UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU MESTRADO EM CIÊNCIAS DO ENVELHECIMENTO Sueli dos Santos Vitorino QUALIDADE DE VIDA PERCEBIDA POR IDOSOS DE UM PROGRAMA EDUCATIVO: AVALIAÇÃO DE UMA INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA. São Paulo 2012 UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU MESTRADO EM CIÊNCIAS DO ENVELHECIMENTO Sueli dos Santos Vitorino QUALIDADE DE VIDA PERCEBIDA POR IDOSOS DE UM PROGRAMA EDUCATIVO: AVALIAÇÃO DE UMA INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA. Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Ciências do Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu para a análise da banca examinadora como requisito à obtenção do título de Mestre em Ciências do Envelhecimento Área de concentração: Qualidade de Vida. Saúde, Orientadora: Profª Drª Carla Witter São Paulo 2012 Educação e AUTORIZO REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Universidade São Judas Tadeu Bibliotecário: Ricardo de Lima - CRB 8/7464 Vitorino, Sueli dos Santos V845q Qualidade de vida percebida por idosos de um programa educativo: avaliação de uma intervenção psicológica / Sueli dos Santos Vitorino. - São Paulo, 2012. 97 f. ; 30 cm Orientador: Carla Witter Dissertação (mestrado) – Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, 2012. 1. Envelhecimento. 2. Idosos - Psicologia. 3. Qualidade de vida. I. Witter, Carla. II. Universidade São Judas Tadeu, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências do Envelhecimento. III. Título. CDD – 610.73 FOLHA DE APROVAÇÃO Sueli dos Santos Vitorino QUALIDADE DE VIDA PERCEBIDA POR IDOSOS DE UM PROGRAMA EDUCATIVO: AVALIAÇÃO DE UMA INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA. Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Ciências do Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu para a análise da banca examinadora como requisito à obtenção do título de Mestre em Ciências do Envelhecimento Área de concentração: Qualidade de Vida. Saúde, Educação e Aprovado em:____/____/______ Banca Examinadora Profa. Dra. Anita Liberalesso Neri Instituição: UNICAMP Assinatura:________________________________ Profa. Dra. Maria Luiza de Jesus Miranda Instituição: USJT Assinatura:________________________________ Profa. Dra. Carla Witter (orientadora) Instituição: USJT Assinatura:________________________________ DEDICATÓRIA À minha mãe À toda a minha família Aos envolvidos neste estudo. AGRADECIMENTOS À Deus, que me deu coragem para prosseguir quando esmorecia. À minha família, por suportar minhas ausências. Sobretudo meu amado marido Seclerb, fiel parceiro e eterno incentivador. À minha orientadora, Carla Witter, um anjo na minha vida, um exemplo de solidariedade, paciência, colaboração e, sobretudo, de fé porque acreditou em mim antes que eu mesma fosse capaz de fazê-lo. Ao querido e competente corpo docente do mestrado em Ciências do Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu que tive a honra de frequentar as aulas: Marcelo de Almeida Buriti, Rita Maria Monteiro Goulart, Maria Luiza de Jesus Miranda, Kátia de Angelis (deixou muita saudade e muito aprendizado), Ana Martha de Almeida Limongelli, Rogério Brandão Wichi e um agradecimento especial à Claudia Borim da Silva, a quem sou muito grata por, mais do que paciência e conhecimentos compartilhados, pela disponibilidade e fé em mim quando nem mesmo eu tinha mais, você não tem ideia de como sua dedicação à mim foi importante para que eu achasse o rumo da finalização do meu trabalho, o que fiz com a ajuda incondicional, e tantas vezes maternal, da Profª Carla Witter a quem devo um agradecimento mais do que especial. À Profª Elza Maria Tavares Silva pela revisão de português. Aos meus colegas de sala, a primeira turma de mestrado em Ciências do Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu, obrigada por ter feito nossa turma ser especial e única, jamais os esquecerei. Aos Daniel, Ibraim, Selma e Simone, auxiliares de coordenadoria de pós-graduação da Universidade São Judas Tadeu. Às doutoras, Anita Liberalesso Neri e Maria Luiza de Jesus Miranda por ter aceitado participar da minha banca de mestrado, pela contribuição e enriquecimento do meu trabalho. Agradeço, ainda, à Universidade São Judas Tadeu por ter me concedido uma bolsa de estudos. Por fim, mas não menos importante, agradeço à minhas amigas: Nathaly Dawalibi, Geovana Anacleto, Gleice Branco e Hisabel Araújo pelas longas horas de conversa, pela sempre disponível colaboração, aprendizado e pela amizade que ficou entre nós. Vitorino, S. dos Santos (2012). Qualidade de vida percebida por idosos de um programa educativo: avaliação de uma intervenção psicológica. Dissertação de Mestrado, Ciências do Envelhecimento, Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, SP, 97 p. RESUMO Sabendo-se do crescimento mundial da população idosa e percebendo a necessidade de estudos que viabilizem o bem-estar psicológico nessa faixa etária, este trabalho teve como objetivo geral avaliar os efeitos de uma intervenção psicológica sobre a qualidade de vida (QV) levando em consideração os níveis de ansiedade/depressão e, subjetivamente, a percepção de qualidade de vida e de satisfação com a vida de idosos atendidos numa universidade particular na cidade de São Paulo. Após preenchimento do TCLE, os instrumentos foram aplicados para medir a ansiedade e a depressão (escalas de Beck), a qualidade de vida (WHOQOL-old), a satisfação com a vida (escala de satisfação com vida adaptada), antes e após a intervenção psicológica que foi realizada, em dois grupos que funcionaram paralelamente, durante 12 sessões, 21 idosos de ambos os gêneros iniciaram, dos quais 11 foram até o fim e avaliados pós-intervenção. Os principais resultados permitem aferir que a caracterização dos participantes revelou um perfil semelhante a diversos trabalhos publicados sobre idosos, tais como: maioria do sexo feminino, com idade média de 66 anos, viúvas, morando com outras pessoas (cônjuge ou filhos), com renda em torno de três salários mínimos. A intervenção psicológica foi qualitativamente positiva sobre a qualidade de vida de ambos os grupos de idosos atendidos no Programa Educativo, pois ficou claro que todos os participantes conseguiram ter um olhar diferente para a própria vida, fato este que não lhes tinha ocorrido antes e que favoreceu sua vivência emocional. Quanto a análise, antes e após a intervenção, foi possível verificar que, no grupo, os níveis de ansiedade e de satisfação para com a vida, praticamente, mantiveram-se entre a pré e pós-intervenção. Já os níveis de depressão e a qualidade de vida tiveram ligeira melhora, apresentando resultados estatisticamente significantes nas facetas Presente Passado e Futuro, Participação Social e Intimidade. Na correlação entre os níveis de ansiedade e depressão com a satisfação e a qualidade de vida, antes e após a intervenção, foi verificada forte correlação (com diferença estatisticamente significante) entre Ansiedade e Depressão, Ansiedade e Qualidade de Vida e Satisfação com a vida na avaliação pré-intervenção. Na avaliação pósintervenção obteve-se diferença estatisticamente significante somente para Ansiedade e Depressão e Ansiedade e Qualidade de Vida. É importante frisar que a pesquisa apresentada limitações devido à quantidade de idosos participantes da intervenção (n= 11), o que impede a generalização dos dados. Além disso, a complexidade da temática e das variáveis envolvidas não permitiu afirmar com precisão a eficácia da intervenção psicológica na qualidade de vida dos idosos, porém os resultados revelaram principalmente os qualitativos, que os encontros foram positivos porque permitiram uma maior reflexão sobre aspectos da vida dos participantes. Dessa forma, conclui-se que é fundamental que sejam realizadas outras pesquisas sobre intervenções psicológicas com idosos, pois há uma lacuna na área da Psicologia no que se refere às pesquisas que envolvam intervenções psicológicas para promover o bem-estar e a qualidade de vida dos idosos. Palavras chave: Gerontologia; Envelhecimento; Psicologia. Vitorino, S. dos Santos (2012). Quality of life noticed by elderly in an Educative Project: evaluation of a psychological intervention. Master’s degree dissertation, Science of age, Sao Judas Tadeu University, Sao Paulo, SP, 97 p. ABSTRACT Knowing about the world ancient population, and noticing the need of the studies that makes feasible the psychological well being in this age group, this work had as its main goal, avaluate the effects of a psychological intervention about the quality of life. Taking in consideration the level of anxiety/depression and, subjectively the perception of life quality and the satisfaction with ancient life, granted in a private university in Sao Paulo city. After filling in the TCLE, the instruments were applied to measure the anxiety and the depression (Beck Scale), the quality of life (WHOQOL – old), the life satisfaction (Scale of satisfaction with the adaptable life), before and after the psychological intervention that was fulfilled in two groups that worked parallel. During 12 sections, 20 elderly from both sex started. From the 21 only 11 ended and were avaluated after the intervention. The principal results permit to assign that the characterization of the subjects revealed a profile similar to several works published about elderly like: most female with average age of 66 years old, widows living with others people (spouse or sons) with lace around three minimum wages. The psychological intervention was qualitatively positive about the quality of life of both elderly groups granted in the educative Project, because it was clear that the entire subject got a different look to their own lives, in fact they hadn’t noticed about it before, what benefits their emotional life. About the analysis, before and after the intervention, it was possible to check that, in the group, the levels of anxiety and satisfaction with life practically were kept between before and after intervention. But the levels of depression and the quality of life had a light improvement, showing results statistically meaningful in the Present, Past and Future facets, social participation and intimacy. In the correlation between the levels of anxiety and depression with the satisfaction and the quality of life, before and after the intervention, it was verified the strong correlation (with meaningfully and statistically difference) between anxiety and depression, anxiety and quality of life and satisfaction with life in the pre-intervention. In the postintervention avaluation which had meaningfully and statistically difference only for anxiety and depression and anxiety and quality of life. It is important to underline that the research shows limitations because the quantity of elderly participating of the intervention (n=11), what impede the generalization of the information besides, the complexity of the thematic and the variable involved didn’t permit to assert with precision and effectiveness of the psychological intervention, in the quality of life of the elderly, but the results reveal, principally the qualitative ones, that the meetings were positive, because they permitted a higher reflection about the aspects of the subjects’ life. Then, we can conclude that it is fundamental to create other researches about psychological intervention with elderly, because there is a gap in the psychology area which refers to the researches that involves psychological intervention to promote the well-being and quality of life of elderly. Keywords: Gerontology; Aging; Psychology. LISTA DE TABELAS Tabela 1: Tabela 2: Tabela 3: Tabela 4: Tabela 5: Tabela 6: Tabela 7: Tabela 8: Tabela 9: Tabela 10: Tabela 11: Tabela 12: Tabela 13: Tabela 14: Artigos publicados entre 2009 e 2011 (n=101) disponíveis na base de dados PsycINFO no site da Associação Americana de Psicologia (APA). Distribuição por gênero no grupo 1 e 2 do início ao fim das doze sessões de intervenção. Níveis de classificação e respectivas pontuações nos inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck. Conceitos e conteúdos das facetas inclusas no módulo WHOQOL-OLD. Pontuação do instrumento Whoqol-old, considerando reversão de escores negativos. Cronograma dos Encontros em Grupo realizados para a intervenção psicológica. Caracterização dos idosos participantes da pesquisa, intervenção e pós-intervenção psicológica (n=11), segundo as variáveis sócio-demográficas. Nível e média da pontuação de Depressão e Ansiedade antes e após a intervenção. Nível e média da pontuação de Satisfação com a vida antes e após a intervenção. Média da pontuação por facetas do WHOQOL-old antes e após a intervenção. Correlação entre a pontuação de ansiedade, depressão, qualidade de vida e satisfação com a vida pré e pósintervenção. Resultados do Participante 1, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos. Resultados do Participante 2, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos. Resultados do Participante 11, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos. Pág 20 29 31 32 33 37 40 42 43 47 50 52 56 61 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AF Atividade Física APA American Psychology Association AVD(s) Atividade(s) de Vida Diária AUT Autonomia CAPES Coordenadoria de Aperfeiçoamento do Ensino Superior CENPA Centro de Psicologia Aplicada CID-10 Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10a rev. CNS Conselho Nacional de Saúde COEP Comitê de Ética em Pesquisa DSM-IV Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 4a ed. FIBRA Fragilidade em Idosos Brasileiros FS Funcionamento do Sensório ou Habilidades Sensoriais G Grupo IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INT Intimidade MEM Morte e Morrer OMS Organização Mundial da Saúde P Participante PPF Atividades Presentes, Passadas e Futuras PSO Participação Social QV Qualidade de Vida SIC Segundo Informações Coletadas SPSS Statistical Package for Social Science TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido USJT Universidade São Judas Tadeu USP Universidade de São Paulo WHO World Health Organization WHOQOL World Health Organization Quality of Life WHOQOL-old World Health Organization Quality of Life – Questionnaire-old SUMÁRIO Pág Apresentação 11 Introdução 13 Idoso e Envelhecimento 13 Qualidade de Vida, Ansiedade e Depressão 15 Intervenções psicológicas 18 Objetivo 26 Método 27 Caracterização Breve do Programa Educacional 27 Participantes 28 Materiais 29 Procedimento 34 Análise de Dados 38 Resultados e Discussão 40 Considerações Finais 65 Referências 67 Anexos 73 11 APRESENTAÇÃO Desde sua graduação, em 2007, a pesquisadora se interessou pela maneira como os idosos paulistas têm vivido sua velhice e, nesta terceira pesquisa, enfocou a intervenção psicológica como aporte para desenvolver, ou melhorar, a qualidade de vida nesta fase da vida. A pesquisadora teve a preocupação e o objetivo de que sua pesquisa fosse útil aos participantes, pois são eles os verdadeiros usuários de seus serviços, e dentro dessa linha de pensamento organizou uma pesquisa interventiva, com avaliações pré e pós-intervenção psicológica, a fim de, adicionalmente, poder oferecer um atendimento psicológico em grupo a esses idosos. Com a utilização das palavras-chave: intervenção psicológica e idosos foi feito o levantamento nos bancos de dissertações locais (CAPES e USP, 2012) o que corroborou na verificação de que não foram feitas pesquisas de mestrado no último ano que tivessem esse enfoque. A realização da presente pesquisa possibilitou à autora o aprofundamento do seu conhecimento sobre o idoso e o envelhecimento, tanto teoricamente como praticamente pelo caráter interventivo do trabalho. Portanto, permitiu que a pesquisadora sentisse uma melhora e um aprimoramento no seu conhecimento teórico-acadêmico e na sua prática profissional, desenvolvendo e aperfeiçoando as suas capacidades e habilidades como psicóloga. Além dessa satisfação pessoal e profissional, a pesquisadora acredita ter contribuído socialmente com o seu trabalho na medida em que não apenas gerou conhecimento dentro do rigor científico, mas principalmente pelo fato da intervenção psicológica ter gerado uma melhora no bem estar dos idosos participantes. Levando-se em consideração que todo resultado de uma investigação científica reflete um momento histórico específico e, considerando o atual contexto de múltiplas possibilidades de estudo sobre o idoso e o processo de envelhecimento, este trabalho teve como meta final ser uma pequena colaboração para a produção científica da área de gerontologia. Área de estudo que primazia o enfoque interdisciplinar, porque compreende o fenômeno como um objeto de estudo multideterminado e multifacetado, sendo necessária a 12 integração das diversas áreas do conhecimento para a melhor investigação e produção de conhecimento sobre os idosos e os processos de envelhecimento. Portanto, a Dissertação está assim organizada: Introdução, que apresenta o referencial teórico levantado e no qual a pesquisa foi embasada; Objetivos, os quais informam os propósitos da pesquisa e estão organizados em Geral e Específicos; Método, no qual são descritos o programa educativo, os participantes, os materiais e os procedimentos para a coleta dos dados; Resultados e Discussão, nesta seção encontram-se a tabulação dos dados coletados, apresentados em tabelas, e a sua discussão à luz da literatura especializada. Por último, são apresentados os pós-textos usuais: Referências e Anexos. 13 INTRODUÇÃO Idoso e Envelhecimento O Envelhecimento na sua atual concepção se caracteriza por uma série de aspectos inter-relacionados que são múltiplos e multifacetados (Neri, 2001; Bassit & Witter, 2006; Brandão & Mercadante, 2009), muito complexos, possibilitando afirmar que o envelhecimento deve ser sempre considerado a partir da definição de um fenômeno biológico, psicológico e social que será determinado, principalmente, pela cultura em que o indivíduo envelhecente está inserido e que determinará, também, outras definições como a de saúde e bem-estar, por exemplo (Neri, 1999 e 2007). Neste aspecto, vale ressaltar que no presente trabalho é considerada a definição de Envelhecimento de Neri (1995), que se baseia no conceito de Life-Spam de Paul Baltes, que trata o processo de envelhecimento como curso de vida. É importante destacar que o crescimento da população idosa, no que diz respeito à estrutura social, aconteceu em ritmos e formas diferentes nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os países desenvolvidos enriqueceram antes de sua população envelhecer, portanto, acumularam recursos para criar uma rede de infraestrutura adequada, enquanto que nos países em desenvolvimento, como o Brasil, isso não ocorreu (Whitaker, 2007; WHO 2010). O envelhecimento, no Brasil, acontece ou em um ambiente de desigualdades sociais que não responde às necessidades de um novo grupo etário emergente (Pereira, Cotta, Franceschini, Ribeiro, Sampaio, Priore & Cecon, 2006) ou, ainda, paralelo à criação de infraestrutura o que torna difícil uma velhice com qualidade de vida (Neri, 2007; Whitaker, 2007; Brandão & Mercadante, 2009). Adicionalmente é relevante destacar que o Brasil tem uma diversidade populacional reconhecida internacionalmente e que se reflete inclusive entre os idosos. O último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010 em domicílios brasileiros, informa que há cerca de 20.590.597 idosos com 60 anos e mais (10,79% da população total), dos quais 54% são mulheres (89% delas vivem no meio urbano) a maioria 14 (19.321.985) com idade entre 60 e 84 anos. Do total, 20.437.787 dos idosos têm rendimento nominal mensal, sendo que 72% recebem entre ¼ e 2 salários mínimos. Os dados, ao considerar somente os residentes em área urbana, revelam que cerca de 17.324 milhões são de idosos, sendo 57% desta população de mulheres, das quais 76% são alfabetizadas. Nesse contexto social tão diverso o atendimento formal às demandas populacionais de saúde, habitação, lazer, educacional, entre outros é, muitas vezes, insuficiente, sendo que a participação de instituições não governamentais, tanto religiosas quanto com outras motivações, contribuem de forma muito importante na minimização dessa carência. Entre esses importantes núcleos de atendimento à comunidade estão as universidades que oferecem serviços especializados, já que os cursos exigem uma atuação técnica de seus alunos junto à população (que, possivelmente, será sua clientela pósformatura) contribuindo para o seu desenvolvimento profissional na prática. Uma dessas universidades, localizada na cidade de São Paulo, permitiu a realização da presente pesquisa que foi conduzida considerando as particularidades de ser essa uma das maiores metrópoles do mundo, que oferece muitas possibilidades de se ter uma velhice difícil, mas oferece também muitos serviços (pagos e gratuitos) que visam a reparar prejuízos e/ou colaborar para uma boa velhice como, por exemplo, o oferecimento de inúmeras possibilidades de recolocação, atendimento médico, estudo, lazer, melhor saneamento básico entre outros. Talvez por essa razão São Paulo seja o segundo estado do Brasil com maior número de idosos centenários (3.146), seguindo a Bahia (3.525) e à frente de Minas Gerais (2.597), os três estados com maior concentração de idosos centenários (IBGE, 2012). Esta ampla oferta de serviços que vem contribuindo para a melhora na qualidade de vida de idosos pode e deve ser replicada em todos os diversos contextos, pois a qualidade de vida é, entre outros aspectos, um dos fatores fundamentais para a manutenção da autonomia, preservação da saúde mental e física. O encontro de duas ou mais ciências trabalhando em prol desse grupo de idosos, além de poder minimizar sofrimentos, vai ao 15 encontro de tendências modernas em cuidado interdisciplinar já que é a promoção de um atendimento integral à pessoa. Qualidade de Vida, Ansiedade e Depressão A Organização Mundial de Saúde (OMS) é o maior expoente na produção de estudos e orientações especificamente voltados à Qualidade de Vida (QV), tendo criado um grupo de estudos composto por expertises de diversas áreas para discutirem e elaborarem um conceito de QV que atendesse os seus múltiplos aspectos e considerasse a diversidade de vida nos diversos países do mundo. A meta designada pela a OMS ao grupo de estudos World Health Organization Quality of Life (WHOQOL) foi elaborar uma definição de QV que pudesse ser considerada universal na medida em que atendesse as características das diversas populações e culturas estudadas. O grupo definiu, de forma geral, a QV como: a percepção que o indivíduo tem sobre a sua posição na vida, considerando o contexto de sua cultura e de acordo com os sistemas de valores da sociedade em que vive, bem como em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações (WHOQOL Group, 1998 citado por Fleck, 2003). Estudiosos do tema na esfera da saúde como Minayo, Hartz e Buss (2000) discutem a definição de QV e revelam que ela é ampla e não há consenso sobre sua definição. Assim, do ponto de vista mais geral, a definição de QV se apoia na compreensão das necessidades humanas fundamentais e está fortemente relacionada às necessidades humanas básicas cujo objetivo principal é a promoção de saúde. No Brasil, as autoras Irigaray e Trentini (2009) se aproximam dessa definição quando consideram Qualidade de Vida como um construto multidimensional, uma combinação de critérios subjetivos e objetivos, que são influenciados por valores individuais e sociais. Para as autoras, na velhice que é uma fase do curso de vida, o conceito de QV está associado a ter alegria de viver, ter amizades, ter saúde, ter 16 independência, ter relacionamentos sociais, ter realização em atividades físicas cujos benefícios vão além do aspecto físico e do sentimento de ser capaz. A qualidade de vida pode sofrer alteração (por diversos motivos) em qualquer fase da vida, no entanto, na velhice, ela se acentua devido à maior incidência de fatores de risco como acúmulo de perdas, surgimento de doenças, isolamento social, entre outros (Horta, Ferreira & Zhao, 2010). Por exemplo, a ansiedade e a depressão são alguns dos fatores emocionais que influenciam a Qualidade de Vida, embora estejam presentes em todas as etapas da vida, são especialmente potencializadas nas fases demarcatórias de mudança no ciclo vital, como: infância, adolescência, início da vida adulta e velhice. As pessoas podem vivenciar a transição destas fases de forma satisfatória ou não. Quando os passam de forma satisfatória esses estados emocionais tendem a desaparecer, contudo em alguns casos esses estados tornam-se crônicos e torna-se necessário um tratamento específico para lidar com a depressão e a ansiedade, que podem estar em nível mais ou menos severo, o que pode ser verificado, oportunamente, com uma avaliação psicológica. Segundo Cunha (2001), citando Raper e Barlow (1991), a ansiedade é reconhecidamente uma emoção humana básica extremamente importante, porque seus sintomas, assim como nos transtornos de ansiedade, podem ser considerados a principal dificuldade vivenciada pelas pessoas. Alguns dos sinais de ansiedade são compartilhados com os de depressão ao que a autora recorre à Beck e Steer (1993a, p.1) para justificar que a escala de Ansiedade de Beck (BAI) foi construída “para medir sintomas de ansiedade, que são compartilhados de forma mínima com os de depressão”. Os transtornos ansiosos são descritos na CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 1993) e no DSM-4 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 1995) em suas diversas formas, levando em conta, além do conjunto de sintomas, sua interferência na vida funcional do indivíduo. Pode ser classificada como leve, moderada ou severa, pode ser ainda associada ou não a outros transtornos, pode ter sido eliciada ou não, pode ser recorrente ou primeiro episódio e assim por diante. 17 Os transtornos depressivos, que também figuram na CID-10 (1993) e no DSM-4 (1995), segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2010), são um dos problemas psicológicos mais comuns no mundo e ocorrem em todas as faixas etárias o que confirma dados de seu relatório mundial de saúde publicado em 2008. No relatório, a depressão na velhice está relacionada a fatores sociais como mudanças globalizadas no estilo de vida e à urbanização, especialmente nos países em desenvolvimento, e são causas cada vez mais importantes de morbidade e mortalidade entre idosos (OMS, 2008). Colasanti, Marianetti, Micacchi, Amabile e Mina (2009) afirmam que sintomas depressivos são altamente prevalentes em fases tardias da vida e os distúrbios de humor podem atingir por volta de 30% da população acima de 65 anos de idade. Veras e Murphy, já em 1994, revelaram que 26% da população idosa de três distritos do Rio de Janeiro tinha síndrome depressiva. Snowdon (2002) analisou a prevalência da depressão na velhice no Brasil e no mundo, destacando os seus fatores de risco pelo fato de ser subjulgada nos diagnósticos clínicos e ter os seus sintomas considerados apenas na comorbidade com outras doenças crônicas, tais como exemplo, a diabetes e problemas coronários. A revisão sistemática de Huang, Dong, Lu, Yue e Liu (2010) e a revisão de literatura de Chang-Quan e colaboradores (2010) revelaram que existe associação da depressão com doenças crônicas, tais como: derrame, a perda da audição, a perda da visão, as doenças cardíacas, as doenças pulmonares, artrite, hipertensão e diabetes. Portanto, a prevalência de depressão em idosos deve ser maior do que tem sido avaliado, pois a maioria da população idosa é acometida por uma ou mais doenças crônicas. A psicoterapia, incorporada ou não ao tratamento psiquiátrico, costuma fazer parte da clínica dessas disfunções, também, entre a população idosa e pode ser feita de duas formas: individualmente ou em grupo. De acordo com as diversas publicações estudadas por Cordioli e colaboradores. (2008), ambas as formas de intervenção têm a mesma eficácia. O mesmo autor ressalta que o tratamento em grupo poderá ser mais ou menos bem sucedido dependendo da adesão dos pacientes, o que costuma ser influenciado por dois fatores: diagnóstico clínico (com baixo fator preditivo para sucesso no grupo) e as características individuais de cada participante, sendo a motivação a principal delas. 18 As contra indicações para tratamento em grupo terapêutico na abordagem psicodinâmica, como foi o deste estudo, segundo Zimmerman (1997), incluem os pacientes com as seguintes características: pouco motivados, muito deprimidos ou paranóicos; com forte tendência a atos de natureza maligna (como exemplo os pacientes psicopatas); que tenham riscos agudos, principalmente os de suicídio; que tenham déficit intelectual ou elevada dificuldade de abstração; que estejam no auge de uma séria situação crítica; que representem sérios riscos para uma eventual quebra do sigilo grupal e que tenham um histórico de abandono de terapias anteriores (abandonadores compulsivos). Cordioli e colaboradores. (2008) acrescentam, ainda, os dependentes químicos em grau severo, porém vale salientar que muitos dos pacientes citados acima podem participar de grupos homogêneos (com mesma patologia ou situação de risco) e terem sucesso, ou alguma melhora, com o tratamento terapêutico. Intervenções psicológicas Foi realizado um levantamento e análise dos artigos científicos publicados em periódicos indexado na base de dados PsycINFO, que é eletrônica e tem uma cobertura sistemática da literatura psicológica, com produções cadastradas a partir do ano 1800 até o presente. O acesso aos artigos é disponibilizado aos associados da Associação Americana de Psicologia (APA), às universidades e outras instituições que pagam pelo direito do uso da base. A análise dos artigos sobre intervenção psicológica com idosos foi realizada nos últimos três anos, de 2009 até 2011, e permitiu localizar 101 resumos de artigos publicados por meio das palavras-chave psychology intervention; elderly e aging. É importante esclarecer que 63 trabalhos publicados não foram considerados como pesquisas interventivas, embora na busca tenha sido utilizada a palavra-chave intervenção psicológica. Isto ocorreu porque 34 artigos eram de estudos do tipo transversal sem intervenção psicológica, oito pesquisas de revisão de literatura e 21 que não se aplicavam, porque tratavam de resumos publicados em outros suportes, tais como: anais de congresso, resenha, capítulo de livro ou apresentação de projeto. 19 A Tabela 1 apresenta as informações gerais sobre os 101 resumos dos artigos publicados nos últimos três anos quanto à: quantidade de estudos publicados por ano, tipo de estudo, pesquisa com intervenção, tipo de intervenção (individual ou em grupo), área profissional, participantes, resultados. Dos 101 trabalhos capturados, foi observado que a quantidade de publicação por ano foi homogênea, próximo da média de 33 estudos por ano, sendo que foram publicados 36 artigos em 2009, 37 em 2010 e 28 em 2011. Foram encontrados 70,29% de pesquisas de campo, 37,62% eram de pesquisas interventivas e 28,72% foram realizadas com a população idosa. Do total de 101 trabalhos publicados, 38 artigos versavam sobre intervenção, sendo que 18 tratavam especificamente do tema de Intervenção Psicológica em grupo com idosos, os quais foram considerados e referidos neste marco teórico. Dos 38 artigos capturados, foram levantadas 52,63% de artigos que descreviam intervenções em grupo e 34,21% dos trabalhos eram de relatos de intervenção feitas individualmente. A área de conhecimento que mais publicou pesquisas na qual foram realizadas intervenções foi a Psicologia, cuja quantidade de trabalhos correspondeu a 26,32% do total de estudos de intervenção levantados no PsycINFO. A última variável analisada foi sobre os resultados dos trabalhos interventivos, sendo observado que 94,74% do total de estudos com descrição de resultados positivos ou significativos para os participantes. Dos 18 artigos, seis foram publicados em 2009, nove em 2010 e três em 2011. Os artigos revelaram que as intervenções psicológicas em grupo têm estado fortemente ligadas a outras formas de intervenção como médica, física e educacional. Os dados mostram ainda que as intervenções têm trazido resultados positivos aos usuários dos serviços. Quanto à abordagem teórico-metodológica a mais usada foi a cognitiva- comportamental, sendo que em muitos estudos a linha teórica utilizada não foi citada. Esse resultado revela que há poucos trabalhos, neste levantamento (N= 101) na base de dados da APA sobre a temática de intervenções psicológicas, envelhecimento e idosos (N= 18), os quais representam 17,82% dos artigos publicados e capturados pelos descritores. Portanto, nota-se a necessidade de uma pesquisa mais ampla e sistemática na literatura para a avaliação do conhecimento sobre a presente temática. 20 Tabela 1: Artigos publicados entre 2009 e 2011 (n=101) disponíveis na base de dados PsycINFO no site da Associação Americana de Psicologia (APA) Artigos N % Ano publicação 2009 2010 2011 Tipo de Estudo Pesquisa de campo Pesquisa teórica Não se aplica Pesquisa Interventiva Sim Não Outros População da Intervenção Idoso Cuidador Outros Não se aplica Intervenção Individual Grupo Não localizado Área Profissional Psicologia Outros (Interdisciplinar, n=1; Enfermagem, n=3; Educação, n=2) Não localizado Resultados Significativos Pouco significativos 36 37 28 101 35,65 36,63 27,72 100,00 71 9 21 101 70,29 8,91 20,80 100,00 38 35 28 101 37,62 34,66 27,72 100,00 29 5 4 63 101 28,72 4,95 3,96 62,37 100,00 13 20 5 38 34,21 52,63 13,16 100,00 10 6 26,32 15,79 22 38 57,89 100,00 36 2 38 94,74 5,26 100,00 21 Um estudo se destacou dos demais pelo fato de que enfermeiras, utilizando um manual de terapia cognitivo-comportamental, fizeram (associada à intervenção própria de sua área de atuação) uma intervenção psicológica com idosos por telefone objetivando diminuir os sintomas depressivos de idosos com diabetes, cujos resultados foram positivos contribuindo assim para melhoria da qualidade de vida desses idosos (Piette, Richardson, Himle, Duffy, Torres, Vogel et al., 2011). Outro trabalho, também conduzido pelos enfermeiros(as) Lamers, Jonkers, Bosma, Kempen, Meijer, Penninx; et al. (2010) utilizou uma mínima intervenção psicológica (MPI) que foi realizada em grupo, com duração de três meses, com o objetivo de diminuir os sintomas somáticos de idosos institucionalizados, a qual resultou em diminuição significativa dos sintomas depressivos que se mantiveram nove meses depois da intervenção. Outra intervenção psicológica em grupo utilizando a metodologia cognitiva-comportamental foi feita com idosos da zona rural de uma área remota do Canadá, sendo igualmente evidenciados os benefícios que foram subjetivamente relatados pelos idosos (Welch, Welch, Baer, Dias, Gurney, Van Dale, Lockie et al., 2010). Igualmente a pesquisa com pacientes diabéticos cuja intervenção enfocou o autocuidado em pacientes com diabetes do tipo 2, recém-diagnosticados teve resultado demonstrando que o enfrentamento proativo é um melhor preditor, a longo prazo, de autocuidado do que qualquer outra intenção ou autoeficácia (Thoolen, Ridder, Bensing, Gorter e Rutten, 2009). Outros resultados positivos foram observados na pesquisa de Hsu, Weng, Kuo, Lin, Jong, Kuo e Chen (2010) cuja intervenção enfocou a diminuição dos sintomas depressivos e obteve melhora, não apenas dos sintomas depressivos, mas também da qualidade do sono e do aumento da capacidade funcional dos idosos. O estudo de Madureira, Bonfá, Takayama e Pereira (2010) que objetivou investigar o impacto de um programa de exercícios de equilíbrio na qualidade de vida de idosos com osteoporose, comparando-os com um grupo controle (sem intervenção), verificou, além da redução pela metade das quedas no grupo intervenção (ante 26% no grupo controle), um ganho significativo quanto à qualidade de vida nos parâmetros de: bem-estar, funções físicas, estados psicológicos, sintoma e interação social. 22 O estudo de Gross e Rebok (2011) que investigou a efetividade de um treino de memória em idosos institucionalizados encontrou resultados que sugerem que os mais jovens, as mulheres, brancas, saudáveis e com mais escolaridade mostraram melhores estratégias de agrupamento de memórias. Os resultados, após cinco anos, foram significativos, segundo os autores foram encontradas evidências de que os idosos podem ser treinados para uso de estratégias cognitivas, pois os resultados são duráveis e as estratégias são associadas à memória e ao funcionamento cotidiano. Ainda sobre idosos institucionalizados, a pesquisa de Beckman (2010) objetivou verificar a QV e bem-estar, durante três anos, de idosos institucionalizados a partir de uma intervenção assistida por animal com pacientes diagnosticados com demência, após esse período verificou-se que entre os idosos que tiveram contato regular com animais houve aumento da agilidade, independência, fortalecimento das relações sociais e habilidades de comunicação. Pesquisas sobre ansiedade, como a de Jaleel (2010), realizada com grupos de idosos que foram submetidos, durante quatro semanas, a uma intervenção psicológica que incluía: aconselhamento, sessões de yoga e/ou de relaxamento, obtiveram resultados com efeitos positivos na diminuição da ansiedade e do aumento do bem-estar. Também utilizando yoga na sua intervenção e comparando com dois outros grupos: (1) de treino de equilíbrio e (2) de conscientização, Morris (2009) objetivou melhorar o controle postural, a atenção e estratégia de alcance visual, a confiança, o medo e a sensibilização para riscos ambientais entre os idosos. A intervenção foi realizada duas vezes por semana, durante 1 hora por dia, após oito semanas, o autor obteve resultados significantes comparando os dados pré e pósintervenção, embora não tenha havido diferenças significantes entre os grupos interventivos de treino de equilíbrio e de yoga. Sobre o tema depressão o trabalho de Afonso e Bueno (2010) com idosos portugueses comparou três grupos: Intervenção (exposto ao programa de reminiscências do tipo memória autobiográfica), placebo e controle. Ao final da intervenção os participantes do grupo de intervenção tiveram melhora nos sintomas depressivos, significante aumento no número de memórias especificamente autobiográficas e lembranças autobiográficas positivas. O estudo também mostra forte associação negativa entre sintomatologia e memórias de natureza positiva. Em contrapartida a pesquisa de Wolinsky, Mahncke, Weg, 23 Martin, Unverzagt, Ball, et al. (2009) que estudou a incidência de depressão usando uma intervenção associada a exercícios físicos e treinamento de habilidades que contribuíssem com a autonomia dos idosos, embora tenha apresentado redução de 38% no desenvolvimento de suspeita clínica de depressão, os autores consideraram os resultados pouco significativos ao longo de um ano entre os três grupos estudados. Resultados semelhantes teve o inovador estudo de Mitchell, Stanimirovic, Klein e Vella-Brodrick (2009), em que foi feita a intervenção psicológica mediada pela internet, os resultados não confirmaram a hipótese de que a intervenção reduziria o sofrimento mental, segundo os autores isso pode ter ocorrido porque, durante a formação da amostra, foram excluídos os participantes com pontuação de severo para depressão, ansiedade ou estresse. Além disso, o instrumento utilizado para coleta de dados pode ter influenciado na escolha de idosos mais saudáveis. A pesquisa de Van’t Veer-Tazelaar, Marwijk, Oppen, Hout, Horst, et al.(2009) avaliou a eficácia da intervenção psicológica de abordagem cognitivo-comportamental versus o tratamento usual para depressão de indivíduos não enquadrados em todos os critérios diagnósticos do DSM-IV. Os dados sugeriram que a intervenção reduziu pela metade a taxa de incidência cumulativa dos distúrbios depressivos no período de um ano, , de 0.24 (20 de 84) no grupo usual para 0.12 (10 de 86) no grupo cuidado intensivo, sendo mais eficaz do que o tratamento usual em reduzir o risco de depressão maior e ansiedade em idosos. Numa comparação interdisciplinar, Teri, McCurry, Longsdon, Gibbons, Buchner e Larson (2011) compararam quatro grupos de idosos: (1) Programa de atividade física para sedentários, (2) Educação para promoção de saúde, (3) Combinação dos dois anteriores e (4) Controle de rotinas médicas, por um ano. Após três meses, perceberam ganhos em saúde auto-referida, força e bem-estar geral no primeiro grupo, comparando com o segundo e o quarto, o terceiro grupo não teve resultados estatisticamente significantes. Após 18 meses, os ganhos se mantiveram apenas no primeiro grupo sendo que o terceiro se igualou a este. Os autores destacam que a maior aderência foi associada a melhores resultados e que, em longo prazo, traz benefícios aos idosos. 24 Nessa abordagem interdisciplinar, o estudo de Rydwik, Frändin e Akner (2010), descreveu os efeitos de uma intervenção nutricional e um treino físico (duração de nove meses, alternando atividades em grupo e em casa) no nível de atividade física e de vida diária de idosos frágeis. Os resultados pós-intervenção sugerem que houve uma correlação moderada entre o aumento de atividade física (AF) e atividades de vida diária (AVDs) e entre exercícios em casa e AVDs. A intervenção nutricional não teve resultados estatisticamente significantes. O estudo de Morais (2009), pesquisadora brasileira, presente nesta seleção de artigos do PsycINFO, analisou grupos de idosos e de cuidadores com o objetivo de fomentar a prevenção e a promoção de saúde no estado do Pará. A pesquisadora, também teve êxito em sua estratégia, que aliou o atendimento tanto dos cuidadores quanto dos idosos. O trabalho coordenado por uma psicóloga, uma médica homeopata e uma terapeuta ocupacional enfocou aspectos físicos e psicológicos durante 16 sessões, semanalmente, por duas horas, em ambos os grupos. No grupo de cuidadores priorizou-se a reflexão e a discussão acerca dos temas que emergissem no grupo e, no de idosos, a preferência foi atuar no corpo e na mente, para isso foi utilizada uma técnica chinesa de exercícios físicos (Lian Gong) e as reflexões grupais acerca dessa vivência corporal a fim de despertá-los para participação em práticas saudáveis de prevenção e promoção de saúde. Ambos os grupos, tanto dos cuidadores como dos idosos, ao final da intervenção de abordagem interdisciplinar, apresentaram resultados favoráveis em relação à utilização de práticas saudáveis de prevenção e promoção de saúde. A pesquisa de Kim (2009), verificou que uma intervenção em grupo, consistindo num treino, de dez minutos por dia, duas vezes por semana, durante seis semanas utilizando um guia de exercícios de relaxamento por imagens em audio-CD, foi capaz de reduzir em 78% o medo de quedas, aumentou a eficácia, a confiança e a mobilidade comparando os resultados pré e pós-intervenção e também, com os dados de um grupo placebo. A psicoterapia individual que utilizou a abordagem de terapia do perdão, feita num período de quatro semanas com idosos doentes com câncer terminal, demonstrou benefícios psicológicos para eles na avaliação pós-intervenção (Hansen, Enright, Baskin & Klatt, 25 2009). Ainda nessa linha da redução de danos, o estudo de Deudon, Maubourguet, Gervais, Leone,Brocker, Riff et al.(2009) utilizando de uma intervenção educacional em grupo, por oito semanas, conduzida por enfermeiras em 16 instituições de enfermagem, com 306 pacientes com sintomas de demência, divididos em dois grupos, controle e interventivo, conseguiu reduzir significativamente os comportamentos agressivos, tanto físicos como verbais, em idosos do grupo interventivo e, ao final de três meses, verificou-se que os ganhos persistiam. Tendo em vista, os benefícios dos diversos tipos de intervenções no bem-estar e na qualidade de vida de idosos relatada pela literatura, desde as disciplinares com atividades físicas ou de intervenções psicológicas até as interdisciplinares envolvendo várias áreas do conhecimento, a presente pesquisa procurou contribuir com o conhecimento sobre os idosos e o processo de envelhecimento na área da Psicologia. A pesquisadora elaborou uma pesquisa para estudar o impacto da intervenção psicológica sobre um grupo de idosos, levando em consideração os estados emocionais e subjetivamente, a qualidade e satisfação com a vida, sendo a seguir apresentados os objetivos e o percurso metodológico. 26 OBJETIVO GERAL • Avaliar os efeitos de uma intervenção psicológica sobre a qualidade de vida de um grupo de idosos atendidos num programa de educação formal. ESPECÍFICOS 1. Avaliar e analisar antes e após a intervenção: a. os níveis de ansiedade; b. os níveis de depressão; c. a satisfação com a vida percebida; d. a qualidade de vida percebida e 2. Comparar os níveis de ansiedade e depressão com a satisfação e a qualidade de vida antes e após a intervenção. 27 MÉTODO Caracterização Breve do Programa Educacional O programa educacional, no qual foram captados os participantes dessa pesquisa, pertence ao curso de Educação Física de uma universidade particular da capital, cidade de São Paulo, situada na Zona Leste. Esse programa educacional vem fazendo um trabalho (utilizando o modelo de educação de Paulo Freire), que integra a educação física aos vários saberes para a efetiva realização de seu objetivo geral que é proporcionar novos aprendizados que contribuam para a promoção de saúde por meio da manutenção de uma vida ativa, tanto no âmbito biológico quanto no social, sendo a autonomia o principal pilar trabalhado nos atendimentos. Por ter essa visão integradora do sujeito atendido, os responsáveis pelo programa têm possibilitado a realização de intervenções de diferentes áreas do saber associadas à atividade física, exemplos: psicológica, nutricional, educacional entre outras, permitindo uma discussão que unifica as investigações, ações e estudos de forma interdisciplinar (Matsuo, 2007; Neri, 2007). As atividades feitas com os idosos nesse programa são conduzidas por professores e alunos do último ano do curso de educação física e podem conter: atividade física, palestras, dinâmicas de grupo, rodas de discussão, entre outros. A intenção de cada encontro é que o participante desenvolva, a partir do aprendido e da sua vivência diária, estratégias de enfrentamento para os problemas quotidianos e, consequentemente, seja mais autônomo e, portanto, mais independente. A participação no programa tem duração de dois anos, sendo que no primeiro ano as atividades têm frequência semanal de 1h30m e no segundo ano, chamado de “ano de transição”, a frequência no primeiro semestre é semanal e, no segundo semestre, passa a ser quinzenal. Essa fase de transição, dadas as diretrizes e objetivos do programa que é promover o empoderamento e a autonomia dos idosos, visa uma não criação de vínculo de dependência do idoso para com o programa que promove, ainda durante suas aulas, uma preparação para que o idoso possa se inserir em outras atividades. Nessa fase, além das aulas, eles recebem informações e são incentivados a buscar outras experiências fora do 28 programa. Após esses dois anos eles têm a possibilidade de continuar se encontrando uma vez por mês no espaço do programa. A captação de alunos-idosos para esse Programa Educacional se dá por meio de divulgação externa (jornal, revista, internet etc) seguida por cadastramento/matrículas dos interessados em participarem do projeto na Universidade. O curso é gratuito e exige dos participantes apenas o compromisso com a assiduidade nas atividades. O Programa Educacional teve seu início em 2001, a proposta foi criada pela iniciativa da Pró-Reitoria de extensão e estruturada pelas professoras do curso de Educação Física da Universidade, integrando os cursos da área da Saúde, principalmente, a Educação Física, a Nutrição e a Farmácia. Portanto, a concepção de atendimento aos idosos foi baseada em uma prática multidisciplinar que se transformou com os estudos e pesquisas realizados pelo programa de Mestrado em Educação Física, implantado em 2002, cujo enfoque interdisciplinar foi adotado para investigar essa população. Em 2010, com o início das atividades do Mestrado em Ciências do Envelhecimento, outras áreas do conhecimento foram incluídas nas pesquisas e atividades oferecidas, tais como: Enfermagem, Fisioterapia e Psicologia. O Programa Educacional atendeu até o ano de 2008, aproximadamente, 200 idosos acima dos 60 anos, de ambos os sexos e de nível socioeconômico baixo com renda familiar de até cinco salários mínimos. Em 2010 teve inicio o grupo de 45 idosos, dos quais 21 decidiram participar desta pesquisa cuja coleta de dados foi realizada em abril e junho de 2011. Participantes Foram participantes desta pesquisa 21 idosos, de ambos os gêneros provenientes do Programa Educacional do serviço-escola de Educação Física de uma universidade particular da cidade de São Paulo. Os critérios de inclusão estabelecidos foram: (1) ter 60 anos ou mais; (2) não ter sido avaliado como deprimido severo na escala de depressão de Beck; (3) estar matriculado e participar dos programas oferecidos pela universidade no curso de 29 educação física e (4) saber ler e escrever. Já, os critérios de exclusão foram: (1) ter 25% ou mais de faltas no atendimento do programa de pesquisa e (2) sentir desconforto durante o atendimento que exigisse atendimento individual fora do grupo. Os 21 idosos foram distribuídos, de acordo com a sua disponibilidade de horário para participação, em dois grupos: um com onze (G1) e outro com dez pessoas (G2), o primeiro recebeu atendimento das 13h às 14h30m e o segundo das 16h30m às 18h (Tabela 2). Em ambos os grupos foi desenvolvido o mesmo trabalho e pela mesma terapeuta do início ao fim. Tabela 2: Distribuição por gênero no grupo 1 e 2 do início ao fim das 12 sessões de intervenção Permanência no Grupo de Intervenção Grupo Total Homens Mulheres Início Fim Início Fim Início Fim 11 7 Grupo 1 3 -8 7 10 4 Grupo 2 1 1 9 3 Total 4 1 17 10 21 11 O G1 começou com 11 pessoas e terminou com sete. Das quatro pessoas que desistiram, duas apresentaram como motivo alguma atividade doméstica (cuidar neto/filho/pessoa doente) e duas não justificaram. No G2, houve seis desistências e o motivo foi relatado por duas pessoas (dificuldade auditiva atrapalhava sua participação no grupo e cuidar do neto). Referindo-se ao gênero no G1 evadiram-se todos os três homens e uma mulher enquanto no G2 foram seis mulheres que desistiram. A caracterização detalhada dos onze participantes será apresentada no início dos Resultados e Discussão. Materiais Foram utilizados cinco materiais para a coleta de dados, a saber: entrevista individual semidirigida; inventários de depressão e ansiedade de Beck (2001); Whoqolold (World Health Organization Quality of Life Questionnaire-old) e instrumento de satisfação com a vida adaptado por Neri (2001). Os instrumentos de coleta de dados utilizados nesta pesquisa são descritos a seguir. 30 Entrevista Foi feita uma entrevista individual com cada participante com objetivo de coletar os dados sociodemográficos (descrição do perfil dos participantes) e informações necessárias para formação de um quadro geral de percepções individuais de cada idoso para distinguir a percepção acerca de seu próprio envelhecimento e possibilitar a posterior formação dos grupos. Para isso foi utilizado um roteiro de entrevista semidirigida composto por 26 questões elaboradas pela autora (Anexo 01). Avaliação de estados emocionais Para avaliação de estados emocionais foram considerados os resultados obtidos com a aplicação do inventário de ansiedade e de depressão de Beck adaptado para a população brasileira adulta por Jurema Alcides Cunha (2001). O objetivo geral do inventário é avaliar os estados emocionais de ansiedade e depressão dos indivíduos, no caso, os participantes idosos. Seguindo instruções desse manual a pontuação para ansiedade foi obtida somando-se os números (de 0 a 3) de acordo com o assinalado pelo participante em todos os 21 “sintomas comuns de ansiedade”, podendo ser a menor pontuação zero e a maior igual 63. Como a escala usa afirmativas para classificação dos sintomas houve a necessidade de conversão em que a afirmativa “Absolutamente não” foi convertida em zero, a afirmativa “Levemente” foi convertida em um ponto, a afirmativa “Moderadamente” converteu-se em dois pontos e a afirmativa “Gravemente” foi convertida em três pontos. A pontuação para depressão, adotando instruções do mesmo manual, foi obtida somando-se os números (de 0 a 3) de acordo com o assinalado pelo participante em todas as 21 afirmativas que “melhor descrevessem a maneira como tem se sentido na última semana, incluindo hoje”, podendo ser a menor pontuação zero e a maior de 63 pontos, considerando a soma dos resultados do subtotal da página 1 e o subtotal da página 2. 31 Para a formação dos grupos de intervenção, nesta pesquisa, foram encaminhados os participantes com pontuação igual ou abaixo de 35 pontos para depressão e igual ou abaixo de 30 pontos para ansiedade. É importante ressaltar que o manual cita a edição de 1993 em que se sugerem novos pontos de corte, mais baixos que o considerado neste estudo, alertando para a eventual ocorrência de falsos positivos e falsos negativos. Essa sugestão não foi utilizada, pois na versão validada em português foram considerados os pontos de corte originais que são ligeiramente mais altos. Essa diferença, contudo, não foi importante tendo em vista os objetivos deste estudo, o que também é destacado no manual: “os pontos de corte devem ser considerados conforme amostra e objetivos de seu uso” (Cunha, 2001, p. 12). Na Tabela 3 são apresentadas as pontuações para Ansiedade e Depressão e os respectivos níveis: mínimo, leve, moderado e grave. Portanto, só participaram da pesquisa os idosos que obtiveram pontuações, para as duas variáveis, entre os níveis mínimos até moderados. Tabela 3: Níveis de classificação e respectivas pontuações nos inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck. Pontuação Nível Ansiedade Depressão Mínimo 0-10 0-11 Leve 11-19 12-19 Moderado 20-30 20-35 Grave 31-63 36-63 Nenhum participante, pré-intervenção, teve pontuação igual ou maior que 31 para ansiedade e igual ou maior que 36 para depressão que são valores considerados como níveis severos. Se houvesse idosos nessas condições, seriam encaminhados para atendimento individual e, portanto, excluídos do estudo. Esse encaminhamento seria feito para qualquer setor de suporte social disponível na rede pública de atendimento, incluindo o Centro de Psicologia da Universidade na qual foi realizada a pesquisa, cabendo ao idoso dar continuidade ao tratamento. 32 Avaliação da qualidade de vida subjetiva Para avaliar a percepção subjetiva da qualidade de vida, foi utilizado o questionário de qualidade de vida da Organização Mundial de Saúde, World Health Organization Quality of Life Questionnaire-old (WHOQOL-old), versão adaptada do WHOQOL-100 para a população idosa, traduzida para o idioma português e adaptada à população brasileira por Fleck et al. (2000 - Anexo 02). O WHOQOL-old “consiste em 24 itens da escala Likert atribuídos a seis facetas: Funcionamento do sensório (FS), Autonomia (AUT), Atividades presentes, passadas e futuras (PPF), Participação Social (PSO), Morte e o morrer (MEM) e Intimidade (INT)” (WHO, 2000, p.14) como pode ser visto na Tabela 4. A pontuação de cada faceta pode variar entre quatro e 20. Para a obtenção da pontuação em cada faceta, foram seguidas as orientações contidas no manual de aplicação, que consiste na soma dos pontos assinalados pelos participantes. Tabela 4: Conceitos e conteúdos das facetas inclusas no módulo WHOQOL-OLD Facetas Sigla Conceito/conteúdo funcionamento sensorial, impacto da perda de Habilidades Sensoriais FS habilidades sensoriais na qualidade de vida independência na velhice, capacidade ou liberdade de Autonomia AUT viver de forma autônoma e tomar decisões Atividades Passadas, satisfação sobre conquistas na vida e coisas a que se PPF Presentes e Futuras anseia participação nas atividades quotidianas, especialmente na Participação Social PSO comunidade preocupações, inquietações e temores sobre a morte e Morte e Morrer MEM sobre morrer Intimidade INT capacidade de ter relacionamentos pessoais e íntimos Nas afirmativas negativas a pontuação foi invertida (itens apresentados destacados em cinza na Tabela 5). Para a obtenção da pontuação total, cuja oscilação foi entre 24 e 120, foram somados os valores obtidos em cada faceta. O ponto médio da escala foi 72 33 pontos. Tanto por faceta quanto na soma total, os altos escores representam alta qualidade de vida e escores baixos representam baixa qualidade de vida. Tabela 5: Pontuação do instrumento Whoqol-old, considerando reversão de escores negativos. Faceta Afirmativa Nada Muito Mais ou Bastante Extremamente pouco menos Q1 5 4 3 2 1 Q2 5 4 3 2 1 FS Q10 5 4 3 2 1 Q20 1 2 3 4 5 Q3 1 2 3 4 5 Q4 1 2 3 4 5 AUT Q5 1 2 3 4 5 Q11 1 2 3 4 5 Q12 1 2 3 4 5 Q13 1 2 3 4 5 PPF Q15 1 2 3 4 5 Q19 1 2 3 4 5 Q14 1 2 3 4 5 Q16 1 2 3 4 5 PSO Q17 1 2 3 4 5 Q18 1 2 3 4 5 Q6 5 4 3 2 1 Q7 5 4 3 2 1 MEM Q8 5 4 3 2 1 Q9 5 4 3 2 1 Q21 1 2 3 4 5 Q22 1 2 3 4 5 INT Q23 1 2 3 4 5 Q24 1 2 3 4 5 Nota: As células destacadas em cinza já contem a pontuação invertida nas afirmativas negativas. Satisfação com a vida O instrumento para avaliar a satisfação com a vida foi o mesmo adaptado por Neri (2001 – Anexo 03), em que é solicitado ao participante assinalar o número de um a dez, escolhendo um número que melhor refletisse sua satisfação com a vida no momento, 34 sendo que o número um representa a pior satisfação e o número dez a melhor satisfação com a vida. Esse instrumento é composto por uma única interrogativa: “Qual é o ponto desta escada que melhor reflete a sua satisfação com sua própria vida no momento? Marcar com um X”, seguida da expressão pictórica (em forma de escada), cujo último degrau (valor 10) representa o maior grau de satisfação com a vida enquanto que o degrau mais baixo (valor 1) representa o menor grau de satisfação com a vida. Procedimento O projeto de pesquisa foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Judas Tadeu (COEP/USJT) sob o protocolo nº 095/2010, tendo sido considerado adequado quanto aos aspectos éticos de acordo com a Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 196/1996 (Anexo 04). A resolução estabelece as diretrizes norteadoras para a realização de pesquisas com seres humanos, destacando as questões éticas pertinentes na realização dos estudos (CNS, 1996). Foi aplicado, a cada um dos participantes, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) com os esclarecimentos necessários para a decisão pela participação voluntária na pesquisa (Anexo 05). Os riscos da participação nos estudos foram considerados mínimos e seriam acolhidos no Centro de Psicologia Aplicada (CENPA) da Universidade na qual foi feita a pesquisa, para aqueles que sentissem algum desconforto. Nenhuma participante precisou utilizar o serviço do CENPA. Foram explicitados os benefícios, além da contribuição indireta para o avanço do conhecimento científico sobre o idoso e o processo de envelhecimento. Os participantes foram submetidos a uma intervenção psicológica focando o bemestar e o desenvolvimento de melhoria da qualidade de vida deles, o que, consequentemente, promoveu um maior conhecimento sobre si mesmo, tanto nos aspectos psicológicos como biológicos e sociais. Portanto, todos os idosos tiveram uma devolutiva sobre o resultado das suas avaliações, além da intervenção psicológica que teve o objetivo geral de promover conhecimento e bem-estar. Foi explicitada aos participantes do grupo, ainda, a questão do sigilo, tanto dos dados coletados, quanto das informações discutidas durante a intervenção psicológica. 35 Embora a amostra seja por conveniência, a participação foi voluntária, cabendo ao interessado se inscrever para participar da pesquisa. Só participaram os idosos que se enquadravam nos critérios de inclusão. A coleta de dados da pesquisa só foi iniciada após a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Judas Tadeu (COEP/USJT). Segue a descrição detalhada dos procedimentos adotados para a realização da coleta de dados da presente pesquisa. Autorização da Instituição, da coordenação do serviço-escola e das professoras responsáveis pelos programas dentro do serviço-escola Foi requerido que a instituição autorizasse a realização da pesquisa por meio da assinatura de um documento oficial (Anexo 06) por parte da coordenadora do curso de Psicologia. Também foi pedido às coordenadoras e professoras do serviço-escola de Educação Física, em específico, do Programa Educacional que autorizassem a pesquisa por meio da assinatura de um documento oficial (Anexo 07). Após a assinatura de todos os termos de autorização foi feita a divulgação da pesquisa de forma direta, ou seja, convidando os participantes do programa do serviçoescola durante as atividades no referido programa. Desta forma, foram selecionados 21 idosos que se voluntariaram para participar do projeto de pesquisa. Coleta dos Dados A coleta de dados foi realizada em três fases: pré-teste, intervenção e pós-testes. Estas fases são descritas de forma detalhada, a seguir, para facilitar a compreensão do leitor. 1ª Fase – Coleta de dados: pré-intervenção Inicialmente, foi realizada uma entrevista individual em que o pesquisador apresentou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) da pesquisa, neste momento foi explicitado o objetivo da pesquisa, foram ressaltados os principais pontos do documento e esclarecidas todas as dúvidas dos participantes. Após o participante 36 concordar em participar da pesquisa e assinar o TCLE foi realizada a coleta de dados por meio da aplicação do Inventário de ansiedade e de depressão de Beck. O objetivo foi determinar quais eram os participantes que estavam dentro do critério de inclusão, ou seja, com níveis de ansiedade e depressão de mínima a moderada. Após essa constatação, foi feita uma entrevista de forma individual, com duração média de uma hora, cujo principal objetivo foi caracterizar o perfil dos participantes e levantar quais eram as suas percepções do processo de envelhecimento. Nessa entrevista, foram coletados, ainda, os dados sociodemográficos e foram aplicados os instrumentos de coleta de dados referentes ao nível de Qualidade de vida (Questionário WHOQOL-old) e de Satisfação com a vida (Escala de Satisfação com a Vida). A aplicação do WHOQOLold e a Escala de Satisfação com a Vida levou, aproximadamente, uma média de 30 minutos, 2ª Fase – Intervenção Psicológica Foram realizados 12 encontros, com os dois grupos, com duração de 90 minutos cada, na frequência de uma vez por semana nas dependências do Centro de Psicologia Aplicada (CENPA) da mesma Universidade em que eles participam do serviço-escola de Educação Física. O tema a ser discutido foi levantado junto ao grupo no primeiro encontro e se desdobrou ao longo dos demais dez encontros, pois no 12º foi tratado o desligamento do grupo. O método de trabalho psicológico foi o grupo focal, como idealizado por Bleger (1989), psicólogo que atuou na Argentina com larga experiência em trabalhos com diferentes grupos, os quais ele denomina “Grupos Operativos”. O trabalho com grupos focais ocorre sempre com a delimitação de um foco (tema central) que norteia as discussões e que tem relevância para a situação emocional apresentada pelo grupo com vistas a colaborar para a qualidade de vida dos participantes. Não foram feitas análises aprofundadas sobre os aspectos subjetivos individuais, mas os que tinham relação com o tema central, e que foram absorvidos pelo grupo, foram discutidos pelo próprio grupo. Nesse modelo de trabalho o psicólogo pesquisador atuou como um orientador das discussões, que deveriam resultar na geração de um novo saber acerca daquele tema que 37 tinha relevância para os participantes. Essas orientações ocorreram conforme andamento dos encontros, pois foram pautadas em temas trazidos pelo grupo sempre focando as questões de interesse dos participantes. As sessões de intervenção em grupo foram filmadas a fim de se registrar (em áudio-visual) cada encontro, o material oriundo dessas filmagens foi guardado em segurança com a pesquisadora conforme indicado no projeto e acertado documentalmente com o comitê de ética em pesquisa. A filmagem só foi realizada após a assinatura do TCLE pelo participante, no qual estava explicito a questão ética de sigilo e confidencialidade do material coletado, o qual seria utilizado apenas para a realização da pesquisa, divulgação nos eventos e publicações científicas. Cada encontro teve uma mesma sequência: abertura, discussão, síntese da discussão e fechamento. Foram utilizadas atividades lúdicas que contribuíram para a compreensão de aspectos relacionados ao tema discutido pelos idosos, sendo utilizados recursos como: música, textos, pintura, escultura, fotos, lembranças, entre outros. Foi elaborado um cronograma dos encontros realizados pelos grupos de idosos participantes, o qual é apresentado na Tabela 6. Tabela 6: Cronograma dos Encontros em Grupo realizados para a intervenção psicológica Cronograma dos Encontros Encontro nº Atividade 1 Delimitação de tema - Apresentação do grupo 2 Sessão 1 3 Sessão 2 4 Sessão 3 5 Sessão 4 6 Sessão 5 7 Sessão 6 8 Sessão 7 9 Sessão 8 10 Sessão 9 11 Preparação para o desligamento 12 Desligamento do grupo 38 3ª Fase – Coleta de dados: pós-intervenção Foi realizada uma entrevista pós-desligamento, na semana posterior ao último encontro em que foram coletados, novamente, os dados utilizando os mesmos instrumentos usados na fase pré-intervenção e na mesma ordem: (1) Inventário de ansiedade de Beck; (2) Inventário de depressão de Beck; (3) Questionário WHOQOL-old; (4) Escala de Satisfação com a Vida. Após essa coleta foi feita uma devolutiva individual aos participantes com vistas a oferecer um fechamento adequado do atendimento em grupo e dos resultados obtidos nos instrumentos aplicados antes e depois da intervenção psicológica. Nesta devolutiva foram apresentados e discutidos os níveis de ansiedade e depressão, os fatores positivos e negativos relacionados a satisfação e a qualidade de vida, sendo dada as orientações necessárias aos idosos. Análise dos dados Foi realizada análise mista (quantitativa e qualitativa) dos dados coletados, sendo utilizada a estatística descritiva e inferencial para a análise dos dados quantitativos com o acréscimo de informações qualitativas coletadas nas entrevistas e nos encontros (Siegel & Castelan, 2006). Os conteúdos das entrevistas e dos encontros, dada a sua natureza, não serão usados nesta dissertação, mas em outras publicações científicas posteriores em ocasião oportuna. Entretanto, na análise qualitativa foram reproduzidos alguns relatos dos participantes para exemplificar o conteúdo e dinâmica dos encontros da intervenção psicológica. O Anexo 08 apresenta as informações quantitativas e qualitativas dos participantes que não foram citados no corpo do trabalho (P3-P10). As variáveis quantitativas foram apresentadas no formato de média, mais ou menos um desvio padrão. Para comparar as avaliações realizadas antes e após a intervenção foi utilizado o teste t para amostras pareadas quando a diferença na pontuação seguiu uma distribuição normal (pelo teste de Shapiro Wilk); quando não seguiu uma distribuição normal, foi utilizado o teste de Wilcoxon. Foi utilizada a correlação de Pearson para verificar se havia correlação entre ansiedade, depressão, satisfação com a 39 vida e qualidade de vida (Whoqol-old), tanto antes como após a intervenção. Foi considerado o nível de significância de 5% que é o comumente adotado em pesquisas na área das ciências humanas e da saúde. Para a montagem do banco de dados foi usado o Microsoft Excel (Pacote Office 2007) e para a análise estatística foi utilizado o software SPSS (Statistical Package for Social Sciences), versão 12. 40 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados aqui apresentados referem-se ao total de participantes que concluíram o estudo (n=11). Esses participantes tinham idade entre 61 e 76 anos, sendo a média de 66,27 (± 4,43 anos); a maioria mulheres (n=10), com escolaridade entre ensino fundamental (n=2) e ensino superior completo (n=1), sendo o maior número com ensino médio (n=8). Oito participantes afirmaram não ter um relacionamento amoroso e três disseram ter. Somente um participante não era aposentado e trabalhava em casa como costureiro autônomo (Tabela 7). Tabela 7: Caracterização dos idosos participantes da pesquisa, intervenção e pósintervenção psicológica (n=11), segundo as variáveis sócio-demográficas. Características sócio-demográficas N % Gênero Masculino Feminino 01 10 09 91 60-69 70-79 09 02 82 18 Casado Viúvo Solteiro Divorciado 02 05 02 02 18 46 18 18 Sim Não 08 03 73 27 Sim Não 05 06 46 54 02 08 01 18 73 09 06 04 01 54 36 09 01 10 09 91 10 01 91 09 Idade (anos) Estado civil Filhos Reside sozinho Escolaridade Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior Renda familiar mensal (s.m.*) ≥2e<3 ≥4e<5 ≥6 Trabalha Sim Não Aposentado Sim Não *s.m.: salário mínimo 41 Todos os idosos tinham habilidades de leitura e escrita e não apresentaram nenhum grau de depressão severa na escala de Beck ao serem avaliados na pré-intervenção. Portanto, todos atendiam aos critérios de inclusão e exclusão. A caracterização dos participantes revela um perfil semelhante a diversos trabalhos publicados sobre idosos, tais como: maioria do sexo feminino (91%), com idade média de 66 anos (82%), viúvas (46%), morando com outras pessoas (cônjuge ou filhos, 54%), ensino médio (73%) e com renda em torno de três salários mínimos (54%). Oliveira, Duarte, Lebrão e Laurenti (2007) encontraram dados semelhantes em seus estudos, no município de São Paulo, para o Estudo SABE (Saúde e Bem-estar e Envelhecimento) que foi uma pesquisa feita em sete países da América Latina e Caribe sob a coordenação da Organização Pan-americana de Saúde com objetivo de coletar informações sobre as condições de vida e de saúde dos idosos nessa região. Parte dos dados do estudo FIBRA (Fragilidade em idosos brasileiros), apresentados na pesquisa de Costa, Ceolim e Neri (2011), que faz parte de outro projeto multicêntrico coordenado pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) desenvolvido em 17 estados brasileiros levantou informações da população idosa cujas características básicas correspondem aos dos participantes estudados nesta dissertação. O projeto FIBRA teve como um dos objetivos centrais investigar, também, as condições de saúde e bem-estar em idosos. O nível e a média da pontuação de Depressão e Ansiedade não revelaram diferença estatísticamente significante antes nem após a intervenção, portanto, não são suficientes para interpretações como pode ser observado na Tabela 8. No entanto, dados qualitativos coletados na entrevista de devolutiva revelam que os participantes usufruíram os benefícios psicológicos da intervenção conforme descrição breve apresentada adiante. 42 Tabela 8: Nível e média da pontuação de Depressão e Ansiedade antes e após a intervenção. Nível Pontuação Depressão Pré Pós Ansiedad e Pré Pós Mínim o n=5 n=7 Mínim o n=6 n=6 Leve n=5 n=3 Leve n=4 n=4 Moderad o n=1 n=1 Moderad o n=1 n=0 Grave Média N=0 N=0 Grave 12,00 10,18 Média N=0 N=1 10,27 8,64 Desvio padrão 6,74 5,23 Desvio padrão 6,50 10,09 t P 1,910 0,085 t P 0,864 0,408 Do ponto de vista qualitativo todos os participantes relataram sentimentos de melhora dos estados emocionais. Entre os deprimidos leve houve melhora em dois casos, o que significa que os participantes tiveram ganhos positivos em relação ao seu estado depressivo. Houve um que não teve melhora e ainda piorou seu estado de ansiedade, mas como sua pontuação para depressão e satisfação com a vida melhoraram, pode-se inferir que esta pessoa, devido à situação de desligamento do grupo, pode ter tido sua ansiedade aumentada no momento do preenchimento da escala. O Participante 11 (P11) revelou “foi muito bom, vou até indicar para outras pessoas, minha irmã e minha sobrinha, por exemplo, precisam muito!” (SIC), o relato contradiz os resultados quantitativos da escala de ansiedade. Esse participante, em especial, teve 25% de faltas e sua participação foi permeada por assuntos extrapessoais o que pode denotar sua dificuldade em lidar com as questões mais profundas, lidar com o desligamento do grupo pode ter piorado sua ansiedade. Os dois participantes que tiveram melhora de depressão leve para mínima relataram: Participante 8 (P8) - “Foi bom porque a gente pode botar as coisas pra fora né?! Falar das coisas tristes que a gente tem dentro da gente!” (SIC) e P10 -“Foi ótimo para minha vida, por exemplo, com meu marido, fiquei mais esperta, mais dona da situação” (SIC) o que corrobora os resultados quantitativos. De acordo com Witter, Christofi e Gatti (2011) o problema da depressão em idosos está na dificuldade do diagnóstico, pois muitos médicos e clínicos gerais avaliam os sintomas como decorrentes de outra doença crônico-degenerativa, tais como: diabetes, 43 hipertensão, doenças cardíacas ou pulmonares, derrame, perda de audição ou visão, artrite. Além disso, a depressão é subdiagnosticada pela fase de vida do idoso, na qual é esperado que neste momento da vida ele esteja mais triste e melancólico, como se fosse natural este estado de espírito. As revisões sistemáticas de literatura, como as de Huang, Dong, Lu, Yue e Liu (2009) e de Chang-Quan e colaboradores (2009) reafirmam o exposto, pois apresentam trabalhos sobre depressão associada com doenças crônicas e sobre o baixo autoconceito de saúde em idosos, o que não ocorreu com a amostra desse estudo que, em sua maioria apresentaram pontuação baixa para depressão, portanto, com menos doenças crônicas e melhor auto-conceito de saúde, o índice de depressão entre os participantes foi menor. Os resultados da escala da satisfação com a vida (Tabela 9), que não têm pontos de corte, foram considerados a partir dos assinalamentos (entre zero e dez) feitos pelos participantes. Na tabela abaixo parte-se do número seis, pois não houve assinalamentos pré nem pós-intervenção de zero a cinco, para melhor visualização dispôs-se os resultados em pares, exceto número dez. Tabela 9: Nível e média da pontuação de Satisfação com a vida antes e após a intervenção Nível Pontuação Satisfaçã o com a 6-7 8-9 10 Média Desvio t P Vida padrão Pré Pós n=3 n=5 n=7 n=6 n=1 n=0 8,00 7,91 1,10 1,14 0,247 0,810 Os dados mostram que os idosos estão satisfeitos com sua vida, pois a mediana da pontuação, tanto pré quanto pós-intervenção, foi 8, como já era alta antes da intervenção pode-se deduzir que o espaço universitário é importante e essa alta satisfação pode ser resultado do trabalho feito pelo programa educacional durante o ano anterior o que torna ainda mais complexo avaliar se a intervenção psicológica pôde influenciar esses assinalamentos. Como não houve diferença estatisticamente significante entre o pré e pósintervenção e houve aumento de assinalamentos mais baixos no pós do que no préintervenção, é possível interpretar que houve uma maior conscientização quanto à avaliação de sua satisfação com a vida devido à intervenção psicológica em que os participantes 44 relataram ganhos psíquicos. No momento pós-intervenção pode ter havido uma resposta mais próxima do real sentimento de satisfação com a própria vida, considerando que a intervenção tenha proporcionado contribuições para as ponderações referentes à satisfação com a vida em geral. Por exemplo, a fala da P4: “Apesar de eu gostar muito de ler, faço luta, tae-kondo...me senti muito bem...porque você faz o grupo né?! Tem gente que tem problema pior que o seu” (SIC) é um relato que corrobora essa conjectura de que a vivência em grupo lhes trouxe novas formas de ver a própria vida. O sentimento geral, percebido pela pesquisadora no último contato (devolutiva), foi o de que todos os participantes conseguiram ter um olhar para a própria vida que não lhes tinha ocorrido antes favorecendo sua vivência emocional. Esse também é um ganho que não aparece quantitativamente, mas é importante porque dá ao participante a perspectiva de que é possível ter diferentes olhares sobre uma mesma questão da vida minimizando o sofrimento psíquico. Essa capacidade que o grupo mostrou de aprender e empregar os conhecimentos em prol de seu bem-estar está de acordo com o que Neri,Yassuda e Cachione (2004) chamaram de velhice bem sucedida já que esses participantes estão usando recursos internos próprios para conduzir sua vivência rumo à satisfação plena. É importante destacar que essa amostra estudada, e os resultados observados até aqui, são muito semelhantes a do estudo de Borim, Barros e Neri (2012) que foi realizada, em Campinas, São Paulo, sobre a saúde autoreferida, pelos idosos. Os resultados revelaram a associação da referência de “ótima saúde” pelos idosos com a maior quantidade de anos de escolaridade, renda, condição de moradia e número menor de doenças, assim como consumo de verduras, álcool (1 a 4 vezes por mês), independência, prática de atividade física, ter computador em casa, sem religião entre outros. A percepção sobre a saúde é subjetiva e multideterminada pelas condições biopsicossociais e culturais. A partir dos resultados apresentados (Tabela 8) é possível perceber que os idosos participantes da intervenção psicológica situam-se entre aqueles que tinham um nível de depressão mínimo e moderado e no pós-intervenção a maior parte deles tiveram uma ligeira melhora. É importante ressaltar que esta amostra é pequena e não foi possível identificar 45 aspectos que pudessem explicar os dados quantitativos relacionados a diferenças sócioeconômicas. Além disso, esses resultados não permitem generalizações. Um dado importante levantado nas entrevistas é que os idosos sem depressão disseram estar se prevenindo para ter uma velhice bem sucedida. Neri (2007) e Teixeira e Neri (2008) destacam que o fenômeno do envelhecimento deve ser analisado numa perspectiva interdisciplinar e que o conceito de bem sucedido gera debates. Para as autoras, a definição de envelhecimento bem sucedido é a seguinte: “aproxima-se de um princípio organizacional para alcance de metas, que ultrapassa a objetividade da saúde física, expandindo-se em um continuum multidimensional. A ênfase recai sobre a percepção pessoal das possibilidades de adaptação às mudanças advindas do envelhecimento e condições associadas” (p. 91). Tirando as diferenças de acepção deve-se considerar ainda que nem sempre avaliações de alta satisfação com a vida se correlacionam com ter saúde, como é esperado. Estudo como o dos sociólogos e psicólogos Llobet, Ávila, Farras e Canut (2011) com idosos espanhóis, numa apreciação qualitativa, pôde verificar que ter saúde era importante, mas estar satisfeito com a vida dependia de mais fatores como adaptação social e readaptação familiar, companheirismo e independência. Levando, ainda, em consideração o aspecto múltiplo, tanto da satisfação com a vida quanto do envelhecimento, justifica-se o uso de outros instrumentos para avaliar conjuntamente o envelhecimento e, a partir do grupo de resultados, classificá-lo como bem sucedido. Para isso, tem-se usado diversos instrumentos de avaliação entre os quais o principal que avalia Qualidade de Vida (QV) subjetiva é o protocolo da OMS na versão para idosos, já validada, para população brasileira: o WHOQOL-old (Fleck, 2003). Os resultados do WHOQOL-old são apresentados na forma de média, mais ou menos um desvio padrão. Para comparar as avaliações realizadas antes e após a intervenção foi utilizado o teste t para amostras pareadas quando a diferença na pontuação seguiu uma distribuição normal (pelo teste de Shapiro Wilk); quando não seguiu uma distribuição normal, foi utilizado o teste de Wilcoxon (Tabela 10). Os resultados e revelaram que, entre antes e após a intervenção, houve diferença estatisticamente significante nas facetas: 46 presente, passado e futuro (faceta 3), participação social (faceta 4) e intimidade (faceta 6). Tendo em vista as diferenças sócio-culturais e de idade esse resultado vai ao encontro dos achados na pesquisa de Llobet, Ávila, Farras e Canut (2011) em que a amostra espanhola, de modo geral, ao construir seu conceito de satisfação com a vida levou em consideração os mesmo itens que se destacaram significativamente neste estudo, tais como: Presente passado e futuro, seu papel enquanto ser histórico e temporal; Participação Social como autonomia, independência e adaptação social e Intimidade correspondendo ao companheirismo. A pontuação média aumentou e foi estatisticamente significante, pós-intervenção, nas facetas: presente, passado e futuro (faceta 3), participação social (faceta 4) e intimidade (faceta 6) e na pontuação total. Essas facetas dizem respeito justamente a temas que abarcam toda a existência humana e, portanto, foram integralmente tratados pelos participantes durante a intervenção que eles consideraram, sempre iniciando pela discussão do papel socializante dos encontros, passando por temas já muito discutidos na mídia e em outros grupos como a importância da participação social como incentivo ao envelhecimento saudável até aos temas pouco falados como intimidade e morte e morrer. Numa perspectiva de ladear presente, passado e futuro colocando as emoções cada qual em seu devido lugar, mas cuidando para que outras emoções pudessem emergir, cada participante fez o melhor uso que podia do espaço terapêutico da intervenção para se equilibrar quanto ao seu próprio assentamento histórico emocional. 47 Tabela 10: Média da pontuação por facetas do WHOQOL-old antes e após a intervenção. Facetas (F) N Média ± desvio padrão Pré Média ± desvio padrão Pós F1 - Funcionamento 11 16,09 ± 2,98 15,64 ± 2,73 do sensório F2 –Autonomia 11 14,18 ± 2,64 13,64 ± 1,36 F3 – Presente, 11 14,55 ± 1,92 15,36 ± 1,80 Passado e futuro F4 – Participação 11 15,45 ± 1,81 16,55 ± 1,81 Social F5 – Morte e Morrer 11 13,82 ± 4,24 14,55 ± 3,83 F6 – Intimidade 11 14,27 ± 2,33 15,18 ± 2,27 11 88,36 ± 10,84 90,91 ± 8,70 Pontuação Total *Houve diferença estatisticamente significante p≥0,05 Teste t (t) pareado ou Wilcoxon (z) z = -0,172 P valor p = 0,863 t = 0,700 z = -2,070 p = 0,500 p = 0,038* t = -2,963 p = 0,014* t = -1,305 t = -2,469 t = -1,765 p = 0,221 p = 0,033* p = 0,108 Para exemplificar, nas palavras da P7 “Não fui mãe do meu filho mais velho porque minha mãe não permitiu, ela cuidou dele do jeito dela, então quando ela me diz hoje que ele não deu pro que preste eu sei que não foi por minha causa porque quem foi mãe dele foi ela, a minha mãe! Agora do mais novo eu cuidei. E vou continuar cuidando mesmo depois que ele casar... tenho minhas atividades, mas sempre terei tempo para ele” (SIC). Outro exemplo, nas palavras da participante P8: “A minha nora, viúva do meu filho, fica trancada na casa dela e finge que não está quando eu bato lá, fazer o quê, se ela não quer ser incomodada ela tem direito, não é mais casada com meu filho, mas eu também tenho direito de ver meus netos, antes isso me incomodava muito, hoje meus netos vão à minha casa, eu combino tudo direto com eles, vou pagar um curso de inglês para minha netinha” (SIC). Por último a P10 “Passei muito tempo remoendo situações do passado, agora decidi olhar para frente e ser feliz, vou viajar com meu marido, somos só nós dois mesmo para quê regular nossa vida por sofrimentos desnecessários!” (SIC). Quanto à participação social, todos os participantes dizem ter sua vida social ativa e elogiam as pessoas que socializam, nas palavras da P10: “Eu tava muito deprimida, quando me falaram do grupo eu vim sem acreditar muito, mas está sendo maravilhoso” (SIC). 48 Quanto à intimidade, muitos dos participantes, embora sem relacionamento amoroso, disseram estar abertos a novas experiências e alguns até evidenciaram que não procuram relacionamento sexual, mas sim um companheiro com quem dividirem o tempo entre conversas e ficarem juntos em silêncio. Outros, ainda, disseram buscar mais intimidade com os membros da família, porém não permitindo falar de amor romântico. Referindo-se à Faceta 5, morte e morrer, que teve aumento de pontuação, mas não o suficiente para ser significante, o grupo abordou sem resistências questões enfocando mitos ou crenças pessoais, para exemplificar, P11 afirmou: “A pessoa que fez mal aos outros sofre mais antes de morrer” (SIC). O tema foi prontamente debatido pelas demais idosas e nas palavras da P2: “Não concordo, minha mãe foi sempre muito boa e sofreu muito” (SIC). As discussões mostraram que a conversa aberta pode ajudar a derrubar crenças sem fundamento e limitantes, pois ficou claro nesse encontro que sofrer pode ser uma questão de escolha de estilos de vida que não privilegiem a saúde. O próprio P11 refletiu sobre a temática e ao final do encontro disse:“É, não é porque se é uma pessoa boa que deve se descuidar da saúde, tem que fazer atividade física, comer direito porque aí talvez não fique sofrendo numa cama” (SIC). Os idosos relataram sobre os seus medos quanto ao morrer (dependência, maus tratos e sofrimentos físico como, por exemplo, dor), o qual mobilizou todo o grupo que tratou desde ampliar seus medos para os outros até discutir questões práticas (testamento, dinheiro, bens, organização plano funerário, compra de jazigo etc) relacionadas a tais situações. Segundo os participantes, a morte e o morrer não lhes trazem medo, mas a possibilidade do sofrimento e/ou a dependência de terceiros antes da morte os assusta. Talvez em razão dessa conscientização de que o funcionamento físico implica em perda de autonomia, situação que os participantes muito valorizam, tenha influenciado nessa ligeira diminuição na pontuação média, porém não significante estatisticamente, nas facetas do funcionamento do sensório (faceta 1) e autonomia (faceta 2), na pós-intervenção. Os participantes não reclamaram de doenças e nem de perda de autonomia/independência, mas esse era um tema frequentemente presente nas discussões. Estes resultados relacionados aos aspectos biológicos, direto ou indiretamente, revelam o esperado com o 49 avanço do processo de envelhecimento, uma vez que o idoso torna-se mais frágil e vulnerável na medida em que o organismo perde vitalidade em decorrência da velhice. Os dados do estudo FIBRA compilados no livro organizado por Neri e Guariento (2011) corroboram com os resultados encontrados, na medida em que os idosos têm uma percepção subjetiva sobre o seu bem-estar e se autoavalia ou se autorefere com uma saúde boa ou ótima embora o seu nível de fragilidade possa ser alto e não condizer com a sua percepção (4 ou 5 nos critérios de avaliação). De certa forma, uma das conclusões finais da pesquisa de Camargo, Justo, Lima, Rabelo e Neri (2011) sobre representações sociais de felicidade realizada com 665 idosos com 65 anos os mais, reforçam a importância de investigar os fatores multideterminados vivenciados pelos idosos que determinam o seu bem-estar e, consequentemente, a sua qualidade de vida. Os autores afirmam: “As representações sociais de idosos sobre o que é ser feliz na velhice indicam caminhos para intervenções em saúde física e mental e contribuem para a teorização sobre os mecanismos fundamentais envolvidos na qualidade de vida na velhice” (p. 235). Portanto, é necessário o desenvolvimento de pesquisas de intervenção em saúde mental, no caso, em Psicologia baseada em evidências para obter melhores resultados na atuação desse profissional (Goodheart, Kazdin & Sternberg, 2006; Melnik & Atallah, 2011). Dado que há diversas possibilidades de interação, além de ter havido um processo interventivo, que podem ter influenciado as respostas, avaliou-se se havia correlação significante entre todas as variáveis pesquisadas (Tabela 11). Na pré-intervenção, o teste de correlação de Pearson permitiu observar que houve relação linear significante entre as variáveis: Ansiedade e Depressão, Ansiedade e Qualidade de Vida e Satisfação com a vida e Qualidade de Vida (p<0,05). Na pós-intervenção houve relação linear significante entre as variáveis: Ansiedade e Depressão e Ansiedade e Qualidade de Vida, não sendo mais significante Satisfação com a vida e Qualidade de Vida. 50 Tabela 11: Correlação entre a pontuação de ansiedade, depressão, qualidade de vida e satisfação com a vida pré e pós-intervenção. Momento Correlação entre N R Ansiedade e depressão 11 0,710 Ansiedade e qualidade de vida 11 -0,687 (WHOQOL-old total bruto) Ansiedade e Satisfação com a vida 11 -0,492 Pré Depressão e qualidade de vida 11 -0,578 (WHOQOL-old total bruto) Depressão e Satisfação com a vida 11 -0,379 Satisfação com a vida e qualidade de vida 11 0,767 (WHOQOL-old total bruto) Ansiedade e depressão 11 0,632 Ansiedade e qualidade de vida 11 -0,610 (WHOQOL-old total bruto) Ansiedade e Satisfação com a vida 11 0,389 Pós Depressão e qualidade de vida 11 -0,597 (WHOQOL-old total bruto) Depressão e Satisfação com a vida 11 0,070 Satisfação com a vida e qualidade de vida 11 0,323 (WHOQOL-old total bruto) *Houve diferença significante; r: Correlação Linear de Pearson; p ≤ 0,05 P 0,014* 0,019* 0,124 0,063 0,250 0,006* 0,037* 0,046* 0,237 0,052 0,837 0,333 Esses resultados, tanto pré quanto pós-intervenção vão ao encontro do encontrado na literatura, como o trabalho de Cunha (2001) que traduziu e validou as escalas de Beck para população brasileira, no qual reafirma que mesmo minimamente os sinais de ansiedade muitas vezes compartilham com os de depressão. Essa correlação encontrada entre ansiedade e depressão pode ocorrer, porque, segundo a autora, a ansiedade é uma emoção humana básica, sendo essa sua natureza, a ansiedade também intervém na QV, pois uma vez instalada, ela altera ou redireciona aspectos da vida que podem interferir na avaliação subjetiva da QV, como ocorre quando se tem um teste escolar ou um exame médico delicado. No presente trabalho é possível inferir que a ansiedade está correlacionada com a QV, tanto no pré quanto no pós-intervenção, porque os participantes estavam sob múltiplas influências: o início e o término do grupo terapêutico, as férias de meio de ano, o retorno no segundo semestre para o Programa Educativo em que os encontros seriam quinzenais e não 51 mais semanais como no primeiro semestre e o fato de os participantes estarem procurando atividades para fazerem nesses períodos ociosos entre outras hipotéticas explicações. A não significância de correlação no pós-teste de Satisfação com a vida e Qualidade de Vida pode sinalizar que as respostas dadas estiveram em melhor consonância com o que, de fato, os idosos pensam sobre si (conscientemente a partir de reflexão sobre o assunto nas intervenções em grupo) do que estavam na pré-intervenção. Estes dados corroboram com os estudos de Llobet, Ávila, Farras e Canut, (2011) que encontrou resultados em que estar satisfeito com a Vida não dependia exclusivamente de se ter uma boa QV. Para apresentar o processo interventivo foram escolhidos três casos em que os participantes representam aspectos que serão destacados nessa exposição e análise qualitativa. As duas mulheres (P1 e P2) representam, respectivamente, os grupos nos quais participaram (G1 e G2), que tiveram pequenas diferenças entre si, tanto no número de participantes quanto na dinâmica durante o processo interventivo. O relato do homem foi escolhido porque é o único representante do gênero nos dois grupos e pode fornecer indícios que favoreçam a participação masculina em programas desse tipo futuramente. Vale salientar que a percepção grupal foi construída à medida que os encontros da intervenção psicológica se iniciaram e avançaram. Para a literatura especializada, destacase a definição de grupo que é algo que vai além do ajuntamento de pessoas, constitui uma formação caracterizada por um conjunto de fatores que se inicia com o objetivo, que deve ser comum aos participantes do grupo (nesta pesquisa: desejo de melhorar a qualidade de vida) e, a partir do vivenciado no grupo (num espaço-tempo em que cada indivíduo contribui com o outro, interagindo entre si) no qual, ao mesmo tempo, que modifica é, também, modificado pelo outro, dando vida a um novo saber sincrético a esse grupo (nesta pesquisa: os novos significados que os participantes dão à sua qualidade de vida). Esse saber está em constante transformação já que para os estudiosos de grupos o saber está sempre sendo recriado de acordo com as diversas (e mutantes) formações grupais existentes (Bleger, 1984; 1989 e Gil, 2010). A P1, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo: seu desejo de cuidar de sua “tristeza física” (SIC). Na Tabela 12 são apresentados 52 os resultados do pré e pós-testes de todos os instrumentos aplicados na P1, antes e depois da intervenção psicológica. Tabela 12: Resultados do P1 , nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos P1: Mulher, 62 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo, G1. Pontuação Avaliação da Instrumentos diferença Pré Pós Diferença Ansiedade 12 12 0 Manteve ansiedade leve Depressão 19 13 -6 Melhorou, mas manteve-se em depressão leve Melhorou Piorou Satisfação com a vida 8 9 +1 Qualidade de Vida (WHOQOL-old 96 91 -5 total bruto)* F1 – Funcionamento do sensório 18 11 -7 Piorou F2 – Autonomia 15 14 -1 Piorou F3 – Presente, Passado e futuro 16 17 +1 Melhorou F4 – Participação Social 16 16 0 Manteve F5 – Morte e Morrer 16 15 -1 Piorou F6 – Intimidade 15 18 +3 Melhorou *A pontuação referente a Qualidade de Vida (WHOQOL) utilizou o resultado Geral do Inventário e por faceta, em ambos, considerou-se a pontuação bruta que pode ser de 0 a 20. Área biológica: a P1 relatou que faz acompanhamento psiquiátrico, há cinco anos, desde que sofreu uma queda grave que lhe causa dor continuamente. Toma remédios diariamente e se lembra apenas que um é para a tireoide, sem lembrar quantos nem quais os outros. Já fez aproximadamente 13 cirurgias, sendo as últimas uma abdominoplastia (em 2009) e as anteriores para retiradas de diversas hérnias (em 2007-2008) porque era obesa mórbida. Na família há membros com problema de alcoolismo: o pai, a mãe, os irmãos, as irmãs e o ex-esposo. Área social: é viúva e separada do último marido, vive junto com uma filha solteira, em casa própria (recém-reformada), há 15 anos, num bairro próximo a esta Universidade, lugar em que se sente segura. É religiosa praticante, faz diversos trabalhos voluntários. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo de serviço de uma instituição pública prestadora de serviço essencial, seus proventos correspondem, 53 aproximadamente, quatro salários mínimos. Como lazer faz muitas atividades: hidroginástica, natação, dança, caminhada etc. A relação diária com a filha é distante porque esta está sempre trabalhando e estudando, contudo ela tem ciúme da mãe e isso é apontado como razão para a mãe não ter “companhia masculina” (SIC). Tem um filho casado e dois netos que vê uma vez por mês, aproximadamente. Ela gosta de ver filmes (japoneses) para crianças e de ficção científica (exemplo: o Robocop), além de desenhos infantis. Área psicológica: afirmou que suas decisões são influenciadas pelos filhos, netos, nora e genro, especialmente, as relacionadas aos pedidos de ajuda destes, os quais ela ajuda com prazer. Não tem amigos porque já se sentiu traída por eles diversas vezes e evita esse tipo de vínculo, embora reafirme que se dá bem com todas as colegas de atividades, inclusive sendo líder nas tarefas e festinhas do Programa Educativo. Sobre o envelhecimento, ela pensa que é importante para si mesma envelhecer com QV e que isso independe da idade, por essa razão procurou o Programa e está sempre procurando o que pode colaborar com sua QV. Grupo de Intervenção: teve participação ativa no processo grupal, muitas vezes, sendo porta-voz do grupo. Embora tenha chegado atrasada algumas vezes, teve duas ausências e nestes encontros o grupo falou muito de assuntos relacionados a ela, o que pode ser supostamente caracterizado como um destaque da sua importância no grupo de intervenção. Além disso, os relatos do grupo revelaram que ela, também, exerceu o papel de depositária de ansiedades e preocupações do grupo. Ao final da intervenção, na entrevista de devolutiva, a P1 falou longamente sobre os ganhos que teve com o grupo e pediu para ser encaminhada a atendimento individual, cuja solicitação foi atendida. Processo Interventivo: descrição e discussão A P1 demonstrou, ao logo dos encontros, satisfação em estar nos encontros. Ela esteve, durante todo processo interventivo, no Grupo 1 (G1), que ocorreu às segundas feiras (de 04/04/2011 à 20/06/2011), das 13h às 14h30m e em seguida participava do Programa Educacional que acontecia das 14h30 às 16h30m. No primeiro encontro elogiou o grupo e enfatizou o fato de se dar bem com os companheiros de grupo, embora tenha estado sempre 54 falando não comentou sobre si, apenas colaborando com as falas: “O tema escolhido [família] é só para começar a falar né!?” (SIC). No meio do segundo encontro, seguindo a sequência iniciada pelos participantes, contou sua história de vida e, por ser uma vivência muito forte, mobilizou todo grupo. Percebe-se que ela demonstrou confiança no espaço terapêutico, pois contou um segredo muito bem guardado há mais de 35 anos, o qual ninguém da sua família sabe. No terceiro encontro ela chegou atrasada, rouca e gripada. O grupo a acolheu e, como já vinha falando sobre ela, caracterizou essa situação (rouquidão e gripe) como somatização, consequência do fato de ela ter revelado seu segredo no encontro anterior, ela quase não falou nesse encontro. No quarto e quinto encontro ela não veio, porque participou de um evento de terceira idade ligado à beleza. No sexto encontro chegou novamente atrasada e contou o motivo das faltas nas duas sessões anteriores, conversou, mas não falou sobre si, a sua postura ao participar das discussões sempre foi de falar ou apontar o concreto, o cognitivo, terceiros e/ou as pessoas no grupo: “Os alimentos com agrotóxicos...minha vizinha... A P10 está falando de seu marido...” (SIC), como ela atuou em todas as frentes, estava numa postura de educadora como se falando para o grupo, como se estivesse conduzindo o grupo. No sétimo encontro chegou novamente atrasada e não quis falar afirmando que estava lá apenas para escutar, as companheiras se disseram preocupadas com ela que era “sempre falante” e insistiram, mas ela só falou um pouco ao final do encontro e trouxe sua tristeza com desgostos familiares. No oitavo encontro o grupo todo falou de forma dispersa, abordando diversos assuntos sem se ater a nenhum, próximo ao final foi perguntado à terapeuta sobre o fim dos atendimentos, nesse momento, a P1, mais uma vez foi porta voz do grupo, pois foi a primeira a perguntar, daí em diante se falou sobre esse momento e sobre a devolutiva prometida para o final. No nono encontro, em que havia ficado combinado que cada um deveria trazer alguma recordação pessoal, ela chegou atrasada e não trouxe nenhuma porque “não achei nada muito significativo para trazer” (SIC), ficou escutando e falou pouco. Nesse encontro foi discutido, especialmente, sobre o fechamento de ciclos. No décimo encontro chegou novamente atrasada falou pouco sobre si (ênfase nos seus bens 55 materiais) contribuiu pouco com o diálogo sobre a juventude urbana com a qual convivem e, ao final, convidou a todos para participar de festa de despedida, já organizando questões práticas da festa. No décimo primeiro e penúltimo encontro ela chegou, mais uma vez, atrasada e trazendo muita tristeza por um problema de saúde familiar o que também mobilizou o grupo. Ela externalizou seus ganhos com o processo terapêutico e sua dificuldade em lidar com o fim (desligamento) do grupo, nomeou o sentimento de perda como o mais presente nesse dia, emocionou-se e agradeceu a terapeuta e às companheiras por terem conseguido ir até o fim com o grupo. No décimo segundo e último encontro ela chegou no horário certo e falou pouco no início, quase ao final da sessão falou sobre desgostos familiares, parecia que ela não encarava essa última sessão como de fato era, mas sim como algo que teria continuidade. Despediu-se perguntando sobre a devolutiva a qual foi devidamente orientada. A P2, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo seu desejo de “aprender mais coisas” (SIC). Na Tabela 13 estão consolidados os resultados do pré e pós-testes dos instrumentos aplicados antes e após a intervenção psicológica. Área biológica: faz acompanhamento de rotina e atualmente está sob tratamento dermatológico, há quatro meses, desde que desenvolveu micose na unha. Toma diariamente antimicótico (temporariamente), cálcio, alendronato de sódio e ácido fólico (continuamente). Durante a vida, fez uma única cirurgia, há 2 anos, no pé (retirada de Joanete) sendo sua recuperação muito boa, sem precisar de ajuda de terceiros. Na família não há ninguém doente, sendo que avô e mãe tiveram acidente vascular cerebral. 56 Tabela 13: Resultados do P2, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos. P2: Mulher, 70 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino superior completo, G2. Avaliação da Pontuação diferença Instrumentos Pré Pós Diferença Ansiedade 6 1 -5 Depressão 10 10 0 Satisfação com a vida Qualidade de Vida (WHOQOL-old total bruto) F1 – Funcionamento do sensório F2 – Autonomia F3 – Presente, Passado e futuro F4 – Participação Social F5 – Morte e Morrer F6 – Intimidade 9 100 9 104 0 +4 Melhorou ansiedade mínima Manteve depressão mínima Manteve Melhorou 17 17 15 18 16 17 17 16 16 19 18 18 0 -1 +1 +1 +2 +1 Manteve Piorou Melhorou Melhorou Melhorou Melhorou Área social: vive sozinha por opção, é solteira e sem filhos, em casa própria (herdada da mãe), há 70 anos, no mesmo bairro desta Universidade. A casa é muito grande e ela espera vender para comprar um apartamento menor “mais fácil de cuidar” (SIC), mas que a faz se sentir muito bem por causa das lembranças que tem. Religiosa praticante, uma vez por semana vai a encontro religioso. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo de serviço como professora de artes plásticas, seus proventos contam aproximadamente cinco salários mínimos. Como lazer gosta de ler e faz muitas viagens (à praia e à Campos do Jordão). Embora viva só, tem uma boa relação com irmã “reclamona” (SIC) e sobrinhos. Na televisão, gosta de ver noticiários e documentários, além de livros e internet, gosta de fazer trabalhos manuais. Área psicológica: disse ter decisões influenciadas por sobrinhos e irmã em qualquer momento, o que lhe dá satisfação. Tem muitos amigos os quais escolhe pelo caráter e honestidade, com eles costuma viajar, jogar cartas ou ir ao teatro e/ou cinema. Sobre o 57 envelhecimento, pensa que tem que ter classe para envelhecer “se colocar como uma pessoa na sua idade” (SIC). Grupo de Intervenção: teve participação ativa no processo grupal já que nunca faltou e colaborou para o bom andamento do grupo. Ao final da intervenção, na entrevista de devolutiva, ela falou sobre os ganhos que teve com o grupo e o quanto foi importante colaborar e aprender com os demais colegas. Processo Interventivo: descrição e discussão A P2, veio a todos os encontros e, em todos, demonstrou satisfação em estar com os colegas e disposição a colaborar com o crescimento pessoal dos colegas, sem no entanto se aprofundar muito em questões muito complexas sobre si mesma ou sobre os outros, sempre muito ponderada atuava mais de modo a acolher do que a julgar. Ela esteve, durante todo processo interventivo, no Grupo 2 (G2), que ocorreu às segundas feiras (de 04/04/2011 à 20/06/2011), das 16h30 às 18h00m, ou seja, após participar do Programa Educacional que acontecia das 14h30 às 16h30m. No primeiro encontro, assim como os demais participantes, relatou sua infância feliz e a saudade que sentia desses tempos. No segundo encontro em que o grupo quis falar dos sofrimentos humanos, ela iniciou a sessão (já que ninguém se posicionou a iniciar) falando de assunto externo a si (circulante na mídia) e terminou contando caso pessoal, acabou sendo a pessoa que mais falou neste dia. No terceiro encontro, em que se falou de perdas, ela trouxe perda de objetos pessoais e, em seguida, falou da perda de um ente querido e o quanto se sentia bem por ter cuidado dessa pessoa, para ela o importante era ter feito o que podia pela pessoa em vida. Neste ponto parecia bem resolvida em relação a essa perda contrastando com uma colega de grupo que tivera um luto demorado e sofrido que a deixou muito compadecida. No quarto encontro em que se falou da morte ela trouxe sua experiência de organizar-se para quando estiver próxima à morte ou já tiver morrido: cuidados em saúde, escolha de herdeiros adequados de acordo com seu pensamento de administração 58 financeira, testamento etc. Pareceu também estar preparada para quando for necessário lidar com esses assuntos e essa sua fala mobilizou uma participante a pensar em relação a si, o que nunca houvera feito. Nesse sentido ela atuou como facilitadora da aprendizagem no processo grupal, já que ofereceu aporte prático que servia também aos outros participantes. Esse encontro foi permeado por uma discussão acirrada frente às questões de sofrimento antes da morte, mais do que de morte em si, eles falaram do medo da dependência, da dor, de serem maltratados ou roubados exaltando um desejo de ter uma morte rápida e sem sofrimento. A P9 exaltou seu sentimento de desvalorização pela família a partir dessa discussão “Quando eu morrer eles [filhos] vão sentir minha falta, aí vão me dar valor!” (SIC) o que fez com que a P2 relatasse o quanto sempre se sentiu valorizada pela sua família. No quinto encontro, ela já chegou contando que estava, desde cedo, em um colóquio o qual adorou participar. Como, neste encontro, o tema tratado continuou sendo sobre os medos frente à doença e morte, ela externalizou suas opiniões a respeito sempre colaborando com a construção de um novo saber que teve muitas falas alusivas à crenças pessoais: P11: “Ser religioso, ou ser uma pessoa boa pode fazer você ter uma morte melhor” (SIC); P2: “Não concordo minha mãe era religiosa e, uma pessoa muito boa e sofreu muito” (SIC); P8: “O sofrimento é o resgate de vidas passadas”(SIC). Ao final desse encontro concluiu-se que não havia como saber o que aconteceria com cada uma, mas encontrariam a melhor forma para enfrentar esse momento, sendo melhor aproveitarem o que têm agora. O sexto encontro, permeado por pausas silenciosas, iniciou-se falando em descrença no potencial cuidador das novas gerações e do medo frente a se tornar dependente do cuidado dessas pessoas. O discurso evoluiu para a constatação de que não se tem controle frente a determinadas situações da vida e que isso traz muita angústia. A P2 trouxe seus anseios em relação a si, mas também em relação à vida de quem fica quando eles se forem, o que demonstra uma preocupação generativa nas palavras de Erikson (1976) citado por Hall, Lindzey e Campbel (2000) que, conforme colocado pela P2, é um aspecto saudável, para esse autor, se preocupar em deixar algo para as gerações que nos sucedem faz parte dos ciclos da vida. 59 Não houve o sétimo encontro, pois apenas a P2 esteve presente o que não caracterizou um grupo. Dada a dinâmica de funcionamento desse grupo em que houve dificuldade em aprofundar a discussão em pontos mais significativos para os participantes, essa ausência, quase coletiva, pode sinalizar o grau de dificuldade desse grupo que parece ter necessitado de uma pausa maior para elaboração do que foi discutido nas últimas sessões. Ainda cheio de silêncios, no oitavo encontro, com ausência do P11 falou-se do enfrentamento de situações desagradáveis, como apareceu inicialmente a frase ilustrativa do “guardar Versus jogar fora” todas as participantes falaram de sua dificuldade em se desfazer (ressignificar) de determinados sofrimentos, principalmente os negativos, contrariamente P2 expressou que se protege do sofrimento: “Procuro coisas boas, felizes, ter pensamentos positivos” (SIC), no decorrer do encontro ela reconheceu que nem sempre é possível, mas que é muito difícil para ela colocar suas questões mais íntimas no grupo. Outras participantes concordaram sobre a dificuldade de “contar ou falar sobre temas desagradáveis”, principalmente os vivenciados por elas. Nessa sessão apareceram relatos de dor intensa de duas participantes que, após comoção e acolhida do grupo, agradeceram por ter um espaço onde elas pudessem falar desses sofrimentos. Essa sessão teve um nível de aprofundamento nas questões trazidas que reforçam a hipótese de que na sessão anterior os participantes estavam, emocionalmente, se preparando para adentrar a esse nível de elaboração psíquica. O fato de P11 estar ausente e só ter mulheres presentes no grupo (inclusive a terapeuta), pode ser sutil, mas merece alguma consideração, já que essas três mulheres não estão acostumadas a dividir suas questões mais íntimas na presença de homens e podem ter se sentido mais à vontade na ausência de P11. Para o nono encontro ficou combinado, na sessão anterior, de se trazer uma lembrança para a sessão, todos colocaram algo à mesa e falaram sobre as lembranças que os objetos lhes suscitavam. A P2 chorou ao se lembrar de uma pessoa muito querida já falecida. Todo o grupo acolheu seu sofrimento e conversaram sobre esses sentimentos, sempre trazendo exemplos externos (da mídia) a eles sem aprofundar, exceto uma participante, nas questões pessoais. Nessa sessão em particular, ocorreu o contrário do habitual: os participantes começaram falando de si e terminaram falando somente de 60 terceiros (mídia, casos familiares etc) sem aprofundar o conteúdo inicial. Pareceu muito sofrido ao grupo encarar determinadas angústias, contudo eles tiveram o espaço para fazêlo e, até onde foi possível ir, eles foram o que denota a força e o interesse do grupo em aproveitar o espaço de intervenção e as dificuldades pessoais de se enfrentar as resistências emocionais para elaboração de determinados sofrimentos. No décimo encontro, também trouxeram fotos e objetos e estes evocaram lembranças de alegrias (P2) e tristezas (P8) durante a sessão. Embora tenham dito que tanto as boas quanto as más lembranças são parte de sua história de vida, as boas lembranças prevaleceram por mais tempo no discurso de todos. Nessa sessão eles questionaram a si mesmos por que não conseguem mais fazer ou não gostam das coisas (tirar fotos) como antes sem chegarem a nenhuma conclusão. Parece que nessa sessão eles estavam procurando no seu passado alguma explicação para algo que eles nem sabiam o que era, mas que deveria estar lá. Como o envelhecimento se dá sem percebermos (Beauvoir, 1990). e as fotos são o registro de tempo datado e determinado sem possibilidade de flexão, e considerando que tirar fotos novas permitem comparações com as antigas, aos poucos parece que eles perderam o interesse por fotografia. Não é possível saber o porquê, apenas inferir, mas prevenir sofrimentos desnecessários pode ser uma das hipóteses para tal. No décimo primeiro e penúltimo encontro se abordou sobre o fim dos atendimentos e a P2 relatou que aprendeu muito com o grupo e pensa que auxiliou também no aprendizado dos demais colegas. Novamente, a discussão ponderou acerca da vida de personagens externos ao grupo (da mídia), não conseguiram falar muito de si neste dia, ficando a discussão um tanto superficial, isso pôde sinalizar a dificuldade do grupo em relação à despedida e o encerramento do grupo de atendimento. No décimo segundo e último encontro todos do grupo falaram dos planos para o que fazer ao término desse grupo e colocaram que ter algo para fazer é importante na velhice P2: “Nunca ficar parado é o segredo pra estar sempre bem” (SIC). Parece que, para ela, ter o tempo sempre preenchido lhe evita outras preocupações ou situações desagradáveis. Essa fala evidencia sua representação acerca de envelhecer, com capacidade funcional preservada e ausência de doença, como uma velhice bem sucedida o que é 61 corroborado pelos estudos de Borim, Barros e Neri (2012) e Llobet, Ávila, Farras e Canut (2011). O P11, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo: seu desejo de aproveitar o espaço para abrir a mente “Espaço para se expor, para dividir os problemas” (SIC). Na Tabela 14 são apresentados os resultados nos instrumentos aplicados antes e depois da intervenção. Área biológica: faz acompanhamento de rotina e atualmente está sob tratamento para prevenção de problemas cardíacos e vasculares. Toma diariamente Gabapentina® e mais dois remédios (não lembra os nomes) para parte cardíaca (continuamente). Nunca fez nenhuma cirurgia. Na família não há ninguém doente. Tabela 14: Resultados do P11, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos P11: Homem, 62 anos, sem relacionamento amoroso, aposentado, com ensino médio completo, G2. Pontuação Avaliação da Instrumentos diferença Pré Pós Diferença Ansiedade 23 35 +12 Piorou ansiedade de moderada para grave Depressão 23 21 -2 Melhorou depressão moderada Satisfação com a vida 8 9 +1 Melhorou Qualidade de Vida (WHOQOL- 76 79 +3 Melhorou old total bruto) F1 – Funcionamento do sensório 14 14 0 Manteve F2 – Autonomia 10 12 +2 Melhorou F3 – Presente, Passado e futuro 15 15 0 Manteve F4 – Participação Social 15 14 -1 Piorou F5 – Morte e Morrer 12 12 0 Manteve F6 – Intimidade 10 12 +2 Melhorou Área social: vive sozinho, há muitos anos, desde que se separou por escolha própria. Mora em apartamento alugado num bairro próximo a esta Universidade, diz que às vezes ficar só o faz se sentir depressivo, mas logo passa. De religião evangélica, vai três vezes por semana a encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É 62 aposentada por tempo de serviço como alfaiate e comerciário, seus proventos contam aproximadamente 2 salários mínimos. Como lazer gosta de praticar atividade física, ir à igreja e passear no parque. Tem uma rede de relações frágil com poucos amigos e muitas atividades que faz só (ex. almoçar, pintar quadros, pedalar de bicicleta etc). Na televisão gosta de ver jornais e programas evangélicos. Área psicológica: disse não ter decisões influenciadas por ninguém. Embora more com a mãe seus três filhos vêm vê-lo esporadicamente e têm uma relação boa com ele. Tem poucos amigos os quais considera pessoas importantes em sua vida e estes ganharam sua confiança na convivência, os encontra com frequência no SESC onde almoça quase todos os dias. Sobre o envelhecimento, pensa que “a cabeça não vai acompanhar o físico, nem acredito que tenho 62 anos. Acho que vai ser meio complicado a minha velhice porque acho importante a parte física” (SIC). Grupo de intervenção: Com 25% de faltas teve participação ativa no processo grupal, já que colaborou para o bom andamento do grupo. Embora seu pequeno grupo fosse majoritariamente de mulheres nunca pareceu se incomodar com isso e colocava seu ponto de vista masculino nas discussões ao que era respeitado pelas demais participantes do grupo. Parecia muitas vezes não se expor, pois tratava temas midiáticos, mas ao final dessas explanações sempre acabava por trazer algo particular evidenciando que, para ele, era melhor iniciar o assunto tratando do externo para o interno e o processo de fora para dentro fez bem a ele que melhorou em muitos aspectos, conforme sua avaliação pré e pósintervenção (Tabela 14). O fato de sua ansiedade ter piorado consideravelmente pode ser, hipoteticamente, explicado pelo fato de ele (1) já ser ansioso na pré-intervenção (2) ele tem dificuldade de se vincular e a avaliação pós-intervenção foi uma semana feita após o último encontro o que pode ter acentuado sua ansiedade, já que ele verbalizou que estava triste pelo grupo ter se encerrado. Processo Interventivo: descrição e discussão No primeiro encontro, assim como os demais participantes, relatou sua infância ressaltando que não tinha saudade dessa época, porque tinha sofrido muito. Seu relato era o de infância mais sofrida e isso comoveu uma das participantes. 63 No segundo encontro em que o grupo quis falar dos sofrimentos humanos ligados à violência, falando a partir da descrição de um evento chocante (circulante em todas as mídias), portanto um assunto externo ao grupo, perto do final P11 contou um caso pessoal cômico (e inacreditável se ele não dissesse que tinha visto) em que uma vaca adentrara o Pronto Socorro de um hospital. Esse discurso destoava do tom sinistro dessa sessão porque não tinha nada a ver com o que estava sendo falado neste momento e P11 teve uma crise de riso. Esse fato foi interpretado como um momento de exaltar a necessidade humana de ter algo que lhe dê esperança, “nem tudo é ruim e o que está chateando vai passar” (SIC). Em nenhum momento ele pareceu se incomodar de estar rodeado de mulheres. No terceiro encontro, que começou com 30 minutos de atraso, porque eles não chegaram no horário “Teve troca de chocolate do Sênior” (SIC) como disse P9. Nesse encontro se falou de perdas, ele faltou (falta injustificada) pela primeira vez e faltou pela segunda vez ao quarto encontro em que se falou da morte. O quinto encontro também teve duração de uma hora, pois o colóquio que eles participaram acabou mais tarde que o habitual e eles chegaram 30 minutos atrasados. Neste encontro, o tema observado continuou sendo sobre os medos frente à doença e morte, ele externalizou suas opiniões a respeito de crenças pessoais: P11: “Deve ser horrível ficar velho e ir para um depósito de velhos...até o último momento quero poder estar convivendo com gente jovem” (SIC); P2: “Quando não der mais, quero ir para uma clínica razoável, embora saiba que não cuidarão de mim como cuidei de minha mãe” (SIC); P8: “O sofrimento é o resgate de vidas passadas eu já sofri muito na minha vida sem ter feito mal a ninguém”(SIC). Ao final desse encontro todos chegaram ao consenso de que não havia como saber o que aconteceria com cada um, mas que como a P2 tinha organizado sua vida para os últimos dias (testamento, guardião e herdeiro do dinheiro etc) encontrariam a melhor forma para enfrentar esse momento, sendo também consonante que deviam aproveitar melhor o que têm agora. A fé foi destaque nessa sessão, pois cada participante tinha a sua visão de morte e morrer muito influenciada pela religião. O sexto encontro, permeado por pausas silenciosas, iniciou-se falando em descrença no potencial cuidador das novas gerações e do medo frente a se tornar dependente do 64 cuidado dessas pessoas. P11 quase não falou de si, trouxe para discussão eventos externos (lei aprovada) que denotavam claramente discordância com o modo moderno de encarar e aceitar novidades comportamentais. O discurso do grupo evoluiu para a constatação de que não se tem controle frente a determinadas situações da vida e que isso traz muita angústia. Não houve o sétimo encontro, pois apenas a P2 esteve presente o que não caracterizou um grupo. No oitavo encontro, P11 esteve ausente pela terceira vez no grupo. No nono encontro, ficou combinado na sessão anterior de se trazer uma lembrança para a sessão, todos colocaram algo à mesa e falaram sobre as lembranças que os objetos lhes suscitavam. P11 falou da saudade da família e da solidão de se viver só (mesmo que por escolha própria), mas sem aprofundar questões referentes a isso. No décimo encontro, também trouxeram fotos e objetos e estes evocaram lembranças de alegrias (P2) e tristezas (P8) durante a sessão. P11 falou de lembranças boas que prevaleceram no discurso de todos os participantes, semelhante ao encontrado no estudo de Afonso e Bueno (2010) sobre memória em que, ao final da sua intervenção, as memórias autobiográficas percebidas e relatadas como positivas, foram as que prevaleceram na lembrança dos idosos portugueses estudados. P11 terminou o encontro se perguntando e sem ter conseguido uma resposta para o declínio no seu gosto por fotografar. No décimo primeiro e penúltimo encontro comentou-se sobre o fim dos atendimentos e a P11 teve sua quarta falta que, dada sua aparente dificuldade de se vincular e, em tendo vínculo, de desvincular-se, fato este interpretado como uma forma de se defender dessa sessão que seria para iniciar a elaboração emocional do processo de desligamento do grupo. No décimo segundo e último encontro todos do grupo falaram dos planos para o que fazer ao término desse grupo (no segundo semestre de 2011) P11: “Vou fazer trabalho voluntário no Hospital das Clínicas, há muito tempo queria isso” (SIC). O grupo acolheu e incentivou sua prática contando suas experiências no voluntariado, embora algumas como P4 achassem que: “atualmente olho mais para mim, já fiz muito trabalho voluntário” (SIC) outras como P2 disse fazer eventualmente e P8 faz sistematicamente. A despeito de ter diferentes planos, todos pareceram sair bem desta última sessão. 65 CONSIDERAÇÕES FINAIS De acordo com os objetivos firmados, este trabalho permitiu avaliar os efeitos de uma intervenção psicológica sobre a qualidade de vida (QV) levando em consideração os níveis de ansiedade/depressão e, subjetivamente, a percepção de qualidade de vida e de satisfação com a vida de idosos atendidos num Programa Educacional do serviço-escola de Educação Física. Foram aplicados instrumentos para medir a ansiedade, a depressão, a qualidade de vida e a satisfação com a vida, antes e após a intervenção psicológica. Foi possível aferir que a caracterização dos participantes revelou um perfil semelhante a diversos trabalhos publicados sobre idosos, tais como: maioria do sexo feminino, com idade média de 66 anos, viúvas, morando com outras pessoas (cônjuge ou filhos), com renda em torno de três salários mínimos. Também foi possível avaliar que os efeitos de uma intervenção psicológica em grupo, de duração breve (12 sessões), com dois grupos foi qualitativamente positiva sobre a qualidade de vida de ambos os grupos de idosos atendidos em um Programa Educacional para a vida ativa, pois ficou claro que todos os participantes conseguiram ter um olhar diferente para a própria vida, fato este que não lhes tinha ocorrido antes favorecendo sua vivência emocional. Quanto à analise, antes e após a intervenção, foi possível verificar que, no grupo, os níveis de ansiedade e de satisfação para com a vida, praticamente, mantiveram-se entre a pré e pós-intervenção. Já os níveis de depressão e a qualidade de vida tiveram ligeira melhora, apresentando resultados estatisticamente significantes nas facetas Presente Passado e Futuro, Participação Social e Intimidade. Na correlação entre os níveis de ansiedade e depressão com a satisfação e a qualidade de vida, antes e após a intervenção, foi verificada forte correlação (com diferença estatisticamente significante) entre Ansiedade e Depressão, Ansiedade e Qualidade de Vida e Satisfação com a vida na avaliação pré-intervenção. O que resultou diferença na avaliação pós-intervenção em que tiveram diferença estatisticamente significante somente Ansiedade e depressão e Ansiedade e Qualidade de Vida. 66 É importante frisar que a pesquisa apresenta limitações devido à quantidade de idosos participantes da intervenção (n= 11), o que impede a generalização dos dados. Além disso, a complexidade da temática e das variáveis envolvidas não permitiu afirmar com precisão a eficácia da intervenção psicológica na qualidade de vida dos idosos, porém os resultados revelam, principalmente os qualitativos, que os encontros foram positivos, porque permitiram uma maior reflexão sobre aspectos da vida dos participantes. Dessa forma, é fundamental que sejam realizadas outras pesquisas sobre intervenção psicológicas com idosos, uma vez que no Brasil há carência de estudos que utilizem e avaliem esse tipo de intervenção. Há uma lacuna na área da Psicologia no que se refere às pesquisas que envolvam intervenções psicológicas para promover o bem-estar e a qualidade de vida dos idosos. 67 Referências: Afonso, R. & Bueno, B. (2010). Reminiscencia con distintos tipos de recuerdos autobiográficos: Efectos sobre la reducción de la sintomatología depresiva en la vejez. / Reminiscence with different types of autobiographical memories: Effects on the reduction of depressive symptomatology in old age. Psicothema, Vol 22(2), 213-220. American Psychiatric Association (1995). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM IV). Washington, DC: APA. American Psychological Association (n. d.). 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Qual a dosagem? • Já fez alguma cirurgia? Qual? Quando? Quais as reações diante da cirurgia? • Há algum membro da família que tem alguma doença? Qual? ÁREA SOCIAL • Onde o participante Vive? Com quem? • Religião. Frequência de participação no serviço religioso (1 ou + X/semana; 1 ou + X/mês; esporadicamente) • Situação econômica / financeira (Recebem ajuda de algum órgão?) Quem trabalha? O que faz? Renda familiar em salários mínimos? • Lazer (O que faz esta família em momentos de lazer?) • Refeição (Como se organizam para as refeições?) O que acontece na hora do almoço, jantar... / Para onde vão, se comem juntos, no sofá, se separados... / Se estão juntos, sobre o que conversam? ÁREA PSICOLÓGICA • Escolaridade • Participação de familiares na vida do participante • Relações de amizade (Como escolhe amigos? Sai com amigos? Vai à casa de amigos? Como se relaciona?) • O que faz para se divertir? Usar seu tempo livre? • O que você pensa sobre o envelhecimento? • Quais os motivos que o fizeram procurar esse serviço-escola? Quais os motivos que o fazem querer participar deste grupo de discussão? WHOQOL-OLD Instruções ESTE INSTRUMENTO NAO DEVE SER APLICADO INDIVIDUALMENTE, MAS SIM EM CONJUNTO COM O INSTRUMENTO WHOQOL-BREF Este questionário pergunta a respeito dos seus pensamentos, sentimentos e sobre certos aspectos de sua qualidade de vida, e aborda questões que podem ser importantes para você como membro mais velho da sociedade. Por favor, responda todas as perguntas. Se você não está seguro a respeito de que resposta dar a uma pergunta, por favor escolha a que lhe parece mais apropriada. Esta pode ser muitas vezes a sua primeira resposta. Por favor tenha em mente os seus valores, esperanças, prazeres e preocupações. Pedimos que pense na sua vida nas duas últimas semanas. Por exemplo, pensando nas duas últimas semanas, uma pergunta poderia ser : O quanto você se preocupa com o que o futuro poderá trazer? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 Você deve circular o número que melhor reflete o quanto você se preocupou com o seu futuro durante as duas últimas semanas. Então você circularia o número 4 se você se preocupou com o futuro “Bastante”, ou circularia o número 1 se não tivesse se preocupado “Nada” com o futuro. Por favor leia cada questão, pense no que sente e circule o número na escala que seja a melhor resposta para você para cada questão. Muito obrigado(a) pela sua colaboração! As seguintes questões perguntam sobre o quanto você tem tido certos sentimentos nas últimas duas semanas. old_01 Até que ponto as perdas nos seus sentidos (por exemplo, audição, visão, paladar, olfato, tato), afetam a sua vida diária? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 old_02 Até que ponto a perda de, por exemplo, audição, visão, paladar, olfato, tato, afeta a sua capacidade de participar em atividades? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 old_03 Quanta liberdade você tem de tomar as suas próprias decisões? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 old_04 Até que ponto você sente que controla o seu futuro? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 old_05 O quanto você sente que as pessoas ao seu redor respeitam a sua liberdade? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 old_06 Quão preocupado você está com a maneira pela qual irá morrer? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 old_07 O quanto você tem medo de não poder controlar a sua morte? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 old_08 O quanto você tem medo de morrer? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 old_09 O quanto você teme sofrer dor antes de morrer? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 As seguintes questões perguntam sobre quão completamente você fez ou se sentiu apto a fazer algumas coisas nas duas últimas semanas. old_10 Até que ponto o funcionamento dos seus sentidos (por exemplo, audição, visão, paladar, olfato, tato) afeta a sua capacidade de interagir com outras pessoas? Nada Muito pouco Médio Muito Completamente 1 2 3 4 5 old_11 Até que ponto você consegue fazer as coisas que gostaria de fazer? Nada Muito pouco Médio Muito Completamente 1 2 3 4 5 old_12 Até que ponto você está satisfeito com as suas oportunidades para continuar alcançando outras realizações na sua vida? Nada Muito pouco Médio Muito Completamente 1 2 3 4 5 old_13 O quanto você sente que recebeu o reconhecimento que merece na sua vida? Nada Muito pouco Médio Muito Completamente 1 2 3 4 5 old_14 Até que ponto você sente que tem o suficiente para fazer em cada dia? Nada Muito pouco Médio Muito Completamente 1 2 3 4 5 As seguintes questões pedem a você que diga o quanto você se sentiu satisfeito, feliz ou bem sobre vários aspectos de sua vida nas duas últimas semanas. old_15 Quão satisfeito você está com aquilo que alcançou na sua vida? Muito insatisfeito Insatisfeito Nem satisfeito nem Satisfeito Muito satisfeito 1 2 insatisfeito 4 5 3 old_16 Quão satisfeito você está com a maneira com a qual você usa o seu tempo? Muito insatisfeito Insatisfeito Nem satisfeito nem Satisfeito Muito satisfeito 1 2 insatisfeito 4 5 3 old_17 Quão satisfeito você está com o seu nível de atividade? Muito insatisfeito Insatisfeito Nem satisfeito nem Satisfeito Muito satisfeito 1 2 insatisfeito 4 5 3 old_18 Quão satisfeito você está com as oportunidades que você tem para participar de atividades da comunidade? Muito insatisfeito Insatisfeito Nem satisfeito nem Satisfeito Muito satisfeito 1 2 insatisfeito 4 5 3 old_19 Quão feliz você está com as coisas que você pode esperar daqui para frente? Muito infeliz Infeliz Nem feliz Feliz Muito feliz 1 2 nem infeliz 4 5 3 old_20 Como você avaliaria o funcionamento dos seus sentidos (por exemplo, audição, visão, paladar, olfato, tato)? Muito ruim Ruim Nem ruim Boa Muito boa 1 2 nem boa 4 5 3 As seguintes questões se referem a qualquer relacionamento íntimo que você possa ter. Por favor, considere estas questões em relação a um companheiro ou uma pessoa próxima com a qual você pode compartilhar (dividir) sua intimidade mais do que com qualquer outra pessoa em sua vida. old_21 Até que ponto você tem um sentimento de companheirismo em sua vida? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 old_22 Até que ponto você sente amor em sua vida? Nada Muito pouco Mais ou menos Bastante Extremamente 1 2 3 4 5 old_23 Até que ponto você tem oportunidades para amar? Nada Muito pouco Médio Muito Completamente 1 2 3 4 5 old_24 Até que ponto você tem oportunidades para ser amado? Nada Muito pouco Médio Muito Completamente 1 2 3 4 5 VOCÊ TEM ALGUM COMENTÁRIO SOBRE O QUESTIONÁRIO? OBRIGADO(A) PELA SUA COLABORAÇÃO! 79 ANEXO 03: Escala de Avaliação da Satisfação Global com a Vida (Adaptada por Neri, 2001) Data: _________________ Nome: ___________________________________________ Qual é o ponto desta escada que melhor reflete a sua satisfação com sua própria vida no momento? Marcar com um X. ____________________________________________Idade_______Sexo________ Melhor Vida 10 9 8 7 6 5 4 3 2 Pior Vida 1 82 ANEXO 05: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TÍTULO DA PESQUISA: A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA E A QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS ATENDIDOS EM SERVIÇOS-ESCOLA. Eu__________________________________________________________________, ____ anos, RG_________________, residente a _______________________________________________________, telefone__________________, abaixo assinado, dou meu consentimento livre e esclarecido para participar como voluntário(a) da atividade de campo supracitada, cujo Processo foi Aprovado no CEP da USJT sob nº 95/2010, sob responsabilidade da pesquisadora Sueli dos Santos Vitorino, Psicóloga e aluna do curso de mestrado da Universidade São Judas Tadeu (USJT), e de Carla Witter, professora e pesquisadora do curso de pós-graduação Strictu-senso em Ciências do Envelhecimento da USJT. Assinando este termo de Consentimento estou ciente de que: • O Objetivo da pesquisa é avaliar e comparar o nível de qualidade de vida (quanto ao bem estar) e a satisfação com a vida na percepção do próprio idoso participante de atendimento nos serviços-escola de Fisioterapia e Educação Física, antes e após, intervenção psicológica em grupo; • Antes e/ou durante as atividades serão entregues questionários, nos quais o participante terá livre arbítrio para escolher se quer ou não responder; • A atividade que será realizada é considerada de risco mínimo, porém se este procedimento gerar desconforto, constrangimento ou outra situação desagradável qualquer, a participação poderá ser interrompida, a qualquer momento, sem qualquer prejuízo para qualquer das partes; • Estou livre para interromper a qualquer momento minha participação nesta atividade sabendo que não haverá nenhum prejuízo no atendimento nos serviçosescola de educação física e fisioterapia, caso desista do grupo operativo. • O pesquisador poderá me encaminhar para atendimento psicológico individual se for constatada a necessidade da mesma; • Minha participação na atividade de campo é voluntária, não receberei qualquer forma de remuneração; • Meus dados pessoais serão mantidos em sigilo e os resultados gerais obtidos através da atividade de campo serão utilizados apenas para alcançar os objetivos do trabalho, expostos acima, incluída sua divulgação em eventos científicos e publicação em artigos e outros meio de divulgação da ciência; • Poderei entrar em contato com o responsável pela atividade de pesquisa, Profª Dra. Carla Witter, sempre que julgar necessário pelo telefone (11) 2799-1761 para esclarecer eventuais dúvidas sobre a atividade; • As sessões serão registradas individualmente por meio de filmagem e, após concretização da pesquisa, as mesmas serão destruídas de acordo com a legislação vigente; 83 • O arquivamento dos materiais coletados durante a pesquisa obedecerá às leis vigentes ficando sua guarda e proteção sob responsabilidade do pesquisador e disponível para consulta do comitê de ética quando este julgar necessário; • Este Termo de Consentimento é feito em 2 (duas) vias, de maneira que uma permanecerá em meu poder e a outra com o pesquisador responsável; • Os resultados obtidos serão entregues individualmente, mesmo se tratando de uma pesquisa que enfoca os resultados do grupo como um todo; • Obtive todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre a minha participação na referida atividade de campo. São Paulo _____, de _______________ de 2011. __________________________________________________ Nome e/ou assinatura do voluntário _____________________ ____________________ Carla Witter Sueli dos Santos Vitorino End.: R. Taquari, 546. Mooca – São Paulo – SP. RA.:201080932 Tel. 11-2799-1761 [email protected] 84 ANEXO 06: Termo de Responsabilidade e Autorização do Curso de Psicologia Eu, Carla Witter (coordenadora do curso de Psicologia da Universidade São Judas Tadeu), declaro, a fim de viabilizar a execução do projeto de pesquisa intitulado “A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA E A QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS ATENDIDOS EM DIFERENTES SERVIÇOSESCOLA”, sob a responsabilidade da pesquisadora Sueli dos Santos Vitorino, psicóloga, CRP/SP101795, estudante do curso de mestrado em Ciências do Envelhecimento na Universidade São Judas Tadeu, que assumo a responsabilidade por zelar para que o referido projeto seja efetuado conforme os objetivos e procedimentos nele estabelecidos, disponibilizando local que permita a efetuação da coleta de dados, zelando pelo bem-estar das pesquisadoras e dos participantes no âmbito da instituição, bem como pela privacidade e pelo sigilo das informações que serão obtidas e utilizadas para o desenvolvimento da pesquisa. Assinando este Termo de Responsabilidade, estou ciente de que: O Objetivo da pesquisa é avaliar e comparar a de qualidade de vida (quanto ao bem estar) e a satisfação com a vida na percepção do próprio idoso participante de atendimento nos serviços-escola de Fisioterapia e Educação Física, antes e após, intervenção psicológica em grupo. São Paulo, ______ de _______________________de 20__. ______________________________ ______________________________ Responsável Serviço-escola Profª. Drª. Carla Witter Serviço-escola Coordenadora Curso de Psicologia - USJT Tel. Tel. 2799 1761 Endereço End.: Rua Taquari, 546. Mooca – São Paulo – SP E-mail: [email protected] 85 ANEXO 07: Termo de Responsabilidade e Autorização das coordenadoras e professoras do serviço-escola de Educação Física. Termo de Autorização da Instituição Nós, Profª. Drª. Maria Luiza de Jesus Miranda e Profa Dra Ana Martha Limongelli, coordenadoras do Projeto Sênior para Vida Ativa, declaramos ter conhecimento da pesquisa “A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA E A QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS ATENDIDOS EM SERVIÇOS-ESCOLA” sob a responsabilidade da pesquisadora SUELI DOS SANTOS VITORINO, aluna do curso de Mestrado em Ciência do Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu e autorizamos sua realização com os idosos que frequentam o referido projeto durante o ano de 2011. Assinando esta autorização, estamos cientes de que os idosos estarão respondendo a uma entrevista semi-estruturada e a questionários de avaliação do nível de ansiedade e de depressão, nível de satisfação com a vida e de qualidade de vida (WHOQOL) pré e pósintervenção, de 12 sessões, em grupo, com duração de 90 minutos por semana e uma coleta de dados pós-intervenção. A coleta de dados será realizada nas dependências da universidade, podendo ser realizada na sala do Projeto Sênior no Laboratório de Pedagogia do Movimento da USJT, em horário acertado previamente entre idoso e pesquisador. _______________________________ ______________________________ Profª. Drª. Maria Luiza de Jesus Miranda Profª. Drª. Ana Martha Limongelli Coordenadoras do Projeto Sênior para Vida Ativa 86 ANEXO 08: Informações Quantitativas e Qualitativas das Participantes (P3 até P10). Participante 3 Anexo 8.1: Resultados do Participante 3, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos P3: Mulher, 76 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo, G1. Pontuação Instrumento Ansiedade Depressão Satisfação com a vida Qualidade de Vida (WHOQOL-old total bruto) F1 – Funcionamento do sensório F2 – Autonomia F3 – Presente, Passado e futuro F4 – Participação Social F5 – Morte e Morrer F6 – Intimidade Avaliação da diferença Pré Pós Diferença 7 8 8 85 7 6 7 88 0 -2 -1 +2 Manteve ansiedade mínima Melhorou depressão mínima Piorou Melhorou 15 13 15 16 10 16 16 12 16 16 12 16 +1 -1 +1 0 +2 0 Melhorou Piorou Melhorou Manteve Melhorou Manteve A participante 3, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo sua “admiração” (SIC) pelo trabalho psicológico e o desejo de “encontrar outras pessoas e aprender mais...” (SIC). Área biológica: faz acompanhamento de rotina e atualmente não está sob nenhum tratamento. Toma diariamente remédios para colesterol e em dias alternados para controle da pressão arterial (continuamente). Fez uma cirurgia, há 3 anos, no punho (colocação de pino) sendo sua recuperação adequada. Na família não há ninguém doente. Área social: vive sozinha, há 20 anos desde que enviuvou para manter sua privacidade. Mora em casa alugada, há 56 anos, no mesmo bairro desta universidade, diz amar o local onde vive. De religião católica, vai esporadicamente a encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo de serviço como professora de corte e costura, seus proventos são aproximadamente três salários mínimos. Ela gosta de viajar e ouvir música como formas de lazer. Embora viva só, tem uma boa rede de relações sociais (amigos e familiares) com a qual participa de eventos, passeios, falam por telefone e/ou por internet. Na televisão gosta de ver shows e programas ligados a cultura. 87 Área psicológica: disse ter decisões influenciadas por filhos, noras e genros em qualquer momento, sempre dispostos a auxiliá-la no que precisar. Tem amigos os quais escolhe por ter um perfil parecido com o dela, com eles costuma passear, viajar, ir a festas, falar por telefone e/ou por internet. Não tem o hábito de recebê-los em casa. Sobre o envelhecimento, pensa que “é uma tristeza, vejo que as pessoas não são mais as mesmas... mas tem que aceitar porque cada fase da vida é uma fase, tem que acompanhar ” (SIC). Grupo de Intervenção: teve participação ativa no processo grupal já que nunca faltou e colaborou para o bom andamento do trabalho realizado, mantendo a harmonia entre os participantes. Participante 4 Anexo 8.2: Resultados do Participante 4, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos P4: Mulher, 68 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo, G1. Pontuação Instrumento Ansiedade Depressão Satisfação com a vida Qualidade de Vida (WHOQOL-old total bruto) F1 – Funcionamento do sensório F2 – Autonomia F3 – Presente, Passado e futuro F4 – Participação Social F5 – Morte e Morrer F6 – Intimidade Avaliação da diferença Pré Pós Diferença 4 5 10 103 0 4 9 104 -4 -1 -1 +1 Melhorou ansiedade mínima Melhorou depressão mínima Piorou Melhorou 20 16 17 17 17 16 20 13 18 18 20 15 0 -3 +1 +1 +3 -1 Manteve Piorou Melhorou Melhorou Melhorou Piorou A participante 4, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo seu desejo de “ficar atualizada, criar mais neurônios e aprender mais coisas novas” (SIC) e também porque “sou curiosa em primeiro lugar e para 88 ocupar o tempo porque não quero ter alzheimer, parkinson nem ficar em cadeira de rodas”(SIC). Área biológica: acompanhamento de rotina quatro vezes ao ano em médico particular e atualmente não está sob nenhum tratamento. Não toma nenhum remédio e, quanto a intervenções cirúrgicas, só fez a de apêndice quando era criança e uma cesariana, sendo sua recuperação muito boa. Na família não há ninguém doente. Área social: afirmou que é viúva e vive com os dois filhos casados, em casa própria, num bairro vizinho ao desta universidade. De religião católica, vai esporadicamente a encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada e trabalhou muitos anos como cabeleireira autônoma, fez curso técnico durante a juventude e aperfeiçoou no decorrer dos anos até parar de trabalhar a alguns anos atrás. Seus proventos são, aproximadamente, quatro salários mínimos. Como lazer gosta de passear com a família “quando possível né!?” (SIC). Embora viva com ambos o filhos apenas o caçula e sua esposa vivem na mesma casa que ela, sua filha mora com sua família em uma casa anexa no mesmo terreno. Vivem uma boa relação. Na televisão vê canais fechados e gosta de assistir a programas culturais. Área psicológica: disse não ter decisões influenciadas por ninguém “Eu faço o que eu quero e quando eu quero” (SIC). Tem amigos os quais escolhe por ter um bom nível cultural, com eles costuma passear, viajar, ir a palestras e falar por telefone. Sobre o envelhecimento, pensa que “é um processo natural e cabe a cada pessoa cuidar para ter saúde na sua velhice” (SIC). Grupo de Intervenção: Embora tenha chegado muitas vezes atrasada teve participação ativa no processo grupal já que sempre colaborou para o bom andamento do grupo. 89 Participante 5 Anexo 8.3: Resultados do Participante 5, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos P5: Mulher, 65 anos, com relacionamento amoroso, aposentada, com ensino fundamental completo. Pontuação Instrumento Ansiedade Depressão Satisfação com a vida Qualidade de Vida (WHOQOL-old total bruto) F1 – Funcionamento do sensório F2 – Autonomia F3 – Presente, Passado e futuro F4 – Participação Social F5 – Morte e Morrer F6 – Intimidade Avaliação da diferença Pré Pós Diferença 2 3 8 101 1 4 7 96 -1 +1 -1 -5 Melhorou ansiedade mínima Piorou depressão mínima Piorou Piorou 20 19 15 16 15 16 19 13 17 18 13 16 -1 -6 +2 +2 -2 0 Piorou Piorou Melhorou Melhorou Piorou Manteve A participante 5, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo seu “interesse em tudo que é grupo de pessoas” (SIC) e “queria fazer amizades” (SIC). Área biológica: faz acompanhamento para controle da pressão arterial, desde que tinha 40 anos e atualmente segue em tratamento. Toma diariamente uma cápsula de Bezilato de Anlodipino 5mg (continuamente). Nunca fez nenhuma cirurgia e, na família, a hipertensão é hereditária, sua irmã tem diabete e é muito ansiosa. Área social: afirmou que vive sozinha desde 2007, quando sua mãe morreu, no mesmo apartamento próprio (herança da mãe) em que vive desde 1972, no mesmo bairro desta universidade, diz amar o local onde vive. De religião católica, freqüenta encontros religiosos semanalmente. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo de serviço como comerciária, seus proventos contam aproximadamente 3 salários mínimos. Como lazer gosta de dançar e jantar fora. Embora viva só, tem um relacionamento amoroso há 3 anos, tem uma ampla rede de relações com amigos do prédio, do antigo trabalho e do Projeto Sênior, além dos familiares (irmã e sobrinhos) em que ela participa ativamente de eventos, passeios, falam por telefone. Na televisão gosta de ver novelas e programas de auditório. Área psicológica: disse ter decisões pouco influenciadas por irmã que é ciumenta. Escolhe pouco os amigos a maioria dos que tem conhece há 30 ou 40 anos. 90 Tem por hábito conversar com uma mesma amiga todos os dias. Sobre o envelhecimento: “Não penso muito sobre o amanhã. As rugas não incomodam. Tem que saber envelhecer... sou muito vaidosa” (SIC). Grupo de Intervenção: teve participação ativa no processo grupal e colaborou para o bom andamento do grupo. Participante 6 Anexo 8.4: Resultados do Participante 6, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos P6: Mulher, 63 anos, com relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo (magistério), G1. Pontuação Instrumento Avaliação da diferença Pré Pós Diferença Ansiedade Depressão Satisfação com a vida Qualidade de Vida (WHOQOL-old total bruto) F1 – Funcionamento do sensório F2 – Autonomia F3 – Presente, Passado e futuro F4 – Participação Social F5 – Morte e Morrer F6 – Intimidade 12 3 8 90 13 6 9 97 +1 +3 +1 +7 Piorou ansiedade leve Piorou depressão mínima Melhorou Melhorou 16 13 14 16 15 16 16 14 16 17 16 18 0 +1 +2 +1 +1 +2 Manteve Melhorou Melhorou Melhorou Melhorou Melhorou A participante 6, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo seu desejo de “Fazer mais atividade, aprender e praticar em casa””(SIC) quanto ao aspecto psicológico disse desejar:“conhecer mais gente, ajudar e ser ajudada” (SIC). Área biológica: faz acompanhamento de rotina anualmente e atualmente está sob tratamento para diminuir colesterol. Toma diariamente remédios para colesterol (Sinvastatina) e uma vez por semana toma Alendronato de cálcio. A cirurgia mais recente data de, aproximadamente 10 anos, hemorroida sendo sua recuperação adequada. Na família há uma irmã com Câncer de ovário. Área social: afirmou que vive com esposo, há 15 anos na mesma casa alugada, num bairro próximo a esta universidade. De religião católica, frequenta, junto com esposo, ativamente os encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo de serviço como professora de ensino básico (1ª ao 4ª 91 série), seus proventos contam aproximadamente 3 salários mínimos. Como lazer gosta de viajar com grupo da terceira idade. Relata ter uma relação harmoniosa com os dois filhos casados e suas respectivas famílias em que se ajudam reciprocamente. Na televisão gosta de ver documentários, filmes e jornal. Área psicológica: disse ter decisões influenciadas por filhos, mãe e irmãos (10 ao todo) em qualquer momento, especialmente as datas festivas. Tem muito amigos (vizinhos, da igreja e do grupo de terceira idade) os quais escolhe por convivência no dia-a-dia, com eles costuma quando possivel, sair. Sobre o envelhecimento, diz aceitar numa boa “as perdas são normais ” (SIC). Grupo de intervenção: teve participação discreta, porém ativa no processo grupal já que nunca faltou e colaborou para o bom andamento do grupo. Essa participante em muitos momentos pareceu ao grupo ser um exemplo (algumas vezes como pessoa feliz e sem problemas outras vezes como pessoa calma, ponderada e que destoava do grupo) às demais, falava pouco e quando trazia seus pontos de vista as demais ressaltavam sua origem oriental enfatizando como sua cultura lidava com certos aspectos trabalhados neste grupo. A participante, embora qualitativamente pareça que não mudou muito nas escalas percebe-se que teve ganhos em quase todos os itens avaliados. Sendo uma pessoa constante e firme esses ganhos podem evidenciar que ela usufruiu o processo terapêutico mais do que se pôde supor. Participante 7 Anexo 8.5: Resultados do Participante 7, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos P7: Mulher, 61 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo, G1. Pontuação Instrumento Avaliação da diferença Pré Pós Diferença Ansiedade 16 2 -14 Depressão Satisfação com a vida Qualidade de Vida (WHOQOL-old total bruto) F1 – Funcionamento do sensório F2 - Autonomia F3 – Presente, Passado e futuro F4 – Participação Social F5 – Morte e Morrer F6 - Intimidade 18 7 84 12 6 87 -6 -1 +3 Melhorou ansiedade de leve para mínima Melhorou depressão leve Piorou Melhorou 19 13 11 11 18 12 16 15 12 14 18 12 -3 +2 +1 +3 0 0 Piorou Melhorou Melhorou Melhorou Manteve Manteve 92 A participante 7, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo seu desejo de participação “nunca tive oportunidade de participar de um grupo psicológico” (SIC) acrescenta que preenche seu tempo ocioso com atividades e afazeres. Área biológica: não faz nenhum tratamento médico nem toma nenhum remédio. Nunca fez cirurgias. Na família há hipertensão e obesidade (pai morreu de infarto) ela crê que causados por estilo de vida. Área social: separada, vive com filho caçula, há 22 anos em apartamento próprio, num bairro próximo a esta universidade. De religião kardecista, frequentemente participa de encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo de serviço como operadora de máquinas numa multinacional de grande porte, seus proventos contam aproximadamente 5 salários mínimos. Como lazer gosta de ver filmes e ir ao teatro. Embora não tenha um relacionamento amoroso, diz não ter intenção de procurar um “Se aparecer será bem vindo, vamos tentar, mas não estou procurando não” (SIC). Afirma que sua relação com esse filho é harmoniosa e “em sintonia” (SIC). Na televisão gosta de ver palestras sobre a vida e alimentação, venda de jóias e jornal. Área psicológica: disse não ter suas decisões influenciadas por ninguém. Tem poucos amigos os quais são bem selecionados, entre eles costuma haver visitação mútua. Sobre o envelhecimento, pensa que “natural, faz parte” (SIC). Grupo de intervenção: teve participação ativa no processo grupal já que nunca faltou e colaborou para o bom andamento do grupo. Sempre falante foi uma das participantes que mais pareceram usufruir o espaço terapêutico, sempre trazia falas sobre sua experiência pessoal e muito colaborou para que as demais participantes também falassem, dizia se sentir bem no grupo e deixou claro o quanto o grupo colaborou para seus sentimentos de realização pessoal durante os encontros. Um pouco ríspida ao falar, às vezes, no início de suas falas, gerava um pouco de apreensão no grupo, mas logo essa sensação era substituída pela coragem das demais em entrar mais fundo na discussão de determinado tema. Trouxe para o grupo sua experiência direta num problema com o filho em duas situações em que, na segunda vez, agiu usando o novo saber que adquiriu nas discussões em grupo por ocasião da primeira vez em que 93 ocorreu, tornando concreta, para o grupo, a experiência de aprendizagem que a vivência grupal estava lhes proporcionando ou seja o grupo pôde experienciar que estavam construindo novos saberes juntas através dessa descrição palpável. Participante 8 Anexo 8.6: Resultados do Participante 8, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos P8: Mulher, 67 anos, sem relacionamento amoroso, aposentada, com ensino fundamental completo, G2. Pontuação Instrumento Avaliação da diferença Pré Pós Diferença Ansiedade Depressão 12 15 11 10 -1 -5 Satisfação com a vida Qualidade de Vida (WHOQOL-old total bruto) F1 – Funcionamento do sensório F2 - Autonomia F3 – Presente, Passado e futuro F4 – Participação Social F5 – Morte e Morrer F6 - Intimidade 6 72 8 78 +2 +6 Melhorou ansiedade leve Melhorou depressão de leve para mínima Melhorou Melhorou 11 12 16 15 6 12 12 12 15 16 10 13 +1 0 -1 +1 +4 +1 Melhorou Manteve Piorou Melhorou Melhorou Melhorou A participante 8, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo seu desejo de “dividir as mágoas com os outros, pode ser que eu ajude ajudando os outros”(SIC). Área biológica: não faz nenhum tratamento médico e atualmente está sob tratamento contínuo apenas para controle da pressão arterial em que toma diariamente captopril® (pela manhã) e outro remédio à noite. Fez uma cirurgia, em 04/09/2010, em que quebrou a clavícula (colocação de pino) sendo sua recuperação adequada. Na família não há ninguém doente nem antecedentes. Área social: vive sozinha, há aproximadamente 10 anos desde que enviuvou. Mora em casa própria, num bairro próximo à esta universidade, diz sentir falta de alguém para conversar a noite. Teve 3 filhos dos quais um morreu e dois vivem em outro país, a nora (viúva de seu filho) e um casal de netos moram na mesma rua que ela e frequentemente vai à casa deles. De religião católica, vai esporadicamente a encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo 94 de serviço como operadora de máquinas em indústria têxtil e recebe pensão pela morte do marido, seus proventos contam aproximadamente 3 salários mínimos. Como lazer gosta de fazer atividade física e passeio à casa de amigas onde também gosta de ajudar os trabalhos domésticos. Desde que machucou o ombro, sai pouco de casa e é menos ativa “Os motoristas de ônibus vão muito rápido e ninguém dá lugar para o idoso, eu não tenho força para me segurar em pé, posso cair, então é melhor não ir, vou só onde é necessário” (SIC). Na televisão gosta de ver programas de auditório. Área psicológica: disse ter forte convivência com irmãs (7 ao todo) que vê todos os finais de semana. Tem amizades antigas com quem costuma passear, viajar, visitá-las e recebê-las em casa. Sobre o envelhecimento, diz que não pensa que “não me sinto velha...falo pra minhas amigas: Como tal ator ta velho e elas me apontam, mas você também ta! ” (SIC). Grupo de intervenção: teve participação ativa no processo grupal já que sempre colaborou para o bom andamento do seu grupo que ao final ficou pequeno com 4 pessoas. Usufruiu muito o espaço terapeutico e os resultados quantitativos de suas escalas/avaliações evidenciam esses ganhos. Embora fosse uma pessoa tímida e calada, em cada encontro ela aproveitou para colocar-se em palavras para o grupo sempre com objetivo de trazer à tona estórias passadas que ainda mexiam com ela, muitas delas lhes traziam fortes sentimentos como a morte do filho. Seu nível de aprofundamento e elaboração de questões pessoais (mágoas) ocorreu independente do nível de aprofundamento dos demais participantes, o que pode significar que embora o grupo possa ter transparecido à pesquisadora ter um entrosamento pobre, pode ter perdido esse espaço realmente necessário ao uso individual desta participante e os ganhos, que a pesquisadora percebeu como superficiais, foram qualitativamente melhores do que sua percepção inicial corroborando o que Osório (2003) alega ser o trabalho do terapeuta grupal conduzir o grupo à autoreflexão a partir da comunicação no grupo, não respondendo mas ajudando o grupo a encontrar respostas e desse modo poder construir novos saberes a partir de si mesmos. 95 Participante 9 Anexo 8.7: Resultados do Participante 9, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos P9: Mulher, 69 anos, sem relacionamento amoroso, trabalhadora, com ensino médio completo, G2. Pontuação Instrumento Avaliação da diferença Pré Pós Diferença Ansiedade Depressão Satisfação com a vida Qualidade de Vida (WHOQOL-old total bruto) F1 – Funcionamento do sensório F2 - Autonomia F3 – Presente, Passado e futuro F4 – Participação Social F5 – Morte e Morrer F6 - Intimidade 4 14 9 89 2 16 7 89 -2 +2 -2 0 Melhorou ansiedade mínima Piorou depressão leve Piorou Manteve 13 16 15 14 19 12 14 14 14 15 18 14 +1 -2 -1 +1 -1 +2 Melhorou Piorou Piorou Melhorou Piorou Melhorou A participante 9, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo seu desejo de “estar melhor informada, aprender, me conhecer mais”(SIC). Área biológica: faz acompanhamento de rotina e atualmente não está sob nenhum tratamento. Toma diariamente remédios para controle da pressão arterial (continuamente) Aradois H® e Synthroid® para Tireóide. Já fez cirurgias de catarata e varizes (há 6 anos) e uma cirurgia de períneo, há 3 anos, sendo sua recuperação adequada em todas elas. Na família apenas irmã tem histórico de microderrames. Área social: é viúva e vive com casal de filhos solteiros, em apartamento próprio em bairro vizinho à esta universidade. De religião católica, vai esporadicamente a encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É trabalhadora autônoma como costureira particular e recebe pensão por morte do esposo, seus proventos, contando com o dos filhos, contam aproximadamente 8 salários mínimos. Como lazer gosta de passear. Na televisão gosta de ver programas ligados a cultura. Área psicológica: disse não sofrer influencias de ninguém, familiares participam pouco de sua vida. Tem amigos os quais escolhe na convivência diária, com eles sai e visitam-se mutuamente. Sobre o envelhecimento, pensa que aproveita enquanto tem saúde. 96 Grupo de intervenção: teve participação intermitente no processo grupal já que faltou mais do que os outros participantes ao grupo, contudo, quando presente, colaborou para as discussões que geraram um bom andamento do grupo. Essa participação fragmentada pode, hipoteticamente, ser o resultado de sua rigidez, observada nas sessões, frente a determinados assuntos. Essa rigidez ao abordar determinadas situações (ex. relação familiar, sofrimentos da infância etc) pode ter lhe trazido sofrimento na elaboração psíquica dessas lembranças e contribuído para as faltas que, consequentemente, podem ser a explicação para seus resultados quantitativos (na tabela 14) estar tão diferentes dos demais participantes, inclusive sendo piores nos temas, que foram discutidos justamente nos dias de suas faltas, por exemplo: Depressão, autonomia e morte e morrer. Participante 10 Anexo 8.8: Resultados do Participante 10, nos pré e pós-intervenção, em todos os instrumentos P10: Mulher, 66 anos, com relacionamento amoroso, aposentada, com ensino médio completo, G1. Pontuação Instrumento Avaliação da diferença Pré Pós Diferença Ansiedade 17 11 -6 Depressão 14 10 -4 Satisfação com a vida Qualidade de Vida (WHOQOL-old total bruto) F1 – Funcionamento do sensório F2 – Autonomia F3 – Presente, Passado e futuro F4 – Participação Social F5 – Morte e Morrer F6 – Intimidade 7 76 7 87 0 +11 Melhorou, mas manteve-se em ansiedade leve Melhorou depressão de leve para mínima Manteve Melhorou 14 12 11 16 8 15 17 15 13 19 8 15 +3 +3 +2 +3 0 0 Melhorou Melhorou Melhorou Melhorou Manteve Manteve A participante 10, na entrevista pré-intervenção, trouxe como motivação para participar do grupo seu desejo de aproveitar a oportunidade “a oportunidade aparece e nunca é demais aproveitá-la. Às vezes tenho um pequeno problema e tenho que procurar ajuda... já fiz terapia em grupo, psicodrama, há 3 anos, foi muito bom ”(SIC). 97 Área biológica: contou que faz acompanhamento de rotina referente ao controle para prevenção de câncer, pois já teve na mama e atualmente está sob tratamento apenas para a tireóide. Toma diariamente os remédios Synthroid® e Rivotril® (continuamente). Fez uma cirurgia, há 13 anos, para retirada de um quadrante onde se localizava um câncer de mama, sendo sua recuperação adequada. Na família não há ninguém doente. Não teve filhos porque, quando jovem teve que retirar o útero. Área social: vive com marido, há muitos anos, em casa própria num bairro próximo à esta universidade. De religião cristã, vai esporadicamente a encontros religiosos. Não recebe auxílios financeiros de nenhum órgão. É aposentada por tempo de serviço como secretária de vendas, seu marido não trabalha e não tem renda, a maior parte da vida ela o sustentou, seus proventos contam aproximadamente 3 salários mínimos. Como lazer gosta de ficar no computador que “me encanta” (SIC). Sente falta, especialmente agora, de filhos já que vive só com o marido. Na televisão gosta de ver jornal e novelas. Área psicológica: disse ter decisões influenciadas por irmã mais velha a qual mora sozinha e requer cuidados com sua saúde. Tem amizades antigas e amigos do Projeto Sênior os quais tem o hábito de visitá-la em casa em ocasiões festivas. Sobre o envelhecimento, pensa que “é uma coisa boa e ao mesmo tempo triste. Se a pessoa tem pique tem que correr atrás de ocupar seu tempo. Vai ficando velho e feio ” (SIC). Grupo de intervenção: teve participação ativa no processo grupal já que nunca faltou e colaborou para o bom andamento do grupo. Teve muito ganhos pessoais relatados pela mesma nos encontros. Mobilizou o grupo diversas vezes com suas questões pessoais trazidas ao ambiente terapêutico como um pedido de ajuda o qual o grupo sempre acolheu e colaborou com ela sem julgar e nem lhes dar sugestões descontextualizadas e teve profundo envolvimento com todas as questões levantadas pelas demais participantes de seu grupo, tanto as quando as questões eram de sofrimento (ex. segredo contado no grupo trazia forte em sofrimento) quanto quando eram de prazer (ex. descrição de satisfação com a própria família feita por outra participante).