O Poder do Conhecimento para o Desenvolvimento Sócio-Econômico da
Cidade: A Experiência do Porto Digital
AUTOR:
CIDINHA COSTA GOUVEIA
CO-AUTORES:
CAMILA MAINARA GOMES
POLYANA TARGINO
FRANCISCO SABOYA
RESUMO
O conhecimento é um dos principais determinantes da taxa de crescimento socioeconômico
de uma região. Por outro lado, nos tempos atuais, a escassez de capital humano qualificado
apresenta-se como gargalo e restrição ao desenvolvimento e competitividade das empresas no
Brasil e no Mundo. Para lidar com esse problema o Porto Digital criou o Programa de
Qualificação do Porto Digital, com o objetivo de incentivar as empresas do parque a
aumentarem o seu potencial competitivo e de inovação através do aumento da qualificação de
seus colaboradores e das próprias empresas, contribuindo assim, para o crescimento da
indústria de TIC e de Economia Criativa local, bem como para o desenvolvimento socioeconômico da da cidade. Este artigo irá descrever em detalhes o Programa de Qualificação do
Porto Digital, seus resultados, como foi implementado, as dificudades enfrentadas, os
benefícios que tem proporcionado para o ambiente e para a sociedade em geral, como ele tem
contribuído para tornar Recife uma cidade mais inteligente, proporcionando uma melhoria
econômica da região, e, os próximos passos que serão realizados.
Palavras-chave: qualificação de empresas e pessoas, cidades, parque tecnológico
Mestre em Engenharia de Software, UFCG,
Av. Cais do Apolo, 222, Bairro do Recife, Recife – PE – Fone: 3419-8008
[email protected]
Bacharel em Administração, FCAP-UPE,
Av. Cais do Apolo, 222, Bairro do Recife, Recife – PE – Fone: 3419-8013
[email protected]
Bacharel em Administração e Jornalismo, FCAP-UPE / UFPE,
Av. Cais do Apolo, 222, Bairro do Recife, Recife – PE – Fone: 3419-8015
[email protected]
Mestre em Engenharia de Produção, UFPE,
Av. Cais do Apolo, 222, Bairro do Recife, Recife – PE – Fone: 3419-8008
[email protected]
The Power of Knowledge to the Socio-Economic Development of the City: The
Porto Digital Experience
AUTHOR:
CIDINHA COSTA GOUVEIA
CO-AUTHORS:
CAMILA MAINARA GOMES
POLYANA TARGINO
RESUME
Knowledge is a major determinant of the rate of socio-economic growth of a region. On the
other hand, in the present times, the shortage of skilled human capital presents itself as
bottleneck and constraint to the development and competitiveness of companies in Brazil and
worldwide. To deal with this problem the Porto Digital created the Porto Digital Qualification
Program, aiming to encourage companies in the park to increase their competitive potential
and innovation by increasing the qualification of its employees and the companies themselves,
thus contributing to the growth of the ICT industry and Local Creative Economy, as well as
for socio-economic development of the city. This article will describe in detail the Porto
Digital Qualification Program, its results, as it was implemented, the difficulties faced, the
benefits it has provided to the environment and to society in general, as it has contributed to
making a city more Recife intelligent, providing an economic improvement in the region, and
the next steps that will be performed.
Key-words: people and company qualification, cities, technology park
Mestre em Engenharia de Software, UFCG,
Av. Cais do Apolo, 222, Bairro do Recife, Recife – PE – Fone: 3419-8008
[email protected]
Bacharel em Administração, FCAP-UPE,
Av. Cais do Apolo, 222, Bairro do Recife, Recife – PE – Fone: 3419-8013
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Bacharel em Administração e Jornalismo, FCAP-UPE / UFPE,
Av. Cais do Apolo, 222, Bairro do Recife, Recife – PE – Fone: 3419-8015
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Mestre em Engenharia de Produção, UFPE,
Av. Cais do Apolo, 222, Bairro do Recife, Recife – PE – Fone: 3419-8008
[email protected]
1. INTRODUÇÃO
Na atual Era do Conhecimento, o principal ativo de qualquer empreendimento produtivo
encontra-se no seu capital humano. É notável a importância do Capital Humano para a
competitividade de qualquer empresa, em especial para empresas de tecnologia e em
atividades intensivas em conhecimento e criatividade. Norton e Kaplan Erro! Fonte de
referência não encontrada. apontam a necessidade de converter esses ativos intangíveis em
resultado mensuráveis, através do controle e da implementação de planejamento estratégico.
À primeira vista, os recursos humanos de uma empresa podem significar apenas um custo
inevitável ao processo produtivo. No entanto, atualmente experimenta-se um modelo
produtivo intensivo em conhecimento. Nesse contexto, o Capital Humano (e os
conhecimentos que abarca) representam 75% do valor agregado da empresa.
O conhecimento é um dos principais determinantes da taxa de crescimento socioeconômico.
Quanto maior o nível de qualificação profissional, maior é a produtividade, melhor é a
qualidade, e menor é o custo dos produtos e serviços gerados. De acordo com [5], as nações
mais industrializadas têm entre 60 e 80% de sua força de trabalho com qualificação
profissional elevada. Já no Brasil, estima-se que esse percentual seja de pouco mais de 1%.
A escassez de capital humano qualificado apresenta-se como gargalo e restrição ao
desenvolvimento e competitividade das empresas no Brasil e no Mundo. Essa concepção
ganha força e fundamento diante da atual conjuntura do mercado tecnológico, onde o avanço
desenfreado das tecnologias faz com que as universidades não consigam acompanhar o ritmo
de geração de conhecimento necessário para lidar com tais tecnologias. A burocracia existente
para alteração de grade curricular dos cursos superiores no país ainda é muito lenta para a
velocidade requerida com o surgimento de novas tecnologias, o que agrava ainda mais o
problema e faz essencial a criação de soluções à curto, médio e longo prazo para lidar com a
sitação.
De acordo com a ANPROTEC 0, os parques tecnológicos atuam como promotores da cultura
da inovação, da competitividade e da capacitação empresarial, fundamentados na
transferência de conhecimento e tecnologia, com o objetivo de incrementar a produção de
riqueza de uma determinada região.
Sendo um parque tecnológico urbano, o Porto Digital (PD) criou para seus colaboradores e
empresas o Programa de Qualificação do Porto Digital, a fim de incentivar as empresas do
parque a aumentarem o seu potencial competitivo e de inovação através do aumento da
qualificação de seus colaboradores e das próprias empresas, contribuindo assim, para o
crescimento da indústria de TIC e de Economia Criativa local.
Este artigo irá descrever em detalhes o Programa de Qualificação do Porto Digital, seus
resultados, como foi implementado, as dificudades enfrentadas, os benefícios que tem
proporcionado para o ambiente e para a sociedade em geral, como ele tem contribuído para
tornar Recife uma cidade mais inteligente, proporcionando uma melhoria econômica da
região, e, os próximos passos que serão realizados.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1 O PAPEL DE UM PARQUE TECNOLÓGICO NO DESENVOLVIMENTO SÓCIOECONOMICO DE UMA REGIÃO
O conhecimento junto às inovações tecnológicas se faz imprescindível no processo de
desenvolvimento sócio-econômico de um Estado. Dessa forma, para garantir um progresso
certo e homogêneo de uma região é necessário possibilitar a transposição e interiorização do
conhecimento, sobretudo das soluções inovadoras de TIC que devem possibilitar a inclusão
social e digital, a integração do Estado e a construção de relações, soluções e negócios
promissores. Ele passa a ser o motor da economia e do desenvolvimento social, o agente de
inovação e mudanças, capaz de promover uma maior competitividade e, consequentemente,
um maior crescimento sócio-econômico.
Segundo a definição da International Association of Science Parks (IASP), Parque Científico
Tecnológico é uma organização cujo principal objetivo é aumentar a riqueza da comunidade
por meio da promoção da cultura de inovação e competitividade das empresas e instituições
baseadas no conhecimento que lhe estão associadas. Para alcançar estes objetivos, um Parque
Científico e Tecnológico estimula e gerencia o fluxo de conhecimento e de tecnologias entre
Universidades, instituições de pesquisa e desenvolvimento – P&D, empresas e mercados;
facilita a criação e o crescimento de empresas baseadas na inovação através da incubação e de
processos de spin-off, e fornece outros serviços de valor agregado, bem como serviços de
apoio de elevada qualidade [6].
Sendo um Parque Tecnológico um ativo relevante na produção de TIC, capaz de promover
inovação e estimular a competitividade das empresas, este se caracteriza como agente
potencial para contribuir com o desenvolvimento sócio-economico de uma região.
A adoção de projetos e práticas que visem a realização de ampliar a empregabilidade e
melhorar a competitividade e potencial de inovação das empresas, por um parque científico e
tecnológico pode servir como um atrativo a parceiros e clientes, e também como um modelo a
ser seguido pelas empresas em um mercado inovador e competitivo, uma vez que os parques
são atores estratégicos de influência neste mercado.
2.2 PORTO DIGITAL: ATIVO VALIOSO DA SOCIEDADE E ECONOMIA
PERNAMBUCANA
O principal “viveiro” de conhecimento e desenvolvimento de aplicações de TIC em
Pernambuco é o Porto Digital (PD). Este se trata de um Parque Tecnológico localizado no
Bairro do Recife que fica no centro histórico da capital pernambucana. O Porto Digital é
resultado do ambiente de inovação que se consolidou em Pernambuco nas últimas décadas
juntamente com o esforço coordenado da universidade, setor produtivo e governo, com o
objetivo de inserir a indústria da Tecnologia da Informação e Comunicação na matriz
econômica do Estado de Pernambuco. Setor de alto potencial de crescimento, TIC é também a
base para o aumento da competitividade de uma região em qualquer estratégia de
desenvolvimento econômico contemporânea.
O Porto Digital é o principal componente de TIC de Pernambuco. Seu objetivo é implementar
políticas públicas para o desenvolvimento econômico do Estado, revitalização urbana,
inclusão social, fortalecimento do pólo de TIC e de outros APLs através do uso dessas
tecnologias. Com 13 anos de existência, o Porto Digital é um dos principais pólos de
tecnologia do país. O PD gerou para o Estado 7.055 postos de trabalho, atraiu 536
empreendedores e 240 instituições entre universidades, órgão governamentais, centros de
pesquisa e desenvolvimento e empresas de tecnologia de nível nacional e internacional.
Empresas de diversos portes já se instalaram no PD e estão produzindo novas soluções e
novos produtos tecnológicos.
Como resultado do sucesso de todas as suas ações, o PD foi eleito pela AT Kearney [2], uma
das maiores empresas de consultoria do mundo, como o maior parque tecnológico do País em
número de empresas e faturamento, em 2005. Já m 2007, o PD foi reconhecido como o
Melhor Parque Tecnológico e Habitat de Inovação do Brasil pela Associação Nacional de
Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores, Anprotec [3], que representa os
interesses das incubadoras de empresas, parques tecnológicos e empreendimentos inovadores
no Brasil. O reconhecimento veio com o Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador
2007. Além disso, em 2008, Porto Digital foi o único parque tecnológico brasileiro a integrar
a primeira edição da publicação Learning by Sharing da IASP (International Association os
Science Parks) que destacou quatro parques ao redor do mundo. Em 2009, a BusinessWeek,
maior revista de negócios do mundo, destacou o PD como sendo um dos lugares onde o
futuro está sendo criado.
Recentemente, o parque ganhou do INPI – (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), o
primeiro Selo de Indicação Geográfica na área de serviços de TI. O selo certifica que o
software produzido no Porto Digital tem um certificado de qualidade.
Para gerir o parque, foi criado em 2001 o NGPD – Núcleo de Gestão do Porto Digital,
organização social de direito privado e sem fins lucrativos. Suas ações são orientadas por um
Plano Estratégico, cuja essência consiste em fortalecer a capacidade competitiva das empresas
para que possam acessar os mercados regional, nacional e internacional num outro patamar de
escala e ordem de grandeza. Esta estratégia envolve ações como o incremento dos níveis de
cooperação entre as empresas, aumento da capacidade de formação de capital humano tanto
no nível técnico quanto no gerencial, aperfeiçoamento dos padrões de inovação tecnológica,
melhoria das condições urbanas e sociais das populações residentes no Bairro do Recife, entre
outras.
O principal objetivo do NGPD é aumentar os fatores positivos do ambiente de forma a
melhorar a capacidade de inovação e competitividade das empresas e do ambiente como um
todo. Para isso, uns dos seus principais papéis são: (i) gerar idéias originais, (ii) desenvolver
projetos inovadores, (iii) articular agentes operadores, de forma que projetos possam ser
implementados -incluindo patrocinadores, governo, empresas, universidades, e (iv) atrair
empresas inovadoras tecnológicas.
Atualmente, o NGPD possui cerca de 43 projetos e gerencia R$111.925.353,52 a fim de
melhorar o ambiente do parque. Este ano, 2013, foi obtida a ISO 9001 na área de gestão de
projetos, o qual prova a expertise do órgão em gerenciar projetos.
Diante do exposto, entende-se que o Porto Digital é um ativo valioso da economia
pernambucana com potencial de contribuir para a melhoria dos padrões de eficiência
produtiva de qualquer setor e, por conseguinte, de melhorar os níveis de competitividade nos
mercados nacionais e estrangeiros.
Isso indica que existe um grande potencial de melhoria da competitividade a partir de
estratégias de melhoria do nível de qualificação das pessoas e empresas e, consequentemente,
do desenvolvimento tecnológico e inovador da região.
Somando-se a isso, rápidos avanços na tecnologia têm trazido para o mercado a oportunidade,
cada vez maior, de solucionar problemas através da Tecnologia da Informação e
Comunicação (TIC). Porém, escolas e universidades brasileiras ainda se encontram presas em
grades curriculares que cumprem o necessário, baseadas no passado e formando profissionais
indecisos e sem direção. Dessa forma, o mercado urge por profissionais inconformados com a
manutenção de paradigmas, pessoas conectadas na busca pelo inédito, por novos processos,
por empresas mais produtivas, por solução de problemas básicos ou complexos que escondem
grandes oportunidades. Isso tudo gera entraves ao desenvolvimento socioeconômico da
região. Isso seria o que o economista austríaco Joseph Schumpeter [7], chama de “destruição
criadora”, aquela executada pelo empreendedor que quebra paradigmas nas economias de
mercado, estabelecendo novos patamares econômicos e tecnológicos em busca do incremento
da competitividade, do lucro e da realização profissional e pessoal.
A fim de lidar com essa realidade, o Porto Digital criou o Programa de Qualificação do Porto
Digital que visa construir um ambiente favorável ao desenvolvimento socioeconômico da
região, proporcionando a atração de novos empreendimentos e, gerando empregos
qualificados e renda elevada, partindo da premissa que capital humano capacitado atrai
grandes empresas, dada a escassez desse insumo no mercado mundial.
2.3 O PROGRAMA DE QUALIFICAÇÃO DO PORTO DIGITAL
Como parte das suas atividades, o NGPD, através de Convênios com o Ministério de Ciência,
Tecnologia e Inovação (MCTI) e com a FINEP, criou o Programa de Qualificação do Porto
Digital que tem o objetivo de ampliar a oferta de capital humano qualificado e apoiar as
empresas residentes no Porto Digital na obtenção de melhorias de processos organizacionais e
de certificações de qualidade. Assim, o programa promove o aumento da competitividade das
empresas, o reconhecimento de sua qualidade perante o mercado mundial e a capacidade de
fornecer soluções de qualidade para o desenvolvimento das demais cadeias produtivas do
país. Dessa forma, o programa contribui fortemente com o crescimento do setor de TIC e de
Economia Criativa local. Ele foi idealizado para atuar como um mecanismo através do qual o
Porto Digital deve oferecer suas contribuições para o desenvolvimento socioeconômico da
região e, consequentemente, da cidade.
O Programa de Qualificação do Porto Digital, portanto, atua como um canal do Parque para
apoiar o desenvolvimento de suas empresas através do apoio na qualificação do capital
humano e na qualidade de seus processos, que podem servir tanto como uma vantagem
competitiva para a empresa, quanto para aumentar o potencial competitivo do parque,
tornando-o uma vitrine mundial de Ambiente Inovador e de constante de Desenvolvimento
Socioeconômico. Dessa forma, o programa atua com atividades que possibilitam:
(i)
Aumentar o nível de qualificação dos profissionais que trabalham nas empresas no
parque;
(ii)
Aumentar a oferta de profissionais devidamente qualificados através da
capacitação de alunos provenientes de Instituições de Ensino Técnico e Superior
(IETS) parceiras do parque;
(iii)
Minimizar o gargalo em capital humano para as empresas de TIC e de Economia
Criativa;
(iv)
Melhorar os processos organizacionais das empresas para obtenção de
certificações de qualidade no desenvolvimento de software, em nível nacional e
internacional, tais como: CMMI e MPS.BR,
(v)
Promover a atração de novas empresas de base tecnológica para a cidade;
(vi)
Gerar empregos qualificados e de alta renda.
A operação do programa consiste em 3 etapas, conforme ilustrado na Figura 1.
Figura 1 - Etapas do Porgrama de Qualificação do Porto Digital
ETAPA 1: Preparação
Pesquisas
Esta etapa consiste no levantamento das necessidades do ambiente a fim de preparar o
programa para poder colocá-lo em prática. Para isso, esta etapa prevê a realização de
pesquisas a fim de se conhecer a real demanda das empresas do parque. A idéia é realizar uma
ampla pesquisa, envolvendo (i) Instituições de Ensino Técnico e Superior (IETS)
responsáveis pela formação do capital humano demandado pela área de Tecnologia da
Informação; (ii) Estudantes da área de tecnologia; (iii) Profissionais da área de tecnologia,
empregados ou não; e (iv) Empresas da área de tecnologia na Região Metropolitana do
Recife. Os perfis de cada um desses atores devem ser identificados nesta pesquisa, no que se
refere à formação de capital humano: o perfil da oferta de cursos por parte das instituições de
ensino; o perfil da qualificação (ou necessidade de qualificação) por parte dos estudantes e
profissionais; e o perfil da demanda por profissionais por parte das empresas. O documento
resultante dessa pesquisa permitirá ao ambiente de tecnologia da informação de Pernambuco
compreender melhor as tendências do mercado e as características da escassez de capital
humano qualificado. Estas informações darão subsídio às etapas seguintes deste projeto.
ETAPA 2: Definição e Articulação
A partir do mapeamento das necessidades de qualificação exigido pelo mercado, realizado
através de pesquisas na etapa de Preparação, pretende-se definir temas prioritários para
qualificações e identificar e selecionar as instituições formadoras de capital humano parceiras
para execução do objetivo proposto.
Definição das Qualificações Relevantes para o Ecossistema
A pesquisa realizada anteriormente deverá apontar quais são as áreas de maior demanda no
mercado local. De posse desse resultado, deverão ser identificados quais seriam os cursos
adequados para suprir tal necessidade. Esses cursos devem ser complementares à grade
curricular dos cursos superiores e não concorrer com os mesmos. Dessa forma, define-se
quais cursos serão ministrados nas áreas mais demandadas, suas cargas-horárias, ementas,
duração, local de realização, etc.
Articulação de Atores Estratégicos
Além de definir os cursos, faz-se necessário também identificar e estabelecer parcerias com
Instituições de Ensino Técnico e Superior (IETS) para que seus alunos também sejam
capacitados de forma a facilitar seu ingresso no ecossistema do Porto Digital. A Idea e’ suprir
a necessidade das empresas, qualificando os estudantes das IETS nas áreas específicas
demandadas pelas empresas.
ETAPA 3: Execução
Esta etapa consiste na execução pratica do programa, ou seja, a realização das qualificações,
que podem ser qualificação profissional ou empresarial.
Qualificação Profissional
A Implantação de qualificações profissionais nas: (i) organizações intensivas em tecnologia
da informação e comunicação em economia criativa e, (ii) nas IETS parceiras do Porto
Digital, de modo a ampliar a capacidade das empresas do Porto Digital em entregar resultados
e gerar soluções inovadoras no cronograma previsto, dentro do orçamento estipulado, segundo
o escopo negociado e conforme os padrões de qualidade definidos.
As ações de qualificação se beneficiarão dos conhecimentos e potencialidades locais,
adotando metodologias participativas, e compreendendo a realidade a partir da
transversalidade dos conhecimentos técnicos, econômicos, culturais, sociais e ambientais do
Parque Tecnológico Porto Digital.
Para se implantar as qualificações é necessário definir um Regulamento, contendo as regras
de participação, critérios seletivos, critérios de desempate, dentre outras informações
relevantes para os participantes. Além disso, é preciso também definir as responsabilidades de
cada envolvido: empresas, IETS e alunos. Em seguida, os cursos deverão ocorrer e, para
aqueles que obtiverem nota acima da média previamente estabelecida, o programa também
deverá arcar com a certificação almejada, relacionada ao curso realizado, comprovando a
qualificação do profissional na área em questão.
Qualificação Empresarial
Esta fase consiste na implementação dos processos nas empresas para obtenção de
certificações de qualidade. Para isso, o programa apoiará as empresas residentes no Porto
Digital na obtenção de melhorias de processos organizacionais e na obtenção de certificação
de qualidade em desenvolvimento de software, a fim de promover a competitividade destas e
reconhecimento de sua qualidade perante o mercado mundial e a capacidade de fornecer
soluções de qualidade para o desenvolvimento das demais cadeias produtivas do país.
Com a qualificação empresarial das empresas do Porto Digital, espera-se obter resultado
referente ao desenvolvimento do capital humano, através de geração de novas competências,
aumento do número de empresas brasileiras certificadas em qualidade de software e em
sistemas de gestão da qualidade, promovendo competitividade do setor de software nacional e
compartilhamento de conhecimentos entre a comunidade de software nacional.
2.4 RESULTADOS DO PROGRAMA DE QUALIFICAÇÃO DO PORTO DIGITAL
Em execução desde 2010, o programa tem apresentado resultados brilhantes, dentre os quais
podemos destacar:
Realização de 2 pesquisas:
Conforme [10], na primeira pesquisa foram entrevistadas 102 empresas do Porto Digital a fim
de conhecer sua demanda real. Elas foram questionadas sobre quais seriam as principais ações
de interesse, dentre as ações realizadas pelo Porto Digital. Em primeiro lugar apareceu a ação
de “Formação e Certificação de profissionais” (79% das empresas possuem interesse nesta
ação) e, em quarto lugar, “Formação e Certificação de Empresas” (63% das empresas
possuem interesse nesta ação).
Outra pergunta foi realizada em relação a quantos profissionais a empresa desejaria capacitar
e certificar nos próximos, obtendo-se o seguinte resultado:
Tabela 1 - Resultados da 1a pesquisa realizada em 2010.
Quantidade de profissionais que as empresas
pretendem certificar na linguagem nos próximos 2
anos
TOTAL
1.712
100%
JAVA
209
12%
.NET
162
9%
XML/CXML
152
9%
C#
151
9%
JAVASCRIPT
144
8%
SQL
143
8%
ASP
121
7%
AJAX
103
6%
MySQL
87
5%
5%
Oracle
78
C/C++
70
4%
PHP
64
4%
DELPHI
54
3%
VISUAL
BASIC
28
2%
OUTROS
146
9%
Java (209)
Tecnologias Microsoft (462)
Banco de Dados (308)
Web (463)
Com isso, pode se observar que a demanda por Java era muito grande. Seguida de outras
tecnologias, onde para fins de execução, foi decidido agrupar os resultados em categorias,
formando 4 categorias: Java, Tecnologias Microsoft (.NET, C #, ASP e Visual Basic), Banco
de Dados (SQL, MySQL, Oracle) e Tecnologias Web (XML/CXML, Javascript, Ajax e PHP).
Também pode se observar através de outros questionamentos realizados na pesquisa, a
demanda por qualificação de profissionais na língua inglesa, onde foi respondido que se
desejaria qualificar 1.113 profissionais nesta área. Apesar de não ter sido questionado
diretamente, também é perceptível a necessidade das empresas na qualificação de seus
profissionais em gestão de projetos.
Na segunda pesquisa, realizada em 2012, foram entrevistadas 108 empresas. Elas foram
questionadas sobre quais seriam as principais ações de interesse, dentre as ações realizadas
pelo Porto Digital.
Os resultados desta pesquisa mostraram que as ações do Programa de Qualificação do Porto
Digital continuam sendo essenciais para as empresas embarcadas no parque, tendo em vista
que foi apontado pela mesma que, 48,1% das empresas possuem vagas em aberto, o que
demonstra uma grande dificuldade de contratação. Com relação a isto, 70,9% do total de
empresas alegam que a pouca qualificação dos profissionais acarreta tal dificuldade. Isto
denota que a falta de profissionais qualificados ainda é um gargalo grave, que oferece
dificuldades para os empreendimentos do Porto Digital.
Para a realização desta pesquisa, objetivando uma maior especificação e a avaliação da
eficácia das ações já executadas pelo Porto Digital ou em andamento, houve uma
reformulação na abordagem de algumas perguntas. Foram apresentadas às empresas opções
específicas de ações e elas identificaram qual seu nível real de interesse.
De acordo com o novo parâmetro de avaliação, (onde 1 representa sem importância e 5
representa alta importância), o nível de importância dado pelas empresas à formação e
certificação dos profissionais em tecnologia da informação é de 4,34, ficando em 2º lugar
entre todas as ações listadas. Nesta área, os temas SQL Server, MySQL, Java e Javascript
continuam entre os citados como mais importantes. Em 5º lugar aparece a formação e
certificação de profissionais em gerenciamento de projetos, com o nível de importância de
3,99. Em 11º lugar aparece a formação e certificação em língua inglesa, com o nível de
importância de 3,64. Em 15º lugar aparece a obtenção das certificações empresariais em
qualidade (CMMI, MPS-Br, Iso 9001, etc), com 3,50 em nível de importância. Tendo em
vista que foram cerca de 30 itens expostos aos entrevistados na pesquisa e que o grau de
maior importância é 5, pode-se perceber que todos os listados acima foram vistos como
bastante importantes para as empresas.
Estabelecimento de 8 parcerias com IETS:
De posse dos resultados da 1a pesquisa, o NGPD levantou as principais IETS da cidade,
convocando todas para um encontro, onde foi explicado para elas o Programa de Qualificação
do Porto Digital, seus objetivos, metas, metodologia, etc. A partir dessa reunião inicial foram
realizados outros encontros tendo alguns sido evoluído, chegando a formalizar 8 parcerias
para execução dos cursos com as seguintes IETS:
1. FBV - Faculdade Boa Viagem
2. Faculdade Joaquim Nabuco
3. Faculdade Marista
4. Faculdade Maurício de Nassau
5. Faculdade Nova Roma
6. Faculdade Santa Maria
7. FG - Faculdade dos Guararapes
8. UPE
Criação e execução de cursos específicos
De posse dos dados da 1a pesquisa, foram criados cursos específicos para atender a real
demanda das empresas. Os primeiros cursos realizados, em 2010, foram cursos de inglês, que
devido a sua alta procura pelas empresas (percebida através do número de inscritos,
quantidade de e-mails enviados, ligações, etc), continua em andamento até os dias atuais,
sendo criadas novas turmas a cada semestre com cerca de 100 pessoas e tendo atingido até o
presente momento cerca de 500 pessoas, conforme apresentado na Tabela 2.
Tabela 2 - Dados da Capacitação em Língua Inglesa
BLOCOS
CURSO
META
INSCRITOS
SELECIONADO
S
CAPACITADO
S
1
Inglês – 1a Rodada
100
150
80
48
2
Inglês – 2a Rodada
100
160
136
94
3
Inglês – 3a Rodada
100
176
111
54
4
Inglês – 4a Rodada
100
276
122
95
5
Inglês – 5a Rodada
100
263
120
Em andamento
500
1.025
569
291
TOTAL
Em seguida, em 2011 foram criados cursos de Java Básico e Avançado, com foco na obtenção
das seguintes certificações: Oracle Certified Professional, Java SE 6 Programmer e Java EE 6
Web Component Developer Certified. Dessa forma, foram executadas 6 turmas nas IETS e 5
turmas para os colaboradores das empresas do Porto Digital, totalizando 11 turmas ao todo,
com 20 alunos em cada. Devido a grande procura pelas empresas, após a realização da
primeira rodada, foram abertas novas turmas em 2013 e, hoje, tem-se mais 5 turmas em
andamento, com 20 alunos em cada, totalizando 100 alunos em capacitação. Considerando a
primeira e a segunda rodada, foi atingido um público de 320 pessoas, conforme Tabela 3.
Tabela 3 - Dados da Capacitação em Java
BLOCO
S
1
2
3
TOTAL
CURSOS
META
INSCRITOS
SELECIONAD
OS
CAPACITAD
OS
CERTIFICA
DOS
JAVA
1a Rodada
(Porto Didital)
JAVA
1a Rodada
(IETS)
JAVA
2a Rodada
(Porto Digital)
100
306
100
83
33
100
-
120
91
9
100
174
100
Em andamento
-
300
480
320
174
42
Em seguida, em 2012 foram criados cursos de Gestão de Projetos voltados para os cursos do
PMI (Project Management Institute) que possui cursos e certificações reconhecidos
mundialmente. Foram realizadas 2 rodadas de cursos com foco nas seguintes certificações:
CAPM (Certified Associate in Project Management), PMP (Project Management
Professional) e ACP (Agile Certified Practitioner). Ao todo, foram realizadas 7 turmas nas
IETS e 22 turmas para os colaboradores das empresas do Porto Digital, totalizando 29 turmas
ao todo, com 15 alunos em cada, atingindo um público de 435 pessoas, conforme Tabela 4.
Tabela 4 - Dados da Capacitação em Gerenciamento de Projetos
BLOCO
S
1
2
3
CURSOS
MET
A
INSCRITO
S
SELECIONAD
OS
CAPACITAD
OS
CERTIFICA
DOS
Gestão de Projetos
1a Rodada
(Porto Didital)
Gestão de Projetos
1a Rodada
(IETS)
Gestão de Projetos
2a Rodada
(Porto Digital)
100
306
120
52
32
100
-
105
45
17
100
389
210
128
36
300
695
435
225
85
TOTAL
Em 2013, foram criados cursos na área de Banco de Dados, nos seguintes seguimentos: SQL
Server, MySQL e Oracle, com foco nas seguintes certificações: Querying Microsoft SQL
Server 2012 – (Exam 70-461), MySQL 5 Developer Certified Professional Exam, Part I (1Z0871), Oracle Database: SQL Fundamentals I - (1Z0-051), respectivamente. Foram abertas 5
turmas, com 20 alunos em cada, sendo 1 em SQL Server, 1 em MySQL e 3 em Oracle para os
colaboradores das empresas do Porto Digital e 6 turmas de MySQL para as IETS encontramse em processo seletivo. Com isso, totaliza-se 11 turmas em banco de dados, atingindo um
público de 220 pessoas, conforme Tabela 5.
Tabela 5 - Dados da Capacitação em Banco de Dados
BLOCO
S
CURSOS
MET
A
INSCRITO
S
SELECIONAD
OS
CAPACITAD
OS
CERTIFICA
DOS
1
SQL Server
(Porto Digital)
50
43
20
Em andamento
-
2
MySQL
(Porto Digital)
50
38
20
Em andamento
-
3
Oracle
(Porto Digital)
MySQL (IETS)
100
128
60
Em andamento
-
100
-
120 (em
andamento)
Em processo
seletivo
-
300
209
220
-
-
4
TOTAL
Também em 2013, foi criado um curso na área de Tecnologias Web, abordando os temas
Javascript, Ajax, XML e CSS3, com foco na certificação Programming in HTML5 with
JavaScript and CSS3 (Exam 70-480). Foram abertas 3 turmas, com 20 alunos em cada,
totalizando um público de 60 pessoas, conforme Tabela 6.
Tabela 6 - Dados da Capacitação em Tecnologias WEB
BLOCO
S
1
CURSOS
MET
A
INSCRITO
S
SELECIONAD
OS
CAPACITAD
OS
CERTIFICA
DOS
Tecnologias WEB
301
115
60
Em andamento
-
Devido ao grande número de projetos executados pelo Núcleo de Gestão do Porto Digital,
alguns acabam tendo ações similares, porém com objetivos diferentes. Dessa forma, algumas
ações isoladas de capacitações, provenientes de outros projetos que também acabaram por
possui capacitações no seu escopo, geraram cursos não previstos anteriormente pelo Programa
de Qualificação do Porto Digital, mas que acabaram agregando resultados ao mesmo. É o
caso, por exemplo, do modelo de incubação do incubação da Incubadora CAIS do Porto, do
Porto Digital, conforme apresentado em [8] e [9] que prevê capacitações aos empreendedores
incubados, voltadas ao empreendedorismo. Outro exemplo, são capacitações que envolve um
dos eixos de Responsabilidade Social e Empresarial do Porto Digital, conforme descrito em
[11] e [12], tais como: acessibilidade digital, formação de jovens vulneráveis no mercado de
trabalho, etc.
Aumento do nível de capital humano qualificado do ambiente
Para ser considerado como capacitado o aluno precisa atingir uma nota média mínima ao final
do curso e possuir 75% de presença mínima. Dessa forma, até o presente momento 1.239
pessoas foram capacitadas e 147 pessoas certificadas e, 380 encontra-se com capacitação em
andamento, nas mais diversas áreas, conforme demanda identificada em pesquisa prévia
realizada com as empresas embarcadas no Porto Digital e em ações estratégicas provenientes
de outros projetos do NGPD.
Certificação de Empresas no padrão de qualidade CMMi e MPS.BR
Em 2010, foi realizada a primeira rodada com as empresas a fim de selecioná-las para
participar do programa. Como parte da execução desta rodada foram realizados eventos com
as empresas a fim de esclarecer as regras contidas no Regulamento de Participação. Dentre as
inscritas, 20 foram selecionadas, das quais 4 desistiram ao longo do caminho e foram
substituídas por outras 4. Como resultado, temos 20 empresas certificadas, sendo 17 em
MPS.BR e 2 em CMMi, das quais 16 foram em MPS.BR nível G, 1 em MPS.BR nível C, 2
em CMMi nível 2 e 1 em CMMi nível 3, conforme tabela Tabela 7.
Tabela 7 - Dados da qualificação empresarial
Certificação Obtida
Quantidade de empresas certificadas
MPS.BR nível G
16
MPS.BR nível C
1
CMMi 2
2
CMMi 3
1
TOTAL
20
A segunda rodada do programa está em andamento. Já foram selecionadas 9 empresas, das
quais 8 almejam a certificação CMMi 2 e 1 a certificação MPS.BR, nível F. Dentre as que
almejam a certificação CMMi, 6 desejam obter 2 certificações ao final da implementação da
melhoria dos seus processos, tanto a CMMi voltada para o desenvolvimento, quando a CMMi
voltada para serviço. Esta última é uma inovação na área e que o NGPD, através do seu
programa, pretende ao final da implantação das melhorias em seus processos organizacionais,
fazê-las alcançar ambas as certificações, tendo, dessa forma, uma meta atual de obter 15
certificações, com 9 empresas.
Aumento no número de empregos qualificados
Como fruto dos resultados desse programa, já pode se obter alguns indicadores dos seus
impactos, como por exemplo: dos xx estudantes capacitados em Java, xx estão atualmente
inseridos no mercado de trabalho; dos xx estudantes capacitados em Gestão de Projetos, xx
estão atualmente inseridos no mercado de trabalho. Ou seja, dos 134 estudantes das IETS
parceiras já capacitados pelo Programa de Qualificação do Porto Digital, 86 encontram-se
inseridos no mercado de trabalho, ou seja, 64,17 %, conforme Tabela 8:
Tabela 8 - Dados sobre os estudantes capacitados nas IETS
Número de
capacitados
nas IETS
Qtd de estudantes
inseridos no mercado
de trabalho
% estudantes inseridos
no mercado de
trabalho
JAVA
91
66
72,5%
Gestão de Projetos
43
20
46,5%
TOTAL
134
86
64,17%
Curso
Aumento no número de empresas embarcadas e faturamento do parque
Certamente, não pode se dizer que qualquer aumento no número de empresas embarcadas
deve-se exclusivamente ao Programa de Qualificação do Porto Digital, visto que o parque
possui outras ações paralelas visando este objetivo. Entretanto, é fato que, antes de se instalar
no parque as empresas questionam várias informações, dentre elas, informações sobre a
qualificação do capital humano da região e suas áreas de habilidade. Dessa forma,
compreendemos que mesmo não sendo exclusivo, os resultados do programa têm contribuído
fortemente para a atração de novas empresas para o parque que, desde 2010, atraiu 22 novas
empresas. Da mesma forma, registrou-se um aumento de 12,95% no faturamento do parque,
que passou de R$ 870.873.585,00 em 2010 para R$ 1.000.528.105,39 em 2011.
Identificação e inserção de melhorias no programa
Durante a execução do programa foi identificadas uma série de melhorias, tais como: (i)
ajustes no formulário da pesquisa realizada para identificar as demandas das empresas, (ii)
inserção de um Estudo Dirigido ao final de cada curso, que consiste em uma metodologia
para aqueles alunos que já tiveram amplo contato com todo o conteúdo em questão e desejam
fixar os conceitos a fim de se preparar melhor para obter a certificação através de encontros
onde os alunos deverão estudar por conta própria semanalmente e se preparar para participar
dos encontros com provas e discussão sobre as questões, (iii) a inserção de um simuladão
final ao término de cada curso que serve como uma simulação da prova de certificação, (iv)
reuniões com as IETS ao término de cada rodada de cursos para avaliação dos feedbacks e
proposição de melhorias nos cursos; (v) a realização de eventos com os alunos interessados
antes de começar os cursos, a fim de esclarecer os questionamentos sobre o programa (vi) a
inserção de material didático para servir de base de estudo para os alunos, dentre outros.
3. CONCLUSÃO
O Programa de Qualificação do Porto Digital tem possibilitado identificar as demandas do
mercado e oferecer aos jovens uma chance de colocação profissional ao provê-los de
formação especificamente voltada às demandas das empresas. Com essa formação específica,
os beneficiários têm conseguido se inserir num mercado de alto valor agregado, gerando
empregos qualificados e renda elevada, conforme os números já obtidos, onde de 134
estudantes capacitados nas IETS, 64% estão atualmente inseridos no mercado de trabalho.
Com isso, pode-se afirmar que a qualificação profissional está intrinsecamente relacionada
com a empregabilidade, que por sua vez, possibilita a geração de trabalho, renda e
desenvolvimento social.
O aumento do capital intelectual das empresas pode, dentre outras coisas, criar projetos
inovadores que visem fomentar o desenvolvimento de inovações tecnológicas, impactando
diretamente nos níveis de competitividade das empresas associadas nos mercados nacionais e
estrangeiros.
As ações de qualificação de capital humano, bem como as ações de qualificação empresarial,
estão diretamente relacionadas à qualificação e ao fortalecimento das empresas do Parque, o
que possibilita o aumento de seus níveis de competitividade nos mercados nacional e
internacional. Um dos fatores que pode ser observado para analisar esse aumento de
competitividade é aumento no faturamento do parque, que em 2010 era de R$ 870.873.585,00
e em 2011 é de R$ 1.000.528.105,39, passando a ter um aumento de 12,95 % no faturamento
geral do parque.
Além disso, o programa tem ajudado a proporcionar a atração de novos empreendimentos de
base tecnológica, o que pode ser observado através do número de novas empresas embarcadas
no parque desde 2010, que foram 22 empresas.
A solução em questão se destaca também ao tornar o cluster um ambiente mais competitivo e
inovador, viabilizando conexão entre academia (parcerias estabelecidas com as IETS),
governo (captação de recursos) e mercado (empresas do parque) ratificando, dessa forma, o
papel do Porto Digital como case prático e de referência do modelo Triple Helix, de Henry
Etzkowitz, conforme [13].
Com atualmente 6 projetos envolvendo capacitações e certificações, com recursos já captados
em torno de R$ 6.127.980,00, o programa pretende ainda: (i) identificar novos indicadores
para medir o desempenho do projeto; (ii) avaliar detalhamente os resultados da 2a pesquisa
realidade, a fim de nortear as próximas capacitações, (iii) realizar novas capacitações, (iv)
realizar ações junto às IETS para ajuste nas grades curriculares dos cursos universitários, a
fim de refletir a realidade das empresas, (v) realizar ações para tentar reduzir as burocracias
envolvidas nos trâmites atuais de ajustes das grades curriculares dos cursos universitários, (vi)
concluir a 2a etapa das qualificações empresariais, certificando 9 empresas, com 15
certificações ao todo.
A correta identificação da qualificação necessária às empresas e ao setor produtivo, e a
implementação de um amplo e adequado programa de formação de capital humano atrelado a
qualificação empresarial, proporciona à Região Metropolitana do Recife um diferencial
competitivo frente a outras localidades no mundo, oferecendo às empresas o insumo mais
fundamental à atividade inovadora e competitiva na atualidade e, contribuindo para o
desenvolvimento socioeconômico da cidade.
4. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
[1]
ANPROTEC – Disponível em: http://anprotec.org.br/site/incubadoras-e-parques/.
Acesso em: 06/jun/2013
[2]
AT KEARNEY. Desenvolvimento de uma Agenda Estratégica para o Setor de “IT Offshore Outsourcing”. Brasília, 2005.
[3]
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE ENTIDADES PROMOTORAS DE
EMPREENDIMENTOS INOVADORES. Panorama de Incubadora de Empresas e
Parques Tecnológicos 2006. Brasília> ANPROTEC, 2005. Disponível em <
http://www.anprotec.org.br/ArquivosDin/Panorama_2005_pdf_11.pdf> Acesso em 29
de junho de 2009. 15:32:57
[4]
KAPLAN, Robert; NORTON, David. Balanced Scorecard: A Estratégia em Ação. Rio
de Janeiro: Campus, 1997.
[5]
Revista Espaço Acadêmico, No 93, 2009. Disponível em:
http://www.espacoacademico.com.br/093/93amsf.htm. Acesso em: 06/jun/2013
[6]
MIRANDA, Z. A. I. & NEGREIROS, R. Parque Científico e Tecnológico como
mecanismo indutor de desenvolvimento sustentável. Revista de Gestão Integrada em
Saúde do Trabalho e Meio Ambiente, São Paulo, v.2, n.4, 2007. Disponível em
<http://www.interfacehs.sp.senac.br/index.php/ITF/article/viewFile/141/163> Acesso
em julho de 2011.
[7]
SCHUMPETER, Joseph A. (1911). A Teoria do Desenvolvimento Econômico. São
Paulo: Abril Cultural, 1983. 169p.
[8]
GOUVEIA, C., TARGINO, P., SUASSUNA, M., SABOYA, F., Incubadora C.A.I.S. do
Porto: Um Modelo Inovador de Incubação, Seminário Nacional de Parques
Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, Florianópolis - SC, 2009.
[9]
GOUVEIA, C., TARGINO, P., SUASSUNA, M., SABOYA, F., C.A.I.S. do Porto
Incubator: an Innovative Model of Incubation to Promote Technological and Economic
Development , XXVII IASP World Conference on Science and Technology Parks,
Coréia, 2010.
[10] PORTO DIGITAL - Relatório de Pesquisa para Mapear o Perfil da Oferta e Demanda
de Qualificação Profissional em Tecnologia da Informação em Recife. 2011. Access in
january, 2011.
[11] GOUVEIA, C., SAMPAIO, J., LIMA, H. A., SABOYA, F., Contributions from Porto
Digital Technology Park to the Sustainability of an Innovation Habitat, Seminário
Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, Foz do Iguaçu - PR,
2012.
[12] SAMPAIO, J., GOUVEIA, C., LIMA, H. A., SABOYA, F., ITGreen: The Experience
of Porto Digital Technology Park in order to Contribute to a Sustainable Innovation
Habitat, IASP World Conference on Science and Technology Parks, Talin, Estonia,
2012.
[13] ETZKOWITZ, H. Hélice Tríplice: Universidade – Insútria – Governo Inovação em
Movimento. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2009. 207 p.
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A Experiência do Porto Digital