Entrevista “50 anos, um marco” Em média, setecentos alunos formam-se por ano na Faculdade de Direito Mackenzie que, a exemplo de 2002, recebeu em 2003 conceito A no Exame Nacional de Cursos – o Provão G estos calmos, voz pausada, o diretor da Faculdade de Direito, professormestre Ademar Pereira, fala com indisfarçável orgulho da sua gestão na escola, que desde 1998 já formou mais de 4 mil alunos. Diz que ao completar 50 anos, a Faculdade mostra sua força, pois não é a todo o momento que uma escola completa meio século com competência nos seus quadros e o padrão de qualidade tradicional da instituição. O diretor explica à revista Mackenzie por que o curso de Direito da UPM é um dos mais procurados entre as escolas e por que a profissão é tão apaixonante – três de seus quatro filhos são advogados. Ademar Pereira nasceu em 13 de fevereiro de 1947, na capital paulista. Formou-se em Direito (1975), em Guarulhos, SP, após cursar a Faculdade de Administração de Empresas, sem se formar, porém. Exerceu a advo32 Mackenzie cacia por oito anos e tornou-se juiz de Direito (1982), desenvolvendo, ao mesmo tempo, a vida acadêmica no Estado de Mato Grosso do Sul até 1995. Filho único, seus pais – o operário Joaquim e Cilina – faziam questão que ele estudasse. Assim teve a ajuda moral para seguir nos estudos. Relembra:“Sempre foi uma batalha”. Em dezembro de 1998, Ademar Pereira tornou-se diretor da Faculdade de Direito Mackenzie. “Assumimos com intuito de dar modelagem moderna, dentro dos padrões de excelência que a nova perspectiva das escolas de Direito vêm adotando, nas linhas curriculares exigidas pelas autoridades educacionais e com uma conformação mais crítico-reflexiva do nosso aluno, no sentido de que ele deva alcançar efetivamente seu grau de aprendizado nos atuais padrões”, afirma. Ademar Pereira Revista Mackenzie – O Direito muda com o passar do tempo? Ademar Pereira – O Direito passa por constante evolução, as leis mudam em grande velocidade. Se considerarmos os últimos 20 anos, podemos ver que passamos por mudanças expressivas, entre elas a da própria Constituição Federal. Por conta disso, estamos passando por mudança considerável, com um novo Direito Civil, o direito das pessoas, o direito comum, do cidadão, com a finalidade de regular os direitos e as obrigações de natureza privada em relação às pessoas, aos bens e às suas relações. A constante mudança legislativa imprime efetivamente a necessidade do permanente acompanhamento por parte das escolas, para que não fiquem estanques no tempo. exercício da cidadania e das diversas profissões da área do Direito. Estudar Direito permite vasta busca de conhecimento e de cultura. Quando se estuda Direito, na verdade estudam-se as relações entre as pessoas, seus bens, as relações contratuais, etc. Portanto, o ensino do direito recomenda o oferecimento ao futuro bacharel, de instrumental necessário de natureza técnica e crítica para compreender a realidade dentro da qual exercerá sua atividade profissional, visualizando uma missão social, atendendo ao comprometimento com os interesses comunitários. Hoje, a realidade mostra que o bacharel em Direito consegue ter maior penetração em quaisquer das áreas específicas profissionais, inclusive, algumas, em que sequer têm vinculação mais íntima com o Direito. O Direito sofre influência internacional? Hoje, com a globalização, não podemos mais nos fechar dentro do direito nacional, todas as relações extrapolam fronteiras e temos de nos ajustar à realidade mundial. E isso exige de nós, das organizações mundiais, o acompanhamento, a proximidade. O Direito Internacional, de natureza supra-estatal, regulando as relações entre nações, entre si e com organismos internacionais e com seus indivíduos. Não podemos nos centrar apenas no nosso direito civil, nosso direito comercial, nosso direito penal, porque as relações ultrapassam as fronteiras geográficas do país. Quantos alunos formam-se por ano? Nossa Faculdade de Direito forma, atualmente, seis turmas de 50 a 60 alunos – 300 a 350 por semestre, média de 700 por ano. O que atrai no Direito? Os objetivos a que se propõe estão voltados a uma sólida formação humanística e as habilidades técnicojurídica, sociopolítica e prática, indispensáveis à adequada compreensão interdisciplinar do fenômeno jurídico e das transformações sociais, para o Como funciona o encaminhamento dos alunos? Estatisticamente é difícil dizer. Em termos genéricos, nossa situação é interessante porque, ao longo do curso, mesmo antes das exigências estabelecidas pela legislação educacional, eles começam a se envolver com o mundo jurídico. Há expressivo número de nossos alunos que, a partir do início do curso, em seu primeiro semestre, buscam escritórios de advocacia, as grandes empresas nas suas áreas jurídicas. Ao final do curso, em sua grande maioria, encontram-se, definitivamente, contratados. Fato interessante é que o aluno do Mackenzie se destaca em diversas áreas, com excelente desempenho nos vários concursos públicos – Mackenzie 33 Entrevista Magistratura, Ministério Público, Procuradorias, Segurança Pública. Sempre apresentam altíssima aprovação nos exames da Ordem dos Advogados do Brasil. Como se desenvolve o atendimento ao discente? O Serviço de Apoio Psicopedagógico ao Aluno é um trabalho feito por dois professores que também lecionam no curso de Psicologia. Eles dão ao aluno apoio de natureza psicopedagógica, com a finalidade de mediar conflitos educacionais, apoiar em problemas interpessoais e ajudálo a enfrentar dificuldades de aprendizagem ou de adaptação, provocadas pela insatisfação pessoal e instabilidade emotiva, diante das exigências do curso. Por meio do Plantão de Dúvidas, todos os professores, ao longo do curso, atendem os alunos que os procuram para obtenção de orientação didático-pedagógica, a fim de dissipar dúvidas, inclusive quanto à própria e futura atividade profissional. Há interação entre alunos e professores, quanto à visão do futuro. Os chefes de departamento e os professores responsáveis por núcleos temáticos oferecem plantões semanais para atendimento similar.As orientações na realização de suas monografias de final de curso, nas atividades complementares, iniciação científica e nos grupos de estudo. O acompanhamento nos estágios. Qual a ligação da Faculdade com o Juizado Especial Cível? O Juizado Especial Cível, resultado do convênio com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, é uma das atividades vinculadas à prática jurídica com a finalidade de oferecer trabalho de apoio à cidadania, vinculado totalmente em termos de atuação dos alunos, na prática judiciária real.Nele,os alunos atuam diretamente com o público, desenvolvendo 34 Mackenzie Jorge Americano O saudoso mestre orge Americano tinha 17 anos quando pisou, pela primeira vez, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e vislumbrou para si o futuro de catedrático sob aquelas arcadas. Sua vida, pontuada por inúmeras mudanças e atividades diversificadas, não lhe facilitou a realização do sonho. Muita persistência, porém, o raciocínio agudo e o inegável talento intelectual permitiram-lhe, ainda que na maturidade, consagrar-se como mestre entre os mestres. Paulistano, nascido em 25 de agosto de 1891, era filho de Amélia Cardoso Americano e do coronel Luiz Americano. Após concluir o primário na famosa Caetano de Campos, Jorge ingressou no Ginásio Estadual de São Paulo, onde sua predileção pelas ciências humanas se revelou. Dali partiu para o curso de Direito, no qual se formou em 1912, com destaque em todas as disciplinas. A carreira, porém, marchou lentamente — só em 1915 ingressou no Ministério Público —, primeiro como promotor na cidade de Bebedouro e, depois, na comarca de Atibaia, ambas no Estado de São Paulo. Casou-se com Maria Raphaela de Paula Souza. Em 1921, uma tragédia, a morte do primeiro filho, abalou a saúde da esposa. A conselho médico, a família partiu para Santos, SP, onde Jorge instalou a banca de advocacia e iniciou fase de intensos estudos. Voltava, assim, à antiga ambição da carreira acadêmica. Mas a sorte ainda não estava do seu lado. Em 1922, inscreveu-se num concurso para professor no Largo São Francisco, que foi cancelado. Idêntica frustração, três anos depois. A partir de 1927, porém, sua vida deu uma guinada. Conquistou a livre-docência em Direito Civil, foi eleito deputado e, em fins de 1928, Washington Luís o nomeou procurador-geral da Justiça do Distrito Federal. Os anos 30 encontraram Jorge Americano novamente em São Paulo. Além de retomar a prática da advocacia e a livre-docência em Direito, começou a lecionar no Ginásio São Bento e na Escola de Comércio Álvares Penteado. Quando começou a J Revolução de 1932, alinhouse com os liberais — acabou ferido logo no início do movimento. Não se intimidou. Mestre por vocação, criou curso de aperfeiçoamento para oficiais voluntários. Tal dedicação foi retribuída por votação esmagadora para a Assembléia Constituinte em 1933 — cargo ao qual renunciou ao descobrir que a bancada paulista votaria unanimemente em Getúlio Vargas, em troca de concessões. Dessa vez, a vida o compensou com a classificação em primeiro lugar para a cátedra de Direito Civil na Faculdade de Direito. Jorge Americano estava com 43 anos e, enfim, concretizou seu sonho, iniciando trajetória acadêmica e classista de grande sucesso. Por três vezes, foi eleito presidente do Instituto dos Advogados; participou em diversas gestões como conselheiro da OAB/SP; integrou o Conselho Penitenciário do Estado; e atuou como juiz no Tribunal de Arbitragem de Haia. Na Universidade, rapidamente galgou o degrau de reitor. São de sua gestão um projeto de cidade universitária e a criação dos Fundos Universitários de Pesquisa. Sua eterna batalha em tomo da excelência do ensino e da autonomia universitária acabaram levando-o a se engajar, mais tarde, também na criação e direção da Faculdade de Direito Mackenzie. Em fins dos anos 50, por divergir da direção, afastou-se do Mackenzie e, já viúvo, dedicou-se à pintura e à literatura. Com o mesmo estilo claro e sem academicismos que caracterizava sua obra jurídica, publicou crônicas que ainda podem ser apreciadas no site www.jangadabrasil.com.br. Em dezembro de 1968, um derrame o deixou semiparalisado e, dois meses mais tarde, em 6 de fevereiro, morreu, aos 78 anos. Sua versatilidade e cultura ficaram imortalizadas nas palavras do professor Sílvio Rodrigues, em despedida solene: "Figura curiosa, perdeu este país, pois, espírito de mil facetas interessantes, o escritor, o artista, o jurisconsulto, o advogado, o cronista de sua terra e o sociólogo se fundiam em uma só pessoa”. Ademar Pereira atividades no âmbito de desenvolvimento dos serviços cartoriais, desempenhando funções de conciliadores do próprio Juizado. Nessa atividade, o aluno vive e desenvolve atividade real jurisdicional. Hoje, num universo em torno de 2.700 processos em andamento no Juizado, 1.700 têm a participação dos alunos na solução mediante conciliação. Eles têm participação efetiva. Semestralmente, há seleção de novos estagiários, regularmente matriculados, em qualquer etapa do curso, mediante exame realizado pelo Tribunal de Justiça. Daí passam por treinamento e são alocados na condição de estagiários por seis meses. Ao fim, recebem o certificado de desenvolvimento de atividade.A procura é grande. Há cerca de 40 vagas para um contingente de 150 a 200 interessados. Que outros serviços são prestados? Instalada e em fase experimental há a Câmara de Mediação e Arbitragem, trabalho de natureza preventiva, para resolver litígios e situações sem a interferência judicial,contando com a participação de mediadores, conciliadores e árbitros. Consiste na busca de solução extrajudicial. Seus resultados começam a expressar soluções satisfatórias, merecendo plena implementação. Com a utilização dos alunos vinculados ao Juizado Especial, há o desenvolvimento da atividade de orientação ao cidadão, o Balcão de Atendimento. Muitas questões apresentadas pelas pessoas no Juizado Especial Cível não podem ser apreciadas por força das restrições legais, o que implica a oferta de esclarecimentos para a busca no órgão adequado das possíveis soluções, com o direcionamento a órgãos judiciais, encaminhamento a repartições públicas competentes. Há tratativas avançadas para a instalação pelo Tribunal Regional Federal, em parceria com o Juizado Federal Previdenciário, com vistas ao atendimento das pessoas carentes e idosas às voltas com problemas com a Previdência Social. Há de se destacar, também,o convênio com a Fundação Procon, com a finalidade de preparar os alunos, por meio de seleção, para desenvolverem pesquisa no âmbito dos contratos das empresas de financiamento e de cartões de crédito, para localizar a incidência de aspectos que resultam em maior número de reclamações de consumidores. Destaque-se, também, já em fase final de estudos, convênio com o Departamento Nacional de Proteção ao Consumidor em moldes similares. O que significam os 50 anos da Faculdade? Um grande marco.Não se comemora 50 anos a todo o momento.É uma demonstração do carisma da instituição, que permite que, ao longo de 50 anos, a escola esteja num patamar de excelência. É momento de muito regozijo e alegria, porque mostra como se alcançou expressividade no mundo acadêmico, profissional e na comunidade como um todo. Podemos dizer que a nossa faculdade expressa o seu brilho demonstrando que sua equipe de trabalho, com professores, direção, coordenadores, chefes de departamentos, servidores administrativos, pôde oferecer ensino de qualidade, e isso ao longo de 50 anos. A especial homenagem e honroso agradecimento aos alunos que por esta academia passaram.Ao longo de todo esse período, as lembranças dos antigos alunos, que, como os de agora, sempre se preocuparam em viver um estado de atualização, de busca do melhor para a representatividade em todos os segmentos do universo jurídico. Por isso, os especiais cumprimentos a todos os grandes bacharéis que por aqui passaram, e aqui deixaram incólumes as marcas do verdadeiro espírito mackenzista que carregam consigo em todos escaninhos da vida profissional,social e pessoal,destacando em cada lugar, em cada momento, com sentimento de honradez, dever cumprido e láurea alcançada, a gloriosa passagem pela Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A referência ao desprendimento profissional e cultural dos docentes que ilustram e ilustraram, ao longo do tempo, a Faculdade, e que, com inteligência e dedicação, conduzem e conduziram um corpo discente responsável, projetando a Instituição, com brilho singular, no mundo universitário brasileiro e, também internacional, contribuindo decisivamente para honrar “a tradição e o pioneirismo no ensino” – tradição que não se adquire se não com ensino de excelência e de qualidade. E quanto aos 133 anos do Mackenzie? Creio que o Mackenzie, ao longo desse período, vem se apresentando como um expressivo conjunto de tradição, pioneirismo e qualidade. O Instituto Presbiteriano Mackenzie, como entidade mantenedora, deve ser visto como uma verdadeira locomotiva a avançar, como um trem, primeiro com a Escola de Engenharia, tradicional e expressiva,s e a Faculdade de Direito. Todas são parte do mesmo comboio – do avanço na educação, na busca da qualidade e da excelência. Mackenzie 35 50 anos Depoimentos “O Mackenzie é a cara 50 anos da Faculdade de “OsDireito Mackenzie vêm coroar de êxito a extraordinária tarefa do Instituto, ao longo de 133 anos — a missão gloriosa do ensino e em formar profissionais humanistas e com o caráter cristão. Ao longo desse tempo formaram-se aqui advogados, procuradores, juristas, políticos de renome, gente que trabalha para mudar os rumos do País.”Professordoutor Amador Paes de Almeida – Vice-diretor da Faculdade de Direito e chefe do Departamento de Direito Privado. esde sua fundação, a Facul“D dade de Direito foi altamente qualificada e os seus 50 anos vêm confirmar sua evidente excelência no ensino, com o intuito de preparar profissionais, das mais variadas áreas jurídicas de atuação, para o disputadíssimo mercado. A enorme aceitação pelo mercado e a respeitabilidade pelo profissional ocorrem, com certeza, pelo esforço levado a cabo dentro da Faculdade, bem como pelos princípios irradiados pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie. Assim, insuperáveis princípios éticos, devoção ao trabalho, dedicação aos estudos, retidão, dignidade, honradez, entre muitos outros tão nobres quanto, oferecem o adequado norte a todos 36 Mackenzie aqueles que, de uma forma ou de outra, integram a Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Tanto isso é verdade que os resultados obtidos, por todos que integram a Faculdade de Direito, são de destaque. Os alunos alcançaram nota "A" no provão. O altíssimo índice de aprovação no rigoroso exame realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil também, em muito, agrada.O reconhecimento de efetiva qualidade proporcionado pelo MEC, quando classifica a Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie como uma das melhores do Brasil, em razão de índices alcançados em rigorosa avaliação, é algo, também, bastante importante. Ser mackenzista, ter sido aluno da sua Academia de Direito e, hoje, ter a oportunidade de lecionar nesta prestigiosa e reconhecida Faculdade de Direito é motivo de orgulho e plena realização.” Roberto Nussinkis Mac Cracken – Professor da Faculdade de Direito e coordenador-geral do Núcleo de Prática Jurídica. sive agora com Pós-Graduação em outros Estados, e faz parte da história de São Paulo, com o quadrilátero da Maria Antonia-Itambé: o Mackenzie é a cara de São Paulo. Faz parte da história da capital desde sua fundação. Uma característica do Mackenzie é a formação desde o Maternal até a Pós-Graduação. Tudo é parte de um grande pioneirismo, que hoje pode ser retratado até no Juizado Especial, convênio entre o Mackenzie e o Poder Judiciário, exemplo de cidadania, de serviço ao público, e exercício profissional dos alunos, desde os primeiros semestres. O Núcleo de Prática Jurídica é outra arrojada iniciativa, que prepara e forma profissionais.” Doutora Lia Felberg – Professora de Direito Penal e Processual e coordenadora do Juizado Especial Cível. de Direito Mac“AFaculdade kenzie nasceu como escola em ou mackenzista de corpo e al“Sma e só posso parabenizar a Fa- culdade e o Mackenzie pelos 50 anos, pelas pessoas que passaram pela nossa faculdade, pelos alunos que estamos formando. A faculdade é conhecida em todo o Brasil, inclu- que a prática tornou-se aliada da teoria. Nós consideramos desde o princípio que o profissional de Direito deve ter conteúdos teóricos, mas também habilidades práticas. Outro fator que se percebe ao longo da história mackenzista é a preocupação com o que chamamos de formação propedêutica. Nosso aluno tem sólidos conhecimentos filosóficos, sociológicos e éticos que vão lhe permitir mais tarde a Cartas históricas a de São Paulo” reflexão crítica e construtiva da sociedade. Portanto, nós temos o ensino que se fundamenta em base triangular, em que se percebe de um lado a teoria, de outro a prática e no vértice do triângulo os valores éticos e cristãos apropriados à nossa vocação calvinista, que vão ser o paradigma que o profissional de Direito deverá ter na sua atuação.” Doutora Regina Toledo Damião – Chefe do Departamento de Propedêutica Jurídica – Professora titular de Direito Civil e Linguagem Jurídica. da Faculdade “Ocinqüentenário de Direito Mackenzie é evento importante tanto para a universidade quanto para a comunidade jurídica, pois se trata de uma escola tradicional que, em toda a sua existência, tem primado por ensino primoroso, sempre ligado à idéia da própria instituição Mackenzie de formação de espírito crítico, reflexivo. Há nos tribunais brasileiros inúmeros desembargadores e juízes formados pelo Mackenzie — a nata da advocacia brasileira tem representantes do Mackenzie. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, é ex-aluno do Mackenzie. O cinqüentenário é, pois, evento importante, que marca a trajetória de uma instituição cada vez mais preocupada com o aprimoramento do nível de qualidade dos corpos do- cente e discente.” Núncio Theophilo Neto – Chefe do Departamento de Direito Público – Professor de Direito Processual Civil e Direito Penal. 1 50 anos da Faculdade de “OsDireito consolidam o projeto de uma alternativa jurídica para a cidade de São Paulo de qualidade, com referência significativa na área jurídica na formação de novos quadros de profissionais para a cidade, para o Estado e para o Brasil. É um marco importantíssimo na vida da cidade. A Faculdade de Direito veio preencher essa falta numa posição de destaque no cenário estadual e nacional. A Faculdade de Direito é a Faculdade da Cidade, tem tudo a ver com a cara da cidade, traz sobretudo marca que é característica da Faculdade de Direito do Mackenzie: formar seus profissionais efetivamente para o mercado.” Professor-doutor José Siqueira Neto – Coordenador do Prograsma de Pós-Graduação em Direito Político-Econômico. 2 3 As três cartas são de professores do Mackenzie que exerceram destacada atividade política, escrevendo boa parte da História do Brasil: 1 Miguel Reale, jurista – de 1/12/58. 2 Jânio da Silva Quadros, ex-presidente do Brasil – de 20/2/61. 3 Ulysses Guimarães – de s14/1/60 Mackenzie 37 50 anos Eventos / Homenagens 1 2 1 Miguel Iglesias, Pedro Nevado Moreno (Universidade de Salamanca), Custódio Pereira, Esther de Figueiredo Ferraz, Cláudio Lembo, Maria Lucia Vasconcelos, reverendo Juarez Marcondes Filho, representando Adilson Vieira do CD, Ademar Pereira, José Javier De Los Mozos Touya (Universidade de Valladolid), Pilar Jiménez Tello e Pedro Ronzelli Júnior 2 Professor José Siqueira, ao lado de Cláudio Lembo, homenageia Esther de Figueiredo Ferraz 3 Ademar Pereira presta homenagem ao reverendo Juarez Marcondes Filho 4 O discurso do mackenzista Poças Leitão 3 4 5 6 5 Almiro Joaquim presta homenagem póstuma a Rui Vasconcelos, esposo da servidora Valéria Luque, da Faculdade de Direito 6 Ademar Pereira homenageia Antonio José da Silva, supervisor da área universitária da Editora Saraiva 38 Mackenzie 7 Milton Paulo Carvalho (Mackenzie), Francisco Otavio Miranda Bezerra (Universidade de Fortaleza), Pilar Jiménez Tello (Universidade de Salamanca), Paulo Roberto de Gouveia Medina (Universidade Federal de Juiz de Fora), Núncio Theophilo e Ademar Pereira (Mackenzie) 7 8 9 10 11 8 Ademar Pereira presta homenagem a Pedro Ronzelli Júnior, vice-reitor da UPM 9 Custódio Pereira, diretorpresidente do IPM, homenageado pelo professor Ademar Pereira 10 Maria Lucia Vasconcelos, então reitora, sorridente retribui a homenagem a Ademar Pereira 11 Maria Lucia Vasconcelos recebe a homenagem de Cláudio Lembo, vice-governador de São Paulo Mackenzie 39 50 anos Memória O quadro que hoje enfeita a sala dos professores, pintado por Jorge Americano Retrato Miro Ele fazia a chamada para os professores Jânio e Ulysses N o Mackenzie não há quem não conheça o Miro. Cabelos brancos, corte baixo, a todo o momento um aluno o cumprimenta.Aos 65 anos, mantém nos lábios o sorriso do dia em que começou na Faculdade de Direito cuidando da entrada e saída do material de construção, uma espécie de almoxarife para as obras que estavam sendo finalizadas no campus. Era o ano de 1953 e o jovem baiano de Livramento, aos 16 anos, começava a ser conhecido, principalmente pelas duas turmas iniciais de Direito. Hoje, Almiro Joaquim de Oliveira está aposentado. Exerce a função de encarregado do controle acadêmico. - Lembra de alguém que trabalhava na Faculdade e se tornaria famoso? - Claro! Os professores Jânio Quadros e Ulysses Guimarães. Eu era o bedel e fazia a chamada para eles. O Jânio dava aulas de Direito Civil e o Ulysses de Direito Internacional Público. Eram discretos e educados. 40 Mackenzie Sorriso discreto do bom baiano que faz parte da história da Faculdade de Direito Mackenzie. Tinha 16 anos quando começou. Hoje está com 65 - Algum evento ficou marcado em sua mente nesses anos todos de Mackenzie? - Sim. Fiquei muito emocionado e agradecido na época da inauguração do Auditório Ruy Barbosa. Não sabia o que ia acontecer quando fui convi- dado a ir até lá. Não sabia que seria homenageado. Sempre me relacionei muito bem com os diretores, os professores e com os americanos. Nunca imaginei que teria uma homenagem daquelas... - Você tem filhos estudando? - Dois desistiram depois do segundo grau. Mas minha menina, de 20 anos, estuda aqui. Faz Pedagogia. - Sofreu alguma grande amolação nestes anos? - O que mais me deixa triste é quando algum professor vai embora. Eles são sempre atenciosos comigo. Sinto quando saem. - Algum aluno, em especial, lhe traz boas lembranças? - Sim, o Odárcio Ducci, presidente do Ilha Porchat Clube, que sempre foi muito bacana, fazia questão de organizar as festas, preparava as árvores de Natal, era festeiro. Dava cestas de Natal para os funcionários da Faculdade — um grande coração! Foi ele quem ofereceu os refrigerantes para o meu casamento, nos anos 70.