ANAIS
UM ESTUDO SOBRE A RELAÇÃO ENTRE O RANKING MUNDIAL DE
SUSTENTABILIDADE E O IDH – ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO
COM A DIMENSÃO CULTURAL COLETIVISMO VERSUS INDIVIDUALISMO
DE HOFSTEDE
VANIA REGINA MORÁS ( [email protected] , [email protected] )
FURB - Fundação Universidade Regional de Blumenau
RODRIGO MOREIRA CASAGRANDE ( [email protected] )
FURB - Fundação Universidade Regional de Blumenau
CARLOS EDUARDO FACIN LAVARDA ( [email protected] )
FURB - Fundação Universidade Regional de Blumenau
RESUMO
O objetivo deste estudo foianalisar a relação entre o desempenho dos países em
sustentabilidade e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) com a dimensão cultural
individualismo versus coletivismo de Hofstede. Foi realizada uma pesquisa descritiva,
documental e quantitativa. A amostra final compreendeu 51 países e utilizou-se a técnica
correlação de Pearson, seguida da regressão linear simples e múltipla. Finalizou-se com o
Teste-T de variáveis independentes. Os resultados apontaram nível de correlação significante
de 0,00 entre todas as variáveis. Em média, o individualismo apresentou superioridade em
relação ao coletivismo nos países que possuem um maior índice de IDH e sustentabilidade.
Palavras-chave:Sustentabilidade.Índice de Desenvolvimento Humano. Individualismo versus
Coletivismo.
1 INTRODUÇÃO
Em muitos campos da sociedade, a sustentabilidade tornou-se foco de debates. Parece
crescer um entendimento coletivo de que as organizações precisam passar por uma mudança
fundamental tanto para se adaptar ao novo ambiente empresarial quanto para se tornar
sustentáveis do ponto de vista ecológico, pois constituem a força principal de destruição do
ambiente planetário (GOODLAND, 1995; CAPRA, 2005).
Elkington (2012) aborda que o desenvolvimento sustentável deve atender
conjuntamente as dimensões econômica, social e ambiental, o que ficou conhecido como triple
bottomline (ELKINGTON, 1999). Nesse sentido, o conceito de desenvolvimento sustentável
apresenta pontos básicos que devem considerar, de maneira harmônica, o crescimento
econômico, os resultados sociais decorrentes e a preservação do meio ambiente na utilização
dos recursos naturais (ELKINGTON, 2012), o que pode ensejar um novo paradigma, em que
as organizações devam mudar seus pressupostos relacionados às decisões de investimentos.
Mantendo aderência com esse conceito sistêmico da sustentabilidade, o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), criado no início dos anos 90 por MahbubulHaq com a
colaboração do economista indiano Amartya Sen, considera que a busca pelo crescimento não
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é sinônimo exclusivo de fazer aumentar o produto interno bruto (PIB). A construção do
indicador de desenvolvimento IDH reflete a mensuração de prosperidade ou qualidade de vida
de um determinado país, estado, município ou região, observando critérios significativos para
o desenvolvimento humano ao conceder papel de protagonismo para aspetos como melhoria
das condições de saúde e educação da população no processo de desenvolvimento
(SCARPIN; SLOMSKI, 2007).
Torres, Ferreira e Dini (2003) argumentam que a medida de qualidade de vida mais
difundida, até os anos 90, tinha sido o PIB per capita, porém o conhecimento do PIB per
capita de um país ou região não é suficiente para avaliar as condições de vida de uma
população, há necessidade também de conhecer a distribuição desses recursos e o acesso aos
mesmos pela população. Assim, o progresso de um país não pode ser mensurado apenas pelo
dinheiro dos cidadãos, mas também pela sua saúde, qualidade dos serviços médicos e
educação.
Oliveira; Silva e Moraes (2008) argumentam que variáveis geográficas, econômicas,
culturais e sociais podem influenciar o grau de abertura das informações, o IDH e o PIB per
capita de um país. A cultura tem sido definidade muitas maneiras e mais comumenteenvolve
a abordagem de crenças, valores e pressupostos (SCHEIN, 2009).Hosftede (2001) a define
como a programação da mente quedistingue os membros deumgrupo, pautada em um
entendimento coletivo.
Hofstede (1991, 2001), em sua pesquisa realizada em unidades da IBM, em 53 países,
conseguiu interligar valores culturais com indexadores numéricos que produzem comparações
entre nações, além de enfatizar valores culturais que podem ser encontrados nos ambientes de
trabalho. O autor identificou quatro dimensões de valores, quais sejam: distância hierárquica,
individualismo versus coletivismo, masculinidade versus feminilidade e controle da incerteza
(HOFSTEDE, 1991, 2001).
Na segunda metade do século XX, especulou-se sobre a natureza dos problemas
básicos das sociedades que apresentavam dimensões distintas da cultura, e a dimensão mais
comum usada para a ordenação das sociedades passou a ser o seu grau de evolução econômica
ou de modernidade (HOFSTEDE, 1991, 2001). Ainda segundo o autor, tanto a evolução
econômica como a tecnológica produzem reflexos na programação mental coletiva, mas não
há nenhuma razão para que estas venham a suprimir a variedade cultural.
Por conta disso, neste trabalho analisa-se a dimensão IDV - Individualismo versus
Coletivismo, a qual contrasta uma preferência pela vida sem muitas amarras sociais em
contrapartida ao coletivismo em que os interesses do grupo prevalecem sobre os interesses
dos indivíduos. Esse conceito é bastante útil na explicação de como a influência cultural pode
impactar comportamentos e gera reflexos em como os países encaram os desafios da
sustentabilidade.
Diante deste contexto determina-se a questão que norteia a pesquisa: qual a relação
entre o ranking dos melhores países em sustentabilidade e o ranking do IDH com a dimensão
cultural individualismo versus coletivismo de Hofstede? Desta forma, o objetivo é analisar a
relação entre o desempenho dos países em sustentabilidade e o IDH com a dimensão cultural
individualismo versus coletivismo de Hofstede, porque se entende que quanto mais coletivista
é um país maior é seu IDH e consequentemente será mais sustentável, enquanto quanto mais
individualista é um país menor é seu IDH e consequentemente menos sustentável.
O estudo procura contribuir com uma visão que integra mais de dois índices de bem
estar comum, no caso a sustentabilidade e o IDH, e projeta suas eventuais relações com a
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dimensão que confronta individualismo versus coletivismo de Hofstede. Essa abordagem
diferencia-se das publicações que têm vinculado os estudos de Hofstede com a
sustentabilidade, que focam aspectos ambientais e percepção dos relatórios organizacionais,
como é o caso dos estudos Relationshipsamong Cultural Dimensions, National Gross
DomesticProduct, and Environmental Sustainability, de Cox; Friedman e Tribunella(2011) e
Infomation systems for sustainability: Hofstede´s cultural diferences in theperceptionof a
qualitymeasure for sustainabilityreports de Fernandez-Feijoo; Romero e Ruiz (2011).
2 REFERENCIAL TEÓRICO
No referencial teórico são abordados aspectos que embasam o tema desta pesquisa.
Primeiro apresenta-se a temática sobre sustentabilidade, seguido do IDH e, por fim a
dimensão cultural coletivismo versus individualismo de Hofstede.
2.1 Sustentabilidade
A temática da sustentabilidade vem ganhando corpo tanto no meio acadêmico, como
organizacional. Parece crescer um entendimento coletivo de que as organizações humanas
precisam passar por uma mudança fundamental, tanto para se adaptar ao novo ambiente
empresarial quanto para se tornar sustentáveis do ponto de vista ecológico, pois constituem a
força principal de destruição do ambiente planetário (GOODLAND, 1995).
A sustentabilidade tornou-se foco de debates, muito porque a exploração desmedida de
recursos naturais, quando vistos apenas como um meio de produção para gerar os resultados
organizacionais, tem apresentado efeitos preocupantes como degradações e acidentes
ambientais que afetaram não apenas o ambiente, mas também a sociedade de todo o planeta.
(CAPRA, 2005).
Campanhola (1995) abordou que o paradigma de desenvolvimento que visa ao lucro
máximo não é sustentável no longo prazo, por ser inconsistente na medida em que considera o
crescimento econômico como protagonista na geração do bem-estar à sociedade, tendo o meio
ambiente como sendo apenas matéria-prima para o processo produtivo, em especial o
industrial.
As atividades produtivas das indústrias aumentaram de modo significativo o impacto
danoso da atividade humana sobre a biosfera. O aumento da destruição ambiental, na esteira
do crescimento econômico, é ilustrado de modo patente pelo exemplo de Taiwan, onde os
venenos usados na agricultura e na indústria poluíram gravemente quase todos os rios
(CAPRA, 2005). Situações como esta, abrem espaço para discussões que envolvem a
construção de um novo paradigma que considere, conjuntamente, as dimensões econômica,
social e ambiental nas decisões organizacionais
O conceito mais utilizado para definir sustentabilidade é de que se trata de um pacto
entre gerações (HOLDREN; EHRLICH, 1971; POLONSKI; ROSENBERGER, 2001). Nessa
linha, Elkington (1999) desenvolveu o conceito dotriple bottomline, em que a visão de
desenvolvimento sustentável apresenta pontos básicos que devem considerar, de maneira
harmônica, o crescimento econômico, uma maior percepção com os resultados sociais
decorrentes e o equilíbrio ecológico. Elkington (2012) aborda, então, a importância da
conservação e manejo dos recursos naturais; as consequências financeiras das ações da
empresa para os stakeholders; e a responsabilização na manutenção e aperfeiçoamento do
equilíbrio do sistema, no que tange a direitos e responsabilidades.
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Nesse contexto, cresce uma sensibilização coletiva no sentido de que as organizações
precisam passar por uma mudança fundamental. O atual modelo econômico foi alicerçado na
visão da inesgotabilidade dos recursos ecológicos, em especial os energéticos. Uma nova
forma de gerir os recursos disponíveis na natureza se faz premente, na medida em que formas
arcaicas de gestão não atendem mais o intuito de desenvolvimento sustentável
(DREHER; CASAGRANDE e GOMES, 2012; SACHS2009).
2.2 Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
O desenvolvimento humano é definido como um processo de ampliação das escolhas
das pessoas, para que tenham capacidades e oportunidades para serem o que desejam ser. Já a
perspectiva do crescimento econômicoreflete no bem estar de uma sociedade por meio dos
recursos ou na própria renda que ela pode gerar. Assim, o desenvolvimento humano analisa as
pessoas, suas oportunidades e capacidades, enquanto a renda é vista como um meio de
desenvolvimento e não como seu fim, conforme estabelecido pelo Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento – PNUD (2014).
A ideia de construir um indicador escalar que sintetize todas as dimensões relevantes
de pobreza é antiga. Porém teve seu maior impulso no início da década de 1990 com a criação
do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) (BARROS; CARVALHO; FRANCO, 2003).
A medida de qualidade de vida mais difundida, até os anos 90, tenha sido o PIB per
capita, porém o conhecimento do PIB per capita de um país ou região não é suficiente para
avaliar as condições de vida de uma população, há necessidade também de conhecer a
distribuição desses recursos e o acesso aos mesmos pela população. Assim, o progresso de um
país não pode ser mensurado apenas pelo dinheiro dos cidadãos, mas também pela sua saúde,
qualidade dos serviços médicos e educação (SAGAR; NAJAM, 1998; TORRES; FERREIRA;
DINI, 2003).
O IDH é uma medida resumida do progresso a longo prazo, considerando as três
dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde. O objetivo de
criação do IDH foi para oferecer um contraponto ao indicador PIB per capita, que era mais
utilizado até o momento e que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento
(PNUD, 2014).
O IDH é um indicador desenvolvido pela Organização das Nações Unidas utilizado
para medir a qualidade de vida das pessoas em vários países do mundo, considera o PIB per
capita (em dólares ajustados ao poder de compra no país), a saúde e a educação, todos com o
mesmo peso de 1/3. Assim, a saúde é medida pela esperança de vida ao nascer, a educação
pela taxa de matricula combinada (peso 1/3) com a taxa de alfabetização de pessoas com mais
de 15 anos (peso de 2/3). O resultado é ordenado conforme os valores obtidos nos cálculos
relativos que vai de 0 como pior situação de desenvolvimento humano até 1 melhor situação
de desenvolvimento humano (BARROS; CARVALHO; FRANCO, 2003; MORSE, 2003;
SILVA; PANHOCA, 2007).
A etapa final do método é a apresentação do IDH para todos os países, classificando-os
como alto, médio ou de desenvolvimento humano baixo, em termos de valor do IDH. O maior
desenvolvimento está entre 0,8 e 1,0, o desenvolvimento médio entre 0,5 e 0,8, e o baixo
desenvolvimento inferior a 0,5 (MORSE, 2003).
A construção deste indicador de desenvolvimento reflete a mensuração da qualidade
de vida, a qual não se resume à esfera econômica da experiência humana. Ao avaliar o nível
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de prosperidade ou qualidade de vida de um país, região ou município é de como proceder
com essa avaliação (TORRES; FERREIRA; DINI, 2003).
Para Sagar e Najam (1998), o primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH)
do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lançado no ano de 1990,
foi um documento importante para o debate sobre o desenvolvimento humano. A maior
contribuição do PNUD, foi esculpir um lugar de destaque para conceituar o desenvolvimento
humano nos discursos intelectuais e nas discussões de políticas internacionais. O PNUD,
também abrange temas como participação das pessoas, gênero e pobreza. Em geral, foi um
passo para incorporar os conceitos de sustentabilidade em medidas de desenvolvimento.
Após 20 anos de sua publicação desde 1990, em 2010, o RDH passou por novas
metodologias que foram incorporadas para o cálculo do IDH. O índice é calculado
anualmente e assim emitido um RDH. De acordo com PNUD (2014), os relatórios emitidos
até este ano foram:
Quadro 1: Relatórios de Desenvolvimento Humanos Globais
ANO
DESCRIÇÃO RELATÓRIO
2000
Direitos humanos e desenvolvimento - pela liberdade e solidariedade
2001
Fazendo as novas tecnologias trabalhar para o desenvolvimento humano
2002
Aprofundar a democracia num mundo fragmentado
2003
Um pacto entre nações para eliminar a pobreza humana
2004
Liberdade cultural num mundo diversificado
2005
Cooperação internacional numa encruzilhada
2006
Além da escassez: poder, pobreza e a crise mundial da água
2007/2008
Combater a mudança do clima: solidariedade humana em um mundo dividido
2009
Ultrapassar barreiras: mobilidade e desenvolvimento humanos
2010
A verdadeira riqueza das nações: vias para o desenvolvimento humano
2011
Sustentabilidade e equidade: um futuro melhor para todos
2013
A ascensão do sul: progresso humano num mundo diversificado
2014
Sustentando o progresso humano: redução da vulnerabilidade e construção da resiliência
Fonte: Adaptado de PNUD (2014).
O RDH de 2011oferece novos e importantes contributos para o diálogo global
demonstrando como a sustentabilidade está indissociavelmente ligada às questões básicas da
equidade, isto é, aos problemas de imparcialidade e justiça social e maior acesso a qualidade
de vida. Assim, é vital compreender que a sustentabilidade ambiental e a equidade humana,
constitui-se de um notável progresso de desenvolvimento ao longo das últimas décadas, este
relatório identifica caminhos para que as pessoas, comunidades, países promovam a
sustentabilidade ambiental e a equidade mutuamente reforçadas (PNUD, 2011).
Para o IDH captar a dimensão da sustentabilidade do desenvolvimento humano, ele
terá que incorporar algum mecanismo para exploração excessiva dos recursos naturais.
Questões de consumo e sustentabilidade também deve entrar nessa discussão, sendo que não
pode haver desenvolvimento, sem a opção de ter um teto sobre a cabeça, neste caso
considerando as madeiras de florestas tropicais contribuem para esse desenvolvimento
(SAGAR; NAJAM, 1998).
2.3 Dimensão Cultural Coletivismo Versus Individualismo de Hofstede.
A definição de cultura pode ser encontrada de forma ampla ou restrita, mas
geralmente está relacionada com a aquisição de conhecimentos que passam a ser utilizados
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para interpretar experiências e guiar comportamentos. Dessa forma, afeta como as pessoas
pensam e reagem frente a determinadas circunstâncias (FISCHER, 2002).
A cultura começa a se estabelecer quando determinado tipo de comportamento serviu
de solução a problemas externos e internos que funcionou consistentemente para o grupo e
que, portanto, passou a ser ensinada aos novos membros como o modo correto de perceber,
pensar e sentir em relação a esses problemas (SCHEIN, 2009). Nessa mesma linha, Morgan
(1996) considera que as diferenças transculturais não devem ser subestimadas no estudo da
cultura organizacional.
No campo das organizações, não só através de rituais, cerimônias, códigos e formas de
relacionamento pessoal, mas também através de artefatos, arquitetura da empresa, decoração,
maneira de se vestir, pode-se perceber qual o tipo de cultura organizacional reina em
determinada empresa (SROUR, 1998). Cria-se, então, uma personalidade coletiva que oferece
uma certa estabilidade, previsibilidade e sensação de pertencimento a um grupo (SMIRCICH,
1983).
Há de se considerar, porém, que as organizações são formadas por indivíduos e que,
embora gerem padrões de crenças e valores que passam a ser compartilhados internamente,
podem existir grupos diversificados dentro de uma mesma organização que apresentem
distintas culturas. Conforme Machado e Carvalho (2008, p. 2) “a organização é constituída
por pessoas que têm maneiras diversas de agir, pensar e sentir. Cada qual tem um modo de
atuar sobre o mundo, o que repercute no trabalho”.
Essa diversidade pode ficar ainda mais heterogênea, ao considerar-se o impacto
cultural entre pessoas de diferentes nações. Hofstede (2001) realizou pesquisa em 53 países, e
conseguiu interligar valores culturais com indexadores numéricos que produzem comparações
entre nações, além de enfatizar valores culturais que podem ser encontrados nos ambientes de
trabalho. Dessa pesquisa, o autor identificou quatro dimensões de valores, quais sejam:
distância hierárquica, individualismo versus coletivismo, masculinidade versus feminilidade e
controle da incerteza.
O Quadro 2 traz as principais diferenças no campo do trabalho entre as sociedades
coletivistas e individualistas, conforme Hofstede (2003).
Quadro 2 – Diferenças essenciais entre sociedades individualistas e coletivistas
SOCIEDADES COLETIVISTAS
SOCIEDADES INDIVIDUALISTAS
A harmonia sempre deve ser mantida e as Dizer o que se pensa é característico das pessoas
confrontações diretas evitadas.
honestas.
A infração gera um sentimento de vergonha
perante o próprio grupo.
A finalidade da educação é aprender como fazer.
A infração conduz a um sentimento de culpa e à
perda do amor próprio.
A finalidade da educação é aprender como aprender.
Os títulos e diplomas permitem acesso a grupos
de status mais elevado.
A relação empregado-empregador é percebida em
termos morais como um vínculo familiar.
O recrutamento e promoção levam em conta o
grupo a que pertence.
Pratica-se uma gestão de grupos e o
relacionamento prevalece perante a tarefa.
Os títulos e diplomas aumentam o valor econômico e
o amor próprio.
A relação empregado-empregador presume um
contrato baseado em vantagens mútuas.
O recrutamento e a promoção baseiam-se unicamente
nas competências e regras.
Pratica-se uma gestão de indivíduos e a tarefa
prevalece sobre o relacionamento.
Fonte:Adaptado de Hofstede (2003, p. 87).
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Hofstede (1991) descreveu uma sociedade que possui elevado IDV como sendo
favorável à existência de trabalhos que proporcionem tempo suficiente para vida pessoal e
familiar, liberdade para organizar as atividades como melhor lhe convier e que a profissão
seja estimulante, que proporcione um sentimento de propósito e realização pessoal.
Nas culturas individualistas o trabalhador é considerado como homo economicus, uma
pessoa em que se combinam necessidades psicológicas e econômicas. Nestas sociedades a
relação empregado-empregador presume um contrato baseado em vantagens mútuas e o
recrutamento e seleção se baseia nas competências e regras. Pratica-se uma gestão de
indivíduos e a tarefa prevalece sobre o relacionamento (HOFSTEDE, 1991; 2001).
Já numa cultura coletivista, o empresário precisa ter em mente que nunca contrata um
indivíduo e sim uma pessoa que pertence a um grupo. Neste caso o trabalhador atuará de
acordo com os interesses do grupo, mesmo que estes não coincidam com suas pretensões
pessoais. Pela ótica coletivista, a sociedade valoriza as oportunidades de aprendizado e
aperfeiçoamento, acesso a boas condições físicas de trabalho (ventilação, iluminação, espaço
de trabalho adequado) e possibilidade de utilização das competências pessoais na prática da
sua atividade profissional (HOFSTEDE, 1991).
Fernandez-Feijoo; Romero e Ruiz (2011) em seus estudos demonstram que a cultura
é associada com a capacidade de uma nação preocupar-se com a manutenção do ambiente.
Assim, culturas individualistas podem ser mais preocupadas com o balanceamento de riqueza
econômica com a sustentabilidade ambiental. A preocupação com o aumento de problemas na
qualidade de vida, faz os cidadãos focar em um mundo mais perfeito, limpo e próspero.
Enquanto as nações em desenvolvimento concentram-se em melhorar a riqueza econômica em
detrimento da proteção ambiental.
3 ASPECTOS METODOLÓGICOS
A escolha do método e das técnicas serve para atingir com êxito o objetivo
determinado na pesquisa. Desse modo, o presente estudo é classificado quanto ao
objetivocomo descritivo, quanto aos procedimentos como documental e no que tange à
abordagem do problema se enquadra como quantitativo.
3.1População e Amostra
A população compreendeu 178 países constantes no relatório de 2013 do EPI, que é
um projeto desenvolvido conjuntamente entre a Universidade de Yale e o Center for
International Earth Science Information Network, da Universidade de Columbia. O ranking
foi calculado com base em 20 indicadores agregados refletindo o nível nacional de dados
ambientais.
Conforme o relatório do PNUD (2010), o IDH combina três dimensões: uma vida
longa e saudável medida por meio da expectativa de vida ao nascer, o acesso ao conhecimento
utilizando como medidas os anos médios de estudo e um padrão e vida decente medida pelo
PIB per capita.O IDH caracteriza-se por classificar os países pelo seu grau de
desenvolvimento humano em alto, médio e baixo. A população compreendeu 187 países
conforme relatório de 2013.
O índice de individualismo versus coletivismo foi desenvolvido por Hofstede (1991,
2001), o qual interligou valores culturais a indexadores numéricos que produzem
comparações clarificadas entre nações e identificou valores culturais que podem ser
encontrados em ambientes de trabalho. O índice de individualismo versus coletivismo tem um
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ranking de escala de 0 (zero) a 100 (cem), na qual 100 representa alto índice de
individualismo. A população compreendeu 53 países (HOFSTEDE, 1991, 2001). O Quadro 3
mostra o número de países que compõem a amostra.
Quadro 3 – Composição da amostra da pesquisa
ITENS
População total
(-) Países excluídos da amostra
(=) Amostra final
Fonte: Dados da pesquisa.
HOFSTEDE
53
2
51
IDH
187
136
51
SUSTENT
178
127
51
Assim, conforme Hofstede (1991) 53 países representavam o índice de individualismo
versus coletivismo de Hofstede, porém desde está data 2 países apresentaram unificação,
sendo Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental formando hoje a denominada Alemanha e
outro a unificação da África do Sul com a África Ocidental formando a África do Sul.
Portanto, determinou-se que o índice de HOFSTEDE compõem uma amostra de 51 países,
para tanto o IDH e a SUSTENT (sustentabilidade) também compõem a amostra com 51
países cada, sendo os mesmos apresentados pelo índice de Hofstede. Fixou-se o ano de 2013
como base para a pesquisa. O Quadro traz os países apresentados na pesquisa.
Quadro 4 – Países que compõem a amostra
1 - África do Sul
18 - EUA
2 – Alemanha Ocidental
19 - Filipinas
3 - Argentina
20 - Finlândia
4 - Austrália
21 - França
5 - Áustria
22 - Grã-Bretanha
6 - Bélgica
23 - Grécia
7 - Brasil
24 - Guatemala
8 - Canadá
25 - Holanda
9 - Chile
26 - Hong Kong
10 - Cingapura
27 - Índia
11 - Colômbia
28 - Indonésia
12 - Coréia do Sul
29 - Irã
13 - Costa Rica
30 - Irlanda
14 - Dinamarca
31 - Israel
15 – El Salvador
32 - Itália
16 - Equador
33 - Iugoslávia
17 - Espanha
34 - Jamaica
Fonte: Dados da pesquisa.
35 - Japão
36 - Malásia
37 - México
38 - Noruega
39 - Nova Zelândia
40 - Países Árabes
41 - Panamá
42 - Paquistão
43 - Peru
44 - Portugal
45 - Suécia
46 - Suíça
47 - Tailândia
48 - Taiwan
49 - Turquia
50 - Uruguai
51 - Venezuela
O quadro 4 acima, apresenta os países que compõem a amostra da pesquisa conforme
o índice de HOFSTEDE, IDH e SUSTENT referente ao ano de 2013. A seguir, apresenta-se o
Quadro 5 - Variáveis da pesquisa:
Quadro 5 – Variáveis da pesquisa
Variável
Nome da variável
HOFSTEDE
Dependente
Independente
IDH
SUSTENT (sustentabilidade)
8/13
Autores
Hofstede (1991; 2001);
Barros; Carvalho; Franco (2003); Morse
(2003); e Silva; Panhoca (2007)
Goodland (1995); Capra (2005) e Sachs
ANAIS
(2009); Fernandez-Feijoo; Romero e Ruiz
(2011)
Fonte: Dados da pesquisa.
3.2 Procedimentos de Coleta e Análise dos Dados
Os dados foram coletados por meio de bases de dados secundárias, a busca pela
variável SUSTENT foi na base Environmental Performance Index (EPI), disponibilizado no
sítio eletrônico epi.yale.edu. A variável IDH caracteriza-se por classificar os países pelo seu
grau de desenvolvimento humano em alto, médio e baixo, a coleta ocorreu por meio ao acesso
eletrônico ao site http://www.pnud.org.br/IDH/DH.aspx, norelatório de 2013.
Para verificar os países individualistas versus coletivistas utilizou o ranking
desenvolvido por Hofstede (1991), escala de 0 (zero) a 100 (cem), na qual 100 representa alto
índice de individualismo e 0 baixos índices de individualismo.
Para verificar a relação entre o desempenho dos países em sustentabilidade e o IDH,
de acordo com a dimensão cultural individualismo versus coletivismo de Hofstede utilizou-se
da técnica de correlação de Pearson para analisar a influência entre as variáveis da pesquisa,
seguida da regressão linear simples e da regressão linear múltipla e finalizou-se com o Teste-T
de variáveis independentes para atingir o objetivo, por meio do software SPSS®versão 21. A
partir das variáveis apresentadas acima, procede-se a descrição e análise dos dados.
4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Os dados apresentados a seguir foram coletados e analisados a partir do que se
determinou nos procedimentos metodológicos, de acordo com o objetivo proposto na
pesquisa. Antes de expor os dados aos testes estatísticos aderiu-se a padronização dos dados
por meio do software SPSS@. O primeiro tópico refere-se a correlação de Pearson, o segundo
tópico contempla a regressãolinear simples e regressão linear múltipla e, por fim, o terceiro e
último tópico apresenta o Teste-T de amostras independentes, todos analisados por meio do
software SPSS@ versão21.
4.1Correlação de Pearson
Realizou-se a correlação de Pearson, para analisar a influência entre as variáveis da
pesquisa. A Tabela 1 – Correlação de Pearson entre variáveis, demonstra os resultados
obtidos.
Tabela 1 – Correlação de Pearson entre variáveis
HOFSTEDE
Correlação de Pearson
1
HOFSTEDE
Sig.
Correlação de Pearson
,662**
IDH
Sig.
,000
Correlação de Pearson
,540**
SUSTENT
Sig.
,000
**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades).
Fonte: Dados da pesquisa.
IDH
,662**
,000
1
,759**
,000
SUSTENT
,540**
,000
,759**
,000
1
-
Observa-se que na Tabela 1, todas as variáveis da pesquisa (HOFSTEDE, IDH e
SUSTENT) se relacionam, pois o nível de significância foi de 0,00. Conforme correlação de
Pearson a influência mais intensa foi de 75,90% (0,759) entre as variáveis SUSTENT e IDH.
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A segunda influência mais intensa foi de 66,20% (0,662) entre IDH e HOFSTEDE. Por fim, a
relação entre SUSTENT e HOFSTEDE foi de 54% (0,540), sendo menos intensa.
4.2Regressão
Apresenta-se no Modelo 1 a regressão simples que identifica a previsão das variáveis
HOFSTEDE, IDH e SUSTENT sendo:
Tabela 2 – Modelo 1 regressão linear simples
R
R2
Sig
Fonte: Dados da pesquisa.
0,664
0,441
0,000
Conforme Tabela 2, os resultados apontam um coeficiente de correlação de (R)
0,664, apresentando um grau de associação de 66,40% entre a variável dependente
HOFSTEDE e as variaveis independente IDH. O R2foi de 0,438, assim o HOFSTEDE
representa um poder explicativo de 43,80% do IDH e SUSTENT. Observa-se que a
combinação linear da variável IDH e SUSTENT exerce influência significativa a nível de
0,01 sobre a variável HOFSTEDE.
Tabela 3 – Modelo 2 regressão linear múltipla
Variáveis
Coeficiente Beta
0,594
IDH
0,089
SUSTENT
Fonte: Dados da pesquisa.
Sig.
0,01
0,593
De acordo com a Tabela 3, na combinação linear múltipla a variável IDH
apresentou-se significativa a nível de 0,01 sobre a variável HOFSTEDE, enquanto a variável
SUSTENT foi insignificante para explicar o Modelo 2. Conforme o coeficiente deste Modelo
a variável IDH possui maior poder de explicação sobre a variável HOFSTEDE.
4.3 Teste-T
Aplicou-se o Teste-T de amostras independentes, para analisar a variável dependente
HOFSTEDE em relação as variáveis independentes IDH e SUSTENT, considerando Variável
dummy: 0 para Individualismo e 1 para Coletivismo.
A Tabela 4 - demonstra a relação entre a variável HOFSTEDE e as variáveis IDH e
SUSTET:
Tabela 4 – Teste - Tde variáveis independentes
Variáveis
Categoria
N
Média
Individualista
Coletivista
Individualista
SUSTENT
Coletivista
Fonte: Dados da Pesquisa.
23
28
23
28
0,870
0,753
71,682
54,387
IDH
Desvio
padrão
0,083
0,817
12,298
14,912
10/13
Erro
padrão
0,017
0,015
2,564
2,818
t
Sig.
5,044
0,00
4,539
0,00
ANAIS
Conforme Tabela 4, em média o individualismo apresenta superioridade em relação
ao coletivismo nos países que possuem um maior índice de IDH e um maior índice de
sustentabilidade. Portanto, quanto mais sustentável são os países, e quanto maior o
desenvolvimento humano, os mesmos apresentam um maior individualismo. Portanto, nosso
estudo corrobora com os achados de Fernandez-Feijoo; Romero e Ruiz (2011) demonstram
que as culturas individualistas são mais preocupadas com a sustentabilidade ambiental, com o
aumento de problemas na qualidade de vida consequentemente faz os cidadãos focar em um
mundo mais perfeito, limpo e próspero. Já os países coletivistas geralmente encontram-se em
desenvolvimento e consequentemente possuem índices inferiores de IDH e sustentabilidade.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste estudo foianalisar a relação entre o desempenho dos países em
sustentabilidade e o IDH, de acordo com a dimensão cultural individualismo versus
coletivismo de Hofstede. A população compreendeu 178 países constantes no relatório de
2013 do EPI, projeto desenvolvido conjuntamente entre a Universidade de Yale e o Center for
International Earth Science Information Network, da Universidade de Columbia. Conforme
relatório de 2013 divulgado pelo PNUD 187 países representaram o IDH e 53 países o
ranking de Hofstede (1991). A amostra final compreendeu 51 países com base no ranking de
Hofstede (1991). Na análise dos resultados utilizou-se da técnica de correlação de Pearson,
seguida da regressão linear simples e da regressão linear múltipla e finalizou-se com o Teste-T
de variáveis independentes, por meio do software SPSS®versão 21.
Os resultados encontrados apontam que o individualismo apresenta superioridade em
relação ao coletivismo nos países que possuem um maior índice de IDH e um maior índice de
sustentabilidade. Portanto, quanto mais sustentável são os países, e quanto maior o
desenvolvimento humano, os mesmos apresentam um maior individualismo. O que se
esperava é que os resultados apontariam uma relação positiva entre o ranking de países mais
coletivistas com os rankings de sustentabilidade e IDH, porque o o coletivismo pode sinalizar
uma série de fatores sócio-culturais, tais como convenções, confiança, valores
compartilhados, normas, contato “olho no olho”, difusão de inovações, aprendizagem(AMIN,
THRIFT, 1994; BAGNASCO, 1999), que geraria um ambiente positivo à difusão de ações em
prol da sustentabilidade e impacto no IDH, portanto, nosso estudo corrobora com os achados
de Fernandez-Feijoo; Romero e Ruiz (2011).
Como limitação da pesquisa aponta-se que os resultados obtidos só podem ser
aplicados para a amostra que compõe este estudo, não podendo ser generalizados a todos os
países. Além disso, outras variáveis endógenas não contempladas nesse estudo, poderiam
exercer influência nos resultados alcançados, mas entende-se que as limitações listadas não
invalidam os resultados dessa pesquisa.
Portanto, sugere-se para pesquisas futuras a aplicação do ranking de Hofstede com
outras variaveis de desempenho economico social dos países, a ampliação deste estudo em
períodos diferentes do análisado. Os resultados apontaram para o fato de que o ranking de
sustentabilidade dos países e o IDH têm forte relação com países considerados individualistas
nas dimensões de Hofstede, o que abre caminho para estudos mais aprofundados, inclusive na
temática do capital social.
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um estudo sobre a relação entre o ranking mundial de