UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO VEZ DO MESTRE
LOGÍSTICA REVERSA
ORIENTADOR: MARY SUE
Sandra Maria da Mota Duarte Rocha
23/07/2003
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO VEZ DO MESTRE
LOGÍSTICA REVERSA
OBJETIVOS:
Este trabalho visa obtenção de
grau no curso de pós-graduação
de Finanças e Gestão
Coorporativa.
3
AGRADECIMENTOS
A Deus.
4
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a minha família e amigos.
5
METODOLOGIA
A pesquisa adotou dois critérios para sua caracterização, de acordo com a
taxonomia proposta por Vergara (1991).
Quanto aos fins a pesquisa foi:
•
Descritiva e Explicativa, tendo em vista que foi analisado e verificado os
processos atuais de algumas empresas.
•
Estudo de caso, tendo em vista que foi estudado a forma de negociações das
empresas.
E quanto aos meios:
•
Bibliográfica, pois foi necessário a pesquisa em livros, processos das
empresas e a internet.
6
Resumo
A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa
prioridade. Isso se reflete no pequeno número de empresas que têm gerências
dedicadas ao assunto. Pode-se dizer que estamos em um estado inicial no que
diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa. Essa realidade
está mudando em resposta às pressões externas, como um maior rigor de
legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de
oferecer mais serviços por meio de políticas de devolução mais liberais.
Essa tendência deverá gerar um aumento do fluxo de carga reverso e, é
claro, de seu custo. Por conseguinte, serão necessários esforços para aumento
de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar os sistemas de logística
reversa. Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento do fluxo
logístico direto, tais como estudos de localização de instalações e aplicações de
sistemas de apoio à decisão (roteirização, programação de entregas)
8
SUMÁRIO
CAPÍTULO I - O PROBLEMA ...............................................................................8
CAPÍTULO II - O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE
CICLO DE VIDA ...................................................................................................15
CAPÍTULO III - FATORES CRÍTICOS QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DO
PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA .............................................................18
CAPÍTULO IV – FUNÇÕES DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES .........................25
CAPÍTULO V - LOGÍSTICA APLICADA SUPRIMENTO E DISTRIBUIÇÃO
FÍSICA ..................................................................................................................27
CAPÍTULO VI - LOGÍSTICA REVERSA : ASPECTOS IMPORTANTES PARA
A ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS .................................................................28
CONCLUSÃO .....................................................................................................
57
INDICE.................................................................................................................
60
BIBLIGRAFIA .......................................................................................................62
9
CAPÍTULO I – O PROBLEMA
Existe uma forma ideal de implantação e gerenciamento dos fluxos
provenientes do mercado para a empresa? A resposta a este problema não é
simples, e aqui nós iremos esboçar uma primeira pista que estimamos
relevante para equacionar a questão do ponto de vista prático.
O sucesso da implantação de uma estratégia de logística reversa em
uma empresa de porte médio ou grande se apóia em um projeto complexo,
pois é preciso capacidade para definir e implantar uma forte integração entre
sistemas de ERP (Entreprise Resource Planning) e de SCM (Supply Chain
Management) e, paralelamente, promover uma ativa participação de parceiros
externos. Poucas empresas escolhem seus sistemas de ERP em função da
capacidade em gerenciar retorno de mercadorias. Entretanto, um grande
número de sistemas de ERP incorporam funcionalidades que permitem
suportar ações gerenciais de logística reversa.
Infelizmente, e em função de um desconhecimento profissional ainda
importante, poucas são as atividades de planejamento e instalação de sistemas
de ERP que procuram valorizar a logística reversa. Já os sistemas de SCE
(Supply Chain Execution) fornecem a capacidade dos recursos que determina
a eficácia do processo associado aos diferentes retornos. Neste item, é
fundamental a correta instalação e o bom funcionamento dos chamados WMS
(Warehouse Management Systems), pois eles controlam tanto a recepção
quanto o acompanhamento do fluxo das mercadorias retornadas aos
armazéns. Outro item determinante do sucesso operacional das operações de
retorno são os sistemas TMS (Transportation Management Systems), pois é
exatamente o elevado custo de transporte dos itens retornados que geralmente
motiva a empresa a se lançar na organização competitiva da logística reversa.
10
1.1 INTRODUÇÃO
Já se tornou um turismo a afirmação que, neste final de século, o mundo
vem passando por mudanças frenéticas. De tal complexidade elas são, que
vêm causando perplexidade em todos os segmentos sociais, que têm a
sensação de que uma sociedade velha está moribunda, porém ainda não
morreu, enquanto surge no horizonte uma sociedade nova que, todavia, ainda
não nasceu.1
Essa típica transição marca profundamente a década de 90, que se
encaminha para o terço final. Neste curto período, que sepulta definitivamente
o século XX, a humanidade debata-se com novas acomodações econômicas,
políticas e sociais que atingem proporções planetárias. A queda do Muro de
Berlim, em novembro de 1989, encurtou um século, pelos genocídios stalinistas
e hitlerista, por ideologias estanques, além da manutenção da Guerra Fria por
quatro décadas.
O termino do conflito entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética
retirou a ênfase da corrida armazenista para o protaganismo da revolução
tecnológica
.Dissolveram-se
os
blocos
hegemônicos
liderados
pelas
superpotências e surgiu uma redefinição das nações de acordo com interesses
econômicos específicos. Essa compartimentalização continental favoreceu o
aparecimento de blocos econômicos assimétricos e com objetivos conflitantes.
Assim temos, na nova geometria global, o declínio de alianças militares
concentradas (OTAN, Pacto de Varsóvia), aflorando em seu lugar um contexto
de união entre países com ênfase convergente na área econômica
1
LOBATO, David Menezes . Administração Estratégica – Uma Visão orientada para a Busca de
Vantagens Competitivas.Ed. Papeis e Cópias - 1997
11
A revolução tecnológica, que gerou novos cenários históricos, elegeu o
imperativo do tempo como a mais importante característica das novas iniciativas
econômicas. O abismo entre nações prósperas e desenvolvidas e os países
emergentes e pobres deixou de ser medido por estatísticas tradicionais, como
produto Interno Bruto, renda per capita e outras, substituídas silenciosamente por
indicadores de abertura das economias, nível de absorção de novas tecnologias e
domínio das chamadas tecnologias de ponta. Já não importa, da forma como era
antes, o nível das exportações de matérias-primas das nações periféricas, em
razão da valorização dos segmentos de alta tecnologia, como informática,
telemática, eletrônica, biotecnologica, telecomunicações e multimídia.2
Usualmente pensamos em logística como o gerenciamento do fluxo de
materiais do seu ponto de aquisição até o seu ponto de consumo. No entanto,
existe também um fluxo logístico reverso, do ponto de consumo até o ponto de
origem, que precisa ser gerenciado.
Este fluxo logístico reverso é comum para uma boa parte das empresas.
Por exemplo, fabricantes de bebidas têm que gerenciar todo o retorno de
embalagens (garrafas) dos pontos de venda até seus centros de distribuição. As
siderúrgicas usam como insumo de produção em grande parte a sucata gerada
por seus clientes e para isso usam centros coletores de carga. A indústria de latas
de alumínio é notável no seu grande aproveitamento de matéria prima reciclada,
tendo desenvolvido meios inovadores na coleta de latas descartadas.
Existem ainda outros setores da indústria onde o processo de
gerenciamento da logística reversa é mais recente como na indústria de
eletrônicos, varejo e automobilística. Estes setores também têm que lidar com o
fluxo
de
retorno
de
embalagens,
de
reaproveitamento de materiais para produção.
2
Op. cit. pág 12
devoluções
de
clientes
ou
do
12
Este não é nenhum fenômeno novo e exemplos como o do uso de sucata
na produção e reciclagem de vidro tem sido praticados há bastante tempo. Por
outro lado, tem-se observado que o escopo e a escala das atividades de
reciclagem e reaproveitamento de produtos e embalagens tem aumentado
consideravelmente nos últimos anos.
1.2 SISTEMA LOGÍSTICO E SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA.
Inicialmente, este capítulo visa situar a distribuição física no contexto da
logística, para em seguida, apresentar o objeto e os objetivos específicos do
trabalho. É apresentada também uma justificativa do mesmo, situando-o em
relação a trabalho publicados anteriormente. Finalmente, colocamos em evidencia
a abordagem metodológica utilizada, que situa a distribuição física nos níveis
estratégico, tático e operacional.
1.3.SISTEMA LOGÍSTICO
A administração da logística industrial visa maximizar o valor econômico
dos produtos ou materiais tendo-os disponíveis, a um preço razoável, onde e
quando houver procura.
É importante ressaltar que o valor intrínseco de um bem são compostos
pelas atividades de produção (características e forma física) e por sua
localização.
O autor John F. Magee 3conceitua todos os elementos ou componentes
que formam o sistema logístico e as variáveis mais importantes que afetam a
eficiência do suprimento e distribuição industriais:
3
MAGEE, John F. Logística Industrial. São Paulo: Pioneira.
13
Elementos / componentes
§ Estoque de produtos;
§ Aquisição e controle da matéria-prima;
§ Meios de transporte e de entrega local;
§ Capacidade de produção e conversão;
§ Armazéns;
§ Comunicação e controle;
§ Recursos Humanos.
Variáveis
§ Número e localização das unidades produtivas;
§ Número e localização dos armazéns;
§ Meios de transportes;
§ Comunicações;
§ Meios de processamento de dados;
§ Disponibilidade de produto;
§ Segurança do atendimento;
§ Localização dos estoques do produto;
14
§ Projeto do produto.
1.4 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA
O sistema de distribuição física compreende o encadeamento das
operações de armazenagem, de movimentação interna e de transporte, de forma
a assegurar o fluxo físico de produtos acabados, do momento e que eles deixam
o sistema de produto até chegar ao consumidor final.
Por outro lado, o fluxo de informações deve ser também considerado,
porquanto ele acompanha ou mesmo percebe o fluxo físico (figura 1.2).O fluxo de
informações é essencial para a gestão dos sistema de distribuição física, dado
que ele contribui à análise dos custos, ao processamento dos pedidos, à
avaliação e ao inventário dos estoque, à previsão de vendas etc.
estoque
movimentação
Fluxo Físico
estoque
--------------
movimentação
Fluxo de informações
Figura 1.2: Os dois tipos de fluxo da distribuição física4
1.5 CONCORRÊNCIA - DIFERENCIAÇÃO POR SERVIÇO
Os varejistas acreditam que os clientes valorizam as empresas que
possuem políticas mais liberais de retorno de produtos. Esta é uma vantagem
percebida onde os fornecedores ou varejistas assumem os riscos pela existência
de produtos danificados. Isto envolve, é claro, uma estrutura para recebimento,
classificação e expedição de produtos retornados.
4
LOBATO, David Menezes . Administração Estratégica – Uma Visão orientada para a Busca de Vantagens
Competitivas.Ed. Papeis e Cópias - 1997
15
Esta é uma tendência que se reforça pela existência de legislação de
defesa dos consumidores, garantindo-lhes o direito de devolução ou troca.
1.5.1 Redução de Custo
As iniciativas relacionadas à logística reversa têm trazido consideráveis
retornos para as empresas. Economias com a utilização de embalagens
retornáveis ou com o reaproveitamento de materiais para produção têm trazido
ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas.
Além disto, os esforços em desenvolvimento e melhorias nos processos de
logística reversa podem produzir também retornos consideráveis, que justificam
os investimentos realizados.
Nas seções seguintes deste artigo serão apresentados conceitos básicos
relacionados à logística reversa e discutidos alguns dos fatores críticos que
influenciam a eficiência dos processos de logística reversa.
16
CAPÍTULO II - O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE
CICLO DE VIDA
Por traz do conceito de logística reversa está um conceito mais amplo que
é o do "ciclo de vida". A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não
termina com sua entrega ao cliente. Produtos se tornam obsoletos, danificados,
ou não funcionam e deve retornar ao seu ponto de origem para serem
adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados.
Do ponto de vista financeiro, fica evidente que além dos custos de compra
de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de
um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o
gerenciamento do seu fluxo reverso. Do ponto de vista ambiental, esta é uma
forma de avaliar qual o impacto que um produto sobre o meio ambiente durante
toda a sua vida. Esta abordagem sistêmica é fundamental para planejar a
utilização dos recursos logísticos de forma contemplar todas as etapas do ciclo de
vida dos produtos.
Neste contexto, podemos então definir logística reversa como sendo o
processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matériasprimas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do
ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou
realizar um descarte adequado¹.5
5
ANSOFF,H. Igor. Implantando Administração Estratégica 2 ed. – São Paulo: Atlas,1993
17
2.1 EVOLUÇÃO DOS DESAFIOS E DOS SISTEMAS DE ADMINISTRAÇÃO.
2.1.1.A era da produção em massa
A moderna história nos Estados Unidos começa (grosso modo) no período
de 1820 a 1830. Inicialmente, foi a construção de uma rede de canais, e depois a
de sistema nacional de ferrovias, que incentivaram um processo de unificação
econômico do país. Uma serie de inventos básicos, tais como a turbina a vapor, o
separador de fibras de algodão, o processo Bessemer de produção de aço, a
vulcanização da borracha etc., proporcionou uma base tecnológica para uma
rápida decolagem industrial. A invenção tecnológica deu-se paralelamente a
invenção social de uma das organizações mais bem sucedidas e influentes da
historia-a empresa.6
2.1.2 Aceleração da mudança
Como foi mostrado pela discussão precedente, no século vinte as
mudanças do ambiente tornaram-se mais complexas e variadas. Ao mesmo
tempo, as mudanças aceleram-se das duas maneiras descritas a seguir.7
Um aspecto da aceleração foi a cada vez maior freqüência de mudanças
com impacto sobre a empresa. Em particular, a partir da década de 60, o
crescimento exponencial do número de novos produtos ou serviços e de novas
tecnologias tem levado muitos observadores a chamar o último meio século de “
Segunda Revolução industrial” .
6
7
ANSOFF,H. Igor. Implantando Administração Estratégica 2 ed. – São Paulo: Atlas,1993.
Op.cit. pág.31
18
Outro aspecto da aceleração foi um aumento do que os economistas
chamam de taxa de difusão da mudança: a verdade com que novos produtos e
serviços invadem os mercados.
Durante os primeiros cem anos da existência da empresa, seu problema
primordial passou por três fases seqüenciais: a criação da empresa moderna por
um empreendedor, o aperfeiçoamento da tecnologia de produto em massa, e o
desenvolvimento do marketing em massa. Durante este período, a empresa
permaneceu imune à interferência de forças sociais, e a
preocupação da
empresa era realmente com suas próprias operações.
As mudanças, porém, tornaram-se cada vez mais complexas, diferentes e
descontínuas, em relação à experiência anterior.
Desde a década de 1950, os desafios foram se tornando cada vez mais
simultâneos : a necessidade de reativação do espírito empreendedor, de resposta
à intensidade crescente da competição em nível mundial, e de envolvimento em
nível social quanto à determinação de como a empresa deve ser dirigida, e de
que papel deve desempenhar na sociedade pós-indsutrial.
Outra característica marcante do século vinte tem sido aceleração tanto da
incidência quanto da difusão da mudança. A mudança tornou-se menos previsível
e as surpresas passaram a ser mais freqüentes.8
8
Op.cit pág.32
CAPÍTULO III - FATORES CRÍTICOS QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DO
PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA
A disponibilidade de informações é imprescindível á gestão racional da
distribuição física. Com efeito, as informações são utilizadas par ao planejamento,
o funcionamento e o controle dos resultados.9
Evidentemente, a existência de informações constitui uma condição
necessária apenas, mas não suficiente, pois o gestor da distribuição física precisa
de informações de qualidade, selecionadas, precisas e de fácil acesso.
Dependendo de como o processo de logística reversa é planejado e
controlado, este terá uma maior ou menor eficiência. Alguns dos fatores
identificados como sendo crítico e que contribuem positivamente para o
desempenho do sistema de logística reversa são comentados a seguir:
•
Bons Controles de Entrada No início do processo de logística reversa, é
preciso identificar corretamente o estado dos materiais que retornam para que
estes possam seguir o fluxo reverso correto ou mesmo impedir que materiais
que não devam entrar no fluxo o façam. Por exemplo, identificando produtos
que poderão ser revendidos, produtos que poderão ser recondicionados ou
que terão de ser totalmente reciclados. Sistemas de logística reversa que não
possuem bons controles de entrada dificultam todo o processo subseqüente,
gerando retrabalho. Podem também ser fonte de atritos entre fornecedores e
clientes pela falta de confiança sobre as causas dos retornos. Treinamento de
pessoal é questão-chave para a obtenção de bons controles de entrada
9
FONTENELE, Bessa, 1985, p.151
20
•
Processos padronizados e mapeados Uma das maiores dificuldades
na logística reversa é que ela é tratada como um processo esporádico,
contingencial, e não como um processo regular. Ter processos
corretamente mapeados e procedimentos formalizados é condição
fundamental para se obter controle e conseguir melhorias.
•
Tempo de ciclo reduzidos Tempo de ciclo se refere ao tempo entre a
identificação da necessidade de reciclagem , disposição ou retorno de
produtos e seu efetivo processamento. Tempos de ciclo longos
adicionam custos desnecessários porque atrasam a geração de caixa
(pela venda de sucata, por exemplo) e ocupam espaço, dentre outros
aspectos.Fatores que levam a altos tempos de ciclo são controles de
entrada ineficientes, falta de estrutura (equipamentos, pessoas)
dedicada ao fluxo reverso e falta de procedimentos claros para tratar as
“ exceções” que são, na verdade, bastante freqüentes.
•
Sistemas de informação A capacidade de rastreamento de retornos,
medição
dos
tempos
de
ciclo,
medição
do
desempenho
de
fornecedores (avarias nos produtos, por exemplo) permite obter
informação crucial para negociação, melhoria de desempenho e
identificação de abusos dos consumidores no retorno de produtos.
Construir ou mesmo adquirir esses sistemas de informação é um
mesmo desafio. Praticamente inexistem no mercado sistemas capazes
de lidar com o nível de variações e flexibilidade exigida pelo processo
de logística reversa.
•
Rede logística planejada - Da mesma forma que no processo logístico
direto, a implementação de processo logístico reversos requer a
definição de uma infra-estrutura logística adequada para lidar com os
fluxos de entrada de materiais usados e fluxos de saída de materiais
processados. Instalações de processamento e armazenagem e
21
•
sistemas de transporte devem ser desenvolvidos para ligar de forma
eficiente os pontos de consumo onde os materiais usados devem ser
coletados até as instalações onde serão utilizados no futuro.
•
Relações colaborativas entre clientes e fornecedores - No contexto
dos fluxos reversos que existem entre varejistas e indústria, onde
ocorrem devoluções causadas por produtos danificados, surgem
questões relacionadas ao nível de confiança entre as partes
envolvidas. São comuns conflitos relacionados à interpretação de quem
é a responsabilidade sobre os danos causados aos produtos. Os
varejistas tendem a considerar que os danos são causados por
problemas no transporte ou mesmo por defeitos de fabricação. Os
fornecedores podem suspeitar que está havendo abuso por parte do
varejista ou que isto é conseqüência de um mau planejamento. Em
situações extremas, isso pode gerar disfunções como a recusa para
aceitar devoluções, o atraso para creditar as devoluções e a adoção de
medidas de controle dispendiosas. Fica claro que prática mais
avançadas de logística reversa só poderão ser implementadas se as
organizações envolvidas desenvolverem relações mais colaborativas.
3.1.1 Informações e planejamento da distribuição física
Um dos problemas com que se defronta o gerente da distribuição física é
adequações disponíveis à necessidades específicas do processo de tomada de
decisão. Se as informações não apresentam a qualidade desejada, ele deverá
ainda encontrar um meio de melhorá-las, através de uma coleta metódica e de
uma seleção rigorosa, bem como do processamento e da análise dos dados.
A utilização de informações de qualidade constitui um meio de reduzir a
incerteza, e de obter previsões mais confiáveis, permitindo assim ao
administrador uma tomada de decisão mais coerente. Assim, ele estará em
condições de :
22
determinar os custos de distribuição física por produto,
•
por clientes, por região etc.;
estabelecer o orçamento de cada um dos subsistemas
•
(armazenagem, transporte);
determinar as necessidades atuais e futuras do órgão
•
(em termos de construção de novos depósitos).
3.1.2 Medida e controle dos resultados
O processo de medida e controle dos resultados da distribuição física exige
a disponibilidade de informações pertinentes no banco de dados, indispensáveis à
elaboração de padrões e do orçamento da função. O fluxo contínuo de informação
constitui também uma condição necessária.
A medida e o controle dos resultados das atividades da distribuição física
podem ser feitas por :
•
produto ou grupo de produtos,
•
cliente ou classes de clientes,
•
zona e/ou região,
•
canal de distribuição,
•
tamanho de pedidos etc.
3.2 EFICIÊNCIA DO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA
Dependendo de como o processo de logística reversa é planejado e
controlado, este terá uma maior ou menor eficiência. alguns dos fatores
23
identificados como sendo críticos e que contribuem positivamente para o
desempenho do sistema de logística reversa são comentados abaixo:
3.2.1 Bons controles de entrada
No início do processo de logística reversa é preciso identificar corretamente
o estado dos materiais que retornam para que estes possam seguir o fluxo
reverso correto ou mesmo impedir que materiais que não devam entrar no fluxo o
façam. Por exemplo, identificando produtos que poderão ser revendidos, produtos
que poderão ser recondicionados ou que terão que ser totalmente reciclados.
Sistemas de logística reversa que não possuem bons controles de entrada
dificultam todo o processo subseqüente, gerando retrabalho. Podem também ser
fonte de atritos entre fornecedores e clientes pela falta de confiança sobre as
causas dos retornos. Treinamento de pessoal é questão chave para obtenção de
bons controles de entrada.
3.2.2 Processos padronizados e mapeados
Um das maiores dificuldades na logística reversa é que ela é tratada como
um processo esporádico, contingencial e não como um processo regular. Ter
processos corretamente mapeados e procedimentos formalizados é condição
fundamental para se obter controle e conseguir melhorias.
3.2.3 Tempo de Ciclo reduzidos
Tempo de ciclo se refere ao tempo entre a identificação da necessidade de
reciclagem, disposição ou retorno de produtos e seu efetivo processamento.
Tempos de ciclos longos adicionam custos desnecessários porque atrasam a
geração de caixa (pela venda de sucata, por exemplo) e ocupam espaço, dentre
outras aspectos.
24
Fatores que levam a altos tempos de ciclo são controles de entrada
ineficientes, falta de estrutura (equipamentos, pessoas) dedicada ao fluxo reverso
e falta de procedimentos claros para tratar as "exceções" que são, na verdade,
bastante freqüentes.
3.2.4 Sistemas de informação
A capacidade de rastreamento de retornos, medição dos tempos de ciclo,
medição do desempenho de fornecedores (avarias nos produtos, por exemplo)
permite obter informação crucial para negociação, melhoria de desempenho e
identificação de abusos dos consumidores no retorno de produtos. Construir ou
mesmo adquirir estes sistemas de informação é um grande desafio. Praticamente
inexistem no mercado sistemas capazes de lidar com o nível de variações e
flexibilidade exigida pelo processo de logística reversa.
3.2.5 Rede Logística Planejada
Da mesma forma que no processo logístico direto, a implementação de
processos logísticos reversos requer a definição de uma infraestrutura logística
adequada para lidar com os fluxos de entrada de materiais usados e fluxos de
saída de materiais processados. Instalações de processamento e armazenagem e
sistemas de transporte devem desenvolvidos para ligar de forma eficiente os
pontos de consumo onde os materiais usados devem ser coletados até as
instalações onde serão utilizados no futuro.
Questões de escala de movimentação e até mesmo falta de correto
planejamento podem levar com que as mesmas instalações usadas no fluxo
direto sejam utilizados no fluxo reverso, o que nem sempre é a melhor opção.
Instalações
centralizadas
dedicadas
ao
recebimento,
separação,
armazenagem, processamento, embalagem e expedição de materiais retornados
podem ser uma boa solução, desde que haja escala suficiente.
25
3.2.6 Relações colaborativas entre clientes e fornecedores
No contexto dos fluxos reversos que existem entre varejistas e indústrias,
onde ocorrem devoluções causadas por produtos danificados, surgem questões
relacionadas ao nível de confiança entre as partes envolvidas. São comuns
conflitos relacionados à interpretação de quem é a responsabilidade sobre os
danos causados aos produtos.
Os varejistas tendem a considerar que os danos são causados por
problemas no transporte ou mesmo por defeitos de fabricação. Os fornecedores
podem suspeitar que está havendo abuso por parte do varejista ou que isto é
conseqüência de um mal planejamento. Em situações extremas, isto pode gerar
disfunções como a recusa para aceitar devoluções, o atraso para creditar as
devoluções e a adoção de medidas de controle dispendiosas.
Fica claro que práticas mais avançadas de logística reversa só poderão ser
implementadas
se
as
organizações
desenvolverem relações mais colaborativas.
envolvidas
na
logística
reversa
CAPÍTULO IV – FUNÇÕES DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES
Um sistema de informações compreende fundamentalmente três funções 10
uma função de transferencia das informações (input,
•
output),
•
uma função de estocagem dos dados,
•
uma função de transformações dos dados.
A figura abaixo representa as relações que se estabelecem entre estas três
funções.
Atividades internas
Transferência
de Dados
_______
INPUT
10
1. ESTOCAGEM DE DADOS
• Registro, classificação
• Fichários (produto, cliente,
região, zona)
2. TRANSFORMAÇÃO DOS
DADOS.
• Processamento dos Dados.
• Análise dos dados (com o
auxílio de técnicas
matemáticas e estatística)
Transferência
de dados
_______
OUTPUT
BALLOU,R.H. Businees Logistics management, prenti ce-Hall, Englewood Cliffs- 1985
27
4.1 Função de Transferência
Esta função está presente no input e no output do sistema. Na prática, a
função de transferência no apresenta como segue:
INPUT :
Pedido do cliente
(informações necessárias)
•
•
•
•
•
•
•
•
tipo de pedido
n.º do pedido (documento)
destinatário
itens + número
peso
quantidade
prazo de entrega
modificações/complementos.
OUTPUT: Informações para o cliente
documento
de
entrega
da
•
encomenda
entrega
da
encomenda
•
(embalagem + transporte)
faturamento
•
28
CAPÍTULO V - LOGÍSTICA APLICADA SUPRIMENTO E DISTRIBUIÇÃO
FÍSICA
Aspectos como diversificação dos produtos, o uso cada vez mais intenso
da informática, o esforço crescente de exportação de produtos manufatura dos
aliados a uma maior preocupação com os custos na empresa a necessidade de
garantir prazos de distribuição, oferecendo, assim, um melhor nível de serviço de
forma geral, tudo vem favorecer o desenvolvimento das modernas técnicas de
logística em nosso país.
Logística Aplicada vem preencher um vazio na literatura pertinente. É o
resultado brilhante da união de dois competentes profissionais da área cuja
finalidade básica e apresentar conceitos técnicos e soluções na área de logística,
afim de atender as necessidades de solução dos problemas logísticos e a
formação de técnicos que militam no setor de suprimentos distribuição e
transportes.
CAPÍTULO VI - LOGÍSTICA REVERSA : ASPECTOS IMPORTANTES PARA A
ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS
Decidiu-se abordar este tema para propiciar ao leitor ou pesquisador o
conceito de sistema Logístico Reverso e de fazer um levantamento dos elementos
que o compõem, e dos conceitos e técnicas de análise que possam ser úteis no
projeto e administração do mesmo.
A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa
prioridade. Isso se reflete no pequeno número de empresas que têm gerências
dedicadas ao assunto. Pode-se dizer que estamos em um estado inicial no que
diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa. Essa realidade
está mudando em resposta às pressões externas, como um maior rigor de
legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de
oferecer mais serviços por meio de políticas de devolução mais liberais
Essa tendência deverá gerar um aumento do fluxo de carga reverso e, é
claro, de seu custo. Por conseguinte, serão necessários esforços para aumento
de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar os sistemas de logística
reversa. Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento do fluxo
logístico direto, tais como estudos de localização de instalações e aplicações de
sistemas de apoio à decisão (roteirização, programação de entregas, etc.).Isto
requer vencer desafios adicionais, vista ainda a necessidade básica de
desenvolvimento de procedimentos padronizados para a atividade de logística
reversa. Principalmente quando nos referimos à relação indústria varejo, notamos
que este é um sistema caracterizado predominantemente pelas exceções, mais
que pela regra. Um dos sintomas dessa situação é praticamente a inexistência de
sistemas de informação voltados para o processo de logística reversa.
Sendo assim, este trabalho tem por intuito fornecer alguns conceitos e
noções dessa área, que hoje está em ascensão e procurou-se desenvolvê-lo em
linguagem clara e acessível, até mesmo para aqueles estudantes, pesquisadores
30
e até profissionais de outras áreas, que não possuam experiência neste tema e
queiram fazê-lo.
6.1 LOGÍSTICA EMPRESARIAL E INDUSTRIAL
6.1.1. Conceito de Logística Empresarial
Logística Empresarial Autor Ronald H. Ballou, Prof. Da Case Western
Reserve University (EUA) procura dar ao profissional ou ao estudante uma visão
geral sobre a administração do fluxo de bens e serviços em organizações
orientadas ou não para o lucro, introduzindo a essência da logística empresarial,
definindo sua missão e fazendo uma descrição de sua historia.11
A definição de logística para o autor neste texto: Trata de todas as
atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos (o
termo produto utilizado inclui tanto bens como serviços) desde o ponto de
aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos
de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de
providenciar níveis de serviços adequados aos clientes a um custo razoável.
A ênfase serve como guias para a tomada de decisões levando ao leitor ao
discernimento, compreensão e desenvolvimento de habilidades, enfocando
distribuição física, administração de materiais, nível de serviço, administração de
trafego, manuseio e acondicionamento do produto e controles de estoques, entre
outros.
Os assuntos abordados pelo autor :
§ A distribuição física e a administração de materiais introduzidos
como as principais áreas da logística empresarial.
11
BALLOU, Ronald H.; Business Logistics Management, Quarta edição.; Prentic Hall; 1998.
31
§ Fatores externos que tomam forma ao nível de serviços
oferecidos aos clientes e no produto.
§ Compreensão básica de cada atividade e de sua operação.
§ Princípios úteis para o projeto de sistemas logísticos eficientes
em sua operação e seu controle.
§ É qual a importância da logística no futuro.
O Sr. James L. Heskett, reitor adjunto do programa de mestrado em
Administração de Empresas e professor de Marketing e Logística Empresarial na
Harvard Business Scholl, diz que:
“logística pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso
nos negócios, ele explora as razões por trás do ressurgimento do
interesse por este método de desenvolver vantagens competitivas,
os elementos comuns de estratégica bem sucedidas orientadas
para a logística, as perguntas a serem feitas na revisão quanto até
que ponto sua administração aproveitou as oportunidades de
tornar a logística a parte integrante de sua estratégia, e as
maneiras de transformar a logística em formulação estratégica.” 12
6.2 LOGÍSTICA EMPRESARIAL A PERSPECTIVA BRASILEIRA
Retrata a evolução da logística empresarial no Brasil. O conceito de
logística empresarial é bastante recente no Brasil. O processo de difusão teve
início, de forma ainda tímida, nos anos da década de 90, com o processo de
abertura comercial, mas se acelerou a partir de 1994, com a estabilização
econômica propiciada pelo plano Real.
O ambiente altamente inflacionário que caracterizou o país por cerca de
duas décadas, combinado com uma economia fechada e com baixo nível de
competição, levou as empresas a negligenciarem o processo logístico dentro das
cadeias de suprimento, gerando um atraso de pelo menos 10 anos em relação às
12
Sr. James L. Heskett, reitor adjunto do programa de mestrado em Administração de Empresas e professor
de Marketing e Logística Empresarial na Harvard Business Scholl
32
melhores práticas internacionais. Não havendo demanda por conhecimentos no
setor produtivo, era natural que não surgissem ofertas de ensino, pesquisa e
consultoria em logística empresarial no país. O Centro de Estudo em Logística
(CEL), do Instituto Coppead de Administração é uma exceção a este padrão. Sua
origem remonta ao início da década de 90, e está relacionada à iniciativa pioneira
da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, que em 1991 tomou a iniciativa de
propor ao Copped a criação da Cátedra Ipiranga de Estratégia de Operações,
dedicada ao ensino, estudo e pesquisa na área de logística empresarial. A
Cátedra Ipiranga gerou o núcleo inicial que deu origem ao CEL.13
Os autores do Centro de Estudos em Logística CEL apresentam e
discutem os principais componentes do sistema logístico, ou seja, serviços ao
cliente, transporte, estoque, armazenagem e informações. Uma série de
ferramentas importantes para o planejamento e controle de estoques, custos,
simulação e sistema de informações geográficas.
6.2.1 Conceito de Logística Industrial
6.2.1.1 Logística Industrial
Segundo o autor John F. Magee, Vice-Presidente Sênior, Arthur D. Little,
Inc. O conceito de sistema logístico e a tecnologia da logística tiveram um
processo considerável desde a Segunda Guerra Mundial. O conceito de sistema
logístico tornou-se amplamente aceito e a administração, tanto privada como
governamental, começa a reconhecer a necessidade de projetar e administrar o
sistema logístico como um todo, ao invés de uma série de funções discretas e
independentes.
O autor nos mostra como o sistema logístico de uma organização pode ser
analisado, aperfeiçoado e administrado mais eficazmente e como os custos da
distribuição física podem ser substancialmente reduzidos.
13
CEL – CENTRO DE ESTUDOS EM LOGÍSITICA. Logística Empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas,
33
6.3 LOGÍSTICA REVERSA UMA VISÃO SOBRE OS CONCEITOS BÁSICOS E
AS PRÁTICAS OPERACIONAIS
Usualmente, pensando em logística como o gerenciamento do fluxo de
materiais desde seu ponto de aquisição até o seu ponto de consumo. No entanto,
existe também um fluxo logístico reverso, do ponto de consumo até o ponto de
origem, que precisa ser gerenciado.
Esse fluxo logístico reverso é comum para uma boa parte das empresas.
Por exemplo, fabricantes de bebidas têm de gerenciar todo o retorno de
embalagens (garrafas) dos pontos de venda até seus centros de distribuição. As
siderúrgicas usam como insumo de produção, em grande parte, a sucata gerada
por seus clientes e, para isso, usam centros coletores de carga. A indústria de
latas de alumínio é notável no seu grande aproveitamento de matéria-prima
reciclada, tendo desenvolvido meios inovadores na coleta de latas descartadas.
Existem ainda outros setores da indústria nos quais o processo de
gerenciamento da logística reversa é mais recente, como na indústria de
eletrônicos, varejo e automobilística. Esses setores também têm de lidar com o
fluxo de retorno de embalagens, de devolução de clientes ou do reaproveitamento
de materiais para produção.
Este não é nenhum fenômeno novo e exemplos como o do uso de sucata
na produção e reciclagem de vidro têm sito praticados há bastante tempo. Por
outro lado, tem-se observado que o escopo e a escala das atividades de
reciclagem e reaproveitamento de produtos e embalagens têm aumentado
consideravelmente nos últimos anos. Algumas das causas para isso são
discutidas a seguir.
2000.
34
6.2.1 Questões Ambientais
Existe uma clara tendência de a legislação ambiental caminhar no sentido
de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo o ciclo de vida de
seus produtos. Isso significa ser legalmente responsável pelo seu destino após a
entrega dos produtos aos clientes e pelo impacto que estes produzem no meio
ambiente.
Um segundo aspecto diz respeito ao aumento da consciência ecológica
dos consumidores, que esperam que as empresas reduzam os impactos
negativos de sua atividade no meio ambiente. Isso tem gerado ações por parte de
algumas empresas que visam comunicar ao público uma imagem institucional
“ecologicamente correta” .
6.2.2.Concorrência Diferenciação por serviço.
Os varejistas acreditam que os clientes valorizam as empresas que
possuem políticas mais liberais de retorno de produtos. Essa é uma vantagem
percebida na qual os fornecedores ou varejistas assumem os riscos pela
existência de produtos danificados. Isso envolve, é claro, uma estrutura para
recebimento, classificação e expedição de produtos retornados.
Esta é uma tendência que se reforça pela existência de legislação de
defesa dos consumidores, garantindo-lhes o direito de devolução ou troca.
Redução de Custo As iniciativas relacionadas à logística reversa têm
trazido consideráveis retornos para as empresas. Economias com a utilização de
embalagens retornáveis ou com o reaproveitamento de materiais para produção
têm trazido ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas.
35
Além disso, os reforços em desenvolvimento e melhorias nos processos de
logística reversa podem produzir também retornos consideráveis, que justificam
os investimentos realizados.
6.4 O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE CICLO DE
VIDA
Nesta seção serão apresentados conceitos básicos relacionados à logística
reversa e discutidos alguns dos fatores críticos que influenciam a eficiência dos
processos a ela relacionada.
Por trás do conceito logístico reversa está um conceito mais amplo, que é o
do “ciclo de vida”. A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não termina
com sua entrega ao cliente. Produtos se tornam obsoletos, danificados, ou não
funcionam e devem retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente
descartados, reparados ou reaproveitados.
Do ponto de vista financeiro, fica evidente que além dos custos de compra
de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de
um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o
gerenciamento do seu fluxo reverso.
Do ponto de vista ambiental, esta é uma forma de avaliar qual o impacto de
um produto sobre o meio ambiente durante toda a sua vida. Essa abordagem
sistêmica é fundamental para planejar a utilização dos recursos logísticos de
forma a contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos.
Nesse contexto, podemos então definir logística reversa como sendo o
processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matériasprimas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do
ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou
realizar um descarte adequado.
36
O processo de logística reversa gera matérias reaproveitadas que retornam
ao processo tradicional de suprimentos, produção e distribuição.
Esse processo é geralmente composto por um conjunto de atividades que
uma empresa realiza para coletar, separar, embalar e expedir itens usados,
danificados
ou
obsoletos
dos
pontos
de
consumo
até
os
locais
de
reprocessamento, revenda ou de descarte.
Existem variantes com relação ao tipo de reprocessamento que os
materiais podem ter, dependendo das condições em que estes entram no sistema
de logística reversa. Os materiais podem retornar ao fornecedor quando houver
acordos nesse sentido; podem ser revendidos se ainda estiverem em condições
adequadas de comercialização; podem ser recondicionados, desde que haja
justificativa econômica; podem ser reciclados se não houver possibilidade de
recuperação.
Todas essas alternativas geram materiais reaproveitados, que entram de
novo no sistema logístico direto. Em último caso, o destino pode ser o seu
descarte final .
6.4.1 Caracterização Da Logística Reversa
A natureza do processo de logística reversa, ou seja, quais as atividades
que serão realizadas, depende do tipo de material e do motivo pelo qual estes
entram no sistema. Os materiais podem ser divididos em dois grandes grupos:
produtos e embalagens. No caso de produtos, os fluxos de logística reversa se
darão pela necessidade de reparo, reciclagem, ou porque, simplesmente, os
clientes os retornam.
Note que as taxas de retorno são bastante variáveis por indústria e que, em
algumas delas, como na venda por catálogos, o gerenciamento eficiente do fluxo
reverso é fundamental para o negócio.
37
Fluxo reverso de produtos também pode ser usado para manter os
estoques reduzidos, diminuindo o risco com a manutenção de itens de baixo giro.
Esta é uma prática comum na indústria fonográfica. Como essa indústria trabalha
com grande número de itens e de lançamentos, o risco dos varejistas ao adquirir
estoque se torna muito alto. Para incentivar a compra de todo o mix de produtos,
algumas empresas aceitam a devolução de itens que não tiverem bom
comportamento de venda. Embora esse custo da devolução seja significativo,
acredita-se que as perdas de vendas seriam bem maior caso não se adotasse
essa prática.
No caso de embalagens, os fluxos de logística reversa acontecem
basicamente em função da sua reutilização ou devido a restrições legais, como na
Alemanha, por exemplo, que impede seu descarte no meio ambiente. Como as
restrições ambientais no Brasil com relação a embalagens de transporte não são
tão rígidas, a decisão sobre a utilização de embalagens retornáveis ou
reutilizáveis se restringe aos fatores econômicos.
Existe uma grande variedade de contêineres e embalagens retornáveis,
mas que têm um custo de aquisição consideravelmente maior que as embalagens
oneway. Entretanto, quanto maior o número de vezes que se usa a embalagem
retornável, menor o custo por viagem, que tende a ficar menor que o custo da
embalagem oneway.
6.5 LOGÍSTICA REVERSA : NOVA ÁREA DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL.
Introdução, conceitos, definições e áreas de atuação A logística reversa
tem sido citada com freqüência e de forma crescente em livros modernos de
logística empresarial, em artigos internacionais e nacionais, demonstrando sua
aplicabilidade e interesse em diversos setores empresariais e apresentando
novas oportunidades de negócios no Supply Chain reverso, criado por esta nova
área de logística empresarial. No Brasil , mais recentemente, seu interesse
empresarial te sido demonstrado por inúmeras palestras, seminários ,
38
associações, empresas e universidades e o interesse acadêmico pela sua
inclusão como disciplina curricular em cursos de especialização em logística
empresarial.
Em C.L.M. (1993:323): “Logística reversa é um amplo termo relacionado ás
habilidades e atividades envolvidas no gerenciamento de redução, movimentação
e disposição de resíduos de produtos e embalagens....”
Em Stock (1998:20) encontra-se a definição:
“Logística reversa: em uma perspectiva de logística de
negócios, o termo refere-se ao papel da logística no retorno de
produtos , redução na fonte, reciclagem, substituição de materiais,
reuso de materiais, disposição de resíduos, reforma, reparação e
remanufatura....”14
Em Rogers e Tibben-Lembke (1992:2) a logística reversa é definida como :
“Processo de planejamento, implementação e controle da
eficiência, do custo efetivo do fluxo de matérias – primas,
estoques de processo, produtos acabados e as respectivas
informações, desde o ponto de consumo até o ponto de origem,
com o propósito de recapturar valor ou adequar o seu destino”.
A definição de logística apresentada pelos autores Dornier et al (2000:39)
abrange áreas de atuação novas incluindo o gerenciamento dos fluxos reversos :
“Logística é a gestão de fluxos entre funções de negócio. A
definição atual de logística engloba maior amplitude de fluxos que
no passado. Tradicionalmente, as companhias incluíam a simples
entrada de matérias-primas ou o fluxo de saída de produtos
acabados em sua definição de logística. Hoje, no entanto, essa
definição expandiu-se e inclui todas as formas de movimentos de
produtos e informações....”.15
14
STOCK, James R. Development and implementation of reverse logistics programs, Oak Brook, IL:
Council of Logistics Management, 1998.P
15
DORNIER, Philippe-Pierre; ERNST, Ricardo; FENDER, Michel; KOUVELIS, Panos. Logística e operações globais.
São Paulo: Atlas, 2000
39
Bowersox e Closs (2000:51,52) apresentam, por sua vez , a idéia de “Apoio
ao Ciclo de Vida” como um dos objetivos operacionais da logística moderna,
referindo-se ao prolongamento da logística além do fluxo direto dos materiais e a
necessidade de considerar os fluxos reversos de produtos em geral.16
As diversas definições e citações de logística reversa até então revelam
que o conceito ainda está em evolução face às novas possibilidades de negócios
relacionados ao crescente interesse empresarial e de pesquisas nesta área na
última década.
Entendemos a logística reversa como a área da logística empresarial que
planeja, opera e controla o fluxo de as informações logísticas correspondentes, do
retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao
ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes
valores de diversas naturezas : econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem
corporativa , entre outras. Sendo a literatura ainda escassa e dispersa nesta área,
o foco principal desta série de artigos é o de apresentar uma sistematização e
estruturação dos principais conceitos, resumindo não só a literatura existente
como os exemplos, casos e aplicações da logística reversa em empresas
internacionais e nacionais, fruto de um intenso trabalho de pesquisa que temos
realizado nos últimos anos.
Denominaremos de logística reversa de pós-venda a específica área de
atuação que se ocupa do equacionamento e operacionalização do fluxo físico e
das informações logísticas correspondentes de bens de pós-venda, sem uso ou
com pouco uso, que por diferentes motivos retornam aos diferentes elos da
cadeia de distribuição direta, que se constituem de uma parte dos canais reversos
pelo qual fluem estes produtos. Seu objetivo estratégico é o de agregar valor a um
produto logístico que é devolvido por razões comerciais, erros no processamento
dos pedidos, garantia dada pelo fabricante, defeitos ou falhas de funcionamento
no produto, avarias no transporte, entre outros motivos. Este fluxo de retorno se
16
BOWERSOX , Donald J.; CLOSS, David J. Logística empresarial. São Paulo: Atlas, 2001.
40
estabelecerá entre os diversos elos da cadeia de distribuição direta, dependendo
do objetivo estratégico ou motivo de seu retorno.
Denominaremos de logística reversa de pós-consumo a área de atuação
da logística reversa que igualmente equaciona e operacionaliza o fluxo físico e as
informações correspondentes de bens de pós-consumo descartados pela
sociedade, que retornam ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo pelos canais
de distribuição reversos específicos. Constituem –se bens de pós-consumo os
produtos em fim de vida útil ou usado com possibilidade de utilização e resíduos
industriais em geral.
Seu objetivo estratégico é o de agregar valor a um produto logístico
constituído por bens inservíveis ao proprietário original, ou que ainda possuam
condições de utilização, por produtos descartados por terem atingido o fim de vida
útil e por resíduos industriais. Estes produtos de pós-consumo poderão se originar
de bens duráveis ou descartáveis e fluírem por canais reversos de reuso,
desmanche e reciclagem até a destinação final.
A logística reversa de pós-venda deve, portanto, planejar, operar e
controlar o fluxo de retorno dos produtos de pós-venda por motivos agrupados
nas classificações: “Garantia / Qualidade” , “Comerciais” e de “Substituição de
Componentes.
Classificam-se como devoluções por “Garantia / Qualidade”, aquelas nas
quais os produtos apresentam defeitos de fabricação ou de funcionamento
(verdadeiros ou não), avarias no produto ou na embalagem, etc. Esses produtos
poderão ser submetidos a consertos ou reformas que os permitam retornar ao
mercado primário, ou a mercados diferenciados que denominamos secundários,
agregando-lhes valor comercial novamente.
Na classificação “Comerciais”, são destacadas a categoria de “Estoques”,
caracterizada pelo retorno devido a erros de expedição, excesso de estoques no
41
canal de distribuição, mercadorias em consignação, liquidação de estação de
vendas , pontas de estoques, etc., que serão retornados ao ciclo de negócios pela
redistribuição em outros canais de vendas.
Devido ao término de validade de produtos ou a problemas observados
após a venda, o denominado recall, os produtos serão devolvidos por motivo
legais ou por diferenciação de serviço ao cliente e se constituirão na classificação
“ Validade” em nosso esquema.
A classificação “Substituição de Componentes” decorre da substituição de
componentes de bens duráveis e semiduráveis em manutenções e consertos ao
longo de sua vida útil e que são remanufaturados, quando tecnicamente possível,
e retornam ao mercado primário ou secundário, ou são enviados à reciclagem ou
para um destino final, na impossibilidade de reaproveitamento.
A logística reversa de pós-consumo deverá planeja, operar e controlar o
fluxo de retorno dos produtos de pós-consumo ou de seus materiais constituintes,
classificados em função de seu estado de vida e origem: “Em condições de uso”,
“Fim de vida útil”, e “Resíduos industriais”.
A classificação “Em condições de uso” refere-se às atividades em que o
bem durável e semidurável apresenta interesse de reutilização, sendo sua vida
útil estendida adentrando no canal reverso de “Reuso” em mercado de segunda
mão até atingir o “fim de vida útil”.
Nas atividades da classificação “Fim de vida útil”, a logística reversa poderá
atuar em duas áreas não destacadas no esquema : dos bens duráveis ou
descartáveis. Na área de atuação de duráveis ou semiduráveis, estes entrarão no
canal reverso de Desmontagem e Reciclagem Industrial; sendo desmontados na
etapa de “desmanche”, seus componentes poderão ser aproveitados ou
remanufaturados, retornando ao mercado secundário ou à própria industria que o
reutilizará, sendo uma parcela destinada ao canal reverso de “Reciclagem”.
42
No caso de bens de pós-consumo descartáveis, havendo condições
logísticas, tecnológicas e econômicas, os produtos são retornados por meio do
canal reverso de “Reciclagem Industrial”, onde os materiais constituintes são
reaproveitados e se constituirão em matérias-primas secundárias, que retornam
ao ciclo produtivo pelo mercado correspondente, ou no caso de não haver as
condições acima mencionadas, serão destinadas ao “Destino Final”, os aterros
sanitários, lixões e incineração com recuperação energética.
6.6 O CICLO DE VIDA ÚTIL DOS PRODUTOS E A LOGÍSTICA REVERSA
Seria infindável a lista de autores analisando o acelerado ritmo de redução
do ciclo de vida dos produtos nas últimas décadas, como forma e busca de
diferenciação mercadológica, motivada por evoluções técnicas de performance
em processo ou na aplicação, motivada pela redução de custos em geral e em
particular os logísticos, além de outras razões.
Em 1970, foram lançados1.365 novos produtos nos Estados Unidos; em
1986, este número foi de 8.042; em 1991, o número cresceu para 13.244 e, em
1994, alcançou a marca de 20.074 novos produtos lançados, de acordo com
dados de New Products News.
Exemplo clássico de bens como ciclo de vida rapidamente decrescentes
são o dos computadores e seus periféricos, que se revelam expressivos na visão
da logística reversa quando observamos alguns dados o Instituto Gartner Group
estimando em 680 milhões as vendas de computadores no ano de 2005 e de 150
milhões o número deles que serão descartados somente nos Estados Unidos. O
nível de obsolescência atual naquele país é de 2:3, ou seja, a cada três
computadores produzidos dois tornam-se obsoletos, com tendência de que esta
razão se torne 1:1 nos próximos anos.
Em 1960, a produção mundial de plásticos era de 6 milhões de toneladas
por ano e, em 1994, passou a 110 milhões de toneladas. No Brasil, a produção de
43
plásticos teve um aumento de cerca de 50% entre os anos de 1993 e 1998,
valores altos quando comparados com o crescimento dos metais comuns. Ainda o
Brasil, o consumo de garrafas descartáveis de PET (denominação da resina
constituinte Polietileno Tereflalato) usadas como embalagem de refrigerantes e
outras bebidas, iniciou-se em 1989 e alcançou níveis de produção de 6 milhões
de garrafas por ano em 1998, o que corresponde a mais de 70% da embalagem
do setor de refrigerantes. Este expressivo crescimento é devido principalmente à
sua transparência e duas vantagens logísticas na distribuição direta, substituindo
a embalagem de vidro retornável.
Um dos indicadores do crescimento desta “descartabilidade” é o aumento
do lixo urbano em diversas partes do mundo, conforme comprovam os dados da
Prefeitura Municipal de São Paulo, através do Limpurb (departamento de limpeza
pública urbana da cidade de São Paulo): o lixo urbano cresceu de 4.450 t/dia em
1985 para 16.000 t/dia em 2000, na cidade de São Paulo, decrescendo as
quantidades de lixo orgânico e aumentando a de produtos descartáveis.
A obsolescência e a descartabilidade crescentes dos produtos observadas
nesta última década têm-se refletido em alterações das estratégias dentro das
próprias organizações e, principalmente, em todos os elos de sua rede
operacional. Essas alterações se traduzem por aumento de “velocidade de
resposta” desde a concepção do projeto do produto até sua colocação no
mercado, pela adoção de sistemas de alta “flexibilidade operacional” que
permitam, além da velocidade do fluxo logístico, a capacidade de adaptação
constante às exigências do cliente. A ainda adoção de “ responsabilidade
ambiental “ em relação aos seus produtos após o consumo, identificado como
“EPR”
(Extend
Product
Responsibility),
a
chamada
“Extensão
de
Responsabilidade ao Produto”.
Explica-se, desta forma , a crescente implementação da logística reversa
em empresas líderes do mercado em diversos setores, constituindo-se parte
integrante de suas estratégias empresariais.
44
6.7 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS DA LOGÍSTICA REVERSA NAS EMPRESAS
Vimos anteriormente que a idéia principal da logística reversa é a de
agregar valor de alguma natureza às empresas, pelo retorno dos bens ao ciclo de
negócios ou produtivo. A natureza de valor agregado, ou recapturado, varia entre
os setores empresariais e em seus diversos segmentos de negócios. Em
conseqüência, observa-se um espectro de aplicações e de interesses na
implementação e de interesses na implementação de retorno de bens de pósvenda e de pós-consumo, bem como diferentes estágios tecnológicos de
aplicação da logística reversa entre os diversos setores empresariais, conforme
se poderá constatar ao longo destes artigos.
Certamente, o objetivo estratégico econômico, ou de agregação de valor
monetário, é o mais evidente na implementação da logística reversa nas
empresas. Porém, observa-se que mais recentemente dois novos fatores
incentivam decisões empresariais em sua adoção : o fator competitividade e o
ecológico. A análise a seguir considera exemplos de aplicações da logística
reversa, nos quais alguns desses objetivos se destacam de forma mais nítida,
embora sempre existam outros ganhos ou valores agregados simultâneos que se
traduzem como ganhos empresariais marginais.
O objetivo estratégico econômico na logística reversa de pós-venda
evidencia-se, por exemplos, na comercialização de saldos ao final de estação ou
de promoções de vendas no varejo, que serão comercializados em mercados
secundários de ponta de estoques, outlets e lojas de “ tudo por l dólar” . A
redistribuição proveniente de excesso de estoques em canais propicia excelentes
resultados econômicos quando direcionada à regiões de melhor giro, tanto no
mercado nacional como em mercados internacionais, aproveitando a diferença de
estações climáticas entre hemisférios.
O objetivo estratégico econômico na logística reversa de pós-consumo
pode se constituir, por exemplo, na economia realizada pelo aproveitamento de
45
ligas de chumbo de baterias usadas – que são reutilizadas integralmente na
fabricação de baterias novas, de ligas de alumínio das latas de bebidas
descartadas – igualmente utilizadas na fabricação de latas novas. Esses casos ou
setores em que o produto de pós-consumo é aproveitado devido à sua matériaprima constituinte representam normalmente estratégias de viabilidade econômica
do setor. O comércio de bens durável usados, como automóveis e máquinas
operatrizes e geral, representa importantes atividades econômicas.
O exemplo do canal reverso de reuso e remanufatura de copiadoras da
Xerox nos Estados Unidos (CLM, 1993:177).
A empresa Xerox, como estratégia de comercialização de suas copiadoras,
estabeleceu desde 1960 uma rede reversa, utilizando a coleta do tipo Take-Back,
desmontagens dos produtos, seleção de destino e reutilização dos mesmos, com
ou sem remanufatura, em produtos novos de sua linha, dando as mesmas
garantias e repassando as economias de custos aos seus clientes, além da
recompra dos equipamentos, garantindo um nível de competitividade elevado no
mercado. O projeto do produto foi idealizado de forma a facilitar a desmontagem e
componentes de alta intercambialidade, garantindo flexibilidade em sua
reutilização.
O esquema da empresa nos Estados Unidos, constituída por 50 centros de
distribuição reversos operados por empresas terceirizadas, dois centros nacionais
de distribuição reversa e diversas plantas e remanufatura ao longo do país.
O:PNa venda de uma nova máquina, a data de entrega e de desinstalação
são planejadas executadas pelas empresas terceirizadas nos diversos centros de
distribuição, conciliando as operações. Estas empresas se encarregam da
desinstalação de produtos usados, da seleção e do destino a ser dado aos
produtos e componentes. Em alguns casos, os equipamentos serão submetidos a
reparos nos centros de distribuição regionais e destinado à locação de
equipamentos usados, enquanto em outros casos o equipamento é enviado para
46
um dos centros nacionais de distribuição reversa, onde será realizada nova
seleção e destino. Nos casos de modelos de grande venda nos Estados Unidos, a
decisão poderá ser a de transporta-los a uma planta de remanufatura , onde será
executada a desmontagem completa com reaproveitamento dos componentes em
condições de uso em novos equipamentos. Aqueles considerados em condição
de uso em novos equipamentos. Aqueles considerados sem condição de uso
vendidos como sucata para a reciclagem dos materiais constituintes.
Caso Xerox é um dos exemplos de empresas em que a logística reversa e
os cuidados na montagem da rede reversa em nível internacional fazem parte da
estratégia empresarial, com excelentes resultados. A revalorização logística dos
equipamentos usados garantida pela rede reversa até as consolidações em
centros de distribuição reversos especializados leva à revalorização econômica e
tecnológica pelo reuso de seus equipamentos e componentes, e à revalorização
ecológica, reduzindo o impacto ao meio ambiente obtendo um resultado positivo
em sua imagem corporativa junto aos clientes e à comunidade em geral.
As empresas Dupont e Welman, nos Estados Unidos, adotaram a logística
reversa como estratégia em suas empresas, montando redes reversas que
permitem a recuperação de valor de filmes e outros produtos de poliéster
descartados, como matéria-prima secundária na fabricação de novos produtos,
como fibras de poliéster para tapetes, acolchoados, confecções esportivas,
agasalhos, etc.
O objetivo ecológico ou de imagem corporativa na logística reversa
constituem-se de ações empresariais que visam contribuir com a comunidade
pelo incentivo à reciclagem de materiais, à alterações de projeto para reduzir
impactos ao meio ambiente, entre outros. A substituição da embalagem de
poliuretano pelo papel no grupo McDonald´s visando a redução do impacto e
melhoria em reciclagem e o projeto do automóvel Volvo reciclável, no qual as
condições de desmontagem foram facilitadas, são exemplos de objetivos desta
natureza.
47
O objetivo de competitividade por diferenciação de nível de serviço ao
cliente evidencia-se pelos exemplos da empresa farmacêutica Bristol-Meyrs
Squibb, que estabeleceu a logística reversa como prioridade estratégica visando
equacionar o retorno de medicamentos que perdem validade no mercado,
oferecendo um nível de serviço diferenciado a seus clientes.
A empresa de cosméticos americana Estée-Lauder, além de oferecer um
serviço diferenciado a seus clientes ao implantar tecnologia de informação em sua
logística reversa, obteve enormes economias pela redução de perdas e pela
possibilidade de redistribuição de produtos.
As conhecidas empresas varejistas Wall Mart, Kmart e Sears possuem
diversos centros de distribuição reversos nos Estados Unidos , e contratam
terceiros para operá-los de forma a dar suporte ao crescimento de devolução de
produtos, função de políticas de liberalização de devolução espontânea de
mercadorias.
O objetivo de satisfação de legislação na logística reversa é caracterizada
por situações em que existem impedimentos de destinação final de um produto. A
legislação obriga ao fabricante a coleta e destino dos produtos de pós-consumo,
obrigando os diversos elos da cadeia a aceitar devoluções de embalagens de
seus clientes e a responsabilizar pelo retorno de produtos perigosos. Empresas
de óleo lubrificante, lâmpadas fluorescentes, bateria de celulares, entre outros
produtos, no Brasil são responsáveis pela logística reversa de retorno de seus
produtos de pós-consumo de acordo com legislação expressa.
6.8 IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA LOGÍSTICA REVERSA
Pos dados econômicos sobre logística reversa aqui apresentados,
baseiam-se em estimativas projetadas por algumas pesquisas realizadas nos
Estados Unidos, e em pesquisas em logística reversa de pós-consumo em alguns
setores no Brasil . Como os dados são setoriais e o interesse é recente,
48
acreditamos que as estimativas atuais sejam ainda conservadoras. No entanto,
pode-se inferir o potencial de ganho e as oportunidades de desenvolvimento
nesta nova área.
Nos Estados Unidos, pesquisas estimam em cerca de US$ 35 bilhões os
custos de retorno de bens em 1997, ou, cerca de 0,5% do PNB do país, ou 4%
dos custos logísticos totais (US$ 862 bilhões em 1997). Somente o mercado de
peças de automóveis remanufaturadas naquele país foi de US$ 36 bilhões em
1997, de acordo com a Automobile Parts Rebuilders Association, com a atuação
de 12 mil empresas de desmontagem de automóveis e de remanufatura de peças
em atividade atualmente o país.
Pesquisa em setores compreendendo computadores, equipamentos de
rede, equipamentos de automação, embalagens retornáveis e eletrodomésticos
da “linha branca”, ainda nos Estados Unidos , estimou que o custo total da
logística reversa foi de US$4,7 bilhões em 1996, com uma previsão de atingir US$
7,7 bilhões no ano 2000.
O instituto de pesquisa em informática Gartner Group prevê um valor de
US$11 bilhões de retorno de bens no segmento do e-commerce nos Estados
Unidos, um dos setores de maior potencial para a logística reversa.
Acrescentando a estes dados do segmento de pós-venda outros exemplos
na área da logística reversa de pós-consumo, tal como a indústria de ferro/aço
que consome mais de 30% de matérias-primas secundárias, a industria do
alumínio (cerca de 20%), a do plástico (cerca de 20%), pode-se avaliar a
importância para estes setores do fluxo de matérias-primas secundárias
garantidas pela logística reversa na mesma proporção com que compõem o
produto de venda destes setores. Ou seja, que o valor econômico movimentado
pela logística reversa na cadeia do ferro/aço, por exemplo, é de mais de 30% do
valor de venda do produto do setor (no Brasil, mais de US$ 2 bilhões / ano).
49
Sendo áreas de longa tradição, muitas vezes os valores econômicos envolvidos
na atividade são considerados parte integrante do negócio do setor.
6.9 O USO DA “LOGÍSTICA REVERSA” SOB A ÉTICA DAS EMPRESAS.
6.9.1 Tomra Latasa: A Logística da Reciclagem
No inicio do segundo semestre de 2001, com o objetivo de ampliar a coleta
de latas de alumínio e entrar no segmento de garrafas plásticas PET, a Tomra
Latasa Reciclagem colocou em operação, na cidade do Rio de Janeiro, um
projeto-piloto de logística reversa pioneiro. Batizado Replaneta, o projeto consiste
numa rede de coleta formada por oito postos, instalados no estacionamento das
lojas dos supermercados Extras, equipados com duas máquinas Reverse Vending
Machines (RVM), desenvolvidas pela Tomra, as primeiras em operação no Brasil.
A Tomra Latasa Reciclagem foi criada em março de 2001, quando a norueguesa
Tomra Systems ASA, líder mundial em soluções para reciclagem, comprou a
brasileira Latasa, maior fabricante de latas de alumínio do país.
Há mais de uma década, a Latasa foi pioneira no Brasil na criação de um
Programa Permanente de Reciclagem . De lá para cá, desenvolveu uma série de
projetos e promoções para estimular a formação de uma industria recicladora, tais
como o Projeto Escola, por meio do qual as instituições de ensino trocam latas de
alumínio por equipamentos didáticos e paradidáticos ; Projeto Praia Limpa; Sede
de Saber; Vá Catar Lata; entre outros. Todos esses programas de incentivo à
reciclagem contribuíram para a disseminação do reaproveitamento de materiais,
sobretudo da lata de alumínio, que hoje coloca o país na liderança mundial de
reciclagem desse material – em 2001 foi de 85% em relação à produção.
Com o ingresso da Tomra Systems ASA no negócio, no ano passado,
nasceu a Tomra Latasa Reciclagem , que começa a voltar-se também para a
reciclagem das garrafas PET. O objetivo da empresa, agora é, aumentar a coleta
dessas embalagens , cuja reciclagem , atualmente no Brasil é de 24%.
50
A Tomra, com sede na Noruega, está presente em 36 países e é
responsável pelo funcionamento de 45 mil máquinas do tipo Reserse Vending
Machines espalhadas pelo mundo.
Os postos – localizados na Tijuca, Barra da Tijuca, Boulevard, Niterói, Ilha
do Governador, Alcântara, Nova Iguaçu e Maracanã – está equipado com duas
RVMS. Nestas máquinas, com capacidade para receber uma embalagem por
segundo, o próprio consumidor introduz a embalagem, que tanto pode ser a lata
de alumínio quanto a garrafa PET. Em seguida, o equipamento emite
automaticamente um cupom que indica a quantidade de embalagens inseridas e o
valor em dinheiro daquela operação de coleta. “Pagam R$ 0,01 por garrafa PET e
R$ 0,02 por lata de alumínio ” , os cupons emitidos são utilizado na compra de
qualquer produto dentro do supermercado.
No momento em que a embalagem é colocada na máquina, um leitor ótico
faz a identificação do tipo de material, separando o alumínio e o plástico.
“No caso do PET, há ainda uma segunda operação de
triagem que utiliza a cor como parâmetro. Ou seja, separa as
garrafas pelas cores verde, âmbar e cristal, para facilitar o
acondicionamento das embalagens na área de armazenamento”.
Cada
posto
de
coleta
do
Replaneta,
que
funciona
24
horas
ininterruptamente, ocupa um área de 45 m² (o equivalente a quatro vagas de
estacionamento), onde ficam as duas máquinas e uma balança para pesagem do
material coletado. Outros 30 m² são destinados à área de armazenagem, que
abriga dois contêineres fixos de 20 pés, um para as latas e outro para o PET.
Segundo Gerude Filho, coordenador da área de Logística da Tomra
Latasa, a escolha da capital fluminense como base para o lançamento do projetopiloto foi conseqüência natural de um trabalho que a Tomra Latasa já vinha
desenvolvendo na região.
51
“Instalamos no Rio de Janeiro porque foi lá que
começamos o projeto de troca de latas e PET por cupons. Alguns
dos pontos em que o projeto está em operação atualmente já
comportavam postos de troca manual, formados por contêiner e
um atendente que pesava o material. Portanto, havia uma
fidelização dos clientes, e avaliamos que – implementando um
avanço tecnológico naqueles locais – corríamos menos riscos de
não-aceitação do Replaneta por parte da população, uma vez que
já havia sido criado o hábito de descartar as embalagens”
Acrescentando que o projeto começou a ser implantado nesses pontos,
avançando em seguida para outras regiões da cidade.
Segundo Gerude Filho, a automação do processo apresentou um salto
qualitativo na logística da empresa:
“ Primeiro , porque o Replaneta viabilizou a coleta do PET,
o que antes não fazíamos. Segundo, pelo fato de a máquina fazer
a separação das latas de alumínio e do PET, e desde por cor,
ganhamos muita na hora de acondicionar esse material. Os fardos
saem dos pontos de coleta enfardados por cor, eliminando assim
esta operação no nosso Centro de Coleta” , diz o coordenador,
acrescentando que a separação por cor traz, ainda, ganhos na
venda do produto.
“Existe diferença de preço se o PET estiver misturado. Por
exemplo , se eu vender o PET verde justamente com o cristal
tenho um preço, se ele estiver separado por cor, há outro”,
destaca, acrescentando que o parceiro da empresa no projeto , o
Extra, também está colhendo benefícios. “Percebemos que o
projeto gerou uma grande impacto junto à população em relação à
imagem do supermercado. Outra coisa que notamos é que o
cupom de troca, emitido na coleta, aumenta o ticket padrão de
compras em torno de 20% a 30%. O cliente vai à loja com um
cupom do Replaneta de R$ 1,00, mas consome sempre de R$
1,20 A R$ 1,30”.
Ainda sobre os resultados, o coordenador destaca a ampliação efetiva na
coleta de material. “ O volume aumentou substancialmente, atingindo em torno de
35% a mais em relação aos postos de troca antigos”, diz Gerude Filho, lembrando
a sazonalidade típica da indústria de reciclagem. “ No verão , em função do
aumento no consumo de bebidas envasadas neste tipo de embalagem, coletamos
muito mais que n inverno. Estamos , ainda, sujeitos a alguns eventos que
52
acontecem fora da operação e que causam um impacto direto na quantidade
coletada. Por exemplo, em novembro do ano passado, o rompimento de uma
tubulação de esgoto da Cedae (Companhia de Águas e Esgotos), do Rio,
contaminou a água potável, o que elevou muito o consumo de água mineral,
aumentando, conseqüentemente , o volume da coleta em todos os nossos postos.
Só para se ter uma idéia, no Replaneta da Tijuca subiu de 63 mil, em outubro ,
para 107 mil , em novembro”, exemplifica.
Se por um lado esses eventos promovem o crescimento do volume de
coletado, que é a meta essencial do projeto , por outro acarretam problemas que
aumentam a complexidade do processo logístico.
Essa é uma das grandes dificuldades da logística reversa, porque não
temos a previsibilidade da demanda, não sabemos como o consumidor vai se
comportar. A questão é que há uma área limitada para fazer o estoque do
material e, de repente, o volume explode, motivado por um evento externo,
interferindo nos processos de armazenagem e distribuição, obrigando-nos a
realizar alterações imediatas na operação. Por isso, é necessário monitorar
diariamente o comportamento da coleta” observa o coordenador.
Com o Replanete instalado e operando, foi possível redesenhar alguns
pontos do projeto original, promovendo mudanças no sentido de corrigir alguns
problemas, dar maior agilidade às operações e reduzir custos.
Mudamos , primeiro , o modal de transporte. Na operação manual,
precisávamos de caminhões de três tamanhos diferentes. Agora, estamos
operando apenas com um veículo, que tem chassi alongado de 10 metros , o que
deu maior capacidade de transporte por volume e não peso. Além disso,
mudamos a maneira de acondicionar as embalagens, porque percebemos que
estávamos tendo um aproveitamento pequeno na área de armazenamento.
Então, eliminamos os sacos e passamos a usar big bags para acondicionar os
PETs, o que permitiu um aproveitamento de praticamente 100% da área de
53
armazenamento
vertical.
Com
isso,
ganhamos
tempo
no
manuseio
e
consolidação da carga, reduzindo ainda os custos com os sacos, explica Gerude
Filho, informando que a Tomra Latasa promoveu, também, um estudo sobre o
tempo para carregar o caminhão e do trajeto entre um ponto e outro, melhorando
sua eficiência.
“Com as mudanças do modal, na maneira de acondicionar
as embalagens e melhoria no tempo de manuseio e transporte de
carga, atingimos uma redução de 43,73% no número de diárias
por mês do caminhão , cujo serviço é terceirizado “,
Destaca o coordenador de logística. Segundo ele, com essas mudanças,
mesmo numa situação de aumento imprevisto da demanda, a empresa está
constantemente preparada para dar uma solução bastante ágil aos problemas
ultima hora. “ Para não nos deparamos mais com explosões de volume,
passamos a fazer uma coleta pró-ativa. Ou seja, quando a capacidade de
armazenamento nos Replanetas atinge algo em torno de 70%, coletamos o
material” , diz Gerude Filho, explicando que a coleta pode não esvaziar o estoque
do ponto.
“A idéia é otimizar o frete, fazendo com que o caminhão
recolha o material em pelo menos três Replanetas por dia. Para
que esta meta seja atingida, precisamos eliminar a retirada do
material por ponto, de tal forma que o estoque dos três
Replanetas caiba no caminhão”.
O material armazenado nos contêineres dos Replanetas é retirado pela
empresa transportadora e segue para o Centro de Coleta da Tomra Latasa,
localizado em São Cristóvão. Lá, as latas de alumínio passam por processos de
compactação e enfardamento, enquanto os PETs seguem para uma empresa
terceirizada, onde é feito seu enfardamento. Desse ponto, dirige-se a um terceiro
Replaneta depois de carregar o caminhão repete o roteiro de descarga anterior.
Redução de Custos Do centro de coleta do Rio de Janeiro – a empresa
conta com sete centros em todo o país, depois de consolidada, a carga formada
pelas latas de alumínio segue para a cidade de Pindamonhangaba, no interior de
54
São Paulo, onde está instalada a refusora da Tomra Latasa, que recicla o
alumínio em lingotes ou cadinhos. Já as garrafas de PET são encaminhadas para
uma industria de reciclagem, parceria da Tomra Latasa, localizada na cidade de
São Paulo, onde serão transformadas em flake ou pellet.
No caso da lata, e empresa realiza o ciclo completo da reciclagem , da
coleta até a transformação em matéria-prima. Já o PET, até o momento, os
processos de compactação e enfardamento até a reciclagem para torna-lo
novamente matéria-prima são terceirizados.
“ Nossa intenção é evoluir para colocar no mesmo espaço
do Centro de Coleta, a compactação e enfardamento da lata e do
PET, um prazo de aproximadamente seis meses. Dessa forma,
vamos eliminar dois ponto no roteiro, que são as duas descargas,
num mesmo dia, do PET na empresa terceirizada, e
consolidaremos a carga destinada à reciclagem num só local”
Explica Gerude Filho, acrescentando que a multinacional também está
finalizando um projeto de compactação do material no próprio Replaneta. “A idéia
é compactara embalagem, seja PET ou lata, no próprio ponto de coleta o que irá
proporcionar uma redução de 60% a 70% no volume estocado” , comenta o
coordenador de logística. E acrescenta :
“A grande dificuldade é conseguir ter processo eficiente
para viabilizar a coleta do PET, porque o valor agregado dele é
muito mais baixo do que o da lata. Por isso, precisamos de mais
volume e maior eficiência. E a sua compactação no Replaneta é
uma das maneiras de obter essa eficiência, uma vez que , ao
compactar o material, no lugar de transportar peso, muito mais
quantidade e, conseqüentemente, otimizar o frete. Com isso,
estimamos uma redução no custo do frete em torno de 60%”.
A empresa também não descarta a possibilidade de completar o ciclo de
reciclagem do PET, assim como faz hoje com as latas de alumínio.
“A idéia é formar uma rede de coleta consistente, que
possa viabilizar, no futuro, a montagem de uma planta para
reciclar o PET. Porque, ao contrário da logística normal, cuja
filosofia é consolidar os centros de distribuição, nós temos de
55
ampliar nossa rede de coleta, ter capilaridade, porque essa é a
essência da logística reversa”,
Acentua o coordenador de Logística da Tomra Latasa , que já está
desenvolvendo estudos de viabilidade para o PET.
“Não adianta ter uma planta, com processos bem
desenvolvidos, mas sem uma rede consistente de coleta. Hoje,
muitas recicladoras coletam o PET em lixões, demandando um
grande investimento financeiro só para limpar e descontaminar a
embalagem . No caso da Replaneta, como o material sai do
consumidor direto para a rede de coleta, a embalagem é muito
mais limpa. E esse é um diferencial competitivo”, Afirma Gerude
Filho.
Quanto à possibilidade de expandir a área de atuação do Replaneta ,
Gerude Filho declara que a empresa tem intenção de, além de aumentar o
número de postos no Rio, levar o projeto para São Paulo ainda este ano. “ Vamos
focar principalmente nas grandes capitais”, finaliza.
6.10 ALCAN – A MAIOR RECICLADORA DA AMÉRICA LATINA
No Brasil temos a empresa ALCAN - A maior recicladora da América Latina
como exemplo.
O Brasil atingiu novo recorde nacional de reciclagem de latas de alumínio
com um índice de 85% do total de latas disponível no mercado brasileiro. A
atuação da Alcan fez do Brasil um dos líderes mundiais em reciclagem, uma vez
que a empresa consome 55% do total processado.
"A Alcan é a maior consumidora individual de sucatas de
latas de alumínio do Brasil", afirma Paulo Lara, diretor de
Planejamento e Reciclagem - Alcan Laminados. "Em 2001, foram
processadas pela Alcan cerca de 66 mil toneladas de latas de
alumínio, sem contar com os retalhos de processos de fabricação
dos fabricantes de latas e da própria empresa", informa Paulo.
56
A Alcan foi a primeira empresa do Brasil a reciclar alumínio como um
negócio integrado às suas operações e hoje é a maior recicladora da América
Latina. A reciclagem é mais um processo que a Alcan utiliza para aproveitar todas
as propriedades do alumínio, o único metal não-ferroso infinitamente reciclável.
Hoje, a empresa trabalha com um fluxo de retorno permanente que permite uma
economia de até 95% em relação à energia utilizada para produzir alumínio
primário. O resultado é a diminuição de desperdício e a preservação da Natureza.
Esta operação gera economia de energia elétrica e minério: a produção de
uma tonelada de alumínio reciclado economiza cinco toneladas de bauxita,
responsável pela fabricação do alumínio.
O Centro de Reciclagem da Alcan, em Pindamonhangaba - interior de São
Paulo, tem capacidade para processamento de 80 mil toneladas/ano. A
reciclagem tem papel estratégico na companhia, na medida em que cumpre uma
função social, econômica e ecológica.
Atualmente, a reciclagem é uma alternativa de renda para cerca de 150 mil
pessoas vivem da reciclagem do alumínio no país. O kg da lata de alumínio rende
hoje 33 vezes mais que a lata de aço, 39 vezes o valor do vidro colorido e 6 vezes
mais que o PET.
Na Alcan a preocupação com o Meio Ambiente é um compromisso de
extrema importância.
No Brasil, a empresa conta com uma equipe que gerencia o Sistema de
Gestão Ambiental (SGA), que visa identificar todos os aspectos e impactos
ambientais, definindo projetos e metas claras para sua solução. O SGA foi
implementado de acordo com as normas do Comitê de Meio Ambiente da Alcan
mundial e a Política Ambiental. Todas as cinco fábricas da Alcan no país - Santo
André, Aratu, Mauá, Ouro Preto e Pindamonhangaba - possuem certificação
IS014001.
57
Outro exemplo é a empresa Fujitsu , umas das principais empresas
japonesas fabricantes de computadores, que criou um sistema de reciclagem de
seus produtos.
CONCLUSÃO
A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa
prioridade. Isto se reflete no pequeno número de empresas que tem gerências
dedicadas ao assunto. Pode-se dizer que estamos em um estado inicial no que
diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa. Esta realidade,
como vimos, está mudando em resposta a pressões externas como um maior
rigor da legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de
oferecer mais serviço através de políticas de devolução mais liberais.
Esta tendência deverá gerar um aumento do fluxo de carga reverso e, é
claro, de seu custo. Por conseguinte, serão necessários esforços para aumento
de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar os sistemas de logística
reversa. Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento que no
fluxo logístico direto tais como estudos de localização de instalações e aplicações
de sistemas de apoio à decisão (roteirização, programação de entregas etc.)
Diante da realidade do comércio mundial, onde uma das características
básicas é o dinamismo, transformando o novo em ultrapassado num espaço de
tempo relativamente curto, somado as crescentes exigências dos consumidores,
assim como o acirramento da concorrência, a sobrevivência da empresa baseiase na sua capacidade de atender todas essas exigências sem, no entanto, perder
o foco no seu objeto principal, ou seja, na qualidade de seus produtos ou serviços
sempre buscando, mais do que a satisfação de seus clientes – é preciso superar
as expectativas dos mesmos, colocando-se em posição de destaque no segmento
de mercado em que atua.
Com a necessidade de encontrar estratégias eficazes muitas empresas
acabaram por absorver uma gama de teorias administrativas que foram surgindo
na tentativa de instrumentalizar as empresas para enfrentarem o novo contexto
mercadológico, ao ponto de provocarem um desgaste tanto de seu pessoal
quanto de seus clientes. Muitas vezes as novas teorias fracassaram por falta de
conhecimento ou por pouco comprometimento de todos os setores da empresa.
Dentre as teorias surgidas, a logística que inicialmente parecia mais um modismo
administrativo, com todas as mudanças geradas com os avanços tecnológicos e
da quebra das barreiras comerciais foi ganhando importância crescente tornandose atualmente fator decisivo para a empresa manter-se no mercado.
No sucesso comprovado de algumas empresas outras tantas tentaram
implantar a logística no entanto, na falta ou pouco conhecimento sobre os fatores
que implicam no processo logístico, recursos foram desperdiçados e o foco
principal da empresa foi descaracterizado.
Paralelamente as empresas que obtiveram sucesso com a logística
passaram a aperfeiçoa-la chegando a um nível de qualificação e capacitação que
alavancaram de forma considerável seus negócios.
No caso da logística reversa, verifica-se que diante das ações que visam a
preservação do meio ambiente, visando o desenvolvimento sustentável, o
planejamento eficiente da mesma tornou-se fundamental não só para as
empresas, mas também para a sociedade como um todo
Como exemplo da relevância da logística reversa, tem-se que no ano de
2000 o Brasil reciclou mais de 7,4 bilhões de latas de alumínio, que representa
111 mil toneladas. O material é recolhido e armazenado por uma rede de
aproximadamente 2 mil sucateiros, responsáveis por 50% do suprimento de
sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por supermercados,
escolas, empresas e entidades filantrópicas. O mercado brasileiro de sucata de
latas de alumínio movimenta US$ 129 milhões por ano. As latas corresponderam
a 82,3 mil das 182 mil toneladas de sucata de alumínio disponíveis para
reciclagem em 1999. Com liga metálica mais pura, essa sucata volta em forma de
lâminas à produção de latas ou é repassada para fundição de autopeças. 78% da
produção nacional de latas é reciclada. Em 1999, o índice foi de 73%. Os
números brasileiros superam países industrializados como Inglaterra e Alemanha
(Reciclagem, 2002).
Pelo exposto, conclui-se que a qualificação da logística reversa pode vir a
contribuir de forma significativa para o incremento da reutilização de materiais
recicláveis. Ressalta-se ainda a importância das especificidades de cada setor,
como por exemplo do setor de baterias, cuja logística reversa implica em
cuidados que minimizem os riscos de contaminação no manuseio das mesmas,
bem como no transporte do consumidor para a empresa
INDICE
Dedicatória
Agradecimento
Resumo
CAPÍTULO I - O PROBLEMA................................................................................ 8
1.1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 9
1.2 SISTEMA LOGÍSTICO E SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA. .............. 11
1.3.SISTEMA LOGÍSTICO ................................................................................ 11
1.4 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA........................................................ 13
1.5 CONCORRÊNCIA - DIFERENCIAÇÃO POR SERVIÇO............................. 13
1.5.1 Redução de Custo................................................................................. 14
CAPÍTULO II - O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE
CICLO DE VIDA................................................................................................... 15
2.1 EVOLUÇÃO DOS DESAFIOS E DOS SISTEMAS DE ADMINISTRAÇÃO. 16
2.1.1.A ERA DA PRODUÇÃO EM MASSA................................................................... 16
2.1.2 Aceleração da mudança........................................................................ 16
CAPÍTULO III - FATORES CRÍTICOS QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DO
PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA ............................................................ 18
3.1.1 Informações e planejamento da distribuição física ................................ 20
3.2 EFICIÊNCIA DO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA......................... 21
3.2.1 Bons controles de entrada..................................................................... 22
3.2.2 Processos padronizados e mapeados................................................... 22
3.2.3 Tempo de Ciclo reduzidos..................................................................... 22
3.2.4 Sistemas de informação ........................................................................ 23
3.2.5 Rede Logística Planejada...................................................................... 23
3.2.6 Relações colaborativas entre clientes e fornecedores .......................... 24
CAPÍTULO IV – FUNÇÕES DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES ........................ 25
4.1 FUNÇÃO DE TRANSFERÊNCIA .......................................................................... 26
CAPÍTULO V - LOGÍSTICA APLICADA SUPRIMENTO E DISTRIBUIÇÃO
FÍSICA ................................................................................................................. 28
CAPÍTULO VI - LOGÍSTICA REVERSA : ASPECTOS IMPORTANTES PARA A
ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS.................................................................... 29
6.1 LOGÍSTICA EMPRESARIAL E INDUSTRIAL ............................................. 29
6.1.1. Conceito de Logística Empresarial ....................................................... 29
6.2 LOGÍSTICA EMPRESARIAL A PERSPECTIVA BRASILEIRA ................... 30
6.2.1 Conceito de Logística Industrial ............................................................ 31
6.2.1.1 Logística Industrial........................................................................... 31
6.3 LOGÍSTICA REVERSA UMA VISÃO SOBRE OS CONCEITOS BÁSICOS E
AS PRÁTICAS OPERACIONAIS ...................................................................... 32
6.2.1 Questões Ambientais ............................................................................ 33
6.2.2.Concorrência Diferenciação por serviço................................................ 33
6.4 O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE CICLO DE
VIDA.................................................................................................................. 34
6.4.1 Caracterização Da Logística Reversa ................................................... 35
6.5 LOGÍSTICA REVERSA : NOVA ÁREA DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL. .. 36
6.6 O CICLO DE VIDA ÚTIL DOS PRODUTOS E A LOGÍSTICA REVERSA... 41
6.7 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS DA LOGÍSTICA REVERSA NAS
EMPRESAS ...................................................................................................... 43
6.8 IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA LOGÍSTICA REVERSA ........................ 46
6.9 O USO DA “LOGÍSTICA REVERSA” SOB A ÉTICA DAS EMPRESAS...... 48
6.9.1 Tomra Latasa: A Logística da Reciclagem ........................................... 48
6.10 ALCAN – A MAIOR RECICLADORA DA AMÉRICA LATINA .............................................. 54
CONCLUSÃO ...................................................................................................... 57
BIBLIGRAFIA
.................................................................... 62
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VIEIRA Darli Rodrigues, PhD., é professor na Universidade Federal do Paraná, onde
coordena o MBA em Gerência de Sistemas Logísticos, e professor visitante na Université
Sorbonne (França) e na Laval University (Canadá)
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LOGÍSTICA REVERSA Sandra Maria da Mota Duarte Rocha 23/07