Associação nacional dos estudantes de odontologia
Curso de Implantodontia
Motivos de insucessos na utilização de carga imediata na instalação de
implantes odontológicos – Revisão de literatura.
Reinaldo Augusto Oliveira
Orientador: Prof. Luiz Nantes
Belém
2011
Motivos de insucessos na utilização de carga imediata na instalação de
implantes odontológicos – Revisão de literatura.
Monografia entregue a secretaria do curso de
Pós-graduação da Associação Nacional de
estudos Odontológicos para obtenção do grau
de especialista em Implantodontia sob a
orientação do Prof. Luiz Nantes.
Belém
2011
BANCA EXAMINADORA
___________________________________
MARIA SILVA ANSELMO
___________________________________
ANTONIO MORETTO NETO
__________________________________
RICARDO PIOTO
A ciência está longe de conhecer o mundo de uma maneira perfeita e adequada; ela tem,
no entanto, a pretensão legítima de descobrir para nós, em parte, a natureza e as suas
leis. (Jovielt)
SUMÁRIO
RESUMO
2
ABSTRACT
3
1
INTRODUÇÃO
4
1.1
HISTÓRICO
4
1.2
ATUALIDADE
6
2
OBJETIVO
9
3
METODOLOGIA
10
4
REVISÃO DA LITERATURA
11
4.1
TERMOS UTILIZADOS
11
4.1.1
Cirurgia de implante com dois tempos cirúrgicos
11
4.1.2
Cirurgia de implante em tempo único ou implante não submerso
11
4.1.3
Implantes com carga precoce ou médio prazo
11
4.1.4
Implantes com carga imediata ou carregamento imediato
12
4.1.5
Carga oclusal
12
4.1.6
Qualidade e quantidade óssea
12
4.1.7
Estabilidade inicial do implante
21
4.1.8
Carga imediata em implantes
23
4.1.9
Carga imediata em implantes unitários
25
4.1.10 Motivos de insucessos em carga imediata em implantes
27
5
DISCUSSÃO
30
6
CONCLUSÕES
34
7
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
36
RESUMO
Este é uma revisão da literatura relacionada ao emprego de carga imediata
aplicada sobre implantes osteointegráveis. Ratifica os fundamentos básicos da
osteointegração no protocolo tradicional, bem como estudos sobre o comportamento dos
tecidos perimplantares quando realizada a carga imediata. A decisão com relação a
quando e como aplicar carga imediata a implantes dentários envolve uma série de
fatores, como a quantidade e qualidade óssea, número e características dos implantes,
entre outros. Contudo, é necessária a demonstração com maior clareza dos parâmetros
de decisão. Esta revisão bibliográfica investigou quais são as condições mais
apropriadas para a aplicação imediata de cargas nos implantes. Foram discutidas as
vantagens e desvantagens de adotar a técnica da carga imediata, bem como seus riscos e
benefícios. O estudo examinou quais condições do paciente, características dos
implantes e técnicas de fixação são mais indicadas. A aplicação imediata de carga aos
implantes propicia melhor aceitação pelo paciente, evitando-se o edentulismo. A
observação das indicações diminui riscos de insucesso e atenta para limitações
consideráveis para aplicação de carga imediata. A estabilidade inicial é essencial para a
realização da técnica, portanto, são preferidos implantes rosqueados com acabamento de
superfície por jato de plasma de Titânio ou ataque ácido e áreas com boa quantidade e
qualidade óssea devem ser escolhidas. O número de implantes previstos varia nos
estudos revisados e está relacionado com a indicação e tipo de prótese que reabilitará o
paciente. A associação de implantes sepultados com submetidos à carga imediata prevê
maior segurança no sucesso do tratamento. O estudo conclui que a aplicação de carga
imediata aos implantes é um procedimento viável e seguro para correção do
edentulismo, gerando menor desconforto, distúrbios sociais e psicológicos do paciente.
ABSTRACT
The decision as to when and how to apply immediate loading to dental implants
involves a series of well-established factors: bone quality and quantity, number and
characteristics of implants, among others. However, the parameters for decision need to
be better defined. This bibliographical review investigated which are the most
appropriate conditions for the immediate loading of implants. The advantages and
disadvantages of adopting the immediate loading technique were discussed, as well as
its risks and benefits. The study examined which patient conditions, implant
characteristics, and fixation techniques are more indicated. Immediate loading the
implants causes better patient acceptance, avoidance of edentulous. There seem to be no
considerable risks end limitations for immediate implant loading. Primary stability is
essential therefore; threaded plasm-sprayed implants are preferred end areas with good
bone quantity and density. The number of implants prescribed in the works varies. The
study concludes that immediate implant loading is a feasible and reliable procedure for
the correction of edentulous, shorter treatment time, less discomfort for the patient.
1. INTRODUÇÃO
1.1.
HISTÓRICO
Desde a antiguidade o homem tenta repor elementos dentários perdidos por
trauma e/ou infecções utilizando materiais homólogos (materiais de origem humana) e
aloplásticos (material de origem sintética), como dentes humanos e de animais, osso
esculpido, pedaços de marfim e pérolas. Pesquisas antropológicas na Europa, Oriente
próximo e América Central demonstraram que o propósito era puramente estético, e a
função mastigatória era desprezada (Spiekermann et al., 2005).
Davarpanah et al. (2003) dividiu a Implantodontia em períodos: Antigo (a.C a
1000 d.C.), Medieval (1000 a 1800), fundamental (1800 a 1910), Pré-Moderno (1910 a
1930) e Contemporâneo. O período Medieval esteve limitado aos transplantes sendo
que os dentes eram tirados de um indivíduo e transferidos para outra pessoa, acredita-se
que os riscos de contaminação por bactérias eram significativos.
No período Fundamental, Maggililio (1809), utilizou implante feito de ouro
posteriormente ao procedimento de extração (endo-ósseo), colocando logo em seguida
prótese após o término do período de cicatrização tecidual.
O período pré-moderno, início do século XX, Payne fez uso de um implante de
ouro em formato do cesto e o instalou em um alvéolo aumentado o sítio de implantação
com broca, preenchendo os espaços vazios com goma e fixou uma coroa com núcleo
feito por porcelana na parte interna e oca do transplante. Em 1910 Greenfield
apresentou técnica sugerindo a colocação em função de 6 a 8 semanas após a colocação
dos implantes estabelecendo dessa forma o primeiro protocolo científico para a técnica
de implantes dentários. Este protocolo utilizou-se de material composto por irídioplatina e ratificou a importância de um contato íntimo osso-implante e o conceito de
cirurgia “limpa”, que a partir desse momento começou a ser discutido na comunidade
científica.
O período Moderno caracteriza-se pelo surgimento e aplicação de biomateriais e
o desenvolvimento de diferentes técnicas cirúrgicas e protéticas, as quais nesse
momento começaram a ser estudadas. Alvin e Strock fez utilizou implante por
transfixação endodôntica, sendo que em 1946 desenhou um modelo de implante
parafusado baseado em dois estágios cirúrgicos. A implantodontia das décadas de 50,
60 e 70 foi considerada mal sucedida em suas técnicas, já que uma sucessão de erros
foram observadas.
O período Contemporâneo teve início nos anos 70 em que os primeiros estudos e
resultados de pesquisas sobre osseointegração, desenvolvidos por Branemark et al,
foram relatados na Conferência de Harvard, sendo que a partir desse momento os
trabalhos envolvendo os chamados implantes osseointegrados adquirem reconhecimento
científico por meios dos trabalhos desenvolvido por Zarb, Albrektson e Branemark, os
quais foram apresentados nessa conferência.
A osseointegração, denominação dada por Branemark et al. (1978), atribui um
conceito revolucionário a respeito da Implantodontia Oral, cujo procedimentos de
trabalho agora baseava-se em dois estágios cirúrgicos, por meio de um longo período de
cicatrização óssea antes do início de uma restauração protética. Entretanto, atualmente
este protocolo sofreu modificações. Agora os implantes são instalados e imediatamente
inicia-se os procedimentos protéticos, o que denominou-se de implantação de carga
imediata sobre implantes odontológicos.
1.2.
ATUALIDADE
Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em
2003, revelou que a expectativa de vida da população brasileira vem aumentado
consideravelmente ao longo dos anos, passando de 62,6 anos em 1980 para 71,3 anos
em 2003. Tal fato trouxe como consequência o surgimento de maior número de idosos e
aumento no número de atendimentos odontológicos a esta população (Barboza et al.,
2007).
Com o desenvolvimento da técnica de implantes osseointegrados uma nova
possibilidade de tratamento foi criada, objetivando ultrapassar os limites impostos pelas
próteses convencionais fixas e removíveis. Comparando-se o tratamento reabilitador
convencional sobre dentes naturais, a reabilitação sobre implantes possui maiores
índices de sucesso e longevidade (Pjetursson et al., 2004).
Atualmente em pacientes edêntulos tem sido admitida a utilização de implantes
ósseo-integráveis no rebordo alveolar remanescente objetivando aumentar a retenção e a
estabilidade de próteses parciais ou totais colocadas nesses pacientes.
De acordo com Branemark et al. (1997) e Adell et al. (1981) a formação de uma
interface osseointegrada dependeria certamente da realização de um procedimento
cirúrgico com menor trauma, fixações submersas durante o período de osseointegração
(mínimo de 3 meses para mandíbula e 6 meses para maxila) e cicatrização livre sem a
utilização de qualquer tipo de carga direta sobre implantes.
Entretanto, de acordo com os estudos de Szmucler-Moncler et al. (1998), o
período de três meses sem carga para mandíbula e seis para a maxila foi determinado de
forma empírica, não havendo um peso científico que comprove necessidade de tais
tempo.
Diante disso, observa-se que em um significativo número de pacientes, a grande
maioria, a perda dos dentes acaba gerando grande frustração no seu cotidiano, dessa
forma
abatendo
a
sua
autoconfiança
e
consequentemente
prejudicando
significativamente a sua vida afetiva, profissional e social.
A conjunção de tais aspectos negativos contribui significativamente para que o
paciente rejeite inicialmente o tempo imposto pela técnica descrita por Branemark et al.,
tempo esse necessário para que haja a sua reabilitação total.
Dessa forma, a carga imediata em implantes dentais surgiu como uma
possibilidade de protocolo cirúrgico e protético que elimina o tempo de espera referente
à osseointegração.
Kammeyer et al. (2002), relatou em seu trabalho que a carga imediata de
implantes ósseo-integráveis está sendo utilizada para eliminar o extenso período de
cicatrização imposto ao paciente, sendo que no momento da instalação do implante há
utilização de uma prótese fixa transitória, com posterior introdução dos implantes
dentários, havendo portanto a aplicação de carga imediata.
Estudo de meta-análise realizado por Ioannidou & Doufexi (2005) objetivando
comparar a taxa de sucesso do implante utilizando carga imediata e carga tardia, revelou
não haver significância estatística entre os dois métodos utilizados, mostrando que o
tempo de ativação do implante não altera a sua taxa de sobrevida.
Uribe et al. (2005) realizaram uma revisão sistemática e detalhada sobre
implantes com carga imediata e demonstraram que atualmente o protocolo de carga
imediata apresenta ótima confiabilidade e previsibilidade, sendo que a taxa de sucesso
variou entre 90% a 100% para a mandíbula, e 66% a 95,5% para a maxila.
Trabalhos como este ratificam cientificamente o uso da carga imediata em
implantes dentários osseointegráveis para reabilitação de pacientes edêntulos totais ou
parciais.
2. OBJETIVO
Esta monografia de especialização em Implantodontia tem como objetivo
estabelecer de forma esclarecedora uma revisão na literatura científica sobre
conhecimentos atualizados a respeito da técnica de carga imediata em implantes
odontológicos, tendo como principal meta de análise os motivos de insucessos
existentes em carga imediata sobre implantes dentários, discutindo as implicações
clínicas, aplicações dessa técnica, bem como seus princípios biológicos.
3. METODOLOGIA
Durante a revisão de literatura, foram utilizados livros texto e artigos científicos
experimentais em humanos e animais, descrevendo casos clínicos e estudos
longitudinais em língua inglesa e portuguesa referentes aos últimos anos. Incluiu-se
também artigos clássicos utilizando os seguintes descritores: Implantodontia
(Implantology), Carga Imediata (Immediate Loading), Implantes Dentários (Dental
Implants), Reabilitação Oral (Oral Reabilitation) e Maxila (Maxillae).
Os artigos foram obtidos utilizando-se consulta a sites especializados da internet
como BVO (biblioteca virtual de odontologia) Bireme, Scielo e Pubmed por meio de
uma análise histórica, bem como dos princípios utilizados na utilização de carga
imediata em implantes odontológicos.
4. REVISÃO DA LITERATURA
4.1.
TERMOS UTILIZADOS
4.1.1. Cirurgia de implante com dois tempos cirúrgicos
Consiste no protocolo original caracterizado por Branemark em 1978, que
preconiza que para a obtenção da osseointegração necessita-se da estabilização do
implante abaixo da crista óssea recobrindo-o com tecido mole tendo como objetivo
evitar a infecção por bactérias e diminuir a incidência de carga sobre o implante durante
o processo de estabilização óssea. Após três a seis meses, um novo procedimento
cirúrgico é feito e só então, com o implante osseointegrado, inicia-se a instalação do
cicatrizador protético (Peixoto, 2007).
4.1.2. Cirurgia de implante em tempo único ou implante não submerso
Protocolo cirúrgico em que os implantes e o cicatrizador protético são instalados
em seção única, sendo que o tecido mole é suturado em volta do cicatrizador, deixandoo em posição adequada para proporcionar uma cicatrização mais estética da mucosa
perimplantar. Diante disso evita-se um novo procedimento cirúrgico de abertura (Buser
et al., 1997).
4.1.3. Implantes com carga precoce ou médio prazo
Refere-se ao tempo decorrido entre a etapa cirúrgica de colocação do implante e
a instalação da prótese sobre o implante que deve ser de quarenta a cinquenta dias
(Peixoto, 2007).
4.1.4. Implantes com carga imediata ou carregamento imediato
Protocolo cirúrgico utilizado na instalação de implantes com carga imediata em
que utiliza-se único tempo, ou seja, imediatamente após a colocação do implante
instala-se a peça protética sobre o mesmo (Peixoto, 2007).
4.1.5. Carga oclusal
Segundo Peixoto (2007), tal termo refere-se à carga oclusal estabelecida sobre a
prótese do implante odontológico, sendo que está pode ser:
Funcional - quando a carga exercida sobre a prótese não é aliviada;
Não-Funcional - quando a prótese é instalada de um a dois milímetros abaixo da
linha de oclusão;
Imediata - quando a prótese recebe carga no dia da instalação do implante
odontológico;
Precoce - quando a prótese recebe carga entre quarenta a cinquenta dias após a
instalação do implante;
Tardia - quando a prótese recebe carga após três a seis meses após a instalação
do implante.
Portanto o termo carga oclusal funcional imediata está relacionada à prótese com
função oclusal no mesmo dia da instalação do implante.
4.1.6. Qualidade e quantidade óssea
Durante o processo de reabilitação oral através da instalação de implantes
osseointegráveis deve-se levar em consideração a densidade (qualidade) e a quantidade
óssea presentes no sítio receptor do implante. A qualidade e quantidade óssea
desempenham papel fundamental e indispensável na definição do tipo de protocolo a ser
utilizado para a instalação dos implantes (Kayatt et al. 2008). Ambas têm relação com a
densidade óssea do paciente. Assim sendo, um osso denso é aquele que apresenta uma
maior quantidade de massa em relação ao volume.
A análise da quantidade e qualidade óssea pode ser feita em dois momentos, no
pré-operatório e trans-operatório. Para a análise pré-operatória utilizam-se imagens
radiográficas adquiridas por meio de radiografias periapicais, radiografias panorâmicas
ou tomografias (Chilvaquer, 1993). No entanto, para Caúla et al. (2000), a melhor e
mais eficiente maneira de definir a densidade óssea é clinicamente durante o
procedimento cirúrgico. A presença e espessura da crista óssea cortical bem como a
densidade do trabeculado ósseo são facilmente determinados durante a osteotomia com
as brocas utilizadas para o preparo do leito do implante.
Segundo Vasconcelos et al. (2001), alguns fatores devem ser respeitados para que a
carga funcional seja possível: aplicação do implante em osso que permita alta
estabilidade inicial; componentes cirúrgico-protético confiáveis e de boa qualidade do
ponto de vista biomecânico; próteses bem ajustadas; conexão rígida entre os implantes
através de infra-estruturas metálicas rígidas e bem resistentes; preferência por próteses
fixas ao invés de removíveis; seleção do paciente; técnicas cirúrgicas e protéticas
precisas; não remover a prótese fixa ou esplintagem dos implantes antes de 4 meses.
Para Costa & Vaz (2000) o sucesso da carga imediata depende de alguns prérequisitos por parte do paciente: condições sócio-econômicas, presença de uma
densidade de osso cortical compatível com uma boa fixação primária nas porções
cervicais e apicais do implante odontológico, ótima higienização, estabilidade oclusal,
sendo que cabe ao profissional cirurgião-dentista ter conhecimento, técnica e destreza.
Albrektsson et al. (1986) relatam que o sucesso dos implantes depende de sua
imobilidade, ausência de alterações radiográficas (radiolucência), ausência de sinais e
sintomas como dor, infecções, sendo a longevidade desta técnica é otimamente
adquirida na ausência dessas condições.
De acordo com Schneider (2002), o sucesso das restaurações com único ou
múltiplos implantes utilizando carga imediata, já está definitivamente comprovado. No
referido trabalho recomendou-se que os pacientes submetidos a esse método fossem
informados a não aplicar força mastigatória diretamente sobre a restauração após a
mesma ser inserida, mantendo uma dieta leve por aproximadamente duas semanas e
utilizar um regime de bochechos de digluconato de clorexidina 0.12%, nos primeiros
dias.
Ganeles et al. (2001) indicaram que a aplicação de carga imediata com próteses
fixas, usando técnicas apropriadas, bem como o uso de materiais estéreis, assepsia do
campo operatório, respeitando-se as normas de biossegurança para o paciente e
profissional, farta irrigação óssea durante o ato cirúrgico, utilização de materiais
adequados, planejamento do caso; pode ser uma opção preferível para reabilitações de
mandíbulas totalmente desdentadas.
O planejamento das reabilitações maxilares se inicia pelo diagnóstico da
deficiência do paciente, ou seja, análise cuidadosa da sua disponibilidade óssea e a
extensão da compensação protética. Estes dois itens são fundamentais para que se
compreendam as limitações de cada caso. A abordagem para o tratamento deverá ser
direcionada através da exposição dos riscos e benefícios que devem ser esclarecidos e,
desta forma, o cirurgião estabelece um planejamento (Padovan, 2005).
A quantidade de tecido ósseo determina a largura e a dimensão do implante.
Assim, implantes largos e ou longos apresentam uma maior área de superfície para o
contato inicial entre o tecido ósseo e o implante (Grisi & Marcantonio Jr, 2002).
A quantidade óssea disponível é descrita como sendo a arquitetura externa ou
volume da área edêntula disponibilizada para os implantes. Somado a isso, o osso tem
uma estrutura interna dividida em termos de qualidade e densidade. O termo ”osso
disponível” é particularmente importante na Implantodontia, e refere-se à largura,
espessura, comprimento e angulação da área edêntula. Uma quantidade óssea adequada
é a condição inicial para o uso de implantes endo-ósseos. Além disso, o osso disponível
deve ser avaliado em sua densidade, o qual irá determinar a resistência óssea.
A densidade do osso disponível em um sítio edêntulo tem influência no
planejamento e execução do tratamento odontológico, no desenho do implante, no tipo
de cirurgia, no tempo do processo de cicatrização, e na colocação progressiva de carga
durante a reconstrução protética.
De acordo com Lekholm & Zarb (1985), a quantidade óssea pode ser
subdividida em classes.
A Classificação varia de osso tipo I a Tipo IV e é descrita como a razão entre o
osso cortical e osso esponjoso.

Tipo I – A maior parte do osso residual é composta por osso cortical;

Tipo II – Há grande quantidade de osso cortical espesso circundando o osso
esponjoso;

Tipo III – Apresenta uma fina camada de osso cortical, circundando uma
quantidade flexível de osso esponjoso;

Tipo IV – Apresenta uma fina camada de osso cortical, circundando osso
esponjoso de baixa densidade.
Lekholm & Zarb (1987) classificou à quantidade óssea como:
A- mínima reabsorção do rebordo alveolar óssea;
B – moderada reabsorção do rebordo alveolar ósseo;
C – avançada reabsorção do rebordo alveolar ósseo;
D- reabsorção inicial do rebordo basal ósseo;
E – reabsorção acentuada do rebordo basal ósseo.
A região da mandíbula entre os forames mentuais é considerada a de maior
densidade e melhor qualidade óssea. No interior dessa região, a sínfese apresenta
melhor densidade trabecular (Schhnitman et al.,1997). E na realidade, todos os casos de
carga imediata relatados na literatura que foram colocados em mandíbula, a maioria das
falhas ocorreram de forma distal a região mentual.
Em seu estudo, Piattelli et al.(1998) observaram que os implantes colocados na
mandíbula mostraram porcentagem significantemente maior de contato osso/implante.
Glauser et al. (2001) também obtiveram resultado similar , sendo que o menor sucesso
nos implantes foi observado naqueles colocados na maxila posterior (66%), quando
comparado às demais regiões (91%).
Romanos
et
al.
(2002)
realizaram
observações
histológicas
e
histomatomorfométricas nos tecidos ósseos peri-implantares submetidos a implantes
Ankylos com carga imediata com um especial desenho de roscas em região posterior da
mandíbula de macacos. Este trabalho demonstrou que esses tipos de implantes
apresentam selamento interno entre o implante e o pilar protético. Além disso,
observou-se uma grande quantidade de osso mineralizado dentro das roscas ao redor dos
implantes e que os desenhos cilíndrico-cônicos dos implantes demonstram melhorar o
crescimento ósseo nos poros da superfície em quatro semanas. Outra observação foi que
as superfícies jateadas desses implantes podem influenciar positivamente a integração
óssea sob condições de carga devido à alta porosidade.
Lorenzoni et al. (2003) notaram uma menor reabsorção óssea marginal nos
implantes submetidos à carga imediata, quando comparados aos implantes que seguiram
o protocolo original de dois estágios cirúrgicos.
Piattelli et al. (1998), relatou que em várias investigações recentes constatou-se
que implantes com carga imediata colocados em osso de boa qualidade, poderiam obter
níveis de osseointegração clinicamente equivalentes a implantes utilizados no protocolo
padrão.
Segundo Barrone et al. (2003), o carregamento imediato melhora a densidade
óssea ao redor dos implantes, quando comparado ao carregamento tardio.
Groisman et al. (2003) relataram uma técnica onde o pilar protético e as coroas
provisórias foram instaladas logo após o posicionamento do implante e a coroa
provisória foi cimentada sem contato oclusal. As recomendações são que a prótese
definitiva seja realizada somente 6 meses após a instalação do implante.
O osso cortical, por ser mais denso, apresenta melhor distribuição da carga
funcional. O osso trabeculado denso, por sua vez, proporciona uma maior área de
contato osso-implante, resultando em maior estabilidade primária. Dessa maneira, o
contato inicial osso-implante pode ser maior se o implante for colocado em tecido ósseo
de boa qualidade, uma vez que as falhas de implantes colocados em osso com menos
densidade e/ ou altura óssea reduzida, como na região posterior da maxila, são maiores
do que no osso tipo I ou II ( Jaffin & Berman, 2000; Goodacre et al.1999).
Linkow (1970) classifica a densidade óssea em três categorias:
1. Estrutura óssea classe I (tipo de osso ideal), que consiste em pouco espaço esponjoso;
2. Estrutura óssea classe II, em que o osso apresenta um maior espaço esponjoso com
uma menor uniformidade na estrutura óssea.
3. Estrutura óssea classe III, que apresenta um maior espaço medular entre as trabéculas
ósseas.
Lekholm & Zarb (1985), citaram três tipos de densidade óssea encontradas nas
arcadas dentárias:
Qualidade1: formado por osso compacto e homogêneo;
Qualidade 2: apresenta uma camada de osso compacto envolvendo osso trabecular
denso;
Qualidade 3: apresenta uma camada espessa de osso cortical envolvendo osso trabecular
denso.
Misch (1998) reportou quatro grupos de densidades ósseas, independente da
região na arcada dentária, baseada em características macroscópicas da cortical e do
trabeculado ósseo. Com a intenção de facilitar o entendimento do profissional referente
às diferentes densidades ósseas através da sensibilidade tátil, a classificação de Mish
(1998) compara e associa o osso a outros tipos de materiais de densidade diversas: o
osso mais denso (D1) é comparado à madeira de carvalho. Já a sensação tátil oferecida
quando preparamos um osso D2 é similar ao pinho, o osso D3 é associado á balsa, e o
osso D4 ao isopor. Sendo que:
A descrição macroscópica da classificação da intensidade óssea proposta por
Misch para o osso D1 é principalmente a de um osso cortical denso, localizado na
região anterior da mandíbula. O osso D2 tem um osso cortical poroso, denso e espesso
na crista, envolvendo um osso trabecular denso, localizado na região posterior da
mandíbula. O osso D3 tem um rebordo cortical poroso mais fino, com osso trabecular
fino, localizado na região anterior da maxila. O osso D4, quase não tem osso cortical
marginal. Osso trabecular fino compõe quase todo o volume do osso próximo ao
implante, localizado na região posterior da maxila. Um osso muito mole com
mineralização incompleta poderia ser chamado de osso D5 (Misch, 1987).
O período de cicatrização deve ser modulado de acordo com a qualidade óssea
local, sendo que períodos mais curtos de cicatrização podem ser obtidos em osso tipo I e
II. A superfície do implante também é de fundamental importância, sendo que implantes
com superfícies rugosas podem receber cargas em períodos mais iniciais do que aqueles
com superfícies lisas.
Implantes de titânio com jato de plasma de titânio e cobertos com hidroxiapatita
podem ser carregados imediatamente, pois a superfície rugosa obtida propicia a
formação de níveis maiores de aposição óssea e fixação mais forte durante a fase de
cicatrização.
Branemark (2001) a qualidade do tecido ósseo, a instalação cuidadosa e a
adaptação adequada das próteses são fatores que interferem no sucesso inicial de
implantes de fase única ou de carga imediata, podendo ser equiparável àqueles obtidos
pela técnica convencional.
Os implantes devem ter no mínimo, 10 mm de comprimento e ser,
preferencialmente, do tipo rosqueável ou na forma de parafuso. De acordo do Tarnow
(1997), implantes com tamanho mínimo de 10 mm, podem melhorar o prognóstico dos
implantes imediatos, principalmente quando associados ao osso de boa qualidade.
Apesar da importância da utilização de implantes longos para a aplicação de
carga imediata, poucos estudos avaliaram a influência da largura do implante no sucesso
dessa técnica (Rungcharassaeng & Kan, 2000).
As maiores falhas na colocação de implantes têm sido relacionadas a implantes
curtos (<10 mm), tanto para implantes de carga imediata quanto para os implantes
instalados pela técnica convencional (Grisi et. al. 2002).
Ferrigno et al. (2002) mostraram que implantes de 12mm de comprimento
tiveram melhor resultado do que os de 8mm, e estes foram instalados na região da
mandíbula posterior considerada clinicamente com ótima densidade óssea e altura
vertical adequada.
A área funcional da superfície de um implante é a área efetivamente em contato
com o tecido ósseo mineralizado, onde as forças geradas pela dentição serão dissipadas
pelo osso. Portanto, quanto maior a densidade óssea (osso tipo D1 ou D2 classificação
de Misch) maior será a área funcional do implante e menor será a tensão transmitida ao
osso e consequentemente haverá poucas chances de insucessos(Tada et al., 2003).
Estudos demonstram uma correlação satisfatória entre o diâmetro-comprimento
do implante e os valores de torque para a remoção. Dessa forma, quanto maior for à
extensão do implante, maior o torque necessário para a sua remoção (Ochi et al., 1994;
Ivanoff et al., 1997).
A condição tamanho do implante deve ser considerada, sendo que na maxila, o
comprimento do implante pode ser mais importante do que o diâmetro e, em muitos
casos, implantes de 10 mm de comprimento são satisfatórios (Souza et al., 2003).
Implantes rosqueáveis são preferíveis aos implantes lisos quando for utilizada a
colocação de cargas imediatas, já que apresenta maior área de superfície, resultando em
maior contato inicial osso/implante, maior retenção mecânica, bem como maior
estabilidade inicial, garantindo melhor funcionalidade do implante (Brunski, 1992).
Implantes jateados com plasma de titânio também propiciam excelente
osseointegração tanto no osso cortical como no esponjoso. Implantes rosqueados são
favoráveis para carga imediata porque permitem maior engajamento mecânico do osso,
se comparados com os implantes cilíndricos (Souza et al.,2003).
Enquanto o comprimento do implante pode ser um fator de sobrevivência, ele
não é considerado tão crítico como o fator qualidade óssea, assentamento e estabilidade
inicial. Implantes com diâmetros maiores podem melhorar a estabilidade nesta técnica
em ossos com pior densidade (Shnitman et al., 1997).
4.1.7. Estabilidade inicial do implante
A estabilidade primária ou estabilidade inicial do implante é
definida como a estabilidade do implante obtida no momento da colocação cirúrgica do
implante. A estabilidade obtida através da regeneração e remodelação óssea na interface
osso/implante após cicatrização é denominada de estabilidade secundária ou tardia
(Meredith, 1998).
A estabilidade inicial é um fator mecânico que está diretamente relacionada,
bem como depende da quantidade e qualidade óssea, ou seja, do tipo de osso que o sítio
receptor do implante apresenta, da quantidade de reabsorção do rebordo alveolar, do
tipo e desenho do implante que será utilizado e da técnica cirúrgica aplicada
(Ramakrishna, 2008).
Um dos fatores que pressupõe o sucesso da osseointegração é a quantidade de
micromovimentações na interface osso/implante que não deve ser maior que 50 à 150
micrômetros durante a fase de cicatrização óssea. Se, entretanto, a amplitude das
micromovimentações for maior que 50 à 150 micrômetros a possibilidade de insucesso
e formação de tecido fibroso na interface do implante com o osso é aumentada
(Szmukler-Moncler et al., 2000).
Seong et al. (2009), realizaram uma pesquisa utilizando quatro pares de
mandíbulas e maxilas edêntulas retiradas de cadáveres humanos (no máximo 72 horas
após morte). Foram colocados seis implantes em cada par em diferentes áreas
anatômicas (maxila anterior, maxila posterior direita e esquerda, mandíbula anterior e
mandíbula posterior direita e esquerda). De acordo com os resultados obtidos, pôde-se
verificar que a região anterior da mandíbula apresenta maior estabilidade inicial e, no
entanto, a maxila posterior apresenta menor estabilidade inicial. Então, diante desse fato
pode-se dizer que dependendo da região anatômica, a estabilidade inicial varia.
De acordo com os estudos de Lioubavina-heck et al. (2006), a estabilidade
inicial representa um indicativo de sucesso na reabilitação através de implantes
osseointegráveis. Portanto, pode-se esperar que todo implante que expressa uma alta
estabilidade inicial obtenha sucesso na osseointegração e, no entanto, todo implante que
não apresenta estabilidade inicial satisfatória espera-se o insucesso.
Porém, Carvalho et al. (2008), através da instalação de 100 implantes colocados
em 39 pacientes em diversas regiões da cavidade oral e vários tipos ósseos, relataram
que a estabilidade inicial do implante não demonstra um fator que garanta, por si só, a
osseointegração.
A mensuração da estabilidade primária pode ser obtida por várias maneiras,
diretamente ou indiretamente com o auxílio de aparelhos que utilizam técnicas
mecânicas (Periotest®), eletrônicas, freqüência de ressonância (Osstell®) e torque de
inserção (torquímetros cirúrgicos) (Seong et al. 2009).
De acordo com De Leo et al., 2002, existem dois fatores que influenciam a
estabilidade inicial, um deles é a quantidade de tensão gerada na interface osso-implante
obtida por meio da utilização de um implante de titânio de maior diâmetro que o da
broca que preparou o leito receptor; e a outra seria o cociente de contato osso/implante
no momento da instalação cirúrgica do implante.
A estabilidade primária pode ser conseguida, basicamente, por meio de preparos
ósseos com dimensões ligeiramente menores que as dimensões do implante. Dessa
forma, a compressão óssea gerada pela introdução do implante maior que o orifício
confeccionado no leito ósseo garante a estabilização necessária para que haja sucesso no
processo de osseointegração (Constantino, 2004).
4.1.8. Carga imediata em implantes
A necessidade estética imediata é cada vez mais procurada pelos pacientes
submetidos à cirurgia para fixação de implantes e, portanto, o estudo do carregamento
imediato do implante tornou-se de grande importância devido a necessidade de
restabelecimento da condição psico-social do paciente.
Desde a introdução do conceito de osseointegração elaborado por Branemark et
al. em 1969, o protocolo cirúrgico de dois estágios tem sido de fundamental importância
para o sucesso do tratamento. De acordo com este protocolo, um período de espera de 3
a 6 meses é recomendado para que ocorra a osseointegração dos implantes. A intensa
busca para o aperfeiçoamento das técnicas de implantodontia, viabilizou o
desenvolvimento de estudos que visam aperfeiçoar os processos de osseointegração,
diminuindo o tempo de tratamento (Tarnow et al. 1997).
Nos últimos anos, a implantodontia tem evoluído e inovadores protocolos
cirúrgicos foram obtidos objetivando suprir as necessidades e diminuir o tempo de
tratamento. Na prática odontológica pode-se citar alguns desses protocolos como a
carga precoce, carga imediata, implantes zigomáticos e instalação de implantes em
alvéolos recém extraídos (Guida et al. 2008).
De acordo com Attard et al. (2005), o tratamento reabilitador, através da
utilização do protocolo de carga imediata, é previsível para a região anterior da
mandíbula, devido ao tipo de osso que pode-se encontrar com maior frequência nesta
área.
Os pesquisadores defendem que para conclusões sobre o carregamento imediato
na maxila é preciso mais estudos. Somado a isso, afirmam que a osseointegração não
depende do tipo do implante, topografia de sua superfície nem do desenho da prótese
que será colocada sobre o implante.
Jaffin et al. (2000) trataram 27 casos de reabilitação oral através de carga
imediata em maxila e em mandíbula. Os critérios de inclusão foram pacientes que
apresentavam densidade e altura óssea para colocação de no mínimo quatro implantes
de 10 mm na mandíbula e seis na maxila, entre outros. Os autores obtiveram uma taxa
de sucesso de 95%, o que é comparável com a taxa encontrada na literatura atual
(Degidi & Piattelli 2003; Ioannidou et al. 2005; Attard et al. 2005). Portanto, a
utilização de carga imediata sobre implantes osseointegráveis é de ótima confiabilidade.
Nkenke et al. (2006), por meio de revisão sistemática da literatura, analisaram
288 artigos abordando como tema principal carga imediata. Dentre eles, identificaram
os critérios de exclusão (contra indicações) dos pacientes para que fossem submetidos
ao protocolo de carga imediata: volume insuficiente de osso, diferenças esqueléticas
maxilo-mandibulares, engasgos reflexos, utilização e abuso de álcool e drogas,
tabagistas, radioterapia devido a tumores malignos na região de cabeça e pescoço,
quimioterapia, doença hepática grave, paciente renal crônico, diabetes descontrolado,
acidente vascular cerebral, infarto recente. São fatores importantes também: pacientes
imunodeprimidos ou HIV positivos, gravidez, hemofilia, desordens sanguíneas,
transtornos metabólicos, higiene oral ineficaz, doenças na mucosa bucal (por exemplo:
líquen plano), infecções agudas no local do implante, doenças ósseas crônicas,
bruxismo e contra-indicações gerais para procedimentos cirúrgicos. A superfície do
implante tem importância quando se utiliza a carga imediata. Segundo Souza et al.
(2003), os implantes que apresentam superfícies rugosas podem receber cargas mais
cedo do que aqueles com superfícies lisas. Implantes de titânio com jato de plasma de
titânio cobertos com hidroxiapatita podem ser carregado imediatamente, pois a
superfície rugosa propicia a formação de níveis maiores de aposição óssea e fixação
mais forte durante a fase de cicatrização.
Para Souza et al. (2003), o sucesso da osseointegração no protocolo de único
estágio cirúrgico associado à carga imediata, depende fundamentalmente da instalação
precisa do implante, de boas condições de saúde do paciente, da força adequada
aplicada e dos micromovimentos na interface osso/implante. Diante disso, a utilização
da carga imediata deve ser racional e criteriosa, devendo ser utilizada prioritariamente
em pacientes que apresentem boa qualidade e quantidade óssea.
4.1.9. Carga imediata em implantes unitários
Os estudos iniciais relacionados a implantes surgiram focando na reabilitação de
pacientes totalmente edêntulos, principalmente os que apresentavam a mandíbula com
total ausência de dentes. Com o passar dos anos, a possibilidade de reabilitar pacientes
parcialmente edêntulos foi se tornando mais comum.
Em 2003, Romanos et al. realizaram um estudo com nove macacos nos quais
foram instalados 48 implantes com 8 mm de comprimento e 3.5 mm de diâmetro. No
grupo A, instalou-se seis implantes e foram deixados submersos por três meses. No
grupo B, foram colocados 21 implantes em um lado da mandíbula e carregados 3 meses
após a cicatrização submersa. Do outro lado da mandíbula, ao mesmo tempo em que a
reabilitação protética foi feita no grupo B, foram instalados 21 implantes e carregados
imediatamente. Após três meses do carregamento dos implantes, os animais foram
sacrificados e foram analisados cortes histológicos das áreas correspondentes aos
implantes. No grupo A, encontrou-se na interface osso/implante tecido ósseo trabecular
associado a tecido conjuntivo frouxo. Nos grupos B e C, os implantes apresentaram na
sua interface uma faixa de tecido ósseo cortical com extensão trabecular. Os autores
concluíram que o carregamento imediato parece estimular uma nova formação óssea ao
redor do implante e pode ser um fator positivo para a osseointegração.
Barone et al. (2003), realizaram uma pesquisa com pacientes que receberam
implantes na maxila e mandíbula. Um total de 12 implantes foram instalados os quais
foram divididos em 2 grupos: no primeiro, seis implantes foram carregados
imediatamente, enquanto no segundo os outros seis foram deixados sem carga. Após
seis meses os implantes foram analisados por meio de um scanner volumétrico.
Observou-se que nenhum implante foi perdido, sendo que o grupo que recebeu carga
imediata apresentou maior densidade óssea ao redor do implante que o grupo que ficou
sem carga.
Pesquisa com 18 implantes unitários imediatos submetidos à carga imediata,
realizada por Barone et al. (2006), obteve somente uma perda de implante. Sendo assim,
concluiu-se que apesar das limitações do estudo, a instalação de implantes unitários em
alvéolos recém extraídos com carga imediata pode ser válida. Entretanto, há
necessidade de mais estudos de acompanhamento e pesquisas prospectivas para que se
possa ter uma conclusão mais fundamentada e confiável.
4.1.10. Motivos de insucessos em carga imediata em implantes
Lekholm (2000) relatou que em pacientes com fatores de risco sistêmico pode-se
contra indicar qualquer tipo de tratamento com implantes, inclusive os carregados
imediatamente. Tais fatores são: defeito da homeostase, doenças descontroladas,
problemas psicológicos e/ou álcool ou de abuso da nicotina e pacientes que sofreram
diferentes tipos de enxertos ósseos. Outros motivos que também podem levar a contra
indicação da técnica são: a idade, pois em idades mais avançadas a cicatrização obtida é
de forma lenta, diabete não controlada, dependência de vitamina D, osteoporose e
pacientes tabagistas.
Segundo Martinez et al. (2003) casos onde o paciente apresenta hábitos como
bruxismo e quando se tem má qualidade de tecido ósseo, o que não permite a
ancoragem primária do implante, e também quando o volume ósseo é insuficiente
fazendo com que haja uma limitação na quantidade e no comprimento do implante são
motivos que contra indicam o uso de carga imediata, já que o seu emprego poderá ser
ineficiente e levar ao insucesso da técnica.
Pesquisa realizada por Souza et al. (2003) demonstrou que quando o osso
cortical faz cobertura total do implante prejudicando a estabilidade, deve-se optar pelo
implante em duas etapas cirúrgicas e relatam ainda que deve-se colocar implantes em
locais cicatrizados, pois se forem instalados em áreas de recém extração poderão ocorrer
insucessos.
Segundo Santos et al. (2003) a falha no processo de cicatrização e o surgimento
de ações oclusais, que poderão levar a fratura da prótese provisória configuram dois
principais motivos que poderão levar ao insucesso do emprego da carga imediata.
Levine et al. (1999) demonstrou que a maior preocupação quanto ao uso da
técnica da carga imediata, é que ainda necessita-se proteger a interface osso/implante de
forças excessivas durante o período de cicatrização. Dessa forma, é necessário que os
implantes fiquem os mais estáveis possíveis impedindo que ocorra a remodelação da
interface. Se tal condição não for obtida há grande chance de haver insucessos, já que o
impedimento da remodelação da interface é o principal fator de sucesso da técnica.
Sabe-se que a colocação de carga prematura sobre os implantes durante o
período de cicatrização pode viabilizar a formação de tecido fibroso no local da
interface implante e tecido ósseo, entretanto a carga imediata não é a única responsável
pela formação deste tipo de tecido. Grandes evidências mostram que micro
movimentações dos implantes em relação ao osso seja a principal razão para a formação
de tecido fibroso, o qual interfere no processo de cicatrização. Baseado nestas
evidências o princípio básico para a colocação de implantes com carga imediata é a
minimização de cargas excessivas durante a osseointegração (Vasconcelos et al., 2001;
Grisi & Marcantonio, 2002; Bergkvist et al., 2005).
Algumas condições em relação ao tipo de implante devem ser obedecidas de
forma incondicional, já que diminuem as chances de insucessos da técnica, por
exemplo, os implantes que apresentam superfícies rugosas podem receber carga num
período mais precoce se comparado aos de implantes de superfície lisa, pois apresentam
mais aderência e melhor fixação durante o processo de cicatrização, de forma contrária,
o uso de implantes rosqueáveis é mais favorável, já que disponibilizam de maior área de
superfície. Quanto ao número, sempre que possível, utilizar um maior número de
implantes
com
objetivando
obter
maior
estabilidade
e
diminuição
das
micromovimentações, as quais são prejudiciais para a utilização da técnica(Grisi &
Marcantonio, 2002; Romano et al., 2002; Martinez et al.,2003; Souza et al., 2003).
Os fracassos também podem ocorrer devido à instalação de implantes em osso
de qualidade e quantidade insuficientes, ausência de estabilidade e não cooperação do
paciente em relação a sua higiene bucal (Lekholm, 2000; Grisi & Marcantonio, 2002;
Martinez et al., 2003).
Segundo Bergkvist et al. (2005) deve-se evitar também o excesso de carga
oclusal, já que tal condição pode causar uma sobrecarga no implante e
consequentemente o seu insucesso.
Na maxila existe um maior número de falhas devido à baixa densidade óssea ou
altura óssea nesta região, não sendo suficiente para suportar as cargas oclusais. Na
região posterior o uso de implantes amplos ou duplos pode diminuir o risco de falhas de
modo a suportar mais a carga oclusal. Devido a isso, o uso de carga imediata em maxila
deve ser feito com cautela, já que nesta região não existe um osso de boa qualidade,
dificultando o processo de osseointegração e conseqüentemente prejudicando o bom
funcionamento da carga imediata aplicada ao implante (Souza et al., 2003).
Schnitman & Shulman, indicaram alguns critérios que quando não obedecidos
aumentam a chances de insucessos na inserção de implantes, estes são: mobilidade
menor que 1 mm em qualquer direção; radiolucidez observada radiologicamente; perda
óssea não superior a 1/3 da altura vertical do implante; ausência de inflamação gengival,
ausência de infecção e danos aos dentes adjacentes; ausência de parestesia e anestesia
ou violação do canal mandibular, seio maxilar ou assoalho da cavidade nasal, sendo que
para ser considerado um sucesso, o implante dentário deve garantir atividade funcional
durante cinco anos em 75% dos casos.
5- DISCUSSÃO
Observou-se que um fator para obtenção de sucesso da técnica é a colocação de
implantes em osso de boa estabilidade (Vasconcelos et al., 2001; Dal Moro et al.,
2003).
Embora já houvessem relatado que a colocação de cargas prematuras causava
movimentos dos implantes, induzindo a formação de tecido fibroso entre osso e o
biomaterial (Magini & Schiochett, 1999; Quinlan et al., 2005), recentes trabalhos
mostraram que sozinha ela não é necessariamente responsável pela formação desse
tecido fibroso e sim o excesso de micromovimentos durante a cicatrização que interfere
com o reparo do osso (Vasconcelos et al., 2001; Grisi & Marcantonio, 2002; Meyer et
al. 2003; Bergkvist et al., 2005).
De acordo com os estudos de Szmuker-moncler et al. (2000), o sucesso da
osseointegração está diretamente ligado a quantidade de micromovimentações na
interface osso/implante. Estas micromovimentações não devem ser maiores que 50 a
150 micrômetros, pois se ultrapassarem este valor a possibilidade de formação de tecido
fibroso na interface do implante com o osso é aumentada.
No entanto, trabalho realizado por Skalak (2001) garante que caso às micro
movimentações ultrapassem 20 micrômetros, podem ser consideradas condições
adversas para a osseointegração do implante e consequentemente podendo levar ao
insucesso da técnica de carga imediata. Na prática clínica a mensuração dos
micromovimentos é de difícil acesso, já que para a detecção são necessários aparelhos
específicos como, por exemplo, o aparelho Periotest ® e o Osstell ® (Seong et al.,
2009).
Chaushu et al., (2001) confirmaram que o contato íntimo osso-implante pode
ocorrer na presença de micromovimentos, entretanto tal condição não é observada na
presença de macromovimentos.
Entretanto, para que seja obtido o sucesso desse protocolo, requisitos básicos
devem ser observados como o controle dos micromovimentos e da força direcionada, e
a instalação de implantes em locais que apresentem quantidade e qualidade ósseas ideais
para se obter rigidez na fixação (Bahat, 2000).
Segundo Lioubavina-heck et al. (2006), a estabilidade inicial é um indicativo
que não haverá insucesso no processo de osseointegração, entretanto em pesquisa
realizada por Carvalho et al. (2008) com a instalação de 100 implantes, os autores
concluíram que a estabilidade inicial sozinha não é um fator que garanta a
osseointegração correta. Constatino (2004) mostrou que uma das maneiras para se
conseguir a estabilidade inicial é utilizando a compressão óssea, ou seja, quando da
preparação do leito receptor, fazê-lo um pouco menor que o diâmetro do implante.
Foi relatado que o protocolo de carga imediata é recomendado apenas para ser
usado em mandíbula anterior, onde o osso é mais denso (Bianchini et al., 2001;
Kammeyer et al., 2000). Porém, Souza et al. (2003) não contra indicaram o uso em
outras regiões e relatam que na maxila e na mandíbula posterior o emprego da carga
imediata deve ser feito com cautela, já que nestas regiões geralmente não há osso de boa
qualidade, dificultando o processo de osseointegração.
O direcionamento de carga imediata racionalizou o procedimento cirúrgico e
diminuiu o tempo necessário para a reabilitação bucal dos pacientes, aumentando dessa
forma a adesão ao tratamento. Os Índices de sucesso dos implantes com carga imediata
são idênticos aos obtidos com aplicações de carga tardia, depois que a osseointegração
ocorreu (Chiapasco et al., 1997).
A técnica de carga imediata tem sido respaldada por meio de análises
histológicas, como no trabalho realizado por Sagara et al., (1993), aplicado em cães,
com a finalidade de estudar e comparar a histologia em implantes feitos pelo protocolo
clássico de dois tempos cirúrgicos com o protocolo de tempo único com o emprego de
carga imediata sobre implantes, e observou que o resultado mais insatisfatório foi obtido
com implantes que sofreram carga imediata. Entretanto, Romanos (2001) em trabalho
comparando as duas técnicas, aplicadas em seis macacos, não evidenciou diferenças
estatisticamente significativas entre as duas técnicas aplicadas, a clássica e a feita em
dois tempos.
Branemark (2001) relatou que se osso apresentar quantidade e qualidade
adequadas, com cuidadosa instalação cirúrgica dos implantes e procedimento protético
adequado os insucessos serão baixos e equivalentes quando compararmos as duas
técnicas.
Os implantes rosqueáveis são preferíveis aos implantes lisos, quando se
necessita utilizar a técnica de carga imediata (Rungcharassaeng & Kan, 2000), uma vez
que os mesmos apresentam uma maior área de superfície, resultando em maior contato
inicial osso e implante, maior retenção mecânica, assim como maior estabilidade inicial
(Brunski, 1992).
Trabalho realizado por Kayatt et al. (2008) mostrou que a qualidade óssea
desempenha um papel essencial na definição do tipo de protocolo que irá ser aplicado
para a instalação dos implantes, sendo que Lekholmm e Zarb (1985) relataram que os
ossos ideais para instalação de implantes candidatos a receber carga imediata são os
D1(osso cortical denso com pouco trabeculado ósseo), D2 (osso cortical denso
associado com osso trabeculado grosso) e D3 (osso com cortical fina e trabeculado
fino).
A análise bibliográfica mostrou que a maioria dos autores relaciona a quantidade
e qualidade óssea como critérios de inclusão para a reabilitação por implantes
osseointegráveis com carga imediata (Nkenke et al., 2006; Jaffin et al., 2000; Souza et
al., 2003; Oliveira et al., 2004; Barboza, 2007; Vidigal et al., 2007). Diante disso, para
se obter sucesso na instalação de implantes com carregamento imediato, é fundamental
a avaliação clínica e radiográfica do local que irá receber o implante.
Revisando a literatura é mais do que ratificado que o protocolo de carga imediata
somente deve ser utilizado se na hora da instalação do implante, este apresentar boa
estabilidade inicial. Esta estabilidade primária dependerá da quantidade e qualidade
óssea, do tipo e desenho do implante e da técnica aplicada, sendo que o não respeito a
essas condições pode levar ao insucesso da técnica (Ramakrishna, 2008).
6- CONCLUSÕES
- Reabilitar pacientes em poucos dias é considerado um grande e revolucionário
avanço na área da Implantodontia.
- O sucesso no processo de osseointegração no protocolo de único estágio cirúrgico é
dependente da instalação precisa e eficaz do implante odontológico, das boas condições
de saúde do paciente, do correto emprego da força aplicada e da presença ou ausência
de micromovimentos localizados na interface osso/implante, sendo que o não respeito a
essas condições pode levar ao insucesso da técnica.
- A técnica de carga imediata deve ser direcionada para indivíduos que apresentem
boa qualidade e quantidade óssea, sendo que implantes de titânio com tratamento de
superfície são mais recomendáveis e eficazes no procedimento de único estágio
cirúrgico (carga imediata).
- Os implantes que se utilizam de carga imediata apresentam boa estabilidade a longo
prazo, sendo que na mandíbula estes apresentam-se mais eficazes (menor índice de
insucesso) do que quando utilizados na maxila.
- O uso da carga imediata em implantes tem como objetivo reduzir o tempo de
tratamento imposto ao paciente, possibilitando que o procedimento protético seja
realizado logo após a colocação do implante, porém, cabe ao cirurgião dentista a sua
adequada aplicação, seguindo todos os critérios necessários para evitar que ocorram
insucessos do tratamento, sendo que o protocolo de único estágio não deve ser utilizado
como substituto da técnica convencional, e sim, como uma alternativa de tratamento,
onde seus princípios estão bem estabilizados e otimizados.
- A partir dos estudos realizados e analisados na literatura, conclui-se que a aplicação da
carga imediata em implantes osteointegráveis é um procedimento seguro, viável e eficaz
para a correção e tratamento de pacientes edêntulos total, principalmente na mandíbula,
sendo que a técnica oferece níveis de sucesso semelhantes ao obtido no protocolo
tradicional, favorecendo e acelerando a osteointegração.
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