UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA INSTITUTO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL CAMPUS PROFESSOR EDGARD SANTOS COLEGIADO DE GEOGRAFIA CARLA THAIS NUNES DA SILVA AVALIAÇÃO DA DINÂMICA HIDROCLIMÁTICA DA BACIA DO RIO PRETO BA Barreiras/ BA 2012 1 CARLA THAIS NUNES DA SILVA AVALIAÇÃO DA DINÂMICA HIDROCLIMÁTICA DA BACIA DO RIO PRETO BA Monografia apresentada ao curso de Geografia do Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal da Bahia – Campus Prof. Edgar Santos, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Bacharel em Geografia. Orientador: Profº. Drº. Marcelo de Oliveira Latuf Barreiras/BA 2012 2 CARLA THAIS NUNES DA SILVA AVALIAÇÃO DA DINÂMICA HIDROCLIMÁTICA DA BACIA DO RIO PRETO BA Monografia apresentada ao curso de Geografia do Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal da Bahia – Campus Prof. Edgar Santos, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Bacharel em Geografia. Orientador: Profº. Drº. Marcelo de Oliveira Latuf Aprovada em_______de_________________de______ Banca Examinadora ___________________________ _____________________________ Profa Ma. Crisliane Aparecida Pereira dos Santos Profº. Drº. Evanildo Santos Cardoso ________________________________________ Profº. Drº. Marcelo de Oliveira Latuf (Orientador) 3iii Aos meus pais, Carlos Alberto Machado da Silva e Valdineia Nunes da Silva, pelo apoio e incentivo. Ao meu irmão Tiago e demais familiares pelo carinho e ao meu grande amigo e companheiro Edson Moura pela compreensão. 4iv AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, que me concedeu a vida e a oportunidade de fortalecer minha fé, guiando-me com coragem, esperança, saúde, humildade e proteção através das inúmeras dificuldades que me foram apresentadas durante essa jornada. Aos meus pais, Carlos e Valdineia pelo incentivo e amor que somente uma família é capaz de prover. Ao meu irmão Tiago pelo apoio. A toda família, na figura de avós, tios e primos que sempre apoiaram meus estudos. Em especial a vó Ercília a quem tanto negligenciei durante o período de construção dessa pesquisa, obrigado pela compreensão e desculpe pela minha constante ausência nos momentos em que deveria estar presente. Aos meus amigos Iann Dellano, Sarah Raquel, Eva e Iane, pelos melhores momentos que a amizade pode nos proporcionar. Vocês são os meus amores de uma vida inteira. Em especial ao meu companheiro e grande amigo Edson, pela compreensão e presença nos bons e maus momentos, por estar sempre disposto a me ajudar superá-los, através de sua visão sempre tão positiva da vida que muito me conforta. Obrigado por todo amor dedicado a mim. Aos colegas de graduação Iann Dellano, Nayara (Secrets), Eneas (Phil), Maria Alice, Jamires, Manu, Georghinton, Patrícia e Queuren Camille (in memoriam) seja pela importantíssima ajuda na construção dessa pesquisa ou pelos momentos hilários e de aprendizado no Diretório acadêmico e as muitas risadas que me proporcionaram durante os anos de graduação. Em especial ao meu orientador Marcelo de Oliveira Latuf, pela humildade e imensa paciência em compartilhar os ensinamentos e experiências, possibilitando a realização dessa pesquisa. O meu obrigado pelo apoio e incentivo. A Universidade Federal da Bahia e ao Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (ICADS), que me concedeu esta oportunidade e colaborou em diversas formas até a minha formação. Aos professores do curso de geografia e do ICADS: Evanildo Cardoso, Paulo Baqueiro, Pablo Santos, Janes Lavoratti, Marcos Mondardo, Antônio Lobo e Anatalia bem como aos ex-professores Ricardo Reis e Elane Borges. 5v “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor.” Salmos 27:14 6vi LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABRH – Associação Brasileira de Recursos Hídricos AHSFRA – Administração da Hidrovia do São Francisco ANA – Agência Nacional das Águas. APA – Área de Preservação Ambiental CPTEC – Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ENOS – El Niño Oscilação Sul HIDROWEB – Sistema de Informações Hidrológicas INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ODP – Oscilação Decadal do Pacifico PERH – BA – Plano Estadual de Recursos Hídricos da Bahia PNRH – Plano Nacional de Recursos Hídricos SEI - Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia SIG - Sistemas de Informação Geográfica SNIRH – Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos SRH - Superintendência de Recursos Hídricos SRTM – Shuttle Radar Topography Mission. vii 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Localização da bacia do rio Grande.................................................18 Figura 2 – Localização da bacia do rio Preto.....................................................19 Figura 3 – Geologia da bacia do rio Preto.........................................................20 Figura 4 – Geomorfologia da bacia do rio Preto................................................22 Figura 5 – Pedologia da bacia do rio Preto........................................................23 Figura 6 – Clima da bacia do rio Preto..............................................................26 Figura 7 – Uso e ocupação do solo da bacia do rio Preto.................................28 Figura 8 – Organograma metodológico.............................................................45 Figura 9 – Website da Embrapa (Programa Brasil em Relevo).........................46 Figura 10 – Website do Portal Hidroweb...........................................................49 Figura 11 – Localização das estações pluviométricas utilizadas.......................50 Figura 12 – Localização das estações fluviométricas na bacia do rio Preto.....51 Figura 13 – Precipitação média na bacia do rio Preto em 1952........................57 Figura 14 – Precipitação da bacia do rio Preto no ano de 1980........................58 Figura 15 – Série temporal do Índice de ODP...................................................61 Figura 16 – Desmatamento na bacia do rio Preto de 1975 à 2010...................69 Figura 17 – Área preservada da APA na bacia do rio Preto em Santa Rita de Cássia................................................................................................................70 Figura 18- Encontro do rio Preto com rio Grande na foz da bacia....................71 Figura 19 – Desmatamento na bacia do rio Preto na área da APA no ano de 2010...................................................................................................................81 viii 8 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Distribuição da precipitação em torno média interanual no período de 1942 a 2006..................................................................................................55 Gráfico 2 - Variação de períodos da precipitação média interanual de 1942 a 2006...................................................................................................................59 Gráfico 3 - Desvios em relação à média da precipitação interanual no período de 1942 a 2006..................................................................................................62 Gráfico 4 - Análise da continuidade de vazão média de longo período ...........................................................................................................................63 Gráfico 5 - Análise da continuidade de vazão mínima de longo período...............................................................................................................63 Gráfico 6 - Vazões médias anuais da estação 46790000 no período de 1942 a 2006...................................................................................................................64 Gráfico 7 - Períodos hidrológicos das vazões médias anuais de 1942 a 2006 (estação 46790000)...........................................................................................65 Gráfico 8 - Desvios das vazões médias anuais em relação à vazão média interanual (estação 46790000)..........................................................................66 Gráfico 9 - Variação de períodos da vazão média interanual de 1977 a 2006 (estação 46790000)...........................................................................................67 Gráfico 10 - Desmatamento no alto, médio e baixo curso da bacia do rio Preto nos anos de 1975 e 2010 ................................................................................70 Gráfico 11 - Vazões médias anuais da estação 46870000 no período de 1942 a 2006...................................................................................................................72 Gráfico 12 - Períodos hidrológicos das vazões médias anuais de 1942 a 2006 (estação 46870000)...........................................................................................73 Gráfico 13 - Variação de períodos das vazões médias anuais de 1977 a 2006 (estação 46870000)...........................................................................................74 Gráfico 14 - Desvios das vazões médias anuais em relação à vazão média interanual (estação 46870000)..........................................................................75 Gráfico 15 - Vazões mínimas anuais para o período de 1942 a 2006 (estação 46790000)..........................................................................................................76 Gráfico 16 - Variação de períodos da vazão mínima interanual de 1942 a 2006 (estação 46790000).......................................................................... ................77 9 ix Gráfico 17 - Desvios das vazões mínimas anuais em relação à vazão média interanual (estação 46790000)..........................................................................79 Gráfico 18 - Variação de períodos da vazão mínima interanual de 1977a 2006 (estação 46790000)...........................................................................................80 Gráfico 19 - Vazão mínima anual para o período de 1942 a 2006 (estação 46870000)..........................................................................................................82 Gráfico 20 - Variação de períodos da vazão mínima interanual de 1942 a 2006 (estação 46870000)...........................................................................................83 Gráfico 21 - Desvios em relação à média da vazão mínima anual (estação 46870000)..........................................................................................................84 Gráfico 22 - Variação de períodos da vazão mínima interanual de 1977 a 2006 (estação 46870000)...........................................................................................85 X10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Classes de uso e ocupação do solo em 2003.................................29 Tabela 2 – Estações pluviométricas utilizadas..................................................50 Tabela 3 – Estações fluviométricas utilizadas...................................................51 Tabela 4 – Ocorrência de La Niñas no período-base.......................................56 Tabela 5 – Ocorrência de El Niños no período-base........................................56 11xi SUMÁRIO RESUMO......................................................................................................... xiv 1– INTRODUÇÃO ............................................................................................ 15 1.1– Justificativa ....................................................................................... 16 1.2 – Objetivos .......................................................................................... 17 1.2.1 – Geral............................................................................................ 17 1.2.2 - Específicos ................................................................................... 17 2 - CARACTERIZAÇÃO DA BACIA DO RIO PRETO ..................................... 18 2.1 - Aspectos físicos da bacia do rio Preto .......................................... 20 2.1.1 - Geologia ...................................................................................... 20 2.1.2 – Geomorfologia ............................................................................ 21 2.1.3 – Pedologia ................................................................................... 23 2.1.4 – Clima .......................................................................................... 25 2.1.5 – Uso e Cobertura do solo ............................................................. 26 3 – MARCO TEÓRICO .................................................................................... 29 3.1 - Política Nacional de Recursos Hídricos. ....................................... 30 3.2 - Gestão de recursos hídricos .......................................................... 33 3.3 - Regime hidrológico em bacias hidrográficas ............................... 36 4 – MATERIAIS E MÉTODOS ......................................................................... 44 4.1 – Base cartográfica ............................................................................ 46 4.1.1 – Download de imagens SRTM ...................................................... 46 4.1.2 – Tratamento de imagem SRTM .................................................... 47 4.1.3 – Dados cartográficos da SEI ......................................................... 47 4.1.4 – Dados secundários ...................................................................... 48 4.1.5 – Caracterização da bacia .............................................................. 48 4.2 – Base hidroclimática........................................................................ 48 4.2.1 – Aquisição de dados hidrológicos ................................................. 48 4.2.2 – Tratamento dos dados hidroclimáticos ........................................ 52 4.2.2.1 – Precipitação ........................................................................ 52 4.2.2.2 – Vazão ................................................................................. 53 4.3 – Definição de períodos hidrológicos............................................... 54 5 – RESULTADOS E DISCUSSÕES ............................................................... 54 5.2.– Continuidade de vazão na bacia do rio Preto ............................... 62 12 xii 5.3– Vazões médias da bacia do rio Preto ............................................. 64 5.4 – Vazões mínimas da bacia do rio Preto. ......................................... 76 6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................... 86 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 88 APÊNDICE ...................................................................................................... 94 xiii 13 SILVA, Carla Thais Nunes da. Avaliação da dinâmica hidroclimática na bacia do rio Preto-BA. Monografia (Graduação) – Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável, Universidade Federal da Bahia, Barreiras/BA, 2012. RESUMO Para a gestão e o planejamento adequado dos recursos hídricos é fundamental conhecer o comportamento hidrológico da bacia hidrográfica e principalmente, suas relações com os agentes econômicos e socioambientais presentes ao longo de toda a área de contribuição. A presente pesquisa busca elucidar questões relacionadas a avaliação da dinâmica hidroclimatológica, entre os anos de 1942 a 2006, na bacia do rio Preto que abrange os municípios de Formosa do Rio Preto, Santa Rita de Cássia e Mansidão localizados no Oeste da Bahia. Para alcançar os objetivos da pesquisa, foram adquiridos dados anuais de precipitação e vazões (médias e mínimas), das estações localizadas na bacia do rio Preto e arredores, disponibilizados pela Agência Nacional de Águas (ANA), através do sistema Hidroweb, sendo o processamento dos dados realizado pelos softwares Hidro 1.2 e SisCAH 1.0. Para o processamento e análise foram realizados processos de interpolação dos dados de precipitação no software ArcGis 9.3, preenchimento de falhas de dados e aplicação do teste homogeneidade (Teste de Pettitt) utilizando o aplicativo XLSTAT ©. Diante desses procedimentos, concluiu-se que houve acréscimo da precipitação média anual após 1975 na série histórica selecionada para estudo, e decréscimo das vazões médias e mínimas que estão relacionadas a expansão da agricultura tecnificada, e diminuição na áreas de Cerrado na bacia, onde foram constatados períodos de ciclicidade (ODP) que prognostificam um possível cenário de acirramento pelo uso da água. Palavras–chave: variabilidade climática, bacia hidrográfica, regime hidrológico, gestão e planejamento de bacia. 14 xiv 1– INTRODUÇÃO A água, além de indispensável à sobrevivência no Planeta, é um fator determinante para o desenvolvimento de uma sociedade e suas atividades econômicas, sendo as bacias hidrográficas, o locus de modificação das transformações ocorrentes nesse sistema. O desenvolvimento da agricultura e da sociedade organizada sempre esteve vinculado ao controle da água, especialmente para irrigação. As antigas civilizações como a do Egito, da China, da Índia e da Mesopotâmia, foram consideradas pelos estudiosos como civilizações hidráulicas. Visto que tanto a sua ascensão, quanto seu decaimento estavam relacionadas ao uso e abuso da água. A intromissão e modificação do regime hidrológico pelo Homem têm continuado até o presente. Com o avanço da tecnologia, o grau de interferência expandiu-se, gerando novas variáveis a serem consideradas em estudos ambientais. A região Oeste da Bahia, onde se situa a bacia hidrográfica do rio Preto é uma das que mais crescem economicamente em função da exploração agrícola, cuja intensificação se deu na década de 1980 e vem registrando taxas acima das contabilizadas pelo país, desmatando cada vez mais as áreas de Cerrado para implantação de cultivos associados a commodities agrícolas. Assim, tendo a agua como recurso, buscou-se desenvolver ao longo desta pesquisa, a análise de precipitação e vazão (média e mínima) associadas à variabilidade climática, desmatamento e dinâmica hidrológica, com intuito de compreender a influência destas variáveis existentes no comportamento hidrológico ocorrente na bacia do rio Preto. Sendo o conhecimento da dinâmica hidrológica de expressiva importância para o pleno planejamento e gestão da bacia e dos recursos hídricos, e constatada as alterações no regime hidrológico da bacia do rio Preto, associadas principalmente às mudanças no uso do solo e variabilidade climática, surge a necessidade de pesquisas que conduzam ao uso racional de suas potencialidades e auxiliem na formulação de projetos voltados para a melhor gestão dos recursos hídricos nas bacias da região Oeste. 15 1.1 – Justificativa Entre todos os problemas ambientais brasileiros conhecidos, acredita-se que o maior deles é a deterioração dos recursos hídricos, uma vez que a maioria dos rios ligados as atividades antrópicas encontram-se deteriorados. Nesse aspecto, os problemas enfrentados quanto à utilização dos recursos hídricos, induziram a concepção da utilização do conceito, bacias hidrográficas, nas pesquisas ambientais (TUCCI, 2001). Desde início da década de 1980 as atividades agrícolas se destacam na região do Oeste Baiano, impulsionadas por subsídios governamentais e investimentos de empresários rurais. Essa gama de investimentos resultou na modificação do uso e da ocupação do solo, refletindo na constante modificação da paisagem natural desses ambientes. Os recursos da bacia do rio Preto são essenciais às atividades econômicas e socioambientais de povoados dos municípios de Formosa do Rio Preto, Santa Rita de Cássia e Mansidão, localizados no Oeste da Bahia. A bacia apresenta ainda distintas paisagens dentro do seu território, fruto dos diferentes tipos de solo, clima, vegetação e do atual uso e ocupação. Essa rápida e intensa mudança no uso e ocupação das terras pode produzir ou intensificar impactos ambientais antes de baixo impacto na região, tais como: erosão hídrica e eólica, perda de hábitats, alteração dos povoamentos e populações faunísticas, diminuição da vazão dos rios que drenam a região, assoreamento, erosão genética e redução da biodiversidade. Em particular, a questão da conservação dos solos e, sobretudo, da água, torna-se cada vez mais relevante (BATISTELLA et al, 2008). Nesse sentido, diagnosticar a situação em que se encontram os recursos hídricos de uma determinada bacia, passa a ser um instrumento necessário para a preservação, visando não só a manutenção da água enquanto recurso, como também dos solos, vegetação e fauna existente nesse sistema (STEINK, 2004). A exploração dos recursos naturais, somada ao histórico de desmatamento existente e ao uso dos recursos hídricos na bacia do rio Preto, sugere estudos científicos, visto a carência de pesquisas na área. Portanto, a relevância dessa pesquisa situa-se na análise de dados, que irão demonstrar a 16 atual situação da dinâmica hidrológica da bacia, frente às atividades implantadas e as possíveis consequências ambientais geradas por estas. Segundo Moreira et al. (2010) o conhecimento de dados hidrológicos constitui informação básica para a tomada de decisão, em diversos estudos voltados ao planejamento e gestão de recursos hídricos, tais como processos de outorga, dimensionamentos de obras hidráulicas, planejamentos agrícolas, abastecimento, dentre outros. Nesse sentido, o conhecimento da dinâmica hidrológica de uma bacia é de fundamental importância nos estudos ambientais, isso porque permite o conhecimento da dinâmica anual e interanual de vazões, variabilidade climática e ocorrência de fenômenos climáticos para a adoção de programas de gestão e planejamento de recursos hídricos, a fim de prever respostas a impactos no sistema hídrico. Portanto, a análise de dados hidroclimatológicos constitui em informações básicas a diversos estudos, principalmente na ciência Geográfica. Nesse sentido, a elaboração dessa pesquisa para a bacia hidrográfica do rio Preto irá permitir a utilização destes dados, para a obtenção de conhecimento de diversos aspectos e a construção de um banco de dados de informações com várias finalidades quantitativas e qualitativas, que servirão como subsídio à gestão pública no processo de planejamento e gestão de recursos hídricos visando a elaboração do Zoneamento Ecológico-Econômico da bacia. Os levantamentos realizados neste estudo irão proporcionar a construção do conhecimento científico sobre a temática dos recursos hídricos, e mais propriamente uma fonte de pesquisa relacionada a bacia do rio Preto, que se encontra rica em aspectos de biodiversidade, porém carente em termos de estudos científicos que possam apresentar suas potencialidades e fragilidades. 1.2 - Objetivos 1.2.1 – Geral Avaliação da dinâmica hidrológica das vazões e precipitações anuais e interanuais na bacia hidrográfica do rio Preto. 17 1.2.2 - Específicos Adquirir dados anuais de precipitação e vazões (médias e mínimas), das estações localizadas na bacia do rio Preto e arredores; Processar e analisar dados de precipitação e vazão com intuito da compreensão de sua dinâmica temporal; Analisar a relação entre o desmatamento e a dinâmica hidroclimatológica na bacia do rio Preto. 2 - CARACTERIZAÇÃO DA BACIA DO RIO PRETO A bacia hidrográfica do rio Grande localiza-se a Oeste do estado da Bahia, sendo a principal sub-bacia do São Francisco. (Figura 1) A área drenada pelo rio Grande e seus afluentes é de aproximadamente 78.491 km² (AHSFRA, 2010). A bacia do rio Grande faz limite com a bacia do Parnaíba, ao norte, e a oeste com a bacia do Tocantins. Figura 1 – Localização da bacia do rio Grande 18 A sub-bacia do rio Grande representa 12,6% da área de drenagem da bacia do São Francisco, e abrange a maior contribuição potencial de sua vazão com o percentual de 14,2% (PEREIRA, 2007). O rio Grande segue na direção Sudoeste-Nordeste, onde recebe seus principais afluentes pela margem esquerda, sendo estes o rio das Fêmeas, rio de Ondas, rio Branco e rio Preto, tendo bacias de drenagem com áreas, respectivamente, de 5.930 km², 5.580 km², 7.640 km² e 22.386 km² (AHSFRA, 2010). Todos esses afluentes seguem em direção geral oeste-leste, onde somam-se os deflúvios das cabeceiras, oriundas do Planalto do Urucuia. Pela margem direita, o rio Grande recebe como afluente mais importante o rio São Desidério, com uma área de drenagem de 6.320 km², além dos rios Tamanduá e Boa Sorte, ambos de menor porte (AHSFRA, 2010). A bacia do rio Preto ocupa toda a parte setentrional da bacia do rio Grande, sendo um dos principais contribuintes da margem esquerda da bacia do rio Grande, que por sua vez contribui diretamente com o rio São Francisco. O rio Preto atravessa os municípios baianos de Formosa do Rio Preto, Santa Rita de Cássia e Mansidão (Figura 2), desaguando no rio Grande, próximo a Serra do Boqueirão, no município de Mansidão. Figura 2 – Localização da bacia do rio Preto 19 2.1 - Aspectos físicos da bacia do rio Preto 2.1.1 - Geologia A bacia do rio Preto apresenta expressiva diversidade geológica, sendo constituída pelas formações Sítio Novo, Serra da Mamona, Granitóide Mansidão, Canabravina, Coberturas Dentrito-Lateritícas, Depósitos Aluvionares, Formação Urucuia e Grupo rio Preto (Figura 3). Figura 3 – Geologia da bacia do rio Preto A Formação Urucuia distribui-se pelos estados da Bahia, Tocantins, Minas Gerais, Piauí, Maranhão e Goiás, onde ocupa uma área estimada de 120.000 km2. Deste total, cerca de 80% encontram-se na região oeste do estado da Bahia (BOMFIM e GOMES, 2009). A formação Urucuia no alto curso da bacia do rio Preto se constitui na unidade mais representativa, com aproximadamente 49,95% da área, onde forma uma estrutura sedimentar que constitui o Chapadão ocorrente na bacia. Por toda sua extensão a Formação Urucuia recobre as rochas do Grupo 20 Bambuí, que esta capeada por sedimentos quaternários ao longo das drenagens, o que demonstra sua importância no sistema hídrico (PDRH, 1993). Sobre essa feição geológica, Bomfim e Gomes (2009) ressaltam que a Formação Urucuia é caracterizada, como uma unidade neo-cretácica, com espessura máxima de 400 metros, constituída por arenitos finos a grosseiros, alternados a níveis de pelitos, tendo na base arenitos conglomeráticos e conglomerados. É recoberta, em grande parte, por coberturas cenozóicas aluvionares, coluvionares e eluvionares. Gaspar et al (2006) apontam para a existência do Sistema Aqüífero Urucuia que representa uma associação de aqüíferos que ocorrem em arenitos flúvio-eólicos da Formação Urucuia, Neocretáceo da bacia Sanfranciscana, que compõem a maior parte da cobertura fanerozóica do Cráton do São Francisco. A área de abrangência do Sistema Aqüífero Urucuia inclui, a grosso modo, a mesma área de extensão da Formação Urucuia. Essa porção da Bacia Sanfranciscana representa a maior expressão em área contínua, que ocorre no oeste da Bahia, contribuindo com a infiltração de água no solo e consequentemente com as vazões mínimas ou de recarga da bacia do rio Preto (GASPAR et al, 2006). Além do Formação Urucuia, destacam-se as Coberturas DetritoLateríticas, no baixo curso da bacia do rio Preto, formada por rochas ígneas e sedimentares, material inconsolidado (SEI, 2011), tendo a segunda maior representatividade com 29,11% do total da área na bacia. Os depósitos Aluvionares distribuem-se preenchendo as calhas da principal rede de drenagem, estendendo-se pelas planícies de inundação. Constituem-se essencialmente de areias, cascalhos, silte e argila, com grãos de quartzo (PDRH, 1993). 2.1.2 – Geomorfologia Sobre as unidades geomorfológicas da bacia hidrográfica do rio Preto, são encontradas formações da Chapada Ocidental do São Francisco, a Serra Geral do Espinhaço, Região de Acumulação e as Depressões Periféricas/Interplánalticas (SEI, 2011) (Figura 4). 21 Figura 4 – Geomorfologia da bacia do rio Preto Os processos de gênese do relevo da bacia do rio Preto possuem feições que apontam para processos resultantes de atividades tectônicas datadas do Paleoproterozóico, tendo seus processos sedimentares iniciados no Cambriano e que perduraram até o Cretáceo, ocasionado pela epirogênese do continente Sul-Americano, e que ainda atua na paisagem (ALVES et al, 2011). Nessa perspectiva, Alves et al (2011) apontam que o processo de dissecação do relevo provocou a formação de unidades morfoesculturais diferentes, dentre eles: Chapadão Ocidental do São Francisco, Patamares do Rio São Francisco/Tocantins e Depressão do São Francisco. A diferença de altitude entre a Chapada e a Depressão é de aproximadamente 300 metros, mas o índice de declividade é extremamente baixo, devido ao fato da transição entre eles ser feita pelo Planalto em Patamares, o qual possui as maiores declividades. No médio curso há um acentuado aumento da declividade local, onde ocorre um “estrangulamento” da bacia e afloramentos rochosos, que contribuem para o aumento da dissecação. Tschiedel (2004) acrescenta que o relevo em determinadas áreas da bacia do rio Preto é predominantemente plano, com algumas partes suaves onduladas. Compreende desde o sopé do 22 Planalto até o conjunto das serras do Boqueirão, Muquém, Ponta do Morro e o Rio São Francisco,com variação altimétrica de 400 aos 600 metros. Sobre a representatividade das unidades geomorfológicas identificadas na bacia do rio Preto, a Chapada Ocidental do São Francisco totaliza 55,09% da área, seguida pelas Depressões Periféricas e Interplanálticas com 42,23%, Região de Acumulação e Serra Geral do Espinhaço totalizam respectivamente, 1,52% e 1,16% da área. 2.1.3 – Pedologia No que se refere aos tipos de solo que bacia hidrográfica do rio Preto, é possível perceber uma variedade de três classes, sendo elas: o Gleissolo Háplico, Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico e eutrófico, Neossolo Quartzarênico, Neossolo Litólico e Neossolo Quartzarênico (Figura 5). O Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico é o tipo de solo mais representativo encontrado na bacia do rio Preto, correspondendo com 58,21% da área (SEI 2003). Figura 5 – Pedologia da bacia do rio Preto Os latossolos são caracterizados por serem profundos (bem desenvolvido), com transição gradual entre os horizontes e textura uniforme 23 (LEPSCH, 2002). Sendo solos bem drenados, porosos e profundos, tendo horizonte diagnóstico Bw. Distrófico, e bastante rico em ferro e/ou alumínio, essa tipologia de solo geralmente se encontra localizado em áreas planas, fazendo propícia a utilização pela agricultura mecanizada. Os latossolos que são provenientes dos arenitos do Formação Urucuia, também possuem como mineral predominante o quartzo na fração areia (EMBRAPA,2011). De acordo com seu ambiente de ocorrência no Cerrado, os latossolos ocupam as áreas planas a suave-onduladas, sejam chapadas ou vales. Ocupam ainda as posições de topo até o terço médio das encostas suaveonduladas (EMBRAPA, 2011). O Neossolo Quartzarênico apresenta textura arenosa, profundidade maior que um metro sendo, que a fração areia é constituída por grãos de quartzo, material extremamente resistente ao intemperismo (LESPCH, 2003). Sobre a ocorrência dessa tipologia que representa 28,54% da bacia, Gaspar (2006, p.42) aponta que: Os Neossolos ocorrem em áreas mais restritas relativamente aos Latossolos. Consistem de Neossolos Quartzarênicos e Litólicos. Os Neossolos Quartzarênicos abrangem áreas de relevo plano e associam-se, às vezes, com Latossolos e Neossolos Litólicos. Os Neossolos são considerados solos drenados, arenosos (textura areia e areia franca), na qual há ausência de minerais secundários, possuindo alta resistência ao processo de intemperismo (CONTI e FURLAN, 2003). Alves et. Al. (2011), identificaram na bacia essa tipologia geralmente associada nas margens dos rios, justificando a presença abundante de água que intensifica o processo químico de redução, e deixa o solo com uma coloração acinzentada. O Gleissolo Háplico é um solo desenvolvido em materiais inconsolidados (sedimentos ou saprolito) e muito influenciado por ocorrências de “encharcamento prolongado” (LESPCH, 2003, p. 112), que na dinâmica da bacia, resulta na formação das margens do rio principal e alguns tributários na bacia do rio Preto, totalizando 1,46% da área. 24 Sobre suas características gerais podem apresentar tanto argila de baixa atividade, quanto de alta atividade, são solos pobres ou ricos em bases ou com teores de alumínio elevado. Como estão localizadas em baixadas, próximas as drenagens, suas características são influenciadas pela contribuição de partículas provenientes dos solos das posições mais altas e da água de drenagem, uma vez que são formados em áreas de recepção ou trânsito de produtos transportados (EMBRAPA, 2007). 2.1.4 – Clima O clima da região do Oeste Baiano propicia um importante papel na forma de ocupação e manejo do solo, desde a época das primeiras ocupações até hoje, exerce uma influência direta nas atividades agrícolas da região, assim como no uso dos recursos hídricos (GASPAR, 2006, p. 46). Na região do Oeste Baiano o clima é classificado como um clima Tropical, com inverno seco - do tipo Aw, segundo Köppen (GASPAR, 2006). Os índices pluviométricos na bacia do rio Preto variam entre 800 e 1600 mm anuais, concentrando-se as chuvas nos meses de novembro a março. Sobre as lâminas de precipitação e sua distribuição ao longo da área da bacia (ALVES et al , 2011) acrescentam que: Os maiores níveis localizam-se na porção extremo oeste e diminuem a medida que avança para o leste. A precipitação é o mais importante elemento de caracterização do clima, que por sua vez configura-se como fator determinante na vegetação, solos e geomorfologia de um determinado local. Em relação ao clima da bacia do rio Preto (Figura 6), encontra-se o clima semi-úmido, que totaliza 99,75% de ocorrência na área da bacia, com variação de 4 a 5 meses secos (SRH, 2003). O clima semi-úmido se apresenta no limite oeste do estado da Bahia, ao longo da cabeceira das sub bacias dos afluentes da margem esquerda do rio São Francisco, Corrente e Grande, abrangendo uma faixa vertical limitada ocidentalmente pelos Estados de Goiás e Tocantins (PERH-BA, 2003). 25 Figura 6 – Clima da bacia do rio Preto Próximo a área de foz o domínio climático semi-árido é representado com 0,25 % de ocorrência na área da bacia,com incidência de 6 meses secos por estar em área de transição entre clima tropical e semi-árido, apresentando um decréscimo da precipitação e um déficit moderado de água (SRH,2003). Existem dois períodos sazonais bem definidos no decorrer do ano, um úmido e quente, de novembro a abril, e outro seco, de julho a setembro, (PERH-BA, 2003). 2.1.5 – Uso e cobertura do solo A região dos Cerrados Baianos a partir da década de 1980 sofreu uma reestruturação produtiva com a implantação do agronegócio, durante a chamada política da Revolução Verde. Sobre esse processo de implantação das agroindústrias Souza et al (2010) afirmam, que a década de 1980, é marcada pela modernização da agricultura brasileira. Entre as várias consequências dessa modernização, temse um intenso fluxo de migrantes, principalmente da região Sul do país, ocupando as áreas de Cerrado, estendendo-se até a parte Oeste Baiano, 26 aproveitando as vantagens naturais da região para o estabelecimento de lavouras para fins comerciais e processamento industrial, servindo como base para a implantação e consolidação de diversas agroindústrias, que vão se estabelecer ao longo do tempo. Desde então, extensas fazendas de soja passam a ocupar o espaço que antes eram ocupados pela vegetação natural do Cerrado em seus diferentes portes, de modo que as mudanças nas dinâmicas naturais do meio, tornam-se evidentes e surgem as preocupações voltadas para a capacidade do ambiente de suportar as técnicas utilizadas. Sobre os efeitos dessa ocupação nos Cerrados Baianos, Alves (2010, p.02) ressalta que: A ocupação mal planejada, como foi feita no passado, acabou gerando uma grande quantidade de desequilíbrios no meio ambiente local e regional, como por exemplo, alteração do regime hídrico, supressão excessiva da vegetação e aumento exagerado da erosão de solo [...]. Na bacia hidrográfica do rio Preto o agronegócio mistura-se, em muitos casos, se destaca na paisagem do Cerrado do Oeste Baiano. Alves et al (2011,p.140) enfatizam sobre o processo de implantação do agronegócio propriamente na área da bacia : Com o advento da cultura do agronegócio regional a partir da década de 80, vastas áreas de Cerrado foram substituídas por agricultura mecanizada, visando a produção/exportação de produtos primários entre os quais o que mais se destaca é a soja. [...] a porção oeste da bacia (Formosa do Rio Preto) é a que mais vem passando por alterações na paisagem, representada pela cultura temporária de soja, algodão, milho, etc. Além das atividades ligadas ao agronegócio, na bacia do rio Preto abarcam atividades econômicas desenvolvidas pelos municípios que compreendem a área da bacia, como a pecuária e a agricultura de subsistência que representam 23,07% da área (SEI, 2003) (Figura 7). No alto curso da bacia as características físicas do relevo plano, propiciaram a implantação de atividades ligadas a agricultura, onde há também uma maior ocorrência das áreas de Cerrado, tipologia que totaliza 59,4% da área da bacia no ano de 2003. 27 Figura 7– Uso e ocupação do solo da bacia do rio Preto O médio e baixo curso da bacia tem como características físicas o relevo parcialmente ondulado, sendo área de transição para o bioma Caatinga com 10,5% de representatividade e Cerrado. Destaca-se a agropecuária como principal atividade econômica dos municípios de Santa Rita de Cássia e Mansidão, visto que as condições vigentes na área não favoreceram a implantação da agricultura mecanizada (ALVES et al, 2011) . Nas áreas que apresentam relevo plano (Chapada), encontra-se uma vegetação com aspectos variáveis numa gradação que vai do Campo Sujo de Cerrado (graminoso) ao Capão de Mata, com vegetação densa de árvores e arbustos (TSCHIEDEL, 2004). É necessário apontar que a bacia do rio Preto encontra-se ainda preservada em determinados setores, essa preservação se deve pela existência da Área de Proteção Ambiental do Rio Preto (APA), que ocupa uma área, de 4.536 hectares e abrange os municípios de Formosa do Rio Preto, Santa Rita de Cássia e Mansidão (Instituto BIOESTE, 2009). 28 A APA do Rio Preto1 foi criada com o objetivo de conservar o bioma Cerrado e os remanescentes de Mata Atlântica na bacia do rio Preto. Sobre a diversidade de biomas existentes na área da bacia do rio Preto. Alves et al. (2011, p. 138 ) ressaltam que: A variação de precipitação na bacia do rio Preto proporciona um mosaico de vegetações. Os portes de vegetação variam desde uma Floresta Ombrófila Estacional, remanescente da expansão da Floresta Atlântica em períodos mais úmidos, nas porções a oeste e as margens dos rios principais (alto e médio curso), até uma zona de tensão ecológica entre porções de Caatinga e Cerrado, no leste da bacia. De acordo com Alves et al (2011) “a bacia do rio Preto ainda se encontra conservada ambientalmente, considerando o impacto da ação antrópica frente a sua área de cobertura natural”. A área de Cerrado, por exemplo, representa 59,4% (Tabela 1) área da bacia do rio Preto. Tabela 1 – Classes de uso e ocupação do solo em 2003 Classe Área (Km2) Agricultura / Pecuária 4.171,72 23,07 Área Urbana 5,23 0,06 Campo limpo 112,12 0,45 Caatinga arbustiva 1.656,03 10,5 Cerrado 15.055,50 59,4 Floresta estacional 1.023,36 4,4 lago,açude,represa 111,49 0,7 Reflorestamento 0,47 0,002 Vereda 250,9 1,4 TOTAL 22.386,00 Área (%) 100% Fonte: SEI (2003). 1 Decreto Nº 9.441 de 06 de junho de 2005. À vista do disposto na Lei nº 6.569, de 17 de janeiro de 1994 e na Lei Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000. 29 3 – MARCO TEÓRICO 3.1 - Política Nacional de Recursos Hídricos Para compreender a atual política de recursos hídricos do Brasil, tornase necessário um resgate histórico, referente a criação da legislação sobre as águas e a promulgação dessa Lei, que confere ao Brasil uma redação jurídica relacionada à gestão dos recursos hídricos. A água sempre foi um bem em nosso país, desde o período colonial e serviu como arrimo ou moeda de troca para atender a interesses políticos e (ou) econômicos, principalmente no cultivo da cana-de-açúcar. Nesse período, a figura do Rei era responsável pela concessão da exploração dos corpos hídricos (RAMOS, 2007). A partir da promulgação da República em 1889, o Brasil não possuía uma legislação que fizesse referência à utilização dos recursos hídricos de forma coerente, fora a partir da Constituição de 1934, que foram criadas leis, que tratavam sobre o uso da água. Nesse sentido, Ferreira (2003, p.04) nos afirma que: A Constituição Federal de 1934 foi a que primeiro trouxe a tona a discussão sobre o tema hídrico, de forma clara e considerando os aspectos econômicos e de desenvolvimento que nele se incluem. Esta Carta Constitucional estabeleceu a competência da União para legislar sobre bens do domínio federal, as águas, energia hidroelétrica, florestas, caça e pesca e sua exploração; estabeleceu também como domínio da União, os lagos e quaisquer correntes em terrenos do seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países ou se estendam a território estrangeiro. Em complementação a carta magna, foi publicada em 20 de julho de 1934 o Decreto N.º 24.643, conhecido como o Código de Águas, que em síntese era compatível com a Carta Constitucional de 1934. Seus objetivos desde suas considerações preliminares apontavam a necessidade deste instrumento legal, visto o uso das águas no país estar regido até então por legislação de inúmeras interpretações, a luz das questões jurídicas e em 30 desacordo com as necessidades e interesses da coletividade nacional (FERREIRA, 2003). A Constituição Federal de 1946 manteve um título voltado para o disciplinamento da ordem econômica e social, no qual as quedas d’água foram consideradas sob-regime de propriedade distinta do solo, para efeito de aproveitamento industrial ou de exploração. Determinou ainda, que o aproveitamento de recursos minerais e de energia hidráulica, dependiam de autorização ou concessão e só poderiam ser dadas a brasileiros ou empresas organizadas no País. Era uma das únicas partes da constituição que tratavam dos recursos hídricos (FERREIRA, 2003). A Constituição Federal de 1967 praticamente repetiu os termos da Carta anterior, no que diz respeito a legislação hídrica (RAMOS, 2007). A Constituição de 1988, também faz menção a jurisdição brasileira em relação aos recursos hídricos, contudo fora a atual política de recursos hídricos, representada pela Lei n° 9.433 de 08 de janeiro de 1997 (quase 10 anos depois da promulgação da carta magna do Brasil), houve a partir de intensos debates, uma mudança profunda dos valores e concepções na estrutura física, social, politica e econômica do país, no qual se constituiu uma redação jurídica mais ampla e profunda sobre as questões hídricas no Brasil, (RAMOS, 2007). Em 1997, o Brasil publica sua “Lei de Águas”, que traz em sua constituição os fundamentos da Política Nacional de Recursos Hídricos, contendo os objetivos, as diretrizes, os instrumentos, a ação do poder público, dita diretrizes para o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, Conselhos Nacionais, dos Comitês de Bacias Hidrográficas, das Agências, Secretarias Executivas, das Organizações Civis e das infrações e penalidades (BORSOI E TORRES, 1998). A sua instituição como Lei foi promulgada com o objetivo de garantir o desenvolvimento humano, econômico e social, consciente e sustentável rompendo terminantemente com o modelo anterior de crescimento desordenado, irracionalmente estipulado a qualquer custo (DEMOLINER, 2008). A Lei que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos (Nº 9.433/97), em seu artigo 1º estabelece os fundamentos do sistema nos seguintes termos: 31 I – a água é um bem de domínio público; II- a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico; III- em situação de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais; IV- a gestão de recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas; V - a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos; VI – a gestão de recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades (BRASIL, 1997). Os fundamentos mencionados admitirão o aproveitamento dos instrumentos de gestão previstos pelo artigo 5º, que aliados ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos, aos Comitês de Bacias e as Agências de Águas fomentarão o Sistema de Gestão de Recursos Hídricos. Nesta perspectiva (DEMOLINER, 2008, p. 41) aponta que: Esta mudança de paradigma vem estampada nos fundamentos da nova política, insculpidos no artigo 1° da lei mencionada. Verifica-se, já no inciso I, a consagração da água como um bem de domínio público, corroborando toda a evolução legislativa que despertou para a necessidade de evitar-se a extinção deste recurso natural. E todos os demais princípios, de forma coerente, estão interligados e condicionantes para garantir a racionalidade dos sistemas. No Brasil, por exemplo, até a criação da “Lei de Recursos Hídricos”, o modelo de gestão era pautado no gerenciamento pelo tipo de uso da água, e existiam diversos órgãos e entidades públicas com atribuições de gestão da água, de forma considerada desarticulada e ineficiente para as necessidades até então vigentes (BORSOI E TORRES, 1998). Entre as principais vertentes propostas pela lei de recursos hídricos no Brasil, se destaca a bacia hidrográfica como unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. 32 3.2 - Gestão de recursos hídricos A ocupação do homem nas bacias hidrográficas foi realizada com pouco ou nenhum planejamento voltado a utilização sustentável dos recursos hídricos, pois o objetivo principal seria o de extrair com o mínimo custo, o máximo benefício de seus recursos, sem demonstrar preocupação com a preservação do meio ambiente. No entanto, o crescimento demográfico refletiu numa maior produção de alimentos e consequentemente, na incorporação de novas áreas agrícolas. Este processo acarretou uma constante ruptura do equilíbrio ecológico e de uma ideologia que se concebia até então como uma verdade. Machado (1998, p.38) ressalta ainda que: A utilização indevida dos recursos hídricos motivada, sobretudo pelo mito da inesgotabilidade, aliada a falta de planejamento e gestão adequada do uso do solo tem gerado graves problemas econômicos e ambientais. A ocupação das bacias hidrográficas gera em sua maioria dois problemas distintos: o primeiro e mais relevante, o impacto das ações antrópicas sobre a bacia, essa ocupação muitas vezes se dá sem que exista um conhecimento prévio dos comportamentos naturais desse sistema. O segundo, o impacto do meio sobre o homem, seja com enchentes ou secas que inevitavelmente resultam em crises socioeconômicas. Tucci ( 2009, p. 27) afirma que: O planejamento da ocupação da bacia hidrográfica é uma necessidade numa sociedade com usos crescentes de água, e que tende a ocupar espaços com riscos de inundação, além de danificar o seu meio. A tendência atual envolve desenvolvimento sustentado da bacia hidrográfica que, implica o aproveitamento racional dos recursos com mínimo dano ao ambiente. Entende-se como indispensável uma maior conscientização em relação ao uso da água, visto que os recursos hídricos podem ser considerados bens de relevante valor para a sociedade. 33 Este recurso ao longo dos anos vem abrangendo uma gama de objetivos sejam eles ambientais econômicos e sociais. A sua diversidade de uso remete a uma necessidade urgente de planejamento e gestão, que possibilite um estudo e aproveitamento sustentável de suas potencialidades. O boletim da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH) define a prática da atividade de gestão, citado por Lanna (2009, p. 744) como: A gestão de recursos hídricos é uma atividade analítica e criativa, voltada para a formulação de princípios e diretrizes, ao preparo de documentos orientadores e formativos, à estruturação de sistemas gerenciais e à tomada de decisões que têm por objetivo final promover o inventário, uso, controle, e proteção de recursos hídricos. A gestão de recursos hídricos, através de bacia hidrográfica, tem papel fundamental na gestão ambiental, pois consiste então, na articulação de um conjunto de ações de âmbito social, econômico, sociocultural e ambiental, com o objetivo de compatibilizar o uso, o controle e a proteção desse recurso natural, de forma a garantir que as ações antrópicas se desenvolvam de acordo com os critérios estabelecidos pela legislação específica e promovendo o desenvolvimento sustentável (GUEDES, 2009). Para o gerenciamento adequado desses recursos é fundamental conhecer o comportamento hidrológico de bacias hidrográficas e seus regimes de variação de vazões e, principalmente, suas relações com os agentes econômicos e socioambientais presentes ao longo de toda a área de contribuição da bacia (LATUF, 2007). Neste contexto, é importante ressaltar os instrumentos de gerenciamento de recursos hídricos que são: os Planos de Recursos Hídricos; o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da água; a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos; a cobrança pelo uso de recursos hídricos; e o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos. Os Planos de Recursos Hídricos visam primeiramente fundamentar e orientar a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e o gerenciamento dos recursos hídricos, de longo, médio e curto prazo, com horizonte de planejamento que seja compatível com o período de implantação de seus programas e projetos (RAMOS, 2007). 34 O conteúdo dos planos deve incluir o diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos, análises e estudos prospectivos da dinâmica socioeconômica, identificação de conflitos potenciais, metas de racionalização de uso, projetos a serem implantados, diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos, entre outras, além de medidas que visem à proteção dos recursos hídricos. Serão elaborados por bacia hidrográfica, por Estado e para o País e se constituirão em elementos do Plano Nacional de Recursos Hídricos, a serem regulamentados (BRASIL, 1998). Já o enquadramento dos cursos d'água segundo usos preponderantes visa assegurar às águas, qualidade compatível com os usos mais exigentes a que forem destinadas e diminuir os custos de combate à poluição, mediante ações preventivas que sejam permanentes. A outorga de uso dos recursos hídricos deverá preservar o uso múltiplo destes. Santilli (2001) ressalta que a outorga deve se consolidar em um dos principais instrumentos da gestão de recursos hídricos, visto que através deste instrumento, o Sistema de Gestão poderá fazer o controle para o uso racional dos recursos hídricos, garantir a disponibilidade aos usuários outorgados e subsidiar a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. Assim os objetivos da outorga caracterizam-se em assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água. Portanto, estão sujeitos a outorga as diferentes derivações, captações, lançamentos, aproveitamentos e outros usos que alterem o regime das águas superficiais e subterrâneas (BRASIL, 1998). A cobrança pelo uso da água visa reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu real valor; incentivar o uso sustentável da água, obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e intervenções contempladas nos planos de recursos hídricos. Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão aplicados, prioritariamente, na bacia hidrográfica em que foram gerados, pois a cobrança pelo uso da água é o instrumento que possibilitará financiar as ações dos Planos de Recursos Hídricos, e assim operacionalizar os comitês e as Agências de Água. Nesse sentido, o reconhecimento da tributação pelo uso da água se configura como o indutor ao uso racional desse recurso natural, pois serve de base para a instituição da cobrança pela utilização dos recursos hídricos. A 35 cobrança é o instrumento necessário para o equilíbrio entre a oferta e a demanda. O Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos caracteriza-se como um sistema de coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações sobre recursos hídricos, bem como sobre fatores intervenientes em sua gestão, com dados gerados pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH) (BRASIL, 1998). Sendo os principiais aspectos básicos para a sua organização: descentralização da obtenção e produção de dados e informações; coordenação unificada do sistema e acesso garantido a toda a sociedade aos dados e informações (RAMOS, 2007). Seus objetivos estão assim definidos: reunir, dar consistência e divulgar os dados e informações sobre a situação qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos no Brasil; atualizar permanentemente as informações sobre disponibilidade e demanda de recursos hídricos em todo território nacional, e fornecer subsídios para a elaboração dos Planos de Recursos Hídricos, (BRASIL, 1998). 3.3 - Regime hidrológico em bacias hidrográficas Para Bertalanfly (1950) citado por Sales (2004) os sistemas foram definidos como conjuntos de elementos que se relacionam entre si, com certo grau de organização, procurando atingir um objetivo ou uma finalidade. Para Christofoletti (1981) a inserção da teoria dos sistemas aos estudos geográficos, ajudou a focalizar as pesquisas e delinear com exatidão o setor de estudo da ciência Geográfica, pois propiciou a reconsideração e formulação critica de muitos conceitos. Sales (2004) complementa que as questões geográficas, focalizadas na perspectiva sistêmica, dinamizaram o desenvolvimento dessa Nova Geografia. Na Geografia Física pesquisas de cunho hidrológico e climatológico que denotam a visão sistêmica são datadas desde a década de 1950 (CHORLEY, 1962). Sales (2004) aponta que Bertrand (1968), na sua Geografia Física Global, conceituou geossistema como um tipo de sistema aberto, 36 hierarquicamente organizado, formado pela combinação dinâmica e dialética, portanto instável, de fatores físicos, biológicos e antrópicos. A bacia hidrográfica é uma unidade espacial das mais importantes em análise de estudos da Geografia Física. As bacias hidrográficas permitem, segundo Cunha e Guerra (1999), uma visão conjunta do comportamento das condições naturais e das atividades humanas nelas desenvolvidas. Considerar a bacia hidrográfica como uma unidade de gestão, impõe-se abordar todos os seus elementos, tanto os naturais como os sociais, tendo uma visão de totalidade a partir de inter-relacionamentos dinâmicos entre eles. Existe atualmente uma tendência em diversas áreas de pesquisa e gerenciamento dos recursos naturais, na definição de bacia hidrográfica como uma unidade de estudo, planejamento e gerenciamento, fato que pode ser constatado na literatura de áreas como: Ecologia, Geografia, Engenharia Agronômica, Engenharia Sanitária e Ambiental, Ciências Sociais, entre outras (OLIVEIRA, 2002). Segundo Teodoro et. Al. (2007), a caracterização de uma bacia hidrográfica é um dos principais e mais comuns procedimentos que devem ser executados em análises hidrológicas ou ambientais, tendo como objetivo elucidar as várias questões relacionadas com o entendimento da dinâmica ambiental local e regional, na qual determinada bacia se encontra inserida. Botelho (2007), define como bacia hidrográfica ou bacia de drenagem a área da superfície terrestre drenada por um rio principal e seus tributários. Nesta perspectiva, Schiavetti et al (2002) apontam que a bacia hidrográfica é normalmente definida como uma área natural de captação da precipitação, tendo limites marcados por divisores de água, que fazem com que a precipitação conflua para um único ponto de saída, o exutório. Dentre as definições para concepções de bacia hidrográfica (FERREIRA 2007, p.11) abrange que: A Bacia Hidrográfica é uma unidade natural continental que contem disponibilidades hídricas próprias e renováveis, graças ao ciclo hidrológico. Todas as reservas de água doce do planeta são analisadas de acordo com as disponibilidades hídricas das bacias hidrográficas, e estas variam em função das suas características próprias como, por exemplo: clima, relevo, geologia, cobertura vegetal, dentre outros. Portanto, são nas bacias hidrográficas que os empreendimentos antrópicos são implantados graças as suas disponibilidades hídricas, esta 37 caracterizada como água útil para os processos antrópicos em geral. Rocha (2010) aponta que a bacia hidrográfica pode ser considerada uma unidade física definida para o estudo hidrológico, pois a principal forma de entrada no sistema é a precipitação, e a saída normalmente dada pelas “perdas” por evapotranspiração e escoamento nos canais. No ciclo hidrológico, os estudos da distribuição temporal e espacial da precipitação, bem como os níveis de evapotranspiração são importantes para o entendimento das variáveis de entrada e saída da bacia, que induzem alterações nas séries de vazões. O ciclo hidrológico é um fenômeno global, cíclico e fechado de circulação das massas de água entre a superfície terrestre e a atmosfera, tendo seu funcionamento impulsionado pela energia solar associada à gravidade e à rotação da Terra (SILVEIRA, 2002). Existem seis processos básicos no ciclo hidrológico: evaporação, precipitação, infiltração, transpiração, escoamento superficial e subterrâneo (NAGHETTINI, 2006). Sobre o processo de precipitação Silveira (2002, p 36) define como: A precipitação, na sua forma mais comum que é a chuva, ocorre quando complexos fenômenos de aglutinação e crescimento de microgotículas, em nuvens com presença significativa de umidade (vapor de água) e núcleos de condensação (poeira e gelo), formam uma grande quantidade de gotas com tamanho e peso suficientes para que a força da gravidade supere a força da turbulência normal ou movimentos ascendentes do meio atmosférico. A precipitação é, portanto um fenômeno natural sobre o qual os humanos podem exercer apenas um pequeno controle. O estudo do ciclo hidrológico, na visão da bacia hidrográfica, aponta para necessidade de compreensão da dinâmica do mesmo e da relação entre seus constituintes, visto que este ciclo representa a entrada de energia dentro do sistema bacia hidrográfica, sendo que a integração desse sistema se faz presente por meio da precipitação e dos demais elementos constituintes da própria bacia, como o relevo, o solo, vegetação e o homem, responsáveis também pela forma que essa energia irá atuar nesse sistema, e gerar uma interação única para cada bacia. 38 Sobre a disponibilidade e intensidade da precipitação no sistema bacia hidrográfica, Bertoni e Tucci (2009, p. 177) ressaltam que: A disponibilidade de precipitação numa bacia durante o ano é o fator determinante para quantificar, entre outros, a necessidade de irrigação de culturas e o abastecimento de água domestico e industrial. A determinação da intensidade da precipitação é importante para o controle de inundação e a erosão do solo. Quanto aos fatores climáticos que influenciam o regime hidrológico, e afetam a precipitação e a evapotranspiração, estes não estão apenas ligados a quantidade de chuva, mas também os aspectos relacionados ao padrão, intensidade, duração, frequência e distribuição temporal dessa precipitação (LIMA, 2006). Tucci (2002) aponta que as alternâncias climáticas se refletem nas modificações das variáveis: precipitação, temperatura, vento, radiação, umidade, ou seja, variáveis representativas do clima. No ciclo hidrológico a distribuição temporal e espacial da precipitação, pode produzir alterações nas estatísticas das séries históricas de vazões, entre outras variáveis de resposta da bacia. Estas mudanças não alteram somente as vazões para uma bacia existente, mas também alteram os condicionantes naturais que dão sustentabilidade ao meio natural, como a fauna e flora. Ao longo do tempo a variabilidade climática2 gera comportamentos distintos em função da ocorrência de maior ou menor precipitação, temperatura, umidade, dentre outros. Com a alteração destes condicionantes o escoamento proveniente das bacias também se altera. É importante observar que o efeito da variabilidade climática produz alterações nas respostas das bacias, que resultam em modificações desta parte do ciclo hidrológico, além das alterações dos valores absolutos de entrada e saída na bacia hidrográfica (TUCCI, 2002). Tucci (2002) descreve ainda que a variabilidade existente no regime hidrológico é controlada por vários elementos que formam a bacia hidrográfica 2 Terminologia utilizada para as variações de clima em função dos condicionantes naturais do globo terrestre e suas interações 39 ou fatores que nela ocorrem, tais como: condições climáticas (precipitação, evapotranspiração e radiação solar), geologia, geomorfologia, solos, cobertura vegetal, uso do solo e ações antrópicas. Tucci e Clarke (1997) identificam ainda que os processos hidrológicos em uma bacia hidrográfica têm duas direções de fluxo: vertical, representado pela precipitação, infiltração e evapotranspiração, e horizontal, representado pelo escoamento superficial e sub-superficial. Eles afirmam que a vegetação tem papel fundamental em todo o processo hidrológico da bacia hidrográfica, principalmente na interceptação e evapotranspiração, atuando, indiretamente em todas as fases do ciclo hidrológico. Os principais efeitos da variabilidade hidrológica se encontram relacionados, também com a própria variabilidade natural dos processos climáticos, que é entendida através das variações de clima em função dos condicionantes naturais do globo terrestre e suas interações, além dos efeitos ocasionados pelo uso da terra e a consequente modificação dos sistemas hídricos. Tucci (2002, p.70) aponta que: A avaliação dos processos hidrológicos em diferentes estudos de recursos hídricos, baseia-se na homogeneidade das séries hidrológicas, ou seja, as estatísticas da série hidrológica não se alteram com o tempo. Não é esta a dinâmica observada na realidade, a não homogeneidade das séries tem aparecido devido a causas isoladas e combinadas como: modificação climática, falta de representatividade das séries históricas para identificar a variabilidade natural dos processos climáticos; alterações nas características físicas/químicas e biológicas da bacia hidrográfica, devido a efeitos naturais e antrópicos. Em recursos hídricos geralmente admite-se que a variabilidade climática natural apresenta um comportamento estacionário3, que depende da representatividade da série histórica de observação. Como as séries históricas geralmente não são suficientemente longas, as mesmas podem apresentar variabilidade de estatísticas de acordo com amostra obtida ao longo do tempo (TUCCI, 2000). O clima apresenta variabilidade do espaço e no tempo, bem como na escala interanual. A escala temporal pode variar de horas até milênios, os 3 Sem mudanças significativas ao longo da série 40 estudos em recursos hídricos geralmente estudam o comportamento dos sistemas hídricos dentro da sazonalidade anual e para períodos de dados. O estudo do comportamento climático na escala decadal ou tempos maiores, permite analisar a influência do comportamento climático sobre o sistema global e, em específico aos recursos hídricos. Os processos geralmente analisados se referem às tendências de variabilidade solar, efeitos do El Niño Southern Oscilation (ENSO), mudanças na atmosfera e na variabilidade da biosfera, sendo estes estudos que permitem analisar a variabilidade do clima. Tucci (2000) afirma que o ENSO mostra a interrelação entre o aquecimento da temperatura do leste do Oceano Pacífico Sul com a Southern Oscilation e influência o clima de grande parte do globo. Estes processos apresentam uma certa ciclicidade. Atualmente o termo descreve as fases de aquecimento e resfriamento natural, que ocorre da oscilação da temperatura do mar na área tropical do Oceano Pacífico. A variação ou a oscilação da temperatura da superfície do mar está associada ao comportamento da atmosfera. O ENSO é o componente da atmosfera deste processo e indica a variação de pressão do ar entre Darwin na Austrália e o Sul do Pacífico. El Niño e La Niña são as fases extremas da Oscilação do Sul (Southern Oscilation), sendo o El Niño a fase quente no leste do Pacífico e La Niña a fase fria (TUCCI, 2000). Steink (2004) aponta ainda que o estudo da variabilidade e da tendência dos parâmetros climáticos podem ser constatados dentro de um período, adquirem importância, uma vez que as condições climáticas, consideradas como elemento condicionador da dinâmica do sistema ambiental, encontram-se diretamente ligadas aos processos hidrológicos que envolvem a dinâmica da bacia hidrográfica, assim como, ao gerenciamento das águas e à utilização do recurso o que, por sua vez, podem afetar a disponibilidade de água tanto em ambientes urbanos, quanto em atividades rurais, sistemas de irrigação, geração de energia hidrelétrica e diversas outras atividades. A análise do comportamento hidrológico permite inferir sobre a determinação de disponibilidades hídricas em uma bacia hidrográfica, e diagnosticar as disponibilidades futuras, Rodrigues (2004, p.60) aponta que: 41 O conhecimento do comportamento espacial e temporal destes parâmetros é de suma importância para subsidiar a tomada de decisão na gestão de recursos hídricos, uma vez que permite quantificar a disponibilidade dos recursos hídricos no tempo e no espaço, ou seja, identificar áreas em que este recurso se encontra ou pode vir a se tornar escasso. Deve-se afirmar também, que o mau uso do solo e o constante aceleramento dos processos erosivos, têm contribuído diretamente para fatores como perda da fertilidade dos solos considerados agricultáveis, o assoreamento de barragens e principalmente no aumento das freqüências de vazões de enchente ou na redução das vazões mínimas. Em consonância com (TEIXEIRA 2009, p. 34) Os diferentes usos do solo provocam diferentes alterações na paisagem e na dinâmica da área utilizada, e os recursos hídricos poderão refletir com diferentes intensidades as alterações nos usos do solo das regiões de drenagem. Portanto, atividades como a utilização de agentes contaminantes na agricultura e mineração, a implantação de aterros sanitários na área da bacia hidrográfica, terão impactos sobre a qualidade da água dos corpos hídricos receptores do escoamento das terras e conseqüentemente da biota que utiliza este corpo hídrico. Por outro lado reflexos na quantidade de água poderão ser sentidos em decorrência de modificações no relevo, solo e vegetação. Nesse sentido, as modificações ocorrentes no regime hidrológico e de vazões, podem ter ligação direta com mudanças em relação ao uso do solo, ou até mesmo as ações diretas como a construção de barragens e o aumento da irrigação. Sobre isso (TEIXEIRA, 2009.p 26) afirma que: Os usos do solo influenciam ainda no regime hidrológico dos cursos fluviais, a impermeabilização, gerada por certas atividades e a retirada da cobertura vegetal, tem afetado a disponibilidade de água para os seres que dela necessitam, incluído aí, o ser humano. Visto que quando a cobertura vegetal é alterada ou substituída por outra, em muitos casos há alteração expressiva no comportamento hidrológico da bacia hidrográfica, ou seja, o que resulta em uma maior alteração nas vazões 42 pela diferenciação existente nas relações de interceptação da chuva pela cobertura vegetal, infiltração e escoamento superficial. Em contrapartida a sua retirada da cobertura natural, resultaria em uma maior exposição do solo aos eventos de precipitação, aumentando a probabilidade de encrostamento superficial, além da redução da infiltração e aumento no escoamento superficial. As alterações significativas na composição ambiental, de certa porção da bacia de drenagem, poderão afetar outras áreas a jusante, ou seja, os efeitos hidrológicos e geomorfológicos de processos naturais ou antrópicos irão refletir no exutório da bacia, podendo propagar-se a jusante por meio de bacias adjacentes. Tais aspectos devem ser levados em consideração no planejamento das formas de intervenção humana, mesmo que o interesse do planejador recaia sobre uma área restrita da bacia (COELHO NETTO, 2001). O processo de ocupação humana nas bacias hidrográficas, trás em si, atividades que implicam na modificação das formas de uso do solo. Para que se consiga uma gestão eficiente dos recursos hídricos, que proporcione uma oferta em custos e qualidade adequados à sociedade, diversos métodos e ferramentas têm sido utilizados e desenvolvidos (XAVIER, 2009). Nesse sentido, Xavier (2009) diz que a partir desta compreensão dos processos, a bacia hidrográfica revela-se como uma unidade conveniente ao entendimento da ação dos processos hidrológicos e geomorfológicos, bem como das ligações espaciais entre áreas distintas, que podem afetar tanto o planejamento local como o planejamento regional na gestão de recursos hídricos. 43 4 – MATERIAL E MÉTODOS Dentro da pesquisa científica, a definição do método se configura como passo fundamental para que se dê a construção de uma sistematização do conhecimento, que permita abordar e analisar uma realidade, a partir de um determinado ponto de vista, não tendo este como uma verdade a priori, mas um caminho para a busca e compreensão dessa verdade. Nesse sentido, deve-se compreender que a realidade deve ser intelectualmente construída pelo processo de busca, não como algo significativamente dado como certo, pelas análises iniciais daquilo sobre o qual se deseja inferir (objeto de estudo). Ou seja, o método permite através de um conjunto de procedimentos racionais, sendo estes baseados em regras da própria ciência, atingir um determinado objetivo, que deve ser primeiramente estabelecido pelo pesquisador. O método indutivo é dado através da construção de uma teoria que formula hipóteses, a partir das quais os resultados obtidos, podem ser deduzidos através de bases nas quais é possível fazer previsões, que ao longo do processo de pesquisa podem ser refutadas ou confirmadas. Para Lakatos e Marconi (2003) o método indutivo é definido como um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas. Portanto, o objetivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo, do que o das premissas nas quais se basearam. Amado et al (2009) acrescentam que: O argumento indutivo baseia-se na generalização de propriedades comuns a certos números de casos, até agora observados e a todas as ocorrências de fatos similares, que poderão ser verificadas no futuro. O presente estudo tem como premissa a avaliação da dinâmica hidroclimatológica das vazões e precipitações, na bacia hidrográfica do rio Preto utilizando o método indutivo. A partir do delineamento dos objetivos do trabalho foram desenvolvidas as seguintes etapas norteadoras da pesquisa, 44 conforme o organograma com os principais procedimentos metodológicos que pode ser visualizado na Figura 8. Revisão Bibliográfica Base cartográfica Base hidroclimática Download de imagens SRTM Aquisição de dados Tratamento de imagem SRTM Delimitação da bacia Dados cartográficos da SEI Tratamento de dados hidroclimáticos Definição de períodos hidrológicos Obtenção de dados secundários Caracterização da bacia Análise hidroclimática da dinâmica hidrológica do rio Preto 45 Figura 8 - Organograma metodológico 4.1 – Base cartográfica 4.1.1 – Download de imagens SRTM Esta etapa da metodologia constitui-se na aquisição das imagens SRTM, para a posterior delimitação da bacia do rio Preto. As imagens do Shuttle Radar Topography Mission (SRTM) foram obtidas por meio do website da Embrapa Monitoramento por Satélite, no programa Brasil em Relevo (Figura 9), através do endereço eletrônico: http://www.relevobr.cnpm.embrapa.br/, onde obteve-se as imagens SRTM, com resolução de 90 m (cenas SC-23-Z-C, SC-23-Z-A, SC-23-Y-D, SC-23-Y-C e SC-23-Y-B) no formato GeoTIFF da área de estudo, para a elaboração do MDE (modelo digital de elevação) e delimitação da bacia de acordo com a metodologia utilizada por Latuf et al (2011). Figura 9 - Website da Embrapa (Programa Brasil em Relevo) 46 4.1.2 – Tratamento de imagem SRTM Após a aquisição houve a elaboração do mosaico das imagens SRTM com a ferramenta Mosaic To New Raster, sendo reprojetado para a projeção UTM Datum WGS84, utilizando a ferramenta Project To Raster do módulo Data Management tools do software Arcgis 9.3, disponibilizado pelo Laboratório de Geoprocessamento da Universidade Federal da Bahia. Posteriormente a esse processo foi utilizado o módulo Spatial Analyst Tools, onde empregou-se os módulos da seção Hydrology, com o intuito do processamento do mosaico SRTM da área de estudo, onde foram utilizadas respectivamente as ferramentas: Fill (para o preenchimento das depressões espúrias), Flow Direction (obtenção da direção do escoamento), Flow Accumulation (que determina por onde o fluxo hídrico irá se acumular). A delimitação automática da bacia hidrográfica foi realizada pelo comando Watershed, onde primeiro identificou-se a foz e posteriormente delimitou-se a área de drenagem da bacia, bem como a delimitação dos setores da bacia (alto, médio e baixo curso) do rio Preto. 4.1.3 – Dados cartográficos da SEI Foram utilizados os dados cartográficos do Sistema de Informações Gerenciais do estado da Bahia (SIG Bahia), com base na escala de 1:1.000.000 para caracterização dos aspectos físicos da bacia hidrográfica do rio Preto, sendo extraídos através do comando Clip Analyses do software ArcGis 9.3 informações referentes a hidrografia, geologia, geomorfologia, pedologia e uso e ocupação da área específica da bacia do rio Preto. Dos dados, foram obtidas informações geoambientais fornecidas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), no endereço eletrônico http://www.sei.ba.gov.br/. 47 4.1.4 – Dados secundários Dentre os dados complementares das análises realizadas na bacia hidrográfica do rio Preto, utilizou-se dados de ocorrências de eventos de El Niño e La Niña, disponibilizados pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) no endereço eletrônico http://enos.cptec.inpe.br/ . Foram utilizados também os dados disponibilizados em artigos, teses e monografias relacionadas à área de recursos hídricos, variabilidade climática e comportamento hidrológico. 4.1.5 – Caracterização da bacia Para a caracterização da bacia do rio Preto, foram mensurados os dados cartográficos do Sig Bahia na elaboração de mapas de geologia, geomorfologia, pedologia, uso e ocupação do solo e clima, na qual buscou-se em literatura específica, de cada classe identificada na área para a caracterização física da bacia do rio Preto. 4.2 – Base hidroclimática 4.2.1 – Aquisição de dados hidrológicos Para a avaliação do regime hidrológico fez-se uso de dados das estações pluviométricas e fluviométricas, adquiridos pelo portal do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH). Onde estão disponibilizados dados de estações pluviométricas e fluviométricas em formato KML das principais bacias hidrográficas do país, possibilitando a utilização do Google Earth para visualização, além do Sistema de Informações Hidrológicas Hidroweb (Figura 10), no sítio eletrônico da Agência Nacional de Águas (ANA), www.ana.gov.br. 48 Figura 10 - Website do Portal Hidroweb O Sistema Hidroweb disponibiliza a opção “Dados Hidrológicos” na qual é possível acessar informações referentes a: bacias, sub-bacias, rios, estados, municípios, entidades, estações e séries históricas. Foi utilizada para este estudo a opção séries históricas, na qual é possível através da informação do código da estação de interesse, realizar o download dos dados. Com o auxílio da (Figura 11) visualizam-se as estações pluviométricas utilizadas para análise deste estudo, sendo estas localizadas na área da bacia no estado da Bahia e na divisa do estado do Tocantins. 49 Figura 11- Localização das estações pluviométricas utilizadas Após a definição das estações pluviométricas listadas na Tabela 2, foi dado inicio ao processo de download dos dados das séries históricas no formato MDB do Microsoft Access©, através do sistema Hidroweb. Tabela 2. Estações pluviométricas utilizadas Código 1145004 1143010 1143009 1145019 1146000 1145012 1145015 1145001 1144005 946003 1144027 1144002 1044007 Nome Início 1965 Bom Jardim 1937 Boqueirão 1937 *Boqueirão (Bossoroca) 1984 Cariparé 1971 Dianópolis *Formosa do Rio Preto (Codevasf) 1942 *Fazenda Bom Jardim (Codevasf) 1973 Formosa do Rio Preto 1942 1963 Fazenda Macambira 1973 Lizarda 1979 Ibipetuba 1937 *Santa Rita de Cássia 1937 *Mansidão Fim 2006 2006 1991 2011 2011 1965 2005 2006 2011 2011 2011 1985 1991 Latitude -10,992500 -11,341389 -11,341389 -11,511667 -11,625278 -11,500000 -11,016667 -11,047778 -11,613889 -9,591667 -11,005833 -11,000000 -10,716389 Longitude -45,526667 -43,827778 -43,827778 -45,041667 -46,810556 -45,183056 -45,533056 -45,201667 -44,157500 -46,680556 -44,525556 -44,516667 -44,425556 Fonte: Hidroweb (2012). * Dados brutos. 50 Referente aos dados de vazão apresentados nesse estudo identificou-se através do arquivo KML das estações fluviométricas referentes à bacia do rio Grande, quatro estações fluviométricas na bacia do rio Preto e uma na bacia do rio Grande (Figura 12), sendo esta última, utilizada em correlações estatísticas. As estações fluviométricas estão representadas respectivamente pela Tabela 3. Figura 12 - Localização das estações fluviométricas na bacia do rio Preto Tabela 3. Estações fluviométricas utilizadas Código 46770000 46790000 46870000 46830000 46902000 Nome Fazenda Bom Jardim Formosa do rio Preto Fazenda Porto Limpo Ibipetuba Boqueirão Início 1972 1942 1977 1941 1933 Fim 2006 2006 2006 2006 2011 Curso d'água Rio Sapão Rio Preto Rio Preto Rio Preto Rio Grande Latitude Longitude -10,99361 -45,52778 -11,05139 -45,19694 -11,23556 -43,94944 -11,35000 -44,52417 -11,21191 -43,50442 Fonte: Hidroweb (2012) Após a definição das estações fluviométricas, foi feito o download dos dados utilizando o software SISCAH 1.0, para manipulação e tratamento estatístico dos mesmos. 51 4.2.2 – Tratamento dos dados hidroclimáticos 4.2.2.1 – Precipitação Para a determinação das lâminas totais anuais precipitadas, na bacia hidrográfica do rio Preto, foram utilizadas 13 estações pluviométricas, sob responsabilidade da ANA, acessadas pelo endereço eletrônico http://hidroweb.ana.gov.br/ , conforme Tabela 2. Todavia, a partir da análise dos dados observou-se que haviam oito estações que constavam de dados consistidos, ou seja, dados que foram revisados e verificados pela ANA e as outras cinco com dados brutos. Os dados foram então manipulados pelo software Hidro 1.2, para a obtenção da precipitação total anual de cada estação pluviométrica, sendo utilizado posteriormente o software do Microsoft Excel© para a confecção de planilhas com o intuito de extração dos dados e elaboração de gráficos. Para o tratamento dos dados de precipitação, utilizou-se o processo de preenchimento de falhas das séries de precipitações, de acordo com a metodologia descrita por Latuf (2007), na qual foi realizada correlações segundo critérios de regressão linear simples com base na equação (1): Qy = β 0 + β 1 Qx (1) Na qual: Qy = precipitação do posto em análise, mm; Qx = precipitação do posto de apoio, mm; β0,β1= parâmetros ajustados na regressão pelo método dos mínimos quadrados, adimensional. Para a aplicação do método adotou-se como critério mínimo, a obtenção do coeficiente de determinação (R2) superior a 0,70 e a existência de pelo menos oito anos de eventos pareados, entre as estações consideradas para o estabelecimento da análise de regressão, conforme Ribeiro et al (2005). Na obtenção dos dados estatísticos de precipitação média anual para a área da bacia do rio Preto, utilizou-se o método de interpolação pelo Inverso do 52 Quadrado da Distância (IDW), através do módulo Spatial Analyst Tools do software ArcGis 9.3, disponibilizado pelo Laboratório de Geoprocessamento da Universidade Federal da Bahia. Após a extração do valor referente à média dos pixels, no recurso Layer Properties, na aba Source, confeccionou-se uma planilha com os dados médios interpolados de cada ano do período-base (1942 a 2006). Depois do processo de interpolação dos dados de precipitação foi utilizada a versão demonstrativa do aplicativo XLSTAT ©, executada pelo software Microsoft Excel©, onde foi aplicado o teste de homogeneidade, através da função teste de Pettitt, que é baseado na metodologia apresentada por Groppo et al (2001), para identificação de mudanças significativas ao longo da série histórica e verificação da existência de períodos hidrológicos. Após definição do(s) período(s) hidrológico(s) foram confeccionados gráficos, auxiliando a interpretação de medidas de tendência central e dispersão, dos dados resultantes da dinâmica de precipitação na bacia do rio Preto. 4.2.2.2 – Vazão Após a etapa metodológica de aquisição dos dados, via webservice, houve a manipulação das informações pelo Sistema Computacional para Análises Hidrológicas – SisCah 1.0, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa – UFV e parcerias, na qual admitiu-se dados anuais com até 5% de falhas, de acordo com Tucci (2009). Confeccionou-se planilhas no Microsoft Excel© para preenchimento de falhas na qual aplicou-se a metodologia referente a Equação 1, sendo definido o período base de 1942 a 2006, e em seguida, a confecção de gráficos das vazões anuais obtidas através do tratamento estatístico Após esse processo de preenchimento de falhas foi utilizada a versão demonstrativa do aplicativo (XLSTAT) do software Microsoft Excel©, para a aplicação do teste de homogeneidade, utilizando a função teste de Pettitt para a verificação da existência de períodos hidrológicos. Foram confeccionadas planilhas e gráficos representando as vazões anuais média e mínima das duas estações fluviométricas utilizadas nas análises de resultado da pesquisa: Formosa do rio Preto (46790000), Ibipetuba (46830000) e Fazenda Porto Limpo (46870000) localizadas no curso d'água rio Preto, 53 representando uma setorização da bacia em (alto, médio e baixo curso) da bacia do rio Preto, respectivamente. 4.3 – Definição de períodos hidrológicos A definição de períodos hidrológicos do regime interanual das precipitações na bacia do rio Preto, bem como das vazões do rio Preto, contou com a análise qualitativa que visou associar, por meio de análise de tendências (teste de Pettitt, medidas de tendência central e dispersão e regressão linear) de comportamentos de variáveis: precipitação e vazão, associadas à variabilidade climática, desmatamento e distintos períodos hidrológicos, com intuito de compreender a influência destas variáveis existentes no comportamento hidrológico ocorrente na bacia do rio Preto. Baseados também na literatura relacionada a essa temática por autores como Molion (2008), Marengo e Valverde (2007) e Tucci (2000), buscou-se fundamentar as análises dos resultados obtidos. A estes parâmetros também foram associados, qualitativamente, às ocorrências de eventos de El Niño e La Niña, bem como às suas magnitudes, sendo obtidos por meio do site do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). 5 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 5.1.– Precipitação da bacia do rio Preto Os dados de precipitação da bacia do rio Preto referem-se ao períodobase de 1942 a 2006, sendo utilizadas as estações pluviométricas representadas na Figura 9. A série histórica apresenta falhas nos anos de 1974 a 1976, na qual não foi possível preencher através do método de regressão, totalizando-se então 61 anos de análise. Os dados das estações pluviométricas foram gerados da interpolação em ambiente SIG e técnicas de estatística descritiva, como as medidas de tendência central e dispersão, a partir daí, elaborou-se o Gráfico 1 que evidencia a média interanual e a variação em torno da associação entre média anual e desvio padrão. 54 1400 y = 5,5004x - 9975,9 1200 Precipitação (mm) 1000 800 600 400 Média: 879,05 mm Desvio padrão: 210,94 mm Média + DP:1.089,99mm Média - DP: 668,11 mm 200 0 1940 1945 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 Anos Precipitação média anual Média Med + DP Med - DP Tendência Gráfico 1. Distribuição da precipitação em torno média interanual no período de 1942 a 2006 Na série histórica apresentada no Gráfico 1, em 21 ocorrências (34,4%) as precipitações totais anuais estiveram fora dos padrões esperados de comportamento, tomando-se por base os limites superior (média mais um desvio-padrão) e inferior (média menos um desvio-padrão), calculados em relação ao desvio padrão em torno da média. Neste sentido, dos 21 registros fora dos padrões “previstos” de comportamento, 12 que correspondem a 19,7%, estão acima do limite superior, que são respectivamente: 1947 (1.191,7 mm), 1977 (1.098,7 mm), 1978 (1.266,1 mm), 1979 (1.271,5 mm), 1980 (1.286,9 mm), 1985 (1.286,8 mm), 1989 (1.243,6 mm), 1992 (1.127,6 mm), 1995 (1.093,8 mm), 1997 (1.164,9 mm), 2001 (1.266,7 mm) e 2006 (1.144,9 mm). Nos quais seis anos foram classificados como ano de ocorrência de La Ninã pelo (CEPTEC 2012) totalizando 50% dos registros. Dos nove registros que estão abaixo do limite inferior correspondentes a 14,7 %, que são: 1946 (497,7 mm), 1949 (585,7 mm), 1951 (599,7 mm), 1952 (458,2 mm), 1953 (590,6 mm), 1959 (500,2 mm), 1961 (486,1 mm), 1963 (658,1 mm) e 1965 (613,8 mm) que correspondem a um padrão de ocorrências de El Niño no período-base analisado, nos quais seis anos foram classificados como ano de ocorrência de El Ninõ pelo (CPTEC, 2012) totalizando 66,7% dos registros. 55 Tendo como base o comportamento interanual no período de 1942 a 2006 observado no Gráfico 1, nota-se pela inclinação da linha de tendência, que há um aumento da lâmina precipitada média que representa um incremento de aproximadamente 5,5 mm ano-¹, onde obteve-se uma média interanual de 879,0 mm. A análise da variabilidade interanual das precipitações médias no período de 1942 a 2006 demonstrou que, em geral, os anos excepcionalmente chuvosos ou secos representam 34,4% da série histórica. Associando-se os dados de precipitação anual aos dados de ocorrência e intensidades de El Niños e La Niñas, elaborado pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), representado respectivamente pelas Tabelas 4 e 5, é possível identificar a ocorrência desses fenômenos em alguns anos da serie histórica. Tabela 4 – Ocorrência de La Niñas no período-base Anos 1949 – 1951 1954 – 1956 1964 – 1965 1970 – 1971 1973 – 1976 1983 – 1985 1988 – 1989 Classificação Forte Forte Moderado Moderado Forte Fraco Forte 1995 – 1996 1998 – 2001 2007 - 2008 Fraco Moderado Forte Fonte: CPTEC (2012) Tabela 5 – Ocorrência de El Niños no período-base Anos 1939 - 1941 1946 - 1947 1951 - 1953 1957-1959 Classificação Forte Moderado Fraco Forte (Continua) 56 Anos 1965 - 1966 1968 - 1970 1972 - 1973 1976 - 1980 1982 - 1983 1986 - 1988 1990 - 1993 1994 - 1995 1997 - 1998 2002 - 2006 Classificação Moderado Moderado Forte Fraco Forte Moderado Forte Moderado Forte Fraco Fonte: CPTEC (2012) Após as considerações dos anos atípicos, a série apresenta o ano de 1952 como o de menor índice pluviométrico médio anual, com o registro de 458,2 mm, caracterizando-se por ser um ano de El Niño de fraca intensidade (CPTEC, 2012). É possível identificar que as menores lâminas precipitadas localizaramse a montante da bacia e, enquanto no médio e baixo curso, apresentaram lâminas mais elevadas de distribuição da precipitação média anual em 1952 (Figura 13). Figura 13 – Precipitação média na bacia do rio Preto em 1952 57 O ano de maior precipitação média registrada foi 1980, com um total anual de 1.286,9 mm, caracterizando-se por ser um ano com efeito de El Niño de fraca intensidade, de acordo com dados do CPTEC (2012). Ao se analisar o mapa de distribuição da precipitação anual no ano de 1980 na bacia do rio Preto (Figura 14), percebe-se um acréscimo das lâminas precipitadas em toda bacia, tendo a região do alto curso, as maiores lâminas. Figura 14 – Precipitação da bacia do rio Preto no ano de 1980 Para avaliar possíveis mudanças de tendência na série de dados de precipitação interanual e identificar a existência de períodos climáticos, no período-base de 1942 a 2006 realizou-se o teste de homogeneidade (Teste de Pettitt). O resultado do Teste de Pettitt demonstra a existência de dois períodos climáticos evidenciados pelo limiar existente no período anterior e posterior a 1977, demonstrado pelo Gráfico 2. 58 1400 1200 Precipitação (mm) 1000 800 600 400 200 Média: 1.006,2 mm Desvio padrão (DP): 183,2 mm Média + DP:1.189,4mm Média - DP: 823,0 mm Média: 763,8 mm Desvio padrão (DP): 164,2 mm Média + DP: 928,0 mm Média - DP: 599,6 mm 0 1940 1945 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 Anos Precipitação anual Per 2. med Per 1. med Per 2.med + DP Per1.med + DP Per 2.med - DP Per1.med - DP Gráfico 2. Variação de períodos da precipitação média interanual de 1942 a 2006 Observa-se que há dois períodos distintos ao longo dos sessenta e um anos da série histórica, tendo o primeiro período início em 1942 com término 4 em 1973 (32 anos) e o segundo período iniciado em 1977 e finalizando-se no ano de 2006 (29 anos), no qual os dados disponibilizados pela ANA acabaramse. A média do período 1 (1942 a 1973) foi de 763,8 mm, enquanto a média do período 2 (1977 a 2006) foi de 1.006,2 mm, tendo um aumento de 242,4 mm ou 31,73%, entre os dois períodos, ressalta-se que a média do segundo período é maior do que o limite superior do primeiro período, o que denota o contínuo aumento das precipitações ao longo do período-base selecionado. É importante ressaltar que nos anos de 1973 a 1977 que marcam a divisão dos períodos e o contínuo aumento nas precipitações do período- base, tem-se como característica a ocorrência de La Niña de forte intensidade segundo dados do CPTEC (2012). Associando-se os dados dos dois períodos representados na série histórica com os dados de ocorrência e intensidades de El Niños e La Niñas, elaborado pelo CPTEC/INPE, pode-se inferir sobre as mudanças de tendências no padrão de distribuição da precipitação e a variação climática identificada nos períodos. Relacionando-se este aumento a intensidade e frequência de eventos ENOS, é possível observar que o segundo período possui um desvio 4 Referente à extensão da série histórica analisada (1942 a 2006) 59 padrão maior (183,2 mm), quando comparado ao primeiro período (164,2 mm), além do aumento das amplitudes entre os anos extremos do período-base. Segundo estudos de Molion (2008), os Modelos de Simulação do Clima Global associados a fenômenos que ocorrem no sistema climático, ou seja, de duração multidecadal, possibilitam análises regionais desde que integrados a outras técnicas estatísticas, resultando em prognósticos climáticos. Um fenômeno que apresenta essas características é a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), descrita por Mantua et al. (1997) citado por Molion (2008) como sendo um evento El Niño-Oscilação Sul (ENOS) – sendo o El Niño a fase quente do ENOS e La Niña sua fase fria - de grande duração. Molion (2008) acrescenta que: Enquanto as fases do ENOS têm uma duração média de 6 a 18 meses por fase, totalizando cerca de 3 a 4 anos por ciclo completo, a ODP apresenta um ciclo de 50 a 60 anos, com duração de 25 a 30 anos por cada fase. A fase fria da ODP é caracterizada por uma configuração de temperaturas da superfície do mar (TSM) com anomalias negativas (águas mais frias) no Pacífico Tropical e ao longo da costa das Américas e anomalias positivas nos extratrópicos, enquanto sua fase quente apresenta configuração oposta. A reconstrução dos dados de TSM do Pacífico no Século XX (Figura 15) evidencia que a ODP apresentou duas fases quentes distintas, uma entre aproximadamente 1925-1946 e outra entre 1977 e 19985, no qual os maiores níveis de evaporação da água do mar, resultante do aumento da temperatura de superfície do mar (TSM), ocasionaram períodos de maior disponibilidade de vapor d’água na atmosfera, influenciando no comportamento de aumento da chuva. E a fase fria entre 1947 e 1976 originada pelo comportamento contrário, no qual o menor nível de evaporação de água do mar diminui,ocasionando menor vapor d’água na atmosfera e, caracterizando uma diminuição no comportamento das chuvas ao desse período. 5 Próximo ao final da série analisada por Molion (2008) 60 Figura 15 - Série temporal do Índice de ODP Fonte: adaptado de Mantua et al. (1997) por Molion (2008) Diversos autores apontam que a partir da década de 1970 houve um aumento das precipitações em algumas regiões do Brasil, dentre eles Marengo e Valverde (2007) sugerem que esses eventos estão relacionados à Oscilação Decadal do Pacífico (ODP). Segundo Marengo e Valverde (2007), que apresenta estudos de variabilidade climática em longo prazo no Brasil, observou-se que variações em chuvas e vazões de rios na Amazônia e no Nordeste, apresentam uma variabilidade interanual e em escalas de tempo interdecadal que são importantes, quanto às tendências de aumento ou redução. Marengo e Valverde (2007) apontam ainda que houve aumento da precipitação ao longo prazo no Nordeste. Destaca-se na série histórica de precipitação na bacia do rio Preto que a partir de meados da década de 1970, mais especificamente em 1977, houve um incremento médio nos totais precipitados, comportamento semelhante ao que foi representado pelo Gráfico 2,associando o fim de um ciclo de La Niña ( 1973-1975). No Gráfico 3 é possível confirmar esses indicativos ao se visualizar as variações dos desvios das precipitações em relação à média histórica do período-base selecionado. Percebe-se que os desvios negativos em relação à média histórica ocorreu no período de 1942 a 1972, na qual o ano de 1952 apresentou o registro de 420,86 mm abaixo da média, caracterizando o comportamento de precipitação da fase fria. 61 400 300 200 100 0 -100 -200 -300 -400 -500 1942 1944 1946 1948 1950 1952 1954 1956 1958 1960 1962 1964 1966 1968 1970 1972 1977 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2004 2006 Desvios em relação a média interanual (mm) 500 Anos Desvio da média anual de precipitação Gráfico 3. Desvios em relação à média da precipitação interanual no período de 1942 a 2006 Quanto ao comportamento do período com desvios apresentados acima da média histórica, a partir de 1977 a 2006, percebe-se um registro de desvios positivos sendo que a maior ocorrência foi registrada no ano de 1980, com 407,92 mm. Esse período demonstra o acréscimo da precipitação relacionado à fase quente da ODP, que se estende além do período-base selecionado para esse estudo, conforme dados após 1988. 5.2.– Continuidade de vazão na bacia do rio Preto Para a análise dos dados de vazão na bacia do rio Preto foram selecionadas três estações fluviométricas situadas na calha do rio Preto, sendo elas: estação Formosa do rio Preto (46790000) localizada próxima ao sítio urbano de Formosa do Rio Preto, estação Ibipetuba (46870000) e estação Fazenda Porto Limpo (46870000), localizada próxima à foz do mesmo. Nos Gráficos 4 e 5 são apresentados, respectivamente, os resultados da análise de continuidade das vazões média e mínima de longo período, referente as estações Formosa do rio Preto (46790000), Ibipetuba (46830000) e Fazenda Porto Limpo (46870000). 62 96,0 95,06 Vazão (m³ s-¹ ) 95,0 94,0 93,8 93,0 92,0 91,0 91,07 90,0 89,0 46790000 46830000 46870000 Estações Vazão média de longo período Gráfico 4. Análise da continuidade de vazão média de longo período 76,0 74,1 Vazão (m³ s-¹) 74,0 72,0 71,4 70,0 68,0 66,6 66,0 64,0 62,0 46790000 46830000 46870000 Estações Vazão mínima de longo período Gráfico 5. Análise da continuidade de vazão mínima de longo período Não foi possível identificar a tendência de continuidade das vazões de longo período, que conforme os estudos realizados por Groppo et al. (2001) em termos gerais, apontam que os valores de vazões acrescem com o aumento da área de drenagem, podendo ser elaborada uma relação, onde a vazão é expressa em função da área de drenagem, ou seja, quanto maior a área de drenagem maior serão os valores de vazão ao longo da jusante. Ao se analisar 63 os Gráficos 4 e 5 , nota-se que os valores referentes a estação Ibipetuba (46830000) tanto na vazão média como na vazão mínima representam valores inferiores à estação formosa do rio Preto (46790000), contrariando a tendência de continuidade de vazões na bacia do rio Preto. Visto que os dados são obtidos na maioria das vezes por um observador, pode haver informações incorretas no registro dos dados, que agregam desde erros manuais a técnicos tais, como: erro de observação, anotação, digitação, processamento ou até mesmo posicionamento inadequado da estação utilizada, bem como na curva-chave descalibrada que resultaria na necessidade de reajustamento da mesma. 5.3– Vazões médias da bacia do rio Preto A determinação da vazão média é importante em uma bacia, pois ela representa a disponibilidade hídrica máxima. Ela é a maior vazão que pode ser regularizada, permitindo a avaliação dos limites superiores do uso da água de um manancial para as diferentes finalidades (TUCCI, 2002). Com o auxílio do Gráfico 6 observa-se o comportamento das vazões médias anuais em torno da média interanual, na estação fluviométrica Formosa do rio Preto (46790000), localizada no trecho a montante da bacia do rio Preto, que registra um valor médio interanual de 93,8 m³ s-¹, com desvio padrão de 12,1 m³ s-¹. 120,0 Vazão (m³ s -1) y = 0,154x - 210,24 100,0 80,0 Média: 93,8m³ s-¹ Desvio padrão (DP):12,1 m³ s-¹ Média + DP:105,9 m³ s-¹ Média - DP: 81,7 m³ s-¹ 60,0 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Anos Vazão média Média Média + DP Média - DP Tendência Gráfico 6 . Vazões médias anuais da estação 46790000 no período de 1942 a 2006 64 O padrão de distribuição das vazões médias anuais evidencia a inclinação da linha de tendência que incide, em um aumento médio de 0,15 m³ s-¹ por ano. Nota-se que em alguns anos os registros ultrapassaram o limite inferior (média menos um desvio padrão) e superior (média mais um desvio padrão), que representam as vazões anuais atípicas para o período-base selecionado. Desta forma, em 18 ocorrências houve a extrapolação dos limites superior ou inferior, representando vazões médias anuais fora do “padrão esperado”, com o percentual de 28,12%; destas, oito ocorrências extrapolaram o limite superior, representando 12,5% dos casos; e quanto ao limite inferior houveram dez registros, representando 15,62%. Destacam-se os anos de 1961, com vazão média anual de 65,9 m³ s-¹ e 1980 com 121,80 m³ s-¹, configuram-se como os anos atípicos extremos, tanto abaixo, quanto acima dos limites estipulados pelos desvios, respectivamente. Através do teste de homogeneidade (Teste de Pettitt) avaliou-se mudanças de tendências na série de dados de vazões médias anuais, sendo detectado um incremento na variação das vazões médias, representada por dois períodos hidrológicos, conforme visualiza-se no Gráfico 7: 130,0 120,0 Média: 87,90 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 12,16 m³ s-1 Média + DP: 100,06 m³ s-¹ Média - DP: 75,74 m³ s-¹ Vazão (m³ s-¹) 110,0 100,0 90,0 80,0 Média: 100 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 8,49 m³ s-¹ Média + DP: 108,50 m³ s-¹ Média - DP: 91,52 m³ s-¹ 70,0 60,0 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Anos Vazão média Per 2.Média Per1.Média Per 2.Média + DP Per1.Média + DP Per 2.Média -DP Per1.Média - DP Gráfico 7.Períodos hidrológicos das vazões médias anuais de 1942 a 2006 (estação 46790000) 65 O Gráfico 7 apresenta dois períodos hidrológicos distintos ao longo dos sessenta e quatro anos analisados, onde o primeiro período inicia-se em 1942 e perdura até 1974 (33 anos) e respectivamente o segundo período em início no ano de 1975 e com término6 no ano de 2006 (31 anos). Os dois períodos citados possuem médias distintas, sendo a média do período 1 (1942 a 1974) de 87,90 m³ s-¹, enquanto a média do período 2 (1975 a 2006) foi de 100 m³ s-¹, tendo um aumento de 12,1 m³ s-¹ ou 13,76%. É possível observar que o segundo período possui um desvio padrão menor (8,49 m³ s-¹), quando comparado ao primeiro período (12,16 m³ s-¹), indicando uma diminuição das amplitudes entre os anos extremos do períodobase. De posse do Gráfico 8 é possível visualizar as variações dos desvios das vazões médias anuais em relação à média histórica do período-base selecionado. Percebe-se que os desvios negativos em relação à média histórica ocorreram no período de 1948 a 1974, na qual o ano de 1961 apresentou o registro de 27,9 m³ s-¹ abaixo da média. Quanto ao comportamento do período com desvios apresentados acima da média histórica, a partir de 1975 a 2006 percebe-se um incremento em relação ao período anterior. Porém, registra-se a redução dos desvios em 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 -10,0 -20,0 -30,0 -40,0 1942 1944 1946 1948 1950 1952 1954 1956 1958 1960 1962 1964 1966 1968 1970 1972 1974 1976 1978 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2005 Desvios em relação a média anual (m³ s-¹) meados de 1987. Anos Desvios em relação a média Gráfico 8 . Desvios das vazões médias anuais em relação à vazão média interanual (estação 46790000) 6 Devido a extensão da série histórica analisada (1942 – 2006) 66 Associando os dados de precipitação aos desvios das vazões médias anuais representadas pelo Gráfico 8, é possível observar que a dinâmica dos desvios das vazões médias anuais se aproxima ao comportamento descrito pela série temporal do Índice de ODP (Figura 15) descrito por Molion (2008) . Os anos iniciais adotados para o período–base de estudo apresentam desvios negativos, da fase fria da ODP (1946 a 1971), na qual registrou-se um menor índice pluviométrico na bacia do rio Preto, conforme Gráfico 2. Em contrapartida, na fase quente da ODP entre os anos de 1975 a 2006, houve um incremento da precipitação, registrado pelo aumento das vazões médias neste período. Porém, há o indicativo de redução dessas vazões médias após a década de 1987, fator resultante de processos ocorridos na bacia do rio Preto, como o desmatamento e implantação de atividades agrícolas. Ao se aplicar o teste de homogeneidade (Teste de Pettitt) no período hidrológico específico de 1977 a 2006( período 2), apresentado pelo Gráfico 9, é possível observar que as mudanças de tendências na série de dados de vazões médias anuais, demonstram mais claramente, o decréscimo médio das vazões sendo estes respectivamente de 1,0 m³ s-¹ e 0,2 m³ s-¹ anuais. O Gráfico 9 evidencia a ruptura existente no segundo período hidrológico (1975 a 2006), no qual o primeiro período que começa em 1977 e perdura até 1986 (10 anos) e o segundo período no ano de 1987 e terminado no ano de 2006 (19 anos). 130,0 Vazão (m³ s-1) 120,0 Média: 97,7 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 5,1 m³ s-¹ Média + DP: 101,7 m³ s-¹ Média - DP: 91,6 m³ s-1 y = -1,0684x + 2225,6 110,0 y = -0,246x + 587,66 100,0 90,0 80,0 1975 Média: 108,5 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 7,7 m³ s-¹ Média + DP: 116,2 m³ s-¹ Média - DP: 100,7 m³ s-1 1980 Per 1. Vazão média Per 1. Média + DP Per 2. Média + DP 1985 1990 Anos Per 2.Vazão média Per 1.Média - DP Per 2. Média - DP 1995 2000 2005 Per 1.Média Per 2. Média Tendência Gráfico 9. Variação de períodos da vazão média interanual de 1977 a 2006 (estação 46790000) 67 Sobre a média dos períodos hidrológicos sendo o período 1 (1977 a 1986) de 108,5 m³ s-¹, enquanto a média do período 2 (1987 a 2006) foi de 97,7 m³ s-¹, representando um decréscimo de 10,8 m³ s-¹ ou 9,95%. As intervenções em qualquer ambiente natural provocam alterações que são evidenciadas imediata ou remotamente, pelos efeitos que produzem. Desta forma, considera-se impacto ambiental qualquer alteração significativa da área da bacia, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas ou naturais, ocasionando mudanças que são resultado de complexas interações entre o clima, hidrologia, vegetação e o gerenciamento dos recursos hídricos e o uso do solo. O comportamento de mudança de tendência das vazões (1977 a 2006), coincide com os eventos ocorrentes no contexto histórico e econômico da bacia do rio Preto, visto que o Oeste da Bahia, até a década de 1970, caracterizavase por um modelo de agricultura de subsistência baseado nas culturas de milho, feijão e arroz, ao lado de uma pecuária extensiva. A partir da década de 1980, com a implantação e expansão da sojicultura, para as demais áreas da região, ganha-se uma nova dinâmica de desenvolvimento, inserindo-se de forma progressiva e competitiva na estrutura produtiva estadual e nacional, notabilizando-se como principal área produtora de grãos do Nordeste brasileiro e acelerando o processo de desmatamento de extensas áreas de Cerrado para cultivo, com a consolidação não só da cultura da soja e, mais recentemente do algodão de qualidade. A área de Cerrado do Oeste baiano sofreu, nas últimas décadas, um vertiginoso incremento das atividades agropecuárias e agroindustriais, sem o correspondente planejamento e controle da ocupação e uso dos recursos naturais por parte dos órgãos governamentais, muitos dos quais estimularam a corrida para o oeste, preocupados especialmente com o aumento da produção, geração de empregos e crescimento da arrecadação. (PDRH, 1993) Na bacia do rio Preto, principalmente no trecho a montante, houve uma expressiva modificação das áreas de Cerrado (Figura 10), ocasionadas pela expansão agrícola por todo Oeste baiano, que se expandiu com maior intensidade nessa área após a década de 1980. 68 Figura 16 – Desmatamento na bacia do rio Preto de 1975 a 2010 Na bacia hidrográfica do rio Preto a ocupação se deu primeiramente pelo médio e baixo curso, caracterizando-se por pequenos focos concentrados de atividades, registradas em torno da década de 1970, sendo esta expandida para o alto curso da bacia em meados da década de 1980, com a expansão das áreas de produção agrícola. O Gráfico 10 demonstra o avanço de áreas desmatadas por setores (alto, médio e baixo curso) da bacia do rio Preto, fazendo um comparativo entre os anos de 1975 e 2010, Conforme os dados de Silva (2011). 69 20,45% 5000 Área desmatada (km²) 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 0% 500 1,28% 1,69% 1,08% 1,24% 0 Alto curso Médio curso 1975 Baixo curso 2010 Gráfico 10. Desmatamento no alto, médio e baixo curso da bacia do rio Preto nos anos de 1975 e 2010 O alto curso da bacia do rio Preto se destaca pela expansão de áreas que foram desmatadas em média 127,15 km² ano-1, enquanto o médio e baixo curso apresentam contínuo aumento de áreas desmatadas, sendo respectivamente de 1,01 km² ano-1 e 3,08 km² ano-1. O médio e baixo curso da bacia do rio Preto apresentam uma relativa preservação na área da APA, sendo estas cada vez mais escassas (Figura 17 e 18). Figura 17 – Área preservada da APA na bacia do rio Preto em Santa Rita de Cássia. Fonte: Carla Silva. Data: 11/04/2012 70 Figura 18 – Encontro do rio Preto com rio Grande na foz da bacia. (Povoado de Buritizinho) Fonte: Carla Silva.Data: 12/09/2009 Portanto, na área dos Chapadões do Oeste baiano a primeira evidência importante é o desmatamento indiscriminado de grandes áreas de Cerrado, com a destruição da flora, expulsão da fauna de grande porte, eliminação da pequena fauna, extinção dos locais específicos de reprodução e criação; introdução de espécies exóticas a região, entre outros problemas ecológicos (PDRH, 1993). Prevaleceram até então os resultados econômicos a curto prazo, em detrimento da formulação de uma política ecológico-econômica que estabeleça com clareza e decisão, normas e conduta de ação integrada no sentido da utilização adequada dos recursos naturais e da preservação ambiental. Tucci e Clarke (1997) classificam as mudanças de uso e cobertura do solo em mudanças na superfície, mudanças no uso da superfície e métodos de alteração da superfície. As mudanças no uso do solo são especificadas em urbanização, reflorestamento e desmatamento para diversas finalidades (culturas de subsistência, culturas anuais e perenes). Os tipos de alterações que provocam retiradas da cobertura natural, revolvimento e compactação do solo e mudanças frequentes no tipo de cobertura, diminuem a infiltração de água nesse solo constantemente modificado pelas ações antrópicas, consequentemente aumentando o escoamento superficial ocorrente nas áreas da bacia e produzindo um 71 “aumento” das vazões em um primeiro momento, desestabilizando todo o sistema hidrológico da bacia hidrográfica. Tucci (2002, pg.5) justifica o aumento no comportamento das vazões médias afirmando que: A literatura é unânime em experimentos, demonstrando que o desmatamento produz aumento de escoamento médio. Com relação às estiagens, o desmatamento pode provocar uma diminuição ou aumento do escoamento mínimo, de acordo com as condições do solo e com o tipo de tratamento usado no desmatamento e uso do solo, após a retirada da cobertura vegetal primaria. Desta forma, existe uma associação qualitativa constatada na estação fluviométrica Formosa do rio Preto, onde a diminuição das áreas de Cerrado acarretou um comportamento de decréscimos na tendência das vazões médias. Para a associação quantitativa basta a utilização de procedimentos estatísticos, pautados em metodologias propostas por Latuf (2007) e Rocha (2010). Com o auxílio do Gráfico 11 observa-se que o comportamento das vazões médias anuais, em torno da média histórica na estação fluviométrica Fazenda Porto Limpo (46870000), próxima à foz da bacia do rio Preto, que registra um valor médio interanual de 95,1 m³ s-¹, com desvio padrão de 15,8 m³ s-¹. O padrão de distribuição evidenciado pela linha de tendência aponta um acréscimo de 0,34 m³ s-¹ por ano na série avaliada. Média: 95,1 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 15,8 m³ s-¹ Média + DP: 110,9 m³ s-¹ Média - DP: 79,3 m³ s-¹ 140,0 Vazão (m³ s-¹) 120,0 100,0 80,0 y = 0,343x - 581,92 60,0 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Anos Vazão média Média Med + DP Med - DP Tendência Gráfico 11. Vazões médias anuais da estação 46870000 no período de 1942 a 2006 72 Durante os 64 anos do período-base adotado verificou-se que em alguns anos, os registros ultrapassaram os limites inferior (média menos um desvio padrão) e superior (média mais um desvio padrão), representando vazões médias anuais atípicas próximas à foz do rio Preto. Os anos de 1963 com vazão média anual de 65,0 m³ s -¹ e 1980 com 137,3 m³ s-¹, configuram-se como os anos de vazão atípica extrema da estação, tanto abaixo, quanto acima dos limites estipulados pelos desvios apresentados, respectivamente. Foram totalizadas 20 ocorrências, nas quais houve a extrapolação dos limites superior ou inferior, representando vazões médias anuais fora do padrão esperado, com o percentual de 31,25%; destes, nove ocorrências extrapolaram o limite superior, representando 14,06% dos casos; e quanto ao limite inferior houveram onze ocorrências, representando 17,18%. Através do teste de homogeneidade (Teste de Pettit) foram detectadas mudanças de tendências na série de dados de vazões média interanuais, sendo apontado, após 1973, um incremento na variação das vazões médias da estação Fazenda Porto Limpo (46870000), que é representado pelos dois períodos hidrológicos do Gráfico 12. 140,0 Média: 84,7 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 12,18 m³ s-¹ Vazão (m³ s-¹) 120,0 Média + DP: 96,85 m³ s-¹ Média - DP: 72,5 m³ s-¹ 100,0 Média: 105,4 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 11,68 m³ s-¹ 80,0 Média + DP: 117,12 m³ s-¹ Média - DP: 93,8 m³ s-¹ 60,0 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Anos Vazão média Per 2. Média Per 1. Média Per 2.Média + DP Per 1. Média + DP Per 2. Média - DP Per 1. Média - DP Gráfico 12. Períodos hidrológicos das vazões médias anuais de 1942 a 2006 (estação 46870000) 73 Os dois períodos apresentados no Gráfico 12 ao longo dos sessenta e quatro anos analisados, identificam que o primeiro período se inicia em 1942 e perdura até 1973 (32 anos) e o segundo período iniciando em 1974 e finalizando-se7 no ano de 2006 (32 anos). A média do período 1 (1942 a 1973) foi de 84,7 m³ s-¹, enquanto a média do período 2 (1974 a 2006) foi de 105,4 m³ s-¹, tendo um aumento de 20,7 m³ s-¹ que corresponde a 24,43 %. O teste de homogeneidade (Teste de Pettitt) aplicado ao período hidrológico de 1977 a 2006 e apresentado pelo Gráfico 13 evidencia, que as mudanças de tendências na série de dados de vazões médias anuais da estação Fazenda Porto Limpo demonstram, um padrão de decréscimo das vazões no período 1 e acréscimo no período 2, sendo estes respectivamente de 1,9 m³ s ano -¹ e 0,05 m³ s ano -¹. Através do Gráfico 13 a ruptura existente entre os dois períodos da série histórica, no qual o primeiro período que começa em 1977 e perdura até 1989 (13 anos) e respectivamente, o segundo período no ano de 1990 e terminado no ano de 2006 (16 anos). Sendo a média do período 1 (1977 a 1989) de 112,7 m³ s-¹, enquanto a média do período 2 (1990 a 2006) foi de 100,3 m³ s-¹, representando um decréscimo de 12,4 m³ s-¹ ou 8,8%. 140,0 Média: 100,3 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 6,2 m³ s-¹ Média + DP: 106,5 m³ s-¹ Média - DP: 94,1 m³ s-1 Vazão (m³) 130,0 120,0 y = 0,056x - 11,573 110,0 y = -1,94x + 3963,6 100,0 90,0 Média: 112,7 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 13,6 m³ s-¹ Média + DP: 126,4 m³ s-¹ Média - DP: 99,1 m³ s-1 80,0 1975 1979 Per 1.Vazão Média Per 1.Média + DP Per 2.Média + DP 1983 1987 1991 1995 Anos Per 2.Vazão média Per 1. Média - DP Per 2.Média -DP 1999 2003 2007 Per 1.Média Per 2.Média Tendência Gráfico 13. Variação de períodos das vazões médias anuais de 1977 a 2006 (estação 46870000) 7 Referente a extensão da série histórica analisada (1942 a 2006) 74 No Gráfico 14 é possível visualizar as variações dos desvios das vazões médias anuais, em relação à média histórica do período-base selecionado. Percebe-se que os desvios negativos em relação à média histórica ocorreram no período de 1949 a 1973, na qual o ano de 1963 apresentou o registro de 30,1 m³ s-¹, abaixo da média. Desvio em relação a média (m3s1) 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 -10,0 -20,0 -30,0 1942 1944 1946 1948 1950 1952 1954 1956 1958 1960 1962 1964 1966 1968 1970 1972 1974 1976 1978 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2005 -40,0 Anos Desvios em relação à média Gráfico 14. Desvios das vazões médias anuais em relação à vazão média interanual (estação 46870000) Quanto aos desvios positivos acima da média histórica, no período de 1974 a 2006, sendo que a maior ocorrência foi registrada no ano de 1980, com 42,2 m³ s-¹. Na Fase Quente da ODP (1974 a 2006), houve incremento da precipitação, registrado pelo aumento das vazões médias neste período. E posteriormente a redução dessas vazões médias após a década de 1987, resultante de processos como o desmatamento e implantação de atividades agrícolas. Associando os dados de precipitação aos desvios das vazões médias anuais representadas pelo Gráfico 14, é possível observar que a dinâmica dos desvios das vazões médias anuais da estação Fazenda Porto Limpo (estação 46870000), se assemelha ao comportamento descrito anteriormente para a estação Formosa do rio Preto (46790000) . Os anos iniciais adotados para o período–base (1942-1946) apresentam desvios positivos, resquícios de uma fase quente, seguidos de um período de fase fria (1948 a 1971), que representam os desvios negativos da série 75 histórica analisada. E posteriormente, uma fase quente a partir de 1975, caracterizada pelo acréscimo da precipitação, apesar do decaimento dos desvios positivos a partir da década de 1980, o que remete a influência do desmatamento no comportamento das vazões médias das duas estações analisadas. 5.4 – Vazões mínimas da bacia do rio Preto As vazões mínimas são consideradas como vazões de gestão, devido principalmente, aos processos de outorgas que estão sempre associados a um percentual destas vazões (LATUF, 2011). Quanto às análises dos dados de vazão mínima, o ano de 2003 não apresentou registro de vazão nos postos da ANA; Já os anos de 1974 a 1976 não apresentaram coeficiente de determinação (R2) satisfatórios para o preenchimento de falhas, das vazões mínimas anuais na estação fluviométrica Formosa do rio Preto (46790000). Portanto, os mesmos não foram inseridos no Gráfico 15 que foi elaborado através técnicas de estatística descritiva como as medidas de tendência central e dispersão, que evidencia a média e sua variação padrão, positiva ou negativa, adotando o desvio padrão como referência. 100,0 y = 0,0745x - 75,522 Vazão (m³ s-¹ ) 90,0 80,0 70,0 60,0 Média: 71,4 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 10,5 m³ s-¹ Média + DP: 81,9 m³ s-¹ Média - DP: 60,9 m³ s-¹ 50,0 40,0 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Anos Vazão mínima Média Média + DP Média - DP Tendência Gráfico 15. Vazões mínimas anuais para o período de 1942 a 2006 (estação 46790000) 76 O Gráfico 15 apresenta o comportamento das vazões mínimas anuais em torno da média interanual na estação fluviométrica (46790000), localizada a montante da bacia do rio Preto, que registra um valor médio interanual de 71,4 m³ s-¹, apresentando um desvio padrão de 10,5 m³ s-¹. Sobre o comportamento da linha de tendência é perceptível uma inclinação, que aponta o aumento de 0,074 m³ s-¹ por ano, caracterizando-se por um aumento pouco expressivo. Dos 61 anos de dados destacam-se 19 ocorrências onde houve a extrapolação dos limites superior (Média mais um desvio padrão) ou inferior (Média menos um desvio padrão), representando vazões mínimas anuais fora do padrão esperado, com o percentual de 31,14%; destes, oito valores extrapolaram o limite superior, representando 13,11% dos casos; e quanto ao limite inferior houveram onze ocorrências, representando 18,03%. Os principais anos de vazão mínima atípica extrema, apresentados nesse período-base, tanto abaixo, quanto acima dos limites estipulados pelos desvios foram, respectivamente, os anos de 1963 com vazão média anual de 50,5 m³ s-¹ e 1971 com 95,4 m³ s-¹. Através da aplicação do teste de homogeneidade (Teste de Pettitt) para esta série de dados, foram identificadas mudanças de tendências nas vazões mínimas anuais, onde foi detectado um aumento na variação das vazões em torno da média, onde foram identificados os dois períodos hidrológicos,como pode ser visualizado pelo Gráfico 16. 100,0 Vazão (m³ s-¹) 90,0 Média: 66,88 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 12,49 m³ s-¹ Média + DP 79,38 m³ s-¹ Média - DP: 54,39 m³ s-¹ 80,0 70,0 60,0 Média: 75,85 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 5,23 m³ s-¹ Média + DP: 81,08 m³ s-¹ Média - DP: 70,62 m³ s-¹ 50,0 40,0 1940 Vazão mínima Per 2. Média 1950 1960 1970 Per 1.Média Per 2. Média + DP 1980 Anos 1990 Per 1.Média + DP Per 2. Média - DP 2000 2010 Per 1. Média - DP Gráfico 16. Variação de períodos da vazão mínima interanual de 1942 a 2006 (estação 46790000) 77 Os dois períodos apresentados no Gráfico 16 ao longo dos sessenta e um anos analisados, identificam que o primeiro período em 1942 e que perdura até 1971 (32 anos) e o segundo período em 1972 e finalizando-se no ano de 2006 (29 anos)8, tendo as médias dos períodos sendo, respectivamente, 66,88 m³ s-¹ período 1, enquanto 75,85 m³ s-¹ do período 2, com um aumento de 8,97 m³ s-¹ ou 11,82%. A vazão mínima apresenta um comportamento que representa um período de estiagem, visto que o curso d'água, nesta época é alimentado pelo nível freático, que por sua vez, obtém água da infiltração da chuva. Entretanto, segundo Refosco et al. (1999) sabe-se que a capacidade de infiltração de água no solo é menor num solo descoberto, mas, ao menos num momento imediato ao desmatamento, a taxa de infiltração pode ser expressiva devido a maior ocorrência de chuva. Outro fator que contribui para esta questão, é que com o desflorestamento e a implantação de novas culturas as características físicas do solo, principalmente a estrutura e o percentual de matéria orgânica, vão-se degradando o que pode tornar o processo de infiltração mais difícil e, posteriormente, ocasionar queda das vazões, o que pode ser observado nas vazões mínimas próximas ao fim do segundo período hidrológico. Visto que os processos hidrológicos em uma bacia hidrográfica estão ligados a diversos outros fatores, como a variação da precipitação ocorrente no período-base analisado, nota-se que alguns anos que apresentaram queda das vazões mínimas coincidem com o período da fase fria da ODP, que no Gráfico 16 é apontado a partir do ano de 1947, onde houve ocorrência de El Niño de fraca intensidade (CPTEC, 2012). Já no segundo período referente à fase quente, apesar do aumento das lâminas precipitadas na área da bacia a partir de meados de 1970, percebe-se que no meio da década de 1980 as vazões mínimas apresentam um decréscimo expressivo, que pode estar ligado às mudanças no uso do solo na área da bacia do rio Preto. É importante ressaltar, que esses eventos apesar de sua incidência não estão necessariamente correlacionados de maneira linear. 8 Referente a extensão da série histórica analisada (1942 a 2006) 78 Dos 61 anos de dados analisados de vazão mínima observou-se nas variações dos desvios apresentados pelo Gráfico 17, que os desvios negativos em relação à média histórica ocorreram no período de 1957 a 1970, situados na Fase Fria da ODP, tendo como destaque o ano de 1963 que apresentou o registro de 20,9 m³ s-¹ abaixo da média interanual. Quanto aos desvios apresentados acima da média histórica interanual, no período de 1971 a 2006 situados a na Fase Quente da ODP, tendo a maior ocorrência registrada no ano de 1971, com 24,0 m³ s-¹ acima da média, através da qual se pode associar a influência desse comportamento climático na 30,0 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 -5,0 -10,0 -15,0 -20,0 -25,0 1942 1944 1946 1948 1950 1952 1954 1956 1958 1960 1962 1964 1966 1968 1970 1972 1977 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2004 2006 Desvios em relação a média anual (m³ s-¹) variabilidade identificada na série histórica. Anos Desvios em relação à média Gráfico 17. Desvios das vazões mínimas anuais em relação à vazão média interanual (estação 46790000) O teste de homogeneidade (Teste de Pettitt) aplicado ao período hidrológico de 1977 a 2006 e apresentado pelo Gráfico 18, evidenciam mudanças no comportamento apresentado pelas linhas de tendência da série de dados de vazões mínimas anuais da estação Formosa do rio Preto, que demonstram um padrão de decréscimo das vazões nos dois períodos, sendo estes respectivamente 0,16 m³ s ano-¹ e 0,12 m³ s ano-¹. 79 Média: 72,2 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 2,8 m³ s-¹ Média + DP: 74,9 m³ s-¹ Média - DP: 69,4 m³ s-1 90,0 Vazão (m³ s-¹) 85,0 80,0 y = -0,1223x + 316,4 y = -0,1619x + 401,8 75,0 70,0 Média: 80,9 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 3,8 m³ s-¹ Média + DP: 84,6 m³ s-¹ Média - DP: 77,1m³ s-1 65,0 60,0 1975 1980 Per 1. Vazão mínima Per 1.Média + DP Per 2. Média + DP 1985 1990 1995 Anos Per 2. Vazão mínima Per 1. Média - DP Per 2. Média - DP 2000 2005 2010 Per 1. Média Per 2. Média Tendência Gráfico 18. Variação de períodos da vazão mínima interanual de 1977a 2006 (estação 46790000) Através do Gráfico 18 visualiza-se a existência de dois períodos hidrológicos, no qual o primeiro período que inicia-se em 1977 e perdura até 1988 (12 anos) e, respectivamente, o segundo período no ano de 1989 e terminando no ano de 2006 (17 anos). Em relação a média dos períodos hidrológicos tem-se o período 1 (1977 a 1988) com 80,9 m³ s-¹, enquanto a média do período 2 (1989 a 2006) foi de 72,2 m³ s-¹, representando um decréscimo de 8,7 m³ s-¹ ou 10,75%. Visto que o alto curso da bacia do rio Preto se encontra inserido na área de maior incidência de desmatamento, para implantação de atividade agrícola, é perceptível o decaimento nas vazões mínimas. Quanto à retirada da vegetação e seus impactos ambientais, no processo de infiltração de água no solo, Refosco et al. (1999) apontam que com a substituição da vegetação natural por cultivos agrícolas ou pasto (na maioria dos casos), diminui-se a interceptação da água da chuva, o que leva o aumento do escoamento superficial e a diminuição da infiltração, bem como a recarga dos aquíferos nestas áreas, causando uma diminuição das vazões mínimas e aumento das vazões máximas. Com a expansão das áreas de cultivo e a degradação das áreas de proteção ambiental, como a APA do rio Preto (Figura 19), onde principalmente se encontrava o bioma Cerrado, é de se esperar que ocorra um 80 comportamento de redução das vazões mínimas, pois a substituição da vegetação natural ocasiona além de uma redução da eficiência na interceptação pela cobertura vegetal às ações da precipitação, resulta na redução da capacidade de infiltração de água no solo, responsável pela recarga do aquífero Urucuia, que possui uma representatividade relevante do Grupo Urucuia no alto curso da bacia, responsável pela manutenção dessas vazões. Figura 19 – Desmatamento na bacia do rio Preto e na área da APA no ano de 2010 Aliando essa dinâmica ao uso da água para fins como a irrigação e ao atendimento a outros segmentos usuários, cada vez mais crescente, da demanda para suprimento das atividades, reduz-se a reserva e, portanto a disponibilidade de água na bacia, principalmente em períodos de estiagem. Por meio do Gráfico 19, que aponta o comportamento das vazões mínimas anuais em torno da média na estação fluviométrica Fazenda Porto Limpo (46870000), próximo à foz da bacia do rio Preto, registra-se um valor médio interanual de 71,2 m³ s-¹, apresentando um desvio padrão de 5,95 m³ s-¹. Sobre o comportamento da linha de tendência é perceptível uma inclinação pouco expressiva, que aponta o aumento de 0,06 m³ s-¹ por ano. 81 Vazão (m³ s-¹) 90,0 Média: 71,2 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 5,95 m³ s-¹ Média + DP: 77,14 m³ s-¹ Média - DP: 65,23 m³ s-¹ 80,0 70,0 y = 0,0617x - 50,63 60,0 1940 1950 Vazão mínima 1960 Média 1970 Anos Média + DP 1980 1990 Média - DP 2000 Tendência Gráfico 19. Vazão mínima anual para o período de 1942 a 2006 (estação 46870000) Sobre os anos do período-base onde os registros ultrapassaram os limites inferior (média menos um desvio padrão) e superior (média mais um desvio padrão), representando as vazões mínimas interanuais atípicas desta estação. Foram totalizados 17 registros onde houve a extrapolação dos limites superior ou inferior, representando vazões mínimas interanuais fora do “padrão” previsto, com o percentual de 28,33%; destes, sete valores extrapolaram o limite superior, representando 11,66% dos casos; e quanto ao limite inferior houve dez ocorrências, representando 16,66%. Os principais anos de vazão mínima atípica apresentados nesse período-base, tanto abaixo, quanto acima dos limites estipulados pelos desvios foram, respectivamente, os anos de 1955 com vazão média anual de 61 m³ s-¹ e 1982 com 85,5 m³ s-¹. Na estação Fazenda Porto Limpo (46870000) localizada próxima à foz da bacia do rio Preto foi registrado um decréscimo das vazões mínimas, apesar da área apresentar condições relativamente preservadas (Figura 17), incluindo a área que abrange a APA do rio Preto, que segundo Tucci (2002) seria justificado pelo processo de compactação do solo que induz a uma redução da infiltração, o que pode permitir um decréscimo das vazões mínimas. 82 Através da aplicação do teste de homogeneidade (Teste de Pettitt), para avaliar mudanças de tendências na série dos dados de vazões mínimas anuais, foi detectado um acréscimo na variação das vazões em torno da média, demonstrados através dos períodos hidrológicos do Gráfico 20. 90,0 Média: 74,2 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 5,95 m³ s-¹ Média + DP: 80,3 m³ s-¹ Média - DP: 68,1m³ s-1 Vazão (m³ s-¹) Média: 68,6 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 4,5 m³ s-¹ Média + DP: 73,1 m³ s-¹ Média - DP: 64,1 m³ s-1 80,0 70,0 60,0 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 Anos Vazão mínima Per 2. Média Per 1. Média Per 2. Média + DP Per1.Média + DP Per 2. Média - DP Per 1.Média - DP Gráfico 20. Variação de períodos da vazão mínima interanual de 1942 a 2006 (estação 46870000) O Gráfico 20 apresenta dois períodos distintos ao longo dos sessenta anos analisados, na qual o primeiro período hidrológico se inicia em 1942 e perdura até 1977 (32 anos) e o segundo período iniciando em 1978 e finalizando-se 9no ano de 2006 (28 anos). A média do período 1 (1942 a 1977) foi de 68,6 m³ s-¹, enquanto a média do período 2 (1978 a 2006) foi de 74,2 m³ s-¹, tendo um aumento de 5,6 m³ s-¹, que corresponde a 1,08%. Com base no Gráfico 21 é possível observar as variações dos desvios em relação a média dos dados de vazão mínima, na qual os desvios negativos em relação à média histórica, ocorreram entre os anos de 1951 a 1973 apontando um período de reduzidas vazões mínimas, no qual o ano de 1955 se destaca por apresentar um desvio de 10,2 m³ s-¹ . Sobre os desvios apresentados acima da média, entre os anos de 1978 1998, tendo a maior ocorrência registrada no ano de 1982, com 14,3 m³ s -¹. 9 Referente a extensão da série histórica analisada (1942 a 2006) 83 15,0 10,0 5,0 0,0 -5,0 -10,0 -15,0 1942 1944 1946 1948 1950 1952 1954 1956 1958 1960 1962 1964 1966 1968 1971 1973 1978 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2005 Desvio em relação á média (m³ s-¹ ) 20,0 Anos Desvios em relação á mínima Gráfico 21. Desvios em relação á média da vazão mínima anual (estação 46870000) O que aponta claramente o decaimento dos desvios a partir do ano de 2000, mesmo este período estando relacionado a Fase Quente, que representa uma maior incidência de precipitação na área da bacia do rio Preto. Nesse aspecto, é perceptível que as mudanças ocorridas na bacia, têm interferido na resposta da vazão mínima, frente a precipitação e aos processos climáticos, modificando toda a dinâmica hidrológica da bacia hidrográfica. Visto que as vazões mínimas no 2 período (Fase Quente da ODP), apresentam desde o ano de 1999 , um comportamento semelhante ao que foi apresentado pelo período 1 (Fase Fria da ODP), tem-se a expectativa de vazões mínimas com decréscimos cada vez mais expressivos, quando houver o retorno da Fase Fria da ODP. De modo que a principal problemática se refere aos processos de intervenção ocorridos na bacia, visto que a situação tende a se agravar, com a diminuição das lâminas precipitadas decorrentes do retorno de uma nova Fase Fria da ODP, que poderá causar conflitos quanto ao uso da água e sua disponibilidade para o atendimento da demanda de atividades agrícolas cada vez maiores na região. O teste de homogeneidade (Teste de Pettitt) aplicado ao período hidrológico de 1977 a 2006 e apresentado pelo Gráfico 22, mostra que as 84 mudanças de tendências na série de dados de vazões mínimas anuais, da estação Fazenda Porto Limpo demonstram um padrão de decréscimo das vazões sendo estes 0,6 m³ s-¹ e 0,2 m³ s-¹. O decaimento representado pelas vazões mínimas em meados de 1985 (Fase Quente) incide diretamente na intensificação de praticas antrópicas já consolidadas na bacia do rio Preto. Percebe-se que as vazões mínimas do segundo período, após o inicio do desmatamento igualaram-se a faixa de variação demonstrada pelo período 1, característico da Fase Fria da ODP. 90,0 Média: 70,1m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 3,3 m³ s-¹ Média + DP: 73,4 m³ s-¹ Média - DP: 68,8m³ s-1 y = -0,6736x + 1414,4 85,0 Vazão (m³ s-¹) 80,0 y = -0,2368x + 543,19 75,0 70,0 Média: 78,4 m³ s-¹ Desvio padrão (DP): 5,2 m³ s-¹ Média + DP: 83,6 m³ s-¹ Média - DP: 73,2m³ s-1 65,0 60,0 1976 1981 Per 1.Vazão Mínima Per 1. Média + DP Per 2. Média + DP 1986 1991 Anos Per 2. Vazão mínima Per 1.Média - DP Per 2.Média -DP 1996 2001 2006 Per 1.Média Per 2. Média Tendência 2Gráfico 22. Variação de períodos da vazão mínima interanual de 1977 a 2006 (estação 46870000) O Gráfico 22 apresenta o limiar existente entre os dois períodos hidrológicos contidos na série histórica no qual o primeiro período que começa em 1977 e perdura até 1990 (14 anos) e respectivamente o segundo período no ano de 1991 e terminado no ano de 2006 (15 anos). A média dos períodos hidrológicos apresenta: o período 1 (1977 a 1990) com 78,4 m³ s-¹, enquanto a média do período 2 (1991 a 2006) com 70,1 m³ s-¹, representando um decréscimo de 8,3 m³ s-¹ ou 8,94%. 85 6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS O conhecimento da dinâmica hidrológica é de extrema importância para o pleno planejamento e gestão da bacia e dos recursos hídricos, visto o potencial quadro de alterações regime hidrológico da bacia do rio Preto, associado a mudanças no uso do solo e variabilidade climática. Desta maneira, o inventário de dados hidrológicos realizado por esta pesquisa, trará subsídios aos gestores sobre o conhecimento a respeito da dinâmica de vazões e das precipitações na bacia do rio Preto. Contudo, é importante ressaltar que através da precipitação obtém-se uma “resposta” na bacia hidrográfica, pela resposta da vazão, na qual pelos dados de vazão média e mínima das estações Formosa do rio Preto (46790000), localizada a montante na área da bacia e estação Fazenda Porto Limpo (46870000), localizada próxima à foz, foi possível identificar o comportamento desses dados em relação à variabilidade climática e os demais processos ocorrentes na bacia. A bacia do rio Preto apresentou dois períodos hidrológicos que foram constatados através dos dados pluviométricos e fluviométricos; quanto a precipitação constatou-se que houve o incremento das lâminas precipitadas no entre os anos de 1942 a 2006, ocasionados no segundo período hidrológico(1977 a 2006) pela Fase Quente da ODP. Quanto aos dados de vazão média e mínima da bacia, esses apresentaram um comportamento contrário, ao passo que houve aumento da precipitação, tendo as vazões uma tendência em sua maioria, para um decréscimo nos anos onde foram registrados processos de desmatamento ocorrentes na bacia (Após 1987). No caso do comportamento apresentado pelas vazões médias e mínimas em relação à diminuição de cobertura vegetal têm-se como resultante a diminuição dos processos de proteção e infiltração da água em áreas de recarga da bacia, e principalmente do comportamento associado à ciclicidade da variabilidade climática, na qual espera-se consequentemente uma redução das lâminas precipitadas, visto que o ciclo se encaminha para um novo período da fase fria. Portanto, tais condições associadas aos impactos sofridos pela área de estudo nas últimas décadas, irá gerar uma situação que pode futuramente 86 comprometer a oferta de água ao atendimento aos usos múltiplos, ou seja, desde atividades agrícolas, abastecimento humano, usos industriais, lazer, dentre outros. Visto que as vazões mínimas são consideradas como vazões de gestão, devido principalmente, aos processos de outorgas estarem sempre associados a um percentual destas vazões é necessário um melhor planejamento em relação ao uso de água para irrigação e outras formas de uso existentes na bacia do rio Preto. O plano diretor de bacia deve ser constituído por diagnósticos e prognósticos, nos quais devem ser observados itens como a avaliação quantitativa e qualitativa da disponibilidade hídrica da bacia hidrográfica. No caso da bacia do rio Grande é necessária que a atualização do plano diretor seja realizada, de forma a melhor subsidiar o gerenciamento dos recursos hídricos na região, que sofrem crescentes impactos. É necessário um melhor enquadramento dos corpos de água, para outorga de direito de uso, e como prioridade a definição de diretrizes e critérios para o ordenamento de uso do solo em áreas de recarga, além de projeções de demandas dos recursos hídricos. Nesse sentido, os estudos para a concessão de outorgas deverão ponderar as variações das vazões, em função da variabilidade climática e do uso do solo. Deve-se visar a recuperação das áreas de APP, para melhoria da infiltração de água no solo em áreas de recarga do aquífero. Melhores técnicas de manejo do solo, através de alternativas como o terraceamento, utilização de coberturas mortas em plantio direto, por exemplo. Quanto à questão ambiental, destaca-se a necessidade em relação às condições ambientais de sustentabilidade da Bacia do rio São Francisco, que está diretamente vinculada à sobrevivência dos rios dos Cerrados baianos. São dezenas de rios da região do Oeste da Bahia, os principais alimentadores perenes do rio São Francisco e quaisquer alterações nas condições ambientais dessa região modificarão as condições de preservação do mesmo, causando um possível cenário de conflitos pelo uso da água. As questões ambientais, que aqui foram tratadas, aparecem como um levantamento de dados e uma análise inicial dos processos ocorrentes na bacia do rio Preto e que se propagam para toda a região, o que aponta para a 87 necessidade de novos estudos sistemáticos, para a verificação dos impactos que a agricultura moderna tem trazido ao ambiente e à dinâmica hidrológica. REFERÊNCIAS ALVES, R.R et al. Fragilidade Ambiental na Bacia Hidrográfica do Rio Preto Oeste da Bahia. In: MONDARDO M.L; A.L.L da. 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Correlação entre 46830000 e 46790000 120 y = 0,7853x + 13,94 R² = 0,8365 46830000 100 80 60 40 40 60 80 100 120 46790000 Vazão média Ajuste de correlação Correlação entre 46830000 e 46870000 140 y = 1,4728x - 45,03 R² = 0,9335 46870000 130 120 110 100 90 80 80 90 100 Vazão média 110 46870000 120 130 140 Ajuste de correlação Correlação entre 46790000 e 46770000 140 46790000 120 y = 2,1253x + 25,778 R² = 0,8696 100 80 60 25 30 Vazão média 35 46770000 40 45 Ajuste de correlação 50 94 Correlação entre 46790000 e 46770000 100 y = 1,4383x + 35,442 R² = 0,7684 80 70 60 20 25 30 35 40 46790000 Vazão mínima Ajuste de correlação Correlação entre 46830000 e 46790000 90 y = 0,658x + 22,638 R² = 0,5257 46790000 80 70 60 50 40 50 60 70 80 90 100 46830000 Vazão mínima Ajuste de correlação Correlação entre 46870000 e 46770000 100 y = 2,1843x + 9,8218 R² = 0,6805 90 46770000 46770000 90 80 70 60 50 20 25 30 35 40 46870000 Vazão mínima Ajuste de correlação 95 Gráficos de análise de regressão das estações pluviométricas Correlação entre 1545001 e 1145012 2000,0 1800,0 1600,0 1400,0 1200,0 1000,0 800,0 600,0 400,0 200,0 0,0 y = 0,9713x + 28,825 R² = 0,9537 0,0 500,0 1000,0 1500,0 Precipitação 2000,0 Ajuste de correlação Correlação entre 1145015 e 1144027 1400 y = 0,7576x + 184,29 R² = 0,7641 1200 1000 800 600 400 200 0 0 200 400 600 800 precipitação 1000 1200 1400 Linear (precipitação) Correlação entre 1143009 e 1143010 1600 y = 1,0067x - 19,381 R² = 0,9316 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 0 200 400 Série1 600 800 1000 1200 Linear (Série1) 1400 1600 96 Correlação entre 1044077 e 1144027 1600 1400 y = 0,8411x + 149,66 R² = 0,8223 1200 1000 800 600 400 200 0 0 200 400 600 800 Precipitação 1000 1200 1400 Linear (Precipitação) Correlação entre 1145015 e 1145004 1400,00 1200,00 1000,00 y = 0,6296x + 361,9 R² = 0,6156 800,00 600,00 400,00 200,00 0,00 0 200 400 600 800 Precipitação 1000 1200 1400 1600 Linear (Precipitação) Correlação entre 1144002 e 1145004 1600 1400 1200 1000 y = 0,3656x + 645,27 R² = 0,2325 800 600 400 200 0 0 200 400 Precipitação 600 800 1000 1200 1400 1600 Linear (Precipitação) 97