ConVisão ANO 2 - NÚMERO 18 - Dezembro de 2006 R$ 6,00 Já que tudo no fim do ano acaba em pizza, com que vinhos combina a de calabresa? Pizza de calabresa com mussarela da pizzaria Veridiana Jardins, em São Paulo Sugestões para presentear no Natal Página 14 Chefs criam pratos para Vinho do Porto Estreando no Vinho & Cia: Didú Russo Jorge Monti Página 5 CIRCUITO DO VINHO Peru só com Gastronomia vinho Rosé... e globalização Página 15 Página 7 O Piselli é um dos restaurantes mais procurados por confrarias e grupos de degustadores de vinhos para seus testes, ou, para desfrutarem de maravilhas engarrafadas e carinhosamente acalentadas para uma refeição top. Página 6 NOTÍCIAS DO MUNDO DO VINHO Sushi com espumantes Página 4 2 Dezembro de 2006 Jornal Vinho & Cia Editorial Fim de ano, pizza, vinho & cia C ANO 2 - Nº 18 Dezembro de 2006 EDITOR Regis Gehlen Oliveira hegamos em mais um fim de ano e no segundo do Jornal Vinho & Cia, com a satisfação de ter muita coisa para mostrar. Como sempre, poderíamos ir para o lado mais tradicional, mas preferimos o lado mais descontraído. Nesta época é comum se falar do convencional peru ou pernil, ou mesmo das sobremesas natalinas, apreciados pelas famílias, ou ainda das grandes ceias de fim de ano. Mas há algo que virou mania nacional, consumido o ano inteiro e que se tornou nesta época prato principal nas comemorações entre amigos e colegas de trabalho: a pizza. Nossa degustação do mês é com uma redonda das mais comuns, a de calabresa, e o desafio da nossa equipe foi avaliar para você, leitor, que vinhos são a melhor companhia para ela e que podem servir para tornar as comemorações de fim de ano ainda melhores. É um trabalho útil e, embora seja tão comum na vida das pessoas, é incomum nas publicações gastronômicas. Falando em equipe, a editoria deste jornal tem orgulho de levar a você, leitor, textos de grandes nomes. A partir desta edição contamos também com Didú Russo e Jorge Monti. Didú, da Confraria dos Sommeliers e colunista de outras publicações, como Gula e Revista RSVP Caras, tem a missão de nos falar sobre vinho e comportamento. Jorge, presidente da Associação Brasileira da Alta Gastronomia (Abaga), tem a tarefa de nos contar sobre a sua especialidade, a gastronomia, claro. Ambos somam-se ao time de homens e mulheres que conhecem o assunto e trabalham para tirar a gravata do vinho. Contamos com Beto Acherboim, ex-diretor da SBAVSP - Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho; Cesar Adames, um dos maiores conhecedores de charutos no país; Euclides Penedo Borges, vice-presidente da ABS Associação Brasileira dos Sommeliers do Rio de Janeiro; Fernando Quartim, diretor da SBAV-SP e profundo amante de restaurantes; José Ivan Santos, escritor e professor de vinhos do Senac; Sérgio Inglez de Souza, escritor, palestrante e um dos maiores especialistas em vinhos no Brasil; e Walter Tommasi, ex-diretor da SBAV-SP e artista plástico. No campo das mulheres, temos Adriana Bonilha Oliveira, com sua visão sobre vinho e ocasião; Denise Cavalcante, jornalista reconhecida pelo seu trabalho de assessoria e organização de eventos; e Jaqueline Barroso, fundadora da confraria Amigas do Vinho, com as dicas do Rio de Janeiro. Mais graça fica por conta do cartunista Rico e mais arte, pelo nosso designer gráfico, também da Folha de S. Paulo, Aristides Neto. É um grande time, pois sabemos que todo bom produto tem como base uma boa equipe. E isso para que você, leitor, tenha boas festas, com vinho & companhia! PUBLICAÇÃO ConVisão Al. Araguaia, 933, 8o. andar Alphaville 06455-000, Barueri - SP +55 (11) 4196-3637 [email protected] www.jornalvinhoecia.com.br REDAÇÃO Adriana Bonilha Oliveira Beto Acherboim Cesar Adames Denise Cavalcante Didú Russo Estevam Norio Ito (fotos) Euclides Penedo Borges Fernando Quartim B. Figueiredo Jaqueline Barroso Jorge Monti de Valsassina José Ivan Santos Sérgio Inglez de Souza Valfrido Rico (cartum) Walter Tommasi DESIGNER GRÁFICO Aristides Neto Assine e aprecie sem moderação PUBLICIDADE Álvaro Cézar Galvão O Jornal Vinho & Cia traz matérias e artigos deliciosos sobre o fascinante mundo do vinho, além de roteiros e dicas. Tudo de uma forma descomplicada e irreverente pra você curtir ainda mais o ladodescontraído da vida… [email protected] Assinatura anual (11 edições) R$ 70,00 CIRCULAÇÃO EM SP Ligue (11) 1- ou mande um e-mail para [email protected] Jeferson Tavares (JM Transportes) Será enviado boleto bancário para pagamento. Nome ou Razão Social Endereço Cidade Fone ( ) e-mail CPF ou CNPJ CEP UF Al. Araguaia, 933, 8o. andar – Alphaville 06455-000, Barueri - SP +55 (11) 4196-3637 ASSINATURAS (11) 4196-3637 [email protected] IMPRESSÃO O Jornal Vinho & Cia é uma publicação da ConVisão dirigida ao segmento de enogastronomia. Circula principalmente na Grande São Paulo e no Rio de Janeiro para público leitor selecionado, determinado especificamente pelo interesse no assunto. Seu conteúdo é descontraído, abrangendo o mundo do vinho e suas relações com o lado gostoso da vida, por meio de linguagem fácil e inteligente, com textos únicos e compromissados com o leitor e o segmento. Os artigos e comentários assinados não refletem necessariamente a opinião do Jornal. A menção de qualquer nome neste Jornal não implica necessariamente em relação trabalhista ou vínculo contratual remunerado. Dezembro de 2006 Jornal Vinho & Cia Dezembro de 2006 Jornal Mundo do Vinho Notícias Degustando quadros e vinhos Borbulhas pipocaram em São Paulo na exposição anual de quadros na SBAV (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) com temas ligados ao vinho. Fernando Quartim (diretor), Odila Moraes (diretora), Walter Tommasi (artista plástico e curador), Jane Pizzato (Pizzato Vinhos) e Edecio Armbruster (presidente) brindaram com o espumante da Pizzato recémlançado. Pizzato: (11) 5536-5525, SBAV: (11) 3914-7905. Que tal vinhos do fundo do mar? As idéias são no mínimo diferentes. Os produtores são no mínimo arrojados. Os vinhos são no mínimo instigantes... São os rótulos Cavas Submarinas da Viña Casanueva, alguns armazenados por cerca de 4 meses (a cerca de 8 graus) no fundo do mar do Chile. Os vinhos também são produzidos com mesclas de uvas inusitadas, como o branco de Muscat e Chardonnay e o tinto de Pinot Noir e Carmenère. Ainda não tem importador no Brasil. O preço do branco é de 50 dólares FOB para a caixa com 12 e do tinto, 80 dólares. Inf: (31) 9205-5783. Amigos, vinhos e cordeiro O Clube Amigos do Vinho, fundado por Jorge Monti, presidente daAbaga (Associação Brasileira da Alta Gastronomia), realizou mais um encontro em São Paulo. Foi no final de novembro, com coquetel seguido de jantar harmonizado com vinhos franceses do Club Le Taste Vin, na alameda Itu. Destaque para os deliciosos hamburguer e carré de cordeiro fornecidos pelo Savana. O Clube objetiva oferecer aos seus associados vinhos, jantares e cultura a preços bem em conta. Está aberto a novos sócios. www.clubeamigosdovinho.com.br Natal em Campos Campos do Jordão é candidata a atrair a atenção de quem prefere passar o Natal fora de casa. Boa parte da rede hoteleira oferece preços reduzidos e vários restaurantes preparam pratos especiais para o dia e a ceia de Natal. A Pernod Ricard promove em vários pontos o seu espumante Munn. Vinho & Cia Para passeio, há a Casa do Papai Noel, com vários aposentos temáticos decorados, que podem cativar crianças e adultos. De Portugal para o Brasil Da Espanha para o Brasil São apenas cerca de 6 mil garrafas por ano embarcadas da vinícola portuguesa para o Brasil, mas temos a sorte de receber vinhos de qualidade. Estamos falando da Quinta do Côtto, com importação pela Mistral. Vinho & Cia provou o Paço do Teixeiró Branco 05 (US$17), amanteigado, leve e gostoso; e o Rosé 05 (US$17), bem leve, ambos ótimos para o verão. O Quinta do Côtto Tinto 03 (US$29) gera final de boca muito bom e o Grande Escolha 01 (US$65) é produzido somente em grandes safras, tem aroma e corpo intensos, e é um belíssimo vinho. Mistral: (11) 3083-5055. Miguel Torres é uma pessoa carismática e comanda a grande vinícola de origem espanhola que leva seu nome, hoje com braços espalhados pelo mundo, um deles no Chile. Em novembro esteve no Brasil apresentando seus vinhos em jantar harmonizado no restaurante A Figueira Rubaiyat. É uma das únicas pessoas que prescinde de comentar os vinhos com descrições sobre solo, umidade, aromas, corpo e etc. Prefere pitadas de humor e comentários que chamam a atenção, instigantes, como seus vinhos, bem cotados internacionalmente. Experimente! São importados pela Reloco (21) 2580-0350. Paixão Alta união Tudo o que é feito com paixão é diferenciado, tem potencial de se tornar algo muito especial. E a paixão está clara no trabalho desenvolvido pelos enólogos da Cordilheira de Sant'Ana, vinícola recente de Santana do Livramento no Rio Grande do Sul. Numa degustação exclusiva para a equipe do Jornal Vinho & Cia, provamos os instigantes brancos, Chardonnay e Gewurztraminer, e os tintos com potencial de bons resultados futuros, Merlot e Cabernet Sauvignon. A sensação geral da equipe foi de surpresa pela qualidade alcançada. (11) 41531295. Mariano Garcia foi durante 30 anos enólogo da renomada vinícola Vega Sicília na Espanha. Javier Zaccagnini foi diretor da D.O. Ribera del Duero. Os dois se uniram para criar a Aalto Bodegas e Viñedos. O resultado pode ser visto nos vinhos da safra de 2003, os primeiros a serem produzidos, procedentes de vinhedos de 30 a 60 anos. Vinho & Cia provou e atestou a profunda qualidade, que vale bem o preço de R$255 a garrafa. Península: (11) 3822-3986. Comida japonesa e espumantes O colunista do Vinho & Cia Didú Russo esteve com o mestre Adriano Kanashiro, do restaurante Kinu, no Hyatt, em evento harmonizando espumantes Almadén, Mumm da Argentina, Mumm Cordon Rouge e Perrier-Jouet. Para ele foi “um desfile sensacional de sashimis e sushis em que não faltaram surpresas” e o “must da harmonização foi uma Perrir-Jouet Belle Époque 1998 com sushi de buri (olhete) ao môlho de shitake e shoyu acompanhado por enguias grelhadas. TURNÉE ESPANHOLA A Freixenet, cava de origem espanhola, produz também na Argentina. Seu recente lançamento é o Tournée, um espumante que surpreende pela faixa (cerca de 25 reais ao consumidor). Para comemorar o lançamento, no restaurante Di Café Lounge o chef Cassio Machado criou o "Lagostin à Tournée Freixenet" e no Toro o chef Julian Gil criou o "Tournée de Robalo com Freixenet". Vertical de Cheval des Andes O Grupo LVMH apresentou em novembro no tradicional restaurante La Casserole em São Paulo uma degustação vertical de 3 anos de vinhos Cheval des Andes, produzidos em conjunto pela Terrazas da Argentina e a Cheval Blanc francesa. Resultado? Vinho em evolução constante... Porto aos 250 anos O Solar do Vinho do Porto não deixou passar em branco em São Paulo os 250 anos da região demarcada do Douro. Num grande jantar foram degustados vários ícones, como Graham's Quinta dos Malvedos 96, Fonseca Quinta do Panascal 01, Taylors Quinta da Corte 95, Taylors Quinta das Vargelas 98, Quinta da Roriz 93 e Quinta do Passadouro 00. 5 Dezembro de 2006 Jornal Vinho & Cia Especial SÉRGIO INGLEZ DE SOUZA Por Denise Cavalcante [email protected] Chefs criam pratos para vinho do Porto Frédéric de Maeyer, do restaurante Eça; Mônica Rangel, do restaurante Gosto com Gosto, de Visconde de Mauá; e Francesco Carli, do restaurante Cipriani, do Hotel Copacabana Palace, que criou a sobremesa Trilogia de Chocolate. O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), de Portugal, realizou, no dia 6 de novembro, um grande evento de degustação dos seus vinhos no Rio de Janeiro, na Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, como parte das comemorações mundiais do aniversário de 250 anos da demarcação da primeira região produtora de vinhos no mundo, a região do Douro, onde se produz o Vinho do Porto. Para demonstrar que o Vinho do Porto não precisa ser degustado apenas como aperitivo ou no pós-refeição, acompanhando um charuto, mas também é muito bem vindo com alguns pratos, o IDVP convidou três chefes de prestígio nacional. A cada chef coube a tarefa de criar uma entrada e uma sobremesa para os Vinhos do Porto que lhes foram indicados pelo IDVP, mostrando também a variedade de tipos. O belga Frédéric de Maeyer, do restaurante Eça, combinou sua Toast Brioché com frigideira de cogumelos frescos e camarões com Royal Oporto Extra Dry White Real Companhia Velha. Passando pelo salão, ouviam-se suspiros de aprovação. Especialista em chocolate, sua sobremesa apresentava 3 sabores de chocolates numa taça alta, e um toque brasileiro: tapioca no fundo da taça. A combinação com o vinho Warre´s 1995 LBV Port foi perfeita. Mônica Rangel, do restaurante Gosto com Gosto, de Visconde de Mauá, apresentou uma delicada Quiche de Danablue e Ora-Pro-Nobis com Calem Reserva Tawny e arriscou na sobremesa ao combinar seu porto com um pudim de queijo de cabra que harmonizou muito bem com o LBV Burmester 2000. Francesco Carli, do restaurante Cipriani, do Hotel Copacabana Palace, criou o Trittico de queijos, com mousse de queijo de cabra, sorvete de parmeson e pudim de gorgonzola, além de sopa fria de vinho do porto combinando com Messias 10 Anos. Para a sobremesa, experimentou várias texturas e sabores de chocolate, oferecendo uma Trilogia de Chocolate com o delicioso Quinta do Crasto Vintage 2001. Todo o brilho de uma estrela paranaense A partir de 1875, o Paraná foi palco da chegada de imigrantes italianos para participar da colonização de áreas incultas, inicialmente, nas fraldas de Serra do Mar, arredores de Morretes. Um clima úmido de litoral, somado às dificuldades da mata atlântica, encravada nas dobras da serra, prontamente causaram desalento aos recém-chegados, que, depois de muito protesto, conseguiram ser deslocados para as cercanias de Curitiba, no atual bairro da Santa Felicidade, que eles ajudaram a construir na base de sopa de capelleti in brodo, galeto e vinho de colônia. Mas o vinho paranaense nunca foi além das rústicas bebidas de mesa baseadas em castas americanas, uma jarra de doce e outra de seco, que o cliente misturava a seu prazer. Desta maneira a especulação imobiliária de Curitiba não teve muito trabalho para ir aniquilando as resistências e afogando a produção de vinho local. Em recente palestra sobre vinhos tintos na progressista e simpática cidade de Toledo, no oeste paranaense, diante de uma platéia ao redor de 120 pessoas, coordenei degustação às cegas de seis vinhos tintos de indiscutível nível, como Angelica Zapata Malbec 2002 (Argentina), Cortes de Cima Shiraz/Touriga Nacional//Trincadeira/Cabernet Sauvignon 2002 (Alentejo-Portugal), Cellole Chianti Classico 2002 (Itália), Dezem Cabernet Sauvignon 2004 (Brasil), Guardian Peak Merlot 2003 (África do Sul) e Rosemount Estate Shiraz/ Cabernet Sauvignon 2004 (Asustrália). No final da sessão de degustação foi feita a seleção dos vinhos pelo público com as três primeiras colocações para as amostras de número 2, 5 e 4. Quando os rótulos foram abertos ao público, o resultado final foi surpreendente, com o seguinte resultado: em primeiro lugar, a amostra de número 2, o já aclamado pelo consumidor brasileiro, o super-alentejano Cortes de Cima, com 29 votos; no segundo lugar foi escolhido o Dezem Cabernet Sauvignon, com 25 votos; em terceiro ficou o Angelica Zapata com 23 votos, e assim por diante. Impressionado com o resultado de um painel às cegas, fui a campo verificar as razões da origem deste diferencial de qualidade, acompanhado do engenheiro agrônomo Marcos Link e do enólogo Anderson Schmitz. Na base do terroir da Dezem Vinícola está um solo basáltico, herança de erupções vulcânicas, levemente ácido, com seu pH igual a 5, e fertilida- de natural ótima, com altos teores de óxido férrico e potássio, que dispensa adubação química. O solo é profundo, com espessura maior do que um metro, e tem estrutura intermediária entre o arenoso e o argiloso, que deixa drenar bem a água excedente e retém o essencial. O clima apresenta-se como uma transição do temperado quente para o subtropical, com mais de 2.000mm anuais de chuvas concentrados em período relativamente bem definido entre maio e outubro, privilegiando especialmente a fase vegetativa inicial, deixando a maturação e colheita sem chuvas prejudiciais. Um vento que sopra forte promove uma evaporação (evapo-transpiração) da água, da umidade e, inclusive, do orvalho noturno, abatendo a umidade que poderia prejudicar a qualidade das uvas. A amplitude térmica (diferença da máxima e mínima temperaturas do dia) varia de 12 a 15° C, oferecendo mais de 12 horas de sol para as atividades diurnas da planta e o desejável frio para o seu descanso noturno. Os vinhedos são pequenos e destinados a produções limitadas, de sorte que os cuidados de campo são dispensados de forma mais generosa. A colheita seletiva garante máxima qualidade de uva, alimentando o processo que acontece em instalações modernas e com todos os controles requeridos, como controle de temperatura e acompanhamento através de análises de laboratório. Completando a receita do bom vinho, vem a filosofia de não crescer, mantendo produções limitadas e garantindo a manutenção de um padrão homogêneo de boa qualidade. Bem, despido o santo, fica mais fácil entender a boa performance do Cabernet Sauvignon Dezem no meio de tantas estrelas internacionais que passaram pelas taças dos degustadores, nas quais revelou aquele terroir paranaense com cor rubi intensa, corpo brilhante, aromas frutados sobre toques de especiarias e notas vegetais delicadamente mentoladas, boca plena de final agradável e persistente. Outros varietais como Cabernet Franc, Merlot, Sauvignon Blanc, Chardonnay e o Espumante Brut complementam a performance da vinícola comandada por Amélio Dezem, no trabalho de transformar em bons vinhos as uvas que revelam estes diferentes solo e clima locais. Sérgio Inglez de Souza é enófilo, colunista e escritor [email protected] www.todovinho.com.br Dezembro de 2006 Jornal Vinho & Cia No Circuito do Vinho Por Fernando Quartim Barbosa Figueiredo [email protected] Até gosto de ervilhas, mas sempre as considerei umas bolinhas verdinhas que acompanhavam bem uma carne, compunham os pratos à “caçadora” e faziam um belo jogo nacionalista, se mescladas com milho verde (que na verdade é amarelo), mas nunca desempenharam função mais importante, pelo menos para mim. Entretanto, quando fiquei sabendo do papel protagonizado por elas na vida do amigo Juscelino, passei a olhá-las com mais reverência. História muito gostosa Juscelino nos conta em seu livro. Se você não sabe, caro leitor, eu sugeriria a leitura do PISELLI. Lá você irá conhecer detalhes da vida do paulista de Joanópolis e suas artes, até o advento do restaurante Piselli. Como bônus, você terá uma coletânea de receitas servidas no restaurante e poderá copiá-las, comparando suas habilidades com as do chef Franco Bonandini, um artista! Confesso que esnobei servindo em minha confraria enogastronômica Aprendizes do Paladar, um prato tirado de lá, um belíssimo risoto zaferano com ragu de rabada e agrião (pág. 127), devidamente harmonizado com um vinho nebbiolo, conforme sugestão do livro. Como suspeito para falar das minhas próprias habilidades, evoco o testemunho do Tommasi, o Walter, sim este mesmo, que escreve aqui no jornal algumas páginas na minha frente! As ervilhas do Juscelino Na verdade, queria enfatizar que o Piselli, como já deu para perceber que é o meu assunto de hoje, é farto em sugestões de harmonizações de comidas e vinhos, ele é campeão no assunto! Lá, você poderá chamar a atenção de sua companheira, namorada, esposa ou, de quem você tiver escolhido para esta ocasião, discutindo a perfeita combinação de vinhos e pratos ou, pratos e vinhos, como preferir. Reconheço ter sido com Juscelino, tempos atrás, a consolidação da minha confiança em entrar em um restaurante, conversar com o Franco, já mencionado, de cuja equipe também participa Wellington o primogênito de Juscelino. Filho de peixe... Destaque especial, depois de muita reclamação, a presença feminina da maître Paula Costa! Até que enfim, Juscelino! O Piselli é um dos restaurantes mais procurados por confrarias e grupos de degustadores de vinhos para seus testes, ou, para desfrutarem de maravilhas engarrafadas e carinhosamente acalentadas para uma refeição top. É comum encontrá-los por lá. No Piselli você desfruta de ambiente adequado para sua maître e pedir-lhe que me servisse um prato, à sua escolha, e que também indicasse o vinho para melhor acompanhá-lo! Esta é uma experiência gostosa e cria agradável ansiedade e muita satisfação. O Piselli oferece uma equipe de alto nível, formada pelo gerente Ciro Aidar, sempre presente, e pelo seu imediato Bertilo; e, no comando da farta adega composta de pelo menos 150 rótulos, devidamente climatizada, responsável pela grande sinergia que buscamos em nossas refeições harmonizadas, o Ernesto Arahata, o sommelier! E, naturalmente, o chef refeição, um clima intimista em meio a uma decoração muito interessante de garrafas de vinho na parede do fundo e de graciosas arandelas feitas de Don Perignon, cortadas à metade, para formarem criativas luminárias, que ajudam na formação de um lugar aconchegante. O Piselli pode integrar o Circuito do Vinho, onde se encontra um ótimo serviço, com profissionalismo, em um ambiente bastante agradável, no qual o vinho, sempre presente, faz um final feliz! Piselli: R. Pe. João Manuel, 1253, (11) 3081-6043, São Paulo Dezembro de 2006 Jornal Vinho & Cia Gastronomia BETO ACHERBOIM Por Jorge Monti de Valsassina [email protected] Gastronomia e globalização “A gastronomia é a arte de preparar e transformar os alimentos. A globalização na gastronomia é a extensão da arte para todos.” O mundo da cozinha iniciou-se com o descobrimento do fogo e do sal, quando as pessoas se agrupavam em núcleos e comunidades, unidas pelo desejo de sobreviver à natureza hostil, caçando e cultivando a terra. As informações ficavam sempre com os mais sábios, em especial com os bruxos, que encarnaram as futuras religiões, restringido o conhecimento, divulgado em núcleos fechados. Na Era Antiga, com a formação dos impérios, começou a expandir a boa alimentação. O Império Romano, um dois maiores da História, transformou a gastronomia, introduzindo nos países conquistados os hábitos alimentícios, absorvendo os seus, divulgando ao mundo conhecimentos e criando alguns alimentos. A grande revolução aconteceu no Renascimento, com o maior invento da História: a imprensa. Ela permitiu imortalizar os conhecimentos e registrar os avanços em todos os campos. A partir de 1400, a gastronomia passou a ter maior alcance, com as cantinas, onde se servia o caldo para restaurar as pessoas que vinham de longas viagens. A religião, especialmente a cristã, teve influência importante, porque tolerava o pecado da gula e permitia que nos mosteiros se desenvolvessem invenções na cozinha e na bebida. Na Era Moderna, o grande incentivo à gastronomia foi por meio dos grandes impérios e monarquias, como parte da vida dos monarcas e da política. Após a Revolução Francesa, a gastronomia tomou grande impulso, com os restaurantes, a serviço da maioria do mundo, quando foram criados hábitos culinários importantes. A grande transformação aconteceu com o melhoramento dos transportes e do comércio: trem, telégrafo, rádio, automóveis, aviões e outros, que permitiram difundir os conhecimentos e produtos de maneira mais global. A gastronomia teve seu grande momento a partir de 1920, com o aparecimento dos grandes mestres, que revolucionaram os conceitos, ordenaram a culinária e aplicaram a ela várias técnicas, especialmente na França e Itália. Os novos livros e o ensino das técnicas a todas as culinárias do mundo criaram a base para o melhoramento da forma da alimentação por prazer e não mais apenas para sobreviver. A partir da segunda metade do século XX, com os inventos do computador, fax, tv, cabo, internet, vídeo, dvd, etc., as informações e produtos estiveram mais rapidamente ao alcance de todos. Todo mundo pode ter hoje conhecimento de outras culturas culinárias e produtos de diferentes regiões do globo, dando opções ao consumidor de alimentação, cultura e, sobretudo, prazer. Jorge Monti de Valsassina é presidente da Abaga – Associação Brasileira de Alta Gastronomia Degustação M uito se fala, mas pouco se faz para “traduzir” o que é degustar um vinho, e qual a melhor forma de fazê-lo. Afinal de contas, o que é degustar? De acordo com o Houaiss, degustar é “experimentar com atenção e deleite o sabor de; saborear, provar”. Ok, isso todos já estão carecas de saber. A questão que quero levantar é mais complexa, e envolve vários sentidos. Quando falamos em degustar um vinho, basicamente utilizamo-nos de 3 sentidos: visão, olfato e paladar. Degustar um vinho não requer pompa e circunstância. Isso é coisa para os enochatos. Também não pode ser feito sem nenhum critério, senão vira avacalhação. Uma degustação deve ser feita num local claro, com boa iluminação, livre de odores indesejáveis (fica difícil numa cozinha…), preferencialmente com as pessoas sentadas (embora eu mesmo já tenha feito diversas vezes em pé) e utilizando taças apropriadas (copo de requeijão é dose…). Isso é o básico. Se possível, o degustador deve ter pão e água – alimentos neutros - para limpar a boca e o paladar entre os vinhos. Outra coisa que considero muito importante é degustar “às cegas”, ou seja, não saber qual(is) vinho(s) se está tomando. Isso limitará qualquer tipo de pré-conceito (ou preconceito) em relação ao vinho degustado. E, principalmente, deguste sem pressa e sem pressão, para garantir um resultado justo, e boa diversão. Entre amigos… Além de tudo, deguste um vinho na companhia de amigos, e tenha certeza que seu prazer será muito maior. O vinho tem o poder de congregar as pessoas, reuni-los em torno de uma garrafa. O ambiente propício requer, acima de tudo, companheirismo e amizade. Por isso existem as confrarias, grupos de amigos que se reúnem em torno de (muitas) garrafas, para trocar idéias, bater um papo, comer bem, e, principalmente, beber bons vinhos. Recentemente, a confraria da qual faço parte teve sua degustação de final de ano, da qual participaram as esposas também (é, nosso clube é do Bolinha, embora conheça confrarias de Luluzinhas também). Começamos os trabalhos por volta das 17 horas, com um aperitivo regado a champagne, ótimo bate-papo, ambiente delicioso, e seguimos assim até a degustação (no caso, de Rieslings, excelentes). Depois, um jantar muito gostoso, e, por fim, o indefectível charuto, com mais um pouco de ótimo papo, como a ocasião pedia. Que mais podíamos querer? Bons vinhos, boa comida e bons amigos… Degustação pelo cano… Ruim é perder uma degustação por motivos alheios à nossa vontade. Recentemente fui convidado para representar o jornal numa degustação de sushis e champagnes. Entretanto, o destino nos prega cada peça… No dia anterior, dois canos em meu apartamento entupiram, razão pela qual tive que chamar um encanador, que veio no dia seguinte pela manhã e demorou bem mais tempo que o esperado para realizar o serviço. Resultado? Uma baita degustação perdida, escoando pelo cano… Festas e 2007… Aproveito esta coluna para desejar a todos os amigos(as) boas festas, com muita amizade, saúde, e sucesso. E que bons vinhos não nos faltem em 2007, assim como ocasiões especiais para dividir com os amigos. Até a próxima! Beto Acherboim é relações públicas, enófilo, são-paulino e apreciador das boas coisas da vida. beto@jornalvinhoecia.com.br 8 Dezembro de 2006 Cia do mês Jornal Vinho & Cia Confira que vinhos combinam com a pizza de calabresa de fim de ano Fim de ano é época de comemorações. No Natal há o convencional peru ou pernil, apreciados em família, e também as sobremesas natalinas e as grandes ceias de Reveillon. Contudo, entre amigos e colegas de trabalho rola mesmo um prato mais informal, que virou mania nacional e serve de pretexto para um bom papo, alegria e confraternização: a pizza. Nada mais natural, mas não convencional, que nós do Vinho & Cia nesta época fizéssemos uma degustação para ver que vinhos pudessem combinar bem com uma das pizzas mais comuns, e, assim, ajudar a escolher belas companhias para tornar as come- Jornal Vinho & Cia Casa Perini Barbera Dezembro de 2006 Vinha Conchas AMPAKAMA Safra: 2005 Tipo: Tinto Uva: Barbera Produtor: Casa Perini Origem: Brasil Fornecedor: Casa Perini Fone: (54) 3462-3858 Preço: R$15 IMPORTANDO QUALIDADE SAC 0800 6430777 www.lavigne.com.br 9 10 Dezembro de 2006 Jornal Vinho & Cia Vinho & Turismo WALTER TOMMASI Visitas a Viñas no Chile Degustação às escuras. . . Quase! O Miguel é uma pessoa especial, de quem todos no meio do vinho gostam muito. Mesmo com muito tempo de estrada, o estrelismo nunca o dominou, e ele continua sendo o mesmo amante dos vinhos como quando começou. Pois bem, lá no começo, por sinal na primeira versão do Boa Mesa, ainda lá perto do Shopping Morumbi, o Miguel, como diretor da SBAV, estava fazendo o plantão do dia de encerramento. Esforçado e dedicado como sempre, não se importou com a falta do companheiro que dividiria com ele o plantão. E lá foi ele atendendo as pessoas que visitavam o stand, sempre servindo os vinhos fornecidos pelos expositores. “Quer uma taça deste vinho?”, “ se você quiser ver a linha completa o stand deles é ali...”, e toma uma taça, duas, três, quatro... vinte, trinta e um... “Olha, a SBAV é uma entidade sem fins lucratívos”, trinta e dois... Já no fim do dia, aparece o Ênio Frederico e pergunta a ele: “Você não foi na minha degustação de Bordeaux?” E o Miguel, com cara de cachorro triste, diz: “Não Ênio, tive que cuidar da Lojinha, sabe como é, né? O Ênio, com dor no coração, sai e volta com diversas taças da família Gran Cru Classe: Cheval Blanc, Chateau Latour, Haut Brion, Margaux, Mouton Rothshild. Miguel entra em transe com aquela oportunidade de ouro: “Puxa agora sim valeu a pena ficar por aqui o dia todo, hehehe”, pensa ele feliz da vida! Daí a pouco, aparece o Didier e pergunta: “E aí, Miguel, tudo bem contigo? Oi, Ênio! Vocês estão sozinhos? Vamos tomar um dos bons juntos?”. “Claro!”, diz o Miguel. E não é que o Didier sai e aparece com um Chateau Yquem?! E os beiços são literalmente lambidos pelos três e mais alguns fanáticos por vinho que por lá também haviam encostado. O Miguel cheio de satisfação pensa: “Putz, fechei com chave de ouro, agora posso ir para casa, claro, se conseguir dirigir!” Estandes começam a fechar e de repente o Jorge Lucki aparece, vê o grupo reunido, o último oásis da feira, que estava em plena animação, como se fosse o início, e diz: “E aí pessoal, vamos tomar uma saideira?”. Miguel, já satisfeito, mas sempre gentil, diz “Claro, Jorge, será um prazer, junte-se a nós”. E aí, nova surpresa, certamente não esperada, mas abençoada por Bacco. Jorge vai e volta, e com ele traz algumas garrafas dos cultuados vinhos da Maison Romanée Conti. Na verdade ele traz o time todo: o Grand Echézeaux, o Richeborg, o La Tâche e, sim, o próprio Romanée Conti. Aí, Miguel comenta: Jorge, vou ter que fazer este esforço, pois não é do meu feitio fazer uma desfeita destas, e os risos ecoam entre o grupo, agora já em estado carnavalesco. Nesse meio tempo, os seguranças e organizadores já começavam a avisar os expositores que em pouco tempo as luzes seriam apagadas e que as últimas coisas deveriam ser empacotadas. Olhando para o lado Jorge Lucki já servia os preciosos líquidos nas taças, e a saliva tomava conta de Miguel e dos outros companheiros que naquele momento lá estavam. Miguel não teve dúvida e vociferou com os seguranças: “Calma, calma, que faremos uma degustação rápida às cegas, e, caso não dê tempo, que seja às escuras mesmo!” Assim terminou o espetáculo e fecharamse as cortinas. Deste dia em diante Miguel nunca mais faltou aos árduos trabalhos de cuidar dos stands da SBAV na espera de outro dia como aquele, que infelizmente, naquele nível nunca mais ocorreu! Até a próxima! Walter Tommasi é executivo de multinacional, enófilo e artista plástico [email protected] Por Paulo H. Bonilha leitor do Jornal Vinho & Cia Em viagens turísticas, merecem destaque e são citados os pontos diferentes e que chamam a atenção. Em uma viagem ao Chile, belo e organizado país, diversas foram as diferenças notáveis em relação ao Brasil: modo de agir do povo, respeito ao semelhante, educação civil, acato à autoridade, nacionalismo exuberante... Certamente lá todo turista visita pelo menos uma de suas 180 “Viñas”. Várias delas promovem e cobram por visitas a seus estabelecimentos, com “tours” em locais altamente preparados, incrementados e de grande efeito promocional para suas marcas e produtos, dentro do conceito de Enoturismo. Optamos por visitar uma que não fizesse este tipo de preparação, mas produzisse principalmente qualidade. Por indicações chegamos à “Santa Carolina” e fomos recebidos pelo Sr. Cristián Benavente, Export Director Latinamérica. O ponto culminante (já que estamos falando de um país onde a Cordilheira dos Andes está vivamente presente) foi à visita a “Catedral”, enorme sala subterrânea, construída há mais de 100 anos, onde ficam os mais de 6 mil tonéis de carvalho de 220 litros cada, importados da França ou da América do Norte, e que são utilizados somente por 4 a 5 safras, antes de serem descartados. Neste local, sem alterações, sem movimentação, sem barulhos, sem variações de temperatura e de umidade, o vinho descansa por vários meses. O religioso silêncio, o preciosismo da perfeição está implícito no ar que se respira: a temperatura mantémse constante em 13º C, sob qualquer condição externa. O mesmo acontece com a umidade relativa. Talvez a principal condição para obter estas características seja a construção abaixo do nível do solo. No total, podem produzir e estocar 28 milhões de litros por colheita, ou seja, quase 38 milhões de garrafas por ano. Da parte exportada, somente cerca de 12% é destinada ao Brasil. Mas nosso mercado para Cristián está sendo bastante receptivo e cada vez mais exigente no que diz respeito à qualidade. Contou-nos com entusiasmo sobre degustações no Brasil onde se consegue 50 pessoas participantes e com conhecimento, quando o mesmo tipo de reunião se divulgada no Chile conseguirá com dificuldade 20 pessoas. Essa visita não foi turística, considerando beleza e monitoramento, mas foi técnica e cativante, e fez com que passássemos de distantes apreciadores a interessados e com aspirações a novas experiências. Dezembro de 2006 Jornal Beabá Degustando vinhos da Bairrada Por José Ivan Santos [email protected] Em nossa visita à região vinícola da Bairrada, em Portugal, a convite do ICEP, escritório regional de São Paulo, tivemos oportunidade de conhecer algumas vinícolas e degustar seus vinhos, entre elas a Campolargo. A Sociedade Agrícola Campolargo possui 170 hectares em duas propriedades – Quinta de Vale de Azar e Quinta de São Matheus – localizadas no centro da DOC Bairrada, onde cultiva 25 castas diferentes de uvas. Durante muitos anos, vendeu integralmente suas uvas à Caves Aliança, até que decidiu elaborar seus próprios vinhos, no que conseguiu sucesso. Construiu uma adega arrojada, perto de Mogofores, concelho de Anadia, equipada com lagares robotizados; todas as uvas passam por essas pisas, são a seguir sulfitadas e depois fermentadas. Possui também prensas, que reproduzem os movimentos peristálticos, que são os melhores para esmagamento das uvas. A Campolargo apostou em misturar a baga com uvas internacionais e nativas. Segundo o diretor da empresa, Carlos Campolargo, a proposta é fazer vinhos diferentes dos tradicionais bairradinos. Tem conseguido seu intento, oferecendo um leque respeitável de vinhos de qualidade. O branco Bical 2004 é totalmente fermentado em carvalho francês usado. O aroma não mostra a presença da madeira e na boca tem muito boa acidez, corpo e estrutura. Já o Bical 2005 tem aromas herbáceos, pouca fruta e acidez, mas um bom equilíbrio. O Termeão 2005 é um tinto feito à base de touriga nacional (de 75 a 80%), castelão e cabernet sauvignon. O aroma é marcado pelas notas florais, da touriga nacional, tem toques de compotas e algum alcatrão, os taninos estão presentes, não-agressivos, o corpo e a acidez são bons. O Campolargo 2005 tem em sua composição 50% de baga e 50% de pinot noir. De cor clara, típica da pinot noir, exibe aromas de frutas vermelhas, baunilha e especiarias. É macio na boca, bom corpo e taninos finos. O Calda Bordaleza 2005 tem 45% de merlot, 30% de cabernet sauvignon e 15% de petit verdot. Apresenta aromas de pimentão verde, suor e couro (o tradicional aroma de sela montada), ótima acidez, com boa estrutura na boca e taninos muito finos. O Vinha da Costa 2004 é composto por tinta roriz, syrah e merlot em partes iguais. De cor intensa desenvolveu aromas de ameixa preta e chocolate, com excelente acidez, taninos redondos; é daqueles tintos difíceis de não se gostar. O Entre II Santos (os dois santos do nome, São Lourenço e São Matheus, são vales próximos à adega) é feito com baga (50%), cabernet sauvignon e merlot. Apesar de ser considerado um vinho básico, tem aroma correto, bons toques de fruta vermelha madura, é equilibrado na boca, sem taninos agressivos; trata-se de uma excelente relação qualidade/ preço. Os vinhos da Campolargo são importados pela Mistral. Vinho & Cia MAISON DES CAVES. A LOJA PARA VOCÊ VIVER O MUNDO DO VINHO DO JEITO QUE VOCÊ GOSTA. Aprecie com moderação. 11 Climatização de ambientes e adegas especiais. Mais de 200 rótulos de grandes vinhos do mundo todo, acessórios e taças. Mais de 25 modelos de adegas, servidores de vinho e umidores de charutos. 2 ANOS DE GARANTIA PARA TODA LINHA METAL. São Paulo: Jardins: 11 3891-1920/1816 Morumbi Shopping: 11 5181-1723/1725 D&D: 11 3043-9968 Rio de Janeiro: Casa Shopping: 21 2431-0592 Brasília: Park Shopping: 61 3361-0252 CARLOS CAMPOLARGO, diretor da Sociedade Agrícola Campolargo, da região vinícola da Bairrada, em Portugal. www.maisondescaves.com.br 12 Dezembro de 2006 Jornal Vinho & Cia Vinho & Ocasião CESAR ADAMES Por Adriana Bonilha Oliveira O Vocabulário do Charuto A ssim como o do vinho, o mundo dos charutos também tem o seu vocabulário próprio. Palavras como retrogosto, taninos e acidez acentuada têm o seu contraponto em puros, queima e Vegas, que são muito comuns nas rodas de degustação. Um dos grandes problemas para quem está iniciando na arte de degustar é compreender os termos técnicos que algumas pessoas usam quando falam sobre o assunto. Por conta disto selecionei algumas palavras que sempre são utilizadas nas conversas entre apreciadores. Apesar de não pretender esgotar o vocabulário sobre o assunto, vale a pena conhecer alguns termos para não passar vergonha na próxima reunião. Anilha – Pedaço de papel que envolve o charuto identificando sua marca. Bunch – É o charuto semi-acabado, composto apelas pelo filler e o capote. Bundle – Charutos vendidos em maço Capa – Folha de fumo que envolve os charutos externamente. Capote – Folha de fumo que envolve o filler dos charutos. Também chamado de sub-capa. Celofanado – Charutos que são embalados individualmente em bolsas de celofane para aumentar sua conservação. Cepo – Aparato de madeira, metal ou plástico, usado pelo controle de qualidade, com orifícios de diversos diâmetros, para conferir-se a exatidão da grossura dos charutos. Culebras – Tipo de apresentação em que três charutos são trançados entre si. Destalo – Ato de destalar uma folha de fumo e que consiste na extração da veia principal. Filler – Fumos usados no interior dos charutos, que serão envoltos pelo capote. Galera – Linha de produção onde são elaborados os charutos. Hand-Made – É a denominação para charutos feitos 100% a mão. Long-Filler – Diz-se dos charutos cujos fumos da parte interior são constituídos de folhas de fumo inteiras. Maço – Qualquer pacote envolto com papel celofane, contendo determinada quantidade de charutos, em geral 25. Mata Fina – Tipo de capa utilizada para dar o acabamento em muitos charutos nacionais. Premium Cigar – Diz-se dos charutos hand-made, 100% de fumo natural, que, no mercado, têm preço de venda ao público acima de R$ 12,00 por unidade. Puros – Denominação dada aos charutos cubanos. Queima – Combustibilidade do charuto. Rezagos –Charutos que são rejeitados pelo controle de qualidade. Selo de Garantia – Um rótulo, geralmente esverdeado, lembrando uma cédula de dólar, ainda muito usado por alguns fabricantes, colado no lado de fora da caixa, dando garantia da origem do produto. Short-Filler – São os charutos elaborados com pedaços de folhas de tabaco em seu interior. Tabaqueiro – Pessoa que produz o charuto. Vega – Plantação de tabaco. Wrapper – O mesmo que Capa. 8-9-8 – Charutos que vêm distribuídos na caixa em camadas de 8, 9 e 8 charutos. Cesar Adames é consultor na área de tabaco adames@jornalvinhoecia.com.br [email protected] Boteco e vinho. Boa combinação. Ambiente do ADEGA SANTIAGO, tendo, ao fundo, adega climatizada com mais de 200 rótulos. O verão está chegando, e com ele a vontade de programas mais descontraídos e informais. Quem sabe uma praia... Mas enquanto estamos em Sampa, trabalhando ou mesmo curtindo o calor paulista, que tal um boteco?! Mas como escolher um? O que se procura: paqueras? Grupinhos de adolescentes? Chopps e petistos fritos? Pois é... Sugiro um boteco com ares de sofisticação. Toalha na mesa? Não. Luz de vela? Talvez. Mesas com grupos formais e comportados? Não necessariamente. O que, então? Uma bela e recheada adega, bem no centro do salão e um cardápio com inspiração na Península Ibérica, como petiscos elaborados com hamon, bacalhau e tortilhas, e pratos como paella, bacalhau e grelhados, que podem ser acompanhados de batatas, em diversas versões, como a tradicional “aos murros”. E para beber? Que tal uma taça de vinho entre várias opções da carta composta por mais de 200 rótulos? De quem falo? Do Adega Santiago, na Rua Sampaio Vidal, 1.072, São Paulo, www.adegasantiago.com.br. Vale a visita! 13 Dezembro de 2006 Jornal Vinho & Cia Nas ondas do Rio EUCLIDES PENEDO BORGES Por Jaqueline Barroso [email protected] Subindo a serra Não que eu esteja traindo o mundo dos vinhos, até porque tinha ido à cidade fazer uma degustação, mas tem um chopp preto artesanal em Friburgo... Estou falando do Restaurante Burgo Mestre, especializado em comidas alemãs. A casa foi fundada em 1978, mas, desde 1988, Braulio Furtado, o atual dono, vem encantando os clientes com seus defumados e a receita alemã do chopp. Seu filho Chester diz que o segredo é o caramelo do chopp... A casa abre todos os dias das 12h às 24h. Rua Deolinda Thurler, 119, Cônego, Nova Friburgo, (24) 2522-9845. La Casa di Bacco “Credo che una cantina che si rispetti debba produrre poco e bene anche nelle annate difficili”. Esta frase é do produtor da Toscana chamado Roberto Bellini, da Azienda Agrária Podere Brizio, “uma piccola” vinícola boutique de apenas 60 hectares. Seus vinhos são importados pela La Casa di Bacco, comandada por Simone Ferreira, que fez no último dia 04/12 apresentação no Restaurante La Finesta (Hotel Rio Internacional). La Casa di Bacco é especializada em vinhos italianos e possui um portfolio bem diversificado. Vale a pena conferir! www.lacasadibacco.com. A afinidade do porto com queijos azuis Verão no Don Camillo O Chef Buca, do Ristorante Don Camillo, abre o verão com uma sugestão de arrasar: Filet de pesce ao pepperone e gamberi (Cherne refogado no azeite, ervas finas e vinho branco com pimentões amarelos e vermelhos, regado com camarões). Para coroar o prato, o sommelier Rogério Silva sugere para harmonizar o vinho italiano Fiano di Avellino di Feudi di San Gregorio. Além do restaurante ter uma decoração de extremo bom gosto, na parte externa tem um deck com ombrelones gigantes, onde a brisa marítima é maravilhosa. Av. Atlântica, 3056, Copacabana, (21) 25499958, www.doncamillo. com.br. Guia de Restaurantes Danusia Bárbara 2007 Em breve circulará o imprescindível e uma das mais aguardadas publicações do ano em gastronomia, o Guia de Restaurantes 2007 da Danusia Bárbara. Especialista em provar do bom e do melhor em todas as partes do mundo, Danusia faz um completo roteiro dos restaurantes do Rio e dos arredores, informando nome, endereço, telefone, horários, especialidades e peculiaridades. Ótimo presente de Natal! A Casa Julieta de Serpa, palacete neoclássico da Praia do Flamengo, no Rio, é o último exemplar de um estilo de arquitetura outrora comum no local. Em pleno funcionamento como casa de eventos, ela conta com um restaurante refinado, o Blason, aberto ao público. Nesse ambiente, a “promoter” Denise Cavalcante, nossa colega neste jornal, proporcionou-nos uma incursão enogastronômica inovadora e deliciosa. Chefes de renome, um italiano, um belga e uma brasileira, foram chamados a inventar pratos que combinassem, cada um deles, com um tipo de Porto, num total de seis. Surpresas agradáveis – e bota agradável nisso – foram surgindo, particularmente pela inclinação dos artistas em usar também ingredientes brasileiros em suas invenções. Como sempre, alguns casamentos foram mais felizes que outros, apesar da excelência dos noivos. Mas viuse confirmada a particular afinidade do Porto com queijos azuis. Para explicá-la falemos do trio Roquefort – Gorgonzola – Stilton, que levam nomes de cidades, são gordurosos, têm veios azul-esverdeados, odor intenso e gosto muito forte. Como sabemos, esses veios são provocados pelos fungos do gênero Penicillium, que proporcionaram a Fleming a descoberta da Penicilina. Roquefort é quase sinônimo de queijo azul. Apresenta textura amanteigada, 52% de gordura, odor animal, sem casca. Elaborado por mais de mil anos na aldeia de Roquefort, sul da França, com leite de ovelha, manteve-se por muito tempo como uma iguaria francesa até que Giacomo Casanova o descreveu como afrodisíaco em suas Memórias, no século XVIII. Não demorou a ser requisitado e imitado em todo mundo. O Gorgonzola é não só o mais importante dos queijos azuis da Itália mas também o mais antigo. A aldeia de Gorgonzola, hoje um subúrbio de Milão, guarda a lenda de um grupo de viajantes que, carentes de dinheiro, teriam acertado sua conta na pousada com queijos frescos. Conservados em condições favoráveis, desenvolveram-se nos mesmos os fungos que lhe dariam gosto marcante e fama internacional. Elaborado atualmente em toda a Lombardia, com leite de vaca, o Gorgonzola tem 48% de matéria gordurosa, odor forte, sabor contundente. O Blue Stilton leva o título de “rei dos queijos britânicos”. Daniel Defoe, criador do Robinson Crusoe, equivocouse ao dizer que a aldeia de Stilton, em Leicester, era famosa pelos queijos que fazia. Na verdade, era famosa pelos queijos que vendia. Ali perto, uma estalagem – a histórica Bell Inn – distribuía os laticínios de uma granja afastada da cidade. Seus hóspedes, contudo, espalharam a fama do queijo com o nome de Stilton. Também de leite de vaca, o Blue Stilton tem casca seca branca, um tanto enrugada, 48% de gordura, massa amarelada com veios azuis, odor marcante. Como se vê, queijos azuis têm em comum o teor elevado de gordura, odor animal, veios aromáticos tendentes ao amargo e consistência amanteigada. Imploram por doçura, densidade, aromas doces de compotas, acidez, taninos pouco perceptíveis e muito álcool. É a própria descrição de um Vinho do Porto tinto, não é? A isso chamamos afinidade. Como o Ruby teria um pouco mais de taninos e o Tawny um pouco menos, uma decisão poderia ser para o Vintage, para que não restasse a menor dúvida. Uma das combinações no evento do Blason atestou esse conceito. Euclides Penedo é enófilo, escritor e vice-presidente da ABS do Rio de Janeiro [email protected] 14 Dezembro de 2006 Jornal Últimos aromas Vinho do desejo A Salton quer provar que a Serra Gaúcha tem potencial para a produção de vinhos com a uva Merlot de qualidade excepcional. Lança agora o Salton Desejo, que passa 12 meses em barricas novas de carvalho francês norte-americano meio tostados e 9 meses em garrafa. É indicado para carnes vermelhas e de caça e queijos fortes. Salton: (11) 6959-3144. Espumante raro Espumante dourado Outro lançamento no mercado de espumantes é a champagne Piper Cuvée Rare. Feita com uvas Chardonnay e Pinot Noir, é envelhecida por no mínimo três anos até alcançar a plena maturidade. Apresenta tom dourado brilhante, com reflexos esverdeados, bolhas delicadas e longa efervescência. Interfood: (11) 6602-7255. A vinícola Pizzato começa a colocar no mercado o seu primeiro vinho espumante. A garrafa é esverdeada, o rótulo é preto, mas o líquido é bem dourado. É uma opção interessante para os eventos de fins de ano, coquetéis, acompanhamento de pratos leves do mar e, também, para refrescar no verão. Pizzato: (11) 55365265. Espumante cristalizado Chega ao Brasil a Moët & Chandon Crystallized, a garrafa conhecida como estrela da noite, do champagne ícone da maison, a Brut Imperial. É cravejada de cristais Swarovski com o objetivo de levar esplendor e brilho às festas luxuosas de fim de ano. Vem em um estojo dourado e preto. R$190. LVMH: (11) 30628388. Kits para o Natal Espumante butique A marca “butique” de champanhes do Grupo Pommery, a Heidsieck & Co Monopole, também chega ao Brasil. São cinco rótulos: Blue Top Brut, Rosé Top, Red Top DemiSec, Premiers Crus Brut e Diamant Vintage. A base da composição é a uva Pinot Noir em mescla com outras. Entre R$ 180 a R$ 380. Impexco: (21) 2424-1624. Vinho & Cia A World Wine lançou um catálogo de Natal com kits especiais de vinhos, com descontos de até 20%. Podem ser encontrados em embalagens de três e seis garrafas. Um deles, o combo Cone Sul, contém 3 vinhos Top: Cabo de Hornos Cabernet Sauvignon 01, El Preciado 02, e Dedicado 99. World Wine: (11) 3315-7477. Mais resistente a riscos A Alumínio Ramos lançou uma linha nobre de panelas revestidas com o Teflon® Platinum, fabricado pela DuPont. Têm cabos longos em aço inox e pegadores em silicone, e é destinada aos aficionados pela arte da culinária. Possuem maior resistência a abrasão e a riscos por contato com utensílios de metal. Nas lojas, a partir de R$110. Whiskey e canivete O Jack Daniel’s, produzido desde 1866 na cidade de Lynchburg, Tennessee, está com nova embalagem promocional para o Natal, com uma garrafa do whiskey e um canivete suíço Victorinox personalizado, sem custo adicional. Nas lojas das Regiões Sudeste e Sul do Brasil. R$90. www.jackdaniels.com Whiskies embalados Chivas Regal, Ballantine’s e Jameson, marcas de whisky da Pernod Ricard, estão com embalagens especiais e brindes diferenciados para o Natal. Nas grandes redes de supermercados de todo o Brasil, delicatessens e lojas de conveniência por R$52 a US$399. Pernod Ricard: 0800-014-2011. 15 Dezembro de 2006 Jornal Vinho & Cia Vinho & Comportamento REGIS GEHLEN OLIVEIRA Por Didú Russo [email protected] Peru só com vinho Rosé... Nos idos de sessenta, me lembro com muita clareza que se tratava de grande gafe em mesas finas da sociedade alguém servir um peru que não estivesse devidamente acompanhado de um bom Rosé. O ideal seria o “pétillant” Mateus, em sua garrafa em forma de cantil de guerra, como fora lançado em 42 e que pegou espantosamente. Aliás, o próprio movimento “beatnik” precursor dos hippies viria abraçar a preferência, em seu relaxado requinte, numa demonstração de ironia à guerra do Vietnan. Nesta época havia alguns vinhos nacionais que buscavam se estabelecer com elegância na faixa mais nobre do mercado, caso do Grand Pierre, do nosso querido Fabrizio Fasano, que fez muito sucesso até que foi desbancado pelo Château D’Argent, de uma vinícola chamada Mônaco e que era vendido pela saudosa Casa Prata, do Rubens Caporal, um dos melhores endereços de bebidas finas que São Paulo conheceu. Um presente com a etiqueta Casa Prata era sinônimo de elegância e garantia de qualidade. Depois, numa jogada genial, o Fabrizio lançou o WeinZeller, numa garrafa do tipo dos vinhos riesling alemães, mas feito aqui no Brasil, com a uva Moscatel. Todo mundo tomou, não adianta dizer que não, pois tomou. Qualquer restaurante fino tinha. Como diz aquele ditado espanhol: “...Es más perigloso el Diablo por ser viejo que por ser Diablo...” Didú Russo é fundador e vicepresidente da Confraria dos Sommeliers, autor do livro Nem Leigo, Nem Expert Em mais um feriado, Ted Bebedor lê jornais A h! Dia cinzento, tempinho chuvoso, tranquilidade, aromas do pãozinho fresco recém-saído do forno, jornais sobre a mesa... Nada como estar longe da dureza da redação do Jornal Vinho & Cia! Pela janela observo as milhares de pessoas que saem pra comemorar... - Ted Bebedor, é bom mais um dia de feriado no Brasil, né? - Pois é, caro leitor, o espírito cívico no país não tem igual no mundo... Tem 7 de setembro, tem 15 de novembro, tem dia da cidade, tem Tiradentes, em São Paulo tem “Revolução Constitucionalista”... - E todo mundo sai às ruas pra comemorar, né, Ted? - Sim, caro leitor, também vai às praias, aos sítios, aos shoppings... - Ted, povo de fé também, não? - Claro! E de muita confraternização. Temos mais de 50 religiões, e comemoramos todos juntos os poucos feriados da igreja católica: Natal, Carnaval, Páscoa, Corpus Christi, Aparecida... - Solidariedade... - Sim, caro leitor. E veneramos também muitas datas: Ano Novo, Trabalho, Finados... - E agora também a Consciência Negra... - Claro, somos todos conscientes. País rico e com alto índice IDH de desenvolvimento humano, né? Podemos deixar de lado apenas alguns diazinhos de trabalho para comemorarmos o que é importante, não acha? - Sim, Ted... - Pois é... - E você em casa, hoje? - Dia bom para um vinhozinho, né? - Claro, Ted, claro! --Hummm! Para a taça vai um Tamaya Special Reserve Viognier-Chardonnay. Aromas cítricos e de mel, redondinho, delicioso para dias quentes do verão que se aproxima. Coloco um disco de vinil da Simone, com a música De Frente pro Crime, de João Bosco e Aldir Blanc. Pego os jornais sobre a mesa... E rumo à poltrona. “Tá lá o corpo estendido no chão / Em vez de rosto uma foto de um gol / Em vez de reza uma praga de alguém / E um silêncio servindo de amém...” Tá na capa: “Homem mantém reféns em ônibus”. Viro as páginas... “Dez pessoas morrem em duas chacinas”, “Chuva castiga o Sudeste e já deixa 3 mortos”, “No Rio, 17 são presos acusados de tráfico”... - Ted, esse mundo tá caótico, né? - Pois é, caro leitor. A gente anda por aí e só vê isso. Pausa para se restabelecer. Pego aquele pão fresquinho e um azeite extra-virgem da Casa Aragão. Mergulho o pãozinho... Ahhhh! Vida dura! Isso pede um bom tinto português. Da adega pego um Cartuxa, que lentamente vai para a taça... Hummm! Macio, aromas e gostinho agradáveis de madeira bem dosada... Toca a música... “O bar mais perto depressa lotou / Malandro junto com trabalhador / Um homem subiu na mesa do bar / E fez discurso pra vereador / Veio o camelô vender / Anel, cordão, perfume barato / E a baiana pra fazer pastel / E um bom churrasco de gato...” - Ted, nada mais nos jornais? - Deixe-me virar as páginas, caro leitor... “Alckmin ainda quer saber de onde veio o dinheiro sujo”, “PMDB formaliza seu apoio a Lula, mas já faz ameaças”, “Lula passa feriado em sítio”, “Ato contra reajuste enterra Lembo e Kassab”, “Acaba o casamento de Gianechini e Marília Gabriela”... - Puxa, esse mundo tá mesmo caótico, né, Ted? - Pois é, caro leitor. - E não tem notícia boa e útil, Ted? - É... Parece que o dia-a-dia de todo mundo é isso aí. A gente foge de um tiroteio aqui, escapa de uma chacina ali, se esconde de uma tempestade acolá, acusa um de lá, xinga um político daqui e se diverte com a vida das celebridades... - Que coisa, hein? - Coisas de jornais, coisas de jornais... Toca a música... “Sem pressa foi cada um pro seu lado / Pensando numa mulher ou no time / Olhei o corpo no chão e fechei / Minha janela de frente pro crime” Na taça exalam os aromas do vinho... Regis Gehlen Oliveira é editor deste jornal. De vez em quando bebe. regis@jornalvinhoecia.com.br Mais de 25 modelos de adegas e climatizações de ambientes que combinam com a sua casa. 2 aNos de garaNtIa Para toda lINha Metal. Show Room Fábrica: 11 5525-2400 - São Paulo www.artdescaves.com.br LojaS MaiSon DeS caveS www.maisondescaves.com.br escolha adegas art des caves. soFIstIcaÇÃo Para sUa casa, traNQÜIlIdade Para seUs vINhos.