UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
MESTRADO EM CIÊNCIAS DO ENVELHECIMENTO
Sueli dos Santos Vitorino
QUALIDADE DE VIDA PERCEBIDA POR IDOSOS DE UM
PROGRAMA EDUCATIVO: AVALIAÇÃO DE UMA
INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA.
São Paulo
2012
UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
MESTRADO EM CIÊNCIAS DO ENVELHECIMENTO
Sueli dos Santos Vitorino
QUALIDADE DE VIDA PERCEBIDA POR IDOSOS DE UM
PROGRAMA EDUCATIVO: AVALIAÇÃO DE UMA
INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA.
Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado
em Ciências do Envelhecimento da Universidade São
Judas Tadeu para a análise da banca examinadora
como requisito à obtenção do título de Mestre em
Ciências do Envelhecimento
Área de concentração:
Qualidade de Vida.
Saúde,
Orientadora: Profª Drª Carla Witter
São Paulo
2012
Educação
e
AUTORIZO REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL
DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU
ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE
CITADA A FONTE
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca
da Universidade São Judas Tadeu
Bibliotecário: Ricardo de Lima - CRB 8/7464
Vitorino, Sueli dos Santos
V845q
Qualidade de vida percebida por idosos de um programa educativo: avaliação de uma
intervenção psicológica / Sueli dos Santos Vitorino. - São Paulo, 2012.
97 f. ; 30 cm
Orientador: Carla Witter
Dissertação (mestrado) – Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, 2012.
1. Envelhecimento. 2. Idosos - Psicologia. 3. Qualidade de vida. I. Witter, Carla. II. Universidade
São Judas Tadeu, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências do Envelhecimento. III.
Título.
CDD – 610.73
FOLHA DE APROVAÇÃO
Sueli dos Santos Vitorino
QUALIDADE DE VIDA PERCEBIDA POR IDOSOS DE UM
PROGRAMA
EDUCATIVO:
AVALIAÇÃO
DE
UMA
INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA.
Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado
em Ciências do Envelhecimento da Universidade São
Judas Tadeu para a análise da banca examinadora
como requisito à obtenção do título de Mestre em
Ciências do Envelhecimento
Área de concentração:
Qualidade de Vida.
Saúde,
Educação
e
Aprovado em:____/____/______
Banca Examinadora
Profa. Dra. Anita Liberalesso Neri
Instituição: UNICAMP
Assinatura:________________________________
Profa. Dra. Maria Luiza de Jesus Miranda
Instituição: USJT
Assinatura:________________________________
Profa. Dra. Carla Witter (orientadora)
Instituição: USJT
Assinatura:________________________________
DEDICATÓRIA
À minha mãe
À toda a minha família
Aos envolvidos neste estudo.
AGRADECIMENTOS
À Deus, que me deu coragem para prosseguir quando esmorecia.
À minha família, por suportar minhas ausências. Sobretudo meu amado marido Seclerb,
fiel parceiro e eterno incentivador.
À minha orientadora, Carla Witter, um anjo na minha vida, um exemplo de
solidariedade, paciência, colaboração e, sobretudo, de fé porque acreditou em mim antes
que eu mesma fosse capaz de fazê-lo.
Ao querido e competente corpo docente do mestrado em Ciências do Envelhecimento
da Universidade São Judas Tadeu que tive a honra de frequentar as aulas: Marcelo de
Almeida Buriti, Rita Maria Monteiro Goulart, Maria Luiza de Jesus Miranda, Kátia de
Angelis (deixou muita saudade e muito aprendizado), Ana Martha de Almeida
Limongelli, Rogério Brandão Wichi e um agradecimento especial à Claudia Borim da
Silva, a quem sou muito grata por, mais do que paciência e conhecimentos
compartilhados, pela disponibilidade e fé em mim quando nem mesmo eu tinha mais,
você não tem ideia de como sua dedicação à mim foi importante para que eu achasse o
rumo da finalização do meu trabalho, o que fiz com a ajuda incondicional, e tantas
vezes maternal, da Profª Carla Witter a quem devo um agradecimento mais do que
especial.
À Profª Elza Maria Tavares Silva pela revisão de português.
Aos meus colegas de sala, a primeira turma de mestrado em Ciências do
Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu, obrigada por ter feito nossa turma
ser especial e única, jamais os esquecerei.
Aos Daniel, Ibraim, Selma e Simone, auxiliares de coordenadoria de pós-graduação da
Universidade São Judas Tadeu.
Às doutoras, Anita Liberalesso Neri e Maria Luiza de Jesus Miranda por ter aceitado
participar da minha banca de mestrado, pela contribuição e enriquecimento do meu
trabalho.
Agradeço, ainda, à Universidade São Judas Tadeu por ter me concedido uma bolsa de
estudos.
Por fim, mas não menos importante, agradeço à minhas amigas: Nathaly Dawalibi,
Geovana Anacleto, Gleice Branco e Hisabel Araújo pelas longas horas de conversa, pela
sempre disponível colaboração, aprendizado e pela amizade que ficou entre nós.
Vitorino, S. dos Santos (2012). Qualidade de vida percebida por idosos de um
programa educativo: avaliação de uma intervenção psicológica. Dissertação de
Mestrado, Ciências do Envelhecimento, Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, SP,
97 p.
RESUMO
Sabendo-se do crescimento mundial da população idosa e percebendo a necessidade de
estudos que viabilizem o bem-estar psicológico nessa faixa etária, este trabalho teve
como objetivo geral avaliar os efeitos de uma intervenção psicológica sobre a qualidade
de vida (QV) levando em consideração os níveis de ansiedade/depressão e,
subjetivamente, a percepção de qualidade de vida e de satisfação com a vida de idosos
atendidos numa universidade particular na cidade de São Paulo. Após preenchimento do
TCLE, os instrumentos foram aplicados para medir a ansiedade e a depressão (escalas
de Beck), a qualidade de vida (WHOQOL-old), a satisfação com a vida (escala de
satisfação com vida adaptada), antes e após a intervenção psicológica que foi realizada,
em dois grupos que funcionaram paralelamente, durante 12 sessões, 21 idosos de ambos
os gêneros iniciaram, dos quais 11 foram até o fim e avaliados pós-intervenção. Os
principais resultados permitem aferir que a caracterização dos participantes revelou um
perfil semelhante a diversos trabalhos publicados sobre idosos, tais como: maioria do
sexo feminino, com idade média de 66 anos, viúvas, morando com outras pessoas
(cônjuge ou filhos), com renda em torno de três salários mínimos. A intervenção
psicológica foi qualitativamente positiva sobre a qualidade de vida de ambos os grupos
de idosos atendidos no Programa Educativo, pois ficou claro que todos os participantes
conseguiram ter um olhar diferente para a própria vida, fato este que não lhes tinha
ocorrido antes e que favoreceu sua vivência emocional. Quanto a análise, antes e após a
intervenção, foi possível verificar que, no grupo, os níveis de ansiedade e de satisfação
para com a vida, praticamente, mantiveram-se entre a pré e pós-intervenção. Já os níveis
de depressão e a qualidade de vida tiveram ligeira melhora, apresentando resultados
estatisticamente significantes nas facetas Presente Passado e Futuro, Participação Social
e Intimidade. Na correlação entre os níveis de ansiedade e depressão com a satisfação e
a qualidade de vida, antes e após a intervenção, foi verificada forte correlação (com
diferença estatisticamente significante) entre Ansiedade e Depressão, Ansiedade e
Qualidade de Vida e Satisfação com a vida na avaliação pré-intervenção. Na avaliação pósintervenção obteve-se diferença estatisticamente significante somente para Ansiedade e
Depressão e Ansiedade e Qualidade de Vida. É importante frisar que a pesquisa
apresentada limitações devido à quantidade de idosos participantes da intervenção (n=
11), o que impede a generalização dos dados. Além disso, a complexidade da temática e
das variáveis envolvidas não permitiu afirmar com precisão a eficácia da intervenção
psicológica na qualidade de vida dos idosos, porém os resultados revelaram
principalmente os qualitativos, que os encontros foram positivos porque permitiram
uma maior reflexão sobre aspectos da vida dos participantes. Dessa forma, conclui-se
que é fundamental que sejam realizadas outras pesquisas sobre intervenções
psicológicas com idosos, pois há uma lacuna na área da Psicologia no que se refere às
pesquisas que envolvam intervenções psicológicas para promover o bem-estar e a
qualidade de vida dos idosos.
Palavras chave: Gerontologia; Envelhecimento; Psicologia.
Vitorino, S. dos Santos (2012). Quality of life noticed by elderly in an Educative
Project: evaluation of a psychological intervention. Master’s degree dissertation,
Science of age, Sao Judas Tadeu University, Sao Paulo, SP, 97 p.
ABSTRACT
Knowing about the world ancient population, and noticing the need of the studies that
makes feasible the psychological well being in this age group, this work had as its main
goal, avaluate the effects of a psychological intervention about the quality of life.
Taking in consideration the level of anxiety/depression and, subjectively the perception
of life quality and the satisfaction with ancient life, granted in a private university in
Sao Paulo city. After filling in the TCLE, the instruments were applied to measure the
anxiety and the depression (Beck Scale), the quality of life (WHOQOL – old), the life
satisfaction (Scale of satisfaction with the adaptable life), before and after the
psychological intervention that was fulfilled in two groups that worked parallel. During
12 sections, 20 elderly from both sex started. From the 21 only 11 ended and were
avaluated after the intervention. The principal results permit to assign that the
characterization of the subjects revealed a profile similar to several works published
about elderly like: most female with average age of 66 years old, widows living with
others people (spouse or sons) with lace around three minimum wages. The
psychological intervention was qualitatively positive about the quality of life of both
elderly groups granted in the educative Project, because it was clear that the entire
subject got a different look to their own lives, in fact they hadn’t noticed about it before,
what benefits their emotional life. About the analysis, before and after the intervention,
it was possible to check that, in the group, the levels of anxiety and satisfaction with life
practically were kept between before and after intervention. But the levels of depression
and the quality of life had a light improvement, showing results statistically meaningful
in the Present, Past and Future facets, social participation and intimacy. In the
correlation between the levels of anxiety and depression with the satisfaction and the
quality of life, before and after the intervention, it was verified the strong correlation
(with meaningfully and statistically difference) between anxiety and depression, anxiety
and quality of life and satisfaction with life in the pre-intervention. In the postintervention avaluation which had meaningfully and statistically difference only for
anxiety and depression and anxiety and quality of life. It is important to underline that
the research shows limitations because the quantity of elderly participating of the
intervention (n=11), what impede the generalization of the information besides, the
complexity of the thematic and the variable involved didn’t permit to assert with
precision and effectiveness of the psychological intervention, in the quality of life of the
elderly, but the results reveal, principally the qualitative ones, that the meetings were
positive, because they permitted a higher reflection about the aspects of the subjects’
life. Then, we can conclude that it is fundamental to create other researches about
psychological intervention with elderly, because there is a gap in the psychology area
which refers to the researches that involves psychological intervention to promote the
well-being and quality of life of elderly.
Keywords: Gerontology; Aging; Psychology.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1:
Tabela 2:
Tabela 3:
Tabela 4:
Tabela 5:
Tabela 6:
Tabela 7:
Tabela 8:
Tabela 9:
Tabela 10:
Tabela 11:
Tabela 12:
Tabela 13:
Tabela 14:
Artigos publicados entre 2009 e 2011 (n=101) disponíveis na
base de dados PsycINFO no site da Associação Americana de
Psicologia (APA).
Distribuição por gênero no grupo 1 e 2 do início ao fim das
doze sessões de intervenção.
Níveis de classificação e respectivas pontuações nos
inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck.
Conceitos e conteúdos das facetas inclusas no módulo
WHOQOL-OLD.
Pontuação do instrumento Whoqol-old, considerando reversão
de escores negativos.
Cronograma dos Encontros em Grupo realizados para a
intervenção psicológica.
Caracterização dos idosos participantes da pesquisa,
intervenção e pós-intervenção psicológica (n=11), segundo as
variáveis sócio-demográficas.
Nível e média da pontuação de Depressão e Ansiedade antes e
após a intervenção.
Nível e média da pontuação de Satisfação com a vida antes e
após a intervenção.
Média da pontuação por facetas do WHOQOL-old antes e
após a intervenção.
Correlação entre a pontuação de ansiedade, depressão,
qualidade de vida e satisfação com a vida pré e pósintervenção.
Resultados do Participante 1, nos pré e pós-intervenção, em
todos os instrumentos.
Resultados do Participante 2, nos pré e pós-intervenção, em
todos os instrumentos.
Resultados do Participante 11, nos pré e pós-intervenção, em
todos os instrumentos.
Pág
20
29
31
32
33
37
40
42
43
47
50
52
56
61
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AF
Atividade Física
APA
American Psychology Association
AVD(s)
Atividade(s) de Vida Diária
AUT
Autonomia
CAPES
Coordenadoria de Aperfeiçoamento do Ensino Superior
CENPA
Centro de Psicologia Aplicada
CID-10
Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas
Relacionados à Saúde. 10a rev.
CNS
Conselho Nacional de Saúde
COEP
Comitê de Ética em Pesquisa
DSM-IV
Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 4a ed.
FIBRA
Fragilidade em Idosos Brasileiros
FS
Funcionamento do Sensório ou Habilidades Sensoriais
G
Grupo
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
INT
Intimidade
MEM
Morte e Morrer
OMS
Organização Mundial da Saúde
P
Participante
PPF
Atividades Presentes, Passadas e Futuras
PSO
Participação Social
QV
Qualidade de Vida
SIC
Segundo Informações Coletadas
SPSS
Statistical Package for Social Science
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
USJT
Universidade São Judas Tadeu
USP
Universidade de São Paulo
WHO
World Health Organization
WHOQOL
World Health Organization Quality of Life
WHOQOL-old
World Health Organization Quality of Life – Questionnaire-old
SUMÁRIO
Pág
Apresentação
11
Introdução
13
Idoso e Envelhecimento
13
Qualidade de Vida, Ansiedade e Depressão
15
Intervenções psicológicas
18
Objetivo
26
Método
27
Caracterização Breve do Programa Educacional
27
Participantes
28
Materiais
29
Procedimento
34
Análise de Dados
38
Resultados e Discussão
40
Considerações Finais
65
Referências
67
Anexos
73
11
APRESENTAÇÃO
Desde sua graduação, em 2007, a pesquisadora se interessou pela maneira como os
idosos paulistas têm vivido sua velhice e, nesta terceira pesquisa, enfocou a intervenção
psicológica como aporte para desenvolver, ou melhorar, a qualidade de vida nesta fase da
vida. A pesquisadora teve a preocupação e o objetivo de que sua pesquisa fosse útil aos
participantes, pois são eles os verdadeiros usuários de seus serviços, e dentro dessa linha de
pensamento organizou uma pesquisa interventiva, com avaliações pré e pós-intervenção
psicológica, a fim de, adicionalmente, poder oferecer um atendimento psicológico em
grupo a esses idosos. Com a utilização das palavras-chave: intervenção psicológica e
idosos foi feito o levantamento nos bancos de dissertações locais (CAPES e USP, 2012) o
que corroborou na verificação de que não foram feitas pesquisas de mestrado no último ano
que tivessem esse enfoque.
A realização da presente pesquisa possibilitou à autora o aprofundamento do seu
conhecimento sobre o idoso e o envelhecimento, tanto teoricamente como praticamente
pelo caráter interventivo do trabalho. Portanto, permitiu que a pesquisadora sentisse uma
melhora e um aprimoramento no seu conhecimento teórico-acadêmico e na sua prática
profissional, desenvolvendo e aperfeiçoando as suas capacidades e habilidades como
psicóloga. Além dessa satisfação pessoal e profissional, a pesquisadora acredita ter
contribuído socialmente com o seu trabalho na medida em que não apenas gerou
conhecimento dentro do rigor científico, mas principalmente pelo fato da intervenção
psicológica ter gerado uma melhora no bem estar dos idosos participantes.
Levando-se em consideração que todo resultado de uma investigação científica
reflete um momento histórico específico e, considerando o atual contexto de múltiplas
possibilidades de estudo sobre o idoso e o processo de envelhecimento, este trabalho teve
como meta final ser uma pequena colaboração para a produção científica da área de
gerontologia. Área de estudo que primazia o enfoque interdisciplinar, porque compreende o
fenômeno como um objeto de estudo multideterminado e multifacetado, sendo necessária a
12
integração das diversas áreas do conhecimento para a melhor investigação e produção de
conhecimento sobre os idosos e os processos de envelhecimento.
Portanto, a Dissertação está assim organizada: Introdução, que apresenta o
referencial teórico levantado e no qual a pesquisa foi embasada; Objetivos, os quais
informam os propósitos da pesquisa e estão organizados em Geral e Específicos; Método,
no qual são descritos o programa educativo, os participantes, os materiais e os
procedimentos para a coleta dos dados; Resultados e Discussão, nesta seção encontram-se a
tabulação dos dados coletados, apresentados em tabelas, e a sua discussão à luz da literatura
especializada. Por último, são apresentados os pós-textos usuais: Referências e Anexos.
13
INTRODUÇÃO
Idoso e Envelhecimento
O Envelhecimento na sua atual concepção se caracteriza por uma série de aspectos
inter-relacionados que são múltiplos e multifacetados (Neri, 2001; Bassit & Witter, 2006;
Brandão & Mercadante, 2009), muito complexos, possibilitando afirmar que o
envelhecimento deve ser sempre considerado a partir da definição de um fenômeno
biológico, psicológico e social que será determinado, principalmente, pela cultura em que o
indivíduo envelhecente está inserido e que determinará, também, outras definições como a
de saúde e bem-estar, por exemplo (Neri, 1999 e 2007). Neste aspecto, vale ressaltar que no
presente trabalho é considerada a definição de Envelhecimento de Neri (1995), que se
baseia no conceito de Life-Spam de Paul Baltes, que trata o processo de envelhecimento
como curso de vida.
É importante destacar que o crescimento da população idosa, no que diz respeito à
estrutura social, aconteceu em ritmos e formas diferentes nos países desenvolvidos e em
desenvolvimento. Os países desenvolvidos enriqueceram antes de sua população
envelhecer, portanto, acumularam recursos para criar uma rede de infraestrutura
adequada, enquanto que nos países em desenvolvimento, como o Brasil, isso não ocorreu
(Whitaker, 2007; WHO 2010). O envelhecimento, no Brasil, acontece ou em um
ambiente de desigualdades sociais que não responde às necessidades de um novo grupo
etário emergente (Pereira, Cotta, Franceschini, Ribeiro, Sampaio, Priore & Cecon, 2006)
ou, ainda, paralelo à criação de infraestrutura o que torna difícil uma velhice com
qualidade de vida (Neri, 2007; Whitaker, 2007; Brandão & Mercadante, 2009).
Adicionalmente é relevante destacar que o Brasil tem uma diversidade populacional
reconhecida internacionalmente e que se reflete inclusive entre os idosos. O último censo
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010 em domicílios
brasileiros, informa que há cerca de 20.590.597 idosos com 60 anos e mais (10,79% da
população total), dos quais 54% são mulheres (89% delas vivem no meio urbano) a maioria
14
(19.321.985) com idade entre 60 e 84 anos. Do total, 20.437.787 dos idosos têm
rendimento nominal mensal, sendo que 72% recebem entre ¼ e 2 salários mínimos. Os
dados, ao considerar somente os residentes em área urbana, revelam que cerca de 17.324
milhões são de idosos, sendo 57% desta população de mulheres, das quais 76% são
alfabetizadas.
Nesse contexto social tão diverso o atendimento formal às demandas
populacionais de saúde, habitação, lazer, educacional, entre outros é, muitas vezes,
insuficiente, sendo que a participação de instituições não governamentais, tanto religiosas
quanto com outras motivações, contribuem de forma muito importante na minimização
dessa carência. Entre esses importantes núcleos de atendimento à comunidade estão as
universidades que oferecem serviços especializados, já que os cursos exigem uma atuação
técnica de seus alunos junto à população (que, possivelmente, será sua clientela pósformatura) contribuindo para o seu desenvolvimento profissional na prática.
Uma dessas universidades, localizada na cidade de São Paulo, permitiu a realização
da presente pesquisa que foi conduzida considerando as particularidades de ser essa uma
das maiores metrópoles do mundo, que oferece muitas possibilidades de se ter uma velhice
difícil, mas oferece também muitos serviços (pagos e gratuitos) que visam a reparar
prejuízos e/ou colaborar para uma boa velhice como, por exemplo, o oferecimento de
inúmeras possibilidades de recolocação, atendimento médico, estudo, lazer, melhor
saneamento básico entre outros. Talvez por essa razão São Paulo seja o segundo estado do
Brasil com maior número de idosos centenários (3.146), seguindo a Bahia (3.525) e à frente
de Minas Gerais (2.597), os três estados com maior concentração de idosos centenários
(IBGE, 2012).
Esta ampla oferta de serviços que vem contribuindo para a melhora na qualidade de
vida de idosos pode e deve ser replicada em todos os diversos contextos, pois a qualidade
de vida é, entre outros aspectos, um dos fatores fundamentais para a manutenção da
autonomia, preservação da saúde mental e física. O encontro de duas ou mais ciências
trabalhando em prol desse grupo de idosos, além de poder minimizar sofrimentos, vai ao
15
encontro de tendências modernas em cuidado interdisciplinar já que é a promoção de um
atendimento integral à pessoa.
Qualidade de Vida, Ansiedade e Depressão
A Organização Mundial de Saúde (OMS) é o maior expoente na produção de
estudos e orientações especificamente voltados à Qualidade de Vida (QV), tendo criado um
grupo de estudos composto por expertises de diversas áreas para discutirem e elaborarem
um conceito de QV que atendesse os seus múltiplos aspectos e considerasse a diversidade
de vida nos diversos países do mundo. A meta designada pela a OMS ao grupo de estudos
World Health Organization Quality of Life (WHOQOL) foi elaborar uma definição de QV
que pudesse ser considerada universal na medida em que atendesse as características das
diversas populações e culturas estudadas. O grupo definiu, de forma geral, a QV como: a
percepção que o indivíduo tem sobre a sua posição na vida, considerando o contexto de sua
cultura e de acordo com os sistemas de valores da sociedade em que vive, bem como em
relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações (WHOQOL Group, 1998
citado por Fleck, 2003).
Estudiosos do tema na esfera da saúde como Minayo, Hartz e Buss (2000) discutem
a definição de QV e revelam que ela é ampla e não há consenso sobre sua definição. Assim,
do ponto de vista mais geral, a definição de QV se apoia na compreensão das necessidades
humanas fundamentais e está fortemente relacionada às necessidades humanas básicas cujo
objetivo principal é a promoção de saúde.
No Brasil, as autoras Irigaray e Trentini (2009) se aproximam dessa definição
quando consideram Qualidade de Vida como um construto multidimensional, uma
combinação de critérios subjetivos e objetivos, que são influenciados por valores
individuais e sociais. Para as autoras, na velhice que é uma fase do curso de vida, o
conceito de QV está associado a ter alegria de viver, ter amizades, ter saúde, ter
16
independência, ter relacionamentos sociais, ter realização em atividades físicas cujos
benefícios vão além do aspecto físico e do sentimento de ser capaz.
A qualidade de vida pode sofrer alteração (por diversos motivos) em qualquer fase
da vida, no entanto, na velhice, ela se acentua devido à maior incidência de fatores de
risco como acúmulo de perdas, surgimento de doenças, isolamento social, entre outros
(Horta, Ferreira & Zhao, 2010). Por exemplo, a ansiedade e a depressão são alguns dos
fatores emocionais que influenciam a Qualidade de Vida, embora estejam presentes em
todas as etapas da vida, são especialmente potencializadas nas fases demarcatórias de
mudança no ciclo vital, como: infância, adolescência, início da vida adulta e velhice. As
pessoas podem vivenciar a transição destas fases de forma satisfatória ou não. Quando os
passam de forma satisfatória esses estados emocionais tendem a desaparecer, contudo em
alguns casos esses estados tornam-se crônicos e torna-se necessário um tratamento
específico para lidar com a depressão e a ansiedade, que podem estar em nível mais ou
menos severo, o que pode ser verificado, oportunamente, com uma avaliação psicológica.
Segundo Cunha (2001), citando Raper e Barlow (1991), a ansiedade é
reconhecidamente uma emoção humana básica extremamente importante, porque seus
sintomas, assim como nos transtornos de ansiedade, podem ser considerados a principal
dificuldade vivenciada pelas pessoas. Alguns dos sinais de ansiedade são compartilhados
com os de depressão ao que a autora recorre à Beck e Steer (1993a, p.1) para justificar
que a escala de Ansiedade de Beck (BAI) foi construída “para medir sintomas de
ansiedade, que são compartilhados de forma mínima com os de depressão”.
Os transtornos ansiosos são descritos na CID-10 (Classificação Estatística
Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 1993) e no DSM-4 (Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 1995) em suas diversas formas,
levando em conta, além do conjunto de sintomas, sua interferência na vida funcional do
indivíduo. Pode ser classificada como leve, moderada ou severa, pode ser ainda associada
ou não a outros transtornos, pode ter sido eliciada ou não, pode ser recorrente ou primeiro
episódio e assim por diante.
17
Os transtornos depressivos, que também figuram na CID-10 (1993) e no DSM-4
(1995), segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2010), são um dos problemas
psicológicos mais comuns no mundo e ocorrem em todas as faixas etárias o que confirma
dados de seu relatório mundial de saúde publicado em 2008. No relatório, a depressão na
velhice está relacionada a fatores sociais como mudanças globalizadas no estilo de vida e
à urbanização, especialmente nos países em desenvolvimento, e são causas cada vez mais
importantes de morbidade e mortalidade entre idosos (OMS, 2008).
Colasanti, Marianetti, Micacchi, Amabile e Mina (2009) afirmam que sintomas
depressivos são altamente prevalentes em fases tardias da vida e os distúrbios de humor
podem atingir por volta de 30% da população acima de 65 anos de idade. Veras e Murphy,
já em 1994, revelaram que 26% da população idosa de três distritos do Rio de Janeiro tinha
síndrome depressiva. Snowdon (2002) analisou a prevalência da depressão na velhice no
Brasil e no mundo, destacando os seus fatores de risco pelo fato de ser subjulgada nos
diagnósticos clínicos e ter os seus sintomas considerados apenas na comorbidade com
outras doenças crônicas, tais como exemplo, a diabetes e problemas coronários.
A revisão sistemática de Huang, Dong, Lu, Yue e Liu (2010) e a revisão de literatura
de Chang-Quan e colaboradores (2010) revelaram que existe associação da depressão com
doenças crônicas, tais como: derrame, a perda da audição, a perda da visão, as doenças
cardíacas, as doenças pulmonares, artrite, hipertensão e diabetes. Portanto, a prevalência de
depressão em idosos deve ser maior do que tem sido avaliado, pois a maioria da população
idosa é acometida por uma ou mais doenças crônicas.
A psicoterapia, incorporada ou não ao tratamento psiquiátrico, costuma fazer parte
da clínica dessas disfunções, também, entre a população idosa e pode ser feita de duas
formas: individualmente ou em grupo. De acordo com as diversas publicações estudadas
por Cordioli e colaboradores. (2008), ambas as formas de intervenção têm a mesma
eficácia. O mesmo autor ressalta que o tratamento em grupo poderá ser mais ou menos
bem sucedido dependendo da adesão dos pacientes, o que costuma ser influenciado por
dois fatores: diagnóstico clínico (com baixo fator preditivo para sucesso no grupo) e as
características individuais de cada participante, sendo a motivação a principal delas.
18
As contra indicações para tratamento em grupo terapêutico na abordagem
psicodinâmica, como foi o deste estudo, segundo Zimmerman (1997), incluem os
pacientes com as seguintes características: pouco motivados, muito deprimidos ou
paranóicos; com forte tendência a atos de natureza maligna (como exemplo os pacientes
psicopatas); que tenham riscos agudos, principalmente os de suicídio; que tenham déficit
intelectual ou elevada dificuldade de abstração; que estejam no auge de uma séria
situação crítica; que representem sérios riscos para uma eventual quebra do sigilo grupal e
que tenham um histórico de abandono de terapias anteriores (abandonadores
compulsivos). Cordioli e colaboradores. (2008) acrescentam, ainda, os dependentes
químicos em grau severo, porém vale salientar que muitos dos pacientes citados acima
podem participar de grupos homogêneos (com mesma patologia ou situação de risco) e
terem sucesso, ou alguma melhora, com o tratamento terapêutico.
Intervenções psicológicas
Foi realizado um levantamento e análise dos artigos científicos publicados em
periódicos indexado na base de dados PsycINFO, que é eletrônica e tem uma cobertura
sistemática da literatura psicológica, com produções cadastradas a partir do ano 1800 até o
presente. O acesso aos artigos é disponibilizado aos associados da Associação Americana
de Psicologia (APA), às universidades e outras instituições que pagam pelo direito do uso
da base. A análise dos artigos sobre intervenção psicológica com idosos foi realizada nos
últimos três anos, de 2009 até 2011, e permitiu localizar 101 resumos de artigos publicados
por meio das palavras-chave psychology intervention; elderly e aging. É importante
esclarecer que 63 trabalhos publicados não foram considerados como pesquisas
interventivas, embora na busca tenha sido utilizada a palavra-chave intervenção
psicológica. Isto ocorreu porque 34 artigos eram de estudos do tipo transversal sem
intervenção psicológica, oito pesquisas de revisão de literatura e 21 que não se aplicavam,
porque tratavam de resumos publicados em outros suportes, tais como: anais de congresso,
resenha, capítulo de livro ou apresentação de projeto.
19
A Tabela 1 apresenta as informações gerais sobre os 101 resumos dos artigos
publicados nos últimos três anos quanto à: quantidade de estudos publicados por ano, tipo
de estudo, pesquisa com intervenção, tipo de intervenção (individual ou em grupo), área
profissional, participantes, resultados. Dos 101 trabalhos capturados, foi observado que a
quantidade de publicação por ano foi homogênea, próximo da média de 33 estudos por ano,
sendo que foram publicados 36 artigos em 2009, 37 em 2010 e 28 em 2011. Foram
encontrados 70,29% de pesquisas de campo, 37,62% eram de pesquisas interventivas e
28,72% foram realizadas com a população idosa.
Do total de 101 trabalhos publicados, 38 artigos versavam sobre intervenção, sendo
que 18 tratavam especificamente do tema de Intervenção Psicológica em grupo com idosos,
os quais foram considerados e referidos neste marco teórico. Dos 38 artigos capturados,
foram levantadas 52,63% de artigos que descreviam intervenções em grupo e 34,21% dos
trabalhos eram de relatos de intervenção feitas individualmente. A área de conhecimento
que mais publicou pesquisas na qual foram realizadas intervenções foi a Psicologia, cuja
quantidade de trabalhos correspondeu a 26,32% do total de estudos de intervenção
levantados no PsycINFO. A última variável analisada foi sobre os resultados dos trabalhos
interventivos, sendo observado que 94,74% do total de estudos com descrição de resultados
positivos ou significativos para os participantes.
Dos 18 artigos, seis foram publicados em 2009, nove em 2010 e três em 2011. Os
artigos revelaram que as intervenções psicológicas em grupo têm estado fortemente ligadas
a outras formas de intervenção como médica, física e educacional. Os dados mostram ainda
que as intervenções têm trazido resultados positivos aos usuários dos serviços. Quanto à
abordagem teórico-metodológica a mais usada foi a cognitiva- comportamental, sendo que
em muitos estudos a linha teórica utilizada não foi citada. Esse resultado revela que há
poucos trabalhos, neste levantamento (N= 101) na base de dados da APA sobre a temática
de intervenções psicológicas, envelhecimento e idosos (N= 18), os quais representam
17,82% dos artigos publicados e capturados pelos descritores. Portanto, nota-se a
necessidade de uma pesquisa mais ampla e sistemática na literatura para a avaliação do
conhecimento sobre a presente temática.
20
Tabela 1: Artigos publicados entre 2009 e 2011 (n=101) disponíveis na base de dados
PsycINFO no site da Associação Americana de Psicologia (APA)
Artigos
N
%
Ano publicação
2009
2010
2011
Tipo de Estudo
Pesquisa de campo
Pesquisa teórica
Não se aplica
Pesquisa Interventiva
Sim
Não
Outros
População da Intervenção
Idoso
Cuidador
Outros
Não se aplica
Intervenção
Individual
Grupo
Não localizado
Área Profissional
Psicologia
Outros
(Interdisciplinar, n=1; Enfermagem, n=3; Educação, n=2)
Não localizado
Resultados
Significativos
Pouco significativos
36
37
28
101
35,65
36,63
27,72
100,00
71
9
21
101
70,29
8,91
20,80
100,00
38
35
28
101
37,62
34,66
27,72
100,00
29
5
4
63
101
28,72
4,95
3,96
62,37
100,00
13
20
5
38
34,21
52,63
13,16
100,00
10
6
26,32
15,79
22
38
57,89
100,00
36
2
38
94,74
5,26
100,00
21
Um estudo se destacou dos demais pelo fato de que enfermeiras, utilizando um
manual de terapia cognitivo-comportamental, fizeram (associada à intervenção própria de
sua área de atuação) uma intervenção psicológica com idosos por telefone objetivando
diminuir os sintomas depressivos de idosos com diabetes, cujos resultados foram positivos
contribuindo assim para melhoria da qualidade de vida desses idosos (Piette, Richardson,
Himle, Duffy, Torres, Vogel et al., 2011). Outro trabalho, também conduzido pelos
enfermeiros(as) Lamers, Jonkers, Bosma, Kempen, Meijer, Penninx; et al. (2010) utilizou
uma mínima intervenção psicológica (MPI) que foi realizada em grupo, com duração de
três meses, com o objetivo de diminuir os sintomas somáticos de idosos institucionalizados,
a qual resultou em diminuição significativa dos sintomas depressivos que se mantiveram
nove meses depois da intervenção. Outra intervenção psicológica em grupo utilizando a
metodologia cognitiva-comportamental foi feita com idosos da zona rural de uma área
remota do Canadá, sendo igualmente evidenciados os benefícios que foram subjetivamente
relatados pelos idosos (Welch, Welch, Baer, Dias, Gurney, Van Dale, Lockie et al., 2010).
Igualmente a pesquisa com pacientes diabéticos cuja intervenção enfocou o
autocuidado em pacientes com diabetes do tipo 2, recém-diagnosticados teve resultado
demonstrando que o enfrentamento proativo é um melhor preditor, a longo prazo, de
autocuidado do que qualquer outra intenção ou autoeficácia (Thoolen, Ridder, Bensing,
Gorter e Rutten, 2009). Outros resultados positivos foram observados na pesquisa de Hsu,
Weng, Kuo, Lin, Jong, Kuo e Chen (2010) cuja intervenção enfocou a diminuição dos
sintomas depressivos e obteve melhora, não apenas dos sintomas depressivos, mas também
da qualidade do sono e do aumento da capacidade funcional dos idosos.
O estudo de Madureira, Bonfá, Takayama e Pereira (2010) que objetivou investigar
o impacto de um programa de exercícios de equilíbrio na qualidade de vida de idosos com
osteoporose, comparando-os com um grupo controle (sem intervenção), verificou, além da
redução pela metade das quedas no grupo intervenção (ante 26% no grupo controle), um
ganho significativo quanto à qualidade de vida nos parâmetros de: bem-estar, funções
físicas, estados psicológicos, sintoma e interação social.
22
O estudo de Gross e Rebok (2011) que investigou a efetividade de um treino de
memória em idosos institucionalizados encontrou resultados que sugerem que os mais
jovens, as mulheres, brancas, saudáveis e com mais escolaridade mostraram melhores
estratégias de agrupamento de memórias. Os resultados, após cinco anos, foram
significativos, segundo os autores foram encontradas evidências de que os idosos podem
ser treinados para uso de estratégias cognitivas, pois os resultados são duráveis e as
estratégias são associadas à memória e ao funcionamento cotidiano. Ainda sobre idosos
institucionalizados, a pesquisa de Beckman (2010) objetivou verificar a QV e bem-estar,
durante três anos, de idosos institucionalizados a partir de uma intervenção assistida por
animal com pacientes diagnosticados com demência, após esse período verificou-se que
entre os idosos que tiveram contato regular com animais houve aumento da agilidade,
independência, fortalecimento das relações sociais e habilidades de comunicação.
Pesquisas sobre ansiedade, como a de Jaleel (2010), realizada com grupos de idosos
que foram submetidos, durante quatro semanas, a uma intervenção psicológica que incluía:
aconselhamento, sessões de yoga e/ou de relaxamento, obtiveram resultados com efeitos
positivos na diminuição da ansiedade e do aumento do bem-estar. Também utilizando yoga
na sua intervenção e comparando com dois outros grupos: (1) de treino de equilíbrio e (2)
de conscientização, Morris (2009) objetivou melhorar o controle postural, a atenção e
estratégia de alcance visual, a confiança, o medo e a sensibilização para riscos ambientais
entre os idosos. A intervenção foi realizada duas vezes por semana, durante 1 hora por dia,
após oito semanas, o autor obteve resultados significantes comparando os dados pré e pósintervenção, embora não tenha havido diferenças significantes entre os grupos interventivos
de treino de equilíbrio e de yoga.
Sobre o tema depressão o trabalho de Afonso e Bueno (2010) com idosos
portugueses comparou três grupos: Intervenção (exposto ao programa de reminiscências do
tipo memória autobiográfica), placebo e controle. Ao final da intervenção os participantes
do grupo de intervenção tiveram melhora nos sintomas depressivos, significante aumento
no número de memórias especificamente autobiográficas e lembranças autobiográficas
positivas. O estudo também mostra forte associação negativa entre sintomatologia e
memórias de natureza positiva. Em contrapartida a pesquisa de Wolinsky, Mahncke, Weg,
23
Martin, Unverzagt, Ball, et al. (2009) que estudou a incidência de depressão usando uma
intervenção associada a exercícios físicos e treinamento de habilidades que contribuíssem
com a autonomia dos idosos, embora tenha apresentado redução de 38% no
desenvolvimento de suspeita clínica de depressão, os autores consideraram os resultados
pouco significativos ao longo de um ano entre os três grupos estudados. Resultados
semelhantes teve o inovador estudo de Mitchell, Stanimirovic, Klein e Vella-Brodrick
(2009), em que foi feita a intervenção psicológica mediada pela internet, os resultados não
confirmaram a hipótese de que a intervenção reduziria o sofrimento mental, segundo os
autores isso pode ter ocorrido porque, durante a formação da amostra, foram excluídos os
participantes com pontuação de severo para depressão, ansiedade ou estresse. Além disso, o
instrumento utilizado para coleta de dados pode ter influenciado na escolha de idosos mais
saudáveis.
A pesquisa de Van’t Veer-Tazelaar, Marwijk, Oppen, Hout, Horst, et al.(2009)
avaliou a eficácia da intervenção psicológica de abordagem cognitivo-comportamental
versus o tratamento usual para depressão de indivíduos não enquadrados em todos os
critérios diagnósticos do DSM-IV. Os dados sugeriram que a intervenção reduziu pela
metade a taxa de incidência cumulativa dos distúrbios depressivos no período de um ano, ,
de 0.24 (20 de 84) no grupo usual para 0.12 (10 de 86) no grupo cuidado intensivo, sendo
mais eficaz do que o tratamento usual em reduzir o risco de depressão maior e ansiedade
em idosos.
Numa comparação interdisciplinar, Teri, McCurry, Longsdon, Gibbons, Buchner e
Larson (2011) compararam quatro grupos de idosos: (1) Programa de atividade física para
sedentários, (2) Educação para promoção de saúde, (3) Combinação dos dois anteriores e
(4) Controle de rotinas médicas, por um ano. Após três meses, perceberam ganhos em
saúde auto-referida, força e bem-estar geral no primeiro grupo, comparando com o segundo
e o quarto, o terceiro grupo não teve resultados estatisticamente significantes. Após 18
meses, os ganhos se mantiveram apenas no primeiro grupo sendo que o terceiro se igualou
a este. Os autores destacam que a maior aderência foi associada a melhores resultados e
que, em longo prazo, traz benefícios aos idosos.
24
Nessa abordagem interdisciplinar, o estudo de Rydwik, Frändin e Akner (2010),
descreveu os efeitos de uma intervenção nutricional e um treino físico (duração de nove
meses, alternando atividades em grupo e em casa) no nível de atividade física e de vida
diária de idosos frágeis. Os resultados pós-intervenção sugerem que houve uma correlação
moderada entre o aumento de atividade física (AF) e atividades de vida diária (AVDs) e
entre exercícios em casa e AVDs. A intervenção nutricional não teve resultados
estatisticamente significantes.
O estudo de Morais (2009), pesquisadora brasileira, presente nesta seleção de
artigos do PsycINFO, analisou grupos de idosos e de cuidadores com o objetivo de
fomentar a prevenção e a promoção de saúde no estado do Pará. A pesquisadora, também
teve êxito em sua estratégia, que aliou o atendimento tanto dos cuidadores quanto dos
idosos. O trabalho coordenado por uma psicóloga, uma médica homeopata e uma terapeuta
ocupacional enfocou aspectos físicos e psicológicos durante 16 sessões, semanalmente, por
duas horas, em ambos os grupos. No grupo de cuidadores priorizou-se a reflexão e a
discussão acerca dos temas que emergissem no grupo e, no de idosos, a preferência foi
atuar no corpo e na mente, para isso foi utilizada uma técnica chinesa de exercícios físicos
(Lian Gong) e as reflexões grupais acerca dessa vivência corporal a fim de despertá-los
para participação em práticas saudáveis de prevenção e promoção de saúde. Ambos os
grupos, tanto dos cuidadores como dos idosos, ao final da intervenção de abordagem
interdisciplinar, apresentaram resultados favoráveis em relação à utilização de práticas
saudáveis de prevenção e promoção de saúde.
A pesquisa de Kim (2009), verificou que uma intervenção em grupo, consistindo
num treino, de dez minutos por dia, duas vezes por semana, durante seis semanas utilizando
um guia de exercícios de relaxamento por imagens em audio-CD, foi capaz de reduzir em
78% o medo de quedas, aumentou a eficácia, a confiança e a mobilidade comparando os
resultados pré e pós-intervenção e também, com os dados de um grupo placebo.
A psicoterapia individual que utilizou a abordagem de terapia do perdão, feita num
período de quatro semanas com idosos doentes com câncer terminal, demonstrou benefícios
psicológicos para eles na avaliação pós-intervenção (Hansen, Enright, Baskin & Klatt,
25
2009). Ainda nessa linha da redução de danos, o estudo de Deudon, Maubourguet, Gervais,
Leone,Brocker, Riff et al.(2009) utilizando de uma intervenção educacional em grupo, por
oito semanas, conduzida por enfermeiras em 16 instituições de enfermagem, com 306
pacientes com sintomas de demência, divididos em dois grupos, controle e interventivo,
conseguiu reduzir significativamente os comportamentos agressivos, tanto físicos como
verbais, em idosos do grupo interventivo e, ao final de três meses, verificou-se que os
ganhos persistiam.
Tendo em vista, os benefícios dos diversos tipos de intervenções no bem-estar e
na qualidade de vida de idosos relatada pela literatura, desde as disciplinares com
atividades físicas ou de intervenções psicológicas até as interdisciplinares envolvendo
várias áreas do conhecimento, a presente pesquisa procurou contribuir com o
conhecimento sobre os idosos e o processo de envelhecimento na área da Psicologia. A
pesquisadora elaborou uma pesquisa para estudar o impacto da intervenção psicológica
sobre um grupo de idosos, levando em consideração os estados emocionais e
subjetivamente, a qualidade e satisfação com a vida, sendo a seguir apresentados os
objetivos e o percurso metodológico.
26
OBJETIVO
GERAL
• Avaliar os efeitos de uma intervenção psicológica sobre a qualidade de
vida de um grupo de idosos atendidos num programa de educação formal.
ESPECÍFICOS
1. Avaliar e analisar antes e após a intervenção:
a. os níveis de ansiedade;
b. os níveis de depressão;
c. a satisfação com a vida percebida;
d. a qualidade de vida percebida e
2. Comparar os níveis de ansiedade e depressão com a satisfação e a
qualidade de vida antes e após a intervenção.
27
MÉTODO
Caracterização Breve do Programa Educacional
O programa educacional, no qual foram captados os participantes dessa pesquisa,
pertence ao curso de Educação Física de uma universidade particular da capital, cidade de
São Paulo, situada na Zona Leste. Esse programa educacional vem fazendo um trabalho
(utilizando o modelo de educação de Paulo Freire), que integra a educação física aos vários
saberes para a efetiva realização de seu objetivo geral que é proporcionar novos
aprendizados que contribuam para a promoção de saúde por meio da manutenção de uma
vida ativa, tanto no âmbito biológico quanto no social, sendo a autonomia o principal pilar
trabalhado nos atendimentos. Por ter essa visão integradora do sujeito atendido, os
responsáveis pelo programa têm possibilitado a realização de intervenções de diferentes
áreas do saber associadas à atividade física, exemplos: psicológica, nutricional, educacional
entre outras, permitindo uma discussão que unifica as investigações, ações e estudos de
forma interdisciplinar (Matsuo, 2007; Neri, 2007).
As atividades feitas com os idosos nesse programa são conduzidas por professores e
alunos do último ano do curso de educação física e podem conter: atividade física,
palestras, dinâmicas de grupo, rodas de discussão, entre outros. A intenção de cada
encontro é que o participante desenvolva, a partir do aprendido e da sua vivência diária,
estratégias de enfrentamento para os problemas quotidianos e, consequentemente, seja mais
autônomo e, portanto, mais independente.
A participação no programa tem duração de dois anos, sendo que no primeiro ano as
atividades têm frequência semanal de 1h30m e no segundo ano, chamado de “ano de
transição”, a frequência no primeiro semestre é semanal e, no segundo semestre, passa a ser
quinzenal. Essa fase de transição, dadas as diretrizes e objetivos do programa que é
promover o empoderamento e a autonomia dos idosos, visa uma não criação de vínculo de
dependência do idoso para com o programa que promove, ainda durante suas aulas, uma
preparação para que o idoso possa se inserir em outras atividades. Nessa fase, além das
aulas, eles recebem informações e são incentivados a buscar outras experiências fora do
28
programa. Após esses dois anos eles têm a possibilidade de continuar se encontrando uma
vez por mês no espaço do programa.
A captação de alunos-idosos para esse Programa Educacional se dá por meio de
divulgação externa (jornal, revista, internet etc) seguida por cadastramento/matrículas dos
interessados em participarem do projeto na Universidade. O curso é gratuito e exige dos
participantes apenas o compromisso com a assiduidade nas atividades.
O Programa Educacional teve seu início em 2001, a proposta foi criada pela
iniciativa da Pró-Reitoria de extensão e estruturada pelas professoras do curso de Educação
Física da Universidade, integrando os cursos da área da Saúde, principalmente, a Educação
Física, a Nutrição e a Farmácia. Portanto, a concepção de atendimento aos idosos foi
baseada em uma prática multidisciplinar que se transformou com os estudos e pesquisas
realizados pelo programa de Mestrado em Educação Física, implantado em 2002, cujo
enfoque interdisciplinar foi adotado para investigar essa população. Em 2010, com o início
das atividades do Mestrado em Ciências do Envelhecimento, outras áreas do conhecimento
foram incluídas nas pesquisas e atividades oferecidas, tais como: Enfermagem, Fisioterapia
e Psicologia.
O Programa Educacional atendeu até o ano de 2008, aproximadamente, 200 idosos
acima dos 60 anos, de ambos os sexos e de nível socioeconômico baixo com renda familiar
de até cinco salários mínimos. Em 2010 teve inicio o grupo de 45 idosos, dos quais 21
decidiram participar desta pesquisa cuja coleta de dados foi realizada em abril e junho de
2011.
Participantes
Foram participantes desta pesquisa 21 idosos, de ambos os gêneros provenientes
do Programa Educacional do serviço-escola de Educação Física de uma universidade
particular da cidade de São Paulo.
Os critérios de inclusão estabelecidos foram: (1) ter 60 anos ou mais; (2) não ter
sido avaliado como deprimido severo na escala de depressão de Beck; (3) estar
matriculado e participar dos programas oferecidos pela universidade no curso de
29
educação física e (4) saber ler e escrever. Já, os critérios de exclusão foram: (1) ter 25%
ou mais de faltas no atendimento do programa de pesquisa e (2) sentir desconforto
durante o atendimento que exigisse atendimento individual fora do grupo.
Os 21 idosos foram distribuídos, de acordo com a sua disponibilidade de horário
para participação, em dois grupos: um com onze (G1) e outro com dez pessoas (G2), o
primeiro recebeu atendimento das 13h às 14h30m e o segundo das 16h30m às 18h (Tabela
2). Em ambos os grupos foi desenvolvido o mesmo trabalho e pela mesma terapeuta do
início ao fim.
Tabela 2: Distribuição por gênero no grupo 1 e 2 do início ao fim das 12 sessões de
intervenção
Permanência no Grupo de Intervenção
Grupo
Total
Homens
Mulheres
Início
Fim
Início
Fim
Início
Fim
11
7
Grupo 1
3
-8
7
10
4
Grupo 2
1
1
9
3
Total
4
1
17
10
21
11
O G1 começou com 11 pessoas e terminou com sete. Das quatro pessoas que
desistiram, duas apresentaram como motivo alguma atividade doméstica (cuidar
neto/filho/pessoa doente) e duas não justificaram. No G2, houve seis desistências e o
motivo foi relatado por duas pessoas (dificuldade auditiva atrapalhava sua participação no
grupo e cuidar do neto). Referindo-se ao gênero no G1 evadiram-se todos os três homens e
uma mulher enquanto no G2 foram seis mulheres que desistiram. A caracterização
detalhada dos onze participantes será apresentada no início dos Resultados e Discussão.
Materiais
Foram utilizados cinco materiais para a coleta de dados, a saber: entrevista
individual semidirigida; inventários de depressão e ansiedade de Beck (2001); Whoqolold (World Health Organization Quality of Life Questionnaire-old) e instrumento de
satisfação com a vida adaptado por Neri (2001). Os instrumentos de coleta de dados
utilizados nesta pesquisa são descritos a seguir.
30
Entrevista
Foi feita uma entrevista individual com cada participante com objetivo de coletar
os dados sociodemográficos (descrição do perfil dos participantes) e informações
necessárias para formação de um quadro geral de percepções individuais de cada idoso
para distinguir a percepção acerca de seu próprio envelhecimento e possibilitar a posterior
formação dos grupos. Para isso foi utilizado um roteiro de entrevista semidirigida
composto por 26 questões elaboradas pela autora (Anexo 01).
Avaliação de estados emocionais
Para avaliação de estados emocionais foram considerados os resultados obtidos
com a aplicação do inventário de ansiedade e de depressão de Beck adaptado para a
população brasileira adulta por Jurema Alcides Cunha (2001). O objetivo geral do
inventário é avaliar os estados emocionais de ansiedade e depressão dos indivíduos, no
caso, os participantes idosos.
Seguindo instruções desse manual a pontuação para ansiedade foi obtida
somando-se os números (de 0 a 3) de acordo com o assinalado pelo participante em todos
os 21 “sintomas comuns de ansiedade”, podendo ser a menor pontuação zero e a maior
igual 63.
Como a escala usa afirmativas para classificação dos sintomas houve a
necessidade de conversão em que a afirmativa “Absolutamente não” foi convertida em
zero, a afirmativa “Levemente” foi convertida em um ponto, a afirmativa
“Moderadamente” converteu-se em dois pontos e a afirmativa “Gravemente” foi
convertida em três pontos.
A pontuação para depressão, adotando instruções do mesmo manual, foi obtida
somando-se os números (de 0 a 3) de acordo com o assinalado pelo participante em todas
as 21 afirmativas que “melhor descrevessem a maneira como tem se sentido na última
semana, incluindo hoje”, podendo ser a menor pontuação zero e a maior de 63 pontos,
considerando a soma dos resultados do subtotal da página 1 e o subtotal da página 2.
31
Para a formação dos grupos de intervenção, nesta pesquisa, foram encaminhados
os participantes com pontuação igual ou abaixo de 35 pontos para depressão e igual ou
abaixo de 30 pontos para ansiedade. É importante ressaltar que o manual cita a edição de
1993 em que se sugerem novos pontos de corte, mais baixos que o considerado neste
estudo, alertando para a eventual ocorrência de falsos positivos e falsos negativos. Essa
sugestão não foi utilizada, pois na versão validada em português foram considerados os
pontos de corte originais que são ligeiramente mais altos. Essa diferença, contudo, não foi
importante tendo em vista os objetivos deste estudo, o que também é destacado no
manual: “os pontos de corte devem ser considerados conforme amostra e objetivos de seu
uso” (Cunha, 2001, p. 12).
Na Tabela 3 são apresentadas as pontuações para Ansiedade e Depressão e os
respectivos níveis: mínimo, leve, moderado e grave. Portanto, só participaram da pesquisa
os idosos que obtiveram pontuações, para as duas variáveis, entre os níveis mínimos até
moderados.
Tabela 3: Níveis de classificação e respectivas pontuações
nos inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck.
Pontuação
Nível
Ansiedade
Depressão
Mínimo
0-10
0-11
Leve
11-19
12-19
Moderado
20-30
20-35
Grave
31-63
36-63
Nenhum participante, pré-intervenção, teve pontuação igual ou maior que 31 para
ansiedade e igual ou maior que 36 para depressão que são valores considerados como
níveis severos. Se houvesse idosos nessas condições, seriam encaminhados para
atendimento individual e, portanto, excluídos do estudo. Esse encaminhamento seria feito
para qualquer setor de suporte social disponível na rede pública de atendimento, incluindo
o Centro de Psicologia da Universidade na qual foi realizada a pesquisa, cabendo ao idoso
dar continuidade ao tratamento.
32
Avaliação da qualidade de vida subjetiva
Para avaliar a percepção subjetiva da qualidade de vida, foi utilizado o questionário
de qualidade de vida da Organização Mundial de Saúde, World Health Organization
Quality of Life Questionnaire-old (WHOQOL-old), versão adaptada do WHOQOL-100
para a população idosa, traduzida para o idioma português e adaptada à população brasileira
por Fleck et al. (2000 - Anexo 02).
O WHOQOL-old “consiste em 24 itens da escala Likert atribuídos a seis facetas:
Funcionamento do sensório (FS), Autonomia (AUT), Atividades presentes, passadas e
futuras (PPF), Participação Social (PSO), Morte e o morrer (MEM) e Intimidade (INT)”
(WHO, 2000, p.14) como pode ser visto na Tabela 4. A pontuação de cada faceta pode
variar entre quatro e 20. Para a obtenção da pontuação em cada faceta, foram seguidas as
orientações contidas no manual de aplicação, que consiste na soma dos pontos
assinalados pelos participantes.
Tabela 4: Conceitos e conteúdos das facetas inclusas no módulo WHOQOL-OLD
Facetas
Sigla
Conceito/conteúdo
funcionamento sensorial, impacto da perda de
Habilidades Sensoriais
FS
habilidades sensoriais na qualidade de vida
independência na velhice, capacidade ou liberdade de
Autonomia
AUT
viver de forma autônoma e tomar decisões
Atividades Passadas,
satisfação sobre conquistas na vida e coisas a que se
PPF
Presentes e Futuras
anseia
participação nas atividades quotidianas, especialmente na
Participação Social
PSO
comunidade
preocupações, inquietações e temores sobre a morte e
Morte e Morrer
MEM
sobre morrer
Intimidade
INT capacidade de ter relacionamentos pessoais e íntimos
Nas afirmativas negativas a pontuação foi invertida (itens apresentados destacados
em cinza na Tabela 5). Para a obtenção da pontuação total, cuja oscilação foi entre 24 e
120, foram somados os valores obtidos em cada faceta. O ponto médio da escala foi 72
33
pontos. Tanto por faceta quanto na soma total, os altos escores representam alta qualidade
de vida e escores baixos representam baixa qualidade de vida.
Tabela 5: Pontuação do instrumento Whoqol-old, considerando reversão de escores
negativos.
Faceta Afirmativa Nada
Muito
Mais ou
Bastante Extremamente
pouco
menos
Q1
5
4
3
2
1
Q2
5
4
3
2
1
FS
Q10
5
4
3
2
1
Q20
1
2
3
4
5
Q3
1
2
3
4
5
Q4
1
2
3
4
5
AUT
Q5
1
2
3
4
5
Q11
1
2
3
4
5
Q12
1
2
3
4
5
Q13
1
2
3
4
5
PPF
Q15
1
2
3
4
5
Q19
1
2
3
4
5
Q14
1
2
3
4
5
Q16
1
2
3
4
5
PSO
Q17
1
2
3
4
5
Q18
1
2
3
4
5
Q6
5
4
3
2
1
Q7
5
4
3
2
1
MEM
Q8
5
4
3
2
1
Q9
5
4
3
2
1
Q21
1
2
3
4
5
Q22
1
2
3
4
5
INT
Q23
1
2
3
4
5
Q24
1
2
3
4
5
Nota: As células destacadas em cinza já contem a pontuação invertida nas afirmativas
negativas.
Satisfação com a vida
O instrumento para avaliar a satisfação com a vida foi o mesmo adaptado por Neri
(2001 – Anexo 03), em que é solicitado ao participante assinalar o número de um a dez,
escolhendo um número que melhor refletisse sua satisfação com a vida no momento,
34
sendo que o número um representa a pior satisfação e o número dez a melhor satisfação
com a vida. Esse instrumento é composto por uma única interrogativa: “Qual é o ponto
desta escada que melhor reflete a sua satisfação com sua própria vida no momento?
Marcar com um X”, seguida da expressão pictórica (em forma de escada), cujo último
degrau (valor 10) representa o maior grau de satisfação com a vida enquanto que o degrau
mais baixo (valor 1) representa o menor grau de satisfação com a vida.
Procedimento
O projeto de pesquisa foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade São Judas Tadeu (COEP/USJT) sob o protocolo nº 095/2010, tendo sido
considerado adequado quanto aos aspectos éticos de acordo com a Resolução do
Conselho Nacional de Saúde nº 196/1996 (Anexo 04). A resolução estabelece as
diretrizes norteadoras para a realização de pesquisas com seres humanos, destacando as
questões éticas pertinentes na realização dos estudos (CNS, 1996).
Foi aplicado, a cada um dos participantes, o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE) com os esclarecimentos necessários para a decisão pela participação
voluntária na pesquisa (Anexo 05). Os riscos da participação nos estudos foram
considerados mínimos e seriam acolhidos no Centro de Psicologia Aplicada (CENPA) da
Universidade na qual foi feita a pesquisa, para aqueles que sentissem algum desconforto.
Nenhuma participante precisou utilizar o serviço do CENPA. Foram explicitados os
benefícios, além da contribuição indireta para o avanço do conhecimento científico sobre
o idoso e o processo de envelhecimento.
Os participantes foram submetidos a uma intervenção psicológica focando o bemestar e o desenvolvimento de melhoria da qualidade de vida deles, o que,
consequentemente, promoveu um maior conhecimento sobre si mesmo, tanto nos
aspectos psicológicos como biológicos e sociais. Portanto, todos os idosos tiveram uma
devolutiva sobre o resultado das suas avaliações, além da intervenção psicológica que
teve o objetivo geral de promover conhecimento e bem-estar. Foi explicitada aos
participantes do grupo, ainda, a questão do sigilo, tanto dos dados coletados, quanto das
informações discutidas durante a intervenção psicológica.
35
Embora a amostra seja por conveniência, a participação foi voluntária, cabendo ao
interessado se inscrever para participar da pesquisa. Só participaram os idosos que se
enquadravam nos critérios de inclusão. A coleta de dados da pesquisa só foi iniciada após
a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Judas Tadeu
(COEP/USJT). Segue a descrição detalhada dos procedimentos adotados para a realização
da coleta de dados da presente pesquisa.
Autorização da Instituição, da coordenação do serviço-escola e das
professoras responsáveis pelos programas dentro do serviço-escola
Foi requerido que a instituição autorizasse a realização da pesquisa por meio da
assinatura de um documento oficial (Anexo 06) por parte da coordenadora do curso de
Psicologia. Também foi pedido às coordenadoras e professoras do serviço-escola de
Educação Física, em específico, do Programa Educacional que autorizassem a pesquisa
por meio da assinatura de um documento oficial (Anexo 07).
Após a assinatura de todos os termos de autorização foi feita a divulgação da
pesquisa de forma direta, ou seja, convidando os participantes do programa do serviçoescola durante as atividades no referido programa. Desta forma, foram selecionados 21
idosos que se voluntariaram para participar do projeto de pesquisa.
Coleta dos Dados
A coleta de dados foi realizada em três fases: pré-teste, intervenção e pós-testes.
Estas fases são descritas de forma detalhada, a seguir, para facilitar a compreensão do
leitor.
1ª Fase – Coleta de dados: pré-intervenção
Inicialmente, foi realizada uma entrevista individual em que o pesquisador
apresentou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) da pesquisa, neste
momento foi explicitado o objetivo da pesquisa, foram ressaltados os principais pontos do
documento e esclarecidas todas as dúvidas dos participantes. Após o participante
36
concordar em participar da pesquisa e assinar o TCLE foi realizada a coleta de dados por
meio da aplicação do Inventário de ansiedade e de depressão de Beck. O objetivo foi
determinar quais eram os participantes que estavam dentro do critério de inclusão, ou
seja, com níveis de ansiedade e depressão de mínima a moderada.
Após essa constatação, foi feita uma entrevista de forma individual, com duração
média de uma hora, cujo principal objetivo foi caracterizar o perfil dos participantes e
levantar quais eram as suas percepções do processo de envelhecimento. Nessa entrevista,
foram coletados, ainda, os dados sociodemográficos e foram aplicados os instrumentos de
coleta de dados referentes ao nível de Qualidade de vida (Questionário WHOQOL-old) e
de Satisfação com a vida (Escala de Satisfação com a Vida). A aplicação do WHOQOLold e a Escala de Satisfação com a Vida levou, aproximadamente, uma média de 30
minutos,
2ª Fase – Intervenção Psicológica
Foram realizados 12 encontros, com os dois grupos, com duração de 90 minutos
cada, na frequência de uma vez por semana nas dependências do Centro de Psicologia
Aplicada (CENPA) da mesma Universidade em que eles participam do serviço-escola de
Educação Física. O tema a ser discutido foi levantado junto ao grupo no primeiro
encontro e se desdobrou ao longo dos demais dez encontros, pois no 12º foi tratado o
desligamento do grupo.
O método de trabalho psicológico foi o grupo focal, como idealizado por Bleger
(1989), psicólogo que atuou na Argentina com larga experiência em trabalhos com
diferentes grupos, os quais ele denomina “Grupos Operativos”. O trabalho com grupos
focais ocorre sempre com a delimitação de um foco (tema central) que norteia as
discussões e que tem relevância para a situação emocional apresentada pelo grupo com
vistas a colaborar para a qualidade de vida dos participantes. Não foram feitas análises
aprofundadas sobre os aspectos subjetivos individuais, mas os que tinham relação com o
tema central, e que foram absorvidos pelo grupo, foram discutidos pelo próprio grupo.
Nesse modelo de trabalho o psicólogo pesquisador atuou como um orientador das
discussões, que deveriam resultar na geração de um novo saber acerca daquele tema que
37
tinha relevância para os participantes. Essas orientações ocorreram conforme andamento
dos encontros, pois foram pautadas em temas trazidos pelo grupo sempre focando as
questões de interesse dos participantes.
As sessões de intervenção em grupo foram filmadas a fim de se registrar (em
áudio-visual) cada encontro, o material oriundo dessas filmagens foi guardado em
segurança com a pesquisadora conforme indicado no projeto e acertado documentalmente
com o comitê de ética em pesquisa. A filmagem só foi realizada após a assinatura do
TCLE pelo participante, no qual estava explicito a questão ética de sigilo e
confidencialidade do material coletado, o qual seria utilizado apenas para a realização da
pesquisa, divulgação nos eventos e publicações científicas.
Cada encontro teve uma mesma sequência: abertura, discussão, síntese da
discussão e fechamento. Foram utilizadas atividades lúdicas que contribuíram para a
compreensão de aspectos relacionados ao tema discutido pelos idosos, sendo utilizados
recursos como: música, textos, pintura, escultura, fotos, lembranças, entre outros. Foi
elaborado um cronograma dos encontros realizados pelos grupos de idosos participantes,
o qual é apresentado na Tabela 6.
Tabela 6: Cronograma dos Encontros em Grupo realizados para a intervenção
psicológica
Cronograma dos Encontros
Encontro nº
Atividade
1
Delimitação de tema - Apresentação do grupo
2
Sessão 1
3
Sessão 2
4
Sessão 3
5
Sessão 4
6
Sessão 5
7
Sessão 6
8
Sessão 7
9
Sessão 8
10
Sessão 9
11
Preparação para o desligamento
12
Desligamento do grupo
38
3ª Fase – Coleta de dados: pós-intervenção
Foi realizada uma entrevista pós-desligamento, na semana posterior ao último
encontro em que foram coletados, novamente, os dados utilizando os mesmos
instrumentos usados na fase pré-intervenção e na mesma ordem: (1) Inventário de
ansiedade de Beck; (2) Inventário de depressão de Beck; (3) Questionário WHOQOL-old;
(4) Escala de Satisfação com a Vida. Após essa coleta foi feita uma devolutiva individual
aos participantes com vistas a oferecer um fechamento adequado do atendimento em
grupo e dos resultados obtidos nos instrumentos aplicados antes e depois da intervenção
psicológica. Nesta devolutiva foram apresentados e discutidos os níveis de ansiedade e
depressão, os fatores positivos e negativos relacionados a satisfação e a qualidade de
vida, sendo dada as orientações necessárias aos idosos.
Análise dos dados
Foi realizada análise mista (quantitativa e qualitativa) dos dados coletados, sendo
utilizada a estatística descritiva e inferencial para a análise dos dados quantitativos com o
acréscimo de informações qualitativas coletadas nas entrevistas e nos encontros (Siegel &
Castelan, 2006). Os conteúdos das entrevistas e dos encontros, dada a sua natureza, não
serão usados nesta dissertação, mas em outras publicações científicas posteriores em
ocasião oportuna. Entretanto, na análise qualitativa foram reproduzidos alguns relatos dos
participantes para exemplificar o conteúdo e dinâmica dos encontros da intervenção
psicológica. O Anexo 08 apresenta as informações quantitativas e qualitativas dos
participantes que não foram citados no corpo do trabalho (P3-P10).
As variáveis quantitativas foram apresentadas no formato de média, mais ou
menos um desvio padrão. Para comparar as avaliações realizadas antes e após a
intervenção foi utilizado o teste t para amostras pareadas quando a diferença na pontuação
seguiu uma distribuição normal (pelo teste de Shapiro Wilk); quando não seguiu uma
distribuição normal, foi utilizado o teste de Wilcoxon. Foi utilizada a correlação de
Pearson para verificar se havia correlação entre ansiedade, depressão, satisfação com a
39
vida e qualidade de vida (Whoqol-old), tanto antes como após a intervenção. Foi
considerado o nível de significância de 5% que é o comumente adotado em pesquisas na
área das ciências humanas e da saúde. Para a montagem do banco de dados foi usado o
Microsoft Excel (Pacote Office 2007) e para a análise estatística foi utilizado o software
SPSS (Statistical Package for Social Sciences), versão 12.
40
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados aqui apresentados referem-se ao total de participantes que concluíram
o estudo (n=11). Esses participantes tinham idade entre 61 e 76 anos, sendo a média de
66,27 (± 4,43 anos); a maioria mulheres (n=10), com escolaridade entre ensino fundamental
(n=2) e ensino superior completo (n=1), sendo o maior número com ensino médio (n=8).
Oito participantes afirmaram não ter um relacionamento amoroso e três disseram ter.
Somente um participante não era aposentado e trabalhava em casa como costureiro
autônomo (Tabela 7).
Tabela 7: Caracterização dos idosos participantes da pesquisa, intervenção e pósintervenção psicológica (n=11), segundo as variáveis sócio-demográficas.
Características sócio-demográficas
N
%
Gênero
Masculino
Feminino
01
10
09
91
60-69
70-79
09
02
82
18
Casado
Viúvo
Solteiro
Divorciado
02
05
02
02
18
46
18
18
Sim
Não
08
03
73
27
Sim
Não
05
06
46
54
02
08
01
18
73
09
06
04
01
54
36
09
01
10
09
91
10
01
91
09
Idade (anos)
Estado civil
Filhos
Reside sozinho
Escolaridade
Ensino Fundamental
Ensino Médio
Ensino Superior
Renda familiar mensal (s.m.*)
≥2e<3
≥4e<5
≥6
Trabalha
Sim
Não
Aposentado
Sim
Não
*s.m.: salário mínimo
41
Todos os idosos tinham habilidades de leitura e escrita e não apresentaram nenhum
grau de depressão severa na escala de Beck ao serem avaliados na pré-intervenção.
Portanto, todos atendiam aos critérios de inclusão e exclusão.
A caracterização dos participantes revela um perfil semelhante a diversos trabalhos
publicados sobre idosos, tais como: maioria do sexo feminino (91%), com idade média de
66 anos (82%), viúvas (46%), morando com outras pessoas (cônjuge ou filhos, 54%),
ensino médio (73%) e com renda em torno de três salários mínimos (54%). Oliveira,
Duarte, Lebrão e Laurenti (2007) encontraram dados semelhantes em seus estudos, no
município de São Paulo, para o Estudo SABE (Saúde e Bem-estar e Envelhecimento) que
foi uma pesquisa feita em sete países da América Latina e Caribe sob a coordenação da
Organização Pan-americana de Saúde com objetivo de coletar informações sobre as
condições de vida e de saúde dos idosos nessa região.
Parte dos dados do estudo FIBRA (Fragilidade em idosos brasileiros), apresentados
na pesquisa de Costa, Ceolim e Neri (2011), que faz parte de outro projeto multicêntrico
coordenado pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) desenvolvido em 17
estados brasileiros levantou informações da população idosa cujas características básicas
correspondem aos dos participantes estudados nesta dissertação. O projeto FIBRA teve
como um dos objetivos centrais investigar, também, as condições de saúde e bem-estar em
idosos.
O nível e a média da pontuação de Depressão e Ansiedade não revelaram diferença
estatísticamente significante antes nem após a intervenção, portanto, não são suficientes
para interpretações como pode ser observado na Tabela 8. No entanto, dados qualitativos
coletados na entrevista de devolutiva revelam que os participantes usufruíram os benefícios
psicológicos da intervenção conforme descrição breve apresentada adiante.
42
Tabela 8: Nível e média da pontuação de Depressão e Ansiedade antes e após a
intervenção.
Nível
Pontuação
Depressão
Pré
Pós
Ansiedad
e
Pré
Pós
Mínim
o
n=5
n=7
Mínim
o
n=6
n=6
Leve
n=5
n=3
Leve
n=4
n=4
Moderad
o
n=1
n=1
Moderad
o
n=1
n=0
Grave
Média
N=0
N=0
Grave
12,00
10,18
Média
N=0
N=1
10,27
8,64
Desvio
padrão
6,74
5,23
Desvio
padrão
6,50
10,09
t
P
1,910
0,085
t
P
0,864
0,408
Do ponto de vista qualitativo todos os participantes relataram sentimentos de
melhora dos estados emocionais. Entre os deprimidos leve houve melhora em dois casos, o
que significa que os participantes tiveram ganhos positivos em relação ao seu estado
depressivo. Houve um que não teve melhora e ainda piorou seu estado de ansiedade, mas
como sua pontuação para depressão e satisfação com a vida melhoraram, pode-se inferir
que esta pessoa, devido à situação de desligamento do grupo, pode ter tido sua ansiedade
aumentada no momento do preenchimento da escala. O Participante 11 (P11) revelou “foi
muito bom, vou até indicar para outras pessoas, minha irmã e minha sobrinha, por
exemplo, precisam muito!” (SIC), o relato contradiz os resultados quantitativos da escala de
ansiedade. Esse participante, em especial, teve 25% de faltas e sua participação foi
permeada por assuntos extrapessoais o que pode denotar sua dificuldade em lidar com as
questões mais profundas, lidar com o desligamento do grupo pode ter piorado sua
ansiedade. Os dois participantes que tiveram melhora de depressão leve para mínima
relataram: Participante 8 (P8) - “Foi bom porque a gente pode botar as coisas pra fora né?!
Falar das coisas tristes que a gente tem dentro da gente!” (SIC) e P10 -“Foi ótimo para
minha vida, por exemplo, com meu marido, fiquei mais esperta, mais dona da situação”
(SIC) o que corrobora os resultados quantitativos.
De acordo com Witter, Christofi e Gatti (2011) o problema da depressão em idosos
está na dificuldade do diagnóstico, pois muitos médicos e clínicos gerais avaliam os
sintomas como decorrentes de outra doença crônico-degenerativa, tais como: diabetes,
43
hipertensão, doenças cardíacas ou pulmonares, derrame, perda de audição ou visão, artrite.
Além disso, a depressão é subdiagnosticada pela fase de vida do idoso, na qual é esperado
que neste momento da vida ele esteja mais triste e melancólico, como se fosse natural este
estado de espírito. As revisões sistemáticas de literatura, como as de Huang, Dong, Lu, Yue
e Liu (2009) e de Chang-Quan e colaboradores (2009) reafirmam o exposto, pois
apresentam trabalhos sobre depressão associada com doenças crônicas e sobre o baixo
autoconceito de saúde em idosos, o que não ocorreu com a amostra desse estudo que, em
sua maioria apresentaram pontuação baixa para depressão, portanto, com menos doenças
crônicas e melhor auto-conceito de saúde, o índice de depressão entre os participantes foi
menor.
Os resultados da escala da satisfação com a vida (Tabela 9), que não têm pontos de
corte, foram considerados a partir dos assinalamentos (entre zero e dez) feitos pelos
participantes. Na tabela abaixo parte-se do número seis, pois não houve assinalamentos pré
nem pós-intervenção de zero a cinco, para melhor visualização dispôs-se os resultados em
pares, exceto número dez.
Tabela 9: Nível e média da pontuação de Satisfação com a vida antes e após a intervenção
Nível
Pontuação
Satisfaçã
o com a
6-7
8-9
10
Média
Desvio
t
P
Vida
padrão
Pré
Pós
n=3
n=5
n=7
n=6
n=1
n=0
8,00
7,91
1,10
1,14
0,247
0,810
Os dados mostram que os idosos estão satisfeitos com sua vida, pois a mediana da
pontuação, tanto pré quanto pós-intervenção, foi 8, como já era alta antes da intervenção
pode-se deduzir que o espaço universitário é importante e essa alta satisfação pode ser
resultado do trabalho feito pelo programa educacional durante o ano anterior o que torna
ainda mais complexo avaliar se a intervenção psicológica pôde influenciar esses
assinalamentos. Como não houve diferença estatisticamente significante entre o pré e pósintervenção e houve aumento de assinalamentos mais baixos no pós do que no préintervenção, é possível interpretar que houve uma maior conscientização quanto à avaliação
de sua satisfação com a vida devido à intervenção psicológica em que os participantes
44
relataram ganhos psíquicos. No momento pós-intervenção pode ter havido uma resposta
mais próxima do real sentimento de satisfação com a própria vida, considerando que a
intervenção tenha proporcionado contribuições para as ponderações referentes à satisfação
com a vida em geral.
Por exemplo, a fala da P4: “Apesar de eu gostar muito de ler, faço luta, tae-kondo...me senti muito bem...porque você faz o grupo né?! Tem gente que tem problema pior
que o seu” (SIC) é um relato que corrobora essa conjectura de que a vivência em grupo lhes
trouxe novas formas de ver a própria vida. O sentimento geral, percebido pela pesquisadora
no último contato (devolutiva), foi o de que todos os participantes conseguiram ter um
olhar para a própria vida que não lhes tinha ocorrido antes favorecendo sua vivência
emocional. Esse também é um ganho que não aparece quantitativamente, mas é importante
porque dá ao participante a perspectiva de que é possível ter diferentes olhares sobre uma
mesma questão da vida minimizando o sofrimento psíquico.
Essa capacidade que o grupo mostrou de aprender e empregar os conhecimentos em
prol de seu bem-estar está de acordo com o que Neri,Yassuda e Cachione (2004) chamaram
de velhice bem sucedida já que esses participantes estão usando recursos internos próprios
para conduzir sua vivência rumo à satisfação plena. É importante destacar que essa amostra
estudada, e os resultados observados até aqui, são muito semelhantes a do estudo de Borim,
Barros e Neri (2012) que foi realizada, em Campinas, São Paulo, sobre a saúde
autoreferida, pelos idosos. Os resultados revelaram a associação da referência de “ótima
saúde” pelos idosos com a maior quantidade de anos de escolaridade, renda, condição de
moradia e número menor de doenças, assim como consumo de verduras, álcool (1 a 4 vezes
por mês), independência, prática de atividade física, ter computador em casa, sem religião
entre outros. A percepção sobre a saúde é subjetiva e multideterminada pelas condições
biopsicossociais e culturais.
A partir dos resultados apresentados (Tabela 8) é possível perceber que os idosos
participantes da intervenção psicológica situam-se entre aqueles que tinham um nível de
depressão mínimo e moderado e no pós-intervenção a maior parte deles tiveram uma ligeira
melhora. É importante ressaltar que esta amostra é pequena e não foi possível identificar
45
aspectos que pudessem explicar os dados quantitativos relacionados a diferenças sócioeconômicas. Além disso, esses resultados não permitem generalizações. Um dado
importante levantado nas entrevistas é que os idosos sem depressão disseram estar se
prevenindo para ter uma velhice bem sucedida. Neri (2007) e Teixeira e Neri (2008)
destacam que o fenômeno do envelhecimento deve ser analisado numa perspectiva
interdisciplinar e que o conceito de bem sucedido gera debates. Para as autoras, a definição
de envelhecimento bem sucedido é a seguinte:
“aproxima-se de um princípio organizacional para alcance de
metas, que ultrapassa a objetividade da saúde física, expandindo-se
em um continuum multidimensional. A ênfase recai sobre a
percepção pessoal das possibilidades de adaptação às mudanças
advindas do envelhecimento e condições associadas” (p. 91).
Tirando as diferenças de acepção deve-se considerar ainda que nem sempre
avaliações de alta satisfação com a vida se correlacionam com ter saúde, como é esperado.
Estudo como o dos sociólogos e psicólogos Llobet, Ávila, Farras e Canut (2011) com
idosos espanhóis, numa apreciação qualitativa, pôde verificar que ter saúde era importante,
mas estar satisfeito com a vida dependia de mais fatores como adaptação social e
readaptação familiar, companheirismo e independência.
Levando, ainda, em consideração o aspecto múltiplo, tanto da satisfação com a vida
quanto do envelhecimento, justifica-se o uso de outros instrumentos para avaliar
conjuntamente o envelhecimento e, a partir do grupo de resultados, classificá-lo como bem
sucedido. Para isso, tem-se usado diversos instrumentos de avaliação entre os quais o
principal que avalia Qualidade de Vida (QV) subjetiva é o protocolo da OMS na versão
para idosos, já validada, para população brasileira: o WHOQOL-old (Fleck, 2003).
Os resultados do WHOQOL-old são apresentados na forma de média, mais ou
menos um desvio padrão. Para comparar as avaliações realizadas antes e após a intervenção
foi utilizado o teste t para amostras pareadas quando a diferença na pontuação seguiu uma
distribuição normal (pelo teste de Shapiro Wilk); quando não seguiu uma distribuição
normal, foi utilizado o teste de Wilcoxon (Tabela 10). Os resultados e revelaram que, entre
antes e após a intervenção, houve diferença estatisticamente significante nas facetas:
46
presente, passado e futuro (faceta 3), participação social (faceta 4) e intimidade (faceta 6).
Tendo em vista as diferenças sócio-culturais e de idade esse resultado vai ao encontro dos
achados na pesquisa de Llobet, Ávila, Farras e Canut (2011) em que a amostra espanhola,
de modo geral, ao construir seu conceito de satisfação com a vida levou em consideração os
mesmo itens que se destacaram significativamente neste estudo, tais como: Presente
passado e futuro, seu papel enquanto ser histórico e temporal; Participação Social como
autonomia, independência e adaptação social e Intimidade correspondendo ao
companheirismo.
A pontuação média aumentou e foi estatisticamente significante, pós-intervenção,
nas facetas: presente, passado e futuro (faceta 3), participação social (faceta 4) e intimidade
(faceta 6) e na pontuação total. Essas facetas dizem respeito justamente a temas que
abarcam toda a existência humana e, portanto, foram integralmente tratados pelos
participantes durante a intervenção que eles consideraram, sempre iniciando pela discussão
do papel socializante dos encontros, passando por temas já muito discutidos na mídia e em
outros grupos como a importância da participação social como incentivo ao envelhecimento
saudável até aos temas pouco falados como intimidade e morte e morrer. Numa perspectiva
de ladear presente, passado e futuro colocando as emoções cada qual em seu devido lugar,
mas cuidando para que outras emoções pudessem emergir, cada participante fez o melhor
uso que podia do espaço terapêutico da intervenção para se equilibrar quanto ao seu próprio
assentamento histórico emocional.
47
Tabela 10: Média da pontuação por facetas do WHOQOL-old antes e após a intervenção.
Facetas (F)
N
Média ±
desvio
padrão Pré
Média ±
desvio
padrão Pós
F1 - Funcionamento
11 16,09 ± 2,98 15,64 ± 2,73
do sensório
F2 –Autonomia
11 14,18 ± 2,64 13,64 ± 1,36
F3 – Presente,
11 14,55 ± 1,92 15,36 ± 1,80
Passado e futuro
F4 – Participação
11 15,45 ± 1,81 16,55 ± 1,81
Social
F5 – Morte e Morrer
11 13,82 ± 4,24 14,55 ± 3,83
F6 – Intimidade
11 14,27 ± 2,33 15,18 ± 2,27
11 88,36 ± 10,84 90,91 ± 8,70
Pontuação Total
*Houve diferença estatisticamente significante p≥0,05
Teste t (t)
pareado ou
Wilcoxon
(z)
z = -0,172
P valor
p = 0,863
t = 0,700
z = -2,070
p = 0,500
p = 0,038*
t = -2,963
p = 0,014*
t = -1,305
t = -2,469
t = -1,765
p = 0,221
p = 0,033*
p = 0,108
Para exemplificar, nas palavras da P7 “Não fui mãe do meu filho mais velho porque
minha mãe não permitiu, ela cuidou dele do jeito dela, então quando ela me diz hoje que
ele não deu pro que preste eu sei que não foi por minha causa porque quem foi mãe dele
foi ela, a minha mãe! Agora do mais novo eu cuidei. E vou continuar cuidando mesmo
depois que ele casar... tenho minhas atividades, mas sempre terei tempo para ele” (SIC).
Outro exemplo, nas palavras da participante P8: “A minha nora, viúva do meu filho, fica
trancada na casa dela e finge que não está quando eu bato lá, fazer o quê, se ela não quer
ser incomodada ela tem direito, não é mais casada com meu filho, mas eu também tenho
direito de ver meus netos, antes isso me incomodava muito, hoje meus netos vão à minha
casa, eu combino tudo direto com eles, vou pagar um curso de inglês para minha netinha”
(SIC). Por último a P10 “Passei muito tempo remoendo situações do passado, agora decidi
olhar para frente e ser feliz, vou viajar com meu marido, somos só nós dois mesmo para
quê regular nossa vida por sofrimentos desnecessários!” (SIC).
Quanto à participação social, todos os participantes dizem ter sua vida social ativa e
elogiam as pessoas que socializam, nas palavras da P10: “Eu tava muito deprimida, quando
me falaram do grupo eu vim sem acreditar muito, mas está sendo maravilhoso” (SIC).
48
Quanto à intimidade, muitos dos participantes, embora sem relacionamento amoroso,
disseram estar abertos a novas experiências e alguns até evidenciaram que não procuram
relacionamento sexual, mas sim um companheiro com quem dividirem o tempo entre
conversas e ficarem juntos em silêncio. Outros, ainda, disseram buscar mais intimidade
com os membros da família, porém não permitindo falar de amor romântico.
Referindo-se à Faceta 5, morte e morrer, que teve aumento de pontuação, mas não o
suficiente para ser significante, o grupo abordou sem resistências questões enfocando mitos
ou crenças pessoais, para exemplificar, P11 afirmou: “A pessoa que fez mal aos outros
sofre mais antes de morrer” (SIC). O tema foi prontamente debatido pelas demais idosas e
nas palavras da P2: “Não concordo, minha mãe foi sempre muito boa e sofreu muito”
(SIC). As discussões mostraram que a conversa aberta pode ajudar a derrubar crenças sem
fundamento e limitantes, pois ficou claro nesse encontro que sofrer pode ser uma questão
de escolha de estilos de vida que não privilegiem a saúde. O próprio P11 refletiu sobre a
temática e ao final do encontro disse:“É, não é porque se é uma pessoa boa que deve se
descuidar da saúde, tem que fazer atividade física, comer direito porque aí talvez não fique
sofrendo numa cama” (SIC). Os idosos relataram sobre os seus medos quanto ao morrer
(dependência, maus tratos e sofrimentos físico como, por exemplo, dor), o qual mobilizou
todo o grupo que tratou desde ampliar seus medos para os outros até discutir questões
práticas (testamento, dinheiro, bens, organização plano funerário, compra de jazigo etc)
relacionadas a tais situações. Segundo os participantes, a morte e o morrer não lhes trazem
medo, mas a possibilidade do sofrimento e/ou a dependência de terceiros antes da morte os
assusta.
Talvez em razão dessa conscientização de que o funcionamento físico implica em
perda de autonomia, situação que os participantes muito valorizam, tenha influenciado
nessa ligeira diminuição na pontuação média, porém não significante estatisticamente, nas
facetas do funcionamento do sensório (faceta 1) e autonomia (faceta 2), na pós-intervenção.
Os participantes não reclamaram de doenças e nem de perda de autonomia/independência,
mas esse era um tema frequentemente presente nas discussões. Estes resultados
relacionados aos aspectos biológicos, direto ou indiretamente, revelam o esperado com o
49
avanço do processo de envelhecimento, uma vez que o idoso torna-se mais frágil e
vulnerável na medida em que o organismo perde vitalidade em decorrência da velhice.
Os dados do estudo FIBRA compilados no livro organizado por Neri e Guariento
(2011) corroboram com os resultados encontrados, na medida em que os idosos têm uma
percepção subjetiva sobre o seu bem-estar e se autoavalia ou se autorefere com uma saúde
boa ou ótima embora o seu nível de fragilidade possa ser alto e não condizer com a sua
percepção (4 ou 5 nos critérios de avaliação). De certa forma, uma das conclusões finais da
pesquisa de Camargo, Justo, Lima, Rabelo e Neri (2011) sobre representações sociais de
felicidade realizada com 665 idosos com 65 anos os mais, reforçam a importância de
investigar os fatores multideterminados vivenciados pelos idosos que determinam o seu
bem-estar e, consequentemente, a sua qualidade de vida. Os autores afirmam: “As
representações sociais de idosos sobre o que é ser feliz na velhice indicam caminhos para
intervenções em saúde física e mental e contribuem para a teorização sobre os mecanismos
fundamentais envolvidos na qualidade de vida na velhice” (p. 235). Portanto, é necessário o
desenvolvimento de pesquisas de intervenção em saúde mental, no caso, em Psicologia
baseada em evidências para obter melhores resultados na atuação desse profissional
(Goodheart, Kazdin & Sternberg, 2006; Melnik & Atallah, 2011).
Dado que há diversas possibilidades de interação, além de ter havido um processo
interventivo, que podem ter influenciado as respostas, avaliou-se se havia correlação
significante entre todas as variáveis pesquisadas (Tabela 11). Na pré-intervenção, o teste de
correlação de Pearson permitiu observar que houve relação linear significante entre as
variáveis: Ansiedade e Depressão, Ansiedade e Qualidade de Vida e Satisfação com a vida
e Qualidade de Vida (p<0,05). Na pós-intervenção houve relação linear significante entre
as variáveis: Ansiedade e Depressão e Ansiedade e Qualidade de Vida, não sendo mais
significante Satisfação com a vida e Qualidade de Vida.
50
Tabela 11: Correlação entre a pontuação de ansiedade, depressão, qualidade de vida e
satisfação com a vida pré e pós-intervenção.
Momento
Correlação entre
N
R
Ansiedade e depressão
11
0,710
Ansiedade e qualidade de vida
11
-0,687
(WHOQOL-old total bruto)
Ansiedade e Satisfação com a vida
11
-0,492
Pré
Depressão e qualidade de vida
11
-0,578
(WHOQOL-old total bruto)
Depressão e Satisfação com a vida
11
-0,379
Satisfação com a vida e qualidade de vida
11
0,767
(WHOQOL-old total bruto)
Ansiedade e depressão
11
0,632
Ansiedade e qualidade de vida
11
-0,610
(WHOQOL-old total bruto)
Ansiedade e Satisfação com a vida
11
0,389
Pós
Depressão e qualidade de vida
11
-0,597
(WHOQOL-old total bruto)
Depressão e Satisfação com a vida
11
0,070
Satisfação com a vida e qualidade de vida
11
0,323
(WHOQOL-old total bruto)
*Houve diferença significante; r: Correlação Linear de Pearson; p ≤ 0,05
P
0,014*
0,019*
0,124
0,063
0,250
0,006*
0,037*
0,046*
0,237
0,052
0,837
0,333
Esses resultados, tanto pré quanto pós-intervenção vão ao encontro do encontrado
na literatura, como o trabalho de Cunha (2001) que traduziu e validou as escalas de Beck
para população brasileira, no qual reafirma que mesmo minimamente os sinais de ansiedade
muitas vezes compartilham com os de depressão. Essa correlação encontrada entre
ansiedade e depressão pode ocorrer, porque, segundo a autora, a ansiedade é uma emoção
humana básica, sendo essa sua natureza, a ansiedade também intervém na QV, pois uma
vez instalada, ela altera ou redireciona aspectos da vida que podem interferir na avaliação
subjetiva da QV, como ocorre quando se tem um teste escolar ou um exame médico
delicado. No presente trabalho é possível inferir que a ansiedade está correlacionada com a
QV, tanto no pré quanto no pós-intervenção, porque os participantes estavam sob múltiplas
influências: o início e o término do grupo terapêutico, as férias de meio de ano, o retorno no
segundo semestre para o Programa Educativo em que os encontros seriam quinzenais e não
51
mais semanais como no primeiro semestre e o fato de os participantes estarem procurando
atividades para fazerem nesses períodos ociosos entre outras hipotéticas explicações.
A não significância de correlação no pós-teste de Satisfação com a vida e Qualidade
de Vida pode sinalizar que as respostas dadas estiveram em melhor consonância com o que,
de fato, os idosos pensam sobre si (conscientemente a partir de reflexão sobre o assunto nas
intervenções em grupo) do que estavam na pré-intervenção. Estes dados corroboram com
os estudos de Llobet, Ávila, Farras e Canut, (2011) que encontrou resultados em que estar
satisfeito com a Vida não dependia exclusivamente de se ter uma boa QV.
Para apresentar o processo interventivo foram escolhidos três casos em que os
participantes representam aspectos que serão destacados nessa exposição e análise
qualitativa. As duas mulheres (P1 e P2) representam, respectivamente, os grupos nos quais
participaram (G1 e G2), que tiveram pequenas diferenças entre si, tanto no número de
participantes quanto na dinâmica durante o processo interventivo. O relato do homem foi
escolhido porque é o único representante do gênero nos dois grupos e pode fornecer
indícios que favoreçam a participação masculina em programas desse tipo futuramente.
Vale salientar que a percepção grupal foi construída à medida que os encontros da
intervenção psicológica se iniciaram e avançaram. Para a literatura especializada, destacase a definição de grupo que é algo que vai além do ajuntamento de pessoas, constitui uma
formação caracterizada por um conjunto de fatores que se inicia com o objetivo, que deve
ser comum aos participantes do grupo (nesta pesquisa: desejo de melhorar a qualidade de
vida) e, a partir do vivenciado no grupo (num espaço-tempo em que cada indivíduo
contribui com o outro, interagindo entre si) no qual, ao mesmo tempo, que modifica é,
também, modificado pelo outro, dando vida a um novo saber sincrético a esse grupo
(nesta pesquisa: os novos significados que os participantes dão à sua qualidade de vida).
Esse saber está em constante transformação já que para os estudiosos de grupos o saber
está sempre sendo recriado de acordo com as diversas (e mutantes) formações grupais
existentes (Bleger, 1984; 1989 e Gil, 2010).
A P1, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do
grupo: seu desejo de cuidar de sua “tristeza física” (SIC). Na Tabela 12 são apresentados
52
os resultados do pré e pós-testes de todos os instrumentos aplicados na P1, antes e depois
da intervenção psicológica.
Tabela 12: Resultados do P1 , nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos
P1: Mulher, 62 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio
completo, G1.
Pontuação
Avaliação da
Instrumentos
diferença
Pré
Pós Diferença
Ansiedade
12
12
0
Manteve ansiedade leve
Depressão
19
13
-6
Melhorou, mas
manteve-se em
depressão leve
Melhorou
Piorou
Satisfação com a vida
8
9
+1
Qualidade de Vida (WHOQOL-old 96
91
-5
total bruto)*
F1 – Funcionamento do sensório
18
11
-7
Piorou
F2 – Autonomia
15
14
-1
Piorou
F3 – Presente, Passado e futuro
16
17
+1
Melhorou
F4 – Participação Social
16
16
0
Manteve
F5 – Morte e Morrer
16
15
-1
Piorou
F6 – Intimidade
15
18
+3
Melhorou
*A pontuação referente a Qualidade de Vida (WHOQOL) utilizou o resultado Geral do
Inventário e por faceta, em ambos, considerou-se a pontuação bruta que pode ser de 0 a 20.
Área biológica: a P1 relatou que faz acompanhamento psiquiátrico, há cinco anos,
desde que sofreu uma queda grave que lhe causa dor continuamente. Toma remédios
diariamente e se lembra apenas que um é para a tireoide, sem lembrar quantos nem quais os
outros. Já fez aproximadamente 13 cirurgias, sendo as últimas uma abdominoplastia (em
2009) e as anteriores para retiradas de diversas hérnias (em 2007-2008) porque era obesa
mórbida. Na família há membros com problema de alcoolismo: o pai, a mãe, os irmãos, as
irmãs e o ex-esposo.
Área social: é viúva e separada do último marido, vive junto com uma filha solteira,
em casa própria (recém-reformada), há 15 anos, num bairro próximo a esta Universidade,
lugar em que se sente segura. É religiosa praticante, faz diversos trabalhos voluntários. Não
recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo de serviço de uma
instituição pública prestadora de serviço essencial, seus proventos correspondem,
53
aproximadamente, quatro salários mínimos. Como lazer faz muitas atividades:
hidroginástica, natação, dança, caminhada etc. A relação diária com a filha é distante
porque esta está sempre trabalhando e estudando, contudo ela tem ciúme da mãe e isso é
apontado como razão para a mãe não ter “companhia masculina” (SIC). Tem um filho
casado e dois netos que vê uma vez por mês, aproximadamente. Ela gosta de ver filmes
(japoneses) para crianças e de ficção científica (exemplo: o Robocop), além de desenhos
infantis.
Área psicológica: afirmou que suas decisões são influenciadas pelos filhos, netos,
nora e genro, especialmente, as relacionadas aos pedidos de ajuda destes, os quais ela ajuda
com prazer. Não tem amigos porque já se sentiu traída por eles diversas vezes e evita esse
tipo de vínculo, embora reafirme que se dá bem com todas as colegas de atividades,
inclusive sendo líder nas tarefas e festinhas do Programa Educativo. Sobre o
envelhecimento, ela pensa que é importante para si mesma envelhecer com QV e que isso
independe da idade, por essa razão procurou o Programa e está sempre procurando o que
pode colaborar com sua QV.
Grupo de Intervenção: teve participação ativa no processo grupal, muitas vezes,
sendo porta-voz do grupo. Embora tenha chegado atrasada algumas vezes, teve duas
ausências e nestes encontros o grupo falou muito de assuntos relacionados a ela, o que pode
ser supostamente caracterizado como um destaque da sua importância no grupo de
intervenção. Além disso, os relatos do grupo revelaram que ela, também, exerceu o papel
de depositária de ansiedades e preocupações do grupo. Ao final da intervenção, na
entrevista de devolutiva, a P1 falou longamente sobre os ganhos que teve com o grupo e
pediu para ser encaminhada a atendimento individual, cuja solicitação foi atendida.
Processo Interventivo: descrição e discussão
A P1 demonstrou, ao logo dos encontros, satisfação em estar nos encontros. Ela
esteve, durante todo processo interventivo, no Grupo 1 (G1), que ocorreu às segundas feiras
(de 04/04/2011 à 20/06/2011), das 13h às 14h30m e em seguida participava do Programa
Educacional que acontecia das 14h30 às 16h30m. No primeiro encontro elogiou o grupo e
enfatizou o fato de se dar bem com os companheiros de grupo, embora tenha estado sempre
54
falando não comentou sobre si, apenas colaborando com as falas: “O tema
escolhido [família] é só para começar a falar né!?” (SIC).
No meio do segundo encontro, seguindo a sequência iniciada pelos participantes,
contou sua história de vida e, por ser uma vivência muito forte, mobilizou todo grupo.
Percebe-se que ela demonstrou confiança no espaço terapêutico, pois contou um segredo
muito bem guardado há mais de 35 anos, o qual ninguém da sua família sabe. No terceiro
encontro ela chegou atrasada, rouca e gripada. O grupo a acolheu e, como já vinha falando
sobre ela, caracterizou essa situação (rouquidão e gripe) como somatização, consequência
do fato de ela ter revelado seu segredo no encontro anterior, ela quase não falou nesse
encontro. No quarto e quinto encontro ela não veio, porque participou de um evento de
terceira idade ligado à beleza.
No sexto encontro chegou novamente atrasada e contou o motivo das faltas nas duas
sessões anteriores, conversou, mas não falou sobre si, a sua postura ao participar das
discussões sempre foi de falar ou apontar o concreto, o cognitivo, terceiros e/ou as pessoas
no grupo: “Os alimentos com agrotóxicos...minha vizinha... A P10 está falando de seu
marido...” (SIC), como ela atuou em todas as frentes, estava numa postura de educadora
como se falando para o grupo, como se estivesse conduzindo o grupo. No sétimo encontro
chegou novamente atrasada e não quis falar afirmando que estava lá apenas para escutar, as
companheiras se disseram preocupadas com ela que era “sempre falante” e insistiram, mas
ela só falou um pouco ao final do encontro e trouxe sua tristeza com desgostos familiares.
No oitavo encontro o grupo todo falou de forma dispersa, abordando diversos
assuntos sem se ater a nenhum, próximo ao final foi perguntado à terapeuta sobre o fim dos
atendimentos, nesse momento, a P1, mais uma vez foi porta voz do grupo, pois foi a
primeira a perguntar, daí em diante se falou sobre esse momento e sobre a devolutiva
prometida para o final. No nono encontro, em que havia ficado combinado que cada um
deveria trazer alguma recordação pessoal, ela chegou atrasada e não trouxe nenhuma
porque “não achei nada muito significativo para trazer” (SIC), ficou escutando e falou
pouco. Nesse encontro foi discutido, especialmente, sobre o fechamento de ciclos. No
décimo encontro chegou novamente atrasada falou pouco sobre si (ênfase nos seus bens
55
materiais) contribuiu pouco com o diálogo sobre a juventude urbana com a qual convivem
e, ao final, convidou a todos para participar de festa de despedida, já organizando questões
práticas da festa.
No décimo primeiro e penúltimo encontro ela chegou, mais uma vez, atrasada e
trazendo muita tristeza por um problema de saúde familiar o que também mobilizou o
grupo. Ela externalizou seus ganhos com o processo terapêutico e sua dificuldade em lidar
com o fim (desligamento) do grupo, nomeou o sentimento de perda como o mais presente
nesse dia, emocionou-se e agradeceu a terapeuta e às companheiras por terem conseguido ir
até o fim com o grupo. No décimo segundo e último encontro ela chegou no horário certo e
falou pouco no início, quase ao final da sessão falou sobre desgostos familiares, parecia que
ela não encarava essa última sessão como de fato era, mas sim como algo que teria
continuidade. Despediu-se perguntando sobre a devolutiva a qual foi devidamente
orientada.
A P2, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do
grupo seu desejo de “aprender mais coisas” (SIC). Na Tabela 13 estão consolidados os
resultados do pré e pós-testes dos instrumentos aplicados antes e após a intervenção
psicológica.
Área biológica: faz acompanhamento de rotina e atualmente está sob tratamento
dermatológico, há quatro meses, desde que desenvolveu micose na unha. Toma diariamente
antimicótico
(temporariamente),
cálcio,
alendronato
de
sódio
e
ácido
fólico
(continuamente). Durante a vida, fez uma única cirurgia, há 2 anos, no pé (retirada de
Joanete) sendo sua recuperação muito boa, sem precisar de ajuda de terceiros. Na família
não há ninguém doente, sendo que avô e mãe tiveram acidente vascular cerebral.
56
Tabela 13: Resultados do P2, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos.
P2: Mulher, 70 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino superior
completo, G2.
Avaliação da
Pontuação
diferença
Instrumentos
Pré
Pós
Diferença
Ansiedade
6
1
-5
Depressão
10
10
0
Satisfação com a vida
Qualidade de Vida (WHOQOL-old
total bruto)
F1 – Funcionamento do sensório
F2 – Autonomia
F3 – Presente, Passado e futuro
F4 – Participação Social
F5 – Morte e Morrer
F6 – Intimidade
9
100
9
104
0
+4
Melhorou ansiedade
mínima
Manteve depressão
mínima
Manteve
Melhorou
17
17
15
18
16
17
17
16
16
19
18
18
0
-1
+1
+1
+2
+1
Manteve
Piorou
Melhorou
Melhorou
Melhorou
Melhorou
Área social: vive sozinha por opção, é solteira e sem filhos, em casa própria
(herdada da mãe), há 70 anos, no mesmo bairro desta Universidade. A casa é muito grande
e ela espera vender para comprar um apartamento menor “mais fácil de cuidar” (SIC), mas
que a faz se sentir muito bem por causa das lembranças que tem. Religiosa praticante, uma
vez por semana vai a encontro religioso. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão.
É aposentada por tempo de serviço como professora de artes plásticas, seus proventos
contam aproximadamente cinco salários mínimos. Como lazer gosta de ler e faz muitas
viagens (à praia e à Campos do Jordão). Embora viva só, tem uma boa relação com irmã
“reclamona” (SIC) e sobrinhos. Na televisão, gosta de ver noticiários e documentários,
além de livros e internet, gosta de fazer trabalhos manuais.
Área psicológica: disse ter decisões influenciadas por sobrinhos e irmã em qualquer
momento, o que lhe dá satisfação. Tem muitos amigos os quais escolhe pelo caráter e
honestidade, com eles costuma viajar, jogar cartas ou ir ao teatro e/ou cinema. Sobre o
57
envelhecimento, pensa que tem que ter classe para envelhecer “se colocar como uma
pessoa na sua idade” (SIC).
Grupo de Intervenção: teve participação ativa no processo grupal já que nunca
faltou e colaborou para o bom andamento do grupo. Ao final da intervenção, na entrevista
de devolutiva, ela falou sobre os ganhos que teve com o grupo e o quanto foi importante
colaborar e aprender com os demais colegas.
Processo Interventivo: descrição e discussão
A P2, veio a todos os encontros e, em todos, demonstrou satisfação em estar com os
colegas e disposição a colaborar com o crescimento pessoal dos colegas, sem no entanto se
aprofundar muito em questões muito complexas sobre si mesma ou sobre os outros, sempre
muito ponderada atuava mais de modo a acolher do que a julgar. Ela esteve, durante todo
processo interventivo, no Grupo 2 (G2), que ocorreu às segundas feiras (de 04/04/2011 à
20/06/2011), das 16h30 às 18h00m, ou seja, após participar do Programa Educacional que
acontecia das 14h30 às 16h30m.
No primeiro encontro, assim como os demais participantes, relatou sua infância feliz
e a saudade que sentia desses tempos. No segundo encontro em que o grupo quis falar dos
sofrimentos humanos, ela iniciou a sessão (já que ninguém se posicionou a iniciar) falando
de assunto externo a si (circulante na mídia) e terminou contando caso pessoal, acabou
sendo a pessoa que mais falou neste dia. No terceiro encontro, em que se falou de perdas,
ela trouxe perda de objetos pessoais e, em seguida, falou da perda de um ente querido e o
quanto se sentia bem por ter cuidado dessa pessoa, para ela o importante era ter feito o que
podia pela pessoa em vida. Neste ponto parecia bem resolvida em relação a essa perda
contrastando com uma colega de grupo que tivera um luto demorado e sofrido que a deixou
muito compadecida.
No quarto encontro em que se falou da morte ela trouxe sua experiência de
organizar-se para quando estiver próxima à morte ou já tiver morrido: cuidados em saúde,
escolha de herdeiros adequados de acordo com seu pensamento de administração
58
financeira, testamento etc. Pareceu também estar preparada para quando for necessário lidar
com esses assuntos e essa sua fala mobilizou uma participante a pensar em relação a si, o
que nunca houvera feito. Nesse sentido ela atuou como facilitadora da aprendizagem no
processo grupal, já que ofereceu aporte prático que servia também aos outros participantes.
Esse encontro foi permeado por uma discussão acirrada frente às questões de sofrimento
antes da morte, mais do que de morte em si, eles falaram do medo da dependência, da dor,
de serem maltratados ou roubados exaltando um desejo de ter uma morte rápida e sem
sofrimento. A P9 exaltou seu sentimento de desvalorização pela família a partir dessa
discussão “Quando eu morrer eles [filhos] vão sentir minha falta, aí vão me dar valor!”
(SIC) o que fez com que a P2 relatasse o quanto sempre se sentiu valorizada pela sua
família.
No quinto encontro, ela já chegou contando que estava, desde cedo, em um colóquio
o qual adorou participar. Como, neste encontro, o tema tratado continuou sendo sobre os
medos frente à doença e morte, ela externalizou suas opiniões a respeito sempre
colaborando com a construção de um novo saber que teve muitas falas alusivas à crenças
pessoais: P11: “Ser religioso, ou ser uma pessoa boa pode fazer você ter uma morte
melhor” (SIC); P2: “Não concordo minha mãe era religiosa e, uma pessoa muito boa
e sofreu muito” (SIC); P8: “O sofrimento é o resgate de vidas passadas”(SIC). Ao final
desse encontro concluiu-se que não havia como saber o que aconteceria com cada uma, mas
encontrariam a melhor forma para enfrentar esse momento, sendo melhor aproveitarem o
que têm agora.
O sexto encontro, permeado por pausas silenciosas, iniciou-se falando em descrença
no potencial cuidador das novas gerações e do medo frente a se tornar dependente do
cuidado dessas pessoas. O discurso evoluiu para a constatação de que não se tem controle
frente a determinadas situações da vida e que isso traz muita angústia. A P2 trouxe seus
anseios em relação a si, mas também em relação à vida de quem fica quando eles se forem,
o que demonstra uma preocupação generativa nas palavras de Erikson (1976) citado por
Hall, Lindzey e Campbel (2000) que, conforme colocado pela P2, é um aspecto saudável,
para esse autor, se preocupar em deixar algo para as gerações que nos sucedem faz parte
dos ciclos da vida.
59
Não houve o sétimo encontro, pois apenas a P2 esteve presente o que não
caracterizou um grupo. Dada a dinâmica de funcionamento desse grupo em que houve
dificuldade em aprofundar a discussão em pontos mais significativos para os participantes,
essa ausência, quase coletiva, pode sinalizar o grau de dificuldade desse grupo que parece
ter necessitado de uma pausa maior para elaboração do que foi discutido nas últimas
sessões.
Ainda cheio de silêncios, no oitavo encontro, com ausência do P11 falou-se do
enfrentamento de situações desagradáveis, como apareceu inicialmente a frase ilustrativa
do “guardar Versus jogar fora” todas as participantes falaram de sua dificuldade em se
desfazer (ressignificar) de determinados sofrimentos, principalmente os negativos,
contrariamente P2 expressou que se protege do sofrimento: “Procuro coisas boas, felizes,
ter pensamentos positivos” (SIC), no decorrer do encontro ela reconheceu que nem sempre
é possível, mas que é muito difícil para ela colocar suas questões mais íntimas no grupo.
Outras participantes concordaram sobre a dificuldade de “contar ou falar sobre temas
desagradáveis”, principalmente os vivenciados por elas. Nessa sessão apareceram relatos de
dor intensa de duas participantes que, após comoção e acolhida do grupo, agradeceram por
ter um espaço onde elas pudessem falar desses sofrimentos. Essa sessão teve um nível de
aprofundamento nas questões trazidas que reforçam a hipótese de que na sessão anterior os
participantes estavam, emocionalmente, se preparando para adentrar a esse nível de
elaboração psíquica. O fato de P11 estar ausente e só ter mulheres presentes no grupo
(inclusive a terapeuta), pode ser sutil, mas merece alguma consideração, já que essas três
mulheres não estão acostumadas a dividir suas questões mais íntimas na presença de
homens e podem ter se sentido mais à vontade na ausência de P11.
Para o nono encontro ficou combinado, na sessão anterior, de se trazer uma
lembrança para a sessão, todos colocaram algo à mesa e falaram sobre as lembranças que os
objetos lhes suscitavam. A P2 chorou ao se lembrar de uma pessoa muito querida já
falecida. Todo o grupo acolheu seu sofrimento e conversaram sobre esses sentimentos,
sempre trazendo exemplos externos (da mídia) a eles sem aprofundar, exceto uma
participante, nas questões pessoais. Nessa sessão em particular, ocorreu o contrário do
habitual: os participantes começaram falando de si e terminaram falando somente de
60
terceiros (mídia, casos familiares etc) sem aprofundar o conteúdo inicial. Pareceu muito
sofrido ao grupo encarar determinadas angústias, contudo eles tiveram o espaço para fazêlo e, até onde foi possível ir, eles foram o que denota a força e o interesse do grupo em
aproveitar o espaço de intervenção e as dificuldades pessoais de se enfrentar as resistências
emocionais para elaboração de determinados sofrimentos.
No décimo encontro, também trouxeram fotos e objetos e estes evocaram
lembranças de alegrias (P2) e tristezas (P8) durante a sessão. Embora tenham dito que tanto
as boas quanto as más lembranças são parte de sua história de vida, as boas lembranças
prevaleceram por mais tempo no discurso de todos. Nessa sessão eles questionaram a si
mesmos por que não conseguem mais fazer ou não gostam das coisas (tirar fotos) como
antes sem chegarem a nenhuma conclusão. Parece que nessa sessão eles estavam
procurando no seu passado alguma explicação para algo que eles nem sabiam o que era,
mas que deveria estar lá. Como o envelhecimento se dá sem percebermos (Beauvoir, 1990).
e as fotos são o registro de tempo datado e determinado sem possibilidade de flexão, e
considerando que tirar fotos novas permitem comparações com as antigas, aos poucos
parece que eles perderam o interesse por fotografia. Não é possível saber o porquê, apenas
inferir, mas prevenir sofrimentos desnecessários pode ser uma das hipóteses para tal.
No décimo primeiro e penúltimo encontro se abordou sobre o fim dos atendimentos
e a P2 relatou que aprendeu muito com o grupo e pensa que auxiliou também no
aprendizado dos demais colegas. Novamente, a discussão ponderou acerca da vida de
personagens externos ao grupo (da mídia), não conseguiram falar muito de si neste dia,
ficando a discussão um tanto superficial, isso pôde sinalizar a dificuldade do grupo em
relação à despedida e o encerramento do grupo de atendimento.
No décimo segundo e último encontro todos do grupo falaram dos planos para o que
fazer ao término desse grupo e colocaram que ter algo para fazer é importante na
velhice P2: “Nunca ficar parado é o segredo pra estar sempre bem” (SIC). Parece que,
para ela, ter o tempo sempre preenchido lhe evita outras preocupações ou situações
desagradáveis. Essa fala evidencia sua representação acerca de envelhecer, com capacidade
funcional preservada e ausência de doença, como uma velhice bem sucedida o que é
61
corroborado pelos estudos de Borim, Barros e Neri (2012) e Llobet, Ávila, Farras e Canut
(2011).
O P11, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do
grupo: seu desejo de aproveitar o espaço para abrir a mente “Espaço para se expor, para
dividir os problemas” (SIC). Na Tabela 14 são apresentados os resultados nos instrumentos
aplicados antes e depois da intervenção.
Área biológica: faz acompanhamento de rotina e atualmente está sob tratamento
para prevenção de problemas cardíacos e vasculares. Toma diariamente Gabapentina® e
mais dois remédios (não lembra os nomes) para parte cardíaca (continuamente). Nunca fez
nenhuma cirurgia. Na família não há ninguém doente.
Tabela 14: Resultados do P11, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos
P11: Homem, 62 anos, sem relacionamento amoroso, aposentado, com ensino médio
completo, G2.
Pontuação
Avaliação da
Instrumentos
diferença
Pré
Pós
Diferença
Ansiedade
23
35
+12
Piorou ansiedade de
moderada para grave
Depressão
23
21
-2
Melhorou depressão
moderada
Satisfação com a vida
8
9
+1
Melhorou
Qualidade de Vida (WHOQOL- 76
79
+3
Melhorou
old total bruto)
F1 – Funcionamento do sensório
14
14
0
Manteve
F2 – Autonomia
10
12
+2
Melhorou
F3 – Presente, Passado e futuro
15
15
0
Manteve
F4 – Participação Social
15
14
-1
Piorou
F5 – Morte e Morrer
12
12
0
Manteve
F6 – Intimidade
10
12
+2
Melhorou
Área social: vive sozinho, há muitos anos, desde que se separou por escolha própria.
Mora em apartamento alugado num bairro próximo a esta Universidade, diz que às vezes
ficar só o faz se sentir depressivo, mas logo passa. De religião evangélica, vai três vezes por
semana a encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É
62
aposentada por tempo de serviço como alfaiate e comerciário, seus proventos contam
aproximadamente 2 salários mínimos. Como lazer gosta de praticar atividade física, ir à
igreja e passear no parque. Tem uma rede de relações frágil com poucos amigos e muitas
atividades que faz só (ex. almoçar, pintar quadros, pedalar de bicicleta etc). Na televisão
gosta de ver jornais e programas evangélicos.
Área psicológica: disse não ter decisões influenciadas por ninguém. Embora more
com a mãe seus três filhos vêm vê-lo esporadicamente e têm uma relação boa com ele. Tem
poucos amigos os quais considera pessoas importantes em sua vida e estes ganharam sua
confiança na convivência, os encontra com frequência no SESC onde almoça quase todos
os dias. Sobre o envelhecimento, pensa que “a cabeça não vai acompanhar o físico, nem
acredito que tenho 62 anos. Acho que vai ser meio complicado a minha velhice porque
acho importante a parte física” (SIC).
Grupo de intervenção: Com 25% de faltas teve participação ativa no processo
grupal, já que colaborou para o bom andamento do grupo. Embora seu pequeno grupo fosse
majoritariamente de mulheres nunca pareceu se incomodar com isso e colocava seu ponto
de vista masculino nas discussões ao que era respeitado pelas demais participantes do
grupo. Parecia muitas vezes não se expor, pois tratava temas midiáticos, mas ao final dessas
explanações sempre acabava por trazer algo particular evidenciando que, para ele, era
melhor iniciar o assunto tratando do externo para o interno e o processo de fora para dentro
fez bem a ele que melhorou em muitos aspectos, conforme sua avaliação pré e pósintervenção (Tabela 14). O fato de sua ansiedade ter piorado consideravelmente pode ser,
hipoteticamente, explicado pelo fato de ele (1) já ser ansioso na pré-intervenção (2) ele tem
dificuldade de se vincular e a avaliação pós-intervenção foi uma semana feita após o último
encontro o que pode ter acentuado sua ansiedade, já que ele verbalizou que estava triste
pelo grupo ter se encerrado.
Processo Interventivo: descrição e discussão
No primeiro encontro, assim como os demais participantes, relatou sua infância
ressaltando que não tinha saudade dessa época, porque tinha sofrido muito. Seu relato era o
de infância mais sofrida e isso comoveu uma das participantes.
63
No segundo encontro em que o grupo quis falar dos sofrimentos humanos ligados à
violência, falando a partir da descrição de um evento chocante (circulante em todas as
mídias), portanto um assunto externo ao grupo, perto do final P11 contou um caso pessoal
cômico (e inacreditável se ele não dissesse que tinha visto) em que uma vaca adentrara o
Pronto Socorro de um hospital. Esse discurso destoava do tom sinistro dessa sessão porque
não tinha nada a ver com o que estava sendo falado neste momento e P11 teve uma crise de
riso. Esse fato foi interpretado como um momento de exaltar a necessidade humana de ter
algo que lhe dê esperança, “nem tudo é ruim e o que está chateando vai passar” (SIC). Em
nenhum momento ele pareceu se incomodar de estar rodeado de mulheres.
No terceiro encontro, que começou com 30 minutos de atraso, porque eles não
chegaram no horário “Teve troca de chocolate do Sênior” (SIC) como disse P9. Nesse
encontro se falou de perdas, ele faltou (falta injustificada) pela primeira vez e faltou pela
segunda vez ao quarto encontro em que se falou da morte.
O quinto encontro também teve duração de uma hora, pois o colóquio que eles
participaram acabou mais tarde que o habitual e eles chegaram 30 minutos atrasados. Neste
encontro, o tema observado continuou sendo sobre os medos frente à doença e morte, ele
externalizou suas opiniões a respeito de crenças pessoais: P11: “Deve ser horrível ficar
velho e ir para um depósito de velhos...até o último momento quero poder estar convivendo
com gente jovem” (SIC); P2: “Quando não der mais, quero ir para uma clínica razoável,
embora saiba que não cuidarão de mim como cuidei de minha mãe” (SIC); P8: “O
sofrimento é o resgate de vidas passadas eu já sofri muito na minha vida sem ter feito mal
a ninguém”(SIC). Ao final desse encontro todos chegaram ao consenso de que não havia
como saber o que aconteceria com cada um, mas que como a P2 tinha organizado sua vida
para os últimos dias (testamento, guardião e herdeiro do dinheiro etc) encontrariam a
melhor forma para enfrentar esse momento, sendo também consonante que deviam
aproveitar melhor o que têm agora. A fé foi destaque nessa sessão, pois cada participante
tinha a sua visão de morte e morrer muito influenciada pela religião.
O sexto encontro, permeado por pausas silenciosas, iniciou-se falando em descrença
no potencial cuidador das novas gerações e do medo frente a se tornar dependente do
64
cuidado dessas pessoas. P11 quase não falou de si, trouxe para discussão eventos externos
(lei aprovada) que denotavam claramente discordância com o modo moderno de encarar e
aceitar novidades comportamentais. O discurso do grupo evoluiu para a constatação de que
não se tem controle frente a determinadas situações da vida e que isso traz muita angústia.
Não houve o sétimo encontro, pois apenas a P2 esteve presente o que não
caracterizou um grupo. No oitavo encontro, P11 esteve ausente pela terceira vez no grupo.
No nono encontro, ficou combinado na sessão anterior de se trazer uma lembrança para a
sessão, todos colocaram algo à mesa e falaram sobre as lembranças que os objetos lhes
suscitavam. P11 falou da saudade da família e da solidão de se viver só (mesmo que por
escolha própria), mas sem aprofundar questões referentes a isso.
No décimo encontro, também trouxeram fotos e objetos e estes evocaram
lembranças de alegrias (P2) e tristezas (P8) durante a sessão. P11 falou de lembranças boas
que prevaleceram no discurso de todos os participantes, semelhante ao encontrado no
estudo de Afonso e Bueno (2010) sobre memória em que, ao final da sua intervenção, as
memórias autobiográficas percebidas e relatadas como positivas, foram as que
prevaleceram na lembrança dos idosos portugueses estudados. P11 terminou o encontro se
perguntando e sem ter conseguido uma resposta para o declínio no seu gosto por fotografar.
No décimo primeiro e penúltimo encontro comentou-se sobre o fim dos
atendimentos e a P11 teve sua quarta falta que, dada sua aparente dificuldade de se vincular
e, em tendo vínculo, de desvincular-se, fato este interpretado como uma forma de se
defender dessa sessão que seria para iniciar a elaboração emocional do processo de
desligamento do grupo. No décimo segundo e último encontro todos do grupo falaram dos
planos para o que fazer ao término desse grupo (no segundo semestre de 2011) P11: “Vou
fazer trabalho voluntário no Hospital das Clínicas, há muito tempo queria isso” (SIC). O
grupo acolheu e incentivou sua prática contando suas experiências no voluntariado, embora
algumas como P4 achassem que: “atualmente olho mais para mim, já fiz muito trabalho
voluntário” (SIC) outras como P2 disse fazer eventualmente e P8 faz sistematicamente. A
despeito de ter diferentes planos, todos pareceram sair bem desta última sessão.
65
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com os objetivos firmados, este trabalho permitiu avaliar os efeitos de
uma intervenção psicológica sobre a qualidade de vida (QV) levando em consideração os
níveis de ansiedade/depressão e, subjetivamente, a percepção de qualidade de vida e de
satisfação com a vida de idosos atendidos num Programa Educacional do serviço-escola de
Educação Física. Foram aplicados instrumentos para medir a ansiedade, a depressão, a
qualidade de vida e a satisfação com a vida, antes e após a intervenção psicológica.
Foi possível aferir que a caracterização dos participantes revelou um perfil
semelhante a diversos trabalhos publicados sobre idosos, tais como: maioria do sexo
feminino, com idade média de 66 anos, viúvas, morando com outras pessoas (cônjuge ou
filhos), com renda em torno de três salários mínimos.
Também foi possível avaliar que os efeitos de uma intervenção psicológica em grupo,
de duração breve (12 sessões), com dois grupos foi qualitativamente positiva sobre a
qualidade de vida de ambos os grupos de idosos atendidos em um Programa Educacional
para a vida ativa, pois ficou claro que todos os participantes conseguiram ter um olhar
diferente para a própria vida, fato este que não lhes tinha ocorrido antes favorecendo sua
vivência emocional.
Quanto à analise, antes e após a intervenção, foi possível verificar que, no grupo, os
níveis de ansiedade e de satisfação para com a vida, praticamente, mantiveram-se entre a
pré e pós-intervenção. Já os níveis de depressão e a qualidade de vida tiveram ligeira
melhora, apresentando resultados estatisticamente significantes nas facetas Presente
Passado e Futuro, Participação Social e Intimidade.
Na correlação entre os níveis de ansiedade e depressão com a satisfação e a
qualidade de vida, antes e após a intervenção, foi verificada forte correlação (com
diferença estatisticamente significante) entre Ansiedade e Depressão, Ansiedade e
Qualidade de Vida e Satisfação com a vida na avaliação pré-intervenção. O que resultou
diferença na avaliação pós-intervenção em que tiveram diferença estatisticamente
significante somente Ansiedade e depressão e Ansiedade e Qualidade de Vida.
66
É importante frisar que a pesquisa apresenta limitações devido à quantidade de
idosos participantes da intervenção (n= 11), o que impede a generalização dos dados. Além
disso, a complexidade da temática e das variáveis envolvidas não permitiu afirmar com
precisão a eficácia da intervenção psicológica na qualidade de vida dos idosos, porém os
resultados revelam, principalmente os qualitativos, que os encontros foram positivos,
porque permitiram uma maior reflexão sobre aspectos da vida dos participantes.
Dessa forma, é fundamental que sejam realizadas outras pesquisas sobre intervenção
psicológicas com idosos, uma vez que no Brasil há carência de estudos que utilizem e
avaliem esse tipo de intervenção. Há uma lacuna na área da Psicologia no que se refere às
pesquisas que envolvam intervenções psicológicas para promover o bem-estar e a qualidade
de vida dos idosos.
67
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73
ANEXO 01: Entrevista
ROTEIRO DE ENTREVISTA
ÁREA BIOLÓGICA
•
Já fez algum tratamento médico? Onde foi feito? Quando? Por qual motivo? Qual a
especialidade do médico?
•
Toma medicamentos? Quais? Qual a dosagem?
•
Já fez alguma cirurgia? Qual? Quando? Quais as reações diante da cirurgia?
•
Há algum membro da família que tem alguma doença? Qual?
ÁREA SOCIAL
•
Onde o participante Vive? Com quem?
•
Religião. Frequência de participação no serviço religioso (1 ou + X/semana; 1 ou +
X/mês; esporadicamente)
•
Situação econômica / financeira (Recebem ajuda de algum órgão?)
Quem trabalha? O que faz? Renda familiar em salários mínimos?
•
Lazer (O que faz esta família em momentos de lazer?)
•
Refeição (Como se organizam para as refeições?)
O que acontece na hora do almoço, jantar... / Para onde vão, se comem juntos, no
sofá, se separados... / Se estão juntos, sobre o que conversam?
ÁREA PSICOLÓGICA
•
Escolaridade
•
Participação de familiares na vida do participante
•
Relações de amizade (Como escolhe amigos? Sai com amigos? Vai à casa de amigos?
Como se relaciona?)
•
O que faz para se divertir? Usar seu tempo livre?
•
O que você pensa sobre o envelhecimento?
•
Quais os motivos que o fizeram procurar esse serviço-escola?
Quais os motivos que o fazem querer participar deste grupo de discussão?
WHOQOL-OLD
Instruções
ESTE INSTRUMENTO NAO DEVE SER APLICADO INDIVIDUALMENTE, MAS SIM EM
CONJUNTO COM O INSTRUMENTO WHOQOL-BREF
Este questionário pergunta a respeito dos seus pensamentos, sentimentos e sobre certos
aspectos de sua qualidade de vida, e aborda questões que podem ser importantes para você
como membro mais velho da sociedade.
Por favor, responda todas as perguntas. Se você não está seguro a respeito de que resposta dar
a uma pergunta, por favor escolha a que lhe parece mais apropriada. Esta pode ser muitas
vezes a sua primeira resposta.
Por favor tenha em mente os seus valores, esperanças, prazeres e preocupações. Pedimos que
pense na sua vida nas duas últimas semanas.
Por exemplo, pensando nas duas últimas semanas, uma pergunta poderia ser :
O quanto você se preocupa com o que o futuro poderá trazer?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
Você deve circular o número que melhor reflete o quanto você se preocupou com o seu futuro
durante as duas últimas semanas. Então você circularia o número 4 se você se preocupou com o
futuro “Bastante”, ou circularia o número 1 se não tivesse se preocupado “Nada” com o futuro.
Por favor leia cada questão, pense no que sente e circule o número na escala que seja a melhor
resposta para você para cada questão.
Muito obrigado(a) pela sua colaboração!
As seguintes questões perguntam sobre o quanto você tem tido certos sentimentos nas últimas
duas semanas.
old_01 Até que ponto as perdas nos seus sentidos (por exemplo, audição, visão, paladar, olfato,
tato), afetam a sua vida diária?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
old_02 Até que ponto a perda de, por exemplo, audição, visão, paladar, olfato, tato, afeta a sua
capacidade de participar em atividades?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
old_03 Quanta liberdade você tem de tomar as suas próprias decisões?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
old_04 Até que ponto você sente que controla o seu futuro?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
old_05 O quanto você sente que as pessoas ao seu redor respeitam a sua liberdade?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
old_06 Quão preocupado você está com a maneira pela qual irá morrer?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
old_07 O quanto você tem medo de não poder controlar a sua morte?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
old_08 O quanto você tem medo de morrer?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
old_09 O quanto você teme sofrer dor antes de morrer?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
As seguintes questões perguntam sobre quão completamente você fez ou se sentiu apto a
fazer algumas coisas nas duas últimas semanas.
old_10 Até que ponto o funcionamento dos seus sentidos (por exemplo, audição, visão, paladar,
olfato, tato) afeta a sua capacidade de interagir com outras pessoas?
Nada
Muito pouco
Médio
Muito
Completamente
1
2
3
4
5
old_11 Até que ponto você consegue fazer as coisas que gostaria de fazer?
Nada
Muito pouco
Médio
Muito
Completamente
1
2
3
4
5
old_12 Até que ponto você está satisfeito com as suas oportunidades para continuar alcançando
outras realizações na sua vida?
Nada
Muito pouco
Médio
Muito
Completamente
1
2
3
4
5
old_13 O quanto você sente que recebeu o reconhecimento que merece na sua vida?
Nada
Muito pouco
Médio
Muito
Completamente
1
2
3
4
5
old_14 Até que ponto você sente que tem o suficiente para fazer em cada dia?
Nada
Muito pouco
Médio
Muito
Completamente
1
2
3
4
5
As seguintes questões pedem a você que diga o quanto você se sentiu satisfeito, feliz ou bem
sobre vários aspectos de sua vida nas duas últimas semanas.
old_15 Quão satisfeito você está com aquilo que alcançou na sua vida?
Muito insatisfeito
Insatisfeito
Nem satisfeito nem
Satisfeito
Muito satisfeito
1
2
insatisfeito
4
5
3
old_16 Quão satisfeito você está com a maneira com a qual você usa o seu tempo?
Muito insatisfeito
Insatisfeito
Nem satisfeito nem
Satisfeito
Muito satisfeito
1
2
insatisfeito
4
5
3
old_17 Quão satisfeito você está com o seu nível de atividade?
Muito insatisfeito
Insatisfeito
Nem satisfeito nem
Satisfeito
Muito satisfeito
1
2
insatisfeito
4
5
3
old_18 Quão satisfeito você está com as oportunidades que você tem para participar de
atividades da comunidade?
Muito insatisfeito
Insatisfeito
Nem satisfeito nem
Satisfeito
Muito satisfeito
1
2
insatisfeito
4
5
3
old_19 Quão feliz você está com as coisas que você pode esperar daqui para frente?
Muito infeliz
Infeliz
Nem feliz
Feliz
Muito feliz
1
2
nem infeliz
4
5
3
old_20 Como você avaliaria o funcionamento dos seus sentidos (por exemplo, audição, visão,
paladar, olfato, tato)?
Muito ruim
Ruim
Nem ruim
Boa
Muito boa
1
2
nem boa
4
5
3
As seguintes questões se referem a qualquer relacionamento íntimo que você possa ter. Por
favor, considere estas questões em relação a um companheiro ou uma pessoa próxima com a qual
você pode compartilhar (dividir) sua intimidade mais do que com qualquer outra pessoa em sua
vida.
old_21 Até que ponto você tem um sentimento de companheirismo em sua vida?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
old_22 Até que ponto você sente amor em sua vida?
Nada
Muito pouco
Mais ou menos
Bastante
Extremamente
1
2
3
4
5
old_23 Até que ponto você tem oportunidades para amar?
Nada
Muito pouco
Médio
Muito
Completamente
1
2
3
4
5
old_24 Até que ponto você tem oportunidades para ser amado?
Nada
Muito pouco
Médio
Muito
Completamente
1
2
3
4
5
VOCÊ TEM ALGUM COMENTÁRIO SOBRE O QUESTIONÁRIO?
OBRIGADO(A) PELA SUA COLABORAÇÃO!
79
ANEXO 03: Escala de Avaliação da Satisfação Global com a Vida (Adaptada por
Neri, 2001)
Data: _________________
Nome: ___________________________________________
Qual é o ponto desta escada que melhor reflete a sua satisfação com sua própria vida no
momento?
Marcar com um X.
____________________________________________Idade_______Sexo________
Melhor
Vida
10
9
8
7
6
5
4
3
2
Pior Vida
1
82
ANEXO 05: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
TÍTULO DA PESQUISA: A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA E A QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS
ATENDIDOS EM SERVIÇOS-ESCOLA.
Eu__________________________________________________________________,
____
anos,
RG_________________,
residente
a
_______________________________________________________,
telefone__________________, abaixo assinado, dou meu consentimento livre e
esclarecido para participar como voluntário(a) da atividade de campo supracitada, cujo
Processo foi Aprovado no CEP da USJT sob nº 95/2010, sob responsabilidade da
pesquisadora Sueli dos Santos Vitorino, Psicóloga e aluna do curso de mestrado da
Universidade São Judas Tadeu (USJT), e de Carla Witter, professora e pesquisadora do
curso de pós-graduação Strictu-senso em Ciências do Envelhecimento da USJT.
Assinando este termo de Consentimento estou ciente de que:
• O Objetivo da pesquisa é avaliar e comparar o nível de qualidade de vida (quanto
ao bem estar) e a satisfação com a vida na percepção do próprio idoso participante de
atendimento nos serviços-escola de Fisioterapia e Educação Física, antes e após,
intervenção psicológica em grupo;
• Antes e/ou durante as atividades serão entregues questionários, nos quais o
participante terá livre arbítrio para escolher se quer ou não responder;
• A atividade que será realizada é considerada de risco mínimo, porém se este
procedimento gerar desconforto, constrangimento ou outra situação desagradável
qualquer, a participação poderá ser interrompida, a qualquer momento, sem qualquer
prejuízo para qualquer das partes;
• Estou livre para interromper a qualquer momento minha participação nesta
atividade sabendo que não haverá nenhum prejuízo no atendimento nos serviçosescola de educação física e fisioterapia, caso desista do grupo operativo.
• O pesquisador poderá me encaminhar para atendimento psicológico individual se
for constatada a necessidade da mesma;
• Minha participação na atividade de campo é voluntária, não receberei qualquer
forma de remuneração;
• Meus dados pessoais serão mantidos em sigilo e os resultados gerais obtidos
através da atividade de campo serão utilizados apenas para alcançar os objetivos do
trabalho, expostos acima, incluída sua divulgação em eventos científicos e publicação
em artigos e outros meio de divulgação da ciência;
• Poderei entrar em contato com o responsável pela atividade de pesquisa, Profª
Dra. Carla Witter, sempre que julgar necessário pelo telefone (11) 2799-1761 para
esclarecer eventuais dúvidas sobre a atividade;
• As sessões serão registradas individualmente por meio de filmagem e, após
concretização da pesquisa, as mesmas serão destruídas de acordo com a legislação
vigente;
83
• O arquivamento dos materiais coletados durante a pesquisa obedecerá às leis
vigentes ficando sua guarda e proteção sob responsabilidade do pesquisador e
disponível para consulta do comitê de ética quando este julgar necessário;
• Este Termo de Consentimento é feito em 2 (duas) vias, de maneira que uma
permanecerá em meu poder e a outra com o pesquisador responsável;
• Os resultados obtidos serão entregues individualmente, mesmo se tratando de
uma pesquisa que enfoca os resultados do grupo como um todo;
• Obtive todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre
a minha participação na referida atividade de campo.
São Paulo _____, de _______________ de 2011.
__________________________________________________
Nome e/ou assinatura do voluntário
_____________________
____________________
Carla Witter
Sueli dos Santos Vitorino
End.: R. Taquari, 546. Mooca – São Paulo – SP.
RA.:201080932
Tel. 11-2799-1761
[email protected]
84
ANEXO 06: Termo de Responsabilidade e Autorização do Curso de Psicologia
Eu, Carla Witter (coordenadora do curso de Psicologia da Universidade São Judas Tadeu),
declaro, a fim de viabilizar a execução do projeto de pesquisa intitulado “A INTERVENÇÃO
PSICOLÓGICA E A QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS ATENDIDOS EM DIFERENTES SERVIÇOSESCOLA”, sob a responsabilidade da pesquisadora Sueli dos Santos Vitorino, psicóloga, CRP/SP101795, estudante do curso de mestrado em Ciências do Envelhecimento na Universidade São
Judas Tadeu, que assumo a responsabilidade por zelar para que o referido projeto seja
efetuado conforme os objetivos e procedimentos nele estabelecidos, disponibilizando local
que permita a efetuação da coleta de dados, zelando pelo bem-estar das pesquisadoras e dos
participantes no âmbito da instituição, bem como pela privacidade e pelo sigilo das
informações que serão obtidas e utilizadas para o desenvolvimento da pesquisa.
Assinando este Termo de Responsabilidade, estou ciente de que:
O Objetivo da pesquisa é avaliar e comparar a de qualidade de vida (quanto ao bem estar) e a
satisfação com a vida na percepção do próprio idoso participante de atendimento nos
serviços-escola de Fisioterapia e Educação Física, antes e após, intervenção psicológica em
grupo.
São Paulo, ______ de _______________________de 20__.
______________________________
______________________________
Responsável Serviço-escola
Profª. Drª. Carla Witter
Serviço-escola
Coordenadora Curso de Psicologia - USJT
Tel.
Tel. 2799 1761
Endereço
End.: Rua Taquari, 546.
Mooca – São Paulo – SP
E-mail: [email protected]
85
ANEXO 07: Termo de Responsabilidade e Autorização das coordenadoras e
professoras do serviço-escola de Educação Física.
Termo de Autorização da Instituição
Nós, Profª. Drª. Maria Luiza de Jesus Miranda e Profa Dra Ana Martha Limongelli,
coordenadoras do Projeto Sênior para Vida Ativa, declaramos ter conhecimento da pesquisa
“A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA E A QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS ATENDIDOS EM
SERVIÇOS-ESCOLA” sob a responsabilidade da pesquisadora SUELI DOS SANTOS VITORINO,
aluna do curso de Mestrado em Ciência do Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu e
autorizamos sua realização com os idosos que frequentam o referido projeto durante o ano de
2011.
Assinando esta autorização, estamos cientes de que os idosos estarão respondendo a uma
entrevista semi-estruturada e a questionários de avaliação do nível de ansiedade e de
depressão, nível de satisfação com a vida e de qualidade de vida (WHOQOL) pré e pósintervenção, de 12 sessões, em grupo, com duração de 90 minutos por semana e uma coleta
de dados pós-intervenção. A coleta de dados será realizada nas dependências da universidade,
podendo ser realizada na sala do Projeto Sênior no Laboratório de Pedagogia do Movimento
da USJT, em horário acertado previamente entre idoso e pesquisador.
_______________________________ ______________________________
Profª. Drª. Maria Luiza de Jesus Miranda
Profª. Drª. Ana Martha Limongelli
Coordenadoras do Projeto Sênior para Vida Ativa
86
ANEXO 08: Informações Quantitativas e Qualitativas das Participantes (P3 até P10).
Participante 3
Anexo 8.1: Resultados do Participante 3, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos
P3: Mulher, 76 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo, G1.
Pontuação
Instrumento
Ansiedade
Depressão
Satisfação com a vida
Qualidade de Vida (WHOQOL-old
total bruto)
F1 – Funcionamento do sensório
F2 – Autonomia
F3 – Presente, Passado e futuro
F4 – Participação Social
F5 – Morte e Morrer
F6 – Intimidade
Avaliação da diferença
Pré
Pós
Diferença
7
8
8
85
7
6
7
88
0
-2
-1
+2
Manteve ansiedade mínima
Melhorou depressão mínima
Piorou
Melhorou
15
13
15
16
10
16
16
12
16
16
12
16
+1
-1
+1
0
+2
0
Melhorou
Piorou
Melhorou
Manteve
Melhorou
Manteve
A participante 3, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para
participar do grupo sua “admiração” (SIC) pelo trabalho psicológico e o desejo de
“encontrar outras pessoas e aprender mais...” (SIC).
Área biológica: faz acompanhamento de rotina e atualmente não está sob
nenhum tratamento. Toma diariamente remédios para colesterol e em dias alternados
para controle da pressão arterial (continuamente). Fez uma cirurgia, há 3 anos, no punho
(colocação de pino) sendo sua recuperação adequada. Na família não há ninguém
doente.
Área social: vive sozinha, há 20 anos desde que enviuvou para manter sua
privacidade. Mora em casa alugada, há 56 anos, no mesmo bairro desta universidade,
diz amar o local onde vive. De religião católica, vai esporadicamente a encontros
religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo
de serviço como professora de corte e costura, seus proventos são aproximadamente três
salários mínimos. Ela gosta de viajar e ouvir música como formas de lazer. Embora viva
só, tem uma boa rede de relações sociais (amigos e familiares) com a qual participa de
eventos, passeios, falam por telefone e/ou por internet. Na televisão gosta de ver shows
e programas ligados a cultura.
87
Área psicológica: disse ter decisões influenciadas por filhos, noras e genros em
qualquer momento, sempre dispostos a auxiliá-la no que precisar. Tem amigos os quais
escolhe por ter um perfil parecido com o dela, com eles costuma passear, viajar, ir a
festas, falar por telefone e/ou por internet. Não tem o hábito de recebê-los em casa.
Sobre o envelhecimento, pensa que “é uma tristeza, vejo que as pessoas não são mais
as mesmas... mas tem que aceitar porque cada fase da vida é uma fase, tem que
acompanhar ” (SIC).
Grupo de Intervenção: teve participação ativa no processo grupal já que nunca
faltou e colaborou para o bom andamento do trabalho realizado, mantendo a harmonia
entre os participantes.
Participante 4
Anexo 8.2: Resultados do Participante 4, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos
P4: Mulher, 68 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo, G1.
Pontuação
Instrumento
Ansiedade
Depressão
Satisfação com a vida
Qualidade de Vida (WHOQOL-old
total bruto)
F1 – Funcionamento do sensório
F2 – Autonomia
F3 – Presente, Passado e futuro
F4 – Participação Social
F5 – Morte e Morrer
F6 – Intimidade
Avaliação da diferença
Pré
Pós
Diferença
4
5
10
103
0
4
9
104
-4
-1
-1
+1
Melhorou ansiedade mínima
Melhorou depressão mínima
Piorou
Melhorou
20
16
17
17
17
16
20
13
18
18
20
15
0
-3
+1
+1
+3
-1
Manteve
Piorou
Melhorou
Melhorou
Melhorou
Piorou
A participante 4, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para
participar do grupo seu desejo de “ficar atualizada, criar mais neurônios e aprender
mais coisas novas” (SIC) e também porque “sou curiosa em primeiro lugar e para
88
ocupar o tempo porque não quero ter alzheimer, parkinson nem ficar em cadeira de
rodas”(SIC).
Área biológica: acompanhamento de rotina quatro vezes ao ano em médico
particular e atualmente não está sob nenhum tratamento. Não toma nenhum remédio e,
quanto a intervenções cirúrgicas, só fez a de apêndice quando era criança e uma
cesariana, sendo sua recuperação muito boa. Na família não há ninguém doente.
Área social: afirmou que é viúva e vive com os dois filhos casados, em casa
própria, num bairro vizinho ao desta universidade.
De religião católica, vai
esporadicamente a encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum
órgão. É aposentada e trabalhou muitos anos como cabeleireira autônoma, fez curso
técnico durante a juventude e aperfeiçoou no decorrer dos anos até parar de trabalhar a
alguns anos atrás. Seus proventos são, aproximadamente, quatro salários mínimos.
Como lazer gosta de passear com a família “quando possível né!?” (SIC). Embora viva
com ambos o filhos apenas o caçula e sua esposa vivem na mesma casa que ela, sua
filha mora com sua família em uma casa anexa no mesmo terreno. Vivem uma boa
relação. Na televisão vê canais fechados e gosta de assistir a programas culturais.
Área psicológica: disse não ter decisões influenciadas por ninguém “Eu faço o
que eu quero e quando eu quero” (SIC). Tem amigos os quais escolhe por ter um bom
nível cultural, com eles costuma passear, viajar, ir a palestras e falar por telefone. Sobre
o envelhecimento, pensa que “é um processo natural e cabe a cada pessoa cuidar para
ter saúde na sua velhice” (SIC).
Grupo de Intervenção: Embora tenha chegado muitas vezes atrasada teve
participação ativa no processo grupal já que sempre colaborou para o bom andamento
do grupo.
89
Participante 5
Anexo 8.3: Resultados do Participante 5, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos
P5: Mulher, 65 anos, com relacionamento amoroso, aposentada, com ensino fundamental completo.
Pontuação
Instrumento
Ansiedade
Depressão
Satisfação com a vida
Qualidade de Vida (WHOQOL-old
total bruto)
F1 – Funcionamento do sensório
F2 – Autonomia
F3 – Presente, Passado e futuro
F4 – Participação Social
F5 – Morte e Morrer
F6 – Intimidade
Avaliação da diferença
Pré
Pós
Diferença
2
3
8
101
1
4
7
96
-1
+1
-1
-5
Melhorou ansiedade mínima
Piorou depressão mínima
Piorou
Piorou
20
19
15
16
15
16
19
13
17
18
13
16
-1
-6
+2
+2
-2
0
Piorou
Piorou
Melhorou
Melhorou
Piorou
Manteve
A participante 5, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para
participar do grupo seu “interesse em tudo que é grupo de pessoas” (SIC) e “queria
fazer amizades” (SIC).
Área biológica: faz acompanhamento para controle da pressão arterial, desde que
tinha 40 anos e atualmente segue em tratamento. Toma diariamente uma cápsula de
Bezilato de Anlodipino 5mg (continuamente). Nunca fez nenhuma cirurgia e, na
família, a hipertensão é hereditária, sua irmã tem diabete e é muito ansiosa.
Área social: afirmou que vive sozinha desde 2007, quando sua mãe morreu, no
mesmo apartamento próprio (herança da mãe) em que vive desde 1972, no mesmo
bairro desta universidade, diz amar o local onde vive. De religião católica, freqüenta
encontros religiosos semanalmente. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É
aposentada por tempo de serviço como comerciária, seus proventos contam
aproximadamente 3 salários mínimos. Como lazer gosta de dançar e jantar fora. Embora
viva só, tem um relacionamento amoroso há 3 anos, tem uma ampla rede de relações
com amigos do prédio, do antigo trabalho e do Projeto Sênior, além dos familiares (irmã
e sobrinhos) em que ela participa ativamente de eventos, passeios, falam por telefone.
Na televisão gosta de ver novelas e programas de auditório.
Área psicológica: disse ter decisões pouco influenciadas por irmã que é
ciumenta. Escolhe pouco os amigos a maioria dos que tem conhece há 30 ou 40 anos.
90
Tem por hábito conversar com uma mesma amiga todos os dias. Sobre o
envelhecimento: “Não penso muito sobre o amanhã. As rugas não incomodam. Tem que
saber envelhecer... sou muito vaidosa” (SIC).
Grupo de Intervenção: teve participação ativa no processo grupal e colaborou
para o bom andamento do grupo.
Participante 6
Anexo 8.4: Resultados do Participante 6, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos
P6: Mulher, 63 anos, com relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo
(magistério), G1.
Pontuação
Instrumento
Avaliação da diferença
Pré
Pós
Diferença
Ansiedade
Depressão
Satisfação com a vida
Qualidade de Vida (WHOQOL-old
total bruto)
F1 – Funcionamento do sensório
F2 – Autonomia
F3 – Presente, Passado e futuro
F4 – Participação Social
F5 – Morte e Morrer
F6 – Intimidade
12
3
8
90
13
6
9
97
+1
+3
+1
+7
Piorou ansiedade leve
Piorou depressão mínima
Melhorou
Melhorou
16
13
14
16
15
16
16
14
16
17
16
18
0
+1
+2
+1
+1
+2
Manteve
Melhorou
Melhorou
Melhorou
Melhorou
Melhorou
A participante 6, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para
participar do grupo seu desejo de “Fazer mais atividade, aprender e praticar em
casa””(SIC) quanto ao aspecto psicológico disse desejar:“conhecer mais gente, ajudar
e ser ajudada” (SIC).
Área biológica: faz acompanhamento de rotina anualmente e atualmente está sob
tratamento para diminuir colesterol. Toma diariamente remédios para colesterol
(Sinvastatina) e uma vez por semana toma Alendronato de cálcio. A cirurgia mais
recente data de, aproximadamente 10 anos, hemorroida sendo sua recuperação
adequada. Na família há uma irmã com Câncer de ovário.
Área social: afirmou que vive com esposo, há 15 anos na mesma casa alugada,
num bairro próximo a esta universidade. De religião católica, frequenta, junto com
esposo, ativamente os encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum
órgão. É aposentada por tempo de serviço como professora de ensino básico (1ª ao 4ª
91
série), seus proventos contam aproximadamente 3 salários mínimos. Como lazer gosta
de viajar com grupo da terceira idade. Relata ter uma relação harmoniosa com os dois
filhos casados e suas respectivas famílias em que se ajudam reciprocamente. Na
televisão gosta de ver documentários, filmes e jornal.
Área psicológica: disse ter decisões influenciadas por filhos, mãe e irmãos (10
ao todo) em qualquer momento, especialmente as datas festivas. Tem muito amigos
(vizinhos, da igreja e do grupo de terceira idade) os quais escolhe por convivência no
dia-a-dia, com eles costuma quando possivel, sair. Sobre o envelhecimento, diz aceitar
numa boa “as perdas são normais ” (SIC).
Grupo de intervenção: teve participação discreta, porém ativa no processo grupal
já que nunca faltou e colaborou para o bom andamento do grupo. Essa participante em
muitos momentos pareceu ao grupo ser um exemplo (algumas vezes como pessoa feliz e
sem problemas outras vezes como pessoa calma, ponderada e que destoava do grupo) às
demais, falava pouco e quando trazia seus pontos de vista as demais ressaltavam sua
origem oriental enfatizando como sua cultura lidava com certos aspectos trabalhados
neste grupo. A participante, embora qualitativamente pareça que não mudou muito nas
escalas percebe-se que teve ganhos em quase todos os itens avaliados. Sendo uma
pessoa constante e firme esses ganhos podem evidenciar que ela usufruiu o processo
terapêutico mais do que se pôde supor.
Participante 7
Anexo 8.5: Resultados do Participante 7, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos
P7: Mulher, 61 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo, G1.
Pontuação
Instrumento
Avaliação da diferença
Pré
Pós
Diferença
Ansiedade
16
2
-14
Depressão
Satisfação com a vida
Qualidade de Vida (WHOQOL-old
total bruto)
F1 – Funcionamento do sensório
F2 - Autonomia
F3 – Presente, Passado e futuro
F4 – Participação Social
F5 – Morte e Morrer
F6 - Intimidade
18
7
84
12
6
87
-6
-1
+3
Melhorou ansiedade de leve
para mínima
Melhorou depressão leve
Piorou
Melhorou
19
13
11
11
18
12
16
15
12
14
18
12
-3
+2
+1
+3
0
0
Piorou
Melhorou
Melhorou
Melhorou
Manteve
Manteve
92
A participante 7, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para
participar do grupo seu desejo de participação “nunca tive oportunidade de participar
de um grupo psicológico” (SIC) acrescenta que preenche seu tempo ocioso com
atividades e afazeres.
Área biológica: não faz nenhum tratamento médico nem toma nenhum remédio.
Nunca fez cirurgias. Na família há hipertensão e obesidade (pai morreu de infarto) ela
crê que causados por estilo de vida.
Área social: separada, vive com filho caçula, há 22 anos em apartamento
próprio, num bairro próximo a esta universidade. De religião kardecista, frequentemente
participa de encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É
aposentada por tempo de serviço como operadora de máquinas numa multinacional de
grande porte, seus proventos contam aproximadamente 5 salários mínimos. Como lazer
gosta de ver filmes e ir ao teatro. Embora não tenha um relacionamento amoroso, diz
não ter intenção de procurar um “Se aparecer será bem vindo, vamos tentar, mas não
estou procurando não” (SIC). Afirma que sua relação com esse filho é harmoniosa e
“em sintonia” (SIC). Na televisão gosta de ver palestras sobre a vida e alimentação,
venda de jóias e jornal.
Área psicológica: disse não ter suas decisões influenciadas por ninguém. Tem
poucos amigos os quais são bem selecionados, entre eles costuma haver visitação
mútua. Sobre o envelhecimento, pensa que “natural, faz parte” (SIC).
Grupo de intervenção: teve participação ativa no processo grupal já que nunca
faltou e colaborou para o bom andamento do grupo. Sempre falante foi uma das
participantes que mais pareceram usufruir o espaço terapêutico, sempre trazia falas
sobre sua experiência pessoal e muito colaborou para que as demais participantes
também falassem, dizia se sentir bem no grupo e deixou claro o quanto o grupo
colaborou para seus sentimentos de realização pessoal durante os encontros. Um pouco
ríspida ao falar, às vezes, no início de suas falas, gerava um pouco de apreensão no
grupo, mas logo essa sensação era substituída pela coragem das demais em entrar mais
fundo na discussão de determinado tema. Trouxe para o grupo sua experiência direta
num problema com o filho em duas situações em que, na segunda vez, agiu usando o
novo saber que adquiriu nas discussões em grupo por ocasião da primeira vez em que
93
ocorreu, tornando concreta, para o grupo, a experiência de aprendizagem que a vivência
grupal estava lhes proporcionando ou seja o grupo pôde experienciar que estavam
construindo novos saberes juntas através dessa descrição palpável.
Participante 8
Anexo 8.6: Resultados do Participante 8, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos
P8: Mulher, 67 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino fundamental completo,
G2.
Pontuação
Instrumento
Avaliação da diferença
Pré
Pós
Diferença
Ansiedade
Depressão
12
15
11
10
-1
-5
Satisfação com a vida
Qualidade de Vida (WHOQOL-old
total bruto)
F1 – Funcionamento do sensório
F2 - Autonomia
F3 – Presente, Passado e futuro
F4 – Participação Social
F5 – Morte e Morrer
F6 - Intimidade
6
72
8
78
+2
+6
Melhorou ansiedade leve
Melhorou depressão de leve
para mínima
Melhorou
Melhorou
11
12
16
15
6
12
12
12
15
16
10
13
+1
0
-1
+1
+4
+1
Melhorou
Manteve
Piorou
Melhorou
Melhorou
Melhorou
A participante 8, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para
participar do grupo seu desejo de “dividir as mágoas com os outros, pode ser que eu
ajude ajudando os outros”(SIC).
Área biológica: não faz nenhum tratamento médico e atualmente está sob
tratamento contínuo apenas para controle da pressão arterial em que toma diariamente
captopril® (pela manhã) e outro remédio à noite. Fez uma cirurgia, em 04/09/2010, em
que quebrou a clavícula (colocação de pino) sendo sua recuperação adequada. Na
família não há ninguém doente nem antecedentes.
Área social: vive sozinha, há aproximadamente 10 anos desde que enviuvou.
Mora em casa própria, num bairro próximo à esta universidade, diz sentir falta de
alguém para conversar a noite. Teve 3 filhos dos quais um morreu e dois vivem em
outro país, a nora (viúva de seu filho) e um casal de netos moram na mesma rua que ela
e frequentemente vai à casa deles. De religião católica, vai esporadicamente a encontros
religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo
94
de serviço como operadora de máquinas em indústria têxtil e recebe pensão pela morte
do marido, seus proventos contam aproximadamente 3 salários mínimos. Como lazer
gosta de fazer atividade física e passeio à casa de amigas onde também gosta de ajudar
os trabalhos domésticos. Desde que machucou o ombro, sai pouco de casa e é menos
ativa “Os motoristas de ônibus vão muito rápido e ninguém dá lugar para o idoso, eu
não tenho força para me segurar em pé, posso cair, então é melhor não ir, vou só onde
é necessário” (SIC). Na televisão gosta de ver programas de auditório.
Área psicológica: disse ter forte convivência com irmãs (7 ao todo) que vê todos
os finais de semana. Tem amizades antigas com quem costuma passear, viajar, visitá-las
e recebê-las em casa. Sobre o envelhecimento, diz que não pensa que “não me sinto
velha...falo pra minhas amigas: Como tal ator ta velho e elas me apontam, mas você
também ta! ” (SIC).
Grupo de intervenção: teve participação ativa no processo grupal já que sempre
colaborou para o bom andamento do seu grupo que ao final ficou pequeno com 4
pessoas. Usufruiu muito o espaço terapeutico e os resultados quantitativos de suas
escalas/avaliações evidenciam esses ganhos. Embora fosse uma pessoa tímida e calada,
em cada encontro ela aproveitou para colocar-se em palavras para o grupo sempre com
objetivo de trazer à tona estórias passadas que ainda mexiam com ela, muitas delas lhes
traziam fortes sentimentos como a morte do filho. Seu nível de aprofundamento e
elaboração de questões pessoais (mágoas) ocorreu independente do nível de
aprofundamento dos demais participantes, o que pode significar que embora o grupo
possa ter transparecido à pesquisadora ter um entrosamento pobre, pode ter perdido esse
espaço realmente necessário ao uso individual desta participante e os ganhos, que a
pesquisadora percebeu como superficiais, foram qualitativamente melhores do que sua
percepção inicial corroborando o que Osório (2003) alega ser o trabalho do terapeuta
grupal conduzir o grupo à autoreflexão a partir da comunicação no grupo, não
respondendo mas ajudando o grupo a encontrar respostas e desse modo poder construir
novos saberes a partir de si mesmos.
95
Participante 9
Anexo 8.7: Resultados do Participante 9, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos
P9: Mulher, 69 anos, sem relacionamento amoroso, trabalhadora, com ensino médio completo, G2.
Pontuação
Instrumento
Avaliação da diferença
Pré
Pós
Diferença
Ansiedade
Depressão
Satisfação com a vida
Qualidade de Vida (WHOQOL-old
total bruto)
F1 – Funcionamento do sensório
F2 - Autonomia
F3 – Presente, Passado e futuro
F4 – Participação Social
F5 – Morte e Morrer
F6 - Intimidade
4
14
9
89
2
16
7
89
-2
+2
-2
0
Melhorou ansiedade mínima
Piorou depressão leve
Piorou
Manteve
13
16
15
14
19
12
14
14
14
15
18
14
+1
-2
-1
+1
-1
+2
Melhorou
Piorou
Piorou
Melhorou
Piorou
Melhorou
A participante 9, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para
participar do grupo seu desejo de “estar melhor informada, aprender, me conhecer
mais”(SIC).
Área biológica: faz acompanhamento de rotina e atualmente não está sob
nenhum tratamento. Toma diariamente remédios para controle da pressão arterial
(continuamente) Aradois H® e Synthroid® para Tireóide. Já fez cirurgias de catarata e
varizes (há 6 anos) e uma cirurgia de períneo, há 3 anos, sendo sua recuperação
adequada em todas elas. Na família apenas irmã tem histórico de microderrames.
Área social: é viúva e vive com casal de filhos solteiros, em apartamento próprio
em bairro vizinho à esta universidade. De religião católica, vai esporadicamente a
encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É trabalhadora
autônoma como costureira particular e recebe pensão por morte do esposo, seus
proventos, contando com o dos filhos, contam aproximadamente 8 salários mínimos.
Como lazer gosta de passear. Na televisão gosta de ver programas ligados a cultura.
Área psicológica: disse não sofrer influencias de ninguém, familiares participam
pouco de sua vida. Tem amigos os quais escolhe na convivência diária, com eles sai e
visitam-se mutuamente. Sobre o envelhecimento, pensa que aproveita enquanto tem
saúde.
96
Grupo de intervenção: teve participação intermitente no processo grupal já que
faltou mais do que os outros participantes ao grupo, contudo, quando presente,
colaborou para as discussões que geraram um bom andamento do grupo. Essa
participação fragmentada pode, hipoteticamente, ser o resultado de sua rigidez,
observada nas sessões, frente a determinados assuntos. Essa rigidez ao abordar
determinadas situações (ex. relação familiar, sofrimentos da infância etc) pode ter lhe
trazido sofrimento na elaboração psíquica dessas lembranças e contribuído para as faltas
que, consequentemente, podem ser a explicação para seus resultados quantitativos (na
tabela 14) estar tão diferentes dos demais participantes, inclusive sendo piores nos
temas, que foram discutidos justamente nos dias de suas faltas, por exemplo: Depressão,
autonomia e morte e morrer.
Participante 10
Anexo 8.8: Resultados do Participante 10, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos
P10: Mulher, 66 anos, com relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo, G1.
Pontuação
Instrumento
Avaliação da diferença
Pré
Pós
Diferença
Ansiedade
17
11
-6
Depressão
14
10
-4
Satisfação com a vida
Qualidade de Vida (WHOQOL-old
total bruto)
F1 – Funcionamento do sensório
F2 – Autonomia
F3 – Presente, Passado e futuro
F4 – Participação Social
F5 – Morte e Morrer
F6 – Intimidade
7
76
7
87
0
+11
Melhorou, mas manteve-se
em ansiedade leve
Melhorou depressão de leve
para mínima
Manteve
Melhorou
14
12
11
16
8
15
17
15
13
19
8
15
+3
+3
+2
+3
0
0
Melhorou
Melhorou
Melhorou
Melhorou
Manteve
Manteve
A participante 10, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para
participar do grupo seu desejo de aproveitar a oportunidade “a oportunidade aparece e
nunca é demais aproveitá-la. Às vezes tenho um pequeno problema e tenho que
procurar ajuda... já fiz terapia em grupo, psicodrama, há 3 anos, foi muito bom ”(SIC).
97
Área biológica: contou que faz acompanhamento de rotina referente ao controle
para prevenção de câncer, pois já teve na mama e atualmente está sob tratamento apenas
para a tireóide. Toma diariamente os remédios Synthroid® e Rivotril® (continuamente).
Fez uma cirurgia, há 13 anos, para retirada de um quadrante onde se localizava um
câncer de mama, sendo sua recuperação adequada. Na família não há ninguém doente.
Não teve filhos porque, quando jovem teve que retirar o útero.
Área social: vive com marido, há muitos anos, em casa própria num bairro
próximo à esta universidade. De religião cristã, vai esporadicamente a encontros
religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo
de serviço como secretária de vendas, seu marido não trabalha e não tem renda, a maior
parte da vida ela o sustentou, seus proventos contam aproximadamente 3 salários
mínimos. Como lazer gosta de ficar no computador que “me encanta” (SIC). Sente
falta, especialmente agora, de filhos já que vive só com o marido. Na televisão gosta de
ver jornal e novelas.
Área psicológica: disse ter decisões influenciadas por irmã mais velha a qual
mora sozinha e requer cuidados com sua saúde. Tem amizades antigas e amigos do
Projeto Sênior os quais tem o hábito de visitá-la em casa em ocasiões festivas. Sobre o
envelhecimento, pensa que “é uma coisa boa e ao mesmo tempo triste. Se a pessoa tem
pique tem que correr atrás de ocupar seu tempo. Vai ficando velho e feio ” (SIC).
Grupo de intervenção: teve participação ativa no processo grupal já que nunca
faltou e colaborou para o bom andamento do grupo. Teve muito ganhos pessoais
relatados pela mesma nos encontros. Mobilizou o grupo diversas vezes com suas
questões pessoais trazidas ao ambiente terapêutico como um pedido de ajuda o qual o
grupo sempre acolheu e colaborou com ela sem julgar e nem lhes dar sugestões
descontextualizadas e teve profundo envolvimento com todas as questões levantadas
pelas demais participantes de seu grupo, tanto as quando as questões eram de
sofrimento (ex. segredo contado no grupo trazia forte em sofrimento) quanto quando
eram de prazer (ex. descrição de satisfação com a própria família feita por outra
participante).
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