Anais XVI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE Mensuração e distribuição do verde urbano no município do Recife – PE: bases para a gestão ambiental urbana Tiago Henrique de Oliveira 1,2 José Gleidson Dantas 2 Milton Botler 2 Rafael Ricardo Vasconcelos da Silva 3 João Paulo Ferreira da Silva 3 Tarcísio da Fonte Neves 4 1 Grupo de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento - SERGEO - UFPE Av. Prof. Moraes Rego, 1235 - Cidade Universitária, Recife – PE, Brasil - CEP: 50670-901 [email protected] 2 Instituto Pelópidas Silveira - SCDUO - Prefeitura da Cidade do Recife Rua do Bom Jesus, 227 – Bairro do Recife, Recife – PE, Brasil. CEP: 50030-170 {jgleidson, milton.botler}@gmail.com 3 Gerência de Gestão Ambiental - SEMAM - Prefeitura da Cidade do Recife Rua Fernando César, 65 – Bairro da Encruzilhada, Recife – PE, Brasil. CEP: 52041-170 {rafaelricardo, paulofs}@recife.pe.gov.br 4 Diretoria de Informação - SCDUO - Prefeitura da Cidade do Recife Av. Cais do Apolo, 925, Bairro do Recife, Recife – PE, Brasil. CEP: 50030-903 [email protected] Abstract. As time and space developed, impacts on the relation among the energetics and hydrological circles down on the surface - had happen due to the massive changes on the use and covering of urban environment. The replacement of Green areas by waterproofed ground, has interfered and aggravated a series of phenomenons such as: the high raises of overflows and the establishment of urban heat islands. According to the city of Recife Urban Planning Law, created in 1996, the definition of Green area is “any public or private area, over natural soil, in which vegetation predominates on its different forms: arboreal, shrubby or herbaceous, native or exotic”. With all that in mind, the main reasons of this is article are: to demonstrate the methodology used to classify the total amount of Green areas in the city of Recife, to understand the distribution of those areas in order to identify what is public and private over the registered data bank and examine the application of the referred concept on the research of areas in which afforestation of streets is a priority. By the analysis of the ortophotomap generated in 2007 over the municipal vetorial base, it was possible to elaborate an equation to define the potential of afforestation in public lots of selected neighborhoods. As a result, 44,68% of the city total area is occupied by vegetation, whereas 64% are located in UCN, in addiction to that, 23% of UCN areas have other uses like: residential, abnormal groups and tanks of shrimp creation. The neighborhoods included in this research can afford the plantation of 24.474 new trees totalizing an amount of 37 green hectares. Palavras-chave: remote sensing, MAXVER, distribution of vegetation, sensoriamento remoto, MAXVER, distribuição da vegetação. 1. Introdução As rápidas mudanças espaço temporal do uso e cobertura do solo em ambiente urbano apresentam grandes impactos nas relações entre os ciclos energéticos e hidrológicos sobre a superfície. Em alguns casos a rápida substituição de áreas verdes para áreas impermeabilizadas acaba por influenciar o surgimento ou agravamento de diversos fenômenos, como o aumento no número de enchentes ou alagamentos e a recorrência de ilhas de calor urbana em diversos municípios brasileiros (MORUZZI et al, 2007; IDEIÃO et al, 2008; ANDRADE et al, 2009; SHAMS et al, 2009) e do mundo (WENG et al, 2004; CHEN et al, 2006; WENG & QUATTROCHI, 2006; GARZUZI et al, 2010). A constante fragmentação das áreas vegetadas em ambiente urbano, devido à pressão antrópica exercida nas bordas de fragmentos, têm consequências negativas à vegetação. Como 1143 Anais XVI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE consequências são verificadas, por exemplo, um aumento na susceptibilidade de quebra da árvore pelo vento (ZENG et al, 2009), redução na quantidade de habitat para espécies florestais que dependem de grandes fragmentos (TEIXEIRA et al, 2009) e alterações nas condições microclimáticas locais (BIERREGAARD E DALE, 1996 citado por RIBEIRO et al, 2009). Diversos estudos ainda apontam a necessidade da criação de corredores ecológicos visando à interligação entre os grandes fragmentos florestais em áreas urbanas. O clima urbano difere consideravelmente do ambiente natural. A amplitude térmica, o regime pluviométrico, o balanço hídrico e a umidade do ar são fatores diretamente afetados pelo dimensionamento e disposição da arborização urbana (LIMA et al. 2009). Para Wolf (2005) é necessário à criação de politicas públicas voltadas para a ideia de que os benefícios proporcionados pelos bosques urbanos alcançam sua maior produtividade através da otimização de uma administração de longo prazo que abarque toda a cidade. Torna-se, portanto necessário a realização de estudos que procurem analisar as relações entre os componentes bioclimáticos e os atributos urbanos, que exercerão influência na dinâmica do clima urbano. Caporusso e Matias (2008, p. 72) afirmam que “embora não haja uma definição consensual na literatura, o termo mais utilizado para designar a vegetação urbana é área verde”. Deste modo, os mesmos afirmam, que esta falta de consenso na terminologia vem a refletir na tentativa de comparação entre diferentes índices obtidos por diferentes metodologias em diferentes cidades. Para o município do Recife a Lei de Uso e Ocupação do Solo de 1996 (Lei nº 16.176/96) define área verde como “toda área de domínio público ou privado, em solo natural, onde predomina qualquer forma de vegetação, distribuída em seus diferentes estratos: Arbóreo, Arbustivo e Herbáceo /Forrageira, nativa ou exótica”. Neste sentido a Prefeitura da Cidade do Recife, através do Instituto Pelópidas Silveira (IPS) e da Secretaria de Meio Ambiente (SEMAM), tem apresentados projetos visando a identificação de todas as áreas vegetadas presente no município do Recife assim como a identificação dos bairros e microrregiões com défice de arborização em logradouros públicos. Deste modo surgiu o projeto Verde Urbano (IPS), onde todas as áreas que apresentavam vegetação, seja a nível herbáceo, arbustivo ou arbóreo, foram identificadas e mapeadas e posteriormente realizada a quantificação da vegetação em lotes públicos e privados para os lotes cadastrados. Posteriormente estes dados foram utilizados pela SEMAM para subsidiar a elaboração do Programa de Planejamento e Plantio que compõem o Plano de Arborização Urbana do Município. Com base nas indicações foram identificadas e selecionadas áreas prioritárias para o plantio de arvores em vias públicas inseridas em bairros que apresentavam défice de áreas verdes. Deste modo o objetivo deste artigo é demonstrar a metodologia utilizada para quantificar o total de áreas verdes do município do Recife através da classificação da ortofotocarta do ano de 2007, verificar a distribuição destas áreas verdes a nível público e privado para os lotes cadastrados e observar um exemplo de aplicação dos dados na identificação de áreas prioritárias para arborização de vias públicas. 2. Material e método 2.1 Área de estudo O município do Recife, Figura 1, capital do Estado de Pernambuco, situa-se no litoral nordestino e ocupa uma posição central, a 800 km de outras duas metrópoles regionais, Salvador e Fortaleza, disputando com elas o espaço estratégico de influência na região. Apresenta uma superfície territorial de 218,50 km² limitando-se ao norte com as cidades de Olinda e Paulista, ao sul com o município de Jaboatão dos Guararapes, a oeste com São Lourenço da Mata e Camaragibe, e a leste com o Oceano Atlântico. 1144 Anais XVI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE Figura 1. Localização do município do Recife-PE e distribuição das Regiões Político-Administrativo – RPA. Segundo os dados do recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – Censo 2010 – a Cidade do Recife possui uma população de 1.537.704 habitantes, correspondendo a 17,48% da população do Estado, e a 41.63% da RMR, o que lhe propicia uma densidade demográfica de 6.989 habitantes/km². Segundo a Prefeitura da Cidade do Recife o município expressa na sua configuração físico-territorial as diferenças provocadas pelo quadro socioeconômico que se consolidou ao longo de sua história. Atualmente, o espaço urbano do município encontra-se dividido em 94 bairros, 18 microrregiões e em seis Regiões Político-Administrativas (RPA), Figura 2, atendendo ao estabelecido no artigo 88, § 1º e 2º da Lei Orgânica do Recife que determina: [...] § 1º - Para efeito de formulação, execução e avaliação permanente das políticas e de planejamento governamental, o Município será dividido em regiões políticoadministrativas na forma da Lei. § 2º - Na definição das regiões político-administrativas devem ser observadas as legislações pertinentes e assegurada a unidade histórico-cultural, demográfica, social e econômica do ambiente urbano”. 2.2 Base de dados vetorial municipal Foram utilizados dados vetoriais da Base de Dados Georreferenciados do município do Recife adquirida junto a Diretoria de Informação da Prefeitura da Cidade do Recife. Deste modo foram utilizadas os vetores de lotes cadastrados, bairros, microrregiões, Região Político-administrativo, Macrozona do Ambiente Natural (MAN) e Macrozona do Ambiente Construído (MAC). 2.3 Classificação supervisionada da Ortofotocarta Recife - 2007 No ano de 2007 o município do Recife realizou o levantamento aerofotogramétrico do município possibilitando a continuidade da análise espacial do município. Ao total foram adquiridas 532 fotografias aéreas na resolução espacial de 15cm, onde as mesmas foram georreferenciadas, mosaicadas e ortorretificadas. A imagem gerada ao final deste processo passou por uma equalização do histograma, visando obter a máxima variância do histograma, gerando uma imagem com melhor contraste entre os alvos. Tendo em vista que a resolução espacial de 0,15m do pixel viria a aumentar o tempo da classificação, a ortofotocarta foi reamostrada para 1m. Foram coletadas várias amostras dos diversos alvos presentes no município, sendo inicialmente trabalhada as classes de telhados, corpos hídricos, edificações (classe genérica da tonalidade cinza que abrange além das 1145 Anais XVI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE edificações, alguns galpões e asfalto), solo exposto, vegetação arbórea e vegetação gramínea – essas duas últimas as que vieram a compor a classe verde urbano. O método de classificação escolhido foi o da Máxima verossimilhança, devido à baixa resolução espectral do mosaico de imagens aéreas disponível. Deste modo optou-se por gerar, durante o processamento da classificação, imagens regra (Rule Images) para cada classe, Figura 2. As imagens regra apresentam a possibilidade de um pixel da imagem original pertencer ou não a classe em questão. Com uma imagem regra, para cada classe supracitada, foi realizada uma nova coleta de amostras com base nos pixels obtidos e gerada uma nova classificação. Figura 2. Etapas adotadas para a classificação da ortofotocartas. Ao fim do processamento, foi realizada uma edição ainda no arquivo raster, com o intuito de revisar toda a classificação, e corrigir algumas áreas que, devido a baixa resolução espectral da imagem base, apresentou mistura de classes. Ao final da classificação a imagem foi transformada em vetor e as classes de vegetação de porte arbórea e gramínea foram agrupadas na classe de verde urbano enquanto que as demais classes foram agrupadas na classe de não verde urbano. De posse dos dados vetoriais de área verde, as mesmas foram recortadas ao limite espacial das layers de RPA, microrregiões, bairros e UCN, permitindo realizar a identificação dos locais com défice de áreas verdes e arborização. O processo de classificação supervisionada foi realizado no ambiente do programa ENVI 4.5 (Licença do Grupo de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento – SERGEO/UFPE). A pós-classificação e layout foi realizada na plataforma ArcMap do programa ArcGIS 9.3 (licença da Prefeitura da Cidade do Recife). 2.4. Identificação e definição do potencial de arborização de áreas prioritária Para a elaboração do Programa de Planejamento e Plantio do Plano de Arborização Urbana do Recife, foram selecionados os bairros que possuem quadras com arranjos regulares e estão inseridos nas regiões que apresentaram um expressivo déficit de área verde, de acordo com os resultados dos estudos realizados pelo Instituto Pelópidas Silveira. Partindo da definição da região prioritária para arborização, foi realizada a caracterização e avaliação do potencial de arborização das vias. Para subsidiar o levantamento foram usadas as layers de quadras, lotes, ruas e a ortofotocarta do ano de 2007 da Cidade do Recife. O software ArcGis e o Sistema de Informações Geográficas do Recife (ESIg) foram utilizados para mensurar a extensão da via, a largura e verificado o número de calçadas por logradouro. Além desses elementos foram contabilizados o número de canteiros centrais e árvores existentes. Associada a essas informações, foram verificadas as características e os usos atuais de cada via analisada. Os logradouros não pavimentados e os que apresentavam largura de referência das calçadas inferior a 1,50 m (um metro e meio), não foram consideras para aplicação da metodologia. A largura mínima das calçadas visou reservar um espaço mínimo 1146 Anais XVI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE de 1,20 m (um metro e vinte) para o trânsito de pedestres, conforme estabelece a NBR 9050 (ABNT - 2004). As informações geradas a partir dessas análises e a definição do espaçamento entre mudas de diferentes portes possibilitaram a criação de uma equação que, dentro de uma margem de erro admissível, define o potencial de arborização (Equação 1) de cada logradouro: PA ( EXT / ESPÇ ) * (CAL CAN ) ARV ] * FAj (1) em que PA corresponde ao potencial de arborização, EXT à extensão bruta da via (em metros), ESPÇ corresponde ao espaçamento entre as mudas (5m para pequeno porte, 8m para médio porte e 12m para grande porte), CAL corresponde a quantidade de calçadas na via, CAN a quantidade canteiros, ARV ao número de árvores existentes e FAj é o fator de ajuste, que reduz o valor final de PA, em virtude dos obstáculos previstos ao plantio. Normalmente varia de 0,35 (vias predominantemente residenciais) a 0,5 (vias predominantemente comerciais) para as áreas selecionadas. Os logradouros foram classificados nas categorias “comercial” ou “residencial”, a depender do seu uso predominante. Essa categorização, realizada em campo ou de acordo com o conhecimento prévio dos pesquisadores, serviu de base para a definição do Fator de Ajuste empregado na equação do Potencial de Arborização. Empregou-se, neste sentido, um Fator de Ajuste de 0,5 nos logradouros considerados comerciais, uma vez que estes apresentaram maior número de obstáculos, e de 0,35 nos logradouros considerados residenciais. 3. Resultados e Discussão Através da classificação supervisionada foi quantificado um total de 9.961,79ha de áreas verdes no município, Figura 3, representando 44,68% da área total do município (de 21.850,70ha). É possível observar que grande parte dos maiores fragmentos florestais classificadas como Unidades de Conservação da Natureza (UCN) se encontram a oeste da BR-101, a exemplos da UCN Beberibe (LUOS – Lei Municipal 16.176/96 – Decreto 23.804/08) com o marcador 10, UCN Dois Irmãos (Lei Municipal 16.176/96 – Decreto 23.807/08) com o marcador 11 e UCN APA Mata da Várzea (LUOS 16.176/96 – Decreto 22.154/06) com o marcador 7. Ao realizar a analise do verde urbano nas Unidades de Conservação da Natureza (UCN) foi possível mensurar que 64% das áreas verdes do município se encontram localizados na área da UCN. Deste modo os outros 36% representariam o que estaria distribuído nas demais áreas do município, seja em áreas públicas como prédios públicos, parque, praças e logradouros, assim como nas propriedades privadas. Dos 7.262,28ha de área distribuídas nas UCN, cerca de 5.580ha são áreas vegetadas. Ou seja, cerca de 23,1% da área das UCN apresentam outro tipo de uso do solo, como no caso da UCN São Miguel que apresentam, além de agrupamentos subnormais, áreas com tanques de carcinicultura no seu interior. Nota-se a, através do gráfico da Figura 4, disparidade entre os valores de vegetação distribuídos entre as Regiões Político-Administrativos do município. É observado que a RPA3 apresenta 49% do total de áreas verdes do município do Recife, com quase 4.900 ha. Vale a ressalva que a área total da RPA-3 é de 7.867ha, o que representa quase um terço da área total do município. Uma provável explicação para maior preservação de áreas verdes nesta RPA é o fato que a mesma apresenta grande parte de sua área com ausência de vias, o que desacelera a ocupação humana de grandes proporções e a categorização de grande parte de sua área como Unidade de Conservação da Natureza (UCN) Beberibe a partir de Lei de Uso e Ocupação do Solo do ano de 1996 (LUOS – Lei Municipal 16.176/96 – Decreto 23.804/08). 1147 Anais XVI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE Figura 3. Distribuição das áreas vegetadas no município do Recife – PE e delimitação das Unidades de Conservação da Natureza (UCN). Já a RPA-4 apresenta a segunda maior distribuição espacial de áreas verdes do município do Recife-PE com um total de 1.974ha de áreas verde distribuídos espacialmente entre 12 bairros. Neste RPA pode ser destacadas áreas como o UCN Iputinga (LUOS 16.176/96 – Decreto 23.810/08) com 31,7ha, marcador 19 e a UCN APA Mata da Várzea (LUOS 16.176/96 – Decreto 22.154/06) com 713,1ha, marcador 7. Deste modo através da Tabela 1 é possível observar que a RPA 3 e a RPA 4 apresentam, respectivamente, ocupação de 62,2% e 46,9% de suas áreas pela vegetação. Tabela 1. Porcentagem da RPA ocupada por áreas verde no município do Recife – PE. RPA Área (ha) Área verde (ha) Porcentagem Figura 4. Distribuição de área verde por RPA (ha) no município de Recife – PE. 1 1.525,38 288,43 18,91 2 1.480,94 443,62 29,96 3 7.867,33 4.893,31 62,20 4 4.208,79 1.974,10 46,90 5 2.990,78 1.056,95 35,34 6 4.220,53 1.305,77 30,94 Foi observado que as RPA-1 e 2 apresentaram os menores valores de áreas verdes com cerca de 775ha o que representa 7% do total de áreas verdes observadas no município (figuras 5 e 6). Para a RPA-1 foi observado que as principais áreas verdes estão localizadas na Unidade Protegida Ilha do Zeca (Lei Municipal 16.869/03 – Decreto 23.825/08), marcador 1148 Anais XVI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE 18, com aproximadamente 31,8 ha, o Parque 13 de maio com 5.66ha, e as margens dos grandes rios que apresentam áreas de mangue distribuídas espacialmente por toda a RPA-1 com mais de 20 ha. Já para a RPA-2 pode ser destacadas fragmentos florestais como a UCN Dois Unidos (LUOS 16.176/96 – Decreto 23.808/08), marcador 1, com mais de 50 ha e diversas áreas com elevada declividade, o que vem dificultar a sua ocupação e permitir a manutenção da vegetação. 3.1. Potencial de arborização de áreas prioritárias Quando realizada a analise por bairros foi observado que 75 dos 94 bairros do município apresentam menos de 40% da área do bairro ocupado por áreas verdes e que em muitos casos estas áreas estavam concentradas em poucos lotes. Deste modo, conforme mencionado na metodologia, alguns destes bairros apresentaram condições favoráveis à arborização de vias, conforme pode ser observado através da Tabela 2. O conjunto de logradouros analisados apresentou condições de receber um total de 24.474 novos plantios de arvores de pequeno, médio e grande porte. Estima-se, com base nesses resultados, que esses plantios poderão representar um aporte de aproximadamente 37,6 hectares de área verde de copas, distribuídos nos logradouros dos bairros analisados. Tabela 2. Número de vias viáveis analisadas por bairros, potencial de plantio, estimativa futura de copa e proporção de potencial de plantio por bairro. N° de vias Potencial de Estimativa de cobertura Proporção por Bairros analisadas Plantio (mudas) futura de copa* (m²) bairro (%) Cordeiro 74 4.428 61.074 18 Engenho do Meio 29 1.755 31.420 7 Iputinga 34 1.479 31.391 6 Madalena 14 618 5.084 3 Prado 44 2.056 22.293 8 Torrões 23 1.040 9.386 4 Zumbi 13 426 6.280 2 Boa Viagem 198 12.672 20.8838 52 Total 429 24.474 375.766 100 * Estimativa da área realizada com base nos seguintes diâmetros de referência: pequeno porte = 3m de diâmetro da projeção horizontal da copa; médio porte = 5m de diâmetro da projeção horizontal da copa; grande porte = 7m de diâmetro de projeção horizontal da copa. Em testes de campo, verificou-se que as indicações de potencial de arborização resultantes da metodologia, ora apresentadas, responderam satisfatoriamente às condições reais, apesar das ocasionais variações, em virtude de recentes plantios, construções, erradicações de árvores, entre outros fatores distribuídos ao longo dos anos posteriores a aquisição da ortofotocarta do ano de 2007. É provável que a utilização de ortofotocartas atualizadas gere resultados mais precisos. 4. Conclusões Através da classificação supervisionada foi quantificado um total de 9.961,79ha de áreas verdes no município representando 44,68% da área total do município. Porém deste total de áreas verde cerca de 64% encontram-se localizadas nas Unidades de Conservação da Natureza (UCN). Dos 7.262ha de área distribuídas nas UCN, cerca de 5.580ha são efetivamente áreas vegetadas. Deste modo cerca de 23% da área das UCN apresentam outro tipo de uso do solo como residências e agrupamentos subnormais, tanques de carcinicultura entre outros. A metodologia utilizada mostrou-se satisfatória para o macroplanejamento da arborização da Cidade do Recife, demandando, para esta finalidade, baixo investimento de tempo e recursos financeiros. Ressalta-se que os moradores dos domicílios localizados nas áreas analisadas não foram consultados sobre a sua intenção e/ou interesse de plantar e acompanhar o crescimento de uma árvore, portanto, associar essa metodologia a um processo contínuo de 1149 Anais XVI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE educação ambiental poderá consolidar essa ferramenta na dinâmica da gestão ambiental urbana e na arborização de logradouros. O conjunto de logradouros analisados apresentaram condições de receber um total de 24.474 novos plantios de arvores de pequeno, médio e grande porte, sendo estimado, com base nesses resultados, um aporte de aproximadamente 37,6 hectares de área verde de copas. Agradecimentos Os autores agradecem ao Grupo de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento (SERGEO) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Referencias Bibliográficas ABNT. Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. NBR 9050. 97 páginas. 2004. ANDRADE, L. L.; COSTA, S. M. F.; CASTRO, R. M.; MOREIRA, R. C. Ilha de Calor e Segregação Espacial: estudo de caso – sítios da Macrozona Sul do município de São José dos Campos/SP. Anais... XIV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Natal, Brasil, 25-30 abril 2009, INPE, p. 1063-1070. 2009 CAPORUSSO, D. & MATIAS, L. F. Áreas verdes urbanas: avaliação e proposta conceitual. Anais... VIII Seminário de Pós-graduação em Geografia da UNESP. 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