entrevista Valdir A. dos Santos , do SINDASP: “sem despachante, alfândega para” manuseio, movimentação e TRANSPORTE de cargas e materiais Ano 1 1 1 NO 14 R$ 10,00 SUPORTE Sany estrutura rede nacional; Zoomlion cria filial no Brasil RECICLAGEM EXPANSÃO E MOBILIZAÇÃO DO MERCADO BAUMA CHINA E INFRA RIO OPORTUNIDADES NOS BASTIDORES DO SHOW ROOM SIDERURGIA Estudo de caso: Gestão, descarga, movimentação, armazenagem e expedição ARTIGO Sistemas magnéticos de elevação: conceitos e aplicações Dicas Que bons ventos OS Ao olhar as causas reais ou potenciais de acidentes nos içamentos, o fator vento é frequentemente subestimado ou negligenciado Por: Camilo Filho* A BRASIL experiência da maioria das pessoas é que o vento é um incômodo, movendo folhas e lixo, mas nunca causando uma situação de risco, exceto em condições de tempestade. A razão é que nós seres humanos somos muito densos, pois temos um peso CRANE 34 Fig.2 elevado em relação à nossa área de superfície. Entretanto, com guindastes e operações de levantamento existe um potencial significativo para Fig.1 acidentes devido às cargas de vento. Os efeitos do vento em guindastes podem ser diretos ou indiretos. Os efeitos diretos são os que têm potencial capaz de afetar a estabilidade e/ou a integridade estrutural do guindaste, enquanto os efeitos indiretos são as forças do vento que fazem com que a carga no gancho se mova de repente. Isso, por sua vez, pode ocasionar a queda de material sobre pessoas, estruturas ou do próprio guindaste. Embora não pareça, o ar pesa (fig. 1)! 1m³ de ar pode ser considerado para efeito de cálculo como pesando 1,25kg. Quando o vento sopra, as moléculas dos gases que compõem o ar são movidas a uma certa velocidade e ganham energia cinética. Quando o vento encontra um obstáculo, aquela energia é transformada em pressão do vento ou força por GUIEM! unidade de área. Em termos gerais, a relação entre pressão do vento (P) e a velocidade do vento (Vv) é: P=Kx(Vv)², onde K é um fator relacionado com a densidade do ar, o qual para efeito de projeto é considerado constante. A pressão cb_1005.pdf 07.05.2010 Fig.3 12:17:03 Uhr we love rope verope - special wire ropes cabos de aço especiais verope: Maior flexibilidade e carga de ruptura www.verope.com Telefone : 011 42 29-5000 | Nextel: 15*22 629 [email protected] | www.fuertesind.com.br CRANE 36 do vento (P) é dada em N/m² e a velocidade (Vv) em m/s. Como é uma relação ao quadrado, é obvio que se a velocidade do vento dobra, a pressão aumenta quatro vezes! Daí, concluímos que um pequeno aumento na velocidade do vento, pode ter um efeito significativo na sua força e na estabilidade da carga e da máquina. Uma vez que a pressão do vento é conhecida para uma dada velocidade, a força do vento agindo sobre um guindaste especifico pode ser calculada pela multiplicação da pressão pela área dos componentes do guindaste expostos ao vento. Na verdade, o cálculo é um pouco mais complexo, porque temos que levar em consideração além da área, o coeficiente de forma (Cw) da estrutura que estamos analisando. Um instrumento chamado anemômetro é utilizado para se medir a velocidade do vento. Normalmente nas tabelas de carga dos vários fabricantes, constam as velocidades admissíveis de vento para aquela determinada configuração. Porém, estas velocidades foram estabelecidas segundo um padrão e quando nossa carga está acima deste padrão, temos que calcular a velocidade máxima permitida ou admissível para esta operação específica. É usual como procedimento em içamentos em terra (Onshore) que ventos entre 32km/h e 47,9km/h obriguem-nos a reduzir a velocidade de todos os movimentos para o mínimo e aplicarmos uma redução nas cargas tabeladas. Por sua vez, ventos de 48km/h ou acima, fazem com que a operação seja interrompida e preferencialmente que abaixemos as lanças. Alguns dos problemas a considerar quando nos depararmos com condição de vento durante a operação: A geometria e formato da carga Há uma grande área da carga exposta ao vento? Que dificuldade teremos em controlar a carga se uma rajada de vento ocorrer? Qual é a altura de içamento da carga? A velocidade do vento normalmente aumenta com a altura. Estabilidade traseira Estabilidade traseira pode ser um problema quando o vento é frontal à máquina e temos uma lança muito comprida. * Camilo Filho é e - Engenheiro Mecânico, especialista em içamentos pesados, com mais de 29 anos de experiência trabalhos de grande envergadura dentro e fora do país. Atualmente é diretor técnico da IPS – Soluções Técnicas em Movimentações de Cargas e Membro da ACRP (USA). Vento por detrás da máquina Vento vindo da traseira da máquina pode fazer com que a carga mova-se para frente, aumentando o raio e automaticamente diminuindo a capacidade do guindaste. (Fig.2) Vento lateral ao guindaste Vento vindo de lado pode fazer com que a máquina sofra carga lateral, o que é extremamente perigoso para o guindaste. (Fig.3) Operando o guindaste entre estruturas Operar um guindaste entre edifícios ou estruturas sob condições de ventos fortes pode ser muito perigoso devido ao efeito “túnel de vento”. Conforme o vento sopra em torno das obstruções, pode haver áreas localizadas de aumento de velocidade, que podem exceder o limite de segurança pré estabelecido pelo estudo de rigging, mesmo que a velocidade do vento no geral não seja um problema. Foto: Divulgação BRASIL Dicas