Espectroscopia de Raios X 1. Introdução Raios X • O conhecimento maioria dos quais fundamental para físicas e químicas. da estrutura dos materiais, a são cristalinos no estado sólido, é a caracterização das propriedades ⇒ A estrutura dos compostos cristalinos é determinada pelo modo como os átomos ou iões se organizam a três dimensões. Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 2 • O estudo da grande variedade e complexidade das estruturas existentes inclui a descrição da estrutura e ainda a influência de determinados factores (e. g. defeitos cristalinos) no “controle” destas estruturas. Propriedades dos materiais • Condutibilidade Eléctrica • Propriedades Mecânicas • Reactividade Química • Propriedades Ópticas Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 3 Técnicas de caracterização dos materiais • Estrutural • Eléctrica ⇒ Resistividade • Magnética ⇒ Susceptibilidade • Óptica • Electroquímica ⇒ Voltametria Cíclica Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 4 Caracterização Estrutural • Difracção de raios – X • Microscopia electrónica de varrimento • Difracção electrónica • Espectroscopia de Mössbθuer • Espectroscospia de Infravermelho • Análise superficial (XPS) Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 5 Química do Estado Sólido ⇒ Conhecimento da estrutura dos materiais Cristalografia Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 6 Fig. 1 – Mural sobre a cristalografia[1]. Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 7 Noções Básicas • Cristal ⇒ Repetição no espaço, de unidades estruturais idênticas – átomo ou conjunto de átomos. ⇒ Apenas um átomo como unidade de repetição Exemplo: Cu (Metálico) } Na (Metálico) Apenas um átomo como unidade de repetição Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 8 ⇒ Unidades estruturais de conjuntos de átomos Fig 2 – Estrutura Cristalina cúbida do NaCl[2]. As esferas maiores representam o Cloro (Cl) e as menores o Sódio (Na). Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues Fig. 3 – Mineral halite (NaCl)[2]. 9 Fig. 4 – Estrutura cristalina cúbica de face centrada de ZnS[3]. As esferas maiores representam o zinco (Zn) e as menores o enxofre (S). Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues Fig. 5 – Mineral blenda (ZnS)[2]. 10 • Simetria ⇒ Quando ocorre a cristalização, ou seja quando há um crescimento do cristal verifica-se uma sobreposição de unidades segundo uma determinada “lei”, que nos mostra que o crescimento cristalino se dá igualmente em todos os sentidos. ⇒Ocorre um crescimento uniforme (simetria cristalina) Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 11 Um cristal é constituído por uma rede a três dimensões definida por 3 vectores a, b e c: Z c α b β γ a Y X ⇒ Vectores de translação que coincidem com as 3 direcções fundamentais do cristal. Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 12 ⇒ Definem a célula unitária básica a três dimensões ⇒ Parâmetros da célula unitária Comprimento(s) e ângulo(s) usados para definir o tamanho da célula unitária. ⇒ Convenção: Ângulo a e b γ; Ângulo b e c α; Ângulo a e c β; Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 13 A célula unitária da figura não tem simetria isto é, os parâmetros de célula e os ângulos podem tomar quaisquer valores. • Considerando duas dimensões, teremos que o vector a por exemplo, vai repetir uma unidade estrutural através de uma translação 1 X: Ponto de referência b X a R 0 Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 14 ⇒ Podemos definir qualquer ponto da rede cristalina por R’ segundo a expressão: R’ = R + ua + vb + wc em que, u, v e w são números inteiros Exemplo: Definição do ponto (1) da rede pode ser feita em termos de R’ R’ = R + 2a + 2b em que, R é o espaço (comprimento) entre o centro dos eixos (0) e o ponto de referência (X). Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 15 • Translação: Primeira operação de cristalografia ⇒ Repetição de um padrão • Rede: Definida como um conjunto de pontos equivalentes em uma, duas ou mais, habitualmente nos materiais inorgânicos, a três dimensões. Rede a uma dimensão • Translação de rede: Deslocamento do cristal paralelamente a si próprio, por um vector de translação (T). T = ua + vb + wc Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 16 • Célula primitiva ⇒ átomo ou conjunto de átomos que sofre a operação de translação. • A combinação de todas as operações de simetria levaram à identificação dos 7 sistemas cristalográficos conhecidos primeiramente e que são caracterizados pelos vectores a, b e c e pelos ângulos α, β e γ que os vectores formam entre si e a que correspondem diferentes operações de simetria. Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 17 Estrutura Cúbica a=b=c ⇒ a α = β = γ ⇒ 90º ⇒ Tipos de Estrutura Cúbica • Cúbica Simples (CS) Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 18 • Cúbica de Corpo Centrado (CCC) • Cúbica de Faces Centradas (CFC) Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 19 ⇒ Discussão em termos dos compostos metálicos (todas as espécies iguais) Estrutura Cúbica Simples (CS) • Parâmetros reticulares: a ; α ,β, γ = 90º • Número de coordenação: 6 • Contribuição de cada espécie para a célula unitária: 1/8 • Número de átomos/ célula unitária: 1 • Relação entre a aresta e o raio atómico: a = 2r Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 20 • Densidade de empacotamento: 52% volume dos átomos D= volume da célula unitária Nº de átomos = 1 a = 2r 4 3 πr D = 3 3 = 0,52 ou 52 % (2 r ) Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 21 Estrutura Cúbica de Corpo Centrado (CCC) • Parâmetros reticulares: a; α ,β, γ = 90º • Número de coordenação: 8 • Contribuição de cada espécie para a célula unitária: Vértices: 1/8 Centro: 1 • Nº de átomos/célula unitária: 2 • Relação entre a aresta e raio atómico: 4r a= 3 Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 22 • Densidade de empacotamento: 68% 4 2× π r3 3 D= 3 ⎛ 4r ⎞ ⎜ ⎟ ⎝ 3⎠ 8 π r3 D= 3 = 0,68 ou 68 % 64 3 r 5,2 Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 23 Estrutura Cúbica de Faces Centradas (CFC) • Parâmetros reticulares: a; α ,β, γ = 90º • Número de coordenação: 12 • Contribuição de cada espécie para a célula unitária: Vértices: 1/8 Centro: 1/2 • Nº de átomos/célula unitária: 4 • Relação entre a aresta e raio atómico: a=r 8 Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 24 • Densidade de Empacotamento: 74 % 4 4 × π r3 3 D= = 0,74 ou 74 % 3 2r 2 ( ) ⇒ Relação entre o comprimento da aresta e o raio dos átomos para as três estruturas cúbicas • Cúbica Simples (CS): a = 2r Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 25 • Cúbica de Corpo Centrado (CCC) b2 = a2 + a2 (1) c2 = a2 + b2 (2) Introduzindo (1) em (2) fica c2 = 3a2 ⇔ e c = 4r Igualando ambas as expressões, a= 4r 3 Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 26 • Cúbica de Faces Centradas (CFC) b = 4r (1) b2 = a2 + a2 b2 = 2a2 (2) Igualando (1) e (2) fica, (4r)2 = 2a2 16r2 = 2a2 a2 = 8r2 ⇔ a = 2r 2 Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 27 Diferentes Tipos de Estrutura (Metais) Estrutura Nº de Coordenação Nº Átomos/ Célula unitária Relação a/r Densidade de Empacotamento Cúbica Simples 6 1 a = 2r 52% Cúbica Corpo Centrado 8 2 a= Cúbica Faces Centradas 12 4 Hexagonal Simples Hexagonal Compacta 8 12 3 6 Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 4r 3 a = 2r 2 ___ ___ 68% 74% Baixo 74% 28 Sistemas Cristalinos Dimensões Da Célula Unitária a=b=c α = β = γ = 90º Classe Exemplo Cúbico NaCl, MgAl2O4, C60K3 a=b≠c α = β = γ = 90º Tetragonal K2NiF4, TiO2, (Rutilo), BaTiO3 (298 K) a≠b≠c α = β = γ = 90º Ortorrombico YBa2Cu3O7 a≠b≠c α = γ = 90º β = 90º Monoclínico KH2PO4 a≠b≠c α ≠ β ≠ γ ≠ 90º Triclínico ___ a=b≠c α = β = 90º γ = 120º Hexagonal LiNbO3 a=b≠c α = β = γ ≠ 90º Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues Trigunal/ Romboédrico BaTiO3,, ↓ - 80ºC 29 Difracção Cristalina Métodos de Difracção Fotões Difracção de Raios X Neutrões Difracção Neutrónica Electrões Difracção Electrónica QUE MÉTODO UTILIZAR? Depende da própria estrutura, do λ da radiação a utilizar e da finalidade do estudo Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 30 Difracção Neutrónica • Utilizada no estudo de cristais magnéticos • A energia do neutrão relaciona-se com o seu λ pela relação de De Broglie. • O feixe de neutrões que incide no cristal, vai interactuar com os spins magnéticos, sendo detectados os momentos magnéticos. Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 31 Difracção Electrónica • Utilizada no estudo da estrutura cristalina e também na determinação de posições electrónicas especiais. • Os electrões do feixe vão provocar excitações dos electrões exteriores das posições atómicas da rede Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 32 Difracção de Raios X em Estruturas Cristalinas • A estrutura dos cristais é determinada a partir de estudos de difracção de raios X. • A difracção de raios X está associada á dispersão dos raios X pelas unidades de um sólido cristalino. • Os raios X interagem com os electrões da matéria • Se um feixe de raios X incide num material inorgânico, vai ser disperso (difractado) em várias direcções pelos electrões dos átomos. Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 33 Prémio Nobel da Física em 1914 • Max von Laue (1912) sugeriu que, devido ao comprimento de onda dos raios X ser da mesma ordem de grandeza das distâncias entre os pontos da rede de um cristal, a rede deveria ser capaz de difractar os raios x: o que realmente é verificado. • Uma figura de difracção de raios x resulta da interferência entre as ondas associadas a estes raios. • As figuras de difracção obtidas deduzir a distribuição dos átomos cristalina. Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues são utilizadas ou iões numa para rede 34 Método de Difracção de Raios X Seja o resultado da dispersão de raios x por átomos contidos em dois planos paralelos BC + CD = n λ (1) em que n é um nº inteiro BC= d sen θ CD= d sen θ BC + CD= 2 d sen θ (2) Fig. 5 – Comportamento dos raios X, tendo em conta os diferentes planos do cristal[5]. Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 35 Prémio Nobel da Física em 1915 Igualando as expressões (1) e (2) fica, 2 d senθ = n λ Lei de Bragg (1915) em que, θ – Ângulo entre os raios x e o plano do cristal d – Distância entre planos adjacentes • Um feixe de raios X será difractado pelo cristal se se verificar a lei de Bragg, caso contrário o respectivo feixe passará pelo cristal sem ser dispersado. Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 36 Exercicio 1: Um feixe de raios x de λ = 0,154 nm é difractado por um cristal, segundo um ângulo de 14,17º. Considerando n =1, calcule a distância em pm, entre as camadas de um cristal 1 pm = 1.10-12 m 1 nm = 1.10-9 m nλ = 2 d sen θ 1 . 154 = 2 . d. sen14,17 154 = 0,489d d = 315 pm Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 37 Exercicio 2: A um cristal de cobre puro, aplicou-se um feixe de raios X de λ = 154 pm. Foi observada uma mancha muito intensa, em resultado das camadas representadas na figura para um ângulo de incidência θ = 17,5º. Determine o raio do cobre. d O melhor método para determinar os comprimentos da ligação e ângulos de ligações em moléculas no estado sólido, e de maior precisão baseia-se na técnica de difracção de raios X Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 38 Bibliografia [1] - C. Kittel, “Introduction to Solid State Physics” 5 th Ed., John Wiley and Sons, 1976 [2] - D.M. Adams, “Inorganic Solids”, 1974 John Wiley and Sons, [3] - M. T. Weller, “ Inorganic Materials Chemistry”, Oxford Science Publications, 1996 [4] - N. Masciocchi and A. Sironi, J.Chem.Soc., Dalton Trans., 4643 – 4650, 1997 Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 39 Locais na rede Imagem de abertura: http://www-structure.llnl.gov/Xray/101index.html (06/03/05) [1] - www.smcr.fisica.unam.mx/ (06/03/05) [2] - http://www.chem.ox.ac.uk/icl/heyes/structure_of_solids/Lecture2/Lec2.html (06/03/05) [3] - www.univ-lemans.fr/.../chimie/ 01/deug/sem3/images/zns.jpg (não disponível) [4] - dutch.phys.strath.ac.uk/.../ images/sm-xrays14.gif (não disponível) Copyright © 2002-2005 João Manuel Cunha Rodrigues 40