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Alternativo
O Estado do Maranhão - São Luís, 14 de junho de 2009 - domingo
CONTINUAÇÃO DA CAPA
Pirataria ajudou a popularizar
o filme “Ai que Vida” no Brasil
Produção tornou-se uma campeã de vendas nos camelôs de Teresina. Após sucesso popular com a comédia, o diretor, Cícero
Filho, prepara sua próxima obra, o drama “Flor de Abril”. Dessa vez, o cineasta vai ter a atuação de atores profissionais de São Paulo
Fotos/Divulgação
A
comédia "Ai que Vida",
do cineasta Cícero Filho,
25 anos, repete no Piauí
e no Maranhão o que o filme
"Tropa de Elite", de José Padilha,
provocou no Rio de Janeiro em
2007, quando se tornou sucesso
de venda entre os camelôs. O filme, lançado em setembro de
2008, foi sucesso imediato de bilheteria. Estreou nos dois cinemas de Teresina e circulou por
dezenas de cidades do Piauí e
Maranhão, e também foi levado
a festivais na Paraíba e em Brasília. Por meio de um patrocínio
do Governo do Estado, o filme
chegou a produzir 300 cópias de
DVDs, precariamente distribuídas nas locadoras da cidade,
mas foi o suficiente para que,
em poucos meses, o filme se
tornasse uma febre entre os camelôs de Teresina, e chegasse a
outras cidades, espalhado por
atravessadores e fãs.
A versão pirata, que está
sendo oferecida a R$ 5 no comércio informal, tornou-se um
dos produtos mais vendidos
nas bancas de camelôs da cidade. Mas não apenas em Teresina. O filme é sucesso incondicional em cidades do interior do Maranhão, do interior do Piauí, Pará, Ceará, Tocantins e Goiás. Atualmente, a produção já pode ser encontrada
no estado de São Paulo, sendo
vendida no ponto mais movimentado do comércio do sudeste, a Rua 25 de Março.
O diretor e roteirista do filme,
Cícero Filho, que está concluin-
Sinopse
Em meados do ano de 1999, a fictícia cidade de Poço Fundo, interior
do Nordeste, está vivendo um verdadeiro caos em sua administração
pública. O prefeito Zé Leitão (Feliciano Popô) é um administrador corrupto, capaz de fazer tudo por dinheiro. Ele administra Poço Fundo há
quatro anos, mas pouco fez pela cidade. Revoltada com a situação, a
microempresária Cleonice da Cruz Piedade (Antonia Catingueiro) decide concorrer ao cargo de prefeita.
Set de gravação do filme “Ai que vida”, um sucessos do cinema independente em todo o país
do uma pós-graduação em cinema, na Faculdade Anhembi Morumbi, em São Paulo, conta que
já foi surpreendido pela venda
de seu filme na capital paulista.
"Talvez eu mesmo tenha sido o
responsável por esta proliferação, porque vendi uma cópia em
DVD original para um rapaz, que
estava indo para São Paulo e ele
disse que ia ganhar muito dinheiro com ela. Não liguei na
época, mas acho que ele era
atravessador". De volta a Teresina, onde passa férias, Cícero ficou surpreso mais uma vez, pois
o ônibus que fez a rota São Pau-
lo – Teresina estava exibindo seu
filme para os passageiros. "Isso
mexe muito comigo porque o filme não foi bem distribuído", explica o cineasta.
Pirataria atrapalha? Ele não
parece se importar muito com
isso. Entende que no Brasil, onde o cinema amador tem poucas chances diante do cinema
comercial, a pirataria é uma forma de fazer circular a sua produção que foi feita à base do mutirão e com poucos patrocinadores. O elenco, formado em sua
maior parte por amadores, que
abriram mão de seus cachês. A
equipe técnica era extremamente reduzida. O próprio Cícero acumulou várias atribuições: roteiro, direção, direção
de arte, filmagem, produção,
cenários e, até, maquiagem.
"Fico feliz ao ver que o filme
continua sendo visto pela população. Difundir o cinema para as pessoas menos favorecidas é um foco primordial de
minha atuação", defende ele.
A próxima produção de
Cícero Filho chama-se "Flor de
Abril" . O aspecto romântico fica apenas no título. Trata-se de
um drama, urdido com muita
dor e frustração, vividas pela
personagem principal, Teresa.
O filme está sendo produzido
com a participação de atores de
São Paulo, Piauí e Maranhão. E
agora, pela primeira vez, atores
profissionais como protagonistas. De São Paulo, um time formado por jovens e promissores
atores de teatro:, Eric Gaigher,
Diego Fernandes e Vicinius Fiamini; de São Luís, Arly Arnoud,
Brenna Lima (que fez Entre o
Amor e a Razão) e Dayse Bernardo, que fará a protagonista.
De Teresina, o diretor ainda está fechando o elenco. "É um
projeto diferenciado na medida em que estamos procurando dar um maior profissionalismo, tanto no aspecto técnico, como na atuação", diz ele.
Outra produção – também
explorando a veia cômica do diretor – é o inédito "Dê uma Xanxa ao Amor", que trabalha com
atores amadores e tem uma linguagem experimental. O filme
está sendo finalizado e deve estrear em 2009. "É um trabalho a
partir de uma vertente teórica
que aprendi no curso de cinema
e que quis colocar em prática",
explica o autor de “Ai que vida”.
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