Auditoria Professor conteudista: Derneval Gondim Freire Revisores: Divane Alves da Silva e Luciano Evangelista Pereira Sumário Auditoria Unidade I 1 CONTABILIDADE ..................................................................................................................................................1 1.1 Objetivo da auditoria .............................................................................................................................3 1.2 Origem da auditoria ...............................................................................................................................4 1.3 A auditoria no Brasil ..............................................................................................................................6 1.4 O papel da auditoria ..............................................................................................................................7 1.5 A auditoria na área empresarial e no setor público ..................................................................8 1.5.1 Tipos de auditoria ......................................................................................................................................8 1.6 O perfil profissional do auditor....................................................................................................... 16 Unidade II 2 O TRABALHO DE AUDITORIA....................................................................................................................... 20 2.1 Aplicações da auditoria ..................................................................................................................... 20 2.2 Planejamento e execução dos trabalhos .................................................................................... 21 2.3 Os papéis de trabalho ......................................................................................................................... 22 2.4 Testes de observância e testes substantivos ............................................................................. 28 2.5 Estudo e avaliação dos sistemas de controles internos ....................................................... 32 2.6 Os tipos de auditoria nas empresas públicas e privadas ...................................................... 37 2.6.1 Auditoria nas empresas públicas ou governamentais ............................................................. 37 2.6.2 Auditoria nas empresas privadas ..................................................................................................... 38 2.7 Os testes de observância e os substantivos ............................................................................... 38 2.7.1 Objetivos do teste de observância ................................................................................................... 39 2.7.2 Objetivos do teste substantivo .......................................................................................................... 39 2.8 Outras técnicas correntes ................................................................................................................. 40 2.9 Os relatórios nas áreas pública e privada ................................................................................... 40 3 O PARECER DE AUDITORIA: REDAÇÃO, MODALIDADES E DESTINATÁRIOS ............................. 41 3.1 Tipos de pareceres ................................................................................................................................ 42 4 AS TOMADAS E PRESTAÇÕES DE CONTAS............................................................................................. 46 4.1 Aspectos conceituais .......................................................................................................................... 46 4.2 Ciclos dos processos ............................................................................................................................ 46 4.3 Julgamento das contas pelo controle externo ......................................................................... 46 AUDITORIA Unidade I 5 1 CONTABILIDADE 10 Conceito: de acordo com o primeiro Congresso Brasileiro de Contabilistas, realizado no Rio de Janeiro em agosto de 1924, contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de orientação, controle e registro relativas à administração econômica. 15 Assim, podemos definir que a contabilidade é a ciência que estuda e controla o patrimônio das entidades, nos seus atos e fatos quantitativos e qualitativos. Sendo assim, a contabilidade passa a exercer um papel 20 amplo, ou seja, deixa de ser apenas um instrumento de registro das operações ocorridas em determinado período, passando para outros campos, principalmente, o de controle, análise e projeção de fatos que diretamente (ou indiretamente) atendam à alta direção de qualquer organização. 25 As partidas dobradas, genialmente criadas por Luca Paccioli (1494), já demonstram o papel que o contador a princípio terá, ou seja, explicar o motivo da escolha de tal débito e/ou crédito, que justifica o tipo de registro efetuado; e, assim, automaticamente, 30 o controle e análise são instituídos. Os controles gerados pelos registros contábeis devem atender a planejamentos estipulados, a planos de contas estabelecidos, enfim, a controles internos que levam à busca 35 da excelência empresarial – o lucro –, que também buscará na análise explicações, tanto pelo alcance quanto pelo não do valor previamente estipulado. 1 Unidade I De posse do conceito básico da contabilidade na gestão organizacional, podemos, assim, conceituar a auditoria como sendo a especialização contábil voltada a testar a eficiência e a eficácia do controle patrimonial implantado, com o objetivo de expressar uma opinião sobre determinado dado. Exemplo prático do que significa eficiência e eficácia: Eficiência = processo Eficácia = resultado De acordo com Crepaldi (2007, p. 3), a auditoria consiste em controlar as áreas-chave nas empresas a fim de evitar situações que propiciem fraudes, desfalques e subornos, por meio de testes reguladores nos controles internos específicos de cada organização. Crepaldi acrescenta em sua definição sobre auditoria (2007, p. 3) como sendo o levantamento, estudo e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações, rotinas e das demonstrações contábeis ou financeiras de uma entidade. Já o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), no pronunciamento NBC T 11, define auditoria da seguinte maneira: Auditoria das demonstrações contábeis constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre sua adequação, consoante os princípios fundamentais de contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade e, no que for pertinente, a legislação específica. Holanda (1995) assim se expressa ao enfocar a auditoria: “Exame analítico e pericial que segue o desenvolvimento das operações contábeis, desde o início até o balanço”. 2 AUDITORIA 1.1 Objetivo da auditoria Auditoria tem por objetivo expressar, a respeito das demonstrações financeiras de uma entidade, opinião que assegure com propriedade se estas representam de forma fiel a posição patrimonial e financeira da empresa, seus resultados e operações, os recursos correspondentes aos períodos examinados, de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade. De forma geral, podemos descrever que o objetivo principal da auditoria é o processo pelo qual o auditor se certifica da veracidade das demonstrações financeiras elaboradas pela entidade. Para Attie (1992), as demonstrações contábeis, em geral, precisam ser preparadas de maneira que expressem de forma clara e precisa a real situação da entidade. EXERCÍCIOS 1) Assinale a alternativa que indica atividade que não é pertinente ao objeto da auditoria: A) Verificar se as normas e os procedimentos de controles internos foram implantados de maneira satisfatória e se estão sendo observados pelos funcionários da empresa. B) Sugerir as providências cabíveis para prevenir erros e fraudes. C) Comprovar, pelo registro, se os fatos patrimoniais são exatos. D) Estudar e controlar o patrimônio, registrando todos os fatos administrativos. E) Revisar as normas e os procedimentos de controles internos para proteção dos bens e direitos da empresa. 3 Unidade I 2) Em termos administrativos, o reflexo da auditoria sobre a riqueza patrimonial é: A) Contribuir para uma melhor adequação na utilização das contas contábeis e do plano de conta. B) Assegurar maior exatidão dos custos de estabelecimentos de padrão para os custos diretos e indiretos. C) Melhor controle dos bens, direitos e obrigações e ainda maior exatidão dos custos indiretos. D) Reduzir a ineficiência, negligência e improbidade dos empregados e administradores. E) Promover eficiência na utilização de recursos humanos e materiais e uma melhor utilização das contas. Resolução dos exercícios 1 B) Sugerir as providências cabíveis para prevenir erros e fraudes. 2 D) Reduzir a ineficiência, negligência e improbidade dos empregados e administradores. 1.2 Origem da auditoria Necessária aos investidores e proprietários na atual situação econômico-financeira, que representa o patrimônio das entidades, principalmente com o surgimento das transnacionais distribuídas geograficamente e com o simultâneo desenvolvimento econômico que aflorou a partir da globalização e foi disseminando o capital estrangeiro, a auditoria é a ferramenta que auxilia a administração na tomada de decisão em busca de melhores resultados. 4 AUDITORIA De acordo com Lopes de Sá (1998, p. 21), auditoria contábil é uma tecnologia que usa a revisão e a pesquisa para fins de opinião e orientação sobre situações patrimoniais, e sua importância é reconhecida há milênios, desde a antiga Suméria. Há provas arqueológicas de registros realizados da família real de Urukagina e o templo sacerdotal sumeriano que datam de mais de 4.500 anos a.C. Já o termo “auditor”, segundo Sá (1998), é antigo, mas não se conhece ao certo sua origem nem data, admitindo-se ser adotado por volta do século XII, na Inglaterra, no reinado de Eduardo I. Oriunda do latim, a palavra “auditor” significa “aquele que ouve” ou, exatamente, “ouvinte”, e foi adotada para representar aquele que daria opinião sobre algo que comprovou ser verdade ou não. Pode-se afirmar que a Revolução Industrial, em meados do século XVIII, foi responsável por proporcionar novas técnicas e diretrizes à contabilidade e, consequentemente, à auditoria, como já foi explicado a partir da expansão das transnacionais. Lopes de Sá (1998) também menciona que o Railway Companies Consolidation Act, de 1845, logo após a contabilidade penetrar nos domínios científicos, obrigava a verificação anual dos balanços, a ser feita por auditores. EXERCÍCIO 1) Assinale a alternativa incorreta: A) A auditoria é uma pratica antiga, cujas provas arqueológicas e verificações datam mais de 4.500 anos a.C. B) As técnicas de auditoria desenvolveram-se com a evolução das ciências contábeis. 5 Unidade I C) Para o exercício da auditoria, basta conhecimento profissional de contabilidade. D) Além de averiguar e detectar eventuais falhas nos sistemas contábeis e de controles internos, os atuais auditores preocupam-se também com o contínuo aprimoramento desses sistemas, de modo a minimizar os desvios. E) Os auditores devem atuar de forma preventiva à ocorrência de falhas e desvios nos sistemas contábeis e de controles internos, apresentando, sempre que possível, sugestões para a redução desses riscos. Resolução do exercício 1 C) Para o exercício da auditoria, basta conhecimento profissional de contabilidade. 1.3 A auditoria no Brasil Relacionada às instalações de empresas internacionais de auditoria independente, a auditoria no Brasil tem como ponto de partida as filiais e subsidiárias de empresas estrangeiras, financiamentos de empresas brasileiras por meio de entidades internacionais, a evolução do mercado de capitais, o crescimento das empresas brasileiras e a necessidade de descentralização e diversificação de suas atividades econômicas, a profissionalização da diretoria, a criação de normas de auditoria promulgadas pelo Banco Central do Brasil em 1972, a criação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Lei nº 6.404/76, das Sociedades por Ações. Esses são os marcos que podemos citar sobre a auditoria no Brasil; e vale ressaltar que a origem da contabilidade deu-se em 1822, com a chegada da família real ao Brasil. 6 AUDITORIA 1.4 O papel da auditoria Com a atual crise econômica e o cenário que vivenciam hoje as empresas e seus investidores, a auditoria passa a ser útil para ambos, uma vez que, por meio da análise das demonstrações financeiras, devidamente acompanhadas do parecer do auditor, é possível avistar, com segurança, as empresas que poderão aplicar seus recursos em busca de novos investimentos. Crepaldi (2007, p. 7) postula que, cercadas pela exigência legal da contratação de auditores (no caso das empresas de capital aberto) e pressionadas pela atual crise econômica, as empresas veem-se obrigadas a investir em uma atividade que seguramente diminui o impacto das perdas. O exame do auditor é um processo que leva o profissional independente a uma viagem pela empresa, empregando técnicas que o ajudam a formar opinião sobre a adequação das demonstrações financeiras, incluindo a sua continuidade operacional. A auditoria permite ao auditor emitir um parecer sobre a posição da empresa quanto a suas demonstrações financeiras a fim de que estas sejam dignas de fé pública. EXERCÍCIO 1) A principal finalidade de uma auditoria contábil é: A) Elaboração de demonstrativos contábeis. B) Confirmação da correta aplicação das práticas contábeis. C) Conferência física dos elementos do ativo. D) Elaboração e avaliação dos registros contábeis. E) Apuração correta do lucro do exercício. 7 Unidade I Resolução do exercício 1 B) Confirmação da correta aplicação das práticas contábeis. 1.5 A auditoria na área empresarial e no setor público 1.5.1 Tipos de auditoria Segundo Perez (2006, p. 13), a auditoria pode ser classificada em três tipos, conforme o quadro comparativo a seguir: Auditoria independente externa Sujeito Vínculo com a empresa auditada 8 Profissional independente da Fazenda Auditoria interna ou Auditoria (Federal, Estadual, operacional Municipal) Funcionário da empresa Contrato de prestação de serviço Contrato de trabalho Funcionário público Força de lei Ação e objetivo Exame das demonstrações contábeis ou de alguma área específica ou procedimento predefinido de trabalho especial Exame dos controles internos e avaliação da eficiência e eficácia da gestão Verificação da observância e cumprimento dos preceitos legais vigentes para apuração e recolhimento dos diversos tributos Finalidade Principalmente emitir parecer sobre a adequação das demonstrações contábeis Promover melhoria nos controles operacionais e na gestão de recursos Evitar a sonegação de tributos Relatório principal Parecer do auditor independente Recomendações para melhoria dos controles internos e eficiência administrativa Relatório de fiscalização ou auto de infração Usuário do trabalho A empresa e o público em geral A empresa Poder Público Responsabilidade Profissional, civil e criminal Trabalhista Poder Público AUDITORIA 1.5.1.1 Auditoria interna O Instituto de Auditores Internos conceitua da seguinte maneira a auditoria interna: (...) Funções com independência de atuação, criadas dentro da organização para examinar e avaliar suas atividades, com contribuição para a empresa. O objetivo da auditoria interna é assistir aos gestores da organização, compartilhando com suas responsabilidades e operando de acordo com as políticas estabelecidas pela gerência e junta de diretores. Exercida por funcionários da empresa, mediante contrato de trabalho regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sua principal função é o exame dos controles internos e a avaliação da eficiência e eficácia da gestão, com a finalidade de promover melhoria dos controles operacionais e da gestão de recursos. Em seu relatório, constam recomendações para melhoria dos controles internos e para maior eficiência administrativa. Sua responsabilidade é meramente trabalhista e seu principal usuário é a própria empresa. Ademais, de acordo com o Instituto de Auditores de Nova York, auditoria interna pode ser assim definida: (...) Atividade de avaliação independente dentro da organização, para a revisão da contabilidade, finanças e outras operações, como base para servir à administração. É um controle administrativo, que mede e avalia a eficiência de todos os controles. As funções da auditoria interna são bastante amplas, não existindo limites para sua atuação. Ela surgiu com o início do comércio, durante a formação da sociedade econômica. Segundo Perez (2004), alguns pesquisadores mencionam que no ano 4.000 a.C. já havia auditores de impostos na Babilônia, 9 Unidade I mas foi no final do século XIX que ocorreram as contratações de auditores internos por empresas privadas, principalmente nas estradas de ferro. Atualmente, a auditoria atua como órgão orientador para os gestores de alto nível e para os proprietários de capital. EXERCÍCIOS 1) Os relatórios de auditoria operacional visam descrever os trabalhos planejados no intuito de apresentar: A) Questionário à alta administração. B) Conclusões sobre o trabalho realizado. C) Indicadores de performance. D) Questionário de controle interno. 2) A principal finalidade do trabalho da auditoria interna é: A) Verificar a fidelidade das informações e os saldos contábeis. B) Servir ao interesse de terceiros. C) Manter completa independência no trabalho. D) Dar maior atenção ao exame dos procedimentos operacionais e contábeis. E) Manter absoluta imparcialidade e total independência no trabalho. 3) Um dos principais objetivos do auditor interno é: A) Examinar a integridade, a adequação e a eficácia dos controles internos. 10 AUDITORIA B) Examinar as demonstrações contábeis e emitir sua opinião. C) Solucionar todas as situações contábeis e emitir sua opinião. 4) Os auditores internos têm como característica, entre outras: A) Não serem diretamente vinculados às empresas cujas demonstrações contábeis examinam. B) Emissão de parecer a respeito da finalidade de demonstrações contábeis, transmitindo a outras entidades interessadas, tais como bancos e fornecedores, informações confiáveis. C) Colaboração com a administração da empresa no acompanhamento e análise das normas internas executadas. D) Intermediar ações entre a empresa e outros interessados que usam suas informações contábeis. E) Não se preocupar com os controles internos. 5) Nas grandes corporações ou grupos de empresas, o relatório do auditor interno tem como destino: A) O gerente de contabilidade. B) Os acionistas. C) Os diretores ou o comitê de auditoria. D) O diretor administrativo. E) A Comissão de Valores Mobiliários. 11 Unidade I Resolução dos exercícios 1 A) Questionário à alta administração. 2 A) Verificar a fidelidade das informações e os saldos contábeis. 3 A) Examinar a integridade, a adequação e a eficácia dos controles internos. 4 A) Não serem diretamente vinculados às empresas cujas demonstrações contábeis examinam. 5 D) O diretor administrativo. 1.5.1.2 Auditoria externa ou independente A auditoria externa ou independente constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão do parecer sobre a adequação da posição patrimonial e financeira, como também o resultado das operações, as mutações do patrimônio líquido e as origens e aplicações de recursos da entidade auditada, consoante as Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC T 11. A auditoria externa é exercida por empresas de auditoria independentes, mediante contrato de prestação de serviço. Tem por objetivo examinar as demonstrações contábeis de alguma área específica ou de procedimento predefinido de trabalho especial. Sua principal finalidade é emitir parecer sobre a adequação das demonstrações contábeis por meio de relatório independente. Sua responsabilidade é civil e criminal, tendo como usuários a própria empresa e o público em geral. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC), no pronunciamento NBC T 11, define da seguinte maneira essa função: 12 AUDITORIA A auditoria das demonstrações contábeis constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre sua adequação, consoante os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade e, no que for pertinente, a legislação específica. Vale ressaltar que o papel do auditor não é de polícia e sim de mero examinador das demonstrações contábeis, cabendo assim um parecer. O auditor atesta ou certifica, apenas apresentando sua opinião. Seu parecer pode ser inadequado, ainda que traduza a visão de um profissional perito em matéria de contabilidade. EXERCÍCIOS 1) A característica principal do auditor externo em relação ao auditor interno decorre de sua supremacia em relação: A) Ao conhecimento profissional auferido. B) À independência profissional. C) À experiência profissional obtida. D) Ao treinamento específico a que se submete. 2) Os aspectos que mais diferenciam os trabalhos do auditor interno do auditor externo ou independente são: A) Volume de testes e preocupação com o sistema de controles internos. B) A forma de preparar os papéis de trabalho e o nível de conhecimentos contábeis. C) A forma de se portar na empresa e o nível de capacitação técnica. 13 Unidade I D) A competência técnica e a formação acadêmica. E) O nível de remuneração e a independência para execução dos procedimentos de auditoria. 3) Assinale a alternativa correta: A) O auditor externo tem menor preocupação com os controles internos do que o auditor interno. B) O auditor externo exprime sua opinião ou parecer sobre as demonstrações contábeis na fase inicial do serviço de auditoria. C) O auditor externo tem como objetivo principal perceber todas as irregularidades da empresa. D) O futuro investidor pode avaliar a capacidade da empresa de gerar recursos por meio das demonstrações contábeis. E) O profissional que examina as demonstrações contábeis da empresa e emite a sua opinião é o auditor independente ou externo. A) A, C, E. B) B, D, E. C) C, D, E. D) A, D, E. E) B, C, E. 4) A atividade fundamental do auditor independente é: A) Orientar o diretor financeiro da empresa auditada. 14 AUDITORIA B) Expressar opinião sobre as demonstrações contábeis. C) Localizar fraudes. D) Conferir a conta caixa. Resolução dos exercícios 1 B) À independência profissional. 2 A) Volume de testes e preocupação com o sistema de controles internos. 3 C) C, D, E. 4 B) Expressar opinião sobre as demonstrações contábeis. 1.5.1.3 Auditoria pública ou governamental Segundo Sá (1998, p. 44), a auditoria governamental é uma especialização dentro do campo da auditoria que segue todos os princípios básicos e técnicos, bem como as normas aplicadas e específicas da auditoria. Exercida por funcionário público e por força de lei, tem por objetivo verificar a observância e o cumprimento dos preceitos legais vigentes para apuração e recolhimento dos diversos tributos nos âmbitos federal, estadual e municipal, com a finalidade de evitar a sonegação fiscal. Seu relatório principal contém fiscalização ou auto de infração, sendo de responsabilidade do Poder Público, que também é seu principal usuário. São objetivos da auditoria pública: • a lei orçamentária anual; • os orçamentos plurianuais de investimentos; 15 Unidade I • as aberturas de créditos adicionais; • os atos complementares de abertura de créditos; • os atos relativos à programação financeira de desembolso; • os balancetes de receitas e despesas; • os relatórios dos órgãos administrativos encarregados do controle financeiro e orçamentário interno; • o rol dos responsáveis; • as informações sobre administração de créditos; • os balancetes e balanços; • os livros, documentos, demonstrações, comprovantes e todos os papéis que, direta ou indiretamente, sirvam de elemento de aferição sobre a sanidade da contas apresentadas, inclusive pareceres; • os assuntos de interesse público. 1.6 O perfil profissional do auditor Este item tem como objetivo informar que todas as profissões têm a ética como princípio, e a auditoria, notoriamente, não foge desse princípio. O auditor tem em suas mãos grande responsabilidade como, por exemplo, conhecer todas as irregularidades, falhas, erros, dentro do conjunto. Um bom auditor tem, dentro do perfil profissional, conhecimento do responsável hierárquico, de seus deveres, direitos e obrigações, de acordo com o código de ética. Segundo Attie (2009, p. 52), como acontece em todas as profissões, na auditoria também foram estabelecidos padrões técnicos que objetivam qualificar a condução dos trabalhos de auditoria e garantir atuação tecnicamente consistente do auditor e de seu parecer, assegurando, a todos aqueles 16 AUDITORIA que dependem de sua opinião, a observação de uma série de requisitos considerados indispensáveis para que o trabalho seja concretizado. O artigo a seguir, escrito por Marcelo Gonçalves (sócio-diretor da BDO, responsável pelo escritório de São José dos Campos) e publicado pela Financial em 13/01//2010, demonstra de uma forma clara e objetiva a importância da profissão de auditor no contexto empresarial. A força que vem dos bastidores Em artigo, especialista aborda o desenvolvimento do papel do auditor nas empresas, que se torna um estrategista fundamental para os negócios. A profissão de auditor delineou-se a partir do começo do século passado, quando as grandes organizações mundiais começaram a recorrer a auditorias independentes para assegurar aos acionistas e investidores que seus balanços eram, de fato, a reprodução fiel da escrituração contábil. Com o passar do tempo, as organizações e o próprio sistema econômico mundial tornaram-se mais complexos, o que reforçou a importância da auditoria externa para assegurar a confiabilidade dos dados divulgados pelas empresas. Hoje, a auditoria desempenha papel relevante como apoiadora da alta administração. O auditor é uma espécie de analista/estrategista, que revisa e avalia uma ampla gama de itens fundamentais: demonstrações contábeis, políticas, planos, procedimentos, normas, operações, registros... Ele também identifica gargalos e oportunidades e sugere soluções para tornar os processos mais ágeis, melhorar a 17 Unidade I qualidade dos serviços prestados e aumentar as margens de lucro. É nos bastidores das empresas que ele atua, e é dali que indica o “caminho das pedras”, pelo qual se atravessa a parte mais difícil do rio e se chega mais facilmente ao destino almejado. As qualidades indispensáveis ao auditor são, portanto, a imparcialidade, a atenção aos detalhes (tanto na realização dos trabalhos quanto na apresentação das conclusões), a capacidade dedutiva e a criatividade. Sua autoconfiança deve ser plena, mas não pode haver espaço para egocentrismo e vaidade. Ele também deve ter postura e ética impecáveis: afinal, se o auditor não transmitir ao mercado uma imagem confiável, de isenção e credibilidade, suas conclusões não serão efetivamente aceitas e levadas a sério. É essencial que sua independência e lisura sejam inquestionáveis. Obviamente, são enormes as responsabilidades que pesam sobre os ombros dos auditores. A eles, cabem os desafios de orientar as empresas para que se protejam de perdas, de determinar o grau de confiabilidade dos dados contábeis e de outras informações elaboradas e fornecidas pelas organizações, de avaliar riscos e de mensurar a qualidade alcançada na execução de tarefas determinadas. Por isso, devem dispor de total liberdade e isenção. A crescente especialização do mercado vem ocasionando uma espécie de segmentação entre os auditores, com profissionais que optam por focalizar mais a área de tributos, ou a tecnologia de informação, ou, ainda, as tiragens de publicações, a governança corporativa etc. Mais do que nunca, empresas de todos os portes e segmentos devem dar especial atenção a esse tema. Não haverá espaço 18 AUDITORIA para amadorismo no Brasil, que, se as coisas continuarem a fluir no ritmo atual, deverá se tornar a quinta economia do mundo em menos de uma década. Neste cenário, a auditoria e seu realizador – ou seja, o auditor – desempenharão papel de fundamental importância, sobretudo como pontos de apoio daqueles que empreendem e se empenham em transformar este país em uma grande potência. 19