unesp
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
“JÚLIO DE MESQUITA FILHO”
Campus de Rosana - SP
ADÍLIA CAMARGO RAMOS
ANÁLISE PERCEPTUAL DOS CARTÕES
POSTAIS DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE
PRESIDENTE EPITÁCIO: UMA
CORRELAÇÃO DE GÊNERO
ROSANA – SÃO PAULO.
2010
ADÍLIA CAMARGO RAMOS
ANÁLISE PERCEPTUAL DOS CARTÕES
POSTAIS DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE
PRESIDENTE EPITÁCIO: UMA
CORRELAÇÃO DE GÊNERO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Curso de Turismo – Unesp/Rosana, como requisito
parcial para obtenção do título de Bacharel em
Turismo.
Orientador: Profº Dr. Vagner Sérgio Custódio
ROSANA – SÃO PAULO
2010
ADÍLIA CAMARGO RAMOS
ANÁLISE PERCEPTUAL DOS CARTÕES
POSTAIS DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE
PRESIDENTE EPITÁCIO: UMA
CORRELAÇÃO DE GÊNERO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Curso de Turismo – Unesp/Rosana, como requisito
parcial para obtenção do título de Bacharel em
Turismo.
Orientador: Prof° Dr° Vagner Sérgio Custódio
Data de aprovação: ___/___/____
MEMBROS COMPONENTES DA BANCA EXAMINADORA:
Presidente e Orientador: Profº Drº Vagner Sérgio Custódio – UNESP Campus Experimental de
Rosana
Membro Titular: Profº Drº Sérgio Domingos de Oliveira – UNESP Campus Experimental de
Rosana
Membro Titular: Ms. Raphael Alves Macedo Bongiovani – Prefeitura Municipal de Rosana
Local: Universidade Estadual Paulista
UNESP – Campus Experimental de Rosana
A querida avó Maria (in memorian),
Dedico.
AGRADECIMENTOS
Primeiro, agradeço a Deus pelo dom da vida. Vida a qual não tenho e não posso
reclamar, apenas agradecer e agradecer, dia após dia.
Agradeço a dedicação e zelo de minha família, mesmo entre alguns altos e baixos,
nunca deixaram de estar ao meu lado, principalmente pelo incentivo de minha mãe, sem essa
força talvez eu nunca teria estado aqui. Agradeço ao Douglas, mesmo com seu jeito todo
durão e eu tendo que prestar contas todo o mês, enquanto teve a incumbência, não me deixou
faltar nada. Muito obrigada a vocês dois.
Agradeço aos meus queridos e amados irmãos, que mesmo com a distância, se faziam
presentes querendo saber como eram os meus dias aqui, como era a experiência de morar fora
de casa, e a pergunta que não podia faltar: Quando você vem para a casa? Deles eu senti
muita, mas muita saudade mesmo!
As queridas companheiras de república, Mari e Ana, que “surgiram” num momento
muito importante, para dividir não só a casa e contas, mas para somar, cada uma na vida da
outra.
Ao meu amor Fernando, que sempre está ao meu lado, muito carinhoso, até nos meus
picos de TPM e de estresse momentâneo. Te amo!
As grandes e adoráveis amigas conquistadas durante a jornada da vida universitária:
Lari, amiga-irmã mais nova, que tinha como hobby me pentelhar; Nat, parceira das tardes
que passávamos horas divagando no sofá; Eriquinha, grande amiga, confidente, conselheira, e
muito parceira também; Nay, um exemplo vivo de quem “vai atrás do que quer”, sem medo
de tentar; Tofú, a japonesa godinha mais animada que já conheci na vida e de sorriso
contagiante; Maria, pessoa com quem encontrei muitas coisas em comum e tinha os “paposcabeça”.
Outros queridos amigos que também proporcionaram bons momentos vividos em
Primavera, e alguns, mesmo longe, sempre queriam saber como estava a produção acadêmica.
Agradeço a Carol e Rachel, primeiras companheiras de república; Katiliane, Nadia e Lara,
pessoas com quem também compartilhei bons momentos e fizeram parte da família que a
gente mesmo escolhe. Aos velhos amigos, alguns que já se formaram Cami (Tchubinha),
Luna (Paquita incontestável), Clê e Carol, grandes parceiras de trabalho e dos almoços de
domingo; Tg, Éder, Kiba, Porcaria, Tio Chico, Mateusinho, Vinicius, Guilherme (pai do
apelido Didi), Piri, Veinhu, Zeca, Punk, C1, Aslan e Mucuri; aos “novos” amigos Rose, Salu,
Liz, Fabinho, Koréia, Gari, Titica, Lula (Dantas), Cocão, a todos muito obrigada pelos
momentos compartilhados, sejam quais forem.
Aos amigos queridos de longe, Sil, Lu Manzatto, Fer (Pateta), Rick Kamiski, Thalita,
Deco e Carol.
Agradeço ao professor Vagner, que aceitou meu convite para me orientar, e
principalmente pelo incentivo e dedicação durante a execução deste trabalho. Muito obrigada!
A todos os professores do campus Rosana, que mesmo entre falhas e acertos,
contribuíram para o meu conhecimento. Em especial, ao professor Serginho, pela amizade e
carinho construídos nesses 4 anos de faculdade, além de ter sido um bom vizinho também.
Em especial, agradeço a Miriam que, mesmo de última hora, traduziu com muita
dedicação o resumo do trabalho para a língua espanhola. Muito obrigada.
Agradeço não só aos companheiros de trabalho, que aceitaram participar da pesquisa
que elucida este trabalho, mas também aos visitantes do Museu de Memória Regional e os
moradores de Primavera.
Ao meu pai Neto, que mesmo muito distante de mim, em vários aspectos, de alguma
forma sempre tentou me ajudar, muito prestativo quando o assunto era meu TCC, enviando
diversos emails sobre o tema, entre outros assuntos da vida.
Agradeço ao escritor e colecionador Carlos Daltozo, que me deu cedeu não só alguns
textos de sua autoria sobre os cartões postais, mas também postais antigos de Presidente
Epitácio.
Aos estabelecimentos de Presidente Epitácio, como a gráfica C&A, especialmente aos
sócios Alessandro e Carlos, que me cederam alguns postais, assim como Dona Sônia,
presidente da Casa do Artesão, que também me disponibilizou outros postais.
Ao secretario de Turismo da Estância Turística de Presidente Epitácio, Sr. Lourival
Magalhães, que me cedeu alguns materiais referentes à atividade turística na cidade, que
também auxiliaram a execução deste trabalho.
E desculpas, caso tenha me esquecido colocar o nome de alguém aqui, mas deixo
registrado aqui o meu muito obrigado a todos!
RESUMO
O presente estudo baseou-se na análise da percepção dos cartões postais da Estância turística
de Presidente Epitácio-SP, município situado à margem esquerda do Rio Paraná. O objetivo
foi identificar de que maneira homens e mulheres julgam as imagens veiculas nos cartões
postais comercializados na Estância turística. Os cartões postais foram definidos como objeto
de estudo, considerando tamanha importância e atuação da divulgação do destino turístico,
além de ser uma alternativa de recordação de uma viagem. Esta análise foi realizada com o
auxílio de uma pesquisa experimental, cujo 30 pessoas do público feminino e 30 do público
masculino criaram um ranking, classificando os 10 cartões postais de acordo com sua
preferência, dentro das categorias que foram analisadas: beleza, aventura e tranqüilidade e
também estimaram uma magnitude entre os cartões. Após a obtenção dos resultados, os dados
coletados foram comparados entre si, para assim verificar se há alguma semelhança/diferença
entre a percepção desses dois gêneros. Também foram utilizadas referências bibliográficas
sobre cartões postais e fotografia, pesquisa documental sobre o município e seus atrativos,
além de conceitos de psicofísica. Esta pesquisa poderá elucidar os processos de elaboração
dos postais como marketing e contribuição para a comercialização da atividade turística em
Estância de Presidente Epitácio.
Palavras – chave: cartão postal, imagem, percepção, Presidente Epitácio.
RESUMEN
Este estudio se basó en el análisis de la percepción de las tarjetas postales del estancia
turística Presidente Epitácio-SP, un municipio situado en la margen izquierda del río Paraná.
El objetivo fue identificar cómo los hombres y mujeres juzgar las imágenes transmitidas en
las tarjetas postales que se vende en la estancia turística. Las postales fueron definidos como
objetos de estudio, teniendo en cuenta tal importancia y el rendimiento de la difusión de los
destinos turísticos, además de ser una alternativa de recordar a um viaje. Este análisis se
realizó con la ayuda de una investigación experimental, la cuál 30 personas del sexo
femenino y 30 del público masculino crearon un ranking, que describe las 10 tarjetas postales
de su preferencia, dentro de las categorías que se analizaron: la belleza, la aventura y la
tranquilidad y también una magnitud estimada entre las tarjetas. Después de obtener los
resultados, los datos recogidos se compararon para ver si se asemejan o diferencian en la
percepción de estos dos géneros. Fueron utilizadas referencias bibliograficas acerca de tarjetas
postales y fotografías, la investigación documental sobre la comarca y sus atracciones, así
como los conceptos de la psicofísica. Estos estudios podrían aclarar los procesos de
preparación de las tarjetas postales como marketing y la contribuición para la
comercialización de la actividad turistica en Presidente de Epitácio.
Palabras-claves: Tarjeta postal, imagen, percepción, Presidente Epitacio.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1: Mapa região do oeste paulista, com a localização do município de Presidente
Epitácio situado à margem esquerda do rio Paraná, responsável pela divisa de São Paulo e
Mato Grosso do Sul...................................................................................................................13
Figura 2: Primeiro correspondenz-karte................................................................................................20
Figura 3: Antecessor do atual cartão postal “Grauss aus...”.....................................................21
Figura 4: Verso de um postal datado em 1914, enviado da França para o Brasil, mostrando que já
havia a divisão, sendo a parte esquerda para a mensagem, e a direita para o nome e endereço do
destinatário..............................................................................................................................................22
Figura 5: Primeiro bilhete postal do Império Brasileiro de 1880...........................................................23
Figura 6: Mapa das estâncias turísticas do estado de São Paulo, com destaque para a Estância Turística
de Presidente Epitácio.............................................................................................................................27
Figura 7: Cartão postal 01.........................................................................................................35
Figura 8: Verso do cartão postal 01..........................................................................................35
Figura 9: Cartão postal 02.........................................................................................................36
Figura 10: Verso do cartão postal 02........................................................................................36
Figura 11: Cartão postal 03.......................................................................................................36
Figura 12: Verso do cartão postal 03........................................................................................36
Figura 13: Cartão postal 04.......................................................................................................37
Figura 14: Verso do cartão postal 04........................................................................................37
Figura 15: Cartão postal 05.......................................................................................................37
Figura 16: Verso do cartão postal 05........................................................................................37
Figura 17: Cartão postal 06.......................................................................................................37
Figura 18: Verso do cartão postal 06........................................................................................37
Figura 19: Cartão postal 07.......................................................................................................38
Figura 20: Verso do cartão postal 07........................................................................................38
Figura 21: Cartão postal 08.......................................................................................................38
Figura 22: Verso do cartão postal 08........................................................................................38
Figura 23: Cartão postal 09.......................................................................................................39
Figura 24: Verso do cartão postal 09........................................................................................39
Figura 25: Cartão postal 10.......................................................................................................39
Figura 26: Verso do cartão postal 10........................................................................................39
Figura 27: Gráfico com a média dos resultados do ranking do atributo beleza........................41
Figura 28: Gráfico com a média dos resultados do ranking do atributo aventura....................44
Figura 29: Gráfico com a média dos resultados do ranking do atributo traquilidade...............47
G
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Ficha elaborada para pesquisa experimental.............................................................32
Tabela 2: Ranking da categoria beleza - público masculino.....................................................40
Tabela 3: Ranking da categoria beleza - público feminino.......................................................40
Tabela 4: Magnitude da percepção na categoria beleza – púbico masculino...........................41
Tabela 5: Magnitude da percepção na categoria beleza – público feminino............................42
Tabela 6: Ranking da categoria aventura – público masculino................................................43
Tabela 7: Ranking da categoria aventura – público feminino..................................................43
Tabela 8: Magnitude da percepção na categoria aventura – público masculino.......................44
Tabela 9: Magnitude da percepção na categoria aventura – público feminino.........................45
Tabela 10: Ranking da categoria tranquilidade – público masculino.......................................46
Tabela 11: Ranking da categoria tranquilidade – público feminino.........................................46
Tabela 12: Magnitude da percepção na categoria tranquilidade – público masculino.............47
Tabela 13: Magnitude da percepção na categoria tranquilidade – público feminino...............48
M
Ranking da categoria tranqüilidade estimado pelos dois
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ACARJ - Associação de Cartofilia do Rio de Janeiro
FUMEST - Fundo de Melhoria das Estâncias
DADE – Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias
UHE – Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
C&A – Gráfica Comunicação e Arte
Gb – Gibabyte
RAM - Memória de acesso aleatório, do inglês Random Access Memory
MS - Microsoft
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 13 I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ......................................................................... 16 1.1 Turismo e imagem ............................................................................................... 16 1.2 Histórico da fotografia ......................................................................................... 18 1.3 Histórico do cartão postal .................................................................................... 19 1.4 Cartão postal no Brasil ........................................................................................ 23 1.5 Estâncias ............................................................................................................... 25 1.5.1 Tipologia das estâncias .................................................................................. 26 1.6 Histórico de Presidente Epitácio ......................................................................... 27 1.6.1 A Estância Turística de Presidente Epitácio .................................................. 28 II – MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................. 31 2.1 A metodologia de avaliação em categorias e magnitude ...................................... 33 III – DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ......................................................... 35 3.1 Categoria beleza ................................................................................................... 39 3.2 Categoria aventura ............................................................................................... 42 3.3 Categoria tranqüilidade ....................................................................................... 45 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 50 BIBLIOGRAFIA SUPLEMENTAR .......................................................................... 52 13
INTRODUÇÃO
O presente trabalho surgiu inicialmente a partir do interesse pessoal pelos
cartões-postais, e assim estudar como essa ferramenta divulgadora de um destino é
utilizada na atividade turística, e de que forma o público masculino e feminino
apreendem as imagens veiculadas nos postais. Como objeto de estudo desta pesquisa,
foram analisados os cartões postais da Estância turística de Presidente Epitácio-SP,
município situado à margem esquerda do Rio Paraná.
Figura 1- Mapa da região do oeste paulista, com a localização do município de Presidente
Epitácio, situado a margem esquerda do Rio Paraná, responsável pela divisa de São Paulo e
Mato Grosso do Sul.
Fonte: www.maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&tab=we
Foram coletados os cartões-postais na Casa do Artesão de Presidente Epitácio,
local onde os turistas podem encontrar diversos “souvenires” como artesanatos,
camisetas e cartões postais que servem de lembrança do local visitado. Além da Casa do
Artesão, buscou-se mais postais na gráfica Comunicação e Arte, a responsável pela
14
tiragem dos postais, e também em bancas de jornal. E em apenas uma banca encontrou
postais diferentes dos encontrados na Casa, nas demais bancas os postais eram
repetidos. Também não pode ser deixada de lado a contribuição do escritor Carlos
Daltozo, que além de ser estudioso dos postais, é colecionador dos mesmos, o qual nos
disponibilizou, em formato digitalizado, alguns cartões-postais antigos de Presidente
Epitácio/SP.
A partir da seleção dos cartões-postais, realizamos uma pesquisa experimental
com 60 pessoas, sendo 30 homens e 30 mulheres, onde foram analisados três atributos,
como beleza, aventura e tranqüilidade. Mediante a análise dos dados, foi possível
verificar qual a diferença ou semelhança entre a percepção feminina e masculina diante
das imagens contidas nos cartões-postais, instrumentos propagadores dos destinos
turísticos, uma vez que o turismo serve-se das mais diversas maneiras de comunicação,
a fim de atingir o turista em todos os sentidos, principalmente o visual. Sendo assim, os
cartões-postais turísticos devem respeitar a originalidade do local, demonstrando o
destino turístico.
Além da coleta dos dados, este trabalho baseou-se em leitura de autores como
Gastal (2005) que discute sobre imagem e turismo; Vaz (2002) que delineia sobre o
marketing turístico; Daltozo (2006) que descreve sobre cartões-postais, entre outros
autores citados ao final deste trabalho.
O objetivo geral desta pesquisa é analisar quais as formas de percepção das
imagens dos cartões postais pelas mulheres e também pelos homens, estabelecendo
assim uma correlação entres os gêneros. Os objetivos secundários são: verificar quais as
imagens predominantemente divulgadas e quais poderiam ser utilizadas, e também
ressaltar a importância de estudos na área de percepção, haja vista que o turista compra
o que vê.
Este trabalho foi dividido em três capítulos, sendo que no primeiro capitulo
encontra-se a fundamentação teórica pertinente ao tema, com discussões sobre turismo e
imagens, bem como o histórico dos cartões postais e da fotografia, além de fazer uma
descrição sobre os tipos estâncias, especialmente a de Presidente Epitácio/SP.
O segundo capítulo é composto pela descrição dos materiais e métodos
utilizados para o desenvolvimento da pesquisa e obtenção dos resultados.
E no terceiro capítulo contém a descrição e analise dos dados obtidos, seguido
das considerações finais e das referencias bibliográficas utilizadas na execução deste
trabalho.
15
Desta forma, as informações levantadas neste estudo poderão auxiliar
futuramente nos projetos de marketing turístico da Estância, como na elaboração de
folders, guias e também dos cartões postais, pois poderá fornecer subsídios sobre como
é a percepção das imagens vinculadas nesses materiais que divulgam uma localidade
turística.
16
I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.1 TURISMO E IMAGEM
É intrínseco do ser humano querer registrar os momentos vividos nos locais visitados
para ter uma recordação de uma viagem. Assim, quando um turista viaja, este busca
comunicar impressões do local visitado, seja por meio de fotografias, souvenirs ou até mesmo
de cartões postais. Siqueira (2005, p. 1) descreve que os cartões postais podem ser um bom
meio de comunicação com aqueles que não estiveram na viagem, sendo uma entre diversas
maneiras de mostrar o que se viu e conheceu.
A imagem turística tem relevante papel na divulgação das localidades e é utilizada
como um importante instrumento de marketing. Para disseminar essas imagens são utilizados
diversos canais de comunicação. Dentre estes canais, interessa-nos aqui os cartões postais
dirigidos aos turistas.
O turismo utiliza-se fortemente das imagens como uma ferramenta para o marketing
do destino. Para isso, serve-se das mais diversas maneiras de comunicação, a fim de atingir o
turista em todos os sentidos, principalmente o visual. Segundo Gândara (2008) a imagem de
um destino turístico é a soma do produto global que se oferece, mais o conjunto das
informações e das ações comunicativas de que é objeto este produto ou destino. Ainda que a
imagem desta localidade seja de fato uma representação verdadeira do interesse do turista, o
importante no contexto é a imagem que foi produzida na mente do turista, conforme afirma
Rossato (2005, p. 26).
Francisco (2009), afirma que
o turismo pode criar um imaginário, pois vender “lugares” ou “destinos” é
uma atividade capitalista que constrói e destrói, conturbando a realidade do
local. A própria atividade turística, por trabalhar diretamente com seres
humanos e seus sonhos, torna-se algo complexo, que necessita de constantes
análises e pesquisas. (FRANCISCO, 2009, p. 27)
Apoiando-se nesta idéia, para Kotler (1998, apud VAZ, 2002, p.18), o marketing
turístico pode ser definido como um conjunto de atividades que facilitam a realização de
trocas entre os diversos agentes que atuam, direta ou indiretamente no mercado dos produtos
turísticos.
17
Antes mesmo de as pessoas se deslocarem para o destino de interesse, estas entram em
contato com o local através das fotos em jornais, folhetos, paginas na Internet, “ou até mesmo
por intermédio dos velhos e queridos cartões-postais”, (GASTAL, 2005, p. 23).
Conforme Barbosa (2001), no Turismo
usa-se com certa freqüência a imagem mental, aquela que envolve a criação
[...] de um sonho. [...] uma representação mental é elaborada de maneira
quase alucinatória, uma transposição do real ao imaginário. [...] A mídia
exerce um papel fundamental nesse processo, por meio da folheteria
ricamente ilustrada, das propagandas televisas e dos anúncios impressos.
Cria-se um mundo metafórico, as imagens nem sempre representam o que
são, elas se servem das coisas para falar de outra coisa (BARBOSA, 2001,
p.32).
Assim, pode-se enquadrar os cartões-postais como uma ferramenta de folheteria
ricamente ilustrada, servindo como alternativa para o marketing da localidade. Mas vale
ressaltar que uma imagem é como uma opinião pessoal, e seu sentindo pode sofrer variações
de pessoa para pessoa.
Nota-se, desta forma, que conceituar imagem não é tarefa fácil. Para Gastal (2005, p.
46) é necessário que se deixem de lado as imagens mentais, aquelas dos sonhos, e utilize-se
do conceito da sociedade contemporânea, que direciona a terminologia imagem para sua
aplicação como visualidade concreta, propriamente dita. Assim, imagem é “aquele aspecto do
mundo natural sustentado na especificidade tridimensional do seu significante e, a partir daí,
unidade de manifestação auto-suficiente como um todo de significação, suscetível de análise”
(ZUNZUNEGUI, 1998, p.22 apud GASTAL, 2005, p.47).
Segundo Kotler (1998),
no âmbito do marketing, a imagem de um local é a soma das crenças, das
idéias e das impressões que as pessoas têm dele. As imagens apresentam-se
como uma simplificação de varias associações e informações ligadas ao
local. Elas são produto de uma mente que tenta processar e “tirar a essência”
de uma série de dados sobre um local (apud GASTAL, 2005, p.53).
Compreende-se por imagem mercadológica de uma destinação turística, conforme
Kotler (1998, apud VAZ, 2002, p. 95), como todo o conjunto de idéias correntes sobre a
localidade. Desta forma, esta imagem da localidade precisa ser conquistada, cultivada e
preservada de problemas, pois em caso de desvios, o investimento é elevado para retomar o
conceito positivo, por isso é tão importante a análise das imagens que são transmitidas nessas
ferramentas de divulgação, como os cartões postais.
18
1.2 HISTÓRICO DA FOTOGRAFIA
Para que os postais apresentem tamanha importância na divulgação das localidades
turísticas, não há como dissociar a fotografia do cartão-postal, o que faz com que um esteja
intimamente ligado ao outro. Sendo assim, abaixo será descrita a história de invenção da
fotografia, bem como o ano de criação, quais foram os pioneiros nesta arte e como os autores
atribuem o advento do cartão-postal à utilização de fotografias nos mesmos.
Harrell (2000, p. 2) descreve que no intento de desenvolver uma técnica que
registrasse em longo prazo os momentos do cotidiano em um pedaço de papel foi que o
pioneiro Niepce, em parceria com Jacques Louis Daguerre, desenvolveu experiências com
métodos fotográficos.
Daltozo (2006, p. 13) elucida que entre tantas tentativas sem sucesso, em 1822 Niepce
conseguiu realizar uma cópia de uma gravura em metal sobre o vidro, processo ao qual ele
denominou de Heliografia. Quatro anos mais tarde, em 1826 ele consegue realizar a primeira
fotografia durável da história, que teve oito horas de exposição. Foi utilizada uma chapa e
uma camada de asfalto, usando como fixador um ácido presente na urina.
Mas foi em 1839, quando Niepce faleceu, Daguerre apresentou ao público o
daguerrótipo, uma espécie de folha de cobre, revestida com prata, tratada com vapor de iodo,
o que a tornava sensível a luz.
Não obstante, Daltozo (2006, p. 14) descreve que a popularização da fotografia só
aconteceu em 1888, quando o norte americano George Eastman desenvolveu uma máquina
fotográfica simplificada com o nome de Kodak, utilizando um rolo de papel flexível e
sensível a luz.
E, após um ano dessa invenção, o rolo foi substituído por alulóide, que popularizou
ainda mais a fotografia, e atualmente é o sistema utilizado nas máquinas fotográficas
analógicas, mesmo com o advento das máquinas digitais.
De acordo com Kossoy (apud DALTOZO, 2006, p. 16), “o advento do cartão-postal,
coincidentemente ao surgimento das revistas ilustradas, entre outras formas de difusão
impressa da imagem pictória e, em especial, da fotografia, representou uma verdadeira
revolução na história da cultura”.
19
1.3 HISTÓRICO DO CARTÃO POSTAL
Desde meados do século IX, toda facilidade de visualização que temos nos dias de
hoje, era considerada como um acontecimento raro, pois eram poucas pessoas que possuíam,
por exemplo, acesso às fotografias. Atualmente, não apenas a fotografia, mas a televisão,
livros, revistas, jornais e até mesmo a internet são de fácil acesso a quase todas as pessoas.
Nota-se que os exemplos citados acima são compostos de imagens, sejam estáticas ou
não. Assim, como principal elemento do cartão-postal é a fotografia que ali está impressa.
Com base no discurso de Daltozo (2006, p. 18), mesmo antes dos dois possíveis
registros de criação e circulação dos cartões-postais, algumas fontes de pesquisas atribuem
como precursor do cartão-postal Henry Cole, que desenvolveu o primeiro cartão de Natal.
A tradição de enviar cartões com mensagens natalinas iniciou-se em 1843 quando
Cole, na ânsia de enviar uma carta de boas festas a familiares e amigos, mas sem tempo
disponível para fazê-lo, pediu ao desenhista John Calcott Horsley que criasse um desenho
representando a ceia de Natal de uma família vitoriana, conforme descreve Daltozo (2006, p.
18). Este desenho foi impresso em litografia e colorido a mão.
Com isso, os cartões de natal de Cole ganharam popularidade, pois o preço da
postagem era metade do preço de uma correspondência convencional e as técnicas de
impressão foram se aperfeiçoando.
Alguns anos após a criação dos cartões de Natal, em 1854 foi patenteado o carte-devisite, que possibilitava o acesso às pessoas aos retratos fotográficos. Esses tipos de cartões
eram fotografias que mostravam o rosto ou meio corpo de uma única pessoa. As fotos eram
coladas em papel com formato, aproximadamente, de 6cm x 10cm, e eram trocados em
eventos sociais, num gesto de amizade ou de conquista.
Pode-se dizer que há duas variantes sobre a criação dos cartões-postais. A primeira
delas, conforme cita Daltozo (2006, p. 22) e (Belchior, 1986, apud VELLOSO, 2001), é que a
criação dos postais foi feita pelo ao norte-americano H.L Lipman, que em parceria com J. P
Charlton, patenteou a idéia em junho de 1861, e assim, criou o Lipman´s Postal Cards.
Contudo não há registros da circulação do mesmo através dos correios até outubro de 1870.
Ainda baseado nos conceitos de Daltozo (2006, p. 23), outra teoria foi que Emmanuel
Hermann, professor de Economia Política, no Império austro-húngaro, criou em 29/01/1869 o
correspondenz-karte como uma proposta econômica e rápida aos correios da Áustria de
enviarem as correspondências. Desta forma o diretor dos Correios aceitou a sugestão de
20
Hermann, e em 01/10/1869 circulou pelo mundo o primeiro cartão-postal, o correspondenzkarte.
O correspondenz-karte foi confeccionado em cartolina simples, com medidas de 8,5cm
x 12cm. Na parte frontal o selo austro-húngaro era impresso no canto superior direito e no
espaço restante eram inseridos os dados do destinatário; no verso era escrito uma curta
mensagem. Esse tipo de cartão era de baixo valor, o que proporcionou a rápida difusão entre
outros países da Europa. Em 1873 já circulava pelos Estados Unidos e em 1875 no Japão.
Com este acontecimento, surge a Cartofilia (arte de colecionar cartões-postais).
Figura 2- Primeiro correspondenz-karte.
Fonte: DALTOZO, 2006, p. 15
Quando os cartões-postais ainda estavam em processo inicial de circulação pelo
mundo, o que os compunha eram apenas as mensagens escritas. Posteriormente, para a
popularização dos postais, as ilustrações passaram a ser incorporadas no conteúdo dos
cartões-postais. E o que surge para difundi-los por todo o mundo são as fotografias.
Na Europa na década de 1890 foi que surgiram os primeiros postais com fotografias de
paisagens, e outra modalidade de postais foi o registro em forma de comemoração dos
acontecimentos históricos, visitas de reis e exposições. Isso proporcionou que os cartõespostais ganhassem mais popularidade, como um difusor das imagens do cotidiano.
Mesmo com a redução do espaço reservado à escrita, a gravura estabelece um vínculo
maior entre o destinatário e o remetente, pois reforça o conteúdo da mensagem escrita com o
visual.
21
Conforme Belchior (1968, apud VELLOSO, 2001, p. 4),
a inserção da imagem deu ao cartão dimensões surpreendentes, graças ao
caráter documentário que esse adquiriu. Deixou de ser apenas fim para se
constituir um meio, passando a ser desejável objeto de colecionamento, fonte
de satisfação pessoal, preservação da memória de homens e coisas,
compromisso tácito com o futuro (BELCHIOR, 1968, apud VELLOSO,
2001, p. 4).
Na Alemanha surge o Gruss aus..., que significava “lembranças de...”. Este tipo de
cartão era composto com uma imagem da cidade, com o nome da mesma impresso na parte
superior do cartão. Conforme descreve Daltozo (2006, p. 16), para os turistas este tipo de
postal significou uma recordação barata e decorativa, que ele podia comprar a vontade e levar
para casa, mostrando aos que não viajaram as belezas que ele viu e visitou. Daltozo (2006,
p.17) ainda defende que os Gruss aus... são os precursores dos atuais postais turísticos.
Figura 3 – Antecessor do atual cartão postal “Grauss aus...”.
Fonte: DALTOZO, 2006, p. 21
Com todo este aperfeiçoamento dos cartões-postais, os demais países da Europa
iniciaram a edição desse tipo de cartão em apenas uma cor, contudo, com o passar do tempo
aderiram à cromolitografia, o que possibilitou que os postais tornassem cada vez mais bonitos
e atraentes.
O formato inicial dos postais era com o endereço e o selo na parte frontal, e o espaço
atrás era destinado à mensagem escrita. Com a inserção das imagens – inicialmente as
gravuras, depois as fotografias – estas ocuparam o espaço frontal do postal, enquanto que o
endereço era escrito na parte de trás. Assim, restava um minúsculo espaço, ao redor da
imagem, para a mensagem a ser enviada.
22
De acordo com Daltozo (2006, p. 21), foi a Inglaterra, em 1902, que alterou o formato
básico do postal; deixando a imagem no espaço da frente, e o verso foi divido ao meio: a
direita era reservado ao destinatário e a esquerda para a mensagem. Este é o formato que
circula até os dias de hoje.
Figura 4 – Verso de um postal datado em 1914, enviado da França para o Brasil, mostrando
que já havia a divisão, sendo a parte esquerda para a mensagem, e a direita para o nome e
endereço do destinatário.
Fonte: DALTOZO, 2006, p. 22.
As admiráveis imagens dos destinos turísticos são refiguradas nos postais, e desta
forma, proporcionam uma percepção afetiva e estética dos monumentos e paisagens, dando
significado ao processo de familiaridade com o local, pois quando se vê um cartão-postal há o
desejo de inserir-se na paisagem mediante a uma escolha de uma imagem que lhe pareça
agradável.
Baseado nos conceitos de Schapochnik (1998),
os cartões-postais são como um convite à viagem, uma prenda delicada
àquelas que estão distantes. Imagens cuidadosamente escolhidas servem de
moldura (...). O postal parece revelar o minucioso trabalho que incide na
conquista da paisagem pelo olhar do viajante. A conjunção que se estabelece
entre a o texto e a imagem, sublinha a atitude deliberada do remetente em
persuadir o destinatário. (...)De uma maneira ou de outra, o cartão procura
estabelecer uma comunicação entre ausentes e assim restituir uma distância.
(SCHAPOCHNIK, 1998, p.424)
23
Podemos dizer que os cartões-postais são como parte da memória dos povos, um
instrumento de comunicação social e até mesmo um objeto de arte e colecionamento.
1.4 CARTÃO POSTAL NO BRASIL
Na introdução da obra “O Rio de Ontem no Cartão-Postal (1900-1930)”, Belchior
(1968) descreve que o Brasil foi rápido ao adotar o selo do Correio em suas correspondências,
contudo com o cartão-postal não ocorreu da mesma forma. Foi 11 anos após a criação na
Áustria, que os postais começaram a circular no Brasil.
Daltozo (2006, p. 18) apresenta em sua obra que o então Ministro da Agricultura,
Comércio e Obras Públicas, Manuel Buarque de Macedo, baixou o decreto 7695, de 28 de
abril de 1880, que autorizava a criação do bilhete-postal, precursor do cartão-postal no Brasil.
A impressão desses postais era de exclusividade do Correio do Império Brasileiro, que exibia
armas imperiais no alto do postal.
Figura 5 – Primeiro bilhete postal do Império Brasileiro, 1880. Na frente era para o endereço
do destinatário, e o verso em branco, era para a mensagem.
Fonte: DALTOZO, 2006, p. 15.
Um fato marcante para o advento do bilhete-postal no Brasil foi no ano de 1899,
quando o governo Republicano, através da Lei 640 autorizou a produção de bilhetes-postais
pela indústria gráfica particular. Contudo, Daltozo (2006, p. 19) cita que, mesmo antes desta
lei, já circulavam postais brasileiros produzidos em editoras particulares e impressos no
24
exterior, por exemplo, os da série SÜD AMÉRIKA, editado na Alemanha, que exibiam belas
vistas do Brasil, como Recife, Salvador, Pará e Rio de Janeiro, um tipo de ilustração
predominante no início.
Tem-se conhecimento que na ocasião em que o Rio de Janeiro era a capital brasileira,
os postais mais antigos eram produzidos pelo fotógrafo Marc Ferrez e entraram em circulação
em 1900. Outros editores de renome foi Leon de Rennes, S. Grandin e Cia e Casa Guimarães,
conforme cita Daltozo (2006, p. 19).
Segundo SCHAPOCHNIK (1998, p. 427) o postal era submetido à gestão do Estado,
assim como este novo modelo de comunicação implicava uma distinção monetária e
cromática, feita da seguinte forma: a cor vermelha era destinada à circulação urbana, com o
preço de vinte réis ou quarenta, isto é, com resposta já paga; a cor azul era utilizada para o
interior das províncias, com o custo de cinqüenta ou cem réis; e a cor laranja era reservada à
postagem internacional, com o preço de oitenta ou 160 réis.
O aumento pela procura dos postais no Brasil acompanhou o de outros países, e nove
anos mais tarde, quando a população brasileira era de 20.000 milhões de habitantes, o Correio
registrou que 15 milhões de cartões-postais haviam circulado naquele ano. O período que
compreende as três primeiras décadas do século XX ficou conhecido como a Idade de Ouro
do Cartão-postal.
Os temas que ilustravam os postais brasileiros eram os mais diversos, desde uma
bucólica paisagem, a praças, praias e monumentos abissais, pois, para DALTOZO (2006, p.
33) “tudo que há na Terra pode ser tema de colecionismo”.
Na exposição “Os anos dourados do cartão-postal”, em 1988, uma das fundadoras da
Associação de Cartofilia do Rio de Janeiro (ACARJ), Yolanda Roberto, escreve que “os
postais deixam de ser simples objetos de colecionismo e passam a ser ocupação preferida de
muitas pessoas no mundo todo”.
Mas o que leva uma pessoa a colecionar determinado tema? De acordo com Daltozo
(2006, p. 32), este assunto é muito complexo, pois pode estar intrinsecamente ligado ao um
gosto de infância, algo ligado a profissão, procura por novas culturas, intenção de registrar
locais visitados, admiração por belas fotos, interesses sociais – saber como as pessoas se
comunicam, entre outras motivações.
Para o colecionador do tema Navios, Antônio Giocomelli, “não se deve apenas focar
aspectos naturais, mas também aspectos humanos, por exemplo, o folclore. Com isso, a
missão da cartofilia não é apenas resgatar a memória, mas preservá-la”.
25
Voltando-se para os cartões postais da estância turística de Presidente Epitácio, foi
possível verificar que há inúmeros cartões postais comercializados na estância, porém com
imagens repetidas e, como o município tem a denominação de estância, recebe verba
especifica para a promoção e divulgação do turismo, devendo assim, existir maior
preocupação com os cartões postais.
1.5 ESTÂNCIAS
Segundo a definição encontrada nos dicionários, como Aurélio, o termo estância é
definido como lugar de repouso, e esta denominação foi adotada oficialmente pelo Brasil.
Pode-se dizer que esta denominação deriva do continente europeu, uma referência às estações
do ano, classificadas em termais ou hidrominerais, climáticas e balneárias. (PUPO, 1974, p.
35 apud AULICINO, 2001, p.68)
A partir das pré-condições estabelecidas no Decreto no. 20, de 13 de julho de 1972, as
estâncias poderiam ser classificadas em balneárias, climáticas ou hidrominerais. Como um
órgão para auxiliar a gestão de municípios denominados estâncias, foi criado o FUMEST –
Fundo de Melhoria das Estâncias, a fim de dar assistência às estâncias com recursos
destinados ao desenvolvimento e preservação das mesmas.
De acordo com a definição da Secretaria de Esportes e Turismo de 1972, conforme
Aulicino (2001, p.69) descreve, a estâncias são definidas como “municípios privilegiados que
além de recursos naturais específicos, clima benéfico e paisagens notáveis, oferecem atrativos
de caráter permanente, com valor histórico, artístico ou religioso”.
Segundo Fonseca (2006, p. 42), para que um município seja denominado como
estância é necessário cumprir algumas condições e requisitos estabelecidos em lei. Há que se
ter trâmites burocráticos, como a solicitação do prefeito do município junto a Assembléia
Legislativa, que, posteriormente, encaminha essa solicitação ao DADE - Departamento de
Apoio de Desenvolvimento das Estâncias.
Desta forma, o DADE inicia um processo e avalia os documentos que contém
informações sobre o município. Após esta etapa, acontece a visita in loco, onde é dado o
parecer final. Se aceito o pedido, o processo é novamente encaminhado aos órgãos
competentes para que seja sancionada a lei delibera o município como estância.
Independente da definição estabelecida pelo Brasil, ou da qual deriva da Europa, “o
termo estância sempre esteve associado à questão da saúde e do repouso e, posteriormente, ao
26
turismo, muito em razão dos deslocamentos e da infra-estrutura que implicam o atendimento
coletivo e público desses objetivos”. (AULICINO, 2001, p.69).
1.5.1 Tipologia das estâncias
Segundo a definição do DADE, as estâncias devem possuir condições de lazer,
recreação e recursos naturais e culturais, além de contar com infra-estrutura e serviços
direcionados à atividade turística.
No estado de São Paulo atualmente existem 67 estâncias, classificadas em quatro
categorias: 15 balneárias; 10 climáticas; 13 hidrominerais e 29 turísticas.
Com o intuito de compreender melhor o objeto de estudo deste trabalho - os cartõespostais da estância turística de Presidente Epitácio - definiremos apenas o conceito das
estâncias turísticas.
Aulicino (2001) descreve que,
as estâncias turísticas foram regulamentadas pelo Decreto no. 11.022, de 28
de dezembro de 1977, que estabelece como requisito mínimo a presença de
atrativos de natureza histórica, artística ou religiosa, ou de recursos naturais
e paisagísticos. Para um município ser denominado estância turística deve
oferecer condições de lazer, dentro das normas de padrão de atendimento e
responsabilidade ambiental (AULICINO, 2001, p.71).
Conforme cita Fonseca (2006, p. 48) ao todo no estado de São Paulo podemos
encontrar 29 municípios que são classificados como estâncias turísticas. São eles: Aparecida,
Avaré, Bananal, Barra Bonita, Batatais, Eldorado, Embu, Holambra, Ibitinga, Ibiúna, Igaraçu
do Tiete, Ilha Solteira, Itu, Joanópolis, Paraguaçu Paulista, Paranapanema, Pereira Barreto,
Piraju, Presidente Epitácio, Ribeirão Pires, Salesópolis, Salto, Santa Fé do Sul, São José do
Barreiro, São Luis do Paraitinga, São Pedro, São Roque, Tremembé e Tupã, sendo assim,
cada município com sua peculiaridade.
27
Figura 6 – Mapa das estâncias turísticas do estado de São Paulo, com destaque para a Estância
Turística de Presidente Epitácio.
Fonte: www.estanciaspaulistas.com
1.6 HISTÓRICO DE PRESIDENTE EPITÁCIO
A fundação do município de Presidente Epitácio aconteceu no inicio do século XX, a
partir da necessidade de construir uma estrada de rodagem que ligasse a região do oeste
paulista, conhecida como “sertão desconhecido” ao sul do Mato Grosso, hoje denominado
Mato Grosso do Sul.
Segundo Godoy (2002, p. 17), foi em 1904 que o governador Jorge Tibiriçá ofereceu a
Francisco Tibiriçá a administração do projeto que construiria a estrada de ferro. Contudo,
Francisco tinha conhecimento que a Estrada de Ferro estava sendo construída em processo
muito lento, tida como uma obra para longo prazo.
Assim, Francisco Tibiriçá, encontrou um sócio, o Coronel Arthur Aguiar
Diederichsen, um proprietário de fazendas de café e de criação de gado. Esta união resultou
na empresa Diederichsen & Tibiriçá, cujo primeiro, Diederichsen, administraria os serviços
da estrada do lado do estado de São Paulo, e o segundo no lado mato-grossense. Com isso a
construção da estrada de ferro que levava ao rio Paraná foi um dos fatores preponderantes
para o desenvolvimento da região.
28
Os trabalhos iniciaram-se no lado paulista com Francisco Guilherme de Aguiar
Whitaker, conhecido como Capitão Francisco Whitaker. Godoy (2002, p. 22) relata que
Whitaker percorreu o rio Santo Anastácio até o rio Paraná para escolher o local mais
apropriado às instalações de um porto, que seria denominado Porto Tibiriçá, fundado em 1°
de janeiro de 1908, que por sua vez deu origem a Vila Tibiriçá.
Com a intensa atividade de navegação no Porto Tibiriçá, e sua ligação com a malha
ferroviária, outra atividade que impulsionou o desenvolvimento local foi a extração da
madeira, no lado mato-grossense.
Segundo Okimoto, (1990)
para a consolidação do desenvolvimento da cidade [...] houve algumas
situações e obras muito significativas, das quais pode-se destacar: o sistema
de navegação a partir do Porto Tibiriçá (hoje vila Bordon), depois na vila
(porto Epitácio); a construção da ferrovia Sorocabana (1922) muito
importante para a extração da madeira vinda do estado do Mato Grosso do
Sul (OKIMOTO, 1990, p. 57)
Diante do desenvolvimento econômico que aconteceu na região, o local atraiu cada
vez mais pessoas, o que favoreceu a elevação da Vila ao titulo de município em 27 de Março
de 1949. O então conhecido Porto Tibiriçá, tornou-se o porto de Presidente Epitácio, com
outro tipo de estrutura, por exemplo, calado maior. E hoje, este porto pode ser considerado o
de maior importância ao longo do médio Paraná. Segundo dados do IBGE (2007), o principal
movimento do porto de Presidente Epitácio é o embarque e desembarque de passageiros,
carga e descarga das embarcações.
1.6.1 A Estância Turística de Presidente Epitácio
A estância turística de Presidente Epitácio está localizada na região oeste do estado de
São Paulo, às margens do Rio Paraná (figura 1). Este rio é responsável pela divisa de São
Paulo e Mato Grosso do Sul. Faz divisa ao norte com o município de Panorama, ao sul com
Teodoro Sampaio, a leste com Caiuá e Marabá Paulista, e a oeste, o estado do Mato Grosso
do Sul.
Pode-se dizer que é uma cidade bem localizada estrategicamente, pois a principal via
de acesso é a rodovia Raposo Tavares, que interliga o município à capital do estado, e
também a cidades como Presidente Prudente, Assis e Sorocaba. Outro fator importante, dado
29
a localização é a ponte Professor Mauricio Joppert, que interliga os dois estados, sendo um
trecho de muita circulação de carros, ônibus e caminhões.
Dada a sua localização geográfica, o município de Presidente Epitácio apresenta
grande potencial turístico, e foi em 1990 que o governo do estado de São Paulo eleva o
município a condição de Estância Turística.
Ainda baseado no que Okimoto (1990) expõe,
para a elevação às categorias de estância turística, são necessários vários
encaminhamento como indica a constituição do Estado de São Paulo, no seu
titulo IV do capítulo I. [...] Com a leia nº 10.426 de 08/12/1971, as estâncias
eram classificadas em hidrominerais, climáticas e balneárias, e a partir da lei
1457 de 11/11/1977, houve a criação das estâncias turísticas (OKIMOTO,
1990, p. 67).
Com a elevação à condição de estância turística em 20 de julho de 1990, através da lei
6956, devido a presença de recursos naturais e atrativos de valor histórico, cultural e artístico,
o município recebe anualmente apoio financeiro do Departamento de Apoio ao
Desenvolvimento das Estâncias (DADE), para o desenvolvimento e promoção da atividade
turística.
Segundo o secretario de Turismo de Presidente Epitácio, uma das principais
motivações que levam os turistas a Epitácio é o turismo de pesca. É possível notar que este
segmento do turismo é muito enfatizado nos cartões postais, sendo que 10 dos cartões
selecionados, quatro apresentam imagens relacionadas a esta atividade.
Contudo, vale ressaltar que a estância turística de Presidente Epitácio não pode ser
apenas associada ao turismo de pesca, haja vista que a cidade possui outros atrativos que
também foram representados nos cartões postais, tais como: A Igreja Matriz de São Pedro,
com sua fonte luminosa, localizada no centro de Presidente Epitácio; O Parque Figueiral,
localizado a margem do rio Paraná, local onde acontecem grandes eventos, com ampla infraestrutura de quiosques, palco para shows, restaurante, área para camping, etc; As Thermas de
Epitácio, local com beleza ímpar, com fontes de água quente, piscinas, cascatas e também é
possível a realização de esportes radicais, como arborismo, tirolesa e rapel; A ponte Professor
Mauricio Joppert, inaugurada em 1964, inicialmente com 2,5 km de extensão, e hoje possui
quase 13 km, devido a formação do reservatório da UHE Sérgio Motta.
Os atrativos descritos acima foram encontrados nos dez cartões postais analisados
neste trabalho, contudo, constatou-se em pesquisa no site oficial da prefeitura de Presidente
30
Epitácio, que o município possui outros atrativos e até mesmo festividades que não são
representadas nos postais. São eles: Horto da Igualdade, onde foi o primeiro cemitério da
cidade, local muito arborizado, que proporciona tranqüilidade aos seus visitantes; Horto
Florestal, situado às margens do rio Caiuazinho, sendo uma ótima opção de lazer para as
famílias e também para o turismo pedagógico; a Igreja de Santo Estevão, da Colônia Arpad,
local para conhecer a história de imigrantes húngaros que povoaram a região, em 1930.
Além dos atrativos turísticos, em Presidente Epitácio também acontecem grandes
eventos, que atraem visitantes de toda a região, e quem também não são representados nos
cartões postais. Podemos citar o Carnaval, com o desfile de escolas de samba no
Sambódromo; a Cavalgada de São Sebastião, que acontece há sete anos no distrito do
Campinal e faz parte do calendário turístico do Estado de São Paulo. Este evento chega a
reunir 1.500 cavaleiros que homenageiam o santo padroeiro, além de resgatarem a cultura dos
cavaleiros antigos, como dormir em redes e comer arroz tropeiro; a Procissão de Nossa
Senhora dos Navegantes, que acontece tradicionalmente desde 1948, sendo uma parceria entre
os dois estados, Mato Grosso do Sul e São Paulo, cujas pessoas participam ativamente na
realização desta festa; o Arraial do Padroeiro, festa que acontece há seis anos, com mostra de
danças folclóricas, concurso de forró, além de uma grande fogueira.
Há que se considerar que estes atrativos e festividades descritos acima também devem
merecer espaço nos cartões postais que divulgam a estância turística de Presidente Epitácio,
dada a importância econômica, histórica e cultural tanto para o município, quanto para os
moradores, e para os próprios turistas que querem uma recordação daquele momento.
31
II – MATERIAIS E MÉTODOS
O embasamento teórico deste trabalho foi realizado através de pesquisa bibliográfica
pertinentes ao tema, como livros, artigos, teses, monografias e dissertações. Também foi feito
um levantamento na internet, como site oficial da Estância Turística de Presidente Epitácio,
bem como busca de dados no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Foi utilizado um notebook com capacidade de 4Gb de memória RAM e com
capacidade de armazenamento de 250Gb. Utilizou-se ainda impressora e scanner, para a
digitalização dos cartões postais. Além destes softwares, foram utilizados o MS Excel- 2007,
para a elaboração das fichas para a pesquisa, tabulação dos dados, e confecção dos gráficos;
MS Word-2007, para a escrita do trabalho; MS Picture Manager-2007, para o
redimensionamento das imagens, e o MS- Power Point-2007.
Foi necessária a ida ao município de Presidente Epitácio para ser feita a seleção e
coleta dos cartões postais. Esse deslocamento foi feito de ônibus, custeado pela própria
discente, que ficou dois dias na cidade, percorrendo locais específicos onde esses cartões
poderiam ser comercializados. O primeiro local visitado foi a Casa do Artesão, onde foi
possível encontrar cerca de quinze postais diferentes, assim, foram escolhidos 10 cartões
postais. Posteriormente, buscou-se mais cartões em bancas de jornal, porém constatou-se que
eram os mesmos já encontrados antes, apenas dois eram diferentes, e estes também foram
coletados. Na gráfica C&A também foram encontrados os mesmo postais. Sendo assim, com
doze postais em mãos, foram escolhidos os 10 de maior relevância.
Para a análise da percepção do público masculino e feminino, foi elaborada uma ficha,
que contém um cabeçalho para o nome, cidade de origem e idade. Abaixo do cabeçalho uma
tabela com dez linhas e três colunas, cada uma para as categorias que foram analisadas:
beleza, aventura e tranqüilidade.
Para a execução deste trabalho, foi de suma importância a participação de 60 pessoas,
30 do sexo feminino e 30 do masculino. Foram escolhidas pessoas com idade de 25 a 35 anos
do distrito de Primavera. Além dos munícipes foram escolhidos alguns visitantes do Museu de
Memória Regional, provindos de cidades do estado Paraná, como Paranavaí e também do
Mato Grosso do Sul, como Três Lagoas.
32
Nome: ____________________________________ Idade: __________
Cidade:____________________________________Data: ___________
Beleza Cênica Aventura Tranquilidade Tabela 1 – Ficha elaborada para a pesquisa experimental.
Fonte: Adília Camargo Ramos.
Cada cartão recebeu um número de 01 a 10. As pessoas foram orientadas a classificar
todos os postais, de um a dez de acordo com a relevância em cada categoria. Mediante a
análise e tabulação dos dados obtidos na pesquisa experimental, para cada uma das categorias
que foi avaliada, elaborou-se três respectivos gráficos com a média de cada uma. Utilizandose dos gráficos, foi possível verificar qual é a percepção do público feminino e do público
masculino diante das imagens vinculadas nos cartões postais da estância turística de
Presidente Epitácio, assim estabelecer uma relação de comparação entre o resultado do
publico masculino e do público feminino.
33
2.1 A METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO EM CATEGORIAS E MAGNITUDE
Escolheu-se esta metodologia para a execução deste trabalho, pois a avaliação em
categorias é feita através de uma escala ordinal, ou seja, é um tipo de escala que possibilita a
categorização dos objetos, no caso os cartões postais, bem como ordená-los de acordo com a
propriedade avaliada.
Ferraz, (2005,p. 16) ressalta que este tipo de escala não apenas diferencia os
indivíduos nomeando-os, mas também informa se o objeto tem mais ou menos qualidade de
uma determinada categoria, além de demonstrar a magnitude entre os cartões. Por exemplo,
na categoria beleza o cartão 01 pode ter ficado em primeiro lugar, já na categoria de aventura
ficou em quarto lugar.
Utilizando-se dos cartões postais, foi delimitado as três categorias que seriam
analisadas – beleza, aventura e tranqüilidade, que são atributos de tamanha relevância na
tomada de decisão ao escolher um destino turístico.
As 60 pessoas que foram entrevistas, 30 de cada gêneros, tinham a tarefa de
classificar numa escala ordinal de 1 a 10 os cartões postais, considerando primeiro o atributo
beleza, aventura e por último tranqüilidade. Após a classificação dos postais, foi estabelecido
a magnitude entre cada um, dentro de cada categoria.
Define-se como a estimação de magnitudes o processo de julgamento, cujos
observadores emparelham números a diferentes níveis de sua própria impressão perceptiva, e
assim, “constitui-se num dos métodos freqüentemente utilizados para construir escalas de
razão de sensação”, conforme descreve Ferraz (2005, p. 28)
Ainda baseado nos conceitos de Ferraz (2005)
a tarefa de fazer julgamentos requer que se relacione suas respostas aos
estímulos sensoriais apresentados. Geralmente, as respostas podem ser
divididas em três tipos: a) aquelas que requerem que o sujeito faça uma
simples discriminação ordinal do estímulo apresentado; b) aquelas que
requerem que o sujeito ajuste o estímulo a um continuo sensorial
subjetivamente em intervalos iguais; c) aqueles que requerem do sujeito a
atribuição de números a estímulos que presumidamente representem a
magnitude das sensações (2005, p. 18).
Para a estimação de magnitudes entre os cartões postais nas três categorias em
questão, as pessoas foram orientadas a escolher quantas vezes um cartão era mais atrativo em
relação ao outro. Por exemplo, na categoria beleza os entrevistados tinham estimar quantas
vezes o cartão 01 era mais atrativo que o cartão 02 no atributo beleza; posteriormente, quantas
34
vezes o cartão 02 era mais atrativo em relação ao cartão 03, e assim por diante, e esse
procedimento foi feito nas três categorias, com os dois gêneros.
Neste método, Ferraz (2005, p. 18) descreve que o observador recebe instruções
previamente e atribui números a uma seqüência de categorias, para que seja feito um
julgamento da magnitude atribuída àquela categoria, de maneira que os números representem
a impressão do observador em relação aos cartões apresentados.
O método de estimação da magnitude é definido por Stevens (1975) como um
emparelhamento numérico, podendo ser divido em dois tipos: estimação de magnitudes com a
presença do módulo e com o módulo livre. No primeiro tipo uma categoria é apresentada pelo
experimentador como categoria padrão, e a esta categoria é designado um valor numérico,
chamado de módulo. Embasado nos conceitos teóricos de Stevens (1975 apud FERRAZ,
2005, p. 19), posteriormente
o observador deve assinalar as categorias subseqüentes, números que sejam
proporcionais ao atribuído a esse módulo, os quais apresentarão a razão
julgadora entres os diferentes estímulos (categorias) apresentados pelos
experimentador. Dessa forma, se um estímulo (categoria) da série
apresentada é considerado como tendo o dobro da intensidade do módulo
apresentado, ele deve receber um valor numérico que seja duas vezes maior
que aquele atribuído ao estímulo padrão (módulo). No segundo tipo, o
método de estimação de magnitudes não tem um estímulo (categoria) padrão
estabelecido previamente, ou seja, o módulo é livre e o observador poderá
analisar qualquer numero ao primeiro estímulo (categoria) apresentado,
devendo os números assinalados para a série de estímulos apresentados
refletirem razões entre os estímulos julgados. (STEVENS, 1975 apud
FERRAZ, 2005, p. 19)
Desta forma, o método de avaliação de magnitudes foi aplicado com a presença de um
módulo, pois foram delimitados os valores numéricos para a atribuição de magnitudes. Assim,
a razão entre os números deve demonstrar a razão entre a percepção do público feminino e do
masculino diante das três categorias estabelecidas.
35
III – DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
De acordo com o objetivo geral descrito neste trabalho, foram realizadas 60 pesquisas
experimentais, sendo 30 com o público feminino e 30 do público masculino. Foram
escolhidas pessoas com idade de 25 a 35 anos, por serem pessoas capazes de fazerem um
juízo coeso das imagens, além de podermos considerar essa população economicamente ativa.
Foram selecionadas pessoas de Primavera, e além dos munícipes foram escolhidos
alguns visitantes do Museu de Memória Regional, provindos de cidades do estado Paraná,
como Paranavaí e Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Optou-se em coletar os dados com
moradores de Primavera e de outros municípios por serem potenciais turistas da estância
turística de Presidente Epitácio, e assim, avaliar de que forma eles percebem as imagens de
um local até então desconhecido, diferente dos próprios moradores de Epitácio, que têm um
contato direto com os atrativos, mesmo que não seja na prática do turismo.
Em um primeiro momento, foi possível observar certa equivalência entre as respostas
dos homens e das mulheres em relação a percepção das imagens veiculadas nos cartões
postais.
A respeito do cartão 01 quase todos os comentários foram unânimes a respeito de
tamanha beleza contida na imagem do cartão, tanto pelos homens, como pelas mulheres.
Além de inspirar tranqüilidade, porém pouca aventura.
.
Figura 7 – Cartão postal 01
Figura 8 – Verso do cartão postal 01
36
O cartão 02 obteve melhor classificação na categoria de aventura, pois quase todos os
homens ao escolherem os cartões que mais inspiravam aventura enfatizavam a questão da
pesca. Nas categorias beleza e tranqüilidade obteve uma classificação equivalente para ambos
os gêneros.
Figura 9 – Cartão postal 02
Figura 10 – Verso do cartão postal 02
O cartão 03 foi melhor classificado na categoria aventura, principalmente pelo motivo
de imagens da pesca, enfatizado novamente pelos homens. Já na categoria de beleza e
tranquilidade não obteve boa classificação.
Figura 11 – Cartão postal 03
Figura 12 – Verso do cartão postal 03
37
Tanto para os homens, como para as mulheres, o cartão 04 foi bem classificado na
categoria beleza, tranquilidade e aventura, respectivamente.
Figura 13 – Cartão postal 04
Figura 14 – Verso do cartão postal 04
O público feminino classificou cartão 05 em primeiro lugar na categoria aventura,
inspirando relevante beleza e pouca tranqüilidade para os dois gêneros.
Figura 15 – Cartão postal 05
Figura 16 – Verso do cartão postal 05
Para os dois públicos, o cartão 06 apresentou uma classificação média nas três
categorias.
Figura 17 – Cartão postal 06
Figura 18 – Verso do cartão postal 06
38
O cartão 07 apresentou a mesma classificação na categoria aventura para ambos os
gêneros, devido as imagens de jet-skys e barcos à vela. Mas no momento de avaliar a beleza e
a tranquilidade foi corrente o comentário sobre a pouca ênfase dada às imagens citadas como
“mais bonitas”.
Figura 19 – Cartão postal 07
Figura 20 – Verso do cartão postal 07
O cartão 08 ficou em último lugar na categoria aventura para os dois grupos, por se
tratar de um postal com a imagem de uma igreja, o que também não foi muito atrativo na
categoria beleza. Porém na questão da tranquilidade, assumiu o segundo lugar, também para
ambos os gêneros.
3.1 Desenvolvimento
Figura 21 – Cartão postal 08
Figura 22 – Verso do cartão postal 08
O cartão 09 apresentou uma classificação média na categoria aventura, devido as
imagens de pesca. Mas no momento de avaliar a beleza e a tranquilidade este cartão não foi
muito atrativo nestas categorias, ficando em ultimo lugar na categoria de tranquilidade para
ambos os gêneros.
39
Figura 23 – Cartão postal 09
Figura 24 – Verso do cartão postal 09
Por fim, o cartão 10 apresentou certa relevância na categoria tranqüilidade, por ter
imagens das Thermas de Presidente Epitácio, local que as mulheres citaram como um espaço
tido para relaxar, porém sem despertar atrativos de beleza ou aventura.
Figura 25 – Cartão postal 10
Figura 26 – Verso do cartão postal 10
3.1 CATEGORIA BELEZA
O primeiro atributo analisado foi o de beleza, que de acordo com Martins (2006, p.
144) os recursos geográficos e as belezas naturais podem agregar muito o valor ao destino
turístico. Há que se considerar que a estância turística de Presidente Epitácio é privilegiada
nos recursos geográficos e belezas naturais, pois é uma cidade que se encontra à margem
esquerda do Rio Paraná.
40
Tabela 2 - Ranking da categoria beleza - público masculino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Média
1,1
4,366667
6,366667
4,133333
3,733333
5,666667
8,233333
6,933333
7,766667
6,7
Ranking
1º
4º
6º
3º
2º
5º
10º
8º
9º
7º
Fonte: Adília Camargo Ramos.
Tabela 3 - Ranking da categoria beleza - público feminino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Fonte: Adília Camargo Ramos.
Média
1,166667
4,033333
6,4
3,7
4,1
5,333333
8,266667
6,7
8,6
6,7
Ranking
1º
3º
6º
2º
4º
5º
9º
7º
10º
7º
41
Figura 27 – Gráfico com a média dos resultados do ranking do atributo beleza
Tabela 4- Magnitude da percepção na categoria beleza - público masculino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Fonte: Adília Camargo Ramos
Média
18,13333
10,13333
5,933333
10,56667
11,06667
7,233333
3,133333
5,933333
3,866667
5,6
Ranking
1º
4º
6º
3º
2º
5º
10º
6º
9º
8º
42
Tabela 5- Magnitude da percepção na categoria beleza - público feminino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Média
18,13333
10,66667
6,133333
11,06667
10,66667
8,1
2,933333
5,9
2,6
6
Ranking
1º
3º
6º
2º
3º
5º
9º
8º
10º
7º
Fonte: Adília Camargo Ramos
Nesta categoria quando as pessoas eram instruídas a classificar os cartões de acordo
com sua percepção, os comentários a respeito do cartão 01 foram unânimes, tanto para os
homens, quanto para as mulheres, sendo eleito o cartão de maior relevância na categoria
beleza. Deve-se considerar a beleza da imagem, representando o pôr do sol, haja vista que
este tipo de paisagem é muito atrativa. O segundo cartão na categoria beleza para os homens
foi o cartão 05, pois é representado a imagem do rio Paraná e também de um peixe, que logo
são associados a pesca. Para as mulheres, o cartão 04 foi o segundo mais votado, pois é
apresentada uma vista aérea da cidade, com um pôr do sol também, assim como no primeiro.
E este cartão (04) foi escolhido em terceiro lugar pelos homens, já pelas mulheres o cartão 02
foi escolhido em terceiro lugar, também por apresentar uma imagem de peixe e ao fundo o pôr
do sol. Atrelando essas respostas, pode-se considerar que tanto para os homens, quanto para
as mulheres, imagens com representações de paisagens naturais, como um pôr do sol são
muito atrativas.
3.2 CATEGORIA AVENTURA
Para elucidar sobre categoria aventura, Mathieson e Wall (1996, p.29-33 apud
Martins, 2006, p.61) afirmam que “a necessidade de um individuo por mudança, nova
experiência, aventura e de apreciação estética pode ser satisfeita com uma viagem e atividade
turística. Nesta categoria foi possível notar que houve uma variação considerável entre a
classificação dos gêneros.
43
Tabela 6 - Ranking da categoria aventura - público masculino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Média
6,9
2,9
2,366667
8,033333
3,166667
7,333333
4,266667
9,533333
5,5
5
Ranking
7º
2º
1º
9º
3º
8º
4º
10º
6º
5º
Fonte: Adília Camargo Ramos
Tabela 7 - Ranking da categoria aventura - público feminino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Fonte: Adília Camargo Ramos
Média
6,933333
3,733333
2,966667
8,033333
2,4
6,533333
4,133333
9,933333
4,666667
5,666667
Ranking
8º
3º
2º
9º
1º
7º
4º
10º
5º
6º
44
Figura 28 – Gráfico com a média dos resultados do ranking do atributo aventura
Tabela 8 – Magnitude da percepção na categoria aventura - público masculino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Fonte: Adília Camargo Ramos
Média
8,1
14,9
15,83333
4,366667
14,63333
5,266667
11,56667
1,166667
9,5
10,76667
Ranking
7º
2º
1º
9º
3º
8º
4º
10º
6º
5º
45
Tabela 9 – Magnitude da percepção na categoria aventura - público feminino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Média
7,266667
13,06667
14,5
3,966667
15,86667
7,166667
12
0,133333
10,46667
8,966667
Ranking
7º
3º
2º
9º
1º
8º
4º
10º
5º
6º
Fonte: Adília Camargo Ramos
Na categoria aventura, principalmente os homens, selecionaram os três primeiros
cartões mais atrativos nesta categoria, aqueles que apresentavam imagens de peixes, sendo os
cartões 03, 02 e 05, respectivamente. A classificação destes três cartões deu-se, pois as
imagens eram associadas à pesca, atividade com certo grau de aventura, segundo comentado
pelos homens. Já as mulheres também classificaram os mesmos cartões que os homens,
porém em ordem diferente, o primeiro foi o cartão 05, 03 e 02 respectivamente. No momento
de avaliar os cartões, as mulheres associaram a aventura às imagens que representavam
práticas esportivas, como competição de barcos à vela.
3.3 CATEGORIA TRANQÜILIDADE
Além de belezas naturais e a busca por aventura, a tranqüilidade de um local também é
um fator determinante na escolha de um destino turístico. Cada vez mais as pessoas buscam
locais para se refugiarem da correria do cotidiano, principalmente as pessoas que vivem em
grandes centros, que procuram destinos turísticos que proporcionem momentos de
tranqüilidade.
46
Tabela 10 - Ranking da categoria tranquilidade - público masculino
Cartões
Média
Ranking
1,366667
1º
Cartão 01
4,033333
3º
Cartão 02
8,1
8º
Cartão 03
4,466667
4º
Cartão 04
6,066667
7º
Cartão 05
5,633333
6º
Cartão 06
8,166667
9º
Cartão 07
3,033333
2º
Cartão 08
9,066667
10º
Cartão 09
5,066667
5º
Cartão 10
Fonte: Adília Camargo Ramos
Tabela 11 - Ranking da categoria tranquilidade - público feminino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Fonte: Adília Camargo Ramos
Média
1,233333
4,533333
8,8
4,566667
6,833333
5,1
8,233333
2,566667
9,1
4,033333
Ranking
1º
4º
9º
5º
7º
6º
8º
2º
10º
3º
47
Figura 29 – Gráfico com a média dos resultados do ranking do atributo tranqüilidade
Tabela 12 – Magnitude da percepção na categoria tranqüilidade - público masculino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Fonte: Adília Camargo Ramos
Média
18,16667
12
3,6
10,56667
7,333333
8,1
3,3
13,43333
1,133333
8,866667
Ranking
1º
3º
8º
4º
7º
6º
9º
2º
10º
5º
48
Tabela 13 – Magnitude da percepção na categoria tranqüilidade - público feminino
Cartões
Cartão 01
Cartão 02
Cartão 03
Cartão 04
Cartão 05
Cartão 06
Cartão 07
Cartão 08
Cartão 09
Cartão 10
Média
18,23333
10,33333
2,166667
10,36667
5,8
9,2
2,933333
14,46667
1,4
11,53333
Ranking
1º
5º
9º
4º
7º
6º
8º
2º
10º
3º
Fonte: Adília Camargo Ramos
A última categoria analisada foi tranqüilidade, e tanto homens como as mulheres
elegeram o cartão 01 em primeiro lugar nesta categoria. Esta classificação se deu pelo fato da
imagem de um pôr do sol a beira de um rio, é associada a um local tranqüilo, onde a pessoa
pode sentar-se e apreciar aquela vista, ou até mesmo meditar, como foi comentado por uma
mulher. Outra classificação idêntica estabelecida pelos gêneros foi a do cartão 08, que ficou
em segundo lugar. Este cartão representa a imagem da Igreja Matriz de Presidente Epitácio.
Ao escolherem o cartão 08 como mais atrativo na categoria tranqüilidade, homens e mulheres
relataram que uma igreja é também um bom local para buscar tranqüilidade. O terceiro cartão
eleito pelos homens, foi o cartão 02, devido a representação do pôr do sol e do peixe, sendo
assim, a pescaria também pode ser um momento tranqüilo para o público masculino. E para as
mulheres, foi o cartão 10, que representa as Thermas de Epitácio, um local com piscinas de
água quente, ideal para quem quer relaxar, como citou algumas mulheres.
49
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nas últimas décadas as imagens dos destinos brasileiros têm sido muito divulgadas,
seja através da internet ou em propagandas na televisão, e principalmente o Estado investe
valores consideráveis nesta divulgação. No caso da estância turística de Presidente Epitácio,
que recebe verba específica para a promoção e divulgação do turismo no município, deveria
demonstrar maior interesse no que diz respeito às imagens que são representadas nas
ferramentas com a finalidade de divulgar a estância turística, em especial os cartões postais,
sendo que estas imagens devem ser atrativas aos olhos, uma vez que o turismo serve-se das
mais diversas maneiras de comunicação, a fim de atingir o turista em todos os sentidos,
principalmente o visual.
Em conversa informal com uma das atendentes da Casa do Artesão, esta declarou que
os postais são bem procurados pelos turistas e, os mesmo cartões que foram coletados para a
pesquisa, são comercializados há mais de 5 anos, isto é, até então não houve uma atualização
das imagens que são vendidas nesses postais. Outro fator percebido foi a repetição de algumas
imagens em diferentes postais, como a presença de peixes e do Parque Figueiral, enfatizando
o turismo de pesca. Contudo, a estância apresenta outros atrativos turísticos e manifestações
culturais, como descrito no corpo do trabalho, que não são representados nos postais.
Sabe-se que o turismo não realiza estudos na área de percepção, o que é fundamental
para que a atividade e os serviços turísticos sejam desempenhados de maneira satisfatória aos
seus clientes. A imagem que um turista tem de um destino é a construção desenvolvida por
ele, baseado em impressões seletivas entre uma infinidade de impressões, ou seja, a imagem
de um destino nada mais é do que a percepção que potenciais turistas possuem a respeito de
um local.
Para que a realização da propaganda turística aconteça de maneira eficaz, esta deve
considerar as características da população e do local e o que cada tipo de turista busca da
localidade, por isso faz-se necessário estudar a percepção dos turistas, antes de lançar um
produto, por exemplo.
Por isso, é de suma importância saber como os potenciais turistas percebem a
qualidade de um serviço como hospedagem ou um restaurante, assim como as imagens que
são transmitidas de um destino. Por este motivo, viu-se a necessidade de realizar este trabalho
com o público masculino e feminino, para analisar qual a percepção dos diferentes gêneros.
Mediante a análise dos dados, constatou-se que a percepção dos homens e das mulheres em
relação às imagens dos cartões postais foi equivalente nas categorias estudadas.
50
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adília camargo ramos