ELIANE RODRIGUES SILVA HUMANIZAÇÃO E DIREITO À SAÚDE: A EXPERIÊNCIA DO PROJETO CANGURU Artigo apresentado ao curso de Graduação em Serviço Social da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Serviço Social. Orientadora: Maria Valéria Duarte de Souza Brasília – DF 2013 Artigo de autoria de Eliane Rodrigues Silva, intitulado “HUMANIZAÇÃO E DIREITO À SAÚDE: A EXPERIÊNCIA DO PROJETO CANGURU”, apresentado como Requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Serviço Social da Universidade Católica de Brasília, em 27 de novembro de 2013, defendido e aprovado pela banca examinadora abaixo assinada: ___________________________________________________________________ Prof.ª Ma. Maria Valéria Duarte de Souza Orientadora Curso de Serviço Social – UCB ___________________________________________________________________ Prof. Me. Ricardo Gonçalves da Silva Curso de Serviço Social – UCB ___________________________________________________________________ Vangerlina Dias de Carvalho Assistente Social – Especialista Brasília – DF 2013 Dedico este Trabalho de Conclusão de Curso aos meus pais que me deram muito apoio nos momentos mais difíceis da minha vida, ao meu esposo que esteve ao meu lado, me ajudou e nunca mediu esforços para me ajudar, a minha família maravilhosa e aos meus professores que me ensinaram que por mais que pensemos que o nosso conhecimento já está bem profundo, estamos enganados, pois o conhecimento é algo que está sempre se renovando. Obrigada por tudo! AGRADECIMENTOS Primeiramente gostaria de agradecer a Deus por me dar o dom da vida e ser tão generoso comigo, sem Ele eu nada sou. Por colocar em minha vida uma família maravilhosa aos meus pais Antonio e Rosangela, que é base da minha vida, sinônimo de amor, compreensão e dedicação. Por me rodear de bons amigos e me dar à oportunidade de concluir um curso superior que me acrescentou muitas coisas importantes. Por ter me iluminado nas decisões mais difíceis e por ter me guiado ao longo do curso para trilhar o caminho mais correto possível. Meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que de alguma forma doaram um pouco de si para que a conclusão deste trabalho se tornasse possível: minha prima Raquel, minhas tias, minhas irmãs, meu sobrinho Enzo e meu maravilhoso maridinho Adriano, que de forma especial e carinhosa me deu força e coragem, me apoiando nos momentos de dificuldades, obrigada meu amor por sua paciência e dedicação. Não posso deixar de citar minhas colegas de trabalho que foram grandes incentivadoras. A todos que, com muito carinho e apoio, não mediram esforços para que eu chegasse até esta etapa de minha vida, pelas orações e pensamentos positivos para que eu pudesse alcançar meus objetivos. À professora Maria Valéria Duarte de Souza pela paciência na orientação e incentivo que tornaram possível a conclusão desta monografia. Enfim, concluir mais esta etapa da minha vida não seria possível sem a colaboração de todos os que foram citados aqui obrigada a todos os familiares, amigos, colegas e professores que fizeram parte dessa caminhada, com compreensão, carinho e suporte. 5 HUMANIZAÇÃO E DIREITO À SAÚDE: A EXPERIÊNCIA DO PROJETO CANGURU ELIANE RODRIGUES SILVA Resumo: Este trabalho visa compartilhar e analisar reflexões acerca da humanização no atendimento à saúde. Identificar a Saúde como um direto de todo cidadão e os princípios do atendimento humanizado no contexto da atenção à saúde, tendo como referência, a Constituição Federal, o Humaniza SUS, a Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990 e também identificar a humanização no atendimento ao recém-nascido prematuro e com baixo peso no desenvolvimento do Método Canguru. Pretende discutir a importância do atendimento humanizado, Art. 5º Dos Objetivos e Atribuições do Sistema Único de Saúde e o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. O procedimento metodológico utilizado foi a pesquisa bibliográfica e documental envolvendo a consulta dos relatórios de atendimento e registros realizados durante o período de estágio supervisionado em Serviço Social. O estudo conclui que a humanização no âmbito da Política de Saúde aponta para abertura de um diálogo reflexivo que contemple a importância do aprimoramento das relações que são tecidas cotidianamente no cenário da assistência hospitalar, com o propósito de ultrapassar as concepções tradicionais de saúde, apenas centradas na doença e em seus processos biofisiológicos, para incorporar e investir na relação entre profissionais e sujeitos adoecidos, reforçando a concepção de saúde como um direito que se materializa a partir de múltiplas determinações. Palavras-chaves: Humanização, SUS, Humaniza SUS, PNH e Método Canguru. 6 Astract: This work aims to analyze and share ideas about the humanization of health care with a view to ensuring the rights and access to the service . Identify Health as a direct of all citizens and the principles of humane care in the context of health care, with reference to the Federal Constitution , the Humaniza SUS , Law n . 8,080, of September 19, 1990 and also identify the humanization of care to premature newborns with low weight in the development of Kangaroo Care . Discusses the importance of humane care Article 5 Purposes and Functions of the National Health System and the National Humanize Hospital. The approach used was the literature research documentary. Data were collected by searching readings of publications , articles , laws , Constitution and websites that address the issue . About Kangaroo Care to read is a little sparse for being a new subject and unheralded. We conclude that the humanization as Health Policy aims to open a dialogue reflective covering the importance of improved relations that are woven daily scenario of hospital care, in order to overcome the traditional concepts of health and just focused on disease in its biochemical process to incorporate and invest in the relationship between professionals and diseased subjects. And that kangaroo care is also one of those policies. Keywords: Humanization, SUS SUS Humaniza, PNH and Kangaroo Care. 7 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como finalidade atender a Disciplina de “Trabalho de Conclusão de Curso” do Curso de Serviço Social da Universidade Católica de Brasília - UCB. Tendo como principal objetivo conhecer e discutir a humanização no âmbito da assistência à saúde enquanto direito de todos e dever do Estado, conforme o artigo 196 da Constituição Federal de 1988. No campo das políticas sociais, é dever do Estado assegurar a todos os cidadãos o direito à educação e à saúde (Brasil, 1988). Para assegurar esse direito, na área da saúde, a Constituição determinou a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), estruturado de forma descentralizada, hierarquizada e regionalizada, de acesso universal. Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS (1997), a saúde foi ganhando espaço e garantindo conceito de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doenças. A Constituição Federal de 1988 define o conceito de saúde, incorporando novas dimensões. Para ter saúde, é preciso ter acesso a um conjunto de fatores, como alimentação, moradia, emprego, lazer, educação etc. Contudo, durante a pesquisa foi possível perceber também que a saúde, como um direito, nem sempre existiu. A saúde era privilégio de poucos. Era garantida apenas aos trabalhadores ou a quem podia pagar por ela. Sua universalização foi conquistada através de muitas lutas e movimentos que buscavam sua melhoria. Como marco na luta por essa universalização, podemos citar a Reforma Sanitária, que preconizava a busca por transformações na área da saúde, da democracia e a consolidação da cidadania. Segundo Bravo (São Paulo, 2007, p.12) “a proposta central dessa reforma era assegurar que o Estado atuasse em função da sociedade, pautando-se na concepção de Estado democrático e de direito, responsável pelas políticas sociais e, por conseguinte, pela saúde”. A partir destas lutas a saúde ganha mais um conceito no relatório final da 8ª Conferência Nacional de Saúde. A saúde passa a ser definida como o resultado não apenas das condições de alimentação, habitação, educação, trabalho, lazer e acesso aos serviços de saúde, mas, sobretudo, da forma de organização da produção na sociedade e das desigualdades nela existentes. 8 Nesse contexto, surge o SUS – Sistema Único de Saúde visando à implantação desse novo paradigma, pois antes da criação desse sistema, a assistência médica se resumia em desenvolver ações de promoção à saúde e prevenção de doenças, realizadas em caráter universal. Esse atendimento era realizado por médicos que atendiam somente aqueles capazes de pagar por seus serviços, ou por instituições de caridade sustentadas pela Igreja e por doações. Com a implantação do SUS, Criado em 1988, pela Constituição Federal, a situação de atendimento citada acima, mudou, pois ele foi criado para ser o sistema de saúde de todos os brasileiros, com a finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à saúde da população. Esse sistema veio ampliar o conceito de atendimento de saúde, pois mais do que oferecer a medicina curativa, ele se propõe a divulgar informações relevantes quanto ao cuidado pessoal que os cidadãos precisam ter quanto à sua saúde, investindo em ações preventivas, com campanhas educativas, visando a democratização dessas informações. O SUS constitui um projeto social único que se materializa por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde da população. Entre seus princípios e principais características, podemos citar: a Universalidade que tem como base o atendimento gratuito, a todos de acordo com suas necessidades; a Integralidade que garante um atendimento permanente a fim de prestar assistência, objetivando a promoção da saúde, prevenção e cura da doença; a Descentralização, que permite aos níveis estadual e municipal a coordenação das ações de modo que a implantação do SUS esteja de acordo com seus princípios. Contudo, esse projeto acaba não sendo empregado como deveria ser. Então com o intuito de aprimorar a sua operacionalização, o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH) com o objetivo de promover uma nova cultura de atendimento na saúde que apoiasse a melhoria da qualidade e eficácia dos serviços prestados, por meio do aprimoramento das relações entre: trabalhadores da saúde; usuários e profissionais; hospitais e comunidade. O conceito basilar desse programa é a humanização das relações na saúde. Por humanização a Política Nacional de Humanização entende que é a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção da saúde. 9 Segundo o Caderno do humaniza SUS (Brasília 2010) “A Humanização, corresponde à produção de novas atitudes por parte de trabalhadores, gestores e usuários, de novas éticas no campo do trabalho, incluindo aí o campo da gestão e das práticas de saúde, superando problemas e desafios do cotidiano do trabalho” (Caderno Humaniza SUS, Brasília, 2010, p.6). Como exposto acima, o conceito de humanização veio para resgatar os princípios básicos de um atendimento de qualidade na área da saúde e a garantia deste direito resignificando o caráter inicial do SUS. Um exemplo de experiência e atendimento humanizado na área da saúde, no caso das crianças recém-nascidas em situação de risco é o Método Canguru, que consiste em colocar o bebê entre os seios maternos, em contato com a pele. Desta forma, mantendo-os aquecidos com o calor do corpo de sua mãe, os bebês poderiam sair mais cedo da incubadora e, consequentemente, ir mais cedo para casa, minimizando graves problemas da época da implantação desse método: a superlotação e a infecção. Além dessas vantagens, destaca-se que o contato pele a pele precoce e duradouro entre a mãe e o seu filho também favoreceria a formação de vínculos afetivos e um melhor desenvolvimento do bebê. O objetivo do método é melhorar, substancialmente, as chances de vida de recém-nascidos de baixo peso, através da interação com a família e do aleitamento materno. O método descrito acima pôde ser vivenciado na disciplina de estágio supervisionado, que foi realizada no período do segundo semestre de 2012 e primeiro semestre de 2013, na unidade neonatal e enfermaria canguru do Hospital Regional de Taguatinga, cidade do Distrito Federal. Na ocasião, foi possível perceber os primeiros atendimentos prestados às parturientes atendidas pelo referido método. Notou-se que quando de sua aplicabilidade, o atendimento não atingia totalmente o que se propunha, pois faltava conhecimento, por parte das parturientes, da filosofia, objetivos e benefícios do Método Canguru. Outra falha detectada foi que o público alvo não se reconhecia como sujeito de direitos, o que ocorria pela fragilização e falta de informação, práticas tão recorrentes no sistema de saúde, o que acaba muitas vezes prejudicando na recuperação mãe/bebê. 10 Os resultados desta pesquisa, proveniente da disciplina de estágio supervisionado, constataram que a temática humanização envolve questões amplas que vão desde a operacionalização de um projeto político de saúde, calçado em valores como a cidadania, o compromisso social e a saúde como qualidade de vida, passando pela revisão das práticas de gestão tradicionais até os micros espaços de atuação profissional, nos quais, saberes, poderes e relações interpessoais se fazem presentes. Assim, é necessário compreender a humanização como temática complexa que permeia o fazer de distintos sujeitos. Relatar um modelo de assistência humanizada como o Método Mãe Canguru, com suas falhas e acertos, comprova a complexidade da humanização na saúde. Pela experiência vivenciada posso dizer que os desafios encontrados são resistência de alguns profissionais, falta de motivação, quantidade insuficiente de profissionais, desgaste físico, emocional e profissional, espaço físico inadequado entre outros. A pesquisa destaca também as vantagens desse modelo de atenção à mãe e recémnascido e a importância da participação de profissionais qualificados para o sucesso do método. Com a correta aplicação dele, o recém-nascido hospitalizado e sua família são tratados com respeito e dignidade, tem direito a informação e a participação na tomada de decisões sobre o tratamento escolhido. A partir desta concepção mais humanista é que surgiram algumas propostas de melhoria na assistência perinatal. 1. O DIREITO A SAÚDE. O conceito de saúde tem mudado radicalmente nos últimos anos. Algum tempo atrás, saúde significava apenas a ausência de doença, mas logo esse conceito foi se expandindo e incorporando as dimensões física, emocional, mental, social e espiritual do ser humano. Segundo a OMS saúde pode ser entendida como “o completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doenças.” Sendo assim, reconhecida como um dos direitos fundamentais de todo o ser humano, seja qual for sua condição social ou econômica, crença religiosa ou política. O direito a saúde é uma questão de cidadania ter direito a uma vida saudável e com qualidade, implica também o reconhecimento de que todas as cidadãs e todos os cidadãos, sem exceção, têm as garantias universais da saúde. 11 A Constituição Federal em seu artigo 196 traz a saúde como um direito de todos e dever do Estado e que através de políticas sociais e econômicas reduza o risco de doenças e a garantia do acesso universal e igualitário deste serviço: Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (CF 1988). O direito pela saúde nem sempre existiu é um direito que vem sendo historicamente conquistado, ganhando impulso no contexto social e político da redemocratização (final dos anos 70 e início dos anos 80). Durante este longo período que vai desde a formação do Estado brasileiro em 1822 até a constituição de 1988, inexistia a noção de direito à saúde. Mesmo com a prestação de serviços e ações de saúde vinculadas ao aparato previdenciário que teve origem nas Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), criadas em 1923, passando pelos Institutos de Aposentadorias e pensões (IAPs), produtos da reestruturação do Estado brasileiro nos moldes getulistas, a partir de 1930 bem como pelo Instituto Nacional da Previdência Social – INPS, em 1966, já em plena ditadura militar, o acesso a esses serviços e ações de saúde eram condicionados pela lógica contributiva. Somente o trabalhador urbano, com carteira assinada, poderia acessá-los. A realidade social no Brasil era de exclusão da maior parte dos cidadãos. Foi em contraposição a este modelo que a Reforma Sanitária configurou-se em um conjunto de propostas relativas às mudanças e transformações necessárias na área da saúde, da democracia e da consolidação da cidadania no país. Foi fruto de lutas e mobilização dos profissionais de Saúde, articuladas ao movimento popular na década de 60 e atingiu sua maturidade no fim da década de 70 e começo da década de 80. Segundo BRAVO (2007) “a proposta central era assegurar que o Estado atue em função da sociedade, pautando-se na concepção de Estado democrático e de direito, responsável pelas políticas sociais e, por conseguinte, pela saúde” (p.12). A Reforma Sanitária nasceu na luta contra a ditadura, que foi um período (1964 a 1985) em que a política brasileira foi governada por militares e caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar. Com o tema Saúde e Democracia um novo pensamento sobre a saúde que se consolidou e transformou-se em projeto a partir na 8ª Conferência 12 Nacional de Saúde, em 1986, onde mais de cinco mil representantes de todos os seguimentos da sociedade civil discutiram um novo modelo de saúde para o Brasil. Essa luta significou uma conquista, um avanço da sociedade civil brasileira em defesa da democracia, dos direitos sociais e de um novo sistema de saúde com destaque para o reconhecimento formal da Saúde como direito de cidadania, responsabilidade do Estado, a descentralização e o reconhecimento do direito universal à saúde, o reforço da noção de cidadania com participação popular e a sua vinculação ao conceito de seguridade. No relatório final da 8ª Conferência Nacional de Saúde, a saúde passa a ser definida como o resultado não apenas das condições de alimentação, habitação, educação, trabalho, lazer e acesso aos serviços de saúde, mas, sobretudo, da forma de organização da produção na sociedade e das desigualdades nela existentes. O projeto da Reforma é o da civilização humana, é um projeto civilizatório, que para se organizar precisa ter dentro dele princípios e valores que nós nunca devemos perder, para que a sociedade como um todo possa um dia expressar estes valores, pois o que queremos para a saúde é o que queremos para a sociedade brasileira (PAIM apud AROUCA, 2007, p.152). Foi dentro desta perspectiva que a “Saúde como um Direito do Cidadão e Dever do Estado” se colocou como ideia central do “Movimento Sanitário”. Nesta perspectiva, à Saúde cabe o papel de sensor crítico das políticas econômicas e outras políticas sociais em desenvolvimento onde se torna fundamental o conceito da intersetoraliedade que segundo Tumelero: Nas políticas públicas a intersetorialidade aparece como possibilidade de superação de práticas fragmentárias ou sobrepostas na relação com os usuários de serviços estatais, ou mesmo de serviços ofertados por organizações privadas sob iniciativas da sociedade civil ou de fundações empresariais (2013 s/p). A partir destes marcos, a 8ª CNS estabeleceu as bases para a reformulação do Sistema Nacional de Saúde. O Movimento Sanitário brasileiro cresceu e ganhou representatividade através dos profissionais de saúde, usuários, políticos e lideranças populares, na luta pela reestruturação do nosso sistema de saúde. A primeira delas, a saúde como direito de todo o cidadão, independentemente de ter contribuído, ser trabalhador rural ou não trabalhador. 1.2 A SAÚDE NO BRASIL ANTES DA REFORMA SANITARIA E DO ADVENTO DO SUS. 13 Durante a década de 70, vigorava o modelo médico assistencial, baseado em ações curativas que não beneficiavam toda a população, pois somente os trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que contribuíam com a Previdência Social poderiam dispor desta assistência. Antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), a assistência médica do Ministério da Saúde se resumia a desenvolver ações de promoção à saúde e prevenção de doenças realizadas em caráter universal e era realizada ou por médicos que atendiam somente aqueles capazes de pagar por seus serviços, ou por instituições de caridade sustentadas pela Igreja e por doações. Não havia participação do Estado nessa assistência. A partir da década de 20, algumas empresas passaram a oferecer a seus empregados assistência médica, além de aposentadoria e pensões, com as Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs). Mais tarde em 1932 as CAPs foram substituídas pelos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs), que atendiam a uma determinada categoria profissional, já com alguma participação do Estado nesta gestão. O modelo inicial da assistência médica não era universal e baseava-se nos vínculos trabalhistas. Tinham direito aos benefícios somente trabalhadores que contribuíam para a Previdência, ou seja, aqueles “com carteira assinada”. Em 1966 os IAPs foram unificados e criados o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) - com ainda maior participação do Estado aumentando o seu poder regulatório sobre a sociedade e privilegiando o setor privado - e depois, em 1977, visando reestruturar a Previdência Social e as formas de manutenção e concessão dos benefícios e serviços, além de reorganizar a gestão administrativa, financeira e patrimonial, foi criado o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (SINPAS), abrangendo os seguintes órgãos: INPS, IAPAS, INAMPS, FUNABEM, LBA, CEME e DATAPREV. O INAMPS foi criado pelo regime militar em 1974 pelo desmembramento do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e tinha a finalidade de prestar atendimento médico aos que contribuíam com a previdência social, beneficiava apenas os trabalhadores da economia formal, com “carteira assinada”, e seus dependentes, ou seja, não tinha o caráter universal o atendimento era centrado no setor privado, vinculado e financiado pelo governo federal. Nesta época privilegiou-se muito o setor privado, devido ao não investimento econômico no setor público. Cabe ressaltar aqui que o fortalecimento do setor privado atendia 14 aos interesses de determinados grupos, não atingindo as reais necessidades da população. O contexto político da época era caracterizado pelo autoritarismo, repressão política e censura à imprensa. O Movimento da Reforma Sanitária propôs alternativas para um novo sistema de saúde com características democráticas. Provocou várias inflexões importantes, dentre algumas, a tendência de mudança a favor da universalização da atenção à saúde, cujo provimento até então era ofertado às instituições criadas por corporações de trabalhadores e pela medicina privada, e uma busca de transformação do modelo hospitalocêntrico (baseado nos cuidados da saúde em hospitais, uma remediação com a doença já instalada) ao invés de utilizarem a forma de prevenção primária -não precisariam ir ao hospital- dando lugar a uma oferta de serviços básicos, de prevenção e de promoção (MINAYO, 2007 s/p). A viabilidade dessa macroconstrução histórica de um Estado que torne públicos e universais os bens e serviços da reprodução da vida social, retirando-os do quadro atual da segmentação corporativa e mercantil, deve ser compreendida no processo mesmo dessa revolução democrática e se baseia em cinco condicionantes convergentes. Por meio destas, ampliou-se o número de defensores das mudanças no sistema de saúde, que tiveram a oportunidade de se expressar em 1979, durante o I Simpósio Nacional de Política de Saúde, em que houve elaboração de uma proposta de reorientação do sistema de saúde, tendo como finalidade a estruturação de um Sistema Único de Saúde. A primeira condicionante convergente, a saúde como direito de todo o cidadão, independentemente de ter contribuído, ser trabalhador rural ou não trabalhador. Não se poderia excluir ou discriminar qualquer cidadão brasileiro do acesso à assistência pública de saúde. A segunda é a de que as ações de saúde deveriam garantir o acesso da população às ações de cunho preventivo e/ou curativo e, para tal, deveriam estar integradas em um único sistema. A terceira, a descentralização da gestão, tanto administrativa, como financeira, de forma que se estivesse mais próximo da quarta proposição que era a do controle social das ações de saúde. 15 2. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: INSTRUMENTO PARA A GARANTIA DO DIREITO À SAÚDE O SUS, Sistema Único de Saúde, é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. Ele abrange desde o simples atendimento ambulatorial até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país. A Constituição Federal de 1988 define o conceito de saúde incorporando novas dimensões. Para se ter saúde é preciso ter acesso a um conjunto de fatores, como, alimentação, moradia, emprego, lazer, educação etc. Seu artigo 196 cita que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Com este artigo fica definida a universalidade da cobertura do Sistema Único de Saúde. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990 Art. 5º (CAPÍTULO I Dos Objetivos e Atribuições) são objetivos do Sistema Único de Saúde SUS: I - a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde; II - a formulação de política de saúde destinada a promover, nos campos econômicos e sociais, a observância do disposto no § 1º do art. 2º desta lei; III - a assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas. A Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990, dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. Esta Lei regula em todo o território nacional as ações e os serviços de saúde, executados isolada ou conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, por pessoas naturais ou jurídicas de direito público ou privado (BRASIL, 1990). 16 Art. 7º a proposta do SUS, tem seus princípios e suas características principais: A Universalidade - deve atender, gratuitamente, a todos de acordo com suas necessidades; a Integralidade - deve atuar de maneira integral, a fim de prestar assistência, objetivando a promoção da saúde, prevenção e cura da doença; a Descentralização - deve permitir aos níveis estadual e municipal coordenar as ações de modo que a implantação do SUS esteja de acordo com seus princípios. As ações devem estar concentradas no nível municipal, já que ocorreu a municipalização da saúde, privilegiando e respeitando as características particulares de cada município, fazendo com que o nível federal apenas transfira o pagamento para os demais níveis administrarem as ações; o Racional - deve-se disponibilizar ações nos diferentes níveis de atenção, atentando para as características dos usuários em cada setor, a fim de suprir e solucionar suas necessidades. Também é necessário atentar para a contratação ou não de serviços privados, realizando o contrato em nível municipal, podendo atuar no controle e qualidade dos serviços prestados pelos mesmos; a Eficaz e Eficiente - deve ser capaz de solucionar o problema de quem o procura, ou seja, garantir qualidade e resolutividade do serviço. Para que isso ocorra, também há a necessidade de adequar-se à realidade da comunidade e à disponibilidade de recursos, administrando os recursos públicos de modo eficiente; e a Democrático - deve permitir a participação de todos os segmentos envolvidos com o sistema, ajudando a delimitar a política no seu nível de atuação, auxiliando no melhor modo de administração que garanta qualidade de vida e do serviço à comunidade. Há os Conselhos de Saúde nos três níveis, exercendo controle social do SUS, a fim de garantir a sua implantação (LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990). O SUS tem como proposta ser um sistema de saúde pública com a obrigação de atender todos. Isso não foi uma concessão da burguesia, mas uma conquista arrancada através da luta, encabeçada pelo movimento pela reforma sanitária idealizando um sistema de saúde baseado em três princípios já citados acima: universalidade (todos têm direito ao atendimento de saúde); equidade (tratar a cada um de acordo com suas particularidades); integralidade (objetivo de uma saúde integral, não tratar apenas sintomas). É possível perceber com toda esta leitura e com a vivencia atual do SUS que a própria construção desse sistema deixou brechas para questionamentos como, por exemplo, como o serviço privado se encaixa para complementar o SUS? Sendo permitida a existência de outro sistema, a conclusão é de que o SUS não pode ser tão único assim negando os princípios do SUS de universalidade e integralidade. 17 Para se estabelecer nosso Sistema Único de Saúde eficaz, é indispensável também que a doutrina da regionalização ou municipalização privilegiando e respeitando as características de cada realidade município seja empregada, pois cada região possui prioridades locais e regionais que não são as mesmas que a do país todo. É importante disponibilizar os recursos e administrar os recursos públicos de modo eficiente, entendendo-se esta eficiência como resposta às reais necessidades de saúde da população e não restrita à lógica economicista que condiciona ações de saúde a recursos alocados conforme interesses que não concebem a saúde como um direito inerente ao exercício da cidadania. Estes princípios do SUS foram estabelecidos legalmente, porém há a necessidade de que o SUS seja implantado de forma a respeitá-los e, principalmente, garantir à população o acesso a um serviço de saúde com democracia e qualidade, em que o poder de tomar importantes decisões políticas estejam nas mãos dos cidadãos, contribuindo para manter uma melhor qualidade de vida e de saúde da população. Esse modelo enxerga o cidadão em sua condição plena; como usuário, mas também como participante das decisões que envolvem a Política de Saúde. 2.1 A POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO DA ATENÇÃO E DA GESTÃO DO SUS – HUMANIZA SUS. O tema humanização vem ganhando cada vez mais destaque e discussão, pois é um assunto de grande importância, ainda mais quando se trata de humanização no serviço de saúde. Segundo Melo, “o humanismo é a corrente filosófica que centraliza seu interesse no tema da natureza ou condição humana e coloca o homem e seus valores acima de todas as outras coisas” (2008 s/p). A falta de humanização é uma realidade que acontece diariamente e que se configura na ausência de informação sobre o diagnóstico e tratamento, do acolhimento por uma equipe multidisciplinar, de atenção e respeito pelas necessidades dos usuários, de ambiente limpo e agradável, entre outros fatores que influenciam na recuperação dos pacientes e aceitação de suas condições. Mas a dificuldade de acesso aos serviços e o mau relacionamento com os profissionais da área ainda são os maiores problemas da falta de humanização. É importante saber que a humanização é de fundamental importância para um atendimento de qualidade e independente do poder aquisitivo do usuário, deve assim, priorizar as ações preventivas e democratizar as informações relevantes para que a população 18 conheça seus direitos. Um grande passo para um atendimento humanizado é perceber as pessoas como sujeito de direito, direito a saúde, valorizando o ser humano como um todo. Para Pereira e Benevides, humanização em saúde “diz respeito à transformação dos modelos de atenção e de gestão nos serviços e sistemas de saúde, indicando a necessária construção de novas relações entre usuários e trabalhadores e destes entre si” (2005, p.563). Archanjo e Barros (2012) nos mostram que a humanização tem como objetivo promover o bem-estar de pacientes qualificando as práticas de saúde: o acesso com acolhimento; a atenção integral e equânime com responsabilização e vínculo; a valorização dos trabalhadores e usuários com avanço na democratização da gestão e no controle social participativo e resgatando o respeito à vida humana (2012 s/p). Com a finalidade de dar suporte ao SUS, o Ministério da Saúde (MS) em maio de 2000 cria o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH) com o objetivo de promover uma nova cultura de atendimento na saúde que apoiasse a melhoria da qualidade dos serviços prestados por meio da democratização das relações entre trabalhadores da saúde; usuários e profissionais; instituições de saúde e comunidade. A criação da PNH no SUS é um elemento a mais para a democratização dos serviços de saúde. A PNH vem dar visibilidade a questões que, mesmo com os avanços sociais e políticos conquistados com o SUS, ainda permaneciam concepções e práticas que, a médio e longo prazo acabariam por comprometer tais avanços. Tratava-se de pautar um quadro com fortes contradições tais como: o desrespeito aos direitos dos usuários; predominância absoluta do saber profissional com práticas verticalizadas; atendimento à população. O grande despreparo dos profissionais para lidar com as questões subjetivas a humanização vai além da opinião intima do indivíduo é também o compartilhamento de saberes, entre os profissionais de saúde e os usuários (MELO, 2008, p.38-39). A Política Nacional de Humanização entende a humanização como: a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção da saúde. Os valores que norteiam esta política são: “a autonomia e o protagonismo dos sujeitos; a corresponsabilidade entre eles; o estabelecimento de vínculos solidários; a participação coletiva nos processos de gestão e a indissociabilidade entre atenção e gestão” (MINISTERIO DA SAUDE, 2004, p.9). 19 É uma política vinculada à secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, que estimula a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários, buscando mudanças das relações de poder, trabalho e afeto, evitando atitudes e práticas desumanizadoras. Isso impede a autonomia e a corresponsabilidade dos profissionais de saúde em seu trabalho e dos usuários, no cuidado de si, analisando os problemas e as dificuldades existentes em cada serviço de saúde do SUS buscando construir para um atendimento humanizado. Percebe-se então que a Política Nacional de Humanização dos Serviços de Saúde tem como proposta reduzir as dificuldades encontradas durante o tratamento, favorecendo a recuperação da comunicação entre a equipe de profissionais de saúde e os usuários, incluindo a família, diante do momento de fragilidade emocional do usuário. Outra contribuição da PNH pode ser encontrado no Portal da Saúde quando diz que “a Política Nacional de Humanização (PNH) busca colocar em prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar” (PORTAL DA SAÚDE, s/p). O Humaniza SUS aposta na inclusão de trabalhadores, usuários e gestores na produção e gestão do cuidado e dos processos de trabalho. A comunicação entre esses três atores do SUS provoca movimentos de perturbação e inquietação que a PNH considera o “motor” de mudanças e que precisam ser incluídas como recursos para a produção da saúde. Humanizar se traduz, então, como inclusão das diferenças nos processos de gestão e de cuidado. Tais mudanças são construídas não por uma pessoa ou grupo isolado, mas de forma coletiva e compartilhada. Incluir para estimular a produção de novos modos de cuidar e novas formas de organizar o trabalho. O Humaniza SUS tem como proposta de inovações em saúde: Valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores; Fomento da autonomia e do protagonismo desses sujeitos e dos coletivos; Aumento do grau de co-responsabilidade na produção de saúde e de sujeitos; Estabelecimento de vínculos solidários e de participação coletiva no processo de gestão; 20 Mapeamento e interação com as demandas sociais, coletivas e subjetivas de saúde; Defesa de um SUS que reconhece a diversidade do povo brasileiro e a todos oferece a mesma atenção à saúde, sem distinção de idade, etnia, origem, gênero e orientação sexual; Mudança nos modelos de atenção e gestão em sua indissociabilidade, tendo como foco as necessidades dos cidadãos, a produção de saúde e o próprio processo de trabalho em saúde, valorizando os trabalhadores e as relações sociais no trabalho; Proposta de um trabalho coletivo para que o SUS seja mais acolhedor, mais ágil e mais resolutivo; Compromisso com a qualificação da ambiência, melhorando as condições de trabalho e de atendimento; Compromisso com a articulação dos processos de formação com os serviços e práticas de saúde; Luta por um SUS mais humano, porque construído com a participação de todos e comprometido com a qualidade dos seus serviços e com a saúde integral para todos e qualquer um. Esse programa apresenta também, como princípios a transversalidade, que reconhece as diferentes especialidades e práticas de saúde, incluindo o usuário como ator no fechamento de possíveis diagnósticos. O que diminui as relações de poder hierarquizado, a dissociabilidade entre atenção e gestão, trabalhadores e usuários, buscando conhecer como funciona a gestão dos serviços e da rede de saúde, participando ativamente do processo de tomada de decisões de saúde coletiva. O usuário e sua rede sócio familiar devem também se corresponsabilizar pelo cuidado de si nos tratamentos, assumindo posição protagonista com relação a sua saúde. Os usuários não são só pacientes, os trabalhadores não só cumprem ordens: as mudanças acontecem com o reconhecimento do papel de cada um. A humanização e a democratização do atendimento em saúde representam a liberdade do cidadão e da comunidade para atuar como protagonistas na participação e no controle da sua qualidade de vida e de saúde, portanto, o usuário deve ter consideradas e respeitadas suas opiniões, queixas e necessidades pelo sistema de saúde como um todo. 21 3. A HUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO A CRIANÇA RECÉM-NASCIDA EM SITUAÇÃO DE RISCO. Todos os anos, cerca de 20 milhões de crianças nascem no mundo com peso mais baixo do que o normal seja devido a partos prematuros ou problemas durante a gestação. Entre essas, ao menos 500 mil morrem anualmente, principalmente nos países mais pobres. Como consequência, para muitos bebês prematuros, isso implicará em um alto risco de sofrer complicações e problemas crônicos ao longo da vida, tanto físicos quanto mentais O baixo peso ao nascer e a prematuridade são os fatores mais importantes na determinação da mortalidade neonatal (o baixo peso, particularmente, pode ser derivado tanto da prematuridade como do retardo do crescimento intra-uterino). O pré-natal permite o diagnóstico e tratamento de inúmeras complicações durante a gestação e a redução ou eliminação de fatores e comportamentos de risco passíveis de serem corrigidos. No Brasil, a mortalidade neonatal, a prevalência de baixo peso ao nascer e a prematuridade estão relacionadas à carência de procedimentos rotineiros e básicos na assistência à gestante. Uma assistência pré-natal adequada e sua interação com os serviços de assistência ao parto são fundamentais para a obtenção de bons resultados da gestação. Isto está dentro do atendimento básico da saúde que está voltado para a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e reabilitação. Bem como na orientação ao atendimento de acordo com as evidências mais atuais, objetivando a realização de uma prática humanizada, integral e em rede, garantindo um padrão de acesso e qualidade. A unidade básica de saúde (UBS) deve ser a porta de entrada preferencial da gestante no sistema de saúde. É o ponto de atenção estratégico para melhor acolher suas necessidades, inclusive proporcionando um acompanhamento longitudinal e continuado, principalmente durante a gravidez. Segundo o Caderno de Atenção Básica do Ministério da Saúde 2012 existem 10 passos para o Pré-Natal de Qualidade na Atenção Básica. 22 1° PASSO: Iniciar o pré-natal na Atenção Primária à Saúde até a 12ª semana de gestação (captação precoce) 2° PASSO: Garantir os recursos humanos, físicos, materiais e técnicos necessários à atenção pré-natal. 3° PASSO: Toda gestante deve ter assegurado a solicitação, realização e avaliação em termo oportuno do resultado dos exames preconizados no atendimento pré-natal. 4° PASSO: Promover a escuta ativa da gestante e de seus(suas) acompanhantes, considerando aspectos intelectuais, emocionais, sociais e culturais e não somente um cuidado biológico: "rodas de gestantes". 5° PASSO: Garantir o transporte público gratuito da gestante para o atendimento pré-natal, quando necessário. 6° PASSO: É direito do(a) parceiro(a) ser cuidado (realização de consultas, exames e ter acesso a informações) antes, durante e depois da gestação: "pré-natal do(a) parceiro(a)". 7° PASSO: Garantir o acesso à unidade de referência especializada, caso seja necessário. 8° PASSO: Estimular e informar sobre os benefícios do parto fisiológico, incluindo a elaboração do "Plano de Parto". 9° PASSO: Toda gestante tem direito de conhecer e visitar previamente o serviço de saúde no qual irá dar à luz (vinculação). 10° PASSO: As mulheres devem conhecer e exercer os direitos garantidos por lei no período gravídico-puerperal. 3.1 O PROJETO CANGURU COMO ESTRATÉGIA DE HUMANIZAÇÃO DO ATENDIMENTO ÀS MÃES E AS CRIANÇAS RECÉM NASCIDAS EM SITUAÇÃO DE RISCO. Um exemplo de experiência e atendimento humanizado na área da saúde, no caso das crianças recém-nascidas em situação de risco é o Projeto Canguru. Como dito anteriormente, esta situação foi vivenciada no período do estágio que foi realizado no segundo semestre de 23 2012 e primeiro semestre de 2013 na unidade neonatal e enfermaria canguru do Hospital Regional de Taguatinga. O Método Mãe-Canguru (MMC) foi criado em 1978 pelo Dr. Edgar Rey Sanabria, no Instituto Materno-Infantil (IMI) de Bogotá, na Colômbia, pelo fato do referido médico estar alarmado com a taxa de mortalidade de bebês prematuros em seu hospital. O método consistia em, ao invés de deixar os bebês apenas na incubadora, coloca-los também entre os seios maternos, em contato pele a pele com a mãe, na posição supina (postura preventiva para refluxo gastroesofágico e aspiração pulmonar), mantendo-os aquecido com o calor do corpo de suas genitoras, que no caso faziam o papel da incubadora. Esse procedimento teve tanto sucesso que os bebês puderam sair mais cedo da incubadora e, consequentemente, ir mais cedo para casa, minimizando graves problemas da época: superlotação e infecção. Além dessas vantagens, observou-se, desde o início, que o contato pele a pele precoce e duradouro entre a mãe e o seu filho também favorecia a formação de vínculos afetivos e um melhor desenvolvimento do bebê. A partir da experiência da Colômbia e de sua divulgação, promovida pelo Unicef, vários países do mundo passaram a utilizar o Método, internacionalmente conhecido como Kangaro o Mother Care (KMC). No Brasil é um projeto implantado e estimulado pelo Ministério da Saúde que adota a terminologia Método Canguru, considerando que não só a mãe faz parte de sua aplicabilidade, mas que o pai ou outro membro da família pode ter participação ativa e fundamental, fortalecendo os vínculos afetivos e de proteção. Segundo a Portaria nº 693/GM de 5 de julho de 2000, o método canguru, como política pública é definido como: Um tipo de assistência neonatal que implica o contato pele a pele precoce entre a mãe e o recém-nascido de baixo peso, de forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, permitindo, dessa forma, uma maior participação dos pais no cuidado ao seu recém-nascido (Portaria nº 693/GM. 2000). 24 O método canguru é aplicado em bebês pré-termo/baixo peso. O bebê pré-termo ou prematuro nasce com uma "imaturidade" dos seus órgãos e sistemas (respiração, controlada temperatura, digestão, metabolismo, etc) o que o torna mais vulnerável às doenças e mais sensível aos agentes externos (luz, ruído, etc). Para Knobel (2008) o bebê pré-termo é o bebê que está exposto a um conjunto de fatores de risco específicos, capazes de exercer um impacto negativo sobre a adaptação subsequente, sendo assim, o cuidado a criança deverá focar sempre na viabilização de fatores de proteção, como o apego parental, coesão familiar, apoio, orientação e preparação para procedimentos. O impacto da hospitalização pode incidir em qualquer fase do desenvolvimento infantil, sendo alguns períodos mais vulneráveis a episódios de desestruturação (2008, pp. 94-95). Estes bebês merecem uma atenção especial e adequada às suas necessidades, já que embora seja uma "versão pequena" de um bebê de termo, o seu processo de amadurecimento biológico ainda não está concluído, e, consoante à idade gestacional em que ocorre o nascimento, vai amadurecer num local diferente do útero materno, um local com sons, luzes intensas e estímulos sensoriais. Dessa forma, o objetivo do método é melhorar, substancialmente, as chances de vida de recém-nascidos de baixo peso, através da interação com a família e do aleitamento materno, desenvolvendo a Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso. Com o objetivo de contribuir para a mudança de postura dos profissionais e visando à humanização da assistência ao recém-nascido, o Ministério da Saúde lançou, por meio da Portaria nº693, de 5 de julho de 2005, a Norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso (Método Canguru). Esta mesma norma foi atualizada pela Portaria nº1. 683, de 12 de julho de 2007, para apoiar a capacitação da equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, fonoaudiólogos e nutricionistas). Essa Norma serve para apoiar a capacitação da equipe multiprofissional na implantação do Método, nas unidades de saúde do País. 25 Segundo a Norma, a “pratica canguru” associa todas as correntes mais modernas da atenção ao recém-nascido, incluído necessariamente os requisitos da atenção biológicas, dos cuidados técnicos especializados, com igual ênfase à atenção psicoafetiva, à mãe, à criança e a família. Especial preocupação também foi destinada aos cuidados como o cuidador, tendo como principio básico para uma boa atenção perinatal o cuidado com a equipe se saúde. (Manual Técnico Método Canguru 2001, p.14) Sendo assim os hospitais têm em mão um material de informação necessaria à aplicação do Método Canguru. Este método no Contexto das Políticas de Saúde, contem especificidades: a população-alvo, os recursos necessários para a adoção do Método, as normas gerais e as vantagens para a promoção da saúde do bebê. Individualidades. Essa Norma serve para implantação do Método nas unidades de saúde do Pais. Pretende-se que o Método Canguru seja implantado em todas as Unidades Hospitalares de Atenção à Gestante de Alto Risco, pertencentes ao Sistema Único de Saúde (SUS). Pensado neste período de hospitalização mais humanizada é que o trabalho do método canguru foi desenvolvido, uma atenção à criança, seus pais e à família respeitando-os em suas características e individualidades. O método, além de todo suporte humanizado, visa também cuidar do usuário em suas necessidades para evoluir dignamente durante este período de hospitalização, para o bebê que está crescendo e se desenvolvendo e para a mãe e familiares. Para que assim se torne uma pessoa respeitada pela sociedade e conscientes de seus direitos e deveres como cidadãos. O Método Canguru é um modelo de assistência perinatal voltado para o cuidado Humanizado que reúne estratégias de intervenção biopsicossocial, que tem sido afirmado progressivamente proporcionando uma visão integral do ser e do adoecer que compreende as dimensões física, psicológica e social. Como já foi mencionada acima, a equipe multidisciplinar é muito importante para o desenvolvimento deste método. Estes profissionais são preparados através de curso de capacitação para aplicação deste método para além do conhecimento técnico, o reconhecimento os direitos do paciente, de sua subjetividade e referências culturais. 26 Entre outros aspectos importantes para a aplicação do método com eficácia seria necessário recursos físicos e recursos materias. Minha experiência de estagio pode relatar que ainda existem muitas falhas na aplicação do método. O curso de capacitação acontece com uma troca de experiências e de sugestões para melhoria no atendimento e para uma maior capacitação de toda equipe envolvida, mas ao observar a pratica, pude perceber uma dificuldade na aplicação do método. O espaço físico e os recursos materiais necessários não existem devido a superlotação dos hospitais e pela falta de equipamentos necessários. É frequente encontrar ainda uma relação verticalizada dentro dos hospitais e outras instituições de saúde. É difícil quebrar este paradigma da existência de diferentes níveis de poder de decisão dentro de uma organização. É preciso, além de sensibilizar os profissionais, faze-los conhecer a real importância da aplicação do método, é importante também buscar a satisfação destes no seu trabalho e, mais importante para que a participação de todos os envolvidos seja de qualidade, são solidariedade, equidade e justiça social. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho começa nos dando uma visão do que é o direito à saúde e toda sua trajetória, nos mostrando que esse direito foi uma conquista de muitas lutas e movimentos sociais pela melhoria das condições de saúde da população. Vimos que a 8ª Conferência Nacional de Saúde foi um marco na história da saúde pública, pois propôs um novo modelo de saúde para o Brasil. Esse novo paradigma foi considerado um avanço e uma grande conquista da sociedade brasileira em defesa da democratização da saúde, deixando de ser direito de alguns poucos trabalhadores e passando a ser direito de todos, sem exceção, independentemente de ter contribuído, ser trabalhador rural ou não trabalhador. Assim nasceu o SUS, o Sistema Único de Saúde, disposto na Lei nº 8.080 de setembro de 1990, para atender a todos garantindo acesso integral e universal. Os princípios do SUS são totalmente humanistas: universalidade, integralidade, equidade e participação social. Em 2000, o Ministério da Saúde cria o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH). Um programa para estimular a disseminação das ideias de 27 Humanização. Ele surge como resposta à insatisfação dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) no que diz respeito, sobretudo, aos aspectos de relacionamento com os profissionais da saúde. O objetivo fundamental da Política de Humanização é o de aprimorar as relações entre usuários e profissionais. Foi lançado em 2003, após algumas revisões que mudou o patamar de alcance da humanização dos hospitais para toda a rede do SUS e definiu uma política cujo o foco passou a ser, principalmente, os processos de gestão e de trabalho. Colaborando para a valorização das pessoas em todas as práticas de atenção e gestão, a integração, o compromisso e a responsabilidade de todos com o bem comum. Podemos dizer que a humanização da atenção à saúde tem seu fundamento na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em seu art. 1º afirma: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade". No entanto, a humanização no sistema de saúde deve ser vista com mais atenção, considerando o conceito de saúde preconizado pela OMS que é “o completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doenças”. É possível perceber também que boas intenções não sustentam a humanização como processo transformador. Os instrumentos que de fato asseguram este processo são: a informação, a educação permanente, a qualidade e a gestão participativa. Pensar a humanização como política significa menos “o que fazer” e mais “como fazer”. É um grande desafio de criar uma cultura de funcionamento institucional e de relacionamentos, na qual, cotidianamente, se façam presentes os valores da humanização. Levando em consideração a humanização no atendimento à saúde e tendo em vista a garantia dos direitos e acesso ao serviço, podemos dizer que a humanização propõe o repensar sobre as relações entre profissionais e os sujeitos participantes dos programas de saúde. Busca-se, deste modo, incentivar nas relações construídas entre profissionais e sujeitos participantes dos programas de saúde, atitudes recíprocas de respeito dos valores subjetivos e promoção da autonomia. 28 Neste sentido, podemos afirmar que o debate acerca da “humanização” precisa ser entendido como uma questão social pública, que vem reivindicar uma maior visibilidade dos sujeitos e, consequentemente, de suas queixas, anseios e necessidades que não podem mais ser tratados como meros objetos da intervenção disciplinar e exploração pela desigualdade social. Tornando assim, a saúde uma mercadoria desumana. Ao invés disso, o usuário deve ser tratado com respeito e dignidade inerentes a sua condição de cidadão de direitos e deveres. A humanização do atendimento supõe encontro entre sujeitos que compartilham saber, poder e experiência vivida, implicando em transformações políticas, administrativas e subjetivas. A temática humanização do atendimento em saúde mostra-se relevante no contexto atual, uma vez que a constituição de um atendimento calçado em princípios como a integralidade da assistência, a equidade, a participação social do usuário, dentre outros, demanda a revisão das práticas cotidianas, com ênfase na criação de espaços de trabalho menos alienantes que valorizem a dignidade do trabalhador e do usuário. Como citado em todo trabalho, o Método Canguru foi o escolhido para exemplificar um método de humanização na saúde pública. Trata-se de um método que tem muitos pontos positivos, embora, como citado no corpo deste trabalho, apresente falhas, como as comprovadas no período de estágio supervisionado. No entanto, ainda se apresenta como um bom exemplo dos esforços do Ministério da Saúde na humanização da rede pública, pois além de ser um método de caráter humanizador, é também uma alternativa importante de tratamento. Contudo, é necessário deixar claro que o projeto só terá sucesso se houver a capacitação necessária tanto técnica quanto política na compreensão de que o método é um viabilizador de direitos. REFERÊNCIAS: ARCHANJO, Juliana; BARROS, Maria. Política nacional de humanização: Desafios de se construir uma “política dispositivo.” Disponível em: <http://www.abrapso.org.br/siteprincipal/images/Anais_XVENABRAPSO/360.%20pol%CDt ica%20nacional%20de%20humaniza%C7%C3o.pdf>. Acesso em 30 out. 2012. 29 BALLONE, GJ - Humanização do Atendimento em Saúde. 2008. Disponível em: <http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=251>. Acesso em: 14 set. 2012. BENEVIDES, Regina; PASSOS, Eduardo. A humanização como dimensão pública das políticas de saúde. 2005 p.563. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csc/v10n3/a14v10n3.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização da Saúde. Documento Base. 4. ed. Brasília, 2008. Disponível em:<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_gestores_trabalhadores_sus_4e d.pdf>. Acesso em 30 out. 2012. BRAVO, Maria Inês Souza. Servi Social e Reforma sanitária: Lutas Sociais e Práticas Profissionais. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2007. 27 p. GIL, Antônio. C. Metodologia e técnicas de pesquisa social. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1999. 206 p. HUMANIZA SUS. Brasília – DF 2004. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/area.cfm?id_area=1342>. Acesso em: 24 set. 2012. LEAL, Maria Lucia Pinto. A mobilização das ONG, s no enfretamento à exploração sexual comercial de criança e adolescentes no Brasil. Ser Social, Brasília, v. 9, p.313-336, set. 2001. Disponível em: <http://seer.bce.unb.br/index.php/SER_Social/article/view/61/95> Acesso em: 20 jan. 2012. KNOBEL, Elias. Psicologia e humanização: assistência aos pacientes graves. São Paulo:Atheneu,2008 p.94/95 MARTINS, MCFN. Humanização das Relações Assistenciais: a formação do profissional de saúde. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001. MELO, Inaiá Monteiro. Humanização da Assistência Hospitalar no Brasil: conhecimentos básicos para estudantes e profissionais. 2008. Disponível em: <http://www.hcnet.usp.br/humaniza/pdf/livro/livro_dra_inaia_Humanizacao_nos_Hospitais_d o_Brasil.pdf> Acesso: 01 out. 2013. MINAYO, Maria Cecília de Souza. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 3° edição. Petrópolis/ RJ: Editora Vozes, 2011. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso – Método Canguru- manual técnico. 2ª edição. Brasília DF 2001. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/metodo_canguru_manual_tecnico_2ed.pdf> Acesso: 28 out. 2012. 30 MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de Atenção Básica. Atenção ao Pré-Natal de baixo riso. Brasília, 2012. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/arquivos/caderno_atencao_pre_natal_baixo_risc o.pdf >Acesso em: 16 out. 2013 MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno Humaniza SUS: Volume 1 Formação e intervenção. Brasília – DF. 2010. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_humanizaSUS.pdf>. Acessado em: 23 Out. 2013. MINAYO, Maria Cecília. A integralidade em saúde: uma utopia a ser perseguida. 2007. Disponível em: <http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1250& secao=233 >Acesso: 22 out. 2013. MOZZATO, Anelise. R; GRZYBOVSKI, Denize. Análise de Conteúdo como Técnica de Análise de Dados Qualitativos no Campo da Administração: Potencial e Desafios. 2011. Disponíveis em: <http://www.scielo.br/pdf/rac/v15n4/a10v15n4.pdf>. Acesso em: 26 jun. 2013. PAIM, jairnilson silva. Reforma sanitária brasileira: contribuição para a compreensão e crítica. Salvador, 2007. 152 p. Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=jairnilson+paim&oq=jairnilson&aqs=chrome.1.69i57j 0l5.6050j0j8&sourceid=chrome&espv=210&es_sm=93&ie=UTF8#es_sm=93&espv=210&q =jairnilson+da+silva+paim+reforma+sanitaria+brasileir> Acesso em20 ago. 2013. PORTARIA Nº693/GM Em 5 de julho de 2000. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/Port.%20693%20MMC.pdf> Acesso: 10 jul. 2012. PORTAL DA SAÚDE. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualizar_texto.cfm?idtxt=28288 > Acesso: 10 set. 2013. RENATTA, Lívia. O Hospital 2012. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAZ8EAB/hospital > Acesso: 20 abr. 2013 REVISTA DE SAÚDE PÚBLICA. O conceito de saúde. Volume 31 nº5. São Paulo 1997. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S003489101997000600016&script=sci_arttext > Acesso em:26 out. 2013. SAÚDE DA MULHER. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=25236 > Acesso em: 12 out. 2012. SOUZA, Renilson Rehem de. Construindo o SUS: a lógica do financiamento e o processo de divisão de responsabilidades entre as esferas de governo. 2002. Disponível em: 31 <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/monografia_construindo_sus.pdf > Acesso: 25 mai. 2013 TUMELERO, Silvana Marta. Intersetorialidade nas políticas públicas. Disponível em:<http://www.litoral.ufpr.br/sites/default/files/TUMELERO_SILVANA%20Intersetorialid ade_Cong_Chile.pdf > Acesso: 19 set. 2013. VASCONCELLOS, Patrícia. Análise de conteúdo: A proposta de Laurence Bardin. 2004. Disponível em: <http://www.caleidoscopio.psc.br/ideias/bardin.html>. Acesso em: 04 mai. 2013. 3 2