Tornando os alunos pesquisadores: o recurso da pesquisa nas aulas de
Sociologia1
Alexandre Barbosa Fraga
Giselle Carino Lage∗
RESUMO: Este artigo busca refletir sobre a importância e as possibilidades da
utilização do recurso da pesquisa nas aulas de Sociologia do Ensino Médio. Nosso
objetivo é discutir alguns aspectos envolvidos no uso da pesquisa e ressaltar algumas
experiências concretas de sala de aula. Para tal, observamos atividades propostas por
professores de Sociologia em duas escolas públicas da cidade do Rio de Janeiro a fim de
compreender como a pesquisa pode se tornar uma importante estratégia para exercitar a
imaginação necessária ao pensamento sociológico. Procuramos demonstrar que ensinar
Sociologia requer, além da apresentação de temas, teorias e conceitos sociológicos, a
explicitação das questões que os sociólogos se fizeram e que os levaram a pensar,
investigar e desenvolver instrumentos teóricos e modelos explicativos. Dessa forma, a
utilização do recurso da pesquisa nas aulas permite que os alunos formulem as suas
próprias perguntas, de forma que seja possível formar com a Sociologia e com os
autores clássicos e modernos um elo: a busca pelos “comos” e “porquês” da vida social.
Palavras-chave: ensino de Sociologia; educação escolar; pesquisa.
ABSCTRACT: This paper reflects upon the importance and the possibilities of using
the search recourse in the classes of Sociology in High School. Our aim is to discuss
some aspects involved in the use of research and highlight some concrete experiences of
the classroom. To this end, we observe activities proposed by two professors of
sociology in public schools in the city of Rio de Janeiro in order to understand how
research can become an important strategy to exercise the imagination needed to
sociological thinking. We demonstrate that teaching sociology requires, besides the
presentation of themes, theories, and sociological concepts, the clarification of the
questions that sociologists have been made and that led them to think, investigate and
develop theoretical instruments and explanatory models. Thus, using the search
recourse in the classroom allows students to formulate their own questions, so that can
be formed with the sociology and with the classical and modern authors a link: the
search for the "hows" and "whys" of social life.
Keywords: teaching of Sociology; school education; research.
1. Introdução
A história de presenças e ausências da Sociologia no nível médio de ensino pode
ser dividida em quatro períodos, atualizando a análise das reformas educacionais
realizada por Santos (2004): institucionalização (1891-1941), ausência (1942-1981),
1
Trabalho apresentado no 2º Encontro Estadual de Ensino de Sociologia em outubro de 2010, na UFRJ.
Os autores são, respectivamente, bacharel e licenciado em Ciências Sociais/UFRJ, mestre e doutorando
em Sociologia pelo PPGSA/UFRJ e bacharel e licenciada em Ciências Sociais/UFRJ e mestre em
Sociologia pelo PPGSA/UFRJ. Professora substituta de Ciências Sociais e Sociologia do Colégio Pedro
II.

1
reinserção gradativa (1982-2005), e retorno obrigatório (2006-dias atuais), sendo que a
partir de 2008 foi aprovada a sua inclusão em todas as séries do Ensino Médio.
Neste momento em que adentramos recentemente o quarto período desse
percurso, uma questão crucial é pensar as maneiras possíveis de ensinar Sociologia
nesse nível de ensino. Para alguns autores, como Tomazi e Lopes Junior (2004), melhor
do que priorizar os conceitos sociológicos clássicos e ter uma preocupação conteudista
excessiva é levar os alunos a pensarem sociologicamente.
De fato, a seleção dos conteúdos precisa ser ainda objeto de muita discussão,
pois além de demandar uma escolha daquilo que será privilegiado, é necessário refletir
se é possível a definição de um conteúdo programático único para o país ou se isso deve
variar em função das especificidades regionais. Mas enquanto o conteúdo é variável, o
pensar sociologicamente é único, seja qual for o tema a ser estudado. Por isso,
desenvolver nos alunos um olhar sociológico é dotá-los de um modo de enxergar a
realidade que é típico da Sociologia e, com isso, contribuir para a formação discente
com algo específico para além das demais disciplinas.
Para alcançar um processo de ensino-aprendizagem mais favorável, é preciso
evitar um caráter enciclopédico e lembrar que o intuito não é formar sociólogos no
Ensino Médio, mas permitir que os alunos tenham contato com a maneira constituída
pela Sociologia para conceber a sociedade. Pensar sociologicamente é procurar eleger o
social como esfera privilegiada de explicação da realidade, é buscar a compreensão
científica dos fenômenos sociais. Nesse esforço, criam-se articulações entre as vidas
individual e coletiva, de forma a perceber as pessoas como fortemente influenciadas por
forças sociais e históricas.
Tal pensamento sociológico é também um exercício de imaginação, como
concebeu Wright Mills (1982) em seu livro A imaginação sociológica. Para esse autor,
a imaginação sociológica possibilita que as pessoas se percebam como afetadas pelo
contexto histórico-social no qual vivem. É no contraponto entre a trajetória individual e
os condicionamentos da vida social que a Sociologia encontra espaço para a
compreensão da realidade.
Na tentativa de tornar inteligível o mundo social dos homens, alia-se o rigor
científico à criatividade, à descoberta, à originalidade e à imaginação. Esse tipo
específico de pensamento nos permite ir além das experiências e observações pessoais
para perceber o mundo social de uma perspectiva mais ampla, no sentido das
interligações entre biografia, história e estrutura social.
2
Como o ensino de Sociologia nos parece ter, acima de tudo, o objetivo de
desenvolver o pensamento sociológico no aluno, e como pesquisar é exercitar esse
pensamento, a pesquisa constitui um elemento importante para o ensino de Sociologia.
Tal importância vem do fato de que “criar no aluno uma atitude investigativa que
busque a compreensão da sociedade em que vive é finalidade da disciplina de
sociologia, independente do grau de ensino em que é ministrada” (PEREIRA, 2009: 11).
A realização de pesquisas pelos alunos auxilia-os a vivenciar na prática os
caminhos de construção da imaginação sociológica, que é um diferencial que a
Sociologia pode trazer na educação básica. As atividades que promovem a
problematização e a investigação têm o potencial de tornar determinados saberes
efetivamente assimiláveis pelos alunos, além de contar com o seu interesse e
participação, pois rompem os limites da sala de aula e transbordam para outros espaços
sociais.
A partir do exposto anteriormente, este artigo busca refletir sobre a importância
e as possibilidades da utilização do recurso da pesquisa nas aulas de Sociologia do
Ensino Médio. Nosso objetivo é discutir alguns aspectos envolvidos no uso da pesquisa
e ressaltar algumas experiências concretas de sala de aula. Para tal, observamos
atividades propostas por professores de Sociologia em duas escolas públicas da cidade
do Rio de Janeiro.
2. Mobilizando o recurso da pesquisa nas aulas de Sociologia
Pesquisar significa indagar, buscar, inquirir, investigar; é o ato de colher
informações e procurar respostas, ou seja, compreende tanto a busca como a produção
de conhecimento. Nesse sentido, um professor de Sociologia pode pedir que os alunos
pesquisem em livros e na internet, por exemplo, o que são os movimentos de
contracultura. Pesquisas semelhantes são demandadas ao longo de toda a trajetória
educacional, de forma que os alunos estão acostumados com elas desde as séries iniciais
de ensino.
Mas a nossa reflexão aqui é sobre a utilização de um tipo específico de pesquisa:
a sociológica, científica, com questões, métodos, procedimentos, cuidados, que possa
fazer o estudante investigar algum tema de interesse e acompanhar mais de perto a
lógica específica da produção sociológica. Cabe-nos perguntar: Que tipo de pesquisa é
3
possível na escola? Quais são as possibilidades de estabelecer essa prática no nível
médio de ensino? Quais são seus ganhos e obstáculos?
A pesquisa nesses moldes acompanha a lógica do pensamento sociológico, que
tem dois papéis centrais ressaltados pelas Orientações Curriculares Nacionais para o
Ensino Médio (OCNEM): a desnaturalização e o estranhamento, ambos necessários à
análise dos fenômenos sociais.
A desnaturalização permite que certas concepções e explicações tidas como
naturais sejam questionadas, apresentando a realidade não como natural e imutável, mas
como resultado de decisões e interesses humanos. A vida em sociedade passa a ser
historicizada e compreendida como construída socialmente.
O estranhamento, por sua vez, é o processo de problematizar, colocar em dúvida
aquilo que, a princípio, parece comum, corriqueiro, familiar. Estranhar é questionar a
realidade social vivenciada cotidianamente e aparentemente conhecida. Os fenômenos
sociais, que por fazerem parte da vida de todos aparecem como “normais”, dispensando
maiores esclarecimentos, passam a ser problematizados, delimitados, compreendidos e
explicados.
A realização de uma pesquisa no âmbito da aula de Sociologia pode justamente
levar os estudantes a desnaturalizarem e estranharem um determinado fenômeno social.
As Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (OCNEM) apontam três
tipos de recortes possíveis no ensino de Sociologia: conceitos, temas e teorias. Por mais
que se eleja um desses recortes como central nas aulas, eles apenas fazem sentido em
conjunto, pois cada um deles faz referência aos outros dois e deve ser apresentado em
articulação.
A pesquisa é apontada nas OCNEM como complementar a esses três tipos de
recortes no ensino de Sociologia. Ela pode ser realizada depois que os conceitos, temas
e teorias forem apresentados, possibilitando a verificação do que foi debatido em sala de
aula; ou antes que isso ocorra, valendo-se dos resultados para dar início à apresentação
desses três recortes.
A importância da pesquisa está centrada no fato de que não há nada melhor para
frisar que a Sociologia é uma ciência e como tal segue um conjunto de procedimentos
nas investigações que realiza. Isso é vital, pois, por vezes, os alunos têm dificuldade
para entender em que nível as afirmações do senso comum se diferem das afirmações
feitas pela Sociologia. A pesquisa permite compreender mais claramente que embora
ambas sejam formas de conhecer a realidade, apenas a Sociologia tem o rigor
4
metodológico da ciência, enquanto o senso comum é superficial, assistemático e não
questionador.
Junto aos muitos materiais didáticos e métodos de ensino (filmes, dinâmicas,
debates, análise de textos, charges, música...), a pesquisa representa uma maneira mais
dinâmica para chegar à compreensão do que é a Sociologia ou para iluminar algum
tema, teoria ou conceito que esteja sendo trabalhado.
Se a particularidade da Sociologia no Ensino Médio é a desconstrução das prénoções socialmente constituídas e reproduzidas (RIBEIRO et al, 2009) e se, muitas
vezes, a Sociologia aparece para os alunos sem sentido prático (OLIVEIRA e COSTA,
2009), a atividade de pesquisa pode contribuir para essas duas dimensões, ratificando a
primeira e retificando a segunda.
É importante frisar que qualquer pesquisa sociológica demanda certos
procedimentos
metodológicos,
planejamentos
e
cuidados
que
precisam
ser
compreendidos pelos alunos e acompanhados de perto pelo professor. Do contrário, não
se estabelecerá uma distinção entre o conhecimento sociológico e o senso comum, o que
invalidará a contribuição que está no cerne dessa atividade. Mas isso de jeito nenhum
significa dizer que a pesquisa tenha que ser uma dissertação ou tese. O ideal na
educação básica é uma pesquisa simples, mas metodologicamente correta.
Há obstáculos para que a prática de pesquisa possa ser mais empregada nas
aulas, começando pelo fato de que muitos professores que lecionam Sociologia não são
formados na área, desconhecendo os procedimentos metodológicos específicos do
campo. Além disso, há professores que mesmo formados em Ciências Sociais não
aprenderam a fazer pesquisa na universidade.
Devido à sobrecarga de trabalho enfrentada pelos professores, sendo necessário
se dividirem entre as muitas turmas em que ministram aulas, há dificuldades para se
atualizarem. Atualmente, principalmente após a obrigatoriedade da Sociologia no
Ensino Médio, há uma quantidade razoável de material didático elaborado ou em
elaboração para as aulas de Sociologia, com o lançamento de novos livros que vêm se
somar aos já existentes e de sites. É interessante que, apesar de tudo, os professores
busquem sempre conhecer mais os métodos e os procedimentos de pesquisa.
Outra questão é a separação entre o bacharel (pesquisador) e o licenciado
(professor), como se pesquisa e ensino fossem dissociados um do outro. A preocupação
com a formação teórica e para pesquisa deve ser a mesma para ambos, pois apenas
5
assim o professor da educação básica pode ser capaz de desenvolver no aluno a
capacidade de pensar sociologicamente.
Em algumas escolas foi possível que a prática de pesquisa fosse
institucionalizada, como é o caso do Colégio Pedro II2, que implantou um Programa de
Iniciação à Pesquisa Científica em Sociologia. Como ressaltaram Aguiar e Carneiro
(2008), essa estrutura de pesquisa foi criada dentro de uma lógica extracurricular e
voluntária. Alunos do Ensino Fundamental juntamente com alunos do Ensino Médio
participam de situações concretas de investigação científica. Para dar um exemplo, no
ano de 2006 foi realizada uma pesquisa sobre o bullying, na qual os jovens
pesquisadores aplicaram um questionário a uma amostra de 10% dos alunos de três
unidades escolares.
Institucionalizada em caráter extracurricular e voluntário ou mobilizada como
atividade no interior da aula e obrigatória a todos os alunos, o potencial da pesquisa
para o ensino de Sociologia e para a escola é, respectivamente, dar materialidade ao
conhecimento sociológico e demonstrar que a educação básica não é lugar apenas para a
transmissão de conhecimentos, mas também para a sua produção.
3. Experiências concretas de sala de aula: alguns casos de utilização da pesquisa
em escolas do Rio de Janeiro
A seguir serão relatadas duas experiências de uso da pesquisa nas aulas de
Sociologia de duas escolas públicas da cidade do Rio de Janeiro, de forma a apresentar
possibilidades concretas. Esses casos não devem ser tomados como modelos, são apenas
dois exemplos de como isso tem sido realizado em salas de aula, cabendo analisar seus
méritos, mas seus limites também.
Experiência 1: A pesquisa como recurso para desenvolver o pensamento
sociológico
Passamos agora a relatar uma experiência que acompanhamos nas aulas de
Sociologia de uma turma do 3º ano de Ensino Médio no Colégio Estadual Olavo
2
Tradicional Colégio da rede federal de Educação Básica do Rio de Janeiro. Foi a primeira instituição de
ensino secundário no Brasil a introduzir o ensino de Sociologia em sua grade curricular.
6
Moura3. No 1º bimestre do ano letivo, a professora Valéria apresentou a Sociologia
como uma disciplina que pretende ser uma “ferramenta para a compreensão das
complexidades da vida social”. Em seguida, ao olhar os rostos atentos e curiosos dos
alunos, ela exclamou:
“O objetivo do nosso curso não será explorar as teorias sociológicas, ou seja,
os conceitos e explicações usadas pelos sociólogos para analisar determinada
realidade social. O que nós pretendemos é usar a Sociologia como
instrumento para entender o mundo em que vivemos. Queremos conhecer
além do que todos nós achamos que sabemos sobre a nossa sociedade”.
Após um breve módulo em que se expôs o contexto histórico de surgimento da
Sociologia e as contribuições conferidas pelos autores precursores da disciplina, a
professora Valéria propôs uma atividade que, aos nossos olhos, pareceu um tanto
ousada devido ao pouco contato dos alunos com os métodos sociológicos. Os alunos
teriam que formar grupos com o objetivo de elaborar seus próprios projetos de pesquisa
e colocá-los em prática.
A primeira reação dos alunos foi de curiosidade e dúvida, pois eles queriam
entender como seria, na prática, a realização desta atividade de “construir um projeto” e
fazer uma pesquisa de campo.
A professora estimulou todos a colocarem as “mãos na massa” para que eles
construíssem problemas de pesquisa e pensassem no modo como fariam para responder
às suas questões. Valéria apresentou um pequeno roteiro explicitando os itens básicos
que os alunos deveriam abordar no projeto, como a definição do tema, os objetivos, as
justificativas e a metodologia da pesquisa.
Para a elaboração do projeto e a realização de uma curta pesquisa em um prazo
de três semanas, os alunos poderiam recorrer a fontes bibliográficas, meios de
comunicação impressos ou online, além de realizar entrevistas ou aplicar questionários.
Em uma das aulas, os alunos se reuniram em grupos de 5 ou 6 componentes para
discutir suas ideias e definir um tema em comum que lhes despertasse curiosidade. Ao
final da atividade, os alunos concordaram em escrever um pequeno projeto e realizar
uma apresentação oral sobre os resultados parciais da pesquisa.
3
Os nomes utilizados para identificar os colégios, as professoras e os alunos são fictícios a fim de
preservar as identidades dos nossos colaboradores. As aulas de Sociologia foram observadas em um
contexto de uma pesquisa maior que tinha como objetivo compreender as práticas, os rituais cotidianos e
as concepções dos atores sociais sobre a educação escolar, por meio do método da observação
participante. Para mais detalhes sobre a pesquisa realizada ver Lage (2010).
7
Os temas propostos pelos alunos foram os mais variados. Aqui abordaremos três
dos cinco temas pesquisados4: “Bullying”, “A Sociologia na Administração” e “Tribos
urbanas”.
No dia da apresentação, o primeiro grupo justificou a escolha do tema afirmando
que as agressões físicas e verbais, além de brincadeiras violentas, com o intuito de
“ofender o outro” são recorrentes em todas as escolas. Os alunos resolveram ilustrar
uma suposta situação em que ocorreu o bullying no colégio. Na encenação improvisada,
a menina insinuou uma caminhada pelo pátio, quando, de repente, avistou um colega
sentado sozinho. Ela se aproximou, o xingou, o empurrou e o atirou no chão.
Em seguida, a aluna comentou sobre o caso de bullying tratado na novela das 8
da rede Globo, “Caminho das Índias”, em que o jovem indiano Hindra, aluno de uma
escola particular do Rio de Janeiro, é “zoado” por “ser diferente: por ter um nome
estranho, que foge do padrão e por ter outra cultura.” Hindra, sem saber como se
defender, apanhava dos colegas.
Nesta altura da apresentação, a turma já estava à vontade para fazer
intervenções. A aluna Elisa disse: “Ao mesmo tempo em que tem gente que brinca e
leva numa boa as zoações, outras são pessoas mais sérias, se ofendem e se reprimem. É
o caso do Ademilton, aluno da nossa turma, que se auto-excluía”. Ademilton não estava
presente, mas os colegas disseram que ele não gostava das brincadeiras e zoações que
sofria. O menino foi descrito como tímido e retraído.
A etapa seguinte foi a de sintetizar a impressão que o grupo teve ao pesquisar o
tema:
“A família deve estar atenta ao comportamento dos filhos, porque a pessoa
que sofre com o bullying pode cometer até suicídio. Teve um caso parecido
nos Estados Unidos em que o menino agredido sofria de distúrbios
emocionais. Os agressores preferem agir quando têm público para serem
reconhecidos. Por isso, deve-se convencer a vítima a conversar com um
adulto, comunicar a escola, mas sem reprimir o jovem agressor. Ele deve
estar consciente do erro que cometeu.” (Ana, componente do grupo)
Os alunos também apresentaram os resultados dos questionários aplicados em
uma amostra de 30 alunos de outras turmas do ensino médio do colégio sobre a imagem
que se tinha sobre atos de violência física ou psicológica, provocados por um bully –
“valentão” ou por um grupo de “valentões”. O grupo apresentou vários cartazes
coloridos com gráficos em formato de pizza para demonstrar os seus resultados.
4
Optamos por descrever algumas propostas de pesquisa, cujas apresentações se mostraram criativas e
proporcionaram um envolvimento dos colegas de turma com as questões e os resultados levantados por
cada grupo. Os demais projetos tratavam da relação entre o padrão de beleza e a mídia, e do preconceito
em relação aos homossexuais.
8
Aos entrevistados foi perguntado se já haviam presenciado o bulliyng no
ambiente da escola, se já tinham sofrido preconceito e cometido algum ato
discriminatório. Por fim, os colegas tinham de responder quais seriam as possíveis
causas e consequências geradas pelo bullying. Uma parcela dos alunos não sabia o
significado de bulliyng, descrito por alguns como um jogo, outros achavam que parecia
o nome de alguma doença. Dos entrevistados, 60% das meninas e 70% dos meninos já
tinham ouvido falar em bullying. Todos os meninos já haviam presenciado algum ato de
violência ou pressão psicológica, enquanto 75% das meninas tiveram uma resposta
positiva.
O grupo percebeu uma diferenciação de gênero nas respostas dos entrevistados,
associada ao comportamento socialmente esperado de meninas e meninos, o que foi
visto pela professora como um resultado preliminar interessante. As meninas que se
sentiram ameaçadas por algum “valentão” destacaram situações em que houve
constrangimento e intimidação, enquanto os meninos mencionaram constantemente
acusações sobre a sua virilidade, seguidas de agressões físicas. Em todos os casos
narrados, o grupo chamou a atenção da turma à possibilidade de o aluno agredido se
isolar do convívio dos colegas e sofrer com a depressão, descrita como o “mal do
Século XXI”.
O segundo grupo apresentou o projeto: “A Sociologia na Administração”.
Inicialmente, os alunos expuseram um pequeno apanhado conceitual, apresentando as
diferenças existentes entre a Sociologia, a Psicologia e a Filosofia. Além disso,
explicaram as bases do modelo de administração taylorista e os princípios usados para
estabelecer uma organização racional do trabalho.
Em relação aos objetivos do projeto, os alunos disseram que pretendiam
entender o comportamento dos profissionais no ambiente do trabalho. Para isso, eles
definiram perfis de comportamento de “pessoas difíceis” no trabalho, a partir de uma
pesquisa que fizeram na internet. O modo como os alunos criaram “tipos ideais” não
ficou tão claro, já que eles simplesmente apresentaram um esquete teatral sobre os perfis
dos “profissionais-problema”: “o solitário, o desconfiado, o sedutor e o inibido”.
O “solitário” foi representado por um aluno sentado sozinho, alheio às conversas
e ao convite dos colegas para o happy hour de sexta-feira. Uma das colegas tentou
remediar a situação, sentou-se próximo do rapaz e o convidou para almoçar com o
grupo: “Vamos conosco. Você vai se distrair um pouco. Qualquer coisa que precisar
pode contar com a gente”.
9
O “desconfiado”. Segundo a aluna que participou dessa encenação, esse tipo de
profissional acha que algum colega pretende prejudicá-lo. As alunas simularam uma
discussão a partir de uma situação em que foram envolvidas em intrigas e fofocas no
ambiente de trabalho. Por fim, uma delas concluiu que a melhor atitude a ser tomada era
“agir com mais racionalidade e com menos emoção” para resolver uma situação
desconfortável no trabalho.
O “sedutor” foi representado como alguém que pretende conquistar as colegas.
O aluno que simulava o “sedutor” passava pelas colegas, piscava os olhos e dizia: “Hoje
a noite promete!” Procurou-se demonstrar que esse tipo de profissional deve ser tratado
com cautela, pois qualquer deslize pode significar, segundo as alunas, uma situação em
que há “cantadas” ou assédio. O “inibido” foi representado como um funcionário tímido
e retraído, que não se envolve em fofocas e se limita à realização formal de suas tarefas.
O grupo seguinte apresentou o projeto sobre “Tribos Urbanas”. Os alunos
definiram as tribos como sendo grupos que têm como objetivo estabelecer redes de
amigos que compartilham os mesmos interesses. O objetivo desse projeto foi entender
os motivos pelos quais alguns jovens só gostam de se relacionar com os grupos com os
quais têm afinidade. Os alunos apresentaram slides com fotos e algumas características
mais recorrentes em cada uma das tribos: “Patricinhas, Mauricinhos, Funkeiros,
Clubbers5, Skatistas e Góticos”.
Quando Rita, uma das alunas, apresentou o perfil de um gótico, todos se
espantaram, pois ela revelou ser adepta dessa tribo, embora ninguém da turma
desconfiasse. Rita tentou justificar sua posição em relação à tribo dos góticos:
“Os góticos gostam de músicas melancólicas, gostam de se vestir com roupas
pretas e são instrospectivos. Eu me considero gótica, mas eu sei separar os
momentos. Eu não vou incorporar essa identidade no trabalho ou na escola.
Eu sou gótica na hora do meu lazer. Por exemplo, os Drag Queens
incorporam uma personangem, mas sabem dividir, assim como eu. Eles
incorporam a identidade feminina em um determinado momento, não são o
tempo todo assim”.
A professora Valéria havia sugerido que o grupo escolhesse uma tribo para ser
entrevistada, como a dos góticos, já que Rita tinha o contato de alguns deles. Segundo
os alunos, a proposta deles foi demonstrar que “todas as pessoas, mesmo as que não
admitem, fazem parte de algum grupo em nossa sociedade”.
Este relato revela a experiência de alunos que acabaram de entrar em contato
com a Sociologia. Como a professora Valéria destacou, a proposta de elaborar um
5
Clubbers são pessoas que utilizam roupas e maquiagens coloridas e têm como ponto de encontro os
clubes, danceterias e raves.
10
projeto de pesquisa não é formar pesquisadores profissionais, mas introduzir os alunos
no universo dos métodos de pesquisa sociológicos, permitindo esclarecer uma das
principais questões abordadas pelos alunos nas aulas introdutórias de Sociologia: “Mas
professora, para que serve o estudo da sociedade mesmo?”
A tendência dos alunos foi buscar uma utilidade prática, aplicável no plano real,
para o conhecimento sociológico produzido. Alguns grupos procuraram trazer
prescrições ou “soluções” que deveriam ser dadas para resolver ou minimizar
determinado problema social. Talvez não tenha ficado tão claro, a princípio, a discussão
trazida por Peter Berger e que foi rapidamente citada nas primeiras aulas:
“A Sociologia não é uma ação, e sim uma tentativa de compreensão. É
evidente que essa compreensão pode ser de utilidade para quem age. (...)
Nada, porém, existe de inerente à atividade sociológica de tentar
compreender a sociedade que leve necessariamente a essa ação, ou a qualquer
outra. (...) O problema sociológico é sempre a compreensão do que acontece
em termos de interação” (BERGER, 1986: 13/47 – grifos do autor).
A maneira encontrada pela professora Valéria para esclarecer essa questão foi
apresentar a aplicabilidade dos métodos sociológicos nas aulas de Sociologia,
demonstrando que a “arte” de pesquisar pode ser uma instigante estratégia para
familiarizar os alunos com a lógica do pensamento sociológico.
A professora avaliou positivamente todas as apresentações, incentivando a
formulação de novas questões e o aprofundamento dos resultados alcançados. Mas
talvez tenha faltado um maior acompanhamento dos alunos na construção de seus
problemas de pesquisa, pois a diferenciação entre o conhecimento sociológico e o senso
comum não ocorreu em alguns momentos da atividade. O professor deve estar atento
durante a elaboração da pesquisa e na apresentação de seus resultados para
problematizar procedimentos e conclusões, de forma a não legitimar afirmações do
senso comum, mas aproveitar para afastá-las e nesse movimento deixar cada vez mais
claro o que é a Sociologia.
Experiência 2: O método etnográfico no estudo das “tribos urbanas”
A etnografia, como descrição detalhada envolvendo observação participante,
tornou-se a forma por excelência do fazer antropológico. Apesar de manter seu lugar de
11
destaque na Antropologia, logicamente houve intensas reflexões sobre suas
possibilidades, limites e mudanças. Tais reflexões discutiram e vêm discutindo o papel
político e literário da escrita antropológica, tornando-a menos uma descrição de povos,
línguas, religiões e manifestações e mais uma descrição problematizadora de si mesma e
geradora de questões para reflexão.
O trabalho de campo de cunho etnográfico soma-se aos demais tipos de pesquisa
típicos das Ciências Sociais como possibilidades de desenvolver uma atitude científica
nos alunos. A utilização do método etnográfico em turmas de Sociologia do Ensino
Médio pode contribuir para os alunos (re)descobrirem a própria sociedade em que
vivem (LIMA, 2009).
A segunda experiência de utilização do recurso da pesquisa que acompanhamos
se deu nas aulas de Sociologia de uma turma do 2º ano do Ensino Médio no Colégio
Prado Dias, da rede pública de ensino. O conteúdo programático ministrado no primeiro
bimestre foi: a) O surgimento da Sociologia como ciência mobilizada para entender e
explicar as transformações e contradições da sociedade; b) As diferenças entre o
conhecimento sociológico e o senso comum. Os alunos, já nesse início da disciplina,
foram apresentados a formas de pesquisa e a instrumentos de análise utilizados pelos
sociólogos, mas sem que nenhum deles fosse efetivamente utilizado por eles.
O segundo bimestre mobilizou os seguintes conteúdos: A cultura e a identidade
cultural, abordando o etnocentrismo e o relativismo cultural. Depois de algumas aulas
expositivas sobre o assunto, a professora de Sociologia pediu que os alunos
desenvolvessem uma etnografia sobre alguma “tribo urbana”, ou seja, grupo jovem que
se relaciona a partir de interesses comuns. Além disso, outros grupos sociais também
poderiam ser objetos de estudo. O importante era perceber como esses grupos urbanos
se diferenciam e quais as suas características distintivas.
Para que a atividade se mostrasse exitosa, a professora reservou uma aula para
explicar em que consistia o método etnográfico. Além de etnografar o grupo escolhido,
os alunos teriam que entrevistar dois de seus integrantes. Todos esses procedimentos,
pontos a serem observados e sugestões de questões aos entrevistados foram organizados
na forma de um roteiro e disponibilizados aos alunos. A atividade poderia ser realizada
em duplas ou trios.
Os alunos deveriam elaborar um histórico do grupo, ir ao local onde ele se reúne
e fazer uma descrição detalhada do que estava sendo observado. Eles, no início, tiveram
dificuldade para incorporar o papel de pesquisadores, bem como para compreender o
12
grupo via observação e descrição. Mas, como puderam expor suas dúvidas e suas
preocupações em sala de aula, dividindo com a turma a experiência etnográfica que
estavam vivenciando, cada vez se mostravam mais seguros e preparados para ir a campo
e realizar o trabalho.
Houve uma grande variedade de tribos urbanas e grupos sociais estudados,
como: “Surfistas, Otakus6, Jogadores de RPG7 e Lutadores de taekwondo”. A descrição
e as entrevistas realizadas englobaram informações sobre o local onde o grupo
escolhido se encontrava, as atividades realizadas, a faixa etária de seus membros, os
motivos pelos quais participavam, o tipo de relação estabelecida e se havia a construção
de uma identidade nesse processo. Os resultados da etnografia foram entregues na
forma escrita e apresentados oralmente para a turma.
Esse conjunto de atividades permitiu que os alunos vivenciassem na prática uma
experiência etnográfica, com seus métodos e procedimentos específicos. A etnografia
foi uma das propostas que mais envolveu e contou com a participação e o entusiasmo
discente. Como os resultados foram apresentados ao restante da turma, uma série de
grupos foi observada por todos, permitindo chegar, a partir desses casos particulares, às
características que são comuns aos grupos sociais e à cultura juvenil.
4. Considerações finais
Os dois casos relatados procuraram se valer da pesquisa como forma de ratificar
conteúdos que haviam sido ministrados. Enquanto a primeira experiência foi realizada
no âmbito do primeiro bimestre para ressaltar o conteúdo “pensamento científico e
senso comum”, a segunda foi proposta para o segundo bimestre para ressaltar o
conteúdo “etnocentrismo e relativismo cultural”. Certo é que as possibilidades e os
limites da pesquisa estão menos ligados aos conteúdos que serão mobilizados e mais à
forma como essa prática será abordada e aos cuidados em termos de método quando da
sua execução.
O importante é assegurar que os alunos vivenciem todas as etapas de uma
pesquisa e que as conheçam juntamente com os procedimentos metodológicos. Se os
alunos forem pesquisar qualquer coisa e de qualquer jeito, a pesquisa vai acabar
prestando um desserviço à compreensão do que é a Sociologia, pois seus resultados vão
6
O termo é utilizado para se referir aos fãs de desenhos japoneses.
O Role Playing Game (RPG) é um jogo no qual seus participantes assumem o papel de personagens em
uma estória de aventura narrada por um deles sob a vigência de um conjunto de regras.
7
13
reunir apenas idéias do senso comum. Nos dois casos investigados, essa preocupação
poderia estar mais presente.
O professor deve estimular o olhar sociológico, problematizando e levantando
outras interpretações para os resultados das pesquisas. As temáticas escolhidas para
serem investigadas nas aulas de Sociologia devem, preferencialmente, expressar
situações que façam parte da vida dos alunos. Uma primeira opção é estudar aspectos
presentes no espaço escolar e no seu entorno, contribuindo para que a escola se conheça
mais (DAYRELL e REIS, 2007). Outra possibilidade, que caminha lado a lado com a
anterior, é oferecer aos alunos a oportunidade de escolher, coletivamente, questões
motivadoras para serem investigadas por eles próprios, tal como vimos nos relatos das
duas experiências, sendo a primeira de forma mais livre, e a segunda direcionada às
“tribos urbanas”.
Como vimos ao longo do artigo, muitos são os pontos positivos da utilização da
pesquisa nas aulas de Sociologia do nível médio de ensino: 1) Deixa mais claro o que é
a Sociologia, no sentido do que a diferencia das demais áreas de conhecimento; 2) É um
dos melhores recursos para frisar o seu papel enquanto ciência; 3) Contribui para a
desnaturalização e o estranhamento; 4) Relaciona o que está sendo estudado com o
contexto e o cotidiano do aluno; 5) Cria uma atitude investigativa que contribui para
desenvolver o pensamento sociológico; 6) Evidencia que na escola pode haver lugar não
apenas para a transmissão de conhecimentos, mas para a sua produção.
Ensinar Sociologia é apresentar temas, teorias e conceitos sociológicos, mas é,
acima de tudo, sob risco de perder o sentido, explicitar as questões que os sociólogos se
fizeram e que os levaram a pensar, investigar e desenvolver instrumentos teóricos e
modelos explicativos. Dessa forma, a utilização do recurso da pesquisa nas aulas
permite que os alunos formulem as suas próprias perguntas, de forma que seja possível
formar com a Sociologia e com os autores clássicos e modernos um elo: a busca pelos
“comos” e “porquês” da vida social.
Referências bibliográficas:
AGUIAR, Janecleide Moura de; CARNEIRO, Silzane de Almeida. “O Programa de
Iniciação à Pesquisa Científica em Sociologia e a Construção das Ciências Sociais
no Colégio Pedro II: mobilizando conhecimentos através da pesquisa científica e
da cultura popular”. In: Revista Eletrônica Perspectiva Sociológica, ano 1, nº 1,
abr./out.,
2008.
Disponível
em:
<http://www.cp2.g12.br/UAs/se/departamentos/sociologia/pespectiva_sociologica
/Numero1/Jane%20e%20Silzane%20-%20IPCS.pdf >. Acesso em 12 abr. 2010.
14
BERGER, Peter. Perspectivas Sociológicas. Uma visão humanística. Petrópolis:
Vozes, 1986.
DAYRELL, Juarez; REIS, Juliana Batista. “Juventude e Escola: Reflexões sobre o
Ensino da Sociologia no Ensino Médio”. Anais do XIII Congresso Brasileiro de
Sociologia. Recife, 29 de maio a 01 de junho de 2007.
LAGE, Giselle Carino. “Uma luz no fim do túnel: um estudo de caso em uma escola
diferente”. Dissertação de mestrado do PPGSA/IFCS/UFRJ. RJ: Universidade
Federal do Rio de Janeiro, 2010.
LIMA, Rogerio Mendes de. “(Re)descobertas: considerações sobre o trabalho
etnográfico com turmas de sociologia no ensino médio”. In: HANDFAS, Anita e
OLIVEIRA, Luiz Fernandes de. (Orgs.). A sociologia vai à escola. História,
Ensino e Docência. RJ: Ed. Quartet, 2009.
MILLS, Charles Wright. A imaginação sociológica. RJ: Zahar, 1982.
MORAES, Amaury César; TOMAZI, Nelson Dacio; GUIMARÃES, Elisabeth da
Fonseca. Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio –
Conhecimentos de Sociologia. Brasília: MEC-SEB, 2006.
OLIVEIRA, Luiz Fernandes de; COSTA, Ricardo Cesar Rocha da. “Material didático,
novas tecnologias e ensino de sociologia”. In: HANDFAS, Anita e OLIVEIRA,
Luiz Fernandes de. (Orgs.). A sociologia vai à escola. História, Ensino e
Docência. RJ: Ed. Quartet, 2009.
PEREIRA, Luiza Helena. “Por uma sociologia da sociologia no ensino médio”. Anais
do XIV Congresso Brasileiro de Sociologia. Rio de Janeiro, 28 a 31 de julho de
2009.
RIBEIRO, Adélia Maria Miglievich; ALVES, Dalton José; SAUL, Renata; PEREIRA,
Virgílio de Lima. “Sociologia e filosofia nas escolas de ensino médio: ausências,
permanências e perspectivas”. In: HANDFAS, Anita e OLIVEIRA, Luiz
Fernandes de. (Orgs.). A sociologia vai à escola. História, Ensino e Docência. RJ:
Ed. Quartet, 2009.
SANTOS, Mário Bispo dos. “A Sociologia no contexto das reformas do Ensino Médio”.
In: CARVALHO, Lejeune Mato Grosso de (Org.). Sociologia e ensino em debate:
experiências e discussão de sociologia no ensino médio. Ijuí: Unijuí, 2004.
TOMAZI, Nelson Dacio; LOPES JUNIOR, Edmilson. “Uma angústia e duas
reflexões”. In: CARVALHO, Lejeune Mato Grosso de (Org.). Sociologia e ensino
em debate: experiências e discussão de sociologia no ensino médio. Ijuí: Unijuí,
2004.
15
Download

Tornando os alunos pesquisadores: o recurso da