RAFAEL DOS SANTOS HENRIQUE
PRÁTICA DE ESPORTES, DESEMPENHO EM HABILIDADES MOTORAS
FUNDAMENTAIS E STATUS DE PESO CORPORAL DURANTE A INFÂNCIA:
UM ESTUDO LONGITUDINAL
RECIFE/PE
2014
ii
RAFAEL DOS SANTOS HENRIQUE
PRÁTICA DE ESPORTES, DESEMPENHO EM HABILIDADES MOTORAS
FUNDAMENTAIS E STATUS DE PESO CORPORAL DURANTE A INFÂNCIA:
UM ESTUDO LONGITUDINAL
Dissertação
de
Mestrado
apresentada
ao
Programa Associado de Pós-Graduação em
Educação Física UPE/UFPB como requisito
parcial à obtenção do título de Mestre.
Área de concentração: Saúde, Desempenho e Movimento Humano.
Orientadora: Profa. Dra. Maria Teresa Cattuzzo
Co-orientador: Prof. Dr. Alessandro Hervaldo Nicolai Ré
RECIFE/PE
2014
iii
UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
PROGRAMA ASSOCIADO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA
UPE/UFPB
A Dissertação PRÁTICA DE ESPORTES, DESEMPENHO EM HABILIDADES MOTORAS
FUNDAMENTAIS E STATUS DE PESO CORPORAL DURANTE A
INFÂNCIA: UM ESTUDO LONGITUDINAL
Elaborada por RAFAEL DOS SANTOS HENRIQUE
Foi julgada pelos membros da Comissão Examinadora e aprovado para obtenção
do grau de MESTRE EM EDUCAÇÃO FÍSICA na área de concentração: Saúde,
desempenho e movimento humano.
Recife,
de
de 2014
___________________________________________
Prof. Dr. Mauro Virgílio Gomes de Barros – UPE
Coordenador do Programa Associado de Pós-graduação
em Educação Física UPE/UFPB
BANCA EXAMINADORA:
___________________________________
Prof Dr. Marcelo Renato Guerino
Universidade Federal de Pernambuco
___________________________________
Prof Dr. Mauro Virgílio Gomes de Barros
Universidade de Pernambuco
___________________________________
Prof Dr. Rodrigo Cappato de Araújo
Universidade de Pernambuco
iv
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus pela força concedida para realizar essa dissertação.
À minha orientadora Professora Doutora Maria Teresa Cattuzzo, por seu
generoso acolhimento ao longo de toda a formação acadêmica, pela dedicação e
por transmitir segurança e calma nos momentos difíceis.
Ao Professor Doutor Alessandro Hervaldo Nicolai Ré, da Escola de Artes,
Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, por todo empenho e
pelas suas valiosas contribuições na construção dessa dissertação.
À todo o Grupo de Pesquisa em Comportamento Motor Humano e Saúde,
pelo companheirismo e pela forma dedicada e competente com que trabalham
para o crescimento do Comportamento Motor em Pernambuco. Em especial,
gostaria de agradecer à Professora Mestra Teresinha de Jesus Sousa Lima pela
amizade e por todo o trabalho realizado em nosso grupo de pesquisa.
À minha família que me apoiou em todos os momentos da vida. Sinto-me
profundamente abençoado com a família que Deus me deu. À Lucia, minha
querida e amada mãe, pelo amor e princípios ensinados, os quais
permanentemente orientam, e sempre orientarão, a minha vida. Sou eternamente
grato por toda amizade e por estar ao meu lado em todos os momentos alegres e
difíceis da minha vida. Ao meu pai Roberto Henrique (in memoriam), por todas as
valiosas lições de vida e profunda amizade. Todas as minhas conquistas são por
você e para você. À minha irmã Ana Paula pelo irrestrito apoio e amizade.
Obrigado por ser um grande exemplo para mim.
À minha noiva Thaliane por mudar e dar sentido a minha vida. Obrigado
por todo o amor, amizade e paz que compartilhamos; mais que isso, por alimentar
meus sonhos e esperança de felicidade. Agradeço também aos pais da minha
noiva pelo carinho que sempre me deram.
Ao amigo e companheiro de pesquisa Daniel, por todo o apoio e profunda
amizade ao longo desses anos.
Aos amigos que conquistei ao longo do curso de graduação e mestrado:
Adriano Domingos, Amanda Epifânio, André Henrique, Higo Paraíso, Deusymar
Santos, Sérgio Ribeiro, Helder Novais, João Eduardo, Antônio Henrique, Bruno
Melo, Sérgio Cahú, Ilana Oliveira, Dayana Oliveira, Carolina Campos e Juliette
Santos. A todos, e muitos outros não mencionados, meus sinceros
agradecimentos.
v
RESUMO
Introdução: A prática de esportes (PE) é o principal contexto de atividade física
entre crianças e adolescentes e pode ser uma importante estratégia para
combater o excesso de peso. A competência em habilidades motoras
fundamentais e o status de peso corporal parecem ser importantes correlatos da
contínua PE ao longo da infância.
Objetivo: O objetivo do presente estudo foi investigar a associação existente
entre diferentes níveis de desempenho motor para habilidades de locomoção e
controle de objetos (alto, médio ou baixo), status de peso corporal (peso normal
ou excesso de peso) e a PE (praticava ou não praticava) na idade pré-escolar,
com a PE após dois anos.
Métodos: Em 2010, 292 crianças de 3 a 5 anos foram avaliadas quanto ao
desempenho motor, status de peso corporal e prática prévia de esportes. Para
avaliar o desempenho motor em habilidades de locomoção e controle de objetos
foi usado o Test of Gross Motor Development-2. O escore padrão para cada
categoria (locomoção e controle de objetos) permitiu classificar as crianças em
três níveis de desempenho motor (alto, médio e baixo). Estatura e massa corporal
foram medidos para calcular o índice de massa corporal (kg/m²), classificar em
diferentes status de peso, e agrupar em categorias de peso normal ou excesso de
peso. A informação da PE prévia e atual foi avaliada usando o questionário
ELOS-Pré. Em 2012, 206 das 292 crianças foram identificadas e avaliadas quanto
à PE. A regressão logística binária avaliou a associação ajustada entre a PE em
2012 com base nas medidas preliminares dos níveis de desempenho motor em
locomoção e controle de objetos, status de peso corporal e PE.
Resultados: No modelo final, ajustado por sexo, a prática prévia de esportes
(OR= 10,00, IC: 3,75 a 26,69) e os níveis de desempenho motor para habilidades
de locomoção (médio: OR= 2,67, IC: 1,12 a 6,39; alto: OR= 2,70, IC: 1,02 a 7,18)
foram significativamente associados com a prática de esportes após dois anos.
Os níveis de desempenho motor para habilidades motoras de controle de objetos
e o status de peso corporal não predisseram a prática de esportes após dois
anos.
vi
Conclusão: Nesta amostra, os resultados permitem concluir que maiores níveis
de desempenho em habilidades motoras de locomoção e a prática de esportes na
idade pré-escolar são fatores cruciais para a subsequente prática de esportes.
Nossos resultados sustentam parcialmente o modelo teórico de Stodden et al.
(2008) sugerindo que maiores níveis de competência motora potencializam a
espiral positiva de engajamento em atividades físicas. Como as habilidades de
locomoção desenvolvem-se mais cedo que as de controle de objetos, esse tipo de
habilidade pode ser um melhor preditor da PE no início da infância.
Palavras-chave: Destreza Motora; Desempenho Psicomotor; Esportes; Peso Corporal.
vii
ABSTRACT
Introduction: Sports practice (SP) is the primary context of physical activity for
children and adolescents and may be a important strategy to combat excess
weight (MALINA, 2009). Competency in fundamental motor skills and body weight
status also may be important correlates of continued SP across childhood
(STODDEN et al., 2008).
Purpose: The aim of present study was investigate the association existent
between levels of motor performance in locomotor and object control skills (high,
medium or low), body weight status (normal weight or excess weight) and SP
(practiced or not practiced) in preschool years, with SP after two years.
Methods: In 2010, 292 children between 3 and 5 years old were evaluated for
motor performance, body weight status and previous SP. For assess motor
performance in locomotor and object control skills was used the Test of Gross
Motor Development-2. The standard score for each category (locomotor and
object control) allowed classify children into three levels of motor performance
(high, medium and low). Height and body mass were measured to calculate body
mass index (kg/m²), classify into weight status, and group into excess weight and
normal weight. The information of previous SP was evaluated using the ELOS-pré
questionnaire. In 2012, 206 from those 292 children were identified and evaluated
for SP. The binary logistic regression assessed the adjusted associations between
SP in 2012, which were based on the preliminary measures (2010) of motor
performance in locomotor and object control skills levels, body weight status and
SP.
Results: In the final model, after adjusting by sex, previous SP in 2010 (OR =
10.00, CI: 3.75 to 26.69) and locomotor performance level (medium: OR = 2.67,
CI: 1.12 to 6.39; high: OR = 2.70, CI: 1.02 to 7.18) were significantly associated
with SP in 2012. Object control skills and body weight status did not predict SP
after two years.
Conclusion: In this sample, the results suggest that higher levels of performance
in locomotor skills and the SP in preschool years are crucial factors for subsequent
SP. Our data support partially the prediction of Stodden et al. (2008) model
suggesting that higher levels of motor competence potentiates the positive spiral
viii
of engagement in physical activities. As locomotor skills develop earlier than OC
skills, these types of skills may be better predictors of SP in early childhood.
Keywords: Motor Skills; Psychomotor Performance; Sports; Body Weight.
ix
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS .................................................................................................... iv
RESUMO ........................................................................................................................ v
ABSTRACT ................................................................................................................... vii
LISTA DE TABELAS E QUADROS .............................................................................. xi
LISTA DE FIGURAS ..................................................................................................... xii
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 13
2. REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................... 16
2.1. Prática de esportes ............................................................................................ 16
2.2. Competência motora .......................................................................................... 18
2.3. Status de peso corporal ..................................................................................... 22
2.4. Resultados de pesquisa entre competência motora e status de peso
corporal ..................................................................................................................... 24
2.4.1. Evidências transversais na segunda infância.................................................. 25
2.4.2. Evidências transversais na primeira infância .................................................. 28
2.4.3. Evidências longitudinais .................................................................................. 30
2.4.4. Síntese das evidências entre competência motora e status de peso
corporal ..................................................................................................................... 31
2.5. Resultados de pesquisa entre prática de esportes, competência motora e
status de peso corporal ............................................................................................. 33
2.5.1. Síntese das evidências entre prática de esportes, competência motora e
status de peso corporal ............................................................................................. 36
3. MATERIAIS E MÉTODO........................................................................................... 39
3.1. Caracterização do estudo .................................................................................. 39
3.2. Amostra .............................................................................................................. 39
3.3. Instrumentos e procedimentos ........................................................................... 39
3.3.1. Avaliação da prática de esportes .................................................................... 40
3.3.2. Avaliação da do desempenho motor ............................................................... 40
3.3.3. Avaliação do status de peso corporal ............................................................. 41
3.3.4. Outras informações ......................................................................................... 42
3.4. Análises dos dados ............................................................................................ 42
4. RESULTADOS .......................................................................................................... 45
4.1. Desempenho motor e status de peso no ano de 2010 ....................................... 45
4.2. Prática de esportes em 2010 e 2012 ................................................................. 46
4.3. Análise da regressão logística binária ................................................................ 47
5. DISCUSSÃO ............................................................................................................. 50
5.1. Associação positiva entre habilidades de locomoção e prática de esportes ...... 50
5.2. Status de peso corporal, desempenho motor e prática de esportes .................. 56
x
5.3. Prática prévia de esportes, e sua influência na prática atual/futura em
esportes .................................................................................................................... 57
5.4. Limitações .......................................................................................................... 59
5.5. Aspectos inovadores do presente estudo e direções futuras ............................. 59
CONCLUSÕES E APLICAÇÕES PRÁTICAS DO ESTUDO ........................................ 61
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 62
GLOSSÁRIO ................................................................................................................. 70
ANEXO I - Aprovação do comitê de ética ..................................................................... 72
ANEXO II - Termo de consentimento livre e esclarecido ............................................. 73
ANEXO III - Modelo entrevista estruturada – Questionário ELOS-Pré.......................... 75
ANEXO IV - Lista de checagem do Test of Gross Motor Development-2 ..................... 89
ANEXO V – Pontos de corte para determinar excesso de peso em crianças ............... 93
ANEXO VI – Detalhamento da análise de regressão bruta e ajustada ......................... 94
xi
LISTA DE TABELAS E QUADROS
Tabelas
1. Distribuição dos diferentes níveis de competência motora (CM) nos subtestes
de locomoção e controle de objetos de acordo com o e status de peso corporal ......... 46
2. Distribuição dos diferentes níveis de competência motora (CM) nos subtestes
de locomoção e controle de objetos, e status de peso corporal de acordo com a
prática de esportes em 2012 ......................................................................................... 47
3. Regressão logística bruta e ajustada para a associação entre prática de
esportes após dois anos, pratica prévia de esportes, subtestes locomotor e
controle de objetos da competência motora (CM), e status de peso corporal, de
pré-escolares do Recife (PE) ........................................................................................ 49
Quadros
1. Síntese dos estudos transversais que analisaram a relação entre competência
motora e status de peso corporal de crianças de segunda infância .............................. 27
2. Síntese dos estudos transversais que analisaram a relação entre competência
motora e status de peso corporal de crianças de primeira infância............................... 29
3. Síntese dos estudos longitudinais que analisaram a relação entre competência
motora e status de peso corporal .................................................................................. 31
4. Síntese dos estudos que analisaram a relação entre prática de esportes e
competência motora ...................................................................................................... 36
xii
LISTA DE FIGURAS
Figuras
1. Barreira de proficiência motora. ................................................................................ 19
2. Montanha do desenvolvimento motor ....................................................................... 20
3. Espiral positiva e negativa de engajamento em atividades físicas ............................ 21
4. Modelo gráfico da proposta de análise de dados – associação direta ...................... 44
5. Modelo gráfico da proposta de análise de dados – associação indireta ................... 44
13
1. INTRODUÇÃO
O ambiente esportivo é o principal contexto de atividades físicas entre
crianças e adolescentes (MALINA, 2009). Em termos gerais, a prática de esportes
organizados (PE) favorece o desenvolvimento de habilidades motoras (MALINA,
2009) e psicossociais (FRASER-THOMAS; CÔTÉ, 2006; MALINA, 2009), além de
proporcionar benefícios físicos sobre a densidade mineral óssea e aptidão física
(BERGERON, 2007; MALINA, 2009). Alguns estudos na literatura têm mostrado
que crianças (WICKEL; EISENMANN, 2007) e adolescentes (MACHADORODRIGUES et al., 2012) que praticam esportes têm maiores níveis de atividade
física, gastam mais energia e dedicam mais tempo a atividades físicas de
moderada a vigorosa intensidade que não praticantes. Assim, entende-se que a
PE pode ser uma importante estratégia para combater a crescente taxa de
obesidade infantil (NELSON et al., 2011; MALINA, 2013) e influenciar
positivamente a melhoria e manutenção da saúde ao longo da vida (TELAMA et
al., 2006; MALINA, 2009).
Um possível determinante para a PE durante a infância é a capacidade
para executar habilidades motoras fundamentais com proficiência, também
chamada de competência motora (CM) (STODDEN et al., 2008). Fundamentado
numa perspectiva desenvolvimental, dinâmica e complexa, o modelo teórico
proposto por Stodden et al. (2008) apresenta a existência de um relacionamento
dinâmico e sinérgico entre (CM) e atividade física ao longo da vida. Esses fatores
interagem com a percepção de competência e aptidão física relacionada à saúde
levando a um status de peso corporal saudável ou não saudável, chamado por
esses autores de espirais de engajamento. Na espiral positiva, o status de peso
saudável parece ser influenciado por elevados níveis de CM, atividade física,
percepção de competência e aptidão física relacionada à saúde. De modo oposto,
a espiral negativa relaciona-se aos baixos níveis dessas variáveis que, por sua
vez, conduzem a um status de peso não saudável. Neste modelo, o status de
peso corporal retroalimenta as espirais (positiva ou negativa) afetando o
engajamento e manutenção na prática de atividades físicas e esportivas.
Embora a relação entre CM e PE tenha sido pouco investigada, alguns
estudos transversais (ULRICH, 1987; GRAF et al., 2004; QUEIROZ et al., 2014) e
14
um longitudinal (D'HONDT et al., 2013) têm mostrado um melhor desempenho
motor a favor das crianças que praticam esportes. Apenas o estudo de Vandorpe
et al. (2012), até o presente momento, investigou a influência da CM sobre a PE.
Nesse estudo longitudinal, Vandorpe et al. (2012) avaliaram a relação direta entre
a coordenação motora de crianças de segunda infância (6 a 8 anos de idade, no
baseline) e a PE após dois anos. Os resultados mostraram que quanto maior a
coordenação motora, maior foi a probabilidade de praticar esportes após o
seguimento de dois anos. Ainda, crianças que praticavam esportes no baseline
tiveram aproximadamente uma probabilidade 15 vezes maior de praticar esportes
após dois anos.
Outro tópico que merece ampliação nas investigações é o estudo dos
determinantes da prática de atividades físicas e esportivas em crianças mais
novas. É possível notar que os estudos avaliaram predominantemente crianças
de segunda infância, exceto Queiroz et al. (2014) que avaliaram pré-escolares e
sugeriram que desde essa fase a PE pode favorecer o desenvolvimento da CM.
Vale
ressaltar
que
a
primeira
infância,
considerada
a
base
para
o
desenvolvimento das posteriores fases da vida, tem sido apontada como crítica
para o desenvolvimento de hábitos saudáveis (TIMMONS et al., 2012), além de
ser o momento em que o sistema nervoso central está mais sensível aos
processos de aprendizagem de habilidades motoras (GABBARD, 2008).
Apesar da associação positiva entre CM e PE ter sido mostrada em
algumas investigações, o uso de delineamento transversal, em parte, ainda não
permite que tais achados sejam considerados evidências cientificas. Também, os
estudos longitudinais que analisaram essa associação incluíram apenas crianças
de segunda infância (VANDORPE et al., 2012; D'HONDT et al., 2013), não
mediram o status de peso corporal (VANDORPE et al., 2012) e avaliaram apenas
a coordenação motora (VANDORPE et al., 2012; D'HONDT et al., 2013). Por mais
que seja reconhecida a importância de se identificar baixos níveis de CM desde o
início da infância (HARDY et al., 2010), o que poderia auxiliar o planejamento e
implementação de estratégias que favoreçam o desenvolvimento de habilidades
motoras fundamentais, que são a base para um estilo de vida ativo e saudável ao
longo do ciclo vital (STODDEN et al., 2008; LUBANS et al., 2010), nenhum estudo
prévio analisou longitudinalmente a probabilidade de praticar esportes entre pré-
15
escolares com diferentes níveis de CM, e se essa relação difere entre as
categorias de locomoção e controle de objetos.
Assim, o objetivo do presente estudo foi investigar a associação existente
entre o desempenho motor para habilidades de locomoção e controle de objetos
(alta, média ou baixa), status de peso corporal (peso normal ou excesso de peso)
e a prática de esportes (praticava ou não praticava) na idade pré-escolar, com a
prática de esportes após dois anos.
16
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1.
Prática de esportes
A prática de esportes organizados (PE), considerada um dos domínios da
atividade física no tempo livre (HOWLEY, 2001), é o principal contexto de
atividade física para a maioria das crianças e adolescentes (MALINA, 2009). De
um modo geral, a PE durante a infância está associada a variados benefícios
psicossociais e físicos, tais como o desenvolvimento de competências para a vida
(cooperação, disciplina e autocontrole) (FRASER-THOMAS; CÔTÉ, 2006),
interação com pares (MALINA, 2009), aquisição de habilidades motoras, além da
melhoria na saúde óssea (MALINA, 2009) e aptidão física (BERGERON, 2007;
MALINA, 2009), os quais influenciam positivamente a melhoria e manutenção da
saúde ao longo da vida (TELAMA et al., 2006; MALINA, 2009).
Resultados de estudos têm indicado que a prática regular de atividade
física na infância, sobretudo quando realizada em níveis moderados a elevados,
parece aumentar a possibilidade de que essa prática se mantenha na
adolescência (JANZ, DAWSON; MAHONEY, 2000; KRISTENSEN et al., 2008) e
na idade adulta (TELAMA et al., 2005; 2006; TELAMA, 2009). Paralelamente,
condutas relativas à prática de atividade física e exposição a comportamentos
sedentários são estabelecidos desde a infância e, a partir de então, tendem a
tornar-se mais estáveis e difíceis de serem modificadas (BARROS; BARROS;
CATTUZZO, 2009).
Diante da crescente taxa de inatividade física e obesidade infantil (KOHL et
al., 2012), a PE pode ser um meio de aumentar o tempo gasto em atividades
físicas vigorosas (STRONG et al., 2005; MACHADO-RODRIGUES et al., 2012),
assim como uma estratégia para combater o excesso de peso nessa população
(NELSON et al., 2011; MALINA, 2013).
Algumas evidências relatam
que
crianças
que
praticam esportes
organizados têm maiores níveis de atividade física, gastam mais energia e
dedicam mais tempo a atividades físicas de moderada a vigorosa intensidade
(AFMV) quando comparadas a não praticantes (WICKEL; EISENMANN, 2007;
MACHADO-RODRIGUES et al., 2012). Ao avaliar a contribuição da PE, da
17
atividade física no recesso e da aula regular de educação física, no tempo
despendido em AFMV, Wickel e Eisenmann (2007) mostraram que a PE foi a
atividade que mais contribuiu para o total de AFMV. Vale ressaltar que, nos dias
sem PE, as crianças gastaram mais tempo em atividades sedentárias e menos
tempo em AFMV, quando comparadas aos dias de prática esportiva (WICKEL;
EISENMANN, 2007).
A melhoria de habilidades motoras específicas aos esportes é a principal
razão para que crianças e adolescentes pratiquem essas atividades (MALINA,
2010; WEISS, 2013), assim como é o principal objetivo dos programas esportivos
(MALINA, 2010). De fato, a PE estruturados e orientados profissionalmente,
frequentemente envolve instrução e prática de habilidades específicas (MALINA,
2013); diferente de outros contextos da atividade física, a imprevisibilidade
inerente ao âmbito da prática esportiva representa um desafio real para a
competência motora, exigindo esforço cognitivo e físico para alcançar o sucesso
nessas atividades. Essa demanda por superar as perturbações impostas durante
a prática de esportes é que propiciam a aquisição e o desenvolvimento de
habilidades motoras (LEE; SWINNEN; SERRIEN, 1994; GUADAGNOLI; LEE,
2004).
Um dos possíveis determinantes para a prática de atividades físicas e
esportivas é a capacidade para desempenhar habilidades motoras fundamentais
(STODDEN et al., 2008; MALINA 2013). Esse conjunto de habilidades é
considerado um pré-requisito para a realização de ações mais complexas, que
serão aplicadas em esportes e muitas atividades físicas (SEEFELDT, 1980;
CLARK; METCALFE, 2002; CLARK, 2005; 2007; STODDEN et al., 2008).
Crianças que não dominam habilidades motoras fundamentais podem deparar-se
com uma barreira de proficiência no qual níveis necessários para o sucesso em
esportes não são facilmente alcançados, limitando assim o envolvimento nessas
atividades (SEEFELDT, 1980; STODDEN et al., 2013).
Outro fator que pode afetar a PE é o status de peso corporal (NELSON et
al., 2011). Além do excesso de peso afetar a competência motora de crianças
(D’HONDT et al., 2009; 2013; LOPES et al., 2012), é improvável que crianças
obesas tenham iguais oportunidades de engajar-se em esportes organizados
(MALINA 2009; 2013). De acordo com o modelo teórico proposto por Stodden et
18
al. (2008), apresentado no próximo tópico desta revisão de literatura, o excesso
de peso corporal pode ser tanto um produto quanto um mediador da relação entre
competência motora e atividades físicas, e afeta tanto o engajamento como a
manutenção ou desistência em permanecer ativo, neste caso, a PE.
2.2.
Competência motora
A busca para identificar e testar fatores que possam estar relacionados
com o desenvolvimento ativo e saudável ao longo da vida é constante. Stodden et
al. (2008) enfatizaram que a literatura relativa à atividade física frequentemente
negligencia a natureza desenvolvimental da competência motora e seu papel para
promover atividade física e um status de peso saudável. Evidências, no entanto,
têm sido acumuladas, sobretudo nos últimos anos, identificando o desempenho
em habilidades motoras fundamentais como um fator chave para o engajamento e
persistência em atividades físicas (STODDEN et al., 2008; D’HONDT et al., 2013).
A competência motora (CM), definida como a capacidade para realizar
habilidades motoras fundamentais com proficiência (STODDEN et al., 2008),
envolve o domínio em movimentos de locomoção (p. ex. andar, correr e saltar
etc), controle de objetos (p. ex. arremessar, rebater e chutar) e estabilização (p.
ex. equilibrar-se dinâmica e estaticamente). Esse conjunto de habilidades é
considerado a base para habilidades mais especializadas que serão aplicadas em
diferentes contextos, tais como em esportes e nas mais diversas atividades
diárias (MANOEL, 1994; STODDEN et al., 2008).
A infância é uma fase propícia para a construção de um repertório motor
diversificado que servirá de suporte para o aprendizado posterior de ações
adaptativas e habilidosas (CATTUZZO et al., 2012). A aprendizagem de
habilidades motoras fundamentais, nesta fase, deve conduzir a criança a atingir
padrões avançados de desempenho que garantiriam um desenvolvimento motor
pleno nas posteriores fases da vida (CLARK; METCALFE, 2002; CLARK, 2007).
Vale salientar que essas habilidades não surgem naturalmente com o aumento da
idade cronológica; elas precisam ser aprendidas, praticadas e reforçadas
(CLARK, 2007).
19
Há mais de 30 anos habilidades motoras fundamentais são defendidas
como sendo a base para um desenvolvimento ativo e saudável. De acordo com
Seefeldt (1980), há um limiar crítico, conhecido como a barreira de proficiência,
entre as habilidades motoras fundamentais e as habilidades motoras transicionais
(Figura 1). O domínio das habilidades motoras fundamentais levará a criança a
transpor a barreira de proficiência e permitirá aplicar com sucesso habilidades
motoras em atividades físicas ao longo da vida. De modo oposto, crianças que
não alcançam competência suficiente nesse conjunto de habilidades podem ter
limitadas condições para engajarem-se em atividades físicas e esportivas por não
possuírem proficiência em habilidades que são pré-requisitos para a sua prática, o
que as leva a desistirem de permanecerem ativas (SEEFELDT, 1980; CLARK
2005; 2007; STODDEN et al., 2008).
Figura 1- Barreira de proficiência motora. Adaptado de Seefeldt (1980).
Clark e Metcalfe (2002) ratificaram a proposição de Seefeldt com a
metáfora da “montanha do desenvolvimento motor” (Figura 2). Neste modelo
heurístico, o domínio das habilidades motoras fundamentais sedimentaria a base
da montanha e tornar-se hábil permitiria alcançar o pico da montanha. Por outro
lado, a falta de domínio em habilidades motoras fundamentais impediria esse
acesso. Entretanto, poucos tornam-se habilidosos e têm um bom desempenho em
contextos específicos, nos quais esses movimentos são culturalmente aplicados
em esportes, danças e lutas.
20
Apesar de ser esperado um cumulativo e sequencial progresso nos
padrões fundamentais de movimento, a escalada na montanha é determinada por
restrições específicas a cada indivíduo e não apenas pelo tempo gasto para
“escalar” a montanha. Clark e Metcalfe (2002) vão além ao sugerirem a existência
de inúmeros picos nessa montanha, ou seja, o tamanho de cada pico varia
conforme diferentes habilidades (p. ex. a altura do pico para a habilidade de correr
é diferente da altura para a habilidade de arremessar). Contudo, o amplo domínio
de habilidades motoras fundamentais é considerado um importante degrau na
escalada da montanha de desenvolvimento e influencia a participação em
atividades físicas e esportivas ao longo da vida.
Figura 2- Montanha do desenvolvimento motor. Adaptado de Clark e Metcalfe
(2002).
Um recente modelo teórico proposto por Stodden et al. (2008) apresenta
uma relação dinâmica e sinérgica entre CM e atividade física ao longo do ciclo
vital. Neste modelo, habilidades motoras fundamentais são elementos essenciais
para a promoção e sustentação ou declínio da atividade física ao longo do
processo de desenvolvimento. Nesse sentido, a CM é um fator crítico para
entender o porquê de indivíduos escolhem ser ou não ativos. Para esses autores,
a relação emergente entre CM e atividade física é mediada por fatores que
21
incluem a competência percebida e aptidão física relacionada à saúde que
conduzem a um status de peso saudável ou não saudável.
Este mesmo modelo teórico apresenta o esquema de uma espiral positiva
e uma negativa do engajamento em atividades físicas (Figura 3). Na espiral
positiva de engajamento, um status de peso saudável está relacionado com a alta
CM, elevada percepção de competência e maiores níveis de atividade física e
aptidão física relacionada à saúde. Neste cenário, elevados níveis desses fatores
retroalimentam o modelo e levam a um maior engajamento em atividades físicas.
De modo oposto, o desengajamento está relacionado à baixa CM, baixa
percepção de competência e menores níveis de atividade física e aptidão física
relacionada à saúde que, por sua vez, conduzem à obesidade. Esta condição
retroalimenta o modelo e estimula a manutenção da espiral negativa de
engajamento.
Figura 3- Espiral positiva e negativa de engajamento em atividades físicas. (PIprimeira infância; IM – infância média; AD- adolescência). Adaptado de Stodden
et al. (2008).
O modelo teórico de Stodden et al. (2008) fundamenta-se em uma
perspectiva desenvolvimental, dinâmica e complexa, a qual foi adotada no
presente estudo. Essa perspectiva dirige a atenção para a natureza - longa, lenta,
cumulativa e sequencial - do desenvolvimento motor ao longo da vida (CLARK,
22
2005; GABBARD, 2008) e destaca tanto a importância da qualidade e quantidade
das experiências motoras como a necessidade de que tais experiências sejam
precoces na vida do indivíduo (CLARK, 2005).
O fenômeno do desenvolvimento, descrito em um documento histórico para
a área de desenvolvimento motor, diz respeito ao fato de que um sistema
complexo e dinâmico – como é o caso do sistema percepto-motor humano - pode
criar algo “a mais” a partir de algo que “era menos” (SMITH; THELEN, 2003).
Como um fenômeno emergente, o desenvolvimento é produzido por múltiplas
interações locais e descentralizadas, que ocorrem em tempo real na vida dos
indivíduos (SMITH; THELEN, 2003). Gabbard (2009) afirma que, numa
perspectiva de sistemas desenvolvimentais, o comportamento humano é produto
de relações dinâmicas entre o indivíduo em desenvolvimento e seu contexto
igualmente dinâmico. Desse modo, uma pessoa é uma unidade dinâmica
constituída de vários subsistemas (p. ex. neural, muscular, esquelético e cognitivo
etc.) e o contexto inclui a cultura e diferentes fontes de influência social (p. ex.
família, pares e treinadores).
Em sistemas desenvolvimentais a história individual codetermina a situação
presente e futura, ou seja, mudanças vistas em um tempo posterior são
influenciadas,
pelo
menos
em
parte,
pelas
mudanças
que
ocorreram
anteriormente (GABBARD, 2008; SMITH; THELEN, 2003). Contudo, dependendo
da natureza das variáveis e de sua interação dinâmica, diferentes trajetos
desenvolvimentais podem ocorrer, o que pode ser entendido como a
multiderecionalidade e adaptabililidade do desenvolvimetno humano (FORD;
LERNER, 1992). Enfim, uma perspectiva desevolvimental é uma perspectiva
interacional (CLARK, 2005). Considerando este aporte teórico, competência
motora e prática de esportes parecem interagir dinamicamente ao longo do ciclo
vital e influenciar positivamente o engajamento em atividades físicas e esportivas.
Além disso, o status de peso corporal pode retroalimentar as espirais de
engajamento, positiva ou negativamente, e igualmente estar associado à prática
de esportes na infância.
23
2.3.
Status de peso corporal
A obesidade caracteriza-se por um status de peso elevado no qual um
desequilíbrio energético crônico resulta no armazenamento de energia em
excesso como tecido adiposo (GORAN; TREUTH, 2001). A obesidade possui
etiologia multifatorial derivada da interação entre fatores genéticos, ambientais e
comportamentais (CLIFF et al., 2010). Tanto na infância como na idade adulta,
tem sido registrado um aumento alarmante dos índices de obesidade, chegando a
proporções epidêmicas, fato que faz essa doença ser considerada um grave
problema de saúde pública em todo o mundo (EBBELING; PAWLAK; LUDWIG,
2002; ONIS; BLÖSSNER; BORGHI, 2010).
Dentre as diversas consequências negativas associadas à obesidade,
destacam-se o risco aumentado para doenças cardiovasculares (MOKHA et al.,
2010; HEROUVI et al., 2013), diabetes do tipo 2 (HANNON; RAO; ARSLANIAN,
2005) e doenças do trato respiratório, como asma e apneia obstrutiva do sono
(BLACK et al., 2012). Fatores psicossociais associados à obesidade incluem a
menor qualidade de vida, baixa autoestima e estados emocionais negativos, como
tristeza, isolamento e nervosismo (STRAUSS; BACKGROUND, 2000; TSIROS et
al., 2009), que por sua vez originam depressão e bullying (JANSSEN et al., 2004).
Esses
fatores
aumentam
ainda
a
probabilidade
de
envolvimento
em
comportamentos indesejáveis e de alto risco os quais influenciam percepções
negativas de saúde afetiva e social (STRAUSS; BACKGROUND, 2000; TSIROS
et al., 2009).
A presença da obesidade desde a infância relaciona-se a desfechos
negativos de saúde em curto e longo prazo que podem se agravar com o avanço
da idade e a gravidade dessa doença (PARK et al., 2012). Dado que a condição
de obesidade tende a seguir para as posteriores fases da vida (GUPTA et al.,
2013), evidências têm mostrado que, independentemente do peso na idade
adulta, aqueles que eram obesos na infância e adolescência apresentam maior
risco de morbidade e mortalidade prematura (REILLY; KELLY, 2011; PARK et al.,
2012).
Diante do preocupante cenário mundial de obesidade pediátrica, algumas
organizações internacionais apresentam recomendações para atividade física
24
objetivando a promoção da saúde de crianças e adolescentes, assim como
prevenção da obesidade (p. ex. World Health Organization, e United States
Department of Health and Human Services). Dentre as principais recomendações,
sugere-se que crianças acumulem pelo menos 60 minutos de atividade física de
moderada a vigorosa intensidade por pelo menos três vezes por semana em
programas de exercícios que estimulem o sistema musculoesquelético (USDHHS,
2008).
Por mais que a prática de esportes não tenha como principal objetivo o
combate à obesidade infantil, o ambiente esportivo é um cenário no qual a maioria
das crianças é fisicamente ativa (NELSON et al., 2011; MALINA, 2013). Conforme
exposto anteriormente, a prática de esportes pode ser considerada uma
importante estratégia para aumentar o gasto energético e o tempo em atividades
vigorosas que promovem a melhoria da saúde e têm o potencial para prevenir o
crescente aumento de excesso de peso na infância (MALINA, 2013).
Com base em estudos empíricos, o modelo teórico de Stodden et al. (2008)
reforça a suposição de que o excesso de peso retroalimenta e estimula
negativamente o engajamento em atividades físicas e esportivas. Stodden et al.
(2008) apresentam nesse modelo que menores níveis de CM, atividade física,
competência percebida e aptidão física relacionam-se de forma sinérgica levando
à espiral de desengajamento em atividades físicas. Considerando-se que crianças
com excesso de peso são menos proficientes em habilidades motoras verifica-se
que existe uma menor probabilidade de que essas crianças sejam fisicamente
ativas ao longo da infância, assim como experiências de insucesso podem
determinar a desistência de ser ativo e comprometer, desse modo, a PE.
2.4.
Resultados de pesquisa entre competência motora e status de peso
corporal
Após extenso levantamento de informações acerca da relação entre
competência motora (CM) e status de peso corporal (SPC) na infância, identificouse que, de maneira geral, os estudos abrangem diferentes faixas etárias e
medidas de desempenho, o que dificulta a comparação entre eles e a clareza da
relação entre as variáveis. A maioria dos estudos identificados utilizaram
25
delineamento transversal, porém poucos avaliaram crianças de primeira infância.
Adicionalmente, apenas três estudos foram longitudinais, e, entre esses, apenas
McKenzie et al. (2002) incluíram pré-escolares.
Para melhor compreender a relação entre CM e SPC, os resultados de
pesquisas transversais serão apresentados inicialmente para crianças de
segunda infância, e depois para as crianças de primeira infância, ou préescolares. Por fim, serão expostas evidências longitudinais do relacionamento
entre as variáveis, o qual inclui crianças em idade pré-escolar (MCKENZIE et al.,
2002). Os resultados destes estudos (Quadro 1, 2 e 3), organizados por
delineamento e faixa etária, serão apresentados a seguir.
2.4.1. Evidências transversais na segunda infância
Alguns estudos tiveram por objetivo comparar o desempenho motor de
crianças após classificá-las em categorias de peso normal, sobrepeso e
obesidade. Ao avaliarem 117 crianças de 5 a 10 anos com o Movement
Assessment Battery for Children (MABC) (HENDERSON; SUGDEN; BARNETT
2007), D’Hondt et al. (2009) identificaram desempenho superior para crianças de
peso normal, e com sobrepeso quando comparadas àquelas com obesidade. Em
outro estudo, D’Hondt et al. (2011) avaliaram 954 crianças de 5 a 12 anos com o
Köperkoordinationstest für Kinder (KTK) (KIPHART; SCHILLING, 1974); seus
resultados mostraram que crianças de peso normal tiveram melhor desempenho
que aquelas com sobrepeso, e obesidade. O estudo de Jones et al. (2010) avaliou
1414 crianças de 9 e 11 anos com algumas habilidades isoladas do Get Skilled:
Get Active (NEW SOUTH WALLES DEPARTMENT OF EDUCATION AND
TRAINING, 2000). Especificamente entre as crianças de 9 anos (n= 647) foram
avaliadas as habilidades de galopar, deslizar, saltitar e lançar. Como resultados
para essa faixa etária, o grupo considerado obeso teve pior desempenho que o de
peso normal, porém somente entre os meninos.
Outros estudos, por sua vez, analisaram a relação existente entre CM e o
índice de massa corporal (IMC). Graf et al. (2004) avaliaram 550 crianças de 5 a 8
anos com o KTK. Os resultados deste estudo indicaram correlação inversa entre
CM e IMC tanto para os meninos quanto para as meninas (r= -0,35 e r= -0,23,
26
respectivamente). Já o estudo de Morrisson et al. (2012) avaliou 498 crianças de
6 a 8 anos com o KTK e mostrou uma correlação inversa com o IMC para os dois
gêneros (meninos: r= -0,16 e meninas: r= -0,20).
Em grande levantamento transversal, Lopes et al. (2012) verificaram a
relação entre o desempenho motor, com o KTK, e IMC de 7.175 crianças e
adolescentes de 6 a14 anos de idade. Ao analisarem-se especificamente crianças
de segunda infância, ou seja, até os 10 anos de idade, verificou-se uma crescente
correlação negativa de -0,16 a -0,30 para as meninas, e de -0,18 a -0,28 para os
meninos. Os resultados desse estudo sugerem um aumento na força da relação
entre CM e IMC com o passar dos anos.
No estudo de Spessato, Gabbard e Valentini (2013) 264 crianças de 5 a 10
anos foram avaliadas com Test of Gross Motor Development – 2 (TGMD-2)
(ULRICH, 2000). Como resultados não foram encontradas associações
significativas entre as variáveis para crianças de 5 a 7 anos, entretanto, para as
crianças de 8 a 10 anos de idade CM e IMC foram negativa e significativamente
associadas.
Quadro 1 – Síntese dos estudos transversais que analisaram a relação entre competência
motora e status de peso corporal de crianças de segunda infância.
27
Estudo; Tipo
de estudo
Amostra e
idade
D'Hondt et al. 117 crianças de
(2009)
5 a 10 anos
D'Hondt et al. 954 crianças de
(2011)
5 a 12 anos
Jones et al.
(2010)
647 crianças de
9 anos
Variáveis
independentes
Variável
dependente
Resultados
CM – MABC
Crianças com peso normal, e
com sobrepeso tiveram melhor
desempenho que crianças com
obesidade
IMC
CM – KTK
Crianças com peso normal
tiveram melhor desempenho que
crianças com sobrepeso e
obesidade
IMC
CM – habilidades
específicas
(galopar, deslizar,
saltitar e lançar)
Crianças com peso normal
tiveram melhor desempenho que
crianças obesas somente entre
os meninos
CM – KTK
Inversa associação entre CM e
IMC; Crianças com sobrepeso e
obesidade apresentaram pior CM
IMC e SPC
(normal,
sobrepeso e
obesidade)
IMC e SPC
Graf et al.
(2004)
550 crianças de (abaixo do peso,
normal,
5 a 8 anos
sobrepeso e
obesidade)
Morrison et al. 498 crianças de
(2012)
6 a 8 anos
IMC
CM – KTK;
Inversa associação entre CM e
IMC
7175 crianças e
adolescentes de
6 a 14 anos
IMC
CM – KTK
Inversa associação entre CM e
IMC com o passar dos anos
CM – TGMD-2
Inversa associação entre CM e
IMC somente para as crianças de
8, 9 e 10 anos; não houve
associação entre CM e IMC entre
crianças mais novas.
Lopes et al.
(2012)
Spessato,
Gabbard e
Valentini
(2013)
264 crianças de
5 a 10 anos
IMC
IMC –Índice de massa corporal;
CM – Competência motora;
KTK- KöperkoordinationstestfürKinder, que inclui as tarefas de equilíbrio na prancha, saltar lateralmente, saltar sobre
a espuma com um pé e trocar de plataformas;
MABC - MovementAssessmentBattery for Children, que inclui habilidades de destreza manual (encaixar pinos,
entrelaçar fio, trilha), habilidades com bola (receber com as duas mãos e lançar saquinho no alvo) e estabilidade
(equilibrio sobre a prancha, caminhar na linha, saltar sobre as esteiras);
SPC – Status de peso corporal;
TGMD- Test of Gross Motor Development, que inclui o subteste de locomoção – LOC (habilidades de correr, galopar,
saltitar, saltar obstáculo, saltar horizontalmente e deslizar lateralmente) e o subteste de controle de objetos – CO
(rebater, quicar, receber, chutar, arremessar sobre o ombro e rolar).
2.4.2. Evidências transversais na primeira infância
28
Entre as investigações que incluíram apenas crianças de primeira infância,
Roberts et al. (2012) avaliaram 4.650 crianças de 4 a 6 anos em habilidades
isoladas de locomoção (salto e saltito), estabilidade (equilibrar-se dinamicamente
em um pé e andar para trás) e controle de objetos (receber). Dentre os principais
achados, ter obesidade indicou uma probabilidade aumentada de baixa CM nos
testes de estabilidade (entre 1,3 e 2,2), e de locomoção (entre 1,3 e 1,4). A
habilidade de receber não apresentou relação com SPC. Neste mesmo estudo, ao
comparar-se o desempenho motor de crianças com obesidade, e peso normal,
verificou-se que as obesas apresentaram pior desempenho em todas as
habilidades.
Ao comparar o desempenho motor (teste MABC) de crianças classificadas
nas categorias de obesidade, sobrepeso ou peso normal, Logan et al. (2011)
avaliaram 38 crianças de 4 a 6 anos e constaram que crianças de peso normal
mostraram melhor desempenho motor que crianças com sobrepeso e obesidade.
Para o estudo de Nervik et al. (2011), por sua vez, 50 crianças de 3 a 5 anos
foram avaliadas com o IMC e tiveram a CM medida com o Peabody
Developmental Motor Scales- Second Edition (PDMS-2) (FOLIO; FEWELL 2000),
que envolve subtestes de estabilidade, preensão manual, integração viso-motora,
locomoção e controle de objetos. Por mais que o valor da associação não tenha
sido apresentado, os autores indicaram uma relação significativa entre CM e IMC.
Morano, Colella e Caroli (2011) avaliaram 80 crianças de 4 a 5 anos de
idade quanto ao IMC e CM com o TGMD, para os subtestes de locomoção e de
controle de objetos. Como resultados, os autores apresentaram uma correlação
inversa entre IMC e CM nos dois subtestes: locomotor (r = -0,54) e controle de
objetos: (r -0,48). No estudo de Saraiva et al. (2013), 367 crianças com idade
entre 3 e 5 anos foram avaliadas quanto ao desempenho motor, com o PDMS-2,
e o IMC, posteriormente transformado em escore-z. Das quinze correlações
testadas apenas duas foram significativas (crianças de 4 anos: subteste de
integração viso-motora; crianças 5 anos: subteste de estabilidade). Já o estudo de
Vameghi, Shams, Dehkordi (2013) avaliou 600 crianças de 3 a 6 anos de idade
com o Ohio State University Scale of Intra Gross Motor Assessment (OSUSIGMA) (LOOVIS; ERSING 1979). Das onze habilidades avaliadas, quatro
estiveram inversamente correlacionadas ao IMC. Do mesmo modo que Lopes et
29
al. (2012), Vameghi, Shams, Dehkordi (2013) verificaram que houve um aumento
da força na correlação com o passar dos anos (salto: r= -0,21 a r= -0,26; saltito: r=
-0,21 a r= -0,24; skipping: r= -0,21 a r= -0,28 e lançamento: r= -0,23 a r= -0,28).
Quadro 2 – Síntese dos estudos transversais que analisaram a relação entre competência
motora e status de peso corporal de crianças de primeira infância.
Estudo; Tipo
Variáveis
Amostra e idade
de estudo
independentes
Roberts et al. 4650 crianças de
(2012)
4 a 6 anos
Variável
dependente
Resultados
IMC
Crianças com obesidade tiveram
CM – habilidades
maior probabilidade de ter baixa
especificas (salto,
CM em todas as habilidades,
saltito, equilibra-se
exceto recepcionar um
em um pé, andar
lançamento; crianças obesas
para trás e receber
tiveram pior desempenho motor
uma bola)
que crianças de peso normal
Logan et al.
(2011)
38 crianças de 4
a 6 anos
IMC
CM – MABC
Crianças com peso normal
tiveram melhor desempenho que
crianças com sobrepeso e
obesidade
Nervik et al.
(2011)
50 crianças de 3
a 5 anos
IMC
CM – PDMS-2
Não foi apresentado o valor da
associação entre CM e IMC
Morano,
Colella e
Caroli (2011)
80 crianças de 4
a 5 anos
IMC
CM – TGMD
Inversa associação entre CM e
IMC
Saraiva et al.
(2013)
367 crianças de
3 a 5 anos
IMC
CM – PDMS-2
Positiva associação entre CM e
IMC z-escore para apenas duas
das quinze relações testadas
Vameghi,
Shams e
Dehkordi
(2013)
600 crianças de
3 a 6 anos
IMC
Crescente associação inversa
entre CM e IMC com o passar
CM – OSU-SIGMA
dos anos para apenas quatro das
onze habilidades
IMC –Índice de massa corporal;
CM – Competência motora;
PDMS-2 -PeabodyDevelopmental Motor Scales- SecondEdition, que inclui seis subtestes dos quais 4 envolvem
habilidades grossas (reflexos, desempenhos estacionários, locomoção e manipulação de objetos) e 2 envolvem
habilidades finas (agarrar e integração viso-motora);
OSU-SIGMA - Ohio State University Scale of Intra Gross Motor Assessmen - locomotor skills (walking, running, jumping,
hopping, skipping, stair climbing and ladder climbing) and object control skills (throwing, catching striking and kicking);
TGMD- Test of Gross Motor Development, que inclui o subteste de locomoção – LOC (habilidades de correr,
galopar, saltitar, saltar obstáculo, saltar horizontalmente e deslizar lateralmente) e o subteste de controle de objetos
– CO (rebater, quicar, receber, chutar, arremessar sobre o ombro e rolar).
2.4.3. Evidências longitudinais
30
Por mais que muitos estudos indiquem a necessidade de investigações
longitudinais acerca da relação entre CM e SPC, pode-se observar considerável
escassez de informações dessa natureza, sobretudo que incluam crianças de
primeira infância. Dentre os estudos longitudinais somente uma investigação
incluiu crianças na fase pré-escolar (MCKENZIE et al., 2002).
Ao investigar a relação entre CM e SPC, D’Hondt et al. (2013) avaliaram
100 crianças de 6 a 10 anos de idade (no baseline) com o KTK e medidas
antropométricas para o cálculo do IMC. Após dois anos, as mesmas crianças
foram reavaliadas com o KTK. Como resultados, a análise de regressão múltipla
indicou que 37,6% do desempenho motor após dois anos foi explicado pelo IMC
(β=-3,98), além de que a participação de esportes predisse positivamente outros
6,8% do desempenho motor (β=10,60). Nesse mesmo estudo foi detectado efeito
de interação para o desempenho motor de crianças com peso normal quando
comparadas a seus pares com excesso de peso.
Já no estudo de Hands (2008) 38 crianças com idade entre 5 e 7 anos
foram acompanhadas ao longo de cinco anos. Após avaliar-se o desempenho
motor quantitativamente em habilidades isoladas (saltitar, quicar, equilibrar-se em
um pé), dois grupos foram formados: baixa e alta CM. Por mais que o grupo de
alta CM tenha alcançado maior escore durante todo o seguimento, não foram
encontradas diferenças entre os grupos para o IMC.
Na única investigação que contou com crianças em idade de primeira
infância, ou idade pré-escolar, McKenzie et al. (2002) avaliaram a relação entre
adiposidade com dobras cutâneas e o desempenho quantitativo em habilidades
isoladas de locomoção (salto lateral), controle de objetos (receber) e estabilidade
(equilibrar-se em um pé). No total, 207 crianças de 4 a 6 anos foram avaliadas no
baseline e reavaliadas aos 12 anos. Após estratificação por gênero, somente os
meninos apresentaram correlação significativa entre as variáveis (r = -0,21).
Quadro 3 – Síntese dos estudos longitudinais que analisaram a relação entre competência
motora e status de peso corporal.
Estudo; Tipo Amostra e idade
Variáveis
Variável
Resultados
31
de estudo
independentes
100 crianças de
6 a 10 nos
D’Hondt et al.
(baseline)
(2013)
reavaliadas após
dois anos
IMC e prática
de esportes
CM –
habilidades
38 crianças de 5
especificas
a 7 anos
(salto, saltito,
Hands (2008)
equilibra-se em
(baseline)
acompanhadas
um pé, andar
por 5 anos
para trás e
recepcionar um
lançamento)
McKenzie et
al. (2002)
207 crianças de
4 a 6 anos
reavaliadas na
adolescência
com 12 anos
% Gordura
Corporal
dependente
CM – KTK
IMC (negativamente) e PE
(positivamente) predisseram a
CM após dois anos; efeito de
interação para a CM entre
crianças com peso normal, e
excesso de peso
IMC
Não houve diferença no IMC
para crianças de alta e baixa CM
durante todo o seguimento
CM – habilidades
isoladas (salto
lateral, receber
uma bola e
equilibrar-se em
um pé)
Inversa associação entre CM e
percentual de gordura corporal
somente entre os meninos.
IMC –Índice de massa corporal;
CM – Competência motora;
KTK- KöperkoordinationstestfürKinder, que inclui as tarefas de equilíbrio na prancha, saltar lateralmente, saltar sobre
a espuma com um pé e trocar de plataformas;
PE – Prática de esportes
2.4.1. Síntese das evidências entre competência motora e status de peso
corporal
De uma maneira geral, pode-se notar a associação negativa entre CM e
SPC. Conforme apresentado anteriormente nesta revisão de literatura, o modelo
teórico proposto por Stodden et al. (2008) apresenta distintas trajetórias
desenvolvimentais relacionadas a um estilo de vida ativo e saudável, com base no
comportamento motor habilidoso, chamado por eles de espirais positiva ou
negativa de engajamento em atividades físicas. Nesse modelo, Stodden et al.
(2008) reforça que a relação dinâmica e sinérgica entre baixos níveis competência
motora e atividade física ao longo da vida, juntamente com baixos níveis de
percepção de competência motora e aptidão física relacionada à saúde conduzem
a um status de peso não saudável ou obesidade. Essa condição parece
32
retroalimentar o modelo e estimular a manutenção na espiral negativa de
engajamento em atividades físicas.
O principal destaque que os autores fazem é a natureza desenvolvimental
da relação entre as variáveis, ou seja, essa relação altera-se dinamicamente à
medida
que
é
influenciada
pelas
mudanças
típicas
do
processo
de
desenvolvimento. Durante a primeira infância, a variável atividade física é a que
leva ao desenvolvimento da competência motora. A partir da segunda infância,
essa relação alterna-se de modo que, sob a influência da maturação e
experiências proporcionadas pela prática em atividades físicas, é a CM que passa
dirigir a maiores níveis de atividade física.
Destacando-se os achados de Vameghi, Shams e Dehkordi (2013) para
pré-escolares, e de Lopes et al. (2012) para crianças de segunda infância,
verifica-se que a força da relação entre CM e SPC pode aumentar com o passar
dos anos e tornar-se irreversível nas posteriores fases da vida. Reforçando esses
achados, D’Hondt et al. (2013) identificou em seu estudo longitudinal um efeito
significativo de interação para o desempenho motor de crianças com diferentes
condições de peso. Neste estudo, a evolução da CM entre os dois anos de
avaliação diferiu fortemente entre crianças de peso normal e crianças com
excesso de peso. Isso sugere que o status de peso não saudável, conforme
descrito no modelo de Stodden et al. (2008), afeta o desenvolvimento da CM
desde a infância e estimula a manutenção na espiral negativa de engajamento em
atividades físicas nessas crianças.
Apesar do aumento na quantidade de evidências acerca da relação entre
CM e SPC durante a infância, ainda há poucas investigações que incluam préescolares, principalmente sob delineamento longitudinal. Desse modo, não se
conhece precisamente a relação causal existente entre as variáveis para esta
faixa etária. Outro ponto que merece atenção dentre os estudos identificados, é a
ausência da variável atividade física ao analisar-se a relação entre CM e SPC.
Considerando-se que o modelo teórico de Stodden et al. (2008) prevê que o
excesso de peso pode ser tanto um produto como um mediador da relação entre
CM e atividade física, é possível questionar-se se desde a idade pré-escolar o
SPC e a CM estão associados à subsequente PE, uma vez que este é o principal
cenário de atividades físicas entre as crianças. Complementando essas
33
informações, o próximo tópico desta revisão de literatura destina-se a apresentar
os resultados de pesquisa para a relação entre a PE e a CM durante a infância
(Quadro 2).
2.5.
Resultados de pesquisa entre prática de esportes, competência
motora e status de peso corporal
Considerando-se os variados benefícios da participação em atividades
esportivas na infância, sobretudo para o desenvolvimento físico e psicossocial,
entende-se que a prática de esportes (PE) pode, também, ser um meio de
aumentar os níveis de atividade física e combater a obesidade (MALINA, 2009;
MALINA, 2013), assim como desenvolver a competência motora (MALINA, 2013).
Apesar de ser recente a investigação de fatores determinantes da participação
bem sucedida em esportes, nota-se considerável escassez de informações a esse
respeito para o início da infância.
De acordo com o modelo teórico proposto por Stodden et al. (2008), é
esperado que, durante a primeira infância, a prática de atividades físicas conduza
à competência motora. A partir desse pressuposto, Queiroz et al. (2014)
identificaram que, desde a fase pré-escolar, as crianças que praticavam esportes
organizados tiveram superior desempenho motor quando comparadas ao grupo
sem PE. Para a segunda infância, espera-se que essa relação modifique o seu
sentido, fazendo a competência motora dirigir a participação em atividades físicas
e esportivas. Dado que o SPC pode influenciar negativamente o desenvolvimento
da competência motora que, por sua vez, afeta a PE, é plausível questionar em
que grau a CM e o SPC desde a primeira infância podem afetar longitudinalmente
a PE.
Com base nos modelos teóricos previamente apresentados (SEEFELDT,
1980; CLARK, 2005; 2007; STODDEN et al., 2008), verifica-se que o domínio de
habilidades motoras fundamentais, também chamada de CM, pode ser um fator
crucial para o engajamento e manutenção na PE. Por mais que a literatura pareça
ser limitada ao investigar a relação entre CM e PE, esses modelos teóricos têm
encontrado suporte em estudos empíricos. A associação positiva entre a PE e CM
tem sido mostrada em alguns estudos transversais (ULRICH, 1987; GRAF et al.,
34
2004; QUEIROZ et al., 2014) e longitudinais (VANDORPE et al., 2012; D'HONDT
et al., 2013) (Quadro 4).
Ao investigar a relação entre CM, CM percebida e PE, Ulrich (1987) avaliou
250 crianças com idade entre 5 e 10 anos. Para esse estudo, nove itens foram
considerados na avaliação da CM: cinco capacidades físicas (manter-se em
suspensão na barra pelo maior tempo possível, realizar a maior quantidade de
flexões abdominais, saltar à distância, saltar lateralmente em menor tempo e
correr sessenta jardas o mais rápido possível) e quatro habilidades motoras
isoladas (drible com bola de borracha, drible com bola de futebol, lançamento com
a mão de uma bola de softball e lançamento com o pé de uma bola de futebol).
Como resultado principal, verificou-se que a CM esteve positivamente associada
à PE.
Graf et al. (2004) avaliaram se a coordenação motora, considerada um dos
domínios da CM, associava-se a atividades físicas no lazer e status de peso
corporal em crianças de 5 a 8 anos de idade. No total, 488 crianças tiveram o
desempenho motor medido com Köperkoordinationstest für Kinder (KTK)
(KIPHART; SCHILLING, 1974), que avalia a coordenação motora grossa em
habilidades com saltos e equilíbrio, além de informações relativas a atividades
físicas no lazer, tais como: a prática de esportes organizados e prática de
esportes informais. A análise dos dados indicou que crianças que praticavam
esportes em clubes e informalmente apresentaram maior coordenação motora
que as não praticantes. Para a comparação entre coordenação motora e status de
peso corporal, 550 crianças completaram as medidas do KTK e de antropometria,
para posterior classificação do status de peso. Os resultados dessa análise
mostraram superior coordenação motora de crianças de peso normal quando
comparadas àquelas com excesso de peso.
Recentemente, Queiroz et al. (2014) avaliaram a CM de pré-escolares (3-5
anos) com ou sem PE. A CM foi medida com o Test of Gross Motor Development
– 2 (TGMD-2), que permite avaliar o desempenho motor grosso em habilidades
de locomoção e controle de objetos. No total, 54 das 393 crianças que
completaram as medidas da categoria de locomoção praticavam esportes
organizados. Entre aqueles que completaram todas as medidas de controle de
objetos, 37 das 344 crianças praticavam esportes organizados. Para fins de
35
análise, a formação do grupo sem PE foi realizada por meio da técnica de
emparelhamento de acordo com idade e gênero. Os resultados sugeriram que
desde a idade pré-escolar a PE favorece o desenvolvimento de habilidades
motoras: crianças com PE tiveram desempenho superior que as não praticantes
no escore geral dos subtestes de locomoção e controle de objetos, e na
habilidade específica da corrida (ou deslize) lateral (slide).
Dentre os estudos longitudinais, Vandorpe et al. (2012) analisaram a
relação entre a coordenação motora, com o KTK, e diferentes níveis de PE. Neste
estudo 301 crianças de 6 a 8 anos foram avaliadas em 2007 e acompanhadas por
mais dois anos (2008 e 2009). A avaliação da PE permitiu dividir os grupos em:
prática consistente de esportes, prática parcial e sem prática de esportes. Os
resultados mostraram que o grupo com prática consistente apresentaram superior
coordenação motora nos três momentos. Apesar da aparente superioridade desse
grupo desde a primeira avaliação, todos melhoraram sua coordenação motora
semelhantemente ao longo do seguimento, fato demonstrado estatisticamente
pela ausência de interação. Além disso, Vandorpe et al. (2012) avaliaram a
probabilidade de praticar esportes, no último ano, com base nas medidas da
prévia PE e coordenação motora, ambas do primeiro ano. Como resultados dessa
análise, os autores sugeriram que as duas medidas preliminares estiveram
positivamente associadas à PE após dois anos.
Além desses estudos, D’Hondt et al. (2013) encontraram importante
resultado ao avaliarem a relação entre composição corporal e CM. Este estudo
comparou longitudinalmente 50 crianças de 6 a 10 anos que apresentaram
sobrepeso ou obesidade com outras 50 de peso normal, ambos os grupos
emparelhados quanto ao gênero e a idade. Nos dois levantamentos, separados
por dois anos, as crianças foram avaliadas com o KTK e medidas
antropométricas, socioeconômicas e de atividade física. Ao considerar somente
as variáveis que mais se relacionaram com o desempenho motor após dois anos,
a análise de regressão múltipla indicou que 37,6% desse desempenho foi
explicado pelo IMC, enquanto a PE, no baseline, explicou 6,8% do desempenho
motor. Desse modo, os autores constataram que tanto a composição corporal
quanto a PE influenciam positivamente a competência motora.
36
Quadro 4 – Síntese dos estudos que analisaram a relação entre prática de esportes e
competência motora.
Estudo; Tipo
de estudo
Amostra e Idade
Variáveis
independentes
Variável
dependente
Resultados
Delineamento transversal
Ulrich (1987)
Crianças de 5-10
anos
Prática de
esportes
CM em
habilidades
isoladas
No geral, a prática de esportes
afetou positvamente a CM
Graf et al.
(2004)
Crianças de 5-8
anos
Prática de
esportes
CM - KTK
Crianças com prática de
esportes, em clubes e
informalmente, apresentaram
maior CM no KTK
Queiroz et al.
(2014)
Crianças de 3-5
anos
Prática de
esportes
CM – TGMD-2
Crianças com prática de
esportes apresentaram maior
CM nos subtestes de locomoção
e controle de objetos
Delineamento longitudinal
Vandorpe et
al. (2012)
Crianças de 6-8
anos reavaliadas
por dois anos
consecutivos
Baseline:
Prática prévia
de esportes e
CM
Prática de
esportes após
dois anos
Prática de esportes e CM, no
baseline, associaram-se
positivamente à prática de
esportes após dois anos
D’Hondt et al.
(2013)
Crianças de 6-10
anos reavaliadas
após dois anos
Baseline: IMC
e Prática de
esportes
CM após dois
anos - KTK
IMC (relação negativa) e PE
(relação positiva) predisseram a
CM após dois anos
CM – competência motora
IMC – índice de massa corporal
KTK – Köperkoordinationstest für Kinder
TGMD – 2 – Test of Gross Motor Development – 2
2.5.1. Síntese das evidências entre prática de esportes, competência motora
e status de peso corporal
Apesar da associação positiva apresentada entre a PE e CM na infância,
os resultados dessas investigações ainda não podem ser admitidos como
evidência científica. Isso porque o uso de delineamento transversal em alguns
estudos impediu, em parte, a atribuição de causalidade. Dentre as pesquisas
longitudinais identificadas, apenas Vandorpe et al. (2012) avaliou a relação direta
37
entre CM e PE, ou seja, a CM levando ao aumento da probabilidade de praticar
esportes após dois anos. Inversamente, D’Hondt et al. (2013) analisaram a
influência da PE no incremento do escore de CM. Assim, pode-se observar que a
relação causal entre PE e CM não está bem definida.
Além
de
considerável
escassez
de
estudos,
vale
ressaltar
que
características como o tipo de medida da competência motora e faixa etária dos
participantes aumentam a imprecisão acerca dessa relação. No geral, a maioria
dos estudos mensurou o desempenho motor quanto ao produto do movimento,
isto é, o resultado da ação (p. ex., quantidade de acertos ou tempo de execução).
Destes, três utilizaram o Köperkoordinationstest für Kinder (KTK) (GRAF et al.,
2004; VANDORPE et al., 2012; D’HONDT et al., 2013) enquanto Ulrich (1987)
avaliou habilidades isoladas. Entretanto, o excesso de peso pode influenciar
negativamente o desempenho em alguns testes motores, especialmente os que
avaliam o produto em movimentos de locomoção e saltos, favorecendo, desse
modo, o sucesso de crianças com peso normal (MALINA, 2013). Apenas Queiroz
et al. (2014) mensurou o desempenho quanto ao processo do movimento. Esse
tipo de medida permite analisar a qualidade do padrão de movimento e identificar
possíveis dificuldades na execução dessas habilidades, que podem determinar o
engajamento ou desistência de permanecer ativo.
Com relação a faixa etária abordada, nota-se que os estudos avaliaram
predominantemente crianças de segunda infância, exceto Queiroz et al. (2014)
que avaliou pré-escolares. Por mais que Ulrich (1987) e Graf et al. (2004) tenham
incluído crianças a partir dos 5 anos de idade, maior atenção tem sido direcionada
ao estudo do comportamento motor de escolares que de pré-escolares. Todavia,
a primeira infância é considerada a base para o desenvolvimento de condutas
relacionadas à pratica de atividades físicas e exposição a comportamentos
sedentários que têm efeito estruturante no desenvolvimento infantil e tendem a
perpetuar-se para as fases posteriores da vida (DIAS; LANDEIRA-FERNANDEZ,
2011; TIMMONS et al., 2012). Dias e Landeira-Fernandez (2011), afirmam que,
de fato, o período crítico representa um momento em que o sistema nervoso está
extremamente sensível aos processos de aprendizagem que produzem
alterações permanentes e definitivas em determinadas estruturas neurais. Assim,
reforçando a sugestão de Vandorpe et al. (2012), novas investigações sobre a
38
relação entre PE e CM devem incluir crianças desde a idade pré-escolar, uma vez
que parecem ser escassas pesquisas com essa população. É importante também
analisar o papel do SPC nessa relação, que pode, de acordo com Stodden et al.
(2008), retroalimentar positiva ou negativamente as espirais de engajamento em
atividades físicas, nesse caso, a prática de esportes.
39
3. MATERIAIS E MÉTODO
3.1.
Caracterização do estudo
A presente investigação analisa dados secundários do “Estudo Longitudinal
de Observação da Saúde e Bem-Estar de Crianças em Idade Pré-escolar” (ELOSPré), cujo protocolo de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética da
Universidade
de
Pernambuco
(registro
CEP
097/10;
registro
CAAE
0096.0.097.000-10) (Anexo I). O ELOS-Pré caracteriza-se como uma pesquisa
longitudinal (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2007) com acompanhamento de
pré-escolares até o ingresso na idade escolar.
3.2.
Amostra
Neste estudo longitudinal, participaram da primeira avaliação, no segundo
semestre de 2010, crianças com idade entre três e cinco anos, de 28 escolas
públicas e privadas proporcionalmente distribuídas das seis regiões políticoadministrativas de Recife (PE- Brasil). No total, 292 crianças foram avaliadas com
o questionário do ELOS-Pré e completaram as medidas de desempenho motor
grosso e antropometria.
No segundo semestre de 2012, 206 crianças (70,55%, n=206/292) da lista
original de participantes foram localizadas e reavaliadas com o questionário do
ELOS-Pré. Assim, essa
investigação
incluiu
somente as crianças
que
completaram as medidas preliminares do ano de 2010, e que, em 2012, tiveram,
no questionário do ELOS-Pré, informações referentes à prática de esportes.
3.3.
Instrumentos e procedimentos
Em cada escola selecionada todas as crianças regularmente matriculadas
formam convidadas a participar do estudo. Aqueles sujeitos cujos pais ou
responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo II)
foram avaliados, entre os meses de agosto e novembro do ano de 2010 quanto à
prática de esportes, competência motora e status de peso corporal. Em 2012, a
40
prática de esportes foi avaliada entre os meses de Agosto e Dezembro. A seguir
serão descritos todos os instrumentos e procedimentos do estudo.
3.3.1. Avaliação da prática de esportes
As informações referentes à prática de esportes foram extraídas dos itens
54 e 55 do questionário ELOS-Pré (Anexo III). Para responder a tais questões, os
pais ou responsáveis deveriam informar se as crianças participavam de atividades
físicas organizadas como esportes, danças ou lutas. Caso fosse confirmada tal
participação, na questão seguinte, deveriam informar quais atividades eram
praticadas, assim como a frequência semanal (quantidade de vezes) e a duração
(tempo em minutos) de cada sessão. O produto da frequência e a duração de
cada sessão permitiu identificar o tempo total (minutos/semana) da prática de
esportes. A prática de esportes do ano de 2012 foi considerada como desfecho de
interesse, enquanto a informação do primeiro levantamento, em 2010, foi utilizada
para analisar o quanto a prática prévia aumenta a probabilidade de praticar
esportes após dois anos.
3.3.2. Avaliação da competência motora
A competência motora das crianças foi medida pelo Test of Gross Motor
Development - Second Edition (TGMD-2) (ULRICH, 2000). O TGMD-2 é um teste
com validade e confiabilidade para crianças brasileiras (VALENTINI, 2012) que
tem o propósito de avaliar o desempenho motor grosso em crianças de 3 a 10
anos para habilidades de locomoção e controle de objetos. No subteste locomotor
são avaliadas as habilidades de correr, galopar, saltitar, saltar obstáculo, saltar
horizontalmente e deslizar lateralmente. O subteste de controle de objetos avalia
as habilidades de rebater com o taco, quicar, receber, chutar, lançar sobre o
ombro e rolar a bola.
De acordo com o protocolo do teste, o experimentador fornece a instrução
e demonstra o movimento para a criança realizar uma tentativa-ensaio. Caso o
avaliador identifique qualquer problema de entendimento por parte da criança, ele
realiza uma nova demonstração. Na sequência a criança é instruída a realizar
41
duas tentativas da habilidade. O mesmo procedimento é realizado para todas as
habilidades.
Todas as habilidades foram filmadas com uma câmera digital (Cyber-Shot
DSC-H20, 10.1 Megapixel) e decodificadas usando-se o reprodutor de vídeo
Media Player Classic em velocidade lenta. Este tipo de análise permite verificar a
forma como as habilidades motoras foram realizadas (medida de processo) e
quantifica o desempenho por meio de escores atribuídos a critérios da lista de
checagem do teste (Anexo IV). Para tal, foi atribuído um ponto quando o critério
da lista de checagem foi atendido, ou zero quando este critério não foi atendido. A
decodificação dos dados aconteceu de forma independente por dois avaliadores
devidamente treinados no TGMD-2. Em caso de discordância entre o escore
atribuído pelos avaliadores, o vídeo foi reanalisado para decisão em conjunto
quanto à pontuação final para o critério. A concordância interavaliador para essa
amostra foi de 86%, de acordo com o cálculo proposto por Thomas, Nelson e
Silverman (2007).
A pontuação obtida em cada habilidade foi somada para fornecer o escore
bruto dos subtestes de locomoção (0-48 pontos) e de controle de objetos (0-48
pontos). De acordo com as tabelas de conversão do TGMD-2, o valor bruto de
cada subteste foi transformado em escore padrão. Para o subtetste locomotor, o
escore padrão é ajustado por idade, enquanto o subteste de controle de objetos é
ajustado por idade e sexo. Para fins de análise, o escore padrão de cada subteste
foi dividido em tercis, permitindo separar as crianças em baixa, média e alta
competência motora.
3.3.3. Avaliação do status de peso corporal
A
avaliação
do
status
de
peso
corporal
contou
com
medidas
antropométricas de estatura e massa corporal das crianças. Para medir a estatura
das crianças foi utilizado um estadiômetro portátil (Wiso) com precisão de 0,1 cm.
Para realizar essa medida, as crianças foram instruídas a permanecer em posição
ereta, de costas para o estadiômetro e sem qualquer calçado. A medida da massa
corporal foi realizada com uma balança portátil (Beurer) com precisão de 0,1 kg.
Para fazer-se essa medida as crianças deveriam estar com roupas leves e
42
descalças. A partir das medidas de massa corporal e estatura, o índice de massa
corporal (IMC) [massa corporal (kg)/estatura (m)²] foi calculado para cada criança.
De acordo com os pontos de corte para o IMC propostos pelo International
Obesity Task Force (IOTF) (COLE et al., 2000), ajustados por sexo e idade, as
crianças foram classificadas em peso normal (abaixo do percentil 85), sobrepeso
(entre os percentis 85 e 95) e obesidade (acima do percentil 95) (Anexo VI). Para
a análise dos dados, as classificações de sobrepeso e obesidade foram
agrupadas e formaram um grupo denominado de “excesso de peso”.
3.3.4. Outras informações
As informações socioeconômicas da família, coletadas do segundo
levantamento, foram operacionalizadas pelo item 2 do questionário ELOS-Pré
(“Qual a faixa de renda da família da criança?) (Anexo III). Essa questão permitiu
avaliar o valor aproximado de salários mínimos recebido pelos pais da criança em
6 categorias: menos de 311 reais, de 311 a 622 reais, de 622 a 1244 reais, de
1244 a 2488 reais, de 2488 a 6220 reais e mais de 6220 reais. O valor de salário
mínimo durante o período de coleta de dados era de 622 reais (aproximadamente
300 dólares). As categorias de resposta foram agrupadas em três grupos para a
análise dos dados: abaixo de um salário mínimo (menor que 622 reais), entre um
e quatro salários mínimos (entre 623 e 2488 reais) e acima de quatro salários
mínimos (mais que 2489 reais).
3.4.
Análise dos dados
Inicialmente o tamanho da amostra do projeto ELOS-Pré foi calculado para
atender a multiplicidade de variáveis relacionadas à saúde e bem estar de préescolares. Para o presente estudo, o cálculo do poder estatístico da amostra foi
realizado a posteriori. Para avaliar a associação entre as variáveis, a amostra
(n=206) teve poder de 80% de detectar odds ratios iguais ou superiores a 2,4
como significativas para prevalências entre 21 a 61%, a um nível de confiança de
95% (α = 5%)
43
As análises descritivas foram apresentadas, usando-se distribuição de
frequência para as variáveis categóricas, e média e desvio padrão para as
variáveis numéricas. A presença de colinearidade foi testada pelo fator de inflação
da variância (VIF - Variance Inflation Factor), sendo admitida como ausência de
colinearidade valores abaixo de três. Neste estudo foi identificada colinearidade
entre a prática de esportes e o tempo total dessas atividades. Assim, somente a
informação referente à prática prévia de esportes foi considerada para a análise
final.
Para analisar a associação bruta e ajustada entre a prática de esportes
(sem prática de esportes = 0 e com prática de esportes = 1), em 2012, com base
nas medidas feitas em 2010 do desempenho em habilidades de locomoção e
controle de objetos, do status de peso corporal e da prática prévia de esportes,
utilizou-se a regressão logística binária. Assim, os dados de 2010 foram
considerados preditores, enquanto a prática de esportes após dois anos foi
considerada como desfecho de interesse (Figura 4).
Os dados foram analisados com os pacotes estatísticos SPSS 17.0 e
STATA 11.0, com nível de significância fixado em p<0,05. Todas as variáveis
preditoras foram consideradas para o modelo múltiplo, permanecendo aquelas
que apresentaram valor p<0,20 através do método Backward ou que contribuíram
para o índice de ajuste do modelo. As variáveis sociodemográficas sexo e renda
familiar foram testadas como possíveis fatores de confusão e avaliadas quanto ao
ajuste final. A comparação entre modelos concorrentes levou em consideração o
critério de informação bayesiano (BIC - Bayesian information criterion) e a
deviance para a avaliação do melhor modelo ajustado. A presença de interação
foi testada pela regressão bivariada na qual as variáveis fictícias (produto entre os
preditores e as informações sócio demográficas) foram testadas no modelo
múltiplo. A significância das variáveis foi avaliada pelo teste de Wald, e o ajuste
final do modelo pelo teste de Hosmer e Lemeshow e o pseudo-R² de Cox e Snell.
44
Figura 4. Modelo gráfico da proposta de análise de dados – associação direta
Figura 5. Modelo gráfico da proposta de análise de dados – associação indireta
45
4. RESULTADOS
A amostra final foi composta por 206 crianças que, no primeiro
levantamento, tinham entre 3 e 5 anos de idade (média = 4,27 anos; DP= 0,75), e
na reavaliação 5 a 7 anos (média = 6,34 anos; DP= 0,75), dos quais 55,83% (n =
115) eram do sexo masculino. Desse quantitativo de crianças, 24 praticavam
esportes em 2010 e 52 crianças praticavam esportes em 2012.
Esta seção apresenta os resultados, obedecendo a seguinte ordem:
inicialmente serão mostradas as análises descritivas das variáveis analisadas nos
ano de 2010 e 2012; em seguida serão mostrados os resultados da regressão
logística binária.
4.1.
Desempenho motor e status de peso corporal no ano de 2010
No ano de 2010, relativo à competência motora no subteste de locomoção,
79 crianças (38,35%) tiveram seu desempenho classificado como baixo; 86
(41,75%) tiveram desempenho médio e 41 (19,90%) mostraram alta competência
no substeste locomotor. No subteste controle de objetos, 111 crianças (53,88%)
tiveram seu desempenho classificado como baixo, 41 (19,90%) mostraram
desempenho médio e 54 (26,21%) mostraram alta competência. Para a variável
status de peso corporal, a prevalência de excesso de peso nessa amostra foi de
24,76% (n=51), dos quais 15,05% tinham sobrepeso (n=31) e 9,71% obesidade
(n=20).
A Tabela 1 apresenta a associação entre diferentes níveis de competência
motora (baixa, média e alta), para os subtestes de locomoção e controle de
objetos, e status de peso corporal (excesso de peso e peso normal). A associação
foi significativa apenas para o subteste de locomoção (p<0,01).
46
Tabela 1 - Distribuição dos diferentes níveis de competência motora (CM) nos
subtestes de locomoção e controle de objetos de acordo com o e status de
peso corporal.
Status de peso corporal
Excesso de peso
n (%)
Locomoção
Baixa CM, n(%)
Média CM, n(%)
Alta CM, n(%)
Total, n(%)
Controle de objetos
Baixa CM, n(%)
Média CM, n(%)
Alta CM, n(%)
Total, n(%)
4.2.
Peso normal
n (%)
31 (60,8)
9 (17,6)
11 (21,6)
48 (31,0)
77 (49,7)
30 (19,3)
51 (100)
155 (100)
26 (51,0)
12 (23,5)
13 (25,5)
85 (54,8)
29 (18,7)
41 (26,5)
51 (100)
155 (100)
X²
p
18,42
<0,01
0,57
0,75
Prática de esportes em 2010 e 2012
Descritivamente, a prevalência das crianças que praticavam esportes
aumentou de 11,65% (n=24) para 25,24% (n=52) no segundo levantamento.
Ressalta-se que, entre aqueles que praticavam esportes no ano de 2010, 17
crianças (70,83%) mantiveram-se praticando esportes no ano de 2012. A
associação entre a prática de esportes nos dois levantamentos foi significativa
(X²=27,25; p<0,01).
Quanto aos esportes praticados nos dois levantamentos, em 2010, 21
crianças praticavam somente um esporte e três crianças praticavam dois
esportes. Em 2010, o esporte mais praticado era a natação (n=10; 37,04%)
seguido do balé (n=5; 18,52%), futebol (n=5; 18,52%), taekwondo (n=3; 11,11%),
judô (n=2; 7,41%), capoeira (n=1; 3,70%) e ginástica artística (n=1; 3,70%). No
ano de 2012, 38 crianças praticavam somente um esporte, 9 praticavam dois e 5
praticavam três. O esporte mais praticado neste ano foi o futebol (n=19; 26,76%)
seguido da natação (n=17; 23,94%), balé (n=11; 15,49%), caratê (n=8; 11,27%),
judô (n=6; 8,45%), ginástica (n=5; 7,04%), frevo (n=3; 4,23%), capoeira (n=1;
1,41%) e taekwondo (n=1; 1,41%). O tempo médio da prática de esportes por
47
semana, no primeiro levantamento, foi de 137,50 minutos (DP = 59,95; Mín-Máx =
60-300), e, no segundo, de 164,62 minutos (DP = 93,28; Mín-Máx = 60-400).
A Tabela 2 apresenta a associação entre diferentes níveis de competência
motora para os subtestes de locomoção e controle de objetos, status de peso
corporal (em 2010), e a prática de esportes em 2012. Apenas o subteste de
locomoção foi significativamente associado à prática de eesportes (p<0,04).
Tabela 2 - Distribuição dos diferentes níveis de competência motora (CM) nos
subtestes de locomoção e controle de objetos, e status de peso corporal de
acordo com a prática de esportes em 2012.
Prática de esportes em 2012
Locomoção
Baixa CM, n(%)
Média CM, n(%)
Alta CM, n(%)
Total, n(%)
Controle de objetos
Baixa CM, n(%)
Média CM, n(%)
Alta CM, n(%)
Total, n(%)
Status de peso corporal
Excesso de peso, n(%)
Peso normal, n(%)
Total, n(%)
4.3.
Não pratica esportes
n (%)
Pratica esportes
n (%)
66 (42,8)
60 (39,0)
28 (18,2)
13 (25,0)
26 (50,0)
13 (25,0)
154 (100)
52 (100)
84 (54,6)
33 (21,4)
37 (24,0)
27 (51,9)
8 (15,4)
17 (32,7)
154 (100)
52 (100)
35 (22,7)
119 (77,3)
16 (30,8)
36 (69,2)
154 (100)
52 (100)
X²
p
6,28 <0,04
1,88
0,40
1,35
0,25
Análise da regressão logística binária
A Tabela 3 apresenta os resultados da regressão logística binária para a
associação bruta e ajustada entre a prática de esportes (em 2012) e os preditores
(em 2010) desempenho motor nos subtestes de locomoção e controle de objetos,
status de peso corporal e prática prévia de esportes. Na análise bruta as variáveis
que se associaram à prática de esportes foram a prática prévia e o subteste
locomotor da competência motora (Tabela 3).
48
Durante o processo de modelagem da regressão logística, o subteste
controle de objetos não apresentou valor de significância abaixo de 0,20 na
análise bruta, assim como não contribuiu para o modelo multivariável; então, foi
excluído da análise. Ao considerarem-se os possíveis fatores de confusão, a
variável renda familiar não atingiu os critérios para permanência no modelo
ajustado e também foi excluída do modelo final.
Na análise ajustada permaneceram associadas à prática de esportes, de
forma positiva e significativa, a prática prévia e o subteste locomotor (Tabela 3). A
probabilidade de praticar esportes após dois anos foi 10 vezes maior entre
aquelas crianças que praticavam esportes quando foi feito o primeiro
levantamento. No subteste locomotor da competência motora, em 2010, as
crianças de média e alta competência tiveram aproximadamente 2,7 vezes maior
probabilidade de praticar esportes após dois anos quando comparados às de
competência motora baixa. Não houve qualquer efeito de interação ou mediação
significativa entre as variáveis preditoras e os fatores sociodemográficos renda
familiar e sexo. Também não foi identificada mediação do status de peso corporal
para a associação entre desempenho motor em locomoção e prática de esportes
após dois anos. O teste de Hosmer e Lemeshow indicou um bom ajuste do
modelo final (χ2 = 3,49; df = 7; p = 0,75), e o pseudo-R² foi de 0,14 de acordo com
o teste de Cox e Snell.
49
Tabela 3 – Regressão logística bruta e ajustada para a associação entre prática de esportes após
dois anos, prática prévia de esportes, subtestes locomotor e controle de objetos da competência
motora (CM), e status de peso corporal, de pré-escolares do Recife (PE).
Ajustada*
Bruta
Variáveis
Odds
ratio
Prática prévia de esportes
Não praticava
Praticava
1
10,20
Locomotor
Baixa CM
Média CM
Alta CM
1
2,20
2,36
Controle de objetos
Baixa CM
Média CM
Alta CM
1
0,75
1,43
Status de peso corporal
Excesso de peso
Peso normal
1
0,66
*ajustada por sexo
§
p de tendência linear
#
p de heterogeneidade
Wald
IC 95%
22,75 3,93-26,49
4,22
3,59
0,39
0,94
1,34
1,04-4,67
0,97-5,72
0,31-1,83
0,70-2,94
0,33-1,33
p
Odds
ratio
<0,01
1
10,00
0,04§
1
2,67
2,70
0,40#
0,25
Wald
IC 95%
21,14 3,75-26,69
4,88
3,98
1,12-6,39
1,02-7,18
p
<0,01
0,03§
Excluída
1
0,50
2,74
0,22-1,14
0,10
50
5. DISCUSSÃO
A principal proposta do presente estudo foi investigar a associação
existente entre os preditores desempenho em habilidades motoras de locomoção
e controle de objetos, status de peso corporal e prática de esportes na idade préescolar, e o desfecho prática de esportes após dois anos dessa fase da vida
(segunda infância).
Fundamentado no modelo teórico proposto por Stodden et al. (2008), os
resultados do presente estudo serão discutidos iniciando com a associação
positiva entre o desempenho em habilidades de locomoção e a subsequente
prática de esportes. A seguir será discutida a ausência de associação entre o
status de peso corporal, desempenho motor e prática de esportes e, então, será
discutida a prática prévia de esportes e sua influência sobre a prática atual/futura
de esportes. Para finalizar, descrevemos as principais limitações desta pesquisa e
sugestões para estudos futuros.
5.1.
Associação positiva entre habilidades de locomoção e prática de
esportes
De acordo com a perspectiva desenvolvimental e o modelo teórico
proposto por Stodden et al. (2008), esperava-se que a prática de esportes na
segunda infância estivesse associada ao desempenho de habilidades motoras
adquiridas na primeira infância ou idade pré-escolar. Nossos resultados
confirmaram essa hipótese, porém apenas as habilidades locomotoras estiveram
associadas à prática de esportes após dois anos.
No modelo de Stodden et al. (2008) a competência motora pode ser
entendida como uma das variáveis de maior importância durante a infância, ou
seja, diferente de fatores que podem ser revertidos numa escala de tempo menor
(p. ex. hábitos nutricionais, nível de atividade física), a aquisição de habilidades
motoras é um fenômeno que se caracteriza, de fato, por sua permanência
(SCHMIDT; LEE, 1999). Stodden et al. (2008) sugeriram que as atividades físicas
praticadas na primeira infância fundamentam a aquisição de habilidades motoras,
isto é, aumentam a probabilidade de que as experiências práticas influenciem
51
positivamente a organização do sistema percepto-motor, resultando, assim, no
aumento da competência motora. Essa competência motora “aumentada”
retroalimenta o modelo e potencializa o nível de atividade física das crianças, o
que eleva ainda mais sua competência motora. Este é um mecanismo conhecido
como feedback positivo (BERTALANFFY, 1975), e foi denominado de “espiral de
engajamento positiva” no modelo de Stodden et al. (2008)
Em termos simples, o mecanismo de feedback positivo é do tipo “ganhaganha”: quanto maior a competência motora, maior probabilidade de engajar-se
em atividades físicas e maior a probabilidade de aumentar-se a competência
motora, e assim por diante. Deste modo, esse ciclo “positivo” tende a perpetuarse ao longo do processo de desenvolvimento humano. O presente estudo, ao
menos parcialmente, parece confirmar a existência desse ciclo de interação
recíproca entre competência motora e atividade física, entre as fases pré-escolar
e escolar (1ª. e 2ª infância).
Pode-se questionar, no entanto, por que apenas o desempenho em
habilidades de locomoção esteve associado à prática de esportes após dois anos.
Crianças com maiores níveis de desempenho em habilidades de locomoção
(médio e alto), na idade pré-escolar, tiveram aproximadamente 2,7 vezes maior
probabilidade de praticar esportes após dois anos, quando comparadas àquelas
com baixo nível de desempenho para essas habilidades. Todavia, não houve
associação significativa entre diferentes níveis de desempenho em habilidades de
controle de objetos e a prática de esportes após dois anos.
Relativo à especificidade da tarefa, o resultado positivo somente para a
associação com habilidades de locomoção sugere que o tipo de habilidade
motora fundamental pode estar envolvido em uma hierarquia de controle; neste
caso, habilidades locomotoras seriam as primeiras a mostrarem um potencial de
interação com atividades físicas organizadas, sendo sucedidas pelas habilidades
de controle de objetos. Gallahue e Donnelly (2003) afirmam que os movimentos
de locomoção contêm uma base filogenética (hereditária), o que possibilita à
espécie humana atingir estágios iniciais e elementares desses movimentos antes
que isso ocorra com habilidades de controle de objetos. Fatores ontogenéticos
(ambientais) e prática específica são necessários para alcançar estágios mais
52
avançados de desempenho em quaisquer das habilidades motoras (GALLAHUE;
DONNELLY, 2003).
Por outro lado, em virtude dos ajustes percepto-motores complexos
necessários para o contato controlado e preciso com os objetos, o alcance de
estágios avançados em habilidades de controle de objetos ocorre um pouco mais
tarde do que a maioria das habilidades locomotoras (GALLAHUE; DONNELLY,
2003). Habilidades de controle de objetos exigem a aquisição de padrões mais
refinados por meio de experiências motoras constantes, suficientemente
prolongadas e instruídas para alcançar o estágio maduro de desempenho
(GALLAHUE; DONNELLY, 2003).
Outra possível explicação para a associação encontrada entre níveis de
desempenho em habilidades de locomoção e a subsequente prática de esportes
pode ser atribuída ao tipo de prática esportiva observada na idade pré-escolar.
Alguns dos esportes praticados - como o balé (n=5; 18,52%), o taekwondo (n=3;
11,11%), o judô (n=2; 7,41%), a capoeira (n=1; 3,70%) e a ginástica artística (n=1;
3,70%) - utilizavam pouca manipulação ou controle de objetos, o que pode ter
potencializado o desenvolvimento das habilidades locomotoras. Embora a
natação tenha sido o esporte mais praticado no primeiro levantamento (n=10;
37,04%), o tipo de medida de desempenho motor empregado em nosso estudo,
que avalia apenas habilidades motoras terrestres, pode não ter sido influenciado
pela prática de habilidades motoras específicas para este esporte, como o
controle respiratório, flutuação, pernadas, braçadas e movimentos de cabeça. Ao
analisar especificamente o futebol (n=5; 18,52%), representado pela habilidade de
chutar da categoria de controle de objetos, a manipulação da bola muitas vezes
tem como fator determinante para o seu sucesso o desempenho em habilidades
de locomoção. Na prática do futebol, pode-se observar que em boa parte do
tempo a criança utiliza a habilidade locomotora da corrida sem a manipulação ou
controle da bola, o que pode ter favorecido o amplo domínio da habilidade de
locomoção e contribuído para a associação encontrada neste estudo.
Nossos resultados parecem reforçar os de estudos anteriores que
compararam as diferenças no desempenho motor entre crianças que praticavam,
ou não, esportes. Em geral, crianças que praticavam esportes alcançaram melhor
escore em testes de coordenação motora (GRAF et al., 2004; D’HONDT et al.,
53
2013) ou no desempenho de habilidades motoras fundamentais (QUEIROZ et al.,
2014; ULRICH, 1987) comparados àquelas que não praticavam esportes.
Utilizando uma medida de coordenação motora (Köperkoordinationstest für
Kinder – KTK) (KIPHART; SCHILLING, 1974), como uma operacionalização da
competência motora, Graf et al. (2004), em estudo transversal, investigaram se
crianças de segunda infância que praticavam esportes tinham maior coordenação
motora que as não praticantes de esportes. Seus resultados indicaram
desempenho superior a favor daquelas crianças que praticavam esportes. Ao
avaliar longitudinalmente a associação entre a PE e a coordenação motora (KTK)
após dois anos, D’Hondt et al. (2013) mostraram que a PE predisse positivamente
a subsequente coordenação motora. Neste estudo D’Hondt et al. (2013)
sugeriram que a PE parece não somente estar associada mas também afetar
positivamente o desenvolvimento de habilidades motoras.
Entre os estudos que avaliaram especificamente habilidades motoras
fundamentais entre praticantes ou não praticantes de esportes, Ulrich (1987)
investigou crianças de segunda infância, usando uma medida de desempenho
motor que envolveu apenas habilidades de controle de objetos (drible com bola de
borracha, drible com bola de futebol, lançamento com a mão de uma bola de
softball e lançamento com o pé de uma bola de futebol). Seus resultados
mostraram que aquelas crianças que praticavam esportes tiveram desempenho
superior para todas as habilidades motoras. Queiroz et al. (2014), por sua vez,
avaliaram o desempenho motor para habilidades de locomoção e controle de
objetos em pré-escolares; os resultados deste estudo indicaram que o escore
geral para as duas categorias foi maior entre aqueles que praticavam esportes.
Também foi encontrado desempenho superior para a habilidade específica do
deslize lateral (slide), da categoria de locomoção, a favor daqueles que
praticavam esportes.
Em suma, estudos anteriores que avaliaram competência motora em
crianças de primeira e segunda infância e a PE mostraram desempenho superior
a favor das crianças que praticavam esportes (ULRICH, 1987; QUEIROZ et al.,
2014; GRAF et al., 2004; D’HONDT et al., 2013). Entretanto, considerando a
perspectiva desenvolvimental e noção de interação dinâmica e recíproca entre
subsistemas, a presente investigação questionou o oposto, ou seja, se diferentes
54
níveis de desempenho em habilidades motoras, mesmo em crianças muito jovens
(primeira infância), estariam associados à prática de esportes após dois anos.
Ao avaliar especificamente essa relação, Vandorpe et al. (2012), em estudo
longitudinal, avaliaram a coordenação motora (KTK) de crianças de segunda
infância que praticavam esportes em três diferentes níveis (PE consistente, PE
parcial ou sem PE). Os resultados deste estudo mostraram que aquelas crianças
que praticavam esportes ao longo dos três anos (PC consistente), apresentaram
maior escore de coordenação motora que as crianças dos outros níveis de PE.
Além disso, a coordenação motora no primeiro ano de avaliação esteve
positivamente associada à PE após dois anos.
Nossos resultados concordam com os de Vandorpe et al. (2012),
estendendo seus achados para uma amostra de crianças mais jovens. De fato, os
resultados do presente estudo mostraram que o desempenho motor na idade préescolar (3 a 5 anos de idade), sobretudo em habilidades de locomoção, esteve
associado à subsequente PE. Algumas diferenças, no entanto, precisam ser
consideradas entre os estudos.
Em primeiro lugar, Vandorpe et al. (2012) avaliaram crianças de segunda
infância, enquanto o presente estudo avaliou crianças de primeira infância (préescolares). De acordo com Gabbard (2008) os primeiros cinco anos de vida são
considerados “críticos” ou “ótimos” para as primeiras experiências de movimento
e programação de atividades desenvolvimentalmente apropriadas. Isso porque,
nessa fase de vida o sistema nervoso está mais sensível aos processos de
aprendizagem
que
produzem
alterações
permanentes
e
definitivas
em
determinadas estruturas neurais (GABBARD, 2008). Assim, a primeira infância é
considerada como fase crítica para o desenvolvimento de condutas relacionadas
à saúde que tendem a perpetuar-se nas fases posteriores da vida (DIAS;
LANDEIRA-FERNANDEZ, 2011; TIMMONS et al., 2012).
Outra diferença entre os estudos pode ser atribuída ao tipo de teste da
competência motora. Em nosso estudo examinamos qualitativamente o
desempenho em habilidades motoras fundamentais de locomoção e controle de
objetos, o que é denominado de medida do processo de movimento (CLARK
WHITALL 1989, HANDS, 2008). Neste tipo de medida, a forma mecânica do
movimento é observada e pontuada de acordo com critérios de proficiência
55
mecânica, permitindo discriminar o processo desenvolvimental de cada criança
(CLARK; WHITALL, 1989).
O estudo de Vandorpe et al. (2012) avaliou quantitativamente a
coordenação motora grossa, ou seja, o produto do movimento. Uma das
principais dificuldades desse tipo de medida é que ela não avalia o processo
desenvolvimental que resultou no escore alcançado. Por exemplo, em uma tarefa
de saltar, uma criança pode ter a mesma distância alcançada que outra, porém
com um padrão de movimento menos sofisticado e, dessa forma, o escore no
teste não é capaz de discriminar a criança que estava em um nível
desenvolvimental mais elevado. De maneira oposta, a avaliação de habilidades
motoras quanto ao processo do movimento, sobretudo em idades mais jovens,
permite
identificar dificuldades específicas
durante a
execução
de um
determinado padrão de movimento fundamental, auxiliando na detecção de
alterações no desenvolvimento motor.
Além disso, a medida de desempenho motor empregada no estudo de
Vandorpe et al. (2012) (KTK) pode também ser afetada pelo status de peso
corporal. De fato, estudos anteriores (D’HONDT et al., 2009; MALINA, 2013)
mostraram que o desempenho em alguns testes motores, especialmente no KTK,
pode ser negativamente influenciado pelo excesso de peso, que utiliza suporte
e/ou transporte do peso corporal na maioria das tarefas. Assim, o aumento na
massa dos diferentes segmentos corporais pode afetar o equilíbrio estático e
dinâmico, que são aspectos determinantes do desempenho nesse teste. No
presente estudo o status de peso corporal pode também ter afetado o
desempenho em habilidades de locomoção considerando que crianças de peso
normal tiveram melhor desempenho que àquelas com excesso de peso. No
entanto, o teste motor utilizado no presente estudo (TGMD-2) parece equilibrar
em partes o efeito negativo do status de peso corporal, uma vez que metade das
tarefas são de habilidades de controle de objetos, ou seja, sem necessidade de
transporte do corpo.
56
5.2.
Status de peso corporal, desempenho motor e prática de esportes
No modelo teórico de Stodden et al. (2008) o status de peso corporal pode
ser tanto um produto como um mediador da relação entre desempenho motor e
atividades físicas, nesse caso a prática de esportes. Com base nesse modelo
teórico, esperávamos que o status de peso corporal pudesse estar diretamente
associado à prática de esportes ou mediasse a associação entre o desempenho
de habilidades motoras e a subsequente prática de esportes. Estudos anteriores
que avaliaram as diferenças no status de peso corporal entre praticantes e não
praticantes de esporte avaliaram apenas adolescentes (VELLA et al., 2013;
ROMANI, 2011; BELUE et al., 2009) ou adultos (ALFANO et al. 2002).
Nossos resultados não indicaram associação significativa entre status de
peso corporal na idade pré-escolar e a prática de esportes após dois anos. O
status de peso corporal também não mediou a relação entre o desempenho de
habilidades motoras de locomoção e a subsequente prática de esportes, o que
sugere não haver efeito indireto, especificamente para esta associação. Além
disso, não houve efeito de interação entre o desempenho motor e o status de
peso corporal. Isso indica que a associação entre as variáveis no modelo de
regressão não difere para crianças de peso normal ou com excesso de peso.
Entretanto, o desempenho em habilidades motoras de locomoção esteve
associado à subsequente prática de esportes independentemente do status de
peso corporal. Em outras palavras, crianças com maiores níveis de desempenho
motor em habilidades de locomoção tenderam a engajar-se em atividades
esportivas independentemente do seu status de peso corporal, reforçando o papel
atribuído ao desempenho motor como um fator que exerce influência positiva para
a prática de esportes, tal como é sugerido no modelo teórico de Stodden et al.
(2008).
As razões para a diferença entre os achados deste estudo e a proposição
de Stodden et al. (2008) para o status de peso corporal ainda são incertas, no
entanto uma possível explicação pode ser atribuída à faixa etária dos
participantes. Diversos estudos têm indicado uma relação inversa, porém fraca,
entre o desempenho de habilidades motoras fundamentais e o status de peso
57
corporal na idade pré-escolar (MORANO; COLELLA; CAROLI, 2011; ROBERTS
et al., 2012; VAMEGHI; SHAMS; DEHKORDI, 2013).
Os resultados do presente estudo confirmam a associação significativa
entre os níveis de desempenho em habilidades de locomoção e status de peso
corporal na idade pré-escolar. Todavia, a associação entre níveis de desempenho
em habilidades de controle de objetos e status de peso corporal não foi
significativa. Resultados de estudos anteriores sobre esta temática têm mostrado
que a força dessa relação tende aumentar ao longo da idade pré-escolar
(VAMEGHI; SHAMS; DEHKORDI, 2013) e segunda infância (LOPES et al., 2012),
tornando-se irreversível para as posteriores fases da vida. Assim, pode ser que o
status de peso corporal, especialmente em crianças mais novas, tenha pouca
influência sobre a prática de esportes, contudo torne-se mais importante ao longo
do processo de desenvolvimento (STODDEN et al., 2008).
5.3.
Prática prévia de esportes, e sua influência na prática atual/futura em
esportes
Um dos achados do presente estudo foi que a prática prévia de esportes,
na idade pré-escolar, aumentou em dez vezes a probabilidade de praticar
esportes na segunda infância. Dos 24 pré-escolares que praticavam esportes no
primeiro levantamento, 17 deles (aproximadamente 71%) continuaram praticando
no segundo levantamento.
Uma das possíveis explicações para a permanência na prática de esportes
pode estar relacionada com a relação sinérgica entre variáveis comportamentais
que levam ou reforçam o engajamento em atividades físicas e esportivas
(STODDEN et al., 2008). Por sinergia, entende-se a ação cooperativa de eventos
particulares, de tal modo que o efeito combinado desses eventos é maior do que
o efeito isolado de cada um deles (OXFORD DICTIONARY OF ENGLISH
ONLINE, 2013).
Em série especial sobre atividade física na revista The Lancet, Kohl et al.
(2012) sugerem que para entender a atividade física como um todo é necessário
considerar toda a complexidade do sistema ao invés de dirigir a atenção, ou
explicar, apenas algumas partes de um “quebra-cabeça”; uma abordagem de
58
sistemas deve considerar a quantidade de interações e complexidade dos
comportamentos de saúde que ocorrem em tempo real no sistema. De fato, uma
característica chave de sistemas complexos é que múltiplos eventos e níveis de
influência são considerados interdependentes e podem afetar sinergicamente
comportamentos de atividade física, neste caso a prática de esportes (KOHL et
al., 2012).
O modelo teórico de Stodden et al. (2008), que fundamenta-se numa
perspectiva desenvolvimental, dinâmica e complexa, define como variáveis
essenciais, além da competência motora e atividade física, a percepção de
competência e a aptidão física relacionada à saúde. Apesar de o presente estudo
não ter avaliado especificamente essas duas últimas variáveis, é razoável
concordar que elas podem influenciar o ciclo positivo de engajamento em
atividades físicas.
Conforme sugerido na literatura (STODDEN et al., 2008; WEISS, 2013),
crianças que autopercebem-se como competentes são mais propensas a praticar
atividades físicas e esportes e, consequentemente, continuam a ser fisicamente
ativas no esporte e no lazer. Weiss (2013) sugere que os principais motivos para
o envolvimento em atividades físicas e esportivas incluem: (a) o desenvolvimento
e demonstração de competências físicas (p. ex. aprender e melhorar habilidades),
(b) alcançar aceitação e apoio social (p. ex. estar com e fazer amigos; ser
reforçado por pais e treinadores) e (c) ter experiências de prazer (p. ex. divertir-se
e desafiar-se).
Nesse sentido, elevados níveis de percepção de competência motora no
início da infância parecem influenciar positivamente tanto a prática de atividades
físicas como o desenvolvimento de habilidades motoras (STODDEN, et al., 2008).
Em crianças mais velhas, maiores níveis de desempenho motor conduzem ao
engajamento em atividades físicas e esportivas mediado pela percepção de
competência motora (STODDEN et al., 2008). Espera-se que, ao praticar um
determinado esporte, a criança com maiores níveis de desempenho motor sintase mais motivada a manter essa prática, uma vez que obtém mais sucesso ou
sente-se mais capaz que seus colegas. Assim, isso pode ser um dos motivos da
elevada probabilidade identificada a favor daqueles que tiveram prática prévia de
esportes.
59
5.4.
Limitações
Algumas limitações precisam ser consideradas no presente estudo. Em
primeiro lugar, a informação da prática de esportes, relatada por adultos, pode
não ter sido precisa quanto ao tipo ou o tempo despendido em sua prática. Isso
porque os respondentes do questionário (que podiam ser os pais ou responsáveis
pelas crianças) podem ter dificuldade em recordar com precisão se a criança
pratica ou não atividades físicas organizadas, assim como a frequência e a
duração de cada sessão.
Outro aspecto limitador é o fato de não se conhecer como as práticas de
esportes eram feitas. O conteúdo das aulas assim como as variáveis de
aprendizagem (instrução, feedback, distribuição de prática etc) são aspectos que
merecem ser mais bem controlados em estudos sobre competência motora e
prática de esportes.
5.5.
Aspectos inovadores do presente estudo e direções futuras
Nosso estudo é o primeiro a investigar longitudinalmente o impacto que
diferentes níveis de desempenho motor na idade pré-escolar têm sobre a
subsequente prática de esportes. Investigamos também se essa associação
difere entre categorias de locomoção e controle de objetos, o que não foi
analisado anteriormente por outros estudos. Além disso, nosso estudo é o
primeiro a considerar o papel do status de peso corporal para a associação entre
as variáveis em crianças tão jovens.
O presente estudo explorou se diferentes níveis de desempenho motor e o
status de peso corporal estavam associados à prática de esportes após dois
anos. Numa perspectiva desenvolvimental de interação recíproca entre as
variáveis, essa associação também pode ser testada na direção inversa. Assim,
pode-se, futuramente, questionar como a prática de esportes pode afetar o
desenvolvimento de habilidades motoras. Estudos do tipo experimental seriam o
mais apropriado para este tipo de questão, ao buscarem estabelecer claramente a
relação de causa e efeito entre variáveis, por meio da manipulação experimental.
Consideramos este como um estudo inicial, que nos permitiu uma maior
60
aproximação do fenômeno que é o desenvolvimento motor ativo e saudável de
crianças.
Sugerimos, também, que mais pesquisas longitudinais avaliem a
estabilidade da competência motora e a força do relacionamento entre
competência motora, status de peso e prática de esportes com o passar dos
anos. Esperamos que novos estudos sejam capazes de refinar e descobrir muitas
das respostas às questões colocadas para pesquisas futuras.
61
CONCLUSÕES E APLICAÇÕES PRÁTICAS DO ESTUDO
Nesta amostra de pré-escolares, os resultados permitem concluir que
maiores níveis de desempenho em habilidades motoras de locomoção e a prática
de esportes na idade pré-escolar são fatores cruciais para a subsequente prática
de esportes. Nossos resultados sustentam parcialmente o modelo teórico de
Stodden et al. (2008) sugerindo que maiores níveis de competência motora
potencializam a espiral positiva de engajamento em atividades físicas. Como
habilidades de locomoção desenvolvem-se mais cedo que as de controle de
objetos, esse tipo de habilidade pode ser um melhor preditor da prática de
esportes no início da infância. Assim, recomenda-se que a todas as crianças,
especialmente àquelas com menor desempenho em habilidades de locomoção,
sejam oferecidas oportunidades para o desenvolvimento de habilidades motoras
fundamentais desde o início da infância. Nesse contexto, a prática de esportes
parece ser um ambiente propício para a aquisição e desenvolvimento dessas
habilidades que fornecerão a base para o engajamento e manutenção na prática
de atividades físicas e/ou esportivas ao longo da vida.
62
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69
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70
GLOSSÁRIO
Em virtude da infinidade de definições utilizadas para alguns dos termos
apresentados a seguir, é importante definir os termos específicos para o contexto
do presente estudo:
Esportes organizados: são atividades que envolvem sessões formais e
estruturadas de treinamento; geralmente são orientadas ou supervisionadas por
adultos para fins de jogos ou competições (BOOTH et al., 2002; MALINA, 2013);
Competência motora: é a capacidade para realizar com proficiência habilidades
motoras fundamentais de locomoção e controle de objetos (STODDEN et al.,
2008). Também pode ser definida como a capacidade para realizar movimentos
em um nível ótimo e suficiente para a solução de um problema motor (KEOGH,
1977);
Habilidades motoras fundamentais: são habilidades adquiridas no início da
infância após a fase de movimentos rudimentares (GALLAHUE; OZMUN;
GOODWAY, 2013). As habilidades motoras fundamentais incluem categorias de
locomoção,
controle
de
objetos
e
estabilidade
(GALLAHUE;
OZMUN;
GOODWAY, 2013). O domínio desse conjunto de habilidades fornece a base para
habilidades especializadas que serão aplicadas na prática de esportes
(GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013);
Habilidades locomotoras: são aquelas habilidades que envolvem o transporte
do corpo ao longo do espaço (p. ex. a corrida, o galope, o saltito etc.)
(HAYWOOD; GETCHELL, 2005);
Habilidades de controle de objetos: são aquelas habilidades que envolvem a
manipulação ou o controle de objetos, em que há imposição ou recepção de força
do mesmo (p. ex. o lançamento, o chute, a recepção de uma bola etc.)
(HAYWOOD; GETCHELL, 2005);
71
Status de peso corporal: classificação do International Obesity Task Force
(COLE et al., 2000) atribuída ao índice de massa corporal [massa (kg)/ estatura
(m)²], a partir dos pontos de corte para sobrepeso (entre os percentis 85 e 95) e
obesidade (acima do percentil 95), específicos para idade e sexo, de crianças e
adolescentes;
Fase pré-escolar ou primeira infância: período desenvolvimental que vai dos 3
aos 5 anos de idade (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013);
Fase escolar ou segunda infância: período desenvolvimental que vai dos 6 aos
10 anos de idade (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013).
72
ANEXOS
ANEXO I – Aprovação do comitê de ética
73
ANEXO II - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (Resolução
Brasileira, 196/96 CNS)
Título da pesquisa:
ESTUDO LONGITUDINAL DE OBSERVAÇÃO DA SAÚDE E BEM-ESTAR DE CRIANÇAS EM
IDADE PRÉ-ESCOLAR
Pesquisadores:
Prof. Dr. Mauro Virgilio Gomes de Barros
Fone: 3183.3375
Profa. Dra. Maria Teresa Cattuzzo
Fone: 3183.3372
Justificativa dos objetivos
Como parte das atividades de pesquisa da Universidade de Pernambuco, o Grupo de
Pesquisa em Estilos de Vida e Saúde está realizando um estudo com objetivo de determinar
indicadores de saúde e bem-estar de crianças em idade pré-escolar de escolas da rede pública e
privada da Cidade do Recife, Pernambuco.
Metodologia
Para participação na pesquisa, um dos pais (o pai ou a mãe) precisará responder a um
questionário contendo perguntas sobre aspectos pessoais e socioeconômicos e sobre o
comportamento das crianças quanto a diversas condutas de saúde. Será necessário também
efetuar medidas antropométricas (peso e altura) das crianças e testes de habilidades motoras que
serão realizados na própria escola. Durante o recreio e ou as aulas de educação física será
realizada observação quanto às atividades realizadas.
Riscos e desconfortos
Os procedimentos utilizados neste protocolo de investigação não têm potencial para gerar
desconforto e qualquer tipo de risco.
Benefícios
Os resultados deste projeto contribuirão para a elaboração de uma campanha de saúde,
incluindo orientação aos pais, professores das escolas e famílias. Os achados poderão subsidiar o
planejamento de intervenções para promoção à saúde de crianças em idade pré-escolar.
Direitos do sujeito pesquisado
1.
2.
3.
4.
Direito de esclarecimento e resposta a qualquer pergunta;
Liberdade de abandonar a pesquisa a qualquer momento sem prejuízo para si;
Garantia de privacidade à sua identidade e do sigilo de suas informações;
Garantia de que os gastos adicionais serão absorvidos pelo orçamento da pesquisa ou
pelos investigadores principais;
74
Dúvidas e esclarecimentos
Caso precise de qualquer informação sobre o projeto, necessite esclarecer dúvidas ou
queira falar sobre a participação no projeto entre em contato com os pesquisadores envolvidos ou
com o Comitê de Ética da Universidade de Pernambuco pelo telefone 31833775.
Eu, _____________________________________________________________________, abaixo
assinado, tendo recebido todos os esclarecimentos acima citados e, ciente dos meus direitos,
concordo em participar desta pesquisa, bem como autorizo toda documentação necessária, a
divulgação e a publicação em periódicos, revistas, bem como apresentação em congressos,
workshops e quaisquer eventos de caráter científico.
Local: Recife - PE
Data: ____/____/20____
______________________________
______________________________
Assinatura do Responsável
Assinatura do Pesquisador
75
ANEXO III - Modelo entrevista estruturada – Questionário ELOS-Pré
ESTUDO LONGITUDINAL DE OBSERVAÇÃO DA SAÚDE E
BEM-ESTAR DA CRIANÇA EM IDADE PRÉ-ESCOLAR
Entrevistador
IDENTIFICAÇÃO
Leia para a mãe, o pai ou o responsável legal da criança os itens abaixo:
O objetivo desta entrevista é obter dados sobre saúde e bem-estar do seu
filho(a).
As informações coletadas por meio desse levantamento são anônimas e
serão utilizadas apenas para realização de um estudo que visa encontrar
formas de atender melhor as necessidades de crianças nesta faixa de
idade.
Lembre-se: não há respostas “certas” ou “erradas”, mas se você estiver
inseguro sobre como responder não deixe de perguntar e pedir ajuda ao
entrevistador.
Responda cada item com calma e procure responder a todas as questões.
Responder a essa entrevista custará ao(a) senhor(a) cerca de 20 minutos
do seu tempo. O(a) senhor(a) está disposto(a) a colaborar com a realização
desse estudo?
Entrevistador

Sim
Passe agora para a aplicação da entrevista.

Não
Agradeça a atenção do entrevistado.
Antes de se despedir, pergunte se ele pode informar o motivo da recusa e caso estas
informações sejam fornecidas por ele anote no espaço abaixo.
NOMES DOS PAIS E ENDEREÇO COMPLETO DA RESIDÊNCIA DA CRIANÇA
Nome da mãe
Nome do pai
Nome da criança
Rua, Avenida, Travessa
Número
Bairro
Casa/apto
Cidade
CEP
Ponto de referência
Telefone fixo
Telefone celular
76
FALE UM POUCO SOBRE O(A) SENHOR(A), SUA FAMÍLIA E SUA MORADIA
Entrevistador
Leia para a mãe, o pai ou responsável legal da criança:
As perguntas seguintes são sobre a família e sobre o local em que o(a)
seu(sua) filho(a) mora (reside).
1. Qual o seu grau de parentesco com a criança?

Pai natural

Mãe natural

Pai adotivo

Mãe adotiva

Pai social

Mãe social
2. Qual a faixa de renda da família da criança? [considerar somente a família nuclear: pais e
filhos]

Menos de R$ 311

De R$ 2.488 a 6.220

De R$ 311 a 622

Mais de R$ 6.220

De R$ 622 a 1.244

Não sabe

De R$ 1.244 a 2.488

Não quer informar
3. Quantos filhos têm a mãe da criança? (incluir a criança)
filhos
__ __
4. Quantos filhos com idade entre 3 e 5 anos têm a mãe da criança?
filhos
__ __
5. No domicilio onde a criança reside, quantas pessoas moram juntas? (incluir a criança)
pessoas
__ __
6. No domicílio onde a criança reside, quantos cômodos são usados como dormitório?
cômodos
__ __
7. O domicilio onde a criança reside tem quantos banheiros?
banheiros
__ __
8. O domicílio onde a criança reside tem quantos banheiros com chuveiro?
banheiros
__ __
9. O seu(sua) filho(a) tem videogame?
 Não
 Sim
10. Na casa em que a criança reside tem computador?
 Não
 Sim
11. Se tiver computador, têm acesso à internet?
 Não
 Sim
12. O seu(sua) filho(a) usa o computador?
 Não
 Sim
13. No domicilio (casa) em que a criança reside tem geladeira?
 Não
 Sim
14. No domicilio (casa) em que a criança reside tem água encanada?
 Não
 Sim
15. Você tem televisão colorida em casa? Quantas?
__ __
 Não
 Sim,
16. Você tem rádio em casa? Quantos?
__ __
 Não
 Sim,
77
17. Você tem banheiro com vaso sanitário em sua casa? Quantos?
__ __
 Não
 Sim,
18. Você tem carro (automóvel)? Quantos?
__ __
 Não
 Sim,
19. Você tem empregada doméstica mensalista? Quantas?
__ __
 Não
 Sim,
20. Você tem máquina de lavar roupa? (não contar tanquinho)
 Não
 Sim
21. Você tem videocassete ou DVD?
 Não
 Sim
22. Você tem geladeira?
 Não
 Sim
23. Você tem freezer separado ou geladeira duplex?
 Não
 Sim
2
VAMOS FALAR AGORA SOBRE O AMBIENTE PARA JOGOS E BRINCADEIRAS
24. O(a) senhor(a) considera que no lugar onde o(a) seu(sua) filho(a) mora (reside) o ambiente é
seguro?


Não
Sim
 Não sabe informar
25. No local onde o(a) seu(sua) filho(a) mora, existe algum espaço onde ele possa brincar ao ar
livre, jogar ou praticar esportes (praça, parquinho [playground], parque público, etc.)?

Não pular p/ q. 27

Sim
 Não sabe informar
26. No local onde o(a) seu(sua) filho(a) mora, indique os espaços disponíveis onde ela possa
brincar, jogar ou praticar esportes [pode marcar mais de uma resposta]:

Praça
 Jardim ou quintal

Piscina
 Quadra de esportes

Parquinho (escorregador, gangorra, etc.)
 Pátio ou área gramada

Outro: _____________________________
 Outro: _____________________________
27. O(a) senhor(a) considera importante que o(a) seu(sua) filho(a) participe de brincadeiras, jogos
ou práticas esportivas?

Não

Sim

Não sabe informar
28. Com que frequência o(a) senhor(a) participa de brincadeiras, jogos ou praticas esportivas com
o(a) seu(sua) filho(a)?

Nunca

Às vezes

Sempre
VAMOS FALAR AGORA SOBRE O(A) SEU(SUA) FILHO(A)
29. Qual a idade do(a) seu(sua) filho(a)?
anos
5
6
7
78
30. Qual a data de nascimento do(a) seu(sua) filho(a)?
__ __ / __ __ / __ __
31. Qual a data de nascimento da mãe da criança?
__ __ / __ __ / __ __
32. Qual o sexo do(a) seu(sua) filho(a)?
M
33. Qual a ordem de nascimento do(a) seu(sua) filho(a) [ex.: 1º, 2º, 3º,...]
__ __ º
34. Qual o peso do(a) seu(sua) filho(a) quando nasceu?
__ . __ __ __ kg
35. Qual a idade do seu filho quando começou a andar (meses)?
__ __ meses
F
36. Qual foi o tipo de parto?

Normal
 Cesáreo
 Não sei
37. O(a) seu(sua) filho(a) nasceu prematuro (com menos de 37 semanas de gestação)?

Não
 Sim
 Não sei
38. A vacinação do(a) seu(sua) filho(a) está em dia?

Não
 Sim
 Não sei
3
39. Por quanto tempo aproximadamente seu(sua) filho(a) foi amamentado no seio?

Não foi amamentado q.
41
 0-3 meses
 4-6 meses

6-9 meses
 9-12 meses
 Mais de 12 meses
40. Por quanto tempo seu(sua) filho(a) foi amamentado EXCLUSIVAMENTE no seio (sem
oferecimento de outro tipo de alimento, como frutas e mamadeira)?

Não foi amamentado
 0-3 meses
 4-6 meses

6-9 meses
 9-12 meses
 Mais de 12 meses
41. Por quanto tempo seu(sua) filho(a) fez uso de chupeta?

Não fez uso de chupeta
 0-3 meses
 4-6 meses

6-9 meses
 9-12 meses
 Mais de 12 meses
42. Por quanto tempo seu(sua) filho(a) chupou o dedo (hábito de sucção digital)?

Não chupou o dedo
 0-3 meses
 4-6 meses

6-9 meses
 9-12 meses
 Mais de 12 meses
43. Em que idade seu (sua) filho (a) sofreu um traumatismo dentário?

Nunca sofreu um trauma


30-42 meses (2,5-3,5 anos)

6-18 meses (6m-1,5
anos)
42-54 meses (3,5-4,5
anos)

18-30 meses (1,5-2,5
anos)
 Mais de 54 meses
79
VAMOS FALAR AGORA SOBRE A MÃE E SOBRE O PERÍODO DE GESTAÇÃO
44. A mãe da criança realizou exames pré-natais durante a gravidez?

 Sim
Não
 Não sei
45. Qual o peso da mãe da criança na época do parto (peso alcançado no final da gravidez)?
 Não sei/Não lembro
__ __ __ . __ kg
46. A mãe da criança recebeu orientação para a prática de atividade física durante a gravidez?

 Sim
Não
 Não sei
47. A mãe da criança praticou atividades físicas (exercícios) durante a gravidez?

 Sim
Não
 Não sei
48. A mãe da criança trabalhava durante o período da gravidez?

Não
Sim


Não sei
49. A mãe da criança teve diabetes gestacional?

 Sim
Não
 Não sei
50. A mãe da criança fumava durante a gravidez?

 Sim
Não
 Não sei
51. A mãe da criança consumia bebidas alcoólicas durante a gravidez?

 Sim
Não
 Não sei
VAMOS FALAR SOBRE AS ATIVIDADES FÍSICAS QUE O(A) SEU(SUA) FILHO(A) REALIZA
HABITUALMENTE
52. Como o(a) seu(sua) filho(a) habitualmente vem de casa para a escola e retorna para a casa?

A pé

De bicicleta (na garupa)

De carro ou ônibus

De bicicleta (pedalando)

De moto

Outro: _______________________
53. Qual é a duração normal do trajeto para VIR de casa à escola?
___ ___ minutos
54. O(a) seu(sua) filho(a) participa de algum tipo de atividade física organizada, como esportes,
danças ou artes marciais?

Não

Sim
 Não sabe informar
55. Se o(a) seu(sua) filho(a) participa de atividades físicas organizadas, responda:
Tipo de atividade
Exemplo
Nº de vezes por semana
1x 2x 3x 4x 5x 6x 7x
1x 2x 3x 4x 5x 6x 7x
1x 2x 3x 4x 5x 6x 7x
Duração de cada sessão
30` 45` 1h 1h30
30` 45` 1h 1h30
30` 45` 1h 1h30
80
Natação
1x
2x
3x
4x
5x
6x
7x
30`
45`
1h
1h30
56. Comparado a outras crianças da mesma idade, como você classificaria (julgaria) o nível de
atividade física do(a) seu filho(a)?

MUITO ATIVO, demonstra energia e vigor e está sempre envolvido em jogos e brincadeiras

ATIVO, participa regularmente de jogos, brincadeiras e esportes

POUCO ATIVO, participa eventualmente (às vezes) de jogos, brincadeiras e esportes

INATIVO, não participa de jogos, brincadeiras, exercícios e esportes
57. Comparado a outras crianças da mesma idade, qual é o nível de interesse que o seu filho(a)
demonstra por atividades físicas (esportes, jogos, brincadeiras mais ativas fisicamente, etc.)?

Muito interesse

É interessado

Pouco Interesse

Nenhum interesse

Não sabe responder
58. No último mês...
…num DIA NORMAL DE SEMANA, quanto tempo o(a)
senhor(a) diria que o seu filho/a participou de jogos e
brincadeiras fisicamente ativas ao ar livre nesse dia?
…num DIA NORMAL DE FIM DE SEMANA, quanto tempo o(a)
senhor(a) diria que o seu filho/a participou de jogos e
brincadeiras fisicamente ativas ao ar livre nesse dia?
|___|___| h |___|___| min
|___|___| h |___|___| min
5
“CONSIDERAR SOMENTE JOGOS E BRINCADEIRAS FISICAMENTE ATIVOS”
TEMPO BRINCANDO OU JOGANDO AO AR LIVRE
59. Num dia da semana (segunda a sexta-feira), quanto tempo seu filho(a) gasta brincando ou
jogando ao ar livre, nos jardins, no quintal ou nas ruas em torno da casa onde mora (ou da
casa de vizinhos ou parentes)?
Da hora que acorda até o
0 min
1-15 min
16-30 min
31-60 min
>60 min
meio-dia





Do meio-dia até as seis da
tarde
0 min

1-15 min

16-30 min

31-60 min

>60 min

Das seis da tarde até a
hora de dormir
0 min

1-15 min

16-30 min

31-60 min

>60 min

60. Num dia de final de semana (sábado e domingo), quanto tempo seu filho(a) gasta brincando
ou jogando ao ar livre, nos jardins ou nas ruas em torno da casa onde mora (ou da casa de
vizinhos ou parentes)?
Da hora que acorda até o
0 min
1-15 min
16-30 min
31-60 min
>60 min
meio-dia





81
Do meio-dia até as seis da
tarde
0 min

1-15 min

16-30 min

31-60 min

>60 min

Das seis da tarde até a
hora de dormir
0 min

1-15 min

16-30 min

31-60 min

>60 min

TEMPO DE TV, VIDEOGAME COMPUTADOR
61. Num dia da semana (segunda a sexta-feira), quanto tempo seu filho(a) gasta assistindo TV,
jogando videogame ou usando o computador?
Da hora que acorda até o
0 min
1-15 min
16-30 min
31-60 min
>60 min
meio-dia





Do meio-dia até as seis da
tarde
0 min

1-15 min

16-30 min

31-60 min

>60 min

Das seis da tarde até a
hora de dormir
0 min

1-15 min

16-30 min

31-60 min

>60 min

62. Num dia de final de semana (sábado e domingo), quanto tempo seu filho(a) gasta assistindo
TV, jogando videogame ou usando o computador?
Da hora que acorda até o
0 min
1-15 min
16-30 min
31-60 min
>60 min
meio-dia





Do meio-dia até as seis da
tarde
0 min

1-15 min

16-30 min

31-60 min

>60 min

Das seis da tarde até a
hora de dormir
0 min

1-15 min

16-30 min

31-60 min

>60 min

FALE SOBRE A ALIMENTAÇÃO DO(A) SEU(SUA) FILHO(A)
Entrevistador
Explicar para o entrevistado o que é uma alimentação saudável, conforme
padronizado no treinamento específico.
Uma alimentação saudável é aquela que é preparada com segurança,
adotando-se as regras de higiene na preparação dos alimentos;
Deve ser variada (colorida), incluindo diariamente frutas, hortaliças
(verduras), leite e seus derivados;
Deve ser distribuída em, pelo menos, três refeições principais e lanches,
sendo que as refeições não devem ser substituídas por lanches rápidos.
63. Comparado a outras crianças da mesma idade, como você classificaria a qualidade da
alimentação do(a) seu(sua) filho(a)?
Muito ruim
Ruim
Regular
Boa
Excelente
82





64. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) substitui pelo menos
uma das refeições principais por um lanche rápido (sanduíche, pizza ou doces)?
 0 dias
 1 dia
 2 dias
 3 dias
 4 dias
 5 dias
 6 dias
 7 dias
65. Durante uma semana normal, em quantos dias você faz as refeições com o(a) seu(sua)
filho(a)?
 0 dias
 1 dia
 2 dias
 3 dias
 4 dias
 5 dias
 6 dias
66. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) come frutas?
 0 dias
 1 dia
 2 dias
 3 dias
 4 dias
 5 dias
 6 dias
 7 dias
 7 dias
67. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) come verduras e
hortaliças?
 0 dias
 1 dia
 2 dias
 3 dias
 4 dias
 5 dias
 6 dias
 7 dias
68. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) toma leite ou derivados
de leite?
 0 dias
 1 dia
 2 dias
 3 dias
 4 dias
 5 dias
 6 dias
 7 dias
69. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) come feijão?
 0 dias
 1 dia
 2 dias
 3 dias
 4 dias
 5 dias
 6 dias
 7 dias
70. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) come arroz?
 0 dias
 1 dia
 2 dias
 3 dias
 4 dias
 5 dias
 6 dias
 7 dias
71. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) come algum alimento ou
bebida com açúcar?
 0 dias
 1 dia
 2 dias
 3 dias
 4 dias
 5 dias
 6 dias
 7 dias
72. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) toma sucos naturais de
frutas ou polpa de frutas?
 0 dias
 1 dia
 2 dias
 3 dias
 4 dias
 5 dias
 6 dias
 7 dias
73. Durante uma semana normal, em quantos dias o(a) seu(sua) filho(a) toma refrigerantes ou
sucos artificiais?
 0 dias
 1 dia
 2 dias
 3 dias
 4 dias
 5 dias
 6 dias
 7 dias
SOBRE HÁBITOS DE HIGIENE E SAÚDE BUCAL
74. Nos últimos 12 meses o senhor(a) levou o(a) seu(sua) filho(a) para um exame no dentista?

Não

Sim

Não sabe informar
75. O senhor(a) orienta (acompanha) o(a) seu(sua) filho(a) durante a escovação dos dentes?

Sim, sempre

Sim, mas somente às vezes

Não, nunca
83
76. Com que freqüência o(a) seu(sua) filho(a) realiza a escovação dos dentes?

Diariamente, várias vezes por dia e sempre que se alimenta

Diariamente, somente após as refeições (depois que se alimenta)

Diariamente, mas somente quando acorda e antes de dormir

Diariamente, quando toma banho ou quando vai para escola

Somente às vezes, não escova diariamente

Raramente escova os dentes
77. O(a) seu(sua) filho(a) compartilha a escova de dentes com os irmãos ou outras crianças?

Sim, sempre

Sim, mas somente às vezes

Não, nunca
78. Com que freqüência o(a) seu(sua) filho(a) lava as mãos após usar o sanitário?

Sempre

Somente às vezes

Nunca
79. Com que freqüência o seu filho(a) lava as mãos antes das refeições ou lanches?

Sempre

Somente às vezes

Nunca
80. Seu (sua) filho (a) tem medo de ir ao dentista?

Não
 Sim, tem medo

Sim, um pouco
 Sim, muito medo
81. O(a) senhor(a) tem medo de ir ao dentista?

Não
 Sim, tem medo

Sim, um pouco
 Sim, muito medo
BEM-ESTAR E INDICADORES DE SAÚDE DA CRIANÇA
82. Durante as últimas quatro semanas (último mês), o(a) seu(sua) filho(a) ficou limitado(a) POR
PROBLEMAS DE SAÚDE para realizar alguma das seguintes atividades:
SIM,
SIM,
SIM,
NÃO,
muito
limitad pouco nenhum
limitad
o
limitad
a
o
o
limitaçã
o
a. Fazer coisas que exigem algum nível de
energia, tais como pedalar uma bicicleta,




correr ou jogar bola.
b. Flexionar o tronco ou joelho, erguer os braços




ou curvar-se.
83. Durante as últimas quatro semanas, POR PROBLEMAS FÍSICOS DE SAÚDE, o(a) seu(sua)
8
filho(a) ficou limitado para realizar atividades com amigos ou as tarefas escolares?
SIM, muito limitado
SIM, limitado
SIM, pouco limitado
NÃO, nenhuma
limitação




84
84. Durante as últimas quatro semanas, POR PROBLEMAS EMOCIONAIS OU COMPORTAMENTAIS,
o(a) seu(sua) filho(a) ficou limitado para realizar atividades com amigos ou as tarefas
escolares?
SIM, muito limitado
SIM, limitado
SIM, pouco limitado
NÃO, nenhuma
limitação




85. Durante as últimas quatro semanas, QUANTA DOR OU DESCONFORTO o seu filho(a) vem
sentindo?
Nenhuma
Muito pouca
Pouca
Moderada
Intensa
Muito
intensa






86. Durante as últimas quatro semanas, quanto SATISFEITO você pensa que o seu filho(a) ficou
em relação à própria capacidade de ser amigo de outras crianças?
Muito satisfeito
Satisfeito
Nem satisfeito e
Insatisfeito
Muito
nem insatisfeito
insatisfeito





87. Durante as últimas quatro semanas, quanto SATISFEITO você pensa que o(a) seu(sua) filho(a)
ficou em relação à ele próprio levando em conta a vida dele como um todo?
Muito satisfeito
Satisfeito
Nem satisfeito e
Insatisfeito
Muito
nem insatisfeito
insatisfeito





88. Quanto VERDADEIRO ou FALSO é a seguinte afirmação em relação ao seu filho(a)?
“MEU FILHO(A) PARECE SER MENOS SAUDÁVEL QUE OUTRAS CRIANÇAS QUE EU
CONHEÇO”.
Certamente
Verdadeiro
Não sei
Falso
Definitivamente
verdadeiro
falso





89. Durante as últimas quatro semanas, durante quanto tempo você pensa que o(a) seu(sua)
filho(a) demonstrou estar chateado ou triste?
Todo o tempo
Maior parte do
Alguma parte
Durante pouco
Em nenhum
tempo
do tempo
tempo
momento





90. Durante as últimas quatro semanas, com que freqüência o(a) seu(sua) filho(a) apresentou
dificuldade de coordenação motora para realizar tarefas?
Muito
Freqüentemente Algumas vezes
Quase nunca
Nunca
freqüentemente





91. O(a) seu(sua) filho(a) tem alguma doença diagnóstica por um médico?  Não
 Sim
92. O(a) seu(sua) filho(a) toma algum remédio?
 Não
 Sim
93. O(a) seu(sua) filho(a) já foi hospitalizado?
 Não
 Sim
 Não
 Sim
94. Se SIM, qual foi a razão da hospitalização?
_________________________________________________
95. O(a) seu(sua) filho(a) já fez alguma cirurgia (operação)?
85
96. Se SIM, qual foi o motivo para a cirurgia
(operação)?_________________________________________
9
INFORMAÇÕES PESSOAIS E COMPORTAMENTAIS DOS PAIS
97. Qual a idade do(a) senhor(a) em anos?
98. Qual o peso atual do(a) senhor(a)?
99. Qual a altura do(a) senhor(a)?
100. Até que série o(a) senhor(a) estudou?
__ __ anos
__ __ __ . __ kg
__ __ __ centímetros
Até 3ª série
do ensino
fundament
al
Ensino
fundament
al
incompleto
Ensino
fundament
al
completo
Ensino
médio
incomplet
o
Ensino
médio
completo
Ensino
superior
incomplet
o
Ensino
superior
completo







 Não
 Não
 Não
 Não
101. O(a) senhor(a) fuma?
102. O(a) senhor(a) fuma quando está com o seu filho(a)?
103. O(a) senhor(a) fuma quando está dentro de casa?
104. O(a) senhor(a) ingere bebidas alcoólicas?
 Sim
 Sim
 Sim
 Sim
105. Caso SIM, nos últimos 30 dias, o(a) senhor(a) tomou mais de 5 doses numa mesma ocasião?
 Não
 Sim
__ __ doses
106. Caso SIM, quantas doses ingere numa semana normal?
107. Como o(a) senhor(a) classifica o seu estado de saúde atual?


Excelente
Bom


Regular
Ruim
108. Em relação ao seu estado civil, o(a) senhor(a) é:



Solteiro(a)
Casado(a) ou vivendo com parceiro(a)
Viúvo(a), desquitado(a) ou divorciado(a)
Entrevistador
Se o(a) companheiro(a)/esposo(a) do respondente for o pai ou mãe natural da
criança, responder também às questões 109 a 119.
__ __ anos
__ __ __ . __ kg
__ __ __
109. Qual a idade (em anos) do seu(sua) companheiro(a)?
110. Qual o peso atual do seu(sua) companheiro(a)?
111. Qual a altura atual do seu(sua) companheiro(a)?
centímetros
112. Até que série o(a) seu(sua) companheiro(a) estudou?
Até 3ª série
do ensino
fundament
al
Ensino
fundament
al
incompleto
Ensino
fundament
al
completo
Ensino
médio
incomplet
o
Ensino
médio
completo
Ensino
superior
incomplet
o
Ensino
superior
completo







86
 Não
 Não
 Não
 Não
113. O(a) seu(sua) companheiro(a) fuma?
114. O(a) seu(sua) companheiro(a) fuma quando está com o(a) filho(a)?
115. O(a) seu(sua) companheiro(a) fuma quando está dentro de casa?
116. O(a) seu(sua) companheiro(a) ingere bebidas alcoólicas?
 Sim
 Sim
 Sim
 Sim
117. Como o(a) senhor(a) classifica o seu estado de saúde atual do(a) seu companheiro(a)?

Excelente
 Bom

Regular

Ruim
118. Algum médico já disse que o(a) senhor(a) é hipertenso(a)?


Sim
 Não sei
Não
119. Algum médico já disse que seu(sua) companheira(a) é hipertenso(a)?
 Sim
 Não

Não
sei
IMAGEM CORPORAL
Entrevistador Ao efetuar as perguntas 120 e 123 use o cartão com o desenho
das silhuetas para que o entrevistado possa indicar as respostas.
120. Em sua opinião, qual destas figuras se parece mais com a silhueta do(a) seu(sua) filho(a)?
____
121. Em sua opinião, qual deveria ser a silhueta (imagem do corpo) do(a) seu(sua) filho(a)?
_____
122. Em sua opinião, qual destas figuras se parece mais com o seu corpo?
_____
123. Em sua opinião, qual deveria ser a sua a silhueta (imagem do corpo)
_____
NÍVEL ATIVIDADE FÍSICA DOS PAIS
Entrevistador! Antes de iniciar as perguntas explique que as mesmas são
destinadas à avaliação do nível de atividade física do respondente.
Em seguida, explique que as respostas devem considerar o tempo que foi gasto
em atividades físicas NOS ÚLTIMOS 7 DIAS.
Lembrar que as perguntas incluem as atividades que você faz no trabalho, para ir
de um lugar a outro, por lazer, por esporte, por exercício ou como parte das suas
atividades em casa ou no jardim.
Explique também o que significa vigoroso e moderado, conforme padronizado
abaixo.
•
Atividades físicas VIGOROSAS são aquelas que precisam de um grande esforço
físico e que fazem respirar MUITO mais forte que o normal
Atividades físicas MODERADAS são aquelas que precisam de algum esforço
físico e que fazem respirar UM POUCO mais forte que o normal
[Para responder as perguntas pense somente nas atividades que você realiza por, pelo
menos, 10 minutos contínuos de cada vez].
1A. Em quantos dias, dos últimos 7 dias, você CAMINHOU por, pelo menos, 10 minutos contínuos
em casa ou no trabalho, como forma de transporte para ir de um lugar para outro, por lazer,
por prazer ou como forma de exercício?
 Nenhum
_____ dias por SEMANA
•
87
1B. Nos dias em que você caminhou por pelo menos 10 minutos contínuos quanto tempo no total
você gastou caminhando por dia?
_____ horas _____ minutos
2A. Em quantos dias, dos últimos 7 dias, você realizou atividades MODERADAS por pelo menos 10
minutos contínuos, como por exemplo pedalar leve na bicicleta, nadar, dançar, fazer ginástica
aeróbica leve, jogar vôlei recreativo, carregar pesos leves, fazer serviços domésticos na casa,
no quintal ou no jardim como varrer, aspirar, cuidar do jardim, ou qualquer atividade que fez
aumentar moderadamente sua respiração ou batimentos do coração (POR FAVOR NÃO
INCLUA CAMINHADA)
_____ dias por SEMANA
 Nenhum
2B. Nos dias em que você fez essas atividades moderadas por pelo menos 10 minutos contínuos,
quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia?
_____ horas _____ minutos
3A. Em quantos dias, dos últimos 7 dias, você realizou atividades VIGOROSAS por pelo menos 10
minutos contínuos, como por exemplo correr, fazer ginástica aeróbica, jogar futebol, pedalar
rápido na bicicleta, jogar basquete, fazer serviços domésticos pesados em casa, no quintal ou
cavoucar no jardim, carregar pesos elevados ou qualquer atividade que fez aumentar MUITO
sua respiração ou batimentos do coração.
_____ dias por SEMANA
 Nenhum
3B. Nos dias em que você fez essas atividades vigorosas por pelo menos 10 minutos contínuos
11
quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia?
_____ horas _____ minutos
Estas últimas questões são sobre o tempo que você permaneceu sentado no trabalho, na
escola ou faculdade, em casa e também durante seu tempo livre. Isto inclui o tempo sentado
estudando, sentado enquanto descansa, fazendo lição de casa, visitando um amigo, lendo,
assistindo televisão (sentado ou deitado).
4A. Durante os últimos 7 dias, quanto tempo no total você gastou sentado durante um dia de
semana?
______horas ____minutos
4B. Durante os últimos 7 dias, quanto tempo no total você gastou sentado durante em um dia de
final de semana?
______horas ____minutos
MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS
Data de avaliação:___/___/____
Medida
Massa (peso)
Estatura
Estatura tronco-cefálica
Dobra cutânea do tríceps
Dobra cutânea subescapular
Circunferência da cintura
Diâmetro do úmero
Diâmetro do punho
1ª. medida
2ª. medida
TESTE DE COORDENAÇÃO MOTORA
3ª. medida
88
Tarefa 1 - Equilíbrio em deslocamento para trás
Trave
6,0 cm
4,5 cm
3,0 cm
Tarefa 2 - Saltos monopedais
Blocos
0
1
2
Direita
Esquerda
3
4
1
5
2
6
7
8
3
9
10
11
Pontuação para cada pé:
a
a
a
1 tentativa: 3 pontos; 2 tentativa: 2 pontos; 3 tentativa: 1 ponto. Insucesso nas três tentativas: 0
Tarefa 3 - Saltos laterais
Saltar 15 segundos
1
2
1
2
Tarefa 4 - Transposição lateral
Transferir 20 segundos
PRESSÃO ARTERIAL
1
PAS
PAD
2
3
12
89
ANEXO IV – Lista de checagem do Test of Gross Motor Development-2
Subteste de locomoção
HABILIDADE
1.Correr
2.Galopar
3.Saltar em
um pé
MATERIAIS/ MARCAÇÃO
INSTRUÇÕES/
DO ESPAÇO
DEMOSTRAÇÃO/REPETIÇÕES
“Partindo dessa marca, corra o mais rápido
Espaço de 15,24m
possível para passar o cone”.
Dois cones
“No sinal de ‘já’, ok?”
Posicionar dois cones com
“Volte andando”.
15,24m de distância entre
“Repita a corrida”
eles.
(Certifique-se que haja pelo
Não há ensaio para essa habilidade;
menos 2,44 a 3,04 m de
Serão filmadas duas tentativas
espaço depois do segundo
consecutivas
cone para uma frenagem
segura. Total : 18,28 m)
“Partindo dessa marca, você vai galopar
7,62 m de espaço livre;
até aquele cone”.
Fita adesiva ou dois cones.
“Volte fazendo a mesma coisa”.
Marcar uma distância de
“No sinal de ‘já’, ok?”
7,62 m com os cones ou fita.
O avaliador faz uma demonstração
completa da habilidade
O avaliador pede para a criança fazer um
ensaio da tarefa
O avaliador pede para a criança fazer a
tarefa duas vezes consecutiva
Mínimo de 4,57 m de espaço “Voce vai saltar três vezes com o este pé
(pé de preferência delas estabelecido antes
livre
do teste) e então três vezes com o outro
Durante a demonstração
pé”.
enfatizar a contagem dos
“
No
sinal
de ‘já’, ok?”
saltitos e a parada para troca
de pé.
O avaliador faz uma demonstração
O avaliador pede para a criança fazer um
CRITÉRIO DE DESEMPENHO
1.Braços se movendo com cotovelos
flexionados e em oposição às pernas.
2.Curto período em que os dois pés estão
fora do solo.
3.Início da aterrissagem com calcanhar ou
dedos do pé.
4.Perna de balanço flexionada próximo a 90°
(próxima das nádegas).
1.Braços fletidos e levantados ao nível da
cintura no início da fase de vôo.
2.Um passo à frente com a perna condutora,
seguido por um passo com a perna de trás
para uma posição próxima ou atrás da perna
condutora.
3.Curto período onde ambos os pés estão
fora do chão.
4.Manutenção de um padrão ritmico padrão
por quatro galopes consecutivos.
1.Perna contrária a de apoio, balançando à
frente de forma pendular para produzir força.
2.Pé da perna de balanço atrás do corpo.
3.Braços flexionados e balançando para
frente para produzir força.
4.Saltar três vezes consecutivas com o pé
preferido.
TEN TEN TOTA
T1
T2
L
90
4.Saltar sobre Mínimo de 6,09m de espaço
obstáculo
livre, um saco de feijão e fita
adesiva. Colocar um saco de
feijão no chão. Colocar um
pedaço de fita adesiva no
chão, paralela e a 3,04m do
saco de feijão.
5.Salto
horizontal
6.Deslocamento lateral
Mínimo de 3,04m de espaço
livre e fita adesiva
Marcar uma linha de partida
no chão. A criança deve ficar
atrás da linha.
ensaio da tarefa
O avaliador pede para a criança fazer a
tarefa duas vezes consecutivas
“ Partindo dessa marca, você vai correr e
saltar aquele saquinho”
“ No sinal de ‘já’, ok?”
O avaliador faz uma demonstração
completa da habilidade
O avaliador pede para a criança fazer um
ensaio da tarefa
O avaliador pede para a criança fazer a
tarefa duas vezes consecutivas
“Partindo dessa marca salte o mais longe
possível”
“ No sinal de ‘já’, ok?”
O avaliador faz uma demonstração
completa da habilidade
O avaliador pede para a criança fazer um
ensaio da tarefa
O avaliador pede para a criança fazer a
tarefa duas vezes consecutivas.
5. Saltar três vezes com o pé não-preferido.
1.Saltar com um pé e aterrissar com o pé
oposto.
2.Período em que os dois pés estão fora do
solo, maior que o da corrida.
3.Braço da frente, oposto ao pé.
1.O movimento preparatório inclui flexão dos
joelhos com braços extendidos atrás do
corpo.
2.Braços extendidos vigorosamente para
frente e para cima, alcançando sua máxima
extensão acima da cabeça.
3.Decolar e aterrissar com os dois pés
simultaneamente.
4.Os braços se abaixam vigorosamente
durante o pouso.
“Vire-se para lá” (lado da câmera)
Mínimo de 7,62m de espaço
1.O corpo voltado lateralmente e os ombros
“Partindo
dessa
marca
você
vai
deslizar
até
livre em linha reta, e dois
alinhados com a linha do solo.
aquele cone e voltar deslizando sem parar” 2.Um passo lateral com o pé líder seguido por
cones
“No sinal de ‘já’, ok?”
Colocar os cones a 7,62m
um deslizamento do pé contrário para um
distância entre eles em cima
O avaliador faz uma demonstração
ponto próximo ao pé líder.
de uma linha no chão.
completa da habilidade
O avaliador pede para a criança fazer um 3.Mínimo de 4 ciclos de passadas contínuas
para a direita.
ensaio da tarefa
O avaliador pede para a criança fazer a 4. Mínimo de 4 ciclos de passadas contínuas
para a esquerda.
tarefa duas vezes consecutivas
91
Subteste de controle de objetos
HABILIDADE MATERIAIS/ MARCAÇÃO DO
ESPAÇO
1. Rebater
Bola de 10,16 cm;
Um bastão plástico;
Apoio para a bola.
Colocar a bola no cone, na altura
da cintura da criança.
INSTRUÇÕES/ DEMOSTRAÇÃO/
REPETIÇÕES
“Voce vai rebater a bola o mais forte
possível”.
“No sinal de ‘já’, ok?”
O avaliador faz uma demonstração
completa da habilidade
O avaliador pede para a criança fazer
um ensaio da tarefa
O avaliador pede para a criança fazer
a tarefa duas vezes consecutivas
CRITÉRIO DE DESEMPENHO
2.
Driblar Bola entre 20,32 a 25,4 cm para
(Quicar)
crianças entre 3 e 5 anos de
idade ou uma bola de basquete
para crianças entre 6 e 10 anos
de idade;
Uma superfície dura e plana
No ensaio a criança vai mostrar o
lado dominante.
Deixe o lado dominante virado
para a câmera.
3. Receber
Uma bola plástica de 10,16cm
(idem a do rebater);
4,57m de espaço livre;
Fita adesiva.
1. Marcar duas linhas com uma
distância de 4,57cm entre elas.
2. A criança fica em pé na
primeira linha e o oponente na
outra linha.
3. Lançar a bola por baixo
diretamente para a criança, na
direção do seu peito, com um
ligeiro arco
“Voce vai quicar a bola quatro vezes
sem sair do lugar”
“No sinal de ‘já’, ok?”
O avaliador faz uma demonstração
completa da habilidade
O avaliador pede para a criança fazer
um ensaio da tarefa
O avaliador pede para a criança fazer
a tarefa duas vezes consecutivas
1. Contato da bola com a mão ao nível da
cintura.
2. Empurrar a bola com a ponta dos dedos
(não bater).
3. A bola toca o solo na frente ou do lado de
fora do pé, do lado preferido.
4. Manter o controle da bola por quatro
quiques consecutivos, sem movimentar os pés
para recuperá-la.
“Eu vou lançar a bola e você vai ter
que segurá-la com as duas mãos”
“No sinal de ‘já’, ok?”
O avaliador faz uma demonstração
completa da habilidade (um auxiliar
deve arremessar a bola sem
ultrapassar a altura de seu ombro)
diretamente para a criança em direção
ao peito dela
O avaliador arremessa a bola para a
criança fazer um ensaio da tarefa
O avaliador arremessa a bola para a
criança mais duas vezes consecutivas
1. Fase de preparação quando as mãos estão
à frente do corpo e os cotovelos estão
flexionados.
2. Braços estendidos para alcançar a bola.
3. A bola é agarrada pelas duas mãos.
1. Segurar o taco com a mão dominante
acima da não-dominante.
2. O lado não-preferido do corpo fica voltado
para o jogador imaginário, com os pés
paralelos.
3. Rotação de quadril e ombros durante o giro.
4. Transferir o peso do corpo para o pé da
frente.
5. Acertar a bola.
1
2
TOTAL
92
4. Chutar
Uma bola de plástico entre 20,32
e 25,4cm, ou uma bola de
futebol;
Um saco de feijão;
9,14m de espaço livre;
Fita adesiva.
1. Marcar uma linha de 9,14m à
partir de uma parede e outra linha
a 6,09m da parede.
2. Colocar a bola em cima de um
saco de feijão na linha mais
próxima da parede.
No ensaio a criança vai mostrar o
pé dominante; filmar do lado do
pé dominante.
5. Arremesso 1. Uma bola de tênis;
sobre o
2. Uma parede;
ombro
3. fita adesiva;
4. 6,09m de espaço livre.
No ensaio a criança vai mostrar o
lado dominante.
Deixe o lado dominante virado
para a câmera.
6. Rolar a
bola
1. Uma bola de tênis para
crianças de 3 a 6 anos de idade
ou softball para crianças de 7 a
10 anos;
2. dois cones;
3. Fita adesiva;
4. 7,62m de espaço livre.
No ensaio a criança vai mostrar o
lado dominante.
Deixe o lado dominante virado
para a câmera.
“Você vai partir deste cone, vai correr
e chutar forte a bola para essa
parede”
“No sinal de ‘já’, ok?”
O avaliador faz uma demonstração
completa da habilidade
O avaliador pede para a criança fazer
um ensaio da tarefa
O avaliador pede para a criança fazer
a tarefa mais duas vezes consecutivas
1. Aproximação contínua e rápida até a bola.
“Você vai arremessar essa bolinha
bem forte para aquela parede”
“No sinal de ‘já’, ok?”
O avaliador faz uma demonstração
completa da habilidade
O avaliador pede para a criança fazer
um ensaio da tarefa
O avaliador pede para a criança fazer
a tarefa duas vezes consecutivas
“Você vai rolar essa bola para o gol,
bem forte parado dessa marca”
“ No sinal de ‘já’, ok?”
O avaliador faz uma demonstração
completa da habilidade
O avaliador pede para a criança fazer
um ensaio da tarefa
O avaliador pede para a criança fazer
a tarefa duas vezes consecutivas
1. O movimento se inicia com o movimento da
mão/braço para baixo.
2. Rotação do quadril e ombros para um ponto
no qual a lateral de não arremesso, se volta
para a parede.
3. O peso é transferido para o pé oposto á
mão de arremesso.
4. Depois de soltar a bola, o corpo continua
em uma diagonal para o lado não preferido.
1. Balançar a mão preferida para baixo e para
trás do tronco, com o mesmo voltado para de
frente para os cones.
2. Um passo a frente com o pé oposto à mão
preferida, em direção aos cones.
3. Flexionar os joelhos para abaixar o corpo.
4. Soltar a bola próxima ao solo, de forma que
a bola não quique mais de 10,16cm de altura.
2. Um passo mais alongado ou um salto
imediatamente anterior ao contato com a bola.
3. Pé de apoio na mesma linha ou
ligeiramente anterior à bola.
4. Chutar a bola com o dorso do pé preferido
(dominante).
93
ANEXO V – Pontos de corte para determinar excesso de peso em crianças
de acordo com o International Obesity Task Force (IOTF), adaptado de Cole
et al. (2000).
94
ANEXO VI – Detalhamento da análise de regressão bruta e ajustada.
1º passo: distribuição de cada variável
Neste passo verifiquei as frequências de cada variável para verificar se em
algumas caselas tínhamos baixa frequência e se precisaríamos agrupar alguma
variável. O agrupamento foi realizado para as variáveis de status de peso corporal
e renda familiar.
Dependente (desfecho):
Prática de esportes em 2012
Tempo total por semana da prática de esportes
95
Independentes (preditoras):
Escore padrão do subteste locomotor da competência motora
Escore padrão do subteste locomotor da competência motora
Status de peso corporal
96
Prática de esportes em 2010
Tempo total por semana da prática de esportes
Possíveis fatores de confusão:
Sexo
Renda
97
2º passo: avaliação de colinearidade
Nesse passo verifiquei a colinearidade entre as variáveis, ou seja, o grau de
associação entre duas variáveis. A presença de colinearidade significa que duas
variáveis medem o mesmo fenômeno e competem entre si para a associação com
a variável dependente. Neste caso, quero saber se posso utilizar a variável tempo
total de esportes, ambas de 2010, como variáveis independentes. O critério
adotado para a presença de colinearidade foi que a média do VIF (valor de
inflação da variância) fosse menor que 3.0.
colinearidade entre prática de esportes em 2012 e o tempo total por semana da
prática de esportes
colinearidade entre prática de esportes em 2010 e o tempo total por semana da
prática de esportes
98
colinearidade entre o status de peso corporal em três categorias e o status de
peso em duas categorias
colinearidade entre a renda em seis categorias e o status de peso em três
categorias
3º passo: análise bruta
Nesse passo verifiquei o nível de significância na associação bruta.
Associação bruta entre pratica de esportes em 2012 e desempenho motor em
locomoção
99
Associação bruta entre pratica de esportes em 2012 e desempenho motor em
controle de objetos
100
Associação bruta entre pratica de esportes em 2012 e prática de esportes em
2010
Associação bruta entre pratica de esportes em 2012 e status de peso corporal em
3 categorias
Associação bruta entre pratica de esportes em 2012 e status de peso corporal em
2 categorias
101
4º passo: análise ajustada (método backward)
Nesse passo fizemos a modelagem da regressão. Existem diversos tipos para
montar um modelo de regressão (entrada forçada, passo a passo, hierárquica,
entre outros). O método passo a passo é o mais utilizado e foi o escolhido. Este
método de modelagem divide-se em foward e backward. A diferença entre eles é
a entrada de variável a variável ou a entrada de todas para posterior retirada de
acordo com os parâmetros. Para que a variável seja considerada para o modelo
ajustado ela deve ter valor de p menor que 0,20. Estou levando as variáveis que
têm p menor que 0,30. São raros os casos em que um p maior que 0,20
melhoram a modelagem, mesmo assim vou testar. Por esse motivo eliminei a
categoria de controle de objetos da análise ajustada. Alguns outros estudos fazem
o mesmo, porém com a categoria de locomoção (BARNETT et al., 2008 e 2011).
Agora, para a permanência no modelo ajustado devemos observar se o valor de
significância de cada variável (p menor que 0,05) além de outros parâmetros,
como: o valor do log da verossimilhança e o valor do pseudo r². Aqui
selecionamos alguns desse modelos e descartamos outros ruins desde o
princípio, ou seja, com ou sem a variável nenhum parâmetro melhorou. Os
modelos bons ou razoáveis foram para o próximo passo na comparação de
modelos concorrentes.
Modelo com todas as variáveis.
102
Retirei a variável sexo
Retirei a variável renda familiar
103
Testei o modelo com a variável sexo e sem a variável renda familiar
Retirei novamente a variável sexo
Este foi o melhor modelo ajustado
5º passo: avaliação de modelos concorrentes.
Modelo salvo com a variável renda familiar
104
Modelo atual com a variável sexo
De acordo com os parâmetros observados, a escolha entre as duas variáveis é
arbitrária, uma vez que a diferença no valor do BIC foi menor que 3,0. Pelo AIC e
a deviance (D) o modelo salvo teve menor valor. Permaneci em dúvida e vou
levar para a avalia de ajuste final do modelo.
105
Modelo salvo sem a variável renda familiar
Modelo com a variável renda familiar
106
O valor de BIC indicou que o melhor modelo foi o salvo. Ou seja, o modelo sem a
variável renda foi melhor do que o modelo com a variável renda familiar (diferença
do BIC maior que 3,0). Pelo AIC o modelo salvo teve menor valor. Por mais que o
modelo salvo apresente menor deviance, os outros parâmetros indicam o modelo
salvo como melhor.
6º passo: avaliação do ajuste do modelo
Agora verifico a qualidade de ajuste do modelo. É recomendado que a
modelagem alcance um valor superior a 0,6. Quanto mais próximo de 1,0 melhor
é o ajuste do modelo. Testei a princípio a qualidade de ajuste do modelo com
status de peso, porém sem renda e sexo. Vale lembrar que esse foi o melhor
modelo na comparação com outros concorrentes (de acordo com a estatística
BIC, AIC e deviance). Quando o valor de qualidade de ajuste é inferior a 0,6
temos que testar outros modelos que foram inicialmente rejeitados na
comparação de modelos concorrentes.
107
De acordo com o teste de Hosmer e Lemeshow para a qualidade de ajuste do
modelo podemos observar um valor de 0,4386. Isso indica que o modelo é ruim.
Vou testar agora a inclusão da variável renda familiar para ver como fica a
qualidade do ajuste.
De acordo com o teste de Hosmer e Lemeshow para a qualidade de ajuste do
modelo podemos observar um valor de 0,5566. Isso indica que o modelo ainda é
ruim. Vou retirar a variável renda e testar somente a inclusão da variável sexo
para ver como fica a qualidade do ajuste.
108
De acordo com o teste de Hosmer e Lemeshow para a qualidade de ajuste do
modelo podemos observar um valor de 0,7451. Isso indica que o modelo é bom.
Entre todos os modelos testados, esse foi o melhor modelo que poderíamos
encontrar.
7º passo: avaliação da mediação
Nesse passo de análise devemos testar se existe mediação de alguma variável
dentro do modelo de regressão final. Testamos agora o efeito direto de uma
variável independente com a dependente, na presença de algumas covariáveis.
Já o efeito indireto é o quanto da relação entre independente e dependente passa
obrigatoriamente pela mediadora. Assim temos uma decomposição da relação
causal, parte direta e parte indireta. O que queremos testar agora é se a variável
status de peso media a relação entre CM e prática de esportes. No nosso modelo
final
temos:
variável
dependente
(prática
de
esportes
atual),
variável
109
independente
(EP_LOC_tercil),
possível
mediador
(CAT_IMC_10_DIC)
e
covariáveis (prática de esportes prévia e sexo).
Mediação do status de peso corporal para a associação entre desempenho motor
em locomoção e prática de esportes após dois anos.
sgmediation (AFS_2012), mv(CAT_IMC_10_DIC) iv(EP_LOC_tercil) cv(AFS_2010
SEXO)
Mediação do status de peso corporal para a associação entre prática prévia de
esportes e prática de esportes após dois anos.
sgmediation (AFS_2012), mv(CAT_IMC_10_DIC) iv(AFS_2010) cv(EP_LOC_tercil
SEXO)
8º passo: análise de interação
110
Após definir o modelo final criei no spss uma variável de interação (produto entre
duas variáveis: uma independente e uma possível moderadora). A interação ou
moderação é quando a associação entre duas variáveis varia de acordo com os
níveis de uma terceira variável. Neste caso quero saber se a associação entre CM
e prática de esportes após dois anos varia de acordo com a categoria de o status
de peso e com o sexo.
Interação entre desempenho motor em locomoção e status de peso corporal
Interação entre desempenho motor em locomoção e sexo
Interação entre status de peso corporal e sexo
111
9º passo: decisão pelo modelo final
Após o processo de modelagem e avaliação da qualidade de ajuste decidimos por
esse modelo final.
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rafael dos santos henrique prática de esportes, desempenho em