TAMIRES DE MATTIA PATEL
FINANÇAS PESSOAIS: UM ESTUDO COM OS CADASTRADOS NA
ASSOCIAÇÃO PADRE ANÍBAL MARIA DE FRANCIA – CRICIÚMA/SC
Trabalho de Fim e de Conclusão de curso
apresentado para obtenção do grau de
Bacharel no curso de Ciências Contábeis
da Universidade do Extremo Sul
Catarinense, UNESC.
Orientadora: Prof.(a) MSc. Rosimere Alves
de Bona Porton
CRICIÚMA, JULHO DE 2010
1
TAMIRES DE MATTIA PATEL
FINANÇAS PESSOAIS: UM ESTUDO COM OS CADASTRADOS NA
ASSOCIAÇÃO PADRE ANÍBAL MARIA DE FRANCIA – CRICIÚMA/SC
Trabalho de Fim e de Conclusão de Curso
aprovado pela Banca Examinadora para
obtenção do grau de Bacharel no curso de
Ciências Contábeis da Universidade do
Extremo Sul Catarinense, UNESC, com
Linha de pesquisa em Contabilidade
Gerencial.
Criciúma, 08 de Julho de 2010.
BANCA EXAMINADORA
_________________________________________
Rosimere Alves de Bona Porton, MSc, Orientadora
_______________________________________
Luis Henrique T. Daufembach, Esp, Examinador
_______________________________________
Marcelo Crispim Salazar, Esp, Examinador
2
Aos
meus
pais,
que
sempre
me
incentivaram e se empenharam para que
eu obtivesse um bom desenvolvimento
intelectual.
3
AGRADECIMENTOS
A Deus, por eu ser quem eu sou e por tudo que eu tenho.
Aos meus pais, Norberto e Dosolina, que sempre me acompanharam,
incentivando-me na busca do melhor, do certo e do justo, pelos quais tenho imensa
admiração e serei eternamente agradecida.
À Tata e meus irmãos Gabriela e Gustavo, pela convivência e paciência
na concretização do meu sonho.
Ao meu namorado Adriano, que de forma especial e carinhosa me apoiou
e me compreendeu nos momentos de ausência e dificuldades.
Às professoras MSc. Rosimeri Alves de Bona Porton e MSc. Kátia Aurora
Dalla Libera Sorato, pelo incentivo, dedicação e contribuição para o meu
crescimento intelectual.
À psicóloga Dosolina, pelo apoio e incentivo no desenvolvimento da
pesquisa.
Aos participantes da Associação Padre Aníbal Maria de Francia, pela
disponibilidade em participar da pesquisa.
E a todos os outros colaboradores, que contribuíram direta e
indiretamente para a concretização deste trabalho.
4
Não importa quanto você tem, o que você
faz ou de onde você vem. O que vai fazer
o
resultado
aparecer é
sua própria
vontade de cumprir seu plano pessoal de
mudança.
Gustavo Cerbasi e Christian Barbosa (2009)
5
RESUMO
PATEL, Tamires de Mattia. Finanças Pessoais: Um Estudo com os Cadastrados na
Associação Padre Aníbal Maria de Francia – Criciúma/SC. 2010. 80 p. Orientadora:
Rosimere Alves de Bona Porton. Trabalho de Conclusão do Curso de Ciências
Contábeis. Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Criciúma – SC.
Este estudo objetiva descrever um trabalho de educação financeira pessoal que foi
desenvolvido junto ao grupo de pessoas cadastradas na Associação Padre Aníbal
Maria de Francia. Caracteriza-se como sendo explicativa e foi realizada por meio de
tipologias bibliográficas, de survey e experimental, utilizando um questionário com
abordagem qualitativa e quantitativa. A pesquisa ocorreu entre os meses de
setembro de 2009 a abril do ano de 2010, sendo que dos seis encontros com o
grupo, quatro foram de palestras e os outros dois de aplicação do questionário. Os
objetivos foram alcançados parcialmente, já que por meio do questionário percebeuse a aquisição de residências, diminuição de dívidas, aquisição de bens e aumento
de renda, retomada de estudos, porém, existiu pouca adesão quanto à procura da
qualificação. A baixa escolaridade e falta de motivação comprometeram a pesquisa,
tornando complexo o controle de gastos por meio da planilha de orçamento.
Palavras-chave: Pessoa Física. Planejamento Financeiro. Baixo Poder Aquisitivo.
6
LISTA DE TABELAS
Tabela 1:
Participação nos Cursos.................................................................... 51
Tabela 2:
Idade por Faixa Etária.......................................................................
Tabela 3:
Nível de Escolaridade........................................................................ 57
Tabela 4:
Número de Filhos..............................................................................
58
Tabela 5:
Número de Pessoas por Domicílio...................................................
60
Tabela 6:
Desempregados...............................................................................
63
Tabela 7:
Nível de Representatividade das Despesas no
Período de
Setembro/2009.................................................................................
Tabela 8:
56
64
Nível de Representatividade das Despesas no Período de
Abril/2010.........................................................................................
65
Tabela 9:
Dívidas.............................................................................................
68
Tabela 10:
Porcentagem de Utensílios Domésticos..........................................
72
7
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1:
Hierarquia das Necessidades Humanas Segundo Maslow...............
17
Quadro 1:
Classes Sociais Segundo a ABEP.....................................................
19
Figura 2:
Sete Soluções para Acabar com a Falta de Dinheiro........................
23
Figura 3:
Etapas do Planejamento Financeiro..................................................
26
Quadro 2:
Patrimônio de Uma Pessoa ou de uma Empresa..............................
28
Quadro 3:
Fluxo de Caixa Pessoal...................................................................... 30
Quadro 4:
Equação Contábil da DRE.................................................................
32
Quadro 5:
Demonstração de Resultado Pessoal................................................
32
Quadro 6:
Comparativo entre a DRE e o Fluxo de Caixa...................................
33
Quadro 7:
Balanço Patrimonial Pessoal.............................................................. 34
Quadro 8:
Aumento de Crédito Para Pessoa Física de 2004 a 2007.................
36
Quadro 9:
Planilha de Orçamento Familiar.........................................................
36
Quadro 10:
Economia Doméstica.........................................................................
38
Quadro 11:
Gasto Médio Anual de um Automóvel................................................
39
Quadro 12:
Análise Vertical do Balanço Patrimonial Pessoal............................... 40
Quadro 13:
Análise Horizontal do Fluxo de Caixa................................................
42
Quadro 14:
Resumo de Índices Financeiros.........................................................
43
Gráfico 1:
Frequência de Utilização dos Meios de Comunicação......................
59
Gráfico 2:
Número de Pessoas que Contribuem com a Renda Familiar............
61
Gráfico 3:
Atividade Remunerada Além da Principal..........................................
62
Gráfico 4:
Renda Familiar por Salário Mínimo.................................................... 63
Gráfico 5
Renda X Despesas............................................................................
Gráfico 6:
Residência.......................................................................................... 69
Gráfico 7:
Número de Cômodos da Residência.................................................
Gráfico 8:
Bens Domésticos................................................................................ 71
Quadro 15:
Porcentagem de Residências com Eletrodomésticos em SC............
67
70
72
8
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO..........................................................................................
10
1.1
Tema e Problema....................................................................................
10
1.2
Objetivos da Pesquisa............................................................................
11
1.3
Justificativa..............................................................................................
12
1.4
Metodologia.............................................................................................
13
2
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................
16
2.1
Necessidades Humanas – Teoria Maslow e as Classes Sociais........
16
2.2
Teoria das Finanças Comportamentais................................................
20
2.3
Planejamento Financeiro Pessoal.........................................................
22
2.3.1 Noções Iniciais de Planejamento Financeiro Pessoal.........................
22
2.3.2 Passos para a Construção de um Planejamento Financeiro
Pessoal....................................................................................................
25
2.4
A Importância da Contabilidade para as Pessoas Físicas..................
27
2.5
Demonstrações Contábeis Utilizadas na Gestão dos Recursos
Pessoais...................................................................................................
29
2.5.1 Fluxo de Caixa.........................................................................................
29
2.5.2 Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE)................................
32
2.5.3 Balanço Patrimonial................................................................................
33
2.6
Orçamento Doméstico Familiar.............................................................
36
2.7
Análise das Demonstrações Contábeis para Pessoas Físicas..........
39
2.7.1 Análise Vertical........................................................................................
40
2.7.2 Análise Horizontal...................................................................................
41
2.7.3 Análise por Meio dos Índices Financeiros............................................
42
3
DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS..................................................
45
3.1
Apresentação da Associação Padre Aníbal Maria de Francia............
45
3.2
Orientações para o Controle das Finanças Pessoais..........................
46
3.2.1 Primeiro Encontro...................................................................................
46
3.2.2 Segundo Encontro..................................................................................
47
3.2.3 Terceiro Encontro...................................................................................
48
3.2.4 Quarto Encontro......................................................................................
49
9
3.2.5 Quinto Encontro......................................................................................
53
3.2.6 Sexto Encontro........................................................................................
55
3.3
Perfil dos Respondentes........................................................................
56
3.4
Orçamento Familiar.................................................................................
59
3.5
Proposta de Controle Financeiro Pessoal............................................
73
3.6
Sugestões de Planejamento Financeiro Pessoal para o Grupo.........
74
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................
75
REFERÊNCIAS...................................................................................................
77
APÊNDICE..........................................................................................................
81
ANEXO................................................................................................................
100
10
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como finalidade demonstrar os instrumentos de controle
financeiro que podem ser utilizados por pessoas físicas, voltado a um grupo de
pessoas que possuem baixa renda. No decorrer deste capítulo, são expostos os
objetivos geral e específicos. Em seguida, explana-se a justificativa teórico-empírica
desta pesquisa. Por último, evidenciam-se os procedimentos metodológicos
empregados para a elaboração deste trabalho de conclusão de curso.
1.1 Tema e Problema
Com o crescimento de aspectos referentes ao capitalismo e à
popularização do rádio, jornal, revista, televisão, internet, as decisões de relações
culturais, sociais e financeiras, passaram a ser influenciadas incondicionalmente
pelos meios de comunicação.
Compreende-se que a sociedade atual é consumista, fato este que
dificulta o equilíbrio da relação entre a tomada de decisão e a correta aplicação
financeira dos recursos. Neste contexto, deve-se ponderar, ainda, que imprevistos e
incertezas ocorrem, dificultando o alcance da tranquilidade financeira tão desejada.
Exemplo disso, pode-se citar o desemprego, juros exorbitantes, aumentos
despropositados de luz, água, telefone, gás e combustível, entre outros fatores que
tornam complexo o controle do orçamento dentro do previsto.
A base do processo de aprendizado financeiro concentra-se no
planejamento e na organização dos recursos. O domínio das contas torna possível
uma maior segurança financeira, estabilidade no dia-a-dia e proporciona mais
qualidade de vida. Para isso é essencial o hábito de gerenciar os recursos obtidos,
para utilizá-los da melhor maneira possível.
Diversos autores, entre eles Hendriksen e Van Breda (1999), Iudícibus
(1998), Braga (1999) e a própria Resolução do Conselho Federal de Contabilidade
n° 750/93, quando elucidam o princípio da entidade, asseguram que o objeto de
estudo da contabilidade é o patrimônio, quer seja ele referente à pessoa física ou à
11
jurídica. Entretanto, a maioria destes são direcionados às empresas, enquanto que a
construção de saber para as pessoas físicas fica em segundo plano.
A gestão das receitas recebidas e despesas/gastos pessoais é tema
imprescindível, tendo em vista à escassez de dinheiro que se tem no mercado e a
falta de capacidade em administrar seus recursos. Desta forma, os seres humanos
precisam se preparar e planejar suas finanças para adotar atitudes corretas em
relação à gestão.
Para administrar o fluxo financeiro é essencial desenvolver um
planejamento e supervisioná-lo, de forma a controlar os recursos. Pois com sua
execução, torna-se mais fácil atingir as metas e objetivos, em virtude de ter na
consciência o destino do dinheiro, sendo possível evitar compras desnecessárias e
por impulso.
De maneira mais específica, famílias com baixo poder aquisitivo têm
dificuldades em administrar, pois possuem renda insuficiente até mesmo para suprir
suas necessidades básicas de alimentação, água, higiene e moradia adequada.
Além disso, também existem aqueles que não têm metas definidas e percepção
financeira, ocasionando o descontrole financeiro, devido a falta de objetivos claros e
a utilização do dinheiro em gastos não necessários, desconsiderando pequenos
valores, como o vício do cigarro por exemplo.
Nessa perspectiva, aborda-se a seguinte questão da pesquisa: Como
desenvolver um trabalho de educação financeira pessoal com um grupo de pessoas
de baixo poder aquisitivo atendidas pela Associação Padre Aníbal Maria de Francia?
1.2 Objetivos da Pesquisa
O objetivo geral deste estudo consiste em desenvolver um trabalho de
educação financeira pessoal com um grupo de pessoas cadastradas na Associação
Padre Aníbal Maria de Francia.
Procura-se atingir o objetivo geral, instrumentalizando-se dos seguintes
objetivos específicos, que servirão de roteiro para planejamento e execução do
trabalho de pesquisa a ser realizado:
12
· evidenciar as principais características pessoais e financeiras da gestão
dos recursos próprios do grupo de pessoas cadastradas na Associação
Padre Aníbal Maria de Francia em Criciúma/SC;
· propor
uma
forma
de
aplicação
de
mecanismos
focados
no
planejamento financeiro pessoal, com o intuito de obter uma melhor
gestão dos recursos próprios do grupo objeto de estudo;
· acompanhar no período de setembro de 2009 a abril de 2010, a gestão
financeira pessoal do grupo pesquisado, após explanação de alguns
mecanismos que
podem ser utilizados
para
gestão
dos
próprios
recursos; e
· analisar os resultados obtidos visando detectar se ocorreu a melhora
financeira neste grupo.
1.3 Justificativa
O mundo dos negócios apresenta lançamentos de novos produtos no
mercado quase que diariamente. Essas ofertas levam algumas pessoas a sentiremse atraídas pelas novidades e adquirirem produtos por impulsos, sem necessidade e
condições para efetuar os pagamentos, o que causa o endividamento. Segundo
pesquisa realizada por Queiroz, Rogers e Kalid (2008), por meio da Federação do
Comércio do Estado de São Paulo, no Estado mais populoso do país, o nível de
endividamento dos consumidores encerrou 2008 em 50%. O estudo mostrou,
também, que quanto menor é a renda, maior é o nível de endividamento dos
consumidores. Na análise por renda, 53% dos pesquisados que recebem até 3 (três)
salários mínimos possuem alguma dívida, o que vem ocorrendo devido ao
crescimento das facilidades de créditos para esse grupo.
Outro fato importante, segundo o indicador do Serasa Experian de
Inadimplência de Pessoa Física (2009 apud LOTURCO, 2009), os índices de
cheques devolvidos, protestos e cartões de crédito aumentaram em 10,4% a taxa,
devido à falta de pagamentos no período de janeiro a julho de 2009. Tal episódio
ocorre em virtude da maioria das pessoas, no Brasil terem pouca instrução
financeira e não terem conhecimento para o planejamento de suas finanças.
13
Sobre esse tema, Volpe, Chen e Liu (2006 apud SAVOIA; SAITO;
SANTANA, 2007, p. 1126) realizaram um estudo que demonstra a relevância do
planejamento financeiro e concluíram que “os programas educacionais deverão
focar as principais áreas de finanças pessoais, em que os indivíduos têm
conhecimento inadequado, incluindo planos de aposentadoria e conceitos básicos
de investimentos.” Assim, entende-se que o aumento da inadimplência é causado
pela falta de conhecimento dos brasileiros para tomar suas decisões e pelo
descontrole financeiro.
A presente pesquisa tem sua validade justificada ao procurar fornecer
informações sobre o planejamento financeiro pessoal para pessoas de baixo poder
aquisitivo, na perspectiva de auxiliá-las na organização de seus recursos financeiros
para viver de maneira digna.
Do ponto de vista teórico, há poucos estudos direcionados à área de
finanças pessoais. Sendo assim, esta pesquisa busca contribuir no sentido de reunir
conceitos existentes sobre o tema em questão nas diversas áreas do conhecimento.
Portanto, de forma pontual, este Trabalho de Conclusão de Curso busca ampliar os
saberes para o controle financeiro das pessoas físicas, fazendo uso das informações
que a Ciência Contábil desenvolveu sobre o assunto.
1.4 Metodologia
Para alcançar os objetivos propostos, descrevem-se os procedimentos
metodológicos utilizados para o desenvolvimento deste Trabalho de Conclusão de
Curso. Essa, no entender de Alves (2007), é a forma de o pesquisador traçar os
caminhos a serem adotados na sua pesquisa, para definir como, onde, quanto e de
que maneira vai obter suas informações.
Quanto aos objetivos, desenvolveu-se uma pesquisa explicativa. Segundo
Andrade (2005, p. 125), “é um tipo de pesquisa mais complexo, pois, além de
registrar, analisar e interpretar os fenômenos estudados, procura identificar seus
fatores determinantes, ou seja, suas causas.” Para isso, foram realizadas
juntamente ao grupo, palestras, elaboradas e ministradas por esta pesquisadora,
com o intuito de repassar e contribuir com o conhecimento do mesmo.
14
Quanto aos procedimentos da pesquisa, fez-se uso das seguintes
tipologias: bibliográfica, levantamento ou survey
e experimental. Em relação ao
primeiro método, foram utilizadas publicações impressa e eletrônica. Martins Junior
(2008, p.58-59) ressalta que a pesquisa
[...]
se valerá de fontes que encontrará em bibliotecas
universitárias,
municipais
e
particulares,
secretarias
de
determinadas instituições, redações de jornais, estabelecimentos,
clubes, lan-houses e outros locais.
Essas fontes de informações teóricas são consideradas a base para
construção do saber científico, que foi descrito no referencial teórico e na elaboração
das palestras explanadas ao grupo objeto de estudo.
A pesquisa de levantamento “caracteriza-se pela investigação direta com
pessoas para conhecer-lhes o comportamento. Baseia-se nas informações colhidas
de um grupo significativo de pessoas acerca de um problema.” (ALVES, 2007, p.
56). Para isso, houve a necessidade de buscar informações de modo a conhecer o
comportamento financeiro das famílias atendidas pela Associação Padre Aníbal
Maria de Francia, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, Bairro Pinheirinho, em
Criciúma - SC. Estas recebem apoio e auxílio por meio de doações de cestas
básicas, roupas, calçados e outros.
Outro fator necessário nesta pesquisa foi a definição da amostra, que de
acordo com Rudio (2007, p. 62), é “uma parte da população, selecionada de acordo
com uma regra ou plano”. Além de receberem os donativos, as famílias participam
das palestras do projeto Resgatando a Cidadania, desenvolvido pela psicóloga da
Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina – SATC,
momento em que será inserido o desenvolvimento deste projeto, com uma amostra
de 13 pessoas.
Quanto à tipologia experimental, segundo Dmitruk (2004, p. 130), são
realizados “estudos onde se criam situações de controle e se interfere, manipulando
as variáveis relacionadas com o objeto de estudo, de forma pré-estabelecida.”
Inicialmente, levantou-se a situação sócio-econômica do grupo e os conhecimentos
que possuem sobre o assunto. Na sequência, realizaram-se palestras sobre:
planejamento financeiro; definição de metas; dicas para aumentar a receita e de
economia doméstica; qualificação e proposta de elaboração de planilha de
orçamento doméstico. Após tais ações, procedeu-se a verificação da ocorrência de
15
melhora ou não do controle e gestão dos recursos pelos participantes em sua
organização financeira.
A coleta de dados realizou-se por meio de um questionário sócioeconômico, que serviu de instrumento para a pesquisa, cujas questões contribuíram
para identificar as características das famílias, em função de variáveis prédeterminadas. Durante o período da pesquisa, foram ministradas palestras e
distribuídas planilhas de orçamento para preenchimento mês a mês, visando
acompanhar o controle financeiro do grupo.
Quanto às tipologias de pesquisa em relação à abordagem do problema,
utilizou-se a qualitativa e a quantitativa. Appolinário (2006) destaca que, a primeira
faz a coleta de dados, ocorrendo interação social do pesquisador com o fênomeno
pesquisado. A análise dos dados será pela hermenêutica (interpretação no sentido
das palavras), pois o pesquisador extrai informações por meio da análise feita pelos
dados informados pelo público alvo. Essa tipologia não possui dados para realizar
generalizações, ou seja, não extrai previsões.
A abordagem qualitativa foi utilizada para comprender os dados da
situação financeira do grupo, bem como a sua evolução, podendo, assim, analisar e
interpretar os resultados obtidos, verificando as variáveis envolvidas no processo de
mudança de cada um, por meio da interpretação dos fatos descritos e relatados.
Conforme Richardson (1999, p. 70), a análise pelo método quantitativo,
caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades
de coleta de informações, quanto no tratamento delas por meio de
técnicas estatísticas, desde as mais simples como percentual,
média, desvio-padrão .
Essa tipologia foi realizada com a aplicação de um questionário, onde
obteve-se as informações, por meio do cálculo de percentual, avaliando se ocorreu
melhora ou não na situação financeira dos pesquisados, comparando-se os
resultados por meio do que foi aplicado no início e no final da pesquisa.
16
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
As pessoas devem planejar-se financeiramente, de modo a melhor
administrar seu dinheiro. Para isso, podem observar alguns conceitos que serão
apresentados no referencial teórico do estudo em questão, como: necessidades
humanas – Teoria de Maslow e as classes sociais; teoria das finanças
comportamentais e motivação; planejamento financeiro pessoal; a importância da
contabilidade para as pessoas físicas; demonstrações contábeis utilizadas na gestão
dos recursos pessoais; orçamento doméstico familiar e análise das demonstrações
contábeis para pessoas físicas.
Neste
capítulo,
descreve-se
primeiramente
sobre
a
teoria
das
necessidades humanas, onde as pessoas classificam-se por meio da pirâmide de
Maslow, de acordo com o nível de prioridade e satisfação de necessidade. A seguir,
demonstra-se a categorização das classes sociais, que são dispostas conforme a
atribuição de valores por renda.
2.1 Necessidades Humanas – Teoria Maslow e as Classes Sociais
As necessidades humanas que garantem a sobrevivência do ser humano,
no entender de Chiavenato (2002), são de ar, água, alimentação e higiene básica,
entretanto, existem outras que são importantes, mas é possível viver sem tê-las,
como a auto-estima e auto-realização.
De acordo com Macedo Junior (2007), os itens anteriormente citados são
motivos que levam o ser humano a conquistar a sua felicidade e podem ser
organizados segundo uma hierarquia das necessidades humanas, demonstrada por
meio de uma pirâmide que ficou conhecida pela Teoria de Maslow.
As necessidades do ser humano são dispostas de baixo para cima, em
cinco níveis diferentes, em ordem de prioridade, das mais básicas para as de maior
complexidade. A pirâmide de necessidades de Maslow pode ser observada na
Figura 1.
17
Figura 1: Hierarquia das Necessidades Humanas Segundo Maslow
Fonte: Chiavenato (2004, p. 67).
No patamar inferior da pirâmide, têm-se as necessidades fisiológicas de
fome, sede, sono, respiração e sexo. Conforme Chiavenato (2002), essas são
biológicas ou básicas e exigem satisfação em forma de ciclo, repetindo-se diversas
vezes, a fim de garantir a sobrevivência do indivíduo.
No segundo nível, quando forem supridas as questões fisiológicas, têm-se
as necessidades de segurança, que de acordo com Chiavenato (2002, p. 84), irão
levar a pessoa a preocupar-se em “proteger-se de qualquer perigo real ou
imaginário, físico ou abstrato. A busca de proteção contra a ameaça ou privação, a
fuga ao perigo de estabilidade.” Essas priorizam assegurar o corpo, o emprego,
dinheiro, moralidade, família, saúde, para não existir perigo.
Depois de alcançadas as questões de segurança, a prioridade serão as
necessidades sociais de relacionamentos, priorizando os valores de amizade,
família, amor, aceitação no grupo, atividades sociais, dar e receber afeto. No
entender de Chiavenato (2002, p. 84), essas “são as necessidades de associação,
de participação, de aceitação por parte dos colegas, de troca de amizade, de afeto e
amor.” O autor ressalta ainda que, as pessoas que não conseguem satisfazer as
18
necessidades sociais tornam-se resistentes, contrariam a tudo e a todos e são
agressivas com aqueles que as cercam.
No nível seguinte, encontram-se as necessidades de estima, que para
Chiavenato (2002, p. 84), são “relacionadas com a maneira pela qual a pessoa se vê
e se avalia, isto é, com a auto-avaliação e auto-estima.” A avaliação e a valorização
que uma pessoa confere a si mesma, a confiança nos seus atos, leva à satisfação
das necessidades de estima, como sentimentos de respeito com os outros,
confiança, conquista, status, prestígio, auto-respeito e reconhecimento.
Chiavenato (2002) esclarece também, que caso ocorra a frustração
dessas necessidades, produzem-se sentimentos de inferioridade, fraqueza,
dependência e desamparo, e podem levar ao desânimo ou à busca de outras
atividades compensatórias.
No topo da pirâmide, encontra-se a etapa da auto-realização, que é a
concretização das suas próprias capacidades ou habilidades. Conforme Chiavenato
(2002, p. 85), nessa etapa a pessoa é impulsionada “a tentar realizar seu próprio
potencial e se desenvolver continuamente como criatura humana ao longo de toda a
vida. Essa tendência se expressa por meio do impulso da pessoa em tornar-se mais
do que é e de vir a ser tudo o que pode ser.”
A pessoa que tem auto-realização possui satisfação plena e alcançou sua
realização pessoal, aceitação dos fatos, moralidade, ausência de preconceito e
criatividade, tem desenvolvimento pessoal e sucesso profissional. Todavia, quando
esta pessoa conseguir aquilo que almeja nas quatro etapas anteriores a esta da
pirâmide, e estiver buscando sua auto-realização, não importa quão satisfeita a
pessoa esteja, vai querer sempre mais. (CHIAVENATO, 2002).
Todos os indivíduos se encontram em alguma posição dessa pirâmide.
Considerando-se os níveis hierárquicos, a cada patamar alcançado, este é anulado
e o superior passa a ser a prioridade. Sendo assim, as exigências de nível mais
baixo devem ser supridas em primeiro lugar. Segundo Chiavenato (2002, p. 86),
se alguma necessidade mais baixa deixar de ser satisfeita durante muito
tempo, ela se tornará imperativa, neutralizando o efeito das necessidades
mais elevadas. A privação de uma necessidade mais baixa, faz com que as
energias do indivíduo se desviem para lutar pela sua satisfação.
Portanto, as necessidades básicas, fisiológicas e de segurança são
essenciais à manutenção da vida e serão sempre as mais importantes. Além disso,
19
caso não estejam sendo sanadas, neutralizarão o efeito das mais elevadas. Por
isso, as pessoas que possuem baixo poder aquisitivo, tendem a dar maior
prioridade para satisfazer as fisiológicas.
Vale ressaltar, que as duas primeiras necessidades só serão alçandas se
a pessoa possuir dinheiro, enquanto que os próximos três níveis da hierarquia de
Maslow, o social, de estima e auto-realização, não necessariamente precisam ser
adquiridos por meio de valor monetário. Para explicar tal acontecimento, Macedo
Junior (2007, p. 12) faz uso do ditado popular: “dinheiro não traz felicidade.”
Além de selecionar as pessoas conforme seu nível hierárquico de
prioridades, também é comum, na sociedade, classificá-las de acordo com a
quantidade de dinheiro que recebem. A ABEP - Associação Brasileira das Empresas
de Pesquisa (2008), distribuiu os grupos de classes sociais, conforme a renda de
cada família. Esta divisão pode ser observada no Quadro 1.
Classe
Renda Média em R$ (por pessoa)
Classe A1
Classe A2
Classe B1
Classe B2
Classe C1
Classe C2
Classe D
Classe E
Renda Família em R$ (4 pessoas)
9.733,47
6.563,73 a 9.733,46
3.479,36 a 6.563,72
2.012,67 a 3.479,35
1.194,53 a 2.012,66
726,26 a 1.194,52
484,97 a 726,25
276,70 a 484,96
38.933,88
26.254,92 a 38.933,87
13.917,44 a 26.254,91
8.050,68 a 13.917,43
4.778,12 a 8.050,67
2.905,04 a 4.778,11
1.939,88 a 2.905,03
1.106,80 a 1.939,87
Quadro 1: Classes Sociais Segundo a ABEP
Fonte: Adaptado ABEP - Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (2008).
As famílias, conforme sua classe social, são organizadas da maior para
menor renda, divididas em A1, A2, B1, B2, C1, C2, D e E. A classe A1 possui maior
poder aquisitivo, sendo que sua renda média por pessoa é superior a R$ 9.733,47,
enquanto que a classe E é a que possui menor rendimento, sendo o valor médio por
pessoa entre R$ 276,70 a R$ 484,96. Mediante a classificação abordada, observouse a enorme discrepância de rendas entre as classes sociais.
Conforme a classificação realizada pela ABEP, em relação à renda
familiar, cabe destacar que a maioria das pessoas que compõem as classes D e E
são aquelas que, na pirâmide de Maslow, priorizam satisfazer as necessidades
fisiológicas e de segurança.
20
Após classificar as prioridades de necessidades das pessoas e a classe
social, descreve-se a seguir, de que forma o emocional interfere na tomada de
decisão financeira e o quanto é importante o estudo das finanças comportamentais.
2.2 Teoria das Finanças Comportamentais
Os
seres
humanos
geralmente
têm
suas
ações
influenciadas,
essencialmente pelas emoções, ao invés do uso da razão. É comum adquirirem
produtos sem necessidade e utilidade, só pela beleza e satisfação de aquisição.
Compram
por impulso,
sem
verificar a
disponibilidade
de
pagamento e
posteriormente recorreram aos juros dos cartões de créditos e financiamentos, para
sanar suas dívidas. Este fato revela que muitos preferem adquirir no momento, ao
invés de poupar. (MACEDO JUNIOR, 2007).
O desconhecimento sobre a gestão financeira e o desejo de possuir bens
e serviços faz com que não se preocupem, no momento da compra, em avaliar os
altos juros cobrados no mercado. Pagam um preço maior que o valor real do
produto, o que compromete ainda mais o orçamento pessoal e dificulta o equilíbrio
financeiro, levando muitas vezes a buscar alternativas em instituições financeiras,
que cobram elevados montantes sobre o dinheiro emprestado.
Ao pesquisar sobre esse tema, Macedo Junior (2007) relata que diversos
estudos mostram que o crescimento da renda e o consumo não estão ligados ao
aumento da felicidade. Muitas pessoas tomam decisões sobre suas finanças,
apenas para serem integrados a um grupo, ou seja, por terem baixa auto-estima e
para obterem auto-afirmação diante de outras pessoas.
Segundo Martins (2004), a vaidade, a ostentação e o impulso consumista,
são emoções destrutivas, quando se fala em finanças, já que estas levam ao
descontrole financeiro e consequentemente geram um stress emocional.
As finanças comportamentais se propõem a explicar como a psicologia
afeta a tomada de decisão financeira, esclarecendo sobre o comportamento não
racional dos investidores no mercado e suas consequências. (PEREIRA; VIEIRA,
2009).
21
Um fato recente que comprova a teoria das finanças comportamentais foi
a crise no EUA, ocasião que os bancários e investidores imobiliários americanos,
dotados de alto nível de instrução, não tomaram decisões racionais, já que poucos
economistas previram a recessão econômica que ocorreu naquele país. (SHILLER,
2009 apud PEREIRA; VIEIRA, 2009). Dessa forma, as ações humanas podem
prejudicar os investimentos, pois se moldam conforme o comportamento de cada um
e a influência do meio social em que vivem.
O estudo das finanças comportamentais contribui para compreender que
o sistema emocional influencia diretamente nas decisões, que são tomadas
conforme o grau de motivação individual. Segundo Chiavenato (2002), a motivação
ocorre pelo impulso de um motivo, que faz a pessoa agir de determinada forma ou
que dá origem a esse comportamento específico.
Para Chiavenato (2002, p. 80), o “impulso à ação pode ser provocado por
um estímulo externo (provendo do ambiente) e pode também ser gerado
intimamente nos processos mentais do indivíduo.” Assim, o ser humano motiva-se
por estímulos externos, como um aumento salarial ou por estímulos internos, que
ocorrem no interior da pessoa, como o reconhecimento profissional.
Os indivíduos se diferem em sua motivação, por causa da variação das
necessidades, dos padrões de comportamento, valores sociais, capacidade em
atingir os objetivos ou situação que está vivenciando. Entretanto, apesar de
alterarem os padrões de comportamento, o processo funciona da mesma forma para
todos. (CHIAVENATO, 2002).
Chiavenato (2002, p. 83) elucida que “os motivos do comportamento
humano residem no próprio indivíduo: sua motivação para agir e se comportar deriva
de forças que existem dentro dele.” Como a motivação é um processo interno e
depende de cada um, é importante que as pessoas se aceitem, se valorizem e
busquem a auto-realização.
Cada ser humano tem uma capacidade psíquica particular para enfrentar
os problemas que surgem no dia-a-dia. A questão do controle financeiro é carregada
de crenças, conteúdos emocionais e morais que foram construídos e legitimados no
decorrer da vida, de acordo com o meio em que cada um está inserido.
Na próxima unidade estuda-se o planejamento financeiro pessoal, bem
como os passos para a construção de um planejamento propriamente dito, ou seja,
22
os processos que envolvem o dinheiro para se organizar e fazer excelentes
aplicações financeiras.
2.3 Planejamento Financeiro Pessoal
Nesta
seção,
primeiramente
aborda-se
as
noções
iniciais
de
planejamento financeiro pessoal, no intuito de ampliar o conhecimento. Na
sequência expõe-se os passos para a construção de um planejamento possível de
ser executado.
2.3.1 Noções Iniciais de Planejamento Financeiro Pessoal
As pessoas devem preocupar-se em adquirir conhecimento na área das
finanças pessoais, saber dos processos que envolvem o dinheiro, para se
organizarem e utilizarem adequadamente seus recursos financeiros, de forma a
suprir as necessidades, bem como satisfazerem seus sonhos. Gitman (2004, p. 4)
esclarece que finanças é a
arte e ciência da gestão do dinheiro. Praticamente todos os indivíduos e
organizações recebem ou levantam, gastam ou investem dinheiro. A área
de finanças preocupa-se com os processos, as instituições, os mercados e
os instrumentos associados à transferência de dinheiro entre indivíduos,
empresas e órgãos governamentais.
Entretanto, apesar deste assunto estar constantemente presente no dia-adia dos seres humanos, é comum existir dificuldades em administrar o que se
recebe, devido à falta de instrução financeira. A educação da sociedade brasileira
não incentiva essa prática e conforme Savoia, Saito e Santana (2007, p. 1125), é
visto claramente “que, no Brasil, as autoridades não exercem a função de capacitar
a população adequadamente para a tomada de decisões no âmbito financeiro.” Esse
pode ser o motivo do aumento das taxas de inadimplência, uma vez que as pessoas
precisam recorrer aos recursos de bancos, por não saberem gerenciar seus
rendimentos.
23
A Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte perceberam a
importância da educação financeira para a população e tornaram-na facultativa no
currículo escolar desde 2001, sendo que na maioria das escolas é uma disciplina
normal na grade escolar. (SAVOIA; SAITO; SANTANA, 2007).
Nos Estados Unidos, dos 50 estados e um distrito, 29 introduziram a
educação financeira como assunto obrigatório nas escolas secundárias, entre 1957
e 1985, com o objetivo de preparar os jovens para a vida adulta. (GARRETT; MSKI,
1997 apud SAVOIA; SAITO; SANTANA, 2007). Atualmente, 48 estados e o Distrito
de Columbia possuem a educação financeira inserida em suas grades escolares.
(SAITO, 2010).
Apesar do pouco incentivo pelas lideranças e políticos brasileiros para a
implantação da educação financeira no Brasil, esta deveria ser preocupação do
governo e das instituições de ensino, já que influencia diretamente nas decisões
econômicas das famílias.
Outro exemplo de preocupação com a instrução financeira das pessoas é
apontada por Clason (2005), como sendo as sete soluções que se deve tomar para
acabar com a falta de dinheiro, que será exposta na Figura 2. Estas foram editadas
em 1926 e divulgadas em panfletos, por meio de parábolas ambientadas na antiga
Babilônia, para explicar à população noções de economia e sucesso financeiro.
Figura 2: Sete Soluções para Acabar com a Falta de Dinheiro
Fonte: Adaptado de Clason (2005, p. 15-23).
24
Do exposto, percebe-se que para obter o sucesso financeiro pretendido,
tem-se que seguir sete pressupostos. Desta forma, faz-se necessário compreendêlas no tocante às suas pretensões. Para Classon (2005), a primeira solução é: faça
seu dinheiro crescer, que implica no fato de que de todos os rendimentos, deve-se
poupar uma parte, para fazer com que o dinheiro aumente e dê maior rentabilidade.
Como segunda, tem-se: controle seus gastos, na qual pressupõe uma ação de
exercer domínio dos desperdícios, para poder usufruir dos desejos e ter satisfação
pessoal. Como ferramenta para auxiliar a identificar as receitas e despesas e
acumular riquezas, sem comprometer os ganhos, tem-se o orçamento.
Prosseguindo no detalhamento das soluções, expõe-se a terceira:
multiplique seus rendimentos. Aqui o intuito é colocar o dinheiro a trabalhar de forma
que dê lucro, para isso, é preciso estudar antes de fazer uso dele, procurando a
opinião de pessoas acostumadas com negócios e lucros. Na quarta dica: proteja seu
tesouro da perda - observe o mercado para proteger o patrimônio conquistado de
possíveis perdas. Assim, não façam negócios arriscados e assegurem o patrimônio.
Outro pressuposto elencado é: faça do lar um investimento lucrativo, e que isso
ocorra para ter o próprio teto. Se não tiverem condições de comprar uma casa,
deve-se fazer um empréstimo no qual tenha a mesma regularidade do aluguel,
assim, se estará investindo em um bem e não só tendo despesas de locação. Com a
casa própria quitada, muitos de seus gastos poderão ser reduzidos.
A penúltima solução tem como título: assegure uma renda para o futuro,
que reside no fato de planejar os investimentos para que estes dêem renda para o
futuro. Desta forma, invista em ações, poupança, imóveis, aposentadoria privada,
para garantir uma velhice tranquila e proteção da família. E na última tem-se:
aumente sua capacidade de ganhar, ou seja, nesta solução, mostra-se como é
importante a detenção de conhecimentos sobre o assunto. Portanto, quanto mais
informações forem adquiridas, maior será a competência de se conseguir dinheiro,
assim, devem ser cultivadas aptidões, estudados e somado os aprendizados.
Macedo Junior (2007) enfatiza que as pessoas preocupavam-se em como
ganhar dinheiro, adquirir bens e acumular riquezas, para garantir conforto e um
futuro satisfatório. Vale ressaltar que desde a antiga Babilônia até os dias de hoje,
foram muitas as alterações sócio-econômicas, porém a preocupação das pessoas
com o futuro financeiro, de civilizações e épocas distintas, continua a existir. A partir
disso, pode-se dizer que para ser bem sucedido financeiramente, deve-se elaborar
25
um planejamento, no intuito de gerenciar o dinheiro, com o objetivo de atingir
satisfação pessoal.
2.3.2 Passos para a Construção de um Planejamento Financeiro Pessoal
No planejamento das finanças, determina-se a utilização do dinheiro e os
planos necessários para alcançar os objetivos, pois define-se antecipadamente para
onde será destinado o recurso financeiro obtido, de forma a atingir os resultados
previstos. (FERREIRA, 2006).
Para conseguir o sucesso financeiro, deve-se ter habilidade de alocar
recursos. Tal fato precisa ser vinculado à ocorrência do planejamento. De acordo
com Ching (2003, p. 101), para isso precisam-se definir algumas metas, como:
- identificar os objetivos de longo prazo e, como consequência, estabelecer
suas estratégias;
- comunicar as estratégias e os objetivos para toda a organização e
cascatear em objetivos departamentais;
- desenvolver os objetivos de curto prazo e envolver todos no processo
orçamentário, obtendo assim o comprometimento de toda a gerência;
- antecipar os problemas, atuando pro ativamente nas decisões e revelando
novas perspectivas e abordagens.
No cotidiano empresarial, o uso do planejamento para a estruturação dos
objetivos e obtenção de sucesso é comumente visto. O mesmo deve ser feito no
âmbito pessoal, pois assim consegue-se melhor identificar os objetivos e estabelecer
estratégias para alcançá-los. Este procedimento deve ser desenvolvido em família,
onde todos terão conhecimento sobre os objetivos e as táticas do processo, de
forma a obter o comprometimento e a participação em conjunto.
Ao reunir a família para desenvolver o planejamento financeiro é preciso
atentar-se a alguns passos definidos por Macedo Junior (2007, p. 28):
1. determine a situação financeira atual;
2. defina seus objetivos;
3. crie metas de curto prazo para cada objetivo;
4. avalie a melhor forma de atingir suas metas;
5. coloque em prática seu plano de ação; e
6. revise as estratégias.
Para iniciar, é preciso definir qual a situação financeira, econômica e
patrimonial, fazendo um levantamento das receitas, despesas, patrimônio e dívidas,
26
que poderão ser melhor visualizadas com a elaboração das demonstrações
contábeis, assunto que será abordado em seções posteriores. (MACEDO JUNIOR,
2007).
Após, no segundo passo, é necessário definir os objetivos, o que se
almeja ter, o que se pretende atingir dentro de um determinado tempo, que
contribuirá para obter estabilidade financeira e enriquecimento da qualidade de vida.
O planejamento financeiro pode ser dividido, conforme o tempo, em três etapas:
curto, médio e longo prazo. (MACEDO JUNIOR, 2007). Isso poderá ser visualizado
na Figura 3, a seguir.
Figura 3: Etapas do Planejamento Financeiro
Fonte: Adaptado de Macedo Junior (2007, p. 46).
Conforme exposto na Figura 3, escolhe-se o que se quer primeiro e após
distribui-se conforme o tempo de duração estabelecido: no curto prazo para metas
de se atingir em até um ano, como por exemplo, comprar uma moto; no médio
prazo, as metas de 1 a 5 anos, como comprar um carro, e, no longo prazo, as
metas para 5 anos, como construir uma casa.
Na sequência, cria-se metas de curto prazo para cada objetivo, pois por
meio destas se obterá êxito mais rápido e assim se poderá verificar os resultados
alcançados. Estes tornam-se fonte de motivação para atingir as definidas de longo
prazo. (MACEDO JUNIOR, 2007).
Após definir os objetivos e estabelecer os prazos, deve-se avaliar e definir
qual será a estratégia a ser utilizada para cumprir as metas estabelecidas. Faz-se
necessário observar a melhor maneira de poupar para alcançar os objetivos.
Algumas pessoas utilizam o orçamento, equilibrando as despesas e as receitas;
outras reservam uma parte da renda para investir e o restante utilizam para pagar as
contas. Cada indivíduo precisa verificar qual a opção que melhor se adequa à sua
realidade. (MACEDO JUNIOR, 2007).
27
Uma vez definidos os objetivos e a data para realizá-los, coloca-se em
prática o plano de ação, toma-se as atitudes necessárias para conseguir o que se
quer, ou seja, os atos necessários para pôr em funcionamento o planejamento. Isso
deve ser anotado, pois este processo torna mais fácil a visualização, de forma a não
se perder o foco. (MACEDO JUNIOR, 2007).
Prosseguindo com o plano de ação, é essencial o monitoramento, além
disso, sempre revise as estratégias. Faz-se necessário a revisão das metas, se não
for possível cumpri-lás no prazo pré-estabelecido, definir novo prazo, mas não se
desviando do objetivo, de maneira persistente para alcançar o que se almeja.
(MACEDO JUNIOR, 2007).
Observando o que foi descrito, pode-se afirmar que tanto uma empresa
como uma pessoa precisam planejar-se financeiramente, para organizar-se de modo
a atingir os objetivos de curto à longo prazo, sendo essa uma das formas de
aumentar os rendimentos. Cerbasi (2004) cita que são pontos fundamentais para
desenvolver um planejamento financeiro eficiente: controlar os gastos, estabelecer
metas, disciplinar os investimentos, preparar-se para os ajustes da inflação e as
mudanças de renda e saber administrar o que se tem.
Após desenvolver e colocar em ação um planejamento financeiro
eficiente, aumente a probabilidade de se obter melhores resultados e a contabilidade
para pessoas físicas pode ser muito útil neste processo.
2.4 A Importância da Contabilidade para as Pessoas Físicas
É importante conhecer a resolução do Conselho Federal de Contabilidade
no 750/93, já que esta facilita o entendimento de quem pode fazer uso dos
conhecimentos desta ciência.
Marion (1985) esclarece que pessoa física é todo ser humano, indivíduo
(sem qualquer exceção), em que a sua existência termine com a morte. Por sua vez,
a pessoa jurídica, é a união de indivíduos, por meio de um contrato reconhecido por
lei, que formam uma nova pessoa, com personalidade distinta de seus membros,
que podem ter fins lucrativos, como as indústrias e comércios, ou sem fins lucrativos,
como as cooperativas, associações culturais ou religiosas.
28
Segundo Iudícibus e Marion (2002, p. 56), “o campo de atuação da
contabilidade, na verdade seu objeto, é o patrimônio de toda e qualquer entidade;
ele acompanha a evolução qualitativa e quantitativa desse patrimônio.” A
contabilidade controla a evolução do patrimônio das entidades, que são os bens e
direitos que se tem a receber e as obrigações a pagar, qualitativamente por meio da
interpretação dos dados da situação financeira e quantitativamente ao elaborar as
demonstrações contábeis. A definição do patrimônio de uma entidade está ilustrado
no Quadro 2.
PATRIMÔNIO DE UMA PESSOA OU DE UMA EMPRESA
Bens e Direitos a Receber
Obrigações a serem pagas
Quadro 2: Patrimônio de Uma Pessoa ou de uma Empresa
Fonte: Marion (1985, p. 26).
A Ciência Contábil está presente no dia-a-dia das pessoas, que se
utilizam dos conhecimentos desta para administrar a conta bancária, o débito em
conta indevido e decidir onde gastar ou aplicar as economias. Portanto, o objeto de
estudo é tanto o patrimônio da pessoa física como jurídica, mas, a maioria dos
estudos é direcionada para empresas, em função das exigências da legislação
comercial e fiscal. (BARROS, 2005a). E, assim, a construção do saber para as
pessoas físicas fica em segundo plano.
No entanto, a Contabilidade pode contribuir na orientação das pessoas
para a gestão dos recursos financeiros, já que esta possui sua metodologia “para
captar, registrar, acumular, resumir e interpretar os fenômenos que afetam as
situações patrimoniais, financeira e econômica de qualquer ente.” (IUDÍCIBUS,
1998, p. 21).
Apesar da falta de bibliografias voltadas aos estudos das pessoas físicas,
esta ciência a estes atende, pois alguns conhecimentos que são utilizados nas
empresas podem ser adaptados e utilizados na vida pessoal. Iudícibus (1998, p. 24)
esclarece que,
a contabilidade não deixa de desempenhar seu papel de ordem e controle
das finanças também no caso dos patrimônios individuais. Frequentemente,
as pessoas esquecem-se de que alguns conhecimentos de Contabilidade e
Orçamento muito as ajudariam no controle, ordem e equilíbrio de seus
orçamentos domésticos.
É sabido que a informação contábil proporciona controle e planejamento.
O controle é realizado como medida para certificar-se de que a organização ou a
29
pessoa está agindo em conformidade com os planos e políticas traçados. Por sua
vez, o planejamento é o processo pelo qual decide que curso de ação será tomado.
(IUDÍCIBUS, 1998).
Assim sendo, a contabilidade tem a função de demonstrar dados de
maneira a ajudar na distribuição e organização dos recursos, possibilitando a
visualização das diversas alternativas que podem ser desenvolvidas e analisadas
para a elaboração de um planejamento financeiro, e isso, é possível com a utilização
das demonstrações contábeis, assunto a ser abordado no tópico a seguir.
2.5 Demonstrações Contábeis Utilizadas na Gestão dos Recursos Pessoais
As pessoas precisam adquirir o hábito de controlar suas finanças, pois
essa é a melhor maneira para gerir seus recursos. Para isso existem demonstrações
contábeis que podem ser utilizadas na gestão pessoal, para auxiliar no planejamento
financeiro. A seguir serão expostos o fluxo de caixa, a demonstração do resultado do
exercício e o balanço patrimonial.
2.5.1 Fluxo de Caixa
O fluxo de caixa é o controle de entradas e saídas de valores monetários.
Segundo Campos Filho (1997 apud ARAÚJO; HOLANDA, 2004), entende-se que o
fluxo de caixa é “o registro e controle sobre a movimentação do caixa de qualquer
empresa, expressando as entradas e saídas de recursos financeiros ocorridos em
determinados períodos de tempo." Da mesma forma que acontece nas entidades
jurídicas, esses conhecimentos também podem ser aplicados às pessoas físicas.
Conforme Martins (2004, p. 43), para uma pessoa, “o fluxo de caixa é a
sua própria demonstração de renda, os ganhos pessoais são, geralmente, recebidos
todos durante o mês e as despesas pagas no mesmo período.”
As entradas de dinheiro são os recebimentos, que na contabilidade é
denominada como receita. Iudícibus (1998, p. 66) define receita como,
30
a entrada de elementos para o ativo, sob a forma de dinheiro ou direitos a
receber, correspondente, normalmente, à venda de mercadorias, de
produtos ou à prestação de serviços. Uma receita também pode derivar de
juros sobre depósitos bancários ou títulos e de outros ganhos eventuais.
Para a pessoa física, sua receita é considerada o dinheiro recebido por
salário ou ganhos, aluguel de imóveis ou rentabilidade de ações. (BARROS, 2005b).
Já, as saídas de dinheiro são as despesas, que segundo Iudicíbus (1998,
p. 66), refere-se ao
consumo de bens e serviços, que, direta ou indiretamente, ajuda a produzir
uma receita. Diminuindo o ativo ou aumentando o passivo, uma despesa é
realizada com a finalidade de se obter uma receita cujo valor se espera seja
superior à diminuição que provoca no Patrimônio Líquido.
Para a empresa, a despesa, diretamente ou indiretamente, produz uma
receita, enquanto para as pessoas, ela serve para suprir os gastos de necessidades
e supérfluos. Martins (2004, p. 44) define que a despesa do sujeito é “toda saída de
dinheiro do seu bolso.” Como exemplos podem ser citados os pagamentos feitos
para aquisição de produtos, bens e serviços, como: a farmácia, o supermercado, a
oficina mecânica e a festa de aniversário.
A diferença entre as entradas e as saídas é denominado de superávit ou
déficit mensal. Quando o valor das receitas é maior, chama-se de superávit, pois
sobrou dinheiro, porém se o valor das despesas for maior, ocorreu déficit, pois faltou
dinheiro.
No Quadro 3, expõe-se o relatório de fluxo de caixa pessoal, com o
propósito de ser melhor compreendido.
FLUXO DE CAIXA PESSOAL
RECEITAS
Salário Líquido
Aluguel
Total de Receitas
2750,00
250,00
3000,00
DESPESAS
Condomínio
Água, luz, gás
Telefone
Automóvel
Apartamento
Alimentação
Lazer
Vestuário
Taxas bancárias
Educação
100,00
150,00
75,00
400,00
550,00
620,00
50,00
50,00
12,00
98,00
continua
31
Cabelereiro
Outros
Total de Despesas
SUPERÁVIT/DÉFICIT MENSAL
conclusão
40,00
55,00
2200,00
800,00
Quadro 3: Fluxo de Caixa Pessoal
Fonte: Adaptado de Ferreira (2006).
Com a elaboração e controle periódico do fluxo de caixa demonstrado no
Quadro 3, comparando por períodos mensais sucessivos, é possível apurar qual o
motivo que ocasionou a mudança do caixa e fazer uma análise das informações do
demonstrativo, avaliando se existe liquidez suficiente para cumprir com as
obrigações e fazer aplicações. (CHING, 2003).
Conforme Macedo Junior (2007), as pessoas que não têm domínio sobre
seu fluxo de caixa e não têm controle de suas receitas e despesas, estão
desorganizadas financeiramente, pois não sabem se possuem superávit ou déficit de
caixa. Esse grupo, normalmente, endivida-se com facilidade, permitindo que os
bancos e financeiras controlem seus recursos, em função do ciclo de empréstimos e
pagamento de juros.
O fluxo de caixa é importante para o controle de finanças, pois por meio
deste, é possível fazer uma análise e verificar a real situação que pode ser déficit ou
superávit. As pessoas que encontram déficit em seu fluxo de caixa precisam se
organizar de modo a obter superávit, pois só assim, é possível ter dinheiro para
investir em outras aplicações que lhe dêem retorno financeiro e proporcionem
satisfação pessoal. (CHING, 2003).
Por meio da demonstração do fluxo de caixa, é possível controlar e
analisar a movimentação de entradas e saídas dos valores, auxiliando a pessoa a
tomar decisões, verificando se existe liquidez suficiente para honrar os
compromissos ou fazer investimentos, conforme o regime de caixa.
No tópico seguinte, apresenta-se o demonstrativo de resultado do
exercício, no qual expõe resultantes do período, conforme o regime de competência.
32
2.5.2 Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE)
O demonstrativo de resultado do exercício registra as receitas e despesas
na entidade, para evidenciar se houve lucro ou prejuízo em um determinado período.
A seguir expõe-se a equação contábil do DRE.
RECEITAS – DESPESAS
=
LUCRO (Receitas > Despesas) OU PREJUÍZO (Receitas < Despesas)
Quadro 4: Equação Contábil da DRE
Fonte: Adaptado de Ching (2003, p. 50).
Conforme Martins (2004, p. 40), esse relatório de renda, especificamente,
“diz respeito a quanto você ganha e quanto gasta num dado período.” Ou seja, por
meio dele a pessoa poderá verificar qual foi o seu saldo.
No Quadro 5, expõe-se um modelo de demonstração de resultado
pessoal, observando-se primeiramente as receitas, na sequência as despesas e,
após, verifica-se o resultado, que poderá ser de lucro ou prejuízo. Caso as receitas
obtidas superem as despesas, obtém-se lucro, que aumentará o Patrimônio Líquido,
porém se as despesas forem maiores que as receitas, este fato ocasionará um
prejuízo e consequentemente diminuirá o Patrimônio Líquido. (IUDÍCIBUS,1998).
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO PESSOAL
RECEITA BRUTA
10000,00
( - ) Tributos sobre os ganhos
-2000,00
Receita Líquida
8000,00
TOTAL DE DESPESAS
6012,00
Água, luz, gás
370,00
Automóvel
1100,00
Apartamento
2300,00
Alimentação
700,00
Lazer
500,00
Vestuário
400,00
Taxas bancárias
Educação
RESULTADO/LUCRO OU PREJUIZO
Quadro 5: Demonstração de Resultado Pessoal
Fonte: Adaptado de Martins (2004).
12,00
630,00
1988,00
33
Cabe ressaltar que os valores da Demonstração de Resultado Pessoal
serão mensurados conforme a competência. Visualmente, este e o fluxo de caixa
têm suas estruturas semelhantes, porém demonstram resultados e têm regimes de
contabilização diferentes.
Segundo Ching (2003), o DRE é regido pelo regime de competência, que
reconhece o impacto das transações nos períodos, quando as receitas e despesas
ocorreram, independentemente de recebimentos e pagamentos. Já o fluxo de caixa
é pelo regime de caixa, onde os fatos são registrados conforme o seu recebimento
ou pagamento. Para esclarecer essa diferença, será exemplificado no Quadro 6, um
comparativo entre DRE e o fluxo de caixa:
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO
EXERCICIO
Mês 1
Receitas
100
Despesas
90
Saldo = + 10
FLUXO DE CAIXA
Mês 1
Recebimentos
70
Pagamentos
70
Saldo = 0
Quadro 6: Comparativo entre a DRE e o Fluxo de Caixa
Fonte: Adaptado de Martins (2004, p. 45)
No DRE, visualiza-se que a pessoa teve R$ 100,00 de receitas e R$
90,00 de despesas, sendo assim, obteve um lucro de R$ 10,00. Enquanto que a
mesma pessoa, no mesmo mês, em seu fluxo de caixa, registrou o recebimento de
apenas R$ 70,00 e efetuou pagamentos no valor de R$ 70,00. Dessa forma, não lhe
restou dinheiro. Infere-se então que em um mesmo período a pessoa teve lucro de
R$ 10,00, porém gastou tudo o que recebeu.
No tópico a seguir, elucida-se o balanço patrimonial, demonstração
contábil que pode ser utilizada pela pessoa física.
2.5.3 Balanço Patrimonial
O balanço patrimonial mostra a atual realidade financeira e patrimonial da
pessoa, em um determinado período, evidenciando seus bens, direitos e obrigações.
Iudícibus e Marion (2007, p. 189), definem que é “a demonstração contábil destinada
34
a evidenciar, quantitativamente e qualitativamente, numa determinada data, a
posição patrimonial e financeira da entidade.”
O balanço patrimonial demonstra uma imagem fotográfica expressa em
valores, do que a pessoa possui e do que deve em um exato momento de apuração.
Martins (2004) descreve que este relatório representa o estoque, de bens e direitos
existentes no ativo e de dívidas e compromissos a honrar no passivo, em um
período. Na coluna de ativos (lado esquerdo), visualiza-se os bens e direitos
existentes e no passivo estão demonstradas as obrigações e dívidas a pagar (lado
direito). A diferença desses dois será denominada de Patrimônio Líquido.
No Quadro 7, a seguir, demonstra-se a situação de uma pessoa física,
por meio do Balanço Patrimonial.
ATIVO
ATIVO CIRCULANTE
Dinheiro no bolso
Saldo em conta corrente
Saldo em conta poupança
2.100
100
200
1.800
PASSIVO
PASSIVO CIRCULANTE
Cartão de Crédito
Financiamento Automóvel
Financiamento Terreno
2.100
700
800
600
ATIVO NÃO CIRCULANTE
Empréstimo concedido
FGTS
Automóvel
Terreno
65.200
600
600
14.000
50.000
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
Financiamento Automóvel
Financiamento Terreno
19.000
4.000
15.000
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Ativo - Passivo
46.200
46.200
TOTAL DO ATIVO
67.300
TOTAL DO PASSIVO
67.300
Quadro 7: Balanço Patrimonial Pessoal
Fonte: Adaptado de Ferreira (2006, p. 23).
No ativo, conforme descrito por Iudícibus e Marion (2007, p. 191),
“compreende as aplicações de recursos representados por bens e direitos.” Os bens
e direitos compreendem o que se tem para receber, como: carro; terrenos; imóveis;
empréstimos concedidos; ações judiciais, entre outras.
No que tange à estrutura desse relatório contábil, tem-se que no ativo os
bens e direitos são divididos em circulante ou não circulante, de acordo com o seu
grau de liquidez, ou seja, a rapidez em que se convertem em dinheiro. Segundo
Martins (2004), o ativo circulante é formado por contas de liquidez imediata, que tem
rápida circulação, como caixa e contas bancárias. O ativo não circulante é formado
por bens de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da
sociedade e do seu empreendimento e que para convertê-lo em dinheiro, não
35
costuma ser de imediato, pois geralmente não são destinados à venda e tem vida
útil longa, como veículos e terrenos. (ZANLUCA, 2009).
Por sua vez, o passivo para Iudícibus e Marion (2007, p. 191),
“compreende as origens de recursos representadas por obrigações.” Esse divide-se
em passivo circulante e não circulante. No Passivo Circulante estão localizadas as
obrigações com terceiros, vincendas em até 12 (doze) meses, como conta de
telefone e cartão de crédito. No Passivo Não Circulante, estão as obrigações a
vencer com prazo superior a 12 (doze) meses. Essas dívidas são contraídas para
pagar a médio e longo prazo, como financiamento de carro e casa. (ZANLUCA,
2009).
No que refere-se ao Patrimônio Líquido, de acordo com Iudícibus e
Marion (2007, p. 191), este “compreende os recursos próprios da entidade, ou seja,
a diferença maior do ativo sobre o passivo. Na hipótese do passivo superar o ativo,
este valor é denominado de passivo a descoberto.” Do resultado do que a pessoa
tem e o que ela deve, o que restar é o seu Patrimônio Líquido. Este representa a
verdadeira riqueza da pessoa.
O Balanço Patrimonial pode ser elaborado anualmente e geralmente
costuma-se encerrá-lo ao final de cada exercício. Porém, para fins gerenciais, a
periodicidade pode ser trimestral, mensal, quinzenal ou semanal, isso vai depender
da necessidade do usuário.
Ao final da apresentação das demonstrações contábeis, observa-se que
existem vários métodos que podem ser utilizados para controle das informações.
Segundo Cerbasi e Barbosa (2009, p. 72), “a palavra método vem do grego –
methodos, met`hodos – que significa caminho para chegar a um fim.” Para organizar
a sua vida financeira, é preciso identificar e aplicar o procedimento no qual a pessoa
melhor se enquadre, como por exemplo, pela elaboração do fluxo de caixa, DRE,
balanço patrimonial ou outro método no qual se consiga obter o controle total das
informações para se planejar.
Na seção seguinte, aborda-se o orçamento doméstico, onde relata-se
dicas para economia doméstica e o método de controle financeiro por meio da
planilha de orçamento.
36
2.6 Orçamento Doméstico Familiar
Orçamento doméstico familiar é a previsão de receitas a serem recebidas
e das despesas a pagar. Segundo Leite (1980, p. 245), “orçamento é a previsão das
receitas e despesas para um determinado período.”
Para obter um orçamento equilibrado, faz-se necessário gastar menos do
que se recebe, mas muitas pessoas não têm controle sobre seu orçamento
doméstico e gastam mais do que possuem. A Febraban (2008 apud KÊNIA, 2008)
realizou uma pesquisa sobre o aumento do crédito de pessoas físicas nos últimos
anos, demonstrado no Quadro 8.
Aumento de Crédito Para Pessoa Física de 2004 a 2007
Crédito Pessoal
Aquisição de Bens
Cartão de Crédito
Financiamento Imobiliário
Cheque Especial
231%
168%
163%
64%
45%
Quadro 8: Aumento de Crédito Para Pessoa Física de 2004 a 2007
Fonte: Adaptado de Febraban (2008 apud KÊNIA, 2008).
Conforme a pesquisa realizada, do ano de 2004 até 2007, ocorreu um
aumento expressivo de crédito utilizado por pessoa física: crédito pessoal; aquisição
de bens; cartão de crédito; financiamento imobiliário; e cheque especial, geralmente
devido geralmente às facilidades de crédito oferecidas e o descontrole financeiro das
pessoas. (FEBRABAN, 2008 apud KÊNIA, 2008).
Para evitar a falta de controle das finanças, recomenda-se o uso de um
orçamento familiar, onde são anotadas as receitas e despesas, detalhando os
gastos como forma de saber onde está sendo utilizado o dinheiro, que pode ser com
alimentação, saúde, educação, vestuário, transporte, lazer e outros. A seguir, no
Quadro 9, demonstra-se um modelo de orçamento familiar, que é utilizado para
controlar os gastos.
Salário 1
Salário 2
Salário 3
Outras receitas
PLANILHA DE ORÇAMENTO
Janeiro
Fevereiro
RECEITAS
900,00
900,00
1.500,00
1.500,00
120,00
-
Março
1.050,00
1.500,00
-
Abril
1.050,00
1.500,00
continua
37
Bolsa Escola
Bolsa Família
Cesta Básica
Auxílio Leite
Auxílio Gás
Total de Receitas
Supermercado
Feira / Sacolão
Lanches
Aluguel
Consertos
Conta de Água
Conta de Luz
Gás
Telefone Fixo
Telefone Celular
Combustível
Passagem de Ônibus
Remédios / Farmácia
Médicos/Plano de saúde
Material Escolar
Vestuário
Calçados
Livros / revistas/jornais
Cigarro
Lazer
Impostos
Juros-Cheque Especial
Juros-Cartão de Crédito
Empréstimo
Tarifas Bancárias
Outros
...
...
Total de Despesas
+ Saldo Inicial: (SI)
+ Total de Receitas:
- Total de Despesas:
Saldo final:
2.520,00
DESPESAS
450,00
88,00
68,00
350,00
25,00
45,00
43,00
56,00
50,00
180,00
90,00
30,00
180,00
75,00
24,00
278,00
75,00
10,80
63,00
2.400,00
2.550,00
conclusão
2.550,00
500,00
80,00
60,00
350,00
30,00
53,00
97,00
60,00
200,00
90,00
220,00
180,00
250,00
100,00
24,00
250,00
88,00
10,80
85,00
490,00
85,00
75,00
420,00
75,00
35,00
48,00
43,00
90,00
70,00
250,00
90,00
300,00
180,00
300,00
85,00
24,00
180,00
80,00
10,80
60,00
380,00
85,00
70,00
420,00
50,00
23,00
40,00
55,00
15,00
200,00
90,00
288,00
180,00
24,00
80,00
10,80
50,00
2.180,80
2.520,00
2.180,80
339,20
2.727,80
339,20
2.400,00
2.727,80
11,40
2.990,80
11,40
2.550,00
2.990,80
(429,40)
2.060,80
(429,40)
2.550,00
2.060,80
59,80
Quadro 9: Planilha de Orçamento Familiar
Fonte: Adaptado de Halfeld (2004), Ferreira (2006), Macedo Junior (2007) e Martins (2004).
Com o registro dos gastos, torna-se possível realizar um controle
financeiro eficaz. Também pode-se fazer um planejamento e projetar o orçamento
para os meses seguintes, comparando orçado e realizado. Por meio da visualização
da planilha, verifica-se onde estão ocorrendo os exageros no orçamento.
Para Terburg (2010) o ajuste orçamentário propicia a materialização de
sonhos e a obtenção de coisas boas para o futuro. É preciso mudar a rotina e rever
a forma de pensar. Por isso, ao fazer o orçamento, deve-se reunir a família e assim
38
tomar as atitudes em conjunto, a fim de reduzir os gastos, para que o dinheiro
disponível seja investido em coisas que gerem satisfação a todos.
Conforme Cerbasi (2004), Cerbasi (2010), Ferreira (2006) e Romão
(2008) serão demonstradas no Quadro 10, algumas sugestões de economia
doméstica, úteis para redução nos gastos familiar.
DICAS PARA ECONOMIZAR
Economize
com...
Supermercado
Atuando assim...
üEvite fazer compras antes das refeições, pois devido à sensação de fome, se
gasta mais comprando itens desnecessários e supérfluos;
üLeve a lista de compras, para evitar aquisições por impulso;
üEvite levar crianças, já que os produtos voltados para esse público-alvo são
colocados nas prateleiras em lugares estratégicos;
üOs preços dos produtos costumam subir no período de pagamento, já que as
famílias estão com dinheiro no bolso e a dispensa vazia;
üNem toda “oferta” divulgada pelos supermercados vale a pena. Em muitos
casos, colocam um produto em promoção e sobem os preços de outros. Os
clientes acabam comprando muito mais dos produtos caros, do que os que estão
em promoção.
üPague primeiro as dívidas que contém juros embutidos, pois crescem com o
decorrer do tempo;
Dívida
üDê prioridade às dívidas de cartão de crédito e cheques especiais, onde as
taxas de juros cobrados são altíssimas. Depois, liquide as decorrentes de
prestações e carnês em atrasos;
üEvite novos empréstimos para cobrir empréstimos antigos;
üEvite comprometer mais do que 30% da sua renda com dívidas;
üConstrua uma reserva de emergência suficiente para manter-se em até seis
meses, em casos de imprevistos como perda de emprego, doenças e outros.
Juros
üAtente-se aos juros baixos do comércio, pois quando estes são muito baixos
no parcelamento, pode ser por estarem embutidos no preço de venda à vista.
Pesquise sempre antes na concorrência.
üColoque a data do vencimento, próxima ao dia de seu recebimento;
üPrefira os cartões que oferecem bônus como milhagens ou descontos;
üVerifique a taxa de anuidade;
Cartão de Crédito üJamais entre no crédito rotativo ou pagamento mínimo;
üCuidado com as compras parceladas no cartão, pois muitas lojas embutem
juros nas parcelas sem avisar o consumidor;
üNas compras pela internet, certifique-se de que o site é seguro e a empresa é
idônea.
üEvite banhos demorados e deixe na chave seletora de verão;
üVerifique o selo PROCEL, que indica o nível de consumo dos produtos
elétricos;
Energia Elétrica
üJunte bastante roupa para colocar na máquina de lavar e para passar;
üNão guarde alimentos quentes na geladeira.
üDisque no horário de menor tarifa: entre 0h e 6h de segunda a sexta-feira,
Telefone
após as 14h no sábado e durante todo o dia de domingo e feriados.
Quadro 10: Economia Doméstica
Fonte: Adaptado de Cerbasi (2004); Cerbasi (2010); Ferreira (2006); Romão (2008).
39
Além das dicas elucidadas no Quadro 10, conforme Ferreira (2006), ao
adquirir um automóvel, a maior parte das pessoas considera apenas o desembolso
da parcela, porém existem outros gastos, como os demonstrados no Quadro 11, que
devem ser considerados.
DESPESA
Seguro (4% ao ano)
IPVA (4% ao ano)
Estacionamento
Manutenção
Combustível
Prestações
Depreciação
Custo de oportunidade
Multas e eventualidades
Total de Despesas
MENSAL (R$)
46,50
46,50
50,00
50,00
100,00
400,00
693,00
ANUAL (R$)
560,00
560,00
600,00
600,00
1.200,00
4.800,00
8.320,00
Quadro 11: Gasto Médio Anual de um Automóvel
Fonte: Ferreira (2006, p. 113).
De acordo com o demonstrado no Quadro 11, visualiza-se que além dos
R$ 400,00 reais da prestação do carro, deve-se também ter planejado em seu
orçamento que terá ainda aproximadamente outros R$ 293,00 de gastos com
gasolina, IPVA, seguro obrigatório e estacionamento.
O orçamento pode ser utilizado como uma ferramenta de monitoramento
financeiro, para evitar desvio de foco e sobrar dinheiro para investir em coisas que
gerem satisfação. Para isso, a economia doméstica tem de ser adotada por todos da
família, de forma a planejar e avaliar as possibilidades conforme a renda e
conscientizar-se das despesas, de modo a atingir as metas, caso contrário será
complicado obter o êxito. Após este processo de conscientização da racionalização
aborda-se no próximo capítulo, análise das demonstrações contábeis, de forma a
verificar a situação financeira e patrimonial.
2.7 Análise das Demonstrações Contábeis para Pessoas Físicas
Após a elaboração das demonstrações contábeis, faz-se necessário
realizar uma análise e interpretar os fatos ocorridos, de modo a obter informações
que auxiliem em sua gestão financeira pessoal. Segundo Ching (2003), por meio da
40
análise das demonstrações contábeis, é possível interpretar a situação econômicofinanceira, identificar os pontos fortes e fracos, medir a capacidade de gerar lucro e
identificar a eficiência da gestão dos ativos.
Segundo Marion (1985), para atender as necessidades de fins gerenciais,
as demonstrações contábeis e sua análise, podem ocorrer com uma curta
periodicidade, sugerindo-se que elas ocorram mensalmente. E, para realizar o
diagnóstico, utilizam-se técnicas de análise vertical, análise horizontal e análise dos
índices, assuntos que serão abordados nas seções subsequentes.
2.7.1 Análise Vertical
Conforme Padoveze e Benedicto (2004, p. 171), a “análise vertical
caracteriza-se como uma análise de estrutura ou participação”, ou seja, calcula-se o
valor que cada conta representa.
A análise para Matarazzo (2003, p. 243), “baseia-se em valores
percentuais das demonstrações financeiras. Para isso, calcula-se o percentual de
cada conta em relação a um valor-base.” No balanço patrimonial, assume-se como
100% o total do ativo ou de passivo, enquanto que no DRE, convencionou-se
utilizar, para o 100%, o valor total da receita líquida.
No Quadro 12, será demonstrada a análise vertical do balanço patrimonial
pessoal, onde serão retiradas informações, para fornecer dados sobre a situação
financeira de uma pessoa.
ANÁLISE VERTICAL DO BALANCO PATRIMONIAL PESSOAL
TOTAL DO ATIVO
67.300
100 % TOTAL DO PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE
2.100
3 % PASSIVO CIRCULANTE
Dinheiro no bolso
100
0
Cartão de Crédito
Saldo em conta corrente
200
0
Financiamento Automóvel
3 % Financiamento Terreno
Saldo em conta poupança
1.800
ATIVO NÃO CIRCULANTE 65.200
97 % PASSIVO NÃO CIRCULANTE
1 % Financiamento Automóvel
Empréstimo concedido
600
1 % Financiamento Terreno
FGTS
600
21
%
Automóvel
14.000
74 % PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Terreno
50.000
Capital Social (Ativo – Passivo)
Quadro 12: Análise Vertical do Balanço Patrimonial Pessoal
Fonte: Adaptado Ferreira (2006, p. 35).
67.300 100 %
2.100 3 %
700 1 %
800 1 %
600 1 %
19.000 28 %
4.000 6 %
15.000 22 %
46.200
46.200
69 %
69 %
41
Pode-se observar, no Quadro 12 que 3% do total do ativo está alocado
no circulante, enquanto que 97% no não circulante, já no passivo, 3% está no
circulante, 28% no não circulante e 69% no patrimônio líquido. Comparando o ativo
e o passivo circulante, verifica-se que esta pessoa irá utilizar todo seu saldo
financeiro do curto prazo para liquidar suas obrigações no longo prazo.
Confrontando o ativo não circulante com o passivo não circulante, observa-se que o
primeiro tem maior valor. Vale ressaltar que as obrigações do passivo não circulante
ocorreram em função da compra de bens do ativo não circulante. O patrimônio
líquido é representado por 69%, sendo assim este percentual representa o total da
riqueza dessa pessoa. (FERREIRA, 2006).
No entender de Padoveze e Benedicto (2004), na análise vertical do DRE,
é possível ter uma visão da estrutura das despesas.
Por meio dessa análise vertical, é possível verificar diversas informações
sobre a situação financeira e patrimonial da pessoa. No tópico a seguir, apresentase a análise horizontal.
2.7.2 Análise Horizontal
A análise horizontal dos índices financeiros, segundo Assaf Neto (2007,
p.115), “é um processo de estudo que permite avaliar a evolução verificada nos
diversos elementos das demonstrações contábeis ao longo de determinado
intervalo.”
Por meio da análise horizontal, é possível comparar períodos, verificando
a evolução de crescimento ou não na demonstração. “A evolução de cada conta
mostra os caminhos trilhados pela empresa e as possíveis tendências.”
(MATARAZZO, 2003, p. 245). Assim como a empresa utiliza-se desse método para
avaliar a sua situação, a pessoa física deve fazê-la também, comparando as contas
com períodos anteriores e entendendo o porquê das alterações.
No Quadro 13, será demonstrada a análise horizontal de fluxo de caixa
pessoal.
42
RECEITAS
Salário Líquido
Vale-refeição
Aluguel
Total de Receitas
ANÁLISE HORIZONTAL DO FLUXO DE CAIXA PESSOAL
2009
2010
2750
2750
0
0
150
250
2900
3000
A.H.
0%
0%
87%
87%
DESPESAS
Condomínio
Água, luz, gás
Telefone
Automóvel
Apartamento
Alimentação
Lazer
Vestuário
Taxas bancárias
Educação
Ginástica
Cabelereiro
Outros
Total de Despesas
2009
100
120
75
400
550
470
320
50
12
98
0
40
55
2290
2010
100
150
75
400
550
620
50
50
12
98
0
40
55
2200
A.H.
0%
25%
0%
0%
0%
32%
-84%
0%
0%
0%
0%
0%
0%
-4%
SUPERÁVIT/DÉFICIT MENSAL
610
800
31%
Quadro 13: Análise Horizontal do Fluxo de Caixa Pessoal
Fonte: Adaptado de Ferreira (2006).
Na análise horizontal, comparando o período de 2009 e 2010, percebe-se
um aumento de 87% nos recebimentos de aluguel, 25% nos pagamentos de
consumo de água, luz e gás e 32% de gastos com alimentação. O item que obteve
84% de redução foram os gastos com lazer. O resultado do período foi o superávit
de 31%. (FERREIRA, 2006).
A análise horizontal é utilizada para avaliar a situação patrimonial e
financeira da entidade, comparando períodos. No tópico a seguir, elucida-se a
análise por meio dos índices financeiros.
2.7.3 Análise por Meio dos Índices Financeiros
A análise por meio dos índices pode ser utilizada pela pessoa física para
avaliar e comparar, nos períodos, o desempenho da situação patrimonial e
financeira. Na compreensão de Ching (2003, p. 106), o uso destes “auxilia a
gerência e os analistas externos a entenderem o desempenho da empresa no
43
passado e, por meio de comparação com padrões pré-estabelecidos, a examinar a
posição dela em seu setor de mercado em relação à concorrência.”
No Quadro 14 será demonstrado um resumo dos índices financeiros de
liquidez, de poupança e de cobertura das despesas mensais, utilizados pelas
pessoas físicas.
RESUMO DOS ÍNDICES FINANCEIROS
Nome do Índice
Fórmula
Ativo Circulante
Índice de Liquidez
Passivo Circulante
Disponível para investir
Índice de Poupança
Receitas
Ativo Circulante
Índice de cobertura das despesas mensais
Despesas
Dica de Resultado
Maior que 1.
20% para solteiros e
15% para casais.
Maior que 6.
Quadro 14: Resumo dos Índices Financeiros
Fonte: Adaptado de Ferreira (2006, p. 37).
O índice de liquidez para Ching (2003, p. 106) “mostra a capacidade da
empresa de honrar seus compromissos, principalmente os de curto prazo.” Tanto a
pessoa jurídica como a pessoa física, podem fazer uso deste para verificar
se
existem disponibilidades suficientes para efetuar o pagamento das contas. Com
base nos valores do balanço patrimonial do Quadro 12, calcula-se o índice de
liquidez.
Ativo Circulante = 2100 = 1
Passivo Circulante 2100
Analisando o referido exemplo, verifica-se que o valor apurado do cálculo
foi 1, sendo assim, o mesmo tem liquidez para pagar suas contas a curto prazo, mas
não lhe resta dinheiro algum. Este precisa melhorar o índice, para evitar dificuldades
financeiras, já que qualquer alteração no passivo circulante o tornará inadimplente.
Conforme Ching (2003, p. 106), “o índice de liquidez corrente pode ser considerado
favorável quando superior a 1. Índices inferiores a 1 revelam a curto prazo
insuficiência de fundos para o pagamento das obrigações.”
O índice de poupança, de acordo com Ferreira (2006, p. 36), “é o
percentual da receita mensal de que sobra para investir.” O autor recomenda que o
índice de investimento em poupança para uma pessoa solteira seja de 20% de sua
renda, enquanto que para um casal, este valor seja de 15%.
44
A seguir, apresenta-se um exemplo onde um casal que possui
rendimentos de 3.000 e despesas de 2.200, terá disponível para investir 800.
Colocando esses valores na fórmula do índice de poupança do Quadro 14, obtémse:
Disponível para Investir = 800 = 26,6%
Receitas
3.000
Observou-se que o índice de poupança deste casal é de 26,6%, ou seja,
eles tem para investir 26,6% de sua renda. Sendo que o recomendado para duas
pessoas é de 20%, dessa forma estes possuem um índice de aproveitamento
superior ao recomendado.
Segundo Ferreira (2006, p. 36), o índice de cobertura das despesas
mensais, “indica por quanto tempo a pessoa pode sobreviver com seu ativo de curto
prazo.” Exemplo: o mesmo casal possui 18.900 em seu Ativo Circulante e suas
despesas são de 2.200. O seu índice de cobertura das despesas mensais será de:
Ativo Circulante = 18.900 = 8,6
Despesas
2.200
Estes possuem uma reserva financeira para 8,6 meses. É recomendado
que este índice não seja inferior a 6, pois desta forma, caso ocorra algum imprevisto,
como o desemprego, há uma reserva financeira para cobrir as despesas por 6
meses, enquanto procura-se alternativas para solucionar o problema.
Fazendo a análise das demonstrações contábeis por meio dos índices
financeiros, é possível verificar se a pessoa possui recursos suficientes para pagar
as contas, qual o índice de poupança e por quanto tempo suas economias são
suficientes para cobrir as despesas mensais em caso de imprevistos.
45
3 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Neste capítulo, evidencia-se e analisa-se os dados coletados por meio da
pesquisa na Associação Padre Aníbal Maria de Francia na seguinte ordem:
· Explanação sobre a Associação em estudo;
· Descrição dos encontros realizados, visando orientar os participantes
em relação ao controle das finanças pessoais;
· Perfil dos respondentes;
· Orçamento familiar;
· Proposta de controle financeiro pessoal; e
· Sugestões de planejamento financeiro pessoal para o grupo.
Cabe esclarecer que antes da realização das palestras, aplicou-se um
questionário com 27 pessoas, em setembro de 2009. Posteriormente, no período de
novembro de 2009 a março de 2010, foram ministradas quatro palestras elaboradas
por esta pesquisadora. Em abril de 2010, após a conclusão das palestras, reaplicouse o questionário, sendo que apenas 13 dos respondentes compareceram. Dessa
forma, os dados analisados têm como base a amostra de 13 respondentes.
3.1 Apresentação da Associação Padre Aníbal Maria de Francia
A Associação Padre Aníbal Maria de Francia foi fundada em 04 de agosto
de 1984, por Serafim Gonçalves, Dimas Patrício, Carmindo Garcia, Gonçalo Bezerra
dos Santos, Concílio Adolfo Cardoso e Arlindo Guidi, incentivados pelo Padre
Antonio Patavino, com sua sede nas dependências da Igreja Nossa Senhora das
Graças, no Bairro Pinheirinho, em Criciúma, Santa Catarina.
Atualmente, os fundadores não participam mais do projeto, porém após
26 anos, o trabalho continua sendo desenvolvido por voluntários da comunidade,
que arrecadam alimentos, roupas e calçados, nos bairros e igrejas da paróquia, e
fazem a distribuição para as famílias no quarto sábado do mês.
A Associação é composta atualmente por 55 famílias cadastradas, que
foram selecionadas pela assistente social do Centro de Referência da Assistência
46
Social (CRÁS) do Bairro Teresa Cristina. Destas, 15 famílias recebem os donativos
em suas residências, por impossibilidades físicas de virem ao local de entrega. As
outras 40 famílias vêm à igreja e antes de receberem as doações participam das
palestras de variados temas do projeto Resgatando a Cidadania, desenvolvido pela
psicóloga da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina –
SATC, Dosolina de Mattia Patel.
O objetivo desta ação é resgatar a cidadania e auxiliar essas pessoas a
se sustentarem de maneira digna, tornando-as independentes financeiramente.
No próximo tópico, descreve-se os encontros realizados junto aos
pesquisados.
3.2 Orientações para o Controle das Finanças Pessoais
Com o intuito de atingir o objetivo geral deste estudo, ou seja,
desenvolver um trabalho de educação financeira pessoal com um grupo de pessoas
cadastradas na Associação Padre Aníbal Maria de Francia, iniciou-se o processo de
intervenção, usando-se da fundamentação teórica. Desta forma, realizou-se seis
encontros com o referido grupo, onde foram aplicados questionários e ministradas
as palestras, no período de setembro de 2009 a abril de 2010, que serão
comentados a seguir:
3.2.1 Primeiro Encontro
No dia 26 de setembro de 2009, ocorreu o primeiro contato com o grupo
objeto de estudo, onde aplicou-se um questionário sócio-econômico (Apêndice B)
com 27 pessoas. Com as questões, objetivou-se obter conhecimento sobre as
características das famílias, em função de variáveis pré-determinadas.
Na sequência, apresenta-se a descrição do segundo encontro, quando
ocorreu a palestra: Em Busca de uma Melhor Qualidade de Vida.
47
3.2.2 Segundo Encontro
No dia 28 de novembro de 2009, ministrou-se uma palestra para 28
pessoas, com o tema: Em Busca de uma Melhor Qualidade de Vida (Apêndice C). O
tema foi escolhido, visando proporcionar informações que resultem em melhoria na
qualidade de vida das pessoas atendidas, no intuito de que possam viver com mais
dignidade.
Primeiramente falou-se da importância de definir seus objetivos e que
para isso faz-se necessário ter clareza da situação atual, de onde se quer chegar e
de que forma fazê-lo. A alternativa sugerida para que isso ocorra foi por meio do
planejamento financeiro, que consiste em organizar e determinar antecipadamente
onde serão utilizadas as disponibilidades financeiras de forma a atingir os resultados
almejados.
Procurou-se levar o grupo a refletir sobre a utilização de seus recursos
financeiros e se realmente tem controle dos mesmos, se sabem exatamente para
onde estão sendo destinados tais recursos ou se desperdiçam com coisas que não
contribuem para a qualidade de vida do indivíduo.
Na sequência, foram apresentadas definições de receitas e despesas.
Destacou-se que os que objetivam melhorar a sua situação financeira precisam
decidir e verificar de que forma buscarão a mudança, que pode ser aumentando as
receitas e/ou diminuindo despesas.
A sugestão apresentada ao grupo, para aumentar receitas, seria explorar
outras atividades de renda, já que por meio da aplicação do questionário verificou-se
que geralmente estes não exercem outras atividades remuneradas, além da
principal. As recomendadas foram: crochê; cabeleireira; manicure e pedicure;
segurança em festas e ou/ estacionamento; garçom; faxineira; lavador de carros;
bordadeira; passadeira; artesanato; doces e salgados; corte de grama; etc.
Num segundo momento foram relacionadas alternativas para diminuir as
despesas de supermercado, energia elétrica, telefone e cartão de crédito. Além
disso, orientou-se o grupo a fazer pesquisa de preços e a comprar o mínimo
possível parcelado, já que ao adquirir os produtos à vista é possível negociar por um
preço mais acessível, evitando os juros.
48
Enfatizou-se, também, sobre a importância de se ter crédito no comércio
e o cuidado que se deve ter ao emprestar o nome e para quem fazê-lo. Em relação a
este fato, ocorreu um relato de uma senhora, que havia liberado um crédito em seu
nome para outra pessoa e esta não pagou a dívida, sendo ela responsabilizada a
fazer o pagamento.
Cabe ressaltar, que os fortes candidatos a se endividarem são as
pessoas que: gastam mais do que recebem; têm dificuldades em poupar; utilizam
limite de crédito; participam de jogos de azar; e têm outros vícios ou compulsão por
compras. Por isso, orientou-se ao grupo que se alguém possui algumas dessas
características, precisa agir rapidamente para reverter esse quadro e aprender a ter
controle financeiro para evitar o endividamento.
Após definir com o grupo o que são receitas e despesas, explicou-se
sobre a importância de saber onde está sendo gasto o dinheiro. Sendo assim, é
fundamental controlar os gastos por meio do orçamento mensal, como forma de
ajudá-los em sua organização financeira. Na sequência, foram distribuídos
envelopes com as planilhas de orçamento (Quadro 9) para ser preenchidas com as
receitas e despesas ocorridas no período e devolvê-las no encontro seguinte.
Para encerrar utilizou-se a mensagem: “Para ser rico, você tem que
gastar menos do que ganha!” Se deseja aumentar o seu patrimônio e ser bem
sucedido financeiramente, não é viável gastar todo dinheiro que recebe. Deve-se
poupar pelo menos 10% desse valor, para começar a construir a sua riqueza.
Segundo Hill (2001), é preciso exigir de si um aumento da capacidade para ganhar
dinheiro e separar uma quantia certa do seu ganho, para dentro de pouco tempo
eliminar as limitações e abrir o caminho para a independência financeira.
A seguir apresenta-se a descrição do terceiro encontro onde realizou-se a
palestra com o tema: Planejamento Financeiro e Qualificação Profissional.
3.2.3 Terceiro Encontro
No dia 19 de dezembro de 2009, realizou-se o terceiro encontro, com 39
pessoas (Apêndice D). Na ocasião, falou-se sobre: Planejamento Financeiro e
Qualificação Profissional (Apêndice E).
49
Primeiramente
fez-se
uma
reflexão
sobre
a
palestra
realizada
anteriormente, questionando o grupo se sabiam para onde eram destinados seus
recursos financeiros e se tinham decidido qual a melhor opção para progredir
financeiramente, por meio do aumento de receitas ou redução de despesas. Neste
momento, nenhum deles, demonstrou-se motivado a buscar outras fontes
alternativas para aumentar a renda, mas manifestaram desejo em diminuir
despesas.
Como a maioria dos pesquisados tem receitas escassas e o que recebem
não é suficiente para suprir as necessidades básicas de segurança e fisiológicas,
entendeu-se prudente evidenciar formas de aumentar os rendimentos. Para isso,
abordou-se novamente o aumento das receitas, que pode ocorrer de duas formas:
ampliando a jornada de trabalho ou buscando melhor qualificação profissional. Cabe
ressaltar que o aumento da jornada de trabalho tem um retorno financeiro rápido,
porém uma rentabilidade menor, enquanto que buscando a qualificação profissional
o retorno será mais lento no início, devido ao tempo de preparação, porém a longo
prazo a probabilidade é de que se obtenha maior rentabilidade.
Desta forma, apresentou-se alternativas de cursos profissionalizantes do
Bairro da Juventude, SATC e o SENAC, com intuito de despertar o interesse dos
cadastrados na associação ou de seus filhos a qualificarem-se, contribuindo para
inserção dos mesmos no mercado de trabalho.
O Bairro da Juventude oferece cursos gratuitos para pessoas a partir dos
15 anos, como: mecânica geral; eletricista de manutenção eletroeletrônica;
mecânica de automóveis e caminhões; pedreiro e confeiteiro; programador de
computador; aprendizagem industrial; tornearia; fresagem; soldagem; eletricista
predial; eletromecânica de automóveis; e eletricidade industrial. O tempo de duração
varia de 160h a 1600h.
Para inscrever-se nos cursos da SATC, é necessário estar cursando ou
ter concluído o ensino médio, com inscrições para: gestão; eletroeletrônica;
informática;
mecânica; segurança do trabalho; segurança eletroeletrônica;
administração; artes visuais; comunicação visual; design interior; atendimento ao
público e vendas; meio ambiente; metalurgia; mineração; plástico; química;
eletrônica;
secretariado.
manutenção
automotiva;
eletrotécnica;
fabricação
mecânica
e
50
O Senac/SC oferece vagas para os cursos de aprendizagem industrial,
técnico em logística, auxiliar de administração; e auxiliar de operações em logística.
Destaca-se que a SATC e o Senac/SC disponibilizam bolsa de estudos para
pessoas com baixa renda.
Ao encerrar o encontro, foi ressaltado que para melhorar a vida financeira
é necessário ter atitude e perseverança. (CERBASI, 2004). Dessa forma, o ser
humano precisa querer mudar e tem que buscar a transformação, ninguém pode
fazê-lo por essas pessoas, só elas.
Ao final, conversou-se sobre as dúvidas do grupo em relação à planilha
para controle dos gastos e novamente distribuiu-se as planilhas para preenchimento.
Estas deveriam ser devolvidas no encontro seguinte.
Dando sequência aos encontros, o tema abordado no quarto refere-se ao
Planejamento Financeiro e Motivação para Qualificação.
3.2.4 Quarto Encontro
Em 27 de fevereiro de 2010, com a palestra Planejamento Financeiro e
Motivação para Qualificação (Apêndice F), foi realizado o quarto encontro, com à
participação de 24 pessoas (Apêndice G). Observando a falta de motivação e
iniciativa do grupo, verificou-se que seria importante continuar falando de
qualificação, com o intuito de despertar-lhe o desejo de melhorar de vida.
Com isso a pesquisadora contatou a coordenadora da ABADEUS, para
verificar quais cursos são oferecidos pela instituição e esta veio ao encontro para
abordar sobre cada um deles.
A ABADEUS tem o Projeto Novo Horizonte em parceria com as Empresas
Rio Deserto que oferece cursos de pedreiro, leitura e interpretação de projetos e
mestre de obras. Com o patrocínio da Construtora Fontana, o Projeto Geração com
a Fontana disponibiliza cursos de informática básica e avançada. O Projeto
Costurando um Sonho oferece o curso de costura industrial. Em parceria com a
SATC, tem-se o projeto Parceiros do Amanhã, com cursos de manutenção
mecânica, capacitação em vendas e atendimento, montagem e manutenção de
computadores.
51
Os cursos acima citados visam inserir a pessoa qualificada no mercado
de trabalho. Vale ressaltar que todos são gratuitos e possuem certificado de
conclusão. Na ocasião não ocorreu êxito, já que nenhum dos participantes se
inscreveu, alguns, alegando que precisariam se deslocar até o Bairro Cristo
Redentor e também que teriam que se dedicar às aulas, e isso lhes tomaria muito
tempo.
Outra alternativa apresentada para qualificação foi o projeto do Governo
Federal de Plano Setorial de Qualificação - PLANSEQ (Anexo). Neste, são
oferecidas vagas na área de construção civil de: pedreiro; pintor; mestre de obras;
azulejistas e eletricistas. Na área de turismo de: camareira, cozinheiro, padeiro,
garçom e recepcionista. Para participar dos cursos, as pessoas têm de ser
beneficiárias do Bolsa Família, ter no mínimo 18 anos e a 4ª série do ensino
fundamental. Novamente nenhum deles se inscreveu.
Foi realizada uma parceria com a Associação São Vicente de Paulo, para
que os participantes pudessem frequentar os cursos por eles oferecidos de: pintura
em tecido, artesanato em madeira e bordado à fita. O material e a mensalidade são
gratuitos e ocorrem todo último domingo do mês, das 08:00h às 12:00h. Esses
trabalhos manuais podem ser uma fonte de renda extra para essas famílias, já que
têm boa aceitação no mercado.
Além desses cursos, a instituição também oferece o Projeto de Música e
Sucatas, sendo que a professora compareceu ao encontro para apresentá-lo. Neste,
têm-se noções gerais de música e instruções para confeccionar instrumentos
musicais de material reciclado. Na Tabela 1, apresentam-se a quantidade de
inscrições e a frequência nos cursos.
Tabela 1: Participação nos Cursos
FREQUÊNCIA
CURSO
INSCRITOS
28/03/10
25/04/10
30/05/10
Pintura em caixinha de madeira
2
1
1
1
Bordado de fita
1
1
0
1
Bate Lata
1
0
0
0
Também foi realizada uma parceria com o Curso de Pintura em Tela da
professora Ana Lúcia Cardoso Viana, ministrada na Cruz Vermelha. Duas mulheres
52
se inscreveram e estão participando, sendo que uma delas já fez quadros com
condições de comercialização.
Neste encontro, também foi abordada a importância de se voltar a
estudar. Ressaltou-se que sempre é o momento de recomeçar e buscar o
aperfeiçoamento, por isso, independente da idade, tem que se estar instruído. O
grupo foi orientado a procurar as unidades de ensino do EJA - Ensino para Jovens e
Adultos, que forma cidadãos que não conseguiram estudar e que estão com mais de
18 anos, para que tenham oportunidade de encerrar seus estudos até o 3º ano do
Ensino Médio.
Foi comentado também que pode-se realizar serviços terceirizados como:
confecção de prendedores de roupas; corte de fios de roupas para algumas
confecções; e até mesmo a atividade de fazer doces e salgados para festas nas
horas de descanso do trabalho.
Houve a apresentação de várias possibilidades para aumentar a renda,
mas nem todos se disponibilizaram em aproveitar as oportunidades oferecidas e se
qualificarem para ter uma profissão melhor. Hill (2001) atribui essa falta de ambição
ao fato de que em muitos desses lares a conversa geral é pobreza e a maioria
desses não obtém mais do que isso. Pensam em pobreza e aceitam-na como parte
de sua vida. Julgam que pelo fato dos seus antecessores terem sido pobres, eles
permanecerão pobres também. Com isso, decidiu-se englobar o tema motivacional,
como forma de despertá-los.
Os vocábulos Motivo + Ação formam a palavra Motivação, que ocorre
quando um motivo leva a pessoa a fazer uma ação, que só acontece quando algo o
incomoda (motivo). Desse modo, verifica-se o porquê de estar ocorrendo e busca-se
uma solução, que seria a ação.
O ser humano nasce motivado, tanto que quando bebê para aprender a
andar, primeiro levanta, cai, chora, levanta, cai novamente e levanta e cai até
aprender. Isso ocorre com aqueles que aprenderam a andar, pois nascem
motivados. Todos possuem os recursos para se motivarem, que são de auto-estima,
confiança, criatividade e capacidade para tomar decisões. A motivação ocorre
internamente em cada um e provoca mudanças, que dependem da vontade de ser e
de crescer.
A melhor forma para se motivar é estabelecer metas, ter clareza de seus
objetivos e ir em busca de alcançá-los. Segundo Robbis (2010, p.1), “costumam
53
dizer que tenho sorte, só que eu sei que quanto mais eu me preparo mais sorte eu
tenho.” Ao utilizar essa frase, o autor quer dizer que sorte é preparo para se dispor a
buscar alternativas no intuito de alcançar o que se quer.
Nessa mesma linha de pensamento, Hill (2001, p. 217) cita que “quando
não se tem dinheiro e não se desenvolveu o hábito da economia, não se tem “sorte”
e perde-se a oportunidade de ganhar dinheiro.” Por isso, existe a necessidade de
tomar atitudes em relação à sua vida e se preparar para que as mudanças possam
ocorrer.
Foi comparada a vida de uma pessoa a uma receita de bolo de laranja,
para explicar ao grupo que se fizerem sempre a mesma coisa, o resultado será
consecutivamente sempre o mesmo. Por isso, para obter resultados diferentes na
vida é preciso motivar-se e mudar para conseguir um novo feito, levando-os a se
questionarem sobre a forma como estão agindo para melhorar a qualidade de vida:
buscando novos resultados ou fazendo sempre a mesma coisa.
Contou-se a história do pardal e da águia, sendo que o pardal vivia
admirando e seguindo uma águia por entre a mata, até que um dia eles se
esbarraram. A águia questionou, por que o pardal vivia lhe seguindo e este
respondeu que era porque a admirava muito e ficava muito triste por não poder ser
como uma águia, já que suas asas eram muito pequenas; por isso todo dia acordava
e ficava observando-a na mata. E a águia respondeu-lhe que cada um tem uma
natureza diferente, mas que se ela treinasse incansavelmente por todos os dias,
poderia ser que nem ela, já que o treino dá conhecimento, fortalecimento e
compreensão para os sonhos e que aquilo que não se coloca em prática, será
sempre um sonho. Tudo é possível para os que acreditam e confiam na capacidade
de aprender e ser feliz com a sua escolha.
Destacou-se aos participantes que estes, estão ali recebendo donativos,
mas precisam aproveitar a oportunidade e lutar por uma vida melhor, não ficar só
esperando pela solidariedade das pessoas em lhe propiciar um pouco de comida,
precisam procurar realizar os seus sonhos. Para isso têm que se dispor a mudar,
estudar e se qualificar para lhes propiciar boas condições de vida.
Como não se estava obtendo o êxito esperado para o controle dos
gastos, pesquisou-se alternativas para auxiliá-los na economia doméstica e
entendeu-se ser conveniente, no quinto encontro, abordar o tema Consumo
Consciente.
54
3.2.5 Quinto Encontro
No dia 27 de março de 2010, a palestra proferida foi sobre Consumo
Consciente (Apêndice H), focada no desperdício de alimentos como raízes, folhas e
talos e a utilização destes para elaborar comidas saborosas e nutritivas. Apresentouse, também, noções de economia com água e energia, e receitas de remédios e
produtos de limpeza caseiros. Participaram deste encontro 26 pessoas (Apêndice I).
Comentou-se aos presentes, que antes de consumir, deve-se definir o
que se quer, o que se precisa e de que forma será utilizado. Para isso, deve-se aterse ao consumo consciente nas compras e em outros itens dentro de casa como:
remédios, água, energia e alimentação.
Segundo Monteiro (2006 apud CASAGRANDE, 2009), o desperdício
caracteriza-se por qualquer alimento em boas condições fisiológicas que vai para o
lixo, como sobra de refeições, aproveitamento parcial de frutos, raízes e folhas e
também no descarte de produtos e na falta de formas alternativas de
aproveitamento, no caso de hortaliças e frutas, estas são ricas em vitamina A e C,
além de ferro, potássio e cálcio. Os restos do consumo tornam o lixo brasileiro um
dos mais ricos do mundo em nutrientes, devido ao desperdício de alimentos.
Orientou-se que a utilização de cascas, talos e folhas diminui os gastos
com alimentação e melhora a qualidade nutricional do cardápio, reduz o desperdício
de alimentos e torna possível a criação de novas receitas. O valor nutritivo de muitos
alimentos concentra-se nas cascas ou folhas. Por isso, deve-se utilizar partes dos
alimentos que se costuma jogar no lixo e que podem ser aproveitadas, servindo para
suprir a carência de nutrientes no organismo e tornando o cardápio mais saudável e
criativo.
Com as sobras de alguns alimentos são feitos outros pratos saborosos,
como purê de batatas, bolinhos ou doces. Por isso, foram citados na palestra e foi
entregue uma apostila sintetizada do Curso de Alimentação Enriquecida da Pastoral
da Criança, com diversas receitas com ingredientes simples e que geralmente são
desperdiçados. A apostila contém receitas de remédios caseiros e produtos de
limpeza.
Ressaltou-se aos participantes que é importante economizar água, pois,
além da consciência ecológica, esta também representa redução no orçamento, já
55
que em um vaso sanitário de caixa acoplada, a cada descarga são utilizados 12
litros de água potável. Além disso, uma torneira pingando uma gota por segundo irá
desperdiçar em um dia 46 litros de água.
Em relação a energia elétrica, comentou-se que o equipamento doméstico
que mais consome energia é o chuveiro, por isso os participantes foram orientados
que ao tomar banho deve-se fechar o chuveiro para se ensaboar; dessa forma em
um ano, é possível economizar o equivalente a 30.000 litros de água. Se for
reduzido o banho de 12 minutos para 6, ocorrerá economia de energia para manter
uma lâmpada acesa por 7 horas. Além disso, ao se fazer a limpeza da casa, se ao
invés de abrir a torneira e deixar a água correndo, utilizar-se um pano e um balde de
água, estará se economizando, já que uma mangueira ligada por
15 minutos
desperdiça 279 litros de água.
A geladeira é um equipamento doméstico que fica ligada o tempo todo e
consome bastante energia. Por isso, destacou-se que devem verificar se sua
borracha está vedando a passagem de ar e que é para não forrarem as prateleiras
com plásticos ou vidro. Tendo em vista que este procedimento dificulta a passagem
de ar e consome mais energia. A sugestão foi de que não guardem alimentos
quentes, não deixem a porta aberta por muito tempo e regulem o termostato para
resfriar menos no inverno.
Nesse encontro foram apresentadas diversas dicas úteis para os
participantes aplicarem em seu lar. O encontro a seguir consiste no encerramento do
trabalho e aplicação do questionário, novamente visando perceber se ocorreu
educação.
3.2.6 Sexto Encontro
No último encontro que ocorreu em 24 de abril de 2010, foi novamente
aplicado o questionário sócio-econômico (Apêndice A) para obter uma comparação
das variáveis.
Cabe ressaltar que das 27 pessoas que responderam ao questionário
sócio-econômico, no dia 26 de setembro de 2009, apenas 13 estiveram presentes
neste encontro. Com isso, da grande discrepância no número de pesquisados do
56
primeiro para o último questionário, julgou-se procedente, para não alterar
resultados, analisar somente as respostas obtidas junto aos 13 que participaram das
duas pesquisas.
No próximo item, abordar-se-á o perfil dos 13 respondentes.
3.3 Perfil dos Respondentes
Nesta seção, de acordo com os dados coletados na pesquisa de campo
identificou-se o perfil dos respondentes no que diz respeito à idade, gênero, nível de
escolaridade, número de filhos e os meios de comunicação utilizados para informarse.
a) Idade
Inicialmente, verificou-se a idade dos respondentes por faixa etária. Na
Tabela 2, apresenta-se o resultado desta variável.
Tabela 2: Idade Por Faixa Etária
FAIXA ETÁRIA
FREQUÊNCIA ABSOLUTA
FREQUÊNCIA RELATIVA (%)
20 – 30 anos
4
30,77
31 – 40 anos
2
15,38
41 – 50 anos
4
30,77
51 – 60 anos
2
15,38
Acima de 60 anos
1
7,70
Total
13
100,00
Com relação à variável idade, percebeu-se que 76,92% das pessoas têm
de 20 a 50 anos, 15,38% de 51 a 60 anos e por último com 7,7%, acima de 60 anos.
Dessa forma, constatou-se que a faixa etária é diversificada. Outro levantamento
que se buscou, neste momento da pesquisa, foi identificar o gênero dos
respondentes.
57
b) Gênero
No aspecto de gênero do representante das famílias que vêm à instituição
para receber as doações, observou-se na totalidade a representatividade pelo sexo
feminino.
c) Nível de Escolaridade
Quanto ao nível de escolaridade dos 13 respondentes, pode-se observar
o resultado obtido na Tabela 3.
Tabela 3: Nível de Escolaridade
NÍVEL DE ESCOLARIDADE
FREQUÊNCIA ABSOLUTA
FREQUÊNCIA RELATIVA (%)
Analfabeto
3
23,08
1ª a 4ª série incompleto
4
30,77
1ª a 4ª série completo
1
7,69
5ª a 8ª série incompleto
5
38,46
Total
13
100,00
Conforme os dados apresentados, 23,08% da amostra compõem-se por
analfabetos, 30,77% têm da 1ª à 4ª série incompleta, 7,69% frequentou da 1ª à 4ª
série completo e 38,46% da 5ª à 8ª série incompleta. Cabe ressaltar que uma
participante voltou a estudar e está cursando a 4ª série.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – IBGE (2008a),
a média de estudos das pessoas com 15 anos ou mais de idade, em Santa Catarina,
varia de 6,6 anos a 8,2, conforme cor ou raça. Considerando o resultado obtido junto
ao grupo, os 23,08% de analfabetos, 30,77% com a 1ª à 4ª série incompleta e 7,69%
que têm de 1ª à 4ª série completa, soma-se 61,54% que possuem menos de 6,6
anos de estudos.
Após verificar o nível de escolaridade da amostra, constata-se que estes
se encontram abaixo da média estadual e nenhum deles completou o ensino
fundamental da 1ª a 8ª série. Dessa forma, entende-se a dificuldade que estes
possuem em compreenderem e de controlarem os gastos descritos na planilha de
orçamento (Quadro 9) aplicada aos mesmos.
58
d) Número de Filhos
Ao perguntar aos pesquisados qual o número de filhos que possuem,
obteve-se os resultados contidos na Tabela 4.
Tabela 4: Número de Filhos
NÚMERO DE FILHOS
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
RELATIVA (%)
Não tem filhos
1
7,69
1 filho
1
7,69
2 filhos
1
7,69
3 filhos
5
38,46
4 filhos
1
7,69
5 ou mais filhos
4
30,77
Total
13
100,00
Segundo Lima (2008, p.1), “no Brasil, a média de filhos por mulher
encontra-se em 2,3.” Quanto a esta variável, observou-se que 38,46% têm 3 filhos e
30,77% possui cinco ou mais. Ao calcular-se a média do grupo, obteve-se como
resultante 3,38 filhos por mulher. Comparando esse valor à média brasileira,
percebe-se um número acima da média nacional. Destaca-se que uma participante,
durante o período da pesquisa, engravidou pela sétima vez.
No Brasil é comum o número de filhos ser inversamente proporcional à
renda, já que as pessoas de baixam renda geralmente possuem mais filhos que as
mais providas financeiramente.
Após saber do número de filhos dos pesquisados, investigou-se quais os
meios de comunicação que utilizam e sua frequência.
e) Meios de Comunicação e Frequência de Utilização
Buscou-se identificar quais os meios de comunicação que estão mais
presentes na vida dos entrevistados e sua frequência de uso, já que estes são
canais de informação utilizados para as pessoas se manterem atualizadas. Por isso,
observou-se as variáveis de uso e periodicidade dos que escutam rádio, assistem
televisão e lêem revistas, jornais e livros. O resultado obtido está evidenciado no
Gráfico 1.
59
Nunca
76,92%
84,62%
0,00%
23,08%
Raramente
0,00%
7,69%
0,00%
7,69%
Livros
Jornal e Revista
Televisão
15,38%
Às vezes
Sempre
Rádio
0,00%
46,15%
53,85%
7,69%
7,69%
53,85%
15,38%
Gráfico 1: Frequência de Utilização dos Meios de Comunicação
Os pesquisados apresentam maior preferência pela televisão, já que
53,85% sempre a assistem. O rádio é a segunda opção de escolha, com 15,38%.
Quanto ao índice de não preferência pelo público, 76,92% das pessoas nunca lêem
livros e 84,62% jornais e revistas. Entende-se que os meios de comunicação que
mais são utilizados são os que não envolvem leitura, sendo uma das consequências
da resultante do nível de escolaridade, apresentado na Tabela 2.
Após conhecer os detalhes do perfil dos respondentes, a seguir
contemplam-se critérios referentes ao orçamento familiar.
3.4 Orçamento Familiar
Nesta seção, identificam-se dados da situação econômica do grupo como:
indicadores de número de pessoas por domicílio; número de pessoas que
contribuem com a renda familiar; atividade remunerada além da principal; renda
familiar por salário-mínimo; desempregados; nível de representatividade das
despesas mensais; dívidas; aspectos da residência; e móveis e utensílios.
60
a) Número de Pessoas por Domicílio
Neste tópico aborda-se sobre a quantidade de pessoas que residem por
domicílio, conforme elencado na Tabela 5.
Tabela 5: Número de Pessoas por Domicílio
NÚMERO DE PESSOAS
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
TOTAL POR
POR DOMICÍLIO
ABSOLUTA
RELATIVA (%)
DOMICÍLIO
2 pessoas
1
7,69
2
3 pessoas
3
23,08
9
4 pessoas
3
23,08
12
5 pessoas
1
7,69
5
6 pessoas
3
23,08
18
7 pessoas
2
15,38
14
Total
13
100,00
60
O resultado que mais se faz evidente foi o percentual de 23,08%, em
casas que residem 3, 4 e 6 pessoas. A média de pessoas por domicílio da amostra é
de 4,62, sendo que a média de pessoas por domicílio no País é 3,5 e na região Sul
3,2, segundo fonte do IBGE (2005). Dessa forma, o resultado obtido encontra-se
acima da média nacional e regional.
Após verificar-se o número de moradores por residência, torna-se
importante elencar quantas pessoas contribuem com a renda familiar.
b) Número de Pessoas que Contribuem com a Renda Familiar
Neste tópico, demonstra-se a quantidade de pessoas por família que
contribuem para a renda familiar. Os dados obtidos podem ser observados no
Gráfico 2.
61
80,00%
69,23%
70,00%
60,00%
46,15%
50,00%
38,46%
40,00%
30,00%
20,00%
15,38%
15,38%
7,69% 7,69%
10,00%
0,00%
0,00%
Set-09
1 pessoa
2 pessoas
Abril-10
3 pessoas
Todos Desempregados
Gráfico 2: Número de Pessoas que Contribuem com a Renda Familiar
Quando questionados quanto ao número de pessoas que contribuem na
renda familiar, observou-se um crescimento, comparando-se o período de
setembro/2009 com abril/2010. Apesar de ter diminuído a porcentagem de 69,23%
para 46,15%, onde uma pessoa contribui com renda, aumentou de 15,38% para
38,46%, no caso de duas pessoas.
Fazendo-se esse comparativo entre os períodos em que foram realizados
os questionamentos, verifica-se um crescimento significativo, pois mais pessoas
despertaram para a importância de trabalharem e consequentemente aumentaram a
renda familiar, mesmo que tenha crescido o índice de desempregados.
Quanto às atividades principais de renda exercidas são: faxineira; catador
de papelão e latinhas; servente de pedreiro; pedreiro; vigilante; ceramista; e
descarregador de caminhão.
Após definir a quantidade de pessoas que trabalham e os tipos de
atividades, o questionamento descrito a seguir refere-se ao desempenho de
atividade remunerada além da principal.
c) Atividade Remunerada Além da Principal
No desenvolvimento do trabalho, apresentou-se diversas atividades
como: cabeleireira; manicure e pedicure; crochê; segurança em festas e ou/
estacionamento; garçom; lavador de carros; bordadeira; passadeira; artesanato;
62
doces e salgados; corte de grama; entre outras que podem ser realizadas
paralelamente à atividade principal. Por isso, um aspecto levantado nas palestras
com o grupo foi em relação a ter algum trabalho remunerado além do principal. Os
resultados obtidos evidenciam-se no Gráfico 3.
120,00%
100,00%
92,31%
100,00%
80,00%
60,00%
40,00%
20,00%
7,69%
0,00%
0,00%
Set-09
Nunca
Abril-10
Às Vezes
Gráfico 3: Atividade Remunerada Além da Principal
Para verificar a vontade do grupo em progredir financeiramente, apurouse se os respondentes desempenharam alguma atividade remunerada além da
principal no período pesquisado. Dos questionados em setembro de 2009 nenhum
deles exercia outra atividade além da principal. Em abril de 2010, esta resultante
alterou-se, pois neste 7,69% dos respondentes afirmaram que às vezes exercem
algum trabalho secundário, enquanto que os outros, 92,31%, não exercem além da
principal. Apesar do aumento de 7,69% dos que estão realizando alguma atividade
além da principal, o resultado da maioria, de que não estão, é atribuído por Hill
(2001) como falta de interesse, pois pessoas pobres não têm ambição,
autoconfiança e esperança de melhorar.
Outro aspecto importante a ser apresentado é a renda familiar.
d) Renda Familiar por Salário-Mínimo
Este indicador representa a renda familiar por salário mínimo. No Gráfico
4, apresenta-se o comparativo entre o período de setembro de 2009 a abril de 2010.
63
53,85%
60,00%
53,85%
46,15%
50,00%
40,00%
23,08%
30,00%
15,38%
20,00%
10,00%
7,69%
0,00%
0,00% 0,00%
0,00%
0,00%
Set-09
abr-10
Sem Renda
Menos de 1 salário mínimo
2 salários mínimos
3 salários mínimos
1 salário mínimo
Gráfico 4: Renda Familiar por Salário Mínimo
Comparando-se os períodos, percebe-se um acréscimo na renda, já que
no 1º período o valor máximo de renda era de um salário mínimo, enquanto que no
2º, 15,38% dos pesquisados afirmaram estar recebendo dois salários mínimos e
7,69%, três salários mínimos.
Fazendo uma média do indicador de renda familiar do grupo por salário
mínimo e o número de moradores por residência, para ser comparado aos valores
de renda por classe social, apresentado pela ABEP no Quadro 1, verificou-se que
apenas uma família tem uma renda de R$ 340,00 por pessoa, podendo ser
classificada na Classe E. As outras famílias pesquisadas não se enquadram na
classe social de menor renda, estando dessa forma fora das classes sociais
estipuladas no Quadro 1.
Outro aspecto considerado importante é a relação de desempregados.
e) Desempregados
Na Tabela 6, elucida-se o número de desempregados por residência com
idade acima de 18 anos.
Tabela 6: Desempregados
DESEMPREGADOS
Não tem
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
RELATIVA (%)
ABSOLUTA
RELATIVA (%)
SETEMBRO/2009
SETEMBRO/2009
ABRIL/2010
ABRIL/2010
6
46,15
8
61,54
continua
64
conclusão
1 pessoa
6
46,15
3
23,08
2 pessoas
1
7,69
1
7,69
3 pessoas
-
-
1
7,69
13
100
13
100,00
Total
Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, realizada pelo IBGE (2010) nas
regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São
Paulo e Porto Alegre, em abril de 2010, a taxa de desemprego estimada foi de 7,3%.
Somando-se as porcentagens de desempregados do grupo pesquisado no mês de
abril de 2010, obtém-se uma resultante de 38,46%, ficando 31,16 pontos percentuais
acima da média das seis regiões metropolitanas.
Com relação as residências que não tem nenhum desempregado em
casa, com idade acima de 18 anos, apesar de manter-se acima das estatísticas do
IBGE, constatou-se que diminuiu o número de desempregados de 46,15%, em
setembro de 2009, para 61,54%, em abril de 2010.
No próximo tópico, apresenta-se o nível de representatividade das
despesas mensais.
f) Nível de Representatividade das Despesas Mensais
Foi formulado o questionamento referente ao grau de representatividade
que tem cada grupo de despesas com alimentação, higiene/limpeza, transporte,
habitação, saúde, vestuário e lazer na renda familiar, classificados em: não tem
representatividade; pouco representativo; representativo; e muito representativo. Na
Tabela 7, apresentam-se os resultados da pesquisa em setembro do ano de 2009.
Tabela 7: Nível de Representatividade das Despesas no Período de Set/09
Gastos
Não Tem
Pouco
Representativo
Muito
Total
QTD
%
QTD
%
QTD
%
QTD
%
QTD
%
Alimentação
2
15,38
2
15,38
7
53,85
2
15,38
13
100
Higiene/Limpeza
5
38,46
6
46,15
2
15,38
0
-
13
100
Transporte
6
46,15
4
30,77
2
15,38
1
7,69
13
100
Habitação
4
30,77
2
15,38
4
30,77
3
23,08
13
100
Saúde
8
61,54
2
15,38
2
15,38
1
7,69
13
100
continua
65
conclusão
Vestuário
11
Lazer
12
Na
Tabela
84,62
2
15,38
0
-
0
-
13
100
92,31
1
7,69
0
-
0
-
13
100
8,
demonstram-se
os
dados
coletados
sobre
a
representatividade das despesas do período de abril do ano de 2010, visando
comparar com a Tabela 7 e verificar se ocorreu aumento ou diminuíram os valores
das despesas.
Tabela 8: Nível de Representatividade das Despesas no Período de Abril/10
Gastos
Não Tem
Pouco
Representativo
Muito
Total
QTD
%
QTD
%
QTD
%
QTD
%
QTD
%
Alimentação
4
30,77
2
15,38
2
15,38
5
38,46
13
100
Higiene/Limpeza
3
23,08
6
46,15
2
15,38
2
15,38
13
100
Transporte
7
53,85
6
46,15
0
-
0
-
13
100
Habitação
5
38,46
0
-
3
23,08
5
38,46
13
100
Saúde
6
46,15
5
38,46
0
-
2
15,38
13
100
Vestuário
11
84,62
2
15,38
0
-
0
-
13
100
Lazer
12
92,31
1
7,69
0
-
0
-
13
100
Observando os valores dos recebimentos do grupo e seus relatos,
verificou-se a insuficiência financeira para suprir plenamente as necessidades
fisiológicas, demonstrando quais são os itens prioritários para o grupo. A seguir,
apresenta-se a análise dos dados individualmente por despesa.
Analisando os gastos com alimentação em relação ao questionário de
setembro de 2009 a abril de 2010, percebeu-se o aumento de 15,39% de pessoas
que não têm nenhum gasto. Com referência aos que consideram o gasto
representativo, este diminuiu 38,47% e muito representativo aumentou a importância
na porcentagem de 23,08.
Com relação às despesas de higiene e limpeza, em setembro de 2009,
38,46% não tinham este gasto e 46,15% identificaram ter pouco, totalizando 84,61%
que responderam ter raro ou a ausência de gastos com este item.
Não sabendo da carência de acesso de produtos de higiene e limpeza até
a aplicação do questionário, em setembro de 2009, e após a ciência deste fato, a
psicóloga que coordena os trabalhos junto ao grupo, fez contatos e conseguiu
66
parcerias para realizar doações nesse segmento, a seguir apresentadas (Apêndice
A):
· Empresa do Ramo Químico (RS): comprometeu-se em ser uma parceira
contínua do projeto e doou 80 unidades de sabão em dezembro/2009, 56
litros de detergente em março/2010 e 40 unidades de sabão e 24 litros de
desinfetante em abril/2010;
· Empresa do Ramo Químico (SC): contribuiu com a doação de 25 litros
de detergente e 25 litros de água sanitária;
· Coordenação de Escola Técnica (SC): organizou uma campanha entre
os alunos e arrecadou 5 litros de amaciante, 17 detergentes, 2
desinfetantes, 1 palha de aço e 5 caixas de sabão em pó;
· Gerência de Odontologia da Prefeitura Municipal de Criciúma (SC):
doou 76 escovas de dente e 75 cremes dentais.
Ainda sobre higiene e limpeza, percebeu-se que o grupo passou a ter
maiores gastos com esse item, pois diminuiu em 15,38% a porcentagem de pessoas
que não tinham esse gasto, pouco e representativo mantiveram-se e aumentou em
15,38% a quantidade de pessoas com alta representatividade. Os valores dessa
resultante podem ser reflexo do aumento da renda familiar.
Quanto aos gastos com transportes, estes diminuíram. Em setembro de
2009, 46,15% não tinham esse gasto, 30,77% tinham pouco, 15,38% era
representativo e 7,69% muito representativo. Em abril de 2010 está premissa passou
para 53,85% de pessoas que não têm gasto e 46,15% com pouco. A maioria
locomove-se caminhando ou de bicicleta, poucos utilizam transporte coletivo.
No quesito habitação, referem-se à despesas com aluguel, gás de
cozinha, água e energia. Alguns diminuíram e outros aumentaram, já que em
setembro de 2009, 30,77% não tinham esse gasto, 15,38% pouco representava,
30,77% elucidaram ter gasto representativo e 23,08% muito representativo. Em abril
de 2010, 38,46% assinalaram não ter tal gasto, 23,08% têm gasto representativo e
38,46% muito representativo.
Em relação as gastos com saúde, em setembro de 2009, 61,54%
identificaram que não tinham, 15,38% pouco tinham, 15,38% representativo e 7,69%
muito representativo. Em abril de 2010, esses valores passaram para 46,15% sem
gastos, 38,46% pouco representativo e 15,38% muito representativo. Alguns
67
diminuíram os gastos e outros aumentaram, sendo que a maioria não tem esse
desembolso, pois recebem gratuitamente nos postos de saúde.
A premissa de vestuário manteve-se inalterável, tendo em vista que nos
dois períodos, 15,38% teve gasto pouco representativo e 84,62% não gastou. Esse
consumo é baixo, pois os respondentes recebem doações de roupas em boas
condições de uso da associação.
Os dados das atividades de lazer não tiveram alterações, pois em
setembro de 2009 e abril de 2010, 92,31% identificaram não ter lazer e 7,69%
assinalaram que pouco têm com este item.
Conforme Chiavenato (2002), na Pirâmide de Maslow, as necessidades
fisiológicas de fome, sede, sono e respiração são as primeiras a serem satisfeitas, e
na sequência, contemplam-se as de segurança do corpo, dinheiro, família, que
garantem a proteção do indivíduo.
Fazendo uma análise das despesas num todo, a maioria apresentou
como muito representativo e representativo os gastos com alimentação e habitação.
Destaca-se que uma necessidade só deixará de ser prioridade, a partir do momento
que esta for alcançada. As famílias em análise não têm condições financeiras para
suprir totalmente as primárias.
No Gráfico 5, ressalta-se claramente a realidade de insuficiência de renda
para cobrir as despesas.
90,00%
80,00%
70,00%
60,00%
50,00%
40,00%
30,00%
20,00%
10,00%
0,00%
76,92%
30,77%
30,77%
23,08%
15,38%
15,38%
7,69%
0,00%
Set-09
Nunca
Abril-10
Raramente
Às Vezes
Sempre
Gráfico 5: Renda X Despesas
Apesar de no primeiro período, 76,92% dos respondentes afirmarem que
a renda não atende as necessidades das despesas, no segundo período este valor
68
passou para 30,77%, diminuindo em 46,15 pontos percentuais das pessoas que
dizem que nunca cobrem as despesas. Esse questionamento obteve melhora, já que
no período de abril de 2010, 23,08% passaram raramente a manter as despesas,
30,77% às vezes alcançam e 15,38% conseguem suprir-se com a renda.
Após este tópico, o outro levantamento que se buscou foi identificar as
dívidas.
g) Dívidas
Neste tópico, visualiza-se a perspectiva de evolução das dívidas do grupo
no período analisado. O resultado obtido pode ser verificado, observando-se a
Tabela 9.
Tabela 9: Dívidas
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
RELATIVA (%)
ABSOLUTA
RELATIVA (%)
SETEMBRO/2009
SETEMBRO/2009
ABRIL/2010
ABRIL/2010
Não Possui
6
46,15
7
53,84
1,00 – 500,00
5
38,47
4
30,78
500,01 – 1.000,00
-
-
1
7,69
1.000,01 – 1.500,00
1
7,69
-
-
1.500,01 – 2.500,00
-
-
1
7,69
Acima 2.500,01
1
7,69
-
-
Total
13
100
13
100
DÍVIDAS R$
No mês de setembro de 2009, eram 46,15% que não possuíam dívidas,
enquanto que em abril de 2010, este número passou para 53,84%. Dessa forma,
diminuíram em 7,69% os endividados. Além disso, também amortizou-se
gradativamente o valor das dívidas, já que no primeiro período, 7,69% era com valor
superior a R$ 2.500,01 e agora nenhum mais o tem. Em setembro de 2009, não
havia dívidas de R$ 1.500,01 a R$ 2.500,00 e em abril passou a ser de 7,69%. Nas
dívidas de R$ 1.000,01 a R$ 1.500,00, 7,69% tinham em setembro de 2009 e agora
não as têm mais, enquanto que de R$ 500,01 a R$ 1.000,00, ninguém continha em
setembro de 2009 e agora 7,69% as obtêm.
Na próxima unidade apresentam-se os aspectos da residência.
69
h) Aspectos da Residência
Mais um aspecto importante a ser investigado diz respeito às condições
de moradia dessas pessoas, como: residência própria, concedida ou alugada;
número de cômodos da casa; condições da residência; e desejo de ampliá-la.
Por isso, foi questionado ao grupo se residiam em casa-própria, alugada
ou concedida, como forma de conhecer um pouco mais suas características. Com as
respostas obtidas, no que diz respeito a essa circunstância, realizou-se um
comparativo entre o período de setembro de 2009 a abril de 2010 e os dados
obtidos, apresentam-se no Gráfico 6.
100,00%
90,00%
80,00%
70,00%
60,00%
92,31%
69,23%
50,00%
40,00%
30,00%
20,00%
10,00%
0,00%
23,08%
7,69%
7,69%
0,00%
Set-09
Própria
Abril-10
Aluguel
Concedida
Gráfico 6: Residência
Embasado pelo Gráfico 6, percebe-se o aumento patrimonial de algumas
famílias, já que 23,08% das pessoas adquiriram casa própria, 15,39% deixaram de
alugar e nenhum dos respondentes residem em moradia concedida.
Outro fato analisado diz respeito às condições da moradia e o número de
cômodos por residência. Tomando por base uma casa em que tenha 1 quarto, 1
sala, 1 cozinha, 1 banheiro e 1 área de serviço, o número mínimo de cômodos seria
cinco. No Gráfico 7, apresentam-se os dados das casas do grupo.
70
7,69%
30,77%
15,38%
3 Cômodos
4 Cômodos
5 Cômodos
6 Cômodos
8 Cômodos
23,08%
23,08%
Gráfico 7: Número de Cômodos da Residência
Observando o gráfico, verifica-se que 30,77% residem em casas com 3
cômodos, 23,08% com 4 peças e 23,08% com 5. Dessa forma, 53,85% possuem
residências consideradas pequenas com até 4 cômodos.
Embora a maioria das residências sejam pequenas, 61,54% acreditam
possuir residência em bom estado de conservação, 23,08% apontaram que a casa
precisa de reforma e 15,38% ressaltam que está em péssimas condições.
Quando questionados quanto aos seus desejos para o futuro, 61,54%
querem construir uma nova casa ou reformar a existente e ampliar cômodos como a
cozinha, quarto e banheiro.
Por conseguinte, têm-se os bens domésticos que o grupo possui em
suas residências.
i) Móveis e Utensílios
A pesquisa também identificou a evolução da aquisição de bens
domésticos que propiciam conforto e qualidade de vida. Para isso, foi questionado
ao grupo, se eles possuíam alguns bens domésticos listados a seguir, comparando o
início da pesquisa em setembro de 2009 a abril de 2010, conforme o Gráfico 8.
71
Carro
7,69%
0,00%
Telefone Convencional
7,69%
Computador
0,00%
7,69%
23,08%
69,23%
Telefone Celular
46,15%
Máquina de Lavar
Roupas
53,85%
53,85%
46,15%
38,46%
DVD
100,00%
92,31%
Televisão
Microondas
23,08%
7,69%
23,08%
23,08%
Secadora de Roupas
Vídeo Cassete
15,38%
15,38%
84,62%
Rádio
53,85%
100,00%
Geladeira
92,6%
set/09
abr/10
Gráfico 8: Bens Domésticos
Constatou-se que várias pessoas conseguiram adquirir itens, como a
geladeira e televisão, pois em abril de 2010 todos assinalaram possuir. Além disso,
aumentou em 30,77% a porcentagem de pessoas com rádio em casa, 23,08% com
telefone celular, 15,39% com microondas e telefone convencional, 7,69% com DVD
e carro. Itens como vídeo cassete, máquina de lavar e secadora de roupas
mantiveram o mesmo percentual. O único item que diminuiu foi o computador, em
que apenas uma pessoa possuía e agora não o tem mais.
No Quadro 15, apresentam-se dados coletados pelo IBGE (2008b), dos
utensílios domésticos presentes nas residências catarinenses.
72
UTENSÍLIOS
SANTA CATARINA (%)
Fogão
99,43
Geladeira
98,73
Freezer
41,97
Máquina de Lavar
62,72
Rádio
95,25
Televisão
97,69
Microcomputador
46,52
Telefone Celular
36,48
Telefone Convencional
5,89
Quadro 15: Porcentagem de Residências com Eletrodomésticos em SC
Fonte: Adaptado IBGE (2008b)
A seguir, na Tabela 10, tem-se a comparação realizada entre a média
catarinense e a dos participantes da Associação Padre Aníbal Maria de Francia em
abril/2010.
Tabela 10: Porcentagem de Utensílios Domésticos
SANTA
ASSOCIAÇÃO
CATARINA (%)
CARIDADE (%)
Geladeira
98,73
100
1,27
Máquina de Lavar
62,72
53,85
(8,87)
Rádio
95,25
84,62
(10,63)
Televisão
97,69
100
2,31
Microcomputador
46,52
-
(46,52)
Telefone Celular
36,48
69,23
32,75
Telefone Convencional
5,89
23,08
17,19
UTENSÍLIOS
DIFERENÇA
Comparando-se à média estadual, percebe-se que os cadastrados na
associação possuem alguns utensílios domésticos acima da média estadual, tais
como: geladeira, televisão, telefone celular e convencional. Cabe ressaltar que os
dois últimos, se não forem bem controlados e utilizados, podem tornar-se uma fonte
de desperdício de dinheiro. No entanto, alguns ficaram abaixo da média, como: a
máquina de lavar roupa, o rádio e o computador, sendo que este último está
totalmente ausente nas residências.
Após conhecer detalhes sobre o orçamento familiar, a seguir contemplase a Proposta de Controle Financeiro Pessoal.
73
3.5 Proposta de Controle Financeiro Pessoal
Neste tópico, apresentam-se as resultantes obtidas por meio da proposta
de elaborar e acompanhar um controle financeiro com o grupo.
O alicerce da metodologia de aprendizado financeiro consiste em planejar
e controlar os recursos. Para isso, o objetivo geral deste estudo foi desenvolver um
trabalho de educação financeira pessoal com um grupo de pessoas cadastradas na
Associação Padre Aníbal Maria de Francia, propondo e acompanhando a gestão de
recursos no período de setembro de 2009 a abril de 2010. Alguns fatores como o
baixo nível de escolaridade, a falta de perspectiva de sair dessa situação, a falta de
confiança e a insegurança de estarem sendo monitorados tornou complexo o
controle, não podendo este ser executado conforme o previsto.
Foram entregues, nos encontros, a todos que participaram das palestras,
com idade superior a 18 anos, as planilhas de orçamento familiar (Quadro 9) para
controlarem as receitas e despesas.
Em dezembro de 2009, foram recebidas oito planilhas, sendo que destas
quatro não foram preenchidas de forma correta. Ao invés de colocarem valores, as
pessoas assinalaram. Deste modo, ocorreu nova orientação de como proceder
quanto ao preenchimento, e aguardado um retorno no próximo encontro.
Em fevereiro do ano de 2010, apenas uma planilha foi preenchida
corretamente.
No mês de março de 2010, três preencheram de forma errada e cinco
corretamente. Em abril de 2010, nenhuma foi devolvida.
Destaca-se que os pesquisados não conseguiram compreender que o
intuito era ajudá-los a organizar-se e com isso não ocorreu uma sequência no
preenchimento. Desta forma, não se obteve êxito de aplicação da referida planilha,
já que não se conseguiu desenvolver um planejamento e supervisioná-lo, de forma a
controlar os recursos.
No tópico a seguir, abordam-se sugestões de planejamento financeiro
pessoal para os respondentes.
74
3.6 Sugestões de Planejamento Financeiro Pessoal para o Grupo
Nesta seção, serão elucidadas sugestões que possam contribuir para
melhorar o planejamento financeiro pessoal dos respondentes, como:
· Comprometimento do grupo em controlar os gastos por meio da planilha
ou outro método que julgar procedente, para efetuar um planejamento
financeiro eficaz e eficiente;
· Retomar os estudos e concluir o ensino médio;
· Dedicar-se ao aperfeiçoamento por meio de cursos para ter uma melhor
qualificação profissional;
· Buscar outras fontes para aumentar a renda, como a terceirização de
serviços ou outros trabalhos eventuais;
· Gerenciar melhor os recursos financeiros; e
· Melhorar a auto-estima e motivar-se na busca de alternativas para ter
uma boa qualidade de vida.
75
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, são enunciadas as considerações finais desta pesquisa
sobre finanças pessoais, que teve como objetivo geral desenvolver um trabalho de
educação financeira pessoal com um grupo de pessoas cadastradas na Associação
Padre Aníbal Maria de Francia.
Dada sua importância, este se desenvolveu com pessoas de baixo poder
aquisitivo, que recebem doações para suprir as necessidades fisiológicas de
alimentação e precisam aprender a controlar seus recursos de forma a gerenciá-los
da melhor maneira possível.
De acordo com os quatro objetivos específicos, têm-se os seguintes
resultados.
Primeiramente buscou-se evidenciar as principais características pessoais
e financeiras da gestão dos recursos próprios do grupo de pessoas cadastradas na
Associação Padre Aníbal Maria de Francia em Criciúma/SC. Com isso, percebeu-se
que a remuneração é insuficiente para suprir as despesas básicas, têm-se baixo
nível de escolaridade, elevado número de filhos e desconhecimento com relação à
instrução financeira.
O segundo objetivo propunha a aplicação de mecanismos focados no
planejamento financeiro pessoal, com o propósito de obter uma melhor gestão dos
recursos próprios do grupo objeto de estudo. Por isto, fez-se o uso da planilha de
orçamento para controlar os gastos. A baixa instrução educacional e a falta de
motivação tornaram o controle complexo, comprometendo o resultado da pesquisa e
não corroborando conforme o previsto.
O terceiro objetivo foi acompanhar, no período de setembro de 2009 a
abril de 2010, a gestão financeira pessoal do grupo pesquisado, após explanação de
alguns mecanismos que podem ser utilizados para gestão dos próprios recursos.
Foram realizadas quatro palestras, que abordaram assuntos sobre finanças
pessoais; planejamento financeiro; demonstrações contábeis que podem ser
utilizadas por pessoa física; noções de economia doméstica; sugestões de cursos;
atividades para qualificação; e outras informações interessantes ao grupo.
Com relação ao controle de finanças por meio da planilha, o trabalho ficou
comprometido, porém do ponto de vista do conhecimento e da economia doméstica,
76
surtiu efeito positivo, já que por meio do questionário percebeu-se a conquista de
residências, diminuição de dívidas, aquisição de bens e aumento de renda,
retomada de estudos e, apesar da baixa adesão, a procura da qualificação por
alguns, já que estão buscando o aperfeiçoamento.
Por último, analisaram-se os resultados obtidos, visando detectar se
ocorreu melhora financeira neste grupo. Observou-se que algumas pessoas
perceberam a importância de poupar por meio da economia doméstica, porém
poucos motivaram-se na busca pela qualificação e outras atividades que dêem
maior retorno financeiro para aumentar a renda familiar e melhorar a qualidade de
vida.
Cabe ressaltar, entretanto, que, por se tratar de um estudo de tipologia
experimental criaram-se situações, por meio das palestras, buscando auxiliá-los no
controle financeiro. Cada grupo tem suas peculiaridades, por isso nem sempre o
trabalho encaminha-se conforme o planejado e precisa ser reestruturado em função
das limitações. Sendo assim, recomenda-se desenvolver um trabalho com
atendimento individualizado, por família, em suas residências.
77
REFERÊNCIAS
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81
APÊNDICE
82
APÊNDICE A – FOTOS DA DOAÇÃO DE MATERIAL DE LIMPEZA
83
APÊNDICE B - QUESTIONÁRIO SÓCIO-ECONÔMICO
NOME: ___________________________________________________________
INDICADORES GERAIS
1. ESCOLARIDADE
|__| ANALFABETO
|__| ALFABETIZADO
|__| PRIMARIO COMPLETO
|__| PRIMARIO INCOMPLETO
|__| GINASIO COMPLETO
|__| GINASIO INCOMPLETO
|__| 2o GRAU INCOMPLETO
|__| 2o GRAU COMPLETO
|__| SUPERIOR COMPLETO
|__| SUPERIOR INCOMPLETO
2. IDADE
|__| 18 A 20 ANOS
|__| 20 A 25 ANOS
|__| 26 A 30 ANOS
|__| 31 A 35 ANOS
|__| 36 A 40 ANOS
|__| 41 A 45 ANOS
|__| 46 A 50 ANOS
|__| 51 A 55 ANOS
|__| 56 A 60 ANOS
|__| ACIMA DE 60 ANOS
3. SEXO
|__| FEMININO
|__| MASCULINO
4. NÚMERO DE FILHOS
|__| NÃO TEM FILHOS
|__| 1 FILHO
|__| 2 FILHOS
|__| 3 FILHOS
|__| 4 FILHOS
|__| 5 OU MAIS. QUANTOS?____
5. COM FREQUÊNCIA
OUVE RÁDIO
|__| SEMPRE
|__| NUNCA
|__| ÀS VEZES
|__| RARAMENTE
ASSISTE TELEVISÃO
|__| SEMPRE
|__| NUNCA
|__| ÀS VEZES
|__| RARAMENTE
FAZ LEITURA DE JORNAIS E REVISTAS
|__| SEMPRE
|__| NUNCA
|__| ÀS VEZES
|__| RARAMENTE
FAZ LEITURA DE LIVROS
|__| SEMPRE
|__| NUNCA
|__| ÀS VEZES
|__| RARAMENTE
INDICADORES DE RENDA FAMILIAR
6.NÚMERO DE PESSOAS QUE RESIDEM NA CASA
|__| 1 PESSOA
|__|
|__| 2 PESSOAS
|__|
|__| 3 PESSOAS
|__|
|__| 4 PESSOAS
|__|
5 PESSOAS
6 PESSOAS
7 PESSOAS
MAIS DE 8. QUANTOS?___
7. RENDA FAMILIAR - NÚMERO DE SALÁRIOS MÍNIMOS
|__| MENOS DE 1 SALÁRIO MÍNIMO
|__| 3 SALÁRIOS MÍNIMOS
|__| 1 SALÁRIO MÍNIMO
|__| ACIMA DE 4 SALÁRIOS MINIMOS
|__| 2 SALÁRIOS MÍNIMOS
84
8. NÚMERO DE PESSOAS QUE CONTRIBUEM NA RENDA FAMILIAR
|__| 1 PESSOA
|__| 4 PESSOAS
|__| 2 PESSOAS
|__| MAIS DE 5 PESSOAS
|__| 3 PESSOAS
9. QUAL A ATIVIDADE REMUNERADA PRINCIPAL DE RENDA
|__|FAXINEIRA
|__|EMPREGADA DOMÉSTICA
|__|SERVENTE
|__|PEDREIRO
|__|MOTORISTA
|__|OUTRA?___________________
10. EXERCE OUTRA ATIVIDADE REMUNERADA ALÉM DA PRINCIPAL
|__| SEMPRE
|__| NUNCA
|__| ÀS VEZES
|__| RARAMENTE
11. NUMERO DE DESEMPREGADOS COM IDADE ACIMA DE 18 ANOS
|__| NÃO TEM DESEMPREGADOS
|__| 3 PESSOAS
|__| 1 PESSOA
|__| 4 PESSOAS
|__| 2 PESSOAS
|__| ACIMA DE 5 PESSOAS
12. A RENDA FAMILIAR COBRE TODAS AS DESPESAS MENSAIS
|__| SEMPRE
|__| NUNCA
|__| ÀS VEZES
13. QUANTO É SUA DESPESA COM:
ALIMENTAÇÃO
|__| NÃO TENHO ESSE GASTO
|__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO
|__| VALOR REPRESENTATIVO
|__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO
HIGIENE/ LIMPEZA
|__| NÃO TENHO ESSE GASTO
|__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO
|__| VALOR REPRESENTATIVO
|__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO
TRANSPORTE
|__| NÃO TENHO ESSE GASTO
|__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO
|__| VALOR REPRESENTATIVO
|__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO
HABITAÇÃO
|__| NÃO TENHO ESSE GASTO
|__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO
|__| VALOR REPRESENTATIVO
|__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO
SAÚDE
|__| NÃO TENHO ESSE GASTO
|__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO
|__| VALOR REPRESENTATIVO
|__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO
VESTUÁRIO
|__| NÃO TENHO ESSE GASTO
|__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO
|__| VALOR REPRESENTATIVO
|__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO
LAZER
|__| RARAMENTE
85
|__| NÃO TENHO ESSE GASTO
|__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO
|__| VALOR REPRESENTATIVO
|__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO
14. RESIDÊNCIA
|__| CASA PRÓPRIA
|__| ALUGUEL
15. NÚMERO DE CÔMODOS DA CASA
|__| 3 CÔMODOS
|__| 4 CÔMODOS
|__| 5 CÔMODOS
|__| 6 CÔMODOS
|__|
|__|
|__|
|__|
|__| MORADIA CONCEDIDA
7 CÔMODOS
8 CÔMODOS
9 CÔMODOS
ACIMA DE 10 CÔMODOS
16. CONDIÇÕES DA CASA
|__| ESTÁ BOA
|__| PRECISA DE REFORMA
|__| PRECISA DESMANCHAR E CONSTRUIR UMA NOVA
17. A CASA NECESSITA DE AMPLIAÇÃO
|__| QUARTO
|__| COZINHA
|__| ÁREA DE SERVIÇO/LAVANDERIA
18. QUAIS DESSES BENS TEM NA SUA CASA
|__| GELADEIRA
|__| RÁDIO/ APARELHO DE SOM
|__| VÍDEO CASSETE
|__| AUTOMÓVEL
|__| SECADORA DE ROUPAS
|__| FORNO MICROONDAS
|__| MICROCOMPUTADOR
|__| BANHEIRO
|__| SALA
|__| NÃO PRECISA AMPLIAR
|__|
|__|
|__|
|__|
|__|
|__|
FREEZER
TV
DVD
MAQ. DE LAVAR ROUPAS
TELEFONE CELULAR
TELEFONE CONVENCIONAL
19. DÍVIDAS (R$)
|__| NÃO POSSUI
|__| 1,00 ATÉ 500,00
|__| 500,01 ATÉ 1.000,00
|__| 1.000,01 ATÉ 1.500,00
|__| 1.500,01 ATÉ 2.500,00
|__| ACIMA DE 2.500,01
20. VOCÊ TEM ALGUM SONHO QUE AINDA NÃO ALCANÇOU?
_____________________________________________________________
86
APÊNDICE C – PALESTRA: EM BUSCA DE UMA MELHOR QUALIDADE DE
VIDA
• Quais são seus objetivos?
• Quanto dinheiro quer ter?
• O seu patrimônio pode sustentar a
vida que você sonha?
FAÇA SEU PLANEJAMENTO
FINANCEIRO
QUAL É O SEU SONHO?
•
•
•
•
•
•
Casa própria;
Viajar;
Ter filhos na universidade;
Comprar um carro;
Complementar a aposentadoria; e
Outros ...
1°- Determine a situação financeira atual;
2° - Defina seus objetivos;
3° - Crie metas de curto e longo prazo;
4° - Avalie a melhor forma de
atingir suas metas;
5° - Coloque em prática seu plano de
Você já partilhou o seu sonho com a família,
para que ele se torne um sonho em conjunto?
FINANÇAS PESSOAIS
PLANEJAR: Determinar antecipadamente o que
pretendemos com o dinheiro e os planos a seguir para
alcançá-los. Ex: reformar a casa, comprar um carro.
ação; e
6° - Revise as estratégias.
PARA ONDE ESTÁ INDO SEU DINHEIRO?
VOCÊ SABE?
NÃO SOBRA NEM UM REAL?
ORGANIZAR: Hábitos de consumo e investimento.
Ex: cortar gastos supérfulos, jogos de azar, cigarros,
refrigerantes, chips, cerveja.
CONTROLAR: assegurar que os resultados do que
foram planejados se ajustem tanto quanto possível aos
objetivos estabelecidos.
EX: se autopoliciar p/ não jogar, não fumar.
E AGORA COMO SOBRAR?
Poupe nos gastos que não contribuem
para sua qualidade de vida.
87
Você terá duas opções:
RECEITA
OPÇÃO 1
CORTAR DESPESAS
Dinheiro recebido no mês.
DESPESA
OPÇÃO 2
AUMENTAR RECEITAS
Gastos que temos no mês.
ECONOMIZANDO NO
SUPERMERCADO
AUMENTE SUA RECEITA
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Crochê;
• Ter vários empregos;
Cabeleireira e manicure;
• Artesanato;
Segurança de festas e ajudante; • Doces e salgados;
Faxina no final de semana;
• Cortar grama;
Limpeza de escritório;
• Fazer horta;
Catar latinhas e papelão;
• Vender pneu usado;
Curso profissionalizante;
• Garçom;
Cuidar de carros em eventos;
• Estudar;
Lavação de carros em final de semana;
Serviço terceirizado ( Etiqueta, bordar roupa, grampo,etc)
NINGUÉM VAI BATER NA SUA PORTA
E LHE OFERECER EMPREGO!
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
ECONOMIZANDO COM
TELEFONE
ECONOMIZANDO COM ENERGIA
•
•
•
•
•
•
•
Eletrodomésticos: SELO PROCEL;
Banhos: chave de verão;
Não guarde alimentos quentes;
Feche a porta da geladeira;
Junte as roupas para lavar e passar;
Aproveite a iluminação natural;
Geladeira: mantenha desencostado de móveis ou paredes e
distante de fontes de calor ( fogão e luz solar);
Geladeira: não pendure roupas;
Verifique a borracha de vedação da geladeira;
Televisão: desligue quando ninguém tiver assistindo e/ou
for dormir;
Apague a luz antes de dormir.
•
•
•
•
Leve lista de compras;
Pesquise preços;
Compare folhetos de promoção;
Aproveite as ofertas: ver validade;
Verifique valor e peso;
Não leve crianças ou diga não;
Não vá com fome;
Fuja do corredor de supérfluos;
Faça a compra mensal.
Economize na hora de fazer a comida, não jogue fora.
•
Disque no horário mais barato:
Segunda a sexta 0h 6h.
Sábados, domingos e feriado: depois das 14h.
•
Celular não é brinquedo.
•
•
Celular pós-pago.
Celular pré-pago.
MESMA
LIGAÇÃO
R$1.000,00
TODOS NA FAMÍLIA DEVEM TRABALHAR
UNIDOS PARA PROGREDIR.
R$100,00
ECONOMIZANDO COM O
CARTÃO DE CRÉDITO
•
•
•
•
Crédito pré-aprovado (para entrar no juro);
Anuidade;
Juros;
Tenha no máximo 1.
ECONOMIZANDO COM
CIGARRO:
Carteira
de Cigarro
R$ 3,00
1
por dia
1 dia
R$ 3,00
1 mês
R$ 90,00
4 meses
R$ 360,00
2
por dia
R$ 6,00
R$ 180,00
R$ 720,00
3
por dia
R$ 9,00
R$ 270,00
R$ 1.080,00
1
por dia
6 meses
R$ 540,00
1 ano
R$ 1.080,00
5 anos
R$ 5.400,00
2
por dia
R$ 1.080,00
R$ 2.160,00
R$ 10.800,00
3
por dia
R$ 1.620,00
R$ 3.240,00
R$ 16.200,00
88
CUIDADO COM AS COMPRAS
O QUE VOCÊ PODE CORTAR EM
CADA ITEM ABAIXO?
•
•
•
•
•
•
Supermercado;
Telefone celular;
Telefone fixo;
Cigarro e outros supérfluos;
Energia/ Água;
Cartão de Crédito.
Loja de Eletrodomésticos
x
Financeira
Compra a vista X negociação com desconto.
• Não empreste seu nome para terceiros.
(compras)
• Verifique para quem vai ser avalista.
O QUE LEVA AS PESSOAS A SE
ENDIVIDAREM?
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Gastar mais do que ganha;
Dificuldade de poupar;
Falta de planejamento financeiro;
Doenças / prevenção;
Perda do emprego;
Passar uma imagem de rico sem ser;
Muitos cartões de crédito;
Empréstimos com bancos e financeiras;
Divórcio;
Jogos de azar e vícios;
Compulsão.
PARA APLICAR O SEU DINHEIRO:
Saiba para onde vai o seu dinheiro!
Tenha disciplina!
Faça o seu orçamento mensal!
Sem renúncia não se consegue!
MONTE SEU ORÇAMENTO
DE RECEITAS E DESPESAS
Para ser rico, você tem que
gastar menos do que ganha!
89
APÊNDICE D – FOTOS DO ENCONTRO DE 19/12/2009
Palestra 19/12/2009.
Palestra 19/12/2009.
Após a palestra, ocorreu a Festa de Natal.
Após a palestra, acorreu a Festa de Natal.
90
APÊNDICE E – PALESTRA: PLANEJAMENTO FINANCEIRO E QUALIFICAÇÃO
PROFISSIONAL
Planejamento Financeiro e
Qualificação Profissional
E agora?
Você tem conhecimento de para
onde está indo o seu dinheiro?
AUMENTAR A RECEITA
Decidiu qual opção irá tomar:
OPÇÃO 1
CORTAR DESPESAS
Qualificação
Profissional
Maior Jornada
de Trabalho
•Retorno Lento;
•Retorno Rápido;
•Rentabilidade maior;
•Rentabilidade Menor;
OPÇÃO 2
AUMENTAR RECEITAS
?
A DECISÃO É SUA!
A partir de 15 anos:
Como se qualificar?
Cursos profissionalizantes
Cursos Universitários
Mecânica Geral
1600h - 2 anos
Eletricista de Manutenção Eletroeletrônica
(matemática básica)
1600h - 2 anos
Mecânica de Automóveis e Caminhões
800h - 1 ano
Padeiro e Confeiteiro
800h - 1 ano
Programador de Computador
800h - 1 ano
Aprendizagem Industrial
1 ou 2 anos
Tornearia (matemática básica)
160h
Fresagem (matemática básica)
160h
Soldagem
160h
Eletricidade Predial (matemática básica)
160h
Eletromecânica de Automóveis
160h
Eletricidade Industrial (matemática básica)
160h
91
Ensino médio completo ou cursando:
Gestão
Meio ambiente
Eletroeletronica
Metalurgia
Informática
Mineração
Mecânica
Plástico
Segurança do trabalho
Química
Segurança eletroeletronica
Eletrônica
Administração
Manutenção automotiva
Artes Visuais
Eletrotécnica
Comunicação Visual
Fabricação Mecânica
Design Interiores
Secretariado com ênfase em
gestão
Atendim. ao público e vendas
Mudar a vida financeira, depende
de atitude e perseverança.
SENAC SC
Aprendizagem Industrial
Técnico em Logística
Auxiliar de Administração
Auxiliar de Operações em Logística
* Bolsa de Estudo
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APÊNDICE F – PALESTRA: PLANEJAMENTO FINANCEIRO E MOTIVAÇÃO
PARA QUALIFICAÇÃO
PLANEJAMENTO FINANCEIRO E
MOTIVAÇÃO PARA QUALIFICAÇÃO
Relembrando
2009....
•Definiram os objetivos e metas para
2010?
•Fizeram o planejamento financeiro?
•Compartilharam os sonhos com a
família?
FINANÇAS PESSOAIS
AUMENTAR A RECEITA
CORTARAM DESPESAS?
Qualificação
Profissional
Maior Jornada
de Trabalho
•CURSO / MATRICULA?
•NOVO EMPREGO?
AUMENTARAM RECEITAS?
Curso de Iniciação a
Construção Civil - ABADEUS
• Objetivo: desenvolver atividades básicas
ingressando no mercado de trabalho na função
de servente de pedreiro.
• Continuidade na formação: Pedreiro e Mestre
de Obras.
• Período do Curso: 16/03/10 a 29/04/10
• Horário: 19h às 22h
• Dias da semana: terças, quartas e quintas feiras
• Local: Abadeus – Cristo Redentor
QUALIFICAÇÃO PROFISSONAL PLANSEQ
BOLSA FAMÍLIA
Construção Civil: pedreiro, pintor, mestre de obras,
azulejistas, eletricistas.
Turismo: camareira, cozinheiro, padeiro, garçom ou
recepcionista.
•Receber o benefício da bolsa Família;
•Mínimo 18 anos e a 4ª série do ensino fundamental;
•Inscrições: SINE - levar RG e carteira de Trabalho
Informações: Rodicélia Felipe
Fone (48) 3462-2080
Quem faz o curso continua recebendo bolsa família.
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CURSOS EM PARCERIA COM ASSOCIAÇÃO
SÃO VICENTE DE PAULA - SOPÃO
ENSINO DO CEJA
Gratuito;
Acima de 18 anos;
• 1ª a 4ª série; 1 ano (todos os dias);
Pintura em tecido
Bordado de fita
Pintura em caixinha de madeira
•
•
•
•
Inscrição Gratuita
Curso de Música e Sucatas
Local: Santa Augusta
(Projeto Bate Lata)
Horário: 08:30 as 11:30h
Início: 28/03/2010 *último domingo do mês
TERCERIZAÇÃO DE TRABALHOS
• 5ª a 8 série; 1 ou 2 dia por semana (por disciplina)
7 disciplinas
• Ensino médio;
11 disciplinas
Centro – atrás do Marista
Shopping Pierini – Rio Maina
MOTIVAÇÃO PARA O TRABALHO
motivo + ação
PREENDEDOR DE ROUPAS
CONFECÇÃO - CORTAR FIOS
DOCES E SALGADOS
Quando consigo motivação?
• Algo incomoda;
• Detecta o problema;
• Busca uma solução;
A motivação provoca mudança!
Todo ser humano nasce com a
chama da motivação!
Todos possuem os recursos que necessitam
(auto-estima, confiança, criatividade,
capacidade de tomar decisões)
A forma mais eficaz de motivação é:
Estabelecer metas;
Ter clareza dos
objetivos;
A motivação está dentro de você!
Ela só depende dá sua vontade de crescer.
Dessa forma terá mais energia para alcançar o
que se deseja.
Às vezes as coisas andam muito devagar. Mas
o importante é não parar. Comece com
pequenas mudanças.
“Costumam dizer que tenho sorte, só
eu sei que quanto mais eu me
preparo mais sorte eu tenho.”
(Anthony Robbins)
Pequenos riachos acabam convertendo-se
em grandes rios.
O pequeno avanço na direção certa já é um
grande progresso. *bebê
É PRECISO TER DISPOSIÇÃO
PARA MUDAR E DEPENDE SÓ DE VOCÊ !
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RECEITA DO BOLO 1
•
•
•
•
•
•
Suco de 1 laranja
4 ovos
2 copos de açúcar
2 copos de farinha de trigo
1 copo de óleo
1 colher de fermento em pó
RECEITA DO BOLO 2
•
•
•
•
•
•
Suco de 1 laranja
4 ovos
2 copos de açúcar
2 copos de farinha de trigo
1 copo de óleo
1 colher de fermento em pó
Você não pode esperar resultados
diferentes, fazendo sempre as
mesmas coisas.
(autor desconhecido)
O PARDAL E A VONTADE DE VOAR COMO A ÁGUIA
Era um vez ... Um pardal que vivia seguindo a águia por entre
as árvores...e um dia observando-a na mata, a águia sumiu.
Voou mais rápido, mas ela havia desaparecido.
Levou um enorme susto, pois bateu de frente com o pássaro.
Caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, aquele
pássaro imenso estava ao seu lado observando-o.
Águia: - Por que estás a me vigiar?
Pardal: - Quero ser uma águia como tu. Mas, meu vôo é
baixo, pois minhas asas são curtas.
Águia: - Como te sentes sem poder ter aquilo que está além
do seu alcance com suas pequenas asas?
Pardal: -Tristeza. A vontade é muito grande de realizar este
sonho... Todos os dias acordo para vê-la voar e caçar. Passo
o dia a observar-te.
Águia: -E não voas? Ficas só a me observar?
Pardal: - Gostaria de voar como tu voas. Mas as tuas alturas
são grandes para mim e não terei força para suportar o vento.
Águia: - A natureza de cada um de nós é diferente e isto não
quer dizer que nunca poderás voar como uma águia. Não
poderás voar como uma águia, se não treinares
incansavelmente por todos os dias.
Treino - dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para
dar realidade aos sonhos.
Se não pões em prática teu sonho, será apenas um sonho.
Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende o
equilíbrio com eles.
Tudo é possível para aqueles que acreditam e confiam
na capacidade em aprender e ser feliz com a escolha!
E SE EU MUDAR A RECEITA?
95
APÊNDICE G – FOTOS DO ENCONTRO DE 27/02/2010
Palestra 27/02/2010.
Palestra 27/02/2010.
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APÊNDICE H – PALESTRA: CONSUMO CONSCIENTE
CONSUMO CONSCIENTE
CONTROLE FINANCEIRO/
FINANÇAS PESSOAIS
CURSOS
Aprenda a reciclar as sobras de
alimento.
O que é consumo?
As pessoas associam consumo somente as
compras, mas existem outros itens como:
casa, carro, remédio, água, energia e
alimentação.
• Decidir o que consumir?
• Como consumir?
• Sobras do que foi adquirido?
Sobras de Alimentos
• Frutas azedas ou maduras: geléia ou recheios de bolo.
• Talos de couve, agrião, beterraba, brócolis e salsa
contém fibras: usados em refogados, feijão ou sopa.
• Folhas da cenoura ricas em vitamina A: usar para fazer
bolinhos, sopas ou picadinhos em saladas.
Cascas da batata: depois de bem lavadas, podem ser
fritas em óleo quente e com a polpa faz a maionese.
• Parte branca da melancia: usada para fazer doce, que
se prepara como o doce de mamão verde.
•
Cascas de goiaba e abacaxi: preparar
substituindo líquido no bolo, como leite.
Desperdício = qualquer alimento em boas condições
fisiológicas que vai para o lixo, como sobras de refeições,
aproveitamento parcial de frutos, raízes e folhas, no descarte
de produtos e na falta de formas alternativas de
aproveitamento no caso de hortaliças e frutas.
Cascas, talos, sementes e folhas são ricas em vitaminas A e
C, além de Ferro, Potássio, cálcio.
• Arroz, purê de batatas e cenouras cozidas: bolinhos.
•
O desperdício de alimentos faz do lixo brasileiro um dos mais
ricos do mundo em nutrientes.
sucos,
• Utilização de cascas, talos e folhas: diminuiu os
gastos com alimentação e melhora a qualidade
nutricional do cardápio, reduz o desperdício de
alimentos e torna possível a criação de novas
receitas.
• O valor nutricional de alguns alimentos: quase
sempre concentra-se nas cascas ou folhas.
Partes do alimento que iriam para o lixo, podem
ser bem aproveitadas, servindo para suprir a
carência de nutrientes no organismo e tornando o
cardápio mais saudável e criativo.
Cozinhe as verduras a vapor, assim elas não
perderão
o
valor
nutritivo.
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Medidas de alimentos
DOCE DE CASCA DE FRUTAS
Arroz?
Ingredientes
• • Cascas de 10 laranjas
• • Cascas de 10 maçãs
• • Cascas de 10 bananas
• • ½ kg de açúcar
• • 1 xícara de água
• • 1 canela em casca
• • 5 cravos
Macarrão?
Feijão?
Batata Inglesa?
• Palmito de casca de aipim: retire a película marrom da
raiz, separe a casca branca, lave e cozinhe com o aipim
para não amargar. Depois pique miudinha e use em
refogados.
Modo de preparo:
Deixe as cascas de laranja de molho em 1 litro de água por 15 minutos
com 2 colheres de chá de vinagre.
Bata no liquidificador todas as cascas e a água.
Coloque a mistura em uma panela e acrescente o açúcar, a canela e o
cravo e deixe cozinhar ate virar uma geléia.
• Polenta;
• Creme de maionese de leite;
• Sopa de fubá;
• Tortei: ovos, óleo, sal e farinha de trigo.
Recheie com moranga, queijo e farinha de rosca.
• Suflê de Chuchu, abóbora ou moranga: cozinha na água
e amassa, mistura ovos, farelo, farinha de trigo, tempero
verde e queijo e depois assa.
• Sopa: tritura os talos de verduras e coloca na sopa com
os temperos.
• Bolinho de folha de beterraba: aferventa folha da
beterraba e pica miudinho, coloca temperos, 1 ovo e
enrola com farinha.
Economize no banheiro
• Bacias sanitárias com caixa acoplada:
Gasto: 12L de água por descarga;
12 litros X 5 idas por dia = 60L de água diariamente.
Solução: Coloque uma garrafa PET de 2L, cheia de água
dentro da caixa.
Economia: 2L por descarga.
• Bolinho de couve e espinafre;
• Rocambole de arroz cozido;
• Lasanha de abobrinha;
• Bolo de banana com casca;
• Bolo de arroz cozido;
• Sucos de casca abacaxi, limão com couve, banana,
beterraba.
Diminua o tempo do banho
• O chuveiro é um equipamento que consome muita energia.
•Feche o chuveiro para se ensaboar ou lavar os cabelos.
Economia em 1 ano = 30.000 L de água.
•60 famílias em 1 ano = 7 milhões de litros de água.
• Vaso sanitário não é lixeira: Joga fora água limpa e tratada.
Patrimônio público.
•5.000 famílias em 1 ano = 5 min de queda de água nas
Cataratas do Iguaçu.
• Torneira pingando: uma gota por segundo;
1 dia = 46 litros
1 ano = 16.500 litros.
•Se cada pessoa reduzir a ducha diária de 12 para 6 min,
economizará energia suficiente para manter uma lâmpada
acesa por 7 horas.
•Procure não tomar banho entre 18 e 21 horas.
LIMPEZA
Faça economia com a geladeira
A geladeira é um dos grandes consumidores de energia
elétrica em uma casa, pois fica ligada o tempo todo.
Mangueira ligada por 15 min = 279 L de água perdidos.
• Borracha estragada consome muita energia;
Lavar a calçada uma vez por semana = 14.000 L de
água por ano.
Use um pano umedecido ou lave com balde com água
já utilizada na lavagem de roupa e depois jogue nas
plantas.
Desperdício de água impacta no seu bolso e no do
governo, pois terá que investir em novas estações
de tratamento, ao invés de educação e saúde.
Use a vassoura e não a mangueira,
para varrer a calçada
• Nunca forre as prateleiras da geladeira com plásticos ou
vidro, pois dificultam a passagem do ar e provocam
aumento no consumo de energia.
• Não guarde alimentos quentes na geladeira, pois o
motor vai ter de trabalhar mais para resfriar e gasta mais
energia.
• Não deixe a porta da geladeira aberta por muito tempo,
pois faz com que o frio “escape” e exige mais trabalho
do motor para baixar a temperatura interna.
• Regule o termostato para que esfrie menos no inverno
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Dicas de Remédio
• Gripe e Tosse: chá de eucalipto e topotagem;
• Produtos de limpeza: Detergente, desinfetante,
amaciante e sabão;
• Dor de garganta: cipó-mil-homens e Cassaú;
• Moscas: Vaso com água e manjericão;
• Dor de ouvido: pano quente;
• Mancha café: gelo;
• Febre: camomila, rosa branca e carqueja;
• Pé inchado: Folha de batata doce e água morna;
• Ferrugem: suco de limão e sal – sol;
• Suor: molho água morna e vinagre;
• Piolho: 1 copo de vinagre, 2 colheres de sal e 1 xícara
de azeite.
Outros Produtos
•
•
•
•
•
•
•
Água sanitária por cinza;
Palha de aço por cinza;
Álcool para clarear roupas;
Maisena por farinha;
Leite por sucos;
Desfiar carne;
Vinagre por limão.
“Dizem que tenho sorte, mas quanto
mais e eu me preparo e vou em
busca do que eu quero, mais sorte
eu tenho.”
(autor desconhecido)
Salvaro Madeiras
•
•
•
•
•
•
•
Laranjinha -Angela
Cristo Redentor – Ilza
Paraíso- Mariléia
Santo André – Margarete
Laranjinha – Salute
Ana Maira – Silvana
Boa Vista - Velinda
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APÊNDICE I – FOTOS DO ENCONTRO DE 27/03/2010
Palestra 27/03/2010.
Entrega das Cestas Básicas 27/03/2010.
100
ANEXO
101
ANEXO – CURSOS DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL PLANSEQ
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