XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
ANÁLISE DO EFEITO CHICOTE EM UM
ELO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS DE
UMA EMPRESA PRODUTORA DE
ÓLEOS E GORDURAS VEGETAIS
Matheus Castro de Carvalho (CESUPA)
[email protected]
Pedro Henrique Figueiredo Lobato Campos (CESUPA)
[email protected]
Claudio Mauro Vieira Serra (CESUPA)
[email protected]
Este artigo trata de uma das mais importantes problemáticas que
afetam a gestão da cadeia de suprimentos. O efeito chicote (EC)
refere-se a distorção no fluxo da informação que cria um aumento na
variabilidade da demanda nos elos mais a montante da cadeia de
suprimentos. Neste contexto, este estudo buscou verificar a ocorrência
(ou não) do efeito chicote em um elo da cadeia de suprimentos de uma
empresa produtora de óleos e gorduras vegetais. Para isso,
desenvolveu-se uma pesquisa de natureza exploratória, focada como
um estudo de caso da relação entre a empresa estudada e seus elos
fabris imediatos a montante e a jusante. Desta forma, através do
método de Fransoo e Woutres (2000) foi quantificado o efeito chicote
para o produto de maior rotatividade na empresa de 1,19. Apesar de
matematicamente existir o EC, não pode-se afirmar que há grande
variações do fluxo da demanda do produto, pois, a empresa pratica
ações em cima das quatro causas de ocorrência do fenômeno para
conter tal amplificação, principalmente no que diz respeito ao
compartilhamento de informações e atualização da previsão de
demanda.
Palavras-chave: Gestão da cadeia de suprimentos; compartilhamento
de informações; efeito chicote.
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1. Gestão da Produção
1.4. Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos e Distribuição
1. Introdução
O gerenciamento de atividades logísticas vem se tornando cada vez mais importante no
contexto empresarial. Suas funções ganham destaque na medida em que se estabelece a
importância da integração dessas atividades dentro dos sistemas produtivos e nos elos da
cadeia de suprimentos. Neste sentido, o conceito de gestão da cadeia de suprimentos ganha
destaque neste complexo gerenciamento de diferentes fluxos e relações entre empresas,
possuindo um papel fundamental de traçar a melhor estratégia e garantir melhores vantagens
competitivas com o objetivo principal de alcançar os objetivos da organização (CALLEGARI,
2010). O processo de integração dos fluxos logísticos é imprescindível para que o conceito de
gestão da cadeia de suprimentos seja colocado em prática. Em meio a este processo de
constante comunicação entre os elos o processo de gestão da demanda, devido a sua
importância e complexidade, torna-se vital em uma cadeia de suprimentos (SILVA, 2008).
É sabido que a previsão de demanda desempenha um papel de fundamental importância
dentro da organização, pois, com base nas suas informações muitos setores da empresa
realizam seus planejamentos, principalmente o planejamento e controle da produção (PCP) no
que diz respeito aos seus planos produtivos para atendimento dessa demanda. No entanto,
previsões de demanda são passiveis de erros que impedem um maior grau de assertividade e
podem gerar informações distorcidas da demanda prevista com relação a real, se propagando
de forma amplificada ao longo da cadeia.
O fenômeno de amplificação da demanda pode ser entendido como a variação das ordens do
fornecedor, localizado a montante da cadeia com a variação de vendas do varejista localizado
a jusante na cadeia (CHEN et al, 2000). O efeito chicote pode ser entendido com variações
entre a demanda real do cliente e a demanda prevista para atender a esses clientes podendo
resultar produções desnecessárias ou grandes períodos de ociosidade (CRUZ, 2011).
É um consenso entre os autores da área que o efeito chicote (EC) ocasiona aumentos
consideráveis de estoques, custos elevados, contratação de mão de obra acima do necessário,
aumento da complexidade da gestão da cadeia, rupturas de fornecimento, baixa produtividade
e perdas de vendas. Este cenário de incertezas adicionado à necessidade de uma previsão de
demanda com o maior nível de acuracidade possível para uma melhor tomada de decisão na
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cadeia de suprimentos que sugere a problemática que consiste nos erros de previsão e a
sinalização da demanda que se propagam pela cadeia de suprimentos.
Neste sentido, o objetivo deste artigo é verificar se há ocorrência do efeito chicote em um elo
da cadeia de suprimentos de uma empresa produtora de óleos e gorduras vegetal, composta
por dois níveis e três elos produtivos que representam fornecimento de embalagens, produção
e distribuição localizada em Belém/PA. Tal análise baseou-se na oscilação das demandas
previstas e reais do produto de maior saída da empresa no período de julho/12 a julho/13,
sendo o efeito chicote mensurado pelo método desenvolvido por Fransoo e Wouters (2000),
verificando se há efeito amplificador no elo da cadeia de suprimentos da empresa e suas
possíveis causas ou caso contrário se há métodos de contenção praticados pela empresa.
Esta pesquisa apresenta-se como estudo de caso com exposição de literatura de área e caráter
exploratório por se basear em dados coletados em pesquisa de campo.
2. Referencial teórico
2.1. Gestão da cadeia de suprimentos
A gestão da cadeia de suprimentos ou Supply Chain Management (SCM) é um processo que
consiste em gerenciar estrategicamente diferentes fluxos (bens, serviços, finanças e
informações) bem como as interações entre as empresas inseridas no elo da cadeia. A SCM
tem por objetivo proporcionar maior integração e gestão nos parâmetros da rede, como por
exemplo, custos, estoque e transporte, sendo estes responsáveis pela efetividade do serviço de
entrega do produto desejado aos clientes de uma empresa e a redução dos custos ao longo da
cadeia (CALLEGARI, 2010).
Uma cadeia de suprimentos consiste em todas as partes envolvidas, direta ou indiretamente no
cumprimento da solicitação do cliente (CHOPRA; MEINDEL 2003). A cadeia de
suprimentos integra mais que fábrica e fornecedores e seus serviços. Conta também com
transportadoras, atacadistas, varejo e os próprios consumidores, todos responsáveis pelas
etapas transformação da matéria prima e serviços em produtos. As etapas para fazer um
produto chegar até um consumidor final exatamente como foi solicitado, são as mais variadas
e inclui desenvolvimento de novos produtos, marketing, manufatura, distribuição e serviços
de atendimento aos clientes.
Para gerir uma SCM é preciso ter uma visão abrangente do processo como um todo. Gestão
da cadeia de Suprimentos é envolver de certa forma e de maneira eficiente, todos os atores
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que participam do processo, indo desde fornecedores, fabricantes até o consumidor final,
fazendo com que os níveis hierárquicos da empresa estejam envolvidos adotando assim uma
visão sistêmica da cadeia de suprimentos. Neste sentido, a questão que norteia gestão da
cadeia de suprimentos é conseguir atender o cliente de uma forma que todas as suas
expectativas iniciais sejam atendidas como o menos custo possível (SIMCHI-LEVI, 2003).
Uma definição formal e abrangente sobre o processo de gestão da cadeia de suprimentos é a
de Mentzer et al (2001). Para o autor gerenciamento da cadeia de suprimentos é definido com
coordenação estratégica sistemática das tradicionais funções de negócios a das táticas ao
longo dessas funções de negócios no âmbito de uma determinada empresa com o objetivo de
aperfeiçoar o desempenho ao longo prazo das empresas isoladamente e da cadeia de
suprimentos como um todo.
A implementação da SCM exige um nível de maturidade muito grande das empresas
participantes da cadeia, assim como mudanças estratégicas, táticas e operacionais
significativas. Após atingirem essa maturidade, as empresas podem buscar uma integração em
cadeia e atingirem um novo modelo competitivo entre cadeias de suprimentos. O perfeito
gerenciamento da cadeia de suprimentos, assim como na logística exige um planejamento
cuidadoso nos níveis estratégicos, táticos e operacionais que norteiam as atividades da cadeia.
Este planejamento deve ser feito de forma integrada entre as empresas pertencentes à mesma
cadeia com o proposito de determinar metas bem definidas, melhorar o processo de divisão de
tarefas, melhorar o fluxo de informações, processos futuros de planejamento e
operacionalização das atividades da cadeia de suprimentos (CHRISTOPHER, 1997).
Em Vollmann et al (2006) é visto que um dos objetivos mais básicos da SCM é implementar e
maximizar as potências sinérgicas entre as partes da cadeia de suprimentos, para que seja
possível atender os clientes finais com maior eficiência, menos custos e maior agregação de
valor ao produto que será consumido. A redução dos custos pode ser alcançada pela redução
das transações informacionais em papel, dos custos de transportes, estocagem desnecessária,
gestão da demanda para a estabilidade da cadeia e dentre outros fatores. O valor agregado é
obtido pela criação de novos bens e serviços customizados para cada cliente, pelo
desenvolvimento das competências dos elos da cadeia em seus core business distintos e
trazendo a toda cadeia e eficiência logística e produtiva a menos custo. Com a ajuda e
compartilhamento de informações pela cadeia, cria um grande fluxo de caixa vindo dos
clientes e um fluxo de materiais vindo dos fornecedores. (SIMCHI-LEVI, 2003).
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2.2. Efeito chicote
Uma das dificuldades enfrentadas pelas empresas seja de produtos ou serviços é conseguir
alinhar oferta e demanda. Isso decorre de uma expectativa de demanda não realizada por
diversos motivos, entre eles, a incapacidade de prever a demanda do cliente com exatidão.
Muitas empresas observaram que a variabilidade é amplificada em cada elo da cadeia de
suprimentos. Isto distorce as informações da cadeia, levando os elos a interpretações distintas
sobre a demanda do consumidor (CHOPRA; MEINDEL, 2003).
A incapacidade de previsão exata da demanda ou de alinhar demanda e oferta, não é
exclusividade de uma única empresa dentro da cadeia de suprimentos. A propagação é por
toda a cadeia e há erros de previsão e planejamento gerados em todas as etapas da cadeia. O
resultado disso são os níveis de estoques além ou aquém do necessário, níveis baixos de
serviços, flutuação de pedidos e preços, custos elevados e total desalinhamento da cadeia.
Quanto à variabilidade ao longo das cadeias de suprimentos, um dos assuntos mais discutidos
na atualidade é o fenômeno de efeito chicote.
Segundo Lee, Padmanabhan e Whang (1997) o efeito chicote é um fenômeno derivado da
maior variação das ordens de compras comparada às ordens de vendas, de tal modo que,
existe uma distorção amplificada entre demanda real e informada à medida que esta
informação segue a montante na cadeia de suprimentos. Ainda pra os mesmos autores o EC é
um fenômeno sob o qual o desfasamento criado pelo tempo de propagação de informação, ou
seja, diferença temporal entre o consumo do ponto de venda e chegada dessa informação ao
fornecedor provoca um aumento da variabilidade da procura ao fornecedor.
O efeito chicote causa grandes impactos negativos na cadeia de suprimentos devido a grande
instabilidade das ordens de compras recebidas pelos níveis. Para Chen et al (2003) a
ocorrência do efeito chicote é percebida quando a variabilidade da demanda aumenta à
medida em que esta avança ao longo da cadeia.
Devido às severas consequências do EC em termos de custo, desempenho e rentabilidade,
desenvolveram-se diversas pesquisas na área. Os estudos desenvolvidos por Lee,
Padmanabhan e Whang (1997) afirma que as causas do efeito chicote não eram ocorridas
apenas pela falta de análise das informações da demanda e pela falta de gerenciamento das
cadeias de suprimentos, mas também pela ocorrência de causas não comportamentais como
atualização da previsão de demanda, pedidos em lote, flutuação de preço e jogo de
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racionamento e falta. Em contrapartida a isso, Lee Padmanabhan e Whang (1997) afirma
ainda que há modos de mitigar o fenômeno do chicoteamento como, por exemplo, evitar
muitas atualizações na previsão de demanda, quebrar a encomenda de lotes, estabilizar os
preços e eliminar o jogo de escassez e racionamento.
De uma maneira abrangente as metodologias de cálculo do efeito chicote são compostas de
três formas: 1 – Cálculo da relação da variância dos pedidos e a variância da demanda, 2 –
Cálculo da relação entre a taxa de pedidos e a taxa da demanda e 3 – Cálculo do quociente
ente o coeficiente de variação da demanda gerada por um nível da cadeia de variação da
demanda recebida por esse mesmo nível (SILVA, 2008). Em virtude desta pesquisa, será
apresentado o método de Fransoo e Wouters (2000) para a mensuração do efeito chicote no
elo da cadeia de suprimentos estudada. O foco da análise considerou três elos produtivos em
dois níveis na cadeia de suprimentos em questão. (Figura 1).
Figura 1 – Variáveis do modelo quantitativo de Fransoo e Wouters (2000)
Fonte: Adaptado de Fransoo e Wouters (2000)
Para a quantificação, os autores afirmam que o efeito chicote é o quociente entre a variação da
demanda a montante pela variação da demanda a jusante do elo.
O modelo apresenta três empresas formando um elo com dois níveis de ligação sendo o
primeiro nível a ligação entre a empresa produtora e o distribuidor e o segundo nível o elo
entre a empresa produtora e o fornecedor. As variáveis Din 1 e Dout 2 são representadas pelos
dados históricos de demanda efetiva recebida pela empresa e demanda de recursos materiais
repassada para os fornecedores respectivamente. As variáveis Dout 1 e Dout 2 são
representadas pelos dados históricos de vendas de produtos pela empresa e compra para
materiais para fabricação destes produtos.
Em posse desses dados de Din e Dout para ambos os níveis através da razão entre o desvio
padrão e a média de ambos é possível calcular o coeficiente de variação Cin e Cout para
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ambos os níveis. Neste sentido, o modelo qualifica a amplificação da variabilidade da
demanda como sendo o quociente entre o coeficiente de variação da demanda gerada em um
nível da estrutura e o coeficiente de variação da demanda recebida por este nível conforme
mostra a figura 2.
Figura 2 – Modelo de quantificação de Fransoo e Wouters
Fonte: Autores (2013), adaptado de CRUZ (2011)
3. Metodologia
A pesquisa é um estudo de caso em um recorte da cadeia de suprimentos da referida empresa
em estudo, e sendo assim, apresenta um corpo teórico embasado na literatura existente do
tema, além de possuir caráter exploratório por haver coleta de dados em pesquisa de campo
através de um roteiro de observação das atividades logísticas e entrevistas com os gestores das
áreas de logística e PCP, a fim de que essas informações fossem analisadas e interpretadas,
para que se possa ter uma interpretação correta do elo da cadeia de suprimentos objeto de
estudo.
Foi optado pelo método de Fransoo e Wouters (2000), pois, além de ser uma métrica
tradicional na literatura do fenômeno de amplificação na cadeia, possibilita a quantificação
em apenas um recorte da cadeia de suprimentos que no caso desta pesquisa foi em três elos.
De tal forma que a avaliação é realizada a partir dos dados a montante e a jusante da empresa
central, ou seja, tomam-se valores efetivos e sinalizados de compra e venda para com os dois
elos mais próximos (fornecedor e distribuidor). Sendo assim, verificou-se que a metodologia
desenvolvida por Fransoo e Wouters (2000) era apropriada a realidade dos pesquisadores em
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não ter acesso a todos os dados da cadeia de suprimentos e pela facilidade de análise em
termos de números de variáveis.
As análises tiveram como base apenas um recorte da cadeia de suprimentos com três elos em
dois níveis: elo fornecedor de embalagens, elo empresa produtora e elo distribuição. Através
do roteiro de observação obtiveram-se informações referentes à: comportamento dos fluxos
logísticos de suprimentos e demandas a montante e a jusante da cadeia, política de
relacionamento entre os elos do recorte da cadeia e política de gestão de estoque da empresa
objeto de estudo. A partir desses dados, foi possível quantificar o efeito chicote no recorte da
cadeia e verificar se há efeito amplificador da demanda a montante e a jusante da cadeia de
suprimentos estudada e conhecer melhor o compartilhamento de informações da empresa em
estudo perante aos elos em que está inserida.
4. Análise dos resultados
Através do roteiro de observação aplicado na empresa, se detalhou informações referentes aos
fluxos logísticos referentes à previsão de demanda, volume de vendas, volume de compras de
embalagens e previsão de compra de embalagem junto ao fornecedor. A figura 3 corresponde
aos fluxos logísticos que fluem a montante e a jusante no elo da cadeia de suprimentos e
representa a sequência histórica do produto em unidades no período de julho de 2012 a julho
de 2013. O fluxo representa as demandas e vendas para o nível 1, elo produção-distribuição
para o nível 2, elo empresa e fornecedor de embalagens.
De acordo com a figura 3, nota-se que tanto para o nível 1 quanto para o nível 2 houve pouca
variabilidade entre os elos de Din e Dout, ou seja, em poucos períodos houve variações
significativas na demanda do produto analisado nos três elos analisados da cadeia. Mesmo em
períodos que houve uma variação mais acentuada, não se pode afirmar que há grandes
impactos do fenômeno amplificador nos elos, pois, tais diferenças podem ser interpretadas
como variação constante da demanda do mercado. No nível 1 a variação entre a demanda e
vendas do produto foi maior nos períodos de abr/13 onde houve uma previsão de 19.702
unidades a mais de que foi realmente vendido e no período de ago/12 houve uma saída de
6.532 unidades a mais da previsão. No nível 2 em dez/12 houve uma previsão de compras de
16.263 embalagens a mais do que necessário e em mar/13 apresentou uma demanda de 14.854
de unidades de embalagens a mais de o previsto.
Figura 3 – Variações dos níveis de produção na cadeia
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Fonte: Os autores (2013)
Pelos dados apresentados foi possível traçar os fluxos logísticos para os níveis da cadeia de
suprimentos conforme mostra as figuras 4 e 5.
Figura 4 – Demanda e vendas para o nível 1
Fonte: Os autores (2013)
Figura 5 – Demanda e compras para o nível 2
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Fonte: Os autores (2013)
Interpretando os gráficos, se observa que as empresas que participam desta cadeia de
suprimentos usam a demanda sinalizada mais a jusante para o planejamento da produção de
suas unidade. Nota-se que no nível 1 as curvas de previsão e vendas possue uma variabilidade
um pouco maior com relação as curvas do nível 2, no entanto, perceb-se em síntese que não
há variações bruscas em ambos os níveis. Não são observados grande picos e quedas com
maiores intensidades ao longo do período analisado em nenhum dos níveis, seja com relação a
previsão ou com relação as vendas. Apenas no nível 2, em mar/13, pode-se observar uma
razoável discrepância, pois, houve muito mais compras do que vendas. Porém, não pode-se
afirmar que há ocorrência de ociosidade ou superprodução em ambnos os níveis, pois, em
geral as variações existentes são relativamente pequenas e podem ser interpretadas como
naturais devido as grandes variações que a demanda sofre. Desta forma, pelos dados
apresentados, não se pode afirmar que há fortes indícios do efeito chicote na cadeia de
suprimentos analisada.
Para quantificar o efeito chicote no recorte da cadeia, foi utilizado a métrica de Fransoo e
Wouters (2000) considerando o grau de dispersão e o valor médio para as amostras dos dados
coletados. Os resultado da quantificação do EC são mostrados não figura 6.
Figura 6 – Efeito chicote na cadeia de suprimentos
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Fonte: Os autores (2013)
Pelos cálculos mostrados na figura acima, nota-se que para o nível 1 na comparação entre
previsão de vendas e volume real de vendas ocorreu uma amplificação de 1,14. Enquanto para
o nível 2 analisando previsão de compras e volume de compras de embalagem houve uma
amplificação de 1,05. De tal forma, resultando o efeito chicote total de 1,19 para o produto,
caracterizando-se como fator de multiplicação a jusante na cadeia.
Com esse resultado observa-se que matemáticamente há ocorrência do efeito chicote nos
niveis da cadeia, no entanto, sua intensidade no que tange aos impactos e consequências do
fenômeno para a cadeia pode ser considerada pequena, pois, durane o período analisado
observou-se baixas variações nos dois níveis da cadeia e em nenhum momento pode-se
afirmar que houve ociosidade ou super produção em ambos os níveis, características latente
do efeito chicote. Por este cenário, não se pode afirmar que há ocorrência significativa do EC
na cadeia, pois, não não se confirma o aspescto amplificador do efeito chicote a montante na
cadeia, visto que, a variação no nível 2 (1,05) é menor se comparado ao nível 1 (1,14).
Diante do cenário de pouca variação dos fluxos de demanda encontrado neste artigo,
percebeu-se que a baixa amplificação da demanda está diretamente relacionada a
procedimentos e práticas internas da empresa no que diz respeito ao compartilhamento de
inofrmações entre os elos. A figura 7 mostra como a empresa se comporta perante ao
fenômeno do EC tendo como base as quatros causas não comportamentais apotadas por Lee,
Padmanabhan e Whang (1997).
Figura 7 – Políticas e práticas para contenção do EC na cadeia de suprimentos
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Fonte: Os autores (2013)
Analisando as práticas de contenção do EC nota-se que o principal fator que justifica a baixa
amplificação é o constante compartilhamento de informações entre os níveis da cadeia.
Respandando por Lee, Padmanabhan e Whang (1997), a empresa contém o fenômeno em
cima das quatro causas não comportamentais.
Com relação a previsão de demanda, contribui para a baixa amplificação o fato de haver
atualização mensal e até semanal da demanda do mercado, pois assim, a tendência é que haja
um acompanhamento mais linear da demanda real. A variação de preços contribuiu para uma
melhor receita, pois, somente os principaís clientes são beneficiados por promoções e
políticas de descontos.
O tamanho do lote no nível 2 definido pela empresa junto ao fornecedor de embalagens. No
nível 1 a grande maioria dos clientes já possui pedidos fixos havendo poucas variações. Assim
ciente da necessidade de suprimentos e de atendimento ao cliente o planejamento produtivo é
facilitado. Não há jogo da escassez em nenhum nível. Isso relaciona-se com o processo de
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atualização da previsão de demanda, pois, tem-se uma noção mais clara das necessidades de
produção e atendimento ao cliente.
Justifica o cenário de baixa ocorrência do EC é o intenso compartilhamento de informções
entre os níveis da cadeia em análise. Desta forma, Lee, Padmanabhan e Whang (1997) cita
que a principal causa do EC é a pouca informação na cadeia. Isso confronta com a ideia de
SCM de Simchi-Levi (2003) que consiste em uma completa integração que vai desde
fornecedores à armazéns onde a produção entrega o produto aos clientes no tempo e
quantidade corretos com menor custo possível de forma a criar parcerias e estabelecendo
estratégias de compartilhamento de informações. Neste sentido, aspectos com integração e
compartilhamento de informações pôde ser visto nos níveis que compõe a cadeia do produto
analisado. O que contribui muito para está integração e compartilhamento de informações é a
empresa possuir um sistema integrado de gestão ERP que mostra-se muito eficiente no que
diz respeito a integração entre os setores da empresa e com os elos fora dela seja para
obtenção de relatórios gerenciais ou para suas tomadas de decisões.
5. Considerações finais
Os resultados desse artigo mostraram que não se pode afirmar que há ocorrência expressiva
do EC e nem amplificação deste a montante na cadeia de supriemntos estudada. Isso foi
reforçado pelo método de Fransoo e Wouters (2000) que quantificou uma intensidade de 1,19.
Este valor não mostra uma amplificação da demanda na cadeia e no processo de planajamento
da produção da empresa.
Isso é reflexo de práticas e procedimentos adontados pela empresa que mesmo sem ter o
conhecimento amplo da literatura do EC, contém o fenômeno no elo da cadeia estudada, ou
seja, a baixa amplificação é reflexo de procedimentos internos da empresa em cima das causas
do fenômeno apontadas por Lee, Padmanabhan e Whang (1997) no que diz resepeito a
atualização da previsão de demanda, variação de preços, pedidos em lote e jogo da escassez.
Sendo assim, os resultados da pesquisa refletem que os fatores fundamentais para a baixa
ocorrência do EC é o conhecimento da demanda a ser atendida e principalmente o
compartilhamento de informações entre os elos da cadeia para os dois níveis.
REFERÊNCIAS
CALLEGARI, C. Gestão da Cadeia de Suprimentos: conceitos, tendências e ideias para melhoria. Disponível
em: http://www.logisticadescomplicada.com/gestao-da-cadeia-de-suprimentos-%E2%80%93-conceitostendencias-e-ideias-para-melhoria/. Acesso em: 20 de ago. 2013.
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VOLLMANN, T et al. Sistemas de Planejamento e Controle de Produção para o Gerenciamento da Cadeia de
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