Orientador: Prof. Mdo Marcelo Moraes Freire FORTALEZA AGOSTO-2005 VERTICALIZAÇÃO DE MOLARES INFERIORES Esta monografia foi submetida à coordenação do Curso de Especialização Acadêmica em Ortodontia do Centro de Educação Continuada da Academia Cearense de Odontologia, outorgado pela Universidade Estadual do Ceará e encontra-se à disposição dos interessados nas bibliotecas das referidas Entidades. Tarsyla Alencar e Silva Marcos Defesa em: ___/___/______ ______________ Conceito obtido: Banca Examinadora ____________________________________________________ Prof. Marcelo Moraes Freire – Mdo (Orientador) ___________________________________________________ .............................. – ...... (1o Examinador) ___________________________________________________ .............................. – ...... (1o Examinador) Dedico a realização deste trabalho, aos meus pais Gerardo e Luiza, que sempre me ensinaram a trilhar o meu caminho; ao meu marido João, pelo estímulo, amor, carinho e compreensão; aos meus irmãos Hyane e Gerardo pelo apoio em todas as horas. AGRADECIMENTOS A Deus, por permitir a realização deste sonho. Aos meus pais, por sempre priorizarem deixar como legado para todos os filhos educação e cultura. Ao meu marido, João, pelo amor, pelo incentivo constante, pela paciência e pela colaboração indispensável com a formatação dos textos e das figuras. Ao Dr. Marcelo Moraes, pela paciência e disponibilidade em me orientar na elaboração deste trabalho. Ao Dr. Mustaphá, por sempre nos instigar a pensar e questionar, à Dra. Renata pelo estimulo e cooperação e à Dra. Lis, pelo empenho constante de nos oferecer o melhor da ortodontia. Aos funcionários do CEC, que colaboraram nestes trinta meses para a realização deste curso. A todos os colegas de turma, pelos anos de convivência e aprendizado juntos. RESUMO A perda precoce de molares inferiores decíduos e/ou permanentes é rotineira na clínica ortodôntica, conseqüentemente ocorrem inclinações dos dentes adjacentes, assim como modificações na arquitetura gengival e topografia óssea circundante. A verticalização dos molares inferiores inclinados traz vários benefícios funcionais, periodontais e protéticos. Com o aumento da interdisciplinaridade entre as especialidades odontológicas, muitas vezes são solicitados pareceres em relação às possibilidades e limitações dos movimentos ortodônticos nos molares inclinados por periodontistas, protesistas, implantodontistas e endodontistas; sendo assim é imprescindível que os ortodontistas tenham conhecimento das técnicas disponíveis e suas limitações em cada caso. Este trabalho visa apresentar alguns dispositivos verticalizadores, discutir as alternativas mecânicas e os aspectos relevantes concernentes à verticalização dos molares inclinados. Palavras chave: tratamento interdisciplinar, biomecânica, verticalização de molares. ABSTRACT The precocious loss of deciduos and/or permanent lower molars is routine at the orthodontic clinic, consequently, occurs inclination of the adjacent teeth, like with modifications of the gigival architecture and the topography of the surrounding bone. The uprighting of the lower tipped molars bring various functional, periodontal and prosthetic benefits. With the increase of interdisciplinarity between specialties, orthodontists, many times, are solicited to evaluate the possibilities and limitations of the orthodontic movements in the tipped molars by periodontists, prosthetics, implantododontists and endodontists; thus, it is necessary that the orthodontists have knowledge about the available techniques and their limitations in each case The objective of this work is to introduce other uprighting appliances, discuss the mechanical alternatives and the relevant aspects in regard to the upright of tipped molars. Key words: interdisciplinary treatment, molar uprighting, biomechanics. LISTA DE FIGURAS Figura A crista óssea angular e o defeito ósseo vertical na mesial do 1 molar pode ser eliminado com a verticalização 16 ........................................... Figura Defeito ósseo vertical associado à crista óssea angular e sua 2 correção com a verticalização 16 ........................................................... Figura Vista oclusal da mola aberta, com forças e momentos gerados por 3 ela 19 ...................................................................................................... Figura Mola radicular modificada 19 4 .................................................................. Figura “Cantilever” curto com momento grande e força extrusiva 20 5 ................ Figura “Cantilever” longo com maior momento de verticalização e pouca 6 extrusão 20 ............................................................................................. Figura Força aplicada 7 .......................................... Figura Força 8 Resistência).... Figura Mola 9 ....................................................... Figura Retentor 10 ............................................... Figura Ganchos em baladeira dobrados de um único fio, adaptado à sela 11 e aplicada na digital de no Centro coroa de dentária (fora em 22 Centro de 22 helicoidal 24 dividida 25 espiral espaço aos do Resistência com sela molares inclinados 25 e Proffit 26 Proffit 26 ...................................................................... Figura Mola verticalizadora 12 ....................... Figura Alça 13 ...................................... em caixa preconizada sugerida por por Norton Norton e Figura Ativações do 14 ................................................................... Figura Dobra de compensação lingual realizada para diminuir a tendência 15 de inclinação das arco coroas dos lingual dentes de 27 ancoragem 28 “tipback” 29 seus efeitos 29 em caixa 30 ......................... Figura Ativação da 16 ................................................................. Figura Vista 17 ....................................... Figura Representação 18 ................................. Figura Alça em”T” simples ativada em 30º no segmento distal, faz com 19 que oclusal o molar da mola mola aberta e da alça esquemática gire em torno do Centro de Rotação 31 .............................. Figura Molar severamente girado com arco modificado, de modo que seja 20 inserido no tubo por distal 32 dupla 32 radicular 34 .................................................................. Figura Alça em 21 ............................................................................... Figura Estágios 22 .......................................... de fabricação “T” da mola Figura Mola radicular com de aço, gerando intrusão e verticalização 23 .......... Figura Mola 24 ........................................................................................ Figura Mola 34 aberta 35 “tipback” 36 25 ......................................................... Figura a) Alça em”T” dupla passiva; b) Alça em”T” dupla ativa 36 26 .................... Figura a) 27 ...................... Figura a) 28 predominantemente uma força mésio-distal; b) “Alça piggyback” de Fixação verticalização extra-coronária; Componentes da Fixação b) Alça intra-coronária “piggyback” que 37 gera 38 ...................................... Figura Mola “tipback” preconizada por Weiland; Blanteon e Droschil 29 .......... Figura Diagrama com vista oclusal e vestibular da mola cimentada 30 ............ Figura Distal Jet inferior com dobra em baioneta encaixada no parafuso 31 da banda do 39 40 molar 41 distal jet 42 dos dentes 43 cruzados 44 44 .................................................................................. Figura Modelo de 32 .......................................................... Figura Ângulo 33 .............................. Figura Dois 34 ................................................................ Figura Sistema de força das molas sugeridas por Melsen et al. 35 .................. Figura Composição 36 ....................... teta: gesso formado pelo com longo eixo “cantilevers” da mola de verticalização pré-fabricada 45 Figura O sistema de força da mola é desencadeado quando se encaixa a 37 sessão NITI no molar e a sessão de aço no tubo em cruz da região anterior 45 ............................................................................................... Figura Arco base de intrusão proposto por Marcotte 46 38 .................................... Figura Esquema de ativação da alça radicular proposta por Marcotte 47 39 ......... Figura Ativação em beta menor do que em alfa. Porção beta da mola 40 radicular inserida no tubo molar e porção alfa inserida no tubo em cruz anterior ou amarrada junto ao bráquete do canino 47 .................... Figura Duas molas verticalizadoras helicoidais, para verticalizar o molar 41 sem extrusão 49 intrusão 51 modelos 52 verticalização 53 54 ..................................................................................... Figura Molar sendo verticalizado com 42 ............................................. Figura Foto 43 ................................................................................ Figura Esquema 44 ........................................... Figura Sistema de força da verticalização molar com micro-implantes 45 ........ de da mecânica de SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 10 ................................................................................................. 2 REVISÃO DE LITERATURA 12 molar 12 ........................................................................... 2.1 Causas da inclinação ................................................................... 2.2 Repercussões da inclinação molar e do movimento de verticalização na oclusão e no periodonto 14 aparelho 18 verticalização 21 verticalizadores 24 DISCUSSÃO 56 CONCLUSÕES 65 ............................................................ 2.3 Seleção do ................................................................................ 2.4 Biomecânica do movimento de ..................................... 2.5 Aparelhos ..................................................................... 3 .................................................................................................... 4 ................................................................................................ REFERÊNCIAS ................................................................................................... 1 INTRODUÇÃO 67 Na rotina da clínica ortodôntica, a perda precoce dos molares decíduos ou a perda de molares permanentes, é facilmente encontrada, o que gera um quadro típico de problemas com grandes repercussões periodontais. A ausência dos primeiros molares inferiores é a forma de edentulose parcial mais comum em certas partes do mundo e em especial no Brasil (RAVELI et al. 1996). Devido à perda prematura dos dentes posteriores, há uma forte tendência dos elementos dentários distais ao dente ausente ou extraído de se inclinarem para mesial ocasionando diversos problemas como por exemplo: • Bolsa periodontal na mesial dos molares inclinados • Extrusão do molar antagonista • Contatos pré-maturos • Diminuição do espaço edêntulo, dificultando a instalação e/ou adaptação de próteses e/ou implantes • Áreas de impactação alimentar • Dificuldades de higienização, aumentando o risco de cáries • Forças oclusais não são liberadas no sentido do longo eixo dos dentes, impossibilitando a normalização oclusal e periodontal do paciente A verticalização de molares inferiores é um procedimento ortodôntico muito utilizado, principalmente em pacientes adultos em tratamento interdisciplinar com periodontistas, protesistas e implantodontistas; e com ela são obtidos significantes benefícios como: redução das lesões periodontais mesiais, sem cirurgia periodontal e melhora na proporção coroa-raiz, reestabelecimento da função mastigatória adequada com a correção da inclinação molar, levando a normalização da situação oclusal funcional e facilitando a manutenção da saúde periodontal. Na literatura existe uma enorme quantidade de aparelhos usados para a verticalização de molares inferiores, que é um movimento difícil de se realizar sem causar extrusão e outros efeitos indesejáveis. O objetivo deste trabalho é apresentar alguns dispositivos verticalizadores, evidenciando seus princípios biomecânicos, indicações e limitações, possibilitando aos ortodontistas conhecer e selecionar uma alternativa prática e satisfatória para a solução de diferentes tipos de inclinação de molares na clínica cotidiana. 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Causas da inclinação molar Segundo Moyers; Vig; Fonseca (1991) o dente que mais freqüentemente se perde devido à cárie e/ou periodontite é o primeiro molar permanente. Como resultado disto, os segundos e terceiros molares podem inclinar-se, mesialmente, deixando a região mais susceptível a desordens periodontais e complicando a recolocação protética do primeiro molar. Kogod, M.; Kogod, H. (1991) observaram que o segundo molar inferior se desenvolve na parte distal da arcada com uma grande inclinação mésio-axial com o corpo da mandíbula, e grande proximidade da superfície distal do primeiro molar. Normalmente, ocorre crescimento terminal na mandíbula causando uma reabsorção da superfície anterior do ramo, aumentando o espaço para adequada erupção do segundo molar, além de ajustes espontâneos na sua inclinação axial que permitem sua erupção. Mas, em algumas situações, o crescimento terminal da mandíbula é insuficiente e/ou sua inclinação mesial é muito exagerada, causando a impactação do segundo molar na distal do primeiro molar permanente. Majourau; Norton (1995) relataram que a verticalização e posterior erupção de molares inferiores com impactação mesioangular é um problema muito complexo. Comentaram ainda que a inclinação mesial destes dentes se autocorrige com a reabsorção da borda anterior do ramo da mandíbula, somado ao deslocamento mesial do primeiro molar permanente que cria aproximadamente 2.7 mm de espaço para cada lado para um ajuste da inclinação e erupção. Esse auto-ajuste ainda seria mais fácil se os pré-molares fossem extraídos como parte do tratamento. Esta correção, infelizmente, nem sempre acontece. Celenza; Mantzikos (1996) relataram que a principal causa da inclinação dos segundos molares inferiores permanentes é a perda dos primeiros molares. Antes dos trinta anos, a causa predominante da perda dentária é a cárie, após essa, a doença periodontal associada ou não ao trauma oclusal torna-se a principal causa. Sakima et al. (1999) afirmaram que as causas mais freqüentes de molares inclinados são: perda precoce de molares decíduos ou permanentes, anodontia de segundos pré-molares, irrupção ectópica, dentes anquilosados em estado severo de infra-oclusão, ou ainda a utilização prolongada de PLA (Placa Lábio Ativa) ou AEB (Aparelho Extra Bucal), resultando em impactação de segundos e terceiros molares. Também citou que o espaço para acomodar segundos e terceiros molares inferiores depende da reabsorção da borda anterior do ramo mandibular, e da tendência de migração mesial dos dentes inferiores no desenvolvimento pós-natal. Janson et al. (2001) definem como etiologia da inclinação molar a perda precoce de um ou mais dentes posteriores, normalmente primeiros molares inferiores, por causas diversas tais como: doença periodontal,fraturas,cáries extensas, iatrogenias e outros fatores, onde o espaço resultante não foi restaurado. Roberts; Nelson; Goodacre (apud RAVELI et al., 1996) relataram que a ausência dos primeiros molares inferiores são a forma mais comum de edentulose parcial em algumas partes do mundo, e especialmente no Brasil. Raveli et al. (1996) comentaram que os primeiros molares inferiores são os dentes onde se verifica uma elevada incidência de cárie, sobretudo em paises em desenvolvimento, onde a população apresenta baixo nível sócio-econômico, exagerado consumo de açucares e pobres hábitos de higiene oral. Lima et al. (2004) definiram que as causas mais prováveis de impactação de segundos molares inferiores são: o tamanho excessivo destes dentes, comprimento do arco inferior inadequado, via eruptiva anormal. Podem estar relacionadas a barreiras físicas na região ou a um ângulo goníaco muito fechado, trazendo menor espaço na referida região, ou ainda má-formações dentárias, dilacerações radiculares ou taurodontismo. A impactação do segundo molar contra a face distal do primeiro pode acontecer devido à retenção prolongada do segundo molar decíduo, pois, com a esfoliação, o decíduo propicia uma movimentação mesial do primeiro molar permanente por ser o decíduo maior no sentido mésio-distal que o seu sucessor permanente. Relataram ainda que o primeiro molar permanente é o dente que mais se perde devido a cárie e/ou periodontite. Como resultado disso os segundos e terceiros molares podem se inclinar mesialmente. 2.2 Repercussões da inclinação molar e do movimento de verticalização na oclusão e no periodonto Roberts; Chacker; Burstone (1982) descreveram que a posição ótima do dente na verticalização molar,coincide com a obtenção de um meio periodontal ótimo. São objetivos de tratamento: I. Proteção contra a doença periodontal inflamatória. A. Eliminação de patologias existentes no meio periodontal, na presença de molares inclinados e cristas ósseas angulares. B. Correção dos defeitos ósseos verticais, através da erupção forçada. II. Proteção contra traumatismo oclusal. i. Alinhamento das raízes perpendicular ao plano oclusal, para suportar de forma ótima as forças oclusais. ii. Melhora na razão coroa-raiz dos molares periodontalmente comprometidos. Quando esses objetivos são seguidos, resulta num trabalho restaurador simplificado.Tratamento endodôntico pode ser evitado. A direção da inserção das pontes fixas serão paralelas ao longo eixo radicular. As compensações pelo comprometimento periodontal, no que se diz respeito ao tamanho e contorno das coroas, não serão necessárias, para permitir contatos adequados na oclusão cêntrica e movimentos excursivos. O molar inclinado geralmente sofre ao longo do tempo uma extrusão e inclinação em direção ao espaço da extração e ao ser verticalizado ocorre uma correção com tendência rotacional, dando a impressão de “falsa erupção”.Os autores ainda afirmaram que num paciente com comprometimento periodontal que é incapaz de manter uma higiene oral adequada, talvez, a erupção forçada não seja indicada, uma vez que na presença de inflamação a relação entre o osso alveolar e a junção cemento-esmalte não é mantida. Erupção forçada sem uma relação constante entre a crista alveolar e a junção cemento-esmalte, pode resultar na perda do aparato de inserção e numa proporção coroa-raiz aumentada, podendo criar ou agravar problemas de furca num dente multiradicular. As limitações biológicas talvez modifiquem o posicionamento dentário ideal e/ou o plano de tratamento, quando a espessura vestíbulolingual do osso trabecular do espaço edêntulo estiver diminuída devido à perda dentária. O fino osso cortical resultante, pode impossibilitar o movimento radicular mesial. Mas mesmo quando o movimento pelo osso cortical é possível, as desvantagens de reabsorção radicular, deiscências e tempo de tratamento prolongado, geralmente, pesam mais do que as vantagens. De acordo com Celenza; Mantzikos (1996), as seqüelas da perda dos dentes posteriores dependem da posição, número de dentes perdidos, tempo transcorrido da perda, relação oclusal, biotipo facial, qualidade do periodonto de inserção que possuem os dentes adjacentes e força exercida sobre a dentição em função e parafunção. A oclusão fisiológica pode ser definida como aquela em que o periodonto pode suportar a demanda funcional, ou seja, mantém a sua integridade. Por sua vez, a oclusão patológica não suporta a demanda funcional e não se mantém íntegra. Quando um dente posterior é perdido as conseqüências são numerosas, tais como: inclinação, apinhamento e rotação dos dentes vizinhos ao espaço edêntulo; traumatismo oclusal por não receberem as forças mastigatórias no seu longo eixo; crista mesial angular geralmente acompanhada de pseudo-bolsa ; contatos prematuros em oclusão cêntrica; interferências oclusais nos movimentos de látero-protusão; disfunção da ATM, decorrente do excessivo uso das superfícies dentárias sem mecanismos compensatórios suficientes para equilibrar a oclusão e redução do espaço interradicular na distal do molar. Segundo Sakima et al. (1999), são conseqüências da inclinação molar, os defeitos infra-ósseos verticais e bolsas infra-ósseas na região mesial dos molares, a migração distal dos pré-molares, extrusão do molar antagonista, contatos prematuros em R.C., interferências oclusais nos movimentos de láteroprotusão, além de dificultar a confecção de prótese quando a inclinação é excessiva. Esse autor comentou ainda que durante a verticalização de molares a relação entre a crista alveolar e junção amelo-cementária se mantém constante, e a crista óssea angular na mesial do molar inclinado não só é eliminada, mas de algum modo acaba revertendo sua inclinação (Figura 1). A erupção forçada para oclusão adequada mantém uma relação constante da crista óssea alveolar x junção amelo-cementária não só na área do defeito vertical,mas também circunferencialmente. Na verticalização do segundo molar, ocorre a eliminação do defeito ósseo vertical na mesial do dente, mas gera ou aumenta uma relação de crista angular entre segundo e terceiro molar (Figura 2). Figura 1: A crista óssea angular e o defeito ósseo vertical na mesial do molar pode ser eliminado com a verticalização. Fonte: Sakima et al., 1999. Figura 2: Defeito ósseo vertical associado à crista óssea angular e sua correção com a verticalização. Fonte: Sakima et al., 1999. Lang (1977 apud MOYERS; VIG; FONSECA, 1991), comenta que a verticalização do molar também reduz os índices de inflamação gengival e periodontal, a profundidade da bolsa e a perda de suporte. De acordo com Tuncay et al. (1980) importantes benefícios são obtidos com a verticalização dos molares inclinados, entre eles, redução ou eliminação das bolsas periodontais mesiais sem cirurgia periodontal e melhora da proporção coroa-raiz. Com a normalização das forças mastigatórias, estas são direcionadas ao longo eixo do dente, facilitando a manutenção da saúde periodontal. É importante frisar que a inflamação gengival deve ser controlada antes da instalação da aparatologia fixa, pois na presença da mesma, causará perda óssea adicional, desnecessária e indesejável. Os autores mostraram um caso clínico onde foi verticalizado um molar inferior e após 8 semanas de contenção, observou-se um aumento no nível da crista óssea mesial, que eliminou à bolsa, ali antes presente, sem cirurgia periodontal. Norton (1981), afirmou que com a inclinação mesial dos molares e distal dos pré-molares, devido a perda dos primeiros molares inferiores, bolsas periodontais tendem a se formar sob as cristas marginais mesiais, e o contorno alveolar na área edêntula tende a se tornar fino. A combinação de inclinação axial incorreta para amortecer as forças oclusais, formação de bolsas periodontais em áreas que são de difícil acesso para higienização,mudança na arquitetura alveolar e desfavorável relação coroa-raiz, constitui uma preocupação. Freqüentemente problemas na região anterior, como uma mordida profunda, podem estar relacionados ao colapso dentário posterior, resultante da perda dentária. A verticalização dos dentes posteriores e a restauração da dimensão vertical adequada fazem com que o tratamento de uma sobremordida seja simplificado. A biomecânica da verticalização de molares tem sido muito descrita, e uma das vantagens desse procedimento é que muitas bolsas peridontais são eliminadas ou diminuídas com a verticalização, dando condições para melhor limpeza da bolsa, a verticalização produz um aumento da extensão da coroa clínica com uma diminuição da profundidade da bolsa periodontal. A arquitetura da gengiva adjacente à bolsa torna-se mais próxima do normal, deixando o aspecto hiperplásico, tornando-se fina e firme. Segundo Weiland; Blantleon; Droschil (1992), vários problemas podem acontecer como resultado da perda de um molar inferior, inclusive inclinação mesial dos segundos e terceiros molares, migração distal de pré-molares, extrusão do molar antagonista, contatos prematuros em oclusão cêntrica, interferências em movimentos excêntricos e desarranjo periodontal na mesial do molar inclinado, também é impossível confeccionar próteses de alta qualidade nesses casos. Ainda afirmaram que o centro de resistência de um molar sem redução periodontal fica situado na área de bifurcação e, como na maioria dos casos de molares inclinados o dente já teve perda de osso, esse centro se desloca apicalmente. Uma força aplicada no centro de resistência provoca movimento de translação , mas como a força é aplicada a nível de coroa, cria em adição a translação, uma tendência rotacional denominada momento de força (M = F X D). A verticalização do molar depende deste momento para produzir movimento de rotação que corrige a inclinação. Janson et al. (2001) descreveram um quadro de características, presentes na inclinação de molares inferiores que são: Modificação da anatomia óssea por mesial dos molares, áreas de impactação alimentar na região entre os pré-molares, cáries nas superfícies de contato distal dos segundos molares, extrusão do dente antagonista, alteração do espaço edêntulo e colapso oclusal, principalmente quando as perdas são bilaterais, ocasionando trauma na região dos dentes anteriores superiores. Os autores ainda relataram que durante a extrusão dentária na verticalização, desde que haja saúde periodontal, com ausência de inflamação e controle de placa bacteriana, tanto o osso alveolar quanto o periodonto tendem a acompanhar o dente no sentido oclusal. 2.3 Seleção do aparelho Roberts; Chacker; Burstone (1982) a respeito da seleção do aparelho, quando um molar inclinado necessita de verticalização e o espaço do pré-molar está presente, sugerem o uso da mola aberta; como também nos casos em que o centro de resistência molar está localizado próximo ao ápice devido à perda óssea alveolar, gerando um maior momento de força distal. Os fatores que limitam a verticalização com a mola aberta (Figura 3), não resultam do momento em si, mas das forças mesiais e distais geradas pela mola. Essas limitações são: (1) potencial de ancoragem de estabilização do segmento anterior e (2) quantidade de translação molar aceita na correção da inclinação. Para molares muito inclinados que requerem uma inclinação distal da coroa, ou quando um certo movimento mesial de raiz e/ou erupção forçada está indicada, uma modificação da mola radicular descrita por Burstone permite flexibilidade necessária para combinações de momentos e forças (Figura 4). O segmento de estabilização anterior consiste em: (1) um arco lingual com fio 0.032” soldado ou colado às bandas de canino a canino. (2) bráquetes Edgewise colados ou soldados nos caninos e pré-molares dos quadrantes envolvidos. Os bráquetes dos caninos têm dois “slots” horizontais. (3) um arco retangular passando em caninos e pré-molares, parando em ambas as extremidades para previnir espaçamento e inserido no “slot” oclusal do bráquete do canino. Figura 3: Vista oclusal da mola aberta, com forças e momentos gerados por ela. Fonte: Khouw; Norton, 1972. Figura 4: Mola radicular modificada. Fonte: Sakima et al, 1999. Melsen; Fiorelli; Bergamini (1996) relataram que apesar de vários autores apresentarem aparelhos simples para verticalização molar, eles não se detiveram às variações individuais nas suas técnicas. Molares inclinados mesialmente devem ser diferenciados não só pelo grau de impactação, mas também pelo tipo de movimento dental necessário para correção nos três planos do espaço. Para cada movimento dentário particular há apenas um sistema de força correto para o respectivo centro de resistência. Quando o molar vai ser extruído, a verticalização é feita com a simples mecânica de degrau distal (tipback). O comprimento do “cantilever” longo ou curto, interferirá diretamente no momento do molar. Quanto mais curto o braço do “cantilever” (Figura 5) maior será o componente extrusivo no molar e quanto mais longo o comprimento (Figura 6) menor o efeito extrusivo. Se uma extrusão significante é necessária, a força aplicada ao bráquete deve ser maior comparado ao momento. Quando pouca ou nenhuma extrusão é desejada, o momento deve ser maior e o “cantilever” o mais longo possível. Quando a intrusão é requerida, a biomecânica se torna mais complexa. A lei do equilíbrio requer que o momento adicionado ao molar seja menor que o momento adicionado à unidade anterior. Figura 5: “Cantilever” curto com momento grande e força extrusiva. Fonte: Sakima et al., 1999. Figura 6: “Cantilever” longo com maior momento de verticalização e pouca extrusão. Fonte: Sakima et al., 1999. Segundo Sakima et al. (1999), o sistema de força a ser utilizado deve ser muito bem planejado para evitar efeitos colaterais indesejados como extrusão e reabertura de mordida, que possam dificultar a intercuspidação final. A escolha da técnica de verticalização pode ser determinada pela severidade da impactação, facilidade de acesso à superfície coronária, comportamento periodontal, desejo de fechamento do espaço ou abertura para reposição protética ou se necessitamos de intrusão associada a verticalização. Pode se dividir as inclinações da seguinte forma: inclinação suave, inclinação moderada e posição totalmente horizontal. A inclinação suave pode ser corrigida com molas separadoras e/ou fios de latão; as moderadas necessitam de um sistema de força ativo e bem planejado; enquanto os dentes totalmente horizontalizados tem geralmente prognóstico de extração. Janson et al. (2001) levaram em consideração na escolha do aparelho: o tamanho do espaço edêntulo, quantos dentes necessitam de movimentação, se o tratamento é uni ou bilateral, se existem outros espaços no arco e se o objetivo é somente verticalizar determinados dentes ou modificar todo contorno e relacionamento interarcos. Dessa forma criaram o protocolo de seleção de aparelhos abaixo: 1- Quanto à ancoragem 1.1- Movimentos unilaterais: utilizar como ancoragem até o canino do lado oposto, pois desta forma, envolve-se os três planos do arco e tem-se maior estabilidade dos dentes de ancoragem, realizar uma colagem passiva nos dentes de ancoragem e uma colagem artística nos dentes que serão movimentados. É também recomendado a colagem de um fio 0.028” de 3x3 inferior. 1.2- Movimentos bilaterais: envolve todo o arco dentário, realizando colagem passiva nos dentes de ancoragem, quando o tratamento se restringir ao movimento de verticalização. 2- Quanto à mecânica utilizada 2.1- Espaços pequenos: pode-se usar fios contínuos, NiTi 0.014”, dependendo da gravidade da inclinação, e quando chegar ao aço 0.016” usar molas de secção aberta. 2.2- Espaços grandes (ausência de dois molares ou mais): usar fios segmentados, com alça em “U”, com fios 0.018” ou 0.020”, já no início, para entrar o quanto antes com os fios retangulares e realizar o torque lingual de coroa nos dentes anteriores minimizando efeitos colaterais que por ventura possam ocorrer. 2.4 Biomecânica do movimento de verticalização De acordo com Roberts; Chacker; Burstone (1982) o centro de resistência de um molar sem comprometimento periodontal se localiza na região de furca. Num dente unirradicular de forma parabólica, o centro de resistência é 0.33 da distância da crista alveolar ao ápice. Os autores descreveram que o centro de resistência varia de acordo com o número, forma e tamanho das raízes, com a natureza do periodonto de inserção, e com a condição gengival. Quando ocorre redução do periodonto de inserção pela doença periodontal, o centro de resistência tende a mover se apicalmente, por outro lado uma gengiva fibrótica e espessa, tende a movimentar o centro de resistência oclusalmente. Quando a força é aplicada diretamente no centro de resistência do dente, produz um movimento de translação, mas, raramente, a força passa no centro de resistência, pois as forças ortodônticas são aplicadas na coroa dentária, criando assim, em adição a translação uma rotação chamada de momento de força (M = F x D) (Figura 7 e 8). A verticalização do molar depende deste momento produzir o movimento de rotação que corrige a inclinação. Figura 7: Força aplicada no Centro de Resistência. Fonte: Sakima et al., 1999. Figura 8: Força aplicada na coroa dentária (fora do Centro de Resistência). Fonte: Sakima et al., 1999. Segundo Sakima et al. (1999) outra forma de se obter uma tendência rotacional é por meio de um binário, que são duas forças de igual magnitude, paralelas , não colineares, em sentidos opostos e que produz movimento de rotação pura (centro de resistência = centro de rotação). Dessa forma aparelhos fixos podem produzir translações, rotações puras, ou inclinações que combinam forças e momentos. Ainda comentam que a verticalização pode ser combinada com deslocamentos ântero-posteriores (abertura de espaço ou fechamento) ou verticais (extrusão ou intrusão). Segundo este autor, os sistemas de força utilizado na verticalização dos molares podem ser divididos em: Sistema estaticamente determinado: quando a mola verticalizadora é inserida em tubo ou “slot” apenas em uma extremidade, gerando um só momento nesta localização, sistema de força previsível e de fácil mensuração clínica da força. Sistema estaticamente inderteminado: quando as duas extremidades da mola verticalizadora estão inseridas em tubos ou “slots”, gerando dois momentos diferentes, não podendo determinar com facilidade a quantidade de força liberada e sem controle de ativação. Sherllhart; Oesterle (1999) afirmaram que os benefício da verticalização de molares inclinados, vão depender da direção do movimento nos planos vertical e mesiodistal. Plano mesiodistal O molar pode ser verticalizado levando coroa para distal, ou levando raiz para mesial, dependendo, se desejamos abertura ou fechamento de espaço respectivamente. Normalmente a opção de escolha é levar coroa para distal para evitar uma série de problemas que podemos ter como reabsorção radicular, deiscência óssea e demora do movimento. Plano vertical Neste plano o molar pode ser extruído, intruído ou se manter no mesmo plano vertical (se o centro de resistência do molar não se mover oclusalmente ou apicalmente). Quando há extrusão do molar, podem ocorrer dois problemas: contato prematuro com os dentes antagonistas e abertura de mordida anterior. Quando há intrusão, que é um movimento difícil de se realizar, os problemas que podem ocorrer são: criar uma bolsa periodontal infraóssea, uma vez que a placa supragengival pode ser levada para uma localização subgengival e movimento extrusivo dos dentes anteriores pode ocorrer se eles forem usados como ancoragem do movimento molar. Manter a posição vertical do dente durante a verticalização, não significa manter a posição vertical da coroa. Mesmo que o dente gire em torno do seu centro de resistência e o centro de resistência não se mover oclusalmente, a coroa do dente inclinado vai se mover oclusalmente na verticalização, porém numa proporção menor. 2.5 Aparelhos verticalizadores Norton; Proffit (1968) relataram que se um dente tem menos de 20º de inclinação pode-se fazer a verticalização com aparelhos removíveis; se esta inclinação for maior que 60º, necessita-se de aparelho fixo com arco segmentado. Um dos aparelhos removíveis relatados pelos autores é feito de acrílico com uma mola helicoidal encurvada, feita com fio 0.025 de aço inoxidável. A mola é ativada em até 4 mm de movimento, este aparelho tem controle máximo no movimento, pois o contato pode ser em 1 ponto ou em vários pontos (Figura 9). O segundo aparelho removível citado é o retentor de espaço com sela dividida, fabricado com fio de aço inoxidável 0.025” com uma alça inserida em acrílico. É ativado abrindo os loopings formando uma mola com uma área de acrílico em contato contra o molar inclinado e que pode ser ativada entre 2 e 3 mm de extensão (Figura 10). Um terceiro aparelho que oferece um menor controle, consiste na mesma base acrílica dos outros dois citados anteriormente, com dois ganchos de fio 0.030” que é extendido vestibularmente e lingualmente (Figura 11). Um elástico de látex leve de 0.025” é colocado nesses dois ganchos e passa cruzando a superfície mesial do dente a ser verticalizado. Para melhores resultados, os elásticos devem ser trocados a cada dois dias e não deve estar preso na porção cervical da coroa para não haver extrusão. Figura 9: Mola digital em espiral helicoidal. Fonte: Norton; Proffit, 1968. Figura 10: Retentor de espaço com sela dividida. Fonte: Norton; Proffit, 1968. Figura 11: Ganchos em baladeira dobrados de um único fio, adaptado à sela e aos molares inclinados. Fonte: Norton; Proffit, 1968. O uso de aparelho fixo requer habilidade com dobras de fio, e se o molar for o dente posterior do arco, para verticalizá-lo devemos bandá-lo, assim como os três dentes mesiais a ele. O molar inclinado deve ter tubo vestibular soldado paralelo à sua superfície oclusal do dente. Os três demais dentes mesiais devem ter bráquetes Edgewise 0.022” x 0.028” soldados nas bandas paralelamente e com a mesma altura cúspide – bráquete. Estes dentes devem ser estabilizados com um fio de aço 0.019” x 0.025”passando por eles, além de um fio de amarrilho em forma de oito.Associado a este aparelho usa-se uma alça longa, curvada no sentido anti-horário e colocada gengivalmente no aparelho. A direção da dobra da alça diminui a chance de interferências oclusais durante a ativação do looping. A alça é encaixada mesialmente ao tubo molar e o gancho anterior é preso ao segmento de estabilização exercendo uma força de verticalização distal no molar, que é ancorado pela força intrusiva no segmento mesial estabilizador (Figura 12). Se o dente não está mais tão inclinado, ou está quase verticalizado, após o uso do aparelho, anteriormente, descrito pode-se usar um fio flexível 0.019” x 0.019”, passando pelo molar e pelos três outros dentes bandados, com uma mola aberta comprimida aproximadamente 2 mm entre o molar inclinado e dente imediatamente mesial. Agora se dois molares necessitam de verticalização, uma outra variação do aparelho fixo é utilizada com o segundo molar bandado. Nestes casos, um bráquete Edgewise é soldado no primeiro molar. Com um fio retangular 0.017” x 0.028” é confeccionada uma alça em forma de caixa e colocada no molar a ser verticalizado (Figura 13). Este aparelho oferece bastante controle e flexibilidade quando construído com cuidado. Os aparelhos fixos verticalizam os molares utilizando a raiz distal como fulcro. Teoricamente, não deveria ter extrusão distal, mas clinicamente observa-se extrusão suave distalmente. Ambos os tipos de aparelhos, particularmente os que usam bandas, demoram meses para dar o resultado esperado. Figura 12: Mola verticalizadora preconizada por Norton e Proffit. Fonte: Sakima et al., 1999. Figura 13: Alça em caixa sugerida por Norton e Proffit. Fonte: Sakima et al., 1999. Abelson (1972), analisou alternativas mecânicas para verticalização de molares inclinados mesialmente. De acordo com o autor, aparelhos removíveis quando utilizados após um diagnóstico preciso, podem ser bastante efetivos. Geralmente são de fácil fabricação, porém, podem causar algum desconforto ao paciente devido ao seu tamanho e necessita da cooperação do paciente. O referido autor defendeu a utilização do aparelho fixo por ser menos volumoso, conseguir resultados mais rápidos e com eficiência. Sendo um destes o arco lingual. O molar inclinado e o contra-lateral são bandados e soldados tubos linguais, um fio de aço 0.036” é contornado à banda e um helicóide na mesial do molar inclinado é feito. A cada três ou quatro semanas, o helicóide é aberto induzindo um movimento distal e outro rotacional do molar. Este é um método muito bom para recuperação do espaço da extração (Figura 14). Figura 14: Ativações do arco lingual. Fonte: Abelson, 1972. Khouw; Norton (1972), estudaram três alternativas distintas de verticalização de molares inferiores: mola de verticalização “tip back”, mola de secção aberta, e alça em caixa. A primeira alternativa citada foi indicada quando o segundo molar inferior está inclinado mesialmente sendo necessária a recuperação do espaço que está parcialmente fechado. Muitas vezes o terceiro molar inferior, se presente, deveria ser removido para facilitar a movimentação do segundo molar. Os caninos e pré-molares, assim como o segundo molar são bandados e soldados bráquetes Edgewise com slot (canal de encaixe do bráquete) 0.022”x 0.028”. Colado um arco lingual entre os caninos e pré-molares para prover ancoragem e um arco retangular de estabilização. A mola de verticalização “tip back” é confeccionada com fio 0.019” x 0.025”. Os dentes de ancoragem tendem a inclinar as coroas para vestibular e raízes para lingual . Para diminuir este efeito durante a ativação da mola “tip back” deveria ser feita uma leve curvatura em direção vestíbulo-lingual, de forma que o gancho anterior, fique lingualmente em relação ao arco antes da ativação (Figura 15). Isso é justificado com o momento de extrusão que é acompanhado de um giro lingual do molar, assim como a intrusão e inclinação vestibular na região de pré-molares. Da mesma forma esta compensação produz uma tendência de inclinação mésiovestibular da coroa do segundo molar, que normalmente está com uma rotação mésio-lingual, favorecendo sua posição. Ocorrendo um momento no molar com uma força distal e outra extrusiva (Figura 16). Figura 15: Dobra de compensação lingual realizada para diminuir a tendência de inclinação das coroas dos dentes de ancoragem. Fonte: Khouw; Norton, 1972. Figura 16: Ativação da mola “tipback”. Fonte: Khouw; Norton, 1972. A segunda alternativa descrita pelos autores foi a mola de secção aberta que foi indicada para situações de inclinação mínima do segundo molar inferior permanente ou para finalizar a verticalização após o uso da mola”tip back” ou alça em caixa. Os dentes do quadrante envolvido são bandados e soldados bráquetes 0.022”x 0.028”, passando um arco entre eles, sendo comprimida a mola entre o segundo molar e o último pré-molar presente. Isto produz uma força distal diretamente na coroa do molar e uma outra com a mesma intensidade e sentido oposto no segmento de ancoragem, causando a inclinação dos pré-molares e canino. No plano sagital, se houver ancoragem, não ocorrerão movimentos indesejáveis. No entanto, como os bráquetes estão por vestibular em relação ao centro de resistência dos dentes de ancoragem, é produzida uma força linear, como um momento no plano horizontal, fazendo a rotação do segundo pré-molar, e este efeito indesejável é acentuado se forem usados arcos com rigidez insuficiente (Figura 17). Isto poderia ser minimizado com o uso de bráquete duplo ou de Lewis com aletas anti-rotação no segundo pré-molar. Figura 17: Vista oclusal da mola aberta e seus efeitos. Fonte: Khouw; Norton, 1972. A terceira alternativa descrita foi a alça em caixa que pode ser utilizado quando os segundo e terceiro molares estão inclinados e ambos serão verticalizados. O terceiro molar é bandado e soldado um tubo, o segundo molar é bandado e soldado um bráquete geminado Edwise 0.022”x 0.028”, assim como pré-molares e canino são bandados e soldados bráquetes simples com a mesma dimensão de “slot”. A alça em caixa é fabricada com fio de aço 0.019”x 0.025” para proporcionar um controle adequado no sentido vestíbulo-lingual. Uma força extrusiva é criada no último molar, podendo mover o dente bem acima do plano de oclusão, caso não haja o dente antagonista. Para minimizar este efeito deve-se dobrar a extremidade distal do arco do terceiro molar mais apicalmente para diminuir o efeito extrusivo. Porém, quando o terceiro molar torna-se vertical a força intrusiva tende incliná-lo novamente para mesial, por isso é recomendado fazer uma dobra angular (efeito Gable) na extremidade distal do fio. No segmento de ancoragem é exercida uma força intrusiva que produz efeitos clínicos mínimos. Quando a verticalização molar é realizada, produz-se um efeito de inclinação distal secundário, isto se traduz com um momento no sentido horário que rotaciona o segmento anterior distalmente, para evitar este efeito deletério, deve-se fazer uma pequena dobra na extremidade anterior do fio (efeito Gable) (Figura 18). Figura 18: Representação esquemática da alça em caixa. Fonte: Khouw; Norton, 1972. Tuncay et al. (1980) indicam para a verticalização e reposicionamento de molares inferiores o emprego de alças segmentadas em “T”. Os pré-molares, canino e molar inclinado são bandados, assim como o canino contra-lateral. Nos caninos e pré-molares são soldados bráquetes de Lewis 0.022”x 0.028” e conjugados com ligaduras de aço, os bráquetes devem ser posicionados de forma que fiquem livres de interferências oclusais e que permita a colocação passiva de um arco de aço 0.017”x 0.025”. É acrescentado um arco lingual de canino a canino para dar a ancoragem necessária. A alça em “T” simples é indicada para pacientes com um molar terminal inclinado mesialmente a uma posição próxima a ou dentro de 2mm do pré-molar. Esta alça é fabricada com uma dobra gengival de 90º e no comprimento de um tubo molar mais 5mm, o restante do fio deve ser torcido na direção vestibular para que essa parte do fio se distancie dos tecidos gengivais. A porção da alça T é fabricada com os lados verticais de 1 a 2 mm de distância. O tamanho da alça é determinado pelos contornos vestibulares. A altura da perna mesial da alça é a mesma da perna distal. A perna mesial da alça deve ser próxima da superfície distal do bráquete do pré-molar posicionando a alça o mais mesial possível. A mola é completada ao se ajustar uma dobra de 90º na mesial do bráquete do canino para servir de “stop”. É primordial que o segmento anterior esteja passivo nos três planos do espaço.Por causa dos 30º de ativação gengival do segmento distal, o molar girará em volta do centro de rotação localizado no meio do tubo molar e fará com que a raiz se mova mesialmente (Figura 19). Às vezes desgastes seletivos são necessários nas faces oclusais do molar que está sendo verticalizado e no seu antagonista, para prevenir a abertura da mordida e interferências oclusais. Figura 19: Alça em”T” simples ativada em 30º no segmento distal, faz com que o molar gire em torno do Centro de Rotação. Fonte: Tuncay et al., 1980. Os autores ressaltaram que, ocasionalmente, o molar está severamente girado e esta situação requer que o arco seja modificado de modo que permita a inserção no tubo molar pela distal, gerando uma força que verticaliza e corrige a rotação do molar simultaneamente (Figura 20). Quando é necessária a verticalização do segundo e terceiro molares, é indicado o uso de duas alças em ”T” (Figura 21), seguindo os mesmos procedimentos de bandagem e ancoragem citados anteriormente. Um aspecto importante é que quando o arco é inserido no bráquete do segundo molar deve possuir uma angulação de mésio-oclusal para disto-gengival. As alças em “T” promovem controle adequado nos três planos do espaço, podem ser encaixadas imediatamente por serem flexíveis, são fáceis de fabricar e de usar, há boa aceitação por parte dos pacientes e o tempo de tratamento é de 6 a 8 semanas. Figura 20: Molar severamente girado com arco modificado, de modo que seja inserido no tubo por distal. Fonte: Tuncay et al., 1980. Figura 21: Alça em “T” dupla. Fonte: Tuncay et al., 1980. Roberts; Chacker; Burstone (1982) preconizaram uma mola de correção radicular que deve ser utilizada em dentes muito inclinados quando é necessário a inclinação da coroa para a distal ou algum componente de movimento mesial de raiz e/ou erupção controlada (Figura 22). Apesar de eficaz a mola radicular é um sistema de força estaticamente indeterminado, pois não é totalmente previsível, uma vez que é de difícil mensuração clínica de força e momento, e tem falta de constância e qualidade, prolongando o tempo de tratamento (SAKIMA et al., 1999). Inicialmente o componente anterior deve ser estabilizado através da colocação de um arco lingual (0.032”) colado ou soldado nas bandas de canino a canino; os incisivos inferiores comprometidos periodontalmente podem ser colados no arco lingual para adicionar estabilidade. Isto também é recomendado quando o segundo pré-molar é perdido do quadrante que contém o molar inclinado; quando o segundo e terceiro molares estão sendo verticalizados; quando os segundos molares estão consideravelmente inclinados ou quando existe o risco de incisivos com um bom alinhamento saírem de posição. O arco lingual pode ser estendido aos caninos e pré-molares e colado em cada dente individualmente para aumentar a ancoragem. Da mesma forma, podem ser colocados bráquetes com “slot” 0.018” ou 0.022” nos caninos e pré-molares do quadrante envolvido e um arco retangular espesso de estabilização. A conjugação do segmento anterior e posterior é importante pois desloca o Centro de Rotação para mesial do molar, conseguindo o efeito de verticalização, mesialização de raiz e fechamento de espaço. Os incisivos também podem ser adicionados. Os bráquetes dos caninos devem possuir dois “slots” horizontais para inserção do arco de estabilização e da mola de correção radicular. Os autores indicaram para confecção da mola fios de aço 0.018”x 0.025” ou TMA 0.017”x 0.025”, sendo que os fios de TMA liberam uma magnitude de força da mola muito menor. A porção alfa indica a componente anterior da mola e a porção beta a componente posterior. A porção alfa é inserida no “slot” gengival do bráquete do canino inferior, enquanto que a porção beta é inserida no tubo vestibular do segundo molar. A mola deve ser ajustada passivamente na posição anterior e posterior nos três planos do espaço. Depois que a mola é contornada no sentido vestíbulo-lingual é colocada uma extremidade no bráquete ou tubo e a extremidade oposta é ajustada de modo que fique passiva ao nível do bráquete ou tubo sem ser inserida, do mesmo modo o procedimento inverso é feito, deixando os segmentos anterior e posterior passivo. Os helicóides alfa e beta são pré-ativados dependendo da força desejada, espessura e composição química da liga utilizada e da distância interbráquete. É importante medir o grau de pré-ativação no bráquete/tubo e não ao nível do plano oclusal. Uma ativação típica (nos casos em que não há nenhuma perda de inserção periodontal) é de 45º para inserção nas posições alfa e beta (Figura 23) – ativação em “V” simétrico. É aconselhado que o momento produzido não exceda 3000 g.mm para o molar que apresentar evidências radiográficas de perda de inserção. Os autores sintetizaram as vantagens desse sistema de verticalização: pré-ativação é extra-oral sendo simples de conferir simetria e aferir os níveis de força, podendo ser conferido periodicamente; poucos ajustes são necessários durante o tratamento; a mola é posicionada gengivalmente não interferindo na função nos espaços edêntulos; o desconforto do paciente é minimizado pelo ”offset” na mola acima do rebordo alveolar. Figura 22: Estágios de fabricação da mola radicular. Fonte: Sakima et al., 1999. Figura 23: Mola radicular com de aço, gerando intrusão e verticalização. Fonte: Sakima et al., 1999. Tulloch (1982) ponderou sobre os métodos de verticalização de molares inferiores como adjunto ao tratamento restaurador e periodontal em adultos. Dentre as opções citou: mola de secção aberta, mola “tipback”, alça em caixa e alça em “T” simples e dupla. Quando há somente um molar para verticalizar, realiza-se a verticalização através de uma mola aberta entre o molar inclinado e a distal do pré-molar, fazendo a verticalização do molar pelo movimento distal da coroa e pelo movimento mesial dos dentes de ancoragem. Como a mola provoca um arqueamento no fio, é recomendado que o calibre deste não seja menor que 0.018” ou 0.017”x 0.022” (Figura 24). O autor recomenda usar forças leves e as interferências na oclusão devem ser removidas regularmente.Outra opção é a mola de verticalização “tipback” , quando um molar está inclinado e não há a presença de outro molar no quadrante (Figura 25). Causa movimento para oclusal e distal da coroa e só deve ser usada quando se tiver um antagonista. É necessário um ajuste oclusal freqüente do molar inclinado e do seu antagonista. A alça em “T” simples é utilizada para verticalizar um molar terminal com ou sem antagonista, além disso proporciona controle do dente nos três planos do espaço. A alça em “T” dupla é empregada quando se deseja desinclinar dois molares, conseqüentemente deve-se redobrar os cuidados com a ancoragem (Figura 26). O movimento se dá tanto pelo movimento distal da coroa quanto pelo movimento mesial da raiz. A alça em caixa possui as mesmas indicações da alça em ”T” duplo, entretanto, as dobras podem causar irritações nos tecidos moles. Figura 24: Mola aberta. Fonte: Tulloch, 1982. Figura 25: Mola de verticalização “tipback”. Fonte: Tulloch, 1982. Figura 26: a) Alça em”T” dupla passiva; b) Alça em”T” dupla ativa. Fonte: Tulloch, 1982. O referido autor recomenda ainda dois tipos de contenção: extracoronária ou intra-coronária (Figura 27). A fixação extra-coronária pode ser feita com um arco de aço 0.019”x 0.025” que encaixe passivamente nos bráquetes evitando qualquer movimento dentário, devendo ficar livre de interferências oclusais. Este tipo de contenção não deve ter uso prolongado devido ao aparelho ortodôntico dificultar a higienização da área. Na fixação intra-coronária, cavidades rasas são preparadas nos dentes pilares e um fio de aço .019”x.025” é preso intracoronalmente com amálgama ou resina. Este tipo de contenção produz pouca irritação gengival e pode ser usado por bastante tempo. Figura 27: a) Fixação extra-coronária; b) Fixação intra-coronária. Fonte: Tulloch, 1982. Simon (1984) relatou uma técnica para a verticalização de molares inclinados mesialmente que consiste inicialmente na colagem de um fio de aço 0.036” diretamente na face vestibular dos dentes, unindo pré-molares e caninos próximos ao molar inclinado, pode-se adicionar mais ancoragem, incorporando incisivos e canino do lado oposto. Um tubo é colado paralelo a superfície oclusal do molar inclinado. A alça de verticalização é confeccionada com fio 0.018”x 0.022” com um helicóide, que quando ativado deve ser inserido no segmento de ancoragem, produzindo uma força recíproca de intrusão e também uma tendência a produzir inclinação vestibular. No molar produz uma força extrusiva e de inclinação distal, com a tendência de levar a coroa para lingual. Os contatos oclusais do molar durante a verticalização devem ser eliminados por desgastes seletivos ou uso de placas acrílicas de levantamento de mordida. O autor recomenda a colocação de uma contenção intra-coronária, com fio e resina ou splint com amálgama, após a verticalização, na mesma sessão que a mola verticalizadora é removida. Durante e imediatamente após a verticalização, o tecido osteóide em torno do molar, aparece radiograficamente similar ao defeito ósseo da mesial do molar inclinado, dentro de 6 a 9 meses o tecido osteóide mineraliza, formando o osso. Kogod, M.; Kogod, H. (1991) utilizaram a alça de “piggyback” para verticalizar molares inferiores. Estas alças são confeccionadas com fio de aço redondo 0.018” e produzem forças distais e de verticalização. Apresentam as seguintes alças: loop de acabamento, loop para ativação, alça em “U” vertical e extremidade final (inserida na mesial do molar impactado) (Figura 28). Ao amarrar firmemente o segmento das quatro alças sobre o de estabilização(que vai do primeiro molar até região de pré-molares), inserindo a extremidade final da alça na ameia entre o primeiro e o segundo molar impactado, ocorrerá a ativação da mola. Esta técnica foi usada em aproximadamente 30 casos com resposta positiva. A maioria dos casos requereu de duas a quatro semanas de tratamento, apenas dois casos exigiram seis a dez semanas para desimpactar o molar. a b Figura 28: a) Componentes da Alça “piggyback” que gera predominantemente uma força mésio-distal; b) “Alça piggyback”. Fonte: Sakima et al., 1999. Weiland; Bantleon; Droschil (1992) apresentaram um método de verticalização de molares sem extrusão, usando duas molas “tipback” cruzadas. A parte passiva do aparelho utiliza um arco ligual de canino a canino ou de prémolar a pré-molar colados usando um fio multitrançado 0.0215” ,e ainda, são colados bráquetes Edgewise nos dentes de ancoragem e no molar inclinado. O bráquete do molar tem dois tubos horizontais e um tubo vertical adicional. Um fio retangular é bem ajustado nos bráquetes dos dentes de estabilização (0.018”x 0.022” para “slot”0.018” ou 0.021”x 0.025” para “slot” 0.022”) um fio de estabilização distal é extendido aproximadamente por 10mm e inserido num dos tubos horizontais do segundo molar, neste local será encaixado a outra mola “tipback”. Segundo os autores, a parte ativa do aparelho consiste em duas molas “tipback” (Figura 29) semelhantes e cruzadas: uma do tubo do segundo molar e a outra do bráquete do canino ou soldada na altura do primeiro pré-molar. Essas molas são confeccionadas com fio de aço .016”x.022” com dois helicóides ou fio TMA 0.017”x 0.025”. A primeira mola vai produzir a verticalização do molar e uma força extrusiva que é indesejável e igual à força intrusiva anterior. As duas molas são ativadas igualmente e as forças verticais se anulam, evitando a extrusão. Figura 29: Mola “tipback” preconizada por Weiland; Blanteon e Droschil. Fonte: Sakima et al., 1999. Majourau; Norton (1995) demonstraram uma mola para verticalizar molares inferiores impactados com 40º de inclinação com o plano oclusal funcional. Um fio de aço 0.019” x 0.025”, foi colocado no arco inferior e um botão foi colado na superfície disto-oclusal de cada molar impactado. Um outro fio de TMA foi dobrado no formato de uma mola digital para se prender no botão distooclusal e inserido pela distal no tubo vestibular acessório do primeiro molar. Este aparelho é ativado em 5mm através da combinação da ativação da mola de TMA e uma mola aberta inserida entre a alça gengival e o tubo molar acessório (Figura 30). Figura 30: Diagrama com vista oclusal e vestibular da mola cimentada. Fonte: Majourau; Norton, 1995. O dente é verticalizado em cerca de nove semanas. Uma força eruptiva é necessária para ter relacionamento oclusal com os dentes antagonistas, por isso os botões oclusais devem ser removidos e molas de cantilever de TMA 0.017”x 0.025” são inseridas bilateralmente prendendo-se nos tubos dos segundos molares e os ganchos nas mesiais dos caninos gerando uma força de 1500 g/mm para cima e para frente, uma força extrusiva de 50 g nos segundos molares e uma força intrusiva de 50g no ponto de localização do gancho. Primeiro e segundo molares são conjugados em “oito” para evitar a reabertura de espaço. Este aparelho foi utilizado numa garota de 11 anos com classe II dentária bilateral submetida a exodontia de quatro pré-molares e que tinha os segundos molares inferiores impactados por volta de 40º com o plano oclusal funcional. A verticalização foi realizada em nove semanas, depois disso foi continuado o tratamento utilizando uma mecânica com “cantilevers” para finalizar a posição dos molares. Carano; Testa (1996) desenvolveram o distal jet para a verticalização de molares inferiores anteriormente à restauração protética. O aparelho é formado por um tubo 0.036” soldado a banda do segundo pré-molar paralelo ao plano oclusal,mas abaixo do rebordo alveolar para que não interfira na oclusão. Um fio com uma dobra em baioneta é inserido pela distal do tubo e um parafuso ajustável é colocado junto com uma mola de níquel-titânio de 150 g sobre o tubo. Além disso, os dois segundos pré-molares são conectados por um fio lingual soldado para compor a unidade de ancoragem. A medida que o parafuso se movimenta distalmente, a mola é comprimida e é aplicada uma força distal (Figura 31 e 32). Com relação às vantagens deste aparelho estão ”design” discreto, conforto, fácil instalação e cooperação do paciente. Foi testado em três pacientes; no primeiro caso um paciente de 45 anos tinha o segundo molar inferior esquerdo comprometido periodontalmente , este dente foi extraído e o terceiro molar foi verticalizado para reabilitação protética. Foi colocado o distal jet e em três meses o dente já estava verticalizado. Um segundo paciente de 42 anos tinha os segundos e terceiros molares mesialmente inclinados no espaço protético do primeiro molar ausente; o terceiro molar foi extraído, permitindo uma ótima verticalização do segundo molar. A verticalização foi conseguida com 4 meses de utilização do distal jet. No terceiro caso um paciente de 31 anos precisou de reabilitação protética dos primeiros molares inferiores, um distal jet foi instalado e os segundos molares verticalizados em 3 meses. O distal jet proporciona um controle do movimento molar com um mínimo de efeito extrusivo. Figura 31: Distal Jet inferior com dobra em baioneta encaixada no parafuso da banda do molar. Fonte: Carano; Testa, 1997. Figura 32: Modelo de gesso com distal jet. Fonte: Carano; Testa, 1997. Celenza; Mantzikos (1996) desenvolveram um protocolo para a verticalização dos molares. Visualizavam a angulação dos longos eixos dos dentes envolvidos em radiografias periapicais ou modelos. Quando o ângulo medido for maior que 25º, o movimento mesial da raiz é muito difícil, portanto, a movimentação distal da coroa é a alternativa correta. Quando o ângulo for menor que 25º, um movimento distal da coroa pode não ser suficiente para recuperar um espaço pôntico para restauração, logo, o movimento mesial pode ser considerado (Figura 33). Contudo, estes fatores não podem ser avaliados isoladamente. Outro fator considerado pelos autores é que quando o espaço linear edêntulo for maior que 3mm, recomendam o movimento distal da coroa, e quando este espaço é menor que 3mm, recomendam ser tratado por movimento mesial de raiz. Além disso, observaram o contorno ósseo da área desdentada. Porque quando ocorre reabsorção extensiva da crista (sentido vestíbulo-lingual), a movimentação mesial da raiz de um molar para dentro desta área se processará muito devagar podendo causar também deiscência óssea. O movimento distal da coroa, geralmente, é mais efetivo para corrigir crista óssea angular, enquanto que o movimento mesial de raiz, potencializa a profundidade da bolsa. Figura 33: Ângulo teta: formado pelo longo eixo dos dentes. Fonte: Celenza; Mantzikos, 1996. Raveli et al. (1996) usaram uma mola verticalizadora de raízes confeccionadas com fio de aço 0.018”x 0.015”, com 15º de momentos em ambos os lados. Pode ser usada para: nivelar curva de Spee, verticalizar dentes ou segmentos posteriores inclinados, intruir ou extruir segmentos conforme ativação seletiva dos momentos anterior e posterior. Dois binários opostos e/ou duas forças verticais e opostas (extrusiva e intrusiva) podem ser utilizadas em qualquer época do tratamento conforme necessário. O autor utilizou esta mola numa garota de 16 anos, mesofacial, com aparente crescimento normal, selamento labial normal apesar de lábios superiores finos, perfil reto, classe II divisão 2º- de molares e caninos, 5mm de overbite e 1mm de overjet com perda dos primeiros molares inferiores. Neste caso a verticalização dos segundos molares foi iniciada pelo momento distal do binário produzido pelo arco de intrusão do segmento anterior. Este momento foi suficiente para verticalizar o segundo molar direito, mas não para verticalização radicular do segundo molar inferior esquerdo. Neste caso, como desejávamos verticalização com mesialização da raiz do molar e com distalização da raiz do segundo pré-molar, os helicóides foram pré-ativados de forma que o momento alfa (pré-molar), fosse igual ao momento beta (molar), de 15º. Foram permitidos movimentos coronários para distal, dobrando-se as extremidades justas aos bráquetes, o que ajuda na rotação do molar em torno do tubo, movendo as raízes mesialmente. Melsen; Fiorelli; Bergamini (1996) produziram um sistema de força utilizando dois “cantilevers”, que conseguem produzir tanto o movimento de verticalização como a força de intrusão dos molares. As molas são confeccionadas com fio TMA “0.017”x 0.025”. Um “cantilever” longo inserido no tubo molar é estendido até o segmento anterior à distal dos incisivos inferiores, liberando um momento de verticalização associado à força de extrusão no molar. Um segundo”cantilever” inserido no tubo “criss cross” (tubo em cruz ou cruzeta) fixado entre pré-molares ou entre pré-molar e canino é estendido até a região distal do segundo molar que produz força intrusiva no molar, eliminando o efeito indesejável de extrusão no molar e o momento anterior provocado pelo primeiro “cantilever” (Figura 34 e 35). Existe uma tendência de inclinação vestibular da coroa do molar quando é aplicada a força intrusiva. O arco lingual deve ser associado como elemento de estabilização do segmento anterior. Os tubos verticais podem ser substituídos pela posição horizontal e a ativação pode ser realizada introduzindo dobra em “V” ou dando curvatura no fio de TMA. A curvatura apresenta vantagens sobre dobras em ângulo por evitar fraturas. Segundo os autores o sistema utilizando “cantilever” é definido como estatisticamente determinado, pois o sistema de forças é totalmente previsível e sempre a força é liberada em apenas um ponto de aplicação (em uma das extremidades do “cantilever”). É indicado para verticalização de molares inferiores sem extrusão. Figura 34: Dois “cantilevers” cruzados. Fonte: Sakima et al., 1999. Figura 35: Sistema de força das molas sugeridas por Melsen; Fiorelli e Bergamini. Fonte: Sakima et al., 1999. Sander (1997) associou fios de níquel-titânio e fios de aço em um sistema de mola verticalizadora pré-fabricada (FORESTADENT). Consiste em um fio de níquel-titânio (Titanol 0.016”x 0.022”) com um fio de aço (0.017”x 0.022”) conectados por um tubo. Os fios de níquel-titânio caracterizam-se pelos efeitos super elásticos, liberando forças mais leves, biológicas e por isso mais favoráveis à movimentação dentária. A mola é ajustada colocando a extremidade do fio Titanol no molar inclinado e a extremidade do fio de aço é regulada de acordo com a distância do molar até o tubo em cruz que é fixado na região entre canino e prémolar, com uma dobra de pré-ativação para gerar uma força intrusiva no molar. Determinado o comprimento da mola, estabiliza-se ou fixa-se apertando com alicate o tubo que acopla os dois fios. O autor salientou que a mola pode ser aplicada variando a extremidade do fio de aço em três angulações. A primeira um ângulo de aproximadamente 135º e é indicada quando é preciso uma verticalização com grande intrusão.Quando a angulação é mudada para 90º, ocorre a verticalização e intrusão em menor grau, quando é possível verticalização com extrusão a angulação é deixada em 90º, diminuindo o braço vertical da extremidade do fio de aço (Figura 36 e 37). Figura 36: Composição da mola de verticalização pré-fabricada. Fonte: Sakima et al., 1999. Figura 37: O sistema de força da mola é desencadeado quando se encaixa a sessão NITI no molar e a sessão de aço no tubo em cruz da região anterior. Fonte: Sakima et al., 1999. Marcotte (1998), usou para verticalizar molares inclinados um arco base de intrusão, mas o momento de verticalização no molar também estava acompanhado de força extrusiva (Figura 38). Figura 38: Arco base de intrusão proposto por Marcotte. Fonte: Sakima et al., 1999. Enquanto a alça trabalhava, o espaço da extração ficava maior e o molar ficava extruído, o que acarretava um cenário de total pré-maturidade e reclamações adicionais na A.T.M. Para verticalizar o molar trazendo as raízes para frente e intruíndo é melhor usar a alça radicular (duas binárias opostas uma maior que a outra, resultando em duas forças verticais iguais e opostas – uma intrusiva e outra extrusiva) confeccionada com fio 0.018”x 0.025”, pré-ativada para que momento alfa da dobra de pré-ativação (45º) seja maior que o momento beta da dobra de pré-ativação (10º) (Figura 39 e 40 A,B,C). Se a alça for colocada nos segmentos anteriores e posteriores e estes não estiverem interligados, o segmento posterior irá verticalizar e o espaço da extração irá aumentar em tamanho. Se uma ligadura com fio pesado for colocada entre os dois segmentos, o segmento irá girar em volta dos bráquetes (levando raiz para mesial) o que irá produzir um espaço da extração menor do que com o primeiro método, preferivelmente para reduzir o comprimento do espaço. Figura 39: Esquema de ativação da alça radicular proposta por Marcotte. Fonte: Sakima et al., 1999. Figura 40: Ativação em beta menor do que em alfa. Porção beta da mola radicular inserida no tubo molar e porção alfa inserida no tubo em cruz anterior ou amarrada junto ao bráquete do canino. Fonte: Sakima et al., 1999. Sakima et al. (1999), discutiram as alternativas mecânicas de verticalização de molares. Segundo os autores quando o molar pode ser extruído, a verticalização é freqüentemente realizada com a mecânica “tipback”, utilizando as alças ou molas segmentadas que se encaixam no segmento anterior do arco. Este tipo de mecânica causa verticalização com extrusão do segmento posterior, recuperação de espaço e intrusão no segmento anterior. Estes tipos de mola são confeccionados com fios retangulares de aço (de 0.016”x 0.022”até 0.021”x 0.025” geralmente com helicóides para aumentar a flexibilidade do fio) ou TMA (0.017”x 0.025” sem helicóides por serem mais flexíveis e liberarem magnitude de força menor que as de aço). O efeito intrusivo anterior é minimizado as custas de estabilização do segmento anterior com fios retangulares pesados a depender do tipo de “slot” utilizado e/ou através de fios de contenção lingual colados ou arcos linguais ancorados nos pré-molares. Os autores também utilizam arcos contínuos e alças tipo ”T” ou “caixa”, embora estes tipos de alça possam provocar lesões gengivais devido a extensão da mola, além de fazer a distribuição das forças nos dentes adjacentes ao molar inclinado, enquanto os “cantilevers” distribuem as forças em mais dentes. Apesar de difícil verticalizar o molar com movimento mesial simultâneo, se conjugarmos o molar inclinado ao segmento anterior com ligadura metálica, associando uma mola verticalizadora, haverá inibição do movimento distal da coroa, estimulando um movimento mesial radicular sem abrir espaço na mesial do dente inclinado. Shellhart; Osterle (1999) indicam duas molas de verticalização para molares inclinados que não permitem extrusão. Estas molas são confeccionadas com fio de aço 0.016”x 0.022” com helicóide ou fio TMA 0.017”x 0.025”. Um fio de aço 0.017”x 0.025” é usado no segmento anterior como ancoragem. Um gancho é formado na extremidade mesial da mola que engata a um fio rígido preso aos dentes de ancoragem e a porção posterior é inserida no tubo do molar. A segunda mola é feita da mesma forma e inserida anteriormente num tubo em cruz, a extremidade posterior é inserida num fio de aço que é estendido na distal do tubo do segundo molar inferior. A primeira mola causa extrusão e distalização no molar e força intrusiva no segmento anterior, já a segunda mola gera uma força intrusiva no molar e extrusiva no segmento de estabilização. As duas molas são ativadas simetricamente e os momentos gerados se anulam, verticalizando o segundo molar sem extrusão (Figura 41). Figura 41: Duas molas verticalizadoras helicoidais, para verticalizar o molar sem extrusão. Fonte: Shellhart; Oesterle, 1999. Janson et al. (2001), mostraram através de casos clínicos os aspectos relacionados a verticalização de molares inferiores e a integração da Ortodontia com outras especialidades. O primeiro caso mostra um paciente de quarenta anos com o segundo molar inferior direito mesializado e coroa do dente 45 (segundo pré-molar direito) fraturada. Foi feita colagem de passiva bráquetes até canino do lado oposto e foi utilizado fio segmentado 0.018” com alça em ”L”. Após dois meses a mecânica foi complementada com mola aberta. No segundo caso, um paciente de quarenta e oito anos com perda do primeiro molar permanente ainda na infância, com disposição dentária diferenciada, mostrando segundo pré-molar disposto ao lado do segundo molar e espaços entre os pré-molares. Por haver espaço entre o primeiro pré-molar o canino, foi colocado uma mola aberta entre o primeiro e segundo pré-molar, pois movimenta o primeiro pré-molar para frente e não exerce pressão sobre o canino, que devido sua localização na curvatura da arcada, tenderia a se deslocar pela tangente. O tratamento durou três meses e possibilitou a confecção da prótese com tamanho ideal de seus elementos. No terceiro caso,um paciente de vinte e cinco anos relatou ausência de mastigação do lado direito devido a inclinação mesial e lingualização do segundo e terceiro molares, ocluindo com os dentes antagonistas por vestibular. Primeiro usou-se elásticos intermaxilares 3/16” por quatro meses, até ser possível instalar o aparelho fixo. Foi feito nivelamento até o fio 0.018”x 0.025” para se conseguir fazer torque vestibular de coroa e atingir um bom posicionamento dentário. Um pôntico suspenso foi adaptado para servir de contenção até a confecção do trabalho final. No quarto caso, um paciente de quarenta e nove anos com perda dos primeiros e segundos molares bilateralmente há aproximadamente dez anos. Os terceiros molares apresentavam-se acentuadamente inclinados para mesial, ocluindo com os molares superiores na sua face distal.A preocupação maior era quanto ao posicionamento da furca em relação ao osso, pois de ambos os lados já se apresentavam ao nível ósseo, supondo que com a pequena extrusão característica na verticalização, pudesse haver exposição das mesmas. A mecânica utilizada foi fio NiTi .014” para iniciar a movimentação e, posteriormente, fio de aço 0.017”x 0.025” com alça em “U”, que oferece a possibilidade de pequenas ativações na sua extremidade e também a vantagem de fugir do plano oclusal, evitando-se torções ou quebras indesejadas. Foram colados bráquetes somente nos caninos, pré-molares e terceiros molares. O tempo de tratamento foi de três meses para cada lado. Durante toda a movimentação foram feitos desgastes seletivos periodicamente na distal dos molares para evitar o trauma oclusal. No quinto e último caso, um paciente de vinte e sete anos procurou tratamento odontológico por causa de dores constantes na A.T.M., no exame clínico observou-se mordida aberta anterior esquelética e ausência dos primeiros e segundos molares inferiores bilateralmente e diagnosticou-se desvio funcional mandibular para o lado esquerdo devido ao contato prematuro do segundo prémolar inferior esquerdo como causa provável da disfunção da A.T.M. Foi feito ajuste oclusal para estabilizar a oclusão e sanar a dor. Foi feito planejamento cirúrgico, mas o paciente não aceitou. Os molares foram bandados e bráquetes foram colados em todos os dentes inferiores. Utilizou-se fio de aço 0.016”e 0.020”e posteriormente fio retangular 0.018”x 0.025”, todos com alça em “U” bilateralmente. A verticalização dos terceiros molares durou três meses. A reabilitação protética no plano posterior foi no intuito de reduzir ao máximo a mordida aberta anterior, sendo necessário desgastes e endodontia. Foi demonstrado que o tempo das verticalizações dura em média de três a seis meses e que a mecânica é bem simples. Park; Kyung; Sung (2002) afirmaram que inúmeros aparelhos para verticalização de segundos molares inclinados mesialmente após a perda dos primeiros molares, foram propostos, mas todos tinham problemas com a extrusão dos molares e movimentação da unidade de ancoragem, sendo necessário aplicação de estabilizações interarco para minimizar estes efeitos. Para estes autores a única maneira de se obter uma ancoragem absoluta é com o uso dos micro-implantes. Afirmaram ainda que o posicionamento da cabeça do micro-parafuso é crítica na direção ocluso-gengival, assim como vestíbulo-lingual e mésio-distal para o controle do movimento dentário. Se a cabeça do micro-parafuso é mais baixa do que a superfície oclusal do molar, este tenderá a intruir (Figura 42). Num primeiro caso, um paciente de trinta e cinco anos, com mordida cruzada no segundo molar superior direito, foi encaminhado pelo seu protesista para verticalizar o segundo molar inferior direito. Foi colocado um micro-implante de 1.2mm de diâmetro por 6mm de comprimento na região retromolar, por que o segundo molar geralmente é inclinado tanto para lingual quanto para mesial quando o primeiro molar está ausente; o implante é colocado distovestibularmente, a 10 mm da distal do segundo molar. Durante a cirurgia um fio de 0.009” é extendido externamente para aplicação da força. Depois de duas semanas de cicatrização, foi colocado um botão lingual na superfície mésio- lingual do segundo molar inferior e aplicada uma força de 70g com fio elástico. Num segundo caso um paciente de quatorze anos desenvolveu uma inclinação mesial no segundo molar inferior durante o tratamento ortodôntico. Foi colocado um micro-implante de 1.2mm de diâmetro por 8mm de comprimento, que foi adaptado por um processo igual ao primeiro caso. Para evitar danos a raiz foi aplicado apenas 50g de força. Figura 42: Molar sendo verticalizado com intrusão. Fonte: Thomé et al. (apud PAIVA; ALMEIDA, 2005). Signori et al. (2002), utilizaram para verticalização e mesialização dos segundos molares inferiores, arcos segmentados com fio 0.017`` X 0.025`` (TMA ORMCO). Uma paciente de 25 anos relatava fortes dores na articulação têmporo mandibular (ATM), crepitação no abrir e fechar da boca e cefaléias freqüentes. Clinicamente apresentava mordida cruzada posterior bilateral, associada à ausência dos primeiros molares inferiores e com inclinação mesial dos segundos e terceiros molares inferiores, interferências oclusais em lateralidade e protusão, curva de Spee acentuada em forma de “V”, giroversões e distalização dos segundos pré-molares inferiores e mordida profunda (sobremordida acentuada). Após análise da documentação ortodôntica, constataram que a paciente apresentava padrão esquelético classe II. Foi montado aparelho ortodôntico (ROTH, ORMCO) e após o alinhamento desejado começou-se a verticalização; os segundos molares foram conjugados ao segmento anterior com um fio de amarrilho 0.030`` para auxiliar na mesialização, que foi completada com elástico em cadeia com memória (ORMCO),utilizando forças suaves de aproximadamente 70g, os fios utilizados foram 0.018`` e 0.020`` de aço inoxidável com dobra tipo “Gable”, para minimizar a tendência de inclinação lingual dos incisivos inferiores. Associado a isto foi usado elástico de classe II para ancorar os caninos em classe I. Nos molares foi usada uma barra transpalatina ativada transversalmente para ajudar a descruzar a mordida cruzada posterior (Figura 43). Sempre que for possível, o fechamento dos espaços proveniente da perda dos primeiros molares é a melhor alternativa de tratamento para o paciente, entretanto, cada caso requer um estudo minucioso e nem sempre o fechamento de espaço é possível. Deve-se levar em conta os princípios biológicos, o perfil, a oclusão e principalmente a cooperação do paciente. Figura 43: Foto de modelos. Fonte: Signori, 2002. Lima et al. (2004), utilizaram para verticalização de molares, um segmento de fio 1.0mm na vestibular da banda do primeiro molar inferior direito que se estendia para a distal do arco inferior com dois ganchos, possibilitando apoio para tração distal e oclusal. Um arco lingual de fio 0.9mm foi colocado para aumentar ancoragem. O segmento de fio foi posicionado de tal modo a não interferir nas funções mastigatórias. Foi colocado um acessório na pequena porção da cúspide disto-vestibular visível. O dente foi sendo lentamente tracionado através do uso de elástico em cadeia. Numa fase posterior foi colocado um tubo na vestibular do segundo molar tracionado e com a aparelhagem fixa deu-se a finalização adequada ao caso (Figura 44). Figura 44: Esquema da mecânica de verticalização. Fonte: Lima et al., 2004. Park; Know; Sung (2004) utilizaram para verticalizar os molares, microimplantes colocados no osso palatino do segundo molar superior e no osso vestibular do segundo molar inferior, gerando assim forças palatinas e intrusivas no molar superior e forças vestibulares intrusiva no molar inferior (Figura 45). Um elástico cruzado vindo da superfície palatina do molar superior, para vestibular do molar inferior, é capaz de simultaneamente verticalizar um segundo molar inferior inclinado lingualmente e um segundo molar superior inclinado vestibularmente, mas gerando ao mesmo tempo uma força extrusiva que pode levar a um quadro de trauma oclusal, necessitando de desgastes seletivos nas superfícies oclusais dos molares. Figura 45: Sistema de força da verticalização molar com micro-implantes. Fonte: Park ; Kwon; Sung, 2004. Os autores utilizaram um micro-implante de 1,2mm X 10mm para o osso alveolar maxilar e um micro-implante de 1.2mm X 6mm no osso alveolar mandibular. Na maxila o micro-implante é posicionado num ângulo de 30 - 40 graus com o longo eixo do dente para evitar contato com as raízes; devido à raiz palatina ser distal ao centro da coroa do segundo molar superior, o micro-implante é posicionado distalmente no espaço entre as raízes do primeiro e segundo molares. Na mandíbula o micro-implante é inserido imediatamente vestibular à coroa do segundo molar numa angulação de 30 graus. Depois de duas semanas de cicatrização, um fio elástico é inserido dos micro-implantes para botões colados nos segundos molares superiores. Os implantes proporcionaram ancoragem estável e forte durante o tratamento. Os molares foram verticalizados em sete meses. Porém, os clínicos devem ter cuidado para não girar o dente durante sua correção, pois este sistema de força controla apenas o modo e a direção do movimente dentário. 3 DISCUSSÃO A perda precoce de molares decíduos ou mesmo de molares permanentes é um problema clínico que ocorre rotineiramente, resultando na inclinação mesial dos primeiros molares, de segundos ou ainda de terceiros molares, dependendo do dente extraído ou ausente, como cita Sakima et al. (1999). Celenza; Mantzikos (1996) relataram que a causa principal da inclinação dos segundos molares inferiores é a perda dos primeiros molares permanentes inferiores. Raveli et al. (1996), Lima et al. (2004), Moyers et al. (1991); Weiland; Bantleon; Droschil (1992), comentaram que os primeiros molares inferiores são os dentes onde se verifica uma elevada incidência de cárie e/ou periodontite, como resultado disso, segundos e terceiros molares podem se inclinar mesialmente. Entretanto, as inclinações que provocam a retenção dos dentes, principalmente segundos e terceiros molares, têm como causas: procedimentos para ganho de espaço na dentição mista, Majourau; Norton (1995); Sakima et al. (1999); o crescimento inadequado da mandíbula em Kogod, M.; Kogod, H. (1991); insuficiente reabsorção óssea na borda anterior do ramo da mandíbula segundo Majourau; Norton (1995); Sakima et al. (1999); comprimento inadequado do arco inferior segundo Lima et al. (2004); inclinação axial indesejável e falha no ajuste espontâneo mesial do germe dentário para adequada irrupção de acordo com Kogod, M.; Kogod, H. (1991); Majourau; Norton (1995). As seqüelas da perda de um molar inferior permanente dependem da posição, tempo transcorrido da perda, relação oclusal, biotipo facial, qualidade do periodonto de inserção dos dentes adjacentes e força exercida na dentição em função e parafunção (CELENZA; MANTZIKOS, 1996). Pacientes com molares inclinados tendem a formar bolsas periodontais sob as cristas marginais mesiais, e o contorno alveolar na área edêntula tende a se tornar fino. A combinação de inclinação axial incorreta para suportar as forças oclusais e placa dental naqueles locais de difícil higienização, produz deiscência nos tecidos gengivais e perda no osso de suporte (NORTON, 1981). A inclinação dos molares inferiores traz como conseqüência a formação de pseudobolsas ou bolsas periodontais verdadeiras na mesial do molar inclinado, como citado por Weinland; Bantleon; Droschil (1992); Melsen; Fiorelli; Bergamini (1996); Sakima et al. (1999); Norton (1981); Janson et al. (2001); contatos prématuros em R.C. (relação central), interferências oclusais nos movimentos de látero- protusão, dificuldade de confecção de próteses pela falta de paralelismo das coroas segundo Weinland; Bantleon; Droschil (1992), Celenza; Mantzikos (1996); Sakima et al. (1999) e dificuldade de higienização (NORTON, 1981); (JANSON et al., 2001). A verticalização dos molares inferiores inclinados mesialmente tem por objetivo a normatização da situação oclusal, funcional e periodontal (SHERLLART; OESTERLE, 1999). Segundo Roberts; Chacker; Burstone (1982), a posição ótima do molar na verticalização, coincide com a obtenção de um meio periodontal ótimo; são objetivos de tratamento: Proteção contra doença periodontal inflamatória e proteção contra traumatismos oclusais. Tuncay et al. (1980); Janson et al. (2001) concordaram que a proteção contra doença periodontal inflamatória, ou seja, eliminação de envolvimento patológico periodontal na presença do molar inclinado e crista óssea angular, delineamento correto da topografia óssea, melhor acesso para controle da higienização por parte do paciente e também do periodontista estão dentro dos objetivos e indicações da verticalização de segundos molares inferiores permanentes. Roberts; Chacker; Burstone (1982); Janson et al. (2001) ainda acrescentaram como objetivos de tratamento: correção de defeito ósseo vertical (se presente) através de extrusão controlada; eliminação ou diminuição de defeitos ósseos de 1 ou 2 paredes; melhora na proporção coroaraiz nos dentes comprometidos. Um dos principais objetivos da verticalização dos molares inferiores é obtenção do paralelismo das raízes, possibilitando a confecção de pônticos de tamanho adequado, pilares paralelos, permitindo que as forças oclusais incidam sobre o longo eixo dos dentes, diminuindo a necessidade de desvitalização pulpar e permitindo uma relação interarco dos dentes posteriores de cúspide-fossa conforme relatos de Tuncay et al. (1980); Roberts; Chacker; Burstone (1982); Tulloch (1982); Sakima et al. (1999); Janson et al. (2001). Roberts; Chacker; Burstone (1982) contra-indicaram a verticalização de molares inclinados nos seguintes casos: quando o paciente não tem saúde periodontal; presença de dentes já muito restaurados e tratados; quando o espaço protético estético e funcional é duvidoso; incapacidade de obter uma oclusão funcional; disfunções severas de ATM e ancoragem insuficiente para realização dos movimentos de verticalização. Simon (1984); Roberts; Chacker; Burstone (1982); Janson et al. (2001) concordaram que antes e durante a verticalização dos molares devem ser feitas avaliações periodontais. Janson et al. (2001) destacaram ainda que a verticalização pode agravar bolsas profundas e defeitos ósseos nas superfícies distais destes dentes, um exame clínico periodontal minuncioso e exame radiográfico da topografia óssea deve ser realizado. Também relataram que desde que haja saúde periodontal, durante a extrusão controlada, tanto o osso alveolar quanto o periodonto tendem a acompanhar o movimento de verticalização do dente. Roberts; Chacker; Burstone (1982) comentaram ainda sobre a afirmação anterior que, durante a verticalização do molar a relação entre a crista alveolar/junção amelocementária se mantém constante e a crista óssea angular na mesial do molar inclinado não só é eliminada, mas de algum modo acaba revertendo sua inclinação. Sakima et al. (1999) também comentaram que a erupção forçada para uma oclusão adequada mantém uma relação constante da crista alveolar/função amelocementária não somente na área do defeito vertical, mas circunferencialmente. Segundo Shellhart; Oesterle (1999) os benefícios específicos ganhos na verticalização do molar, dependem das direções em que o dente se move nos planos verticais e mésio-distais do espaço. Quando um molar é extruído na presença de um dente antagonista, os dentes entram em contato prematuro no trajeto de fechamento da mandíbula, abrindo assim a mordida anterior e isto nem sempre é vantajoso. A redução da superfície oclusal pode ter efeitos benéficos incluindo a redução da proporção coroa-raiz (bom para pacientes com história de doença periodontal com perda de inserção) ou efeitos maléficos, como sensibilidade pulpar, exposição pulpar e altura coronal reduzida para construção de uma ponte. A extrusão do molar inclinado durante a verticalização, pode resultar em contato oclusal excessivo, que inibe a verticalização, por isso pode ser necessário um ajuste oclusal. Caso o molar que está sendo verticalizado seja substituído por uma coroa, a maior quantidade de ajuste oclusal deve ser feito neste dente e não no antagonista (NORTON; PROFFIT, 1968). Quando se deseja evitar a abertura da mordida, ou não se quer desgastar o dente a ser verticalizado, pode ser uma vantagem intruir o molar. Já os riscos desta intrusão incluem: criação de uma bolsa infra-óssea, podendo a placa supragengival ir para uma posição subgengival e o movimento oclusal dos dentes anteriores (se usadas como ancoragem do movimento do molar) (SHERLLART; OESTERLE, 1999). A intrusão do molar deve ser evitada pela dificuldade técnica e o perigo de recolocação do tecido crevicular infectado mais subgengivalmente (TULLOCH, 1982). O tempo de tratamento para se obter o movimento de verticalização pode variar de acordo com a forma das raízes, força aplicada, grau de inclinação do molar e tecido periodontal remanescente (SIMON, 1984). Segundo Norton; Proffit (1968) consome mais tempo ter que verticalizar primeiros molares com raízes múltiplas e largas, que terceiros molares com raízes delgadas. Muitas técnicas para verticalização dos molares inferiores têm sido sugeridas, na dependência da gravidade da inclinação e do tipo de retenção do dente, se leve, moderada ou severa (SAKIMA et al., 1999). Para Abelson (1972) tanto aparelhos fixos com os aparelhos removíveis podem ser usados para verticalização de molares. Os aparelhos removíveis são geralmente de fácil confecção e requerem um “tempo de cadeira” pequeno, podem realizar o movimento de verticalização com eficiência, contudo, podem causar desconforto pelo seu volume, interferindo na função normal, precisando da cooperação do paciente; além de não realizar o movimento do dente de corpo e não produzir movimento de raiz. Em relação a biomecânica na verticalização de molares Roberts; Chacker; Burstone (1982) salientaram que o C.R. (Centro de Resistência) de um molar sem perda periodontal, está na área de furca, enquanto num dente unirradicular com forma parabólica está a 0,33 da distância da crista alveolar ao ápice do dente. O C.R. varia de acordo com o número, tamanho e forma das raízes, natureza do periodonto de inserção e da condição gengival. Se ocorre redução na inserção periodontal o C.R. move-se apicalmente, assim como uma gengiva fibrótica e espessa move o C.R. em direção oclusal. Quando uma força é aplicada sobre o centro de resistência do dente produz movimento de translação, mas raramente isto ocorre, pois durante o tratamento ortodôntico as forças são aplicadas na coroa dentária, que por sua vez cria em adição à translação um movimento rotacional denominado momento de força (M = F x d - equivalente ao produto da força versus a distância perpendicular ao C.R.). Em relação às forças aplicadas, Roberts; Chacker; Burstone (1982) afirmaram que quando a erupção controlada é incluída no plano de tratamento, uma força vertical leve deve ser aplicada, no máximo 30g e o momento produzido não exceda 3.000g.mm para o molar que apresenta evidências radiográficas de perda de inserção. A magnitude do momento desejado para verticalização do molar, depende do sistema de forças e tipo de movimento desejado, é sugerida empiricamente em torno de 1.000 a 1.500g.mm. Durante o movimento de verticalização é importantíssimo para o bloco anterior, um sistema de ancoragem bem planejado. Khouw; Norton (1972), Tuncay et al. (1980); Roberts; Chacker; Burstone (1992); Weiland; Bantleon; Droschil (1992); Sakima et al. (1999) recomendaram a colação de um arco lingual ou colar fios de contenção lingual de canino a canino, primeiro pré-molar a primeiro prémolar ou de segundo pré-molar a segundo pré-molar, associando um arco vestibular retangular de estabilização. Weiland; Bantleon; Droschil (1992) indicaram a colagem por lingual de canino a canino de um fio multitracionado .0215”. Janson et al. (2001) utilizam a colagem passiva de bráquetes nos elementos de ancoragem e estabilização com fios retangulares quando se deseja apenas a verticalização de determinados dentes. Simon (1984) utilizou um arco de aço .036” colado com resina diretamente na superfície vestibular dos dentes. Do mesmo modo, Khouw; Norton (1972); Tuncay et al. (1980); Roberts; Chacker; Burstone (1982); Weiland; Bantleon; Droschil (1992), Sakima et al. (1999); Sherllant; Oesterle (1999) consideram primordial a estabilização por vestibular de todo segmento com fio retangular de aço .018” x .025”, .019” x .025” ou .021” x .025” a depender do “slot” utilizado. Quando fazemos a verticalização de molares com defeitos infra-ósseos, a extrusão resultante deste movimento é indicada, mas quando não se inclui no plano de tratamento, esta resultante pode trazer efeitos indesejáveis como abertura da mordida e contatos pré-maturos. De acordo com a literatura para se obter a verticalização com componente extrusivo e outro distal temos: arco lingual (ABELSON, 1972), “ cantilever” ou mola de verticalização “tipback” (KHOUW; NORTON, 1972; TULLOCH, 1982; ROBERTS; CHACKER; BURSTONE, 1982; SIMON, 1984; MELSEN; FIORELLI; BERGAMINI, 1996; SAKIMA et al. 1999, SHERLLART; OESTERLE, 1999), mola de secção aberta (KHOUW; NORTON, 1972; TULLOCH, 1982; ROBERTS; CHACKER; BURSTONE, 1996), molas em aparelhos removíveis (NORTON; PROFFIT, 1968, SAKIMA et al., 1999), alça em caixa (KHOUW; NORTON, 1972; TULLOCH, 1982; SAKIMA et al., 1999), alça em “T” simples ou dupla (TUNCAY et al., 1980; TULLOCH, 1982; SAKIMA et al., 1999). Segundo Melsen; Fiorelli; Bergamini (1992), o comprimento do “cantilever” está relacionado com a quantidade de extrusão do molar. Quanto mais curto o braço do “cantilever”, maior será o efeito extrusivo e quanto mais longo for, menor a extrusão. Na mecânica de verticalização o centro de rotação se situa na distal do segundo molar, sendo assim conforme o movimento acontece, produz um movimento negativo, resultando em extrusão e abertura de espaço associada à verticalização (WEILAND; BANTLEON; DROSCHIL, 1992). Quando precisamos verticalizar dois molares podemos utilizar a alça em caixa ou duas alças em “T” (KHOUW; NORTON, 1972, TUNCAY et al., 1980; TULLOCH, 1982). No entanto, por ser de difícil confecção a alça em caixa geralmente e precedida de outras alças para a correção da posição vestíbulolingual do molar e facilitar sua inserção. Por outro lado, duas alças em “T”, são de fácil confecção e inserção imediata, devido`a boa flexibilidade nos três planos do espaço. Ambas as alças devem possuir uma compensação (efeito Gable) nas extremidades anteriores e posterior para evitar efeitos indesejáveis (TUNCAY et al., 1980). Tulloch (1982); Sakima et al. (1999), estão de acordo em relação a desvantagem das alças em caixa e em “T” que é lesões nas regiões gengivais devido ao seu cumprimento. Segundo Tulloch (1982) durante o uso dessas alças, a distribuição de forças ficam concentradas nos dentes próximo ao molar inclinado e há mobilidade excessiva do dente que está sendo verticalizado devido a uma ativação exagerada. Para Sakima et al. (1999) “os cantilevers” distribuem forças em mais dentes. A verticalização com intrusão é um movimento difícil de ser conseguido, mas é que se deseja na maioria dos casos. Quando um paciente tem um padrão muscular frágil é difícil conseguir a intrusão sem efeito colaterais como extrusão do seguimento de ancoragem, já quando o padrão muscular do paciente é forte as forças oclusais ajudam a neutralizar as forças extrusivas (MELSEN; FIORELLI; BERGAMINI, 1996). O sistema de dois “cantilevers” ou duas molas “tip back” cruzadas resultam numa verticalização com intrusão dos molares (WEILAND; BANTLEON; DROSCHIL, 1992; MELSEN; FIORELLI; BERGAMINI, 1996; SHELLART; OESTERLE, 1999). Contudo a verticalização com intrusão poderá causar bolsa periodontal infra-óssea, caso haja deslocamento de placa bacteriana supragengival para a região subgengival (SHELLART; OESTERLE, 1999). A mola radicular de Roberts; Chacker; Burstone (1982) possui um momento alfa de pré-ativação maior que o momento beta de pré-ativação e o setor posterior é conjugado ao anterior para deslocar o centro de rotação para a mesial do molar e conseguir verticalização, mesialização da raiz, fechamento de espaço e intrusão. Para se conseguir a intrusão a ancoragem deve possuir o maior número de dentes possível e ser estabilizado por um fio rígido. Outros sistemas de força para verticalização com intrusão ou pelo menos sem extrusão citada pelos autores são: mola de correção radicular preconizada por Roberts; Chacker; Burstone (1982) e modificada por Marcotte (1998); mola de verticalização pré-fabricada associando fios de níquel-titânio e fios de aço, conectados por um tubo (SANDER, 1997). Os micro-implantes podem verticalizar e intruir facilmente os segundos molares superiores e inferiores sem efeitos colaterais nos dentes anteriores e sem uso de bráquetes. A intrusão sendo conseguida, evita a necessidade de redução oclusal (PARK; KYUNG; SUNG, 2002; PARK; KWON; SUNG, 2004). Os aparelhos usados para verticalizar os molares com componentes mesio-distal, tendem a desimpactar segundos e/ou terceiros molares. Para evitar abertura de espaços, utiliza-se uma ligadura metálica .030” amarrada em forma “8” dos segundos molares impactados para o seguimento anterior, evitando o movimento distal da coroa e trazendo a raiz para a mesial, conseguido através da ativação da mola verticalizadora instalada entre um botão colado na superfície oclusal do molar impactado e o tubo auxiliar do primeiro molar (MAJOURAU; NORTON, 1995). A alça de verticalização “piggyback” é posicionada cuidadosamente sob a gengiva, abaixo do contorno mesial do segundo molar impactado e amarrada contra o primeiro molar por um fio de amarrilho que ativa o loop em “U” vertical comprimindo-o e fazendo reciprocamente com que a dobra final da alça exerça uma força distal verticalizadora na mesial do dente impactado. A alça “piggyback” produz então forças distais e de verticalização (KOGOD, M.; KOGOD, H., 1991). Para evitar movimento distal da coroa e abertura de espaço, coloca-se um fio de amarrilho bem apertado para se obter a correção do movimento radicular para a mesial, pois o amarrilho modifica o centro de resistência durante a verticalização e o centro de rotação localiza-se na mesial. Assim a coroa nem distaliza nem abre espaço (SAKIMA et al., 1999). Após a verticalização deve-se fazer uma contenção do que pode ser: extracoronária ou intracoronária. As vantagens da contenção intracoronária são: facilitação da higienização e possibilidade de ser colocada na mesma sessão em que a mola verticalizadora é removida (SIMON, 1984); produz pouca irritação gengival, pode ser utilizada a longo prazo e ainda é possível ajustar os dentes adjacentes em posição estável antes de realizar o tratamento protético (TULLOCH, 1982). Roberts; Chacker; Burstone (1982) afirmaram que a correção ortodôntica deve ser seguida de um repouso de aproximadamente dois meses para a maturação do tecido osteóide, e aproximadamente 6 a 7 meses para a mineralização do tecido osteóide mesial ao molar verticalizado (SIMON, 1984). 4 CONCLUSÕES 1. A verticalização de molares inclinados é um movimento extremamente difícil de ser realizado na maioria dos casos, o que torna fundamental o conhecimento das técnicas disponíveis e as limitações das mesmas pelos ortodontistas. 2. Somente após a listagem dos problemas, feito um diagnóstico preciso e apurado, e traçado os objetivos de tratamento, é que devemos selecionar o sistema de força a ser utilizado. Para cada má posição do molar á uma mecânica específica para a correção. 3. Com a ausência de um dente posterior, ocorre a inclinação do molar adjacente, formando um defeito ósseo mésioangular e uma pseudobolsa. Durante a verticalização, desde que haja saúde periodontal, tanto o osso alveolar quanto o periodonto, tentem a acompanhar o movimento dentário, causando a eliminação da pseudobolsa. 4. Para realizar movimento de verticalização é imprescindível uma boa ancoragem para se evitar efeitos indesejáveis. 5. Quando o molar permite extrusão podemos utilizar arcos segmentados, mola de secção aberta, molas digitais em placas removíveis e arcos contínuos com alças em “T”, “L” ou em caixa. 6. Os “cantilevers” são as molas de verticalização com maior efeito extrusivo. Quanto mais curto o braço, maior é o componente extrusivo. 7. Quando o molar é extruído, devemos lançar mão de placas acrílicas de levantamento de mordida e/ou desgastes seletivos para evitarmos interferências oclusais. 8. Quando da utilização de arcos segmentados deve-se fazer uma leve dobra de compensação para lingual para evitar o movimento de vestibularização do molar. 9. Ao intruir o molar corre-se o risco de levar placa bacteriana supragengival para a região subgengival e aumentar a profundidade da bolsa periodontal. 10. Quando o molar necessita de intrusão, pode-se utilizar sistema de dois “cantilevers”, que liberam forças e momentos constantes ou ainda a mola de correção radicular e o dispositivo proposto por Sander (mola com duas partes, uma de titanol e outra de aço conectadas através de um tubo). 11. Os micro-implantes podem verticalizar os molares com intrusão e sem necessitar colagem de bráquetes. 12. Os micro-implantes são uma alternativa para obtenção do movimento de verticalização sem que haja efeitos colaterais no segmento de ancoragem. 13. Para evitar a reabertura do espaço da extração durante a verticalização utiliza-se uma ligadura metálica do molar inclinado ao segmento anterior de estabilização. 14. Apesar de ser a opção de primeira escolha, nem sempre o fechamento do espaço é possível, tem que se observar os princípios biológicos, o perfil, a oclusão e cooperação do paciente. REFERÊNCIAS ABELSON, M. Molar uprighting. Dent. Cin. North. Am. v. 16, n. 3, p. 539-48, jul. 1972. CARANO, A.; TESTA, M. Distal jet para verticalização de molares inferiores. JBO, v. 2, n. 11, p. 77-79, set./out. 1997. CELENZA, F.; MANTZINKOS, T. Periodontal and restorative considerations of molar uprighting. Compend. Contin. Educ. Dent., v. 17, n. 3, p. 294-6, 1996. JANSON, M.R.P. et al. Tratamento intedisciplinar I: considerações clínicas e biológicas na verticalização de molares. Rev. Dental Press Ortod. Ortop. Facial, v. 6, n. 3, p. 87-104, maio./jun. 2001. KHOUWF, F.; NORTON, L. The mechanism of fixed molar upringhting appliances, J. Prosthed. Dent., v. 27, n. 4, p. 381-9, April, 1972. KOGOD, M.; KOGOD, H.S. Molars uprighting with the piggyback buccal sectional arch wire technique. Am. J. 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