XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. MODELO DE SIMULAÇÃO DE EVENTOS DISCRETOS PARA ANÁLISE DE FLUXO DE VEÍCULOS Glaucia Jardim Pissinelli (UNICAMP) [email protected] Lucas Antonio Risso (UNICAMP) [email protected] Ailson Renan Santos Picanco (UNICAMP) [email protected] Paulo Sergio de Arruda Ignacio (UNICAMP) [email protected] Alessandro Lucas da Silva (UNICAMP) [email protected] Com as mudanças e os avanços no cenário do transporte de cargas no Brasil, a busca pela eficiência logística se torna cada vez mais constante. Por isso, os estudos sobre a capacidade das rodovias assumem singular importância. Sabe-se que o modal rodoviário é o mais utilizado no Brasil e, com o aumento da frota de veículos de carga e passeio, as rodovias vem sofrendo consequências, tais como o surgimento de gargalos próximos às grandes cidades e à importantes pontos de escoamento. Diante deste cenário, é fundamental que se desenvolvam estudos que permitam testar estratégias e fazer prognósticos de alternativas que permitam o gerenciamento sustentável do crescimento do sistema. Neste trabalho é apresentado um modelo de simulação de eventos discretos para análise do fluxo de veículos utilizando o software FlexSim. A simulação foi implementada em um trecho da rodovia Anhanguera entre os km 215 e Km 26,5 que liga o interior à capital São Paulo. Os resultados indicam que o modelo simulado se mostrou adequado para a finalidade proposta de avaliar os gargalos da rodovia, pois permite a parametrização de diversos indicadores de tráfego que podem ser utilizados para avaliar cenários e para o teste de estratégias alternativas para médio prazo. Palavras-chave: Simulação, Fluxo de tráfego, transporte rodoviário, FlexSim XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 1. Introdução Nos últimos anos, o cenário do transporte de cargas no Brasil vem apresentando mudanças e a administração do fluxo de transportes é um dos grandes desafios das organizações. A crescente demanda no escoamento de produtos e serviços em intervalos de tempo cada vez mais reduzidos gerou uma valorização para o sistema logístico nas últimas duas décadas (RIBEIRO, HENRIQUE & CORDEIRO, 2011). No atual cenário brasileiro, o transporte de cargas é, ainda, majoritariamente feito através do modal rodoviário (61,1%) seguido pelo modal ferroviário (21%), sendo o restante, cerca de 18,9%, distribuídos entre os demais modais (Confederação Nacional dos Transportes, 2009). Como transporte rodoviário de cargas divide a mesma malha com veículos de passeio, tem sido constatado um aumento crescente no fluxo de trânsito nas rodovias, principalmente nas proximidades de grandes cidades e também nas imediações de importantes pontos de escoamento, tais como os aeroportos de Guarulhos e Viracopos, bem como o porto de Santos, todos situados no estado de São Paulo. Ao se considerar previsões futuras, que indicam uma tendência de crescimento da demanda no fluxo de veículos nas principais rodovias, pode-se destacar que o transporte rodoviário está se tornando um gargalo para os grandes centros, de modo a ocasionar o aumento dos custos de transporte e influenciar diretamente nos resultados corporativos obtidos. Diante deste cenário, o objetivo deste trabalho é apresentar um modelo de simulação de eventos discretos para a análise do fluxo de veículos e dos potenciais pontos de concentração de tráfego, utilizando o programa FlexSim. A construção do modelo se dá por meio de uma aplicação em um trecho da rodovia Anhanguera entre os km 215 e Km 26.5 que liga o interior a capital São Paulo. 2. Referencial teórico 2.1 – Fluxo de tráfego De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes DNIT (2006), define-se Fluxo de Tráfego como o número de veículos que passam por uma seção de uma via, ou por uma determinada faixa, durante uma unidade de tempo. É expresso normalmente em veículos/dia (VPD) ou veículos/hora (VPH). 2 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. À média dos volumes de veículos que circulam durante 24 horas em um trecho de via é conhecida como Volume Médio Diário (VDM). Este indicador é computado para um período de tempo, que normalmente é de um ano. O VDM é utilizado para indicar a necessidade de construção de novas vias, melhorias das vias existentes e também para prever receitas de pedágio, taxas de acidentes, dentre outros. Quando o volume de tráfego for representado pela soma dos veículos, independentemente de suas categorias (comercial ou passeio), ele será expresso em Unidades de Tráfego Misto (UTM). Neste caso, o Volume Médio Diário Anual (VDMa) representa o número de veículos que trafegaram em um ano, dividido por 365, isto é, pelo número de dias. Uma característica importante no fluxo de tráfego é a variação de sua intensidade em diferentes horários do dia, semana, do mês e do ano. Quando estas variações são muito intensas, ocorrem os denominados horários de pico. Os picos influenciam o tráfego e normalmente nesses horários ocorre uma circulação muito intensa de veículos com velocidade reduzida, causando a formação de filas. Essas filas dão origem aos gargalos de tráfego, que podem ser vistos em toda parte do tráfego real e afetam não só a capacidade de tráfego, mas também causam fenômenos de tráfegos complexo (BAINS, et. et. al. 2012). Encontrar alternativas para avaliar os impactos provocados por gargalos em horários de picos é um desafio constante, e modelos de simulação podem ser uma ferramenta muito útil para testar possíveis cenários de solução. 2.3 – Simulação A simulação é um processo de experimentação com um modelo detalhado de um sistema real para determinar se este responderá às mudanças em sua estrutura. A simulação envolve a concepção e análise de modelo representativo com o objetivo de inferir acerca do sistema real. Segundo Xue (2015), técnicas de simulação é uma das mais conhecidas para estudar fluxo de tráfego e suas características, pois esta técnica nos dá a vantagem de ser capaz de estudar o comportamento do modelo de forma dinâmica por certo período de tempo. Por este motivo a simulação tem sido bastante utilizada no estudo de sistemas ainda na fase de concepção, pois se trata de uma ferramenta capaz de predizer efeitos, avaliar e validar o desempenho de um sistema, sem ter de efetivamente implementá-lo (BANKS et. al. 2009). 3 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. A simulação de sistemas por meio de eventos discretos é adequada para a análise de sistemas no qual o estado (discreto) das variáveis muda apenas com a ocorrência de eventos (considerados instantâneos). Para isto, utiliza-se o conceito de Filas. Sob a ótica da Teoria de Filas, os modelos aplicados são do tipo matemático, pois a análise é feita com o uso de equações matemáticas que representam o problema de formação de fila em estudo. 2.3.1 – Teoria de filas A Teoria de Filas permite estimar importantes medidas de desempenho de um sistema a partir de propriedades mensuráveis das filas que compõem o sistema, permitindo o dimensionamento de um determinado sistema segundo a demanda dos seus clientes, de modo a amenizar desperdícios ou o efeito de gargalos, com aplicabilidade recorrente no fluxo de tráfego, escalonamento, serviços de atendimento entre outros. Sendo também utilizada com frequência, para resolução de problemas que envolvem tempo de espera, ou seja, em um determinado sistema clientes chegam, podem esperar para serem atendidos, recebem o serviço e depois se retiram do sistema (ROMERO, et. al. 2010). Segundo Krajewski (2009), a fila ocorre devido a um desequilíbrio temporário entre o nível de demanda de um determinado sistema e a capacidade do sistema em atender essa demanda. Um sistema de filas é caracterizado por um conjunto de cinco parâmetros: uma população de elementos que desejam um serviço, a natureza das chegadas dos elementos para execução dos serviços, a natureza dos serviços a serem realizados, a capacidade do sistema e a disciplina de fila (MIYAGI, 2006). Figura 1 – Exemplo fila com seus componentes Fonte: Adaptado de Sucena (2007) 4 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. O processo de chegada não será afetado pelo número de elementos no sistema. Se o processo de chegada não é afetado pelo número de elementos presentes ele é descrito pela especificação de uma distribuição de probabilidade para os tempos entre chegadas sucessivas. Para descrever o tempo de atendimento é especificada uma distribuição de probabilidade que fornece o tempo de atendimento dos clientes. Em muitas situações será assumido que o tempo de atendimento é independente do número de clientes presentes. A capacidade do sistema pode ser considerada infinita, ou seja, sem limite para a entrada do usuário no sistema, ou capacidade finita, em que um sistema já em seu limite não permite a entrada de um usuário no sistema. A disciplina da fila descreve o método usado para determinar a ordem em que os elementos podem ser atendidos pelo servidor de acordo com regras de prioridade a seguir Oliveira (2006): O FIFO (“First-in/First-out”): os clientes são atendidos de acordo com a ordem de chegada, ou seja, o primeiro a chegar será o primeiro a ser atendido; O LIFO (“Last-in/fFirst-out”): o último cliente a chegar será o primeiro a ser atendido; um exemplo que ajuda a entender o seu funcionamento é o empilhamento de produtos em um navio; O PRI (“priority service”): são estabelecidas prioridades de atendimentos independente da ordem de chegada do cliente, havendo prioridadeapenas para cass prioritários, um exemplo é a chegada de idosos em filas de banco; O SIRO (“service in random order”): é a situação em que o atendimento ocorre de forma aleatória, sem critérios específicos de atendimento, exemplo é a contemplação de consórcios. 3. Metodologia Este trabalho utiliza a metodologia de simulação estocástica de eventos discretos para a modelagem de um sistema de tráfego. Para tanto, a primeira fase do trabalho de modelagem consiste em construir uma representação simplificada de um trecho do sistema de tráfego em estudo. 5 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Para este trabalho os dados foram coletados através do site do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e são referentes ao volume médio diário anual. Os dados foram analisados através de conceitos de Teoria de Filas, com o intuito de obter os indicadores necessários para modelar o trecho proposto por meio de um sistema de simulação de eventos discretos, que será descrito na próxima seção. Para fins experimentais, uma malha viária pode ser representada através de um grafo direcionado, onde os nós representam cruzamentos e os segmentos contínuos representam as vias. Na Figura 2 é mostrada uma representação ilustrativa. Figura 2 – Representação do sistema em grafo Fonte: Elaborado pelos autores A segunda fase consiste na coletar de dados do fluxo de veículos para determinar as taxas de entrada de veículos no sistema e a velocidade das vias. 3.1. Modelagem e simulação Para representar o grafo (Figura 2) em um sistema de simulação discreta é necessário converter as arestas e os nós presentes no grafo para elementos típicos da simulação de eventos. A alternativa que adotamos neste trabalho é: As entradas de veículos no sistema, representadas pelos nós na Figura 2, foram modeladas pela distribuição de probabilidade de Poisson, enquanto que os intervalos de tempo entre as chegadas seguindo distribuições exponenciais. A distribuição de probabilidades de Poisson modela o número de ocorrências de uma variável aleatória discreta e independente X sobre um intervalo de tempo ou espaço específico. Uma variável aleatória de Poisson com parâmetro tem função de probabilidade dada por: 6 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. (1) Onde: P(x) = probabilidade de ocorrência de x eventos = número médio de ocorrências do evento X = número esperado de ocorrências do evento Quando o número de ocorrências de uma variável aleatória X tem distribuição de Poisson com média , o intervalo de tempo entre as ocorrências de X pode ser modelado pela distribuição exponencial com média igual a . A distribuição exponencial é dada por: (2) As vias (arestas na Figura 2) serão representadas por esteiras no modelo de simulação. Neste caso, a função das esteiras será transportar os veículos de um ponto a outro. Em um sistema de simulação, esteiras são configuradas em função do seu comprimento, velocidade e tempo de processamento. Para este trabalho, o tempo de deslocamento nas esteiras foi configurado de acordo com a velocidade permita na via e a distância a ser percorrida pelo veículo de um ponto a outro. Assim consideramos (3) Onde, = representa o tempo gasto para percorrer de = distância de em Km/h; em Km; = velocidade permita na via em Km/h. Os pontos de conexão foram representados por processors. Os processors foram criados para simular pontos onde os veículos devem realizar algum procedimento que pode implicar na 7 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. redução de velocidade, como por exemplo, um encontro com outra entrada de veículos, uma passagem de pedágio ou uma ligação importante entre duas rodovias. Num sistema de simulação, um processo é caracterizado por uma taxa de processamento médio por unidade de tempo. Neste caso, determinamos qual será o máximo de veículos processados de acordo com a taxa média de atendimento por unidade de tempo, representada por µ e calculada da seguinte maneira para um servidor: (4) Onde, µ = taxa média de atendimento por unidade de tempo. = tempo médio de serviço para um cliente No modelo de simulação apresentado os veículos foram representados por meio de entidades que distinguem as categorias comercial e passeio. A distribuição destes objetos no sistema foi feita de acordo com os números médios de veículos disponíveis no VDM. Foram consideradas como saídas locais onde os veículos deixam o sistema, e também a chegada à São Paulo, que representa o final do trecho em estudo. A configuração das taxas de saída é uma estimativa da diferença entre as medições de fluxos nestes pontos. Uma vez definidos os elementos que irão compor o modelo de simulação de eventos discretos, o próximo passo é a implementação do modelo utilizando-se alguma ferramenta computacional. Nesta fase, pode-se optar por construir uma ferramenta específica, ou utilizar algum programa disponível. Neste trabalho optamos por utilizar o software FlexSim e, na próxima seção, são apresentados os detalhes de implementação. 4. Simulação do modelo As simulações foram realizadas através do programa Flexsim, versão 7.5, com a licença educacional. Foram simulados cenários referentes aos dados coletados através do valor médio diário anual (VDMA) computados nos anos de 2011, 2012 e 2013, no trecho entre os km 215 e km 26,5, da Rodovia Anhanguera SP330, sentido Sul, que liga o interior à capital, conforme apresentado na Figura 3. Figura 3 – Trecho analisado da rodovia Anhanguera 8 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Fonte: Google Maps (2015) Os dados dos seis pontos de coleta indicados na Figura 3 foram obtidos no site do Departamento de Estradas e Rodagem (DER. Na Figura 4, são apresentadas as distâncias em quilômetros compreendidas entre um ponto e outro. Figura 4: Distâncias entre um ponto e outro Fonte: Elaborado pelos autores Os dados apresentados nas Tabelas 1 e 2 serão usados como parâmetros de entrada para a simulação. Tabela 1 – Informações do cenário analisado Posto de coleta P1 P2 P3 P4 P5 P6 Cidade Concessionária Rodovia Km Velocidade Pirassununga Leme Limeira N. Odessa Valinhos Perus Intervias Intervias Autoban Autoban Autoban Autoban SP 330 SP 330 SP 330 SP 330 SP 330 SP 330 215 181,76 152 118 81 26,5 100 km/h 100 km/h 100 km/h 100 km/h 100 km/h 100 km/h Fonte: Elaborado pelos autores 9 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. A tabela 1 exibe dados referente ao trecho que será analisado, nela são identificados a localização de cada ponto de coleta, as distâncias entre um ponto e outro e a velocidade máxima permitida na via. Na tabela 2 estão representados os valores referente a média de veículos que circularam na via analisada entre os anos de 2011 a 2013, classificados em veículos comercial e de passeio. Tabela 2 – Volume médio diário de veículos por ano Posto de Coleta P1 Passeio Comercial Total Passeio Comercial Total Passeio Comercial Total 6.016 4.107 10.123 5.732 4.111 9.843 6.560 4.657 11.217 P2 8.279 5.037 13.316 8.120 5.039 13.159 9.034 5.601 14.635 P3 9.836 7.810 17.646 9.562 7.861 17.423 10.519 8.338 18.857 P4 21.220 9.720 30.940 21.451 9.789 31.240 22.285 10.222 32.507 P5 16.605 4.575 21.180 17.333 4.597 21.930 18.226 4.458 22.684 P6 16.397 6.173 22.570 15.974 6.025 21.999 19.280 6.463 25.743 VDM 2011 VDM 2012 VDM 2013 Fonte: Elaborado pelos autores As taxas de entrada de veículos no sistema foram calculadas de acordo com o Tabela 3. Tabela 3 – Taxas de entrada Posto de Coleta P1 Taxa 2011 1/λ 0,00393 Taxa 2012 1/λ 0,00559 Taxa 2013 1/λ 0,00952 P2 0,00283 0,00459 0,00742 P3 0,00241 0,00300 0,00541 P4 0,00111 0,00242 0,00353 P5 0,00138 0,00528 0,00666 P6 0,00139 0,00386 0,00525 Fonte: Elaborado pelos autores O fluxo diário de veículos foi dividido em 5 períodos de tempo e o percentual de veículos em cada período foi estimado de acordo com a Tabela 4. Tabela 4 – Distribuição de horários de maior e menor movimento Horários Distribuição 10 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. De 0h a 5h 10 % De 5h a 9h 35 % De 9h as 17h 10 % De 17h as 20h 35 % De 20h as 0h 10% Fonte: Elaborado pelos autores A figura 5 mostra o trecho estudado implementado no FlexSim. Figura 5 – Trecho estudado implementado no FlexSim Fonte: Elaborado pelos autores 4.1 – Validação do modelo Para a validação do modelo os dados estatísticos obtidos no modelo de simulação foram comparados com os dados reais apresentados na Tabela 5 e utilizado o teste do Qui-quadrado para verificação de aderência. Tabela 5 – Resultados do teste do Qui-quadrado Posto de Coleta Total observado Total simulado P1 11.217 11.271 P2 14.635 14.656 P3 18.857 18.771 P4 32.507 32.268 P5 22.684 22.716 P6 25.743 25.570 Fonte: Elaborado pelos autores 11 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Para este teste calcula-se o valor, com: (5) Onde: = valor do Qui-quadrado K= número de intervalos = frequências constatadas = frequências calculadas com a distribuição de Poisson Este valor é comparado com um valor tabelado de referência, que depende do nível de significância do teste e do número de graus de liberdade, neste caso graus e escolhendo-se um nível de significância igual a 0,05 o valor de referência é 16,5. Como calculado é < 16,5 devemos aceitar a hipótese que os dados simulados possuem a mesma distribuição estatística dos dados coletados (MAGALHÃES, 2005). O resultado do teste para o ano de 2013 apresentou valor-p igual a 0,6012, o que indica alta aderência entre os dados coletados e os resultados da simulação. A comparação entre o número de veículos é apresentada no Tabela 5. Após implementado e validado, o modelo de simulação foi utilizado para a realização de alguns testes que estão apresentados na próxima seção. 4.2 – Análise da simulação Foi simulado um cenário com as médias de veículos que circularam em 2013 (Tabela 3) no trecho entre o Km 215 e KM 26,5 da rodovia Anhanguera no Estado de São de Paulo, que representam o cenário atual do trecho analisado. Figura 6 – Trecho analisado em horário considerado de pico 12 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Fonte: Elaborado pelos autores A figura 6 mostra a simulação do trecho no horário das 18:46, considerado horário de pico. Como podemos observar os trechos em vermelho demonstram pontos de gargalos na rodovia, esses pontos estão localizados próximos a grandes cidades e locais importantes de escoamento. Os horários de pico representam um fator importante para a formação de pontos de gargalos em rodovias, pois nestes horários ocorrem um alto fluxo de veículos. O gráfico abaixo representa esse fluxo que foi observado com a simulação dos dados. Figura 7 – Número de veículos por horário Fonte: Elaborado pelos autores Esse aumento no número de veículos coincide com o início ou término do horário comercial, conforme apresentado na Figura 7 que representa o volume de veículos em processamento na rodovia de acordo com o horário. 13 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Figura 8 – Unidades em processamento por horário Fonte: Elaborado pelos autores 5. Conclusão Neste trabalho foi desenvolvido um modelo de simulação para eventos discretos usando o software de simulação FlexSim, com objetivo de simular através de Teoria de Filas, ambiente de Fluxo de Tráfego para analisar possíveis gargalos em rodovias. O modelo foi validade através do Teste do Qui-quadrado e indicou alta aderência dos dados, isso indica que o modelo se ajusta a proposta inicial. Uma vez validado, foi possível simular o cenário proposto e com os resultados obtidos com a simulação foi possível identificar pontos de possíveis gargalos, próximo a grandes cidades e importantes pontos de escoamento. Identificados esses pontos é possível concluir que, os gargalos ocorrem principalmente nos entroncamentos próximos ao acesso do Aeroporto de Viracopos e próximo a cidade de São Paulo, por onde passam as cargas que serão despachadas pelo aeroporto de Guarulhos e o Porto de Santos. Podemos concluir então, que o estudo através de simulação para os gargalos que ocorrem nas principais rodovias é relevante e necessário para a identificação de possíveis ações a ser tomadas pelo Poder Público ou pelo Setor Privado. 6. Oportunidades futuras 14 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Espera-se para trabalhos futuros que este modelo seja utilizado para novas aplicações, ampliando os trechos analisados e incluindo outros corredores importantes de escoamento de produtos. Outra ampliação para o modelo é o uso da simulação para prever cenários onde possam haver integração entre diferentes modais, tais como: rodoviário-ferroviário, rodoviário-aeroviário, entre outros. Para isto é necessário que o estudo se amplie e que os cenários passem a ser analisados não pelos gargalos mas sim por pontos que antecedem a estes. Agradecimentos Os autores agradecem todo o suporte oferecido pela empresa FlexSim Brasil, o qual foi fundamental para a realização deste trabalho. Referências BAINS, Manraj Singh; PONNU, Balaji Ponnu; ARKATKAR, Shriniwas S. Modeling of Traffic Flow on Indian Expressways using Simulation Technique. Procedia - Social and Behavioral Sciences, v. 43 p. 475- 493, 2012. BANKS, J., CARSON, J.S., NELSON, B.L., NICOL, D. M. Discrete-Event System Simulation. 5 ed. New Jersey, Prentice Hall, 2009. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE-CNT. Boletim Estatístico – setembro de 2013. Disponível em: http://www.cnt.org.br/Paginas/Boletins_Detalhes.aspx?b=3. 2013a. Acesso em: 26/03/2015. DNIT (2006) Manual de Estudos de Tráfego: Publicação IPR – 723. Rio de Janeiro, 384 p. KRAJEWSKI, L.;RITZMAN, L.; MALHOTRA, M. Administração de Produção e Operações. 8ª Ed.São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. MAGALHÃES M. N. e DE LIMA A. C. P. Noções de Probabilidade e Estatística, 6 edição, Editora USP, 2005. 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