J O R N A L D O P R O G R A M A S O C I O A M B I E N TA L D A I TA I P U B I N A C I O N A L www. cu l t i va n d oa g u a b oa . com. b r Cultivando FOZ DO IGUAÇU – Novembro DE 2013 – Nº 24 Aos 10 anos, encontro do CAB cresce e agrega mais 6 eventos O Encontro Cultivando Água Boa deste ano, que tem como tema “O Futuro no Presente”, terá seis eventos paralelos: Encontro Ibero-Americano de Desenvolvimento Sustentável (Eima 10); Reunião Interministerial Ibero-Americana de Sustentabilidade (Segib); Fórum Nacional dos Municípios-Sede de Usinas Hidroelétricas e Alagados; 29º Encontro Paranaense de Apicultura; 7º Seminário de Meliponicultura e 26ª Mostra de Equipamentos e Materiais Apícolas. A expectativa é reunir 4 mil pessoas. Página 10 Descobrindo o São Francisco Verdadeiro Nº 2 4 N o v e m b ro 2013 Página 3-9 CAB é apresentado em Nova York CAB em países Ibero-americanos Série de encontros levou programa pela primeira vez aos EUA Programa está próximo de ser ação da Secretaria Geral dos Países Ibero-Americanos Página 21 Página 18 e 19 Jornal C ul ti v ando Á gua B oa It aip u B inacio nal 1 ENTRE ASPAS Cultivando Água Boa: o futuro no presente No ano passado, quando o Encontro do Programa Cultivando Água Boa (CAB) comemorava a chegada ao ano 10 das ações voltadas para um novo paradigma de crescimento e sustentabilidade, ao mesmo tempo em que refletia sobre os passos necessários para os próximos 10 anos, Leonardo Boff lembrava aos participantes que “para continuar avante é preciso mostrar que o CAB cresceu, se consolidou e que vocês permaneçam atores desse processo; descubram aquilo que pode melhorar, desenvolvam novos talentos e troquem saberes e experiências”. Com essa visão de futuro, continou Boff, Itaipu poderá irradiar o programa e chegar a outras partes do mundo. Estamos realizando neste mês de novembro, mais um encontro do CAB, dessa vez com o tema “O futuro no presente”. E o futuro que se começou a desenhar acanhadamente em 2003 e foi avançando, conforme se verificou na avaliação de 2012 já chegou. O CAB, assim como vem sendo reaplicado em município como General Artigas (PY), recebe solicitação de parceria para acontecer em Moçambique (África) e está bem próximo de se tornar um programa ibero-americano. Representantes da Guatemala, Colômbia, Chile, Argentina, República Dominicana, Uruguai, Espanha e Panamá estiveram em Itaipu em setembro para conhecer detalhes dos projetos e ações que integram o CAB para que essa prática possa ser multiplicada e aplicada em seus países. vimento local - que não pode ser só econômico e muito social, ambiental, político e cultural, sob pena de não ser sustentável. São dez anos de caminhada construindo confiança e credibilidade, operando valores, conceitos, metodologias, confirmando tecnologias sociais ousadas e apresentando centenas de resultados altamente positivos. E inspirando outros, como no importante aspecto qualitativo de novas posturas, comportamentos, atitudes, sensibilidades (um novo modo de ser/sentir/viver), de novos padrões individuais e coletivos de produção e consumo. Um ser/sentir/ viver que projeta atores mais participativos, solidários, interdependentes-interconectados, comunitários, sustentáveis, mais cuidadosos porque amam mais. A educação ambiental é o pilar para essas mudanças, que também passam por uma nova economia, mais justa e solidária, e por uma nova cultura política, justiça social e democracia com ampla participação comunitária e representativa. E eles se multiplicaram aos milhares, o que aponta para o a edificação do paradigma do cuidado, da qualidade e não só da quantidade. E da acolhedora compreensão de que somos FIOS DE UMA TEIA DA VIDA e o que fizermos para teia, estamos fazendo para nós mesmos. É animador ver acontecer. Afinal, nos somamos aos sonhadores de um tempo promissor, construtores de uma obra diferente, de pensar-sentir-agir que muda e influencia, de contribuir para um planeta sustentável que “funcione não só para todas as pessoas, MAS PARA A VIDA TODA”. Daí, estarmos modulando um território regional criativo, de nova governança, um pouco do verdadeiro desenvol- Nelton Friedrich é diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional Estamos preparados para o presente e para o futuro porque temos um modelo que já mostrou que a mudança é possível, pondo em prática o que propõe Leonardo Boff, “se não buscarmos o impossível, acabamos por não realizar o possível”. Índice Expedição São Francisco Verdadeiro 2 3a9 Encontro do CAB: o futuro no presente 10 Conferências de meio ambiente definem propostas para gestão de resíduos sólidos 11 Desenvolvimento Econômico Local: troca de experiências e inovação para superar os desafios do nosso tempo 12 Evento facilitou intercâmbio entre atores locais e nacionais de todo o mundo 13 Políticas adotadas nos últimos 10 anos tiveram forte impacto no desenvolvimento, diz Lula 14 Agricultor incorpora novas atividades e aumenta a renda em mais de 80% 15 Coleta Solidária vira exemplo mundial pela voz de catadora 15 Itaipu recebe prêmio por projeto de sustentabilidade com indígenas 16 e 17 Itaipu inicia processo para transformar CAB em programa de cooperação ibero-americano 18 e 19 Cuidado com o meio ambiente deve influenciar área jurídica 20 Educação é saída para crise ambiental, diz Friedrich 20 Especialistas apresentam trabalhos com fitoterápicos 20 Diretor apresenta CAB em eventos em Nova York 21 Em questão: Regina Tchelly e o projeto Favela Orgânica 22 e 23 FAO vai criar Centro Tecnológico Demonstrativo de Modelos dentro da Usina de Itaipu para difundir boas práticas 24 e 25 Cidades Sustentáveis propõe incluir novos indicadores 25 BNDES e Itaipu firmam acordo no valor de R$ 50 milhões para ações de desenvolvimento 26 Troca de experiências ajuda a melhorar qualidade de vida de catadores de recicláveis 27 Ações internas na usina garantem sustentabilidade, economia e mais saúde 28 CAB recebe mais um prêmio 30 Passatempo 31 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal Itaipu Binacional Diretor-Geral Brasileiro: Jorge Miguel Samek Diretor de Coordenação e Meio Ambiente: Nelton Miguel Friedrich Superintendentes: Newton Kaminski (Obras), Jair Kotz (Meio Ambiente) e Marcos Baumgartner (Planejamento e Coordenação) Assistente do diretor de Coordenação e Meio Ambiente: Pedro Irno Tonelli Chefe da Assessoria de Comunicação Social: Gilmar Piolla Textos: Romeu de Bruns, Stella Guimarães, Lucio Horta, Fabiane Ariello - Divisão de Imprensa da Itaipu Binacional; Ciliany Perdoná - Assessoria de Imprensa do Conselho dos Municípios Lindeiros; Carla Nascimento - Comunicação Mais. Edição: Carla Nascimento Coordenação: Claudia Stella Ilustração e diagramação: Rodolfo Freitas e Robson Rodrigues Fotografia: Adenésio Zanella, Alexandre Marchetti, Caio Coronel, Nilton Rolin, Renato Paraschin, Rogério Resende, Assessoria de Imprensa do Governo do Rio de Janeiro e acervo da Itaipu Binacional. Impresso em agosto de 2013 Tiragem: 10.000 exemplares DIRETORIA DE COORDENAÇÃO Av. Tancredo Neves, 6.731 Foz do Iguaçu – PR - CEP 85.866-900 Fone (45) 3520-5724 | Fax (45) 3520-6998 E-mail: [email protected] N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 Desbravando o São Francisco Verdadeiro Expedição pelo rio marca os dez anos do Programa Cultivando Água Boa e será apresentada no encontro anual de avaliação do programa O Programa Cultivando Água Boa completa 10 anos de atuação na Bacia do Paraná 3, comemorando uma verdadeira revolução socioambiental. Neste ano, uma das grandes atrações do Encontro do CAB será a apresentação do trabalho realizado por 60 jovens educomunicadores, escolhidos pelas lideranças comunitárias, que passaram 7 dias conhecendo o Rio São Francisco Verdadeiro em toda a sua extensão – aproximadamente 200 quilômetros –, registrando histórias e dados em vídeo, fotos e textos. Durante a aventura, eles também puderam levar conhecimento por meio de oficinas e debates sobre questões ambientais, sociais e culturais. A Expedição São Francisco Verdadeiro começou no domingo, dia 3 de novembro, em Cascavel, município onde nasce o rio. No percurso, Toledo, Ouro Verde do Oeste, São José das Palmeiras, Marechal Cândido Rondon, Quatro Pontes, Pato Bragado e Entre Rios. O resultado dessa aventura será apresentado no Encontro Cultivando Água Boa, entre 20 e 22 de novembro (leia mais na página 10). A expedição também incluiu mutirões; atividades esportivas como corrida das águas, caminhadas da natureza, caravana náutica e as cavalgadas ecológicas; e atividades artísticas, como o Festival de Cultura Urbana. No percurso, uma central itinerante de notícias no ônibus da Rede de Educação Ambiental Linha Ecológica garantiu informação em tempo real, um trabalho de educomunicação todo desenvolvido pelos próprios expedicionários. A Expedição São Francisco Verdadeiro inaugurou também uma nova fase para o Programa Cultivando Água Boa, promovendo o diálogo entre a geração digital a geração analógica. É a tecnologia encontrando a natureza para contar suas histórias e as das pessoas. Por terra, as atividades foram acompanhadas pelo professor Edson Gavazzoni, de Cascavel, por professores da Univel, por homens do Exército e Bombeiros, e vários outros profissionais. As intervenções na água foram monitoradas pelos jovens atletas da equipe olímpica brasileira de canoagem. Pelo ar, a expedição teve apoio de Valtemir de Souza Pereira (o Billy), gerente da Divisão de Apoio à Segurança de Itaipu, que sobrevoou a região com um paramotor. Alguns detalhes da expedição serão mostrados nas próximas páginas. Boa parte dos textos e das fotos aqui publicados foi produzida pelos expedicionários e publicada no site criado especialmente para a atividade (www.caminhocab. com.br e www.facebook.com/caminhocab). Expedição em números No Facebook •Mais de 200 postagens •528 curtiram a página •11.920 acessaram •1.189 tópicos curtidos •225 compartilhamento •28.953 cliques em publicações No site e •80 postagens •1.200 acessos Dados coletados •180 GB de dados •11.400 arquivos – imagens fotos, textos, áudios Participantes •60 expedicionários Edson Gavazzoni (ao centro, de chapéu), o grande companheiro e orientador dos jovens expedicionários N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 •Mais de 5 mil pessoas durante todo o percurso J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 3 Expedição Expedição Corrida e plantio de árvores no primeiro dia da aventura Jornada começou em dia abençoado pela chuva, lembrando que o objetivo era conhecer como a água influencia a vida 1º Dia 2º Dia Nelton Friedrich durante plantio de árvores A Expedição do Rio São Francisco Verdadeiro teve início em Cascavel com a Corrida pela Água, promovida anualmente pelo Núcleo Estadual de Educação, num dia em que a chuva deu as bênçãos para uma semana de muito conhecimento e aventura, vivida pelos 50 jovens escolhidos para a missão de desbravar o rio, passando pelos nove municípios que estão às suas margens. Após a premiação da corrida e a cerimônia de abertura da expedição, as pessoas seguiram em um mutirão para a recuperação do Rio Bezerra, na Avenida Brasil, com o plantio de mudas de árvores nativas. Na Fonte dos Mosaicos, nascente do Rio São Francisco Verdadeiro, a água foi abençoada pelo Frei Diogo e os jovens expedicionários receberam os cantis para a semana de aventura e conhecimento. No final do dia, o Ginásio de Esportes Ciro Nardi foi palco de diversas apresentações artísticas no Festival Internacional de Cultura Urbana. Na Fonte dos Mosaicos, onde nasce o Rio São Francisco Verdadeiro, o início da grande jornada Conhecendo o São Francisco de perto No final do dia, o grupo seguiu para Sede Alvorada, distrito de Cascavel, onde houve uma dinâmica de entrosamento. No Recanto Alvorada, o grupo se alojou em barracas montadas com auxílio de homens do Exército, que seguiram com o grupo durante toda a semana para garantir a seguranças dos jovens. Os jovens tiveram contato mais intenso com o rio por meio de atividades de análise da água para monitoramento O toque da alvorada comandado pelo Exército, às seis horas da manhã, pôs em marcha o segundo dia da Expedição ao Rio São Francisco Verdadeiro para o primeiro contato direto com o rio. Mística dos quatro elementos Dinâmica de entrosamento no Recanto Alvorada Depois de uma meditação inicial, um café da manhã caseiro e natural no Recanto Alvorada, localizado em Sede Alvorada, distrito de Cascavel, abasteceu os jovens expedicionários que se separaram em equipes para explorar o local. As pouco mais de 100 pessoas envolvidas na Expedição – além dos 50 jovens, há monitores, professores e outros profissionais de diversas áreas – se dividiram entre a trilha ecológica; a trilha das águas; oficinas de hip hop, áudio e fotografia; cobertura jornalística e produção interna sobre a Expedição, que conta com uma ilha de edição móvel para que as informações estivessem em tempo real na internet e organizadas. O Recanto Alvorada, onde foram desenvolvidas as atividades junto à natureza, é a única Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do município de Cascavel e foi criada em 2007. “Não podemos mais viver explorando, sem pensar nos prejuízos que isso vai acarretar, por isso, estamos procurando fazer a nossa parte, cuidando e preservando esta fazenda”, disse Marionilce Gatto, proprietária das terras. O local possui uma unidade de conservação, área de preservação ambiental com remanescentes florestais intactos. Durante a trilha pela mata e pelo rio, os jovens fizeram atividades de monitoramento do São Francisco, recolhendo amostras da água para verificar os níveis de gases, o Ph da água, vazão do rio e a biodiversidade. A Expedição também esteve em Toledo, onde foram realizadas diversas atividades como o Mutirão Socioambiental, oficinas de educomunicação e ecopedagogia, no CEU das Artes e no Centro da Juventude. O encerramento do dia aconteceu no Acampamento Iftael, onde foi realizado um jantar com a presença de autoridades locais, dirigentes de Itaipu e convidados. O jantar contou ainda com apresentações artísticas do Grupo de Escoteiros de Toledo, que encenaram a Mística dos Quatro Elementos e também fizeram o Pacto das Águas do Rio São Francisco Verdadeiro. Na Fonte dos Mosaicos, onde nasce o Rio São Francisco Verdadeiro, o início da grande jornada 4 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 5 Expedição Expedição No rafting, aventura e cuidados com o rio 3º Dia Caminhada na mata e homenagem Em ritmo de aventura, o quarto dia da Expedição teve trilha ecológica, rapel e tirolesa; no almoço, homenagens a merendeiras e a um produtor de orgânicos Dia teve trilha ecológica, rafting com a equipe da seleção brasileira de canoagem, limpeza do rio e atividades culturais No quarto dia da Expedição São Francisco Verdadeiro, aventura foi a palavra de ordem. E começou logo cedo, ainda no Recanto Nossa Senhora Aparecida, em Ouro Verde do Oeste (PR). Os jovens dividiram-se em dois grupos: um seguiu pela mata, em uma caminhada em contato direto com a natureza. O outro encarou um pequeno trajeto na tirolesa e uma descida média de rapel, com o auxílio de um grupo de bombeiros civis e do 15º Batalhão de Logística, que passaram instruções de segurança. A primeira atividade do terceiro dia foi uma trilha ecológica às margens do Rio São Francisco Verdadeiro. O percurso de cerca de cinco quilômetros levou aproximadamente duas horas para ser concluído pelo grupo. No caminho, a cachoeira considerada a primeira queda do Rio São Francisco, a mata em regeneração e nascentes próximas ao rio. Os jovens também tiveram atividades de rapel e rafting. A parte mais emocionante do dia ficou por conta do rafting que, muito além da diversão, teve como foco mostrar as condições do rio aos participantes, desenvolvendo consciência ecológica e contato direto com o astro da Expedição, o Rio São Francisco Verdadeiro. No percurso, os jovens recolheram lixo das águas, principalmente, garrafas PET. No trecho de cerca de 3 km, o grupo contou com o apoio da Seleção Brasileira de Canoagem. Rafting, atividade para aproximar expedicionários e o rio, o astro da Expedição A programação do dia foi encerrada com o Pacto das Águas, assinado pelo diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, juntamente com o prefeito de Ouro Verde do Oeste, Aldacir Domingos Pavan, e outras autoridades locais na comunidade de São Sebastião, parte da microbacia do Rio Santa Quitéria. Os primeiros a descer de tirolesa e rapel foram, respectivamente, Wesley Jean e Patrícia Schulz. “Não ganhei velocidade na tirolesa, mas a adrenalina é grande mesmo assim,” confessou o cascavelense de 15 anos. O almoço orgânico que aconteceu em São José das Palmeiras teve um gosto especial. De entrada, participantes, organizadores e apoiadores da Expedição São Francisco foram recebidos por um grupo de moradores na Associação de Servidores Municipais com calorosos apertos de mão. Ao fim, o doce ficou na homenagem às merendeiras que prepararam a refeição e ao produtor rural Carlos Rodrigues da Silva. O “mineirinho” de 78 anos de idade, que não usa agrotóxicos em suas plantações há mais de duas décadas, era só sorrisos com a homenagem. “Eu realmente não esperava, estou surpreso.” No rapel, emoção para quem se aventurou a descer pelo paredão de rocha O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek (ao centro) e o prefeito de Ouro Verde do Oeste, Aldacir Pavan, no Pacto das Águas Trilha pela mata em Ouro Verde do Oeste, uma das primeiras atividades do dia Enquanto paralelamente ocorriam as oficinas para os alunos da rede pública e a Cavalgada Ecológica, uma turma seguia incansável. Os educomunicadores do colégio Padre Carmelo Perrone, de Cascavel, subiam e desciam trilhas e estradas de cascalho atrás de boas histórias. Todos munidos de câmeras, registravam tudo, desde belas paisagens a entrevistas com moradores. Atividade na cavalgada Ecológica Repovoamento do Rio São Francisco Verdadeiro com alevinos 6 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal 4º Dia Durante a descida de rafting, a retirada de lixo do rio N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 Cavalgada ecológica por estradas da região N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 Família Böck: proprietários rurais que receberam os jovens Homenagem a merendeiras e ao produtor rural Carlos Rodrigues da Silva (à direita) durante almoço orgânico J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 7 Expedição Expedição Expedição encontra projetos de Itaipu 5º Dia Cerimônia foi o ponto alto da jornada, que marcou a vida dos jovens participantes Energia alternativa produzida a partir de dejetos e a recuperação de nascentes estavam no caminho dos expedicionários; dia foi de amplo aprendizado e muito trabalho para o grupo Parada para conhecer um biodigestor Expedição termina com novo pacto 6º e 7º Dia Esse assunto me interessou bastante. A fazenda do Pedro nem tinha cheiro. Eu nunca tinha visto nada parecido A noite do dia 8 de novembro foi de festa para os participantes da Expedição São Francisco Verdadeiro. A celebração do Pacto das Águas do Rio São Francisco marcou o fim da jornada, iniciada seis dias antes. Os 60 jovens expedicionários se uniram aos organizadores, alunos da rede pública de Entre Rios do Oeste e convidados para encerrar a viagem em grande estilo. Os expedicionários partiram da associação dos pescadores e foram à Base Náutica de Entre Rios em dois barcos, sendo recebidos ainda na água pelos participantes do Projeto Meninos do Lago, que fizeram a escolta até a chegada. Em terra firme, receberam os cumprimentos do superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu e coordenador da expedição, Jair Kotz, e do diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich. Na expedição, os jovens foram protagonistas do começo ao fim. “Essa expedição só pode ser expressa por três palavras: única, insubstituível e inigualável”, disse Jefferson dos Santos, professor de hip hop, ao abrir a cerimônia da Mística das Águas. “Nunca vou conseguir traduzir em palavras o que senti aqui”, concluiu. Õnibus-redação para produção de reportagens A atividade de campo na cidade de Marechal Cândido Rondon, quinta parada da Expedição São Francisco Verdadeiro, começou cedo. Uma parte dos expedicionários foi à Linha Ajuricaba, para conhecer as boas práticas do Condomínio de Agroenergia para a Agricultura Familiar. No secador de grãos e na microcentral termelétrica eles foram recebidos pela responsável técnica do Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás-ER), Larice Vazata, e pelo Secretário Municipal da Agricultura, Urbano Mertz. A dupla explicou sobre o início dos trabalhos no condomínio e o funcionamento da estrutura. Após conhecerem a central em todos os detalhes, os expedicionários foram até as terras de Pedro Regelmeier, bovinocultor que faz uso do biogás produzido a partir dos dejetos de 33 propriedades. A tarde foi de mais documentação da viagem. No município de Quatro Pontes, integrados aos alunos da Escola Municipal Quatro Pontes, eles acompanharam a explicação sobre as etapas para a recuperação de duas nascentes na propriedade de Erani Iun. Redação móvel História viva Por onde passa, um ônibus chama a atenção. Com lonas grafitadas dos dois lados, o veículo serve não apenas para transporte. Dentro dele há equipamentos diversos de áudio e vídeo, que possibilitam a edição e transmissão do conteúdo gravado pelos jovens durante a jornada. É um dos pontos de onde os expedicionários editam os materiais que estão na internet, no www.caminhocab.com.br e facebook. com/caminhocab. Para celebrar o momento, os alunos do colégio plantaram mudas de árvores nativas. “Nunca imaginei que aqui teria uma nascente, mesmo passando com frequência”, conta Wellington Mombach, de 16 anos, que se encarregou de abrir os buracos na terra para que os amigos pudessem plantar. “Agora não se precisa mais tirar água de outros lugares para o gado.” Antes da celebração do Pacto das Águas, os jovens expedicionários tiveram uma aula de história com os pioneiros da cidade, território que foi povoado povoado há quase 60 anos – mas emancipado há apenas 23. Tendo como cenário a prainha de Entre Rios, meninos e meninas tiveram uma aula com quatro pioneiros da cidade. Um deles, o professor aposentado de língua portuguesa, Domingos Primieri, de 71 anos, contou o motivo de a cidade se chamar Entre Rios: fica entre o São Francisco Falso e o Verdadeiro. Passeio náutico em Entre Rios: a expedição por terra, água e ar 8 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal Mais um dia de atividades na água N º 24 “Ninguém sabia qual era o Verdadeiro ou o Falso. Ao verem o curso da água, acreditavam estarem perto da cidade. Mas o que passa próximo à cidade de Santa Helena tem uma distância maior que o outro e, portanto, levou o nome de São Francisco Falso.” Na associação de pescadores, rapazes e moças ganharam uma explicação sobre o cultivo de peixes em tanques-rede e, de lá, partiram para a Base Náutica de Entre Rios, local de celebração e pernoite. O sábado foi dia de confraternização e da volta para casa. Mais informações podem ser obtidas nos sites www. caminhocab.com.br e www. facebook.com/caminhocab, com conteúdo produzido pelos expedicionários; e em www.jie.itaipu.gov.br. Plantio de mudas em Quatro Pontes Grupo de jovens conhece a Microcentral Termelétrica a Biogás no Condomínio Ajuricaba Para os organizadores e coordenadores da expedição, a satisfação só poderia trazer a sensação do dever cumprido. “Esta primeira expedição foi um grande laboratório de aprendizagem”, explicou Kotz. “Foi um marco poder fazer uma viagem por água e terra, envolvendo a bacia do São Francisco Verdadeiro”, comentou Friedrich. “Acreditamos que isso deva acontecer periodicamente.” Aula de história de Entre Rios com Domingos Primieri N o vemb ro 2 0 1 3 N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 9 AVALIAÇÃO Participação Encontro do CAB: o futuro no presente Conferências de meio ambiente definem propostas para gestão de resíduos sólidos Oficinas, eventos paralelos, Leonardo Boff e show da cantora Adriana Calcanhoto marcam a edição deste ano do evento A edição de 2013 do Encontro Cultivando Água Boa, que tem como tema “O futuro no presente”, terá seis eventos paralelos e as participações do teólogo Leonardo Boff, um dos expoentes mundiais das questões de sustentabilidade, e da cantora Adriana Calcanhoto, que fará o show de encerramento. O evento, o maior do gênero na região da Bacia do Paraná 3 (BP3), acontecerá de 20 a 22 de novembro, no Hotel Rafain Palace, em Foz do Iguaçu. No encontro, que é anual, os mais de 2 mil parceiros da iniciativa se reúnem para avaliar as ações em curso e planejar os próximos passos. A expectativa é reunir mais 4 mil pessoas no total. Nesta edição de 2013, o encontro terá seis eventos paralelos: Encontro Ibero-Americano de Desenvolvimento Sustentável (Eima 10); Reunião Interministerial Ibero-Americana de Sustentabilidade (leia mais nesta página); Fórum Nacional dos Municípios-Sede de Usinas Hidroelétricas e Alagados; 29º Encontro Paranaense de Apicultura; 7º Seminário de Meliponicultura; e 26ª Mostra de Equipamentos e Materiais Apícolas. Uma das mesas redondas, Diálogos para a Sustentabilidade, vai reunir nomes de peso como Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, que vai discorrer sobre “O cenário geopolítico da Sustentabilidade”; Lala Deheinzelin, mobilizadora cultural, que irá falar sobre Economia Criativa e Sustentabilidade, temas que são a sua especialidade; e Maurício Broinizi Pereira, traçando um panorama da Plataforma Cidades Sustentáveis. Processo participativo mobilizou mais de 200 mil pessoas em todo o País; diversas ações que integram o Programa Cultivando Água Boa foram adotadas como propostas do Paraná Representantes ibero-americanos debatem políticas para água, energia e meio ambiente Representantes de pelo menos 20 países participam, entre os dias 19 e 20 de novembro, em Foz do Iguaçu, da primeira reunião Interministerial Ibero-americana de Sustentabilidade. O evento é organizado pela Itaipu e Secretaria Geral Ibero-americana (Segib). O Objetivo e apresentar o Programa Cultivando Água Boa como uma possível ferramenta de cooperação internacional. A reunião Interministerial Ibero-americana de Sustentabilidade contará com participantes ligados às áreas de água, energia e meio ambiente do Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina, Guatemala, El Salvador, Panamá, Costa Rica, Colômbia, Chile, Peru, República Dominicana, Espanha, México, Bolívia, Portugal, Venezuela, Cuba, Equador, Nicarágua e Honduras. Os participantes da reunião irão apresentar políticas sobre água, energia e território, temas vinculados entre si e que podem dispor de uma visão compartilhada para a busca de soluções concretas. O grupo também irá visitar a Usina de Itaipu, onde assiste palestras dos diretores gerais de Itaipu, o brasileiro Jorge Samek e o paraguaio James Spalding Hellmers, sobre a binacional. O coordenador brasileiro do Parque Tecnológico Itaipu, Juan Sotuyo, e o diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, falarão sobre suas respectivas áreas. Na quinta-feira, os jovens educomunicadores da Bacia do Paraná 3 que participaram da Expedição São Francisco Verdadeiro irão apresentar o resultado do trabalho. 10 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal As propostas que foram apresentadas na Conferência Nacional nasceram de um longo processo, iniciado em junho, em todo o País, e que mobilizou mais de 200 mil pessoas. Na região, os 29 municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná 3 (BP3), área abrangida pelo programa Cultivando Água Boa, elaboraram propostas conjuntas durante a Conferência Macrorregional do Meio Ambiente, em julho, após as conferências em cada município. Para o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrich, as reuniões foram momentos importantes para o diálogo entre os diversos segmentos da sociedade na busca de soluções para os desafios que se apresentam na implementação da gestão dos resíduos sólidos. “É muito gratificante ver que os 29 municípios da Bacia do Paraná 3 estão mobilizados e dispostos a estabelecer a responsabilidade compartilhada, bem como difundir práticas positivas que possam contribuir para desenhos de políticas públicas locais e regionais”, ressaltou. A programação prevê mais três mesas redondas com os temas: Fazendo o futuro no presente: experiências convidadas; CAB inspirando práticas para sustentabilidade; e Infância e Juventude: Cuidando do futuro hoje, quando será lançada a segunda fase da campanha de Combate à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina. Serão apresentadas as peças publicitárias e os números de disque-denúncias que serão utilizadas na região da tríplice fronteira, bem como o calendário das ações a serem desenvolvidas em conjunto. A programação também prevê diversas oficinas temáticas: plantas medicinais; sustentabilidade das comunidades indígenas; agricultura sustentável; educação ambiental; coleta solidária; gestão de bacia hidrográfica; juventude e meio ambiente; valorização do patrimônio institucional e regional; Mais Peixes em Nossas Águas. Em uma das oficinas a chef Regina Tchelly, coordenadora do projeto Favela Orgânica vai ensinar o aproveitamento total dos alimentos com receitas elaboradas por ela mesma (leia mais nas páginas 22 e 23). A oficina vai guiar o lançamento o terceiro “Concurso de Receitas Saudáveis das Merendeiras da Bacia do Paraná 3”. Quase 3 mil pessoas de 27 Estados participaram da 4ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, realizada nos dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo. A quarta edição da conferência adotou como desafio contribuir para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), com o lema “Vamos cuidar do Brasil” e foco em quatro eixos: produção e consumo sustentáveis; redução dos impactos ambientais; geração de trabalho, emprego e renda; e educação ambiental. Foram eleitas 60 propostas – 15 em cada eixo. O Paraná levou à Conferência 20 propostas. No Paraná 187 conferências municipais e intermunicipais Leonardo Boff vai falar sobre o tema do encontro Haverá apresentações culturais em todos os dias do encontro. A abertura oficial terá o grupo de Ginástica Rítmica de Toledo e a Orquestra de Viola e Viola de Arame e o encerramento do encontro, show com Adriana Calcanhoto e Rodrigo Pitta. Também se apresentam durante o encontro o Coral do Programa PIIT de Itaipu, o grupo da melhor idade de Santa Terezinha de Itaipu e Trio Tierra de Água. 200 municípios Adriana Calcanhoto fará o show de encerramento 700 Durante o econtro, haverá ainda as finais do 2º Festival das Águas com disputas em duas categorias, sertanejo e popular. Seis músicas, escolhidas em fases anteriores, vão para a final, que terá distribuição de R$ 13 mil em prêmios. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 pessoas no encontro estadual N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 120 Conferência Estadual de Meio Ambiente, realizada em Foz do Iguaçu, quando foram selecionadas 20 propostas As prioridades regionais foram apresentadas e votadas durante a 4ª Conferência Estadual de Meio Ambiente realizada em setembro, em Foz do Iguaçu, com a participação de mais de 700 pessoas. O Paraná definiu 20 propostas que foram levadas para a discussão nacional. As propostas vencedoras do fórum nacional, aprovadas por 1.340 delegados - 6 representaram a Bacia do Paraná 3 - recomendam ao governo que amplie e diversifique suas ações na área de educação ambiental, fortaleça a fiscalização com leis e medidas mais rígidas, estimule com campanhas e recursos financeiros a reciclagem, desonere a logística reversa, valorize a mão de obra dos catadores e elabore leis que proíbam a incineração de resíduos recicláveis. Em três dias de debates e votações, de um conjunto de 160 propostas com origem nas etapas estaduais e municipais, foram definidas 60 prioridades. Parte das propostas apresentadas pelo Paraná na Conferência Nacional – e aprovadas pelos delegados – já estão em desenvolvimento na região, principalmente por meio do Programa Cultivando Água Boa. Entre elas, estão o estímulo à criação de cooperativas de catadores e trabalhadores da reciclagem; desenvolvimento de projetos de incentivo à construção de biodigestores – exemplo concreto que a Itaipu tem com o Centro Internacional de Energias Renováveis com Ênfase em Biogás (Cier-Biogás); estímulo à sustentabilidade dos povos indígenas e à agricultura orgânica e familiar; proteção e monitoramento da água; e a educação ambiental. propostas para a Conferência Estadual 20 mil pessoas participantes em todo o Estado 3.740 sugestões As propostas e notícias da 4ª Conferência Nacional de Meio Ambiente podem ser conhecidas no endereço http:// www.conferenciameioambiente.gov.br A ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, que participou da Conferência Nacional, acredita que a realização do encontro acelera o processo de implantação da lei para a gestão de resíduos sólidos no País. “É uma nova agenda de trabalho, tanto para os governos, quanto para os cidadãos e as empresas. É isso que muda o Brasil”, disse a ministra ao analisar os resultados da participação popular. Etapa regional: mobilização da comunidade Resíduos sólidos O Paraná gera 20 mil toneladas de lixo todos os dias 6% adotam programas de compostagem Dos 399 municípios paranaenses, 214 ainda têm lixões 53% 120 dos municípios têm programas de coleta seletiva propostas para a Conferência Estadual 3,5 mil toneladas ou 40% dos resíduos sólidos são descartados de maneira irregular a cada dia Aterro J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 11 DIÁLOGOS Fórum de Desenvolvimento Econômico Local: troca de experiências e inovação para superar os desafios do nosso tempo O Desenvolvimento Econômico Local surge como uma proposta viável de promover o desenvolvimento desde a base Durante 4 dias, mais de 4 mil pessoas de 68 países debateram em Foz do Iguaçu a eficiência e o impacto das ações desenvolvidas nas comunidades A Declaração de Foz do Iguaçu, documento oficial da segunda edição do Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local: “Diálogo entre territórios: outras visões Desenvolvimento Econômico Local”, traz sugestões de desenvolvimento econômico local para serem implementadas a partir dessa edição. A carta foi lida durante o encerramento do fórum, realizado de 29 de outubro a 1º de novembro e promovido pela a Itaipu Binacional, Parque Tecnológico Itaipu (PTI), Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (ART/PNUD) e Fundo Andaluz de Municípios para a Solidariedade Internacional (Famsi). Cláudia Serrano, diretora executiva do Centro Latino-americano para o Desenvolvimento Rural Cerimônia de encerramento do Fórum: na mesa, representantes das instituições organizadoras, liderados pelo diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, ao lado do convidado especial do evento, o ex-presidente Lula (terceiro à direita) Realizado a cada dois anos, o fórum, que pela primeira vez aconteceu no Brasil, recebeu público recorde de 4.267 participantes procedentes de 68 países de todo o mundo. Foi o maior evento internacional já promovido pela Itaipu. Evento facilitou intercâmbio entre atores locais e nacionais de todo o mundo Participaram da edição brasileira representantes de governos locais, regionais e nacionais, organismos multilaterais, universidades, instituições de cooperação internacional, assim como múltiplas redes, entidades sociais, empresariais e especialistas vinculados a dinâmicas territoriais de desenvolvimento econômico local. Durante o evento, foram apresentados projetos e ações desenvolvidos no âmbito do Programa Cultivando Água Boa, e o diretor de Coordenação e Meio Ambiente de Itaipu, Nelton Friedrich, falou sobre o programa no painel “Água e energia: soluções locais para um planeta vivo”. O II Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local permitiu amplo diálogo e troca de conhecimentos, experiências e instrumentos utilizados por atores locais, nacionais e internacionais sobre a eficiência e o impacto do Desenvolvimento Econômico Local, com destaque para a importância da inovação em relação aos grandes desafios do nosso tempo, como reconhece o documento divulgado ao final do evento. Segundo a declaração de Foz do Iguaçu, o Fórum faz um chamamento aos governos nacionais para promover políticas públicas descentralizadas de Desenvolvimento Econômico Local, que significa melhorar as condições e qualidade de vida nos territórios. Neste sentido, é necessário continuar a avançar no processo de descentralização, a partir de um financiamento adequado, como pilar essencial para assegurar a prestação de serviços públicos à população. Ainda segundo o documento, os governos locais e regionais têm papel fundamental na implementação de estratégias de desenvolvimento que integrem oportunidades econômicas, geração de trabalho decente, desenvolvimento humano sustentável e governança democrática. É necessário um compromisso com a capacitação institucional e organizacional. A cerimônia de encerramento do Fórum lotou o auditório do centro de convenções do Hotel Mabu e contou com a participação das principais autoridades das instituições promotoras do evento: Jorge Samek (diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional), Luiz Barretto (presidente do Sebrae Nacional), Antonio Zurita (diretor-executivo do Fundo Andaluz de Municípios para a Solidariedade Internacional (Famsi) e Jorge Chediek (representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – Pnud). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participou do encerramento do Fórum (leia mais na página 14). tendidas como uma base para as políticas públicas, por isso, é necessário reforçar os instrumentos de Desenvolvimento Econômico Local, fomentar a cultura empreendedora, a fim de fortalecer as cadeias produtivas e estabelecer uma base Cada mulher e homem que participaram do II Fórum Mundial se comprometem a construir juntos, fomentando um diálogo entre territórios, um mundo melhor que siga um modelo de crescimento mais justo, sustentável e equitativo, respeitando a diversidade local 12 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal No documento, os líderes ressaltam a importância estratégica do território, do âmbito local e do Desenvolvimento Econômico Local para alcançar o desenvolvimento integral, o que inclui os pilares econômico, social, cultural e ambiental. A carta aponta como desafio a necessidade específica de gerar alternativas concretas e abordar as preocupações dos jovens, especialmente em um momento de alta do desemprego. Nesse contexto, de acordo com o documento, é necessária a plena participação das mulheres na tomada de decisões econômicas e políticas, assim como a definição de estratégias para assegurar que as mulheres possam ter igualdade no acesso às oportunidades econômicas locais. Trecho da declaração de Foz do Iguaçu O fórum reconhece que as estratégias locais de desenvolvimento econômico operam em um marco caracterizado pela complexidade e diversidade. Tais estratégias devem ser en- gonismo de uma cidadania ativa, valorizando os recursos do território e aproveitando aqueles oferecidos pelo ambiente. sólida para os processos de inovação social e cultural. Isso tudo requer uma estratégia de desenvolvimento com prota- O documento ressalta também o papel fundamental da sociedade civil, juntamente com os outros atores no território, para garantir que o desenvolvimento econômico esteja centrado nas pessoas. E, para abordar esses desafios, é neN º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 cessário ter em conta, entre outras questões, a importância da economia social e das micros, pequenas e médias empresas na promoção de dinâmicas econômicas e de inovação para gerar trabalho decente e desenvolvimento de uma cultura empreendedora. Os fóruns mundiais de DEL são eventos bianuais e marcam um processo aberto que pretende estimular políticas e ações conjuntas entre sócios. “Cada mulher e homem que participaram do II Fórum Mundial se comprometem a construir juntos, fomentando um diálogo entre territórios, um mundo melhor que siga um modelo de crescimento mais justo, sustentável e equitativo, respeitando a diversidade local”, diz o documento. Além da Carta de Foz do Iguaçu, haverá um relatório final do encontro, mais amplo e com as propostas dos participantes sobre uma nova visão de desenvolvimento territorial. Todas são baseadas em cooperativismo, empreendedorismo e arranjos produtivos locais e parcerias público-privadas. O relatório, que será redigido por um grupo de 4 professores, terá 20 páginas e deverá ser concluído até o final deste ano. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 Segundo Samek, o fórum se revelou um encontro de alto nível, com “participantes que são verdadeiros protagonistas da construção de um mundo melhor”. Jorge Chediek, do Pnud, agradeceu o apoio das instituições parceiras na realização do fórum e destacou o Brasil como referência internacional como promotor de políticas descentralizadas de desenvolvimento, de redução da miséria e de inclusão social. “Enquanto muito se falava que era necessário primeiro crescer para depois distribuir, o Brasil demonstrou que era possível crescer com distribuição de renda”, comentou. O prefeito de Porto Alegre, A diretora executiva do José Fortunati, que também Enquanto muito se falava Centro Latino-americano preside a Frente Nacional de para o Desenvolvimento Prefeitos, destacou o papel que era necessário primeiro Rural e integrante do codos municípios como procrescer para depois distribuir, mitê científico do Fórum, motores de políticas públio Brasil demonstrou que Cláudia Serrano, leu as concas de desenvolvimento. “As era possível crescer com pessoas estão cada vez mais clusões do evento, destacandistribuição de renda se conscientizando de que as do o fato de o encontro ter Jorge Chediek, representante do Programa coisas de fato ocorrem nas facilitado o intercâmbio endas Nações Unidas para o Desenvolvimento cidades. A saúde pública, a tre atores locais e nacionais mobilidade, a assistência sode todo o mundo e ter sido cial, enfim, aquilo que contrium marco para as discusbui para melhorar as condições de vida das pessoas está nos sões do Desenvolvimento Econômico Local sustentável e municípios. Daí a importância de um encontro como esse inclusivo; além disso, também sinalizou a importância da para o compartilhamento de experiências positivas entre descentralização de políticas públicas. localidades de todo o mundo”. Para os participantes, as políticas derivadas do ConsenLuiz Barretto, do Sebrae, apontou a importância da Lei Geral so de Washington não resolveram os problemas sociais. da Microempresa, de 2006, que resultou em maior apoio para Ao contrário, agravaram a desigualdade e a exclusão. “O o empreendedorismo, além de ter possibilitado a formalização Desenvolvimento Econômico Local surge como uma proda atividade econômica de 3 milhões de empreendedores inposta viável de promover o desenvolvimento desde a base, dividuais de todo o país. “Isso teve um grande impacto, pois fomentando o progresso e a inovação em um amplo sentipossibilitou a muitos empreendedores participarem das comdo, não apenas tecnológico, mas também de processos e de pras governamentais em seus municípios”, disse Barretto. inclusão social”, afirmou. J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 13 DESENVOLVIMENTO DESENVOLVIMENTO LOCAL Políticas adotadas nos últimos 10 anos tiveram forte impacto no desenvolvimento, diz Lula Agricultor incorpora novas atividades e aumenta a renda em mais de 80% Em discurso de encerramento do II Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, Lula lembrou ações que permitiram ao País gerar 20 milhões de empregos e tirar 36 milhões de pessoas da miséria A renda do agricultor Luiz Arruda (foto), dono de uma propriedade de 5 hectares (50 mil metros quadrados) em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná, aumentou mais de 80% nos últimos nove anos. Hoje, além de produzir hortaliças, palmito e café in natura, ele mantém uma agroindústria para fazer polpa de fruta e moer o café. Outra fonte de renda da propriedade é o turismo regional. A cerimônia de encerramento do II Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local teve a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez um balanço de diversas políticas adotadas no Brasil nos últimos 10 anos e que tiveram impacto no desenvolvimento local de diversas regiões do país, como o Bolsa Família, o Luz para Todos, a Lei Geral da Microempresa, o Programa de Aquisição de Alimentos (de compra direta da agricultura familiar), a criação de universidades, entre outros, que permitiram ao País gerar 20 milhões de empregos formais e tirar 36 milhões de pessoas da miséria. Enquanto a renda média cresceu 33%, a renda dos mais pobres aumentou 66%. O incremento na renda no sítio de Luiz Arruda, com a incorporação de novas atividades, foi um dos casos de sucesso apresentados no II Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, juntamente com outras ações e projetos desenvolvidos pelo Programa Cultivando Água Boa (CAB), como o Coleta Solidária (leia mais nesta página). Lula disse que o Brasil acertou a mão quando passou a acreditar no povo brasileiro. “Se o poder público, ao invés de ficar inventando a roda, tiver mais humildade e ouvir a sua população, os anseios locais, vai saber implementar ações verdadeiras de desenvolvimento econômico local”. Há nove anos, Arruda passou a fazer parte da Associação de Produtores de Agricultura e Pecuária Orgânica de São Miguel do Iguaçu, (Aprosmi). Segundo ele, o que mais chama a atenção no sítio é produção orgânica. “Com a ajuda dos técnicos da Itaipu, troquei os agrotóxicos por defensivos naturais que eu mesmo produzo”, explica. “O que o Brasil fez não é nenhum milagre. Pobres, quando têm oportunidade, não são problema para nenhum país”, afirmou Lula, que comparou o Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local com Davos e o Fórum Social Mundial. Com incentivo do CAB, Luiz Arruda também incluiu o sítio no Circuito Turismo Regional, que reúne quatro propriedades de São Miguel do Iguaçu. Lula na encerramento do Fórum: poder público precisa ouvir a população para implementar ações próximo fórum, em Turim (Itália), em 2015. Para ele, diferentemente de outros fóruns econômicos, o evento de Foz apresenta um caráter pragmático, expresso no compromisso dos participantes em aprofundar as discussões e de implantar ações que serão apresentadas no Lula se comprometeu a ajudar a divulgar o próximo fórum durante uma conversa informal, pouco antes da cerimônia de encerramento do fórum, com representantes das princi- pais instituições envolvidas na organização do evento, incluindo os dois diretores gerais de Itaipu, o brasileiro Jorge Samek e o paraguaio James Spalding. O ex-presidente disse que faz questão de ser garoto-propaganda de “uma iniciativa tão importante como essa.” Todos os meses, o circuito recebe em média 200 turistas, de várias partes do mundo, interessados em conhecer como funciona uma propriedade familiar sustentável. Para atender os turistas oferecendo também um almoço A catadora de recicláveis Viviane Mertig (no detalhe) é prova de que mudanças são possíveis e prova do novo papel da mulher, de liderança e de protagonismo nas questões socioambientais. Sua experiência e o projeto Coleta Solidária também foram apresentados no II Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local. 14 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal Outro exemplo de agricultor que soube aproveitar as oportunidades locais é José Maioli, também de São Miguel do Iguaçu. A propriedade dele, chamada de Fonte do Macuco, é referência nacional de diversidade. Em 60,5 mil metros quadrados, o agricultor cultiva mais de 230 variedades de frutas e verduras; 250 de flores e arbustos; além de 110 opções de condimentos e plantas medicinais. O sítio de Maioli também é parada obrigatória para turistas interessados em conhecer a produção orgânica. Um visitante ilustre que apareceu por lá foi o ator Marcos Frota. “Ele ficou encantado após percorrer as trilhas e saborear as frutas que crescem sem o uso de agrotóxico. No final, levou um quilo de café acabado de ser moído na minha agroindústria”, conta, orgulhoso. O presidente da Aprosmi, Adelar Soares, diz que antes da associação, os agricultores vendiam a produção apenas para as feiras e comércio próximos. Agora, além de agregar valor aos produtos, vendem para outras cidades e ainda recebem turistas do mundo todo. “A proposta era aumentar a renda das famílias. Conseguimos”, comemora. Coleta Solidária vira exemplo mundial pela voz de catadora Dilma e Lula recebem cestas com produtos da região Cestas com alimentos e artesanato elaborados por produtores da Bacia do Paraná 3 (BP3) foram entregues à presidente Dilma Rousseff, durante sua visita à Itaipu para inauguração da linha de 500 Kv, no dia 29 de outubro, e ao ex-presidente Lula, no encerramento do Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, no dia 1 de novembro. orgânico, o agricultor construiu uma cozinha e um salão. O aspecto rústico, característico da vida no campo, e o cuidado com cada detalhe, agradam principalmente o visitante das grandes cidades. “Quando comprei o sítio em 2001, não imaginava um aumento como esse na minha renda. Há nove anos, mudei totalmente a forma de produzir”, afirma Arruda. O presente foi uma forma de apresentar aos dois líderes os resultados de políticas públicas de inclusão social e geração de renda, adotadas em ações e projetos do Programa Cultivando Água Boa e em consonância com programas do governo federal, como o Fome Zero – atual Brasil sem Miséria – e o Programa de Aquisição Direta da Merenda Escolar. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 Há pouco mais de 10 anos, Viviane percorria as ruas de Foz do Iguaçu, recolhendo latas de refrigerante e de cerveja, com poucas condições e apoio. Quando passou a fazer parte do projeto Coleta Solidária, recebeu, de início, uniforme e carrinho, importantes instrumentos de trabalho. Depois, incentivada, concluiu o ensino médio e cursou a Formação N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 de Educadores Ambientais, experiência pioneira no país, onde teve a oportunidade de compartilhar conhecimentos com agricultores, professores, técnicos e líderes comunitários. O passo seguinte foi se tornar presidente da Cooperativa dos Agentes Ambientais de Foz do Iguaçu (Coafi) e se tornar representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) no Paraná. Em 2010, Viviane Mertig tornou-se embaixadora do Programa Coleta Solidária na Europa: viajou até Paris, na França, para inspirar a capital francesa a adotar uma metodologia baseada na experiência brasileira de reciclagem. A partir daí, ela virou palestrante e disseminadora da importância da atividade. Ganhou o mundo. Foz do Iguaçu foi a primeira cidade onde foi implantada a metodologia do Programa Coleta Solidária, criado pela Itaipu Binacional. A metodologia, implantada em 2003 consiste na organização dos catadores, que recebem da Itaipu carrinhos, uniformes e capacitação. No total, o projeto reúne mais de 650 pessoas na BP3. A proposta é aumentar a renda dos catadores de materiais recicláveis, formar cooperativas e transformar a atividade em profissão. J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 15 RECONHECIMENTO Jair Kotz, João Alves, Marlene Curtis, Daniel Lopes e João Bernardes O cacique Daniel recebe o prêmio junto com João Bernardes A massa crítica da sustentabilidade brasileira está aqui. Há empresas que estão todo ano no ranking do prêmio... significa ter a sustentabilidade no DNA corporativo Marilene Lavorato, presidente do Instituto Mais e idealizadora do prêmio Benchmarking Itaipu recebe prêmio por projeto de sustentabilidade com indígenas Essa é a quinta vez que projetos desenvolvidos pelo CAB são reconhecidos pelo Ranking Benchmarking e o primeiro reconhecimento a ações voltadas a indígenas O programa Sustentabilidade de Comunidades Indígenas, uma iniciativa do Cultivando Água Boa, garantiu à Itaipu o segundo lugar no Ranking Benchmarking, que seleciona as melhores práticas socioambientais do País. Essa é a quinta vez que os projetos desenvolvidos pelo CAB são reconhecidos pelo ranking e a primeira vez que um projeto voltado a indígenas recebeu o prêmio. A solenidade de premiação aconteceu no dia 1º de agosto, em São Paulo. A Itaipu concorreu com o case “Sustentabilidade Avá-Guarani”, programa que abrange três comunidades (Ocoy, no município de São Miguel do Iguaçu, e Añete e Itamarã, em Diamante D’Oeste), somando 273 famílias (cerca de 1.400 indígenas). A Itaipu disputou o prêmio com 150 empresas e 279 práticas, julgadas por 15 especialistas de 8 países, que não têm acesso à identidade dos concorrentes. Na solenidade de entrega do prêmio, estiveram presentes o superintendente de Meio Ambiente de Itaipu, Jair Kotz; a gestora do Programa Sustentabilidade Avá-Guarani, Marlene Curtis; os caciques João Alves e Daniel Maraca Lopes; e o representante da Itaipu junto às comunidades indígenas, João Bernardes. Para o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, 16 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal Nelton Friedrich, o prêmio reconhece e legitima um trabalho baseado no respeito e no aprendizado mútuo entre culturas e saberes diversos. “Isso demonstra que é possível estabelecer uma convivência harmoniosa, tão necessária, para a verdadeira sustentabilidade planetária.” Valorização Em dez anos de execução, o programa conta com resultados expressivos, como a construção de mais de 100 moradias, casas de reza, centros de artesanato, postos de saúde e escolas; cascalhamento das estradas de acesso e vias internas; e implantação de rede de esgoto e rede elétrica; estruturação do sistema de produção agropecuária com ações de conservação de solo, doação de sementes e de cabeças de gado (de corte e de leite) e instalação de tanques-rede para a produção de peixes. Nas comunidades, todas as decisões são tomadas por um comitê gestor formado por lideranças indígenas, representantes da Itaipu e de instituições parceiras (Funai, prefeituras municipais, Ministério Público, governo do Paraná, Emater, Ibama e IAP). “Um dos diferenciais do programa está no Comitê Gestor Avá-Guarani. O comitê planeja, prioriza atividades e avalia os resultados”, reforça Marlene Curtis. Para ela, o lado positivo da questão indígena é um assunto ainda pouco presente na agenda nacional e na vida do País. “O trabalho de Itaipu é inédito entre empresas brasileiras”, destaca. Segundo Marlene, no período de atuação do projeto, a cultura indígena foi cada vez mais fortalecida. “Em 2009, os índios puderam gravar um DVD com seus cantos, danças e rezas, e já comercializam esse material e fazem apresentações. O trabalho feito com artesanato e o excedente da produção agrícola são vendidos. Ou seja, isso tudo gera renda, fortalece a cultura e o modo de ser Guarani”, observa. Para o cacique João Alves, da comunidade Añetete, a presença de Itaipu e parceiros foi determinante para a manutenção da cultura de sua aldeia. “Desde 1997, Itaipu atua em minha aldeia ajudando a desenvolver a sustentabilidade. Antes, a gente passava muita dificuldade. Hoje, somos 320 pessoas e 70 famílias vivendo da agricultura familiar e da pesca”, comenta. Opinião compartilhada pelo também cacique Daniel Maraca Lopes, da aldeia Ocoy. “Nosso principal problema era o da infraestrutura e a Itaipu ofertou ajuda”, lembra. Segundo ele, um dos principais objetivos é fortalecer a agricultura familiar indígena e a produção de peixes. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 “Para que essas comunidades não dependam do comércio de fora”, diz, lembrando que a produção pesqueira do Ocoy (pacus criados em tanques-rede doados pela Itaipu) chega a 5 toneladas/ano e que 40% dos alimentos que as 150 famílias do Ocoy consomem são produzidos pela própria comunidade. O superintendente de Meio Ambiente da Itaipu, Jair Kotz, comemora os resultados alcançados pelo programa. “Quando da formação do reservatório da Itaipu, havia apenas uma comunidade indígena de 11 famílias às margens do Rio Paraná e que, por orientação da Funai, foi reassentada em um local próximo, um braço do reservatório. Hoje, nós estamos falando em 3 comunidades de 275 famílias”, ressalta Kotz. A preservação da cultura indígena é um dos objetivos do programa premiado no espaço rural”; e em 2012, com “Gestão por Bacia Hidrográfica”. Em 2009, com “Programa de Educação Ambiental para a Sustentabilidade”, ficou em terceiro lugar. O case Programa Cultivando Água Boa (CAB) também foi considerado o grande vencedor do Ranking Benchmarking Legítimos da Sustentabilidade – Os Melhores da Década, entregue em 2012. O prêmio A Itaipu já foi vencedora em três edições do Benchmarking e, em outra, ficou com a terceira colocação. Levou o primeiro lugar em 2007, com o case “Cultivando Água Boa na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná 3”; em 2011, com “Gestão para a sustentabilidade N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 17 EXPANSÃO CAB está mais próximo de se transformar em programa de cooperação ibero-americano Cooperação foi tema de debate em diversos eventos Modelo baseado na gestão participativa dos projetos e na agregação por bacias hidrográficas chama a atenção de outros países “Impressionado. Esta palavra define tudo que vivenciei e ouvi das pessoas sobre o Programa Cultivando Água Boa durante os dias em que visitamos a região”. A frase é do ex-deputado e ex-presidente do parlamento europeu, na Guatemala, Marcos Antonio Solares – que integrou o grupo de representantes de ministros de oito países ibero-americanos que esteve em Foz do Iguaçu, de 25 a 27 de setembro, para debater uma possível implantação do Cultivando Água Boa (CAB) como programa de cooperação ibero-americano. Se aprovado, o CAB fará parte dos programas da Secretaria Geral dos Países Ibero-Americanos (Segib), voltado ao intercâmbio de boas práticas socioambientais (leia mais na página ao lado). Também participaram da visita técnica a Foz e municípios da Bacia do Paraná 3 (BP3) representantes da Colômbia, Chile, Argentina, República Dominicana, Uruguai, Espanha e Panamá. A vice-ministra de Desenvolvimento Sustentável da Guatemala, Ivanova Maria Ancheta Alvarado, avaliou como positiva a intenção de Itaipu em partilhar suas boas experiências com os demais países. “Ficamos muito satisfeitos pela forma palpável de conhecer as ações do Cultivando Água Boa. Creio que muitas iniciativas podem ser adotadas em nosso país, porém, temos que trabalhar muito forte na criação de uma estratégia para que, assim que aprovado o programa de cooperação, possamos implantar a metodologia correta que nos dê os resultados que esperamos.” Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, receber um grupo de representantes de países ibero-americanos demonstra a confirmação de um trabalho positivo e de resultados em toda região. “Esse é o momento de coroamento de um trabalho que vem sendo feito com uma parceria extraordinária. Nossa intenção é que esta prática seja multiplicada e aplicada em todos os países ibero-americanos para se tornar uma política pública de resultados concretos. Somos filhos da integração”, disse. O diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, lembra que há muitos resultados alcançados pelo CAB a serem aprensentados. “Temos dez anos de caminhada, com resultados muito positivos, de um programa totalmente inovador. Mostramos que o impossível é possível se houver real comprometimento”, disse. Animado com o caminho que o CAB vem trilhando, Friedrich, pontuou que é o trabalho de todos que está direcionando o programa ao reconhecimento. “A gestão participativa é um dos pilares do CAB. Esse passo que estamos prestes a dar muito nos orgulha e nos motiva”, disse. A possibilidade de o Programa Cultivando Água Boa (CAB) tornar-se um programa de cooperação ibero-americano da Secretaria Geral dos Países Ibero-Americanos (Segib) foi objeto de discussão em diversas reuniões realizadas ao longo deste ano como o Encontro Ibero-Americano sobre Desenvolvimento Sustentável (Eima 2013); a 9ª Conferência Mundial da Rede Internacional de Organismos de Bacias Hidrográficas (Riob); e o 7º Fórum Ibero-Americano de Governos Locais. bientais sanados. “A mudança foi completa. Se para nós houve uma mudança muito positiva a partir da implantação do programa, certamente para os demais países também será.” São Miguel do Iguaçu também recebeu a visita do grupo ibero-americano. Recepcionados pelo prefeito, Cláudio Dutra, os visitantes almoçaram na propriedade de José Maiolli onde há forte predominância no cultivo de orgânicos. “Sempre é um orgulho falar dos resultados e dos novos objetivos que vamos alcançar a partir da parceria com o Cultivando Água Boa. Para São Miguel, o CAB representa qualidade de vida e, certamente, irá refletir em mudanças positivas para os países que quiserem aderir”, pontuou. Na propriedade de Guiomar Neves, em Vera Cruz do Oeste, o grupo conheceu o cultivo de plantas medicinais Segundo o diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, todos esses momentos foram “fundamentais para a preparação para o diálogo”. Ele destacou que a visita dos representantes ibero-americanos à Itaipu e região marca o passo inicial e definitivo de um projeto internacional para o programa. Visão brasileira Esse passo que estamos prestes a dar muito nos orgulha e nos motiva Nelton Friedrich, diretor de Coordenação e Meio Ambiente de Itaipu Na região O presidente do Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu e prefeito de Santa Helena, Jucerlei Sotoriva, reforçou o orgulho em fazer parte da evolução do CAB. “Somos referência e isso faz toda diferença”, disse, acrescentando que a Itaipu foi muito sábia em adotar o novo modo de governar, de forma participativa. “Hoje as pessoas sentem-se parte, estão incorporadas neste processo construtivo que não foca apenas um segmento, mas sim, um complexo de ações.” Da mesma forma, o prefeito de Ouro Verde do Oeste, Aldacir Domingos Pavan informou que o CAB é um marco para o município, que hoje está com 80% de seus passivos am- “O Cultivando Água Boa tem sido apresentado para vários países ao longo desses dez anos e, com isso, despertou a atenção da Segib nos congressos em que temos participado.” O coordenador-geral de Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Paulo Peixoto, que também participou do encontro, disse estar convicto de que o CAB será um excelente produto que vai se somar às diferentes experiências que o Brasil possui no exterior. “O Programa Cultivando Água Boa é integrado e abrange vários setores. Uma grande preocupação mundial hoje é o desenvolvimento sustentável, o meio ambiente, sendo um processo que não tem volta. Ou nós nos desenvolvemos de maneira sustentável ou vamos nos extinguir”. Ele acrescentou que o aspecto social do programa também é muito interessante, bastante abrangente e integrado, sendo traduzido em uma solução possível para vários problemas existentes. Peixoto explicou que a proposta deverá ser estruturada, avaliada e aprovada pelos países interessados, até outubro de 2014, quando haverá um encontro entre presidentes ibero-americanos. “Em princípio, sete países devem aderir para que o programa de cooperação seja firmado, mas, sobretudo, o projeto segue aberto para os demais, à medida que os países vão tomando conhecimento.” O CAB é um dos melhores exemplos, no Brasil, de ações práticas que envolvem sustentabilidade. Bons exemplos devem ser seguidos e replicados Lupercio Ziroldo Antonio, presidente da Rede Internacional de Organismos de Bacias Encontro com indígenas que integram de programa de sustentabilidade desenvolvido pelo CAB O superintendente de Meio Ambiente da Itaipu Binacional, Jair Kotz, participou da 9ª Riob em Fortaleza, onde o CAB também foi discutido com representantes ibero-americanos. “Foi muito gratificante ver que o programa Cultivando Água Boa é uma referência, sendo citado como uma das melhores iniciativas socioambientais de gestão compartilhada no Brasil.” De acordo com o presidente da Rede Internacional de Organismos de Bacias, Lupercio Ziroldo Antonio, a possibilidade de o CAB vir a integrar o rol de programas da Segib é grande. “O CAB é um dos melhores exemplos, no Brasil, de ações práticas que envolvem sustentabilidade. Bons exemplos devem ser seguidos e replicados”, ressaltou. Ele acrescentou que o apoio para a disseminação do CAB é uma de suas metas na gestão da Rede Internacional de Organismos de Bacia. O grupo de representantes ibero-americanos em reunião na Itaipu: interesse na aplicação do modelo do CAB 18 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal Ivanova Alvarado: criação de estratégias de cooperação N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 Visita ao Centro Avançado de Pesquisa, no município de Santa Helena N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 “Precisamos possibilitar que os organismos de bacias de todo o mundo identifiquem oportunidades e desafios para a promoção da gestão integrada e compartilhada das águas, de forma participativa e descentralizada, de modo que a reaplicação de boas práticas já identificadas seja colocada em prática”. J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 19 FRONTEIRAS ENCONTROS SAÚDE Cuidado com o meio ambiente deve influenciar área jurídica Especialistas apresentam trabalhos com fitoterápicos Assunto foi tema de debate entre profissionais do Brasil, Paraguai e Argentina As mudanças climáticas e a necessidade de cuidar do meio ambiente implicam diretamente na área jurídica. O tema foi apresentado pelo diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrich, na conferência de abertura do 2º Congresso Internacional de Direito Ambiental da Tríplice Fronteira, realizado em setembro, em Foz do Iguaçu. O evento reuniu juristas, pesquisadores e estudantes do Brasil, Argentina e Paraguai para debater temas ambientais e também relacionados ao Direito Internacional e Tributário. Em sua conferência, Friedrich citou como exemplo da interrelação entre ambiente e direito, as mudanças jurídicas promovidas na Itaipu Binacional com o Programa Compras Sustentáveis, no qual aspectos como a responsabilidade no descarte têm o mesmo peso que o preço em processos licitatórios. “Mexemos em várias leis internas para realizar compras sob o critério da sustentabilidade. Exigiu muito estudo, mas os resultados serão ainda melhores”, afirmou. Itaipu também foi tema em outros dois debates. O advogado João Emilio Correa da Silva de Mendonça, da assessoria da Diretoria Jurídica, apresentou a palestra “Itaipu: Exemplo de Cooperação Internacional Fronteiriça”; e Juan Carlos Sotuyo, diretor superintendente do Parque Tecnológico Itaipu, falou sobre “Desenvolvimento e Integração Territorial: O modelo do PTI”. Friedrich: Compra Sustentáveis como exemplo Segundo a coordenadora do evento, Silva Marchiorato, o objetivo do encontro foi trocar experiências sobre projetos na área ambiental na tríplice fronteira. “Embora cada país tenha sua Constituição e regras, os três dividem o mesmo espaço, portanto, podemos desenvolver leis ambientais e tributárias conjuntas e complementares.” O evento foi promovido pela Unifoz, em parceria com a Academia Brasileira de Direito Tributário (ABDT), Universidad Privada del Este (UPE - Paraguai), Universidad Nacional de Misiones (Unan – Argentina) e Bioma Brasil (Umras), em parceria com a Itaipu Binacional. Educação é saída para crise ambiental, diz Friedrich O diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrich, destacou a educação como um dos pontos principais da mudança necessária para a solução da crise ambiental que o mundo atravessa durante o 10º Congresso Brasileiro de Direito Socioambiental e Sustentabilidade, realizado em Curitiba. “É preciso investir na educação não apenas das crianças, que poderão agir no futuro, mas especialmente dos adultos, que podem começar já a mudança”, disse. Friedrich apresentou o Programa Cultivando Água Boa (CAB) É preciso investir na educação, não apenas das crianças, que poderão agir no futuro, mas especialmente dos adultos, que podem começar já a mudança. Nelton Friedrich, diretor de Coordenação e Meio Ambiente de Itaipu 20 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal para uma plateia interessada nos temas relativos ao meio ambiente, incluindo o físico teórico e escritor Fritjof Capra, autor de livros como “O Tao da Física”, “A Teia da Vida” e “O Ponto de Mutação”. Mais tarde, após a apresentação de Friedrich, o físico austríaco, que desenvolve um trabalho de educação ecológica, também proferiu uma palestra. Especialistas de diversas áreas da saúde apresentaram trabalhos que vêm desenvolvendo com a fitoterapia no 1º Encontro de Sensibilização para Profissionais da Saúde – Arranjo Produtivo Local de Plantas Medicinais e Fitoterápicos no Âmbito do SUS, realizado no mês de agosto no auditório do Refúgio Biológico Bela Vista. O encontro, parceria entre a Itaipu, por meio do Programa Cultivando Água Boa, e o Ministério da Saúde, reuniu profissionais de saúde de Foz do Iguaçu, Toledo e Pato Bragado que também ouviram relatos de casos e receberam informaçãoes sobre a ação farmacológica das plantas medicinais. Na abertura do evento, o superintendente de Meio Ambiente da Itaipu, Jair Kotz, fez um breve histórico do trabalho com as plantas medicinais desenvolvido na Itaipu desde 2003. “Aos poucos, o tema foi se fortalecendo e os sonhos se tornaram realidade. E a Itaipu quer continuar nesse caminho, dando todo o apoio necessário para que os municípios desenvolvam seus arranjos produtivos locais”, disse. O encontro faz parte das ações do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde para continuar a implantação da Política Nacional de Plantas Medicinais. “Queremos disseminar a utilização dos fitoterápicos, desmistificar e acabar com preconceitos. Para isso, precisaremos do envolvimento e da parceria de todos”, disse Katia Torres, consultora do Ministério da Saúde. Segundo ela, a capacitação dos profissionais de saúde é uma das etapas mais importantes. “A população acredita e usa fitoterápicos. Agora, temos que incorporá-los também junto aos profissionais da saúde”, concorda Cristiane Ortega, diretora do Departamento de Assistência Especializada da Secretaria Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu. Em julho de 2012, os municípios de Foz do Iguaçu, Pato Bragado e Toledo foram escolhidos pelo Ministério da Saúde para receberem R$ 2 milhões para desenvolver a cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos. As cidades tiveram apoio da Itaipu Binacional para elaborar a proposta técnica e execução do projeto, que contempla a articulação de arranjos produtivos locais (APLs). O Projeto Plantas Medicinais, que integra o Programa Cultivando Água Boa (CAB) vem sendo desenvolvido desde 2003, prestando assistência aos municípios da região. O diretor começou a exposição falando sobre a crise do nosso modelo civilizatório. “Durante esta hora em que estou falando aqui, 1,5 mil hectares de floresta serão derrubados”, alertou. Para ele, o pensamento mecanicista, reducionista e imediatista resultou numa lógica nociva. O movimento necessário e instituído pelo Cultivando Água Boa, segundo Friedrich, é contrário: a qualidade no lugar da quantidade e o cuidado como novo paradigma. CAB é apresentado em eventos nos EUA Foram quatro dias de encontros, reuniões e debates onde foram mostradas as diversas ações e a metodologia do programa O Programa Cultivando Água Boa (CAB), desenvolvido por Itaipu nos 29 municípios da Bacia do Paraná 3 (BP3), foi apresentado em Nova York, de 7 a 10 de outubro, durante extensa agenda cumprida pelo diretor de Coordenação, Nelton Friedrich. “Foi um passo muito importante porque ainda não havíamos mostrado o CAB nos Estados Unidos e essa fronteira agora está aberta”, avaliou. No dia 7, o diretor participou de uma mesa de diálogos sobre água e sustentabilidade em seminário promovido pelas Americas Society – uma organização dedicada à educação, debate e diálogos nas Américas. Friedrich dividiu a mesa com o cônsul geral do Brasil em Nova York, embaixador Felipe Seixas Correa; a diretora de Políticas Públicas e Relações Corporativas da Americas Society, Randy Melzi; e a diretora do Planeta Orgânico, Maria Beatriz Martins Costa. O público do seminário era formado por representantes da Columbia University, Fordham Business School, diplomatas, empresários, órgãos de imprensa, Câmara de Comércio Brasil-EUA, Unesco, África Global Comunication, Grupo ABC, Clinton Global Iniciative, JP Morgan, Pricewaterhouse e Prefeitura de Nova York. Após o encontro, Friedrich participou de uma reunião no consulado do Brasil. “O trabalho que a Itaipu vem desenvolvendo por meio deste programa é extremamente interessante. O Brasil é protagonista global no cenário da sustentabilidade e, nesse contexto, o Cultivando Água Boa é uma de nossas melhores referências”, elogiou Seixas Correa. No dia 8, o diretor de Coordenação e Meio Ambiente apresentou o CAB para alunos, professores e pesquisadores do Center for Brazilian Studies e Columbia Water Center; no mesmo dia, reuniu-se com o diretor da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), Paul Maseli. Segundo Nelton, Maseli sugeriu ao diretor de Energia e Clima da Unido, Pradeep Monga, maior divulgação do Cultivando Água Boa nos centros regionais e na cooperação Sul-Sul. No dia 9, o CAB foi apresentado ao chefe do setor de Análise de Políticas do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (Desa), David O’Connor. Após a reunião, no escritório da Organização das Nações Unidas, O’Connor propôs que o CAB seja apresentado na Conferência Global para o Acesso a Energia Rural, que será realizada em dezembro, na Etiópia. Em seguida, Nelton participou de um encontro no Hunter College. “Ficamos muito interessados em manter aproximação com a Itaipu. Quem sabe, em julho do próximo ano, façamos um estágio na Itaipu para que possamos nos aprofundar nas ações desenvolvidas com ênfase na alimentação saudável”, disse o coordenador do projeto que promoverá alimentação saudável para os funcionários da Prefeitura de Nova York, Nicholas Freidenberg. A iniciativa da Itaipu contempla uma série de ações por meio uma abordagem sistêmica, que conta com 2.380 parceiros. Além do cuidado direto com o maior bem da humanidade, a água, entre outros, o programa recuperou 1.300 km de cerca com mata ciliar recomposta em uma região que tem 90% das propriedades com menos de 50 hectares. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 Apresentação do CAB no vento da Americas Society No escritório da Clinton Global Initiative, Nelton esteve reunido com a coordenadora do Programa de Meio Ambiente, Caroline Hermans. “Identificamos vários pontos de convergência entre o Programa CAB e a Clinton Global Initiative, principalmente nos trabalhos relacionados à obesidade infantil, oportunidade econômica, crescimento e mudanças climáticas”, ressaltou Caroline Hermans. Nelton Friedrich avaliou como extremamente positiva a agenda cumprida em Nova York. “Ampliamos nossa rede de contatos, multiplicamos nossas ações e certamente estabelecemos novas parcerias”, disse. Na Fordham University, diretor fala sobre matriz energética e ações socioambientais O diretor de Coordenação e Meio Ambiente de Itaipu, Nelton Friedrich, voltou a Nova York em novembro para mais uma apresentação do Programa Cultivando Água Boa. Dessa vez, num painel sobre Energia e Negócios, da Fordham University, um das mais antigas universidades dos Estados Unidos, focada na formação de gestores. Na mesa, com Friedrich, estavam representantes da China, Turquia, Índia, Paquistão e África. Friedrich apresentou os principais dados da matriz energética brasileira, com enfoque para os índices de produção de energia limpa. No, Brasil a produção de energia limpa é de 48% do total – se considerada apenas a energia elétrica, esse índice sobe para 88%. A média de matriz limpa dos países ricos é de 12%. “Tivemos palestras dramáticas sobre o quadro da energia nos países ricos e do desafio dos países na produção de energia e mostramos o contraponto, como nossa matriz é diversa e limpa.” Durante a palestra Friedrich falou também sobre os projetos de energia aeólica, solar e ainda o biogás, citando o projeto Energias Renováveis, desenvolvido pela Itaipu no Condomínio Ajuricaba. Além de falar sobre a matriz energética, Nelton Friedrich falou sobre as ações socioambientais realizadas pelo CAB na região da Bacia do Paraná 3 e da metodologia utilizada, que prevê o envolvimento da comunidade em todas as atividades e projetos. “Nós entendemos que, num futuro próximo, só vão florescer as empresas que tiverem também essa preocupação socioambiental e não apenas com seu negócio”, explicou ao ser questionado pelos participantes de diversos países sobre os motivos que levaram Itaipu a adotar ações que vão muito além do seu negócio, que é gerar energia elétrica. Para ele, as empresas têm de ter o compromisso de se preparar para enfrentar os grandes desafios da humanidade: “energético, da água, do alimento, da sustentabilidade, com grande envolvimento comunitário”. J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 21 EM QUESTÃO Merendeira da região é exemplo de dedicação Meu projeto começou com a minha própria experiência de ser nordestina, de ter de aprender a aproveitar bem os alimentos, saber valorizar o que se leva à mesa Com o Favela Orgânica, Regina Tchelly ensina gastronomia alternativa e respeito aos alimentos E Ela cresceu vendo a mãe e a avó aproveitando todos os alimentos disponíveis e ainda utilizando o que sobrava para fazer adubo para as hortas. Hoje, Regina Tchelly, uma paraibana de sorriso fácil e imensa simpatia, usa o que aprendeu ainda criança para melhorar a vida das comunidades de Chapéu Mangueira e Babilônia, onde mora, no Rio de Janeiro. Com seu projeto, o Favela Orgânica, a ex-empregada doméstica alia geração de renda e ensina homens e mulheres a aproveitarem totalmente os alimentos. Da casca ao talo tudo pode virar um prato saboroso e rico, como o salpicão de casca de melancia ou o brigadeiro de casca de banana, duas das dezenas de receitas que ela prepara e serve nos eventos que atende com seu bufet alternativo e nas oficinas que realiza Brasil a fora. Ela também ensina a todos que qualquer embalagem – garrafas PET, caixas de isopor, bacias velhas – pode virar um canteiro para plantar frutas e hortaliças no quintal de casa. E prova que mesmo em pequenos espaços é possível produzir, de preferência sem agrotóxico: tudo pode ser tratado de maneira natural, saudável. Como começou seu projeto Favela Orgânica? Qual foi sua inspiração? Começou com a minha própria experiência de ser nordestina, de ter de aprender a aproveitar bem melhor os alimentos, saber valorizar o que se leva à mesa. A gente sabe gerir o que consome, lá na Paraíba, onde eu morava. Via minha mãe, que quando não aproveitava a casca de uma fruta, colocava na hortinha lá em casa para decompor e virava terra. Aí, eu vim para a cidade grande e vi a quantidade de alimentos que estava sendo desperdiçada na feira; vi que com um pé de brócolis eu fazia cinco tipos de pratos diferentes. Então, comecei a criar receitas na minha cabeça. Mas eu queria sempre ser uma cozinheira diferente, uma cozinheira que desse solução para o nosso consumo. Olha que loucura. Eu fui muito danada, não foi não? Eu sempre quis uma cozinha afetiva e que pudesse dar valor pelo alimento imediato. Foi 22 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal O Favela Orgânica tem apenas dois anos, mas já conta muitas vitórias, atrai pessoas de todos os lugares e de todas as condições financeiras, gente que quer aprender e gente que quer ajudar. Seu exemplo corre o mundo: ela é notícia em vários jornais e emissoras de televisão e já levou suas oficinas de aproveitamento de alimentos para várias cidades brasileiras. No ano passado, viajou à Itália, onde participou de um evento do movimento Slow Food Internacional. Foi num encontro sobre o potencial da gastronomia para o desenvolvimento social, realizado no ano passado, no Rio de Janeiro, que ela teve seu primeiro contato com o Programa Cultivando Água Boa (CAB), apresentado num painel sobre o tema: “Uma Receita para um Novo Brasil” e durante o Cozinha ao Vivo, no Morro do Alemão, que reuniu renomados chefs do Brasil. No Encontro do CAB deste ano, Regina Tchelly vai fazer o que mais gosta: ensinar a fazer alimentos com o que muita gente joga no lixo e mostrar um que com coragem e determinação é possível fazer qualquer coisa e realizar sonhos. aí que desenvolvi o Favela Orgânica. A ideia é devolver para a terra o que a terra nos dá. O povo dizia que na Paraíba o povo passava fome, mas quando eu vim para o Rio de Janeiro, eu vi a realidade do passar fome, muitas vezes, por querer, por preguiça, mas muitas vezes também porque não sabem que um matinho que está na casa deles (ora pro nobis, por exemplo) dá para comer. É um absurdo aqui no Rio de Janeiro alguém passar fome. As pessoas não têm conhecimento do aproveitamento total. O Favela Orgânica não é inovador nesse sentido, porque o aproveitamento total, horta comunitária, isso tem há anos, eu acho que o inovador é a consciência, o resgate. Isso o Favela Orgânica tem muito. Começar de uma favela para o mundo. Quando chegou ao Rio de Janeiro? Há 12 anos, em 30/06/2001. E aí, em 2011, veio a Agên- cia de Redes para Juventude para as comunidades pacificadas dando oportunidade para jovens de 15 a 29 anos desenvolver projetos que viessem trazer benefícios para a comunidade e para a cidade. Eu já era muito virada na cozinha e disse ‘é minha oportunidade, minha oportunidade’. Aí eu passei por uma banca avaliadora e não fui selecionada. Foi o melhor não da minha vida. Foi aí que eu consegui R$ 140 com amigos e vizinhança e chamei seis mães multiplicadoras da comunidade para elas fazerem comigo a primeira aula. Como é que funciona o Favela Orgânica? Eu tenho a oficina do consumo consciente, oficina de compostagem caseira, para ensinar que fazendo uma compostagem você tem um adubo, a oficina de pequenas hortas em pequenos espaços e também a gastronomia alternativa. Inclusive vou fazer uma horta comunitária para N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 O Favela Orgânica também está ajudando a transformar a vida de outra Regina. Merendeira há 25 anos, Regina de Oliveira Caetano Andrade, participou no mês de setembro, em Curitiba, do curso de aproveitamento total dos alimentos ministrado pela chef Regina Tchelly. Ela participou do curso a convite da Itaipu, como reconhecimento a sua trajetória: ela foi premiada no Concurso de Pratos Saudáveis, que terá nova edição em 2014. entrar no consumo das pessoas, para elas refletirem para que consumir tanto, desperdiçar tanto. Vou usar garrafas PET, bacias. A ideia é fazer com que as pessoas consigam imaginar o quanto de embalagens elas levam para casa e o quanto que elas podem economizar se aprenderem a consumir corretamente, comprar um potinho de alguma coisa e fazer comida nesse potinho. Plantar comida. Acho que eu já dei mais de 2 mil oficinas. E vem muita gente ser voluntária aqui comigo, gente do Brasil, gente de Paris, da Bolívia, do Chile, de muitos lugares. Tá movimentando a galera. Tem também um bufet alternativo. É um projeto que trabalha com o ciclo do alimento, com o consumo consciente. As pessoas ficam encantadas e através disso vêm para as oficinas. Eu acho que o projeto é muito ambiental antes de qualquer coisa senão seria uma empresa comum e a minha proposta é outra. Você mora na comunidade, trabalha na comunidade? Moro dentro da comunidade e o Favela Orgânica funciona dentro da minha casa. A única dificuldade que eu tenho é a falta de espaço. Aqui eu fico um pouco limitada. Na comunidade, mais de 200 pessoas já foram beneficiadas com as oficinas, com o próprio bufê, sendo remuneradas, de uma forma ou outra deu um incremento na renda deles. Teve gente que já comprou várias coisas para dentro de casa. E dá muito certo porque eu mostro para elas que eu não sou patroa e que elas não são minhas empregadas, e sim, somos parceiras. Seu projeto gera renda com o bufet, mas também tem objetivo social e ambiental... A minha proposta maior é [acabar com] o grande desperdício de alimentos e muita gente passando fome, aproveitar aquilo que as pessoas não entendem que seja alimento. Eu tenho de começar por aquilo que está acontecendo, a realidade local, a realidade dos dias de hoje. Se eu conscientizar a pessoa, por exemplo, e ela plantar e pensar no que vai levar para casa, focar nessas hortas de pequenos espaços já é uma vitória. Quando cozinheiras, nutricionistas, chefes de cozinha, pessoas do meio ambiente, poder público começarem a se juntar o mundo muda rapidinho. Basta querer, sabe? Eu acho fantástico trabalho que tem aí em Itaipu. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 Como é que seu trabalho começou a ganhar o mundo? Com dois meses, a Rede Globo estava aqui em casa, depois vários jornais, aí com 6 meses, a BBC. Com um ano, eu estava na Itália com o movimento Slow Food Internacional. Fui dar palestra para 600 pessoas, rodeada de vários chefs do mundo e também cozinhei lá. O que você diria para quem quer realizar um trabalho como o seu? Primeiro se ame e se coloque no lugar de uma pessoa que vai receber o que você vai propor. Eu acho que quando a gente se ama, a gente vê que a gente é capaz, vê que tudo o que a gente vai dar para os outros é o que a gente queria receber. Eu me coloquei muito no lugar das meninas, a maioria era como eu na época, empregada doméstica, com filho, marido. O que me incentivaria a ir para uma escola de gastronomia e, ainda por cima, alternativa (que é com talo, casca e semente), 7 horas da noite, depois de um dia longo de trabalho? Primeira coisa, ser afetiva, depois, ser um lugar de resgate, de respeito, de muito amor. É muito mágico. Na Rocinha, em outubro, dei oficina para 60 pessoas. Como elas se amaram, como elas se respeitaram. Porque eu estou indo com um movimento que não é aquela coisa: cortadinho certinho, eu sou a chef fazendo. Eu não. Todo mundo faz eu só explico como é que é feito, nem a mão direito eu coloco porque elas têm que ver, têm de colocar do jeito que elas gostam. A única coisa que eu falo é ‘lembrem-se que vocês estão cozinhando para as pessoas mais especiais na vida que é cada uma de vocês e lembrem-se que tem muita gente especial aqui pra comer o amor de vocês’. Com sorriso nos lábios e olhos brilhantes de empolgação, ela também fala da nova função à frente do controle e distribuição da merenda escolar do município de Santa Terezinha de Itaipu, assumida em 2013. “Amo o que faço e o orgulho é ainda maior ao ver que nossas colegas merendeiras estão motivadas a fazer a diferença e transformar a alimentação de nossas crianças ainda mais saudável. Ver os pratos limpos das crianças ao fim de cada recreio demonstra que estamos no caminho certo”, ressaltou. Ela acrescentou que participar dos concursos e cursos incentivados por Itaipu foi muito gratificante. “Tivemos o estímulo necessário e, mais do que isso, o aprendizado que está sendo multiplicado no ambiente escolar e em nossos lares.” Questionada sobre a expectativa quanto ao novo concurso de receitas saudáveis que será lançado no Encontro Cultivando Água Boa desse ano, Regina resume: “Estamos ansiosas e mobilizadas na criação de novas receitas.” Quais são seus planos para o futuro? O que você tem planejado? O que você espera? O que eu quero mesmo, primeiro, é um espaço. Com esse espaço vou poder passar muita coisa que tem dentro de mim para poder ser compartilhado. A segunda coisa é que eu consiga levar alimentos num pote para pessoas, para que as pessoas consigam plantar onde elas tenham espaço. Esse movimento eu preciso muito fazer, estou com muita necessidade no meu coração de fazer isso: é plantar, plantar, plantar, levar os produtores até o cliente, o cliente até o produtor, fazer essa transformação. J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 23 COMPARTILHAMENTO PARTICIPAÇÃO Centro Tecnológico Demonstrativo de Modelos da FAO vai divulgar boas práticas do Programa Cultivando Água Boa Cidades Sustentáveis propõe incluir novos indicadores O centro será implantado dentro da Usina de Itaipu para promover o intercâmbio de conhecimentos e fortalecer a relação Sul-Sul, com ênfase para América Latina e África O coordenador do Programa Cidades Sustentáveis, Maurício Broinizi, esteve no Paraná em setembro para conhecer alguns municípios da região Oeste que já aderiram ao programa. Ele participou de reuniões com os gestores do Programa Cultivando Água Boa (CAB) e com os prefeitos de Foz do Iguaçu, Santa Helena e Toledo. Parceria de Itaipu no estímulo à adesão dos municípios da região oeste à plataforma é destacada por Maurício Broinizi, coordenador do programa A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) vai implantar na Usina de Itaipu um Centro Tecnológico Demonstrativo de Modelos com o objetivo de promover o intercâmbio de conhecimentos e fortalecendo a relação Sul-Sul, com ênfase para a América Latina e África, a partir de programas de Itaipu nos mais diferentes segmentos. Entre eles, estão a Plataforma Itaipu de Energias Renováveis e o Programa Cultivando Água Boa (CAB), que inclui projetos e iniciativas de ações ambientais sustentáveis em toda a Bacia do Paraná 3. Broinizi falou aos os gestores do CAB sobre as ações do programa e estimulou o grupo a inserir novos indicadores na plataforma – a partir dos 100 itens básicos sugeridos pelo Cidades Sustentáveis. “Essa parceria com Itaipu é construtiva. Percebemos que a região Oeste tem suas particularidades e que muitos indicadores específicos e importantes estão em processo de construção com a própria prática do Cultivando Água Boa”, disse. O centro, que vai funcionar junto ao escritório descentralizado da FAO no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), vai abrigar unidades de demonstração nas áreas de energias renováveis, gestão participativa de bacias hidrográficas, plantio direto e agricultura de baixo impacto, educação ambiental, aquicultura, cooperativas e modelos inclusivos de participação social, políticas da agricultura familiar, banco de tecnologias sociais (possível parceria com a Fundação Banco do Brasil), fortalecimento e expansão da Unila – a Universidade da Integração Latino-Americana. Jucerlei Sotoriva, prefeito de Santa Helena e presidente do Conselho dos Lindeiros, destacou a importância do engajamento da região em um programa que oferece ferramentas para que as cidades brasileiras se desenvolvam de forma econômica, social e ambientalmente sustentável e prometeu incentivar outras cidades a assinarem o documento. Em Toledo, o tema foi o comprometimento. “Nossa meta é inovar e transformar Toledo em uma referência em boas práticas”, disse o prefeito Beto Lunitti. O anúncio de criação do centro de modelos foi feito pelo diretor da FAO, o brasileiro José Graziano, em Roma, no mês de setembro, durante uma das reuniões com o grupo liderado pelo diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek. O grupo esteve na Itália para divulgar o II Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local. A viagem à Itália incluiu uma extensa agenda com a FAO. Integraram a comitiva o diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich; o superintendente de Energias Renováveis, Cícero Bley Júnior; e o assistente do diretor-geral brasileiro, Herlon Goelzer de Almeida, coordenador do Sistema de Gestão da Sustentabilidade (SGS). A FAO e a Itaipu devem fazer chegar essas informações a todo o mundo, em especial na América Latina e na África Júlio Worman, da área de cooperação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura Com o centro, pretende-se estabelecer um ambiente propício para o diálogo, compartilhamento de casos de sucesso e elaboração de propostas que possam se adequar à realidade dos países interessados. A intenção da Itaipu e da FAO, segundo Samek, é identificar outros parceiros regionais, como cooperativas agropecuárias, prefeituras, Emater, Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento e universidades, entre outros, para que atuem no novo centro de referência de boas práticas. 24 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal Samek e Friedrich com Júlio Worman, Daniela Kalikoski e Dóris Soto durante reunião em Roma para apresentação do projeto Mais Peixes em Nossas Águas Mais Peixes em Nossas Águas é uma das ações a integrar centro Uma das ações que devem integrar o Centro Tecnológico Demonstrativo de Modelos é o projeto Mais Peixes em Nossas Águas, que compõe o Programa Cultivando Água Boa. O projeto foi apresentado pelo diretor-geral brasileiro, Jorge Samek, e pelo diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, que mostrou dados do modelo de piscicultura de Itaipu a Dóris Soto, Daniela Kalikoski e Júlio Worman, da FAO. Por meio do centro, os países parceiros terão acesso a tecnologias, experiências e atividades de capacitação, os quais, conjugados com suas capacidades técnicas locais, contribuirão para o desenvolvimento do País em diferentes níveis. A lista inclui aperfeiçoamento do quadro de profissionais, da infraestrutura técnica e de processos para ela- Nos cerca de 500 tanques-rede distribuídos por Itaipu na área do reservatório, a produção de peixes no ano passado chegou a 51 toneladas. A meta é alcançar 75 toneladas neste ano. No reservatório, a produção total é de 1.300 toneladas. Dos reservatórios da Bacia do Paraná, o de Itaipu é considerado o mais produtivo. Itaipu também tem sido pioneira na demarcação de parques aquícolas em reservatórios. A Itaipu monitora com estatística a produção pesqueira no reservatório desde 1987. Os próprios pescadores fornecem informações diárias e os resultados mostram uma evolução crescente na captura de peixes no reservatório. Segundo Júlio Worman, a experiência de Itaipu é muito rica, diversificada e completa; não merece ficar guardada. “Ao contrário, a FAO e Itaipu devem fazer chegar essas informações a todo o mundo, em especial na América Latina e na África”. boração e implementação de planos de ação, assim como uma melhor formulação, execução e acompanhamento de programas públicos e projetos, que envolvam parcerias com a sociedade civil e setor privado. A FAO terá um papel chave auxiliando no processo de articulação com governos e parceiros para garantir a participação de representantes N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 governamentais de alto nível, com grande capacidade de decisão, e representantes de entidades não-governamentais, com grande representação social. Nessa parceria, a entidade também vai disponibilizar o seu quadro de especialistas para ajudar na continuidade e sustentabilidade de atividades futuras. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 sam a adotar metas em diversos indicadores de sustentabilidade, tais como coleta seletiva e reciclagem, saúde pública, mobilidade urbana e combate às mudanças climáticas. De acordo com Broinizi, o Oeste do Paraná é uma região importante por concentrar uma grande quantidade de municípios signatários do programa. “É uma região estratégica, que pode servir de exemplo para diversas localidades do Brasil e do mundo”. Percebemos que a região Oeste tem suas particularidades e que muitos indicadores específicos e importantes estão em processo de construção com a própria prática do Cultivando Água Boa Maurício Broinizi, coordenador da Plataforma Cidades Sustentáveis Ele acrescentou que o CAB é um exemplo a ser seguido, tanto que está inserido no banco de boas práticas do Programa Cidades Sustentáveis. Região estratégica O Programa Cidades Sustentáveis conta com 245 cidades signatárias, incluindo 20 capitais brasileiras. Dos 52 municípios que integram a Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop), 34 são signatários do Programa Cidades Sustentáveis. Destes 34, 26 são da Bacia do Paraná 3 (BP3). O objetivo é obter a participação de todos os municípios integrantes da Amop. Com a assinatura da carta-compromisso os municípios pas- A implantação do programa Cidades Sustentáveis na região Oeste teve início em novembro de 2011, com uma apresentação realizada durante o Encontro Cultivando Água Boa. Em agosto de 2012, diversos candidatos a prefeito e presidentes de partidos políticos assinaram documento se comprometendo a adotar as ferramentas do programa. Em novembro passado, esse compromisso foi reforçado em evento promovido pela Amop e também durante o encontro que celebrou 10 anos do CAB. Broinizi com gestores do CAB: indicadores específicos e importantes estão em processo de construção J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 25 COOPERAÇÃO TÉCNICA RESÍDUOS SÓLIDOS BNDES e Itaipu firmam acordo no valor de R$ 50 milhões para ações de desenvolvimento Troca de experiências ajuda a melhorar qualidade de vida de catadores de recicláveis Além de preocupações ambientais, a Política Nacional de Recursos Sólidos busca a valorização da atividade dos catadores Do total, R$ 21 milhões serão destinados ao apoio a atividades que complementam ações do Cultivando Água Boa O Programa Coleta Solidária, desenvolvido por Itaipu, foi uma das experiências de fomento e desenvolvimento da coleta de resíduos sólidos apresentadas no 1º Seminário Regional Sul e Centro-Oeste do Projeto Articula (Ação), realizado entre os dias 23 e 25 de setembro, no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI). O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Itaipu Binacional e a Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI) firmaram um acordo de cooperação financeira no valor de R$ 50 milhões. O objetivo é viabilizar o desenvolvimento regional do oeste paranaense, por meio do fortalecimento de unidades produtivas e da modernização da administração municipal, promovendo ainda a inclusão social. A proposta do evento, organizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria Nacional de Economia Solidária, é encontrar formas de melhorar a qualidade de vida dos catadores com a organização e desenvolvimento de cooperativas e, ao mesmo tempo, aumentar a vida útil dos aterros sanitários. Do total, R$ 21 milhões serão destinados ao apoio a atividades produtivas ligadas à agricultura familiar, pesca, artesanato e coleta de lixo reciclável e outras atividades de baixa renda, complementando ações que já são coordenadas pela Itaipu no âmbito do Programa Cultivando Água Boa. O acordo foi assinado, no dia 3 de outubro, pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho; pelo diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek; pelo diretor-superintendente da FPTI, Juan Sotuyo; e pelo presidente da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop), José Carlos Mariussi. A primeira operação no âmbito do acordo já foi contratada. Com recursos de até R$ 10,5 milhões do BNDES Fundo Social e contrapartida de, no mínimo, igual valor por parte da FPTI, o projeto contempla a estruturação de empreendimentos produtivos coletivos (cooperativas) de baixa renda – urbanos e rurais – desenvolvidos na região. Para garantir o apoio a um número maior de beneficiados, foi definido um limite de R$ 25 mil por cooperado atendido. A Fundação ficará responsável pela identificação das necessidades locais, que resultarão em propostas potenciais para impulsionar o desenvolvimento regional a partir da geração de emprego e renda. Propostas já estão em análise e algumas estão em estágio mais avançado, como a da Cooperativa Agrofamiliar Solidária dos Apicultores da Costa Oeste do Paraná (Coofamel) e da Associação do Produtores de Agricultura e Pecuária Orgânica de São Miguel (Aprosmi). A Itaipu está solicitando às cooperativas parceiras do CAB que submetam projetos, especificando inclusive o respectivo plano de negócio, para acessar esses recursos.As propostas que forem consideradas viáveis pela FPTI serão encaminhadas ao BNDES para análise do grupo de acompanhamento e aprovação do diretor responsável pela Área Agropecuária e de Inclusão Social (Agris). O acordo permite apoio a compra de máquinas e equipamentos novos; veículos, utilitários, caminhões e implementos; construção, adequação e reparo em imóveis; equipamentos de informática, comunicação e software; capacitação nos campos da organização social, da educação ambiental, da gestão organizacional e na área técnico-operacional; entre outros itens, desde que os bens venham a ser utilizados coletivamente pela cooperativa beneficiada. 26 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal Prefeitos de municípios da Amop reunidos na Itaipu: fortalecimento da região Com os investimentos previstos, espera-se, além do desenvolvimento territorial da região, promover um ganho de escala na execução de projetos sociais desenvolvidos pela FPTI, bem como elevar a renda dos beneficiários finais. A próxima operação, que está em estudos, prevê o apoio financeiro à elaboração dos planos de saneamento de municípios do Oeste paranaense. Estão previstos R$ 10 milhões para essas ações. Para o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, essa é uma ação que efetivamente promove o desenvolvimento da região. Ele destacou duas iniciativas do convênio: a do programa de modernização da gestão pública e o de projetos de saneamento básico dos municípios da região. Segundo a coordenadora do Articula (Ação), Ronalda Barreto Silva, com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada pelo presidente Lula em 2010, a meta está mais próxima de ser alcançada. Até 2014, os lixões devem ser eliminados das cidades brasileiras. Do contrário, receberão menos recursos do governo federal. “Graças à Itaipu, esta região está mais avançada. Entretanto, em outras, muito ainda precisa ser feito para cumprir a lei. Este encontro busca encontrar mecanismos para fazer isso acontecer”, ressalta Ronalda. Ronalda Barreto Silva: “Graças à Itaipu esta região está muito avançada” O programa Segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a ajuda da Itaipu, da FPTI e da Amop na formatação de projetos dos municípios para a obtenção de recursos do governo federal tem sido fundamental nessa parceria. O gestor do projeto na FPTI, João José Passini, diz que o objetivo maior é o desenvolvimento territorial da região. “É o desenvolvimento baseado nas pessoas, criando uma rede de empreendedores na economia solidária e possibilitando a inclusão social. Esse é o grande foco do projeto.” Cultivando Água Boa é apresentado como modelo de gestão integrada em encontro no BNDES A experiência de Itaipu no desenvolvimento regional, principalmente por meio do Programa Cultivando Água Boa, foi apresentada em um encontro organizado pelo BNDES, em outubro. O encontro reuniu executivos do BNDES, instituições parceiras e especialistas para uma reflexão sobre o desenvolvimento da região Sul do Brasil, com o objetivo de refinar políticas públicas. O superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu Binacional, Jair Kotz, apresentou as ações e os resultados do Programa Cultivando Água Boa (CAB) nos últimos dez anos e os desafios futuros. Também presente na reunião, Jucerlei Sotoriva, presidente do Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu e prefeito de Santa Helena, representou os municípios da Bacia do Paraná 3 (BP3), área de atuação do CAB. “Mostramos que, por meio de parcerias consolidadas e do comprometimento, podemos mudar conceitos e, mais do que isso, garantir qualidade de vida às pessoas”, avaliou Sotoriva. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 O objetivo do Coleta Solidária, lançado por Itaipu em 2003 como uma das ações do Programa Cultivando Água Boa (CAB), é aumentar a renda dos catadores de materiais recicláveis, formar cooperativas e transformar a atividade em profissão. Começou em Foz do Iguaçu, com a doação de carrinhos, uniformes e capacitação (leia mais na página 15). Jair Kotz em palestra durante o evento: “O projeto cresceu, mas ainda há muito a ser feito” O Coleta Solidária foi além da Bacia do Paraná 3 (BP3) e atualmente já atinge mais de 60 cidades. “O projeto cresceu. A renda dos catadores aumentou mais de 300%. Mas ainda há muito a ser feito”, disse o superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Jair Kotz. Na opinião de Viviane Mertig, presidente da Cooperativa de Catadores de Foz, o Coleta Solidária não apenas contribuiu para o aumento da renda, mas aumentou a autoestima dos catadores. “Nos cursos, aprendi que o meu trabalho auxilia no desenvolvimento das cidades e contribui para a preservação do meio ambiente”, afirmou. Para Viviane, o grande desafio é obter o reconhecimento das prefeituras e o pagamento, por parte do município, pelo trabalho dos catadores. “Por que não contratar as cooperativas para fazer coleta de materiais recicláveis? Hoje fazemos isso, mas não recebemos.” Viviane Mertig: “Aprendi que meu trabalho auxilia no desenvolvimento das cidades” Estratégia Os temas do encontro em Foz do Iguaçu foram definidos no 1º Seminário da Senaes Pró-catador: Articulação de Entidades Parceiras, realizado de 29 a 31 de julho, em Brasília. A estratégia está de acordo com a Política Nacional de Recursos Sólidos, que determina a reciclagem máxima possível de materiais. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 A iniciativa do governo federal criou uma hierarquia para a gestão e o gerenciamento de resíduos e sugere prevenção, reutilização, tratamento e disposição em aterros somente dos rejeitos. Política Nacional de Recursos Sólidos também define o gerador de resíduos como o responsável por sua destinação, sem tirar das prefeituras a responsabilidade, mas compartilhando-a. Além disso, busca a integração dos catadores nas atividades que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 27 ATITUDE SUSTENTABILIDADE PARCERIAS Ações internas na usina garantem sustentabilidade, economia e mais saúde Encontro debate e propõe ações de agroecologia Comitês gestores do CAB têm novos coordenadores Com adoção de ideias simples, somente a Divisão de Serviços Gerais já conseguiu economia de R$ 3,6 milhões Representantes de todos os setores da sociedade envolvidos com a agroecologia participaram do evento que reuniu mais de 200 pessoas da região A principal função dos comitês é acompanhar as várias atividades desenvolvidas em cada um dos programas do Cultivando Água Boa Itaipu, que tem grande projeção com iniciativas ambientais e sustentáveis como as do Programa Cultivando Água Boa, implantou em junho do ano passado seu novo Sistema de Gestão de Sustentabilidade (SGS), integrando programas, projetos e ações da empresa que já tratam da sustentabilidade. Tudo dentro de um ambiente que estimule a participação de todos os funcionários na proposição de ações e, principalmente, na tomada de atitudes. Dentro dessa linha de pensamento, vários projetos Divisão de Serviços Gerais vêm se destacando: o uso de sachês para adoçar o café, a substituição dos garrafões de água mineral por purificadores de água, aproveitamento da água da chuva, o uso dos estepes nos rodízios de pneus dos carros e, mais recentemente, a organização de correspondências. Os 29 municípios da Bacia do Paraná 3 concluíram, em outubro, a eleição dos coordenadores do comitês gestores municipais do Programa Cultivando Água Boa (CAB). O processo de escolha começou em 8 de março, em Santa Helena. O último município a eleger seus representantes foi Matelândia, em 10 de outubro. Cândida Strey dona da ideia do uso de sachês Purificadores garantem melhor qualidade da água Com pequenas mudanças, a Itaipu alcançou uma economia de R$ 3,6 milhões. Para além da economia, essas ações trazem fortes resultados ambientais e também para a saúde dos funcionários da usina. A oficina sobre a produção agroecológica de frutíferas atraiu muitos participantes A reflexão e a discussão de propostas que possam mobilizar todos os atores sociais, com foco no desenvolvimento rural sustentável, nortearam a pauta do VI Encontro Regional de Agroecologia (ERA), que reuniu nos dias 1 e 2 de agosto, em Santa Helena, 252 pessoas ligadas ao setor que residem na Bacia do Paraná 3 (BP3). De acordo com o gerente da Divisão de Serviços Gerais, Divan Saraiva da Cruz, as boas ideias do setor nascem, sobretudo, do bom relacionamento e do estímulo para que todos apresentem propostas. “O grande diferencial é que as ideias não são de gerentes, são de funcionários, de quem está na linha de frente”, comenta. Uma das ações mais recentes é a gestão das correspondências externas feita pela equipe responsável pelos malotes. “Só com a gestão correta a equipe está conseguindo reduzir os gastos com correspondências em R$ 10 mil por mês”, conta Divan Saraiva. Os custos saíram de R$ 34,5 mil por mês para R$ 24 mil. O que levou a essa economia foi a percepção de que muitas correspondências para a mesma pessoa seguiam em envelopes separados para os Correios. “A equipe recebe e se percebe que é para a mesma pessoa devolve para a área e pede para colocar tudo dentro de um envelope só”, explica. Numa das situações o gasto passou de R$ 347 para R$ 38. Menos açúcar, mais saúde O uso dos sachês de açúcar e adoçantes, no lugar do café ou chá adoçados, é ideia de Cândida Strey, também da Divisão de Serviços Gerais. O programa é, ao mesmo tempo, simples e eficiente: no lugar de adoçar as garrafas de café e chá servidas na usina, estão sendo oferecidos aos empregados sachês de açúcar e de adoçante para que cada uma faça sua opção. Com a mudança, Itaipu deve chegar ao final de 2013 consumindo 20 toneladas a menos de açúcar. Junto com a diminuição do uso do açúcar, veio também a redução no consumo de chá, café, leite, gás. “É uma cadeia de reflexos positivos”, lembra Divan Saraiva. A outra ação que vem apresentando bons resultados é a troca dos velhos garrafões de 20 litros de água mineral por purificadores. O custo de operação é de aproximadamen28 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal Lavagem de carros com água da chuva O grande diferencial é que as ideias são de quem está na linha de frente De acordo com o coordenador do Comitê Gestor de Agricultura Sustentável da Bacia do Paraná 3, Sérgio Angheben, os dois dias de encontro foram positivos em todos os sentidos. “Tivemos debates intensos sobre a realidade do setor agroecológico em nossa região e no Brasil, bem como a realização de oficinas, o que uniu teoria à prática.” Divan Saraiva da Cruz, gerente da Divisão de Serviços Gerais muito conhecimento que trocamos experiências, tiramos nossas dúvidas e aprendemos muitas coisas que são aplicadas nas propriedades”, disse Guiomar. O professor doutor da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Armênio Khatounian, foi um dos destaques do encontro. Ele falou sobre “Agroecologia, Patrimônio e Soberania”, destacando que a agroecologia no Estado do Paraná vem se fortalecendo de maneira participativa, o que faz toda a diferença e estabelece a sustentabilidade das ações. “O caminho é unir os diferentes conhecimentos e saberes na busca de novos valores, com base na ética e na valorização da natureza como substancial à vida. E isso vocês estão fazendo com muita sabedoria.” Ele acrescentou que os desafios não param e que o setor tem muito a avançar por meio da discussão e implementação de novas propostas. “Estamos vivendo uma nova realidade. Existe o fluxo inverso de pessoas que estão migrando do meio urbano para o rural e isso é interessante”, pontuou. Marcelo Sommer: estepes para rodar te um terço na comparação com os atuais bebedouros. De acordo com o setor, o custo anual para comprar 520 mil litros de água em garrafão consumidos em Itaipu é de R$ 130 mil; com os purificadores, a estimativa de gasto é de R$ 40 mil por ano, incluindo a troca semestral dos filtros instalados nos equipamentos. “As vantagens vão além da economia. Os purificadores garantem melhor qualidade da água consumida pelos empregados”, ressaltou Divan Saraiva. Água e estepe Itaipu também está conseguindo economizar centenas de litros de água na lavagem dos veículos. Em outubro do ano passado, foi instalada uma cisterna ao lado do galpão no setor de Transportes que garante o armazenamento de até 52 mil litros de água da chuva, suficientes para lavar 350 veículos, uma vez e meia a frota da Itaipu, que é de 250 veículos, além de guinchos, barcos e ônibus. A Divisão de Transportes também está conseguindo bons resultados com uma outra ideia simples: o uso dos estepes no lugar de pneus desgastados. A ideia de Marcelo Sommer, funcionário da Divisão de Transportes, gerou uma economia de R$ 50 mil em agosto do ano passado, na troca de pneus da frota. A partir de um levantamento, foram identificados 175 estepes para substituir pneus desgastados. No lugar deles, foram colocados os pneus “meia-vida”, aqueles que já rodavam, mas que ainda apresentam condições para tráfego com segurança. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 Uso do bambu na oficina sobre bioconstrução N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 A eleição demonstra o reconhecimento por parte dos parceiros de que o CAB não pertence à Itaipu e às prefeituras, mas a todo cidadão Gilmar Seco, gerente do Departamento de Interação Regional Implantados informalmente entre 2003 e 2004, os comitês foram instituídos por leis municipais em 2009. Os coordenadores são eleitos pelos membros indicados pelas entidades parceiras do comitê. Cada entidade indica oficialmente um titular e um suplente. A principal função dos comitês é acompanhar as ações da Itaipu, previstas nos convênios firmados com os municípios, e as várias atividades desenvolvidas em cada um dos programas do CAB. O comitê é também um fórum permanente de discussões de diversas questões do interesse do município. Para a presidente da Cooperativa Gran Lago, Guiomar Neves, “participar sempre vale a pena”. Segundo ela - que não perdeu nenhuma edição até hoje -, muito aprendizado foi colocado em prática. “A gente nunca pode pensar que já sabe tudo. Sempre temos muito a aprender e são nesses encontros com os colegas da região e pessoas de renome nacional que detém No início do projeto, o consumo mensal de água tratada para este tipo de serviço era de 150 metros cúbicos. Em junho de 2013, a medição mostrou que o consumo caiu para 42 metros cúbicos. “A eleição demonstra o reconhecimento, por parte dos parceiros que compõem os comitês, de que o CAB não pertence somente à Itaipu e às prefeituras, mas a todo cidadão que acredita no desenvolvimento sustentável de nossa região”, disse o gerente do Departamento de Interação Regional, Gilmar Secco. Junto com Leila Alberton e Luiz Suzuke, Secco esteve na eleição em Matelândia. Khatounian: unir os diferentes conhecimentos e saberes Santa Helena foi o primeiro município a eleger comitê J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 29 passa tempo RECONHECIMENTO CAB recebe o Marketing Best Sustentabilidade 2013 Prêmio é concedido às melhores ações empresariais sustentáveis do Brasil O Programa Cultivando Água Boa (CAB), da Itaipu Binacional e parceiros, recebeu no início de novembro o troféu do Marketing Best Sustentabilidade 2013, concedido às melhores ações empresariais sustentáveis do Brasil. Os demais projetos premiados são da AACD, Amil, Apae de São Paulo, Associação Viva e Deixe Viver, Bradesco Capitalização, Caixa Econômica Federal, Complexo Comercial Tatuapé, Damha Urbanizadora e da ESPM Social. O prêmio é promovido há 12 anos e esta foi a primeira vez em que a Itaipu foi selecionada. O CAB já obteve reconhecimento público em várias ocasiões e é considerado pela Unesco um programa modelo no cuidado com os recursos hídricos. Desde 2003, quando foi instituído, o programa recebeu ou foi finalista em quase 30 premiações. Entre elas estão o Benchmarking Brasil, recebido neste ano (leia mais nas páginas 16 e 17), Benchmarking da década (2012), Americas Award 2011 e o Prêmio Ana (2010). NOTAS Itaipu e comunidades indígenas traçam metas para 2014-2015 O Programa de Sustentabilidade Indígena de Itaipu, que integra o Comitê Gestor Ava Guarani, está traçando o novo convênio com as três aldeias para 2014-2015. O objetivo é avaliar as ações nos últimos dois anos e traçar as próximas metas, seguindo os eixos: segurança alimentar, agricultura sustentável, fortalecimento da cultura e infraestutura. De acordo com a gerente da Divisão de Ação Ambiental, Marlene Curtis, algumas comunidades já estão avançadas em relação à própria sustentabilidade. As reuniões vão se estender até o final deste ano. Descarte de lâmpadas Jovens visitam o RBV A Itaipu Binacional tem dado um destino útil para as lâmpadas fluorescentes descartadas. Desde 2008, a empresa encaminhou 180 mil unidades para descontaminação e reciclagem, material que voltou ao ciclo produtivo como matéria-prima (vidros e metais). O último grande lote, com 10 mil lâmpadas, saiu de Itaipu no último dia 30 de outubro. Jovens do Projeto Plantando Vida, de Francisco Beltrão, conheceram o Refúgio Biológico Bela Vista e a Usina de Itaipu. A visita foi um presente em reconhecimento ao talento dos jovens. Eles venceram o Prêmio Expressão Ecologia 2013, na categoria recuperação de áreas degradadas. O projeto Plantando Vida tem por objetivo a recuperação de matas ciliares e a preservação de espécies nativas na região de Beltrão. Em seis anos, o grupo catalogou mais de 130 espécies de árvores e produziu mais de 3 milhões de mudas. 30 J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a Ita i pu Bi na c i onal Tirinha A Arara se alimenta de frutas, sementes, insetos e castanhas, utilizando a força dos bicos para furar os galhos Encontros e Caminhos: formação de educadores/ as ambientais e coletivos educadores. Autor: Luiz Antonio Ferraro Júnior (coordenação) Editora: Ministério do Meio Ambiente A cerimônia ocorreu na sede da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo (SP), com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos premiados da noite. A gerente do Departamento de Proteção Ambiental, Silvana Vitorassi, representou a Itaipu no evento, que tem o apoio da Academia Brasileira de Marketing e é promovido pela Editora Referência. O CAB foi um dos dez cases vencedores selecionados pelo júri, presidido por Jomar Pereira da Silva, presidente da Associação Latino-Americana de Agências de Publicidade (Alap). Também integraram o júri representantes da ESPM, da M.Books do Brasil, da DClemente Associados e da empresa organizadora do prêmio, a MadiaMundoMarketing. Estante Para colorir e troncos. Elas fazem os ninhos nos troncos ocos de árvores e habitam florestas em regiões tropicais do planeta. No Brasil, podemos encontrar espécies no Pantanal, na Floresta Amazônica e na região da Mata Atlântica. Use a imaginação e dê Em dois volumes, os livros estão disponíveis em formato PDF no site do Ministério do Meio Ambiente (www.mma.gov.br). Traz um conjunto de reflexões que contribuem para a discussão sobre educação ambiental e a formação de educadores. cor ao bichinho Ligue os pontos A Revolução do Amor: por uma espiritualidade laica Autor: Luc Ferry Editora: Objetiva A obra busca analisar o amor não apenas como uma experiência íntima e perturbadora, mas como princípio fundador de uma nova visão do mundo, a verdadeira fonte de recuperação do sentido e que reorganiza os valores que alimentaram a civilização moderna. Caça-Palavras Alfabetização Ecológica: a educação das crianças para um mundo sustentável Autor: Fritjof Capra Editora: Cultrix N o vemb ro 2 0 1 3 A T R I O N I O P A S D E T N C Leia atentamente e aprenda mais sobre o programa Plantas Medicinais. Ao final, encontre as palavras destacadas! A E D F G H J T L Ç N A Z N R U A R F S D F G S A Ú D E C V F I T D Além de resgatar o rico patrimônio de ervas medicinais da região da tríplice fronteira, que vinha se perdendo por danos ambientais e do processo de urbanização, o programa Plantas Medicinais, criado por Itaipu em 2005, oferece uma alternativa de renda para agricultores orgânicos. Um laboratório de processamento de extratos secos, construído no município de Pato Bragado, em parceria com a Sustentec – Produtores Associados para Desenvolvimento de Tecnologias Sustentáveis, entidade responsável pela articulação da cadeia produtiva do setor no oeste do Paraná, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e prefeitura do município, opera com capacidade de 96 toneladas por mês. A I Q S D E V I T A I P U E P R E N T M O O N I P N U H I R R L I I A O E D F A H U K L A N B M I C A C T J Z A Q S S W C D S A E C I P A E B E N E F I C I A T N I E O R P R R E T R Y T S Y I I I R F N O A A S X S C D O F V G T Z O R I D C P E V R F C R B T N U A S O S U I I R C L I N I C O S T Ç I N T T T C D F N G V H B J N O Ã L T A I A O F Â F G Y U H J I K O L E S V Ç S G R A D U A Ç A O I K O I P A Ã R A G R I C U L T O R E S R N K O M E R V A S M E D I C I N A I S No início, o programa se concentrou na capacitação de profissionais – médicos, enfermeiros, farmacêuticos, dentistas e nutricionistas – e na demonstração de resultados clínicos para vencer o preconceito contra fitoterápicos. Hoje a estrutura beneficia 18 tipos de plantas medicinais para tratamento das dez doenças mais comuns da região e os envia a 34 postos do Sistema Único de Saúde (SUS). Os artigos e ensaios reunidos nesse livro revelam o trabalho que está sendo realizado pela vasta rede de parcerias do Centro de Eco-Alfabetização. Entre os projetos descritos estão a recuperação e exploração de bacias hidrográficas e programas de educação ecológica voltados para a justiça ambiental. N º 24 P O Instituto Brasileiro de Plantas Medicinais, do Rio, que oferece cursos de pós-graduação na área, foi contratado para realizar os cursos. Incluindo os agricultores, foram formadas 10,3 mil pessoas. N º 24 N o vemb ro 2 0 1 3 J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a I t a i pu B i n a c i o n a l 31