Concurso de cordel Primeiro colocado: Nome: Luciano Dionísio dos Santos Pseudônimo: Zé Ruela Nome do Cordel: De feira afora. De feira afora Fregueses, venham depressa, A laranja está madura; As uvas estão fresquinhas; A farinha é da mais pura; Esse mel é genuíno E há verdor nessa verdura! Tem ainda a tanajura, A piaba, o camarão... Querendo charque manteiga, Toscana, fígado alemão, Mão de vaca ou pé de porco, ”Me procure, meu patrão!” Bainha para facão, Cabo de foice e machado Chapéu de couro, gibão, Cipó de boi reforçado... Diga lá, o que é que manda? Só não me fale fiado! Chegue pra cá, meu chegado, Sente aqui, peça com fé: Macaxeira com guisado, Cuscuz com bode e café... — “Me arrume um arrumadinho Com um filete de filé!” Se o problema for chulé, Frieira, “vento caído”, Varizes, dor de menino, Moleza do seu marido, Leve essa erva, comadre, Que o efeito é garantido! Blusinha, short florido, Camiseta radical, Bermuda de tactel, Roupa esporte ou social, Calça jeans com bolso interno Sem nome de hospital. Tareco, torta de sal, Mata fome e bolachão, “Nêgo” bom e mariola Pra adoçar o mundo cão Porque rapadura é doce Porém, não é mole não! Peneira pra construção, Vitrola pra fazer troca, Camiseta do timão, Polvilho pra tapioca, Raquete vinda da China Pra dar choque em muriçoca. O cheiro vem da pipoca, A fumaça do carrinho De churrasco, e se uma dose Acompanha o espetinho, Mistura-se à clientela Vira lata e papudinho. “Ainda tem passarinho...” Canta o velho menestrel Dando asas ao poema Que se eleva do papel E voa pra além da feira Disseminando o cordel. Na barraca do pastel, Tomando um caldo de cana, Meditando sobre a feira, Pude ver como é bacana Ter algo em torno do qual Todo mundo se irmana. E essa feira é soberana, Maior que a de Itu; Causa inveja a Nova Iorque, Deixa Paris jururu E vende há duzentos anos A marca CARUARU! Segundo colocado: Nome: Jailton Pereira da Silva Pseudônimo: Virgulino Rouxinol Nome do Cordel: A Feira que tudo tem. A Feira que tudo tem Uma feira grandiosa, E não vejo quem conteste, Deixa o poeta inspirado, Ou qualquer “cabra da peste” Neste cenário de sonho, No coração do agreste. Na feira tem alegria Na arte do vendedor: Com a voz adocicada, Conquista o consumidor; Que compra bem sastifeito Presente pra seu amor. É riqueza do Nordeste, Cantada por Gonzagão, Onildo imortalizou, Na letra d’ uma canção, Vitalino com argila, Retratou com Perfeição. Roceiro trabalhador Só compra roupa barata, Depois dessa obtenção Ele vai comprar batata, Toma um caldo de cana; Com pastel a fome mata. Na feira tem requeijão, Tem caçarola e bacia, Tem pinga numa quitanda; Onde o matuto aparecia: Farinha com “queijo qualho” Bebendo cerveja fria. Mercadoria barata Atraindo a multidão Que vem de todo Nordeste De Toyota ou de busão Sacoleira enche a bolsa Pra vender no Maranhão Tem pote tem melancia, Tem feira do troca-troca; Relógio do Paraguai, Rádio de pilha que toca Menino pidão que pede: “Papai quero uma pipoca!” Turista vem do Japão Visita o artesanato, Levar boneco de barro, Chaveiro, porta retrato; Compra gravura e tapete Achando tudo barato. Na feira tem mandioca Tem feijão e tem verdura, Tem carne boa de boi, Tem raiz que tudo cura; Tem fumo, chapéu de couro, Quebra queixo e rapadura. Caruaru tem de fato A feira que tudo tem: Ferragem, colher de pau Sapato, fava, xerém Churrasco, caju e manga, Cd de forró também. Tem moça de pele escura Esbanjando simpatia; Com porte bem vantajoso, A macharada avalia: Que nota deverão darem, Aquela mercadoria. Essa feira é nota cem É forte bem popular. Um poema é muito pouco, Não dá nem pra começar: Falar das mercadorias Que vendem neste lugar. Terceiro colocado: Nome: José Severino do Carmo Pseudônimo: Leão do Norte Nome do cordel: Convite pra ver a feira CONVITE PRA VER A FEIRA I VII UMA VEZ ONILDO ALMEIDA TEM TAPIOCA DE COCO UMA HISTÓRIA ME CONTOU BODE NA BRASA E UMBU FALAVA DE UMA FEIRA TEM CANTADOR DE VIOLA UM LUGAR POR ONDE ANDOU DISCO DE MARACATU TINHA TANTA COISA NELA TEM COCO, TEM MARIOLA QUE NINGUÉM ACREDITOU. QUEIJO DE COALHO E CAJU II VIII PARA TIRAR ISSO A LIMPO MATA-FOME, BEIRA SECA A FEIRA FUI VISITAR TANAJURA.MOCOTÓ JURO NÃO ACREDITEI MUNGUNZÁ, BANANA PRATA NO QUE VI PARA COMPRAR RAPADURA E PÃO-DE-LÓ PARECIA UM FORMIGUEIRO SE FALTAR ALGUMA COISA O POVO A SE DESLOCAR RECLAME, NÃO TENHA DÓ III IX ANDEI POR TODO O NORDESTE NA FEIRA TEM TANTA COISA CACEI ROLINHA E NAMBU QUE NÃO DÁ PRA DESCREVER VI COISA MARAVILHOSA PASSARIA O DIA INTEIRO QUE POSSO CONTAR PRA TU MOSTRANDO PARA VOCÊ SÓ NUNCA VI UMA FEIRA SE QUISER SABER MAIS COISA COMO A DE CARUARU VISITE PRA CONHECER IV X PODE CRER QUE É VERDADE PROGRAME NA SUA AGENDA ISSO QUE VOU TE CONTAR PARA UM DIA VISITAR NUNCA VI TANTA FARTURA TRAGA TAMBEM UM AMIGO TANTA COISA PRA LEVAR PARA LHE ACOMPANHAR AQUILO QUE TEM ALI TEM TANTA COMIDA BOA NÃO TEM EM OUTRO LUGAR VOCÊ VAI SE ESBALDAR V XI FEIRA DE CARUARU É ISSO AÍ, COMPANHEIRO ORGULHO DA REGIÃO MEU AMIGO, MEU IRMÃO NA VOZ DE LUIZ GONZAGA VENHA PRA CARUARU TORNOU-SE BELA CANÇÃO PRESTANDO BEM ATENÇÃO CANTADA EM TODO O BRASIL NA FEIRA QUE TEM DE TUDO COM ARDOR E EMOÇÃO PRA SUA SATISFAÇÃO VI XII VEM TURISTA DO PAÍS UMA COISA FINALMENTE DE OUTRAS PLAGAS TAMBÉM EU PRECISO LHE DIZER CONHECER ARTESANATO COMO DIZ ONILDO ALMEIDA COMER GALINHA E XERÉM FAZ GOSTO A GENTE VER VER FOLHETO DE CORDEL DE TUDO QUE HÁ NO MUNDO E COISA QUE NINGUÉM TEM NA FEIRA TEM PRA VENDER