TAMIRES DE MATTIA PATEL FINANÇAS PESSOAIS: UM ESTUDO COM OS CADASTRADOS NA ASSOCIAÇÃO PADRE ANÍBAL MARIA DE FRANCIA – CRICIÚMA/SC Trabalho de Fim e de Conclusão de curso apresentado para obtenção do grau de Bacharel no curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Orientadora: Prof.(a) MSc. Rosimere Alves de Bona Porton CRICIÚMA, JULHO DE 2010 1 TAMIRES DE MATTIA PATEL FINANÇAS PESSOAIS: UM ESTUDO COM OS CADASTRADOS NA ASSOCIAÇÃO PADRE ANÍBAL MARIA DE FRANCIA – CRICIÚMA/SC Trabalho de Fim e de Conclusão de Curso aprovado pela Banca Examinadora para obtenção do grau de Bacharel no curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com Linha de pesquisa em Contabilidade Gerencial. Criciúma, 08 de Julho de 2010. BANCA EXAMINADORA _________________________________________ Rosimere Alves de Bona Porton, MSc, Orientadora _______________________________________ Luis Henrique T. Daufembach, Esp, Examinador _______________________________________ Marcelo Crispim Salazar, Esp, Examinador 2 Aos meus pais, que sempre me incentivaram e se empenharam para que eu obtivesse um bom desenvolvimento intelectual. 3 AGRADECIMENTOS A Deus, por eu ser quem eu sou e por tudo que eu tenho. Aos meus pais, Norberto e Dosolina, que sempre me acompanharam, incentivando-me na busca do melhor, do certo e do justo, pelos quais tenho imensa admiração e serei eternamente agradecida. À Tata e meus irmãos Gabriela e Gustavo, pela convivência e paciência na concretização do meu sonho. Ao meu namorado Adriano, que de forma especial e carinhosa me apoiou e me compreendeu nos momentos de ausência e dificuldades. Às professoras MSc. Rosimeri Alves de Bona Porton e MSc. Kátia Aurora Dalla Libera Sorato, pelo incentivo, dedicação e contribuição para o meu crescimento intelectual. À psicóloga Dosolina, pelo apoio e incentivo no desenvolvimento da pesquisa. Aos participantes da Associação Padre Aníbal Maria de Francia, pela disponibilidade em participar da pesquisa. E a todos os outros colaboradores, que contribuíram direta e indiretamente para a concretização deste trabalho. 4 Não importa quanto você tem, o que você faz ou de onde você vem. O que vai fazer o resultado aparecer é sua própria vontade de cumprir seu plano pessoal de mudança. Gustavo Cerbasi e Christian Barbosa (2009) 5 RESUMO PATEL, Tamires de Mattia. Finanças Pessoais: Um Estudo com os Cadastrados na Associação Padre Aníbal Maria de Francia – Criciúma/SC. 2010. 80 p. Orientadora: Rosimere Alves de Bona Porton. Trabalho de Conclusão do Curso de Ciências Contábeis. Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Criciúma – SC. Este estudo objetiva descrever um trabalho de educação financeira pessoal que foi desenvolvido junto ao grupo de pessoas cadastradas na Associação Padre Aníbal Maria de Francia. Caracteriza-se como sendo explicativa e foi realizada por meio de tipologias bibliográficas, de survey e experimental, utilizando um questionário com abordagem qualitativa e quantitativa. A pesquisa ocorreu entre os meses de setembro de 2009 a abril do ano de 2010, sendo que dos seis encontros com o grupo, quatro foram de palestras e os outros dois de aplicação do questionário. Os objetivos foram alcançados parcialmente, já que por meio do questionário percebeuse a aquisição de residências, diminuição de dívidas, aquisição de bens e aumento de renda, retomada de estudos, porém, existiu pouca adesão quanto à procura da qualificação. A baixa escolaridade e falta de motivação comprometeram a pesquisa, tornando complexo o controle de gastos por meio da planilha de orçamento. Palavras-chave: Pessoa Física. Planejamento Financeiro. Baixo Poder Aquisitivo. 6 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Participação nos Cursos.................................................................... 51 Tabela 2: Idade por Faixa Etária....................................................................... Tabela 3: Nível de Escolaridade........................................................................ 57 Tabela 4: Número de Filhos.............................................................................. 58 Tabela 5: Número de Pessoas por Domicílio................................................... 60 Tabela 6: Desempregados............................................................................... 63 Tabela 7: Nível de Representatividade das Despesas no Período de Setembro/2009................................................................................. Tabela 8: 56 64 Nível de Representatividade das Despesas no Período de Abril/2010......................................................................................... 65 Tabela 9: Dívidas............................................................................................. 68 Tabela 10: Porcentagem de Utensílios Domésticos.......................................... 72 7 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Hierarquia das Necessidades Humanas Segundo Maslow............... 17 Quadro 1: Classes Sociais Segundo a ABEP..................................................... 19 Figura 2: Sete Soluções para Acabar com a Falta de Dinheiro........................ 23 Figura 3: Etapas do Planejamento Financeiro.................................................. 26 Quadro 2: Patrimônio de Uma Pessoa ou de uma Empresa.............................. 28 Quadro 3: Fluxo de Caixa Pessoal...................................................................... 30 Quadro 4: Equação Contábil da DRE................................................................. 32 Quadro 5: Demonstração de Resultado Pessoal................................................ 32 Quadro 6: Comparativo entre a DRE e o Fluxo de Caixa................................... 33 Quadro 7: Balanço Patrimonial Pessoal.............................................................. 34 Quadro 8: Aumento de Crédito Para Pessoa Física de 2004 a 2007................. 36 Quadro 9: Planilha de Orçamento Familiar......................................................... 36 Quadro 10: Economia Doméstica......................................................................... 38 Quadro 11: Gasto Médio Anual de um Automóvel................................................ 39 Quadro 12: Análise Vertical do Balanço Patrimonial Pessoal............................... 40 Quadro 13: Análise Horizontal do Fluxo de Caixa................................................ 42 Quadro 14: Resumo de Índices Financeiros......................................................... 43 Gráfico 1: Frequência de Utilização dos Meios de Comunicação...................... 59 Gráfico 2: Número de Pessoas que Contribuem com a Renda Familiar............ 61 Gráfico 3: Atividade Remunerada Além da Principal.......................................... 62 Gráfico 4: Renda Familiar por Salário Mínimo.................................................... 63 Gráfico 5 Renda X Despesas............................................................................ Gráfico 6: Residência.......................................................................................... 69 Gráfico 7: Número de Cômodos da Residência................................................. Gráfico 8: Bens Domésticos................................................................................ 71 Quadro 15: Porcentagem de Residências com Eletrodomésticos em SC............ 67 70 72 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.......................................................................................... 10 1.1 Tema e Problema.................................................................................... 10 1.2 Objetivos da Pesquisa............................................................................ 11 1.3 Justificativa.............................................................................................. 12 1.4 Metodologia............................................................................................. 13 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................ 16 2.1 Necessidades Humanas – Teoria Maslow e as Classes Sociais........ 16 2.2 Teoria das Finanças Comportamentais................................................ 20 2.3 Planejamento Financeiro Pessoal......................................................... 22 2.3.1 Noções Iniciais de Planejamento Financeiro Pessoal......................... 22 2.3.2 Passos para a Construção de um Planejamento Financeiro Pessoal.................................................................................................... 25 2.4 A Importância da Contabilidade para as Pessoas Físicas.................. 27 2.5 Demonstrações Contábeis Utilizadas na Gestão dos Recursos Pessoais................................................................................................... 29 2.5.1 Fluxo de Caixa......................................................................................... 29 2.5.2 Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE)................................ 32 2.5.3 Balanço Patrimonial................................................................................ 33 2.6 Orçamento Doméstico Familiar............................................................. 36 2.7 Análise das Demonstrações Contábeis para Pessoas Físicas.......... 39 2.7.1 Análise Vertical........................................................................................ 40 2.7.2 Análise Horizontal................................................................................... 41 2.7.3 Análise por Meio dos Índices Financeiros............................................ 42 3 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS.................................................. 45 3.1 Apresentação da Associação Padre Aníbal Maria de Francia............ 45 3.2 Orientações para o Controle das Finanças Pessoais.......................... 46 3.2.1 Primeiro Encontro................................................................................... 46 3.2.2 Segundo Encontro.................................................................................. 47 3.2.3 Terceiro Encontro................................................................................... 48 3.2.4 Quarto Encontro...................................................................................... 49 9 3.2.5 Quinto Encontro...................................................................................... 53 3.2.6 Sexto Encontro........................................................................................ 55 3.3 Perfil dos Respondentes........................................................................ 56 3.4 Orçamento Familiar................................................................................. 59 3.5 Proposta de Controle Financeiro Pessoal............................................ 73 3.6 Sugestões de Planejamento Financeiro Pessoal para o Grupo......... 74 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................... 75 REFERÊNCIAS................................................................................................... 77 APÊNDICE.......................................................................................................... 81 ANEXO................................................................................................................ 100 10 1 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como finalidade demonstrar os instrumentos de controle financeiro que podem ser utilizados por pessoas físicas, voltado a um grupo de pessoas que possuem baixa renda. No decorrer deste capítulo, são expostos os objetivos geral e específicos. Em seguida, explana-se a justificativa teórico-empírica desta pesquisa. Por último, evidenciam-se os procedimentos metodológicos empregados para a elaboração deste trabalho de conclusão de curso. 1.1 Tema e Problema Com o crescimento de aspectos referentes ao capitalismo e à popularização do rádio, jornal, revista, televisão, internet, as decisões de relações culturais, sociais e financeiras, passaram a ser influenciadas incondicionalmente pelos meios de comunicação. Compreende-se que a sociedade atual é consumista, fato este que dificulta o equilíbrio da relação entre a tomada de decisão e a correta aplicação financeira dos recursos. Neste contexto, deve-se ponderar, ainda, que imprevistos e incertezas ocorrem, dificultando o alcance da tranquilidade financeira tão desejada. Exemplo disso, pode-se citar o desemprego, juros exorbitantes, aumentos despropositados de luz, água, telefone, gás e combustível, entre outros fatores que tornam complexo o controle do orçamento dentro do previsto. A base do processo de aprendizado financeiro concentra-se no planejamento e na organização dos recursos. O domínio das contas torna possível uma maior segurança financeira, estabilidade no dia-a-dia e proporciona mais qualidade de vida. Para isso é essencial o hábito de gerenciar os recursos obtidos, para utilizá-los da melhor maneira possível. Diversos autores, entre eles Hendriksen e Van Breda (1999), Iudícibus (1998), Braga (1999) e a própria Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 750/93, quando elucidam o princípio da entidade, asseguram que o objeto de estudo da contabilidade é o patrimônio, quer seja ele referente à pessoa física ou à 11 jurídica. Entretanto, a maioria destes são direcionados às empresas, enquanto que a construção de saber para as pessoas físicas fica em segundo plano. A gestão das receitas recebidas e despesas/gastos pessoais é tema imprescindível, tendo em vista à escassez de dinheiro que se tem no mercado e a falta de capacidade em administrar seus recursos. Desta forma, os seres humanos precisam se preparar e planejar suas finanças para adotar atitudes corretas em relação à gestão. Para administrar o fluxo financeiro é essencial desenvolver um planejamento e supervisioná-lo, de forma a controlar os recursos. Pois com sua execução, torna-se mais fácil atingir as metas e objetivos, em virtude de ter na consciência o destino do dinheiro, sendo possível evitar compras desnecessárias e por impulso. De maneira mais específica, famílias com baixo poder aquisitivo têm dificuldades em administrar, pois possuem renda insuficiente até mesmo para suprir suas necessidades básicas de alimentação, água, higiene e moradia adequada. Além disso, também existem aqueles que não têm metas definidas e percepção financeira, ocasionando o descontrole financeiro, devido a falta de objetivos claros e a utilização do dinheiro em gastos não necessários, desconsiderando pequenos valores, como o vício do cigarro por exemplo. Nessa perspectiva, aborda-se a seguinte questão da pesquisa: Como desenvolver um trabalho de educação financeira pessoal com um grupo de pessoas de baixo poder aquisitivo atendidas pela Associação Padre Aníbal Maria de Francia? 1.2 Objetivos da Pesquisa O objetivo geral deste estudo consiste em desenvolver um trabalho de educação financeira pessoal com um grupo de pessoas cadastradas na Associação Padre Aníbal Maria de Francia. Procura-se atingir o objetivo geral, instrumentalizando-se dos seguintes objetivos específicos, que servirão de roteiro para planejamento e execução do trabalho de pesquisa a ser realizado: 12 · evidenciar as principais características pessoais e financeiras da gestão dos recursos próprios do grupo de pessoas cadastradas na Associação Padre Aníbal Maria de Francia em Criciúma/SC; · propor uma forma de aplicação de mecanismos focados no planejamento financeiro pessoal, com o intuito de obter uma melhor gestão dos recursos próprios do grupo objeto de estudo; · acompanhar no período de setembro de 2009 a abril de 2010, a gestão financeira pessoal do grupo pesquisado, após explanação de alguns mecanismos que podem ser utilizados para gestão dos próprios recursos; e · analisar os resultados obtidos visando detectar se ocorreu a melhora financeira neste grupo. 1.3 Justificativa O mundo dos negócios apresenta lançamentos de novos produtos no mercado quase que diariamente. Essas ofertas levam algumas pessoas a sentiremse atraídas pelas novidades e adquirirem produtos por impulsos, sem necessidade e condições para efetuar os pagamentos, o que causa o endividamento. Segundo pesquisa realizada por Queiroz, Rogers e Kalid (2008), por meio da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, no Estado mais populoso do país, o nível de endividamento dos consumidores encerrou 2008 em 50%. O estudo mostrou, também, que quanto menor é a renda, maior é o nível de endividamento dos consumidores. Na análise por renda, 53% dos pesquisados que recebem até 3 (três) salários mínimos possuem alguma dívida, o que vem ocorrendo devido ao crescimento das facilidades de créditos para esse grupo. Outro fato importante, segundo o indicador do Serasa Experian de Inadimplência de Pessoa Física (2009 apud LOTURCO, 2009), os índices de cheques devolvidos, protestos e cartões de crédito aumentaram em 10,4% a taxa, devido à falta de pagamentos no período de janeiro a julho de 2009. Tal episódio ocorre em virtude da maioria das pessoas, no Brasil terem pouca instrução financeira e não terem conhecimento para o planejamento de suas finanças. 13 Sobre esse tema, Volpe, Chen e Liu (2006 apud SAVOIA; SAITO; SANTANA, 2007, p. 1126) realizaram um estudo que demonstra a relevância do planejamento financeiro e concluíram que “os programas educacionais deverão focar as principais áreas de finanças pessoais, em que os indivíduos têm conhecimento inadequado, incluindo planos de aposentadoria e conceitos básicos de investimentos.” Assim, entende-se que o aumento da inadimplência é causado pela falta de conhecimento dos brasileiros para tomar suas decisões e pelo descontrole financeiro. A presente pesquisa tem sua validade justificada ao procurar fornecer informações sobre o planejamento financeiro pessoal para pessoas de baixo poder aquisitivo, na perspectiva de auxiliá-las na organização de seus recursos financeiros para viver de maneira digna. Do ponto de vista teórico, há poucos estudos direcionados à área de finanças pessoais. Sendo assim, esta pesquisa busca contribuir no sentido de reunir conceitos existentes sobre o tema em questão nas diversas áreas do conhecimento. Portanto, de forma pontual, este Trabalho de Conclusão de Curso busca ampliar os saberes para o controle financeiro das pessoas físicas, fazendo uso das informações que a Ciência Contábil desenvolveu sobre o assunto. 1.4 Metodologia Para alcançar os objetivos propostos, descrevem-se os procedimentos metodológicos utilizados para o desenvolvimento deste Trabalho de Conclusão de Curso. Essa, no entender de Alves (2007), é a forma de o pesquisador traçar os caminhos a serem adotados na sua pesquisa, para definir como, onde, quanto e de que maneira vai obter suas informações. Quanto aos objetivos, desenvolveu-se uma pesquisa explicativa. Segundo Andrade (2005, p. 125), “é um tipo de pesquisa mais complexo, pois, além de registrar, analisar e interpretar os fenômenos estudados, procura identificar seus fatores determinantes, ou seja, suas causas.” Para isso, foram realizadas juntamente ao grupo, palestras, elaboradas e ministradas por esta pesquisadora, com o intuito de repassar e contribuir com o conhecimento do mesmo. 14 Quanto aos procedimentos da pesquisa, fez-se uso das seguintes tipologias: bibliográfica, levantamento ou survey e experimental. Em relação ao primeiro método, foram utilizadas publicações impressa e eletrônica. Martins Junior (2008, p.58-59) ressalta que a pesquisa [...] se valerá de fontes que encontrará em bibliotecas universitárias, municipais e particulares, secretarias de determinadas instituições, redações de jornais, estabelecimentos, clubes, lan-houses e outros locais. Essas fontes de informações teóricas são consideradas a base para construção do saber científico, que foi descrito no referencial teórico e na elaboração das palestras explanadas ao grupo objeto de estudo. A pesquisa de levantamento “caracteriza-se pela investigação direta com pessoas para conhecer-lhes o comportamento. Baseia-se nas informações colhidas de um grupo significativo de pessoas acerca de um problema.” (ALVES, 2007, p. 56). Para isso, houve a necessidade de buscar informações de modo a conhecer o comportamento financeiro das famílias atendidas pela Associação Padre Aníbal Maria de Francia, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, Bairro Pinheirinho, em Criciúma - SC. Estas recebem apoio e auxílio por meio de doações de cestas básicas, roupas, calçados e outros. Outro fator necessário nesta pesquisa foi a definição da amostra, que de acordo com Rudio (2007, p. 62), é “uma parte da população, selecionada de acordo com uma regra ou plano”. Além de receberem os donativos, as famílias participam das palestras do projeto Resgatando a Cidadania, desenvolvido pela psicóloga da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina – SATC, momento em que será inserido o desenvolvimento deste projeto, com uma amostra de 13 pessoas. Quanto à tipologia experimental, segundo Dmitruk (2004, p. 130), são realizados “estudos onde se criam situações de controle e se interfere, manipulando as variáveis relacionadas com o objeto de estudo, de forma pré-estabelecida.” Inicialmente, levantou-se a situação sócio-econômica do grupo e os conhecimentos que possuem sobre o assunto. Na sequência, realizaram-se palestras sobre: planejamento financeiro; definição de metas; dicas para aumentar a receita e de economia doméstica; qualificação e proposta de elaboração de planilha de orçamento doméstico. Após tais ações, procedeu-se a verificação da ocorrência de 15 melhora ou não do controle e gestão dos recursos pelos participantes em sua organização financeira. A coleta de dados realizou-se por meio de um questionário sócioeconômico, que serviu de instrumento para a pesquisa, cujas questões contribuíram para identificar as características das famílias, em função de variáveis prédeterminadas. Durante o período da pesquisa, foram ministradas palestras e distribuídas planilhas de orçamento para preenchimento mês a mês, visando acompanhar o controle financeiro do grupo. Quanto às tipologias de pesquisa em relação à abordagem do problema, utilizou-se a qualitativa e a quantitativa. Appolinário (2006) destaca que, a primeira faz a coleta de dados, ocorrendo interação social do pesquisador com o fênomeno pesquisado. A análise dos dados será pela hermenêutica (interpretação no sentido das palavras), pois o pesquisador extrai informações por meio da análise feita pelos dados informados pelo público alvo. Essa tipologia não possui dados para realizar generalizações, ou seja, não extrai previsões. A abordagem qualitativa foi utilizada para comprender os dados da situação financeira do grupo, bem como a sua evolução, podendo, assim, analisar e interpretar os resultados obtidos, verificando as variáveis envolvidas no processo de mudança de cada um, por meio da interpretação dos fatos descritos e relatados. Conforme Richardson (1999, p. 70), a análise pelo método quantitativo, caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas, desde as mais simples como percentual, média, desvio-padrão . Essa tipologia foi realizada com a aplicação de um questionário, onde obteve-se as informações, por meio do cálculo de percentual, avaliando se ocorreu melhora ou não na situação financeira dos pesquisados, comparando-se os resultados por meio do que foi aplicado no início e no final da pesquisa. 16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA As pessoas devem planejar-se financeiramente, de modo a melhor administrar seu dinheiro. Para isso, podem observar alguns conceitos que serão apresentados no referencial teórico do estudo em questão, como: necessidades humanas – Teoria de Maslow e as classes sociais; teoria das finanças comportamentais e motivação; planejamento financeiro pessoal; a importância da contabilidade para as pessoas físicas; demonstrações contábeis utilizadas na gestão dos recursos pessoais; orçamento doméstico familiar e análise das demonstrações contábeis para pessoas físicas. Neste capítulo, descreve-se primeiramente sobre a teoria das necessidades humanas, onde as pessoas classificam-se por meio da pirâmide de Maslow, de acordo com o nível de prioridade e satisfação de necessidade. A seguir, demonstra-se a categorização das classes sociais, que são dispostas conforme a atribuição de valores por renda. 2.1 Necessidades Humanas – Teoria Maslow e as Classes Sociais As necessidades humanas que garantem a sobrevivência do ser humano, no entender de Chiavenato (2002), são de ar, água, alimentação e higiene básica, entretanto, existem outras que são importantes, mas é possível viver sem tê-las, como a auto-estima e auto-realização. De acordo com Macedo Junior (2007), os itens anteriormente citados são motivos que levam o ser humano a conquistar a sua felicidade e podem ser organizados segundo uma hierarquia das necessidades humanas, demonstrada por meio de uma pirâmide que ficou conhecida pela Teoria de Maslow. As necessidades do ser humano são dispostas de baixo para cima, em cinco níveis diferentes, em ordem de prioridade, das mais básicas para as de maior complexidade. A pirâmide de necessidades de Maslow pode ser observada na Figura 1. 17 Figura 1: Hierarquia das Necessidades Humanas Segundo Maslow Fonte: Chiavenato (2004, p. 67). No patamar inferior da pirâmide, têm-se as necessidades fisiológicas de fome, sede, sono, respiração e sexo. Conforme Chiavenato (2002), essas são biológicas ou básicas e exigem satisfação em forma de ciclo, repetindo-se diversas vezes, a fim de garantir a sobrevivência do indivíduo. No segundo nível, quando forem supridas as questões fisiológicas, têm-se as necessidades de segurança, que de acordo com Chiavenato (2002, p. 84), irão levar a pessoa a preocupar-se em “proteger-se de qualquer perigo real ou imaginário, físico ou abstrato. A busca de proteção contra a ameaça ou privação, a fuga ao perigo de estabilidade.” Essas priorizam assegurar o corpo, o emprego, dinheiro, moralidade, família, saúde, para não existir perigo. Depois de alcançadas as questões de segurança, a prioridade serão as necessidades sociais de relacionamentos, priorizando os valores de amizade, família, amor, aceitação no grupo, atividades sociais, dar e receber afeto. No entender de Chiavenato (2002, p. 84), essas “são as necessidades de associação, de participação, de aceitação por parte dos colegas, de troca de amizade, de afeto e amor.” O autor ressalta ainda que, as pessoas que não conseguem satisfazer as 18 necessidades sociais tornam-se resistentes, contrariam a tudo e a todos e são agressivas com aqueles que as cercam. No nível seguinte, encontram-se as necessidades de estima, que para Chiavenato (2002, p. 84), são “relacionadas com a maneira pela qual a pessoa se vê e se avalia, isto é, com a auto-avaliação e auto-estima.” A avaliação e a valorização que uma pessoa confere a si mesma, a confiança nos seus atos, leva à satisfação das necessidades de estima, como sentimentos de respeito com os outros, confiança, conquista, status, prestígio, auto-respeito e reconhecimento. Chiavenato (2002) esclarece também, que caso ocorra a frustração dessas necessidades, produzem-se sentimentos de inferioridade, fraqueza, dependência e desamparo, e podem levar ao desânimo ou à busca de outras atividades compensatórias. No topo da pirâmide, encontra-se a etapa da auto-realização, que é a concretização das suas próprias capacidades ou habilidades. Conforme Chiavenato (2002, p. 85), nessa etapa a pessoa é impulsionada “a tentar realizar seu próprio potencial e se desenvolver continuamente como criatura humana ao longo de toda a vida. Essa tendência se expressa por meio do impulso da pessoa em tornar-se mais do que é e de vir a ser tudo o que pode ser.” A pessoa que tem auto-realização possui satisfação plena e alcançou sua realização pessoal, aceitação dos fatos, moralidade, ausência de preconceito e criatividade, tem desenvolvimento pessoal e sucesso profissional. Todavia, quando esta pessoa conseguir aquilo que almeja nas quatro etapas anteriores a esta da pirâmide, e estiver buscando sua auto-realização, não importa quão satisfeita a pessoa esteja, vai querer sempre mais. (CHIAVENATO, 2002). Todos os indivíduos se encontram em alguma posição dessa pirâmide. Considerando-se os níveis hierárquicos, a cada patamar alcançado, este é anulado e o superior passa a ser a prioridade. Sendo assim, as exigências de nível mais baixo devem ser supridas em primeiro lugar. Segundo Chiavenato (2002, p. 86), se alguma necessidade mais baixa deixar de ser satisfeita durante muito tempo, ela se tornará imperativa, neutralizando o efeito das necessidades mais elevadas. A privação de uma necessidade mais baixa, faz com que as energias do indivíduo se desviem para lutar pela sua satisfação. Portanto, as necessidades básicas, fisiológicas e de segurança são essenciais à manutenção da vida e serão sempre as mais importantes. Além disso, 19 caso não estejam sendo sanadas, neutralizarão o efeito das mais elevadas. Por isso, as pessoas que possuem baixo poder aquisitivo, tendem a dar maior prioridade para satisfazer as fisiológicas. Vale ressaltar, que as duas primeiras necessidades só serão alçandas se a pessoa possuir dinheiro, enquanto que os próximos três níveis da hierarquia de Maslow, o social, de estima e auto-realização, não necessariamente precisam ser adquiridos por meio de valor monetário. Para explicar tal acontecimento, Macedo Junior (2007, p. 12) faz uso do ditado popular: “dinheiro não traz felicidade.” Além de selecionar as pessoas conforme seu nível hierárquico de prioridades, também é comum, na sociedade, classificá-las de acordo com a quantidade de dinheiro que recebem. A ABEP - Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (2008), distribuiu os grupos de classes sociais, conforme a renda de cada família. Esta divisão pode ser observada no Quadro 1. Classe Renda Média em R$ (por pessoa) Classe A1 Classe A2 Classe B1 Classe B2 Classe C1 Classe C2 Classe D Classe E Renda Família em R$ (4 pessoas) 9.733,47 6.563,73 a 9.733,46 3.479,36 a 6.563,72 2.012,67 a 3.479,35 1.194,53 a 2.012,66 726,26 a 1.194,52 484,97 a 726,25 276,70 a 484,96 38.933,88 26.254,92 a 38.933,87 13.917,44 a 26.254,91 8.050,68 a 13.917,43 4.778,12 a 8.050,67 2.905,04 a 4.778,11 1.939,88 a 2.905,03 1.106,80 a 1.939,87 Quadro 1: Classes Sociais Segundo a ABEP Fonte: Adaptado ABEP - Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (2008). As famílias, conforme sua classe social, são organizadas da maior para menor renda, divididas em A1, A2, B1, B2, C1, C2, D e E. A classe A1 possui maior poder aquisitivo, sendo que sua renda média por pessoa é superior a R$ 9.733,47, enquanto que a classe E é a que possui menor rendimento, sendo o valor médio por pessoa entre R$ 276,70 a R$ 484,96. Mediante a classificação abordada, observouse a enorme discrepância de rendas entre as classes sociais. Conforme a classificação realizada pela ABEP, em relação à renda familiar, cabe destacar que a maioria das pessoas que compõem as classes D e E são aquelas que, na pirâmide de Maslow, priorizam satisfazer as necessidades fisiológicas e de segurança. 20 Após classificar as prioridades de necessidades das pessoas e a classe social, descreve-se a seguir, de que forma o emocional interfere na tomada de decisão financeira e o quanto é importante o estudo das finanças comportamentais. 2.2 Teoria das Finanças Comportamentais Os seres humanos geralmente têm suas ações influenciadas, essencialmente pelas emoções, ao invés do uso da razão. É comum adquirirem produtos sem necessidade e utilidade, só pela beleza e satisfação de aquisição. Compram por impulso, sem verificar a disponibilidade de pagamento e posteriormente recorreram aos juros dos cartões de créditos e financiamentos, para sanar suas dívidas. Este fato revela que muitos preferem adquirir no momento, ao invés de poupar. (MACEDO JUNIOR, 2007). O desconhecimento sobre a gestão financeira e o desejo de possuir bens e serviços faz com que não se preocupem, no momento da compra, em avaliar os altos juros cobrados no mercado. Pagam um preço maior que o valor real do produto, o que compromete ainda mais o orçamento pessoal e dificulta o equilíbrio financeiro, levando muitas vezes a buscar alternativas em instituições financeiras, que cobram elevados montantes sobre o dinheiro emprestado. Ao pesquisar sobre esse tema, Macedo Junior (2007) relata que diversos estudos mostram que o crescimento da renda e o consumo não estão ligados ao aumento da felicidade. Muitas pessoas tomam decisões sobre suas finanças, apenas para serem integrados a um grupo, ou seja, por terem baixa auto-estima e para obterem auto-afirmação diante de outras pessoas. Segundo Martins (2004), a vaidade, a ostentação e o impulso consumista, são emoções destrutivas, quando se fala em finanças, já que estas levam ao descontrole financeiro e consequentemente geram um stress emocional. As finanças comportamentais se propõem a explicar como a psicologia afeta a tomada de decisão financeira, esclarecendo sobre o comportamento não racional dos investidores no mercado e suas consequências. (PEREIRA; VIEIRA, 2009). 21 Um fato recente que comprova a teoria das finanças comportamentais foi a crise no EUA, ocasião que os bancários e investidores imobiliários americanos, dotados de alto nível de instrução, não tomaram decisões racionais, já que poucos economistas previram a recessão econômica que ocorreu naquele país. (SHILLER, 2009 apud PEREIRA; VIEIRA, 2009). Dessa forma, as ações humanas podem prejudicar os investimentos, pois se moldam conforme o comportamento de cada um e a influência do meio social em que vivem. O estudo das finanças comportamentais contribui para compreender que o sistema emocional influencia diretamente nas decisões, que são tomadas conforme o grau de motivação individual. Segundo Chiavenato (2002), a motivação ocorre pelo impulso de um motivo, que faz a pessoa agir de determinada forma ou que dá origem a esse comportamento específico. Para Chiavenato (2002, p. 80), o “impulso à ação pode ser provocado por um estímulo externo (provendo do ambiente) e pode também ser gerado intimamente nos processos mentais do indivíduo.” Assim, o ser humano motiva-se por estímulos externos, como um aumento salarial ou por estímulos internos, que ocorrem no interior da pessoa, como o reconhecimento profissional. Os indivíduos se diferem em sua motivação, por causa da variação das necessidades, dos padrões de comportamento, valores sociais, capacidade em atingir os objetivos ou situação que está vivenciando. Entretanto, apesar de alterarem os padrões de comportamento, o processo funciona da mesma forma para todos. (CHIAVENATO, 2002). Chiavenato (2002, p. 83) elucida que “os motivos do comportamento humano residem no próprio indivíduo: sua motivação para agir e se comportar deriva de forças que existem dentro dele.” Como a motivação é um processo interno e depende de cada um, é importante que as pessoas se aceitem, se valorizem e busquem a auto-realização. Cada ser humano tem uma capacidade psíquica particular para enfrentar os problemas que surgem no dia-a-dia. A questão do controle financeiro é carregada de crenças, conteúdos emocionais e morais que foram construídos e legitimados no decorrer da vida, de acordo com o meio em que cada um está inserido. Na próxima unidade estuda-se o planejamento financeiro pessoal, bem como os passos para a construção de um planejamento propriamente dito, ou seja, 22 os processos que envolvem o dinheiro para se organizar e fazer excelentes aplicações financeiras. 2.3 Planejamento Financeiro Pessoal Nesta seção, primeiramente aborda-se as noções iniciais de planejamento financeiro pessoal, no intuito de ampliar o conhecimento. Na sequência expõe-se os passos para a construção de um planejamento possível de ser executado. 2.3.1 Noções Iniciais de Planejamento Financeiro Pessoal As pessoas devem preocupar-se em adquirir conhecimento na área das finanças pessoais, saber dos processos que envolvem o dinheiro, para se organizarem e utilizarem adequadamente seus recursos financeiros, de forma a suprir as necessidades, bem como satisfazerem seus sonhos. Gitman (2004, p. 4) esclarece que finanças é a arte e ciência da gestão do dinheiro. Praticamente todos os indivíduos e organizações recebem ou levantam, gastam ou investem dinheiro. A área de finanças preocupa-se com os processos, as instituições, os mercados e os instrumentos associados à transferência de dinheiro entre indivíduos, empresas e órgãos governamentais. Entretanto, apesar deste assunto estar constantemente presente no dia-adia dos seres humanos, é comum existir dificuldades em administrar o que se recebe, devido à falta de instrução financeira. A educação da sociedade brasileira não incentiva essa prática e conforme Savoia, Saito e Santana (2007, p. 1125), é visto claramente “que, no Brasil, as autoridades não exercem a função de capacitar a população adequadamente para a tomada de decisões no âmbito financeiro.” Esse pode ser o motivo do aumento das taxas de inadimplência, uma vez que as pessoas precisam recorrer aos recursos de bancos, por não saberem gerenciar seus rendimentos. 23 A Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte perceberam a importância da educação financeira para a população e tornaram-na facultativa no currículo escolar desde 2001, sendo que na maioria das escolas é uma disciplina normal na grade escolar. (SAVOIA; SAITO; SANTANA, 2007). Nos Estados Unidos, dos 50 estados e um distrito, 29 introduziram a educação financeira como assunto obrigatório nas escolas secundárias, entre 1957 e 1985, com o objetivo de preparar os jovens para a vida adulta. (GARRETT; MSKI, 1997 apud SAVOIA; SAITO; SANTANA, 2007). Atualmente, 48 estados e o Distrito de Columbia possuem a educação financeira inserida em suas grades escolares. (SAITO, 2010). Apesar do pouco incentivo pelas lideranças e políticos brasileiros para a implantação da educação financeira no Brasil, esta deveria ser preocupação do governo e das instituições de ensino, já que influencia diretamente nas decisões econômicas das famílias. Outro exemplo de preocupação com a instrução financeira das pessoas é apontada por Clason (2005), como sendo as sete soluções que se deve tomar para acabar com a falta de dinheiro, que será exposta na Figura 2. Estas foram editadas em 1926 e divulgadas em panfletos, por meio de parábolas ambientadas na antiga Babilônia, para explicar à população noções de economia e sucesso financeiro. Figura 2: Sete Soluções para Acabar com a Falta de Dinheiro Fonte: Adaptado de Clason (2005, p. 15-23). 24 Do exposto, percebe-se que para obter o sucesso financeiro pretendido, tem-se que seguir sete pressupostos. Desta forma, faz-se necessário compreendêlas no tocante às suas pretensões. Para Classon (2005), a primeira solução é: faça seu dinheiro crescer, que implica no fato de que de todos os rendimentos, deve-se poupar uma parte, para fazer com que o dinheiro aumente e dê maior rentabilidade. Como segunda, tem-se: controle seus gastos, na qual pressupõe uma ação de exercer domínio dos desperdícios, para poder usufruir dos desejos e ter satisfação pessoal. Como ferramenta para auxiliar a identificar as receitas e despesas e acumular riquezas, sem comprometer os ganhos, tem-se o orçamento. Prosseguindo no detalhamento das soluções, expõe-se a terceira: multiplique seus rendimentos. Aqui o intuito é colocar o dinheiro a trabalhar de forma que dê lucro, para isso, é preciso estudar antes de fazer uso dele, procurando a opinião de pessoas acostumadas com negócios e lucros. Na quarta dica: proteja seu tesouro da perda - observe o mercado para proteger o patrimônio conquistado de possíveis perdas. Assim, não façam negócios arriscados e assegurem o patrimônio. Outro pressuposto elencado é: faça do lar um investimento lucrativo, e que isso ocorra para ter o próprio teto. Se não tiverem condições de comprar uma casa, deve-se fazer um empréstimo no qual tenha a mesma regularidade do aluguel, assim, se estará investindo em um bem e não só tendo despesas de locação. Com a casa própria quitada, muitos de seus gastos poderão ser reduzidos. A penúltima solução tem como título: assegure uma renda para o futuro, que reside no fato de planejar os investimentos para que estes dêem renda para o futuro. Desta forma, invista em ações, poupança, imóveis, aposentadoria privada, para garantir uma velhice tranquila e proteção da família. E na última tem-se: aumente sua capacidade de ganhar, ou seja, nesta solução, mostra-se como é importante a detenção de conhecimentos sobre o assunto. Portanto, quanto mais informações forem adquiridas, maior será a competência de se conseguir dinheiro, assim, devem ser cultivadas aptidões, estudados e somado os aprendizados. Macedo Junior (2007) enfatiza que as pessoas preocupavam-se em como ganhar dinheiro, adquirir bens e acumular riquezas, para garantir conforto e um futuro satisfatório. Vale ressaltar que desde a antiga Babilônia até os dias de hoje, foram muitas as alterações sócio-econômicas, porém a preocupação das pessoas com o futuro financeiro, de civilizações e épocas distintas, continua a existir. A partir disso, pode-se dizer que para ser bem sucedido financeiramente, deve-se elaborar 25 um planejamento, no intuito de gerenciar o dinheiro, com o objetivo de atingir satisfação pessoal. 2.3.2 Passos para a Construção de um Planejamento Financeiro Pessoal No planejamento das finanças, determina-se a utilização do dinheiro e os planos necessários para alcançar os objetivos, pois define-se antecipadamente para onde será destinado o recurso financeiro obtido, de forma a atingir os resultados previstos. (FERREIRA, 2006). Para conseguir o sucesso financeiro, deve-se ter habilidade de alocar recursos. Tal fato precisa ser vinculado à ocorrência do planejamento. De acordo com Ching (2003, p. 101), para isso precisam-se definir algumas metas, como: - identificar os objetivos de longo prazo e, como consequência, estabelecer suas estratégias; - comunicar as estratégias e os objetivos para toda a organização e cascatear em objetivos departamentais; - desenvolver os objetivos de curto prazo e envolver todos no processo orçamentário, obtendo assim o comprometimento de toda a gerência; - antecipar os problemas, atuando pro ativamente nas decisões e revelando novas perspectivas e abordagens. No cotidiano empresarial, o uso do planejamento para a estruturação dos objetivos e obtenção de sucesso é comumente visto. O mesmo deve ser feito no âmbito pessoal, pois assim consegue-se melhor identificar os objetivos e estabelecer estratégias para alcançá-los. Este procedimento deve ser desenvolvido em família, onde todos terão conhecimento sobre os objetivos e as táticas do processo, de forma a obter o comprometimento e a participação em conjunto. Ao reunir a família para desenvolver o planejamento financeiro é preciso atentar-se a alguns passos definidos por Macedo Junior (2007, p. 28): 1. determine a situação financeira atual; 2. defina seus objetivos; 3. crie metas de curto prazo para cada objetivo; 4. avalie a melhor forma de atingir suas metas; 5. coloque em prática seu plano de ação; e 6. revise as estratégias. Para iniciar, é preciso definir qual a situação financeira, econômica e patrimonial, fazendo um levantamento das receitas, despesas, patrimônio e dívidas, 26 que poderão ser melhor visualizadas com a elaboração das demonstrações contábeis, assunto que será abordado em seções posteriores. (MACEDO JUNIOR, 2007). Após, no segundo passo, é necessário definir os objetivos, o que se almeja ter, o que se pretende atingir dentro de um determinado tempo, que contribuirá para obter estabilidade financeira e enriquecimento da qualidade de vida. O planejamento financeiro pode ser dividido, conforme o tempo, em três etapas: curto, médio e longo prazo. (MACEDO JUNIOR, 2007). Isso poderá ser visualizado na Figura 3, a seguir. Figura 3: Etapas do Planejamento Financeiro Fonte: Adaptado de Macedo Junior (2007, p. 46). Conforme exposto na Figura 3, escolhe-se o que se quer primeiro e após distribui-se conforme o tempo de duração estabelecido: no curto prazo para metas de se atingir em até um ano, como por exemplo, comprar uma moto; no médio prazo, as metas de 1 a 5 anos, como comprar um carro, e, no longo prazo, as metas para 5 anos, como construir uma casa. Na sequência, cria-se metas de curto prazo para cada objetivo, pois por meio destas se obterá êxito mais rápido e assim se poderá verificar os resultados alcançados. Estes tornam-se fonte de motivação para atingir as definidas de longo prazo. (MACEDO JUNIOR, 2007). Após definir os objetivos e estabelecer os prazos, deve-se avaliar e definir qual será a estratégia a ser utilizada para cumprir as metas estabelecidas. Faz-se necessário observar a melhor maneira de poupar para alcançar os objetivos. Algumas pessoas utilizam o orçamento, equilibrando as despesas e as receitas; outras reservam uma parte da renda para investir e o restante utilizam para pagar as contas. Cada indivíduo precisa verificar qual a opção que melhor se adequa à sua realidade. (MACEDO JUNIOR, 2007). 27 Uma vez definidos os objetivos e a data para realizá-los, coloca-se em prática o plano de ação, toma-se as atitudes necessárias para conseguir o que se quer, ou seja, os atos necessários para pôr em funcionamento o planejamento. Isso deve ser anotado, pois este processo torna mais fácil a visualização, de forma a não se perder o foco. (MACEDO JUNIOR, 2007). Prosseguindo com o plano de ação, é essencial o monitoramento, além disso, sempre revise as estratégias. Faz-se necessário a revisão das metas, se não for possível cumpri-lás no prazo pré-estabelecido, definir novo prazo, mas não se desviando do objetivo, de maneira persistente para alcançar o que se almeja. (MACEDO JUNIOR, 2007). Observando o que foi descrito, pode-se afirmar que tanto uma empresa como uma pessoa precisam planejar-se financeiramente, para organizar-se de modo a atingir os objetivos de curto à longo prazo, sendo essa uma das formas de aumentar os rendimentos. Cerbasi (2004) cita que são pontos fundamentais para desenvolver um planejamento financeiro eficiente: controlar os gastos, estabelecer metas, disciplinar os investimentos, preparar-se para os ajustes da inflação e as mudanças de renda e saber administrar o que se tem. Após desenvolver e colocar em ação um planejamento financeiro eficiente, aumente a probabilidade de se obter melhores resultados e a contabilidade para pessoas físicas pode ser muito útil neste processo. 2.4 A Importância da Contabilidade para as Pessoas Físicas É importante conhecer a resolução do Conselho Federal de Contabilidade no 750/93, já que esta facilita o entendimento de quem pode fazer uso dos conhecimentos desta ciência. Marion (1985) esclarece que pessoa física é todo ser humano, indivíduo (sem qualquer exceção), em que a sua existência termine com a morte. Por sua vez, a pessoa jurídica, é a união de indivíduos, por meio de um contrato reconhecido por lei, que formam uma nova pessoa, com personalidade distinta de seus membros, que podem ter fins lucrativos, como as indústrias e comércios, ou sem fins lucrativos, como as cooperativas, associações culturais ou religiosas. 28 Segundo Iudícibus e Marion (2002, p. 56), “o campo de atuação da contabilidade, na verdade seu objeto, é o patrimônio de toda e qualquer entidade; ele acompanha a evolução qualitativa e quantitativa desse patrimônio.” A contabilidade controla a evolução do patrimônio das entidades, que são os bens e direitos que se tem a receber e as obrigações a pagar, qualitativamente por meio da interpretação dos dados da situação financeira e quantitativamente ao elaborar as demonstrações contábeis. A definição do patrimônio de uma entidade está ilustrado no Quadro 2. PATRIMÔNIO DE UMA PESSOA OU DE UMA EMPRESA Bens e Direitos a Receber Obrigações a serem pagas Quadro 2: Patrimônio de Uma Pessoa ou de uma Empresa Fonte: Marion (1985, p. 26). A Ciência Contábil está presente no dia-a-dia das pessoas, que se utilizam dos conhecimentos desta para administrar a conta bancária, o débito em conta indevido e decidir onde gastar ou aplicar as economias. Portanto, o objeto de estudo é tanto o patrimônio da pessoa física como jurídica, mas, a maioria dos estudos é direcionada para empresas, em função das exigências da legislação comercial e fiscal. (BARROS, 2005a). E, assim, a construção do saber para as pessoas físicas fica em segundo plano. No entanto, a Contabilidade pode contribuir na orientação das pessoas para a gestão dos recursos financeiros, já que esta possui sua metodologia “para captar, registrar, acumular, resumir e interpretar os fenômenos que afetam as situações patrimoniais, financeira e econômica de qualquer ente.” (IUDÍCIBUS, 1998, p. 21). Apesar da falta de bibliografias voltadas aos estudos das pessoas físicas, esta ciência a estes atende, pois alguns conhecimentos que são utilizados nas empresas podem ser adaptados e utilizados na vida pessoal. Iudícibus (1998, p. 24) esclarece que, a contabilidade não deixa de desempenhar seu papel de ordem e controle das finanças também no caso dos patrimônios individuais. Frequentemente, as pessoas esquecem-se de que alguns conhecimentos de Contabilidade e Orçamento muito as ajudariam no controle, ordem e equilíbrio de seus orçamentos domésticos. É sabido que a informação contábil proporciona controle e planejamento. O controle é realizado como medida para certificar-se de que a organização ou a 29 pessoa está agindo em conformidade com os planos e políticas traçados. Por sua vez, o planejamento é o processo pelo qual decide que curso de ação será tomado. (IUDÍCIBUS, 1998). Assim sendo, a contabilidade tem a função de demonstrar dados de maneira a ajudar na distribuição e organização dos recursos, possibilitando a visualização das diversas alternativas que podem ser desenvolvidas e analisadas para a elaboração de um planejamento financeiro, e isso, é possível com a utilização das demonstrações contábeis, assunto a ser abordado no tópico a seguir. 2.5 Demonstrações Contábeis Utilizadas na Gestão dos Recursos Pessoais As pessoas precisam adquirir o hábito de controlar suas finanças, pois essa é a melhor maneira para gerir seus recursos. Para isso existem demonstrações contábeis que podem ser utilizadas na gestão pessoal, para auxiliar no planejamento financeiro. A seguir serão expostos o fluxo de caixa, a demonstração do resultado do exercício e o balanço patrimonial. 2.5.1 Fluxo de Caixa O fluxo de caixa é o controle de entradas e saídas de valores monetários. Segundo Campos Filho (1997 apud ARAÚJO; HOLANDA, 2004), entende-se que o fluxo de caixa é “o registro e controle sobre a movimentação do caixa de qualquer empresa, expressando as entradas e saídas de recursos financeiros ocorridos em determinados períodos de tempo." Da mesma forma que acontece nas entidades jurídicas, esses conhecimentos também podem ser aplicados às pessoas físicas. Conforme Martins (2004, p. 43), para uma pessoa, “o fluxo de caixa é a sua própria demonstração de renda, os ganhos pessoais são, geralmente, recebidos todos durante o mês e as despesas pagas no mesmo período.” As entradas de dinheiro são os recebimentos, que na contabilidade é denominada como receita. Iudícibus (1998, p. 66) define receita como, 30 a entrada de elementos para o ativo, sob a forma de dinheiro ou direitos a receber, correspondente, normalmente, à venda de mercadorias, de produtos ou à prestação de serviços. Uma receita também pode derivar de juros sobre depósitos bancários ou títulos e de outros ganhos eventuais. Para a pessoa física, sua receita é considerada o dinheiro recebido por salário ou ganhos, aluguel de imóveis ou rentabilidade de ações. (BARROS, 2005b). Já, as saídas de dinheiro são as despesas, que segundo Iudicíbus (1998, p. 66), refere-se ao consumo de bens e serviços, que, direta ou indiretamente, ajuda a produzir uma receita. Diminuindo o ativo ou aumentando o passivo, uma despesa é realizada com a finalidade de se obter uma receita cujo valor se espera seja superior à diminuição que provoca no Patrimônio Líquido. Para a empresa, a despesa, diretamente ou indiretamente, produz uma receita, enquanto para as pessoas, ela serve para suprir os gastos de necessidades e supérfluos. Martins (2004, p. 44) define que a despesa do sujeito é “toda saída de dinheiro do seu bolso.” Como exemplos podem ser citados os pagamentos feitos para aquisição de produtos, bens e serviços, como: a farmácia, o supermercado, a oficina mecânica e a festa de aniversário. A diferença entre as entradas e as saídas é denominado de superávit ou déficit mensal. Quando o valor das receitas é maior, chama-se de superávit, pois sobrou dinheiro, porém se o valor das despesas for maior, ocorreu déficit, pois faltou dinheiro. No Quadro 3, expõe-se o relatório de fluxo de caixa pessoal, com o propósito de ser melhor compreendido. FLUXO DE CAIXA PESSOAL RECEITAS Salário Líquido Aluguel Total de Receitas 2750,00 250,00 3000,00 DESPESAS Condomínio Água, luz, gás Telefone Automóvel Apartamento Alimentação Lazer Vestuário Taxas bancárias Educação 100,00 150,00 75,00 400,00 550,00 620,00 50,00 50,00 12,00 98,00 continua 31 Cabelereiro Outros Total de Despesas SUPERÁVIT/DÉFICIT MENSAL conclusão 40,00 55,00 2200,00 800,00 Quadro 3: Fluxo de Caixa Pessoal Fonte: Adaptado de Ferreira (2006). Com a elaboração e controle periódico do fluxo de caixa demonstrado no Quadro 3, comparando por períodos mensais sucessivos, é possível apurar qual o motivo que ocasionou a mudança do caixa e fazer uma análise das informações do demonstrativo, avaliando se existe liquidez suficiente para cumprir com as obrigações e fazer aplicações. (CHING, 2003). Conforme Macedo Junior (2007), as pessoas que não têm domínio sobre seu fluxo de caixa e não têm controle de suas receitas e despesas, estão desorganizadas financeiramente, pois não sabem se possuem superávit ou déficit de caixa. Esse grupo, normalmente, endivida-se com facilidade, permitindo que os bancos e financeiras controlem seus recursos, em função do ciclo de empréstimos e pagamento de juros. O fluxo de caixa é importante para o controle de finanças, pois por meio deste, é possível fazer uma análise e verificar a real situação que pode ser déficit ou superávit. As pessoas que encontram déficit em seu fluxo de caixa precisam se organizar de modo a obter superávit, pois só assim, é possível ter dinheiro para investir em outras aplicações que lhe dêem retorno financeiro e proporcionem satisfação pessoal. (CHING, 2003). Por meio da demonstração do fluxo de caixa, é possível controlar e analisar a movimentação de entradas e saídas dos valores, auxiliando a pessoa a tomar decisões, verificando se existe liquidez suficiente para honrar os compromissos ou fazer investimentos, conforme o regime de caixa. No tópico seguinte, apresenta-se o demonstrativo de resultado do exercício, no qual expõe resultantes do período, conforme o regime de competência. 32 2.5.2 Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) O demonstrativo de resultado do exercício registra as receitas e despesas na entidade, para evidenciar se houve lucro ou prejuízo em um determinado período. A seguir expõe-se a equação contábil do DRE. RECEITAS – DESPESAS = LUCRO (Receitas > Despesas) OU PREJUÍZO (Receitas < Despesas) Quadro 4: Equação Contábil da DRE Fonte: Adaptado de Ching (2003, p. 50). Conforme Martins (2004, p. 40), esse relatório de renda, especificamente, “diz respeito a quanto você ganha e quanto gasta num dado período.” Ou seja, por meio dele a pessoa poderá verificar qual foi o seu saldo. No Quadro 5, expõe-se um modelo de demonstração de resultado pessoal, observando-se primeiramente as receitas, na sequência as despesas e, após, verifica-se o resultado, que poderá ser de lucro ou prejuízo. Caso as receitas obtidas superem as despesas, obtém-se lucro, que aumentará o Patrimônio Líquido, porém se as despesas forem maiores que as receitas, este fato ocasionará um prejuízo e consequentemente diminuirá o Patrimônio Líquido. (IUDÍCIBUS,1998). DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO PESSOAL RECEITA BRUTA 10000,00 ( - ) Tributos sobre os ganhos -2000,00 Receita Líquida 8000,00 TOTAL DE DESPESAS 6012,00 Água, luz, gás 370,00 Automóvel 1100,00 Apartamento 2300,00 Alimentação 700,00 Lazer 500,00 Vestuário 400,00 Taxas bancárias Educação RESULTADO/LUCRO OU PREJUIZO Quadro 5: Demonstração de Resultado Pessoal Fonte: Adaptado de Martins (2004). 12,00 630,00 1988,00 33 Cabe ressaltar que os valores da Demonstração de Resultado Pessoal serão mensurados conforme a competência. Visualmente, este e o fluxo de caixa têm suas estruturas semelhantes, porém demonstram resultados e têm regimes de contabilização diferentes. Segundo Ching (2003), o DRE é regido pelo regime de competência, que reconhece o impacto das transações nos períodos, quando as receitas e despesas ocorreram, independentemente de recebimentos e pagamentos. Já o fluxo de caixa é pelo regime de caixa, onde os fatos são registrados conforme o seu recebimento ou pagamento. Para esclarecer essa diferença, será exemplificado no Quadro 6, um comparativo entre DRE e o fluxo de caixa: DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCICIO Mês 1 Receitas 100 Despesas 90 Saldo = + 10 FLUXO DE CAIXA Mês 1 Recebimentos 70 Pagamentos 70 Saldo = 0 Quadro 6: Comparativo entre a DRE e o Fluxo de Caixa Fonte: Adaptado de Martins (2004, p. 45) No DRE, visualiza-se que a pessoa teve R$ 100,00 de receitas e R$ 90,00 de despesas, sendo assim, obteve um lucro de R$ 10,00. Enquanto que a mesma pessoa, no mesmo mês, em seu fluxo de caixa, registrou o recebimento de apenas R$ 70,00 e efetuou pagamentos no valor de R$ 70,00. Dessa forma, não lhe restou dinheiro. Infere-se então que em um mesmo período a pessoa teve lucro de R$ 10,00, porém gastou tudo o que recebeu. No tópico a seguir, elucida-se o balanço patrimonial, demonstração contábil que pode ser utilizada pela pessoa física. 2.5.3 Balanço Patrimonial O balanço patrimonial mostra a atual realidade financeira e patrimonial da pessoa, em um determinado período, evidenciando seus bens, direitos e obrigações. Iudícibus e Marion (2007, p. 189), definem que é “a demonstração contábil destinada 34 a evidenciar, quantitativamente e qualitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da entidade.” O balanço patrimonial demonstra uma imagem fotográfica expressa em valores, do que a pessoa possui e do que deve em um exato momento de apuração. Martins (2004) descreve que este relatório representa o estoque, de bens e direitos existentes no ativo e de dívidas e compromissos a honrar no passivo, em um período. Na coluna de ativos (lado esquerdo), visualiza-se os bens e direitos existentes e no passivo estão demonstradas as obrigações e dívidas a pagar (lado direito). A diferença desses dois será denominada de Patrimônio Líquido. No Quadro 7, a seguir, demonstra-se a situação de uma pessoa física, por meio do Balanço Patrimonial. ATIVO ATIVO CIRCULANTE Dinheiro no bolso Saldo em conta corrente Saldo em conta poupança 2.100 100 200 1.800 PASSIVO PASSIVO CIRCULANTE Cartão de Crédito Financiamento Automóvel Financiamento Terreno 2.100 700 800 600 ATIVO NÃO CIRCULANTE Empréstimo concedido FGTS Automóvel Terreno 65.200 600 600 14.000 50.000 PASSIVO NÃO CIRCULANTE Financiamento Automóvel Financiamento Terreno 19.000 4.000 15.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO Ativo - Passivo 46.200 46.200 TOTAL DO ATIVO 67.300 TOTAL DO PASSIVO 67.300 Quadro 7: Balanço Patrimonial Pessoal Fonte: Adaptado de Ferreira (2006, p. 23). No ativo, conforme descrito por Iudícibus e Marion (2007, p. 191), “compreende as aplicações de recursos representados por bens e direitos.” Os bens e direitos compreendem o que se tem para receber, como: carro; terrenos; imóveis; empréstimos concedidos; ações judiciais, entre outras. No que tange à estrutura desse relatório contábil, tem-se que no ativo os bens e direitos são divididos em circulante ou não circulante, de acordo com o seu grau de liquidez, ou seja, a rapidez em que se convertem em dinheiro. Segundo Martins (2004), o ativo circulante é formado por contas de liquidez imediata, que tem rápida circulação, como caixa e contas bancárias. O ativo não circulante é formado por bens de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento e que para convertê-lo em dinheiro, não 35 costuma ser de imediato, pois geralmente não são destinados à venda e tem vida útil longa, como veículos e terrenos. (ZANLUCA, 2009). Por sua vez, o passivo para Iudícibus e Marion (2007, p. 191), “compreende as origens de recursos representadas por obrigações.” Esse divide-se em passivo circulante e não circulante. No Passivo Circulante estão localizadas as obrigações com terceiros, vincendas em até 12 (doze) meses, como conta de telefone e cartão de crédito. No Passivo Não Circulante, estão as obrigações a vencer com prazo superior a 12 (doze) meses. Essas dívidas são contraídas para pagar a médio e longo prazo, como financiamento de carro e casa. (ZANLUCA, 2009). No que refere-se ao Patrimônio Líquido, de acordo com Iudícibus e Marion (2007, p. 191), este “compreende os recursos próprios da entidade, ou seja, a diferença maior do ativo sobre o passivo. Na hipótese do passivo superar o ativo, este valor é denominado de passivo a descoberto.” Do resultado do que a pessoa tem e o que ela deve, o que restar é o seu Patrimônio Líquido. Este representa a verdadeira riqueza da pessoa. O Balanço Patrimonial pode ser elaborado anualmente e geralmente costuma-se encerrá-lo ao final de cada exercício. Porém, para fins gerenciais, a periodicidade pode ser trimestral, mensal, quinzenal ou semanal, isso vai depender da necessidade do usuário. Ao final da apresentação das demonstrações contábeis, observa-se que existem vários métodos que podem ser utilizados para controle das informações. Segundo Cerbasi e Barbosa (2009, p. 72), “a palavra método vem do grego – methodos, met`hodos – que significa caminho para chegar a um fim.” Para organizar a sua vida financeira, é preciso identificar e aplicar o procedimento no qual a pessoa melhor se enquadre, como por exemplo, pela elaboração do fluxo de caixa, DRE, balanço patrimonial ou outro método no qual se consiga obter o controle total das informações para se planejar. Na seção seguinte, aborda-se o orçamento doméstico, onde relata-se dicas para economia doméstica e o método de controle financeiro por meio da planilha de orçamento. 36 2.6 Orçamento Doméstico Familiar Orçamento doméstico familiar é a previsão de receitas a serem recebidas e das despesas a pagar. Segundo Leite (1980, p. 245), “orçamento é a previsão das receitas e despesas para um determinado período.” Para obter um orçamento equilibrado, faz-se necessário gastar menos do que se recebe, mas muitas pessoas não têm controle sobre seu orçamento doméstico e gastam mais do que possuem. A Febraban (2008 apud KÊNIA, 2008) realizou uma pesquisa sobre o aumento do crédito de pessoas físicas nos últimos anos, demonstrado no Quadro 8. Aumento de Crédito Para Pessoa Física de 2004 a 2007 Crédito Pessoal Aquisição de Bens Cartão de Crédito Financiamento Imobiliário Cheque Especial 231% 168% 163% 64% 45% Quadro 8: Aumento de Crédito Para Pessoa Física de 2004 a 2007 Fonte: Adaptado de Febraban (2008 apud KÊNIA, 2008). Conforme a pesquisa realizada, do ano de 2004 até 2007, ocorreu um aumento expressivo de crédito utilizado por pessoa física: crédito pessoal; aquisição de bens; cartão de crédito; financiamento imobiliário; e cheque especial, geralmente devido geralmente às facilidades de crédito oferecidas e o descontrole financeiro das pessoas. (FEBRABAN, 2008 apud KÊNIA, 2008). Para evitar a falta de controle das finanças, recomenda-se o uso de um orçamento familiar, onde são anotadas as receitas e despesas, detalhando os gastos como forma de saber onde está sendo utilizado o dinheiro, que pode ser com alimentação, saúde, educação, vestuário, transporte, lazer e outros. A seguir, no Quadro 9, demonstra-se um modelo de orçamento familiar, que é utilizado para controlar os gastos. Salário 1 Salário 2 Salário 3 Outras receitas PLANILHA DE ORÇAMENTO Janeiro Fevereiro RECEITAS 900,00 900,00 1.500,00 1.500,00 120,00 - Março 1.050,00 1.500,00 - Abril 1.050,00 1.500,00 continua 37 Bolsa Escola Bolsa Família Cesta Básica Auxílio Leite Auxílio Gás Total de Receitas Supermercado Feira / Sacolão Lanches Aluguel Consertos Conta de Água Conta de Luz Gás Telefone Fixo Telefone Celular Combustível Passagem de Ônibus Remédios / Farmácia Médicos/Plano de saúde Material Escolar Vestuário Calçados Livros / revistas/jornais Cigarro Lazer Impostos Juros-Cheque Especial Juros-Cartão de Crédito Empréstimo Tarifas Bancárias Outros ... ... Total de Despesas + Saldo Inicial: (SI) + Total de Receitas: - Total de Despesas: Saldo final: 2.520,00 DESPESAS 450,00 88,00 68,00 350,00 25,00 45,00 43,00 56,00 50,00 180,00 90,00 30,00 180,00 75,00 24,00 278,00 75,00 10,80 63,00 2.400,00 2.550,00 conclusão 2.550,00 500,00 80,00 60,00 350,00 30,00 53,00 97,00 60,00 200,00 90,00 220,00 180,00 250,00 100,00 24,00 250,00 88,00 10,80 85,00 490,00 85,00 75,00 420,00 75,00 35,00 48,00 43,00 90,00 70,00 250,00 90,00 300,00 180,00 300,00 85,00 24,00 180,00 80,00 10,80 60,00 380,00 85,00 70,00 420,00 50,00 23,00 40,00 55,00 15,00 200,00 90,00 288,00 180,00 24,00 80,00 10,80 50,00 2.180,80 2.520,00 2.180,80 339,20 2.727,80 339,20 2.400,00 2.727,80 11,40 2.990,80 11,40 2.550,00 2.990,80 (429,40) 2.060,80 (429,40) 2.550,00 2.060,80 59,80 Quadro 9: Planilha de Orçamento Familiar Fonte: Adaptado de Halfeld (2004), Ferreira (2006), Macedo Junior (2007) e Martins (2004). Com o registro dos gastos, torna-se possível realizar um controle financeiro eficaz. Também pode-se fazer um planejamento e projetar o orçamento para os meses seguintes, comparando orçado e realizado. Por meio da visualização da planilha, verifica-se onde estão ocorrendo os exageros no orçamento. Para Terburg (2010) o ajuste orçamentário propicia a materialização de sonhos e a obtenção de coisas boas para o futuro. É preciso mudar a rotina e rever a forma de pensar. Por isso, ao fazer o orçamento, deve-se reunir a família e assim 38 tomar as atitudes em conjunto, a fim de reduzir os gastos, para que o dinheiro disponível seja investido em coisas que gerem satisfação a todos. Conforme Cerbasi (2004), Cerbasi (2010), Ferreira (2006) e Romão (2008) serão demonstradas no Quadro 10, algumas sugestões de economia doméstica, úteis para redução nos gastos familiar. DICAS PARA ECONOMIZAR Economize com... Supermercado Atuando assim... üEvite fazer compras antes das refeições, pois devido à sensação de fome, se gasta mais comprando itens desnecessários e supérfluos; üLeve a lista de compras, para evitar aquisições por impulso; üEvite levar crianças, já que os produtos voltados para esse público-alvo são colocados nas prateleiras em lugares estratégicos; üOs preços dos produtos costumam subir no período de pagamento, já que as famílias estão com dinheiro no bolso e a dispensa vazia; üNem toda “oferta” divulgada pelos supermercados vale a pena. Em muitos casos, colocam um produto em promoção e sobem os preços de outros. Os clientes acabam comprando muito mais dos produtos caros, do que os que estão em promoção. üPague primeiro as dívidas que contém juros embutidos, pois crescem com o decorrer do tempo; Dívida üDê prioridade às dívidas de cartão de crédito e cheques especiais, onde as taxas de juros cobrados são altíssimas. Depois, liquide as decorrentes de prestações e carnês em atrasos; üEvite novos empréstimos para cobrir empréstimos antigos; üEvite comprometer mais do que 30% da sua renda com dívidas; üConstrua uma reserva de emergência suficiente para manter-se em até seis meses, em casos de imprevistos como perda de emprego, doenças e outros. Juros üAtente-se aos juros baixos do comércio, pois quando estes são muito baixos no parcelamento, pode ser por estarem embutidos no preço de venda à vista. Pesquise sempre antes na concorrência. üColoque a data do vencimento, próxima ao dia de seu recebimento; üPrefira os cartões que oferecem bônus como milhagens ou descontos; üVerifique a taxa de anuidade; Cartão de Crédito üJamais entre no crédito rotativo ou pagamento mínimo; üCuidado com as compras parceladas no cartão, pois muitas lojas embutem juros nas parcelas sem avisar o consumidor; üNas compras pela internet, certifique-se de que o site é seguro e a empresa é idônea. üEvite banhos demorados e deixe na chave seletora de verão; üVerifique o selo PROCEL, que indica o nível de consumo dos produtos elétricos; Energia Elétrica üJunte bastante roupa para colocar na máquina de lavar e para passar; üNão guarde alimentos quentes na geladeira. üDisque no horário de menor tarifa: entre 0h e 6h de segunda a sexta-feira, Telefone após as 14h no sábado e durante todo o dia de domingo e feriados. Quadro 10: Economia Doméstica Fonte: Adaptado de Cerbasi (2004); Cerbasi (2010); Ferreira (2006); Romão (2008). 39 Além das dicas elucidadas no Quadro 10, conforme Ferreira (2006), ao adquirir um automóvel, a maior parte das pessoas considera apenas o desembolso da parcela, porém existem outros gastos, como os demonstrados no Quadro 11, que devem ser considerados. DESPESA Seguro (4% ao ano) IPVA (4% ao ano) Estacionamento Manutenção Combustível Prestações Depreciação Custo de oportunidade Multas e eventualidades Total de Despesas MENSAL (R$) 46,50 46,50 50,00 50,00 100,00 400,00 693,00 ANUAL (R$) 560,00 560,00 600,00 600,00 1.200,00 4.800,00 8.320,00 Quadro 11: Gasto Médio Anual de um Automóvel Fonte: Ferreira (2006, p. 113). De acordo com o demonstrado no Quadro 11, visualiza-se que além dos R$ 400,00 reais da prestação do carro, deve-se também ter planejado em seu orçamento que terá ainda aproximadamente outros R$ 293,00 de gastos com gasolina, IPVA, seguro obrigatório e estacionamento. O orçamento pode ser utilizado como uma ferramenta de monitoramento financeiro, para evitar desvio de foco e sobrar dinheiro para investir em coisas que gerem satisfação. Para isso, a economia doméstica tem de ser adotada por todos da família, de forma a planejar e avaliar as possibilidades conforme a renda e conscientizar-se das despesas, de modo a atingir as metas, caso contrário será complicado obter o êxito. Após este processo de conscientização da racionalização aborda-se no próximo capítulo, análise das demonstrações contábeis, de forma a verificar a situação financeira e patrimonial. 2.7 Análise das Demonstrações Contábeis para Pessoas Físicas Após a elaboração das demonstrações contábeis, faz-se necessário realizar uma análise e interpretar os fatos ocorridos, de modo a obter informações que auxiliem em sua gestão financeira pessoal. Segundo Ching (2003), por meio da 40 análise das demonstrações contábeis, é possível interpretar a situação econômicofinanceira, identificar os pontos fortes e fracos, medir a capacidade de gerar lucro e identificar a eficiência da gestão dos ativos. Segundo Marion (1985), para atender as necessidades de fins gerenciais, as demonstrações contábeis e sua análise, podem ocorrer com uma curta periodicidade, sugerindo-se que elas ocorram mensalmente. E, para realizar o diagnóstico, utilizam-se técnicas de análise vertical, análise horizontal e análise dos índices, assuntos que serão abordados nas seções subsequentes. 2.7.1 Análise Vertical Conforme Padoveze e Benedicto (2004, p. 171), a “análise vertical caracteriza-se como uma análise de estrutura ou participação”, ou seja, calcula-se o valor que cada conta representa. A análise para Matarazzo (2003, p. 243), “baseia-se em valores percentuais das demonstrações financeiras. Para isso, calcula-se o percentual de cada conta em relação a um valor-base.” No balanço patrimonial, assume-se como 100% o total do ativo ou de passivo, enquanto que no DRE, convencionou-se utilizar, para o 100%, o valor total da receita líquida. No Quadro 12, será demonstrada a análise vertical do balanço patrimonial pessoal, onde serão retiradas informações, para fornecer dados sobre a situação financeira de uma pessoa. ANÁLISE VERTICAL DO BALANCO PATRIMONIAL PESSOAL TOTAL DO ATIVO 67.300 100 % TOTAL DO PASSIVO ATIVO CIRCULANTE 2.100 3 % PASSIVO CIRCULANTE Dinheiro no bolso 100 0 Cartão de Crédito Saldo em conta corrente 200 0 Financiamento Automóvel 3 % Financiamento Terreno Saldo em conta poupança 1.800 ATIVO NÃO CIRCULANTE 65.200 97 % PASSIVO NÃO CIRCULANTE 1 % Financiamento Automóvel Empréstimo concedido 600 1 % Financiamento Terreno FGTS 600 21 % Automóvel 14.000 74 % PATRIMÔNIO LÍQUIDO Terreno 50.000 Capital Social (Ativo – Passivo) Quadro 12: Análise Vertical do Balanço Patrimonial Pessoal Fonte: Adaptado Ferreira (2006, p. 35). 67.300 100 % 2.100 3 % 700 1 % 800 1 % 600 1 % 19.000 28 % 4.000 6 % 15.000 22 % 46.200 46.200 69 % 69 % 41 Pode-se observar, no Quadro 12 que 3% do total do ativo está alocado no circulante, enquanto que 97% no não circulante, já no passivo, 3% está no circulante, 28% no não circulante e 69% no patrimônio líquido. Comparando o ativo e o passivo circulante, verifica-se que esta pessoa irá utilizar todo seu saldo financeiro do curto prazo para liquidar suas obrigações no longo prazo. Confrontando o ativo não circulante com o passivo não circulante, observa-se que o primeiro tem maior valor. Vale ressaltar que as obrigações do passivo não circulante ocorreram em função da compra de bens do ativo não circulante. O patrimônio líquido é representado por 69%, sendo assim este percentual representa o total da riqueza dessa pessoa. (FERREIRA, 2006). No entender de Padoveze e Benedicto (2004), na análise vertical do DRE, é possível ter uma visão da estrutura das despesas. Por meio dessa análise vertical, é possível verificar diversas informações sobre a situação financeira e patrimonial da pessoa. No tópico a seguir, apresentase a análise horizontal. 2.7.2 Análise Horizontal A análise horizontal dos índices financeiros, segundo Assaf Neto (2007, p.115), “é um processo de estudo que permite avaliar a evolução verificada nos diversos elementos das demonstrações contábeis ao longo de determinado intervalo.” Por meio da análise horizontal, é possível comparar períodos, verificando a evolução de crescimento ou não na demonstração. “A evolução de cada conta mostra os caminhos trilhados pela empresa e as possíveis tendências.” (MATARAZZO, 2003, p. 245). Assim como a empresa utiliza-se desse método para avaliar a sua situação, a pessoa física deve fazê-la também, comparando as contas com períodos anteriores e entendendo o porquê das alterações. No Quadro 13, será demonstrada a análise horizontal de fluxo de caixa pessoal. 42 RECEITAS Salário Líquido Vale-refeição Aluguel Total de Receitas ANÁLISE HORIZONTAL DO FLUXO DE CAIXA PESSOAL 2009 2010 2750 2750 0 0 150 250 2900 3000 A.H. 0% 0% 87% 87% DESPESAS Condomínio Água, luz, gás Telefone Automóvel Apartamento Alimentação Lazer Vestuário Taxas bancárias Educação Ginástica Cabelereiro Outros Total de Despesas 2009 100 120 75 400 550 470 320 50 12 98 0 40 55 2290 2010 100 150 75 400 550 620 50 50 12 98 0 40 55 2200 A.H. 0% 25% 0% 0% 0% 32% -84% 0% 0% 0% 0% 0% 0% -4% SUPERÁVIT/DÉFICIT MENSAL 610 800 31% Quadro 13: Análise Horizontal do Fluxo de Caixa Pessoal Fonte: Adaptado de Ferreira (2006). Na análise horizontal, comparando o período de 2009 e 2010, percebe-se um aumento de 87% nos recebimentos de aluguel, 25% nos pagamentos de consumo de água, luz e gás e 32% de gastos com alimentação. O item que obteve 84% de redução foram os gastos com lazer. O resultado do período foi o superávit de 31%. (FERREIRA, 2006). A análise horizontal é utilizada para avaliar a situação patrimonial e financeira da entidade, comparando períodos. No tópico a seguir, elucida-se a análise por meio dos índices financeiros. 2.7.3 Análise por Meio dos Índices Financeiros A análise por meio dos índices pode ser utilizada pela pessoa física para avaliar e comparar, nos períodos, o desempenho da situação patrimonial e financeira. Na compreensão de Ching (2003, p. 106), o uso destes “auxilia a gerência e os analistas externos a entenderem o desempenho da empresa no 43 passado e, por meio de comparação com padrões pré-estabelecidos, a examinar a posição dela em seu setor de mercado em relação à concorrência.” No Quadro 14 será demonstrado um resumo dos índices financeiros de liquidez, de poupança e de cobertura das despesas mensais, utilizados pelas pessoas físicas. RESUMO DOS ÍNDICES FINANCEIROS Nome do Índice Fórmula Ativo Circulante Índice de Liquidez Passivo Circulante Disponível para investir Índice de Poupança Receitas Ativo Circulante Índice de cobertura das despesas mensais Despesas Dica de Resultado Maior que 1. 20% para solteiros e 15% para casais. Maior que 6. Quadro 14: Resumo dos Índices Financeiros Fonte: Adaptado de Ferreira (2006, p. 37). O índice de liquidez para Ching (2003, p. 106) “mostra a capacidade da empresa de honrar seus compromissos, principalmente os de curto prazo.” Tanto a pessoa jurídica como a pessoa física, podem fazer uso deste para verificar se existem disponibilidades suficientes para efetuar o pagamento das contas. Com base nos valores do balanço patrimonial do Quadro 12, calcula-se o índice de liquidez. Ativo Circulante = 2100 = 1 Passivo Circulante 2100 Analisando o referido exemplo, verifica-se que o valor apurado do cálculo foi 1, sendo assim, o mesmo tem liquidez para pagar suas contas a curto prazo, mas não lhe resta dinheiro algum. Este precisa melhorar o índice, para evitar dificuldades financeiras, já que qualquer alteração no passivo circulante o tornará inadimplente. Conforme Ching (2003, p. 106), “o índice de liquidez corrente pode ser considerado favorável quando superior a 1. Índices inferiores a 1 revelam a curto prazo insuficiência de fundos para o pagamento das obrigações.” O índice de poupança, de acordo com Ferreira (2006, p. 36), “é o percentual da receita mensal de que sobra para investir.” O autor recomenda que o índice de investimento em poupança para uma pessoa solteira seja de 20% de sua renda, enquanto que para um casal, este valor seja de 15%. 44 A seguir, apresenta-se um exemplo onde um casal que possui rendimentos de 3.000 e despesas de 2.200, terá disponível para investir 800. Colocando esses valores na fórmula do índice de poupança do Quadro 14, obtémse: Disponível para Investir = 800 = 26,6% Receitas 3.000 Observou-se que o índice de poupança deste casal é de 26,6%, ou seja, eles tem para investir 26,6% de sua renda. Sendo que o recomendado para duas pessoas é de 20%, dessa forma estes possuem um índice de aproveitamento superior ao recomendado. Segundo Ferreira (2006, p. 36), o índice de cobertura das despesas mensais, “indica por quanto tempo a pessoa pode sobreviver com seu ativo de curto prazo.” Exemplo: o mesmo casal possui 18.900 em seu Ativo Circulante e suas despesas são de 2.200. O seu índice de cobertura das despesas mensais será de: Ativo Circulante = 18.900 = 8,6 Despesas 2.200 Estes possuem uma reserva financeira para 8,6 meses. É recomendado que este índice não seja inferior a 6, pois desta forma, caso ocorra algum imprevisto, como o desemprego, há uma reserva financeira para cobrir as despesas por 6 meses, enquanto procura-se alternativas para solucionar o problema. Fazendo a análise das demonstrações contábeis por meio dos índices financeiros, é possível verificar se a pessoa possui recursos suficientes para pagar as contas, qual o índice de poupança e por quanto tempo suas economias são suficientes para cobrir as despesas mensais em caso de imprevistos. 45 3 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Neste capítulo, evidencia-se e analisa-se os dados coletados por meio da pesquisa na Associação Padre Aníbal Maria de Francia na seguinte ordem: · Explanação sobre a Associação em estudo; · Descrição dos encontros realizados, visando orientar os participantes em relação ao controle das finanças pessoais; · Perfil dos respondentes; · Orçamento familiar; · Proposta de controle financeiro pessoal; e · Sugestões de planejamento financeiro pessoal para o grupo. Cabe esclarecer que antes da realização das palestras, aplicou-se um questionário com 27 pessoas, em setembro de 2009. Posteriormente, no período de novembro de 2009 a março de 2010, foram ministradas quatro palestras elaboradas por esta pesquisadora. Em abril de 2010, após a conclusão das palestras, reaplicouse o questionário, sendo que apenas 13 dos respondentes compareceram. Dessa forma, os dados analisados têm como base a amostra de 13 respondentes. 3.1 Apresentação da Associação Padre Aníbal Maria de Francia A Associação Padre Aníbal Maria de Francia foi fundada em 04 de agosto de 1984, por Serafim Gonçalves, Dimas Patrício, Carmindo Garcia, Gonçalo Bezerra dos Santos, Concílio Adolfo Cardoso e Arlindo Guidi, incentivados pelo Padre Antonio Patavino, com sua sede nas dependências da Igreja Nossa Senhora das Graças, no Bairro Pinheirinho, em Criciúma, Santa Catarina. Atualmente, os fundadores não participam mais do projeto, porém após 26 anos, o trabalho continua sendo desenvolvido por voluntários da comunidade, que arrecadam alimentos, roupas e calçados, nos bairros e igrejas da paróquia, e fazem a distribuição para as famílias no quarto sábado do mês. A Associação é composta atualmente por 55 famílias cadastradas, que foram selecionadas pela assistente social do Centro de Referência da Assistência 46 Social (CRÁS) do Bairro Teresa Cristina. Destas, 15 famílias recebem os donativos em suas residências, por impossibilidades físicas de virem ao local de entrega. As outras 40 famílias vêm à igreja e antes de receberem as doações participam das palestras de variados temas do projeto Resgatando a Cidadania, desenvolvido pela psicóloga da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina – SATC, Dosolina de Mattia Patel. O objetivo desta ação é resgatar a cidadania e auxiliar essas pessoas a se sustentarem de maneira digna, tornando-as independentes financeiramente. No próximo tópico, descreve-se os encontros realizados junto aos pesquisados. 3.2 Orientações para o Controle das Finanças Pessoais Com o intuito de atingir o objetivo geral deste estudo, ou seja, desenvolver um trabalho de educação financeira pessoal com um grupo de pessoas cadastradas na Associação Padre Aníbal Maria de Francia, iniciou-se o processo de intervenção, usando-se da fundamentação teórica. Desta forma, realizou-se seis encontros com o referido grupo, onde foram aplicados questionários e ministradas as palestras, no período de setembro de 2009 a abril de 2010, que serão comentados a seguir: 3.2.1 Primeiro Encontro No dia 26 de setembro de 2009, ocorreu o primeiro contato com o grupo objeto de estudo, onde aplicou-se um questionário sócio-econômico (Apêndice B) com 27 pessoas. Com as questões, objetivou-se obter conhecimento sobre as características das famílias, em função de variáveis pré-determinadas. Na sequência, apresenta-se a descrição do segundo encontro, quando ocorreu a palestra: Em Busca de uma Melhor Qualidade de Vida. 47 3.2.2 Segundo Encontro No dia 28 de novembro de 2009, ministrou-se uma palestra para 28 pessoas, com o tema: Em Busca de uma Melhor Qualidade de Vida (Apêndice C). O tema foi escolhido, visando proporcionar informações que resultem em melhoria na qualidade de vida das pessoas atendidas, no intuito de que possam viver com mais dignidade. Primeiramente falou-se da importância de definir seus objetivos e que para isso faz-se necessário ter clareza da situação atual, de onde se quer chegar e de que forma fazê-lo. A alternativa sugerida para que isso ocorra foi por meio do planejamento financeiro, que consiste em organizar e determinar antecipadamente onde serão utilizadas as disponibilidades financeiras de forma a atingir os resultados almejados. Procurou-se levar o grupo a refletir sobre a utilização de seus recursos financeiros e se realmente tem controle dos mesmos, se sabem exatamente para onde estão sendo destinados tais recursos ou se desperdiçam com coisas que não contribuem para a qualidade de vida do indivíduo. Na sequência, foram apresentadas definições de receitas e despesas. Destacou-se que os que objetivam melhorar a sua situação financeira precisam decidir e verificar de que forma buscarão a mudança, que pode ser aumentando as receitas e/ou diminuindo despesas. A sugestão apresentada ao grupo, para aumentar receitas, seria explorar outras atividades de renda, já que por meio da aplicação do questionário verificou-se que geralmente estes não exercem outras atividades remuneradas, além da principal. As recomendadas foram: crochê; cabeleireira; manicure e pedicure; segurança em festas e ou/ estacionamento; garçom; faxineira; lavador de carros; bordadeira; passadeira; artesanato; doces e salgados; corte de grama; etc. Num segundo momento foram relacionadas alternativas para diminuir as despesas de supermercado, energia elétrica, telefone e cartão de crédito. Além disso, orientou-se o grupo a fazer pesquisa de preços e a comprar o mínimo possível parcelado, já que ao adquirir os produtos à vista é possível negociar por um preço mais acessível, evitando os juros. 48 Enfatizou-se, também, sobre a importância de se ter crédito no comércio e o cuidado que se deve ter ao emprestar o nome e para quem fazê-lo. Em relação a este fato, ocorreu um relato de uma senhora, que havia liberado um crédito em seu nome para outra pessoa e esta não pagou a dívida, sendo ela responsabilizada a fazer o pagamento. Cabe ressaltar, que os fortes candidatos a se endividarem são as pessoas que: gastam mais do que recebem; têm dificuldades em poupar; utilizam limite de crédito; participam de jogos de azar; e têm outros vícios ou compulsão por compras. Por isso, orientou-se ao grupo que se alguém possui algumas dessas características, precisa agir rapidamente para reverter esse quadro e aprender a ter controle financeiro para evitar o endividamento. Após definir com o grupo o que são receitas e despesas, explicou-se sobre a importância de saber onde está sendo gasto o dinheiro. Sendo assim, é fundamental controlar os gastos por meio do orçamento mensal, como forma de ajudá-los em sua organização financeira. Na sequência, foram distribuídos envelopes com as planilhas de orçamento (Quadro 9) para ser preenchidas com as receitas e despesas ocorridas no período e devolvê-las no encontro seguinte. Para encerrar utilizou-se a mensagem: “Para ser rico, você tem que gastar menos do que ganha!” Se deseja aumentar o seu patrimônio e ser bem sucedido financeiramente, não é viável gastar todo dinheiro que recebe. Deve-se poupar pelo menos 10% desse valor, para começar a construir a sua riqueza. Segundo Hill (2001), é preciso exigir de si um aumento da capacidade para ganhar dinheiro e separar uma quantia certa do seu ganho, para dentro de pouco tempo eliminar as limitações e abrir o caminho para a independência financeira. A seguir apresenta-se a descrição do terceiro encontro onde realizou-se a palestra com o tema: Planejamento Financeiro e Qualificação Profissional. 3.2.3 Terceiro Encontro No dia 19 de dezembro de 2009, realizou-se o terceiro encontro, com 39 pessoas (Apêndice D). Na ocasião, falou-se sobre: Planejamento Financeiro e Qualificação Profissional (Apêndice E). 49 Primeiramente fez-se uma reflexão sobre a palestra realizada anteriormente, questionando o grupo se sabiam para onde eram destinados seus recursos financeiros e se tinham decidido qual a melhor opção para progredir financeiramente, por meio do aumento de receitas ou redução de despesas. Neste momento, nenhum deles, demonstrou-se motivado a buscar outras fontes alternativas para aumentar a renda, mas manifestaram desejo em diminuir despesas. Como a maioria dos pesquisados tem receitas escassas e o que recebem não é suficiente para suprir as necessidades básicas de segurança e fisiológicas, entendeu-se prudente evidenciar formas de aumentar os rendimentos. Para isso, abordou-se novamente o aumento das receitas, que pode ocorrer de duas formas: ampliando a jornada de trabalho ou buscando melhor qualificação profissional. Cabe ressaltar que o aumento da jornada de trabalho tem um retorno financeiro rápido, porém uma rentabilidade menor, enquanto que buscando a qualificação profissional o retorno será mais lento no início, devido ao tempo de preparação, porém a longo prazo a probabilidade é de que se obtenha maior rentabilidade. Desta forma, apresentou-se alternativas de cursos profissionalizantes do Bairro da Juventude, SATC e o SENAC, com intuito de despertar o interesse dos cadastrados na associação ou de seus filhos a qualificarem-se, contribuindo para inserção dos mesmos no mercado de trabalho. O Bairro da Juventude oferece cursos gratuitos para pessoas a partir dos 15 anos, como: mecânica geral; eletricista de manutenção eletroeletrônica; mecânica de automóveis e caminhões; pedreiro e confeiteiro; programador de computador; aprendizagem industrial; tornearia; fresagem; soldagem; eletricista predial; eletromecânica de automóveis; e eletricidade industrial. O tempo de duração varia de 160h a 1600h. Para inscrever-se nos cursos da SATC, é necessário estar cursando ou ter concluído o ensino médio, com inscrições para: gestão; eletroeletrônica; informática; mecânica; segurança do trabalho; segurança eletroeletrônica; administração; artes visuais; comunicação visual; design interior; atendimento ao público e vendas; meio ambiente; metalurgia; mineração; plástico; química; eletrônica; secretariado. manutenção automotiva; eletrotécnica; fabricação mecânica e 50 O Senac/SC oferece vagas para os cursos de aprendizagem industrial, técnico em logística, auxiliar de administração; e auxiliar de operações em logística. Destaca-se que a SATC e o Senac/SC disponibilizam bolsa de estudos para pessoas com baixa renda. Ao encerrar o encontro, foi ressaltado que para melhorar a vida financeira é necessário ter atitude e perseverança. (CERBASI, 2004). Dessa forma, o ser humano precisa querer mudar e tem que buscar a transformação, ninguém pode fazê-lo por essas pessoas, só elas. Ao final, conversou-se sobre as dúvidas do grupo em relação à planilha para controle dos gastos e novamente distribuiu-se as planilhas para preenchimento. Estas deveriam ser devolvidas no encontro seguinte. Dando sequência aos encontros, o tema abordado no quarto refere-se ao Planejamento Financeiro e Motivação para Qualificação. 3.2.4 Quarto Encontro Em 27 de fevereiro de 2010, com a palestra Planejamento Financeiro e Motivação para Qualificação (Apêndice F), foi realizado o quarto encontro, com à participação de 24 pessoas (Apêndice G). Observando a falta de motivação e iniciativa do grupo, verificou-se que seria importante continuar falando de qualificação, com o intuito de despertar-lhe o desejo de melhorar de vida. Com isso a pesquisadora contatou a coordenadora da ABADEUS, para verificar quais cursos são oferecidos pela instituição e esta veio ao encontro para abordar sobre cada um deles. A ABADEUS tem o Projeto Novo Horizonte em parceria com as Empresas Rio Deserto que oferece cursos de pedreiro, leitura e interpretação de projetos e mestre de obras. Com o patrocínio da Construtora Fontana, o Projeto Geração com a Fontana disponibiliza cursos de informática básica e avançada. O Projeto Costurando um Sonho oferece o curso de costura industrial. Em parceria com a SATC, tem-se o projeto Parceiros do Amanhã, com cursos de manutenção mecânica, capacitação em vendas e atendimento, montagem e manutenção de computadores. 51 Os cursos acima citados visam inserir a pessoa qualificada no mercado de trabalho. Vale ressaltar que todos são gratuitos e possuem certificado de conclusão. Na ocasião não ocorreu êxito, já que nenhum dos participantes se inscreveu, alguns, alegando que precisariam se deslocar até o Bairro Cristo Redentor e também que teriam que se dedicar às aulas, e isso lhes tomaria muito tempo. Outra alternativa apresentada para qualificação foi o projeto do Governo Federal de Plano Setorial de Qualificação - PLANSEQ (Anexo). Neste, são oferecidas vagas na área de construção civil de: pedreiro; pintor; mestre de obras; azulejistas e eletricistas. Na área de turismo de: camareira, cozinheiro, padeiro, garçom e recepcionista. Para participar dos cursos, as pessoas têm de ser beneficiárias do Bolsa Família, ter no mínimo 18 anos e a 4ª série do ensino fundamental. Novamente nenhum deles se inscreveu. Foi realizada uma parceria com a Associação São Vicente de Paulo, para que os participantes pudessem frequentar os cursos por eles oferecidos de: pintura em tecido, artesanato em madeira e bordado à fita. O material e a mensalidade são gratuitos e ocorrem todo último domingo do mês, das 08:00h às 12:00h. Esses trabalhos manuais podem ser uma fonte de renda extra para essas famílias, já que têm boa aceitação no mercado. Além desses cursos, a instituição também oferece o Projeto de Música e Sucatas, sendo que a professora compareceu ao encontro para apresentá-lo. Neste, têm-se noções gerais de música e instruções para confeccionar instrumentos musicais de material reciclado. Na Tabela 1, apresentam-se a quantidade de inscrições e a frequência nos cursos. Tabela 1: Participação nos Cursos FREQUÊNCIA CURSO INSCRITOS 28/03/10 25/04/10 30/05/10 Pintura em caixinha de madeira 2 1 1 1 Bordado de fita 1 1 0 1 Bate Lata 1 0 0 0 Também foi realizada uma parceria com o Curso de Pintura em Tela da professora Ana Lúcia Cardoso Viana, ministrada na Cruz Vermelha. Duas mulheres 52 se inscreveram e estão participando, sendo que uma delas já fez quadros com condições de comercialização. Neste encontro, também foi abordada a importância de se voltar a estudar. Ressaltou-se que sempre é o momento de recomeçar e buscar o aperfeiçoamento, por isso, independente da idade, tem que se estar instruído. O grupo foi orientado a procurar as unidades de ensino do EJA - Ensino para Jovens e Adultos, que forma cidadãos que não conseguiram estudar e que estão com mais de 18 anos, para que tenham oportunidade de encerrar seus estudos até o 3º ano do Ensino Médio. Foi comentado também que pode-se realizar serviços terceirizados como: confecção de prendedores de roupas; corte de fios de roupas para algumas confecções; e até mesmo a atividade de fazer doces e salgados para festas nas horas de descanso do trabalho. Houve a apresentação de várias possibilidades para aumentar a renda, mas nem todos se disponibilizaram em aproveitar as oportunidades oferecidas e se qualificarem para ter uma profissão melhor. Hill (2001) atribui essa falta de ambição ao fato de que em muitos desses lares a conversa geral é pobreza e a maioria desses não obtém mais do que isso. Pensam em pobreza e aceitam-na como parte de sua vida. Julgam que pelo fato dos seus antecessores terem sido pobres, eles permanecerão pobres também. Com isso, decidiu-se englobar o tema motivacional, como forma de despertá-los. Os vocábulos Motivo + Ação formam a palavra Motivação, que ocorre quando um motivo leva a pessoa a fazer uma ação, que só acontece quando algo o incomoda (motivo). Desse modo, verifica-se o porquê de estar ocorrendo e busca-se uma solução, que seria a ação. O ser humano nasce motivado, tanto que quando bebê para aprender a andar, primeiro levanta, cai, chora, levanta, cai novamente e levanta e cai até aprender. Isso ocorre com aqueles que aprenderam a andar, pois nascem motivados. Todos possuem os recursos para se motivarem, que são de auto-estima, confiança, criatividade e capacidade para tomar decisões. A motivação ocorre internamente em cada um e provoca mudanças, que dependem da vontade de ser e de crescer. A melhor forma para se motivar é estabelecer metas, ter clareza de seus objetivos e ir em busca de alcançá-los. Segundo Robbis (2010, p.1), “costumam 53 dizer que tenho sorte, só que eu sei que quanto mais eu me preparo mais sorte eu tenho.” Ao utilizar essa frase, o autor quer dizer que sorte é preparo para se dispor a buscar alternativas no intuito de alcançar o que se quer. Nessa mesma linha de pensamento, Hill (2001, p. 217) cita que “quando não se tem dinheiro e não se desenvolveu o hábito da economia, não se tem “sorte” e perde-se a oportunidade de ganhar dinheiro.” Por isso, existe a necessidade de tomar atitudes em relação à sua vida e se preparar para que as mudanças possam ocorrer. Foi comparada a vida de uma pessoa a uma receita de bolo de laranja, para explicar ao grupo que se fizerem sempre a mesma coisa, o resultado será consecutivamente sempre o mesmo. Por isso, para obter resultados diferentes na vida é preciso motivar-se e mudar para conseguir um novo feito, levando-os a se questionarem sobre a forma como estão agindo para melhorar a qualidade de vida: buscando novos resultados ou fazendo sempre a mesma coisa. Contou-se a história do pardal e da águia, sendo que o pardal vivia admirando e seguindo uma águia por entre a mata, até que um dia eles se esbarraram. A águia questionou, por que o pardal vivia lhe seguindo e este respondeu que era porque a admirava muito e ficava muito triste por não poder ser como uma águia, já que suas asas eram muito pequenas; por isso todo dia acordava e ficava observando-a na mata. E a águia respondeu-lhe que cada um tem uma natureza diferente, mas que se ela treinasse incansavelmente por todos os dias, poderia ser que nem ela, já que o treino dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para os sonhos e que aquilo que não se coloca em prática, será sempre um sonho. Tudo é possível para os que acreditam e confiam na capacidade de aprender e ser feliz com a sua escolha. Destacou-se aos participantes que estes, estão ali recebendo donativos, mas precisam aproveitar a oportunidade e lutar por uma vida melhor, não ficar só esperando pela solidariedade das pessoas em lhe propiciar um pouco de comida, precisam procurar realizar os seus sonhos. Para isso têm que se dispor a mudar, estudar e se qualificar para lhes propiciar boas condições de vida. Como não se estava obtendo o êxito esperado para o controle dos gastos, pesquisou-se alternativas para auxiliá-los na economia doméstica e entendeu-se ser conveniente, no quinto encontro, abordar o tema Consumo Consciente. 54 3.2.5 Quinto Encontro No dia 27 de março de 2010, a palestra proferida foi sobre Consumo Consciente (Apêndice H), focada no desperdício de alimentos como raízes, folhas e talos e a utilização destes para elaborar comidas saborosas e nutritivas. Apresentouse, também, noções de economia com água e energia, e receitas de remédios e produtos de limpeza caseiros. Participaram deste encontro 26 pessoas (Apêndice I). Comentou-se aos presentes, que antes de consumir, deve-se definir o que se quer, o que se precisa e de que forma será utilizado. Para isso, deve-se aterse ao consumo consciente nas compras e em outros itens dentro de casa como: remédios, água, energia e alimentação. Segundo Monteiro (2006 apud CASAGRANDE, 2009), o desperdício caracteriza-se por qualquer alimento em boas condições fisiológicas que vai para o lixo, como sobra de refeições, aproveitamento parcial de frutos, raízes e folhas e também no descarte de produtos e na falta de formas alternativas de aproveitamento, no caso de hortaliças e frutas, estas são ricas em vitamina A e C, além de ferro, potássio e cálcio. Os restos do consumo tornam o lixo brasileiro um dos mais ricos do mundo em nutrientes, devido ao desperdício de alimentos. Orientou-se que a utilização de cascas, talos e folhas diminui os gastos com alimentação e melhora a qualidade nutricional do cardápio, reduz o desperdício de alimentos e torna possível a criação de novas receitas. O valor nutritivo de muitos alimentos concentra-se nas cascas ou folhas. Por isso, deve-se utilizar partes dos alimentos que se costuma jogar no lixo e que podem ser aproveitadas, servindo para suprir a carência de nutrientes no organismo e tornando o cardápio mais saudável e criativo. Com as sobras de alguns alimentos são feitos outros pratos saborosos, como purê de batatas, bolinhos ou doces. Por isso, foram citados na palestra e foi entregue uma apostila sintetizada do Curso de Alimentação Enriquecida da Pastoral da Criança, com diversas receitas com ingredientes simples e que geralmente são desperdiçados. A apostila contém receitas de remédios caseiros e produtos de limpeza. Ressaltou-se aos participantes que é importante economizar água, pois, além da consciência ecológica, esta também representa redução no orçamento, já 55 que em um vaso sanitário de caixa acoplada, a cada descarga são utilizados 12 litros de água potável. Além disso, uma torneira pingando uma gota por segundo irá desperdiçar em um dia 46 litros de água. Em relação a energia elétrica, comentou-se que o equipamento doméstico que mais consome energia é o chuveiro, por isso os participantes foram orientados que ao tomar banho deve-se fechar o chuveiro para se ensaboar; dessa forma em um ano, é possível economizar o equivalente a 30.000 litros de água. Se for reduzido o banho de 12 minutos para 6, ocorrerá economia de energia para manter uma lâmpada acesa por 7 horas. Além disso, ao se fazer a limpeza da casa, se ao invés de abrir a torneira e deixar a água correndo, utilizar-se um pano e um balde de água, estará se economizando, já que uma mangueira ligada por 15 minutos desperdiça 279 litros de água. A geladeira é um equipamento doméstico que fica ligada o tempo todo e consome bastante energia. Por isso, destacou-se que devem verificar se sua borracha está vedando a passagem de ar e que é para não forrarem as prateleiras com plásticos ou vidro. Tendo em vista que este procedimento dificulta a passagem de ar e consome mais energia. A sugestão foi de que não guardem alimentos quentes, não deixem a porta aberta por muito tempo e regulem o termostato para resfriar menos no inverno. Nesse encontro foram apresentadas diversas dicas úteis para os participantes aplicarem em seu lar. O encontro a seguir consiste no encerramento do trabalho e aplicação do questionário, novamente visando perceber se ocorreu educação. 3.2.6 Sexto Encontro No último encontro que ocorreu em 24 de abril de 2010, foi novamente aplicado o questionário sócio-econômico (Apêndice A) para obter uma comparação das variáveis. Cabe ressaltar que das 27 pessoas que responderam ao questionário sócio-econômico, no dia 26 de setembro de 2009, apenas 13 estiveram presentes neste encontro. Com isso, da grande discrepância no número de pesquisados do 56 primeiro para o último questionário, julgou-se procedente, para não alterar resultados, analisar somente as respostas obtidas junto aos 13 que participaram das duas pesquisas. No próximo item, abordar-se-á o perfil dos 13 respondentes. 3.3 Perfil dos Respondentes Nesta seção, de acordo com os dados coletados na pesquisa de campo identificou-se o perfil dos respondentes no que diz respeito à idade, gênero, nível de escolaridade, número de filhos e os meios de comunicação utilizados para informarse. a) Idade Inicialmente, verificou-se a idade dos respondentes por faixa etária. Na Tabela 2, apresenta-se o resultado desta variável. Tabela 2: Idade Por Faixa Etária FAIXA ETÁRIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) 20 – 30 anos 4 30,77 31 – 40 anos 2 15,38 41 – 50 anos 4 30,77 51 – 60 anos 2 15,38 Acima de 60 anos 1 7,70 Total 13 100,00 Com relação à variável idade, percebeu-se que 76,92% das pessoas têm de 20 a 50 anos, 15,38% de 51 a 60 anos e por último com 7,7%, acima de 60 anos. Dessa forma, constatou-se que a faixa etária é diversificada. Outro levantamento que se buscou, neste momento da pesquisa, foi identificar o gênero dos respondentes. 57 b) Gênero No aspecto de gênero do representante das famílias que vêm à instituição para receber as doações, observou-se na totalidade a representatividade pelo sexo feminino. c) Nível de Escolaridade Quanto ao nível de escolaridade dos 13 respondentes, pode-se observar o resultado obtido na Tabela 3. Tabela 3: Nível de Escolaridade NÍVEL DE ESCOLARIDADE FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) Analfabeto 3 23,08 1ª a 4ª série incompleto 4 30,77 1ª a 4ª série completo 1 7,69 5ª a 8ª série incompleto 5 38,46 Total 13 100,00 Conforme os dados apresentados, 23,08% da amostra compõem-se por analfabetos, 30,77% têm da 1ª à 4ª série incompleta, 7,69% frequentou da 1ª à 4ª série completo e 38,46% da 5ª à 8ª série incompleta. Cabe ressaltar que uma participante voltou a estudar e está cursando a 4ª série. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – IBGE (2008a), a média de estudos das pessoas com 15 anos ou mais de idade, em Santa Catarina, varia de 6,6 anos a 8,2, conforme cor ou raça. Considerando o resultado obtido junto ao grupo, os 23,08% de analfabetos, 30,77% com a 1ª à 4ª série incompleta e 7,69% que têm de 1ª à 4ª série completa, soma-se 61,54% que possuem menos de 6,6 anos de estudos. Após verificar o nível de escolaridade da amostra, constata-se que estes se encontram abaixo da média estadual e nenhum deles completou o ensino fundamental da 1ª a 8ª série. Dessa forma, entende-se a dificuldade que estes possuem em compreenderem e de controlarem os gastos descritos na planilha de orçamento (Quadro 9) aplicada aos mesmos. 58 d) Número de Filhos Ao perguntar aos pesquisados qual o número de filhos que possuem, obteve-se os resultados contidos na Tabela 4. Tabela 4: Número de Filhos NÚMERO DE FILHOS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) Não tem filhos 1 7,69 1 filho 1 7,69 2 filhos 1 7,69 3 filhos 5 38,46 4 filhos 1 7,69 5 ou mais filhos 4 30,77 Total 13 100,00 Segundo Lima (2008, p.1), “no Brasil, a média de filhos por mulher encontra-se em 2,3.” Quanto a esta variável, observou-se que 38,46% têm 3 filhos e 30,77% possui cinco ou mais. Ao calcular-se a média do grupo, obteve-se como resultante 3,38 filhos por mulher. Comparando esse valor à média brasileira, percebe-se um número acima da média nacional. Destaca-se que uma participante, durante o período da pesquisa, engravidou pela sétima vez. No Brasil é comum o número de filhos ser inversamente proporcional à renda, já que as pessoas de baixam renda geralmente possuem mais filhos que as mais providas financeiramente. Após saber do número de filhos dos pesquisados, investigou-se quais os meios de comunicação que utilizam e sua frequência. e) Meios de Comunicação e Frequência de Utilização Buscou-se identificar quais os meios de comunicação que estão mais presentes na vida dos entrevistados e sua frequência de uso, já que estes são canais de informação utilizados para as pessoas se manterem atualizadas. Por isso, observou-se as variáveis de uso e periodicidade dos que escutam rádio, assistem televisão e lêem revistas, jornais e livros. O resultado obtido está evidenciado no Gráfico 1. 59 Nunca 76,92% 84,62% 0,00% 23,08% Raramente 0,00% 7,69% 0,00% 7,69% Livros Jornal e Revista Televisão 15,38% Às vezes Sempre Rádio 0,00% 46,15% 53,85% 7,69% 7,69% 53,85% 15,38% Gráfico 1: Frequência de Utilização dos Meios de Comunicação Os pesquisados apresentam maior preferência pela televisão, já que 53,85% sempre a assistem. O rádio é a segunda opção de escolha, com 15,38%. Quanto ao índice de não preferência pelo público, 76,92% das pessoas nunca lêem livros e 84,62% jornais e revistas. Entende-se que os meios de comunicação que mais são utilizados são os que não envolvem leitura, sendo uma das consequências da resultante do nível de escolaridade, apresentado na Tabela 2. Após conhecer os detalhes do perfil dos respondentes, a seguir contemplam-se critérios referentes ao orçamento familiar. 3.4 Orçamento Familiar Nesta seção, identificam-se dados da situação econômica do grupo como: indicadores de número de pessoas por domicílio; número de pessoas que contribuem com a renda familiar; atividade remunerada além da principal; renda familiar por salário-mínimo; desempregados; nível de representatividade das despesas mensais; dívidas; aspectos da residência; e móveis e utensílios. 60 a) Número de Pessoas por Domicílio Neste tópico aborda-se sobre a quantidade de pessoas que residem por domicílio, conforme elencado na Tabela 5. Tabela 5: Número de Pessoas por Domicílio NÚMERO DE PESSOAS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA TOTAL POR POR DOMICÍLIO ABSOLUTA RELATIVA (%) DOMICÍLIO 2 pessoas 1 7,69 2 3 pessoas 3 23,08 9 4 pessoas 3 23,08 12 5 pessoas 1 7,69 5 6 pessoas 3 23,08 18 7 pessoas 2 15,38 14 Total 13 100,00 60 O resultado que mais se faz evidente foi o percentual de 23,08%, em casas que residem 3, 4 e 6 pessoas. A média de pessoas por domicílio da amostra é de 4,62, sendo que a média de pessoas por domicílio no País é 3,5 e na região Sul 3,2, segundo fonte do IBGE (2005). Dessa forma, o resultado obtido encontra-se acima da média nacional e regional. Após verificar-se o número de moradores por residência, torna-se importante elencar quantas pessoas contribuem com a renda familiar. b) Número de Pessoas que Contribuem com a Renda Familiar Neste tópico, demonstra-se a quantidade de pessoas por família que contribuem para a renda familiar. Os dados obtidos podem ser observados no Gráfico 2. 61 80,00% 69,23% 70,00% 60,00% 46,15% 50,00% 38,46% 40,00% 30,00% 20,00% 15,38% 15,38% 7,69% 7,69% 10,00% 0,00% 0,00% Set-09 1 pessoa 2 pessoas Abril-10 3 pessoas Todos Desempregados Gráfico 2: Número de Pessoas que Contribuem com a Renda Familiar Quando questionados quanto ao número de pessoas que contribuem na renda familiar, observou-se um crescimento, comparando-se o período de setembro/2009 com abril/2010. Apesar de ter diminuído a porcentagem de 69,23% para 46,15%, onde uma pessoa contribui com renda, aumentou de 15,38% para 38,46%, no caso de duas pessoas. Fazendo-se esse comparativo entre os períodos em que foram realizados os questionamentos, verifica-se um crescimento significativo, pois mais pessoas despertaram para a importância de trabalharem e consequentemente aumentaram a renda familiar, mesmo que tenha crescido o índice de desempregados. Quanto às atividades principais de renda exercidas são: faxineira; catador de papelão e latinhas; servente de pedreiro; pedreiro; vigilante; ceramista; e descarregador de caminhão. Após definir a quantidade de pessoas que trabalham e os tipos de atividades, o questionamento descrito a seguir refere-se ao desempenho de atividade remunerada além da principal. c) Atividade Remunerada Além da Principal No desenvolvimento do trabalho, apresentou-se diversas atividades como: cabeleireira; manicure e pedicure; crochê; segurança em festas e ou/ estacionamento; garçom; lavador de carros; bordadeira; passadeira; artesanato; 62 doces e salgados; corte de grama; entre outras que podem ser realizadas paralelamente à atividade principal. Por isso, um aspecto levantado nas palestras com o grupo foi em relação a ter algum trabalho remunerado além do principal. Os resultados obtidos evidenciam-se no Gráfico 3. 120,00% 100,00% 92,31% 100,00% 80,00% 60,00% 40,00% 20,00% 7,69% 0,00% 0,00% Set-09 Nunca Abril-10 Às Vezes Gráfico 3: Atividade Remunerada Além da Principal Para verificar a vontade do grupo em progredir financeiramente, apurouse se os respondentes desempenharam alguma atividade remunerada além da principal no período pesquisado. Dos questionados em setembro de 2009 nenhum deles exercia outra atividade além da principal. Em abril de 2010, esta resultante alterou-se, pois neste 7,69% dos respondentes afirmaram que às vezes exercem algum trabalho secundário, enquanto que os outros, 92,31%, não exercem além da principal. Apesar do aumento de 7,69% dos que estão realizando alguma atividade além da principal, o resultado da maioria, de que não estão, é atribuído por Hill (2001) como falta de interesse, pois pessoas pobres não têm ambição, autoconfiança e esperança de melhorar. Outro aspecto importante a ser apresentado é a renda familiar. d) Renda Familiar por Salário-Mínimo Este indicador representa a renda familiar por salário mínimo. No Gráfico 4, apresenta-se o comparativo entre o período de setembro de 2009 a abril de 2010. 63 53,85% 60,00% 53,85% 46,15% 50,00% 40,00% 23,08% 30,00% 15,38% 20,00% 10,00% 7,69% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% Set-09 abr-10 Sem Renda Menos de 1 salário mínimo 2 salários mínimos 3 salários mínimos 1 salário mínimo Gráfico 4: Renda Familiar por Salário Mínimo Comparando-se os períodos, percebe-se um acréscimo na renda, já que no 1º período o valor máximo de renda era de um salário mínimo, enquanto que no 2º, 15,38% dos pesquisados afirmaram estar recebendo dois salários mínimos e 7,69%, três salários mínimos. Fazendo uma média do indicador de renda familiar do grupo por salário mínimo e o número de moradores por residência, para ser comparado aos valores de renda por classe social, apresentado pela ABEP no Quadro 1, verificou-se que apenas uma família tem uma renda de R$ 340,00 por pessoa, podendo ser classificada na Classe E. As outras famílias pesquisadas não se enquadram na classe social de menor renda, estando dessa forma fora das classes sociais estipuladas no Quadro 1. Outro aspecto considerado importante é a relação de desempregados. e) Desempregados Na Tabela 6, elucida-se o número de desempregados por residência com idade acima de 18 anos. Tabela 6: Desempregados DESEMPREGADOS Não tem FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) ABSOLUTA RELATIVA (%) SETEMBRO/2009 SETEMBRO/2009 ABRIL/2010 ABRIL/2010 6 46,15 8 61,54 continua 64 conclusão 1 pessoa 6 46,15 3 23,08 2 pessoas 1 7,69 1 7,69 3 pessoas - - 1 7,69 13 100 13 100,00 Total Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, realizada pelo IBGE (2010) nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, em abril de 2010, a taxa de desemprego estimada foi de 7,3%. Somando-se as porcentagens de desempregados do grupo pesquisado no mês de abril de 2010, obtém-se uma resultante de 38,46%, ficando 31,16 pontos percentuais acima da média das seis regiões metropolitanas. Com relação as residências que não tem nenhum desempregado em casa, com idade acima de 18 anos, apesar de manter-se acima das estatísticas do IBGE, constatou-se que diminuiu o número de desempregados de 46,15%, em setembro de 2009, para 61,54%, em abril de 2010. No próximo tópico, apresenta-se o nível de representatividade das despesas mensais. f) Nível de Representatividade das Despesas Mensais Foi formulado o questionamento referente ao grau de representatividade que tem cada grupo de despesas com alimentação, higiene/limpeza, transporte, habitação, saúde, vestuário e lazer na renda familiar, classificados em: não tem representatividade; pouco representativo; representativo; e muito representativo. Na Tabela 7, apresentam-se os resultados da pesquisa em setembro do ano de 2009. Tabela 7: Nível de Representatividade das Despesas no Período de Set/09 Gastos Não Tem Pouco Representativo Muito Total QTD % QTD % QTD % QTD % QTD % Alimentação 2 15,38 2 15,38 7 53,85 2 15,38 13 100 Higiene/Limpeza 5 38,46 6 46,15 2 15,38 0 - 13 100 Transporte 6 46,15 4 30,77 2 15,38 1 7,69 13 100 Habitação 4 30,77 2 15,38 4 30,77 3 23,08 13 100 Saúde 8 61,54 2 15,38 2 15,38 1 7,69 13 100 continua 65 conclusão Vestuário 11 Lazer 12 Na Tabela 84,62 2 15,38 0 - 0 - 13 100 92,31 1 7,69 0 - 0 - 13 100 8, demonstram-se os dados coletados sobre a representatividade das despesas do período de abril do ano de 2010, visando comparar com a Tabela 7 e verificar se ocorreu aumento ou diminuíram os valores das despesas. Tabela 8: Nível de Representatividade das Despesas no Período de Abril/10 Gastos Não Tem Pouco Representativo Muito Total QTD % QTD % QTD % QTD % QTD % Alimentação 4 30,77 2 15,38 2 15,38 5 38,46 13 100 Higiene/Limpeza 3 23,08 6 46,15 2 15,38 2 15,38 13 100 Transporte 7 53,85 6 46,15 0 - 0 - 13 100 Habitação 5 38,46 0 - 3 23,08 5 38,46 13 100 Saúde 6 46,15 5 38,46 0 - 2 15,38 13 100 Vestuário 11 84,62 2 15,38 0 - 0 - 13 100 Lazer 12 92,31 1 7,69 0 - 0 - 13 100 Observando os valores dos recebimentos do grupo e seus relatos, verificou-se a insuficiência financeira para suprir plenamente as necessidades fisiológicas, demonstrando quais são os itens prioritários para o grupo. A seguir, apresenta-se a análise dos dados individualmente por despesa. Analisando os gastos com alimentação em relação ao questionário de setembro de 2009 a abril de 2010, percebeu-se o aumento de 15,39% de pessoas que não têm nenhum gasto. Com referência aos que consideram o gasto representativo, este diminuiu 38,47% e muito representativo aumentou a importância na porcentagem de 23,08. Com relação às despesas de higiene e limpeza, em setembro de 2009, 38,46% não tinham este gasto e 46,15% identificaram ter pouco, totalizando 84,61% que responderam ter raro ou a ausência de gastos com este item. Não sabendo da carência de acesso de produtos de higiene e limpeza até a aplicação do questionário, em setembro de 2009, e após a ciência deste fato, a psicóloga que coordena os trabalhos junto ao grupo, fez contatos e conseguiu 66 parcerias para realizar doações nesse segmento, a seguir apresentadas (Apêndice A): · Empresa do Ramo Químico (RS): comprometeu-se em ser uma parceira contínua do projeto e doou 80 unidades de sabão em dezembro/2009, 56 litros de detergente em março/2010 e 40 unidades de sabão e 24 litros de desinfetante em abril/2010; · Empresa do Ramo Químico (SC): contribuiu com a doação de 25 litros de detergente e 25 litros de água sanitária; · Coordenação de Escola Técnica (SC): organizou uma campanha entre os alunos e arrecadou 5 litros de amaciante, 17 detergentes, 2 desinfetantes, 1 palha de aço e 5 caixas de sabão em pó; · Gerência de Odontologia da Prefeitura Municipal de Criciúma (SC): doou 76 escovas de dente e 75 cremes dentais. Ainda sobre higiene e limpeza, percebeu-se que o grupo passou a ter maiores gastos com esse item, pois diminuiu em 15,38% a porcentagem de pessoas que não tinham esse gasto, pouco e representativo mantiveram-se e aumentou em 15,38% a quantidade de pessoas com alta representatividade. Os valores dessa resultante podem ser reflexo do aumento da renda familiar. Quanto aos gastos com transportes, estes diminuíram. Em setembro de 2009, 46,15% não tinham esse gasto, 30,77% tinham pouco, 15,38% era representativo e 7,69% muito representativo. Em abril de 2010 está premissa passou para 53,85% de pessoas que não têm gasto e 46,15% com pouco. A maioria locomove-se caminhando ou de bicicleta, poucos utilizam transporte coletivo. No quesito habitação, referem-se à despesas com aluguel, gás de cozinha, água e energia. Alguns diminuíram e outros aumentaram, já que em setembro de 2009, 30,77% não tinham esse gasto, 15,38% pouco representava, 30,77% elucidaram ter gasto representativo e 23,08% muito representativo. Em abril de 2010, 38,46% assinalaram não ter tal gasto, 23,08% têm gasto representativo e 38,46% muito representativo. Em relação as gastos com saúde, em setembro de 2009, 61,54% identificaram que não tinham, 15,38% pouco tinham, 15,38% representativo e 7,69% muito representativo. Em abril de 2010, esses valores passaram para 46,15% sem gastos, 38,46% pouco representativo e 15,38% muito representativo. Alguns 67 diminuíram os gastos e outros aumentaram, sendo que a maioria não tem esse desembolso, pois recebem gratuitamente nos postos de saúde. A premissa de vestuário manteve-se inalterável, tendo em vista que nos dois períodos, 15,38% teve gasto pouco representativo e 84,62% não gastou. Esse consumo é baixo, pois os respondentes recebem doações de roupas em boas condições de uso da associação. Os dados das atividades de lazer não tiveram alterações, pois em setembro de 2009 e abril de 2010, 92,31% identificaram não ter lazer e 7,69% assinalaram que pouco têm com este item. Conforme Chiavenato (2002), na Pirâmide de Maslow, as necessidades fisiológicas de fome, sede, sono e respiração são as primeiras a serem satisfeitas, e na sequência, contemplam-se as de segurança do corpo, dinheiro, família, que garantem a proteção do indivíduo. Fazendo uma análise das despesas num todo, a maioria apresentou como muito representativo e representativo os gastos com alimentação e habitação. Destaca-se que uma necessidade só deixará de ser prioridade, a partir do momento que esta for alcançada. As famílias em análise não têm condições financeiras para suprir totalmente as primárias. No Gráfico 5, ressalta-se claramente a realidade de insuficiência de renda para cobrir as despesas. 90,00% 80,00% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% 76,92% 30,77% 30,77% 23,08% 15,38% 15,38% 7,69% 0,00% Set-09 Nunca Abril-10 Raramente Às Vezes Sempre Gráfico 5: Renda X Despesas Apesar de no primeiro período, 76,92% dos respondentes afirmarem que a renda não atende as necessidades das despesas, no segundo período este valor 68 passou para 30,77%, diminuindo em 46,15 pontos percentuais das pessoas que dizem que nunca cobrem as despesas. Esse questionamento obteve melhora, já que no período de abril de 2010, 23,08% passaram raramente a manter as despesas, 30,77% às vezes alcançam e 15,38% conseguem suprir-se com a renda. Após este tópico, o outro levantamento que se buscou foi identificar as dívidas. g) Dívidas Neste tópico, visualiza-se a perspectiva de evolução das dívidas do grupo no período analisado. O resultado obtido pode ser verificado, observando-se a Tabela 9. Tabela 9: Dívidas FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) ABSOLUTA RELATIVA (%) SETEMBRO/2009 SETEMBRO/2009 ABRIL/2010 ABRIL/2010 Não Possui 6 46,15 7 53,84 1,00 – 500,00 5 38,47 4 30,78 500,01 – 1.000,00 - - 1 7,69 1.000,01 – 1.500,00 1 7,69 - - 1.500,01 – 2.500,00 - - 1 7,69 Acima 2.500,01 1 7,69 - - Total 13 100 13 100 DÍVIDAS R$ No mês de setembro de 2009, eram 46,15% que não possuíam dívidas, enquanto que em abril de 2010, este número passou para 53,84%. Dessa forma, diminuíram em 7,69% os endividados. Além disso, também amortizou-se gradativamente o valor das dívidas, já que no primeiro período, 7,69% era com valor superior a R$ 2.500,01 e agora nenhum mais o tem. Em setembro de 2009, não havia dívidas de R$ 1.500,01 a R$ 2.500,00 e em abril passou a ser de 7,69%. Nas dívidas de R$ 1.000,01 a R$ 1.500,00, 7,69% tinham em setembro de 2009 e agora não as têm mais, enquanto que de R$ 500,01 a R$ 1.000,00, ninguém continha em setembro de 2009 e agora 7,69% as obtêm. Na próxima unidade apresentam-se os aspectos da residência. 69 h) Aspectos da Residência Mais um aspecto importante a ser investigado diz respeito às condições de moradia dessas pessoas, como: residência própria, concedida ou alugada; número de cômodos da casa; condições da residência; e desejo de ampliá-la. Por isso, foi questionado ao grupo se residiam em casa-própria, alugada ou concedida, como forma de conhecer um pouco mais suas características. Com as respostas obtidas, no que diz respeito a essa circunstância, realizou-se um comparativo entre o período de setembro de 2009 a abril de 2010 e os dados obtidos, apresentam-se no Gráfico 6. 100,00% 90,00% 80,00% 70,00% 60,00% 92,31% 69,23% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% 23,08% 7,69% 7,69% 0,00% Set-09 Própria Abril-10 Aluguel Concedida Gráfico 6: Residência Embasado pelo Gráfico 6, percebe-se o aumento patrimonial de algumas famílias, já que 23,08% das pessoas adquiriram casa própria, 15,39% deixaram de alugar e nenhum dos respondentes residem em moradia concedida. Outro fato analisado diz respeito às condições da moradia e o número de cômodos por residência. Tomando por base uma casa em que tenha 1 quarto, 1 sala, 1 cozinha, 1 banheiro e 1 área de serviço, o número mínimo de cômodos seria cinco. No Gráfico 7, apresentam-se os dados das casas do grupo. 70 7,69% 30,77% 15,38% 3 Cômodos 4 Cômodos 5 Cômodos 6 Cômodos 8 Cômodos 23,08% 23,08% Gráfico 7: Número de Cômodos da Residência Observando o gráfico, verifica-se que 30,77% residem em casas com 3 cômodos, 23,08% com 4 peças e 23,08% com 5. Dessa forma, 53,85% possuem residências consideradas pequenas com até 4 cômodos. Embora a maioria das residências sejam pequenas, 61,54% acreditam possuir residência em bom estado de conservação, 23,08% apontaram que a casa precisa de reforma e 15,38% ressaltam que está em péssimas condições. Quando questionados quanto aos seus desejos para o futuro, 61,54% querem construir uma nova casa ou reformar a existente e ampliar cômodos como a cozinha, quarto e banheiro. Por conseguinte, têm-se os bens domésticos que o grupo possui em suas residências. i) Móveis e Utensílios A pesquisa também identificou a evolução da aquisição de bens domésticos que propiciam conforto e qualidade de vida. Para isso, foi questionado ao grupo, se eles possuíam alguns bens domésticos listados a seguir, comparando o início da pesquisa em setembro de 2009 a abril de 2010, conforme o Gráfico 8. 71 Carro 7,69% 0,00% Telefone Convencional 7,69% Computador 0,00% 7,69% 23,08% 69,23% Telefone Celular 46,15% Máquina de Lavar Roupas 53,85% 53,85% 46,15% 38,46% DVD 100,00% 92,31% Televisão Microondas 23,08% 7,69% 23,08% 23,08% Secadora de Roupas Vídeo Cassete 15,38% 15,38% 84,62% Rádio 53,85% 100,00% Geladeira 92,6% set/09 abr/10 Gráfico 8: Bens Domésticos Constatou-se que várias pessoas conseguiram adquirir itens, como a geladeira e televisão, pois em abril de 2010 todos assinalaram possuir. Além disso, aumentou em 30,77% a porcentagem de pessoas com rádio em casa, 23,08% com telefone celular, 15,39% com microondas e telefone convencional, 7,69% com DVD e carro. Itens como vídeo cassete, máquina de lavar e secadora de roupas mantiveram o mesmo percentual. O único item que diminuiu foi o computador, em que apenas uma pessoa possuía e agora não o tem mais. No Quadro 15, apresentam-se dados coletados pelo IBGE (2008b), dos utensílios domésticos presentes nas residências catarinenses. 72 UTENSÍLIOS SANTA CATARINA (%) Fogão 99,43 Geladeira 98,73 Freezer 41,97 Máquina de Lavar 62,72 Rádio 95,25 Televisão 97,69 Microcomputador 46,52 Telefone Celular 36,48 Telefone Convencional 5,89 Quadro 15: Porcentagem de Residências com Eletrodomésticos em SC Fonte: Adaptado IBGE (2008b) A seguir, na Tabela 10, tem-se a comparação realizada entre a média catarinense e a dos participantes da Associação Padre Aníbal Maria de Francia em abril/2010. Tabela 10: Porcentagem de Utensílios Domésticos SANTA ASSOCIAÇÃO CATARINA (%) CARIDADE (%) Geladeira 98,73 100 1,27 Máquina de Lavar 62,72 53,85 (8,87) Rádio 95,25 84,62 (10,63) Televisão 97,69 100 2,31 Microcomputador 46,52 - (46,52) Telefone Celular 36,48 69,23 32,75 Telefone Convencional 5,89 23,08 17,19 UTENSÍLIOS DIFERENÇA Comparando-se à média estadual, percebe-se que os cadastrados na associação possuem alguns utensílios domésticos acima da média estadual, tais como: geladeira, televisão, telefone celular e convencional. Cabe ressaltar que os dois últimos, se não forem bem controlados e utilizados, podem tornar-se uma fonte de desperdício de dinheiro. No entanto, alguns ficaram abaixo da média, como: a máquina de lavar roupa, o rádio e o computador, sendo que este último está totalmente ausente nas residências. Após conhecer detalhes sobre o orçamento familiar, a seguir contemplase a Proposta de Controle Financeiro Pessoal. 73 3.5 Proposta de Controle Financeiro Pessoal Neste tópico, apresentam-se as resultantes obtidas por meio da proposta de elaborar e acompanhar um controle financeiro com o grupo. O alicerce da metodologia de aprendizado financeiro consiste em planejar e controlar os recursos. Para isso, o objetivo geral deste estudo foi desenvolver um trabalho de educação financeira pessoal com um grupo de pessoas cadastradas na Associação Padre Aníbal Maria de Francia, propondo e acompanhando a gestão de recursos no período de setembro de 2009 a abril de 2010. Alguns fatores como o baixo nível de escolaridade, a falta de perspectiva de sair dessa situação, a falta de confiança e a insegurança de estarem sendo monitorados tornou complexo o controle, não podendo este ser executado conforme o previsto. Foram entregues, nos encontros, a todos que participaram das palestras, com idade superior a 18 anos, as planilhas de orçamento familiar (Quadro 9) para controlarem as receitas e despesas. Em dezembro de 2009, foram recebidas oito planilhas, sendo que destas quatro não foram preenchidas de forma correta. Ao invés de colocarem valores, as pessoas assinalaram. Deste modo, ocorreu nova orientação de como proceder quanto ao preenchimento, e aguardado um retorno no próximo encontro. Em fevereiro do ano de 2010, apenas uma planilha foi preenchida corretamente. No mês de março de 2010, três preencheram de forma errada e cinco corretamente. Em abril de 2010, nenhuma foi devolvida. Destaca-se que os pesquisados não conseguiram compreender que o intuito era ajudá-los a organizar-se e com isso não ocorreu uma sequência no preenchimento. Desta forma, não se obteve êxito de aplicação da referida planilha, já que não se conseguiu desenvolver um planejamento e supervisioná-lo, de forma a controlar os recursos. No tópico a seguir, abordam-se sugestões de planejamento financeiro pessoal para os respondentes. 74 3.6 Sugestões de Planejamento Financeiro Pessoal para o Grupo Nesta seção, serão elucidadas sugestões que possam contribuir para melhorar o planejamento financeiro pessoal dos respondentes, como: · Comprometimento do grupo em controlar os gastos por meio da planilha ou outro método que julgar procedente, para efetuar um planejamento financeiro eficaz e eficiente; · Retomar os estudos e concluir o ensino médio; · Dedicar-se ao aperfeiçoamento por meio de cursos para ter uma melhor qualificação profissional; · Buscar outras fontes para aumentar a renda, como a terceirização de serviços ou outros trabalhos eventuais; · Gerenciar melhor os recursos financeiros; e · Melhorar a auto-estima e motivar-se na busca de alternativas para ter uma boa qualidade de vida. 75 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, são enunciadas as considerações finais desta pesquisa sobre finanças pessoais, que teve como objetivo geral desenvolver um trabalho de educação financeira pessoal com um grupo de pessoas cadastradas na Associação Padre Aníbal Maria de Francia. Dada sua importância, este se desenvolveu com pessoas de baixo poder aquisitivo, que recebem doações para suprir as necessidades fisiológicas de alimentação e precisam aprender a controlar seus recursos de forma a gerenciá-los da melhor maneira possível. De acordo com os quatro objetivos específicos, têm-se os seguintes resultados. Primeiramente buscou-se evidenciar as principais características pessoais e financeiras da gestão dos recursos próprios do grupo de pessoas cadastradas na Associação Padre Aníbal Maria de Francia em Criciúma/SC. Com isso, percebeu-se que a remuneração é insuficiente para suprir as despesas básicas, têm-se baixo nível de escolaridade, elevado número de filhos e desconhecimento com relação à instrução financeira. O segundo objetivo propunha a aplicação de mecanismos focados no planejamento financeiro pessoal, com o propósito de obter uma melhor gestão dos recursos próprios do grupo objeto de estudo. Por isto, fez-se o uso da planilha de orçamento para controlar os gastos. A baixa instrução educacional e a falta de motivação tornaram o controle complexo, comprometendo o resultado da pesquisa e não corroborando conforme o previsto. O terceiro objetivo foi acompanhar, no período de setembro de 2009 a abril de 2010, a gestão financeira pessoal do grupo pesquisado, após explanação de alguns mecanismos que podem ser utilizados para gestão dos próprios recursos. Foram realizadas quatro palestras, que abordaram assuntos sobre finanças pessoais; planejamento financeiro; demonstrações contábeis que podem ser utilizadas por pessoa física; noções de economia doméstica; sugestões de cursos; atividades para qualificação; e outras informações interessantes ao grupo. Com relação ao controle de finanças por meio da planilha, o trabalho ficou comprometido, porém do ponto de vista do conhecimento e da economia doméstica, 76 surtiu efeito positivo, já que por meio do questionário percebeu-se a conquista de residências, diminuição de dívidas, aquisição de bens e aumento de renda, retomada de estudos e, apesar da baixa adesão, a procura da qualificação por alguns, já que estão buscando o aperfeiçoamento. Por último, analisaram-se os resultados obtidos, visando detectar se ocorreu melhora financeira neste grupo. Observou-se que algumas pessoas perceberam a importância de poupar por meio da economia doméstica, porém poucos motivaram-se na busca pela qualificação e outras atividades que dêem maior retorno financeiro para aumentar a renda familiar e melhorar a qualidade de vida. Cabe ressaltar, entretanto, que, por se tratar de um estudo de tipologia experimental criaram-se situações, por meio das palestras, buscando auxiliá-los no controle financeiro. Cada grupo tem suas peculiaridades, por isso nem sempre o trabalho encaminha-se conforme o planejado e precisa ser reestruturado em função das limitações. Sendo assim, recomenda-se desenvolver um trabalho com atendimento individualizado, por família, em suas residências. 77 REFERÊNCIAS ABEP, Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa. Como descobrir sua classe social – Tabela. – 2008. Disponível em: http://www.hostpobre.com/comodescobrir-sua-classe-social.html. Acesso em: 16 jan. 2010. ALVES, Magda. Como escrever teses e monografias: um roteiro passo a passo. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2005. APPOLINÁRIO, Fabio. Metodologia da ciência: filosofia e prática da pesquisa. São Paulo: IOB Thomson, 2006. ARAÚJO, Fábio Castelo Branco Ponte de; HOLANDA, Mariana Monte. Fluxo de caixa: importância, composição e aplicação nas empresas. 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ESCOLARIDADE |__| ANALFABETO |__| ALFABETIZADO |__| PRIMARIO COMPLETO |__| PRIMARIO INCOMPLETO |__| GINASIO COMPLETO |__| GINASIO INCOMPLETO |__| 2o GRAU INCOMPLETO |__| 2o GRAU COMPLETO |__| SUPERIOR COMPLETO |__| SUPERIOR INCOMPLETO 2. IDADE |__| 18 A 20 ANOS |__| 20 A 25 ANOS |__| 26 A 30 ANOS |__| 31 A 35 ANOS |__| 36 A 40 ANOS |__| 41 A 45 ANOS |__| 46 A 50 ANOS |__| 51 A 55 ANOS |__| 56 A 60 ANOS |__| ACIMA DE 60 ANOS 3. SEXO |__| FEMININO |__| MASCULINO 4. NÚMERO DE FILHOS |__| NÃO TEM FILHOS |__| 1 FILHO |__| 2 FILHOS |__| 3 FILHOS |__| 4 FILHOS |__| 5 OU MAIS. QUANTOS?____ 5. COM FREQUÊNCIA OUVE RÁDIO |__| SEMPRE |__| NUNCA |__| ÀS VEZES |__| RARAMENTE ASSISTE TELEVISÃO |__| SEMPRE |__| NUNCA |__| ÀS VEZES |__| RARAMENTE FAZ LEITURA DE JORNAIS E REVISTAS |__| SEMPRE |__| NUNCA |__| ÀS VEZES |__| RARAMENTE FAZ LEITURA DE LIVROS |__| SEMPRE |__| NUNCA |__| ÀS VEZES |__| RARAMENTE INDICADORES DE RENDA FAMILIAR 6.NÚMERO DE PESSOAS QUE RESIDEM NA CASA |__| 1 PESSOA |__| |__| 2 PESSOAS |__| |__| 3 PESSOAS |__| |__| 4 PESSOAS |__| 5 PESSOAS 6 PESSOAS 7 PESSOAS MAIS DE 8. QUANTOS?___ 7. RENDA FAMILIAR - NÚMERO DE SALÁRIOS MÍNIMOS |__| MENOS DE 1 SALÁRIO MÍNIMO |__| 3 SALÁRIOS MÍNIMOS |__| 1 SALÁRIO MÍNIMO |__| ACIMA DE 4 SALÁRIOS MINIMOS |__| 2 SALÁRIOS MÍNIMOS 84 8. NÚMERO DE PESSOAS QUE CONTRIBUEM NA RENDA FAMILIAR |__| 1 PESSOA |__| 4 PESSOAS |__| 2 PESSOAS |__| MAIS DE 5 PESSOAS |__| 3 PESSOAS 9. QUAL A ATIVIDADE REMUNERADA PRINCIPAL DE RENDA |__|FAXINEIRA |__|EMPREGADA DOMÉSTICA |__|SERVENTE |__|PEDREIRO |__|MOTORISTA |__|OUTRA?___________________ 10. EXERCE OUTRA ATIVIDADE REMUNERADA ALÉM DA PRINCIPAL |__| SEMPRE |__| NUNCA |__| ÀS VEZES |__| RARAMENTE 11. NUMERO DE DESEMPREGADOS COM IDADE ACIMA DE 18 ANOS |__| NÃO TEM DESEMPREGADOS |__| 3 PESSOAS |__| 1 PESSOA |__| 4 PESSOAS |__| 2 PESSOAS |__| ACIMA DE 5 PESSOAS 12. A RENDA FAMILIAR COBRE TODAS AS DESPESAS MENSAIS |__| SEMPRE |__| NUNCA |__| ÀS VEZES 13. QUANTO É SUA DESPESA COM: ALIMENTAÇÃO |__| NÃO TENHO ESSE GASTO |__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO |__| VALOR REPRESENTATIVO |__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO HIGIENE/ LIMPEZA |__| NÃO TENHO ESSE GASTO |__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO |__| VALOR REPRESENTATIVO |__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO TRANSPORTE |__| NÃO TENHO ESSE GASTO |__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO |__| VALOR REPRESENTATIVO |__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO HABITAÇÃO |__| NÃO TENHO ESSE GASTO |__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO |__| VALOR REPRESENTATIVO |__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO SAÚDE |__| NÃO TENHO ESSE GASTO |__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO |__| VALOR REPRESENTATIVO |__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO VESTUÁRIO |__| NÃO TENHO ESSE GASTO |__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO |__| VALOR REPRESENTATIVO |__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO LAZER |__| RARAMENTE 85 |__| NÃO TENHO ESSE GASTO |__| VALOR POUCO REPRESENTATIVO |__| VALOR REPRESENTATIVO |__| VALOR MUITO REPRESENTATIVO 14. RESIDÊNCIA |__| CASA PRÓPRIA |__| ALUGUEL 15. NÚMERO DE CÔMODOS DA CASA |__| 3 CÔMODOS |__| 4 CÔMODOS |__| 5 CÔMODOS |__| 6 CÔMODOS |__| |__| |__| |__| |__| MORADIA CONCEDIDA 7 CÔMODOS 8 CÔMODOS 9 CÔMODOS ACIMA DE 10 CÔMODOS 16. CONDIÇÕES DA CASA |__| ESTÁ BOA |__| PRECISA DE REFORMA |__| PRECISA DESMANCHAR E CONSTRUIR UMA NOVA 17. A CASA NECESSITA DE AMPLIAÇÃO |__| QUARTO |__| COZINHA |__| ÁREA DE SERVIÇO/LAVANDERIA 18. QUAIS DESSES BENS TEM NA SUA CASA |__| GELADEIRA |__| RÁDIO/ APARELHO DE SOM |__| VÍDEO CASSETE |__| AUTOMÓVEL |__| SECADORA DE ROUPAS |__| FORNO MICROONDAS |__| MICROCOMPUTADOR |__| BANHEIRO |__| SALA |__| NÃO PRECISA AMPLIAR |__| |__| |__| |__| |__| |__| FREEZER TV DVD MAQ. DE LAVAR ROUPAS TELEFONE CELULAR TELEFONE CONVENCIONAL 19. DÍVIDAS (R$) |__| NÃO POSSUI |__| 1,00 ATÉ 500,00 |__| 500,01 ATÉ 1.000,00 |__| 1.000,01 ATÉ 1.500,00 |__| 1.500,01 ATÉ 2.500,00 |__| ACIMA DE 2.500,01 20. VOCÊ TEM ALGUM SONHO QUE AINDA NÃO ALCANÇOU? _____________________________________________________________ 86 APÊNDICE C – PALESTRA: EM BUSCA DE UMA MELHOR QUALIDADE DE VIDA • Quais são seus objetivos? • Quanto dinheiro quer ter? • O seu patrimônio pode sustentar a vida que você sonha? FAÇA SEU PLANEJAMENTO FINANCEIRO QUAL É O SEU SONHO? • • • • • • Casa própria; Viajar; Ter filhos na universidade; Comprar um carro; Complementar a aposentadoria; e Outros ... 1°- Determine a situação financeira atual; 2° - Defina seus objetivos; 3° - Crie metas de curto e longo prazo; 4° - Avalie a melhor forma de atingir suas metas; 5° - Coloque em prática seu plano de Você já partilhou o seu sonho com a família, para que ele se torne um sonho em conjunto? FINANÇAS PESSOAIS PLANEJAR: Determinar antecipadamente o que pretendemos com o dinheiro e os planos a seguir para alcançá-los. Ex: reformar a casa, comprar um carro. ação; e 6° - Revise as estratégias. PARA ONDE ESTÁ INDO SEU DINHEIRO? VOCÊ SABE? NÃO SOBRA NEM UM REAL? ORGANIZAR: Hábitos de consumo e investimento. Ex: cortar gastos supérfulos, jogos de azar, cigarros, refrigerantes, chips, cerveja. CONTROLAR: assegurar que os resultados do que foram planejados se ajustem tanto quanto possível aos objetivos estabelecidos. EX: se autopoliciar p/ não jogar, não fumar. E AGORA COMO SOBRAR? Poupe nos gastos que não contribuem para sua qualidade de vida. 87 Você terá duas opções: RECEITA OPÇÃO 1 CORTAR DESPESAS Dinheiro recebido no mês. DESPESA OPÇÃO 2 AUMENTAR RECEITAS Gastos que temos no mês. ECONOMIZANDO NO SUPERMERCADO AUMENTE SUA RECEITA • • • • • • • • • • Crochê; • Ter vários empregos; Cabeleireira e manicure; • Artesanato; Segurança de festas e ajudante; • Doces e salgados; Faxina no final de semana; • Cortar grama; Limpeza de escritório; • Fazer horta; Catar latinhas e papelão; • Vender pneu usado; Curso profissionalizante; • Garçom; Cuidar de carros em eventos; • Estudar; Lavação de carros em final de semana; Serviço terceirizado ( Etiqueta, bordar roupa, grampo,etc) NINGUÉM VAI BATER NA SUA PORTA E LHE OFERECER EMPREGO! • • • • • • • • • • ECONOMIZANDO COM TELEFONE ECONOMIZANDO COM ENERGIA • • • • • • • Eletrodomésticos: SELO PROCEL; Banhos: chave de verão; Não guarde alimentos quentes; Feche a porta da geladeira; Junte as roupas para lavar e passar; Aproveite a iluminação natural; Geladeira: mantenha desencostado de móveis ou paredes e distante de fontes de calor ( fogão e luz solar); Geladeira: não pendure roupas; Verifique a borracha de vedação da geladeira; Televisão: desligue quando ninguém tiver assistindo e/ou for dormir; Apague a luz antes de dormir. • • • • Leve lista de compras; Pesquise preços; Compare folhetos de promoção; Aproveite as ofertas: ver validade; Verifique valor e peso; Não leve crianças ou diga não; Não vá com fome; Fuja do corredor de supérfluos; Faça a compra mensal. Economize na hora de fazer a comida, não jogue fora. • Disque no horário mais barato: Segunda a sexta 0h 6h. Sábados, domingos e feriado: depois das 14h. • Celular não é brinquedo. • • Celular pós-pago. Celular pré-pago. MESMA LIGAÇÃO R$1.000,00 TODOS NA FAMÍLIA DEVEM TRABALHAR UNIDOS PARA PROGREDIR. R$100,00 ECONOMIZANDO COM O CARTÃO DE CRÉDITO • • • • Crédito pré-aprovado (para entrar no juro); Anuidade; Juros; Tenha no máximo 1. ECONOMIZANDO COM CIGARRO: Carteira de Cigarro R$ 3,00 1 por dia 1 dia R$ 3,00 1 mês R$ 90,00 4 meses R$ 360,00 2 por dia R$ 6,00 R$ 180,00 R$ 720,00 3 por dia R$ 9,00 R$ 270,00 R$ 1.080,00 1 por dia 6 meses R$ 540,00 1 ano R$ 1.080,00 5 anos R$ 5.400,00 2 por dia R$ 1.080,00 R$ 2.160,00 R$ 10.800,00 3 por dia R$ 1.620,00 R$ 3.240,00 R$ 16.200,00 88 CUIDADO COM AS COMPRAS O QUE VOCÊ PODE CORTAR EM CADA ITEM ABAIXO? • • • • • • Supermercado; Telefone celular; Telefone fixo; Cigarro e outros supérfluos; Energia/ Água; Cartão de Crédito. Loja de Eletrodomésticos x Financeira Compra a vista X negociação com desconto. • Não empreste seu nome para terceiros. (compras) • Verifique para quem vai ser avalista. O QUE LEVA AS PESSOAS A SE ENDIVIDAREM? • • • • • • • • • • • Gastar mais do que ganha; Dificuldade de poupar; Falta de planejamento financeiro; Doenças / prevenção; Perda do emprego; Passar uma imagem de rico sem ser; Muitos cartões de crédito; Empréstimos com bancos e financeiras; Divórcio; Jogos de azar e vícios; Compulsão. PARA APLICAR O SEU DINHEIRO: Saiba para onde vai o seu dinheiro! Tenha disciplina! Faça o seu orçamento mensal! Sem renúncia não se consegue! MONTE SEU ORÇAMENTO DE RECEITAS E DESPESAS Para ser rico, você tem que gastar menos do que ganha! 89 APÊNDICE D – FOTOS DO ENCONTRO DE 19/12/2009 Palestra 19/12/2009. Palestra 19/12/2009. Após a palestra, ocorreu a Festa de Natal. Após a palestra, acorreu a Festa de Natal. 90 APÊNDICE E – PALESTRA: PLANEJAMENTO FINANCEIRO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL Planejamento Financeiro e Qualificação Profissional E agora? Você tem conhecimento de para onde está indo o seu dinheiro? AUMENTAR A RECEITA Decidiu qual opção irá tomar: OPÇÃO 1 CORTAR DESPESAS Qualificação Profissional Maior Jornada de Trabalho •Retorno Lento; •Retorno Rápido; •Rentabilidade maior; •Rentabilidade Menor; OPÇÃO 2 AUMENTAR RECEITAS ? A DECISÃO É SUA! A partir de 15 anos: Como se qualificar? Cursos profissionalizantes Cursos Universitários Mecânica Geral 1600h - 2 anos Eletricista de Manutenção Eletroeletrônica (matemática básica) 1600h - 2 anos Mecânica de Automóveis e Caminhões 800h - 1 ano Padeiro e Confeiteiro 800h - 1 ano Programador de Computador 800h - 1 ano Aprendizagem Industrial 1 ou 2 anos Tornearia (matemática básica) 160h Fresagem (matemática básica) 160h Soldagem 160h Eletricidade Predial (matemática básica) 160h Eletromecânica de Automóveis 160h Eletricidade Industrial (matemática básica) 160h 91 Ensino médio completo ou cursando: Gestão Meio ambiente Eletroeletronica Metalurgia Informática Mineração Mecânica Plástico Segurança do trabalho Química Segurança eletroeletronica Eletrônica Administração Manutenção automotiva Artes Visuais Eletrotécnica Comunicação Visual Fabricação Mecânica Design Interiores Secretariado com ênfase em gestão Atendim. ao público e vendas Mudar a vida financeira, depende de atitude e perseverança. SENAC SC Aprendizagem Industrial Técnico em Logística Auxiliar de Administração Auxiliar de Operações em Logística * Bolsa de Estudo 92 APÊNDICE F – PALESTRA: PLANEJAMENTO FINANCEIRO E MOTIVAÇÃO PARA QUALIFICAÇÃO PLANEJAMENTO FINANCEIRO E MOTIVAÇÃO PARA QUALIFICAÇÃO Relembrando 2009.... •Definiram os objetivos e metas para 2010? •Fizeram o planejamento financeiro? •Compartilharam os sonhos com a família? FINANÇAS PESSOAIS AUMENTAR A RECEITA CORTARAM DESPESAS? Qualificação Profissional Maior Jornada de Trabalho •CURSO / MATRICULA? •NOVO EMPREGO? AUMENTARAM RECEITAS? Curso de Iniciação a Construção Civil - ABADEUS • Objetivo: desenvolver atividades básicas ingressando no mercado de trabalho na função de servente de pedreiro. • Continuidade na formação: Pedreiro e Mestre de Obras. • Período do Curso: 16/03/10 a 29/04/10 • Horário: 19h às 22h • Dias da semana: terças, quartas e quintas feiras • Local: Abadeus – Cristo Redentor QUALIFICAÇÃO PROFISSONAL PLANSEQ BOLSA FAMÍLIA Construção Civil: pedreiro, pintor, mestre de obras, azulejistas, eletricistas. Turismo: camareira, cozinheiro, padeiro, garçom ou recepcionista. •Receber o benefício da bolsa Família; •Mínimo 18 anos e a 4ª série do ensino fundamental; •Inscrições: SINE - levar RG e carteira de Trabalho Informações: Rodicélia Felipe Fone (48) 3462-2080 Quem faz o curso continua recebendo bolsa família. 93 CURSOS EM PARCERIA COM ASSOCIAÇÃO SÃO VICENTE DE PAULA - SOPÃO ENSINO DO CEJA Gratuito; Acima de 18 anos; • 1ª a 4ª série; 1 ano (todos os dias); Pintura em tecido Bordado de fita Pintura em caixinha de madeira • • • • Inscrição Gratuita Curso de Música e Sucatas Local: Santa Augusta (Projeto Bate Lata) Horário: 08:30 as 11:30h Início: 28/03/2010 *último domingo do mês TERCERIZAÇÃO DE TRABALHOS • 5ª a 8 série; 1 ou 2 dia por semana (por disciplina) 7 disciplinas • Ensino médio; 11 disciplinas Centro – atrás do Marista Shopping Pierini – Rio Maina MOTIVAÇÃO PARA O TRABALHO motivo + ação PREENDEDOR DE ROUPAS CONFECÇÃO - CORTAR FIOS DOCES E SALGADOS Quando consigo motivação? • Algo incomoda; • Detecta o problema; • Busca uma solução; A motivação provoca mudança! Todo ser humano nasce com a chama da motivação! Todos possuem os recursos que necessitam (auto-estima, confiança, criatividade, capacidade de tomar decisões) A forma mais eficaz de motivação é: Estabelecer metas; Ter clareza dos objetivos; A motivação está dentro de você! Ela só depende dá sua vontade de crescer. Dessa forma terá mais energia para alcançar o que se deseja. Às vezes as coisas andam muito devagar. Mas o importante é não parar. Comece com pequenas mudanças. “Costumam dizer que tenho sorte, só eu sei que quanto mais eu me preparo mais sorte eu tenho.” (Anthony Robbins) Pequenos riachos acabam convertendo-se em grandes rios. O pequeno avanço na direção certa já é um grande progresso. *bebê É PRECISO TER DISPOSIÇÃO PARA MUDAR E DEPENDE SÓ DE VOCÊ ! 94 RECEITA DO BOLO 1 • • • • • • Suco de 1 laranja 4 ovos 2 copos de açúcar 2 copos de farinha de trigo 1 copo de óleo 1 colher de fermento em pó RECEITA DO BOLO 2 • • • • • • Suco de 1 laranja 4 ovos 2 copos de açúcar 2 copos de farinha de trigo 1 copo de óleo 1 colher de fermento em pó Você não pode esperar resultados diferentes, fazendo sempre as mesmas coisas. (autor desconhecido) O PARDAL E A VONTADE DE VOAR COMO A ÁGUIA Era um vez ... Um pardal que vivia seguindo a águia por entre as árvores...e um dia observando-a na mata, a águia sumiu. Voou mais rápido, mas ela havia desaparecido. Levou um enorme susto, pois bateu de frente com o pássaro. Caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, aquele pássaro imenso estava ao seu lado observando-o. Águia: - Por que estás a me vigiar? Pardal: - Quero ser uma águia como tu. Mas, meu vôo é baixo, pois minhas asas são curtas. Águia: - Como te sentes sem poder ter aquilo que está além do seu alcance com suas pequenas asas? Pardal: -Tristeza. A vontade é muito grande de realizar este sonho... Todos os dias acordo para vê-la voar e caçar. Passo o dia a observar-te. Águia: -E não voas? Ficas só a me observar? Pardal: - Gostaria de voar como tu voas. Mas as tuas alturas são grandes para mim e não terei força para suportar o vento. Águia: - A natureza de cada um de nós é diferente e isto não quer dizer que nunca poderás voar como uma águia. Não poderás voar como uma águia, se não treinares incansavelmente por todos os dias. Treino - dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para dar realidade aos sonhos. Se não pões em prática teu sonho, será apenas um sonho. Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende o equilíbrio com eles. Tudo é possível para aqueles que acreditam e confiam na capacidade em aprender e ser feliz com a escolha! E SE EU MUDAR A RECEITA? 95 APÊNDICE G – FOTOS DO ENCONTRO DE 27/02/2010 Palestra 27/02/2010. Palestra 27/02/2010. 96 APÊNDICE H – PALESTRA: CONSUMO CONSCIENTE CONSUMO CONSCIENTE CONTROLE FINANCEIRO/ FINANÇAS PESSOAIS CURSOS Aprenda a reciclar as sobras de alimento. O que é consumo? As pessoas associam consumo somente as compras, mas existem outros itens como: casa, carro, remédio, água, energia e alimentação. • Decidir o que consumir? • Como consumir? • Sobras do que foi adquirido? Sobras de Alimentos • Frutas azedas ou maduras: geléia ou recheios de bolo. • Talos de couve, agrião, beterraba, brócolis e salsa contém fibras: usados em refogados, feijão ou sopa. • Folhas da cenoura ricas em vitamina A: usar para fazer bolinhos, sopas ou picadinhos em saladas. Cascas da batata: depois de bem lavadas, podem ser fritas em óleo quente e com a polpa faz a maionese. • Parte branca da melancia: usada para fazer doce, que se prepara como o doce de mamão verde. • Cascas de goiaba e abacaxi: preparar substituindo líquido no bolo, como leite. Desperdício = qualquer alimento em boas condições fisiológicas que vai para o lixo, como sobras de refeições, aproveitamento parcial de frutos, raízes e folhas, no descarte de produtos e na falta de formas alternativas de aproveitamento no caso de hortaliças e frutas. Cascas, talos, sementes e folhas são ricas em vitaminas A e C, além de Ferro, Potássio, cálcio. • Arroz, purê de batatas e cenouras cozidas: bolinhos. • O desperdício de alimentos faz do lixo brasileiro um dos mais ricos do mundo em nutrientes. sucos, • Utilização de cascas, talos e folhas: diminuiu os gastos com alimentação e melhora a qualidade nutricional do cardápio, reduz o desperdício de alimentos e torna possível a criação de novas receitas. • O valor nutricional de alguns alimentos: quase sempre concentra-se nas cascas ou folhas. Partes do alimento que iriam para o lixo, podem ser bem aproveitadas, servindo para suprir a carência de nutrientes no organismo e tornando o cardápio mais saudável e criativo. Cozinhe as verduras a vapor, assim elas não perderão o valor nutritivo. 97 Medidas de alimentos DOCE DE CASCA DE FRUTAS Arroz? Ingredientes • • Cascas de 10 laranjas • • Cascas de 10 maçãs • • Cascas de 10 bananas • • ½ kg de açúcar • • 1 xícara de água • • 1 canela em casca • • 5 cravos Macarrão? Feijão? Batata Inglesa? • Palmito de casca de aipim: retire a película marrom da raiz, separe a casca branca, lave e cozinhe com o aipim para não amargar. Depois pique miudinha e use em refogados. Modo de preparo: Deixe as cascas de laranja de molho em 1 litro de água por 15 minutos com 2 colheres de chá de vinagre. Bata no liquidificador todas as cascas e a água. Coloque a mistura em uma panela e acrescente o açúcar, a canela e o cravo e deixe cozinhar ate virar uma geléia. • Polenta; • Creme de maionese de leite; • Sopa de fubá; • Tortei: ovos, óleo, sal e farinha de trigo. Recheie com moranga, queijo e farinha de rosca. • Suflê de Chuchu, abóbora ou moranga: cozinha na água e amassa, mistura ovos, farelo, farinha de trigo, tempero verde e queijo e depois assa. • Sopa: tritura os talos de verduras e coloca na sopa com os temperos. • Bolinho de folha de beterraba: aferventa folha da beterraba e pica miudinho, coloca temperos, 1 ovo e enrola com farinha. Economize no banheiro • Bacias sanitárias com caixa acoplada: Gasto: 12L de água por descarga; 12 litros X 5 idas por dia = 60L de água diariamente. Solução: Coloque uma garrafa PET de 2L, cheia de água dentro da caixa. Economia: 2L por descarga. • Bolinho de couve e espinafre; • Rocambole de arroz cozido; • Lasanha de abobrinha; • Bolo de banana com casca; • Bolo de arroz cozido; • Sucos de casca abacaxi, limão com couve, banana, beterraba. Diminua o tempo do banho • O chuveiro é um equipamento que consome muita energia. •Feche o chuveiro para se ensaboar ou lavar os cabelos. Economia em 1 ano = 30.000 L de água. •60 famílias em 1 ano = 7 milhões de litros de água. • Vaso sanitário não é lixeira: Joga fora água limpa e tratada. Patrimônio público. •5.000 famílias em 1 ano = 5 min de queda de água nas Cataratas do Iguaçu. • Torneira pingando: uma gota por segundo; 1 dia = 46 litros 1 ano = 16.500 litros. •Se cada pessoa reduzir a ducha diária de 12 para 6 min, economizará energia suficiente para manter uma lâmpada acesa por 7 horas. •Procure não tomar banho entre 18 e 21 horas. LIMPEZA Faça economia com a geladeira A geladeira é um dos grandes consumidores de energia elétrica em uma casa, pois fica ligada o tempo todo. Mangueira ligada por 15 min = 279 L de água perdidos. • Borracha estragada consome muita energia; Lavar a calçada uma vez por semana = 14.000 L de água por ano. Use um pano umedecido ou lave com balde com água já utilizada na lavagem de roupa e depois jogue nas plantas. Desperdício de água impacta no seu bolso e no do governo, pois terá que investir em novas estações de tratamento, ao invés de educação e saúde. Use a vassoura e não a mangueira, para varrer a calçada • Nunca forre as prateleiras da geladeira com plásticos ou vidro, pois dificultam a passagem do ar e provocam aumento no consumo de energia. • Não guarde alimentos quentes na geladeira, pois o motor vai ter de trabalhar mais para resfriar e gasta mais energia. • Não deixe a porta da geladeira aberta por muito tempo, pois faz com que o frio “escape” e exige mais trabalho do motor para baixar a temperatura interna. • Regule o termostato para que esfrie menos no inverno 98 Dicas de Remédio • Gripe e Tosse: chá de eucalipto e topotagem; • Produtos de limpeza: Detergente, desinfetante, amaciante e sabão; • Dor de garganta: cipó-mil-homens e Cassaú; • Moscas: Vaso com água e manjericão; • Dor de ouvido: pano quente; • Mancha café: gelo; • Febre: camomila, rosa branca e carqueja; • Pé inchado: Folha de batata doce e água morna; • Ferrugem: suco de limão e sal – sol; • Suor: molho água morna e vinagre; • Piolho: 1 copo de vinagre, 2 colheres de sal e 1 xícara de azeite. Outros Produtos • • • • • • • Água sanitária por cinza; Palha de aço por cinza; Álcool para clarear roupas; Maisena por farinha; Leite por sucos; Desfiar carne; Vinagre por limão. “Dizem que tenho sorte, mas quanto mais e eu me preparo e vou em busca do que eu quero, mais sorte eu tenho.” (autor desconhecido) Salvaro Madeiras • • • • • • • Laranjinha -Angela Cristo Redentor – Ilza Paraíso- Mariléia Santo André – Margarete Laranjinha – Salute Ana Maira – Silvana Boa Vista - Velinda 99 APÊNDICE I – FOTOS DO ENCONTRO DE 27/03/2010 Palestra 27/03/2010. Entrega das Cestas Básicas 27/03/2010. 100 ANEXO 101 ANEXO – CURSOS DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL PLANSEQ