XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. ANÁLISE DO EFEITO CHICOTE EM UM ELO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS DE UMA EMPRESA PRODUTORA DE ÓLEOS E GORDURAS VEGETAIS Matheus Castro de Carvalho (CESUPA) [email protected] Pedro Henrique Figueiredo Lobato Campos (CESUPA) [email protected] Claudio Mauro Vieira Serra (CESUPA) [email protected] Este artigo trata de uma das mais importantes problemáticas que afetam a gestão da cadeia de suprimentos. O efeito chicote (EC) refere-se a distorção no fluxo da informação que cria um aumento na variabilidade da demanda nos elos mais a montante da cadeia de suprimentos. Neste contexto, este estudo buscou verificar a ocorrência (ou não) do efeito chicote em um elo da cadeia de suprimentos de uma empresa produtora de óleos e gorduras vegetais. Para isso, desenvolveu-se uma pesquisa de natureza exploratória, focada como um estudo de caso da relação entre a empresa estudada e seus elos fabris imediatos a montante e a jusante. Desta forma, através do método de Fransoo e Woutres (2000) foi quantificado o efeito chicote para o produto de maior rotatividade na empresa de 1,19. Apesar de matematicamente existir o EC, não pode-se afirmar que há grande variações do fluxo da demanda do produto, pois, a empresa pratica ações em cima das quatro causas de ocorrência do fenômeno para conter tal amplificação, principalmente no que diz respeito ao compartilhamento de informações e atualização da previsão de demanda. Palavras-chave: Gestão da cadeia de suprimentos; compartilhamento de informações; efeito chicote. XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 1. Gestão da Produção 1.4. Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos e Distribuição 1. Introdução O gerenciamento de atividades logísticas vem se tornando cada vez mais importante no contexto empresarial. Suas funções ganham destaque na medida em que se estabelece a importância da integração dessas atividades dentro dos sistemas produtivos e nos elos da cadeia de suprimentos. Neste sentido, o conceito de gestão da cadeia de suprimentos ganha destaque neste complexo gerenciamento de diferentes fluxos e relações entre empresas, possuindo um papel fundamental de traçar a melhor estratégia e garantir melhores vantagens competitivas com o objetivo principal de alcançar os objetivos da organização (CALLEGARI, 2010). O processo de integração dos fluxos logísticos é imprescindível para que o conceito de gestão da cadeia de suprimentos seja colocado em prática. Em meio a este processo de constante comunicação entre os elos o processo de gestão da demanda, devido a sua importância e complexidade, torna-se vital em uma cadeia de suprimentos (SILVA, 2008). É sabido que a previsão de demanda desempenha um papel de fundamental importância dentro da organização, pois, com base nas suas informações muitos setores da empresa realizam seus planejamentos, principalmente o planejamento e controle da produção (PCP) no que diz respeito aos seus planos produtivos para atendimento dessa demanda. No entanto, previsões de demanda são passiveis de erros que impedem um maior grau de assertividade e podem gerar informações distorcidas da demanda prevista com relação a real, se propagando de forma amplificada ao longo da cadeia. O fenômeno de amplificação da demanda pode ser entendido como a variação das ordens do fornecedor, localizado a montante da cadeia com a variação de vendas do varejista localizado a jusante na cadeia (CHEN et al, 2000). O efeito chicote pode ser entendido com variações entre a demanda real do cliente e a demanda prevista para atender a esses clientes podendo resultar produções desnecessárias ou grandes períodos de ociosidade (CRUZ, 2011). É um consenso entre os autores da área que o efeito chicote (EC) ocasiona aumentos consideráveis de estoques, custos elevados, contratação de mão de obra acima do necessário, aumento da complexidade da gestão da cadeia, rupturas de fornecimento, baixa produtividade e perdas de vendas. Este cenário de incertezas adicionado à necessidade de uma previsão de demanda com o maior nível de acuracidade possível para uma melhor tomada de decisão na 2 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. cadeia de suprimentos que sugere a problemática que consiste nos erros de previsão e a sinalização da demanda que se propagam pela cadeia de suprimentos. Neste sentido, o objetivo deste artigo é verificar se há ocorrência do efeito chicote em um elo da cadeia de suprimentos de uma empresa produtora de óleos e gorduras vegetal, composta por dois níveis e três elos produtivos que representam fornecimento de embalagens, produção e distribuição localizada em Belém/PA. Tal análise baseou-se na oscilação das demandas previstas e reais do produto de maior saída da empresa no período de julho/12 a julho/13, sendo o efeito chicote mensurado pelo método desenvolvido por Fransoo e Wouters (2000), verificando se há efeito amplificador no elo da cadeia de suprimentos da empresa e suas possíveis causas ou caso contrário se há métodos de contenção praticados pela empresa. Esta pesquisa apresenta-se como estudo de caso com exposição de literatura de área e caráter exploratório por se basear em dados coletados em pesquisa de campo. 2. Referencial teórico 2.1. Gestão da cadeia de suprimentos A gestão da cadeia de suprimentos ou Supply Chain Management (SCM) é um processo que consiste em gerenciar estrategicamente diferentes fluxos (bens, serviços, finanças e informações) bem como as interações entre as empresas inseridas no elo da cadeia. A SCM tem por objetivo proporcionar maior integração e gestão nos parâmetros da rede, como por exemplo, custos, estoque e transporte, sendo estes responsáveis pela efetividade do serviço de entrega do produto desejado aos clientes de uma empresa e a redução dos custos ao longo da cadeia (CALLEGARI, 2010). Uma cadeia de suprimentos consiste em todas as partes envolvidas, direta ou indiretamente no cumprimento da solicitação do cliente (CHOPRA; MEINDEL 2003). A cadeia de suprimentos integra mais que fábrica e fornecedores e seus serviços. Conta também com transportadoras, atacadistas, varejo e os próprios consumidores, todos responsáveis pelas etapas transformação da matéria prima e serviços em produtos. As etapas para fazer um produto chegar até um consumidor final exatamente como foi solicitado, são as mais variadas e inclui desenvolvimento de novos produtos, marketing, manufatura, distribuição e serviços de atendimento aos clientes. Para gerir uma SCM é preciso ter uma visão abrangente do processo como um todo. Gestão da cadeia de Suprimentos é envolver de certa forma e de maneira eficiente, todos os atores 3 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. que participam do processo, indo desde fornecedores, fabricantes até o consumidor final, fazendo com que os níveis hierárquicos da empresa estejam envolvidos adotando assim uma visão sistêmica da cadeia de suprimentos. Neste sentido, a questão que norteia gestão da cadeia de suprimentos é conseguir atender o cliente de uma forma que todas as suas expectativas iniciais sejam atendidas como o menos custo possível (SIMCHI-LEVI, 2003). Uma definição formal e abrangente sobre o processo de gestão da cadeia de suprimentos é a de Mentzer et al (2001). Para o autor gerenciamento da cadeia de suprimentos é definido com coordenação estratégica sistemática das tradicionais funções de negócios a das táticas ao longo dessas funções de negócios no âmbito de uma determinada empresa com o objetivo de aperfeiçoar o desempenho ao longo prazo das empresas isoladamente e da cadeia de suprimentos como um todo. A implementação da SCM exige um nível de maturidade muito grande das empresas participantes da cadeia, assim como mudanças estratégicas, táticas e operacionais significativas. Após atingirem essa maturidade, as empresas podem buscar uma integração em cadeia e atingirem um novo modelo competitivo entre cadeias de suprimentos. O perfeito gerenciamento da cadeia de suprimentos, assim como na logística exige um planejamento cuidadoso nos níveis estratégicos, táticos e operacionais que norteiam as atividades da cadeia. Este planejamento deve ser feito de forma integrada entre as empresas pertencentes à mesma cadeia com o proposito de determinar metas bem definidas, melhorar o processo de divisão de tarefas, melhorar o fluxo de informações, processos futuros de planejamento e operacionalização das atividades da cadeia de suprimentos (CHRISTOPHER, 1997). Em Vollmann et al (2006) é visto que um dos objetivos mais básicos da SCM é implementar e maximizar as potências sinérgicas entre as partes da cadeia de suprimentos, para que seja possível atender os clientes finais com maior eficiência, menos custos e maior agregação de valor ao produto que será consumido. A redução dos custos pode ser alcançada pela redução das transações informacionais em papel, dos custos de transportes, estocagem desnecessária, gestão da demanda para a estabilidade da cadeia e dentre outros fatores. O valor agregado é obtido pela criação de novos bens e serviços customizados para cada cliente, pelo desenvolvimento das competências dos elos da cadeia em seus core business distintos e trazendo a toda cadeia e eficiência logística e produtiva a menos custo. Com a ajuda e compartilhamento de informações pela cadeia, cria um grande fluxo de caixa vindo dos clientes e um fluxo de materiais vindo dos fornecedores. (SIMCHI-LEVI, 2003). 4 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 2.2. Efeito chicote Uma das dificuldades enfrentadas pelas empresas seja de produtos ou serviços é conseguir alinhar oferta e demanda. Isso decorre de uma expectativa de demanda não realizada por diversos motivos, entre eles, a incapacidade de prever a demanda do cliente com exatidão. Muitas empresas observaram que a variabilidade é amplificada em cada elo da cadeia de suprimentos. Isto distorce as informações da cadeia, levando os elos a interpretações distintas sobre a demanda do consumidor (CHOPRA; MEINDEL, 2003). A incapacidade de previsão exata da demanda ou de alinhar demanda e oferta, não é exclusividade de uma única empresa dentro da cadeia de suprimentos. A propagação é por toda a cadeia e há erros de previsão e planejamento gerados em todas as etapas da cadeia. O resultado disso são os níveis de estoques além ou aquém do necessário, níveis baixos de serviços, flutuação de pedidos e preços, custos elevados e total desalinhamento da cadeia. Quanto à variabilidade ao longo das cadeias de suprimentos, um dos assuntos mais discutidos na atualidade é o fenômeno de efeito chicote. Segundo Lee, Padmanabhan e Whang (1997) o efeito chicote é um fenômeno derivado da maior variação das ordens de compras comparada às ordens de vendas, de tal modo que, existe uma distorção amplificada entre demanda real e informada à medida que esta informação segue a montante na cadeia de suprimentos. Ainda pra os mesmos autores o EC é um fenômeno sob o qual o desfasamento criado pelo tempo de propagação de informação, ou seja, diferença temporal entre o consumo do ponto de venda e chegada dessa informação ao fornecedor provoca um aumento da variabilidade da procura ao fornecedor. O efeito chicote causa grandes impactos negativos na cadeia de suprimentos devido a grande instabilidade das ordens de compras recebidas pelos níveis. Para Chen et al (2003) a ocorrência do efeito chicote é percebida quando a variabilidade da demanda aumenta à medida em que esta avança ao longo da cadeia. Devido às severas consequências do EC em termos de custo, desempenho e rentabilidade, desenvolveram-se diversas pesquisas na área. Os estudos desenvolvidos por Lee, Padmanabhan e Whang (1997) afirma que as causas do efeito chicote não eram ocorridas apenas pela falta de análise das informações da demanda e pela falta de gerenciamento das cadeias de suprimentos, mas também pela ocorrência de causas não comportamentais como atualização da previsão de demanda, pedidos em lote, flutuação de preço e jogo de 5 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. racionamento e falta. Em contrapartida a isso, Lee Padmanabhan e Whang (1997) afirma ainda que há modos de mitigar o fenômeno do chicoteamento como, por exemplo, evitar muitas atualizações na previsão de demanda, quebrar a encomenda de lotes, estabilizar os preços e eliminar o jogo de escassez e racionamento. De uma maneira abrangente as metodologias de cálculo do efeito chicote são compostas de três formas: 1 – Cálculo da relação da variância dos pedidos e a variância da demanda, 2 – Cálculo da relação entre a taxa de pedidos e a taxa da demanda e 3 – Cálculo do quociente ente o coeficiente de variação da demanda gerada por um nível da cadeia de variação da demanda recebida por esse mesmo nível (SILVA, 2008). Em virtude desta pesquisa, será apresentado o método de Fransoo e Wouters (2000) para a mensuração do efeito chicote no elo da cadeia de suprimentos estudada. O foco da análise considerou três elos produtivos em dois níveis na cadeia de suprimentos em questão. (Figura 1). Figura 1 – Variáveis do modelo quantitativo de Fransoo e Wouters (2000) Fonte: Adaptado de Fransoo e Wouters (2000) Para a quantificação, os autores afirmam que o efeito chicote é o quociente entre a variação da demanda a montante pela variação da demanda a jusante do elo. O modelo apresenta três empresas formando um elo com dois níveis de ligação sendo o primeiro nível a ligação entre a empresa produtora e o distribuidor e o segundo nível o elo entre a empresa produtora e o fornecedor. As variáveis Din 1 e Dout 2 são representadas pelos dados históricos de demanda efetiva recebida pela empresa e demanda de recursos materiais repassada para os fornecedores respectivamente. As variáveis Dout 1 e Dout 2 são representadas pelos dados históricos de vendas de produtos pela empresa e compra para materiais para fabricação destes produtos. Em posse desses dados de Din e Dout para ambos os níveis através da razão entre o desvio padrão e a média de ambos é possível calcular o coeficiente de variação Cin e Cout para 6 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. ambos os níveis. Neste sentido, o modelo qualifica a amplificação da variabilidade da demanda como sendo o quociente entre o coeficiente de variação da demanda gerada em um nível da estrutura e o coeficiente de variação da demanda recebida por este nível conforme mostra a figura 2. Figura 2 – Modelo de quantificação de Fransoo e Wouters Fonte: Autores (2013), adaptado de CRUZ (2011) 3. Metodologia A pesquisa é um estudo de caso em um recorte da cadeia de suprimentos da referida empresa em estudo, e sendo assim, apresenta um corpo teórico embasado na literatura existente do tema, além de possuir caráter exploratório por haver coleta de dados em pesquisa de campo através de um roteiro de observação das atividades logísticas e entrevistas com os gestores das áreas de logística e PCP, a fim de que essas informações fossem analisadas e interpretadas, para que se possa ter uma interpretação correta do elo da cadeia de suprimentos objeto de estudo. Foi optado pelo método de Fransoo e Wouters (2000), pois, além de ser uma métrica tradicional na literatura do fenômeno de amplificação na cadeia, possibilita a quantificação em apenas um recorte da cadeia de suprimentos que no caso desta pesquisa foi em três elos. De tal forma que a avaliação é realizada a partir dos dados a montante e a jusante da empresa central, ou seja, tomam-se valores efetivos e sinalizados de compra e venda para com os dois elos mais próximos (fornecedor e distribuidor). Sendo assim, verificou-se que a metodologia desenvolvida por Fransoo e Wouters (2000) era apropriada a realidade dos pesquisadores em 7 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. não ter acesso a todos os dados da cadeia de suprimentos e pela facilidade de análise em termos de números de variáveis. As análises tiveram como base apenas um recorte da cadeia de suprimentos com três elos em dois níveis: elo fornecedor de embalagens, elo empresa produtora e elo distribuição. Através do roteiro de observação obtiveram-se informações referentes à: comportamento dos fluxos logísticos de suprimentos e demandas a montante e a jusante da cadeia, política de relacionamento entre os elos do recorte da cadeia e política de gestão de estoque da empresa objeto de estudo. A partir desses dados, foi possível quantificar o efeito chicote no recorte da cadeia e verificar se há efeito amplificador da demanda a montante e a jusante da cadeia de suprimentos estudada e conhecer melhor o compartilhamento de informações da empresa em estudo perante aos elos em que está inserida. 4. Análise dos resultados Através do roteiro de observação aplicado na empresa, se detalhou informações referentes aos fluxos logísticos referentes à previsão de demanda, volume de vendas, volume de compras de embalagens e previsão de compra de embalagem junto ao fornecedor. A figura 3 corresponde aos fluxos logísticos que fluem a montante e a jusante no elo da cadeia de suprimentos e representa a sequência histórica do produto em unidades no período de julho de 2012 a julho de 2013. O fluxo representa as demandas e vendas para o nível 1, elo produção-distribuição para o nível 2, elo empresa e fornecedor de embalagens. De acordo com a figura 3, nota-se que tanto para o nível 1 quanto para o nível 2 houve pouca variabilidade entre os elos de Din e Dout, ou seja, em poucos períodos houve variações significativas na demanda do produto analisado nos três elos analisados da cadeia. Mesmo em períodos que houve uma variação mais acentuada, não se pode afirmar que há grandes impactos do fenômeno amplificador nos elos, pois, tais diferenças podem ser interpretadas como variação constante da demanda do mercado. No nível 1 a variação entre a demanda e vendas do produto foi maior nos períodos de abr/13 onde houve uma previsão de 19.702 unidades a mais de que foi realmente vendido e no período de ago/12 houve uma saída de 6.532 unidades a mais da previsão. No nível 2 em dez/12 houve uma previsão de compras de 16.263 embalagens a mais do que necessário e em mar/13 apresentou uma demanda de 14.854 de unidades de embalagens a mais de o previsto. Figura 3 – Variações dos níveis de produção na cadeia 8 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Fonte: Os autores (2013) Pelos dados apresentados foi possível traçar os fluxos logísticos para os níveis da cadeia de suprimentos conforme mostra as figuras 4 e 5. Figura 4 – Demanda e vendas para o nível 1 Fonte: Os autores (2013) Figura 5 – Demanda e compras para o nível 2 9 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Fonte: Os autores (2013) Interpretando os gráficos, se observa que as empresas que participam desta cadeia de suprimentos usam a demanda sinalizada mais a jusante para o planejamento da produção de suas unidade. Nota-se que no nível 1 as curvas de previsão e vendas possue uma variabilidade um pouco maior com relação as curvas do nível 2, no entanto, perceb-se em síntese que não há variações bruscas em ambos os níveis. Não são observados grande picos e quedas com maiores intensidades ao longo do período analisado em nenhum dos níveis, seja com relação a previsão ou com relação as vendas. Apenas no nível 2, em mar/13, pode-se observar uma razoável discrepância, pois, houve muito mais compras do que vendas. Porém, não pode-se afirmar que há ocorrência de ociosidade ou superprodução em ambnos os níveis, pois, em geral as variações existentes são relativamente pequenas e podem ser interpretadas como naturais devido as grandes variações que a demanda sofre. Desta forma, pelos dados apresentados, não se pode afirmar que há fortes indícios do efeito chicote na cadeia de suprimentos analisada. Para quantificar o efeito chicote no recorte da cadeia, foi utilizado a métrica de Fransoo e Wouters (2000) considerando o grau de dispersão e o valor médio para as amostras dos dados coletados. Os resultado da quantificação do EC são mostrados não figura 6. Figura 6 – Efeito chicote na cadeia de suprimentos 10 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Fonte: Os autores (2013) Pelos cálculos mostrados na figura acima, nota-se que para o nível 1 na comparação entre previsão de vendas e volume real de vendas ocorreu uma amplificação de 1,14. Enquanto para o nível 2 analisando previsão de compras e volume de compras de embalagem houve uma amplificação de 1,05. De tal forma, resultando o efeito chicote total de 1,19 para o produto, caracterizando-se como fator de multiplicação a jusante na cadeia. Com esse resultado observa-se que matemáticamente há ocorrência do efeito chicote nos niveis da cadeia, no entanto, sua intensidade no que tange aos impactos e consequências do fenômeno para a cadeia pode ser considerada pequena, pois, durane o período analisado observou-se baixas variações nos dois níveis da cadeia e em nenhum momento pode-se afirmar que houve ociosidade ou super produção em ambos os níveis, características latente do efeito chicote. Por este cenário, não se pode afirmar que há ocorrência significativa do EC na cadeia, pois, não não se confirma o aspescto amplificador do efeito chicote a montante na cadeia, visto que, a variação no nível 2 (1,05) é menor se comparado ao nível 1 (1,14). Diante do cenário de pouca variação dos fluxos de demanda encontrado neste artigo, percebeu-se que a baixa amplificação da demanda está diretamente relacionada a procedimentos e práticas internas da empresa no que diz respeito ao compartilhamento de inofrmações entre os elos. A figura 7 mostra como a empresa se comporta perante ao fenômeno do EC tendo como base as quatros causas não comportamentais apotadas por Lee, Padmanabhan e Whang (1997). Figura 7 – Políticas e práticas para contenção do EC na cadeia de suprimentos 11 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Fonte: Os autores (2013) Analisando as práticas de contenção do EC nota-se que o principal fator que justifica a baixa amplificação é o constante compartilhamento de informações entre os níveis da cadeia. Respandando por Lee, Padmanabhan e Whang (1997), a empresa contém o fenômeno em cima das quatro causas não comportamentais. Com relação a previsão de demanda, contribui para a baixa amplificação o fato de haver atualização mensal e até semanal da demanda do mercado, pois assim, a tendência é que haja um acompanhamento mais linear da demanda real. A variação de preços contribuiu para uma melhor receita, pois, somente os principaís clientes são beneficiados por promoções e políticas de descontos. O tamanho do lote no nível 2 definido pela empresa junto ao fornecedor de embalagens. No nível 1 a grande maioria dos clientes já possui pedidos fixos havendo poucas variações. Assim ciente da necessidade de suprimentos e de atendimento ao cliente o planejamento produtivo é facilitado. Não há jogo da escassez em nenhum nível. Isso relaciona-se com o processo de 12 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. atualização da previsão de demanda, pois, tem-se uma noção mais clara das necessidades de produção e atendimento ao cliente. Justifica o cenário de baixa ocorrência do EC é o intenso compartilhamento de informções entre os níveis da cadeia em análise. Desta forma, Lee, Padmanabhan e Whang (1997) cita que a principal causa do EC é a pouca informação na cadeia. Isso confronta com a ideia de SCM de Simchi-Levi (2003) que consiste em uma completa integração que vai desde fornecedores à armazéns onde a produção entrega o produto aos clientes no tempo e quantidade corretos com menor custo possível de forma a criar parcerias e estabelecendo estratégias de compartilhamento de informações. Neste sentido, aspectos com integração e compartilhamento de informações pôde ser visto nos níveis que compõe a cadeia do produto analisado. O que contribui muito para está integração e compartilhamento de informações é a empresa possuir um sistema integrado de gestão ERP que mostra-se muito eficiente no que diz respeito a integração entre os setores da empresa e com os elos fora dela seja para obtenção de relatórios gerenciais ou para suas tomadas de decisões. 5. Considerações finais Os resultados desse artigo mostraram que não se pode afirmar que há ocorrência expressiva do EC e nem amplificação deste a montante na cadeia de supriemntos estudada. Isso foi reforçado pelo método de Fransoo e Wouters (2000) que quantificou uma intensidade de 1,19. Este valor não mostra uma amplificação da demanda na cadeia e no processo de planajamento da produção da empresa. Isso é reflexo de práticas e procedimentos adontados pela empresa que mesmo sem ter o conhecimento amplo da literatura do EC, contém o fenômeno no elo da cadeia estudada, ou seja, a baixa amplificação é reflexo de procedimentos internos da empresa em cima das causas do fenômeno apontadas por Lee, Padmanabhan e Whang (1997) no que diz resepeito a atualização da previsão de demanda, variação de preços, pedidos em lote e jogo da escassez. Sendo assim, os resultados da pesquisa refletem que os fatores fundamentais para a baixa ocorrência do EC é o conhecimento da demanda a ser atendida e principalmente o compartilhamento de informações entre os elos da cadeia para os dois níveis. REFERÊNCIAS CALLEGARI, C. Gestão da Cadeia de Suprimentos: conceitos, tendências e ideias para melhoria. Disponível em: http://www.logisticadescomplicada.com/gestao-da-cadeia-de-suprimentos-%E2%80%93-conceitostendencias-e-ideias-para-melhoria/. Acesso em: 20 de ago. 2013. 13 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. CHEN, F et al. Quantifying The Bullwhip Effect in a Simple Supply Chain: The impact of Forecasting, Lead Times and Information. Management Science, vol. 46, p. 436-443, 2000. CHOPRA, S.; MEINDEL, P. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: estratégia, planejamento e operação. São Paulo: Pearson, 2003. CHRISTOPHER, M. 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