A VIDA COMO
ELA DEVERIA
SER
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Por André Rodrigues, enviado
especial à Suíça
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Sede da ONU: Palais des Nations, 1211
Grand Hotel Kempinski: Quai du Mont-Blanc, 19
Le Parc du Lac: Rue de Lausanne, 128
Les Bains des Pâquis: Quai du Mont-Blanc, 30
La Coupole: Rue Pierre Fatio, 15
Globus: Rue du Rhône, 48
Cave du Palais de Justice: Place du Bourg-de-Four, 1
Philippe Pascoët: Rue Saint-Joseph, 12 (Carouge)
Le Chat Noir: Rue Vautier, 13 (Carouge)
Hotel Four Seasons (Il Lago): Quai des Bergues, 33
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o cercadinho entre Alemanha, Áustria, França
e Itália, a Suíça é um país quase invisível em
termos de extensão territorial: precisaríamos
de seis vezes o seu tamanho para preencher o
espaço ocupado pelo estado de São Paulo, por exemplo.
Sua população também é minúscula se comparada aos
números made in Brasil. Enquanto o paulista convive
com outros 40 milhões de seres humanos, somente cerca
de 8 milhões de pessoas habitam aquelas fronteiras.
Já em outros rankings, digamos, mais importantes,
como o Índice Global da Paz, a Suíça figura em quarto
lugar, tem uma economia que cravou a primeiríssima
posição neste ano na categoria Inovação, está no terceiro
lugar em Índice de Desenvolvimento Humano, é um
dos dez países menos corruptos do mundo e, o mais
importante, é o oitavo lugar do planeta onde as pessoas
são mais felizes. Se houvesse também um índice de
pontualidade, eles bateriam todos os recordes _talvez
por isso os melhores relógios sejam fabricados por lá.
Em um giro por essas terras, saltam aos olhos os
motivos para tanta qualidade de vida. Com a paisagem
que vai da altitude vertiginosa e gélida dos Alpes, em
destinos bucólicos tipo Gstaad, a terras mais planas e
ultracosmoplitas, recheadas de endereços estrelados e
gente jovem reunida, como Genebra e Zurique, a Suíça
oferece o que poucos destinos são capazes: uma viagem
do francês ao italiano, passando pelo alemão e até o
romanche, em um liquidificador cultural que mistura o
lifestyle saudável de um povo habituado a formalidades,
mas que não tem o menor pudor em tirar a roupa para
fugir do calor veranil nos lagos e rios que cortam suas
capitais, dando um exemplo de como a nossa vida poderia
_e até deveria_ ser.
GENEBRA
Segunda cidade mais populosa da Suíça (só perde para
Zurique), Genebra é a capital mundial da paz: aqui fica
a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), e foi
aqui também que tiveram origem as famosas Convenções
de Genebra, uma série de tratados que zela pelos direitos
humanos em âmbito internacional.
Opte por uma um hospedagem à beira do Lago de
Genebra, caso do Grand Hotel Kempinski, que oferece
apartamentos espaçosos e serviços de primeira com
vista para o que importa. No concierge do hotel, pegue
a e-bike exclusiva para hóspedes e desbrave as vielas de
jardins impressionistas dentro do parque Perle-du-Lac, de
preferência nas primeiras horas da manhã, com o sol ainda
brotando das costas da legendária Mont Blanc, a montanha
mais alta dos Alpes, a 4.810 m acima do nível do mar.
Nos dias mais quentes do ano (durante o verão),
mergulhe de cabeça no Les Bains des Pâquis, um tipo
de praia urbana que é o ponto de encontro dos suíços de
pele dourada _pode parecer estranho tirar a roupa no
meio da cidade, mas o desconforto some quando você se
lembra que por aqui o jeito brasileiro de pensar não faz
o menor sentido.
Genebra também esconde lugares deliciosos para
os paladares mais apurados, como o La Coupole, um
mercadão de especiarias e quitutes, e o tem-de-tudo
Globus, que oferece vinhos que podem custar desde CHF
8,90 (R$ 23) até CHF 21.199,00 (mais de R$ 56 mil) o
rótulo. Na Globus Delicatessen, até os hambúrgueres são
requintados e levam assinatura do chef Philippe Chevrier,
dono de duas estrelas Michelin.
Também reserve a agenda para explorar a Cave
du Palais de Justice, onde é possível encontrar vinhos
envasados por Stéphane Gros, jovem considerado um dos
mais ousados e inovadores enólogos do mundo. Ainda na
série de programas imperdíveis, uma tarde no vilarejo de
Carouge vem com direito a shoppingterapia em lojas que
vendem artesanias locais e chocolates deliciosos, como
os de Philippe Pascoët (experimente as meias-luas de
laranjas cristalizadas revestidas com chocolate amargo),
além das cervejas nacionais no menu do descoladérrimo
pub Le Chat Noir.
Para fechar em grande estilo, reserve uma mesa no
disputado Il Lago, restaurante que fica dentro do Hotel
Four Seasons. Entre incontáveis delícias no menu, não
levante antes de provar o risoto de lagosta que deu fama
mundial ao poderoso chef italiano Marco Garfagnini.
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Golden Pass: goldenpass.ch
The alpina: Alpinastrasse, 23
Posthotel Rössli: Promenade, 10
ZURIQUE
De trem, Zurique fica a cerca de duas horas de Gstaad.
Com certeza, no roteiro que fizemos, esta é a cidade mais
urbana, cosmopolita e agitada de todas. Zurique funciona
como uma espécie de hub para todos os cantos da Suíça _e
da Europa também. Como resultado, a mistura de povos e
culturas internacionais é mais visível nas ruas da cidade,
mas não chega a interferir no estilo de vida suíço, que
segue marcado pela ordem e pontualidade.
Em um dos pontos mais altos da cidade fica o Dolder
Grand, um hotel com cara de museu que abriga obras
peso-pesado do calibre de Andy Warhol, Keith Haring,
Takashi Murakami, Salvador Dalí, Man Ray, Damien
Hirst, Henry Moore, Marc Quinn e Fernando Botero,
entre outros. Mesmo na ausência de um representante
brasileiro, sobram artistas de impacto nesse time _na
contagem oficial, são mais de 200 obras, entre pinturas
e esculturas.
Cansou de tanto andar atrás das obras de arte? (o
Dolder oferece iPads com um mapa de onde encontrar
cada artista no hotel). Então vá direto ao spa para o
tratamento signature _feito sobre uma cama de água
quente que infla e faz com que você se sinta de volta
dentro do útero (ou algo assim). À noite, drinks no bar
do hotel, com décor inspirado nos filmes de Harry Potter,
GSTAAD
A poucas horas a bordo do Golden Pass (um trem
panorâmico que, entre vistas de tirar o fôlego, cruza a
famosa cidade de Montreux) saindo de Genebra, o vilarejo
de Gstaad chama a atenção dos curiosos pela quantidade
de celebrities do primeiro escalão que elegem o destino
para temporadas de férias. Na lista? Valentino, Roman
Polanski, Roger Moore, Elizabeth Taylor e Madonna, só
para citar alguns, têm casas ou já pisaram nessas terras
que são frias até mesmo quando a neve sai de cena nos
dias de calor.
Neste raro intervalo, aproveite para pedalar (lembra da
e-bike de Genebra?) até o Lago Lauenensee. Chegando lá,
a ordem é respirar o ar puro e contemplar, sem pressa, a
paisagem ao som hipnotizante das vaquinhas que pastam
tilintando sinos em volta dos seus pescoços. Nessa época do
ano (verão), elas se alimentam de flores e ervas que brotam
nos Alpes e que interferem no sabor do leite produzido,
dando, por fim, origem ao queijo típico da região.
Para conforto, luxo e um spa Six Senses, fique no
Alpina Gstaad, um dos hotéis mais impressionantes onde
este que vos escreve já se hospedou. Além de um acervo
de arte contemporânea que pipoca nos quatro cantos da
propriedade (procure pelos animais em braile de Roy
Nachum ou aprecie o jantar no restaurante Sommet
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The Dolder Grand: Kurhausstrasse, 65
Hiltl: Sihlstrasse, 28
Viaduktstrasse: im-viadukt.ch
Gnusserei: Giessereistrasse, 18
Markthalle: markthalle.im-viadukt.ch
com vista para os chifres surreais de Ann Carrington,
feitos a partir de centenas de facas), o Alpina emoldura
na paisagem a geleira Wildhorn, tem piscina externa
aquecida (fumegante!) e hóspedes invisíveis _é raro cruzar
o caminho de outras pessoas nas dependências do hotel,
o que torna tudo ainda mais exclusivo e aconchegante.
Não volte para o Brasil sem experimentar o fondue
de vacherin + gruyère, harmonizado com schnaps (uma
espécie de aguardente feita de cerejas) do Posthotel Rössli.
repleto de velas que parecem levitar acima das cabeças.
Zurique também deve ser explorada (como toda
grande cidade, programe sua viagem para estar aqui em
um fim de semana): se você ficar de costas para o lago, vai
encontrar à direita do rio os bares, restaurante e hotéis
mais populares. Do lado esquerdo ficam, portanto, as lojas
e hotéis mais sofisticados. Passeie pela rua Niederdorf,
recheada de bistrôs, restaurantes e bares, todos lotados
de gente linda. Aproveite para jantar pelo menos um dia
no Hiltl, o restaurante vegetariano mais antigo do mundo
(em funcionamento desde 1898).
Em um dia extra, uma ótima pedida é visitar o
pavilhão industrial que abriga o bistrô Gnusserei, perto
do Viaduktstrasse, onde fica o restaurante e mercado
Markthalle. Debaixo de um viaduto por onde passam
trens, o jantar é marcado pelo barulho dos trilhos,
atestando que uma cidade pode e deve estar a serviço de
quem nela vive.
O jornalista viajou a convite do Switzerland Tourism
(myswitzerland.com) e da SWISS International Air Lines
(swiss.com/brasil)
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a vida como ela deveria ser a vida como ela