ESPORTE E POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA: UM ESTUDO DE CASO NA
CIDADE DE UBERLÂNDIA
Estela Lisboa Silva e Dias Ferreira
Faculdade Pitágoras de Uberlândia
[email protected]
Eduardo Ferreira Vinhal
Faculdade Pitágoras de Uberlândia
[email protected]
Euclides Antônio Pereira de Lima
Faculdade Pitágoras de Uberlândia
[email protected]
Marcelo Tavares
Faculdade Pitágoras de Uberlândia
[email protected]
RESUMO
A poluição atmosférica afeta negativamente diversos aspectos da vida
humana, principalmente a saúde. Além de causar doenças, ela pode afetar o
desempenho durante a prática de atividades físicas, já que poluentes, como o
Monóxido de Carbono (CO), ao circular pela corrente sanguínea podem
prejudicar o transporte de oxigênio para as células. Durante a prática de
atividades físicas, respira-se uma quantidade maior de ar, e
conseqüentemente, inala-se maior quantidade de poluentes (WILMORE,
1994). O presente trabalho usa como estudo de caso a Avenida Governador
Rondon Pacheco, conhecida como Avenida Rondon Pacheco, localizada na
cidade de Uberlândia, para avaliar a concentração de CO a qual pessoas que
praticam atividades fisicas na avenida estão expostas. Para tanto, foram
realizadas medições de CO e ao final do trabalho foi possível apontar, com
base nos resultados obtidos, os melhores horários e dias da semana para a
prática de atividades fisicas na referida via.
Palavras-chave: poluição atmosférica, monóxido de carbono e atividades físicas.
INTRODUÇÃO
A cidade de Uberlândia possui aproximadamente 634 mil habitantes (IBGE, 2009) e
uma frota de 289.103 veículos (DENATRAN, 2010), sendo que destes 152.042 são
automóveis. Estes valores devem ser levados em consideração ao se analisar a
poluição atmosférica da cidade, já que durante a queima de combustíveis fósseis
estes veículos liberam gases poluentes tais como: dióxido de enxofre (SO2), monóxido
de carbono (CO2), CO, dentre outros. A quantidade de gases e materiais poluentes
emitidos varia de acordo com o ciclo dos motores, características do combustível,
presença ou não de equipamentos originais de fábrica (FEAM, 2005).
Um monitoramento da concentração de poluentes na cidade é de grande importância
no que diz respeito à saúde pública, pois a poluição atmosférica é responsável por
elevar o número de casos de problemas respiratórios na população (CANÇADO,
2006).
A cidade possui uma importante avenida, a Rondon Pacheco, a avenida mais
movimentada de Uberlândia, tanto pela quantidade de veículos quanto pela
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308
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quantidade de pedestres. Ela passa no meio da cidade e serve de acesso da Zona
Oeste à Zona Leste, passa também pela Região Central e Zona Sul. Parte do
movimento na avenida pode ser explicado pelo fato de que a mesma é cruzada por
duas grandes avenidas a João Naves de Ávila que dá acesso à Zona Leste e região
central e a Nicomedes Alves do Santos que permite o acesso à zona Sul (WIKIPÉDIA,
2010). Parte dos pedestres aproveita da baixa declividade e boa regularidade do
calçamento da avenida para a prática de esportes, sendo os principais a caminhada,
corrida e ciclismo.
Apesar dos benefícios à saúde decorrente das atividades físicas, pessoas que
praticam atividades esportivas na Avenida Rondon Pacheco estão expondo-se à
poluição atmosférica gerada por carros, caminhões, motos e ônibus que trafegam por
estas vias. E o agravante é que ao realizar atividades físicas inala-se mais ar,
aumentando-se também a quantidade de poluentes inalados (WILMORE, 1994).
Figura 1 - Avenida Rondon Pacheco
Neste trabalho foi avaliada quantitativamente a concentração de CO na avenida, para
verificar a exposição à qual as pessoas que nela praticam esportes estão sujeitas. Ao
final do trabalho foi possível apontar, com base nos dados obtidos, quais os melhores
dias da semana e horários para a prática de atividades físicas na av. Rondon
Pacheco, a fim de minimizar a exposição dos praticantes de atividades físicas à
concentração de CO.
MONÓXIDO DE CARBONO
O CO é um gás sem cheiro e cor, que tem a sua origem nas ações antrópicas ou
naturais. As causas naturais de formação de CO são as queimadas florestais
espontâneas, decomposição da clorofila e as erupções vulcânicas. Dentre as ações
antrópicas, podemos citar a produção de energia através de termoelétricas, a indústria
química, refino de petróleo, porém, a de maior importância é a sua geração através da
queima de combustíveis fósseis em motores de combustão interna (PERES, 2005).
A exposição ao CO é prejudicial à saúde, pois o gás tem afinidade pela hemoglobina
210 vezes maior que a afinidade do oxigênio (O2) pela mesma. Quando uma molécula
de CO associa-se à hemoglobina forma-se um complexo chamado de
carboxihemoglobina (COHb) que diminui a capacidade do sangue de transportar O2.
No caso de uma concentração muito alta de CO no ambiente, as moléculas de
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hemoglobina estarão todas associadas ao CO e não farão o transporte de O2 podendo
causar a morte por asfixia (CANÇADO, 2006).
O CO é gerado quando uma substância que contém carbono sofre combustão e a
reação contém quantidade insuficiente de O2. Mesmo em casos em que a quantidade
de oxigênio é estequiométrica, a reação pode não ser completa e resultar na presença
de CO e O2 nos gases de combustão.
Reações incompletas ocorrem quando a queima é muito rápida, como nos automóveis
(JACHIC, KUZMA, 2001).
Combustão incompleta: CH4 + 3/2O2 → CO + 2H2O
Os veículos mais modernos emitem menos CO, principalmente devido ao conversor
catalítico. Para se ter uma idéia da importância do catalisador, um carro sem
conversor catalítico parado em um semáforo pode emitir localmente até 300 ppm de
CO (JACHIC, KUZMA, 2001). O catalisador modifica por meio de reações
termoquímicas, a composição dos gases tornando-os menos tóxicos à saúde e ao
meio ambiente. No caso do CO, ele é reduzido a CO2, que apesar de poluente,
oferece menos riscos à saúde (FEAM, 2005).
Reação química do catalisador
O2 + MnO2 ↔ MnO2.O2
MnO2 + CO ↔ MnO2.CO
MnO2.CO + MnO2.O2 → MnO2.O + CO2
MnO2.O + CO → MnO2 + CO2
MnO2.CO → MnO + CO2
2MnO + MnO2.O2 → 3 MnO2
Na reação acima o catalisador dióxido de manganês (MnO2) liga-se ao O2 e ao
monóxido de oxigênio (CO), para que as moléculas reajam entre si. O resultado desta
reação é a formação do dióxido de oxigênio (CO2) e da molécula MnO2.O que reage
novamente com o CO formando outra molécula de CO2 e uma molécula de MnO2. O
MnO2.CO, formado na segunda reação se dissocia formando Monóxido de Manganês
(MnO) e CO2. Ao final, o MnO2 é recuperado através da reação do MnO com o
MnO2.O2 da primeira reação.
A manutenção veicular é importante para a redução de emissão de CO, isto porque
através dela poderá ser avaliado se a mistura de combustível está ocorrendo da forma
devida, se o catalisador está funcionando corretamente (FEAM, 2005), e assim fazer
os ajustes necessários, para diminuir a poluição e até tornar o veículo mais eficiente.
O clima influencia, positiva ou negativamente, as concentrações de CO no ar. O vento
espalha os poluentes, e a chuva e a neve retiram-nos do ar. Já a inversão térmica,
sobre uma cidade que lança grande quantidade de poluentes no ar agrava o problema
de poluição. Isto porque na inversão térmica uma camada de ar morno se estabelece
sobre uma camada de ar mais frio, próxima do solo, impedindo os poluentes de
subirem e se espalharem (FEAM, 2005).
O CO E OS PADRÕES DE EMISSÃO
Com o intuito de controlar os níveis de emissão de CO e de poluentes em geral, o
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) criou a resolução CONAMA
03/1990, baseada nos padrões de qualidade do ar estabelecidos pela Environmental
Protection Agency (EPA) e Organização Mundial de Saúde (WHO). Na resolução são
definidos dois limites, o padrão primário e secundário. O padrão primário se
ultrapassado pode causar danos a saúde da população, já o padrão secundário
corresponde à concentrações de poluentes abaixo das quais se prevê o mínimo efeito
adverso sobre o bem-estar da população.
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310
I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis
O padrão primário e o padrão secundário são a concentração média de 9 ppm de CO
em 8 (oito) horas e a concentração média em 1 hora, de 35 ppm. Pela mesma
legislação o nível de atenção será aquele no qual a concentração média de CO,
durante 8 horas seguidas, for igual a 15 ppm. O nível de alerta será atingido quando a
concentração de CO for igual a 30 ppm, durante 8 horas seguidas. E por fim, o nível
de emergência será atingido em uma concentração de 40 ppm de monóxido de
carbono.
Estes valores são considerados baixos quando se verifica os efeitos causados pela
exposição ao CO (tabela 1) nas concentrações limites citadas na Resolução CONAMA
03/1990. Porém, é necessário que o padrão de qualidade seja o melhor possível para
que os danos à população e ao meio ambiente sejam minimizados. A tabela 1 mostra
os efeitos do CO de acordo com a sua concentração no ambiente e tempo de
exposição, indicando os níveis nos quais o gás é letal.
Tabela 1
Efeitos fisiológicos associados à exposição ao CO
CO na atmosfera
3
%
mg/m
ppm
COHb no
sangue
(%)
0.007
80
70
10
0.01
140
120
20
0.02
250
220
30
0.035-0.052
400-600
350-520
40-50
0.08-0.122
900-1400 800-1220
60-70
0.195
2200
1950
80
Sintomas fisiológicos e associados
Nenhum efeito considerável, exceto pela
deficiência na respiração em situações de
esforço vigoroso, pressão na testa e dilatação
de vasos sanguíneos cutâneos.
Deficiência na respiração em situações de
esforço moderado, dor de cabeça ocasional
com palpitação nas têmporas.
Dor de cabeça, irritação, cansaço, distúrbio de
julgamento, possível tontura, visão fraca
Dor de cabeça, confusão, colapso, fraqueza ao
realizar esforço.
Perda
de
consciência,
convulsões
intermitentes, falência respiratória, morte caso
a exposição seja prolongada.
Morte.
Fonte: WHO, 1999.
Com o intuito de impedir a ocorrência de efeitos adversos em pessoas que praticam
esportes, foram determinados os tempos máximos de exposição, através da equação
de Coburn-Foster-Kane (1965). Esta equação leva em conta todas as variáveis
fisiológicas relacionadas com o monóxido de carbono e o desempenho físico. Estes
valores foram determinados para que o nível de carboxihemoglobina no sangue não
excedesse 2,5%, mesmo para exercícios leves e moderados (WHO, 1999):
1) Para uma concentração de 90 ppm, não recomenda-se a prática de atividades
por um tempo superior 15 minutos;
2) Para uma concentração de CO no ambiente de 50 ppm, não recomenda-se a
prática de atividades físicas por um tempo superior 30 minutos;
3) Para uma concentração de CO no ambiente de 25 ppm, não recomenda-se a
prática de atividades físicas por um tempo superior à 1 hora;
4) Para uma concentração de CO no ambiente de 10 ppm, não recomenda-se a
prática de atividades físicas durante um tempo superior à 8 horas.
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O MONÓXIDO DE CARBONO E O DESEMPENHO FÍSICO
A prática de atividades físicas está cada vez mais comum, já que a preocupação com
a saúde tem se tornado uma constante na vida das pessoas. A realização de esportes
em locais abertos, como ruas, avenidas, praças e até mesmo parques, próximos de
vias, é algo que pode ser prejudicial à saúde dos atletas, caso esses locais recebam
grande concentração de poluentes emitidos por veículos.
Os principais fatores que determinam a dose da exposição aos poluentes são a
concentração dos mesmos no ar, o volume de ar inalado e a duração da exposição.
Devido ao fato do volume de ar inalado e a taxa de inspiração de ar aumentar com a
intensidade do exercício, pessoas que costumam praticar esportes habitualmente tem
maior exposição à poluentes atmosféricos (HORVATH, 1981).
Como já foi dito, o CO associado à hemoglobina, forma a carboxihemoglobina, o que faz
com que as moléculas de hemoglobina fiquem ocupadas dificultando o transporte de
oxigênio. Além disso, a presença desse complexo desloca a curva da hemoglobina para a
esquerda (figura 2) dificultando a distribuição de oxigênio para os tecidos. Devido a estes
dois motivos, a inalação do CO diminui a quantidade de O2 disponível e prejudica a
performance do praticante de atividades físicas (CARLISLE e SHARP, 2001).
Fonte: GANONG (1999).
Figura 2 - Comparação entre a curva de dissociação de oxihemoglobina, com a curva
com 50% de COHb e a curva de dissociação com anemia
A relação entre a diminuição do VO2 e concentração COHb é linear, porém, sem
efeitos significantes para valores de COHb menores que 5%. O CO reduz o pico de
VO2 primeiramente pela deficiência no transporte de O2, sem atrapalhar o
funcionamento cardíaco. Apesar da redução do pico de VO2, a performance de
exercícios submáximos moderados (de 30 a 60% do máximo) não é alterada para
pessoas saudáveis. No exercício submáximo, a oxigenação dos tecidos é mantida
através do aumento da freqüência cardíaca para compensar a diminuição da
capacidade de transportar oxigênio. A compensação cardíaca é eficiente para níveis
de COHb abaixo de 15%. Em treinos realizados por atletas de alto nível (75 a 90% de
VO2 máx), um aumento na freqüência cardíaca não é capaz de aumentar a taxa de
sangue (KOIKE et al, 1990).
Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010
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Desta forma fica evidente que o monóxido de carbono altera a performance em
pessoas sadias pois dificulta a distribuição de O2 para as células. Além disso, em
casos de exercícios mais intensos, a ausência de O2 faz com que o coração aumente
a freqüência para compensar a diminuição do mesmo. Devido a este fato, pessoas
com problemas cardiopulmonares, que já possuem problemas de transporte de O2
para o coração e outros órgãos, devem evitar a exposição ao CO.
METODOLOGIA
O presente trabalho consistiu em medições da concentração de CO em pontos
determinados ao longo da Av. Rondon Pacheco, para que se pudesse realizar uma
análise crítica sobre a exposição dos atletas ao monóxido de carbono. As medições
foram realizadas em 4 cruzamentos da Rondon: Avenida João Naves de Ávila (ponto
1), Avenida Olegário Maciel (ponto 2), Avenida Nicomedes Alves dos Santos (ponto 3)
e Avenida dos Municípios (ponto 4). O trecho escolhido, do cruzamento com a Av.
João Naves até a Avenida dos Municípios foi o que se percebe maior quantidade de
pessoas praticando atividades físicas e trânsito intenso.
As medições foram realizadas no período entre 5 de agosto de 2009 e 1º de setembro
de 2009, em quatro horários diferentes: 7:00 h, 10:00 h, 16:00 h e 19:00 h, horários
nos quais se observa a presença de atletas praticando atividades físicas na avenida.
Com isto, através de tratamento estatístico foi possível verificar quais foram os pontos
da Rondon, os dias da semana e os horários nos quais se encontra a menor
concentração de CO.
Figura 4 - Testo 317-3
O equipamento utilizado foi o testo-317-3, com o qual foi possível realizar a leitura
direta de CO. Mede concentrações de 0 a 1999 ppm.
A medição foi realizada durante 5 minutos em cada ponto, para que não houvesse
variação significativa de fluxo de carros entre um ponto e outro, sendo possível realizar
a comparação entre eles em um mesmo horário. Devido à variação da concentração
de CO no ar, durante o tempo de medição, foram realizadas leituras a cada 10
segundos e realizada uma média aritmética para definir a concentração média para
cada ponto em cada horário.
Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010
313
Fonte: Google Maps (2010).
Figura 3 - Mapa da Avenida Rondon Pacheco e os pontos onde ocorreram as coletas de dados.
Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010
314
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados coletados passaram por análise de variância para que fosse possível
identificar o melhor dia, horário, e trecho para a prática de atividades físicas de acordo
com a concentração de CO encontrada. O método utilizado foi o de Scott-Knott (1974),
pois o mesmo é usado quando se faz necessária a realização de comparações
múltiplas. O tratamento dos dados foi feito através do software Statística 7.0. As
variáveis utilizadas foram: dia da semana, horário, ponto, dia da semana x ponto, dia
da semana x horário, ponto x horário e ponto x horário x dia da semana. A variável
analisada foi a concentração de CO em partes por milhão (ppm).
Segue abaixo as tabelas com os resultados obtidos para a concentração de CO:
Figura 5 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por dia da semana
Tabela 2
Concentração média para o dia da semana
Dia da Semana Concentração de CO (ppm)
Sábado
1,5712
Domingo
1,6291
Segunda
2,2672
Terça
1,8188
Quinta
2,3085
Quarta
2,4135
Sexta
3,1026
Ao comparar-se a concentração média de CO para cada um dos 7 dias da semana,
obteve-se a maior concentração de CO na sexta-feira, 3.10 ppm, obtida através da
média de todos os valores medidos em 4 sexta-feiras, em todos os 4 horários medidos
e em todos 4 pontos. A menor concentração encontrada foi a de 1.57 ppm, média
encontrada no sábado.
Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010
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Figura 6 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por horário.
Tabela 3
Concentração média para os horários.
Horario Concentração de CO (ppm)
07:00
2,1601
10:00
1,2784
16:00
2,0212
19:00
3,1750
Ao analisar-se os horários, observou-se a maior concentração média no horário das
19h, com um valor de aproximadamente 3.17 ppm. A menor concentração encontrada
foi de 1.28 ppm para o horário das 10h da manhã. Os valores foram encontrados da
mesma forma que os valores para os horários.
Figura 7 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) para 4 pontos da
Avenida Rondon Pacheco
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316
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Tabela 4
Concentração média para os pontos.
Pontos Concentração de CO (ppm)
Ponto 1
1,5699
Ponto 2
1,7424
Ponto 3
2,4549
Ponto 4
2,8676
Dos pontos analisados o que se obteve a maior média de concentração de CO foi o
cruzamento entre a Avenida Rondon Pacheco com a Av. Dos Municípios (2,87 ppm). A
menor concentração encontrada, de 1.57 ppm, foi a medida no cruzamento da Av
Rondon Pacheco com a João Naves de Ávila.
Tabela 5
Concentração média para o dia da semana, nos 4 horários medidos no ponto 1
07:00
10:00
16:00
19:00
Segunda
1,9000
0,7833
0,8750
2,3000
Terça
1,9584
2,1583
0,9333
2,4083
Quarta
1,2500
1,7083
2,0250
0,1042
Quinta
0,6167
1,6000
1,5833
2,0333
Sexta
1,8583
2,2333
1,8750
1,8834
Sábado
1,3250
0,8667
1,1417
0,7083
Domingo
1,8750
1,4667
1,2667
2,2833
Figura 8 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por dia da semana
e horário no ponto 1
Para o ponto 1, encontrou-se a maior concentração de CO (2.4 ppm) para o horário
das 19h na terça-feira, e a menor concentração de CO (0.1 ppm) no horário das 19h
na quarta-feira.
Para o ponto 2, encontrou-se a maior concentração de CO (5.13 ppm) para o horário
das 19h na quinta-feira, e a menor concentração de CO (0.23 ppm) no horário das 7h
na terça-feira.
Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010
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Tabela 6
Concentração média para o dia da semana, nos 4 horários medidos no ponto 2
07:00
10:00
16:00
19:00
Segunda
1,8667
2,0834
0,4084
1,5500
Terça
0,2333
0,4500
0,4667
2,3584
Quarta
2,0583
0,8750
2,2417
3,6667
Quinta
0,7083
1,3750
1,8083
5,1334
Sexta
3,4917
2,4333
0,7667
3,3917
Sábado
1,5750
1,0233
1,0250
2,0333
Domingo
0,4583
0,4066
2,3917
2,5083
Figura 9 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por dia da semana
e horário no ponto 2.
Tabela 7
Concentração média para o dia da semana, nos 4 horários medidos no ponto 3
07:00
10:00
16:00
19:00
Segunda
2,0333
3,6584
0,9834
5,1333
Terça
1,9667
0,3584
0,6167
4,6667
Quarta
1,4334
1,5500
6,1750
4,8917
Quinta
1,7667
1,2917
1,8609
3,2667
Sexta
5,4083
1,7250
1,7000
4,5000
Sábado
2,0750
0,6167
2,6500
2,7917
Domingo
1,9834
1,0084
1,2917
1,3333
Para o ponto 3, encontrou-se a maior concentração de CO (6.17 ppm)para o horário
das 16h na quarta-feira, e a menor concentração de CO (0.36 ppm) no horário das 10h
na terça-feira.
Para o ponto 4, encontrou-se a maior concentração de CO (7.48 ppm)para o horário
das 7h na quinta-feira, e a menor concentração de CO (0.34 ppm) no horário das 10h
na segunda-feira.
Para o tratamento das variavéis combinadas, ou seja, média da concentração por
horário, dia da semana e ponto, foi possível concluir que a menor média de
concentração de CO obtida foi a de 0.1 ppm, para a quarta-feira, às 19h da noite, no
cruzamento entre a Av. Rondon Pacheco com a Avenida João Naves de Ávila. Já a
maior média de concentração obtida foi a de 7.48 ppm, no cruzamento entre a Rondon
Pacheco e Av. Dos Municípios para uma sexta-feira às 7h.
Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010
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Figura 10 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por dia da
semana e horário no ponto 3
Tabela 8
Concentração média para o dia da semana, nos 4 horários medidos no ponto 4
07:00
10:00
16:00
19:00
Segunda
2,4583
2,1583
3,0667
5,0167
Terça
1,4750
0,3417
4,5417
4,1667
Quarta
3,1500
1,3000
3,6167
1,6333
Quinta
4,4667
0,5833
2,1833
6,6583
Sexta
7,4834
0,5667
4,7667
5,5584
Sábado
1,9083
0,4667
1,8333
3,1000
Domingo
0,7083
1,7000
2,5000
2,8834
Figura 11 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por dia da
semana e horário no ponto 4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com os resultados obtidos sugere-se que o dia da semana, horário e ponto
mais adequados para a prática de atividades físicas são respectivamente: terça-feira,
7h no cruzamento da Olegário Maciel. Considerando-se toda a semana, recomenda-se
Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010
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a prática de atividades físicas no horário das 10h, por ser o horário no qual se viu a
menor concentração média de CO.
Apesar da média de concentração ter dado alta para a sexta-feira às 7 h da manhã,
não significa que estes valores são nocivos a saúde, já que os valores encontram-se
abaixo dos limites estabelecidos pelo CONAMA, pelos quais é permitido para uma
hora, que se atinja um média de 35 ppm, muito superior a média máxima encontrada.
Mesmo ao se comparar a concentração de CO obtida nas medições com os
recomendados pela WHO(1999), os valores medidos encontram-se dentro destes
padrões.
Sabe-se que a cidade de Uberlândia possui dois climas bem definidos, o verão
chuvoso e o inverno seco. As medições foram realizadas em agosto, época na qual o
clima caracteriza-se como seco, portanto, não se pode dizer que os resultados obtidos
correspondem a uma realidade da cidade, sendo necessárias medições em diferentes
estações climáticas para uma avaliação mais precisa(SILVA, E.M.;ASSUNÇÃO, W.L.,
2004).
É importante que a Prefeitura Municipal de Uberlândia dê uma maior atenção para o
caso de poluição na cidade, já que tem-se verificado grande aumento do tráfego de
veículos nos últimos anos, inclusive na via em questão, o que implica, diretamente, no
aumento da poluição atmosférica. Sendo necessária a realização de um controle do
aumento da poluição não somente para o parâmetro Monóxido de Carbono, mas
também para outros poluentes relevantes. Dessa forma será possível evitar problemas
de saúde da população, estimular a prática de esportes, proteger o meio ambiente e
diminuir gastos com a saúde pública. Uma forma de controle da poluição atmosférica
seria a instalação de indicadores de poluição na avenida, indicando os parâmetros
mais relevantes além do CO. Isto demonstraria uma preocupação por parte da
prefeitura com a saúde da população, e serviria para a realização de um
monitoramento contínuo da poluição, além de garantir que praticantes de atividades
físicas na Rondon possam saber se o ar está próprio para a prática de esportes.
Como forma de evitar a exposição à poluição de veículos, os praticantes de atividades
físicas podem escolher áreas verdes ao invés da Avenida Rondon Pacheco para a
prática de esportes. Uberlândia possui como opções parques, clubes e praças, que
possuem quadras, pistas de corridas, barras e alguns equipamentos para a prática de
esportes.
Foi possível perceber durante as medições que veículos novos emitiram pequena
quantidade de monóxido de carbono, e observou-se valores acima do permitido
quando alguns veículos antigos trafegavam. O que tornam importantes programas
municipais incentivando a inspeção veicular a fim de evitar que veículos poluam acima
do permitido por lei.
O incentivo do uso de transporte público também é uma ferramenta de combate a
poluição atmosférica. Para isso devemos ter um sistema de transporte mais eficiente e
abrangente, cobrindo todas as áreas da cidade e oferecendo conforto e segurança
durante o trajeto. Além disso, o preço deve ser acessível e incentivador, para que
mesmo pessoas que possuam carros, adotem este transporte diminuindo a quantidade
de veículos nas ruas. Programas incentivando a carona também são interessantes, em
um momento em que se percebem nas ruas, veículos transportando somente um
passageiro.
As medições foram realizadas durante 5 minutos para cada ponto, para uma avaliação
mais completa, seria necessário um monitoramento durante o dia inteiro com
contagem de veículos no mesmo período, pois assim seria possível fazer uma relação
entre quantidade de veículos e concentração de poluentes. Um estudo deste nível
exigiria equipamentos muito mais avançados que o utilizado neste trabalho, mas os
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resultados de uma pesquisa deste teor são de grande relevância, pois garante o bem
estar e saúde da população.
O controle da poluição é de responsabilidade do governo que possui os mecanismos
legislativos e tributários para exigir da população um comportamento ecologicamente
correto, e de cada cidadão que deve cumprir seu papel e fazer com que suas
atividades diárias impactem o meio ambiente o mínimo possível, e assim tornar o
mundo um lugar mais harmônico e próprio para se viver.
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ESPORTE E POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA: UM ESTUDO DE CASO