UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM AS NOVAS TÉCNOLOGIAS E SUAS INFLUÊNCIAS NO SETOR POSTAL Por: Alexandre da Franca Macedo Orientador Prof. Jorge Vieira Rio de Janeiro 2011 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM AS NOVAS TÉCNOLOGIAS E SUAS INFLUÊNCIAS NO SETOR POSTAL Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão de Varejo. Por Alexandre da Franca Macedo 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por ter me dado mais está oportunidade em realizar mais este projeto na minha vida. Ao meu Orientador Prof. Jorge Vieira e a todos aqueles que de forma direta ou indireta contribuíram para almejar mais esta fase da minha vida. 4 DEDICATÓRIA A minha esposa, Maria do Carmo, pela compreensão e ajuda; Ao meu filho, Alexandre Pimentel, pelo carinho e amor; Aos meus familiares pelo apoio prestado. 5 RESUMO Essa monografia foi elaborada com a finalidade de explorar como as novas tecnologias foram capazes de impactar nos serviços postais nos Correios do Brasil e no mundo. Para isso esta monografia será dividida em 4 capítulos: o primeiro focado na história dos Correios brasileiro. No segundo foi explorado o impacto das novas tecnologias no serviço postal e quais suas consequências. No terceiro foi analisado qual foi a origem dessas mudanças. O quarto parágrafo focará qual o papel dos correios na sociedade atual. O objetivo deste estudo será conhecer e perceber os fatores que influenciam e o impacto que as novas tecnologias provocaram e irão provocar no serviço postal brasileiro e mundial e quais os reais caminhos que os correios devem traçar, quais suas estratégias para sobreviver num mercado cada vez mais competitivo onde a velocidade da informação faz a diferença no ambiente coorporativo. 6 METODOLOGIA O estudo será desenvolvido através de pesquisas bibliográficas, utilizando como meios livros, revistas, jornais atualizados e também pesquisas através da internet, disseminado através de sites, bibliotecas virtuais e on-line, livres e colaborativas. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - A História dos Correios Brasileiro 09 CAPÍTULO II - O Mercado postal 21 CAPITULO III – A origem das mudanças 22 CAPÍTULO IIII – O novo papel dos correios 29 CONCLUSÃO 33 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 34 8 INTRODUÇÃO A criação da ECT em 1969 revolucionou o setor postal nacional. Os Correios, que vinham de uma história marcada pela ineficiência, sofreram um choque modernizador que os transformou numas das instituições mais confiáveis do País. Mais de 40 anos depois, a entidade se encontra às vésperas de uma segunda revolução. A reforma proposta vai mudar profundamente o sistema postal brasileiro. Os Correios irão ganhar liberdade para disputar mercados nascentes. Estarão abertos a parcerias com a livre iniciativa para explorar negócios específicos. Ganhará competitividade. O crescimento do comércio eletrônico está descortinando todo um universo de oportunidades de negócios para a administração postal pública brasileira. A nova realidade, no entanto, impõe inúmeros desafios tecnológicos e gerenciais a ser vencidos por seu corpo gerencial e seus empregados, tendo como foco o cliente e o mercado. A modernização e automação de processos, flexibilidade no atendimento, maior capilaridade com o público por meio da internet e, principalmente, a rapidez no atendimento. A nova demanda do mercado requer um esforço enorme de todos os empregados para ajustar a empresa às novas demandas do mercado. 9 CAPÍTULO I – HISTÓRIA DOS CORREIOS BRASILEIRO 1 - PERÍODO COLONIAL Com a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil em 1500, surgiu à primeira correspondência oficial ligada ao País, a qual, escrita por Pero Vaz de Caminha e enviada ao Rei de Portugal, relatava com notório entusiasmo o descortinar de uma nova terra. Com este acontecimento, eternizado na história brasileira, estava sendo escrita a primeira página do surgimento do correio no Brasil. Os primórdios dos serviços postais no Brasil Colônia reportam-se ao correio de Portugal e à sua atuação neste novo território. Durante os primeiros tempos da colonização, os portugueses não dispunham de um sistema postal bem organizado, tendo, inclusive, que recorrer ao de nações vizinhas. Nem a criação do Correio-Mor das Cartas do Mar, em 1673, resolveu o problema de ligação postal entre a nova terra e a metrópole. Deste modo, a dificuldade na comunicação entre Portugal e o então Brasil Colônia fez com fossem instituídos, definitiva e oficialmente em 1798, os Correios Marítimos. Anos depois surgiu a necessidade de promover a expansão dos serviços para o interior da Colônia. A chegada da Família Real ao Novo Mundo abriu caminhos para que o serviço postal melhor se desenvolvesse com o progresso comercial advindo, a elaboração do primeiro Regulamento Postal do Brasil, o funcionamento regular dos Correios Marítimos e a emissão de novos decretos criando os Correios Interiores. Com o retorno de D. João VI a Portugal, houve um período bastante conturbado que culminou com a independência do País em 1822, quando os 10 Correios desempenharam importante papel, trazendo informações do Velho Mundo e aglutinando aqui as forças em prol do rompimento com Portugal. 1.1 - PERIODO IMPERIAL Durante este período, D. Pedro I reorganizou os Correios do Brasil independente e iniciou o processo de criação de administrações de correios nas províncias. Sob D. Pedro II, as reformas postais instituíram: o pagamento prévio de franquia unificada; o lançamento dos primeiros selos postais; a criação do quadro de carteiros, de caixas de coleta e de postais e a distribuição domiciliária de correspondência na Corte e nas províncias. Foi estabelecido o serviço telegráfico, e o Brasil aderiu, por tratados, aos organismos internacionais de telecomunicações recém-criados. 1.2 - CORREIOS NO BRASIL INDEPENDENTE Após a declaração de Independência do Brasil, seguiram-se as providências para instalação do novo governo e organização dos serviços públicos e de infra-estrutura que ficaram completamente dissociados da administração portuguesa. Nessa época, a correspondência expedida para o interior da Província de São Paulo ainda era transportada por mensageiros pagos pelos interessados ou por graciosidade de viajantes. No Rio de Janeiro, as casas comerciais e os particulares só recebiam correspondência em domicílio mediante pagamentos trimestrais ou semestrais, adiantados, e desde que previamente acertado com o Administrador do Correio, enquanto que a correspondência oficial era missão de milicianos pagos pelo governo. Essa situação levou o Ministro e Secretário dos Negócios do Império, José Clemente Pereira, a propor as bases para o Decreto de 30 de setembro de 1828, que autorizou a reorganização do Correio-Geral e o estabelecimento de correios de mar e terra entre as províncias. Esse Decreto apresentou uma proposta de reorganização dos serviços postais, que culminou na primeira 11 organização verdadeira dos serviços de correios no Brasil, mediante iniciativa do Governo Imperial. A criação da Administração Geral dos Correios trouxe uma melhor comunicação entre a Corte e as províncias e promoveu o desenvolvimento das relações de. Em 1835, na tentativa de melhorar o serviço de mensagens, foi instituída, por meio de um decreto, a figura do hoje popular carteiro, que viabilizou a entrega de correspondência nos domicílios. As normas criadas para os correios (assim eram conhecidos os carteiros) determinavam que o uniforme usado por eles, deveria ser designado pelo governo e trazer à cintura uma bolsa com as cartas a distribuir e mais outra a tira-colo, fechada, e só com uma abertura para a introdução das cartas que eles coletavam no caminho. Os correios eram escolhidos pelos administradores e deveriam saber ler, escrever e contar. Trabalhavam diariamente de oito da manhã às três da tarde e aos sábados deveriam prestar contas das cartas que lhes houvessem sido entregues. Significativa inovação ocorreu em 1843 com o lançamento o 1º selo postal brasileiro, conhecido como Olho de Boi. A utilização de selos permitiu a reformulação do sistema de pagamento pelo serviço que deixou de ser feito recebedor (destinatário) e passou a ser pago pelo remetente. Outra grande novidade foi a implantação dos serviços telegráficos que funcionavam independentes dos Correios, mas cujo sucesso foi muito rápido, tanto que em 1909 já estava presente em todo o litoral brasileiro. As grandes transformações industriais e comerciais ocorridas no mundo do final do século dezenove determinavam o progresso das comunicações em nível global e, por isso, em 9 de outubro de 1874 foi firmado em Berna na Suíça o tratado de criação da União Geral dos Correios, cujo objetivo era a formação de um único território postal para permuta recíproca de correspondência, que posteriormente integrou-se à Organização das Nações Unidas – ONU e passou a ser denominada União Postal Universal - UPU. O Brasil filiou-se a UPU em 1877 e até hoje, todo o dia 9 de outubro comemora, como nos demais países membros, o Dia Mundial dos Correios. 12 1.3 – PERIODO REPUBLICANO No mesmo ano da Proclamação da República, em 1889, surgiu o primeiro Museu Postal Brasileiro. Tempos depois, a Nação unia-se a outras do continente em um Congresso, formando o embrião da futura União Postal Sul Americana. A aquisição de novas máquinas, ampliação da área de ação interna e externa, a evolução dos transportes e a implantação do Correio Aéreo marcaram esse período de notório desenvolvimento dos Correios, que puderam expandir seus serviços às populações de todas as regiões do País, contribuindo enormemente para a integração nacional. Diante de tal quadro, houve por parte do Estado, um recrudescimento nas ações que priorizassem os setores de infra-estrutura. A preocupação chegou inclusive à questão da proteção social dos trabalhadores dessas áreas estratégicas, pois se antes eram servidores do monarca, agora era preciso que servissem à República com a mesma lealdade, dedicação e confiança. Assim, já em 1890 criaram-se as Caixas de Aposentadorias e Pensões para os empregados do setor ferroviário, dos Correios, dos Telégrafos, marítimos, portuários e telefônicos, dada a importância desses funcionários para o escoamento dos produtos primários e para a integração nacional. Portanto, com a República começou a mudança paradigmática, ainda que muito incipiente, de uma administração patrimonialista para uma administração burocrática, que se fez sentir mais diretamente nos Correios quando a repartição postal passou à subordinação do Ministério da Instrução Pública, Correios e Telégrafos e posteriormente, em 10 de abril de 1894, quando se subordinou ao Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas. As mudanças fizeram-se sentir até nos equipamentos postais, como se pode observar até nos equipamentos postais como, por exemplo, caixas de 13 coleta do final do Império e início da República. Ainda hoje temos exemplos no acervo da ECT de caixas datadas dos tempos de D. Pedro II que trazem o brasão da família real, outras que além do brasão imperial, trazem a estrela da República (com certeza, uma solução emergencial enquanto não se providenciava a pintura definitiva) e caixas unicamente com apenas com a estrela republicana, o que demonstra a pressa dos Correios em se adaptarem à nova forma de governo e de administração. Por todo o período republicano o desenvolvimento dos Correios no Brasil seguiu uma postura inercial, fruto da indolência da própria Administração Pública no sentido de não conseguir acompanhar o crescimento natural do País nem atender às demandas da população. 1.4 - CORREIOS NA ERA VARGAS Ao iniciar os anos de 1930 os serviços públicos, especialmente os postais e telegráficos estavam em processo de acelerada degeneração, sempre sujeitos a atrasos e sucumbindo à concorrência de empresas particulares, tudo isto agravado pela ausência de sistematização e de normas reguladoras. As repartições funcionavam em prédios velhos e mal conservados. Até então, a Repartição dos Correios e a Repartição dos Telégrafos, cada uma por seu lado, funcionavam independentemente, sem integração, situação que limitava o aproveitamento das sinergias entre os dois serviços públicos que tanto tinham em comum. Mesmo com tanta desorganização e precariedade, o telégrafo era um dos meios de comunicação mais importantes e a própria política era conduzida por ele, ainda que em código e até as famosas revoluções de 1930 e 1932 foram conduzidas por telegramas. Para reverter deterioração de tão importante serviço, foram adotadas medidas típicas de situações que requerem premência para solução: congelouse o quadro de pessoal para evitar indicações políticas, abriram-se concursos para regularizar a situação dos diaristas e contratar pessoal mais qualificado, criaram-se cursos de emergência para preparação aos concursos, criou-se uma seção especial para o tráfego aéreo, forçou-se as empresas ferroviárias a 14 cumprir suas obrigações contratuais, suprimiram-se agências abertas por interesses pessoais (algumas se localizavam na mesma rua) e, em 1931, finalmente, os serviços de correio se fundiram com os serviços telegráficos sob a direção de uma única estrutura administrativa - o Departamento de Correios e Telégrafos (DCT), fazendo com que carteiros e mensageiros trabalhassem juntos. 1.5 - PERIODO DO DCT O Código Postal Universal, elaborado por ocasião do IX Congresso Universal em Londres em 1929, viria a legislar e apresentar soluções para os problemas postais modernos dando início a uma nova era na história dos Correios. A chamada Revolução de 30 causou, naquele momento, alterações profundas na estrutura político-administrativa do País, o que atingiu o setor postal. Os Correios, logicamente, não ficaram indiferentes às mudanças e passaram a analisar não só a sua estruturação, mas também a evolução de seu desempenho, seus meios e a sua capacidade técnica de atender à necessidade de comunicação. Foi então que o novo presidente, Getúlio Vargas, baixou o Decreto em 1931 pelo qual fundia a Direção-Geral dos Correios com a Repartição-Geral dos Telégrafos. Originava-se assim o Departamento de Correios e Telégrafos – o DCT, subordinado ao Ministério da Viação e Obras Públicas, cuja Administração instalou-se, num primeiro momento, no antigo Paço da Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro, onde ficou até ser transferida, posteriormente, para Brasília em 1975. 1931- Criado o Departamento de Correios e Telégrafos, subordinado ao Ministério da Viação e Obras Públicas. As Administrações dos Correios passam a denominar-se de Diretorias Regionais. 15 É criado o Correio Aéreo Militar, que deu origem ao Correio Aéreo Nacional, permitindo a remessa de correspondências a lugares quase inatingíveis do território nacional. 1934 - Foi instituída a Escola de Aperfeiçoamento dos Correios e Telégrafos. Iniciou-se o uso de máquina de triagem denominada "Transforma". 1936 - Pela Lei nº. 284 de 28 de outubro, o Departamento de Correios e Telégrafos passaram à subordinação do Ministério da Viação e Obras Públicas. 1941 - Criação do Correio Aéreo Nacional (CAN), pela fusão do Correio Aéreo Militar (CAM) com o Correio Aéreo Naval (CAN). . 1967 - O Decreto lei nº 200 institui o Ministério das Comunicações. 1968 - O DCT passa a ser subordinado ao Ministério das Comunicações. 1.6 – PERIODO DA ECT Com o desenvolvimento dos setores produtivos do Brasil tornava-se necessária a reorganização do serviço postal acerca de um modelo mais moderno que o do DCT, que não apresentava infraestrutura compatível com as necessidades dos usuários. Nesse sentido foi criada, em 20 de março de 1969, pela Lei nº. 509, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), como Empresa pública vinculada ao Ministério das Comunicações. O surgimento da ECT correspondia a uma nova postura por parte dos poderes públicos, com relação à importância das comunicações e, particularmente, dos serviços postais e telegráficos, para o desenvolvimento do País. O ciclo de desenvolvimento ocorrido na década de 70 correspondeu às novas necessidades de uma clientela que, pouco a pouco, viu as distâncias serem encurtadas e percorridas graças ao serviço postal, que se estruturou e 16 passou a desenvolver e oferecer produtos e serviços, de acordo com a realidade do mercado e as necessidades de sua clientela. Ao mesmo tempo, nesse período a ECT consolidava seu papel como importante agente da ação social do Governo, atuando no pagamento de pensões e aposentadorias; na distribuição de livros escolares; no transporte de doações em casos de calamidade; em campanhas de aleitamento materno; no treinamento de jovens carentes e em inúmeras outras situações em que a Empresa já demonstrava sua preocupação com o bem-estar da sociedade. Paralelamente, a partir de 1980 se intensificava a preocupação com a ação cultural e o desenvolvimento de ações voltadas à preservação do patrimônio cultural do Brasil, sobretudo no que se referia à memória postal. 1969 - Iniciou-se o processo de desenvolvimento do Serviço Postal Brasileiro com a criação, em 20 de março, da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. 1970 - Serviço Especial de Entrega de Documentos (SEED); Serviço de Correspondência Agrupada (SERCA), para executar o serviço de malotes com segurança e regularidade; Substituição do transporte ferroviário pelo rodoviário fretado com o estabelecimento das Linhas Tronco (LT), que aceleraram o curso da correspondência. Essa rede de superfície era composta de: ligação entre todas as capitais (LTN); ligação entre as capitais estaduais e os centros regionais (LTR); ligação entre os centros regionais e as pequenas localidades (LTA) e linhas rodoviárias internacionais (LTI). Ampliação do Serviço Especial de Entrega Rápida (SEER). 1971 - Conclusão da montagem do Centro de Triagem Mecanizado de São Paulo. Criação do Centro de Triagem Marítimo de Santos, São Paulo, destinado ao tratamento das Encomendas Postais Internacionais (Colis Postaux). Aumenta o número de agências e postos de Correios. 17 Instalação de agências postais móveis e ampliação do serviço de Distribuição Domiciliária. Padronização dos envelopes, conforme recomendações da União Postal Universal. Edição do Guia Postal Brasileiro com o Código de Endereçamento Postal representado por cinco algarismos. Convênio com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) para a formação de técnicos especializados de nível superior, os administradores postais, bem como para a realização de outros cursos para treinamento em níveis médio e de execução. 1972 - Assinatura de contratos com a Sofrepost e a Somepost, com vistas a levantar os diversos problemas postais relacionados aos setores de exploração, meios a serem utilizadas, organização e racionalização de serviços e avaliação das necessidades de investimento. Início das operações internacionais de Correspondência Agrupada, na ECT, por meio de convênio com os Estados Unidos. 1973 - Instalação dos novos modelos de caixas de coleta, em fibra de vidro. 1974 - Criação de novas unidades, aumentando, assim, o número de postos de correios e balcões postais. Início, em outubro da Rede Postal Aérea Noturna (RPN) visando atender aos padrões de qualidade estabelecidos para as cartas e outros objetos de correspondências urgentes. Instituição do sistema de comercialização destinado a desenvolver as atividades de marketing da ECT. Foi instalado mais de 5.000 caixas de coleta nas capitais e nas cidades mais populosas, facilitando, desta forma, o acesso do usuário aos serviços postais. Ocorreu a busca da modernização da rede de agências postais. 18 1975 - Implantação da Assessoria de Planos e Desenvolvimento e a reestruturação do Departamento de Operações Postais. Implantação do Serviço de Processamento de Dados. Entrada em funcionamento do sistema de Rede Interna de Comutação de Mensagens (GENTEX). 1976 - Instalação dos Centros de Triagem Automática, possibilitando maior rapidez no encaminhamento de objetos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. 1978 - Promulgação, em 22 de junho, da Lei Postal 6.538, que unificava a legislação relativa aos Correios e Telégrafos. Criação, no dia 15 de março em Brasília, da Escola Superior de Administração Postal (ESAP). 1982 - Implantação do Serviço de Encomenda Expressa Nacional (SEDEX) com prazo máximo de entrega de 24 horas (D+1) entre as principais capitais do País. 1983 - Criação dos serviços Post-Grama, atual Faxpost, da Carta Eletrônica e do Aerograma Internacional. Criação do serviço de Correio Acelerado Internacional (Express Post). 1985 - Início do serviço de Correio Rural. Implantação do Franqueamento Autorizado de Cartas (FAC). 1986 - Participação da ECT no Programa de Prioridades Sociais do Governo Federal e na distribuição de livros didáticos e tíquetes de leite. O Serviço Acelerado internacional passou a chamar-se Express Mail Service, atualmente conhecido pela sigla EMS. 1988 - Criação do Comprovante de Franqueamento (CF); do serviço de Encomendas Internacionais com Declaração de Valor (Export Post) e da Caderneta de Poupança Postal. 19 1989 - Inicio da implantação do sistema de franchising para as unidades de atendimento (agências) da ECT. Criada a “Griffe Correios”. Foram implantadas novas modalidades de SEDEX. Reformulação da estrutura organizacional da ECT para tornar-se flexível e adaptável às necessidades da clientela, enfatizando uma postura de marketing mais agressiva visando cumprir sua meta prioritária: a satisfação do cliente. Criação do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU). 1990 - Criação da Rede Postal Fluvial da Amazônia. 1997 - Implantação do Programa de Qualidade Total, com vistas à formulação de princípios e adoção de uma nova política de gestão pela qualidade. Este Programa iniciou uma fase de mudanças na busca pela lucratividade e desenvolvimento da Empresa, pautados na plena satisfação de seus clientes internos e externos. Início da implantação, em dezembro, do projeto de Caixas Postais Comunitárias: um novo conceito de atendimento caracterizado pela prestação de serviços básicos de interesse social, em distritos ou regiões urbanas de até 500 habitantes ou de difícil acesso. Implantação, em 15 de dezembro, do sistema de telefonia digital, tornando o Serviço de Telegrama Fonado ainda mais eficiente, melhorando a cobertura e a qualidade do serviço. Ano 2000 Inauguração, em 3 de abril, da primeira agência do Banco Postal em Sooretama-ES, e posteriormente, inauguradas unidades em Primavera e Tacaimbó-PE, estendendo, assim, a prestação de serviços bancários básicos a milhões de brasileiros que viviam à margem do sistema financeiro tradicional. Inauguração, em 10 de julho, na Agência Adolfina de Pinheiros, bairro de Pinheiros-SP, o primeiro quiosque de acesso público à Internet, constituindo mais um passo dos Correios com vistas à universalização dos serviços postais. No mesmo dia, outros 99 quiosques passaram a funcionar em outras 20 localidades dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, possibilitando o acesso do cidadão às informações sociais de seu interesse nas áreas de educação, saúde, previdência, etc. 2001 - Inauguração, em janeiro, da agência dos Correios de Rio do Fogo-RN, concretizando-se o ideal de cobertura de 100% dos 5.561 municípios brasileiros. Nenhuma outra instituição nacional, jamais registrou algo parecido em termos de capilaridade. Escolha do Bradesco como parceiro na implantação do atendimento bancário em agências dos Correios, o Banco Postal. Lançamento do Serviço de Encomendas Expressas – Sedex 10, que veio garantir a entrega do objeto até as 10 horas do dia útil seguinte à postagem. Lançamento de três projetos do e-Post: os “Quiosques de Acesso Público à Internet”, o “Endereço Eletrônico Permanente” (EEP) e o “Shopping Virtual dos Correios”. 2002 - Lançamento do Banco Postal, uma iniciativa concebida com a missão de prestar atendimento aos milhões de brasileiros excluídos do sistema financeiro tradicional. Lançamento do PAC, modalidade de serviço de encomenda econômica não expressa dos Correios. O novo serviço foi criado para atender às empresas que não tinham urgência em suas remessas, mas exigiam economia, segurança, regularidade e confiabilidade. 2003 - Reestruturação do Telegrama para receber diferenciais tecnológicos significativos: as mensagens passaram a ser escritas a laser, sem palavras cortadas e com acentuação; o prazo de entrega passou a ser de no máximo duas horas e o usuário também podia optar pelo telegrama agendado, com data e hora de entrega. 2004 - Lançamento do serviço Correios Entrega Direta, que veio introduzir um novo conceito em distribuição de publicações periódicas, tais como revistas, guias, anuários, catálogos, boletins, listas telefônicas e jornais. 21 Lançamento, simultâneo, do Sedex Hoje e do Sedex Mundi. O primeiro oferecendo entregas no mesmo dia da postagem e o outro, por sua vez, expandindo a atuação internacional dos Correios. Criação do Correio Híbrido Postal (CHP) atendimento de última geração, voltado ao mercado corporativo que movimentaria grandes volumes de postagens. CAPÍTULO II O MERCADO POSTAL Com a globalização, o modelo postal tradicional estava esgotado. Os Correios do Brasil tem de se preparar para o novo mercado e para a competição de nível global. Nesse ambiente, surgirão empresas de alta tecnologia e estratégia comercial agressiva. Com a queda das fronteiras geocomerciais determinada pela globalização econômica, desponta no horizonte um cenário completamente novo. Num mundo em que, com freqüência, produtor e consumidor se revelam geograficamente distantes, os correios estão assumindo o papel de infraestrutura importante para uma série de transações comerciais. O setor postal foi redescoberto como um ótimo negócio, que tanto o Estado como a iniciativa privada querem explorar. Independentemente do surgimento ou da evolução de novas tecnologias de comunicação. A abertura do mercado postal a operadores privados é hoje uma tendência mundial. Ao mesmo tempo em que abdicam da exclusividade na exploração dos serviços, as administrações postais aproveitam a oportunidade para também se converter nas grandes disciplinadoras do setor, corrigindo eventuais distorções e impondo regras para a competição. 22 A combinação de capitais públicos e privados, porém, não se restringe ao confronto, mas também à combinação de esforços. Em vários países europeus, os serviços postais públicos têm celebrado acordos de parcerias com a iniciativa privada para explorar negócios específicos. A Holanda abriu o capital de seus correios para investidores, enquanto a França, forma joint ventures com operadores particulares. No vizinho Uruguai e Argentina, a atividade postal foi aberta para empresas privadas em determinadas regiões, com pagamento ou não de taxas de exploração dos respectivos governos. No Brasil o Senado aprovou recentemente Medida Provisória que modernizará e fortalecerá os Correios. As mudanças permitem a modernização da ECT e seu fortalecimento como empresa pública. A ampliação da sua atuação a dotará de instrumentos para melhor enfrentar a concorrência com a prestação de serviços mais ágeis e eficientes para toda a população brasileira. Os Correios poderão atuar no exterior e nos segmentos de serviços postais eletrônicos, financeiros e de logística integrada, além de constituir subsidiárias, adquirir controle ou participação acionária em empresas já estabelecidas e firmar parcerias comerciais que agreguem valor a sua marca e a sua rede de atendimento. A febre de expansão tem levado diversas empresas a ampliar o horizonte de seus negócios. Esse fenômeno pode ser claramente identificado na Europa. O correio Alemão, o Deutsche Post AG, por exemplo, administra hoje o maior serviço de encomendas do continente, um posto conquistado à custa de aquisições menores, acordos de participação acionárias e parcerias cooperativas. Os britânicos por sua vez têm focado sua expansão doméstica e internacional no setor de encomendas e no crescimento do mercado de vendas a distância. Ao mesmo tempo em que visam à competição internacional, os franceses almejam fazer de seu correio (La Poste) um serviço público de referência. Já o TNT Post Group, o correio da Holanda, tem alvo definido: expansão internacional. 23 CAPÍTULO III A ORIGEM DAS MUDANÇAS O fenômeno reformista em escala mundial tem raízes na década de 1970. Na época, a atividade postal de todos os países era estruturada num modelo gerido direta ou indiretamente pelo Estado, que prestava serviço à sociedade amparado pelo regime de monopólio. Tal situação havia geado um ambiente de absoluta estabilidade mercadológica e tecnológica: sem concorrência e com uma clientela cativa assegurada por lei, os correios pararam no tempo enquanto o mundo evoluía. Em diversos locais, a acomodação dos correios resultou em queda de qualidade de atendimento à população. Começaram a surgir então empresas privadas de courier, para transporte de documentos e mercadorias, oferecendo a tão ansiada qualidade pelo menos no segmento de serviços mais sofisticados. Pressionadas, essas administrações postais pediram então mais autonomia para atuar no mercado com as mesmas ferramentas da concorrência. A questão acabou resolvida parcialmente com alterações no estatuto dessas empresas públicas. Na década de 80, uma segunda onda de mudanças atingiu o âmbito comercial. Preocupadas com a perda de clientes para operadores privados, alguns serviços postais adotaram as lições de marketing moderno e passaram a focar suas ações no consumidor. Assim, num momento generalizado, as empresas públicas do setor começaram a se organizar em unidade de negócios, a administrar parcerias e a se arriscar em mercados estrangeiros. A partir da queda do Muro de Berlim, em 1989, o mundo se organizou em blocos econômicos fortes. Era o início da globalização econômica. Com a formação da União Européia, alguns correios de alcance local viram a oportunidade de se expandir para os mercados vizinhos. Daí surgiu o 24 movimento pela desregulamentação do mercado entre países- membros, com inevitáveis reflexos em outras partes do mundo. O Brasil candidato natural à liderança do mercado na America Latina, não poderia ficar alheio a esse quadro. No final da década de 1980, enquanto o fim do comunismo redesenhava o mapa econômico mundial, a popularização do fax e da internet configurou uma autêntica revolução tecnológica nas comunicações. Supostamente, os novos meios eletrônicos, representavam a ameaça a obsolência da correspondência convencional – e, portanto, o fim da atividade postal. De fato, segundo levantamento do “Correios 2005”, na média internacional, 17% das cartas convencionais será substituído pela comunicação por meios eletrônicos. O que a princípio poderia parecer uma ameaça, contudo, acabou gerando excelentes oportunidades de negócios. As vendas de produtos pela internet – atividade apelidada de “e-commerce” – surgem como uma oportunidade de crescimento exponencial para os correios de todo o mundo por um motivo simples: o e - comercio vende, mas não entrega. Melhor para o setor postal, que começa a experimentar um inédito boom no tráfego de encomendas. Estudo da Internacional Post Corporation – IPC, organização formada por 21 países-membros com o objetivo de apoiar o desenvolvimento dos serviços postais internacionais revelou alguns exemplos de como as mudanças tecnológicas vêm afetando o mercado postal internacional. De um lado, o segmento de cartas internacionais dos países integrantes do IPC, que deve expandir-se a taxas de no máximo 1% ao ano, índice considerado modesto e que está diretamente relacionado à popularização dos meios eletrônicos de comunicação. Por outro lado, o correio híbrido – que consiste na transmissão eletrônica de texto pela internet para posterior impressão, endereçamento e entrega física de correspondência tem se revelado altamente promissor. Atualmente, trata-se de um produto doméstico, mas há previsões para sua expansão além fronteiras. Pesquisa da Internacional Data Post (IDT) aponta que cerca de 70% das correspondência 25 de todo planeta são geradas por processos informatizados – sinal indicativo para expansão do correio híbrido. Estima-se que a modalidade de negócio cresça a uma taxa global de 30% ao ano na próxima década. Os Correios do Brasil já exploram este segmento: o usuário pode enviar cartas e telegramas pela internet. 3.1 - DO TELÉGRAFO À INTERNET Se os correios tivessem ficado imóveis, sem fazer nada, suas chances de sucesso seriam nulas. Em meados do século 19, quando da implantação do sistema de telégrafos em vários países europeus, os “pessimistas” profetizaram o fim dos correios. Os mesmos argumentos foram usados recentemente, quando do nascimento da internet. No entanto, os correios vão bem – porque souberam fazer mudanças. Os correios que operavam em mercados controlados e protegidos foram subjugados por uma nova corrente global nas comunicações, que acelerou intercâmbios e abriu fronteiras. As relações entre as próprias organizações postais e o público em geral mudaram radicalmente. O antigo “usuário” se tornou “cliente”, e ganhou destaque a relação “custo/benefício”, com a clientela se tornando cada vez mais exigente. Não bastava mais manter clientes. Tornou-se vital conquistá-lo. Os correios entenderam esse desafio, que foi assumido com maturidade pela maioria das administrações. A transição para esse novo ângulo de negócio postal não foi fácil. Toda essa mudança estava ligada à reforma postal, ou seja, à habilidade dos serviços postais em se preparar para enfrentar novos desafios. Criar uma conscientização nessa área foi complicado: a maioria dos serviços postais nacionais estava sob os auspícios do Estado, e a reforma postal exigia mudanças na legislação. Chegar a um consenso nacional em questões de mudanças regulamentares é difícil em qualquer país - as a modernização ocorreu rapidamente. Em 1990, somente 26 45% das organizações postais eram corporações. Em 1998, o índice subiu para 81%. Isso não significa que todas as corporações já dêem lucro, mas o fato reflete uma mudança vital do ponto de vista, Se combinado com uma ação concreta sobre a produtividade e com decisões corretas, o gesto pode ajudar os correios a se tornar empresas altamente lucrativas. 3.2 - O CRESCIMENTO DO E-COMERCIO NO BRASIL E SEUS DESAFÍOS LOGÍSTICOS. O mundo está interligado, basicamente, por meios de comunicação nos quais rapidez é um pré-requisito. Essa interligação, possibilitada pela tecnologia, está redefinindo o modo pelo qual agimos no trabalho, em casa e no mercado de forma geral. A competição entre empresas tradicionais e não-tradicionais, a oportunidade de reduzir custos e a oportunidade de alcançar novos clientes com maior rapidez e facilidade são apenas alguns dos fatores por trás do comércio eletrônico (e-commerce). A maioria das empresas, hoje, já pratica alguma forma de comércio eletrônico, seja para agilizar o processo de compras, seja para dar suporte aos clientes 24 horas por dia, seja para oferecer serviços de assistência técnica online. Algumas empresas buscaram no e-commerce o modelo central para seus negócios, trazendo soluções de gerenciamento da cadeia de suprimentos que associam estoques cobrança e expedição entre clientes e fornecedores, garantindo, assim, maior eficiência na coordenação de oferta e procura. As tendências de empresas de comércio eletrônico indicam que existe um grande erro no pensamento de que apenas a concentração de esforços em desenvolvimento de sites, confiabilidade e marketing são fundamentais. Não que estas questões sejam irrelevantes, mas os desafios e obstáculos enfrentados pelas empresas pioneiras no e-commerce e algumas em plena fase de expansão de seus negócios e firmam que há muitos fatores a serem considerados além destes esforços primários. Entre eles, destacam-se necessidades de novas soluções logísticas. 27 Problemas associados a fatores logísticos podem acarretar a perda de clientes por deficiência do serviço, perdas de recursos pela avaliação equivocada dos custos ou perdas de controle devido às operações ultrapassadas. Devido à globalização, qualquer empresa que decide se posicionar na Web deverá estar ciente de que enfrentará 24 horas por dia, 7 dias da semana, disponibilização de sua proposta para com seu público-alvo e que, para isso, todos os setores de sua empresa deverão estar preparados para um pronto atendimento. Os catálogos passam a ser digitalizados, o faturamento por papel é substituído por pagamentos eletrônicos, existindo uma preocupação pela segurança no tráfego destas informações financeiras. Julga-se, ainda, que o cliente também seja diferente, por estar diretamente ligado à tecnologia, exigindo um atendimento na velocidade do “clique”, com mais eficiência, informação, bons produtos e preços, além da individualidade e outros requisitos já conhecidos pelo varejo comum. Para atender a tantas exigências destes novos tipos de clientes criados pelo surgimento da Internet, há uma necessidade de um modelo logístico perfeito, como base de sustentação. Relatos de experiências negativas vividas por consumidores quando compram pela internet são freqüentes, dentre os quais se podem citar atrasos na entrega quanto ao prazo prometido, produtos entregues com avarias, erros de cobrança e cancelamento de pedidos por falta de produtos. Tais situações podem gerar impressões negativas em proporções assustadoras, já que a velocidade de informação e divulgação desse tipo de insatisfação do consumidor é muito mais fácil do que no comércio tradicional. Outro problema desafiador para o comércio eletrônico é que os níveis de demanda têm sido extremamente difíceis de serem previstos. Isso pode levar a uma logística deficiente, com atrasos nas entregas, excesso de pedidos suspensos temporariamente por falta do produto em estoque, reclamações dos clientes, e imagem mercadológica comprometida. Para evitar esses problemas, é necessário que se faça um planejamento cuidadoso, procurando manter os estoques controlados com variedade e quantidades mínimas para atender à demanda. 28 O momento da entrega é quando a maioria das lojas virtuais terceiriza seus serviços. Nos EUA, por exemplo, a existência de empresas com grande tradição na entrega expressa porta a porta, como UPS, Fedex e USPS, faz com que a atividade de entrega física seja bastante eficaz sob o ponto de vista de prazos e consistência da entrega, embora ainda cara devido à dispersão geográfica dos locais de entrega. Nos Estados Unidos, a Fedex colocou em prática, no serviço de entregas rápidas, o conceito de hub-and-spoke, especificamente no transporte de carga aérea. A idéia é simples. Agentes da Fedex apanham as encomendas nos diversos pontos do território norte-americano, trazendo-as para as unidades locais. A carga é concentrada em centros regionais e, dali, transportada por via aérea até o hub, localizada em Memphis. Essa cidade foi escolhida como hub porque está localizada no centro do território americano e seu tráfego aéreo é raramente prejudicado por mau tempo. Ao chegar ao hub, os pacotes são descarregados, separados por destino e reembarcados nos aviões, que levam as encomendas para seus destinos, de madrugada. Na manhã seguinte, os pacotes são levados a seus destinatários por meio de uma frota de veículos de entrega. Mesmo no Brasil, onde não existem empresas com a tradição e sofisticação como as dos EUA, os correios vêm desempenhando esse papel, a partir da rede física de distribuição espalhada por todo o país, que vem sendo utilizada pelas empresas de e-commerce e pelos operadores logísticos, para entregar mais de 75% das compras realizadas por meio do varejo virtual. A empresa dos Correios (ECT) oferece um sistema de encomendas expressas conhecido como Sedex. Em 1999, o Sedex operou um total de 77 milhões de unidades despachadas, um volume tímido quando comparado com o das grandes empresas internacionais. O principal serviço oferecido pelo Sedex cobre todo o território nacional, entregando courier e carga parcelada até 30 kg. O prazo de entrega varia bastante, conforme os locais de origem e destino. Se a origem e o destino forem capitais de estado, o Sedex se compromete a entregar a encomenda no dia seguinte, mas sem especificar hora ou período do dia. Se a encomenda se originar numa capital e se destinar 29 a uma cidade situada no interior do mesmo estado ou de outro estado, é necessário um dia adicional para realizar a entrega. Se os pontos de origem e de destino forem cidades localizadas no interior de estados diferentes, o prazo de entrega é de três dias. Exceção é o “Sedex VIP”, que atende as principais cidades do país (Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), em que a encomenda é entregue no mesmo dia, respeitando certo horário de postagem. No início de 2001, os Correios implantaram um novo serviço, denominado e-sedex, para atender especificamente às necessidades do comércio eletrônico. Mas como o comércio eletrônico constitui um dos nichos de mercado mais visados pelos prestadores de serviços logísticos, as empresas ponto com já começaram a fazer parcerias com empresas de encomendas expressas para atuar nesse segmento. É o caso, por exemplo, da Danzas Logística e da DHL, que atenderão mais de 1.100 cidades no Brasil e 85 mil localidades no mundo. CAPÍTULO IV O NOVO PAPEL DOS CORREIOS A criação da ECT em 1969 revolucionou o setor postal nacional. Os Correios, que vinham de uma história marcada pela ineficiência, sofreram um choque modernizador que os transformou numa das instituições mas confiáveis do País. Quarenta anos depois a entidade se encontra às vésperas de uma segunda revolução. A reforma proposta vai mudar profundamente o sistema postal brasileiro. Para melhor os correios vão ganhar liberdade para disputar mercados nascentes. Estarão abertos a parcerias com a iniciativa para explorar negócios específicos. Ganharão competividade e se tornarão ainda mais fortes. Ampliarão o alcance social de suas atividades. Irão, enfim preparar-se para desenvolver 30 todo seu potencial como empresa e, ao mesmo tempo, oferecer mais e melhores serviços. Correios, uma revolução em curso A caminhada para transformar os Correios em uma empresa de classe mundial, preparada para enfrentar os desafios, já começou. 2011 é um marco na história postal que começou suas atividades há 350 anos. A Lei 12.490/11, aprovada no Congresso Nacional e sancionada pela presidenta Dilma, é o início de uma verdadeira revolução, onde o maior beneficiado será a população. Temos muito a fazer, mas as condições para cumprir cada vez melhor o objetivo de prestar serviços de excelência estão dadas. Essa nova legislação permite-nos atuar no exterior, adquirir ou ter participação acionária em empresas constituídas e criar subsidiárias, dando-nos mais instrumentos para competir com os grandes operadores do setor. Com o avanço da tecnologia e a queda do serviço de cartas, fruto dos novos tempos, já era hora de nos adaptarmos. Isto está sendo feito, justificando nossa modernização, a começar pela mudança do Estatuto Social. Tudo isto sem deixar de ser uma empresa 100% pública, com o compromisso de assegurar a universalização dos serviços postais em todo País. Ao completar um ano de gestão, apresentamos uma série de ações que foram implementadas e outras que serão concretizadas no próximo período. Sempre com a visão de transformar os Correios em um conglomerado empresarial moderno, flexível, dinâmico e com negócios diversificados, ajustado ao nível de desenvolvimento do Brasil. Nossa meta é alcançar uma receita total correspondente a 1% do PIB. Para isto, 31 o Plano Estratégico Correios 2020 prevê parceria com operadoras para oferta de telefonia móvel, fornecimento de soluções de comunicação digital, qualificação permanente dos trabalhadores, ampliação do parque tecnológico, investimento em infraestrutura, novos serviços de encomendas para o comércio eletrônico, parcerias de logística integrada, escritórios de prospecção no exterior e ações de responsabilidade social e ambiental. Mas além de nos preparamos para o futuro, o ano foi de muito trabalho. Realizamos o maior concurso público do País, com um milhão de inscritos e nove mil trabalhadores contratados. Investimos na área operacional e de infraestrutura. Foram R$ 95 milhões em aquisições de veículos e equipamentos de carga. Adquirimos 5.259 veículos e 1.285 empilhadeiras e paleteiras. As licitações das linhas para transporte aéreo noturno de carga (RPN), da rede corporativa de dados, das novas agências franqueadas e do novo parceiro do Banco Postal, o BB, também devem ser destacadas. Alinhados a política do governo federal de erradicação da miséria, os Correios não se furtaram de investir no social. Inauguramos a primeira agência em território pacificado no Rio, contratamos 3,7 mil jovens aprendizes, lideramos uma grande rede de solidariedade natalina, seremos transportadores da agricultura familiar e ajudaremos os usuários do SUS a avaliar o serviço de saúde. Além disso, nos aliamos às ações de promoção de direitos humanos e desenvolvemos diversos projetos de sustentabilidade ambiental. As perspectivas são muito promissoras. O passo dado este ano deixa os Correios em condição favorável diante da competitividade do mercado, garantindo um serviço ainda mais ágil e de qualidade para a população. O autor, Wagner Pinheiro de Oliveira, é presidente dos Correios As mudanças ocorridas neste pano de fundo internacional também levaram os correios a tomar importantes decisões sobre o seu modelo de reforma. 32 A importância da reforma deriva de uma abordagem dinâmica, não necessariamente focada nos aspectos legais de sua organização. Não vale a pena discutir se um status legal é melhor do que outro. Independentemente do modelo adotado por uma organização postal em particular, a idéia é garantir serviços de alta qualidade, que consigam cobrir o território nacional com preços acessíveis a toda população. Uma dos principais componentes da reforma – e talvez a garantia para seu sucesso – é a atenção dada aos recursos humanos. Todos os empregados precisam de treinamento para realizar suas tarefas de forma adequada e aprender a escutar as exigências dos clientes. Sem isso, e sem o empenho de cada um, a reforma terá sucesso limitado. 33 CONCLUSÃO Na luta por fatias do mercado, os correios têm uma série de vantagens exclusivas, com cobertura universal, força de trabalho especializada, bases em locais estratégicos. É fundamental, porém, manter-se a par do progresso tecnológico. Muitos correios mostraram como a tecnologia pode servir à criação de novos produtos postais e à prestação de melhores serviços, bem como ao corte de custos operacionais. O progresso tecnológico, contudo, deve ser estendido a todos os países membros da União Postal Universal, especialmente as nações em desenvolvimento. O explosivo crescimento do mercado de comunicações também vem forçando os correios a ir além de seu negócio principal. Os serviços postais devem diversificar suas atividades para aumentar o leque de opções disponíveis aos clientes. Já está no mercado de produto postal híbrido (que combinam a eletrônica com a distribuição física) e serviços de certificação de endereço eletrônico, atualmente usados com sucesso pelos correios mais inovadores. Não se pode dizer que o caminho a seguir é fácil. Não obstante os esforços realizados até agora, há muito ainda por fazer, em nível regional e internacional. É preciso chegar a um consenso entre os prestadores de serviço postal. Somente quando oferecerem com o mesmo padrão consistente, garantindo eficiência além das fronteiras, os serviços postais serão capazes de trabalhar juntos internacionalmente, em pé de igualdade na competição pelos clientes. 34 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Site: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT – www.correios.com.br. Consultado em 09/10/2011 Site: Blog dos Correios - http://blog.correios.com.br/correios/ Consultado em 02/01/2012 Site: Ministérios das comunicações - http://www.mc.gov.br/servicos-postais Consultado em 02/11/2011 Site: Diário do Comercio Industria e serviços - http://www.dci.com.br Consultado em 15/11/2011 Site: - Jornal O globo - http://oglobo.globo.com/economia Consultado em: 15/11/2011 Intranetect – Rede interna da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos Consultada em: 20/12/2011 Revista CEP Brasil – Edição 1 – Junho de 1999 Revista CEP Brasil – Edição 2 – Julho de 1999 Revista CEP Brasil – Edição 3 – Agosto de 1999 Revista CEP Brasil – Edição 4 – Setembro de 1999 Revista CEP Brasil – Edição 14 – Julho 2000 35 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 02 AGRADECIMENTO 03 DEDICATÓRIA 04 RESUMO 05 METODOLOGIA 06 SUMÁRIO 07 INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I História dos Correios 09 1.1 – Período imperial 10 1.2 – Correios no Brasil Independente 10 1.3 – Período republicano 12 1.4 – Correios na era Vargas 13 1.5 – Período de DCT 14 1.6 – Período de ECT 15 CAPÍTULO 2 O mercado Postal 21 CAPÍTULO 3 A origem das mudanças 23 3.1 – Do telégrafo à internet 25 3.2 – O crescimento do e-commerce no Brasil e seus Desafios 26 CAPÍTULO 4 O novo papel dos Correios 29 CONCLUSÃO 33 36 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 34 ÍNDICE 35