ESPORTE E POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA: UM ESTUDO DE CASO NA CIDADE DE UBERLÂNDIA Estela Lisboa Silva e Dias Ferreira Faculdade Pitágoras de Uberlândia [email protected] Eduardo Ferreira Vinhal Faculdade Pitágoras de Uberlândia [email protected] Euclides Antônio Pereira de Lima Faculdade Pitágoras de Uberlândia [email protected] Marcelo Tavares Faculdade Pitágoras de Uberlândia [email protected] RESUMO A poluição atmosférica afeta negativamente diversos aspectos da vida humana, principalmente a saúde. Além de causar doenças, ela pode afetar o desempenho durante a prática de atividades físicas, já que poluentes, como o Monóxido de Carbono (CO), ao circular pela corrente sanguínea podem prejudicar o transporte de oxigênio para as células. Durante a prática de atividades físicas, respira-se uma quantidade maior de ar, e conseqüentemente, inala-se maior quantidade de poluentes (WILMORE, 1994). O presente trabalho usa como estudo de caso a Avenida Governador Rondon Pacheco, conhecida como Avenida Rondon Pacheco, localizada na cidade de Uberlândia, para avaliar a concentração de CO a qual pessoas que praticam atividades fisicas na avenida estão expostas. Para tanto, foram realizadas medições de CO e ao final do trabalho foi possível apontar, com base nos resultados obtidos, os melhores horários e dias da semana para a prática de atividades fisicas na referida via. Palavras-chave: poluição atmosférica, monóxido de carbono e atividades físicas. INTRODUÇÃO A cidade de Uberlândia possui aproximadamente 634 mil habitantes (IBGE, 2009) e uma frota de 289.103 veículos (DENATRAN, 2010), sendo que destes 152.042 são automóveis. Estes valores devem ser levados em consideração ao se analisar a poluição atmosférica da cidade, já que durante a queima de combustíveis fósseis estes veículos liberam gases poluentes tais como: dióxido de enxofre (SO2), monóxido de carbono (CO2), CO, dentre outros. A quantidade de gases e materiais poluentes emitidos varia de acordo com o ciclo dos motores, características do combustível, presença ou não de equipamentos originais de fábrica (FEAM, 2005). Um monitoramento da concentração de poluentes na cidade é de grande importância no que diz respeito à saúde pública, pois a poluição atmosférica é responsável por elevar o número de casos de problemas respiratórios na população (CANÇADO, 2006). A cidade possui uma importante avenida, a Rondon Pacheco, a avenida mais movimentada de Uberlândia, tanto pela quantidade de veículos quanto pela Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 308 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis quantidade de pedestres. Ela passa no meio da cidade e serve de acesso da Zona Oeste à Zona Leste, passa também pela Região Central e Zona Sul. Parte do movimento na avenida pode ser explicado pelo fato de que a mesma é cruzada por duas grandes avenidas a João Naves de Ávila que dá acesso à Zona Leste e região central e a Nicomedes Alves do Santos que permite o acesso à zona Sul (WIKIPÉDIA, 2010). Parte dos pedestres aproveita da baixa declividade e boa regularidade do calçamento da avenida para a prática de esportes, sendo os principais a caminhada, corrida e ciclismo. Apesar dos benefícios à saúde decorrente das atividades físicas, pessoas que praticam atividades esportivas na Avenida Rondon Pacheco estão expondo-se à poluição atmosférica gerada por carros, caminhões, motos e ônibus que trafegam por estas vias. E o agravante é que ao realizar atividades físicas inala-se mais ar, aumentando-se também a quantidade de poluentes inalados (WILMORE, 1994). Figura 1 - Avenida Rondon Pacheco Neste trabalho foi avaliada quantitativamente a concentração de CO na avenida, para verificar a exposição à qual as pessoas que nela praticam esportes estão sujeitas. Ao final do trabalho foi possível apontar, com base nos dados obtidos, quais os melhores dias da semana e horários para a prática de atividades físicas na av. Rondon Pacheco, a fim de minimizar a exposição dos praticantes de atividades físicas à concentração de CO. MONÓXIDO DE CARBONO O CO é um gás sem cheiro e cor, que tem a sua origem nas ações antrópicas ou naturais. As causas naturais de formação de CO são as queimadas florestais espontâneas, decomposição da clorofila e as erupções vulcânicas. Dentre as ações antrópicas, podemos citar a produção de energia através de termoelétricas, a indústria química, refino de petróleo, porém, a de maior importância é a sua geração através da queima de combustíveis fósseis em motores de combustão interna (PERES, 2005). A exposição ao CO é prejudicial à saúde, pois o gás tem afinidade pela hemoglobina 210 vezes maior que a afinidade do oxigênio (O2) pela mesma. Quando uma molécula de CO associa-se à hemoglobina forma-se um complexo chamado de carboxihemoglobina (COHb) que diminui a capacidade do sangue de transportar O2. No caso de uma concentração muito alta de CO no ambiente, as moléculas de Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 309 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis hemoglobina estarão todas associadas ao CO e não farão o transporte de O2 podendo causar a morte por asfixia (CANÇADO, 2006). O CO é gerado quando uma substância que contém carbono sofre combustão e a reação contém quantidade insuficiente de O2. Mesmo em casos em que a quantidade de oxigênio é estequiométrica, a reação pode não ser completa e resultar na presença de CO e O2 nos gases de combustão. Reações incompletas ocorrem quando a queima é muito rápida, como nos automóveis (JACHIC, KUZMA, 2001). Combustão incompleta: CH4 + 3/2O2 → CO + 2H2O Os veículos mais modernos emitem menos CO, principalmente devido ao conversor catalítico. Para se ter uma idéia da importância do catalisador, um carro sem conversor catalítico parado em um semáforo pode emitir localmente até 300 ppm de CO (JACHIC, KUZMA, 2001). O catalisador modifica por meio de reações termoquímicas, a composição dos gases tornando-os menos tóxicos à saúde e ao meio ambiente. No caso do CO, ele é reduzido a CO2, que apesar de poluente, oferece menos riscos à saúde (FEAM, 2005). Reação química do catalisador O2 + MnO2 ↔ MnO2.O2 MnO2 + CO ↔ MnO2.CO MnO2.CO + MnO2.O2 → MnO2.O + CO2 MnO2.O + CO → MnO2 + CO2 MnO2.CO → MnO + CO2 2MnO + MnO2.O2 → 3 MnO2 Na reação acima o catalisador dióxido de manganês (MnO2) liga-se ao O2 e ao monóxido de oxigênio (CO), para que as moléculas reajam entre si. O resultado desta reação é a formação do dióxido de oxigênio (CO2) e da molécula MnO2.O que reage novamente com o CO formando outra molécula de CO2 e uma molécula de MnO2. O MnO2.CO, formado na segunda reação se dissocia formando Monóxido de Manganês (MnO) e CO2. Ao final, o MnO2 é recuperado através da reação do MnO com o MnO2.O2 da primeira reação. A manutenção veicular é importante para a redução de emissão de CO, isto porque através dela poderá ser avaliado se a mistura de combustível está ocorrendo da forma devida, se o catalisador está funcionando corretamente (FEAM, 2005), e assim fazer os ajustes necessários, para diminuir a poluição e até tornar o veículo mais eficiente. O clima influencia, positiva ou negativamente, as concentrações de CO no ar. O vento espalha os poluentes, e a chuva e a neve retiram-nos do ar. Já a inversão térmica, sobre uma cidade que lança grande quantidade de poluentes no ar agrava o problema de poluição. Isto porque na inversão térmica uma camada de ar morno se estabelece sobre uma camada de ar mais frio, próxima do solo, impedindo os poluentes de subirem e se espalharem (FEAM, 2005). O CO E OS PADRÕES DE EMISSÃO Com o intuito de controlar os níveis de emissão de CO e de poluentes em geral, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) criou a resolução CONAMA 03/1990, baseada nos padrões de qualidade do ar estabelecidos pela Environmental Protection Agency (EPA) e Organização Mundial de Saúde (WHO). Na resolução são definidos dois limites, o padrão primário e secundário. O padrão primário se ultrapassado pode causar danos a saúde da população, já o padrão secundário corresponde à concentrações de poluentes abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem-estar da população. Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 310 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis O padrão primário e o padrão secundário são a concentração média de 9 ppm de CO em 8 (oito) horas e a concentração média em 1 hora, de 35 ppm. Pela mesma legislação o nível de atenção será aquele no qual a concentração média de CO, durante 8 horas seguidas, for igual a 15 ppm. O nível de alerta será atingido quando a concentração de CO for igual a 30 ppm, durante 8 horas seguidas. E por fim, o nível de emergência será atingido em uma concentração de 40 ppm de monóxido de carbono. Estes valores são considerados baixos quando se verifica os efeitos causados pela exposição ao CO (tabela 1) nas concentrações limites citadas na Resolução CONAMA 03/1990. Porém, é necessário que o padrão de qualidade seja o melhor possível para que os danos à população e ao meio ambiente sejam minimizados. A tabela 1 mostra os efeitos do CO de acordo com a sua concentração no ambiente e tempo de exposição, indicando os níveis nos quais o gás é letal. Tabela 1 Efeitos fisiológicos associados à exposição ao CO CO na atmosfera 3 % mg/m ppm COHb no sangue (%) 0.007 80 70 10 0.01 140 120 20 0.02 250 220 30 0.035-0.052 400-600 350-520 40-50 0.08-0.122 900-1400 800-1220 60-70 0.195 2200 1950 80 Sintomas fisiológicos e associados Nenhum efeito considerável, exceto pela deficiência na respiração em situações de esforço vigoroso, pressão na testa e dilatação de vasos sanguíneos cutâneos. Deficiência na respiração em situações de esforço moderado, dor de cabeça ocasional com palpitação nas têmporas. Dor de cabeça, irritação, cansaço, distúrbio de julgamento, possível tontura, visão fraca Dor de cabeça, confusão, colapso, fraqueza ao realizar esforço. Perda de consciência, convulsões intermitentes, falência respiratória, morte caso a exposição seja prolongada. Morte. Fonte: WHO, 1999. Com o intuito de impedir a ocorrência de efeitos adversos em pessoas que praticam esportes, foram determinados os tempos máximos de exposição, através da equação de Coburn-Foster-Kane (1965). Esta equação leva em conta todas as variáveis fisiológicas relacionadas com o monóxido de carbono e o desempenho físico. Estes valores foram determinados para que o nível de carboxihemoglobina no sangue não excedesse 2,5%, mesmo para exercícios leves e moderados (WHO, 1999): 1) Para uma concentração de 90 ppm, não recomenda-se a prática de atividades por um tempo superior 15 minutos; 2) Para uma concentração de CO no ambiente de 50 ppm, não recomenda-se a prática de atividades físicas por um tempo superior 30 minutos; 3) Para uma concentração de CO no ambiente de 25 ppm, não recomenda-se a prática de atividades físicas por um tempo superior à 1 hora; 4) Para uma concentração de CO no ambiente de 10 ppm, não recomenda-se a prática de atividades físicas durante um tempo superior à 8 horas. Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 311 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis O MONÓXIDO DE CARBONO E O DESEMPENHO FÍSICO A prática de atividades físicas está cada vez mais comum, já que a preocupação com a saúde tem se tornado uma constante na vida das pessoas. A realização de esportes em locais abertos, como ruas, avenidas, praças e até mesmo parques, próximos de vias, é algo que pode ser prejudicial à saúde dos atletas, caso esses locais recebam grande concentração de poluentes emitidos por veículos. Os principais fatores que determinam a dose da exposição aos poluentes são a concentração dos mesmos no ar, o volume de ar inalado e a duração da exposição. Devido ao fato do volume de ar inalado e a taxa de inspiração de ar aumentar com a intensidade do exercício, pessoas que costumam praticar esportes habitualmente tem maior exposição à poluentes atmosféricos (HORVATH, 1981). Como já foi dito, o CO associado à hemoglobina, forma a carboxihemoglobina, o que faz com que as moléculas de hemoglobina fiquem ocupadas dificultando o transporte de oxigênio. Além disso, a presença desse complexo desloca a curva da hemoglobina para a esquerda (figura 2) dificultando a distribuição de oxigênio para os tecidos. Devido a estes dois motivos, a inalação do CO diminui a quantidade de O2 disponível e prejudica a performance do praticante de atividades físicas (CARLISLE e SHARP, 2001). Fonte: GANONG (1999). Figura 2 - Comparação entre a curva de dissociação de oxihemoglobina, com a curva com 50% de COHb e a curva de dissociação com anemia A relação entre a diminuição do VO2 e concentração COHb é linear, porém, sem efeitos significantes para valores de COHb menores que 5%. O CO reduz o pico de VO2 primeiramente pela deficiência no transporte de O2, sem atrapalhar o funcionamento cardíaco. Apesar da redução do pico de VO2, a performance de exercícios submáximos moderados (de 30 a 60% do máximo) não é alterada para pessoas saudáveis. No exercício submáximo, a oxigenação dos tecidos é mantida através do aumento da freqüência cardíaca para compensar a diminuição da capacidade de transportar oxigênio. A compensação cardíaca é eficiente para níveis de COHb abaixo de 15%. Em treinos realizados por atletas de alto nível (75 a 90% de VO2 máx), um aumento na freqüência cardíaca não é capaz de aumentar a taxa de sangue (KOIKE et al, 1990). Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 312 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis Desta forma fica evidente que o monóxido de carbono altera a performance em pessoas sadias pois dificulta a distribuição de O2 para as células. Além disso, em casos de exercícios mais intensos, a ausência de O2 faz com que o coração aumente a freqüência para compensar a diminuição do mesmo. Devido a este fato, pessoas com problemas cardiopulmonares, que já possuem problemas de transporte de O2 para o coração e outros órgãos, devem evitar a exposição ao CO. METODOLOGIA O presente trabalho consistiu em medições da concentração de CO em pontos determinados ao longo da Av. Rondon Pacheco, para que se pudesse realizar uma análise crítica sobre a exposição dos atletas ao monóxido de carbono. As medições foram realizadas em 4 cruzamentos da Rondon: Avenida João Naves de Ávila (ponto 1), Avenida Olegário Maciel (ponto 2), Avenida Nicomedes Alves dos Santos (ponto 3) e Avenida dos Municípios (ponto 4). O trecho escolhido, do cruzamento com a Av. João Naves até a Avenida dos Municípios foi o que se percebe maior quantidade de pessoas praticando atividades físicas e trânsito intenso. As medições foram realizadas no período entre 5 de agosto de 2009 e 1º de setembro de 2009, em quatro horários diferentes: 7:00 h, 10:00 h, 16:00 h e 19:00 h, horários nos quais se observa a presença de atletas praticando atividades físicas na avenida. Com isto, através de tratamento estatístico foi possível verificar quais foram os pontos da Rondon, os dias da semana e os horários nos quais se encontra a menor concentração de CO. Figura 4 - Testo 317-3 O equipamento utilizado foi o testo-317-3, com o qual foi possível realizar a leitura direta de CO. Mede concentrações de 0 a 1999 ppm. A medição foi realizada durante 5 minutos em cada ponto, para que não houvesse variação significativa de fluxo de carros entre um ponto e outro, sendo possível realizar a comparação entre eles em um mesmo horário. Devido à variação da concentração de CO no ar, durante o tempo de medição, foram realizadas leituras a cada 10 segundos e realizada uma média aritmética para definir a concentração média para cada ponto em cada horário. Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 313 Fonte: Google Maps (2010). Figura 3 - Mapa da Avenida Rondon Pacheco e os pontos onde ocorreram as coletas de dados. Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 314 RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados coletados passaram por análise de variância para que fosse possível identificar o melhor dia, horário, e trecho para a prática de atividades físicas de acordo com a concentração de CO encontrada. O método utilizado foi o de Scott-Knott (1974), pois o mesmo é usado quando se faz necessária a realização de comparações múltiplas. O tratamento dos dados foi feito através do software Statística 7.0. As variáveis utilizadas foram: dia da semana, horário, ponto, dia da semana x ponto, dia da semana x horário, ponto x horário e ponto x horário x dia da semana. A variável analisada foi a concentração de CO em partes por milhão (ppm). Segue abaixo as tabelas com os resultados obtidos para a concentração de CO: Figura 5 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por dia da semana Tabela 2 Concentração média para o dia da semana Dia da Semana Concentração de CO (ppm) Sábado 1,5712 Domingo 1,6291 Segunda 2,2672 Terça 1,8188 Quinta 2,3085 Quarta 2,4135 Sexta 3,1026 Ao comparar-se a concentração média de CO para cada um dos 7 dias da semana, obteve-se a maior concentração de CO na sexta-feira, 3.10 ppm, obtida através da média de todos os valores medidos em 4 sexta-feiras, em todos os 4 horários medidos e em todos 4 pontos. A menor concentração encontrada foi a de 1.57 ppm, média encontrada no sábado. Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 315 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis Figura 6 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por horário. Tabela 3 Concentração média para os horários. Horario Concentração de CO (ppm) 07:00 2,1601 10:00 1,2784 16:00 2,0212 19:00 3,1750 Ao analisar-se os horários, observou-se a maior concentração média no horário das 19h, com um valor de aproximadamente 3.17 ppm. A menor concentração encontrada foi de 1.28 ppm para o horário das 10h da manhã. Os valores foram encontrados da mesma forma que os valores para os horários. Figura 7 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) para 4 pontos da Avenida Rondon Pacheco Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 316 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis Tabela 4 Concentração média para os pontos. Pontos Concentração de CO (ppm) Ponto 1 1,5699 Ponto 2 1,7424 Ponto 3 2,4549 Ponto 4 2,8676 Dos pontos analisados o que se obteve a maior média de concentração de CO foi o cruzamento entre a Avenida Rondon Pacheco com a Av. Dos Municípios (2,87 ppm). A menor concentração encontrada, de 1.57 ppm, foi a medida no cruzamento da Av Rondon Pacheco com a João Naves de Ávila. Tabela 5 Concentração média para o dia da semana, nos 4 horários medidos no ponto 1 07:00 10:00 16:00 19:00 Segunda 1,9000 0,7833 0,8750 2,3000 Terça 1,9584 2,1583 0,9333 2,4083 Quarta 1,2500 1,7083 2,0250 0,1042 Quinta 0,6167 1,6000 1,5833 2,0333 Sexta 1,8583 2,2333 1,8750 1,8834 Sábado 1,3250 0,8667 1,1417 0,7083 Domingo 1,8750 1,4667 1,2667 2,2833 Figura 8 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por dia da semana e horário no ponto 1 Para o ponto 1, encontrou-se a maior concentração de CO (2.4 ppm) para o horário das 19h na terça-feira, e a menor concentração de CO (0.1 ppm) no horário das 19h na quarta-feira. Para o ponto 2, encontrou-se a maior concentração de CO (5.13 ppm) para o horário das 19h na quinta-feira, e a menor concentração de CO (0.23 ppm) no horário das 7h na terça-feira. Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 317 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis Tabela 6 Concentração média para o dia da semana, nos 4 horários medidos no ponto 2 07:00 10:00 16:00 19:00 Segunda 1,8667 2,0834 0,4084 1,5500 Terça 0,2333 0,4500 0,4667 2,3584 Quarta 2,0583 0,8750 2,2417 3,6667 Quinta 0,7083 1,3750 1,8083 5,1334 Sexta 3,4917 2,4333 0,7667 3,3917 Sábado 1,5750 1,0233 1,0250 2,0333 Domingo 0,4583 0,4066 2,3917 2,5083 Figura 9 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por dia da semana e horário no ponto 2. Tabela 7 Concentração média para o dia da semana, nos 4 horários medidos no ponto 3 07:00 10:00 16:00 19:00 Segunda 2,0333 3,6584 0,9834 5,1333 Terça 1,9667 0,3584 0,6167 4,6667 Quarta 1,4334 1,5500 6,1750 4,8917 Quinta 1,7667 1,2917 1,8609 3,2667 Sexta 5,4083 1,7250 1,7000 4,5000 Sábado 2,0750 0,6167 2,6500 2,7917 Domingo 1,9834 1,0084 1,2917 1,3333 Para o ponto 3, encontrou-se a maior concentração de CO (6.17 ppm)para o horário das 16h na quarta-feira, e a menor concentração de CO (0.36 ppm) no horário das 10h na terça-feira. Para o ponto 4, encontrou-se a maior concentração de CO (7.48 ppm)para o horário das 7h na quinta-feira, e a menor concentração de CO (0.34 ppm) no horário das 10h na segunda-feira. Para o tratamento das variavéis combinadas, ou seja, média da concentração por horário, dia da semana e ponto, foi possível concluir que a menor média de concentração de CO obtida foi a de 0.1 ppm, para a quarta-feira, às 19h da noite, no cruzamento entre a Av. Rondon Pacheco com a Avenida João Naves de Ávila. Já a maior média de concentração obtida foi a de 7.48 ppm, no cruzamento entre a Rondon Pacheco e Av. Dos Municípios para uma sexta-feira às 7h. Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 318 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis Figura 10 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por dia da semana e horário no ponto 3 Tabela 8 Concentração média para o dia da semana, nos 4 horários medidos no ponto 4 07:00 10:00 16:00 19:00 Segunda 2,4583 2,1583 3,0667 5,0167 Terça 1,4750 0,3417 4,5417 4,1667 Quarta 3,1500 1,3000 3,6167 1,6333 Quinta 4,4667 0,5833 2,1833 6,6583 Sexta 7,4834 0,5667 4,7667 5,5584 Sábado 1,9083 0,4667 1,8333 3,1000 Domingo 0,7083 1,7000 2,5000 2,8834 Figura 11 - Gráfico da concentração média de CO (ppm) por dia da semana e horário no ponto 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS De acordo com os resultados obtidos sugere-se que o dia da semana, horário e ponto mais adequados para a prática de atividades físicas são respectivamente: terça-feira, 7h no cruzamento da Olegário Maciel. Considerando-se toda a semana, recomenda-se Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 319 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis a prática de atividades físicas no horário das 10h, por ser o horário no qual se viu a menor concentração média de CO. Apesar da média de concentração ter dado alta para a sexta-feira às 7 h da manhã, não significa que estes valores são nocivos a saúde, já que os valores encontram-se abaixo dos limites estabelecidos pelo CONAMA, pelos quais é permitido para uma hora, que se atinja um média de 35 ppm, muito superior a média máxima encontrada. Mesmo ao se comparar a concentração de CO obtida nas medições com os recomendados pela WHO(1999), os valores medidos encontram-se dentro destes padrões. Sabe-se que a cidade de Uberlândia possui dois climas bem definidos, o verão chuvoso e o inverno seco. As medições foram realizadas em agosto, época na qual o clima caracteriza-se como seco, portanto, não se pode dizer que os resultados obtidos correspondem a uma realidade da cidade, sendo necessárias medições em diferentes estações climáticas para uma avaliação mais precisa(SILVA, E.M.;ASSUNÇÃO, W.L., 2004). É importante que a Prefeitura Municipal de Uberlândia dê uma maior atenção para o caso de poluição na cidade, já que tem-se verificado grande aumento do tráfego de veículos nos últimos anos, inclusive na via em questão, o que implica, diretamente, no aumento da poluição atmosférica. Sendo necessária a realização de um controle do aumento da poluição não somente para o parâmetro Monóxido de Carbono, mas também para outros poluentes relevantes. Dessa forma será possível evitar problemas de saúde da população, estimular a prática de esportes, proteger o meio ambiente e diminuir gastos com a saúde pública. Uma forma de controle da poluição atmosférica seria a instalação de indicadores de poluição na avenida, indicando os parâmetros mais relevantes além do CO. Isto demonstraria uma preocupação por parte da prefeitura com a saúde da população, e serviria para a realização de um monitoramento contínuo da poluição, além de garantir que praticantes de atividades físicas na Rondon possam saber se o ar está próprio para a prática de esportes. Como forma de evitar a exposição à poluição de veículos, os praticantes de atividades físicas podem escolher áreas verdes ao invés da Avenida Rondon Pacheco para a prática de esportes. Uberlândia possui como opções parques, clubes e praças, que possuem quadras, pistas de corridas, barras e alguns equipamentos para a prática de esportes. Foi possível perceber durante as medições que veículos novos emitiram pequena quantidade de monóxido de carbono, e observou-se valores acima do permitido quando alguns veículos antigos trafegavam. O que tornam importantes programas municipais incentivando a inspeção veicular a fim de evitar que veículos poluam acima do permitido por lei. O incentivo do uso de transporte público também é uma ferramenta de combate a poluição atmosférica. Para isso devemos ter um sistema de transporte mais eficiente e abrangente, cobrindo todas as áreas da cidade e oferecendo conforto e segurança durante o trajeto. Além disso, o preço deve ser acessível e incentivador, para que mesmo pessoas que possuam carros, adotem este transporte diminuindo a quantidade de veículos nas ruas. Programas incentivando a carona também são interessantes, em um momento em que se percebem nas ruas, veículos transportando somente um passageiro. As medições foram realizadas durante 5 minutos para cada ponto, para uma avaliação mais completa, seria necessário um monitoramento durante o dia inteiro com contagem de veículos no mesmo período, pois assim seria possível fazer uma relação entre quantidade de veículos e concentração de poluentes. Um estudo deste nível exigiria equipamentos muito mais avançados que o utilizado neste trabalho, mas os Uberlândia - MG, 1 a 3 de setembro de 2010 320 I Simpósio Internacional Sobre Saúde Ambiental e a Construção de Cidades Saudáveis resultados de uma pesquisa deste teor são de grande relevância, pois garante o bem estar e saúde da população. O controle da poluição é de responsabilidade do governo que possui os mecanismos legislativos e tributários para exigir da população um comportamento ecologicamente correto, e de cada cidadão que deve cumprir seu papel e fazer com que suas atividades diárias impactem o meio ambiente o mínimo possível, e assim tornar o mundo um lugar mais harmônico e próprio para se viver. REFERÊNCIAS BRASIL. Resolução CONAMA nº 03 de 28 de junho de 1990. Dispõe sobre padrões de qualidade do ar, previstos no PRONAR. Diário Oficial da União, de 22 de agosto de 1990, Seção 1, páginas 15937-15939. CANÇADO, José Eduardo Delfini et al. Repercussões clínicas da exposição à poluição atmosférica. Jornal Brasileiro Pneumologia, 32(2): S5-S11, 2006. CARLISLE, A. J.; SHARP, N. C. C. Exercise and outdoor ambient air pollution. British Journal of Sports And Medicine, 35 (4)214-222, 2001. COBURN R.F., FORSTER R.N., KANE P.B. 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