Índice As alterações climáticas e a necessidade do armazenamento geológico de CO2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 1. Onde e quanto CO2 podemos injectar? ......................................................6 2. Como podemos transportar e injectar grandes quantidades de CO2? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 3. O que acontece ao CO2 no reservatório de armazenamento? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 4. Pode haver fugas de CO2 do reservatório? Quais poderão ser as consequências? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 5. Como podemos monitorizar o local de armazenamento? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 6. Que critérios de segurança devem ser impostos e respeitados? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 O que é o CO2GeoNet? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Esta brochura foi produzida com a contribuição do LNEG (Dulce Boavida, Mariana Sardinha, Rita Machado, Augusto Costa, José Sampaio, Helena Amaral, Susana Machado, Diogo Rosa e Luísa Duarte). 2 Uma visão do futuro © Sapienza URS Chega de chaminés a deitar fumo Um tubo transporta o CO2 e guarda-o dentro da Terra É bom para o nosso planeta Massimo, 10 anos, Roma, Itália Para as nossas crianças, o armazenamento geológico de CO2 é uma boa escolha. 3 O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2? As alterações climáticas e a necessidade do armazenamento geológico de CO2 O homem está a libertar grandes quantidades de CO2 para a atmosfera 0,028%. No entanto, durante os últimos 250 anos a queima intensiva de combustíveis fósseis (como o carvão, o petróleo e o gás) para produção de electricidade, aquecimento, para a indústria e para os transportes, conduziram a um aumento do CO2 emitido para a atmosfera (Fig.1). Cerca de metade das emissões causadas pelos humanos são absorvidas pela vegetação e dissolvidas nos oceanos, causando acidificação deste último e os seus efeitos negativos nas plantas e animais marinhos. As restantes emissões permanecem na atmosfera: o CO2 ajuda à acumulação do calor que chega à superfície terrestre a partir do sol, por ser um gás que contribui para o aumento do efeito natural de estufa, causando o aumento da temperatura na terra. É preciso agir imediatamente para parar este ritmo de aumento de emissões de CO2 para a atmosfera, cuja concentração já se situa nos 387 ppm (um aumento de 38% relativamente aos valores pré-industriais), e evitar que atinja o nível crítico de 450 ppm nas próximas décadas. Acima deste nível especialistas consideram que poderá já não ser possível evitar as consequências desastrosas do aumento da temperatura para a vida na terra. Hoje em dia reconhece-se que as actividades humanas estão a modificar o ciclo de carbono do nosso planeta. Antes da revolução industrial, e recuando cerca de 10 000 anos, este ciclo era perfeitamente regulado, envolvendo a troca natural de carbono entre a geosfera, a biosfera, os oceanos e a atmosfera, mantendo um valor de concentração de CO2 atmosférico num nível moderado de 280 ppm, isto é, © BRGM im@gé Figura 1: Emissões globais de 30 Gt de CO2 por ano causadas pelas actividades humanas, correspondendo a 8,1 Gt de carbono: 6,5 Gt provenientes da queima de combustíveis fósseis e 1,6 Gt devido à desflorestação e agricultura. O nosso mundo tem sido altamente dependente dos combustíveis fósseis desde o início da era industrial em 1750, não sendo surpreendente que a transformação da nossa sociedade numa sociedade baseada em tecnologias mais sustentáveis implique tempo e dinheiro. São necessárias soluções a curto termo que nos ajudem a reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, usando-os de uma forma não poluente numa primeira fase, para que desta forma tenhamos tempo de desenvolver novas tecnologias e infra-estruturas que assentem em energias renováveis. Esta solução consiste na criação de um circuito que permita que o carbono extraído da terra sob a forma de gás, petróleo e carvão, seja devolvido à origem sob a forma de CO2. O armazenamento geológico de CO2 não é uma invenção humana, mas um processo que ocorre naturalmente e pode ser verificado em reservatórios existentes há milhares de milhões de anos. Um exemplo deste processo são os oito reservatórios naturais de CO2 existentes no sudeste francês, descobertos durante actividades de exploração de petróleo nos anos 60 (Fig.2). Tanto estes reservatórios como outros espalhados um pouco por todo o mundo provam que as formações geológicas são apropriadas para o armazenamento geológico de CO2 de uma forma eficiente e segura, por longos períodos de tempo. © BRGM im@gé Figura 2: Localização dos reservatórios naturais de CO2 em França Devolver o carbono à terra Entre as várias medidas que têm que ser implementadas 4 * Ver glossário no final. Captura e armazenamento de CO2 – uma opção promissora O desenvolvimento mundial da CAC está em expansão © BRGM im@gé urgentemente, de forma a reduzir as alterações climáticas e a acidificação dos oceanos, a Captura e Armazenamento de CO2 (CAC) pode desempenhar um papel crucial e contribuir para a redução de 33% das emissões do total necessário em 2050. A CAC envolve a captura do CO2 em centrais de produção de energia a gás ou a carvão, ou em instalações industriais (cimenteiras, refinarias, fábricas de aço e papel, etc), o transporte do CO2 capturado via pipelines ou navios para os locais de armazenamento, e a injecção deste em profundidade em reservatórios geológicos que armazenam o CO2 por muitos anos (Fig.3). Sob um ponto de vista realista, em que nos deparamos com o aumento da população e consequentemente das necessidades energéticas nos países em desenvolvimento, é inevitável que se continuem a usar combustíveis fósseis para suprir estas necessidades. Com a utilização da CAC a humanidade tem a oportunidade de evoluir de forma ambientalmente positiva, ao mesmo tempo que faz uma ponte para uma economia mundial sustentável baseada na produção de energia renovável. Grandes projectos de investigação de CAC estão a ser desenvolvidos na Europa, EUA, Canadá, Austrália e Japão desde os anos 90. Os investigadores têm já alargados conhecimentos que adquiriram com os primeiros projectos de demonstração em larga-escala, onde o CO2 tem vindo a ser injectado em profundidade há já alguns anos, como acontece em Sleipner na Noruega (com a injecção de cerca de 1Mt CO2/ano desde 1996) (Fig.4), em Weyburn, no Canadá (1,8 Mt CO2/ano desde 2000) e em In Salah, na Argélia (cerca de 1Mt CO2/ano desde 2004). A colaboração internacional na investigação do armazenamento de CO2, fomentada principalmente pela IEA GHG* e CSLF* tem sido bastante importante no desenvolvimento de conhecimento científico sobre este assunto. Um exemplo deste facto é o relatório do IPCC sobre a CAC (2005), que descrevia o estado da arte da tecnologia na altura e as barreiras que teriam que ser ultrapassadas para que a CAC fosse amplamente difundida na indústria. Actualmente já existe conhecimento sólido nesta matéria, e a tecnologia está a caminhar para a fase de demonstração. Para além dos aspectos técnicos, também há aspectos relacionados com leis, regulamentação diversa e aceitação social a ser avaliados e trabalhados. Na Europa, o objectivo para a área do CAC é que em 2015 existam 12 projectos de demonstração da tecnologia de larga-escala, para que em 2020 a tecnologia esteja pronta para a comercialização. Neste sentido, em Janeiro de 2008, a Comissão Europeia lançou um pacote chamado Pacote Energia e Clima propondo uma directiva relativa ao armazenamento geológico de CO2. sobre os aspectos técnicos do armazenamento geológico de CO2. Para encorajar o diálogo sobre os aspectos essenciais desta tecnologia, os investigadores do CO2GeoNet prepararam uma lista de perguntas frequentes e respostas. Nas páginas seguintes, poderá encontrar explicações sobre como é feito o armazenamento geológico do CO2, sob que circunstâncias é possível faze-lo e quais os critérios para a implementação segura e eficiente desta tecnologia. Figura 4: Secção vertical de Sleipner, Noruega. O Gás natural extraído neste campo a uma profundidade de 2500 m contém uma percentagem de CO2 superior à permitida por lei para ser vendida sob os padrões comerciais. Em vez de ser libertado para a atmosfera, o CO2 capturado é injectado a aproximadamente 1000m, no aquífero de Utsira. A rede CO2GeoNet foi criada com o apoio da Comissão Europeia, como um grupo de institutos de investigação capaz de manter a Europa na linha da frente da investigação. Um dos objectivos desta rede é a troca de informação científica © StatoilHydro Questões-chave sobre o armazenamento geológico de CO2 5 O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2? Figura 3: O CO2 emitido nas centrais térmicas é separado dos outros gases de combustão comprimido e transportado via pipelines ou navios para os locais de armazenamento: reservatórios de água salina, reservatórios de petróleo e gás esgotados ou camadas de carvão não exploráveis. Onde e quanto CO2 podemos injectar? © BRGM im@gé O CO2 não pode ser injectado em qualquer zona do globo, e os locais de armazenamento devem ser devidamente identificados. Potenciais reservatórios para armazenamento geológico de CO2 existem um pouco por todo o mundo e têm capacidade suficiente para contribuir para a mitigação das alterações climáticas causadas pelos humanos. Figura 1: O CO2 é injectado em camadas geológicas profundas constituídas por rochas porosas e permeáveis (arenito no detalhe de baixo), cobertas por rochas impermeáveis (argilito, no detalhe de cima) que impedem que o CO2 escape para a superfície. As principais opções de armazenamento incluem: 1 . Reservatórios de gás/petróleo esgotados, se possível com recuperação secundária de hidrocarbonetos. 2 . Aquíferos de água salgada, não passível de consumo humano; 3 . Bancadas de carvão não exploráveis, localmente associadas com recuperação secundária de metano. Existem três principais opções para armazenamento de CO2 (Fig. 1): 1. Reservatórios de petróleo e gás esgotados – bem conhecidos devido à exploração de hidrocarbonetos, oferecem oportunidade imediata para armazenamento de CO2; 2. Reservatórios de água salina: embora tenham grande capacidade, não são bem conhecidos; 3. Camadas de carvão não exploráveis: uma opção para o futuro, quando o problema de como injectar grandes volumes de CO2 num meio pouco permeável for solucionado. rochas impermeáveis, que podem actuar como selante. As bacias sedimentares frequentemente incluem reservatórios de hidrocarbonetos e campos naturais de CO2, o que demonstra a sua capacidade para reterem fluidos durante longos períodos de tempo, ao terem naturalmente retido petróleo, gás e mesmo CO2 puro durante milhões de anos. O subsolo é frequentemente representado como uma estrutura simples, homogénea e estratificada, nas ilustrações representando as várias opções de armazenamento para o CO2. No entanto, na realidade este é constituído por formações rochosas, reservatórios e selantes irregularmente distribuídos e localmente falhados, integrando estruturas heterogéneas e complexas. Para avaliar se estas estruturas do subsolo são adequadas para o armazenamento prolongado de CO2 são necessários conhecimentos detalhados das condições do local e experiência geocientífica. Os reservatórios de armazenamento de CO2 devem preencher muitos critérios, sendo que são fundamentais: • Suficiente porosidade, permeabilidade e capacidade de armazenamento; • Presença de rocha cobertura impermeável – o denominado selante (argila, argilito, marga, evaporitos, Os reservatórios Uma vez injectado numa rocha reservatório adequada, o CO2 acumula-se nos poros entre os grãos e as fracturas, assim deslocando e substituindo qualquer fluido como gás, água ou petróleo. É por esta razão que as rochas indicadas para o armazenamento geológico de CO2 devem ter uma elevada porosidade e permeabilidade. Este tipo de rochas resultantes da deposição de sedimentos, durante o passado geológico, são as bacias sedimentares. Localmente, estas formações permeáveis alternam com 6 Onde encontrar locais de armazenamento na Europa © BGR por exemplo), que evita a migração de CO2 em direcção à superfície; • Presença de “armadilhas estruturais” – como um selante em doma, que pode controlar a extensão da migração de CO2 no interior da formação de armazenamento; • Profundidades superiores a 800m, onde a pressão e temperatura vigentes são suficientemente altas para permitir armazenamento de CO2 numa fase fluida comprimida e, assim, maximizar a quantidade armazenada; • Ausência de recursos de água potável: o CO2 não será injectado em águas adequadas ao consumo humano. de uma determinada formação pode ser calculada através da multiplicação da sua área, pela sua espessura, pela sua porosidade média e pela densidade média do CO2 nas condições de profundidade do reservatório. No entanto, devido ao facto de a porosidade já se encontrar preenchida por água, apenas uma pequena porção, que normalmente se assume ser de aproximadamente 1-3%, pode ser usada para armazenamento. Na Europa as bacias sedimentares ocorrem em vários locais, por exemplo no Mar do Norte ou nas cadeias montanhosas Alpinas (Fig. 2). Muitas formações das bacias europeias preenchem os critérios para armazenamento geológico e estão presentemente a ser cartografadas e caracterizadas por investigadores. Outras áreas da Europa, como a maior parte da Escandinávia, são constituídas por crosta antiga e consolidada e portanto, não possuem rochas adequadas para o armazenamento de CO2. Um exemplo de uma área com potencial para armazenamento é a Bacia Pérmica, que se prolonga de Inglaterra até à Polónia (indicada na Fig. 2 pela maior elipse). Nesta bacia, os sedimentos foram afectados por processos de formação de rochas que deixaram alguma da porosidade preenchida por salmoura, petróleo ou gás natural. Por sua vez, as camadas de argila existentes entre os arenitos porosos foram compactadas, evitando a migração de fluidos para a superfície. Para além disso, uma grande parte das formações de arenito estão localizadas a profundidades de 1 a 4 km, onde a pressão é suficientemente alta para armazenar o CO2 numa fase densa. O conteúdo de sal na água presente nas rochas porosas aumenta com a profundidade de 100 g/l a 400 g/l, ou seja, esta é muito mais densa que a água do mar (35g/l). Finalmente, centenas de estruturas em forma de doma foram formadas devido a movimentações na bacia que provocaram deformação plástica de sal-gema. São estas armadilhas que estão a ser estudadas para possíveis locais de armazenamento de CO2 e projectos-piloto. Capacidade realística: Estudos detalhados levam a estimativas mais realísticas da capacidade de armazenamento. Uma vez que a espessura das formações geológicas não é constante e que as propriedades de reservatórios podem variar, o conhecimento do tamanho, forma e das propriedades geológicas de estruturas permite diminuir a incerteza no cálculo de volumes. Baseado nesta informação, podem ser feitas simulações em computador para prever a injecção e movimentação de CO2 dentro do reservatório, e assim estimar uma capacidade de armazenamento realística. Capacidade viável: A capacidade não é apenas uma questão de física das rochas. A utilização ou não de um local de armazenamento também é determinada por factores socioeconómicos. Por exemplo, levar o CO2 do emissor para o local de armazenamento é afectado pelos custos de transporte. A capacidade também dependerá da pureza do CO2, visto que a presença de outros gases afectará o volume de reservatório que ficará disponível para o CO2. Por último, opções políticas e a aceitação pública terão uma última palavra a dizer sobre se a capacidade de um reservatório acabará por ser explorada. Capacidade de armazenamento A capacidade pode ser avaliada a diferentes escalas, desde a escala nacional para estimativas mais grosseiras, até à escala da bacia e do reservatório para cálculos mais precisos, que têm em conta a heterogeneidade e a complexidade de estruturas geológicas específicas. Capacidade volumétrica: As capacidades de armazenamento nacionais publicadas são geralmente baseadas no volume de poros de uma formação geológica. Em teoria, a capacidade de armazenamento Concluindo, sabemos que a capacidade de armazenamento de CO2 na Europa é alta, embora existam incertezas relacionadas com complexidades e heterogeneidades dos reservatórios, bem como com factores socioeconómicos. 7 O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2? Figura 2: Mapa geológico da Europa ilustrando a localização das principais bacias sedimentares (elipses vermelhas) onde reservatórios adequados ao armazenamentos geológico de CO2 podem existir (baseado no Mapa Geológico da Europa à escala 1:5.000.000) Como podemos transportar e injectar grandes quantidades de CO2? Após a sua captura na instalação industrial, o CO2 é comprimido, transportado e depois injectado numa formação reservatório através de um ou vários furos ou poços. Toda esta cadeia deve ser optimizada de maneira a permitir o armazenamento de vários milhões de toneladas de CO2 por ano. pode vir a tornar-se uma atractiva opção no futuro, em projectos de captura e armazenamento de CO2 nos quais uma fonte emissora costeira se encontra muito distante de um reservatório. Os navios utilizados no transporte de gás de petróleo liquefeito (LPG) são passíveis de ser utilizados para o transporte de CO2. Estes sistemas semi-refrigerados são pressurizados e refrigerados e portanto o CO2 pode ser transportado no estado líquido. Os mais modernos navios de transporte de LPG transportam volumes até 200.000 m3 e são capazes de transportar 230.000 toneladas de CO2. No entanto, o transporte através de navios não permite uma logística de fluxo contínuo, uma vez que exige a existência de instalações intermédias de armazenamento de CO2 no porto, para gerir o carregamento de CO2. O transporte através de gasodutos é actualmente empregue para grandes quantidades de CO2 usados por empresas petrolíferas na recuperação secundária de petróleo (existindo cerca de 3000 km de gasodutos para CO2 no mundo, a maior parte destes nos E.U.A.). Este modo de transporte é mais barato que o transporte por navio e também tem a vantagem de permitir um fluxo contínuo desde a instalação de captura até ao local de armazenamento. Os gasodutos de CO2 existentes operam a altas pressões e em condições supercríticas, sob as quais o CO2 se comporta como um gás mas possui a densidade de um líquido. Existem três parâmetros principais que afectam o caudal que um gasoduto pode transportar: o seu diâmetro, a pressão ao longo do seu comprimento e, consequentemente, a espessura das suas paredes. Compressão O CO2 é comprimido para um fluido denso que ocupa significativamente menos espaço do que um gás. Uma vez que o CO2 é separado dos gases de combustão da central térmica ou instalação industrial, o caudal de CO2, muito concentrado, é desidratado e comprimido, tornando o transporte e armazenamento mais eficiente (Fig. 1). A desidratação é necessária para evitar a corrosão do equipamento e infra-estrutura e, a altas pressões, a formação de hidratos (cristais que podem entupir equipamentos e tubos). A compressão é efectuada em conjunto com a desidratação através de um processo constituído por várias etapas: repetidos ciclos de compressão, arrefecimento e separação de água. A pressão, temperatura e conteúdo de água devem ser adaptados ao modo de transporte e requisitos de pressão do local de armazenamento. Entre os factores fundamentais no planeamento da instalação de compressão estão o caudal de gás, as pressões de sucção e descarga, capacidade calorífica do gás e a eficiência do compressor. Esta tecnologia de compressão já está disponível e é já utilizada em muitas aplicações industriais. Transporte O CO2 pode ser transportado através de navio ou de gasodutos. Presentemente, o transporte de CO2 por navio é apenas efectuado para utilizações industriais a escalas muito pequenas (10.000 a 15.000 m3), mas este transporte Injecção © BRGM im@gé Figura 1: Fases do armazenamento de CO2. O processo de armazenamento de CO2 de modo durável e seguro envolve uma série de operações que incluem captura, compressão, transporte e injecção. 8 A colocação do CO2 no reservatório é feita por injecção sobre pressão (Fig. 2). A pressão da injecção tem de ser maior que a pressão do reservatório, de modo a mobilizar o fluido no ponto de injecção do reservatório. O número de pontos de injecção depende da quantidade de CO2 a armazenar, da taxa de injecção (volume de CO2 injectado por hora), da permeabilidade e espessura do reservatório, da pressão de injecção máxima de segurança e do tipo de poço de injecção. Como o principal objectivo é o do armazenamento duradouro do CO2, devemo-nos certificar da integridade hidráulica da formação geológica. Altas taxas de injecção podem provocar aumentos de pressão no ponto de injecção, particularmente em formações com baixa permeabilidade. A pressão de injecção não deve exceder a pressão de fracturação das rochas sob risco de danificar o que por sua vez concentra espécies químicas na salmoura*. Quando a salmoura atinge uma concentração de saturação, os minerais (sais) podem então precipitar, reduzindo a permeabilidade à volta do poço. Os processos de injecção dependem de uma complexa interacção de fenómenos que ocorrem localmente à volta do poço de injecção, sendo também altamente dependentes do tempo de injecção e da distância ao poço. Para avaliar esses efeitos são utilizadas simulações numéricas. As taxas de fluxo da injecção devem ser cuidadosamente definidas para evitar a ocorrência de processos que possam limitar a injecção das quantidades desejadas de CO2. Composição do fluxo de CO2 © IPCC A composição e pureza do fluxo de CO2, resultante do processo de captura, têm uma influência significativa nas fases subsequentes de um projecto de armazenamento de CO2. A presença de uma pequena percentagem de outras substâncias, como água, sulfureto de hidrogénio (H2S), óxidos de enxofre ou azoto (SOx, NOx), azoto (N2) e oxigénio (O2) vai afectar as propriedades físicas e químicas do CO2, bem como os seus comportamentos e impactos. A presença daquelas substâncias deve ser cuidadosamente considerada aquando do planeamento das fases de compressão, transporte e injecção e também no ajustamento das condições operacionais e do equipamento. Concluindo, o transporte e injecção de grandes quantidades de CO2 é exequível. No entanto, se o armazenamento de CO2 for feito a larga escala, todas as fases envolvidas necessitam de ser planeadas caso a caso. Os parâmetros a considerar são os referentes às propriedades termodinâmicas do fluxo de CO2 (Fig. 3), às taxas de fluxo e às condições do reservatório e do sub-solo acima deste. Figura 2: Quando é injectado no sub-solo, o CO2 torna-se um fluido em estado supercrítico*, a cerca de 0,8 km de profundidade. O seu volume diminui drasticamente de 1000 m3 à superfície para 2,7 m3 aos 2 km de profundidade. Este é um dos factores que torna o armazenamento geológico de grandes quantidades de CO2 tão atractivo. © BGR reservatório ou o selante sobrejacente. Para calcular a pressão máxima de injecção, recorre-se a modelos e análises geomecânicas, com vista a evitar a fracturação da formação utilizada como reservatório. A taxa de injecção de CO2 na formação pode ser afectada por processos químicos. Dependendo do tipo de reservatório, da composição dos fluidos e das condições do reservatório (como a temperatura, pressão, volume, concentração, etc.) podem ocorrer processos de precipitação e dissolução de minerais no poço, levando ao aumento ou diminuição da taxa de injecção. Logo que o CO2 esteja injectado, parte dele dissolve-se na água salgada do reservatório e o pH* diminui ligeiramente, compensado pela dissolução de minerais carbonatados presentes na rocha reservatório. Os carbonatos são os primeiros minerais a sofrer dissolução já que a sua taxa de reacção é muito elevada, iniciando-se a sua dissolução desde o começo da injecção. Este processo pode aumentar a porosidade da rocha e o seu grau de injectividade*. No entanto, após a dissolução, os minerais carbonatados podem re-precipitar, cimentando a formação à volta do poço. As taxas de fluxo do CO2 podem elevar-se de modo a compensar a redução da permeabilidade à volta do poço, deslocando a área de equilíbrio geoquímico para locais mais afastados. Outro fenómeno induzido pela injecção é o da secagem. Após a fase de acidificação, a água residual que resta à volta do poço de injecção dissolve-se no gás seco injectado, 9 O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2? Figura 3: A densidade do CO2 puro (em Kg/m3) é função da temperatura e pressão. A linha amarela corresponde ao gradiente padrão da pressão e temperatura numa bacia sedimentar. As profundidades superiores a 800 m (~8 MPa), as condições do reservatório permitem altas densidades (sombreado azul). A linha a verde representa a fronteira entre as fases gasosa e líquida do CO2. As condições típicas de pressão e temperatura para a captura, transporte e armazenamento são indicadas pelas letras A, B e C, respectivamente. O que acontece ao CO2 no reservatório de armazenamento? Uma vez injectado no reservatório, o CO2 vai ascender por flutuação preenchendo os espaços entre os poros, abaixo da rocha selante. Com o passar do tempo, parte do CO2 irá dissolver-se e, eventualmente, transformar-se em minerais. Estes processos têm lugar em diferentes escalas temporais, contribuindo para o armazenamento duradouro. 1. Acumulação sob a rocha selante (armadilha estrutural) Como o CO2, embora densificado, é ainda “mais leve” que a água, ele tende a ascender. Este movimento é interrompido quando o CO2 intersecta uma camada de rocha impermeável, a denominada rocha selante. Usualmente constituída por argila ou sal, esta rocha pode actuar como armadilha, prevenindo a ascensão do CO2 até à superfície, ficando acumulado abaixo daquela. A Figura 1 ilustra o movimento ascendente do CO2 através dos poros da rocha (a azul) até atingir a rocha selante. Mecanismos de armazenamento Ao ser injectado num reservatório, o CO2 preenche os poros da rocha que, na maioria dos casos, estão já ocupados com salmoura, ou seja, água salgada. À medida que o CO2 é injectado podem processar-se quatro mecanismos abaixo indicados. O primeiro destes é considerado o mais importante, por prevenir a ascensão do CO2 à superfície, sendo que, os outros três, promovem o aumento da eficiência e segurança do armazenamento ao longo do tempo. 2. Fixação nos poros de menor dimensão (armadilha residual) A fixação residual do CO2 ocorre a partir do momento em que os poros da rocha reservatório se tornam muito pequenos, não permitindo que o fluxo continue a migrar, mesmo com diferenças de densidade em relação à água circundante. Este processo ocorre durante a migração do CO2 podendo geralmente imobilizar uma pequena percentagem do CO2 injectado, dependendo das propriedades da rocha reservatório. Vista microscópica. 3. Dissolução (armadilha por dissolução) Na injecção, uma pequena proporção de CO2 é dissolvida ou misturada numa solução da salmoura. A dissolução faz com que a água com o CO2 dissolvido resultante, seja mais pesada que a salmoura original, tendendo então para se movimentar para o fundo do reservatório. A taxa de dissolução depende do tipo de contacto entre o CO2 e a salmoura. A quantidade de CO2 que pode ser dissolvido é limitada por uma concentração máxima. No entanto, devido ao movimento ascendente do CO2 injectado e ao movimento descendente da água com CO2 dissolvido, existe uma constante renovação do contacto entre o CO2 e a salmoura, aumentando a capacidade de dissolução. Estes processos são relativamente lentos uma vez que ocorrem nos poros de muito reduzida dimensão. Estimativas preliminares do projecto Sleipner indicam que cerca de 15% do CO2 injectado é dissolvido 10 anos após a injecção. © BRGM im@gé Figura 1: O CO2 que é mais leve do que a água, tem tendência a subir até ficar retido devido às camadas impermeáveis superiores. 4. Mineralização (armadilha por mineralização) O CO2, quando combinado com a salmoura, pode reagir com os minerais constituintes da rocha reservatório. 10 © BRGM Figura 3: Evolução do CO2 nas suas formas diferentes em Sleipner, de acordo com as simulações do fluxo. O CO2 fica retido na froma supercrítica pelos mecanismos 1 e 2, na forma dissolvida pelo mecanismo 3 e na forma minral pelo mecanismo 4. Figura 2: CO2 denso a migrar para cima (Bolhas azul claro), a dissolver-se e a reagir com os gãos das rochas, levando à precipitação de minerais carbonatados na superfície dos grãos (cor branca). natural”*. Estes locais fornecem-nos informações acerca do comportamento do gás e das consequências a longo prazo da presença de CO2 no subsolo. • Monitorização dos locais de armazenamento de CO2 existentes, tais como Sleipner (offshore da Noruega), Weyburn (Canadá), In Salah (Argélia) e K12-B (offshore da Holanda). Os resultados das simulações a curto prazo podem ser comparados com os dados de campo, ajudando a refinar os modelos. Só através de constante cruzamento de dados e informação entre estas fontes de informação é que é possível adquirir conhecimento fidedigno acerca de todos os processos que ocorrem a 1000 m abaixo dos nossos pés. Alguns minerais podem ser dissolvidos, podendo outros precipitar, dependendo do pH do meio e da composição dos minerais que constituem a rocha reservatório (Fig. 2). Estimativas efectuadas para o projecto Sleipner indicam que, após um longo período de tempo, só uma fracção relativamente pequena de CO2 fica imobilizada através de processos de mineralização. Após 10 000 anos, só 5% do CO2 injectado contribui para a mineralização, enquanto que com a restante parte (95%) ocorre dissolução de minerais, reacções onde não sobra CO2 como fase densa. A importância relativa de cada um destes mecanismos de armazenamento varia de local para local, ou seja, depende das características de cada sítio. Por exemplo, num reservatório em forma de doma, o CO2 mantém-se estável numa fase densa durante um intervalo de tempo longo, enquanto que, em reservatórios de formato aplanado, tal como o de Sleipner, a maior parte do CO2 será dissolvido ou mineralizado. A Figura 3 ilustra a evolução da proporção de CO2 nos diferentes tipos mecanismos de armazenamento, para o exemplo de Sleipner. Em conclusão, sabe-se que a segurança do local de armazenamento de CO2 tende a aumentar com o tempo. A questão mais crítica é o de encontrar um reservatório sobreposto por uma rocha selante que impeça a fuga de CO2 (armadilha estrutural). Os processos relacionados com dissolução, mineralização e armazenamento residual ajudam a prevenir a migração do CO2 para a superfície. Figura 4: Modelação 3D da migração do CO2, num aquífero depois da injecção de 150000 toneladas durante 4 anos, no aquífero de Dogger em França. Aqui apresenta-se o CO2 supercrítico (esquerda) e o CO2 dissolvido em salmoura (direita) 4100 e 2000 anos depois do começo da injecção. A simulação está baseada em dados experimentais e de campo. Como sabemos tudo isto? © BRGM im@gé O conhecimento destes processos é proveniente de quatro grandes fontes de informação: • Medições laboratoriais: experiências de pequena escala envolvendo os mecanismos de mineralização, fluxo e dissolução podem ser efectuadas em amostras de rocha, dando uma ideia dos processos de curta duração e de pequena escala. • Simulações numéricas: foram desenvolvidos códigos informáticos que podem ser utilizados na previsão do comportamento do CO2 em várias escalas de tempo (Fig. 4). As experiências laboratoriais são utilizadas para calibrar estas simulações. • Estudo de reservatórios naturais de CO2, onde este (geralmente de origem vulcânica) foi armazenado em profundidade durante longos períodos de tempo, por vezes milhões de anos. Um enquadramento deste género é usualmente denominado como “Análogo 11 O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2? Pode haver fugas de CO2 do reservatório? Quais poderão ser as consequências? Com base no estudo dos sistemas naturais, reservatórios escolhidos adequadamente não deverão apresentar qualquer fuga significativa. Reservatórios naturais com gás ajudam-nos a compreender as condições em que o gás fica preso ou solto. Além disso, reservatorios naturais com fugas ajudar-nos-ão a perceber quais os possíveis impactos de uma fuga de CO2. Vias de fuga Em geral, as potenciais vias de fuga ou são provocados pelo homem (como poços profundos) ou naturais (como sistemas de fraturas e falhas). Os poços podem constituir vias de migração porque, em primeiro lugar, eles formam uma ligação directa entre a superfície e o reservatório, e em segundo lugar, podem corroer-se ao longo do tempo (Fig.1). Uma complicação adicional é que nem todos os poços são construídos utilizando as mesmas técnicas, e, assim, os poços novos são geralmente mais seguros do que os mais velhos. Em qualquer caso, o risco devido a uma fuga através de poços deverá ser baixa porque os poços novos e antigos podem ser monitorizados de forma muito eficaz utilizando métodos geoquímicos e geofísicos sensíveis, e porque a tecnologia já existe na indústria do petróleo para qualquer acção correctiva que possa ser necessária. Fluxo ao longo de falhas e fracturas naturais que poderiam existir na rocha selante ou a sobrecarga é mais complexa porque estamos a lidar com características irregulares, planas com permeabilidade variável. Uma boa compreensão científica e técnica de sistemas naturais com ou sem fugas irá permitir desenvolver projectos de armazenamento de CO2 que tenham as mesmas Análogos naturais: lições aprendidas Os sistemas naturais (os denominados "análogos") são fontes valiosas de informação para melhorar a nossa compreensão da migração de gás em profundidade e a troca natural de gases entre a terra e a atmosfera. As principais conclusões derivadas a partir do estudo de numerosas reservatórios de gás natural, com e sem fugas, são: • em condições geológicas apropriadas, o gás produzido naturalmente pode ficar retido centenas de milhares a milhões de anos; • reservatórios de gás isolados existem até nas configurações geológicas menos favoráveis (áreas vulcânicas); • a migração de quantidades significativas de gás requer advecção (isto é, fluxo de pressão) porque a difusão é um processo muito lento; • para ocorrer advecção, as condições de fluido no reservatório precisam de se situar perto de pressão litostática para manter falhas e fracturas abertas ou mecanicamente criar novos caminhos; • locais onde há fugas naturais de gás para a superfície estão situados, quase exclusivamente, em regiões altamente sísmicas e vulcânicas, com aberturas de gás situadas ao longo de falhas activas ou recentemente ativadas; • fugas de gás significativas são raras e tendem a ocorrer em áreas vulcânicas e geotérmicas onde o CO2 é continuamente produzido por processos naturais; • anomalias de gás na superfície ocorrem geralmente em pontos localizadas e têm um impacto limitado no meio ambiente perto da superfície. Portanto, a combinação de um número de condições específicas é necessária para que possa haver uma fuga. Consequentemente, é altamente improvável que um reservatório de armazenamento bem escolhido e cuidadosamente projectado tenha fugas de CO2. Embora a probabilidade de existir uma fuga seja pequena, os processos associados e os potenciais efeitos têm que ser totalmente compreendidos, de forma a escolher, projectar e operar os locais de armazenamento geológico de CO2 com a maior segurança possível. after Nordbotten et al. 2005 Figura 1: Possíveis vias de escape do CO2 do poço de injecção. Escape pelo material alterado (c,d, e) ou pelas fissuras (a,b,f) . características de reservatórios que armazenam CO2 e metano há milhares até milhões de anos. 12 © Sapienza URS Impactos no Homem Impactos no meio ambiente Nos ecossistemas terrestres, o impacto pode ser resumido da seguinte forma: • vegetação – Embora concentrações de CO2 no solo até cerca de 20-30% possam favorecer a adubação das plantas e aumentar a sua taxa de crescimento,, valores superiores a esse limite podem ser letais para algumas, mas não todas as plantas. Este efeito é extremamente localizado e a poucos metros de distância a vegetação permanece robusta e saudável (Fig. 2). • qualidade das águas subterrâneas – A composição química das águas subterrâneas pode ser alterada com adição de CO2, as águas tornam-se mais ácidas e elementos podem ser liberados de rochas e minerais do aquífero. Mesmo se se der uma fuga de CO2 num aquífero de água potável, os efeitos deverão permanecer localizados e a quantificação dos impactos está actualmente a ser investigado. Curiosamente, muitos aquíferos na Europa são enriquecidas em CO2 de forma natural, e esta água engarrafada e vendida como "água mineral com gás". • integridade das rochas – A acidificação das águas subterrâneas pode resultar na dissolução das rochas, na diminuição da sua integridade estrutural, e na formação de buracos. Contudo, este tipo de fenómeno ocorre apenas sob condições geológicas muito específicas, que não são prováveis de ocorrer num local de armazenamento geológico de CO2 adequado. Os potenciais impactos nos ecossistemas variam consoante o local de armazenamento se situe no mar ou em terra. Em ecossistemas marinhos, o principal efeito de uma fuga de CO2 é a diminuição local do pH e o impacto associado a, principalmente, animais que vivem no fundo do mar. No entanto, as consequências são espacialmente limitadas e o ecossistema rapidamente mostra sinais de recuperação após a fuga. Em conclusão, como os impactos de qualquer fuga hipotética de CO2 vão depender do local específico, um conhecimento profundo da configuração geológica e estrutural permite-nos identificar as potenciais vias de migração de gás, escolher os locais com menor potencial de fuga de CO2, prever o comportamento do gás e, assim, avaliar e prevenir, qualquer impacto significativo sobre os seres humanos e o meio ambiente. Nós respiramos CO2 o tempo todo. O CO2 só é perigoso para a saúde humana em concentrações muito elevadas, valores até 500.000 ppm (5%), podem causar dores de cabeça, tonturas e náuseas. Valores acima deste nível podem levar à morte, se a exposição for longa, especialmente por asfixia, quando a concentração de oxigénio no ar cai abaixo do nível de 16% necessária para a vida humana. No entanto, se a fuga de CO2 se der numa área aberta, esta rapidamente se dispersa no ar, mesmo com ventos fracos. O potencial de risco para as populações é, assim, limitado às fugas em ambientes fechados ou em depressões topográficas, onde as concentrações de CO2 podem aumentar por este ser mais denso do que o ar e, portanto, tender a acumular-se perto do chão. Na realidade, muitas pessoas vivem em áreas caracterizadas por emanações de gás diárias. Por exemplo, em Itália, em Ciampino, perto de Roma, as casas estão localizadas a apenas 30 metros de saídas de gás, onde as concentrações de CO2 no solo atingem 90% e cerca de 7 toneladas de CO2 são emitidas para a atmosfera diariamente. Os habitantes locais evitam qualquer perigo, tomando algumas precauções, como não dormir na cave e mantendo as casas bem ventiladas. 13 O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2? Figura 2: Impacto da fuga do CO2 na vegetação com um fluxo grande (esquerda) e reduzido (direita). O impacto será limitado à área de onde se realiza a fuga de CO2. Como podemos monitorizar o local de armazenamento? Por razões operacionais, de segurança, ambientais, sociais e económicas, todos os locais de armazenamento de CO2 terão que ser monitorizados. Deverá ser delineada uma estratégia para definir exactamente o que irá ser monitorizado e como. Pre-injecção (1994) Quais são os alvos a monitorizar? A monitorização do local será de uma importância critica para assegurar que o principal objectivo do armazenamento geológico de CO2 é atingido, a longo prazo. As razões que justificam a monitorização dos locais de armazenamento incluem: • Operacionais: o controlo e optimização do processo de injecção. • De segurança e ambientais: a minimização ou prevenção de qualquer impacto na população humana, na vida selvagem e nos ecossistemas que se encontram nas imediações de um desses locais, e o assegurar da mitigação das alterações climáticas globais. • Societais: o fornecimento ao público da informação necessária para a compreensão da segurança do local de armazenamento de modo a ganhar a sua confiança. • Financeiras: O aumento da confiança dos mercados nas tecnologias de CCS e a verificação dos volumes de CO2 armazenados para que estes sejam creditados como “emissões evitadas” no mercado de emissões. A monitorização de estádio inicial do ambiente (baseline) e a actuação local subsequente são exigências reguladoras importantes na Directiva da CE sobre CAC, publicada em 23 de Abril de 2009. Os operadores necessitam de ter a capacidade para demonstrar que o desenvolvimento do armazenamento está em conformidade com o que está regulado e que, a longo prazo, continuará a estar. A monitorização é uma componente importante na redução das incertezas devendo por isso estar fortemente ligada às actividades relacionadas com os procedimentos de segurança. A monitorização pode focar-se em vários alvos e processos em diferentes zonas do local, tais como: • Modelação a Pluma – o seguimento do CO2, na sua migração desde o local de injecção. Isto fornece dados-chave para calibração de modelos predictores da distribuição futura de CO2 no local. Estão disponíveis várias técnicas, já comprovadas, entre as quais se encontram ensaios sísmicos, os quais foram aplicados com sucesso, em várias demonstrações e projectos-piloto (Fig. 1). • Integridade da rocha selante – necessária para avaliar se o CO2 está isolado no local de armazenamento e para fornecer avisos precoces de qualquer migração inesperada de CO2 para a superfície. Num projecto, isto pode ser especialmente importante durante a fase de injecção, quando as pressões no reservatório aumentam significativamente, embora de forma temporária. • Integridade do poço. Este é um tema importante, uma vez que os poços profundos podem constituir uma via directa para a migração de CO2 para a superfície. Os poços de injecção de CO2, aliados a quaisquer poços de observação ou poços préexistentes, abandonados, têm que ser monitorizados com cuidado. A monitorização serve também para verificar se os poços que já não estão em uso, foram devidamente selados. Os sistemas de monitorização geofísica e geoquímica existentes, e usados no dia a dia, na indústria do petróleo e do gás, podem ser instalados dentro ou sobre os poços de modo fornecer avisos precoces de qualquer anomalia, garantindo a segurança. • Migração nas camadas superiores. Se a monitorização indica uma migração inesperada através da rocha selante, será necessário a monitorização das camadas superiores. • Fugas para a superfície e detecção e medição atmosféricas. Existem numerosas técnicas geoquímicas, bioquímicas e de detecção remota para localizar fugas, avaliar e monitorizar a distribuição de CO2 no solo e a sua dispersão na atmosfera ou no mar (meio marinho) (Fig. 2). • Quantidade de CO2 armazenado para efeitos reguladores e de fiscalização. Embora a quantidade de CO2 injectada possa ser medida imediatamente 2.35 Mt CO2 (1999) 4.36 Mt CO2 (2001) © StatoilHydro Figura 1: Representação digital de monitorização da pluma de CO2 em Sleipner antes a injecção (iniciou em 1996) e depois (3 e 5 anos respectivamente). Porque é necessária a monitorização? 14 Aquando da concepção de uma estratégia de monitorização, têm que ser tomadas várias decisões que dependem das condições geológicas e de engenharia específicas de cada local, tais como a geometria e a profundidade do reservatório, a difusão do CO2, o percurso de possíveis fugas, a geologia do overburden, o tempo de injecção e a taxa do fluxo, e as características da superfície, tais como a topografia, a densidade populacional, as infra-estruturas e os ecossistemas. Quando houver decisões sobre as localizações e as técnicas de medição mais apropriadas, têm que ser levados a cabo estudos iniciais antes das operações de injecção, as quais servirão como referência para todas as futuras medições. Por fim, todos os programas de monitorização têm que ser flexíveis, de forma a evoluir ao mesmo tempo que o projecto de armazenamento. Uma estratégia de monitorização capaz de integrar toda esta problemática e ao mesmo tempo melhorar a relação custo/eficácia será uma componente crítica na análise de risco e na verificação da segurança e eficácia do local. Como é feita a monitorização ? Já foi aplicada uma grande variedade de técnicas de monitorização em projectos de demonstração. Estas incluem os métodos que monitorizam directamente o CO2 e os que indirectamente avaliam os seus efeitos nas rochas, fluidos e ambiente. As medições directas incluem a análise dos líquidos da profundeza dos poços ou a medição da concentração de gás no solo e na atmosfera. Os métodos indirectos incluem análises geofísicas, monitorização da mudança de pressão nos poços ou alterações no pH da água do subsolo. A monitorização será exigida nos locais de armazenamento, quer estes estejam offshore ou onshore (no mar ou em terra). A selecção da técnica apropriada para a monitorização dependerá das características técnicas e geológicas do local e da sua finalidade. Já está disponível uma vasta gama de técnicas de monitorização (Fig.3), muitas das quais estão já bem implantadas na indústria do petróleo e do gás; estas técnicas estão a ser adaptadas ao contexto de CO2. © CO2GeoNet Estratégia de monitorização na cabeça do poço, a quantificação no reservatório é, em termos técnicos, muito desafiante. Se ocorrer uma fuga para a near-surface, as quantidades libertadas terão que ser quantificadas para efeitos de contabilização nos inventários nacionais de gases de efeito de estufa e futuros esquemas de ETS. • Movimentos e microsismicidade*. A pressão acrescida do reservatório devida à injecção de CO2 pode, em casos específicos, aumentar o potencial de microsismicidade e de movimentos em pequena escala. Estão disponíveis técnicas de monitorização e métodos de detecção remota de microssismos (avião ou satélite), capazes de medir deformações do terreno, por mais pequenas que sejam. Figura 2 : Bóia de monitorização com painéis solares como fonte de energia, flutuadores e dispositivo de amostragem de gás nos fundos marinhos. Concluindo, sabemos que a monitorização do local de armazenamento de CO2 já é possível com a quantidade de técnicas existentes no mercado ou em desenvolvimento. © CO2GeoNet Figura 3: Uma selecção que ilustra o leque de técnicas disponíveis para monitorizar os diferentes componentes de um sistemas de armazenamento de CO2. 15 O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2? Que critérios de segurança devem ser impostos e respeitados? Para garantir a eficiência e segurança no armazenamento, as autoridades reguladoras devem impor condições de desenho e operação de projecto que devem ser respeitadas pelos operadores. Figura 1: Os diferentes passos num projecto de armazenamento. Apesar do armazenamento geológico de CO2 ser largamente aceite como uma opção credível na mitigação das mudanças climáticas, os critérios de segurança no que respeita à saúde humana e ao ambiente local devem ser estabelecidos antes de operações, generalizadas, à escala industrial serem desenvolvidas. Tais critérios podem ser definidos como requisitos impostos aos operadores pelas autoridades reguladoras, para assegurar que os impactos na saúde, segurança e ambiente (incluindo águas subterrâneas) sejam negligenciáveis a pequeno, médio e longo prazo. Um ponto chave no armazenamento de CO2 é que este deve ser permanente, pelo que os locais de armazenamento não deverão ter fugas. Contudo, o cenário ‘e se houver fugas?’ implica que os riscos sejam avaliados e que os operadores respeitem as medidas preventivas de qualquer fuga ou comportamento anómalo dos locais. De acordo com o IPCC, o CO2 injectado necessita de permanecer em profundidade pelo menos 1000 anos, o que permitirá diminuir ou estabilizar as concentrações de CO2 atmosférico por troca natural com as águas dos oceanos, e assim minimizar a subida da temperatura devido ao aquecimento global. Contudo, os impactos locais necessitam de ser avaliados numa escala de tempo que varia entre dias a muitos milhares de anos. Várias etapas importantes devem ser consideradas durante o tempo de vida do projecto de armazenamento de CO2 (Fig. 1). A segurança pode ser garantida por: • selecção e caracterização cuidadosa do local; • aferição da segurança; • procedimentos operativos correctos; • plano de monitorização apropriado; • plano de remediação apropriado. • considerar a composição do fluxo de CO2, atendendo em particular a quaisquer impurezas não eliminadas durante o processo de captura. Isto é importante para evitar qualquer interacção adversa com o poço, o reservatório, a camada selante, e, em caso de fuga, com qualquer massa de água sobrejacente. Critério de segurança para o desenho do projecto A segurança deve ser demonstrada antes de se iniciarem as operações no terreno. No que se refere à selecção do local de armazenamento, os principais componentes a serem examinados incluem: • o reservatório e a rocha selante; • os materiais rochosos sobrejacentes, e em particular as camadas impermeáveis, que podem actuar como selantes secundários; • a presença de falhas permeáveis ou poços que podem actuar como caminhos/condutas para a superfície. As técnicas de exploração de petróleo e gás são usadas para avaliar a geologia e a geometria do local de armazenamento. A modelação química e geomecânica do fluxo de CO2 nos reservatórios permite prever o comportamento do CO2 ao longo do tempo e definir parâmetros para uma injecção eficiente. Como resultado, a caracterização cuidadosa do local deve possibilitar a definição de um cenário de armazenamento ‘normal’, correspondente a um local adequado para o armazenamento em confiança do CO2. A avaliação do risco também deve definir cenários menos favoráveis das fases de armazenamento, incluindo ocorrências de episódios inesperados. Em particular, é importante delinear quaisquer potenciais vias de fuga, de exposição e os seus impactos (Fig. 2). Cada cenário de fuga deve ser analisado por peritos e, se possível, a modelação numérica deve ser aplicada para avaliar a sua probabilidade de ocorrência e severidade. Como exemplo, a evolução da extensão da pluma de CO2 deve ser cuidadosamente mapeada para detectar qualquer conexão a uma zona de falha. As pequenas variações nos parâmetros de controlo e incertezas devem ser avaliadas cuidadosamente na avaliação de risco. Tal como em qualquer processo de licenciamento industrial, a análise da afectação potencial dos seres humanos e do ambiente em geral deve constar em estudos de avaliação de impacto ambiental. Neste processo, quer o cenário normal, quer o de fuga, serão examinados para avaliar qualquer risco potencial ligado à infra-estrutura de armazenamento. Os principais objectivos associados são: • garantir que o CO2 permanece no reservatório; • manter a integridade do poço; • preservar as propriedades físicas do reservatório (incluindo a porosidade, a permeabilidade e a injectivididade), assim como a natureza impermeável da rocha selante; 16 Figura 2: Exemplo de cenários potenciais de fuga. • volume de injecção, de acordo com as previsões definidas pela modelação; • composição do fluxo de CO2; • integridade do poço de injecção e de qualquer outro poço localizado na área de extensão da pluma de CO2; • extensão da pluma de CO2 e detecção de qualquer fuga; • estabilidade dos solos. Durante a injecção, o comportamento do CO2 será sistematicamente comparado às previsões. Este procedimento melhorará o conhecimento do local. Se qualquer comportamento anómalo for detectado, o programa de monitorização será actualizado e serão accionadas as medidas correctivas necessárias. No caso de suspeita de fuga, poderão ser utilizadas ferramentas apropriadas de monitorização numa área específica do local de armazenamento, desde o reservatório até à superfície. Isto permitirá detectar a ascensão de CO2 e qualquer impacto adverso que possa ser prejudicial a aquíferos, ao ambiente e aos seres humanos. Quando a injecção estiver completa, inicia-se a fase de encerramento: os poços devem ser devidamente selados e abandonados, os programas de monitorização e modelação actualizados, e, se necessário, medidas correctivas devem ser tomadas para diminuir os riscos. Logo que o nível de risco seja considerado suficientemente baixo, a responsabilidade de armazenamento deve ser transferida para as autoridades nacionais e o plano de monitorização pode terminar ou ser reduzido. A Directiva Europeia estabelece um quadro legal para garantir que a captura e o armazenamento de CO2 sejam, no seu conjunto, uma opção de mitigação disponível, que possa ser feita em segurança e com responsabilidade. O programa de monitorização, de curto e a longo prazo, deverá ser estabelecido de acordo com as análises de avaliação de risco e deverão controlar os parâmetros críticos definidos para os vários cenários. Os principais objectivos são, visualizar a migração da pluma de CO2, verificar a integridade do poço e da rocha selante, detectar qualquer fuga de CO2, avaliar a qualidade da água subterrânea e garantir que nenhum CO2 alcança a superfície. A remediação e a mitigação constituem as últimas fases da avaliação de segurança, onde é discriminada uma lista de acções correctivas a serem aplicadas aos episódios de fuga ou aos comportamentos anómalos. Inclui-se aqui, a análise da integridade da rocha selante e falhas do poço, durante os períodos de injecção e pós-injecção e considera soluções extremas de remediação, tal como a reversibilidade no armazenamento. O conhecimento existente abrange técnicas aplicadas na indústria do petróleo e gás, tais como a conclusão do acto de perfurar, a diminuição da pressão de injecção, a remoção parcial e completa do gás, a extracção para aliviar a pressão, a extracção superficial de gás, etc. Critérios de segurança durante a operação e pós-encerramento O principal cuidado de segurança está associado à fase de operação: após cessar a injecção, a diminuição da pressão tornará o local mais seguro. A confiança na habilidade para injectar e armazenar CO2 de maneira segura, baseia-se na experiência das companhias operadoras. O CO2 é um produto relativamente comum usado em várias indústrias, assim o seu manuseamento não levanta problemas novos. O desenho e controlo de operações serão baseados no conhecimento da indústria de petróleo e gás, em particular no armazenamento sazonal de gás natural ou na recuperação estimulada de petróleo. Os principais parâmetros a serem controlados são: • pressão de injecção e velocidade de fluxo – a pressão deve ser mantida abaixo da pressão de fracturação, i.e., a pressão acima da qual se formam fracturas na rocha selante; Em conclusão, os critérios de segurança são essenciais para o desenvolvimento do armazenamento de CO2 e terão que ser adaptados para cada local específico. Esses critérios serão particularmente importantes para a aceitação pública, sendo essenciais para o processo de licenciamento, sobre o qual as entidades reguladoras devem decidir o nível de detalhe das medidas de segurança. 17 O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2? Glossário Micro sismicidade: Ligeiro tremor ou vibração da crosta terrestre, não relacionado com sismos que pode ser causado por uma diversidade de agentes naturais ou artificiais. Permeabilidade: propriedade ou capacidade de uma rocha porosa de transmitir um fluido; é uma medida da facilidade relativa do fluxo de fluido sob um gradiente de pressão. pH: medida da acidez de uma solução, para o qual o pH 7 corresponde ao neutro. Pluma de CO2: distribuição espacial do CO2 supercrítico dentro das unidades rochosas. Poço (ou furo): uma perfuração de secção circular feita através de uma sondagem, especialmente uma perfuração profunda de pequeno diâmetro, tal como um poço de petróleo. Porosidade: Percentagem do volume total de uma rocha que não está ocupada por minerais. Estes vazios são denominados de poros e podem estar preenchidos por vários fluidos; normalmente em rochas profundas este fluído é água salgada mas também pode ser petróleo ou um gás como metano ou CO2 de origem natural. Pressão litostática: a força exercida numa rocha em profundidade pelas rochas que se lhe sobrepõem. A pressão litostática aumenta com a profundidade. Recuperação Secundária de petróleo: Uma técnica da indústria petrolífera que, através da injecção de fluidos como água ou CO2 no reservatório, permite a mobilização de petróleo e assim aumentar a produção deste. Reservatório: corpo de rocha ou sedimento com porosidade e permeabilidade suficiente para albergar e armazenar CO2. A maior parte dos reservatórios são constituídos por arenito ou calcário. Salmoura: água muito salgada, ou seja, contendo concentrações elevadas de sais dissolvidos. Selante: camada de rocha impermeável que actua como uma barreira à movimentação de líquidos e gases e que, quando cobre um reservatório, constitui uma armadilha. Supercrítico: o estado de um fluido a pressões e temperaturas acima dos valores críticos (31,03ºC e 7,38 MPa para CO2). As propriedades de estes fluidos variam de uma maneira contínua, próximas de um gas a baixas pressões e próximas de um líquido a altas pressões. Análogo natural: reservatório de CO2 natural. Existem tanto locais com ou sem fugas e o seu estudo pode melhorar a compreensão do destino a longo prazo do CO2 em sistemas geológicos profundos. Aquífero: corpo rochoso permeável contendo água. Os aquíferos mais superficiais contêm água doce para consume humano. Os aquíferos a maiores profundidades estão preenchidos por água salgada que não é adequada para as necessidades humanas. Estes são denominados de aquíferos salinos. CCS: Sigla em inglês para a captura e armazenamento de CO2. Cobertura: os estratos geológicos localizados entre o selante do reservatório e a superfície terrestre ou marinha. CSLF: Sigla em inglês do Fórum de Liderança de Sequestro de CO2. Uma iniciativa internacional de mudança climática focada no desenvolvimento de melhores e mais baratas tecnologias para a separação e captura de dióxido de carbono e seu transporte e armazenamento seguro a longo prazo. EU Geocapacity: um projecto europeu de investigação finalizado, que avaliou a capacidade de armazenamento geológico existente na Europa para as emissões de CO2 antropogénico. IEA-GHG: Sigla em inglês do programa de investigação e desenvolvimento em gases de efeito estufa, da Agência Internacional de Energia. Uma colaboração internacional dirigida à avaliação de tecnologias para a diminuição de emissões de gases com efeito estufa, à divulgação dos resultados destes estudos, à identificação de prioridades para a investigação, desenvolvimento e demonstração e à promoção de trabalhos apropriados. Injectividade: medida da facilidade com a qual um fluido (como CO2) pode ser injectado numa formação geológica. É definida pela taxa de injecção dividida pelo diferencial de pressão entre o ponto de injecção no fundo do poço e da formação. IPCC: Sigla em inglês do Painel Inter-governamental para a Mudança Climática. Esta organização foi criada em 1988 pelo WMO (Organização Meteorológica Mundial) para avaliar a informação científica, técnica e socioeconómica relevante para a compreensão da mudança climática, seus potenciais impactos e opções para adaptação e mitigação. O IPCC e Al Gore receberam o Prémio Nobel da Paz em 2007. Referências adicionais: Relatório Especial do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática: http://www.ipcc.ch/pdf/special-reports/srccs/srccs_wholereport.pdf Página da Acção do Clima da Comissão Europeia sobre captura e armazenamento de CO2 incluindo o contexto legal e a implementação da Directiva CCS: http://ec.europa.eu/clima/policies/lowcarbon/ccs_en.htm Página de ferramentas de monitorização da IEA GHG: http://www.co2captureandstorage.info/co2tool_v2.1beta/introduction.html http://www.co2captureandstorage.info/co2tool_v2.1beta/introduction.htm 18 O que é o CO2GeoNet? O CO2GeoNet é uma comunidade científica Europeia a que poderá recorrer para obter uma informação clara e abrangente sobre o armazenamento geológico de CO2, uma tecnologia inovadora e de importância vital para a mitigação face às alterações climáticas. A CO2GeoNet foi iniciada pela Comissão Europeia como uma rede de excelência no âmbito do 6º Programa Quadro (contrato EC FP6 2004-2009). Agrega 13 institutos de 7 países europeus, todos com um elevado perfil internacional e massa critica em termos de investigação no armazenamento geológico de CO2. Em 2008, a CO2GeoNet foi registada como uma Associação sem fins lucrativos, no quadro legal francês, para dar continuidade às suas actividades para além da duração do apoio da CE. A CO2GeoNet tem uma vasta experiência em projectos de investigação orientados para: o reservatório, a formação geológica confinante, potenciais vias de migração do CO2 até à superfície do terreno, ferramentas de monitorização, potenciais impactos no Homem e nos ecossistemas, Percepção pública e comunicação. A CO2GeoNet oferece uma variedade de serviços em quatro domínios principais: 1) investigação conjunta; 2) treino e capacitação; aconselhamento científico; 4) informação e comunicação. A CO2GeoNet adquiriu progressivamente peso e tornou-se numa referência científica durável e numa autoridade na Europa, capaz de fornecer o suporte científico necessário para o desenvolvimento seguro e em larga escala do armazenamento geológico de CO2. A expansão desta comunidade para lhe dar uma cobertura pan-europeia está em curso através do projecto CGS Europe, uma Acção de Coordenação financiada pelo EC-FP7 (2010-2013). O CGS Europe junta o núcleo duro da Associação CO2GeoNet com 21 outros institutos de investigação, abrangendo desta forma 28 países europeus (24 Estados Membro e 4 Países Associados). Como resultado, está disponível um conjunto de várias centenas de cientistas, capaz de lidar com todos os aspectos envolvidos no armazenamento geológico de CO2, através de abordagens integradas multidisciplinares. O nosso objectivo é dotar os interessados e o público em geral de informação independente cientificamente suportada sobre o armazenamento geológico de CO2. CO2GeoNet: a rede Europeia de Excelência no Armazenamento Geológico de CO2 BGR (Alemanha); BGS (Reino Unido); BRGM (França); GEUS (Dinamarca); HWU (Reino Unido); IFPEN (França); IMPERIAL (Reino Unido); NIVA (Noruega); OGS (Itália); IRIS (Noruega); SPR Sintef (Noruega); TNO (Holanda); URS (Itália) www.co2geonet.eu CGS Europe: A Acção de Coordenação Pan-Europeia no Armazenamento Geológico de CO2 CO2GeoNet (os 13 membros acima listados); CzGS (República Checa); GBA (Áustria); GEOECOMAR (Roménia); GEO-INZ (Eslovénia); G-IGME (Grécia); www.cgseurope.net GSI (Irlanda); GTC (Lituânia); GTK (Finlândia); LEGMC (Letónia); LGI (Hungria); LNEG (Portugal); METU-PAL (Turquia); PGI-NRI (Polónia); RBINS-GSB (Bélgica); SGU (Suécia); SGUDS (Eslováquia); S-IGME (Espanha); SU (Bulgária); TTUGI (Estónia); UB (Sérvia); UNIZG-RGNF (Croácia) A CO2GeoNet adquiriu um amplo reconhecimento no cenário Europeu e internacional A CO2GeoNet reconhecida pelo Carbon Sequestration Leadership Forum (CSLF) CO2GeoNet colabora proximamente com o Greenhouse Gas Programme of the International Energy Agency (IEAGHG) Enquadramento da brochura A fim de sensibilizar o público para o armazenamento geológico de CO2, a CO2GeoNet abordou a questão primordial: "O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2?".Uma equipa de eminentes cientistas da CO2GeoNet preparou respostas do estado da arte para seis questões pertinentes, com base investigação e experiência em todo o mundo. O objectivo era fornecer informação científica clara e imparcial a um público vasto e incentivar o diálogo sobre questões essenciais relativas aos aspectos técnicos de armazenamento geológico de CO2. Este trabalho, sumariamente apresentado nesta brochura, foi apresentado durante um seminárioque ocorreu em Paris a 3 de Outubro de 2007. "O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2?" Pode ser descarregado em vários idiomas em: www.co2geonet.com/brochure 19 O que significa realmente o armazenamento geológico de CO2? www.co2geonet.eu Secretariado: [email protected] A versão em português foi traduzida pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia BGS Natural Environment Research Council-British Geological Survey, BGR Bundesanstalt für Geowissenschaften und Rohstoffe, BRGM Bureau de Recherches Géologiques et Minières, GEUS Geological Survey of Denmark and Greenland, HWU Heriot-Watt University, IFPEN IFP Energies nouvelles, IMPERIAL Imperial College of Science, Technology and Medicine, NIVA Norwegian Institute for Water Research, OGS Istituto Nazionale di Oceanografia e di Geofisica Sperimentale, IRIS International Research Institute of Stavanger, SPR SINTEF Petroleumsforskning AS, TNO Netherlands Organisation for Applied Scientific Research, URS Università di Roma La Sapienza-CERI ISBN: 978-2-7159-2453-6 Impresso em Abril 2013 - Design Gráfico: BL Communication CO2GeoNet A Rede Europeia de Excelência no armazenamento geológico de CO2