CAMPEÃO DAS PROVÍNCIAS QUINTA-FEIRA, 29 DE JANEIRO DE 2009 www.campeaoprovincias.com 5 A C T U A L I D A D E Museu Machado de Castro desvenda a sua jóia mais preciosa Criptopórtico romano já pode ser visitado O criptopórtico, considerado a mais importante obra da engenharia romana em Portugal e, sem dúvida, a mais valiosa jóia do Museu Nacional Machado de Castro, pode agora ser visitado em toda a sua grandiosidade. IOLANDA CHAVES Seguindo o desenho traçado pelo arquitecto Gonçalo Byrne, o Museu Nacional Machado de Castro está a ganhar contemporaneidade assumindo-se ao mesmo tempo como um dos mais reputados guardiães do passado da cidade. A obra não está concluída na sua totalidade, mas aquele que é considerado o bem mais valioso – o criptopórtico romano – pode já ser explorada pelos visitantes, como nunca aconteceu antes. Reconhecido como a mais importante obra da engenharia romana em Portugal, é composto por “um enorme conjunto de galerias em cantarias, com as estruturas em arco”, solução encontrada pelos técnicos romanos para “vencerem o declive da colina e assim Ana Alcoforado, à esquerda, deu a conhecer o criptopórtico à secretária de Estado e demais convidados formar uma plataforma que aguentasse o forum da cidade de Aeminium (Coimbra).” Da remodelação e ampliação iniciadas em Outubro de 2006 resultaram novos conhecimentos acerca da cidade romana de há dois mil anos, documenta- dos na exposição temporária que também está patente ao público, intitulada “De Forum a Museu. Permanências” e cuja divulgação ser feita também em livro, ainda este ano. Na sessão que assinalou a abertura do criptopórtico ao público, Manuel Bair- rão Oleiro, presidente do Instituto dos Museus e da Conservação referiu-se ao Museu Machado de Castro como “um dos mais importantes museus do instituto”. Defende que seja uma âncora do turismo cultural em Coimbra e alertou para o papel importante que po- derá ter na candidatura da Alta de Coimbra a Património Mundial. A cerimónica foi presidida por Paula Fernandes dos Santos, secretária de Estado da Cultura, que também enalteceu a importância da obra no contexto nacional. Segundo disse também, o investimento não termina quando as paredes e o telhado ficam prontos, é agora necessário um projecto cultural e uma aposta nos serviços educativos para a assegurar o futuro do museu. Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal, falou da ligação afectiva que o une ao museu desde criança, do tempo em que o pai trabalhou no local. “É um bem precioso demais de para não estar aberto”, disse o autarca que na véspera se fizera sócio da Liga dos Amigos do Museu Machado de Castro. O presidente da autarquia dirigiu também uma palavra de reconhecimento a Adília Alarcão pelo tempo em que ela foi directora e uma das principais entusiastas do projecto de ampliação do museu. Adiantou que convidou a arqueóloga para representar a Câmara Municipal de Coimbra no futuro Museu da Ciência. O convite para uma visita foi deixado pela nova directora, Ana Alcoforado, que fez as honra da casa guiando os primeitos visitantes pelas galerias do criptopórtico e pelas duas exposições temporárias. A obra do museu, que 2011 assinala o primeiro centenário de fundação, deverá estar concluída em 2010, com a abertura do auditório na Igreja de S. João de Almedina. Exposição mostra fotos do museu em remodelação Dos mini-repórteres... com afecto I. C. Um grupo de adolescentes, parte deles filhos de funcionários, teve a oportunidade de fotograr, ao longo de quase três anos, a obra em curso no Museu Machado de Castro. De máquinas fotográficas em punho, rapazes e raparigas registaram parte do que esteve longe do olhar da maioria das pessoas. Agora, também, dão a conhecer o seu trabalho numa exposição intitulada “O nosso museu. Olhares travessos dos mini-repórteres”, patente ao público na sala de exposições temporárias. A ideia partiu do museu e foi coordenada pela antiga directora Adília Alarcão, com o apoio de Dinis Manuel Alves, jornalista e pro- A primeira foto Uma foto que ficou por fazer por parte da repórter do “Campeão”, foi a do decano da fotografia conimbricenseVarela Pecurto junto dos mini-repórteres, mas ele esteve lá com o seu olhar crítico. Ainda que sem a companhia da sua máquina, registou no seu íntimo “a grande mudança” que está a ser operada no museu. “Nada vai ficar como dantes”, dizia, recordando os vários trabalhos que fez ao longo da sua carreira naquele espaço. “Eu fui a primeira pessoa a fotografar o criptopórtico. Fiz a foto a pedido do Dr. Bairrão Oleiro (o pai deste Bairrão Oleiro que esteve na inauguração) para ser apresentada num congresso em Londres. Deu-me muito trabalho porque não havia luz e o doutor disse-me que seria difícil levar luz até lá. Mas eu fiz a foto!”, conta. fessor de Jornalismo, que teve a seu cargo a parte artística e técnica deste projecto de fotografia. Os respectivos testemunhos, impressos na parede, servem de introdução à exposição de fotografia que, segundo Adília Alarcão, surgiu da “necessidade de documentar o museu em mudança. Necessidade técnica, mas também afectiva”. Ainda que duplamente envolvido no projecto, visto ser pai de uma mini-repórter, o jornalista confessa-se “agradavelmente surpreendido com os trabalhos”. As fotos em exposição foram seleccionadas entre de mil, que ficarão, na sua totalidade, para o arquivo do museu. “Acho a iniciativa louvável, uma forma diferente de, ao mesmo tempo, sensibilizar as crianças para a arte da fotografia, também para os levar a sentirem o museu como seu. Eles serão os futuros utentes do museu”, sublinha. Conforme refere a antiga directora, que iniciou o projecto com o uma visita guiada pelo museu antes deste encerrar para obras, os mini-repórteres foram adolescentes que cresceram juntos no museu, “sentindo-o como casa sua e não apenas como lugar de exposição de obras de arte”. João Fragoso, 13 anos, aluno do 9.º ano, e Mariana Alves, 14 anos, também aluna do 9.º ano, são dois dos mini-repórteres, entusiastas da fotografia, que há muito têm o museu no coração. Mariana diz mesmo que cresceu a brincar no museu e, tanto um como outro, disseram ao “Campeão” que esta foi uma experiência marcante. “No início, foi chocante ver as paredes a desmoronarem-se. Depois, à medida que foram construindo, as coisas ficaram mais bonitas. Vai ficar muito dife- Dinis Alves deu as dicas sobre a arte e técnica da fotografia. O olhar, traquina, ficou por conta dos mini-repórteres rente daquilo que conhecia, mas compreendo a mudança. Os museus estão a modernizar-se e este não podia ficar atrás”, acrescenta Mariana. As fotografias em exposição podem também ser visitadas no site do museu em http://mnmachado decastro.imc-ip.pt/. Recomendável é uma visita ao local, aonde, para além do criptopórtico, os visitantes podem compreender melhor a evolução do museu ao longo da sua história através da exposição “De Forum a Museu. Permanências.” Informações úteis ABERTO de Terça-feira a Domingo DAS 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00 ENCERRADO à Segunda-feira PREÇO 2 euros (só para a visita ao criptopórtico) E-MAIL [email protected] SITE http://mnmachadodecastro.imc-ip.pt/ PUBLICIDADE “DOIS DEDOS DE CONVERSA” com: Luís Lobo Sindicato dos Professores da Região Centro Domingo ao meio-dia - Ouça em 96.2 ou www.radioregionalcentro.com