Universidade Presbiteriana Mackenzie - Centro de Comunicação e Letras
Publicação feita pelos alunos do 2º semestre de Jornalismo
Edição 84 Ano VI
Que truco que nada!
A moda agora é pôquer
6
5
4
Best-Sellers
atraem jovens
A vez é da
bicicleta
O empecilho do
alistamento militar
7
Rivalidade
no futebol e samba
8
A nova onda
do café
Editorial
E s s a e d i ç ão do Acontece , feita pe l o s a l u n o s d o 2º semestre de Jornalismo
d a p r i m e i r a m etade do ano de 2010, co l o c a e m p a u t a assuntos que interessam
a o s j o v e n s - ao menos o que acreditam o s q u e p o s s a nos interessar. Afinal de
c o n t a s , e s c r e v emos para um público de
c o l e g a s e s t u d antes e jornalistas.
A s s i m , a matéria de capa relata um
f e n ô m e n o c o r rente entre os jovens, a
c r e s c e n t e f o r ma de entretenimento que
é o p ô qu e r . Considerado um jogo de
a z a r , p o d e v i c iar e muitas vezes arruinar
a v i d a d a s p e ssoas, como já cansamos
d e v e r e m f i l mes e no noticiário de ce l e b r i d a d e s a m ericanas. Como e por que
j o g a m p ô q u e r é o assunto abordado por
A n d r é G a j a r d oni e Carolina Teixei ra.
P o r f a l a r em jovens, Fernanda Mas s o n e M a r i n a Frascareli tratam do gos t o ( o u n ã o ) e dos hábitos de leitura dos
j o v e n s , f o c a n do em como best-sellers ao
e s t i l o H a r r y Potter e derivados podem
i n c e n t i v a r e a brir a cabeça do pessoal
p a r a o m e r g u l ho em livros de maior con t e ú do e q u a l i d ade literária.
O s j o ve n s continuam como desta q u e n a r e p o r t agem de Juliana Macha d o e P e d r o Loos, que mostram como o
a l i s ta m e n t o militar tem seus aspectos
p o s i t i v o s e n e gativos. Tema corrente de
d i s c u s s ã o e p olêmica, o que muda para
o s m e n i n o s q ue devem servir as Forças
A r m a d a s p o r um ano?
Luiza Belloni e Leandro M a r qu e s
tratam de mostrar como o brasil i e r o f o i
capaz de unir as duas maiores p a i x õ e s
nacionais - futebol e carnaval. E l e s f o cam na rivalidade das escolas d e s a m ba que trazem em seu nome e or i g e m a s
torcidas uniformizadas dos pri n c i p a i s
time de futebol de São Paulo e m o s t r a m
que até uma comemoração que d e v e r i a
ser saudável pode ficar muito pe r i g o s a .
Uma matéria que não apena s i n t e ressa aos jovens - mas a toda a p o p ulação - é a de Erika Camargo e P a u l a
Ruotolo. Elas mostram como a l o c a ç ã o
de bicicletas pode ser uma alte r n a t i v a
para diminuir o trânsito e a polu i ç ã o d e
São Paulo. Nada melhor do que d e i x a r o
carro na garagem e ir pedalando.
Por falar em vida saudável, C a r o l ini Dexheimer e Priscila Ferraz co n f e r e m
a nova onda das cafeterias, que d e r a m
ao famoso cafezinho expresso u m c o n corrente de peso - os cafés mais r e qu i n tados e cheios de luxo. As novid a d e s e
inovações das cafeterias paulista n a s e n cerram esta edição do Acontece .
Fica aqui o nosso convite. E p a r a
fazer uma boa leitura, que tal um c a f e zinho?
Diagramação:
Carolina Teixeira
Universidade Presbiteriana Mackenzie
Centro de Comunicação e Letras
Diretora: Esmeralda Rizzo
Coordenador: Osvaldo Hattori
Acontece
Editores:
André Gajardoni e João Cappellanes
Editora de imagem:
Júlia Farah
Repórteres:
André Gajardoni, Carolina Teixeira,
Fernanda Masson, Juliana Machado,
Pedro Guilherme Loos, Erika Camargo,
Paula Ruotolo, Leandro Marques, Luiza
Belloni, Carolini Dexheimer, Priscila
Ferraz, Marina Frascareli.
Foto de capa:
André Gajardoni
Jornal-laboratório dos alunos do segundo semestre do curso de Jornalismo
do Centro de Comunicação e Letras da
Universidade Presbiteriana Mackenzie,
orientados pelo professor e jornalista
Lucas Pires, MTB nº 31.990.
Acontece • Página 2
Os Editores
Impressão: Gráfica Mackenzie
Tiragem: 200 exemplares
Contatos
Para enviar críticas, sugestões, elogios
ou comentar as reportagens dessa
edição:
[email protected]
O jornal Acontece segue as normas do
novo Acordo da Língua Portuguesa
O azar é só deles?
Cada vez mais frequentes, roda de pôquer entre amigos torna-se um entretenimento
para os jovens testarem a sorte e as leis da probabilidade
Fotos: André Gajardoni
ANDRÉ GAJARDONI e
CAROLINA TEIXEIRA
O
s jogos de azar têm sido
atração nas reuniões entre
amigos e opção de entretenimento na Internet, sendo o
pôquer uma das tendências mais
fortes. Talvez por essa razão Lady
Gaga tenha feito tanto sucesso
com sua música Poker Face.
Comparações à parte, o pôquer lida com o cérebro de forma
diferenciada. É preciso estar atento às etapas, compreender o jogo,
para que a partida não seja guiada
somente pela sorte. Para o professor de matemática Luis Barco,
dependendo do jogador, a falta de
conhecimento da probabilidade
pode ser um grande adversário.
“Um bom jogador de pôquer deve ter sorte, claro, mas,
além disso, ele deve ter uma estimativa de probabilidade muito
mais sensível que os outros”, avalia. “Um jogador que estima mal a
probabilidade pode apostar com
muito mais fé num jogo muito
pior”, completa.
Rodrigo Furlan, 22, nunca havia jogado pôquer. Não tinha interesse até o dia em que as
transmissões dos campeonatos
pela ESPN lhe atraíram. “Fiquei
bem impressionado com o jogo.
Percebi que a sorte é apenas um
dos fatores para determinar quem
vai vencer. Até cheguei a jogar de
brincadeira no videogame”.
Já os amigos Vitor Trida,
24, Alexandre Pereira, 26, e Rafael Andrade, 27, jogam há mais
tempo. “Jogamos há pelo menos
9 anos, desde o colégio”, conta
Rafael. Mas não apostam dinheiro, jogam apenas pelo prazer.
“Apostar com dinheiro é complicado, já joguei com dinheiro e
não deu certo. O pessoal começou
a ficar nervoso e queriam apostar
mais ainda”, comenta Vitor. Rafael completa: “Para evitar esse
stress, a gente prefere apostar feijão, milho, ou até bolachas”.
De tanto assistir nas mesas
Vitor Trida e Alexandre Pereira: jogatina desde os tempos do colégio
do canal de assinatura, Rodrigo de Subjetiva”, criada para calcucomeçou a baixar softwares dos lar as probabilidades levando em
sites mais famosos de pôquer, consideração o fator humano. No
como PokerStars e FullTilPoker, pôquer, além de existir um cálcupara jogar. As apostas eram reali- lo probabilístico com as cartas, há
zadas com dinheiro virtual. Após também o fator humano do blefe.
ganhar alguns campeonatos, es- “Um cara com cartas boas na mão,
tudou mais o jogo e em menos de mas fragilizado porque foi traído
um mês resolveu arriscar. “Fiz um pela mulher, ou porque perdeu o
depósito relativamente pequeno emprego, pode correr de um blefe
(90 reais) e comecei a jogar com terrível”, explica o professor Bardinheiro real. Logo no primeiro co. “Entre um cara que joga há
torneio, com valor de entrada de muito tempo, mais experiente, e
1 dólar e 71 jogadores, ganhei e le- uma pessoa que de repente pensa
vei um prêmio 110 vezes maior do ‘eu conheço bem cálculo de proque a minha entrada”, empolga- babilidade, eu ganho desses case com sua conquista.
ras’, às vezes o mais experiente se
Porém, mesmo ganhando dá melhor no jogo do que a pessoa
uma bolada, Furlan sabe que o que só entende de probabilidade e
jogo pode ser perigoso para quem não tem a malandragem do expenão tem limites. “O fato do pôquer riente”, completa.
envolver dinheiro faz com que ele
Rodrigo não se considera
se torne potencialmente perigoso um viciado, já que não deixa de
para pessoas que não tem con- lado suas tarefas diárias para partrole das finanças e acham que, ticipar de uma competição. Até
da noite para o dia, podem fazer porque diz ser necessário estar
uma fortuna por meio de um jogo preparado para lidar com compede cartas. Não funciona assim”, tições que podem durar de 7 a 8
adverte.
horas seguidas. Entretanto, não
Para os amigos de colégio, estar jogando não significa que
o pôquer virtual não chama a esteja desligado do jogo. “Sempre
atenção. “Nunca joguei, não vejo que tenho tempo livre procuro
graça”, revela Alexandre. “Prefi- estudar o jogo. Já comprei 8 liro jogar pessoalmente, ficar cara vros, todos com abordagens difea cara com as pessoas, observar rentes, e que ajudaram a evoluir
a euforia de quem tem uma boa o meu jogo”.
mão. No virtual não dá pra blePor fim, o professor Barco
far”, conta Vitor.
aconselha: “Pra quem quer se dar
Na matemática existe uma bem em um jogo de azar, o meteoria chamada de “Probabilida- lhor a fazer é não jogar”.
Acontece • Página 3
O que os jovens leem
Best-Sellers ganham popularidade entre os mais novos
FERNANDA MASSON e
MARINA FRASCARELI
O
blioteca se prontificou a abraçar a
causa da inclusão social e dispõe
de diversos livros em Braile e histórias em CDs de áudio.
Sílvia Castro, atendente da
biblioteca,
diz que jovens na faixa
etária de 17 a
21 anos têm
preferência
por
livros
“da moda”
como os de
Marian Keys,
uma escritora americana
que entusiasmou jovens
com diversos
livros, entre
eles Melancia e Tem
Alguém Aí?.
Outros grandes sucessos da nova geração são os sete livros de
Harry Potter, e a nova sensação entre todos, os livros
de vampiros como a saga
Crepúsculo e Diários de um
Vampiro.
A futura publicitária acha
que estes best-sellers incentivam os adolescentes a se interessarem por livros. “Ao meu
ver, a pressão da escola para os
livros de vestibular tornavam a
leitura algo chato, mas com este
tipo de livro passamos a ter outra
visão”, comenta.
Já a estudante de jornalismo da Universidade Presbiteriana
Mackenzie, Juliana Machado é o
exemplo do oposto do que foi dito
por Sílvia. “Acho muito errado as
pessoas falarem que quem lê Harry Potter e outros livros ‘da moda’
são pessoas fúteis. Mas prefiro livros mais clássicos, como literatura e filosofia,” comenta Juliana.
Ultimamente ela lê livros de relatos jornalísticos sobre o Oriente
Médio, e também citou o interesse
por Nietzsche e Schopenhauer.
Arquivo Pessoal
bras literárias, novas ficções, grandes
romances,
especializados, obras épicas, suspenses.
São vários os tipos de livros que
encontramos em nosso cotidiano,
mas afinal, o que os jovens leem?
A vendedora da livraria e
papelaria Saraiva, Ana Paula de
Santos, afirma que, apesar da loja
ser perto da universidade e vender
muitos livros para os estudos, os
best-sellers são os mais procurados. “Saiu na mídia eles vêm procurar”, resume.
Já é algo comum as fascinantes histórias dos livros pararem nas salas de cinema e
dispararem nas vendas da bilheteria. Livros como Crepúsculo, Lua Nova, a saga Harry Potter, O Código da Vinci,
Anjos e Demônios, O Senhor
dos Anéis, O Caçador de Pipas, entre outros, tornaram-se
grandes produções no cinema
e contribuíram para o interesse dos jovens na leitura, fazendo com que a procura desses
livros que estão “na moda” disparasse nas vendas.
Com jeito de menina,
mas com cabeça de uma jovem
bem informada, Mariana Moreira Piconi, estudante de publicidade e propaganda da Universidade Metodista, é uma grande
fã da saga de Harry Potter da escritora J.K. Rowling. A estudante
atribui o atual gosto pela leitura à
coleção dos 7 livros. “Desde o primeiro livro eu gostei muito. E me
deixou aquela sensação de quero
mais”, conta.
Mariana conheceu a saga
através do cinema, mas só a partir do quinto filme resolveu comprar o primeiro livro. Depois que
começou a ler, devorou as edições
em seis meses e acabou encadernando os livros para se sentir mais
confortável durante a leitura.
Atualmente, Mariana pos-
sui o hábito de ler ao menos 9 livros por ano. Entre seus preferidos estão os livros de espiritismo
de Zibia Gasparetto. “Estou bem
interessada no próximo livro do
Conde J.W. Rochester,
também espírita e ligado
à magia”, completa.
Ao contrário do que
muitos pensam, as crianças e jovens de hoje leem
mais do que os adultos.
Ao menos é o que mostra
a pesquisa “Retratos da
leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro. Cerca de
39% dos 95,6 milhões de
leitores brasileiros têm
Mariana Piconi: fã de Harry Potter
entre cinco e 17 anos.
“Quem não lê, mal fala, mal
vê.” É o que diz a frase exposta na
parede da Biblioteca de São Paulo, localizada ao lado da estação
Carandiru, em Santana. A biblioteca mostrou-se um lugar organizado e confortável, e é dividida em
dois andares: infanto-juvenil, no
térreo; adultos, no andar de cima.
Possui internet gratuita, espaços
para descansar e para leitura, que
varia de revistas em quadrinhos a
livros de Pedro Bandeira, para os
mais novos. Para os mais velhos,
os tão procurados “Best-Sellers”
e revistas e jornais diários de diversos países. Além de tudo, a bi-
Acontece • Página 4
Serviço militar pode prejudicar jovens
Obrigatório e burocrático, para muitos jovens o alistamento
militar pode atrapalhar os estudos
JULIANA MACHADO e
PEDRO GUILHERME LOOS
O
Acontece • Página 5
tem muita gente que quer prestar
o serviço e, ainda assim, fica de
fora. Então, como é preciso um
número determinado de militares, pelo menos uma ficha as pessoas deveriam preencher”, propõe
ele. Sobre os prejuízos que as convocações sucessivas podem causar, Adriano afirma que “acabam
sendo um processo de seleção, assim como um concurso” e que, por
isso, “não é nada demais”.
Para Ribeiro, servir as Forças Armadas não atrapalha a vida
estudantil do indivíduo. “O recruta vai para o quartel e volta todo
dia, ou seja, ele consegue estudar.
Funciona como um emprego normal”, compara.
Arquivo Pessoal
alistamento no serviço militar deve ser
feito por rapazes no
ano em que completam 18 anos,
sob pena de perder direitos políticos. O assunto não costuma ser
recorrente, mas, de acordo com
depoimento de alguns jovens, a
discussão é válida – estudos, tempo, trabalho e o psicológico podem ser prejudicados.
O estudante Lukas Lemes
Silva completou 18 anos em janeiro de 2010, quando ingressou no
curso de Publicidade e Propaganda do Mackenzie, e está na expectativa de ser dispensado. “Fiquei
sabendo que eu tinha até julho pra
comparecer à Junta Militar. Fui
na minha cidade mesmo (Campo
Grande, Mato Grosso do Sul), preenchi o formulário e disse que eu
não queria servir. Pediram para eu
voltar no dia 27 de julho, às 6h da
manhã, no quartel onde me alistei.
Vou lá e, se me chamarem novamente, terei que voltar só pra isso”.
Lukas defende algo mais
prático e menos inflexível. “Tudo
online ou o mais simples possível”, sugere, colocando ainda que
o serviço não deveria ser obrigatório. “Fazer as coisas por obrigação
não dá, entende? Até porque tem
muita gente que quer. É muita dor
de cabeça e você fica naquele estado de tensão, pensando se vai ser
chamado, se não vai ser”.
João Paulo Cappellanes, estudante de Jornalismo do Mackenzie, completou 18 anos em 2007,
ano em que se alistou, e também
não tinha interesse em servir. Ao
tentar a dispensa, foi informado
que só poderia obtê-la por meio
da alegação de problemas de saúde. “O único recurso que eu tinha,
já que não apresentava nenhum
problema, era alegar que era jogador de futebol. Então, eu levei
o contrato com o clube em que eu
jogava. Se não fosse isso, provavel-
mente, eu teria que servir”.
Já para Leandro Marques
de Freitas, também estudante de
Jornalismo do Mackenzie, que
completou 18 anos em julho de
2009, “ruim mesmo é ter que ficar voltando ao quartel, para saber qual é a resposta deles”. No
fim, foi dispensado por excesso de
contingente. “Não digo que acontece com todo mundo, mas, quando eles têm interesse, acaba atrapalhando um pouco, porque você
fica por conta mesmo”, completa.
Como todas as convocações
são pela manhã, João Paulo precisou faltar em algumas aulas, na
época no colégio, o que lhe trouxe algum incômodo, como ter que
fazer provas substitutivas. “Além
disso, você não sabe se vai ser
chamado, mesmo não querendo,
e não sabe como vai ser sua vida
no ano seguinte. Essa pressão
psicológica também atrapalha”.
E completa: “Tenho amigos que
queriam ser chamados e não foram e amigos que, como eu, não
queriam, mas foram convocados.
Tinha que ser mais organizado,
avaliar melhor quem quer, quem
não quer e as condições da pessoa,
não só a deles”.
Já na visão de Leandro Marques, seria interessante uma comprovação de que o indivíduo tenha
feito o alistamento, mas de forma
que ficasse restrito a isso. “Se a
pessoa não quiser, não precisaria
ser obrigada [a servir]. Os próprios militares que te atendem falam que não é culpa deles. É uma
lei no Brasil e, por eles, só seria
chamado mesmo quem se interessa”, afirma.
Assim
como
Leandro,
Adriano Bastos Ribeiro, 28, atual
estudante de arquitetura da Uniban e ex-militar da Força Aérea
Brasileira (FAB) de 2000 a 2003,
aponta que desobrigar o serviço
militar é interessante. “Tem gente
que leva a vida militar como uma
saída para a falta de emprego e
Ribeiro: experiência foi interessante
A alternativa é pedalar
Bicicletários em estações do metrô incentivam o uso de bicicletas
ÉRIKA CAMARGO e
PAULA RUOTOLO
A
exemplo do que ocorre em
Paris que foi uma das primeiras a praticar esse tipo
de projeto, o Metrô de São Paulo,
em parceria com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, criou projetos principalmente para desestimular o uso de
carros e desafogar o metrô.
A rede Estapar, juntamente
com a Porto Seguro e Use Bike,
aderiu a esse trabalho para incentivar o uso de bicicletas em
São Paulo. A rede disponibiliza
bicicletas em diferentes pontos da
cidade e no metrô em determinadas estações. O serviço é gratuito
para aqueles que são clientes da
Porto Seguro e qualquer ciclista
pode usar o bicicletário para estacionar sua bicicleta. Segundo
a funcionária da Estapar, Suene
Soares dos Santos, e seu supervisor, Leandro Lineis dos Santos,
o movimento é intermediário, o
bicicletário, durante a semana, é
bastante procurado por estudantes, já aos finais de semana é mais
procurado por famílias, atingindo
mais o público masculino.
Os usuários costumam utilizar esse tipo de transporte para
se locomoverem do trabalho para
a faculdade, ou locais próximos
devido ao trânsito. ‘’É a segunda vez que alugo a bicicleta para
ir à faculdade. Trabalho aqui na
av.Paulista e deixo o carro em
casa. Acho importante para o
meio ambiente, menos carro nas
ruas, sem falar na diminuição da
poluição’’ afirma Bruno Ferreira.
Porém, há muito que fazer para
São Paulo se adaptar ao uso das
bicicletas.
Segundo Murilo de Melo Soares, ciclista há 13 anos, os motoristas de carro, principalmente os
de táxi, não respeitam os ciclistas.
“As pessoas não respeitam o trânsito, não há ciclovias, é um absurdo”, fala indignado.
No metrô, os ciclistas já podem transportar, de segunda à sexta, pelos trens e pela CPTM, das 15
às 20h e aos sábados, domingos e
feriados, das 7 às 20h, suas bicicletas, com embarque sempre no último vagão dos trens. A prioridade
do embarque deve ser sempre dos
fotos: Érika Camargo
Bicicletários no metrô trazem incentivo para usar menos o carro
Acontece • Página 6
demais usuários sem bicicletas.
Para utilizar o serviço, o
interessado deverá preencher
cadastro, assinar um termo de
responsabilidade e apresentar o
cartão de crédito. A campanha
"Ciclista Cidadão" proporciona uma nova alternativa de bem
estar às pessoas, gerando benefícios ao meio ambiente, já que
o transporte sobre trilhos e as
bicicletas não são poluentes. O
risco de acidentes é grande também. Já aconteceram acidentes
com os trabalhadores do projeto
“Use Bike”. Apesar dos riscos, os
usuários preferem ir de bicicleta
porque é mais rápido, saudável e
ecológico. Também, com o uso de
bicicletas, pode-se considerar um
veículo a menos no trânsito, ou
seja, menos poluição.
Em São Paulo há projetos
para 2010 de novas ciclovias na
Marginal Pinheiros. A primeira
etapa já foi inaugurada em fevereiro, uma ciclovia que vai das estações Vila Olímpia e Autódromo,
da CPTM e na Radial Leste, que
vai do metrô Tatuapé até Corinthians-Itaquera. No total, serão
novos 20 km de ciclovia.
As bicicletas são consideradas um transporte viável e saudável, cada vez mais utilizado na
cidade. A entrada de bicicletas é
permitida em outros metrôs do
mundo, como o de Nova York,
Berlim, Madri e Barcelona.
Bola na rede e samba no pé
Rivalidade entre torcidas nos estádios chega ao Sambódromo
Alexandre Gajardoni
LEANDRO MARQUES e
LUIZA BELLONI
G
aviões da Fiel, Dragões da
Real, Pavilhão 9, Mancha
Verde, Torcida Uniformizada do Palmeiras, Torcida Jovem.
Todas são muito mais do que apenas torcidas organizadas, elas são
responsáveis pela junção das duas
maiores paixões brasileiras: futebol e carnaval. Mas, além de trazer
muita diversão para o carnaval e
força para seu time, trazem a rivalidade, antes exclusiva dos campos
de futebol, para as arquibancadas
carnavalescas.
Em 1976, a Gaviões da Fiel
foi a primeira torcida organizada
de São Paulo a desfilar em forma
de bloco especial pelas ruas. Desde então, torcidas organizadas
que formaram escolas de samba
caíram no gosto dos paulistanos.
A Gaviões da Fiel ganhou quatro
vezes o carnaval de São Paulo pelo
grupo especial. A Mancha Verde
ganhou uma vez no grupo de acesso e subiu para o grupo especial
em 2005. As demais não passaram
do grupo de acesso, deixando boatos de que apenas duas escolas
poderiam ficar no grupo especial.
Diretor responsável pelo
marketing da Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP), Diogo Leite diz que o boato começou depois
que a Mancha conseguiu o acesso
ao grupo especial, mas que isso
não existe. “Juridicamente não há
qualquer proibição”, afirma.
Em 2004, a Liga Independente das Escolas de Samba de
São Paulo (LigaSP) criou um regulamento que previa a criação
do “Grupo Especial das Escolas
de Samba Desportivas”. A LigaSP
decretava que as escolas de samba desportivas deveriam disputar
uma competição separada em um
desfile à parte. Mas, causando polêmica e brigas judiciais entre as
torcidas, em 2008 o grupo das desportivas foi extinto. Essa foi uma
tentativa para que a rivalidade do
futebol não chegasse ao carnaval.
Em 2003, integrantes das
torcidas Independente e Pavilhão
Ensaio da Escola de Samba Gaviões da Fiel: união das 2 paixões nacionais
9 trocaram tiroteios e pancadas no Gaviões, como muitas outras torSambódromo, que virou pancada- cidas, chega até a incentivar esse
ria generalizada depois na rua do tipo de “disputa”. “Os gaviões têm
Anhembi, quando integrantes da um lema: os gaviões não agem e
Independente encontraram com sim, reagem, ou seja, não comeoutros da Mancha Verde. Essa çam as brigas e só tomam parte
confusão acabou em três mortes nelas se provocados, mas isto inde sócios do Pavilhão 9, um da felizmente nem sempre é cumpriMancha Verde e um da Indepen- do”, atesta Malaguti.
dente. A Independente foi banida
Segundo o diretor da TUP,
do carnaval, já a Mancha Verde e são realizadas reuniões entre as
a Pavilhão 9 não sofreram conse- diretorias das entidades sobre esse
quências. Mas até hoje as brigas e tema. “Conversas muitas vezes são
discussões ainda ocorrem.
mais eficientes na prevenção da
Foi o caso da Gaviões da Fiel violência do que as próprias reuninesse ano. A torcida, desconten- ões organizadas pelo 2° Batalhão
te com a colocação da sua escola, de Choque da PM”, aponta.
saiu às ruas cometendo atos de
“Já passei por algumas situvandalismo. “Imagino que tenha ações onde tive que me esconder
sido uma reação exagerada devido (por estar com o uniforme da Manao centenário do Corinthians, em cha) ou mesmo sair de onde estava
que todos nós, torcedores, que- para que os xingamentos não cheremos conquistar todos os títulos gassem ao ponto de me agredirem
possíveis, e o fato de termos per- fisicamente”, relata João Tavares,
dido o carnaval de forma injusta 16 anos e sócio há cinco anos da
como pareceu ser, foi um grande Mancha Verde.
choque”, conta Cristoffer GentiO carnaval de 2010 passou
li, que desfilou na Gaviões da Fiel e deixou muitas lembranças boas,
esse ano.
mas continuam os cuidados para
A fim de amenizar essa situ- que a competição entre torcidas
ação, a LigaSP proíbe as escolas de seja saudável, até mesmo por conmostrarem o escudo do time du- ta dos projetos de conscientização
rante os desfiles.
dos torcedores, como Malaguti,
Para Gabriel Malaguti, es- sócio da Gaviões, e Tavares, que
tudantes do Colégio Bandeiran- mesmo presenciando muitas vezes
tes e sócio da Gaviões da Fiel, um brigas entre torcidas, nunca partiexemplo de rivalidade é o fato de ciparam. Mesmo que haja aspectos
ser proibido entrar nas sedes das ruins, não se pode negar que essa
organizadas usando roupas na cor junção deixa o sambódromo mais
do time adversário. Ainda assim vibrante. Feita com consciência,
tornou-se motivo para discussões essa é a mistura da cultura braentre as torcidas, apesar de haver sileira que faz o carnaval ganhar
menos violência que no futebol. A muito mais brilho e emoção.
Acontece • Página 7
Café além do expresso
Cafeterias ampliam conceito de café e se tornam espaços de degustação e lazer,
com variedade de produtos para atrair todos os tipos de clientes
CAROLINI DEXHEIMER e
PRISCILA FERRAZ
C
afé expresso que nada! O
tradicional cafezinho deixou
de ser a atração principal e
agora tem opções de mais forte,
mais fraco, com leite, com mais
água, espuma ou outras inúmeras
possibilidades.
As cafeterias que conhecemos passaram por grandes
mudanças através dos anos. Visando atingir um público maior,
modificaram-se e adaptaram-se
aos clientes. Hoje, associam-se a
outros tipos de negócios, como livrarias, em que um produto acaba complementando as vendas do
outro. As cafeterias são consideradas pelos clientes como ótimos lugares para escrever, ter reuniões,
relaxar, passar o tempo com amigos e apreciar um bom café com
acompanhamentos. Os lugares geralmente são relaxantes, com música ambiente, sofás confortáveis e
serviço eficiente.
“Não existe mais um público
alvo”, fala Raul Machado, gerente
da franquia Ofner no Shopping Eldorado. Ele trabalha há sete anos
no mesmo lugar e pôde conferir de
Fotos: Carolini Dexheimer
Expresso: café com requinte
perto as mudanças. Diz que hoje
em dia a loja é frequentada desde adolescentes até idosos, com
um enfoque de produtos especiais
para cada idade. “Os adolescentes
se interessam mais por cafés com
algo doce, como
chocolate e doce
de leite”, informa.
Rodrigo de
Freitas é barista
da franquia Starbucks, no Shopping Morumbi e
conta que, ao entrar no emprego,
teve um treinamento especial,
desde modos de
preparação dos
cafés até atendimento dos clientes. “A maioria dos
clientes pede cafés diferenciados
ou montam do jeito que querem.
As bebidas geralmente têm tamanhos grandes e são especialmente
assim para clientes sem pressa,
que curtem o café, já que hoje em
dia ele está tão diferenciado”, explica Rodrigo.
Camila Donato trabalha
no ramo de cafés há três anos e é
dona do Café do Edgar, na Granja Viana. As mudanças visando
aumentar a clientela foram do
ambiente até o cardápio. “Procuramos fazer com que o cliente se
sinta em casa”, resume. A maior
oferta de produtos gerou mais lucro, aumentando o faturamento,
e assim levou à conquista de uma
clientela fiel. “Para obter o lucro
só com a venda de café, é necessário um giro muito grande de pessoas. Já com outros produtos no
cardápio, você consegue aumentar
o faturamento, a clientela e, como
resultado, o lucro do negócio”, diz
Camila. Os números variam: em
um dia normal a média de venda
é de 600 a 700 cafés, no inverno
esse número aumenta.
Para Letícia Rodrigues, frequentadora assídua, as cafeterias
se tornaram ambientes que atraem os clientes por sua sofistica-
Acontece • Página 8
ção, bom atendimento e produtos.
“Hoje em dia temos café disso,
café daquilo, para poder atender
todo tipo de gente. É bom porque
cada dia posso experimentar um
diferente”.
Outra amante
de cafeterias, Thais
Sodré, comenta que
hoje o cafezinho deixou de ser apenas
“fechamento de refeições” e que os diferentes tipos são apreciados pelos clientes.
“Eu vou nas cafeterias
para apreciar o bom
café. Ele não é mais
visto como qualquer
tipo de bebida, é quase uma iguaria. Particularmente, gosto de brincar com
o paladar, experimentar diversos
sabores e combinações inusitadas”, relata.
Porém, do que os clientes
reclamam são os preços. “Os produtos que eles vendem são de ótima qualidade. Só exageram um
pouco nos preços”, aponta Letícia.
Camila explica que, além do custo da matéria-prima envolvida no
preparo, também conta os preços
do mercado de cafés da região.
Em universidades os cafés
são muito procurados por universitários e professores. Na Universidade Presbiteriana Mackenzie,
Rafael Ishizawa, funcionário da
lanchonete que atende o prédio do
Centro de Comunicação e Letras,
conta que a média é o preparo de
50 cafés por dia. Os pedidos dos
alunos estão no mesmo patamar
dos professores, provando mais
uma vez que o café hoje é apreciado por pessoas de diversas idades.
André Simões, apreciador de
café, adora cafeterias, pois encontra nelas o que não consegue em
casa. Diferente daqueles disponíveis no mercado, ele explica que o
café feito em casa nunca fica com o
gosto igual ao da cafeteria. “É sempre melhor ir ao local para apreciar
um mais gostoso”, confessa.
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Que truco que nada! A moda agora é pôquer