0 AUTARQUIA EDUCACIONAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO – AEVSF FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS E SOCIAIS DE PETROLINA CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS JOÃO EUDES DE SOUZA CALADO CONTABILIDADE, ENGENHARIAS, DIREITO E MEDICINA: UM ESTUDO EMPÍRICO SOBRE AS PERCEPÇÕES DOS PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO NO VALE DO SÃO FRANCISCO ACERCA DAS PROFISSÕES. PETROLINA-PE 2012 1 JOÃO EUDES DE SOUZA CALADO CONTABILIDADE, ENGENHARIAS, DIREITO E MEDICINA: UM ESTUDO EMPÍRICO SOBRE AS PERCEPÇÕES DOS PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO NO VALE DO SÃO FRANCISCO ACERCA DAS PROFISSÕES. Monografia submetida à Coordenação do Curso de Ciências Contábeis, da Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina – FACAPE, como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientador: Prof. Esp. João Carlos Hipólito Bernardes do Nascimento PETROLINA 2012 2 JOÃO EUDES DE SOUZA CALADO CONTABILIDADE, ENGENHARIAS, DIREITO E MEDICINA: UM ESTUDO EMPÍRICO SOBRE AS PERCEPÇÕES DOS PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO NO VALE DO SÃO FRANCISCO ACERCA DAS PROFISSÕES. Monografia submetida à Coordenação do Curso de Ciências Contábeis, da Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina, como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis. Aprovada em 10/08/2012. BANCA EXAMINADORA _________________________________________________ Professor Esp. João Carlos Hipólito Bernardes do Nascimento (Orientador) Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina _________________________________________________ Professora Esp. Rita Regina Marques Costa Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina _________________________________________________ Professor Esp. Wellington Dantas de Sousa Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina 3 A minha mãe, por todo esforço dedicado à minha formação educacional, buscando as condições para o meu crescimento como cidadão e como profissional. 4 AGRADECIMENTOS Realizar esse trabalho foi árduo, físico e mental. Por isso, agradeço primeiramente a Deus por nos conceder o dom da vida e servir de referência sublime para essa conquista. Aos Professores, campo de estudo da minha pesquisa, aos Coordenados e Diretores das Escolas Públicas e Privadas pelas oportunidades e contribuições durante o processo de realização deste trabalho. Aos colegas do Grupo MAVEL pela oportunidade no ingresso à área contábil e pela minha formação quanto aos valores e conduta profissional, e aos colegas do Orçamento, Contabilidade e Finanças da UNIVASF pelo acolhimento e ensinamentos na área pública. À FACAPE e aos seus colaboradores, ao Coordenador do Curso de Ciências Contábeis Fernando José de Holanda Nunes, ao meu orientador João Carlos Hipólito Bernardes do Nascimento, aos meus colegas de turma, pelo companheirismo, pelas discussões e incentivos, onde buscamos sempre a ajuda mútua, colaborando para a conclusão do curso. Aos familiares, que me motivaram e contribuíram para o alcance dos objetivos, e que representam a base de todos os meus valores e princípios. Em especial, a querida Clarice, pelo suporte, solidariedade e estímulo durante a realização do meu trabalho, e a Maria Auxiliadora, minha mãe, por todo amor e dedicação dispensado para comigo. Enfim, a todos que direta ou indiretamente contribuíram para realização desse trabalho. 5 “As novas opiniões são sempre suspeitas e geralmente opostas, por nenhum outro motivo além do fato de ainda não serem comuns.” John locke “Tudo depende de como olhamos para as coisas, e não de como elas são em si mesmas.” Carl Gustav Jung 6 RESUMO A despeito da relevante valorização da Contabilidade enquanto profissão, intensificada na convergência às normas internacionais de Contabilidade (International Financial Reporting Standards - IFRS), os melhores talentos tendem a buscar carreiras em outras profissões, consideradas “mais nobres” como, por exemplo, Engenharias, Psicologia, Advocacia e Medicina, levando alguns estudiosos a estigmatizarem esse fenômeno como a grande crise da profissão contábil. Neste ponto, partindo dos insights de que os educadores do ensino médio apresentam forte influência (significativa) sobre a escolha de carreira dos alunos, o presente estudo teve por objetivo analisar as percepções dos professores sobre a profissão Contábil quando comparada a outras profissões, nomeadamente, Medicina, Engenharias e Advocacia. Inspirado no estudo de Hardin, O'bryan e Quirin (2000), foi realizado um estudo de campo com 82 professores de 12 instituições de ensino de Ensino Médio de escolas públicas e privadas do Vale do São Francisco, onde as profissões foram avaliadas, por meio de questionário, em 24 atributos. Como ferramenta de análise dos dados, foi realizada uma análise de variância (ANOVA) de um fator (One-Way ANOVA) e, posteriormente, testes Post Hoc a um nível de significância de 0,05, com o objetivo de identificar quais das profissões diferem e em quais atributos. Os resultados da pesquisa corroboram os achados dos estudos anteriores ao possibilitar a constatação de que, avaliando as opções de carreira para estudantes do ensino médio, os professores apontam Contabilidade com médias significativamente baixas quando comparada às profissões de Medicina, Engenharias e Advocacia. Palavras–Chave: Profissão Contábil; Valorização Profissional; Escolha de Carreiras. 7 LISTA DE TABELAS TABELA 1: RESULTADO DO TESTE ANOVA COM CADA ATRIBUTO (N = 82) ....... 35 TABELA 2: COMPARATIVO DAS MÉDIAS DOS ATRIBUTOS QUE DIFERENCIAM A CONTABILIDADE DAS DEMAIS PROFISSÕES, CONTEMPLADOS NAS DUAS PESQUISAS ........................................................................................................................ 37 TABELA 3: COMPARATIVO DOS ATRIBUTOS DA CONTABILIDADE DISTINTOS ÀS DEMAIS PROFISSÕES PRESENTES NA ATUAL PESQUISA E NÃO CONSIDERADOS NOS ESTUDOS DE HARDIN, O`BRYAN E QUIRIN (2000) ............................................ 38 TABELA 4: COMPARATIVO DOS ATRIBUTOS CONFERIDOS COMO DIFERENÇAS DA CONTABILIDADE EM RELAÇÃO ÀS DEMAIS PROFISSÕES NO ESTUDO DE HARDIN, O’BRYAN E QUIRIN (2000) E NÃO APRESENTADAS COMO TAL NA PRESENTE PESQUISA: ..................................................................................................... 38 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 9 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................... 12 2.1. PROCESSO DE ESCOLHA DA PROFISSÃO ............................................ 12 2.2. FATORES DETERMINANTES À ESCOLHA PROFISSIONAL .............. 14 2.3. ESTUDOS SOBRE PERCEPÇÃO DA PROFISSÃO CONTÁBIL E OS FATORES RELEVANTES À ESCOLHA DA CONTABILIDADE ENQUANTO PROFISSÃO ......................................................................................................... 18 2.4. AS PRINCIPAIS MUDANÇAS DA CONTABILIDADE NOS ÚLTIMOS ANOS..................................................................................................................... 23 3. METODOLOGIA DE PESQUISA ......................................................................... 28 3.1. CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA .............................................................. 28 3.2. AMOSTRA DA PESQUISA .......................................................................... 29 3.3 FERRAMENTAS DE COLETA E ANÁLISE DE DADOS .......................... 30 4. ANÁLISE DOS DADOS .......................................................................................... 32 4.1. INFORMAÇÕES DEMOGRÁFICAS E DESCRITIVAS DA AMOSTRA 32 4.2. RESULTADOS DA ANÁLISE DE VARIÂNCIA (ANOVA) E COMPARAÇÕES DOS RESULTADOS ALCANÇADOS COM O ESTUDO DE HARDIN, O’BRYAN E QUIRIN (2000) .............................................................. 35 4.3. CONTABILIDADE SIMILAR A DIREITO, MAS DIFERE DE ENGENHARIAS E MEDICINA. ......................................................................... 40 4.4. CONTABILIDADE SIMILAR À MEDICINA, MAS DIFERE DE ENGENHARIAS E DIREITO. ............................................................................ 41 4.5. CONTABILIDADE SIMILAR À ENGENHARIAS, MEDICINA E DIREITO. .............................................................................................................. 42 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 44 REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 46 ANEXO 1 – QUESTIONÁRIO DESCRITIVO .......................................................... 53 ANEXO 2 – QUESTIONÁRIO ACERCA DAS OPINIÕES DE EDUCADORES ... 54 ANEXO 3 – TABELA RELAÇÃO CANDIDATO/VAGA VESTIBULAR UFPE ... 55 9 INTRODUÇÃO Nos últimos anos a Contabilidade passou por um processo de acentuadas mudanças em sua prática. O papel do contabilista assumiu um enfoque mais voltado à comunicação e interpretação, tendo em vista que as rotinas de geração das informações foram consideravelmente facilitadas em decorrência dos avanços dos sistemas de informação (IFAC, 1999). Adicionado a isso, o advento do processo de convergência às normas internacionais de Contabilidade (International Financial Reporting Standards - IFRS) que majorou consideravelmente a complexidade da prática contábil, reforçou a necessidade latente de atração dos melhores estudantes à profissão (NELSON, BAILEY e NELSON, 1998). A despeito dessa necessidade, os melhores talentos seguidamente tendem a buscar carreiras em outras profissões, consideradas “mais nobres” como, por exemplo, Engenharias, Psicologia, Advocacia e Medicina (PAOLILLO e ESTES, 1982), levando alguns estudiosos a estigmatizarem esse fenômeno como a grande crise da profissão contábil (HARDIN, O'BRYAN, QUIRIN, 2000). A literatura sobre a percepção da profissão contábil em relação a outras profissões e acerca dos fatores que influenciam escolha da carreira é relativamente recente. Ramos e Lima (1996), por meio de observação empírica, constatou que o projeto familiar está no cerne da escolha profissional dos estudantes. Já Paolillo e Estes (1982), por meio de um estudo de campo, constataram que os professores têm influência mais preponderante do que a família nas decisões de escolha de carreira dos jovens. Bacon, Melcher e Greene (1990) efetuaram exames com 101 estudantes do ensino médio que desejavam seguir carreira em Contabilidade. Os autores constataram que, mesmo esses alunos já tendo escolhido Contabilidade como a carreira a ser seguida, eles tinham o sentimento de que a Contabilidade era uma profissão menos prestigiada quando comparada a Direito ou às Engenharias. Diante do cenário contemporâneo com o desenvolvimento dos mercados de capitais, crescimento econômico do país e considerando as mudanças das práticas contábeis com o advento dos IFRS, com significativa valorização da Contabilidade 10 enquanto profissão, qual a percepção dos professores de ensino médio acerca da Contabilidade quando comparada a outras profissões no Vale do São Francisco? Nesse ponto, partindo das percepções de que os educadores do Ensino Médio apresentam forte influência (significativa) sobre a escolha de carreira dos alunos (PAOLILLO e ESTES, 1982; DODSON e PRICE, 1991), o presente estudo teve por objetivo analisar as percepções dos professores sobre a profissão Contábil quando comparado a outras profissões, nomeadamente, Medicina, Engenharias e Advocacia. Como objetivos específicos foram propostos: discutir as maiores dispersões atribuídas a Contabilidade em relação a cada uma das outras profissões; discorrer sobre os atributos que apresentaram diferenças não significantes entre as profissões; e, por fim, identificar, nos resultados, os pontos considerados favoráveis ou desfavoráveis acerca do profissional de Contabilidade. Inspirado no estudo de Hardin, O'bryan e Quirin (2000), foi realizado um estudo de campo com 82 professores de 12 instituições de Ensino Médio de escolas públicas e privadas do Vale do São Francisco, no qual as profissões foram avaliadas em 24 atributos. Como ferramenta de análise dos dados, assim como no estudo original de Hardin, O'bryan e Quirin (2000), foi realizada uma análise de variância de um fator (One-Way ANOVA) e, posteriormente, testes Post Hoc a um nível de significância de 0,05, com o objetivo de identificar quais das profissões diferem e em quais atributos. Os resultados da pesquisa corroboram os achados dos estudos anteriores ao possibilitar a constatação de que, avaliando as opções de carreira para estudantes do ensino médio, significativamente os baixas professores quando apontam comparada Contabilidade às profissões com de médias Medicina, Engenharias e Advocacia. O presente estudo contribui com a literatura acerca dos fatores significantes à escolha de Contabilidade como profissão ao analisar o fenômeno em um ambiente distinto das pesquisas seminais (realizadas nos Estados Unidos da América) e, principalmente, por ter sido conduzida em um momento de grande valorização da Contabilidade enquanto profissão em decorrência do próprio desenvolvimento do mercado de capitais, crescimento econômico do país e, principalmente, do advento dos IFRS. 11 O presente estudo encontra-se segmentado em quatro capítulos além dessa introdução. Inicialmente é apresentado o processo de escolha da profissão, os fatores determinantes à escolha profissional e, por fim, é efetuada a revisão da literatura acerca da temática. No capítulo 3 são apresentados os aspectos metodológicos da pesquisa, no capítulo 4, são apresentadas as análises dos resultados alcançados na pesquisa e, por fim, no último capítulo são efetuadas as considerações finais bem como apresentadas as limitações e oportunidades para desenvolvimento de futuros estudos. 12 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. PROCESSO DE ESCOLHA DA PROFISSÃO As transformações decorrentes do acelerado desenvolvimento econômico, tecnológico e do processo produtivo, têm impactado diretamente no ambiente de trabalho, aumentando as exigências de habilidades e conhecimentos em todas as áreas (OECD, 2005). Segundo Rocha (2006), todo o processo de transformação social reflete diretamente no papel da escola com os novos paradigmas e incertezas de um mercado de trabalho mais competitivo, impondo novos desafios para os trabalhadores e pressões à educação por novas mudanças. Nesse ponto, Ramos e Lima (1996, p.202) contribui afirmando que “a escolha profissional é um processo complexo que faz parte de um projeto de vida, o qual demanda a integração de uma multiplicidade de fatores de ordem econômica, política, social e pedagógica”. O momento de escolher a profissão ou carreira a seguir passa a ser um aspecto definitivo na vida dos adolescentes, além de ser encarada como uma necessidade pela família, pela sociedade e por eles mesmos (LUCCHIARI, 1993; SANTOS, 2005). Em algumas situações, em decorrência de escolhas limitadas por fatores educacionais e socioeconômicos, observam-se problemas de adaptação no curso, eventualmente, gerando evasão ou até mesmo desmotivação no exercício da profissão exercida (ALMEIDA e SOARES, 2003). Ao escolher uma profissão, o jovem também está definindo o seu projeto de vida, o modo de conquistar sua autonomia, seu reconhecimento pessoal e sua participação na sociedade através do trabalho (RAMOS e LIMA, 1996). Para a maioria das pessoas, a escolha da área em que se formar e trabalhar é um processo marcado por dúvidas e, consequentemente, angústia (SANTORO et al, 2009). As escolhas de profissão são realizadas pelos estudantes muitas vezes com elementos poucos consistentes, contribuindo em muito para os casos de abandono dos cursos. As questões de evasões também estão relacionadas com outros fatores 13 como a necessidade do aluno trabalhar, restrições do mercado de trabalho e reprovações nos primeiros anos de universidade (RAMOS e LIMA, 1996). Ramos e Lima (1996) observaram empiricamente numa amostra com 360 alunos que os cursos de Medicina e Direito exibem índices de evasão com taxa de 8% e 9% respectivamente, Ciências Contábeis apresenta índices de 23% enquanto as Engenharias ostentam patamares superiores a 36%. As profissões se modificam ao longo da história em função das mudanças sociais, políticas, econômicas e tecnológicas. Com isso, os indivíduos também mudam seus interesses e características pessoais (LONGHINI e DUARTE, 2011). Segundo Ramos e Lima (1996, p.203): “quanto aos fatores objetivos, é de fundamental importância cuidar da qualidade das informações no sentido de contextualizar as profissões e, deste modo, evitar distorções, estereótipos e idealizações”. É nesse cenário que a orientação profissional se justifica, sendo definida como o processo pelo qual o indivíduo é ajudado a escolher e a se preparar para entrar e progredir numa ocupação, auxiliando-o a se reconhecer melhor como indivíduo inserido num contexto social, econômico e cultural (ANDRADE, MEIRA e VASCONCELOS, 2002; SUPER e JUNIOR, 1980). Ampliar as informações acerca das profissões, dando condições para que os jovens desenvolvam seu autoconhecimento e assim, contribuir para a formação do projeto profissional em conformidade com a realidade social (LONGHINI e DUARTE, 2011). Assim, é necessário que os jovens recebam maior atenção nesse momento, que os meios de comunicação, a família e a sociedade estejam investidos nesse objetivo de desprender maiores investimentos na orientação dos estudantes no momento de escolherem a profissão que querem seguir. Isso se faz através de uma atuação que possibilite ao orientando a percepção das diversas influências e valores que atravessam as suas escolhas profissionais de forma que este possa aprender a escolher, decidir e se posicionar de modo mais condizente com o seu projeto de vida, desejos e realidade social (BOHOSLAVSKY, 2007). Nos trabalhos de Longhini e Duarte (2011), buscou-se abordar os conflitos, diminuir as tensões, medos e indecisões dos jovens diante das diversas profissões disponíveis, de forma que se produza um projeto profissional. 14 Nos estudos de natureza teórica e descritiva de Silva, Lassance e Soares (2004), a demanda por orientação existente é crescente. No contexto brasileiro, essa orientação é compreendida como a ajuda para tomada de decisão em momentos específicos, onde a passagem de um ciclo educativo a outro e a transição dos estudos ao mundo do trabalho são dois desses momentos críticos da trajetória profissional de pessoas e grupos. Ramos e Lima (1996) destacaram os desvios da sistematização de um trabalho estruturado sobre a Orientação Profissional realizado pelos orientadores e psicólogos. Observa-se no cenário brasileiro insuficiência de atendimento dos Serviços de Orientação Educacional, Vocacional e Profissional no Sistema Educacional e do Trabalho, tendo em vista que os próprios profissionais da orientação desconhecem a quantidade de iniciativas, serviços e programas existentes (SILVA, LASSANCE e SOARES, 2004). A escola demanda a esses profissionais uma pluralidade de funções que comprometem a sistematização de um trabalho estruturado sobre a escolha profissional. [...] suas funções incluem desde o atendimento dos pais e adolescente por motivos diversos, a substituição dos professores em sala de aula, até o planejamento de horário de estudos para alunos dispersivos. Esta posição reflete a menor importância que a escola atribui a este tema. (RAMOS e LIMA, 1996, p.202). Dessa forma, Silva et al. (2004), enfatiza que as pessoas tomam decisões para as escolhas por conta própria, sem optar pela ajuda do especialista em Orientação Profissional. 2.2. FATORES DETERMINANTES À ESCOLHA PROFISSIONAL Não são raros os momentos em que os adolescentes estejam indecisos diante da tarefa de escolha de um curso e de uma carreira, sendo que sua decisão poderá ser determinante em sua futura profissão. Cursar o Ensino Superior é projeto de indivíduos de diferentes culturas e níveis socioeconômicos, visto como uma possibilidade de alcance do sucesso no trabalho, a ascensão social e que eventualmente pode também levar a escolhas profissionais inadequadas (NORONHA e OTTATI, 2005). Para Ramos e Lima (1996), a família é a variável que mais tem influenciado a escolha da profissão pela maioria dos jovens. O desejo da família está englobado 15 em diversos fatores como o atendimento das expectativas, a pressão imposta e também nos casos de influência para administração dos negócios da família, mesmo quando o jovem tenha desejo diferente, deixando de lado suas expectativas, aptidões e interesses próprios. Na amostra da pesquisa, 51,9% dos jovens entrevistados consideram a conversa com os pais e parentes como principal meio para escolha da profissão, enquanto os profissionais do colégio foram considerados por apenas 16,4% da amostra. Marjoribanks (2003), numa investigação com 3.772 moças e 3.476 rapazes, também constatou resultados indicando que o ambiente familiar, além das características individuais e também os resultados acadêmicos, tem significativa associação com as aspirações dos adolescentes, inclusive com diferenciações, nas análises por diferentes etnias. A atuação da família muitas vezes é diretiva, onde os pais sugerem ou determinam as profissões que os filhos devem seguir (CAVALCANTE, CAVALCANTE e BOCK, 2001). Os resultados do estudo empírico conduzido por Noronha e Ottati (2005), com 81 alunos do Ensino Médio, indicam que os alunos nutrem o desejo de cursar uma universidade, especialmente àqueles que os pais tinham formação até o ensino médio, apresentam interesse especial por profissões consideradas tradicionais (advocacia, medicina, engenharias, entre outras). Mesmo com a variedade de cursos existentes no país, percebe-se uma tendência dos jovens que concluem o Ensino Médio optarem por profissões ligadas aos cursos considerados tradicionais. Essa condição está diretamente relacionada ao desenvolvimento histórico do Ensino Médio, educação profissional e Ensino Superior no Brasil. (CATANI, FONSECA, MELCHIOR e SILVA, 1989; SANTOS, 2003). Nos tempos do Império, em meados do século XIX, os diplomas de Medicina, Direito e Engenharia, os primeiros cursos universitários criados no Brasil, eram símbolos de distinção social. Passados quase dois séculos, muitos jovens brasileiros continuam sonhando em se tornar médicos, engenheiros e bacharéis em direito. Os salários acima da média e a relativa facilidade para entrar no mercado de trabalho são parte da explicação para a alta procura pela trinca de cursos clássicos. (SANTORO et al, 2009). Os mesmos autores apresentam o ranking com os salários das vinte atividades profissionais mais bem paga no Brasil, onde a Contabilidade e os 16 Auditores aparecem na 18ª colocação com salário médio de R$ 2.998,00 (Dois Mil, Novecentos e Noventa e Oito Reais), superando apenas os Administradores e Jornalistas, últimos da lista. Em outro levantamento realizado em 2007 com os doze cursos mais procurados pelos inscritos nos vestibulares das universidades federais e universidade de São Paulo, notou-se que os cursos de Medicina, Engenharia e Direito correspondem aos três primeiros da lista. A Contabilidade sequer aparece na lista, que é completada pelos cursos de Ciências Biológicas, Comunicação Social, Enfermagem, Letras, Educação Física, entre outros (SANTORO et al, 2009). Azevedo (1991) observou numa amostra de 6.722 respondentes divididos em 60 escolas, que as classes sociais onde os jovens estão inseridos também influenciam suas escolhas. Segundo o autor, jovens de nível sócio econômico elevado geralmente optam por profissões consideradas de maior prestígio social, enquanto a maior parte dos considerados de baixo nível sócio econômico opta pelas profissões próximas a dos pais. Hutz e Bardagi (2006), destacam que o papel da família no contexto da escolha profissional pelos adolescentes não pode ser compreendido como um fator isolado, mas por meio de uma análise mais ampla fruto da sinergia com a situação econômica, educacional, entre outras. Os resultados acadêmicos também foram observados com significativa associação com as aspirações dos adolescentes, inclusive variando conforme os grupos étnicos (MARJORIBANKS, 2003). Nos estudos compreendendo variáveis relacionadas ao gênero, Azevedo (1991) observou que os sujeitos do sexo masculino preferem profissões como engenheiro, economista, advogado e arquiteto, enquanto os do sexo feminino almejam profissões ligadas à educação, aos serviços sociais e administrativos. Sartori, Noronha e Nunes (2009), em relação ao sexo e série escolar, analisaram 177 estudantes entre 14 e 19 anos. Seus achados revelam que os homens obtiveram maiores médias na dimensão de Ciências Exatas, enquanto as mulheres ostentam maiores desempenhos nas dimensões das Ciências Biológicas e da Saúde, Artes e Comunicação e Entretenimento. É importante destacar também a forma de acesso dos estudantes ao ensino superior, diferente nos diversos países e que por sua vez podem também promover alguma influência na escolha dos jovens. 17 Nos estudos de natureza teórica e descritiva de Silva, Lassance e Soares, (2004), os autores observam que o sistema de ingresso dos estudantes nas universidades de outros países difere do Brasil. Segundo os mesmos autores, nos Estados Unidos da América (EUA), por exemplo, a entrada na universidade é realizado por meio de um Exame Nacional (Scholastic Assessment Test - SAT), uma análise do histórico escolar do ensino secundário e do currículum vitae, cartas de recomendação de professores e de orientadores educacionais são enviadas, os estudantes produzem redações de temas determinados em cada universidade e escolhe as universidades para as quais enviará toda a documentação. A universidade seleciona com base na documentação apresentada. É comum a participação ativa dos pais no processo e a escolha da carreira pode se dar durante o curso universitário ou também em um trabalho conjunto com os orientadores educacionais da instituição universitária. Vantagens do sistema: Valoriza o conjunto de elementos para avaliação dos candidatos às vagas; Consideram as atividades extracurriculares como as atividades na comunidade, prática de esportes, estágios, entre outras. Desvantagens do sistema: A universidade não é profissionalizante, o aluno se profissionaliza em área específica somente na pós-graduação; Alongamento do período de formação, dificultando os alunos de baixa renda de continuarem no sistema de educação superior. No sistema francês, o exame Bacalauréat (BAC), é realizado na saída do ensino médio, habilitando o jovem para entrada no mercado de trabalho ou em qualquer curso superior na área que ele foi aprovado. No Brasil, o sistema de ingresso nas universidades é variado e está em constante pauta nas discussões nos últimos anos. Algumas universidades e faculdades adotam o exame vestibular, selecionando os alunos que apresentarem maiores notas nas avaliações. Em média, 10 candidatos disputam uma vaga nas universidades públicas onde estão concentradas as carreiras mais disputadas no Brasil, onde 90% dos candidatos não conseguem ingressar. O exame vestibular é apenas a entrada no ciclo da educação superior para o curso na qual o candidato realizou o exame. Existe o Enxame Nacional de Ensino Médio (ENEM), onde os 18 jovens utilizam as notas para ingresso em diversas universidades públicas do país, desde que as notas estejam dentro das vagas disponibilizadas. Existem ainda os sistemas de cotas para os alunos provenientes de ensino médio público, afrodescendentes e índios e que é bastante discutível no Brasil. O vestibular brasileiro não tem significado para o ingresso no mundo do trabalho e difere bastante dos demais países quando gera elevado nível de ansiedade e depressão nos jovens que precisam definir a carreira e ainda enfrentar a concorrência nos cursos de maior prestígio (SILVA, LASSANCE E SOARES, 2004). 2.3. ESTUDOS SOBRE PERCEPÇÃO DA PROFISSÃO CONTÁBIL E OS FATORES RELEVANTES À ESCOLHA DA CONTABILIDADE ENQUANTO PROFISSÃO Segundo Robbins (2005), a percepção pode ser definida como o processo pelo qual os indivíduos organizam e interpretam suas impressões sensoriais, com a finalidade de dar sentido ao seu ambiente. Entretanto, o que uma pessoa percebe pode ser substancialmente diferente da realidade objetiva. Nesse sentido, Griffin e Moorhead (2006, p.80) contribui definido percepção como “um conjunto de processos por meio dos quais a pessoa se conscientiza das informações do ambiente e as interpreta”. Segundo Hardin, O'bryan e Quirin (2000), a literatura sobre a percepção da profissão contábil em relação a outras profissões e sobre fatores que influenciam escolha da carreira pode ser segmentada em três grupos: (1) estudantes do ensino médio; (2) estudantes universitários e (3) profissionais. Entretanto nos últimos anos, tem-se notado um acentuado enfoque no primeiro grupo, buscando detectar as atitudes e percepções de estudantes do ensino médio acerca da profissão contábil. Paolillo e Estes (1982), por meio de um estudo de campo com Contadores, Advogados, Médicos e Engenheiros, concluíram que aproximadamente 23% dos profissionais de Contabilidade escolheram a profissão ainda durante o período escolar, apontando o professor como figura mais relevante à opção, superando inclusive a influência dos pais. 19 Os autores detectaram ainda ‘‘aptidão para a área/assunto’’, ‘‘nível de satisfação no trabalho’’ e os ‘‘potenciais de ganhos’’ como outros fatores que influenciam a seleção da Contabilidade como a profissão a ser seguida. Bacon, Melcher e Greene (1990) efetuaram exames com 101 estudantes de ensino médio que participam do programa Junior Achievement e que desejavam seguir carreira em Contabilidade. Os autores constataram que, mesmo esses alunos já tendo escolhido Contabilidade como a carreira a seguir, eles tinham o sentimento de que Contabilidade era uma profissão menos prestigiada e com menor enfoque de criatividade quando comparada a direito ou Engenharias. No estudo conduzido por Schlee, Curren e Kiesler (2007), desenvolvido nos Estados Unidos da América (EUA) sobre as percepções dos grupos de estudantes de Contabilidade com estudantes de outros cursos, os autores notaram que os estudantes de Contabilidade são vistos como os mais organizados, mas não são vistos como criativos e propensos ao risco. Os estudantes ainda tiveram juntamente com Finanças, baixos índices quanto à orientação para pessoas, flexibilidade, comunicação e trabalho em grupo. Os autores ainda perceberam a existência de estereótipos e percepções incorretas por parte dos estudantes acerca da imagem do profissional contábil. A existência de estereótipos implica sobremaneira na própria percepção daqueles que fazem a escolha pelo curso de Contabilidade. No Brasil, estudo semelhante realizado por Azevedo et al (2008), corroboram os achados pelos estudos de Schlee, Curren e K. Kiesler (2007). Os autores confirmaram a hipótese de que os estudantes de Contabilidade são percebidos negativamente em alguns aspectos pelos seus pares, estudantes dos cursos de Administração, Atuária, Economia e Relações Internacionais. Na pesquisa empírica, Azevedo et al (2008) compreenderam 143 estudantes distribuídos entre os cursos e, a título de resultados, identificaram significativas diferenças nas percepções de seus pares acerca do curso de Contabilidade em fatores como ambição, propensão ao risco, independência, orientação a pessoas, nível de estudo, trabalho em equipe, flexibilidade e liderança. Sendo essas médias amplamente inferiores às atribuídas pelos próprios estudantes de Contabilidade. Os resultados para organização e habilidade numérica não foram percebidos diferentes nas duas pesquisas, porém o estudo brasileiro contradizendo o estudo americano, não apontou diferenças quanto a criatividade e comunicação. 20 Ribeiro et al. (2010), preocupados com a motivação dos estudantes para a constituição de estratégias de aprendizagem cooperativas ou colaborativas, realizaram estudo empírico onde obervaram numa amostra com 524 estudantes de Ciências Contábeis de instituições públicas, privadas e confessionais (escola vinculada ou pertencente a igrejas ou confissões religiosas), em três estados brasileiros, que os estudantes com tipos de personalidade extrovertidos, flexíveis, bem como os fortemente extrovertidos, intuitivos e flexíveis não valorizam estratégias de aprendizagem cooperativa ou colaborativa, enquanto os que se consideram introvertidos disponibilizam suas qualidades visando o aprendizado do grupo. Segundo Saudagaran (2004) apud Niyama (2007, p. 4): Em outros países, a Contabilidade em termos de ensino é fraca, porque é frequentemente confundida com escrituração e é considerada mais uma vocação que uma profissão. Muitas vezes, é limitada a curso secundário, não sendo disponível em termos de curso superior. A afirmação acima, de acordo com Niyama (2007, p.4) parece aplicar-se ao ensino da Contabilidade no Brasil pelos seguintes pontos: Primeiramente ainda convivemos com duas categorias profissionais (contador e técnico de contabilidade), o que é raro, diga-se de passagem, em outros países. Em segundo lugar, porque ainda prevalece o entendimento pela sociedade de que o contador é o responsável pela escrituração, e principalmente pelo Imposto de Renda. Em terceiro lugar, porque os cursos de mestrado e doutorado em contabilidade não chegam a absorver nem 1% dos graduados em contabilidade, o que nos leva à conclusão de que o bacharelando é praticamente “o fim” de linha para estudantes de ciências contábeis. Weffort (2005), nas suas análises, apesar de considerar na época que o sistema educacional brasileiro não favoreça os esforços para a convergência internacional, mas encontra perspectivas positivas em virtude das seguintes percepções: a) Estímulos para “repensar” a grade curricular dos cursos de Ciências Contábeis devido às discussões das novas Diretrizes Curriculares Nacionais; b) Aumento das pesquisas, principalmente as comparativas das práticas e normas brasileiras com as de diversos outros países; c) Crescimento no acesso da comunidade contábil aos assuntos de contabilidade internacional por meio dos periódicos especializados. 21 Concluída a discussão acerca do processo de escolha da profissão e dos fatores determinantes à escolha profissional, bem como a apresentação dos estudos anteriores sobre percepção da profissão contábil e os fatores relevantes à escolha da contabilidade enquanto profissão, torna-se pertinente discutir as percepções e estereótipos dos estudantes de Ciências Contábeis. De acordo com Bowditch e Buono (2006, p.32), “estereótipo é o processo de servir de uma impressão padronizada de um grupo de pessoas para influenciar nossa percepção de um indivíduo em particular.” Acerca da estereotipagem, Griffin e Moorhead (2006, p.80-81), contribuem afirmando que trata-se da: [...] classificação ou rotulação de pessoas com base em um único atributo. As características mais comuns que motivam estereótipos são raça e sexo. Sem dúvida, esse tipo de estereótipo é impreciso e pode ser nocivo. [...] Certas formas de estereotipagem, contudo, podem ser úteis e eficientes. Suponha que um gerente acredite que a capacidade de comunicação seja importante para certo trabalho e que pessoas formadas em jornalismo, por exemplo, costumam tê-la. Por isso, quando entrevistar candidatos a emprego, ele dará uma atenção especial aos jornalistas. Segundo Robbins (2005), estereotipagem comprende a utilização da percepção que temos de um grupo ou contexto, para generalizar um julgamento sobre um indivíduo. Nesse ponto, é notória a existência de muitos estudos que concluem pela existência de um estereótipo negativo do estudante e profissional contábil (ALBRECH e SACK, 2000; HUNT, FALGIANI e INTRIERI, 2004; SCHLEE et al., 2007). Segundo Weffort (2005, p.113): No Brasil, a profissão contábil é regulamentada por lei, o que significa dizer que existe uma espécie de “contrato social” entre a profissão e a sociedade em geral, o qual, assim como ocorre normalmente com os contratos, gera direitos e obrigações para todas as partes por ele abrangidas (nesse caso, os contadores, o órgão de classe e os demais membros da sociedade, especialmente os usuários das demonstrações contábeis). Eynon et al. (1997) apud Weffort (2005, p.113), contribui: O papel de um praticante de contabilidade é distinto da maioria dos outros profissionais, visto que o contador deve submissão primeiro ao público, e não ao cliente que paga. A tensão entre servir o cliente e servir ao público 22 pode significar que os contadores enfrentam potencialmente mais dilemas morais que outros profissionais. Em um teste vocacional desenvolvido pela pedagoga Maria da Luz Calegari, contendo vinte perguntas com quatro alternativas de respostas cada, onde o respondente deveria atribuir 3 para a alternativa com a qual mais se identifica, 2 para aquela que tem a ver com o respondente, 1 para a que tem um pouco a ver e 0 para aquela que nada tem a ver com o respondente, caso houvesse dúvida, não deveria responder a questão. Do somatório total dos valores atribuídos a cada questão, o respondente teria as áreas e profissões mais afins à sua personalidade. A Contabilidade não aparece no rol de 66 profissões listadas como carreiras apropriadas a depender da pontuação total alcançada no teste (SANTORO et al, 2009). Azevedo (2010), por meio de uma pesquisa de campo envolvendo 1034 respondentes, analisou se os profissionais de contabilidade são estereotipados de forma negativa pela percepção pública para as características: criatividade, dedicação aos estudos, trabalho em equipe, comunicação, liderança, propensão ao risco e ética. O autor encontrou nos resultado a rejeição da hipótese central, onde não é possível afirmar que os profissionais de contabilidade são negativamente estereotipados. Ainda verificou-se que os profissionais são percebidos como sendo do gênero masculino, confirmando o estereótipo para a profissão. Em torno da sua formação profissional, rejeitou-se a hipótese de que a percepção externa em relação aos profissionais de contabilidade é mais negativa do que a percepção interna dos indivíduos com formação em Contabilidade. Essa dissertação do autor evidenciou crítica aos trabalhos anteriores quanto à questão da existência de diferenças entre se afirmar que a percepção acerca dos profissionais de Contabilidade é negativamente estereotipado em relação a outras profissões. Quando o status pode ser menos, mas não de forma a ser considerado como estereotipado, contrariando o que largamente apontam-se nas revisões literárias. Ainda segundo as evidências do estudo, os profissionais da Contabilidade são entendidos positivamente pelo público em relação às características dedicação aos estudos, trabalho em equipe, comunicação, liderança e ética. 23 2.4. AS PRINCIPAIS MUDANÇAS DA CONTABILIDADE NOS ÚLTIMOS ANOS O desenvolvimento da Contabilidade acompanha a evolução da civilização, cujo crescimento e progresso da humanidade faz com que essa se torne cada vez mais eficiente e fiel a que se propõe (MARTINS, 2001). A globalização da economia e das relações internacionais determinou o progresso ou o retrocesso das nações no século XXI, influindo não somente na economia, mas também na cultura dos povos (FRANCO, 1999). Ainda segundo Franco (1999, p.23): A harmonização das normas internacionais de Contabilidade e Auditoria será uma das condições para a profissão contábil enfrentar os desafios da globalização. Esta exigirá que a Contabilidade seja, realmente, a linguagem internacional dos negócios e da economia. Para isso, é necessário que todos os profissionais contábeis utilizem a mesma linguagem, ou seja, adotem os mesmos princípios e as mesmas normas em seus relatórios e demonstrações contábeis. Com maiores detalhes, Niyama contribui afirmando (2007, p. 38): [...] o crescimento do comércio internacional fortaleceram a interdependência entre diversas nações trazendo o fenômeno da globalização dos mercados [...]. De uma forma geral, tanto em nível de empresas, entidades profissionais, clientes, instituições de ensino, há um consenso favorável para uma harmonização de padrões contábeis que facilite a comunicação e contribuam para reduzir as diferenças internacionais no financial reporting, permitindo a comparabilidade das informações. Em nota, Weffort (2005), destaca o termo harmonização como forma para identificar os esforços dos países na direção de um conjunto de padrões globais. A partir de então, o termo convergência tem sido empregado para representar os mesmos esforços. Ainda segundo a autora, a mudança nos termos é vista como estratégia política para o alcance de melhores resultados na adoção de padrões globais pelos países. Nesse contexto, Niyama (2007) destaca as possíveis vantagens e dificuldades da harmonização das práticas contábeis. Vantagens da harmonização: Alguns países não possuem padrões para seus sistemas contábeis, muitos sequer possuem leis ou regulamentos; 24 Busca de recursos de investidores estrangeiros com a possibilidade de apresentar demonstrações contábeis em linguagem inteligível (normas internacionais). Principalmente para os países emergentes; Razoável margem de segurança das informações, levando vantagem sobre aqueles que apresentam os relatórios contábeis em moeda de seu país de origem; Para empresas multinacionais uma clara vantagem é a redução dos custos no gerenciamento dos sistemas contábeis nos vários países e de suas demonstrações sendo consolidadas pela matriz e facilitadas nas suas subsidiárias no exterior; Contribuição para realização dos trabalhos de auditoria, reduzindo inclusive na redução dos custos. Algumas dificuldades de natureza prática e operacional consideradas para adoção das normas internacionais: Como proceder a harmonização de currículos básicos de cursos de Ciências Contábeis, atrelada ao processo de credenciamento de auditores para atuação em outros países; Em muitos países desenvolvidos e emergentes, a contabilidade esta atrelada à tributação com normas fiscais de critérios próprios de avaliação, apropriação e classificação, não sendo possível imaginar uma convergência de normas fiscais, onde uma única alternativa seria a mudar o sistema legal (tirando a autoridade para emissão de normas), o que não se espera acontecer; Ausência de entidades ou organismos profissionais contadores fortes o suficiente para influenciar o processo de convergência em diversos países; “Nacionalismo” exacerbado como um fator político a ser ultrapassado, podendo parecer como uma “perda de soberania”. A harmonização dos sistemas contábeis é fundamental no incremento das análises financeiras, serão possíveis que as evidenciações das informações sejam claras e melhor compreensíveis, contribuindo para redução da assimetria informacional e auxiliando os investidores a tomarem decisões (NETO, DIAS e PINHEIRO, 2009). 25 Ainda segundo os autores, em função das mudanças na Contabilidade com a convergência, é natural uma dificuldade inicial nessas análises até a completa assimilação por parte dos usuários. Segundo Niyama (2007), entre os principais benefícios está a viabilidade da comparação das informações contábeis produzidas por empresas de países distintos, permitindo a compreensão e interpretação de informações de economias e tradições diferentes. Como crítica, o autor cita questões de soberania, politização da Contabilidade e sobrecarga de normas. Nessa conjuntura, a União Europeia aprovou que todos os países membros deverão apresentar demonstrações contábeis consolidadas a partir de 2005 de acordo com as normas internacionais de Contabilidade do IASB (NIYAMA, 2007). No Brasil, o Comitê de Pronunciamento Contábeis (CPC), através do Pronunciamento Técnico CPC 37, o Conselho Federal de Contabilidade, através da Resolução nº 1.306/10, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), através da Instrução nº 457/07 e alterada pela 485/2010, estabeleceram as premissas para adoção as Normas Internacionais de Contabilidade (International Finacial Reporting Standads - IFRS), emitidas pelo IASB – International Accounting Standards Board. A lei 11.638, de 28 de dezembro de 2007, altera e revoga dispositivos da Lei 6.404/76 e 6.385/76, dispõe acerca da elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. No ano seguinte é aprovada Medida Provisória 449 de 3 de dezembro de 2008 convertida na Lei 11.941 de 27 de maio de 2009, visando alinhar as legislações específicas do país com os padrões internacionais de contabilidade. Depende do profissional de Contabilidade a transparência das demonstrações contábeis, a correta avaliação de empresas e negócios públicos e privados. Traduzindo números e dados financeiros para todos os usuários, como peça fundamental nessa nova ordem econômica (FRANCO, 1999). A globalização vem obrigando os profissionais, pesquisadores e professores de Contabilidade a adaptarem-se às mudanças no seu ambiente profissional, não apenas em termos de normas e práticas, mas também em termos de qualidade da formação educacional, conceitos e objetivos profissionais (SILVA, 2002). No âmbito educacional, é notado um acentuado incremento em termos de quantidade e qualidades nos últimos anos. De acordo com Niyama (2007) em 2005 estavam autorizados a funcionar no país apenas 11 programas de Pós-graduação Stricto Sensu em Contabilidade e Controladoria, amplamente concentrados nas 26 regiões Sul e Sudeste, sendo que apenas um, da Universidade de São Paulo (USP) ostentava na ocasião nível de doutorado. Entretanto, Cunha, Rausch e Cunha (2010) observaram um crescente aumento dos cursos de pós-graduação Stricto Sensu em Ciências Contábeis recentemente no Brasil. Constataram que em Janeiro de 2009, eram oferecidos 4 programas de mestrado profissional (FUCAPE-ES, UPM-SP, UFAM-AM e UFC-CE), 15 programas de mestrado acadêmico em diversas regiões e 3 programas de doutorado (FURN-SC, UNB-DF e USP-SP). Os autores destacam ainda a crescente preocupação com a qualidade dos artigos publicados, ratificado pelo aumento de novos cursos de Contabilidade, cabendo aos pesquisadores atenção constante e acompanhamento à qualidade dos trabalhos. É fundamental uma boa formação para que os profissionais da Contabilidade possam identificar oportunidades e ameaças à sua empregabilidade, bem como os pontos fortes e fracos em suas habilidades e competências (FARIA e QUEIROZ, 2009). Para manter-se atuante no mercado de trabalho é necessário conhecimentos diferenciados não apenas no âmbito contábil, mas também, em áreas afins. Nesse sentido, é altamente relevante a participação em eventos de classe, a capacitação em cursos de especialização, Mestrado e Doutorado (MARTINS, 2001). Faria e Queiroz (2009), por meio de pesquisa documental, constatou uma mudança importante na demanda por profissionais com conhecimento em Contabilidade Internacional. Os autores notaram que até o ano de 2007, o mercado buscava profissionais qualificados nos padrões contábeis norte-americanos (USGAAP). Enquanto a partir de 2008 a demanda começou a ser mais acentuada por conhecimentos do padrão contábil internacional (IRFS). Em relação aos conhecimentos técnicos, habilidades e competências, Faria e Queiroz (2009), percebeu que o mercado de trabalho demandava por profissionais alinhados com as recomendações de entidades internacionais, mais especificamente ao International Accounting Standards Board (IASB) e ao Financial Accounting Standards Board (FASB). Martins (2001) destaca o avanço da Contabilidade ao longo da história, vencendo desafios, adaptando-se às transformações do mundo, transpondo as fases do desconhecimento escritural, abandonando os sistemas manuais e mecanizados e adaptando-se aos informatizados. 27 Nesse contexto, o papel do contabilista assumiu um enfoque mais voltado à comunicação e interpretação, tendo em vista que as rotinas de geração das informações foram consideravelmente facilitadas em decorrência dos avanços dos sistemas de informação (IFAC, 1999). Adicionado a isso, o advento do processo de convergência às IFRS já abordado anteriormente, majorou consideravelmente a complexidade da prática contábil, reforçando a necessidade latente de atração dos melhores estudantes à profissão (NELSON, BAILEY e NELSON, 1998). Entretanto, segundo Paolillo e Estes (1982), a despeito dessa realidade, os melhores talentos têm seguidamente buscado carreiras em outras profissões, consideradas “mais nobres” a exemplo das Engenharias, Psicologia, Advocacia e Medicina, levando alguns estudiosos a estigmatizarem esse fenômeno como a grande crise da profissão contábil (HARDIN, O'BRYAN E QUIRIN, 2000). Em decorrência do atual cenário de significativa valorização da Contabilidade enquanto profissão, do desenvolvimento do mercado de capitais, crescimento econômico do país e, principalmente, do advento das IFRS, pode-se concluir pela pertinência da presente pesquisa. 28 3. METODOLOGIA DE PESQUISA Concluída o primeiro capítulo, a seguir é apresentada a classificação da pesquisa bem como os procedimentos metodológicos adotados na presente pesquisa. 3.1. CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA Em relação aos objetivos, o estudo pode ser classificado como descritivo, de enfoque predominantemente quantitativo, pois visa descrever as percepções dos professores de ensino médio acerca da profissão Contábil quando comparada a várias profissões historicamente consideradas “mais nobres”, isto é, Medicina, Engenharias e Advocacia por meio de ferramentas estatísticas. Segundo Gil (1999, p.70), “a pesquisa descritiva tem como principal objetivo descrever características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis”. Rodrigues (2006) corrobora com Gil (1999) ao complementar: É realizada para descrever fenômenos ou estabelecer relações entre variáveis. O pesquisador, nesse caso, procura observar, registrar, analisar e interpretar os fenômenos por meio de técnicas padronizadas de coleta de dados, como o questionário e a observação sistemática. [...] é usada, por exemplo, para descrever características de um determinado grupo e estudos de opinião, de motivações, de mercado e socioeconômicos”. (RODRIGUES, 2006, p.90). Para responder ao problema de pesquisa proposto, o estudo recorrerá aos métodos estatísticos para quantificação, tabulação, análise e interpretação dos dados levantados, possibilitando a caracterização da pesquisa como quantitativa. Rodrigues (2006, p.89) assim define a pesquisa quantitativa: [...] o enfoque da pesquisa está voltado para análise e a interpretação dos resultados, utilizando-se da estatística. Portanto, empregam-se recursos e técnicas estatísticas, como porcentagem, média, moda, mediana, desviopadrão, coeficiente de correlação, análises de regressão, etc. Também são usados programas de computador capazes de quantificar e representar graficamente os dados. Muito embora recentemente tenha sido alvo de críticas em decorrência de sua utilização exacerbada por parte de alguns pesquisadores, a pesquisa quantitativa 29 possibilita a identificação acurada do fenômeno de interesse, isolando seu efeito dos demais fatores que eventualmente o influencia (MILLER, 1991). Conforme Severino (2007, p.118): [...] E esse conhecimento dos fenômenos, por sua vez, limitava-se a expressão de uma relação funcional de causa e efeito que só podia ser medida como uma função matemática. Quanto à forma de obtenção de informações, é possível classificar o estudo como uma pesquisa bibliográfica e, concomitantemente, de campo, tendo em vista que recorrerá as revisões dos materiais publicados em livros e artigos científicos obtidos nas bases de periódicos internacionais EBSCO e JSTOR Archive, e por meio da coleta dos dados primários por meio da aplicação de questionário. Segundo Freitas et al. (2000), a pesquisa de campo é utilizada com o objetivo de obter dados acerca das características, ações ou opiniões de determinado grupo de interesse através de um instrumento de pesquisa, normalmente um questionário. Nesse ponto, Severino (2007, p. 123) contribui: Na pesquisa de campo, o objeto/fonte é abordado em seu meio ambiente próprio. A coleta dos dados é feita nas condições naturais em que os fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente observados, sem intervenção e manuseio por parte do pesquisador. Abrange desde os levantamentos (surveys), que são mais descritivos, até estudos mais analíticos. Segundo Hesford et al. (2007), o estudo de campo (survey) é o 3º método mais relevante no âmbito de Contabilidade Gerencial, com aproximadamente 16% dos artigos publicados nos principais revistas de Contabilidade no período compreendido entre os anos de 1991 e 2000. 3.2. AMOSTRA DA PESQUISA A pesquisa de campo foi conduzida entre os meses de maio a julho de 2012, englobando 17 escolas públicas estaduais e municipais e escolas privadas de ensino médio do Vale do São Francisco, a saber: Petrolina; Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista no estado de Pernambuco e Juazeiro; Casa Nova e Sobradinho no estado da Bahia. Por meio da intermediação dos coordenadores e diretores das instituições, foram distribuídos 132 instrumentos de investigação aos professores. Devido a 30 ocorrência de uma greve dos professores do estado da Bahia e, principalmente, à proximidade do recesso escolar com os educadores envolvidos nas avaliações finais do semestre, muitos educadores não devolveram o questionário. Porém, mesmo com esses empecilhos, foram obtidos 82 questionários, superior a 62%, provenientes de 12 instituições de ensino, aproximadamente 71%, possibilitando a coleta de informações de professores de todas as áreas de ensino disponibilizadas na grade curricular tradicional. 3.3 FERRAMENTAS DE COLETA E ANÁLISE DE DADOS À obtenção dos dados, como menciona anteriormente, foi utilizado dois questionários, um composto de questões descritivas e o segundo com os 24 atributos relacionados às quatro profissões (Anexos 1 e 2). O questionário utilizado corresponde ao apresentado por Hardin, O’bryan e Quirin (2000, p. 205-220), porém, com algumas adequações/adaptações em decorrência das particularidades demográficas e sociais e, principalmente, à iminente necessidade de tradução da língua original (inglesa). Dada a necessidade de validação quando da utilização de questionários (BRADBURN, SUDMAN e WANSINK, 2004), foi realizado um teste piloto com uma coleta prévia das informações de 20 respondentes. Nesse ponto foi analisada a adequação das informações colhidas à utilização da ferramenta de análise de dados, isto é, análise de variância (ANOVA) de um fator (One-Way ANOVA) com testes Post Hoc. Os resultados obtidos permitiram concluir pela boa adequação dos questionários, não havendo a necessidade de reformulação. Acerca da ferramenta de análise de variância, a exemplo do estudo original de Hardin, O'bryan e Quirin (2000), foi realizada uma análise de variância (ANOVA) de um fator (One-Way ANOVA). Segundo Levine, Berenson e Stephan (2005), a ANOVA é utilizada quando se deseja verificar a existência de diferenças significativas entre médias de duas ou mais variáveis independentes. Field (2009, p. 298), contribui afirmando que a ANOVA possibilita identificar “como essas variáveis independentes interarem umas com as outras e que efeitos essas interações apresentam sobre a variável dependente”. 31 A esse respeito, Neufeld (2003, p.308), também contribui: [...]. Uma das características mais úteis da análise de variância é que ela pode se estender a qualquer número de populações. As ferramentas de análise de variância do Excel fornecem três técnicas diferentes de análise de variância. [...] possuem suposições comuns sobre os dados. Além de supor que as amostras são aleatórias, também supõem que as populações são normalmente distribuídas e possuem a mesma variância. Ainda em relação ao método estatístico ANOVA, segundo Martins (2002, p. 229): “os fatores propostos podem ser variáveis quantitativas ou qualitativas, enquanto a variável dependente deve ser quantitativa e observada dentro das classes dos fatores – os tratamentos.” Em consonância ao estudo de Hardin, O'bryan e Quirin (2000), foram realizados testes Post Hoc a um nível de significância de 0,05. Segundo Field (2009), a opção por esse procedimento é necessária quando deseja-se efetuar comparações múltiplas, com grande poder estatístico. No presente estudo, os testes Post Hoc foram adotados em decorrência do objetivo de identificar quais profissões diferem e em quais atributos. 32 4. ANÁLISE DOS DADOS Nesse capítulo são explorados os dados coletados e, concomitantemente, efetuadas as análises das informações obtidas. Inicialmente são apresentadas as informações demográficas e descritivas da amostra e os resultados da análise de variância (ANOVA) e as comparações dos resultados alcançados com o estudo de HARDIN, O’BRYAN e QUIRIN (2000). Posteriormente são apresentados os atributos onde Contabilidade é percebida como similar a Direito, mas com diferença significativa com Engenharias e Medicina. De forma similar, são expostos os atributos em que Contabilidade é similar a Medicina, mas difere significativamente de Engenharias e Direito. Por fim, os atributos em que Contabilidade é percebida como similar às Engenharias, Medicina e Direito são discutidas. 4.1. INFORMAÇÕES DEMOGRÁFICAS E DESCRITIVAS DA AMOSTRA Inicialmente são apresentados e discutidos os dados demográficos tais como nível educacional, sexo, idade, anos de experiência na docência, tipo de escola e número de estudantes nas classes do ensino médio da amostra de 82 participantes da pesquisa. Essas informações são apresentadas nos gráficos a seguir: Fonte: Elaborado pelo autor 33 Após a análise dos dados coletados, foi verificado que maioria dos inquiridos (80,3 %) tem pós-graduação (especialização), 19,7 % declararam a licenciatura como seu nível educacional mais elevado e apenas pouco mais de 4% da amostra apresentam pós graduação Strictus Sensu (Mestrado ou Doutorado). Fonte: Elaborado pelo autor A maioria dos educadores é do sexo feminino, correspondem a 63,5%, sendo os educadores do sexo masculino representados por 36,5 % da amostra. Fonte: Elaborado pelo autor Considerando a idade dos professores pesquisados, foi observado que aproximadamente 80% da amostra têm de 30 a 50 anos. 34 Nas análises referentes a idade média dos educadores inquiridos na pesquisa, foi verificado uma média de 39 anos. Fonte: Elaborado pelo autor Acerca da experiência na docência, foi notada uma média de 11 anos, sendo que menos de 20% da amostra ostenta experiência superior a 20 anos de carreira e não foi encontrado profissional com mais de 30 anos de experiência. Fonte: Elaborado pelo autor Os educadores eram predominantemente empregados em escolas públicas, correspondendo a 95,8% da amostra. 35 Fonte: Elaborado pelo autor Considerando a quantidade de alunos por turmas de 1º, 2º e 3º anos do ensino médio que os educadores informaram na pesquisa, foi observado que o número médio de alunos do ensino médio por educadores foi de 300 alunos. 4.2. RESULTADOS DA ANÁLISE DE VARIÂNCIA (ANOVA) E COMPARAÇÕES DOS RESULTADOS ALCANÇADOS COM O ESTUDO DE HARDIN, O’BRYAN E QUIRIN (2000) Concluída essa visão geral do perfil da amostra analisada, são apresentados na tabela 1 os resultados da análise de variância (ANOVA) de um fator (One-Way ANOVA): TABELA 1: RESULTADO DO TESTE ANOVA COM CADA ATRIBUTO (N = 82) Contabilidade Engenharias Direito Medicina Atributos Contabilidade difere de Engenharias, Direito e Medicina: Status social 55,6707 84,3902 Contribuição para a sociedade Trabalho interessante Trabalho desafiador Satisfação no trabalho Posição de poder Posição glamourosa F-teste 87,4390 95,6707 91,685*** 73,3537 85,4268 81,4024 93,1098 17,292*** 66,3415 69,7561 72,1951 90,3659 90,1220 82,9024 83,7195 81,5854 80,7927 90,5488 92,4390 83,7195 30,613*** 26,603*** 6,078*** 57,6220 77,0122 89,3902 91,2195 56,203*** 57,6220 82,3780 88,1098 95,2439 85,70*** 36 Estabilidade no emprego Barreiras de entrada na profissão Excelentes oportunidades de emprego Excelente carreira para estudantes com excelência acadêmica Excelente potencial de avanço como profissão 65,9756 83,6585 83,5366 93,1098 29,634*** 53,5366 69,6341 68,1707 74,7561 9,028*** 62,0122 87,2561 81,6463 94,1463 43,421*** 67,1341 89,1463 87,9268 91,4634 31,323*** 69,4512 88,9634 87,6829 92,1341 30,073*** 64,70 72,7439 79,33 90,2439 9,388*** 17,803*** 72,0122 87,1341 12,582*** 83,9634 83,2927 74,0854 5,862*** 69,8780 94,0244 70,3659 29,923*** 86,4634 74,0854 75,9756 5,947*** 85,9146 67,1341 63,1098 22,522*** 89,3293 78,1707 74,0854 3,963*** 87,7439 86,6463 94,4512 2,139* 88,4756 81,8293 72,3171 5,353*** Contabilidade difere de Engenharias e Medicina: Nível de ética 70,98 81,22 Longas jornadas de trabalho 68,7805 76,3415 Responsabilidade pessoal 66,2805 82,9268 por negligência Contabilidade difere de Engenharias e Direito: Qualidade de vida 75,6098 Contabilidade difere de Direito: Excelentes capacidades de 67,8659 comunicação Excelentes habilidades 83,6585 quantitativas Contabilidade difere de Engenharias: Profissão dominada por 76,3415 homens Vida familiar de qualidade 79,9390 Contabilidade difere de Medicina: Potencial de ganhos 77,2561 Excelentes habilidades à 85,3659 resolução de problemas Diferenças não significantes entre as profissões: Interação com os demais ,718 68,4756 74,1463 71,5854 71,3415 profissionais Excelente potencial de 1,945 avanço para minorias e 63,7195 70,3049 72,1951 72,3171 mulheres Nota: As diferenças significantes foram determinadas utilizando testes Post Hoc a p > .05. Onde, ***, * Estatisticamente significantes ao nível de 1% e 10% respectivamente. Nos estudos anteriores de Hardin, O’bryan e Quirin (2000) Contabilidade difere em 13 atributos em relação às demais profissões. Na presente pesquisa as diferenças de Contabilidade em relação à Medicina, Engenharias e Direito correspondem a 12 atributos. Os resultados dos atributos que foram confirmados de acordo com Hardin, O’bryan e Quirin (2000) contemplam: (a) status social, (b) trabalho interessante, (c) trabalho desafiador, (d) posição de poder, (e) posição glamourosa, (f) barreiras de entrada na profissão, e (g) excelente carreira para estudantes com excelência acadêmica, conforme apresentado na tabela 2: 37 TABELA 2: COMPARATIVO DAS MÉDIAS DOS ATRIBUTOS QUE DIFERENCIAM CONTABILIDADE DAS DEMAIS PROFISSÕES, CONTEMPLADOS NAS DUAS PESQUISAS Atributos Hardin, O’bryan e Quirin (2000) Pesquisa atual Status social 66,93 55,6707 Trabalho Interessante 56,91 66,3415 Trabalho desafiador 69,57 69,7561 Posição de poder 57,49 57,6220 Posição glamourosa 46,16 57,6220 Barreiras de entrada na profissão 66,35 53,5366 76,80 67,1341 Excelente carreira para estudantes com excelência acadêmica A Fonte: Elaborado pelo autor No intervalo temporal de doze anos entre as duas pesquisas, apenas um atributo foi reduzido entre aqueles considerados desfavoráveis a Contabilidade quando comparada às demais profissões. Na presente pesquisa, os atributos demonstrados na tabela 3 correspondem aos que se confirmaram com os mesmos verificados no estudo de Hardin, O’bryan e Quirin (2000). Vale ressaltar que dos sete atributos confirmados no presente estudo, ‘status social’, ‘barreiras para entrar na profissão’ e ‘excelente carreira para estudantes com excelência acadêmica’ apresentaram médias inferiores aos indicados pelos educadores participantes da pesquisa de Hardin, O’bryan e Quirin (2000). Os atributos ‘‘trabalho desafiador’’ e ‘‘posição de poder’’ apresentaram valores aproximados ao estudo anterior, enquanto ‘‘trabalho interessante’’ e ‘‘posição glamourosa’’ foram os únicos atributos em que a presente pesquisa atribuiu maiores valores que a pesquisa original. Estudos de Azevedo (1991) indicaram que as aspirações profissionais dos jovens no 9º ano de escolaridade foram por aquelas profissões tidas como de reconhecimento social elevado, como por exemplo, medicina, advocacia, engenharia, entre outras. Constatou ainda queda na opção pela profissão de docência o aumento considerável na preferência por novas profissões (gestor de tecnologia da informação, relações públicas, entre outras). Ramos e Lima (1996) observaram que o status da profissão não apresenta tanta representatividade na escolha pelos adolescentes, estando as escolhas 38 concentradas em suas aptidões, o mercado de trabalho e na admiração pela profissão. Vale destacar as informações obtidas no sítio da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), demonstradas no ANEXO 3 deste trabalho, que o curso de Ciências Contábeis foi mais concorrido nos últimos dois anos da pesquisa no vestibular tradicional da UFPE do que algumas Engenharias como Civil, Mecânica, de Produção e Elétrica. A seguir, na tabela 03, são apresentados os atributos desfavoráveis para a Contabilidade em relação à Medicina, Engenharias e Direito e que não ostentaram o mesmo resultado no estudo de Hardin, O’bryan e Quirin (2000). TABELA 3: COMPARATIVO DOS ATRIBUTOS DA CONTABILIDADE DISTINTOS ÀS DEMAIS PROFISSÕES PRESENTES NA ATUAL PESQUISA E NÃO CONSIDERADOS NOS ESTUDOS DE HARDIN, O`BRYAN E QUIRIN (2000) Hardin, O’bryan e Quirin Atributos Pesquisa atual (2000) Contribuição para a sociedade 65,74 73,3537 Satisfação no trabalho 72,54 72,1951 Estabilidade no emprego 76,13 65,9756 Excelente oportunidade de emprego 76,10 62,0122 73,02 69,4512 Excelente potencial de avanço como profissão Fonte: Elaborado pelo autor Na comparação com os valores conferidos aos mesmos atributos no estudo anterior é importante observar que os educadores do presente estudo adjudicaram valor superior ao atributo ‘‘contribuição para a sociedade’’. ‘‘Satisfação no trabalho’’ apresentara valores aproximados nas duas pesquisas, enquanto ‘‘estabilidade no emprego’’, ‘‘excelente oportunidade de emprego’’ e ‘‘excelente potencial de avanço como profissão’’ foram conferidos valores inferiores. TABELA 4: COMPARATIVO DOS ATRIBUTOS CONFERIDOS COMO DIFERENÇAS DA CONTABILIDADE EM RELAÇÃO ÀS DEMAIS PROFISSÕES NO ESTUDO DE Hardin, O’bryan e Quirin (2000) E NÃO APRESENTADAS COMO TAL NA PRESENTE PESQUISA: Hardin, O’bryan e Quirin Atributos Pesquisa atual (2000) Qualidade de vida 75,88 75,6098 Excelente capacidade de 53,98 67,8659 39 comunicação Profissão dominada por homens 69,96 76,3415 Potencial de ganhos 77,02 77,2561 81,03 85,3659 47,77 68,4756 Excelentes habilidades à resolução de problemas Interação com os demais profissionais Fonte: Elaborado pelo autor Na tabela 04 são apresentados os atributos que Hardin, O’bryan e Quirin (2000) em seus estudos perceberam a Contabilidade como distinta das demais profissões e que no presente estudo não foram considerados pelos educadores. Realizando um comparativo entre os valores conferidos aos atributos nos dois estudos é possível notar os seguintes resultados: Os respondentes nos dois estudos valoraram a ‘‘qualidade de vida’’ e o ‘‘potencial de ganhos de forma similares’’; Os educadores da presente pesquisa atribuíram valores maiores aos atributos ‘‘excelentes capacidade de comunicação’’, ‘‘profissão dominada por homens’’, ‘‘excelente habilidade à resolução de problemas’’ e ‘‘interação com os demais profissionais’’. No presente estudo observa-se uma melhora na valorização para os atributos ‘‘habilidades de comunicação’’, ‘‘habilidades na resolução de problemas’’ e ‘‘interação com os demais profissionais’’ na profissão Contábil. Porém, no contexto geral, considerando a conjuntura econômica e as transformações ocorridas na Contabilidade no período, os valores podem ser vistos como acanhados. Outro fator a ressaltar nos resultados é que talvez ainda não tenha sido percebida a presença feminina profissional de Contabilidade no mercado de trabalho. A procura pelos cursos de Contabilidade pelas mulheres tem crescido a cada ano. Como exemplo, no vestibular do semestre 2012.2 da AEVSF – Autarquia Educacional do Vale do São Francisco, dos candidatos aprovados para curso de Ciências Contábeis do turno da tarde, 65% são do sexo feminino e para o turno noturno as mulheres correspondem a mais de 58% dos aprovados para o preenchimento das sessenta vagas do curso. 40 Segundo Azevedo (2010), nota-se crescente a entrada de mulheres nas escolas e mercado de trabalho, na área contábil. 4.3. CONTABILIDADE SIMILAR A DIREITO, MAS DIFERE DE ENGENHARIAS E MEDICINA. Contabilidade foi considerada similar ao Direito, mas expressivamente distinta de Medicina e Engenharias em três dos doze atributos restantes. Os profissionais de Contabilidade e Direito são vistos como os que ostentam os menores níveis de ética, jornadas de trabalho e responsabilidade pessoal por negligência quando comparados com os Engenheiros e Médicos. Nesses três atributos, Contabilidade supera Direito em ‘‘nível de ética’’ e se apresenta com média menor nos demais atributos. Nos últimos anos descobertas de fraudes nas Demonstrações Financeiras em informações prestadas aos usuários da contabilidade de grandes Companhias pelo mundo trouxeram desconfiança para os profissionais e alertou a sociedade para a uma face negativa da Contabilidade (SOUZA e FIGUEIREDO, 2008). A Resolução 803/96 do Conselho Federal de Contabilidade aprovou o anexo Código de Ética do Profissional Contador. Com redação alterada pela Resolução CFC nº 1.307/2010, estabelece em seu Art.2º: São deveres do Profissional de Contabilidade: I – exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade e capacidade técnica, observada toda a legislação vigente, em especial aos Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade, e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência profissionais; Souza e Figueiredo (2008), destacam em seus estudos a promulgação da Lei Sarbanes-Oxley em 2002 nos Estado Unidos da América (EUA). Criada como forma de equilibrar os mercados de capitais por meio de normas que responsabilizem a alta administração das empresas na garantia por informações prestadas, através de uma legislação estruturada e efetiva. As normas regulamentadas pela Lei afetam os demais países com as empresas de capital com ações negociadas naquele país. 41 Nos estudos de Hardin, O’bryan e Quirin (2000), foram realizadas observações quanto aos valores menores conferidos aos atributos ‘‘longas jornadas de trabalho’’ e ‘‘responsabilidade pessoal por negligência’’. Grandes mudanças ocorreram nas práticas contábeis com o processo de harmonização. Com isso, a demanda por profissionais com conhecimento, habilidades e competências requeridas no mercado de trabalho cresceram, além de requerer que as instituições de ensino atentem para essas exigências. (FARIA e QUEIROZ, 2008). Quanto ao fato da responsabilidade pessoal por negligência, segundo estudos de Souza e Figueiredo (2008), a Lei Sarbanes-Oxley é considerada por muitos investidores como solução para a alta vulnerabilidade das informações contábeis e efetivamente rígida quanto à responsabilização da alta administração das empresas pelas informações fornecidas. 4.4. CONTABILIDADE SIMILAR À MEDICINA, MAS DIFERE DE ENGENHARIAS E DIREITO. Em apenas um atributo a Contabilidade foi avaliada semelhante à Medicina e diferente em relação às Engenharias e Direito. No atributo ‘‘qualidade de vida’’ a valoração de Contabilidade é levemente superior à apresentada por Medicina, entretanto, a diferença entre os valores não foi estatisticamente significantes ao nível de 0,05. Segundo Sato (1999), a ideia de Qualidade de Vida no Trabalho misturam interesses diversos e contraditórios, presentes em qualquer ambiente de trabalho, não se restringem apenas aos interesses do Capital e do Trabalho, mas também ao mundo subjetivo dos desejos, vivências, sentimentos, valores, crenças, ideologias, interesses econômicos e políticos. 42 4.5. CONTABILIDADE SIMILAR À ENGENHARIAS, MEDICINA E DIREITO. No levantamento dos dados foram ainda confirmadas similaridades dos valores conferidos a Contabilidade em relação às demais profissões nos atributos ‘‘interação com os demais profissionais’’ e ‘‘excelente potencial de avanço para mulheres e minorias’’. Embora as demais profissões tenham apresentado valores maiores que a Contabilidade, esses valores não se mostraram estatisticamente significativos. No estudo anterior o atributo ‘‘interação com os demais profissionais’’ não aparece com similaridade às demais profissões. Considerando a valorização para o atributo na presente pesquisa, este deverá ser visto como animador, uma vez que o objeto de estudo da Contabilidade é o patrimônio e este está presente em qualquer entidade, inclusive as pessoas físicas, justificando sua interação com os profissionais de qualquer área. A Contabilidade no presente estudo não foi percebida melhor do que todas as demais profissões em nenhum dos atributos, corroborando os achados de Hardin, O’bryan e Quirin (2000). Em apenas seis deles, não foi inferior a todas as outras, a citar: ‘‘nível de ética’’ (superior apenas a Direito, mas não significativo a 0,05), ‘‘qualidade de vida’’ (superando Medicina, mas também não significativo a 0,05), ‘‘excelente habilidades quantitativas’’ (valores próximos a Engenharias e maiores do que Direito e Medicina de forma significativa), ‘‘profissão dominada por homens’’ (menor que Engenharias e maior que Direito e Medicina), ‘‘vida familiar de qualidade’’ (menor que Engenharias e maior sem relevância estatística que Medicina e Direito) e, por fim, ‘‘excelentes habilidades à resolução de problemas’’ (menor do que Engenharias e maior que Medicina e Direito). Segundo Santoro et al. (2009), os cursos de Medicina, Engenharias e Direito são pioneiros no país e tradicionais, mesmo após séculos, ainda são os mais procurados. Os grandes avanços da Contabilidade em termos de profissão são recentes, assim como as grandes mudanças ocorridas com os adventos da globalização dos mercados e harmonização de normas e convergências de práticas contábeis. Considerando que a Contabilidade por ser uma ciência social aplicada e fortemente influenciada pelo ambiente que atua (NYIAMA, 2007). Ao longo da 43 história não ficou parada no tempo, acompanha os avanços tecnológicos e as mudanças de posturas nas sociedades (MARTINS, 2001). Ainda não é possível perceber no presente estudo com os educadores avanços na percepção da Contabilidade enquanto profissão considerando as recentes transformações das práticas contábeis. É importante ressaltar que as mudanças ocorridas são recentes, sendo necessária maior assimilação pelos seus usuários. Azevedo (2010) notou durante o processo de entrevistas em sua pesquisa de campo que grande parte da população vincula a Contabilidade como ciências exatas, o que não confirma as competências da carreira voltadas para o aspecto humano e social. 44 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme a análise dos resultados obtidos na pesquisa de campo do presente estudo, foram observados que a Contabilidade foi considerada significativamente diferente e menor valorada em relação à Medicina, Engenharias e Direito nos 12 atributos seguintes: status social, contribuição para a sociedade, trabalho interessante, trabalho desafiador, satisfação no trabalho, posição de poder, posição glamourosa, estabilidade no emprego, barreira de entrada na profissão, excelente oportunidade de emprego, excelente carreira para estudante com excelência acadêmica e excelente potencial de avanço como profissão. Nos estudos de Hardin, O`Bryan e Quirim (2000), foram 13 atributos considerados significativamente menos valorados para Contabilidade. Na percepção dos educadores, a Contabilidade foi considerada similar ao Direito nos atributos nível de ética, longas jornadas de trabalho e responsabilidade pessoal por negligências, onde as duas profissões foram menos valoradas quando comparadas a Medicina e as Engenharias. A Contabilidade foi percebida igualmente com a Medicina no atributo qualidade de vida, mas com valoração inferior e significativamente diferente das Engenharias e do Direito. Quanto aos atributos excelentes capacidade de comunicação e excelentes habilidades quantitativas, o profissional da Contabilidade aproximou-se dos valores atribuídos aos Engenheiros e Médicos, ficando diferente dos Advogados, porém, estes sendo reconhecidos com maiores valores para a capacidade de comunicação. Os resultados ainda demonstraram que a Contabilidade aproxima-se dos Advogados e Engenheiros para o potencial de ganhos e excelentes habilidades à resolução de problemas, porém os médicos foram melhores reconhecidos quantos aos ganhos e inferiores para resolução de problemas. Apenas em dois atributos a Contabilidade aproxima-se das três outras profissões que foram interação com os demais profissionais e excelente potencial de avanço para minorias e mulheres. Os resultados do presente estudo confirmam aos achados nos estudos de Hardin, O`Bryan e Quirim (2000), onde a Contabilidade é reconhecidamente menos 45 valorada quando comparada com Medicina, Engenharias e Direito. Não foram percebidas nenhuma valoração relevante nos últimos anos que possam estar relacionadas às inúmeras transformações ocorridas na Contabilidade com a harmonização e convergências das práticas contábeis no mundo. Nas análises a partir das revisões da literatura, os estudos apontam que no Brasil a família está no centro da escolha profissional dos estudantes. Embora os estudos de Hardim, O`Bryan e Quirim (2000) realizados nos Estados Unidos da América (EUA) tenham observado a influência dos professores de ensino médio na escolha profissional dos estudantes do ensino médio, sugere-se que o sistema de ingresso nas universidades norte-americanas bem diferentes do sistema nacional contribui para uma participação mais ativa dos professores e orientadores no processo de escolha profissional dos estudantes. Quanto à existência de estereótipos negativos aos profissionais e estudantes de Contabilidade quando comparados aos de outras profissões, alguns estudos foram encontrados na literatura com essa hipóteses como os de Azevedo et al. (2008), Hardin et al. (2000), Hunt et al. (2004), Paolillo et al. (1983), Schlee et al. (2007). Porém, os resultados dos estudos de Azevedo (2010), contradiz os estudos anteriores, onde notou-se que a percepção negativa sobre os profissionais de Contabilidade não é significativa para as características avaliadas na sua pesquisa. O presente estudo limitou-se a pesquisar a percepção dos educadores acerca das profissões em seis cidades do Vale do São Francisco, e talvez não seja o representativo de outras regiões, por isso, as generalizações quanto aos seus resultados não devem ser estimuladas. Considerando que o processo de convergência às normas internacionais encontra-se em processo de assimilação pelas empresas e profissionais de Contabilidade, sugerem-se pesquisas futuras acerca da percepção dos estudantes do ensino médio e cursos preparatórios para ingresso no ensino superior, empresas, profissionais de outras áreas e também as famílias. Outra sugestão é quanto a um estudo longitudinal acompanhando a percepção dos professores com o passar dos anos. 46 REFERÊNCIAS ALBRECHT, W. 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O Brasil e a harmonização contábil internacional: influências dos sistema jurídicos e educacional, da cultura e do mercado. São Paulo: Atlas, 2005. 53 ANEXOS ANEXO 1 – QUESTIONÁRIO DESCRITIVO Informações Descritivas Nível educacional mais elevado (marque um X): Graduado____ Especialista____ Mestre____ Doutor____ Outro____ Qual a área que ostentas maior nível educacional? _________________________ Anos como professor do Ensino Médio?______________________ Disciplinas ministradas nos últimos três anos?_________________________ Anos de experiência profissional fora da docência?_____________________ Em que campo foi a sua experiência profissional fora da docência? __________________________________________________________ Qual a ocupação de seu conjugue?____________________ Qual o seu Sexo (assinale um X): Masculino____ Feminino____ Sua idade: ____Anos Seu estado civil (marque um X) Casado ( ) Solteiro ( ) Divorciado ( ) Sua etnia (marque um X): Branco ( Indígena ( ) Negro ( ) ) Amarelo ( ) Mulato ( ) Outros ( ) Informações da Escola: Número de alunos das turmas de 1º, 2º e 3º ano? ___________ Tipo de escola? Pública ( ) Privada ( ) Estado em que sua escola está localizada_____________________ 54 ANEXO 2 – QUESTIONÁRIO ACERCA DAS OPINIÕES DE EDUCADORES Na tabela abaixo são listados os atributos das profissões ou membros dessas profissões. Em uma escala de 0 (baixo nível de concordância ou ranking) a 100 (alto nível de concordância ou ranking), classifique, de acordo com sua opinião pessoal, as profissões apresentadas associando os atributos com cada profissão. Por exemplo, uma profissão que você entenda possuir altas habilidades artísticas poderia receber uma pontuação de 100, ao mesmo tempo em que uma profissão que julgas possuir baixo nível dessa habilidade poderia receber uma pontuação de 0. Atributos Habilidades Artísticas (Exemplo) Status social Nível de ética Contribuição para a sociedade Um trabalho interessante Trabalho desafiador Interação com os demais profissionais Satisfação no trabalho Qualidade de vida Vida familiar de qualidade Longas jornadas de trabalho Posição de poder Posição glamourosa Estabilidade no emprego Responsabilidade pessoal por negligência Excelentes capacidades de comunicação Excelentes habilidades à resolução de problemas Excelentes habilidades quantitativas Potencial de ganhos Difíceis condições de acesso (barreiras de entrada na profissão) Excelentes oportunidades de emprego Profissão dominada por homens Excelente carreira para estudantes com excelência acadêmica Excelente potencial de avanço como profissão Excelente potencial de avanço para minorias e mulheres Contabilidade (0 a 100) Medicina (0 a 100) Engenharia s (0 a 100) Direito (0 a 100) 60 70 100 10 55 ANEXO 3 – TABELA COM A RELAÇÃO CANDIDATOS POR VAGA NOS VESTIBULARES DA UFPE PARA OS CURSOS APRESENTADOS NO ESTUDO. VESTIBULAR – UFPE Relação candidato/vaga (1ª fase) Cursos 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 9,0 9,7 8,9 8,82 9,33 8,0 5,5 5,4 6,0 Medicina 21,5 27,5 23,9 26,44 21,73 24,1 18, 18,8 17,8 Engenharia Civil 6,1 5,4 5,6 5,58 5,31 4,1 5,0 4,7 4,8 Engenharia 5,5 6,6 6,8 6,33 6,56 6,3 6,4 4,7 4,8 - 12,9 11,1 10,58 4,2 10,2 10,4 12,1 7,9 7,2 5,1 6,6 6,53 5,70 6,4 6,2 4,7 4,8 7,5 5,2 4,5 5,95 4,41 4,1 3,9 4,7 4,8 21,4 23,3 21,3 23,35 20,97 21,9 19,1 20,8 19,5 Ciências Contábeis Mecânica Engenharia de Computação Engenharia de Produção Engenharia Elétrica Direito Fonte: Sítio da UFPE, adaptado pelo autor.