FETO13ANOS
Festival Estudantil de Teatro
Teatro
Encontros
Memória
&
1
2
Ministério da Cultura
apresenta
FETO13ANOS
Festival Estudantil de Teatro
Teatro
Encontros
Memória
&
Este livro é dedicado a todos os estudantes, professores,
pesquisadores, artistas, gestores, patrocinadores e a
todas as pessoas que contribuíram para a história do FETO.
O nosso agradecimento especial aos nossos pais, familiares e amigos.
3
FETO - Festival Estudantil de Teatro - 13 Anos
Teatro, Encontros & Memória
1a EDIÇÃO
Canal C – Comunicação e Cultura
Belo Horizonte – MG
2012
ISBN 978-85-66245-00-4
Sumário
Estreia
10
Caixa Mágica
24
Deus ex Machina
42
Entreatos
62
Evoé
70
Ágora Itinerante
92
Pergaminho de Tirésias
118
Teatro em Prelúdio
134
(1999)
(2000 e 2001)
(2002 e 2003)
(2004 e 2005)
(2006)
(2007 e 2008)
(2009)
(2010 e 2011)
5
6
7
Coletivo [entre] Teatro Dança
Prefácio
8
“Não é fácil bancar o termo ‘estudantil’ hoje em dia”, certa vez ouvimos de uma pessoa coberta de
razão. Os momentos de glória da palavra parecem ter ficado na lembrança dedicada a heróis da história recente do país. Estudantil também traz o estigma do que não está pronto, não é profissional. Sim,
concordamos: é difícil bancar esse termo. Mas é com orgulho e convicção que o Festival Estudantil
de Teatro carrega, há treze anos, esse nome no meio. Acreditamos que o mundo carece de uma alma
estudantil: ideias potentes, mente em ebulição, crença nas possibilidades, inconformismo diante das
dificuldades, utopia.
Pelo FETO, já passaram estudantes de todas as idades e de várias partes do país. Se pudéssemos cometer o pecado da generalização e escolhêssemos apenas um elemento comum a todos eles, escolheríamos o desejo de transformação. E, sendo este um festival de alma estudantil por excelência, é nessa
vocação que reside seu motor propulsor. Para além da mostra artística, o FETO configura-se como um
espaço de formação, trocas, intercâmbios, vivências e experiências. Work in progress em seu estado
puro, o festival é vivo, dinâmico, pulsante. Construído pelas muitas mãos, pernas e mentes que por ele
passam – organizadores, participantes, jurados, palestrantes, oficineiros, patrocinadores –, o festival
nunca ocorre como imaginado, nunca termina como começou, nunca é igual.
E por serem todas as pessoas que passaram pelo FETO tão importantes para sua construção, os textos
desse livro começaram a nos incomodar. Apesar de escrito na terceira pessoa, o conteúdo das próximas
páginas carrega oculta uma ideia de primeira pessoa do plural. Tentamos, cortamos, reescrevemos,
editamos, mas o incômodo permaneceu, a nos espionar pela capa dura. Fazemos aqui um mea culpa
e admitimos que, sendo essa uma história muito mais de coxia do que de palco, aparecemos em cores
mais intensas do que gostaríamos.
A trajetória que aqui se delineia tem comédia e drama. Não é fácil trabalhar com cultura, enfrentar o
mar burocrático dos editais e leis de incentivo, os recursos quase sempre escassos. No entanto, foram
bem mais risos que choros, mais conquistas que fracassos e, mesmo que essa balança não fosse tão
equilibrada , o final de cada edição sempre foi com aplausos coletivos, reafirmando nossa vontade de
continuar.
E o nosso aplauso final fica para o público: crianças, jovens, idosos, parentes, namorados, curiosos,
amantes do teatro. Apesar do nome que carrega no meio – ou talvez por isso mesmo –, o FETO sempre
contou com casas, ruas e praças cheias.
Merda pra todos!
Alexandre de Sena, Bárbara Bof, Eliezer Sampaio e Rodrigo Soares
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Estreia (1999)
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As mãos de Miguel suavam frio e tentar enxugá-las na calça era em vão.
Uma espiadinha pela cortina e, na plateia lotada, ficava difícil localizar
um rosto familiar. Tudo bem diferente da quadra da escola onde ele
e seu grupo costumavam improvisar um pequeno palco. Na coxia,
um burburinho de adolescentes ajustando os figurinos, um palhaço
que mentalmente repassava suas falas e uma rainha em busca de um
alfinete. “Na cabeça de Miguel, as perguntas: “vou gaguejar?”,“e se eu
tropeçar?”, “e se eu esquecer completamente o texto?”. Os dilemas
de sua primeira apresentação em um teatro faziam suas pernas
bambearem.
O que Miguel não sabia e pode nunca ter ficado sabendo é que os
caminhos que lhe permitiram estar ali começaram a ser traçados
três anos antes, em 1996, quando Bárbara Bof e Byron O’Neill1 se
conheceram no Colégio Municipal Marconi. Entre o jornalzinho da
escola e a fundação do Grêmio Estudantil, eles logo descobriram
que compartilhavam uma paixão: o teatro. Com outros colegas,
passaram a montar e a ensaiar as peças que Byron escrevia – O
andarilho, O anoitecer e o chapéu de abas não muito largas...
Durante dois anos consecutivos, participaram do Festival de Teatro
Intercolegial (Festin)2 e, não raro, sonhavam com novos formatos para
um festival estudantil. Constantemente, lamentavam serem poucas as
chances de se apresentarem. Continuavam ensaiando.
Foi Bárbara quem, após uma tarde inteira de ensaios, avistou de
1 Diretor e dramaturgo.
2 O Festin surgiu em 1996, no Colégio Municipal Marconi, e sua última edição foi
realizada em 2003.
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dentro do ônibus o Teatro da Praça3. “Vamos lá. Vamos perguntar
quanto custa”, foi a mais impulsiva ideia de seus dezesseis anos. Byron
fora convencido em três segundos e meio. O diretor do teatro, Cássio
Pinheiro4, precisaria de mais tempo. “Querem o teatro pra quê? É um
final de semana? Uma temporada? Onde está o projeto?”. A enxurrada
de perguntas foi o primeiro curso de criação de projetos culturais do
qual os dois participaram. Duas horas de intenso interrogatório e eles
já estavam prontos para descer a Avenida Afonso Pena e convencer o
administrador recém-empossado do Teatro Casanova, Marcos Saraiva,
a receber um festival de peças feitas e/ou encenadas por estudantes.
“Isso vai pra frente, eu acredito nesse festival. E o teatro existia,
então, vamos lá”, foi como o próprio Marcos explicou posteriormente
tamanha solicitude. Alguns dias depois, com o projeto escrito, Cássio
finalmente deu seu aval, e o festival, que ainda nem existia, já tinha dois
teatros onde ser realizado. Em pouco tempo, ganhava também nome:
FETO – Festival Estudantil de Teatro. Realização: Ordem Primeira dos
Adoradores de π (um número onde tudo cabe). E ainda hoje o festival
traz em sua essência o ideal de estar em constante gestação.
A oportunidade virou desafio: três meses eram o tempo de produção
de que dispunham. Grande era tanto o trabalho quanto a ajuda, vinda
dos familiares, diretores dos teatros-sede e amigos da escola. No curso
de teatro do Cefar/Palácio das Artes5 (onde Bárbara cursava o primeiro
​
3 Localizado na Praça Afonso Arinos, no centro de Belo Horizonte, foi inaugurado
em 1995. Desde 2004, encontra-se fechado por falta de recursos.
4 Diretor, produtor e ator.
​ O Curso Profissionalizante de Teatro do Centro de Formação Artística (Cefar), da
5
Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes), é referência nacional e foi criado em
1986.
12
ano), eles encontraram nos colegas e mestres apoio fundamental.
Talvez tenha sido o pressentimento de que ali estava sendo germinada
uma potente ideia que fez com que Wilson Oliveira6, Walmir José7
e outros professores contribuíssem na confecção do primeiro
regulamento do festival. Já os colegas se multiplicavam nas funções
de divulgação, produção e, posteriormente, atuação na cerimônia
de encerramento. Um deles era Eliezer Sampaio, que participava
como apoio nas montagens de luz e criaria o projeto de iluminação
do evento final. Anos depois, Eliezer chamou de “euforia” o que
sentiu no momento em que vislumbrou a oportunidade de estudantes
apresentarem e desenvolverem seus trabalhos teatrais. Do Sated/MG8
vinham os endereços para a mala-direta que ia pelo correio. No slogan
do material, estava impresso o espírito das primeiras edições: “Monte
sua peça e participe”.
Resultado do esforço de todos: 25 peças inscritas. A maioria, para a
aflição dos jovens organizadores, no último dia. O resultado percebido
aos poucos era a certeza de que estavam criando um festival do qual
gostariam de participar. Esse elemento fazia toda a diferença. Mas,
como atores, em nome da ética, eles nunca participaram. Também não
faziam parte do júri da seleção e da premiação. Neste lugar, estiveram
figuras de destaque do teatro mineiro que haviam sido conquistadas
pelo entusiasmo com que o FETO era construído. Sem nenhum
recurso para realizar o festival, foram os pais de Bárbara e Byron que
providenciaram o “cachê”: lanche feito com esmero.
6 Diretor, professor de teatro e fundador do Grupo Teatral Encena.
7 Ator, diretor, dramaturgo e professor de teatro.
8 Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de Minas Gerais.
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Uma vez definida a programação, com doze peças selecionadas e
envolvendo 161 estudantes, foi a vez de conquistar o público. A partir
da logomarca criada pelo irmão de Byron no word art, as filipetas de
fabricação caseira começaram a ser distribuídas. Na porta das escolas,
elas eram acompanhadas de pipocas Guri com o objetivo de atrair a
meninada. Os professores também passaram a ser abordados, e os
organizadores chegaram a auxiliar seiscentas crianças a atravessarem
a Avenida Afonso Pena: do Instituto de Educação ao Casanova. Muitas
nunca tinham ido a um teatro antes. Os quinze dias da primeira edição
do FETO foram de casas lotadas.
O primeiro espetáculo a se apresentar no Festival Estudantil de
Teatro foi A eterna luta entre o homem e a mulher, um texto de
Millôr Fernandes encenado pelo grupo Cia. do Teatro Proibido9, de
Contagem. Outros espetáculos tinham suas dramaturgias criadas pelos
próprios alunos que, muitas vezes, além de atuarem, também dirigiam
e faziam figurino e cenografia. Já na primeira edição, o FETO contou
com grupos vindos de cidades do interior de Minas e, também, com o
Teatrama10, inusitadamente criado pela bibliotecária e pela professora
de matemática da Escola Municipal Hilda Rabello. No encerramento,
Bárbara e Byron apresentaram a cerimônia vestidos com roupa de
9 Fazia parte desse grupo o ator, compositor e cantor Marcelo Veronez.
10 Adriana Garcia e Marília Marques, respectivamente bibliotecária e professora
de matemática da Escola Municipal Hilda Rabello, resolveram criar no colégio um
grupo de teatro para ocuparem os horários que tinham vagos. O sucesso entre os
alunos foi tão grande que, de 1999 a 2003, o Teatrama desdobrou-se em cinco
grupos. Na primeira edição do FETO, também se apresentou o espetáculo Raízes I,
que tinha em seu elenco participantes do hoje tradicional Família Alcântara Coral.
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época, e diversos convidados anunciaram os premiados, que ganharam
um troféu e, os melhores espetáculos, o convite para se apresentarem
na edição seguinte. Sim. Nem se pensava que aquele seria um festival
de uma só edição.
Já Miguel, que pouco ou nada sabe dessa história, naquele dia não
gaguejou, não tropeçou e nem esqueceu o texto. Na estreia em um
teatro de verdade, seu grupo foi aplaudido de pé.
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Grupo Teatral Gema
Grupo Raro Efeito
Grupo de Teatro Às Avessas
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1999 - Histórico
Data
15 a 24 de novembro
Locais
Teatro Casanova e Teatro da Praça
Banca de seleção
Cynthia Falabella, Dílson Mayron, Ildeu Ferreira, Manoelita Lustosa e Raimundo Farinelli.
Comissão julgadora
Beth Grandi, Cynthia Falabella, Dílson Mayron, Raimundo Farinelli e Raquel Campolina.
Espetáculos “Teatro Adulto”
:: A eterna luta entre o homem e a mulher – Cia. Do Teatro Proibido – Contagem/MG
:: Entre o céu e a terra ainda há o que se esperar
:: Doutor Risonho, o risoterapeuta – Grupo Teatral Gema – Brumadinho/MG
:: Masculina/Feminino – www.teatro.com.br – Belo Horizonte/MG
:: Véu e grinalda – Cia. Teatral Os Argonautas – Belo Horizonte/MG
:: Conjunto vazio – Grupo Oráculuz – Belo Horizonte/MG
:: O diário de Isabel – Grupo Quem Somos Nós? – Belo Horizonte/MG
:: Raízes I – Família Alcântara Coral – João Monlevade/MG
Espetáculos “Teatro Infantil”
:: O auto do sapo mágico – Grupo Raro Efeito – Belo Horizonte/MG
:: O cientista enfeitiçado – Grupo de Teatro Às Avessas – Belo Horizonte/MG
:: Deu bixo na bruxa – Grupo Peça Rara – Belo Horizonte/MG
:: Brasil, que história é essa? – Grupo Teatrama – Belo Horizonte/MG
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Premiados
Melhor peça – Masculina/Feminino (www.teatro.com.br)
Melhor direção – Robson Ferreira / Véu e grinalda (Cia. Teatral Os Argonautas)
Melhor texto – Adriane Garcia / Brasil, que história é essa? (Grupo Teatrama)
Melhor ator – Fábio Rodrigues / Conjunto vazio (Grupo Oráculuz)
Melhor atriz – Carla Marques / Véu e grinalda (Cia. Teatral Os Argonautas)
Melhor ator coadjuvante – Marcus Vinícius / O auto do sapo mágico (Grupo Raro Efeito)
Melhor atriz coadjuvante – Luana Ribeiro / Véu e grinalda (Cia. Teatral Os Argonautas)
Melhor cenário – Ílder Miranda / Masculina/Feminino (www.teatro.com.br)
Melhor iluminação – Ílder Miranda / Masculina/Feminino (www.teatro.com.br)
Melhor figurino – Leonardo Brasil e Fábio Rodrigues / Conjunto vazio (Grupo Oráculuz)
Melhor trilha sonora – Ílder Miranda / Masculina/Feminino (www.teatro.com.br)
Melhor equipe técnica – Equipe do espetáculo Véu e grinalda (Cia. Teatral Os Argonautas)
Participantes da cerimônia de encerramento
Alexandre de Sena, Ângela Mourão, Arnaldo Godoy, Bárbara Bof, Beth Grandi, Byron O’Neill, Carolina
Demétrio, Eduarda Lourenço, Eliezer Sampaio, Elvécio Guimarães, Fabiano Persi, Glauco Mattos, Jefferson da
Fonseca, Manoelita Lustosa, Marcelo Guimarães, Marco Flávio, Mariana Maier, Raul Belém Machado, Viviane
Ferreira e Walmir José.
Apoiador
DCE UNI-BH
Números
:: 25 espetáculos inscritos;
:: 161 participantes;
:: Público de aproximadamente 2 mil pessoas.
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Familía Alcântara Coral
Caixa Mágica (2000 e 2001)
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O regulamento da segunda edição do FETO continha uma mudança
fundamental. Dele, foi retirada a expressão “teatro amador” que, no
ano anterior, havia gerado mais dúvidas do que esclarecimentos. Como
vários estudantes, mesmo os secundaristas, possuíam carteirinha do
sindicato, aos olhos míopes da burocracia eles eram profissionais do
teatro. “Amador é quem ama”, repetia Bárbara enquanto refazia o
texto. Amadoras ainda eram as fotos, embora tiradas com câmeras
profissionais emprestadas pelas faculdades de Geografia e de
Jornalismo que Rodrigo Soares e Daniel Protzner1, respectivamente,
cursavam. Os novos integrantes também auxiliavam na produção do
festival. Daniel, que pouco tempo depois se profissionalizou, seria em
todas as edições seguintes o fotógrafo oficial do FETO. Antes disso, o
ainda universitário orientava o contato com a imprensa e a produção
de textos, instituindo um eterno zelo pelo conteúdo produzido.
Esta edição teve doze grupos selecionados. Entre eles estava o de Lucas, que recebera duas notícias quase ao mesmo tempo: estaria no
FETO e havia sido aprovado no vestibular de Artes Cênicas. “Artes Cênicas? Isso é curso?”, perguntou desconfiado um pai cuja mentalidade
ainda residia no louvor à tríade direito-medicina-engenharia. Mas nem
a resistência familiar seria capaz de abalar a alegria dupla que Lucas
sentia. Alegria que se tornou tripla ao saber da presença de Manoelita
Lustosa2 na comissão de seleção. Ela fora para o também mineiro de
Pirapora uma das inspirações quando ele escolheu estudar teatro.
1 Fotógrafo, jornalista e especializado em Artes Plásticas e Contemporaneidade.
Como fotógrafo, atua frequentemente na cobertura de espetáculos e eventos ligados às artes cênicas.
2 Atriz, cantora e radialista.
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Grupo Do Jeito que Dá
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Circo foi o tema escolhido para a festa de encerramento. “Propício, afinal, o circo já foi um dos
principais palcos para o teatro no Brasil. Já ouviu falar no gênero circo-teatro3?”, sussurrava Marcos,
com ares de entendido, no ouvido da filha. Mônica, no entanto, mal prestava atenção: olhos grudados
em Raimundo Farinelli4 e Ildeu Ferreira5 que, do palco, anunciavam as melhores atrizes nas categorias
adulto e infantil.
Nem bem o picadeiro foi desmontado, no entanto, os organizadores do FETO já pensavam em alternativas
para viabilizar a edição seguinte. Uma das ideias que surgiram foi a festa Vitamina de Gestante. Sucesso
total de público e crítica, a festança terminou às seis da manhã com Rodrigo, Bárbara, Daniel e Diogo
Borges6 contando o dinheiro que havia sido arrecadado. Algumas horas antes, universitários e pessoas
ligadas ao teatro lotavam a Casa do Estudante7 para assistirem aos shows das bandas Tríade8 e Alarido9,
à apresentação musical dos palhaços do Dendalei10, perfomances, exposição de artesanato, dança do
ventre e discotecagem de Alexandre de Sena.
“Três mil reais”, foi o que Bárbara diz ter ouvido Rodrigo dizer. “Dois mil”, corrige ele até hoje. Rodrigo
foi quem parou vários ônibus que passavam pela Avenida Getúlio Vargas para pedir troco, sempre difícil
quando um ingresso custa quatro reais. Mesmo sem saberem ao certo o valor arrecado na festa, de
3 Em 1918, a população do Rio de Janeiro evitava aglomerações devido à gripe espanhola, o que levava os circos a ficarem vazios. Diante disso, o primeiro palhaço negro do Brasil, Benjamin de Oliveira, decidiu apresentar espetáculos de
teatro no circo. Nascia, assim, o circo-teatro.
4 Diretor, cenógrafo e produtor cultural.
5 Professor, diretor e secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Ouro Branco (MG).
6 Empresário e publicitário.
7 A Casa do Estudante é o Centro Cultural do DCE da PUC Minas.
8 O trio de música instrumental brasileira realizou diversos concertos em Belo Horizonte, entre 2000 e 2002, e mudou a
cena da nova música mineira, abrindo caminho para muitos jovens grupos do gênero.
9 Os integrantes da banda autoral de MPB e pop Alarido, que foi criada em 2000, hoje formam o grupo de samba Odilara.
10 Criado em 1997, é uma trupe de palhaços burlantins que realiza experimentações e espetáculos cênico-musicais.
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Grupo Oficina Teatro da PUC
Grupo Villa Lobos
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Grupo Artur Vieira
qualquer forma, eles sabiam para o que serviria o primeiro recurso do festival. Com ele, foi possível
produzir peças gráficas não-caseiras e custear o material das oficinas: sonho acalentado nos dois
anos anteriores e que seria concretizado. Para ministrá-las, os amigos do Cefar novamente entraram
em cena. Um deles era Alexandre, o DJ da festa, que fazia às vezes de auxiliar de produção e ator
na cerimônia de encerramento desde o surgimento do FETO. Quando no Parque das Mangabeiras,
Alexandre ensinou a moça medrosa a andar de perna de pau, ela perdeu definitivamente o receio de
altura. Perna de Pau e Iniciação à Pirofagia era uma das quatro primeiras oficinas a fazerem parte do
Festival Estudantil de Teatro.
A terceira edição do festival também trazia como novidade o teatro de rua e palestras cujo baixo ibope
contrastava com a relevância dos temas e dos palestrantes. Novo também era o nome do realizador,
uma vez que, em 2001, Byron O’Neill já não fazia parte da equipe e, em seus novos caminhos , levou
consigo a Ordem Primeira dos Adoradores de π11. Em uma longa e animada reunião ficou decidido que
No Ato Cultural seria, a partir de então, a assinatura. A vontade de fazer, agir e movimentar, que sempre
motivara aqueles estudantes, ganhava uma marca.
O FETO abrigou naquele ano vinte peças – incluindo grupos baianos e paulistas –, com uma média
de público de 141 pessoas por espetáculo. O painel da cerimônia de encerramento, em perspectiva
com a cenografia, assim como os figurinos, ajudava a criar a atmosfera de um cabaré, tema escolhido
para o evento. Teria sido um final feliz se a chuva daquela noite, somada à precária infraestrutura do
prédio do Teatro Casanova, não tivesse roubado o papel principal. Metade dos prêmios ainda estava
para ser entregue quando Ernani Maletta12 e Tula Barcellos13, do palco, perceberam risos vindos da
plateia. Tula, por um momento, pensou constrangida que seu vestido pudesse estar transparente. Ao
entender que se tratava de um filete d’água, Bárbara libertou-se dos sapatos a caráter e correu até a
11 Esse é, até hoje, o nome do que chama de “confraria de amigos/artistas que apoiam produções culturais diversas”.
12 Doutor em Educação pela UFMG, pesquisador e professor de Artes Cênicas da mesma instituição. Ator, cantor, regente e diretor musical de teatro.
13 Atriz, designer e arquiteta, foi em várias edições jurada do FETO. Atualmente, é gerente do Centro Técnico de Produção da Fundação Clóvis Salgado (CTP).
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30 Três
Grupo
Grupo Strada
Grupo Palco BH
Grupo Arty Companya
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cabine técnica. As luzes acenderam-se quase ao mesmo tempo em que uma cachoeira formou-se no
centro do local. Correria, sombrinhas abertas, pessoas optando por descer dezoito andares de escada
e pressa da produção para salvar os caros equipamentos que eram emprestados. Um bombeiro que
estava de folga naquela noite, esperando a premiação do sobrinho, viu-se obrigado a fazer hora extra
e interditar o teatro. Poucos dias haviam se passado desde o onze de setembro14, e algum assustado
pegou o microfone cogitando a possibilidade de um ataque terrorista, mas não lhe deram ouvidos.
Passados o susto e a chuva, ficaram lágrimas e indignação.
Vinte dias depois, em dez de novembro, o Ginásio do Promove recebia a outra metade da festa de
encerramento da terceira edição do FETO. Como não tinham carregadores e montadores para a
estrutura cedida pela Secretaria de Esportes, novamente os amigos foram acionados, em um trabalho
iniciado às sete da manhã e só finalizado na manhã do dia seguinte.
O barulho da chuva agora vinha da sonoplastia e somava-se ao figurino de capas amarelas e ao mesmo
painel, ao qual foram acrescentados desenhos de goteiras. “Felizmente, quem lida com teatro aprende
desde cedo a ultrapassar as contingências do cotidiano. Aprende a não se acomodar no lugar da nãoesperança, a não se perder na urgência das coisas. É mágico! A própria arte mobiliza em nós uma
energia que nos lança adiante, nos revela caminhos, ilumina verdades, atrai graciosamente muita
generosidade... É por isso que estamos aqui esta noite”, dizia o texto que Viviane Ferreira15 escreveu
para a abertura e que finalizava com um convite à celebração do Teatro, da Arte e do FETO. Um convite
à esperança. O final foi feliz.
14 No dia 11 de setembro de 2001, foi realizada uma série de ataques terroristas aos Estados Unidos coordenados
pela Al-Qaeda.
15 A também colega de Cefar, hoje é atriz e performer.
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Grupo Teatrando
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2000 / 2001 - Histórico
2000
Data
30 de outubro a 15 de novembro
Locais
Teatro Casanova e Teatro da Praça.
Banca e Comissão Julgadora
Beth Grandi, Dílson Mayron, Eloisa Duarte, Raimundo Farinelli, Manoelita Lustosa e Ildeu Ferreira.
Abertura
Masculina/Feminino – www.teatro.com.br
Espetáculos “Teatro Adulto”
:: E todos foram felizes para sempre – Grupo Arty Companya – Belo Horizonte/MG
:: O segredo da ilha – Grupo Oficinão Peça Rara – Belo Horizonte/MG
:: Bailei na curva – Grupo Do Jeito que Dá – Belo Horizonte/MG
:: A descoberta do amor – Grupo Chantilly – Belo Horizonte/MG
:: O marinheiro – Grupo Três – Belo Horizonte/MG
:: Mussarela & Salsicha – Grupo Strada – Belo Horizonte/MG
:: Quando o amor não é o bastante – Cara D’Palco – Belo Horizonte/MG
:: Escola de mulheres – Soma Cia. De Teatro – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Teatro Infantil”
:: Ave chester – Grupo Encenarte – Belo Horizonte/MG
:: A revolta dos bonecos – Cia. Teatral Miguelart – Belo Horizonte/MG
:: O lobo e o menino que se perdeu na floresta – Grupo Teatral Pé-de-Bis – Pedro Leopoldo/MG
:: Branca de Neve, ah não! – Grupo Teatrama – Belo Horizonte/MG
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Premiados “Teatro Adulto”
Melhor peça – Escola de mulheres (Soma Cia. De Teatro)
Melhor direção – Bailei na curva (Grupo Do Jeito que Dá)
Melhor texto – E todos foram felizes para sempre (Grupo Arty Companya)
Melhor ator – Marcus Vinicius / Bailei na curva (Grupo Do Jeito que Dá)
Melhor atriz – Karine Ferreira / Bailei na curva (Grupo Do Jeito que Dá)
Melhor ator coadjuvante – Deivisson Lessa / Bailei na curva (Grupo Do Jeito que Dá)
Melhor atriz coadjuvante – Fernanda Machado / O marinheiro (Grupo Três)
Melhor cenário – José Maria / O marinheiro (Grupo Três)
Melhor iluminação – Frederico Horta / O marinheiro (Grupo Três)
Melhor figurino – Escola de mulheres (Soma Cia. De Teatro)
Premiados “Teatro Infantil”
Melhor peça – Branca de neve, ah não! (Grupo Teatrama)
Melhor direção – Elizabeth Lopes / Ave chester (Grupo Encenarte)
Melhor texto – Adriane Garcia / Branca de neve, ah não! (Grupo Teatrama)
Melhor ator – Daniel Andrade / Ave chester (Grupo Encenarte)
Melhor atriz – Grazielle Alvares / Ave chester (Grupo Encenarte)
Melhor ator coadjuvante – Alessandro Machado / Ave chester (Grupo Encenarte)
Melhor atriz coadjuvante – Kátia dos Anjos / Branca de neve, ah não! (Grupo Teatrama)
Melhor cenário – Lyege Chichio e Eloisa Portugal / Branca de neve, ah não! (Grupo Teatrama)
Melhor iluminação – Adriane Garcia e Lyege Chichio / Branca de neve, ah não! (Grupo Teatrama)
Melhor figurino – A revolta dos bonecos (Cia. Teatral Miguelart)
Participantes da cerimônia de encerramento
Alexandre de Sena, Ângela Mourão, Arthur Borges, Bárbara Bof, Beth Grandi, Carolina Demétrio, Cássio Pinheiro,
Daniel Protzner, Daví Dolpi, Dílson Mayron, Eliezer Sampaio, Eloisa Duarte, Elvécio Guimarães, Fabiano Persi,
Flávia Mello, Glauco Mattos, Iara Fernandes, Ildeu Ferreira, Kalluh Araújo, Kátia Couto, Luiz Arthur, Manoelita
Lustosa, Marco Flávio Alvarenga, Marcos Saraiva, Marcos Vogel, Mariana Maier, Padini, Pedro Paulo Cava,
Raimundo Farinelli, Raquel Campolina, Raul Starling, Regina Maia, Rodrigo Soares, Rosana Ferreira, Viviane
Ferreira e Walmir José.
Números
:: 23 espetáculos inscritos;
:: 123 participantes;
:: Público de, aproximadamente, 2000 pessoas.
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Grupo Montagem do SESC
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2001
Data
10 de setembro a 07 de outubro
Locais
Teatro Casanova, Teatro da Praça, Centro de Cultura de Belo Horizonte, Ginásio Poliesportivo do Colégio
Promove Mangabeiras, Praça Santo Antônio, Praça Leonardo Gutierrez, Parque Guilherme Lage, Parque das
Mangabeiras e Centro Cultural Alto Vera Cruz.
Apoiadores
DCE-Cultural PUC-Minas, D.A. de Comunicação da Fumec e UNI-BH.
Banca de seleção
Dudu Guimarães, Emerson Rezende, Jane D’Arc, Marcus Labatti e Roseanne Brant.
Comissão julgadora “Teatro Adulto”
Leonardo Scarpelli, Odilon Esteves, Rodrigo Robleño e Tula Barcellos.
Comissão julgadora “Teatro Infantil”
Cláudio Dias, Ildeu Ferreira, Karina Brandão, Roberta Maia e Wilson Oliveira.
Abertura
Escola de mulheres – Soma Cia. De Teatro
Espetáculos “Teatro Adulto”
:: Casulo – Grupo Oficina Teatro da PUC – Belo Horizonte/MG
:: O noviço – Grupo de Teatro do Colégio Batista Mineiro – Belo Horizonte/MG
:: O adolescente diário – Grupo Palco BH – Belo Horizonte/MG
:: Lisístrata – Grupo Montagem do SESC – Belo Horizonte/MG
:: O alienista – Grupo Cia. Teatral Arthur Versiani – Belo Horizonte/MG
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:: Cicatrizes – Grupo Artur Vieira – Uberlândia/MG
:: Adolescer – Grupo de Teatro Marista Dom Silvério – Belo Horizonte/MG
:: O tarado – TPM – Teatro Popular de Mococa Rogério Cardoso – Mococa/SP
Espetáculos “Teatro Infantil”
:: O segredo dos bonecos – Grupo Imag’em’ação – Belo Horizonte/MG
:: Chapeuzinho Vermelho – Grupo Villa Lobos – Belo Horizonte/MG
:: Nunca acredite em gnomos – Grupo Arteofício e Cia. – Belo Horizonte/MG
:: O menino, o vento e o mundo – Grupo Encenar-te – Conselheiro Lafaiete/MG
:: Asas para voar – Grupo Teatral Asas Para Voar – Prados/MG
:: Como a lua – Grupo Teatrando – Belo Horizonte/MG
:: A burra e o monstro – Grupo Teatrama – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Teatro de Rua”
:: Estranho ritual – Grupo Encenar-te – Conselheiro Lafaiete/MG
:: A serpente – Grupo Dutz – Trancoso/BA
:: Fabricando sonhos – Grupo Encenar-te – Conselheiro Lafaiete/MG
:: Uma escola muito louca – Grupo ETROM Companhia Teatral – Belo Horizonte/MG
:: Vitae rituales – Grupo Encenar-te – Conselheiro Lafaiete/MG
Oficinas
:: O corpo para jogar – Alexandre de Sena
:: Perna-de-pau e iniciação à pirofagia – Alexandre de Sena, Rogério Araújo e Eliezer Sampaio
:: Iniciação vocal para o teatro – Ana Hadad e Sandra Melo
:: Técnicas e táticas acrobáticas – Eliezer Sampaio, Flávia Mello e Mariana Maier
Palestras
:: Teatro aberto e a função social do teatro – Marcos Vogel
:: Teatro de rua – Rodrigo Robleño
:: A linguagem multimeios do Grupo Oficcina Multimédia (FEA) e a descoberta do seu próprio patoá – Ione
de Medeiros
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Premiados “Teatro Adulto”
Melhor peça – O noviço (Grupo Teatral do Colégio Batista Mineiro)
Melhor direção – Nathália Marçal / O alienista (Grupo Arthur Versiani Velloso Cia. de Teatro)
Melhor texto inédito – Silvino Fernandes / O adolescente diário (Grupo Palco BH)
Melhor ator – Frederico Brothel / O noviço (Grupo de Teatro do Colégio Batista Mineiro)
Melhor atriz – Chris Gebural / O alienista (Grupo Arthur Versiani Velloso Cia. de Teatro)
Melhor ator coadjuvante – Dudu Alves / Lisístrata (Grupo de Montagem do SESC)
Melhor atriz coadjuvante – Ayala / Casulo (Oficina de Teatro da PUC)
Melhor cenário – Casulo (Oficina de Teatro da PUC)
Melhor iluminação – Natália Braga / Casulo (Oficina de Teatro da PUC)
Melhor figurino – O alienista (Grupo Arthur Versiani Velloso Cia. de Teatro)
Premiados “Teatro Infantil”
Melhor peça – Asas para voar (Grupo Teatral Asas para Voar)
Melhor direção – Kátia Fernandes / Nunca acredite em gnomos (Grupo Arteofício e Cia.)
Melhor texto inédito – Criação coletiva / Chapeuzinho Vermelho (Grupo Villa Lobos)
Melhor ator – Matheus Teles / Como a lua (Grupo Teatrando)
Melhor atriz – Talita Vivian / Nunca acredite em gnomos (Grupo Arteofício e Cia.)
Melhor ator coadjuvante – César Rocha / Nunca acredite em gnomos (Grupo Arteofício e Cia.)
Melhor atriz coadjuvante – Natália Souza / Chapeuzinho Vermelho (Grupo Villa Lobos)
Melhor cenário – Asas para voar (Grupo Teatral Asas para Voar)
Melhor iluminação – Renato Justino / O menino, o vento e o mundo (Grupo Encenar-te)
Melhor figurino – O menino, o vento e o mundo (Grupo Encenar-te)
Participantes da cerimônia de encerramento
Alexandre de Sena, Ângela Mourão, Bárbara Bof, Carolina Demétrio, Cláudio Dias, Daniel Protzner, Dílson
Mayron, Dudu Guimarães, Emerson Resende, Ernani Maletta, Karina Brandão, João das Neves, Leonardo
Scarpelli, Luciane Oliveira, Magnus César, Marco Flávio Alvarenga, Marcus Labatti, Marcos Vogel, Mônica
Ribeiro, Odilon Esteves, Raul Belém Machado, Roberta Maia, Rodrigo Robleño, Rodrigo Soares, Roseanne
Brant, Thaís Garayp, Tula Barcellos e Walmir José.
Números
:: 35 espetáculos inscritos
:: 224 participantes
:: Público de, aproximadamente, 2960 pessoas.
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41
Grupo Teatrama
Deus ex Machina
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(2002 e 2003)
Aparecida emocionou-se ao entrar, novamente, no Teatro Francisco
Nunes1. Fazia quarenta ou cinquenta anos, ela mal conseguia precisar a
data, em que, ainda jovem, esteve ali pela primeira vez. Era sua estreia
como espectadora de teatro e, no palco do “Velho Chico”, Maria Della
Costa2 “dava-lhe boas vindas”. Décadas depois, Aparecida retornava
ao local para acompanhar a turma do curso de Educação de Jovens e
Adultos, sempre presente na plateia do Festival Estudantil de Teatro.
Nas expressões dos colegas, muitos dos quais nunca tinham assistido
a uma peça teatral, ela percebia a mesma excitação que outrora havia
experimentado.
Rodrigo e Bárbara também se emocionaram quando receberam de
Carlos Rocha3, o Carlão, a notícia de que as portas do tradicional teatro
municipal de Belo Horizonte estavam abertas para o festival. O palco
dileto do nascimento do moderno teatro mineiro abrigaria agora as
quatorze peças que o FETO traria em sua quarta edição. Emoção e alívio.
Justamente em 2002, quando já não podiam mais contar com o Teatro
Casanova, o Teatro da Praça passava por problemas administrativos e
não pôde receber o festival.
Além do espaço em si, o “Chico” Nunes trazia para o festival outro
1 O Teatro Francisco Nunes, localizado no Parque Municipal, foi inaugurado em
1950. Seu palco abrigou peças de João Ceschiatti, João Etienne Filho, Jota Dangelo
e Haydée Bittencourt. Em 1980, foi praticamente reconstruído, mantendo apenas a
fachada. Está interditado e em reformas desde 2009, após um laudo ter constatado
sérios danos à estrutura do telhado.
2 Atriz e produtora, era admirada por sua atuação e beleza. Despontou na carreira nos anos 1940 e foi mentora de uma das primeiras companhias modernas – o
Teatro Popular de Arte –, que depois recebeu o nome de Teatro Maria Della Costa.
3 Diretor, produtor, iluminador e preparador corporal. Foi diretor do Teatro Francisco Nunes de 1992 a 2004.
43
elemento valioso: o técnico Orlan Torres, conhecido por Sabará.
Paciente e didático, ele auxiliava Eliezer no acompanhamento técnico
dos estudantes, principalmente em relação ao mapa de luz. Os dois
redesenhavam oralmente projetos às vezes mirabolantes ou sem nexo,
frutos da inexperiência dos alunos. Sabará acumulava a função de “anjo
cênico” dos organizadores que, distantes do profissionalismo de hoje,
também estavam aprendendo. Mesmo aos alunos do Colégio Santo
Agostinho de São Paulo, que vieram com Geração Coca-Cola e grande
produção – incluindo ônibus duplo, equipe uniformizada e susto nos
atônitos colegas de festival – ele tinha algo a ensinar.
Os recursos ainda eram poucos. Alguns apoios e um valor pequeno
arrecadado na bilheteria do ano anterior4. Seria difícil realizar o
festival sem contar com os amigos, sempre presentes. Uma rede de
colaboradores e parceiros que foi tão importante para a existência
do FETO quanto o amor pelo teatro, como os colegas do Cefar que, já
formados, assumiram, novamente, as oficinas. Uma delas – Expressão
da Voz, de Sandra Melo – logo atraiu a atenção da atriz recém-formada
e aspirante a professora de teatro, Sara. Com um grupo de amigos,
ela também participou da palestra A estética e as relações entre os
elementos teatrais, de Raul Belém Machado5, ídolo máximo do futuro
cenógrafo Daniel, que estava na primeira fila.
Na quarta edição do FETO, o espetáculo de abertura foi O Noviço,
4 Somando-se ao baixo valor do ingresso, tido como simbólico, o acesso de grande
parte do público através de cortesia sempre levou à baixa arrecadação por parte
da bilheteria.
5 Cenógrafo, figurinista, arquiteto teatral e professor é um dos principais cenógrafos de Minas Gerais e do país. Teve destacado trabalho à frente do Centro Técnico
de Produção da Fundação Clóvis Salgado (CTP).
44
45
Grupo Teen de Teatro Santo Agostinho
que trazia no elenco os então estudantes do Colégio Batista Mineiro,
Fred Bottrel6 e Priscilla Cler7. De Sabará, veio Segundas Intenções, com
um Isaque Ribeiro8 ainda menino interpretando vários personagens.
O.S.S.O.S tinha Thaís Inácio9, Joyce Malta10 e Wester de Castro11. A festa
de encerramento foi ao som do Maracatu do Trovão das Minas12.
No fim de 2002, o FETO também tinha o seu primeiro projeto aprovado
na Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Essa aprovação não garantia,
no entanto, verba para a realização da quinta edição do festival.
Era necessário passar pelo grande gargalo do mercado cultural13: a
captação de recursos que, para eles, que eram pouco conhecidos e
sem experiência, tornou-se uma tarefa ainda mais penosa.
Cursando Comunicação Integrada na PUC-Minas, Bárbara fez do
FETO matéria-prima para os trabalhos da faculdade e, aos poucos,
descobria nomes para o que já lhe era familiar: release, press kit, lead.
6 Ator , jornalista e participante do FETO 2001, 2002, 2003 e 2008.
7 Atriz, cantora e professora, participou do FETO nos anos de 2001, 2008 e 2011.
8 Ator, mestre em Artes e participante do FETO 2002, 2003, 2007 e 2010.
9 Atriz e participante do FETO 2002, 2003 e 2006.
10 Atriz e participante do FETO 2002.
11 Ator, diretor e participante do FETO 2002 e 2003.
12 O grupo surgiu das oficinas de maracatu ministradas pelo percussionista Lênis
Rino.
13 Criadas no início da década 90, as chamadas Leis de Incentivo à Cultura contêm mecanismos de isenção fiscal que se firmam no tripé iniciativa pública, setor
cultural e empresas. Projetos culturais são submetidos à aprovação das instâncias
governamentais responsáveis. Caso aprovados, eles se tornam aptos a captarem
recursos junto à iniciativa privada. As empresas patrocinadoras podem abater parte ou a totalidade do investimento de seus impostos a pagar.
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Os estrangeirismos conferiam um ar de importância, mas justo nesse
primeiro ano de nomes corretos para itens antigos, o festival corria o
risco de não acontecer: “Sem grana não dá mais”, argumentava Rodrigo.
O desânimo era total, a ponto de gerar um burburinho que correu pelo
curso de Bárbara: “neste ano, nada de FETO”. E aí aconteceu aquele
tipo de coisa que acontece quando se é jovem, se está na faculdade
e se tem uma turma de amigos que ainda não trabalham ou apenas
fazem estágio e estão loucos para aprender. Ao redor de um festival
sem nenhuma verba, juntou-se uma entusiasmada equipe de doze
pessoas, dispostas a trabalhar muito. A No Ato Cultural também
recebia o reforço de Eliezer – quase uma oficialização de alguém que já
participava desde o início. “Agora dá”, vibrava Rodrigo.
Para orientar os recém-chegados ao mundo do Festival Estudantil
de Teatro, foram criadas metodologias de trabalho para cada área.
“Ligar para cada jurado todos os dias lembrando do horário, pedindo
que cheguem pelo menos 15 minutos antes do início do espetáculo”,
alertava o detalhado documento Teatro de Palco. Às animadas reuniões
do grupo juntou-se, como não poderia deixar de ser, a turma do Cefar.
Das várias ideias que surgiram, uma trouxe como novidade para o
festival a realização de esquetes teatrais na casa de show Cervejaria
Oficial. Além das cenas-curtas, as apresentações contavam com show
de música, cerveja e alegria para maiores de dezoito. Tudo ao valor de
sete reais.
Cada vez mais, o FETO firmava-se na agenda cultural de Belo Horizonte.
“Esse festival não tem dono, é da cidade”, concordavam todos. E esse
festival de Beagá, em sua quinta edição, ainda no Chico Nunes e já na
era da internet, com e-mail e home page, recebeu Valsa Brasileira,
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48 3º Sinal
Grupo
Grupo de Teatro do Colégio Arnaldo
Grupo Vértebras
49 Mineiro
Grupo de Teatro do Colégio Batista
encenada pelo Grupo de Teatro do Colégio Arnaldo, que tinha como
diretor Odilon Esteves14, e O Menino e o Despenhadeiro, do Oficininha,
grupo do qual surgiram vários atores mineiros. De Palmas, no Tocantins,
veio o único grupo de teatro estudantil da cidade – Guta Cia. de Teatro
Guris & Tanto –, que voltou com o prêmio na categoria “teatro infantil”.
Convertidos, digamos, em ídolos municipais, ganharam da prefeitura
uma sede – para ensaios e oficinas – e verba para retornarem para a
reapresentação no ano seguinte, prêmio concedido pelo festival.
Na cerimônia de encerramento, apresentada por Fafá Rennó15, Alice no
País das Maravilhas foi tema para comemorarem também cinco anos
de FETO. Em meio à festa, uma nuvem de preocupação pairava sobre a
cabeça dos organizadores: tinham a certeza de que a partir da próxima
edição, a boa vontade teria que ser acompanhada de recursos. Logo,
porém, a nuvem foi dissipada. Coisa para se pensar no próximo ano.
No momento, tinham muito a comemorar e, cercados de bons amigos,
estenderam os brindes até o raiar do dia.
14 Ator, integrante da Cia. Luna Lunera.
15 Integrante e fundadora da Cia. Luna Lunera, Fafá Rennó é atriz, dramaturga e
diretora.
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Grupo Asas Para 51
Voar
52 Teatrama
Grupo
53
Grupo Encenarte
2002 / 2003 - Histórico
2002
Data
12 de outubro a 03 de novembro
Locais
Teatro da Praça, Teatro Francisco Nunes, Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado - CEFAR,
Centro de Cultura de Belo Horizonte, Parque Estrela Dalva e Parque das Mangabeiras..
Banca de seleção
Ângela Mourão, Beth Grandi, Emerson Rezende, Ildeu Ferreira, Roseanne Brant, Tula Barcellos e Viviane
Ferreira.
Comissão julgadora “Teatro Adulto”
José Júnior, Tula Barcellos e Viviane Ferreira.
Comissão julgadora “Teatro Infantil”
Graice Passô, Hanna Bhahija, Raimundo Farinelli e Robson Vieira.
Abertura
O Noviço – Grupo de Teatro do Colégio Batista Mineiro – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Teatro Adulto”
:: Geração coca-cola – Grupo Teen de Teatro Santo Agostinho – São Paulo/SP
:: Para nunca mais – Grupo Vértebras – João Monlevade/MG
:: Segundas intenções – Grupo 3º. Sinal – Sabará/MG
:: A comédia dos erros – Grupo U Q Teatral – Belo Horizonte/MG
:: A casa de Bernarda Alba – Grupo de Teatro do Colégio Batista – Belo Horizonte/MG
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:: O.S.S.O.S, onde só se omite a solidão – Grupo Adeusbia – Belo Horizonte/MG
:: Os irmãos das almas – Grupo Teatral Alunos do Skene – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Teatro Infantil”
:: Super-Mudinha – Grupo de Teatro CSCM – Pará de Minas/MG
:: Quem poderá prever um romance imprevisível – Grupo Arteofício – Belo Horizonte/MG
:: A Dona Baratinha – é agora ou nunca – Grupo Teatral Vivo – Belo Horizonte/MG
:: Harry Potter e a volta da família Valdemort – Grupo Teatral Imag’em’ação – Belo Horizonte/MG
:: A revolta dos brinquedos – Grupo Ceop – Ouro Preto/MG
:: Faz de conta – Grupo Asas Para Voar – Prados/MG
:: Soltando os bichos – Grupo Teatrama – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Teatro de Rua”
:: Reciclando para a vida – Alunos da Escola Municipal Governador Ozanan Coelho – Belo Horizonte/MG
:: T.R.A.M.A. – tramóias, rancores e amores de Marias Apaixonadas – Companhia Móvel de Teatro – Belo
Horizonte/MG
Palestras
:: A importância do ator polifônico e as possibilidades de sua formação – Ernani Maletta
:: A estética e as relações entre os elementos teatrais – Raul Belém Machado
:: Arte educação: sua importância e contribuição no movimento cultural – Amarílis Coelho Coragem
Oficinas
:: O corpo para jogar – Alexandre de Sena e Eliezer Sampaio
:: Jogos teatrais – Eduarda Lourenço
:: Expressão da voz – Sandra Melo
Premiados “Teatro Adulto”
Melhor peça – Segundas intenções (Grupo 3º. Sinal)
Melhor direção – Wester de Castro / O.S.S.O.S., onde só se omite a solidão (Grupo Adeusbia)
Melhor texto inédito – Wester de Castro / O.S.S.O.S., onde só se omite a solidão (Grupo Adeusbia)
Melhor ator – Isaque Ribeiro / Segunda intenções (Grupo 3º. Sinal) / Marcos Tavares / Os irmãos das almas
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(Grupo Teatral Alunos do Skene)
Melhor atriz – Thaís Inácio / O.S.S.O.S., onde só se omite a solidão (Grupo Adeusbia)
Melhor ator coadjuvante – Valter Vieira / Os irmãos das almas (Grupo Teatral Alunos do Skene)
Melhor atriz coadjuvante – Gleice Mara / Os irmãos das almas (Grupo Teatral Alunos do Skene)
Melhor cenário – Isabela Paes / Para nunca mais (Grupo Vértebras)
Melhor iluminação – Isabela Paes / Para nunca mais (Grupo Vértebras)
Melhor figurino – Satie Nakachima e Rose Nogueira / Geração coca-cola (Grupo Teen de Teatro Santo
Agostinho)
Premiados “Teatro Infantil”
Melhor peça – Faz de conta (Grupo Asas Para Voar)
Melhor direção – Isabella Lealy / Harry Potter e a volta da família Valdemort (Grupo Imag’em’ação)
Melhor texto inédito – Lenisa Teixeira / Faz de conta (Grupo Asas Para Voar)
Melhor ator – Hugo de Melo / A revolta dos brinquedos (Grupo Ceop)
Melhor atriz – Isabella Lealy / Harry Potter e a volta da família Valdemort (Grupo Imag’em’ação)
Melhor ator coadjuvante – César Rocha / Quem poderá prever um romance imprevisível (Grupo Arteofício)
Melhor atriz coadjuvante – Bela Vanucci / Harry Potter e a volta da família Valdemort (Grupo Imag’em’ação)
Melhor cenário – Lenisa Teixeira / Faz de conta (Grupo Asas Para Voar)
Melhor iluminação – Isabella Lealy / Harry Potter e a volta da família Valdemort (Grupo Imag’em’ação)
Melhor figurino – Lenisa Teixeira / Faz de conta (Grupo Asas Para Voar)
Participantes da cerimônia de encerramento
Carolina Demétrio, Clerinha Rocha, Eliezer Sampaio, Emerson Resende, Ernani Maletta, Itamar Bambaia,
Marcus Labatti, Marcos Vogel, Raquel Campolina, Raul Belém Machado, Trovão das Minas, Tula Barcellos e
Viviane Ferreira.
Números
:: 43 espetáculos inscritos
:: 313 participantes
:: Público de, aproximadamente, 3980 pessoas
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Grupo de Teatro do Colégio Arnaldo
Grupo Teatral Conta e Encanta
Grupo Teatral Vivo
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2003
Data
12 de outubro a 5 de novembro
Locais
Teatro Francisco Nunes, Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado - CEFAR, Centro de Cultura
de Belo Horizonte, Teatro Universitário da UFMG, Parque Municipal Américo Renné Gianetti, Centro Cultural
São Bernardo e Cervejaria Official.
Banca de seleção
Elvécio Guimarães, Gustavo Schettino, José Ricardo Júnior, Rodrigo Capanema e Walmir José.
Comissão julgadora “Teatro Adulto”
Gustavo Bones, Maria Rita Fonseca e Tula Barcellos.
Comissão julgadora “Teatro Infantil”
Glauco Mattos, Helena Mauro e Maria Carolina Tomé.
Comissão julgadora “Teatro de Esquetes”
Cecília Bizotto, Clerinha Rocha, Geraldo Octaviano, Henais Cristina da Cunha e Roseanne Brant.
Espetáculos “Teatro Adulto”
:: Álbum de família – Grupo 3º. Sinal – Sabará/MG
:: O que os meninos pensam delas – Grupo CEOP – Ouro Preto/MG
:: Valsa brasileira – Grupo de Teatro do Colégio Arnaldo – Belo Horizonte/MG
:: O menino e o despenhadeiro – Grupo Oficininha – Belo Horizonte/MG
:: Cacau cannabis: o vício – Grupo de Teatro Raízes – Belo Horizonte/MG
:: O poema do concreto armado – Grupo Skené (SESC) – Belo Horizonte/MG
:: A casa de Bernarda Alba – Grupo FASF em Cena – Luz/MG
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Espetáculos “Teatro Infantil”
:: Vô, vá! – Grupo Arteofício – Belo Horizonte/MG
:: A cigarra e a formiga – Grupo Teatral Conta e Encanta – Sabará/MG
:: Para ver com o coração – GUTA Cia. de Teatro Guris & Tanto – Palmas/TO
:: Grilolândia: uma história divertida – Companhia do Verde – Belo Horizonte/MG
:: Fauna encantada – Grupo Paternon – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Teatro de Rua”
:: Tirando o mofo de Mofada – Grupo Encenarte – Belo Horizonte/MG
Esquetes
:: A morte – Grupo Outros – Belo Horizonte/MG
:: Cena cotidiana – Grupo Arma Cena – Belo Horizonte/MG
:: A morte de Odorico Paraguaçu – Grupo Aplausos – Belo Horizonte/MG
:: O sequestro de Bianca – Grupo Teatral Fazendo Arte – Belo Horizonte/MG
Palestras e Debates
:: O Teatro em BH no contexto histórico da repressão militar – Glória Reis
:: Lei de Incentivo à Cultura – Arnaldo Godoy
:: O processo de formação e inserção do artista no mercado de trabalho – Marcos Vogel (mediador), Flávia
Fernandes e Thaís Inácio Rezende
Oficinas
:: Palavra embornal – Cristina Borges
:: Confecção de bonecos recicláveis – Rafael Sol
:: O corpo em movimento – Robson Vieira
Premiados “Teatro Adulto”
Melhor peça – O menino e o despenhadeiro (Grupo Oficininha)
Melhor direção – Ana Domitila / O menino e o despenhadeiro (Grupo Oficininha)
Melhor texto – Rodrigo Robleño / O poema do concreto armado (Grupo Skené - SESC)
Melhor ator – Henrique Brener / O menino e o despenhadeiro (Grupo Oficininha)
Melhor atriz – Thaís Inácio / O poema do concreto armado (Grupo Skené - SESC)
Melhor ator coadjuvante – Diogo Pivari / O poema do concreto armado (Grupo Skené - SESC)
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Melhor atriz coadjuvante – Joyce Malta / O poema do concreto armado (Grupo Skené - SESC)
// Andréia Gomes / O menino e o despenhadeiro (Grupo Oficininha)
Melhor cenário – O menino e o despenhadeiro (Grupo Oficininha)
Melhor iluminação – O que os meninos pensam delas (Grupo CEOP)
Melhor figurino – Amina Valadares / O menino e o despenhadeiro (Grupo Oficininha)
Premiados “Teatro Infantil”
Melhor peça – Para ver com o coração (GUTA Cia. De Teatro Guris & Tanto)
Melhor direção – Jannys Claiton / Para ver com o coração (GUTA Cia. De Teatro Guris & Tanto)
Melhor texto – Para ver com o coração (GUTA Cia. De Teatro Guris & Tanto)
Melhor ator – Jonielson Ribeiro / Grilolândia: uma história divertida (Companhia do Verde) // César Rocha /
Vô, vá! (Grupo Arteofício)
Melhor atriz – Magda Carvalho / Para ver com o coração (GUTA Cia. De Teatro Guris & Tanto)
Melhor ator coadjuvante – Ancelmo dos Santos / Grilolândia: uma história divertida (Companhia do Verde)
Melhor atriz coadjuvante – Aline Elizabeth / Grilolândia: uma história divertida (Companhia do Verde)
Melhor cenário – A cigarra e a formiga (Grupo Teatral Conta e Encanta)
Melhor iluminação – Grilolândia: uma história divertida (Companhia do Verde)
Melhor figurino – Grilolândia: uma história divertida (Companhia do Verde)
Participantes da cerimônia de encerramento
Carolina Demétrio, Fabiano Persi, Fafá Rennó, Helga Baêta, Larissa Zadorosny, Manaíra Araujo, Michelle
Costa, Michelle Gonçalves, Rosana Ferreira e Socrates Cesarino.
Números
:: 37 espetáculos inscritos
:: 350 participantes
:: Público de, aproximadamente, 5850 pessoas
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Foto de público tirada no parque municipal.
Entreatos (2004 e 2005)
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Mal começou o ano de 2004 e João iniciou os preparativos para inscrever
seu grupo no FETO. O professor de teatro teria, junto com seus jovens
alunos, muito trabalho pela frente, mas os estudantes estavam dispostos a
terem encontros extras fora dos horários das aulas. Alguns tinham amigos
que já haviam participado do festival e que contavam com animação terem
aprendido coisas novas e conhecido pessoas de outros lugares. João e
seu grupo queriam, definitivamente, ter essa experiência. Foi, portanto,
um balde d’água fria quando descobriram que, naquele ano, não haveria
festival. Por decisão unânime dos organizadores, o FETO seria interrompido
até que fossem captados recursos para sua realização.
A notícia comoveu grupos que tradicionalmente participavam do festival
e integrantes da classe artística. Cartas, abaixo-assinados e artigos publicados em jornais pediam a continuidade. “O FETO não pode morrer. Caso
aconteça, para nós morrerá também um sonho que gostosamente estava
tornando-se real: aprender”. Era o que dizia um trecho da carta que o grupo Arteoficio1 mandou aos organizadores. De Marcelo Bones2, veio Um
brado de apoio. Nele, lia-se: “Sem dúvida, essa semente plantada em 99
já está hoje crescida, amadurecida, profissionalizada, aperfeiçoada e, em
cada momento de sua trajetória, mais e mais importante para o teatro
feito em Minas Gerais”.
Tanto em 2004 quanto em 2005, tentou-se exaustivamente realizar o
festival, mas, durante dois anos, não ocorreu o FETO. “Por isso, são onze
1 Os grupos da Escola Municipal Hilda Rabelo, da qual o Arteofício fazia parte,
haviam se apresentado em todas as edições anteriores.
2 Ator, sociólogo, diretor, palhaço e professor de teatro. Com Ângela Mourão fundou, em 1990, o Grupo Teatro Andante.
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edições, mas treze anos de trabalho”, sempre explica Bárbara. Sim. Muito trabalho. Além de buscarem patrocínio, batalharam para que a No Ato Cultural deixasse de ser apenas a assinatura da realização e se tornasse, efetivamente, uma associação formal, com capacidade para gerir um festival cada vez maior e mais
profissional. Além de um CNPJ, a No Ato conquistou uma sala – o antigo quarto de Rodrigo, na parte externa
da casa de seus pais – um computador e uma linha de telefone fixo. Era o fim das paradas nos orelhões,
anotando sem jeito recados e obrigações em uma cadernetinha, e das reuniões nas praças públicas. Para
pagarem os gastos que tinham, a solução momentaneamente adotada foi atuarem como produtores de
bandas e artistas locais.
Como todos tinham outros empregos e estágios, os encontros eram, principalmente, à noite (quase sempre
ganhando a madrugada). O mercado cultural e suas possibilidades ainda eram novidade, mas, aos poucos,
deixavam de ser um bicho de sete cabeças. Em 2004, uma empresa investidora que havia sido confirmada
foi “barrada” pela burocracia que permeava os primórdios das leis de incentivo à cultura. Mas eles não
desanimaram. Dispostos a retomarem o festival, mergulharam ainda mais no emaranhado de editais
públicos e privados e dedicaram-se a decifrar e preencher formulários, planilhas, documentos obrigatórios
e facultativos. Liam e reliam. Escreviam e reescreviam. “Escrever é cortar palavras”, repetia Daniel Protzner
o aforismo-jargão dos professores de jornalismo enquanto se empenhava em deixar os textos enxutos e
objetivos. “Desse jeito, tira toda a beleza”, lamentava Rodrigo.
Em meio a essa tentativa de estruturação, já em 2005, Bárbara se viu às voltas com a formatura na
universidade e com uma pergunta que se repetia e ecoava em sua mente: “o que você quer ser quando
crescer?”. Sua resposta rendeu à No Ato a primeira funcionária em horário integral da associação. Rodrigo,
que trabalhava com consultoria para projetos de licenciamento ambiental, deixava, aos poucos, o emprego
formal. Corpos e mentes cansados também já não mais aguentavam a jornada dupla, por vezes tripla.
Os sacrifícios eram necessários e foram compensados. No início de 2006, o FETO foi aprovado no Fundo de
Projetos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. A verba vinha direto da Fundação Municipal de Cultura de
Belo Horizonte, sem necessidade de captação junto à iniciativa privada. E a No Ato Cultural, com sala, CNPJ,
computador e telefone, começou a organizar a sexta edição do Festival Estudantil de Teatro.
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Evoé (2006)
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“Onde você quer um autógrafo?”, perguntou Pedro Henrique Pinto
à Bárbara quando esta foi lhe cumprimentar pelo prêmio de melhor
ator na sexta edição do Festival Estudantil de Teatro. Beirando os nove
anos, Pedro fazia o coronel da peça Dois corações e quatro segredos,
encenada pelo Grupo Teatral Randolfo. Diante da trupe de pequenos
atores, entre oito e onze anos, estava uma plateia pouco habituada
ao teatro e que insistia em não prestar atenção nos colegas que se
apresentavam no palco. O coronelzinho, porém, não se fez de rogado.
Utilizando-se da personagem bradou por atenção, bateu a bota no
chão, e o público calou-se.
Essa era uma das dezesseis peças que o FETO abrigou em seu retorno.
Mas retorno talvez não seja a melhor palavra para descrever esse
momento. O festival voltava, mas não era mais o mesmo. Se, por
um lado, mantinham-se inalterados os ideais que lhe deram origem,
por outro, a responsabilidade e a necessidade de profissionalização
pesavam sobre os ombros dos não mais estudantes Bárbara, Rodrigo e
Eliezer. Amadurecido, o festival tinha e desejava ter suas contas pagas.
Com a verba do Fundo Municipal, respiraram um pouco mais aliviados
e puderam, finalmente, remunerar o trabalho dos jurados; gente
bacana e competente que sempre contribuiu de graça. Mais que em
questões financeiras, no entanto, a maturidade do FETO era traduzida
nos novos objetivos que se delineavam. Para além da produção,
consequência primeira do trabalho, ficavam maiores as preocupações
com a formação de público e com o contexto do festival para a cidade.
Definitivamente, essa volta representava uma nova fase, com todas as
dores e as delícias de crescer.
O aviso anunciado em alto e bom som – “A No Ato tem uma surpresa:
adivinha quem está para nascer?” – era apenas uma das ações
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72 de Teatro Policena
Grupo
propostas no planejamento de comunicação desenvolvido por Roberta
Conde e Maria Elisa Ferreira1. Foi o bastante para entusiasmar os que
se recordavam do festival e aguçar a curiosidade do novo público
atingido. As centenas de malas-diretas anteriormente enviadas, aos
poucos, davam lugar ao prático e-mail. A estratégia de mobilização
ainda incluiu a Mostra Fomento, com espetáculo da Cia Lúdica dos
Atores2 sendo levado a três escolas de Belo Horizonte. Foi em uma
dessas apresentações que Amanda soube que o FETO retornaria e deu
pulos imaginários de felicidade. A atriz-mirim era só mais uma das várias
pessoas que ligaram periodicamente, nos dois anos anteriores, para
pedir a volta do festival. Assim como os outros grupos estudantis, o de
Amanda também tinha ficado sem lugar para se apresentar. Além disso,
era notório o capital afetivo que, nesses anos, havia sido conquistado.
O motivo? “O FETO é feito para os participantes. Isso nunca foi um
slogan ou papo furado”, como explica Eliezer. E se “voltar” era o verbo
da vez, Byron deu novamente o ar de sua graça e, naquele ano, fez as
imagens e entrevistas para o primeiro vídeo institucional do festival
(como faria em todas as edições subsequentes).3
Em sua sexta edição, o FETO dedicou um carinho especial ao teatro
de rua, já presente desde o terceiro festival. Para a abertura, o projeto
1 Antigas sócias da Guia Planejamento de Comunicação, empresa que encerrou
suas atividades em 2008.
2 Criada em 2002, a Companhia Lúdica dos Atores é uma associação sem fins lucrativos, que tem como proposta estudar, montar e popularizar a obra de Shakespeare.
3 A edição dos vídeos institucionais do FETO é feita por Guilherme Reis, da Postura Digital.
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Cine Horto Pé na Rua4 ocupava a Praça Duque de Caxias, no bairro Santa
Tereza, com a peça No Baile. Na lista de desejos dos organizadores,
estimular a produção do teatro de rua estava em posição de
destaque. O momento parecia oportuno, pois existia uma sensação
generalizada de que o espaço urbano era cada vez mais procurado
pelos grupos teatrais belo-horizontinos. Tendência que ainda não se
refletia nas escolas, que permaneciam com dificuldades estruturais e
ideológicas para desconstruir a ideia do palco italiano (ao longo dos
anos, no entanto, foi percebida no FETO não apenas uma diferença
das produções estudantis na relação com a rua, como também com
o espaço alternativo). A ação deu tão certo que foi repetida no ano
seguinte, com o espetáculo Nossa Pequena Mahagonny, do Grupo
Teatro Invertido5.
E, por falar em espaço alternativo, uma limitação no regulamento quase
deixou de fora os cariocas do Especulações Cia. de Teatro, grupo da
Uni-Rio. Selecionados para se apresentarem, eles foram inicialmente
excluídos, pois o espetáculo que propunham não se adaptava ao teatro
(no caso dessa edição, o Dom Silvério). Certos de que regras não podem
sobrepor-se ao bom senso, os organizadores decidiram trazer a peça
Um nome para Romeu e Julieta como convidada. O grupo escutou na
ligação: “entendemos que não temos que fazer todos caberem em uma
mesma caixa”. O espetáculo foi realizado na Caixa Clara6. Cauã, que
4 Criado em 2005, Pé na Rua nasce do desejo do Grupo Galpão de realizar um
projeto de pesquisa e criação voltado para o teatro de rua.
5 Criado em 2004 com o principal objetivo de aprofundar a pesquisa em treinamento do ator e criação cênica, iniciada por seus integrantes no curso de graduação em teatro da UFMG.
6 Desde 2005, o galpão é sede da Cia. Clara de Teatro.
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Arautos da Cidadania
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Grupo Liberdade de Expressão
estava na plateia, havia sido praticamente arrastado pela namorada ao
local. “Teatro fora do teatro?”, indagava incrédulo, certo de se tratar
de um modismo sem sentido. “Careta”, desdenhava a namorada,
insistindo: “vamos lá, você vai gostar”. Fizeram uma aposta e Cauã
acabou pagando o jantar daquela noite. Espantado, ele que pensara
ser impossível encenar uma peça fora de um teatro convencional,
aplaudiu entusiasticamente.
Espanto também sentiu Rodrigo ao descobrir um esburacado teto no
galpão da Casa do Conde7, onde seria a festa de encerramento. Junto
com seu pai, providenciou os reparos emergenciais, e a celebração,
sem riscos de chuva, foi um sucesso. A cerimônia contou com a
apresentação de Cristiano Araújo8 e atuação de Fabiano Persi9 em cima
do tema O Homem de Teatro. Para o delírio dos participantes, havia
sido anunciado que, pela primeira vez, os premiados circulariam por
Contagem, Sabará, Itabira e Nova Lima, em uma ação de estímulo à
continuidade dos grupos. Era o FETO que voltava em nova fase e em
grande estilo.
7 Restaurada para ser a sede da Funarte MG, a Casa do Conde de Santa Marinha foi
construída em 1896 pelo conde português Antônio Teixeira Rodrigues.
8 Ator e integrante do grupo Armatrux.
9 Ator e sócio da Cia. Solo Empresarial.
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Grupo Oficininha de Teatro
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80 Cia. Teatral
Oboré
Grupo Tentando...
Grupo Roda Viva
Cia. Preqária
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Grupo CEOP
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Grupo Utopia
84 Teatral Randolfo
Grupo
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Cia. Faminta De Teatro
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Especulações
Cia. De Teatro
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2006 - Histórico
Data
22 de outubro a 12 de novembro
Locais
Teatro Dom Silvério, Caixa Clara, Instituto de Educação Continuada da PUC Minas, Casa do Conde de Santa
Marinha (Funarte/MG), Parque Lagoa do Nado, Parque Municipal Américo Renné Gianetti, Parque Estrela
Dalva, Parque das Mangabeiras e Praça Duque de Caxias.
Incentivo
Fundo de Projetos Culturais Prefeitura Municipal de Belo Horizonte
Apoio
Guia Planejamento de Comunicação
Banca de seleção
Fabiano Persi, Geraldo Octaviano, Ricardo Macedo, Rogério Oliveira Araújo e Tula Barcellos.
Comissão julgadora “Teatro Adulto”
Fabiano Persi, Geraldo Octaviano, Leticia Duarte, Manoelita Lustosa e Tula Barcellos.
Comissão julgadora “Teatro Infantil”
Ana Cristina Bruno Soares, Fabiano Persi, Leonardo Augusto de Andrade, Letícia Duarte e Tula Barcellos.
Abertura
No Baile – Projeto Pé na Rua Cine Horto – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Teatro Adulto”
:: Uma história que não aconteceu – Grupo Real Fantasia – Belo Horizonte/MG
:: Bernarda Alba – Grupo Utopia – Belo Horizonte/MG
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:: À espera – Grupo Roda Viva – Contagem/MG
:: O pequeno barão – Grupo Oficininha de Teatro – Belo Horizonte/MG
:: Qorpo Santo – Cia. Preqária – Belo Horizonte/MG
:: Um beijo, um abraço, um aperto de mão – Grupo No Susto – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Teatro Infantil”
:: A bruxinha que era boa – TOPA: Teatro Oficina Para Atores – Belo Horizonte/MG
:: Putz: a menina que buscava o sol – Oboré Cia. Teatral – Belo Horizonte/MG
:: Sketches – Grupo CEOP – Centro Educacional Ouro Preto – Ouro Preto/MG
:: A bruxinha que era boa – Grupo de Teatro Policena – Barbacena/MG
:: Dois corações e quatro segredos – Grupo Teatral Randolfo – Contagem/MG
:: Lilimão – Grupo Tentando... – Belo Horizonte/MG
Espetáculo Convidado
:: Um nome para Romeu e Julieta – Especulações Cia. De Teatro – Rio de Janeiro/RJ
Espetáculos “Teatro de rua”
:: Em brusca da cápsula de felicidade – Grupo Liberdade de Expressão – Belo Horizonte/MG
:: Alice, quem és tu? – Faminta Cia. De Teatro – Belo Horizonte/MG (Grupo Convidado)
:: E ai, Vivi? – Grupo As Brunellis – Belo Horizonte/MG
Debate “Formação em Teatro”
Adriane Garcia, Antônio Hildebrando, Glicério Rosário, Odilon Esteves e Walmir José.
Palestras
:: Profissionalização no Teatro – José de Oliveira Junior
:: Teatro infantil ou para crianças – Glicério Rosário
Oficinas
:: Treinamento físico para a preparação corporal do ator – Jonnatha Fortes / Leandro Acácio
:: E agora? O cenário é pra ontem! – Tião Vieira
:: Sonoridades – Meibe Rodrigues
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Premiados “Teatro Adulto”
Melhor peça – À espera (Grupo Roda Viva)
Melhor direção – Marcelo Veronez e Rafael Villar / À espera (Grupo Roda Viva)
Melhor texto – Fernando Bustamante / Uma história que não aconteceu (Grupo Real Fantasia)
Melhor ator – Max Leandro / Qorpo Santo (Cia. Preqária) // Rafael Lucas / À espera (Grupo Roda Viva)
Melhor atriz – Anna Carolina Tavares / À espera (Grupo Roda Viva)
Melhor ator coadjuvante – Thiago Prata / Qorpo Santo (Cia. Preqária)
Melhor atriz coadjuvante – Daniela Graciere / À espera (Grupo Roda Viva)
Melhor cenário – Luciene Gomes e Thiago Prata / Qorpo Santo (Cia. Preqária)
Melhor iluminação – Enedson Gomes / Qorpo Santo (Cia. Preqária)
Melhor figurino – Luciene Gomes, Thiago Prata e Rachel Adriana / Qorpo Santo (Cia. Preqária)
Menção honrosa – Grupo Utopia / Bernarda Alba
Premiados “Teatro Infantil”
Melhor peça – Putz: a menina que buscava o Sol (Oboré Cia. Teatral)
Melhor direção – Júlia Guimarães e Henrique Limadre / Putz: a menina que buscava o sol (Oboré Cia. Teatral)
Melhor ator – Kelvin Christian / Dois corações e quatro segredos (Grupo Teatral Randolfo)
Melhor atriz – Stephanie Andrade / Putz: a menina que buscava o Sol (Oboré Cia. Teatral)
Melhor ator coadjuvante – Caio Santos / Dois corações e quatro segredos (Grupo Teatral Randolfo)
Melhor atriz coadjuvante – Licinéia Santos / Putz: a menina que buscava o Sol (Oboré Cia. Teatral)
Melhor cenário – A bruxinha que era boa (Grupo de Teatro Policena)
Melhor iluminação – Rodrigo Marçal / Putz: a menina que buscava o Sol (Oboré Cia. Teatral)
Melhor figurino – Lorena Campos / Lilimão (Grupo Tentando...)
Participantes da cerimônia de encerramento
Beth Grandi, Cristiano Araújo, Fabiano Persi, Glicério Rosário, Juliana Barreto, Odilon Esteves, Orlan Torres,
Meibe Rodrigues, Walmir José, Wilson Oliveira, Tião Vieira e Tula Barcellos.
Números
:: 34 espetáculos inscritos
:: 172 participantes
:: Público de, aproximadamente, 2500 pessoas
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Projeto Pé na Rua Cine Horto
Ágora Intinerante (2007 e 2008)
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Bruno não apenas se apresentou no FETO em 2006, como assistiu
a quase todas as peças. Para ele, participar ativamente também
significava a oportunidade de conhecer e efetuar trocas com grupos que,
diferentemente do seu, estavam em processo de profissionalização.
Ele se encantou especialmente pela encenação de Uma história que
não aconteceu, do Grupo Real Fantasia1. Saiu da peça relembrando as
falas, os gestos, tentando recriar mentalmente as marcações de cena.
De repente, sentiu no peito uma pitada de angústia: “não era justo o
grupo de sua escola concorrer com o Real Fantasia! Definitivamente,
não era justo”. Por isso, o que Bruno notou primeiro no regulamento
da sétima edição do festival é que passaram a existir duas categorias:
“Teatro na Escola” e “Escola de Teatro”. Inscreveu-se feliz.
Até esse regulamento ficar pronto, no entanto, a velha batalha pela
realização do FETO já vinha ocorrendo. O ano de 2007 começava com
cara de 2004: sem verba e sem perspectivas. A primeira porta fechada
veio das leis de incentivo: naquele ano, o festival não havia sido aprovado
na esfera municipal. Em um momento em que interdisciplinaridade já
era a bola da vez, a não aprovação relembrava discursos de décadas
passadas: “por que o projeto está sendo enviado para a Cultura se
ele é de Educação?”. No artigo que Raquel Chaves2 escreveu sobre o
assunto para o jornal Estado de Minas, ela dizia: “Ao contrário do que
1 O Grupo Real Fantasia tem como meta a valorização do Teatro feito para crianças como forma de arte. Há 25 anos trabalhando para este público, o grupo tem
em seu currículo diversas produções e prêmios.
2 Formada em Letras pela UFMG e atualmente trabalha como administradora cultural na Funarte MG. É mestre em Estudos Literários pela UFMG, especializou em
Ensino e Pesquisa no Campo da Arte e da Cultura, pela UEMG e em Políticas Públicas de Cultura, pela UNB.
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pensam os amantes da arte pura, inserir os jovens atores no mundo profissional não significa retirarlhes as veias artística e cultural; pelo contrário, significa formar o estudante em sua totalidade e fazer
dialogar sua expressão artística com o meio em que vive. Isso quer dizer que o festival, em consonância
com as atuais preocupações do ministro Gilberto Gil, tem como base o tripé educação, vivência e
cultura”. Com ou sem projeto aprovado, no entanto, para os organizadores, ficar sem realizar o FETO
não era mais uma opção.
Do mesmo poder público também veio uma importante porta aberta. Sensibilizada com a situação, a
coordenadora da Fundação Nacional de Artes (Funarte) de Minas Gerais, Mírian Lott, indicou algumas
possibilidades. Depois de muitas tentativas, o festival recebeu patrocínio do Instituto Unimed e da
Cemig. Apenas o da Unimed foi efetivamente utilizado em 2007, pois o recurso depositado pela Cemig
só seria liberado pelo Ministério da Cultura no ano seguinte, após longa batalha contra a burocracia,
horas intermináveis de telefonemas para Brasília e o caso indo parar no gabinete do então ministro.
Na sétima edição, insistência e conquista marcaram não apenas o processo de captação. “Finalmente!”
– exclamaram todos quando Alexandre, que colaborou com o festival desde sua primeira edição,
ingressou oficialmente nos quadros da No Ato e passou a contribuir desde a produção até o conceito,
da direção artística à criação gráfica. No final de 2007, ele começou a criar uma identidade visual para
as peças do festival. Outro que veio diretamente de 1999 para integrar a equipe, especificamente para
a fase de produção, foi Marcelo Veronez. Mais oportunidades para sempre repetir: “fui o primeiro ator
a se apresentar no FETO”.
Crescida, a No Ato literalmente saiu de casa. A nova sede, na Rua Niquelina, no bairro Santa Efigênia,
tinha pé direito alto, janelas grandes, quintal, árvore e chuva. Além do escritório, a associação também
seria equipada com quatro laptops. Tantas estripulias foram possíveis graças ao acordo com a Teia3 para
que fosse assumida a produção da área de artes cênicas do encontro.
3 A Teia é o encontro nacional dos Pontos de Cultura, promovido pelo Ministério da Cultura. Em 2007, ele foi realizado
em Belo Horizonte com o subtítulo “Tudo de Todos”. A No Ato foi contratada pela produtora Cria! Cultura.
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Cia. Cínica
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Oficina “Os Objetos no Teatro de Animação: da Resignificação à construção de um Personagem”
CaFETO
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CaFETO
E como este era um ano de novidades, elas continuaram. Começado o festival, as deliciosas conversas
que recebiam o enfadonho e espanta-público nome de “palestras” deram lugar ao CaFETO, com direito
a café (e lanche) de verdade. A descontração do nome contagiou o formato, e a intensa troca entre
convidados e participantes deu o tom das conversas. Cada vez mais, a produção de conhecimento
dentro do festival era destaque da programação. Aos participantes, mais voz e possibilidades. Entre
as boas surpresas da edição, também estava o Grupo de Teatro Nós Cegos, formado por deficientes
visuais. Com Os Saltimbancos, eles mostraram ser o teatro uma linguagem universalmente acessível.
O ano de 2007 do FETO terminou, novamente, na Casa do Conde, com Renata Cabral4 apresentando a
cerimônia de encerramento, cujo tema era Cinema. Nem bem se recuperaram da festança, no entanto,
o telefone da No Ato já tocava com professores e estudantes do outro lado da linha, solicitando mais
oficinas de formação e capacitação.
Por isso, das cinco oficinas que seriam oferecidas em 2008, na oitava edição do Festival de Teatro
Estudantil, três eram voltadas para estudantes da rede estadual de ensino, e foram ministradas nas
próprias escolas. Ana Hadad5, Gustavo Falabella6 e Meibe Rodrigues7, três educadores habituados
a lidar com crianças e jovens, foram escalados para a missão. O olhar mais voltado aos processos
formativos dentro do FETO era reforçado pela presença de Rodrigo entre os organizadores, uma vez
que ele havia, três anos antes, concluído o seu curso de psicopedagogia.
Além da produção formal de conhecimento, o FETO se firmava ainda mais como um espaço de trocas
informais, presentes na gênese do festival e tão ricas para participantes e equipe. Tanto na reunião com
4 Atriz, pesquisadora e coordenadora do projeto Paisagens Poéticas: o nome disso é rua.
5 Atriz e preparadora vocal.
6 Ator, integrante da ZAP 18 e professor de teatro.
7 Atriz graduada em Comunicação Social, Relações Públicas pela Faculdade Newton Paiva, pós-graduada em música
com especialização em educação musical pela UFMG.
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os grupos de Belo Horizonte8, realizada desde o primeiro ano, quanto
nos corredores, coxias e camarins, os estudantes se familiarizavam com
termos e técnicas. “O que é um mapa de luz? Como criar mecanismos de
sustentabilidade para o grupo? Como calcular o tempo de montagem
e desmontagem?”. O festival estava agora permeado de possíveis
experimentações e descobertas e converteu-se em espaço de diálogo
e construção coletiva.
Em 2008, o caráter formativo do FETO foi reforçado pelas parcerias
com o Galpão Cine Horto9 – uma das sedes da oitava edição – e com
o Centro Técnico de Produção (CTP), da Fundação Clóvis Salgado10.
As duas instituições ofereceram bolsas de estudos para participantes
selecionados. Do CTP, desde os primórdios, o FETO podia contar com
figurinos emprestados pelas mãos de Raul Belém Machado. Como
ocorria desde 2006, a abertura foi feita por um grupo profissional
convidado, a Cia Pierrot Lunar11, com a peça Atrás dos Olhos das
Meninas Sérias. Escolhidos a dedo – pela linguagem, pela proposta ou
pelo caráter de pesquisa – os grupos profissionais sempre ofereceram
aos participantes mais uma oportunidade de aprendizagem e vivência.
O CaFETO foi repetido em dose dupla e com pitadas extras de emoção.
A proposta era unir os participantes da oitava edição aos integrantes
8 Encontro entre todos os grupos selecionados de Belo Horizonte e os organizadores do FETO.
9 Fundado em 1998, é o centro cultural criado pelo Grupo Galpão em Belo Horizonte. Essa mesma parceria seria repetida em 2009.
10 Em 2007, o CTP já era parceiro do FETO, fato que se repetiu em 2010.
11 Criado em 1993, desde 2007 desenvolve sistematicamente processo de investigação que estuda e experimenta modos de fazer narrativo na cena teatral.
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Cia Pierrot Lunar
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100Experimental de Arte (TEA)
Teatro
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de grupos que haviam participado em edições anteriores. Foi o momento de reencontrar Graziella
Alvares12, Cesar Rocha13, Robson Ferreira14 e antigos integrantes do Encenarte15. Não apenas o FETO e
seus organizadores tinham crescido e amadurecido, mas também aqueles que já haviam passado pelo
festival estavam em outro lugar, contribuindo com os recém-chegados.
Antes disso, no entanto, a linda – porém inundada — nova sede começou a dar dor de cabeça, situação
amenizada pelos lanchinhos e cuidados que Rosana Ferreira16, que à época trabalhava na parte
administrativa da No Ato, fazia. Nem isso foi capaz de reverter o mau-humor com a conta de água que
chegou salgada, em virtude de um vazamento. Depois que a frustrada tentativa de negociação com
o proprietário virou uma desgastante discussão, ficou decidido: era hora de mudarem novamente.
Faltando sete dias para o início do festival, o momento foi de intensa correria: encontraram uma casa,
fecharam o contrato e providenciaram a mudança. A casa, também grande e com área externa, ocupava
o número 1310 da Rua Itajubá, no bairro Sagrada Família. “O azar virou sorte!”, foi como Alexandre
comemorou. Nesta época, ele ainda se dividia entre o trabalho no festival e no Instituto Oboré17 e
teve uma ideia para as peças gráficas da edição 2008: os meninos do instituto fariam desenhos que
serviriam de base para a criação gráfica. Nos cartazes, crianças, jovens e velhos: em imagens, um FETO
para todos.
No encerramento, super-heróis invadiram o Teatro Dom Silvério para desvendarem o mistério do roubo
do troféu do festival. O Clark Kent, Fabiano Persi, era quem recebia o público para, posteriormente,
12 Atriz e arte educadora, participou do FETO de 1999 a 2001 e em 2003.
13 Professor de Espanhol e Literatura, participou do FETO de 2001 a 2003.
14 Diretor, professor de teatro e administrador da AGR Produções Culturais, participou do FETO de 1999 a 2001.
15 Um dos grupos originados a partir da experiência do Teatrama, na Escola Municipal Hilda Rabelo. Apresentou-se no
FETO nas edições de 2001 e 2003.
16 Atriz e fundadora da Cia. Faminta.
17 Instituto Oboré (posteriormente Undió), coordenado pelas artistas plásticas Júlia e Thereza Portes, a ONG oferece
oficinas de teatro, música, artes plásticas e comunicação para 150 jovens, moradores de bairros como Cachoeirinha,
Centro, Aglomerado da Serra, Vila São Rafael e Pedreira Prado Lopes.
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Coletivo Teatro da Margem
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transformar-se em Super-Homem. Carol Oliveira18, que em 2003 havia
participado do FETO na peça Valsa Brasileira, retornou de Mulher
Maravilha. A filha de Carolina Demétrio19, Naiara, de seis anos,
encarou com seriedade o papel de Mônica, e Daniel Carfa20, que estava
no primeiro Festival, assumiu Robin. Economia e criatividade ainda
inseriram a Formiga Atômica e o Homem Invisível na trama (note bem:
dois personagens que o público não enxerga precisam apenas das falas
em off, o que equivale a dois cachês a menos). Ao final, o troféu foi
descoberto em posse do homenageado da noite, Elvécio Guimarães.
Com extensa carreira como ator e diretor, Elvécio foi um dos responsáveis
pela implantação do Centro de Formação Artística do Palácio das Artes,
instituição onde lecionou durante 22 anos. A escolha de homenageálo foi natural para um festival que investia mais e mais, a cada ano
que passava, em troca de conhecimentos, atividades de capacitação e
formação de público. A sétima e a oitava edição consolidavam no FETO
a Educação como uma feliz parceira da Cultura.
18 Atriz e terapeuta ocupacional.
19 De 1999 a 2009, as cerimônias de encerramento do FETO tiveram a presença de
uma personagem inusitada que entregava os troféus aos convidados: a corcunda.
Quem encarnou o papel, na maior parte do tempo, foi a atriz Carolina Demétrio,
com exceção dos anos de 2007 e 2009, que a personagem foi interpretada por
Raquel Dutra e Tula Barcellos, respectivamente.
20 Ator, participou do FETO em 1999.
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Grupo Ditirambo
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106CIC... e Tal
Grupo
Grupo Circulo Teatral
Trupica Trupe
Grupo CEOP
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Grupo de Teatro Nós Cegos
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2007 / 2008 - Histórico
2007
Data
18 de novembro a 2 de dezembro
Locais
Teatro da Maçonaria, Teatro Izabela Hendrix, Teatro Universitário da UFMG, SESI Holcim, Caixa Clara, Funarte
Casa do Conde, Praça Duque de Caxias, Parque Municipal Américo Renné Gianetti, Escola de Belas Artes da
UFMG, Escola Estadual Coronel Juca Pinto e Escola Municipal Mestre Ataíde.
Incentivo/Patrocínio
Instituto Cidadania Unimed BH
Banca de seleção
Brisa Ramos Marques, Fabiano Persi, Gustavo Falabella, Michelle Ferreira e Rico Macedo.
Comissão julgadora “Escola de Teatro”
Fabiano Persi, Michelle Ferreira, Neise Neves, Rico Macedo e Tula Barcellos.
Comissão julgadora “Teatro na Escola”
Gustavo Falabella, Isaque Ribeiro, Meibe Rodrigues e Regis Santos.
Abertura
Nossa Pequena Mahagonny – Grupo Teatro Invertido – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Escola de Teatro”
:: Dois perdidos numa noite suja – Cia. Cínica – Vespasiano/MG
:: Pequenas sagas nordestinas – Grupo Círculo Teatral – Rio de Janeiro/RJ
:: A metamorfose – Teatro Experimental de Arte (TEA) – Caruaru/PE
:: A comédia do Sr. Puntila – Grupo Ditirambo – Belo Horizonte/MG
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:: Fronteiras de um sonho – Cóccix Companhia Teatral – Belo Horizonte/MG
:: Curupira, a lenda – Casca de Nós Companhia de Teatro – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Teatro na Escola”
:: As loucuras do Rei Leão – Grupo CIC... e Tal – Belo Horizonte/MG
:: Os saltimbancos – Grupo de Teatro Nós Cegos – Belo Horizonte/MG
:: A verdadeira historia de Cinderela – Grupo A Espera de Um Sorriso – Belo Horizonte/MG
:: Vermelho esperança – Grupo Peixe Vivo – São Bernardo do Campo/SP
:: Nós fazemos a diferença – Grupo Teatral Moysés Kalil – Belo Horizonte/MG
CaFETO
(mediador) Fernando Mencarelli
Oficinas
:: O Ator, o Tempo e o Espaço – Paulo Azevedo
:: Os Objetos No Teatro de Animação: da Resignificação à construção de um Personagem – Léo Ortiz e Sol
Zofiro
:: Em Busca da Musicalidade do Ator – Jussara Fernandino
Premiados “Escola de Teatro”
Melhor espetáculo – Pequenas Sagas Nordestinas (Grupo Círculo Teatral)
Melhor direção – Elisângela Fátima de Souza / A comédia do Sr. Puntila (Grupo Círculo Teatral)
Melhor texto – sem indicações
Melhor ator – Leonardo Fernandes / Dois perdidos numa noite suja (Cia. Cínica)
Melhor atriz – Elisângela Fátima de Souza / A comédia do Sr. Puntila (Grupo Ditirambo)
Melhor ator coadjuvante – Diego Crispim Batista / A comédia do Sr. Puntila (Grupo Ditirambo)
Melhor atriz coadjuvante – Marilene Aparecida Batista / A comédia do Sr. Puntila (Grupo Ditirambo)
Melhor cenário – João Filho e Fabiano Lana / Curupira, a lenda (Casca de Nós Companhia de Teatro)
Melhor iluminação – Enedson Gomes / Curupira, a lenda (Casca de Nós Companhia de Teatro)
Melhor figurino – Renato Vieira / Pequenas sagas nordestinas (Grupo Círculo Teatral)
Melhor trilha sonora – Criação Coletiva / A comédia do Sr. Puntila (Grupo Ditirambo)
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Premiados “Teatro na Escola”
Melhor espetáculo – Os saltimbancos (Grupo de Teatro Nós Cegos)
Melhor direção – Kelly Crifer / Os saltimbancos (Grupo de Teatro Nós Cegos)
Melhor texto – Varlei Xavier / Vermelho Esperança (Grupo Peixe Vivo)
Melhor ator – Juliano Lopes / Os saltimbancos (Grupo de Teatro Nós Cegos) // Rubens Vinícius Pereira /
Vermelho Esperança (Grupo Peixe Vivo)
Melhor atriz – Rosângela Veríssimo Pereira / Vermelho Esperança (Grupo Peixe Vivo)
Melhor ator coadjuvante – Renato Rênady / Os saltimbancos (Grupo de Teatro Nós Cegos)
Melhor atriz coadjuvante – Suelen Frutuozo / Vermelho Esperança (Grupo Peixe Vivo)
Melhor cenário – Izaías Pereira dos Santos / Nós fazemos a diferença (Grupo Teatral Moysés Kalil)
Melhor iluminação – Rogério Araújo / Os saltimbancos (Grupo de Teatro Nós Cegos)
Melhor figurino – Valéria Resende / As loucuras do Rei Leão (Grupo CIC... e Tal)
Melhor trilha sonora – Hugo Camilo / Vermelho Esperança (Grupo Peixe Vivo)
Participantes da cerimônia de encerramento
Admar Fernandes, Anderson Aníbal, Byron O’Neill, Eid Ribeiro, Elvécio Guimarães, Fábiano Persi, Geraldo
Octaviano, Lenine Martins, Leandro Acácio, Leonardo Lessa, Raquel Dutra, Raquel Pedras, Raul Belém
Machado, Renata Cabral e Tula Barcellos.
Números
:: 31 espetáculos inscritos
:: 104 participantes
:: Público de, aproximadamente, 4000 pessoas
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Casca de Nós Companhia de Teatro
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2008
Data
23 de outubro a 29 de novembro
Locais
Teatro Dom Silvério, Teatro Izabela Hendrix, Galpão Cine Horto, Centro de Formação Artística do Palácio das
Artes – Cefar, Escola Estadual Mário Elias de Carvalho, Escola Estadual Maestro Vila Lobos, Escola Evangélica
de Educação Infantil e Parque das Mangabeiras.
Incentivo / Patrocínio
Lei Federal Rouanet de Incentivo à Cultura, Instituto Cidadania Unimed BH e Cemig.
Banca de seleção
Fábio Furtado, Leticia Castilho, Michelle Ferreira, Renata Cabral e Tula Barcellos.
Comissão julgadora “Escola de Teatro”
Fabiano Persi, Michelle Ferreira, Neise Neves, Rico Macedo e Tula Barcellos.
Comissão julgadora “Teatro na Escola”
Gustavo Falabella, Isaque Ribeiro, Meibe Rodrigues, Regis Santos e Tula Barcellos.
Abertura
Atrás dos olhos das meninas sérias – Cia. Pierrot Lunar – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Escola de Teatro”
:: A cantora careca – Cia. do Joelho – Belo Horizonte/MG
:: Hybris – Antiatro Experimentos Cênicos – Ouro Preto/MG
:: Canoeiros da alma – Coletivo Teatro da Margem – Uberlândia/MG
:: Contos de cordel – Trupica Trupe – Belo Horizonte/MG
:: A pedra – Trupe Reticente de Teatro – Uberlândia/MG
:: Garatuja: Barba Azul e outras histórias – Garabateios Investigações Teatrais – Belo Horizonte/MG
:: Memórias de um sonho – Espaço Cênico BH – Belo Horizonte/MG
:: Nas ondas do rádio – Grupo Coxia de Teatro – Contagem/MG
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Espetáculos “Teatro na Escola”
:: Não morre um homem, morre uma história – Grupo Fragmentos – Belo Horizonte/MG
:: Gran Circo Pimienta – Grupo Brinquedo Torto – Santo André/SP
:: A revolta dos brinquedos – Grupo CEOP – Ouro Preto/MG
:: Emergência – Logosófico Encena – Belo Horizonte/MG
:: O alienista – Oficina das Artes Colégio Pentágono – Rio de Janeiro/RJ
:: Mistério no jardim azul – Hugo em Cena – Belo Horizonte/MG
CaFETO
(mediadores) Fernando Mencarelli e Glória Reis
Oficinas
:: Jogos para improvização teatral - Ana Hadad – Escola Estadual Maestro Vila Lobos
:: Jogos Teatrais: teatro X realidade – Gustavo Falabella – Escola Estadual Mário Elias de Carvalho
:: Sons da cena – Meibe Rodrigues – Escola Evangélica de Educação Infantil
:: O treinamento físico do ator – Fábio Furtado
:: Introdução às poéticas da luz – Geraldo Octaviano
Palestra
Da cenografia ao espaço cênico – Inês Linke
Premiados “Escola de Teatro”
Melhor espetáculo – Garatuja: Barba Azul e outras histórias (Garabateios Investigações Teatrais)
Melhor direção – Fernando Prado / A pedra (Trupe Reticente de Teatro)
Melhor texto inédito – Luiz Carlos Leite / Canoeiros da alma (Coletivo Teatro da Margem)
Melhor ator – Roberson Domingues / Garatuja: Barba Azul e outras histórias (Garabateios Investigações
Teatrais)
Melhor atriz – Andréa Baruqui / Garatuja: Barba Azul e outras histórias (Garabateios Investigações Teatrais)
Melhor ator coadjuvante – André Pastore / A cantora careca (Cia. do Joelho)
Melhor atriz coadjuvante – Denisa Sperandelli / Garatuja: Barba Azul e outras histórias (Garabateios
Investigações Teatrais)
Melhor cenário – Cristiano Diniz Aguiar, Daniel Hazan, Silvia Andrade e Tereza Daré / A cantora careca (Cia.
do Joelho)
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costura
Logosófico Encena
115
Melhor iluminação – Fernando Prado / A pedra (Trupe Reticente de Teatro)
Melhor figurino – Priscila Venturim / Garatuja: Barba Azul e outras histórias (Garabateios
Investigações Teatrais)
Melhor trilha sonora – Fernando Prado / A pedra (Trupe Reticente de Teatro)
Premiados “Teatro na Escola”
Melhor espetáculo – Gran Circo Pimienta (Grupo Brinquedo Torto)
Melhor direção – Andréa Cevidanes / O alienista (Oficina das Artes Colégio Pentágono)
Melhor texto inédito – Cleiton Henriques / Não morre um homem, morre uma história (Grupo
Fragmentos)
Melhor ator – Ronam Toguchi / Gran Circo Pimienta (Grupo Brinquedo Torto)
Melhor atriz – Laura Alonso / O alienista (Oficina das Artes Colégio Pentágono)
Melhor ator coadjuvante – Caique Maciel / Gran Circo Pimienta (Grupo Brinquedo Torto)
Melhor atriz coadjuvante – Fernanda Passos / Gran Circo Pimienta (Grupo Brinquedo Torto)
Melhor cenário – Amélia Junqueira e Anita Lima / Emergência (Logosófico Encena)
Melhor iluminação – Wanderley Nunes / Mistério no jardim azul (Hugo em Cena)
Melhor figurino – Roberta Conde / Gran Circo Pimienta (Grupo Brinquedo Torto)
Melhor trilha sonora – Varlei Xavier / Gran Circo Pimienta (Grupo Brinquedo Torto)
Participantes da Cerimônia de Encerramento
Ana Carolina de Oliveira, Ana Hadad, Byron O’Neill, Carolina Demétrio, Daniel Carfa, Denise
Pedron, Elvécio Guimarães, Fabio Furtado, Geraldo Octaviano, Guilherme Reis, Gustavo Bones,
Inês Linke, Leticia Castilho, Manoela Rebolças, Meibe Rodrigues, Naiara Demétrio, Neise Neves,
Regis Santos, Rita Maia e Tula Barcellos.
Números
:: 32 espetáculos inscritos
:: 174 participantes
:: Público de, aproximadamente, 5250 pessoas
116
Grupo Teatro Invertido
117
Pergaminho de Tirésias (2009)
118
Não se sabe como o Grupo Teatral Colégio COC, da cidade de Imperatriz
do Maranhão, ficou sabendo da nona edição do Festival Estudantil
de Teatro e decidiu inscrever-se, mas é possível que tenha sido pela
internet. Em 2009, o FETO definitivamente velejou pelo informar (salve
Gil!)1. O website que já existia foi reestruturado e começaram a ser
descobertas as potencialidades das redes sociais. Se a maioria dos
novos aventureiros da internet, no entanto, tem que lançar mão da
intuição, o festival entrou de cabeça no mundo virtual com consultoria
voluntária, mas especializada: Fábio Santos – então assessor de ações
de mídias sociais e web 2.0 da Secretaria de Ciências e Tecnologia do
Estado de Minas Gerais e amigo de Rodrigo. Por meio das instruções
de Fábio, a equipe da No Ato entendeu como dispor de ferramentas
gratuitas, como cuidar da reputação digital, a importância de atualizar
o conteúdo e as estratégias para se destacarem na rede. Apesar de
“feto” ser um substantivo comum, hoje o festival aparece em segundo
lugar na busca do Google, atrás apenas do verbete da Wikipédia (salve
Fábio!).
As ferramentas digitais e um nome que se consolidava cada vez mais
fizeram com que o FETO recebesse um número crescente de inscrições
de outros estados, praticamente igualando-se ao número de inscritos
mineiros. Além do Maranhão e de Minas, entre os selecionados
estavam grupos do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Goiás,
Pernambuco e Paraná. Esse festival brasileiríssimo trouxe os cariocas
do Teatro de Operações para invadirem a Universidade Federal de
1 Gilberto Gil lançou, em 1998, a música Pela Internet. Um de seus trechos dizia:
“criar meu web site / Fazer minha homepage / Com quantos gigabytes / Se faz uma
jangada / Um barco que veleja .../ Que veleje nesse informar / Que aproveite a
vazante da infomaré (...)”.
119
Minas Gerais com dez televisões, balões d’água estourando e luta de
boxe entre presidenciáveis. De Raul Soares, interior de Minas, veio a
peça O casamento de Rosinha, do Pagando a Pena. A diretora Andrea
Santos, ex-dona de uma rádio clandestina, estava fazendo literalmente
o que o nome do grupo sugere: pagando com aulas de teatro uma
pena alternativa, por ter acreditado que “o ar não tem dono”. Como
convidado para a abertura, a Fabulosa Cia de Bonecos2 apresentou-se
em Inhotim com o não menos fabuloso João e o Pé de Feijão.3 Foi o
primeiro evento a utilizar o teatro da instituição. Na sequência, show
do Siricotico4.
Diante da qualidade da programação5, ficou difícil medir qual atração
ou atividade recebeu mais aplausos. Quem encontrasse Tereza pelo
caminho, no entanto, votaria sem pestanejar na incluída – e jamais
retirada— Oficina de Teatro para Educadores. Professora de Português
de uma escola da rede municipal de ensino, Tereza era quem assumia,
voluntariamente, o papel de professora de teatro. Foram tantos os mitos
que Gláucia Vandeveld6 quebrou que as aulas da professora Tereza
nunca mais foram as mesmas. E o objetivo da oficina era realmente
2 Grupo de teatro criado em 2007 pela artista plástica e diretora de teatro Junia
Melillo.
3 Museu de Arte Contemporânea e Jardim Botânico. Faz parte do circuito internacional de Arte.
4 Grupo mineiro de choro.
5 Já com a diretora belo-horizontina Josiane Alves, o momento foi de reencontro.
Ela, que já havia participado do FETO em 2006, retornou com O pote vazio, encenada pelo grupo Las Meninas. Um trabalho mais amadurecido, também fruto da conquista de um espaço para ensaios após a participação na sexta edição do festival.
6 Atriz, foi professora de teatro nos ensinos fundamental e médio. É coordenadora
do Núcleo de Pesquisa em Teatro para Educadores do Galpão Cine Horto.
120
Grupo Curisco de 121
Teatro
Fabulosa Cia. de Bonecos
122
sacudir mentes e posturas, contribuindo para ampliar a visão sobre as
possibilidades do teatro e estimular o difícil rompimento com formatos
preconcebidos. Um dos grandes desafios era, por exemplo, convocar
os educadores a deixar de lado o tão massificado padrão televisivo. No
próprio FETO, apesar do zelo da curadoria, vez ou outra escapava uma
peça com apelos eróticos ou preconceituosos, com estereótipos sendo
apresentados sem senso crítico; um dos motivos para que, no lugar de
trechos, começasse a ser exigida, já desde o ano anterior, a gravação
integral da peça inscrita.
Outra oficina que também fez sucesso foi a Boneco em Cena, cujas
26 horas/aula inicialmente previstas transformaram-se em 47. Vinte
e uma horas a mais de empolgação e envolvimento de oficineiros e
alunos. Todos os participantes dessa e das outras oficinas da edição
pagaram quinze reais no momento da inscrição e foram reembolsados
após cumprirem 90% da carga horária. Era a diminuição da evasão,
que deixava lugares sobrando e interessados de fora. Foi assim que
Naiara Jardim7, que trabalhava na No Ato desde 2008, entendeu que
comprometimento também se conquista pelo bolso.
A edição de 2009 durou 15 dias de uma intensa programação. Não tão
intensa, no entanto, que impedisse uma celebração na sede da Maldita
Cia8. “Festa do FETO com música boa só pode chamar Ultrassom”, foi
o que pensou Alexandre. Povo que não se cansa nunca, após tantas
atividades, ainda estava animado para o encerramento no Espaço
7 Redatora, produtora cultural e colaboradora da No Ato de 2008 a 2011, participou do FETO em 2001.
8 O grupo que surgiu em 2002 e hoje se reconhece como um agrupamento de
artistas cênicos.
123
CentoeQuatro9, com premiação e shows de Marcelo Veronez e Lucas
Santtana10 e discotecagem de Alexandre e Palomita11.
Nina, que esteve presente no encerramento da edição anterior,
estranhou o formato mais enxuto e sóbrio. “Falta de verba”, pensou
ela apressada, mas estava errada. Em 2009, o FETO contava com o
patrocínio da Contax, da Cemig e do Instituto Unimed, além de apoio
da Funarte para a logística. O dinheiro não estava sobrando, mas, após
todos esses anos, não era o maior dos problemas. O motivo para a
mudança de formato foi o festival ser também um espaço de diálogo
antes, durante e após cada edição. Em 2009, a comissão julgadora –
tradicionalmente formada por pessoas inquietas, questionadoras e
competentes – valeu-se como nunca da liberdade que sempre teve
para alterar os prêmios concedidos. Entre as mudanças, o prêmio de
“melhor texto” foi substituído por “texto”— força simbólica das palavras,
significando bem mais do que uma simples troca de nomenclatura. Foi
também questionada a distinção de prêmio de “ator” e “atriz”, afinal,
talento nunca foi uma questão de gênero. Notava-se então um maior
amadurecimento no entendimento da premiação, que culminou no
distanciamento de um formato mais próximo ao do Oscar, constituindo
um novo FETO, a cada edição renascido. Amadurecer, entendiam, é
também ter a transformação como uma possibilidade constante.
9 Café, cinema e galeria, funciona no espaço da antiga companhia têxtil 104 Tecidos. O prédio faz parte do Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Praça da Estação.
10 Um dos mais expressivos artistas da nova geração da música nacional.
11 Produtora e DJ.
124
Oficina “Descobrindo meu pequeno corpo criativo”
125
126Woyzeckianos
Grupo
Oficina “Boneco em cena”
Grupo Teatral Colégio COC Imperatriz
Grupo Panda A
127
Grupa Catavento
128
Confesso! Cia. De Teatro
129
2009 - Histórico
Data
18 de outubro a 1º de novembro
Locais
Galpão Cine Horto, Teatro Izabela Hendrix, Centro Cultural Padre Eustáquio, Parque Ecológico da Pampulha,
Inhotim Centro de Arte Contemporânea, Centro Cultural da UFMG, Praça de Serviços da UFMG, Casa de
Passagem e Galpão 104.
Incentivo / Patrocínio
Lei Federal Rouanet de Incentivo à Cultura, Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, Instituto
Cidadania Unimed BH, Cemig e Contax.
Banca de seleção
Fafá Rennó, Leandro Acácio, Manuela Rebouças, Renata Cabral e Tula Barcellos.
Comissão julgadora “Escola de Teatro”
Denise Pedron, Elisa Belém, Gustavo Bones, Leonardo Lessa e Meibe Rodrigues.
Comissão julgadora “Teatro na Escola”
Juliana Barreto, Léo Ortiz, Manoela Rebouças, Renata Cabral e Tula Barcellos.
Abertura
:: João e o Pé de Feijão – Fabulosa Cia de Bonecos – Belo Horizonte/MG
Espetáculos “Escola de Teatro”
:: A cena é pública – Teatro de Operações – Rio de Janeiro/RJ
:: A comédia do trabalho – Grupo Woyzeckianos – São Paulo/SP
:: A viagem de Clara: em busca do eu perdido – Confesso! Cia. De Teatro – Belo Horizonte/MG
:: As filhas de Bernarda Alba – Turma 2 do Curso de Preparação para Atores da Cia. Teatral Manicômicos –
São João Del Rei/MG
:: Baal – Grupo Panda A – Belo Horizonte/MG
130
:: Eu ainda tenho leite – Grupo Curisco de Teatro – Belo Horizonte/MG
:: O caderno secreto de Lori – Cia. Lambe-Lambe – Belo Horizonte/MG
:: Quarto 101 – Companhia de Teatro Arte em Cena – Volta Redonda/RJ
Espetáculos “Teatro na Escola”
:: A fantástica saga do Rei Raul contra o monstro Belzebu! – Grupo Catavento – Itaúna/MG
:: A última rua antes do beco – Undió Cia. Teatral – Belo Horizonte/MG
:: A ver estrelas – Grupo de Teatro Nós Cegos – Belo Horizonte/MG
:: Beija-me – Grupo Cênico Tatu Bola – Pará de Minas/MG
:: Brasil, flores e canções – Grupo Teatral Colégio COC Imperatriz – Imperatriz/MA
:: O casamento de Rosinha – Grupo Pagando a Pena – Raul Soares/MG
:: O pote vazio – Las Meninas – Belo Horizonte/MG
:: Vida de adolescente – CEPA Cia. Teatral – Contagem/MG
CaFETO
(mediadora) Gláucia Vandeveld
Oficinas
:: Descobrindo Meu Pequeno Corpo Criativo – Márcio Vesolli
:: Teatro para educadores – Gláucia Vandeveld, Manuela Rebouças e Reginaldo Santos
:: Pensando o olhar: uma introdução à fotografia – Bruno Moreno e Daniel Protzner
:: Corpo sonoro – Lenine Martins e Ricardo Garcia
:: Boneco em cena – Oficina Prática de Construção de Bonecos – Gilberto Alves e Paulo Emílio Luz
:: Oficina de interpretação para cinema – Byron O’ Neill
Debates
:: Jornalismo cultural e mídias sociais – Carolina Braga, Fábio Santos e Soraya Belusi
:: A abertura das fronteiras da cena – Maria Lúcia Pupo
Premiados “Escola de Teatro”
Dramaturgia – A viagem de Clara: em busca do eu perdido (Confesso! Cia. De Teatro)
Espetáculo – O caderno secreto de Lori / Cia. Teatral Lambe-Lambe
Direção – Marcelo Rocco / O caderno secreto de Lori (Cia. Teatral Lambe-Lambe)
Ator – Luiz Gonzaga Oliveira / A viagem de Clara: em busca do eu perdido (Confesso! Cia. De Teatro)
131
Atriz – Jéssica Azevedo / O caderno secreto de Lori (Cia. Teatral Lambe-Lambe)
Conjunto de atores – A viagem de Clara: em busca do eu perdido (Confesso! Cia. De Teatro)
Concepção cenográfica – Eu ainda tenho leite (Grupo Curisco de Teatro)
Iluminação – João Dadico / Eu ainda tenho leite (Grupo Curisco de Teatro)
Figurino – Eu ainda tenho leite (Grupo Curisco de Teatro)
Trilha sonora – Vinícius Albricker / O caderno secreto de Lori (Cia. Teatral Lambe-Lambe)
Premiados “Teatro na Escola”
Dramaturgia – A última rua antes do beco (Undió Cia. Teatral)
Espetáculo – A ver estrelas (Grupo de Teatro Nós Cegos)
Direção – Rony Morais / Beija-me (Grupo Cênico Tatu Bola) // Josiane de Fátima Souza / O pote vazio (Las
Meninas)
Ator – Deivid Ângelo / Beija-me (Grupo Cênico Tatu Bola) // Pedro Henrique Amaral / A fantástica saga do Rei
Raul contra o monstro Belzebu (Catavento)
Atriz – Pâmela Soares / O pote vazio (Las Meninas) // Licinéia Jesanto / A última rua antes do beco (Undió
Cia. Teatral)
Conjunto de atores – Beija-me (Grupo Cênico Tatu Bola)
Concepção cenográfica – Ricca / A ver estrelas (Grupo de Teatro Nós Cegos)
Iluminação – Rogério Araújo / A ver estrelas (Grupo de Teatro Nós Cegos)
Figurino – Filipe Corrêa / A fantástica saga do Rei Raul contra o monstro Belzebu (Catavento) // Ricca / A ver
estrelas (Grupo de Teatro Nós Cegos)
Trilha sonora – Brasil, flores e canções (Grupo Teatral Colégio COC Imperatriz)
Participantes da cerimônia de encerramento
Alexandre de Sena, Bárbara Bof, Denise Pedron, Eliezer Sampaio, Fabiano Persi, Gláucia Vandeveld, Guda,
Manuela Rebouças, Orlan Torres, Regis Santos, Renata Cabral, Rodrigo Soares e Tula Barcellos.
Números
:: 45 espetáculos inscritos
:: 210 participantes
:: Público de, aproximadamente, 5500 pessoas
132
Público
133
Teatro Em Prelúdio (2010 e 2011)
134
Quando faziam o FETO na cara e na coragem, os organizadores do
festival tinham a doce ilusão de que boa parte de seus problemas
poderia ser resolvida com uma pequena palavra de cinco letras: verba.
“Falta verba pra cola, pro xerox, pro jurado... falta verba pra tudo”.
E quando começaram a ter verba, ainda que insuficiente para as
dimensões que o festival tomou, realizá-lo ficou realmente mais fácil.
Mais tarde, no entanto, concluiriam tristes, porém mais esclarecidos:
recursos não trazem apenas soluções.
A situação financeira que o Festival Estudantil de Teatro vivia em 2010
era a melhor desde que havia sido criado. Além dos já tradicionais
patrocínios do Instituto Unimed e da Cemig, o FETO passava a contar
também com a captação de recursos do projeto apresentado à Lei
Estadual de Incentivo à Cultura junto ao Vivo EnCena, programa
de incentivo a projetos de artes cênicas da empresa de telefonia
homônima. “As dez edições serão comemoradas de forma bem
redondinha!”, vibrava uma aliviada Bárbara, acreditando serem
cada vez mais distantes os momentos de penúria. Quem também
comemorava era Márcio Luz, responsável pelo ir e vir do festival desde
2006. Sempre simpático e solícito, Márcio abriu ainda mais o já largo
sorriso quando os organizadores do FETO decidiram que o transporte
seria um dos itens prioritários para o uso da verba.
A proposta de relação com outro projeto patrocinado, vinda com o novo
patrocinador, rendeu mais frutos do que se poderia imaginar. Articulada
pelo FETO e pelo grupo mineiro Espanca!, a parceria integrou quatro
espetáculos e três oficinas do Acto 2 à grade de programação da décima
edição do Festival Estudantil de Teatro. A atividade envolvia, além do
135
Espanca!1, o Grupo XIX2 e a Companhia Brasileira de Teatro3. Eram três
respeitados grupos, reconhecidos pela pesquisa e experimentação,
fortalecendo o diálogo entre o profissional e o estudantil: encontros e
oportunidades enriquecedoras para o festival. Com os integrantes do
Espanca! a relação vinha de outros carnavais, já que Grace Passô4 e
Gustavo Bones5 tinham sido jurados em edições anteriores do FETO.
Encontros e oportunidades não faltaram no aporta – Encontro Estudantil
de Artes Cênicas – idealizado pela No Ato. Realizado em Patos de
Minas, tendo como anfitrião o Festival Nacional de Teatro Universitário
de Patos de Minas, o evento reuniu representantes de dez festivais.
O objetivo era promover diálogos, discutir, pensar em conjunto. Mais
que aprender ou ensinar, a ideia era construir algo novo e potente,
fruto justamente da soma de forças. Foram nos três dias intensos do
aporta que o pessoal do Festival Estudantil de Teatro do Estado de São
Paulo, realizado em Tatuí, teve a ideia de também dividir os inscritos
em “escola de teatro” e “teatro na escola”. Foi também o encontro
que apresentou ao FETO a idealizadora e coordenadora do Festival
1 Um dos mais celebrados grupos entre as novas companhias mineiras, o Espanca! foi fundado em 2004, em Belo Horizonte, e tem em seu currículo as peças Por
Elise, Amores Surdos, Congresso Internacional do Medo e Marcha para Zenturo,
em parceria com o Grupo XIX.
2 Criado em 2001, tem como eixos de criação, sobretudo, a pesquisa temática e
o desenvolvimento de uma dramaturgia própria, a intervenção e a exploração de
prédios históricos como espaços cênicos e a interatividade como elemento narrativo.
3 Fundada em 1999 pelo ator, dramaturgo e diretor Marcio Abreu, a curitibana
Companhia Brasileira de Teatro é um espaço de pesquisa, criação e produção
teatral.
4 Atriz, diretora e dramaturga, é uma das fundadoras do grupo Espanca!.
5 Ator e educador, é um dos fundadores do grupo Espanca!.
136
Grupo Espanca!
137
138 Companhia Circocênica
Móbile
Internacional de Teatro Universitário de Blumenau (FITUB), Pita Belli.
Menos de um mês depois, Bárbara, Alexandre e Rodrigo embarcaram
para o festival organizado por Pita, onde conheceram Renato Ferracini,
do Lume6. Da experiência sulista, o FETO ganhou as análises teatrais que
viriam a ser conduzidas pela própria Pita, já em 2010. Um ano depois
ela retornaria – novamente, guiando as análises –, e Renato conheceria
o festival de perto como ministrante da prestigiadíssima oficina Corpo
como Fronteira. “Isso é que é rede, camarada!”, exemplificava Eliezer
a todos que tentavam tornar o assunto complexo. Do aporta, ainda
surgiriam duas mãos cheias de estagiários voluntários alunos da Pita7,
para trabalhar no FETO.
Análises teatrais – sucesso em Blumenau — também fizeram bonito em
terras mineiras e foram, definitivamente, incorporadas à programação.
Como o nome sugere, um dia após o espetáculo ser encenado, o
elenco participa de uma análise feita por pessoas do meio acadêmico.
Quando soube disso, Mel tremeu. Pânico de ser exposta, de ver suas
dificuldades esmiuçadas frente aos colegas. Inventou dor de barriga,
mas não colou. Arrastada até o local, teve uma grata surpresa: foi
ótimo. Realizadas com cuidado e de forma extremamente construtiva,
as análises partem do princípio que, guardado o compromisso com a
verdade, o retorno nunca pode ser motivo para desânimo. A proposta
6 Fundado em 1985, por Luís Otávio Burnier, Carlos Simioni e Denise Garcia, o
LUME é considerado um dos mais importantes centros de pesquisa teatral do Brasil, com reconhecimento internacional.
7 Ana Acácia Schwarz, Ana Carolina Peres, Anna Paula Moser, Bianca Aparecida,
Fernanda Raupp, Grasiele Carina, Juliana Goldfeder, Mariluce Rodrigues e Vinicius
Bittencourt.
139
otimista contou com a delicadeza de Melissa Lopes8, Ana Fabrício9 e
Fernando Villar10.
Condensar o festival em dez dias permitiu que a maioria dos
participantes ficasse em Belo Horizonte durante todo o período do
FETO, em uma imersão que potencializou as trocas e os intercâmbios.
Ao final de cada dia, um bar diferente da cidade abrigava o circuito
“pontos de encontro”: gostinho da boemia de Beagá para os
participantes de outras cidades e estados, agora maioria em relação
aos participantes mineiros. Para além da celebração, o circuito era
também uma forma de ocupar a cidade e descentralizar as ações. De
todos os locais visitados, o que a paulista Rubia mais gostou foi o bar
do Seu Orlando, em Santa Tereza. Lá, o encontro ganhou a praça em
frente, e quem tinha instrumento tocou, quem não tinha dançou. Já
Joaquim, foi só lamento. O menino fazia parte da turma dos pequenos:
devidamente encaminhada ao hotel ainda cedo.
Seguindo rumos iniciados na edição passada, os prêmios foram
substituídos por destaques. A competição dava, aos poucos, lugar para
a ideia de superação individual ou de grupo, valorização do processo,
vivência proporcionada. No ano seguinte, os quesitos também foram
retirados do regulamento, e a escolha do que deveria ser destacado
passou a ser da comissão julgadora. Diálogos com suas raízes, ponte
8 Atriz pesquisadora, doutoranda em Artes pela Unicamp.
9 Mestre em Artes Cênicas pela UFBA, atualmente é professora na Faculdade de
Artes do Paraná.
10 Pós-graduado em Direção pelo Drama Studio London, atualmente é professor
de mestrado em Arte Contemporânea do Instituto de Artes da Universidade de
Brasília.
140
Caderno Teatral Pedro II
141
142 “Práticas de ideias teatrais”
Oficina
entre os atores e o público e intercâmbio realizado foram alguns dos
destaques concedidos a partir dessa mudança. Escolhas não aleatórias,
vale dizer, pois os conceitos que o festival procura reforçar – formação,
trabalho em rede, trabalho colaborativo, entre outros – assumem o
papel de eixos condutores.
A edição ainda contaria com dois encontros “Teatro na Escola” e “Escola
de Teatro”. Este reuniu nove professores de universidades do Brasil em
uma mesa mediada por Wilson Oliveira. A cerimônia de encerramento,
realizada no Galpão Cine Horto, ganhou ares ainda mais informais.
Ali, foram anunciados os seis grupos escolhidos para circular no ano
seguinte por Belo Horizonte, Itabira, Uberlândia e João Monlevade.
Nas duas primeiras cidades, o FETO também realizaria oficinas.
Tanto trabalho exigiu uma equipe maior e, desde o aporta, mais cinco
pessoas passaram a fazer parte da No Ato11. Não apenas a equipe
crescia, mas também o próprio festival, que ampliava sobremaneira a
quantidade de atividades. A expectativa de todos era que, em 2011,
esse processo de crescimento continuasse. Divergências ideológicas
com os gestores do Programa Vivo EnCena, no entanto, fizeram com
que os organizadores do FETO não aceitassem mais o patrocínio da
empresa. Esclarecidos e tristes, eles abriram mão de 337 mil e 500
reais, não sem antes sofrerem e pensarem como, agora, iriam viabilizar
o festival.
O fim do patrocínio foi também o fim da paz, da tranquilidade e da
11 Aloizio Rodrigues, Cristiano Diniz, Cristiane Moreira, Luana Gonçalves e Sóstenes Reis.
143
144
Cia
Móvel de Teatro UNI-BH
Euquasquatro de Teatro
Garabateios Investigações Teatrais
Cena em Cena Martins Pena
145
disposição. Era momento de trabalhar muito para fazer o mesmo.
Momento de dar quinze telefonemas para conseguir coisas de graça.
Momento de bater em muitas portas. A grande preocupação, que tinha
som de bate-estaca e sabor de insônia, era regredir.
De repente, no entanto, quando a lança sobre a cabeça ficava mais
e mais afiada, os organizadores do FETO ouviram um grito. Grande,
eloquente e poderoso, vinha de amigos, parceiros, fornecedores,
antigos e futuros participantes. Ecoava: “nós somos da militância!”.
Militantes da cultura não são pessoas que ignoram a importância da
verba, mas aquelas que jamais a colocam acima da arte. E eles existem!
E em 2011 foram, mais uma vez, acionados. Era a rede real e poderosa
do FETO que começava, novamente, a funcionar em sua potência
máxima.
Da Cemig e do Instituto Unimed — tradicionais parceiros — vieram
os primeiros recursos, via patrocínio cultural. Do Galpão Cine Horto,
a cessão do espaço. Do SESC Venda Nova, parte da hospedagem. Do
edital da Belotur e do BDMG, apoio financeiro. Do albergue Sorriso do
Lagarto, desconto. De várias pessoas, o oferecimento do trabalho.
Márcio foi o primeiro a dizer: “cuidarei dos traslados, o pagamento
vemos depois”. Transporte interno resolvido, o grande problema era
trazer e hospedar quinze grupos de fora de Belo Horizonte selecionados
(eram dezesseis grupos participantes). O caminho encontrado foi abrir
o jogo: “você foi selecionado, mas não sabemos como viabilizar a sua
vinda”, era o recado. “Estamos juntos!” foi a resposta.
O grupo Companhia CafécomLeite, de Curitiba, bateu na porta da
universidade e conseguiu o transporte. Outros arrumaram, entre
146
Oficina “Culinária Cultural”
147
Cia. de Teatro Pés Descalços
148
amigos de Belo Horizonte, lugar para dormir. Difícil estava a vinda do
grupo Encenação, de Pontes de Lacerda, cidade de Mato Grosso, quase
divisa com a Bolívia. Acionaram Vanderlei Munhoz, mais um parceiro
feito no aporta. Munhoz – policial rodoviário federal, idealizador de um
festival dentro da corporação de Cuiabá (Festival Estudantil Temático
Teatro para o Trânsito) e militante da cultura – foi quem arrumou o
transporte. No dia 23 de outubro, chegava a Beagá um micro-ônibus
com quinze jovens e um cenário. Ele era dirigido por dois policiais
federais.
Aventura viveram os grupos Contadores Aluados e Grupo de Teatro
Universitário da UFPA para percorrer o trajeto de Baião e de Belém,
respectivamente, a Belo Horizonte. Os dois grupos do Pará ficaram três
dias na estrada. A regra “mais de dez horas de via terrestre é via aérea”,
neste ano, não era possível cumprir. Duas crianças menores receberam
passagens aéreas.
Assim como os espetáculos, o CaFETO e as oficinas em nada ficaram
atrás do que ocorreu na edição anterior. Marcelo Bones foi quem
esteve à frente da discussão sobre políticas culturais – assunto que
andava piscando em neon pelas esquinas de Belô. O teatro na escola
foi o tema puxado por José Simões12. Parcerias importantes também
foram feitas, como a com o Plug Minas13 e com a UFMG14. Vinha de
12 José Simões de Almeida Junior é professor adjunto do Departamento
de Métodos e Técnicas - Teatro e Educação - da Faculdade de Educação da
Universidade Federal de Minas Gerais.
13 O Plug Minas – Centro de Formação e Experimentação Digital é um projeto do
Governo de Minas dedicado à juventude.
14 A universidade cedeu espaços no campus, como salas na Escola de Belas Artes
e no Teatro Universitário, além da concessão de outros tipos de apoio.
149
longe o desejo de ter a universidade mais próxima do festival, e foi uma
alegria encontrar pelo caminho Sérgio Diniz15, Denise Pedron16 e Lucila
Gomes17.
No lugar de regredir, 2011 teve boas novidades. Uma delas foi a
ação Intercâmbios Possíveis, uma parceria entre o FETO, a Fundação
Universidade Regional de Blumenau e a UFMG (olha a rede aí, gente!).
O conjunto de atividades tratou das possibilidades de ações entre
universidades e seus profissionais. Além do momento de diálogo,
Intercâmbios Possíveis levou ao FETO dois espetáculos: Ubu Rei,
da própria FURB, e El cadáver de um recuerdo enterrado vivo, dos
argentinos do Instituto Universitario Nacional del Arte, o primeiro
grupo internacional a se apresentar no festival.
A dificuldade transmutada em união criou em todos os que
participaram da décima primeira edição do FETO um visível
sentimento de pertencimento. Em 2011, o festival teve a mesma
estrutura técnica, qualidade e carinho, e o caminho tortuoso revelou
a capacidade de mobilização e a credibilidade do Festival Estudantil
de Teatro. No encerramento na Casa do Beco18, ouvia-se o grupo de
15 Produtor cultural e curador, especialista em historia da cultura e da arte pela
FAFICH/UFMG.
16 Professora, artista e pesquisadora nas áreas de teatro e performance.
17 Atriz do espetáculo El cadáver de un recurdo enterrado vivo (Buenos Aires/
Argentina)
18 A Associação Cultural Casa do Beco trabalha com formação e pesquisa teatral
para jovens moradores do Aglomerado Santa Lúcia / Morro do Papagaio. Adquirido em 2003, o espaço cultural do grupo, tornou-se um ponto de referência para
instituições, grupos e pessoas que buscam multiplicar as atividades artísticas no
Aglomerado.
150
Realizadora Miúda
151
Oficina “Descobrindo meu pequeno corpo criativo”
Oficina “Paisagens poéticas: o nome disso é rua”
152
Oficina “O ator e o risco”
Baião cantarolando “Ó Minas Gerais”. O espetáculo deles – Contadores
Aluados e sua Carroça de Estrelas – foi apresentado no último dia, na
Praça Floriano Peixoto, e teve garoa e arco-íris.
Miguel estava lá. Em 2000, um ano após sua estreia em um teatro de
verdade, sua família mudou-se para Recife. Mais de uma década depois,
era a primeira vez que ele retornava à sua cidade natal. Constatou que
o entardecer em Belo Horizonte continuava laranja claro, vibrou com
uma praça bem mais bonita do que em suas memórias de infância,
deliciou-se com a peça. O ator recém-formado não notou, pois seria
impossível notar em uma única apresentação, o tanto que o FETO tinha
mudado, crescido, transformado. O que Miguel apreendeu foram as
semelhanças que permaneciam latentes. Para ele, que pouco ou nada
sabe dessa história, ali estava o mesmo festival de alma estudantil, de
pulsante expectativa dos participantes, de empenho dos organizadores,
de aplausos de pé.
153
Contadores Aluados
154
IUNA - Instituto Universitario Nacional del Arte
155
156 de Teatro AnoniMattos
Grupo
2010 / 2011 - Histórico
2010
Data
20 a 30 de outubro
Locais
Galpão Cine Horto, Esquyna Espaço Coletivo Teatral, Teatro Izabela Hendrix, Teatro Universitário da UFMG,
Museu Histórico Abílio Barreto, Parque Ecológico da Pampulha, Praça Duque de Caxias, Sede do Espanca!,
Centro Cultural da UFMG e Escola de Teatro PUC Minas.
Incentivo / Patrocínio
Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, Lei Estadual de
Incentivo à Cultura de Minas Gerais, Vivo, Cemig, Contax e Instituto Cidadania Unimed BH.
Banca de seleção
Fábio Furtado, Geraldo Octaviano, Gláucia Vandeveld, Leandro Acácio e Renata Cabral.
Comissão artística “Escola de Teatro”
Cristiano Araújo, Denise Pedron, Fábio Furtado, Gustavo Bones e Marcos Vogel.
Comissão artística “Teatro na Escola”
Gláucia Vandeveld, Pita Belli, Régis Santos, Renata Cabral e Tula Barcellos.
Abertura
Congresso Internacional do Medo – Grupo Espanca! – Belo Horizonte/MG
Espetáculos Convidados
:: Blecaute – Grupo Quereres/SP
:: Garatuja: Barba Azul e outras histórias – Garabateios Investigações Teatrais – Belo Horizonte/MG
157
Espetáculos “Escola de Teatro”
:: As criadas – Cia Teatral Confraria Tambor – Uberlândia/MG
:: Diário de um pássaro – Móbile Companhia Circocênica – Belo Horizonte/MG
:: O beijo no asfalto – Cia Móvel de Teatro Uni-BH – Belo Horizonte/MG
:: O homem do banco branco e a amoreira – Minha Nossa Cia de Teatro – Curitiba/PR
:: O que fazem as meninas quando desabrocham – Grupo Okearô de Teatro Independente – Rio de Janeiro/RJ
:: S. – Grupo (Montagem) – Rio de Janeiro/RJ
:: Suave (in) pura brancura – Coletivo [entre] Teatro Dança – Contagem/MG
Espetáculos “Teatro na Escola”
:: A comédia da esposa muda (que falava mais do que pobre na chuva!) – Cia. Teatral Solares – Santa Luzia/MG
:: Confusão caipira – Grupo Teatral Escóis – Antônio Carlos/MG
:: Fala Mulher... Que mundo você quer? – Grupo Fragmentos – Belo Horizonte/MG
:: O casamento da fia leiloada – Caderno Teatral Pedro II – Belo Horizonte/MG
:: Público – Grupo Arteiros – Recife/PE
:: Quem é gente grande? – Grupo de Teatro AnoniMattos – Brasília/DF
:: TragédioNation! – Abreu a Cena – Belo Horizonte/MG
:: Um certo príncipe: um Hamlet Itinerante – Grupo Brinquedo Torto – Santo André/SP
Espetáculos Projeto ACTO 2
:: Congresso Internacional do Medo – Grupo Espanca! – Belo Horizonte/MG
:: Vida – Companhia Brasileira de Teatro – Curitiba/PR
:: Descartes com lentes – Companhia Brasileira de Teatro – Curitiba/PR
:: Hygiene – Grupo XIX de Teatro – São Paulo/SP
Oficinas
:: Paisagens poéticas: o nome disso é rua – Alexandre de Sena, Daniel Silva, Gustavo Bones, Júlia Branco,
Mariana Maioline e Renata Cabral
:: Práticas de idéias teatrais – Grupo Espanca!
:: Culinária cultural – Bárbara Vilhena, Fernanda Vidigal e Pablo Abreu
:: Teatro plástico – Manuela Rebouças
:: Técnica de impro: um teatro espontâneo e lúdico – Hortência Maia
:: Dramaturgia e construção da cena – Márcio Abreu
:: Teatro para educadores – Gláucia Vandeveld e Reginaldo Santos
158
:: Ator Criador – Grupo XIX de Teatro
:: Montagem de Rede – Carlos Falci
Encontro “Escolas de Teatro”
(mediador) Wilson Oliveira
Debatedores
:: Ana Fabrício – Faculdade de Artes do Paraná (FAP) da Universidade Estadual do Paraná
:: Eduardo Andrade – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
:: Fernando Villar – Universidade de Brasília (UNB)
:: Geraldo Octaviano – Teatro Universitário da UFMG
:: Gislaine Regina Pozzetti – Universidade do Estado do Amazonas (UEA)
:: Lenine Martins – Centro de Formação Artística do Palácio das Artes (CEFAR)
:: Melissa Lopes – Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH)
:: Narciso Telles – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
:: Pita Belli – Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB)
:: Walmir José – Oficina de Teatro PUC Minas
Encontro “Teatro na Escola”
Fátima Ortiz (condução: Pita Belli)
CaFETO
(mediadora) Kelly Crifer
Análises
(mediadora) Pita Belli
:: Ana Fabrício
:: Fernando Villar
:: Melissa Lopes
Apresentação teatral na cerimônia de encerramento
5 Cabeças à Espera de um Trem – Cia. 5 Cabeças – Belo Horizonte/MG
159
Destaques “Escola de Teatro”
Pesquisa de Linguagem: rompimento de fronteiras: Diário de um pássaro (Móbile Companhia Circocênica) //
Suave (in) pura brancura (Grupo [entre] Teatro Dança)
Ambientação: Diário de um pássaro (Móbile Companhia Circocênica) // O homem do banco branco e a
amoreira (Minha Nossa Cia de Teatro) // O que fazem as meninas quando desabrocham (Grupo Okearô de
Teatro Independente)
Figurino: S. / (Grupo Montagem)
Iluminação: O homem do banco branco e a amoreira (Minha Nossa Cia de Teatro)
Jogo Cênico: integração entre os atores: As criadas (Cia. Teatral Confraria Tambor) // O que fazem as meninas
quando desabrocham (Grupo Okearô de Teatro Independente)
Momentos Teatrais: “Encontro entre Fernão e Paulo” e “O velório e os pássaros” / Diário de um pássaro
(Móbile Companhia Circocênica) // “Tá lá o corpo estendido no chão...” / O beijo no asfalto (Cia. Móvel
de Teatro Uni-BH) // “Fragmentos do Trenó” / S. (Grupo Montagem) // “Abertura” e “Encerramento” / O
homem do banco branco e a amoreira (Minha Nossa Cia de Teatro) // “O Homem Cobra”, “Os beijos do
Homem Cobra” e “Improviso com atraso da plateia” / O que fazem as meninas quando desabrocham (Grupo
Okearô de Teatro Independente) // “Você me cala, eu te calo” e a “Contra regragem cênica” / Suave (in) Pura
Brancura (Grupo [entre] Teatro Dança)
Categoria Especial Interação entre Gerações: O beijo no asfalto (Cia. Móvel de Teatro Uni-BH)
Destaques “Teatro na Escola”
Conjunto musical: Jair, Paulo, Marquinho, Pirrique, Marcos Maciel e Rosy / Fala Mulher... Que mundo você
quer? (Grupo Fragmentos)
Participação e apoio da escola: Escola Estadual Pedro II / O casamento da fia leiloada (Grupo Caderno Teatral
Pedro II)
Criação e customização dos figurinos: Elisângela, elenco e familiares / O casamento da fia leiloada (Grupo
Caderno Teatral Pedro II)
Figurino e maquiagem: Ana Nery / A comédia da esposa muda (que falava mais que pobre na chuva!) (Cia.
Teatral Solares)
Adaptação do texto: Ronam Toguchi / Um certo príncipe: um Hamlet itinerante (Grupo Brinquedo Torto)
Soluções cenográficas: Cleiton Henriques / Fala Mulher... Que mundo você quer? (Grupo Fragmentos)
Direção e execução musical: Raissa Encinas e Gabriel Moreira / Um certo príncipe: um Hamlet itinerante
(Grupo Brinquedo Torto)
Momento teatral: “Prólogo” / Quem é gente grande? (Grupo de Teatro AnoniMattos) // “Prólogo” / Público
160
(Grupo Arteiros)
Mobilização da comunidade para o teatro: Fábio Sena / Confusão caipira (Grupo Teatral Escóis)
Coletivo de atuação: O casamento da fia leiloada (Grupo Caderno Teatral Pedro II)
Pesquisa, processo de trabalho e direção de elenco: TragédioNation! (Grupo Abreu a Cena)
Números
:: 65 espetáculos inscritos
:: 210 participantes
:: Público de, aproximadamente, 5500 pessoas
161
162Encenação
Grupo
2011
Data
21 a 30 de outubro
Locais
Galpão Cine Horto, Praça Floriano Peixoto, Spetáculo Casa das Artes, Plug Minas, Teatro Universitário da
UFMG, Teatro Marília, Escola de Belas Artes da UFMG, Casa do Beco, Mercado Novo e Gruta!.
Incentivo / Patrocínio
Instituto Cidadania Unimed BH, Cemig, BDMG Cultural, Belotur, Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Banca de seleção
Ana Fabrício, Bárbara Bof, Glaúcia Vandeveld, Nil Cesar e Paulo Celestino.
Comissão artística “Teatro na Escola”
Gláucia Vandeveld, Márcio Versolli e Raquel Castro.
Comissão artística “Escola de Teatro”
Ana Fabrício, Marina Viana e Paulo Celestino.
Abertura
:: Café com Queijo – Lume Teatro – Campinas/SP
Espetáculos “Escola de Teatro”
:: 1º. Movimento – Companhia CafécomLeite – Curitiba/PR
:: A viagem do Capitão Fracassa – Comboio de Corda – Rio de Janeiro/RJ
:: Caco: possível produção de memória para o espaço da casa – Realizadora Miúda – Rio de Janeiro/RJ
:: Cinco ou seis coisas que eu sei – Grupo Pé Sujo – Blumenau/SC
:: Exercícios para ser e não ser – Coletivo Quando Coisa – Ouro Preto/MG
:: O pequeno grande aviador e o planeta do invisível – Grupo de Teatro Universitário da UFPA – Belém/PA
:: O que mantém um homem vivo? – Cena em Cena Martins Pena – Rio de Janeiro/RJ
:: Quase muda – Euquasquatro de Teatro – São Paulo/SP
:: Trânsito livre – Cia SeisAcessos – São Paulo/SP
163
Espetáculos “Teatro na Escola”
:: 7 Minutos – Atuar-te – Viçosa/MG
:: Amigas poetas – Encenação – Pontes e Lacerda/MT
:: Atrás do arco-íris – Cia. Teatral Crepúsculo – Belo Horizonte/MG
:: Contadores aluados e sua carroça de estrelas – Contadores Aluados – Baião/PA
:: Num pacato vilarejo – Cia. De Teatro Pés Descalços – Congonhas/MG
:: O último pôr do sol – Coletivo Teatro de Papel – Itaúna/MG
:: Orfeu – Art’ncena – Gama/DF
Espetáculos convidados “Intercâmbios Possíveis”
:: El Cadáver de um recuerdo enterrado vivo – IUNA – Instituto Universitario Nacional del Arte – Buenos
Aires/Argentina
:: Ubu Rei – FURB – Fundação Universidade Regional de Blumenau – Blumenau/SC
Diálogo: Intercâmbios Possíveis
(mediadora) Bya Braga
Oficinas
:: Descobrindo meu pequeno corpo criativo – Márcio Vesolli
:: Palco Fora do Eixo – processo colaborativo entre grupos cênicos: ampliando os horizontes por meio da
rede – Cláudia Shulz e Clayton Nobre
:: Experimentações circenses – Maria Clara Lemos
:: O ator e o risco – André Carreira
:: Teatro para educadores – Gláucia Vandeveld
:: Corpo como fronteira – Renato Ferracini
CaFETO “Políticas Culturais”
(mediador) Marcelo Bones // (participantes da mesa) Associação No Ato Cultural, Educação e Meio Ambiente,
Cooperativa Paulista de Teatro: Paulo Celestino, Fundação Municipal de Cultura: Rodrigo Barroso, Movimento
Nova Cena, MTG – Movimento de Teatro de Grupo: Carluty Ferreira, Palco Fora do Eixo: Cláudia Shulz, SATED
– Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão: Magdalena Rodrigues, Secretaria de Estado
de Cultura de Minas Gerais: Janaina Cunha e SINPARC – Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas: Rômulo
Duque.
164
CaFETO “Teatro na Escola”
provocador – José Simões
Análises
(mediadoras) Gláucia Vandeveld e Pita Belli // (analisadores) André Carreira, Denise Pedron e Walter Lima
Torres.
Destaques “Escola de Teatro”
Pesquisa de linguagem: 1º Movimento (Cia. CafécomLeite) // Exercícios para ser e não ser (Coletivo Quando
Coisa)
Proposta original: Trânsito livre (Cia. Seis Acessos)
“Escuta” do grupo: Trânsito livre (Cia. Seis Acessos) // Exercícios para ser e não ser (Coletivo Quando Coisa)
Pesquisa dramatúrgica: Caco: possível produção de memória para o espaço da casa (Realizadora Miúda)
Conjunto de atuação: Caco: possível produção de memória para o espaço da casa (Realizadora Miúda)
Figurino: O que mantém um homem vivo? (Cena em Cena Martins Pena)
Conjunto cênico: O pequeno grande aviador e o planeta do invisível (Grupo de Teatro Universitário) //
Cinco ou seis coisas que eu sei (Pé Sujo)
Intercâmbio realizado: Cinco ou seis coisas que eu sei (Pé Sujo)
Participação na totalidade da programação: Cinco ou seis coisas que eu sei (Pé Sujo)
Diálogo com suas raízes: O pequeno grande aviador e o planeta do invisível (Grupo de Teatro Universitário)
Cenário: A viagem do Capitão Fracassa (Comboio de Corda)
Destaques “Teatro na Escola”
Musicalidade do elenco: Amigas poetas (Grupo Encenação)
Construção coletiva do cenário e adereços de cena: Amigas poetas (Grupo Encenação)
Atuação coletiva: Atrás do arco-íris (Cia. Teatral Crepúsculo) // Num pacato vilarejo (Cia. De Teatro Pés
Descalços) // Orfeu (Art’ncena)
Performance musical: Atrás do arco-íris (Cia. Teatral Crepúsculo)
Ponte estabelecida entre os atores e o público: Atrás do arco-íris (Cia. Teatral Crepúsculo)
Dramaturgia: Contadores aluados e sua carroça de estrelas (Contadores Aluados) // Num pacato vilarejo (Cia.
De Teatro Pés Descalços) // Orfeu (Art’ncena)
Identidade visual: Contadores aluados e sua carroça de estrelas (Contadores Aluados)
Encenação: Num pacato vilarejo (Cia. De Teatro Pés Descalços)
Sonorização: Orfeu (Art’ncena)
Caracterização: Num pacato vilarejo (Cia. De Teatro Pés Descalços)
165
Números
:: 86 espetáculos inscritos
:: 258 participantes
:: Público de, aproximadamente, 5800 pessoas
Números totais do FETO – aproximadamente, 2550 estudantes participantes e 45200 espectadores
166
Companhia Brasileira de Teatro
167
168
Intercâmbios
Possíveis
Grupo Brinquedo169
Torto
170 Teatral Escóis
Grupo
171
Grupo XIX de Teatro
172
Companhia
Brasileira de Teatro
Lume Teatro
173
174Celestino
Paulo
Ana Fabrício
Pita Belli
José Simões
175
176 Okearô de Teatro Independente
Grupo
Grupo Pé Sujo
177
Cia. Teatral Crepúsculo
178
Oficina “Teatro Plástico”
179
Cerimônia de encerramento 2011
180
181
182
183
Companhia CafécomLeite
184
185
186
187
Expediente
Idealização e coordenação geral Associação No Ato Cultura, Educação e Meio Ambiente
Equipe No Ato Alexandre de Sena, Bárbara Bof, Eliezer Sampaio e Rodrigo Soares
Projeto Editorial Canal C – Comunicação e Cultura
Coordenação de Pesquisa e Produção Bárbara Bof
Projeto Gráfico e Diagramação Rico Macedo
Redação Carol Macedo e Júlia Moysés
Edição Bárbara Bof, Carol Macedo e Júlia Moysés
Assistente de Redação Jessica Soares
Foto da capa Grupo Arteiros (Recife/PE) – Crédito: Daniel Protzner
Fotos Internas 1999: Arquivo / 2000 e 2001: Daniel Protzner e Rodrigo Soares / 2002 a 2011: Daniel Protzner
Revisão Viviane Maroca
Impressão Gráfica Formato
188
Fontes
Acervo Associação No Ato
aporta – Encontro Estudantil de Artes Cênicas – encontroaporta.wordpress.com/
Cia Clara de Teatro – ciaclara.com.br
Cia Pierrot Lunar – ciapierrotlunar.blogspot.com
Cia Luna Lunera – cialunalunera-gatogertrudes.blogspot.com
Cia Maldita – cia-maldita.blogspot.com
Coleção Circo-Teatro, publicação da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais
Companhia Brasileira de Teatro - companhiabrasileira.art.br
Enciclopédia Itaú Cultural – Teatro – itaucultural.org.br/teatro
Espanca! – espanca.com
Fundação Clóvis Salgado – fcs.mg.gov.br
Fundação Municipal de Cultura – pbh.gov.br/cultura
Galpão Cine Horto – galpaocinehorto.com.br
Grupo Teatro Invertido – grupoteatroinvertido.blogspot.com
Grupo XIX – grupoxix.com.br
Plataforma Lattes – CNPq - lattes.cnpq.br
Plug Minas – plugminas.mg.gov.br
Teatro Andante – teatroandante.com.br
Trovão das Minas – trovaodasminas.blogger.com.br
Wikipédia – pt.wikipedia.org
189
190
191
www.fetobh.art.br
192
ISBN 978-85-66245-00-4
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