COMPREENDER AS POLÍTICAS DA UNIÃO EUROPEIA Empresas Uma nova revolução industrial A Europa tem de recuperar a confiança na sua capacidade de inventar, de se lançar em novos projetos, de inovar e de crescer. Para tal, deve trazer para a luz da ribalta a economia real e a indústria, o seu ponto forte. ÍNDICE Por que necessita a Europa de uma política industrial . . . . . . . . . . . . . . . . 3 COMPREENDER AS POLÍTICAS DA UNIÃO EUROPEIA A presente publicação faz parte de uma coleção que descreve a ação da União Europeia em vários domínios, as razões da sua intervenção e os resultados obtidos. A coleção está disponível em linha: http://europa.eu/pol/index_pt.htm http://europa.eu/!JF89wH Como a União Europeia elabora e gere a sua política industrial . . . . . . . . . . . 5 O que faz a União Europeia para apoiar as PME . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 O que faz a União Europeia para apoiar os principais setores industriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 O caminho a seguir: liderar a nova revolução industrial . . . . . . . . . . . . . 16 Mais informações . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Como funciona a União Europeia A Europa em 12 lições «Europa 2020»: a estratégia europeia de crescimento Os pais fundadores da União Europeia Ação climática Agenda digital Agricultura Ajuda humanitária e proteção civil Alargamento Alfândegas Ambiente Assuntos marítimos e pescas Bancos e finanças Fronteiras e segurança Comércio Concorrência Consumidores Cooperação internacional e desenvolvimento Cultura e audiovisual Educação, formação, juventude e desporto Emprego e assuntos sociais Empresas Energia Fiscalidade Investigação e inovação Justiça, direitos fundamentais e igualdade Luta contra a fraude Mercado interno Migração e asilo Orçamento Política externa e de segurança Política regional Saúde pública Segurança alimentar Transportes União Económica e Monetária e o euro Compreender as políticas da União Europeia: Empresas Comissão Europeia Direção-Geral da Comunicação Informação dos cidadãos 1049 Bruxelas BÉLGICA Manuscrito concluído em março de 2013 Capa e imagem da página 2: © Dynamic Graphics/Jupiterimages 16 p. — 21 × 29,7 cm ISBN 978-92-79-42062-7 doi:10.2775/51859 Luxemburgo: Serviço das Publicações da União Europeia, 2014 © União Europeia, 2014 Reprodução autorizada. As fotografias só podem ser utilizadas ou reproduzidas separadamente mediante a autorização prévia dos titulares dos direitos de autor. 3 E M P R E S A S Por que necessita a Europa de uma política industrial A recuperação económica da Europa tem sido um processo relativamente lento e frágil. Logo no início, a tónica foi colocada no reforço das finanças públicas e do sistema financeiro europeu. Todavia, embora esses aspetos continuem a ser importantes, reforçar a economia real, isto é, as empresas industriais e outros empreendedores fornecedores de bens e serviços concretos, constitui a chave da recuperação económica. Além disso, com a globalização e a intensificação da concorrência dos países emergentes, a prosperidade económica da Europa a longo prazo dependerá da solidez da sua base industrial: a nossa economia não pode assentar só nos serviços, nomeadamente no setor bancário. A estratégia «Europa 2020» e a política industrial A União Europeia está na vanguarda mundial em termos de eficiência energética e de investimento estrangeiro, mas nem todos os países europeus têm o mesmo desempenho industrial. Felizmente, a indústria da União lidera as tecnologias em muitos domínios e tem potencial para fazer com que a economia europeia volte a crescer. É esse o objetivo da política industrial europeia. Realizar uma verdadeira nova revolução industrial é um dos principais objetivos da estratégia «Europa 2020», a estratégia da União Europeia para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. Duas das iniciativas emblemáticas da estratégia «Europa 2020» referem‑se ao setor industrial: A indústria é o motor de crescimento da Europa. Paralelamente à necessidade de criar novos postos de trabalho e de reforçar a competitividade, a Europa tem de fazer face ao envelhecimento da população europeia e ao aumento da população mundial e, consequentemente, ao aumento da pressão sobre as matérias‑primas e os recursos energéticos. Tem ainda de lutar contra as alterações climáticas, preservar os ecossistemas e concluir o processo de transição para uma economia hipocarbónica. A resposta a estes desafios reside numa série de novas tecnologias, que representam uma nova revolução industrial. • «Uma política industrial para a era da globalização»: para melhorar o enquadramento empresarial, especialmente no que respeita às pequenas e médias empresas (PME), e apoiar o desenvolvimento de uma base industrial forte e sustentável, capaz de enfrentar a concorrência mundial; © iStockphoto.com/Tate Carlson • «União da inovação»: para melhorar o enquadramento empresarial e o acesso ao financiamento para a investigação e a inovação, por forma a assegurar a transformação das ideias inovadoras em produtos e serviços criadores de crescimento e postos de trabalho. Em 2012, a Comissão Europeia reconduziu a iniciativa emblemática sobre política industrial «Reforçar a indústria europeia em prol do crescimento e da recuperação económica», para se concentrar na melhor forma de tirar partido desta nova revolução industrial. O objetivo é reforçar a inovação industrial e a economia real. A iniciativa implica o alargamento das atividades empresariais para fora da União Europeia em interações mutuamente vantajosas. Trata‑se de uma importante parte da política da União para ajudar as empresas europeias a encontrar novos mercados e melhorar a sua competitividade, ou seja, a sua capacidade para competirem eficazmente nos mercados mundiais. C O M P R E E N D E R © iStockphoto.com/acilo 4 Manter-se na vanguarda da indústria automóvel é essencial para a prosperidade da União Europeia. A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A PME e empreendedorismo: a chave do crescimento económico É atribuída uma atenção especial às necessidades das pequenas e médias empresas (PME). O apoio às PME e a promoção do empreendedorismo são fundamentais para a recuperação económica. Os 23 milhões de PME europeias representam 98% das empresas, 67% dos postos de trabalho e 85% dos novos postos de trabalho. Estas empresas beneficiam de uma série de instrumentos para as ajudar a lidar com os requisitos e as formalidades administrativas e regulamentares, para apoiar as suas atividades transfronteiras, para melhorar o seu acesso ao financiamento e para lhes permitir aproveitar outras oportunidades de negócio. Objetivos da União Europeia em matéria de indústria e inovação para 2020: —— reforçar a base industrial da Europa, aumentando a sua competitividade; —— promover a transição para uma economia hipocarbónica; —— promover a inovação com vista a criar novas fontes de crescimento e dar resposta às necessidades da sociedade; —— incentivar a criação e o crescimento das pequenas e médias empresas (PME) e desenvolver uma nova cultura empresarial; —— garantir um mercado interno de bens aberto. AS PME SÃO A CHAVE DO CRESCIMENTO ECONÓMICO Número de empresas (milhares) Médias 219 Pequenas 1 378 Grandes 43 Necessidade de intervenção a nível da União Europeia É necessária uma ação a nível da União Europeia para garantir um mercado único de bens e serviços aberto e equitativo. A Comissão representa os interesses europeus a nível internacional e garante que as empresas europeias possam competir entre si no mercado mundial, através da abertura dos mercados e de uma maior liberalização do comércio. Além disso, a Comissão monitoriza a competitividade de 40 setores industriais específicos e da indústria da União no seu conjunto, publicando as suas conclusões num relatório anual sobre a competitividade e num relatório semestral sobre a estrutura da indústria. A fim de salvaguardar o emprego e as perspetivas de crescimento, é da maior importância que as condições para as empresas da União Europeia sejam melhoradas, o que exige uma coordenação adequada das ações a nível da União e dos Estados‑Membros. A grande maioria das PME são microempresas que empregam menos de dez pessoas e cujo volume de negócios anual e/ou balanço anual não excede 2 milhões de euros. Micro 19 199 Trabalhadores (milhões) Micro 38,9 Grandes 43,3 Médias 22,0 O emprego está uniformemente distribuído pelas empresas, embora as PME representem dois terços do total de postos de trabalho na União Europeia. Pequenas 26,6 Valor acrescentado (em mil milhões de euros) Grandes 2 486 Médias 1 067 Fonte: Comissão Europeia. Micro 1 293 Pequenas 1 132 As PME representam mais de metade do valor criado na economia da União Europeia. 5 E M P R E S A S Como a União Europeia elabora e gere a sua política industrial Uma cadeia de valor forte, competitiva e diversificada no setor transformador é vital para o bem‑estar económico da Europa. A indústria transformadora e os serviços às empresas que lhes estão associados representam mais de 50% do emprego do setor privado, 75% das exportações e 80% da investigação e desenvolvimento do setor privado na União Europeia. Além disso, as empresas da União estão cada vez mais integradas em cadeias de valor mundiais. A maximização do conteúdo interno das exportações pode, por conseguinte, ser considerada um importante motor da competitividade industrial. Cerca de 87% do valor das exportações da União Europeia é produzido internamente, de acordo com números de 2009. A política industrial prevê ações para apoiar a inovação, fomentar a internacionalização das empresas e reforçar o mercado único dos bens e serviços. Ação da União Europeia para apoiar a inovação A Comissão Europeia elabora, influencia e, quando adequado, aplica políticas e programas para fomentar a inovação na Europa, de que são exemplo: •o Painel da União da Inovação, que procede a uma avaliação comparativa do desempenho em termos de inovação dos 27 países da União Europeia, bem como dos seus sistemas de investigação e inovação; •a rede «Europa da Inovação Social», que incentiva novas ideias que respondam às necessidades sociais e, simultaneamente, criem novas relações sociais ou colaborações; •o Comité Diretor Europeu do Design, que presta aconselhamento sobre uma utilização alargada do design inteligente, a fim de desenvolver produtos de elevado valor e melhorar a eficiência dos recursos; •o Monitor de Inovação Regional, que dá informações sobre políticas de inovação regional, para 20 países da União Europeia; •a ecoinovação em setores como a gestão de resíduos, a reciclagem e as energias renováveis, que empregam cerca de 3 400 000 pessoas na Europa e têm um volume de negócios de 227 mil milhões de euros. Entre outras iniciativas, a Comissão criou um grupo consultivo ad hoc para produtos de base biológica para promover produtos industriais e de consumo baseados em matérias‑primas biológicas renováveis, como plantas e árvores. Além disso, a Comissão gere vários programas de apoio à investigação e inovação em cooperação, que representam um valor acrescentado claro para o ciclo da inovação na União Europeia, as empresas e os cientistas. O sétimo programa‑quadro de investigação e desenvolvimento (7PQ), dotado de um orçamento total de mais de 50 mil milhões de euros, e o programa‑quadro para a competitividade e a inovação (PCI), estão atualmente em execução. A partir de 2014, o programa «Horizonte 2020» dará seguimento ao 7PQ, colocando a tónica na investigação e na inovação. Facilitar a internacionalização das empresas europeias Para garantir que as empresas europeias podem competir em condições equitativas no mercado mundial, a Comissão reforça o acesso ao mercado e monitoriza e promove um sistema de comércio internacional assente no comércio multilateral e bilateral. Por exemplo, o procedimento de notificação ao abrigo do acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre os obstáculos técnicos ao comércio permite à Comissão controlar os projetos de requisitos para produtos propostos por parceiros comerciais e intervir se considerar que estes criam obstáculos ao comércio injustificados. COOPERAÇÃO INTERNACIONAL A Comissão coopera com os governos a fim de melhorar o enquadramento empresarial, reduzir os entraves ao comércio e ao investimento e promover regulamentações comuns relativas aos produtos. No âmbito da política europeia de vizinhança (PEV), a Comissão procura reforçar as relações económicas com os países terceiros que se encontram na sua periferia. A Comissão negoceia acordos em matéria de avaliação da conformidade que visam facilitar a livre circulação dos produtos industriais através da harmonização das regulamentações e normas técnicas da União Europeia e dos seus parceiros. A regulamentação técnica tem um impacto importante no acesso ao mercado para as mercadorias exportadas para o exterior da União Europeia. A União promove a cooperação em matéria de regulamentação com os seus parceiros comerciais externos mais importantes, a fim de harmonizar ou assegurar a compatibilidade das regulamentações técnicas e o reconhecimento 6 C O M P R E E N D E R A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A esta questão e para avaliar o impacto e a eficácia da sua utilização. Foi criado um serviço de assistência para informar as PME sobre as questões relacionadas com os DPI em países terceiros, como a China, que dá aconselhamento personalizado e confidencial. O mercado único de bens © European Union O mercado único ou interno de bens é uma das prioridades mais importantes da União Europeia. Proporciona condições equitativas às empresas, estimula a concorrência e reforça a transparência para os consumidores. Ao permitir comprar e vender facilmente produtos em todo o território da União, também aumenta a eficiência e contribui para o crescimento económico. O princípio da livre circulação de mercadorias está consagrado no Tratado da União Europeia para evitar restrições injustificadas ao comércio entre os países da União. O mercado único de bens é fator determinante para a riqueza na União Europeia. mútuo dos resultados de ensaios e das avaliações da conformidade, no intuito de facilitar as exportações. AUSCULTAR AS PARTES INTERESSADAS A NÍVEL INTERNACIONAL Para se aconselhar sobre as parcerias comerciais mais importantes, a Comissão estabeleceu relações com federações industriais, bem como com organismos específicos como o Diálogo Comercial Transatlântico, o Diálogo Transatlântico sobre os Consumidores, a Mesa Redonda Comercial UE/Japão e a Mesa Redonda dos Industriais UE/Rússia. PROMOVER AS ATIVIDADES INTERNACIONAIS DAS PME Num mundo globalizado, as PME têm cada vez mais de ser capazes de competir com empresas de economias desenvolvidas e emergentes. Além disso, existe uma ligação entre a internacionalização e o crescimento das PME. A estratégia «Pequenas empresas, grande mundo» da Comissão visa imprimir um novo dinamismo à economia europeia, ajudando as PME a expandir as suas atividades para fora da União Europeia. DIREITOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL Para além da legislação europeia em matéria de direitos de propriedade intelectual (DPI), a Comissão contribui para sensibilizar as empresas europeias para PROTEGER O MERCADO ÚNICO: PAPEL DA COMISSÃO O principal objetivo da Comissão consiste em melhorar o funcionamento do mercado único, eliminando os obstáculos existentes ao comércio e evitando a criação de novos obstáculos. Para o efeito, a Comissão garante a igualdade de condições de concorrência, assegurando que as regulamentações nacionais dão as informações necessárias e são suficientemente claras do ponto de vista jurídico para as empresas. A Comissão pode dar início a processos judiciais contra qualquer país da União Europeia que tenha adotado ou mantenha em vigor regras ou práticas administrativas que violem o direito europeu ou decidir propor que essas regras sejam harmonizadas à escala da União. Prevenir eventuais obstáculos ao comércio é particularmente importante para as PME, na medida em estas que produzem muitas vezes produtos altamente especializados destinados a nichos de mercado. GARANTIR PRODUTOS MAIS SEGUROS O mercado único de produtos obedece a regras harmonizadas para permitir a compra e venda em qualquer ponto da União Europeia. As regras europeias centram‑se principalmente na segurança dos produtos e implicam frequentemente ensaios dos produtos para assegurar a sua fiabilidade. A marcação CE, por exemplo, é um rótulo que indica que um determinado produto está em conformidade com a legislação da União. É obrigatória para produtos como os dispositivos médicos, os aparelhos eletrónicos e os brinquedos. A legislação europeia relativa à responsabilidade decorrente dos produtos protege os consumidores de produtos defeituosos, dando‑lhes a possibilidade de exigir uma indemnização em caso de danos. 7 E M P R E S A S Regulamentação inteligente Embora o quadro regulamentar em vigor garanta o correto funcionamento do mercado único, a Comissão reconhece a necessidade de melhorar constantemente a regulamentação. A melhoria da regulamentação em matéria de mercado interno visa: —— avaliar de forma mais sistemática os benefícios e os custos da legislação em vigor («balanço de qualidade»); —— melhorar as consultas das partes interessadas; últimos a informarem a Comissão Europeia e os restantes Estados‑Membros dos seus projetos de regulamentação técnica em matéria de produtos antes da respetiva adoção. Durante um período de statu quo de três meses, os Estados‑Membros e a Comissão têm tempo para se certificar de que os regulamentos propostos não criarão entraves ao comércio. Desde 1984, foram examinados mais de 12 000 projetos de regulamentos, a fim de garantir que não constituíam entraves ao funcionamento do mercado interno. Vantagens das normas —— melhorar a qualidade das avaliações de impacto; —— simplificar a legislação da União Europeia e reduzir os encargos administrativos; —— melhorar a transposição da legislação da União Europeia para o direito nacional, bem como a sua aplicação e execução. Prevenir entraves ao comércio no mercado único antes de surgirem Em alguns casos, a regulamentação nacional torna difícil para as empresas venderem os seus produtos noutros países da União Europeia. Um procedimento de notificação ao abrigo da legislação da UE obriga estes VERIFICAÇÃO DE NOVAS REGRAS POR SETOR DA INDÚSTRIA 2 500 2 250 As empresas de telemóveis ou de software lutam diariamente pelas respetivas normas, defendendo as suas vantagens em relação às normas restantes, confirmando a importância de que estas se revestem para a concorrência a nível internacional. Não há dúvida de que uma boa norma pode facilitar a vida dos consumidores, promover a sustentabilidade e melhorar a liderança tecnológica europeia nos mercados mundiais. As normas são conjuntos de critérios técnicos e de qualidade aplicáveis aos produtos, serviços e processos de produção. A conformidade com as normas é voluntária, mas oferece muitas vantagens. Ajudam as empresas a colaborar, facilitam a vida aos consumidores e permitem aos consumidores fazer poupanças. Na União Europeia, cabe aos organismos europeus de normalização (OEN) elaborar normas comuns, importantes para o mercado único. As normas europeias substituem as normas nacionais, que frequentemente são contraditórias e criam obstáculos técnicos ao acesso ao mercado. A Comissão Europeia solicita regularmente aos OEN para elaborarem novas normas. 2 085 2 000 No entanto, é frequente que as normas europeias levem vários anos a ser elaboradas e algumas ficam desatualizadas face à rápida evolução das tecnologias. Por outro lado, certos setores têm manifestado relutância em enveredar pela normalização. 1 876 1 750 1 482 1 524 1 500 1 599 1 250 1 000 750 250 255 401 438 Energia, minerais, madeira 500 Produtos farmacêuticos e cosméticos 626 712 515 258 114 Agricultura, pesca e produtos alimentares Telecomunicações Transportes Mecânica Construção Produtos químicos Ambiente Mercadorias e produtos Equipamentos domésticos e de lazer Serviços de Internet Setor da saúde/médico 0 Fonte: Comissão Europeia. O procedimento de notificação da União Europeia contribuiu para reduzir os entraves ao comércio. Os países têm de informar a Comissão sempre que elaboram novas regras para os produtos. Desde 1984, foram verificados cerca de 12 000 projetos de regulamentos a fim de garantir que respeitam as regras do mercado único. A Comissão defende a adoção de mais normas internacionais a nível mundial nos setores económicos nos quais a Europa se encontra na vanguarda mundial. Nesse sentido, continuará a promover a convergência com vista à elaboração de normas internacionais e a utilização de normas voluntárias na regulamentação. Além disso, a Comissão defende a adoção mais rápida de normas com a ajuda dos consumidores, das PME e de organizações sociais e ambientais. 8 C O M P R E E N D E R A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A O que faz a União Europeia para apoiar as PME Representando mais de 98% das empresas e 67% dos postos de trabalho, as PME são um motor fundamental do crescimento económico, da inovação, do emprego e da integração social na União Europeia. Nessa ótica, a Comissão Europeia promove o espírito empresarial e a melhoria do enquadramento empresarial para as PME. O «Small Business Act» O «Small Business Act» consubstancia a política da União Europeia relativa às PME. Assente no princípio de que se deve pensar primeiro nos «pequenos» («Think small first»), o «Small Business Act» coloca as PME na primeira linha da elaboração das políticas, tendo como objetivo evitar que a legislação não contribui para aumentar os encargos a que estão sujeitas. Por conseguinte, é realizado um «teste PME» para verificar se as novas políticas e legislação da União Europeia terão consequências para as PME. Em 2011, foi criada uma rede de representantes nacionais das PME para assegurar que as políticas a nível nacional, regional e local são favoráveis a este tipo de empresas. Facilitar o acesso das PME ao financiamento Facilitar o acesso das PME ao financiamento é também uma importante prioridade. A Europa disponibiliza vários tipos de financiamentos para as PME numa combinação equilibrada, nomeadamente ao abrigo dos fundos estruturais, dos programas de investigação e inovação e do instrumento de microfinanciamento «Progress», bem como empréstimos do Banco Europeu de Investimento. Em meados de 2012, mais de 175 000 PME tinham beneficiado dos instrumentos financeiros do programa‑quadro para a competitividade e a inovação (PCI). No período de 2008 a 2011, o Banco Europeu de Investimento concedeu cerca de 40 mil milhões de empréstimos, que beneficiaram mais de 210 000 PME. A partir de 2014, o programa Competitividade das Empresas e das Pequenas e Médias Empresas (COSME) irá prestar apoio suplementar às PME. Fazer negócios fora da União Europeia: «missões para o crescimento» Num mundo globalizado, as PME precisam cada vez mais de competir com empresas de economias desenvolvidas e emergentes. Por outro lado, existe uma relação entre internacionalização e crescimento das PME. A estratégia «Pequenas empresas, grande mundo» da Comissão visa dar um novo dinamismo à economia europeia, ajudando as PME a expandir as suas atividades no exterior da União Europeia. A Comissão apoia a internacionalização das PME através de uma série de iniciativas denominadas «missões para o crescimento», que visam facilitar a conclusão de acordos entre as empresas e a organização de encontros entre a European Cluster Collaboration Platform e organizações parceiras em países como o Japão, o Brasil, a Índia e a Tunísia. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS OBSTÁCULOS A TORNAR-SE EMPRESÁRIO NA UNIÃO EUROPEIA? Respostas à pergunta «Concorda inteiramente, Concorda, Discorda ou Discorda inteiramente com a seguinte afirmação?» (sondagem de opinião realizada nos 27 países da União): É difícil criar a sua própria empresa por falta de apoio financeiro disponível. 35 É difícil criar a sua própria empresa devido à complexidade dos procedimentos administrativos. 29 É difícil obter informações suficientes sobre como começar uma atividade. 17 As pessoas que começaram a sua própria empresa e não tiveram êxito devem beneficiar de uma segunda oportunidade. 28 Não se deve lançar uma empresa se existir risco de falhar. 19 Concordo inteiramente 46 10 42 16 34 29 53 Os maiores obstáculos à criação de uma empresa na Europa são a falta de financiamento e a complexidade dos procedimentos administrativos. 4 9 33 Discordo Discordo inteiramente 7 9 12 10 31 Concordo 2 13 3 7 5 Não aplicável Fonte: Eurobarómetro Flash n.° 283. E M P R E S A S A Comissão também criou a Enterprise Europe Network, uma rede de apoio à atividade e à inovação dirigida às PME na Europa, que alargou à Ásia, ao Norte de África e à América. Esta rede ajuda as PME a compreender a legislação europeia e prevê programas de apoio e serviços de internacionalização em 54 países em colaboração com 600 parceiros regionais. Além disso, ajuda as PME a obter financiamento e disponibiliza‑lhes análises comerciais e tecnológicas, bem como serviços de aconselhamento em matéria de direitos de propriedade intelectual. Promover o empreendedorismo: a Europa precisa de mais empresários A política da União Europeia tem como prioridade central incentivar os empresários. Embora, atualmente, apenas 10% dos cidadãos europeus sejam empresários, 45% afirmam que gostariam de se estabelecer por conta própria. Para aproveitar este enorme potencial de crescimento e emprego, a Comissão lançou uma série de iniciativas. • Agrupamentos e redes empresariais: os agrupamentos reúnem num determinado local empresas especializadas e outros serviços de apoio que cooperam estreitamente entre si, nomeadamente associações, iniciativas regionais e outras redes de empresas. Um exemplo é o agrupamento «vale aeroespacial» em Toulouse, França, conhecido sobretudo pela conceção, desenvolvimento e produção do Airbus. Os agrupamentos © iStockphoto.com/Jacob Wackerhausen As mulheres são uma fonte inexplorada de potencial empresarial na Europa. 9 desempenham um papel de catalisador na criação de novas indústrias. A União Europeia está empenhada em várias atividades para melhorar as normas e reforçar a abertura dos agrupamentos, nomeadamente através da European Cluster Collaboration Platform, da European Cluster Excellence Initiative e do Centro Europeu de Inovação nos Serviços. • Educação no domínio do empreendedorismo: a educação no domínio do empreendedorismo merece cada vez mais atenção na maioria dos países europeus. Nesta perspetiva, a Comissão lançou a Semana Europeia das PME, uma campanha para promover o empreendedorismo em toda a Europa e informar os empresários sobre os apoios disponíveis. Outra iniciativa concreta é o programa de intercâmbio «Erasmus para Jovens Empresários», que dá aos empresários a oportunidade de aprendizagem junto de proprietários de PME experientes de outros países da União Europeia. • Mais mulheres empresárias: pode dizer‑se que a Europa não dispõe de um número suficiente de empresários em geral, mas o número de empresárias é ainda menor. Em 2012, só 30% dos empresários europeus eram mulheres. Para incentivar o empreendedorismo feminino, a Comissão criou a Rede Europeia de Embaixadoras do Empreendedorismo. As 270 empresárias que formam este grupo servem de fonte de inspiração a outras mulheres que desejem tornar‑se empresárias. 10 C O M P R E E N D E R A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A O que faz a União Europeia para apoiar os principais setores industriais Inovação: motor de crescimento e emprego Matérias‑primas: a espinha dorsal da indústria europeia A União Europeia presta apoio financeiro direto aos inovadores, por exemplo, empresas ou institutos de investigação, através de programas de financiamento: o programa‑quadro para a competitividade e a inovação (PCI), que em breve será substituído pelo programa COSME, e os programas operacionais dos fundos estruturais europeus. Um volume de negócios de 1324 mil milhões de euros e 30 milhões de postos de trabalho dependem do acesso permanente a matérias‑primas, que são a espinha dorsal da indústria europeia. Além disso, são vitais para o desenvolvimento de tecnologias modernas respeitadoras do ambiente, como os veículos elétricos ou as células fotovoltaicas. A inovação requer a interação e a cooperação entre vários intervenientes: entidades inovadoras, empresas, centros de investigação, agências de inovação e desenvolvimento, serviços de transferência de tecnologias, institutos de ensino e formação, investidores, etc. A União Europeia incentiva estas interações no interior das regiões e das iniciativas de agrupamentos. A Comissão Europeia prossegue uma abordagem baseada em três pilares: garantir um aprovisionamento equitativo e sustentável de matérias‑primas nos mercados internacionais, promover o aprovisionamento sustentável na União Europeia e fomentar uma utilização eficiente dos recursos, promovendo a reciclagem. A fim de incentivar a aprendizagem mútua e a cooperação entre as regiões e os países da União Europeia, a Comissão patrocina iniciativas, como o projeto «Europe Innova», destinadas a desenvolver e testar novas ferramentas e instrumentos com vista a apoiar a inovação e a iniciativa «PRO INNO Europe», que pretende retirar ensinamentos das melhores práticas e contribuir para o desenvolvimento de novas políticas de inovação mais eficazes. OS EUROPEUS SÃO INOVADORES? Estados Unidos Japão Coreia do Sul Tecnologias facilitadoras essenciais A força motriz por trás do desenvolvimento económico e tecnológico são as tecnologias facilitadoras essenciais (TFE), como a nanotecnologia, a micro e a nanoeletrónica, incluindo os semicondutores, os materiais avançados, a biotecnologia e ou a fotónica. A Comissão Europeia tem uma estratégia para estimular a produção industrial de produtos baseados nas TFE na Europa. O objetivo é assegurar que a Europa acompanha o ritmo dos seus principais concorrentes internacionais, relançar o crescimento na Europa e criar emprego na indústria, fazendo simultaneamente frente aos atuais desafios da sociedade. União Europeia Canadá Austrália Rússia China Índia Brasil África do Sul 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 Fonte: Comissão Europeia. Índice relativo a um período de cinco anos que retoma diferentes indicadores e que mostra a forma como os países são inovadores. Os indicadores incluem, por exemplo, o nível de investigação, de educação e de novas patentes e o número de PME inovadoras. Um índice mais elevado indica mais inovação. 11 E M P R E S A S © iStockphoto.com/Alexander Raths Inovação: uma fonte de crescimento e de emprego. Além disso, novas tecnologias permitirão a extração de matérias‑primas que se encontram depositadas a maior profundidade, em zonas mais remotas e em condições adversas. A Comissão apoia os esforços de inovação e investigação, as tecnologias de ponta e as abordagens pluridisciplinares, bem como intervenções ao nível da procura (por exemplo, através de normas, da contratação pública e de medidas regulamentares). A título de exemplo, a Parceria Europeia da Inovação sobre Matérias‑Primas reúne capital e recursos humanos num esforço para melhorar a exploração, a extração e a transformação das matérias‑primas na Europa. Um exemplo da ação desta parceria é a carta de intenções da União Europeia e da Gronelândia sobre a prospeção e exploração de matérias‑primas. As necessidades estratégicas da União Europeia e o potencial da Gronelândia em termos de matérias‑primas A Gronelândia tem: —— um potencial significativo relativamente a seis dos catorze elementos que fazem parte da lista de matérias‑primas críticas da União Europeia (nióbio, metais do grupo da platina, terras raras, tântalo) e um potencial moderado relativamente a outros três; —— um elevado grau de potencial no que respeita a depósitos de terras raras; —— uma quota entre 3,4% e 9,2% (ou seja, 4,89 e 12 milhões de toneladas) dos recursos em terras raras. 12 C O M P R E E N D E R A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A © iStockphoto.com/Ivan Rubanov O acesso às matérias-primas e outras terras raras é essencial para que a indústria europeia continue a ter êxito. A regulamentação em matéria de produtos químicos mais ambiciosa do mundo Os setores dos produtos químicos, dos plásticos e da borracha estão entre os setores industriais mais dinâmicos da Europa. Em conjunto, totalizam cerca de 3,2 milhões de postos de trabalho em mais de 60 000 empresas e representam cerca de 30% das vendas mundiais de produtos químicos. Desde 2007, o regulamento REACH rege o «registo, avaliação, autorização e restrição» de produtos químicos. Nos termos do REACH, os fabricantes e importadores de substâncias químicas devem avaliar e gerir os riscos decorrentes de substâncias químicas específicas e fornecer aos utilizadores informações adequadas em matéria de segurança. O seu sistema de classificação identifica os produtos químicos perigosos para a saúde e o ambiente e determina a informação que deve constar dos rótulos dos produtos químicos usados por profissionais e consumidores. Desde 2011, a nova legislação em matéria de classificação, rotulagem e embalagem de produtos químicos alinhou o sistema de classificação da União Europeia pelo Sistema Mundial Harmonizado da ONU, assegurando assim que os riscos sejam descritos e rotulados de modo idêntico em todo o mundo. A Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), criada em junho de 2007, é responsável pela gestão da legislação REACH e em matéria de classificação, rotulagem e embalagem (CRE) e emite pareceres científicos sobre questões relacionadas com a segurança e os aspetos socioeconómicos da utilização de produtos químicos. A indústria química desempenha um papel crucial na disponibilização de materiais inovadores e de soluções tecnológicas que têm um impacto na competitividade industrial da Europa a nível mundial. Por conseguinte, a União Europeia tenta fomentar a competitividade internacional da indústria química e torná‑la mais sustentável. Espaço: viabilizar o mundo moderno Das telecomunicações à televisão, das previsões meteorológicas aos sistemas financeiros mundiais, a maioria dos serviços essenciais que consideramos um dado adquirido no mundo moderno dependem de tecnologias espaciais. O espaço pode ainda fornecer os instrumentos necessários para fazer face a muitos desafios mundiais. A Europa necessita, assim, de uma política espacial eficaz, bem como de investigação no domínio espacial e de um programa espacial que lhe permitam acompanhar os líderes mundiais em áreas estratégicas neste mercado altamente competitivo. 13 E M P R E S A S A Europa exporta sistemas espaciais de primeira ordem para fins comerciais e científicos. Mas para manter a posição da Europa, a indústria espacial exige um nível sustentado de investigação em novas tecnologias e na sua exploração. GALILEU: UM SISTEMA MUNDIAL DE NAVEGAÇÃO POR SATÉLITE CONTROLADO PELA EUROPA O Galileu é o sistema mundial de navegação por satélite da União Europeia que está sob controlo civil europeu. O programa Galileu permitirá aos utilizadores conhecer a sua posição exata no tempo e no espaço, tal como o GPS, mas com maior precisão e fiabilidade. O sistema europeu de navegação por satélite já contribuiu para reforçar a segurança no momento da aterragem dos aviões e para reduzir os atrasos, desvios e cancelamentos. O posicionamento da navegação por satélite tem vindo a melhorar constantemente desde 2009 e as informações derivadas desta tecnologia podem agora ser recebidas no seu computador, mesmo quando não pode receber um sinal de satélite. Em 2012, foi introduzido um serviço geostacionário de navegação melhorado para aumentar a precisão da navegação por satélite e apoiar aplicações dependentes que requerem um elevado grau de precisão, corrigindo erros causados por perturbações atmosféricas. GMES: OBSERVAR A TERRA PARA UM MUNDO MAIS SEGURO Gerir os recursos naturais e a biodiversidade, observar o estado dos oceanos, controlar a composição química da atmosfera: para que tudo isto tenha um impacto real, são indispensáveis informações exatas em tempo útil. A iniciativa europeia de monitorização global do ambiente e da segurança (GMES) fornece dados para ajudar a fazer face a questões que vão desde as alterações climáticas à vigilância das fronteiras. Graças à sua rápida capacidade de observação e cartografia, o sistema GMES pode igualmente apoiar a prestação de ajuda de emergência em todo o mundo em caso de catástrofes naturais, acidentes industriais ou crises humanitárias. De acordo com a OCDE, o valor do mercado mundial de dados de observação da Terra poderá aumentar em 3 mil milhões de dólares por ano © iStockphoto.com/Rafal Olechowski Cerca de 6% a 7% do PIB europeu, ou seja, 800 mil milhões de euros, já são utilizados para aplicações de navegação por satélite. Além disso, o valor anual do mercado mundial de produtos e serviços de navegação por satélite está atualmente avaliado em 124 mil milhões de euros, prevendo‑se que aumente para 244 mil milhões de euros até 2020. O impacto económico global do Galileu será cerca de 90 mil milhões de euros nos próximos vinte anos. Já foram lançados vários satélites Galileu, devendo o sistema estar plenamente operacional em 2014. O sistema mundial de navegação por satélite europeu Galileu apoiará uma grande variedade de aplicações. até 2017. O GMES deverá gerar lucros equivalentes ao décuplo dos custos do investimento inicial. Investigação em matéria de segurança para proteger a sociedade O objetivo da investigação em matéria de segurança é tornar a Europa mais segura e resistente para os seus cidadãos. A União Europeia investe recursos para proteger de forma mais eficaz as infraestruturas e reforçar a nossa indústria de segurança. Automóveis: promover a liderança europeia Líder mundial no fabrico de automóveis, a indústria automóvel europeia é essencial para garantir a prosperidade da Europa. A indústria é um grande empregador de pessoal qualificado, um motor fundamental do conhecimento e da inovação, um exportador líquido, um dos principais contribuintes para o PIB da União Europeia e o maior investidor privado da Europa em investigação e desenvolvimento. 14 C O M P R E E N D E R A harmonização técnica é um elemento fundamental para reforçar a competitividade da indústria automóvel europeia, na medida em que simplifica o acesso ao mercado e reduz os custos da atividade comercial. Os fabricantes podem obter a homologação de um modelo de veículo num país da União Europeia e, em seguida, comercializá‑lo em toda a União Europeia sem necessidade de mais ensaios. A Comissão esforça‑se por obter o mesmo nível de harmonização técnica à escala mundial através da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE). A Comissão centra‑se nas seguintes prioridades: 1)promoção do investimento em tecnologias avançadas e inovação para veículos não poluentes através de um pacote alargado de medidas para combater as emissões de CO2 e outros poluentes e a poluição sonora; 2)melhoria das condições de mercado, através do reforço do mercado único através de um sistema de homologação mais adequado e da racionalização dos incentivos financeiros para os veículos não poluentes, bem como da aplicação coerente dos princípios da regulamentação inteligente; A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A 3)apoio ao setor automóvel face aos mercados mundiais através da celebração de acordos comerciais equilibrados, da promoção e prossecução de diálogos bilaterais com os principais mercados terceiros e da intensificação dos trabalhos sobre a harmonização internacional da regulamentação relativa a veículos. Os trabalhos da Comissão Europeia em matéria de segurança dos veículos a motor abrangem a segurança de todos os utentes da estrada. Recentemente, foi adotada legislação que introduziu características de segurança normalizadas, como os sistemas eletrónicos de controlo da estabilidade em todos os veículos a motor, sistemas avançados de travagem de emergência e sistemas de aviso de afastamento da faixa de rodagem nos veículos pesados. Os automóveis devem agora ser equipados com sistemas de assistência à travagem de emergência para ajudar a prevenir colisões com peões ou ciclistas e garantir que as colisões inevitáveis se dão a velocidades mais baixas. Além disso, nova legislação para os ciclomotores e os motociclos propõe também a instalação de origem de sistemas avançados de travagem para proteger os condutores. A Comissão propôs também uma simplificação das regras de matrícula automóvel por forma a reduzir ao mínimo os procedimentos para matricular um veículo noutro país da União Europeia. Para apoiar o mercado único, a União Europeia harmoniza os aspetos técnicos dos veículos automóveis. © iStockphoto.com/Chad Truemper E M P R E S A S Turismo: um setor fundamental O setor europeu do turismo gera mais de 5% do produto interno bruto (PIB) da União Europeia, contando com cerca de 1 8000 000 empresas que empregam, aproximadamente, 5,2% da mão‑de‑obra total (cerca de 9 700 000 postos de trabalho). Se se tiver também em conta os setores relacionados com o turismo, este setor gera indiretamente cerca de 12% do emprego. O objetivo da União Europeia consiste em assegurar que a Europa continua a ser o principal destino turístico mundial, através da promoção da diversificação e da qualidade. A inovação e a sustentabilidade são fundamentais, em especial para as PME. O programa «Calypso» da União Europeia facilita os intercâmbios de férias em época baixa na União para determinados grupos específicos (por exemplo, para a terceira idade, um grupo que representa um elevado potencial de mercado). 15 Anualmente, é organizado o evento «Encruzilhadas da Europa», que incide no turismo cultural e chama a atenção para locais e rotas europeias associadas com o encontro entre diferentes culturas. O objetivo é estimular um novo tipo de turismo. Os «Destinos Europeus de Excelência» (EDEN) promovem destinos turísticos não tradicionais e sustentáveis. Envolve concursos nacionais, a fim de selecionar «destinos de excelência» de acordo com um tema específico, que varia todos os anos. A Comissão estabeleceu uma colaboração inovadora entre a América do Sul e a Europa, iniciativa denominada «50 000 turistas», que promove viagens durante a época baixa, permitindo assim a utilização das capacidades excedentárias hoteleiras e de transporte aéreo. Para sublinhar a qualidade do turismo europeu e ajudar os turistas comparar destinos, a Comissão Europeia propõe um rótulo de qualidade único do turismo europeu para aprovar rótulos existentes com base em critérios comuns. O turismo gera indiretamente mais de 10% do PIB da União Europeia. A Europa deve manter a sua posição de primeiro destino turístico mundial numa economia mundial em rápida evolução. © iStockphoto.com/Maridav C O M P R E E N D E R A S P O L Í T I C A S D A U N I Ã O E U R O P E I A O caminho a seguir: liderar a nova revolução industrial A indústria desempenha um importante papel na promoção do crescimento sustentável, na criação de postos de trabalho de elevada qualidade e na resolução dos desafios sociais. No século XXI, o papel da indústria diminuiu na Europa. Inverter esta tendência é um desafio. A União Europeia tem como objetivo aumentar até 2020 a contribuição da indústria para o crescimento (dos atuais 15,6% do PIB para 20% do PIB). Por conseguinte, a Comissão propõe um conjunto de ações prioritárias para estimular o investimento em novas tecnologias, melhorar a envolvente empresarial, facilitar o acesso aos mercados e ao financiamento, em especial para as PME, e garantir que os trabalhadores têm as competências necessárias à indústria. A indústria europeia está bem colocada para assumir este papel: a Europa é líder mundial em muitos setores estratégicos, como as indústrias automóvel, aeronáutica, espacial, farmacêutica e química. A indústria ainda representa quatro quintos das exportações da Europa e 80% das exportações da Europa e do investimento do setor privado em I&D provêm da indústria transformadora. Se voltar a haver confiança e se verificar uma onda de novos investimentos, a indústria europeia poderá obter melhores resultados e retomar a via do crescimento. financiamento, no apoio às PME e na sensibilização dos consumidores. MELHORAR O ACESSO AO FINANCIAMENTO E APOIAR AS PME As empresas europeias atravessam atualmente uma crise de crédito, que se agrava à medida que os bancos se reestruturam e eliminam os «maus ativos» dos seus balanços. A Comissão estuda, por isso, novas formas de melhorar as condições de financiamento, em especial para as PME. O novo financiamento será disponibilizado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI). Além disso, para o período de 2014-2020, a Comissão propôs uma dotação de 1 400 milhões de euros em instrumentos de dívida e de capital próprio para apoiar as PME, ao abrigo do programa COSME. SENSIBILIZAR OS CONSUMIDORES PARA INCENTIVAR A INOVAÇÃO INDUSTRIAL Os consumidores também podem contribuir para incentivar a inovação industrial. Se os operadores de autocarros, por exemplo, exigirem aos fabricantes de veículos que equipem os tetos dos autocarros com painéis solares, a indústria poderá produzir esse tipo de autocarros em maior escala e a um preço inferior. Tornar a revolução uma realidade Para que haja uma nova revolução industrial, a União Europeia concentra‑se no relançamento do setor industrial, bem como na melhoria do acesso ao Mais informações XX XX XX XX XX XX XX Para um panorama da política industrial da União Europeia: http://ec.europa.eu/enterprise/index_en.htm «Europa 2020» — Estratégia de crescimento da União Europeia: http://ec.europa.eu/europe2020/index_en.htm Financiamento da União Europeia para as PME: http://www.access2finance.eu/ Rede Europeia de Empresas (Enterprise Europe Network): http://portal.enterprise-europe-network.ec.europa.eu/ Agência Espacial Europeia: http://www.esa.int/esaCP/index.html Agência Europeia dos Produtos Químicos: http://echa.europa.eu/ Perguntas sobre a União Europeia? O serviço Europe Direct pode ajudá-lo: 00 800 6 7 8 9 10 11 http://europedirect.europa.eu ISBN 978-92-79-42062-7 doi:10.2775/51859 NA-04-14-867-PT-C 16