RAFAEL DOS SANTOS HENRIQUE PRÁTICA DE ESPORTES, DESEMPENHO EM HABILIDADES MOTORAS FUNDAMENTAIS E STATUS DE PESO CORPORAL DURANTE A INFÂNCIA: UM ESTUDO LONGITUDINAL RECIFE/PE 2014 ii RAFAEL DOS SANTOS HENRIQUE PRÁTICA DE ESPORTES, DESEMPENHO EM HABILIDADES MOTORAS FUNDAMENTAIS E STATUS DE PESO CORPORAL DURANTE A INFÂNCIA: UM ESTUDO LONGITUDINAL Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa Associado de Pós-Graduação em Educação Física UPE/UFPB como requisito parcial à obtenção do título de Mestre. Área de concentração: Saúde, Desempenho e Movimento Humano. Orientadora: Profa. Dra. Maria Teresa Cattuzzo Co-orientador: Prof. Dr. Alessandro Hervaldo Nicolai Ré RECIFE/PE 2014 iii UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA PROGRAMA ASSOCIADO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA UPE/UFPB A Dissertação PRÁTICA DE ESPORTES, DESEMPENHO EM HABILIDADES MOTORAS FUNDAMENTAIS E STATUS DE PESO CORPORAL DURANTE A INFÂNCIA: UM ESTUDO LONGITUDINAL Elaborada por RAFAEL DOS SANTOS HENRIQUE Foi julgada pelos membros da Comissão Examinadora e aprovado para obtenção do grau de MESTRE EM EDUCAÇÃO FÍSICA na área de concentração: Saúde, desempenho e movimento humano. Recife, de de 2014 ___________________________________________ Prof. Dr. Mauro Virgílio Gomes de Barros – UPE Coordenador do Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física UPE/UFPB BANCA EXAMINADORA: ___________________________________ Prof Dr. Marcelo Renato Guerino Universidade Federal de Pernambuco ___________________________________ Prof Dr. Mauro Virgílio Gomes de Barros Universidade de Pernambuco ___________________________________ Prof Dr. Rodrigo Cappato de Araújo Universidade de Pernambuco iv AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela força concedida para realizar essa dissertação. À minha orientadora Professora Doutora Maria Teresa Cattuzzo, por seu generoso acolhimento ao longo de toda a formação acadêmica, pela dedicação e por transmitir segurança e calma nos momentos difíceis. Ao Professor Doutor Alessandro Hervaldo Nicolai Ré, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, por todo empenho e pelas suas valiosas contribuições na construção dessa dissertação. À todo o Grupo de Pesquisa em Comportamento Motor Humano e Saúde, pelo companheirismo e pela forma dedicada e competente com que trabalham para o crescimento do Comportamento Motor em Pernambuco. Em especial, gostaria de agradecer à Professora Mestra Teresinha de Jesus Sousa Lima pela amizade e por todo o trabalho realizado em nosso grupo de pesquisa. À minha família que me apoiou em todos os momentos da vida. Sinto-me profundamente abençoado com a família que Deus me deu. À Lucia, minha querida e amada mãe, pelo amor e princípios ensinados, os quais permanentemente orientam, e sempre orientarão, a minha vida. Sou eternamente grato por toda amizade e por estar ao meu lado em todos os momentos alegres e difíceis da minha vida. Ao meu pai Roberto Henrique (in memoriam), por todas as valiosas lições de vida e profunda amizade. Todas as minhas conquistas são por você e para você. À minha irmã Ana Paula pelo irrestrito apoio e amizade. Obrigado por ser um grande exemplo para mim. À minha noiva Thaliane por mudar e dar sentido a minha vida. Obrigado por todo o amor, amizade e paz que compartilhamos; mais que isso, por alimentar meus sonhos e esperança de felicidade. Agradeço também aos pais da minha noiva pelo carinho que sempre me deram. Ao amigo e companheiro de pesquisa Daniel, por todo o apoio e profunda amizade ao longo desses anos. Aos amigos que conquistei ao longo do curso de graduação e mestrado: Adriano Domingos, Amanda Epifânio, André Henrique, Higo Paraíso, Deusymar Santos, Sérgio Ribeiro, Helder Novais, João Eduardo, Antônio Henrique, Bruno Melo, Sérgio Cahú, Ilana Oliveira, Dayana Oliveira, Carolina Campos e Juliette Santos. A todos, e muitos outros não mencionados, meus sinceros agradecimentos. v RESUMO Introdução: A prática de esportes (PE) é o principal contexto de atividade física entre crianças e adolescentes e pode ser uma importante estratégia para combater o excesso de peso. A competência em habilidades motoras fundamentais e o status de peso corporal parecem ser importantes correlatos da contínua PE ao longo da infância. Objetivo: O objetivo do presente estudo foi investigar a associação existente entre diferentes níveis de desempenho motor para habilidades de locomoção e controle de objetos (alto, médio ou baixo), status de peso corporal (peso normal ou excesso de peso) e a PE (praticava ou não praticava) na idade pré-escolar, com a PE após dois anos. Métodos: Em 2010, 292 crianças de 3 a 5 anos foram avaliadas quanto ao desempenho motor, status de peso corporal e prática prévia de esportes. Para avaliar o desempenho motor em habilidades de locomoção e controle de objetos foi usado o Test of Gross Motor Development-2. O escore padrão para cada categoria (locomoção e controle de objetos) permitiu classificar as crianças em três níveis de desempenho motor (alto, médio e baixo). Estatura e massa corporal foram medidos para calcular o índice de massa corporal (kg/m²), classificar em diferentes status de peso, e agrupar em categorias de peso normal ou excesso de peso. A informação da PE prévia e atual foi avaliada usando o questionário ELOS-Pré. Em 2012, 206 das 292 crianças foram identificadas e avaliadas quanto à PE. A regressão logística binária avaliou a associação ajustada entre a PE em 2012 com base nas medidas preliminares dos níveis de desempenho motor em locomoção e controle de objetos, status de peso corporal e PE. Resultados: No modelo final, ajustado por sexo, a prática prévia de esportes (OR= 10,00, IC: 3,75 a 26,69) e os níveis de desempenho motor para habilidades de locomoção (médio: OR= 2,67, IC: 1,12 a 6,39; alto: OR= 2,70, IC: 1,02 a 7,18) foram significativamente associados com a prática de esportes após dois anos. Os níveis de desempenho motor para habilidades motoras de controle de objetos e o status de peso corporal não predisseram a prática de esportes após dois anos. vi Conclusão: Nesta amostra, os resultados permitem concluir que maiores níveis de desempenho em habilidades motoras de locomoção e a prática de esportes na idade pré-escolar são fatores cruciais para a subsequente prática de esportes. Nossos resultados sustentam parcialmente o modelo teórico de Stodden et al. (2008) sugerindo que maiores níveis de competência motora potencializam a espiral positiva de engajamento em atividades físicas. Como as habilidades de locomoção desenvolvem-se mais cedo que as de controle de objetos, esse tipo de habilidade pode ser um melhor preditor da PE no início da infância. Palavras-chave: Destreza Motora; Desempenho Psicomotor; Esportes; Peso Corporal. vii ABSTRACT Introduction: Sports practice (SP) is the primary context of physical activity for children and adolescents and may be a important strategy to combat excess weight (MALINA, 2009). Competency in fundamental motor skills and body weight status also may be important correlates of continued SP across childhood (STODDEN et al., 2008). Purpose: The aim of present study was investigate the association existent between levels of motor performance in locomotor and object control skills (high, medium or low), body weight status (normal weight or excess weight) and SP (practiced or not practiced) in preschool years, with SP after two years. Methods: In 2010, 292 children between 3 and 5 years old were evaluated for motor performance, body weight status and previous SP. For assess motor performance in locomotor and object control skills was used the Test of Gross Motor Development-2. The standard score for each category (locomotor and object control) allowed classify children into three levels of motor performance (high, medium and low). Height and body mass were measured to calculate body mass index (kg/m²), classify into weight status, and group into excess weight and normal weight. The information of previous SP was evaluated using the ELOS-pré questionnaire. In 2012, 206 from those 292 children were identified and evaluated for SP. The binary logistic regression assessed the adjusted associations between SP in 2012, which were based on the preliminary measures (2010) of motor performance in locomotor and object control skills levels, body weight status and SP. Results: In the final model, after adjusting by sex, previous SP in 2010 (OR = 10.00, CI: 3.75 to 26.69) and locomotor performance level (medium: OR = 2.67, CI: 1.12 to 6.39; high: OR = 2.70, CI: 1.02 to 7.18) were significantly associated with SP in 2012. Object control skills and body weight status did not predict SP after two years. Conclusion: In this sample, the results suggest that higher levels of performance in locomotor skills and the SP in preschool years are crucial factors for subsequent SP. Our data support partially the prediction of Stodden et al. (2008) model suggesting that higher levels of motor competence potentiates the positive spiral viii of engagement in physical activities. As locomotor skills develop earlier than OC skills, these types of skills may be better predictors of SP in early childhood. Keywords: Motor Skills; Psychomotor Performance; Sports; Body Weight. ix SUMÁRIO AGRADECIMENTOS .................................................................................................... iv RESUMO ........................................................................................................................ v ABSTRACT ................................................................................................................... vii LISTA DE TABELAS E QUADROS .............................................................................. xi LISTA DE FIGURAS ..................................................................................................... xii 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 13 2. REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................... 16 2.1. Prática de esportes ............................................................................................ 16 2.2. Competência motora .......................................................................................... 18 2.3. Status de peso corporal ..................................................................................... 22 2.4. Resultados de pesquisa entre competência motora e status de peso corporal ..................................................................................................................... 24 2.4.1. Evidências transversais na segunda infância.................................................. 25 2.4.2. Evidências transversais na primeira infância .................................................. 28 2.4.3. Evidências longitudinais .................................................................................. 30 2.4.4. Síntese das evidências entre competência motora e status de peso corporal ..................................................................................................................... 31 2.5. Resultados de pesquisa entre prática de esportes, competência motora e status de peso corporal ............................................................................................. 33 2.5.1. Síntese das evidências entre prática de esportes, competência motora e status de peso corporal ............................................................................................. 36 3. MATERIAIS E MÉTODO........................................................................................... 39 3.1. Caracterização do estudo .................................................................................. 39 3.2. Amostra .............................................................................................................. 39 3.3. Instrumentos e procedimentos ........................................................................... 39 3.3.1. Avaliação da prática de esportes .................................................................... 40 3.3.2. Avaliação da do desempenho motor ............................................................... 40 3.3.3. Avaliação do status de peso corporal ............................................................. 41 3.3.4. Outras informações ......................................................................................... 42 3.4. Análises dos dados ............................................................................................ 42 4. RESULTADOS .......................................................................................................... 45 4.1. Desempenho motor e status de peso no ano de 2010 ....................................... 45 4.2. Prática de esportes em 2010 e 2012 ................................................................. 46 4.3. Análise da regressão logística binária ................................................................ 47 5. DISCUSSÃO ............................................................................................................. 50 5.1. Associação positiva entre habilidades de locomoção e prática de esportes ...... 50 5.2. Status de peso corporal, desempenho motor e prática de esportes .................. 56 x 5.3. Prática prévia de esportes, e sua influência na prática atual/futura em esportes .................................................................................................................... 57 5.4. Limitações .......................................................................................................... 59 5.5. Aspectos inovadores do presente estudo e direções futuras ............................. 59 CONCLUSÕES E APLICAÇÕES PRÁTICAS DO ESTUDO ........................................ 61 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 62 GLOSSÁRIO ................................................................................................................. 70 ANEXO I - Aprovação do comitê de ética ..................................................................... 72 ANEXO II - Termo de consentimento livre e esclarecido ............................................. 73 ANEXO III - Modelo entrevista estruturada – Questionário ELOS-Pré.......................... 75 ANEXO IV - Lista de checagem do Test of Gross Motor Development-2 ..................... 89 ANEXO V – Pontos de corte para determinar excesso de peso em crianças ............... 93 ANEXO VI – Detalhamento da análise de regressão bruta e ajustada ......................... 94 xi LISTA DE TABELAS E QUADROS Tabelas 1. Distribuição dos diferentes níveis de competência motora (CM) nos subtestes de locomoção e controle de objetos de acordo com o e status de peso corporal ......... 46 2. Distribuição dos diferentes níveis de competência motora (CM) nos subtestes de locomoção e controle de objetos, e status de peso corporal de acordo com a prática de esportes em 2012 ......................................................................................... 47 3. Regressão logística bruta e ajustada para a associação entre prática de esportes após dois anos, pratica prévia de esportes, subtestes locomotor e controle de objetos da competência motora (CM), e status de peso corporal, de pré-escolares do Recife (PE) ........................................................................................ 49 Quadros 1. Síntese dos estudos transversais que analisaram a relação entre competência motora e status de peso corporal de crianças de segunda infância .............................. 27 2. Síntese dos estudos transversais que analisaram a relação entre competência motora e status de peso corporal de crianças de primeira infância............................... 29 3. Síntese dos estudos longitudinais que analisaram a relação entre competência motora e status de peso corporal .................................................................................. 31 4. Síntese dos estudos que analisaram a relação entre prática de esportes e competência motora ...................................................................................................... 36 xii LISTA DE FIGURAS Figuras 1. Barreira de proficiência motora. ................................................................................ 19 2. Montanha do desenvolvimento motor ....................................................................... 20 3. Espiral positiva e negativa de engajamento em atividades físicas ............................ 21 4. Modelo gráfico da proposta de análise de dados – associação direta ...................... 44 5. Modelo gráfico da proposta de análise de dados – associação indireta ................... 44 13 1. INTRODUÇÃO O ambiente esportivo é o principal contexto de atividades físicas entre crianças e adolescentes (MALINA, 2009). Em termos gerais, a prática de esportes organizados (PE) favorece o desenvolvimento de habilidades motoras (MALINA, 2009) e psicossociais (FRASER-THOMAS; CÔTÉ, 2006; MALINA, 2009), além de proporcionar benefícios físicos sobre a densidade mineral óssea e aptidão física (BERGERON, 2007; MALINA, 2009). Alguns estudos na literatura têm mostrado que crianças (WICKEL; EISENMANN, 2007) e adolescentes (MACHADORODRIGUES et al., 2012) que praticam esportes têm maiores níveis de atividade física, gastam mais energia e dedicam mais tempo a atividades físicas de moderada a vigorosa intensidade que não praticantes. Assim, entende-se que a PE pode ser uma importante estratégia para combater a crescente taxa de obesidade infantil (NELSON et al., 2011; MALINA, 2013) e influenciar positivamente a melhoria e manutenção da saúde ao longo da vida (TELAMA et al., 2006; MALINA, 2009). Um possível determinante para a PE durante a infância é a capacidade para executar habilidades motoras fundamentais com proficiência, também chamada de competência motora (CM) (STODDEN et al., 2008). Fundamentado numa perspectiva desenvolvimental, dinâmica e complexa, o modelo teórico proposto por Stodden et al. (2008) apresenta a existência de um relacionamento dinâmico e sinérgico entre (CM) e atividade física ao longo da vida. Esses fatores interagem com a percepção de competência e aptidão física relacionada à saúde levando a um status de peso corporal saudável ou não saudável, chamado por esses autores de espirais de engajamento. Na espiral positiva, o status de peso saudável parece ser influenciado por elevados níveis de CM, atividade física, percepção de competência e aptidão física relacionada à saúde. De modo oposto, a espiral negativa relaciona-se aos baixos níveis dessas variáveis que, por sua vez, conduzem a um status de peso não saudável. Neste modelo, o status de peso corporal retroalimenta as espirais (positiva ou negativa) afetando o engajamento e manutenção na prática de atividades físicas e esportivas. Embora a relação entre CM e PE tenha sido pouco investigada, alguns estudos transversais (ULRICH, 1987; GRAF et al., 2004; QUEIROZ et al., 2014) e 14 um longitudinal (D'HONDT et al., 2013) têm mostrado um melhor desempenho motor a favor das crianças que praticam esportes. Apenas o estudo de Vandorpe et al. (2012), até o presente momento, investigou a influência da CM sobre a PE. Nesse estudo longitudinal, Vandorpe et al. (2012) avaliaram a relação direta entre a coordenação motora de crianças de segunda infância (6 a 8 anos de idade, no baseline) e a PE após dois anos. Os resultados mostraram que quanto maior a coordenação motora, maior foi a probabilidade de praticar esportes após o seguimento de dois anos. Ainda, crianças que praticavam esportes no baseline tiveram aproximadamente uma probabilidade 15 vezes maior de praticar esportes após dois anos. Outro tópico que merece ampliação nas investigações é o estudo dos determinantes da prática de atividades físicas e esportivas em crianças mais novas. É possível notar que os estudos avaliaram predominantemente crianças de segunda infância, exceto Queiroz et al. (2014) que avaliaram pré-escolares e sugeriram que desde essa fase a PE pode favorecer o desenvolvimento da CM. Vale ressaltar que a primeira infância, considerada a base para o desenvolvimento das posteriores fases da vida, tem sido apontada como crítica para o desenvolvimento de hábitos saudáveis (TIMMONS et al., 2012), além de ser o momento em que o sistema nervoso central está mais sensível aos processos de aprendizagem de habilidades motoras (GABBARD, 2008). Apesar da associação positiva entre CM e PE ter sido mostrada em algumas investigações, o uso de delineamento transversal, em parte, ainda não permite que tais achados sejam considerados evidências cientificas. Também, os estudos longitudinais que analisaram essa associação incluíram apenas crianças de segunda infância (VANDORPE et al., 2012; D'HONDT et al., 2013), não mediram o status de peso corporal (VANDORPE et al., 2012) e avaliaram apenas a coordenação motora (VANDORPE et al., 2012; D'HONDT et al., 2013). Por mais que seja reconhecida a importância de se identificar baixos níveis de CM desde o início da infância (HARDY et al., 2010), o que poderia auxiliar o planejamento e implementação de estratégias que favoreçam o desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais, que são a base para um estilo de vida ativo e saudável ao longo do ciclo vital (STODDEN et al., 2008; LUBANS et al., 2010), nenhum estudo prévio analisou longitudinalmente a probabilidade de praticar esportes entre pré- 15 escolares com diferentes níveis de CM, e se essa relação difere entre as categorias de locomoção e controle de objetos. Assim, o objetivo do presente estudo foi investigar a associação existente entre o desempenho motor para habilidades de locomoção e controle de objetos (alta, média ou baixa), status de peso corporal (peso normal ou excesso de peso) e a prática de esportes (praticava ou não praticava) na idade pré-escolar, com a prática de esportes após dois anos. 16 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. Prática de esportes A prática de esportes organizados (PE), considerada um dos domínios da atividade física no tempo livre (HOWLEY, 2001), é o principal contexto de atividade física para a maioria das crianças e adolescentes (MALINA, 2009). De um modo geral, a PE durante a infância está associada a variados benefícios psicossociais e físicos, tais como o desenvolvimento de competências para a vida (cooperação, disciplina e autocontrole) (FRASER-THOMAS; CÔTÉ, 2006), interação com pares (MALINA, 2009), aquisição de habilidades motoras, além da melhoria na saúde óssea (MALINA, 2009) e aptidão física (BERGERON, 2007; MALINA, 2009), os quais influenciam positivamente a melhoria e manutenção da saúde ao longo da vida (TELAMA et al., 2006; MALINA, 2009). Resultados de estudos têm indicado que a prática regular de atividade física na infância, sobretudo quando realizada em níveis moderados a elevados, parece aumentar a possibilidade de que essa prática se mantenha na adolescência (JANZ, DAWSON; MAHONEY, 2000; KRISTENSEN et al., 2008) e na idade adulta (TELAMA et al., 2005; 2006; TELAMA, 2009). Paralelamente, condutas relativas à prática de atividade física e exposição a comportamentos sedentários são estabelecidos desde a infância e, a partir de então, tendem a tornar-se mais estáveis e difíceis de serem modificadas (BARROS; BARROS; CATTUZZO, 2009). Diante da crescente taxa de inatividade física e obesidade infantil (KOHL et al., 2012), a PE pode ser um meio de aumentar o tempo gasto em atividades físicas vigorosas (STRONG et al., 2005; MACHADO-RODRIGUES et al., 2012), assim como uma estratégia para combater o excesso de peso nessa população (NELSON et al., 2011; MALINA, 2013). Algumas evidências relatam que crianças que praticam esportes organizados têm maiores níveis de atividade física, gastam mais energia e dedicam mais tempo a atividades físicas de moderada a vigorosa intensidade (AFMV) quando comparadas a não praticantes (WICKEL; EISENMANN, 2007; MACHADO-RODRIGUES et al., 2012). Ao avaliar a contribuição da PE, da 17 atividade física no recesso e da aula regular de educação física, no tempo despendido em AFMV, Wickel e Eisenmann (2007) mostraram que a PE foi a atividade que mais contribuiu para o total de AFMV. Vale ressaltar que, nos dias sem PE, as crianças gastaram mais tempo em atividades sedentárias e menos tempo em AFMV, quando comparadas aos dias de prática esportiva (WICKEL; EISENMANN, 2007). A melhoria de habilidades motoras específicas aos esportes é a principal razão para que crianças e adolescentes pratiquem essas atividades (MALINA, 2010; WEISS, 2013), assim como é o principal objetivo dos programas esportivos (MALINA, 2010). De fato, a PE estruturados e orientados profissionalmente, frequentemente envolve instrução e prática de habilidades específicas (MALINA, 2013); diferente de outros contextos da atividade física, a imprevisibilidade inerente ao âmbito da prática esportiva representa um desafio real para a competência motora, exigindo esforço cognitivo e físico para alcançar o sucesso nessas atividades. Essa demanda por superar as perturbações impostas durante a prática de esportes é que propiciam a aquisição e o desenvolvimento de habilidades motoras (LEE; SWINNEN; SERRIEN, 1994; GUADAGNOLI; LEE, 2004). Um dos possíveis determinantes para a prática de atividades físicas e esportivas é a capacidade para desempenhar habilidades motoras fundamentais (STODDEN et al., 2008; MALINA 2013). Esse conjunto de habilidades é considerado um pré-requisito para a realização de ações mais complexas, que serão aplicadas em esportes e muitas atividades físicas (SEEFELDT, 1980; CLARK; METCALFE, 2002; CLARK, 2005; 2007; STODDEN et al., 2008). Crianças que não dominam habilidades motoras fundamentais podem deparar-se com uma barreira de proficiência no qual níveis necessários para o sucesso em esportes não são facilmente alcançados, limitando assim o envolvimento nessas atividades (SEEFELDT, 1980; STODDEN et al., 2013). Outro fator que pode afetar a PE é o status de peso corporal (NELSON et al., 2011). Além do excesso de peso afetar a competência motora de crianças (D’HONDT et al., 2009; 2013; LOPES et al., 2012), é improvável que crianças obesas tenham iguais oportunidades de engajar-se em esportes organizados (MALINA 2009; 2013). De acordo com o modelo teórico proposto por Stodden et 18 al. (2008), apresentado no próximo tópico desta revisão de literatura, o excesso de peso corporal pode ser tanto um produto quanto um mediador da relação entre competência motora e atividades físicas, e afeta tanto o engajamento como a manutenção ou desistência em permanecer ativo, neste caso, a PE. 2.2. Competência motora A busca para identificar e testar fatores que possam estar relacionados com o desenvolvimento ativo e saudável ao longo da vida é constante. Stodden et al. (2008) enfatizaram que a literatura relativa à atividade física frequentemente negligencia a natureza desenvolvimental da competência motora e seu papel para promover atividade física e um status de peso saudável. Evidências, no entanto, têm sido acumuladas, sobretudo nos últimos anos, identificando o desempenho em habilidades motoras fundamentais como um fator chave para o engajamento e persistência em atividades físicas (STODDEN et al., 2008; D’HONDT et al., 2013). A competência motora (CM), definida como a capacidade para realizar habilidades motoras fundamentais com proficiência (STODDEN et al., 2008), envolve o domínio em movimentos de locomoção (p. ex. andar, correr e saltar etc), controle de objetos (p. ex. arremessar, rebater e chutar) e estabilização (p. ex. equilibrar-se dinâmica e estaticamente). Esse conjunto de habilidades é considerado a base para habilidades mais especializadas que serão aplicadas em diferentes contextos, tais como em esportes e nas mais diversas atividades diárias (MANOEL, 1994; STODDEN et al., 2008). A infância é uma fase propícia para a construção de um repertório motor diversificado que servirá de suporte para o aprendizado posterior de ações adaptativas e habilidosas (CATTUZZO et al., 2012). A aprendizagem de habilidades motoras fundamentais, nesta fase, deve conduzir a criança a atingir padrões avançados de desempenho que garantiriam um desenvolvimento motor pleno nas posteriores fases da vida (CLARK; METCALFE, 2002; CLARK, 2007). Vale salientar que essas habilidades não surgem naturalmente com o aumento da idade cronológica; elas precisam ser aprendidas, praticadas e reforçadas (CLARK, 2007). 19 Há mais de 30 anos habilidades motoras fundamentais são defendidas como sendo a base para um desenvolvimento ativo e saudável. De acordo com Seefeldt (1980), há um limiar crítico, conhecido como a barreira de proficiência, entre as habilidades motoras fundamentais e as habilidades motoras transicionais (Figura 1). O domínio das habilidades motoras fundamentais levará a criança a transpor a barreira de proficiência e permitirá aplicar com sucesso habilidades motoras em atividades físicas ao longo da vida. De modo oposto, crianças que não alcançam competência suficiente nesse conjunto de habilidades podem ter limitadas condições para engajarem-se em atividades físicas e esportivas por não possuírem proficiência em habilidades que são pré-requisitos para a sua prática, o que as leva a desistirem de permanecerem ativas (SEEFELDT, 1980; CLARK 2005; 2007; STODDEN et al., 2008). Figura 1- Barreira de proficiência motora. Adaptado de Seefeldt (1980). Clark e Metcalfe (2002) ratificaram a proposição de Seefeldt com a metáfora da “montanha do desenvolvimento motor” (Figura 2). Neste modelo heurístico, o domínio das habilidades motoras fundamentais sedimentaria a base da montanha e tornar-se hábil permitiria alcançar o pico da montanha. Por outro lado, a falta de domínio em habilidades motoras fundamentais impediria esse acesso. Entretanto, poucos tornam-se habilidosos e têm um bom desempenho em contextos específicos, nos quais esses movimentos são culturalmente aplicados em esportes, danças e lutas. 20 Apesar de ser esperado um cumulativo e sequencial progresso nos padrões fundamentais de movimento, a escalada na montanha é determinada por restrições específicas a cada indivíduo e não apenas pelo tempo gasto para “escalar” a montanha. Clark e Metcalfe (2002) vão além ao sugerirem a existência de inúmeros picos nessa montanha, ou seja, o tamanho de cada pico varia conforme diferentes habilidades (p. ex. a altura do pico para a habilidade de correr é diferente da altura para a habilidade de arremessar). Contudo, o amplo domínio de habilidades motoras fundamentais é considerado um importante degrau na escalada da montanha de desenvolvimento e influencia a participação em atividades físicas e esportivas ao longo da vida. Figura 2- Montanha do desenvolvimento motor. Adaptado de Clark e Metcalfe (2002). Um recente modelo teórico proposto por Stodden et al. (2008) apresenta uma relação dinâmica e sinérgica entre CM e atividade física ao longo do ciclo vital. Neste modelo, habilidades motoras fundamentais são elementos essenciais para a promoção e sustentação ou declínio da atividade física ao longo do processo de desenvolvimento. Nesse sentido, a CM é um fator crítico para entender o porquê de indivíduos escolhem ser ou não ativos. Para esses autores, a relação emergente entre CM e atividade física é mediada por fatores que 21 incluem a competência percebida e aptidão física relacionada à saúde que conduzem a um status de peso saudável ou não saudável. Este mesmo modelo teórico apresenta o esquema de uma espiral positiva e uma negativa do engajamento em atividades físicas (Figura 3). Na espiral positiva de engajamento, um status de peso saudável está relacionado com a alta CM, elevada percepção de competência e maiores níveis de atividade física e aptidão física relacionada à saúde. Neste cenário, elevados níveis desses fatores retroalimentam o modelo e levam a um maior engajamento em atividades físicas. De modo oposto, o desengajamento está relacionado à baixa CM, baixa percepção de competência e menores níveis de atividade física e aptidão física relacionada à saúde que, por sua vez, conduzem à obesidade. Esta condição retroalimenta o modelo e estimula a manutenção da espiral negativa de engajamento. Figura 3- Espiral positiva e negativa de engajamento em atividades físicas. (PIprimeira infância; IM – infância média; AD- adolescência). Adaptado de Stodden et al. (2008). O modelo teórico de Stodden et al. (2008) fundamenta-se em uma perspectiva desenvolvimental, dinâmica e complexa, a qual foi adotada no presente estudo. Essa perspectiva dirige a atenção para a natureza - longa, lenta, cumulativa e sequencial - do desenvolvimento motor ao longo da vida (CLARK, 22 2005; GABBARD, 2008) e destaca tanto a importância da qualidade e quantidade das experiências motoras como a necessidade de que tais experiências sejam precoces na vida do indivíduo (CLARK, 2005). O fenômeno do desenvolvimento, descrito em um documento histórico para a área de desenvolvimento motor, diz respeito ao fato de que um sistema complexo e dinâmico – como é o caso do sistema percepto-motor humano - pode criar algo “a mais” a partir de algo que “era menos” (SMITH; THELEN, 2003). Como um fenômeno emergente, o desenvolvimento é produzido por múltiplas interações locais e descentralizadas, que ocorrem em tempo real na vida dos indivíduos (SMITH; THELEN, 2003). Gabbard (2009) afirma que, numa perspectiva de sistemas desenvolvimentais, o comportamento humano é produto de relações dinâmicas entre o indivíduo em desenvolvimento e seu contexto igualmente dinâmico. Desse modo, uma pessoa é uma unidade dinâmica constituída de vários subsistemas (p. ex. neural, muscular, esquelético e cognitivo etc.) e o contexto inclui a cultura e diferentes fontes de influência social (p. ex. família, pares e treinadores). Em sistemas desenvolvimentais a história individual codetermina a situação presente e futura, ou seja, mudanças vistas em um tempo posterior são influenciadas, pelo menos em parte, pelas mudanças que ocorreram anteriormente (GABBARD, 2008; SMITH; THELEN, 2003). Contudo, dependendo da natureza das variáveis e de sua interação dinâmica, diferentes trajetos desenvolvimentais podem ocorrer, o que pode ser entendido como a multiderecionalidade e adaptabililidade do desenvolvimetno humano (FORD; LERNER, 1992). Enfim, uma perspectiva desevolvimental é uma perspectiva interacional (CLARK, 2005). Considerando este aporte teórico, competência motora e prática de esportes parecem interagir dinamicamente ao longo do ciclo vital e influenciar positivamente o engajamento em atividades físicas e esportivas. Além disso, o status de peso corporal pode retroalimentar as espirais de engajamento, positiva ou negativamente, e igualmente estar associado à prática de esportes na infância. 23 2.3. Status de peso corporal A obesidade caracteriza-se por um status de peso elevado no qual um desequilíbrio energético crônico resulta no armazenamento de energia em excesso como tecido adiposo (GORAN; TREUTH, 2001). A obesidade possui etiologia multifatorial derivada da interação entre fatores genéticos, ambientais e comportamentais (CLIFF et al., 2010). Tanto na infância como na idade adulta, tem sido registrado um aumento alarmante dos índices de obesidade, chegando a proporções epidêmicas, fato que faz essa doença ser considerada um grave problema de saúde pública em todo o mundo (EBBELING; PAWLAK; LUDWIG, 2002; ONIS; BLÖSSNER; BORGHI, 2010). Dentre as diversas consequências negativas associadas à obesidade, destacam-se o risco aumentado para doenças cardiovasculares (MOKHA et al., 2010; HEROUVI et al., 2013), diabetes do tipo 2 (HANNON; RAO; ARSLANIAN, 2005) e doenças do trato respiratório, como asma e apneia obstrutiva do sono (BLACK et al., 2012). Fatores psicossociais associados à obesidade incluem a menor qualidade de vida, baixa autoestima e estados emocionais negativos, como tristeza, isolamento e nervosismo (STRAUSS; BACKGROUND, 2000; TSIROS et al., 2009), que por sua vez originam depressão e bullying (JANSSEN et al., 2004). Esses fatores aumentam ainda a probabilidade de envolvimento em comportamentos indesejáveis e de alto risco os quais influenciam percepções negativas de saúde afetiva e social (STRAUSS; BACKGROUND, 2000; TSIROS et al., 2009). A presença da obesidade desde a infância relaciona-se a desfechos negativos de saúde em curto e longo prazo que podem se agravar com o avanço da idade e a gravidade dessa doença (PARK et al., 2012). Dado que a condição de obesidade tende a seguir para as posteriores fases da vida (GUPTA et al., 2013), evidências têm mostrado que, independentemente do peso na idade adulta, aqueles que eram obesos na infância e adolescência apresentam maior risco de morbidade e mortalidade prematura (REILLY; KELLY, 2011; PARK et al., 2012). Diante do preocupante cenário mundial de obesidade pediátrica, algumas organizações internacionais apresentam recomendações para atividade física 24 objetivando a promoção da saúde de crianças e adolescentes, assim como prevenção da obesidade (p. ex. World Health Organization, e United States Department of Health and Human Services). Dentre as principais recomendações, sugere-se que crianças acumulem pelo menos 60 minutos de atividade física de moderada a vigorosa intensidade por pelo menos três vezes por semana em programas de exercícios que estimulem o sistema musculoesquelético (USDHHS, 2008). Por mais que a prática de esportes não tenha como principal objetivo o combate à obesidade infantil, o ambiente esportivo é um cenário no qual a maioria das crianças é fisicamente ativa (NELSON et al., 2011; MALINA, 2013). Conforme exposto anteriormente, a prática de esportes pode ser considerada uma importante estratégia para aumentar o gasto energético e o tempo em atividades vigorosas que promovem a melhoria da saúde e têm o potencial para prevenir o crescente aumento de excesso de peso na infância (MALINA, 2013). Com base em estudos empíricos, o modelo teórico de Stodden et al. (2008) reforça a suposição de que o excesso de peso retroalimenta e estimula negativamente o engajamento em atividades físicas e esportivas. Stodden et al. (2008) apresentam nesse modelo que menores níveis de CM, atividade física, competência percebida e aptidão física relacionam-se de forma sinérgica levando à espiral de desengajamento em atividades físicas. Considerando-se que crianças com excesso de peso são menos proficientes em habilidades motoras verifica-se que existe uma menor probabilidade de que essas crianças sejam fisicamente ativas ao longo da infância, assim como experiências de insucesso podem determinar a desistência de ser ativo e comprometer, desse modo, a PE. 2.4. Resultados de pesquisa entre competência motora e status de peso corporal Após extenso levantamento de informações acerca da relação entre competência motora (CM) e status de peso corporal (SPC) na infância, identificouse que, de maneira geral, os estudos abrangem diferentes faixas etárias e medidas de desempenho, o que dificulta a comparação entre eles e a clareza da relação entre as variáveis. A maioria dos estudos identificados utilizaram 25 delineamento transversal, porém poucos avaliaram crianças de primeira infância. Adicionalmente, apenas três estudos foram longitudinais, e, entre esses, apenas McKenzie et al. (2002) incluíram pré-escolares. Para melhor compreender a relação entre CM e SPC, os resultados de pesquisas transversais serão apresentados inicialmente para crianças de segunda infância, e depois para as crianças de primeira infância, ou préescolares. Por fim, serão expostas evidências longitudinais do relacionamento entre as variáveis, o qual inclui crianças em idade pré-escolar (MCKENZIE et al., 2002). Os resultados destes estudos (Quadro 1, 2 e 3), organizados por delineamento e faixa etária, serão apresentados a seguir. 2.4.1. Evidências transversais na segunda infância Alguns estudos tiveram por objetivo comparar o desempenho motor de crianças após classificá-las em categorias de peso normal, sobrepeso e obesidade. Ao avaliarem 117 crianças de 5 a 10 anos com o Movement Assessment Battery for Children (MABC) (HENDERSON; SUGDEN; BARNETT 2007), D’Hondt et al. (2009) identificaram desempenho superior para crianças de peso normal, e com sobrepeso quando comparadas àquelas com obesidade. Em outro estudo, D’Hondt et al. (2011) avaliaram 954 crianças de 5 a 12 anos com o Köperkoordinationstest für Kinder (KTK) (KIPHART; SCHILLING, 1974); seus resultados mostraram que crianças de peso normal tiveram melhor desempenho que aquelas com sobrepeso, e obesidade. O estudo de Jones et al. (2010) avaliou 1414 crianças de 9 e 11 anos com algumas habilidades isoladas do Get Skilled: Get Active (NEW SOUTH WALLES DEPARTMENT OF EDUCATION AND TRAINING, 2000). Especificamente entre as crianças de 9 anos (n= 647) foram avaliadas as habilidades de galopar, deslizar, saltitar e lançar. Como resultados para essa faixa etária, o grupo considerado obeso teve pior desempenho que o de peso normal, porém somente entre os meninos. Outros estudos, por sua vez, analisaram a relação existente entre CM e o índice de massa corporal (IMC). Graf et al. (2004) avaliaram 550 crianças de 5 a 8 anos com o KTK. Os resultados deste estudo indicaram correlação inversa entre CM e IMC tanto para os meninos quanto para as meninas (r= -0,35 e r= -0,23, 26 respectivamente). Já o estudo de Morrisson et al. (2012) avaliou 498 crianças de 6 a 8 anos com o KTK e mostrou uma correlação inversa com o IMC para os dois gêneros (meninos: r= -0,16 e meninas: r= -0,20). Em grande levantamento transversal, Lopes et al. (2012) verificaram a relação entre o desempenho motor, com o KTK, e IMC de 7.175 crianças e adolescentes de 6 a14 anos de idade. Ao analisarem-se especificamente crianças de segunda infância, ou seja, até os 10 anos de idade, verificou-se uma crescente correlação negativa de -0,16 a -0,30 para as meninas, e de -0,18 a -0,28 para os meninos. Os resultados desse estudo sugerem um aumento na força da relação entre CM e IMC com o passar dos anos. No estudo de Spessato, Gabbard e Valentini (2013) 264 crianças de 5 a 10 anos foram avaliadas com Test of Gross Motor Development – 2 (TGMD-2) (ULRICH, 2000). Como resultados não foram encontradas associações significativas entre as variáveis para crianças de 5 a 7 anos, entretanto, para as crianças de 8 a 10 anos de idade CM e IMC foram negativa e significativamente associadas. Quadro 1 – Síntese dos estudos transversais que analisaram a relação entre competência motora e status de peso corporal de crianças de segunda infância. 27 Estudo; Tipo de estudo Amostra e idade D'Hondt et al. 117 crianças de (2009) 5 a 10 anos D'Hondt et al. 954 crianças de (2011) 5 a 12 anos Jones et al. (2010) 647 crianças de 9 anos Variáveis independentes Variável dependente Resultados CM – MABC Crianças com peso normal, e com sobrepeso tiveram melhor desempenho que crianças com obesidade IMC CM – KTK Crianças com peso normal tiveram melhor desempenho que crianças com sobrepeso e obesidade IMC CM – habilidades específicas (galopar, deslizar, saltitar e lançar) Crianças com peso normal tiveram melhor desempenho que crianças obesas somente entre os meninos CM – KTK Inversa associação entre CM e IMC; Crianças com sobrepeso e obesidade apresentaram pior CM IMC e SPC (normal, sobrepeso e obesidade) IMC e SPC Graf et al. (2004) 550 crianças de (abaixo do peso, normal, 5 a 8 anos sobrepeso e obesidade) Morrison et al. 498 crianças de (2012) 6 a 8 anos IMC CM – KTK; Inversa associação entre CM e IMC 7175 crianças e adolescentes de 6 a 14 anos IMC CM – KTK Inversa associação entre CM e IMC com o passar dos anos CM – TGMD-2 Inversa associação entre CM e IMC somente para as crianças de 8, 9 e 10 anos; não houve associação entre CM e IMC entre crianças mais novas. Lopes et al. (2012) Spessato, Gabbard e Valentini (2013) 264 crianças de 5 a 10 anos IMC IMC –Índice de massa corporal; CM – Competência motora; KTK- KöperkoordinationstestfürKinder, que inclui as tarefas de equilíbrio na prancha, saltar lateralmente, saltar sobre a espuma com um pé e trocar de plataformas; MABC - MovementAssessmentBattery for Children, que inclui habilidades de destreza manual (encaixar pinos, entrelaçar fio, trilha), habilidades com bola (receber com as duas mãos e lançar saquinho no alvo) e estabilidade (equilibrio sobre a prancha, caminhar na linha, saltar sobre as esteiras); SPC – Status de peso corporal; TGMD- Test of Gross Motor Development, que inclui o subteste de locomoção – LOC (habilidades de correr, galopar, saltitar, saltar obstáculo, saltar horizontalmente e deslizar lateralmente) e o subteste de controle de objetos – CO (rebater, quicar, receber, chutar, arremessar sobre o ombro e rolar). 2.4.2. Evidências transversais na primeira infância 28 Entre as investigações que incluíram apenas crianças de primeira infância, Roberts et al. (2012) avaliaram 4.650 crianças de 4 a 6 anos em habilidades isoladas de locomoção (salto e saltito), estabilidade (equilibrar-se dinamicamente em um pé e andar para trás) e controle de objetos (receber). Dentre os principais achados, ter obesidade indicou uma probabilidade aumentada de baixa CM nos testes de estabilidade (entre 1,3 e 2,2), e de locomoção (entre 1,3 e 1,4). A habilidade de receber não apresentou relação com SPC. Neste mesmo estudo, ao comparar-se o desempenho motor de crianças com obesidade, e peso normal, verificou-se que as obesas apresentaram pior desempenho em todas as habilidades. Ao comparar o desempenho motor (teste MABC) de crianças classificadas nas categorias de obesidade, sobrepeso ou peso normal, Logan et al. (2011) avaliaram 38 crianças de 4 a 6 anos e constaram que crianças de peso normal mostraram melhor desempenho motor que crianças com sobrepeso e obesidade. Para o estudo de Nervik et al. (2011), por sua vez, 50 crianças de 3 a 5 anos foram avaliadas com o IMC e tiveram a CM medida com o Peabody Developmental Motor Scales- Second Edition (PDMS-2) (FOLIO; FEWELL 2000), que envolve subtestes de estabilidade, preensão manual, integração viso-motora, locomoção e controle de objetos. Por mais que o valor da associação não tenha sido apresentado, os autores indicaram uma relação significativa entre CM e IMC. Morano, Colella e Caroli (2011) avaliaram 80 crianças de 4 a 5 anos de idade quanto ao IMC e CM com o TGMD, para os subtestes de locomoção e de controle de objetos. Como resultados, os autores apresentaram uma correlação inversa entre IMC e CM nos dois subtestes: locomotor (r = -0,54) e controle de objetos: (r -0,48). No estudo de Saraiva et al. (2013), 367 crianças com idade entre 3 e 5 anos foram avaliadas quanto ao desempenho motor, com o PDMS-2, e o IMC, posteriormente transformado em escore-z. Das quinze correlações testadas apenas duas foram significativas (crianças de 4 anos: subteste de integração viso-motora; crianças 5 anos: subteste de estabilidade). Já o estudo de Vameghi, Shams, Dehkordi (2013) avaliou 600 crianças de 3 a 6 anos de idade com o Ohio State University Scale of Intra Gross Motor Assessment (OSUSIGMA) (LOOVIS; ERSING 1979). Das onze habilidades avaliadas, quatro estiveram inversamente correlacionadas ao IMC. Do mesmo modo que Lopes et 29 al. (2012), Vameghi, Shams, Dehkordi (2013) verificaram que houve um aumento da força na correlação com o passar dos anos (salto: r= -0,21 a r= -0,26; saltito: r= -0,21 a r= -0,24; skipping: r= -0,21 a r= -0,28 e lançamento: r= -0,23 a r= -0,28). Quadro 2 – Síntese dos estudos transversais que analisaram a relação entre competência motora e status de peso corporal de crianças de primeira infância. Estudo; Tipo Variáveis Amostra e idade de estudo independentes Roberts et al. 4650 crianças de (2012) 4 a 6 anos Variável dependente Resultados IMC Crianças com obesidade tiveram CM – habilidades maior probabilidade de ter baixa especificas (salto, CM em todas as habilidades, saltito, equilibra-se exceto recepcionar um em um pé, andar lançamento; crianças obesas para trás e receber tiveram pior desempenho motor uma bola) que crianças de peso normal Logan et al. (2011) 38 crianças de 4 a 6 anos IMC CM – MABC Crianças com peso normal tiveram melhor desempenho que crianças com sobrepeso e obesidade Nervik et al. (2011) 50 crianças de 3 a 5 anos IMC CM – PDMS-2 Não foi apresentado o valor da associação entre CM e IMC Morano, Colella e Caroli (2011) 80 crianças de 4 a 5 anos IMC CM – TGMD Inversa associação entre CM e IMC Saraiva et al. (2013) 367 crianças de 3 a 5 anos IMC CM – PDMS-2 Positiva associação entre CM e IMC z-escore para apenas duas das quinze relações testadas Vameghi, Shams e Dehkordi (2013) 600 crianças de 3 a 6 anos IMC Crescente associação inversa entre CM e IMC com o passar CM – OSU-SIGMA dos anos para apenas quatro das onze habilidades IMC –Índice de massa corporal; CM – Competência motora; PDMS-2 -PeabodyDevelopmental Motor Scales- SecondEdition, que inclui seis subtestes dos quais 4 envolvem habilidades grossas (reflexos, desempenhos estacionários, locomoção e manipulação de objetos) e 2 envolvem habilidades finas (agarrar e integração viso-motora); OSU-SIGMA - Ohio State University Scale of Intra Gross Motor Assessmen - locomotor skills (walking, running, jumping, hopping, skipping, stair climbing and ladder climbing) and object control skills (throwing, catching striking and kicking); TGMD- Test of Gross Motor Development, que inclui o subteste de locomoção – LOC (habilidades de correr, galopar, saltitar, saltar obstáculo, saltar horizontalmente e deslizar lateralmente) e o subteste de controle de objetos – CO (rebater, quicar, receber, chutar, arremessar sobre o ombro e rolar). 2.4.3. Evidências longitudinais 30 Por mais que muitos estudos indiquem a necessidade de investigações longitudinais acerca da relação entre CM e SPC, pode-se observar considerável escassez de informações dessa natureza, sobretudo que incluam crianças de primeira infância. Dentre os estudos longitudinais somente uma investigação incluiu crianças na fase pré-escolar (MCKENZIE et al., 2002). Ao investigar a relação entre CM e SPC, D’Hondt et al. (2013) avaliaram 100 crianças de 6 a 10 anos de idade (no baseline) com o KTK e medidas antropométricas para o cálculo do IMC. Após dois anos, as mesmas crianças foram reavaliadas com o KTK. Como resultados, a análise de regressão múltipla indicou que 37,6% do desempenho motor após dois anos foi explicado pelo IMC (β=-3,98), além de que a participação de esportes predisse positivamente outros 6,8% do desempenho motor (β=10,60). Nesse mesmo estudo foi detectado efeito de interação para o desempenho motor de crianças com peso normal quando comparadas a seus pares com excesso de peso. Já no estudo de Hands (2008) 38 crianças com idade entre 5 e 7 anos foram acompanhadas ao longo de cinco anos. Após avaliar-se o desempenho motor quantitativamente em habilidades isoladas (saltitar, quicar, equilibrar-se em um pé), dois grupos foram formados: baixa e alta CM. Por mais que o grupo de alta CM tenha alcançado maior escore durante todo o seguimento, não foram encontradas diferenças entre os grupos para o IMC. Na única investigação que contou com crianças em idade de primeira infância, ou idade pré-escolar, McKenzie et al. (2002) avaliaram a relação entre adiposidade com dobras cutâneas e o desempenho quantitativo em habilidades isoladas de locomoção (salto lateral), controle de objetos (receber) e estabilidade (equilibrar-se em um pé). No total, 207 crianças de 4 a 6 anos foram avaliadas no baseline e reavaliadas aos 12 anos. Após estratificação por gênero, somente os meninos apresentaram correlação significativa entre as variáveis (r = -0,21). Quadro 3 – Síntese dos estudos longitudinais que analisaram a relação entre competência motora e status de peso corporal. Estudo; Tipo Amostra e idade Variáveis Variável Resultados 31 de estudo independentes 100 crianças de 6 a 10 nos D’Hondt et al. (baseline) (2013) reavaliadas após dois anos IMC e prática de esportes CM – habilidades 38 crianças de 5 especificas a 7 anos (salto, saltito, Hands (2008) equilibra-se em (baseline) acompanhadas um pé, andar por 5 anos para trás e recepcionar um lançamento) McKenzie et al. (2002) 207 crianças de 4 a 6 anos reavaliadas na adolescência com 12 anos % Gordura Corporal dependente CM – KTK IMC (negativamente) e PE (positivamente) predisseram a CM após dois anos; efeito de interação para a CM entre crianças com peso normal, e excesso de peso IMC Não houve diferença no IMC para crianças de alta e baixa CM durante todo o seguimento CM – habilidades isoladas (salto lateral, receber uma bola e equilibrar-se em um pé) Inversa associação entre CM e percentual de gordura corporal somente entre os meninos. IMC –Índice de massa corporal; CM – Competência motora; KTK- KöperkoordinationstestfürKinder, que inclui as tarefas de equilíbrio na prancha, saltar lateralmente, saltar sobre a espuma com um pé e trocar de plataformas; PE – Prática de esportes 2.4.1. Síntese das evidências entre competência motora e status de peso corporal De uma maneira geral, pode-se notar a associação negativa entre CM e SPC. Conforme apresentado anteriormente nesta revisão de literatura, o modelo teórico proposto por Stodden et al. (2008) apresenta distintas trajetórias desenvolvimentais relacionadas a um estilo de vida ativo e saudável, com base no comportamento motor habilidoso, chamado por eles de espirais positiva ou negativa de engajamento em atividades físicas. Nesse modelo, Stodden et al. (2008) reforça que a relação dinâmica e sinérgica entre baixos níveis competência motora e atividade física ao longo da vida, juntamente com baixos níveis de percepção de competência motora e aptidão física relacionada à saúde conduzem a um status de peso não saudável ou obesidade. Essa condição parece 32 retroalimentar o modelo e estimular a manutenção na espiral negativa de engajamento em atividades físicas. O principal destaque que os autores fazem é a natureza desenvolvimental da relação entre as variáveis, ou seja, essa relação altera-se dinamicamente à medida que é influenciada pelas mudanças típicas do processo de desenvolvimento. Durante a primeira infância, a variável atividade física é a que leva ao desenvolvimento da competência motora. A partir da segunda infância, essa relação alterna-se de modo que, sob a influência da maturação e experiências proporcionadas pela prática em atividades físicas, é a CM que passa dirigir a maiores níveis de atividade física. Destacando-se os achados de Vameghi, Shams e Dehkordi (2013) para pré-escolares, e de Lopes et al. (2012) para crianças de segunda infância, verifica-se que a força da relação entre CM e SPC pode aumentar com o passar dos anos e tornar-se irreversível nas posteriores fases da vida. Reforçando esses achados, D’Hondt et al. (2013) identificou em seu estudo longitudinal um efeito significativo de interação para o desempenho motor de crianças com diferentes condições de peso. Neste estudo, a evolução da CM entre os dois anos de avaliação diferiu fortemente entre crianças de peso normal e crianças com excesso de peso. Isso sugere que o status de peso não saudável, conforme descrito no modelo de Stodden et al. (2008), afeta o desenvolvimento da CM desde a infância e estimula a manutenção na espiral negativa de engajamento em atividades físicas nessas crianças. Apesar do aumento na quantidade de evidências acerca da relação entre CM e SPC durante a infância, ainda há poucas investigações que incluam préescolares, principalmente sob delineamento longitudinal. Desse modo, não se conhece precisamente a relação causal existente entre as variáveis para esta faixa etária. Outro ponto que merece atenção dentre os estudos identificados, é a ausência da variável atividade física ao analisar-se a relação entre CM e SPC. Considerando-se que o modelo teórico de Stodden et al. (2008) prevê que o excesso de peso pode ser tanto um produto como um mediador da relação entre CM e atividade física, é possível questionar-se se desde a idade pré-escolar o SPC e a CM estão associados à subsequente PE, uma vez que este é o principal cenário de atividades físicas entre as crianças. Complementando essas 33 informações, o próximo tópico desta revisão de literatura destina-se a apresentar os resultados de pesquisa para a relação entre a PE e a CM durante a infância (Quadro 2). 2.5. Resultados de pesquisa entre prática de esportes, competência motora e status de peso corporal Considerando-se os variados benefícios da participação em atividades esportivas na infância, sobretudo para o desenvolvimento físico e psicossocial, entende-se que a prática de esportes (PE) pode, também, ser um meio de aumentar os níveis de atividade física e combater a obesidade (MALINA, 2009; MALINA, 2013), assim como desenvolver a competência motora (MALINA, 2013). Apesar de ser recente a investigação de fatores determinantes da participação bem sucedida em esportes, nota-se considerável escassez de informações a esse respeito para o início da infância. De acordo com o modelo teórico proposto por Stodden et al. (2008), é esperado que, durante a primeira infância, a prática de atividades físicas conduza à competência motora. A partir desse pressuposto, Queiroz et al. (2014) identificaram que, desde a fase pré-escolar, as crianças que praticavam esportes organizados tiveram superior desempenho motor quando comparadas ao grupo sem PE. Para a segunda infância, espera-se que essa relação modifique o seu sentido, fazendo a competência motora dirigir a participação em atividades físicas e esportivas. Dado que o SPC pode influenciar negativamente o desenvolvimento da competência motora que, por sua vez, afeta a PE, é plausível questionar em que grau a CM e o SPC desde a primeira infância podem afetar longitudinalmente a PE. Com base nos modelos teóricos previamente apresentados (SEEFELDT, 1980; CLARK, 2005; 2007; STODDEN et al., 2008), verifica-se que o domínio de habilidades motoras fundamentais, também chamada de CM, pode ser um fator crucial para o engajamento e manutenção na PE. Por mais que a literatura pareça ser limitada ao investigar a relação entre CM e PE, esses modelos teóricos têm encontrado suporte em estudos empíricos. A associação positiva entre a PE e CM tem sido mostrada em alguns estudos transversais (ULRICH, 1987; GRAF et al., 34 2004; QUEIROZ et al., 2014) e longitudinais (VANDORPE et al., 2012; D'HONDT et al., 2013) (Quadro 4). Ao investigar a relação entre CM, CM percebida e PE, Ulrich (1987) avaliou 250 crianças com idade entre 5 e 10 anos. Para esse estudo, nove itens foram considerados na avaliação da CM: cinco capacidades físicas (manter-se em suspensão na barra pelo maior tempo possível, realizar a maior quantidade de flexões abdominais, saltar à distância, saltar lateralmente em menor tempo e correr sessenta jardas o mais rápido possível) e quatro habilidades motoras isoladas (drible com bola de borracha, drible com bola de futebol, lançamento com a mão de uma bola de softball e lançamento com o pé de uma bola de futebol). Como resultado principal, verificou-se que a CM esteve positivamente associada à PE. Graf et al. (2004) avaliaram se a coordenação motora, considerada um dos domínios da CM, associava-se a atividades físicas no lazer e status de peso corporal em crianças de 5 a 8 anos de idade. No total, 488 crianças tiveram o desempenho motor medido com Köperkoordinationstest für Kinder (KTK) (KIPHART; SCHILLING, 1974), que avalia a coordenação motora grossa em habilidades com saltos e equilíbrio, além de informações relativas a atividades físicas no lazer, tais como: a prática de esportes organizados e prática de esportes informais. A análise dos dados indicou que crianças que praticavam esportes em clubes e informalmente apresentaram maior coordenação motora que as não praticantes. Para a comparação entre coordenação motora e status de peso corporal, 550 crianças completaram as medidas do KTK e de antropometria, para posterior classificação do status de peso. Os resultados dessa análise mostraram superior coordenação motora de crianças de peso normal quando comparadas àquelas com excesso de peso. Recentemente, Queiroz et al. (2014) avaliaram a CM de pré-escolares (3-5 anos) com ou sem PE. A CM foi medida com o Test of Gross Motor Development – 2 (TGMD-2), que permite avaliar o desempenho motor grosso em habilidades de locomoção e controle de objetos. No total, 54 das 393 crianças que completaram as medidas da categoria de locomoção praticavam esportes organizados. Entre aqueles que completaram todas as medidas de controle de objetos, 37 das 344 crianças praticavam esportes organizados. Para fins de 35 análise, a formação do grupo sem PE foi realizada por meio da técnica de emparelhamento de acordo com idade e gênero. Os resultados sugeriram que desde a idade pré-escolar a PE favorece o desenvolvimento de habilidades motoras: crianças com PE tiveram desempenho superior que as não praticantes no escore geral dos subtestes de locomoção e controle de objetos, e na habilidade específica da corrida (ou deslize) lateral (slide). Dentre os estudos longitudinais, Vandorpe et al. (2012) analisaram a relação entre a coordenação motora, com o KTK, e diferentes níveis de PE. Neste estudo 301 crianças de 6 a 8 anos foram avaliadas em 2007 e acompanhadas por mais dois anos (2008 e 2009). A avaliação da PE permitiu dividir os grupos em: prática consistente de esportes, prática parcial e sem prática de esportes. Os resultados mostraram que o grupo com prática consistente apresentaram superior coordenação motora nos três momentos. Apesar da aparente superioridade desse grupo desde a primeira avaliação, todos melhoraram sua coordenação motora semelhantemente ao longo do seguimento, fato demonstrado estatisticamente pela ausência de interação. Além disso, Vandorpe et al. (2012) avaliaram a probabilidade de praticar esportes, no último ano, com base nas medidas da prévia PE e coordenação motora, ambas do primeiro ano. Como resultados dessa análise, os autores sugeriram que as duas medidas preliminares estiveram positivamente associadas à PE após dois anos. Além desses estudos, D’Hondt et al. (2013) encontraram importante resultado ao avaliarem a relação entre composição corporal e CM. Este estudo comparou longitudinalmente 50 crianças de 6 a 10 anos que apresentaram sobrepeso ou obesidade com outras 50 de peso normal, ambos os grupos emparelhados quanto ao gênero e a idade. Nos dois levantamentos, separados por dois anos, as crianças foram avaliadas com o KTK e medidas antropométricas, socioeconômicas e de atividade física. Ao considerar somente as variáveis que mais se relacionaram com o desempenho motor após dois anos, a análise de regressão múltipla indicou que 37,6% desse desempenho foi explicado pelo IMC, enquanto a PE, no baseline, explicou 6,8% do desempenho motor. Desse modo, os autores constataram que tanto a composição corporal quanto a PE influenciam positivamente a competência motora. 36 Quadro 4 – Síntese dos estudos que analisaram a relação entre prática de esportes e competência motora. Estudo; Tipo de estudo Amostra e Idade Variáveis independentes Variável dependente Resultados Delineamento transversal Ulrich (1987) Crianças de 5-10 anos Prática de esportes CM em habilidades isoladas No geral, a prática de esportes afetou positvamente a CM Graf et al. (2004) Crianças de 5-8 anos Prática de esportes CM - KTK Crianças com prática de esportes, em clubes e informalmente, apresentaram maior CM no KTK Queiroz et al. (2014) Crianças de 3-5 anos Prática de esportes CM – TGMD-2 Crianças com prática de esportes apresentaram maior CM nos subtestes de locomoção e controle de objetos Delineamento longitudinal Vandorpe et al. (2012) Crianças de 6-8 anos reavaliadas por dois anos consecutivos Baseline: Prática prévia de esportes e CM Prática de esportes após dois anos Prática de esportes e CM, no baseline, associaram-se positivamente à prática de esportes após dois anos D’Hondt et al. (2013) Crianças de 6-10 anos reavaliadas após dois anos Baseline: IMC e Prática de esportes CM após dois anos - KTK IMC (relação negativa) e PE (relação positiva) predisseram a CM após dois anos CM – competência motora IMC – índice de massa corporal KTK – Köperkoordinationstest für Kinder TGMD – 2 – Test of Gross Motor Development – 2 2.5.1. Síntese das evidências entre prática de esportes, competência motora e status de peso corporal Apesar da associação positiva apresentada entre a PE e CM na infância, os resultados dessas investigações ainda não podem ser admitidos como evidência científica. Isso porque o uso de delineamento transversal em alguns estudos impediu, em parte, a atribuição de causalidade. Dentre as pesquisas longitudinais identificadas, apenas Vandorpe et al. (2012) avaliou a relação direta 37 entre CM e PE, ou seja, a CM levando ao aumento da probabilidade de praticar esportes após dois anos. Inversamente, D’Hondt et al. (2013) analisaram a influência da PE no incremento do escore de CM. Assim, pode-se observar que a relação causal entre PE e CM não está bem definida. Além de considerável escassez de estudos, vale ressaltar que características como o tipo de medida da competência motora e faixa etária dos participantes aumentam a imprecisão acerca dessa relação. No geral, a maioria dos estudos mensurou o desempenho motor quanto ao produto do movimento, isto é, o resultado da ação (p. ex., quantidade de acertos ou tempo de execução). Destes, três utilizaram o Köperkoordinationstest für Kinder (KTK) (GRAF et al., 2004; VANDORPE et al., 2012; D’HONDT et al., 2013) enquanto Ulrich (1987) avaliou habilidades isoladas. Entretanto, o excesso de peso pode influenciar negativamente o desempenho em alguns testes motores, especialmente os que avaliam o produto em movimentos de locomoção e saltos, favorecendo, desse modo, o sucesso de crianças com peso normal (MALINA, 2013). Apenas Queiroz et al. (2014) mensurou o desempenho quanto ao processo do movimento. Esse tipo de medida permite analisar a qualidade do padrão de movimento e identificar possíveis dificuldades na execução dessas habilidades, que podem determinar o engajamento ou desistência de permanecer ativo. Com relação a faixa etária abordada, nota-se que os estudos avaliaram predominantemente crianças de segunda infância, exceto Queiroz et al. (2014) que avaliou pré-escolares. Por mais que Ulrich (1987) e Graf et al. (2004) tenham incluído crianças a partir dos 5 anos de idade, maior atenção tem sido direcionada ao estudo do comportamento motor de escolares que de pré-escolares. Todavia, a primeira infância é considerada a base para o desenvolvimento de condutas relacionadas à pratica de atividades físicas e exposição a comportamentos sedentários que têm efeito estruturante no desenvolvimento infantil e tendem a perpetuar-se para as fases posteriores da vida (DIAS; LANDEIRA-FERNANDEZ, 2011; TIMMONS et al., 2012). Dias e Landeira-Fernandez (2011), afirmam que, de fato, o período crítico representa um momento em que o sistema nervoso está extremamente sensível aos processos de aprendizagem que produzem alterações permanentes e definitivas em determinadas estruturas neurais. Assim, reforçando a sugestão de Vandorpe et al. (2012), novas investigações sobre a 38 relação entre PE e CM devem incluir crianças desde a idade pré-escolar, uma vez que parecem ser escassas pesquisas com essa população. É importante também analisar o papel do SPC nessa relação, que pode, de acordo com Stodden et al. (2008), retroalimentar positiva ou negativamente as espirais de engajamento em atividades físicas, nesse caso, a prática de esportes. 39 3. MATERIAIS E MÉTODO 3.1. Caracterização do estudo A presente investigação analisa dados secundários do “Estudo Longitudinal de Observação da Saúde e Bem-Estar de Crianças em Idade Pré-escolar” (ELOSPré), cujo protocolo de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade de Pernambuco (registro CEP 097/10; registro CAAE 0096.0.097.000-10) (Anexo I). O ELOS-Pré caracteriza-se como uma pesquisa longitudinal (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2007) com acompanhamento de pré-escolares até o ingresso na idade escolar. 3.2. Amostra Neste estudo longitudinal, participaram da primeira avaliação, no segundo semestre de 2010, crianças com idade entre três e cinco anos, de 28 escolas públicas e privadas proporcionalmente distribuídas das seis regiões políticoadministrativas de Recife (PE- Brasil). No total, 292 crianças foram avaliadas com o questionário do ELOS-Pré e completaram as medidas de desempenho motor grosso e antropometria. No segundo semestre de 2012, 206 crianças (70,55%, n=206/292) da lista original de participantes foram localizadas e reavaliadas com o questionário do ELOS-Pré. Assim, essa investigação incluiu somente as crianças que completaram as medidas preliminares do ano de 2010, e que, em 2012, tiveram, no questionário do ELOS-Pré, informações referentes à prática de esportes. 3.3. Instrumentos e procedimentos Em cada escola selecionada todas as crianças regularmente matriculadas formam convidadas a participar do estudo. Aqueles sujeitos cujos pais ou responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo II) foram avaliados, entre os meses de agosto e novembro do ano de 2010 quanto à prática de esportes, competência motora e status de peso corporal. Em 2012, a 40 prática de esportes foi avaliada entre os meses de Agosto e Dezembro. A seguir serão descritos todos os instrumentos e procedimentos do estudo. 3.3.1. Avaliação da prática de esportes As informações referentes à prática de esportes foram extraídas dos itens 54 e 55 do questionário ELOS-Pré (Anexo III). Para responder a tais questões, os pais ou responsáveis deveriam informar se as crianças participavam de atividades físicas organizadas como esportes, danças ou lutas. Caso fosse confirmada tal participação, na questão seguinte, deveriam informar quais atividades eram praticadas, assim como a frequência semanal (quantidade de vezes) e a duração (tempo em minutos) de cada sessão. O produto da frequência e a duração de cada sessão permitiu identificar o tempo total (minutos/semana) da prática de esportes. A prática de esportes do ano de 2012 foi considerada como desfecho de interesse, enquanto a informação do primeiro levantamento, em 2010, foi utilizada para analisar o quanto a prática prévia aumenta a probabilidade de praticar esportes após dois anos. 3.3.2. Avaliação da competência motora A competência motora das crianças foi medida pelo Test of Gross Motor Development - Second Edition (TGMD-2) (ULRICH, 2000). O TGMD-2 é um teste com validade e confiabilidade para crianças brasileiras (VALENTINI, 2012) que tem o propósito de avaliar o desempenho motor grosso em crianças de 3 a 10 anos para habilidades de locomoção e controle de objetos. No subteste locomotor são avaliadas as habilidades de correr, galopar, saltitar, saltar obstáculo, saltar horizontalmente e deslizar lateralmente. O subteste de controle de objetos avalia as habilidades de rebater com o taco, quicar, receber, chutar, lançar sobre o ombro e rolar a bola. De acordo com o protocolo do teste, o experimentador fornece a instrução e demonstra o movimento para a criança realizar uma tentativa-ensaio. Caso o avaliador identifique qualquer problema de entendimento por parte da criança, ele realiza uma nova demonstração. Na sequência a criança é instruída a realizar 41 duas tentativas da habilidade. O mesmo procedimento é realizado para todas as habilidades. Todas as habilidades foram filmadas com uma câmera digital (Cyber-Shot DSC-H20, 10.1 Megapixel) e decodificadas usando-se o reprodutor de vídeo Media Player Classic em velocidade lenta. Este tipo de análise permite verificar a forma como as habilidades motoras foram realizadas (medida de processo) e quantifica o desempenho por meio de escores atribuídos a critérios da lista de checagem do teste (Anexo IV). Para tal, foi atribuído um ponto quando o critério da lista de checagem foi atendido, ou zero quando este critério não foi atendido. A decodificação dos dados aconteceu de forma independente por dois avaliadores devidamente treinados no TGMD-2. Em caso de discordância entre o escore atribuído pelos avaliadores, o vídeo foi reanalisado para decisão em conjunto quanto à pontuação final para o critério. A concordância interavaliador para essa amostra foi de 86%, de acordo com o cálculo proposto por Thomas, Nelson e Silverman (2007). A pontuação obtida em cada habilidade foi somada para fornecer o escore bruto dos subtestes de locomoção (0-48 pontos) e de controle de objetos (0-48 pontos). De acordo com as tabelas de conversão do TGMD-2, o valor bruto de cada subteste foi transformado em escore padrão. Para o subtetste locomotor, o escore padrão é ajustado por idade, enquanto o subteste de controle de objetos é ajustado por idade e sexo. Para fins de análise, o escore padrão de cada subteste foi dividido em tercis, permitindo separar as crianças em baixa, média e alta competência motora. 3.3.3. Avaliação do status de peso corporal A avaliação do status de peso corporal contou com medidas antropométricas de estatura e massa corporal das crianças. Para medir a estatura das crianças foi utilizado um estadiômetro portátil (Wiso) com precisão de 0,1 cm. Para realizar essa medida, as crianças foram instruídas a permanecer em posição ereta, de costas para o estadiômetro e sem qualquer calçado. A medida da massa corporal foi realizada com uma balança portátil (Beurer) com precisão de 0,1 kg. Para fazer-se essa medida as crianças deveriam estar com roupas leves e 42 descalças. A partir das medidas de massa corporal e estatura, o índice de massa corporal (IMC) [massa corporal (kg)/estatura (m)²] foi calculado para cada criança. De acordo com os pontos de corte para o IMC propostos pelo International Obesity Task Force (IOTF) (COLE et al., 2000), ajustados por sexo e idade, as crianças foram classificadas em peso normal (abaixo do percentil 85), sobrepeso (entre os percentis 85 e 95) e obesidade (acima do percentil 95) (Anexo VI). Para a análise dos dados, as classificações de sobrepeso e obesidade foram agrupadas e formaram um grupo denominado de “excesso de peso”. 3.3.4. Outras informações As informações socioeconômicas da família, coletadas do segundo levantamento, foram operacionalizadas pelo item 2 do questionário ELOS-Pré (“Qual a faixa de renda da família da criança?) (Anexo III). Essa questão permitiu avaliar o valor aproximado de salários mínimos recebido pelos pais da criança em 6 categorias: menos de 311 reais, de 311 a 622 reais, de 622 a 1244 reais, de 1244 a 2488 reais, de 2488 a 6220 reais e mais de 6220 reais. O valor de salário mínimo durante o período de coleta de dados era de 622 reais (aproximadamente 300 dólares). As categorias de resposta foram agrupadas em três grupos para a análise dos dados: abaixo de um salário mínimo (menor que 622 reais), entre um e quatro salários mínimos (entre 623 e 2488 reais) e acima de quatro salários mínimos (mais que 2489 reais). 3.4. Análise dos dados Inicialmente o tamanho da amostra do projeto ELOS-Pré foi calculado para atender a multiplicidade de variáveis relacionadas à saúde e bem estar de préescolares. Para o presente estudo, o cálculo do poder estatístico da amostra foi realizado a posteriori. Para avaliar a associação entre as variáveis, a amostra (n=206) teve poder de 80% de detectar odds ratios iguais ou superiores a 2,4 como significativas para prevalências entre 21 a 61%, a um nível de confiança de 95% (α = 5%) 43 As análises descritivas foram apresentadas, usando-se distribuição de frequência para as variáveis categóricas, e média e desvio padrão para as variáveis numéricas. A presença de colinearidade foi testada pelo fator de inflação da variância (VIF - Variance Inflation Factor), sendo admitida como ausência de colinearidade valores abaixo de três. Neste estudo foi identificada colinearidade entre a prática de esportes e o tempo total dessas atividades. Assim, somente a informação referente à prática prévia de esportes foi considerada para a análise final. Para analisar a associação bruta e ajustada entre a prática de esportes (sem prática de esportes = 0 e com prática de esportes = 1), em 2012, com base nas medidas feitas em 2010 do desempenho em habilidades de locomoção e controle de objetos, do status de peso corporal e da prática prévia de esportes, utilizou-se a regressão logística binária. Assim, os dados de 2010 foram considerados preditores, enquanto a prática de esportes após dois anos foi considerada como desfecho de interesse (Figura 4). Os dados foram analisados com os pacotes estatísticos SPSS 17.0 e STATA 11.0, com nível de significância fixado em p<0,05. Todas as variáveis preditoras foram consideradas para o modelo múltiplo, permanecendo aquelas que apresentaram valor p<0,20 através do método Backward ou que contribuíram para o índice de ajuste do modelo. As variáveis sociodemográficas sexo e renda familiar foram testadas como possíveis fatores de confusão e avaliadas quanto ao ajuste final. A comparação entre modelos concorrentes levou em consideração o critério de informação bayesiano (BIC - Bayesian information criterion) e a deviance para a avaliação do melhor modelo ajustado. A presença de interação foi testada pela regressão bivariada na qual as variáveis fictícias (produto entre os preditores e as informações sócio demográficas) foram testadas no modelo múltiplo. A significância das variáveis foi avaliada pelo teste de Wald, e o ajuste final do modelo pelo teste de Hosmer e Lemeshow e o pseudo-R² de Cox e Snell. 44 Figura 4. Modelo gráfico da proposta de análise de dados – associação direta Figura 5. Modelo gráfico da proposta de análise de dados – associação indireta 45 4. RESULTADOS A amostra final foi composta por 206 crianças que, no primeiro levantamento, tinham entre 3 e 5 anos de idade (média = 4,27 anos; DP= 0,75), e na reavaliação 5 a 7 anos (média = 6,34 anos; DP= 0,75), dos quais 55,83% (n = 115) eram do sexo masculino. Desse quantitativo de crianças, 24 praticavam esportes em 2010 e 52 crianças praticavam esportes em 2012. Esta seção apresenta os resultados, obedecendo a seguinte ordem: inicialmente serão mostradas as análises descritivas das variáveis analisadas nos ano de 2010 e 2012; em seguida serão mostrados os resultados da regressão logística binária. 4.1. Desempenho motor e status de peso corporal no ano de 2010 No ano de 2010, relativo à competência motora no subteste de locomoção, 79 crianças (38,35%) tiveram seu desempenho classificado como baixo; 86 (41,75%) tiveram desempenho médio e 41 (19,90%) mostraram alta competência no substeste locomotor. No subteste controle de objetos, 111 crianças (53,88%) tiveram seu desempenho classificado como baixo, 41 (19,90%) mostraram desempenho médio e 54 (26,21%) mostraram alta competência. Para a variável status de peso corporal, a prevalência de excesso de peso nessa amostra foi de 24,76% (n=51), dos quais 15,05% tinham sobrepeso (n=31) e 9,71% obesidade (n=20). A Tabela 1 apresenta a associação entre diferentes níveis de competência motora (baixa, média e alta), para os subtestes de locomoção e controle de objetos, e status de peso corporal (excesso de peso e peso normal). A associação foi significativa apenas para o subteste de locomoção (p<0,01). 46 Tabela 1 - Distribuição dos diferentes níveis de competência motora (CM) nos subtestes de locomoção e controle de objetos de acordo com o e status de peso corporal. Status de peso corporal Excesso de peso n (%) Locomoção Baixa CM, n(%) Média CM, n(%) Alta CM, n(%) Total, n(%) Controle de objetos Baixa CM, n(%) Média CM, n(%) Alta CM, n(%) Total, n(%) 4.2. Peso normal n (%) 31 (60,8) 9 (17,6) 11 (21,6) 48 (31,0) 77 (49,7) 30 (19,3) 51 (100) 155 (100) 26 (51,0) 12 (23,5) 13 (25,5) 85 (54,8) 29 (18,7) 41 (26,5) 51 (100) 155 (100) X² p 18,42 <0,01 0,57 0,75 Prática de esportes em 2010 e 2012 Descritivamente, a prevalência das crianças que praticavam esportes aumentou de 11,65% (n=24) para 25,24% (n=52) no segundo levantamento. Ressalta-se que, entre aqueles que praticavam esportes no ano de 2010, 17 crianças (70,83%) mantiveram-se praticando esportes no ano de 2012. A associação entre a prática de esportes nos dois levantamentos foi significativa (X²=27,25; p<0,01). Quanto aos esportes praticados nos dois levantamentos, em 2010, 21 crianças praticavam somente um esporte e três crianças praticavam dois esportes. Em 2010, o esporte mais praticado era a natação (n=10; 37,04%) seguido do balé (n=5; 18,52%), futebol (n=5; 18,52%), taekwondo (n=3; 11,11%), judô (n=2; 7,41%), capoeira (n=1; 3,70%) e ginástica artística (n=1; 3,70%). No ano de 2012, 38 crianças praticavam somente um esporte, 9 praticavam dois e 5 praticavam três. O esporte mais praticado neste ano foi o futebol (n=19; 26,76%) seguido da natação (n=17; 23,94%), balé (n=11; 15,49%), caratê (n=8; 11,27%), judô (n=6; 8,45%), ginástica (n=5; 7,04%), frevo (n=3; 4,23%), capoeira (n=1; 1,41%) e taekwondo (n=1; 1,41%). O tempo médio da prática de esportes por 47 semana, no primeiro levantamento, foi de 137,50 minutos (DP = 59,95; Mín-Máx = 60-300), e, no segundo, de 164,62 minutos (DP = 93,28; Mín-Máx = 60-400). A Tabela 2 apresenta a associação entre diferentes níveis de competência motora para os subtestes de locomoção e controle de objetos, status de peso corporal (em 2010), e a prática de esportes em 2012. Apenas o subteste de locomoção foi significativamente associado à prática de eesportes (p<0,04). Tabela 2 - Distribuição dos diferentes níveis de competência motora (CM) nos subtestes de locomoção e controle de objetos, e status de peso corporal de acordo com a prática de esportes em 2012. Prática de esportes em 2012 Locomoção Baixa CM, n(%) Média CM, n(%) Alta CM, n(%) Total, n(%) Controle de objetos Baixa CM, n(%) Média CM, n(%) Alta CM, n(%) Total, n(%) Status de peso corporal Excesso de peso, n(%) Peso normal, n(%) Total, n(%) 4.3. Não pratica esportes n (%) Pratica esportes n (%) 66 (42,8) 60 (39,0) 28 (18,2) 13 (25,0) 26 (50,0) 13 (25,0) 154 (100) 52 (100) 84 (54,6) 33 (21,4) 37 (24,0) 27 (51,9) 8 (15,4) 17 (32,7) 154 (100) 52 (100) 35 (22,7) 119 (77,3) 16 (30,8) 36 (69,2) 154 (100) 52 (100) X² p 6,28 <0,04 1,88 0,40 1,35 0,25 Análise da regressão logística binária A Tabela 3 apresenta os resultados da regressão logística binária para a associação bruta e ajustada entre a prática de esportes (em 2012) e os preditores (em 2010) desempenho motor nos subtestes de locomoção e controle de objetos, status de peso corporal e prática prévia de esportes. Na análise bruta as variáveis que se associaram à prática de esportes foram a prática prévia e o subteste locomotor da competência motora (Tabela 3). 48 Durante o processo de modelagem da regressão logística, o subteste controle de objetos não apresentou valor de significância abaixo de 0,20 na análise bruta, assim como não contribuiu para o modelo multivariável; então, foi excluído da análise. Ao considerarem-se os possíveis fatores de confusão, a variável renda familiar não atingiu os critérios para permanência no modelo ajustado e também foi excluída do modelo final. Na análise ajustada permaneceram associadas à prática de esportes, de forma positiva e significativa, a prática prévia e o subteste locomotor (Tabela 3). A probabilidade de praticar esportes após dois anos foi 10 vezes maior entre aquelas crianças que praticavam esportes quando foi feito o primeiro levantamento. No subteste locomotor da competência motora, em 2010, as crianças de média e alta competência tiveram aproximadamente 2,7 vezes maior probabilidade de praticar esportes após dois anos quando comparados às de competência motora baixa. Não houve qualquer efeito de interação ou mediação significativa entre as variáveis preditoras e os fatores sociodemográficos renda familiar e sexo. Também não foi identificada mediação do status de peso corporal para a associação entre desempenho motor em locomoção e prática de esportes após dois anos. O teste de Hosmer e Lemeshow indicou um bom ajuste do modelo final (χ2 = 3,49; df = 7; p = 0,75), e o pseudo-R² foi de 0,14 de acordo com o teste de Cox e Snell. 49 Tabela 3 – Regressão logística bruta e ajustada para a associação entre prática de esportes após dois anos, prática prévia de esportes, subtestes locomotor e controle de objetos da competência motora (CM), e status de peso corporal, de pré-escolares do Recife (PE). Ajustada* Bruta Variáveis Odds ratio Prática prévia de esportes Não praticava Praticava 1 10,20 Locomotor Baixa CM Média CM Alta CM 1 2,20 2,36 Controle de objetos Baixa CM Média CM Alta CM 1 0,75 1,43 Status de peso corporal Excesso de peso Peso normal 1 0,66 *ajustada por sexo § p de tendência linear # p de heterogeneidade Wald IC 95% 22,75 3,93-26,49 4,22 3,59 0,39 0,94 1,34 1,04-4,67 0,97-5,72 0,31-1,83 0,70-2,94 0,33-1,33 p Odds ratio <0,01 1 10,00 0,04§ 1 2,67 2,70 0,40# 0,25 Wald IC 95% 21,14 3,75-26,69 4,88 3,98 1,12-6,39 1,02-7,18 p <0,01 0,03§ Excluída 1 0,50 2,74 0,22-1,14 0,10 50 5. DISCUSSÃO A principal proposta do presente estudo foi investigar a associação existente entre os preditores desempenho em habilidades motoras de locomoção e controle de objetos, status de peso corporal e prática de esportes na idade préescolar, e o desfecho prática de esportes após dois anos dessa fase da vida (segunda infância). Fundamentado no modelo teórico proposto por Stodden et al. (2008), os resultados do presente estudo serão discutidos iniciando com a associação positiva entre o desempenho em habilidades de locomoção e a subsequente prática de esportes. A seguir será discutida a ausência de associação entre o status de peso corporal, desempenho motor e prática de esportes e, então, será discutida a prática prévia de esportes e sua influência sobre a prática atual/futura de esportes. Para finalizar, descrevemos as principais limitações desta pesquisa e sugestões para estudos futuros. 5.1. Associação positiva entre habilidades de locomoção e prática de esportes De acordo com a perspectiva desenvolvimental e o modelo teórico proposto por Stodden et al. (2008), esperava-se que a prática de esportes na segunda infância estivesse associada ao desempenho de habilidades motoras adquiridas na primeira infância ou idade pré-escolar. Nossos resultados confirmaram essa hipótese, porém apenas as habilidades locomotoras estiveram associadas à prática de esportes após dois anos. No modelo de Stodden et al. (2008) a competência motora pode ser entendida como uma das variáveis de maior importância durante a infância, ou seja, diferente de fatores que podem ser revertidos numa escala de tempo menor (p. ex. hábitos nutricionais, nível de atividade física), a aquisição de habilidades motoras é um fenômeno que se caracteriza, de fato, por sua permanência (SCHMIDT; LEE, 1999). Stodden et al. (2008) sugeriram que as atividades físicas praticadas na primeira infância fundamentam a aquisição de habilidades motoras, isto é, aumentam a probabilidade de que as experiências práticas influenciem 51 positivamente a organização do sistema percepto-motor, resultando, assim, no aumento da competência motora. Essa competência motora “aumentada” retroalimenta o modelo e potencializa o nível de atividade física das crianças, o que eleva ainda mais sua competência motora. Este é um mecanismo conhecido como feedback positivo (BERTALANFFY, 1975), e foi denominado de “espiral de engajamento positiva” no modelo de Stodden et al. (2008) Em termos simples, o mecanismo de feedback positivo é do tipo “ganhaganha”: quanto maior a competência motora, maior probabilidade de engajar-se em atividades físicas e maior a probabilidade de aumentar-se a competência motora, e assim por diante. Deste modo, esse ciclo “positivo” tende a perpetuarse ao longo do processo de desenvolvimento humano. O presente estudo, ao menos parcialmente, parece confirmar a existência desse ciclo de interação recíproca entre competência motora e atividade física, entre as fases pré-escolar e escolar (1ª. e 2ª infância). Pode-se questionar, no entanto, por que apenas o desempenho em habilidades de locomoção esteve associado à prática de esportes após dois anos. Crianças com maiores níveis de desempenho em habilidades de locomoção (médio e alto), na idade pré-escolar, tiveram aproximadamente 2,7 vezes maior probabilidade de praticar esportes após dois anos, quando comparadas àquelas com baixo nível de desempenho para essas habilidades. Todavia, não houve associação significativa entre diferentes níveis de desempenho em habilidades de controle de objetos e a prática de esportes após dois anos. Relativo à especificidade da tarefa, o resultado positivo somente para a associação com habilidades de locomoção sugere que o tipo de habilidade motora fundamental pode estar envolvido em uma hierarquia de controle; neste caso, habilidades locomotoras seriam as primeiras a mostrarem um potencial de interação com atividades físicas organizadas, sendo sucedidas pelas habilidades de controle de objetos. Gallahue e Donnelly (2003) afirmam que os movimentos de locomoção contêm uma base filogenética (hereditária), o que possibilita à espécie humana atingir estágios iniciais e elementares desses movimentos antes que isso ocorra com habilidades de controle de objetos. Fatores ontogenéticos (ambientais) e prática específica são necessários para alcançar estágios mais 52 avançados de desempenho em quaisquer das habilidades motoras (GALLAHUE; DONNELLY, 2003). Por outro lado, em virtude dos ajustes percepto-motores complexos necessários para o contato controlado e preciso com os objetos, o alcance de estágios avançados em habilidades de controle de objetos ocorre um pouco mais tarde do que a maioria das habilidades locomotoras (GALLAHUE; DONNELLY, 2003). Habilidades de controle de objetos exigem a aquisição de padrões mais refinados por meio de experiências motoras constantes, suficientemente prolongadas e instruídas para alcançar o estágio maduro de desempenho (GALLAHUE; DONNELLY, 2003). Outra possível explicação para a associação encontrada entre níveis de desempenho em habilidades de locomoção e a subsequente prática de esportes pode ser atribuída ao tipo de prática esportiva observada na idade pré-escolar. Alguns dos esportes praticados - como o balé (n=5; 18,52%), o taekwondo (n=3; 11,11%), o judô (n=2; 7,41%), a capoeira (n=1; 3,70%) e a ginástica artística (n=1; 3,70%) - utilizavam pouca manipulação ou controle de objetos, o que pode ter potencializado o desenvolvimento das habilidades locomotoras. Embora a natação tenha sido o esporte mais praticado no primeiro levantamento (n=10; 37,04%), o tipo de medida de desempenho motor empregado em nosso estudo, que avalia apenas habilidades motoras terrestres, pode não ter sido influenciado pela prática de habilidades motoras específicas para este esporte, como o controle respiratório, flutuação, pernadas, braçadas e movimentos de cabeça. Ao analisar especificamente o futebol (n=5; 18,52%), representado pela habilidade de chutar da categoria de controle de objetos, a manipulação da bola muitas vezes tem como fator determinante para o seu sucesso o desempenho em habilidades de locomoção. Na prática do futebol, pode-se observar que em boa parte do tempo a criança utiliza a habilidade locomotora da corrida sem a manipulação ou controle da bola, o que pode ter favorecido o amplo domínio da habilidade de locomoção e contribuído para a associação encontrada neste estudo. Nossos resultados parecem reforçar os de estudos anteriores que compararam as diferenças no desempenho motor entre crianças que praticavam, ou não, esportes. Em geral, crianças que praticavam esportes alcançaram melhor escore em testes de coordenação motora (GRAF et al., 2004; D’HONDT et al., 53 2013) ou no desempenho de habilidades motoras fundamentais (QUEIROZ et al., 2014; ULRICH, 1987) comparados àquelas que não praticavam esportes. Utilizando uma medida de coordenação motora (Köperkoordinationstest für Kinder – KTK) (KIPHART; SCHILLING, 1974), como uma operacionalização da competência motora, Graf et al. (2004), em estudo transversal, investigaram se crianças de segunda infância que praticavam esportes tinham maior coordenação motora que as não praticantes de esportes. Seus resultados indicaram desempenho superior a favor daquelas crianças que praticavam esportes. Ao avaliar longitudinalmente a associação entre a PE e a coordenação motora (KTK) após dois anos, D’Hondt et al. (2013) mostraram que a PE predisse positivamente a subsequente coordenação motora. Neste estudo D’Hondt et al. (2013) sugeriram que a PE parece não somente estar associada mas também afetar positivamente o desenvolvimento de habilidades motoras. Entre os estudos que avaliaram especificamente habilidades motoras fundamentais entre praticantes ou não praticantes de esportes, Ulrich (1987) investigou crianças de segunda infância, usando uma medida de desempenho motor que envolveu apenas habilidades de controle de objetos (drible com bola de borracha, drible com bola de futebol, lançamento com a mão de uma bola de softball e lançamento com o pé de uma bola de futebol). Seus resultados mostraram que aquelas crianças que praticavam esportes tiveram desempenho superior para todas as habilidades motoras. Queiroz et al. (2014), por sua vez, avaliaram o desempenho motor para habilidades de locomoção e controle de objetos em pré-escolares; os resultados deste estudo indicaram que o escore geral para as duas categorias foi maior entre aqueles que praticavam esportes. Também foi encontrado desempenho superior para a habilidade específica do deslize lateral (slide), da categoria de locomoção, a favor daqueles que praticavam esportes. Em suma, estudos anteriores que avaliaram competência motora em crianças de primeira e segunda infância e a PE mostraram desempenho superior a favor das crianças que praticavam esportes (ULRICH, 1987; QUEIROZ et al., 2014; GRAF et al., 2004; D’HONDT et al., 2013). Entretanto, considerando a perspectiva desenvolvimental e noção de interação dinâmica e recíproca entre subsistemas, a presente investigação questionou o oposto, ou seja, se diferentes 54 níveis de desempenho em habilidades motoras, mesmo em crianças muito jovens (primeira infância), estariam associados à prática de esportes após dois anos. Ao avaliar especificamente essa relação, Vandorpe et al. (2012), em estudo longitudinal, avaliaram a coordenação motora (KTK) de crianças de segunda infância que praticavam esportes em três diferentes níveis (PE consistente, PE parcial ou sem PE). Os resultados deste estudo mostraram que aquelas crianças que praticavam esportes ao longo dos três anos (PC consistente), apresentaram maior escore de coordenação motora que as crianças dos outros níveis de PE. Além disso, a coordenação motora no primeiro ano de avaliação esteve positivamente associada à PE após dois anos. Nossos resultados concordam com os de Vandorpe et al. (2012), estendendo seus achados para uma amostra de crianças mais jovens. De fato, os resultados do presente estudo mostraram que o desempenho motor na idade préescolar (3 a 5 anos de idade), sobretudo em habilidades de locomoção, esteve associado à subsequente PE. Algumas diferenças, no entanto, precisam ser consideradas entre os estudos. Em primeiro lugar, Vandorpe et al. (2012) avaliaram crianças de segunda infância, enquanto o presente estudo avaliou crianças de primeira infância (préescolares). De acordo com Gabbard (2008) os primeiros cinco anos de vida são considerados “críticos” ou “ótimos” para as primeiras experiências de movimento e programação de atividades desenvolvimentalmente apropriadas. Isso porque, nessa fase de vida o sistema nervoso está mais sensível aos processos de aprendizagem que produzem alterações permanentes e definitivas em determinadas estruturas neurais (GABBARD, 2008). Assim, a primeira infância é considerada como fase crítica para o desenvolvimento de condutas relacionadas à saúde que tendem a perpetuar-se nas fases posteriores da vida (DIAS; LANDEIRA-FERNANDEZ, 2011; TIMMONS et al., 2012). Outra diferença entre os estudos pode ser atribuída ao tipo de teste da competência motora. Em nosso estudo examinamos qualitativamente o desempenho em habilidades motoras fundamentais de locomoção e controle de objetos, o que é denominado de medida do processo de movimento (CLARK WHITALL 1989, HANDS, 2008). Neste tipo de medida, a forma mecânica do movimento é observada e pontuada de acordo com critérios de proficiência 55 mecânica, permitindo discriminar o processo desenvolvimental de cada criança (CLARK; WHITALL, 1989). O estudo de Vandorpe et al. (2012) avaliou quantitativamente a coordenação motora grossa, ou seja, o produto do movimento. Uma das principais dificuldades desse tipo de medida é que ela não avalia o processo desenvolvimental que resultou no escore alcançado. Por exemplo, em uma tarefa de saltar, uma criança pode ter a mesma distância alcançada que outra, porém com um padrão de movimento menos sofisticado e, dessa forma, o escore no teste não é capaz de discriminar a criança que estava em um nível desenvolvimental mais elevado. De maneira oposta, a avaliação de habilidades motoras quanto ao processo do movimento, sobretudo em idades mais jovens, permite identificar dificuldades específicas durante a execução de um determinado padrão de movimento fundamental, auxiliando na detecção de alterações no desenvolvimento motor. Além disso, a medida de desempenho motor empregada no estudo de Vandorpe et al. (2012) (KTK) pode também ser afetada pelo status de peso corporal. De fato, estudos anteriores (D’HONDT et al., 2009; MALINA, 2013) mostraram que o desempenho em alguns testes motores, especialmente no KTK, pode ser negativamente influenciado pelo excesso de peso, que utiliza suporte e/ou transporte do peso corporal na maioria das tarefas. Assim, o aumento na massa dos diferentes segmentos corporais pode afetar o equilíbrio estático e dinâmico, que são aspectos determinantes do desempenho nesse teste. No presente estudo o status de peso corporal pode também ter afetado o desempenho em habilidades de locomoção considerando que crianças de peso normal tiveram melhor desempenho que àquelas com excesso de peso. No entanto, o teste motor utilizado no presente estudo (TGMD-2) parece equilibrar em partes o efeito negativo do status de peso corporal, uma vez que metade das tarefas são de habilidades de controle de objetos, ou seja, sem necessidade de transporte do corpo. 56 5.2. Status de peso corporal, desempenho motor e prática de esportes No modelo teórico de Stodden et al. (2008) o status de peso corporal pode ser tanto um produto como um mediador da relação entre desempenho motor e atividades físicas, nesse caso a prática de esportes. Com base nesse modelo teórico, esperávamos que o status de peso corporal pudesse estar diretamente associado à prática de esportes ou mediasse a associação entre o desempenho de habilidades motoras e a subsequente prática de esportes. Estudos anteriores que avaliaram as diferenças no status de peso corporal entre praticantes e não praticantes de esporte avaliaram apenas adolescentes (VELLA et al., 2013; ROMANI, 2011; BELUE et al., 2009) ou adultos (ALFANO et al. 2002). Nossos resultados não indicaram associação significativa entre status de peso corporal na idade pré-escolar e a prática de esportes após dois anos. O status de peso corporal também não mediou a relação entre o desempenho de habilidades motoras de locomoção e a subsequente prática de esportes, o que sugere não haver efeito indireto, especificamente para esta associação. Além disso, não houve efeito de interação entre o desempenho motor e o status de peso corporal. Isso indica que a associação entre as variáveis no modelo de regressão não difere para crianças de peso normal ou com excesso de peso. Entretanto, o desempenho em habilidades motoras de locomoção esteve associado à subsequente prática de esportes independentemente do status de peso corporal. Em outras palavras, crianças com maiores níveis de desempenho motor em habilidades de locomoção tenderam a engajar-se em atividades esportivas independentemente do seu status de peso corporal, reforçando o papel atribuído ao desempenho motor como um fator que exerce influência positiva para a prática de esportes, tal como é sugerido no modelo teórico de Stodden et al. (2008). As razões para a diferença entre os achados deste estudo e a proposição de Stodden et al. (2008) para o status de peso corporal ainda são incertas, no entanto uma possível explicação pode ser atribuída à faixa etária dos participantes. Diversos estudos têm indicado uma relação inversa, porém fraca, entre o desempenho de habilidades motoras fundamentais e o status de peso 57 corporal na idade pré-escolar (MORANO; COLELLA; CAROLI, 2011; ROBERTS et al., 2012; VAMEGHI; SHAMS; DEHKORDI, 2013). Os resultados do presente estudo confirmam a associação significativa entre os níveis de desempenho em habilidades de locomoção e status de peso corporal na idade pré-escolar. Todavia, a associação entre níveis de desempenho em habilidades de controle de objetos e status de peso corporal não foi significativa. Resultados de estudos anteriores sobre esta temática têm mostrado que a força dessa relação tende aumentar ao longo da idade pré-escolar (VAMEGHI; SHAMS; DEHKORDI, 2013) e segunda infância (LOPES et al., 2012), tornando-se irreversível para as posteriores fases da vida. Assim, pode ser que o status de peso corporal, especialmente em crianças mais novas, tenha pouca influência sobre a prática de esportes, contudo torne-se mais importante ao longo do processo de desenvolvimento (STODDEN et al., 2008). 5.3. Prática prévia de esportes, e sua influência na prática atual/futura em esportes Um dos achados do presente estudo foi que a prática prévia de esportes, na idade pré-escolar, aumentou em dez vezes a probabilidade de praticar esportes na segunda infância. Dos 24 pré-escolares que praticavam esportes no primeiro levantamento, 17 deles (aproximadamente 71%) continuaram praticando no segundo levantamento. Uma das possíveis explicações para a permanência na prática de esportes pode estar relacionada com a relação sinérgica entre variáveis comportamentais que levam ou reforçam o engajamento em atividades físicas e esportivas (STODDEN et al., 2008). Por sinergia, entende-se a ação cooperativa de eventos particulares, de tal modo que o efeito combinado desses eventos é maior do que o efeito isolado de cada um deles (OXFORD DICTIONARY OF ENGLISH ONLINE, 2013). Em série especial sobre atividade física na revista The Lancet, Kohl et al. (2012) sugerem que para entender a atividade física como um todo é necessário considerar toda a complexidade do sistema ao invés de dirigir a atenção, ou explicar, apenas algumas partes de um “quebra-cabeça”; uma abordagem de 58 sistemas deve considerar a quantidade de interações e complexidade dos comportamentos de saúde que ocorrem em tempo real no sistema. De fato, uma característica chave de sistemas complexos é que múltiplos eventos e níveis de influência são considerados interdependentes e podem afetar sinergicamente comportamentos de atividade física, neste caso a prática de esportes (KOHL et al., 2012). O modelo teórico de Stodden et al. (2008), que fundamenta-se numa perspectiva desenvolvimental, dinâmica e complexa, define como variáveis essenciais, além da competência motora e atividade física, a percepção de competência e a aptidão física relacionada à saúde. Apesar de o presente estudo não ter avaliado especificamente essas duas últimas variáveis, é razoável concordar que elas podem influenciar o ciclo positivo de engajamento em atividades físicas. Conforme sugerido na literatura (STODDEN et al., 2008; WEISS, 2013), crianças que autopercebem-se como competentes são mais propensas a praticar atividades físicas e esportes e, consequentemente, continuam a ser fisicamente ativas no esporte e no lazer. Weiss (2013) sugere que os principais motivos para o envolvimento em atividades físicas e esportivas incluem: (a) o desenvolvimento e demonstração de competências físicas (p. ex. aprender e melhorar habilidades), (b) alcançar aceitação e apoio social (p. ex. estar com e fazer amigos; ser reforçado por pais e treinadores) e (c) ter experiências de prazer (p. ex. divertir-se e desafiar-se). Nesse sentido, elevados níveis de percepção de competência motora no início da infância parecem influenciar positivamente tanto a prática de atividades físicas como o desenvolvimento de habilidades motoras (STODDEN, et al., 2008). Em crianças mais velhas, maiores níveis de desempenho motor conduzem ao engajamento em atividades físicas e esportivas mediado pela percepção de competência motora (STODDEN et al., 2008). Espera-se que, ao praticar um determinado esporte, a criança com maiores níveis de desempenho motor sintase mais motivada a manter essa prática, uma vez que obtém mais sucesso ou sente-se mais capaz que seus colegas. Assim, isso pode ser um dos motivos da elevada probabilidade identificada a favor daqueles que tiveram prática prévia de esportes. 59 5.4. Limitações Algumas limitações precisam ser consideradas no presente estudo. Em primeiro lugar, a informação da prática de esportes, relatada por adultos, pode não ter sido precisa quanto ao tipo ou o tempo despendido em sua prática. Isso porque os respondentes do questionário (que podiam ser os pais ou responsáveis pelas crianças) podem ter dificuldade em recordar com precisão se a criança pratica ou não atividades físicas organizadas, assim como a frequência e a duração de cada sessão. Outro aspecto limitador é o fato de não se conhecer como as práticas de esportes eram feitas. O conteúdo das aulas assim como as variáveis de aprendizagem (instrução, feedback, distribuição de prática etc) são aspectos que merecem ser mais bem controlados em estudos sobre competência motora e prática de esportes. 5.5. Aspectos inovadores do presente estudo e direções futuras Nosso estudo é o primeiro a investigar longitudinalmente o impacto que diferentes níveis de desempenho motor na idade pré-escolar têm sobre a subsequente prática de esportes. Investigamos também se essa associação difere entre categorias de locomoção e controle de objetos, o que não foi analisado anteriormente por outros estudos. Além disso, nosso estudo é o primeiro a considerar o papel do status de peso corporal para a associação entre as variáveis em crianças tão jovens. O presente estudo explorou se diferentes níveis de desempenho motor e o status de peso corporal estavam associados à prática de esportes após dois anos. Numa perspectiva desenvolvimental de interação recíproca entre as variáveis, essa associação também pode ser testada na direção inversa. Assim, pode-se, futuramente, questionar como a prática de esportes pode afetar o desenvolvimento de habilidades motoras. Estudos do tipo experimental seriam o mais apropriado para este tipo de questão, ao buscarem estabelecer claramente a relação de causa e efeito entre variáveis, por meio da manipulação experimental. Consideramos este como um estudo inicial, que nos permitiu uma maior 60 aproximação do fenômeno que é o desenvolvimento motor ativo e saudável de crianças. Sugerimos, também, que mais pesquisas longitudinais avaliem a estabilidade da competência motora e a força do relacionamento entre competência motora, status de peso e prática de esportes com o passar dos anos. Esperamos que novos estudos sejam capazes de refinar e descobrir muitas das respostas às questões colocadas para pesquisas futuras. 61 CONCLUSÕES E APLICAÇÕES PRÁTICAS DO ESTUDO Nesta amostra de pré-escolares, os resultados permitem concluir que maiores níveis de desempenho em habilidades motoras de locomoção e a prática de esportes na idade pré-escolar são fatores cruciais para a subsequente prática de esportes. Nossos resultados sustentam parcialmente o modelo teórico de Stodden et al. (2008) sugerindo que maiores níveis de competência motora potencializam a espiral positiva de engajamento em atividades físicas. Como habilidades de locomoção desenvolvem-se mais cedo que as de controle de objetos, esse tipo de habilidade pode ser um melhor preditor da prática de esportes no início da infância. Assim, recomenda-se que a todas as crianças, especialmente àquelas com menor desempenho em habilidades de locomoção, sejam oferecidas oportunidades para o desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais desde o início da infância. Nesse contexto, a prática de esportes parece ser um ambiente propício para a aquisição e desenvolvimento dessas habilidades que fornecerão a base para o engajamento e manutenção na prática de atividades físicas e/ou esportivas ao longo da vida. 62 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ALFANO, C. M. et al. History of sport participation in relation to obesity and related health behaviors in women. Preventive medicine. v. 34, n. 1, p. 82–89, 2002. BARNETT, L. M. et al. Does childhood motor skill proficiency predict adolescent fitness? 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Também pode ser definida como a capacidade para realizar movimentos em um nível ótimo e suficiente para a solução de um problema motor (KEOGH, 1977); Habilidades motoras fundamentais: são habilidades adquiridas no início da infância após a fase de movimentos rudimentares (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). As habilidades motoras fundamentais incluem categorias de locomoção, controle de objetos e estabilidade (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). O domínio desse conjunto de habilidades fornece a base para habilidades especializadas que serão aplicadas na prática de esportes (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013); Habilidades locomotoras: são aquelas habilidades que envolvem o transporte do corpo ao longo do espaço (p. ex. a corrida, o galope, o saltito etc.) (HAYWOOD; GETCHELL, 2005); Habilidades de controle de objetos: são aquelas habilidades que envolvem a manipulação ou o controle de objetos, em que há imposição ou recepção de força do mesmo (p. ex. o lançamento, o chute, a recepção de uma bola etc.) (HAYWOOD; GETCHELL, 2005); 71 Status de peso corporal: classificação do International Obesity Task Force (COLE et al., 2000) atribuída ao índice de massa corporal [massa (kg)/ estatura (m)²], a partir dos pontos de corte para sobrepeso (entre os percentis 85 e 95) e obesidade (acima do percentil 95), específicos para idade e sexo, de crianças e adolescentes; Fase pré-escolar ou primeira infância: período desenvolvimental que vai dos 3 aos 5 anos de idade (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013); Fase escolar ou segunda infância: período desenvolvimental que vai dos 6 aos 10 anos de idade (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). 72 ANEXOS ANEXO I – Aprovação do comitê de ética 73 ANEXO II - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (Resolução Brasileira, 196/96 CNS) Título da pesquisa: ESTUDO LONGITUDINAL DE OBSERVAÇÃO DA SAÚDE E BEM-ESTAR DE CRIANÇAS EM IDADE PRÉ-ESCOLAR Pesquisadores: Prof. Dr. Mauro Virgilio Gomes de Barros Fone: 3183.3375 Profa. Dra. Maria Teresa Cattuzzo Fone: 3183.3372 Justificativa dos objetivos Como parte das atividades de pesquisa da Universidade de Pernambuco, o Grupo de Pesquisa em Estilos de Vida e Saúde está realizando um estudo com objetivo de determinar indicadores de saúde e bem-estar de crianças em idade pré-escolar de escolas da rede pública e privada da Cidade do Recife, Pernambuco. Metodologia Para participação na pesquisa, um dos pais (o pai ou a mãe) precisará responder a um questionário contendo perguntas sobre aspectos pessoais e socioeconômicos e sobre o comportamento das crianças quanto a diversas condutas de saúde. Será necessário também efetuar medidas antropométricas (peso e altura) das crianças e testes de habilidades motoras que serão realizados na própria escola. Durante o recreio e ou as aulas de educação física será realizada observação quanto às atividades realizadas. Riscos e desconfortos Os procedimentos utilizados neste protocolo de investigação não têm potencial para gerar desconforto e qualquer tipo de risco. Benefícios Os resultados deste projeto contribuirão para a elaboração de uma campanha de saúde, incluindo orientação aos pais, professores das escolas e famílias. Os achados poderão subsidiar o planejamento de intervenções para promoção à saúde de crianças em idade pré-escolar. Direitos do sujeito pesquisado 1. 2. 3. 4. Direito de esclarecimento e resposta a qualquer pergunta; Liberdade de abandonar a pesquisa a qualquer momento sem prejuízo para si; Garantia de privacidade à sua identidade e do sigilo de suas informações; Garantia de que os gastos adicionais serão absorvidos pelo orçamento da pesquisa ou pelos investigadores principais; 74 Dúvidas e esclarecimentos Caso precise de qualquer informação sobre o projeto, necessite esclarecer dúvidas ou queira falar sobre a participação no projeto entre em contato com os pesquisadores envolvidos ou com o Comitê de Ética da Universidade de Pernambuco pelo telefone 31833775. Eu, _____________________________________________________________________, abaixo assinado, tendo recebido todos os esclarecimentos acima citados e, ciente dos meus direitos, concordo em participar desta pesquisa, bem como autorizo toda documentação necessária, a divulgação e a publicação em periódicos, revistas, bem como apresentação em congressos, workshops e quaisquer eventos de caráter científico. Local: Recife - PE Data: ____/____/20____ ______________________________ ______________________________ Assinatura do Responsável Assinatura do Pesquisador 75 ANEXO III - Modelo entrevista estruturada – Questionário ELOS-Pré ESTUDO LONGITUDINAL DE OBSERVAÇÃO DA SAÚDE E BEM-ESTAR DA CRIANÇA EM IDADE PRÉ-ESCOLAR Entrevistador IDENTIFICAÇÃO Leia para a mãe, o pai ou o responsável legal da criança os itens abaixo: O objetivo desta entrevista é obter dados sobre saúde e bem-estar do seu filho(a). As informações coletadas por meio desse levantamento são anônimas e serão utilizadas apenas para realização de um estudo que visa encontrar formas de atender melhor as necessidades de crianças nesta faixa de idade. Lembre-se: não há respostas “certas” ou “erradas”, mas se você estiver inseguro sobre como responder não deixe de perguntar e pedir ajuda ao entrevistador. Responda cada item com calma e procure responder a todas as questões. Responder a essa entrevista custará ao(a) senhor(a) cerca de 20 minutos do seu tempo. O(a) senhor(a) está disposto(a) a colaborar com a realização desse estudo? Entrevistador Sim Passe agora para a aplicação da entrevista. Não Agradeça a atenção do entrevistado. Antes de se despedir, pergunte se ele pode informar o motivo da recusa e caso estas informações sejam fornecidas por ele anote no espaço abaixo. NOMES DOS PAIS E ENDEREÇO COMPLETO DA RESIDÊNCIA DA CRIANÇA Nome da mãe Nome do pai Nome da criança Rua, Avenida, Travessa Número Bairro Casa/apto Cidade CEP Ponto de referência Telefone fixo Telefone celular 76 FALE UM POUCO SOBRE O(A) SENHOR(A), SUA FAMÍLIA E SUA MORADIA Entrevistador Leia para a mãe, o pai ou responsável legal da criança: As perguntas seguintes são sobre a família e sobre o local em que o(a) seu(sua) filho(a) mora (reside). 1. Qual o seu grau de parentesco com a criança? Pai natural Mãe natural Pai adotivo Mãe adotiva Pai social Mãe social 2. Qual a faixa de renda da família da criança? [considerar somente a família nuclear: pais e filhos] Menos de R$ 311 De R$ 2.488 a 6.220 De R$ 311 a 622 Mais de R$ 6.220 De R$ 622 a 1.244 Não sabe De R$ 1.244 a 2.488 Não quer informar 3. Quantos filhos têm a mãe da criança? (incluir a criança) filhos __ __ 4. Quantos filhos com idade entre 3 e 5 anos têm a mãe da criança? filhos __ __ 5. No domicilio onde a criança reside, quantas pessoas moram juntas? (incluir a criança) pessoas __ __ 6. No domicílio onde a criança reside, quantos cômodos são usados como dormitório? cômodos __ __ 7. O domicilio onde a criança reside tem quantos banheiros? banheiros __ __ 8. O domicílio onde a criança reside tem quantos banheiros com chuveiro? banheiros __ __ 9. O seu(sua) filho(a) tem videogame? Não Sim 10. Na casa em que a criança reside tem computador? Não Sim 11. Se tiver computador, têm acesso à internet? Não Sim 12. O seu(sua) filho(a) usa o computador? Não Sim 13. No domicilio (casa) em que a criança reside tem geladeira? Não Sim 14. No domicilio (casa) em que a criança reside tem água encanada? Não Sim 15. Você tem televisão colorida em casa? Quantas? __ __ Não Sim, 16. Você tem rádio em casa? Quantos? __ __ Não Sim, 77 17. Você tem banheiro com vaso sanitário em sua casa? Quantos? __ __ Não Sim, 18. Você tem carro (automóvel)? Quantos? __ __ Não Sim, 19. Você tem empregada doméstica mensalista? Quantas? __ __ Não Sim, 20. Você tem máquina de lavar roupa? (não contar tanquinho) Não Sim 21. Você tem videocassete ou DVD? Não Sim 22. Você tem geladeira? Não Sim 23. Você tem freezer separado ou geladeira duplex? Não Sim 2 VAMOS FALAR AGORA SOBRE O AMBIENTE PARA JOGOS E BRINCADEIRAS 24. O(a) senhor(a) considera que no lugar onde o(a) seu(sua) filho(a) mora (reside) o ambiente é seguro? Não Sim Não sabe informar 25. No local onde o(a) seu(sua) filho(a) mora, existe algum espaço onde ele possa brincar ao ar livre, jogar ou praticar esportes (praça, parquinho [playground], parque público, etc.)? Não pular p/ q. 27 Sim Não sabe informar 26. No local onde o(a) seu(sua) filho(a) mora, indique os espaços disponíveis onde ela possa brincar, jogar ou praticar esportes [pode marcar mais de uma resposta]: Praça Jardim ou quintal Piscina Quadra de esportes Parquinho (escorregador, gangorra, etc.) Pátio ou área gramada Outro: _____________________________ Outro: _____________________________ 27. O(a) senhor(a) considera importante que o(a) seu(sua) filho(a) participe de brincadeiras, jogos ou práticas esportivas? Não Sim Não sabe informar 28. Com que frequência o(a) senhor(a) participa de brincadeiras, jogos ou praticas esportivas com o(a) seu(sua) filho(a)? Nunca Às vezes Sempre VAMOS FALAR AGORA SOBRE O(A) SEU(SUA) FILHO(A) 29. Qual a idade do(a) seu(sua) filho(a)? anos 5 6 7 78 30. Qual a data de nascimento do(a) seu(sua) filho(a)? __ __ / __ __ / __ __ 31. Qual a data de nascimento da mãe da criança? __ __ / __ __ / __ __ 32. Qual o sexo do(a) seu(sua) filho(a)? M 33. Qual a ordem de nascimento do(a) seu(sua) filho(a) [ex.: 1º, 2º, 3º,...] __ __ º 34. Qual o peso do(a) seu(sua) filho(a) quando nasceu? __ . __ __ __ kg 35. Qual a idade do seu filho quando começou a andar (meses)? __ __ meses F 36. Qual foi o tipo de parto? Normal Cesáreo Não sei 37. O(a) seu(sua) filho(a) nasceu prematuro (com menos de 37 semanas de gestação)? Não Sim Não sei 38. A vacinação do(a) seu(sua) filho(a) está em dia? Não Sim Não sei 3 39. Por quanto tempo aproximadamente seu(sua) filho(a) foi amamentado no seio? Não foi amamentado q. 41 0-3 meses 4-6 meses 6-9 meses 9-12 meses Mais de 12 meses 40. Por quanto tempo seu(sua) filho(a) foi amamentado EXCLUSIVAMENTE no seio (sem oferecimento de outro tipo de alimento, como frutas e mamadeira)? Não foi amamentado 0-3 meses 4-6 meses 6-9 meses 9-12 meses Mais de 12 meses 41. Por quanto tempo seu(sua) filho(a) fez uso de chupeta? Não fez uso de chupeta 0-3 meses 4-6 meses 6-9 meses 9-12 meses Mais de 12 meses 42. Por quanto tempo seu(sua) filho(a) chupou o dedo (hábito de sucção digital)? Não chupou o dedo 0-3 meses 4-6 meses 6-9 meses 9-12 meses Mais de 12 meses 43. Em que idade seu (sua) filho (a) sofreu um traumatismo dentário? Nunca sofreu um trauma 30-42 meses (2,5-3,5 anos) 6-18 meses (6m-1,5 anos) 42-54 meses (3,5-4,5 anos) 18-30 meses (1,5-2,5 anos) Mais de 54 meses 79 VAMOS FALAR AGORA SOBRE A MÃE E SOBRE O PERÍODO DE GESTAÇÃO 44. A mãe da criança realizou exames pré-natais durante a gravidez? Sim Não Não sei 45. Qual o peso da mãe da criança na época do parto (peso alcançado no final da gravidez)? Não sei/Não lembro __ __ __ . __ kg 46. A mãe da criança recebeu orientação para a prática de atividade física durante a gravidez? Sim Não Não sei 47. A mãe da criança praticou atividades físicas (exercícios) durante a gravidez? Sim Não Não sei 48. A mãe da criança trabalhava durante o período da gravidez? Não Sim Não sei 49. A mãe da criança teve diabetes gestacional? Sim Não Não sei 50. A mãe da criança fumava durante a gravidez? Sim Não Não sei 51. A mãe da criança consumia bebidas alcoólicas durante a gravidez? Sim Não Não sei VAMOS FALAR SOBRE AS ATIVIDADES FÍSICAS QUE O(A) SEU(SUA) FILHO(A) REALIZA HABITUALMENTE 52. Como o(a) seu(sua) filho(a) habitualmente vem de casa para a escola e retorna para a casa? A pé De bicicleta (na garupa) De carro ou ônibus De bicicleta (pedalando) De moto Outro: _______________________ 53. Qual é a duração normal do trajeto para VIR de casa à escola? ___ ___ minutos 54. O(a) seu(sua) filho(a) participa de algum tipo de atividade física organizada, como esportes, danças ou artes marciais? Não Sim Não sabe informar 55. Se o(a) seu(sua) filho(a) participa de atividades físicas organizadas, responda: Tipo de atividade Exemplo Nº de vezes por semana 1x 2x 3x 4x 5x 6x 7x 1x 2x 3x 4x 5x 6x 7x 1x 2x 3x 4x 5x 6x 7x Duração de cada sessão 30` 45` 1h 1h30 30` 45` 1h 1h30 30` 45` 1h 1h30 80 Natação 1x 2x 3x 4x 5x 6x 7x 30` 45` 1h 1h30 56. Comparado a outras crianças da mesma idade, como você classificaria (julgaria) o nível de atividade física do(a) seu filho(a)? MUITO ATIVO, demonstra energia e vigor e está sempre envolvido em jogos e brincadeiras ATIVO, participa regularmente de jogos, brincadeiras e esportes POUCO ATIVO, participa eventualmente (às vezes) de jogos, brincadeiras e esportes INATIVO, não participa de jogos, brincadeiras, exercícios e esportes 57. Comparado a outras crianças da mesma idade, qual é o nível de interesse que o seu filho(a) demonstra por atividades físicas (esportes, jogos, brincadeiras mais ativas fisicamente, etc.)? Muito interesse É interessado Pouco Interesse Nenhum interesse Não sabe responder 58. No último mês... …num DIA NORMAL DE SEMANA, quanto tempo o(a) senhor(a) diria que o seu filho/a participou de jogos e brincadeiras fisicamente ativas ao ar livre nesse dia? …num DIA NORMAL DE FIM DE SEMANA, quanto tempo o(a) senhor(a) diria que o seu filho/a participou de jogos e brincadeiras fisicamente ativas ao ar livre nesse dia? |___|___| h |___|___| min |___|___| h |___|___| min 5 “CONSIDERAR SOMENTE JOGOS E BRINCADEIRAS FISICAMENTE ATIVOS” TEMPO BRINCANDO OU JOGANDO AO AR LIVRE 59. Num dia da semana (segunda a sexta-feira), quanto tempo seu filho(a) gasta brincando ou jogando ao ar livre, nos jardins, no quintal ou nas ruas em torno da casa onde mora (ou da casa de vizinhos ou parentes)? Da hora que acorda até o 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min meio-dia Do meio-dia até as seis da tarde 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min Das seis da tarde até a hora de dormir 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min 60. Num dia de final de semana (sábado e domingo), quanto tempo seu filho(a) gasta brincando ou jogando ao ar livre, nos jardins ou nas ruas em torno da casa onde mora (ou da casa de vizinhos ou parentes)? Da hora que acorda até o 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min meio-dia 81 Do meio-dia até as seis da tarde 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min Das seis da tarde até a hora de dormir 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min TEMPO DE TV, VIDEOGAME COMPUTADOR 61. Num dia da semana (segunda a sexta-feira), quanto tempo seu filho(a) gasta assistindo TV, jogando videogame ou usando o computador? Da hora que acorda até o 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min meio-dia Do meio-dia até as seis da tarde 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min Das seis da tarde até a hora de dormir 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min 62. Num dia de final de semana (sábado e domingo), quanto tempo seu filho(a) gasta assistindo TV, jogando videogame ou usando o computador? Da hora que acorda até o 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min meio-dia Do meio-dia até as seis da tarde 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min Das seis da tarde até a hora de dormir 0 min 1-15 min 16-30 min 31-60 min >60 min FALE SOBRE A ALIMENTAÇÃO DO(A) SEU(SUA) FILHO(A) Entrevistador Explicar para o entrevistado o que é uma alimentação saudável, conforme padronizado no treinamento específico. Uma alimentação saudável é aquela que é preparada com segurança, adotando-se as regras de higiene na preparação dos alimentos; Deve ser variada (colorida), incluindo diariamente frutas, hortaliças (verduras), leite e seus derivados; Deve ser distribuída em, pelo menos, três refeições principais e lanches, sendo que as refeições não devem ser substituídas por lanches rápidos. 63. Comparado a outras crianças da mesma idade, como você classificaria a qualidade da alimentação do(a) seu(sua) filho(a)? Muito ruim Ruim Regular Boa Excelente 82 64. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) substitui pelo menos uma das refeições principais por um lanche rápido (sanduíche, pizza ou doces)? 0 dias 1 dia 2 dias 3 dias 4 dias 5 dias 6 dias 7 dias 65. Durante uma semana normal, em quantos dias você faz as refeições com o(a) seu(sua) filho(a)? 0 dias 1 dia 2 dias 3 dias 4 dias 5 dias 6 dias 66. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) come frutas? 0 dias 1 dia 2 dias 3 dias 4 dias 5 dias 6 dias 7 dias 7 dias 67. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) come verduras e hortaliças? 0 dias 1 dia 2 dias 3 dias 4 dias 5 dias 6 dias 7 dias 68. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) toma leite ou derivados de leite? 0 dias 1 dia 2 dias 3 dias 4 dias 5 dias 6 dias 7 dias 69. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) come feijão? 0 dias 1 dia 2 dias 3 dias 4 dias 5 dias 6 dias 7 dias 70. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) come arroz? 0 dias 1 dia 2 dias 3 dias 4 dias 5 dias 6 dias 7 dias 71. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) come algum alimento ou bebida com açúcar? 0 dias 1 dia 2 dias 3 dias 4 dias 5 dias 6 dias 7 dias 72. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) toma sucos naturais de frutas ou polpa de frutas? 0 dias 1 dia 2 dias 3 dias 4 dias 5 dias 6 dias 7 dias 73. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) toma refrigerantes ou sucos artificiais? 0 dias 1 dia 2 dias 3 dias 4 dias 5 dias 6 dias 7 dias SOBRE HÁBITOS DE HIGIENE E SAÚDE BUCAL 74. Nos últimos 12 meses o senhor(a) levou o(a) seu(sua) filho(a) para um exame no dentista? Não Sim Não sabe informar 75. O senhor(a) orienta (acompanha) o(a) seu(sua) filho(a) durante a escovação dos dentes? Sim, sempre Sim, mas somente às vezes Não, nunca 83 76. Com que freqüência o(a) seu(sua) filho(a) realiza a escovação dos dentes? Diariamente, várias vezes por dia e sempre que se alimenta Diariamente, somente após as refeições (depois que se alimenta) Diariamente, mas somente quando acorda e antes de dormir Diariamente, quando toma banho ou quando vai para escola Somente às vezes, não escova diariamente Raramente escova os dentes 77. O(a) seu(sua) filho(a) compartilha a escova de dentes com os irmãos ou outras crianças? Sim, sempre Sim, mas somente às vezes Não, nunca 78. Com que freqüência o(a) seu(sua) filho(a) lava as mãos após usar o sanitário? Sempre Somente às vezes Nunca 79. Com que freqüência o seu filho(a) lava as mãos antes das refeições ou lanches? Sempre Somente às vezes Nunca 80. Seu (sua) filho (a) tem medo de ir ao dentista? Não Sim, tem medo Sim, um pouco Sim, muito medo 81. O(a) senhor(a) tem medo de ir ao dentista? Não Sim, tem medo Sim, um pouco Sim, muito medo BEM-ESTAR E INDICADORES DE SAÚDE DA CRIANÇA 82. Durante as últimas quatro semanas (último mês), o(a) seu(sua) filho(a) ficou limitado(a) POR PROBLEMAS DE SAÚDE para realizar alguma das seguintes atividades: SIM, SIM, SIM, NÃO, muito limitad pouco nenhum limitad o limitad a o o limitaçã o a. Fazer coisas que exigem algum nível de energia, tais como pedalar uma bicicleta, correr ou jogar bola. b. Flexionar o tronco ou joelho, erguer os braços ou curvar-se. 83. Durante as últimas quatro semanas, POR PROBLEMAS FÍSICOS DE SAÚDE, o(a) seu(sua) 8 filho(a) ficou limitado para realizar atividades com amigos ou as tarefas escolares? SIM, muito limitado SIM, limitado SIM, pouco limitado NÃO, nenhuma limitação 84 84. Durante as últimas quatro semanas, POR PROBLEMAS EMOCIONAIS OU COMPORTAMENTAIS, o(a) seu(sua) filho(a) ficou limitado para realizar atividades com amigos ou as tarefas escolares? SIM, muito limitado SIM, limitado SIM, pouco limitado NÃO, nenhuma limitação 85. Durante as últimas quatro semanas, QUANTA DOR OU DESCONFORTO o seu filho(a) vem sentindo? Nenhuma Muito pouca Pouca Moderada Intensa Muito intensa 86. Durante as últimas quatro semanas, quanto SATISFEITO você pensa que o seu filho(a) ficou em relação à própria capacidade de ser amigo de outras crianças? Muito satisfeito Satisfeito Nem satisfeito e Insatisfeito Muito nem insatisfeito insatisfeito 87. Durante as últimas quatro semanas, quanto SATISFEITO você pensa que o(a) seu(sua) filho(a) ficou em relação à ele próprio levando em conta a vida dele como um todo? Muito satisfeito Satisfeito Nem satisfeito e Insatisfeito Muito nem insatisfeito insatisfeito 88. Quanto VERDADEIRO ou FALSO é a seguinte afirmação em relação ao seu filho(a)? “MEU FILHO(A) PARECE SER MENOS SAUDÁVEL QUE OUTRAS CRIANÇAS QUE EU CONHEÇO”. Certamente Verdadeiro Não sei Falso Definitivamente verdadeiro falso 89. Durante as últimas quatro semanas, durante quanto tempo você pensa que o(a) seu(sua) filho(a) demonstrou estar chateado ou triste? Todo o tempo Maior parte do Alguma parte Durante pouco Em nenhum tempo do tempo tempo momento 90. Durante as últimas quatro semanas, com que freqüência o(a) seu(sua) filho(a) apresentou dificuldade de coordenação motora para realizar tarefas? Muito Freqüentemente Algumas vezes Quase nunca Nunca freqüentemente 91. O(a) seu(sua) filho(a) tem alguma doença diagnóstica por um médico? Não Sim 92. O(a) seu(sua) filho(a) toma algum remédio? Não Sim 93. O(a) seu(sua) filho(a) já foi hospitalizado? Não Sim Não Sim 94. Se SIM, qual foi a razão da hospitalização? _________________________________________________ 95. O(a) seu(sua) filho(a) já fez alguma cirurgia (operação)? 85 96. Se SIM, qual foi o motivo para a cirurgia (operação)?_________________________________________ 9 INFORMAÇÕES PESSOAIS E COMPORTAMENTAIS DOS PAIS 97. Qual a idade do(a) senhor(a) em anos? 98. Qual o peso atual do(a) senhor(a)? 99. Qual a altura do(a) senhor(a)? 100. Até que série o(a) senhor(a) estudou? __ __ anos __ __ __ . __ kg __ __ __ centímetros Até 3ª série do ensino fundament al Ensino fundament al incompleto Ensino fundament al completo Ensino médio incomplet o Ensino médio completo Ensino superior incomplet o Ensino superior completo Não Não Não Não 101. O(a) senhor(a) fuma? 102. O(a) senhor(a) fuma quando está com o seu filho(a)? 103. O(a) senhor(a) fuma quando está dentro de casa? 104. O(a) senhor(a) ingere bebidas alcoólicas? Sim Sim Sim Sim 105. Caso SIM, nos últimos 30 dias, o(a) senhor(a) tomou mais de 5 doses numa mesma ocasião? Não Sim __ __ doses 106. Caso SIM, quantas doses ingere numa semana normal? 107. Como o(a) senhor(a) classifica o seu estado de saúde atual? Excelente Bom Regular Ruim 108. Em relação ao seu estado civil, o(a) senhor(a) é: Solteiro(a) Casado(a) ou vivendo com parceiro(a) Viúvo(a), desquitado(a) ou divorciado(a) Entrevistador Se o(a) companheiro(a)/esposo(a) do respondente for o pai ou mãe natural da criança, responder também às questões 109 a 119. __ __ anos __ __ __ . __ kg __ __ __ 109. Qual a idade (em anos) do seu(sua) companheiro(a)? 110. Qual o peso atual do seu(sua) companheiro(a)? 111. Qual a altura atual do seu(sua) companheiro(a)? centímetros 112. Até que série o(a) seu(sua) companheiro(a) estudou? Até 3ª série do ensino fundament al Ensino fundament al incompleto Ensino fundament al completo Ensino médio incomplet o Ensino médio completo Ensino superior incomplet o Ensino superior completo 86 Não Não Não Não 113. O(a) seu(sua) companheiro(a) fuma? 114. O(a) seu(sua) companheiro(a) fuma quando está com o(a) filho(a)? 115. O(a) seu(sua) companheiro(a) fuma quando está dentro de casa? 116. O(a) seu(sua) companheiro(a) ingere bebidas alcoólicas? Sim Sim Sim Sim 117. Como o(a) senhor(a) classifica o seu estado de saúde atual do(a) seu companheiro(a)? Excelente Bom Regular Ruim 118. Algum médico já disse que o(a) senhor(a) é hipertenso(a)? Sim Não sei Não 119. Algum médico já disse que seu(sua) companheira(a) é hipertenso(a)? Sim Não Não sei IMAGEM CORPORAL Entrevistador Ao efetuar as perguntas 120 e 123 use o cartão com o desenho das silhuetas para que o entrevistado possa indicar as respostas. 120. Em sua opinião, qual destas figuras se parece mais com a silhueta do(a) seu(sua) filho(a)? ____ 121. Em sua opinião, qual deveria ser a silhueta (imagem do corpo) do(a) seu(sua) filho(a)? _____ 122. Em sua opinião, qual destas figuras se parece mais com o seu corpo? _____ 123. Em sua opinião, qual deveria ser a sua a silhueta (imagem do corpo) _____ NÍVEL ATIVIDADE FÍSICA DOS PAIS Entrevistador! Antes de iniciar as perguntas explique que as mesmas são destinadas à avaliação do nível de atividade física do respondente. Em seguida, explique que as respostas devem considerar o tempo que foi gasto em atividades físicas NOS ÚLTIMOS 7 DIAS. Lembrar que as perguntas incluem as atividades que você faz no trabalho, para ir de um lugar a outro, por lazer, por esporte, por exercício ou como parte das suas atividades em casa ou no jardim. Explique também o que significa vigoroso e moderado, conforme padronizado abaixo. • Atividades físicas VIGOROSAS são aquelas que precisam de um grande esforço físico e que fazem respirar MUITO mais forte que o normal Atividades físicas MODERADAS são aquelas que precisam de algum esforço físico e que fazem respirar UM POUCO mais forte que o normal [Para responder as perguntas pense somente nas atividades que você realiza por, pelo menos, 10 minutos contínuos de cada vez]. 1A. Em quantos dias, dos últimos 7 dias, você CAMINHOU por, pelo menos, 10 minutos contínuos em casa ou no trabalho, como forma de transporte para ir de um lugar para outro, por lazer, por prazer ou como forma de exercício? Nenhum _____ dias por SEMANA • 87 1B. Nos dias em que você caminhou por pelo menos 10 minutos contínuos quanto tempo no total você gastou caminhando por dia? _____ horas _____ minutos 2A. Em quantos dias, dos últimos 7 dias, você realizou atividades MODERADAS por pelo menos 10 minutos contínuos, como por exemplo pedalar leve na bicicleta, nadar, dançar, fazer ginástica aeróbica leve, jogar vôlei recreativo, carregar pesos leves, fazer serviços domésticos na casa, no quintal ou no jardim como varrer, aspirar, cuidar do jardim, ou qualquer atividade que fez aumentar moderadamente sua respiração ou batimentos do coração (POR FAVOR NÃO INCLUA CAMINHADA) _____ dias por SEMANA Nenhum 2B. Nos dias em que você fez essas atividades moderadas por pelo menos 10 minutos contínuos, quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia? _____ horas _____ minutos 3A. Em quantos dias, dos últimos 7 dias, você realizou atividades VIGOROSAS por pelo menos 10 minutos contínuos, como por exemplo correr, fazer ginástica aeróbica, jogar futebol, pedalar rápido na bicicleta, jogar basquete, fazer serviços domésticos pesados em casa, no quintal ou cavoucar no jardim, carregar pesos elevados ou qualquer atividade que fez aumentar MUITO sua respiração ou batimentos do coração. _____ dias por SEMANA Nenhum 3B. Nos dias em que você fez essas atividades vigorosas por pelo menos 10 minutos contínuos 11 quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia? _____ horas _____ minutos Estas últimas questões são sobre o tempo que você permaneceu sentado no trabalho, na escola ou faculdade, em casa e também durante seu tempo livre. Isto inclui o tempo sentado estudando, sentado enquanto descansa, fazendo lição de casa, visitando um amigo, lendo, assistindo televisão (sentado ou deitado). 4A. Durante os últimos 7 dias, quanto tempo no total você gastou sentado durante um dia de semana? ______horas ____minutos 4B. Durante os últimos 7 dias, quanto tempo no total você gastou sentado durante em um dia de final de semana? ______horas ____minutos MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS Data de avaliação:___/___/____ Medida Massa (peso) Estatura Estatura tronco-cefálica Dobra cutânea do tríceps Dobra cutânea subescapular Circunferência da cintura Diâmetro do úmero Diâmetro do punho 1ª. medida 2ª. medida TESTE DE COORDENAÇÃO MOTORA 3ª. medida 88 Tarefa 1 - Equilíbrio em deslocamento para trás Trave 6,0 cm 4,5 cm 3,0 cm Tarefa 2 - Saltos monopedais Blocos 0 1 2 Direita Esquerda 3 4 1 5 2 6 7 8 3 9 10 11 Pontuação para cada pé: a a a 1 tentativa: 3 pontos; 2 tentativa: 2 pontos; 3 tentativa: 1 ponto. Insucesso nas três tentativas: 0 Tarefa 3 - Saltos laterais Saltar 15 segundos 1 2 1 2 Tarefa 4 - Transposição lateral Transferir 20 segundos PRESSÃO ARTERIAL 1 PAS PAD 2 3 12 89 ANEXO IV – Lista de checagem do Test of Gross Motor Development-2 Subteste de locomoção HABILIDADE 1.Correr 2.Galopar 3.Saltar em um pé MATERIAIS/ MARCAÇÃO INSTRUÇÕES/ DO ESPAÇO DEMOSTRAÇÃO/REPETIÇÕES “Partindo dessa marca, corra o mais rápido Espaço de 15,24m possível para passar o cone”. Dois cones “No sinal de ‘já’, ok?” Posicionar dois cones com “Volte andando”. 15,24m de distância entre “Repita a corrida” eles. (Certifique-se que haja pelo Não há ensaio para essa habilidade; menos 2,44 a 3,04 m de Serão filmadas duas tentativas espaço depois do segundo consecutivas cone para uma frenagem segura. Total : 18,28 m) “Partindo dessa marca, você vai galopar 7,62 m de espaço livre; até aquele cone”. Fita adesiva ou dois cones. “Volte fazendo a mesma coisa”. Marcar uma distância de “No sinal de ‘já’, ok?” 7,62 m com os cones ou fita. O avaliador faz uma demonstração completa da habilidade O avaliador pede para a criança fazer um ensaio da tarefa O avaliador pede para a criança fazer a tarefa duas vezes consecutiva Mínimo de 4,57 m de espaço “Voce vai saltar três vezes com o este pé (pé de preferência delas estabelecido antes livre do teste) e então três vezes com o outro Durante a demonstração pé”. enfatizar a contagem dos “ No sinal de ‘já’, ok?” saltitos e a parada para troca de pé. O avaliador faz uma demonstração O avaliador pede para a criança fazer um CRITÉRIO DE DESEMPENHO 1.Braços se movendo com cotovelos flexionados e em oposição às pernas. 2.Curto período em que os dois pés estão fora do solo. 3.Início da aterrissagem com calcanhar ou dedos do pé. 4.Perna de balanço flexionada próximo a 90° (próxima das nádegas). 1.Braços fletidos e levantados ao nível da cintura no início da fase de vôo. 2.Um passo à frente com a perna condutora, seguido por um passo com a perna de trás para uma posição próxima ou atrás da perna condutora. 3.Curto período onde ambos os pés estão fora do chão. 4.Manutenção de um padrão ritmico padrão por quatro galopes consecutivos. 1.Perna contrária a de apoio, balançando à frente de forma pendular para produzir força. 2.Pé da perna de balanço atrás do corpo. 3.Braços flexionados e balançando para frente para produzir força. 4.Saltar três vezes consecutivas com o pé preferido. TEN TEN TOTA T1 T2 L 90 4.Saltar sobre Mínimo de 6,09m de espaço obstáculo livre, um saco de feijão e fita adesiva. Colocar um saco de feijão no chão. Colocar um pedaço de fita adesiva no chão, paralela e a 3,04m do saco de feijão. 5.Salto horizontal 6.Deslocamento lateral Mínimo de 3,04m de espaço livre e fita adesiva Marcar uma linha de partida no chão. A criança deve ficar atrás da linha. ensaio da tarefa O avaliador pede para a criança fazer a tarefa duas vezes consecutivas “ Partindo dessa marca, você vai correr e saltar aquele saquinho” “ No sinal de ‘já’, ok?” O avaliador faz uma demonstração completa da habilidade O avaliador pede para a criança fazer um ensaio da tarefa O avaliador pede para a criança fazer a tarefa duas vezes consecutivas “Partindo dessa marca salte o mais longe possível” “ No sinal de ‘já’, ok?” O avaliador faz uma demonstração completa da habilidade O avaliador pede para a criança fazer um ensaio da tarefa O avaliador pede para a criança fazer a tarefa duas vezes consecutivas. 5. Saltar três vezes com o pé não-preferido. 1.Saltar com um pé e aterrissar com o pé oposto. 2.Período em que os dois pés estão fora do solo, maior que o da corrida. 3.Braço da frente, oposto ao pé. 1.O movimento preparatório inclui flexão dos joelhos com braços extendidos atrás do corpo. 2.Braços extendidos vigorosamente para frente e para cima, alcançando sua máxima extensão acima da cabeça. 3.Decolar e aterrissar com os dois pés simultaneamente. 4.Os braços se abaixam vigorosamente durante o pouso. “Vire-se para lá” (lado da câmera) Mínimo de 7,62m de espaço 1.O corpo voltado lateralmente e os ombros “Partindo dessa marca você vai deslizar até livre em linha reta, e dois alinhados com a linha do solo. aquele cone e voltar deslizando sem parar” 2.Um passo lateral com o pé líder seguido por cones “No sinal de ‘já’, ok?” Colocar os cones a 7,62m um deslizamento do pé contrário para um distância entre eles em cima O avaliador faz uma demonstração ponto próximo ao pé líder. de uma linha no chão. completa da habilidade O avaliador pede para a criança fazer um 3.Mínimo de 4 ciclos de passadas contínuas para a direita. ensaio da tarefa O avaliador pede para a criança fazer a 4. Mínimo de 4 ciclos de passadas contínuas para a esquerda. tarefa duas vezes consecutivas 91 Subteste de controle de objetos HABILIDADE MATERIAIS/ MARCAÇÃO DO ESPAÇO 1. Rebater Bola de 10,16 cm; Um bastão plástico; Apoio para a bola. Colocar a bola no cone, na altura da cintura da criança. INSTRUÇÕES/ DEMOSTRAÇÃO/ REPETIÇÕES “Voce vai rebater a bola o mais forte possível”. “No sinal de ‘já’, ok?” O avaliador faz uma demonstração completa da habilidade O avaliador pede para a criança fazer um ensaio da tarefa O avaliador pede para a criança fazer a tarefa duas vezes consecutivas CRITÉRIO DE DESEMPENHO 2. Driblar Bola entre 20,32 a 25,4 cm para (Quicar) crianças entre 3 e 5 anos de idade ou uma bola de basquete para crianças entre 6 e 10 anos de idade; Uma superfície dura e plana No ensaio a criança vai mostrar o lado dominante. Deixe o lado dominante virado para a câmera. 3. Receber Uma bola plástica de 10,16cm (idem a do rebater); 4,57m de espaço livre; Fita adesiva. 1. Marcar duas linhas com uma distância de 4,57cm entre elas. 2. A criança fica em pé na primeira linha e o oponente na outra linha. 3. Lançar a bola por baixo diretamente para a criança, na direção do seu peito, com um ligeiro arco “Voce vai quicar a bola quatro vezes sem sair do lugar” “No sinal de ‘já’, ok?” O avaliador faz uma demonstração completa da habilidade O avaliador pede para a criança fazer um ensaio da tarefa O avaliador pede para a criança fazer a tarefa duas vezes consecutivas 1. Contato da bola com a mão ao nível da cintura. 2. Empurrar a bola com a ponta dos dedos (não bater). 3. A bola toca o solo na frente ou do lado de fora do pé, do lado preferido. 4. Manter o controle da bola por quatro quiques consecutivos, sem movimentar os pés para recuperá-la. “Eu vou lançar a bola e você vai ter que segurá-la com as duas mãos” “No sinal de ‘já’, ok?” O avaliador faz uma demonstração completa da habilidade (um auxiliar deve arremessar a bola sem ultrapassar a altura de seu ombro) diretamente para a criança em direção ao peito dela O avaliador arremessa a bola para a criança fazer um ensaio da tarefa O avaliador arremessa a bola para a criança mais duas vezes consecutivas 1. Fase de preparação quando as mãos estão à frente do corpo e os cotovelos estão flexionados. 2. Braços estendidos para alcançar a bola. 3. A bola é agarrada pelas duas mãos. 1. Segurar o taco com a mão dominante acima da não-dominante. 2. O lado não-preferido do corpo fica voltado para o jogador imaginário, com os pés paralelos. 3. Rotação de quadril e ombros durante o giro. 4. Transferir o peso do corpo para o pé da frente. 5. Acertar a bola. 1 2 TOTAL 92 4. Chutar Uma bola de plástico entre 20,32 e 25,4cm, ou uma bola de futebol; Um saco de feijão; 9,14m de espaço livre; Fita adesiva. 1. Marcar uma linha de 9,14m à partir de uma parede e outra linha a 6,09m da parede. 2. Colocar a bola em cima de um saco de feijão na linha mais próxima da parede. No ensaio a criança vai mostrar o pé dominante; filmar do lado do pé dominante. 5. Arremesso 1. Uma bola de tênis; sobre o 2. Uma parede; ombro 3. fita adesiva; 4. 6,09m de espaço livre. No ensaio a criança vai mostrar o lado dominante. Deixe o lado dominante virado para a câmera. 6. Rolar a bola 1. Uma bola de tênis para crianças de 3 a 6 anos de idade ou softball para crianças de 7 a 10 anos; 2. dois cones; 3. Fita adesiva; 4. 7,62m de espaço livre. No ensaio a criança vai mostrar o lado dominante. Deixe o lado dominante virado para a câmera. “Você vai partir deste cone, vai correr e chutar forte a bola para essa parede” “No sinal de ‘já’, ok?” O avaliador faz uma demonstração completa da habilidade O avaliador pede para a criança fazer um ensaio da tarefa O avaliador pede para a criança fazer a tarefa mais duas vezes consecutivas 1. Aproximação contínua e rápida até a bola. “Você vai arremessar essa bolinha bem forte para aquela parede” “No sinal de ‘já’, ok?” O avaliador faz uma demonstração completa da habilidade O avaliador pede para a criança fazer um ensaio da tarefa O avaliador pede para a criança fazer a tarefa duas vezes consecutivas “Você vai rolar essa bola para o gol, bem forte parado dessa marca” “ No sinal de ‘já’, ok?” O avaliador faz uma demonstração completa da habilidade O avaliador pede para a criança fazer um ensaio da tarefa O avaliador pede para a criança fazer a tarefa duas vezes consecutivas 1. O movimento se inicia com o movimento da mão/braço para baixo. 2. Rotação do quadril e ombros para um ponto no qual a lateral de não arremesso, se volta para a parede. 3. O peso é transferido para o pé oposto á mão de arremesso. 4. Depois de soltar a bola, o corpo continua em uma diagonal para o lado não preferido. 1. Balançar a mão preferida para baixo e para trás do tronco, com o mesmo voltado para de frente para os cones. 2. Um passo a frente com o pé oposto à mão preferida, em direção aos cones. 3. Flexionar os joelhos para abaixar o corpo. 4. Soltar a bola próxima ao solo, de forma que a bola não quique mais de 10,16cm de altura. 2. Um passo mais alongado ou um salto imediatamente anterior ao contato com a bola. 3. Pé de apoio na mesma linha ou ligeiramente anterior à bola. 4. Chutar a bola com o dorso do pé preferido (dominante). 93 ANEXO V – Pontos de corte para determinar excesso de peso em crianças de acordo com o International Obesity Task Force (IOTF), adaptado de Cole et al. (2000). 94 ANEXO VI – Detalhamento da análise de regressão bruta e ajustada. 1º passo: distribuição de cada variável Neste passo verifiquei as frequências de cada variável para verificar se em algumas caselas tínhamos baixa frequência e se precisaríamos agrupar alguma variável. O agrupamento foi realizado para as variáveis de status de peso corporal e renda familiar. Dependente (desfecho): Prática de esportes em 2012 Tempo total por semana da prática de esportes 95 Independentes (preditoras): Escore padrão do subteste locomotor da competência motora Escore padrão do subteste locomotor da competência motora Status de peso corporal 96 Prática de esportes em 2010 Tempo total por semana da prática de esportes Possíveis fatores de confusão: Sexo Renda 97 2º passo: avaliação de colinearidade Nesse passo verifiquei a colinearidade entre as variáveis, ou seja, o grau de associação entre duas variáveis. A presença de colinearidade significa que duas variáveis medem o mesmo fenômeno e competem entre si para a associação com a variável dependente. Neste caso, quero saber se posso utilizar a variável tempo total de esportes, ambas de 2010, como variáveis independentes. O critério adotado para a presença de colinearidade foi que a média do VIF (valor de inflação da variância) fosse menor que 3.0. colinearidade entre prática de esportes em 2012 e o tempo total por semana da prática de esportes colinearidade entre prática de esportes em 2010 e o tempo total por semana da prática de esportes 98 colinearidade entre o status de peso corporal em três categorias e o status de peso em duas categorias colinearidade entre a renda em seis categorias e o status de peso em três categorias 3º passo: análise bruta Nesse passo verifiquei o nível de significância na associação bruta. Associação bruta entre pratica de esportes em 2012 e desempenho motor em locomoção 99 Associação bruta entre pratica de esportes em 2012 e desempenho motor em controle de objetos 100 Associação bruta entre pratica de esportes em 2012 e prática de esportes em 2010 Associação bruta entre pratica de esportes em 2012 e status de peso corporal em 3 categorias Associação bruta entre pratica de esportes em 2012 e status de peso corporal em 2 categorias 101 4º passo: análise ajustada (método backward) Nesse passo fizemos a modelagem da regressão. Existem diversos tipos para montar um modelo de regressão (entrada forçada, passo a passo, hierárquica, entre outros). O método passo a passo é o mais utilizado e foi o escolhido. Este método de modelagem divide-se em foward e backward. A diferença entre eles é a entrada de variável a variável ou a entrada de todas para posterior retirada de acordo com os parâmetros. Para que a variável seja considerada para o modelo ajustado ela deve ter valor de p menor que 0,20. Estou levando as variáveis que têm p menor que 0,30. São raros os casos em que um p maior que 0,20 melhoram a modelagem, mesmo assim vou testar. Por esse motivo eliminei a categoria de controle de objetos da análise ajustada. Alguns outros estudos fazem o mesmo, porém com a categoria de locomoção (BARNETT et al., 2008 e 2011). Agora, para a permanência no modelo ajustado devemos observar se o valor de significância de cada variável (p menor que 0,05) além de outros parâmetros, como: o valor do log da verossimilhança e o valor do pseudo r². Aqui selecionamos alguns desse modelos e descartamos outros ruins desde o princípio, ou seja, com ou sem a variável nenhum parâmetro melhorou. Os modelos bons ou razoáveis foram para o próximo passo na comparação de modelos concorrentes. Modelo com todas as variáveis. 102 Retirei a variável sexo Retirei a variável renda familiar 103 Testei o modelo com a variável sexo e sem a variável renda familiar Retirei novamente a variável sexo Este foi o melhor modelo ajustado 5º passo: avaliação de modelos concorrentes. Modelo salvo com a variável renda familiar 104 Modelo atual com a variável sexo De acordo com os parâmetros observados, a escolha entre as duas variáveis é arbitrária, uma vez que a diferença no valor do BIC foi menor que 3,0. Pelo AIC e a deviance (D) o modelo salvo teve menor valor. Permaneci em dúvida e vou levar para a avalia de ajuste final do modelo. 105 Modelo salvo sem a variável renda familiar Modelo com a variável renda familiar 106 O valor de BIC indicou que o melhor modelo foi o salvo. Ou seja, o modelo sem a variável renda foi melhor do que o modelo com a variável renda familiar (diferença do BIC maior que 3,0). Pelo AIC o modelo salvo teve menor valor. Por mais que o modelo salvo apresente menor deviance, os outros parâmetros indicam o modelo salvo como melhor. 6º passo: avaliação do ajuste do modelo Agora verifico a qualidade de ajuste do modelo. É recomendado que a modelagem alcance um valor superior a 0,6. Quanto mais próximo de 1,0 melhor é o ajuste do modelo. Testei a princípio a qualidade de ajuste do modelo com status de peso, porém sem renda e sexo. Vale lembrar que esse foi o melhor modelo na comparação com outros concorrentes (de acordo com a estatística BIC, AIC e deviance). Quando o valor de qualidade de ajuste é inferior a 0,6 temos que testar outros modelos que foram inicialmente rejeitados na comparação de modelos concorrentes. 107 De acordo com o teste de Hosmer e Lemeshow para a qualidade de ajuste do modelo podemos observar um valor de 0,4386. Isso indica que o modelo é ruim. Vou testar agora a inclusão da variável renda familiar para ver como fica a qualidade do ajuste. De acordo com o teste de Hosmer e Lemeshow para a qualidade de ajuste do modelo podemos observar um valor de 0,5566. Isso indica que o modelo ainda é ruim. Vou retirar a variável renda e testar somente a inclusão da variável sexo para ver como fica a qualidade do ajuste. 108 De acordo com o teste de Hosmer e Lemeshow para a qualidade de ajuste do modelo podemos observar um valor de 0,7451. Isso indica que o modelo é bom. Entre todos os modelos testados, esse foi o melhor modelo que poderíamos encontrar. 7º passo: avaliação da mediação Nesse passo de análise devemos testar se existe mediação de alguma variável dentro do modelo de regressão final. Testamos agora o efeito direto de uma variável independente com a dependente, na presença de algumas covariáveis. Já o efeito indireto é o quanto da relação entre independente e dependente passa obrigatoriamente pela mediadora. Assim temos uma decomposição da relação causal, parte direta e parte indireta. O que queremos testar agora é se a variável status de peso media a relação entre CM e prática de esportes. No nosso modelo final temos: variável dependente (prática de esportes atual), variável 109 independente (EP_LOC_tercil), possível mediador (CAT_IMC_10_DIC) e covariáveis (prática de esportes prévia e sexo). Mediação do status de peso corporal para a associação entre desempenho motor em locomoção e prática de esportes após dois anos. sgmediation (AFS_2012), mv(CAT_IMC_10_DIC) iv(EP_LOC_tercil) cv(AFS_2010 SEXO) Mediação do status de peso corporal para a associação entre prática prévia de esportes e prática de esportes após dois anos. sgmediation (AFS_2012), mv(CAT_IMC_10_DIC) iv(AFS_2010) cv(EP_LOC_tercil SEXO) 8º passo: análise de interação 110 Após definir o modelo final criei no spss uma variável de interação (produto entre duas variáveis: uma independente e uma possível moderadora). A interação ou moderação é quando a associação entre duas variáveis varia de acordo com os níveis de uma terceira variável. Neste caso quero saber se a associação entre CM e prática de esportes após dois anos varia de acordo com a categoria de o status de peso e com o sexo. Interação entre desempenho motor em locomoção e status de peso corporal Interação entre desempenho motor em locomoção e sexo Interação entre status de peso corporal e sexo 111 9º passo: decisão pelo modelo final Após o processo de modelagem e avaliação da qualidade de ajuste decidimos por esse modelo final.