DIRECTIVAS ESPIRITUAIS para os dirigentes, os colaboradores e os benfeitores da Organização “ Ajuda à Igreja que Sofre “ JULHO DE 2000 UMA OBRA DE CARIDADE 1 - A nossa Organização surgiu em 1947 na abadia premostratense de Tongerlo (Bélgica), como resposta a um apelo do Papa Pio XII., como obra pastoral de auxílio espiritual aos sacerdotes e fiéis alemães expulsos dos países sob regime comunista. A Organização nasceu na Bélgica um país que, em 1940, e pela segunda vez num quarto de século -, tinha sido invadido, ocupado e levado à ruína por tropas alemãs. Nessa época, o ódio contra os alemães era de tal maneira forte que ninguém acreditava que fosse possível, e oportuno, organizar - a tão pequena distância da guerra -, uma acção de auxílio a favor de inimigos tão recentes. 2 - Então, como minha missão sacerdotal, eu senti a necessidade de pregar a reconciliação e a restauração do amor na Igreja e no mundo. Este amor requeria um compromisso pessoal pelos que tinham fome, pelos nus, pelos presos e por todos aqueles que Jesus mencionou na Sua descrição do Juízo Final e em quem Ele próprio se esconde. Ele exige, então como agora, que reconheçamos e amemos a Cristo nos mais pequenos dos Seus, sem excluir nossos inimigos. De facto, o amor pelos nossos inimigos está na essência do Cristianismo. O HOMEM É MELHOR DO QUE SE PENSA 3 - Nos primeiros anos posteriores à guerra muitos eram da opinião que fosse melhor calar esta verdade porque requeria um domínio de si próprio muito grande. Descobri, então, que os homens são muito melhores do que se possa pensar. Dão ouvidos, somente, à palavra ardente que inflama os próprios corações. Estão dispostos ao heroísmo se tivermos a coragem de lhes exigir 1 verdadeiros sacrifícios e de convence- los que, para o Reino de Deus, tais sacrifícios são verdadeiramente necessários. 2 4 - Por isso, é nosso dever proclamar a lei da caridade sem reduções, sem nunca adaptar as exigências de Cristo à fraqueza humana mas, antes, educar na Sua lei os que queremos conquistar para a nossa causa. O Senhor deseja, com efeito, que nós sejamos perfeitos como perfeito é nosso Pai Celeste, que nos dá o sol e a chuva, a Sua Graça e o Seu Amor, aos bons e aos maus, aos amigos e aos inimigos. OS AMIGOS E OS INIMIGOS DE DEUS 5 - Os amigos de Deus, que foram confiados à nossa oração e ao nosso amor, tornaram-se cada vez mais numerosos. Aos 14 milhões de alemães deportados de modo desumano, em 1946, dos antigos territórios orientais da Alemanha na Europa Central e Oriental, devido aos acordos de Ialta e Potsdam, e dispersos, como areia solta, nas ruínas da Alemanha do pós-guerra, logo se juntaram milhões de refugiados dos países comunistas da Europa e da Ásia, que tinham escolhido a liberdade e necessitavam de assistência espiritual. 6 - As histórias perturbadoras destes refugiados sobre as perseguições religiosas, nas suas pátrias, levaram-nos, nos princípios dos anos 50, a incluir, na finalidade da Organização, o auxílio à Igreja perseguida nos países com regime comunista. Este compromisso tornou-se, rapidamente, a maior e mais significativa tarefa da nossa Organização. 7 - A partir de 1961, a pedido do Papa João XXIII., nós ampliamos novamente nosso programa de ajuda para incluir a ajuda pastoral à Igreja ameaçada na América Latina, África e Ásia - assim, complementando as várias iniciativas mundiais de outras organizações para combater a fome, as doenças e promover a ajuda para o desenvolvimento no Terceiro Mundo. 8 - Em consequência da crise pos-conciliar também a Igreja de muitos países, do mundo livre, se tornou uma Igreja sob ameaça o que, por boas razões, requereu e obteve o nosso auxílio. 9 - É claro para nós que, após a queda do comunismo, dentre todas estas tarefas (que, em larga medida, irão nos ocupar ainda por muito tempo ), se tornou prioritária a ajuda às Igrejas da Europa Oriental que lutam para se levantar das ruínas. 10 - Uma vez que a indispensável reevangelização da Rússia cai na esfera da nossa Igreja irmã Ortodoxa, o nosso programa foi novamente ampliado em 3 1993, para incluir ajuda à Igreja Ortodoxa, como uma nova dimensão da nossa Obra, como um sinal de amor desinteressado e uma via para a reconciliação. 4 11 - Ao assistir, todos estes filhos e amigos de Deus, nas suas necessidades, não será fácil que venhamos a exagerar. Seguindo o exemplo de Cristo, que deu a Sua Vida pelos Seus amigos, devemos estar prontos a fazer os maiores sacrifícios. Só se não hesitarmos a aplicar este critério sobrenatural e sobrehumano, ao nosso dever de amar o próximo, a nossa Organização continuará a ser uma escola de caridade, sendo fautora mesmo de milagres de caridade e contará com a bênção de Deus. 12 - A reconciliação com os alemães foi obtida, mas não faltam ainda, adversários de Deus que necessitam nosso amor. Aqueles que devemos amar de modo particular são, exactamente, aqueles que combatem a Fé, ou a traem, e são, por isso, co-responsáveis da triste situação da Igreja necessitada. 13 - A caridade, relativamente a estes adversários, requer que rezemos incessantemente por eles, na firme esperança de que se convertam. Todas as praças fortes da perseguição e falsificação da Fé devem ser sitiadas por legiões de almas humildes que concentrem a sua oração e os seus sacrifícios em prol dos opressores e falsos profetas que querem destruir o Reino de Deus. Esta permanece uma das funções mais importantes da nossa Organização. REEVANGELIZAÇÃO 14 - Agora que, na imprensa católica e, até, dos púlpitos e seminários muitas vezes já não se anuncia o Evangelho de Jesus Cristo, mas antes, um humanismo laicista ou ideias marxistas, e amplas camadas do povo de Deus - e especialmente a juventude - recaíram na ignorância religiosa, não há dúvidas pois, que temos um dever pastoral relativamente aos nossos colaboradores e benfeitores que, na nossa Organização, exercitam a caridade em relação à Igreja que sofre. 15 - Por isto, a nossa contribuição para a nova evangelização, no interior da Igreja, não consiste só na incondicional obediência ao magistério do Papa e dos bispos e na insistente oração por eles e pelos sacerdotes, diáconos, religiosos e por todos aqueles que estão comprometidos no ensino da religião e na pregação, mas exige também, o anúncio daquelas verdades do Evangelho que constituem os fundamentos sobrenaturais da nossa Organização. Requer, também, a prática daquelas virtudes sem as quais a sua sobrevivência não será garantida. No desenvolvimento, aprofundamento e difusão desta particular espiritualidade de nossa organização, e ao passá-la a cada nova geração, não nos devemos deixar influenciar pelos neo-modernismos e falsas doutrinas mas deixarmo-nos guiar somente pela Palavra de Deus e pelos ensinamentos 5 da Igreja. 6 16 - Devemos, no entanto, ter presente que Cristo será sempre sinal de contradição. Não será possível proclamar o Seu Evangelho sem que alguém se escandalize a menos que se omita algumas verdades. Isto não é permitido e não poderá trazer nenhuma vantagem à nossa Organização pois aquele que escreve, ou predica, mantendo-se em generalidades, de modo que não possa ferir ninguém, não poderá idênticamente, consolar ou entusiasmar quem quer que seja. Somente, se na confusão espiritual de hoje - cujo fim ainda não está à vista - dermos aos fiéis clareza, certeza, consolação e coragem, os que procuram Deus auxiliar-nos-ão com incrível generosidade a prosseguir a obra confiada a nós pela Igreja. CONFIANÇA ILIMITADA EM DEUS 17 - Não só o homem mas também Deus é muito melhor do que nós pensamos. Ao confiar na Sua Providência dificilmente exageramos. Através de uma experiência de decénios sabemos que todas as maravilhas narradas por Cristo, acerca da bondade e fidelidade do Pai Celeste, são literalmente verdade. Deus nunca desiludiu a minha confiança. Sempre me ajudou a manter as minhas promessas por vezes arrojadas aos olhos do mundo, promessas que, por amor d’Ele, fiz à Igreja que sofre. 18 - Isto não nos deve surpreender. É natural. Com efeito, o mesmo Deus que suscita, no nosso coração, o desejo de socorrer a Igreja que sofre, completa com a Sua Omnipotente Graça-, o que falta à nossa fraqueza e faz brotar, do coração dos benfeitores, a caridade necessária para atender a todos os sofrimentos que nos foram confiados. Por isso, na preparação dos nossos programas de ajuda, deve ser determinante não aquilo que podemos fazer mas aquilo que devemos fazer, pois tudo podemos n’Aquele que nos dá força. 19 - Assim, trata-se de falta de fé se nós, perante as novas e sempre maiores tarefas, por causa de uma recessão económica, uma queda da taxa de câmbio, ou devido à morte de alguns grandes benfeitores, não temos a coragem de aumentar, se necessário, o nosso orçamento anual e, pelo contrário, o reduzimos. Não pode ser vontade de Deus que nos deixemos intimidar por obrigações que nos esperam, como na Rússia, por exemplo, porque duvidamos que Deus inspirará os corações dos nossos benfeitores a espírito de sacrifício ainda maior. Porque é que Ele não continuará a fazer aquilo que fez sempre: adequar as nossas entradas ás promessas feitas? Assim, os responsáveis pelas finanças da nossa organização, não deverão se esquecer a maravilhosa história do poder de Deus em meio à nossa fraqueza e nós todos devemos cultivar uma confiança ilimitada na Providência Divina. Deus não nos 7 desapontará. 8 20 - Mas para que esta confiança ilimitada em Deus não seja presunçosa, nós devemos nos manter leais à tarefa confiada a nós, isto é, trazer ajuda pastoral à Igreja, onde quer que ela seja perseguida, ameaçada, minada ou destruída e, em consequência, esteja precisando de auxílio. BALUARTE ESPIRITUAL CONTRA O ATEÍSMO 21 - A razão principal desta necessidade é o ateísmo militante, que durante setenta anos teve, no comunismo, o seu mais perigoso protagonista. Esta heresia que Maria, em Fátima, previu o início, os meios para combatê-lo e o seu fim, é - talvez- o maior perigo que alguma vez ameaçou a Igreja e ainda continua a ameaçá-la. Com efeito, mesmo depois da derrocada do comunismo, os seus amargos frutos continuarão, por decénios, a proliferar nas gerações que ele contaminou, pondo em perigo o futuro. Esta situação exige reacções e contra-ofensivas que, em outros tempos, teriam conduzido à fundação de uma nova ordem religiosa. 22 - Por mais de 40 anos, fizemos o possível para aliviar as misérias causadas pelo comunismo, tentando únicamente, dia após dia, algumas vezes improvisando, fazer a vontade de Deus. Constatamos agora, com pasmo, que a nossa Organização conta com centenas de milhar de cristãos valentes que, revestidos com a armadura de Deus, com a sua oração, repeliram o comunismo, sararam as feridas que o mesmo provocou, consolaram as vítimas, veneraram os mártires, sustentaram os dissidentes, impediram a sua expansão no Terceiro Mundo e prepararam-lhe o ocaso. 23 - Sem aplicar um plano humano pre-estabelecido, mas segundo a vontade de Deus e em obediência ás directivas das autoridades eclesiásticas, a nossa Organização - de uma campanha de apoio temporário a sacerdotes alemães expulsos do Leste passou a ser um movimento espiritual mundial que através da oração, do sacrifício, da conversão, da informação e da caridade, procura aliviar, em todo o mundo, os sofrimentos causados pelo ateísmo militante e prático. 24 - Em todos os nossos esforços houve uma ou duas iniciativas que infelizmente não fomos capazes de realizar. Assim, esperavamos poder ajudar a reviver uma faculdade teológica em Königstein para os seminaristas que tinham sido expulsos de seus países, de modo a que pudessemos proporcionar uma formação sacerdotal sólida durante a época da crise pos-conciliar no Ocidente. E, também, o êxito inicial da “Ordem dos Construtores”, que fundamos em 1953, não durou muito porque o contacto com a nossa 9 organização foi cortado. Mas quem poderá saber o que Deus ainda tem reservado para nós? Pois tudo está em Suas mãos. 10 A NOSSA RESISTÊNCIA É INABALÁVEL 25 - Considerando este desenvolvimento inevitavel, seria errado dar preferência ás acções iniciais da nossa Organização em relação aos fins que, em seguida, lhe foram acrescentados. O auxílio à Igreja ameaçada no Terceiro Mundo e a batalha pela pureza da Fé e dos costumes no Mundo ocidental, são certamente parte da nossa função. Os perigos espirituais e as ruínas no seio da Igreja, seja no Terceiro Mundo, seja no rico Ocidente, tem a mesma origem, a potência satânica que, noutros lados, perseguiu a Igreja e espalhou milhões de refugiados, em todo o planeta. A nossa resistência a esta potência é inabalável pois que, tanto o ateísmo militante dos marxistas, quanto o ateísmo prático do Ocidente materialista, tem no príncipe das trevas a sua origem comum. 26 - Por isso, o nosso apoio à Igreja ameaçada pela miséria, pela opressão e pela infiltração marxista no Terceiro Mundo, não é menos importante do que a ajuda à Igreja perseguida e aquela que renasce das ruínas, e que nos foi confiada em modo particular. Pelas mesmas razões, a defesa da Fé, da moral, da autoridade e da disciplina eclesiástica, no Mundo ocidental, é parte das nossas funções, tanto quanto a assistência pastoral aos refugiados e às pessoas deslocadas, que foi o ponto de partida da nossa Organização e que compreende todos aqueles que foram constrangidos a abandonar a sua pátria por uma política atéia, por perseguições religiosas, por limpezas étnicas, por acontecimentos bélicos ou por outros motivos. Nada deve faltar para esta finalidade porque somos chamados a aceitar o desafio ateu global com o qual a Igreja se vê confrontada em todo o mundo. CARÁCTER PASTORAL 27 - A característica que diferencia a nossa Organização de outras numerosas obras assistênciais, surgidas no interior da Igreja, no pós guerra, é o seu carácter pastoral. Os primeiros encargos que recebemos foram, precisamente, do tipo pastoral. No ano de 1947 foi-nos pedido de manter três mil “sacerdotes com a sacola ao ombro “. Seguidamente, tivemos de dar, a estes sacerdotes, a possibilidade de assistir pastoralmente o seu rebanho disperso. Foi-nos, seguidamente, pedida a nossa ajuda para a formação de novos sacerdotes, para a missão das capelas volantes, para a motorização dos pastores de almas, etc. A tal carácter pastoral nunca renunciámos nem mesmo quando veio a moda de pôr o progresso social acima do estreito caminho que leva ao céu, a ajuda ao desenvolvimento em lugar da evangelização, a libertação violenta acima da salvação através da Cruz, o material acima do espiritual e o temporal acima do que é eterno. 11 12 TAREFAS ESPECÍFICAS 28 - Deste carácter pastoral vê-se, claramente, quais são os fins que devemos perseguir e a quais projectos deve a nossa Organização dar preferência. Os mais importantes são: a formação de sacerdotes, religiosos, catequistas e leigos; o fornecimento de Bíblias, livros liturgicos e teológicos e material de catequese; a ajuda a estudantes de especializações teológicas, a fundação de mosteiros de vida contemplativa; o sustento de sacerdotes, religiosos e religiosas e outros colaboradores apostólicos sem meios de subsistência; a construção ou a restauração de igrejas, capelas, conventos e outros edifícios eclesiásticos; a motorização de pastores de almas; a manutenção do apostolado através dos meios de comunicação. Em todos estes aspectos da nossa ajuda, a prioridade tem sempre sido dada aos projectos para a Igreja da catacumbas como também, agora, à Igreja que está ressurgindo das ruínas dos países ex-comunistas. O mesmo vale, ainda, para a reconciliação com a Igreja Ortodoxa, como condição “sine qua non” para a reevangelização da ex-União Soviética. A IGREJA QUE SOFRE NO MUNDO LIVRE 29 - Na Europa, como, também em outros lugares do mundo ocidental, sustentamos aqueles que lutam contra os que se afastam de Roma, contra a decadência moral, os que defendem a vida ainda não nascida e lutam pela boa doutrina nos meios de comunicação eclesial. Este é não somente um serviço pastoral prestado ao povo de Deus, mas também, uma condição indispensável para a sobrevivência da nossa Organização já que as Igrejas locais que estão gravemente enfermas ou se vão auto-destruindo, brevemente não poderão mitigar os sofrimentos da Europa oriental ou do Terceiro Mundo. Todos os esforços para dar aos nossos benfeitores o nutrimento espiritual que muitos sacerdotes já não dão é importante para o recrutamento da legião de almas que, com as orações e sacrifícios, obedecem ao apelo de Maria, em Fátima, para obter a conversão da Rússia e a paz. 30 - Embora esta dimensão pastoral sobrenatural da nossa ajuda seja menos atraente para a imaginação do que as campanhas para necessidades palpáveis ou de catástrofes e, consequentemente, se torne mais difícil estimular a generosidade, nós devemos aceitar esta desvantagem cientes que a ajuda pastoral, que damos à igreja, representa o essencial para mitigar todos os outros sofrimentos. 13 A NOSSA RELAÇÃO COM OUTRAS OBRAS 31 - Por este seu carácter pastoral, a nossa Organização distingue-se claramente das acções típicamente caritativas, sociais, económicas e técnicas confiadas a outras organizações. Devemos, sempre, respeitar as diferenças que haja entre nós e estas outras obras. Ao estimular a generosidade dos nossos benfeitores não podemos utilizar as razões e os argumentos que outras organizações usam para as próprias actividades. E se os outros se sentem chamados a socorrer a Igreja que Sofre, independentemente da nossa Organização, devemo-nos alegrar pelo bem que eles fazem e não considerálos concorrentes mas, sim, companheiros da caminhada. Devemos evitar obstacular novas iniciativas só porque não foram idealizadas por nós. Com efeito, o Espírito de Deus sopra onde quer e o Senhor chama aqueles que quer na Sua vinha. HUMILDADE E GRATIDÃO 32 - Somente uma grande dose de humildade poderá preservar-nos da sede de domínio e do abuso de poder em que caiem, facilmente, aqueles que dispõem de dinheiro. Nunca nos devemos esquecer que somos simples canais pelos quais são transmitidas, a outros, as ofertas de pessoas generosas. 33 - Antes de mais, esta humildade deve ser manifestada perante os nossos benfeitores. Sem eles, nada poderemos fazer! Em virtude da sua generosa caridade eles são, para a nossa Organização, mais preciosos do que cada um de nós que recebemos, apenas como intermediários, as suas ofertas para distribuí-las aos pobres. Os benfeitores tem o direito, mais do que nós, à gratidão deles. 34 - Por esta razão, a gratidão pelos benfeitores - sobretudo por aqueles que não podem dar mais do que “o óbulo da viúva”- deve aparecer frequentemente nas nossas publicações e, também, nas cartas privadas de agradecimento. Os enfermos, os anciãos e aqueles que carregam a sua cruz na solidão, como também os que rezam e se sacrificam com a Igreja que sofre, deverão ter precedência. Deve responder-se, com atenção e com amor, ás cartas em que os benfeitores exponham os seus problemas de consciência aos assistentes eclesiásticos ou a outros sacerdotes da Organização. Isto faz parte do serviço pastoral que nós devemos aos benfeitores. DECISÕES COLEGIAIS 14 35 - A nossa humildade e gratidão devem, antes de mais, ser visíveis no sentimento de responsabilidade que devemos manifestar relativamente ás ofertas que nos são confiadas e num espírito de economia nas despesas. 15 36 - Aqueles que devem decidir na atribuição de subsídios devem ser guiados exclusivamente pelas finalidades da nossa Organização e, também, pelos critérios para a outorga das nossas ajudas. Não se deve esquecer que não é só o dinheiro que é administrado mas, sobretudo, a caridade dos nossos benfeitores. 37 - Que a intenção dos benfeitores seja sempre o critério definitivo a seguir. Grupos de interesses, favorecimentos, condescendências, esbanjamentos ou arbítrios devem ser totalmente excluídos da divisão dos meios que nos são confiados. Deste modo, todas as decisões acerca da atribuição , ou não atribuição, de subsídios, e do seu montante, devem ser tomadas colegialmente. AMOR PREFERENCIAL PELOS POBRES 38 - Cristo prossegue a Sua Paixão e completa-A em todos aqueles que fugitivos, perseguidos, oprimidos ou espiritualmente abandonados, devem percorrer a sua dura Via Crucis. Como, em seu tempo, a Verónica e o Simão de Cirene, O consolaram e ajudaram na caminhada do Calvário, assim nós somos chamados, agora, a dar-lhe assistência, aos mais pobres dos Seus, com os quais Ele se identificava tão explicitamente. Resulta que devemos amar os pobres como Ele próprio. 39 - Se, com espírito de Fé, tivermos presente esta regra fundamental da caridade, honraremos sempre os nosso irmãos mais pobres, e especialmente aqueles cuja alma, o carácter e o modo de pensar tenham sido formados e feridos por uma educação ateia ou que tenham tomado hábitos de comportamento anormal sob coacção de uma ditadura totalitária. Havemos de suportar pacientemente os seus defeitos porque eles poderão ser farrapos sob os quais Cristo se esconde ou, então, as chagas provocadas pelos sofrimentos ou pela contínua opressão. Evitemos a sua humilhação porque nós somos os seus servidores. Tenhamos compreensão pela situação desesperadora em que se encontram e não a aumentemos, sujeitando-os a todas as prescrições de uma exagerada burocracia. Não os subjuguemos, pois, com documentação e formulários que eles não saberiam utilizar e que conduziria, apenas, ao seu desencorajamento e amargura. Ao pedir contas e recibos devemos limitarmo-nos ao mínimo porque é melhor que uns tantos abusem da nossa confiança do que todos sofram com a nossa eventual desconfiança. SERVIR, NÃO DOMINAR 16 40 - Estruturaremos o nosso aparelho administrativo no modo mais moderno e eficiente possível -não como um fim próprio do sistema, mas para poder dar melhor ajuda-, pois ele é o órgão executivo da nossa caridade. Evitaremos capitalizações ou reservas excessivas para as futuras necessidades já que Deus tomará conta dos Seus filhos, mesmo amanhã. Limitaremos o saldo activo anual ao que for estritamente indispensável e distribuiremos os meios recebidos o mais rapidamente possível. 17 E quando tivermos que recusar um pedido porque ele sai dos nossos objectivos ou excede as possibilidades financeiras da Organização, tomemos essa decisão negativa de modo fraterno sem descurar de rezar para que Deus providencie, de outro modo, a esta necessidade. 41 - Somente se não dominarmos os pobres, mas os servirmos humildemente, eles nos serão agradecidos. A sua gratidão é a gratidão do próprio Cristo e, consequentemente, a única garantia da Sua benção à obra que nós realizamos, em Seu nome e por Ele. UMA ASSOCIAÇÃO UNIVERSAL 42 - Quando a nossa Organização 1984 foi elevada ao nível de uma associação publica, universal e dependente da Santa Sé, ela recebeu um encargo oficial dentro da Igreja universal. Os estatutos aprovados pela Santa Sé, confirmaram a estrutura organizativa preexistente que dispunha de uma forte centralização. Também no futuro, só poderemos dar cumprimento à nossa função se fizermos convergir todas as energias individuais e nacionais numa unidade de pensamento, de oração, de esforços e de acção. Tal unidade pressupõe não só uma comunidade de caridade mas requer, também, uma forte autoridade central. 43 - A direcção central deve ser responsável pela nomeação, ou confirmação, dos conselhos nacionais, dos directores nacionais e assistentes eclesiásticos, pelo conteúdo das circulares periódicas aos “caros amigos”,pela harmonização da informação e propaganda em toda a parte do mundo, como -ainda-, na administração e atribuição das ofertas. Uma tal centralização, que se justifica pelo carácter universal da Organização e pelo perigo global a que a Igreja está sujeita, não dá somente uma protecção contra possíveis tendências centrifugas, ou particulares, mas dá força à estrutura espiritual e financeira da Organização. Essa concentração simplifica, além disso, a administração competente dos meios que nos são confiados, reduz o perigo de erradas decisões na atribuição das ajudas e dá a possibilidade de utilizar os meios à disposição segundo uma estratégia que vai mais longe do que os horizontes limitados das secções nacionais. 44 - Esta limitação das secções nacionais continuará a ser aceitável, a longo prazo, somente se a direcção central se aconselhar, frequentemente, com os responsáveis nacionais e conseguir incluir, na gestão internacional, como colaboradores e conselheiros indispensáveis, os assistentes espirituais e os directores nacionais. 18 45 - Seja através de congressos internacionais, seja por meio de contactos entre as secções nacionais, deve ser aumentada a estima recíproca no âmbito da Nossa Organização, reforçada a amizade mútua entre os colaboradores dirigentes, assegurando a unidade na diversidade. Esta unidade é pressuposto indispensável para a fecundidade e o crescimento contínuo da Organização. FÁTIMA E A NOSSA ORGANIZAÇÃO 46 - Tal como a mensagem de Fátima, a nossa Organização está inextrincavelmente ligada à Revolução Comunista de 1917 e às suas consequências que, na sua essência, foi uma total rebelião contra Deus. Precisamente por isto, a nossa Organização está estreitamente unida a Fátima. Em Fátima, Maria indicou o caminho contra esta rebelião. A Sua mensagem encontrou pouca fé. Foi assim que se gerou a II Guerra Mundial. Esta concluiuse com uma vitória do comunismo que, a ele, submeteu um terço da humanidade. Milhões de refugiados, uma Cortina de Ferro e uma incrível perseguição religiosa, foram as consequências. Como resposta a isto nasceu, em 1947, a nossa Organização. 47 - Maria advertiu-nos que povos inteiros seriam aniquilados se nós não nos convertermos. Nós não sabemos que povos, de este modo, estarão sob ameaça de acabarem. Nós não sabemos, se essa destruição será de natureza espiritual, moral ou psíquica como se vê hoje em muitos povos do Leste póscomunista, ou -também-, de tantos drogados ou maníacos sexuais, em consequência do materialismo do rico Ocidente. Ou, então, se Maria falava da destruição física de inteiras nações. Nós não sabemos se a grande catástrofe poderá, ainda, ser evitada. Nós não sabemos se, nós mesmos, faremos parte dos sobreviventes. Mas nós sabemos que Maria pode esmagar a cabeça da serpente. Por isso, nós consagrámos toda a nossa Organizaçãoà Rainha do Rosário, à Senhora de Fátima que nos indicou o caminho para a vitória sobre o comunismo e as suas repercussões e para a libertação da Igreja perseguida. Ela não falou de adaptações a este mundo mas, sim, de conversão, de penitência e da oração do Rosário. Não recusemos a Sua mensagem. Ela é a nossa Mãe e a nossa Rainha, o nosso exemplo, a nossa ajuda, a nossa grande guia na luta contra o dragão, a intercessora das graças de que nós necessitamos e é digna de todo o louvor porque d’Ela surgiu o Sol da Justiça, Cristo, nosso Senhor. ORAÇÃO A MARIA 19 48 - E por tudo isto, Maria, vimos junto de Ti no meio da tempestade furiosa desencadeada pelo príncipe das trevas. Tu vês que milhões dos Teus filhos católicos, ortodoxos e evangélicos foram profundamente feridos, pervertidos e postos em condição desumana, ou gemem, ainda, sob o terror dos inimigos de Deus que desejam expulsar o Omnipotente do Seu Trono e destruir o Seu Reino no coração dos fiéis. Tu vês que a milhões de refugiados são cortadas as raízes e que eles correm o risco de perder toda a esperança. Tu vês que, no Terceiro mundo, inumeráveis milhões de explorados naufragam nos rios de nosso egoísmo. E Tu vês que o fumo de Satanás penetrou, até, no Santo dos Santos e que a tempestade da confusão aflige, mesmo, o porto mais seguro da Igreja de Deus. Mesmo os escolhidos estão sendo arrancados das suas âncoras e afastados de Deus. Tu vês sacerdotes de toda a condição e de toda a dignidade perderam a bússola e vão sabotando o leme de Pedro e que, mesmo em mar agitado, vão destruindo até a estrutura da Sua embarcação. E Jesus dorme. 49 - Mãe, se mesmo os apóstolos tiveram medo, no meio da tempestade, poderás bem perceber, também, o nosso receio. Diz ao Teu Filho que ouça o nosso grito de socorro: “Senhor, salva-nos, porque perecemos”. Sim, Mãe, temos medo da confusão, da discórdia e da infidelidade a Deus que, como uma peste, se está difundindo, cada vez mais, na Igreja. A profunda ruptura que divide o povo de Deus não será , talvez, um pecado colectivo contra o Espírito Santo? Não vês, Mãe, que os esforços pela unidade com os nossos irmãos separados e que os esforços de pregação da antiga fé, com novos métodos, são feitos par e passo com excessos incontrolaveis que trazem danos incalculáveis à unidade, à paz, à serenidade das consciências e à fé de inumeráveis católicos? O que nós estamos a ver, agora, não é uma crise de crescimento mas decadência. Não uma primavera cheia de promessas mas um outono escuro. Não o brotar de uma nova vida mas a queda maciça de ramos mortos e varas secas que não têm nenhuma ligação com a vida divina. Em vez de fazer fermentar o mundo com a levedura do Evangelho, embora Cristo tenha, inequivocamente, rompido com este mundo. 50 - Mãe, agora que a necessidade parece, novamente, chegar ao auge e as potências tenebrosas parecem ter jogo livre, pedimos-Te, com confiança filial, a Tua preciosa ajuda. Agora que, sem leme, vimos sendo jogados pelas ondas deste tempo, pomo-nos, nós mesmos, todo o mundo ultrajado e a nossa Organização para a Igreja que Sofre, nas Tuas mãos maternas. Consagramo nos a Ti, Virgem Santa de Fátima. Conserva-nos no Amor de Teu Filho, protegenos da maldade do mundo e conduz-nos seguros ao Coração de Deus. E, 20 Mãe, quando -depois de atravessada a escura porta da morte-, estivermos de fronte ao tribunal do Teu Divino Filho, faz com que te encontremos lá com um sorriso nos olhos e que possamos dizer-Te, serenamente, “Olá, Mãezinha”. Werenfried Van Straaten, o.praem., Koeningstein I. Ts., Julho de 2000 21