30/04/2012 Controle de Obras Mecânica dos solos • Fluxo de água nos meios porosos • Permeabilidade dos solos Prof. Ilço Ribeiro Jr 1 Permeabilidade Prof. Ilço Ribeiro Jr 2 1 30/04/2012 • Nas aulas anteriores sobre índices físicos, e tensões geostáticas não foi considerada a movimentação da água pelos poros. • Ao se movimentar no interior do solo a água exerce pressão nas partículas sólidas que alteram o estado de tensões efetivas. Prof. Ilço Ribeiro Jr 3 Alguns exemplos da aplicação dos conceitos de fluxo na engenharia são: • Cálculo de vazões (ex: perda d’agua do reservatório da barragem, quantidade de água que infiltra em uma escavação; • Dimensionamento de sistemas de drenagem; • Dimensionamento de “liners” em sistema de contenção de rejeitos; • Avaliação da ocorrência de “piping”. • Análise de fluxo de água em estabilidade de taludes; Prof. Ilço Ribeiro Jr 4 2 30/04/2012 Cargas Hidráulicas: A água flui pelos poros do solo devido á um gradiente. A LEI DE BERNOULI cita a existência de 3 cargas disponíveis em cada ponto do fluido: • Uma carga de posição que será definida pela arbitração de um nível de referência; • Uma carga de pressão que é a função das condições de contorno e do peso específico do fluído; • Uma carga cinemática que é função da velocidade. Prof. Ilço Ribeiro Jr Carga total = 5 Carga de Posição + h z Onde: Carga Piezométrica u w + Carga Cinemática 2 V 2g h:carga total; z:cota do pto considerado em relação ao referencial; V:velocidade de fluxo da partícula de água; u:poro pressão; g:gravidade; Prof. Ilço Ribeiro Jr 6 3 30/04/2012 Na maioria dos problemas práticos da engenharia geotécnica a carga de velocidade é tão pequena que pode ser desprezada, sendo simplificada para: H z u w Prof. Ilço Ribeiro Jr 7 Quando se estudou tensões devido ao peso próprio, as poro pressões eram dadas pela altura da coluna de água no solo. u= w.zw O esquema ao lado mostra a distribuição das cargas hidráulicas no solo. H=z+u/w z As parcelas de posição e pressão variam de tal forma que mantem constantes o potencial total da água no solo, portanto, não há fluxo. Prof. Ilço Ribeiro Jr 8 4 30/04/2012 Para que haja fluxo de água entre 2 pontos do solo é necessário que a energia total em cada ponto seja diferente. A água fluirá de um ponto de maior energia para outro de menor energia total. Por exemplo: A H H No esquema mostrado na fig. ao lado, a água se eleva até uma cota H nos dois lados do reservatório. Como o potencial total é o mesmo nos dois lados, não há fluxo. L Prof. Ilço Ribeiro Jr 9 Aumentando o potencial no lado esquerdo a água fluirá da esquerda para direita. A H1 H2 L O movimento da água no solo promove a transferência de energia da água para as partículas de solo decorrentes do atrito viscoso. Prof. Ilço Ribeiro Jr 10 5 30/04/2012 • A energia transferida é medida pela perda de carga e a força referente a esta energia é denominada forca de percolação. • A força de percolação atua nas partículas do solo tendendo carregá-las, conseqüentemente, é uma força efetiva de arraste hidráulico que atua na direção do fluxo de água. Prof. Ilço Ribeiro Jr 11 Lei de Darcy • O fluxo real da água no solo ocorre nos vazios existentes, porem, por condições praticas o estudo da percolação da água no solo é feito em termos da condição media da seção transversal do solo. • O fluxo nos poros é laminar, entretanto, em materiais mais grossos (como pedregulho) o fluxo pode se tornar turbulento, dependendo dos gradientes hidráulicos. • A lei de Darcy originou-se no séc. XIX, quando o engenheiro Darcy realizou um experimento que relacionava a taxa de perda de energia da água (gradiente hidráulico) com a velocidade de escoamento. Prof. Ilço Ribeiro Jr 12 6 30/04/2012 A L H ' solo L O experimento de Darcy pode ser entendido melhor com base na figura abaixo. B Os níveis dos reservatórios A e B são mantidos constantes, impondo a amostra de comprimento L um gradiente (h/L), Prof. Ilço Ribeiro Jr 13 Chega-se a expressão: h Qk A kiA L sendo: k:coeficiente de permeabilidade (cte para cada solo) A:área da seção transversal da amostra da solo q:vazão Prof. Ilço Ribeiro Jr 14 7 30/04/2012 A vazão “q” dividida pela área da seção transversal do corpo de prova “A” indica a velocidade com que a água percola no solo: v k.i Lei de Darcy Esta velocidade é empregada para solucionar os casos de engenharia referentes a fluxo em solos. Prof. Ilço Ribeiro Jr 15 A velocidade que a água percola pelos vazios do solo não é a mesma velocidade da lei de Darcy. vf A área que a água atravessa não é a total, mas sim a seção transversal de vazios. v real v n sendo n a porosidade Prof. Ilço Ribeiro Jr Af v A Q Av A f vreal vreal v A v Af n 16 8 30/04/2012 O coeficiente de permeabilidade é uma das propriedades do solo que mais varia. Para se ter uma idéia basta conferir os valores típicos do coeficiente de permeabilidade de solos sedimentares: Solo Argilas Siltes Areias argilosas Areias finas Areias medias Areias grossas Coef. de perm.(m/s) < 10-9 10-6 a 10-9 10-7 10-5 10-4 10-3 Prof. Ilço Ribeiro Jr 17 Determinação do coeficiente de permeabilidade • Existem várias propostas de correlações dos índices do solo (granulométrica, índice de vazios,plasticidade) coma permeabilidade do solo. A melhor forma de se obter o coeficiente de permeabilidade é através de medidas diretas em laboratório ou campo. Em laboratório utilizam-se dois tipos de permeâmetros : - de carga variável - de carga constante. Prof. Ilço Ribeiro Jr 18 9 30/04/2012 Permeâmetro de carga constante: O permeâmetro de carga constante tem o mesmo principio de funcionamento do experimento de Darcy. O gradiente hidráulico é mantido cte e mede-se a vazão(volumes escoados em determinado tempo), conhecida a geometria do permeâmetro chega-se a: Q k iA Esse permeâmetro é mais usado para solos arenosos. Prof. Ilço Ribeiro Jr 19 Permeâmetro de carga variável O permeâmetro de carga variável é quando o solo tem baixa permeabilidade. a hi Medem-se os valores de h para os respectivos tempos decorridos desde o início do ensaio. Utiliza-se a lei de Darcy, sendo que a vazão da água que passa pelo solo é igual a que passa pela bureta: Q a Prof. Ilço Ribeiro Jr hf ' A h t 20 10 30/04/2012 Da lei de Darcy: Igualando e isolando h/h: h Qk A L h A k dt h aL Integrando de h=hi em T=0 a h=hf em T=Tf temos: aL hi k 2,3 log At hf Prof. Ilço Ribeiro Jr 21 Fatores que influenciam na permeabilidade do solo A permeabilidade dos solos variam com vários fatores, tais como: estrutura, grau de saturação, índice de vazios,temperatura, etc... Quanto mais poroso é o solo, maior será sua permeabilidade. Entretanto, a permeabilidade não depende apenas dos vazios. Por exemplo, amostras de um mesmo solo deverão apresentar permeabilidades diferentes em função da estrutura. Prof. Ilço Ribeiro Jr 22 11 30/04/2012 Compactando o solo no ramo seco (1) as partículas estarão floculadas e por isso será mais permeável que o mesmo solo com mesmo índice de vazios compactado no ramo úmido (2), porque porque suas partículas estarão dispersas. dmax 2 1 wot w Prof. Ilço Ribeiro Jr 23 • Nos solos sedimentaresAnisotropia o processo de formação gera uma estrutura estratificada, fazendo com que haja diferenças da permeabilidade entre as direções horizontais e verticais. • Quando o solo esta na condição não saturada, a permeabilidade é menor quanto menor o grau de saturação. Isso ocorre, porque a presença de ar nos vazios funciona como um obstáculo para a passagem da água, alem de diminuir a secção transversal de água disponível para o fluxo. Prof. Ilço Ribeiro Jr 24 12 30/04/2012 A permeabilidade depende também das características do fluído (peso específico e viscosidade), como as propriedades do fluído dependem da temperatura, a permeabilidade também dependem. Para uniformizar os resultados dos ensaios convencionou-se apresentar o coeficiente de permeabilidade para temperatura de 20o C. Para isso deve-se aplicar a seguinte correção: u k 20 k u20 sendo: u:viscosidade do fluído na temperatura de ensaio u20:viscosidade do fluído a 20o C Prof. Ilço Ribeiro Jr 25 Permeabilidade em terrenos estratificados • Os solos naturais podem ser estratificados ou serem formados por camadas com diferentes coeficientes de permeabilidade na direção horizontal e vertical. • A permeabilidade media do solo dependerá da direção do fluxo em relação a orientação das camadas. Dois casos mais simples são de: fluxo paralelo e perpendicular. Prof. Ilço Ribeiro Jr 26 13 30/04/2012 No caso do fluxo paralelo á estratificação do maciço, constituído por camadas com diferentes coeficientes de permeabilidade (k1,k2,...,kn) e na horizontal todas sujeitas ao mesmo gradiente hidráulico q1 h1 q2 h2 q3 hn A vazão do maciço será a soma das vazões em cada camada. Neste caso a permeabilidade média será: k ki.hi hi Prof. Ilço Ribeiro Jr 27 q h1 h2 hn a vazão é a mesma e o coeficiente de permeabilidade do conjunto será dado por: k Prof. Ilço Ribeiro Jr hi hi / ki 28 14 30/04/2012 Obtenção do coeficiente de permeabilidade por correlações empíricas Existem varias propostas de correlações empíricas para estimar a permeabilidade. • Hazem realizou estudos estatísticos e propôs a relação entre diâmetro efetivo (D10 ) e o coeficiente de permeabilidade: 2 k 100Defet onde: Defet é em cm e k em cm/s Essa expressão é valida para areias. Prof. Ilço Ribeiro Jr • 29 Taylor (1948) idealizou o fluxo de solos como se fosse um conjunto de tubos capilares e usando a lei de Darcy chegou a expressão: w e3 kD c 1 e 2 sendo: w:peso específico do líquido :viscosidade do líquido c:coeficiente de forma D:diâmetro da esfera equivalente ao tamanho da partícula do solo Prof. Ilço Ribeiro Jr 30 15 30/04/2012 Influência do estado do solo Quanto mais poroso mais permeável o solo. Nos solos em que não há muita influencia da estrutura (como areias) há uma proporção entre os coeficientes de permeabilidade e os índices de vazios: e13 k1 1 e1 k2 e23 1 e2 Essa relação é boa para areias Prof. Ilço Ribeiro Jr 31 Para solos argilosos a melhor correlação é entre o índice de vazios e o logaritmo do coeficiente de permeabilidade: e 2,0 0,8 Log k Prof. Ilço Ribeiro Jr 32 16 30/04/2012 Força de percolação A força dissipada pelo solo no permeametro ao lado é: h z ' L A F h w A Prof. Ilço Ribeiro Jr 33 Sendo o fluxo uniforme, a força se dissipa naturalmente em todo o solo (A.L). Assim, a força por unidade de volume é: j h w A h w i w AL L Sendo j denominado de força de percolação • A força de percolação tem unidade equivalente ao peso especifico. • A força de percolação soma-se a gravitacional quando estão no mesmo sentido (fluxo d'água para baixo) e caso contrário subtraem-se. Prof. Ilço Ribeiro Jr 34 17 30/04/2012 Fluxo ascendente: h z ' L (z+L+h) w z w +L n Prof. Ilço Ribeiro Jr 35 tensão efetiva: ´ z w L n z w L w h w ´ L n w h w Lh w L ´ L n w ´ L sub Li w ´ L( sub j ) Prof. Ilço Ribeiro Jr 36 18 30/04/2012 Fluxo descendente: z ' h L (z+L-h) w A tensão efetiva será: z w +L n Prof. Ilço Ribeiro Jr 37 Objetivos dos Estudos de Fluxo Estimar a vazão Determinar os gradientes Determinar a distribuição de pressão neutra Entender as variações de tensão efetiva Prof. Ilço Ribeiro Jr 38 19 30/04/2012 Métodos de Ensaio Os métodos de ensaio de condutividade hidráulica são nomeados em função do sistema da aplicação de carga hidráulica, que podem ser do tipo: carga constante, carga variável. Prof. Ilço Ribeiro Jr 39 Ensaio de Carga Constante • Neste ensaio a amostra é submetida a uma carga hidráulica constante durante o ensaio (permeâmetro de nível constante). O coeficiente de permeabilidade é determinado pela quantidade de água que percola a amostra para um dado intervalo de tempo. • A quantidade de água é medida por uma proveta graduada, determinando-se a vazão (Q), • Este permeâmetro é muito utilizado para solos de granulação grossa (solos arenosos). Prof. Ilço Ribeiro Jr 40 20 30/04/2012 Ensaio de Carga Constante Prof. Ilço Ribeiro Jr 41 Ensaio de Carga Variável • Em se tratando de solos finos (solos argilosos e siltosos), o ensaio com carga constante torna-se inviável, devido à baixa permeabilidade destes materiais pois há pouca percolação de água pela • amostra, dificultando a determinação do coeficiente de permeabilidade. Para tais solos é mais vantajoso a utilização de permeâmetros com carga variável, Prof. Ilço Ribeiro Jr 42 21 30/04/2012 Ensaio de Carga Variável Prof. Ilço Ribeiro Jr 43 Ensaio de Carga Variável Prof. Ilço Ribeiro Jr 44 22 30/04/2012 Prof. Ilço Ribeiro Jr 45 23