ISSN 1679-0189
o jornal batista – domingo, 07/12/14
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Órgão Oficial da Convenção Batista Brasileira
Fundado em 1901
1
Ano CXIV
Edição 49
Domingo, 07.12.2014
R$ 3,20
2
o jornal batista – domingo, 07/12/14
reflexão
EDITORIAL
O JORNAL BATISTA
Órgão oficial da Convenção Batista
Brasileira. Semanário Confessional,
doutrinário, inspirativo e noticioso.
Fundado em 10.01.1901
INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189
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(1925 a 1940);
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(1964 a 1988);
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INTERINOS HISTÓRICOS
Zacarias Taylor (1904);
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Salomão Ginsburg (1913 a 1914);
L.T. Hites (1921 a 1922); e
A.B. Christie (1923).
ARTE: Oliverartelucas
IMPRESSÃO: Jornal do Commércio
“A Bíblia como revelação
inspirada da vontade divina,
cumprida e completada na
vida e nos ensinamentos de
Jesus Cristo, é a nossa regra
autorizada de fé e prática”
(Princípios Batistas).
Neste domingo celebramos
o Dia da Bíblia, mais do que
um evento, quando muitas igrejas apresentarão um
programa especial para esta
celebração ou realizarão exposição sobre a Bíblia, com
apresentação de diversas
edições em muitos idiomas.
O Dia da Bíblia é uma oportunidade para destacarmos o
valor que a fiel, inerrante e
infalível Palavra de Deus tem
para nós, discípulos de Jesus,
chamados Batistas.
Através dos tempos, os batistas têm se notabilizado
pela defesa de alguns princípios entre os quais se destaca
a aceitação das Escrituras
Sagradas como única regra
de fé e conduta, conforme
descrito na Declaração Doutrinária da Convenção Batista
Brasileira, onde encontramos
o seguinte preceito:
“A Bíblia é a Palavra de
Deus em linguagem humana.
É o registro da revelação que
Deus fez de si mesmo aos
homens. Sendo Deus o seu
verdadeiro autor, foi escrita
por homens inspirados e dirigidos pelo Espírito Santo.
Tem por finalidade revelar
os propósitos de Deus, levar os pecadores à salvação, edificar os crentes, e
promover a glória de Deus.
Seu conteúdo é a verdade,
sem mescla de erro e, por
isso, é um perfeito tesouro
de instrução divina. Revela
o destino final do mundo e
os critérios pelo qual Deus
julgará todos os homens. A
Bíblia é a autoridade única
em matéria de religião; fiel
padrão pelo qual devem ser
aferidas as doutrinas e a conduta dos homens. Ela deve
ser interpretada sempre à luz
da pessoa e dos ensinos de
Jesus Cristo”.
A Bíblia tem para nós um
sentido e um significado
muito próprio. Encontramos em todos os nossos
documentos e compromissos
como salvos, o comprometimento com a Bíblia como
Palavra de Deus. No pacto
da Igrejas Batistas encontramos a expressão: “Comprometemo-nos a, auxiliados
pelo Espírito Santo, andar
sempre unidos no amor cristão; trabalhar para que esta
igreja cresça no conhecimento da Palavra”.
Completando o documento
intitulado “Princípios Batistas”, continua: “A Bíblia fala
com autoridade porque é a
Palavra de Deus. É a suprema
regra de fé e prática porque
é testemunha fidedigna e inspirada dos atos maravilhosos
de Deus através da revelação
de si mesmo e da redenção,
sendo tudo patenteado na
vida, nos ensinamentos e
na obra salvadora de Jesus
Cristo. As Escrituras revelam
a mente de Cristo e ensinam
o significado do seu domínio.
Na sua singular e una revelação da vontade divina para
a humanidade, a Bíblia é a
autoridade final que atrai as
pessoas a Cristo e guia-as em
todas as questões de fé cristã
e dever moral. O indivíduo
tem que aceitar a responsabilidade de estudar a Bíblia,
com a mente aberta e com
atitude reverente, procurando o significado de sua mensagem, através de pesquisa
e oração, orientando a vida
debaixo de sua disciplina e
instrução”.
Neste Dia da Bíblia, esforcemos para que a mensagem
do Livro Santo chegue ao
alcance de muitos que ainda
carecem de conhecer esta
Palavra que, verdadeiramente, liberta.
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reflexão
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MÚSICA
Rolando de Nassau
(Dedicado aos musicistas
que sofreram as aflições da
guerra)
N
o dia 14 de julho
de 1914, o casal,
pastor Francisco
Fulgêncio Soren
e dona Jane Soren, e seus
filhos, Francisca e João Filson
Soren, embarcaram no navio
a vapor inglês “S.S.Vandyke”
com destino a New York,
passando por Trinidad e Barbados. Chegaram em 04 de
agosto, justamente no dia
em que a Inglaterra entrou
na discórdia internacional
contra a Alemanha. O objetivo da viagem era levantar 50
mil dólares para a construção
do templo da Primeira Igreja
Batista do Rio de Janeiro.
Meu pai, Irineu Coutinho
de Hollanda (1889-1965),
viajou com eles até New
York; tomou um trem para Liberty, no estado do Missouri,
a fim de cursar o bacharelado
em pedagogia no “William
Jewell College” (OJB, 09 e
23 jul 1914).
Em 28 de junho, um terrorista sérvio assassinara o
arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império
Austro-Húngaro, em Serajevo, capital da Bósnia. Em 28
de julho, o Império declarara
guerra à Sérvia. O propósito
dos nacionalistas sérvios era
afirmar sua diferença em relação ao Império, que suprimiu
sua língua e cultura.
A Primeira Guerra Mundial,
motivada por um desentendi-
Manoel de Jesus The,
colaborador de OJB
O
livro de Juízes é
pouco lido. Em
termos de pregação, nem se fala.
Alguns textos bíblicos são
evitados por diversas razões.
Por exemplo, a oração do Pai
Nosso. Os católicos a usam
como reza, daí a rejeição
protestante. O último verso
de Juízes afirma: “Naquela
época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe
parecia certo” (Jz 21.25).
Ao verificarmos o capítulo
9 do livro de Juízes lemos a
seguinte afirmação: “Assim
mento local, foi justificada
pelos militares e diplomatas.
Em 1914, o escritor britânico
H.G. Wells escreveu que
essa guerra seria “a guerra
para acabar com as guerras”.
Na prática, ela extinguiu os
impérios alemão, austro-húngaro, otomano e russo. Mais
de 62 milhões de soldados
participaram, no qual morreram mais de 8 milhões e
ficaram feridos mais de 20
milhões, muitos definitivamente mutilados.
Em 1914, lutaram nos campos abertos. Em 1915 e 1916,
nas trincheiras. Em 1917,
os submarinos alemães intensificaram os ataques aos
navios mercantes, inclusive
os brasileiros. Líderes, como
Francisco Fulgêncio Soren,
Salomão Luiz Ginsburg,
William Edwin Entzminger,
John Mein, Stephen Lawton
Watson, M.G.White, William
Carey Taylor, John B. Parker
e Clifton Ayres Baker tiveram
que enfrentar os perigos das
viagens marítimas. Na época,
o navio era o único meio de
transporte entre o Brasil e os
EUA. Taylor Crawford Bagby e Lewis Malen Bratcher
aguardaram o armistício para
poderem viajar. O conflito interferiu no desenvolvimento
das atividades das igrejas e
da Denominação Batista no
Brasil; eram 140 igrejas, onde
congregavam 10 mil membros (OJB, 21 e 28 ago 1913).
Em novembro de 1911,
tinha sido contratada, com
uma empresa gráfica na Ale-
manha, a primeira edição
musicada do “Cantor Cristão”
(OJB, 02 e 09 nov 1911);
depois foi contratada uma
tipografia portuguesa (OJB,
09 mai 1912), sendo encomendados 10 mil exemplares
do CC, somente com as letras
(OJB, 12 e 26 mar 1914). A
15ª edição, prometida para
1916, só ficou pronta em
janeiro de 1917 (OJB, 01 fev
1917).
Em 11 de novembro de
1918, a Alemanha rendeu-se;
foi assinado o armistício para
cessação das hostilidades.
Com o fim da guerra, a Casa
Publicadora Batista resolveu
assumir a responsabilidade
de publicar as futuras edições
do “Cantor Cristão” (OJB, 20
mar 1919). A edição musicada só seria publicada em
1924.
A guerra atrasou em, pelo
menos um lustro, os planos
de Francisco Fulgêncio Soren para a construção do
templo da PIBRJ. Mas não
foi somente prejudicada a
impressão e distribuição do
nosso hinário denominacional. A tradução de hinos,
inicialmente publicados nas
páginas de O Jornal Batista,
também diminuiu em seu volume. Durante os cinco anos
da guerra (1914-1918) foram
publicadas as traduções dos
hinos (observada aqui a ordem cronológica) nº 529, 89,
356, 167, 53, 424, 413, 187,
417, 382, 340, 58, 210, 344,
251, 305, 170, 499, 360,
349, 139, 188, 18, 368, 30,
509, 97, 355, 259, 389 e 59,
média de seis hinos por ano.
O que nos chama a atenção: com exceção dos hinos
nº 340 e 30, não se preocupavam com os horrores da
conflagração mundial. O
de nº 340 começava dizendo: “Importará ao Senhor
Jesus que eu viva no mundo
a ter o meu coração cheio
de aflição? Sentirá meu triste
viver?”. O autor da letra inglesa morreu em 1919. O de
nº 30 tinha uma mensagem
confortadora: “Tudo é paz,
tudo amor”, originalmente
escrita em alemão por um
padre austríaco em 1818,
publicada em inglês em uma
coletânea batista em 1918.
Curiosamente, bem no início do conflito internacional,
foi publicada a letra do hino
nº 323, “Castelo Forte”, do
protestante alemão Martin
Luther (OJB, 03 set 1914).
Entre os hinos escritos nos
EUA durante a guerra, podemos citar: “What a wonderful
change”, “Living for Jesus” e
“At Calvary”. O hino de Rufus H. McDaniel, que fala sobre a maravilhosa mudança
na vida desde que Jesus nela
entrou, poderia ser cantado
pelo soldado caminhando
em campo aberto no meio
do tiroteio (1914), particularmente na frase “agora não
existem nuvens de dúvida
para escurecer minha caminhada”. “Living for Jesus”,
de Thomas Chisholm, pelo
soldado na trincheira (1917),
que teve bastante tempo para
refletir que estava vivo enquanto Jesus morria em seu
lugar. William R. Newell,
ao aproximar-se o fim do
tormento (1918), com o hino
“At Calvary” agora poderia
alegremente reconhecer Jesus como seu rei.
Na escassa música religiosa
erudita do período (19141918), encontramos do organista alemão Max Reger
(1873-1916): “Oito cânticos
espirituais”, baseados no Saltério e “Requiem”, prematuramente dedicado “à memória dos heróis alemães”.
“O hino de Jesus”, cantata composta em 1917 por
Gustav Holst (1874-1934), é
uma busca esotérica em um
contexto cristão. Holst usa
a dança e hinos latinos para
expressar seu misticismo.
Depois da Primeira, viria
a Segunda Guerra Mundial.
Ralph Vaughan Williams
(1872-1958), compositor inglês que teve a excepcional
oportunidade de assistir o
desenrolar dos horrores da
Grande Guerra, em 1936
compôs “Dona nobis pacem”
(Dái-nos paz). A acumulação das ameaças nazistas e a
crença de um novo conflito
em futuro próximo inspiraram esta admoestação em favor da paz. Para ele, ninguém
ficaria à margem das preocupações com a paz internacional. Só para contrariar, o
roqueiro Morrissey afirmou:
“World Peace is none of your
business” (A paz mundial não
é da sua conta).
Deus retribuiu a maldade
que Abimeleque praticara
contra o seu pai, matando
os seus 70 irmãos” (Jz 9.56).
Logo, mais adiante, lemos:
“Deus fez também os homens de Siquém pagarem
por toda a sua maldade” (Jz
9.57). E agora? Não havia rei
terrestre, mas o soberano,
invisível, celestial estava
bem presente. Em nenhum
episódio do livro de Juízes
os rebeldes contra o Senhor
ficaram impunes. Nesse
mesmo livro aprendemos
que os grandes desvios de
um homem ou de um povo
começam por um ato que
julgamos pequeno, e sem
menores consequências.
Outro engano. O maldoso Abimeleque, que matou
seus 70 irmãos para reinar
sozinho, nasceu de uma
concubina, que também morava em Siquém, mostrando
que Gideão tinha uma vida
sexual incontrolável. Uma
pequena queda, diante da
sociedade daquele tempo,
nos ensinando que Deus
estava invisível, mas seus
olhos estavam vendo tudo
que os filhos de Israel faziam. Nós, homens de hoje,
somos iguais. Nossos valores
são os mesmos da sociedade
que nos rodeia, mas os valores de Deus são outros. Deus
não caminha na linha de baixo, mas de cima. Devemos
trilhar seus passos na linha
de cima, não nos passos dos
nossos semelhantes ao nosso
redor.
A recomendação acima
fez parte dos lábios de Jesus, quando ele afirma:
“Guardai-vos do fermento
dos fariseus”, e os apóstolos pensaram que estavam
recebendo uma reprimenda
por não terem trazido pão
suficiente. O mundo de
hoje também está fermentado. Consumismo, idealismo
messiânico, relativismo, individualismo e pragmatismo
permeiam nossos dias em
todas as esferas, principalmente religiosas.
O livro de Juízes é um relato de guerras sem fim. É bem
semelhante aos nossos dias.
Todavia, nosso Rei sempre
aparece nas horas difíceis
com a frase alentadora, dizendo: “Paz seja convosco”. Ele é o mesmo ainda
hoje. Ele nos vê sem nós o
vermos, ele nos ama. Hoje
ele é o nosso Pai, devemos
obedecê-lo sem exigir trocas
ou privilégios. Em uma relação de amor, não há contratos, trocas, expectativas de
lucros e vantagens. Ele é um
Pai invisível, mas sempre
presente, jamais ausente.
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reflexão
GOTAS BÍBLICAS
NA ATUALIDADE
OLAVO FEIJÓ
Pastor, professor de Psicologia
Sylvio Macri, pastor da
Igreja Batista Central de
Oswaldo Cruz - RJ
A
Bíblia nos leva a
Cristo e Cristo nos
leva à Bíblia. “A fé
vem pelo ouvir, e o
ouvir, pela Palavra de Deus”
(Rm 10.17). Aprendemos
de Cristo e nos tornamos
semelhantes a ele através do
estudo da Bíblia, como diz
II Timótio 3.16-17. Quando
aceitamos a Cristo como salvador, ingressamos imediatamente em um programa
permanente de crescimento
espiritual, cujo manual instrucional e operacional é a
Bíblia. É nela que encontramos as normas, as instruções, o passo a passo, os
procedimentos, o “suporte
técnico” e os critérios para
avaliar a vida cristã. Também
é nela que encontramos a
ajuda para corrigir as falhas
de execução. Em suma, ela é
o autêntico manual daquele
que deseja chegar “ao estado
do homem feito à medida da
estatura da plenitude Cristo”
(Ef 4.13b). Para crer em Jesus,
precisamos da Bíblia. Para
ser como Jesus, precisamos
ainda mais da Bíblia.
Isto quer dizer que precisamos ter a mesma visão
que Cristo tinha da Bíblia.
Muita gente que se senta
nos bancos das igrejas não
se apercebe do fato de que
Jesus jamais leu o Novo Testamento. Nunca pararam
para pensar que Jesus não
poderia mesmo lê-lo, porque
foi escrito vários anos após
sua morte e ressurreição. A
Bíblia que Jesus e os escritores do Novo Testamento usaram foi o Velho Testamento.
E esse exatamente como está
no formato editado pelos
evangélicos e judeus, sem
os livros apócrifos. Aliás,
esta terminologia – Velho e
Novo Testamento – surgiu
somente no século II d.C.
Toda a doutrina cristã foi
depreendida do Velho Testamento. Durante o ministério terreno de Jesus, seus
discípulos tiveram muita dificuldade para entender a
Bíblia como ele a entendia.
Somente após a ressurreição é que compreenderam
corretamente as profecias
sobre o Messias, com a ajuda
dele próprio, como diz Lucas
24.27. Ao converter-se, Paulo, que era rabino, precisou
repensar o Velho Testamento
do ponto de vista de Cristo,
o que ocorreu durante o seu
“período de silêncio” - provavelmente dez a 12 anos,
como relata Gálatas 1.15-24
e II Coríntios 11.32-33.
Tanto para Jesus, como
para os apóstolos, o Velho
Testamento teve um contexto imediato e outro mais
amplo: seus tipos, modelos e
profecias só encontraram sua
plenitude na história de Jesus Cristo, descrita em Atos
2.14-36; 3.11-26 e 13.16-41.
Por isso, deve ser sempre
lido e interpretado à luz de
Cristo e sua Missão. Mais
ainda, faz parte de uma revelação progressiva, que ainda
está em andamento, como
diz Hebreus 8.1-10.18 e I
Coríntios 13.12, e só se completará após o juízo final.
Jesus aceitou a inspiração
e a autoridade da Bíblia e
prometeu semelhante inspiração aos seus apóstolos, o
que ocorreu após o Pentecostes. Os apóstolos também
aceitaram tal inspiração e
autoridade, de acordo com I
Pedro 1.21 e II Timóteo 3.16.
Trinta e um livros do Velho
Testamento são citados diretamente no Novo. E, muitas
dessas citações, designam os
autores exatamente como o
Velho Testamento o faz, sem
nenhuma dúvida a respeito.
Aliás, está claro na Bíblia que
ela foi inspirada (“soprada”)
pelo Espírito Santo, mas os
escritores são homens que
Deus usou em épocas, situações e com características
pessoais diferentes. A autoria
divina não elimina a personalidade e as circunstâncias humanas, como, por exemplo,
a educação formal e o estilo
de escrever.
Foi no sermão do Monte,
descrito em Mateus 5.17-20,
que Jesus declarou explicitamente sua visão da Bíblia.
Para Jesus, a Bíblia era para
ser cumprida. Esta era a sua
Missão: cumprir as Escrituras
(v.17). Por, pelo menos, 19
vezes os evangelhos, principalmente o de Mateus, registram que tudo o que aconteceu com Jesus foi para que se
cumprissem as Escrituras. A
obediência de Jesus o levou
a sérias consequências, como
prisão, julgamento injusto e
morte de cruz, mas ele foi até
o fim, porque seu propósito
era cumprir as profecias da
Bíblia, como relata Atos 3.18,
e completar o plano de Deus
para a salvação dos pecadores, segundo Hebreus 5.7-9.
No mesmo texto, Jesus
declara que, para ele, a Bíblia era regra de fé. Ela é a
Palavra do Deus Eterno e,
portanto, é também eterna;
não passará, ainda que tudo
o mais passe (v.18). É tam-
bém a palavra do senhor
da história. Nos versículos
19 e 20, menciona-se três
vezes o Reino dos Céus, que
sabemos ser a realização
final da vontade de Deus e
do seu senhorio. Por isso,
quando no deserto foi tentado por satanás a questionar a sua Missão e seus sofrimentos, respondeu por
três vezes: “Está escrito” (Mt
4.1-11). Ele cria na palavra
eterna do Pai e a obedecia.
Ainda no mesmo texto, Jesus diz que para ele a Bíblia
era regra de vida, não letra
morta, mas palavra vivificada
pelo Espírito, como descreve
Romanos 7.6 e II Coríntios
3.6. No versículo 20, Jesus
diz que suas exigências éticas estavam muito acima do
farisaísmo, que era o padrão
dos judeus. E no restante do
capítulo, ele mostra o que
quis dizer nesse versículo:
por seis vezes usa a expressão “ouvistes que foi dito (...)
eu, porém, vos digo”, para
ensinar que sua ética considera não somente os atos
mas, antes deles, as intenções
do coração, de onde procedem, realmente, os pecados
(por exemplo, condenável é
não somente “matar”, mas
também “odiar”). É o que
John Stott chamou de “moralidade profunda”, muito além
da moralidade literalista dos
fariseus.
Isto quer dizer também
que devemos nos tornar
cada vez mais semelhantes
a Jesus por praticar os ensinos bíblicos. Jesus praticou
a Bíblia e tornou-se nosso
salvador e modelo. Ao praticarmos também a Bíblia, nos
tornaremos como ele. Na
primeira carta de Paulo aos
Tessalonicenses, ele afirma
que os irmãos daquela Igreja se fizeram semelhantes a
Cristo pelo modo com que
praticaram a Bíblia, como
relatado em I Tessalonicenses 1.6-10 e 2.13. Paulo diz
que eles receberam a Bíblia
como Palavra de Deus e
não de homens, e usa dois
verbos diferentes: o primeiro
para descrever uma aceitação formal, isto é, com a
razão. O segundo para falar
de uma aceitação informal,
interna, com a alegria que
vem do Espírito Santo. Era
um sentimento tão forte que
lhes permitia suportar as tribulações advindas da perseguição por parte dos judeus
e dos pagãos. Para sermos
semelhantes a Jesus, precisamos receber a Bíblia como a
Palavra de Deus infalível, infinitamente acima do padrão
Busquei ao
Senhor
gradecendo ao Senhor por sua atenção em responder,
o salmista explica:
“Busquei ao Senhor e ele
me respondeu: livrou-me de
todos os meus temores” (Sl
34.4). O Senhor não pode
responder quando nós não o
buscamos. Ele não é intrometido. Se nós não o buscamos,
ele respeita a nossa postura
de autossuficiência e permite
que sigamos nossas próprias
ideias.
O interessante de tudo
isso é a nossa queixa, reclamando da ausência das
respostas do Senhor quando,
na realidade, nunca usamos
um minuto do nosso tempo
para “buscar ao Senhor”.
Ficamos tão envolvidos nos
nossos próprios planos, nas
nossas próprias atividades,
que não damos chance ao
Senhor para entrar em nossa
correria.
O Salmista é um testemunho vivo. Aqueles que, sinceramente, honestamente,
buscam ao Senhor no meio
dos seus temores e dificuldades, sempre recebem uma intervenção do Senhor. Sempre
são livrados de “todos os seus
temores”. Façamos como o
salmista e digamos: “Busquei
ao Senhor”.
praticado no paganismo,
antigo ou moderno.
Paulo diz também que os
tessalonicenses se submeteram à atuação da Palavra de
Deus. O termo que ele usa é
“energia”, a mesma palavra
que temos em português para
designar a força elétrica. Trata-se de um poder tremendo,
que operou neles uma transformação tão radical que se
tornou conhecida em toda
a Macedônia e Acaia. Para
sermos semelhantes a Cristo,
precisamos permitir que opere em nós o poder da Palavra
do Deus vivo e verdadeiro,
o que somente será possível
com a ajuda do Espírito de
Cristo, como diz João 14.26
e 16.8-12,13.
Por causa da perseguição,
Paulo saiu às pressas de Tessalônica e foi para Atenas.
Mas, preocupado, enviou
Timóteo de volta à cidade,
pois temia que a Igreja, ainda
tão tenra, não suportasse as
“tribulações”, palavra que
significa “grande aperto”. As
boas notícias trazidas pelo
auxiliar, de que eles estavam
firmes na fé e no serviço, alegraram-no tanto, que afirmou:
“Eu revivi” (I Ts 3.8). Receberam a Palavra em meio a
duríssima adversidade, mas
mantiveram-se firmes. Para
sermos semelhantes a Jesus,
precisamos perseverar na
Palavra, sejam quais forem
as circunstâncias, segundo
o que diz Habacuque 2.2-4;
3.17-19.
Os crentes de Tessalônica
tornaram-se um modelo de
testemunho. A cidade ficava
às margens da Via Ignatia,
a principal estrada que levava à Roma e, por isso, a
história de sua conversão
propagou-se pelo mundo
romano. É muito interessante
a expressão que Paulo usa
para falar disso: o testemunho dos tessalonicenses foi
como um som poderoso que
se espalhou para todos os lados. Em todo lugar se ouvia
a repercussão da sua conversão. Para sermos como
Cristo, devemos repercutir a
Palavra de Deus em nossas
vidas, o que será cada vez
mais natural à medida que
nos tornamos iguais a ele.
Porém, saibamos de antemão, que ser como Cristo,
praticar a Bíblia tal como ele
a praticou e ensinou a fazê-lo,
tem o seu custo. É uma atitude radical, é contracultura no
mais puro sentido. Haverá estranheza, admiração, repúdio
e perseguição. Mas, o mundo
espera (desesperadamente)
que se lhe ofereça uma alternativa ao vazio existencial,
à inutilidade consumista, à
superfluidade de valores e à
podridão moral e espiritual
em que vegeta. Falharemos
novamente?
“Então Moisés lavrou duas
tábuas de pedra, como as
primeiras; e levantando-se
pela manhã de madrugada,
subiu ao monte Sinai, como
o Senhor lhe tinha ordenado;
e levou as duas tábuas de pedra nas suas mãos” (Ex 34.4).
A
o jornal batista – domingo, 07/12/14
reflexão
Edson Alves, pastor da
Igreja Batista em Vila
Farrula, São João de Meriti
- RJ
A
vida agitada, “corrida”, estressante,
seja lá qual for o
adjetivo que você
use para denominar sua vida
cotidiana, nos leva, muitas
vezes, a desejar uma vida
tranquila, com quase nada
para fazer e, se tiver um pouco de paz então, fica perfeito. Será que como cristãos
podemos ter este “sonho”
realizado? Pensando nisso,
selecionei algumas medidas
que, se tomadas com eficiência, sua vida cristã será
bem tranquila e sossegada.
Não leia a Bíblia - ela
pode despertar o seu interesse pelo conhecimento
de Deus e seu propósito,
pode viciar. Você corre o
risco de não querer ficar
mais no sofá vendo TV, terá
que selecionar muito bem o
tempo diante da tela e assim
não terás mais tempo de
ver coisas inúteis que não
edificam e que vai contra os
princípios cristãos. Vai querer acordar mais cedo para
ler a Bíblia e não terá mais o
conforto das primeiras horas
da manhã.
Não ore muito - você corre
o risco de querer orar mais
e mais. Terá ânsia em ouvir a voz de Deus. Passarás
muito tempo intercedendo
por seus familiares, pessoas
queridas e irmãos da Igreja. Vai evitar você de falar
da vida alheia, o que para
muitos é um hábito. Não
conseguirás passar um dia
sem falar com Deus. E pode
ser que o único tempo que
tenhas seja justamente na
hora em que o computador
da sua casa esteja “livre”
ou aquele programa imoral,
mas “engraçado” (cheio de
palavrões, imoralidade, etc.)
que faz você “relaxar”, esteja
passando e você não vai resistir e vai orar a Deus.
Não visite os enfermos
e afastados da igreja - Isso
toma tempo, ainda mais se
forem idosos. Gostam muito
de conversar, ficam alegres
em receber visitas e querem tirar o máximo proveito
disso. Os enfermos veem
naqueles que o visitam uma
forma de carinho e dedicação. E dedicação não combina com sossego. Os afastados
geralmente estão magoados
com outras pessoas e você
terá que ouvir muita coisa. Você perderá um tempo
precioso para desfrutar de
tranquilidade. Se o enfermo
estiver “só”, verá em você
uma companhia importante.
Terás que dar atenção a estas
pessoas e isso influenciará o
seu emocional, se importará
mais com as pessoas e isso
tira o sossego.
Não ajude financeiramente o seu irmão e nem a sua
igreja - Isso fará com que
você abra mão de um pacote
melhor de TV por assinatura com programas que não
terás tempo para assistir, de
comprar um Smartphone que
tenha “trocentos” recursos
dos quais não usarás nem
a metade. Não terás como
comprar coisas que você
realmente não precisa, mas
compra pelo simples prazer
de comprar.
Não evangelize ninguém Algumas pessoas podem se
interessar pelo Evangelho e
terás que saber mais sobre
Jesus, terás que ler mais a
Bíblia para ajudar os que
se interessam por ela. Vão
pedir que você ore para que
Deus ajude-as na decisão
que elas precisam tomar, se
seguirão a Cristo ou não. Se
elas se afastarem, terás que
visitá-las. Se elas não tiverem
Bíblia, serás tocado pelo
Espírito Santo e comprarás
uma Bíblia para doar.
Se você fizer todas estas
coisas, você não terá uma
vida cristã tranquila, não
mesmo. Agora, se estiver disposto a fazer tudo isso, teu
sossego virá depois, como
Jesus diz no Apocalipse:
“Venho em breve e trago a
recompensa, com a qual retribuirei a cada um segundo
a sua obra” (Ap 22.12). Deus
abençoe a sua vida.
Q
ue o mundo nada
sabe sobre o significado do Natal,
pode-se perceber
claramente pelas mensagens
e votos que recebemos e pelas entrevistas e comentários
que vemos e ouvimos através da mídia. Para a maioria
das pessoas, Natal é Papai
Noel, presentes, comidas e
bebidas, reunião em família,
roupas, e o que mais? Tudo,
menos Jesus. No máximo,
fala-se em paz, esperança
como conquistas humanas,
mas nada sobre aquele que
veio ao mundo trazer nova
vida, paz interior e esperança
eterna.
Sem Jesus, realmente, não
há paz, nem esperança, em
nenhum sentido para o ser
humano, individualmente,
ou para o mundo. Nestes
tempos de pós-modernidade,
de imperialismo do dinheiro,
de falência dos valores sociais, inclusive do conceito
de família, de deterioração
moral, nestes tempos de indefinição e confusão religiosa, o mundo precisa de Jesus.
Tragicamente, porém, o mundo não quer Jesus porque
Jesus significa o resgate dos
valores espirituais, a transformação interior pelo arrependimento e o perdão gerados
pela atuação do Espírito de
Deus. O Espírito do Natal é
o Espírito de Jesus.
Foi o Espírito Santo que
transformou o caos em ordem pelo poder da Palavra de Deus. “O Espírito
de Deus pairava sobre as
águas; e disse Deus: haja
luz, e houve luz” (Gn 1:12). Foi o Espírito Santo que
inspirou todos os profetas
que anunciaram a vinda do
Salvador ao mundo. Foi o
Espírito Santo que operou
o milagre da encarnação do
Verbo eterno no ventre virgem de Maria: “Virá sobre ti
o Espírito Santo e o poder do
Altíssimo te cobrirá com a
sua sombra” (Lc 1.35), disse
5
Gabriel à virgem de Nazaré.
Foi o Espírito Santo que
ungiu Jesus com o poder de
encarnar as profecias como o
Messias de Deus: “O Espírito
do Senhor está sobre mim,
porquanto me ungiu para
anunciar o Evangelho aos
pobres; enviou-me para proclamar liberdade aos cativos
e restauração de vista aos
cegos, para pôr em liberdade
os oprimidos” (Is 61.1). Foi
o Espírito Santo que deu à
Igreja o poder para proclamar
Cristo: “Recebereis poder ao
descer sobre vós o Espírito
Santo e sereis minhas testemunhas” (At 1.8).
É o Espírito Santo que gera
no ser humano uma nova
criatura, um novo ser com
as características do Reino
de Deus: “Se alguém não
nascer da água e do Espírito,
não pode entrar no Reino de
Deus” (Jo 3.5). É o Espírito
Santo que nos dá o discernimento espiritual da verdade
revelada em Cristo: “Ora, o
homem natural não aceita as
coisas do Espírito de Deus,
porque para ele são loucura;
e não podem entendê-las
porque elas se discernem
espiritualmente” (I Co 2.14).
O hom em na tur a l nã o
pode entender o verdadeiro espírito do Natal porque
esse entendimento é espiritual, só pode ser obtido pela
atuação do Espírito Santo. O
Natal não é apenas vida. É
vida eterna. Não é apenas
paz. É paz com Deus. Não
é apenas alegria. É alegria
no Espírito Santo. O Natal
é Jesus. O Natal é eterno
porque Jesus é eterno. Não
se pode esperar que o mundo entenda o espírito do
Natal porque o mundo não
está no Espírito de Jesus. Os
salvos, porém, os nascidos
de novo, têm e precisam
demonstrar o verdadeiro espírito do Natal. Feliz Natal
com Jesus. Feliz Natal em
Jesus. Feliz Natal no Espírito
de Jesus.
6
o jornal batista – domingo, 07/12/14
reflexão
Caminhos da Mulher de Deus
“Glória a Deus nas alturas,
paz na terra, boa vontade
para com os homens” (Lc
2.13-14).
N
atal é tempo de
paz ou deveria ser
assim. Porque Jesus é a paz, assim
deveria ser na terra e em
nossos corações. Mas, na
verdade, muitas vezes é um
tempo de muito estresse.
Vários fatores contribuem
para o estresse nesta época
natalina: a preparação das
comemorações, compras de
presentes, ter dinheiro para
comprá-los, decoração, não
conseguir encontrar o presente especial que procura,
esquecer alguém para quem
Eusvaldo G. dos Santos,
colaborador de OJB
N
o último dia da
festa, Jesus coloca-se em pé e,
provavelmente,
abre os braços e exclama:
“Se alguém tem sede, venha
a mim e beba, quem crer em
Jesus, como diz a Escritura,
do seu interior fluirão rios de
água viva” (Jo 7.37-38).
Quando lemos este texto,
sem a pretensão de analisá-lo exegeticamente, não
descobrimos a preocupação
de ensino espiritual de Jesus, temos algo particular
em relação ao crer em Jesus. Ao morrer na cruz, o
filho de Deus liberou o seu
próprio Espirito Santo para
estar permanentemente no
coração de todo aquele que
crê, com sede de salvação.
Ter sede significa o nosso reconhecimento de que
somos pecadores desde a
nossa concepção, como diz
Salmo 51.5.
A partir do momento que
entendemos o que é certo e
errado, é indício da secura
de itens vitais – água como
elemento essencial para vida,
sem a qual podemos morrer
por desidratação. Jesus disse:
“Venha a mim e beba” - a Palavra de Deus, o Espírito Santo
tem como sinônimo Água
ZENILDA REGGIANI CINTRA,
pastora e jornalista, Taguatinga, DF.
você deveria ter comprado
um presente, ceia de Natal,
ter a roupa certa para todas as
ocasiões sociais, limpar a casa,
saber que o ano está chegando
ao fim, enfrentar parentes com
os quais você tem dificuldades
nos relacionamentos, dividir o
tempo com os sogros e pais,
saber que talvez você vai passar o Natal sozinho, fazer parte
de uma família que celebra
separadamente por causa de
um divórcio, organizar as viagens, a falta de entes queridos
que já faleceram e outros motivos. Quando você faz uma
lista como essa, é fácil ver por
que o Natal é um período de
estresse para muitas pessoas.
Será que Cristo tem algo
a nos dizer em meio a toda
essa correria? Porque, afinal,
é a sua festa de aniversário.
Há uma pequena história
em Lucas que mostra como
a correria e estresse ficam
no caminho do que mais
importa. Não era o seu aniversário, mas um momento
de comunhão com amigos
e Jesus foi o convidado de
honra. Na história narrada
em Lucas 10, Jesus e os seus
discípulos chegaram a uma
aldeia onde uma mulher
chamada Marta abriu a sua
casa para eles. Ela ficou distraída com os preparativos
para receber bem os convidados enquanto a sua irmã,
Maria, se dedicava a ouvir o
Mestre. Isso não soa familiar
para nós?
Como Marta, podemos
ficar tão distraídos por todas
as coisas - aparentemente necessárias - e por esse
motivo nos estressarmos.
O problema não é o que
escolhemos, mas o que deixamos de fora. Algumas
das coisas que elegemos
não são realmente prioridades. A resposta é ser como
Maria. Ela percebeu que
passar o tempo com Jesus
era mais importante do que
as preparações externas. A
escolha de Marta não tinha
sido ruim. As coisas que ela
estava trabalhando eram
todas boas, mas não eram
as escolhas mais sábias no
momento. Por quê? Jesus
estava lá.
Todos os preparativos de
Natal são bons, mas não
são “apenas uma coisa” que
é “necessária”. E essa coisa
que é necessária neste Natal
é passar o tempo com Jesus,
em uma relação de amor
íntimo e pessoal. Nunca
devemos ficar tão ocupados
com as coisas exteriores a
ponto de negligenciarmos
o culto ao Senhor, de prepararmos o nosso coração
para recebê-lo, dar-lhe de
presente a nossa adoração e
deixar que a sua paz domine em nossos corações em
meio aos dias turbulentos
e ocupados desta época do
ano. (Inspirado em “How to
Handle Holiday Stress”, by
Matthew Rogers)
Viva. Crer em Jesus significa
uma entrega incondicional
da nossa alma em suas mãos.
Quando Jesus deixou a
Judeia e foi outra vez para
Galileia, era-lhe necessário
passar por Samaria; foi então
à cidade de Sicar e, no seu encontro com a mulher Samaritana, disse: “Se tu conheceras
o dom de Deus e quem te diz,
tu lhe pedirias e ele te daria
Água Viva” (Jo 4.10). Isso não
é como a pessoa quer, mas,
como diz a Escritura. Ele se
referia ao profeta, como relata
Isaías 58.11. E está falando
desta forma por ainda estar
nesta terra. Segundo João
14.6, ele diz que ninguém vai
ao pai, mas ele usa o termo
vem ao pai por ser ele Deus,
ainda na condição de Redentor e Salvador. Após ser glorificado, o seu próprio Espirito
seria derramado em amor em
nossos corações, como diz
Romanos 5.5.
O verso 37 do nosso texto,
nos dá uma ideia de que esta
festa comemorativa é a providencia miraculosa de Deus no
deserto, simbolizando o derramamento do Espírito Santo
prometido por Joel, relatado
em Joel 2.29.
Ele ficou em pé em um lugar visível. Podemos ver, em
uma dramaticidade, que que
qualquer um que viesse até a
sua presença, ele daria água
em abundância, isto é: vida
eterna. João 10.10 mostrou
neste ato a condição de um
viajante, cansado, sedento,
em paragens quentes, onde
o sol arde impiedosamente
sobre ele. Seu suprimento de
água acabou. Boca seca, lábios rachados, face incandescente e o corpo desidratado
clama por água para matar
a sede.
Isso significa que somos
peregrinos neste deserto,
andamos por onde não conhecemos, sem direção. No
segundo ato, representa uma
terra seca, sol tropical. Torrou
e endureceu o solo, os leitos
dos rios estão secos, árvores
e arbustos mirraram, animais
lamentam, não há pasto, a
terra anseia por água. Assim
é o mundo, a sociedade secular sem Deus, ressecada,
insatisfeita, sedenta, perversa
e corrompida, como relata Filipenses 2.15. Estamos diante
de uma seca, não tanto como
um deserto, onde os Oásis se-
caram espiritualmente, ou estão secando. Então, onde está
a água? Água que mata a sede
do viajante, água que irriga o
mundo ressecado, que aplaca
a sede. A resposta é: “Venha a
mim e beba”. São duas frases
com a mesma condição, pelo
fato que os verbos estão no
presente, (vir, beber, crer). Vir
a Jesus com fé significa crer
nele em arrependimento e
continuar bebendo, pelo fato
de continuar tendo sede.
No Salmo 42, o salmista
declara: “Como o cervo brama pelas correntes de águas,
assim suspira a minha alma
por ti, ó Deus. Minha alma
tem sede de Deus, do Deus
vivo. Quando entrarei e me
apresentarei ante a face de
Deus?” (Sl 42.1-2). O cristão está sempre com sede
de Deus e sempre bebendo.
Beber não é pedir, mas tomar.
Beber é uma das primeiras
coisas que a criança aprende,
água bebida começa a fluir.
William Temple escreveu:
“Ninguém consegue possuir,
ou ser habilitado pelo Espírito
Santo de Deus e guardar para
si”. O Espírito transborda e
não podemos falar do nosso
envolvimento em atividades
evangelísticas, sem que haja
a plenitude ou o estar cheio.
A ciência botânica diz que
uma árvore frutífera só produz
se estiver totalmente cheia da
seiva, isto significa que o fruto
do Espírito só vai aparecer na
vida cristã, quando houver a
plenitude do Espírito Santo.
John Stott diz: “Para entender
ao batismo e a plenitude do
Espirito Santo, é bom dividir
em três grupos – Grupo 1:
amor, gozo e paz. É o nosso
relacionar com Deus. Grupo
2: paciência, ternura, bondade é o nosso relacionar com
as demais pessoas. Grupo 3:
fidelidade, mansidão, domínio próprio é o nosso relacionamento conosco”. (“Batismo
e Plenitude do Espírito Santo”
- John Stott, pg 80, Ed. Nova
Vida, 2007).
o jornal batista – domingo, 07/12/14
missões nacionais
Missões Nacionais apresenta
Projeto Cristolândia destinado a
crianças e adolescentes
Redação de Missões
Nacionais
A
gerente de Ação
Social de Missões
Nacionais, Anair
Bragança, apresentou para as autoridades do
município de Guarulhos - SP
o Projeto Cristolândia, para
atender crianças e adolescentes usuários de drogas.
A proposta foi apresentada
no Fórum “Promoção, proteção e defesa dos direitos da
criança e do adolescente da
cidade de Guarulhos, visando ao enfrentamento ao uso
de drogas”, e contou com a
presença de representantes
da sociedade civil, empresários, entidades de assistência
e autoridades públicas da
cidade paulista.
O Projeto foi recebido com
muito entusiasmo pelas autoridades presentes. Eles registraram que na cidade não
há nenhum trabalho para
acolhimento de crianças e
adolescentes em situação
de dependência química.
Em razão dos excelentes
resultados da Missão Batista
Cristolândia para adultos,
todos os membros da mesa
do debate expressaram satisfação em poder contar com
Missões Nacionais para o
novo Projeto.
Anair destacou que o que
move estes trabalhos são
a graça de Deus e a com-
Equipe da gerência de Ação Social com a missionária Soraia
Machado (à dir.)
paixão que sentimos pelas
pessoas, citando os relevantes serviços na área social entre os ribeirinhos na
Amazônia e abrigos para
crianças e adolescentes.
Registrou ainda que todas
as atividades prestadas pelo
Projeto Cristolândia são gratuitas e que será um grande
desafio, mas também uma
oportunidade de trabalhar
com esta demanda que já há
algum tempo nos chamava
a atenção.
Após a palavra do juiz da
Vara de Infância e Juventude
protetiva e cível de Guarulhos- SP, o doutor Iberê de
Castro, do major da Polícia
Militar do estado de São
Paulo, Alípio de Lima Rios,
Apresentação do Coral Cristolândia
e da coordenadora de cinco
instituições de acolhimento,
Maria José Barros, sobre a
necessidade da criação da
Cristolândia para crianças
e adolescentes, o secretário
de Segurança Pública de
Guarulhos - que estava na
plenária - pediu a palavra
para reforçar o papel da sociedade como protagonista
desta idealização e convocou a sociedade civil para
colaborar com o novo Projeto de Missões Nacionais,
denominado “Novos Sonhos
Cristolândia”.
Também estiveram presentes no Fórum o pastor
Fernando Brandão, diretor
executivo da JMN, Marília
Andrade, analista de projetos sociais da JMN, pastor
Humberto e Soraia Machado, coordenadores da Cristolândia em São Paulo, bem
como outros missionários,
radicais e o coral do Centro de Formação Cristã de
Guarulhos.
Reconhecimento
Em setembro deste ano, a
JMN recebeu o ofício do doutor Iberê de Castro, rogando
aos batistas brasileiros atenção à situação que Guarulhos
enfrenta com o consumo das
drogas menores. A proposta
é que fosse desenvolvido um
Projeto Cristolândia destinado a crianças e adolescentes
na cidade.
Louvamos a Deus por este
reconhecimento, vindo por
meio de muitos frutos colhidos pelo Projeto. Pedimos
a ele força e ousadia para
proporcionarmos a mudança que estas crianças e estes
adolescentes necessitam, por
intermédio do poder transformador de Cristo Jesus.
Com orações e ofertas, precisamos que todos os batistas
brasileiros estejam envolvidos neste grande desafio.
Ao acessar o link você também poderá fazer parte desta
causa. Junte-se a nós! www.
missoesnacionais.org.br/pam
Momento de abertura do Fórum
Batismos marcam celebração de
aniversário de Igreja em
Porto Alegre - RS
Redação de Missões
Nacionais
O
s missionários
Bruno e Josiane Privatti têm
atuado em Porto
Alegre - RS e, recentemente, celebraram os sete anos
de organização da Igreja
Batista Missionária. A comemoração foi ainda mais
especial devido aos batismos também realizados na
ocasião.
As três pessoas que foram
batizadas são provas do
poder de Deus. Irmã Iara é
uma ex-mãe de santo, umbandista, que hoje serve ao
Senhor. Ela é sogra do pai
de um dos meninos do Projeto Futebol da Vida. Essa
família tem sido alcançada
e transformada por Cristo.
As outras duas pessoas
batizadas são Leo e Adriana, casal que representa os
primeiros frutos do Pequeno
Grupo Multiplicador (PGM)
da Igreja. “Eles começaram
a frequentar o futebol que
temos todas as semanas e,
em seguida, aceitaram o
convite para participar de
nosso PGM. No início, o
Leo frequentava a umbanda,
mas, para a glória de Deus,
Jesus transformou esta família”, conta o pastor Bruno.
7
Para os missionários, esse
tem sido um tempo especial e
de colheita no trabalho realizado na capital gaúcha. Cada
vez mais se tem cumprido a
Palavra de Atos, que diz: “Crê
no Senhor Jesus e serás salvo
tu e a tua casa” (At 16.31).
“Já estamos preparando a
multiplicação do nosso PGM
e entendemos ser esta uma
ferramenta excelente que o
Senhor nos deu para usarmos
aqui no Rio Grande do Sul”,
relatam os missionários.
Interceda por este ministério,
a fim de que continue multiplicando o Evangelho, resultando
em mais vidas salvas e libertas
por Jesus.
Entrega dos três certificados de batismo
8
o jornal batista – domingo, 07/12/14
notícias do brasil batista
PIB São João Clímaco - SP celebra
48 anos de organização
Marcos Vicente, pastor da
Primeira Igreja Batista João
Clímaco - SP
“Q
uando o Senhor trouxe
do cativeiro os que
voltaram a Sião, estávamos
como os que sonham. Então,
a nossa boca se encheu de
riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os
gentios: grandes coisas fez
o Senhor a estes. Grandes
coisas fez o Senhor por nós,
pelas quais estamos alegres”
(Sl 126.1-3).
Esse é o sentimento que
Jesus Cristo tem colocado no coração da família PIB São João Clímaco.
Ao completar 48 anos de
existência, não queremos
viver o passado, queremos
viver o presente e o futuro. O futuro que Deus tem
preparado para aqueles
que o temem. “No entanto, como está escrito: olho
algum jamais viu, ouvido
algum nunca ouviu e mente nenhuma imaginou o
que Deus predispôs para
aqueles que o amam” ( I
Co 2.9). Agradecemos a
Deus pelo 48º aniversário
de nossa Igreja.
Na sexta-feira, dia 31 de
outubro, tivemos um culto
de louvor e honra ao Senhor
Jesus Cristo. No sábado, dia
01 de novembro, tivemos
um dia de confraternização,
onde participaram 180 pessoas aproximadamente, entre
crianças e adultos. No domingo, dia 02, tivemos nosso
culto de louvor e gratidão a
Deus. Nessa ocasião, pregou
o irmão Giba, vice-diretor
da regional São Paulo, do
ministério motociclistico Esquadrão de Cristo.
A PIB São João Clímaco
nasceu no coração de Deus,
porém, homens e famílias
por zelo, dedicação e comprometimento do ide, não
mediram esforços para que
fosse estabelecido uma agência do Reino. Esse legado nos
foi entregue e, como “anjo
da Igreja”, eu, junto com a
Congregação, quero passar
esse bastão para as próximas
gerações. Um bastão de amor
ao Evangelho, a Cristo e as
“almas” perdidas.
Queremos ser uma Igreja
influente e contemporânea,
que saiba viver nossa história
e nossa tradição. Contudo,
no momento em que está
vivendo inserida na sociedade, continue sempre sendo a
Igreja de Jesus.
IB dos Mares – BA celebra o
Dia do Diácono Batista
Joel Gonçalves, diácono da
Igreja Batista dos Mares - BA
experiência de vida no ministério e de extremo despertamento acerca do serviço que
temos desenvolvido na Obra
do Senhor.
Quem ali esteve, entendeu
com clareza o recado de
Deus. Participou também
desta celebração, o Ministério ADA – A Deus Adoramos.
“Parabenizamos a todos os
diáconos e diaconisas. Esses
dias têm sido de bênçãos,
edificação e comunhão. Sentimos o toque do Senhor em
todo instante, fomos chamados para a diaconia. Atender
à Igreja - noiva de Cristo - é
um ato sublime, um ato de
amor com muita dedicação,
carinho e zelo”.
O
s dias 7, 8 e 9 de
novembro foram
marcados com
a comemoração
pelo Dia do Diácono Batista,
na realização do II Encontro
dos Diáconos da Igreja Batista dos Mares – BA. O evento
teve como orador oficial o
diácono Vânias Mendonça,
membro da Primeira Igreja
Batista de Manaus – AM.
Vânias, apesar de ser possuidor de inúmeros títulos,
tem como o de maior relevância o de servo do Deus
Altíssimo. Trouxe-nos uma
palavra com muita unção,
Novembro Azul na PIB de João Pessoa - PB
Liane Nepomuceno, pastora
da Primeira Igreja Batista de
João Pessoa - PB
E
ntendendo a importância de a Igreja se mobilizar junto à sociedade
na conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce
do câncer de próstata, o pastor
Estevam Fernnandes, junto
ao ministério “Homens de
Honra”, tomou a iniciativa de
organizar no dia 02 de novembro uma palestra especial com
o doutor Juarez Dornellas, que
é urologista.
“É a PIB de João Pessoa
alertando para o Novembro
Azul e apontando para o
céu. É tudo azul. É Deus
colorindo de Boas Novas
o nosso cotidiano, que às
vezes é de cor cinza ou sombrio demais. Jesus é vida!”,
afirma o pastor Estevam Fernandes.
O encontro teve como objetivo reunir os homens da
Igreja a fim de debaterem e
participarem de um momento onde poderiam sanar suas
dúvidas e quebrar o preconceito a respeito do tema.
Na ocasião, foi registrado
vários testemunhos positivos
entre os homens que participaram. Muitos desconheciam totalmente o assunto e,
outros, conseguiram mudar
a sua opinião em relação a
importância do exame preventivo.
o jornal batista – domingo, 07/12/14
notícias do brasil batista
É tempo de
III Encontro Nacional multiplicar
dos Coordenadores
de Ação Social é
realizado na Bahia A
9
Departamento de Ação Social da CBB
Aunir Carneiro, pastor colaboração de José Carlos,
missionário – Igreja Batista
Memorial de Macaé - RJ
Fotos: Convenção Batista Baiana
Departamento de Ação
Social da CBB
O
Encontro Nacional dos Coordenadores de Ação
Social foi realizado no dia 01 de novembro
na Igreja Batista da Graça,
em Salvador – BA. Em sua
terceira edição, o evento
reuniu nove coordenadores
regionais, além de outros
11 representantes de suas
convenções. O encontro foi
antecedido pelo Simpósio
de ação social da Convenção
Batista Baiana, quando vários
coordenadores ministraram
palestras e relatos de casos.
A reunião dos coordenadores de ação social acontece
anualmente e objetiva avaliar
o trabalho social realizado
pelas convenções, bem como
traçar metas para o ano seguinte, visando um maior
envolvimento das igrejas
batistas com o ministério de
assistência social.
Os coordenadores regionais possuem a incumbência
de despertar e capacitar as
igrejas da sua região para o
desenvolvimento de ações re-
gulares que sinalizem o amor
de Deus. Tais ações são motivadas pela convicção de que
o Evangelho de Cristo nos
desafia a buscarmos a melhoria de vida dos socialmente
mais frágeis, daqueles mais
sofridos da nossa sociedade.
A Convenção Batista Brasileira (CBB) fornece diversos recursos em seu portal
(www.batistas.com, na coluna “Ação Social”) para apoiar
as igrejas na implantação do
seu ministério social cristão,
como também, em parceria
com os coordenadores regionais, esclarecer dúvidas e
fornecer capacitações.
Durante o Simpósio foi
homenageado o pastor Mark
Greenwood. Como missionário da agência missionária
inglesa Baptist Missionary
Societ (BMS), retornará para a
Inglaterra onde irá desenvolver novas funções. Marcos,
como prefere ser chamado,
atuou por diversos anos no
Ceará e, há cinco, implantou
o Departamento de Ação
Social (DAS) da CBB. Desde
então, vem apoiando suas
ações, na maior parte do
tempo como coordenador.
Igreja Batista Memorial de Macaé RJ aplicou às ações
da Igreja a Campanha de Missões Nacionais
deste ano, no qual o tema
proposto foi “Multiplique”.
A Igreja multiplicou oração
nos bairros de Imbetiba e
centro da cidade de Macaé,
orando pelas empresas, hospitais, escolas, Praça Veríssimo de Melo e, principalmente, nos pontos de consu-
mo de drogas e prostituição.
Além de fazer oração com
as pessoas que caminhavam
pela calçada.
Multiplicamos também a
graça do Senhor Jesus na Igreja Batista Memorial quando
realizamos trabalho social,
como: corte de cabelo, atendimento médico, aplicação
de flúor e banhos aos necessitados e carentes.
Durante a atividade aplicou-se a Palavra de Deus
através de muito louvor. A
Igreja Batista Memorial de
Macaé demostra com este ato
o carinho e amor pelas almas
perdidas.
Neste seu último evento à
frente do DAS, o pastor Marcos apresentou o novo coordenador do departamento, o
pastor Remy Damasceno Lopes, que estará à frente do IV
Encontro, em 2015, que será
realizado em Teresina – PI.
CONVOCAÇÃO À 95ª ASSEMBLEIA
DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA
O Sr. Presidente da CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA, Luiz Roberto Soares
Silvado, no desempenho de suas atribuições, de acordo com o ESTATUTO, art. 5º § 1º,
art. 9º inciso II e REGIMENTO INTERNO, art. 6º § 3º, CONVOCA as Igrejas Batistas do
Brasil, a ela filiadas, a fim de enviarem os seus mensageiros, devidamente credenciados,
para a 95ª Assembleia Ordinária da CBB, a realizar-se na cidade de GRAMADO – RS,
entre os dias 6 e 10 de fevereiro de 2015, constando do programa oficial a reforma do
Estatuto, a reforma do Regimento Interno e a eleição da diretoria da Convenção Batista
Brasileira e das organizações: Convicção Editora, Associação Evangélica Denominada
Batista no Rio de Janeiro, Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira,
Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira, Seminário Teológico Batista Equatorial, Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil e Seminário Teológico
Batista do Sul do Brasil.
Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2014.
Pr. Luiz Roberto Soares Silvado
Presidente
10
o jornal batista – domingo, 07/12/14
notícias do brasil batista
Pepe Bahia realiza 11 Treinamento
Lidiane Ferreira,
Comunicação da CBBA
R
epresentantes de
diversas Igrejas Batistas da Bahia participaram entre os
dias 3 e 5 de novembro do
11º Treinamento para Missionários Facilitadores do
Pepe Bahia, no Seminário
Teológico Batista do Nordeste, em Feira de Santana.
O encontro funciona como
uma reunião dos missionários facilitadores dos Pepes’
já implantados, capacitação
desses e preparação dos novos. Também é uma oportunidade para os participantes
compartilharem suas experiências neste Programa de
apoio ao desenvolvimento
da criança, em família e na
comunidade.
“Alcançando a excelência na instrução” foi o tema
deste ano, tendo o seguinte
versículo como divisa: “(...)
O que ensina esmere-se em
fazê-lo” (Rm 12.7b). A coordenadora Estadual do Pepe,
Jacyra Goodgloves, ressaltou
a importância de realizar
cada atividade do Programa
buscando fazer o melhor
para a glória de Deus.
A excelência ficou bastante
o
evidente nos testemunhos
das missionárias facilitadoras,
mostrando o impacto das
suas ações em suas respectivas comunidades, ou no
reconhecimento de autoridades municipais, seja através
da transformação de vida das
crianças ou das suas famílias.
Outro ponto a destacar diz
respeito ao levantamento
de recursos para o Projeto,
o que envolve planejamento e também confiança na
providência de Deus para a
obra que ele deseja realizar
através dos seus filhos.
Os participantes interagiram nas seguintes oficinas:
evangelização discipuladora
de crianças (pastor André
José da Silva Neto), proteção à criança: sexualidade
infantil e abuso (pastor José
Anacleto), gotas preciosas
na captação de recursos
e atividades geradoras de
transformação (Thea Mara
Nogueira), correr para Deus
(Jamim Peixoto de Macedo
e Dorailda Lopes Ribeiro), o
ataque do inimigo às crianças
(Sandra Popoff), relacionamento cristão (Rosângela),
oficina de artes (Lílian Celena
e Elba Magalhães), inclusão
(Siméia Souza) e criatividade
na coordenação motora (Elba
Cristina Magalhães). O pastor
Erivaldo Barros, secretáriogeral da Convenção Batista
Baiana, participou das atividades realizadas no dia 05
de novembro.
“Louvamos ao Senhor pelos Pepe’s da PIB em Formosa do Rio Preto, PIB em Carinhanha, SIB em Camaçari, IB
Filadélfia em Itarantim, PIB
em Lobato, IB Peniel em Cândido Sales, PIB em Itapetinga,
PIB em Catu, IB Memorial
do Centenário de Vitória da
Conquista e IB Memorial em
Teixeira de Freitas.”, comenta
o secretário-geral.
Com o coração grato, o pastor Erivalo agradece e enfatiza
a relevância de cada pessoa
que cooperou com a realização do treinamento. “Agradeço a Deus por cada pastor e
coordenador das Igrejas, pelo
comitê e cerência de responsabilidade social nas pessoas,
do pastor Petronio Borges,
relator, e da professora Maria
Assis, gerente. Pela coordenadora estadual, irmã Jacyra
Goodgloves, pelos funcionários da CBBA: Eliana, Rosane
e Lidiane, que se dedicaram
em preparar toda pasta e materiais. Pela recepção e hospedagem do pastor Geremias e
toda equipe do STBNE. Glória
a Deus pelo Pepe e os resultados de crianças instruídas,
alfabetizadas e famílias que se
aproximaram e se entregaram
a Jesus Cristo através deste
Projeto em várias regiões da
Bahia”, agradece o pastor
Erivaldo.
Histórico
Em janeiro de 2006, a Convenção Baiana recebeu o
incentivo da ABIAH para
implantar o Programa Pepe.
Em novembro desse mesmo
ano, foram enviadas, através
da então coordenadoria de
Educação, as irmãs Josenice
Câmara e Jacyra Goodgloves
para participarem do treinamento para coordenadores
do Brasil em Conde, na Paraíba, a fim de conhecer melhor o desenvolvimento do
trabalho e trazer informações
detalhadas.
Em novembro de 2007, a
CBBA decide firmar vonvênio de parceria com a ABIAH
para viabilizar o Programa
Pepe dentro da programação da Convenção, e a irmã
Jacyra Carvalho Goodgloves
Costa foi convidada para
coordenar o trabalho no estado. A ABIAH analisou o
perfil da indicada, aprovou
e enviou as orientações a
serem seguidas pela mesma.
Em fevereiro de 2008, com
a presença da coordenadora
regional para Norte e Nordeste, irmã Rute Oliveira, acontece o primeiro Treinamento
para Missionários Facilitadores do Pepe na Bahia, com a
representação de oito Igrejas
e duas frentes missionárias;
sendo implantados, naquele
mesmo ano, cinco Pepe’s.
Atualmente, a Bahia está
atendendo a 200 crianças carentes e apoiando suas famílias, através de dez Pepes em
pleno funcionamento: “ crescendo com Jesus” (Segunda
Igreja Batista em Camaçari),
“Vida com Jesus” (Primeira
Igreja Batista em Lobato em
Salvador), “A Esperança é
Jesus” (Igreja Batista Peniel
em Cândido Sales), “Caminho
Feliz” (Igreja Batista Filadélfia
em Itarantim), “Criança Feliz”
(Primeira Igreja Batista em Itapetinga), “Estrela da Manhã”
(Primeira Igreja Batista em Carinhanha), “Pequenos Heróis”
(Primeira Igreja Batista de Formosa do Rio Preto), “Fazenda
Esperança” (Primeira Igreja
Batista em Catu), “Bem Querer” (Igreja Batista Memorial
do Centenário), “Passos Firmes” (Igreja Batista Memorial
em Teixeira de Freitas).
PIB em Artur Nogueira – SP está em festa
Cleverson Pereira do Valle,
pastor da Primeira Igreja
Batista em Artur Nogueira - SP
A
Primeira Igreja Batista em Artur Nogueira - SP comemorou nos dias 25
e 26 de outubro de 2014 os
seus 16 anos de organização.
As festividades começaram
no sábado e contou com a
presença do coral da Igreja
Batista Central de Campinas,
e o orador oficial foi o pastor
Nelson Nunes de Lima. Na
ocasião, também aconteceu a
celebração de batismos.
As festividades continuaram no domingo pela manhã,
quando a irmã Eugeny Manvailer Lima trouxe uma palestra sobre Escatologia - doutrina das últimas coisas. À noite,
a equipe de música da Igreja
abrilhantou o culto e o pastor
Nelson Nunes de Lima ministrou sobre o tema: “Deus, nós
e nossos pecados”.
A PIB em Artur Nogueira - SP foi organizada no dia
24/10/1998, fruto da visão
missionária dos irmãos Valdir
Pommer e família, que, na época, frequentavam a PIB Cosmópolis, também em São Paulo.
O trabalho começou a crescer
e vieram a somar a família do
irmão Aparecido Santos e a
família do irmão Ernesto.
Passaram pela Igreja os
seguintes pastores: pastor
Pedro dos Santos, carinhosamente chamado de Pedrinho; pastor Jairo Gonzaga;
pastor Carlos Eduardo e
pastor Lucio Antonio Furtado. No dia 27/09/2008 o
pastor Cleverson Pereira do
Valle assumiu o pastorado
da Igreja. E nesses seis anos
e um mês, a Igreja continua
crescendo para a glória de
Deus.
A Igreja tem um ministério
esportivo que funciona aos
sábados, com o objetivo de
alcançar os adolescentes para
Cristo. Também conta com
classes para todas as faixas
etárias aos domingos na Escola
Bíblica e investe em crianças
– conta com o culto infantil
durante o culto à noite.
Desejamos ser sempre uma
Igreja viva, que adora a Deus
e serve uns aos outros através de pequenos grupos e
evangelização dos perdidos.
Louvamos a Deus pela vida
de toda a liderança e membresia.
o jornal batista – domingo, 07/12/14
missões mundiais
Dê esperança para as crianças
no Sul da Ásia
Marcia Pinheiro – Redação
de Missões Mundiais
M
ais uma família cristã nasce
a partir do Projeto Lar da Paz,
coordenado pelo casal missionário Charles e Camila
Lopes, no Sul da Ásia. Uma
ex-abrigada na casa para meninas se casou recentemente.
Seu marido é membro de
uma igreja local.
A jovem chegou ao Lar da
Paz em 2004. Ela havia perdido a mãe. Seu pai, em um
ato de desespero, misturou
drogas e acabou ficando com
o corpo paralisado por alguns
meses. A família morava em
uma favela. Com mais três
irmãos, esta jovem foi levada
para o Lar da Paz, e lá eles
foram ricamente abençoados.
O Lar da Paz atende crianças carentes em uma região
onde os pequeninos, principalmente as meninas, estão sujeitos a todo o tipo de
violência e ao abandono. O
Projeto tem duas casas; uma
abriga 21 meninas e a outra
tem 30 meninos.
“Este lar existe para amar e
cuidar dessas crianças. Estamos aqui para resgatar meninos e meninas do abandono,
das drogas, da prostituição,
do analfabetismo, do crime,
do estupro, da violência, da
fome e da rejeição”, diz a
missionária Camila.
Diariamente, meninos e
meninas são vítimas de tráfico humano, abandono, exploração sexual e expostos a
todo o tipo de violência no
Sul da Ásia, em um dos piores países para uma criança
viver. Este ano, o Lar da Paz
é um dos projetos contemplados pela terceira edição da
Campanha Doe Esperança.
Convidamos você a ficar sem
o seu presente neste Natal
e, em troca, doar esperança
através de mensagens de
amor e/ou ofertas financeiras
para que meninos e meninas
asiáticos descubram uma
nova perspectiva de vida,
repleta de sonhos e oportunidades.
Existem muitas formas de
demonstrar seu apoio ao Doe
Esperança e, consequentemente, às crianças do Sul da
Ásia.
Desafio #doeesperanca:
aqui você usa as redes sociais
para compartilhar a proposta
da Campanha. Veja como
viralizar essa ideia:
1 - Envie uma mensagem
solidária: por texto, escreva
uma mensagem de esperança às crianças dos projetos
Meninas da Índia ou Lar
da Paz; por imagem, envie
uma fotografia, desenho ou
vídeo de encorajamento às
crianças.
2 - Oferte: ligue para 21221901/2730-6800 (cidades
com DDD 21) ou 0800 709
1900 (demais localidades) e
faça uma doação de qualquer valor para o Doe Esperança.
Para mais informações,
acesse www.doeesperanca.
org.br. Sua participação faz
toda a diferença.
SIM Manaus ajuda jovens a
descobrirem vocação
Willy Rangel – Redação de
Missões Mundiais
A
Primeira Igreja Batista de Manaus - AM
recebeu nos dias 21
e 22 de novembro o
“SIM, Todos Somos Vocacionados”. Com a participação
de 300 pessoas – a maioria
jovens –, o clima era como
nas edições anteriores do
Congresso, de descoberta da
vocação. Os participantes
puderam debater sobre temas
como medos e a dificuldade
de dar o primeiro passo no
cumprimento do chamado
de Deus.
Nossos missionários participaram ativamente do SIM
Manaus. Participando de painéis ou compartilhando testemunhos durante as plenárias,
eles estavam em contato direto com os participantes.
O jovem Mailson de Oliveira, que participou da oitava
turma do Radical África e retornou em setembro ao Brasil,
falou sobre o seu chamado.
Ele, um profissional de enfermagem, foi servir na Guiné
com seus dons e talentos.
“Conversei com meu pastor
de jovens e disse que estava
pensando em trabalhar em
Pastor Sérgio Queiroz
Pastor João Marcos
um hospital, mas já estava
no processo de me tornar um
Radical. O pastor me disse:
‘Quem chamou você primeiro?’. Foi quando entendi o
recado e fiz minhas malas. No
campo, pude utilizar meus
conhecimentos para abençoar
pessoas”, afirmou.
No debate do tema “Socorro, tenho vocação missionária”, a missionária Jorgelina
Burgos aconselhou os participantes a obedecerem ao
chamado de Deus.
“Lembra do patriarca saindo
e não sabendo para onde era
o chamado? É mais ou menos
isso, mas vale a pena dar o
primeiro passo. Confie em
Deus e não pense em outra
coisa”, disse.
Os participantes parecem
ter entendido o recado e des-
coberto suas vocações. O SIM
Manaus é a segunda edição
do Congresso de que o seminarista Joás Pinheiro participa. “Vir aqui e ouvir esses
testemunhos é muito bom.
Fico feliz também de trazer
amigos para conhecer um
pouco dessa vivência que é o
SIM”, afirmou.
Por outro lado, o SIM Manaus é a primeira edição do
Eliaquim de Melo Santana
Silva, que além de participar,
atuou como voluntário. Ele,
que é de Manaus, já esteve em outros projetos missionários e ficou muito feliz
quando soube que haveria
uma edição do Congresso no
Amazonas.
“Quando fui chamado para
ser voluntário, para trabalhar,
vi que Deus estava querendo
me usar. É uma experiência
muito boa poder ser usado
por Ele para abençoar outras
vidas”, contou.
Para o diretor-executivo da
Convenção Batista do Amazonas, o SIM Manaus foi além
das expectativas.
“Esperamos que a juventude
se desperte cada vez mais
para o trabalho missionário,
principalmente aqui, onde temos um grande desafio, pois
há lugares no Amazonas que
ainda não foram alcançados”,
destacou o executivo.
O orador oficial do SIM
Manaus, Sérgio Queiroz, destacou que o cumprimento do
chamado de Deus começa
bem perto de cada um: em
casa, na família. Outro ponto
destacado por Sérgio Queiroz, que também é procurador da Fazenda e pastor da
Igreja Batista Cidade Viva, em
João Pessoa - PB, é a formação
profissional para aqueles que
têm o desejo e chamado para
servir em um campo transcultural.
“Há países onde não se entra mais como missionário,
mas sim como profissional.
Acabamos de comissionar em
nossa Igreja um casal que está
indo para o Oriente Médio. E
11
ele saiu da universidade de
Engenharia”, contou. “Aí eu
penso que Deus precisa despertar as igrejas para acabar
com a ideia de eles, os missionários, e nós, os acomodados.
O que nos diferencia não é a
essência de nossa vocação,
mas o campo onde estamos, e
só. Pedro e Tiago ficaram em
Jerusalém e não eram menos
missionários do que Paulo,
que foi para outras regiões.
Precisamos romper com esse
paradigma, que não é bíblico”, enfatizou.
O diretor-executivo da
JMM, pastor João Marcos Barreto Soares, encerrou o SIM
Manaus dizendo que o Congresso “não é um momento
de entretenimento, mas para
você perceber o valor que
existe em você e como isso
pode ser usado para o que
Deus quer”.
“Deus vai cuidar para que
você vá em frente. Ele vai
cuidar da sua vocação. Não
tenha medo do que você vai
perder seguindo sua vocação.
Como disse o pastor David
Gomes, ‘Deus paga o prejuízo’”, concluiu.
Saiba mais sobre o SIM Manaus acessando www.facebook.com/simtsv.
12
o jornal batista – domingo, 07/12/14
notícias do brasil batista
o jornal batista – domingo, 07/12/14
ponto de vista
13
OBITUÁRIO
Em memória do pastor
Paulo Henriques de Souza
Sinval Viana da Silva,
primeiro-secretário da
UMHB Petropolitanos
“Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos
te veem” (Jó 42.5).
A
os 52 anos de idade,
no dia 02/05/2014,
vítima de infarto do
miocárdio, foi convocado à presença do Senhor
Paulo Henriques de Souza,
pastor da Igreja Batista Memorial de Petrópolis, região
serrana do Rio de Janeiro.
A ausência de convívio
deixou imensa saudade na
família, nos amigos, e na
membresia da Igreja, cuja
memória será reverenciada,
fator que nos faz buscar em
Deus o alento.
O pastor Paulo nasceu na
cidade de Tombos - MG em
26/03/1962. Sua infância foi
muito difícil. Aos 11 meses
de idade, seu pai, Luiz Ramos de Souza, faleceu aos
28 anos de idade, doente,
como consequência de uma
vida longe de Deus. Foi então criado pela avó materna
Deolinda Pereira Ramos,
membro da Assembleia de
Deus, que cuidava dos filhos
legítimos, dos filhos de criação e, naquele momento,
assumiu também os seus três
netos: Maria José de Souza
(hoje diaconisa da PIB de Petrópolis), José Maria de Souza
(hoje pastor sênior da PIB
da Barra da Tijuca) e Paulo
Henriques de Souza (saudoso
pastor da IB Memorial em
Petrópolis).
Com a saúde abalada, que
a debilitou, a irmã Deolinda não podendo cuidar de
todos, deixou os netos José
Maria e Paulo Marques com
a própria mãe Elzi Cescon
de Souza. Por circunstâncias
adversas, Elzi conduziu os
filhos a um internato, onde
os deixou por cerca de dois
anos. Fora do ambiente do
lar, o sofrimento foi muito
grande, chegando a passar
fome. Paulo Henriques também era severamente castigado por urinar na cama.
Findou o sofrimento quando
sua avó, irmã Deolinda, com
a graça de Deus, recuperou
a saúde, e voltou a cuidar
dos netos.
Paulo Henriques, aos 8
anos, vítima das adversidades
acima de sua tenra idade,
portava canivete no bolso e
brigava muito. Para custear
seus estudos, desde cedo
permanecia os dois turnos
no Colégio Terra Santa. Em
um turno trabalhava confeccionando tapeçaria. E, no
outro, estudava. Aos 11 viveu
a realidade da morte da mãe,
que falecera durante uma
cirurgia por agravamento de
uma gravidez interrompida.
Sua avó, desejosa de que
não se desviasse dos princípios bíblicos, o mantinha na
igreja desde pequeno. Entretanto, o descuido espiritual o
afastou temporariamente dos
caminhos do Senhor.
Aos 13 anos, em
30/11/1975, foi batizado
na Primeira Igreja Batista de
Petrópolis - RJ pelo pastor
Nilson Dimarzio. Apesar
de temente a Deus, só após
os 28 anos de idade viveu
a plenitude do Evangelho,
quando Cristo o transformou e, no mesmo dia, o
chamou para o ministério
pastoral. Paulo Henriques,
cristão atuante, prudente
Consagração do pastor Paulo Henriques de Souza
nas atitudes e comedido nas
palavras, não mediu esforços
na busca da capacitação necessária exigida para o santo
ofício, superando como um
atleta as dificuldades inerentes ao ministério. A convicção da chamada ministerial
passou a ser notória na sua
participação na Congregação do Alto da Serra. Mesmo
não sendo ainda seminarista,
consolidava a sua irrevogável submissão ao Senhor
Jesus, e o inabalável amor
à obra de evangelização,
visível através do cotidiano
naquele bairro.
Em 15/05/1982, tendo
como oficiante o pastor Vanderlei Martins, casou-se com
Rosali Rabelo, jovem escolhida por Deus para, a partir de
então, começar uma história
de 32 anos de feliz matrimônio. O casal foi abençoado
com o nascimento de dois
filhos e duas filhas: Joe Rabelo de Souza, Geisa de Souza
Procópio, Endy de Souza e
Ian Henrique Rabelo de Souza, o caçula. Família coesa,
que muito o amava e por ele
era carinhosamente amada.
O pastor Clarck Gable de
Araújo Barros, titular da Congregação do Alto da Serra,
zeloso com a sã doutrina
desde quando as reuniões
eram na garagem da casa do
diácono Isaías José de Abreu,
criava oportunidades para
que o irmão Paulo Henriques
pudesse dirigir os cultos. Em
suas visitas pastorais e atividades eclesiásticas, levava-o
consigo, encorajando-o a
servir ao Senhor com carinho
e esmero.
Ainda na Congregação,
mas no templo construído
naquele bairro, o pastor Clark
Gable foi convidado para
pastorear a PIB Universitária
Duque de Caxias – RJ.
Organizada a PIB Alto da
Serra, onde permaneceu até
1995, fez-se necessário um
pastor. Paulo Henriques estava concluindo o ensino
médio para matricular-se
no seminário. Para a nova
Igreja, Deus enviou o pastor
Cesar Villa Tácio. Paulo retorna à PIB Petrópolis, onde
o pastor Celso Ribeiro Filho
o convidou para trabalhar
como ministro de evangelismo, assumindo a liderança
na Congregação do Bairro
Morin. O trabalho foi intenso
e intercalado com o período
no Seminário Betel, no Rio.
Cursou o AME - Curso de
Auxiliar de Ministério -, e o
STBSB, na Tijuca.
Na Congregação do bairro
Morin desafiou os irmãos a
se engajarem mais, com os
dízimos e ofertas (liberado
pela Igreja mãe). Com a graça
de Deus e com esforço, conseguiram comprar um terreno
em um bom local, onde hoje
se encontra a IB Morim (pastor Alexandre Reis Rangel).
Nesse período, foi convidado pela comissão de sucessão pastoral da IB Memorial
para ser consagrado e pastoreá-la. Em 06/12/1998 foi seu
concílio examinatório e, no
mesmo dia, a ordenação na
PIB Petrópolis.
Em 20/12/1998 assumiu
o ministério pastoral na IB
Memorial, onde exerceu seu
primeiro e único pastorado
por 16 anos ininterruptos,
até o momento de sua passagem à Jerusalém Celestial.
Quando assumiu, as reuniões
e cultos aconteciam em um
templo adaptado a partir de
Pastor Paulo Henriques e família
uma residência, onde o espaço físico era pequeno, além
de precisar subir 70 degraus.
O pastor Paulo aceitou o
desafio da construção do
novo templo e, com muita
oração e sempre com a cooperação de fiéis irmãos que
dedicaram tempo, dinheiro
e esforço físico, se conseguiu
chegar onde a Igreja se reúne hoje. Mesmo não sendo
ainda o local definitivo, no
dia 31/12/2013 os cultos e
as reuniões passaram a ser
realizados perto da rua, sem
escadas, com uma rampa que
facilita o acesso dos idosos,
inclusive de portadores de
necessidades especiais, que
não podiam cultuar no antigo prédio. O saudoso pastor
Paulo Henriques viu parte do
seu sonho realizado.
Com 52 anos de idade,
com 39 anos de vida cristã,
32 de feliz matrimônio, 16
anos de vida ministerial e
dois anos como presidente da
OPBB Fluminense - subseção
Petrópolis -, o pastor Paulo
Henriques foi um servo de
Deus comprometido com o
estudo da Palavra e com a
pregação do Evangelho.
A irmã Rosali solicitou que
o culto gratulatório fosse
realizado no templo recémconstruído, onde pastores e
irmãos expressaram as condolências à família e à membresia pela vida deste servo.
Escrever sobre a trajetória do pastor Paulo Henriques constitui um privilégio.
Honrá-lo dessa maneira é o
mínimo que se faz a alguém
irrepreensível com a família
e com a membresia. “A obra
não é nossa, é do Senhor Jesus Cristo”, esse era o jargão
por ele usado.
14
o jornal batista – domingo, 07/12/14
notícias do brasil batista
o jornal batista – domingo, 07/12/14
ponto de vista
Tales Viana, seminarista da
Igreja Batista Itacuruça - RJ
V
ivemos hoje em
um tempo que temos várias denominações dentro do
cristianismo. Dentro da Igreja Católica, por exemplo,
existem movimentos como
a renovação carismática,
movimento Emáus, regnum
Christi, entre outros. já dentro da Igreja Protestante existem outras diversas denominações como os movimentos
tradicionais, pentecostais e
neopentecostais. Enfim, existe uma grande e abrangente
forma de se pregar o cristia-
Paulo Francis Jr.,
colaborador de OJB
P
ercorrendo uma longa estrada, um viajante deparou-se com
uma obra em início
de construção. Três pedreiros, com suas ferramentas,
trabalhavam nas escavações
das fundações do que parecia
ser um importante projeto. O viajante aproximou-se
curioso, desejando saber
o que seria construído ali.
Perguntou ao primeiro deles
o que estava fazendo.“Estou
quebrando pedras, não vê?”,
respondeu o pedreiro. Expressava no semblante um
misto de dor e sofrimento.
“Eu estou morrendo de trabalhar, isto aqui é um meio
de morte, as minhas costas
doem, minhas mãos estão esfoladas e eu não suporto mais
este trabalho”, concluiu. Mal
satisfeito, o viajante dirigiu-se ao segundo pedreiro e
repetiu a pergunta.“Estou
ganhando a vida”, respondeu
o segundo trabalhador. “Não
posso reclamar, pois foi o
emprego que consegui. Estou
conformado porque levo o
15
nismo. Algo que todos esses
movimentos têm em comum
é passar o que Cristo deixou
para todos. Porém, apesar
de tudo isso, vemos em boa
parte das igrejas uma realidade diferente do que Cristo
deixou em seu legado, pois
o que vemos é um “cristianismo” pregado em favor
dos lideres religiosos, uma
palavra voltada para os bens
materiais, com toda a ênfase
no dinheiro e bem-estar.
É óbvio que ninguém vive
sem essas coisas, mas o problema é a ênfase que se dá a
esses assuntos. A Igreja não
está sendo Igreja, está mais
próxima de ser um clube
social, aonde as pessoas só
vão para encontrar umas
com as outras, para depois
saírem juntas, pois o que
vem sendo pregado não
estimula os fies a fazerem
o que realmente é da vontade de Deus. Quando não
é assim, pregam o medo,
colocando nos centros das
pregações o diabo, o inferno, dando muito mais crédito a satanás do que a Cristo,
tendo assim uma inversão
de valores.
O amor de Deus está sendo esquecido, a graça de
Cristo está sendo deixada de
lado. Estamos nos tornando
pessoas vazias, usando a ex-
pressão “Deus te abençoe”
de uma forma distante do
que realmente seria. Temos
que pregar e praticar o amor
e a graça, principalmente
com o nosso próximo. Precisamos ser benção na vida do
outro. Devemos tomar atitudes e não apenas “esquentar
o banco”. Os líderes não
devem só pregar exortações
do inferno, mas direcionar a
igreja a fazer a diferença na
sociedade, afinal, se a igreja
não se misturar com o mundo, como será espalhado o
Evangelho, ou quem vai se
misturar para fazer isso? A
igreja tem que ser inclusiva
e não exclusiva, assim como
Jesus exemplificou quando
esteve na terra. Por que a
igreja, então, não vai atrás
dessas pessoas?
Enquanto a igreja está parada, muitos outros órgãos
estão ajudando em asilos, escolas, hospitais, APAE’s, entre várias outras instituições.
Portanto, temos que abrir os
nossos olhos e ver qual é a
realidade que está sendo vivida nas nossas igrejas, e nos
esforçarmos para não cair no
comodismo e não deixarmos
de tomar atitudes, pois todos nós somos enviados de
Deus. Que façamos a diferença ajudando o próximo e
espalhando a graça.
pão de cada dia para minha
família”. Mas o viajante queria saber o que seria aquela
construção. Perguntou então
ao terceiro pedreiro: o que
você está fazendo? Esse respondeu: “Estou ajudando a
construir uma grande igreja”.
Três pedreiros, três respostas
diferentes para o mesmo trabalho. Cada um manifestou
a sua própria visão. Com
qual dos três pedreiros você
se identifica? Qual deles é
você?
Creio que não faltará maturidade ao leitor destas linhas. Mesmo se tratando de
religião, o debate se torna
imprescindível na medida em
que, direta ou indiretamente,
atinge todas as instituições
do setor. Venho adiando
um posicionamento a respeito por inúmeras razões,
entre as quais o fato de que
estas linhas possam particularizar algum segmento em
especial, o que não procede.
Outra: mesmo com a boa
disposição de olharmos com
racionalidade questões aqui
enunciadas, ainda há quem
as rebata sem a plena razão.
Na verdade, o último local
no mundo no qual as pessoas
querem se decepcionar é a
igreja. Contudo, tem havido
muito desapontamento por
parte dos frequentadores,
em função da introdução de
mundanismos. Especificadamente, o materialismo é o
maior deles. A prosperidade
“física” tem sido perseguida
em maior grau que a espiritual. Aproveitando esse viés,
não poderíamos reconhecer
uma nota falsa de dinheiro
se não conhecêssemos bem
a verdadeira. Isso posto, reitero que a população, de
modo geral, conhece muito
pouco a Bíblia. Sendo assim,
é vítima fácil de obreiros gananciosos.
Muitos estão se afastando da Palavra de Deus, decepcionados por não serem
atendidos. Para determinar
esse tipo de pessoas, surgiu
o termo “desigrejado”. Um
exemplo: um famosíssimo
jogador de futebol e a esposa
disseram há algum tempo
ter “transferido a igreja para
sua casa” e não sentem falta
mais de se congregar. Como
eles, muitos cidadãos estão
se portando. A dedução é
que há algo se contrapondo
aos templos lotados que se
veem na televisão. Qual é
o tamanho da multidão que
fica fora das igrejas? Pesquisas recentes dizem que perto
de 30 milhões de pessoas já
frequentaram as igrejas no
Brasil e hoje já não o fazem
mais. O que elas observaram
para deixar de congregar?
O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, um dos maiores pregadores e estudiosos
da área, explica: “Uma pesquisa feita pela Fundação
Getúlio Vargas informa que
o número de desigrejados
cresceu entre 2003 e 2009
no Brasil”. Nicodemus acrescenta que “O doutor em ciências da religião, Paulo Romeiro, professor de Teologia,
tem um livro intitulado ‘Decepcionados com a Graça’.
Graça é uma referência no
livro ao nome de uma grande Igreja da atualidade. Ele
fez uma pesquisa de campo
com membros de tal Igreja,
que é bem representativa do
movimento neopentecostal,
e documentou o número
enorme de pessoas que frequentavam esta Congregação
- e outras do mesmo tipo -,
tendo ficado decepcionado
com as promessas que foram
feitas de prosperidade, de
cura e de bem-estar. Elas
saíram da igreja para nunca
mais voltar. Se frustraram
de vez com o Evangelho.
Ficaram decepcionadas não
só com aquele tipo de Igreja,
mas com qualquer outra. Por
extensão, passaram também
a abandonar as igrejas históricas, tradicionais. Há outro
fator que também pesa: a
nossa geração não gosta do
conceito de autoridade. Não
quer estar debaixo de autoridade espiritual, de disciplina
eclesiástica. Não quer ser
repreendida, não quer ser
corrigida. Gente que quer
ter o seu cristianismo do seu
próprio jeito, ser cristão à sua
maneira”. Lamentável.
Atenção para o alerta de
Nicodemus: “Não existe cristão verdadeiro sem que este
se congregue em uma igreja.
Não tem isso de cristão ‘carreira solo’. O cristão sempre
é visto em comunidade. Ele
está na família. Ele está na
igreja, no povo de Deus”. Eu
assino embaixo e dou fé.
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Órgão Oficial da Convenção Batista Brasileira Fundado em 1901