ANDRÉIA CRISTINA DA SILVA KOBELINSKI
O DESENVOLVIMENTO DO TURISMO SOB O OLHAR DA
SUSTENTABILIDADE:
O CASO DE SANTA CRUZ DO TIMBÓ – PORTO UNIÃO –SC
Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI
Centro de Educação da UNIVALI
Balneário Camboriú
2005
2
ANDRÉIA CRISTINA DA SILVA KOBELINSKI
O DESENVOLVIMENTO DO TURISMO SOB O OLHAR DA
SUSTENTABILIDADE:
O CASO DE SANTA CRUZ DO TIMBÓ – PORTO UNIÃO –SC
Defesa
de
apresentada
dissertação
no
de
Programa
Mestrado,
de
Pós-
Graduação em Turismo e Hotelaria da
Universidade do Vale do Itajaí, para a
obtenção do Título de Mestre sob a
orientação do Professor Dr. Paulo dos
Santos Pires.
Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI
Centro de Educação da UNIVALI
Balneário Camboriú
2005
3
BANCA EXAMINADORA:
_____________________________________________
Professor Dr. Paulo dos Santos Pires
(Orientador)
______________________________________________
Professor Dra. Doris van de Meene
Ruschmann
(Examinadora-titular)
______________________________________________
Professor Dr. Marcos Aurélio Tarlombani da Silveira
(Examinador-titular)
______________________________________________
Professor Dr. Marcus Pollete
(Examinador-suplente)
______________________________________________
Professora Dra. Elaine Ferreira
(Examinadora-suplente)
4
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a Deus, ser supremo da criação, que, em todos os momentos
foi, e sempre será, refúgio e alegria em meus dias.
Ao meu esposo Michel Kobelinski, pela paciência, dedicação, críticas e
compreensão dessa dedicação à pesquisa e redação deste trabalho. E como isto foi
gratificante! Como você já disse, que a nossa vitória seja compensadora!.
Aos familiares um agradecimento especial: José Correia da Silva e Maria Zita da
Silva que me deram a vida e, mesmo a distância, sempre estiveram projetando e
torcendo por mais esta vitória.
Eu também não poderia esquecer da amiga de “viagem”, companheira das idas e
vindas a Balneário Camboriú. Nádia, você é uma pessoa especial que Deus colocou no
meu caminho. Foi a minha companheira das horas felizes e dos momentos decisivos.
Apesar da distância de nossos lares, a enorme amizade se mostrou mais forte. Amiga,
obrigada por tudo. Deus a ilumine sempre.
5
AGRADECIMENTOS
Agradecer é ato de humildade e grandeza do ser no mundo e diante dele. O
nascer e o pôr-do-sol, os seres vivos, as pessoas a nossa volta, enfim, todas as coisas
compõem algo que considero sagradas e necessárias às nossas conquistas e
empreendimentos. Agradeço profundamente às pessoas que participaram desta etapa de
minha vida, reconhecendo o seu grande valor.
Ao Professor Dr. Paulo dos Santos Pires, por seu conhecimento e dedicação
durante os nossos encontros, mesmo com as suas atribulações corriqueiras. Obrigada
pelas horas proveitosas nas quais concretizamos um ideal que agora vem a público,
esforço este sem o qual não seria possível o direcionamento e a construção deste
trabalho.
Aos Professores do Curso Stricto Sensu em Turismo e Hotelaria da Univali, pelo
empenho e dedicação nas discussões em sala de aula, no despertar do senso crítico nos
acadêmicos, apoio e encaminhamento dos trabalhos.
Aos professores, Dra. Doris de van Meene Ruschmann, Dr. Marcus Polette (Dra.
Roselys Izabel Correa dos Santos), Dr. Paulo dos Santos Pires o reconhecimento.
Durante a qualificação seus comentários e críticas foram relevantes ao
redimensionamento do trabalho apresentado.
Às secretárias do curso de mestrado, que sempre nos atenderam prontamente:
Norma, Márcia, Cristina e Rita.
Aos amigos da turma de 2003, que souberam cultivar a amizade, carinho, alegria.
A troca de conhecimento e a amizade, dentro e fora da sala-de-aula serão lembranças
que sempre guardarei comigo. Que essa amizade, nosso bem comum, seja perpétua em
nossos corações.
À direção da UnC – Universidade do Contestado – Campus Canoinhas, pelo
apoio concedido ao desenvolvimento da pesquisa.
À direção da Faculdade Municipal da Cidade de União da Vitória – FACE/
UNIUV, pelo apoio concedido e incentivo financeiro para participação em eventos que
contribuiram para este trabalho e conhecimento profissional, sem medir esforços.
À Profa. Fahena Horbatiuk, pela correção e atenção a este trabalho.
Aos atores sociais entrevistados - poder público, sociedade civil organizada,
comunidade local, iniciativa privada - que prontamente se colocaram à disposição para
atender nossas solicitações.
Por fim, a todos que torceram, apoiaram e auxiliaram de alguma forma, para que
este trabalho fosse realizado com pleno sucesso. Muito obrigada.
6
“A missão do ser humano não é estar sobre as
coisas, dominando-as, mas ficar ao seu lado,
cuidando delas, pois ele é parte responsável da
imensa comunidade terrenal e cósmica.”
Leonardo Boff, 2004.
7
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS
LISTA DE TABELAS
LISTA DE SIGLAS
LISTA DE ANEXOS
LISTA DE APÊNDICES
RESUMO
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO
2 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO......................................................
22
2.1 Localização geográfica................................................................................................ 24
2.2 Aspectos biofisicos.....................................................................................................
25
2.3 Infra-estrutura básica e turística..................................................................................
32
2.4 Aspectos históricos.....................................................................................................
49
2.5 A criação do município de Porto União......................................................................
53
3 REFERENCIAL TEÓRICO....................................................................................... 58
3.1 Desenvolvimento e sustentabilidade...........................................................................
58
3.2 Sustentabilidade do turismo........................................................................................
62
3.3 Turismo no espaço rural.............................................................................................. 69
3.4 Planejamento e gestão do turismo............................................................................... 72
4 METODOLOGIA .......................................................................................................
80
4.1 População e amostragem............................................................................................. 82
4.2 Técnicas de pesquisa e instrumentos para coleta de dados.........................................
83
4.3 Processamento e análise dos dados.............................................................................
85
5 RESULTADOS ............................................................................................................ 86
8
5.1 Poder Público..............................................................................................................
86
5.2 Sociedade Civil Organizada........................................................................................
92
5.3 Iniciativa Privada........................................................................................................
97
5.4 Comunidade Local......................................................................................................
102
5.5 Discussão integrada dos resultados.............................................................................
106
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................
112
6.1 Recomendações........................................................................................................... 113
7 REFERÊNCIAS .........................................................................................................
117
9
LISTA DE FIGURAS
Figura 01 – Rio Timbó em São Pedro do Timbó......................................................................23
Figura 02 – Localização do município de Porto União e distrito de Santa Cruz do Timbó.....24
Figura 03 – Plantação de álamo nas proximidades do Rio Timbó..........................................30
Figura 04 – Igreja na Sede Santa Cruz do Timbó.....................................................................31
Figura 05 – Acesso ao distrito de Santa Cruz do Timbó..........................................................32
Figura 06 - Trevo de acesso na BR 280....................................................................................33
Figura 07 – Sinalização na entrada do distrito de Santa Cruz do Timbó..................................33
Figura 08 – Vista da entrada do distrito de Santa Cruz do Timbó............................................34
Figura 09 – Vista da Pousada Morro Alto................................................................................37
Figura 10 - Vista da Pousada Morro Alto – lado esquerdo da estrada......................................37
Figura 11 – Pousada Dona Maria..............................................................................................38
Figura 12 – Vista do Rio Timbó próximo da Pousada Dona Maria.........................................38
Figura 13 – Vista da Pousada Schreiner...................................................................................39
Figura 14 – Vista da Pousada São Pedro..................................................................................40
Figura 15 – Rio Timbó – BR 280 visto da ponte .....................................................................43
Figura 16 – Cachoeira de São Pedro.........................................................................................44
Figura 17 – Cachoeira do Rio Bonito.......................................................................................45
Figura 18 – Cachoeira do Rio dos Pardos.................................................................................46
Figura 19 - Festa no Pavilhão da Igreja em Santa Cruz do Timbó...........................................48
Figura 20 - Festa no Pavilhão da Igreja em Santa Cruz do Timbó – Grupo 3ª. Idade..............48
Figura 21 – Vista aérea dos municípios de Porto União e União da Vitória............................54
Figura 22 – Vista de Propriedade com gado leiteiro.................................................................55
Figura 23 – Cultivo de Soja......................................................................................................56
Figura 24 – Rio Timbó - no distrito de Santa Cruz do Timbó..................................................57
10
Figura 25 – Rio Timbó - no distrito de Santa Cruz do Timbó..................................................57
Figura 26 – Pilares da Sustentabilidade....................................................................................65
Figura 27 – Ciclo de Vida das Destinações Turísticas..............................................................81
Figura 28 – Fluxograma do Processo de desenvolvimento da metodologia.............................85
Figura 29 - Visão dos atores sociais do poder público com relação ao envolvimento dos
diversos segmentos no desenvolvimento do Turismo na região pesquisada............................91
Figura 30 – Visão dos atores sociais da sociedade civil organizada com relação ao
envolvimento dos diversos segmentos no desenvolvimento do Turismo na região
pesquisada................................................................................................................................96
Figura 31 – Visão dos do atores sociais da iniciativa privada com relação ao envolvimento dos
diversos
segmentos
no
desenvolvimento
do
Turismo
na
região
pesquisada...............................................................................................................................101
Figura 32 – Visão dos do atores sociais da comunidade local com relação ao envolvimento
dos
diversos
segmentos
no
desenvolvimento
do
Turismo
na
região
pesquisada...............................................................................................................................106
11
LISTA DE TABELAS
Tabela 01 – Opinião do Poder Público em relação aos benefícios do turismo na região.........86
Tabela 02 - Opinião do Poder Público em relação aos malefícios do turismo na região.........87
Tabela 03 - Opinião da Sociedade Civil Organizada em relação aos benefícios do turismo na
região.........................................................................................................................................92
Tabela 04 - Opinião da Sociedade Civil Organizada em relação aos malefícios do turismo na
região.........................................................................................................................................93
Tabela 05 – Opinião da Iniciativa Privada em relação aos benefícios do turismo na
região........................................................................................................................................97
Tabela 06 - Opinião da Iniciativa Privada em relação aos malefícios do turismo na
região........................................................................................................................................98
Tabela 07 - Opinião da Comunidade Local em relação aos benefícios do turismo na
região.......................................................................................................................................102
Tabela 08 - Opinião da Comunidade Local em relação aos malefícios do turismo na
região.......................................................................................................................................103
12
LISTA DE SIGLAS
AMURC - Associação dos Municípios da Região do Contestado
ADR-PLAN - Agência de Desenvolvimento Regional Integrado do Planalto Norte
Catarinense.
BESC – Banco do Estado de Santa Catarina
CASAN - Companhia Catarinense de Águas e Saneamento
CERH -Conselho Estadual de Recursos Hídricos
CELESC – Centrais Elétricas de Santa Catarina SA
CONTUR – Conselho de Turismo e Meio Ambiente de Porto União
COPEL – Companhia Paranaense de Energia Elétrica
EMBRATUR - Instituto Brasileiro de Turismo
EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina
ECOIGUAÇU – Organização não governamental de proteção ao ecossistema do rio Iguaçu
ECOVALE – Empresa de Saneamento do Vale do Iguaçu
FACE – Faculdade Municipal da Cidade de União da Vitória-PR
IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
OMT - Organização Mundial do Turismo
PND - Plano Nacional de Desenvolvimento
PNT – Plano Nacional de Turismo
PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
SDS - Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Santa Catarina)
UNEP - Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas
WWF - Fundo Mundial para a Vida Selvagem
13
LISTA DE ANEXOS
Anexo 1 – Folder Promocional de Porto União....................................................................127
Anexo 2 - Termo de consentimento livre...............................................................................128
14
LISTA DE APÊNDICES
Apêndice A – Roteiro de Entrevistas.....................................................................................123
Apêndice B – Roteiro de Observação....................................................................................126
15
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi analisar o atual desenvolvimento do turismo no distrito de Santa
Cruz do Timbó – Porto União/SC, sob a perspectiva da sustentabilidade. Para esse fim foram
realizadas entrevistas com representantes do Poder Público, Sociedade Civil Organizada,
Iniciativa Privada e Comunidade local. O instrumento de pesquisa foi constituído de forma a
buscar uma visão desses segmentos sociais a respeito do paradigma da sustentabilidade. A
ênfase do trabalho partiu das dimensões social, cultural, econômica e ecológica/ambiental
propostas pela OMT – Organização Mundial do Turismo. Além disso, procurou-se conhecer
as ações desses atores sociais no desenvolvimento do turismo e seu conhecimento acerca do
turista que visita a região. Para a área objeto de estudo, a modalidade de turismo praticada foi
identificada como turismo no espaço rural, destacando-se o turismo de pesca, e de forma
discreta, o ecoturismo. O suporte e atendimento a esses “visitantes” é realizado por
proprietários de pousadas que garantem uma infra-estrutura simples. As cachoeiras e grutas
são atrativos potenciais que também estão sendo buscados pelos turistas. As principais
dificuldades para o desenvolvimento do turismo apontadas pelos entrevistados foram: falta de
planejamento turístico, falta de infra-estrutura pública e turística; falta de investimentos;
divulgação; maior apoio do Poder Público; mão-de-obra qualificada, integração entre aos
segmentos envolvidos com a atividade. O intuito do trabalho foi contribuir com um
instrumento de mensuração para o Planejamento do Turismo Municipal, uma vez que tais
princípios da sustentabilidade e de articulação entre os setores sociais envolvidos não são
satisfatórios, sendo necessárias ações concretas e responsáveis, para que o desenvolvimento
do turismo na região pesquisada seja uma realidade.
16
ABSTRACT
The objective of this work was to analyze the current development of the tourism in the
district of Santa Cruz Timbó-Porto União/SC, under the perspective of the sustainability. For
that end interviews were accomplished with representatives of the Public Power, Organized
Civil association, Private initiative and local Community. The research instrument was
constituted from way to look for a vision of those social segments regarding the paradigm of
the sustainability. The emphasis of the work left of the dimensions social, cultural,
economical and ecológica/ambiental proposed by OMT- World Organization Tourism.
Besides, he/she tried to know those social actors' actions in the development of the tourism
and his knowledge concerning the tourist that visits the area. For the area study object, the
modality of tourism practiced was identified as tourism in the rural space, standing out the
fishing tourism, and in discreet way, the ecotourism. The support and service the those
“visitors” it is accomplished by proprietors of lodgings that guarantee a simple infrastructure.
The waterfalls and grottos are attractive potential that are also being looked for by the tourists.
The main difficulties for the development of the tourism appeared by the interviewees were:
lack of tourist planning, lack of public and tourist infrastructure; lack of investments;
popularization; larger support of the Public Power; skilled labor, integration enters to the
segments involved with the activity. The intention of the work was to contribute with a
mensuration instrument for the Planning of the Municipal Tourism, once such beginnings of
the sustainability and of articulation among the involved social sections are not satisfactory,
being necessary concrete and responsible actions, so that the development of the tourism in
the researched area is a reality.
17
INTRODUÇÃO
As mudanças globais e suas implicações no cotidiano dos indivíduos são uma
constante fonte de reflexão social. A busca pelas belezas naturais, pela cultura, por
conhecimento de lugares e pessoas de diferentes sociedades, tornou-se um desejo de
consumo na sociedade pós-moderna, que procura por meio do lazer e do turismo, uma forma
de canalizar o stress do cotidiano e alcançar momentos de plena satisfação. Ruschmann
(2001, p.9) faz referência a essa questão, principalmente em relação aos ambientes naturais:
[...] a “busca do verde” e a “fuga” dos tumultos dos grandes conglomerados urbanos pelas
pessoas que tentam recuperar o equilíbrio psicofísico em contato com ambientes naturais
durante o seu tempo de lazer”.
Atualmente o turismo é um dos setores da economia que mais tem-se destacado
mundialmente. Segundo dados da OMT, apresentados no Plano Nacional de Turismo (20032007), o turismo é responsável por um a cada nove empregos gerados em todo o mundo. Ora,
isso propicia uma reflexão sobre a relação turismo e desenvolvimento, ou seja, como o
turismo pode ser um desencadeador do desenvolvimento de um país, região ou uma
localidade? Ou, por outro lado, como ele pode ser exatamente o contrário, traduzindo-se em
transtornos sociais irreversíveis, principalmente em países em desenvolvimento?
Nesse contexto, muito se tem discutido acerca das políticas públicas e das
possibilidades que norteiam e balizam o crescimento e desenvolvimento do turismo, para que
tome caminhos em que a gestão seja adequada a cada realidade, sejam elas nacionais,
regionais ou locais (RODRIGUES, 2002; CRUZ, 2002, SILVEIRA, 2002).
No Brasil a preocupação com o direcionamento do turismo passa a ter uma maior
importância após 1966, em que a primeira política referente ao setor se efetivou com o
Decreto lei nº 55, referendando a criação do Sistema Nacional de Turismo, composto na
época pela Embratur, CNTUR e também com ligação ao Ministério das Relações Exteriores.
Esse primeiro esforço organizacional do setor do turístico foi válido, embora naquele
momento o direcionamento tenha privilegiado a atividade hoteleira. Contudo, a partir de
1990, tomaram-se outros rumos, com ações mais efetivas, observando a importância do
surgimento do PNT (Plano Nacional de Turismo), no sentido de reorganizar a Política de
Turismo Nacional.
Atualmente o Turismo faz parte das prioridades do Governo Brasileiro, que busca
gerar oito bilhões de dólares em divisas mediante diretrizes expostas no atual Plano Nacional
de Turismo (2003-2007). Essa preocupação “organizacional” é mais bem entendida com a
18
criação do Ministério do Turismo. No entanto, mesmo com tais ações por parte do Governo
Federal, há muito a se fazer nos planos regionais e municipais no que diz respeito à
implementação das atividades turísticas e suas interações com as diversidades ambientais e
culturais.
Diante desse contexto, a ênfase deste trabalho voltou-se para o estudo do turismo em
uma localidade situada no interior do estado de Santa Catarina, levantando questões em um
contexto local. Isso permitiu analisar o “atual” cenário turístico e propiciar reflexões acerca
do desenvolvimento do turismo, concatenando, em sua essência, proposições e contribuições
ao desenvolvimento de políticas públicas locais e para regiões com características similares à
área objeto de estudo.
O município de Porto União – SC - localiza-se no extremo Norte do Planalto
Catarinense, região dotada de recursos naturais parcialmente preservados, que atraem um
público que busca contato com a natureza, com atividades ligadas aos rios, quedas d’água e à
paisagem “natural”. Porto União também é conhecida como a Capital Nacional do
Steinhaeger, devido a bebida ser produzida e engarrafada no município, e possuir
propriedades muito particulares de aroma e sabor.
O objeto de pesquisa refere-se ao distrito de Santa Cruz do Timbó e comunidade de
São Pedro do Timbó, localidades rurais do município de Porto União, que chamam a atenção
de toda a comunidade pelo movimento recente de pessoas e pela atividade turística praticada
atualmente.
As pousadas às margens do Rio Timbó oferecem lazer a quem chega à localidade em
busca de atividades ligadas à pesca e, indiretamente, procura uma gastronomia típica da
região. A atividade turística é recente, desenvolve-se a partir do ano de 2000, quando ganha
maior expressão e se consolida com a promoção de torneios de pesca. Esses “eventos”
tiveram o apoio do poder público, do Instituto Eco Iguaçu, empresas locais e pessoas da
comunidade. Tais atividades
trouxeram ao público em geral afeto à atividade de pesca
esportiva amadora e, motivaram a vinda de visitantes e turistas, muitos deles oriundos da
capital paranaense. 1
Por outro lado, as políticas públicas para o desenvolvimento de turismo local ainda são
incipientes e desordenadas. A atividade turística vem ocorrendo, no entanto, o município é
1
Nos campeonatos que aconteceram anualmente até 2002, não foi efetuada a contabilização da demanda. No
entanto, por meio de informações oficiais, obtidas junto aos responsáveis pelos eventos, durante as entrevistas e
também em conversas informais, estima-se que cada evento recebeu cerca de duas mil pessoas. Ressalta-se que o
torneio de pesca esportiva não se realizou em 2003, em razão das condições climáticas desfavoráveis na data
prevista.
19
desprovido de um plano para o turismo municipal. Isso pode ocasionar um futuro não muito
promissor para a atividade. Em outros termos, se não houver planejamento e envolvimento
dos atores sociais, o desenvolvimento do turismo local não será sustentável. Portanto, o ponto
chave neste trabalho é o da sustentabilidade, entendendo-a como um ponto problemático a ser
refletido no contexto das ações, práticas e interações que envolvem os atores envolvidos.
No entanto, deve-se observar que as propostas e questões ligadas ao desenvolvimento
sustentável do turismo vão além da dimensão ecológica, pois compreendem também a
melhoria das condições econômicas e sociais das populações locais (SILVEIRA, 1997).
Analisar a forma como vem ocorrendo o turismo, em Santa Cruz do Timbó,
comunidade de São Pedro do Timbó, e o estado atual de seu desenvolvimento, caracteriza o
estudo desta pesquisa. Sua finalidade é proporcionar subsídios que poderão contribuir para um
futuro planejamento do turismo local, e para diretrizes de políticas de desenvolvimento,
baseadas nas premissas da sustentabilidade da atividade turística referenciadas pela OMT –
Organização Mundial do Turismo.
O Objetivo Geral deste trabalho consistiu em analisar o desenvolvimento do turismo
no distrito de Santa Cruz do Timbó e comunidade de São Pedro do Timbó (Porto União –
SC), na perspectiva da sustentabilidade. Procurou-se avaliar o atual estágio do turismo nas
áreas objeto de estudo e, ao mesmo tempo, analisar a sustentabilidade do turismo pela visão
dos atores sociais envolvidos com a atividade. Além disso, elaborou-se um conjunto de
informações imprescindíveis para um futuro Plano de Desenvolvimento do Turismo do
município de Porto União/SC, orientado para a sustentabilidade do Turismo.
Nessa discussão temática, o presente trabalho é um estudo que poderá contribuir para
os segmentos envolvidos com o turismo local, buscando abarcar questões que são de extrema
importância na academia, bem como na execução de ações públicas e particulares que possam
agregar valor para atividade em âmbito local e, principalmente, servir como elemento de
avaliação para outros estudos, sem a pretensão de esgotar o assunto.
Nesse contexto, justifica-se a preocupação de realizar este estudo, em função de a
pesquisadora residir no município há três anos, conhecer a localidade elegida, além da
predileção pelo turismo praticado na natureza e a preocupação, como docente, em pesquisar a
área em que está inserida, no intuito de contribuir, de alguma maneira, para o turismo local,
bem como para outros estudos em municípios que apresentem realidade similar, ou seja,
turismo com base local.
No que concerne a um plano de desenvolvimento voltado para o turismo local, o
município não possui um direcionamento específico, apesar de recentemente a Prefeitura
20
Municipal ter formado um Conselho de Turismo e Meio Ambiente - CONTUR, composto por
pessoas da iniciativa privada, poder público e sociedade civil e já ter confeccionado folder
promocional (Anexo 1).
Nesse sentido, o relevante envolvimento do poder público, da iniciativa privada e da
própria comunidade, por meio do conselho é um primeiro passo para definir ações que
beneficiem os diversos segmentos envolvidos com a atividade turística. Entretanto, o conselho
não tem o poder de executar ações, mas de analisar variáveis e sugerir formas que se julguem
adequadas para o desenvolvimento do turismo em uma localidade, e que nem sempre é o que
acontece.
Contudo, as ações que refletem o planejamento para o turismo local, no município de
Porto União, neste momento, apresentam-se incipientes. Isso não quer dizer que algumas
discussões sejam levantadas no CONTUR, e que algumas ações sejam levadas junto ao poder
público para análise. Acontece que há uma diferença enorme entre o que se “discute” e o que
se coloca em prática e realmente se transforma em algo útil e valorável para a comunidade e
“turistas”.
Apesar disso, o turismo vem ocorrendo em algumas localidades do interior do
município, principalmente em Santa Cruz do Timbó e comunidade de São Pedro do Timbó,
independentemente dessas ações. O surgimento de novos empreendimentos turísticos ligados
à hospedagem e à pesca esportiva que poderá ser, ao olhar da pesquisadora, uma opção de
emprego e renda para as pessoas da comunidade e, empreendedores, mas ainda é uma
realidade que não é percebida integralmente por todos os atores sociais. O que se faz são
“tentativas” de acompanhar tal quadro de desenvolvimento turístico, de modo que o
planejamento é sempre algo que vem depois.
Em função dessa “nova” opção, há diversas questões de ordem econômica, social,
cultural e ambiental, que abarcam a sustentabilidade do turismo, seja ele nacional, regional,
estadual e municipal, trazendo um arcabouço de possibilidades que devem ser avaliadas e
analisadas. A reflexão sobre as questões em torno do paradigma da sustentabilidade se faz
presente, em razão do atual desenvolvimento do turismo, observando que sem um
planejamento para ordenação e gerenciamento, o turismo pode resultar em diversos problemas
que afetarão não só a comunidade local e sua cultura, mas também todo o entorno ambiental.
Diante desse contexto, pode-se afirmar que o turismo deve representar formas e
possibilidades que possam intermediar os preceitos da sustentabilidade da atividade, buscando
minimizar os aspectos negativos e maximizar os benefícios para as atuais e próximas
gerações. Sendo assim, verifica-se que o planejamento efetivo deve buscar a análise dos
21
diversos aspectos de uma localidade, bem como, o estágio de desenvolvimento da atividade o
que é de extrema importância e se faz presente como problemática deste trabalho.
A partir das questões levantadas, buscou-se o embasamento teórico, com a
finalidade de suprir e sustentar a abordagem proposta. Foram essenciais ao desenvolvimento
destas reflexões, estudos relacionados ao Turismo em Espaço Rural, Sustentabilidade do
Turismo, Planejamento e Gestão do Turismo.
22
2 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
O distrito de Santa Cruz do Timbó e comunidade de São Pedro do Timbó pertence à
zona rural do Município de Porto União-SC, sendo uma região “movida” pela produção
agrícola e pelo extrativismo vegetal. No entanto, começa a despontar com outra atividade
socioeconômica de extrema importância: o turismo.
Essa atividade foi estimulada nessas localidades, em função das características
naturais, isto é, vegetação parcialmente preservada, além da proximidade e facilidade de
acesso aos afluentes do rio Iguaçu - com destaque para o Rio Timbó - pelos recursos
pesqueiros e hídricos que são consideráveis pelo fato de apresentar um índice mínimo de
poluição2 (fig.1).
Outro motivo que deve ser levado em consideração refere-se aos empreendimentos
turísticos que se estabeleceram nas referidas localidades, pelo fluxo regular de pessoas nesse
espaço, principalmente nos finais de semana, despertando a atenção de alguns moradores para
investir em pequenos empreendimentos.
Inicialmente os meios de hospedagem para a pesca e o lazer restringia-se a algumas
famílias que alojavam em suas residências, amigos e parentes que vinham passar algum
período no interior, além de viajantes que se deslocavam até a localidade, a fim de realizar
atividades comerciais.
A primeira iniciativa de acomodar pessoas que visitavam Santa Cruz do Timbó e São
Pedro para a prática das atividades ligadas ao lazer e à pesca resultou na inauguração da
pensão Pousada São Pedro.3 A Pousada da Dona Maria, a princípio, hospedava somente
vendedores viajantes. Foi o primeiro meio de hospedagem local e hoje também disponibiliza
suas instalações para o público que procura o lazer e o entretenimento.
2
Informações técnicas sobre o Rio Timbó foram levantadas na reunião extraordinária do comitê do Rio Timbó
para discussão da minuta dos termos de referência, para elaboração do Plano Integrado de Recursos Hídricos da
Bacia Hidrográfica do Rio Timbó, promovido pela SDS – Secretaria de Desenvolvimento Regional do Estado de
Santa Catarina, nos dias 28 e 29 de janeiro de 2004, no auditório da UNC – Universidade do Contestado –
Núcleo de Porto União. O índice de piscosidade do Rio não foi referendado, mas será levantado no referido
plano.
3
Depoimentos obtidos junto aos proprietários das pousadas durante o processo de entrevistas.
23
Figura 01: Rio Timbó – Margens na Pousada São Pedro (São Pedro do Timbó)
Fonte: Arquivo da autora – Março de 2004
Contudo, o fator propulsor para que a atividade turística se estabelecesse na região
interiorana de Porto União/SC foram as promoções de campeonatos de pesca do lambari,
trutas e saicangas que se realizaram a partir do ano de 2000.4
Estima-se que o fato de a região ter sido promovida em função desses campeonatos de
pesca tenha originado a fidelidade do público que visita a região, principalmente nas épocas
de temporada de verão (novembro a março), finais de semana e feriados prolongados.
Segundo relatos dos proprietários dos empreendimentos de hospedagem, apesar de não
serem dados oficializados mediante arquivo ou banco de dados, a taxa de ocupação na
temporada é excelente, chegando a 100%, principalmente nos dias que antecedem aos
feriados. Isso vem-se repetindo a cada ano, pois o público que freqüenta a localidade acaba
trazendo outras pessoas adeptas da atividade pesqueira, para conhecer e desfrutar a
tranqüilidade da área rural, por meio da famosa propaganda “boca a boca”.5
4
A estimativa da Prefeitura Municipal de Porto União para a demanda de visitantes nos períodos de
campeonato, é de aproximadamente 2000 a 2500 pessoas por campeonato.
5
Relatos obtidos em entrevistas informais com os atores sociais ligados ao turismo e discussão em sala de aula
com acadêmicos do Curso de Turismo da FACE – Fundação Faculdade Municipal da Cidade de União da
Vitória.
24
2.1 Localização Geográfica
O Município de Porto União/SC está situado geograficamente no 3° Planalto na
microregião do Médio Iguaçu, localizado no extremo norte do Estado de Santa Catarina,
divisa com a cidade de União da Vitória, Estado do Paraná. Possui uma população de 31.858
habitantes, sendo 26.579 na zona urbana e 5.279 na zona rural, com um alto índice de
alfabetização: 95,4% (IBGE,2000) 6. Possui as seguintes coordenadas: Latitude 26º 14’ 17” e
Longitude 51º 04’42”, conforme EMBRAPA (2004).
Aproximadamente 2.000 indivíduos estão residindo dentro da área do objeto de
pesquisa (distrito de Santa Cruz do Timbó e comunidades adjacentes) – zona rural.7 (fig.2).
Figura 02: Mapa Ilustrativo. Localização da área objeto de estudo – Distrito de Santa Cruz do Timbó – Porto
União /SC.
Fonte: Adaptado pela autora de http://www.guianet.com.br e http://www.mapainterativo.ciasc.gov.br/
6
7
Disponível em www.ibge.gov.br . Consulta realizada em 12 de janeiro de 2004.
Segundo Informações da Coordenação de Indústria,Comércio e Turismo da Prefeitura de Porto União.
25
2.2 Aspectos biofísicos
O Município de Porto União possui uma área de 851, 24 km² e a sua altitude média é
de 755 metros acima do nível do mar (IBGE, 2000) 8. O município limita-se, ao norte com
municípios de União da Vitória e Paula Freitas, ao sul com os Municípios de Matos Costa e
Arroio do Meio, a leste, com o Município de Irineópolis e, a oeste, com os Municípios de
Porto Vitória e General Carneiro, esses dois últimos no Estado do Paraná.
Porto União possui uma paisagem edificada, diferenciada de sua fisiografia original.
Isso decorreu em função da ação antrópica9, provocada em diversos períodos, desde a sua
fundação, que se deu com o povoamento da região por volta de 1863. 10
O marco da mudança da paisagem natural foi a extração madeireira, impulsionada
pelo advento da construção da estrada de ferro que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul,
que hoje se encontra desativada em vários trechos, inclusive no de União da Vitória/PR e
Porto União /SC.
A mata nativa, composta de espécies nobres e de alto valor econômico como o
pinheiro-araucária (Araucária angustifólia), a imbuia (Ocotea porosa) e a canela (Ocotea
puberula) 11, foram extraídas em grande quantidade dada à farta mão-de-obra e a facilidade de
transporte, através dos vapores no rio Iguaçu e a estrada de ferro, fatores decisivos para região
tornar-se um importante centro exportador de madeira (REITZ, 1979).12
2.2.1 Hidrografia
A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Santa
Catarina, pelos princípios da Política Estadual de Recursos Hídricos expressos na lei n.º
10.949, de 9 de novembro de 1998, criou 10 Regiões Hidrográficas (RH). A Bacia do Rio
8
Disponível em www.ibge.gov.br . Consulta realizada em 12 de janeiro de 2004.
Referente à ação humana.
10
A localidade anteriormente era denominada por Entreposto de Nossa Senhora das Vitórias, antes da divisão de
limites entre Paraná e Santa Catarina em 1916 (Guerra do Contestado).
11
Sobre as particularidades, freqüência, quantidade e emprego ver REITZ (1979, p. 135, 191, 243).
12
REITZ, em sua obra “madeiras do Brasil”. Ed. Lunardelli, 1979 (p. 11), refere que “desde os primórdios de
sua ocupação pelo elemento europeu, viu-se o estado de Santa Catarina como um crescente centro de exploração
e exportação de madeiras, graças à sua rica e vasta área, originariamente coberta por densas e vigorosas florestas,
no seio das quais vicejavam árvores fornecedoras de preciosas madeiras, que desde logo, chamaram a atenção
dos colonizadores. Além de afirmar que de 1950 a 1970 a devastação das florestas em Santa Catarina se tornou
alarmante, e 1960 é notório a diminuição gradativa e a escassez da mata nativa no Planalto Catarinense”.
9
26
Timbó faz parte da RH 5, denominada Planalto de Canoinhas - e tem 11.058 Km².13 O
Planalto de Canoinhas também é composto pelas bacias do Rio Negro, Rio Canoinhas e Rio
Iguaçu, possuindo uma abrangência de cinco, seis e quatro municípios respectivamente.
A bacia do Rio Iguaçu apresenta área de drenagem total de aproximadamente 63 mil
km², e dessa 16,7% está localizada em território catarinense e os 83,3% restantes, no Estado
do Paraná.
Nessa região hidrográfica, os Rios Timbó e Jangada têm como função drenar a região,
sendo importantes tributários do Iguaçu, em uma área de drenagem na ordem de 980 km². O
Rio Timbó está diretamente ligado ao objeto de pesquisa, visto que a localidade elegida
encontra-se em partes à sua margem esquerda dentro dos limites do município.
A área de abrangência da Bacia Hidrográfica do Rio Timbó corresponde à totalidade
da área de drenagem do Rio Timbó, descrita pela SDS - Secretaria de Estado do
Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente e pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos
(CERH), incluindo todas as sub-bacias de seus formadores e afluentes, desde sua nascente no
Planalto dos Campos Gerais, a aproximadamente 1250m de altitude, até sua foz no Rio
Iguaçu, perfazendo-se uma extensão de 129 km e abrangendo uma área de 2.760 Km². 14
Os principais afluentes pela margem direita são: Rio Tamanduá, Rio Timbozinho e
Rio Madalena, e pela margem esquerda: Rio Caçador Grande, Rio Cachoeira, Rio Bonito e
Rio dos Pardos.
Nos registros do Posto Fluviométrico de Santa Cruz do Timbó, a cerca de 20 km de
sua foz, o Rio Timbó apresentou uma vazão média mensal de 92,2 m³/s, no período entre
1974 e 1998. Já no período de 1998 até 2001, a vazão média mensal foi de 89.25 m³/s. A
vazão mais baixa registrada foi de 16.45 m³/s para o mês de maio de 2000, e a maior foi de
487m³/s, para o mês de outubro de 1998. 15
Quanto ao relevo, a bacia apresenta um perfil fortemente ondulado em 55% de seu
percurso; 30% são representados por uma topografia ondulada e montanhosa e, os 15%
restantes, um relevo plano e suavemente ondulado. 16
Apesar da considerável rede hidrográfica existente, a região apresenta algumas
evidências de escassez de água em determinadas sub-bacias, quando confrontados aos dados
13
Termos de Referência n°00/03 - Plano de Gestão Integrada de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do
Rio Timbó.
14
Termos de Referência n°00/03 - Plano de Gestão Integrada de Recursos Hídricos da bacia hidrográfica do Rio
Timbó.
15
Ibidem
16
Ibidem
27
de vazões de estiagens com diferentes usos. É o caso da bacia do Rio Timbó, na confluência
com o Rio Iguaçu, onde a situação na época de estiagem é preocupante.
Considerando a qualidade da água, a situação se apresenta relativamente boa, quando
comparada às demais bacias hidrográficas do estado. Mesmo assim, devem-se observar os
seguintes focos de degradação dos recursos hídricos da região: esgotos domésticos, efluentes
industriais, poluição por resíduos de agrotóxicos, de maneira especial, por lavouras,
reflorestamentos e suinocultura. 17
2.2.2 Clima
O clima de Porto União é caracterizado como subtropical mesotérmico úmido, com
verões frescos, e invernos com freqüentes geadas, época em que os termômetros chegam a
três graus negativos (-3°C), com possibilidade de até quinze graus negativos (-15°C). A
temperatura média anual é de 17,2°C graus, com precipitação média anual de 1.478 mm, e
umidade relativa média anual de 80,42%. 18
Não existe estação seca, caracterizando-se o mês de outubro como o mais chuvoso e o
mês de abril como o mais seco.
19
No entanto evidencia-se que em alguns períodos
caracterizados pelas chuvas estão ocorrendo os chamados períodos de “estiagem”,
proporcionando alguns problemas para a agricultura e para a atividade pesqueira na região, o
que possibilita reflexos negativos no que permeia o turismo local, em determinadas épocas,
dependente em grande parte dos recursos hídricos da região.
2.2.3 Relevo
O relevo do município de Porto União apresenta como unidades mais importantes
planícies e planalto, tendo em grande parte um relevo acidentado, com montanhas, morros e
elevações, formando uma paisagem singular.20
Considerou-se para o exposto a Região RH 5 denominada como Planalto de
Canoinhas. O relevo apresenta-se, em 55% da região, terrenos ondulado e forte-ondulado,
15% do relevo plano e suave ondulado (próximo aos rios) e 29% fortemente ondulado e
17
Discussão levantada na reunião do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Timbó,
realizada em 28 de janeiro de 2004 no Auditório da Universidade do Contestado – Núcleo de Porto União.
18
Fontes: IBGE. Recursos naturais e meio ambiente: uma visão do Brasil,1993. Atlas Escolar de Santa
Catarina,1991.
19
Fonte: Dnaee e Climerh, in Diagnóstico Geral de Bacias Hidrográficas de Santa Catarina, 1997.
28
montanhoso.
21
Conforme o Atlas Escolar de Santa Catarina (1991, p. 94) a “ Microrregião,
em sua grande maioria apresenta a unidade de relevo do Patamar de Mafra, com colinas
baixas, em superfície regular e quase plana. No oeste, aparece o Planalto Dissecado
Rio/Iguaçu/Rio Uruguai. Nos vales dos Rio Iguaçu e Negro, surgem as Planícies Fluviais.”
Essas características ressaltam as “belezas” da região, compostas por quedas-d’águas e
a presença do Rio Timbó (afluente do Rio Iguaçu), apresentando um potencial turístico
dotado de aspectos que tornam a localidade diferenciada e atraente para as atividades turismo
e lazer. Conforme afirma Pires (2001, p.128) em relação à qualidade visual da paisagem e a
sua diversidade, como é o caso, onde:
[...] se constitui num atributo de qualidade paisagística com forte impacto na
percepção estética visual enriquecida pela presença simultânea, de uma variedade
de componentes diferenciados entre si dada a sua natureza (relevo, água, vegetação,
atividades humanas), e em razão de sua expressão estética (forma, cor, textura,
linha, escala, espaço) e, ao mesmo tempo, integrados compondo um cenário
visualmente variado e, por isso, atraente.
2.2.4 Cobertura vegetal
Na região do Planalto de Canoinhas - RH 5, apresenta-se parte da vegetação primária,
composta principalmente pela Floresta Ombrófila Mista. Este tipo de floresta é limitada às
áreas de Planalto e partes elevadas de serras, se caracterizado pela presença de algumas
espécies específicas, destacando-se o Pinheiro do Paraná (Araucária angustifólia), entre
outras. (MONTEIRO, 1967; REITZ, 1979). 22
Além dessa formação, a cobertura vegetal original também era constituída pela
Floresta Ombrófila Densa e por Savana (campos do planalto meridional).23 No caso da
Floresta Ombrófila Mista, parte dessa formação foi extraída pelo corte da madeira de lei ou
devastada para ceder lugar à agricultura ou às pastagens (REITZ, 1979).
20
Atlas Escolar de Santa Catarina, 1991-p. 19
Diagnóstico Geral de Bacias Hidrográficas de Santa Catarina, 1997 – p. 50.
22
Monteiro (1967) se refere a este tipo de cobertura vegetal afirmando que a mata de araucárias é a formação
mais original da região, ocupando extensão considerável do planalto, associando-se aos campos, com os quais
apresenta grande variedade de arranjos, predominando o pinheiro do Paraná, a imbúia e a erva-mate, que
proporcionou intensa exploração comercial, principalmente em relação à exploração do pinho. Pág. 94
23
Esta caracterização da cobertura vegetal foi citada com base nas descrições de Raul M. Klein, constantes do
mapa Fitogeográfico de Santa Catarina (1978), bem como as informações constantes no Atlas de Santa Catarina
(1986) e no estudo de cobertura vegetal do estado de Santa Catarina, elaborado pela Fundação do Meio
Ambiente FATMA, in Diagnóstico Geral de Bacias Hidrográficas de Santa Catarina,1997 – pág. 52.
21
29
Em função de esse tipo de floresta se encontrar em terreno bastante acidentado e de
difícil acesso, ainda são encontrados alguns remanescentes da floresta original.
Na divisa entre os municípios de Porto União e Irineópolis, encontram-se áreas de
Formações Pioneiras, isto é, vegetação constituída de espécies colonizadoras de ambientes
instáveis, que correspondem às herbáceas fluviais. Nessa região, as arbustivas e as herbáceas
desenvolvem-se sobre planícies aluviais e fluvio-lacustres, com ou sem agrupamentos de
algumas espécies de palmeiras. Geralmente essas vegetações recebem os nomes de ciperáceas
e gramíneas altas. 24
Precisamente na área objeto de pesquisa, pode-se constatar a presença de
remanescentes da floresta original em alguns trechos, associados a campos agricultáveis, bem
como, trechos esparsos de mata ciliar (Rio Timbó) na extensão que margeia o distrito de
Santa Cruz do Timbó e comunidade São Pedro do Timbó.
Observa-se a presença de reflorestamento de Pinus sp em algumas áreas, além do
cultivo de 400 hectares da espécie exótica denominada Álamo (Populus alba)25, que se
localiza muito próximo à mata ciliar (fig. 3). Segundo moradores da região, a pulverização de
produtos químicos para o controle fito-sanitário da plantação de Álamo está sendo efetuada
por pequenos bimotores e, em função disso, surge a preocupação da própria população de
uma possível contaminação do Rio Timbó.
24
Termos de Referência n°00/03 - Plano de Gestão Integrada de Recursos Hídricos da bacia hidrográfica do Rio
Timbó.
25
Disponível em http://www.ceha-madeira.net/elucidario/a/ala4.html
30
Figura 03 - Cultivo de Álamo e mata ciliar (fundo) – distrito de Santa Cruz do Timbó
Fonte: Arquivo da autora – março de 2004
2.2.5 Uso e ocupação do território
Porto União sofreu modificações, como quase todo o espaço habitado pelo homem,
principalmente, no que se refere à área rural. Esse ambiente modificado ainda apresenta
resquícios de uma flora composta por formação de Floresta Ombrófila Mista.
Hoje parte da área rural desenvolve atividades agrícolas ligadas às culturas de milho,
soja, mandioca, arroz, cevada, feijão, batata, cebola, alho, fumo, maçã, amendoim e melancia.
Em outras propriedades, desenvolve-se a pecuária (gado de corte, gado leiteiro), suinocultura
e avicultura. 26
Existem no interior do Município de pequenas indústrias produtoras de fumo,
moveleiras, de papel e celulose. Além disso, de forma isolada, há o extrativismo mineral, com
um porto de extração de areia, cujo acesso se dá pela estrada que liga a BR 280 ao distrito de
Santa Cruz do Timbó e à comunidade de São Pedro do Timbó.
A paisagem também reflete uma mudança recente, em função do surgimento do
turismo nas áreas ribeirinhas. Onde predominava somente a agricultura, agora se interpõem
26
Dados fornecidos pela Secretaria de Indústria e Comércio e Turismo de Porto União e apresentada no guia
Porto União: Caminho das Águas, 2001.
31
pousadas-pesqueiros, que buscam oferecer momentos de lazer aos turistas que apreciam a
pesca esportiva e o contato com o campo. Dessa forma, a paisagem, a partir das ações
antrópicas condicionadas à construção de estruturas de apoio, está-se modificando
gradativamente.
O Município possui uma arquitetura rica e variada, apresentando residências que
datam do início do século XX, retratando as inspirações européias, que os imigrantes de
origem alemã, italiana, ucraniana, polonesa e árabe trouxeram, proporcionando uma
diversidade no que diz respeito à arquitetura. É importante salientar que muitas dessas
residências estão em precário estado de conservação, de forma que é vital, em um futuro
planejamento para o turismo, que seja contemplada a parte arquitetônica (patrimônio
material), pois é um elemento que pode apresentar um rico potencial para o turismo históricocultural. Na área rural, podem-se observar ainda instalações simples, alguns casarões, e
também igrejas que trazem a beleza da arquitetura do início do século XX (fig.4).
Figura 04: Igreja na sede do distrito de Santa Cruz do Timbó- Porto União
Fonte: Arquivo da autora – Setembro de 2004
32
Figura 05: Acesso ao distrito de Santa Cruz do Timbó- Porto União, a partir da BR 280
Fonte: Arquivo da autora – Setembro de 2004
2.3 Infra-Estrutura Básica e Turística
2.3.1 Sistema viário
O Município de Porto União está localizado no extremo norte do Estado de Santa
Catarina, distante a 483 km da capital, Florianópolis, ligada pela rodovia BR 280 até Joinville
e, depois pela BR 101. Possui rodoviária intermunicipal e interestadual.
Da sede do Município de Porto União até o acesso para o distrito de Santa Cruz do Timbó e,
São Pedro do Timbó, percorre-se cerca de 30 quilômetros pela BR 280, no sentido Porto
União - Joinville (fig. 6). A partir do trevo de acesso a estrada não é pavimentada; a distância
desse ponto até Santa Cruz do Timbó (distrito) é de 12 quilômetros e, aproximadamente de 8
quilômetros por outra estrada não pavimentada até São Pedro do Timbó (fig. 7 e 8).
Atualmente as estradas apresentam boas condições de uso para veículos de passeio e são
cascalhadas. 27
27
A prefeitura municipal de Porto União está periodicamente mantendo a Infra-estrutura de acesso às
localidades.
33
Figura 06: BR 280: Trevo de acesso para o Distrito de Santa Cruz do Timbó - Porto União. Destaque para
a sinalização.
Fonte: Arquivo da autora – Setembro de 2004
Figura 07: Sinalização na entrada do Distrito de Santa Cruz do Timbó - Porto União
Fonte: Arquivo da autora – Setembro de 2004
34
Figura 08: Vista da Entrada do Distrito de Santa Cruz do Timbó (do lado direito – ginásio de esportes)
Fonte: Arquivo da autora – Setembro de 2004.
O transporte rodoviário de Porto União a Santa Cruz e São Pedro do Timbó é
realizado pela empresa Autoviação São Pedro, que disponibiliza três horários durante a
semana (segunda a sábado) e um horário aos domingos – ida e volta.
2.3.2 Sistema de saneamento
O sistema de saneamento no Distrito de Santa Cruz do Timbó e São Pedro, no que diz
respeito ao abastecimento de água é atendido pela CASAN - Companhia Catarinense de
Águas e Saneamento, mediante um poço artesiano localizado na sede do distrito. No entanto,
parte das residências ainda se utilizam de fontes naturais que estão presentes em suas
propriedades, e inclusive nas pousadas.
Os resíduos provenientes de esgotos domésticos são armazenados em fossas sépticas e
filtros.28 Sendo este um fator ou indicador para a sustentabilidade da atividade, percebe-se já
uma falha, pois o fato de não haver esgoto tratado pode influenciar na poluição do rio. O
distrito ainda não tem uma estação de tratamento de resíduos e drenagem pluvial. O sistema
de coleta de lixo é realizado pela empresa ECOVALE – que recolhe duas vezes por mês o lixo
35
reciclável (plásticos, metal, vidro, papel). Esse sistema de coleta de lixo acontece apenas no
Distrito de Santa Cruz do Timbó. Na comunidade de São Pedro do Timbó, todo o lixo
produzido pelas pousadas e demais propriedades é queimado e enterrado na própria
propriedade, levado até a Santa Cruz do Timbó ou é levado para a sede do Município de Porto
União, cujo destino é o aterro sanitário. O lixo orgânico geralmente é enterrado nas
propriedades com a finalidade de se obter o adubo orgânico. 29
2.3.3 Sistema energético
O sistema de energia elétrica é fornecido pela CELESC – Centrais Elétricas de Santa
Catarina SA, atende 517 propriedades rurais, 300 residenciais (na sede do distrito), 22
industriais e 51 pontos comerciais, e a energia é proveniente da subestação da COPEL –
Companhia Paranaense de Energia, em União da Vitória-PR, repassando para a subestação da
CELESC que trabalha com 23 kv.30
2.3.4 Sistema de telecomunicações
O sistema de telecomunicações é atendido pela Brasil Telecom para telefones
residenciais fixos e atendido pela cobertura das empresas TIM e VIVO para telefones móveis,
nas imediações do distrito de Santa Cruz do Timbó. No entanto, em São Pedro não há sinal
disponível.
O Distrito possui telefones públicos, sendo oito orelhões em Santa Cruz do Timbó e
uma linha central comunitária que atende São Pedro do Timbó, ligada a sete ramais
residenciais e comerciais.
Santa Cruz do Timbó possui 200 telefones residenciais/comerciais e um posto de
atendimento na sede do Distrito, junto à agência de Correios e Telégrafos.
31
As redes de
comunicações televisivas são captadas pelos sistemas de parabólicas e as estações de rádio
AM e FM da região são captadas pelos sinais de ondas médias e curtas.
28
Segundo informações do Engenheiro responsável do setor de Planejamento da Prefeitura de Porto União.
Estas informações foram obtidas junto à administração da ECOVALE e visitas in loco.
30
Dados fornecidos por Paulo Fernando Lusa, eletricista da CELESC, Porto União/SC.
31
Dados fornecidos pela atendente do posto da Telepar/Correios de Santa Cruz do Timbó, Srta. Michele Luciane
Ridzmann.
29
36
2.3.5 Serviços de apoio
Os serviços de apoio são de extrema importância na atividade turística. Dessa forma,
pode-se destacar, na localidade, a presença de serviços bancários (Banco do Estado de Santa
Catarina - BESC), serviços de comunicação (posto de correios e telefônico), serviço de apoio
ao transporte (posto de combustível), serviços de saúde (posto de saúde e farmácia), além de
três minimercados e lojas de artigos diversos (confecções, calçados e armarinhos).
Segundo informações da Administração Municipal de Porto União, pretende-se
construir um pequeno hospital e um Centro de Eventos para atender o segmento de turismo de
negócios.
2.3.6 Equipamentos e serviços turísticos
Os equipamentos turísticos são as instalações básicas utilizadas na atividade turística
e compreendem os setores de alojamento e/ou hospedagem, alimentos e bebidas, transportes
turísticos, animação turística e informações turísticas (RUSCHMANN, 2002, p.135). Na
localidade estudada podemos citar os seguintes equipamentos e serviços turísticos:
2.3.6.1 Alojamento/Hospedagem
Os equipamentos de alojamento/hospedagem, como afirma Ruschmann (2002,
p.135), [...] requerem instalações como hotéis, motéis, pousadas, acampamentos, albergues,
residências secundárias, quartos em casas de família e pensões [...]. A seguir são destacados
os seguintes equipamentos presentes na região eleita para a pesquisa:
Pousada Morro Alto
Localizada no distrito de Santa Cruz do Timbó, distante 9 km da BR-280,
disponibiliza serviços de hospedagem, alimentação (pensão completa), lazer (trapiches para
pesca e churrasqueiras) e espaço para festas. Possui quinze unidades habitacionais com
acomodações simples, e apenas oito delas oferecem banheiro privativo (fig. 9 e 10). A
pousada ainda oferece aos turistas a possibilidade de saborear os pescados, ou então efetuar a
limpeza e o congelamento deles, para que sejam levados, quando do retorno do turista. Esse
procedimento também é efetuado pelas demais pousadas.
37
Figura 09: Vista da Pousada Morro Alto
Fonte: Arquivo da autora – Setembro de 2004
Figura 10: Vista da Pousada Morro Alto do lado esquerdo da estrada
Fonte: Arquivo da autora – Setembro de 2004
38
Pousada Dona Maria
Localizada na sede do distrito de Santa Cruz do Timbó, a 13 km da BR-280, foi a
primeira pousada em Santa Cruz do Timbó a hospedar representantes comerciais. Hoje ela
atende turistas que desejam ficar na sede do Distrito, oferecendo pensão completa. Possui um
restaurante anexo à pousada, servindo comida caseira, no almoço e jantar (fig. 11 e 12).
Figuras 11 e 12: Pousada Dona Maria e vista do Rio Timbó, próximo à pousada.
Fonte: Lúcio Colombo – 2004
Pousada Schreiner
Localizada no Distrito de São Pedro do Timbó, a 18 km da BR-280, está em
funcionamento desde abril de 2002. A estrutura da pousada era um Moinho de Cereais, possui
uma arquitetura rústica, que lembra sua antiga funcionalidade. Atualmente disponibiliza oito
unidades habitacionais e a intenção é a ampliação em função da demanda, principalmente na
temporada de verão. Disponibiliza o serviço de alimentação (pensão completa), salão de
festas, mesa de sinuca, trapiches, botes para pesca, churrasqueira, pasto com a presença de
ovinos, além do serviço de limpeza de peixes (fig.13).
39
Figura 13: Vista da Pousada Schreiner
Fonte: Arquivo da autora – Setembro de 2004
Pousada São Pedro
Localizada na sede do Distrito de São Pedro do Timbó, a 20 km da BR-280, essa
pousada foi a pioneira na atividade turística, conforme afirma Benassi (2003, p.30): “[...] Em
1989 existia uma pensão (casa de comércio) que abrigava os viajantes que passavam pela
região. Esses viajantes foram quem descobriram a grande quantidade de peixes que existia no
Rio Timbó. Logo a fama do lugar se espalhou e começaram as procuras por turistas[...].”
A idéia de construir algo direcionado ao turismo partiu de amigos dos proprietários
da pousada; inicialmente eram três unidades habitacionais, hoje se somam treze, com previsão
para ampliação, devido ao aumento da demanda, principalmente por famílias acompanhadas
de crianças. A pousada fornece pensão completa e serviço de limpeza de peixes. Para o lazer
são disponibilizados trapiche e botes para pesca, e planeja-se a construção de uma piscina,
como mais uma alternativa de lazer para as famílias, principalmente para o público infantil.
Além da área própria à pesca, a pousada possui um acordo com o proprietário de outra área,
distante três quilômetros do local, nas margens do Rio Timbó, para que os hóspedes possam
40
utilizá-la como alternativa. O gerente da pousada ainda acompanha os grupos que desejam
conhecer as grutas e cachoeiras da região, mas ainda não possui um roteiro formatado (fig.
14).
Figura 14: Vista da Pousada São Pedro
Fonte: Lúcio Colombo - 2004
Camping Rio Bonito
O Camping Rio Bonito no momento não está disponibilizando seu espaço para o lazer,
por razões desconhecidas. A área é ampla e contém um estacionamento considerável, espaço
para festas e área de camping, sendo localizado praticamente ao lado da Cachoeira do Rio
Bonito (200 metros).
Camping e Pesqueiro Bela Vista
Localizado a oito quilômetros do acesso pela BR 280, sentido Santa Cruz do Timbó,
possui restaurante com opções da culinária local, ampla área de camping, situado às margens
do Rio Timbó, proporcionando a atividade de pesca esportiva.
41
2.3.7 Recursos turísticos
Os recursos turísticos abrangem elementos naturais, atividades humanas ou qualquer
outro produto gerado pelo homem, que possa motivar o deslocamento de pessoas, cuja
motivação seja curiosidade ou a possibilidade de efetuar alguma atividade física ou
intelectual. (DIAS, 2003, p.57). Ainda se pode ressaltar que esses recursos são classificados
em naturais (geomorfológicos e biogeográficos) e culturais. (DIAS, 2003).
Com este trabalho não se pretende inventariar os atrativos turísticos municipais, mas
apenas destacar aqueles recursos mais relevantes em função do objeto e do tema de estudo.
2.3.7.1 Recursos naturais
Os recursos naturais de ordem geomorfológica e hidrológica são formados pela ação
da natureza e, por outro lado, os de ordem biogeográfica compreendem as manifestações de
vida animal e vegetal. (DIAS, 2003). Segundo Barretto (1991, p.47), os recursos naturais são
recursos turísticos “[...] que já existiam na natureza antes da intervenção do homem”. Nesse
sentido eles são representados pelos elementos de natureza geomorfológica e hidrológica
(PIRES, 2003), e também pelas informações sucintas relacionadas às condições de acesso a
eles. O conjunto das informações desses atrativos turísticos foi obtido em visitas in loco,
pesquisa documental, e dados da Coordenação da Indústria, Comércio e Turismo de Porto
União.
2.3.7.1.1 Elementos de natureza geomorfológica
Cavernas ou Grutas de São Pedro
Nas proximidades da pousada São Pedro, pode-se contemplar três grutas. Segundo
moradores da região, foi refúgio de pessoas durante a Guerra do Contestado (1916). Lá os
turistas podem observar a formação e a entrada das grutas, mas não podem entrar, pois há
acomodação das rochas e constantes desabamentos.
Ao lado da entrada das grutas, foi
construída uma capelinha, onde os turistas podem fazer orações durante a visitação.
42
Grutas da Barra Grande
Entre as quatro grutas de Barra Grande, a maior delas possui uma extensão de
aproximadamente 74 metros de profundidade, segundo informações de moradores locais.
Nesses relatos os moradores informam sobre os artefatos líticos encontrados em seu interior,
como pedras polidas, pontas de lança e alguma peças de utensílios de povos indígenas32.
2.3.7.1.2 Elementos de natureza hidrológica
Rio Timbó
O Rio Timbó nasce nas proximidades do Município de Santa Cecília (Campos Gerais),
interior do Estado de Santa Catarina e é um dos principais afluentes do Rio Iguaçu. Possui
129 quilômetros de extensão e abrange uma área de 2.760 km². Os principais afluentes pela
margem direita são: Rio Tamanduá, Rio Timbozinho e Rio Madalena, e pela margem
esquerda: Rio Caçador Grande, Rio Cachoeira, Rio Bonito e Rio dos Pardos.
O distrito de Santa Cruz do Timbó e a comunidade de São Pedro compreendem cerca
de 30 quilômetros de extensão das margens esquerda do Rio Timbó, ou seja, o rio margeia
essas localidades, sendo uma referência para o distrito.
O Rio Timbó oferece tanto à população local, como aos visitantes, a possibilidade de
usufruir a pesca amadora, sendo o motivo principal da atividade turística na região, e a
espécie de peixe que se apresenta em maior abundância é o lambari (fig.15).
32
Sobre populações indígenas mais recentes Seben (1992), relata que no século XVIII várias expedições fluviais
buscavam os campos de Guarapuava, e todas essas expedições passaram por Porto União, que em relatos de
viagem, eram descritos com a presença de índios botocudos e caigangues nesta região.
43
Figura 15: Rio Timbó – visto da Ponte na BR 280
Fonte: Lúcio Colombo – 2004
Cachoeira São Pedro ou Barra do Rio Bonito
A cachoeira São Pedro ou Barra do Rio Bonito localiza-se na propriedade do Senhor
Irineu Reisdörfer. O acesso é pela BR-280 até São Pedro do Timbó; na estrada antiga para o
Despraiado, percorre-se cerca de dois quilômetros em estrada não pavimentada. Possui difícil
acesso, chega-se até a queda caminhando cerca de um quilômetro pela margem do rio, a
dificuldade de acesso é compensada pelo cenário natural (fig. 16).
44
Figura 16: Cachoeira São Pedro
Fonte: Lúcio Colombo – 2004
Cachoeira do Alonso
O acesso à Cachoeira do Alonso se dá pela BR 280 até São Pedro do Timbó, na
estrada antiga para localidade denominada Despraiado, percorrendo-se três quilômetros em
estrada não pavimentada. Essa cachoeira localiza-se na propriedade do Sr. Laurindo
Reisdörfer. A trilha de acesso à cachoeira tem cerca de 1,5 quilômetro e não apresenta
grandes obstáculos. Possui uma queda de cerca de 30 metros de altura.
45
Cachoeira do Despraiado
Com cerca de 70 metros de altura, destaca-se pela paisagem singular, composta por
um paredão de pedras adentrando um vale. Pelo leito do Rio Timbó chega-se próximo à queda
d’água. O acesso a esse local é pela comunidade de São Pedro do Timbó, pela estrada nova
até a localidade do despraiado, em fazenda com o mesmo nome, percorrendo cerca de quinze
quilômetros em estrada não pavimentada. Observa-se que não existe caminho demarcado para
o acesso, podendo ocorrer por dentro da fazenda, ou por fora, pelas margens do rio.
Cachoeira do Rio Bonito
Possui uma queda de aproximadamente 30 metros de altura. O acesso é via São Pedro
do Timbó até a localidade de Rio Bonito, percorrendo cerca de 5,5 quilômetros. O acesso se
dá por meio de duas trilhas. O local possui em suas proximidades um Camping, cujo
funcionamento não está ocorrendo no momento, por motivo desconhecido (fig. 17).
Figura 17: Cachoeira do Rio Bonito
Fonte: Lúcio Colombo – 2004
46
Cachoeira do Rio dos Pardos
A cachoeira do Rio dos Pardos possui uma beleza singular, seu acesso se dá a partir da
sede do Distrito de Santa Cruz do Timbó, pela estrada para Barra Grande – Lajeado das Antas
e Rio dos Pardos. Fica a dezessete quilômetros de Santa Cruz do Timbó. Pode-se salientar que
o acesso a essa cachoeira é considerado difícil. Existe uma trilha de cerca de um quilômetro
até o afluente Rio Perau, dando acesso até a cachoeira com mesmo nome. Do lado oposto,
tem-se uma visão privilegiada do Salto do Rio dos Pardos, que se destaca pela exuberância da
vegetação do entorno e pelos seus 72 metros de altura. A cachoeira é também limítrofe dos
Municípios de Porto União e Matos Costa (fig. 18).
Figura 18: Cachoeira do Rio dos Pardos
Fonte: Lúcio Colombo – 2004
47
Existem diversas cachoeiras e corredeiras no interior do Município, totalizando cerca
de 130, segundo informações da Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo de Porto União.
Citaremos apenas algumas Cachoeiras mais conhecidas: Cachoeira do Quati, Cachoeira do
km 13, Cachoeira do Rio Pintado, Cachoeira do Rio Bugio, Cachoeira São Martinho de
Baixo, Cachoeira São Martinho de Cima, Cachoeira do Legru, Cachoeira do Campestre, entre
outras, que deverão ser avaliadas num futuro inventário turístico.
2.3.7.2 Recursos culturais
Os recursos culturais dividem-se em imateriais e materiais, os de ordem imaterial, [...]
são elementos que sofrem ou sofreram intervenção da ação humana, ou foram estabelecidos
por motivos culturais ou comerciais [...] (DIAS, 2003, p.59). O autor ainda enfatiza que esses
recursos podem se dividir em recursos culturais históricos, ou seja, aqueles que foram
deixados por civilizações, e mesmo aqueles lugares históricos, que tiveram significado sóciopolítico. Recursos culturais contemporâneos não comerciais, como, por exemplo, as
bibliotecas e museus e os recursos culturais contemporâneos comerciais, que são as
manifestações promovidas por organizações públicas e privadas que oferecem entretenimento,
como parques de diversões e espetáculos culturais. Para o levantamento dos recursos
culturais, os procedimentos de pesquisa seguiram os mesmos princípios de seleção dos
recursos naturais.
Festas
As festas religiosas são realizadas nas paróquias com o apoio da comunidade e
acontecem nos meses de maio e junho, em homenagem a Santa Cruz e ao Padroeiro São
Pedro, além de comemorações do aniversário do Distrito. Nessas festas são apresentados
grupos de danças folclóricas das etnias presentes na região a exemplo do grupo alemão da 3ª.
Idade (fig. 19 e 20).
48
Figura 19: Festa no Pavilhão da Igreja de Santa Cruz do Timbó
Fonte: Arquivo da autora – 05 de setembro de 2004.
Figura 20: Festa no Pavilhão da Igreja de Santa Cruz do Timbó - Grupo da 3ª. Idade – danças alemãs
Fonte: Arquivo da autora – 05 de setembro de 2004.
49
Gastronomia
Devido à influência germânica, italiana, ucraniana, polonesa, e árabe, é muito comum
encontrarmos pratos típicos referentes a esses grupos humanos. Na região do objeto de
pesquisa, o “lambari frito” tornou-se um prato típico da localidade, geralmente servido com
arroz branco, saladas diversas, mandioca e outros acompanhamentos, sendo considerada a
famosa “comida caseira”.
Em relação aos recursos culturais materiais (edificações), a Prefeitura Municipal de
Porto União não possui inventário do Patrimônio Histórico Cultural. No entanto há diversos
casarões em estilos arquitetônicos europeus, provenientes das etnias que se fixaram na
localidade, além de pequenas igrejas de beleza peculiar, que guardam em seus interiores
gravuras e pinturas retratando as raízes culturais dessas etnias.
2.4 Aspectos Históricos
A história da cidade de Porto União coaduna com a de sua “irmã gêmea” “União da
Vitória”. As duas cidades constituem um só núcleo urbano dividido por questões políticoadministrativas (Guerra do Contestado).
O marco histórico de “Porto União da Vitória” ocorreu no período colonial, em
meados do século XVIII, período em que nove expedições exploraram e ocuparam o interior
da então Capitania de São Paulo e, “descobriram”os Campos de Guarapuava.
Com a finalidade de chegar às missões espanholas do rio Uruguai, em 1769, o então
Capitão Antonio da Silveira Peixoto, por ordem do Governador Capitão General, Dom Luiz
Antonio de Souza Botelho Mourão, empreende bandeira exploradora na zona meridional da
Capitania. Partindo dos Campos de Corityba, seu destino era explorar a região Sul, hoje
Estado do Paraná, e na época era a 5a. Comarca de São Paulo. Saindo do porto de Caiacanga –
município de Porto Amazonas, percorre o Rio Iguaçu e funda a localidade de Porto da Vitória
(entreposto Nossa Senhora das Vitórias), onde a maior parte da expedição permaneceu
edificando as primeiras construções da localidade que, embora rústicas, serviram de base para
as futuras cidades.
Em 1770, a expedição do Tenente Cândido Xavier de Almeida e Souza, tendo
atravessado o rio Iguaçu, descobriu os Campos de Guarapuava. Todas as expedições que
passaram pela região, na época habitada por índios botocudos e caingangues, faziam as
paradas nessa localidade. Logo após, em 1772, o entreposto de Nossa Senhora das Vitórias,
50
passa a ser comandado pelo sargento-mor Francisco José Monteiro, enviado pelo governo
paulista. Tornou-se dessa forma, referência obrigatória, paraquantos que quisessem navegar
no Rio Iguaçu, e o ponto de partida para a exploração, no meridiano da Capitania.
A necessidade de encontrar um caminho que diminuísse a distância entre os Campos
de Palmas e Palmeira, fez com que Pedro Siqueira Cortes, em 12 de abril de 1842, descobrisse
a passagem do Vau no Rio Iguaçu, por onde as tropas podiam embarcar e desembarcar,
utilizando também o transporte fluvial (SEBEN, 1992). 33
A denominação do entreposto de Nossa Senhora das Vitórias foi alterada para Porto
União da Vitória em 1855, e para Freguesia de União da Vitória em 1877. Em 1881 tem início
a navegação a vapor por toda a extensão no Rio Iguaçu, com o transporte de carga e de
passageiros. 34
A partir de 1886, chegam os primeiros colonos de origem européia (quinze famílias),
de origem alemã, trazidas de São Francisco do Sul/SC pelo Coronel Amazonas. Essas famílias
trabalhavam em atividades agropastoris e começaram a criar o núcleo de ocupação nessa
região e, em seguida, aportam colonos de outras etnias como poloneses, ucranianos,
austríacos e russos. No início do século XX chegam os libaneses (MONTEIRO 1953;
CARDOSO & WESTPHALEN, 1986; SEBEN, 1992; FAGUNDES, 2002).35
Pelo Decreto n° 54, de 27 de março de 1890, a freguesia foi elevada à categoria de vila
e pelo Decreto n°55, do mesmo dia, mês e ano, foi criado o Município de Porto União da
Vitória, com território desmembrado do município de Palmas. 36
33
Passagem do Vau é conhecido como o local onde os tropeiros faziam sua passagem e parada durante suas
viagens, localizado às margens do Rio Iguaçu. Esse local era de fácil acesso, e o gado podia passar pelo leito do
rio. Hoje há um monumento que serve de marco divisório entre os Estados de Santa Catarina e Paraná e as
cidades de Porto União e União da Vitória.
34
O Rio Iguaçu tornou-se a forma mais fácil para o transporte da população ribeirinha e das cargas de erva-mate
e madeira, além do sal vindo de Paranaguá, que se destinava aos campos de Palmas. Desde o primeiro momento
da história de Porto União da Vitória, o rio exerce grande influência sobre a vida de seus moradores e no
desenvolvimento da economia (SEBEN, 1992).
35
Monteiro (1953) faz referência à questão do povoamento do Brasil Meridional e às formas primitivas de
ocupação. Com relação à ocupação da área centro-sul do Paraná, o povoamento colonial europeu difere
sensivelmente dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Logo após a guerra franco-prussiana (1870),
diminui a corrente imigratória de alemães, a implantação colonial se fez presente pelos contingentes eslavos,
principalmente por poloneses e ucranianos. No entanto, muitas colônias foram estabelecidas em áreas mistas de
mata e Campo, No caso de União da Vitória essas colônias se estabeleceram em função da estrada-de-ferro.
Cardoso & Westphalen (1986), confirmam que o período de 1860 a 1880 foi grandemente movimentado pelo
estabelecimento de colônias em todo o território do Paraná, referendando que na década de 1870, o programa
oficial de colonização foi dinamizado, na administração do Presidente Adolpho Lamenha Lins. Seben enfatiza
que com a chegada dos eslavos nessa região, foram provocadas diversas transformações no aspecto cultural. Na
agricultura foi introduzido plantio de novas espécies, como o trigo, o centeio, a cevada e o linho e também
equipamento próprios para a moagem de grãos.
36
Ver em Ferreira (1996), uma analogia geral sobre a construção e origem do município de União da Vitória e
de outros municípios do Estado do Paraná.
51
Outro fato importante é a construção de uma linha ferroviária, que tinha por finalidade
principal, a interligação das Províncias do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato
Grosso e São Paulo, alcançando as fronteiras da Argentina e Paraguai. Esse foi um dos
acontecimentos mais importantes para a região Sul do Brasil e teve aspecto relevante para
economia de Porto União da Vitória, à medida que favoreceu o fluxo de produtos e
intensificou a exploração madeireira e ervateira (SEBEN, 1992).
A partir disso o Município começa a desenvolver-se, passando de uma localidade onde
as atividades eram ligadas à agropecuária, para atividades comerciais, com a chegada dos
trilhos da empresa Brazil Railway Company, holding do grupo Farquhar, que construiu o
trecho da linha ferroviária São Paulo/ Rio Grande, no trecho Porto União/Rio Uruguai.37
2.4.1 A Guerra do Contestado
Em 1912, inicia-se a Guerra do Contestado, que se prolonga até 1916, quando as
tropas de Forças do Regimento de Segurança do Paraná partiram de Porto União da Vitória
(local de concentração militar), para as proximidades do Município de Irani, com a finalidade
de acabar com grupos de revoltosos liderados por um monge (João Maria).
Essa guerra tinha por motivo questões políticas, sociais e culturais, além de questões
limítrofes territoriais mal resolvidas, que vinham desde o século XVII, entre Paraná e Santa
Catarina.
O Supremo Tribunal Federal oficializou o ganho da causa, em 1916, da região
contestada para Santa Catarina, ocasionando revolta entre os paranaenses desta região, que, na
ocasião, não aceitaram a jurisdição catarinense (FAGUNDES, 2002, WAIBEL, 1953). 38
Para Tonon (2002, p.11), esse movimento ocorrido no início do século XX, nas
regiões serranas de Santa Catarina e Sul do Paraná, foi denominado “Contestado” em “[...]
decorrência da dubiedade na disputa de limites entre os dois Estados, durante um longo
período. A vasta área disputada compreendia cinqüenta mil quilômetros quadrados; região
rica em erva-mate, araucárias e pastos nativos. Viviam em território disputado cerca de 20 mil
sertanejos [...]”.
37
Seben (1992) aponta que a inauguração alterou o panorama sociocultural do Município, provocando, nessa
época, a criação de hotéis, centro comercial e a praça, em função da nova classe de trabalhadores ferroviários,
que desempenharam um importante papel na sociedade local.
38
Waibel faz referência à região que foi outrora por muito tempo, palco de muitas brigas “contestações”,
primeiro entre Argentina e Brasil e depois entre os Estados do Paraná e Santa Catarina.
52
Foi criada a expectativa separatista, depois de diversas reuniões, e o deputado José
Cleto da Silva decidiu pela concepção de um Estado Federado Independente, cujo nome seria
“Missões”. A junta governativa seria composta por Coronel Amazonas Marcondes e
Francisco Cleve, e a Capital Estadual seria União da Vitória. Em função do estabelecimento
da linha denominada Wenceslau Braz, que determinou o Acordo de Limites entre os dois
estados, no ano de 1916, a maioria da junta Governativa Provisória do Estado das Missões
acabou aceitando os termos de acordo, apesar de algumas resistências.
Na ocasião da Guerra do Contestado, houve o primeiro acidente aéreo brasileiro,
vitimando o famoso Capitão Ricardo João Kirk, mais conhecido como Capitão Kirk, na
cidade vizinha de General Carneiro e foi velado em União da Vitória (SEBEN, 1992).
Uma passagem interessante é a exploração documentada pelo Capitão Kirk da região
banhada pelo rio Timbó (área do objeto de pesquisa), onde foram feitas aplicações militares,
durante um vôo de estréia:
Porto União, 19 de janeiro de 1915.
Ao Sr. Coronel Eduardo Sócrates – Parte sobre o serviço de exploração.
Levamos a vosso conhecimento que, segundo as instruções que nos destes,
partimos hoje, às 11 horas e cinqüenta minutos, no aeroporto bi-place “General
Setembrino”, em viagem de exploração sobre os rios Iguaçu e Timbó, durante vôo
de ida e regresso, uma hora de tempo. Subindo o rio Timbó, rumo Norte,
encontramos um grupo de casinhas, destacando-se três de pintura branca;; esse
grupo, supomos, ser Vila Nova de Timbó; antes vimos também próximo a Vila
Nova, alguns casebres ou ranchos inteiramente desertos, observamos que nada
denuncia em Vila Nova, existirem habitantes. Subindo o Timbó. Ainda vimos uma
casa branca e algumas casinhas amontoadas de coisas informes, como madeira
empilhada; nesse lugar passa um pequeno rio que supomos ser o Timbózinho.
Ainda aí, não vimos ninguém, Continuando Timbó acima, um outro pequeno rio
afluente da margem esquerda supomos ser o Cachoeira; na confluência do rio
Cachoeira com o Timbó, não vimos casas, fumaça, nada que denunciasse a
presença de pessoas, e mesmo em grande extensão, ao longo do Cachoeira acima,
nada vimos que nos atraísse a atenção. Defronte a foz do rio cachoeira, na margem
esquerda do rio Timbó, a seis quilômetros desse rio, vimos uma grande bandeira de
cor branca, dominando todo o pinheiral, colocada sobre um morro dos mais
elevados, morro esse, ladeado por dois ainda mais altos. Essa bandeira deve ser
visível de grande distância para que as pessoas que se acharem no vale do Timbó. O
vale do Timbó e todas as outras vertentes do rio Cachoeira em diante, são
completamente fechadas por imensos pinheirais [...].De regresso, atravessamos
novamente a foz do Timbó e observamos um grupo de cavaleiros que se moviam
nas imediações da ponte do caminho de ferro sobre aquele rio. (FAGUNDES et al
2002, p.34).
Esse relato é pertinente pelo fato de descrever a paisagem da localidade de Santa Cruz
do Timbó. Isso é relevante no sentido de podermos, posteriormente, estabelecer uma analogia
da paisagem atual com a do relato histórico oficial.
53
2.5 A criação do Município de Porto União
Em 5 de setembro de 1917 é criado, do lado catarinense, o Município de Porto União,
integrado com a parte do Município que ficou do lado paranaense - União da Vitória.
O Município de Porto União-SC possui tanto em aspectos espaciais, como econômicos
e sociais, uma ligação intrínseca com o Município de União da Vitória, no Estado do Paraná,
e tem como marco limítrofe dos municípios a linha ferroviária (São Paulo/Rio Grande). Os
trilhos da ferrovia passam pelo centro comercial e corta as avenidas principais de cada um dos
municípios; essa demarcação foi de caráter político, que na época delimitou esse espaço.
Contudo, para a maioria dos residentes nesses municípios, em sua essência, parecem
considerar como um continuum espaço temporal39, como um só município, como uma só
unidade, devido ao caráter da proximidade e interação espacial. É comum a pessoa residir no
Estado de Santa Catarina e atravessar a rua para trabalhar no Estado do Paraná e vice e versa
(fig. 21).
Podemos refletir na fala de Milton Santos (1985, p. 49) 40, “[...] que o espaço constitui
uma realidade objetiva, produto social em permanente processo de transformação” e que
“torna-se relevante insistir no conceito de estrutura espaço-temporal em análise do espaço
geográfico ou espaço concreto”. A sociedade só pode ser definida através do espaço, já que o
espaço é o resultado da produção, uma decorrência de sua história – mais precisamente, da
história dos processos produtivos impostos aos espaços pela sociedade.
Neste apanhado histórico é importante ressaltarmos a influência da indústria da
madeira na formação socioespacial dos dois municípios. A existência de extensas florestas
naturais de Araucárias na região fez com que essa atividade se tornasse importante fonte
econômica para a época, na qual uma empresa internacional, a Lumber & Company, obteve a
concessão exploratória dos recursos vegetais e sua exploração comercial.
Contudo, esse mesmo tipo de economia prosseguiu, principalmente a partir de 1940,
quando a madeira passa a ser um produto destacado na exportação (SEBEN, 1992). No
entanto, atualmente, a região é um pólo madeireiro, porém com menor expressão, que
antigamente, fornecendo matéria-prima para exportação e uso nacional.
39
Sobre os vínculos espaço-temporal consultar o trabalho de Santos: 1986. “Pensando o Espaço do Homem”,
editado pela Hucitec.
40
Milton Santos trabalha, nesse texto conceituando o espaço e suas relações com as estrutura, processo, função e
forma de categorias do método geográfico, fazendo uma alusão ao processo como um todo e refletindo sobre os
54
Figura 21: Vista aérea dos Municípios de União da Vitória (lado direito) e Porto União (lado esquerdo) da
primeira ponte sobre o Rio Iguaçu, do lado esquerdo da foto.
Fonte: http://www.portouniaodavitoria.cjb.net/, consulta em dezembro de 2004.
Ainda refletindo as afirmativas de Milton Santos (1986, p.22), “O espaço que, para o
processo produtivo, une os homens, é o espaço que, por esse mesmo processo produtivo, os
separa”
41
. Podemos avaliar o contexto dessa época e desse espaço que foi palco de várias
intrigas e lutas, em função da divisão espacial que outrora e ainda hoje serve como
“Continuum espaço temporal”, como o próprio nome das “Cidades Irmãs” antes da Guerra
do Contestado – Porto União da Vitória – hoje este espaço unido e separado, se fundem em
um mesmo espaço, dividido e unido: Porto União e União da Vitória. Sendo o vocábulo
“União”, signo do que une e separa esse espaço, formando uma gênese simultaneamente
social e contextual.
períodos históricos e seu arcabouço em relação aos processos produtivos no contexto social e na própria
concepção do espaço.
55
2.5.1 O distrito de Santa Cruz do Timbó e a comunidade de São Pedro do Timbó
Em 12 de julho de 1926, pela Lei nº 76 foi criado Santa Cruz do Timbó, Distrito do
Município de Porto União. As comunidades que compõe o Distrito são: São Pedro do Timbó,
Despraiado, Nova Pátria, Rio Bonito, Salto do Rio Bonito, Barra Grande, Cabeceira da Barra
Grande, Quaty, Campestre, Rio dos Pardos, Lageado das Antas, Serra de Santa Cruz, Rio
D'Areia, Caçadorzinho, Bom Princípio, Rio Alonso e Rio Diamante, com uma população
aproximada de 2000 habitantes. 42
A região produz soja, milho, feijão, arroz, fumo, erva-mate, mandioca, entre outros,
destacando-se também a produção de leite, suinocultura, beneficiamento da madeira e xaxim
(fig. 22 e 23).
Figura 22: Vista de uma propriedade com gado leiteiro – Santa Cruz do Timbó – Porto União
Fonte: Arquivo da autora – Janeiro 2005.
41
Pensando o espaço do homem – Hucitec, 1986 – p. 22. Aqui, Milton Santos contextualiza o espaço como
aquele que une e separa, separa, discutindo a questão do espaço globalizado, que divide os homens em classes e
o próprio espaço.
42
Dados obtidos na Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo.
56
Figura 23: Cultivo de Soja em propriedade - Santa Cruz do Timbó – Porto União.
Fonte: Arquivo da autora – Janeiro 2005.
Hoje a sede do distrito e a comunidade de São Pedro do Timbó são muito procuradas
em função do turismo, especificamente pelo seu “ar interiorano” e pela atividade de pesca
esportiva no Rio Timbó, além das cachoeiras e cavernas que se destacam como atrativos da
região. Em função de o Rio Timbó ainda ser um dos menos poluídos do Estado de Santa
Catarina e da existência de uma quantidade considerável de peixes, principalmente a espécie
popularmente conhecida como “lambari” (Astynax bimaculatus) 43, essa localidade começou a
ter destaque na região (fig. 24 e 25). 44
43
Também pode ser encontrado pelo nome cientifico Astianax ssp, pois possui mais de 300 espécies, pertencente
à família Characidae – consulta site em janeiro/2004-www://criareplantar.com.br/pecuaria/peixe/especie_rio.php
44
A afirmação quanto à poluição do rio e quantidade expressiva de peixes no rio Timbó é referida em estudos
realizados nos Termos de Referência no. 00/03 – Plano de Gestão Integrada de Recursos Hídricos da bacia
hidrográfica do Rio Timbó, e em discussão levantada na reunião do Plano Integrado de Recursos Hídricos da
Bacia Hidrográfica do Rio timbó, realizada em 24 de janeiro de 2004, no auditório da UNC – Universidade do
Contestado – núcleo de Porto União.
57
Figura 24: Rio Timbó – Distrito de Santa Cruz do Timbó
Fonte: Arquivo da autora – março 2004
Figura 25: Rio Timbó – Distrito de Santa Cruz do Timbó ao fundo
Fonte: Arquivo da autora – janeiro 2005
58
3. REFERENCIAL TEÓRICO
A proposta deste trabalho culmina com a análise do desenvolvimento do turismo no
Distrito de Santa Cruz do Timbó e comunidade de São Pedro do Timbó (Porto União-SC) na
perspectiva da sustentabilidade. Para isto é necessário um aprofundamento teórico em temas
relativos à proposta. Conforme o exposto, inicia-se com as questões relativas ao
desenvolvimento e sustentabilidade, a seguir, a ênfase é relativa à sustentabilidade do turismo,
turismo no espaço rural, gestão e planejamento do turismo.
3.1 Desenvolvimento e sustentabilidade
Em referência ao termo “desenvolvimento” contemplam-se diversas questões, sejam
elas de ordem econômica, social, política e ambiental, havendo uma diversidade de conceitos
para esse termo, que, por conseqüência, podem causar uma confusão semântica, variando
conforme a área de estudo dos autores. Pode-se perceber essas dissensões em vários autores.
Para Lage (2001, p.202), há uma grande diferença entre crescimento e
desenvolvimento, principalmente no sentido econômico:
Entendemos por crescimento econômico o aumento contínuo do produto nacional,
em termos globais ou per capita de um país, ao longo do tempo. E, por
desenvolvimento econômico, o aumento contínuo do produto nacional e da
qualidade de vida dos indivíduos de cada país ao longo do tempo.
Entende-se por desenvolvimento um processo de produção de riqueza com partilha
e distribuição com eqüidade, conforme as necessidades das pessoas, ou seja, com
justiça. O desenvolvimento não se refere apenas à economia, ao contrário, a
economia deve ser tomada em função do desenvolvimento. Um dos maiores
desafios da sociedade atual é promover o desenvolvimento centrado no homem.
Pensar esse tipo de desenvolvimento pode ser aparentemente simples, mas encerra
uma revolução de idéias e práticas sociais, que passam a orientar as pessoas e as
organizações para a produção e consumo partilhados.
Portuguez (2001, p. 60) aponta, sob o viés da geografia, que o desenvolvimento pode
“[...] ser entendido como um processo complexo, rico de contrariedades e fortemente
influenciado por elementos internos ou externos aos lugares onde se processa”. Ou seja, o
desenvolvimento pode ser entendido como um fator gerador de mudanças, que pode ter
influências de diversas ordens, que condicionam todo o processo.
59
No posicionamento de Souza (1997), o desenvolvimento é uma questão a ser pensada,
não somente no sentido econômico, quando exemplifica o período denominado “milagre
econômico” (fim dos anos 60 e princípio dos anos 70 – Século XX), quando o
desenvolvimento ocorreu, sem necessariamente ter ocorrido uma melhoria na concentração de
renda e nos indicadores sociais.
Como o próprio autor afirma, o termo desenvolvimento deve ser visto como um “[...]
processo de superação de problemas sociais, em cujo âmbito uma sociedade se torna, para
seus membros, mais justa e legítima”.45
Em outras abordagens o sentido dado ao termo desenvolvimento, bem como, para o
termo subdesenvolvimento no período pós II Guerra Mundial, decorreu das próprias condições
sócio-econômicas dos países envolvidos nesse acontecimento. Antes desse período, os países
eram classificados de acordo com critérios que os denominava como “civilizados ou não”, ou
aspectos de ordens geográfica, culturais e religiosas (CORIOLANO, 2003)46. Em função
disso, os Estados Unidos apresentaram naquele momento, o conceito de desenvolvimento
como um “espelho” para as outras nações assoladas pelo pós-guerra; subjetivamente, o
objetivo estava ligado à hegemonia americana como um modelo a ser seguido.
Entre as diversas teorias e conceituações relativas ao desenvolvimento e ao
subdesenvolvimento, Coriolano (2003) faz referência a algumas que tiveram sua importância
no entendimento desses termos, cabendo neste trabalho apenas citá-las: Estágios de
Crescimento Econômico, Neoliberalismo, Falso Paradigma, Capitalismo Tardio, Sociedade
da Informática, Globalização e Desenvolvimento Sustentável, entre outras.
Ao abordar a questão da sustentabilidade, constata-se uma discussão em torno do
termo “Sustentável” e de sua relação com o desenvolvimento. Essas questões também
envolvem os movimentos ambientalistas e a busca de novas tendências evolutivas do
pensamento ecológico, alternativas de atuação, com vistas à conservação e preservação do
meio ambiente. Vale ressaltar conforme a UICN, exposto em Pires (2003, p.8): “a
conservação e o desenvolvimento destinam-se ao homem. Enquanto o desenvolvimento
procura alcançar a finalidade do homem, antes de mais nada, mediante a utilização da
45
Souza, nesse artigo faz uma discussão importante sobre desenvolvimento e turismo e como essa relação
acontece, dando ênfase à escala local e também levando em conta os aspectos que impactam negativamente ou
positivamente em função da condição socioeconômica. O grifo no texto é meu.
46
As diversas abordagens dadas aos termos desenvolvimento e subdesenvolvimento são interessantes para
discussões, mas não cabe neste trabalho estar abarcando todas as abordagens e sim direcionar para as que mais se
adequam aos objetivos propostos.
60
biosfera, a conservação procura garantir estas mesmas finalidade por meio da manutenção da
referida utilização da biosfera”. 47
A conferência da ONU em 1972, sediada em Estocolmo, foi a primeira iniciativa em
função da busca por uma forma global e coordenada de soluções aos problemas existentes e
definição de linhas de ação para a problemática ambiental. A partir de 1974, Ignacy Sachs e
sua equipe interdisciplinar reelaboram a questão do ecodesenvolvimento, criada em Estocolmo
(1972), ampliando e diversificando seus horizontes.
A partir de 1980, com o surgimento do documento intitulado de “Estratégia Mundial
para a Conservação”, da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos
Naturais Renováveis (IUCN), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e
WWF, introduz-se o conceito de conservação, que dá o passo inicial para a consolidação do
conceito “Desenvolvimento Sustentável”, e em 1987, por meio do Relatório Brundtland ou
como também é popularmente conhecido Nosso Futuro Comum, adota-se a acepção que
define uma sociedade sustentável, como aquela que se preocupa com as necessidades de hoje
sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias
necessidades (PIRES, 2002; SAMPAIO, 2002; OMT, 2003).
Em 1992 acontece no Rio de Janeiro, a ECO-92, em que são discutidas idéias e
percepções relativas ao Relatório Brundtland, sendo proposta a Carta da Terra, que é uma
declaração de princípios básicos a serem seguidos por todos os povos, em relação ao meio
ambiente e ao desenvolvimento, bem como, a Agenda 21 que se configura como um plano de
ação com metas aceitas universalmente para o período pós 1992 (OMT, 2003; BENI, 2003).
A Agenda 21 ainda prevê nesse plano de ações, [...] as prioridades, estimativas de
custo, atribuições de responsabilidades e a criação de projetos do meio ambiente, bem como a
transferência de tecnologia ambiental (SAMPAIO, 2002, p.30).
Após esse período, diversos eventos foram realizados em função de compatibilizar e
mobilizar os países envolvidos, no sentido de buscar elementos desencadeadores que
contemplassem questões ambientais e programas e propostas exeqüíveis para as novas
perspectivas de um mundo mais sustentável. Neste contexto, Pires (2002, p.53) aponta a
questão com relação ao Brasil:
47
O conceito relativo à conservação refere-se ao uso equilibrado e auto-sustentado dos recursos naturais,
enquanto a preservação refere-se a proteção rigorosa de determinadas áreas e recursos naturais, considerando o
seu valor enquanto patrimônio ecológico ou paisagístico, não admitindo qualquer intervenção do homem no
local protegido. A distinção entre os dois conceitos existe em função da interferência humana para assegurar a
manutenção das espécies dos ecossistemas. Ver (PIRES, 2003).
61
Apenas em 1999 foi desencadeado institucionalmente um processo de planejamento
participativo, a cargo da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e
da Agenda 21 Nacional, criada na esfera governamental por decreto presidencial
em 1997, cuja missão precípua é internalizar o conceito de sustentabilidade e
desenvolvimento sustentável na sociedade brasileira, visando a elaboração e
implementação da Agenda 21 brasileira.
No entanto, a realidade planetária em que vivemos nos faz refletir sobre as questões
ligadas ao desenvolvimento, e que, por sua vez, devem ser analisadas em função das questões
concernentes à racionalidade econômica, principalmente nos países considerados como os de
primeiro mundo. Ou seja, como se processa toda a produtividade e as relações com a
tecnologia, o consumo e a própria produção.
Concorda-se com Sampaio (2002, p.34) em sua afirmativa de que não se [...] consegue
ver este desenvolvimento atender às necessidades da sociedade civil democrática, garantindo
uma ordem social justa e o respeito à vida, e assim reorientar os atuais níveis de consumo e
produção em termos globais, nos afastando do fisiologismo do paradigma econômico que
sustenta a sujeição e exploração das forças humanas e naturais [...]. Ainda em Beni (2003,
p.7), percebe-se que há uma preocupação dos pesquisadores com o tema sustentabilidade que
se refere a “ [...] um conceito que envolve o longo prazo, que gera valor agregado por meio de
lei de otimização e não maximização da renda, assegurando a inclusão e a coesão social e
política num de desenvolvimento integrado e integral.”
Não obstante, o conceito de sustentabilidade, por si só não caracteriza uma tarefa
muito fácil de definir, por apresentar diversas incongruências, mas pode-se aferir que sua
origem remete às relações entre o homem e o ambiente, podendo ser enfocado sob três
aspectos diferentes, conforme Faria & Carneiro (2001, p.15):
a) Uso sustentável, que ocorre quando os seres humanos utilizam os recursos
renováveis, permitindo que os processos naturais de reposição ocorram e assim
o sistema poderá renovar-se indefinidamente; b) crescimento sustentável, onde
a questão básica que se impõe é se o crescimento econômico leva ou não em
consideração a limitação de recursos, sem o que ocorrerá degradação do
ambiente pois não pode haver crescimento que seja sustentável sem o controle
do crescimento populacional e do consumo per capita de recursos; e, por fim,
c) desenvolvimento sustentável, o termo mais usado e de difícil definição. De
acordo com Mangel (1993) o desenvolvimento sustentável torna-se uma tarefa
impossível quando sinônimo de crescimento sustentável que envolva
crescimento da população e do consumo de recursos, mas não quando tenha o
significado de uso sustentável, tornando-se então um imperativo. Ou seja, em
se tratando de desenvolvimento sustentável, o crescimento descontrolado mina
as possibilidades de promoção da melhoria social e econômica da população do
planeta, que poderia ser promovida pelo uso sustentável de recursos
renováveis.
62
3.2 Sustentabilidade do turismo
Em 1995, realizou-se a Primeira Conferência sobre Turismo Sustentável, nas Ilhas
Canárias, por iniciativa da ONU, sendo esta co-patrocionada pelo Programa sobre o Homem e
a Biosfera da Unesco e também pela OMT. O destaque desse encontro foi identificação da
maioria dos participantes, em relação à iniciativa privada, que se sensibilizava sutilmente com
ações e programas de preservação do ambiente (BENI, 2003).
A crescente atividade do turismo, um dos principais setores socioeconômicos
mundiais, gerador de receitas grandiosas aos países receptivos, torna-se também objeto de
discussão, nas questões relativas à sustentabilidade dessa atividade.
São pertinentes essas questões, não somente no cunho socioeconômico, mas também
relativas às questões ambientais, entre as demais que se relacionam ao desenvolvimento
sustentável.
A atividade turística pode influenciar de forma significativa as comunidades que a
desenvolvem harmoniosamente, mas também pode causar prejuízos graves e por vezes
irreversíveis, como cita a OMT (2001, p.244):
Por exemplo, mais recentemente, os turistas têm devastado a vegetação dos
campos mais accessíveis das Montanhas Rochosas, no Canadá, como conseqüência
dos efeitos cumulativos de suas caminhadas sobre as espécies vegetais, de grande
fragilidade, sendo a paisagem vítima de sua própria beleza. Outro exemplo
referente aos centros turísticos de praia é o território compreendido entre os
Grandes Lagos e o Mar Negro, onde a poluição produzida pela população, com os
detritos não tratados procedentes das cidades vizinhas, tem feito com que suas
águas sejam incertas para a natação e a pesca e imprópria para o consumo, a
natação era de grande importância, pois as atividades aquáticas eram atrações
principais que mantinha ativa a economia desses centros turísticos.
Aspectos inerentes às relações entre o homem e o ambiente, perfazem o alvo dos
assuntos ligados ao turismo e sua sustentabilidade. Beni (2003, p.6) é categórico ao afirmar a
preponderância das discussões ecológicas “[...] que abriram o terreno para o exame dessas
inter-relações, o que se tem atualmente em maior destaque e relevância é o turismo
sustentável, expressão esta, que abriga infindos posicionamentos políticos e geoestratégicos
até interesses imediatos para navegar na onda de um tema tão sério e complexo quanto fluído
em seus aspectos práticos.”.
Nas palavras de Silveira (1997, P.88), observa-se a preocupação com o uso do termo e
sua real aplicação enquanto prática pró-ativa: ·.
63
Sem dúvida, a adoção do conceito de desenvolvimento aplicado ao turismo,
representa estratégia válida para buscar a integração entre uso turístico, preservação
do meio ambiente e melhoria das condições de vida das comunidades locais. No
entanto, se esse conceito não for incorporado às políticas e práticas do
planejamento territorial do turismo em nível local, a sustentabilidade não passa de
retórica.
Refletindo-se sobre essa proposição, é notória a necessidade de que a sustentabilidade
da atividade turística esteja voltada para as diversas vertentes que permeiam o processo, sejam
elas referentes à sustentabilidade econômica, sociocultural e ambiental de uma localidade, de
modo que se possa alcançar a integração e a conservação dos espaços para o turismo. Hall
(2001, p.22) discute essa questão, afirmando que:
O conceito de desenvolvimento sustentável exige que se tenha ocorrido uma visão
mais ampla de desenvolvimento e do ambiente natural do que tem ocorrido até o
momento em grande parte da sociedade ocidental, especialmente nos últimos anos,
em que a economia monetarista e a negação de um interesse público têm sido as
características de tantas políticas governamentais.
O posicionamento de Rodrigues (1997, p. 45)48 com relação a esse tema é que:
“Compreender o turismo pelo viés do desenvolvimento sustentável é dar-lhe uma dimensão
correta de análise. Viés significa não o sentido principal, mas o sentido diagonal e só
diagonalmente é que se pode argumentar que esta atividade econômica seja sustentável [...]”.
Portanto, a compreensão do turismo pelo viés da sustentabilidade traz um arcabouço de
dimensões que devem ser pautadas nos princípios que retratem um verdadeiro despertar para
o gerenciamento e promoção de ações em prol da perpetuação da atividade.
Considera-se, por vezes, uma dificuldade em definir realmente o que é
desenvolvimento sustentável da atividade do turismo, percebe-se isso nas declarações
expressas no XVII Congresso Interamericano de Turismo (1997, p.03) em que se afirma que:
“Es difícil el desarollo del turismo sostenible porque debe vincular las necessidades
actuales del turismo con la preocupación del mañana por el futuro, uma árdua tarea en um
mundo de gran dinamismo turistico. El artículo “Alternative Paths to Sustainable Tourism”
(em formato resumido) describle los siguientes elementos clave de la sostenibilidad del
turismo:
1. Perservar la base actual de recursos para las generaciones futuras;
2. Mantener la productividad de la base de recursos;
48
RODRIGUES, A. M. Desenvolvimento sustentável e atividade turística. In: RODRIGUES, A B. (Org).
Turismo e desenvolvimento local. São Paulo: Hucitec, 1997.
64
3. Mantener la biodiversidad y evitar câmbios ecológicos irreversibles;
4. Aseguar la equidad dentro de las generaciones y entre ellas;
5. Mantener y proteger el patrimônio cultural (e histórico) de la zona, región o nación.
No es fácil encontrar um equilíbrio aceptable entre estos elementos. Los diferentes
interesser de las empresas y de los conumidores de turismo suelen pasar por alto el
aspecto de la “sostenibilidad” del turismo”.
Por outro lado, a OMT (2001, p. 246) considera que o conceito de sustentabilidade da
atividade deve estar ligado a três fatos importantes: qualidade, continuidade e equilíbrio, e
deve:
Melhorar a qualidade de vida da população local, das pessoas que vivem e
trabalham no local turístico; Prover experiência de melhor qualidade para o
visitante; Manter a qualidade do meio ambiente da qual depende a população local
e os visitantes; A efetivação de aumento dos níveis de rentabilidade econômica da
atividade turística para os residentes locais; Assegurar a obtenção de lucros pelos
empresários turísticos. Em suma, o negócio turístico tem de ser rentável, caso
contrário, os empresários esquecerão o compromisso de sustentabilidade e o
equilíbrio será alterado.
A partir disso, considera-se que esses três fatos devem permanecer estritamente
ligados em favor da sustentabilidade da atividade, ou seja, no momento em que um desses
fatos não estiver presente no processo passa a conter lacunas que podem minar a tão esperada
sustentabilidade.
Observa-se nas considerações da WWF–BRASIL (2001) a preocupação com a
manutenção do turismo e sua relação com o ambiente:
O turismo deve ser parte de um desenvolvimento sustentável amplo e de suporte
para a conservação. O turismo deve ser compatível e fazer parte de planos em
níveis internacional, nacional, regional e local de desenvolvimento sustentável e de
conservação. Deve ser planejado, administrado e empreendido de modo a evitar
danos à biodiversidade e ser ambientalmente sustentável, economicamente viável e
socialmente eqüitativo. Todo o desenvolvimento do turismo deve ser empreendido
com uma visão preventiva.
A Organização Mundial do Turismo - OMT também enfatiza as questões definidas na
conceituação de desenvolvimento sustentável aplicadas ao turismo e no espaço em que se
insere:
65
O desenvolvimento sustentável do turismo atende as necessidades dos turistas de
hoje e das regiões receptoras, ao mesmo tempo em que protege e amplia as
oportunidades para o futuro. Ë visto como um condutor ao gerenciamento de todos
os recursos, de tal forma que as necessidades econômicas, sociais e estéticas
possam ser satisfeitas sem desprezar a manutenção da integridade cultural, dos
processos ecológicos essenciais, da diversidade biológica e dos sistemas que
garantem a vida.(OMT, 2003, p.24)
Considerando essa definição, são expressos alguns princípios básicos a serem
considerados, conforme sugere a OMT (2003 p.24): 49
a) Os recursos naturais, históricos, culturais e outros voltados ao turismo, são
conservados para que continuem a serem utilizados no futuro, sem deixar de trazer
benefícios para a sociedade atual;
b) O desenvolvimento turístico é planejado e gerenciado de modo a não gerar sérios
problemas ambientais ou sócio-culturais para a área turística;
c) A qualidade ambiental geral da área turística é mantida e melhorada onde necessário;
d) Um alto nível de satisfação dos turistas é mantido para que os destinos turísticos
conservem seu valor de mercado e sua popularidade;
e) Os benefícios do turismo são amplamente estendidos a toda a sociedade.
Para melhor ilustrar, representar-se-á conforme sugere a OMT, os pilares da
sustentabilidade:
Fig. 26: Pilares da sustentabilidade proposto pela OMT (1999), adaptado para o português pela autora.
49
Princípios para o desenvolvimento sustentável, exposto no “Guia de desenvolvimento do Turismo
Sustentável” da OMT, pg.24.
66
Desse modo, conforme estabelecido na Agenda para planejadores locais – Edição para
a América Latina e Caribe - OMT (1999, p. 17):
El objetivo final dentro de um escenário, pero abieto y competitivo, es el logro del
desarollo turístico em cuanto que desarollo econômico, social, cultural y ambiental.
El “triangulo mágico” de conceptos que integrarían dicho objetivo lo componen , la
equidad social y la sostenibilidad ambiental.
Isso significa que a sustentabilidade deve estar pautada em dimensões que estabeleçam
uma sinergia e propiciem uma perfeita integração com a atividade turística. A partir disso a
OMT (1999, p.17) refere a essas dimensões, conforme segue:
- A eficácia econômica implica que o turismo antes deve ser uma atividade geradora
de rendas para a sociedade e criadora de empregos dignos e qualificados. A eficácia
econômica, em termos sociais, não só supõe a rentabilidade empresarial e obtenção de
benefícios privados, mas reativar e aumentar os níveis de bem-estar da comunidade geral.
- A equidade social supõe que o turismo deve gerar um equilíbrio tantos dos custos
como dos benefícios. Não existe um processo de desenvolvimento equilibrado do turismo se
aumentam as diferenças sociais e econômicas internas da sociedade, ou se é produzido um
excessivo benefício a determinados grupos sociais, ou seja, enriquecimento de uns e
empobrecimento de outros.
- A sustentabilidade ambiental implica conservação e respeito dos recursos e valores
naturais que são a base da própria atividade turística, e cuja existência há de ser garantida para
o futuro, para própria sustentabilidade da atividade e assegura o uso para a as próximas
gerações.
A própria OMT, por meio da Agenda 21 para Viagens e do Turismo, expressa que a
atividade só será considerada sustentável à medida que a proporcione ou busque proporcionar
um equilíbrio entre os valores culturais, naturais, sociais e econômicos em que estiver
inserida. Abaixo temos algumas considerações da Agenda 21 para Viagens e Turismo (OMT,
1999, p.18):
Para os departamentos governamentais, as associações nacionais de turismo e as
organizações comerciais representativas, o objetivo principal é estabelecer sistemas e
procedimentos para incorporar as considerações sobre o desenvolvimento sustentável ao
centro do processo de tomada de decisão e identificar as ações necessárias à criação do
turismo sustentável. As nove áreas de prioridades são as seguintes:
67
1. Evolução da estrutura regulatória econômica e voluntária existente
para o êxito de um turismo sustentável;
2. Avaliação das conseqüências econômicas, sociais, culturais e
ambientais das operações das organizações;
3. Formação, educação e conscientização pública;
4. Planejamento para um desenvolvimento sustentável do turismo;
5. Meios para um intercâmbio de informações, conhecimento e tecnologia
que se relacione com o turismo sustentável, entre paises desenvolvidos
e em desenvolvimento;
6. Facilitar a participação de todos os setores da sociedade;
7. Desenho de novos produtos turísticos centrados na sustentabilidade;
8. Medição do progresso necessário para alcançar um desenvolvimento
sustentável.
9. Associações para um desenvolvimento sustentável.
Um outro fator, a ser levado em consideração nesse processo, é relativo não só ao
ambiente, mas também às relações de oferta e demanda que implicam a qualidade de vida das
populações receptoras, que está diretamente ligada às dimensões de sustentabilidade da
atividade. Com relação a essa questão a OMT (1998, p.260) afirma:
[...] el concepto de sustentabilidad está ligado a três hechos importantes: calidad,
continuidad y equilíbrio. De uma forma u outra el turismo sustentable es definido
como um modelo de desarollo econômico diseñado para mejorar la calidad de vida
de población local, es dir, de la gente que vive y trabalha em el destino turítico;
proveer mayor calidad de experiência para el visitante; mantener la calidad del
medioambiente del que la población local y los visitantes dependen; la consecución
de mayores niveles de rentabilidad econômica de la actividad turística para los
residentes locales; y asegurar la obtención de benefícios por parte de los
empresários turísticos, es decir, há de procurarse que el negocio turisitico
sustentable sea rentables, de lo contrario los empresários olvidarán el compromiso
de sustenatabilidad y alterarán el equilibrio.
Dessa forma, a interação entre todos os atores sociais envolvidos com a atividade é de
suma importância, no sentido de gerir o crescimento e o desenvolvimento, de forma que ele se
compatibilize com as expectativas de cada um dos atores sociais, mas levando em
consideração que a atividade seja capaz de auferir mais benefícios do que malefícios, ou seja,
que a atividade por si só não seja um desencadeador de desenvolvimento, mas também seja
68
considerado “responsável”. Com relação a esse assunto, Santos (2003, p.168) afirma que é
necessário observar três pontos centrais para que a gestão do turismo seja desenvolvida de
forma integrada:
1. Responsabilidade econômica e social por parte do governo e das empresas que
instalam empreendimentos turísticos, a fim de impulsionar o desenvolvimento
econômico, protegendo a comunidade local da sobre-comercialização e da sobreexploração;
2. Responsabilidade das comunidades receptoras no que diz respeito à segurança, à
garantia de proteção dos turistas e à prática do desenvolvimento sustentável, em
relação à sua participação nas atividades turísticas;
3. Por fim, a responsabilidade do turista em respeitar os costumes, as culturas e o meio
ambiente do lugar visitado. O turista deve vislumbrar o intercâmbio das culturas.
Percebe-se que a sustentabilidade do turismo requer, de fato, toda uma abordagem
sistêmica, ou seja, considerar todos os aspectos ou partes contidas no todo (no processo),
sendo necessário uma sinergia do sistema, levando-se em consideração que há muitas
variáveis envolvidas, além da complexidade dessas próprias variáveis, que se interpõem e se
relacionam, ocasionando efeitos simultâneos às ações em cada variável, ou seja, uma ação em
determinada parte do sistema, afetará todas as outras partes do sistema.50
Nesse sentido, pode-se entender o que o turismo, bem como, a sustentabilidade da
atividade possui uma gama complexa de interações e relações que, gerenciadas
estruturalmente, pode buscar uma grande possibilidade de desenvolvimento para as
localidades receptoras. Santos (2003, p. 167) afirma que: “De fato, o turismo sustentável não
pode ser visto como uma situação ideal a ser alcançada, mas sim, como uma filosofia de
desenvolvimento que serve para definir metas a longo prazo.”.
Com referência ao conceito de sustentabilidade da atividade turística, observam-se as
considerações a respeito do tema, ou seja, usa-se comumente o termo “desenvolvimento
sustentável do turismo” e “ desenvolvimento do turismo sustentável”. Mas deve-se analisar as
formas como esses termos estão sendo utilizados em conformidade com sua real aplicação,
pois o primeiro termo caracteriza as formas de condução da atividade, enquanto o segundo
termo determina, por si só, que na acepção o termo turismo já é uma atividade sustentável por
si só, e que somente é preciso desenvolvê-la cada vez mais. Assim, deve-se definir claramente
50
Com relação ao assunto Sistemas ou abordagem sistêmica ver Bertalanffy (1975).
69
o que é necessário para uma atividade ser realmente sustentável em relação ao turismo, pois
as implicações relativas ao tema, tornam-se por vezes utópicas, no sentido de que inúmeros
fatores vão influenciar a atividade. Por isso há a necessidade de se considerar as dimensões de
sustentabilidade que possam servir de parâmetros para avaliar a atividade em determinados
locais onde o turismo está em processo.
As dimensões pertinentes a esse trabalho são: Econômica, Social, Cultural e
Ecológica/ambiental. Essas dimensões foram privilegiadas em função do objeto de pesquisa
ora estudado, ressaltando que vários estudiosos, além de instituições, bem como entidades
governamentais e não governamentais atêm-se à temática da sustentabilidade da atividade,
entre eles: Capece (1997), Pires (2002), Faria & Carneiro (2001), Sampaio (2002), Magalhães
(2002), Swarbrooke (2000), Seabra (2003), Fundo Mundial para a Natureza – WWF,
Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente – UNEP, entre outros.
3.3 Turismo no espaço rural
Este referencial teórico é interessante no sentido em que o Distrito de Santa Cruz do
Timbó e a comunidade de São Pedro do Timbó compõem um espaço rural, no Município de
Porto União/SC e desenvolvem atividades turísticas realizadas nesse espaço.
O interesse pelas atividades recreativas realizadas no meio rural, em alguns países da
Europa, passou a ter um maior destaque entre as décadas de 1970 a 1990. O intuito era
“recarregar as energias”, em função do excesso de trabalho e do stress gerado na sociedade
pós-moderna. No entanto, Ruschmann (2000, p. 63) afirma que: “O turismo rural não é um
fenômeno novo. O interesse crescente pelas atividades já se manifestava no século XIX, na
Europa [...]”. Contudo, no Brasil essa modalidade de turismo é recente e, contraposta ao
modelo “sol e praia”, não havendo marcos específicos para datar seu início, mas é senso
comum que as primeiras iniciativas ocorreram no Município de Lages/SC, a partir de 1986 na
fazenda Pedras Brancas, seguida pelas fazendas Barreiro e Boqueirão (RODRIGUES, 2001).
O turismo no espaço rural apresenta uma forma de turismo em que os elementos
devem apresentar estruturas eminentemente rurais, de pequena escala, ao ar livre,
proporcionando ao visitante o contato com a natureza (RUSCHMANN, 2001). Isso agrega um
valor inexorável àqueles que buscam com esse contato, a valorização de suas raízes, ou
mesmo, pelo fato de terem a visão de que o meio rural é o lugar ideal para aliviar suas tensões
como uma forma de lazer.
70
Há uma diversidade muito grande em relação aos termos, conceitos e expressões
adotados na literatura, a fim de definir esta modalidade de turismo. Cada uma, de acordo com
a realidade do país ou região. Essas diferenças conceituais tornam-se cada vez mais
discutíveis, causando conflitos semânticos, como afirma Rodrigues (2001, p.08) “[...] O
turismo rural é caracterizado por grande complexidade, ambivalência, polissemia, a começar
pela falta de consenso na sua conceituação [...]”, e em relação ao Brasil,” [...] a imprecisão de
conceitos, a qual parece estar vinculada à tentativa de classificações baseadas em parâmetros
europeus, o que resulta em graves equívocos por se tratar de realidades tão diferentes e
complexas.” (RODRIGUES, 2001, p.101)
Com relação a essas diferenciações em função do país, Singardo (2001, p.79)
identifica essas distinções, num estudo entre Brasil e Portugal, em que posiciona, “[...] o
conceito de Turismo Rural tem no Brasil, um sentido mais abrangente, envolvendo a fruição
dos recursos rurais, as atividades esportivas e ecológicas, bem como a relação intangível da
cultura e o modo de vida das Comunidades Rurais [...]”.51 Nessa temática Rodrigues (2001,
p.101) afirma que há certa discordância entre os próprios países europeus: “Até mesmo as
comparações entre os países europeus mostram modalidades distintas no que concerne ao
turismo em espaço rural, não havendo afinidade de critérios para classificação”.
Entre as diversas terminologias utilizadas a fim de conceituar o termo, a Embratur
expressa o seguinte, no Manual Operacional de Turismo Rural: “o Brasil adotou para o
Turismo Rural um conceito múltiplo – um turismo diferente, turismo integrado, turismo
endógeno, turismo alternativo, agroturismo e turismo verde”. 52
Embora, atualmente, a Embratur em seu site na internet, disponibilize uma outra
conceituação:
Turismo Rural é a viagem que envolve vivência em propriedades rurais, usualmente
com o acompanhamento da rotina de trabalho destas (SÃO PAULO, sal.). 2. E a
atividade turística praticada no espaço rural, constituindo um subproduto das
atividades produtivas originais representadas pela agricultura, criação de animais e
outras formas de produção rural, agregando a esses recursos remuneratórios
oriundos da atividade turística. As características da produção rural, a forma como
se dá essa produção nos espaços natural e construído, o modo de vida dos
trabalhadores rurais, a arquitetura típica, a culinária, o artesanato e demais
manifestações culturais tradicionais formam o universo de atrativos almejados pelo
turista (EMBRATUR, s.d.). 53
51
Sirgado faz um estudo da evolução do turismo em Portugal e no Brasil e, posteriormente se remete ao estudo
sobre o cone leste paulista, abrangendo a cidade de São Bento do Sapucaí, município piloto do projeto
desenvolvido juntamente com a equipe do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa,
considerando também a cidade de Campos do Jordão, no estado de São Paulo.
52
Informações disponíveis no artigo “do conceito as estratégia para o desenvolvimento do turismo Rural”, de
Olga Tulik, apud Desenvolvimento Local, (Rodrigues, 1997, p.138).
53
Site: http://www.embratur.gov.br/br/glossario/resultadoBusca.asp?id=206&bt_termo=turismo+rural.
71
A definição da Embratur parece ser a mais viável, no sentido de que a conceituação
expressa no Manual Operacional torna-se muito abrangente, gerando dificuldades de
interpretação.
Contudo, pode-se considerar que a posição tomada por Da Silva (2000, p.19) torna-se
interessante com relação à atividade, definida como “turismo em áreas rurais”, que busca:
“[...] não só aquelas atividades de serviços não-agrícolas, tradicionalmente denominadas de
“turismo rural ou agroturismo” (aqui usado como sinônimos), como também as de lazer
realizadas no meio rural, denominadas de “turismo ecológico” ou “ecoturismo”, turismo de
negócio e turismo de saúde.“ Para Blanco (2004, p.3) essas “novas formas” de turismo no
espaço rural estão muito ligadas aos aspectos do lugar, conforme segue: “Estão sendo criados
múltiplos eventos com circuitos e rotas turísticas adequadas às tradições culturais e às
condições naturais das regiões. Várias modalidades de turismo, como o turismo alternativo,
turismo ecológico, agroturismo, entre outros, estão atraindo os moradores da cidade rumo ao
campo.”.
Nessa temática, Pires (2001, p.126), faz referência de como era visto o meio rural:
“[...] em análise era referente à sua “configuração tradicional” buscando, com isso, reconhecer
que atualmente tal configuração, essencialmente agrícola, em muitos locais já vem sendo
compartilhada com os novos elementos introduzidos nesse mesmo meio [...]”, ou seja, esses
novos elementos passaram a integrar o espaço rural, produzindo bens e serviços, em grande
parte como atividades de lazer e turismo.
Para Cavaco (1996, p.109), as conceituações também têm um cunho próximo à
expressão “Turismo em espaço rural”, quando afirma: “Digamos que nos dias de hoje, pelas
motivações dos turistas que o praticam, o turismo rural é um turismo de espaços naturais e,
sobretudo, de espaços humanizados, ativo ou apenas contemplativo”.
No entender de Joaquim (2001, p.35), essa conceituação também tem suas diferenças e
possuem algo em comum, que é a referência ao espaço, quando se refere aos países europeus:
O turismo em espaço rural recobre um conjunto diversificado de atividades
turísticas, apresentando profundos contrastes no interior dos paises europeus, o que
se relaciona, por um lado, com os diferentes conceitos de rural e, por outro, com as
várias formas que o Turismo em Espaço Rural (TER) assume. O traço comum, no
âmbito de situações tão contratadas, é o espaço rural. (grifo nosso).
72
Contudo, há de se salientar que a atividade caracterizada como turismo rural, deva
compor uma interação com o espaço rural e as questões de cunho social, cultural e
econômico, ou seja, levar em consideração as questões culturais e sociais quando há o contato
entre turistas e a comunidade local e a questão econômica quando há troca de produtos ou
valores entre o estabelecimento, os turistas e a comunidade local (RODRIGUES, 2000).
Entre as diversas terminologias e conceituações em pauta de discussões sobre o tema,
cabe salientar que neste trabalho são consideradas as definições que mais se ajustam ao
estudo. Portanto adotou-se como referência “Turismo em espaço rural”, pois como afirma
Silva (2000, p.16), “[...] muitas práticas de lazer ou ocorridas no espaço rural não são turismo
rural, e sim práticas de lazer ou ócio de citadinos que ocorrem alheias ao meio que estão
inseridas”.
Considerando as atividades realizadas no espaço rural, Silva (2002, p.101) refere-se às
essas “novas atividades”, a fim de caracterizar que não há tanta novidade como se anuncia,
conforme segue:
[...] vem-se reproduzindo no meio rural uma série de “novas” atividades que quase
nada têm a ver com as tradicionalmente aí desenvolvidas. Algumas delas possuem
ainda evidente base agrícola, como é o caso da floricultura, da criação de aves
exóticas, da horticultura, etc. Porém, outras quase nada têm de base agrícola, como
é o caso dos pesque-pagues, do turismo rural dos condomínios de alto padrão.
Utilizou-se o termo “novo” entre aspas porque nem todas estas atividades são tão
novas assim. Na verdade, sempre existiu a produção de flores e plantas
ornamentais, de hortaliças, de cogumelos, etc. Entretanto, as atividades foram
praticamente recriadas a partir de demandas diferenciadas de nichos ou da
diferenciação dos mercados tradicionais dessas mesmas atividades.
Nessa temática, Rodrigues (2001, p.09) também se refere a essas práticas, esse novo
dinamismo rotulado como “novo rural” “[...] por conta de atividades introduzidas, às vezes
desvinculadas da produção agrária, entre as quais se destacam o turismo e o lazer”.
3.4 Planejamento e gestão do turismo
O turismo vem despontando como uma das atividades que mais se destaca no
mercado global, gerando diversas mudanças na economia e na sociedade, porém, por ser uma
atividade relativamente nova do ponto de vista da pesquisa acadêmica, possui um campo de
estudo muito amplo, principalmente no que se refere às questões relacionadas ao
planejamento dos espaços para o seu desenvolvimento.
73
A questão atinente ao planejamento para o turismo, ou planejamento turístico,
apresenta-se incipiente em muitos municípios onde há um potencial para o turismo ou que já
estão direcionados para a atividade. Pensa-se em planejamento muito depois da atividade
turística se consolidar e, o que ocorre em alguns casos, em função de remediar uma situação
crítica, um gerenciamento inadequado, o que pode gerar resultados indesejáveis pelas ações
tardias no processo de gestão do turismo em uma localidade.
Pode-se verificar que a própria OMT tem essa percepção em relação ao
Planejamento para o turismo, conforme segue: “Muitas autoridades locais, no entanto, ainda
não possuem grande experiência no planejamento, desenvolvimento e gerenciamento do
turismo. Em conseqüência disso, seus esforços no turismo podem acabar mal direcionados,
perdendo, assim, valiosos recursos”. (OMT, 2003, p.9). Destarte, discutir a importância do
planejamento para o pleno desenvolvimento do turismo nas localidades torna-se
imprescindível para este trabalho, pois com os resultados obtidos, pode-se buscar subsídios,
para que, no futuro, o planejamento, desenvolvimento e gerenciamento do turismo tenham
parâmetros baseados em estudos científicos e, não, no simples amadorismo.
Como afirma Ruschmann (2001, p. 83), o planejamento turístico “é uma atividade
que envolve a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar os objetivos
propostos. Ele tem por objetivo o aprovisionamento de facilidades e serviços para que uma
comunidade atenda seus desejos e necessidades”. Ou seja, é fonte propulsora que
estabelecerá como atingir o ápice dos objetivos estabelecidos.
No entanto podemos observar que vários autores discutem a questão do
planejamento, e se faz necessário uma abordagem para que possamos ter uma visão sobre
esse tema. Como salienta Barretto (1991, p. 14), “O Planejamento requer compreensão dos
problemas e distribuição harmônica das especialidades; requer CONHECIMENTO”.
Conforme propõe a autora, o conhecimento é de notória importância no processo do
planejamento, trazendo subsídios para ações que envolvam todos os segmentos relacionados
ao turismo em uma localidade.
Uma visão muito relevante sobre o processo do planejamento para o turismo é
abordada por Beni (2000 p. 165):
Em suma, o processo de planejamento em turismo apresenta as seguintes etapas:
determinação dos objetivos; inventário de todos os recursos turísticos naturais e
culturais, com destaque para seus respectivos diferenciais; análise e síntese da
situação encontrada; formulação da política e do plano de turismo e também de
recomendações de viabilidade; e implementação e controle de gestão do processo
total. O planejamento do turismo, além de ser um sistema integrado, exige também
planos de longo prazo e projetos estratégicos.
74
O autor ressalta a importância dos diversos passos que devem ser seguidos no
processo do planejamento, e, principalmente, a relação de integração entre as partes
envolvidas no sistema que compõe o turismo. É importante pautar que planos, a médio e
longo prazo, fazem parte de qualquer planejamento e as ações em curto prazo são necessárias
a fim de estabelecer os direcionamentos a serem tomados a priori. Ou seja, o planejamento é
composto por planos de curto, médio e longo prazo. Contudo, esses planos devem ser
flexíveis a ponto de poderem direcionar novas estratégias conforme, os resultados que se
apresentam durante o seu controle e avaliação.
Ainda no Planejamento é necessário conhecer o de ciclo de vida da destinação
turística, a fim de determinar em que estágio se encontra o desenvolvimento do turismo em
uma localidade, para isso Butler, em 1980, propõe o conceito com base no ciclo de vida dos
produtos, muito utilizado no Marketing. A utilização dele serve como instrumento de extrema
importância no sentido de direcionar ações para o desenvolvimento da atividade (Ruschmann,
2001; OMT, 2003). Podemos verificar as fases do ciclo de vida das destinações proposto por
Butler e que já é muito utilizada por diversos pesquisadores (conforme figura 27):
Fig. 27: Ciclo de vida das destinações turísticas
Fonte: Butler 1980 apud Ruschmann 2001.
75
Em estudos sobre planejamento turístico, Boullón (2002, p. 72) faz uma inferência
especificamente sobre o planejamento físico que é bastante salutar:
Seu campo de ação é toda a superfície da terra, seu objetivo é a organização do
espaço e sua função é a de aperfeiçoar o uso atual, procurando fazer com que não
entre em crise pelo esgotamento prematuro dos recursos não-renováveis e pela
exploração irracional dos renováveis. Em outro plano de ação, deve determinar a
potencialidade de adaptação do solo, mediante a medição de sua capacidade de
absorver a expansão do solo, mediante a medição de sua capacidade de absorver a
expansão dos sistemas produtivos atuais, provocada pela multiplicação de
necessidades criadas pelo mundo moderno.
De outro modo, podemos ressaltar que o planejamento é indissociável dos usos
relativos do espaço para o turismo, visto que, este (o turismo) depende intrinsecamente do
espaço físico para seu pleno desenvolvimento, ou seja, sem um planejamento adequado do
espaço, a atividade poderá ser ao longo do tempo, insustentável, em função de diversos
fatores associados à ação antrópica.
As questões inerentes ao planejamento, desenvolvimento do turismo e suas
dificuldades também são abordadas por Ruschmann (2001.p.33):
Uma das principais dificuldades para a implantação de um projeto global de
desenvolvimento turístico em localidades receptoras é a total ausência do
encadeamento e da gestão local da atividade, que permita a ação dos agentes de
turismo, públicos e privados, que faça prevalecer a noção de empresa, extensiva a
toda localidade. Isto é, a localidade passa a ser o produto posto no mercado, sem
considerar seus recursos e equipamentos de forma isolada.
Na gestão do turismo, o planejamento é a chave-mestra, para que as ações possam
acontecer em um contexto favorável, que diminua ou, pelo menos, minimize impactos
negativos de ordem social, econômica e ambiental onde se insere. Silveira (1997 p.88) aborda
essa questão de maneira a promover um turismo mais adequado: “Cabe, portanto, discutir e
propor formas concretas de se promover um turismo ambientalmente sustentável,
economicamente viável e socialmente justo, tendo como suporte a dinâmica local e o
planejamento participativo”.
Ou seja, na acepção mais ampla, o planejamento do turismo deve abranger todas as
questões ora citadas, a fim de poder proporcionar aos atores envolvidos, uma efetiva capacidade
de gerar no futuro e nas mesmas proporções, atividades integradas e sustentáveis.
Nesse sentido, o planejamento e a gestão do turismo não podem ser vistos como uma
panacéia, e, sim, como o vetor para o efetivo desenvolvimento, estabelecendo relações em
torno da integração dos diversos atores, bem como os reflexos de suas ações. No dizer de
76
Petrocchi (1998, p.67): “o planejamento pretende ser o indutor do desenvolvimento do
turismo [...]”, ou seja, é a linha mestra que define os rumos e diretrizes a serem seguidos,
levando em conta a realidade do município, região ou localidade.
O Planejamento do Turismo pautado na sustentabilidade é uma necessidade a fim de
que possa suprir as necessidades econômicas, sociais e ambientais. Com isto a OMT também
sugere aos planejadores locais que se utilizem dos princípios do desenvolvimento sustentável,
no momento em que se pretende incorporar a visão do turismo mais responsável nas políticas
públicas adotadas. Pode-se observar esses princípios conforme o Quadro 1:
•
O Planejamento do turismo e seu desenvolvimento devem ser partes das estratégias do
desenvolvimento sustentável de uma região, estado ou nação. Esse planejamento deve
envolver a população local, o governo, as agências de turismo, etc. Para que consiga
os maiores lucros possíveis.
•
Agências, associações, grupos e indivíduos devem seguir princípios éticos que
respeitem a cultura e o meio ambiente da área, da economia e do modo tradicional de
vida, do comportamento da comunidade e dos princípios políticos.
•
O turismo deve ser planejado de maneira sustentável, levando em consideração a
proteção do meio ambiente.
•
O Turismo deve distinguir os lucros de forma eqüitativa entre, os promotores de
turismo e a população local.
•
É essencial ter boa informação, pesquisa e comunicação da natureza do turismo,
especialmente para os moradores do local, dando prioridade para um desenvolvimento
duradouro, que envolve a realização de uma análise contínua e um controle de
qualidade sobre os efeitos do turismo.
•
A população deve se envolver no planejamento e no desenvolvimento dos planos
locais junto com o governo, os empresários e outros interessados.
•
Ao iniciar um projeto, há necessidade de realizar análise integrada do meio ambiente,
da sociedade e da economia, dando enfoques distintos aos diferentes tipos de turismo.
•
Os planos de desenvolvimento do turismo devem permitir à população local que se
beneficie deles ou que possa explicar as mudanças que se produzem na situação
inicial.
Quadro 1: Princípios do desenvolvimento sustentável apud Introdução ao Turismo - OMT (2001, p. 247)
77
O planejamento e a gestão do turismo de forma integrada vêm apresentando diversos
cases de sucesso, que poderão servir de exemplo a outras localidades, logicamente com as
devidas adaptações a sua realidade. No Brasil é possível conhecer essas experiências mediante
algumas publicações científicas como a revista Visão e Ação (Univali), Turismo em Análise
(USP), entre outras, bem como os Encontros, Congressos e Fóruns que estão buscando trocar
experiências entre estudiosos e pesquisadores de diversas áreas que compõem o Turismo,
entre eles pode-se destacar o ENTBL – Encontro Nacional de Turismo com Base Local que já
está indo para sua 9ª. edição em 2005 e o I Fórum de Turismo pela Paz e desenvolvimento
sustentável, que teve a sua primeira edição no Brasil em 2004, bem como a sua 2ª. Edição
acontecerá ainda no Brasil e a partir da 3ª. estará sendo sediada em outros países, além de
outros seminários e encontros que estão buscando trazer as experiências para discussão.
A OMT em sua publicação Sustainable Development of Tourism – A compilation of
Good Practices (2000), traz as melhores práticas em nível mundial da gestão do turismo,
baseadas nas premissas da sustentabilidade. Pode-se observar nessa publicação, a diversidade
relativa à forma de gestão, mas que está trazendo resultados positivos nas localidades, bem
como aos atores sociais envolvidos, nos diversos aspectos inerentes às questões econômicas,
sociais e ambientais. Nesse sentido, pode-se citar o Projeto “Município Verde”: Implantación
de sistemas de gestión medioambiental para municípios turísticos (WTO 2000, p. 171).
Desenvolvido na Espanha, desde 1998, em 6 municípios piloto na primeira fase: Adeje,
Almagro, Ciudadella, Chiclana, Jaca e Salamanca e na segunda fase em Mondoñedo, Luarca,
Potes, Ezcaray, Estella, Rosas, Alcalá de Henares, Cárceres, Torrevieja, Lorca. O projeto se
considera sustentável no sentido em que se justifica:
•
Desde el punto de vista ambiental es lógica su sostenibilidad pues lo que pretende es
el establecimiento de sistemas de gestión medioambiental em municípios turísticos.
•
Desde el punto de vista cultural también creemos que trata de proyecto sostenible por
cuanto se pretende que haya uma implicación de lasociedad y que se imbuya de la
cultura medioambiental.
•
Desde el punto de vista econômico entendemos que está teniendo su importância por
cuanto se están planteando inversiones em aspectos medioambientales que, de outra
forma, podrían no haberse producido.
Além disso, o projeto demonstra que o papel das administrações locais a gestão do
meio ambiente e a parceria além da responsabilidade destas administrações. Outros projetos
78
que também se destacam são: Lê pays dês Baronnies: um exemple de la politique dês pays
touristiques (FRANÇA), CSER-KÉK: Rural hosting system in the Cserehát region
(HUNGRIA), entre outros.
No Brasil pode-se destacar as ações tomadas pelo município de Brotas, no Estado de
São Paulo, que vem apresentando resultados efetivos para a economia local, para o poder
público e para o turismo, elaborando em conjunto, com o COMTUR e a Embratur, 13
Deliberações Normativas para atividade. Além disso, a regulamentação de uma atividade
ecoturística em Brotas abrange os seguintes assuntos (SALVATI, 2004): do atendimento;
divulgação e informação ao Turista/Consumidor; das empresas prestadoras de serviços
turísticos receptivos; da infra-estrutura de apoio e serviços; procedimentos de segurança; das
obrigações das Empresas Turísticas; dos equipamentos individuais e coletivos; dos instrutores
e monitores; dos impactos e Restrições; compromisso Ambiental; dos prazos, da fiscalização
e das sanções administrativas.
De acordo com as proposições, pretende-se com as regulamentações, como
instrumentos legais garantir (SALVATI 2004, p. 37):
•
A preservação de ecossistemas frágeis;
•
A conservação dos recursos naturais, históricos e culturais; e
•
A melhoria na qualidade de vida das comunidades e população de entorno.
E como processo para a comunidade estimula:
•
O exercício da cidadania;
•
A conscientização ambiental;
•
A promoção da igualdade social;
•
A identificação dos objetivos;
•
O processo contínuo de aprendizado;
•
O favorecimento dos relacionamentos;
•
A responsabilidade compartilhada.
O Município de Brotas serve de exemplo para diversos municípios e vem
desenvolvendo uma política de planejamento pautada na participação comunitária e isso é de
extrema importância. No entanto, em diversos congressos, inclusive nos citados
anteriormente, outros municípios vêm buscando traçar estratégias e diretrizes para o
Planejamento, a fim de estruturar um desenvolvimento mais responsável da atividade
turística.
79
Contudo, na visão de Butler (2002, p.101) temos que:
[...] a integração do desenvolvimento do turismo não seja concluída em muitas
comunidades, assim como a conquista da sustentação é mais um objetivo do que
uma realidade, na maioria das situações. Entretanto, é provável que tentativas
sinceras de integração que incluam o envolvimento das comunidades locais sejam
mais bem recebidas do que o desenvolvimento para o qual não são feitos esforços
no sentido de se chegar a compatibilidade, se não simbiose, com os sistemas locais,
ecológicos, econômicos e sociais. Ainda nos locais onde a sustentação não é um
tema, um desenvolvimento que faz parte de uma comunidade geralmente tem mais
um sucesso do que o desenvolvimento que é feito separadamente da comunidade.
Em concordância com Magalhães (2000, p.145), em que a autora se refere que
ao se propor o desenvolvimento responsável do turismo, ou seja, no sentido de indicar as
possibilidades deste desenvolvimento ser viável nos princípios que regem a sustentabilidade
da atividade, recomenda-se a resposta a nove questões de extrema importância, as quais
expõem neste contexto:
1. A região apresenta potencialidade para o turismo?
2. Qual é a importância do turismo para a economia da região?
3. A comunidade tem noção do que seja a atividade turística?
4. A população aceita o desenvolvimento do turismo no município?
5. Existe mão-de-obra?
6. É possível treinar essa mão-de-obra?
7. Os investimentos necessários para melhorar a infra-estrutura turística se
justificam em detrimento de outros?
8. O desenvolvimento do turismo no município pode competir com os municípios
que apresentam os mesmo atributos
9. O município tem condições de promover medidas de proteção dos seus
potenciais natural, histórico e cultural?
A partir disso, vemos a necessidade do planejamento e a gestão do turismo pautada
em ações que busquem, apesar das dificuldades, uma integração entre as partes envolvidas no
processo.
80
4 METODOLOGIA
Em função dos objetivos propostos para a pesquisa, o estudo desenvolvido em Santa
Cruz do Timbó e São Pedro do Timbó, procurou investigar o atual desenvolvimento do
turismo, levando-se em consideração a visão dos atores sociais envolvidos nesse processo:
poder público municipal, sociedade civil organizada, iniciativa privada, bem como, membros
da comunidade.
Essa visão pôde ser verificada por meio das entrevistas, cujas questões foram baseadas
nos princípios da sustentabilidade, propostas pela OMT, nas dimensões sociais, culturais
econômicas e ecológica/ambientais, além de outras questões que permitiram visualizar o
desenvolvimento do turismo, fornecendo instrumentos e subsídios para um Planejamento do
Turismo na região.
No processo de investigação, essa pesquisa foi considerada empírica, visto que,
“explora, descreve, explica e formula predições sobre os acontecimentos do mundo que nos
cerca. Suas proposições serão confrontadas com os fatos e só terão validade se verificadas
experimentalmente” (DENCKER, 2002 p.49-50).
A pesquisa empírica, nesse caso, teve uma abordagem quantitativa, no sentido em
que as respostas dadas às perguntas, de caráter “fechadas”, foram quantificadas
estatisticamente. E qualitativa, quando procuramos a compreensão e observação das
atividades e o desenvolvimento do turismo, por meio da visão dos atores sociais envolvidos
nele. Assim, pelo contato direto com os pesquisados, a observação participante foi necessária,
a fim de compreender os fenômenos ocorridos durante a pesquisa.
Além disso, adotou-se o método de estudo de caso, podendo ser caracterizado, por sua
utilização, quando “[...] o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos e quando o foco se
encontra em fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real”. (YIN,
2001, p. 19). E ainda, conforme Dencker (1998, p. 127), o estudo de caso “[...] é o estudo
profundo exaustivo de determinados objetos ou situações. Permite o conhecimento em
profundidade dos processos e relações sociais”.
Ressalta-se que a utilização do estudo de caso se fez pertinente, visto que o turismo na
região escolhida é um fenômeno em ascensão e, necessariamente, a pesquisadora não possui
nenhum controle sobre os fatos gerados por esse fenômeno, portanto esse método pôde
contribuir para com o conhecimento dos processos que permearam a pesquisa.
81
Conforme figura 28, demonstra-se o fluxograma do processo de desenvolvimento
utilizado nesta dissertação:
Levantamento
dos atores
Elaboração
das Entrevistas
Revisão
Bibliográfica/
Pré-teste
Reformulação
Fundamentação
Teórica
Aplicação
Tabulação e
Análise
Resultados
Elaboração do Relatório
Final
Figura 28: Fluxograma do processo de desenvolvimento da metodologia para a construção da dissertação.
82
4.1 População e amostragem
A população é composta por atores sociais envolvidos com o turismo na área objeto
de estudo, que foram identificados e caracterizados para amostra, conforme a ação deles no
processo atual do desenvolvimento turístico local.
O critério seguido foi o da amostragem não-probalística, ou seja, “aquela em que os
elementos serão determinados ou escolhidos de acordo com a conveniência do pesquisador”,
ou ainda, “aquela na qual é selecionada a que se acredita ser a melhor amostra para o estudo
de um determinado problema”. (DENCKER, 1998, p.179).
Conforme Gil (2002, p.145), as amostras não-probabilisticas são: “selecionadas pelo
critério de intencionalidade. Uma amostra intencional, em que os indivíduos são selecionados
com base em certas características tidas como relevantes pelos pesquisadores”.
Para
compor
a
amostra,
primeiramente,
foram
selecionados
elementos
representativos dos segmentos sociais citados anteriormente, residentes tanto na área urbana
como na rural dos municípios de Porto União/SC e União da Vitória/PR, sendo eles:
Sociedade civil organizada: o Sindicato Rural de Porto União, Coordenação do
Curso de Turismo da FACE, Organização não-governamental Instituto Eco-Iguaçu, Comitê
da Bacia Hidrográfica do Rio Timbó, EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e
Extensão Rural de Santa Catarina), que é uma sociedade de economia mista vinculada à
Secretaria de Estado da Agricultura e Política Rural de Santa Catarina, composto por 7
entrevistados.
Poder público: a amostra foi composta por membros ligados diretamente à
Prefeitura Municipal de Porto União, na área de administração geral, como: Prefeito e VicePrefeito, Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo, Secretaria de Cultura e Secretaria de
Planejamento, CONTUR – Conselho de Turismo e Meio Ambiente de Porto União, Secretaria
de Cultura e Turismo de União da Vitória, IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis), Secretaria de Lazer do Estado de Santa Catarina –
Canoinhas/SC, composto por 10 entrevistados.
Iniciativa privada: foram selecionados empreendedores locais dos segmentos
relativos a lazer, hospedagem e alimentação (4 entrevistados). Bem como, indivíduos da
comunidade local, no distrito de Santa Cruz do Timbó e São Pedro do Timbó, elegidos
aleatoriamente e por residirem próximo aos empreendimentos turísticos, bem como, próximo
às margens do Rio Timbó, totalizando 32 pessoas.
83
4.2 Técnicas de pesquisa e instrumentos para coleta de dados
Com relação à coleta de dados, considerou-se a mais apropriada para o caso, a
entrevista estruturada, com perguntas abertas e fechadas, sendo a entrevista estruturada
considerada adequada para os levantamentos sociais (GIL, 1999).
A entrevista realizada junto aos atores sociais envolvidos (poder público, sociedade
civil organizada, iniciativa privada e comunidade local) torna-se aplicável visto que, esse tipo
de coleta de dados segue uma seqüência invariável para todos os entrevistados, possibilitando
utilizar perguntas abertas e fechadas, que podem variar em maior ou menor grau a estrutura da
pergunta com a finalidade de obter resultados mais próximos da realidade focada pela
pesquisa. (GIL, 1999). Complementamos ainda que a última pergunta do formulário de
pesquisa se aplica somente aos proprietários de empreendimentos turísticos, ou seja, iniciativa
privada. (Apêndice A).
A utilização de perguntas abertas permite ao entrevistado expressar atitudes e opiniões
que auxiliam na interpretação das respostas das perguntas fechadas, pois a tendenciosidade
nas respostas pode ser muito menor, fornecendo informações de extremo valor para a
pesquisa, sendo as perguntas abertas extremamente úteis para a pesquisa exploratória.
(MALHOTRA, 2001).
A utilização de perguntas fechadas e de múltipla escolha se fez necessária, visto que,
alguns tópicos poderiam não ser levantados em uma pesquisa com perguntas abertas somente,
ocasionando lacunas que poderiam interferir na análise de resultados. Em função dos
objetivos da pesquisa, esse tipo de questão “apresenta-se ao respondente um conjunto de
alternativas de respostas, que seja escolhida a que melhor representa a sua situação ou ponto
de vista”. (GIL, 1999 p. 91)
As respostas às perguntas abertas foram examinadas pela metodologia de análise de
conteúdo, que emprega categorias, que consiste em “isolar temas de um texto e extrair as
partes utilizáveis, de acordo com o problema pesquisado [...]” (RICHARDSON, 1999, p.
243). No que tange às perguntas fechadas, utilizou-se o tratamento estatístico dos dados.
Ressaltamos que para a construção do instrumento de coleta de dados (Roteiro de entrevista –
Apêndice A) ora utilizado, baseou-se em NASCIMENTO (2004), cujo instrumento utilizado
em sua pesquisa se fez pertinente para o caso, visto a similaridade como foram abordados os
elementos-chave da pesquisa, ou seja, elementos passíveis de avaliação, inerentes aos
aspectos afetos à sustentabilidade do turismo, nas dimensões econômica, social, cultural e
84
ecológico/ambiental. O instrumento de coleta de dados, porém foi adaptado conforme os
objetivos propostos para esta pesquisa, mediante uso de pré-testes.
A realização de pré-testes ocorreu com elementos de perfis próximos aos dos atores
sociais selecionados para a entrevista oficial, com a finalidade de comprovar a eficácia do
instrumento e sanar falhas que porventura tivessem ocorrido durante sua elaboração.
Considera-se mediante esses pré-testes e do aprofundamento teórico sobre metodologia da
pesquisa, realizaram-se as correções necessárias para que o instrumento pudesse trazer um
arcabouço de informações necessárias para a pesquisa. 54
Ressaltando que: “O pré-teste não visa captar qualquer dos aspectos que constituem
os objetivos do levantamento. Não podem trazer nenhum resultado referente a esses objetivos.
Ele está centrado na avaliação dos instrumentos enquanto tais, visando garantir que meçam
exatamente o que pretendem medir”. (GIL, 2002, p.119). Ou seja, para qualquer instrumento
de coleta de dados, o pré-teste assume grande importância, pois nos garante que o instrumento
será adequado para aquilo que foi definido, sem perda de tempo para o entrevistado e para o
entrevistador. Em nosso estudo, salientamos que o pré-teste foi de extrema importância, visto
que num primeiro momento as perguntas não atingiriam toda a gama de informações
necessárias aos objetivos de pesquisa e, somente com a utilização do pré-teste, pôde-se
observar as necessidades inerentes ao instrumento de coleta de dados.
Utilizou-se o gravador de áudio (quando permitido) como instrumento de técnica de
pesquisa,
55
para que as respostas fossem tabuladas fidedignamente, bem como, houve a
utilização do diário de campo para anotações relevantes e o roteiro de observação quando em
pesquisa de campo na localidade (Apêndice B). Os resultados da entrevista foram tabulados,
tão logo que foi aplicada, observando que quando da não utilização do equipamento de áudio,
procurou-se descrever, com a maior clareza e precisão possível, as idéias expressas pelos
entrevistados, utilizando-se de todo o discurso, para que tivéssemos dados representativos
relativos às respostas. Foi solicitado aos entrevistados, na ocasião da entrevista, que
assinassem o termo de consentimento para pesquisa, observando que não houve rejeição por
parte de nenhum entrevistado em assinar o referido termo (anexo 2).
As entrevistas foram aplicadas no mês de fevereiro de 2004, em função do mês de
janeiro ser um mês de férias e alguns atores a serem pesquisados não terem a disponibilidade
para responder a entrevista. Parte das entrevistas foi aplicada também durante o mês de março
54
Foi realizado um pré-teste com todos os elementos selecionados e, posteriormente, um novo pré-teste para
compor o instrumento de coleta.
55
Foram gravadas apenas as entrevistas com permissão do entrevistado.
85
e abril de 2004, visto que, após o feriado de carnaval, as cidades de Porto União e União da
Vitória sofreram uma tragédia de grande monta, sendo decretada nos Municípios, a “situação
de calamidade pública”, em decorrência de uma “chuva de granizo”, necessitando o auxilio
do governo estadual e federal. As entrevistas foram realizadas de acordo com a
disponibilidade dos entrevistados, sendo marcadas antecipadamente, por contato telefônico ou
por e-mail, considerando que algumas vezes eram desmarcadas em função dos compromissos,
ou mesmo pelo fato citado anteriormente.
4.3 Processamento e análise dos dados
As tabulações para as perguntas fechadas foram realizadas por meio do programa
Windows Excel. As perguntas abertas seguiram o padrão estabelecido de categorias, em
função das dimensões apontadas, nas quais foi efetuada uma análise mais sucinta e pertinente
aos objetivos da pesquisa. Ou seja,
O pesquisador deve construir as categorias a partir das respostas dadas, formando
grupos em função de alguma similaridade entre as respostas, sempre visando
responder aos objetivos da pesquisa. [...] as respostas abertas agrupadas em
categorias de modo a permitir sua reunião em grupos significativos que possam ser
analisados inclusive de forma quantitativa. (DENCKER, 1998. p.161).
As categorias de análise relativas às perguntas abertas, seguiram o padrão, de acordo
com a similaridade das respostas em função do conteúdo delas. Buscou-se agrupar as
respostas que apresentassem a maior semelhança possível e foram utilizadas diversas
categorias quanto fossem necessárias, para uma maior visualização e interpretação dos
resultados. As análises levaram em consideração as dimensões do paradigma da
sustentabilidade.
86
5 RESULTADOS
5.1 Poder público
Para uma interpretação mais concisa do fenômeno do turismo, na região do objeto de
pesquisa foi necessário verificar a visão dos atores sociais envolvidos no processo,
principalmente no que tange aos benefícios que o turismo está trazendo para a região, bem
como, os malefícios por ele causados, na busca de compreender esse processo por meio das
dimensões de sustentabilidade relacionadas às questões sociais, culturais, econômicas e
ambientais, conforme tabelas 1 e 2:
TABELA 1: Opinião do Poder Público em relação aos benefícios do turismo na região
Qual a sua opinião sobre os aspectos positivos (benefícios) do turismo, hoje, em Santa
Cruz do Timbó nas respectivas áreas:
Integral Mediano Insignificante Nr
a) Social
1) Redução das saídas de pessoas da
comunidade para a cidade para tentar uma vida
20%
70%
10%
melhor
2) Melhora a qualidade de vida da população
20%
60%
10%
10%
residente do município
3) Valoriza a mão-de-obra local nas atividades
40%
30%
20%
10%
turísticas
Integral Mediano Insignificante Nr
b) Econômica
1) Alternativa de trabalho e renda para a
20%
60%
20%
população local
2) Aumenta as vendas no comércio da cidade
30%
50%
3) Estimula a Capacidade local de desenvolver
empreendimentos turísticos
20%
70%
c) Cultural
10%
10%
10%
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Valoriza o artesanato, a gastronomia, as
danças típicas da região, entre outros.
20%
30%
40%
10%
2) Mantém e reforça a identidade étnica da
comunidade residente
10%
30%
50%
10%
3) Preserva o patrimônio histórico-cultural
(arquitetura, monumentos etc.).
0%
40%
50%
10%
Integral Mediano Insignificante
d) Ecológico/ Ambiental
1) Respeita o ambiente natural de Santa Cruz do
0%
70%
30%
Timbó
2) Proporciona a manutenção dos recursos e a
diversidade biológica - inclusive com relação ao
30%
30%
40%
Rio Timbó
3) Conscientiza os indivíduos sobre a
30%
50%
20%
importância da educação ambiental
10
Número de Entrevistados:
Nota: A legenda NR significa porcentagem de não respondida.
Nr
0%
0%
0%
87
Com relação aos aspectos negativos ou malefícios, temos o seguinte resultado,
conforme tabela abaixo:
TABELA 2: Opinião do Poder Público em relação aos malefícios do turismo na região
Qual a sua opinião sobre os aspectos negativos (malefícios) do turismo, hoje, em Santa
Cruz do Timbó nas respectivas áreas:
a) Social
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Aumento da marginalidade e da
0%
10%
90%
0%
prostituição na localidade
2) Elevado consumo de bebidas alcoólicas e
0%
0%
100%
0%
drogas estimuladas pelos turistas
3) Conflitos entre moradores e turistas
b) Econômica
1) Aumento de preços nos estabelecimentos
comerciais do município
2) Escassez de produtos no comércio local
3) Baixa remuneração percebida
atividades turísticas desenvolvidas
c) Cultural
pelas
1) Desvalorização da cultura local (festas
populares, comidas e danças típicas).
2)
Depredação
dos
bens
públicos
(monumentos históricos, esculturas, prédios,
etc.).
3) Aculturação da população local (perda da
identidade)
d) Ecológico/ Ambiental
1) Descaso com ambiente natural (esgoto a
céu aberto, lixo nas ruas e estradas, poluição
do rio).
0%
0%
100%
0%
Integral Mediano Insignificante Nr
0%
20%
70%
10%
0%
0%
90%
10%
10%
20%
60%
10%
Integral Mediano Insignificante Nr
0%
20%
70%
10%
0%
10%
80%
10%
0%
10%
80%
10%
Integral Mediano Insignificante Nr
10%
60%
30%
0%
2) Descaracterização da paisagem natural
junto às margens do rio e estradas
10%
60%
30%
0%
3) Escassez de peixes e assoreamento do rio
20%
30%
50%
0%
Número de Entrevistados:
Nota: A legenda NR significa porcentagem de não respondida.
10
88
5.1.1 Dimensão social da sustentabilidade do turismo
Analisando os resultados obtidos junto aos membros do Poder Público, em relação à
dimensão social da sustentabilidade, pôde-se observar, entre a maioria dos respondentes, a
aceitação dos seus benefícios sociais e impactos medianos. Em outros termos, a redução do
deslocamento de pessoas do interior para a cidade e a melhora na qualidade de vida ficou
entre 70% e 60%, respectivamente. Por outro lado, a valorização da mão-de-obra está em
30%, algo não tão expressivo ainda, apesar de apontarem que a mão-de-obra é indireta. Ou
melhor, “muitos produtos são comprados diretamente das pessoas que moram próximo às
pousadas, como biscoitos, queijos, geléias, além do pessoal que é contratado somente em
períodos de temporada, para limpar os lambaris” (relato de um dos respondentes). Em
contrapartida, a respeito dos malefícios, os respondentes são unânimes em afirmar que não
percebem, no momento, nada que possa afetar a questão social, visto que nas respostas
relativas à prostituição, marginalidade, bebidas alcoólicas e confusões entre moradores e
turistas, apresenta-se em 90%, 100% e 100% respectivamente. Em suma, na visão do poder
público, pode-se dizer que os benefícios sociais do turismo estão caminhando para um quadro
ascendente e, por enquanto, não há malefícios significativos.
5.1.2 Dimensão econômica da sustentabilidade do turismo
Nessa dimensão, visualiza-se que os benefícios do turismo, na visão do poder público
encontram-se em estágio mediano, ou seja, a alternativa de trabalho, o aumento nas vendas e
o estímulo à abertura de novos empreendimentos apresentam respectivamente 60%, 50% e
70%. Deve ser destacado o último item relativo ao surgimento de novos empreendimentos,
cujo resultado apresentado é da ordem de 70%, e revela um índice muito positivo, pois a
população começa a pensar em novas formas de empreendimento a partir das atividades
turísticas. Mas em relação aos malefícios, como o aumento de preços, a escassez de produtos
e desvalorização da mão-de-obra local, apresentou um resultado de 70%, 90% e 60%
respectivamente, de respostas com a opção “insignificante”, ou seja, não se observa um
impacto negativo em relação à dimensão econômica no momento.
89
5.1.3 Dimensão cultural da sustentabilidade do turismo
Em relação à dimensão cultural, tem-se uma proximidade muito grande em relação aos
aspectos mediano e insignificante, pois a valorização do artesanato, gastronomia e outros
aparecem no índice de 30% na opção mediano e 40% na opção insignificante. Na questão
relativa ao reforço da identidade étnica da comunidade, apresenta-se 30% mediano e 50%
insignificante. Quanto à preservação do patrimônio histórico-cultural, apresenta-se 40%
mediano e 50% insignificante. Isto faz refletir que as opiniões estão bastante divididas e
analisando por outro ângulo, percebe-se que em nenhuma das questões a opção integral se
mostrou significativa, revelando a partir disto, que a dimensão cultural ainda se apresenta
como um fator a ser analisado, pois o potencial para esta dimensão a partir da visão da autora
deverá ser incentivado no sentido de não perder a sua real importância dentro do contexto de
sustentabilidade.
Já nos aspectos relativos aos malefícios, a pesquisa demonstra um percentual bastante
elevado na opção insignificante, nos seguintes itens: desvalorização da cultura local – 70%,
depredação dos bens públicos – 80% e aculturação (perda da identidade) - 80%. Percebe-se,
assim, que grande parte dos respondentes acredita que o turismo não está afetando os aspectos
culturais da população local a princípio.
5.1.4 Dimensão ecológica/ambiental da sustentabilidade do turismo
Nessa dimensão, no aspecto benefícios, as respostas se mostram bem divididas, ou
seja, 70% acreditam que o turismo esta trazendo medianamente um maior respeito ao
ambiente natural. Por outro lado, em relação à manutenção dos recursos e da diversidade
biológica, apresentou-se um índice de 40% de respostas com a opção insignificante, e 50%
acreditam que há a conscientização mediana dos indivíduos (no geral) em relação à educação
ambiental. Lembrando que as demais respostas estão bem equilibradas nas outras opções. No
entanto, com relação aos malefícios, pode-se verificar a paridade nas respostas, apresentandse mediana em maior grau, como na questão relativa ao descaso com o ambiente natural
(esgoto, lixo, poluição do rio) – 60%. O mesmo índice de respostas verifica-se na questão da
descaracterização da paisagem natural junto às margens do rio e estradas, mas com relação a
assoreamento do rio e escassez de peixes o índice ficou em 50%.
90
5.1.5 Visão relativa aos aspectos gerais
Refletindo a partir dessa ótica, percebeu-se que nas questões propostas aos
respondentes nesse segmento não houve uma efetiva concordância da integralidade, tanto
nos aspectos benéficos ou maléficos, ou mesmo, positivos e negativos da sustentabilidade do
turismo nas dimensões pesquisadas. Partindo da análise de conteúdo das demais questões
propostas na entrevista, percebe-se que o Poder Público efetivamente acredita que o maior
produto turístico da região é a pesca do lambari, ou seja, o turismo de pesca, juntamente com
o ecoturismo por apresentar espaços propícios para esse tipo de turismo e, poderá ser, no
futuro, se bem trabalhado, o turismo histórico cultural, em virtude da própria história da
Guerra do Contestado e das diversas etnias que residem no município e que ainda conservam
suas tradições.
Por outro lado, com relação ao desenvolvimento do turismo na região, acredita-se que
as maiores dificuldades estão ligadas à falta de planejamento efetivo, mão-de-obra
especializada, falta de conhecimento com relação ao turismo por parte dos envolvidos e
escassez de recursos para maiores investimentos e incentivos. Apontam-se também fatores
relativos à infra-estrutura da localidade e dos empreendimentos, à necessidade na melhora da
pavimentação, sinalização e atendimento ao público (turista).
A visão sobre o envolvimento dos diversos segmentos no processo de
desenvolvimento do turismo também foi importante no sentido que aponta o papel de cada um
deles. No segmento Poder Público têm-se as seguintes posições: 50% dos respondentes crêem
que o Poder Público Estadual poderia ser mais participativo com ações e projetos. O Poder
Público Municipal poderia ser mais participativo com ações – 50% e outros 50% afirmam que
é participativo com ações. Com relação à iniciativa privada, 40% acredita que poderia ser
mais participativo com ações; 50% na mesma resposta com relação à Comunidade local; e
Cursos de Turismo e 80% acredita que a ONG participa efetivamente com ações (Fig. 29).
A partir desse contexto verifica-se que na visão do Poder Público é necessáris uma
participação mais ativa de todos os segmentos envolvidos, com exceção da Ong, que
efetivamente busca parcerias a fim de proporcionar ações em relação ao turismo, a exemplo
do incentivo dado aos empreendedores por meio de alguns cursos em parceria com o SENAR,
CONTUR e Prefeitura Municipal e a ligação direta com as Secretaria de Lazer e
Desenvolvimento do Estado.
Destarte, o Poder Público pretende empenhar-se no sentido de firmar parcerias,
principalmente com os empreendedores e institutos de pesquisa, a fim de dinamizar o
91
processo do turismo, dando o apoio necessário ao desenvolvimento, apesar de reconhecer as
deficiências que o município apresenta ainda neste sesor principalmente com relação às
políticas públicas.
90%
1participativos
com ações
80%
80%
70%
60%
50%
50%
50% 50%
50%
30%
10%
10%
10% 10%
10%
10%
m
bó
)
rro
)
da
o
ris
m
do
3 - poderia ser
mais
participativo
com ações
4 - nenhum
envolvimento
so
s
de
Tu
Ba
ci
a
da
0%
R
Ti
R
io
de
ão
(C
om
ite
nG
e)
O
20%
10%
0% 0%
ba
i
ad
a
pr
iv
lo
ca
l
un
id
ad
e
om
d)
C
20%
0%
a
In
ic
i
c)
od
er
b)
P
20%
10%
(a
ss
oc
ia
ç
o
pú
bl
ic
pú
bl
ic
at
iv
es
ta
du
al
o
0% 0%0%
m
un
ic
ip
al
0%
0%
od
er
20%
eg
iã
o
20% 20%
20%
f)
C
ur
30%
a)
P
2 - participativo
sem ações
40%
40%
10%
50%
não
responderam
Figura 29: Visão do atores sociais do poder público com relação ao envolvimento dos diversos segmentos
no desenvolvimento do Turismo na região pesquisada.
Fonte: Entrevistas realizadas pela mestranda, de fevereiro a abril de 2004.
92
5.2 Sociedade civil organizada
Utilizaram-se dos mesmos parâmetros para análise deste segmento, contando com
membros representativos conforme segue: Sindicato Rural de Porto União, Coordenação do
Curso de Turismo da FACE, Instituto Eco-Iguaçu, Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio
Timbó, Jornal Correio do Norte, EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão
Rural de Santa Catarina) sociedade de economia mista vinculada à Secretaria de Estado da
Agricultura e Política Rural de Santa Catarina, totalizando sete entrevistados.
TABELA 3: Opinião da Sociedade Civil Organizada em relação aos benefícios do turismo na região
Qual a sua opinião sobre os aspectos positivos (benefícios) do turismo, hoje, em Santa
Cruz do Timbó nas respectivas áreas:
a) Social
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Redução das saídas de pessoas da
comunidade para a cidade para tentar uma vida
28,57%
28,57%
42,86%
melhor
2) Melhora a qualidade de vida da população
28,57%
57,14%
14,29%
residente do município
3) Valoriza a mão-de-obra local nas atividades
28,57%
57,14%
14,29%
turísticas
Integral Mediano Insignificante Nr
b) Econômica
1) Alternativa de trabalho e renda para a
28,57%
57,14%
14,29%
população local
2) Aumenta as vendas no comércio da cidade
71,43%
14,29%
14,29%
3) Estimula a capacidade local de desenvolver
empreendimentos turísticos
28,57%
71,43%
0%
c) Cultural
Integral
1) Valoriza o artesanato, a gastronomia, as
danças típicas da região, entre outros.
28,57%
28,57%
42,86%
2) Mantém e reforça a identidade étnica da
comunidade residente
14,29%
28,57%
57,14%
3) Preserva o patrimônio histórico-cultural
(arquitetura, monumentos etc.).
0%
57,14%
42,86%
d) Ecológico/ Ambiental
1) Respeita o meio ambiente natural de Santa
Cruz do Timbó
2) Proporciona a manutenção dos recursos e a
diversidade biológica - inclusive com relação ao
Rio Timbó
3) Conscientiza os indivíduos sobre a
importância da educação ambiental
Número de entrevistados:
Integral
Mediano Insignificante Nr
Mediano Insignificante Nr
14,29%
42,86%
42,86%
0%
42,86%
57,14%
28,57%
57,14%
14,29%
Nota: A legenda NR significa porcentagem de não respondida.
7
93
Abaixo segue tabela relativa à pergunta sobre os aspectos negativos ou malefícios
ocorridos em função do turismo:
TABELA 4: Opinião da Sociedade Civil Organizada em relação aos malefícios do turismo na região
Qual a sua opinião sobre os aspectos negativos (malefícios) do turismo hoje em Santa Cruz do
Timbó nas respectivas áreas:
a) Social
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Aumento da marginalidade e da prostituição
0%
0%
100%
na localidade
2) Elevado consumo de bebidas alcoólicas e
drogas estimuladas pelos turistas
0%
0%
100%
3) Conflitos entre moradores e turistas
0%
0%
100%
b) Econômica
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Aumento de preços nos estabelecimentos
comerciais do município
0%
0%
100%
2) Escassez de produtos no comércio local
0%
0%
100%
3) Baixa remuneração percebida pelas atividades
turísticas desenvolvidas
0%
28,57%
71,43%
c) Cultural
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Desvalorização da cultura local (festas
populares, comidas e danças típicas).
0%
0%
100%
2) Depredação dos bens públicos (monumentos
históricos, esculturas, prédios, etc.).
0%
28,57%
71,43%
0%
0%
100%
3) Aculturação da população local (perda da
identidade)
d) Ecológico/ Ambiental
1) Descaso com o meio ambiente natural (esgoto
a céu aberto, lixo nas ruas e estradas, poluição
do rio).
Integral Mediano Insignificante Nr
28,57%
57,14%
14,29%
2) Descaracterização da paisagem natural junto
às margens do rio e estradas
28,57%
42,86%
28,57%
3) Escassez de peixes e assoreamento do rio
14,29%
42,86%
42,86%
Número de entrevistados:
Nota: A legenda NR significa porcentagem de não respondida.
7
94
5.2.1 Dimensão social da sustentabilidade do turismo
Pode-se constatar que os atores sociais desse segmento envolvidos com o turismo
visualizam a dimensão social de forma positiva (mediana). Nas opções 2 e 3 apresenta-se um
índice de 57,14% e os demais, distribuídos na opção integral e insignificante, porém na opção
1 o índice mais relevante demonstra ser insignificante ainda a redução da saída de pessoas da
comunidade para outros centros. Analisando os aspectos negativos há unanimidade em
afirmar que o turismo não está interferindo ou não está trazendo nenhum problema especifico,
ou seja, todos concordam que a questão social não foi afetada com o advento do turismo.
5.2.2 Dimensão econômica da sustentabilidade do turismo
Com relação a essa dimensão, pode-se observar uma maior freqüência pelas opções
mediana a integral. Assim, enquanto há aumento de renda e trabalho, enquanto existe
estímulo à capacidade de desenvolver empreendimentos turísticos, apresenta-se em maior
porcentagem a opção mediana, e, em relação ao aumento de vendas no comércio, a opção
integral destacou-se. Pode-se assim considerar que o turismo na região pesquisada, na opinião
desses atores, está trazendo, a princípio, uma prosperidade econômica, pois conforme se
observa na fala de um dos atores: “As senhoras estão começando a perceber que seus cuques
(cucas), geléias e doces são apreciados pelos turistas que visitam as pousadas”. Em relação
aos aspectos negativos, considera-se, pelas das respostas obtidas, que praticamente todos os
entrevistados afirmam que não existe influência negativa, seja na questão relativa ao aumento
de preços, escassez de produtos e baixa remuneração percebida pelas atividades turísticas
desenvolvidas.
5.2.3 Dimensão cultural da sustentabilidade do turismo
Nessa dimensão, os elementos benéficos ao turismo são apontados resultados diversos,
predominando a opção insignificante, quando se refere à valorização do artesanato,
gastronomia, reforço da identidade étnica; e mediana quando se refere ao aspecto de
preservação do patrimônio, no sentido material. Em relação aos aspectos negativos, os atores
sociais desse segmento consideram também que os três aspectos relacionados à opção
insignificante a mais relevante. Neste sentido, pode-se concluir que a dimensão cultural ainda
95
não se apresentou para este segmento, nem positivamente e nem negativamente,
predominando as respostas com a opção insignificante.
5.2.4 Dimensão ecológica/ambiental da sustentabilidade do turismo
A dimensão ecológico-ambiental apresenta-se num patamar mediano, no que tange aos
aspectos positivos do turismo, ou seja, os benefícios, pois, nas três opções, percebe-se que a
porcentagem varia de 42,86%, 42,86% e 57,14%, respectivamente, para essa opção; no
entanto a porcentagem restante subdivide-se nas opções integral e insignificante. O mesmo
acontece em relação aos aspectos negativos, mudando-se somente a ordem percentual, de
acordo com as opções, que ficaram em 57,14%, 42,86% e 42,86% com a opção mediano, e
demais valores distribuídos na opção integral e insignificante. A partir disso, os resultados
proporcionam uma análise no sentido de que, tanto para os aspectos positivos, quanto para os
negativos há um equilíbrio, pois as respostas dadas demonstram que estes aspectos estão
sendo observados e sentidos por esse segmento, em função do turismo na região.
5.2.5 Visão relativa aos aspectos gerais
A partir das respostas dadas nas outras questões que compuseram a entrevista, buscouse entender como esse segmento está visualizando o desenvolvimento do turismo na região
pesquisada. Observou-se que a maioria dos respondentes, quando questionados sobre as
atividades turísticas realizadas, afirmaram ser o turismo de pesca e o ecoturismo os relevantes.
No entanto acreditam que a escassez de recursos financeiros, de infra-estrutura adequada, de
apoio do poder público e do marketing causam impactos negativos ao desenvolvimento
efetivo do turismo nessa região, no caso do Marketing, por mostrar locais que nem sempre o
acesso é adequado ao turista, principalmente no que tange as questões de acesso e segurança.
Ainda é apontada a questão da mão-de-obra qualificada e o atendimento nos serviços,
como algo a ser avaliado, pois a qualidade no atendimento ainda é muito “amadora”, além de
a própria infra-estrutura e opções de lazer não satisfazerem as necessidades dos visitantes.
Pode-se afirmar que em relação à participação de outros segmentos no processo de
desenvolvimento do turismo, grande parte dos entrevistados constata que poderia ser mais
participativo com ações, ou quando alguns segmentos são participativos, o que falta são as
ações. Este não é o caso da Ong, pois é notório seu envolvimento em ações e projetos em
várias frentes (fig. 30).
96
Esse segmento aponta, em termos ideais, possíveis ações que deveriam promover: a
conscientização da comunidade em função das questões positivas e negativas do Turismo
mediante cursos e palestras, a fim de dinamizar o processo de uma forma mais adequada.
Acredita-se também que o turismo tem tudo para se efetivar de forma positiva, apesar de
reconhecerem que ainda falta muita coisa a ser feita, e só com parcerias entre os diversos
segmentos o turismo poderá se consolidar. De modo geral, não entendem o turismo como um
fator de risco para a localidade.
Isso pode ser averiguado nos discursos acerca da imagem sempre positiva e
problemática sobre o desenvolvimento das atividades turísticas: “Temos tudo que Gramado e
Canela tem... até o clima, temos a paisagem, as etnias, até os caminhos parecidos com
Joinville, falta todos se empenharem para que aconteça aqui o turismo, como acontece lá”.
80%
1 - participativos com ações
70%
60%
50%
2 - participa-tivo
sem ações
40%
30%
20%
3 - poderia ser
mais participativo com
ações
10%
0%
a) Poder
público
estadual
b) Poder
público
municipal
c) Iniciativa
privada
d)
e) OnG
f) Cursos de
Comunidade (Comite da
Turismo da
local
Bacia do Rio
Região
(associação
Timbó)
de bairro)
4 - nenhum
envolvi-mento
Figura 30: Visão da sociedade civil organizada com relação ao envolvimento dos diversos segmentos no
desenvolvimento do Turismo na região pesquisada.
Fonte: Entrevistas realizadas pela mestranda de fevereiro a abril 2004.
97
5.3 Iniciativa Privada
Foram entrevistados membros representativos desse segmento, inseridos na área do
objeto de pesquisa, composto pelos gerentes dos empreendimentos turísticos, seguindo os
mesmos parâmetros de análise utilizado nos segmentos anteriores.
TABELA 5: Opinião da Iniciativa Privada em relação aos benefícios do turismo na região
Qual a sua opinião sobre os aspectos positivos (benefícios) do turismo, hoje, em Santa
Cruz do Timbó nas respectivas áreas:
Integral Mediano Insignificante Nr
a) Social
1) Redução das saídas de pessoas da comunidade
para a cidade para tentar uma vida melhor
2) Melhora a qualidade de vida da população
residente do município
3) Valoriza a mão-de-obra local nas atividades
turísticas
b) Econômica
1) Alternativa de trabalho e renda para a
população local
25%
50%
25%
25%
75%
0%
50%
25%
25%
Integral Mediano Insignificante Nr
25%
75%
0%
2) Aumenta as vendas no comércio da cidade
25%
50%
25%
3) Estimula a Capacidade local de desenvolver
empreendimentos turísticos
0%
75%
25%
c) Cultural
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Valoriza o artesanato, a gastronomia, as
danças típicas da região, entre outros.
25%
0%
75%
2) Mantém e reforça a identidade étnica da
comunidade residente
0%
0%
100%
3) Preserva o patrimônio histórico-cultural
(arquitetura, monumentos, etc.).
0%
75%
25%
Integral Mediano Insignificante Nr
d) Ecológico/ Ambiental
1) Respeita o ambiente natural de Santa Cruz do
75%
0%
25%
Timbó
2) Proporciona a manutenção dos recursos e a
diversidade biológica - inclusive com relação ao
25%
50%
25%
Rio Timbó
3) Conscientiza os indivíduos sobre a
75%
0%
25%
importância da educação ambiental
4
Número de Entrevistados:
Nota: A legenda NR significa porcentagem de não respondida.
Após, segue tabela relativa à pergunta sobre os aspectos negativos ou malefícios
causados em função do turismo:
98
TABELA 6: Opinião da Iniciativa Privada em relação aos malefícios do turismo na região
Qual a sua opinião sobre os aspectos negativos (malefícios) do turismo, hoje, em Santa Cruz
do Timbó nas respectivas áreas:
a) Social
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Aumento da marginalidade e da prostituição
0%
20%
80%
na localidade
2) Elevado consumo de bebidas alcoólicas e
drogas estimuladas pelos turistas
0%
0%
100%
3) Conflitos entre moradores e turistas
0%
0%
100%
b) Econômica
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Aumento de preços nos estabelecimentos
comerciais do município
0%
0%
100%
2) Escassez de produtos no comércio local
0%
0%
100%
3) Baixa remuneração percebida pelas atividades
turísticas desenvolvidas
25%
0%
75%
c) Cultural
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Desvalorização da cultura local (festas
populares, comidas e danças típicas).
0%
25%
75%
2) Depredação dos bens públicos (monumentos
históricos, esculturas, prédios, etc.).
0%
0%
100%
0%
0%
100%
3) Aculturação da população local (perda da
identidade)
d) Ecológico/ Ambiental
1) Descaso com o meio ambiente natural (esgoto
a céu aberto, lixo nas ruas e estradas, poluição
do rio).
Integral Mediano Insignificante Nr
0%
0%
100%
2) Descaracterização da paisagem natural junto
às margens do rio e estradas
0%
0%
100%
3) Escassez de peixes e assoreamento do rio
0%
25%
75%
Número de entrevistados:
Nota: A legenda NR significa porcentagem de não respondida.
5.3.1
4
Dimensão social da sustentabilidade do turismo
A partir dos resultados da pesquisa com esse segmento, pode-se constatar, em relação
à dimensão social, a formação de uma visão na qual o turismo apresenta uma ação mediana
no que diz respeito aos benefícios; no entanto, verifica-se que 50% afirmam que há uma
influência integral, na valorização da mão-de-obra local nas atividades turísticas. Nos
aspectos negativos há quase uma unanimidade nas respostas ao afirmar que são
99
insignificantes os malefícios que o turismo está causando neste momento, com exceção da
opção 1, em que 20% afirma que está afetando medianamente nesse aspecto.
5.3.2
Dimensão econômica da sustentabilidade do turismo
Nessa dimensão pode-se observar a predominância de 75% nas opções 1 e 3, ficando
em 50% na opção 2, isso nos leva a crer que essa dimensão apresenta-se em sua maior
expressão ainda de forma mediana também. Observando que durante as entrevistas o
comentário de parte dos entrevistados refere-se à questão de alternativa de trabalho e renda
para a população começou a ter uma representatividade, mas poderá ser maior se o fluxo de
turistas aumentar na baixa temporada. A respeito dos aspectos negativos pode-se afirmar que
como na dimensão anterior, não se percebe quase nenhuma influência nessa dimensão, nem
mesmo referente ao aumento de preços no comércio local.
5.3.3
Dimensão cultural da sustentabilidade do turismo
Nessa dimensão os atores afirmam que nos aspectos positivos nas opções 1 e 2 a
influência é insignificante (75% e 100%), respectivamente e,
na opção 3, 75%
dos
entrevistados afirmam que está influenciando medianamente. Isso quer dizer que as questões
culturais não apresentam benefícios, entretanto, também não percebem o risco de planos mal
elaborados e ausência de ações concretas que melhorem a recepção dos visitantes. Isso pode
ser verificado nas respostas, pois o fator insignificante predominou nas opções 1, 2 e 3 (75%,
100% e 100%) respectivamente. A partir disso, as respostas levantam a idéia de que essa
dimensão ainda não apresenta uma expressão nem do aspecto positivo e nem do negativo,
pois predominam respostas na opção insignificante.
5.3.4
Dimensão ecológico/ambiental da sustentabilidade do turismo
Para essa dimensão os resultados apontam no sentido de que o turismo veio beneficiar
significativamente, pois se percebe que na opção 1 e 3 a opção integral apareceu com o valor
de 75% das respostas e a opção 2 percebeu 50% das respostas com a opção mediano. Já nos
aspectos referentes aos malefícios causados pelo turismo nessa dimensão, percebe-se que na
opção 1, 2 e 3 as resposta foram de 100%, 100% e 75%, respectivamente, na opção
100
insignificante. Isso pode trazer uma interpretação de que esse segmento tem a visão de que
nesta dimensão o turismo atualmente esta trazendo benefícios e por enquanto nada de
malefícios que prejudiquem a dimensão ecológica na localidade.
5.3.5 Visão relativa aos aspectos gerais
Em análise às demais respostas dadas às outras questões, pode-se visualizar como os
atores destes segmentos vêem o turismo sob as dimensões propostas. Acredita-se que a pesca,
e o ecoturismo, este mais ligado às características naturais como cachoeiras e corredeiras, e a
própria paisagem, seja o potencial da localidade.
Outro ponto relevante se faz presente em relação a apoio do poder público e à própria
questão referente à conscientização da comunidade para o turismo, ou seja, percebe-se um
anseio no sentido do fornecimento de maiores recursos a favor do turismo local, bem como
uma integração maior da comunidade, em prol do desenvolvimento do turismo, além da
questão relacionada à divulgação da região e dos empreendimentos.
Esses atores ainda apontam que há a necessidade da melhoria em questões referentes à
infra-estrutura da localidade (acesso/asfalto), telefonia (em S. Pedro do Timbó), sinalização
turística e que se realizem investimentos para que sejam ofertadas mais opções de lazer aos
turistas, principalmente para as crianças. Além disso, a questão relativa à educação ambiental
(como é o caso de um dos proprietários de uma pousada) que está começando um trabalho
nesse sentido, arrecadação de latinhas de alumínio, que são trocadas por doces e guloseimas,
conforme depoimento: “ [...] a piazada fica bem louca para trazer as latinhas e levar a
balinhas, tem dia que tem fila para trocar, tô fazendo a minha parte e procurando deixar mais
limpo o nosso lugar [...]”.
A respeito da visão desse segmento em relação à participação dos demais no processo
de desenvolvimento do turismo, aponta-se que: 50% acreditam que o poder público deveria
ser mais enérgico em seus procedimentos; 25% apontam que o poder público esta
participando sem muito afinco, além de um maior envolvimento da população local. Apontam
também que os cursos de turismo deveriam participar com mais ações e uma concordância no
sentido de que a ONG está efetivamente participando com ações em prol do desenvolvimento
do turismo na região (fig. 31).
Outra questão a ser considerada remete aos impactos negativos da atividade turística,
ou seja, esse segmento não percebe nenhum fator que venha contribuir negativamente para a
sustentabilidade da atividade, levando a reflexão que ainda falta à percepção da atividade
101
como um todo, em que os aspectos positivos e negativos estão presentes em qualquer estágio
de desenvolvimento do turismo em uma localidade.
Considera-se nesse segmento que as ações que poderiam estar realizando no momento
e no futuro, segundo suas proposições seriam: Melhorias na própria infra-estrutura dos
empreendimentos, no sentido de ofertar mais opções aos turistas, além de participação em
treinamentos de capacitação de mão de obra qualificada para atendimento, inclusive para
guias e condutores, apoio aos estágios de alunos de cursos de turismo e participação no
planejamento turístico para a localidade. Percebe-se que há certa vontade por parte dos
entrevistados, em montar uma associação das pousadas em prol de buscar recursos para um
efetivo desenvolvimento. Isso já é pauta de discussão no conselho e espera-se que essa ação
seja efetivada, no sentido de fortalecer esse segmento.
80%
1participativos
com ações
70%
60%
2participativo
sem ações
50%
40%
3 - poderia
ser mais
participativo
com ações
30%
20%
4 - nenhum
envolvimento
10%
0%
a) Poder
público
estadual
b) Poder
público
municipal
c) Iniciativa
privada
d)
e) OnG
f) Cursos de
Comunidade (Comite da
Turismo da
local
Bacia do Rio
Região
(associação
Timbó)
de bairro)
não
responderam
Figura 31: Visão da iniciativa privada com relação ao envolvimento dos diversos segmentos no
desenvolvimento do Turismo na região pesquisada.
Fonte: Entrevistas realizadas pela mestranda de fevereiro a abril 2004.
102
5.4 Comunidade local
Como nos demais segmentos, utilizaram-se os mesmos parâmetros de análise, foram
entrevistados
indivíduos
escolhidos
aleatoriamente,
que
residiam
próximo
aos
empreendimentos turísticos, bem como, na sede do distrito. A seguir apresentam-se as tabelas
com as opiniões dos atores desse segmento:
TABELA 7: Opinião da Comunidade local em relação aos benefícios do turismo na região
Qual a sua opinião sobre os aspectos positivos (benefícios) do turismo, hoje, em Santa
Cruz do Timbó nas respectivas áreas:
Integral Mediano Insignificante Nr
a) Social
1) Redução das saídas de pessoas da comunidade
para a cidade para tentar uma vida melhor
2) Melhora a qualidade de vida da população
residente do município
3) Valoriza a mão-de-obra local nas atividades
turísticas
b) Econômica
1) Alternativa de trabalho e renda para a
população local
21,88%
59,38%
18,75%
9,38%
46,88%
43,75%
18,75%
50,00%
31,25%
Integral Mediano Insignificante Nr
21,88%
59,38%
18,75%
2) Aumenta as vendas no comércio da cidade
9,38%
46,88%
43,75%
3) Estimula a Capacidade local de desenvolver
empreendimentos turísticos
18,75%
50,00%
31,25%
c) Cultural
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Valoriza o artesanato, a gastronomia, as
danças típicas da região, entre outros.
0,00%
56,25%
43,75%
2) Mantém e reforça a identidade étnica da
comunidade residente
0,00%
37,50%
62,50%
3) Preserva o patrimônio histórico-cultural
(arquitetura, monumentos etc.).
3,13%
37,50%
59,38%
Integral
d) Ecológico/ Ambiental
1) Respeita o ambiente natural de Santa Cruz do
12,50%
Timbó
2) Proporciona a manutenção dos recursos e a
diversidade biológica - inclusive com relação ao
3,13%
Rio Timbó
3) Conscientiza os indivíduos sobre a
25,00%
importância da educação ambiental
Número de Entrevistados:
Nota: A legenda NR significa porcentagem de não respondida.
Mediano Insignificante Nr
75,00%
12,50%
75,00%
21,88%
68,75%
6,25%
32
103
Segue tabela relativa à pergunta sobre os aspectos negativos ou malefícios ocorridos
em função do turismo na região:
TABELA 8: Opinião da Comunidade local em relação aos malefícios do turismo na região
Qual a sua opinião sobre os aspectos negativos (malefícios) do turismo hoje em Santa Cruz do
Timbó nas respectivas áreas:
a) Social
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Aumento da marginalidade e da prostituição
3,13%
0,00%
96,88%
na localidade
2) Elevado consumo de bebidas alcoólicas e
drogas estimuladas pelos turistas
3,13%
0,00%
96,88%
3) Conflitos entre moradores e turistas
0,00%
15,63%
84,38%
b) Econômica
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Aumento de preços nos estabelecimentos
comerciais do município
0,00%
25,00%
75,00%
2) Escassez de produtos no comércio local
0,00%
6,06%
93,94%
3) Baixa remuneração percebida pelas atividades
turísticas desenvolvidas
9,38%
25,00%
65,63%
c) Cultural
Integral Mediano Insignificante Nr
1) Desvalorização da cultura local (festas
populares, comidas e danças típicas).
0,00%
0,00%
100,00%
2) Depredação dos bens públicos (monumentos
históricos, esculturas, prédios, etc.).
0,00%
15,63%
84,38%
0,00%
3,13%
96,88%
3) Aculturação da população local (perda da
identidade)
d) Ecológico/ Ambiental
1) Descaso com o meio ambiente natural (esgoto
a céu aberto, lixo nas ruas e estradas, poluição
do rio).
Integral Mediano Insignificante Nr
3,13%
31,25%
65,63%
2) Descaracterização da paisagem natural junto
às margens do rio e estradas
0,00%
34,38%
65,63%
3) Escassez de peixes e assoreamento do rio
3,13%
34,38%
62,50%
Número de entrevistados:
Nota: A legenda NR significa porcentagem de não respondida.
5.4.1
32
Dimensão social da sustentabilidade do turismo
Nessa dimensão em relação aos benefícios do turismo, 50% escolheram a opção
mediano, tendo em vista seus elementos (opções 1, 2 e 3) os percentuais de 59,38%, 46,88% e
104
50% e as demais porcentagens distribuídas nas outras opções. Em contrapartida, pode-se
verificar que há uma alta porcentagem que identifica como insignificante os malefícios que o
turismo está trazendo atualmente, ou seja, 96,88%, 96,88%, 84,38%, respectivamente. Com
isso, entende-se que ainda não há uma visão para os aspectos negativos, no entanto, as
opiniões se dividem quando se refere aos benefícios sociais do turismo para a localidade no
momento atual.
5.4.2
Dimensão econômica da sustentabilidade do turismo
Pode-se avaliar essa dimensão com relação aos benefícios, praticamente como a
anterior, ou seja, considera-se que 50% das opiniões estão classificadas na opção mediano
(59,38%, 46,88% e 50%), respectivamente, sendo as demais porcentagens distribuídas nas
outras opções. Para os aspectos negativos, esse segmento entende que não há significância no
momento que venha trazer malefícios de ordem econômica. Isso indica, também, como na
dimensão anterior, certa dúvida em relação aos benefícios do turismo nessa dimensão, mas
percebe-se uma identificação de que não há pelo menos atualmente, algo que influencie de
forma negativa.
5.4.3
Dimensão cultural da sustentabilidade do turismo
Observa-se nessa dimensão certo equilíbrio nas respostas, demonstrado pelos
percentuais nas opções mediano (56,25%, 37,5%, 37,5%) e opção insignificante (43,75%,
62,5%, 59,38%), indicando que as opiniões se dividem, mas apresentando uma maior
tendência para a opção insignificante. Contudo com relação aos aspectos negativos ou
malefícios que o turismo esta trazendo, concorda-se que na dimensão cultural ainda apresentase insignificante na maioria das respostas. Pode-se avaliar, portanto, que nessa dimensão não
há uma visão nem positiva e nem negativa com relação aos impactos do turismo, segundo as
respostas analisadas.
105
5.4.4
Dimensão ecológico/ambiental da sustentabilidade do turismo
Em relação aos benefícios, as opiniões apresentam-se em grande parte na opção
mediano, indicando que esses atores vêem que, de certa forma, o turismo está contribuindo
para o respeito e cuidado com o ambiente natural em função de ser o principal atrativo,
percebe-se isso no depoimento de um dos entrevistados: “[...] tem gente começando a cuidar
mais dos jardins e não jogando o lixo no mato[...]”. Em relação aos malefícios, como nas
demais dimensões na opinião desses atores não há uma influência negativa, ou seja, grande
parte das respostas apontou para a opção insignificante.
5.4.5
Visão relativa aos aspectos gerais
Em análise das respostas obtidas das demais questões, pode-se considerar que a
maioria dos entrevistados acredita que a pesca é o maior atrativo para o turismo local, seguido
do ecoturismo, em função das cachoeiras. Isso demonstra a importância do poder público
como um dos fatores que está deixando a desejar em relação ao desenvolvimento do turismo
local, fazendo referência às questões que tangem a infra-estrutura de acesso, divulgação da
localidade e capacitação de mão de obra, além de conscientização da comunidade para
trabalhar com o turismo, a falta de sinalização dos atrativos turísticos, e falta de opção de
lazer. Além da necessidade do planejamento para o turismo, é interessante ressaltar que foi
apontada a falta de sinal para celular, foi indicado com um fator negativo na localidade.
Em relação à participação no processo de desenvolvimento dos demais segmentos, a
opinião é que o poder público deveria ser mais participativo com ações, bem como, os demais
segmentos, inclusive a própria comunidade local, ressaltando que parte dos entrevistados
(33,33%), consideram as ações da ONG com real efetividade (fig. 32).
Percebe-se que o turismo para esse segmento não está apresentando malefícios,
basicamente em todos os aspectos, levando à reflexão de que é necessária a conscientização
nos aspectos afetos aos impactos negativos da atividade, pois nota-se que ainda é incipiente a
idéia do desenvolvimento da atividade e sua repercussão nas dimensões apontadas.
A respeito das ações afirma-se o interesse de alguma forma, em constituir uma
organização ou associação que procure unir de forma mais integrada os empreendedores,
juntamente com o poder público e a comunidade local, a fim de efetivar ações para o
desenvolvimento do turismo. Também foi expresso o interesse de participar de cursos
relativos a atividades turísticas.
106
1participativos
com ações
100%
90%
2 - participativo
sem ações
80%
70%
60%
3 - poderia ser
mais
participativo
com ações
50%
40%
4 - nenhum
envolvimento
30%
20%
não
responderam
10%
0%
a) Poder
público
estadual
b) Poder
público
municipal
c) Iniciativa
privada
d)
Comunidade
local
(associação
de bairro)
e) OnG
(Comite da
Bacia do Rio
Timbó)
f) Cursos de
Turismo da
Região
Figura 32: Visão da Comunidade local com relação ao envolvimento dos diversos segmentos
no desenvolvimento do Turismo na região pesquisada.
Fonte: Entrevistas realizadas pela mestranda, de fevereiro a abril 2004.
5.5 Discussão integrada dos resultados
Após a análise da opinião dos atores envolvidos no processo e buscando uma visão
mais integrada do contexto, têm-se as seguintes constatações:
•
Todos os atores concordam no sentido de que é necessário um planejamento
para o turismo no Município e, principalmente, para a região do objeto de
estudo, pois ele ainda é muito recente na região.
•
A infra-estrutura básica deverá ser aperfeiçoada para uma melhor conservação
dos recursos, a exemplo da rede de esgoto e telefonia celular. Sendo o
saneamento básico o mais apontado na pesquisa como deficiente, no que se
refere à sustentabilidade. Mesmo porque o Rio Timbó é o principal atrativo
para o turismo e, deve-se dar a atenção necessária a fim que os detritos sejam
107
direcionados aos locais específicos, buscando impactar o mínimo possível o
Rio e o lençol freático da região.
•
A conscientização da comunidade local e a integração desses atores no
processo de desenvolvimento do turismo apresentam-se como fatores
importantes e ainda não desenvolvidos plenamente.
•
Não se percebe ainda fatores negativos ou malefícios a partir do começo das
atividades turísticas na região, bem como não se percebe nem a interferência
positiva ou mesmo negativa do turismo na dimensão cultural. Isto é
preocupante no sentido da visão somente dos aspectos positivos, pois se sabe
que os aspectos negativos podem acontecer de forma sutil e com o tempo ser
um grande entrave para a atividade.
•
Há certa preocupação, mesmo que ainda de forma discreta, com o ambiente
natural, em função de ser o maior atrativo para o turismo na região. No entanto,
percebe-se que é necessário um trabalho de conscientização tanto para a
comunidade, quanto para o turista, sobre os aspectos relacionados à pesca
predatória, pois é a partir desse potencial, que o turismo se efetivou na região e
a exploração em larga escala trará, mesmo que em um futuro distante, a
inviabilidade da atividade turística.
•
Acredita-se que o turismo, num futuro próximo, poderá trazer maiores
benefícios econômicos para a comunidade e empreendedores, desde que haja
uma união entre as partes. Mas não se acredita que acarrete aspectos negativos
com relação a esta dimensão. No entanto, essa visão pode ter, nesse momento,
validade, porém como em diversos locais onde o turismo acontece, os aspectos
negativos tendem a ser perceptíveis.
Com isso, pode-se ter uma base de como direcionar o planejamento da localidade e
auferir ações em função da sua especificidade, bem como avaliar quando ela começa a chegar
à sua maturidade, indicando a importância do rejuvenescimento, em função da manutenção da
sustentabilidade, que deverá ser proposto num futuro Plano Turístico do Município. Ou seja, o
turismo, no caso, caracteriza-se por ser praticado no espaço rural, com especial atenção ao
turismo de pesca e ao ecoturismo e ainda está na fase em que se pode direcionar ações para
um efetivo desenvolvimento, promovendo um gerenciamento mais adequado em relação às
responsabilidades de cada ator social.
108
De acordo com Magalhães (2000, p.145), conforme citado anteriormente, procurou-se
responder às perguntas:
10. A região apresenta potencialidade para o turismo?
11. Qual é a importância do turismo para a economia da região?
12. A comunidade tem noção do que seja a atividade turística?
13. A população aceita o desenvolvimento do turismo no município?
14. Existe mão-de-obra?
15. È possível treinar essa mão-de-obra?
16. Os investimentos necessários para melhorar a infra-estrutura turística se
justificam em detrimento de outros?
17. O desenvolvimento do turismo no Município pode competir com os
municípios que apresentam os mesmo atributos
18. O Município tem condições de promover medidas de proteção dos seus
potenciais natural, histórico e cultural?
Partindo do estudo e da análise das respostas às questões proposta para o trabalho,
apontam-se as seguintes respostas aos questionamentos:
1.
A região apresenta diversas potencialidades para o turismo, quer nos
aspectos naturais, históricos e culturais, sendo já nesse momento utilizado os
recursos naturais mais expressivamente para o turismo. E conforme pudemos
analisar no relato do Capitão Kirk, no começo do século XX, a região
apresentava naquela época uma paisagem expressiva e que ainda em partes
se apresenta em seus remanescentes. Pode-se destacar o turismo no espaço
rural, onde a atividade de pesca amadora apresenta-se como o maior
potencial, além de atividades ecoturísticas estimuladas ainda de forma sutil.
2.
A região destaca-se pela atividade agrícola e o turismo poderá futuramente,
desde que bem planejado e gerido, ser uma boa opção econômica para a
população local, além da geração de renda e a profissionalização dos
moradores locais, estimulando ainda a produção artesanal de alimentos e
bebidas para o abastecimento dos empreendimentos turísticos, podendo
proporcionar empregos diretos e indiretos.
3.
A população ainda de forma tímida apresenta um conhecimento da atividade,
no entanto, é necessário um trabalho de base, a fim de conscientizar a mesma
109
das influências positivas e negativas advindas da atividade. Apresenta pouco
interesse pela atividade, talvez pelo seu desconhecimento.
4.
A população aceita o desenvolvimento da atividade, desde que sinalize
benefícios de ordem econômica e social.
5.
Há a existência de mão-de-obra na localidade, no entanto, apresenta-se com
deficiências no que se refere à qualificação, apontada principalmente pela
iniciativa privada e pelo poder público.
6.
Para o treinamento dessa mão-de-obra é necessário parcerias entre poder
público e iniciativa privada, o que no momento, já é pauta de ações, a fim de
aproveitar o excedente da própria localidade. Haja vista, as primeiras
atividades técnicas desenvolvidas com cursos do SENAR em 2004 para os
pousadeiros da região.
7.
Logicamente esse é um fator primordial, pois é necessário o investimento na
rede de esgoto e saneamento da localidade, a fim de não afetar a meio
ambiente em médio prazo, visto que se utiliza o sistema de fossas sépticas, e
ao longo do tempo, o número de turistas poderá aumentar, e,
conseqüentemente, ocorrerá o aumento de detritos. Além do recolhimento do
lixo orgânico, bem como a sinalização turística e conservação do acesso à
localidade.
8.
Na visão dos próprios atores, existe essa possibilidade, tanto no verão quanto
no inverno. No verão, o turismo de pesca e o ecoturismo e no inverno, a
hospedagem em meio rural, seguindo o modelo de Joinville e mesmo de
Gramado e Canela, no entanto percebem que é necessário diversos
investimentos para tal, além das parcerias entre os atores, bem como
estratégias de marketing que estimulem a demanda para a região. No entanto
o produto turístico ofertado ainda é muito aquém do que já está no mercado
das cidades citadas.
9.
Esse item é de extrema importância e o município tem condição, mesmo
porque há a ONG Eco Iguaçu, e todo um trabalho do Ibama, Epagri e Polícia
Ambiental, no sentido de promover a conservação dos recursos naturais e
também há o trabalho desenvolvido pela UNIUV no sentido de promover a
preservação da cultura, por meio do Encontro das Etnias, em sua 3ª. Edição,
em que busca através da festa trazer as etnias e sua cultura (dança, música,
gastronomia) e estimular as pessoas a continuarem a difundir a sua cultura e
110
história. Contudo é necessário um trabalho contínuo para que esses
potenciais se perpetuem.
Nesse sentido pode-se considerar que, para que as iniciativas, projetos e mesmo o
planejamento para o turismo de uma localidade possam obter êxito e, principalmente, para a
atividade na área do objeto de pesquisa, alguns fatores devem ser observados como enfatiza a
OMT (2000, p.15), com relação às boas práticas do turismo apresentadas em nível Mundial, a
saber:
o la participacion de la comunidad local em la planificación, el desarollo y
gestión de los proyectos .
o
la coperación entre todos los interlocutores para el logro de los objetivos de
los proyectos o de las iniciativas .
o el compromiso com la protección ambiental por parte de los promotores de los
proyectos.
o
la continua vigilância del desarollo del proyecto.
Baseado nesse contexto considera-se que o turismo local deve ser responsável,
sendo necessário levar em consideração as observações acima expostas, pois reflete casos de
sucesso que independem de os países serem desenvolvidos ou estarem em fase de
desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Para o caso da comunidade em questão, o turismo
de base local, outras iniciativas e práticas se tornam fundamentais para poder-se pensar em
uma atividade sustentável.
Outro fator interessante que a OMT (WTO 2000, p.15), ainda ressalta sobre esses
casos é que: “[...] la existência de uma legislácion pertinente o de um estricto marco
relamentario, y el apoyo o las subvenciones de gobiernos u organismos de ayuda, mientras
que solo em cuatro casos la iniciativa fue exclusivamente privada”.
Além disso, com relação aonde se localiza, ou melhor, dimensiona-se os projetos,
dá uma ênfase ao desenvolvimento em nível local, quando afirma:
El ambito geográfico de la mayoria de las iniciativas y de proyectos sostenibles el
local o regional (80%), y um porcentaje similar se refiere a proyectos pequeños o
medianos. Sin embargo, el número de proyectos o iniciativas de grandes
dimensiones que cubren tod el território de um país nos es despreciable, lo que
demuestra que la sostenibilidad em turismo no está reservada por fuerza a las
operaciones de pequena escala.
111
A priori, entende-se que o primeiro passo se dá no sentido de buscar parcerias,
respeitando o ponto de vista de cada grupo de atores sociais e na filosofia da sustentabilidade,
onde se prega a participação ativa da comunidade local, já que em um planejamento para o
turismo é necessário um levantamento das possibilidades, deficiências e oportunidades da
localidade.
Esse trabalho já apresenta em seu contexto parte deste passo, no sentido de uma
análise a partir da visão dos atores sociais envolvidos com a atividade, e também na
caracterização do objeto, sem a qual não seria possível uma apreciação da situação atual,
permitindo assim a análise e tomada de decisões. Conforme afirma Petrocchi (1998), “[...] a
finalidade do planejamento é definir as decisões básicas que articulam as políticas turísticas
de um estado, região ou organização, ou seja, estabelecer as diretrizes que orientarão as
decisões para o desenvolvimento do turismo, o tipo de turismo que se quer promover, os
mercados que serão atingidos, a posição que se deseja ter nestes mercados, as metas a
alcançar e as estratégias dos programas de ação.”
112
6
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Partindo da análise dos resultados, da observação in loco, com base no
aprofundamento teórico e no conhecimento de outros casos, pôde-se trazer para este trabalho
as considerações acerca dos objetivos estabelecidos para a pesquisa.
É possível destacar os resultados mais significativos referentes à sustentabilidade do
turismo, a partir da visão dos atores envolvidos. Dessa forma, quanto ao poder público
ressalta-se: a importância da pesca para o turismo; a falta de planejamento turístico; e a
necessidade de um maior envolvimento dos atores e parcerias entre poder público e privado.
Para a sociedade civil organizada o turismo de pesca e o ecoturismo são os pontos
fortes da localidade, no entanto as deficiências aparecem com a falta de infra-estrutura, a falta
do apoio efetivo do poder público, e a falta de parcerias entre os atores envolvidos.
Para a iniciativa privada a pesca e o ecoturismo também são os pontos fortes da
localidade, sendo necessário um maior apoio do poder público, a conscientização da
comunidade local para o turismo através de oficinas ou cursos e mão de obra mais
qualificada.
E para a comunidade local a pesca é o maior atrativo, sendo necessário um maior
envolvimento do poder público, a implantação de infra-estrutura, divulgação e capacitação de
mão de obra, além de uma melhor sinalização turística e planejamento para o turismo.
Diante do contexto, julga-se neste caso, na visão do atores envolvidos, da autora e a
real situação que se encontra, que a sustentabilidade da atividade turística não está em plena
ascensão, haja vista que a sustentabilidade consiste na manutenção das diversas dimensões
aqui pesquisadas (econômica, social, cultural e ecológica-ambiental) visando compatibilizar o
uso atual com o futuro, gerenciando os possíveis impactos causados pela atividade (OMT,
2003).
Além disso, pode-se observar, começando pelas questões referentes à infraestrutura básica a exemplo de redes de esgoto, que havendo um fluxo maior de pessoas na
localidade, pode não suportar tal demanda, proporcionando um aumento do lixo orgânico e
inorgânico que poderá trazer efeitos negativos para o ambiente. A pesca predatória também
aparece na pesquisa, demonstrando que ainda falta um melhor controle por parte dos órgãos
competentes.
Analisando ainda os efeitos multiplicadores na economia para a comunidade local,
verifica-se que ainda é muito incipiente, pois pequena parte da comunidade participa do
113
processo e aufere valores monetários advindos da atividade que proporcionem maior
qualidade de vida. Isso reflete que a atividade na localidade ainda não se caracteriza como
sustentável, pois diversos fatores condicionantes ainda estão em estágio inicial ou mesmo nem
existem.
Portanto são necessárias ações que envolvam os diversos atores, direcionando a
atividade para um caminho que torne o turismo mais responsável e que realmente não fique só
nos discursos que a atividade é geradora de desenvolvimento para a região, assim como, para
os residentes do município, pois isso ainda é um objetivo a ser alcançado.
6.1 Recomendações
Após a análise dos resultados e levando em consideração as dimensões da
sustentabilidade, recomendam-se as seguintes ações, conforme cada segmento dos atores
considerados:
1. Poder Público
•
Existência de uma verba específica para o turismo, com um apoio maior do
poder público em todas as esferas, destacando a criação de um órgão
responsável pela atividade, como por exemplo, uma secretaria, ou diretoria,
coordenada de forma independente de outra secretaria (autonomia);
•
Aumento da sinalização nos acessos, em função dos atrativos turísticos;
•
Atenção especial ao saneamento, principalmente no que tange ao tratamento de
resíduos, preocupando-se com o futuro desenvolvimento da atividade turística,
antevendo futuros impactos negativos relacionados a este setor.
•
Promoção de campanhas de divulgação e conscientização sobre o uso dos
recursos, tanto para o turista e como para a comunidade;
•
Estabelecimento de programas de desenvolvimento do turismo com metas e
responsabilidades bem definidas;
•
Promoção de parcerias entre poder público e a iniciativa privada;
114
•
Necessidade de política de incentivos fiscais para empreendimentos turísticos;
•
Incentivo ao turismo histórico-cultural a fim de aproveitar o potencial regional;
•
Promoção de programas de conscientização da população local sobre a
importância da manutenção da identidade cultural da comunidade local;
•
Incentivos a programas de qualificação da mão-de-obra;
•
Estudos mais aprofundados dos impactos ambientais na localidade;
•
Divulgação/ marketing relativo ao Município.
2. Iniciativa Privada
•
Mais opções de entretenimento e lazer para o turista e comunidade local;
•
Investimentos em infra-estrutura e melhoria da infra-estrutura turística
existente;
•
Promoção de campanhas de divulgação e conscientização sobre o uso dos
recursos, tanto para o turista e como para a comunidade;
•
Incentivo o turismo histórico-cultural, a fim de aproveitar o potencial regional;
•
Promoção programas de conscientização da população local sobre a
importância da manutenção da identidade cultural da comunidade local;
•
Incentivo a programas de qualificação da mão-de-obra;
3. Sociedade civil organizada
115
•
Promoção de debate mais aprofundado com a comunidade sobre a importância
do turismo local e estímulo a fim dinamizar o processo de gestão participativa;
• Promoção campanha de divulgação e conscientização sobre o uso dos recursos,
tanto para o turista e como para a comunidade;
•
Estudos mais aprofundados dos impactos ambientais na localidade;
4. Comunidade local
•
Participação mais ativa no processo de desenvolvimento, buscando conhecer
os atrativos, a fim de promover uma parceria com os demais atores;
Recomenda-se que o levantamento realizado por este trabalho na caracterização do
objeto deve servir de apoio para o Planejamento Turístico, entende-se, entretanto, que um
inventário mais acurado é necessário. Pois há a possibilidade, ainda que após a conclusão
deste, tenha-se um novo quadro com relação às novas estruturas e empreendimentos, sendo
este, um instrumento de suma importância para o planejamento.
Lembrando que para isso são necessários profissionais habilitados para tal, e cada
qual, em sua área de conhecimento a exemplo de biólogos, geógrafos e turismólogos, entre
outros. Sugere-se também uma parceria com os cursos de turismo, tanto da UNIUV –
Universidade da Cidade de União da Vitória, bem como, do curso de Turismo da UNC –
Universidade do Contestado – Campus Canoinhas, para que se possa desenvolver diversos
projetos no sentido de a academia estar contribuindo para o desenvolvimento, com pesquisas,
além das outras instituições de ensino de superior existentes nos municípios, com a finalidade
de desenvolvimento de ações por parte da iniciativa privada, bem como do poder público.
Sugere-se ainda a elaboração de um mapa turístico, mais a título de informação do
que de marketing, que possa trazer para os munícipes da região e também para os turistas de
como chegar e o que se vai encontrar na localidade. Bem como instruções e informações de
conscientização para a conservação do espaço destinado ao turismo, além de proporcionar aos
gestores, com o mapa uma visão mais clara de como se posicionar no sentido de visualizar
futuras ações em função do planejamento. O modelo do mapa turístico a ser utilizado como
referência para esse caso pode ser encontrado em Magalhães (2000, p. 144).
116
Percebeu-se que existe a sazonalidade durante os períodos de inverno,
recomendam-se novas atividades/eventos na localidade, a fim de promover a manutenção dos
empreendimentos ao longo do ano.
Recomenda-se acima de tudo que se realizem mais estudos técnicos e científicos
no município, para que o turismo seja o vetor de desenvolvimento no sentido positivo, e que
traga benefícios a todos os envolvidos.
Por ser uma localidade pequena com aspectos peculiares, recomenda-se trabalhar
com as estratégias de turismo com base local, a fim de aproveitar as especificidades,
caracterizado por um turismo de pequena escala e mais direcionado a manutenção da
atividade (recursos) e à busca de sua pela sustentabilidade, no sentido de observar as diretrizes
formatadas pela OMT, que sugerem as melhores práticas para o turismo.
Isso logicamente só poderá ocorrer com a iniciativa dos poderes que estão ligados
ao turismo, ou seja, o poder público, iniciativa privada e comunidade local. Cada um fazendo
a sua parte, deixando de lado o discurso e a retórica e partindo para ações locais.
Por fim, acredita-se que a sustentabilidade da atividade nessa localidade ainda não
é efetiva, necessitando a adequação de diversas ações e percebida pelos próprios atores
envolvidos com o turismo. Sustenta-se que, com os elementos constantes neste trabalho é,
possível que ele contribua para o município planejar racionalmente e responsavelmente o
turismo, seguindo caminhos mais sustentáveis, buscando construir tanto para o turista, como
para a comunidade local, bem como para o ambiente, o desenvolvimento mais responsável e
efetivo, sendo esse um desafio da gestão participativa.
117
7 REFERÊNCIAS
ALMEIDA.J.A.; FROEHLICH.J.M.; RIEDL,M.(orgs.) Turismo rural e desenvolvimento
sustentável. São Paulo: Papirus, 2000.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ANBT. Informação e
documentação – referências – elaboração: NBR 6023, Rio de Janeiro. 2000.
CARDOSO, J. A.; WESTPHALEN, C M. Atlas Histórico do Paraná. 2a. ed. Re. Ampl.
Curitiba. Ed. Livraria do Chain, 1986.
CAVACO, C. Turismo rural e desenvolvimento local. In: RODRIGUES, A. B. (org.)
Turismo e geografia. Reflexões teóricas e enfoques regionais. São Paulo: Hucitec, 1996.
BARRETTO, M. Planejamento e organização em turismo. Campinas, SP: Papirus, 1991.
BARRETTO, M. Turismo e legado cultural. São Paulo: Papirus, 2000.
BENASSI, F. L. Circuito da Pesca: Marketing para o desenvolvimento. TCC, União da
Vitória, 2003.
BENI, M. C. A política e estratégia do desenvolvimento regional –Planejamento
integrado e sustentável do turismo. In: MILONE.P.C.; LAGE. B. Turismo Teoria e Prática,
São Paulo: Atlas, 2000.
BENI, M. C. Como certificar o turismo sustentável ? In: Turismo em análise, V.14. São
Paulo: USP, maio 2003.
BERTALANNFFY, L. v. Teoria geral dos sistemas. Petrópolis/Brasília: Vozes/INL, 1975.
BOULLÓN, R. C. Reflexiones sobre el turismo sostenible. In: Estudos y Perspectivas em
Turismo. Anais, v.5 : Buenos Aires, CIET, 1996.
BOULLÓN, R. C. Planejamento do espaço turístico. Bauru - São Paulo: EDUSC, 2002.
BUTLER, R. W. The Concept of a Tourist Area Cycle of Evolution. Canadian Geographer.
n.24, 1980.
BUTLER, R. W. Problemas e temas da integração do desenvolvimento do turismo. In:
PEARCE, D. G; BUTLER, R. W. Desenvolvimento em turismo: temas contemporâneos. São
Paulo: Contexto, 2002.
CAPECE, G.R. Turismo Sostenido y sustentable – Una visión holística. Argentina : El
Bolsón, 1997.
CORIOLANO, L.N.M. (org). O turismo de inclusão e o desenvolvimento local. Fortaleza:
FUNECE, 2003.
118
CRUZ, R. C. A. Políticas públicas de turismo no Brasil: significado, importância, interfaces
com outras políticas setoriais. In: SOUZA, M. J. (org). Políticas públicas e o lugar do
turismo. Brasília: Universidade de Brasília; Departamento de Geografia; Ministério do Meio
Ambiente, 2002.
DENCKER, A. F. M. Métodos e técnicas de pesquisa em turismo. São Paulo: Futura, 1998.
DENCKER, A. F. M; VIÁ, S. C. Pesquisa empírica em ciências humanas (com ênfase em
comunicação). 2a edição. São Paulo : Futura, 2002.
DIAS. R. Planejamento do turismo: Política e desenvolvimento do turismo no Brasil. São
Paulo: Ed. Atlas, 2003.
FARIA, D. S.; CARNEIRO. K. S. Sustentabilidade ecológica no turismo. Brasília :
Universidade de Brasília, 2001.
FAGUNDES, J. RIBAS, J (orgs). Monografia de Porto União: Hermínio Milis. Palmas :
Ed. Kaygangue, 2002.
FERREIRA. J.C.V. O Paraná e seus municípios. Maringá: Ed. Memória Brasileira, 1996.
FERRI, C. Pesquisa na Universidade: elaboração de projetos e relatórios. Balneário
Camboriú: UNIVALI, 2001.
JOAQUIM. G. Turismo e mundo rural: que sustentabilidade? In: RODRIGUES, A.B. (Org)
Turismo Rural: práticas e perspectivas. São Paulo: Ed. Contexto, 2001.
LAGE.B.; MILONE P. Economia do turismo. São Paulo: Atlas, 2001.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 3ª ed. São Paulo : Atlas, 1999.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo : Atlas, 2002.
GUIA PORTO UNIÃO – Caminho das águas. Pref. Municipal de Porto União/SC, 2001.
IBGE. Recursos naturais e meio ambiente: uma visão do Brasil. Rio de Janeiro,1993.
HALL, C.M. Planejamento turístico: políticas, processos e relacionamentos. São Paulo: Ed.
Contexto, 2001.
KRIPPENDORF, J. Sociologia do turismo – Para uma compreensão do lazer e das viagens.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1989.
MAGALHÃES, C. F. Diretrizes para o turismo sustentável em municípios. São Paulo:
Rocca, 2002.
MALHOTRA, N.K. Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. 3a. ed. Porto
Alegre: Bookman, 2001.
119
MATHIAS, H. G. Contestado – Um resgate. IOESC: Impressa Oficial do Estado de Santa
Catarina. Florianópolis, 2000.
MONTEIRO, C.A.; DUARTE, A.C.;SANTOS, L. B. dos. O Brasil Meridional. In:
Panorama regional do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1967.
NASCIMENTO. J.L.B. O processo de desenvolvimento do turismo em São Domingos do
Capim – PA, a partir do fenômeno desencadeador “surfe na pororoca”. Dissertação de
Mestrado – Univali. Balneário Camboriú, 2004.
OMT - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DEL TURISMO. Introducción al turismo. Madrid.
Espanha, 1998.
OMT - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DEL TURISMO. Agenda para Planificadores
Locales: Turismo sostenible y gestion municipal – Edición para América Latina y El Caribe.
Madrid. Espanha, 1999.
OMT - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DEL TURISMO. Tourism economic report. Madrid.
Espanha, 2000.
OMT - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO. Introdução ao turismo. Dir. e Red.
Amparo Sancho. Trad. Dolores Martin Rodriguez Córner. São Paulo: Rocca, 2001.
OMT- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO. Guia do desenvolvimento do turismo
sustentável. Trad. Sandra Netz. Porto Alegre: Bookmann, 2003.
PLANO NACIONAL DO TURISMO – Diretrizes, Metas e Programas (2003-2007) –
Brasília, 2003.
PEARCE, D. G; BUTLER, R. W. Desenvolvimento em turismo: temas contemporâneos.
São Paulo: Contexto, 2002.
PETROCCHI, M. Gestão de pólos turísticos. São Paulo: Futura, 2001.
PIRES, P.S. Paisagem rural como recurso turístico. In: RODRIGUES, A.B. (org). Turismo
Rural: práticas e perspectivas. São Paulo: Ed. Contexto, 2001.
PIRES, P.S. Dimensões do ecoturismo. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2002.
PIRES, P.S. Bases ecológicas do turismo. Apostila. Curso de Mestrado em Turismo e
Hotelaria. CE-CB / UNIVALI. Balneário Camboriú, 2003.
PORTUGUEZ. A.P. Consumo e espaço: Turismo, lazer e outros temas. São Paulo: Roca,
2001.
RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1999.
RODRIGUES, A. B. (org.) Turismo e geografia. Reflexões teóricas e enfoques regionais.
São Paulo: Hucitec, 1996.
120
RODRIGUES, A. B. (org). Turismo e desenvolvimento local. São Paulo: Hucitec, 1997.
RODRIGUES, A. B. Desenvolvimento com base local como bandeira de uma política de
emancipação e afirmação. In: SOUZA, M. J. (org). Políticas públicas e o lugar do turismo.
Brasília : Universidade de Brasília; Departamento de Geografia; Ministério do Meio
Ambiente, 2002.
______. Turismo Rural: práticas e perspectivas. São Paulo: Ed. Contexto, 2001.
RODRIGUES, A. M. Desenvolvimento sustentável e atividade turística. In: RODRIGUES, A
B. (org). Turismo e desenvolvimento local. São Paulo: Hucitec, 1997.
RODRIGUES, I. S. As abordagens tipológicas envolvendo o turismo no espaço rural. In:
ANAIS DO 2° CONGRESSO BRASILEIRO DE TURISMO RURAL: Turismo, novo
caminho no espaço rural brasileiro/ (Eds.) OLIVEIRA, C.G.S; MOURA, C; SGAI, M.
Piracicaba, 2000.
RUSCHMANN, D. V. M. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio
ambiente. Campinas: Papirus, 2001.
SAMPAIO, C.A.C. Planejamento para o desenvolvimento sustentável: Um estudo de caso
comparativo de municípios. Florianópolis: Bernúncia, 2002.
SANTOS, C.A.N. Análise do turismo em espaço rural em Camboriú (SC). Dissertação de
Mestrado. Balneário Camboriú, 2001.
SANTOS, C.A.J.; CAMPOS, A. C. Estratégias para o desenvolvimento sustentável do
turismo. In: Turismo comunitário e Responsabilidade sócioambiental. CORIOLANO. L.
N.M.T.; LIMA, L.C. (Orgs). Fortaleza: FUNECE, 2003.
SANTOS, M. Espaço e Método. São Paulo: Ed. Nobel, 1985.
______. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Hucitec, 1986.
SALVATI. S.S. (Org). Turismo Responsável – Manual para Políticas Públicas. Brasília,
DF, WWF Brasil, 2004.
SEABRA, L. Turismo sustentável: planejamento e gestão. In: CUNHA, S. B.; GUERRA,
A.J.T. (orgs). A questão ambiental – diferentes abordagens. Rio de Janeiro : Bertrand
Brasil, 2003.
SEBEN, U. A. Um estudo da história de União da Vitória. Porto União: Uniporto. 1992.
SECRETARIA DE ESTADO DE COORDENAÇÃO GERAL E PLANEJAMENTO DE
SANTA CATARINA. Atlas escolar de Santa Catarina. Rio de Janeiro: Aerofoto Cruzeiro,
1991.
SILVA, J.G.; VILARINHO,C. DALE, P.J. Turismo em áreas rurais: suas possibilidades e
limitações no Brasil. In: ALMEIDA, J.A.; FROELICH, J.M.; RIEDL, M. (Orgs.) Turismo
Rural e desenvolvimento sustentável. Campina, SP: Papirus, 2000.
121
SILVEIRA. M.A.T. Planejamento territorial e dinâmica local: Bases para o turismo
sustentável. In: RODRIGUES, A. B. (org). Turismo desenvolvimento local. São Paulo:
Hucitec, 1997.
SILVEIRA. M.A.T. As políticas públicas e a nova configuração territorial do turismo no
Brasil. In: SOUZA, M. J. (org). Políticas públicas e o lugar do turismo. Brasília :
Universidade de Brasília; Departamento de Geografia; Ministério do Meio Ambiente, 2002.
SIRGADO, J. R. Espaço turístico e desenvolvimento no Cone Leste Paulista. In:
RODRIGUES, A.B. (org). Turismo Rural: práticas e perspectivas. São Paulo: Ed. Contexto,
2001.
SOUZA, M.J.L. Como pode o turismo contribuir para o desenvolvimento local. In:
RODRIGUES, A.B. (org). Turismo e desenvolvimento local. São Paulo: Hucitec, 1997.
TULIK, O. Do conceito às estratégias para o desenvolvimento do turismo rural. In:
ALMEIDA, J.A.; FROELICH, J.M.; RIEDL, M. (Orgs.) Turismo Rural e desenvolvimento
Sustentável. Campina, SP: Papirus, 2000.
XVII CONGRESSO INTERAMERICANO DE TURISMO. Sostenibilidad del turismo
mediante la gestion de sus recursos naturales y culturales. OEA/Ser. San José. Costa Rica,
1997.
WAIBEL, L. Capítulos de geografia tropical e do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1953.
WTO - WORLD TOURISM ORGANIZATION. Sustainable development of tourism. A
compilation of Good Practices. 2000.
WWF-BRASIL. Certificação em ecoturismo. Lições mundiais e recomendações para o
Brasil. Certificação em Turismo. Série Técnica. Vol. IX. Brasília, 2001.
YIN, R.K. Estudo de caso – planejamento e métodos. 2a.ed. São Paulo: Bookmann, 2001.
Digitais
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.
<http//www.ibge.gov.br>. Acesso em janeiro de 2004.
Disponível em:
OMT (Organização Mundial do Turismo). Disponível em: <www.world-tourism.org>.
Acesso em janeiro de 2004.
SITE
DA
PREFEITURA
DE
PORTO
UNIAO.
Disponível
em:
www.net-
uniao.com.br/pmpu/menu.htm > Acesso em janeiro de 2004.
SITE PESSOAL . Disponível em: www.portouniaosc.com.br. Acesso em janeiro de 2004.
www.criareplantar.com.br/pecuaria/peixe/especie_rio.php> Acesso em fevereiro de 2004.
122
http://www.ceha-madeira.net/elucidario/a/ala4.html > Acesso em fevereiro de 2004.
http://www.cdbrasil.cnpm.embrapa.br/sc/htm0/sc17_23.htm > Acesso em março 2004.
123
LISTA DE APÊNDICES
APÊNDICE A - Roteiro de Entrevista
UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI
CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR BALNEÁRIO CAMBORIÚ
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO “Stricto Sensu” MESTRADO EM TURISMO E HOTELARIA
Projeto: “O DESENVOLVIMENTO DO TURISMO EM PORTO UNIÃO-SC: Um estudo sobre a região
de Santa Cruz do Timbó na perspectiva da sustentabilidade”.
Nome:
Profissão/Cargo:
Data: ____/____/____
Entidade:
VISÃO ATUAL DO TURISMO
1) Quais os tipos de atividades turísticas são praticadas na região na sua opinião?
a) Quais poderiam ser praticadas?
b) Porque?
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
2) Qual a sua opinião sobre os aspectos positivos (benefícios) do turismo hoje em Santa Cruz do
Timbó nas respectivas áreas:
Escala: I1 (Integral) M (Mediano) I2 (Insignificante)
a) Social
1- Redução da saídas de pessoas da comunidade para a cidade para tentar uma vida melhor
2-Melhora a qualidade de vida da população residente do município.
3-Valoriza a mão-de-obra local nas atividades turísticas.
4-Outro___________________________________
b) Econômica
1-Alternativa de trabalho e renda para a população local
2-Aumenta as vendas no comércio da cidade
3-Estimula a capacidade local de desenvolver empreendimentos turísticos
4-Outro:___________________________________
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
124
c)
Cultural
1-Valoriza o artesanato, a gastronomia , as danças típicas da região, entre outros
2-Mantém e reforça a identidade étnica da comunidade residente;
3-Preserva o patrimônio histórico-cultural (arquitetura, monumentos, etc);
4-Outro:________________________________
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
d) Ecológica/Ambiental
1-Respeita o meio ambiente natural de Santa Cruz do Timbó;
(I1 – M – I2)
2-Proporciona a manutenção dos recursos e a diversidade biológica – inclusive com relação ao (I1 – M – I2)
Rio Timbó;
3-Conscientiza os indivíduos sobre a importância da educação ambiental;
(I1 – M – I2)
4-Outro:___________________________________
3) Qual a sua opinião sobre os aspectos negativos (malefícios) do turismo hoje em Santa Cruz do Timbó
nas respectivas áreas:
a) Social
1- Aumento da marginalidade e da prostituição na localidade;
2-Elevado consumo de bebidas alcoólicas e drogas estimuladas pelos turistas
3-Conflitos entre moradores locais e turistas.
4-Outro:___________________________________
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
b) Econômica
1-Aumento de preços nos estabelecimentos comerciais do município;
2-Escassez de produtos no comércio local;
3-Baixa remuneração percebida pelas atividades turísticas desenvolvidas;
4-Outro:___________________________________
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
c) Cultural
1-Desvalorização da cultura local (festas populares, comidas e danças típicas ).
2-Depredação dos bens públicos (monumentos históricos, esculturas, prédios etc).
3-Aculturação da população local (perda da identidade).
4-Outro:___________________________________
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
(I1 – M – I2)
d) Ecológica/ambiental
1-Descaso com o meio ambiente natural (esgoto a céu aberto, lixo nas ruas e estradas, (I1 – M – I2)
poluição do rio).
2-Descaracterização da paisagem natural junto às margens do rio e estradas.
(I1 – M – I2)
3-Escassez de peixes e assoreamento do rio.
(I1 – M – I2)
4-Outro:___________________________________
125
4) No seu ponto de vista, qual (ais) a (s) principal (ais) dificuldade (s) para o desenvolvimento do turismo
na região?
1)___________________________________________________________________________________
2)___________________________________________________________________________________
3)___________________________________________________________________________________
5) Como o senhor (a) considera o nível de envolvimento dos seguintes segmentos no processo de
planejamento e desenvolvimento do turismo de Santa Cruz do Timbó?
Escala:
(1) Participativo com ações
(4) Nenhum envolvimento
(2) Participativo sem ações
(3) Poderia ser mais participativo com ações
a) Poder Público Estadual ( ). Por quê?___________________________________________________
b) Poder Público Municipal ( ). Por quê? __________________________________________________
c) Iniciativa Privada ( ). Por quê?_______________________________________________________
d) Comunidade local (associação de bairro)- ( ) Por quê? __________________________________
e)OnG (Comitê da Bacia do Rio Timbó)- ( ) Por quê? ______________________________________
f)Cursos de Turismo da Região ( ) Por quê?______________________________________________
PROPOSIÇÕES
Desenvolvimento sustentável: economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente equilibrado
6) Que proposta (s) sua organização/instituição e/ou entidade apresentaria no sentido de promover
melhoras para o turismo no município?
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
PLANEJAMENTO
7) O (a) senhor (a) tem conhecimento do perfil de turistas que visitam a Região (idade, sexo, localidade de
origem, classe social)? Qual é a maior motivação da viagem?
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
8) No período de temporada qual é o tipo de estratégia que os senhores utilizam para manter o
empreendimento? E quais as maiores dificuldades encontradas? (EMPREENDEDORES)
__________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
Agradecemos sua colaboração, muito obrigado!
126
APÊNDICE B – Roteiro de Observação
Roteiro para Observação – Dissertação de Mestrado
Tema: Desenvolvimento atual do Turismo
Localidade: Santa Cruz do Timbó/São Pedro do Timbó
Consiste em:
Verificar elementos relevantes (categorias)
Efetuar questões ou propor problemas
Efetuar observações e registrá-las em função do problema proposto
Rever idéias e opiniões em desacordo com as observações
Itens a serem observados durante as visitas a Campo
1) Observar nas pousadas o procedimento de gerenciamento dos resíduos sólidos
(destino).
2) Observar, nas pousadas e comércio local, se os produtos utilizados são provenientes da
produção da comunidade local.
3) Observar o abastecimento de água e tratamento de esgoto (se existem e como
funcionam).
4) Observar na localidade a questão social referente à marginalidade e prostituição.
5) Observar o comportamento dos turistas em cada localidade visitada.
6) Nas reuniões da comunidade, verificar a questão da preocupação ou não com o
turismo, com as questões ambientais, econômicas e culturais.
7) Nas reuniões do conselho de turismo e outras, atentar para as questões da
sustentabilidade do turismo. Como cada participante se posiciona.
127
LISTA DE ANEXOS
Anexo 1 - Folder turístico de Porto União-SC
128
Anexo 2 – Termo de consentimento livre esclarecido para entrevista
UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - UNIVALI
Centro de Educação Balneário Camboriú
Curso de Pós-Graduação Stricto sensu em Turismo e Hotelaria – Mestrado Acadêmico
Comissão Nacional de Ética em Pesquisa - CONEP
FOLHA DE ROSTO PARA PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS
O DESENVOLVIMENTO DO TURISMO EM PORTO UNIÃOSC: Um estudo sobre a região de Santa Cruz do Timbó na perspectiva da
sustentabilidade”.
1. Projeto de Pesquisa:
2. Área do Conhecimento (Ver relação no verso) TURISMO
5. Área(s) Temática(s) Especial (s) (Ver fluxograma no verso)
3. Código:
6.13
6. Código(s):
4. Nível: (Só áreas do
conhecimento 4 )
7. Fase: (Só área
temática 3)
I( )
II ( )
III ( ) IV ( )
8. Unitermos: ( 3 opções )
SUJEITOS DA PESQUISA
9. Número de sujeitos
No Centro :
Total:
10. Grupos Especiais : <18 anos ( ) Portador de Deficiência Mental ( ) Embrião /Feto ( )
Relação de Dependência (Estudantes , Militares, Presidiários, etc ) ( )
Outros ( X )
Não se aplica ( )
PESQUISADOR RESPONSÁVEL
11. Nome: Andréia Cristina da Silva Kobelinski
12. Identidade:
21542780-4
14. Nacionalidade:
Brasileira
13. CPF.:
162845418-05
15. Profissão:
Professora
19.Endereço (Rua, n.º ):
R Agenor P. Bueno, 42
20. CEP:
89400-00
16. Maior Titulação:
17. Cargo
Pós Graduação
18. Instituição a que pertence:
Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI
23. Fone:
(42)91039233
21. Cidade:
Porto União
24. Fax
22.
U.F.
SC
25. Email:
[email protected]
m.br
Termo de Compromisso: Declaro que conheço e cumprirei os requisitos da Res. CNS 196/96 e suas complementares.
Comprometo-me a utilizar os materiais e dados coletados exclusivamente para os fins previstos no protocolo e a publicar os
resultados sejam eles favoráveis ou não. Aceito as responsabilidades pela condução científica do projeto acima.
Data: 19/12/2003
______________________________________
Assinatura
INSTITUIÇÃO ONDE SERÁ REALIZADO
26. Nome:
29. Endereço (Rua, nº):
27. Unidade/Órgão:
30. CEP:
31. Cidade:
33. Fone:
34. Fax.:
28. Participação Estrangeira: Sim ( )
35. Projeto Multicêntrico: Sim ( )
Participantes no Brasil )
Não ( )
Não (X )
Nacional ( )
Internacional ( )
32.
U.F.
( Anexar a lista de todos os Centros
Termo de Compromisso ( do responsável pela instituição ) :Declaro que conheço e cumprirei os requisitos da Res. CNS 196/96
e suas Complementares e como esta instituição tem condições para o desenvolvimento deste projeto, autorizo sua execução.
Nome:_______________________________________________________
Cargo________________________
Data: _______/_______/_______
___________________________________
Assinatura
Download

andréia cristina da silva kobelinski o desenvolvimento do turismo