Ano I - Nº 20
12 a 18 de Janeiro de 2013
“O melhor que podemos deixar de herança às futuras gerações é um amor
novo a Jesus e uma fé mais centrada na Sua pessoa e no Seu projeto.”
Chegamos ao nosso 20º Informativo Semanal IPDM.
Agradecemos a todos que nos acompanharam até aqui,
sobremaneira àqueles que nos enviam suas opiniões,
comentários e sugestões. Muito obrigado a todos.
Neste número, José Antonio Pagola comentando o
Evangelho de Domingo, chama nossa atenção para um
dos grandes problemas da Igreja hoje “a mediocridade
espiritual”, alertando-nos para a falta de vigor espiritual
de que ela necessita para enfrentar os desafios do
mundo atual. Pagola nos fala ainda sobre a crescente
“desconfiança na força do Espírito e o medo de tudo que
possa nos levar a uma renovação”.
Ildo Bohn Gass nos fala sobre a apresentação de
Jesus feita pela comunidade de Lucas como o
verdadeiro Rei e Messias que veio governar com justiça e
no serviço ao povo. Gass também nos leva a refletir o
compromisso assumido publicamente por Jesus com as
novas relações do Reino de Deus presente em seu agir.
Para nós, ser batizado em Seu nome, segundo Paulo, é
revestir-se de Cristo, ou seja, “é agir como o próprio
Cristo agia superando
discriminação”.
todas
as
formas
de
Na página 03 trazemos os primeiros resultados do
nosso Forum IPDM de Janeiro, cujo tema é o
“Ministério Episcopal de Dom Angélico Sândalo
Bernardino”. Veja as primeiras expressões e participe
você também enviando-nos suas opiniões sobre o tema.
Você pode se expressar livremente.
Leonardo Boff nos apresenta um artigo sobre as
“Cinco atitudes” que podem ser adotadas face à crise
atual que atravessamos. Vale a pena Refletri para
Construir”.
Nossa Agenda e os Eventos Apoiados pelo IPDM
estão atualizados. Anote em sua agenda para não perder
nenhum deles.
Escreva-nos, sua participação é primordial para
seguirmos firmes em nossa caminhada e melhorarmos
em nosso trabalho.
Equipe de Redação
1ª Leitura: Isaías 42, 1-4. 6-7 - Salmo Responsorial: Salmo 28(29)
2ª Leitura: Atos dos Apóstolos 10, 34-38 - Evangelho: Lucas 3,15-16.21-22
L I T U R G I A
I
T
U
R
G
I
A
José Antonio Pagola
Trad. Antonio M. A. Perez
O Baptista não permite que as pessoas o confundam com o
Messias. Conhece os seus limites e reconhece-os. Há alguém
mais forte e decisivo que ele. O único que o povo deve acolher.
A razão é clara. O Baptista oferece-lhes um batismo de água.
Apenas Jesus, o Messias, os “batizará com o Espírito Santo e
com fogo”.
Na opinião de não poucos
observadores,
o
maior
problema da Igreja é hoje “a
mediocridade espiritual”. A
Igreja não possui o vigor
espiritual que necessita para
enfrentar os desafios do
momento atual. Cada vez é
mais patente. Necessitamos
de ser batizados por Jesus
com o Seu fogo e o Seu
Espírito.
Nestes últimos anos tem
crescido a desconfiança na
força do Espírito, e o medo a
tudo o que possa levar-nos a
uma renovação. Insiste-se
muito na continuidade para
conservar o passado, mas não nos preocupamos em executar
as chamadas do Espírito para preparar o futuro. Pouco a pouco
estamos a ficar cegos para ler os “sinais dos tempos”.
Dá-se primazia a certezas e crenças para robustecer a fé e
conseguir uma maior coesão eclesial frente à sociedade
moderna, mas com frequência não se cultiva a adesão viva a
Jesus. Teremos esquecido que Ele é mais forte que todos
nós?A doutrina religiosa, exposta quase sempre com
categorias pré-modernas, não toca os corações nem converte
as nossas vidas.
Abandonado ao alento renovador do Concilio, foi-se
apagando a alegria em setores importantes do povo cristão,
para dar passagem à resignação. De forma silenciosa, mas
palpável vai crescendo o desafeto e a separação entre a
instituição eclesial e não poucos crentes.
É urgente criar quanto antes um clima mais amável e
cordial. Qualquer um não poderá despertar no povo simples
a ilusão perdida. Necessitamos voltar às raízes da nossa fé.
Colocar-nos em contato com o Evangelho. Alimentar-nos
das palavras de Jesus que
são “Espírito e Vida”.
Daqui a uns anos, as
nossas comunidades cristãs
serão muito pequenas. Em
muitas paróquias não haverá
já presbíteros de forma
permanente. Que importante
é cuidar desde já de um
núcleo de crentes em torno
do Evangelho. Eles manterão
vivo o Espírito de Jesus entre
nós. Tudo será mais humilde,
mas
também
mais
evangélico.
A nós pede-se que
iniciemos já a reação. O
melhor que podemos deixar
de herança às futuras gerações é um amor novo a Jesus e
uma fé mais centrada na Sua pessoa e no Seu projeto. O resto
é mais secundário. Se vivem a partir do Espírito de Jesus,
encontrarão caminhos novos.
Em: http://eclesalia.wordpress.com/2013/01/09
Ildo Bohn Gass
A liturgia deste final de semana propõe abrir-nos a Deus,
da mesma forma como Jesus o fez ao acolher o dom do
Espírito enquanto estava em oração logo após o seu batismo.
Em Lucas, a narrativa a respeito do batismo de Jesus vem
depois do Evangelho da Infância. Entre as narrativas da
infância (Lucas 1-2) e o início da missão de Jesus (Lucas 4,14
em diante), os autores deste Evangelho inserem o relato da
preparação do caminho do Senhor feita por João Batista
(Lucas 3,1-20) e o relato da preparação de Jesus para sua
missão (Lucas 3,21-4,13). Como dobradiça que liga as duas
partes, está a narrativa a respeito do batismo de Jesus (Lucas
3,21-22). Temos, assim, um paralelo entre dois batismos: o de
João com água e o de Jesus com o Espírito e com o fogo.
João aponta para o Messias
A comunidade de Lucas faz questão de situar
historicamente o início da atividade de João (Lucas 3,1-2). Do
ponto de vista político, foi no tempo de Tibério, imperador
romano de 14 a 37 d.C., e de Herodes Antipas, governador da
Galileia desde 4 a.C. até 39 d.C. Do ponto de vista religioso, foi
na administração do sumo sacerdote Caifás (sumo pontífice
no templo de 18 a 36 d.C.), genro de Anás (6-15 d.C.),
nomeado sumo sacerdote por Herodes Antipas em nome do
imperador.
a viúva para gerar um herdeiro para o falecido. Assim, além
de dar continuidade à vida do falecido, resgatava sua terra, de
modo que ela permanecesse no clã. Quando o parente mais
próximo se negava a assumir a tarefa do resgate para seu
irmão falecido, outro parente devia cumprir a lei. Era então
que o parente mais próximo dava uma de suas sandálias ao
novo resgatador, o novo "noivo". Era o sinal que este passava
a ter o direito de resgate, de gerar descendência para o
falecido. Ao não desatar a correia das sandálias de Jesus, João
reconhece nele o resgatador, o messias libertador de todas as
formas de opressão. João é o último representante da Antiga
Aliança. Jesus, porém, é o noivo da Nova Aliança.
O Messias assume a sua missão
Jesus é batizado com água junto ao povo, em meio ao povo.
Em seu batismo, Jesus é investido para a sua missão, guiado
pelo Espírito de Deus. É somente Lucas quem faz referência à
atitude orante de Jesus no seu batismo. E é esta atitude de
intimidade de Jesus com o Pai que faz com que o Espírito o
transforme e o envie para evangelizar os pobres (Lucas 4,1819). Também para nós Jesus pediu que tivéssemos essa
atitude orante durante a vida toda, abrindo-nos ao Espírito de
Deus. Ele é fruto da oração, da acolhida, é dom (Lucas 11,13).
João batiza Jesus com água. No entanto, Jesus batiza com o
Espírito e com o fogo. Por isso, o seu batismo é superior ao de
João. É no Espírito Santo, representado pelo fogo de
Pentecostes (Lucas 3,15-16; Atos 2,1-13). Neste Evangelho,
ainda antes do batismo de Jesus, há uma ênfase muito grande
na apresentação de pessoas abertas à ação do Espírito Santo.
Lembramos João Batista, Maria, Zacarias e Simeão (Lucas
1,15.41.67; 2,26-27). E o fogo recorda a presença de Deus no
êxodo, na libertação do povo oprimido pelo sistema faraônico
(Êxodo 3,2-3; 13,21; 19,18). É o mesmo fogo de Pentecostes, o
dinamismo do Espírito, que entusiasma os discípulos e as
discípulas de Jesus para o anúncio e a vivência da boa-nova
até os confins da terra (Atos 1,8; 2,1-13).
Uma vez preso João, Jesus dá um novo rumo à sua missão.
Diferentemente do Precursor, que anuncia a vinda do Reino
de Deus para breve e como um juízo severo, Jesus vive o
Reino já presente no seu jeito de se relacionar especialmente
com as pessoas mais discriminadas, revelando a misericórdia
do Pai (Lucas 7,22; 11,20; 17,20-21).
Por um lado, João denuncia profeticamente o reino da
opressão representado por Tibério e por Herodes, em aliança
com o templo de Jerusalém. Diante de tanto sofrimento, o
povo esperava ansiosamente a vinda de um libertador. João
Batista faz fortes críticas aos poderosos, anunciando um juízo
severo para eles (Lucas 3,17). Por isso, o povo começou a ver
em João a esperança da vinda do messias, o rei ungido por
Deus que viria para libertar o seu povo.
Por outro lado, João anuncia a vinda do Reino de Deus para
breve (Lucas 3,9.17), chamando à conversão, à mudança de
mentalidade e de vida, convocando à partilha e à vivência de
relações fraternas (Lucas 3,11-14). Em consequência dessa
prática profética, ele foi preso e encarcerado pelos poderosos
de seu tempo (Lucas 3,19-20). Assim, João cumpriu sua
missão como profeta que faz a ponte entre a Aliança de Deus
com Israel e a Aliança em Jesus com toda humanidade.
Para Lucas, a tarefa de João é fazer com que as pessoas se
convertam e se abram ao Reino de Deus presente no novo
agir de Jesus. Lucas o apresenta mostrando para Jesus. João
não é o Messias, o Cristo, o Ungido. Seu batismo era somente
com água, sinal de purificação e de conversão para acolher
Jesus de Nazaré, mais forte do que João. Sua atitude é de estar
a serviço, menor ainda que os servos, de quem também era
tarefa desatar as sandálias de seus senhores.
As sandálias também lembram a lei do levirato
(Deuteronômio 25,5-10). Segundo esta lei, quando um marido
morria sem deixar filhos, um parente próximo devia assumir
Lucas apresenta o batismo de Jesus depois da prisão de
João como o ato em que o Espírito de Deus vem confirmar o
Nazareno enquanto Messias, ungindo-o para a missão do
serviço, da mesma forma como fora ungido o servo de Deus
em Isaías 42,1 e 61,1. Nesse momento, Jesus estava em
oração, isto é, em íntima comunhão com a fonte da vida, com
o projeto do Reino. Tão íntima é essa comunhão que, em
Jesus, Deus e a humanidade se encontram. Esse é o significado
da abertura do céu (Lucas 3,21), realizando a esperança do
povo (Isaías 63,19b). Em Jesus, céu e terra estão tão próximos
que é possível perceber a presença materializada ("em forma
corpórea") do Espírito de Deus nas atitudes de Jesus. Se em
Gênesis 8,8-11 a pomba foi a mensageira da vida recriada
depois de submersa pelas águas do dilúvio, agora a presença
da pomba anuncia que o Espírito de Deus impulsiona Jesus a
realizar a nova criação, mulheres e homens recriados a partir
das águas do batismo. No batismo, morremos com Cristo e
ressuscitamos com ele para uma vida nova (Romanos 6,1-14).
Viver como pessoa renovada e ressuscitada é, portanto,
missão de todos nós.
Ao lembrar a entronização do rei que vem libertar o povo
(Salmo 2,7: "Tu és o meu filho"), a comunidade de Lucas
apresenta Jesus como o verdadeiro Rei e Messias, que veio
governar com justiça e no serviço ao povo. Por isso, lembra
também a missão do servo em Isaías 42,1 ("em ti está o meu
agrado"). No batismo de Jesus, temos uma epifania, ou seja,
uma manifestação do filho de Deus ao mundo, gerado como o
messias que vem libertar o povo.
No batismo, Jesus assume publicamente o seu
compromisso com as novas relações do Reino de Deus já
presente em seu agir. Batizar-se em seu nome, na linguagem
paulina, é revestir-se de Cristo, ou seja, é agir como o próprio
Cristo agia, superando todas as formas de discriminação
(Gálatas 3,27-28).
Em: www.cebi.org.br – 08/01/2013
L I T U R G I A
No batismo, morremos com
Cristo e ressuscitamos com
ele para uma vida nova
(Romanos 6,1-14).
Viver como pessoa renovada
e ressuscitada é, portanto,
missão de todos nós.
Em nosso último informativo, demos início ao nosso primeiro “Forum IPDM”, um
espaço onde nossos amigos poderão se expressar sobre temas diversos. Para este mês, o
tema proposto foi:
“O Ministério Episcopal de Dom Angélico Sândalo Bernardino”
Ao longo desta semana recebemos as primeiras manifestações às quais apresentamos
a seguir.
Dom Angélico
Participe você também. Ao termino do mês, enviaremos para Dom Angélico, que no
próximo dia 19 completará 80 anos de vida, todos os escritos recebidos.
Maria Inês, em 04/01/2013
Olá a todos do IPDM!
Primeiro quero dizer que esta ideia do fórum foi genial, dando voz e vez a todos que queiram se expressar.
Segundo concordo plenamente com o resgate desse memorial de Cristo por meio de pessoas tão importantes para sua Igreja,
santos e santas verdadeiramente a serviço do Evangelho.
Sobre o fórum, para mim, o que foi mais marcante no ministério episcopal de Dom Angélico, entre outros aspectos, foi a
oportunidade dada às mulheres de participarem ativamente da vida da Igreja, não sendo meras coadjuvantes e sempre
respeitando o evangelho.
Saudações fraternas,
Maria Inês
Xavier Uytdenbroek, em 04/01/2013
1. O que foi mais marcante no Ministério Episcopal de Dom Angélico?
Sua fé incondicional no laicato.
2. O que nós aprendemos com D. Angélico para a Igreja hoje?
A disponibilidade irrestrita a todo ser humano ou a abertura à fraternidade universal.
3. Para você e sua família, o que significou o Ministério Episcopal de Dom Angélico?
Acolhimento, respeito e confiança inteira nos caminhos às vezes tortuosos traçados por nós e por Deus.
Abraço fraterno
Xavier
Helder Romero Almeida, em 06/01/2013
Seis lições que aprendi com Dom Angélico Sândalo Bernardino, ao longo de 15 anos na Zona Leste de São Paulo.
1. Aprendi do testemunho do Bispo da Justiça, dos Trabalhadores, dos Pobres e do Reino de Jesus que o mais importante é
o testemunho. Dom Angélico foi para mim, para minha família e minha igreja na Zona Leste um entusiasmo (em TEOS:
estar com Deus) permanente. Dom Angélico seguia muito de São Francisco de Assis: “Quando vocês forem evangelizar,
usem as palavras, apenas se necessário”. Dom Angélico sempre foi na Zona Leste um Evangelho vivo.
Obrigado, Dom Angélico, pelo seu testemunho bíblico transformador entre nós.
2. Aprendi de Dom Angélico o sentido profundo do “Ser Bispo na Igreja”. Hoje a palavra Bispo está banalizada e desgastada
pelos aparatos do poder maquinado para uma igreja do mercado. Falar do Bispo Dom Angélico é falar de um Bispo
Profeta, um Bispo da Justiça e dos Pobres, um Bispo que assumiu e assume até hoje o anúncio vivo do Evangelho. O que
dizer das nomeações e auto-nomeações dos Bispos da igreja-mercado de hoje? O sentido Bíblico de Bispo é viver o que
anuncia e anunciar aquilo que vive.
Obrigado, Dom Angélico, pelo seu testemunho como Bispo Apóstolo de Jesus, que sempre se colocou a serviço do Reino
da Justiça, em primeiro lugar. (Mt 6,33; Mc 10,45).
3. Aprendi de Dom Angélico que somos todos irmãos, pois Deus é nosso Pai. Deus não é meu pai, mas nosso pai. Somos
todos irmãos. O pão é nosso e não mercadoria de exploração e lucros. Aprendi com Dom Angélico que Deus – Trindade –
Comunidade – quer a vida em plenitude para todos e todas (João 10ª,10). Dom Angélico anunciou o Deus Amor do
Evangelho (João 13,35, Cartas de João). O que dizer – hoje – das hierarquias que aprisionam “deus” em esquemas eclesiais
desumanos e com falsos moralismos.
Obrigado, Dom Angélico, por anunciar Deus humano que diviniza a todos(as) e o Deus divino que humaniza a todos(as).
4. Aprendi de Dom Angélico que na Igreja todos e todas têm a mesma dignidade. Somos todos filhos de Deus. Deus é papai.
Deus é amor. Na Igreja de Jesus que Dom Angélico anunciou todos e todas eram bem acolhidos. Uma igreja
sem discriminações contra as mulheres. Uma Igreja sem exclusões. Uma Igreja em que todos se sentiam em casa. O que
dizer, hoje, de hierarcas que se julgam acima do evangelho e usam das piores posições farisaicas contra as Mulheres,
contra os que se colocam a disposição para servir na Igreja como sujeitos e protagonistas de uma nova história? Hoje, os
grupos que mais abandonam a nossa igreja são os das mulheres e dos jovens. Quanto mais igreja da discriminação,
menos mulheres e jovens na Igreja dos purpurados impiedosos.
Obrigado, Dom Angélico, por anunciar evangelicamente que todas as mulheres são sujeitos morais, eclesiais e teológicos
e, enquanto tais, com o protagonismo que tiveram no movimento de Jesus e no cristianismo primitivo.
5. Aprendi de Dom Angélico o diálogo inter-religioso. Aprendi que nenhuma religião pode reivindicar o monopólio da
verdade, nem da ética, nem da libertação. Por sua vez, toda religião tem uma verdade originária que, além de verdade
teórica e reto conhecimento, se torna verdade na práxis, o reto comportamento e a atitude ética. As religiões podem
proporcionar um horizonte global de sentido, inclusive diante da dor, da culpa, e do sem sentido, dar um sentido último
à vida frente à morte, garantir valores supremos e motivações profundas e impulsionar manifestações contra as
situações injustas. Nesse horizonte se situa a necessidade do diálogo inter-religioso.
Obrigado, Dom Angélico, que pelo seu testemunho do Evangelho construiu um caminhada eclesial de um profundo
diálogo inter-religioso.
6. Aprendi de Dom Angélico que a Igreja existe para servir, para Evangelizar, para defender a vida dos pobres e excluídos.
Que a Igreja existe para formar uma grande Comunidade/Família nesta maior cidade do Brasil, hoje com cerca de 11
milhões de habitantes. Aprendi com Dom Angélico que cada cristão é apóstolo de Jesus para construir uma Igreja Viva
com a efetiva participação de todos e todas. Foi por isso que Dom Angélico nunca vendeu sua alma pelo poder da Igreja. O
que dizer, hoje, da Igreja que endeusa podres poderes. Poderes mesquinhos e que exclui a viva participação do Povo de
Deus na construção de uma nova história.
Obrigado, Dom Angélico, por animar uma Igreja sempre de acordo com o Evangelho.
Dom Angélico, será uma imensa alegria participar da Celebração dos seus 80 anos e do lançamento do livro que deixará
registrado para as gerações futuras a história de uma Igreja feita com e para o Povo de Deus.
Obrigado por tudo.
Helder
Leonardo Boff
Ninguém face à crise pode ficar indiferente. Urge uma decisão e encontrar
uma saída libertadora. É aqui que se encontram várias atitudes para ver qual delas
é a mais adequada a fim de evitarmos enganos.
A primeira é a dos catastrofistas: a fuga para o fundo. Estes enfatizam o lado de
caos que toda crise encerra. Veem a crise como catástrofe, decomposição e fim da ordem
vigente. Para eles a crise é algo anormal que devemos evitar a todo custo. Só aceitam certos ajustes e mudanças dentro da
mesma estrutura. Mas o fazem com tantos senões que desfibram qualquer irrupção inovadora.
Contra estes catastrofistas já dizia o bom Papa João XXIII referindo-se à Igreja, mas que vale para qualquer campo: “A
vida concreta não é uma coleção de antiguidades. Não se trata de visitar um museu ou uma academia do passado. Vive-se para
progredir, embora tirando proveito das experiências do passado, mas para ir sempre mais longe." A crise generalizada não
precisa ser uma queda para o abismo. Vale o que escreveu um suíço que muito ama o Brasil, o filósofo e pedagogo Pierre
Furter: “Caracterizar a crise como sinal de um colapso universal, é uma maneira sutil e pérfida dos poderosos e dos
privilegiados de impedirem, a priori, as mudanças, desvalorizando-as de antemão”.
A segunda atitude é a dos conservadores: a fuga para trás. Estes se orientam pelo passado, olhando pelo retrovisor. Ao
invés de explorar as forças positivas contidas na crise atual, fogem para o passado e buscam nas velhas fórmulas soluções para
os problemas novos. Por isso são arcaizantes e ineficazes.
Grande parte das instituições políticas e dos organismos econômicos mundiais como o FMI, o Banco Mundial, a OMC, os
G-20, mas também a maioria das Igrejas e das religiões procuram dar solução aos graves problemas mundiais com as mesmas
concepções. Favorecem a inércia e freiam soluções inovadores. Deixando as coisas como estão fatalmente nos levarão ao
fracasso senão a uma crise ecológica e humanitária inimaginável. Como as fórmulas passadas esgotaram sua força de
convencimento e de inovação, acabam transformando a crise numa tragédia.
A terceira atitude é a dos utopistas: fuga para frente. Estes pensam resolver a situação de crise fugindo para o futuro.
Eles se situam dentro do mesmo horizonte que os conservadores apenas numa direção contrária. Por isso, podem facilmente
fazer acordos entre si.
Geralmente são voluntaristas e se esquecem que na história só se fazem as revoluções que se fazem. O último slogan não
é um pensamento novo. Os críticos mais audazes podem ser também os mais estéreis. Não raro, a audácia contestatória não
passa de evasão do confronto duro com a realidade. Circulam atualmente utopias futuristas de todo tipo, muitas de caráter
esotérico como as que falam de alinhamento de energias cósmicas que estão afetando nossas mentes. Outros projetam utopias
fundadas no sonho de que a biotecnologia e a nanotecnologia poderão resolver todos os problemas e tornar imortal a vida
humana.
Uma quarta atitude é a dos escapistas: fogem para dentro. Estes se dão conta do obscurecimento do horizonte e do
conjunto das convicções fundamentais. Mas fazem ouvidos moucos ao alarme ecológico e aos gritos dos oprimidos. Evitam o
confronto, preferem não saber, não ouvir, não ler e não se questionar. As pessoas já não querem conviver. Preferem a solidão
do indivíduo mas geralmente plugado na internet e nas redes sociais.
Por fim há uma quinta atitude, a dos responsáveis: enfrentam o aqui e agora. São aqueles que elaboram uma resposta;
por isso os chamo de responsáveis. Não temem, nem fogem, nem se omitem, mas assumem o risco de abrir caminhos. Buscam
fortalecer as forças positivas contidas na crise e formulam respostas aos problemas. Não rejeitam o passado por ser passado.
Aprendem dele com um repositório das grandes experiências que não devem ser desperdiçadas sem se eximir de fazer as suas
próprias experiências.
Os responsáveis se definem por um a favor e não simplesmente por um contra. Também não se perdem em polêmicas
estéreis. Mas trabalham e se engajam profundamente na realização de um modelo que corresponda às necessidades do tempo,
aberto à crítica e à autocrítica, dispostos sempre a aprender.
O que mais se exige hoje são políticos, líderes, grupos, pessoas que se sintam responsáveis e forcem a passagem do velho
ao novo tempo.
J a n e i r o - 2 0 1 3
23ª Semana da Juventude das Comunidades e Pastorais da
Paróquia São Francisco de Assis
de Ermelino Matarazzo
Diariamente de 21 a 25 de Janeiro de 2013 sempre às 19h30 no Salão São Bento
Av. Miguel Rachid, 997 – Ermelino Matarazzo
Tema: “ Jovens
tecendo as Juventudes ”
Maiores informações podem ser obtidas com:
Rafaela – [email protected] Dinho – [email protected]
Thiago – [email protected] Camila – [email protected]
INSTALAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA ZONA LESTE
Reunião com a nova Reitora Professora Soraya
Dia 22 de Janeiro de 2013 (terça-feira) às19h30
Salão da Igreja São Francisco de Assis de Ermelino Matarazzo – Av. Miguel Rachid, 997
Pauta: Conhecer as 4 Comissões para o Processo de Instalação da Universidade Federal da Zona Leste.
1. Comissão de Construção e Reformas do Prédio da Gazarra.
2. Comissão de Cursos. Quais cursos queremos?
3. Comissão de instalação, já, do Observatório Social, de Pesquisa, Memória e Políticas Públicas.
4. Comissão dos Cursos de Extensão.
Escolha uma Comissão e venha dia 22 de Janeiro de 2013
F E V E R E I R O - 2 0 1 3
11ª Semana de Teologia do Setor Pastoral Ermelino Matarazzo
Diariamente de 04 a 08 de Fevereiro de 2013 às 19h30
Dia 04 - 2ª Feira
Campanha da Fraternidade 2013: Tema: Juventude e Fraternidade - Lema: “Eis-me aqui, envia-me!”.
Convidado: Sociólogo/Professor Rudá Ricci de Belo Horizonte - MG
Dia 05 – 3ª Feira
A Bíblia na Vida e na Mão do Povo Cristão.
(todos devem trazer Bíblia)
Dia 06 - 4ª Feira
Missão das Paróquias conforme Documento de Aparecida
Dia 07 - 5ª Feira
A Juventude constrói uma Igreja viva, sempre em missão
Os Grupos da Pastoral da Juventude apresentam as esperanças.
Com a Palavra a PAJU das Paróquias
Dia 08 - 6ª Feira
Santa Missa e Lançamento do Livro
- Dom Angélico Sândalo Bernardino –
Bispo Profeta dos Pobres e da Justiça
Local: Salão da Igreja São Francisco de Assis
Rua Miguel Rachid, 997 – Ermelino Matarazzo – 2546-4254
Maiores informações com:
Messias Guirado – [email protected]
Padre José Maria – [email protected] - Coordenador do Setor Pastoral Ermelino Matarazzo
IPDM - Igreja -Povo de Deus- em Movimento,
tem o prazer de convidá-lo, para o lançamento do livro
a realizar-se no dia 08 de fevereiro de 2013 (sexta-feira) às 19h30 na
Igreja São Francisco de Assis – Av. Miguel Rachid nº 997,
Ermelino Matarazzo, São Paulo – SP.
Com a presença de Dom Angélico, celebraremos juntos a Santa Missa
em homenagem aos 80 anos de vida deste Profeta da Justiça.
“O Livro sobre o Ministério de Dom Angélico é uma obra sobre uma Igreja
em Movimento que, a seu tempo, fiel ao Espírito que lhe fala, soube
responder, Evangelicamente e Profeticamente aos desafios da realidade e aos
‘sinais dos tempos’”.
R e u n i õ e s
membros da COORDENAÇÃO DO IPDM
Reunir-se-ão todas as 3ªs (terceiras) Terças-Feiras dos meses Impares como segue:
22 de fevereiro / 19 de março / 21 de maio / 16 de julho / 17 de setembro / 19 de novembro
Sempre as 20h00 na Paróquia São Francisco de Assis – Vila Guilhermina
Padres, religiosos e religiosas do ipdm
Reunir-se-ão todas as últimas Sextas-Feiras dos meses Pares como segue:
22 de fevereiro/ 26 de abril/ 28 de junho/ 30 de agosto/ 25 de outubro/ 27 de dezembro.
As reuniões acontecerão sempre as 9h30 no CIFA – Paróquia Nossa Senhora do Carmo – Itaquera.
ATENÇÃO
Para o dia 22 de fevereiro de 2012, duas reuniões estão agendadas: a dos padres, religiosos e religiosas (9h30)
e a da coordenação do IPDM (20h00).
Porém, em razão da necessidade de se tratar de assuntos pertinentes aos dois colegiados, achou-se por bem
realizar apenas uma das reuniões com a presença de todos.
Por favor, anote em sua agenda:
REUNIÃO ENTRE COORDENAÇÃO, PADRES, RELIGIOSOS E RELIGIOSAS DO IPDM
Dia 22 de fevereiro de 2012 às 20h00
Paróquia São Francisco de Assis
Praça Porto Ferreira, 48 – Vila Guilhermina - Próximo ao Metro Guilhermina – Esperança
,
DATAS DOS ENCONTROS PARA 2013
1º Encontro - Dia 25 de maio
Tema: Igreja Colegiada – Grupos de Rua
2º Encontro - Dia 23 de novembro
Tema: Igreja Colegiada – Ministérios
Locais e horários serão divulgados nos próximos informativos
Os endereços eletrônicos abaixo indicados contêm riquíssimo material para estudos e pesquisas. Por
certo, poderão contribuir muito para o aprendizado de todos nos mais diversos seguimentos.
www.adital.org.br - Esta página oferece artigos/opiniões sobre movimentos sociais, política, igrejas e
religiões, mulheres, direitos humanos dentre outros. O site oferece ainda uma edição diária especial voltada
aos jovens.Ao se cadastrar você passa a receber as duas versões diárias.
www.amaivos.com.br - Um dos maiores portais com temas relacionados à cultura, religião e sociedade
da internet na América Latina, em conteúdos, audiência e serviços on-line.
www.cebi.org.br - Centro de estudos bíblicos, ecumênico voltado para a área de formação abrangendo
diversos seguimentos tais como: estudo bíblico, gênero, espiritualidade, cidadania, ecologia, intercâmbio e
educação popular.
www.cnbb.org.br - Página oficial da CNBB disponibiliza notícias da Igreja no Brasil, além de documentos
da Igreja e da própria Conferência.
www.ihu.unisinos.br - Mantido pelo Instituto Humanitas Unisinos o site aborda cinco grandes eixos
orientadores de sua reflexão e ação, os quais constituem-se em referenciais inter e retrorrelacionados,
capazes de facilitar a elaboração de atividades transdisciplinares: Ética, Trabalho, Sociedade Sustentável,
Mulheres: sujeito sociocultural, e Teologia Pública.
www.jblibanio.com.br ele.
Página oficial do Padre João Batista Libânio com todo material produzido por
www.mundomissao.com.br - Mantida pelo PIME aborda, sobretudo, questões relacionadas às missões
em todo o mundo.
www.religiondigital.com - Site espanhol abordando questões da Igreja em todo o mundo, além de tratar
de questões sobre educação, religiosidade e formação humana.
www.cartamaior.com.br - Site com conteúdo amplo sobre arte e cultura, economia, política,
internacional, movimentos sociais, educação e direitos humanos dentre outros.
www.nossasaopaulo.org.br - Página oficial da Rede Nossa São Paulo. Aborda questões de grande
importância nas esferas político-administrativas dos municípios com destaque à cidade de São Paulo.
www.pastoralfp.com - Página oficial da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo. Pagina
atualíssima, mantém informações diárias sobre as movimentações políticas-sociais em São Paulo e no
Brasil.
www.vidapastoralfp.com - Disponibilizado ao público pela Paulus editora o site da revista Vida Pastoral
torna acessível um vasto acervo de artigos da revista classificados por áreas temáticas. Excelente fonte de
pesquisa.
www.paulus.com.br – A Paulus disponibiliza a Bíblia Sagrada edição Pastoral online/pdf.
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“O melhor que podemos deixar de herança às futuras gerações é