UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO VEZ DO MESTRE LOGÍSTICA REVERSA ORIENTADOR: MARY SUE Sandra Maria da Mota Duarte Rocha 23/07/2003 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO VEZ DO MESTRE LOGÍSTICA REVERSA OBJETIVOS: Este trabalho visa obtenção de grau no curso de pós-graduação de Finanças e Gestão Coorporativa. 3 AGRADECIMENTOS A Deus. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha família e amigos. 5 METODOLOGIA A pesquisa adotou dois critérios para sua caracterização, de acordo com a taxonomia proposta por Vergara (1991). Quanto aos fins a pesquisa foi: • Descritiva e Explicativa, tendo em vista que foi analisado e verificado os processos atuais de algumas empresas. • Estudo de caso, tendo em vista que foi estudado a forma de negociações das empresas. E quanto aos meios: • Bibliográfica, pois foi necessário a pesquisa em livros, processos das empresas e a internet. 6 Resumo A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa prioridade. Isso se reflete no pequeno número de empresas que têm gerências dedicadas ao assunto. Pode-se dizer que estamos em um estado inicial no que diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa. Essa realidade está mudando em resposta às pressões externas, como um maior rigor de legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de oferecer mais serviços por meio de políticas de devolução mais liberais. Essa tendência deverá gerar um aumento do fluxo de carga reverso e, é claro, de seu custo. Por conseguinte, serão necessários esforços para aumento de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar os sistemas de logística reversa. Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento do fluxo logístico direto, tais como estudos de localização de instalações e aplicações de sistemas de apoio à decisão (roteirização, programação de entregas) 8 SUMÁRIO CAPÍTULO I - O PROBLEMA ...............................................................................8 CAPÍTULO II - O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE CICLO DE VIDA ...................................................................................................15 CAPÍTULO III - FATORES CRÍTICOS QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA .............................................................18 CAPÍTULO IV – FUNÇÕES DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES .........................25 CAPÍTULO V - LOGÍSTICA APLICADA SUPRIMENTO E DISTRIBUIÇÃO FÍSICA ..................................................................................................................27 CAPÍTULO VI - LOGÍSTICA REVERSA : ASPECTOS IMPORTANTES PARA A ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS .................................................................28 CONCLUSÃO ..................................................................................................... 57 INDICE................................................................................................................. 60 BIBLIGRAFIA .......................................................................................................62 9 CAPÍTULO I – O PROBLEMA Existe uma forma ideal de implantação e gerenciamento dos fluxos provenientes do mercado para a empresa? A resposta a este problema não é simples, e aqui nós iremos esboçar uma primeira pista que estimamos relevante para equacionar a questão do ponto de vista prático. O sucesso da implantação de uma estratégia de logística reversa em uma empresa de porte médio ou grande se apóia em um projeto complexo, pois é preciso capacidade para definir e implantar uma forte integração entre sistemas de ERP (Entreprise Resource Planning) e de SCM (Supply Chain Management) e, paralelamente, promover uma ativa participação de parceiros externos. Poucas empresas escolhem seus sistemas de ERP em função da capacidade em gerenciar retorno de mercadorias. Entretanto, um grande número de sistemas de ERP incorporam funcionalidades que permitem suportar ações gerenciais de logística reversa. Infelizmente, e em função de um desconhecimento profissional ainda importante, poucas são as atividades de planejamento e instalação de sistemas de ERP que procuram valorizar a logística reversa. Já os sistemas de SCE (Supply Chain Execution) fornecem a capacidade dos recursos que determina a eficácia do processo associado aos diferentes retornos. Neste item, é fundamental a correta instalação e o bom funcionamento dos chamados WMS (Warehouse Management Systems), pois eles controlam tanto a recepção quanto o acompanhamento do fluxo das mercadorias retornadas aos armazéns. Outro item determinante do sucesso operacional das operações de retorno são os sistemas TMS (Transportation Management Systems), pois é exatamente o elevado custo de transporte dos itens retornados que geralmente motiva a empresa a se lançar na organização competitiva da logística reversa. 10 1.1 INTRODUÇÃO Já se tornou um turismo a afirmação que, neste final de século, o mundo vem passando por mudanças frenéticas. De tal complexidade elas são, que vêm causando perplexidade em todos os segmentos sociais, que têm a sensação de que uma sociedade velha está moribunda, porém ainda não morreu, enquanto surge no horizonte uma sociedade nova que, todavia, ainda não nasceu.1 Essa típica transição marca profundamente a década de 90, que se encaminha para o terço final. Neste curto período, que sepulta definitivamente o século XX, a humanidade debata-se com novas acomodações econômicas, políticas e sociais que atingem proporções planetárias. A queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, encurtou um século, pelos genocídios stalinistas e hitlerista, por ideologias estanques, além da manutenção da Guerra Fria por quatro décadas. O termino do conflito entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética retirou a ênfase da corrida armazenista para o protaganismo da revolução tecnológica .Dissolveram-se os blocos hegemônicos liderados pelas superpotências e surgiu uma redefinição das nações de acordo com interesses econômicos específicos. Essa compartimentalização continental favoreceu o aparecimento de blocos econômicos assimétricos e com objetivos conflitantes. Assim temos, na nova geometria global, o declínio de alianças militares concentradas (OTAN, Pacto de Varsóvia), aflorando em seu lugar um contexto de união entre países com ênfase convergente na área econômica 1 LOBATO, David Menezes . Administração Estratégica – Uma Visão orientada para a Busca de Vantagens Competitivas.Ed. Papeis e Cópias - 1997 11 A revolução tecnológica, que gerou novos cenários históricos, elegeu o imperativo do tempo como a mais importante característica das novas iniciativas econômicas. O abismo entre nações prósperas e desenvolvidas e os países emergentes e pobres deixou de ser medido por estatísticas tradicionais, como produto Interno Bruto, renda per capita e outras, substituídas silenciosamente por indicadores de abertura das economias, nível de absorção de novas tecnologias e domínio das chamadas tecnologias de ponta. Já não importa, da forma como era antes, o nível das exportações de matérias-primas das nações periféricas, em razão da valorização dos segmentos de alta tecnologia, como informática, telemática, eletrônica, biotecnologica, telecomunicações e multimídia.2 Usualmente pensamos em logística como o gerenciamento do fluxo de materiais do seu ponto de aquisição até o seu ponto de consumo. No entanto, existe também um fluxo logístico reverso, do ponto de consumo até o ponto de origem, que precisa ser gerenciado. Este fluxo logístico reverso é comum para uma boa parte das empresas. Por exemplo, fabricantes de bebidas têm que gerenciar todo o retorno de embalagens (garrafas) dos pontos de venda até seus centros de distribuição. As siderúrgicas usam como insumo de produção em grande parte a sucata gerada por seus clientes e para isso usam centros coletores de carga. A indústria de latas de alumínio é notável no seu grande aproveitamento de matéria prima reciclada, tendo desenvolvido meios inovadores na coleta de latas descartadas. Existem ainda outros setores da indústria onde o processo de gerenciamento da logística reversa é mais recente como na indústria de eletrônicos, varejo e automobilística. Estes setores também têm que lidar com o fluxo de retorno de embalagens, de reaproveitamento de materiais para produção. 2 Op. cit. pág 12 devoluções de clientes ou do 12 Este não é nenhum fenômeno novo e exemplos como o do uso de sucata na produção e reciclagem de vidro tem sido praticados há bastante tempo. Por outro lado, tem-se observado que o escopo e a escala das atividades de reciclagem e reaproveitamento de produtos e embalagens tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. 1.2 SISTEMA LOGÍSTICO E SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA. Inicialmente, este capítulo visa situar a distribuição física no contexto da logística, para em seguida, apresentar o objeto e os objetivos específicos do trabalho. É apresentada também uma justificativa do mesmo, situando-o em relação a trabalho publicados anteriormente. Finalmente, colocamos em evidencia a abordagem metodológica utilizada, que situa a distribuição física nos níveis estratégico, tático e operacional. 1.3.SISTEMA LOGÍSTICO A administração da logística industrial visa maximizar o valor econômico dos produtos ou materiais tendo-os disponíveis, a um preço razoável, onde e quando houver procura. É importante ressaltar que o valor intrínseco de um bem são compostos pelas atividades de produção (características e forma física) e por sua localização. O autor John F. Magee 3conceitua todos os elementos ou componentes que formam o sistema logístico e as variáveis mais importantes que afetam a eficiência do suprimento e distribuição industriais: 3 MAGEE, John F. Logística Industrial. São Paulo: Pioneira. 13 Elementos / componentes § Estoque de produtos; § Aquisição e controle da matéria-prima; § Meios de transporte e de entrega local; § Capacidade de produção e conversão; § Armazéns; § Comunicação e controle; § Recursos Humanos. Variáveis § Número e localização das unidades produtivas; § Número e localização dos armazéns; § Meios de transportes; § Comunicações; § Meios de processamento de dados; § Disponibilidade de produto; § Segurança do atendimento; § Localização dos estoques do produto; 14 § Projeto do produto. 1.4 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA O sistema de distribuição física compreende o encadeamento das operações de armazenagem, de movimentação interna e de transporte, de forma a assegurar o fluxo físico de produtos acabados, do momento e que eles deixam o sistema de produto até chegar ao consumidor final. Por outro lado, o fluxo de informações deve ser também considerado, porquanto ele acompanha ou mesmo percebe o fluxo físico (figura 1.2).O fluxo de informações é essencial para a gestão dos sistema de distribuição física, dado que ele contribui à análise dos custos, ao processamento dos pedidos, à avaliação e ao inventário dos estoque, à previsão de vendas etc. estoque movimentação Fluxo Físico estoque -------------- movimentação Fluxo de informações Figura 1.2: Os dois tipos de fluxo da distribuição física4 1.5 CONCORRÊNCIA - DIFERENCIAÇÃO POR SERVIÇO Os varejistas acreditam que os clientes valorizam as empresas que possuem políticas mais liberais de retorno de produtos. Esta é uma vantagem percebida onde os fornecedores ou varejistas assumem os riscos pela existência de produtos danificados. Isto envolve, é claro, uma estrutura para recebimento, classificação e expedição de produtos retornados. 4 LOBATO, David Menezes . Administração Estratégica – Uma Visão orientada para a Busca de Vantagens Competitivas.Ed. Papeis e Cópias - 1997 15 Esta é uma tendência que se reforça pela existência de legislação de defesa dos consumidores, garantindo-lhes o direito de devolução ou troca. 1.5.1 Redução de Custo As iniciativas relacionadas à logística reversa têm trazido consideráveis retornos para as empresas. Economias com a utilização de embalagens retornáveis ou com o reaproveitamento de materiais para produção têm trazido ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas. Além disto, os esforços em desenvolvimento e melhorias nos processos de logística reversa podem produzir também retornos consideráveis, que justificam os investimentos realizados. Nas seções seguintes deste artigo serão apresentados conceitos básicos relacionados à logística reversa e discutidos alguns dos fatores críticos que influenciam a eficiência dos processos de logística reversa. 16 CAPÍTULO II - O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE CICLO DE VIDA Por traz do conceito de logística reversa está um conceito mais amplo que é o do "ciclo de vida". A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não termina com sua entrega ao cliente. Produtos se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e deve retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados. Do ponto de vista financeiro, fica evidente que além dos custos de compra de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso. Do ponto de vista ambiental, esta é uma forma de avaliar qual o impacto que um produto sobre o meio ambiente durante toda a sua vida. Esta abordagem sistêmica é fundamental para planejar a utilização dos recursos logísticos de forma contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos. Neste contexto, podemos então definir logística reversa como sendo o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matériasprimas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado¹.5 5 ANSOFF,H. Igor. Implantando Administração Estratégica 2 ed. – São Paulo: Atlas,1993 17 2.1 EVOLUÇÃO DOS DESAFIOS E DOS SISTEMAS DE ADMINISTRAÇÃO. 2.1.1.A era da produção em massa A moderna história nos Estados Unidos começa (grosso modo) no período de 1820 a 1830. Inicialmente, foi a construção de uma rede de canais, e depois a de sistema nacional de ferrovias, que incentivaram um processo de unificação econômico do país. Uma serie de inventos básicos, tais como a turbina a vapor, o separador de fibras de algodão, o processo Bessemer de produção de aço, a vulcanização da borracha etc., proporcionou uma base tecnológica para uma rápida decolagem industrial. A invenção tecnológica deu-se paralelamente a invenção social de uma das organizações mais bem sucedidas e influentes da historia-a empresa.6 2.1.2 Aceleração da mudança Como foi mostrado pela discussão precedente, no século vinte as mudanças do ambiente tornaram-se mais complexas e variadas. Ao mesmo tempo, as mudanças aceleram-se das duas maneiras descritas a seguir.7 Um aspecto da aceleração foi a cada vez maior freqüência de mudanças com impacto sobre a empresa. Em particular, a partir da década de 60, o crescimento exponencial do número de novos produtos ou serviços e de novas tecnologias tem levado muitos observadores a chamar o último meio século de “ Segunda Revolução industrial” . 6 7 ANSOFF,H. Igor. Implantando Administração Estratégica 2 ed. – São Paulo: Atlas,1993. Op.cit. pág.31 18 Outro aspecto da aceleração foi um aumento do que os economistas chamam de taxa de difusão da mudança: a verdade com que novos produtos e serviços invadem os mercados. Durante os primeiros cem anos da existência da empresa, seu problema primordial passou por três fases seqüenciais: a criação da empresa moderna por um empreendedor, o aperfeiçoamento da tecnologia de produto em massa, e o desenvolvimento do marketing em massa. Durante este período, a empresa permaneceu imune à interferência de forças sociais, e a preocupação da empresa era realmente com suas próprias operações. As mudanças, porém, tornaram-se cada vez mais complexas, diferentes e descontínuas, em relação à experiência anterior. Desde a década de 1950, os desafios foram se tornando cada vez mais simultâneos : a necessidade de reativação do espírito empreendedor, de resposta à intensidade crescente da competição em nível mundial, e de envolvimento em nível social quanto à determinação de como a empresa deve ser dirigida, e de que papel deve desempenhar na sociedade pós-indsutrial. Outra característica marcante do século vinte tem sido aceleração tanto da incidência quanto da difusão da mudança. A mudança tornou-se menos previsível e as surpresas passaram a ser mais freqüentes.8 8 Op.cit pág.32 CAPÍTULO III - FATORES CRÍTICOS QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA A disponibilidade de informações é imprescindível á gestão racional da distribuição física. Com efeito, as informações são utilizadas par ao planejamento, o funcionamento e o controle dos resultados.9 Evidentemente, a existência de informações constitui uma condição necessária apenas, mas não suficiente, pois o gestor da distribuição física precisa de informações de qualidade, selecionadas, precisas e de fácil acesso. Dependendo de como o processo de logística reversa é planejado e controlado, este terá uma maior ou menor eficiência. Alguns dos fatores identificados como sendo crítico e que contribuem positivamente para o desempenho do sistema de logística reversa são comentados a seguir: • Bons Controles de Entrada No início do processo de logística reversa, é preciso identificar corretamente o estado dos materiais que retornam para que estes possam seguir o fluxo reverso correto ou mesmo impedir que materiais que não devam entrar no fluxo o façam. Por exemplo, identificando produtos que poderão ser revendidos, produtos que poderão ser recondicionados ou que terão de ser totalmente reciclados. Sistemas de logística reversa que não possuem bons controles de entrada dificultam todo o processo subseqüente, gerando retrabalho. Podem também ser fonte de atritos entre fornecedores e clientes pela falta de confiança sobre as causas dos retornos. Treinamento de pessoal é questão-chave para a obtenção de bons controles de entrada 9 FONTENELE, Bessa, 1985, p.151 20 • Processos padronizados e mapeados Uma das maiores dificuldades na logística reversa é que ela é tratada como um processo esporádico, contingencial, e não como um processo regular. Ter processos corretamente mapeados e procedimentos formalizados é condição fundamental para se obter controle e conseguir melhorias. • Tempo de ciclo reduzidos Tempo de ciclo se refere ao tempo entre a identificação da necessidade de reciclagem , disposição ou retorno de produtos e seu efetivo processamento. Tempos de ciclo longos adicionam custos desnecessários porque atrasam a geração de caixa (pela venda de sucata, por exemplo) e ocupam espaço, dentre outros aspectos.Fatores que levam a altos tempos de ciclo são controles de entrada ineficientes, falta de estrutura (equipamentos, pessoas) dedicada ao fluxo reverso e falta de procedimentos claros para tratar as “ exceções” que são, na verdade, bastante freqüentes. • Sistemas de informação A capacidade de rastreamento de retornos, medição dos tempos de ciclo, medição do desempenho de fornecedores (avarias nos produtos, por exemplo) permite obter informação crucial para negociação, melhoria de desempenho e identificação de abusos dos consumidores no retorno de produtos. Construir ou mesmo adquirir esses sistemas de informação é um mesmo desafio. Praticamente inexistem no mercado sistemas capazes de lidar com o nível de variações e flexibilidade exigida pelo processo de logística reversa. • Rede logística planejada - Da mesma forma que no processo logístico direto, a implementação de processo logístico reversos requer a definição de uma infra-estrutura logística adequada para lidar com os fluxos de entrada de materiais usados e fluxos de saída de materiais processados. Instalações de processamento e armazenagem e 21 • sistemas de transporte devem ser desenvolvidos para ligar de forma eficiente os pontos de consumo onde os materiais usados devem ser coletados até as instalações onde serão utilizados no futuro. • Relações colaborativas entre clientes e fornecedores - No contexto dos fluxos reversos que existem entre varejistas e indústria, onde ocorrem devoluções causadas por produtos danificados, surgem questões relacionadas ao nível de confiança entre as partes envolvidas. São comuns conflitos relacionados à interpretação de quem é a responsabilidade sobre os danos causados aos produtos. Os varejistas tendem a considerar que os danos são causados por problemas no transporte ou mesmo por defeitos de fabricação. Os fornecedores podem suspeitar que está havendo abuso por parte do varejista ou que isto é conseqüência de um mau planejamento. Em situações extremas, isso pode gerar disfunções como a recusa para aceitar devoluções, o atraso para creditar as devoluções e a adoção de medidas de controle dispendiosas. Fica claro que prática mais avançadas de logística reversa só poderão ser implementadas se as organizações envolvidas desenvolverem relações mais colaborativas. 3.1.1 Informações e planejamento da distribuição física Um dos problemas com que se defronta o gerente da distribuição física é adequações disponíveis à necessidades específicas do processo de tomada de decisão. Se as informações não apresentam a qualidade desejada, ele deverá ainda encontrar um meio de melhorá-las, através de uma coleta metódica e de uma seleção rigorosa, bem como do processamento e da análise dos dados. A utilização de informações de qualidade constitui um meio de reduzir a incerteza, e de obter previsões mais confiáveis, permitindo assim ao administrador uma tomada de decisão mais coerente. Assim, ele estará em condições de : 22 determinar os custos de distribuição física por produto, • por clientes, por região etc.; estabelecer o orçamento de cada um dos subsistemas • (armazenagem, transporte); determinar as necessidades atuais e futuras do órgão • (em termos de construção de novos depósitos). 3.1.2 Medida e controle dos resultados O processo de medida e controle dos resultados da distribuição física exige a disponibilidade de informações pertinentes no banco de dados, indispensáveis à elaboração de padrões e do orçamento da função. O fluxo contínuo de informação constitui também uma condição necessária. A medida e o controle dos resultados das atividades da distribuição física podem ser feitas por : • produto ou grupo de produtos, • cliente ou classes de clientes, • zona e/ou região, • canal de distribuição, • tamanho de pedidos etc. 3.2 EFICIÊNCIA DO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA Dependendo de como o processo de logística reversa é planejado e controlado, este terá uma maior ou menor eficiência. alguns dos fatores 23 identificados como sendo críticos e que contribuem positivamente para o desempenho do sistema de logística reversa são comentados abaixo: 3.2.1 Bons controles de entrada No início do processo de logística reversa é preciso identificar corretamente o estado dos materiais que retornam para que estes possam seguir o fluxo reverso correto ou mesmo impedir que materiais que não devam entrar no fluxo o façam. Por exemplo, identificando produtos que poderão ser revendidos, produtos que poderão ser recondicionados ou que terão que ser totalmente reciclados. Sistemas de logística reversa que não possuem bons controles de entrada dificultam todo o processo subseqüente, gerando retrabalho. Podem também ser fonte de atritos entre fornecedores e clientes pela falta de confiança sobre as causas dos retornos. Treinamento de pessoal é questão chave para obtenção de bons controles de entrada. 3.2.2 Processos padronizados e mapeados Um das maiores dificuldades na logística reversa é que ela é tratada como um processo esporádico, contingencial e não como um processo regular. Ter processos corretamente mapeados e procedimentos formalizados é condição fundamental para se obter controle e conseguir melhorias. 3.2.3 Tempo de Ciclo reduzidos Tempo de ciclo se refere ao tempo entre a identificação da necessidade de reciclagem, disposição ou retorno de produtos e seu efetivo processamento. Tempos de ciclos longos adicionam custos desnecessários porque atrasam a geração de caixa (pela venda de sucata, por exemplo) e ocupam espaço, dentre outras aspectos. 24 Fatores que levam a altos tempos de ciclo são controles de entrada ineficientes, falta de estrutura (equipamentos, pessoas) dedicada ao fluxo reverso e falta de procedimentos claros para tratar as "exceções" que são, na verdade, bastante freqüentes. 3.2.4 Sistemas de informação A capacidade de rastreamento de retornos, medição dos tempos de ciclo, medição do desempenho de fornecedores (avarias nos produtos, por exemplo) permite obter informação crucial para negociação, melhoria de desempenho e identificação de abusos dos consumidores no retorno de produtos. Construir ou mesmo adquirir estes sistemas de informação é um grande desafio. Praticamente inexistem no mercado sistemas capazes de lidar com o nível de variações e flexibilidade exigida pelo processo de logística reversa. 3.2.5 Rede Logística Planejada Da mesma forma que no processo logístico direto, a implementação de processos logísticos reversos requer a definição de uma infraestrutura logística adequada para lidar com os fluxos de entrada de materiais usados e fluxos de saída de materiais processados. Instalações de processamento e armazenagem e sistemas de transporte devem desenvolvidos para ligar de forma eficiente os pontos de consumo onde os materiais usados devem ser coletados até as instalações onde serão utilizados no futuro. Questões de escala de movimentação e até mesmo falta de correto planejamento podem levar com que as mesmas instalações usadas no fluxo direto sejam utilizados no fluxo reverso, o que nem sempre é a melhor opção. Instalações centralizadas dedicadas ao recebimento, separação, armazenagem, processamento, embalagem e expedição de materiais retornados podem ser uma boa solução, desde que haja escala suficiente. 25 3.2.6 Relações colaborativas entre clientes e fornecedores No contexto dos fluxos reversos que existem entre varejistas e indústrias, onde ocorrem devoluções causadas por produtos danificados, surgem questões relacionadas ao nível de confiança entre as partes envolvidas. São comuns conflitos relacionados à interpretação de quem é a responsabilidade sobre os danos causados aos produtos. Os varejistas tendem a considerar que os danos são causados por problemas no transporte ou mesmo por defeitos de fabricação. Os fornecedores podem suspeitar que está havendo abuso por parte do varejista ou que isto é conseqüência de um mal planejamento. Em situações extremas, isto pode gerar disfunções como a recusa para aceitar devoluções, o atraso para creditar as devoluções e a adoção de medidas de controle dispendiosas. Fica claro que práticas mais avançadas de logística reversa só poderão ser implementadas se as organizações desenvolverem relações mais colaborativas. envolvidas na logística reversa CAPÍTULO IV – FUNÇÕES DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES Um sistema de informações compreende fundamentalmente três funções 10 uma função de transferencia das informações (input, • output), • uma função de estocagem dos dados, • uma função de transformações dos dados. A figura abaixo representa as relações que se estabelecem entre estas três funções. Atividades internas Transferência de Dados _______ INPUT 10 1. ESTOCAGEM DE DADOS • Registro, classificação • Fichários (produto, cliente, região, zona) 2. TRANSFORMAÇÃO DOS DADOS. • Processamento dos Dados. • Análise dos dados (com o auxílio de técnicas matemáticas e estatística) Transferência de dados _______ OUTPUT BALLOU,R.H. Businees Logistics management, prenti ce-Hall, Englewood Cliffs- 1985 27 4.1 Função de Transferência Esta função está presente no input e no output do sistema. Na prática, a função de transferência no apresenta como segue: INPUT : Pedido do cliente (informações necessárias) • • • • • • • • tipo de pedido n.º do pedido (documento) destinatário itens + número peso quantidade prazo de entrega modificações/complementos. OUTPUT: Informações para o cliente documento de entrega da • encomenda entrega da encomenda • (embalagem + transporte) faturamento • 28 CAPÍTULO V - LOGÍSTICA APLICADA SUPRIMENTO E DISTRIBUIÇÃO FÍSICA Aspectos como diversificação dos produtos, o uso cada vez mais intenso da informática, o esforço crescente de exportação de produtos manufatura dos aliados a uma maior preocupação com os custos na empresa a necessidade de garantir prazos de distribuição, oferecendo, assim, um melhor nível de serviço de forma geral, tudo vem favorecer o desenvolvimento das modernas técnicas de logística em nosso país. Logística Aplicada vem preencher um vazio na literatura pertinente. É o resultado brilhante da união de dois competentes profissionais da área cuja finalidade básica e apresentar conceitos técnicos e soluções na área de logística, afim de atender as necessidades de solução dos problemas logísticos e a formação de técnicos que militam no setor de suprimentos distribuição e transportes. CAPÍTULO VI - LOGÍSTICA REVERSA : ASPECTOS IMPORTANTES PARA A ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS Decidiu-se abordar este tema para propiciar ao leitor ou pesquisador o conceito de sistema Logístico Reverso e de fazer um levantamento dos elementos que o compõem, e dos conceitos e técnicas de análise que possam ser úteis no projeto e administração do mesmo. A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa prioridade. Isso se reflete no pequeno número de empresas que têm gerências dedicadas ao assunto. Pode-se dizer que estamos em um estado inicial no que diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa. Essa realidade está mudando em resposta às pressões externas, como um maior rigor de legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de oferecer mais serviços por meio de políticas de devolução mais liberais Essa tendência deverá gerar um aumento do fluxo de carga reverso e, é claro, de seu custo. Por conseguinte, serão necessários esforços para aumento de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar os sistemas de logística reversa. Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento do fluxo logístico direto, tais como estudos de localização de instalações e aplicações de sistemas de apoio à decisão (roteirização, programação de entregas, etc.).Isto requer vencer desafios adicionais, vista ainda a necessidade básica de desenvolvimento de procedimentos padronizados para a atividade de logística reversa. Principalmente quando nos referimos à relação indústria varejo, notamos que este é um sistema caracterizado predominantemente pelas exceções, mais que pela regra. Um dos sintomas dessa situação é praticamente a inexistência de sistemas de informação voltados para o processo de logística reversa. Sendo assim, este trabalho tem por intuito fornecer alguns conceitos e noções dessa área, que hoje está em ascensão e procurou-se desenvolvê-lo em linguagem clara e acessível, até mesmo para aqueles estudantes, pesquisadores 30 e até profissionais de outras áreas, que não possuam experiência neste tema e queiram fazê-lo. 6.1 LOGÍSTICA EMPRESARIAL E INDUSTRIAL 6.1.1. Conceito de Logística Empresarial Logística Empresarial Autor Ronald H. Ballou, Prof. Da Case Western Reserve University (EUA) procura dar ao profissional ou ao estudante uma visão geral sobre a administração do fluxo de bens e serviços em organizações orientadas ou não para o lucro, introduzindo a essência da logística empresarial, definindo sua missão e fazendo uma descrição de sua historia.11 A definição de logística para o autor neste texto: Trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos (o termo produto utilizado inclui tanto bens como serviços) desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviços adequados aos clientes a um custo razoável. A ênfase serve como guias para a tomada de decisões levando ao leitor ao discernimento, compreensão e desenvolvimento de habilidades, enfocando distribuição física, administração de materiais, nível de serviço, administração de trafego, manuseio e acondicionamento do produto e controles de estoques, entre outros. Os assuntos abordados pelo autor : § A distribuição física e a administração de materiais introduzidos como as principais áreas da logística empresarial. 11 BALLOU, Ronald H.; Business Logistics Management, Quarta edição.; Prentic Hall; 1998. 31 § Fatores externos que tomam forma ao nível de serviços oferecidos aos clientes e no produto. § Compreensão básica de cada atividade e de sua operação. § Princípios úteis para o projeto de sistemas logísticos eficientes em sua operação e seu controle. § É qual a importância da logística no futuro. O Sr. James L. Heskett, reitor adjunto do programa de mestrado em Administração de Empresas e professor de Marketing e Logística Empresarial na Harvard Business Scholl, diz que: “logística pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso nos negócios, ele explora as razões por trás do ressurgimento do interesse por este método de desenvolver vantagens competitivas, os elementos comuns de estratégica bem sucedidas orientadas para a logística, as perguntas a serem feitas na revisão quanto até que ponto sua administração aproveitou as oportunidades de tornar a logística a parte integrante de sua estratégia, e as maneiras de transformar a logística em formulação estratégica.” 12 6.2 LOGÍSTICA EMPRESARIAL A PERSPECTIVA BRASILEIRA Retrata a evolução da logística empresarial no Brasil. O conceito de logística empresarial é bastante recente no Brasil. O processo de difusão teve início, de forma ainda tímida, nos anos da década de 90, com o processo de abertura comercial, mas se acelerou a partir de 1994, com a estabilização econômica propiciada pelo plano Real. O ambiente altamente inflacionário que caracterizou o país por cerca de duas décadas, combinado com uma economia fechada e com baixo nível de competição, levou as empresas a negligenciarem o processo logístico dentro das cadeias de suprimento, gerando um atraso de pelo menos 10 anos em relação às 12 Sr. James L. Heskett, reitor adjunto do programa de mestrado em Administração de Empresas e professor de Marketing e Logística Empresarial na Harvard Business Scholl 32 melhores práticas internacionais. Não havendo demanda por conhecimentos no setor produtivo, era natural que não surgissem ofertas de ensino, pesquisa e consultoria em logística empresarial no país. O Centro de Estudo em Logística (CEL), do Instituto Coppead de Administração é uma exceção a este padrão. Sua origem remonta ao início da década de 90, e está relacionada à iniciativa pioneira da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, que em 1991 tomou a iniciativa de propor ao Copped a criação da Cátedra Ipiranga de Estratégia de Operações, dedicada ao ensino, estudo e pesquisa na área de logística empresarial. A Cátedra Ipiranga gerou o núcleo inicial que deu origem ao CEL.13 Os autores do Centro de Estudos em Logística CEL apresentam e discutem os principais componentes do sistema logístico, ou seja, serviços ao cliente, transporte, estoque, armazenagem e informações. Uma série de ferramentas importantes para o planejamento e controle de estoques, custos, simulação e sistema de informações geográficas. 6.2.1 Conceito de Logística Industrial 6.2.1.1 Logística Industrial Segundo o autor John F. Magee, Vice-Presidente Sênior, Arthur D. Little, Inc. O conceito de sistema logístico e a tecnologia da logística tiveram um processo considerável desde a Segunda Guerra Mundial. O conceito de sistema logístico tornou-se amplamente aceito e a administração, tanto privada como governamental, começa a reconhecer a necessidade de projetar e administrar o sistema logístico como um todo, ao invés de uma série de funções discretas e independentes. O autor nos mostra como o sistema logístico de uma organização pode ser analisado, aperfeiçoado e administrado mais eficazmente e como os custos da distribuição física podem ser substancialmente reduzidos. 13 CEL – CENTRO DE ESTUDOS EM LOGÍSITICA. Logística Empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 33 6.3 LOGÍSTICA REVERSA UMA VISÃO SOBRE OS CONCEITOS BÁSICOS E AS PRÁTICAS OPERACIONAIS Usualmente, pensando em logística como o gerenciamento do fluxo de materiais desde seu ponto de aquisição até o seu ponto de consumo. No entanto, existe também um fluxo logístico reverso, do ponto de consumo até o ponto de origem, que precisa ser gerenciado. Esse fluxo logístico reverso é comum para uma boa parte das empresas. Por exemplo, fabricantes de bebidas têm de gerenciar todo o retorno de embalagens (garrafas) dos pontos de venda até seus centros de distribuição. As siderúrgicas usam como insumo de produção, em grande parte, a sucata gerada por seus clientes e, para isso, usam centros coletores de carga. A indústria de latas de alumínio é notável no seu grande aproveitamento de matéria-prima reciclada, tendo desenvolvido meios inovadores na coleta de latas descartadas. Existem ainda outros setores da indústria nos quais o processo de gerenciamento da logística reversa é mais recente, como na indústria de eletrônicos, varejo e automobilística. Esses setores também têm de lidar com o fluxo de retorno de embalagens, de devolução de clientes ou do reaproveitamento de materiais para produção. Este não é nenhum fenômeno novo e exemplos como o do uso de sucata na produção e reciclagem de vidro têm sito praticados há bastante tempo. Por outro lado, tem-se observado que o escopo e a escala das atividades de reciclagem e reaproveitamento de produtos e embalagens têm aumentado consideravelmente nos últimos anos. Algumas das causas para isso são discutidas a seguir. 2000. 34 6.2.1 Questões Ambientais Existe uma clara tendência de a legislação ambiental caminhar no sentido de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo o ciclo de vida de seus produtos. Isso significa ser legalmente responsável pelo seu destino após a entrega dos produtos aos clientes e pelo impacto que estes produzem no meio ambiente. Um segundo aspecto diz respeito ao aumento da consciência ecológica dos consumidores, que esperam que as empresas reduzam os impactos negativos de sua atividade no meio ambiente. Isso tem gerado ações por parte de algumas empresas que visam comunicar ao público uma imagem institucional “ecologicamente correta” . 6.2.2.Concorrência Diferenciação por serviço. Os varejistas acreditam que os clientes valorizam as empresas que possuem políticas mais liberais de retorno de produtos. Essa é uma vantagem percebida na qual os fornecedores ou varejistas assumem os riscos pela existência de produtos danificados. Isso envolve, é claro, uma estrutura para recebimento, classificação e expedição de produtos retornados. Esta é uma tendência que se reforça pela existência de legislação de defesa dos consumidores, garantindo-lhes o direito de devolução ou troca. Redução de Custo As iniciativas relacionadas à logística reversa têm trazido consideráveis retornos para as empresas. Economias com a utilização de embalagens retornáveis ou com o reaproveitamento de materiais para produção têm trazido ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas. 35 Além disso, os reforços em desenvolvimento e melhorias nos processos de logística reversa podem produzir também retornos consideráveis, que justificam os investimentos realizados. 6.4 O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE CICLO DE VIDA Nesta seção serão apresentados conceitos básicos relacionados à logística reversa e discutidos alguns dos fatores críticos que influenciam a eficiência dos processos a ela relacionada. Por trás do conceito logístico reversa está um conceito mais amplo, que é o do “ciclo de vida”. A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não termina com sua entrega ao cliente. Produtos se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e devem retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados. Do ponto de vista financeiro, fica evidente que além dos custos de compra de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso. Do ponto de vista ambiental, esta é uma forma de avaliar qual o impacto de um produto sobre o meio ambiente durante toda a sua vida. Essa abordagem sistêmica é fundamental para planejar a utilização dos recursos logísticos de forma a contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos. Nesse contexto, podemos então definir logística reversa como sendo o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matériasprimas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado. 36 O processo de logística reversa gera matérias reaproveitadas que retornam ao processo tradicional de suprimentos, produção e distribuição. Esse processo é geralmente composto por um conjunto de atividades que uma empresa realiza para coletar, separar, embalar e expedir itens usados, danificados ou obsoletos dos pontos de consumo até os locais de reprocessamento, revenda ou de descarte. Existem variantes com relação ao tipo de reprocessamento que os materiais podem ter, dependendo das condições em que estes entram no sistema de logística reversa. Os materiais podem retornar ao fornecedor quando houver acordos nesse sentido; podem ser revendidos se ainda estiverem em condições adequadas de comercialização; podem ser recondicionados, desde que haja justificativa econômica; podem ser reciclados se não houver possibilidade de recuperação. Todas essas alternativas geram materiais reaproveitados, que entram de novo no sistema logístico direto. Em último caso, o destino pode ser o seu descarte final . 6.4.1 Caracterização Da Logística Reversa A natureza do processo de logística reversa, ou seja, quais as atividades que serão realizadas, depende do tipo de material e do motivo pelo qual estes entram no sistema. Os materiais podem ser divididos em dois grandes grupos: produtos e embalagens. No caso de produtos, os fluxos de logística reversa se darão pela necessidade de reparo, reciclagem, ou porque, simplesmente, os clientes os retornam. Note que as taxas de retorno são bastante variáveis por indústria e que, em algumas delas, como na venda por catálogos, o gerenciamento eficiente do fluxo reverso é fundamental para o negócio. 37 Fluxo reverso de produtos também pode ser usado para manter os estoques reduzidos, diminuindo o risco com a manutenção de itens de baixo giro. Esta é uma prática comum na indústria fonográfica. Como essa indústria trabalha com grande número de itens e de lançamentos, o risco dos varejistas ao adquirir estoque se torna muito alto. Para incentivar a compra de todo o mix de produtos, algumas empresas aceitam a devolução de itens que não tiverem bom comportamento de venda. Embora esse custo da devolução seja significativo, acredita-se que as perdas de vendas seriam bem maior caso não se adotasse essa prática. No caso de embalagens, os fluxos de logística reversa acontecem basicamente em função da sua reutilização ou devido a restrições legais, como na Alemanha, por exemplo, que impede seu descarte no meio ambiente. Como as restrições ambientais no Brasil com relação a embalagens de transporte não são tão rígidas, a decisão sobre a utilização de embalagens retornáveis ou reutilizáveis se restringe aos fatores econômicos. Existe uma grande variedade de contêineres e embalagens retornáveis, mas que têm um custo de aquisição consideravelmente maior que as embalagens oneway. Entretanto, quanto maior o número de vezes que se usa a embalagem retornável, menor o custo por viagem, que tende a ficar menor que o custo da embalagem oneway. 6.5 LOGÍSTICA REVERSA : NOVA ÁREA DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL. Introdução, conceitos, definições e áreas de atuação A logística reversa tem sido citada com freqüência e de forma crescente em livros modernos de logística empresarial, em artigos internacionais e nacionais, demonstrando sua aplicabilidade e interesse em diversos setores empresariais e apresentando novas oportunidades de negócios no Supply Chain reverso, criado por esta nova área de logística empresarial. No Brasil , mais recentemente, seu interesse empresarial te sido demonstrado por inúmeras palestras, seminários , 38 associações, empresas e universidades e o interesse acadêmico pela sua inclusão como disciplina curricular em cursos de especialização em logística empresarial. Em C.L.M. (1993:323): “Logística reversa é um amplo termo relacionado ás habilidades e atividades envolvidas no gerenciamento de redução, movimentação e disposição de resíduos de produtos e embalagens....” Em Stock (1998:20) encontra-se a definição: “Logística reversa: em uma perspectiva de logística de negócios, o termo refere-se ao papel da logística no retorno de produtos , redução na fonte, reciclagem, substituição de materiais, reuso de materiais, disposição de resíduos, reforma, reparação e remanufatura....”14 Em Rogers e Tibben-Lembke (1992:2) a logística reversa é definida como : “Processo de planejamento, implementação e controle da eficiência, do custo efetivo do fluxo de matérias – primas, estoques de processo, produtos acabados e as respectivas informações, desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o propósito de recapturar valor ou adequar o seu destino”. A definição de logística apresentada pelos autores Dornier et al (2000:39) abrange áreas de atuação novas incluindo o gerenciamento dos fluxos reversos : “Logística é a gestão de fluxos entre funções de negócio. A definição atual de logística engloba maior amplitude de fluxos que no passado. Tradicionalmente, as companhias incluíam a simples entrada de matérias-primas ou o fluxo de saída de produtos acabados em sua definição de logística. Hoje, no entanto, essa definição expandiu-se e inclui todas as formas de movimentos de produtos e informações....”.15 14 STOCK, James R. Development and implementation of reverse logistics programs, Oak Brook, IL: Council of Logistics Management, 1998.P 15 DORNIER, Philippe-Pierre; ERNST, Ricardo; FENDER, Michel; KOUVELIS, Panos. Logística e operações globais. São Paulo: Atlas, 2000 39 Bowersox e Closs (2000:51,52) apresentam, por sua vez , a idéia de “Apoio ao Ciclo de Vida” como um dos objetivos operacionais da logística moderna, referindo-se ao prolongamento da logística além do fluxo direto dos materiais e a necessidade de considerar os fluxos reversos de produtos em geral.16 As diversas definições e citações de logística reversa até então revelam que o conceito ainda está em evolução face às novas possibilidades de negócios relacionados ao crescente interesse empresarial e de pesquisas nesta área na última década. Entendemos a logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo de as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valores de diversas naturezas : econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa , entre outras. Sendo a literatura ainda escassa e dispersa nesta área, o foco principal desta série de artigos é o de apresentar uma sistematização e estruturação dos principais conceitos, resumindo não só a literatura existente como os exemplos, casos e aplicações da logística reversa em empresas internacionais e nacionais, fruto de um intenso trabalho de pesquisa que temos realizado nos últimos anos. Denominaremos de logística reversa de pós-venda a específica área de atuação que se ocupa do equacionamento e operacionalização do fluxo físico e das informações logísticas correspondentes de bens de pós-venda, sem uso ou com pouco uso, que por diferentes motivos retornam aos diferentes elos da cadeia de distribuição direta, que se constituem de uma parte dos canais reversos pelo qual fluem estes produtos. Seu objetivo estratégico é o de agregar valor a um produto logístico que é devolvido por razões comerciais, erros no processamento dos pedidos, garantia dada pelo fabricante, defeitos ou falhas de funcionamento no produto, avarias no transporte, entre outros motivos. Este fluxo de retorno se 16 BOWERSOX , Donald J.; CLOSS, David J. Logística empresarial. São Paulo: Atlas, 2001. 40 estabelecerá entre os diversos elos da cadeia de distribuição direta, dependendo do objetivo estratégico ou motivo de seu retorno. Denominaremos de logística reversa de pós-consumo a área de atuação da logística reversa que igualmente equaciona e operacionaliza o fluxo físico e as informações correspondentes de bens de pós-consumo descartados pela sociedade, que retornam ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo pelos canais de distribuição reversos específicos. Constituem –se bens de pós-consumo os produtos em fim de vida útil ou usado com possibilidade de utilização e resíduos industriais em geral. Seu objetivo estratégico é o de agregar valor a um produto logístico constituído por bens inservíveis ao proprietário original, ou que ainda possuam condições de utilização, por produtos descartados por terem atingido o fim de vida útil e por resíduos industriais. Estes produtos de pós-consumo poderão se originar de bens duráveis ou descartáveis e fluírem por canais reversos de reuso, desmanche e reciclagem até a destinação final. A logística reversa de pós-venda deve, portanto, planejar, operar e controlar o fluxo de retorno dos produtos de pós-venda por motivos agrupados nas classificações: “Garantia / Qualidade” , “Comerciais” e de “Substituição de Componentes. Classificam-se como devoluções por “Garantia / Qualidade”, aquelas nas quais os produtos apresentam defeitos de fabricação ou de funcionamento (verdadeiros ou não), avarias no produto ou na embalagem, etc. Esses produtos poderão ser submetidos a consertos ou reformas que os permitam retornar ao mercado primário, ou a mercados diferenciados que denominamos secundários, agregando-lhes valor comercial novamente. Na classificação “Comerciais”, são destacadas a categoria de “Estoques”, caracterizada pelo retorno devido a erros de expedição, excesso de estoques no 41 canal de distribuição, mercadorias em consignação, liquidação de estação de vendas , pontas de estoques, etc., que serão retornados ao ciclo de negócios pela redistribuição em outros canais de vendas. Devido ao término de validade de produtos ou a problemas observados após a venda, o denominado recall, os produtos serão devolvidos por motivo legais ou por diferenciação de serviço ao cliente e se constituirão na classificação “ Validade” em nosso esquema. A classificação “Substituição de Componentes” decorre da substituição de componentes de bens duráveis e semiduráveis em manutenções e consertos ao longo de sua vida útil e que são remanufaturados, quando tecnicamente possível, e retornam ao mercado primário ou secundário, ou são enviados à reciclagem ou para um destino final, na impossibilidade de reaproveitamento. A logística reversa de pós-consumo deverá planeja, operar e controlar o fluxo de retorno dos produtos de pós-consumo ou de seus materiais constituintes, classificados em função de seu estado de vida e origem: “Em condições de uso”, “Fim de vida útil”, e “Resíduos industriais”. A classificação “Em condições de uso” refere-se às atividades em que o bem durável e semidurável apresenta interesse de reutilização, sendo sua vida útil estendida adentrando no canal reverso de “Reuso” em mercado de segunda mão até atingir o “fim de vida útil”. Nas atividades da classificação “Fim de vida útil”, a logística reversa poderá atuar em duas áreas não destacadas no esquema : dos bens duráveis ou descartáveis. Na área de atuação de duráveis ou semiduráveis, estes entrarão no canal reverso de Desmontagem e Reciclagem Industrial; sendo desmontados na etapa de “desmanche”, seus componentes poderão ser aproveitados ou remanufaturados, retornando ao mercado secundário ou à própria industria que o reutilizará, sendo uma parcela destinada ao canal reverso de “Reciclagem”. 42 No caso de bens de pós-consumo descartáveis, havendo condições logísticas, tecnológicas e econômicas, os produtos são retornados por meio do canal reverso de “Reciclagem Industrial”, onde os materiais constituintes são reaproveitados e se constituirão em matérias-primas secundárias, que retornam ao ciclo produtivo pelo mercado correspondente, ou no caso de não haver as condições acima mencionadas, serão destinadas ao “Destino Final”, os aterros sanitários, lixões e incineração com recuperação energética. 6.6 O CICLO DE VIDA ÚTIL DOS PRODUTOS E A LOGÍSTICA REVERSA Seria infindável a lista de autores analisando o acelerado ritmo de redução do ciclo de vida dos produtos nas últimas décadas, como forma e busca de diferenciação mercadológica, motivada por evoluções técnicas de performance em processo ou na aplicação, motivada pela redução de custos em geral e em particular os logísticos, além de outras razões. Em 1970, foram lançados1.365 novos produtos nos Estados Unidos; em 1986, este número foi de 8.042; em 1991, o número cresceu para 13.244 e, em 1994, alcançou a marca de 20.074 novos produtos lançados, de acordo com dados de New Products News. Exemplo clássico de bens como ciclo de vida rapidamente decrescentes são o dos computadores e seus periféricos, que se revelam expressivos na visão da logística reversa quando observamos alguns dados o Instituto Gartner Group estimando em 680 milhões as vendas de computadores no ano de 2005 e de 150 milhões o número deles que serão descartados somente nos Estados Unidos. O nível de obsolescência atual naquele país é de 2:3, ou seja, a cada três computadores produzidos dois tornam-se obsoletos, com tendência de que esta razão se torne 1:1 nos próximos anos. Em 1960, a produção mundial de plásticos era de 6 milhões de toneladas por ano e, em 1994, passou a 110 milhões de toneladas. No Brasil, a produção de 43 plásticos teve um aumento de cerca de 50% entre os anos de 1993 e 1998, valores altos quando comparados com o crescimento dos metais comuns. Ainda o Brasil, o consumo de garrafas descartáveis de PET (denominação da resina constituinte Polietileno Tereflalato) usadas como embalagem de refrigerantes e outras bebidas, iniciou-se em 1989 e alcançou níveis de produção de 6 milhões de garrafas por ano em 1998, o que corresponde a mais de 70% da embalagem do setor de refrigerantes. Este expressivo crescimento é devido principalmente à sua transparência e duas vantagens logísticas na distribuição direta, substituindo a embalagem de vidro retornável. Um dos indicadores do crescimento desta “descartabilidade” é o aumento do lixo urbano em diversas partes do mundo, conforme comprovam os dados da Prefeitura Municipal de São Paulo, através do Limpurb (departamento de limpeza pública urbana da cidade de São Paulo): o lixo urbano cresceu de 4.450 t/dia em 1985 para 16.000 t/dia em 2000, na cidade de São Paulo, decrescendo as quantidades de lixo orgânico e aumentando a de produtos descartáveis. A obsolescência e a descartabilidade crescentes dos produtos observadas nesta última década têm-se refletido em alterações das estratégias dentro das próprias organizações e, principalmente, em todos os elos de sua rede operacional. Essas alterações se traduzem por aumento de “velocidade de resposta” desde a concepção do projeto do produto até sua colocação no mercado, pela adoção de sistemas de alta “flexibilidade operacional” que permitam, além da velocidade do fluxo logístico, a capacidade de adaptação constante às exigências do cliente. A ainda adoção de “ responsabilidade ambiental “ em relação aos seus produtos após o consumo, identificado como “EPR” (Extend Product Responsibility), a chamada “Extensão de Responsabilidade ao Produto”. Explica-se, desta forma , a crescente implementação da logística reversa em empresas líderes do mercado em diversos setores, constituindo-se parte integrante de suas estratégias empresariais. 44 6.7 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS DA LOGÍSTICA REVERSA NAS EMPRESAS Vimos anteriormente que a idéia principal da logística reversa é a de agregar valor de alguma natureza às empresas, pelo retorno dos bens ao ciclo de negócios ou produtivo. A natureza de valor agregado, ou recapturado, varia entre os setores empresariais e em seus diversos segmentos de negócios. Em conseqüência, observa-se um espectro de aplicações e de interesses na implementação e de interesses na implementação de retorno de bens de pósvenda e de pós-consumo, bem como diferentes estágios tecnológicos de aplicação da logística reversa entre os diversos setores empresariais, conforme se poderá constatar ao longo destes artigos. Certamente, o objetivo estratégico econômico, ou de agregação de valor monetário, é o mais evidente na implementação da logística reversa nas empresas. Porém, observa-se que mais recentemente dois novos fatores incentivam decisões empresariais em sua adoção : o fator competitividade e o ecológico. A análise a seguir considera exemplos de aplicações da logística reversa, nos quais alguns desses objetivos se destacam de forma mais nítida, embora sempre existam outros ganhos ou valores agregados simultâneos que se traduzem como ganhos empresariais marginais. O objetivo estratégico econômico na logística reversa de pós-venda evidencia-se, por exemplos, na comercialização de saldos ao final de estação ou de promoções de vendas no varejo, que serão comercializados em mercados secundários de ponta de estoques, outlets e lojas de “ tudo por l dólar” . A redistribuição proveniente de excesso de estoques em canais propicia excelentes resultados econômicos quando direcionada à regiões de melhor giro, tanto no mercado nacional como em mercados internacionais, aproveitando a diferença de estações climáticas entre hemisférios. O objetivo estratégico econômico na logística reversa de pós-consumo pode se constituir, por exemplo, na economia realizada pelo aproveitamento de 45 ligas de chumbo de baterias usadas – que são reutilizadas integralmente na fabricação de baterias novas, de ligas de alumínio das latas de bebidas descartadas – igualmente utilizadas na fabricação de latas novas. Esses casos ou setores em que o produto de pós-consumo é aproveitado devido à sua matériaprima constituinte representam normalmente estratégias de viabilidade econômica do setor. O comércio de bens durável usados, como automóveis e máquinas operatrizes e geral, representa importantes atividades econômicas. O exemplo do canal reverso de reuso e remanufatura de copiadoras da Xerox nos Estados Unidos (CLM, 1993:177). A empresa Xerox, como estratégia de comercialização de suas copiadoras, estabeleceu desde 1960 uma rede reversa, utilizando a coleta do tipo Take-Back, desmontagens dos produtos, seleção de destino e reutilização dos mesmos, com ou sem remanufatura, em produtos novos de sua linha, dando as mesmas garantias e repassando as economias de custos aos seus clientes, além da recompra dos equipamentos, garantindo um nível de competitividade elevado no mercado. O projeto do produto foi idealizado de forma a facilitar a desmontagem e componentes de alta intercambialidade, garantindo flexibilidade em sua reutilização. O esquema da empresa nos Estados Unidos, constituída por 50 centros de distribuição reversos operados por empresas terceirizadas, dois centros nacionais de distribuição reversa e diversas plantas e remanufatura ao longo do país. O:PNa venda de uma nova máquina, a data de entrega e de desinstalação são planejadas executadas pelas empresas terceirizadas nos diversos centros de distribuição, conciliando as operações. Estas empresas se encarregam da desinstalação de produtos usados, da seleção e do destino a ser dado aos produtos e componentes. Em alguns casos, os equipamentos serão submetidos a reparos nos centros de distribuição regionais e destinado à locação de equipamentos usados, enquanto em outros casos o equipamento é enviado para 46 um dos centros nacionais de distribuição reversa, onde será realizada nova seleção e destino. Nos casos de modelos de grande venda nos Estados Unidos, a decisão poderá ser a de transporta-los a uma planta de remanufatura , onde será executada a desmontagem completa com reaproveitamento dos componentes em condições de uso em novos equipamentos. Aqueles considerados em condição de uso em novos equipamentos. Aqueles considerados sem condição de uso vendidos como sucata para a reciclagem dos materiais constituintes. Caso Xerox é um dos exemplos de empresas em que a logística reversa e os cuidados na montagem da rede reversa em nível internacional fazem parte da estratégia empresarial, com excelentes resultados. A revalorização logística dos equipamentos usados garantida pela rede reversa até as consolidações em centros de distribuição reversos especializados leva à revalorização econômica e tecnológica pelo reuso de seus equipamentos e componentes, e à revalorização ecológica, reduzindo o impacto ao meio ambiente obtendo um resultado positivo em sua imagem corporativa junto aos clientes e à comunidade em geral. As empresas Dupont e Welman, nos Estados Unidos, adotaram a logística reversa como estratégia em suas empresas, montando redes reversas que permitem a recuperação de valor de filmes e outros produtos de poliéster descartados, como matéria-prima secundária na fabricação de novos produtos, como fibras de poliéster para tapetes, acolchoados, confecções esportivas, agasalhos, etc. O objetivo ecológico ou de imagem corporativa na logística reversa constituem-se de ações empresariais que visam contribuir com a comunidade pelo incentivo à reciclagem de materiais, à alterações de projeto para reduzir impactos ao meio ambiente, entre outros. A substituição da embalagem de poliuretano pelo papel no grupo McDonald´s visando a redução do impacto e melhoria em reciclagem e o projeto do automóvel Volvo reciclável, no qual as condições de desmontagem foram facilitadas, são exemplos de objetivos desta natureza. 47 O objetivo de competitividade por diferenciação de nível de serviço ao cliente evidencia-se pelos exemplos da empresa farmacêutica Bristol-Meyrs Squibb, que estabeleceu a logística reversa como prioridade estratégica visando equacionar o retorno de medicamentos que perdem validade no mercado, oferecendo um nível de serviço diferenciado a seus clientes. A empresa de cosméticos americana Estée-Lauder, além de oferecer um serviço diferenciado a seus clientes ao implantar tecnologia de informação em sua logística reversa, obteve enormes economias pela redução de perdas e pela possibilidade de redistribuição de produtos. As conhecidas empresas varejistas Wall Mart, Kmart e Sears possuem diversos centros de distribuição reversos nos Estados Unidos , e contratam terceiros para operá-los de forma a dar suporte ao crescimento de devolução de produtos, função de políticas de liberalização de devolução espontânea de mercadorias. O objetivo de satisfação de legislação na logística reversa é caracterizada por situações em que existem impedimentos de destinação final de um produto. A legislação obriga ao fabricante a coleta e destino dos produtos de pós-consumo, obrigando os diversos elos da cadeia a aceitar devoluções de embalagens de seus clientes e a responsabilizar pelo retorno de produtos perigosos. Empresas de óleo lubrificante, lâmpadas fluorescentes, bateria de celulares, entre outros produtos, no Brasil são responsáveis pela logística reversa de retorno de seus produtos de pós-consumo de acordo com legislação expressa. 6.8 IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA LOGÍSTICA REVERSA Pos dados econômicos sobre logística reversa aqui apresentados, baseiam-se em estimativas projetadas por algumas pesquisas realizadas nos Estados Unidos, e em pesquisas em logística reversa de pós-consumo em alguns setores no Brasil . Como os dados são setoriais e o interesse é recente, 48 acreditamos que as estimativas atuais sejam ainda conservadoras. No entanto, pode-se inferir o potencial de ganho e as oportunidades de desenvolvimento nesta nova área. Nos Estados Unidos, pesquisas estimam em cerca de US$ 35 bilhões os custos de retorno de bens em 1997, ou, cerca de 0,5% do PNB do país, ou 4% dos custos logísticos totais (US$ 862 bilhões em 1997). Somente o mercado de peças de automóveis remanufaturadas naquele país foi de US$ 36 bilhões em 1997, de acordo com a Automobile Parts Rebuilders Association, com a atuação de 12 mil empresas de desmontagem de automóveis e de remanufatura de peças em atividade atualmente o país. Pesquisa em setores compreendendo computadores, equipamentos de rede, equipamentos de automação, embalagens retornáveis e eletrodomésticos da “linha branca”, ainda nos Estados Unidos , estimou que o custo total da logística reversa foi de US$4,7 bilhões em 1996, com uma previsão de atingir US$ 7,7 bilhões no ano 2000. O instituto de pesquisa em informática Gartner Group prevê um valor de US$11 bilhões de retorno de bens no segmento do e-commerce nos Estados Unidos, um dos setores de maior potencial para a logística reversa. Acrescentando a estes dados do segmento de pós-venda outros exemplos na área da logística reversa de pós-consumo, tal como a indústria de ferro/aço que consome mais de 30% de matérias-primas secundárias, a industria do alumínio (cerca de 20%), a do plástico (cerca de 20%), pode-se avaliar a importância para estes setores do fluxo de matérias-primas secundárias garantidas pela logística reversa na mesma proporção com que compõem o produto de venda destes setores. Ou seja, que o valor econômico movimentado pela logística reversa na cadeia do ferro/aço, por exemplo, é de mais de 30% do valor de venda do produto do setor (no Brasil, mais de US$ 2 bilhões / ano). 49 Sendo áreas de longa tradição, muitas vezes os valores econômicos envolvidos na atividade são considerados parte integrante do negócio do setor. 6.9 O USO DA “LOGÍSTICA REVERSA” SOB A ÉTICA DAS EMPRESAS. 6.9.1 Tomra Latasa: A Logística da Reciclagem No inicio do segundo semestre de 2001, com o objetivo de ampliar a coleta de latas de alumínio e entrar no segmento de garrafas plásticas PET, a Tomra Latasa Reciclagem colocou em operação, na cidade do Rio de Janeiro, um projeto-piloto de logística reversa pioneiro. Batizado Replaneta, o projeto consiste numa rede de coleta formada por oito postos, instalados no estacionamento das lojas dos supermercados Extras, equipados com duas máquinas Reverse Vending Machines (RVM), desenvolvidas pela Tomra, as primeiras em operação no Brasil. A Tomra Latasa Reciclagem foi criada em março de 2001, quando a norueguesa Tomra Systems ASA, líder mundial em soluções para reciclagem, comprou a brasileira Latasa, maior fabricante de latas de alumínio do país. Há mais de uma década, a Latasa foi pioneira no Brasil na criação de um Programa Permanente de Reciclagem . De lá para cá, desenvolveu uma série de projetos e promoções para estimular a formação de uma industria recicladora, tais como o Projeto Escola, por meio do qual as instituições de ensino trocam latas de alumínio por equipamentos didáticos e paradidáticos ; Projeto Praia Limpa; Sede de Saber; Vá Catar Lata; entre outros. Todos esses programas de incentivo à reciclagem contribuíram para a disseminação do reaproveitamento de materiais, sobretudo da lata de alumínio, que hoje coloca o país na liderança mundial de reciclagem desse material – em 2001 foi de 85% em relação à produção. Com o ingresso da Tomra Systems ASA no negócio, no ano passado, nasceu a Tomra Latasa Reciclagem , que começa a voltar-se também para a reciclagem das garrafas PET. O objetivo da empresa, agora é, aumentar a coleta dessas embalagens , cuja reciclagem , atualmente no Brasil é de 24%. 50 A Tomra, com sede na Noruega, está presente em 36 países e é responsável pelo funcionamento de 45 mil máquinas do tipo Reserse Vending Machines espalhadas pelo mundo. Os postos – localizados na Tijuca, Barra da Tijuca, Boulevard, Niterói, Ilha do Governador, Alcântara, Nova Iguaçu e Maracanã – está equipado com duas RVMS. Nestas máquinas, com capacidade para receber uma embalagem por segundo, o próprio consumidor introduz a embalagem, que tanto pode ser a lata de alumínio quanto a garrafa PET. Em seguida, o equipamento emite automaticamente um cupom que indica a quantidade de embalagens inseridas e o valor em dinheiro daquela operação de coleta. “Pagam R$ 0,01 por garrafa PET e R$ 0,02 por lata de alumínio ” , os cupons emitidos são utilizado na compra de qualquer produto dentro do supermercado. No momento em que a embalagem é colocada na máquina, um leitor ótico faz a identificação do tipo de material, separando o alumínio e o plástico. “No caso do PET, há ainda uma segunda operação de triagem que utiliza a cor como parâmetro. Ou seja, separa as garrafas pelas cores verde, âmbar e cristal, para facilitar o acondicionamento das embalagens na área de armazenamento”. Cada posto de coleta do Replaneta, que funciona 24 horas ininterruptamente, ocupa um área de 45 m² (o equivalente a quatro vagas de estacionamento), onde ficam as duas máquinas e uma balança para pesagem do material coletado. Outros 30 m² são destinados à área de armazenagem, que abriga dois contêineres fixos de 20 pés, um para as latas e outro para o PET. Segundo Gerude Filho, coordenador da área de Logística da Tomra Latasa, a escolha da capital fluminense como base para o lançamento do projetopiloto foi conseqüência natural de um trabalho que a Tomra Latasa já vinha desenvolvendo na região. 51 “Instalamos no Rio de Janeiro porque foi lá que começamos o projeto de troca de latas e PET por cupons. Alguns dos pontos em que o projeto está em operação atualmente já comportavam postos de troca manual, formados por contêiner e um atendente que pesava o material. Portanto, havia uma fidelização dos clientes, e avaliamos que – implementando um avanço tecnológico naqueles locais – corríamos menos riscos de não-aceitação do Replaneta por parte da população, uma vez que já havia sido criado o hábito de descartar as embalagens” Acrescentando que o projeto começou a ser implantado nesses pontos, avançando em seguida para outras regiões da cidade. Segundo Gerude Filho, a automação do processo apresentou um salto qualitativo na logística da empresa: “ Primeiro , porque o Replaneta viabilizou a coleta do PET, o que antes não fazíamos. Segundo, pelo fato de a máquina fazer a separação das latas de alumínio e do PET, e desde por cor, ganhamos muita na hora de acondicionar esse material. Os fardos saem dos pontos de coleta enfardados por cor, eliminando assim esta operação no nosso Centro de Coleta” , diz o coordenador, acrescentando que a separação por cor traz, ainda, ganhos na venda do produto. “Existe diferença de preço se o PET estiver misturado. Por exemplo , se eu vender o PET verde justamente com o cristal tenho um preço, se ele estiver separado por cor, há outro”, destaca, acrescentando que o parceiro da empresa no projeto , o Extra, também está colhendo benefícios. “Percebemos que o projeto gerou uma grande impacto junto à população em relação à imagem do supermercado. Outra coisa que notamos é que o cupom de troca, emitido na coleta, aumenta o ticket padrão de compras em torno de 20% a 30%. O cliente vai à loja com um cupom do Replaneta de R$ 1,00, mas consome sempre de R$ 1,20 A R$ 1,30”. Ainda sobre os resultados, o coordenador destaca a ampliação efetiva na coleta de material. “ O volume aumentou substancialmente, atingindo em torno de 35% a mais em relação aos postos de troca antigos”, diz Gerude Filho, lembrando a sazonalidade típica da indústria de reciclagem. “ No verão , em função do aumento no consumo de bebidas envasadas neste tipo de embalagem, coletamos muito mais que n inverno. Estamos , ainda, sujeitos a alguns eventos que 52 acontecem fora da operação e que causam um impacto direto na quantidade coletada. Por exemplo, em novembro do ano passado, o rompimento de uma tubulação de esgoto da Cedae (Companhia de Águas e Esgotos), do Rio, contaminou a água potável, o que elevou muito o consumo de água mineral, aumentando, conseqüentemente , o volume da coleta em todos os nossos postos. Só para se ter uma idéia, no Replaneta da Tijuca subiu de 63 mil, em outubro , para 107 mil , em novembro”, exemplifica. Se por um lado esses eventos promovem o crescimento do volume de coletado, que é a meta essencial do projeto , por outro acarretam problemas que aumentam a complexidade do processo logístico. Essa é uma das grandes dificuldades da logística reversa, porque não temos a previsibilidade da demanda, não sabemos como o consumidor vai se comportar. A questão é que há uma área limitada para fazer o estoque do material e, de repente, o volume explode, motivado por um evento externo, interferindo nos processos de armazenagem e distribuição, obrigando-nos a realizar alterações imediatas na operação. Por isso, é necessário monitorar diariamente o comportamento da coleta” observa o coordenador. Com o Replanete instalado e operando, foi possível redesenhar alguns pontos do projeto original, promovendo mudanças no sentido de corrigir alguns problemas, dar maior agilidade às operações e reduzir custos. Mudamos , primeiro , o modal de transporte. Na operação manual, precisávamos de caminhões de três tamanhos diferentes. Agora, estamos operando apenas com um veículo, que tem chassi alongado de 10 metros , o que deu maior capacidade de transporte por volume e não peso. Além disso, mudamos a maneira de acondicionar as embalagens, porque percebemos que estávamos tendo um aproveitamento pequeno na área de armazenamento. Então, eliminamos os sacos e passamos a usar big bags para acondicionar os PETs, o que permitiu um aproveitamento de praticamente 100% da área de 53 armazenamento vertical. Com isso, ganhamos tempo no manuseio e consolidação da carga, reduzindo ainda os custos com os sacos, explica Gerude Filho, informando que a Tomra Latasa promoveu, também, um estudo sobre o tempo para carregar o caminhão e do trajeto entre um ponto e outro, melhorando sua eficiência. “Com as mudanças do modal, na maneira de acondicionar as embalagens e melhoria no tempo de manuseio e transporte de carga, atingimos uma redução de 43,73% no número de diárias por mês do caminhão , cujo serviço é terceirizado “, Destaca o coordenador de logística. Segundo ele, com essas mudanças, mesmo numa situação de aumento imprevisto da demanda, a empresa está constantemente preparada para dar uma solução bastante ágil aos problemas ultima hora. “ Para não nos deparamos mais com explosões de volume, passamos a fazer uma coleta pró-ativa. Ou seja, quando a capacidade de armazenamento nos Replanetas atinge algo em torno de 70%, coletamos o material” , diz Gerude Filho, explicando que a coleta pode não esvaziar o estoque do ponto. “A idéia é otimizar o frete, fazendo com que o caminhão recolha o material em pelo menos três Replanetas por dia. Para que esta meta seja atingida, precisamos eliminar a retirada do material por ponto, de tal forma que o estoque dos três Replanetas caiba no caminhão”. O material armazenado nos contêineres dos Replanetas é retirado pela empresa transportadora e segue para o Centro de Coleta da Tomra Latasa, localizado em São Cristóvão. Lá, as latas de alumínio passam por processos de compactação e enfardamento, enquanto os PETs seguem para uma empresa terceirizada, onde é feito seu enfardamento. Desse ponto, dirige-se a um terceiro Replaneta depois de carregar o caminhão repete o roteiro de descarga anterior. Redução de Custos Do centro de coleta do Rio de Janeiro – a empresa conta com sete centros em todo o país, depois de consolidada, a carga formada pelas latas de alumínio segue para a cidade de Pindamonhangaba, no interior de 54 São Paulo, onde está instalada a refusora da Tomra Latasa, que recicla o alumínio em lingotes ou cadinhos. Já as garrafas de PET são encaminhadas para uma industria de reciclagem, parceria da Tomra Latasa, localizada na cidade de São Paulo, onde serão transformadas em flake ou pellet. No caso da lata, e empresa realiza o ciclo completo da reciclagem , da coleta até a transformação em matéria-prima. Já o PET, até o momento, os processos de compactação e enfardamento até a reciclagem para torna-lo novamente matéria-prima são terceirizados. “ Nossa intenção é evoluir para colocar no mesmo espaço do Centro de Coleta, a compactação e enfardamento da lata e do PET, um prazo de aproximadamente seis meses. Dessa forma, vamos eliminar dois ponto no roteiro, que são as duas descargas, num mesmo dia, do PET na empresa terceirizada, e consolidaremos a carga destinada à reciclagem num só local” Explica Gerude Filho, acrescentando que a multinacional também está finalizando um projeto de compactação do material no próprio Replaneta. “A idéia é compactara embalagem, seja PET ou lata, no próprio ponto de coleta o que irá proporcionar uma redução de 60% a 70% no volume estocado” , comenta o coordenador de logística. E acrescenta : “A grande dificuldade é conseguir ter processo eficiente para viabilizar a coleta do PET, porque o valor agregado dele é muito mais baixo do que o da lata. Por isso, precisamos de mais volume e maior eficiência. E a sua compactação no Replaneta é uma das maneiras de obter essa eficiência, uma vez que , ao compactar o material, no lugar de transportar peso, muito mais quantidade e, conseqüentemente, otimizar o frete. Com isso, estimamos uma redução no custo do frete em torno de 60%”. A empresa também não descarta a possibilidade de completar o ciclo de reciclagem do PET, assim como faz hoje com as latas de alumínio. “A idéia é formar uma rede de coleta consistente, que possa viabilizar, no futuro, a montagem de uma planta para reciclar o PET. Porque, ao contrário da logística normal, cuja filosofia é consolidar os centros de distribuição, nós temos de 55 ampliar nossa rede de coleta, ter capilaridade, porque essa é a essência da logística reversa”, Acentua o coordenador de Logística da Tomra Latasa , que já está desenvolvendo estudos de viabilidade para o PET. “Não adianta ter uma planta, com processos bem desenvolvidos, mas sem uma rede consistente de coleta. Hoje, muitas recicladoras coletam o PET em lixões, demandando um grande investimento financeiro só para limpar e descontaminar a embalagem . No caso da Replaneta, como o material sai do consumidor direto para a rede de coleta, a embalagem é muito mais limpa. E esse é um diferencial competitivo”, Afirma Gerude Filho. Quanto à possibilidade de expandir a área de atuação do Replaneta , Gerude Filho declara que a empresa tem intenção de, além de aumentar o número de postos no Rio, levar o projeto para São Paulo ainda este ano. “ Vamos focar principalmente nas grandes capitais”, finaliza. 6.10 ALCAN – A MAIOR RECICLADORA DA AMÉRICA LATINA No Brasil temos a empresa ALCAN - A maior recicladora da América Latina como exemplo. O Brasil atingiu novo recorde nacional de reciclagem de latas de alumínio com um índice de 85% do total de latas disponível no mercado brasileiro. A atuação da Alcan fez do Brasil um dos líderes mundiais em reciclagem, uma vez que a empresa consome 55% do total processado. "A Alcan é a maior consumidora individual de sucatas de latas de alumínio do Brasil", afirma Paulo Lara, diretor de Planejamento e Reciclagem - Alcan Laminados. "Em 2001, foram processadas pela Alcan cerca de 66 mil toneladas de latas de alumínio, sem contar com os retalhos de processos de fabricação dos fabricantes de latas e da própria empresa", informa Paulo. 56 A Alcan foi a primeira empresa do Brasil a reciclar alumínio como um negócio integrado às suas operações e hoje é a maior recicladora da América Latina. A reciclagem é mais um processo que a Alcan utiliza para aproveitar todas as propriedades do alumínio, o único metal não-ferroso infinitamente reciclável. Hoje, a empresa trabalha com um fluxo de retorno permanente que permite uma economia de até 95% em relação à energia utilizada para produzir alumínio primário. O resultado é a diminuição de desperdício e a preservação da Natureza. Esta operação gera economia de energia elétrica e minério: a produção de uma tonelada de alumínio reciclado economiza cinco toneladas de bauxita, responsável pela fabricação do alumínio. O Centro de Reciclagem da Alcan, em Pindamonhangaba - interior de São Paulo, tem capacidade para processamento de 80 mil toneladas/ano. A reciclagem tem papel estratégico na companhia, na medida em que cumpre uma função social, econômica e ecológica. Atualmente, a reciclagem é uma alternativa de renda para cerca de 150 mil pessoas vivem da reciclagem do alumínio no país. O kg da lata de alumínio rende hoje 33 vezes mais que a lata de aço, 39 vezes o valor do vidro colorido e 6 vezes mais que o PET. Na Alcan a preocupação com o Meio Ambiente é um compromisso de extrema importância. No Brasil, a empresa conta com uma equipe que gerencia o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), que visa identificar todos os aspectos e impactos ambientais, definindo projetos e metas claras para sua solução. O SGA foi implementado de acordo com as normas do Comitê de Meio Ambiente da Alcan mundial e a Política Ambiental. Todas as cinco fábricas da Alcan no país - Santo André, Aratu, Mauá, Ouro Preto e Pindamonhangaba - possuem certificação IS014001. 57 Outro exemplo é a empresa Fujitsu , umas das principais empresas japonesas fabricantes de computadores, que criou um sistema de reciclagem de seus produtos. CONCLUSÃO A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa prioridade. Isto se reflete no pequeno número de empresas que tem gerências dedicadas ao assunto. Pode-se dizer que estamos em um estado inicial no que diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa. Esta realidade, como vimos, está mudando em resposta a pressões externas como um maior rigor da legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de oferecer mais serviço através de políticas de devolução mais liberais. Esta tendência deverá gerar um aumento do fluxo de carga reverso e, é claro, de seu custo. Por conseguinte, serão necessários esforços para aumento de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar os sistemas de logística reversa. Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento que no fluxo logístico direto tais como estudos de localização de instalações e aplicações de sistemas de apoio à decisão (roteirização, programação de entregas etc.) Diante da realidade do comércio mundial, onde uma das características básicas é o dinamismo, transformando o novo em ultrapassado num espaço de tempo relativamente curto, somado as crescentes exigências dos consumidores, assim como o acirramento da concorrência, a sobrevivência da empresa baseiase na sua capacidade de atender todas essas exigências sem, no entanto, perder o foco no seu objeto principal, ou seja, na qualidade de seus produtos ou serviços sempre buscando, mais do que a satisfação de seus clientes – é preciso superar as expectativas dos mesmos, colocando-se em posição de destaque no segmento de mercado em que atua. Com a necessidade de encontrar estratégias eficazes muitas empresas acabaram por absorver uma gama de teorias administrativas que foram surgindo na tentativa de instrumentalizar as empresas para enfrentarem o novo contexto mercadológico, ao ponto de provocarem um desgaste tanto de seu pessoal quanto de seus clientes. Muitas vezes as novas teorias fracassaram por falta de conhecimento ou por pouco comprometimento de todos os setores da empresa. Dentre as teorias surgidas, a logística que inicialmente parecia mais um modismo administrativo, com todas as mudanças geradas com os avanços tecnológicos e da quebra das barreiras comerciais foi ganhando importância crescente tornandose atualmente fator decisivo para a empresa manter-se no mercado. No sucesso comprovado de algumas empresas outras tantas tentaram implantar a logística no entanto, na falta ou pouco conhecimento sobre os fatores que implicam no processo logístico, recursos foram desperdiçados e o foco principal da empresa foi descaracterizado. Paralelamente as empresas que obtiveram sucesso com a logística passaram a aperfeiçoa-la chegando a um nível de qualificação e capacitação que alavancaram de forma considerável seus negócios. No caso da logística reversa, verifica-se que diante das ações que visam a preservação do meio ambiente, visando o desenvolvimento sustentável, o planejamento eficiente da mesma tornou-se fundamental não só para as empresas, mas também para a sociedade como um todo Como exemplo da relevância da logística reversa, tem-se que no ano de 2000 o Brasil reciclou mais de 7,4 bilhões de latas de alumínio, que representa 111 mil toneladas. O material é recolhido e armazenado por uma rede de aproximadamente 2 mil sucateiros, responsáveis por 50% do suprimento de sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas. O mercado brasileiro de sucata de latas de alumínio movimenta US$ 129 milhões por ano. As latas corresponderam a 82,3 mil das 182 mil toneladas de sucata de alumínio disponíveis para reciclagem em 1999. Com liga metálica mais pura, essa sucata volta em forma de lâminas à produção de latas ou é repassada para fundição de autopeças. 78% da produção nacional de latas é reciclada. Em 1999, o índice foi de 73%. Os números brasileiros superam países industrializados como Inglaterra e Alemanha (Reciclagem, 2002). Pelo exposto, conclui-se que a qualificação da logística reversa pode vir a contribuir de forma significativa para o incremento da reutilização de materiais recicláveis. Ressalta-se ainda a importância das especificidades de cada setor, como por exemplo do setor de baterias, cuja logística reversa implica em cuidados que minimizem os riscos de contaminação no manuseio das mesmas, bem como no transporte do consumidor para a empresa INDICE Dedicatória Agradecimento Resumo CAPÍTULO I - O PROBLEMA................................................................................ 8 1.1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 9 1.2 SISTEMA LOGÍSTICO E SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA. .............. 11 1.3.SISTEMA LOGÍSTICO ................................................................................ 11 1.4 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA........................................................ 13 1.5 CONCORRÊNCIA - DIFERENCIAÇÃO POR SERVIÇO............................. 13 1.5.1 Redução de Custo................................................................................. 14 CAPÍTULO II - O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE CICLO DE VIDA................................................................................................... 15 2.1 EVOLUÇÃO DOS DESAFIOS E DOS SISTEMAS DE ADMINISTRAÇÃO. 16 2.1.1.A ERA DA PRODUÇÃO EM MASSA................................................................... 16 2.1.2 Aceleração da mudança........................................................................ 16 CAPÍTULO III - FATORES CRÍTICOS QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA ............................................................ 18 3.1.1 Informações e planejamento da distribuição física ................................ 20 3.2 EFICIÊNCIA DO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA......................... 21 3.2.1 Bons controles de entrada..................................................................... 22 3.2.2 Processos padronizados e mapeados................................................... 22 3.2.3 Tempo de Ciclo reduzidos..................................................................... 22 3.2.4 Sistemas de informação ........................................................................ 23 3.2.5 Rede Logística Planejada...................................................................... 23 3.2.6 Relações colaborativas entre clientes e fornecedores .......................... 24 CAPÍTULO IV – FUNÇÕES DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES ........................ 25 4.1 FUNÇÃO DE TRANSFERÊNCIA .......................................................................... 26 CAPÍTULO V - LOGÍSTICA APLICADA SUPRIMENTO E DISTRIBUIÇÃO FÍSICA ................................................................................................................. 28 CAPÍTULO VI - LOGÍSTICA REVERSA : ASPECTOS IMPORTANTES PARA A ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS.................................................................... 29 6.1 LOGÍSTICA EMPRESARIAL E INDUSTRIAL ............................................. 29 6.1.1. Conceito de Logística Empresarial ....................................................... 29 6.2 LOGÍSTICA EMPRESARIAL A PERSPECTIVA BRASILEIRA ................... 30 6.2.1 Conceito de Logística Industrial ............................................................ 31 6.2.1.1 Logística Industrial........................................................................... 31 6.3 LOGÍSTICA REVERSA UMA VISÃO SOBRE OS CONCEITOS BÁSICOS E AS PRÁTICAS OPERACIONAIS ...................................................................... 32 6.2.1 Questões Ambientais ............................................................................ 33 6.2.2.Concorrência Diferenciação por serviço................................................ 33 6.4 O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE CICLO DE VIDA.................................................................................................................. 34 6.4.1 Caracterização Da Logística Reversa ................................................... 35 6.5 LOGÍSTICA REVERSA : NOVA ÁREA DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL. .. 36 6.6 O CICLO DE VIDA ÚTIL DOS PRODUTOS E A LOGÍSTICA REVERSA... 41 6.7 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS DA LOGÍSTICA REVERSA NAS EMPRESAS ...................................................................................................... 43 6.8 IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA LOGÍSTICA REVERSA ........................ 46 6.9 O USO DA “LOGÍSTICA REVERSA” SOB A ÉTICA DAS EMPRESAS...... 48 6.9.1 Tomra Latasa: A Logística da Reciclagem ........................................... 48 6.10 ALCAN – A MAIOR RECICLADORA DA AMÉRICA LATINA .............................................. 54 CONCLUSÃO ...................................................................................................... 57 BIBLIGRAFIA .................................................................... 62 BIBLIOGRAFIA ANSOFF,H. 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