J O R N A L D O P R O G R A M A S O C I O A M B I E N TA L D A I TA I P U B I N A C I O N A L
www. cu l t i va n d oa g u a b oa . com. b r
Cultivando
FOZ DO IGUAÇU – Novembro DE 2013 – Nº 24
Aos 10 anos, encontro do CAB
cresce e agrega mais 6 eventos
O Encontro Cultivando Água Boa deste ano, que tem como tema “O Futuro no Presente”, terá seis eventos
paralelos: Encontro Ibero-Americano de Desenvolvimento Sustentável (Eima 10); Reunião Interministerial
Ibero-Americana de Sustentabilidade (Segib); Fórum Nacional dos Municípios-Sede de Usinas Hidroelétricas
e Alagados; 29º Encontro Paranaense de Apicultura; 7º Seminário de Meliponicultura e 26ª Mostra de
Equipamentos e Materiais Apícolas. A expectativa é reunir 4 mil pessoas. Página 10
Descobrindo o São Francisco Verdadeiro
Nº 2 4
N o v e m b ro 2013
Página 3-9
CAB é apresentado
em Nova York
CAB em países
Ibero-americanos
Série de encontros
levou programa pela
primeira vez aos EUA
Programa está próximo de ser
ação da Secretaria Geral dos
Países Ibero-Americanos
Página 21
Página 18 e 19
Jornal C ul ti v ando Á gua B oa
It aip u B inacio nal
1
ENTRE ASPAS
Cultivando Água Boa: o futuro no presente
No ano passado, quando o Encontro do Programa Cultivando Água Boa (CAB) comemorava a chegada ao ano
10 das ações voltadas para um novo paradigma de crescimento e sustentabilidade, ao mesmo tempo em que
refletia sobre os passos necessários para os próximos 10
anos, Leonardo Boff lembrava aos participantes que “para
continuar avante é preciso mostrar que o CAB cresceu,
se consolidou e que vocês permaneçam atores desse processo; descubram aquilo que pode melhorar, desenvolvam
novos talentos e troquem saberes e experiências”. Com
essa visão de futuro, continou Boff, Itaipu poderá irradiar
o programa e chegar a outras partes do mundo.
Estamos realizando neste mês de novembro, mais um
encontro do CAB, dessa vez com o tema “O futuro no
presente”. E o futuro que se começou a desenhar acanhadamente em 2003 e foi avançando, conforme se verificou
na avaliação de 2012 já chegou. O CAB, assim como vem
sendo reaplicado em município como General Artigas
(PY), recebe solicitação de parceria para acontecer em
Moçambique (África) e está bem próximo de se tornar
um programa ibero-americano. Representantes da Guatemala, Colômbia, Chile, Argentina, República Dominicana, Uruguai, Espanha e Panamá estiveram em Itaipu em
setembro para conhecer detalhes dos projetos e ações que
integram o CAB para que essa prática possa ser multiplicada e aplicada em seus países.
vimento local - que não pode ser só econômico e muito
social, ambiental, político e cultural, sob pena de não ser
sustentável.
São dez anos de caminhada construindo confiança e credibilidade, operando valores, conceitos, metodologias,
confirmando tecnologias sociais ousadas e apresentando
centenas de resultados altamente positivos. E inspirando
outros, como no importante aspecto qualitativo de novas
posturas, comportamentos, atitudes, sensibilidades (um
novo modo de ser/sentir/viver), de novos padrões individuais e coletivos de produção e consumo. Um ser/sentir/
viver que projeta atores mais participativos, solidários,
interdependentes-interconectados, comunitários, sustentáveis, mais cuidadosos porque amam mais.
A educação ambiental é o pilar para essas mudanças, que
também passam por uma nova economia, mais justa e solidária, e por uma nova cultura política, justiça social e
democracia com ampla participação comunitária e representativa.
E eles se multiplicaram aos milhares, o que aponta para o a
edificação do paradigma do cuidado, da qualidade e não só
da quantidade. E da acolhedora compreensão de que somos
FIOS DE UMA TEIA DA VIDA e o que fizermos para teia,
estamos fazendo para nós mesmos.
É animador ver acontecer. Afinal, nos somamos aos sonhadores de um tempo promissor, construtores de uma
obra diferente, de pensar-sentir-agir que muda e influencia,
de contribuir para um planeta sustentável que “funcione
não só para todas as pessoas, MAS PARA A VIDA TODA”.
Daí, estarmos modulando um território regional criativo,
de nova governança, um pouco do verdadeiro desenvol-
Nelton Friedrich é diretor de Coordenação e
Meio Ambiente da Itaipu Binacional
Estamos preparados para o presente e para o futuro porque temos um modelo que já mostrou que a mudança é
possível, pondo em prática o que propõe Leonardo Boff,
“se não buscarmos o impossível, acabamos por não realizar o possível”.
Índice
Expedição São Francisco Verdadeiro
2
3a9
Encontro do CAB: o futuro no presente
10
Conferências de meio ambiente definem propostas para gestão de resíduos sólidos
11
Desenvolvimento Econômico Local: troca de experiências e
inovação para superar os desafios do nosso tempo
12
Evento facilitou intercâmbio entre atores locais e nacionais de todo o mundo
13
Políticas adotadas nos últimos 10 anos tiveram forte
impacto no desenvolvimento, diz Lula
14
Agricultor incorpora novas atividades e aumenta a renda em mais de 80%
15
Coleta Solidária vira exemplo mundial pela voz de catadora
15
Itaipu recebe prêmio por projeto de sustentabilidade com indígenas
16 e 17
Itaipu inicia processo para transformar CAB em programa de cooperação ibero-americano
18 e 19
Cuidado com o meio ambiente deve influenciar área jurídica
20
Educação é saída para crise ambiental, diz Friedrich
20
Especialistas apresentam trabalhos com fitoterápicos
20
Diretor apresenta CAB em eventos em Nova York
21
Em questão: Regina Tchelly e o projeto Favela Orgânica
22 e 23
FAO vai criar Centro Tecnológico Demonstrativo de Modelos
dentro da Usina de Itaipu para difundir boas práticas
24 e 25
Cidades Sustentáveis propõe incluir novos indicadores
25
BNDES e Itaipu firmam acordo no valor de R$ 50 milhões para ações de desenvolvimento
26
Troca de experiências ajuda a melhorar qualidade de vida de catadores de recicláveis
27
Ações internas na usina garantem sustentabilidade, economia e mais saúde
28
CAB recebe mais um prêmio
30
Passatempo
31
J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a
Ita i pu Bi na c i onal
Itaipu Binacional
Diretor-Geral Brasileiro:
Jorge Miguel Samek
Diretor de Coordenação e Meio Ambiente:
Nelton Miguel Friedrich
Superintendentes:
Newton Kaminski (Obras), Jair Kotz (Meio Ambiente)
e Marcos Baumgartner (Planejamento e Coordenação)
Assistente do diretor de Coordenação
e Meio Ambiente:
Pedro Irno Tonelli
Chefe da Assessoria de Comunicação Social:
Gilmar Piolla
Textos:
Romeu de Bruns, Stella Guimarães, Lucio Horta,
Fabiane Ariello - Divisão de Imprensa da Itaipu
Binacional; Ciliany Perdoná - Assessoria de
Imprensa do Conselho dos Municípios Lindeiros;
Carla Nascimento - Comunicação Mais.
Edição:
Carla Nascimento
Coordenação:
Claudia Stella
Ilustração e diagramação:
Rodolfo Freitas e Robson Rodrigues
Fotografia:
Adenésio Zanella, Alexandre Marchetti, Caio
Coronel, Nilton Rolin, Renato Paraschin, Rogério
Resende, Assessoria de Imprensa do Governo do
Rio de Janeiro e acervo da Itaipu Binacional.
Impresso em agosto de 2013
Tiragem:
10.000 exemplares
DIRETORIA DE COORDENAÇÃO
Av. Tancredo Neves, 6.731
Foz do Iguaçu – PR - CEP 85.866-900
Fone (45) 3520-5724 | Fax (45) 3520-6998
E-mail: [email protected]
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Desbravando o
São Francisco Verdadeiro
Expedição pelo rio marca os dez anos do Programa Cultivando Água Boa e será apresentada no encontro anual de avaliação do programa
O Programa Cultivando Água Boa completa 10 anos de
atuação na Bacia do Paraná 3, comemorando uma verdadeira revolução socioambiental. Neste ano, uma das grandes atrações do Encontro do CAB será a apresentação do
trabalho realizado por 60 jovens educomunicadores, escolhidos pelas lideranças comunitárias, que passaram 7 dias
conhecendo o Rio São Francisco Verdadeiro em toda a sua
extensão – aproximadamente 200 quilômetros –, registrando histórias e dados em vídeo, fotos e textos. Durante
a aventura, eles também puderam levar conhecimento por
meio de oficinas e debates sobre questões ambientais, sociais e culturais.
A Expedição São Francisco Verdadeiro começou no domingo, dia 3 de novembro, em Cascavel, município onde
nasce o rio. No percurso, Toledo, Ouro Verde do Oeste,
São José das Palmeiras, Marechal Cândido Rondon, Quatro
Pontes, Pato Bragado e Entre Rios.
O resultado dessa aventura será apresentado no Encontro Cultivando Água Boa, entre 20 e 22 de novembro (leia
mais na página 10). A expedição também incluiu mutirões;
atividades esportivas como corrida das águas, caminhadas
da natureza, caravana náutica e as cavalgadas ecológicas;
e atividades artísticas, como o Festival de Cultura Urbana.
No percurso, uma central itinerante de notícias no ônibus
da Rede de Educação Ambiental Linha Ecológica garantiu
informação em tempo real, um trabalho de educomunicação todo desenvolvido pelos próprios expedicionários. A
Expedição São Francisco Verdadeiro inaugurou também
uma nova fase para o Programa Cultivando Água Boa, promovendo o diálogo entre a geração digital a geração analógica. É a tecnologia encontrando a natureza para contar
suas histórias e as das pessoas.
Por terra, as atividades foram acompanhadas pelo professor Edson Gavazzoni, de Cascavel, por professores da Univel, por homens do Exército e Bombeiros, e vários outros
profissionais. As intervenções na água foram monitoradas
pelos jovens atletas da equipe olímpica brasileira de canoagem. Pelo ar, a expedição teve apoio de Valtemir de Souza
Pereira (o Billy), gerente da Divisão de Apoio à Segurança
de Itaipu, que sobrevoou a região com um paramotor.
Alguns detalhes da expedição serão mostrados nas próximas páginas. Boa parte dos textos e das fotos aqui publicados foi produzida pelos expedicionários e publicada no site
criado especialmente para a atividade (www.caminhocab.
com.br e www.facebook.com/caminhocab).
Expedição em números
No Facebook
•Mais de 200 postagens
•528 curtiram a página
•11.920 acessaram
•1.189 tópicos curtidos
•225 compartilhamento
•28.953 cliques em publicações
No site
e
•80 postagens
•1.200 acessos
Dados coletados
•180 GB de dados
•11.400 arquivos – imagens fotos, textos, áudios
Participantes
•60 expedicionários
Edson Gavazzoni (ao centro, de chapéu), o grande companheiro e orientador dos jovens expedicionários
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•Mais de 5 mil pessoas durante todo o percurso
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3
Expedição
Expedição
Corrida e plantio de árvores
no primeiro dia da aventura
Jornada começou em dia abençoado pela
chuva, lembrando que o objetivo era
conhecer como a água influencia a vida
1º Dia
2º Dia
Nelton Friedrich durante plantio de árvores
A Expedição do Rio São Francisco Verdadeiro teve início
em Cascavel com a Corrida pela Água, promovida anualmente pelo Núcleo Estadual de Educação, num dia em que
a chuva deu as bênçãos para uma semana de muito conhecimento e aventura, vivida pelos 50 jovens escolhidos para
a missão de desbravar o rio, passando pelos nove municípios que estão às suas margens.
Após a premiação da corrida e a cerimônia de abertura da
expedição, as pessoas seguiram em um mutirão para a recuperação do Rio Bezerra, na Avenida Brasil, com o plantio
de mudas de árvores nativas.
Na Fonte dos Mosaicos, nascente do Rio São Francisco
Verdadeiro, a água foi abençoada pelo Frei Diogo e os jovens expedicionários receberam os cantis para a semana de
aventura e conhecimento.
No final do dia, o Ginásio de Esportes Ciro Nardi foi palco de diversas apresentações artísticas no Festival Internacional de Cultura Urbana.
Na Fonte dos Mosaicos, onde nasce o Rio São Francisco Verdadeiro, o início da grande jornada
Conhecendo o São Francisco de perto
No final do dia, o grupo seguiu para Sede Alvorada, distrito de Cascavel, onde houve uma dinâmica de entrosamento. No Recanto Alvorada, o grupo se alojou em barracas
montadas com auxílio de homens do Exército, que seguiram com o grupo durante toda a semana para garantir a
seguranças dos jovens.
Os jovens tiveram contato mais intenso com o rio por meio de atividades de análise da água para monitoramento
O toque da alvorada comandado pelo Exército, às seis horas da manhã, pôs em marcha o segundo dia da Expedição
ao Rio São Francisco Verdadeiro para o primeiro contato
direto com o rio.
Mística dos quatro elementos
Dinâmica de entrosamento no Recanto Alvorada
Depois de uma meditação inicial, um café da manhã caseiro e natural no Recanto Alvorada, localizado em Sede Alvorada, distrito de Cascavel, abasteceu os jovens expedicionários que se separaram em equipes para explorar o local.
As pouco mais de 100 pessoas envolvidas na Expedição
– além dos 50 jovens, há monitores, professores e outros
profissionais de diversas áreas – se dividiram entre a trilha
ecológica; a trilha das águas; oficinas de hip hop,
áudio e fotografia; cobertura jornalística e produção interna sobre a Expedição, que conta com
uma ilha de edição móvel para que as informações estivessem em tempo real na internet e organizadas.
O Recanto Alvorada, onde foram desenvolvidas as atividades junto à natureza, é a única Reserva Particular do
Patrimônio Natural (RPPN) do município de Cascavel e
foi criada em 2007. “Não podemos mais viver explorando, sem pensar nos prejuízos que isso vai acarretar, por
isso, estamos procurando fazer a nossa parte, cuidando
e preservando esta fazenda”, disse Marionilce Gatto,
proprietária das terras. O local possui uma unidade de
conservação, área de preservação ambiental com remanescentes florestais intactos.
Durante a trilha pela mata e pelo rio, os jovens fizeram atividades de monitoramento do São Francisco, recolhendo
amostras da água para verificar os níveis de gases, o Ph da
água, vazão do rio e a biodiversidade.
A Expedição também esteve em Toledo, onde foram realizadas diversas atividades como o Mutirão Socioambiental,
oficinas de educomunicação e ecopedagogia, no CEU das
Artes e no Centro da Juventude.
O encerramento do dia aconteceu no Acampamento Iftael,
onde foi realizado um jantar com a presença de autoridades
locais, dirigentes de Itaipu e convidados. O jantar contou ainda
com apresentações artísticas do Grupo de Escoteiros de Toledo, que encenaram a Mística dos Quatro Elementos e também
fizeram o Pacto das Águas do Rio São Francisco Verdadeiro.
Na Fonte dos Mosaicos, onde nasce o Rio São Francisco Verdadeiro, o início da grande jornada
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Expedição
Expedição
No rafting, aventura e
cuidados com o rio
3º Dia
Caminhada na mata e homenagem
Em ritmo de aventura, o quarto dia da Expedição teve trilha ecológica, rapel e tirolesa;
no almoço, homenagens a merendeiras e a um produtor de orgânicos
Dia teve trilha ecológica, rafting com a equipe da seleção
brasileira de canoagem, limpeza do rio e atividades culturais
No quarto dia da Expedição São Francisco Verdadeiro,
aventura foi a palavra de ordem. E começou logo cedo, ainda no Recanto Nossa Senhora Aparecida, em Ouro Verde
do Oeste (PR). Os jovens dividiram-se em dois grupos: um
seguiu pela mata, em uma caminhada em contato direto
com a natureza. O outro encarou um pequeno trajeto na
tirolesa e uma descida média de rapel, com o auxílio de um
grupo de bombeiros civis e do 15º Batalhão de Logística,
que passaram instruções de segurança.
A primeira atividade do terceiro dia foi uma trilha ecológica às margens do Rio São Francisco Verdadeiro. O percurso de cerca de cinco quilômetros levou aproximadamente duas
horas para ser concluído pelo grupo. No caminho, a cachoeira considerada a primeira queda
do Rio São Francisco, a mata em regeneração e nascentes próximas ao rio. Os jovens também tiveram atividades de rapel e rafting.
A parte mais emocionante do dia ficou por conta do rafting que, muito além da diversão,
teve como foco mostrar as condições do rio aos participantes, desenvolvendo consciência
ecológica e contato direto com o astro da Expedição, o Rio São Francisco Verdadeiro. No
percurso, os jovens recolheram lixo das águas, principalmente, garrafas PET. No trecho de
cerca de 3 km, o grupo contou com o apoio da Seleção Brasileira de Canoagem.
Rafting, atividade para aproximar expedicionários e o rio, o astro da Expedição
A programação do dia foi encerrada com o Pacto das Águas, assinado pelo diretor-geral
brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, juntamente com o prefeito de Ouro Verde do Oeste, Aldacir Domingos Pavan, e outras autoridades locais na comunidade de São Sebastião, parte da
microbacia do Rio Santa Quitéria.
Os primeiros a descer de tirolesa e rapel foram, respectivamente, Wesley Jean e Patrícia Schulz. “Não ganhei velocidade na tirolesa, mas a adrenalina é grande mesmo assim,”
confessou o cascavelense de 15 anos.
O almoço orgânico que aconteceu em São José das Palmeiras teve um gosto especial. De entrada, participantes, organizadores e apoiadores da Expedição São Francisco foram
recebidos por um grupo de moradores na Associação de
Servidores Municipais com calorosos apertos de mão. Ao
fim, o doce ficou na homenagem às merendeiras que prepararam a refeição e ao produtor rural Carlos Rodrigues
da Silva. O “mineirinho” de 78 anos de idade, que não usa
agrotóxicos em suas plantações há mais de duas décadas,
era só sorrisos com a homenagem. “Eu realmente não esperava, estou surpreso.”
No rapel, emoção para quem se aventurou a descer pelo paredão de rocha
O diretor-geral brasileiro de Itaipu,
Jorge Samek (ao centro) e o prefeito de Ouro Verde do Oeste, Aldacir
Pavan, no Pacto das Águas
Trilha pela mata em Ouro Verde do Oeste, uma das primeiras atividades do dia
Enquanto paralelamente ocorriam as oficinas para os alunos da rede pública e a Cavalgada Ecológica, uma turma
seguia incansável. Os educomunicadores do colégio Padre
Carmelo Perrone, de Cascavel, subiam e desciam trilhas e
estradas de cascalho atrás de boas histórias. Todos munidos
de câmeras, registravam tudo, desde belas paisagens a entrevistas com moradores.
Atividade na cavalgada Ecológica
Repovoamento do Rio São Francisco Verdadeiro com alevinos
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4º Dia
Durante a descida de rafting, a retirada de lixo do rio
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Cavalgada ecológica por estradas da região
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Família Böck: proprietários rurais que receberam os jovens
Homenagem a merendeiras e ao produtor rural Carlos Rodrigues da Silva (à direita) durante almoço orgânico
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Expedição
Expedição
Expedição encontra projetos de Itaipu
5º Dia
Cerimônia foi o ponto alto da jornada, que marcou a vida dos jovens participantes
Energia alternativa produzida a partir de dejetos e a recuperação de nascentes estavam no caminho dos
expedicionários; dia foi de amplo aprendizado e muito trabalho para o grupo
Parada para conhecer um
biodigestor
Expedição termina com novo pacto
6º e 7º Dia
Esse assunto me interessou
bastante. A fazenda do Pedro
nem tinha cheiro. Eu nunca
tinha visto nada parecido
A noite do dia 8 de novembro foi de festa para os participantes da Expedição São Francisco Verdadeiro. A celebração do Pacto das Águas do Rio São Francisco marcou
o fim da jornada, iniciada seis dias antes. Os 60 jovens expedicionários se uniram aos organizadores, alunos da rede
pública de Entre Rios do Oeste e convidados para encerrar
a viagem em grande estilo.
Os expedicionários partiram da associação dos pescadores
e foram à Base Náutica de Entre Rios em dois barcos, sendo
recebidos ainda na água pelos participantes do Projeto Meninos do Lago, que fizeram a escolta até a chegada. Em terra
firme, receberam os cumprimentos do superintendente de
Gestão Ambiental da Itaipu e coordenador da expedição,
Jair Kotz, e do diretor de Coordenação e Meio Ambiente,
Nelton Friedrich.
Na expedição, os jovens foram protagonistas do começo
ao fim. “Essa expedição só pode ser expressa por três palavras: única, insubstituível e inigualável”, disse Jefferson dos Santos, professor de hip hop, ao abrir a cerimônia da Mística das
Águas. “Nunca vou conseguir traduzir em palavras o que senti aqui”, concluiu.
Õnibus-redação para produção de reportagens
A atividade de campo na cidade de Marechal Cândido
Rondon, quinta parada da Expedição São Francisco Verdadeiro, começou cedo. Uma parte dos expedicionários foi à
Linha Ajuricaba, para conhecer as boas práticas do Condomínio de Agroenergia para a Agricultura Familiar.
No secador de grãos e na microcentral termelétrica eles
foram recebidos pela responsável técnica do Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás-ER),
Larice Vazata, e pelo Secretário Municipal da Agricultura,
Urbano Mertz. A dupla explicou sobre o início dos trabalhos no condomínio e o funcionamento da estrutura.
Após conhecerem a central em todos os detalhes, os expedicionários foram até as terras de Pedro Regelmeier,
bovinocultor que faz uso do biogás produzido a partir dos
dejetos de 33 propriedades.
A tarde foi de mais documentação da viagem. No município de Quatro Pontes, integrados aos alunos da Escola
Municipal Quatro Pontes, eles acompanharam a explicação sobre as etapas para a recuperação de duas nascentes na
propriedade de Erani Iun.
Redação móvel
História viva
Por onde passa, um ônibus chama a atenção. Com lonas
grafitadas dos dois lados, o veículo serve não apenas para
transporte. Dentro dele há equipamentos diversos de áudio
e vídeo, que possibilitam a edição e transmissão do conteúdo gravado pelos jovens durante a jornada. É um dos
pontos de onde os expedicionários editam os materiais que
estão na internet, no www.caminhocab.com.br e facebook.
com/caminhocab.
Para celebrar o momento, os alunos do colégio plantaram
mudas de árvores nativas. “Nunca imaginei que aqui teria uma
nascente, mesmo passando com frequência”, conta Wellington Mombach, de 16 anos, que se encarregou de abrir os buracos na terra para que os amigos pudessem plantar. “Agora
não se precisa mais tirar água de outros lugares para o gado.”
Antes da celebração do Pacto das Águas, os jovens expedicionários tiveram uma aula de
história com os pioneiros da cidade, território que foi povoado povoado há quase 60 anos –
mas emancipado há apenas 23.
Tendo como cenário a prainha de Entre Rios, meninos e meninas tiveram uma aula com
quatro pioneiros da cidade. Um deles, o professor aposentado de língua portuguesa, Domingos Primieri, de 71 anos, contou o motivo de a cidade se chamar Entre Rios: fica entre o
São Francisco Falso e o Verdadeiro.
Passeio náutico em Entre Rios: a expedição por terra, água e ar
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Mais um dia de atividades na água
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“Ninguém sabia qual era o Verdadeiro ou o Falso. Ao verem o curso da água, acreditavam
estarem perto da cidade. Mas o que passa próximo à cidade de Santa Helena tem uma distância maior que o outro e, portanto, levou o nome de São Francisco Falso.”
Na associação de pescadores, rapazes e moças
ganharam uma explicação sobre o cultivo de
peixes em tanques-rede
e, de lá, partiram para
a Base Náutica de Entre Rios, local de celebração e pernoite. O
sábado foi dia de confraternização e da volta para casa.
Mais informações podem
ser obtidas nos sites www.
caminhocab.com.br e www.
facebook.com/caminhocab,
com conteúdo produzido
pelos expedicionários; e
em www.jie.itaipu.gov.br.
Plantio de mudas em Quatro Pontes
Grupo de jovens conhece a Microcentral Termelétrica a Biogás no Condomínio Ajuricaba
Para os organizadores e coordenadores da
expedição, a satisfação só poderia trazer a sensação do dever cumprido. “Esta primeira expedição foi um grande laboratório de aprendizagem”, explicou Kotz. “Foi um marco poder
fazer uma viagem por água e terra, envolvendo a bacia do São Francisco Verdadeiro”, comentou Friedrich. “Acreditamos que isso deva acontecer periodicamente.”
Aula de história de Entre Rios com Domingos Primieri
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AVALIAÇÃO
Participação
Encontro do CAB: o futuro no presente
Conferências de meio ambiente definem
propostas para gestão de resíduos sólidos
Oficinas, eventos paralelos, Leonardo Boff e show da cantora Adriana Calcanhoto marcam a edição deste ano do evento
A edição de 2013 do Encontro Cultivando Água Boa, que
tem como tema “O futuro no presente”, terá seis eventos
paralelos e as participações do teólogo Leonardo Boff, um
dos expoentes mundiais das questões de sustentabilidade, e
da cantora Adriana Calcanhoto, que fará o show de encerramento. O evento, o maior do gênero na região da Bacia
do Paraná 3 (BP3), acontecerá de 20 a 22 de novembro, no
Hotel Rafain Palace, em Foz do Iguaçu.
No encontro, que é anual, os mais de 2 mil parceiros da
iniciativa se reúnem para avaliar as ações em curso e planejar os próximos passos. A expectativa é reunir mais 4 mil
pessoas no total.
Nesta edição de 2013, o encontro terá seis eventos paralelos: Encontro Ibero-Americano de Desenvolvimento Sustentável (Eima 10); Reunião Interministerial Ibero-Americana de Sustentabilidade (leia mais nesta página); Fórum
Nacional dos Municípios-Sede de Usinas Hidroelétricas e
Alagados; 29º Encontro Paranaense de Apicultura; 7º Seminário de Meliponicultura; e 26ª Mostra de Equipamentos e
Materiais Apícolas.
Uma das mesas redondas, Diálogos para a Sustentabilidade, vai reunir nomes de peso como Cândido Grzybowski,
diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, que vai discorrer sobre “O cenário geopolítico da
Sustentabilidade”; Lala Deheinzelin, mobilizadora cultural,
que irá falar sobre Economia Criativa e Sustentabilidade,
temas que são a sua especialidade; e Maurício Broinizi Pereira, traçando um panorama da Plataforma Cidades Sustentáveis.
Processo participativo mobilizou
mais de 200 mil pessoas em todo o
País; diversas ações que integram o
Programa Cultivando Água Boa foram
adotadas como propostas do Paraná
Representantes ibero-americanos debatem
políticas para água, energia e meio ambiente
Representantes de pelo menos 20 países participam, entre os dias 19 e 20
de novembro, em Foz do Iguaçu, da primeira reunião Interministerial Ibero-americana de Sustentabilidade. O evento é organizado pela Itaipu e Secretaria Geral Ibero-americana (Segib). O Objetivo e apresentar o Programa Cultivando Água Boa como uma possível ferramenta de cooperação internacional.
A reunião Interministerial Ibero-americana de Sustentabilidade contará com participantes
ligados às áreas de água, energia e meio ambiente do Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina,
Guatemala, El Salvador, Panamá, Costa Rica, Colômbia, Chile, Peru, República Dominicana,
Espanha, México, Bolívia, Portugal, Venezuela, Cuba, Equador, Nicarágua e Honduras.
Os participantes da reunião irão apresentar políticas sobre água, energia e território, temas vinculados entre si e que podem dispor de uma visão compartilhada para a busca de soluções concretas.
O grupo também irá visitar a Usina de Itaipu, onde assiste palestras dos diretores gerais
de Itaipu, o brasileiro Jorge Samek e o paraguaio James Spalding Hellmers, sobre a binacional. O coordenador brasileiro do Parque Tecnológico Itaipu, Juan Sotuyo, e o diretor de
Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, falarão sobre suas respectivas áreas.
Na quinta-feira, os jovens educomunicadores da Bacia
do Paraná 3 que participaram da Expedição São Francisco
Verdadeiro irão apresentar o resultado do trabalho.
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As propostas que foram apresentadas na Conferência Nacional nasceram de um longo processo, iniciado em junho,
em todo o País, e que mobilizou mais de 200 mil pessoas.
Na região, os 29 municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná 3 (BP3), área abrangida pelo programa Cultivando Água
Boa, elaboraram propostas conjuntas durante a Conferência Macrorregional do Meio Ambiente, em julho, após as
conferências em cada município.
Para o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu,
Nelton Friedrich, as reuniões foram momentos importantes para o diálogo entre os diversos segmentos da sociedade
na busca de soluções para os desafios que se apresentam na
implementação da gestão dos resíduos sólidos. “É muito
gratificante ver que os 29 municípios da Bacia do Paraná 3
estão mobilizados e dispostos a estabelecer a responsabilidade compartilhada, bem como difundir práticas positivas
que possam contribuir para desenhos de políticas públicas
locais e regionais”, ressaltou.
A programação prevê mais três mesas redondas com os temas: Fazendo o futuro no presente: experiências convidadas; CAB inspirando práticas para sustentabilidade; e Infância e Juventude: Cuidando do futuro hoje, quando será
lançada a segunda fase da campanha de Combate à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes na fronteira do
Brasil com o Paraguai e a Argentina. Serão apresentadas as
peças publicitárias e os números de disque-denúncias que
serão utilizadas na região da tríplice fronteira, bem como o
calendário das ações a serem desenvolvidas em conjunto.
A programação também prevê diversas oficinas temáticas: plantas medicinais; sustentabilidade das comunidades
indígenas; agricultura sustentável; educação ambiental;
coleta solidária; gestão de bacia hidrográfica; juventude e
meio ambiente; valorização do patrimônio institucional e
regional; Mais Peixes em Nossas Águas. Em uma das oficinas a chef Regina Tchelly, coordenadora do projeto Favela
Orgânica vai ensinar o aproveitamento total dos alimentos
com receitas elaboradas por ela mesma (leia mais nas páginas 22 e 23). A oficina vai guiar o lançamento o terceiro
“Concurso de Receitas Saudáveis das Merendeiras da Bacia
do Paraná 3”.
Quase 3 mil pessoas de 27 Estados participaram da 4ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, realizada nos dias 26
e 27 de outubro, em São Paulo. A quarta edição da conferência adotou como desafio contribuir para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), com
o lema “Vamos cuidar do Brasil” e foco em quatro eixos:
produção e consumo sustentáveis; redução dos impactos
ambientais; geração de trabalho, emprego e renda; e educação ambiental. Foram eleitas 60 propostas – 15 em cada
eixo. O Paraná levou à Conferência 20 propostas.
No Paraná
187
conferências
municipais e
intermunicipais
Leonardo Boff vai falar sobre o tema do encontro
Haverá apresentações culturais em todos os dias do encontro. A abertura oficial terá o grupo de Ginástica Rítmica de
Toledo e a Orquestra de Viola e Viola de Arame e o encerramento do encontro, show com Adriana Calcanhoto e
Rodrigo Pitta. Também se apresentam durante o encontro
o Coral do Programa PIIT de Itaipu, o grupo da melhor
idade de Santa Terezinha de Itaipu e Trio Tierra de Água.
200
municípios
Adriana Calcanhoto fará o show de encerramento
700
Durante o econtro, haverá ainda as finais do 2º Festival das
Águas com disputas em duas categorias, sertanejo e popular. Seis músicas, escolhidas em fases anteriores, vão para a
final, que terá distribuição de R$ 13 mil em prêmios.
N º 24
N o vemb ro 2 0 1 3
pessoas no
encontro estadual
N º 24
N o vemb ro 2 0 1 3
120
Conferência Estadual de Meio Ambiente, realizada em Foz do Iguaçu, quando foram selecionadas 20 propostas
As prioridades regionais foram apresentadas e votadas durante a 4ª Conferência Estadual de Meio Ambiente realizada em setembro, em Foz do Iguaçu, com a participação
de mais de 700 pessoas. O Paraná definiu 20 propostas que
foram levadas para a discussão nacional.
As propostas vencedoras do fórum nacional, aprovadas
por 1.340 delegados - 6 representaram a Bacia do Paraná
3 - recomendam ao governo que amplie e diversifique suas
ações na área de educação ambiental, fortaleça a fiscalização com leis e medidas mais rígidas, estimule com campanhas e recursos financeiros a reciclagem, desonere a logística reversa, valorize a mão de obra dos catadores e elabore
leis que proíbam a incineração de resíduos recicláveis. Em
três dias de debates e votações, de um conjunto de 160 propostas com origem nas etapas estaduais e municipais, foram definidas 60 prioridades.
Parte das propostas apresentadas pelo Paraná na Conferência Nacional – e aprovadas pelos delegados – já estão
em desenvolvimento na região, principalmente por meio
do Programa Cultivando Água Boa. Entre elas, estão o estímulo à criação de cooperativas de catadores e trabalhadores
da reciclagem; desenvolvimento de projetos de incentivo à
construção de biodigestores – exemplo concreto que a Itaipu tem com o Centro Internacional de Energias Renováveis
com Ênfase em Biogás (Cier-Biogás); estímulo à sustentabilidade dos povos indígenas e à agricultura orgânica e
familiar; proteção e monitoramento da água; e a
educação ambiental.
propostas para a
Conferência Estadual
20 mil
pessoas participantes
em todo o Estado
3.740
sugestões
As propostas e notícias da 4ª Conferência Nacional de
Meio Ambiente podem ser conhecidas no endereço http://
www.conferenciameioambiente.gov.br
A ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, que participou da Conferência Nacional, acredita que a realização do encontro
acelera o processo de implantação da lei
para a gestão de resíduos sólidos no
País. “É uma nova agenda de
trabalho, tanto para os
governos, quanto para os
cidadãos e as empresas. É
isso que muda o Brasil”,
disse a ministra ao analisar os resultados da participação popular.
Etapa regional: mobilização da comunidade
Resíduos sólidos
O Paraná gera 20 mil toneladas
de lixo todos os dias
6% adotam
programas de
compostagem
Dos 399 municípios
paranaenses, 214
ainda têm lixões
53%
120
dos municípios
têm programas de
coleta seletiva
propostas para
a Conferência
Estadual
3,5 mil
toneladas ou 40% dos
resíduos sólidos são
descartados de maneira
irregular a cada dia
Aterro
J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a
I t a i pu B i n a c i o n a l
11
DIÁLOGOS
Fórum de Desenvolvimento Econômico Local: troca de
experiências e inovação para superar os desafios do nosso tempo
O Desenvolvimento
Econômico Local surge como
uma proposta viável de
promover o desenvolvimento
desde a base
Durante 4 dias, mais de 4 mil pessoas de 68 países debateram em Foz do Iguaçu a eficiência e o impacto das ações desenvolvidas nas comunidades
A Declaração de Foz do Iguaçu, documento oficial da
segunda edição do Fórum Mundial de Desenvolvimento
Econômico Local: “Diálogo entre territórios: outras visões
Desenvolvimento Econômico Local”, traz sugestões de desenvolvimento econômico local para serem implementadas
a partir dessa edição. A carta foi lida durante o encerramento do fórum, realizado de 29 de outubro a 1º de novembro
e promovido pela a Itaipu Binacional, Parque Tecnológico
Itaipu (PTI), Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae), Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (ART/PNUD) e Fundo Andaluz de Municípios para a Solidariedade Internacional (Famsi).
Cláudia Serrano, diretora executiva
do Centro Latino-americano para o
Desenvolvimento Rural
Cerimônia de encerramento do Fórum: na mesa,
representantes das instituições organizadoras,
liderados pelo diretor-geral brasileiro de Itaipu,
Jorge Samek, ao lado do convidado especial do
evento, o ex-presidente Lula (terceiro à direita)
Realizado a cada dois anos, o fórum, que pela primeira vez
aconteceu no Brasil, recebeu público recorde de 4.267 participantes procedentes de 68 países de todo o mundo. Foi o
maior evento internacional já promovido pela Itaipu.
Evento facilitou intercâmbio entre atores
locais e nacionais de todo o mundo
Participaram da edição brasileira representantes de governos locais, regionais e nacionais, organismos multilaterais,
universidades, instituições de cooperação internacional, assim como múltiplas redes, entidades sociais, empresariais
e especialistas vinculados a dinâmicas territoriais de desenvolvimento econômico local. Durante o evento, foram
apresentados projetos e ações desenvolvidos no âmbito do
Programa Cultivando Água Boa, e o diretor de Coordenação e Meio Ambiente de Itaipu, Nelton Friedrich, falou sobre o programa no painel “Água e energia: soluções locais
para um planeta vivo”.
O II Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico
Local permitiu amplo diálogo e troca de conhecimentos,
experiências e instrumentos utilizados por atores locais,
nacionais e internacionais sobre a eficiência e o impacto do
Desenvolvimento Econômico Local, com destaque para a
importância da inovação em relação aos grandes desafios
do nosso tempo, como reconhece o documento divulgado
ao final do evento.
Segundo a declaração de Foz do Iguaçu, o Fórum faz um
chamamento aos governos nacionais para promover políticas públicas descentralizadas de Desenvolvimento Econômico Local, que significa melhorar as condições e qualidade
de vida nos territórios. Neste sentido, é necessário continuar a avançar no processo de descentralização, a partir de um
financiamento adequado, como pilar essencial para assegurar a prestação de serviços públicos à população.
Ainda segundo o documento, os governos locais e regionais
têm papel fundamental na implementação de estratégias de
desenvolvimento que integrem oportunidades econômicas,
geração de trabalho decente, desenvolvimento humano sustentável e governança democrática. É necessário um compromisso com a capacitação institucional e organizacional.
A cerimônia de encerramento do Fórum lotou o auditório do
centro de convenções do Hotel Mabu e contou com a participação das principais autoridades das instituições promotoras
do evento: Jorge Samek (diretor-geral brasileiro da Itaipu
Binacional), Luiz Barretto (presidente do Sebrae Nacional),
Antonio Zurita (diretor-executivo do Fundo Andaluz de Municípios para a Solidariedade Internacional (Famsi) e Jorge
Chediek (representante do Programa das Nações Unidas para
o Desenvolvimento – Pnud). O ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva também participou do encerramento do Fórum (leia
mais na página 14).
tendidas como uma base para as políticas públicas, por isso,
é necessário reforçar os instrumentos de Desenvolvimento
Econômico Local, fomentar a cultura empreendedora, a fim
de fortalecer as cadeias produtivas e estabelecer uma base
Cada mulher e homem que
participaram do II Fórum Mundial
se comprometem a construir juntos,
fomentando um diálogo entre
territórios, um mundo melhor que
siga um modelo de crescimento
mais justo, sustentável e equitativo,
respeitando a diversidade local
12
J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a
Ita i pu Bi na c i onal
No documento, os líderes ressaltam a importância estratégica do território, do âmbito local e do Desenvolvimento
Econômico Local para alcançar o desenvolvimento integral, o que inclui os pilares econômico, social, cultural e
ambiental. A carta aponta como desafio a necessidade específica de gerar alternativas concretas e abordar as preocupações dos jovens, especialmente em um momento de alta
do desemprego.
Nesse contexto, de acordo com o documento, é necessária
a plena participação das mulheres na tomada de decisões
econômicas e políticas, assim como a definição de estratégias para assegurar que as mulheres possam ter igualdade
no acesso às oportunidades econômicas locais.
Trecho da declaração
de Foz do Iguaçu
O fórum reconhece que as estratégias locais de desenvolvimento econômico operam em um marco caracterizado pela
complexidade e diversidade. Tais estratégias devem ser en-
gonismo de uma cidadania ativa, valorizando os recursos do
território e aproveitando aqueles oferecidos pelo ambiente.
sólida para os processos de inovação social e cultural. Isso
tudo requer uma estratégia de desenvolvimento com prota-
O documento ressalta também o papel fundamental da sociedade civil, juntamente com os outros atores no território, para garantir que o desenvolvimento econômico esteja
centrado nas pessoas. E, para abordar esses desafios, é neN º 24
N o vemb ro 2 0 1 3
cessário ter em conta, entre outras questões, a importância
da economia social e das micros, pequenas e médias empresas na promoção de dinâmicas econômicas e de inovação para gerar trabalho decente e desenvolvimento de uma
cultura empreendedora.
Os fóruns mundiais de DEL são eventos bianuais e marcam um processo aberto que pretende estimular políticas
e ações conjuntas entre sócios. “Cada mulher e homem
que participaram do II Fórum Mundial se comprometem a
construir juntos, fomentando um diálogo entre territórios,
um mundo melhor que siga um modelo de crescimento
mais justo, sustentável e equitativo, respeitando a diversidade local”, diz o documento.
Além da Carta de Foz do Iguaçu, haverá um relatório final
do encontro, mais amplo e com as propostas dos participantes sobre uma nova visão de desenvolvimento territorial.
Todas são baseadas em cooperativismo, empreendedorismo
e arranjos produtivos locais e parcerias público-privadas. O
relatório, que será redigido por um grupo de 4 professores,
terá 20 páginas e deverá ser concluído até o final deste ano.
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Segundo Samek, o fórum se revelou um encontro de alto
nível, com “participantes que são verdadeiros protagonistas
da construção de um mundo melhor”. Jorge Chediek, do
Pnud, agradeceu o apoio das instituições parceiras na realização do fórum e destacou o Brasil como referência internacional como promotor de políticas descentralizadas de
desenvolvimento, de redução da miséria e de inclusão social. “Enquanto muito se falava que era necessário primeiro
crescer para depois distribuir, o Brasil demonstrou que era
possível crescer com distribuição de renda”, comentou.
O prefeito de Porto Alegre,
A diretora executiva do
José Fortunati, que também
Enquanto muito se falava
Centro Latino-americano
preside a Frente Nacional de
para o Desenvolvimento
Prefeitos, destacou o papel
que era necessário primeiro
Rural e integrante do codos municípios como procrescer para depois distribuir,
mitê científico do Fórum,
motores de políticas públio Brasil demonstrou que
Cláudia Serrano, leu as concas de desenvolvimento. “As
era possível crescer com
pessoas estão cada vez mais
clusões do evento, destacandistribuição
de
renda
se conscientizando de que as
do o fato de o encontro ter
Jorge Chediek, representante do Programa
coisas de fato ocorrem nas
facilitado o intercâmbio endas
Nações
Unidas
para
o
Desenvolvimento
cidades. A saúde pública, a
tre atores locais e nacionais
mobilidade, a assistência sode todo o mundo e ter sido
cial, enfim, aquilo que contrium marco para as discusbui para melhorar as condições de vida das pessoas está nos
sões do Desenvolvimento Econômico Local sustentável e
municípios. Daí a importância de um encontro como esse
inclusivo; além disso, também sinalizou a importância da
para o compartilhamento de experiências positivas entre
descentralização de políticas públicas.
localidades de todo o mundo”.
Para os participantes, as políticas derivadas do ConsenLuiz Barretto, do Sebrae, apontou a importância da Lei Geral
so de Washington não resolveram os problemas sociais.
da Microempresa, de 2006, que resultou em maior apoio para
Ao contrário, agravaram a desigualdade e a exclusão. “O
o empreendedorismo, além de ter possibilitado a formalização
Desenvolvimento Econômico Local surge como uma proda atividade econômica de 3 milhões de empreendedores inposta viável de promover o desenvolvimento desde a base,
dividuais de todo o país. “Isso teve um grande impacto, pois
fomentando o progresso e a inovação em um amplo sentipossibilitou a muitos empreendedores participarem das comdo, não apenas tecnológico, mas também de processos e de
pras governamentais em seus municípios”, disse Barretto.
inclusão social”, afirmou.
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13
DESENVOLVIMENTO
DESENVOLVIMENTO LOCAL
Políticas adotadas nos últimos 10 anos tiveram
forte impacto no desenvolvimento, diz Lula
Agricultor incorpora
novas atividades
e aumenta a renda
em mais de 80%
Em discurso de encerramento do II Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, Lula lembrou ações que
permitiram ao País gerar 20 milhões de empregos e tirar 36 milhões de pessoas da miséria
A renda do agricultor Luiz Arruda (foto), dono de uma
propriedade de 5 hectares (50 mil metros quadrados) em
São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná, aumentou mais
de 80% nos últimos nove anos. Hoje, além de produzir hortaliças, palmito e café in natura, ele mantém uma agroindústria para fazer polpa de fruta e moer o café. Outra fonte
de renda da propriedade é o turismo regional.
A cerimônia de encerramento do II Fórum Mundial de
Desenvolvimento Econômico Local teve a participação do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez um balanço de diversas políticas adotadas no Brasil nos últimos 10
anos e que tiveram impacto no desenvolvimento local de
diversas regiões do país, como o Bolsa Família, o Luz para
Todos, a Lei Geral da Microempresa, o Programa de Aquisição de Alimentos (de compra direta da agricultura familiar), a criação de universidades, entre outros, que permitiram ao País gerar 20 milhões de empregos formais e tirar
36 milhões de pessoas da miséria. Enquanto a renda média
cresceu 33%, a renda dos mais pobres aumentou 66%.
O incremento na renda no sítio de Luiz Arruda, com a incorporação de novas atividades, foi um dos casos de sucesso apresentados no II Fórum Mundial de Desenvolvimento
Econômico Local, juntamente com outras ações e projetos
desenvolvidos pelo Programa Cultivando Água Boa (CAB),
como o Coleta Solidária (leia mais nesta página).
Lula disse que o Brasil acertou a mão quando passou
a acreditar no povo brasileiro. “Se o poder público, ao
invés de ficar inventando a roda, tiver mais humildade
e ouvir a sua população, os anseios locais, vai saber implementar ações verdadeiras de desenvolvimento econômico local”.
Há nove anos, Arruda passou a fazer parte da Associação
de Produtores de Agricultura e Pecuária Orgânica de São
Miguel do Iguaçu, (Aprosmi). Segundo ele, o que mais chama a atenção no sítio é produção orgânica. “Com a ajuda
dos técnicos da Itaipu, troquei os agrotóxicos por defensivos naturais que eu mesmo produzo”, explica.
“O que o Brasil fez não é nenhum milagre. Pobres,
quando têm oportunidade, não são problema para nenhum país”, afirmou Lula, que comparou o Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local com Davos e
o Fórum Social Mundial.
Com incentivo do CAB, Luiz Arruda também incluiu o
sítio no Circuito Turismo Regional, que reúne quatro propriedades de São Miguel do Iguaçu.
Lula na encerramento do Fórum: poder público precisa ouvir a população para implementar ações
próximo fórum, em Turim (Itália), em 2015.
Para ele, diferentemente de outros fóruns econômicos, o
evento de Foz apresenta um caráter pragmático, expresso
no compromisso dos participantes em aprofundar as discussões e de implantar ações que serão apresentadas no
Lula se comprometeu a ajudar a divulgar o próximo fórum
durante uma conversa informal, pouco antes da cerimônia
de encerramento do fórum, com representantes das princi-
pais instituições envolvidas na organização do evento, incluindo os dois diretores gerais de Itaipu, o brasileiro Jorge
Samek e o paraguaio James Spalding. O ex-presidente disse
que faz questão de ser garoto-propaganda de “uma iniciativa tão importante como essa.”
Todos os meses, o circuito recebe em média 200 turistas,
de várias partes do mundo, interessados em conhecer como
funciona uma propriedade familiar sustentável.
Para atender os turistas oferecendo também um almoço
A catadora de recicláveis Viviane Mertig (no detalhe) é
prova de que mudanças são possíveis e prova do novo papel da mulher, de liderança e de protagonismo nas questões
socioambientais. Sua experiência e o projeto Coleta Solidária também foram apresentados no II Fórum Mundial de
Desenvolvimento Econômico Local.
14
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Ita i pu Bi na c i onal
Outro exemplo de agricultor que soube aproveitar as oportunidades locais é José Maioli, também de São Miguel do
Iguaçu. A propriedade dele, chamada de Fonte do Macuco,
é referência nacional de diversidade. Em 60,5 mil metros
quadrados, o agricultor cultiva mais de 230 variedades de
frutas e verduras; 250 de flores e arbustos; além de 110 opções de condimentos e plantas medicinais.
O sítio de Maioli também é parada obrigatória para turistas interessados em conhecer a produção orgânica. Um visitante ilustre que apareceu por lá foi o ator Marcos Frota.
“Ele ficou encantado após percorrer as trilhas e saborear as
frutas que crescem sem o uso de agrotóxico. No final, levou
um quilo de café acabado de ser moído na minha agroindústria”, conta, orgulhoso.
O presidente da Aprosmi, Adelar Soares, diz que antes
da associação, os agricultores vendiam a produção apenas
para as feiras e comércio próximos. Agora, além de agregar
valor aos produtos, vendem para outras cidades e ainda recebem turistas do mundo todo. “A proposta era aumentar a
renda das famílias. Conseguimos”, comemora.
Coleta Solidária vira exemplo mundial pela voz de catadora
Dilma e Lula recebem cestas com produtos da região
Cestas com alimentos e artesanato elaborados por produtores da Bacia do Paraná 3 (BP3)
foram entregues à presidente Dilma Rousseff, durante sua visita à Itaipu para inauguração
da linha de 500 Kv, no dia 29 de outubro, e ao ex-presidente Lula, no encerramento do Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, no dia 1 de novembro.
orgânico, o agricultor construiu uma cozinha e um salão.
O aspecto rústico, característico da vida no campo, e o cuidado com cada detalhe, agradam principalmente o visitante das grandes cidades. “Quando comprei o sítio em 2001,
não imaginava um aumento como esse na minha renda. Há
nove anos, mudei totalmente a forma de produzir”, afirma
Arruda.
O presente foi uma forma de apresentar aos dois líderes os resultados de políticas públicas
de inclusão social e geração de renda, adotadas em ações e projetos do Programa Cultivando
Água Boa e em consonância com programas do governo federal, como o Fome Zero – atual
Brasil sem Miséria – e o Programa de Aquisição Direta da Merenda Escolar.
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Há pouco mais de 10 anos, Viviane percorria as ruas de
Foz do Iguaçu, recolhendo latas de refrigerante e de cerveja,
com poucas condições e apoio. Quando passou a fazer parte do projeto Coleta Solidária, recebeu, de início, uniforme
e carrinho, importantes instrumentos de trabalho. Depois,
incentivada, concluiu o ensino médio e cursou a Formação
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de Educadores Ambientais, experiência pioneira no país,
onde teve a oportunidade de compartilhar conhecimentos
com agricultores, professores, técnicos e líderes comunitários. O passo seguinte foi se tornar presidente da Cooperativa dos Agentes Ambientais de Foz do Iguaçu (Coafi) e se
tornar representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) no Paraná.
Em 2010, Viviane Mertig tornou-se embaixadora do
Programa Coleta Solidária na Europa: viajou até Paris,
na França, para inspirar a capital francesa a adotar uma
metodologia baseada na experiência brasileira de reciclagem. A partir daí, ela virou palestrante e disseminadora
da importância da atividade. Ganhou o mundo.
Foz do Iguaçu foi a primeira cidade onde foi implantada a metodologia do
Programa Coleta Solidária, criado pela Itaipu Binacional. A
metodologia, implantada em 2003 consiste na organização
dos catadores, que recebem da Itaipu carrinhos, uniformes
e capacitação. No total, o projeto reúne mais de 650 pessoas
na BP3. A proposta é aumentar a renda dos catadores de
materiais recicláveis, formar cooperativas e transformar a
atividade em profissão.
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15
RECONHECIMENTO
Jair Kotz, João Alves,
Marlene Curtis, Daniel
Lopes e João Bernardes
O cacique Daniel
recebe o prêmio
junto com João
Bernardes
A massa crítica da sustentabilidade
brasileira está aqui. Há
empresas que estão todo
ano no ranking do prêmio...
significa ter a sustentabilidade
no DNA corporativo
Marilene Lavorato, presidente
do Instituto Mais e idealizadora
do prêmio Benchmarking
Itaipu recebe prêmio por projeto de sustentabilidade com indígenas
Essa é a quinta vez que projetos desenvolvidos pelo CAB são reconhecidos pelo Ranking Benchmarking e o primeiro reconhecimento a ações voltadas a indígenas
O programa Sustentabilidade de Comunidades Indígenas,
uma iniciativa do Cultivando Água Boa, garantiu à Itaipu o
segundo lugar no Ranking Benchmarking, que seleciona as
melhores práticas socioambientais do País. Essa é a quinta
vez que os projetos desenvolvidos pelo CAB são reconhecidos pelo ranking e a primeira vez que um projeto voltado a
indígenas recebeu o prêmio.
A solenidade de premiação aconteceu no dia 1º de agosto,
em São Paulo. A Itaipu concorreu com o case “Sustentabilidade Avá-Guarani”, programa que abrange três comunidades (Ocoy, no município de São Miguel do Iguaçu, e Añete
e Itamarã, em Diamante D’Oeste), somando 273 famílias
(cerca de 1.400 indígenas).
A Itaipu disputou o prêmio com 150 empresas e 279 práticas, julgadas por 15 especialistas de 8 países, que não têm
acesso à identidade dos concorrentes. Na solenidade de entrega do prêmio, estiveram presentes o superintendente de
Meio Ambiente de Itaipu, Jair Kotz; a gestora do Programa
Sustentabilidade Avá-Guarani, Marlene Curtis; os caciques
João Alves e Daniel Maraca Lopes; e o representante da
Itaipu junto às comunidades indígenas, João Bernardes.
Para o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu,
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Ita i pu Bi na c i onal
Nelton Friedrich, o prêmio reconhece e legitima um trabalho baseado no respeito e no aprendizado mútuo entre
culturas e saberes diversos. “Isso demonstra que é possível
estabelecer uma convivência harmoniosa, tão necessária,
para a verdadeira sustentabilidade planetária.”
Valorização
Em dez anos de execução, o programa conta com resultados expressivos, como a construção de mais de 100 moradias, casas de reza, centros de artesanato, postos de saúde e
escolas; cascalhamento das estradas de acesso e vias internas; e implantação de rede de esgoto e rede elétrica; estruturação do sistema de produção agropecuária com ações de
conservação de solo, doação de sementes e de cabeças de
gado (de corte e de leite) e instalação de tanques-rede para
a produção de peixes.
Nas comunidades, todas as decisões são tomadas por
um comitê gestor formado por lideranças indígenas, representantes da Itaipu e de instituições parceiras (Funai,
prefeituras municipais, Ministério Público, governo do
Paraná, Emater, Ibama e IAP). “Um dos diferenciais do
programa está no Comitê Gestor Avá-Guarani. O comitê
planeja, prioriza atividades e avalia os resultados”, reforça
Marlene Curtis.
Para ela, o lado positivo da questão indígena é um assunto ainda pouco presente na agenda nacional e na vida do
País. “O trabalho de Itaipu é inédito entre empresas brasileiras”, destaca. Segundo Marlene, no período de atuação
do projeto, a cultura indígena foi cada vez mais fortalecida.
“Em 2009, os índios puderam gravar um DVD com seus
cantos, danças e rezas, e já comercializam esse material e
fazem apresentações. O trabalho feito com artesanato e o
excedente da produção agrícola são vendidos. Ou seja, isso
tudo gera renda, fortalece a cultura e o modo de ser Guarani”, observa.
Para o cacique João Alves, da comunidade Añetete, a presença de Itaipu e parceiros foi determinante para a manutenção da cultura de sua aldeia. “Desde 1997, Itaipu atua
em minha aldeia ajudando a desenvolver a sustentabilidade. Antes, a gente passava muita dificuldade. Hoje, somos
320 pessoas e 70 famílias vivendo da agricultura familiar e
da pesca”, comenta.
Opinião compartilhada pelo também cacique Daniel
Maraca Lopes, da aldeia Ocoy. “Nosso principal problema era o da infraestrutura e a Itaipu ofertou ajuda”, lembra. Segundo ele, um dos principais objetivos é fortalecer
a agricultura familiar indígena e a produção de peixes.
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“Para que essas comunidades não dependam do comércio de fora”, diz, lembrando que a produção pesqueira do
Ocoy (pacus criados em tanques-rede doados pela Itaipu)
chega a 5 toneladas/ano e que 40% dos alimentos que as
150 famílias do Ocoy consomem são produzidos pela própria comunidade.
O superintendente de Meio Ambiente da Itaipu, Jair
Kotz, comemora os resultados alcançados pelo programa.
“Quando da formação do reservatório da Itaipu, havia apenas uma comunidade indígena de 11 famílias às margens
do Rio Paraná e que, por orientação da Funai,
foi
reassentada em um local próximo, um
braço do reservatório. Hoje, nós
estamos falando em 3 comunidades de 275 famílias”,
ressalta Kotz.
A preservação da cultura indígena é um dos
objetivos do programa
premiado
no espaço rural”; e em 2012, com “Gestão por
Bacia Hidrográfica”. Em 2009, com “Programa de Educação Ambiental para a Sustentabilidade”, ficou em terceiro
lugar.
O case Programa Cultivando
Água Boa (CAB) também foi considerado o grande vencedor do Ranking
Benchmarking Legítimos da Sustentabilidade – Os Melhores da Década,
entregue em 2012.
O prêmio
A Itaipu já foi vencedora
em três edições do Benchmarking e, em outra, ficou com a terceira colocação. Levou o primeiro lugar em 2007, com o case
“Cultivando Água Boa na Bacia Hidrográfica do Rio
Paraná 3”; em 2011, com “Gestão para a sustentabilidade
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EXPANSÃO
CAB está mais próximo de se transformar
em programa de cooperação ibero-americano
Cooperação foi
tema de debate em
diversos eventos
Modelo baseado na gestão participativa dos projetos e na agregação por bacias hidrográficas chama a atenção de outros países
“Impressionado. Esta palavra define tudo que vivenciei e
ouvi das pessoas sobre o Programa Cultivando Água Boa
durante os dias em que visitamos a região”. A frase é do
ex-deputado e ex-presidente do parlamento europeu,
na Guatemala, Marcos Antonio Solares – que integrou o
grupo de representantes de ministros de oito países ibero-americanos que esteve em Foz do Iguaçu, de 25 a 27 de
setembro, para debater uma possível implantação do Cultivando Água Boa (CAB) como programa de cooperação
ibero-americano.
Se aprovado, o CAB fará parte dos programas da Secretaria Geral dos Países Ibero-Americanos (Segib), voltado ao
intercâmbio de boas práticas socioambientais (leia mais na
página ao lado). Também participaram da visita técnica a
Foz e municípios da Bacia do Paraná 3 (BP3) representantes da Colômbia, Chile, Argentina, República Dominicana,
Uruguai, Espanha e Panamá.
A vice-ministra de Desenvolvimento Sustentável da Guatemala, Ivanova Maria Ancheta Alvarado, avaliou como
positiva a intenção de Itaipu em partilhar suas boas experiências com os demais países. “Ficamos muito satisfeitos
pela forma palpável de conhecer as ações do Cultivando
Água Boa. Creio que muitas iniciativas podem ser adotadas
em nosso país, porém, temos que trabalhar muito forte na
criação de uma estratégia para que, assim que aprovado o
programa de cooperação, possamos implantar a metodologia correta que nos dê os resultados que esperamos.”
Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, receber um grupo de representantes de países ibero-americanos
demonstra a confirmação de um trabalho positivo e de resultados em toda região. “Esse é o momento de coroamento de um trabalho que vem sendo feito com uma parceria
extraordinária. Nossa intenção é que esta prática seja multiplicada e aplicada em todos os países ibero-americanos
para se tornar uma política pública de resultados concretos.
Somos filhos da integração”, disse.
O diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, lembra que há muitos resultados alcançados pelo
CAB a serem aprensentados. “Temos dez anos de caminhada, com resultados muito positivos, de um programa totalmente inovador. Mostramos que o impossível é possível
se houver real comprometimento”, disse. Animado com o
caminho que o CAB vem trilhando, Friedrich, pontuou que
é o trabalho de todos que está direcionando o programa ao
reconhecimento. “A gestão participativa é um dos pilares
do CAB. Esse passo que estamos prestes a dar muito nos
orgulha e nos motiva”, disse.
A possibilidade de o Programa Cultivando Água Boa
(CAB) tornar-se um programa de cooperação ibero-americano da Secretaria Geral dos Países Ibero-Americanos (Segib) foi objeto de discussão em diversas reuniões realizadas
ao longo deste ano como o Encontro Ibero-Americano sobre Desenvolvimento Sustentável (Eima 2013); a 9ª Conferência Mundial da Rede Internacional de Organismos de
Bacias Hidrográficas (Riob); e o 7º Fórum Ibero-Americano de Governos Locais.
bientais sanados. “A mudança foi completa. Se para nós houve uma mudança muito positiva a partir da implantação do
programa, certamente para os demais países também será.”
São Miguel do Iguaçu também recebeu a visita do grupo
ibero-americano. Recepcionados pelo prefeito, Cláudio
Dutra, os visitantes almoçaram na propriedade de José
Maiolli onde há forte predominância no cultivo de orgânicos. “Sempre é um orgulho falar dos resultados e dos novos
objetivos que vamos alcançar a partir da parceria com o
Cultivando Água Boa. Para São Miguel, o CAB representa
qualidade de vida e, certamente, irá refletir em mudanças
positivas para os países que quiserem aderir”, pontuou.
Na propriedade de Guiomar Neves, em Vera Cruz do Oeste, o grupo conheceu o cultivo de plantas medicinais
Segundo o diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, todos esses momentos foram “fundamentais
para a preparação para o diálogo”. Ele destacou que a visita
dos representantes ibero-americanos à Itaipu e região marca o passo inicial e definitivo de um projeto internacional
para o programa.
Visão brasileira
Esse passo que estamos
prestes a dar muito nos
orgulha e nos motiva
Nelton Friedrich, diretor de Coordenação
e Meio Ambiente de Itaipu
Na região
O presidente do Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu e prefeito de Santa Helena, Jucerlei Sotoriva, reforçou o orgulho em fazer parte da
evolução do CAB. “Somos referência e isso faz toda diferença”, disse, acrescentando que a Itaipu foi muito sábia em
adotar o novo modo de governar, de forma participativa.
“Hoje as pessoas sentem-se parte, estão incorporadas neste processo construtivo que não foca apenas um segmento,
mas sim, um complexo de ações.”
Da mesma forma, o prefeito de Ouro Verde do Oeste, Aldacir Domingos Pavan informou que o CAB é um marco para
o município, que hoje está com 80% de seus passivos am-
“O Cultivando Água Boa tem sido apresentado para
vários países ao longo desses dez anos e, com isso, despertou a atenção da Segib nos congressos em que temos
participado.”
O coordenador-geral de Cooperação Técnica entre Países
em Desenvolvimento da Agência Brasileira de Cooperação
(ABC), Paulo Peixoto, que também participou do encontro, disse estar convicto de que o CAB será um excelente
produto que vai se somar às diferentes experiências que o
Brasil possui no exterior.
“O Programa Cultivando Água Boa é integrado e abrange
vários setores. Uma grande preocupação mundial hoje é o
desenvolvimento sustentável, o meio ambiente, sendo um
processo que não tem volta. Ou nós nos desenvolvemos de
maneira sustentável ou vamos nos extinguir”. Ele acrescentou que o aspecto social do programa também é muito interessante, bastante abrangente e integrado, sendo traduzido
em uma solução possível para vários problemas existentes.
Peixoto explicou que a proposta deverá ser estruturada,
avaliada e aprovada pelos países interessados, até outubro
de 2014, quando haverá um encontro entre presidentes
ibero-americanos. “Em princípio, sete países devem aderir
para que o programa de cooperação seja firmado, mas, sobretudo, o projeto segue aberto para os demais, à medida
que os países vão tomando conhecimento.”
O CAB é um dos melhores
exemplos, no Brasil, de
ações práticas que envolvem
sustentabilidade. Bons exemplos
devem ser seguidos e replicados
Lupercio Ziroldo Antonio,
presidente da Rede Internacional
de Organismos de Bacias
Encontro com indígenas que integram de programa de sustentabilidade desenvolvido pelo CAB
O superintendente de Meio Ambiente da Itaipu Binacional, Jair Kotz, participou da 9ª Riob em Fortaleza, onde
o CAB também foi discutido com representantes ibero-americanos. “Foi muito gratificante ver que o programa
Cultivando Água Boa é uma referência, sendo citado como
uma das melhores iniciativas socioambientais de gestão
compartilhada no Brasil.”
De acordo com o presidente da Rede Internacional de Organismos de Bacias, Lupercio Ziroldo Antonio, a possibilidade de o CAB vir a integrar o rol de programas da Segib é
grande. “O CAB é um dos melhores exemplos, no Brasil, de
ações práticas que envolvem sustentabilidade. Bons exemplos devem ser seguidos e replicados”, ressaltou.
Ele acrescentou que o apoio para a disseminação do CAB
é uma de suas metas na gestão da Rede Internacional de
Organismos de Bacia.
O grupo de representantes ibero-americanos em reunião na Itaipu: interesse na aplicação do modelo do CAB
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Ita i pu Bi na c i onal
Ivanova Alvarado: criação de estratégias de cooperação
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Visita ao Centro Avançado de Pesquisa, no município de Santa Helena
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“Precisamos possibilitar que os organismos de bacias
de todo o mundo identifiquem oportunidades e desafios
para a promoção da gestão integrada e compartilhada das
águas, de forma participativa e descentralizada, de modo
que a reaplicação de boas práticas já identificadas seja colocada em prática”.
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FRONTEIRAS
ENCONTROS
SAÚDE
Cuidado com o meio ambiente
deve influenciar área jurídica
Especialistas
apresentam trabalhos
com fitoterápicos
Assunto foi tema de debate entre profissionais do Brasil, Paraguai e Argentina
As mudanças climáticas e a necessidade de cuidar do
meio ambiente implicam diretamente na área jurídica. O
tema foi apresentado pelo diretor de Coordenação e Meio
Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrich, na conferência de
abertura do 2º Congresso Internacional de Direito Ambiental da Tríplice Fronteira, realizado em setembro, em
Foz do Iguaçu. O evento reuniu juristas, pesquisadores e
estudantes do Brasil, Argentina e Paraguai para debater
temas ambientais e também relacionados ao Direito Internacional e Tributário.
Em sua conferência, Friedrich citou como exemplo da interrelação entre ambiente e direito, as mudanças jurídicas
promovidas na Itaipu Binacional com o Programa Compras Sustentáveis, no qual aspectos como a responsabilidade no descarte têm o mesmo peso que o preço em processos
licitatórios. “Mexemos em várias leis internas para realizar
compras sob o critério da sustentabilidade. Exigiu muito
estudo, mas os resultados serão ainda melhores”, afirmou.
Itaipu também foi tema em outros dois debates. O advogado João Emilio Correa da Silva de Mendonça, da assessoria da Diretoria Jurídica, apresentou a palestra “Itaipu:
Exemplo de Cooperação Internacional Fronteiriça”; e Juan
Carlos Sotuyo, diretor superintendente do Parque Tecnológico Itaipu, falou sobre “Desenvolvimento e Integração
Territorial: O modelo do PTI”.
Friedrich: Compra Sustentáveis como exemplo
Segundo a coordenadora do evento, Silva Marchiorato, o
objetivo do encontro foi trocar experiências sobre projetos
na área ambiental na tríplice fronteira. “Embora cada país
tenha sua Constituição e regras, os três dividem o mesmo
espaço, portanto, podemos desenvolver leis ambientais e
tributárias conjuntas e complementares.”
O evento foi promovido pela Unifoz, em parceria com a
Academia Brasileira de Direito Tributário (ABDT), Universidad Privada del Este (UPE - Paraguai), Universidad
Nacional de Misiones (Unan – Argentina) e Bioma Brasil
(Umras), em parceria com a Itaipu Binacional.
Educação é saída para crise
ambiental, diz Friedrich
O diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrich, destacou a educação como um dos pontos
principais da mudança necessária para a solução da crise ambiental que o mundo atravessa durante o 10º Congresso Brasileiro de Direito Socioambiental e Sustentabilidade, realizado em Curitiba. “É preciso investir na educação não apenas
das crianças, que poderão agir no futuro, mas especialmente
dos adultos, que podem começar já a mudança”, disse.
Friedrich apresentou o Programa Cultivando Água Boa (CAB)
É preciso investir na educação, não
apenas das crianças, que poderão
agir no futuro, mas especialmente
dos adultos, que podem começar já
a mudança.
Nelton Friedrich, diretor de Coordenação
e Meio Ambiente de Itaipu
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para uma plateia interessada nos temas relativos ao meio ambiente, incluindo o físico teórico e escritor Fritjof Capra, autor
de livros como “O Tao da Física”, “A Teia da Vida” e “O Ponto
de Mutação”. Mais tarde, após a apresentação de Friedrich,
o físico austríaco, que desenvolve um trabalho de educação
ecológica, também proferiu uma palestra.
Especialistas de diversas áreas da saúde apresentaram
trabalhos que vêm desenvolvendo com a fitoterapia no 1º
Encontro de Sensibilização para Profissionais da Saúde
– Arranjo Produtivo Local de Plantas Medicinais e Fitoterápicos no Âmbito do SUS, realizado no mês de agosto
no auditório do Refúgio Biológico Bela Vista. O encontro,
parceria entre a Itaipu, por meio do Programa Cultivando
Água Boa, e o Ministério da Saúde, reuniu profissionais de
saúde de Foz do Iguaçu, Toledo e Pato Bragado que também ouviram relatos de casos e receberam informaçãoes
sobre a ação farmacológica das plantas medicinais.
Na abertura do evento, o superintendente de Meio Ambiente da Itaipu, Jair Kotz, fez um breve histórico do trabalho com as plantas medicinais desenvolvido na Itaipu desde
2003. “Aos poucos, o tema foi se fortalecendo e os sonhos
se tornaram realidade. E a Itaipu quer continuar nesse caminho, dando todo o apoio necessário para que os municípios desenvolvam seus arranjos produtivos locais”, disse.
O encontro faz parte das ações do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério
da Saúde para continuar a implantação da Política Nacional
de Plantas Medicinais. “Queremos disseminar a utilização
dos fitoterápicos, desmistificar e acabar com preconceitos.
Para isso, precisaremos do envolvimento e da parceria de
todos”, disse Katia Torres, consultora do Ministério da Saúde. Segundo ela, a capacitação dos profissionais de saúde é
uma das etapas mais importantes. “A população acredita e
usa fitoterápicos. Agora, temos que incorporá-los também
junto aos profissionais da saúde”, concorda Cristiane Ortega, diretora do Departamento de Assistência Especializada
da Secretaria Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu.
Em julho de 2012, os municípios de Foz do Iguaçu, Pato
Bragado e Toledo foram escolhidos pelo Ministério da Saúde para receberem R$ 2 milhões para desenvolver a cadeia
produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos.
As cidades tiveram apoio da Itaipu Binacional para elaborar a proposta técnica e execução do projeto, que contempla a articulação de arranjos produtivos locais (APLs). O
Projeto Plantas Medicinais, que integra o Programa Cultivando Água Boa (CAB) vem sendo desenvolvido desde
2003, prestando assistência aos municípios da região.
O diretor começou a exposição falando sobre a crise do nosso
modelo civilizatório. “Durante esta hora em que estou falando
aqui, 1,5 mil hectares de floresta serão derrubados”, alertou.
Para ele, o pensamento mecanicista, reducionista e imediatista resultou numa lógica nociva. O movimento necessário
e instituído pelo Cultivando Água Boa, segundo Friedrich,
é contrário: a qualidade no lugar da quantidade e o cuidado
como novo paradigma.
CAB é apresentado em eventos nos EUA
Foram quatro dias de encontros, reuniões e debates onde foram mostradas as diversas ações e a metodologia do programa
O Programa Cultivando Água Boa (CAB), desenvolvido
por Itaipu nos 29 municípios da Bacia do Paraná 3 (BP3),
foi apresentado em Nova York, de 7 a 10 de outubro, durante extensa agenda cumprida pelo diretor de Coordenação, Nelton Friedrich. “Foi um passo muito importante
porque ainda não havíamos mostrado o CAB nos Estados
Unidos e essa fronteira agora está aberta”, avaliou.
No dia 7, o diretor participou de uma mesa de diálogos sobre água e sustentabilidade em seminário promovido pelas
Americas Society – uma organização dedicada à educação,
debate e diálogos nas Américas.
Friedrich dividiu a mesa com o cônsul geral do Brasil em
Nova York, embaixador Felipe Seixas Correa; a diretora de
Políticas Públicas e Relações Corporativas da Americas Society, Randy Melzi; e a diretora do Planeta Orgânico, Maria
Beatriz Martins Costa.
O público do seminário era formado por representantes da
Columbia University, Fordham Business School, diplomatas, empresários, órgãos de imprensa, Câmara de Comércio
Brasil-EUA, Unesco, África Global Comunication, Grupo ABC, Clinton Global Iniciative, JP Morgan, Pricewaterhouse e Prefeitura de Nova York.
Após o encontro, Friedrich participou de uma reunião
no consulado do Brasil. “O trabalho que a Itaipu vem
desenvolvendo por meio deste programa é extremamente interessante. O Brasil é protagonista global no cenário
da sustentabilidade e, nesse contexto, o Cultivando Água
Boa é uma de nossas melhores referências”, elogiou Seixas Correa.
No dia 8, o diretor de Coordenação e Meio Ambiente apresentou o CAB para alunos, professores e pesquisadores do
Center for Brazilian Studies e Columbia Water Center; no
mesmo dia, reuniu-se com o diretor da Organização das
Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), Paul Maseli. Segundo Nelton, Maseli sugeriu ao diretor de Energia e Clima da Unido, Pradeep Monga, maior
divulgação do Cultivando Água Boa nos centros regionais
e na cooperação Sul-Sul.
No dia 9, o CAB foi apresentado ao chefe do setor de Análise de Políticas do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (Desa), David O’Connor.
Após a reunião, no escritório da Organização das Nações
Unidas, O’Connor propôs que o CAB seja apresentado na
Conferência Global para o Acesso a Energia Rural, que será
realizada em dezembro, na Etiópia.
Em seguida, Nelton participou de um encontro no Hunter
College. “Ficamos muito interessados em manter aproximação com a Itaipu. Quem sabe, em julho do próximo ano,
façamos um estágio na Itaipu para que possamos nos aprofundar nas ações desenvolvidas com ênfase na alimentação
saudável”, disse o coordenador do projeto que promoverá
alimentação saudável para os funcionários da Prefeitura de
Nova York, Nicholas Freidenberg.
A iniciativa da Itaipu contempla uma série de ações por
meio uma abordagem sistêmica, que conta com 2.380 parceiros. Além do cuidado direto com o maior bem da humanidade, a água, entre outros, o programa recuperou 1.300
km de cerca com mata ciliar recomposta em uma região
que tem 90% das propriedades com menos de 50 hectares.
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Apresentação
do CAB no
vento da Americas Society
No escritório da Clinton Global Initiative, Nelton esteve
reunido com a coordenadora do Programa de Meio Ambiente, Caroline Hermans. “Identificamos vários pontos
de convergência entre o Programa CAB e a Clinton Global Initiative, principalmente nos trabalhos relacionados à
obesidade infantil, oportunidade econômica, crescimento e
mudanças climáticas”, ressaltou Caroline Hermans.
Nelton Friedrich avaliou como extremamente positiva a
agenda cumprida em Nova York. “Ampliamos nossa rede
de contatos, multiplicamos nossas ações e certamente estabelecemos novas parcerias”, disse.
Na Fordham University, diretor fala sobre matriz
energética e ações socioambientais
O diretor de Coordenação e Meio Ambiente de Itaipu, Nelton Friedrich, voltou a Nova York
em novembro para mais uma apresentação do Programa Cultivando Água Boa. Dessa vez,
num painel sobre Energia e Negócios, da Fordham University, um das mais antigas universidades dos Estados Unidos, focada na formação de gestores. Na mesa, com Friedrich, estavam
representantes da China, Turquia, Índia, Paquistão e África.
Friedrich apresentou os principais dados da matriz energética brasileira, com enfoque para
os índices de produção de energia limpa. No, Brasil a produção de energia limpa é de 48% do
total – se considerada apenas a energia elétrica, esse índice sobe para 88%. A média de matriz limpa dos países ricos é de 12%. “Tivemos palestras dramáticas sobre o quadro da energia
nos países ricos e do desafio dos países na produção de energia e mostramos o contraponto,
como nossa matriz é diversa e limpa.” Durante a palestra Friedrich falou também sobre os
projetos de energia aeólica, solar e ainda o biogás, citando o projeto Energias Renováveis,
desenvolvido pela Itaipu no Condomínio Ajuricaba.
Além de falar sobre a matriz energética, Nelton Friedrich falou sobre as ações socioambientais realizadas pelo CAB na região da Bacia do Paraná 3 e da metodologia utilizada, que prevê
o envolvimento da comunidade em todas as atividades e projetos.
“Nós entendemos que, num futuro próximo, só vão florescer as empresas que tiverem também essa preocupação socioambiental e não apenas com seu negócio”, explicou ao ser questionado pelos participantes de diversos países sobre os motivos que levaram Itaipu a adotar
ações que vão muito além do seu negócio, que é gerar energia elétrica.
Para ele, as empresas têm de ter o compromisso de se preparar para enfrentar os grandes
desafios da humanidade: “energético, da água, do alimento, da sustentabilidade, com grande
envolvimento comunitário”.
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EM QUESTÃO
Merendeira da
região é exemplo
de dedicação
Meu projeto começou
com a minha própria
experiência de ser
nordestina, de ter de
aprender a aproveitar
bem os alimentos,
saber valorizar o que
se leva à mesa
Com o Favela Orgânica, Regina
Tchelly ensina gastronomia
alternativa e respeito aos alimentos
E
Ela cresceu vendo a mãe e a avó aproveitando todos os alimentos disponíveis e ainda utilizando o que sobrava para fazer adubo para as hortas. Hoje, Regina Tchelly,
uma paraibana de sorriso fácil e imensa simpatia, usa o que aprendeu ainda criança
para melhorar a vida das comunidades de Chapéu Mangueira e Babilônia, onde
mora, no Rio de Janeiro.
Com seu projeto, o Favela Orgânica, a ex-empregada doméstica alia geração de
renda e ensina homens e mulheres a aproveitarem totalmente os alimentos. Da casca ao talo tudo pode virar um prato saboroso e rico, como o salpicão de casca de
melancia ou o brigadeiro de casca de banana, duas das dezenas de receitas que ela
prepara e serve nos eventos que atende com seu bufet alternativo e nas oficinas que
realiza Brasil a fora.
Ela também ensina a todos que qualquer embalagem – garrafas PET, caixas de
isopor, bacias velhas – pode virar um canteiro para plantar frutas e hortaliças no
quintal de casa. E prova que mesmo em pequenos espaços é possível produzir, de
preferência sem agrotóxico: tudo pode ser tratado de maneira natural, saudável.
Como começou seu projeto Favela Orgânica? Qual foi
sua inspiração?
Começou com a minha própria experiência de ser nordestina, de ter de aprender a aproveitar bem melhor os
alimentos, saber valorizar o que se leva à mesa. A gente
sabe gerir o que consome, lá na Paraíba, onde eu morava. Via minha mãe, que quando não aproveitava a casca
de uma fruta, colocava na hortinha lá em casa para decompor e virava terra. Aí, eu vim para a cidade grande
e vi a quantidade de alimentos que estava sendo desperdiçada na feira; vi que com um pé de brócolis eu fazia
cinco tipos de pratos diferentes. Então, comecei a criar
receitas na minha cabeça. Mas eu queria sempre ser uma
cozinheira diferente, uma cozinheira que desse solução
para o nosso consumo. Olha que loucura. Eu fui muito
danada, não foi não? Eu sempre quis uma cozinha afetiva e que pudesse dar valor pelo alimento imediato. Foi
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Ita i pu Bi na c i onal
O Favela Orgânica tem apenas dois anos, mas já conta muitas vitórias, atrai pessoas
de todos os lugares e de todas as condições financeiras, gente que quer aprender e
gente que quer ajudar. Seu exemplo corre o mundo: ela é notícia em vários jornais e
emissoras de televisão e já levou suas oficinas de aproveitamento de alimentos para
várias cidades brasileiras. No ano passado, viajou à Itália, onde participou de um
evento do movimento Slow Food Internacional.
Foi num encontro sobre o potencial da gastronomia para o desenvolvimento social, realizado no ano passado, no Rio de Janeiro, que ela teve seu primeiro contato com o Programa Cultivando Água Boa (CAB), apresentado num painel sobre o
tema: “Uma Receita para um Novo Brasil” e durante o Cozinha ao Vivo, no Morro
do Alemão, que reuniu renomados chefs do Brasil.
No Encontro do CAB deste ano, Regina Tchelly vai fazer o que mais gosta: ensinar a fazer alimentos com o que muita gente joga no lixo e mostrar um que com
coragem e determinação é possível fazer qualquer coisa e realizar sonhos.
aí que desenvolvi o Favela Orgânica. A ideia é devolver
para a terra o que a terra nos dá. O povo dizia que na
Paraíba o povo passava fome, mas quando eu vim para o
Rio de Janeiro, eu vi a realidade do passar fome, muitas
vezes, por querer, por preguiça, mas muitas vezes também porque não sabem que um matinho que está na casa
deles (ora pro nobis, por exemplo) dá para comer. É um
absurdo aqui no Rio de Janeiro alguém passar fome. As
pessoas não têm conhecimento do aproveitamento total.
O Favela Orgânica não é inovador nesse sentido, porque
o aproveitamento total, horta comunitária, isso tem há
anos, eu acho que o inovador é a consciência, o resgate.
Isso o Favela Orgânica tem muito. Começar de uma favela para o mundo.
Quando chegou ao Rio de Janeiro?
Há 12 anos, em 30/06/2001. E aí, em 2011, veio a Agên-
cia de Redes para Juventude para as comunidades pacificadas dando oportunidade para jovens de 15 a 29 anos
desenvolver projetos que viessem trazer benefícios para
a comunidade e para a cidade. Eu já era muito virada na
cozinha e disse ‘é minha oportunidade, minha oportunidade’. Aí eu passei por uma banca avaliadora e não fui
selecionada. Foi o melhor não da minha vida. Foi aí que
eu consegui R$ 140 com amigos e vizinhança e chamei
seis mães multiplicadoras da comunidade para elas fazerem comigo a primeira aula.
Como é que funciona o Favela Orgânica?
Eu tenho a oficina do consumo consciente, oficina de
compostagem caseira, para ensinar que fazendo uma
compostagem você tem um adubo, a oficina de pequenas
hortas em pequenos espaços e também a gastronomia alternativa. Inclusive vou fazer uma horta comunitária para
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O Favela Orgânica também está ajudando a transformar
a vida de outra Regina. Merendeira há 25 anos, Regina de
Oliveira Caetano Andrade, participou no mês de setembro,
em Curitiba, do curso de aproveitamento total dos alimentos ministrado pela chef Regina Tchelly.
Ela participou do curso a convite da Itaipu, como reconhecimento a sua trajetória: ela foi premiada no Concurso de
Pratos Saudáveis, que terá nova edição em 2014.
entrar no consumo das pessoas, para elas refletirem para
que consumir tanto, desperdiçar tanto. Vou usar garrafas
PET, bacias. A ideia é fazer com que as pessoas consigam
imaginar o quanto de embalagens elas levam para casa e
o quanto que elas podem economizar se aprenderem a
consumir corretamente, comprar um potinho de alguma
coisa e fazer comida nesse potinho. Plantar comida. Acho
que eu já dei mais de 2 mil oficinas. E vem muita gente ser
voluntária aqui comigo, gente do Brasil, gente de Paris, da
Bolívia, do Chile, de muitos lugares. Tá movimentando a
galera. Tem também um bufet alternativo. É um projeto
que trabalha com o ciclo do alimento, com o consumo
consciente. As pessoas ficam encantadas e através disso
vêm para as oficinas. Eu acho que o projeto é muito ambiental antes de qualquer coisa senão seria uma empresa
comum e a minha proposta é outra.
Você mora na comunidade, trabalha na comunidade?
Moro dentro da comunidade e o Favela Orgânica funciona dentro da minha casa. A única dificuldade que eu
tenho é a falta de espaço. Aqui eu fico um pouco limitada. Na comunidade, mais de 200 pessoas já foram beneficiadas com as oficinas, com o próprio bufê, sendo remuneradas, de uma forma ou outra deu um incremento
na renda deles. Teve gente que já comprou várias coisas
para dentro de casa. E dá muito certo porque eu mostro
para elas que eu não sou patroa e que elas não são minhas empregadas, e sim, somos parceiras.
Seu projeto gera renda com o bufet, mas também tem objetivo social e ambiental...
A minha proposta maior é [acabar com] o grande desperdício de alimentos e muita gente passando fome,
aproveitar aquilo que as pessoas não entendem que seja
alimento. Eu tenho de começar por aquilo que está acontecendo, a realidade local, a realidade dos dias de hoje. Se
eu conscientizar a pessoa, por exemplo, e ela plantar e
pensar no que vai levar para casa, focar nessas hortas de
pequenos espaços já é uma vitória. Quando cozinheiras,
nutricionistas, chefes de cozinha, pessoas do meio ambiente, poder público começarem a se juntar o mundo
muda rapidinho. Basta querer, sabe? Eu acho fantástico
trabalho que tem aí em Itaipu.
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Como é que seu trabalho começou a ganhar o mundo?
Com dois meses, a Rede Globo estava aqui em casa, depois vários jornais, aí com 6 meses, a BBC. Com um ano,
eu estava na Itália com o movimento Slow Food Internacional. Fui dar palestra para 600 pessoas, rodeada de
vários chefs do mundo e também cozinhei lá.
O que você diria para quem quer realizar um trabalho
como o seu?
Primeiro se ame e se coloque no lugar de uma pessoa que
vai receber o que você vai propor. Eu acho que quando a
gente se ama, a gente vê que a gente é capaz, vê que tudo
o que a gente vai dar para os outros é o que a gente queria receber. Eu me coloquei muito no lugar das meninas,
a maioria era como eu na época, empregada doméstica,
com filho, marido. O que me incentivaria a ir para uma
escola de gastronomia e, ainda por cima, alternativa (que
é com talo, casca e semente), 7 horas da noite, depois
de um dia longo de trabalho? Primeira coisa, ser afetiva,
depois, ser um lugar de resgate, de respeito, de muito
amor. É muito mágico. Na Rocinha, em outubro, dei oficina para 60 pessoas. Como elas se amaram, como elas
se respeitaram. Porque eu estou indo com um movimento que não é aquela coisa: cortadinho certinho, eu sou
a chef fazendo. Eu não. Todo mundo faz eu só explico
como é que é feito, nem a mão direito eu coloco porque
elas têm que ver, têm de colocar do jeito que elas gostam.
A única coisa que eu falo é ‘lembrem-se que vocês estão
cozinhando para as pessoas mais especiais na vida que
é cada uma de vocês e lembrem-se que tem muita gente
especial aqui pra comer o amor de vocês’.
Com sorriso nos lábios e olhos brilhantes de empolgação, ela também fala da nova função à frente do controle
e distribuição da merenda escolar do município de Santa
Terezinha de Itaipu, assumida em 2013. “Amo o que faço
e o orgulho é ainda maior ao ver que nossas colegas merendeiras estão motivadas a fazer a diferença e transformar a
alimentação de nossas crianças ainda mais saudável. Ver os
pratos limpos das crianças ao fim de cada recreio demonstra que estamos no caminho certo”, ressaltou.
Ela acrescentou que participar dos concursos e cursos
incentivados por Itaipu foi muito gratificante. “Tivemos
o estímulo necessário e, mais do que isso, o aprendizado que está sendo multiplicado no ambiente escolar e em
nossos lares.”
Questionada sobre a expectativa quanto ao novo concurso
de receitas saudáveis que será lançado no Encontro Cultivando Água Boa desse ano, Regina resume: “Estamos ansiosas e mobilizadas na criação de novas receitas.”
Quais são seus planos para o futuro? O que você tem planejado? O que você espera?
O que eu quero mesmo, primeiro, é um espaço. Com
esse espaço vou poder passar muita coisa que tem dentro
de mim para poder ser compartilhado. A segunda coisa
é que eu consiga levar alimentos num pote para pessoas,
para que as pessoas consigam plantar onde elas tenham
espaço. Esse movimento eu preciso muito fazer, estou
com muita necessidade no meu coração de fazer isso: é
plantar, plantar, plantar, levar os produtores até o cliente, o cliente até o produtor, fazer essa transformação.
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COMPARTILHAMENTO
PARTICIPAÇÃO
Centro Tecnológico Demonstrativo de Modelos da FAO vai
divulgar boas práticas do Programa Cultivando Água Boa
Cidades Sustentáveis propõe incluir novos indicadores
O centro será implantado dentro da Usina de Itaipu para promover o intercâmbio de conhecimentos e fortalecer a relação Sul-Sul, com ênfase para América Latina e África
O coordenador do Programa Cidades Sustentáveis, Maurício Broinizi, esteve no Paraná em setembro para conhecer alguns municípios da região Oeste que já aderiram ao
programa. Ele participou de reuniões com os gestores do
Programa Cultivando Água Boa (CAB) e com os prefeitos
de Foz do Iguaçu, Santa Helena e Toledo.
Parceria de Itaipu no estímulo à adesão dos municípios da região oeste à
plataforma é destacada por Maurício Broinizi, coordenador do programa
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e
Agricultura (FAO) vai implantar na Usina de Itaipu um
Centro Tecnológico Demonstrativo de Modelos com o
objetivo de promover o intercâmbio de conhecimentos e
fortalecendo a relação Sul-Sul, com ênfase para a América
Latina e África, a partir de programas de Itaipu nos mais
diferentes segmentos. Entre eles, estão a Plataforma Itaipu
de Energias Renováveis e o Programa Cultivando Água Boa
(CAB), que inclui projetos e iniciativas de ações ambientais
sustentáveis em toda a Bacia do Paraná 3.
Broinizi falou aos os gestores do CAB sobre as ações do
programa e estimulou o grupo a inserir novos indicadores
na plataforma – a partir dos 100 itens básicos sugeridos pelo
Cidades Sustentáveis. “Essa parceria com Itaipu é construtiva. Percebemos que a região Oeste tem suas particularidades e que muitos indicadores específicos e importantes
estão em processo de construção com a própria prática do
Cultivando Água Boa”, disse.
O centro, que vai funcionar junto ao escritório descentralizado da FAO no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), vai
abrigar unidades de demonstração nas áreas de energias
renováveis, gestão participativa de bacias hidrográficas,
plantio direto e agricultura de baixo impacto, educação ambiental, aquicultura, cooperativas e modelos inclusivos de
participação social, políticas da agricultura familiar, banco
de tecnologias sociais (possível parceria com a Fundação
Banco do Brasil), fortalecimento e expansão da Unila – a
Universidade da Integração Latino-Americana.
Jucerlei Sotoriva, prefeito de Santa Helena e presidente do
Conselho dos Lindeiros, destacou a importância do engajamento da região em um programa que oferece ferramentas
para que as cidades brasileiras se desenvolvam de forma
econômica, social e ambientalmente sustentável e prometeu incentivar outras cidades a assinarem o documento.
Em Toledo, o tema foi o comprometimento. “Nossa meta
é inovar e transformar Toledo em uma referência em boas
práticas”, disse o prefeito Beto Lunitti.
O anúncio de criação do centro de modelos foi feito pelo
diretor da FAO, o brasileiro José Graziano, em Roma, no
mês de setembro, durante uma das reuniões com o grupo liderado pelo diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge
Samek. O grupo esteve na Itália para divulgar o II Fórum
Mundial de Desenvolvimento Econômico Local. A viagem
à Itália incluiu uma extensa agenda com a FAO.
Integraram a comitiva o diretor de Coordenação e Meio
Ambiente, Nelton Friedrich; o superintendente de Energias
Renováveis, Cícero Bley Júnior; e o assistente do diretor-geral brasileiro, Herlon Goelzer de Almeida, coordenador
do Sistema de Gestão da Sustentabilidade (SGS).
A FAO e a Itaipu devem fazer
chegar essas informações a todo
o mundo, em especial na América
Latina e na África
Júlio Worman, da área de cooperação da
Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e Agricultura
Com o centro, pretende-se estabelecer um ambiente propício para o diálogo, compartilhamento de casos de sucesso
e elaboração de propostas que possam se adequar à realidade dos países interessados.
A intenção da Itaipu e da FAO, segundo Samek, é identificar outros parceiros regionais, como cooperativas agropecuárias, prefeituras, Emater, Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento e universidades, entre outros, para
que atuem no novo centro de referência de boas práticas.
24
J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a
Ita i pu Bi na c i onal
Samek e Friedrich
com Júlio Worman,
Daniela Kalikoski e
Dóris Soto durante
reunião em Roma
para apresentação do
projeto Mais Peixes
em Nossas Águas
Mais Peixes em Nossas Águas é uma das ações a integrar centro
Uma das ações que devem integrar o
Centro Tecnológico Demonstrativo de
Modelos é o projeto Mais Peixes em
Nossas Águas, que compõe o Programa
Cultivando Água Boa.
O projeto foi apresentado pelo diretor-geral brasileiro, Jorge Samek, e pelo
diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, que mostrou
dados do modelo de piscicultura de
Itaipu a Dóris Soto, Daniela Kalikoski e
Júlio Worman, da FAO.
Por meio do centro, os países parceiros terão acesso a
tecnologias, experiências e atividades de capacitação, os
quais, conjugados com suas capacidades técnicas locais,
contribuirão para o desenvolvimento do País em diferentes
níveis. A lista inclui aperfeiçoamento do quadro de profissionais, da infraestrutura técnica e de processos para ela-
Nos cerca de 500 tanques-rede distribuídos por Itaipu na área do reservatório,
a produção de peixes no ano passado
chegou a 51 toneladas. A meta é alcançar
75 toneladas neste ano. No reservatório, a
produção total é de 1.300 toneladas.
Dos reservatórios da Bacia do Paraná,
o de Itaipu é considerado o mais produtivo. Itaipu também tem sido pioneira
na demarcação de parques aquícolas
em reservatórios.
A Itaipu monitora com estatística a produção pesqueira no reservatório desde
1987. Os próprios pescadores fornecem
informações diárias e os resultados mostram uma evolução crescente na captura
de peixes no reservatório.
Segundo Júlio Worman, a experiência
de Itaipu é muito rica, diversificada e
completa; não merece ficar guardada.
“Ao contrário, a FAO e Itaipu devem
fazer chegar essas informações a todo
o mundo, em especial na América Latina e na África”.
boração e implementação de planos de ação, assim como
uma melhor formulação, execução e acompanhamento
de programas públicos e projetos, que envolvam parcerias
com a sociedade civil e setor privado. A FAO terá um papel
chave auxiliando no processo de articulação com governos
e parceiros para garantir a participação de representantes
N º 24
N o vemb ro 2 0 1 3
governamentais de alto nível, com grande capacidade de
decisão, e representantes de entidades não-governamentais, com grande representação social. Nessa parceria, a
entidade também vai disponibilizar o seu quadro de especialistas para ajudar na continuidade e sustentabilidade de
atividades futuras.
N º 24
N o vemb ro 2 0 1 3
sam a adotar metas em diversos indicadores de sustentabilidade, tais como coleta seletiva e reciclagem, saúde pública,
mobilidade urbana e combate às mudanças climáticas.
De acordo com Broinizi, o Oeste do Paraná é uma região
importante por concentrar uma grande quantidade de municípios signatários do programa. “É uma região estratégica, que pode servir de exemplo para diversas localidades do
Brasil e do mundo”.
Percebemos que a região Oeste
tem suas particularidades e que
muitos indicadores específicos e
importantes estão em processo de
construção com a própria prática
do Cultivando Água Boa
Maurício Broinizi, coordenador da
Plataforma Cidades Sustentáveis
Ele acrescentou que o CAB é um exemplo a ser seguido,
tanto que está inserido no banco de boas práticas do Programa Cidades Sustentáveis.
Região estratégica
O Programa Cidades Sustentáveis conta com 245 cidades
signatárias, incluindo 20 capitais brasileiras. Dos 52 municípios que integram a Associação dos Municípios do Oeste
do Paraná (Amop), 34 são signatários do Programa Cidades Sustentáveis. Destes 34, 26 são da Bacia do Paraná 3
(BP3). O objetivo é obter a participação de todos os municípios integrantes da Amop.
Com a assinatura da carta-compromisso os municípios pas-
A implantação do programa Cidades Sustentáveis na região Oeste teve início em novembro de 2011, com uma
apresentação realizada durante o Encontro Cultivando
Água Boa. Em agosto de 2012, diversos candidatos a prefeito e presidentes de partidos políticos assinaram documento
se comprometendo a adotar as ferramentas do programa.
Em novembro passado, esse compromisso foi reforçado em
evento promovido pela Amop e também durante o encontro que celebrou 10 anos do CAB.
Broinizi com gestores do CAB: indicadores específicos e importantes estão em processo de construção
J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a
I t a i pu B i n a c i o n a l
25
COOPERAÇÃO TÉCNICA
RESÍDUOS SÓLIDOS
BNDES e Itaipu firmam acordo no valor de
R$ 50 milhões para ações de desenvolvimento
Troca de experiências ajuda a melhorar
qualidade de vida de catadores de recicláveis
Além de preocupações ambientais, a Política Nacional de Recursos Sólidos busca a valorização da atividade dos catadores
Do total, R$ 21 milhões serão destinados ao apoio a atividades que complementam ações do Cultivando Água Boa
O Programa Coleta Solidária, desenvolvido por Itaipu, foi
uma das experiências de fomento e desenvolvimento da
coleta de resíduos sólidos apresentadas no 1º Seminário
Regional Sul e Centro-Oeste do Projeto Articula (Ação),
realizado entre os dias 23 e 25 de setembro, no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI).
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Itaipu Binacional e a Fundação Parque
Tecnológico Itaipu (FPTI) firmaram um acordo de cooperação financeira no valor de R$ 50 milhões. O objetivo é
viabilizar o desenvolvimento regional do oeste paranaense,
por meio do fortalecimento de unidades produtivas e da
modernização da administração municipal, promovendo
ainda a inclusão social.
A proposta do evento, organizado pelo Ministério do
Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria Nacional de
Economia Solidária, é encontrar formas de melhorar a qualidade de vida dos catadores com a organização e desenvolvimento de cooperativas e, ao mesmo tempo, aumentar a
vida útil dos aterros sanitários.
Do total, R$ 21 milhões serão destinados ao apoio a atividades produtivas ligadas à agricultura familiar, pesca, artesanato e coleta de lixo reciclável e outras atividades de baixa
renda, complementando ações que já são coordenadas pela
Itaipu no âmbito do Programa Cultivando Água Boa.
O acordo foi assinado, no dia 3 de outubro, pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho; pelo diretor-geral
brasileiro da Itaipu, Jorge Samek; pelo diretor-superintendente da FPTI, Juan Sotuyo; e pelo presidente da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop),
José Carlos Mariussi.
A primeira operação no âmbito do acordo já foi contratada. Com recursos de até R$ 10,5 milhões do BNDES Fundo
Social e contrapartida de, no mínimo, igual valor por parte
da FPTI, o projeto contempla a estruturação de empreendimentos produtivos coletivos (cooperativas) de baixa renda
– urbanos e rurais – desenvolvidos na região.
Para garantir o apoio a um número maior de beneficiados,
foi definido um limite de R$ 25 mil por cooperado atendido. A Fundação ficará responsável pela identificação das
necessidades locais, que resultarão em propostas potenciais
para impulsionar o desenvolvimento regional a partir da
geração de emprego e renda. Propostas já estão em análise
e algumas estão em estágio mais avançado, como a da Cooperativa Agrofamiliar Solidária dos Apicultores da Costa
Oeste do Paraná (Coofamel) e da Associação do Produtores
de Agricultura e Pecuária Orgânica de São Miguel (Aprosmi).
A Itaipu está solicitando às cooperativas parceiras do CAB
que submetam projetos, especificando inclusive o respectivo plano de negócio, para acessar esses recursos.As propostas que forem consideradas viáveis pela FPTI serão
encaminhadas ao BNDES para análise do grupo de acompanhamento e aprovação do diretor responsável pela Área
Agropecuária e de Inclusão Social (Agris).
O acordo permite apoio a compra de máquinas e equipamentos novos; veículos, utilitários, caminhões e implementos; construção, adequação e reparo em imóveis;
equipamentos de informática, comunicação e software;
capacitação nos campos da organização social, da educação ambiental, da gestão organizacional e na área técnico-operacional; entre outros itens, desde que os bens venham
a ser utilizados coletivamente pela cooperativa beneficiada.
26
J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a
Ita i pu Bi na c i onal
Prefeitos de municípios da Amop reunidos na Itaipu: fortalecimento da região
Com os investimentos previstos, espera-se, além do desenvolvimento territorial da região, promover um ganho de
escala na execução de projetos sociais desenvolvidos pela
FPTI, bem como elevar a renda dos beneficiários finais.
A próxima operação, que está em estudos, prevê o apoio financeiro à elaboração dos planos de saneamento de municípios do Oeste paranaense. Estão previstos R$ 10 milhões
para essas ações.
Para o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, essa
é uma ação que efetivamente promove o desenvolvimento
da região. Ele destacou duas iniciativas do convênio: a do
programa de modernização da gestão pública e o de projetos de saneamento básico dos municípios da região.
Segundo a coordenadora do Articula (Ação), Ronalda
Barreto Silva, com a Política Nacional de Resíduos Sólidos,
sancionada pelo presidente Lula em 2010, a meta está mais
próxima de ser alcançada. Até 2014, os lixões devem ser
eliminados das cidades brasileiras. Do contrário, receberão
menos recursos do governo federal. “Graças à Itaipu, esta
região está mais avançada. Entretanto, em outras, muito
ainda precisa ser feito para cumprir a lei. Este encontro
busca encontrar mecanismos para fazer isso acontecer”,
ressalta Ronalda.
Ronalda Barreto Silva:
“Graças à Itaipu esta
região está muito
avançada”
O programa
Segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a
ajuda da Itaipu, da FPTI e da Amop na formatação de projetos dos municípios para a obtenção de recursos do governo federal tem sido fundamental nessa parceria.
O gestor do projeto na FPTI, João José Passini, diz que o
objetivo maior é o desenvolvimento territorial da região. “É
o desenvolvimento baseado nas pessoas, criando uma rede
de empreendedores na economia solidária e possibilitando
a inclusão social. Esse é o grande foco do projeto.”
Cultivando Água Boa é apresentado como modelo
de gestão integrada em encontro no BNDES
A experiência de Itaipu no desenvolvimento regional, principalmente por meio do Programa
Cultivando Água Boa, foi apresentada em um encontro organizado pelo BNDES, em outubro. O encontro reuniu executivos do BNDES, instituições parceiras e especialistas para uma
reflexão sobre o desenvolvimento da região Sul do Brasil, com o objetivo de refinar políticas
públicas.
O superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu Binacional, Jair Kotz, apresentou as ações
e os resultados do Programa Cultivando Água Boa (CAB) nos últimos dez anos e os desafios
futuros. Também presente na reunião, Jucerlei Sotoriva, presidente do Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu e prefeito de Santa Helena, representou os municípios da Bacia do Paraná 3 (BP3), área de atuação do CAB. “Mostramos que, por
meio de parcerias consolidadas e do comprometimento, podemos mudar conceitos e, mais
do que isso, garantir qualidade de vida às pessoas”, avaliou Sotoriva.
N º 24
N o vemb ro 2 0 1 3
O objetivo do Coleta Solidária, lançado por Itaipu em 2003
como uma das ações do Programa Cultivando Água Boa
(CAB), é aumentar a renda dos catadores de materiais recicláveis, formar cooperativas e transformar a atividade em
profissão. Começou em Foz do Iguaçu, com a doação de
carrinhos, uniformes e capacitação (leia mais na página 15).
Jair Kotz em palestra
durante o evento: “O
projeto cresceu, mas ainda
há muito a ser feito”
O Coleta Solidária foi além da Bacia do Paraná 3 (BP3) e
atualmente já atinge mais de 60 cidades. “O projeto cresceu.
A renda dos catadores aumentou mais de 300%. Mas ainda há muito a ser feito”, disse o superintendente de Gestão
Ambiental da Itaipu, Jair Kotz.
Na opinião de Viviane Mertig, presidente da Cooperativa
de Catadores de Foz, o Coleta Solidária não apenas contribuiu para o aumento da renda, mas aumentou a autoestima
dos catadores. “Nos cursos, aprendi que o meu trabalho
auxilia no desenvolvimento das cidades e contribui para a
preservação do meio ambiente”, afirmou.
Para Viviane, o grande desafio é obter o reconhecimento das prefeituras e o pagamento, por parte do município,
pelo trabalho dos catadores. “Por que não contratar as cooperativas para fazer coleta de materiais recicláveis? Hoje
fazemos isso, mas não recebemos.”
Viviane Mertig: “Aprendi
que meu trabalho
auxilia no
desenvolvimento
das cidades”
Estratégia
Os temas do encontro em Foz do Iguaçu foram definidos
no 1º Seminário da Senaes Pró-catador: Articulação de Entidades Parceiras, realizado de 29 a 31 de julho, em Brasília. A estratégia está de acordo com a Política Nacional
de Recursos Sólidos, que determina a reciclagem máxima
possível de materiais.
N º 24
N o vemb ro 2 0 1 3
A iniciativa do governo federal criou uma hierarquia
para a gestão e o gerenciamento de resíduos e sugere prevenção, reutilização, tratamento e disposição em
aterros somente dos rejeitos. Política Nacional de Recursos Sólidos também define o gerador de resíduos como o
responsável por sua destinação, sem tirar das prefeituras
a responsabilidade, mas compartilhando-a. Além disso,
busca a integração dos catadores nas atividades que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de
vida dos produtos.
J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a
I t a i pu B i n a c i o n a l
27
ATITUDE
SUSTENTABILIDADE
PARCERIAS
Ações internas na usina garantem
sustentabilidade, economia e mais saúde
Encontro debate e propõe
ações de agroecologia
Comitês gestores
do CAB têm novos
coordenadores
Com adoção de ideias simples, somente a Divisão de Serviços Gerais já conseguiu economia de R$ 3,6 milhões
Representantes de todos os setores da sociedade envolvidos com a agroecologia
participaram do evento que reuniu mais de 200 pessoas da região
A principal função dos comitês é
acompanhar as várias atividades
desenvolvidas em cada um dos
programas do Cultivando Água Boa
Itaipu, que tem grande projeção com iniciativas ambientais e sustentáveis como as do Programa Cultivando Água
Boa, implantou em junho do ano passado seu novo Sistema
de Gestão de Sustentabilidade (SGS), integrando programas, projetos e ações da empresa que já tratam da sustentabilidade. Tudo dentro de um ambiente que estimule a participação de todos os funcionários na proposição de ações
e, principalmente, na tomada de atitudes.
Dentro dessa linha de pensamento, vários projetos Divisão
de Serviços Gerais vêm se destacando: o uso de sachês para
adoçar o café, a substituição dos garrafões de água mineral por purificadores de água, aproveitamento da água da
chuva, o uso dos estepes nos rodízios de pneus dos carros
e, mais recentemente, a organização de correspondências.
Os 29 municípios da Bacia do Paraná 3 concluíram, em
outubro, a eleição dos coordenadores do comitês gestores
municipais do Programa Cultivando Água Boa (CAB). O
processo de escolha começou em 8 de março, em Santa Helena. O último município a eleger seus representantes foi
Matelândia, em 10 de outubro.
Cândida Strey dona da ideia do uso de sachês
Purificadores garantem melhor qualidade da água
Com pequenas mudanças, a Itaipu alcançou uma economia de R$ 3,6 milhões. Para além da economia, essas ações
trazem fortes resultados ambientais e também para a saúde
dos funcionários da usina.
A oficina sobre a produção agroecológica de frutíferas atraiu muitos participantes
A reflexão e a discussão de propostas que possam mobilizar todos os atores sociais, com foco no desenvolvimento
rural sustentável, nortearam a pauta do VI Encontro Regional de Agroecologia (ERA), que reuniu nos dias 1 e 2 de
agosto, em Santa Helena, 252 pessoas ligadas ao setor que
residem na Bacia do Paraná 3 (BP3).
De acordo com o gerente da Divisão de Serviços Gerais,
Divan Saraiva da Cruz, as boas ideias do setor nascem, sobretudo, do bom relacionamento e do estímulo para que
todos apresentem propostas. “O grande diferencial é que
as ideias não são de gerentes, são de funcionários, de quem
está na linha de frente”, comenta.
Uma das ações mais recentes é a gestão das correspondências externas feita pela equipe responsável pelos malotes.
“Só com a gestão correta a equipe está conseguindo reduzir
os gastos com correspondências em R$ 10 mil por mês”,
conta Divan Saraiva. Os custos saíram de R$ 34,5 mil por
mês para R$ 24 mil. O que levou a essa economia foi a
percepção de que muitas correspondências para a mesma
pessoa seguiam em envelopes separados para os Correios.
“A equipe recebe e se percebe que é para a mesma pessoa
devolve para a área e pede para colocar tudo dentro de um
envelope só”, explica. Numa das situações o gasto passou
de R$ 347 para R$ 38.
Menos açúcar, mais saúde
O uso dos sachês de açúcar e adoçantes, no lugar do café ou
chá adoçados, é ideia de Cândida Strey, também da Divisão
de Serviços Gerais. O programa é, ao mesmo tempo, simples
e eficiente: no lugar de adoçar as garrafas de café e chá servidas na usina, estão sendo oferecidos aos empregados sachês
de açúcar e de adoçante para que cada uma faça sua opção.
Com a mudança, Itaipu deve chegar ao final de 2013 consumindo 20 toneladas a menos de açúcar. Junto com a
diminuição do uso do açúcar, veio também a redução no
consumo de chá, café, leite, gás. “É uma cadeia de reflexos
positivos”, lembra Divan Saraiva.
A outra ação que vem apresentando bons resultados é a
troca dos velhos garrafões de 20 litros de água mineral por
purificadores. O custo de operação é de aproximadamen28
J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a
Ita i pu Bi na c i onal
Lavagem de carros com água da chuva
O grande diferencial é que as
ideias são de quem está na
linha de frente
De acordo com o coordenador do Comitê Gestor de
Agricultura Sustentável da Bacia do Paraná 3, Sérgio Angheben, os dois dias de encontro foram positivos em todos os sentidos. “Tivemos
debates intensos sobre a realidade do
setor agroecológico em nossa região e no Brasil, bem como a
realização de oficinas, o que
uniu teoria à prática.”
Divan Saraiva da Cruz, gerente da
Divisão de Serviços Gerais
muito conhecimento que trocamos experiências, tiramos
nossas dúvidas e aprendemos muitas coisas que são aplicadas nas propriedades”, disse Guiomar.
O professor doutor da Universidade de São Paulo (USP),
Carlos Armênio Khatounian, foi um dos destaques do encontro. Ele falou sobre “Agroecologia, Patrimônio e Soberania”, destacando que a agroecologia no Estado do Paraná vem se fortalecendo de maneira participativa, o que faz
toda a diferença e estabelece a sustentabilidade das ações.
“O caminho é unir os diferentes conhecimentos e saberes
na busca de novos valores, com base na ética e na valorização da natureza como substancial à vida. E isso vocês estão
fazendo com muita sabedoria.”
Ele acrescentou que os desafios não param e que o setor
tem muito a avançar por meio da discussão e implementação de novas propostas. “Estamos vivendo uma nova realidade. Existe o fluxo inverso de pessoas que estão migrando
do meio urbano para o rural e isso é interessante”, pontuou.
Marcelo Sommer: estepes para rodar
te um terço na comparação com os atuais bebedouros. De
acordo com o setor, o custo anual para comprar 520 mil
litros de água em garrafão consumidos em Itaipu é de R$
130 mil; com os purificadores, a estimativa de gasto é de R$
40 mil por ano, incluindo a troca semestral dos filtros instalados nos equipamentos. “As vantagens vão além da economia. Os purificadores garantem melhor qualidade da água
consumida pelos empregados”, ressaltou Divan Saraiva.
Água e estepe
Itaipu também está conseguindo economizar centenas de
litros de água na lavagem dos veículos. Em outubro do ano
passado, foi instalada uma cisterna ao lado do galpão no
setor de Transportes que garante o armazenamento de até
52 mil litros de água da chuva, suficientes para lavar 350
veículos, uma vez e meia a frota da Itaipu, que é de 250
veículos, além de guinchos, barcos e ônibus.
A Divisão de Transportes também está conseguindo bons
resultados com uma outra ideia simples: o uso dos estepes
no lugar de pneus desgastados. A ideia de Marcelo Sommer, funcionário da Divisão de Transportes, gerou uma
economia de R$ 50 mil em agosto do ano passado, na troca de pneus da frota.
A partir de um levantamento, foram identificados 175
estepes para substituir pneus desgastados. No lugar deles, foram colocados os pneus “meia-vida”, aqueles que
já rodavam, mas que ainda apresentam condições para
tráfego com segurança.
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Uso do bambu na oficina sobre bioconstrução
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A eleição demonstra o
reconhecimento por parte
dos parceiros de que o CAB
não pertence à Itaipu e às
prefeituras, mas a todo cidadão
Gilmar Seco, gerente do Departamento
de Interação Regional
Implantados informalmente entre 2003 e 2004, os comitês
foram instituídos por leis municipais em 2009. Os coordenadores são eleitos pelos membros indicados pelas entidades parceiras do comitê. Cada entidade indica oficialmente
um titular e um suplente.
A principal função dos comitês é acompanhar as ações
da Itaipu, previstas nos convênios firmados com os municípios, e as várias atividades desenvolvidas em cada
um dos programas do CAB. O comitê é também um fórum permanente de discussões de diversas questões do
interesse do município.
Para a presidente da Cooperativa Gran Lago,
Guiomar Neves, “participar sempre vale a pena”.
Segundo ela - que não
perdeu nenhuma edição
até hoje -, muito aprendizado foi colocado em
prática. “A gente nunca
pode pensar que já sabe
tudo. Sempre temos muito a aprender e são nesses
encontros com os colegas
da região e pessoas de renome nacional que detém
No início do projeto, o consumo mensal de água tratada
para este tipo de serviço era de 150 metros cúbicos. Em junho de 2013, a medição mostrou que o consumo caiu para
42 metros cúbicos.
“A eleição demonstra o reconhecimento, por parte dos
parceiros que compõem os comitês, de que o CAB não pertence somente à Itaipu e às prefeituras, mas a todo cidadão
que acredita no desenvolvimento sustentável de nossa região”, disse o gerente do Departamento de Interação Regional, Gilmar Secco. Junto com Leila Alberton e Luiz Suzuke,
Secco esteve na eleição em Matelândia.
Khatounian: unir os diferentes conhecimentos e saberes
Santa Helena foi o primeiro município a eleger comitê
J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a
I t a i pu B i n a c i o n a l
29
passa
tempo
RECONHECIMENTO
CAB recebe o Marketing
Best Sustentabilidade 2013
Prêmio é concedido às melhores ações empresariais sustentáveis do Brasil
O Programa Cultivando Água Boa (CAB), da Itaipu Binacional e parceiros, recebeu no início de novembro o troféu do Marketing Best Sustentabilidade 2013, concedido às
melhores ações empresariais sustentáveis do Brasil.
Os demais projetos premiados são da AACD, Amil, Apae
de São Paulo, Associação Viva e Deixe Viver, Bradesco Capitalização, Caixa Econômica Federal, Complexo Comercial Tatuapé, Damha Urbanizadora e da ESPM Social.
O prêmio é promovido há 12 anos e esta foi a primeira vez
em que a Itaipu foi selecionada. O CAB já obteve reconhecimento público em várias ocasiões e é considerado pela
Unesco um programa modelo no cuidado com os recursos hídricos. Desde 2003, quando foi instituído, o programa recebeu ou foi finalista em quase 30 premiações. Entre
elas estão o Benchmarking Brasil, recebido neste ano (leia
mais nas páginas 16 e 17), Benchmarking da década (2012),
Americas Award 2011 e o Prêmio Ana (2010).
NOTAS
Itaipu e comunidades indígenas traçam metas para 2014-2015
O Programa de Sustentabilidade Indígena de Itaipu, que integra o Comitê Gestor Ava Guarani, está traçando o novo convênio com as três aldeias para 2014-2015. O objetivo é avaliar as ações nos últimos dois anos e traçar as próximas metas,
seguindo os eixos: segurança alimentar, agricultura sustentável, fortalecimento da cultura e infraestutura. De acordo com a
gerente da Divisão de Ação Ambiental, Marlene Curtis, algumas comunidades já estão avançadas em relação à própria sustentabilidade. As reuniões vão se estender até o final deste ano.
Descarte de lâmpadas
Jovens visitam o RBV
A Itaipu Binacional tem dado um destino útil para as lâmpadas fluorescentes descartadas. Desde 2008, a empresa
encaminhou 180 mil unidades para descontaminação e reciclagem, material que voltou ao ciclo produtivo como matéria-prima (vidros e metais). O último grande lote, com 10
mil lâmpadas, saiu de Itaipu no último dia 30 de outubro.
Jovens do Projeto Plantando Vida, de Francisco Beltrão,
conheceram o Refúgio Biológico Bela Vista e a Usina de
Itaipu. A visita foi um presente em reconhecimento ao
talento dos jovens.
Eles venceram o Prêmio Expressão Ecologia 2013, na categoria
recuperação de áreas
degradadas. O projeto Plantando Vida tem
por objetivo a recuperação de matas ciliares
e a preservação de espécies nativas na região de
Beltrão. Em seis anos,
o grupo catalogou mais
de 130 espécies de árvores e produziu mais de 3
milhões de mudas.
30
J o r n a l C u l t iv a n d o Ág u a Bo a
Ita i pu Bi na c i onal
Tirinha
A Arara se alimenta
de frutas, sementes,
insetos e castanhas,
utilizando a força
dos bicos para
furar os galhos
Encontros e Caminhos:
formação de educadores/
as ambientais e coletivos
educadores.
Autor: Luiz Antonio
Ferraro Júnior
(coordenação)
Editora: Ministério do
Meio Ambiente
A cerimônia ocorreu na sede da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo (SP), com a
presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
um dos premiados da noite. A gerente do Departamento de
Proteção Ambiental, Silvana Vitorassi, representou a Itaipu
no evento, que tem o apoio da Academia Brasileira de Marketing e é promovido pela Editora Referência.
O CAB foi um dos dez cases vencedores selecionados
pelo júri, presidido por Jomar Pereira da Silva, presidente da Associação Latino-Americana de Agências de
Publicidade (Alap). Também integraram o júri representantes da ESPM, da M.Books do Brasil, da DClemente
Associados e da empresa organizadora do prêmio, a MadiaMundoMarketing.
Estante
Para colorir
e troncos.
Elas
fazem os ninhos nos
troncos ocos de
árvores e habitam
florestas em regiões
tropicais do planeta. No
Brasil, podemos encontrar
espécies no Pantanal, na
Floresta Amazônica e na
região da Mata Atlântica.
Use a imaginação e dê
Em dois volumes, os livros estão disponíveis
em formato PDF no site do Ministério do
Meio Ambiente (www.mma.gov.br). Traz
um conjunto de reflexões que contribuem
para a discussão sobre educação ambiental e
a formação de educadores.
cor ao bichinho
Ligue os pontos
A Revolução do Amor:
por uma
espiritualidade laica
Autor: Luc Ferry
Editora: Objetiva
A obra busca analisar o amor não apenas como
uma experiência íntima e perturbadora, mas
como princípio fundador de uma nova visão do
mundo, a verdadeira fonte de recuperação do sentido e que reorganiza os valores que alimentaram
a civilização moderna.
Caça-Palavras
Alfabetização Ecológica:
a educação das crianças
para um mundo
sustentável
Autor: Fritjof Capra
Editora: Cultrix
N o vemb ro 2 0 1 3
A
T
R
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O N
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O
P
A
S
D
E
T
N
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Leia atentamente e aprenda mais sobre o programa Plantas Medicinais.
Ao final, encontre as palavras destacadas!
A
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F
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Ç
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Além de resgatar o rico patrimônio de ervas medicinais da região da tríplice
fronteira, que vinha se perdendo por danos ambientais e do processo de
urbanização, o programa Plantas Medicinais, criado por Itaipu em 2005,
oferece uma alternativa de renda para agricultores orgânicos. Um laboratório
de processamento de extratos secos, construído no município de Pato Bragado,
em parceria com a Sustentec – Produtores Associados para Desenvolvimento
de Tecnologias Sustentáveis, entidade responsável pela articulação da cadeia
produtiva do setor no oeste do Paraná, Ministério do Desenvolvimento Agrário
(MDA) e prefeitura do município, opera com capacidade de 96 toneladas por mês.
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No início, o programa se concentrou na capacitação de profissionais – médicos,
enfermeiros, farmacêuticos, dentistas e nutricionistas – e na demonstração de
resultados clínicos para vencer o preconceito contra fitoterápicos. Hoje a estrutura
beneficia 18 tipos de plantas medicinais para tratamento das dez doenças mais
comuns da região e os envia a 34 postos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os artigos e ensaios reunidos nesse livro revelam
o trabalho que está sendo realizado pela vasta
rede de parcerias do Centro de Eco-Alfabetização. Entre os projetos descritos estão a recuperação e exploração de bacias hidrográficas e
programas de educação ecológica voltados para
a justiça ambiental.
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O Instituto Brasileiro de Plantas Medicinais, do Rio, que oferece cursos de
pós-graduação na área, foi contratado para realizar os cursos. Incluindo os
agricultores, foram formadas 10,3 mil pessoas.
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J o r n a l Cu l t i v a n d o Ág u a Bo a
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Jornal Cultivando Água Boa n. 24 (pdf / 5.38 MB)