A VIDA COMO ELA DEVERIA SER Dest i no já favor it o dos bra si lei r os q ue a ma m sent i r o fr io no i nver no dos A lpes, a Suíç a ex ist e t a m bém no verão, só q ue de um jeit o a i nda mel hor : ma is color ido, a leg r e e v i bra nt e. 208 dezembro 2014 - janeiro 2015 CREDIT PHOTO CREDIT PHOTO Por André Rodrigues, enviado especial à Suíça dezembro 2014 - janeiro 2015 209 N 210 dezembro 2014 - janeiro 2015 Sede da ONU: Palais des Nations, 1211 Grand Hotel Kempinski: Quai du Mont-Blanc, 19 Le Parc du Lac: Rue de Lausanne, 128 Les Bains des Pâquis: Quai du Mont-Blanc, 30 La Coupole: Rue Pierre Fatio, 15 Globus: Rue du Rhône, 48 Cave du Palais de Justice: Place du Bourg-de-Four, 1 Philippe Pascoët: Rue Saint-Joseph, 12 (Carouge) Le Chat Noir: Rue Vautier, 13 (Carouge) Hotel Four Seasons (Il Lago): Quai des Bergues, 33 CREDIT PHOTO o cercadinho entre Alemanha, Áustria, França e Itália, a Suíça é um país quase invisível em termos de extensão territorial: precisaríamos de seis vezes o seu tamanho para preencher o espaço ocupado pelo estado de São Paulo, por exemplo. Sua população também é minúscula se comparada aos números made in Brasil. Enquanto o paulista convive com outros 40 milhões de seres humanos, somente cerca de 8 milhões de pessoas habitam aquelas fronteiras. Já em outros rankings, digamos, mais importantes, como o Índice Global da Paz, a Suíça figura em quarto lugar, tem uma economia que cravou a primeiríssima posição neste ano na categoria Inovação, está no terceiro lugar em Índice de Desenvolvimento Humano, é um dos dez países menos corruptos do mundo e, o mais importante, é o oitavo lugar do planeta onde as pessoas são mais felizes. Se houvesse também um índice de pontualidade, eles bateriam todos os recordes _talvez por isso os melhores relógios sejam fabricados por lá. Em um giro por essas terras, saltam aos olhos os motivos para tanta qualidade de vida. Com a paisagem que vai da altitude vertiginosa e gélida dos Alpes, em destinos bucólicos tipo Gstaad, a terras mais planas e ultracosmoplitas, recheadas de endereços estrelados e gente jovem reunida, como Genebra e Zurique, a Suíça oferece o que poucos destinos são capazes: uma viagem do francês ao italiano, passando pelo alemão e até o romanche, em um liquidificador cultural que mistura o lifestyle saudável de um povo habituado a formalidades, mas que não tem o menor pudor em tirar a roupa para fugir do calor veranil nos lagos e rios que cortam suas capitais, dando um exemplo de como a nossa vida poderia _e até deveria_ ser. GENEBRA Segunda cidade mais populosa da Suíça (só perde para Zurique), Genebra é a capital mundial da paz: aqui fica a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), e foi aqui também que tiveram origem as famosas Convenções de Genebra, uma série de tratados que zela pelos direitos humanos em âmbito internacional. Opte por uma um hospedagem à beira do Lago de Genebra, caso do Grand Hotel Kempinski, que oferece apartamentos espaçosos e serviços de primeira com vista para o que importa. No concierge do hotel, pegue a e-bike exclusiva para hóspedes e desbrave as vielas de jardins impressionistas dentro do parque Perle-du-Lac, de preferência nas primeiras horas da manhã, com o sol ainda brotando das costas da legendária Mont Blanc, a montanha mais alta dos Alpes, a 4.810 m acima do nível do mar. Nos dias mais quentes do ano (durante o verão), mergulhe de cabeça no Les Bains des Pâquis, um tipo de praia urbana que é o ponto de encontro dos suíços de pele dourada _pode parecer estranho tirar a roupa no meio da cidade, mas o desconforto some quando você se lembra que por aqui o jeito brasileiro de pensar não faz o menor sentido. Genebra também esconde lugares deliciosos para os paladares mais apurados, como o La Coupole, um mercadão de especiarias e quitutes, e o tem-de-tudo Globus, que oferece vinhos que podem custar desde CHF 8,90 (R$ 23) até CHF 21.199,00 (mais de R$ 56 mil) o rótulo. Na Globus Delicatessen, até os hambúrgueres são requintados e levam assinatura do chef Philippe Chevrier, dono de duas estrelas Michelin. Também reserve a agenda para explorar a Cave du Palais de Justice, onde é possível encontrar vinhos envasados por Stéphane Gros, jovem considerado um dos mais ousados e inovadores enólogos do mundo. Ainda na série de programas imperdíveis, uma tarde no vilarejo de Carouge vem com direito a shoppingterapia em lojas que vendem artesanias locais e chocolates deliciosos, como os de Philippe Pascoët (experimente as meias-luas de laranjas cristalizadas revestidas com chocolate amargo), além das cervejas nacionais no menu do descoladérrimo pub Le Chat Noir. Para fechar em grande estilo, reserve uma mesa no disputado Il Lago, restaurante que fica dentro do Hotel Four Seasons. Entre incontáveis delícias no menu, não levante antes de provar o risoto de lagosta que deu fama mundial ao poderoso chef italiano Marco Garfagnini. dezembro 2014 - janeiro 2015 211 Golden Pass: goldenpass.ch The alpina: Alpinastrasse, 23 Posthotel Rössli: Promenade, 10 ZURIQUE De trem, Zurique fica a cerca de duas horas de Gstaad. Com certeza, no roteiro que fizemos, esta é a cidade mais urbana, cosmopolita e agitada de todas. Zurique funciona como uma espécie de hub para todos os cantos da Suíça _e da Europa também. Como resultado, a mistura de povos e culturas internacionais é mais visível nas ruas da cidade, mas não chega a interferir no estilo de vida suíço, que segue marcado pela ordem e pontualidade. Em um dos pontos mais altos da cidade fica o Dolder Grand, um hotel com cara de museu que abriga obras peso-pesado do calibre de Andy Warhol, Keith Haring, Takashi Murakami, Salvador Dalí, Man Ray, Damien Hirst, Henry Moore, Marc Quinn e Fernando Botero, entre outros. Mesmo na ausência de um representante brasileiro, sobram artistas de impacto nesse time _na contagem oficial, são mais de 200 obras, entre pinturas e esculturas. Cansou de tanto andar atrás das obras de arte? (o Dolder oferece iPads com um mapa de onde encontrar cada artista no hotel). Então vá direto ao spa para o tratamento signature _feito sobre uma cama de água quente que infla e faz com que você se sinta de volta dentro do útero (ou algo assim). À noite, drinks no bar do hotel, com décor inspirado nos filmes de Harry Potter, GSTAAD A poucas horas a bordo do Golden Pass (um trem panorâmico que, entre vistas de tirar o fôlego, cruza a famosa cidade de Montreux) saindo de Genebra, o vilarejo de Gstaad chama a atenção dos curiosos pela quantidade de celebrities do primeiro escalão que elegem o destino para temporadas de férias. Na lista? Valentino, Roman Polanski, Roger Moore, Elizabeth Taylor e Madonna, só para citar alguns, têm casas ou já pisaram nessas terras que são frias até mesmo quando a neve sai de cena nos dias de calor. Neste raro intervalo, aproveite para pedalar (lembra da e-bike de Genebra?) até o Lago Lauenensee. Chegando lá, a ordem é respirar o ar puro e contemplar, sem pressa, a paisagem ao som hipnotizante das vaquinhas que pastam tilintando sinos em volta dos seus pescoços. Nessa época do ano (verão), elas se alimentam de flores e ervas que brotam nos Alpes e que interferem no sabor do leite produzido, dando, por fim, origem ao queijo típico da região. Para conforto, luxo e um spa Six Senses, fique no Alpina Gstaad, um dos hotéis mais impressionantes onde este que vos escreve já se hospedou. Além de um acervo de arte contemporânea que pipoca nos quatro cantos da propriedade (procure pelos animais em braile de Roy Nachum ou aprecie o jantar no restaurante Sommet 212 dezembro 2014 - janeiro 2015 The Dolder Grand: Kurhausstrasse, 65 Hiltl: Sihlstrasse, 28 Viaduktstrasse: im-viadukt.ch Gnusserei: Giessereistrasse, 18 Markthalle: markthalle.im-viadukt.ch com vista para os chifres surreais de Ann Carrington, feitos a partir de centenas de facas), o Alpina emoldura na paisagem a geleira Wildhorn, tem piscina externa aquecida (fumegante!) e hóspedes invisíveis _é raro cruzar o caminho de outras pessoas nas dependências do hotel, o que torna tudo ainda mais exclusivo e aconchegante. Não volte para o Brasil sem experimentar o fondue de vacherin + gruyère, harmonizado com schnaps (uma espécie de aguardente feita de cerejas) do Posthotel Rössli. repleto de velas que parecem levitar acima das cabeças. Zurique também deve ser explorada (como toda grande cidade, programe sua viagem para estar aqui em um fim de semana): se você ficar de costas para o lago, vai encontrar à direita do rio os bares, restaurante e hotéis mais populares. Do lado esquerdo ficam, portanto, as lojas e hotéis mais sofisticados. Passeie pela rua Niederdorf, recheada de bistrôs, restaurantes e bares, todos lotados de gente linda. Aproveite para jantar pelo menos um dia no Hiltl, o restaurante vegetariano mais antigo do mundo (em funcionamento desde 1898). Em um dia extra, uma ótima pedida é visitar o pavilhão industrial que abriga o bistrô Gnusserei, perto do Viaduktstrasse, onde fica o restaurante e mercado Markthalle. Debaixo de um viaduto por onde passam trens, o jantar é marcado pelo barulho dos trilhos, atestando que uma cidade pode e deve estar a serviço de quem nela vive. O jornalista viajou a convite do Switzerland Tourism (myswitzerland.com) e da SWISS International Air Lines (swiss.com/brasil) dezembro 2014 - janeiro 2015 213