Universidade Presbiteriana Mackenzie - Centro de Comunicação e Letras Publicação feita pelos alunos do 2º semestre de Jornalismo Edição 84 Ano VI Que truco que nada! A moda agora é pôquer 6 5 4 Best-Sellers atraem jovens A vez é da bicicleta O empecilho do alistamento militar 7 Rivalidade no futebol e samba 8 A nova onda do café Editorial E s s a e d i ç ão do Acontece , feita pe l o s a l u n o s d o 2º semestre de Jornalismo d a p r i m e i r a m etade do ano de 2010, co l o c a e m p a u t a assuntos que interessam a o s j o v e n s - ao menos o que acreditam o s q u e p o s s a nos interessar. Afinal de c o n t a s , e s c r e v emos para um público de c o l e g a s e s t u d antes e jornalistas. A s s i m , a matéria de capa relata um f e n ô m e n o c o r rente entre os jovens, a c r e s c e n t e f o r ma de entretenimento que é o p ô qu e r . Considerado um jogo de a z a r , p o d e v i c iar e muitas vezes arruinar a v i d a d a s p e ssoas, como já cansamos d e v e r e m f i l mes e no noticiário de ce l e b r i d a d e s a m ericanas. Como e por que j o g a m p ô q u e r é o assunto abordado por A n d r é G a j a r d oni e Carolina Teixei ra. P o r f a l a r em jovens, Fernanda Mas s o n e M a r i n a Frascareli tratam do gos t o ( o u n ã o ) e dos hábitos de leitura dos j o v e n s , f o c a n do em como best-sellers ao e s t i l o H a r r y Potter e derivados podem i n c e n t i v a r e a brir a cabeça do pessoal p a r a o m e r g u l ho em livros de maior con t e ú do e q u a l i d ade literária. O s j o ve n s continuam como desta q u e n a r e p o r t agem de Juliana Macha d o e P e d r o Loos, que mostram como o a l i s ta m e n t o militar tem seus aspectos p o s i t i v o s e n e gativos. Tema corrente de d i s c u s s ã o e p olêmica, o que muda para o s m e n i n o s q ue devem servir as Forças A r m a d a s p o r um ano? Luiza Belloni e Leandro M a r qu e s tratam de mostrar como o brasil i e r o f o i capaz de unir as duas maiores p a i x õ e s nacionais - futebol e carnaval. E l e s f o cam na rivalidade das escolas d e s a m ba que trazem em seu nome e or i g e m a s torcidas uniformizadas dos pri n c i p a i s time de futebol de São Paulo e m o s t r a m que até uma comemoração que d e v e r i a ser saudável pode ficar muito pe r i g o s a . Uma matéria que não apena s i n t e ressa aos jovens - mas a toda a p o p ulação - é a de Erika Camargo e P a u l a Ruotolo. Elas mostram como a l o c a ç ã o de bicicletas pode ser uma alte r n a t i v a para diminuir o trânsito e a polu i ç ã o d e São Paulo. Nada melhor do que d e i x a r o carro na garagem e ir pedalando. Por falar em vida saudável, C a r o l ini Dexheimer e Priscila Ferraz co n f e r e m a nova onda das cafeterias, que d e r a m ao famoso cafezinho expresso u m c o n corrente de peso - os cafés mais r e qu i n tados e cheios de luxo. As novid a d e s e inovações das cafeterias paulista n a s e n cerram esta edição do Acontece . Fica aqui o nosso convite. E p a r a fazer uma boa leitura, que tal um c a f e zinho? Diagramação: Carolina Teixeira Universidade Presbiteriana Mackenzie Centro de Comunicação e Letras Diretora: Esmeralda Rizzo Coordenador: Osvaldo Hattori Acontece Editores: André Gajardoni e João Cappellanes Editora de imagem: Júlia Farah Repórteres: André Gajardoni, Carolina Teixeira, Fernanda Masson, Juliana Machado, Pedro Guilherme Loos, Erika Camargo, Paula Ruotolo, Leandro Marques, Luiza Belloni, Carolini Dexheimer, Priscila Ferraz, Marina Frascareli. Foto de capa: André Gajardoni Jornal-laboratório dos alunos do segundo semestre do curso de Jornalismo do Centro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, orientados pelo professor e jornalista Lucas Pires, MTB nº 31.990. Acontece • Página 2 Os Editores Impressão: Gráfica Mackenzie Tiragem: 200 exemplares Contatos Para enviar críticas, sugestões, elogios ou comentar as reportagens dessa edição: [email protected] O jornal Acontece segue as normas do novo Acordo da Língua Portuguesa O azar é só deles? Cada vez mais frequentes, roda de pôquer entre amigos torna-se um entretenimento para os jovens testarem a sorte e as leis da probabilidade Fotos: André Gajardoni ANDRÉ GAJARDONI e CAROLINA TEIXEIRA O s jogos de azar têm sido atração nas reuniões entre amigos e opção de entretenimento na Internet, sendo o pôquer uma das tendências mais fortes. Talvez por essa razão Lady Gaga tenha feito tanto sucesso com sua música Poker Face. Comparações à parte, o pôquer lida com o cérebro de forma diferenciada. É preciso estar atento às etapas, compreender o jogo, para que a partida não seja guiada somente pela sorte. Para o professor de matemática Luis Barco, dependendo do jogador, a falta de conhecimento da probabilidade pode ser um grande adversário. “Um bom jogador de pôquer deve ter sorte, claro, mas, além disso, ele deve ter uma estimativa de probabilidade muito mais sensível que os outros”, avalia. “Um jogador que estima mal a probabilidade pode apostar com muito mais fé num jogo muito pior”, completa. Rodrigo Furlan, 22, nunca havia jogado pôquer. Não tinha interesse até o dia em que as transmissões dos campeonatos pela ESPN lhe atraíram. “Fiquei bem impressionado com o jogo. Percebi que a sorte é apenas um dos fatores para determinar quem vai vencer. Até cheguei a jogar de brincadeira no videogame”. Já os amigos Vitor Trida, 24, Alexandre Pereira, 26, e Rafael Andrade, 27, jogam há mais tempo. “Jogamos há pelo menos 9 anos, desde o colégio”, conta Rafael. Mas não apostam dinheiro, jogam apenas pelo prazer. “Apostar com dinheiro é complicado, já joguei com dinheiro e não deu certo. O pessoal começou a ficar nervoso e queriam apostar mais ainda”, comenta Vitor. Rafael completa: “Para evitar esse stress, a gente prefere apostar feijão, milho, ou até bolachas”. De tanto assistir nas mesas Vitor Trida e Alexandre Pereira: jogatina desde os tempos do colégio do canal de assinatura, Rodrigo de Subjetiva”, criada para calcucomeçou a baixar softwares dos lar as probabilidades levando em sites mais famosos de pôquer, consideração o fator humano. No como PokerStars e FullTilPoker, pôquer, além de existir um cálcupara jogar. As apostas eram reali- lo probabilístico com as cartas, há zadas com dinheiro virtual. Após também o fator humano do blefe. ganhar alguns campeonatos, es- “Um cara com cartas boas na mão, tudou mais o jogo e em menos de mas fragilizado porque foi traído um mês resolveu arriscar. “Fiz um pela mulher, ou porque perdeu o depósito relativamente pequeno emprego, pode correr de um blefe (90 reais) e comecei a jogar com terrível”, explica o professor Bardinheiro real. Logo no primeiro co. “Entre um cara que joga há torneio, com valor de entrada de muito tempo, mais experiente, e 1 dólar e 71 jogadores, ganhei e le- uma pessoa que de repente pensa vei um prêmio 110 vezes maior do ‘eu conheço bem cálculo de proque a minha entrada”, empolga- babilidade, eu ganho desses case com sua conquista. ras’, às vezes o mais experiente se Porém, mesmo ganhando dá melhor no jogo do que a pessoa uma bolada, Furlan sabe que o que só entende de probabilidade e jogo pode ser perigoso para quem não tem a malandragem do expenão tem limites. “O fato do pôquer riente”, completa. envolver dinheiro faz com que ele Rodrigo não se considera se torne potencialmente perigoso um viciado, já que não deixa de para pessoas que não tem con- lado suas tarefas diárias para partrole das finanças e acham que, ticipar de uma competição. Até da noite para o dia, podem fazer porque diz ser necessário estar uma fortuna por meio de um jogo preparado para lidar com compede cartas. Não funciona assim”, tições que podem durar de 7 a 8 adverte. horas seguidas. Entretanto, não Para os amigos de colégio, estar jogando não significa que o pôquer virtual não chama a esteja desligado do jogo. “Sempre atenção. “Nunca joguei, não vejo que tenho tempo livre procuro graça”, revela Alexandre. “Prefi- estudar o jogo. Já comprei 8 liro jogar pessoalmente, ficar cara vros, todos com abordagens difea cara com as pessoas, observar rentes, e que ajudaram a evoluir a euforia de quem tem uma boa o meu jogo”. mão. No virtual não dá pra blePor fim, o professor Barco far”, conta Vitor. aconselha: “Pra quem quer se dar Na matemática existe uma bem em um jogo de azar, o meteoria chamada de “Probabilida- lhor a fazer é não jogar”. Acontece • Página 3 O que os jovens leem Best-Sellers ganham popularidade entre os mais novos FERNANDA MASSON e MARINA FRASCARELI O blioteca se prontificou a abraçar a causa da inclusão social e dispõe de diversos livros em Braile e histórias em CDs de áudio. Sílvia Castro, atendente da biblioteca, diz que jovens na faixa etária de 17 a 21 anos têm preferência por livros “da moda” como os de Marian Keys, uma escritora americana que entusiasmou jovens com diversos livros, entre eles Melancia e Tem Alguém Aí?. Outros grandes sucessos da nova geração são os sete livros de Harry Potter, e a nova sensação entre todos, os livros de vampiros como a saga Crepúsculo e Diários de um Vampiro. A futura publicitária acha que estes best-sellers incentivam os adolescentes a se interessarem por livros. “Ao meu ver, a pressão da escola para os livros de vestibular tornavam a leitura algo chato, mas com este tipo de livro passamos a ter outra visão”, comenta. Já a estudante de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Juliana Machado é o exemplo do oposto do que foi dito por Sílvia. “Acho muito errado as pessoas falarem que quem lê Harry Potter e outros livros ‘da moda’ são pessoas fúteis. Mas prefiro livros mais clássicos, como literatura e filosofia,” comenta Juliana. Ultimamente ela lê livros de relatos jornalísticos sobre o Oriente Médio, e também citou o interesse por Nietzsche e Schopenhauer. Arquivo Pessoal bras literárias, novas ficções, grandes romances, especializados, obras épicas, suspenses. São vários os tipos de livros que encontramos em nosso cotidiano, mas afinal, o que os jovens leem? A vendedora da livraria e papelaria Saraiva, Ana Paula de Santos, afirma que, apesar da loja ser perto da universidade e vender muitos livros para os estudos, os best-sellers são os mais procurados. “Saiu na mídia eles vêm procurar”, resume. Já é algo comum as fascinantes histórias dos livros pararem nas salas de cinema e dispararem nas vendas da bilheteria. Livros como Crepúsculo, Lua Nova, a saga Harry Potter, O Código da Vinci, Anjos e Demônios, O Senhor dos Anéis, O Caçador de Pipas, entre outros, tornaram-se grandes produções no cinema e contribuíram para o interesse dos jovens na leitura, fazendo com que a procura desses livros que estão “na moda” disparasse nas vendas. Com jeito de menina, mas com cabeça de uma jovem bem informada, Mariana Moreira Piconi, estudante de publicidade e propaganda da Universidade Metodista, é uma grande fã da saga de Harry Potter da escritora J.K. Rowling. A estudante atribui o atual gosto pela leitura à coleção dos 7 livros. “Desde o primeiro livro eu gostei muito. E me deixou aquela sensação de quero mais”, conta. Mariana conheceu a saga através do cinema, mas só a partir do quinto filme resolveu comprar o primeiro livro. Depois que começou a ler, devorou as edições em seis meses e acabou encadernando os livros para se sentir mais confortável durante a leitura. Atualmente, Mariana pos- sui o hábito de ler ao menos 9 livros por ano. Entre seus preferidos estão os livros de espiritismo de Zibia Gasparetto. “Estou bem interessada no próximo livro do Conde J.W. Rochester, também espírita e ligado à magia”, completa. Ao contrário do que muitos pensam, as crianças e jovens de hoje leem mais do que os adultos. Ao menos é o que mostra a pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro. Cerca de 39% dos 95,6 milhões de leitores brasileiros têm Mariana Piconi: fã de Harry Potter entre cinco e 17 anos. “Quem não lê, mal fala, mal vê.” É o que diz a frase exposta na parede da Biblioteca de São Paulo, localizada ao lado da estação Carandiru, em Santana. A biblioteca mostrou-se um lugar organizado e confortável, e é dividida em dois andares: infanto-juvenil, no térreo; adultos, no andar de cima. Possui internet gratuita, espaços para descansar e para leitura, que varia de revistas em quadrinhos a livros de Pedro Bandeira, para os mais novos. Para os mais velhos, os tão procurados “Best-Sellers” e revistas e jornais diários de diversos países. Além de tudo, a bi- Acontece • Página 4 Serviço militar pode prejudicar jovens Obrigatório e burocrático, para muitos jovens o alistamento militar pode atrapalhar os estudos JULIANA MACHADO e PEDRO GUILHERME LOOS O Acontece • Página 5 tem muita gente que quer prestar o serviço e, ainda assim, fica de fora. Então, como é preciso um número determinado de militares, pelo menos uma ficha as pessoas deveriam preencher”, propõe ele. Sobre os prejuízos que as convocações sucessivas podem causar, Adriano afirma que “acabam sendo um processo de seleção, assim como um concurso” e que, por isso, “não é nada demais”. Para Ribeiro, servir as Forças Armadas não atrapalha a vida estudantil do indivíduo. “O recruta vai para o quartel e volta todo dia, ou seja, ele consegue estudar. Funciona como um emprego normal”, compara. Arquivo Pessoal alistamento no serviço militar deve ser feito por rapazes no ano em que completam 18 anos, sob pena de perder direitos políticos. O assunto não costuma ser recorrente, mas, de acordo com depoimento de alguns jovens, a discussão é válida – estudos, tempo, trabalho e o psicológico podem ser prejudicados. O estudante Lukas Lemes Silva completou 18 anos em janeiro de 2010, quando ingressou no curso de Publicidade e Propaganda do Mackenzie, e está na expectativa de ser dispensado. “Fiquei sabendo que eu tinha até julho pra comparecer à Junta Militar. Fui na minha cidade mesmo (Campo Grande, Mato Grosso do Sul), preenchi o formulário e disse que eu não queria servir. Pediram para eu voltar no dia 27 de julho, às 6h da manhã, no quartel onde me alistei. Vou lá e, se me chamarem novamente, terei que voltar só pra isso”. Lukas defende algo mais prático e menos inflexível. “Tudo online ou o mais simples possível”, sugere, colocando ainda que o serviço não deveria ser obrigatório. “Fazer as coisas por obrigação não dá, entende? Até porque tem muita gente que quer. É muita dor de cabeça e você fica naquele estado de tensão, pensando se vai ser chamado, se não vai ser”. João Paulo Cappellanes, estudante de Jornalismo do Mackenzie, completou 18 anos em 2007, ano em que se alistou, e também não tinha interesse em servir. Ao tentar a dispensa, foi informado que só poderia obtê-la por meio da alegação de problemas de saúde. “O único recurso que eu tinha, já que não apresentava nenhum problema, era alegar que era jogador de futebol. Então, eu levei o contrato com o clube em que eu jogava. Se não fosse isso, provavel- mente, eu teria que servir”. Já para Leandro Marques de Freitas, também estudante de Jornalismo do Mackenzie, que completou 18 anos em julho de 2009, “ruim mesmo é ter que ficar voltando ao quartel, para saber qual é a resposta deles”. No fim, foi dispensado por excesso de contingente. “Não digo que acontece com todo mundo, mas, quando eles têm interesse, acaba atrapalhando um pouco, porque você fica por conta mesmo”, completa. Como todas as convocações são pela manhã, João Paulo precisou faltar em algumas aulas, na época no colégio, o que lhe trouxe algum incômodo, como ter que fazer provas substitutivas. “Além disso, você não sabe se vai ser chamado, mesmo não querendo, e não sabe como vai ser sua vida no ano seguinte. Essa pressão psicológica também atrapalha”. E completa: “Tenho amigos que queriam ser chamados e não foram e amigos que, como eu, não queriam, mas foram convocados. Tinha que ser mais organizado, avaliar melhor quem quer, quem não quer e as condições da pessoa, não só a deles”. Já na visão de Leandro Marques, seria interessante uma comprovação de que o indivíduo tenha feito o alistamento, mas de forma que ficasse restrito a isso. “Se a pessoa não quiser, não precisaria ser obrigada [a servir]. Os próprios militares que te atendem falam que não é culpa deles. É uma lei no Brasil e, por eles, só seria chamado mesmo quem se interessa”, afirma. Assim como Leandro, Adriano Bastos Ribeiro, 28, atual estudante de arquitetura da Uniban e ex-militar da Força Aérea Brasileira (FAB) de 2000 a 2003, aponta que desobrigar o serviço militar é interessante. “Tem gente que leva a vida militar como uma saída para a falta de emprego e Ribeiro: experiência foi interessante A alternativa é pedalar Bicicletários em estações do metrô incentivam o uso de bicicletas ÉRIKA CAMARGO e PAULA RUOTOLO A exemplo do que ocorre em Paris que foi uma das primeiras a praticar esse tipo de projeto, o Metrô de São Paulo, em parceria com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, criou projetos principalmente para desestimular o uso de carros e desafogar o metrô. A rede Estapar, juntamente com a Porto Seguro e Use Bike, aderiu a esse trabalho para incentivar o uso de bicicletas em São Paulo. A rede disponibiliza bicicletas em diferentes pontos da cidade e no metrô em determinadas estações. O serviço é gratuito para aqueles que são clientes da Porto Seguro e qualquer ciclista pode usar o bicicletário para estacionar sua bicicleta. Segundo a funcionária da Estapar, Suene Soares dos Santos, e seu supervisor, Leandro Lineis dos Santos, o movimento é intermediário, o bicicletário, durante a semana, é bastante procurado por estudantes, já aos finais de semana é mais procurado por famílias, atingindo mais o público masculino. Os usuários costumam utilizar esse tipo de transporte para se locomoverem do trabalho para a faculdade, ou locais próximos devido ao trânsito. ‘’É a segunda vez que alugo a bicicleta para ir à faculdade. Trabalho aqui na av.Paulista e deixo o carro em casa. Acho importante para o meio ambiente, menos carro nas ruas, sem falar na diminuição da poluição’’ afirma Bruno Ferreira. Porém, há muito que fazer para São Paulo se adaptar ao uso das bicicletas. Segundo Murilo de Melo Soares, ciclista há 13 anos, os motoristas de carro, principalmente os de táxi, não respeitam os ciclistas. “As pessoas não respeitam o trânsito, não há ciclovias, é um absurdo”, fala indignado. No metrô, os ciclistas já podem transportar, de segunda à sexta, pelos trens e pela CPTM, das 15 às 20h e aos sábados, domingos e feriados, das 7 às 20h, suas bicicletas, com embarque sempre no último vagão dos trens. A prioridade do embarque deve ser sempre dos fotos: Érika Camargo Bicicletários no metrô trazem incentivo para usar menos o carro Acontece • Página 6 demais usuários sem bicicletas. Para utilizar o serviço, o interessado deverá preencher cadastro, assinar um termo de responsabilidade e apresentar o cartão de crédito. A campanha "Ciclista Cidadão" proporciona uma nova alternativa de bem estar às pessoas, gerando benefícios ao meio ambiente, já que o transporte sobre trilhos e as bicicletas não são poluentes. O risco de acidentes é grande também. Já aconteceram acidentes com os trabalhadores do projeto “Use Bike”. Apesar dos riscos, os usuários preferem ir de bicicleta porque é mais rápido, saudável e ecológico. Também, com o uso de bicicletas, pode-se considerar um veículo a menos no trânsito, ou seja, menos poluição. Em São Paulo há projetos para 2010 de novas ciclovias na Marginal Pinheiros. A primeira etapa já foi inaugurada em fevereiro, uma ciclovia que vai das estações Vila Olímpia e Autódromo, da CPTM e na Radial Leste, que vai do metrô Tatuapé até Corinthians-Itaquera. No total, serão novos 20 km de ciclovia. As bicicletas são consideradas um transporte viável e saudável, cada vez mais utilizado na cidade. A entrada de bicicletas é permitida em outros metrôs do mundo, como o de Nova York, Berlim, Madri e Barcelona. Bola na rede e samba no pé Rivalidade entre torcidas nos estádios chega ao Sambódromo Alexandre Gajardoni LEANDRO MARQUES e LUIZA BELLONI G aviões da Fiel, Dragões da Real, Pavilhão 9, Mancha Verde, Torcida Uniformizada do Palmeiras, Torcida Jovem. Todas são muito mais do que apenas torcidas organizadas, elas são responsáveis pela junção das duas maiores paixões brasileiras: futebol e carnaval. Mas, além de trazer muita diversão para o carnaval e força para seu time, trazem a rivalidade, antes exclusiva dos campos de futebol, para as arquibancadas carnavalescas. Em 1976, a Gaviões da Fiel foi a primeira torcida organizada de São Paulo a desfilar em forma de bloco especial pelas ruas. Desde então, torcidas organizadas que formaram escolas de samba caíram no gosto dos paulistanos. A Gaviões da Fiel ganhou quatro vezes o carnaval de São Paulo pelo grupo especial. A Mancha Verde ganhou uma vez no grupo de acesso e subiu para o grupo especial em 2005. As demais não passaram do grupo de acesso, deixando boatos de que apenas duas escolas poderiam ficar no grupo especial. Diretor responsável pelo marketing da Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP), Diogo Leite diz que o boato começou depois que a Mancha conseguiu o acesso ao grupo especial, mas que isso não existe. “Juridicamente não há qualquer proibição”, afirma. Em 2004, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (LigaSP) criou um regulamento que previa a criação do “Grupo Especial das Escolas de Samba Desportivas”. A LigaSP decretava que as escolas de samba desportivas deveriam disputar uma competição separada em um desfile à parte. Mas, causando polêmica e brigas judiciais entre as torcidas, em 2008 o grupo das desportivas foi extinto. Essa foi uma tentativa para que a rivalidade do futebol não chegasse ao carnaval. Em 2003, integrantes das torcidas Independente e Pavilhão Ensaio da Escola de Samba Gaviões da Fiel: união das 2 paixões nacionais 9 trocaram tiroteios e pancadas no Gaviões, como muitas outras torSambódromo, que virou pancada- cidas, chega até a incentivar esse ria generalizada depois na rua do tipo de “disputa”. “Os gaviões têm Anhembi, quando integrantes da um lema: os gaviões não agem e Independente encontraram com sim, reagem, ou seja, não comeoutros da Mancha Verde. Essa çam as brigas e só tomam parte confusão acabou em três mortes nelas se provocados, mas isto inde sócios do Pavilhão 9, um da felizmente nem sempre é cumpriMancha Verde e um da Indepen- do”, atesta Malaguti. dente. A Independente foi banida Segundo o diretor da TUP, do carnaval, já a Mancha Verde e são realizadas reuniões entre as a Pavilhão 9 não sofreram conse- diretorias das entidades sobre esse quências. Mas até hoje as brigas e tema. “Conversas muitas vezes são discussões ainda ocorrem. mais eficientes na prevenção da Foi o caso da Gaviões da Fiel violência do que as próprias reuninesse ano. A torcida, desconten- ões organizadas pelo 2° Batalhão te com a colocação da sua escola, de Choque da PM”, aponta. saiu às ruas cometendo atos de “Já passei por algumas situvandalismo. “Imagino que tenha ações onde tive que me esconder sido uma reação exagerada devido (por estar com o uniforme da Manao centenário do Corinthians, em cha) ou mesmo sair de onde estava que todos nós, torcedores, que- para que os xingamentos não cheremos conquistar todos os títulos gassem ao ponto de me agredirem possíveis, e o fato de termos per- fisicamente”, relata João Tavares, dido o carnaval de forma injusta 16 anos e sócio há cinco anos da como pareceu ser, foi um grande Mancha Verde. choque”, conta Cristoffer GentiO carnaval de 2010 passou li, que desfilou na Gaviões da Fiel e deixou muitas lembranças boas, esse ano. mas continuam os cuidados para A fim de amenizar essa situ- que a competição entre torcidas ação, a LigaSP proíbe as escolas de seja saudável, até mesmo por conmostrarem o escudo do time du- ta dos projetos de conscientização rante os desfiles. dos torcedores, como Malaguti, Para Gabriel Malaguti, es- sócio da Gaviões, e Tavares, que tudantes do Colégio Bandeiran- mesmo presenciando muitas vezes tes e sócio da Gaviões da Fiel, um brigas entre torcidas, nunca partiexemplo de rivalidade é o fato de ciparam. Mesmo que haja aspectos ser proibido entrar nas sedes das ruins, não se pode negar que essa organizadas usando roupas na cor junção deixa o sambódromo mais do time adversário. Ainda assim vibrante. Feita com consciência, tornou-se motivo para discussões essa é a mistura da cultura braentre as torcidas, apesar de haver sileira que faz o carnaval ganhar menos violência que no futebol. A muito mais brilho e emoção. Acontece • Página 7 Café além do expresso Cafeterias ampliam conceito de café e se tornam espaços de degustação e lazer, com variedade de produtos para atrair todos os tipos de clientes CAROLINI DEXHEIMER e PRISCILA FERRAZ C afé expresso que nada! O tradicional cafezinho deixou de ser a atração principal e agora tem opções de mais forte, mais fraco, com leite, com mais água, espuma ou outras inúmeras possibilidades. As cafeterias que conhecemos passaram por grandes mudanças através dos anos. Visando atingir um público maior, modificaram-se e adaptaram-se aos clientes. Hoje, associam-se a outros tipos de negócios, como livrarias, em que um produto acaba complementando as vendas do outro. As cafeterias são consideradas pelos clientes como ótimos lugares para escrever, ter reuniões, relaxar, passar o tempo com amigos e apreciar um bom café com acompanhamentos. Os lugares geralmente são relaxantes, com música ambiente, sofás confortáveis e serviço eficiente. “Não existe mais um público alvo”, fala Raul Machado, gerente da franquia Ofner no Shopping Eldorado. Ele trabalha há sete anos no mesmo lugar e pôde conferir de Fotos: Carolini Dexheimer Expresso: café com requinte perto as mudanças. Diz que hoje em dia a loja é frequentada desde adolescentes até idosos, com um enfoque de produtos especiais para cada idade. “Os adolescentes se interessam mais por cafés com algo doce, como chocolate e doce de leite”, informa. Rodrigo de Freitas é barista da franquia Starbucks, no Shopping Morumbi e conta que, ao entrar no emprego, teve um treinamento especial, desde modos de preparação dos cafés até atendimento dos clientes. “A maioria dos clientes pede cafés diferenciados ou montam do jeito que querem. As bebidas geralmente têm tamanhos grandes e são especialmente assim para clientes sem pressa, que curtem o café, já que hoje em dia ele está tão diferenciado”, explica Rodrigo. Camila Donato trabalha no ramo de cafés há três anos e é dona do Café do Edgar, na Granja Viana. As mudanças visando aumentar a clientela foram do ambiente até o cardápio. “Procuramos fazer com que o cliente se sinta em casa”, resume. A maior oferta de produtos gerou mais lucro, aumentando o faturamento, e assim levou à conquista de uma clientela fiel. “Para obter o lucro só com a venda de café, é necessário um giro muito grande de pessoas. Já com outros produtos no cardápio, você consegue aumentar o faturamento, a clientela e, como resultado, o lucro do negócio”, diz Camila. Os números variam: em um dia normal a média de venda é de 600 a 700 cafés, no inverno esse número aumenta. Para Letícia Rodrigues, frequentadora assídua, as cafeterias se tornaram ambientes que atraem os clientes por sua sofistica- Acontece • Página 8 ção, bom atendimento e produtos. “Hoje em dia temos café disso, café daquilo, para poder atender todo tipo de gente. É bom porque cada dia posso experimentar um diferente”. Outra amante de cafeterias, Thais Sodré, comenta que hoje o cafezinho deixou de ser apenas “fechamento de refeições” e que os diferentes tipos são apreciados pelos clientes. “Eu vou nas cafeterias para apreciar o bom café. Ele não é mais visto como qualquer tipo de bebida, é quase uma iguaria. Particularmente, gosto de brincar com o paladar, experimentar diversos sabores e combinações inusitadas”, relata. Porém, do que os clientes reclamam são os preços. “Os produtos que eles vendem são de ótima qualidade. Só exageram um pouco nos preços”, aponta Letícia. Camila explica que, além do custo da matéria-prima envolvida no preparo, também conta os preços do mercado de cafés da região. Em universidades os cafés são muito procurados por universitários e professores. Na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rafael Ishizawa, funcionário da lanchonete que atende o prédio do Centro de Comunicação e Letras, conta que a média é o preparo de 50 cafés por dia. Os pedidos dos alunos estão no mesmo patamar dos professores, provando mais uma vez que o café hoje é apreciado por pessoas de diversas idades. André Simões, apreciador de café, adora cafeterias, pois encontra nelas o que não consegue em casa. Diferente daqueles disponíveis no mercado, ele explica que o café feito em casa nunca fica com o gosto igual ao da cafeteria. “É sempre melhor ir ao local para apreciar um mais gostoso”, confessa.