Querida Duque de Caxias!
De uma grande sesmaria às margens do Rio Iguaçu, em 1566,
nasceu o que hoje conhecemos por Núcleo Colonial São Bento.
Importante ponto de passagem do ouro e da prata provenientes de
Minas Gerais, a região se desenvolveu, viu crescer um grande
arraial e tornou-se Vila Meriti, grande produtora de açúcar e
cachaça.
Veio a abolição da escravatura e, com ela, várias
transformações para região. Após um período de abandono e
estagnação, foi elevada à categoria de município, em 1943. Com a
emancipação, veio o grande incentivo em sua economia e tornouse porta de entrada dos emigrantes nordestinos que chegaram ao
Rio de Janeiro em busca de trabalho e na região estabeleceram
residência.
Duque de Caxias é hoje uma região em pleno crescimento,
destacando-se economicamente como o 8º maior PIB no ranking
nacional, 2º maior do Estado e 2º em arrecadação de ICMS.
Município que concentra o maior parque industrial do Rio de Janeiro
e abriga a REDUC, uma das maiores refinarias da Petrobras, além
de outras grandes empresas, é também o local da cultura e da
educação.
O Centro Cultural Oscar Niemeyer, obra do próprio arquiteto, a
Câmara Municipal de Duque de Caxias, o Instituto Histórico e o
Teatro Procópio Ferreira
são espaços que respiram cultura e
abrigam acervos que contam a história da cidade.
Região de bela paisagem de fauna e flora exuberantes, o
município de Duque de Caxias possui um rico patrimônio histórico,
destacando-se a Igreja Paroquial Nossa Senhora do Pilar,
construída em 1720.
A educação desponta com grandes investimentos e a presença
de instituições educacionais de renome no país. A educação pública
conta, hoje, com 174 unidades escolares e vem desenvolvendo um
projeto educacional que prima pela oferta de uma educação de
qualidade, visando transformações significativas na vida de seus
munícipes.
Grande é o meu contentamento, não só pela honra de poder
falar a muitos sobre a minha cidade, onde nasci, cresci, me
constitui quanto pessoa, adquiri conhecimento e cultura, casei, tive
filhos e hoje cumpro a feliz missão de estar a frente do Projeto
Municipal de Educação, mas também, de ver que existem pessoas,
como o nosso querido Arnaldo Niskier, a quem muito admiro, que
acreditam e vislumbram o potencial de nossa gente brasileira,
espalhadas por tantas terras, fazendo história, construindo cultura,
cultivando a vida, e que têm iniciativas como esta, de dar
visibilidade a estas pequenas grandes cidades, que contribuem tão
expressivamente para o progresso do Estado do Rio de Janeiro e do
país.
Duque de Caxias é assim. Terra que somente olhos que
espelham belas almas podem verdadeiramente ver, como os belos
olhos verdes de Hellenice Ferreira, que tão apaixonadamente
descreve em sua crônica nossa amada cidade.
Roseli Ramos Duarte Fernandes
Secretária de Educação de Duque de Caxias
Minha terra, seus cânticos e poesias
“As cidades, como os sonhos,
são construídas por desejos e medos”
Ítalo Calvino
Certa manhã fui despertada pela folia dos pardais que se
banhavam e conversavam numa queda d’água, ao lado de minha
casa. Eu era a única pessoa acordada, e porque era pequenina
pude sentir a felicidade deles como ninguém, por todos os meus
poros.
Lembro-me de ter ficado bem quieta, respiração suspensa para
ouvir tudo direitinho. Fiquei de pé, olhando para a janela por um
tempo, depois sorri sonolenta, deitei-me no chão e dormi de novo,
acalentada por aquele cântico festivo.
Foi meu primeiro alumbramento!
E, sendo criança, foi o maior deles.
Mais tarde, conhecendo o hino da minha terra, vi que os pardais
andaram despertando mais gente...
Francisco Barboza Leite, nordestino que viveu por aqui quase
cinquenta anos, artista plástico, poeta e jornalista, ao compor a
letra do Hino de Exaltação à Cidade de Duque de Caxias, já começa
dizendo “Todo arvoredo é uma festa de pardais acordando a
cidade”.
Meu Deus, o que é de uma cidade que tem como hino um poema?!
Não, Duque de Caxias não tem palmeiras onde cantam sabiás. É
muito mais simples. Afinal é um pequeno espaço deste imenso
Brasil. Mas não é menos querida, nem menos poética!
Minha cidade...
As cidades são dóceis com seus filhos. Às vezes quem vem de fora
vê. Às vezes não. Mas quem compreende que uma cidade é feita de
sonhos, desejos e medos, esse se apaixona. Esse compreende o
que é querer ficar. Ou voltar. O que é dizer com peito cheio “eu sou
de lá”.
Além do mais, nossa terra natal carrega imagens que nenhum
outro lugar do mundo guarda: as lembranças do nosso início.
Nascida em Duque de Caxias, todas as grandes descobertas que fiz
partiram daqui. Com exceção do mar que, se, como dizem, já
passou por aqui, eu ainda não tinha chegado.
E, sobre ela, ainda faço descobertas.
Dia desses fui a Xerém e, minha nossa, era borboleta azul, búfalo,
flores, plantas, cheiros que eu não conhecia.
E cada distrito – temos quatro - tem sua peculiaridade. Sua beleza.
Sua-nossa história.
Afinal, Duque de Caxias tem e faz história desde 1566!
E não foi equivocadamente que nosso brasão ganhou uma coroa.
De algum modo, também somos capital... Capital do afeto de seus
filhos, dos que a habitam, dos que a adotam e amam.
Ufanismo?! Pode ser.
Mas minha cidade é linda sim, e guerreira também.
Por aqui passou o imperador e sua família; dormiram os que
ergueram a capital do estado; emigraram nordestinos que a
fizeram e fazem crescer até hoje; nasceram e nascem todos os dias
meninos e meninas para os quais eu, e muitos outros educadores
ensinam, ajudando a construir uma história mais digna, justa e
feliz.
Nas escolas do nosso município além dos conteúdos gerais, as
crianças são regadas com histórias, todos os dias, para crescerem
leitoras e escritoras de uma nova realidade. Uma realidade em que
ouvir pardais pela manhã, ou decantá-los no hino, seja tão
igualmente terno que, cidadãos do mundo, andarilhos das mais
diversas estradas, sintam orgulho em dizer sempre: sou de Duque
de Caxias.
Hellenice Ferreira
Verão de 2011
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