(…) comparativamente com as adultas, as jovens mães têm menos
relações
amorosas
especiais,
menos
relacionamentos
e
menor
disponibilidade emocional; as mães solteiras acreditam menos que os
outros se possam apaixonar por elas; sentem-se menos importantes no
bem-estar do companheiro e tendem a ter relações menos satisfatórias.
(…) as mães adolescentes têm, na sua maioria, um corte relacional, ou
afastamento com a família de origem e são também as solteiras quem
sente mais dificuldade em exprimir sentimentos de afecto para com a
família; as mães adolescentes solteiras têm menos contacto com a
família, chegando a evitá-la ou a sentir-se embarracadas pelos seus
comportamentos.
Este Estudo Comparativo da Solidão em Mães Adolescentes e Adultas surgiu
por varias razoes mas com um objectivo particular – comparando com as
relações de mulheres que são mães na idade adulta – perceber como se dão
as relações das mães adolescentes e, ate que ponto, estas sentem mais
solidão do que as mães adultas. São, sobretudo, as relações das mães
adolescentes, o principal objecto de estudo deste trabalho. O estabelecimento
de relações interpessoais significativas é difícil quando se junta ao fenómeno
social: gravidez na adolescência; mais ainda se esta estiver associada a outras
condições que interfiram no estabelecimento dessas relações.
Para o estudo foi utilizada a Escala de Diferenciação da Solidão (DLS),
construída por Nancy Schmit e Vello Sermat em 1983. Esta escala avalia a
solidão segundo quatro factores: Relações Romântico-Sexuais, Relações de
Amizade, Relações com a Família e Relações com Grandes Grupos.
A amostra utilizada e composta por 42 mulheres do sexo feminino com idades
compreendidas entre os 14 e os 42 anos, tendo sido dividida em dois grupos: o
grupo de mães adolescentes e o grupo de mães adultas.
Após aplicação da Escala, e recorrendo a ferramentas de tratamento estatístico
de dados, procedeu-se a análise descritiva dos itens da Escala da Solidão, ao
estabelecimento das subescalas, a análise das correlações, regressão múltipla
através do método stepwise e, por fim, análise da variância (ANOVA).
Ao longo do estudo é possível verificar que, comparativamente com as mães
adultas, as mães adolescentes se sentem integradas nas suas relações de
amizade, no entanto tal não se verifica nas relações com a família, com um
companheiro ou com grandes grupos. No geral, as mães adolescentes sentemse mais sós do que as mães adultas.
Apos ter sido realizado o estudo da solidam em mães adolescentes
institucionalizadas, comparativamente com mulheres que foram mães em idade
adulta podemos observar algumas conclusões. Importa, antes de mais, realçar
que os sujeitos identificados como solteiras, com menor escolaridade, sem
emprego são, na sua maioria estas mães adolescentes institucionalizadas, alvo
de investigação. Pelo contrario, as adultas serão os sujeitos com emprego, com
nível mais elevado de escolaridade.
Este estudo avaliou as relações interpessoais das jovens em quatro vertentes:
Relações Romântico-Sexuais, Relações de Amizade, Relações com a Família
e, por último, Relações com Grandes Grupos.
No que concerne as Relações Romântico–Sexuais as conclusões foram as
seguintes: comparativamente com as adultas, as jovens tem menos relações
amorosas
especiais,
menos
relacionamentos
e
menor
disponibilidade
emocional; as solteiras acreditam menos que os outros se possam apaixonar
por elas; sentem-se menos importantes no bem-estar do companheiro e
tendem a ter relações menos satisfatórias.
Para concluir, e tendo em conta as conclusões apresentadas, pode perceberse que as mães adolescentes (na sua maioria solteiras) sentem mais solidão
do que as adultas (na sua maioria casadas).
Apos a verificação dos resultados, no que respeita ao Factor 2, as Relações de
Amizade, as conclusões são as seguintes: a maioria das pessoas inquiridas
sente que os amigos permanecerão do seu lado em situações difíceis, estes
amigos compreendem as motivações e razoes das pessoas inquiridas; para a
maioria das mães inquiridas, as amizades não se têm revelado uma desilusão,
e afirmam que se sentem a vontade para exprimir sentimentos, quer negativos,
quer positivos; grande parte das mães diz ter muitos amigos na cidade onde
vive e afirma que podem recorrer aos amigos para pedir ajuda; a maioria das
mulheres tem amigos com os quais pode falar abertamente, com quem pode
contar para satisfazer as necessidades de estabelecer compromissos mútuos.
Desses amigos, pelo menos, um é verdadeiro.
Concluindo o Factor 2, Relações de Amizade, verifica-se que, as mães
adolescentes não se sentem sós nas relações com os amigos.
Em relação ao Factor 3 – Relações com a Família, as conclusões observadas
são as seguintes: as mulheres solteiras (mães adolescentes), têm, na sua
maioria, um corte relacional, ou afastamento com a família de origem e são
também as solteiras quem sente mais dificuldade em exprimir sentimentos de
afecto para com a família; as solteiras (mães adolescentes) têm menos
contacto com a família, chegando a evitá-la ou a sentir-se embarracadas pelos
seus comportamentos.
Para concluir, pode perceber-se o seguinte: as mães adolescentes (sujeitos
mais novos), mais uma vez, apresentam maior solidão do que as mães em
idade adulta (sujeitos mais velhos).
Quanto ao Factor 4 – Relações com Grandes Grupos, os dados obtidos
orientam para as seguintes conclusões: a maior parte das mães que
respondeu, diz que as pessoas que as rodeiam, na sua maioria, não lhes são
estranhas; estas pessoas interessam-se pelo que elas pensam ou sentem;
mostram os seus sentimentos de afecto, no entanto é possível verificar que são
as mães mais jovens que sentem que a sociedade se interessa menos por
elas; quem não tem emprego (mães adolescentes) tira menos partido dos
grupos que frequenta do que quem tem emprego (mães adultas).
In Dória, M (2011). Estudo Comparativo da Solidão em Mães Adolescentes e Adultas.
Dissertação de Mestrado em Trabalho Social e Intervenção Socioeducativa, ISCET: Porto.
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(…) comparativamente com as adultas, as jovens mães têm