América do Norte mantém
a maior rentabilidade nos fundos
de investimento mobiliários
Pág. 40
DIRETOR
João Peixoto de Sousa
Nº 1451 / 29 de junho 2012 / Semanal / Portugal Continental 2,20
www.vidaeconomica.pt
MERCADOS
COM 38,8% DA DOTAÇÃO PAGA
Investimento
em valor: Johnson
& Johnson
Portugal é o país
que melhor executa
os fundos do QREN
Pág. 41
SAÚDE
Estado deve
mais de mil milhões
em dispositivos
médicos
Pág. 18
FISCALIDADE
No conjunto dos nove
Estados-membros com
maior dotação global dos
fundos, Portugal encontra-se em primeiro lugar
quanto aos pagamentos
intermédios
Pág. 10
NESTA EDIÇÃO
PUB
Défice pode atingir os 5,2%
Até maio de 2012, a receita
dos impostos caiu 3,5% e
a despesa efetiva aumentou
2%. A manter-se a situação
atual, a perda de receitas
fiscais atingirá os 1236,65
milhões de euros e a despesa
aumentará 554,6 milhões de
euros no final do ano.
Isto corresponderá a uma
derrapagem das contas
públicas de 1692,2 milhões
Pág. 28
AUTOMÓVEL
“Portugal
tem de apostar
na mobilidade elétrica
urbana”
Pág. 46
PREVISÃO DA VE PARA 2012
• SUPLEMENTO
METAL
• PME NEWS
OTOC quer prorrogar
entrega da IES até final
de julho
PUB
de euros, elevando o défice de
4,5% para 5,2%.
Pág. 6
Perda de receitas fiscais/
acumulado 2012
(Milhões de euros)
PUB
01451
9 720972 000037
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2
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
ABERTURA
Top da semana
ANTÓNIO VILAR ADVOGADO
Causas do dia-a-dia
[email protected]
Nem tudo o que luz é oiro
A ética no trabalho e o trabalho ético não são palavras vãs, a não ser que estejemos a falar de robôs.
A liberdade sem igualdade é uma mentira,
também no âmbito da comunicação social.
Num Estado democrático a imprensa livre
é um bem essencial. O direito de informar e
o de ser informado implica, por seu turno,
a liberdade de expressão enquanto base de
formação da opinião pública democrática que
tem, de resto, assento constitucional.
Surgem aqui, porém, perplexidades e
fragilidades que não se poderão escamotear.
A que mais me incomoda é a que advém de,
encavalitados nos poleiros da comunicação
social, alguns “gurus” nos ditarem o que
devemos entender do mundo. Fazem-no, quase
sempre, longe do contraditório de opiniões
diferentes e com argumentos que deixam,
geralmente, muito a desejar. É uma forma de
instilar nos cidadãos o pensamento único que,
à falta de igualdade de armas relativamente a
quem os lê ou escuta, passa a ser também a
verdade única, que nos subjuga muitas vezes.
Tal acontece com comentários, editoriais e
pronunciamentos equivalentes que, utilizando
os mais subtis instrumentos de propaganda
pura e dura, nos tiram a dignidade do
pensamento. Quem ignora que, à 2ª feira, as
discussões de café ou barbeiro sobre política
não passam de uma reprodução impensada do
que alega, pro domo sua, Marcelo, na televisão,
no domingo à noite? Há, também, que relevar
certas colunas de jornais, pomposamente
situadas nas suas páginas nobres que expressam
opiniões em formas que simulam a última
ideia, a análise mais profunda, o último grito
da doutrina política, mas que, afinal, não
passam de opiniões (por vezes paupérrimas) ou
de suporte à voz do dono. Parecem, contudo,
a verdade revelada ao jornalista ou comentador
para ser propagada aos infiéis ou reconfortar os
indecisos.
Vem isto a propósito da “importante”
coluna que o diretor do “Sol” preenche todas
as semanas em página nobre do seu jornal.
Quando vêm de ser publicadas dramáticas
normas jurídico-laborais que vão trazer aos
trabalhadores mais insegurança e pobreza,
escrevia ele, na edição de 22 de junho de 2012,
a propósito da baixa de salários avançada pelo
Prof. António Borges: “Tal como sucede com
o preço do leite ou das laranjas: quando há
excedente no mercado, o preço baixa. (…) A
questão não é ideológica nem moral, e explicase de um modo muito simples: ou aquilo que
produzimos é competitivo, e tem sucesso no
mercado, ou não é – e os produtos não se
vendem, e as fábricas fecham”.
Um pouco mais de reflexão e de estudo
– sim, estudo – teriam certamente levado
ao conhecimento desse senhor alguns
textos fundadores e fundamentais, aceites
universalmente, que exprimem princípios
básicos relativamente ao trabalho: a paz
duradoura não pode ser alcançada a menos
que seja baseada na justiça social, fundada na
Nesta edição
dignidade, segurança económica e igualdade
de oportunidades; o trabalho não deve ser
encarado meramente como uma mercadoria,
deve haver liberdade de associação, tanto
para trabalhadores como para empregadores,
juntamente com liberdade de expressão, e o
direito à negociação coletiva (cfr. a Declaração
de Filadélfia de 1944, posteriormente integrada
na Constituição da OIT).
O trabalho humano é igual ao leite ou às
laranjas?
A questão não é ideológica, nem moral?
Peço desculpa, mas isto já não se diz
impunente, sequer, num pasquim de extrema
direita.
O mercado de trabalho não é um mercado
como outro qualquer, pelo que não poderá
seguir as regras de outros mercados face à
dependência pessoal do trabalhador. E, assim,
a luta pela dignidade humana e pelo trabalho
decente é um dos grandes objetivos do Direito
do trabalho.
A ética no trabalho e o trabalho ético não
são palavras vãs, a não ser que estejemos a falar
de robôs.
Quantas mentes terão ficado “enlatadas”
nesse discurso retrogado de um jornalista que
não tem o direito à irresponsabilidade? Aqui
fica a minha profunda indignação, ainda que
usando meios insignificantes relativamente aos
que ele usou.
Cuidado. Nem tudo o que luz é oiro.
Imprensa
EM REVISTA
EXPANSIÓN
Bruxelas prepara
união bancária e
orçamental
Atualidade
06
Negócios e Empresas
Automóvel
Défice português pode
chegar aos 5,2% ainda este
ano
16
Construção e imobiliário
propõem sete medidas para
salvar o setor
46
Internacional .......... Pág. 08
Life Beat ................. Pág. 24
Turismo ................... Pág. 31
Rússia lança medidas
para captar investimento
estrangeiro
Seguradoras não
comparticipam ações
preventivas na saúde
Investimento francês no
Douro promove enoturismo
Tecnologias ............ Pág. 19
Fiscalidade............. Pág. 28
Brasileiros querem investir no
setor tecnológico português
Portugal intensifica acordos
sobre a dupla tributação
BPI Equity Research lança
“top pick” de empresas
ibéricas
Realtech .................. Pág. 21
Pullmantur............. Pág. 30
Automóvel ............. Pág. 47
Estrutura nacional da empresa
à conquista de novos
mercados
Portugal disponibiliza melhores
condições para a realização de
cruzeiros
Retorno oferecido aos
patrocinadores deve ir além
da presença nas provas
Motorizações de menor
potência “tramam” marcas
“premium” no pós-venda
Mercados ................ Pág. 42
Humor económico
A Comissão Europeia
apresentou um documento
em que avança com
medidas como uma taxa
sobre as transações
financeiras e um fundo de
amortização da dívida.
Os líderes europeus
estão agora a discutir os
passos concretos que
têm de ser dados naquele
sentido. O documento
refere a necessidade de
uma política orçamental
mais integrada, o que há
que fazer para uma maior
integração económica
e como preservar a
legitimidade democrática
se os países renunciam
a uma parte da sua
soberania. A primeira
prioridade é a integração
bancária, aspeto tido como
essencial para combater a
crise da dívida.
THE WALL STREET
JOURNAL
Roma retira risco da
sua contabilidade
Os velhos costumes nunca
morrem. Muitos dos
problemas económicos
da Europa explicam-se
para larga trajetória do
Continente em termos
de protecionismo e da
excessiva interferência
estatal nas principais
EDITOR E PROPRIETÁRIO Vida Económica Editorial, SA DIRETOR João Peixoto de Sousa COORDENADORES EDIÇÃO João Luís de Sousa e Albano Melo
REDAÇÃO Virgílio Ferreira (Chefe de Redação), Adérito Bandeira, Alexandra Costa, Ana Santos Gomes, Aquiles Pinto, Fernanda Teixeira, Guilherme Osswald, Marta Araújo, Rute Barreira, Sandra Ribeiro e Susana Marvão; E-mail [email protected]; PAGINAÇÃO Célia César, Flávia
Leitão, José Barbosa e Mário Almeida; PUBLICIDADE PORTO Rua Gonçalo Cristóvão, 14, 2º 4000-263 Porto - Tel 223 399 400 • Fax 222 058
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MEMBRO DA EUROPEAN
BUSINESS PRESS
empresas e indústrias.
A solução em Itália
parece ser mais do
mesmo. O país necessita
de vender com urgência
ativos para reduzir a
sua dívida. Mas em vez
de privatizar os ativos
diretamente e atrair
capital privado, tal como
ceder o controlo a novos
proprietários, Roma
recorre a estratagemas
contabilísticos. O
Governo pretende vender
três empresas estatais,
por 10 mil milhões de
euros, a uma caixa postal
de postal de poupança
em que o Estado
tem uma participação
largamente maioritária.
LES ECHOS
Renault abre
novo capítulo do
segmento “low cost”
A Renault, em poucos
anos, desenvolveu uma
família de dez modelos
de baixo custo, as quais
representam um terço das
suas vendas totais e três
quartas do crescimento.
O grupo vai reforçar esta
estratégia para ganhar
rentabilidade.
A marca automóvel
francesa vai começar
a renovar os modelos
existentes a um ritmo
bastante rápido. A ideia
é desenvolver veículos
robustos para estradas
degradadas, as existentes
nos países que são o alvo
“low cost” da Renault. Um
dos objetivos passa por
reduzir em 40% os custos
de produção deste tipo de
veículos.
TIRAGEM CONTROLADA
PELA:
TIRAGEM DESTA EDIÇÃO
18.200
4000 Município (Porto)
TAXA PAGA
Registo na D G C S nº 109 477
• Depósito Legal nº 33 445/89 •
ISSN 0871-4320 • Registo do ICS
nº 109 477
FERNANDO ULRICH
O presidente do BPI é
dos poucos banqueiros
que tem uma intervenção
ativa junto do grande público e
acaba por representar a banca, o
que significa que as suas palavras
têm sempre um peso significativo.
Fernando Ulrich, com razão, afirma
que ainda há setores e segmentos
da população com margem de
manobra para mais austeridade.
No fundo, o que o banqueiro diz é
que a atual política de austeridade
está a tornar-se incomportável para
muita gente e que a classe média
chegou aos limites em termos de
tributação.
PASSOS COELHO
O primeiro-ministro
continua um percurso
pouco consistente e tem revelado
falhas em termos de comunicação.
Os portugueses continuam à
espera de explicações concretas
sobre o que os espera no futuro
próximo. Certo é que as palavras
de Passos Coelho deixam lugar
a muitas dúvidas. Se, por um
lado, admite mais medidas de
austeridade, se assim considerar
necessário, por outro, adianta
que, para já, as mesmas não
serão impostas. Certo é que os
tempos estão difíceis e não são
apresentadas soluções concretas.
VÍTOR GASPAR
O ministro das Finanças
tem ainda muitas
explicações a dar. A
execução orçamental está em
clara derrapagem, sobretudo em
resultado da quebra acentuada nas
receitas fiscais. A despesa não
está sob controlo. Ora, a situação
era previsível. Mais uma vez, como
sucedeu noutros governos, optouse pelo caminho mais simples,
o do aumento da carga fiscal.
Naturalmente, a economia é que
está a sofrer as consequências.
Não seria má ideia rever a política
fiscal e mudar de rumo.
4
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
Novas regras do RSI entram em vigor a 1 de agosto
O acesso ao Rendimento Social de Inserção fica dependente do valor do património mobiliário e o valor dos bens móveis sujeitos a registo do requerente e do seu agregado familiar, não
podendo, cada um deles, ser superior a 60 vezes o valor do indexante dos apoios sociais (IAS).
Donos de carros ou barcos avaliados em mais de 25 mil euros ficam, portanto, excluídos. As
novas regras do RSI entram em vigor a 1 de agosto.
ATUALIDADE
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA CONFIRMA À “VIDA ECONÓMICA”
Pagamentos do PROMAR
não ultrapassam os 32%
A menos de ano e meio
do fim do período
de programação,
os pagamentos aos
investidores efetuados
no âmbito do Programa
Operacional para
o setor das Pescas
(PROMAR 20072013) não ultrapassam
os 32%, revelou fonte
oficial do Ministério
da Agricultura à “Vida
Económica”. A taxa de
aprovação de projetos
está “na ordem dos
64%”.
TERESA SILVEIRA
[email protected]
Reprogramado em definitivo
no final de 2008, o Programa
Operacional para o setor das Pescas (PROMAR 2007-2013), que
também pode ser executado até
2015, estava, em março de 2010,
“em velocidade de cruzeiro”, de
acordo com o então secretário de
Estado das Pescas e da Agricultura, Luís Medeiros Vieira.
Em entrevista à “Vida Económica”, o então governante revelava que a dotação orçamental
daquele programa foi fixada nos
325 milhões de euros, para vários
eixos e para o território nacional,
incluindo regiões autónomas,
sendo que, só para o continente,
estavam destinados 274 milhões
de euros.
Já em março de 2010, o exsecretário de Estado da Agricultura reconhecia a “baixa taxa de
execução” daquele Programa, que
estava, à data, apenas nos 8,8%,
com pouco mais de 20,6 milhões
de euros pagos aos investidores e
Assunção Cristas, ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAMAOT).
um total de 88 milhões aprovados.
Hoje, mais de dois anos volvidos, o Ministério tutelado por
Assunção Cristas é parco nas informações que presta sobre a execução daquele Programa, apenas
revelando que o PROMAR tem,
neste momento, a menos e ano
e meio do fim do seu período de
programação, “uma taxa de aprovação de projetos na ordem dos
PUB
64% e de pagamentos de 32%”.
E desconhecem-se mais pormenores, quer sobre volumes de projetos candidatados, quer sobre os
aprovados nos vários eixos, quer,
ainda, sobre a regularidade dos
pagamentos e os montantes financeiros liquidados aos investidores.
ANICP desconhece
reclamações
dos promotores
Questionado pela “Vida Económica” sobre esta matéria, Castro e Melo, secretário-geral da Associação Nacional dos Industriais
de Conservas de Peixe (ANICP) e
membro da Comissão de Acompanhamento daquele Programa
operacional, desconhece, ainda
assim, reclamações dos promotores quanto a atrasos no pagamento dos apoios.
“Não tenho tido reclamações
em relação aos pagamentos”, disse à “Vida Económica” o responsável dos industriais de conservas,
frisando que o setor que representa tem, neste momento, pelo
menos, quatro projetos a correr
financiados pelo PROMAR.
Um, o de uma nova fábrica de
conservas em Olhão (Algarve),
da empresa Freitas Mar, em fase
de conclusão, outro também de
uma nova fábrica do setor na Póvoa de Varzim, já quase pronta,
assim como o da modernização
das linhas de produção da empresa Gencoal, em Vila do Conde, financiada ao abrigo daquele
Programa, e, ainda, a construção
de uma nova unidade conserveira
em Matosinhos. Esta, recém-classificada como Projeto de Interesse Nacional (PIN), vai ser construída pela Ramirez, não estando
ainda definida a data do arranque
da sua construção.
Avaliação
dos stocks
de sardinha
conhecida
em agosto
“A atual escassez de sardinha tem
acarretado dificuldades de abastecimento da indústria de conservas,
em quantidade e a preços competitivos”, sendo “um assunto que
preocupa o Governo, porque se
trata de uma indústria relevante em
termos económicos e sociais, que
compete nos mercados internacionais”, admitiu recentemente o Ministério da Agricultura numa nota
enviada à agência Lusa.
Na verdade, dois despachos
publicados pelo Ministério de
Assunção Cristas (Despacho nº
1520/2012, de 1 de fevereiro, e
Despacho nº 7509/2012, de 31 de
maio) vieram limitar as capturas daquela espécie, uma das mais usadas
na indústria conserveira, pois que
dela dependem, neste momento,
em Portugal 12 das 14 fábricas existentes. E, com isso, vieram “condicionar o abastecimento à indústria
e condicionar os preços”.
“Estes limites às capturas são
uma medida precaucionista”, explica Castro e Melo, secretário geral
da ANICP, à “Vida Económica”,
tomada até se conhecerem os resultados do rastreio à costa portuguesa
que está em curso e cujas conclusões apenas se prevêem para agosto.
Certo é que a indústria que está
instalada carece anualmente de 30
mil toneladas de sardinha, sendo
que, até 31 de maio, apenas estava
autorizada a captura de nove mil
toneladas daquele peixe.
Porém, com a publicação do
Despacho nº 7509/2012, de 31 de
maio, os limites então fixados em
fevereiro já foram alargados, o que
contribuiu para “atenuar” este problema. Lê-se neste diploma publicado em Diário da República que
“no período compreendido entre
1 de junho e 31 de dezembro de
2012, o limite máximo de descargas da espécie sardinha, capturada
com arte de cerco, é fixado em 27
mil toneladas”. Isto, realça Castro e
Melo, “sem prejuízo de estas limitações poderem ser revistas durante o
segundo semestre” do ano, em função de informação atualizada sobre
o estado deste recurso.
Recorde-se que o setor das conservas de peixe é um dos que mais
contribui para as exportações portuguesas, pois assegurou, em 2011,
150 milhões de euros e 33 mil toneladas de conservas para o exterior.
Para 2012, as perspetivas são
igualmente positivas. Apesar da
conjuntura, os dados do primeiro
trimestre mostram uma subida de
13,2% nas quantidades exportadas
e um crescimento de 32,2% em
valor.
5
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
ATUALIDADE
Banco de Espanha prevê segundo semestre mais difícil
Parque Escolar acumula dívidas de 98 milhões de euros
O Banco de Espanha anunciou que a queda do PIB entre Abril e Junho irá superar a contração
de 0,3% verificada no primeiro trimestre de 2012. O consumo privado, a confiança das famílias e as vendas a retalho caíram em abril para níveis de 2003 e abaixo da média do primeiro trimestre. Os registos de veículos também acentuaram a descida em Maio, para uma queda anual
de 15,3%, a par dos gastos das grandes empresas que sublinharam também as quedas em Abril.
A Parque Escolar acumula dívidas na ordem de 98 milhões de euros e não tem capacidade de
tesouraria para pagar as faturas a 60 dias a fornecedoras. Num relatório enviado ao Governo,
a nova administração da Parque Escolar assume que, devido aos atrasos nos pagamentos várias
obras foram suspensas pelos adjudicatários. Ainda assim, faz ainda previsões de poder relançar
20 projectos por ano, que agora estão congelados.
Sustentabilidade
das IPSS passa
pela inovação
Emmanuel Vallens, da Comissão Europeia, falou da necessidade de acelerar a inovação social.
FERNANDA SILVA TEIXEIRA
[email protected]
A inovação é o único caminho que
as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) têm como
alternativa ao financiamento estatal.
Esta foi a principal conclusão da mais
recente edição do Congresso Internacional de Inovação Social, organizado
pela União Distrital das IPSS do Porto (UDIPSS-Porto). O evento, que
reuniu cerca de 430 especialistas portugueses e internacionais, decorreu
na passada semana no Teatro Rivoli.
Durante os dois dias do evento, os
presentes puderam tomar contacto
com diversas realidades de iniciativas
no âmbito da inovação social, fruto
da apresentação de diversos projetos
já implementados, não apenas em
Portugal, mas igualmente noutros
pontos do globo. Na iniciativa da
UDIPSS-Porto, os congressistas tomaram ainda conhecimento de variados instrumentos a que as instituições
sociais podem recorrer para trabalharem e suportarem novas respostas sociais.
Começando por apelar à mobilização de todos os atores sociais para
“combater as desigualdades mais persistentes”, o presidente da União Dis-
trital das IPSS (UDIPSS) do Porto,
José Baptista, salientou no seu discurso de abertura que “Portugal tem
visto os seus níveis de pobreza e de
exclusão social aumentarem nos últimos anos, particularmente no Norte
do país. Os níveis de qualidade de
vida definham e os de participação
democrática deprimem”, afirmou.
Necessidade de mobilizar
todos os atores sociais
Perante mais de três centenas
de congressistas, o presidente da
UDIPSS do Porto considerou ainda
que, “as organizações da sociedade
civil organizada, pela capacidade de
refletirem os interesses das comunidades onde se inserem e cujas necessidades conhecem melhor do que
qualquer outro agente coletivo, são
um exemplo paradigmático da capacidade de flexibilidade e adaptação
portuguesas às contingências sociais.
É neste paradigma e segundo esta
crença que se afigura a necessidade de
mobilizar todos os atores sociais que,
século após século, foram capazes de
fazer sempre melhor e com qualidade
e, simultaneamente, de combater desigualdades mais persistentes”, acres-
centou.
Entre os oradores estrangeiros do
congresso, destaque também para
monsignor Giampietro Dal Toso, ministro da Santa Sé responsável pelas
organizações católicas de apoio social,
que enfatizou o papel que a inovação
pode e deve desempenhar na gestão
das IPSS, e para Emmanuel Vallens,
da Comissão Europeia, onde coordena a área do mercado interno, que
falou de “Como Acelerar a Inovação
Social” e sobre “O Papel das Organizações do Terceiro Setor e dos Empreendedores Sociais”.
O evento contou ainda com a presença, na sessão de encerramento liderada pelo presidente da UDIPSSPorto, padre Lopes Baptista, de Rui
Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto, de Álvaro Dâmaso, do
Montepio Geral, de Albertina Amorim, da Santa Casa da Misericórdia
do Porto, e do padre Lino Maia, presidente da CNIS, que voltou a sublinhar que “a sustentabilidade é o novo
nome da qualidade”, até porque uma
das ideias mais fortes que foi passada
no evento foi a de que pela inovação
das respostas sociais passar um dos
eixos fundamentais para a sustentabilidade das instituições.
EDITORIAL
JOÃO LUÍS DE SOUSA DIRETOR ADJUNTO
[email protected]
Impostos a mais
e receitas a menos
A receita parecia estar certa: cortar a despesa
pública onde fosse possível e manter ou aumentar a
receita através do agravamento das taxas em alguns
impostos. A fatura seria sempre paga pelos cidadãos
e pelas empresas das duas formas. Com custos mais
altos para os serviços públicos onde não há oferta
alternativa e com menos rendimento disponível
porque a fatia absorvida pelos impostos passou a ser
maior.
Em vez de uma mudança de fundo, a opção foi
fazer um ajustamento, mantendo inalterada a lógica
anterior.
Se a receita resultasse, teríamos uma situação de
equilíbrio entre despesas e receitas do Estado. Com
o défice orçamental corrigido ou atenuado, seria
possível a prazo reduzir os impostos, diminuir o preço
dos serviços públicos, contribuindo para o aumento
da competitividade da economia. Se as empresas
correspondessem, o país voltaria à situação anterior
à da crise, com um Estado de dimensão equivalente,
mas com equilíbrio orçamental e sustentabilidade.
O problema é que o tratamento não está resultar.
Os dados preocupantes sobre a “doença” da economia
estão nas análises e vão-se agravando de mês para mês
com a execução orçamental. Não se trata de “riscos
e incertezas” conforme o ministro das Finanças lhe
chama com eufemismo, mas sim do disparo do défice
orçamental provocado pelo aumento da despesa e
queda das receitas.
Na base do aumento do défice orçamental está um
erro clamoroso na previsão das receitas fiscais no OE
2012 e no orçamento retificativo, que agora terá de
ser novamente retificado.
Ao contrário do que o Governo pensa – na mesma
linha dos Governos anteriores –, a capacidade que
o Estado tem para cobrar impostos é limitada. E o
aumento dos impostos que o Governo decide por
necessidade não altera esse limite. Por isso, chegámos
à situação atual em que a receita fiscal diminui numa
proporção semelhante à do agravamento das taxas dos
impostos.
A receita fiscal depende da vontade das empresas
e cidadãos de pagar impostos e da sua capacidade
económica. A questão da vontade coloca-se cada
vez menos porque as sanções têm-se tornado cada
vez mais dacronianas para quem não paga ou
simplesmente atrasa o pagamento de impostos. Para
além dos agravamentos, das penhoras, das execuções,
há sanções penais pesadas. Em Portugal, as penas
de prisão por não pagamento de impostos já são
em muitos casos mais gravosas que certos tipos de
homicídio ou tráfico de droga. A lógica do Estado é:
quem não pagar os impostos vai dentro.
Resta a questão da capacidade para pagar impostos
que o Estado parece ignorar por completo. Se os
cidadãos tiverem o rendimento disponível estagnado
ou em declínio, se uma grande parte das empresas
tem rentabilidade reduzida ou negativa, cai o
consumo, cai o investimento e a receita fiscal encolhe.
O agravamento dos impostos apenas serve para a
acentuar a evolução negativa.
O problema do défice orçamental não se resolve e,
pelo contrário, tende a agravar-se enquanto o peso
e a despesa do Estado não diminuir para um nível
ajustado à realidade da nossa economia.
6
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
ATUALIDADE
AEVP quer a privatização do IVDP
Corticeira Amorim compra Trefinos por 15,1 milhões
A Associação das Empresas de Vinho do Porto considera urgente que o Governo liberte o
setor do vinho do Porto do peso do Estado. Isabel Marrana, diretora da AEVP, critica o silêncio do Governo em relação à proposta dos produtores e dos comerciantes de privatização
do IVDP, solução que viabilizaria a gestão de um fundo anual de 10 milhões de euros para a
promoção, comparticipado pelo QREN.
A Corticeira Amorim comprou, através da participação da Amorim & Irmãos, 91% do capital da espanhola Trefinos, por 15,1 milhões de euros. Com esta aquisição, a empresa portuguesa reforça a sua posição em Espanha, mais precisamente na Catalunha, e no segmento de
rolhas para champanhe e espumantes. Juan Ginesta, gerente único da Trefinos, integre o Conselho de Administração da Corticeira Amorim.
Défice pode atingir os 5,2%
A manterem-se as condições
atuais, a derrapagem nas contas
públicas poderá atingir no final
do ano, os 1692,2 milhões de
euros a mais do que o previsto
no OE, atirando o défice para os
5,2%.
VIRGÍLIO FERREIRA
[email protected]
De janeiro a maio de 2012, a receita acumulada dos impostos cifrou-se em 13 097,4
milhões de euros. São menos 479,9 milhões
de euros do que em igual período do ano passado, correspondendo a uma queda de 3,5%,
ou seja, mais 2,9 pontos percentuais face ao
previsto na alteração ao OE2012.
A manterem-se as condições atuais, a perda
de receitas fiscais poderá atingir, no final deste
ano, 1236,65 milhões de euros. Serão mais
1138,6 milhões do que o previsto no OE.
IVA, IRC, ISV, ISP e imposto do consumo
de tabaco são os impostos onde ocorrem as
maiores perdas de receita fiscal, ascendendo,
nos primeiros cinco meses do ano, a 796,8
milhões de euros.
No último boletim de execução orçamental, aponta-se para a contração do consumo
como principal fator redutor de receita dos
impostos.
Ao nível da despesa pública, o montante
efetivo executado sobe, de janeiro a maio,
343 milhões de euros, face ao período homólogo do ano passado, atingindo os 17 538,5
milhões de euros. É um aumento de 2% face
ao valor atingido em 2011, ou seja, mais 1,13
pontos percentuais do que o previsto na alteração ao OE2012.
A manter-se a situação atual, a despesa efetiva do Estado irá subir este ano em 976,6
milhões de euros, mais 554,6 milhões do que
o previsto no OE2012.
Ou seja, se nada for feito pelo Governo,
o défice do Estado irá agravar-se em 2012
em cerca de 2213,15 milhões de euros, em
resultado da diminuição da receita dos impostos e do aumento da despesa efetiva. Tal
situação traduzir-se-á numa derrapagem de
1692,2 milhões de euros, face ao previsto no
OE2012.
Significa isto também que, na ótica da contabilidade nacional e perante tal derrapagem
nas contas públicas, o défice poderá atingir
este ano, os 5,2%, ou seja, 0,7 pontos percentuais acima do compromisso assumido com
Bruxelas (4,5%).
BELMIRO DE AZEVEDO AFIRMA
“O emprego fora de Portugal
é muito interessante”
Belmiro de Azevedo com o embaixador Seixas da Costa e Carlos Vinhas Pereira, presidente da
Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa.
“Os empregos nascem em sítios que não
estão ao lado de casa” e “os portugueses
precisam de fazer algum esforço”, afirmou
Belmiro de Azevedo, à agência Lusa, à
margem de um jantar da Câmara do Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, realizado em Paris.
O presidente não executivo do grupo
Sonae esclareceu que não se trata de “emigrar”, mas de “viajar”. “Os homens e as
mulheres de 1960 vinham em condições
muito piores e até levavam uns tiros na
fronteira. Quantos não regressaram a Portugal e não estão melhor?”.
“Agora, vêm de jato e nem assim querem
vir. Os portugueses têm que fazer algum esforço e ter vontade. Até porque, neste momento, a educação das pessoas em Portugal
não tem comparação com a das gerações
anteriores e, portanto, até é fácil arranjar
emprego no estrangeiro”, acrescentou o líder histórico da Sonae.
Segundo Belmiro de Azevedo, o problema do desemprego “resolve-se muito bem”,
desde que as pessoas “façam aquilo que é
óbvio”.
“O emprego fora de Portugal é, em muitos sítios no mundo, onde há muita posição, muito interessante, a ganhar muito
bem. Mas Portugal não se habituou.”
7
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
ATUALIDADE
CARLOS NUNO OLIVEIRA AFIRMA À “VIDA ECONÓMICA”
Portugal “deve fazer lobby em Bruxelas”
para o programa Horizonte 2020
lo que é a participação de empresas e de
PME”, acrescenta.
Sobre os montantes que poderão estar
disponíveis dentro do atual ProgramaQuadro, Carlos Nunes Oliveira refere:
“Há um orçamento global do Programa
que está disponível. Para Portugal não há
nada definido, dependendo das candidaturas feitas por entidades nacionais. Não há
uma ‘call’ específica para Portugal”.
Haverá uma nova dinâmica para incentivar os empresários a recorrerem às referidas linhas relativamente aos programas em
aberto? A esta questão, o governante responde que “temos no Compete uma linha
de sistemas de incentivos para promover a
participação em programas internacionais
de investigação e desenvolvimento, sendo
expetável que as empresas os aproveitem”.
Maior enfoque no crescimento da
Europa
Luís Filipe Costa, presidente do IAPMEI, realça o potencial que o 8º Programa-Quadro trará a nível de crescimento e
emprego. Portugal pode aproveitar vários
programas de um grande puzzle de oferta.
“O Programa Horizonte 2020 trará da
parte da Comissão Europeia, um maior
enfoque na questão da inovação e da investigação universitária”, afirma à Vida
Económica”.
“A investigação e desenvolvimento é fundamental para a produção do crescimento
da Europa e, claro, também em Portugal,
e assim do emprego. Sem inovação e sem
investigação e desenvolvimento não haverá contraponto europeu à industrialização
maciça que estamos a assistir na Ásia e em
outras regiões emergentes. A Europa tem
de se reindustrializar, não é a indústria do
século XIX ou XX, tem de ser a indústria
do século XXI, é preciso inovação, investigação e desenvolvimento que são os focos
deste novo programa Horizonte 2020”,
acrescenta.
“Este programa é um dos vários programas de um puzzle que compõem todos os
sistemas de apoio empresarial da Comissão Europeia. Este é um entre vários e eu,
como é natural, estou mais preocupado
com as PME portuguesas do que com as
grandes empresas europeias”, conclui.
“Portugal está ligeiramente abaixo da utilização da quota relativamente àquilo que seria expetável
relativamente à dimensão do país”, afirma Carlos Nuno Oliveira a propósito do 7º Programa-Quadro.
VÍTOR NORINHA
[email protected]
O programa Horizonte 2020 entrará em
vigor a 1 de janeiro de 2014. Por enquanto
vigorará o 7º Programa-Quadro, mantendo-se abertas as candidaturas durante o
corrente ano.
Carlos Nuno Oliveira, secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, que esteve num recente
encontro promovido pelo IAPMEI, onde
foi debatida a proposta apresentada pela
eurodeputada Maria da Graça Carvalho,
relatora do 8º Programa-Quadro de Investigação e Inovação 2014-2020, abreviadamente conhecido por “Horizonte
2020”, afirmou, durante o encontro, que
reuniu empresários e entidades públicas,
que o objetivo é antecipar e colaborar na
definição das prioridades deste programa.
Desta forma, afirma, “temos oportunidade
de ouvir o setor empresarial português”.
Nuno Oliveira defendeu a necessidade de
“fazer lobby em Bruxelas numa fase de an-
tecipação do programa”.
Questionado sobre os grandes objetivos
do programa Horizonte 2020 e que importância é que o Governo português lhe
atribui, Nuno Oliveira responde que “um
dos objetivos desta sessão que promovemos com a eurodeputada Maria da Graça
Carvalho é precisamente tentar assegurar
que Portugal e os empresários portugueses (que estiveram presentes num recente
seminário do IAPME) possam influenciar
aquilo que são as regras deste programa”.
“O objetivo de facto é que possa haver
uma grande participação no Horizonte
2020 de PME nacionais quando ele estiver, de facto, definido e daí a organização
deste evento”, afirma à “Vida Económica”.
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Participação abaixo do desejável
Solicitado a fazer uma análise dos resultados do 7º Programa-Quadro, o secretário de Estado aponta que “o resultado do
ponto de vista global revela que Portugal
está ligeiramente abaixo da utilização da
quota relativamente àquilo que seria expetável relativamente à dimensão do país. E é
essa a nossa perceção”.
E explica que “a participação por parte
do sistema científico e tecnológico nacional acontece a bom ritmo. Diria que as
empresas não tiveram ainda, provavelmente, a dinamização, nem se aperceberam
do potencial que o próprio 7º ProgramaQuadro pode ter para as suas atividades e
para a promoção dos seus produtos e serviços. Essa foi a razão que, paralelamente,
o Governo e o Ministério da Economia
lançaram, no âmbito do Compete, uma linha, um sistema de incentivo para que empresas nacionais possam concorrer a programas do 7º Programa-Quadro. E é isso
que esperamos que ainda aconteça nestas
“calls” que vão ocorrer no ano de 2012”.
“Esperamos que no próximo Programa
haja uma dinamização muito maior daqui-
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relacionada com os
diplomas principais que
assim os completam.
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“A participação por parte do
sistema científico e tecnológico
nacional acontece a bom ritmo.
Diria que as empresas não
tiveram ainda, provavelmente,
a dinamização, nem se
aperceberam do potencial que
o próprio 7º Programa-Quadro
pode ter para as suas atividades
e para a promoção dos seus
produtos e serviços”, afirma
à “Vida Económica” Carlos
Nuno Oliveira, secretário de
Estado do Empreendedorismo,
Competitividade e Inovação.
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ASSINATURA
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8
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
ATUALIDADE
Espanhóis ganham cada vez menos
UE “suaviza” exigências sobre idade da reforma
A riqueza”per capita” dos espanhóis voltou a cair no ano passado, face à média da Zona Euro.
É mais uma das consequências da crise económica, tendo a taxa daquele país ficado nove pontos abaixo da média da Zona Euro. E ficou um ponto abaixo da média verificada no conjunto
das nações da União Europeia. Portugal ficou no 19º lugar, enquanto a Espanha se posicionou
na 13ª posição. Os mais ricos foram os luxemburgueses, os holandeses e os austríacos. Nos três
últimos lugares surgiram a Bulgária, a Roménia e a Letónia.
Os ministros das Finanças da União Europeia decidiram retirar a recomendação de Bruxelas
para os governos acelerarem a idade da reforma para os 67 anos. O texto final acabou por ser
reformulado, passando a ser assegurado que a idade da reforma deve aumentar em linha com
a esperança de vida. Houve protestos, com alguns países a argumentarem que aumentar a idade da reforma iria elevar os gastos públicos ao permitir que os trabalhadores se inscrevessem
no desemprego antes de começarem a cobrar a pensão.
Rússia lança medidas para captar
investimento estrangeiro
Esta pode ser uma boa oportunidade para quem pretende investir na
Rússia. O presidente Vladimir Putin
anunciou a criação de um pacote de
medidas orientado para os investidores estrangeiros. O principal objetivo
passa por restaurar a confiança no
mercado russo por parte dos investidores estrangeiros, como fez questão
de salientar.
A Rússia está aberta ao negócio
e o Governo está na disposição de
avançar com reformas liberais, sobretudo nos âmbitos das privatizações
e da corrupção endémica que assola
o país. Putin garante que está a ser
delineado um programa amplo e de
reformas em larga escala. E conta
com o apoio público para avançar
com as medidas. No entanto, deixou claro que ativos estatais estarão
à venda, mas não acontecerá como
nos anos noventa, altura das privatizações massivas e com consequências
bastante negativas para a economia
russa.
Uma coisa é certa, o presidente
Putin pretende que os investimentos
estrangeiros sejam de longa duração,
ou seja, rejeita o investimento de
curto prazo, “em que o otimismo se
pode transformar rapidamente em
pessimismo, levando a saídas de capital em larga escala”. Todavia, também
faz exigências. Quer que se passe das
declarações a uma verdadeira reforma
do Fundo Monetário Internacional e
de outras entidades financeiras, pro-
ceder a uma reforma que tenha em
conta o real equilíbrio de poderes.
O presidente russo chama ainda a
atenção para alguns indicadores da
economia russa e que, na sua ótica, são muito positivos e capazes de
atraírem o necessário investimento
estrangeiro. Desde logo, “a Rússia
está em melhor situação económica
do que a maioria do mundo desenvolvido”, sendo que apresenta taxas
de crescimento mais elevadas do que
o resto da Europa, a dívida pública é
mínima e tem a taxa de inflação mais
baixa desde que terminou o regime
comunista. Putin também se revela
um forte defensor de uma maior intervenção por parte dos países emergentes na economia global.
O presidente russo, Vladimir Putin, insiste numa maior intervenção dos países emergentes na economia global.
5HVHUYHRHVSDoRGDVXDHPSUHVD Fed prepara mais ajustamentos
para impulsionar o crescimento
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A Reserva Federal dos Estados Unidos
decidiu ampliar o seu programa “Operação Twist” até ao final do ano, no valor de
267 mil milhões de dólares, face ao abrandamento do crescimento económico. Para
além deste programa, o banco central está
preparado para adotar outras medidas, outros plano de emissões, por exemplo, se se
considerar necessário.
Acontece que a crise europeia está a ter
um pacto negativo no crescimento económico dos Estados Unidos, pelo que o país
está pronto a tomar novas iniciativas, caso
a situação se complique ainda mais. Relativamente à crise europeia, a Reserva Federal
gostaria que fossem adotadas medidas adicionais e que seja feito o possível para esta-
bilizar a situação, clarificar os compromissos
orçamentais e impulsionar o crescimento.
A “Operação Twist” foi utilizada pela Reserva Federal nos anos sessenta com o objetivo de flexibilizar o refinanciamento de hipotecas e baixar os custos dos empréstimos
concedidos pela banca. Em setembro, a instituição voltou a recorrer a este sistema para
estimular a economia. Um dos objetivos é
que os investidores se virem para ativos de
maior risco. Se o mercado mudar, ajudará
ao crescimento. Tem sido uma preocupação constante da Fed promover estratégias
de crescimento, todavia continua a ser o
país com uma das maiores dívidas externas,
compensada, não raras vezes, por empresas
bastante competitivas.
Empresários alemães menos confiantes
A confiança empresarial da Alemanha
tornou a descer pelo segundo mês consecutivo, em junho, para 105,3 pontos, um
valor ligeiramente abaixo dos 105,9 pontos
esperados pelos analistas. As estatísticas são
elaboradas pelo Ifo.
Acontece que o sentimento empresarial
do motor europeu retrocedeu pelo segundo mês consecutivo, para o seu nível mais
baixo em dois anos. O que se ficará a dever
ao agravamento da crise que atravessa a Eu-
ropa e que tem impacto na maior economia
europeia. De facto, a economia germânica
teme as crescentes influências negativas da
crise do euro. A maior parte dos países para
os quais a Alemanha exporta estão a sentir
dificuldades, o que acaba por ter influência direta no sentimento de confiança dos
empresários germânicos. De notar que a
política alemã, por outro lado, tem sido no
sentido de impulsionar o consumo interno.
O que tem acontecido até ao momento.
10
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
ATUALIDADE/QREN
Verbas do QREN bem aplicadas na Guimarães Capital
Europeia da Cultura
Autarca de Torres Vedras contesta perda de fundos
comunitários
O grupo de deputados do Parlamento Europeu que esteve, recentemente, de visita a Guimarães considerou que os fundos comunitários atribuídos à Capital Europeia da Cultura
(CEC) Guimarães 2012 “estão a ser bem aplicados”. No entanto, embora “satisfeitos”, os
eurodeputados manifestaram alguma “preocupação” quanto à sustentabilidade e ao futuro dos
equipamentos renovados e construídos ao abrigo do evento.
O presidente da Câmara de Torres Vedras contesta a perda de fundos comunitários pelo município, após a reavaliação das prioridades pelo Governo, o que deixa comprometidas obras como duas
escolas e o Polis da cidade.”Constata-se que o Estado não é sério porque a câmara tinha contratos
assinados com o Estado e o Governo rasga-os, o que é inconcebível”, explica a autarquia, que,
alegadamente, perde um milhão de euros de fundos comunitários já garantidos pelo Governo.
Portugal é o país que mais rápido
executa os fundos comunitários
MARTA ARAÚJO
[email protected]
Portugal é um dos países que melhor
executam os fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional
(QREN). No conjunto dos nove Estadosmembro com maior dotação global de
fundos (mais de 19 mil milhões de euros),
encontra-se em primeiro lugar no que
concerne aos pagamentos intermédios do
Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), Fundo de Coesão (FC) e
Fundo Social Europeu (FSE).
Segundo dados divulgados da DireçãoGeral do Orçamento da Comissão Europeia (DG Budget), que dizem respeito a 1
de junho de 2012, Portugal (8300,1 M)
mantém-se, em termos absolutos, no grupo dos quatro países com maiores volumes
de transferências totais da CE a título de
pagamentos intermédios, conjuntamente
com a Polónia (22 100,4 M), a Espanha
(11 810,0 M) e a Alemanha (9834,2 M).
Numa análise comparativa entre os
montantes de pagamentos intermédios
transferidos pela CE, no âmbito dos respetivos QREN, até àquela data, e a dotação
programada para o período 2007-2013 de
cada um dos 27 EM, Portugal já recebeu
8301 M, correspondente a 38,8% da
sua dotação (acima da média da UE27 –
29,1%).
Tendo em conta os fundos, os pagamentos intermédios executados no Fundo Social
Europeu – 3467,6 M, representam 50,7%
da dotação FSE reprogramada no QREN
para o período 2007-2013, bem acima da
média europeia no FSE, de 32,8%.
Por seu turno, os pagamentos intermé-
dios executados no Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e Fundo de Coesão – 4833,3 M – representam
33,2% da dotação reprogramada destes
fundos no QREN para 2007-2013, também acima da média europeia de 28,0%
para estes dois fundos.
POPH aplicou cinco mil milhões de euros
em formação
MARTA ARAÚJO
[email protected]
O Programa Operacional Potencial Humano (POPH), que funciona ao abrigo do
Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), terá concedido formação a
mais de três milhões de pessoas. Na prática, o mesmo terá alcançado uma taxa de
execução de 56,34%, correspondente a
5,113 mil milhões de euros de despesa já
executada e a uma taxa de compromisso de
73,46%, o que equivale a cerca de 6,7 mil
milhões de euros de investimento já comprometido.
Os dados foram apresentados, esta semana, pelo gestor do POPH, Domingos
Lopes, numa cerimónia que contou com
a presença de Andriana Sukova-Tosheva,
responsável pela Diretoria Mercado da
Economia Social nos Estados-membros no
âmbito do Fundo Social Europeu.
Para Domingos Lopes, “os indicadores
de desempenho permitem-nos fazer um
balanço muito positivo quanto à adesão
da sociedade portuguesa a processos de
formação profissional como resposta à
adaptação aos processos tecnológicos e às
mudanças organizacionais”. O responsável do POPH sublinha ainda que “podemos considerar que Portugal está na fase
charneira de mudança geracional em que
o investimento feito nos últimos anos na
qualificação começa a gerar uma dinâmica
de procura incessante de aumento das qualificações na mais atual população ativa”.
10 eixos prioritários e 40 tipologias
de intervenção
As candidaturas aprovadas pelo POPH
representam várias intervenções de que
são destinatários cidadãos, empresas, entidades formadoras, escolas, universidades,
organizações não governamentais e Administração Pública. Através de dez eixos
prioritários organizados em 40 tipologias
de intervenção, o programa atua recorrendo a vários organismos intermédios.
As candidaturas aprovadas abrangeram
165 mil jovens, que concluíram cursos
com dupla certificação, 530 mil adultos,
que foram certificados através de processos
de reconhecimento, validação e certificação
de competências ou cursos de educação e
formação, perto de 1,7 milhões de adultos
que foram certificados através das formações modulares, 771.587 trabalhadores em
formação para a inovação e gestão dos
quais 347.638 são ativos da Administração
Pública, 300 mil estudantes do ensino superior apoiados com bolsas de ação social,
30 mil jovens que concluíram estágios profissionais, 46 mil pessoas que concluíram
ações de formação para a inclusão social,
das quais perto de 20 mil são pessoas com
deficiência e incapacidades.
11
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
ATUALIDADE
Parceiros sociais pedem a Passo Coelho mais tempo
Patrões e sindicatos pediram a Passos Coelho que negoceie o alargamento de prazos para a redução do défice e que pressione a Comissão
Europeia a avançar com medidas concretas de estímulo à economia. A
CIP sublinhou a necessidade de aliviar a carga fiscal das empresas e as
metas orçamentais. A UGT apontou para a promoção do investimento europeu.
Portugal sem ajuda externa a partir de 2015
As reformas estruturais em Portugal surtem efeito e o país deverá sustentar a sua dívida sem ajuda externa a partir de 2015, refere um estudo publicado pelo Instituto de Política Europeia de Friburgo (CEP),
na Alemanha. O índice CEP das dívidas nacionais coloca Portugal
ainda em terreno negativo, com menos 5,3 pontos, mas a subir em
relação ao ano anterior.
GRUPO CH ESTÁ A IMPLEMENTAR PROJETO “DESTROIKA” EM EMPRESAS DE TODO O PAÍS
“A crise é oportunidade de ouro
para valorizar potencial humano”
Uma equipa de
80 colaboradores
permanentes do
Grupo CH e 300
colaboradores externos
está a percorrer o país para
implementar o projeto
“Destroika”. Defendem
o aproveitamento das
condições adversas
do mercado para
implementar “mudanças
positivas” nas empresas,
partindo da valorização
do capital humano
e reconhecendo que
todos os dias é preciso
estar disponível para
mudar. Só assim se
consegue felicidade nas
organizações, garantem
António Henriques e Rui
Fiolhais, respetivamente
administrador e gestor do
Grupo CH
ANA SANTOS GOMES
[email protected]
Vida Económica – Salvar empresas e empregos é o grande
objetivo desta iniciativa, preconizando aquilo que chamam
de mudança positiva. Que mudanças são estas?
António Henriques (AH) –
Uma das grandes novidades desta abordagem é o facto de contar
muito com o envolvimento dos
colaboradores e daí ser “positiva”.
Não é uma coisa que vem de cima.
É fundamentalmente um projeto
de gestão da mudança nas organizações para procurar reajustá-las ao
contexto atual, que é de grande incerteza e de grande ansiedade, com
tudo o que a “troika” nos trouxe.
Daí o nome de “Destroika”, para
funcionar como a antítese do que o
português sente com a “troika”.
Basicamente, o que pretendemos
fazer é a replicação de um projeto
que implementámos dentro de
portas. Tudo o que fazemos testamos primeiro em nós próprios.
Também aqui o objetivo foi claramente este: salvar a empresa e empregos. E não é um projeto de rees-
truturação ou “downsizing”. É uma
questão de trazer um novo quadro
mental às organizações.
VE – As crises tendem a abafar o valor individual de cada
colaborador?
Rui Fiolhais (RF) – A crise que
estamos a viver pode ser uma oportunidade de ouro para que esse potencial humano venha ao de cima.
A “Destroika” pega no fator de riqueza mais importante que as organizações têm, que são as pessoas, a
sua capacidade e sua produtividade,
e faz com que essas pessoas estejam
alinhadas com o projeto empresarial, catapultando a empresa para
um estado positivo. A grande novidade neste processo de transformação organizacional prende-se com
esta capacidade de alinhamento de
vontades em função de um projeto.
VE – Sendo esta mudança
positiva, para melhor, pressupõe que alguma coisa está menos bem.
RF - Esse é o primeiro passo. É
um passo de autorreconhecimento. Nós temos um conjunto de
ferramentas de diagnóstico que
permitem fazer uma radiografia da
organização, não apenas na perspetiva puramente técnica, como os
seus indicadores financeiros ou a
sua posição face ao mercado, mas
também numa perspetiva muito
humana, permitindo um auto reconhecimento das fragilidades. No
processo da “Destroika” todos estão
envolvidos. No nosso caso, nós estivemos praticamente durante uma
semana, dia e noite, em conjunto
a fazer esse esforço de reflexão. Foi
um esforço partilhado. Só se o envolvimento de todos for garantido
neste processo da Destroika é que
é possível que todos possamos beneficiar dos resultados que vão ser
atingidos. Há aqui uma lógica de
sofrimento e de recompensa.
VE – O tecido empresarial
português é tradicionalmente
pouco flexível e resistente à
mudança. Ainda é assim?
AH – Eu acho que acontece
um pouco em todas as organizações, não são só as portuguesas.
Tipicamente, as organizações são
resistentes à mudança, que ainda é
algo pouco acarinhado. Essa é uma
das nossas marcas de ADN. Nós
andamos em mudança e perseguimos a mudança todos os dias. Por
isso, temos este novo paradigma da
“É nestas alturas que se vê quais são as organizações verdadeiramente habilitadas a sobreviver”, alegam Rui Fiolhais
e António Henriques.
empresa que olha para a gestão de
pessoas, para pessoas que se querem
felizes, vendo a mudança como
algo positivo, partilhado com compromissos da organização.
VE – Para muitas empresas,
neste momento, o grande foco
está na sobrevivência. Como
se convence um empresário a
apostar num processo destes
numa altura tão difícil?
RF – Este investimento é inevitável. Vamos usar a metáfora de
um barco que está numa situação
muito crítica. Quando essa situação ocorre há um conjunto de
meios que têm de ser atirados para
fora para se conseguir levar o barco até terra. E esses meios podem
exigir sacrifícios, mas seguramente
exigem investimento, seja de energia, de tempo ou de equipamentos.
Se desligar o rádio no mar alto,
dificilmente chega a terra. Se não
houver organização e disciplina,
dificilmente chega a terra. Também
nas empresas, se não fizermos esse
investimento dificilmente obtemos
também a recompensa. Queremos garantir que é possível nestas
condições adversas aproveitar esta
oportunidade para regenerar organizações e fazer delas organizações
que possam acrescentar valor, atingir resultados e sobretudo trazer felicidade às pessoas. E onde os níveis
de satisfação são extremamente elevados. Uma das chaves do sucesso
da “Destroika” é que, a um dado
passo, todos nós vamos assinar uns
contratos de compromisso em que
estamos todos alinhados com os
objetivos que individual e coletivamente devemos atingir.
VE – E têm encontrado empresários disponíveis para essa
mudança?
RF – Estamos a lançar uma campanha nacional de enorme envergadura. Vamos estar em 14 capitais de
distrito e, felizmente, temos encontrado uma ressonância muito positiva junto dos nossos empresários e
das associações empresariais. E sintoma disso é o facto de as associações empresariais, à escala regional,
serem, elas próprias, parceiras do
nosso grupo, abrindo as suas portas para receber empresários que já
manifestaram interesse em acompanhar este movimento nacional
de “Destroika”.
VE – Esperam encontrar algum ceticismo?
RF – É incontornável. É o dia-a-dia nas empresas. Ceticismo é a
primeira barreira a ser vencida num
processo desta natureza. Por isso é
que estamos empenhados em pessoalmente percorrer o país todo levando a “Destroika”. Onde houver
ceticismo haverá uma “Destroika”.
AH – As organizações têm de
acreditar que é possível mudar e
têm de estar envolvidas e disponíveis para isso. E vão reinventar-se
quantas vezes? Tantas quantas as
necessárias. Os contratos de compromisso podem ser revistos porque todos os dias as coisas mudam.
VE – Depois da crise, a gestão será diferente?
AH – Ela já está a ser diferente
todos os dias. Está a pôr em stress
permanente a nossa capacidade de
gestão. Está a obrigar-nos a ser criativos.
VE – Há lições que se estão a
aprender agora e que vão ficar
para o futuro?
AH – Nunca a gestão por abundância foi virtuosa. É o ponto de
partida. Acho que é nestas alturas
que se vê quais são as organizações
verdadeiramente habilitadas a sobreviver. Para quem gosta de desconforto, esta altura é riquíssima.
Obriga as empresas a renovar-se e
recriar-se. Isso é fantástico.
VE – Defendem um projeto
para tornar os vossos clientes
empresas sustentáveis. Como
definem sustentabilidade?
RF – O que se pretende aqui é
naturalmente uma lógica de sustentabilidade económica. Porquê?
Temos de perceber a fase em que vivemos. Não é possível entrar numa
empresa em que a gestão de topo
tenha uma visão redutora sobre as
pessoas e que ache que a solução
não passe pelas pessoas. Não é possível. A questão da sustentabilidade
preocupa-me enquanto administrador de empresa: não ter salários
em atraso, garantir um projeto sólido às pessoas e estável para que as
pessoas saibam que vão ter emprego e que não há ansiedade e incerteza. A parte económica é aquela que
é mais crítica neste momento, sem
sacrificar a parte social e humana. A
parte ambiental vem por acréscimo.
12
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
ATUALIDADE/Opinião
Abertos concursos do Sétimo Programa-Quadro da UE
CESE apoia imposto sobre transações financeiras
Foram publicadas as “calls” que abrirão em julho, no âmbito do Sétimo Programa-Quadro da
União Europeia, em matéria de investigação e desenvolvimento tecnológico (designado por
FP7). O que está em causa é o apoio a projetos de investigação e desenvolvimento, através da
cooperação entre empresas, entidades públicas, universidades e institutos. O programa está
vocacionado para a investigação e o desenvolvimento nas mais diversas áreas, desde a saúde
até ao ambiente, passando pelas tecnologias da informação e comunicação.
O Comité Económico e Social Europeu (CESE) deu um parecer positivo sobre a proposta de
diretiva do Conselho relativo a um sistema comum de imposto sobre as transações financeiras. As taxas mínimas aplicáveis à matéria coletável devem variar entre 0,1% e 0,01%. Este
imposto será aplicável a todas as transações financeiras que envolvam entidades financeiras,
transações no mercado primário e transações cambiais à vista. Os governos poderão optar por
aplicarem taxas mais elevadas do que as mínimas estabelecidas.
FRANCISCO JAIME QUESADO
Especialista em Estratégia, Inovação
e Competitividade
FRANCISCO LOPES DA FONSECA
Administrador Executivo da Mind Source
COM A SUA MORTE FICOU A FALTAR UM SENTIDO DE AMBIÇÃO PARA UM FUTURO MELHOR
O exemplo de Diogo Vasconcelos
Faz um ano que morreu Diogo
Vasconcelos. Uma morte
inesperada, que a todos deixou
perplexos. Diogo Vasconcelos
foi sobretudo um exemplo. E os
exemplos, mais do que nunca,
importam em Portugal neste tempo
de crise. Diogo Vasconcelos soube
como ninguém dar o seu melhor
pelo projeto de um Portugal
inovador e ambicioso e a honra dos
que como eu fizeram parte do seu
círculo de amigos mais próximos
vai ficar para sempre na memória
das coisas que vale sempre a pena
recordar. Diogo Vasconcelos era
uma pessoa com uma inteligência
rara, uma visão única do futuro,
que dedicou toda uma vida de
conhecimento e sabedoria a
interpretar a realidade dum país
que amava e que sabia que não se
conseguia encontrar com o futuro.
Diogo Vasconcelos defendia
fortemente uma “cultura
empreendedora”para Portugal.
A matriz comportamental
da população socialmente
ativa do nosso país é avessa ao
risco, à aposta na inovação e
à partilha de uma cultura de
dinâmica positiva. Importa por
isso mobilizar as capacidades
positivas de criação de riqueza.
Fazer do empreendedorismo
a alavanca duma nova criação
de valor que conte no mercado
global dos produtos e serviços
verdadeiramente transacionáveis
sempre foi uma das grandes ideias
de Diogo Vasconcelos na sua
batalha pela modernidade.
Diogo Vasconcelos era um homem
da inovação. A falta de ambição
e de um sentido de futuro, sem
respeito pelos fatores “tempo” e
“qualidade”, não era para Diogo
Vasconcelos tolerável nos novos
tempos globais. Segundo as suas
sábias palavras, precisamos de
novas ideias, de novas soluções, de
projetar na sociedade o exercício
da responsabilidade individual
de forma aberta e participada.
O Diogo era um homem onde
a vontade de fazer coisas novas e
diferentes corria à velocidade do
som. Diogo Vasconcelos soube
melhor do que ninguém interpretar
o sentido do tempo e a importância
de se ser diferente num mundo
onde tudo é cada vez mais igual.
Diogo Vasconcelos era um homem
da sociedade do conhecimento. A
ausência da prática de uma “cultura
de cooperação” tem-se revelado
mortífera para a sobrevivência
das organizações e também aqui
Diogo Vasconcelos foi sempre
muito claro. Na sociedade do
conhecimento sobrevive quem
consegue ter escala e participar,
com valor, nas grandes redes de
decisão. Num país pequeno, as
empresas, as universidades, os
centros de competência políticos
têm que protagonizar uma
lógica de “cooperação positiva
em competição” para evitar o
desaparecimento. Por isso, importa
potenciar e verdadeiramente
reforçar uma “capacidade de
cooperação” positiva, com
dimensão estratégica capaz de se
consolidar a médio prazo.
Diogo Vasconcelos foi a voz mais
genial e inovadora de uma geração.
Uma geração que não se resigna à
passividade e que sempre pactuou
pela ambição da diferença. Conheci
o Diogo em plena vida universitária
e partilhámos durante todos estes
anos experiências e cumplicidades
únicas. A vida do Diogo foi uma
vida rápida mas com sentido.
Todos nós nos podemos orgulhar
de ter feito parte dela. Tenho
muito orgulho em ter sido amigo
do Diogo e de ter no seu exemplo
um referencial único que faz neste
tempo de crise e de incerteza dar
algum sentido à vida.
AZUIL BARROS
Especialista no Crescimento de Negócios
Partner&Diretor Geral
www.QuantumCrescimentoNegocios.com
Como aumentar a eficácia da sua equipa de vendas?
O ponto de partida para o sucesso
da sua equipa de vendas reside
no facto de todos acreditarem
nos objetivos que traçaram e que
interiorizaram como uma meta que
consideram importante e sua, e pela
qual vão lutar.
Quando cada um dos elementos
da sua equipa de vendas torna
seus os objetivos definidos, obterá
deles o sentido de urgência e o
comprometimento necessário.
O empresário pode criar todas
as condições à sua equipa de
vendas. Contudo, quem conduz
cada um dos processos negociais
é o vendedor. É o vendedor que
imprime o ritmo, a focalização e
a determinação. A atitude de cada
um dos seus vendedores é um
aspeto crucial para a obtenção de
resultados.
Trace um plano objetivo de
abordagem dos seus clientes atuais.
Defina grupos de clientes em
função do volume de negócios que
lhe proporcionam, da periodicidade
das compras e do número de
vezes que fazem compras na sua
empresa. Estratifique a atenção
que vai dedicar a cada um destes
segmentos – dedique 80% da sua
energia aos 20% de clientes que lhe
proporcionam um maior retorno.
Procure novos clientes. Defina
primeiro o que quer e porque
é que os novos clientes haverão
de querer fazer negócio consigo.
Defina segmentos alvo em função
da dimensão dos segmentos, da
acessibilidade a estes novos clientes
e se estão em condições para lhe
fazer as futuras compras.
Quando aborda os seus clientes,
defina bem aquilo que lhes quer
dizer, – como é que lhes pode
criar valor? Não deixe que os
seus clientes ponderem outros
fornecedores alternativos.
Aperfeiçoe continuamente o seu
conhecimento sobre o processo
de vendas. Analise se está bem
preparado. Nas vendas, ou se está
preparado ou não se está, não
existe meio-termo: ou se prepara
para vencer ou está preparado para
falhar.
Faça sempre o seguimento dos seus
clientes. É a tenacidade e a sua
persistência criativa que vão vender.
O comprometimento e a disciplina
são os atributos que lhe trarão os
resultados. Se pretende obter uma
performance elevada, tem que
manter o seu comprometimento
todos os dias. É a sua determinação
que lhe trará a capacidade de
alcançar os objetivos que aceitou
abraçar.
As suas excelentes capacidades
como vendedor e o conhecimento
sólido do produto de nada lhe
servem quando desacompanhadas
da atitude certa.
Citando Walter Gagehot, “um dos
grandes prazeres na vida é o de fazer
coisas que os outros nos dizem que
não somos capazes!”
Comece já e coloque a Sua
Empresa um passo à frente da sua
concorrência!
A importância
do endomarketing
nas organizações de sucesso
Se na sua organização
tem gosto em tratar
os seus colaboradores
tão bem como os seus
clientes, já terá certamente
pensado em iniciativas de
“endomarketing”.
Não vale a pensa utilizar a
crise como desculpa, a questão
é mesmo valorizar as pessoas
como fundamentais, como
parte integrante da cadeia de
valor do que a sua empresa
oferece. Também só assim
poderá captar os melhores,
aqueles que também
estão dispostos a devolver
reciprocamente aquilo que
encontra no seu dia a dia
projetos preferem que os
lucros venham mais cedo,
e, se possível, investir em
empresas que libertem
crescimentos de 3 dígitos.
Claro que isso só acontece
nos EUA, onde os lucros de
uma empresa em cada dez
compensam as nove outras
que acabam por falir, sendo
que no longo termo ainda
não existe um capital de risco
que tenha compensado esses
modelos. Na Europa falámos
muitos anos de investir em
projetos duráveis no tempo,
e muitas foram as grandes
organizações de sucesso que
cresceram com base nos
Não vale a pensa utilizar a crise como
desculpa, a questão é mesmo valorizar as
pessoas como fundamentais, como parte
integrante da cadeia de valor do que a sua
empresa oferece.
de trabalho. Só quando
um excelente profissional
encontra outros é que se
poderá rever na equipa, e até
potenciar ambos.
Sendo o “endomarketing”
uma das mais recentes
disciplinas da gestão,
procura adaptar estratégias
e elementos do marketing
tradicional, normalmente
utilizado pelas empresas para
abordagens ao mercado, para
uso no ambiente interno das
organizações. E “vender”
um produto, uma ideia,
um posicionamento de
marketing para um talento
da sua equipa passa a ser tão
importante quanto para um
cliente. Significa torná-lo
aliado no negócio, responsável
pelo sucesso da empresa e
igualmente preocupado com o
seu desempenho.
Existem diversas formas de o
fazer, umas mais onerosas que
outras, mas certamente não é
por isso que as empresas não
aplicam o “endomarketing”.
Sobretudo porque são
sempre opções de médio e
longo prazo, e a maioria das
empresas não estão ainda
no ponto de investir para
o futuro nas suas pessoas.
Os principais acionistas dos
talentos que reuniram em
seu torno, mas o futuro deste
modelo, apesar de sustentado,
é agora incerto por ausência
de quem o aplique bem,
gerando empresas descartáveis
e sem valor económico.
Só pensando de forma
sustentada é possível olhar
para a importância das
pessoas sem que não passe
apenas de comunicação
apelativa. O mais importante
é que as suas pessoas falem
bem da empresa a outros
depois de lá estarem, e de
preferência, muito bem dela
vários anos depois de lá terem
passado. Os verdadeiros
embaixadores das empresas
são os seus próprios talentos,
que ajudam a passar a
confiança aos clientes no dia
a dia. Os bons profissionais
são muito exigentes de
fidelizar, pois também são
eles os clientes mais exigentes
nas suas decisões de compra.
Trabalhar com pessoas
exigentes é também uma
garantia de poder oferecer
essa mesma exigência aos
seus clientes, o que faz com
que o seu endomarketing
só seja aceite, percecionado
e aplicado se for realmente
respeitado como verdadeiro.
13
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
PUB
NEGÓCIOS E EMPRESAS
UNIVERSIDADE PORTUCALENSE DESENVOLVE FORMAÇÃO E OFERTA DE SERVIÇOS NO MERCADO
Conservação e Restauro cria emprego
e oportunidades de empreendedorismo
A atividade de
conservação e restauro
tem um potencial de
criação de postos de
trabalho e de novas
empresas que ainda
está pouco explorado
– considera Fátima
Silva, professora
da Universidade
Portucalense.
Ao contrário do que acontece
com outros setores de actividade,
a conservação e restauro não exige
investimentos elevados para quem
pretende entrar neste mercado
com qualificações e competências,
onde a oferta ainda é limitada.
A conservação e restauro abrange áreas tão diversas como a
construção, mobiliário, cerâmica, livros, instrumentos musicais,
automóveis, e não está confinada
ao mercado nacional. É possível
exportar serviços de conservação e
restauro.
Fátima Silva considera importante estabelecer a ligação entre a
formação e a oferta e serviços nesta
área, proporcionando oportunidades de emprego e de criação de
pequenas empresas.
No âmbito da Licenciatura de
Conservação e Restauro os alunos
desenvolvem durante o ano lectivo
e mesmo nos meses de férias de verão diversos estágios na Clinica de
Conservação e Restauro, em complemento à formação que recebem, “A Clínica de Conservação
e Restauro (CCR) é uma unidade
funcional do Departamento de
Ciências da Educação e Património destinada ao apoio pedagógico
dos ciclos de estudos em Conservação e Restauro e à prestação de
serviços de Conservação e Restauro pela UPT” – afirma.
Existem igualmente vagas para
alunos externos, estando mesmo
neste momento a decorrer prazos
de inscrições nas diversas escolas
secundárias e profissionais do país
para estágios de verão, para concurso de logotipo do Infante D.
Henrique.
Durante o decorrer da licenciatura são também seleccionados alguns alunos, rotativamente, alunos
esses remunerados, para participarem em trabalhos de conservação
e restauro naturalmente sempre
acompanhados por professores e
técnicos devidamente habilitados.
Paralelamente é proporcionada
formação em contexto de trabalho
em muitas e diversas entidades e
empresas protocoladas, permitindo o contacto directo com o
mundo profissional. Alguns destes
estágios são inclusivamente remunerados, havendo um conjunto de
entidades e empresas que têm protocolo com a Universidade Portucalense.
A Clínica de Conservação e Restauro (CCR) pode também ceder
espaço para criação de empresas a
alunos ou ex-alunos, entre outras
Saídas profissionais incluem
organismos públicos e empresas
privadas
Os licenciados em Conservação e Restauro têm a possibilidade de
encontrar trabalho junto de várias instituições públicas e privadas.
Na medida em que Portugal é um país com história e património, o
trabalho nesta área tem condições para aumentar,
•
Instituições que tutelam e conservam património: como a nova
Direção Geral do Património Cultural; as Delegações Regionais da
Cultura, IMC (Instituto dos Museus e da Conservação), ANTT/Torre
do Tombo, Biblioteca Nacional de Portugal, etc.
•
Órgãos da administração central, regional e local
•
Arquivos, Museus, Bibliotecas e Galerias
•
Empresas ou organismos de consultoria técnica em conservação e
restauro do património
•
Instituições e empresas com atividade nas áreas de Turismo
•
Empresas especializadas em Arqueologia
•
Empresas especializadas em valorização do património
•
Igreja e instituições relacionadas com património religioso
•
Grupos privados com atividade nas áreas de difusão e intervenção
no património
•
Grupos privados com atividade na área da conservação, e
restauro, desde antiquários a empresas de construção civil
•
Criação de empresa própria
“Aos alunos de Conservação e Restauro é proporcionada formação em contexto de trabalho em diversas entidades e
empresas protocoladas” – refere Fátima Silva.
pessoas, protocoladas temporariamente e com possibilidade de renovação de contrato.
Formação orientada para a
prática
A licenciatura de Conservação
e Restauro da Universidade Portucalense pretende formar profissionais científica e tecnicamente
habilitados para a preservação do
património, seja através da criação
da própria empresa ou inserção no
mercado de trabalho.
O ciclo de estudos foi adaptado
às exigências da procura, possuindo considerável carga laboratorial.
É traçado um percurso que incide
nas questões éticas, técnicas e metodológicas, aplicadas à conservação e ao restauro dos diversos bens
culturais, culminando em práticas
especializadas sobre materiais orgânicos e inorgânicos.
Promove-se a frequência de estágios internos nos laboratórios da
Clínica de Conservação e Restauro
da Universidade, onde os alunos,
devidamente acompanhados por
docentes e técnicos, têm realizado
inúmeras intervenções. É proporcionada também formação em
contexto de trabalho em entidades
e empresas protocoladas, permitindo o contacto directo com o
mundo profissional.
Entre os vários trabalhos desenvolvidos nos laboratórios da Clínica CR, destacam-se as intervenções
realizadas em azulejos e cerâmicas
de proveniência nacional, europeia
e oriental (terracotas atribuídas à
dinastia Tang e peças da Companhia das Índias), assim como em
esculturas, pinturas (com destaque
para um auto retrato da pintora
Aurélia de Souza) e documentos
gráficos.
Finda a formação do 1º ciclo,
o licenciado pode optar por uma
das diversas pós-graduações ou frequência do 2º ciclo/mestrado.
O mestrado concede particular
ênfase à vertente técnica e metodológica da prática laboratorial,
numa área específica da preferência
do aluno. O plano curricular está
orientado para a investigação e intervenção em materiais orgânicos
e inorgânicos – destacando-se, tal
como no 1º ciclo, as áreas da documentação gráfica, da reabilitação
do património integrado e arquitetura, da arte contemporânea e das
novas tecnologias aplicadas à conservação e restauro. Contudo, o 2º
ciclo de estudos orienta-se para um
conhecimento mais especializado
e rigoroso, segundo critérios éticos
reconhecidos.
Aos alunos é facultado o desenvolvimento de um conjunto de
técnicas de exame e análise, mediante a utilização de equipamentos existentes nos laboratórios e/ou
facultados através de protocolos
celebrados com outras instituições.
Acompanhando a evolução de
novas técnicas, materiais e recorrendo simultaneamente ao conhecimento e aplicação de processos
tradicionais, pretende-se garantir,
com coerência e fidelidade, a perpetuação do património
Acesso à licenciatura e mestrado é
possível para adultos sem o 12.º ano
A licenciatura e mestrado em Conservação e Restauro dirigem-se a
jovens que completam o ensino secundário mas também é acessível a
maiores de 23 anos, sem o 12.º ano.
•
•
•
•
•
•
•
•
Candidatos com o 12º ano de escolaridade
Candidatos com habilitações estrangeiras
Candidatos no regime de condições especiais:
Titulares de Curso Superior Médio ou Pós-Secundário,
Mudança de curso,
Transferência
Reingresso
Candidatos que tenham completado 23 anos até 31 de
Dezembro de 2011 e que possuam quaisquer habilitações de
ensino.
14
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
NEGÓCIOS E EMPRESAS
Goodyear lança aplicação de segurança rodoviária
A Goodyear anunciou o lançamento de uma nova
aplicação de segurança rodoviária para iPhone e Android, disponível em 25 países da Europa. A nova
aplicação, lançada antes das férias de Verão, tem por
objetivo prestar assistência a milhões de pessoas que
planeiam ir de férias e fazer-se à estrada entre Julho e Setembro.
Starwood distingue diretor de vendas e marketing
do Sheraton
A Starwood Hotels & Resorts Worldwide atribuiu recentemente a sua mais importante distinção de carreira no grupo a Jorge Lopes, diretor de vendas e marketing do Sheraton Algarve
Hotel. O prémio “Starwood President’s Award” é anual e representa o mérito e excelência do
trabalho desenvolvido nas unidades hoteleiras do grupo, tendo como objetivo reconhecer o
desempenho de um colaborador Starwood.
Orquestra do Norte apresenta
Noite Lírica na Casa da Prelada
A Orquestra do Norte vai
apresentar a segunda edição
do concerto Noite Lírica, a
qual decorre na Casa da Prelada, no Porto. O concerto
ocorre no próximo dia 6 de
julho, pelas 21.30 horas, sob
a direção do maestro Ferreira
Lobo.
Pelo segundo ano consecutivo, a Santa Casa da Misericórdia do Porto associa-se à Orquestra do Norte para celebrar
a música.
O programa do concerto
incidirá sobre temas do teatro
lírico, contando com a participação do soprano Ana Barros, da solista em castanholas
Margarita Guerra e do coro
Liceo de Vilagarcia, da Galiza.
O concerto tem início com
os sons provenientes de Itália,
com uma curta paragem na
criação alemã e uma estadia
mais demorada nos timbres
provenientes da fronteira. A
entrada é livre.
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JOSÉ MARTINO
engenheiro agrónomo
josemartino.blogspot.com
Empreendedores
O Governo fala em investir
no empreendedorismo.
Estou de acordo. Como
costumo dizer, o que
é preciso é passar das
palavras à ação. Por isso,
revelo, mais uma vez,
um caso que me chegou
através do meu blog. Que
sirva de estímulo a outras
famílias.“Somos um jovem
casal que decidiu comprar
um terreno agrícola com
cerca de dois hectares.
Há quem compre um
automóvel, nós decidimos
comprar uma quinta!
O que é facto é que ainda
não tirámos proveito
agrícola do terreno.
Então (e aqui eu peço a sua
sincera opinião), demos
por nós a pensar: e se
apostássemos num projeto
agrícola? O projeto seria
uma plantação de 1 hectare
de mirtilos.
O que me preocupa é que
ambos exercemos uma
atividade profissional, e
apenas aos fins-de-semana
rumamos à aldeia. Não é o
trabalho que nos assusta.
A questão é que estou
apreensiva quanto a
fazer um projeto desta
natureza... sei que é viável,
mas teremos nós estofo
para o manter viável?”
Resposta:
Os meus parabéns por
terem apostado na compra
de terra. Não tenha medo,
dê os passos certos e vá
em frente. Candidatem
ao ProDeR um projeto
em nome de um dos
membros do casal, no
valor de 75 000 euros
de investimento, apoio a
100%, caso a vossa quinta
tenha condições de solo
e clima para os pequenos
frutos, diversifique as
produções e coloque, além
dos mirtilos, groselhas e
mirtilos, protegidos por
túneis altos, perfazendo 1
ha de investimento.
Os pequenos frutos podem
ser trabalhados ao fim
de semana, com apoio
de mão de obra externa.
Apenas terão que utilizar as
V/ férias para acompanhar
as colheitas, a operação
mais complicada na
exploração destas culturas.
Pratiquem a estratégia
para a instalação de jovens
agricultores que defendo
neste blog.
15
SEXTA-FEIRA, 29 JUNHO 2012
NEGÓCIOS E EMPRESAS
Airfree aposta no mercado da Madeira
MRW avança com rebranding da sua frota
A marca nacional de purificadores de ar Airfree – que exporta 90% da
sua produção para 50 países – aposta agora no mercado da Madeira,
ao celebrar acordo para a distribuição e manutenção dos seus produtos com a firma João Crisóstomo Figueira da Silva, grande distribuidor local.
A MRW procedeu ao rebranding de toda a sua frota automóvel, que passa a exibir no logótipo da empresa a frase: “Transporte Urgente”. Para além de uma imagem mais apelativa e informativa, esta frase é agora exibida na extensa frota da
MRW, que contempla mais de 200 veículos, ajuda a companhia a melhor identificar todas as suas viaturas e a promover o seu negócio junto do público em geral.
“É fundamental promover o salário
emocional nas organizações”
VE - Quais os principais princípios
que a liderança de topo deve seguir, com
o objetivo de motivar os colaboradores?
SA - Um líder, para motivar, deve antes de tudo ter a capacidade de se motivar
a ele próprio. Costumo dizer que é mais
cansativo ser chefe do que ser líder: o chefe transpira, o líder inspira! Os colaboradores não abandonam más empresas mas
sim maus líderes. No fundo, para motivar
os seus colaboradores, a liderança deve ser
exercida pelo exemplo e não apenas pelas
palavras, sendo que a comunicação é fundamental para “chegar ao outro” de forma
efetiva e positiva. Numa altura em que os
negócios estão instáveis, a sociedade vive
cheia de medos e todos os dias temos más
notícias, é fundamental promover o salário emocional nas organizações, e o líder
pode e deve assumir essa responsabilidade
de ser o farol que pode indicar o caminho
para se ultrapassarem estes enormes desafios.
VE - Como se pode promover o intraempreendedorismo e a criatividade
dentro das empresas?
PUB
SA - O empreendedorismo nas empresas passa por promover uma “cultura
de solução”, onde todos são chamados a
participar na busca das melhores ideias.
Envolver os colaboradores, comunicar a
visão da gestão de topo, incentivar o trabalho em equipa, a partilha de ideias, todas estas questões podem fazer a diferença
e, no fundo, fazer com que as equipas sejam o motor do processo de crescimento
das empresas. No caso da criatividade, é
fundamental que existam procedimentos
bem definidos, regras claras para todos,
para que seja possível libertar os colaboradores para um processo criativo que poderá levar à inovação. Inovar é, no fundo,
a capacidade de saber colocar em prática
toda a criatividade duma organização. É
fundamental ainda que os colaboradores
se sintam motivados para empreender e
criar, e aqui existem responsabilidades do
próprio e também da sua Liderança.
VE – Em época de crise, as empresas
tendem a concentrar-se no imediato, o
que pode comprometer a produtividade
e a rentabilidade. Como se pode inverter esta tendência?
SA – Na verdade, os tempos atuais são
de enormes desafios para as empresas. Encontrar um equilíbrio entre a sobrevivência e a sustentabilidade passa sobretudo
por definir claramente uma visão, uma
estratégia que promova a criação de riqueza, o envolvimento de todos nos processos
de decisão. Sempre se disse que “as pessoas são o mais importante” nas empresas,
pois agora chegou a altura de o demonstrar! Preparar o futuro passa por cuidar do
presente, encontrando no passado as respostas de que necessitamos, e sobretudo
arriscar a ter sucesso, ser flexível perante a
mudança e criar oportunidades onde muitos só veem problemas. No fundo, se queremos ter resultados diferentes nas nossas
empresas, será que vale a pena continuar a
fazer o mesmo de sempre? Às vezes com a
desculpa de que “temos 30 anos de experiência, chegamos até aqui”… nestes casos
lembro-me sempre da Kodak…
NOVIDADE
Inclui:
DU
LD
- Código do IRC atualizado
com o orçamento retificativo para 2012 e Legislação
Complementar
D
LG
Y
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QRPLFDS
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Vida Económica – Como podem pessoas felizes gerar melhores resultados
e serem mais eficazes nas organizações
que integram?
Sérgio Almeida – Todos nós somos
capazes de gerar melhores resultados se
nos sentirmos realizados na função que
desempenhamos, motivados no dia a dia,
com vontade de fazer mais e melhor, no
fundo acrescentar valor na organização.
Quando se fala em “Felicidade nas Organizações”, falamos ainda neste alinhamento entre aquilo que são os objetivos das
organizações e as metas de cada colaborador. Estas são entidades que promovem
uma verdadeira cultura humanista, onde
as pessoas certas estão nos lugares certos,
onde se assumem responsabilidades sobre
os resultados, onde existem pessoas a liderar processos e não o contrário.
“A liderança deve ser exercida pelo exemplo e não apenas pelas palavras”, salienta Sérgio Almeida.
PHQ
XOD
HJ
PATRICIA FLORES
patriciafl[email protected]
Pessoas felizes geram melhores resultados. Este é o mote para o evento
“Felicidade nas Organizações”, que
decorre a 4 de julho, no auditório do
Oceanário de Lisboa e cujas receitas
revertem na integra para a Casa do Gil.
Com um custo de inscrição de 15
euros, o evento conta com a participação de Sérgio Almeida, Margarida
Pinto Correia, administradora da Fundação do Gil, João Luís de Sousa, diretor da “Vida Económic”a e a jornalista
Fernanda Freitas.
Autoliderança, felicidade sustentável, atitude positiva, liderança inspiradora, empreendedorismo e criatividade dentro das equipas são alguns dos
tópicos que serão abordados.
([FOXVLYRSDUD
FRPSUDVRQOLQH
5
Nos tempos que correm
“é fundamental promover
o Salário Emocional nas
Organizações, e o líder
pode e deve assumir essa
responsabilidade de ser o farol
que pode indicar o caminho
para se ultrapassarem estes
enormes desafios”, afirma
Sérgio Almeida. O diretor-geral
da PowerCoaching salienta
a importância de promover
dentro das empresas uma
cultura mais humanista.
Conferência
“Felicidade
nas Organizações”
decorre em Lisboa
Autor/Editor: Vida Económica
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ASSINATURA
,
16
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
NEGÓCIOS E EMPRESAS
Aluno da FEP vence Prémio Inter Pares
Membros do Parlamento da Bavária visitam Fraunhofer AICOS
André Campos, licenciado em Economia pela Faculdade de Economia do Porto (FEP) e
mestre em Finanças pela mesma faculdade, é o vencedor da 9ª edição do Prémio Inter Pares
(PPIP). Com esta distinção, o vencedor terá a oportunidade de frequentar um MBA numa
“business school” de prestígio, podendo escolher entre o INSEAD, o IESE, o Instituto de
Empresa, o ISCTE, o ISEG e o Lisbon MBA (Universidade Católica /Universidade Nova).
O centro de investigação Fraunhofer AICOS, no Porto, recebeu, esta quinta-feira, uma visita de membros do Parlamento da Bavária, que constituem o “Comité para as Universidades,
Investigação Científica e Cultura” desse órgão. O comité visitou as instalações do Fraunhofer AICOS onde teve a oportunidade de conhecer melhor as actividades de investigação e os
projectos do centro.
Construção e imobiliário propõem
sete medidas para salvar o setor
A Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) considera que estão criadas as condições
para “uma catástrofe anunciada”. Mais de 74% de crescimento no crédito malparado na construção e no imobiliário, de 70% no número de insolvências e de quase
32% no número de desempregados são números muito
preocupantes e que urge inverter.
A entidade aponta várias soluções possíveis, como o
imediato pagamento das dívidas do Estado, a dinamização da reabilitação urbana e do arrendamento, bem como
a reprogramação do QREN e a estabilização do mercado
imobiliário. Não menos importante é a necessária liquidez
para o funcionamento das empresas, o reconhecimento
prioritário do processo de internacionalização do setor
e a liberalização das cauções. A CPCI defende ainda “a
criação de um adequado ambiente de negócios, mediante
a revisão dos contratos públicos, a eliminação dos impostos – em especial do IMI – que incidem sobre o stock de
imóveis para venda, o pagamento do IVA ao Estado após o
recebimento das faturas e um regime especial de extensão
dos prazos das licenças municipais”.
Adianta ainda a instituição que nada foi feito, “pelo que
as consequências começam a atingir contornos insustentáveis, que começam a ser bem visíveis nas próprias contas
públicas, onde, apesar da total paralisação do investimento, se verifica um maior afastamento das metas estabelecidas, quer em termos de receitas quer ao nível da despesa”.
Daí a necessidade de implementar as sete medidas atrás
referidas, constantes de um Programa de Emergência para
a Construção e o Imobiliário, “essencial para evitar a ruína
das empresas e, consequentemente, do sistema financeiro”.
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CONSULTÓRIO DE FUNDOS COMUNITÁRIOS
PEC/SIREVE
Devido a atrasos de pagamento contínuos por parte de clientes, a minha empresa de
serralharia para construção civil tem acumulado dívidas à Segurança Social e ao Fisco, bem
como a alguns fornecedores. A empresa tem viabilidade para continuar em funcionamento,
uma vez que não falta trabalho, pelo que não desejo pedir a insolvência.
Existe algum apoio às empresas que me permita resolver este problema?
RESPOSTA
Em Portugal, existem medidas alternativas
aos pedidos de insolvência, quando as
empresas apresentam viabilidade económicofinanceira. Atualmente, ainda se encontra
em vigor o PEC (Procedimento Extrajudicial
de Conciliação); contudo, o Governo
pretende substituir esta medida pelo SIREVE
(Sistema Recuperação de Empresas por Via
Extrajudicial), o qual ainda se encontra em
fase de regulamentação.
O objetivo do SIREVE é promover a
recuperação de empresas, por recurso à via
extrajudicial, atribuindo ao IAPMEI o papel
de entidade coordenadora e dinamizadora do
processo negocial entre o devedor e os seus
credores.
As principais alterações face ao PEC são:
Redução dos prazos para conclusão do
processo negocial (9 meses para 4 meses);
Introdução de mecanismos de proteção do
devedor e dos credores;
Impossibilidade de apresentação de novo
requerimento pelo período de um ano, após
a extinção do requerimento ou rescisão do
acordo celebrado, ou de dois anos após
recurso ao PER (Processo Especial de
Revitalização);
Estabelece de forma expressa a possibilidade
de aceitar ou chamar à negociação credores
não relacionados.
Pode recorrer ao SIREVE qualquer empresa
que se encontre em situação de insolvência
eminente ou atual, não podendo o pedido
ser apresentado por um credor, dado que
no anterior regime esta situação ocorreu de
forma extremamente residual.
A apresentação do requerimento ao SIREVE
suspende o prazo para apresentação
à insolvência, sendo que a suspensão
cessa com despacho de indeferimento do
requerimento, recusa do requerimento ou
extinção.
A aceitação do requerimento tem os
seguintes efeitos:
Os credores não podem instaurar ações
executivas que atinjam os bens integrantes
do património do devedor;
Suspensão das ações executivas promovidas
pelos credores;
Os meios financeiros concedidos no decurso
das negociações, que contribuam para a sua
recuperação, podem beneficiar de garantias
prestadas pelo devedor;
Impede a oneração (cedência, locação,
alienação ou qualquer outra forma) dos bens
que integrem o património do devedor, sem o
acordo de 2/3 dos credores relacionados.
O acordo atingido com o SIREVE não
extingue as ações de cobrança de dívida
instauradas contra o devedor pelos credores
não subscritores do acordo.
O procedimento tem início com a
apresentação, em formulário eletrónico,
do requerimento dirigido ao IAPMEI.
O IAPMEI deve aceitar ou recusar o
requerimento no prazo de 15 dias após a sua
apresentação, podendo formular convite de
aperfeiçoamento da proposta.
É fixado o prazo de 10 dias para ouvir
o devedor ou demais interessados e de
60 dias após notificação da aceitação do
requerimento para comunicarem a sua
posição. O prazo para a conclusão do
processo é de 3 meses contados partir da
data de aceitação, prorrogável por mais
um mês. O IAPMEI comunica ao tribunal a
aceitação do requerimento e a extinção do
procedimento.
De realçar que a utilização do SIREVE
não impede o recurso ao PER. Contudo, o
recurso ao PER durante a utilização SIREVE
determina a extinção deste.
WWW.SIBEC.PT
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17
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
NEGÓCIOS E EMPRESAS
Schenker Transitários duplica serviço ferroviário
em Portugal
Schnellecke Portugal abre delegação na Trofa
A Schenker Transitários, filial do grupo alemão Deutsche Bahn (DB), decidiu duplicar o serviço ferroviário. Com a primeira experiência ganha em terras lusas, o líder em transportes ferroviários e terrestres da Europa vai apresentar a 3 de Julho este novo produto num evento oficial. Para além dos responsáveis da Schenker Transitários, participam a AICEP, que promove
a iniciativa, e clientes que apostam neste transporte alternativo.
A Schnellecke Portugal inaugura, no próximo dia 5 de Julho, a
sua Delegação Norte na Trofa. Em forte expansão, este operador
logístico de serviços integrados aposta numa plataforma no Norte
do país para estar ao alcance dos atuais e futuros clientes da região.
A Scnellecke Portugal está sediada em Palmela e assume toda a logística da Autoeuropa e prefabrica componentes. Atualmente, emprega 640 colaboradores.
Empresas transformam negócio
para contornar crise
Mais de 90% das grandes organizações portuguesas já desenvolveu ou estão a desenvolver processos de transformação do negócio
para reduzir custos e aumentar a
competitividade. Esta é a principal
conclusão do estudo IDC sobre a
“Transformação do negócio nas
organizações portuguesas”, apresentado recentemente à margem do
evento Business Transformation, no
qual foram apresentados casos de
sucesso na administração pública e
sector privado. O inquérito foi aplicado às 300 maiores organizações
portuguesas, públicas e privadas.
Para contornar a crise económica, as empresas estão a apostar na
redução de custos, inovação em
produtos e serviços, inovação em
processos de negócio e na expansão
para novas áreas geográficas. 60%
dos empresários portugueses consideram que as tecnologias de informação têm um papel crucial para
as organizações avançarem com um
processo de transformação e 79%
afirma que estas são vitais para o
negócio.
Do número total de inquiridos,
94% afirmam que o maior benefício da utilização de ferramentas tecnológicas está no alinhamento de
projetos e atividades com os objetivos de negócio, sendo o principal
obstáculo a perceção desta utilização como uma sobrecarga de trabalho (64%).
Gabriel Coimbra, “country manager” da IDC Portugal.
18
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
NEGÓCIOS E EMPRESAS
Kaizen volta a distinguir empresas portuguesas
Vendas do vinho do Porto continuam em queda
O Kaizen Institute Portugal lança, no próximo dia 5 de Julho, a segunda edição do Prémio
Kaizen Lean, que pretende distinguir entidades nacionais, públicas e privadas, que se destacam com as melhores práticas do ano de 2012. O seminário “Excelência Kaizen Lean”, que
decorre a partir das 9h45 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, marca o arranque oficial
das candidaturas.
Nos últimos 12 anos, a quebra de vendas do vinho do Porto ascendeu a 13,8% em
quantidade e 14,2% em valor. Em 2011, o setor do vinho do Porto teve uma quebra
homóloga de 4%, para 355,5 milhões de euros. Foram comercializadas menos 417 720
caixas do que no ano anterior, tendo o preço por litro aumentado um cêntimo, para
4,31 euros.
APORMED AVISA PARA A POSSIBILIDADE DE ENCERRAMENTOS
SNS deve mais de mil milhões
a empresas de dispositivos médicos
GUILHERME OSSWALD
[email protected]
O Serviço Nacional de Saúde
(SNS) tem uma dívida superior a
mil milhões de euros às empresas
de dispositivos médicos. Acresce que estas empresas estão a ser
convocadas para reuniões em que
são confrontadas com pedidos de
desconto, em função dos quais a
prioridade do pagamento dos seus
créditos será fixada, referiu à “Vida
Económica” Humberto Costa, secretário-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos
Médicos (APORMED).
“Excetuando situações muito
pontuais de hospitais que efetuaram algumas regularizações de
valor com pouco significado, os
pagamentos em atraso ao setor dos
dispositivos médicos ainda não
se iniciaram. As empresas estão a
ser convocadas para reuniões, nas
quais são confrontadas com pedidos de descontos em função dos
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7HO
quais a prioridade do pagamento
dos respetivos créditos é fixada. O
prazo médio de pagamento está fixado em 555 dias e interessa notar
que sobre o montante da dívida
em atraso a maioria das empresas
não efetuou ainda qualquer débito de juros a que legalmente tem
direito. Incluído nesse valor está o
IVA que, em tempo oportuno, as
empresas já liquidaram há muito
ao Estado”, adianta o responsável
associativo.
Importa também referir que as
empresas de dispositivos médicos
pagaram sobre o resultado obtido
nas suas vendas, ainda em dívida, o
IRC a que legalmente estão sujeitas
e que o Estado arrecadou. “Não faz
qualquer sentido relativamente a
dívidas com este nível de atraso estar a priorizar o seu pagamento em
função do maior ou menor valor
de perdão que arbitrariamente lhes
está a ser sugerido.”
Há uma crescente incapacidade
financeira para as empresas fazerem
face à atual situação, bem como falta de segurança quanto a uma resolução a curto prazo do problema.
“Acreditamos também que a pressão para o perdão da dívida pode
levar a uma descredibilização do
país, pois as empresas poderão optar por desinvestir em Portugal, levando o setor da saúde a um atraso
tecnológico, relativamente aos restantes países europeus. Aliás, o risco de encerramento está já patente na atual redução das estruturas
das empresas em consequência da
deslocalização de serviços para Espanha”, lamenta Humberto Costa.
Há ainda outros problemas
complicados nesta área de atividade. Desde logo, a forma como estão a decorrer alguns procedimentos de aquisição no setor da saúde,
com uma preocupação exclusiva na
adjudicação de contratos com base
no preço mais baixo, sem ter em
conta outros fatores que poderão
tornar as propostas economicamente mais vantajosas, colocando
em causa a qualidade e a inovação
na prestação dos cuidados de saúde. Uma outra preocupação tem a
ver com a possibilidade de alguns
hospitais questionarem a reutilização de dispositivos médicos de uso
único por motivos económicos.
19
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2011
Safira abre escritório em Barcelona
TECNOLOGIAS
A tecnológica portuguesa continua a expandir o seu negócio internacional, concluindo, durante este mês, a criação da subsidiária em Barcelona. Numa primeira fase, a Safira vai deslocar
colaboradores do escritório de Lisboa e, posteriormente, recrutar a nível local. Até final
de julho estará em funcionamento o escritório de Londres.
TERMINOU A 3ª EDIÇÃO DO RIO INFO COM BALANÇO POSITIVO
Brasileiros querem investir em Portugal
tícias é de desânimo mas aqui não
temos essa sensação. As empresas
estão atuantes e prontas a criar parO positivismo dos brasileiros é cerias com os brasileiros”.
uma lufada de ar fresco no discurAlberto Blois anunciou ainda a
so da crise que atualmente assola criação de uma competição entre
o panorama nacional, obviamente “start-ups” portuguesas cujo prémio
não só no setor das Tecnologias de será a participação no Rio Info no
Informação. Esta semana, Portugal Rio de Janeiro. “O objetivo é esacolheu a 3ª edição do Rio Info, colher um representante português
um evento dedicado às TI organi- para participar em Setembro no
zado pela brasileira Riosoft, com a Salão da Inovação onde vamos ter
participação de empresários, exe- projetos de 15 estados do Brasil,
cutivos, académicos e profissionais. mais um representante da ArgentiO evento luso – uma extensão da na, do Uruguai, da Colômbia e de
Rio Info 2012, um dos maiores Portugal”.
encontros de TI do Brasil que será
A aproximação entre Brasil e Porrealizado no Rio de Janeiro de 3 a tugal em Tecnologia da Informação
5 de setembro – teve como objeti- ganhou fôlego em 2008 quando
vo incentivar o intercâmbio entre algumas empresas brasileiras partios continentes e abrir as portas da ciparam no Portugal Tecnológico.
Comunidade Europeia às empresas “Desde então, as parcerias entre
brasileiras.
instituições europeias e brasileiras
Lisboa, Aveiro e Porto foram as têm ocorrido”.
cidades que acolheram o evento,
O evento foi distribuído pelas
que, segundo Alberto Blois, co- três cidades portuguesas e incluiu
ordenador do evento, se tratou de visitas técnicas às empresas locais e
uma experiência muito proveitosa. espaços desportivos, reuniões sobre
“Foi muito importante para a con- setores específicos, conferências e
tinuidade dos contatos”. O respon- encontros de negócios, com emsável ainda não sabe exatamente presas brasileiras, portuguesas, franqual a dimensão dos números que cesas e inglesas. Em parceria com a
podem estar envolvidos, mas diz Inova Ria (Associação de Empresas
ter a certeza de
em Aveiro) –
que o processo
uma entidade
de internaciosem fins lucratiA
Enttry
é
um
claro
nalização é um
vos cujo objetiprocesso “contí- exemplo da efetiva
vo é incentivar
nuo e uma longa oportunidade de
e
consolidar
caminhada. Há
a inovação de
que continuar negócio que pode
empresas da recom os con- surgir num evento
gião de Aveiro
tactos, há que
e das empresas
acompanhar”, como o Rio Info.
de TI em Pordisse à “Vida
tugal – houve
Económica”.
ainda encontros
A expetativa agora é a realização empresariais entre brasileiros e pordo Rio Info 2012, no Rio de Janei- tugueses com o objetivo de promoro, onde deverá estar uma delegação ver parcerias. “A ideia foi criar uma
de 15 empresas portuguesas. “É um presença forte da TI brasileira na
número importante e interessante Europa. Queremos fazer parte do
sobretudo para a tal continuação calendário de negócios do TI na
dos contactos e criação de novos Comunidade Europeia. O Rio Info
negócios”.
Portugal é uma forma de integrar
Um dos focus de negócio sa- a comunidade empreendedora de
lientados por Alberto Blois é o Portugal com Brasil e outros países
denominado “mobile commerce” europeus”, afirmou o coordenador
e comércio por impulso, no qual do evento, Alberto Blois.
Portugal tem uma experiência muiNo dia 19 de junho, em Lisboa,
to grande e para as quais o Rio de os empresários do setor de petróleo
Janeiro começa agora a despertar. participaram de uma visita técnica.
“Portugal tem uma grande tradição No dia 20, em Aveiro, com parceem aplicações móveis. Uma experi- ria da Inova Ria, foram realizados
ência que pode resultar numa gran- encontros empresariais com o obde oportunidade de negócio entre jetivo de promover parcerias entre
brasileiros e portugueses”.
organizações de ambos os países.
O feedback foi bastante positivo,
pelo número de contactos realiza- Enttry quer investir
dos e gerados, pelas perspetivas e em Portugal
pela criação de um “cenário”. “O
panorama que nos é dado nas noA Enttry é um claro exemplo
SUSANA MARVÃO
[email protected]
da efetiva oportunidade de negócio que pode surgir num evento
como o Rio Info. Esta empresa de
software brasileira veio a Portugal
para investir no mercado nacional,
já que, segundo Tony Reis, da Enttry, é um mercado com potencial.
“O software que comercializamos,
de tarifação de bilhetes, não tem
similar no mercado português. Segundo apurámos, os que existem
são produtos de outros países e não
de língua nativa portuguesa. Acreditamos que os países de língua
portuguesa podem criar um bloco
muito forte”.
A intenção da Enttry é criar um
polo de desenvolvimento de software no nosso país em conjunto
com os desenvolvedores dos produtos no Brasil. “O objetivo seria
desenvolver parte do software em
Portugal e outra parte no Brasil.”
Para Tony Reis, a mão de obra
portuguesa é bastante qualificada,
com a mais-valia de que a barreira
da língua não existe. “Não entendo porque insistem em dizer que
colocam o desenvolvimento da
Índia. Não. Um indiano até pode
falar português e espanhol… Mas
não entende a cultura. Somos convergentes. No mercado do software
acreditamos que isso é muito competitivo”.
Além do mais, Tony Reis divulgou que Portugal irá ainda servir de
entrada para o mercado europeu.
“Numa primeira fase, queremos realmente consolidar a nossa atuação
em Portugal mas depois queremos
expandir para outros mercados. Até
porque os desenvolvedores portugueses já falam outras línguas”.
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NOVIDADE
Os seus filhos vão adorar!
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:8:;0<@09:,78:.:
,9?0>/0@85:2:2:>?:/0
7
a
C
Aquece o forno a 190°
para
peixe-espada ao meio
Parte os filetes de Tempera com um pouco de
de
obter 4 pedaços.
za uma colher de sopa
pimenta preta. Utili o peixe e para untar um
azeite para regar com tamanho suficiente
o
tabuleiro de ir ao forn para o peixe-espada.
de
ce 2 colheres de sopa
Numa caçarola aque e acrescenta a cebola,
do
bran
cerca
azeite em lume
nte
dura
eia
salt
e
a
o alho e a malaguet a cebola estar macia.
de 2 minutos ou até de tomate, o sumo de
ços
Acrescenta os peda . Aquece até ferver,
de louro
folha
limão e a
lume brando e deixa
depois reduz para minutos ou até o
cerca de 5
cozinhar durante
o espesso.
molho ficar um pouc fundo do
terço do molho no
Coloca cerca de um o. Coloca o peixe-espada
forn
e
tabuleiro de ir ao
e com o restante molho
no molho. Cobre o peix nto verde ou vermelho e
pime
da.
dispõe as tiras de
cima do peixe-espa
por
limão
de
ias
as fat
alumínio.
Cobre com folha de cerca
r a 190° C durante
Leva ao forno a coze o peixe ficar opaco, mas
de 20 minutos ou atéior. Tem cuidado para não
ainda húmido no inter r demasiado cozinhado.
fica
essa
pedaços numa trav
Coloca cada um dos
e com
salsa picada. Serv a.
e coloca por cima a
batatas ou mass
Tempo de cozedura
20 minutos
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Tempo de preparaç
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Valores nutricionais Energia
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por porção infalei
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,
21
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
TECNOLOGIAS
Yunait entra em Portugal
Logica abre novo Centro de Competências
A Yunait (www.yunait.pt), uma empresa que agrega promoções e descontos disponíveis na Internet, já está em
Portugal. Na bagagem traz 3 objetivos: ser uma ferramenta anticrise, tirar os portugueses da frente do computador
e reduzir o volume de emails que diariamente recebem na
caixa de correio.
A Logica abriu um novo Centro de Competências na Noruega, à semelhança do que já
existe em Portugal. O Innovation Spark Centre, situado em Oslo e o nono a ser inaugurado pelo grupo,
“irá oferecer aos seus clientes e fornecedores a oportunidade de explorar novas ideias em conjunto, num
ambiente propício ao diálogo, criatividade e insights”.
DEPOIS DE ANGOLA, ALEMANHA, ESTADOS UNIDOS E A MÉDIO PRAZO JAPÃO
Estrutura nacional da Realtech
à conquista de novos mercados
numa visão globalizante é o produto da combinação que os nossos serviços e software providenciam. O conhecimento que detemos resulta
em muito da ligação umbilical que temos com
a SAP desde a formação da Realtech. Estando
sediados no mesmo espaço, a colaboração em
desenvolvimento de soluções tem feito parte
da nossa história comum. Atualmente, a SAP
integra software Realtech dentro da sua própria
solução e providenciamos serviços de suporte
global para a própria SAP. Estamos presentes
nos laboratórios da SAP na adaptação e teste
das suas soluções mais inovadoras e é esse knowhow que providenciamos aos nossos clientes.
A estrutura nacional da
Realtech está a promover a sua
internacionalização dentro do
grupo. E depois de Angola,
há perspetivas de negócio na
Alemanha, nos Estados Unidos
e mesmo no Japão, segundo
explicou à “Vida Económica”
o diretor-geral José Cândido
Soares.
SUSANA MARVÃO
[email protected]
“Não somos um mal necessário”
Vida Económica – 2012 vai ser o ano
da internacionalização da estrutura portuguesa? Qual a estratégia que está a ser
delineada?
José Cândido Soares – No seguimento de
uma estratégia estabelecida internacionalmente, a Realtech Portugal é o pilar de desenvolvimento do mercado em todos os países de língua oficial portuguesa com a exceção do Brasil.
A expansão da oferta para estes territórios é,
numa primeira fase, efetuada através de estabelecimento de parcerias com agentes ativos locais, complementando a sua oferta de serviços
e de produtos de software especializados em
tecnologia SAP. Nesta medida, a experimentação do mercado angolano já se iniciou em
2008 com sucesso e está atualmente em estudo a evolução da presença da Realtech nesse
mercado.
VE – Porque sentiram a necessidade de
abraçar novas geografias?
JCS – Devido à contração da procura de novos projetos locais e à forte expansão de outros
mercados onde os nossos produtos e serviços
têm uma procura crescente. Ao contrário das
consultoras locais, a Realtech pela sua presença
global, procura tirar partido das diferentes conjunturas económicas dos diferentes países onde
se encontra através dum natural intercâmbio
de recursos. O principal capital de uma empresa como a Realtech é o capital de conheci-
José Cândido dos Reis, diretor-geral da Realtech
mento. O que fazemos encontra-se sempre no
“estado-da-arte” ao que à tecnologia SAP diz
respeito. Se nos limitarmos geograficamente estaremos expostos às conjunturas económicas locais, como é o caso nomeadamente de
Portugal. Numa realidade deste tipo esse capital é desperdiçado em tarefas cada vez mais comuns e menos inovadoras e sendo, portanto,
pagas como “commodities”. Essa pressão baixa
de preço limita a capacidade de investimento
em inovação e rapidamente cairíamos num
“caldo de banalidade” onde o que distingue
cada concorrente é apenas o fator preço.
Japão também está contemplado
VE – E que geografias são essas e quais
as razões da sua eleição?
JCS – Para além do mercado angolano, estamos atualmente presentes em projetos estratégicos na Alemanha e Estados Unidos, prevendo-se a médio prazo uma presença no Japão.
VE – E de que forma se vão internacionalizar? Através de parceiros? Com
presença local?
JCS – Atualmente, a nossa expansão é feita
através do estabelecimento de parcerias locais.
É importante trabalharmos com quem já conhece o terreno a cultura e o “modus operandis”. Nós detemos conhecimento e produtos
e ajudamos a criar diferenciação nos nossos
parceiros. Eles sabem como e a quem vender.
VE – Exatamente que mais-valias introduzem numa empresa?
JCS – A Realtech é uma empresa especializada em tecnologia SAP. Os sistemas SAP são
complexos e abrangentes, permitindo às empresas obter operacionalidade, integração e capacidade analítica. Após a sua implementação
tornam-se tipicamente centrais e decisivos para
a operação das empresas. Devido à sua complexidade e criticidade, torna-se vital uma gestão
cuidada dos mesmos. A Realtech providencia
soluções que permitem garantir a operacionalidade dos sistemas e a otimização dos recursos
envolventes aos mesmos. Através dos nossos
serviços e produtos conseguimos ganhos substanciais de desempenho e reduções significativas
no chamado “Total Cost of Ownership”. A segurança, monitorização e integração de sistemas
VE – Há uma efetiva criação de valor?
JCS – Não somos apenas um “mal necessário” no que respeita à instalação e manutenção destes sistemas complexos. Para além do
intangível valor que representa a não falha de
um sistema crítico, os ganhos económicos expressam-se igualmente na substancial redução
de custos de operação que podemos aportar.
Software e/ou Serviços que garantam uma monitorização 24x7 com manutenção preventiva,
integração de sistemas heterogéneos e dispersos numa plataforma central e comum a toda a
empresa. Somos a base que permite a evolução
para o conceito de “ERP for IT”.
VE – Até que ponto a atual crise económica veio afetar a vossa atividade?
JCS – A crise económica afetou principalmente o mercado local. Em contrapartida
expôs as vantagens que uma multinacional
pode ter numa sucursal portuguesa. A estratégia corporativa passa por aproveitar a presença global para otimizar custos e proveitos.
Os Portugueses são bastante reconhecidos
pela sua adaptabilidade e profissionalismo ao
que às tecnologias de informação diz respeito,
providenciando recursos com elevada especialização, domínio de língua estrangeira e a um
custo muito apetecível noutros mercados. É
uma estratégia win win.
Como resultado a nossa exposição ao mercado externo está a aumentar.
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22
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
PRAZER & LAZER
JOÃO PAULO AZEVEDO
E MIGUEL DE SOUSA OTTO
ENTREVISTA COM RUI SOUSA DIAS
Temos de saber tirar partido
do terminal de passageiros
Entrevistámos o
presidente da Associação
de Restaurantes de
Matosinhos, Rui Sousa
Dias, para conhecer
um projeto onde se
juntaram dezenas
de restaurantes de
Matosinhos que fazem
da venda do peixe e
do marisco a sua fonte
receita. Este gestor
apresentou-nos as
principais linhas de
actuação da associação,
mostrou grande
entusiasmo, espírito de
missão, rumo e boas
ideias para colocar na
”agenda” de todos,
os restaurantes de
Matosinhos.
Qual o objetivo e em que consiste a Associação de Restaurantes de Matosinhos?
Matosinhos é uma terra com
uma concentração enorme de restaurantes. A ideia da constituição
da associação partiu da necessidade que havia de se criar uma entidade com personalidade própria,
jurídica e com possibilidade de
fazer parcerias com outras entidades, como autarquias ou outras associações. O grupo de associados
reúne restaurantes que são especializados em peixe e em marisco.
A sigla inicial da associação era “O
peixe à Mesa”. Exatamente porque
pretende ser uma associação pequena mas com objetivos muito
claros e específicos, dirigida a um
grupo restrito de empresas.
O primeiro mandato, de três
anos, que já acabou, foi para desbravar, para fazer tudo o que era necessário, visto que nada estava feito.
Iniciamos esta associação a partir de
um grupo que se reunia principalmente com o pretexto das festas do
mar, das esplanadas, aqui num dos
restaurantes da rua. A dada altura
começámos a ter necessidade de
falar com entidades como a ASAE
e acabámos por nos aperceber das
dificuldades de não estarmos organizados. Decidimos que fazia sentido criarmos a nossa autonomia,
termos um grupo de trabalho e de
empresários com objetivos comuns,
enfim que trabalhasse no sentido
de conseguirmos o que é ideal: um
funcionamento em uníssono quando fizermos referência a qualquer
coisa ou quando pedirmos alguma
coisa. Não é um restaurante que está
a pedir, é um grupo de restaurantes
que representa uma classe, uma
zona geográfica.
Quantos restaurantes é que
esta associação representa?
Quando criámos a associação,
o grupo fundador era constituído
por 23 restaurantes. Posso dizer
que no dia da escritura juntámos
o grupo dos sócios fundadores,
em que todos assinaram a escritura pública. Definimos ali o que
seriam os objetivos da associação,
Miguel de Sousa Otto, Rui Sousa Dias e João Paulo Azevedo, no restaurante D.Peixe
os estatutos e tudo foi aprovado
por unanimidade. Depois, fomos
fazendo crescer o número de associados, estendendo o convite aos
restaurantes de Leça da Palmeira,
depois de uma forma mais activa
às marisqueiras e chegámos ao
ponto de alterar de alguma maneira a denominação da associação. É
aí que deixamos de lhe chamar “O
Peixe à Mesa – Associação de Restaurantes de Matosinhos” e damos
mais destaque à Associação Restaurantes de Matosinhos para que
os restaurantes de marisco não se
sentissem descriminados.
Qual a atitude perante os problemas do setor?
A crise afeta os setores de atividade que nos envolvem. Isso faz
com que naturalmente haja uma
diminuição da procura.
Mal identificámos os problemas, um dos papéis da associação
é começar a procurar soluções. E
as soluções, quanto a mim, passam pela atividade que desenvolvemos na associação.
Rui Sousa Dias, Presidente da Associação de Restaurantes de Matosinhos
Mas há outros problemas que
vão para além das vossas atividades...
O principal problema na ordem
do dia é o agravamento do IVA,
que é demolidor. Tínhamos uma
responsabilidade de 13% de imposto e gostava de salientar que
o imposto não é só sobre o valor
acrescentado.
Na restauração é um imposto sobre o valor acrescentado mais uma
percentagem sobre o preço de custo. Porque nós, como compramos
as matérias-primas sujeitas à taxa
mínima de 6%, quando somos
chamados à liquidação do imposto
das vendas, liquidamos uma percentagem sob o total da venda.
Sobre o preço de custo estávamos a pagar anteriormente 6% ao
fornecedor e 7% ao Estado. Agora, com este agravamento de 10
pontos percentuais, pagamos 6%
ao fornecedor e 17% ao Estado,
isto sobre o preço de custo e depois sobre a margem são os 23%.
É realmente demasiado pesado.
Temos a noção que este ano é
um “ano de sobrevivência”. Quem
conseguir sobreviver provavelmente até vai viver mais tranquilo
nos próximos tempos. Mas temos
no mínimo de fazer esse esforço.
O que se espera do terminal
23
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
PRAZER & LAZER
Um Alvarinho Vencedor
Cafeína de Excelência
O Nostalgia Alvarinho 2011, que recentemente ganhou o troféu Best of
Vinho Verde 2012, eleito por um painel composto por vários jornalistas
estrangeiros, é um vinho feito com métodos antigos: leveduras indígenas,
temperaturas de fermentação mais elevadas e curtimenta (fermentação
com as películas). Os enólogos João Silva e Sousa e Francisco Baptista pretenderam criar um vinho branco contra-corrente, que pudesse envelhecer
de 5 a 10 anos. Não deixe passar o verão sem provar o “Nostalgia Alvarinho 2011”...
O maior site de viagens do mundo Tripadvisor, atribuiu um certificado de
excelência 2012 ao Restaurante Cafeína no Porto - Foz. Um ponto forte do
site diz respeito às dicas confiáveis que fornece para organização das suas opções de viagem entre elas a área de restauração a visitar. Critérios como “boa
comida” , serviço, ambiente e preço, dão suporte ás classificações que resultam dos comentários dos visitantes, maior parte deles estrangeiros. Está de
parabéns o proprietário Vasco Mourão, bem como a sua equipa.
RESTAURANTES COM ALMA
Produtos da terra,
sabores do mundo
do tráfego
de Leixões
Portanto importa, junto dos
operadores, fazê-los saber que nós
temos um peixe com características muito próprias, logo uma
oportunidade para os seus clientes. Tratamos o peixe com os grelhadores no exterior de uma forma
natural a escalar o peixe, juntar sal
e pô-lo na grelha. Aqui o cliente
conhece todo o processo, acompanha toda a preparação, desde
que viu o peixe na vitrine até vir
para o prato para a mesa, nunca
o perdendo de vista. Em suma,
temos que saber tirar partido de
todo este potencial de tráfego do
terminal de passageiros.
Mas para isso é preciso criar
programas....
Eu penso que é fundamental
criar novos relacionamentos. Nós
que estamos nesta zona, aqui à
porta, teremos que arranjar forma
de junto dos operadores lhes dizer
que na Associação de Restaurantes
de Matosinhos existe uma central
de reservas – está a começar a dar
os primeiros passos – onde vai ser
possível que aconteça o seguinte –
o barco está a chegar e nós recebemos a informação que diz: “Conseguimos determinado número
de pessoas para visitar os vossos
restaurantes.” Ou grupos de pessoas. E nessa central de reservas é
feita a divisão da forma mais justa
e equitativa possível pelos restaurantes aderentes. Portanto vamos
distribuir as reservas que nos chegam de forma mais equilibrada
possível. No entanto, eu tenho a
convicção de que para isto ser possível vamos ter de estar preparados
para dar contra-partidas aos operadores, numa relação de benefícios para todos.
O ROTEIRO DE RESTAURANTES DE MATOSINHOS
em Matosinhos.
de passageiros do porto de Leixões para os restaurantes de
Matosinhos?
É fundamental fazer bem o trabalho de casa, porque aquilo que
se está a passar, neste momento,
e o que irá concerteza acontecer
quando o terminal estiver pronto,
ou seja, operacional, a vinda dos
barcos, a sua permanência e a passagem de milhares de pessoas, só
terá resultados práticos, para nós
restaurantes, se houver uma informação muito concreta de quem
somos, o que fazemos e onde estamos. O barco está parado aqui ao
lado, para além dos programas turísticos previamente organizados
pelos operadores, existe sempre
uma percentagem de passageiros
que ficam instalados no barco,
como tal, é importante que exista
forma de lhes chegar informação
de que estão num porto onde,
mesmo aqui ao lado, existe um
tipo de restaurantes com tratamento do peixe e do marisco típico desta zona. Há outros sítios
onde se come peixe grelhado, por
exemplo a Turquia, a Grécia, com
alguns métodos semelhantes aos
nossos, mas a qualidade do peixe
não é a mesma.
Um guia prático e muito útil
O roteiro existe para ser distribuido
principalmente nas unidades de alojamento
do Grande Porto e Matosinhos. Postos
de turismo, aeroporto e outros espaços
de interação com públicos; inclusive,
tivemos ajuda na distribuição do Porto e
Norte – Turismo do Norte de Portugal onde
introduzimos a imagem (deles) no roteiro,
esta é a nossa filosofia. Relativamente ao
destaque dos restaurantes, a promoção
pretende-se o mais imparcial e igual
para todos. Nós temos como associados
restaurantes de grande dimensão, de
pequena dimensão, restaurantes mais
sofisticados, mais simples, restaurantes
mais bem preparados, outros menos
apetrechados, mas todos têm seguramente qualidade no que servem. O
peixe, embora seja “igual para todos”, o facto é que cada um tem a sua
forma de o preparar e apresentar, são ainda restaurantes onde o cliente
com segurança sabe que vai comer bem. Como se pode constatar, este
roteiro tem uma característica única - restaurantes de peixe.
Um roteiro informativo, mas também com dinâmicas promocionais a
pensar em benefícios para o público?
Naturalmente que a nossa intenção é a promoção. Nesta edição,
contámos com a ajuda de uma marca com importância e peso no
mercado — Casal Garcia, da empresa Aveleda — que nos apoiou na
produção do roteiro, e em termos de benefício para o público, oferecia
uma garrafa Rosé em cada consumo de uma garrafa de branco.
Todos ficaram a ganhar. Em termos de divulgação, na nossa zona de
proximidade e na cidade do Porto e distribuímos o roteiro nos vários
hóteis, guest-house’s, hostels, etc. Entretanto , visitamos a nova loja
Porto e Norte no Aeroporto, que está muito interessante, e falamos da
distribuição e na oportunidade de introduzir o roteiro online. Todos estes
são espaços de promoção muito importante para nós.
Para os amantes da boa comida
que buscam fazer um programa
gastronómico para apreciar as artes de um grande Chefe, tomem
nota deste nome: “Srª Peliteiro”;
um restaurante em Fão, lá para
os lados de Esposende, está a dar
que falar pelos melhores motivos....
A proprietária Paula Peliteiro
que já trazia experiência do Brasil, onde teve dois restaurantes,
abriu há cerca de um ano o Restaurante & Atelier gastronómico
Srª Peliteiro (é assim que gosta
de o chamar) num bonita largo
nas margens do Rio Cávado em
Fão. Aberto de Sexta a Domingo (a partir deste verão será diferente...) a chefe aposta no bom
tempo útil que lhe resta para
investigar ao detalhe a relação de
excelência entre produtos da terra
e algumas das receitas que durante anos foi assimilando em locais
por onde viveu e partilhou experiencias culinárias. É sabido que
esta zona litoral que se estende
da Póvoa de Varzim a Esposende
é bem conhecida pelos seus produtos hortícolas de elevadíssima
qualidade e variedade. Ora por
força da sua dedicação e criatividade, a Srª Peliteiro dá-lhes ainda
mais vida, acentuando os seus sabores e aromas com ervas aromáticas e especiarias, fundamentais
na elaboração das suas iguarias.
Das suas viagens traz na bagagem livros, fotografias, diálogos
e sabores guardados na memória
que transforma e recria, partindo
da cozinha tradicional portuguesa, pratos tão saborosos quanto exóticos, como uma Tajine
(marroquina) ou uma Moqueca
(brasileira) até um Polvo com a
Pimenta da Terra dos Açores.
Outra das suas paixões são os
doces, os “Doces Pecados” da Sra.
Peliteiro, tendo por base a riqueza da nossa doçaria conventual.
Apaixonada pela arte gastronómica, misteriosa, labiríntica e
simultaneamente sedutora, a Srª
Peliteiro recebe os clientes com
uma abundância de cores, aromas e sabores, verdadeiramente
únicos e inesquecíveis. Com o
seu marido José Pedro Coutinho,
gestor e um relações publicas por
excelência, o restaurante apresenta uma carta de vinhos q.b., e um
serviço muito dedicado e profissional.
Srª Peliteiro, faz parte dos restaurantes “obrigatórios” a visitar,
logo que surja o apetite...
SRª PELITEIRO
Largo do Cortinhal, Rua Comendador
Correia Leite, nº 7 – Fão;
Telefone 253966051
sextas-feiras e sábados ao jantar e domingos ao almoço. (outubro a junho)
quarta-feira a domingo ao almoço, happyhour e ao Jantar (julho a setembro)
24
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
Reprocessamento de dispositivos médicos levanta preocupações
A Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (Apormed) veio a público alertar que as preocupações com a redução de custos na área da saúde pode levar a que algumas instituições públicas estejam a ponderar a reutilização de dispositivos médicos de uso único. O que
pode representar um risco para a saúde, em termos de contaminação cruzada, alterações no desempenho e/ou outros eventos adversos. Isto se a entidade responsável pelo reprocessamento não
garantir a conformidade dos dispositivos reprocessados com os requisitos definidos na legislação.
SAÚDE
MIGUEL BARREIROS, ADMINISTRADOR DO CENTRO LIFE BEAT, LAMENTA
Seguradoras não comparticipam
ações preventivas na saúde
O Life Beat, centro de
diagnóstico e prevenção,
posiciona-se num
mercado que também
sofre as consequências
da crise. Mas há outros
problemas, como
a ausência de
comparticipação em ações
preventivas por parte das
seguradoras e a enorme
informação médica que
existe. Miguel Barreiros,
administrador da empresa
orientada para
o diagnóstico precoce da
doença coronária e dos
cancros do pulmão e do
cólon, admite ainda que a
legislação existente não é
a adequada.
Vida Económica – Qual a
atual situação do mercado em
que está inserido o vosso centro?
Miguel Barreiros – Está num
ponto de viragem, em que começa
a existir uma perceção da importância da prevenção e do diagnóstico precoce e, talvez mais importante, a certeza que num contexto
des de sucesso bastante maiores e
custos muito menores.
de crise como o que se atravessa a
saúde é um bem ainda mais importante e que tem de ser preservado.
VE – Quais os principais problemas que se colocam à vossa atividade?
MB – Os principais problemas
têm duas origens diferentes. Por
um lado, a ausência de comparticipação em ações preventivas por
parte das seguradoras, o que limita a
procura deste tipo de atividade focada na prevenção suportada por evidência. O outro problema está relacionado com a enorme quantidade
de informação médica que existe e o
tempo que leva a que a mesma seja
adotada pela prática clínica diária e
que faz com que o tempo necessário
para a divulgação de uma técnica
nova seja muito grande.
VE – Considera a legislação
existente a mais adequada?
MB – Não me parece que esteja
adequada, pois tem-se assistido a
um aumento inadmissível de doenças crónicas – designadamente a
diabetes – sem grandes investimentos ao nível da prevenção primária,
evitando tal escalada, ou numa ação
proativa com a prevenção secundária e na gestão do doente diabético e
das complicações associadas, como
a cegueira e as amputações que têm
custo financeiro, social e humano
bastante maior do que os investimentos realizados para os prevenir.
Miguel Barreiros considera que há muita informação médica e que a sua assimilação não é simples em termos práticos.
VE – Há, de facto, a possibilidade de prevenir essas doenças?
MB – O mais importante na
prevenção das doenças cardiovasculares ou oncológicas situa-se na
prevenção primária e na eliminação dos factores de risco modificáveis, como o tabaco, que é o principal factor de risco para o cancro do
pulmão e para as doenças cardio-
vasculares. O nosso contributo situa-se na prevenção secundária, em
que, perante indivíduos com factores de risco, se investiga se alguma
patologia se está a instalar. Uma
característica comum nas doenças
cardiovasculares ou oncológicas é o
seu caráter assintomático durante a
fase inicial e em que o diagnóstico
precoce pode promover uma atuação atempada e com probabilida-
VE – Como opera a empresa
num mercado tão concorrencial?
MB – O centro tem uma abordagem focada na prevenção secundária ou diagnóstico precoce, apoiada
numa técnica de diagnóstico de tomografia computorizada com uma
baixa dose de radiação única em
Portugal e denominada tomografia por feixe de eletrões. Com esta
técnica são desenvolvidos pacotes
específicos de rastreio de patologias
como o cancro do cólon, a doença
arterosclorótica coronária e o cancro do pulmão. Paralelamente, desenvolvemos atividade de consulta
médica em várias especialidades e
meios de diagnóstico não invasivo.
Nos próximos tempos, para
além de alguma atividade no âmbito da internacionalização já em
curso, a aposta tem de ser na divulgação dos métodos e na informação à classe médica das vantagens
dos exames realizados. Entretanto,
está a ser aplicado com sucesso um
programa de prevenção do ataque
cardíaco. Tendo em conta que as
doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 40% dos
óbitos em Portugal, este novo programa está centrado na possibilidade de realizar o diagnóstico precoce
da doença coronária antes da ocorrência de um ataque cardíaco.
Legislação nacional limita investimento publicitário na saúde
GUILHERME OSSWALD
[email protected]
O mercado ibérico de “consumer healthcare” é tido como estratégico para a multinacional Sanofi. Em Portugal, a intenção
é desenvolver um portefólio que permita à
empresa ser um parceiro de referência para
as farmácias, revelou à “Vida Económica”
Maria do Céu Correia, diretora desta divisão de negócios da Sanofi para a Península
Ibérica, que lamenta o facto de existirem
demasiadas restrições ao anúncio dos seus
produtos.
Em Portugal existem demasiadas restrições para anunciar os produtos da Sanofi,
argumenta Maria do Céu Correia. “É necessário rever a legislação em vigor, tornando-a mais flexível e permitindo o seu
alinhamento com outros mercados. Temos
de manter o compromisso e o investimento neste mercado, mas precisamos do apoio
dos legisladores, de modo a otimizar os
recursos investidos. Um outro aspeto relaciona-se com a lista de indicações passíveis
de auto-medicação. É mais aberta noutros
países europeus e seria positivo ter uma lista
idêntica em Portugal.
Não existem grandes diferenças entre o
mercado nacional e o espanhol. “O conceito de consumer healthcare ultrapassou
fronteiras e cada vez mais os consumidores
apostam no autocuidado, quer do ponto de
vista estético, quer em termos de saúde e
bem-estar. Temos uma visão global do que
está a acontecer nos diferentes mercados
onde estamos presentes, o que nos permite
conhecer, valorizar e procurar as melhores
oportunidades e iniciativas e implementálas localmente”, de acordo com Maria do
Céu Correia.
Para a Sanofi, ambos os mercados são
importantes, como quis deixar claro aquela
responsável. E adiantou: “Os dois mercados
têm boas perspetivas de crescimento para as
nossas marcas. Apesar de o estarmos num
contexto difícil, sabemos que queremos
apostar neste tipo de produtos a nível ibérico. A nossa prioridade é o posicionamento
no mercado orientado para o consumidor
em quatro áreas básicas, produtos de inverno, alergias, cuidados da pele e bem-estar.”
Disponibilização de produtos
de valor acrescentado
Não será tarefa fácil, sendo que Maria do Céu Correia está consciente que o
crescimento passa pela disponibilização de
produtos com valor acrescentado. “Temos
produtos diferenciados, portanto o primeiro desafio já foi superado. No entanto, a
conjuntura económica em que nos encontramos faz com que tenhamos que enfrentar
alguns desafios num mercado muito competitivo, o que nos impele a identificar e a otimizar oportunidades de negócio. A nível de
produtos, a aposta para este ano são as categorias de tosse e constipação, com as marcas
Mucoral, Nasorhinathiol e Tussoral e para
as alergias o Telfast, não esquecendo outras
marcas já conhecidas dos consumidores,
como é o caso do Mytosil. É determinante a
nossa capacidade de crescimento e inovação,
facto que nos permite ser ambiciosos quanto
ao desenvolvimento no futuro.”
O mercado farmacêutico não escapa à
crise. Há um cada vez maior controlo de
custo por parte das autoridades e dos próprios consumidores. Mas também pode ser
uma boa altura para aproveitar as oportunidades que se colocam. “Os consumidores
procuram mais eficiência quando investem
neste tipo de produtos. O que nos permite
reforçar a nossa posição, tendo em conta a
qualidade dos nossos produtos. Por outro
lado, as autoridades estão a alterar alguns
medicamentos de prescrição médica, o que
nos é vantajoso face ao nosso portefólio.”
25
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
NEGÓCIOS E EMPRESAS/Empresas Familiares
Portela Cafés lança-se no mercado das máquinas
de cápsulas
JP Sá Couto diz que rescisão do Governo
não terá impacto nas suas contas
As sete lojas Portela Cafés existentes em Portugal já têm disponível a mais recente novidade
desta empresa familiar, liderada por Ângelo Pedro Marçal: máquinas de cápsulas. Depois do
lançamento das cápsulas, a firma enfrenta a concorrência e coloca no mercado as máquinas
“Caps Portela”, disponíveis em cinco cores. “Expressamente para si” é o slogan desta nova vertente empresarial da Portela Cafés, que já pensa na internacionalização.
A JP Sá Couto assegura que a rescisão de um contrato de investimento no valor de 10,9 milhões de euros não influencia as contas da empresa. A empresa garante ainda, através de comunicado, que os seus projetos estão “concentrados na exportação”. Recorde-se que o Governo anunciou, recentemente, a rescisão do contrato de investimento para a construção de uma
fábrica de equipamento informático, situada em Matosinhos.
REFLEXÕES SOBRE EMPRESAS FAMILIARES
A empresa familiar é dinâmica
ANTÓNIO NOGUEIRA
DA COSTA
Consultor Empresas
Familiares
[email protected]
As empresas familiares são
organizações que podem assumir
distintas dimensões, sendo muito
natural que ao longo da sua história
esta variável seja normalmente de
crescimento.
Existem, contudo, empresas que sabem
que o seu sucesso pode mesmo passar
por manter a sua micro dimensão. Ser
pequeno não significa perder qualquer
qualidade, em especial uma que se
associa às empresas familiares: o
dinamismo.
Lançar um negócio é a primeira e
provavelmente a maior força que é
necessária despoletar por uma pessoa
empreendedora que, em determinado
momento, decide combater uma inércia
e arranjar uma força permanente que
o irá colocar num movimento que
pretende seja imparável.
Este dinamismo, que se identifica e
reconhece nas empresas familiares, é
algo que os líderes tentam incutir nas
suas organizações, pois sabem que sem
ele imperará a estagnação, o que, no
mundo dos negócios, poderá implicar a
não sobrevivência.
Dinâmicas
Quando, em 1995, João Clara
decidiu sair de Lisboa e regressar a
Manteigas, ia com a ideia de fechar
o micronegócio familiar fundado
pelo seu avô. Contudo, “… acabei
por me entusiasmar e ficar por cá”.
Percebeu que podia encontrar um
nicho de mercado que mantivesse
os métodos ancestrais e, com a
sua visão do tamanho do mundo,
apostou na internacionalização, para
onde destina mais de 40% da produção, vendendo para
diversos países, sendo um dos mais significativos o Japão.
Não é pois de estranhar que, este ano, tenha recebido a
visita do seu principal cliente japonês que enviou quatro
pessoas para conhecer todo o processo de produção, que
tem origem na tosquia da lã e termina nos teares manuais,
das magníficas peças que os orientais estão a adorar.
Temas para reflexão:
• A nossa dimensão condiciona a
nossa atuação?
• Até onde queremos ir?
• Estamos a preparar-nos para chegar
a esse destino?
Especialistas na consultoria a Empresas Familiares e
elaboração de Protocolos Familiares
Santiago – Porto
www.efconsulting.es [email protected]
Fonte: “La Imagen de la Empresa Familiar en España”,
Edelman e Instituto Empresa Familiar, 2006
PUB
JMV traz chás Harney & Sons
para Portugal
perguntas essenciais sobre
EMPRESAS FAMILIARES
MARTA ARAÚJO
[email protected]
Chás de requinte numa empresa
socialmente responsável
Segundo foi possível apurar, em Portugal
vão estar disponíveis as gamas de retalho
especializado e horeca dos chás Harney &
Sons. A primeira é composta por uma embalagem metálica que contém 20 saquetas
de seda em forma de pirâmide. A linha
Horeca, por seu turno, apresenta embalagens que contêm 20 saquetas herméticas
individuais em seda.
Recorde-se que, pela experiência, qualidade e diversidade apresentadas, os chás
“Temos aqui um bom instrumento de trabalho para nos levar
a encontrar soluções concretas para construir o futuro das
nossas empresas e das nossas famílias.”
Extraído do Prefácio escrito por José Luís Simões,
Presidente do Conselho Administração do Grupo Luis Simões
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O grupo José Maria Vieira
(JMV) vai trazer para Portugal,
pela primeira vez, a marca de
chás Harney & Sons. A empresa familiar que se dedica à distribuição de bebidas, vinhos,
torrefação e comercialização
de café passa, assim, a ter o exclusivo, em território luso,
daquela chancela internacional de prestígio, que está no
mercado desde
1983.
O lançamento da Harney
& Sons, no ano em que o
JMV assinala 50 anos de atividade, “vem reforçar o conjunto de
marcas de prestígio que a JMV representa
em Portugal”, refere a empresa em comunicado enviado à “Vida Económica”. São
exemplo disso, os Vinhos Borges, Ramos
Pinto, Louis Roederer, Charles Mignon,
Santero, Jagermeister, Pitú, Underberg, a
marca de whisky irlandês The Irishman,
Herdade do Pombal e DFJ.
Harney & Sons, marca internacional de chás,
vai passar a ser comercializado em Portugal,
através do grupo José Maria Vieira.
Harney & Sons são os chás oficiais do Salão
de Chá do Hotel Dorchester em Londres,
distinguido com o prémio “Top London
Afternoon Tea Awards 2007”. A marca
é também fornecedora de chá do Hotel
Claridge’s Londres que recebeu o prémio “Top London Afternoon Tea Awards
2011”. O prémio “Top London Afternoon
Tea Award”, atribuído pelo Conselho de
Chá do Reino Unido (United Kingdom
Tea Council), é considerado o “Óscar” do
mundo do chá.
Além de se destacar pela variedade e diferenciação dos sabores que apresenta, a
Harney & Sons aposta numa política de
proteção do ambiente, apresentando-se
como uma empresa socialmente responsável nos locais e nas populações onde está
presente.
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26
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
Banco Santander Totta investe 6,6 milhões
em sustentabilidade
ÓCIO E NEGÓCIOS
O Banco Santander Totta continua a dar à Responsabilidade Social um espaço
importante na sua política de atuação, tendo em 2011 investido 6,6 milhões
de euros em matéria de sustentabilidade, um aumento de 19,5% em relação
ao ano anterior. Assim o diz o seu Relatório de Sustentabilidade, que descreve em detalhe todas estas políticas de sustentabilidade implementadas em Portugal.
ROGÉRIO SANTOS, SÓCIO-FUNDADOR DA MEGA DIES, ASSEGURA
“Capacidade de inovar
tem feito a diferença”
Laborando num setor “onde
a concorrência é universal”, a
Mega Dies exporta já “quase
a totalidade” da sua produção
e tem no seu portefólio de
clientes “todos os grandes
fabricantes mundiais do setor
automóvel”.
FERNANDA SILVA TEIXEIRA
[email protected]
Vida Económica – Antes de mais, quem
é a Mega Dies?
Rogério Santos – A Mega Dies, Cunhos e
Cortantes, nasceu com o propósito de fabricar
ferramentas de grande dimensão para corte,
embutido ou estampagem do tipo transfer automático que por encerramento da P.J. Ferramentas, especialista em cunhos e cortantes progressivos, e por iniciativa de gerência comum
às duas empresas, passou a executar os dois tipos de ferramentas conforme já acontecia antes
da constituição da Mega Dies.
Rogério Santos, sócio-gerente da Megadies, João Casal, fundador da extinta Casal, e Valdemar
Coutinho, presidente da Aida.
VE – Qual é o posicionamento da empresa no mercado?
setor automóvel. Neste momento temos uma
carteira de trabalho até às férias de 2014, o que
é excelente no nosso ramo de negócios.
RS – A empresa exporta a quase totalidade
da produção e tem no seu portefólio de clientes todos os grandes fabricantes mundiais do
VE – Quais as principais vantagens
competitivas da Mega Dies face à concorrência?
PUB
Market reports
sobre Angola
RS – A Mega Dies está no mercado porque
tem uma relação preço/qualidade excelente.
De salientar que estamos num setor onde a
concorrência é universal, logo só restam as boas
e excelentes.
“Problema está em financiar
os projetos dos nossos clientes”
VE – Até que ponto a atual situação
económica nacional e a dificuldade no
acesso ao financiamento (bancário) têm
condicionado a vossa atividade?
O mercado angolano é uma fonte de
oportunidades de exportação e de
investimento, mas exige informação
adequada. Através dos nossos Market
Reports sobre Angola ficará a conhecer a
situação concreta do país e do setor que
lhe interessa de forma a abordar o mercado
com mais eficácia e menos riscos.
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RS – Não temos recorrido a créditos bancários, por isso não sentimos esse problema. No
entanto, estamos há duas semanas à espera de
uma garantia bancária, o que é muito estranho
face ao bom relacionamento que temos com a
banca. Penso que numa situação normal esta já
estaria resolvida.
VE – Apesar de tudo, as expetativas
para este ano são otimistas?
RS – Sim, apesar de trabalharmos com multinacionais, o nosso problema está sempre em
financiarmos os projetos dos nossos clientes,
ou seja, recebemos tardiamente. Em média
recebemos acima dos seis meses, depois de pagarmos aos nossos fornecedores. Isso é o nosso
principal constrangimento.
Inovação “tem sido a chave do sucesso
face à concorrência”
VE – Qual a importância dos mercados
externos para a atividade da Mega Dies?
RS – Toda. Sem ele não existíamos tal como
somos. Produzimos tecnologia para gigantes
como a Mercedes, GM, Renault, Bombardier,
VW, BMW, e outras marcas emblemáticas
como a Porsche. Exportamos para a Comunidade Europeia, Rússia e Estados Unidos, entre
outros.
VE – Qual o papel desempenhado pela
inovação na atividade da empresa? Inovar
é, cada vez mais, uma questão de sobrevivência?
RS – Sim, a nossa capacidade de inovar tem
feito a diferença. Essa tem sido a chave do nosso sucesso face à concorrência.
Homenagem
a João Casal
Em paralelo com a cerimónia de
inauguração das novas instalações da
Mega Dies, a empresa aveirense promoveu
uma homenagem especial a João Casal,
fundador da Metalurgia Casal, fabricante
do famoso motociclo “Casal-Boss”,
“homem visionário” e pelo qual “nutrimos
uma enorme gratidão”, salienta Rogério
Santos, anfitrião do evento.
“Qualquer pessoa de bem que trabalhou
ou negociou com ele sente fascínio pela
sua obra”, assegura o sócio-fundador da
Mega Dies. Todavia, é com pesar que o
empresário demonstra tal gratidão. “Tenho
assistido a algumas condecorações no
dia de Portugal que nunca entendi. Como
a nossa classe política trata muito mal
os nossos empresários, nós temos que
aprender a homenagear aqueles que de
uma forma ou outra foram os nossos
mentores”, reforça, recordando que,
como conhecedor da realidade, dizer que
“o sucesso da Renault Cacia em grande
parte se deve à Metalurgia Casal” não é
de mais.
Lembrando a iniciativa pioneira
da Metalugia Casal na criação de
uma verdadeira escola de formação
profissional, que funcionou “desde
1965 até aos anos oitenta sem qualquer
subsídio”, o ex-funcionário de João
Casal e agora empresário do ramo
Rogério Santos não tem dúvidas que o
desenvolvimento industrial baseia-se na
aposta contínua na formação profissional.
“Há muitos anos que este tema é
discutido. Parece-me que o Governo atual
está apostado na sua resolução, porém
esperamos que passe das boas intenções
às boas práticas”, frisa.
Ao longo do seu discurso de homenagem
a João Casal, o responsável máximo da
Mega Dies disse ainda que, “em Portugal,
os que arriscam estão condenados
ao sucesso ou à mendicidade. Não
há lugar a fracassos”. Nisso, “os
nossos empresários não estão isentos
de culpa, nós somos pouco dados
a associativismo, e normalmente as
associações empresariais não têm a força
que precisam por alheamento dos seus
associados, para defenderem causas.
Isto é inadmissível, e eu estou certo que
qualquer empreendedor informado, face a
estas circunstâncias, se inibe de eventuais
projetos, tornando-se tal lei imprópria para
um país que queira crescer no conceito
das nações”, finalizou.
27
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
ÓCIO E NEGÓCIOS
Fundação Altran abre concurso de tecnologia e inovação
Rita Guerra sobe ao palco
A Fundação Altran abriu as candidaturas para a competição nacional em tecnologia e inovação, com o tema para Portugal “Tecnologia e Inovação ao Serviço da Inclusão Social”.
O objetivo “do concurso é promover a inovação tecnológica para o benefício de todos, dinamizar a inovação e as ideias criativas e apoiar o desenvolvimento
e a concretização dos projetos inovadores.
Os Casinos do Algarve apresentam Rita Guerra em espetáculo a
solo intitulado “Noites ao Piano”. Nas noites de 6 e 7 de julho,
Rita Guerra sobe ao palco do Hotel Algarve Casino e do Casino
Vilamoura, respetivamente, para apresentar “Noites ao Piano”,
um concerto a solo em formato acústico, durante o qual a cantora cria uma atmosfera musical intimista e exclusiva.
Fundação Manuel António da Mota cria fundo
de apoio a colaboradores
TERESA SILVEIRA
[email protected]
A Fundação Manuel António da Mota (grupo MotaEngil), que até 15 de julho
recebe candidaturas de instituições que se destaquem na
promoção do envelhecimento ativo e da solidariedade
entre gerações no âmbito da
terceira edição do seu prémio
anual, vai criar um fundo de
apoio social para colaboradores com privação súbita de
rendimentos. A informação
foi avançada à “Vida Económica” por Rui Pedroto,
administrador executivo da
Fundação.
A iniciativa, que se pretende comece a ser implementada “até ao final do terceiro trimestre” deste ano, “é
um elemento estruturante
de apoio aos colaboradores
do grupo que, por qualquer
razão, se vejam privados de
rendimentos de forma súbita, seja devido ao desemprego do cônjuge, seja devido a
uma doença grave” ou outras
razões desta natureza.
O fundo “não tem prazo limitado” para implementação
e está dotado de um milhão
de euros/ano, explicou Rui
Pedroto, adiantando que ainda poderá ser reforçado com
o produto de “até 5% do re-
sultado líquido das empresas
do grupo Mota-Engil” para
ajudar os colaboradores naquelas condições.
Paralelamente, e também
no âmbito da política de responsabilidade social do grupo Mota-Engil, a Fundação
vai passar a disponibilizar, a
título gratuito, os seus espaços para iniciativas promovidas por entidades ligadas ao
chamado terceiro setor.
“Nós damos muito valor
ao trabalho em rede e em
parceria”, disse Rui Pedroto
à “Vida Económica”, explicando que a Fundação também apoia a reconstrução de
casas de idosos e/ou pessoas
carenciadas em colaboração
com várias instituições, nomeadamente a Porto Amigo
(da Câmara do Porto) ou a
Habitat, em Amarante.
Em 2011, foram recuperadas oito habitações no concelho do Porto ao abrigo desta
parceria, o que representou
um investimento de 50 mil
euros, sendo que para 2012
está já a arrancar a reabilitação de mais cinco casas.
“Não nos queremos substituir ao Estado, mas queremos estar nas áreas em que a
resposta pública ou privada
é insuficiente”, justificou o
presidente executivo da Fundação.
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28
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
“Soma das partes” chega a Leiria
A Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) vai realizar no dia 2 de julho, no auditório da Leirisport, em Leiria, uma conferência no âmbito do ciclo “Portugal – A soma das
partes”. Em debate estarão questões prementes no âmbito da fiscalidade, do empreendedorismo e do investimento. Já tiveram lugar 17 destas conferências, abertas ao público mediante o
pagamento de 20 euros. Para efeitos do controlo da qualidade são atribuídos aos profissionais
seis créditos.
FISCALIDADE
DEVIDO A CONTINGÊNCIAS DA RESPONSABILIDADE DO FISCO
AGENDA FISCAL
OTOC quer prorrogar entrega
da IES até final de julho
A Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas
(OTOC) está contra a forma como está a
decorrer o processo de entrega da Informação Empresarial Simplificada (IES) e quer
prorrogar o seu prazo para o final de julho.
Sugere ainda o seu bastonário, Domingues
de Azevedo, o acompanhamento e a monitorização por parte da tutela das dificuldades
dos profissionais e a criação de um grupo de
trabalho para analisar a função da IES.
Numa missiva a Paulo Núncio, secretário
de Estado dos Assuntos Fiscais, o bastonário
da OTOC tece críticas ao funcionamento
da IES, afirmando que “só a negligência e a
displicência funcional da Autoridade Tributária explica, o que se tem passado com os
formulários para a entrega daquela informação”. Adianta ainda que “não se compreende
e apenas a irresponsabilidade justifica que a
versão disponibilizada em apenas 14 dias
tenha sofrido cinco alterações”. Por outro
lado, Domingues de Azevedo diz que a estrutura da IES não respeita os critérios contabilísticos em vigor para as diversas entidades, sendo necessária a harmonização com
as exigências do Sistema de Normalização
Contabilística.
Assim, a Ordem aponta diversos caminhos a seguir, designadamente um acompanhamento rigoroso por parte da tutela do
que se está a passar com a entrega da IES,
“monitorizando permanentemente as dificuldades dos profissionais e, atendendo às
constantes alterações que os formulários têm
sofrido, avalie da necessidade de alteração de
prazo de entrega e que propomos para 31
de julho”. O bastonário defende a criação de
um grupo de trabalho, que contará com as
JULHO
O bastonário da OTOC acusa a Autoridade Tributária de negligência e displicência funcional.
mais variadas entidades, cujo objetivo será o
de analisar a função da IES, passando a integrar informação sobre o trabalho e a segurança social, tal como a suas compatibilização com as normas e as exigências do SNC.
É ainda proposto que no mês de janeiro
de cada ano seja constituída uma comissão
composta por um representante da Ordem
dos Técnicos Oficiais de Contas e um representante da Autoridade Tributária, a qual
terá como missão “conceber, alterar ou manter os formulários eletrónicos necessários ao
cumprimento das obrigações declarativas
dos contribuintes”. Adianta Domingues de
Azevedo: “É nossa convicção que as comis-
sões propostas constituirão uma importante
valia, não só na necessidade de permanente
atualização do sistema pioneiro que foi a IES
na informação empresarial, mas também na
necessidade da sua adaptação à nova realidade emergente de implementação do SNC
em Portugal.” E relembra sobre a matéria em
apreço: “Não sendo da responsabilidade dos
profissionais a disponibilização dos meios
necessários ao cumprimento das obrigações
declarativas, mas da Autoridade Tributária,
está o técnico oficial de contas prisioneiro da
existência daqueles meios, o que em muito
dificulta o relacionamento entre ambos os
intervenientes no processo.”
TRANSPARÊNCIA FISCAL
Resposta do Assessor Fiscal:
As sociedades de advogados
• IVA - Imposto sobre o valor acrescentado
- Entrega do pedido de restituição do IVA
pelos sujeitos passivos cujo imposto suportado, no ano civil anterior ou no próprio ano, noutro Estado Membro ou país
terceiro quando o montante a reembolsar
for superior a 400 e respeitante a um
período de três meses consecutivos ou, se
período inferior, desde que termine em 31
de dezembro do ano civil imediatamente
anterior e o valor não seja inferior a 50.
• IUC - Imposto Único de Circulação
- Liquidação e pagamento do Imposto Único de Circulação - IUC, relativo aos veículos cujo aniversário da matricula ocorra no
mês de junho.
Até ao dia 10
PRÁTICA FISCAL
Quais os custos aceites
fiscalmente, nomeadamente
custos com remunerações (os
sócios podem ser remunerados?) e quanto à segurança
social? No caso de uma sociedade de advogados que já
descontam para segurança
social de advogados, também
têm de pagar? E as ajudas de
custo e outros custos aos sócios para exercerem a atividade dos sócios?
Quanto à imputação contabilística dos resultados aos
sócios no ano seguinte, faz-se
a transferência para a conta
sócios ou resultados transitados? São aceites como custos
ou não?
JUNHO
Até ao dia 30
encontram-se abrangidas pelo
regime de transparência fiscal
a que se refere o nº 1 do artigo
6º do Código do IRC. Sendo a
atividade da empresa exercida
através dos sócios, a quotaparte da matéria coletável que
lhes é imputada constitui a sua
“remuneração” pelos serviços que
prestam, constituindo rendimento
líquido da categoria B de IRS
(ver art. 20º do Código do IRS).
Repare-se que a imputação da
matéria coletável aos sócios é
sempre feita, ainda que não
haja distribuição efetiva do lucro
contabilístico (ver parte final do
nº 1 do artigo 6º). Se for paga aos
sócios uma importância mensal,
esta é considerada como um
mero adiantamento por conta de
lucros. No entanto, não constitui
para o sócio um rendimento
de capitais, dado que ele vai
ser mais tarde tributado pela
categoria B e não pela categoria
E [ver exceção contemplada na
parte final da alínea h) do nº 2
do artigo 5º do Código do IRS].
Sendo um mero movimento
financeiro, não acarreta qualquer
gasto para a empresa. Se os
sócios exercerem funções de
gerência, podem ser remunerados,
relativamente a essas mesmas
funções, pela categoria A.
Lembramos que, se a sociedade
decidir efetuar o pagamento
das contribuições obrigatórias
para a Caixa de Previdência dos
Advogados e Solicitadores, que
são da responsabilidade dos
sócios, o correspondente gasto
não é fiscalmente dedutível (ver
informação vinculativa, art. 23º
do Código do IRC, no site da
DGCI). Caso a empresa pretenda
distribuir efetivamente parte do
seu resultado contabilístico aos
sócios, pode fazê-lo, não devendo,
INFORMAÇÃO ELABORADA PELA APOTEC - ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE TÉCNICOS DE CONTABILIDADE
porém, reconhecer qualquer gasto.
Não o querendo distribuir, pode
transferir o respetivo valor para
reservas, como fazem as restantes
empresas. Num eventual ato de
liquidação e partilha, entra-se em
linha de conta com os montantes
que já foram imputados aos sócios
por força do disposto no nº 1 do
artigo 6º (ver nº 4 do artigo 81º
do Código do IRC). As sociedades
de profissionais não têm de
efetuar pagamentos por conta,
obrigação que incumbe aos sócios
(ver Circular nº 8/90, de 16 de
fevereiro, da DSIRC). Também
não têm de efetuar pagamento
especial por conta, já que não são
tributadas em IRC (ver ponto 4.
do Ofício-Circulado nº 82/98, de
18 de março). Pela mesma razão,
não estão sujeitas ao pagamento
de derrama (ver informação
vinculativa, art. 6º do Código do
IRC, no site da DGCI).
[email protected]
• IVA - Imposto sobre o valor acrescentado
- Periodicidade Mensal – Envio obrigatório
via Internet da declaração periódica relativa
às operações realizadas no mês de maio. O
pagamento pode ser efectuado através das
caixas automáticas Multibanco, nas Tesourarias de Finanças informatizadas e nos balcões dos CTT. O pagamento pode ainda ser
efetuado via Internet. Conjuntamente com
a declaração periódica, deve ser enviado o
Anexo Recapitulativo, referente às transmissões intracomunitárias isentas, efetuadas
no mês de maio.
Até ao dia 15
• IRS - Imposto sobre o rendimento das
pessoas singulares
- Entrega da Declaração Modelo 11 pelos
notários e outros funcionários ou entidades
que desempenhem funções notariais, bem
como as entidades ou profissionais com
competência para autenticar documentos
particulares que titulem atos ou contratos
sujeitos a registo predial, das relações dos
atos praticados no mês anterior suscetíveis
de produzir rendimentos
• IMT - Imposto Municipal sobre Transmissões onerosas de imóveis
- Entrega à Direcção-Geral dos Impostos
pelos notários e outros funcionários ou
entidades que desempenhem funções notariais, bem como as entidades ou profissionais com competência para autenticar
documentos particulares que titulem atos
ou contratos sujeitos a registo predial, dos
seguintes elementos efetuados no mês
antecedente: relação dos atos ou contratos sujeitos a IMT, ou dele isento (modelo
11); cópia das procurações irrevogáveis e
respetivos substabelecimentos; cópia das
escrituras ou documentos particulares autenticados de divisões de coisa comum e de
partilhas de que façam parte bens imóveis.
DUPLA TRIBUTAÇÃO
Convenção Portugal/
Luxemburgo
Foi publicado no Diário da República de
20 de Junho o Aviso nº 65/2012, que
torna público terem sido cumpridas as
formalidades constitucionais internas de
aprovação do Protocolo e do Protocolo
Adicional, assinados em 7 de setembro de
2010, que alteram a Convenção entre a
República Portuguesa e o Grão -Ducado do
Luxemburgo para Evitar as Duplas Tributações e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria
de Impostos sobre o Rendimento e o Património, e o Respetivo Protocolo, assinados
em Bruxelas em 25 de maio de 1999.
Os referidos Protocolos foram aprovados
pela Resolução da Assembleia da República n.º 45/2012, de 24 de fevereiro, e
ratificados pelo Decreto do Presidente da
República n.º 76/2012, de 12 de abril, e
entraram em vigor a 18 de maio de 2012.
29
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
FISCALIDADE
Bruxelas insta Portugal a mudar imposto especial
sobre o tabaco
A Comissão Europeia quer que Portugal mude as suas regras em matéria de impostos especiais
de consumo no que respeita aos cigarros. Por cá, os cigarros apenas podem ser vendidos até ao
final do terceiro mês após o final do ano em que foram introduzidos no consumo. Diz Bruxelas que a taxa a aplicar é a vigente no dia em que esses produtos são introduzidos no consumo,
não podendo os Estados acrescentar direitos suplementares a essa taxa.
Portugal intensifica acordos para evitar dupla tributação
Foi publicado em Diário da República o aviso que torna público que foram cumpridas as formalidades constitucionais internas de aprovação do
protocolo e do protocolo adicional que alteram a convenção entre Portugal e o Luxemburgo para evitar as duplas tributações e prevenir a evasão
fiscal, em matéria de impostos sobre o rendimento e o património, bem
como o respetivo protocolo datado de há mais de uma década.
CONTAS & IMPOSTOS
PAULA FRANCO
CONSULTORA DA ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Atualização do valor dos imóveis
Nos últimos tempos tem sido noticiado
em vários meios de comunicação social o
expectável aumento da tributação sobre
os imóveis em resultado da atualização
do valor matricial.
Efetivamente, no âmbito da ajuda
financeira a Portugal, uma das
medidas acordadas com as instituições
internacionais é a avaliação de todos os
prédios que ainda não foram avaliados
(ajustados para valores reais de acordo
com as regras do Código do Imposto
Municipal sobre o Património - CIMI),
pelo que o Governo português pretende
promover toda essa avaliação durante o
ano 2012.
Para tal, determinou regras específicas
que dispensam a intervenção dos
contribuintes e que parte única
e exclusivamente da iniciativa da
Autoridade Tributária, sendo que
as câmaras municipais colaboram
ativamente nessa avaliação geral,
fornecendo aos serviços de finanças
as plantas de arquitetura e outros
elementos informativos necessários ao
procedimento de avaliação.
Também para estas regras específicas é
importante compreender as regras de
impugnação graciosa destas avaliações,
atendendo a que o procedimento
adotado pela Autoridade Tributária
será suscetível de muitos erros e os
contribuintes devem estar muito atentos
à notificação do novo Valor Patrimonial
Tributário porque o prazo de pedido de 2.ª
avaliação é muito curto (30 dias).
A 2.ª avaliação tem custos para o
requerente, com o limite mínimo de
2 unidades de conta (204 euros, valor
bastante inferior ou estabelecido em
circunstâncias normais) sempre que o valor
contestado se mantenha ou aumente.
O resultado desta 2.ª avaliação só poderá
ser impugnado judicialmente nos termos
definidos no Código de Procedimento e
de Processo Tributário (CPPT), com os
fundamentos em qualquer ilegalidade,
designadamente a errónea quantificação
do valor patrimonial tributário do
prédio.
Embora a hipótese de existir um
aumento de tributação dos imóveis,
numa altura em que a crise económica
instalada se faz sentir na carteira dos
portugueses, possa ser vista de uma
forma negativa, não podemos deixar
de admitir que os valores patrimoniais
registados nas matrizes prediais, antes
da entrada em vigor do CIMI, estavam
totalmente desatualizados com valores
completamente desajustados da
realidade.
Esta reforma, que se iniciou em 2004,
teve como objetivo moralizar o sistema
e tentar atualizar os valores patrimoniais
de modo a que o património imobiliário
português passasse a figurar com valores
reais.
Contudo, esta reforma não tem sido
fácil e rápida e tem sido efetuada de
forma gradual, e com um impacto
financeiro para os contribuintes
também progressivo e não imediato.
A administração fiscal, aquando da
aprovação do CIMI, pretendia promover
a avaliação geral dos prédios urbanos
num prazo máximo de 10 anos (até
2014), mas existem novas medidas
que pretendem acelerar este processo
e conclui-lo com a maior brevidade
possível.
No entanto, lembramos que desde 2004
que para os imóveis que não foram
atualizados, e enquanto a sua avaliação
completa não fosse terminada, existiram
regras de atualização transitória como
base na aplicação de coeficiente de
desvalorização da moeda, o que originou
desde 2004 um ligeiro ajustamento.
Vejamos um exemplo:
Um imóvel localizado na freguesia de
Alvalade, em Lisboa, com 3 assoalhadas
(este exemplo refere um caso real):
- Ano de inscrição na matriz - 1983
- Valor patrimonial no ano do registo
inicial - 2096, 57 euros
- Coeficiente de correção monetária
referente ao ano 1983 - 4,54
- Novo valor patrimonial de acordo com
as regras transitórias = 4,54 x 2096,57 =
9518,42
Embora este imóvel tenha visto o
seu valor patrimonial quadruplicar,
poderemos facilmente atestar que fica
muito aquém do valor de mercado,
embora já esteja um pouco mais elevado
do que o inicial.
Este contribuinte pagava uma
contribuição autárquica até 2002 de
20,97 euros e em 2003, por aplicação da
atualização transitória, vai pagar IMI no
valor de 66,63 euros.
Vejamos agora como ficará após a
atualização de acordo com as novas
regras do IMI, atendendo a que a área do
apartamento é de 70 m2 (área útil) e tem
uma arrecadação com 9 m2.
De acordo com a aplicação da fórmula
de cálculo do CIMI, o Valor Patrimonial
Tributário atualizado de acordo com as
novas regras passará a ser de 79 000 euros.
Consequentemente, o novo IMI a
pagar, a partir de 2013 relativo a 2012
(79 000,00 x 0,4%), será de 316 euros.
Por último, refira-se que existem
cláusulas de salvaguarda que limitam o
aumento de um ano para o outro, isto
é, a coleta do IMI não poderá exceder,
relativamente a 2012 e 2013, ou seja
quanto ao IMI a pagar em 2013 e 2014,
o maior dos seguintes valores:
• 75 euros; ou um terço da diferença
entre o IMI resultante do valor
patrimonial tributário fixado na
avaliação geral e o IMI devido do ano
de 2011 ou que o devesse ser, no caso de
prédios isentos.
Estabelecimento de alojamento local
tem de ser titulado por autorização
de utilização para efeitos de IVA
Determina o artigo 3.º, n.º 1, daquele Regime que são
considerados estabelecimentos de alojamento local as moradias,
apartamentos e estabelecimentos de hospedagem que, dispondo
de autorização de utilização, prestem serviços de alojamento
temporário, mediante remuneração, mas não reúnam os
requisitos para serem considerados empreendimentos turísticos.
Um não residente possui no Algarve um
apartamento. Por vezes, aluga-o a cidadãos
do seu país à semana. Ao mesmo tempo, por
imposição da câmara municipal, registou o
imóvel como estando abrangido pela lei do
alojamento local. Qual o tratamento em sede
de IRS desta situação? Deveria ser tratado
como rendimento de categoria B, como
por exemplo uma hospedaria, sendo que
necessitaria de iniciar a atividade junto das
finanças, liquidar IVA (ou não, se não atingir
os 10 mil euros mencionados no art.º 53.º do
CIVA) e pagar segurança social?
No entanto, uma vez que não existe no
presente caso prestação de serviços hoteleiros
(alimentação ou limpezas, por exemplo) mas
somente o aluguer do espaço, seria mais
correto tributar este rendimento como sendo
de categoria F, não havendo deste modo as
obrigações referidas a nível da categoria B?
O Decreto-Lei n.º 39/2008, de 7 de março,
veio consagrar o novo regime jurídico da
instalação, exploração e funcionamento dos
empreendimentos turísticos, procedendo,
assim, à revogação expressa dos diplomas que
até então regulavam aquela matéria.
Determina o artigo 3.º, n.º 1 daquele Regime
que são considerados estabelecimentos de
alojamento local as moradias, apartamentos
e estabelecimentos de hospedagem que,
dispondo de autorização de utilização,
prestem serviços de alojamento temporário,
mediante remuneração, mas não reúnam
os requisitos para serem considerados
empreendimentos turísticos.
Nestes termos, face à legislação vigente,
a edificação na qual qualquer interessado
pretenda instalar um estabelecimento
de alojamento local (qualquer que seja a
tipologia deste) tem aquela que se encontrar
titulada por uma autorização (ou a antiga
licença) de utilização, emitida pela câmara
municipal. Ressalvam-se daquela injunção os
estabelecimentos de alojamento local que se
encontram instalados em edificações erigidas
antes de 7 de agosto de 1951.
De acordo com o artigo 3, n.º 2, do
Regime Jurídico acima mencionado,
os estabelecimentos de hospedagem
devem (como condição da instalação e
funcionamento respetivos) cumprir requisitos
mínimos, os quais se encontraram fixados na
Portaria nº. 517/2008, de 25 de junho.
Por norma, são considerados
estabelecimentos de hospedagem os
alojamentos particulares que, sendo postos
à disposição, não sejam integrados em
estabelecimentos que explorem o serviço de
alojamento nem possam ser classificados
em qualquer dos tipos de empreendimentos
turísticos.
Face ao relatado – um cidadão que possui
um apartamento no Algarve, pertencente ao
seu património particular, mas que o aluga
periodicamente a alguns seus compatriotas,
permitindo aos mesmos usufruírem de
uma semana de férias em Portugal e cujo
pagamento efetuado apenas comporta a
cedência do uso do apartamento – afigura-senos que tal situação reúne os pressupostos
previstos na alínea a) do n.º 2 do art.º 8 do
CIRS, enquadrável deste modo na categoria F
do CIRS.
No entanto, e porque a Autoridade Tributaria,
após a saída do Decreto-Lei n.º 39/2008,
de 7 de março, nunca se pronunciou sobre
o enquadramento da situação de aluguer de
imóvel por reduzidos períodos, por norma
no verão, cuja aquisição não foi efetuada
com o intuito comercial, aconselhamos o
consulente a solicitar informação vinculativa,
nos termos do art.º 68.º da LGT, à AT, sobre
o enquadramento jurídico tributário da
situação exposta, tendo em conta que o
imóvel em causa, por força do artigo 3.º, n.º
1, Decreto-Lei n.º 39/2008, de 7 de março,
foi considerado como estabelecimento de
alojamento local.
As informações vinculativas são requeridas
ao diretor-geral dos Impostos, através do
preenchimento de um formulário e remetidas
através de submissão eletrónica através do
www.portaldasfinanças.gov.pt. em Informação
Fiscal/Informações Vinculativas/Entregar
pedido de informação vinculativa.
Nos termos do n.º 1 do art.º 68.º da
LGT, o pedido deve ser obrigatoriamente
acompanhado da descrição dos factos cuja
qualificação jurídico-tributária se requer.
Conforme determina o n.º 4 do art.º 68.º
da LGT, o pedido pode ser apresentado por
sujeitos passivos, outros interessados ou seus
representantes legais, por via eletrónica e
segundo modelo oficial a aprovar pelo dirigente
máximo do serviço, e a resposta é notificada
pela mesma via no prazo máximo de 150 dias.
Face ao n.º 5 do mesmo artigo, as
informações vinculativas podem ser
requeridas por advogados, solicitadores,
revisores e técnicos oficiais de contas ou por
quaisquer entidades habilitadas ao exercício
da consultadoria fiscal acerca da situação
tributária dos seus clientes devidamente
identificados, sendo obrigatoriamente
comunicadas também a estes. A informação
vinculativa é uma salvaguarda para todos
os intervenientes da situação, porquanto o
n.º 14 do art.º 68.º da LGT refere que «a
administração tributária, em relação ao objeto
do pedido, não pode posteriormente proceder
em sentido diverso da informação prestada,
salvo em cumprimento de decisão judicial»,
ou seja, sendo prestada uma informação
vinculativa e agindo o contribuinte em
conformidade com o informado, não pode
posteriormente a administração efetuar um
enquadramento jurídico tributário diferente do
informado.
(INFORMAÇÃO ELABORADA PELA ORDEM DOS
TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS)
30
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
Coimbra recebe congresso da APAVT
Coimbra será a cidade anfitriã do 38º Congresso da APAVT,
que irá decorrer de 6 a 9 de Dezembro. De acordo com o
presidente da associação, Pedro Costa Ferreira, “é uma decisão que cumpre os compromissos desta direção da APAVT,
de integração no esforço de desenvolvimento das exportações
portuguesas e de apoio ao turismo interno”.
TURISMO
REFERE CARLOS GUARITA, RESPONSÁVEL DA PULLMANTUR PARA O MERCADO PORTUGUÊS
Portugal oferece cada vez melhores con
para a realização de cruzeiros
Entre 2008 e 2011 o mercado
nacional de cruzeiros cresceu
55%. A Pullmantur integra
essa tendência, diversificando
a oferta a partir dos portos
nacionais. Atualmente, a
companhia transporta nos seus
cruzeiros internacionais uma
média de 8000 passageiros
portugueses por ano. Carlos
Guarita assinala que os
destinos preferidos continuam
a ser o Mediterrâneo, embora
nos últimos anos se tenha
verificado um interesse
emergente em cruzeiros nos
países bálticos.
“O senso comum tinha por hábito dizer que os cruzeiros eram formas de viajar de gente com mais idade. No entanto, a tendência é outra”, assegura
Carlos Guarita, responsável da Pullmantur.
MARC BARROS
[email protected]
VE - Quais os objetivos da Pullmantur, em Portugal para 2012, em número de cruzeiros e viajantes?
CG - A Pullmantur tem uma atenção e
uma consideração muito especial para com
o mercado português. Temos vindo a realizar vários cruzeiros à partida de Portugal,
com itinerários a sair de Lisboa. Mas é importante diversificar a oferta. O nosso objetivo é atingir cerca de 10 mil passageiros,
neste momento já estamos com cerca de
7000 reservados, por isso temos uma boa
perspetiva para este ano.
VE - Considera que se trata de um
segmento em que Portugal constitui
um bom mercado?
CG - Devido a uma maior divulgação
que tem sido feita, o turismo de cruzeiro é
um produto que tem vindo a ganhar maior
importância em Portugal. A Pullmantur
continua a encarar o mercado português
como um mercado de cruzeiristas com
grande potencial, mas este facto já se verifica desde que a Pullmantur se iniciou no
mercado de cruzeiros e mesmo antes de ter
itinerários com partidas de Portugal, por
essa razão tem uma estrutura própria no
nosso país desde 2004. A oferta que temos
vindo a desenvolver para o mercado na-
cional é um exemplo claro de que a nossa
estratégia passa obrigatoriamente por Portugal. Portugal oferece cada vez mais, melhores
condições para a realização de cruzeiros.
VE - Quais os principais destinos procurados pelos cruzeiristas portugueses?
CG - As partidas de território português,
nomeadamente, os cruzeiros especiais Lisboa-Lisboa Posicional Lisboa – Copenhaga, com saídas de Lisboa e Porto, registaram grande procura, sendo dos itinerários
mais procurados. Tal como estes cruzeiros,
os novos itinerários “Fiordes do Norte” e
“Lendas do Mediterrâneo” têm sido bem
aceites pelo público e com grande procura
também. Por outro lado, tem-se verificado
Pullmantur quer atingir
10 mil passageiros em 2012
muito interesse nos cruzeiros Croisières de
France, a companhia francesa que opera
sob a responsabilidade da Pullmantur, não
podendo esquecer o Brisas do Mediterrâneo, que parte todos sábados de Barcelona
e é operado pelo Sovereign, o navio insígnia da Pullmantur.
Perfil diversificado
VE - Pode-se referir um perfil tipo de
cruzeirista nacional?
Leixões ganha destaque no panorama nacional
O número de passageiros do turismo de cruzeiros tem aumentado em Portugal: “Basta
olhar para os números e ver que, em 2009, 35 mil pessoas optaram por fazer cruzeiros. Já
em 2010, o número aumentou para cerca de 55 mil”, adianta Carlos Guarita.
A importância que este sector tem ganho é visível com as obras de melhoria que já foram
realizadas e outras que continuam a decorrer em portos como Portimão, no Funchal, em
Lisboa e, em particular, a inauguração do novo cais de cruzeiros de Leixões, uma estrutura
que veio dar à cidade do Porto a capacidade de acolher navios com mais de 250 metros de
comprimento.
“É positivo para a região” e, este ano, a Pullmantur foi uma das companhias a ter
embarque no porto de Leixões. Porém, “o lançamento de novos itinerários está sujeito a
muitos fatores, não apenas a condições operativas e de interesse cultural”. Para já, aquele
responsável adianta que está previsto em 2013 o embarque no Porto, “como aconteceu
este ano, para o posicional até Copenhaga”.
31
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
TURISMO
Novo regulamento para transporte de pranchas
Aeroporto do Porto com 500 mil passageiros em Maio
A TAP irá implementar uma nova revisão ao regulamento de transporte de
pranchas nas suas rotas, a qual entra em vigor no próximo dia 1 de Julho.
Esta altera o peso de referência e ajusta as tarifas nas viagens mais procuradas.
Segundo a ANS (Associação Nacional de Surfistas), “para um país em que
o surf assume cada vez maior relevância no contexto da economia de mar,
gostávamos que a TAP tivesse ido mais longe”.
O Aeroporto do Porto, no mês de Maio, ultrapassou, pelo segundo mês consecutivo, os 500 mil passageiros servidos, apesar
de ter registado um decréscimo de tráfego de 3,3% em passageiros e de 6% em movimentos, quando comparado com
o mesmo período de 2011, o que se traduziu num total de
523.077 passageiros servidos e 4.942 movimentos processados.
dições
CG - O cruzeirista português é sobretudo bastante exigente. No nosso caso, é difícil, atualmente, descrever um perfil concreto do cruzeirista que encontramos a
bordo. Na verdade, o senso comum tinha
por hábito dizer que os cruzeiros eram
formas de viajar de gente com mais idade.
No entanto, a tendência é outra. Costumo dizer que é dos 0 aos 100 anos… ao
viajarmos num navio da Pullmantur encontramos muitas famílias com os seus
filhos, jovens casais que desfrutam da sua
lua-de-mel, amigos que resolvem fazer
uma viagem em grupo e estudantes a fazer a sua viagem de fim de curso. Como
pode ver, é um perfil bastante variado; daí
também a necessidade da criação crescente de pacotes para todos os interesses a
capacidades económicas. Existem destinos mais apreciados pelo público jovem,
como itinerários no Mediterrâneo.
VE - Existe um valor médio que o
cruzeirista nacional esteja disposto a
pagar pela viagem?
CG - A Pullmantur oferece uma diversidade de produtos que depende daquilo que as pessoas procuram, pelo que
os preços também diferem consoante o
itinerário, a época e os tipos de serviços
que solicitam. No entanto, sabemos que
há pessoas que fazem férias mais económicas gastando cerca de 500 ou 600 e outras que estão dispostas a disponibilizar mais recursos, na ordem dos 1000
ou 2000 . Primeiro, o Momento
Cruzeiro Pullmantur e agora a Campanha Primavera tornam possível fazer um
cruzeiro obtendo descontos até os 60%,
ficando os preços bastante atrativos para
quem reserva com antecedência, nomeadamente, em tempos difíceis como os
que estamos a viver.
VE - De que forma o mercado tem
reagido às questões de segurança que
têm sido associadas aos cruzeiros, depois do caso em Itália?
CG - A situação do Costa Concórdia
tem de ser vista como um acontecimento
pontual e que em nada reflete os altos
níveis de segurança internacionais pelos
quais se regem as companhias de cruzeiros. O que devemos reter são os milhares de pessoas que viajam a bordo de
navios de cruzeiro todos os anos sob os
mais rigorosos procedimentos e em total segurança. A principal preocupação
da Pullmantur é a segurança e o nível
de satisfação dos nossos clientes. Posso
dizer que, após a situação do Costa Concordia, não se verificou na Pullmantur
grandes alterações ao nível das reservas.
É a prova como as pessoas continuam a
considerar que viajar num cruzeiro é realmente seguro.
Investimento francês no Douro
promove enoturismo
Quinta do Pessegueiro representa
investimento francês de 10
milhões de euros no Douro. À
produção de vinhos junta-se a
componente enoturística, que
poderá, a prazo, incluir uma
unidade hoteleira.
MARC BARROS
[email protected]
Desde há cerca de 20 anos a esta parte, o
sonho de um empresário francês em desenvolver um projeto vinhateiro e enoturístico
no Douro foi sendo implementado, com vista a, nas palavras do próprio, fazer “o melhor
vinho português”.
Esse sonho foi concretizado, após um investimento de 10 milhões de euros, na aquisição de três quintas na sub-região do Cima
Corgo e na construção de uma adega e casa,
que materializaram a intenção de Roger Zannier. Tendo como chancela principal a marca
Quinta do Pessegueiro, aquele industrial de
roupas para criança lançou agora no mercado
um portefólio de vinhos que inclui ainda o
Aluzé.
A adega, que resulta num conjunto arquitetónico imponente, alia a sua vocação funcional de produção de vinhos ao conceito de
enoturismo, estando disponível para receber
visitas, provas e outros eventos. Segundo
Marc Monrose, diretor-geral da Quinta do
Pessegueiro, afirmou à VE, esta componente
poderá, no futuro, ser complementada com
a oferta de uma unidade hoteleira. Trata-se,
no entanto, de um “projeto a 10 anos, que se
pretende rentável e duradouro”.
No que se refere à adega, que possui uma
área de 3000 m2, esta pretende recriar os
métodos ancestrais de transporte das massas
vínicas por gravidade, tendo como “pulmão”
um elevador central, dotado de uma cuba de
3000 litros, que permite fazer ascender os vinhos, sem o recurso à utilização de bombas,
as quais, no entender do enólogo João Nicolau de Almeida, interferem com as características dos vinhos.
A produção atual ronda as 50 mil garrafas/
ano, estando previsto chegar às 150 mil. Estão hoje em produção 20 hectares, sendo que
outros 10 entrarão em breve nestas contas. Ao
Quinta do Pessegueiro (20 euros PVP) e Aluzé (9 euros PVP) deverá juntar-se em breve
um topo de gama, cujo preço deverá rondar
os 50 euros, bem como um branco (cerca de
7000 garrafas) e, eventualmente nos próximos anos, um vinho do Porto Vintage.
Os mercados perspetivados incluem a restauração, garrafeiras e particulares em Portugal, Brasil, Angola, EUA e Ásia. O mercado
francês, onde Zannier possui também uma
propriedade vinícola (St Tropez), foi descartado por Marc Monrose, por considerar
tratar-se de um país “muito competitivo para
vinhos tintos” e, no caso do vinho do Porto,
mais recetivo “a grandes volumes, onde não
queremos estar”. Aliás, disse, “entraremos
mais facilmente em mercados como a China,
que procuram vinhos caros”.
O enólogo João Nicolau de Almeida (à esquerda) foi designado para dinamizar o sonho do francês
Roger Zannier (à direita) em fazer vinhos no Douro.
32
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
Docente português na Associação Europeia de Programas
de Doutoramento em Gestão
ASSOCIATIVISMO
Paulo Rita, docente da ISCTE Business School, foi, esta semana, eleito membro do Comité
Executivo da Associação Europeia de Programas de Doutoramento em Gestão e Administração de Empresas. Trata-se do primeiro professor português a integrar este que é um dos órgãos
académicos mais importantes a nível europeu. A sua meta passa por promover a cooperação
em investigação entre as mais prestigiadas escolas de gestão europeias.
Empresários ribatejanos exploram
oportunidades em Moçambique
A Associação Empresarial
da Região de Santarém
(Nersant) vai liderar uma
comitiva de empresários
ribatejanos interessados
em concretizar negócios
em Moçambique. A
missão empresarial, que
vai acontecer entre os
dias 26 de agosto e 3 de
setembro, coincide com a
realização da FACIM – Feira
Internacional de Maputo.
MARTA ARAÚJO
[email protected]
Tendo em conta a crescente
necessidade de internacionalização e exportação de produtos e serviços das empresas da
região do Ribatejo, e de olhos
postos em Moçambique, mais
especialmente em Maputo, a
Nersant está a organizar uma
viagem de negócios, onde as
empresas participantes terão
a oportunidade de reunir com
diversas empresas e entidades
institucionais deste país.
De acordo com informação veiculada pela associação
à “Vida Económica”, a missão
“possui ainda uma vantagem
acrescida, que diz respeito à
realização da FACIM, feira
multissetorial anual que constitui o maior evento comercial
com dimensão internacional
em Moçambique, que acontece
a par da visita de negócios dos
empresários portugueses e onde
os empresários estarão também
presentes”.
Recorde-se que esta missão empresarial faz parte de
um conjunto de iniciativas de
apoio à internacionalização,
onde se incluem também missões a Angola, África do Sul e
Cabo Verde, Chile e Brasil.
Associação Empresarial da Região de Santarém leva empresários locais a
desenvolver negócios em Moçambique, mais concretamente em Maputo.
33
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
ASSOCIATIVISMO
ANJE promove seminário sobre “Gestão da Força de Vendas” Vendas a retalho baixam para valores iguais há 15 anos
A Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) vai realizar, no próximo dia 5 de julho,
o seminário “Gestão da Força de Vendas”. A iniciativa, que se realiza na sede do Porto, entre as
18h30 e as 20h, pretende refletir sobre as novas exigências que se impõem às empresas e apoiar
esse processo de reformulação. Carlos Eduardo Cardoso, administrador da BP Portugal, e
Elisabeth de Magalhães Serra, coordenadora e autora do livro “Direção e Gestão da Força de
Vendas” são os oradores convidados.
A diretora-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) afirmou, recentemente, que as quebras de vendas
no retalho no primeiro trimestre não têm histórico nos dados que a
associação divulga, há mais de 15 anos. O barómetro da APED, do
primeiro trimestre, indica que as vendas totais dos segmentos alimentar e não alimentar caíram 3,7% no primeiro trimestre, face a igual período de 2011, para 4554 milhões de euros.
ELIZABETH DE MAGALHÃES SERRA, DOCENTE E COORDENADORA DO LIVRO “DIREÇÃO E GESTÃO DA FORÇA DE VENDAS”, AFIRMA
“As vendas têm-se alterado ao ritmo
da turbulência do mercado”
Na sequência do lançamento
do livro “Direção e Gestão
de Força de Vendas”,
coordenado por Elizabeth de
Magalhães Serra e editado pelo
Grupo Vida Económica, a
Associação Nacional de Jovens
Empresários (ANJE) lançou
o desafio a esta docente do
ISMAI – Instituto Superior
da Maia, para realizar uma
Pós-Graduação sobre o tema.
Nesta entrevista, a autora,
investigadora e empresária,
explica que se trata de um
“parceiro distintivo e com
capacidade de mobilizar o
tecido empresarial pelo seu
know-how e pelo percurso
já consolidado nesta área de
intervenção”.
MARTA ARAÚJO
[email protected]
Vida Económica - Como é que o mercado tem recebido o seu livro “Direção
e Gestão da Força de Vendas”?
Elizabeth Serra – O mercado tem recebido o livro de forma muito positiva, quer
do segmento empresarial, quer académico.
Trata-se do primeiro livro português sobre
o tema e chegou ao mercado num período
em que cada vez mais é difícil realizar uma
venda.
VE - Que feedback tem recebido por
parte dos leitores?
ES - Creio que tem funcionado como
um estímulo à aprendizagem e à importância do saber nos dias de hoje. Este é um
livro com conteúdos inovadores e focado
no que mais recente se tem produzido. O
paradigma da gestão da força de vendas
tem-se alterado de forma substancial ao
ritmo da turbulência do mercado.
VE - Como surgiu esta parceria com
a ANJE, que se vai materializar numa
Pós-Graduação sobre o tema?
ES - A ANJE assume-se, neste processo, como um parceiro distintivo e com
capacidade de mobilizar o tecido empresarial pelo seu know-how e pelo percurso
já consolidado nesta área de intervenção.
Estes são factores fundamentais para o sucesso desta pós-graduação. Por outro lado,
a parceria com o ISMAI será, ainda, uma
mais-valia para os formandos que pretendam dar continuidade aos estudos.
VE - O seminário do próximo dia 5
de julho, a realizar-se nas instalações
da ANJE (no Porto), servirá, essencialmente, para apresentar o seu conteúdo
a eventuais interessados?
ES - É uma oportunidade para debater
sobre o tema, e, naturalmente para apresentar e salientar caraterísticas diferenciadoras desta Pós-Graduação.
VE - Os empresários mais velhos e
experientes, por vezes, desvalorizam a
formação em detrimento da intuição.
Por outro lado, os mais jovens e, empreendedores, possuem mais formação, faltando-lhes, eventualmente, um
pouco de prática e de economia real.
Esta pós-graduação encaixa-se, preferencialmente, a que perfil?
ES - Em ambos. Aos primeiros interessará reciclar experiências profissionais, permitindo obter ainda melhores desempenhos. Aos mais jovens e empreendedores,
pelo contacto com casos reais e sinergias
entre os grupos de participantes, realizam
a sua aprendizagem num ambiente eminentemente prático.
VE - Defende que é necessária “uma
reorganização do conceito de marketing” nas empresas. É a favor de um
marketing com pilares maioritariamen-
Para Elizabeth de Magalhães Serra, coordenadora do Livro “Direção e Gestão da Força de Vendas”, o “estabelecimento de relações sustentadas com os clientes permitirá diminuir os custos de
prospeção sistemática”.
te nos números do que na criatividade?
ES - A questão é que os mercados são
cada vez mais exigentes. A criatividade só
gera valor se apoiada e cruzada por indicações objetivas do mercado. Lembro sempre
da frase “Só é gerível o que for medível...!”.
VE - Costuma chamar a atenção no
sentido de que “o nosso (empresas)
tempo é cada vez mais curto na captação do cliente”, sendo que, em contrapartida, estes “têm cada vez mais
ferramentas fantásticas para conhecer
as empresas”. Será a solução/resposta
para este “delay” o maior desafio do
marketing empresarial no que diz respeito às suas forças de venda?
ES - O estabelecimento de relações sustentadas com os clientes permitirá diminuir os custos de prospeção sistemática.
Tal só é possível quando as empresas se
orientam aos seus mercados e esse pressuposto exige que o marketing seja entendido como a capacidade que detém em conhecer o suficiente o mercado para gerar
ofertas de valor para o mesmo.
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34
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
IMOBILIÁRIO
Ramos Catarino
Nova loja Salsa
conclui construção de
creche e pré-escolar em
Almada
abre no Chiado
Mercado imobiliário pouco dinâ
no arrendamento e investimen
Baixos níveis de atividade quer no arrendamento de escritórios quer nas operações
de investimento, segmento de retalho estagnado em termos de abertura de novos
empreendimentos, marcam o primeiro trimestre de 2012, que revela fraco dinamismo no mercado imobiliário.
O desempenho pouco dinâmico foi
transversal aos segmentos de escritórios,
retalho e investimento, revela o “Portugal
Market Pulse”, relatório da Jones Lang LaSalle Portugal que analisa os resultados do
setor imobiliário nacional em cada trimestre.
Pedro Lancastre, diretor geral da Jones
Lang LaSalle Portugal, sublinha: “Conforme previmos no nosso relatório anual, os
níveis de atividade do mercado imobiliário iniciaram o ano em baixa, sendo que,
por norma e historicamente, o primeiro
trimestre é quase sempre o período menos
dinâmico do ano. Com os indicadores económicos a manterem a sua tendência de
agravamento, obviamente que o setor imobiliário acusa o impacto de forma negativa,
especialmente nos mercados de ocupação
de escritórios e de retalho, com as vendas
em muitos centros comerciais a decaírem,
influenciadas pelas baixas no consumo e
no poder de compra. O investimento continua a sofrer com ausência de investidores
estrangeiros, que aguardam sinais de retoma para voltar ao mercado”.
De acordo com o relatório trimestral da
Jones Lang LaSalle, o mercado de escritórios de Lisboa registou um volume de absorção de 13 208 m² no 1º trimestre, evidenciando uma quebra trimestral (-85%) e
homóloga (-6%). Sublinhe-se, no entanto,
que a tendência ao longo do trimestre foi
de crescimento, com os meses de fevereiro
e março a apresentarem subidas na absorção. Ao longo do trimestre, a zona 6 (Corredor Oeste) foi a mais dinâmica, concentrando 5201 m² dos arrendamentos
realizados, sendo o Lagoas Park, localizado
nesta zona, palco de duas das três maiores
transações ocorridas no mercado.
Comércio de rua é o segmento
“estrela”
No retalho, a nota é de estagnação, não
se registando a abertura de novos centros
comerciais, uma tendência que, aliás, deverá perdurar ao longo de todo o ano. A
maturidade do próprio mercado, a conjuntura económico-financeira recessiva
e as quebras do consumo privado são os
principais fatores a influenciarem esta estagnação, especialmente visível nos centros
comerciais secundários. No segmento dos
centros comerciais, a procura por parte dos
retalhistas continua sobretudo dirigida a
shoppings prime.
Em contraciclo, encontra-se o segmento de comércio de rua, com a abertura de
novas lojas e uma procura ativa, quer por
parte dos retalhistas quer por parte do
consumidor final. A Baixa foi a zona com
a abertura de maior número de lojas no
trimestre, acolhendo agora novos espaços
da CAT Merrell, da Boulangerie by Stef
e da Padaria Portuguesa, que abriu ainda outra loja no mesmo período na Av.
Duque D’Ávila. Sem grandes surpresas,
as rendas no comércio de rua têm vindo a
percorrer um caminho ascendente e neste
trimestre rondavam, em média, os 90/
m²/mês, alcançando assim o mesmo nível
praticado nos centros comerciais que se
tem mantido estável. Já no caso dos retail
parks, as rendas têm vindo a decrescer,
ficando no 1º trimestre abaixo dos 10/
m²/mês.
Investimento com atividade
reduzida
O investimento é igualmente pautado
por uma atividade reduzida. No 1º trimestre de 2012 foram transacionados 42
milhões de euros no mercado nacional, repartidos em 3 operações e em resultado de
compras realizadas apenas por investidores
portugueses. Este nível situa-se quer abaixo do trimestre homólogo (em torno dos
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35
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
IMOBILIÁRIO
eggNEST instalada no Edifício Burgo
Melom disponibiliza Simulador de Obras Online
A empresa de apoio para a criação de novos projetos empresariais competitivos e inovadores
eggNEST acaba de se instalar no Edifício Burgo, no Porto. Nesta operaçao a CBRE foi a responsável pela colocação da empresa no edifício. O edifício Burgo está localizado na Av. da
Boavista, a principal avenida da cidade do Porto e tem uma torre de 60 metros de altura com
18 pisos.
A empresa portuguesa especializada em obras e remodelações domésticas, Melom, acaba de disponibilizar o primeiro Simulador de Obras
Online que permite aos utilizadores a obtenção de um orçamento estimativo à obra a efetuar. O simulador está disponível na página da
Melom, em www.melom.pt e também no Facebook da marca.
mico
to
DOAÇÕES
MARIA DOS ANJOS GUERRA ADVOGADA
[email protected]
Doação de imóveis entre casados em regime de separação de bens
Muito embora me tenha casado sob o regime da separação de bens, gostaria de doar, à minha mulher, a casa onde moramos e que já era minha
antes de casarmos.
Será possível? Se for viável, parto do principio de que, caso eu lhe sobreviva, herdarei a casa tal como ela herdaria em caso contrário, mas
pretendo também saber o que aconteceria em caso de divórcio, muito embora espere que tal nunca venha a acontecer.
Por definição legal, doação é o
contrato pelo qual uma pessoa,
por espírito de liberalidade e à
custa do seu património, dispõe
gratuitamente de uma coisa ou
de um direito, ou assume uma
obrigação, em benefício de
outro contraente.
Se a casa de morada de
família é um bem próprio, em
princípio, o leitor poderá doá-la
ao seu cônjuge através de uma
escritura pública.
A doação entre casados só é
nula se o regime da separação
de bens for imperativo, ou seja,
nos casos em que o casamento
tenha sido celebrado sem
precedência do processo de
publicações ou se um dos
nubentes já tinha completado
sessenta anos de idade quando
o casamento foi celebrado.
Pelo exposto e só se o regime
de separação de bens resultar
de uma das referidas situações
é que o leitor não poderá,
validamente, doar o imóvel à
sua mulher.
Se o regime da separação de
bens resultar, não de uma das
referidas imposições legais mas
sim do que voluntariamente foi
decidido por ambos os cônjuges
em escritura de convenção
antenupcial, então a doação do
imóvel será válida.
Na hipótese de divórcio, a
doação caduca se este vier a
ocorrer por culpa da pessoa a
quem foi feita a doação, caso
esta seja considerada única ou
principal culpada.
De referir que, entretanto, a
mulher do leitor não poderá
dispor do imóvel sem lhe dar
conhecimento de tal facto,
tal como aconteceria no caso
de o leitor continuar a ser
o proprietário, pois, ainda
que vigore entre os cônjuges
o regime da separação de
bens que, em princípio,
permite que cada um possa
dispor daquilo que é seu sem
necessidade de consentimento
do outro cônjuge, o certo é
que a alienação, oneração,
arrendamento ou constituição
de outros direitos pessoais de
gozo sobre a casa de morada
de família carece sempre de
consentimento de ambos os
cônjuges. Por este motivo, quer
a casa de morada de família
seja do leitor quer seja da sua
mulher, para que dela possam
dispor validamente é sempre
necessário o consentimento do
outro cônjuge.
Na hipótese de o leitor (doador)
sobreviver ao seu cônjuge
(donatário), a doação também
caduca, pelo que, sem que seja
necessariamente através da
herança, a casa voltará a ser
sua. Só assim não acontecerá
se o doador confirmar a doação
nos três meses posteriores ao
decesso do donatário.
Sonae Sierra reforça atividade em Marrocos
70 milhões de euros) quer do trimestre anterior (em torno dos 50 milhões de euros).
Para Pedro Lancraste, “os Family Offices, bem como os investidores oportunísticos vão continuar a crescer como franja da
procura de investimento. Os Family Offices consideram que o atual risco do país
pode constituir uma boa oportunidade,
demonstram interesse por ativos prime,
bem localizados com ocupantes com baixo
grau de risco e contratos de arrendamento
longos, sem opções de denúncia”.
Proibida a reprodução do
LISBON PRIME INDEX
O centro comercial Tachfine, em Marrocos, vai
passar a ser gerido pela
Sonae Sierra, reforçando
assim a presença da empresa portuguesa em Casablanca.
O contrato para prestação de serviços de desenvolvimento de mais um
centro comercial em Casablanca foi assinado com
a empresa marroquina
Marjane, a maior cadeia
de hipermercados e supermercados a operar no país
e que pertence ao Grupo
ONA.
Este é o segundo contrato de prestação de serviços
da Sonae Sierra em Marrocos, depois de, em março
de 2011, ter assinado um
contrato também com a
Marjane e outra empresa
marroquina, a Foncière
Chellah (Grupo CDG
– Caisse de Dépôt et de
Gestion), para a prestação
de serviços de desenvolvimento do projeto Marina
Shopping Casablanca, que
integra habitação, lazer e
negócios.
O novo projeto faz parte do empreendimento
imobiliário Ibn Tachfine,
que inclui escritórios e
um hotel com 100 quartos, e está localizado junto da estação central de
caminhos-de-ferro (Gare
Casa Voyageurs), em Casablanca.
Lisbon Prime index
Pipeline de escritórios em Lisboa
Apesar do momento de incerteza que se vai vivendo em Portugal, a
promoção de escritórios novos parece
ir resistindo. O Lisbon Prime Index
identifica 10 novos edifícios de escritórios até 2014, perfazendo um total
de cerca de 85 000 m². Para 2012
prevê-se a conclusão de 4 edifícios em
4 zonas diferentes. São estes o Metropolis, na zona 3, com 15 000 m²,
Liberdade 259 na zona 1 com 3900
m², Restelo Business Center na zona 7
com 9000 m² e o edifício na Barbosa
do Bocage 117 com cerca de 2000 m².
Para 2013 temos cerca de 5 edifícios
a entrar no mercado de escritórios de
Lisboa, perfazendo um total de cerca
de 35 000 m². Sendo o edifício localizado na Av. Duarte Pacheco 7 o mais
relevante com cerca de 17 000 m² de
área de escritórios. Para 2014 o LPI
apenas identifica a futura sede da EDP
que será localizada na Av. 24 de Julho
com cerca de 20 000 m².
36
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
IMOBILIÁRIO
Confidencial Imobiliário
entrega prémios André Jordan
Continente abre loja em Ponte da Pedra
O Continente abriu uma nova loja em Ponte da Pedra, na
Maia. O novo Continente Bom Dia será responsável pela
criação de 73 novos empregos diretos e está inserida na
estratégia de expansão da marca no país, procurando uma
maior proximidade com os seus clientes.
Com uma área de venda de 1500 m2, a nova loja de Ponte
da Pedra tem espaços modernos e inovadores.
A Confidencial Imobiliário realiza, no próximo dia 3 de julho, na
Biblioteca Municipal Palácio das Galveias, em Lisboa (Campo Pequeno),
a cerimónia de entrega dos Prémios André Jordan, relativos à Edição
2012. O evento tem receção a partir das 16h30, iniciando às 17h00, e
encerra às 19 horas com um Porto de Honra no jardim do Palácio.
Frato quer duplicar vendas
A Frato, marca de luxo especializada em soluções para interiores, quer duplicar o seu volume
de negócios em 2012, para um
milhão de euros, valor este que
advém da exportação dos seus
produtos para os mercados internacionais que, em finais de 2012,
deverão ascender a 30 países.
A oferta desta “luxury brand”,
que se afirma exclusiva e cosmopolita, contempla soluções in-
tegradas de mobiliário, estofo e
iluminação que, apesar de serem
inteiramente desenhadas e produzidas em Portugal, têm 97%
dos seus clientes no estrangeiro.
“A criatividade e qualidade da
nossa coleção situa-se ao nível
das marcas mais conceituadas
mundialmente, pelo que o nicho de mercado que trabalhamos tende a ter maior peso no
exterior, que é onde centramos
toda a nossa estratégia de investimento, através da presença
continuada nos certames mais
importantes do setor, nomeadamente em Paris”, explica Carlos
Santos, CEO da Frato.
O mesmo responsável revela
que, curiosamente, os mercados
de exportação tradicionais para
Portugal, como Espanha, Angola
e Brasil, têm um peso residual na
faturação da empresa.
“Singapura, França, Arábia
Saudita e Reino Unido estão entre os nossos melhores clientes,
mas a verdade é que a nossa faturação é muito dispersa e não se
concentra num ou noutro mercado em particular, sendo mesmo
expectável que, em 2012, os países terceiros assumam um peso
superior a 50% na faturação,
ultrapassando o espaço comunitário”, acrescenta.
NOVIDADE
O bbgourmet Loja Península é hoje
inaugurado.
Grupo
bbgourmet
abre novo
espaço
de restauração
no Porto
Quer pensar em formas mais positivas
e criativas de fazer as coisas?
Quer surpreender os seus clientes?
D
LG
Y
H FR
QRPLFDS
W
PHQ
XOD
HJ
WRHPOLYU
DU
LD
Neste livro encontrará vinte e seis comportamentos e hábitos práticos, numa linguagem clara e sucinta, que o ajudarão a ter
(e vender) ideias originais. São o resultado da aprendizagem clown do autor, da
análise de ideias de sucesso, e da sua vasta
experiência como formador em diversas
empresas nacionais e multinacionais.
([FOXVLYRSDUD
FRPSUDVRQOLQH
5
Só precisa de libertar o seu palhaço interior! Joga?
Um livro inovador sobre a arte de ter (e vender) ideias criativas
FODPNFOEBT!WJEBFDPOPNJDBQUt
thttp://livraria.vidaeconomica.pt
Autor: Vitor Briga
Nome
Páginas: 224
Morada
P.V.P.: € 11.90
(recortar ou fotocopiar)
C. Postal
Nº Contribuinte
E-mail
U Solicito o envio de
exemplar(es) do livro de Clone a Clown, com o PVP unitário de 11.90€.
U Para o efeito envio cheque/vale nº
, s/ o
, no valor de €
R. Gonçalo Cristóvão, 14, r/c
U Solicito o envio à cobrança. (Acrescem 4€ para despesas de envio e cobrança).
4000-263 PORTO
ASSINATURA
,
O grupo bbgourmet inaugura,
hoje, mais um espaço de restauração situado no Porto, desta feita no
“Península Boutique Center”, mais
precisamente na praça do Bom Sucesso, Boavista.
Trata-se do primeiro estabelecimento 100% “traiteur”, preparado
para servir refeições gourmet prontas em apenas cinco minutos, quer
para consumir, quer para levar para
casa, onde podem ser mantidas em
frio positivo até 30 dias sem perder qualquer propriedade. A nova
loja, que é inaugurada oficialmente
hoje, pelas 18 horas, foi criada a
pensar na atual conjuntura económica, fornecendo uma boa relação
qualidade/preço (é possível adquirir refeições com preços a começar
nos cinco euros).
A escolha do local, segundo Jorge Santos, administrador do grupo,
“prende-se com o facto de ser uma
zona de grande densidade populacional e profissional”. Para além
disso, “é de fácil estacionamento e
o espaço comercial vai ter presenças que o vão dinamizar bastante”.
Com um investimento que ronda os 250 mil euros e que criará 10
postos de trabalho, o bbgourmet
Loja Península funcionará diariamente das 10 horas às 22 horas,
servindo menus de pequeno-almoço, almoço ou lanche, sempre
disponíveis a qualquer hora, com
mais de 100 opções de carta. Está,
igualmente, preparado para realizar entregas ao domicílio de todas
as ofertas.
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SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
IMOBILIÁRIO
Confidencial Imobiliário
entrega prémios André Jordan
Continente abre loja em Ponte da Pedra
O Continente abriu uma nova loja em Ponte da Pedra, na
Maia. O novo Continente Bom Dia será responsável pela
criação de 73 novos empregos diretos e está inserida na
estratégia de expansão da marca no país, procurando uma
maior proximidade com os seus clientes.
Com uma área de venda de 1500 m2, a nova loja de Ponte
da Pedra tem espaços modernos e inovadores.
A Confidencial Imobiliário realiza, no próximo dia 3 de julho, na
Biblioteca Municipal Palácio das Galveias, em Lisboa (Campo Pequeno),
a cerimónia de entrega dos Prémios André Jordan, relativos à Edição
2012. O evento tem receção a partir das 16h30, iniciando às 17h00, e
encerra às 19 horas com um Porto de Honra no jardim do Palácio.
Frato quer duplicar vendas
A Frato, marca de luxo especializada em soluções para interiores, quer duplicar o seu volume
de negócios em 2012, para um
milhão de euros, valor este que
advém da exportação dos seus
produtos para os mercados internacionais que, em finais de 2012,
deverão ascender a 30 países.
A oferta desta “luxury brand”,
que se afirma exclusiva e cosmopolita, contempla soluções in-
tegradas de mobiliário, estofo e
iluminação que, apesar de serem
inteiramente desenhadas e produzidas em Portugal, têm 97%
dos seus clientes no estrangeiro.
“A criatividade e qualidade da
nossa coleção situa-se ao nível
das marcas mais conceituadas
mundialmente, pelo que o nicho de mercado que trabalhamos tende a ter maior peso no
exterior, que é onde centramos
toda a nossa estratégia de investimento, através da presença
continuada nos certames mais
importantes do setor, nomeadamente em Paris”, explica Carlos
Santos, CEO da Frato.
O mesmo responsável revela
que, curiosamente, os mercados
de exportação tradicionais para
Portugal, como Espanha, Angola
e Brasil, têm um peso residual na
faturação da empresa.
“Singapura, França, Arábia
Saudita e Reino Unido estão entre os nossos melhores clientes,
mas a verdade é que a nossa faturação é muito dispersa e não se
concentra num ou noutro mercado em particular, sendo mesmo
expectável que, em 2012, os países terceiros assumam um peso
superior a 50% na faturação,
ultrapassando o espaço comunitário”, acrescenta.
NOVIDADE
O bbgourmet Loja Península é hoje
inaugurado.
Grupo
bbgourmet
abre novo
espaço
de restauração
no Porto
Quer pensar em formas mais positivas
e criativas de fazer as coisas?
Quer surpreender os seus clientes?
D
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Y
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W
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XOD
HJ
WRHPOLYU
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LD
Neste livro encontrará vinte e seis comportamentos e hábitos práticos, numa linguagem clara e sucinta, que o ajudarão a ter
(e vender) ideias originais. São o resultado da aprendizagem clown do autor, da
análise de ideias de sucesso, e da sua vasta
experiência como formador em diversas
empresas nacionais e multinacionais.
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Só precisa de libertar o seu palhaço interior! Joga?
Um livro inovador sobre a arte de ter (e vender) ideias criativas
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,
O grupo bbgourmet inaugura,
hoje, mais um espaço de restauração situado no Porto, desta feita no
“Península Boutique Center”, mais
precisamente na praça do Bom Sucesso, Boavista.
Trata-se do primeiro estabelecimento 100% “traiteur”, preparado
para servir refeições gourmet prontas em apenas cinco minutos, quer
para consumir, quer para levar para
casa, onde podem ser mantidas em
frio positivo até 30 dias sem perder qualquer propriedade. A nova
loja, que é inaugurada oficialmente
hoje, pelas 18 horas, foi criada a
pensar na atual conjuntura económica, fornecendo uma boa relação
qualidade/preço (é possível adquirir refeições com preços a começar
nos cinco euros).
A escolha do local, segundo Jorge Santos, administrador do grupo,
“prende-se com o facto de ser uma
zona de grande densidade populacional e profissional”. Para além
disso, “é de fácil estacionamento e
o espaço comercial vai ter presenças que o vão dinamizar bastante”.
Com um investimento que ronda os 250 mil euros e que criará 10
postos de trabalho, o bbgourmet
Loja Península funcionará diariamente das 10 horas às 22 horas,
servindo menus de pequeno-almoço, almoço ou lanche, sempre
disponíveis a qualquer hora, com
mais de 100 opções de carta. Está,
igualmente, preparado para realizar entregas ao domicílio de todas
as ofertas.
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SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
PSI-20 (27.06)
4628,96
-1,05% Var. Semana
MERCADOS
Dow Jones 27/jun ......12620,95
DAX 27/jun ....................6228,99
Var Sem ...............................-1,60%
Var 2012 ................................3,29%
Nasdaq 27/Jun ...................... 2877,1
Var Sem ...............................-1,83%
Var 2012 ..............................10,43%
Var Sem ...............................-2,55%
Var 2012 ................................5,61%
CAC40 27/jun ................3063,12
Var Sem ...............................-2,03%
Var 2012 ...............................-3,06%
IBEX 35 27/jun ..............6666,90
Var Sem ...............................-1,90%
Var 2012 .............................-22,17%
-15,75% Var. 2012
COLABORAÇÃO: BANCO POPULAR
DADOS DO INE PARA MAIO REVELAM
Valor das avaliações bancárias da habitação
mantém tendência de queda
AQUILES PINTO
[email protected]
O valor médio de avaliação
bancária de habitação em Portugal foi, segundo dados do INE,
de 1047 euros o m2 em maio, o
que corresponde a uma diminuição de 0,8% comparativamente
com o valor observado em abril.
Já a variação homóloga foi de
-8,9%. Em abril, e pela mesma
ordem, a variação tinha sido, de
acordo com a mesma instituição,
de 0,3% e de -8,6%.
O mesmo Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação do
INE revela que todas as regiões
NUTS II registaram, em maio,
variações em cadeia negativas, à
exceção do Algarve, com um aumento de 1,4% do respetivo valor médio, para 1340 euros por
m2. Relativamente às restantes
regiões, os decréscimos mais intensos verificaram-se na Região
Autónoma dos Açores (-5,8%) e
no Alentejo (-1,7%). Também na
comparação com maio de 2011
a totalidade das regiões portuguesas manteve taxas de variação
negativas. As diminuições mais
significativas foram, de acordo
com o organismo nacional de
estatística, observadas na região
de Lisboa (-10,8%) e na Região
Autónoma dos Açores (-16,2%).
Apartamentos do Porto
na média
Na análise isoladas aos dois
maiores centros urbanos de Portugal, regista-se que a Área Metropolitana de Lisboa registou
um valor médio de avaliação de
1240 euros o m2, traduzindo decréscimos de 0,6% e de 10,8%
face aos meses anterior e homólogo, respetivamente. Na Área
Metropolitana do Porto, o valor médio de avaliação bancária
reduziu-se 1,5% em maio face a
abril e 8,8% na comparação com
maio de 2011, tendo-se fixado
nos 974 euros por m2.
Os valores médios observados
na Área Metropolitana de Lisboa
Em maio, o valor médio da avaliação bancária das casas em Portugal foi de
1047 euros o m2.
mantiveram-se superiores aos
valores médios registados para o
total do país, quer para os apartamentos quer para as moradias.
Na Área Metropolitana do Porto,
apenas o valor médio de avaliação das moradias se situa acima
da média total nacional.
ALEXANDRE MOTA, DIRETOR
executivo da Golden Broker
http://bgoldenbroker.blogspot.com/
www.goldenbroker.com
Alguns temas para pensar!
O que marca o ritmo dos mercados
financeiros: maus dados económicos e
pressão sobre a dívida soberana na Europa (nomeadamente Espanha e Itália)
continuam a marcar o ritmo dos mercados financeiros. As yields das obrigações
espanholas a 10 anos ultrapassaram o nível psicológico de 7% (novo máximo histórico observado no dia 18 de junho de
2012, nos 7,285%). Os receios de que a
Itália siga o mesmo rumo (ajuda externa)
levaram as yields a 10 anos para valores
superiores a 6%. A chanceler alemã continua a fazer frente às eurobonds e aponta
o caminho do sacrifício para a salvação
do euro. A próxima cimeira europeia vai
ajudar a perceber que medidas estão a ser
ponderadas e quem as apoia (integração
bancária e fiscal, controlo dos orçamentos dos países intervencionados e incumpridores, o papel do BCE na supervisão
dos bancos da Zona Euro, etc).
Espanha: O governo espanhol formalizou o pedido de resgate à banca e vai
assinar o Memorando de Entendimento
no dia 9 de julho. Agora podemos questionar: este empréstimo agrava ou não as
contas do país? Os custos deste empréstimo são menores do que um eventual
recurso aos mercados? Resposta: Na última emissão do tesouro espanhol os juros
implícitos da operação quase que triplicaram – a resposta parece clara – é um
mal menor! O banco de Espanha já deu
indicações de que a economia do país está
a deteriorar-se no segundo trimestre e a
um ritmo mais intenso do que o previsto.
Grécia: Antonis Samaras (líder do partido da Nova Democracia, que venceu
as eleições na Grécia) anunciou o novo
governo de coligação. Após vários meses
de impasse, Nova Democracia (conservadores), Pasok (socialistas) e Esquerda
Democrática vão assumir o rumo da Grécia. A prioridade do novo executivo passa
por retomar o contacto/negociações com
a troika. Entretanto o governo já sofreu
uma baixa, o ministro das finanças demitiu-se cinco dias depois de ser nomeado.
A fragilidade do recém-governo parece
ser mesmo literal! Antonis Samaras está
com um problema de saúde e será Karolos Papoulias quem irá representar a Grécia na cimeira europeia.
EUA: A Reserva Federal americana
prolongou a Operação Twist até ao final
de 2012, anunciando compras e vendas
adicionais de obrigações do tesouro ame-
ricano (totalizando os 267 mil milhões
de dólares). Esta decisão desapontou um
pouco os investidores que antecipavam o
anúncio de medidas mais agressivas em
termos de uma política monetária expansionista. Além disso, a Fed reviu em baixa o crescimento da economia americana
para os próximos dois anos e em alta a
taxa de desemprego. Curiosidade: através
da Operação Twist, a Fed vendeu 400 mil
milhões de dólares em títulos do Tesouro de curto prazo, aplicando esse valor
na compra de obrigações de prazos mais
alargados. O objetivo desta operação é
reduzir as taxas de juro de longo prazo.
Mercados: Os mercados acionistas e a
maioria das “commodites” começaram a
perder terreno em março deste ano, enquanto assistimos a um ligeira apreciação
do dólar americano. O índice nacional
PSI 20 e o espanhol IBEX recuam no ano
mais de 20%, o índice francês CAC segue
com uma perda em torno de 4% e o índice alemão DAX ainda segue positivo. Nos
Estados Unidos, o índice S&P 500 segue
com um ganho em torno de 5%, o índice
Dow Jones avança mais de 3% e o Nasdaq Composite valoriza mais de 10%.
Bons Investimentos!
Continente
lança produto
de poupança
com rentabilidade
fixa de 7% ao ano
O Continente lançou uma solução de poupança com uma taxa fixa
de rentabilidade de 7% ao ano: as
Obrigações Continente. Emitidas
pela Sonae, são disponibilizadas
através de uma oferta pública de
subscrição, sendo que as ordens
são de, no mínimo, mil euros. O
pagamento dos juros é semestral
e postecipado. A subscrição pode
ser efetuada de 2 a 20 de julho, no
BPI, no Banco Popular, no Banif,
no Deutsche Bank e no Banco LJ
Carregosa (bancos colocadores),
bem como nos balcões de adesão
existentes nas lojas Continente
(operados pelo Banco Popular) ou
em qualquer outro banco ou intermediário financeiro. As Obrigações
Continente têm o prazo de três
anos e um montante previsto de
100 milhões de euros.
“Em momentos como os que o
país atravessa, é muito importante darmos às famílias portuguesas
a tranquilidade de terem as poupanças associadas a uma marca de
confiança”, segundo André Sousa,
administrador da Sonae MC. “As
Obrigações Continente são, neste
contexto, um investimento simples
e com rentabilidade atrativa que
passa agora a estar acessível aos pequenos investidores”, acrescentou o
executivo.
Bruxelas aprova
prolongamento
de garantias
aos bancos
A Comissão Europeia aprovou
até 31 de dezembro de 2012 o
prolongamento de um regime que
permite o fornecimento de garantias públicas às instituições de crédito em Portugal. “O regime português de garantias foi originalmente
aprovado a 29 de outubro de 2008
e prolongado a 22 de fevereiro de
2010, a 23 de julho de 2010, a 21
de janeiro de 2011, a 30 de junho
de 2011 e a 21 de dezembro de
2011”, esclarece um comunicado.
Bruxelas considerou o prolongamento das medidas compatível
com as suas orientações relativas
aos auxílios estatais aos bancos
durante a crise: “As medidas estão,
designadamente, bem direcionadas, são proporcionadas e limitadas no seu âmbito de aplicação.
Por conseguinte, a Comissão concluiu que as garantias são compatíveis com o disposto na alínea b),
n.º 3, do artigo 107º do Tratado
sobre o Funcionamento da União
Europeia”.
38
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
MERCADOS
EURODÓLAR (27.06) 1,2457
-1,85% Var. Semana
Euro/Libra 27/jun...... 0,8011
Var Sem ......................... 0,85%
Var 2012 ......................... 4,31%
EURIBOR 6M (27.06) 0,9260
Euribor 3M 27/jun ..... 0,6520
Var Abs Sem ...................-0,003
Var 2012 ..........................-0,349
-0,003% Var. Semana
PETRÓLEO BRENT (27.06) 93,57
0,90% Var. Semana
Ouro 27/jun ......... 1573,30
Var Sem .................... -1,92%
Var 2012 .................... -0,20%
Euro/Iene 27/jun ..... 99,4460
Euribor 1Y 27/jun ...... 1,2120
Prata 27/jun............. 26,93
Var Sem ......................... 1,49%
Var 2012 ......................... 0,33%
Var Abs Sem ...................-0,002
Var 2012 ..........................-0,292
Var Sem .................... -4,36%
Var 2012 .................... -4,50%
-3,88% Var. 2012
-0,298% Var. 2012
-12,91% Var. 2012
BANCO CRIOU PROJETO EM 2005
Millennium bcp já financiou 20
milhões em microcrédito
AQUILES PINTO
[email protected]
O montante financiado pelo Millennium
bcp em microcrédito no fim de maio último totalizava 19,8 milhões de euros, distribuídos por 2397 projetos que criaram
3599 postos de trabalho, apurou a “Vida
Económica”. “Os resultados alcançados demonstram a importância do Microcrédito
Millennium bcp na criação de emprego e
na luta contra a exclusão social”, pode ler-se
numa nota do banco a que tivemos acesso.
Existente desde novembro de 2005 e integrado na política de responsabilidade social da instituição, o microcrédito do banco liderado por Nuno Amado destina-se a
financiar projetos sem acesso a crédito na
banca tradicional – como desempregados,
reformados, imigrantes, estudantes, domésticas e microempresas – que preencham
dois requisitos básicos: tenham uma ideia de
negócio economicamente viável e perfil de
empreendedor.
Segundo o Millennium bcp, o serviço
inclui a colaboração na elaboração do plano de negócios; a análise da viabilidade de
negócio; ajuda para o controlo do negócio;
colaboração, durante toda a vida do projeto,
nas alterações de estratégia que possam vir a
ser necessárias implementar; e apoio, quan-
“Os resultados alcançados demonstram a importância do Microcrédito Millennium bcp na criação de emprego e na luta contra a exclusão social”
do necessário, a reestruturações de financiamento. Fonte da entidade disse ao nosso
jornal que esta é uma aposta a manter. “O
banco vai manter a sua operação autónoma
de microcrédito”, indicou-nos.
Até 60 meses e 25 mil euros
A oferta base é constituída por dois produtos de crédito simples (crédito individual
e em grupo), complementada por formação
e pela já referida consultoria de negócio. O
montante máximo de crédito é de 25 mil
euros por candidato, sendo o prazo máximo
de 48 meses para montantes inferiores a sete
mil euros e até 60 meses para projetos acima
desse valor. De acordo com o Millennium
bcp a taxa de juro a praticar é variável “de
acordo com a natureza do projeto e com o
perfil do candidato” e pode haver lugar a um
período de carência inicial ou posterior, “se
necessário e de acordo com o projeto”.
COLABORAÇÃO: BANCO POPULAR
Propostas
de Diogo Feio
avançam
no Parlamento
Europeu
A Comissão de Assuntos Económicos e
Monetários (ECON) do Parlamento Europeu aprovou as propostas de alteração do
eurodeputado Diogo Feio ao relatório sobre as agências de rating. Propostas como a
revisão das notações da dívida soberana, a
ser tornada pública apenas em prazos fixos,
de forma a evitar a possível manipulação
dos mercados, com notações divulgadas na
véspera de leilões de dívida ou a criação de
uma rede de pequenas agências de notação
já existentes são apenas alguns das ideias
aprovadas.
O eurodeputado do CDS-PP apresentou 92 propostas de alteração que vão no
sentido da regulação destas agências, como
apresentado no livro “O Poder das Agências”, lançado no início deste ano. “Conseguiu-se um texto equilibrado que não
mata o mensageiro, mas que permite que a
mensagem seja transmitida de uma forma
mais regulada, transparente e objetiva. São
introduzidas importantes alterações na forma como são emitidos e publicados os ratings das dívidas soberanas, alterações essas
que podem ter um efeito muito positivo
na evolução de Estados como Portugal que
ficará, assim, menos sujeito a downgrades
inesperados e por vezes pouco justificados
e fundamentados”, disse Diogo Feio.
RICARDO ARROJA
Especulação
Pedro Arroja Gestão de Patrimónios, SA e docente no
Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais (IESF)
A política do não
Nas últimas semanas, sobretudo desde
que François Hollande foi eleito presidente
francês, a Alemanha tem sido acossada
por todos os lados, a fim de suavizar a
sua posição negocial nesta crise do euro,
que já vai longa. Assim, pela primeira
vez desde que há memória, os principais
representantes das entidades comunitárias
– Barroso, Van Rompuy e Draghi –
uniram-se contra a Alemanha e, de forma
conjunta, pediram a mutualização da
dívida, bem como uma união bancária na
Europa do euro. Ao mesmo tempo, uma
curiosa fonte não identificada do Ministério
das Finanças alemão deixou escapar que,
segundo estimativas próprias, a implosão
da moeda única custaria à economia alemã
uma contracção económica de 10%, com
o desemprego a duplicar. Curiosamente
também, em face de toda esta pressão
(externa e interna), Angela Merkel mantevese firme e hirta – “nunca enquanto eu for
viva”, disse acerca da mutualização total da
dívida europeia.
Enfim, confesso que já perdi a conta ao
número de artigos que, nesta coluna, já
dediquei a este tema. A minha tese – que o
euro se partirá nas suas pontas, com a saída
da Grécia ou da Alemanha ou de ambas,
mantendo-se a moeda única como moeda
de um conjunto de economias intermédias
– é também já deveras conhecida daqueles
que me lêem regularmente. E muito
embora as instâncias europeias continuem
a enganar o tempo e a protelar as decisões
verdadeiramente difíceis, à medida que esse
mesmo tempo progride a par e passo com a
indefinição estratégica, o desmembramento
da zona euro torna-se progressivamente
mais provável. O problema é mesmo prever
o momento desse desmembramento – coisa
que eu já desisti de fazer –, bem como o
clique final que conduza a esse desfecho. E,
francamente, quanto mais rápido a situação
se desengonçar, tanto melhor para as pessoas
dos países mais afectados – tanto do lado
dos credores como, sobretudo, do lado dos
devedores.
A crise que um dia começou na Grécia
e que depois se alastrou à Irlanda e a
Portugal entrou agora na primeira divisão.
A Espanha e a Itália também estão à prova
e a França vem já a seguir. Voltando à
primeira vítima, a Grécia, a forma como os
elementos do novo Governo, ainda antes
de serem empossados, têm vindo a cair
em demissão é reveladora da calamidade
financeira, económica e política que se
abateu sobre aquele país. Em simultâneo,
em Portugal, a situação orçamental
deteriora-se acentuadamente. Aqui ao lado,
em Espanha, o Executivo de Rajoy avisa:
não aguentaremos este nível de juros por
muito mais tempo. E em Itália, um sisudo
e pouco conversador Monti, ao mesmo
tempo que não consegue avançar nas suas
reformas estruturais, vai deixando cair
que assim não vamos lá. Do outro lado,
bem ou mal, Merkel diz “Nein” ao fundo
europeu de garantia de depósitos, “Nein” à
transformação do mecanismo permanente
de resgate em banco – há até quem
questione a sua capacidade de fazer aprovar
o tal mecanismo no parlamento alemão – e
“Nein” aos eurobonds enquanto os credores
não forem capazes de centralizar em si a
política orçamental dos devedores – “nunca
enquanto eu for viva”. Eis a política do
“Não” no seu esplendor.
A Europa está bloqueada. Não anda
nem deixa andar. E a única entidade capaz
de ir adiando uma saída deste beco sem
saída é o Banco Central Europeu, a quem,
muito em breve, a Espanha e a Itália
pedirão que lhes comprem a sua dívida
soberana como outrora aconteceu – uma
iniciativa que, tendo avançado, nunca
mereceu a aprovação dos alemães. E, de
facto, sendo o Banco Central Europeu
uma entidade não democrática, uma
entidade corporativa e parte activamente
interessada na manutenção do euro, o
mais certo é que Draghi e companhia
mandem avançar as rotativas, mandando
a opinião pública da Alemanha às malvas.
Os alemães bem poderão bater o pé, mas
tendo em conta que apenas possuem dois
votos em vinte e três possíveis no comité
oficial do BCE, pouco poderão fazer se os
restantes, a despeito da oposição germânica,
assim decidirem avançar. Em suma, como
também aqui fui sugerindo ao longo dos
últimos meses, o poder germânico não terá
hipótese contra o poder de uma união de
periféricos e a Alemanha acabará entre a
espada e a parede: ou sai do euro (“Nein”),
pelo caminho perdendo uma parte (mais ou
menos) significativa dos 700 mil milhões
de euros – cerca de 25% do PIB alemão –
que tem a haver dos restantes membros do
Eurossistema, ou assina o cheque em branco
(“Ja”). Sairá do euro.
39
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
MERCADOS
BCE projeta alterar normas de notação financeira
Moody´s baixa nota a 15 bancos mundiais
O Banco Central Europeu tem em estudo a possibilidade de eliminar no médio prazo as normas de rating, no momento de aceitar a dívida pública como garantia nas suas operações de
liquidez que disponibiliza à banca e utilizar a sua própria avaliação. Também terá em pespetiva aligeirar as exigências em termos de garantias a prestar. Caso tal venha a suceder, é reduzida
em muito a influência das agências de notação financeira. Vários membros do banco já criticaram a forma de atuação dessas agências.
A agência de notação financeira Moody´s desceu a nota de 15 entidades financeiras a nível
mundial, incluindo cinco dos principais bancos de Wall Street, tendo em conta a sua elevada
exposição à volatilidade dos mercados. Nesta avaliação também estão nove bancos europeus,
entre os quais o Deutsche Bank e o BNP Paribas. Todos estes bancos têm em comum o risco de elevadas perdas relacionadas com as suas atividades nos mercados de capitais. A descida prende-se com o processo de revisão das qualificações do sistema bancário internacional.
Servdebt inaugura nova sede
AQUILES PINTO
[email protected]
A empresa de gestão e recuperação de ativos Servdebt inaugurou
uma nova sede. De acordo com
a empresa fundada em 2007, a
nova “casa”, situada no 11º piso
da Torre Colombo Ocidente, em
Lisboa, surge no âmbito da consolidação como operador “mais
ativo no mercado nacional na
aquisição e gestão de NPL [Non
Performing Loans] e da necessidade de sustentar a dinâmica de
crescimento registada até ao momento”.
Bruno Carneiro, CEO da Servdebt, recorda, em declarações à
“Vida Económica”, que a empresa tinha já atingido a capacidade
máxima instalada nos anteriores
escritórios, situados nas Amoreiras, também na capital do país.
“Isso obrigou-nos a procurar uma
nova solução que possibilitasse
o aumento da nossa capacidade instalada e simultaneamente
permitisse o crescimento futuro.
Temos de ter presente que desde
o início do ano a Servdebt contratou praticamente 100 novos
colaboradores. A nova sede reúne algumas vantagens em termos
de localização, transportes e uma
área que corresponde ao que procurávamos”, explicou Bruno Carneiro.
A mesma fonte acredita que o
novo espaço vai contribuir para a
obtenção dos objetivos da empre-
sa. “A Servdebt tem agora mais de
200 colaboradores e a nova sede
traz-nos ainda a possibilidade de
crescimento futuro, de acordo,
aliás, com o que temos projetado. Gerimos hoje mais de 1,5 mil
milhões de euros e temos como
objetivo atingir os dois mil milhões ainda este ano e a nova sede
reúne todas as condições para
que possamos fazê-lo de uma forma estruturada e eficiente. Além
disso, na nova sede os nossos colaboradores têm à sua disposição
e relativamente próximos diversos serviços de utilidade pública
que lhes permitem conciliar de
melhor forma a sua vida profissional e pessoal”, defende o CEO
da Servdebt.
As novas instalações da empresa situam-se nas Torres Colombo, em Lisboa.
DIOGO SERRAS LOPES
Diretor de Investimentos, Banco Best
Mais ou menos união
Gerir uma carteira de investimentos,
isto é, escolher a alocação de ativos mais
adequada, nunca é uma tarefa fácil.
Envolve um conhecimento profundo do
perfil de investidor a quem se destina, dos
objetivos e prazo do investimento. Mas
não só. É também necessária uma visão
sobre o estado atual e futuro dos mercados,
no sentido de, dentro de determinados
parâmetros, realizar as escolhas que
permitam maximizar o retorno para um
determinado nível de risco que se está
disposto a correr.
A crise que temos vindo a sentir na zona
euro, que por esta altura dura há mais de
dois anos, traz dificuldades acrescidas,
particularmente às escolhas táticas de
aumento ou diminuição do peso das
principais classes de ativos: obrigações e
ações.
De facto, a correta avaliação do
ambiente de investimentos pode
representar diferenças significativas de
performance. As diferentes fases dos ciclos
económicos tendem, de uma forma ou de
outra, a repetir-se ao longo da história,
bem como as classes de ativos ou os setores
de atividade que são mais beneficiados ou
prejudicados em cada uma delas. Embora
o conceito de market timing esteja cada
vez mais descredibilizado, no sentido
de encontrar o momento perfeito para
a entrada ou saída de uma determinada
posição, é comum conseguir posicionar
as carteiras de forma a beneficiar de um
contexto expansionista ou recessivo, por
exemplo.
O problema gerado por eventos como a
atual crise da zona euro, ou a falência da
Lehman Brothers em 2008 – de alguma
forma, o evento que provocou o início
da atual crise –, é o seu caráter sistémico.
Nos mercados financeiros, um evento, ou
crise, é considerada sistémica quando lhe
é reconhecida a capacidade para alterar a
de forma definitiva o status quo existente
até ao início da crise. Por exemplo, até à
falência do Lehman Brothers em 2008, a
generalidade dos grandes bancos mundiais
era considerada demasiado grande para
falir (“too big to fail”). Considerava-se
que, em última análise, os governos não
deixariam que qualquer grande instituição
financeira por recearem o impacto que
essa queda teria na confiança global do
mercado. Em 2008, a opção tomada
de não cumprir esta “regra não escrita”
quase levou ao colapso global do sistema
financeiro.
Atualmente é a sobrevivência da zona
euro que parece estar posta em causa.
Durante anos, os mercados financeiros
assumiram, de facto, que a dívida dos
diferentes países da zona euro estava
mutualizada. Só essa hipótese explica que
países com características muito diferentes
pagassem praticamente os mesmos valores
para emitir dívida, apenas por partilharem
a mesma moeda. A crise financeira de
2008 veio revelar as fragilidades de
construção da moeda única, faltando
ainda às já existentes uniões económica
e monetária as componentes bancária,
fiscal e, finalmente, política. Dados
os custos incalculáveis que uma
desagregação da zona euro significaria,
principalmente a um nível muito mais
vasto do que apenas financeiro, é de
esperar que o caminho para uma maior
integração, por difícil que seja, se vá
fazendo. No entanto, sabemos bem que a
procura de uma solução será sempre um
processo moroso e difícil num universo
alargado de vontades e culturas como
é a zona euro a 17 países (ou a União
Europeia a 27).
O caráter potencialmente sistémico
da atual crise, isto é, termos mais ou
menos união, tem tido um impacto
significativo nos mercados, tanto ao nível
das quedas verificadas nos mercados
acionistas como ao nível das valorizações
sentidas nas obrigações governamentais
consideradas de menor risco, ou seja, as
obrigações norte-americanas e alemãs. A
concretização de uma maior integração
contribuirá certamente para um reverter
dos comportamentos verificados até
agora, aconselhando uma maior exposição
a ativos de risco, como os mercados
acionistas ou de obrigações de empresas,
e uma menor exposição a dívida
governamental alemã ou dos EUA, cujas
valorizações estão em máximos históricos.
No entanto, o tal caminho difícil
implicará provavelmente uma capacidade
de suportar volatilidade – isto é,
momentos de perda potencial – superior
ao usual, mesmo em termos de mercados
financeiros. Como disse no início, este é
um momento de dificuldades acrescidas na
gestão de ativos.
40
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
MERCADOS
ActivoBank eleito melhor banco comercial em Portugal
Fundação Mapfre concede 1,2 milhões em bolsas
O ActivoBank foi considerado pela revista “World Finance” como o melhor banco comercial
em Portugal, no âmbito dos World Finance Banking Awards 2012. “Este prémio representa o
reconhecimento público da comunidade internacional de que o ActivoBank tem contribuído
de forma decisiva com soluções de valor acrescentado, quer no que diz respeito à sua oferta,
quer no que diz respeito ao serviço de excelência que presta aos seus clientes”, afirma o banco
do BCP, em comunicado.
A Fundação Mapfre lançou uma nova convocatória de bolsas de investigação e ajudas para 2012 no valor de 1,2 milhões de euros nas
áreas de seguros, prevenção, saúde e meio ambiente. O objetivo destas
bolsas é facilitar a formação sobre aqueles temas e possibilitar o intercâmbio de experiências profissionais nas mais variadas áreas. O prazo de apresentação da
candidatura finaliza a 11 de outubro de 2012.
Fundos
de investimento
imobiliário
valorizam em maio
América do Norte mantém maior renta
nos fundos de investimento mobiliários
Intervalo de rentabilidades do “top” dez entre 13,1% e 21,9%
Nome do fundo
O valor sob gestão dos fundos de investimento imobiliário, dos fundos especiais
de investimento imobiliário e de gestão
de património imobiliário atingiu 12 240
milhões de euros em maio, quase mais 67
milhões do que no mês anterior.
Os países da União Europeia continuam a ser o principal destino dos investimentos em ativos imobiliários, representando 99,8% do total aplicado. Os
imóveis destinados ao setor dos serviços
foram o principal alvo das aplicações,
com um peso de mais de 45% nas carteiras. A Fundimo (13,8%), a Interfundos
(10,5%) e a ESAF (8,8%) apresentavam
as quotas de mercado mais elevadas. O
valor do fundo Fundimo, que mantém
o montante sob gestão mais elevado do
mercado, teve uma quebra de 1,2%, face
ao mês anterior, para 955,4 milhões de
euros. Foi alterada a denominação e o
tipo do “Fundo de Investimento Imobiliário Aberto – ES Logística”, gerido pela
ESAF, passando a sua denominação para
“Fundo Especial de Investimento Imobiliário Aberto – Es Logística”.
Clientes exigem
cada vez mais
dos bancos
Os clientes estão cada vez mais exigentes relativamente ao seu banco. Esperam
serviços mais personalizados e que as entidades financeiras reconheçam e recompensem a sua fidelidade, de acordo com
um estudo da Ernst & Young.
De uma maneira geral, a maioria considera que os serviços e os produtos propostos são adaptados às suas necessidades.
Certo é que os consumidores deixaram de
ter uma relação passiva face ao seu banco
e querem uma certa reciprocidade. Por
exemplo, consideram que, quando se têm
três produtos ou mais, as taxas a pagar
deveriam ser mais baixas ou então taxas
de remuneração bonificadas, bem como
um melhor nível de serviço. Entretanto,
há um número crescente de clientes a
querer mudar de banco, o que significa
que os bancos estão a perder a fidelização.
Além disso, a maioria quer novos tipos de
informação, mais completos, objetivos e
transparentes.
Sociedade gestora
Categoria
de fundos
Rendibilidade
efetiva anual
Classe
de risco
Volume sob gestão
(milhões de euros)
Santander Ações América
Santander Asset Management
F. Ações da América do
Norte
21,9%
5
8,5
Caixagest Ações EUA
Caixagest
F. Ações da América do
Norte
18,6%
5
52,7
Espírito Santo Obrigações
Europa
Esaf – FIM
Fundo Obrigações Taxa
Fixa Euro
15,9%
3
28,3
Espírito Santo Obrigações
Global
Esaf – FIM
Fundo Obrigações Taxa
Fixa Internacional
15,9%
3
6,6
Caixa Fundo Rendimento Fixo
VI – FEI
Caixagest
F. c/proteção de capital
14,8%
4
114,9
Caixa Fundo Rendimento Fixo
IV – FEI
Caixagest
F. c/proteção de capital
14,3%
3
84,8
Caixa Fundo Rendimento Fixo
V – FEI
Caixagest
F. c/proteção de capital
14,3%
3
69,3
Espírito Santo Rendimento
Plus – FEI
Esaf – FIM
FEI de Obrigações
14,2%
2
36,1
Caixagest Oportunidades – FEI Caixagest
FEI de Obrigações
13,7%
4
34,6
Caixagest Rendimento Oriente
– FEI
F. c/proteção de capital
13,1%
3
29,6
Caixagest
Fonte: APFIPP (22 de junho)
AQUILES PINTO
[email protected]
Os fundos de investimento mobi-
liário (FIM) nacionais da categoria
de ações da América do Norte continuavam com a maior rentabilidade
acumulada nos 12 meses anteriores à
semana que terminou a 22 de maio,
segundo os dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento,
Pensões e Patrimónios (APFIPP). A
JOSÉ SARMENTO
analista de mercados da Fincor
Euro ou não euro, eis a questão
Os investidores mundiais continuam a duvidar da capacidade da Europa para resolver as crises económica
e financeira que atravessa. Estarão os
investidores certos? Depois dos resgates à Grécia, Irlanda, Portugal e agora
Espanha, quem se seguirá? Haverá solução para a crise?
Os mercados passaram a exigir mais
da Europa e as boas notícias que surgem já não são suficientes para os investidores. Depois de reações inicialmente positivas dos mercados quer do
resgate ao setor financeiro em Espanha
quer à vitória da direita nas eleições na
Grécia, rapidamente e numa questão
de horas, passaram para o vermelho e
terminaram o dia em mínimos da sessão.
Em Espanha, o resgate do setor financeiro parecia surpreender pela relativa rapidez de aprovação e dimensão
(100 mil milhões de euros). Adicionalmente, a auditoria independente efetuada ao setor, publicada no passado
dia 21 de junho, revelou necessidades
de recapitalização não superiores a 62
mil milhões de euros, em linha com a
estimativa publicada pela generalidade
das casas de investimento. No entanto, pelo facto de este ter sido feito à
Espanha e não ao setor financeiro, as
consequências parecem demasiado elevadas para os investidores retirarem o
país do radar de risco.
Este resgate irá afetar significativamente a dívida pública, que passará de
68,5% do PIB em 2011 para um máximo histórico acima dos 90% esperados
em 2012 (antes do resgate a expectativa situava-se nos 80% em 2012). Adicionalmente, as condições macroeconómicas continuam a agravar-se, com
o PIB a cair mais que o esperado e a
taxa de desemprego a atingir os 25,9%.
O corte do rating da generalidade dos
bancos, nomeadamente, pela Moody’s,
veio adicionar ainda mais pressão ao
setor e ao país. Desta maneira, temos
assistido a subida dos juros das obrigações do Reino de Espanha que atingiram máximos históricos acima dos 7%,
com o prémio de risco face a Alemanha
a ultrapassar os 550 pontos base.
Na Grécia, as eleições legislativas,
com a eleição dos partidos de direita
e pró-União Europeia, não foram claramente suficientes para os investidores, persistindo dúvidas relativamente
à capacidade do país para fazer face
aos compromissos assumidos, nomeadamente, devido aos maus dados económicos originados pela austeridade.
O país encontra-se no quinto ano de
queda do PIB, com o desemprego em
números alarmantes e sem e visibilidade para uma alteração do cenário atual
no médio prazo. Apesar da reestruturação das obrigações do governo a que
assistimos, a dívida pública mantém-se
a níveis proibitivos e acima de 100%
do PIB. Segundo a imprensa, o Governo recém-eleito deverá pedir à “troika”
o alargamento do prazo de pagamento
em dois anos.
A Europa e a União Europeia enfrentam, deste modo, o maior desafio desde a sua criação. A cimeira deste mês
deverá ter um papel fundamental. As
necessidades de ajuda dos países em
dificuldades são cada vez maiores e as
soluções disponíveis cada vez menores. Os mercados deixaram de aceitar
os comprimidos típicos utilizados pe-
41
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
MERCADOS
ISA é a primeira PME portuguesa no Alternext
Banca espanhola ganha menos 27%
A ISA – Intelligent Sensing Anywhere é a primeira empresa portuguesa a ser admitida à cotação no NYSE Alternext, um mercado do
grupo NYSE Euronext dedicado às PME. A empresa de Coimbra,
liderada por José Basílio Simões, é uma empresa de base tecnológica
e opera no mercado da telemetria, com soluções implementadas nos
cinco continentes.
Os lucros dos bancos espanhóis atingiram cerca de 2,7 mil milhões de euros, no primeiro
trimestre, menos 27,5% do que em igual período do ano passado. O que se ficou a dever,
sobretudo, à necessidade de constituir provisões. As dotações de capital aumentaram 26%
para saneamento dos ativos problemáticos, em especial aqueles relacionados com o setor da
construção. O rácio de morosidade era de 7% para os bancos individuais e perto de 5% para
o conjunto da banca espanhola.
bilidade
nacionais
tabela de rentabilidade publicada por
aquela entidade tinha dois FIM daquela categoria (e classe de risco 5) no
topo: o Santander Ações América (8,5
milhões de euros sob gestão) e o Caixagest Ações EUA (52,7 milhões sob
gestão), com, respetivamente, 21,9%
e 18,6% de rendibilidade efetiva anual.
A rentabilidade destes dois fundos
é, ainda assim, inferior à registada na
semana que terminou a 8 de junho,
na última vez em que a “Vida Económica” analisou os dados da APFIPP. A
rentabilidade era então, respetivamente, 22,9% e 21%.
Voltando à semana que acabou a 22
de junho, o pódio das rentabilidades
era fechado pelo fundo da classe de
risco 3 Espírito Santo Obrigações Europa (15,9% de rentabilidade e 28,3
milhões sob gestão), seguido por um
fundo da mesma sociedade gestora,
o Espírito Santo Obrigações Global
(com a mesma rentabilidade de 15,9%
e 28,3 milhões de euros sob gestão).
Os fundos das classes de risco 3 são,
aliás, os mais presente neste “top” dez
da APFIPP (são cinco ao todo).
Há ainda dois fundos da classe 4
(ambos da Caixagest) e um da classe 2
(da Espírito Santo).
los líderes da Europa que costumam
caracterizar-se por escassos e tardios,
e passaram a exigir posições e medidas
mais firmes e concertadas. As obrigações soberanas do reino de Espanha
e de Itália continuam a atingir níveis
históricos e os mercados acionistas
mínimos da última década. Serão as
“eurobonds “ou as “projectbonds” as
soluções para os problemas europeus?
Serão mais um simples comprimido?
Será criado um fundo para adquirir
dívida de Espanha e Itália, como sugere George Soros? Estarão os alemães
dispostos a pagar a crise do Sul da Europa? Serão os custos políticos demasiado elevados? Será o fim do euro?
A resposta a todas estas perguntas
terá de ser dada muito em breve pelos
líderes europeus. Acreditamos que a
situação atual não será sustentável
por muito tempo. Serão necessários
unidade e consenso nas medidas a
tomar entre os países, algo que não
tem acontecido até hoje. Estaremos
muito atentos a todos os movimentos que possam clarificar a situação e
o futuro da moeda única.
EMÍLIA O. VIEIRA
Presidente do Conselho de Administração
Casa de Investimentos – Gestão de Patrimónios, SA
www.casadeinvestimentos.pt
Investimento em valor:
Johnson & Johnson (JNJ)
“Nunca dependa de uma boa venda.
Compre a um preço tão atrativo que
até uma venda medíocre produz bons
resultados” Warren Buffett
A regra mais antiga do investimento
é a mais simples: “compre barato
e venda caro”. Isto é óbvio. O
que significa realmente esta regra?
Significa que devemos comprar a um
preço baixo e vender a um preço alto.
Mas o que é um preço baixo ou alto?
Deve-se determinar o valor intrínseco
do ativo, comprar a um desconto
significativo desse valor e vender
quando o preço de mercado estiver
acima do valor.
Na Casa de Investimentos, analisamos
os dados financeiros das empresas:
lucros, cash flows, dividendos e ativos e
atribuímos especial ênfase em comprar
barato com base nestes indicadores.
No curto prazo, a psicologia dos
investidores (tema que tratamos
com maior profundidade na revista
Exame de Junho) pode fazer com
que uma ação cote a qualquer
preço, independentemente dos seus
fundamentos económicos. O investidor
inteligente aproveita as quedas nos
mercados financeiros para comprar
excelentes ativos quando transacionam
substancialmente abaixo do seu valor
intrínseco.
A Johnson & Johnson (JNJ) é um
investimento em valor, existe há mais
de 130 anos e aumenta os dividendos
há 50 anos consecutivos.
Fabricante e distribuidora americana
muito diversificada com produtos e
serviços nas áreas de cuidados de saúde,
nomeadamente no sector farmacêutico,
no sector de produtos de consumo e
no sector de equipamentos médicos e
de diagnóstico. A JNJ é uma empresa
multinacional de grande dimensão, com
vendas de 65 mil milhões de dólares em
2011, 55% das quais tiveram origem
fora dos Estados Unidos. A empresa
opera numa estrutura descentralizada
com mais de 117.000 empregados. No
último ano, gerou “free cash flows” de
12 mil milhões de dólares.
Nos últimos 10 anos, a empresa
obteve um crescimento de resultados
anualizado de cerca de 10%, com
rentabilidades médias anuais no
capital próprio de 27% e margens
operacionais médias acima dos 25%.
Estes indicadores revelam a consistência
operacional da empresa e o elevado
nível de eficiência em que opera.
A JNJ mantém um balanço
conservador. Atualmente, a dívida da
empresa tem um peso inferior a 35%
do capital próprio. As maiores agências
de rating de crédito – S&P, Moody’s
e Fitch – atribuem à JNJ um rating
AAA, o que significa uma posição
extremamente conservadora e protegida
por um negócio bastante saudável e
gerador de excelentes resultados.
A empresa aumenta dividendos há 50
anos consecutivos e distribui pelos
seus acionistas 40% dos seus lucros
anuais. Os lucros retidos são utilizados
na recompra de ações próprias (outra
forma de remunerar o acionista) e no
financiamento da sua estratégia de
crescimento; seja por intermédio de
aquisições, seja pela via de investimento
nas áreas de investigação da empresa
(normalmente cerca de 10% das
vendas).
Durante este período de crise, a JNJ
aproveitou o facto de algumas empresas
estarem a transacionar com grandes
descontos do seu valor para as comprar
(Mentor e Cruccel) e criar parcerias
com empresas farmacêuticas de forma
a expandir o seu portfólio de produtos
e serviços (Elan). Recentemente,
concluiu a operação de aquisição da
Synthes, empresa suíça de dispositivos
médicos, por 19,7 mil milhões de
dólares. Aumentará substancialmente,
desta forma, o peso da unidade de
equipamentos médicos nas vendas da
empresa.
Na unidade farmacêutica, a empresa
enfrenta, tal como muitas das suas
concorrentes, perdas de patentes de
alguns dos seus produtos. No entanto,
a empresa detém um portfólio robusto
de produtos em desenvolvimento perto
da fase de aprovação que contribuirão
para reforçar as vendas da unidade
farmacêutica.
A unidade de produtos de consumo
enfrentou algumas dificuldades em
2010 e 2011 com a recolha voluntária
de alguns produtos defeituosos,
causando danos de imagem à empresa.
Estes problemas foram já reconhecidos
pela administração, estando previstas
medidas para os corrigir. O nível
elevado de diversificação das atividades
da Johnson & Johnson salvaguarda a
posição da empresa. Nenhum problema
específico terá peso suficiente para
abalar a performance global da empresa.
Após a reforma do anterior presidente
executivo, a JNJ nomeou um novo
CEO em Abril passado, o veterano
da indústria Alex Gorsky. Gorsky
trabalha com a JNJ desde 1988, tendo
presidido, nos últimos anos, à unidade
de equipamentos médicos e liderado o
processo de aquisição da Synthes.
Grandes investidores em valor
mantêm ou têm reforçado as suas
posições na empresa, salientando
o carácter conservador do negócio
aliado ao potencial de expansão a
nível mundial, bem como a exposição
a um sector – o da saúde – com
muito boas perspetivas futuras devido
ao envelhecimento progressivo da
população, principalmente nos países
desenvolvidos.
Em termos de avaliação, o Price
Earnings Ratio (PER), que se traduz
no número de anos que se demoraria
a pagar a cotação da ação com os
resultados do último ano, situa-se
nos 13. Isto significa uma taxa de
rentabilidade inicial do investimento
(os resultados líquidos mais recentes a
dividir pelo preço da ação) de 7,7%.
O dividendo é superior a 3,6%, taxa
superior à dos depósitos a prazo, e
com boas probabilidades de crescer
no futuro, como aliás aconteceu nos
últimos 50 anos. Os seus resultados
líquidos estão em máximos, enquanto
que a cotação se mantém sensivelmente
nos mesmos valores dos últimos anos.
Em conclusão, trata-se de uma
empresa que tem demonstrado uma
performance operacional bastante
acima da média. Desde 1980, a ação
valorizou-se 14,57% ao ano, incluindo
dividendos. No entanto, a cotação
atual continua barata. A equipa de
gestão tem sabido alocar o capital da
forma mais eficiente e com um negócio
bastante diversificado, mantendo-o
com baixo risco e elevado potencial de
crescimento. O nosso preço de compra
é um pouco abaixo do preço a que está
a cotar.
Esta é uma boa proposta de valor.
AVISO: Esta não é uma recomendação
de compra. A recomendação
depende da situação financeira
de cada investidor, da composição
do seu património financeiro, do
temperamento adequado para
suportar a volatilidade nos mercados
financeiros e da capacidade de manter
os investimentos o tempo necessário
para que a oportunidade se materialize,
ou seja, para que o preço seja igual ao
valor.
42
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
MERCADOS
Baxter é empresa familiarmente responsável
Santander conclui operação de venda na Colômbia
A Baxter Médico Farmacêutica recebeu a distinção de “empresa familiarmente responsável”,
atribuída pela Fundación Másfamilia. Reconhece a filial nacional da multinacional Baxter pelas suas políticas e iniciativas para assegurar a conciliação e a igualdade dos seus colaboradores
e harmonia entre as esferas laboral e familiar. A empresa farmacêutica passou por uma auditoria realizada por uma entidade de certificação acreditada. Foi a primeira entidade do setor a a
receber esta distinção em Portugal.
O Grupo Santander deu por encerrada a segunda fase da operação de
venda do Banco Santander Colômbia e de outras das suas filiais neste
país. O preço total da operação ascendeu a perto de mil milhões de euros e o banco espanhol terá conseguido mais-valias na ordem dos 620
milhões. O que permitirá atingir dotações de cerca de 900 milhões para
cobrir parcialmente os saneamentos sobre ativos imobiliários ainda antes do final do exercício.
BPI Equity Research lança Top Picks
de empresas ibéricas
MARC BARROS
[email protected]
O BPI lançou a sua nova proposta de “stock picking” das cinco
empresas ibéricas de pequena e média capitalização bolsista. Segundo
o estudo Iberian Small Mid Caps, a
que a ‘Vida Económica’ teve acesso,
o departamento de estudos do banco afirma acreditar que “um ‘stock
picking’ cuidado e bem-sucedido
continua a ser uma estratégia válida”.
Perante um cenário adverso,
prossegue o mesmo documento, “os
Top Picks do último documento,
editado em janeiro, conseguiram
alcançar uma valorização de 0,50%,
que contrasta com a queda de 22%
do Ibex e os 13% do PSI20”.
As cinco mais deste novo Top
Picks incluem apenas uma empresa
nacional, a EDP Renováveis, face
às espanholas DIA, Ebro, Ferrovial
e Jazztel. O BPI explica que as escolhas deste documento “espelham
uma escolha entre empresas com
características mais defensivas, de
crescimento, de exposição internacional e com uma atratividade em
termos de fusões e aquisições” (ver
quadros).
Análise dos Top Picks
Na sua leitura, a DIA continua
a apresentar um bom desempenho
em termos de lucros e de resultados
da sua reestruturação. Os mercados
emergentes deverão representar a
parte mais dinâmica dos resultados.
Assim, a DIA tem uma recomendação de comprar, com risco médio, e um preço-alvo de 5,40 euros.
Entre os fatores positivos estão a elevada visibilidade dos resultados, o
potencial de reestruturação em Espanha e França, o elevado potencial
nos mercados emergentes e a situação económico-financeira sólida.
Como fatores negativos contam-se
a elevada exposição a mercados
considerados maduros, a presença
limitada nos mercados emergentes
e a possível venda da posição de um
fundo de ‘private equity’ e a sua exposição à Argentina.
Quanto à Ebro Foods, o BPI destaca o facto de esta negociar com
um PER de 12, com um desconto
de 17% face aos seus pares. Gozando de uma situação económicofinanceira sólida, com o potencial
de aumentar a remuneração do
acionista (atualmente tem um ‘dividend yield’ de 5%), a Ebro possui
uma exposição geográfica diversificada, em que a Península Ibérica
representa 8,5% do EBITDA.
Negativamente, segundo o BPI,
a empresa maior produtora de arroz
Top picks BPI Equity Research
Empresas
Top Picks
Preço-alvo 2013 (/sh)
DIA
Ebro Foods
EDP Renováveis
Ferrovial
Jazztel
5.40
1.670
5.80
11.90
6.30
Potencial (1)
41%
30%
80%
45%
33%
(1) Potencia de valorização anualizado
Fonte: BPI Equity Research
Top Picks - Crescimento e alavancagem
Cresc. anualizados 11/15F
EBITDA
EPS
9%
27%
6%
4%
11%
29%
3%
-39%
20%
32%
Empresas
DIA
Ebro Foods
EDP Renováveis
Ferrovial
Jazztel
ND/EBITDA
12F
0,8X
0,9x
5,2x
7,1x
0,7x
Fonte: BPI Equity Research
Top Picks - múltiplos
Empresas
DIA
Ebro Foods
EDP Renováveis
Jazztel
Fonte: BPI Equity Research
PE
12F
17.6
12,3
20,4
20,3
13F
12,1
11,3
15,8
12,1
EV/EBITDA
12F
13F
5,0
4,6
6,8
6,1
8,2
7,5
7,2
5,6
As cinco mais deste novo Top Picks incluem apenas uma empresa nacional, a EDP Renováveis, face às espanholas DIA,
Ebro, Ferrovial e Jazztel.
O BPI explica que as escolhas deste documento
“espelham uma escolha entre empresas com
características mais defensivas, de crescimento,
de exposição internacional e com uma
atratividade em termos de fusões e aquisições”
na UE e um dos líderes no negócio de massa e arroz na Europa e
EUA destaca-se pelo crescimento
fraco devido à exposição a mercados maduros, a posição de 10%
detida pelo Estado espanhol e a
crescente procura de marcas brancas. Face a estes elementos, o BPI
lança a recomendação comprar
(risco Médio), com um preço-alvo
de 16,70 euros (2013).
A EDP Renováveis negoceia
com um desconto elevado. O
acordo com a chinesa Three Gorges deverá gerar desalavancagem
e maior visibilidade da avaliação
(2000 ME). A compra das posições minoritárias pela EDP é um
cenário possível (a média da cotação nos últimos seis meses é superior em 35% à atual).
O BPI considera fatores positivos o facto de negociar em bolsa
a níveis inferiores ao valor fundamental da empresa e dos custos de
investimento, a desalavancagem do
seu balanço, o crescimento estimado de 11% do EBITDA e dos lucros de 29% e a possibilidade de a
EDP adquirir a parte remanescente
do capital que não detém (22.5%).
Como elementos negativos,
destaca a persistência da incerte-
za, nos EUA (onde possui 46%
do total da sua potência instalada,
num conjunto de 7.5 GW em eólicas), quanto ao prolongamento
dos incentivos estatais às energias
renováveis em 2013 e o risco de
regulamentação. Assim, a recomendação do BPI é comprar, com
risco médio, e um preço-alvo de
5,80 euros em 2013.
A Ferrovial, considerada empresa espanhola e “penalizada por
esta perspetiva”, tem como fatores
positivos o espaço para melhorar
o dividendo (70% do dividendo
distribuído provém do dividendo recebido pelas suas subsidiárias), uma regulamentação mais
favorável que poderá tornar mais
visível o valor do portefólio da
Briish Airports Authority (BAA)
e o facto de não ter necessidades
de financiamento significativos
até 2015.
Do ponto de vista negativo, o
BPI salienta as fracas perspetivas
da economia espanhola, que representa 23% do seu EBITDA,
a elevada alavancagem, uma das
maiores do setor, e as necessidades de financiamento de 3500
MUSD em 2015. Assim, o BPI
atribui risco elevado à recomenda-
ção comprar, com um preço-alvo
por ação de 11.90 euros em 2013.
Finalmente, a Jazztel tem demonstrado uma resistência à conjuntura económica, à procura de
serviços mais económicos e ao
diferencial qualitativo em relação
aos seus concorrentes. Tem um
balanço sólido e poderá vir a estar
envolvida em fusões e aquisições.
Esta estima um crescimento do
EBITDA anualizado de 19% e
do EPS de 41% no período entre 2012 e 2015. A este aspeto
junta-se o potencial de surpreender, pois, num cenário otimista,
o preço-alvo para 2013 é de 7,15
euros, mais 13% que o preço-alvo
de 6,30 euros em 2013. Do ponto
de vista negativo, o BPI salienta a
fraca visibilidade e o novo plano
de negócios, a dependência da
Telefónica para instalação da fibra
ótica e a correlação com a economia espanhola. Assim, o BPI
atribui a recomendação comprar,
com risco médio.
O BPI anunciou ainda a lista
de candidatos a integrar as cinco
mais, a saber: BES, Enagas, Melia, OHL e Portugal Telecom. No
caso do BES, a explicação devese ao facto de estar numa posição
confortável para cumprir os requisitos impostos pelo regulados até
ao final de 2012. Quanto à PT, é
considerado ter um ‘dividend yield’
bastante atrativo, sendo que o aumento da eficiência da actividade
doméstica, aliada à reestruturação
do seu negócio no Brasil, poderá
ser o catalisador de uma subida
das estatísticas dos analistas.
43
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
MERCADOS
BCE agiliza colateral para empréstimos
O Banco Central Europeu pretende flexibilizar as regras relacionadas com
os ativos admitidos como colateral nas respetivas operações de financiamento, e quer aligeirar os critérios de exigência de garantias aos bancos.
Será, assim, exigido um “rating” menor para os ativos que são tidos como
garantia em troca de financiamento. Esta medida tem um significativo impacto em países que estão fora dos mercados, como é o caso de Portugal.
Investimento em responsabilidade social cresce 20%
no Santander Totta
O Banco Santander Totta investiu 6,6 milhões de euros em responsabilidade social em 2011,
um aumento de 19,5% em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório de sustentabilidade da entidade. A nível global, o grupo Santander dedicou, em 2011, cerca de 170 milhões
de euros a projetos de responsabilidade social, sendo que 117 milhões foram exclusivamente
para o segmento universitário (85% do montante em Portugal).
A NOSSA ANÁLISE
Conta Ordenado do BPI oferece
10% do salário em novas soluções
de poupança
O BPI volta a relançar o seu
clássico produto de conta
ordenado em que oferece
10% do salário numa solução
de poupança. Mas, este ano,
decidiu diversificar a forma de
amealhar, já que permite ao
cliente optar se o quer fazer num
PPR BPI, numa conta poupança
BPI ou numa AB Conta. De
resto, a instituição bancária
continua a manter uma das taxas
no descoberto mais competitivas
do mercado: TAN fixa de 10%.
MARTA ARAÚJO
[email protected]
Ganhe 10% de um mês de ordenado
Perante um mercado em constante turbulência, há que adaptar e dançar ao ritmo
dele. É extamente isso que o BPI está a fazer.
Habitualmente, as campanhas das contas
ordenado eram lançadas na rentrée, depois
das férias, algures entre setembro e outubro.
Perante a atual conjuntura, com os cortes
nos subsídios de férias e as famílias a terem
novas formas de organizarem os seus orçamentos, a banca tem de se posicionar.
Se no ano anterior o mote para esta campanha foi “A conta que pensa na reforma”,
os 365 dias que se seguirem fizeram o staff interno do banco liderado por Fernando
Ulrich perceber que esta captação de novos
clientes deveria acontecer mais cedo, precisamente antes das férias, e numa altura
em que as vantagens desta conta ordenado
possam, eventualmente, ser usufruídas mais
cedo, nomeadamente no que diz respeito a
mais cash flow proveniente de um possível
duplo ordenado.
Em paralelo, poupar está – obrigatoria-
mente e, em muitos casos, por necessidade
– na moda, pelo que, este ano, o mote é
“Poupe com o seu ordenado”. A vantagem
é, pelo menos, dupla: para além de o banco
conceder 10% do ordenado numa aplicação
de poupança, o BPI tem, neste contexto e
olhando para a concorrência, uma das taxas
de juro no descoberto mais baixas: TAEG de
11,8% e TAN fixa de 10%.
Escolha como quer poupar com o
seu ordenado
Desta feita, a quem for trabalhador por
contra de outrem ou reformado e transferir o seu ordenado ou pensão, pela primeira vez, no BPI, pode optar por ganhar
um PPR, uma conta poupança ou uma
AB Conta equivalente a 10% da verba domiciliada. Assim, e sem qualquer esforço
adicional, o cliente ganha um mealheiro
extra.
De salientar que, no caso da conta poupança e da AB Conta, o cliente, caso precise
do dinheiro antes de o produto ter completado um ano de existência, não tem qualquer
comissão de resgate aplicada pelo banco. No
caso do PPR, por exemplo, a comissão aplicada, neste contexto, é de 1%.
Para ter direito a estas ofertas, o banco
solicita a domiciliação de forma automática do ordenado ou pensão de valor igual
ou superior a 500 euros a pessoas que,
até ao momento, nunca o tenham feito.
Em paralelo, obriga à adesão ao extrato
digital e a constituição de, pelo menos,
duas ordens de pagamento permanente
de serviços como água ou eletricidade.
Ao domiciliar o ordenado, o cliente fica
com acesso a um descoberto até 100% do
valor líquido do mesmo, com uma das taxas de juro mais baixas do mercado (TAEG
11,8%); isenção da comissão de manutenção e das anuidades do cartão de débito
de dois titulares, bem como a primeira
anuidade dos cartões de crédito. Para além
do acesso a bonificações nos produtos de
crédito, o banco garante a oferta de um
seguro de responsabilidade civil com um
valor anual garantido de 2500 euros por
segurado.
CONSELHOS
•
•
Se consegue ser bastante controlado
na forma como gere as suas contas,
analise a conta ordenado da CGD,
que disponibiliza até 250 euros de
descoberto sem juros nos primeiros
sete dias. Atitude semelhante tem o
Santander, que não cobra juros por
emprestar 100 euros até aos dois
dias seguintes.
No caso de ter uma remuneração
mensal, ou pensão, inferior a 350
euros, saiba que o Banif permite
a subscrição da Conta Ordenado
Triplus a partir de vencimentos de
300 euros, sendo possível antecipar
até três vezes o valor do ordenado.
Em contrapartida a taxa de juro
associada é elevada: 20,937%.
Europa “abandona” taxa sobre transações financeiras
Os ministros das Finanças da União Europeia não chegaram a acordo relativamente à taxa sobre as transações financeiras. No
entanto, deixaram a porta aberta aos países
que queiram avançar isoladamente, como
são os casos da Alemanha e da França.
A realidade é que as posições sobre a pro-
posta de taxação continuam muito distantes e é quase impossível a Europa lançar
uma taxa sobre as transações financeiras.
Trata-se de uma vitória clara daquelas nações que seguiram sempre o Reino Unido
na oposição a tal proposta. No entanto,
o processo não está fechado. É possível o
mesmo ir por diante, desde que exista um
número mínimo de oito países que esteja
de acordo. O Tratado de Lisboa prevê essa
possibilidade, depois de esgotadas todas as
vias de se chegar a um consenso.
Os países defensores da referida taxa
consideram que se deu um passo impor-
tante no sentido da cooperação reforçada.
Nesta linha estão, para além da França e da
Alemanha, a Espanha, a Itália, Portugal, a
Grécia, a Áustria, a Bélgica e a Finlândia.
Um número suficiente, mas pouco sólido,
tendo em conta os 27 países integrados na
comunidade europeia.
44
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
MERCADOS
DAX 30 - DIÁRIO
PSI-20 - DIÁRIO
Este mês o índice alemão conseguiu suporte nos 5940
pontos, tendo conseguido recuperar para níveis perto dos
6450 pontos. Após estes níveis assistiu-se a uma queda até
valores ligeiramente abaixo dos 6100 pontos. No entanto, este
movimento não é suficiente para invalidar uma continuação da
recuperação, sendo importante que o índice se mantenha acima
dos 5940 pontos.
O PSI-20 continua com a tendência de queda que tem
impulsionado o seu comportamento desde o início do 2º
trimestre de 2012. A quebra da zona de suporte entre os 5135
e 5260 pontos foi particularmente negativa, tendo despoletado
violentas quedas até níveis de 1996. De momento, o PSI-20
conseguiu suporte nos 4420 pontos, tendo este nível já sido
testado duas vezes. A quebra deste suporte poderá desencadear
uma queda para valores próximos dos 4000 pontos.
CARLOS BALULA [email protected]
FILIPE GARCIA
MERCADO MONETÁRIO
INTERBANCÁRIO
fi[email protected]
Mercado aguarda por reunião do BCE
Muito poucas alterações nesta
última semana, quer nos prazos de
mercado monetário, quer nas taxas
fixas. Os operadores aguardam pela
próxima reunião do BCE de 5 de
julho. Continua a haver alguma
expetativa que o Banco Central
corte as taxas de juro em 0,25
bps, mesmo que seja apenas as
de depósito. Na semana passada,
o BCE relaxou a exigência quanto
ao colateral que os bancos podem
usar, permitindo um maior acesso
aos leilões de cedência de liquidez,
efeito que se estima em mais 100
mil milhões. Já no que respeita a
compra de obrigações em mercado
secundário, o BCE nada fez pela
15ª semana consecutiva. Segundo
comentários de Nowotny, é um
instrumento que não deverá voltar
a ser utilizado, podendo o fundo
EFSF tomar esse papel no futuro.
O alemão Weidmann, presidente do
Bundesbank, afirmou que o BCE já
fez tudo o que está ao seu alcance
para atenuar a crise, opondo-se à
ideia de o ESM se vir a financiar
junto do Banco Central Europeu
com o propósito de comprar dívida
Evolução euribor (em basis points)
27.junho12
1M
3M
1Y
0.376%
0.652%
1.212%
aos governos. Na sua opinião,
não há soluções rápidas para o
actual problema, pelo que a mera
disponibilização de mais dinheiro
em nada contribuirá para resolver a
situação.
No documento preparado para o
Conselho Europeu estão as linhas
diretoras que apontam para uma
maior coordenação central a nível
de política económica, orçamental
e mobilidade laboral. Fala-se
também na ideia de uma supervisão
bancária a nível europeu e na
possível utilização do mecanismo
ESM como suporte de um fundo
de garantia de depósitos. Só depois
de se avançar nesse sentido, o que
envolve clara perda de soberania
nalguns aspetos, se equacionará
um mecanismo de emissão
conjunta de obrigações.
Os consumidores alemães
surpreenderam o mercado com
uma subida na confiança. O facto
de o desemprego continuar a
diminuir (e de os salários terem
subido) contribuiu para um maior
optimismo, mas tal não impede que
haja algum pessimismo quanto à
evolução futura da economia alemã.
Estes receios estão associados
à hipótese de a Alemanha ser
arrastada pela espiral de problemas
dos seus parceiros europeus.
Espanha viu ser cortado o rating de
28 dos seus bancos, no dia em que
formalmente apresentou o pedido
de ajuda para o sector financeiro.
Há ainda uma série de detalhes
respeitantes à senioridade da
dívida, ao seu custo e à maturidade
que ainda não foram esclarecidas.
Segundo o ministro da Economia
espanhol, o mercado saberá as
respostas nas próximas semanas.
Há uma convergência entre os
rendimentos dos títulos de Espanha
e de Portugal, com os primeiros a
subir e os últimos a descer. Nos 10
anos Portugal já “paga” abaixo de
10%, enquanto Espanha está perto
dos 7%. A Alemanha anunciou a
emissão de 3 mil milhões para
além do planeado no próximo
trimestre, para contribuir para o
fundo ESM.
ANÁLISE PRODUZIDA
A 27 DE JUNHO DE 2012
20.junho12
0.379%
0.657%
1.214%
30.maio12
-0.003
-0.005
-0.002
YIELD CURVE EURO E DÓLAR
0.387%
0.671%
1.237%
-0.011
-0.019
-0.025
Taxas MMI
T/N
1W
2W
1M
2M
3M
6M
9M
1Y
0.25
0.10
0.10
0.27
0.37
0.50
0.78
0.92
1.05
CONDIÇÕES DOS BANCOS CENTRAIS
Minium Bid*
1,00%
BCE
Lending Facility*
1,75%
Deposity Facility*
0,25%
*desde 6 junho de 2012
EURIBOR - 3M, 6M E 1 ANO
EUA
R.Unido
Suíça
Japão
FED Funds
Repo BoE
Target Libor 3M
Repo BoJ
0,25%
0,50%
0% - 0,25%
0,10%
EURO FRA’S
Forward Rate Agreements
Tipo*
Bid
1X4
0.578
3X6
0.502
1X7
0.805
3X9
0.736
6X12
0.744
12X24
1.093
Ask
0.588
0.512
0.855
0.786
0.759
1.113
*1x4 - Período termina a 4 Meses, com início a 1M
YIELD 10 ANOS EURO “BENCHMARK”
EURO IRS
InterestSwapsvs
Prazo
2Y
3Y
5Y
8Y
10Y
20Y
30Y
LEILÕES BCE
Last Tender
Minium Bid
Marginal Rate
Euribor 6M
Bid
Ask
0.853
1.950
0.945
2.290
0.853
1.322
1.753
3.307
1.959
3.522
2.235
3.965
2.214
2.254
26.junho.2012
1,00%
1,00%
Euro lateral, mas com risco
de mais quedas
EUR/USD
Eur/Usd
Apesar de nas últimas semanas
o Eur/Usd ter registado uma tentativa de recuperação, cotando em
valores acima dos 1,2700, o forte
movimento de descida registado
da semana passada invalidou o
canal ascendente que suportava a
recuperação do câmbio.
Este evento técnico eliminou o
“momentum” ascendente do câmbio. O comportamento do Eur/
Usd é agora lateral, com suporte
nos 1.2450 dólares. Caso este suporte seja quebrado, um retorno
aos mínimos do ano é provável.
Eur/Jpy
As subidas conseguidas pelo
Eur/Jpy nas últimas semanas invalidaram a forte tendência de
queda registada desde o 2º trimestre de 2012.
Após, na semana passada, o
câmbio ter quebrado o intervalo
de consolidação que caracterizou
os seus movimentos desde o início
do mês, observou-se uma tentativa de visita aos 102 ienes. No enFIXING
27.jun.12
EUR/USD
tanto, esta tentativa foi rejeitada,
com o Eur/Jpy a retornar para o
intervalo anterior.
O comportamento do cross
é agora lateral, limitado entre os
98,60 e 101,5 ienes. A quebra do
limite inferior poderá pressionar
o câmbio até perto dos mínimos
do ano.
Eur/Gbp
O Eur/Gbp continua com a
trajectória de queda que iniciou
no Verão de 2011, permanecendo
dentro de um canal descendente.
Esta semana, o câmbio quebrou
o canal ascendente que registava
desde Maio. Este evento vinha já
sendo sugerido pelo comportamento do câmbio nas duas ultimas semanas, após a tentativa de
visita a valores acima dos 0,8150
libras ter sido rejeitada.
Apesar de, no curto prazo, o
Eur/Gbp apresentar um comportamento lateral, com suporte nas
0,7985 libras, uma visita aos mínimos do ano é um cenário a ter
em mente.
Variação
Semanal (%)
Variação
no mês (%)
Variação
desde 1 jan. (%)
1.2478
-1.78%
0.60%
-3.56%
99.49
-0.75%
1.87%
-0.71%
EUR/GBP
0.7999
-0.76%
0.00%
-4.24%
EUR/CHF
1.2011
0.02%
0.01%
-1.19%
EUR/NOK
7.5230
0.23%
-0.01%
-2.98%
EUR/SEK
8.8242
-0.22%
-1.68%
-0.99%
EUR/DKK
7.4337
0.00%
0.02%
-0.01%
EUR/PLN
4.2515
0.29%
-3.19%
-4.63%
EUR/AUD
1.2384
-0.58%
-2.76%
-2.66%
EUR/NZD
1.5804
-0.78%
-3.86%
-5.57%
EUR/CAD
1.2796
-0.95%
0.27%
-3.17%
EUR/ZAR
10.4601
0.39%
-1.06%
-0.22%
EUR/BRL
2.5850
0.58%
3.67%
7.00%
EUR/JPY
45
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
MERCADOS
Quatro empresas portuguesas no ranking europeu
de leasing e renting
Preços das matérias-primas indiciam
tendência de descida
Há quatro instituições portuguesas (BES, Caixa Leasing e Factoring, BCP e Montepio)
no ranking da Leaseurope, a Federação Europeia das Associações de empresas de Leasing e de Renting. A lista, liderada por BNP Paribas Equipment Solutions (França), a
Volkswagen Leasing GmbH (Alemanha) e a Société-Générale Equipment Finance (França) tem empresas de 21 países europeus, intra e extra União Europeia.
A descida nas previsões económicas para os Estados Unidos e os
fracos indicadores da atividade industrial na China estão a impulsionar as vendas nos mercados de “commodities”. O preço desceu
para perto de 90 dólares, o cobre registou uma baixa de cerca de
2% e o ouro caiu abaixo da fasquia dos 1600 dólares a onça.
TÍTULOS EURONEXT LISBOA
PAINEL BANCO POPULAR
VÍTOR NORINHA
[email protected]
Última
Cotação
Título
Variação
Semanal
Máximo 52 Mínimo EPS Est EPS Est PER Est
Sem
52 Sem
Act
Fut
Act
PER Est Div. Yield
Div. Yield Est
Fut
Ind
Data Act
Hora Act
ALTRI SGPS
1,028
-2,00%
1,500
0,945
0,098
0,122
10,490
8,426
1,95%
0,78%
27-06-2012
16:35:00
B. COM. PORT.
0,097
1,04%
0,414
0,073
-0,002
0,017
--
5,706
--
0,00%
27-06-2012
16:35:37
B.ESP. SANTO
0,518
0,58%
1,695
0,434
0,079
0,124
6,557
4,177
--
1,89%
27-06-2012
16:35:00
BANIF-SGPS
0,130
8,33%
0,669
0,100
-0,040
0,010
--
13,000
--
--
27-06-2012
16:35:00
B. POP. ESP.
1,740
6,10%
3,950
1,570
-0,055
0,160
--
10,875
9,20%
0,00%
27-06-2012
13:28:23
BANCO BPI
0,505
-0,20%
1,099
0,345
0,083
0,086
6,084
5,872
--
0,00%
27-06-2012
16:36:40
BRISA
2,497
-2,23%
4,240
2,191
0,122
0,096
20,467
26,010
--
11,37%
27-06-2012
16:36:02
COFINA,SGPS
0,340
-2,86%
0,820
0,270
0,070
0,060
4,857
5,667
2,94%
0,00%
26-06-2012
16:36:02
CORT. AMORIM
1,340
-4,29%
1,650
0,870
0,250
0,250
5,360
5,360
4,85%
5,97%
27-06-2012
15:07:17
CIMPOR,SGPS
3,300
-39,38%
5,700
3,260
0,340
0,384
9,706
8,594
5,03%
6,11%
27-06-2012
16:37:32
16:36:41
EDP
1,790
-0,56%
2,556
1,628
0,290
0,279
6,172
6,416
10,34%
10,56%
27-06-2012
MOTA ENGIL
1,000
-3,57%
1,642
0,951
0,215
0,233
4,651
4,292
11,00%
12,50%
27-06-2012
16:35:00
GALP ENERGIA
9,500
-2,64%
16,970
8,330
0,445
0,622
21,348
15,273
3,58%
2,45%
27-06-2012
16:35:00
16:07:17
IMPRESA,SGPS
0,330
3,13%
0,700
0,260
0,015
0,030
22,000
11,000
--
0,00%
27-06-2012
J. MARTINS
13,780
-2,37%
16,070
10,660
0,662
0,796
20,816
17,312
2,00%
2,42%
27-06-2012
16:35:00
MARTIFER
0,610
1,67%
1,400
0,560
-0,040
0,000
--
--
--
--
27-06-2012
16:35:00
NOVABASE
1,900
-0,52%
2,750
1,610
0,195
0,220
9,744
8,636
1,58%
3,68%
27-06-2012
16:35:00
GLINTT
0,100
0,00%
0,230
0,090
--
--
--
--
--
--
27-06-2012
16:00:37
P. TELECOM
3,420
1,94%
6,992
3,003
0,411
0,434
8,321
7,880
25,44%
14,82%
27-06-2012
16:39:33
PORTUCEL
1,880
-2,24%
2,400
1,680
0,253
0,251
7,431
7,490
11,76%
8,28%
27-06-2012
16:35:00
REDES E. NAC.
2,050
0,99%
2,480
1,806
0,271
0,283
7,565
7,244
8,24%
8,08%
27-06-2012
16:35:00
S. COSTA
0,160
-5,88%
0,440
0,140
0,000
0,020
--
8,000
--
--
27-06-2012
16:26:26
SEMAPA
4,810
-2,83%
7,650
4,602
0,603
1,025
7,977
4,693
5,30%
5,30%
27-06-2012
16:35:00
SONAECOM
1,288
-0,16%
1,550
1,039
0,143
0,144
9,007
8,944
5,43%
4,83%
27-06-2012
16:35:00
SONAE,SGPS
0,409
-0,97%
0,742
0,366
0,047
0,058
8,702
7,052
8,09%
7,99%
27-06-2012
16:35:00
SONAE IND.
0,468
0,65%
1,389
0,384
-0,172
-0,033
--
--
--
0,00%
27-06-2012
16:35:00
SAG GEST
0,400
5,26%
0,550
0,330
-0,040
-0,010
--
--
--
--
27-06-2012
15:31:41
TEIX. DUARTE
0,220
10,00%
0,450
0,170
-0,290
0,050
--
4,400
6,82%
9,09%
27-06-2012
09:01:08
Z. MULTIMEDIA
2,303
1,01%
3,330
1,760
0,132
0,169
17,447
13,627
6,95%
7,04%
27-06-2012
16:35:00
TÍTULOS MERCADOS EUROPEUS
Última
Cotação
Variação
Semanal
B.POPULAR
1,737
2,96%
INDITEX
78,46
0,87%
REPSOL YPF
11,4
-10,55%
Título
Máximo
52 Sem
Mínimo
52 Sem
EPS Est
Act
EPS Est
Fut
4,028
1,544
-0,055
0,160
78,500
52,035
3,607
4,044
24,350
11,065
1,589
1,771
PAINEL BANCO POPULAR
PER Est
Act
PER Est
Fut
Div. Yield
Ind
Div. Yield
Est
Data Act
Hora Act
--
10,856
9,21%
21,752
19,402
2,04%
3,00%
27-06-2012
16:38:00
2,66%
27-06-2012
7,174
6,437
16:38:00
9,67%
7,96%
27-06-2012
16:38:00
TELEFONICA
9,76
-1,77%
17,050
8,814
1,287
1,350
7,584
7,230
13,32%
13,06%
27-06-2012
16:38:00
FRA. TELECOM
9,935
0,29%
14,725
9,450
1,317
1,272
7,544
7,811
14,09%
12,44%
27-06-2012
16:35:18
LVMH
116,25
-2,80%
136,800
94,160
7,262
8,124
16,008
14,309
2,24%
2,57%
27-06-2012
16:35:37
BAYER AG O.N.
54,98
1,57%
58,640
35,360
5,188
5,708
10,583
9,619
3,01%
3,21%
27-06-2012
16:35:12
DEUTSCHE BK
28,175
-2,58%
42,075
20,785
4,699
5,424
6,012
5,209
2,67%
2,79%
27-06-2012
16:35:08
DT. TELEKOM
8,52
1,38%
10,940
7,688
0,639
0,668
13,333
12,754
8,24%
8,23%
27-06-2012
16:35:19
VOLKSWAGEN
113
-5,32%
138,800
82,350
21,796
23,823
5,184
4,743
2,65%
3,50%
27-06-2012
16:35:28
ING GROEP
4,895
-3,36%
8,717
4,213
1,174
1,316
4,170
3,720
--
1,86%
27-06-201
16:38:56
Este relatório foi elaborado pelo Centro de Corretagem do Banco Popular, telf 210071800, email: centro.corretagem@
bancopopular.pt, com base em informação disponível ao público e considerada fidedigna, no entanto, a sua exactidão não
é totalmente garantida. Este relatório é apenas para informação, não constituindo qualquer proposta de compra ou venda
em qualquer dos títulos mencionados.
PT em destaque
e expetativa sobre Espanha
As ações da Portugal Telecom estiveram em destaque esta semana,
depois de terem estado a perder 24% durante este semestre. A gestão
liderada por Zeinal Bava, vai, à semelhança do que estão a fazer
as congéneres europeias, cortar o nível de dividendo para metade,
evitando quase 300 milhões de euros de remuneração acionista, e vai
ainda adquirir ações próprias (share buy back) no valor de 200 milhões
de euros, o que constitui um retorno indireto para os acionistas.
Com esta estratégia haverá um menor consumo de capital, numa
altura em que a empresa precisa de se recentrar no seu mercado core,
ao mesmo tempo que cria boas perspetivas a prazo para os acionistas.
O corte na remuneração de 0,65 cêntimos por ação para 0,325
cêntimos por ação irá manter-se durante os próximos três exercícios.
Este opção gerou um movimento muito positivo no título, que, na
quarta-feira, esteve a recuperar mais de 2%.
Também o título da Galp energia se manteve em alta,
independentemente de o preço do crude nos mercados internacionais
continuar em queda (sabendo-se de paragens de produção na
Noruega e de suspensão de importações do Irão).
O setor financeiro estava até meio da semana na expetativa
sobre o que iria acontecer na cimeira dos chefes de Estado da Zona
Euro desta última quinta-feira e sexta-feira. À hora de fecho desta
crónica circulavam rumores sobre as grandes linhas orientadoras
deste encontro e especulava-se com um maior esforço de integração
financeira, via uma supervisão bancária e garantia de depósitos
comuns, a par de uma união orçamental com um tesouro comum.
Havia ainda grande expetativa sobre medidas a nível da política
económica de crescimento.
O sentimento de mercado tem estado pouco definido, com as
yields da dívida pública alemã a registarem subidas, enquanto o
euro manteve a tendência descendente, cotando a 1,2442 dólares na
quarta-feira. As ações dos EUA não foram afetadas pelos dados menos
favoráveis ao nível das encomendas de bens duradouros. Existia
ainda a expetativa de a inflação na Alemanha cair ligeiramente, o que
reforçaria a possibilidade de o BCE acomodar ainda mais a política
monetária, embora já poucos acreditem nesta solução. Todos esperam
grandes decisões políticas.
As preocupações com Espanha são evidentes. Depois do pedido
formal de ajuda à banca, Mariano Rajoy, o chefe de Governo
espanhol, veio afirmar que o país não aguentará durante muito
mais tempo pagar juros tão elevados. Isto pode ser o prenúncio de
um pedido de assistência ao Estado espanhol, algo que os novos
mecanismos de ajuda europeia contemplam, mas sobre os quais ainda
existem muitas incógnitas, nomeadamente dos valores necessários
para um “bailout” a uma grande economia.
Chipre solicitou ajuda para a banca sem especificar montantes,
embora a Bloomberg especule que Bruxelas quer abrir uma linha
de 10 mil milhões de euros, mas Nicosia quererá apenas quatro mil
milhões de euros e não quer imposições a nível da política económica
e financeira. A Irlanda está a insistir nas alterações às obrigações
contraídas com a “troika”, tendo em conta que o seu cenário é idêntico
ao de Espanha e, logo, quer soluções menos gravosas, tais como as que
Espanha irá ter, se mantiver o pedido de ajuda apenas para a banca.
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46
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
Hertz oferece pack infantil
A rent-a-car Hertz está, em parceria com a Oreo, a oferecer um pack infantil às crianças que
visitam as suas estações. Aquele pack inclui um livro de colorir, uma caixa de lápis de cor e
uma saqueta de bolachas Oreo. Integrada nos 100 anos do aniversário da marca de bolachas,
a parceria pressupõe ainda a possibilidade da família receber uma semana de férias no Algarve
com tudo incluído (disponibilizados ainda uma viatura e 100 litros de combustível).
AUTOMÓVEL
MIRA AMARAL DEFENDE
“Portugal tem
de apostar
na mobilidade
elétrica
urbana”
REVELA COMPARATIVO DA BOXER CONSULTING PARA A “VIDA ECONÓMICA”
Motorizações de menor potência “
marcas “premium” nos custos do
Têm potência semelhante
e desempenhos parecidos
em termos de consumo de
combustível, mas as faturas das
visitas às oficinas revelam o seu
“pedigree”. Segundo um estudo
feito pela Boxer Consulting
para a “Vida Económica” sobre
os custos de manutenção a 48
meses/120 mil km, os motores
de elevada cilindrada com
baixa potência de modelos
“premium” apresentam
custos de manutenção mais
elevadas do que motores de
menor cilindrada de marcas
generalistas.
AQUILES PINTO
[email protected]
O ex-ministro destaca os transportes coletivos
elétricos.
“Só quando houver uma utilização
massiva de automóveis elétricos é que haverá poupança de petróleo, a indústria da
energia já não usa petróleo para produzir
energia”, defendeu Mira Amaral, membro
do Comité de Gestão do LIDE Portugal,
no debate sobre Portugal Sustentável promovido pela organização portuguesa de
líderes empresariais. O antigo ministro
da Indústria e Energia e atual presidente do BIC defendeu que, “com as atuais
limitações de autonomia, os automóveis
elétricos têm sobretudo uma utilização
urbana e portanto para baixar a sua dependência do petróleo, Portugal tem de
apostar em força na mobilidade elétrica
urbana e designadamente nos transportes
coletivos elétricos, onde já temos e exportamos tecnologia”.
Mira Amaral, depois de ter defendido que “é feliz falar em sustentabilidade
ambiental, económica e social, em conjunto, e não apenas em sustentabilidade
ambiental”, disse que “pouca gente tem
consciência que o problema europeu não
é só financeiro, é económico e social e
advém da desindustrialização e deslocalização da indústria para a China e outros
países asiáticos”.
O membro do Comité de Gestão do
LIDE Portugal, que iniciou o movimento das energias renováveis em Portugal,
quando foi ministro da Indústria e Energia, considerou que a energia hídrica “é
a grande energia renovável que temos
em Portugal” e criticou a forma como
o país apostou nas energias renováveis e
em especial na eólica, nos últimos anos.
“Exagerou-se no mix das renováveis e isso
resultou em problemas de sustentabilidade económica”, disse.
As motorizações de elevada cilindrada com
baixa potência de modelos “premium” apresentam custos de manutenção mais elevadas do que motores de menor cilindrada de
construtores generalistas, segundo um estudo
efetuado pela Boxer Consulting para a “Vida
Económica”. O objetivo destes comparativos
é, recorde-se, analisar os preços da manutenção programada a 120 mil km e 48 meses (os
intervalos de manutenção dependem, além
da quilometragem, do tempo passado), a que
se juntam alguns gastos adicionais de peças de
desgaste. Esses componentes são as pastilhas
de travão e a embraiagem.
Desta feita, solicitámos à consultora um
comparativo dividido em três, comparando
modelos do mesmo segmento (C, D e E) de
A diferença dos preços de manutenção entre as marcas “premium” e as generalistas já foi maior.
potência semelhante de marcas “premium” e
construtores generalistas. A comparação foi,
então, entre BMW 116 d (2.0 diesel de 116
cv) e Ford Focus 1.6 TDCi de 115 cv; Mercedes C180 CDI (2.2 diesel de 120 cv) e Peugeot 508 1.6 HDi de 112 cv; e Audi A6 2.0
TDI de 177 cv e Opel Insignia com 160 cv
(este modelo pertence ao segmento D e não
E, mas é a versão mais potente).
Curiosamente, os resultados não indicaram
diferenças marcadas entre “premium” e generalistas, mas entre os motores de cilindradas
diferentes. Com efeito, segundo a Boxer,
o Ford Focus tem custos totais mais baixos
20,5% do que o BMW Série 1 e o Peugeot 508 apresenta um valor 31% inferior ao
do Mercedes Classe C. No entanto, o Opel
Insignia tem, de acordo com a consultora,
um valor semelhante (-2,6%) ao do Audi A6.
Ora, ambos os modelos têm motores 2.0, ao
contrário dos outros casos.
O BMW 116d apresenta, em termos absolutos, um total de 1808,57 euros, contra
1500,63 euros do Focus 1.6 TDCi. O Mercedes C180 CDI tem um valor total de 2312,96
euros, enquanto ao 508 1.6 HDi são indicados 1764,87 euros. Já nos mais equilibrados
Audi A6 e Opel Insígnia os montantes são,
respetivamente, de 1746,75 e 1701,61 euros.
O principal fator para um total absoluto de tendência mais elevada nos modelos
“premium” está nas revisões programadas.
O 116d tem, de acordo com a nossa fonte,
1334,22 euros e o Focus fica-se pelos 911,5
euros; o C180 CDI “custa” 1534,79 euros e o
508 1.6 HDi 1233,73 euros; e o A6 1123,51
euros, contra 996,94 euros do Insignia.
Já nos custos adicionais, a tendência inverte-se, com exceção para o Mercedes. Este último modelo apresenta 778,17 euros de custos
Audi A6 fica bem na “fotografia”
120 000 km/48 meses
Modelo
BMW 116d
(116cv)
Ford Focus 1.6
TDCi (115cv)
Mercedes C180
CDI (120cv)
Peugeot 508 1.6
HDI (112cv)
Audi A6 2.0
TDI (177cv)
Opel Insignia 2.0
CDTI (160cv)
Revisões (s/IVA)
Mão de obra [h]
242,59 [5,6]
248,86 [7,4]
290,81 [7,2]
388,74 [11,35] 236,94 [6,3]
169 [5]
Óleo [q]
590,26 [4]
218,88 [6]
483,6 [4]
346,5 [6]
488,07 [4]
360,72 [4]
Filtro de óleo [q]
51,32 [4]
87,96 [6]
117,4 [4]
70,86 [6]
28,16 [4]
96,2 [4]
Filtro de ar [q]
70,66 [2]
38,58 [2]
49,63 [2]
44,38 [2]
15,17 [1]
52 [2]
Filtro de pólen [q]
72,78 [2]
56,01 [3]
124,22 [2]
41,4 [2]
117,24 [4]
72,8 [2]
Filtro de combustível [q]
57,12 [2]
90,4 [2]
182,14 [4]
111,15 [3]
27,84 [1]
59,8 [2]
Velas [q]
Total Revisões (s/IVA)
1084,73
740,69
1247,8
1003,03
913,42
810,52
Total Revisões (c/IVA)
1334,22
911,05
1534,79
1233,73
1123,51
996,94
Intervalos manut. (km)
30 000
20 000
25 000
20 000
30 000
30 000
Intervalos manut. (meses)
24
12
12
24
24
12
Capacidade do cárter (L)
5,5
3,8
6,5
3,75
3,8
4,5
Tipo de óleo
especial
semissintético
sintético
semissintético
especial
especial
Custos adicionais (c/IVA)
Pastilhas frente
91,83
123,44
98,25
113,16
91,12
150,06
Pastilhas trás
81,49
114,34
78,65
81,48
81,89
95,82
Embraiagem
301,03
351,8
601,27
336,5
450,23
458,79
Total adicionais (c/IVA)
474,35
589,58
778,17
531,14
623,24
704,67
TOTAL absoluto (c/IVA)
1808,57
1500,63
2312,96
1764,87
1746,75
1701,61
Custos combustível
Diesel ( 1,467/l)
7761,6
7408,8
8467,2
8114,4
8643,6
7585,2
Fonte: Boxer Consulting
Obs. Valores em euros (salvo indicação contrária). Preço das revisões programadas sem IVA (salvo indicação contrária). Restantes custos com IVA.
47
SEXTA-FEIRA, 29 DE JUNHO 2012
AUTOMÓVEL
Pirelli com novo responsável ibérico
Concessionário Toyota de Viseu distinguido
Giansimone Bertoli é o novo country manager da Pirelli para Espanha e Portugal, em substituição de Gian Paolo Gatti Comini, que, depois de oito anos como responsável máximo na
Península Ibérica, foi transferido para França, para assumir o cargo de country manager desse país. Nascido em Cremona (Itália) há 44 anos, licenciou-se em Economia e Comércio na
Universidade de Parma em 1995, ano em que entrou no mundo da Pirelli.
A Toyota Motor Europe distinguiu com o Prémio “Ichiban” o concessionário Caetano Auto
(Viseu) por ter alcançado a nível nacional uma performance de excelência em termos de satisfação de clientes. Este galardão é entregue anualmente pela Toyota a nível europeu. Nesta
última edição de 2011 foram avaliados cerca de 2600 concessionários em todo o continente,
tendo sido eleitos os 42 melhores em 32 países.
tramam”
pós-venda
Diferencial de preço
em novo elevado
FORD FOCUS 1.6 TDCI 115 CV
25 150 a 26 585 (IUC 118,76)
MERCEDES C180 CDI
40 194 (IUC 207,6)
OPEL INSIGNIA 2.0 CDTI 160 CV
36 560 a 41 210 (IUC 178,02)
Retorno oferecido aos patrocinadores
deve ir além da presença nas provas
RENATO PITA, PILOTO QUE ESTÁ A DISPUTAR CLASSE 2.0 LITROS/2 RODAS MOTRIZES DO CAMPEONATO NACIONAL
DE RALIS, APOSTA NA CRIAÇÃO DE EVENTOS EXTRA
AQUILES PINTO
[email protected]
O retorno a oferecer aos patrocinadores de equipas de desporto motorizado
“não passa só pela presença nas provas”,
de acordo com Renato Pita, piloto que
está a disputar classe 2.0 Litros/2 Rodas
Motrizes do Campeonato Nacional de
Ralis. “Talvez pelo facto de eu ter duas
empresas, tenho a noção que o facto de
colar um autocolante num carro, por si
só, não chega, principalmente quando se
envolvem verbas que já não são pequenas”, disse à “Vida Económica” o piloto
de Viana do Castelo.
O projeto de Renato Pita passa, por
isso, por um conjunto de ações que extravasam o Campeonato de Portugal de
Ralis, envolvendo todos os patrocinadores e parceiros.
“Isso cria um retorno extra”, explica
o corredor, que, procurou potenciar recursos e criou a Renato Pita Motorsport
Eventos. Sempre com a imagem dos patrocinadores associada, a empresa promove eventos, como o recente Primeiro Rali
de Viana da Castelo (1 e 2 de junho), do
Regional Norte e uma campanha de prevenção rodoviária para todas a escolas do
primeiro ciclo de Viana do Castelo, ação
que pretende repetir nos outros distritos.
Além da referida Renato Pita Motorsport
Eventos, o piloto tem outras duas empre-
Época do piloto
custa 80 mil euros
BMW 116d
31 446 (IUC 178,02)
AUDI A6 2.0 TDI
51 398 (IUC 207,6)
PEUGEOT 508 1.6 HDI
29 723 a 30 623 (IUC 118,76)
(de referir que a Mercedes-Benz Portugal dá
como certos 632,26 euros neste item), enquanto o Peugeot se fica pelos 531,14 euros.
Já no caso do BMW, esse valor é inferior ao
do Ford: 474,35 contra 589,58 euros. Também o Audi (623,24 euros) fica abaixo do
Opel (704,67 euros).
A definição dos custos de que Renato
Pita fala é tão mais importante quanto
maior é o projeto e a classe 2.0 Litros/2
Rodas Motrizes do Campeonato Nacional
de Ralis representa uma dimensão
considerável à escala nacional e do
piloto, que no ano passado disputou o
Open de Ralis. A temporada de 2012
como o Renault Clio R3 Max é, com
efeito, a mais cara de sempre de Renato
Pita.
“Esta é a época com maior investimento
de sempre. Embora tenha metade das
provas do Open de Ralis, é uma prova
do Campeonato Nacional, em que tive
de recorrer ao aluguer do carro à ARC
Sport. Eu gasto, no aluguer do carro,
em cada prova, uma média de 10 mil
euros, são cerca de 100 por km. Isto
inclui assistência e gasolina especial,
que custa à volta de cinco euros o litro.
Fora isto, há os pneus, que no último
rali foram quase cinco mil euros [dez
unidades, quatro para testar e sei na
prova], e todos os custos associados,
como a inscrição em cada prova
(cerca de 1200 euros), a inscrição no
campeonato (500 euros) e deslocações e
pagamento ao ‘staff’ da equipa”, explica
o piloto. Contas feitas, o orçamento para
a temporada da Renato Pita Motorsport
ronda dos 80 mil euros.
“O facto de colar um autocolante num carro, por si só, não chega”, avisa o piloto de Viana do
Castelo.
sas, uma na área da comunicação e outra,
em Espanha, que produz componentes
para eólicas.
Uma das marcas que patrocina o projeto de Renato Pita é a BP, o que é um
orgulho enorme”, segundo a nossa fonte.
A marca de combustíveis e lubrificantes
apoia apenas uma equipa em cada modalidade dos desportos motorizados, sendo
o piloto do Renault Clio R3 Max o escolhido no Campeonato de Portugal de
Ralis. A ligação de Renato Pita à BP vem
desde os primórdios da carreira do vianense, no Campeonato Nacional de Promoção ao volante de um pequeno Nissan
Micra.
Dinheiro disponível e planeamento
essenciais
Renato Pita, que sempre gostou de
competição automóvel, mas na qual só
começou a entrar, de forma consistente,
em 2008, quando, já depois dos 30 anos
(hoje, tem 37 anos), conseguiu a solidez
financeira para isso, avisa que é preciso
reunir o dinheiro necessário para correr.
“Quem quiser montar um projeto nos ralis, tem de ter dinheiro para isso. Se um
projeto custa 100 mil euros, nós temos de
ter esse montante disponível e depois é
que temos de reunir patrocinadores para
minimizarem as coisas. O que se passa
no desporto, muitas vezes, é: o projeto
custa 100 mil euros, vamos arranjar 100
mil euros de patrocínios, se não for assim,
não corremos. Na minha opinião, isso é
uma falha”, defende.
O segredo do sucesso dos projetos de
Renato Pita é, segundo o próprio, o planeamento, algo que acredita ter adquirido
na gestão das suas empresas. “Antes de a
época começar, faço um planeamento em
que ponho os custos todos. Se eu bater
com o carro, tenho de ter dinheiro para
pagar. Tudo tem de ser planeado”, avisa.
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Páginas: 304
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Nº 1451 / 29 de junho 2012 Semanal 2,20 Portugal Continental
Bruxelas alarga regime de apoio
às entidades financeiras
A Comissão Europeia aprovou, pela sexta
vez, uma prorrogação
do regime nacional de
apoio às instituições financeiras. Trata-se de
uma garantia destinada
a facilitar o acesso das
entidades financeiras ao
financiamento de crédito. É também um meio
de restabelecer a confiança por parte dos mercados internacionais. Com este sistema, o Estado passa a ter
garantias nos contratos
de financiamento, bem
como na emissão de dívida não subordinada de
curto e médio prazos das
instituições de crédito
solventes com sede em
Portugal. O valor global
deste regime ascende a
cerca de 20 mil milhões
de euros. A medida representa um benefício
estatal, mas é flexível no sentido da sua adequação às regras comunitárias.
Subsídios de doença
com cortes a partir de julho
Foram publicadas em Diário da Repúblicas as várias alterações aos regimes jurídicos de proteção na doença. As baixas de
curta duração são as mais penalizadas.
Até agora as baixas por doença estavam abrangidas por um regime uniforme
nos primeiros noventa dias (descontando
os três primeiros dias que não nunca são
pagos). Nas baixas até 30 dias, o trabalha-
dor passa a receber 55% do salário bruto,
quando recebia 65% do mesmo. As percentagens vão aumentando, à medida que
se alarga o período de incapacidade para o
trabalho. As novas regras entram em vigor
já no mês de julho, paralelamente a outras
medidas, como é o caso do subsídio de
morte, o qual fica limitado a seis vezes o
indexante de apoios sociais.
Workshop
Como criar Marcas sexy
Como criar Marcas de sucesso. "UVBMNFOUFBTNBSDBTTÍPVNEPTNBJT
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Preços:
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Assinantes Vida Económica: û*7"
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Data -
Local - Porto
COMPETÊNCIAS A DESENVOLVER
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OBJECTIVOS
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Autor: Maria José Esteves,
Sandra Alves Amorim e Paulo Valério
NOTA DE FECHO
JORGE A. VASCONCELLOS E SÁ
MESTRE DRUCKER SCHOOL, PHD COLUMBIA UNIVERSITY
Professor Catedrático – [email protected]
A saída da Grécia do euro:
boas notícias
Portugal, a Eurozone, senão mesmo
a Europa e as economias da OCDE,
estão horrorizadas perante a
possibilidade de a Grécia sair do euro.
Um duplo erro. Primeiro, porque as
consequências positivas para a Europa,
são muito maiores que as negativas. E,
segundo, muito, muito especialmente
para Portugal.
Vamos por partes.
Primeiro: todo o comportamento
da Grécia tem sido de uma enorme
irresponsabilidade, na 1) ausência
de transparência nas suas contas, 2)
deficits sucessivos e 3) ausência de
medidas corretivas.
Ora, sem responsabilidade não pode
haver autoridade (orçamental). “Ubi
comodo, ibi incomodo”, diz a antiga
máxima latina.
O que isto significa é que a Europa
não pode ser construída com base na
geografia. Mas sim na comunhão de
princípios e valores. A Grécia não é
(hoje) um país europeu. Infelizmente.
É possível que Bruxelas aceite suavizar
(em prazo e objetivos) as condições da
austeridade.
O que seria uma pena. Primeiro,
porque só adiará um problema de
fundo, não resolvendo a incontinência
orçamental grega. E, segundo,
porque para a Europa e Portugal as
desvantagens da saída da Grécia do
euro são muito inferiores às vantagens.
Certo que, após a saída da Grécia, as
bolsas e moeda europeias cairão…
até… os “mercados” repararem que
a Grécia representa ± 1% do PIB do
euro. Uma pulga no elefante.
Já reparaste que poeira vamos os dois
a levantar?, diz a pulga nas costas do
elefante… a correr.
Acresce que a saída da Grécia teria
quatro vantagens. Um exemplo para
os incumpridores (e já se sabe como
é: os exemplos valem mil palavras…).
Separaria um membro doente de um
corpo mais saudável. Libertaria os
governos e políticos
europeus para, em vez de tratarem de
problemas (a Grécia, mais a Grécia
e sempre a Grécia), se dedicarem às
oportunidades: pôr a Europa, a crescer.
E finalmente, Bruxelas e os países
ricos também teriam aprendido a sua
lição: não basta impor austeridade (aos
desequilibrados); é também necessário
dar-lhes meios (de crescimento).
Em síntese, para a Grécia, a saída do
euro seria terrível; para a Europa uma
má fase de que ao fim de algum tempo
recuperaria mais forte e até aliviada.
E finalmente, para Portugal, a saída da
Grécia seriam excelentes notícias.
Porque o euro, as bolsas, etc.
sobreviverão à saída da (pulga) grega.
Como caso isolado.
Mas se houvesse um outro “senhor”
que se seguisse (neste caso, Portugal)
aí o caso “fiaria mais fino”. Porque
criaria a ideia (junto dos mercados) de
um efeito dominó: a que se seguiria a
Espanha, Itália, França, etc.
Levando os investidores a fugir (e
já se sabe como é): a realidade é um
conceito e a perceção é a realidade. E,
assim, criando uma profecia que se
autorrealizava.
E isso, isso é o que nenhum país do
euro, Alemanha incluída, se pode
permitir. Pode tolerar. Custe o que
custar.
Por isso, para evitar que Portugal se
visse grego, viriam até nós, fazendonos uma pergunta muito simples:
o que é que necessita? Mais prazo?
Menos juros? Mais dinheiro? O que
for. Diga. E assim Portugal acabaria
por usufruir de condições muito
melhores, por força das necessidades e
iniciativa europeia e não da vontade e
incompetência portuguesas.
Em síntese, aterrados com o efeito
dominó da pulga grega, Bruxelas pode
optar por empurrar o problema para
a frente. Até… se fartar. Um erro…
para a Europa. E uma pena… para
Portugal.
Blog: www.institutoliberdadeeconomica.blogspot.com
Governo rejeita atrasos
nos reembolsos do IRS
O Governo nega que se
estejam a verificar atrasos
nos reembolsos do IRS.
O secretário de Estado
dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, garante que o
processo está a decorrer
com toda a normalidade e
está a ser dada prioridade
às declarações entregues via
internet.
De acordo com a Autoridade Tributária, em junho
foram efeitos reembolsos
num valor de cerca de 1350 milhões de
euros, tendo sido contempladas mais de 1,7 milhões
de famílias. A oposição é
que não se tem conformado com esta argumentação
e adianta que têm sido muitas as queixas recebidas de
contribuintes que continuam à espera dos respetivos
reembolsos. Também considera estranho o facto de
o IRS ter sido o único dos
principais impostos a apresentar uma evolução positiva nos primeiros meses do ano.
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