Auditoria
Professor conteudista: Derneval Gondim Freire
Revisores: Divane Alves da Silva e Luciano Evangelista Pereira
Sumário
Auditoria
Unidade I
1 CONTABILIDADE ..................................................................................................................................................1
1.1 Objetivo da auditoria .............................................................................................................................3
1.2 Origem da auditoria ...............................................................................................................................4
1.3 A auditoria no Brasil ..............................................................................................................................6
1.4 O papel da auditoria ..............................................................................................................................7
1.5 A auditoria na área empresarial e no setor público ..................................................................8
1.5.1 Tipos de auditoria ......................................................................................................................................8
1.6 O perfil profissional do auditor....................................................................................................... 16
Unidade II
2 O TRABALHO DE AUDITORIA....................................................................................................................... 20
2.1 Aplicações da auditoria ..................................................................................................................... 20
2.2 Planejamento e execução dos trabalhos .................................................................................... 21
2.3 Os papéis de trabalho ......................................................................................................................... 22
2.4 Testes de observância e testes substantivos ............................................................................. 28
2.5 Estudo e avaliação dos sistemas de controles internos ....................................................... 32
2.6 Os tipos de auditoria nas empresas públicas e privadas ...................................................... 37
2.6.1 Auditoria nas empresas públicas ou governamentais ............................................................. 37
2.6.2 Auditoria nas empresas privadas ..................................................................................................... 38
2.7 Os testes de observância e os substantivos ............................................................................... 38
2.7.1 Objetivos do teste de observância ................................................................................................... 39
2.7.2 Objetivos do teste substantivo .......................................................................................................... 39
2.8 Outras técnicas correntes ................................................................................................................. 40
2.9 Os relatórios nas áreas pública e privada ................................................................................... 40
3 O PARECER DE AUDITORIA: REDAÇÃO, MODALIDADES E DESTINATÁRIOS ............................. 41
3.1 Tipos de pareceres ................................................................................................................................ 42
4 AS TOMADAS E PRESTAÇÕES DE CONTAS............................................................................................. 46
4.1 Aspectos conceituais .......................................................................................................................... 46
4.2 Ciclos dos processos ............................................................................................................................ 46
4.3 Julgamento das contas pelo controle externo ......................................................................... 46
AUDITORIA
Unidade I
5
1 CONTABILIDADE
10
Conceito: de acordo com o primeiro Congresso Brasileiro
de Contabilistas, realizado no Rio de Janeiro em agosto de 1924,
contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de orientação,
controle e registro relativas à administração econômica.
15
Assim, podemos definir que a contabilidade é a ciência que
estuda e controla o patrimônio das entidades, nos seus atos e
fatos quantitativos e qualitativos.
Sendo assim, a contabilidade passa a exercer um papel
20 amplo, ou seja, deixa de ser apenas um instrumento de registro
das operações ocorridas em determinado período, passando
para outros campos, principalmente, o de controle, análise e
projeção de fatos que diretamente (ou indiretamente) atendam
à alta direção de qualquer organização.
25
As partidas dobradas, genialmente criadas por Luca Paccioli
(1494), já demonstram o papel que o contador a princípio terá, ou
seja, explicar o motivo da escolha de tal débito e/ou crédito, que
justifica o tipo de registro efetuado; e, assim, automaticamente,
30 o controle e análise são instituídos.
Os controles gerados pelos registros contábeis devem
atender a planejamentos estipulados, a planos de contas
estabelecidos, enfim, a controles internos que levam à busca
35 da excelência empresarial – o lucro –, que também buscará na
análise explicações, tanto pelo alcance quanto pelo não do valor
previamente estipulado.
1
Unidade I
De posse do conceito básico da contabilidade na gestão
organizacional, podemos, assim, conceituar a auditoria como
sendo a especialização contábil voltada a testar a eficiência e a
eficácia do controle patrimonial implantado, com o objetivo de
expressar uma opinião sobre determinado dado.
Exemplo prático do que significa eficiência e eficácia:
Eficiência = processo
Eficácia = resultado
De acordo com Crepaldi (2007, p. 3), a auditoria consiste em
controlar as áreas-chave nas empresas a fim de evitar situações
que propiciem fraudes, desfalques e subornos, por meio de
testes reguladores nos controles internos específicos de cada
organização.
Crepaldi acrescenta em sua definição sobre auditoria
(2007, p. 3) como sendo o levantamento, estudo e avaliação
sistemática das transações, procedimentos, operações,
rotinas e das demonstrações contábeis ou financeiras de uma
entidade.
Já o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), no
pronunciamento NBC T 11, define auditoria da seguinte
maneira:
Auditoria das demonstrações contábeis constitui o
conjunto de procedimentos técnicos que tem por
objetivo a emissão de parecer sobre sua adequação,
consoante os princípios fundamentais de contabilidade
e as Normas Brasileiras de Contabilidade e, no que for
pertinente, a legislação específica.
Holanda (1995) assim se expressa ao enfocar a auditoria:
“Exame analítico e pericial que segue o desenvolvimento das
operações contábeis, desde o início até o balanço”.
2
AUDITORIA
1.1 Objetivo da auditoria
Auditoria tem por objetivo expressar, a respeito das
demonstrações financeiras de uma entidade, opinião que
assegure com propriedade se estas representam de forma fiel a
posição patrimonial e financeira da empresa, seus resultados e
operações, os recursos correspondentes aos períodos examinados,
de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade.
De forma geral, podemos descrever que o objetivo principal da
auditoria é o processo pelo qual o auditor se certifica da veracidade
das demonstrações financeiras elaboradas pela entidade.
Para Attie (1992), as demonstrações contábeis, em geral,
precisam ser preparadas de maneira que expressem de forma
clara e precisa a real situação da entidade.
EXERCÍCIOS
1) Assinale a alternativa que indica atividade que não é
pertinente ao objeto da auditoria:
A) Verificar se as normas e os procedimentos de controles
internos foram implantados de maneira satisfatória e se
estão sendo observados pelos funcionários da empresa.
B) Sugerir as providências cabíveis para prevenir erros e
fraudes.
C) Comprovar, pelo registro, se os fatos patrimoniais são
exatos.
D) Estudar e controlar o patrimônio, registrando todos os
fatos administrativos.
E) Revisar as normas e os procedimentos de controles
internos para proteção dos bens e direitos da empresa.
3
Unidade I
2) Em termos administrativos, o reflexo da auditoria sobre a
riqueza patrimonial é:
A) Contribuir para uma melhor adequação na utilização
das contas contábeis e do plano de conta.
B) Assegurar maior exatidão dos custos de estabelecimentos
de padrão para os custos diretos e indiretos.
C) Melhor controle dos bens, direitos e obrigações e ainda
maior exatidão dos custos indiretos.
D) Reduzir a ineficiência, negligência e improbidade dos
empregados e administradores.
E) Promover eficiência na utilização de recursos
humanos e materiais e uma melhor utilização das
contas.
Resolução dos exercícios
1 B) Sugerir as providências cabíveis para prevenir erros e
fraudes.
2 D) Reduzir a ineficiência, negligência e improbidade dos
empregados e administradores.
1.2 Origem da auditoria
Necessária aos investidores e proprietários na atual
situação econômico-financeira, que representa o patrimônio
das entidades, principalmente com o surgimento das
transnacionais distribuídas geograficamente e com o simultâneo
desenvolvimento econômico que aflorou a partir da globalização
e foi disseminando o capital estrangeiro, a auditoria é a
ferramenta que auxilia a administração na tomada de decisão
em busca de melhores resultados.
4
AUDITORIA
De acordo com Lopes de Sá (1998, p. 21), auditoria contábil
é uma tecnologia que usa a revisão e a pesquisa para fins
de opinião e orientação sobre situações patrimoniais, e sua
importância é reconhecida há milênios, desde a antiga Suméria.
Há provas arqueológicas de registros realizados da família real
de Urukagina e o templo sacerdotal sumeriano que datam de
mais de 4.500 anos a.C.
Já o termo “auditor”, segundo Sá (1998), é antigo, mas
não se conhece ao certo sua origem nem data, admitindo-se
ser adotado por volta do século XII, na Inglaterra, no reinado
de Eduardo I. Oriunda do latim, a palavra “auditor” significa
“aquele que ouve” ou, exatamente, “ouvinte”, e foi adotada para
representar aquele que daria opinião sobre algo que comprovou
ser verdade ou não.
Pode-se afirmar que a Revolução Industrial, em meados
do século XVIII, foi responsável por proporcionar novas
técnicas e diretrizes à contabilidade e, consequentemente,
à auditoria, como já foi explicado a partir da expansão das
transnacionais.
Lopes de Sá (1998) também menciona que o Railway
Companies Consolidation Act, de 1845, logo após a contabilidade
penetrar nos domínios científicos, obrigava a verificação anual
dos balanços, a ser feita por auditores.
EXERCÍCIO
1) Assinale a alternativa incorreta:
A) A auditoria é uma pratica antiga, cujas provas
arqueológicas e verificações datam mais de 4.500
anos a.C.
B) As técnicas de auditoria desenvolveram-se com a
evolução das ciências contábeis.
5
Unidade I
C) Para o exercício da auditoria, basta conhecimento
profissional de contabilidade.
D) Além de averiguar e detectar eventuais falhas nos
sistemas contábeis e de controles internos, os atuais
auditores preocupam-se também com o contínuo
aprimoramento desses sistemas, de modo a minimizar
os desvios.
E) Os auditores devem atuar de forma preventiva
à ocorrência de falhas e desvios nos sistemas
contábeis e de controles internos, apresentando,
sempre que possível, sugestões para a redução
desses riscos.
Resolução do exercício
1 C) Para o exercício da auditoria, basta conhecimento
profissional de contabilidade.
1.3 A auditoria no Brasil
Relacionada às instalações de empresas internacionais
de auditoria independente, a auditoria no Brasil tem como
ponto de partida as filiais e subsidiárias de empresas
estrangeiras, financiamentos de empresas brasileiras por
meio de entidades internacionais, a evolução do mercado
de capitais, o crescimento das empresas brasileiras e a
necessidade de descentralização e diversificação de suas
atividades econômicas, a profissionalização da diretoria,
a criação de normas de auditoria promulgadas pelo Banco
Central do Brasil em 1972, a criação da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) e da Lei nº 6.404/76, das Sociedades
por Ações. Esses são os marcos que podemos citar sobre
a auditoria no Brasil; e vale ressaltar que a origem da
contabilidade deu-se em 1822, com a chegada da família
real ao Brasil.
6
AUDITORIA
1.4 O papel da auditoria
Com a atual crise econômica e o cenário que vivenciam hoje
as empresas e seus investidores, a auditoria passa a ser útil para
ambos, uma vez que, por meio da análise das demonstrações
financeiras, devidamente acompanhadas do parecer do auditor,
é possível avistar, com segurança, as empresas que poderão
aplicar seus recursos em busca de novos investimentos.
Crepaldi (2007, p. 7) postula que, cercadas pela exigência
legal da contratação de auditores (no caso das empresas de
capital aberto) e pressionadas pela atual crise econômica, as
empresas veem-se obrigadas a investir em uma atividade que
seguramente diminui o impacto das perdas. O exame do auditor é
um processo que leva o profissional independente a uma viagem
pela empresa, empregando técnicas que o ajudam a formar
opinião sobre a adequação das demonstrações financeiras,
incluindo a sua continuidade operacional.
A auditoria permite ao auditor emitir um parecer sobre a
posição da empresa quanto a suas demonstrações financeiras a
fim de que estas sejam dignas de fé pública.
EXERCÍCIO
1) A principal finalidade de uma auditoria contábil é:
A) Elaboração de demonstrativos contábeis.
B) Confirmação da correta aplicação das práticas
contábeis.
C) Conferência física dos elementos do ativo.
D) Elaboração e avaliação dos registros contábeis.
E) Apuração correta do lucro do exercício.
7
Unidade I
Resolução do exercício
1 B) Confirmação da correta aplicação das práticas
contábeis.
1.5 A auditoria na área empresarial e no setor
público
1.5.1 Tipos de auditoria
Segundo Perez (2006, p. 13), a auditoria pode ser classificada
em três tipos, conforme o quadro comparativo a seguir:
Auditoria
independente
externa
Sujeito
Vínculo com a
empresa auditada
8
Profissional
independente
da Fazenda
Auditoria interna ou Auditoria
(Federal, Estadual,
operacional
Municipal)
Funcionário da
empresa
Contrato de
prestação de serviço Contrato de trabalho
Funcionário público
Força de lei
Ação e objetivo
Exame das
demonstrações
contábeis ou
de alguma área
específica ou
procedimento
predefinido de
trabalho especial
Exame dos controles
internos e avaliação
da eficiência e
eficácia da gestão
Verificação da
observância e
cumprimento
dos preceitos
legais vigentes
para apuração e
recolhimento dos
diversos tributos
Finalidade
Principalmente
emitir parecer sobre
a adequação das
demonstrações
contábeis
Promover melhoria
nos controles
operacionais e na
gestão de recursos
Evitar a sonegação
de tributos
Relatório principal
Parecer do auditor
independente
Recomendações
para melhoria
dos controles
internos e eficiência
administrativa
Relatório de
fiscalização ou auto
de infração
Usuário do trabalho
A empresa e o
público em geral
A empresa
Poder Público
Responsabilidade
Profissional, civil e
criminal
Trabalhista
Poder Público
AUDITORIA
1.5.1.1 Auditoria interna
O Instituto de Auditores Internos conceitua da seguinte
maneira a auditoria interna:
(...) Funções com independência de atuação, criadas
dentro da organização para examinar e avaliar suas
atividades, com contribuição para a empresa. O objetivo
da auditoria interna é assistir aos gestores da organização,
compartilhando com suas responsabilidades e operando
de acordo com as políticas estabelecidas pela gerência
e junta de diretores.
Exercida por funcionários da empresa, mediante contrato de
trabalho regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sua
principal função é o exame dos controles internos e a avaliação da
eficiência e eficácia da gestão, com a finalidade de promover melhoria
dos controles operacionais e da gestão de recursos. Em seu relatório,
constam recomendações para melhoria dos controles internos e para
maior eficiência administrativa. Sua responsabilidade é meramente
trabalhista e seu principal usuário é a própria empresa.
Ademais, de acordo com o Instituto de Auditores de Nova
York, auditoria interna pode ser assim definida:
(...) Atividade de avaliação independente dentro
da organização, para a revisão da contabilidade,
finanças e outras operações, como base para servir
à administração. É um controle administrativo, que
mede e avalia a eficiência de todos os controles.
As funções da auditoria interna são bastante amplas, não
existindo limites para sua atuação. Ela surgiu com o início do
comércio, durante a formação da sociedade econômica.
Segundo Perez (2004), alguns pesquisadores mencionam que
no ano 4.000 a.C. já havia auditores de impostos na Babilônia,
9
Unidade I
mas foi no final do século XIX que ocorreram as contratações de
auditores internos por empresas privadas, principalmente nas
estradas de ferro.
Atualmente, a auditoria atua como órgão orientador para os
gestores de alto nível e para os proprietários de capital.
EXERCÍCIOS
1) Os relatórios de auditoria operacional visam descrever os
trabalhos planejados no intuito de apresentar:
A) Questionário à alta administração.
B) Conclusões sobre o trabalho realizado.
C) Indicadores de performance.
D) Questionário de controle interno.
2) A principal finalidade do trabalho da auditoria interna é:
A) Verificar a fidelidade das informações e os saldos
contábeis.
B) Servir ao interesse de terceiros.
C) Manter completa independência no trabalho.
D) Dar maior atenção ao exame dos procedimentos
operacionais e contábeis.
E) Manter absoluta imparcialidade e total independência
no trabalho.
3) Um dos principais objetivos do auditor interno é:
A) Examinar a integridade, a adequação e a eficácia dos
controles internos.
10
AUDITORIA
B) Examinar as demonstrações contábeis e emitir sua
opinião.
C) Solucionar todas as situações contábeis e emitir sua
opinião.
4) Os auditores internos têm como característica, entre outras:
A) Não serem diretamente vinculados às empresas cujas
demonstrações contábeis examinam.
B) Emissão de parecer a respeito da finalidade de
demonstrações contábeis, transmitindo a outras
entidades interessadas, tais como bancos e fornecedores,
informações confiáveis.
C) Colaboração com a administração da empresa no
acompanhamento e análise das normas internas
executadas.
D) Intermediar ações entre a empresa e outros interessados
que usam suas informações contábeis.
E) Não se preocupar com os controles internos.
5) Nas grandes corporações ou grupos de empresas, o
relatório do auditor interno tem como destino:
A) O gerente de contabilidade.
B) Os acionistas.
C) Os diretores ou o comitê de auditoria.
D) O diretor administrativo.
E) A Comissão de Valores Mobiliários.
11
Unidade I
Resolução dos exercícios
1 A) Questionário à alta administração.
2 A) Verificar a fidelidade das informações e os saldos
contábeis.
3 A) Examinar a integridade, a adequação e a eficácia dos
controles internos.
4 A) Não serem diretamente vinculados às empresas cujas
demonstrações contábeis examinam.
5 D) O diretor administrativo.
1.5.1.2 Auditoria externa ou independente
A auditoria externa ou independente constitui o conjunto
de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão do
parecer sobre a adequação da posição patrimonial e financeira,
como também o resultado das operações, as mutações do
patrimônio líquido e as origens e aplicações de recursos
da entidade auditada, consoante as Normas Brasileiras de
Contabilidade – NBC T 11.
A auditoria externa é exercida por empresas de auditoria
independentes, mediante contrato de prestação de serviço.
Tem por objetivo examinar as demonstrações contábeis de
alguma área específica ou de procedimento predefinido de
trabalho especial. Sua principal finalidade é emitir parecer
sobre a adequação das demonstrações contábeis por meio
de relatório independente. Sua responsabilidade é civil e
criminal, tendo como usuários a própria empresa e o público
em geral.
O Conselho Federal de Contabilidade (CFC), no pronunciamento
NBC T 11, define da seguinte maneira essa função:
12
AUDITORIA
A auditoria das demonstrações contábeis constitui
o conjunto de procedimentos técnicos que tem por
objetivo a emissão de parecer sobre sua adequação,
consoante os Princípios Fundamentais de Contabilidade
e as Normas Brasileiras de Contabilidade e, no que for
pertinente, a legislação específica.
Vale ressaltar que o papel do auditor não é de polícia e sim de
mero examinador das demonstrações contábeis, cabendo assim
um parecer. O auditor atesta ou certifica, apenas apresentando
sua opinião. Seu parecer pode ser inadequado, ainda que traduza
a visão de um profissional perito em matéria de contabilidade.
EXERCÍCIOS
1) A característica principal do auditor externo em relação ao
auditor interno decorre de sua supremacia em relação:
A) Ao conhecimento profissional auferido.
B) À independência profissional.
C) À experiência profissional obtida.
D) Ao treinamento específico a que se submete.
2) Os aspectos que mais diferenciam os trabalhos do auditor
interno do auditor externo ou independente são:
A) Volume de testes e preocupação com o sistema de
controles internos.
B) A forma de preparar os papéis de trabalho e o nível de
conhecimentos contábeis.
C) A forma de se portar na empresa e o nível de capacitação
técnica.
13
Unidade I
D) A competência técnica e a formação acadêmica.
E) O nível de remuneração e a independência para
execução dos procedimentos de auditoria.
3) Assinale a alternativa correta:
A) O auditor externo tem menor preocupação com os
controles internos do que o auditor interno.
B) O auditor externo exprime sua opinião ou parecer sobre
as demonstrações contábeis na fase inicial do serviço
de auditoria.
C) O auditor externo tem como objetivo principal perceber
todas as irregularidades da empresa.
D) O futuro investidor pode avaliar a capacidade da empresa
de gerar recursos por meio das demonstrações contábeis.
E) O profissional que examina as demonstrações
contábeis da empresa e emite a sua opinião é o auditor
independente ou externo.
A) A, C, E.
B) B, D, E.
C) C, D, E.
D) A, D, E.
E) B, C, E.
4) A atividade fundamental do auditor independente é:
A) Orientar o diretor financeiro da empresa auditada.
14
AUDITORIA
B) Expressar opinião sobre as demonstrações contábeis.
C) Localizar fraudes.
D) Conferir a conta caixa.
Resolução dos exercícios
1 B) À independência profissional.
2 A) Volume de testes e preocupação com o sistema de
controles internos.
3 C) C, D, E.
4 B) Expressar opinião sobre as demonstrações contábeis.
1.5.1.3 Auditoria pública ou governamental
Segundo Sá (1998, p. 44), a auditoria governamental é uma
especialização dentro do campo da auditoria que segue todos os
princípios básicos e técnicos, bem como as normas aplicadas e
específicas da auditoria.
Exercida por funcionário público e por força de lei, tem por
objetivo verificar a observância e o cumprimento dos preceitos
legais vigentes para apuração e recolhimento dos diversos
tributos nos âmbitos federal, estadual e municipal, com a
finalidade de evitar a sonegação fiscal.
Seu relatório principal contém fiscalização ou auto de infração,
sendo de responsabilidade do Poder Público, que também é seu
principal usuário. São objetivos da auditoria pública:
• a lei orçamentária anual;
• os orçamentos plurianuais de investimentos;
15
Unidade I
• as aberturas de créditos adicionais;
• os atos complementares de abertura de créditos;
• os atos relativos à programação financeira de
desembolso;
• os balancetes de receitas e despesas;
• os relatórios dos órgãos administrativos encarregados do
controle financeiro e orçamentário interno;
• o rol dos responsáveis;
• as informações sobre administração de créditos;
• os balancetes e balanços;
• os livros, documentos, demonstrações, comprovantes
e todos os papéis que, direta ou indiretamente, sirvam
de elemento de aferição sobre a sanidade da contas
apresentadas, inclusive pareceres;
• os assuntos de interesse público.
1.6 O perfil profissional do auditor
Este item tem como objetivo informar que todas as profissões
têm a ética como princípio, e a auditoria, notoriamente, não
foge desse princípio. O auditor tem em suas mãos grande
responsabilidade como, por exemplo, conhecer todas as
irregularidades, falhas, erros, dentro do conjunto. Um bom
auditor tem, dentro do perfil profissional, conhecimento do
responsável hierárquico, de seus deveres, direitos e obrigações,
de acordo com o código de ética.
Segundo Attie (2009, p. 52), como acontece em todas as
profissões, na auditoria também foram estabelecidos padrões
técnicos que objetivam qualificar a condução dos trabalhos
de auditoria e garantir atuação tecnicamente consistente
do auditor e de seu parecer, assegurando, a todos aqueles
16
AUDITORIA
que dependem de sua opinião, a observação de uma série de
requisitos considerados indispensáveis para que o trabalho seja
concretizado.
O artigo a seguir, escrito por Marcelo Gonçalves (sócio-diretor
da BDO, responsável pelo escritório de São José dos Campos) e
publicado pela Financial em 13/01//2010, demonstra de uma
forma clara e objetiva a importância da profissão de auditor no
contexto empresarial.
A força que vem dos bastidores
Em artigo, especialista aborda o desenvolvimento do
papel do auditor nas empresas, que se torna um estrategista
fundamental para os negócios.
A profissão de auditor delineou-se a partir do começo
do século passado, quando as grandes organizações
mundiais começaram a recorrer a auditorias independentes
para assegurar aos acionistas e investidores que seus
balanços eram, de fato, a reprodução fiel da escrituração
contábil.
Com o passar do tempo, as organizações e o próprio
sistema econômico mundial tornaram-se mais complexos,
o que reforçou a importância da auditoria externa para
assegurar a confiabilidade dos dados divulgados pelas
empresas.
Hoje, a auditoria desempenha papel relevante como
apoiadora da alta administração. O auditor é uma espécie
de analista/estrategista, que revisa e avalia uma ampla gama
de itens fundamentais: demonstrações contábeis, políticas,
planos, procedimentos, normas, operações, registros...
Ele também identifica gargalos e oportunidades e sugere
soluções para tornar os processos mais ágeis, melhorar a
17
Unidade I
qualidade dos serviços prestados e aumentar as margens de
lucro. É nos bastidores das empresas que ele atua, e é dali
que indica o “caminho das pedras”, pelo qual se atravessa a
parte mais difícil do rio e se chega mais facilmente ao destino
almejado.
As qualidades indispensáveis ao auditor são, portanto,
a imparcialidade, a atenção aos detalhes (tanto na
realização dos trabalhos quanto na apresentação das
conclusões), a capacidade dedutiva e a criatividade. Sua
autoconfiança deve ser plena, mas não pode haver espaço
para egocentrismo e vaidade. Ele também deve ter postura
e ética impecáveis: afinal, se o auditor não transmitir ao
mercado uma imagem confiável, de isenção e credibilidade,
suas conclusões não serão efetivamente aceitas e levadas
a sério. É essencial que sua independência e lisura sejam
inquestionáveis.
Obviamente, são enormes as responsabilidades que
pesam sobre os ombros dos auditores. A eles, cabem os
desafios de orientar as empresas para que se protejam
de perdas, de determinar o grau de confiabilidade dos
dados contábeis e de outras informações elaboradas
e fornecidas pelas organizações, de avaliar riscos e de
mensurar a qualidade alcançada na execução de tarefas
determinadas. Por isso, devem dispor de total liberdade
e isenção.
A crescente especialização do mercado vem ocasionando
uma espécie de segmentação entre os auditores, com
profissionais que optam por focalizar mais a área de tributos,
ou a tecnologia de informação, ou, ainda, as tiragens de
publicações, a governança corporativa etc.
Mais do que nunca, empresas de todos os portes e segmentos
devem dar especial atenção a esse tema. Não haverá espaço
18
AUDITORIA
para amadorismo no Brasil, que, se as coisas continuarem a
fluir no ritmo atual, deverá se tornar a quinta economia do
mundo em menos de uma década. Neste cenário, a auditoria
e seu realizador – ou seja, o auditor – desempenharão papel
de fundamental importância, sobretudo como pontos de apoio
daqueles que empreendem e se empenham em transformar este
país em uma grande potência.
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