
altamente credível. Outros sinônimos, como "reprodução facial" (GEORGE apud STEPHAN
et al., 2003), produzem mesmo sensação. Estudiosos concordam que "aproximação facial" é o
termo mais apropriado, pois indica imprecisão (TAYLOR apud STEPHAN, 2003); Mas então
por que razão o termo “aproximação” ainda não foi utilizado? Porque parece que o termo
"reconstrução facial" é susceptível a gerar mais interesse pela sociedade, composta por parte
de indivíduos leigos que admiram a técnica porque realmente acreditam que de fato uma
reconstrução da face seja realizada. Observações como "Uau, você tem que ser muito
inteligente/experiente para ser capaz de fazer tão complexa tarefa em prol da ciência e da
justiça!”, não são incomuns. Claro que, se o termo "aproximação facial" fosse usado, em vez
de "reconstrução facial" menos admiração seria gerada, e os praticantes receberiam menos
fama e atenção (STEPHAN, 2003).
Em contrapartida ao pensamento supracitado, grande parte dos estudiosos da área
defende a utilização de ambos os termos, e que a técnica de maneira alguma se tornaria menos
profícua se o termo fosse substituído por aproximação facial, outrossim, afirmam que, de fato
a técnica apenas proporciona uma aproximação da face do indivíduo antes de sua morte.
23
A Reconstrução Facial é de grande valia nas investigações forenses, na ausência ou
escassez de outros dados. No entanto, é pouco provável que esta técnica proporcione uma
escultura exata da pessoa como era quando viva (TEDESCHI-OLIVEIRA et al., 2009).
Sobretudo, a terminologia “aproximação facial” parece ser a mais adequada para a
técnica, pois é fato que uma face não pode ser reconstruída, apenas uma aproximação é
obtida. Além disso, levando em consideração a acepção da palavra reconstrução, que significa
“construir novamente”, tende-se a acreditar que uma face será literalmente refeita, isto é,
reconstruída com um elevado grau de semelhança da face real, o que, definitivamente, não
acontece não na técnica, tendo em vista a subjetividade dos métodos que a envolvem e a
escassez de estudos concernentes ao assunto. É justamente devido a tal subjetividade que a
técnica apenas possibilita o reconhecimento por familiares e parentes, e não a identificação
em si, sendo esta possível somente após um reconhecimento positivo.
Sem sombra de dúvidas, independente de sua nomenclatura ou do grau de
aproximação que a reconstrução ofereça do suposto indivíduo-alvo, a reconstrução facial
forense avança, avidamente, em busca da validação científica de suas técnicas. Atualmente,
ocupa considerável destaque em mesas de debates dos estudiosos forenses, em livros e
periódicos de ciência forense, em conferências, seminários e congressos das áreas de
Medicina e Odontologia Legal.
5.2 TÉCNICAS DE RECONSTRUÇÃO FACIAL FORENSE
A finalidade de uma reconstrução é desencadear o processo de reconhecimento para
verificar se o nome pode ser remetido à face. Quando isto for alcançado, em seguida, pode-se
proceder a uma identificação mais definitiva utilizando dados comparativos ante mortem.
Antes de tentar a reconstrução, é necessário fazer uma avaliação geral do crânio, com relação
à idade, raça, sexo. Além disso, algumas características do indivíduo como sua estatura,
podem ser determinadas a partir do exame do esqueleto pós-craniano e outros achados
associados, tais como o vestuário e o calçado. Além disso, é imprescindível a realização de
um exame acurado do crânio, à procura de assimetrias, daí a necessidade de mensurações
bilaterais, traços de ancestralidade e outros recursos que possam ser suficientemente
discriminatórios os quais irão ajudar na reconstrução (VANEZI et al., 2000).
Além do estudo qualitativo do crânio e de outras peças do esqueleto, faz-se necessário
um estudo antropométrico, o qual envolve tanto a craniometria quanto a prosopometria, onde
24
medidas da face são estudadas a fim de conceder informações, sobre a morfologia
craniofacial.
Na antropometria direta, as mensurações são realizadas diretamente no indivíduo por
meio de alguns instrumentos indispensáveis como: paquímetro, fita métrica ou a punção de
agulha; na indireta as medidas são colhidas por meio de fotografias, cefalometrias do perfil do
tecido mole e imagens computadorizadas (COUTO, 2011).
Muitos estudos têm sido realizados para quantificar as mensurações da espessura do
tecido mole facial. Para isso, a localização precisa dos pontos craniométricos torna-se
imprescindível. Quanto maior for o número de pontos verificados, mais precisamente forem
colocados os pontos e quanto maior for a população, maior confiabilidade pode ser atribuída a
reconstrução (TURNER et al., 2005).
A confiabilidade desta técnica depende diretamente da avaliação dos valores médios
de espessuras de tecidos moles observados numa determinada população. Há vários relatos
de sucesso em identificação humana que continuam usando a Reconstrução Facial como
técnica auxiliar. No entanto, sua confiabilidade pode ser prejudicada pela falta de registros
sobre a espessura do tecido mole de uma determinada população (TEDESCHI-OLIVEIRA et
al., 2009).
As diretrizes subjetivas de mensuração de profundidades do tecido mole facial e
medidas já realizadas que continuaram inalteradas por séculos, sem qualquer desenvolvimento
de novas pesquisas, são óbices que tornam a validação da técnica um tanto artificial
(STEPHAN, 2003).
Outro ponto, merecidamente frisado, é a questão da miscigenação brasileira, uma vez
que a padronização de medidas é utópica. De fato, o Brasil tem uma das populações mais
heterogêneas do mundo (PENA, 2008). A grande variabilidade das características físicas torna
difícil atribuir a um grupo de indivíduos em particular uma determinada característica, embora
a maioria das características físicas seja quantitativa (TEDESCHI-OLIVEIRA et al., 2009).
Existem, atualmente, três técnicas de reconstrução facial forense, a Bidimensional
(2D); a Tridimensional (3D) manual; e a Tridimensional 3D computadorizada.
A técnica bidimensional pode ser caracterizada por desenhos, realizados a partir de
uma radiografia ou fotografia do indivíduo, ou ainda por meio de retrato falado, muito
utilizado nos tempos de outrora, construído a partir dos relatos pormenorizados de
testemunhas oculares.
A técnica tridimensional poderá ser computadorizada ou manual. Esta através de
escultura confeccionada com material plástico ou argila; aquela por computação gráfica, onde
25
conhecimentos adicionais ao praticante da técnica, relacionados a softwares de computadores,
bem como uma equipe multidisciplinar trabalhando em concomitância, são imprescindíveis.
Três métodos podem ser utilizados na técnica 3D manual (COUTO, 2011):
1. Método americano, em que o crânio é usado como uma base sobre a qual se
aplica material de modelagem, esculpindo-se os tecidos moles, utilizando-se
determinadas relações anatômicas obtidas durante estudos antropológicos do
crânio e da profundidade dos tecidos;
2. Método russo, em que os músculos faciais são definidos e modelados em suas
inserções um a um sobre o crânio; e
3. Método combinado ou de Manchester, que consiste na mesclagem das duas
técnicas descritas acima.
Vários métodos manuais em 3D para reconstrução facial foram desenvolvidos e são
utilizados atualmente na prática. Estas reconstruções, como já fora dito, consistem na
modelagem física de um rosto numa réplica do crânio (crânio-alvo) com barro ou plasticina.
Entretanto, os métodos de reconstrução manual exigem muita perícia, modelagem anatômica
e artística e seu resultado é altamente subjetivo. Além disso, estas reconstituições tomam
grande quantidade de tempo e, na maioria das vezes limita-se a uma única reconstrução
(CLAES et al., 2006).
Para reduzir o tempo da reconstrução e eliminar preconceitos subjetivos, diferentes
métodos de reconstrução craniofaciais feitos por computador têm sido propostos (HU et al.,
VANEZIS, 1989; PAYSAN, 2009). As imagens tridimensionais (3D) de computador agora
estão permitindo que especialistas de aproximações faciais possam ir além dos modelos
tradicionais de barro para criar modelos virtuais computadorizados de estruturas anatômicas
(DECKER et al., 2013). Em comparação com métodos manuais, a automação da aproximação
facial oferece maior objetividade e a possibilidade de padronização (GUYOMARC’H et al.,
2014).
Um grande número de estudos de precisão avaliando métodos de reconstrução 3D
manuais têm sido realizados (SNOW; GERASIMOV; WILKINSON; QUATREHOMME
apud SHORT, et al., 2014). Para simplificar o processo, a avançada reconstrução em
tecnologia computadorizada e imagem 3D craniofacial têm levado ao desenvolvimento de
técnicas de reconstrução 3D computadorizada. Estes sistemas podem ser mais eficientes e
permitem possíveis variações na reconstrução (MOSS; VANEZI apud SHORT et al., 2014).
Num estudo realizado por Turner et al. concluíram que varias fontes de imprecisão
foram observadas nas reconstruções faciais forenses a base de argila, como medições escassas
26
de profundidade, colocação imprecisa de marcos e ângulo impreciso de penetração nos
tecidos moles, os quais forçam o artista forense a interpretações subjetivas e variadas do rosto
questionado (TURNER apud FERNANDES et al.; 2012). Métodos baseados em computador,
por outro lado, são consistentes e objetivos. Além disso, estes métodos podem executar num
curto período de tempo, múltiplas reconstruções da face a partir de um mesmo crânio, usando
diferentes hipóteses de modelação. Os métodos atuais computadorizados de reconstrução
facial diferem principalmente pela seleção de pontos de referência ou características do crânio
utilizadas para deformar o modelo para um determinado crânio-alvo (CLAES et al., 2006).
Uma das vantagens que a Tecnologia da Informação (TI) tem sobre os métodos
manuais de escultura é que não há necessidade de um molde do crânio. O método de obtenção
de uma imagem do crânio não é invasivo e nem destrutivo, e por isso o crânio original pode
ser utilizado mais de uma vez, a única exigência necessária é que ele seja rodado sobre uma
plataforma e um feixe de raios laser seja projetado sobre ele. Uma vez que isto tenha sido
completado, em seguida, o crânio pode ser armazenado com segurança (VANEZI et al.,
2000).
Em 2010, na Floresta Estadual de Belanglo, Austrália, foram encontrados os restos
esqueletizados de uma jovem mulher. Um ano depois da descoberta, o caso tornou-se público,
ficando conhecida como Angel, em virtude da imagem de um coração com asas de um anjo
presente na veste da desconhecida. Partiu-se, destarte, para a reconstrução facial. O método
utilizado foi a computação gráfica, com base em imagens 2D ortogonais do crânio e a
incorporação de uma anatomia baseada nas medidas de profundidades do tecido mole. As
principais vantagens desta abordagem foram a facilidade da entrada e colaboração da polícia,
bem como especialistas forenses; a possibilidade de um contato mínimo com os restos,
evitando assim danos de maior potencial de contaminação; e a utilização de tecnologias
prontamente disponíveis que são ao mesmo tempo acessíveis e de fácil transporte para o
trabalho in situ com os restos esqueletizados. A despeito dos esforços envidados, apenas
pistas sobre a identidade da jovem surgiram, e até o momento da publicação deste estudo, não
houve nenhuma identificação ou ainda reconhecimento da vítima (HAYES, 2014).
Um software desenvolvido por Vanezi et al. (2000) chamado de Facial Reconstruction
(FR) oferece facilidades na disposição correspondente dos marcos entre a face e o crânio e na
realização da reconstrução usando um conjunto predefinido de espessuras de tecido (fino,
médio ou grosso) (VANEZI et al., 2000). O sistema permite uma colocação mais precisa de
um modelo facial para determinado crânio, o que determina com mais precisão a forma facial
da imagem a ser reconstruída. O sistema foi projetado para tornar o processo de realização de
27
uma reconstrução tão linear quanto possível, permitindo o operador refinar uma reconstrução
com base na experiência e ver os efeitos com o toque de um botão. Características
importantes do sistema incluem (VANEZI et al., 2000):

Capacidade de girar objetos em tempo real;

Possibilidade de zoom-in e zoom-out em objetos em tempo real;

Capacidade de ver objetos a partir de três pontos de vista diferentes ao mesmo tempo
(por padrão: perfil esquerdo, anteroposterior e perfil direito) a fim de auxiliar na
colocação de marcos;

Capacidade de reposicionar os marcos usando um mouse para arrastá-los de uma
posição para outra;

Possibilidade de identificação de pontos de referência simplesmente movendo o cursor
do mouse sobre eles;

Capacidade de observar um marco no crânio em três dimensões, incluindo a direção
na qual ele aponta;

Possibilidade de alteração da direção de um marco do crânio usando o mouse;

Possibilidade de alfa-mistura, isto é, visão mista, que permiti o operador ver onde os
marcos do crânio estão em relação ao rosto reconstruído; e

Possibilidade de armazenar rostos com seus marcos faciais, de modo que as faces
marcadas anteriormente possam ser reutilizadas.
Apesar das evoluções significativas durante os últimos 15 anos, (TU; PARKS apud
GUYOMARC’H et al., 2014), ainda não existe uma ferramenta assistida por computador de
aproximação facial que seja mundialmente aceita pela comunidade forense (GUYOMARC’H
et al., 2014). Entretanto, é certo que o futuro da técnica de aproximação facial por meio de
programas de computador é promissor (ALMEIDA et al., 2013).
Seja qual for o método de reconstrução utilizado, a questão central é saber se a face é
semelhante o suficiente da face original a ponto de permitir um reconhecimento (VANEZI et
al., 2000). Além disso, o resultado de uma reconstrução é geralmente determinado pela
experiência dos profissionais, sendo os métodos apenas um subsídio (HU et al., 2012).
A reconstrução facial forense computadorizada caminha a passos largos e em breve
será amplamente utilizada pelos profissionais da área. Possibilidade de confecção de várias
reconstruções provenientes de um mesmo crânio, celeridade nas reconstruções, garantia de
preservação do crânio e possibilidade de ajustes na reconstrução são vantagens desta técnica
promissora; em contrapartida, a exigência de conhecimento, bem como treinamento
28
concernente à área de sistemas de informação (prioritariamente, no que tange a softwares
desenvolvidos especialmente para a técnica); e computadores com alto poder de
processamento e memória, são imprescindíveis à técnica; inviabilizando, em virtude do
caráter oneroso, sua utilização pelo sistema de defesa público.
Por sua vez, a reconstrução facial realizada pelo método manual é muito utilizada
atualmente nos departamentos de polícia, em virtude do seu baixo custo. Entretanto, a
necessidade de um feelling artístico por parte do profissional, o excessivo tempo gasto e a
possibilidade de uma única reconstrução limitam em demasia a técnica;
5.3 MÉTODOS DE MENSURAÇÃO DA ESPESSURA DO TECIDO MOLE FACIAL
Após diagnosticar o sexo, a idade a as características morfométricas que levam à
ancestralidade, procede-se a localização da espessura do tecido mole nos diferentes pontos
craniométricos, quer seja em moldagens de gesso feitas a partir do crânio original ou através
de imagens digitalizadas, levando em consideração de acordo com o sexo, compleição física
(delgado, atlético, obeso) e filiação racial (VANRELL, 2009). A espessura do tecido mole
medido no crânio é a base para a reconstrução craniofacial (HU et al., 2012).
Como explanado anteriormente, a mensuração da profundidade tissular é possível
através dos pontos craniométricos. Numa reconstrução tridimensional manual, os pontos
craniométricos marcam-se no crânio, com o auxílio de algum material indeformável, os quais
são calibrados de acordo com a espessura do tecido mole. Após a instalação dos marcos, é
necessário ter cuidado para que os mesmos não sejam deslocados do seu lugar de origem, haja
vista que isto provocaria uma série de erros que acabariam oferecendo uma grosseira escultura
que nada teria haver com a realidade (VANRELL, 2009).
Alterações tanatológicas, a posição horizontalizada do cadáver e a dificuldade de
padronização da localização dos pontos craniométricos são fatores que interferem em demasia
na credibilidade da técnica de reconstrução facial. Até mesmo nas técnicas de mensuração
digitais, que envolvem, por exemplo, TC, dificuldades podem surgir. Alguns estudiosos
afirmam que TC e RM em pessoas vivas tendem a resultar em valores mais baixos para
pontos na linha média e valores mais elevados para os pontos bilaterais, provavelmente por
causa da posição supina do paciente (STEPHAN apud ALMEIDA et al., 2013).
Segundo Hu et al.(2012) a maioria dos métodos atuais utiliza a espessura do tecido
mole de um conjunto de pontos de referência do crânio para a reconstrução craniofacial, mas
29
tal método não é considerado uma abordagem ideal para modelar a relação entre rosto e
crânio.
Métodos contemporâneos de mensuração da profundidade do tecido mole facial
empregam a localização pelo Ultrassom, Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância
magnética (RM) (STEPHAN apud STARBUCK; WARD, 2001).
A literatura relata cinco diferentes métodos de mensuração da profundidade do tecido
mole facial:

Punção com agulhas em cadáveres;

Ultrassonografia;

Cefalometria;

Tomografia Computadorizada (TC); e

Ressonância Magnética (RM).
O primeiro método criado, ainda hoje utilizado e consagrado na literatura é o de
punção com agulhas em cadáveres. No passado, a mensuração média da espessura do tecido
mole facial foi baseada em pesquisas na qual um objeto pontiagudo era usado para penetrar na
face de um cadáver em marcos faciais específicos, onde a posteriore, realizava-se a
mensuração para determinar a profundidade tissular naquela área (STARBUCK; WARD,
2001).
Inicialmente, Welcker, pesquisador da área, obteve uma base de dados de espessuras
dos tecidos usando uma lâmina, a qual era cravada na pele do cadáver, em diversos marcos
anatômicos (násio, gônio etc.), medindo-se posteriormente a profundidade de penetração da
lâmina. Essa técnica foi aperfeiçoada por His, onde as lâminas foram substituídas por agulhas
(COUTO, 2011).
Medir a espessura dos tecidos moles da face tem as suas limitações, mas a facilidade
de obtenção das medidas através de punção tem permitido que este método suportasse o
desenvolvimento de métodos mais avançados tecnologicamente, como pode ser visto nas
publicações recentes (SIMPSON, HENNEBERG; DOMARACKI apud, TEDESCHIOLIVEIRA et al., 2009). Até meados da década de 1980, todos os estudos para determinar a
profundidade dos tecidos só usavam a técnica de punção de agulhas em cadáveres (COUTO,
2011).
Numa pesquisa realizada em 2009, com brasileiros adultos, utilizou-se 40 cadáveres
do Departamento de Verificação Técnica de Morte, na cidade de Guarulhos, São Paulo, os
30
quais tinham menos de 12 horas de morte para que não se instalasse qualquer processo
tanatológico mediato, e, por conseguinte, não alterasse o tecido mole facial. As medições
foram feitas através da punção da pele com agulhas dentais finas de aço inoxidável com um
marcador de silicone. As agulhas foram introduzidas em pontos anatômicos previamente
localizados perpendicularmente à pele até que se encontrasse resistência óssea, sem apertar ou
deformar o tecido, em seguida, o espaço entre a agulha e a base da pele era mensurado.
Agulhas numeradas foram utilizadas para cada um dos pontos avaliados a fim de evitar
quaisquer resultados ambíguos. Esta metodologia tem sido alvo de críticas (TYRRELL;
JONES apud TEDESCHI-OLIVEIRA et al., 2009), porque é tipicamente usada em cadáveres,
podendo deformar os tecidos devido à pressão sobre a pele quando perfurada pela agulha. De
acordo com a pesquisa, o método de punção, no entanto, permite que as medições sejam feitas
em qualquer ponto da face com instrumentos simples e não expondo o examinador à radiação.
Por fim, Tedeschi-oliveira et al., (2009), concluíram que:

Há dificuldades de localização dos pontos craniométricos sobre o tecido correspondente;

As diferenças na espessura dos tecidos faciais relacionadas ao sexo, idade, etnia e estado
nutricional têm sido apontados como as deficiências da técnica de reconstrução facial;

Quanto ao sexo, os resultados indicam que homens tiveram maiores espessuras do tecido
mole facial em comparação com as mulheres na amostra estudada;

A idade não foi significativa;

As variações relacionadas ao estado nutricional são proporcionais ao aumento da gordura
facial e não representam um fator determinante para a técnica de reconstrução facial;

Não houve diferença significativa entre grupos étnicos quando classificados pela cor da
pele, no entanto, quando comparados com os resultados obtidos de outras populações
houve diferenças perceptíveis, porque a população brasileira é muito heterogênea e mista;

A grande variabilidade étnica da população brasileira dificulta a padronização das
características físicas.

O uso de medidas no estudo em tela, para a reconstrução facial em nossa população,
levará a resultados mais precisos que irão melhorar as chances de identificação de um
cadáver.
Algumas investigações (ALMEIDA et al. apud RHINE; CAMPBELL, 1989;
BISHARA et al., 1998) usaram cadáveres embalsamados para realizar medições de espessura
faciais, e obtiveram bons resultados. Além disso, Stephan e Simpson et al. (2003), em revisão
31
publicada sobre a profundidade dos tecidos moles faciais, afirmam que quaisquer desvios
sistemáticos decorrentes da utilização de cadáveres (se existirem) não são fortes o suficiente
para sobrepujar preconceitos por causa de outras variáveis (HASHIM; ALBARAKATI apud
ALMEIDA et al., 2013).
Em outra pesquisa recentemente realizada (2013), no Instituto Médico Legal de
Guarulhos, São Paulo, com indivíduos brasileiros, a espessura do tecido mole facial de
cadáveres também foi analisada através da técnica de punção com agulhas. Os autores
afirmam que alterações tanatológicas, indiscutivelmente, limitam tal técnica, e, portanto, a
definição de um tempo máximo post-mortem para realizar tais medidas é de suma
importância. O ideal é que essas medições sejam realizadas o mais rapidamente possível após
a morte; no entanto, alguns procedimentos legais e burocráticos devem ser concluídos antes
dos cadáveres serem disponibilizados para pesquisa. Esta técnica também tem sido criticada
pelo fato de que a posição horizontal de cadáveres pode distorcer a espessura do tecido mole
(STARBUCK; WARD apud ALMEIDA et al., 2013), pela dificuldade de padronização da
localização dos pontos de craniométricos, bem como pelo ângulo de inserção da agulha, os
quais são considerados uma limitação da técnica. Em geral, segundo os pesquisadores, não se
observou nenhuma diferença de profundidade do tecido mole facial entre os sexos; o crânio
não indica o IMC de uma pessoa, assim, é preciso confiar em evidências encontradas na cena
do crime, tais como cintos, calças, e outros objetos que possam indicar a compleição física; a
inclusão de referências anatômicas adicionais potencializa o estabelecimento de parâmetros
de espessuras faciais mais precisas para aplicar nas reconstruções faciais em cadáveres no
Brasil. Por fim, mais estudos são necessários a fim de identificar os elementos adicionais que
poderiam conceder informações úteis para melhorar a qualidade desses dados populacionais.
(ALMEIDA et al., 2013).
A indicação de marcos no crânio feito manualmente precisa de certo nível de perícia.
Além disso, a introdução de erros adicionais no procedimento de ajuste da reconstrução reduz
a qualidade da mesma (CLAES et al., 2006).
Existe uma tabela de referência disponível no Brasil, que é composto por 10 pontos da
linha média e 11 pontos anatômicos bilaterais; no entanto, esta tabela foi criada usando uma
amostra de indivíduos na sua maioria idosos (TEDESCHI-OLIVEIRA apud ALMEIDA et al.,
2013). Não podendo, portanto, ser utilizada para indivíduos em geral.
É fato que a dificuldade de localização exata dos pontos craniométricos sob o tecido
subjacente, a relatividade do ângulo de inserção da agulha e eventuais modificações
tanatológicas tornam a Técnica de Reconstrução Facial Forense um tanto subjetiva. Ademais,
32
a exiguidade de estudos que envolvem a busca de dados relacionados à espessura facial
prejudica, sensivelmente, a confiabilidade da técnica.
A radiografia Cefalométrica, também denominada de Radiografia lateral do Crânio,
muito usadas no campo da Ortodontia, possibilitam a mensuração do crânio e da face, a
visualização do tecido mole e o padrão de crescimento da face. Tal método exige que uma
série de condições sejam respeitadas para que não haja distorções significativas que interfiram
no processo de reconstrução facial. Uma destas condições inclui a distância, cuja
preconização é da fonte de raios X até o plano sagital da cabeça de aproximadamente 1,52m,
com feixe central dos raios X incidindo perpendicularmente ao plano sagital mediano ou
perpendicularmente ao plano frontal e a cabeça perfeitamente posicionada no cefalostato, para
que não haja superposições das estruturas anatômicas bilaterais (COUTO, 2011).
Pesquisas anteriores (STEPHAN; SIMPSON; LEE; WILKINSON apud PARKS;
RICHARD; MONSON, 2014) sugeriram que as técnicas de digitalização supina podem
causar distorções de posição e criar a aparência de um tecido mais espesso nas regiões
posteriores do rosto e pescoço (PARKS; RICHARD; MONSON, 2014).
Outro fator relevante a ser considerado é que tal método permite apenas a obtenção de
espessuras tissulares encontradas somente na linha média da face, já os pontos bilaterais não
podem ser vistos. Sobretudo, técnicas de diagnóstico por imagem não são invasivas e sem
dúvida são mais precisas. Esses exames, no entanto, nem sempre são isentos de riscos de
radiação e não é possível reunir dados de todos os pontos necessários para as técnicas de
reconstrução facial sem aumentar o tempo de exposição à radiação em pacientes que estão
sendo examinados para qualquer patologia. (COUTO, 2011).
Por sua vez, ultrassonografia foi usada pela primeira vez em 1979, ao contrário de
métodos anteriores já descritos, esta técnica apresenta um grande número de vantagens
significativas, especialmente porque permite estudos em populações amostrais maiores, sem
risco a saúde do indivíduo vivo, e, concomitantemente, oferecendo uma grande quantidade de
informações (COUTO, 2011). Assim como os outros métodos, há dificuldade de localização
dos pontos craniométricos, o que possivelmente, provoca imprecisão na coleta das medidas.
Outro exame radiográfico usado para mensurar a profundidade tissular facial é
Tomografia Computadorizada (TC), cuja principal vantagem consiste em fornecer
informações de tecidos duros e moles sem a sobreposição de estruturas. Esta quando
associada à computação gráfica, possibilita a reconstrução tridimensional das estruturas,
aperfeiçoando a mensuração dos tecidos moles da face (COUTO, 2011).
33
É perceptível que o número de pesquisas (VANEZI et al., 2000; PARCKS;
RICHARD; MONSON, 2013/2014; DECKER et al., 2013; HU et al., 2012; CLAES et al.,
2006; FERNANDES et al., 2012; SHORT et al., 2014; GUYMARC’H et al., 2014), que
envolvem reconstruções faciais baseadas em mensurações de tecido mole por tomografia
computadorizada têm crescido acentuadamente.
Atualmente, banco de dados contendo TC de crânios estão sendo feitos para otimizar
as reconstruções faciais forenses. Hu et al. (2012), construíram um banco de dados a partir de
imagens de tomografia de cabeça, onde cada protótipo de amostra do banco de dados consistia
em uma superfície do crânio e uma superfície da face, ambos extraídos de imagens de TC.
Novas abordagens têm utilizado a TC e o ultrassom para recolher com mais precisão
as profundidades dos tecidos em seres vivos, entretanto como fator desvantajoso tem-se a
coleta limitada de pontos característicos (normalmente em torno de 20 a 30) (TYRRELL apud
COUTO, 2011).
Outro fator desvantajoso a ser considerado é a exigência da técnica da posição supina
durante o processo de digitalização. Tal posição pode gerar distorções significativas que
complicam a avaliação e potencialmente contribuem para dificultar o processo de
reconhecimento (PARKS; RICHARD; MONSON, 2013). Segundo Claes et al. (2006), as
imagens de TC são adquiridas de indivíduos em uma posição supina horizontal, como
resultado, devido a forças gravitacionais, as formas faciais extraídas a partir destas imagens
são diferentes da forma facial típica vista na posição vertical.
O fator radiação também constitui um dos óbices nas mensurações de tecido mole por
TC. Short et al. (2014) defendem que não é ético obter exames tomográficos de grupos de
pacientes sem nenhum benefício clínico.
Indiscutivelmente, maiores precisão e acurácia são obtidas por meio da TC. Não
obstante, trata-se de uma técnica dispendiosa e nem sempre disponível (COUTO, 2011).
A técnica de mensuração da profundidade tissular que utiliza Ressonância Magnética
(RM), em indivíduos vivos tem sido alvo de grandes discussões. Além de ser uma técnica que
confere grande precisão as medidas, não apresenta risco algum de radiação aos sujeitos da
pesquisa.
Seu funcionamento consiste na digitalização de uma face e captura de imagens numa
série de fatias em 2D que são armazenadas digitalmente numa corrente de valores em escala
de cinza. Há um contraste perceptível entre o tecido mole e o osso subjacente (COUTO,
2011).
34
A RM proporciona um acentuado aumento na confiabilidade da técnica, porém
desvantagens como a dificuldade de automatizar o processo de localização dos pontos
craniométricos e o caráter oneroso da técnica inviabilizam sua utilização pelos departamentos
de polícia.
A mensuração da profundidade dos tecidos moles craniofaciais desempenha um papel
fundamental no desenvolvimento de uma aproximação facial eficaz (PARKS; RICHARD;
MONSON, 2014). Todas as técnicas apresentam erros de medição semelhantes, não há
nenhuma maneira confiável para dizer qual o método que melhor reproduz a verdadeira
espessura de tecidos moles em humanos (STEPHAN apud ALMEIDA et al., 2011). Desse
modo, observa-se que todas as metodologias para medir as profundidades dos tecidos moles
sobre a face apresentam limitações, técnicas ou financeiras (COUTO, 2011).
5.4 LIMITAÇÕES DA TÉCNICA DE RECONSTRUÇÃO FACIAL FORENSE E SUA
REPERCUSSÃO NA VALIDAÇÃO DOS MÉTODOS ENVOLVIDOS
As principais críticas das atuais técnicas de Aproximação Facial Forense incluem: a
subjetividade inerente aos métodos manuais, falta de padronização, a escassez de estudos
relacionados ao tema, e as correlações pobres entre estruturas ósseas faciais e características
dos tecidos moles da face, o que limita a precisão da estimativa (TYRRELL; STEPHAN;
VERZ; ULLRICH; STEPHAN apud GUYOMARC’H et al., 2014).
Grande parte dos problemas com a técnica de reconstrução facial reside na base de
dados das profundidades dos tecidos (COUTO, 2011).
Stephan (apud TURNER, 2005) afirmam que quase todas as diretrizes de previsão de
tecidos moles têm sido empregadas e publicadas sem qualquer evidência empírica formal para
as relações anatômicas. O autor pontua limitações importantes que tornam os métodos
tradicionais de aproximação faciais improváveis para gerar anatomias faciais precisas e,
portanto, faces que podem ser reconhecidas corretamente:
 Diretrizes subjetivas de previsão de tecidos moles empiricamente testados ainda
formam a base fundamental do processo de "reconstrução" facial, como fizeram no
passado;
 Profundidade média dos tecidos moles desenvolvidos no final de 1800, estão
essencialmente inalterados e são utilizados até hoje, embora os métodos de coleta de
dados já tenham sido refinados;
35
 "Reconstruções" faciais foram construídas por anos usando métodos não testados,
sendo usado como justificativa, pelos praticantes, apenas as "taxas de sucesso";
 Os artistas plásticos se envolveram no método de aproximação facial porque alguns
cientistas não possuíam habilidade suficiente para construir um rosto realista. Isso
levou a artistas construírem os rostos juntamente com cientistas, supostamente, estes
olhando por cima de seus ombros para garantir que os métodos estivessem sendo
rigorosamente aplicados;
 A maior parte do tecido mole da face não está diretamente associados ao crânio que,
por sua vez faz sua previsão problemática, talvez até impossível.
Oliveira et al. (2009) afirmam que há vários relatos de sucesso de identificação humana
que continua usando a Reconstrução Facial como técnica auxiliar. No entanto, sua
confiabilidade pode ser prejudicada pela falta de registros sobre a espessura do tecido mole de
uma determinada população. Esses registros são baseados na idade óssea, sexo biológico e
características étnicas.
A principal base do processo de reconstrução facial forense é a mensuração da espessura
do tecido mole facial, e esta só pode ser considerada precisa se os pontos craniométricos
forem corretamente identificados, outrossim, quanto mais pontos forem identificados mais
semelhante será a face reconstruída da face real.
Na técnica de punção de agulha em cadáveres para mensuração da profundidade tissular,
fatores como: dificuldade de padronização da localização dos pontos craniométricos e o
ângulo de inserção da agulha podem ser considerados uma limitação da técnica que utiliza
esta metodologia (ALMEIDA et al., 2013).
Stephan e Simpson analisaram 66 estudos de medidas de profundidade dos tecidos
moles, e encontraram uma série de inconsistências como a atribuição subjetiva de idade, peso
corporal, afinidade populacional, a falta de padronização nas definições dos marcos e da
identificação, e erros no conjunto de reprodução de dados (HAYES et al., 2014).
No ensejo, alguns fatores como o sexo, a idade, o estado nutricional e a ancestralidade
influenciam no processo de reconstrução facial, pois estão diretamente relacionados com a
espessura do tecido mole. A forma dos órgãos faciais também constituem fatores de suma
relevância no processo de reconhecimento, e são considerados pelos estudiosos como dados
subjetivos, uma vez que o crânio não fornece tais informações, inviabilizando a precisão das
reconstruções faciais.
36
5.4.1 Ancestralidade
Diferenças morfológicas quantitativas entre grupos étnicos têm crescido no século
XIX. O diagnóstico da identidade racial através do crânio é um assunto controverso.
(GUYOMARC’H et al., 2014).
A confiabilidade da técnica de Reconstrução Facial Forense depende da avaliação dos
valores médios de espessuras de tecidos moles observados numa determinada população
(TEDESCHI-OLIVEIRA et al., 2009).
No Brasil, os tipos antropológicos foram classificados em quatro grupos: leucodermas
(pele esbranquiçada, cabelos escuros e lissótrico (cabelo liso), olhos escuros e principalmente
braquicefálicos); faiodermas (descendentes de cruzamentos entre antepassados negros e
brancos, com diferentes tons de pele, olhos escuros, cimatótrico (ondulado ou encaracolado
cabelo) e mesocefálico); xantodermas (índios nativos e imigrantes de origem asiática com a
cor amarelada da pele, cabelo escuro e liso, olhos escuros, pálpebras oblíquas, um rosto largo
e braquicefálicos); melanodermas (esfolados, ulótrico (cabelo espiralado, encarpinhado)
cabelo de lã, olhos escuros e braquicefáficos) (TEDESCHI-OLIVEIRA et al., 2009).
Os brasileiros formam uma das mais heterogêneas populações do mundo, oriundo de
quase cinco séculos de miscigenação entre diferentes povos (COUTO, 2011). A grande
variabilidade das características físicas torna difícil atribuir a um grupo de indivíduos em
particular características peculiares, embora a maioria das características físicas seja
quantitativa (TEDESCHI-OLIVEIRA et al., 2009).
No Brasil não há demarcação racial clara entre populações em termos de
características étnicas, linguísticas, culturais ou históricas. Isto significa que uma classificação
dos
indivíduos
de
acordo
com
essas
categorias
seria
absolutamente
imprecisa
(SCHWARTZMANS apud TEDESCHI-OLIVEIRA et al., 2009).
Ressalta-se, porém, que qualquer tentativa de classificação dos indivíduos pela cor da
pele numa população altamente heterogênea como a brasileira resultará em dados inexatos
(COUTO, 2011).
Até 2008, não havia dados sobre a espessura do tecido mole facial da população
brasileira. Entretanto uma dissertação defendida na Faculdade de Odontologia da
Universidade de São Paulo - FOUSP e uma tese de doutorado defendida na Faculdade de
Medicina da Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – FMRP/USP forneceram dados
sobre a espessura dos tecidos moles, compilados a partir do método de punção de agulhas,
com uma amostra de 40 cadáveres frescos e 186 exames por Imagem por Ressonância
37
Magnética (MRI). O estudo demonstrou não haver diferença significativa dessas medidas para
indivíduos classificados quanto à cor da pele no Brasil, pelo fato da população ser muito
heterogênea. Com ênfase para o ponto násio, no qual foi encontrado diferenças acentuadas no
grupo dos caucasoides, o que pode ser explicado pela curvatura mais suave entre a testa e o
nariz devido a uma maior espessura tissular nesta região (TEDESCHI-OLIVEIRA et al.,
2009).
É perceptível a escassez de estudos envolvendo brasileiros no que tange a medidas de
profundidade do tecido mole facial. Por conseguinte, mais pesquisas devem ser realizadas a
fim de consolidar cada vez mais a precisão e confiabilidade do processo de Reconstrução
Facial Forense.
5.4.2 Estado Nutricional
Outro fator para o insucesso da reconstrução facial, citado pelos pesquisadores, é a
falta de informações sobre a influência que o índice de massa corporal (IMC) tem sobre as
medidas de profundidade dos tecidos moles utilizados para a reconstrução. Vários estudos
recentes têm demonstrado diferenças significativas nas profundidades de tecido mole em
todas as regiões da face tanto em homens quanto em mulheres com base no IMC do indivíduo
(GREEF; DONG apud DECKER et al., 2013).
Evidências esqueléticas são frequentemente usadas em investigações forenses para
determinar informações sobre um indivíduo (STARBUCK; WARD et al., 2001). No entanto,
a previsão da constituição física de um indivíduo a partir do crânio só tende a ser menos
confiável. As variações da face, resultante de diferentes estruturas, tem o potencial de
influenciar o reconhecimento facial (TYRELL apud STARBUCK; WARD, 2001).
Quatrehomme et al. (1997) fazem a afirmação de que a reconstrução facial não é fácil, devido
há muitas variações faciais, particularmente de acordo com o estado nutricional do indivíduo
e os diferentes ritmos e intensidades de envelhecimento (QUATREHOMME apud
STARBUCK; WARD, 2001).
Várias reconstruções que refletem a amplitude da variação humana associada ao peso
podem melhorar o reconhecimento e identificação em investigações forenses. (STARBUCK;
WARD, 2001). Além disso, alguns estudos salientaram o fato de que o estado nutricional
afeta a espessura do tecido mais do que o envelhecimento (GREEF; FERRARIO apud
ALMEIDA et al., 2013).
38
Na prática, a determinação do estado nutricional de um indivíduo enquanto vivo é
simples, porém não pode ser determinada estudando apenas o seu esqueleto. Se artigos de
vestuário são encontrados perto do crânio, estes podem ser considerados indicadores do
estado nutricional, embora sua relação com o crânio necessite de uma avaliação cuidadosa
(TEDESCHI-OLIVEIRA et al., 2009). Ratificando tal proposição Almeida et al. (2013),
afirma que o crânio não indica o IMC de uma pessoa; assim, tem-se que confiar em
evidências encontradas na cena do crime, tais como cintos, calças, e outros objetos.
O estado nutricional de um indivíduo altera a espessura do tecido mole de sua face; o
ganho de peso leva a uma face mais obesa, exibindo maior espessura do tecido mole. Da
mesma forma, as pessoas mais magras têm menor espessura do tecido mole facial quando
comparado com as pessoas normais e obesas. Assim, a fisionomia das pessoas muda de
acordo com seu estado nutricional (FERNANDES et al., 2012). Em contrapartida, Starbuck,
et al. (2011) demonstraram num estudo que a utilização de medições de profundidade facial
para rostos esquálidos, normais e obesos durante a reconstrução facial tem um mínimo efeito
sobre o padrão geral da forma facial. No entanto, a avaliação subjetiva de faces magras,
normais e obesas foi significativamente afetada pelo uso de diferentes profundidades de
tecido mole. Estes resultados sugerem que as variações de peso podem ser um contributo
importante na capacidade de se alcançar o reconhecimento correto de um rosto reconstruído.
Em suma, são necessárias mais pesquisas sobre o efeito que o estado nutricional e o
ambiente têm sobre as características faciais e profundidades dos tecidos moles do indivíduo
(DECKER et al., 2013).
5.4.3 Sexo
Assim como na antropometria, existem diferenças perceptíveis entre o sexo feminino e
o masculino nos estudos envolvendo a espessura tegumentar da face (COUTO, 2011).
Tedeschi-Oliveira et al. (2009) concluíram em sua pesquisa que homens tiveram
maiores espessuras de tecidos moles faciais em comparação com as mulheres na amostra
estudada.
Num estudo realizado por Almeida et al. de 100 cadáveres da amostra que sofreram a
punção da agulha para a verificação da profundidade tissular apenas cinco das 49 medições do
tecido mole diferiu entre os sexos. No entanto, estes resultados não permitem afirmar que
existem entre os sexos diferenças na espessura do tecido facial, porque não foi encontrado um
padrão de valores maiores no sexo masculino em todos os pontos de referência medidos.
39
Houve variação nos resultados, alguns valores foram maiores no sexo masculino, e os outros
foram maiores no sexo feminino (ALMEIDA et al., 2013).
Almeida et al. (2013), observaram valores de medição maiores no sexo masculino,
embora não sejam diferenças significativas. Simpson; Henneberg apud Almeida et al. apud
(2013), encontraram uma maior espessura do tecido em homens, porém essas diferenças não
foram superiores a 1,5 mm. Para Almeida et al. (2013) as diferenças encontradas entre
homens e mulheres são de apenas alguns milímetros, e tais diferenças não afetam
sobremaneira as aproximações faciais. As diferenças na espessura dos tecidos estão mais
relacionadas com o perfil facial (quadrado, oval ou triangular) que com o sexo.
A despeito dos vários estudos realizados, mais estudos são necessários para elucidar
este tema.
5.4.4 Idade
A pele é o órgão humano que mais revela o envelhecimento do indivíduo.
Gradualmente o colágeno e a elastina vão perdendo sua elasticidade natural em função da
diminuição do número de fibras elásticas e de outros componentes do tecido conjuntivo, isto
faz com que camadas de gordura se depositem sob a pele de maneira não uniforme ocorrendo
a degeneração das fibras colágenas em concomitância com a lentidão das trocas gasosas,
provocando a desidratação da pele, resultando em linhas de expressão e flacidez (COUTO,
2011).
Em pesquisa realizada por Guyomarc'h, et al. (2014), demonstraram que a influência
da idade não foi significativa e mudanças da forma em relação à idade foram observadas,
como por exemplo, os lábios tendem a ficar mais finos com a idade, o que pode estar
relacionado, em parte, a perda de dentes e o recuo alveolar. Mesmo significativa, as mudanças
de idade são relativamente sutis para algumas regiões faciais. No entanto, se forem
conhecidas, a idade pode explicar algumas alterações relacionadas à forma facial e contribuir
para a individualização da face do indivíduo-alvo, particularmente na região da boca.
Sahni apud Tedeschi-Oliveira et al. (2009), concordam que o aumento da espessura do
tecido pode estar relacionado ao enrugamento da pele, porque quando a pele humana
envelhece há uma diminuição da resistência à tração e da espessura de estruturas do colágeno.
Na amostra estudada em sua pesquisa, 65% dos indivíduos tinham idade acima de 55 anos, e,
portanto, não fora possível fazer uma análise estatística dos efeitos do envelhecimento. Além
disso, nesta pesquisa a idade também não fora significativa.
40
Greef; Ferrario apud Almeida et al. (2013), relataram que alguns estudos encontraram
sim, diferenças entre os rostos de adultos e crianças; no entanto, não foi possível correlacionar
estas diferenças à espessura dos tecidos com diferenças de idade.
Outro fator relevante a ser evidenciado é a questão da estimativa de idade a partir dos
ossos do crânio. Para Almeida et al. (2013), a estimativa da idade com base no crânio é muito
subjetiva, porque não é possível que idades definidas sejam fornecidas; em vez disso,
fornecem apenas aproximações dentro de um período de 10 anos. Isto dificulta em parte a
precisão de uma reconstrução facial.
Até o momento, os estudos sobre os dados relacionados com a idade que podem ser
úteis numa reconstrução facial têm sido limitados às diferenças entre crianças e adultos. Por
conseguinte, mais estudos são necessários a fim de mostrar as diferenças da idade na
espessura do tecido facial (ALMEIDA et al., 2013).
5.4.5 Órgãos faciais
Os órgãos faciais são de extrema importância para o processo de reconhecimento
facial, pesquisas recentes salientarem a escassez de confiabilidade nas diretrizes atuais
concernentes a estimativa da forma, tamanho e posição desses órgãos (COUTO, 2011). Este
aspecto da aproximação facial precisa de uma investigação rigorosa para avaliar as
correlações entre tecidos moles e a arquitetura craniofacial (GUYOMARC’H et al., 2014).
Um dos grandes problemas com qualquer reconstrução de um crânio é a incerteza das
características individuais de estruturas de tecidos moles, como olhos, orelhas, lábios e nariz
(VANEZI et al., 2000). Além disso, os detalhes do nariz, olhos, ouvidos, boca e queixo não
podem ser construídos exatamente a partir das características do crânio (QUATREHOMME
apud STARBUCK; WARD, 2001).
Existem várias diretrizes disponíveis na literatura para reconstruir as regiões
anatômicas específicas do rosto, no entanto, há uma grande variação na literatura quanto à
precisão dessas diretrizes e princípios. Houve críticas no passado de que as reconstruções
forenses são muito subjetivas e dependem muito da habilidade artística do reconstrutor
(TEDESCHI-OLIVEIRA et al., 2009).
O reconhecimento de uma face é ainda mais possível pela observância da faixa normal
da variação humana exibida em tecidos moles e características faciais, tais como: posição do
globo ocular em relação à órbita; localização, forma e tamanho da orelha; forma e tamanho do
nariz, e a largura, altura, espessura e forma geral a boca (STARBUCK; WARD et al
41
TYRELL, 1997). Vanezi et al. (2000), afirmaram que o tipo e a cor do cabelo, a forma das
sobrancelhas e a possibilidade de pelos faciais no indivíduo também provocam um efeito
profundo sobre o aparência de qualquer indivíduo. Marcas na superfície, como cicatrizes e
manchas na pele, sulcos profundos, dobras, rugas, "cicatrizes étnicas", tatuagens e o uso de
brincos e óculos são outros detalhes de um rosto que não podem ser determinados a partir de
um crânio seco. Estas características podem sofrer alterações durante adolescência e podem
confundir o reconhecimento facial (STARBUCK; WARD, 2001). Outrossim, características
do cabelo da cabeça, como cachos, ondas, comprimento e cor, e do cabelo facial como bigode
ou barba só devem ser adicionados a face reconstruída quando estas informações estiverem
disponíveis no local da descoberta dos restos mortais. Do contrário, ao lidar com uma
reconstrução histórica é apropriado adicionar um estilo de cabelo do período em questão
(VANEZI, et al., 2000).
Em estudo realizado por Starbuck,et al. (2001), três faces foram reconstruídas tendo
como matriz um mesmo crânio, utilizando a média de medições de profundidade do tecido
mole de faces magras, normais e obesas. Nas três reconstruções realizadas características
faciais, como a colocação do pavilhão auditivo e olhos; o tamanho e a forma do nariz e da
boca, não se alteraram, mesmo tais características sendo idênticas para as três faces, a maioria
dos telespectadores reconheceram as faces como sendo de indivíduos completamente
diferentes.
O antropólogo russo Gerasimov é creditado como pioneiro no método de reconstrução
facial forense em três dimensões. Gerasimov afirmava que os detalhes do nariz, olhos, boca e
ouvidos podem ser determinados a partir de análise de áreas específicas do crânio, o mesmo
relatou uma taxa de sucesso incrível com a sua técnica em mais de 150 casos forenses em que
esteve envolvido (WILKINSON; TAYLOR apud STARBUCK; WARD, 2001).
Para Decker, et al. (2003), é evidente que novas pesquisas são necessárias para
fundamentar as diretrizes da técnica, especialmente quanto à forma das regiões da bochecha,
nariz e orelha, e os tecidos moles em torno da boca.
É sabido que, impreterivelmente, antes da realização de uma reconstrução facial
forense, exames antropológicos adicionais devem ser feitos de forma criteriosa no crânio, bem
como exames relacionados às variáveis acima mencionadas (ALMEIDA et al., 2013).
Estudos recentes têm contribuído para o conhecimento científico das características
anatômicas (FEDOSYUTKIN; NAINY; WILKINSON apud DECKER et al., 2013), porém,
mais pesquisas ainda são necessárias. Além disso, a maioria dos estudos de profundidade dos
tecidos moles ou são baseados em dados faciais extraídos de cadáveres, ou em pequenos
42
conjuntos de dados ou grupos populacionais discretos (DOMARACKI; STEPHAN; RHINE;
MOORE; HODSON; SAHNI apud DECKER et al.; 2013). Tentativas têm sido feitas para
reunir conjuntos de dados existentes na literatura (STEPHAN; SIMPSON apud DECKER et
al., 2013), mas os resultados são insatisfatórios devido a tamanhos de amostras inconsistentes,
variados métodos de coleta de dados e diversas definições de marcos faciais e outras questões.
Um conjunto de medidas de profundidades de tecido mole facial ainda não foi padronizado
entre os profissionais. Questiona-se até quando mais dados sobre tecidos moles da face serão
coletados sem padronização e artistas forenses e especialistas em aproximação facial vão
continuar a contar com suas licenças artísticas e experiências profissionais para calcular as
medidas da face (DECKER et al., 2013).
Stephan et al. (2003), discorreram severas críticas em seu estudo, o qual reuniu
algumas falácias que permeiam a técnica de reconstrução facial. O autor diz que mesmo os
livros totalmente dedicados ao tema de aproximação facial parecem descrever
desproporcionalmente, em termos de quantidade de páginas, sobre as orientações práticas para
se reconstruir manualmente uma face. O autor exemplifica sua afirmação citando famigerados
estudiosos da área como Gerasimov, autor de "The Face Finder" (1971) que descreve a
técnica de "reconstrução" facial em apenas 10 páginas, isto é, 5% de um livro 199 páginas
dedicadas ao tema. Prag e Neave (1997) também parecem encobrir as técnicas de
"reconstrução" facial em "Making Faces", dedicando menos de 10 páginas, 4% do livro de
256 página para métodos específicos. A dedicação desses pequenos segmentos de escrita (-10
páginas) para técnicas que assumem um papel tão relevante parece menos do que o suficiente.
Como profissionais realistas que praticam a aproximação facial esperam que um rosto seja
construído a partir de um crânio, usando tão poucas diretrizes, que podem proporcionar
apenas um reconhecimento proposital? O fato de que poucas diretrizes são "recicladas" em
toda a literatura por diversos autores sugerem que os profissionais de aproximação facial não
estão mantendo um arsenal de diretrizes para si mesmo, mas sim utilizando aquelas recicladas
que parecem ser as únicas.
Segundo Couto (2011), uma maior precisão das medidas apenas proporciona apenas a
uma média da espessura tissular mais precisa, mas não necessariamente a uma reconstrução
mais precisa. Por conseguinte, o que se deseja obter para aprimorar as técnicas de
reconstrução facial não é uma medida inquestionável para cada um dos pontos craniométricos,
mas apenas um direcionamento da relação dos tecidos moles com seu suporte ósseo e as
possíveis proporções dessas variáveis em comparação a sexo, idade, ancestralidade e estado
nutricional.
43
Estudos realizados colaboraram para o desenvolvimento da técnica, bem como para
descobertas de uma série de deficiências que dificultavam a precisão de uma reconstrução
facial como as diferenças de espessura de tecido mole em diferentes grupos étnicos e a
influência de fatores que influenciam diretamente na espessura tissular da face e, portanto,
devem ser consideradas no momento da reconstrução, são eles: sexo, idade, ancestralidade,
estado nutricional, a posição e formato dos órgãos faciais. Estes, exceto o sexo e a
ancestralidade, são dados que não podem ser fornecidos através do estudo antropológico do
crânio, tornando-se um dos óbices que permeiam a técnica.
5.5 A RECONSTRUÇÃO FACIAL FORENSE E A PUBLICIDADE
Elucidando a diferença entre as nomenclaturas: reconhecimento e identificação,
podemos afirmar que a primeira significativa apenas o ato de se conhecer novamente, e é feito
por familiares e amigos; o segundo consiste em algo bem complexo, pois caracterizasse como
uma série de meios e técnicas científicas necessárias à identificação e que, portanto, só poderá
ser realizado por pessoas idôneas, preferencialmente, peritos médicos e dentistas.
A reconstrução produzida deve ser utilizada como um auxílio para o reconhecimento e
não deve ser considerada, em hipótese alguma, como um meio definitivo de identificação. Se
a imagem reconstruída é reconhecida como sendo a de uma pessoa em particular a
identificação positiva pode ser alcançada, através da identificação por meio da arcada dentária
ou pelo perfil de DNA (VANEZI et al., 2000).
De nada adiantaria uma reconstrução facial ser demasiadamente semelhante à face do
indivíduo-alvo se não pudéssemos lançar mão da publicidade. Este é um meio de exposição
para o público da face reconstruída, viabilizando o processo de reconhecimento.
A publicação das imagens é necessária para atingir aqueles que conhecem o falecido.
Evidentemente que uma maior divulgação da imagem reconstruída através dos diversos meios
de comunicação, aumenta as chances de reconhecimento, e consequentemente, de
identificação (VANEZI et al., 2000).
Em seu estudo Vanezi et al. (2000), enumeram pontos de desvantagens que permeiam
o processo de reconhecimento de uma Reconstrução Facial Forense:
1.
Parentes ou outras pessoas que conhecem o falecido, por várias razões, não querem ir
aos Institutos Médico-legais para fazerem o reconhecimento;
2.
A dimensão da população de pessoas desaparecidas é relevante para o sucesso do
reconhecimento. Se houver apenas algumas pessoas desaparecidas em uma pequena
44
comunidade, as chances de sucesso são muito maiores do que onde há um grande
número de pessoas desaparecidas como numa metrópole;
3.
Outra questão a ser levantada está relacionada ao conhecimento que as pessoas da
comunidade têm sobre a pessoa morta. Ocasionalmente, quando alguém desaparece,
que não tem amigos ou parentes, obviamente, a comunidade também não estará ciente
de que ele/ela desapareceu. Além disso, a pessoa pode ter residido longe da área onde
foi descoberto os seus restos mortais;
4.
O indivíduo pode ter desaparecido quando era criança e é encontrado morto já na
idade adulta;
5.
Quanto à precisão da reconstrução, se a mesma for realizada por alguém inexperiente,
há uma redução das hipóteses de um reconhecimento e, por conseguinte, de um
processo de identificação.
De acordo com Brues apud Stephan (2003), mesmo a aproximação facial não sendo
um método confiável, as imagens a serem reconhecidas chamam a atenção do público, o que
aumenta o perfil de casos e a probabilidade de reconhecimento e identificação das vítimas.
Além disso, apesar da falta de confiabilidade, o método de reconstrução facial deverá ser
empregado no momento oportuno, na tentativa de identificar os restos mortais, o qual pode
aliviar e muito a preocupação da família em luto e ajudar na apreensão do agressor.
45
6 CONCLUSÃO

Além de conhecimento teórico na área, o profissional que realiza uma reconstrução
facial precisa ter prática, habilidade e experiência suficientes, do contrário o mesmo
até dificultaria um possível reconhecimento;

A escassez de estudos e as diretrizes subjetivas que envolvem as medidas de
profundidade facial nos brasileiros contribuem para que a credibilidade e a
confiabilidade da técnica de reconstrução facial forense sejam prejudicadas;

Há uma real necessidade de aumentar a precisão e a confiabilidade da técnica através
da criação de diretrizes objetivas advindas de estudos cientificamente validados,
relacionados, mormente, à medidas de profundidade tissular facial;

A despeito do caráter subjetivo da técnica a reconstrução facial forense contribui em
demasia para solucionar casos em que nenhum outro meio de identificação é viável; e

Todos os métodos de reconstrução facial forense são válidos na tentativa de se
conseguir um reconhecimento positivo, um mínimo de semelhança da face
reconstruída com a face real já é suficiente para considerarmos a reconstrução um
sucesso.
46
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análise da precisão dos métodos de reconstrução facial