Entrevista
“50 anos,
um marco”
Em média, setecentos alunos formam-se por ano
na Faculdade de Direito Mackenzie que, a
exemplo de 2002, recebeu em 2003 conceito A
no Exame Nacional de Cursos – o Provão
G
estos calmos, voz pausada, o diretor da Faculdade de Direito, professormestre Ademar Pereira, fala com
indisfarçável orgulho da sua
gestão na escola, que desde 1998
já formou mais de 4 mil alunos.
Diz que ao completar 50 anos, a
Faculdade mostra sua força, pois
não é a todo o momento que uma
escola completa meio século com
competência nos seus quadros e o
padrão de qualidade tradicional
da instituição. O diretor explica à
revista Mackenzie por que o curso
de Direito da UPM é um dos mais
procurados entre as escolas e por
que a profissão é tão apaixonante
– três de seus quatro filhos são
advogados. Ademar Pereira nasceu em 13 de fevereiro de 1947,
na capital paulista. Formou-se em
Direito (1975), em Guarulhos, SP,
após cursar a Faculdade de
Administração de Empresas, sem
se formar, porém. Exerceu a advo32
Mackenzie
cacia por oito anos e tornou-se
juiz de Direito (1982), desenvolvendo, ao mesmo tempo, a vida
acadêmica no Estado de Mato
Grosso do Sul até 1995. Filho
único, seus pais – o operário
Joaquim e Cilina – faziam
questão que ele estudasse. Assim
teve a ajuda moral para seguir
nos estudos. Relembra:“Sempre foi
uma batalha”. Em dezembro de
1998, Ademar Pereira tornou-se
diretor da Faculdade de Direito
Mackenzie.
“Assumimos com intuito de dar
modelagem moderna, dentro dos
padrões de excelência que a nova
perspectiva das escolas de Direito
vêm adotando, nas linhas curriculares exigidas pelas autoridades
educacionais e com uma conformação mais crítico-reflexiva do
nosso aluno, no sentido de que ele
deva alcançar efetivamente seu
grau de aprendizado nos atuais
padrões”, afirma.
Ademar Pereira
Revista Mackenzie – O Direito
muda com o passar do tempo?
Ademar Pereira – O Direito
passa por constante evolução, as leis
mudam em grande velocidade. Se
considerarmos os últimos 20 anos,
podemos ver que passamos por mudanças expressivas, entre elas a da
própria Constituição Federal. Por
conta disso, estamos passando por
mudança considerável, com um
novo Direito Civil, o direito das pessoas, o direito comum, do cidadão,
com a finalidade de regular os direitos e as obrigações de natureza privada em relação às pessoas, aos bens
e às suas relações. A constante
mudança legislativa imprime efetivamente a necessidade do permanente acompanhamento por parte
das escolas, para que não fiquem
estanques no tempo.
exercício da cidadania e das diversas
profissões da área do Direito. Estudar
Direito permite vasta busca de conhecimento e de cultura. Quando se
estuda Direito, na verdade estudam-se
as relações entre as pessoas, seus
bens, as relações contratuais, etc.
Portanto, o ensino do direito recomenda o oferecimento ao futuro
bacharel, de instrumental necessário
de natureza técnica e crítica para
compreender a realidade dentro da
qual exercerá sua atividade profissional, visualizando uma missão
social, atendendo ao comprometimento com os interesses comunitários. Hoje, a realidade mostra que
o bacharel em Direito consegue ter
maior penetração em quaisquer das
áreas específicas profissionais, inclusive, algumas, em que sequer têm vinculação mais íntima com o Direito.
O Direito sofre influência
internacional?
Hoje, com a globalização, não
podemos mais nos fechar dentro do
direito nacional, todas as relações
extrapolam fronteiras e temos de
nos ajustar à realidade mundial. E
isso exige de nós, das organizações
mundiais, o acompanhamento, a
proximidade. O Direito Internacional, de natureza supra-estatal, regulando as relações entre nações,
entre si e com organismos internacionais e com seus indivíduos. Não
podemos nos centrar apenas no
nosso direito civil, nosso direito
comercial, nosso direito penal,
porque as relações ultrapassam as
fronteiras geográficas do país.
Quantos alunos formam-se
por ano?
Nossa Faculdade de Direito
forma, atualmente, seis turmas de 50
a 60 alunos – 300 a 350 por
semestre, média de 700 por ano.
O que atrai no Direito?
Os objetivos a que se propõe
estão voltados a uma sólida formação
humanística e as habilidades técnicojurídica, sociopolítica e prática, indispensáveis à adequada compreensão
interdisciplinar do fenômeno jurídico
e das transformações sociais, para o
Como funciona o encaminhamento dos alunos?
Estatisticamente é difícil dizer.
Em termos genéricos, nossa situação é interessante porque, ao
longo do curso, mesmo antes das
exigências estabelecidas pela legislação educacional, eles começam a
se envolver com o mundo jurídico.
Há expressivo número de nossos
alunos que, a partir do início do
curso, em seu primeiro semestre,
buscam escritórios de advocacia, as
grandes empresas nas suas áreas
jurídicas. Ao final do curso, em sua
grande maioria, encontram-se, definitivamente, contratados. Fato
interessante é que o aluno do
Mackenzie se destaca em diversas
áreas, com excelente desempenho
nos vários concursos públicos –
Mackenzie
33
Entrevista
Magistratura, Ministério Público,
Procuradorias, Segurança Pública.
Sempre
apresentam
altíssima
aprovação nos exames da Ordem
dos Advogados do Brasil.
Como se desenvolve o atendimento ao discente?
O Serviço de Apoio Psicopedagógico ao Aluno é um trabalho feito
por dois professores que também
lecionam no curso de Psicologia. Eles
dão ao aluno apoio de natureza psicopedagógica, com a finalidade de
mediar conflitos educacionais, apoiar
em problemas interpessoais e ajudálo a enfrentar dificuldades de aprendizagem ou de adaptação, provocadas pela insatisfação pessoal e instabilidade emotiva, diante das exigências do curso. Por meio do Plantão
de Dúvidas, todos os professores, ao
longo do curso, atendem os alunos
que os procuram para obtenção de
orientação didático-pedagógica, a fim
de dissipar dúvidas, inclusive quanto
à própria e futura atividade profissional. Há interação entre alunos e
professores, quanto à visão do futuro.
Os chefes de departamento e os professores responsáveis por núcleos
temáticos oferecem plantões semanais para atendimento similar.As orientações na realização de suas monografias de final de curso, nas atividades complementares, iniciação
científica e nos grupos de estudo. O
acompanhamento nos estágios.
Qual a ligação da Faculdade
com o Juizado Especial Cível?
O Juizado Especial Cível, resultado do convênio com o Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo, é uma
das atividades vinculadas à prática
jurídica com a finalidade de oferecer
trabalho de apoio à cidadania, vinculado totalmente em termos de atuação dos alunos, na prática judiciária
real.Nele,os alunos atuam diretamente com o público, desenvolvendo
34
Mackenzie
Jorge Americano O saudoso mestre
orge Americano tinha 17
anos quando pisou, pela
primeira vez, na Faculdade
de Direito do Largo São
Francisco e vislumbrou para
si o futuro de catedrático sob
aquelas arcadas. Sua vida,
pontuada por inúmeras mudanças e atividades diversificadas, não lhe facilitou a
realização do sonho. Muita
persistência, porém, o raciocínio agudo e o inegável talento intelectual
permitiram-lhe, ainda que na maturidade, consagrar-se como mestre entre os mestres.
Paulistano, nascido em 25 de agosto de
1891, era filho de Amélia Cardoso Americano e
do coronel Luiz Americano. Após concluir o
primário na famosa Caetano de Campos, Jorge
ingressou no Ginásio Estadual de São Paulo,
onde sua predileção pelas ciências humanas se
revelou. Dali partiu para o curso de Direito, no
qual se formou em 1912, com destaque em
todas as disciplinas. A carreira, porém, marchou
lentamente — só em 1915 ingressou no
Ministério Público —, primeiro como promotor
na cidade de Bebedouro e, depois, na comarca
de Atibaia, ambas no Estado de São Paulo.
Casou-se com Maria Raphaela de Paula Souza.
Em 1921, uma tragédia, a morte do primeiro
filho, abalou a saúde da esposa. A conselho
médico, a família partiu para Santos, SP, onde
Jorge instalou a banca de advocacia e iniciou
fase de intensos estudos. Voltava, assim, à antiga ambição da carreira acadêmica. Mas a sorte
ainda não estava do seu lado. Em 1922,
inscreveu-se num concurso para professor no
Largo São Francisco, que foi cancelado. Idêntica
frustração, três anos depois.
A partir de 1927, porém, sua vida deu uma
guinada. Conquistou a livre-docência em Direito
Civil, foi eleito deputado e, em fins de 1928,
Washington Luís o nomeou procurador-geral da
Justiça do Distrito Federal. Os anos 30 encontraram Jorge Americano novamente em São
Paulo. Além de retomar a prática da advocacia e
a livre-docência em Direito, começou a lecionar
no Ginásio São Bento e na Escola de Comércio
Álvares Penteado. Quando começou
a
J
Revolução de 1932, alinhouse com os liberais — acabou
ferido logo no início do movimento. Não se intimidou.
Mestre por vocação, criou
curso de aperfeiçoamento
para oficiais voluntários. Tal
dedicação foi retribuída por
votação esmagadora para a
Assembléia Constituinte em
1933 — cargo ao qual renunciou ao descobrir que a bancada paulista votaria unanimemente em Getúlio
Vargas, em troca de concessões.
Dessa vez, a vida o compensou com a classificação em primeiro lugar para a cátedra de
Direito Civil na Faculdade de Direito. Jorge
Americano estava com 43 anos e, enfim, concretizou seu sonho, iniciando trajetória acadêmica e classista de grande sucesso. Por três
vezes, foi eleito presidente do Instituto dos
Advogados; participou em diversas gestões
como conselheiro da OAB/SP; integrou o
Conselho Penitenciário do Estado; e atuou
como juiz no Tribunal de Arbitragem de Haia. Na
Universidade, rapidamente galgou o degrau de
reitor. São de sua gestão um projeto de cidade
universitária e a criação dos Fundos Universitários de Pesquisa. Sua eterna batalha em
tomo da excelência do ensino e da autonomia
universitária acabaram levando-o a se engajar,
mais tarde, também na criação e direção da
Faculdade de Direito Mackenzie.
Em fins dos anos 50, por divergir da
direção, afastou-se do Mackenzie e, já viúvo,
dedicou-se à pintura e à literatura. Com o
mesmo estilo claro e sem academicismos que
caracterizava sua obra jurídica, publicou crônicas que ainda podem ser apreciadas no site
www.jangadabrasil.com.br. Em dezembro de
1968, um derrame o deixou semiparalisado e,
dois meses mais tarde, em 6 de fevereiro, morreu, aos 78 anos. Sua versatilidade e cultura
ficaram imortalizadas nas palavras do professor
Sílvio Rodrigues, em despedida solene: "Figura
curiosa, perdeu este país, pois, espírito de mil
facetas interessantes, o escritor, o artista, o jurisconsulto, o advogado, o cronista de sua terra e o
sociólogo se fundiam em uma só pessoa”.
Ademar Pereira
atividades no âmbito de desenvolvimento dos serviços cartoriais, desempenhando funções de conciliadores do
próprio Juizado. Nessa atividade, o aluno vive e desenvolve atividade real jurisdicional. Hoje, num universo em
torno de 2.700 processos em andamento no Juizado, 1.700 têm a participação dos alunos na solução mediante
conciliação. Eles têm participação efetiva. Semestralmente, há seleção de
novos estagiários, regularmente matriculados, em qualquer etapa do curso,
mediante exame realizado pelo Tribunal de Justiça. Daí passam por treinamento e são alocados na condição de
estagiários por seis meses. Ao fim, recebem o certificado de desenvolvimento de atividade.A procura é grande. Há cerca de 40 vagas para um contingente de 150 a 200 interessados.
Que outros serviços são
prestados?
Instalada e em fase experimental
há a Câmara de Mediação e Arbitragem, trabalho de natureza preventiva, para resolver litígios e situações
sem a interferência judicial,contando
com a participação de mediadores,
conciliadores e árbitros. Consiste na
busca de solução extrajudicial. Seus
resultados começam a expressar
soluções satisfatórias, merecendo
plena implementação. Com a utilização dos alunos vinculados ao Juizado
Especial, há o desenvolvimento da
atividade de orientação ao cidadão, o
Balcão de Atendimento. Muitas questões apresentadas pelas pessoas no
Juizado Especial Cível não podem ser
apreciadas por força das restrições
legais, o que implica a oferta de
esclarecimentos para a busca no
órgão adequado das possíveis soluções, com o direcionamento a
órgãos judiciais, encaminhamento a
repartições públicas competentes.
Há tratativas avançadas para a instalação pelo Tribunal Regional Federal,
em parceria com o Juizado Federal
Previdenciário, com vistas ao atendimento das pessoas carentes e idosas
às voltas com problemas com a
Previdência Social. Há de se destacar,
também,o convênio com a Fundação
Procon, com a finalidade de preparar
os alunos, por meio de seleção, para
desenvolverem pesquisa no âmbito
dos contratos das empresas de financiamento e de cartões de crédito,
para localizar a incidência de aspectos que resultam em maior número
de reclamações de consumidores.
Destaque-se, também, já em fase final
de estudos, convênio com o Departamento Nacional de Proteção ao
Consumidor em moldes similares.
O que significam os 50 anos
da Faculdade?
Um grande marco.Não se comemora 50 anos a todo o momento.É uma
demonstração do carisma da instituição, que permite que, ao longo de
50 anos, a escola esteja num patamar
de excelência. É momento de muito
regozijo e alegria, porque mostra
como se alcançou expressividade no
mundo acadêmico, profissional e na
comunidade como um todo. Podemos dizer que a nossa faculdade
expressa o seu brilho demonstrando
que sua equipe de trabalho, com professores, direção, coordenadores,
chefes de departamentos, servidores
administrativos, pôde oferecer ensino
de qualidade, e isso ao longo de 50
anos. A especial homenagem e honroso agradecimento aos alunos que
por esta academia passaram.Ao longo
de todo esse período, as lembranças
dos antigos alunos, que, como os de
agora, sempre se preocuparam em
viver um estado de atualização, de
busca do melhor para a representatividade em todos os segmentos do
universo jurídico. Por isso, os especiais cumprimentos a todos os
grandes bacharéis que por aqui passaram, e aqui deixaram incólumes as
marcas do verdadeiro espírito
mackenzista que carregam consigo
em todos escaninhos da vida profissional,social e pessoal,destacando em
cada lugar, em cada momento, com
sentimento de honradez, dever
cumprido e láurea alcançada, a gloriosa passagem pela Faculdade de
Direito da Universidade Presbiteriana
Mackenzie. A referência ao desprendimento profissional e cultural
dos docentes que ilustram e ilustraram, ao longo do tempo, a Faculdade, e que, com inteligência e dedicação, conduzem e conduziram um
corpo discente responsável, projetando a Instituição, com brilho singular,
no mundo universitário brasileiro e,
também internacional, contribuindo
decisivamente para honrar “a tradição
e o pioneirismo no ensino” – tradição
que não se adquire se não com ensino
de excelência e de qualidade.
E quanto aos 133 anos do
Mackenzie?
Creio que o Mackenzie, ao longo
desse período, vem se apresentando
como um expressivo conjunto de
tradição, pioneirismo e qualidade. O
Instituto Presbiteriano Mackenzie,
como entidade mantenedora, deve
ser visto como uma verdadeira locomotiva a avançar, como um trem,
primeiro com a Escola de Engenharia, tradicional e expressiva,s e a
Faculdade de Direito. Todas são
parte do mesmo comboio – do
avanço na educação, na busca da
qualidade e da excelência.
Mackenzie
35
50 anos Depoimentos
“O Mackenzie é a cara
50 anos da Faculdade de
“OsDireito
Mackenzie vêm coroar
de êxito a extraordinária tarefa do
Instituto, ao longo de 133 anos — a
missão gloriosa do ensino e em formar profissionais humanistas e com
o caráter cristão. Ao longo desse
tempo formaram-se aqui advogados,
procuradores, juristas, políticos de
renome, gente que trabalha para
mudar os rumos do País.”Professordoutor Amador Paes de Almeida
– Vice-diretor da Faculdade de
Direito e chefe do Departamento
de Direito Privado.
esde sua fundação, a Facul“D dade
de Direito foi altamente
qualificada e os seus 50 anos vêm
confirmar sua evidente excelência
no ensino, com o intuito de preparar
profissionais, das mais variadas
áreas jurídicas de atuação, para o
disputadíssimo mercado. A enorme
aceitação pelo mercado e a respeitabilidade pelo profissional ocorrem,
com certeza, pelo esforço levado a
cabo dentro da Faculdade, bem
como pelos princípios irradiados
pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie e pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie. Assim, insuperáveis princípios éticos, devoção
ao trabalho, dedicação aos estudos,
retidão, dignidade, honradez, entre
muitos outros tão nobres quanto,
oferecem o adequado norte a todos
36
Mackenzie
aqueles que, de uma forma ou de
outra, integram a Faculdade de
Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Tanto isso é verdade que os resultados obtidos, por
todos que integram a Faculdade de
Direito, são de destaque. Os alunos
alcançaram nota "A" no provão. O
altíssimo índice de aprovação no rigoroso exame realizado pela Ordem
dos Advogados do Brasil também,
em muito, agrada.O reconhecimento
de efetiva qualidade proporcionado
pelo MEC, quando classifica a
Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie como
uma das melhores do Brasil, em razão de índices alcançados em rigorosa avaliação, é algo, também,
bastante importante. Ser mackenzista, ter sido aluno da sua Academia
de Direito e, hoje, ter a oportunidade
de lecionar nesta prestigiosa e reconhecida Faculdade de Direito é motivo de orgulho e plena realização.”
Roberto Nussinkis Mac Cracken –
Professor da Faculdade de Direito e coordenador-geral do Núcleo de Prática Jurídica.
sive agora com Pós-Graduação em
outros Estados, e faz parte da história de São Paulo, com o quadrilátero
da Maria Antonia-Itambé: o Mackenzie é a cara de São Paulo. Faz parte
da história da capital desde sua fundação. Uma característica do Mackenzie é a formação desde o Maternal até a Pós-Graduação. Tudo é
parte de um grande pioneirismo,
que hoje pode ser retratado até no
Juizado Especial, convênio entre o
Mackenzie e o Poder Judiciário,
exemplo de cidadania, de serviço
ao público, e exercício profissional
dos alunos, desde os primeiros
semestres. O Núcleo de Prática
Jurídica é outra arrojada iniciativa,
que prepara e forma profissionais.”
Doutora Lia Felberg – Professora de Direito Penal e Processual e coordenadora do Juizado Especial Cível.
de Direito Mac“AFaculdade
kenzie nasceu como escola em
ou mackenzista de corpo e al“Sma
e só posso parabenizar a Fa-
culdade e o Mackenzie pelos 50
anos, pelas pessoas que passaram
pela nossa faculdade, pelos alunos
que estamos formando. A faculdade
é conhecida em todo o Brasil, inclu-
que a prática tornou-se aliada da
teoria. Nós consideramos desde o
princípio que o profissional de
Direito deve ter conteúdos teóricos,
mas também habilidades práticas.
Outro fator que se percebe ao longo
da história mackenzista é a
preocupação com o que chamamos
de formação propedêutica. Nosso
aluno tem sólidos conhecimentos
filosóficos, sociológicos e éticos que
vão lhe permitir mais tarde a
Cartas históricas
a de São Paulo”
reflexão crítica e construtiva da
sociedade. Portanto, nós temos o
ensino que se fundamenta em base
triangular, em que se percebe de um
lado a teoria, de outro a prática e
no vértice do triângulo os valores
éticos e cristãos apropriados à nossa vocação calvinista, que vão ser o
paradigma que o profissional de
Direito deverá ter na sua atuação.”
Doutora Regina Toledo Damião –
Chefe do Departamento de Propedêutica Jurídica – Professora
titular de Direito Civil e Linguagem Jurídica.
da Faculdade
“Ocinqüentenário
de Direito Mackenzie é evento
importante tanto para a universidade
quanto para a comunidade jurídica,
pois se trata de uma escola tradicional que, em toda a sua existência,
tem primado por ensino primoroso,
sempre ligado à idéia da própria
instituição Mackenzie de formação
de espírito crítico, reflexivo. Há nos
tribunais brasileiros inúmeros desembargadores e juízes formados
pelo Mackenzie — a nata da advocacia brasileira tem representantes do
Mackenzie. O presidente da Ordem
dos Advogados do Brasil, seção São
Paulo, é ex-aluno do Mackenzie. O
cinqüentenário é, pois, evento importante, que marca a trajetória de
uma instituição cada vez mais preocupada com o aprimoramento do
nível de qualidade dos corpos do-
cente e discente.” Núncio Theophilo Neto – Chefe do Departamento de Direito Público –
Professor de Direito Processual
Civil e Direito Penal.
1
50 anos da Faculdade de
“OsDireito
consolidam o projeto
de uma alternativa jurídica para
a cidade de São Paulo de qualidade, com referência significativa
na área jurídica na formação de
novos quadros de profissionais
para a cidade, para o Estado e
para o Brasil. É um marco importantíssimo na vida da cidade. A
Faculdade de Direito veio preencher essa falta numa posição de
destaque no cenário estadual e
nacional. A Faculdade de Direito é
a Faculdade da Cidade, tem tudo a
ver com a cara da cidade, traz
sobretudo marca que é característica da Faculdade de Direito do Mackenzie: formar seus profissionais
efetivamente para o mercado.”
Professor-doutor José Siqueira
Neto – Coordenador do Prograsma de Pós-Graduação em
Direito Político-Econômico.
2
3
As três cartas são de professores
do Mackenzie que exerceram
destacada atividade política,
escrevendo boa parte da História
do Brasil: 1 Miguel Reale, jurista
– de 1/12/58. 2 Jânio da Silva
Quadros, ex-presidente do Brasil
– de 20/2/61. 3 Ulysses
Guimarães – de s14/1/60
Mackenzie
37
50 anos Eventos / Homenagens
1
2
1 Miguel Iglesias, Pedro Nevado Moreno (Universidade
de Salamanca), Custódio Pereira, Esther de Figueiredo
Ferraz, Cláudio Lembo, Maria Lucia Vasconcelos,
reverendo Juarez Marcondes Filho, representando
Adilson Vieira do CD, Ademar Pereira, José Javier De
Los Mozos Touya (Universidade de Valladolid), Pilar
Jiménez Tello e Pedro Ronzelli Júnior 2 Professor José
Siqueira, ao lado de Cláudio Lembo, homenageia Esther
de Figueiredo Ferraz 3 Ademar Pereira presta
homenagem ao reverendo Juarez Marcondes Filho
4 O discurso do mackenzista Poças Leitão
3
4
5
6
5 Almiro Joaquim presta
homenagem póstuma a Rui
Vasconcelos, esposo da
servidora Valéria Luque, da
Faculdade de Direito
6 Ademar Pereira homenageia
Antonio José da Silva,
supervisor da área universitária
da Editora Saraiva
38
Mackenzie
7 Milton Paulo Carvalho
(Mackenzie), Francisco Otavio
Miranda Bezerra (Universidade de
Fortaleza), Pilar Jiménez Tello
(Universidade de Salamanca), Paulo
Roberto de Gouveia Medina
(Universidade Federal de Juiz de
Fora), Núncio Theophilo e Ademar
Pereira (Mackenzie)
7
8
9
10
11
8 Ademar Pereira presta homenagem
a Pedro Ronzelli Júnior, vice-reitor
da UPM 9 Custódio Pereira, diretorpresidente do IPM, homenageado
pelo professor Ademar Pereira
10 Maria Lucia Vasconcelos,
então reitora, sorridente retribui a
homenagem a Ademar Pereira
11 Maria Lucia Vasconcelos recebe
a homenagem de Cláudio Lembo,
vice-governador de São Paulo
Mackenzie
39
50 anos Memória
O quadro que hoje enfeita a sala dos professores, pintado por Jorge Americano
Retrato Miro
Ele fazia a chamada para os professores Jânio e Ulysses
N
o Mackenzie não há quem
não conheça o Miro. Cabelos
brancos, corte baixo, a todo o
momento um aluno o cumprimenta.Aos 65 anos, mantém nos lábios
o sorriso do dia em que começou
na Faculdade de Direito cuidando
da entrada e saída do material de
construção, uma espécie de almoxarife para as obras que estavam sendo finalizadas no campus. Era o ano de 1953 e o jovem
baiano de Livramento, aos 16 anos,
começava a ser conhecido, principalmente pelas duas turmas iniciais de Direito. Hoje, Almiro
Joaquim de Oliveira está aposentado. Exerce a função de encarregado do controle acadêmico.
- Lembra de alguém que trabalhava na Faculdade e se tornaria
famoso?
- Claro! Os professores Jânio
Quadros e Ulysses Guimarães. Eu
era o bedel e fazia a chamada para
eles. O Jânio dava aulas de Direito
Civil e o Ulysses de Direito Internacional Público. Eram discretos e
educados.
40
Mackenzie
Sorriso discreto do bom baiano que
faz parte da história da Faculdade
de Direito Mackenzie. Tinha 16 anos
quando começou. Hoje está com 65
- Algum evento ficou marcado
em sua mente nesses anos todos de
Mackenzie?
- Sim. Fiquei muito emocionado e
agradecido na época da inauguração
do Auditório Ruy Barbosa. Não sabia
o que ia acontecer quando fui convi-
dado a ir até lá. Não sabia que seria
homenageado. Sempre me relacionei muito bem com os diretores,
os professores e com os americanos. Nunca imaginei que teria
uma homenagem daquelas...
- Você tem filhos estudando?
- Dois desistiram depois do
segundo grau. Mas minha menina,
de 20 anos, estuda aqui. Faz
Pedagogia.
- Sofreu alguma grande amolação nestes anos?
- O que mais me deixa triste é
quando algum professor vai embora. Eles são sempre atenciosos
comigo. Sinto quando saem.
- Algum aluno, em especial, lhe
traz boas lembranças?
- Sim, o Odárcio Ducci, presidente do Ilha Porchat Clube, que
sempre foi muito bacana, fazia
questão de organizar as festas,
preparava as árvores de Natal, era
festeiro. Dava cestas de Natal para
os funcionários da Faculdade —
um grande coração! Foi ele quem
ofereceu os refrigerantes para o
meu casamento, nos anos 70.
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Os 50 anos - Mackenzie